Repertorio Argumentativo Discursivas
Criar repertório argumentativo para discursivas é uma das etapas mais importantes da preparação para concursos públicos. Afinal, uma boa prova discursiva não depende apenas de escrever corretamente. Ela exige conteúdo, organização, capacidade de análise e argumentos consistentes.
Muitos candidatos sabem a matéria, mas travam quando precisam transformar conhecimento em texto. Outros até conseguem escrever, porém produzem respostas genéricas, sem profundidade e sem fundamentação. Por isso, construir repertório argumentativo para discursivas é essencial para quem deseja pontuar bem.
Em outras palavras, repertório é o conjunto de ideias, conceitos, exemplos, dados, normas, autores, decisões, princípios e fatos que o candidato consegue mobilizar na hora de escrever.
Repertório argumentativo é o material intelectual que sustenta uma resposta. Ele permite que o candidato saia do senso comum e escreva com mais autoridade.
Em uma discursiva, esse repertório pode aparecer por meio de:
No entanto, repertório não significa decorar frases prontas. Pelo contrário, significa compreender ideias úteis e saber aplicá-las ao tema proposto.
Nesse sentido, Perelman e Olbrechts-Tyteca, ao tratarem da nova retórica, mostram que argumentar é buscar adesão por meio de razões organizadas. Portanto, uma boa discursiva não é apenas uma exposição de conteúdo. Ela é uma construção argumentativa direcionada ao avaliador.
O repertório argumentativo para discursivas é importante porque ajuda o candidato a responder com precisão, profundidade e segurança.
Sem repertório, o texto tende a ficar superficial. O aluno repete ideias óbvias, usa frases genéricas e não consegue desenvolver bem o tema. Por outro lado, quando há repertório, a resposta ganha densidade.
Além disso, o repertório reduz o bloqueio na hora da prova. Quando o candidato já possui conceitos, exemplos e argumentos organizados, ele não precisa começar do zero. Ele apenas seleciona o que melhor se encaixa no comando da questão.
Para Fiorin, a argumentação depende da seleção e organização de ideias em função de um objetivo comunicativo. Desse modo, quem constrói repertório aprende não só “o que dizer”, mas também “como usar” aquilo que sabe.
A pergunta central é: como criar repertório para discursiva sem se perder em excesso de informação?
O primeiro passo é estudar o edital. O repertório precisa ser útil para a prova que você vai fazer. Não adianta acumular citações aleatórias se elas não dialogam com as disciplinas, os temas e o perfil da banca.
Depois disso, o candidato deve mapear temas prováveis. Em concursos jurídicos, por exemplo, podem aparecer temas ligados a direitos fundamentais, administração pública, controle, segurança pública, políticas públicas e responsabilidade do Estado. Em concursos administrativos, podem surgir temas sobre eficiência, governança, gestão pública, inclusão, tecnologia e ética.
Portanto, o repertório deve nascer da combinação entre edital, provas anteriores e temas recorrentes da área.
Uma forma eficiente de criar repertório argumentativo para discursivas é ler com intenção. Isso significa não ler apenas para entender, mas para identificar ideias que podem ser reaproveitadas em futuras respostas.
Ao estudar um conteúdo, pergunte:
Essa leitura ativa se aproxima do que Koch e Elias chamam de interação entre leitor, texto e contexto. O candidato não é um leitor passivo. Ele lê buscando construir sentido e selecionar elementos úteis para sua finalidade.
Não basta encontrar boas ideias. É preciso organizá-las.
Uma estratégia simples é criar um banco de repertório dividido por temas. Por exemplo:
Dentro de cada tema, o candidato pode registrar conceitos, autores, dispositivos legais, exemplos, dados e argumentos. Além disso, cada anotação deve ser curta. O objetivo não é criar um novo livro, mas um material de consulta e revisão.
Um erro comum é acumular repertório, mas nunca treinar sua aplicação. Isso não funciona.
Para que o repertório vire pontuação, o candidato precisa transformar ideias em parágrafos. Assim, em vez de apenas anotar um conceito, ele deve treinar como esse conceito entraria em uma resposta discursiva.
Por exemplo, se o tema for eficiência administrativa, o candidato pode treinar um parágrafo explicando que o princípio da eficiência exige atuação estatal orientada por resultados, racionalidade no uso dos recursos públicos e melhoria da prestação dos serviços à sociedade.
Esse tipo de treino desenvolve fluidez. Além disso, ajuda o aluno a perceber quais repertórios realmente são úteis.
Apesar da importância do repertório, é preciso cuidado. O candidato não deve inserir uma citação, dado ou autor apenas para parecer sofisticado. O repertório precisa servir ao tema. Se ele não ajuda a responder ao comando, deve ficar fora do texto.
Nesse ponto, Othon Moacyr Garcia, ao tratar da comunicação em prosa moderna, destaca a importância da clareza, da coerência e da adequação das ideias ao propósito do texto. Em provas discursivas, isso é decisivo.
Portanto, repertório bom é repertório pertinente. Não é o mais bonito, nem o mais raro. É aquele que responde melhor à pergunta.
Outro ponto importante é acompanhar atualidades com critério. Notícias, relatórios, decisões recentes e debates públicos podem enriquecer muito uma discursiva.
No entanto, o candidato deve evitar excesso de informação dispersa. O ideal é selecionar temas com maior chance de diálogo com o edital.
Por exemplo, em concursos de controle, faz sentido acompanhar transparência, integridade, governança, orçamento público e fiscalização. Já em concursos policiais, temas como crime organizado, segurança pública, direitos humanos, tecnologia e inteligência podem ser mais úteis. Assim, atualidades devem ser incorporadas ao repertório de forma estratégica.
Criar repertório argumentativo para discursivas é um processo contínuo. Ele envolve leitura direcionada, organização de ideias, seleção de conceitos, acompanhamento de temas relevantes e treino de escrita.
Em síntese, o repertório é o combustível da prova discursiva. Sem ele, o candidato até pode escrever corretamente, mas tende a produzir textos superficiais. Com ele, a resposta ganha densidade, precisão e autoridade.
Portanto, não espere a semana da prova para pensar no que escrever. Comece agora a construir seu banco de repertório, treine parágrafos e aprenda a usar suas ideias com pertinência.
Afinal, em prova discursiva, não vence quem apenas sabe muito. Vence quem consegue transformar conhecimento em argumento.
Referências bibliográficas
Fiorin, J. L. (2015). Argumentação. Contexto.
Garcia, O. M. (2010). Comunicação em prosa moderna. FGV.
Koch, I. V., & Elias, V. M. (2016). Ler e escrever: estratégias de produção textual. Contexto.
Perelman, C., & Olbrechts-Tyteca, L. (2005). Tratado da argumentação: a nova retórica. Martins Fontes.
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