Concursos Públicos

Fases da Administração Pública brasileira

Existem três fases na Administração Pública brasileira ao longo de sua história: o patrimonialismo, a burocracia, e a administração pública gerencial. A seguir, uma análise delas.

Primeira Fase – Patrimonialismo

O patrimonialismo pode ser caracterizado pela confusão entre o dinheiro público, e o do próprio governante. 

Historicamente, a predominância do patrimonialismo se deu em cenários de monarquia e império, onde não havia democracia, nem voto popular. Os governantes nasciam governantes. Assim, o patrimônio público tinha dono pré-determinado, e não havia nenhum controle popular.

Além da elite oficial, existia a escalada social, como em qualquer sociedade. E não havia critérios para escolher os “amigos do reis”, que desfrutariam o patrimônio público com os “donos” oficiais. Então, a fase do nepotismo trouxe o nepotismo e a troca de favores em sua forma mais explícita na Administração Pública brasileira.

A pessoa do governante tinha poder em excesso, quase absoluto. Havia muita pessoalidade, quase não havia legislação e regras escritas, e era quase impossível não aceitar aquele governante, seus aliados, suas atitudes não controladas e o mau uso das verbas públicas. Além de nunca focar em um governo eficiente.

A falta de controle do povo sobre os governantes, falta de critério de gastos e arrecadação de dinheiro público e o nepotismo, levavam à corrupção e ao abuso de poder. Isso leva à próxima fase da Administração Pública brasileira: a burocracia.

A segunda fase da Administração Pública brasileira – Burocracia

Na década de 1930, implementa-se, no Brasil, um modelo criado por Max Weber, que buscava aumentar a eficiência, e eliminar falhas do patrimonialismo.

Buscando melhoria, a burocracia separou a verba pública da verba do governante, para atenuar o grave problema que ocorria na predominância patrimonialista.

Além disso, regulou os procedimentos da Administração Pública utilizando normas e regulamentos, para trazer mais clareza do que deve ser feito, visando aumentar, também, a eficiência de tais procedimentos, e também a transparência dos procedimentos.

Ademais, trouxe hierarquia e meritocracia para o preenchimento dos cargos, tentando atenuar o nepotismo, e trazer a impessoalidade para a Administração Pública brasileira.

Disfunções da burocracia

Entretanto, nas fases da Administração Pública brasileira houve problemas na implementação prática da teoria de Weber.

Apesar dos pontos positivos, ocorreu apego às normas e regulamentos, e excesso de formalismo ao executar os procedimentos. Então, o procedimento público tornou-se engessado, com muito gasto de recursos e pouco resultado.

Então, a hierarquia e meritocracia, aliadas à impessoalidade, causaram o insulamento burocrático: o núcleo técnico da Administração Pública se isola em si mesmo e esquece da missão principal que é cuidar do interesse público.

Devido às disfunções da burocracia, e à necessidade de modernização, e consequência da evolução das fases da Administração Pública Brasileira, surge uma terceira fase.

Terceira Fase – Administração Pública Gerencial

No ano de 1995, no governo presidencial de Fernando Henrique Cardoso, implementa-se o PDRAE – Plano Diretor de Reforma do Aparelho de Estado, inspirado no modelo de gestão pública gerencial New Public Management, aplicado durante o mandato da primeira ministra inglesa Margaret Thatcher.

Ademais, a nova fase, a administração pública gerencial, dividia as atividades do governo em quatro setores: o núcleo estratégico, que tomava as decisões de longo mais importantes e definia leis e regras; as atividades exclusivas do Estado, que ele tipicamente deveria prestar, como segurança, previdência e regulação; os serviços não exclusivos ou competitivos, os quais poderiam ser prestados pelo Estado e por particulares, como educação e saúde; e a produção de bens e serviços para mercado, com intuito de lucro, prestado por particulares, inclusive por meio de concessões e privatizações. Então, tal divisão visa otimizar o funcionamento da máquina pública.

Na terceira fase, houve três momentos consecutivos: o primeiro foi Managerialism (Gerencialismo puro), que via o contribuinte como financiador, e focava no custo x benefício, e na eficiência e economicidade. à seguir, houve o Consumerism (Clientelismo), que enxergava o contribuinte como cliente, e focou na qualidade e efetividade so serviço, usando para tal fim a descentralização administrativa.

Por fim, o PSO – Public Service Orientation (Serviço Orientado ao Cidadão) é a última etapa. No contexto, a Administração vê o contribuinte como cidadão. Surge o accountability, no qual a sociedade efetivamente, por meios transparentes, controla os atos de gestão do governante, e exige correções e medidas punitivas. Também surgem meios de participação efetiva na política, como orçamento participativo, onde o povo diretamente decide o uso do dinheiro público.

A transição entre as fases da Administração Pública brasileira

Achar que, com a chegada de uma nova fase, elimina-se totalmente as falhas da fase anterior, e assim por diante é um erro comum.

Na prática, há uma sobreposição, não uma superação total. Na verdade, cada fase visa aprimorar a Administração Pública como um todo, porém uma mudança social e cultural é algo muito demorado, e muitos costumes permanecem enraizados. Isso ocorre em todas as expressões de sociedade da Humanidade. Até hoje, nota-se a presença de hábitos e costumes seculares.

Na Administração Pública não é diferente. Além disso, não é incomum a  evidenciação de práticas de nepotismo ou corrupção tipicamente patrimonialistas, mesmo nos dias de hoje, com a presença do accountability. Ademais, muitos cidadãos associam o termo “burocracia” apenas como suas características disfuncionais, quais sejam o engessamento do procedimento e o isolamento burocrático.

Assim, muitas bancas induzem candidatos ao erro dizendo que a implementação de uma fase “erradicou”, “corrigiu”, “extinguiu” ou “eliminou” a anterior.. Assim, é aconselhável cautela com afirmações categóricas, e elas são muito recorrentes em provas da maioria das bancas.

Cursos e Assinaturas

Prepare-se com o melhor material e com quem mais aprova em Concursos Públicos em todo o país!

Concursos Abertos

Concursos 2024

Carlos Augusto Canada Silva

Posts recentes

Concurso Público: confira a programação das aulas de hoje!

O Estratégia realiza semanalmente aulas, eventos, entrevistas, simulados, revisões e maratonas dos principais concursos públicos.…

41 minutos atrás

Concurso TCM SP tem validade prorrogada até 2028!

Presidente do TCM SP anuncia que mais 20 aprovados do último concurso serão nomeados nas…

2 horas atrás

Concurso Foz do Iguaçu Saúde PR: são 43 vagas; até R$ 21,6 mil!

Concurso Foz do Iguaçu Saúde terá provas aplicadas em 5 de julho! Está na praça…

3 horas atrás

Concurso Foz do Iguaçu PR: SAIU! Até R$ 21,6 mil!

O Edital do Concurso Foz do Iguaçu oferta 69 vagas imediatas mais CR; provas em…

3 horas atrás

Concurso SEDES DF: edital AMANHÃ; serão 1,1 mil vagas!

Governadora do DF confirma publicação do edital do Concurso SEDES DF para esta quarta-feira (14)!…

5 horas atrás

Concurso SEDES DF: edital amanhã (14) com 1.197 vagas!

Edital do Concurso SEDES DF será publicado amanhã, 14 de maio, com mais de mil…

5 horas atrás