Concursos Públicos

Revisão: qual o melhor método para você?

Uma das maiores dificuldades dos concurseiros não é aprender um conteúdo novo, mas conseguir manter o conhecimento ativo até o dia da prova. Afinal, de nada adianta estudar dezenas de disciplinas se boa parte delas for esquecida semanas depois.

É justamente nesse contexto que a revisão se torna indispensável.

Revisar não significa apenas reler um material. Trata-se de um processo estratégico para fortalecer a memória, identificar pontos fracos e aumentar a capacidade de resolver questões corretamente.

Existem diversos métodos de revisão, cada um com características próprias. Alguns funcionam melhor para determinados perfis de estudantes e fases da preparação. Neste artigo, vamos analisar os principais métodos e entender por que a revisão por questões costuma ser considerada a mais eficiente para quem busca aprovação.

Revisão por questões: o método mais eficiente

Se existe um método que mais se aproxima da realidade da prova, esse método é a revisão por questões.

O objetivo final de qualquer concurso não é fazer um resumo bonito, construir um mapa mental elaborado ou decorar dezenas de mnemônicos. O que realmente importa é acertar questões no dia da prova.

Por isso, revisar por questões possui uma vantagem gigantesca: ela treina exatamente a habilidade que será cobrada pelo examinador.

Quando o aluno resolve questões, ele:

  • Identifica os assuntos que realmente domina;
  • Descobre seus pontos fracos;
  • Aprende a interpretar o estilo da banca;
  • Desenvolve velocidade de resolução;
  • Memoriza padrões de cobrança;
  • Reforça conteúdos importantes de forma prática.

Além disso, existe um fenômeno muito comum em concursos: as questões se repetem.

Obviamente, a banca não copia exatamente os mesmos enunciados em todos os concursos, mas os conceitos cobrados, as pegadinhas, os temas favoritos e até a estrutura das perguntas frequentemente reaparecem.

Quanto maior o volume de questões resolvidas, maior a exposição do candidato a esses padrões.

É comum que candidatos aprovados tenham resolvido milhares ou até dezenas de milhares de questões durante sua preparação.

Em outras palavras, quem faz mais questões tende a chegar mais preparado para responder novas questões.

Por isso, a revisão por questões costuma ser considerada o método mais próximo do objetivo final do concurso.

Caderno de erros: O complemento perfeito

Se a revisão por questões é o principal método, o caderno de erros talvez seja o complemento mais poderoso.

A lógica é simples: não faz sentido revisar igualmente assuntos que você já domina e assuntos nos quais ainda apresenta dificuldades.

O caderno de erros serve justamente para concentrar energia onde ela é mais necessária.

Sempre que o aluno erra uma questão, ele registra:

  • O tema da questão;
  • O motivo do erro;
  • O conceito correto;
  • A pegadinha utilizada pela banca.

Com o tempo, forma-se um material altamente personalizado.

Enquanto um resumo tradicional reúne todo o conteúdo estudado, o caderno de erros reúne exatamente aquilo que o aluno ainda não domina.

Isso gera uma revisão extremamente eficiente.

Além disso, o desempenho em questões permite identificar quais assuntos apresentam menor taxa de acerto. Esses temas podem receber atenção especial dentro do caderno de erros, promovendo uma verdadeira “massificação” do conteúdo até que o desempenho melhore.

Por essa razão, muitos candidatos aprovados utilizam uma combinação muito simples:

Questões + Caderno de Erros.

Essa dupla costuma entregar resultados superiores a métodos muito mais complexos.

Mapas mentais

Os mapas mentais são representações visuais que organizam informações por meio de palavras-chave, conexões e ramificações.

Eles funcionam especialmente bem para:

  • Matérias extensas;
  • Assuntos com muitas subdivisões;
  • Revisões rápidas antes da prova;
  • Organização de conteúdos complexos.

Um mapa mental permite visualizar rapidamente a estrutura de determinado tema.

Por exemplo, em Direito Administrativo, é possível enxergar em uma única página os princípios da Administração Pública, seus conceitos e características.

Apesar das vantagens, os mapas mentais possuem limitações.

Criar bons mapas demanda tempo e, em alguns casos, o estudante acaba gastando mais energia elaborando o material do que efetivamente revisando.

Por isso, costumam funcionar melhor como complemento para assuntos que exigem visão global do conteúdo.

Resumos

Os resumos são uma das formas mais tradicionais de revisão.

A ideia consiste em condensar o conteúdo estudado em um material menor e mais objetivo.

Os principais benefícios são:

  • Síntese do conteúdo;
  • Organização das informações;
  • Facilidade para consultas rápidas.

Entretanto, existe um problema comum.

Muitos alunos transformam os resumos em verdadeiras apostilas reduzidas.

Quando isso acontece, a revisão perde eficiência.

Um resumo eficaz deve conter apenas informações essenciais, preferencialmente em tópicos curtos.

Além disso, ele não deve substituir a resolução de questões. Seu papel é complementar o estudo, principalmente para consultas rápidas e revisões periódicas.

Flash cards

Os flash cards são cartões de perguntas e respostas utilizados para reforçar a memorização.

Podem ser físicos ou digitais, e normalmente funcionam da seguinte forma:

Frente:
“Qual o prazo para impetração do Mandado de Segurança?”

Verso:
“120 dias.”

Esse método utiliza o princípio da recordação ativa, que força o cérebro a buscar a informação antes de visualizar a resposta.

Os flash cards costumam ser muito úteis para:

  • Prazos;
  • Conceitos;
  • Definições;
  • Fórmulas;
  • Artigos de lei;
  • Informações objetivas.

Por outro lado, não são tão eficazes para conteúdos que exigem raciocínio complexo ou interpretação aprofundada.

Seu melhor uso é como ferramenta complementar para memorização de pontos específicos.

Mnemônicos

Os mnemônicos (os famosos “bizus”) são técnicas que associam informações difíceis a palavras, frases ou histórias fáceis de lembrar.

Praticamente todo concurseiro já utilizou algum.

Exemplos clássicos incluem siglas, frases engraçadas ou associações mentais criadas para memorizar listas e sequências (ex: LIMPE, Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência).

As vantagens incluem:

  • Memorização rápida;
  • Facilidade para lembrar informações específicas;
  • Excelente retenção de listas e classificações.

No entanto, os mnemônicos possuem alcance limitado.

Eles ajudam a decorar informações, mas não substituem a compreensão do conteúdo.

Por isso, devem ser utilizados apenas para complementar o aprendizado.

Revisão por leitura da lei seca

Em áreas jurídicas, a leitura da lei seca é uma ferramenta extremamente importante.

Muitas bancas reproduzem praticamente o texto legal nas questões.

Por isso, revisões periódicas da legislação podem gerar ganhos significativos de desempenho.

Esse método costuma ser especialmente útil para:

  • Direito Constitucional;
  • Direito Administrativo;
  • Direito Penal;
  • Direito Processual;
  • Legislação específica.

Ainda assim, a simples leitura da lei tende a ser muito mais eficiente quando acompanhada de questões sobre os dispositivos estudados.

Revisão por videoaulas

Alguns estudantes utilizam videoaulas para revisar conteúdos.

Essa estratégia pode funcionar em situações específicas, principalmente quando existe dificuldade de compreensão em determinado tema.

Contudo, para fins de revisão, costuma ser um método pouco eficiente.

Uma videoaula de uma hora geralmente permite revisar uma quantidade de conteúdo muito menor do que seria possível por meio de questões, resumos ou leitura direcionada.

Por isso, seu uso deve ser pontual e direcionado a conteúdos que ainda não foram completamente assimilados.

Qual método escolher?

Não existe uma única ferramenta capaz de atender todas as necessidades de revisão.

Cada método possui sua utilidade.

Uma estratégia equilibrada pode seguir a seguinte lógica:

  • Questões para consolidar conhecimento;
  • Caderno de erros para corrigir fraquezas;
  • Flash cards para memorização;
  • Mapas mentais para visão geral;
  • Resumos para consultas rápidas;
  • Mnemônicos para informações específicas;
  • Lei seca para disciplinas jurídicas.

Entretanto, se fosse necessário escolher apenas um método, a revisão por questões seria a escolha mais eficiente.

O motivo é simples: concursos são decididos por questões.

Quanto mais questões o candidato resolve, maior sua familiaridade com o conteúdo, com a banca e com os padrões de cobrança. Além disso, a repetição constante dos temas permite consolidar o aprendizado de forma muito mais próxima da realidade da prova.

Em outras palavras, quem deseja melhorar o desempenho em questões precisa fazer mais questões. E quem faz mais questões, revisa constantemente aquilo que realmente importa para a aprovação.

Mauricio Miranda Sá

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