Coordenador-geral de Gestão Operacional da Polícia Rodoviária Federal concedeu entrevista exclusiva ao Estratégia Concursos!
A tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais estratégico no trabalho da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ampliando a capacidade de fiscalização, prevenção e combate ao crime.
A corporação emprega equipamentos modernos e sistemas inteligentes que contribuem para tornar as operações policiais nas rodovias federais mais ágeis, eficientes e seguras.
Ferramentas como drones, radares móveis de leitura automática de placas, além de bases de dados integradas e digitais permitem que os policiais identifiquem irregularidades com mais agilidade, acompanhem ocorrências em tempo real e planejem operações com base em análise de informações.
O uso dessas tecnologias também auxilia na redução de acidentes e no enfrentamento de crimes como tráfico de drogas, roubo de veículos e contrabando.
Para explicar como esses recursos são aplicados no dia a dia da instituição policial, o Estratégia Concursos conversou com Stênio Pires Benevides, coordenador-geral de Gestão Operacional da Polícia Rodoviária Federal, que detalhou de que forma a inovação tecnológica tem fortalecido o trabalho ostensivo nas rodovias brasileiras.
Com 30 anos de carreira, Stênio diz que não só viu o que melhorou ao longo dos anos, mas que fez parte desse processo, uma vez que integrou muitos dos projetos de melhorias implementados pela Polícia Rodoviária Federal.
Stênio – É uma mudança profunda, né? Nós temos a questão de que, 30 anos atrás, basicamente, o Policial Rodoviário Federal trabalhava dentro de uma viatura e com, no máximo, um rádio de comunicação para entrar em contato com a base ou com outras equipes.
Praticamente, todas as consultas eram realizadas por meio de rádio para a central. Hoje, o policial, dentro da viatura, tem total independência com o uso de tecnologias para realizar todo tipo de consulta necessária e alguns procedimentos de fiscalização com a utilização de equipamentos modernos, sem a necessidade de estar entrando em contato com a central para complementar essa fiscalização.
Stênio – A Polícia Rodoviária Federal desenvolveu muita tecnologia com celulares e tablets. Hoje, o PRF realiza toda a sua fiscalização por meio desses equipamentos.
A corporação entrega para cada policial um aparelho celular e um chip de dados e, com esses equipamentos e sistemas de aplicativos nativos da Polícia Rodoviária Federal, ele realiza todo tipo de fiscalização.
O Policial Rodoviário Federal não usa mais papel ou caneta, não existe mais nenhum formulário ou preenchimento de qualquer procedimento operacional a ser feito com papel.
Stênio – Sim, a Polícia Rodoviária Federal utiliza drones há pelo menos cinco anos.
Hoje, até os de tamanho reduzido têm câmeras de alta resolução, trazendo a possibilidade de ampliar as fiscalizações com o uso desse tipo de equipamento.
A próxima etapa é embarcar nesses drones a inteligência artificial para realizar a leitura de placas, monitorar veículos ziguezagueando — pode identificar motoristas com sono —, assim como ultrapassagens proibidas, tráfego pelo acostamento e outros comportamentos inadequados.
O equipamento com inteligência artificial, através da leitura de imagens, poderá emitir um alerta à equipe mais próxima para poder fazer a abordagem a esse veículo.
Stênio – Não, a Polícia Rodoviária Federal usa radares fixos para fazer a leitura das placas.
Se houver algum registro de roubo ou furto de veículo, é acionada a equipe mais próxima, através da central.
Nossos policiais ainda não utilizam câmeras corporais, isso está em fase de implantação. Quando implementados, esses equipamentos poderão ter esse tipo de tecnologia.
Mas já estão sendo instaladas e implementadas câmeras nas viaturas, onde haverá uma câmera à frente e outras atrás. Elas farão a leitura das placas dos veículos.
Stênio – A cada ano estamos adquirindo os equipamentos mais modernos e aumentando a quantidade.
Quanto maior a velocidade envolvida em um acidente, muito maior a probabilidade de mortes ocorrerem nesse sinistro. A quantidade de óbitos e feridos graves está intimamente relacionada ao excesso de velocidade.
Hoje, estimamos que 70% dos acidentes com mortes estejam relacionados direta ou indiretamente ao excesso de velocidade.
Por isso, esse tipo de fiscalização é considerado prioritário pela Polícia Rodoviária Federal, com o objetivo de reduzir as mortes nas rodovias federais.
Stênio – Antigamente havia a necessidade de parar o veículo, consultar os documentos do condutor, do veículo e entrar em contato via rádio com a central.
Hoje é muito mais eficiente: o policial não precisa abordar o veículo. Mesmo transitando, ele realiza a consulta com o celular e já sabe todos os dados do veículo e do proprietário, possibilitando uma maior quantidade de abordagens e trazendo mais segurança aos cidadãos que transitam nas rodovias.
No caso do combate à criminalidade, por mais que haja tecnologia, a expertise policial é essencial e fundamental. Um policial bem treinado, bem capacitado e com olhar crítico agrega a tecnologia e consegue ser muito eficiente nessa fiscalização.
É interessante a pergunta, porque a Polícia Rodoviária Federal é uma das instituições que mais apreendem drogas no planeta.
Só para vocês terem uma ideia, ano passado nós totalizamos aproximadamente 44 toneladas de cocaína apreendidas e quase 760 toneladas de maconha.
Então, é um volume gigantesco de droga retirada de circulação e um trabalho extremamente eficiente de combate às organizações criminosas.
Stênio – Nós temos o EPI (Equipamento de Proteção Individual), que é todo o equipamento.
Se você falar de vestimenta, o colete. Se falar de tecnologia, as câmeras corporais (em implantação), o celular e as câmeras instaladas nas viaturas. Esses são os equipamentos mais próximos do policial.
Também temos equipamentos de menor letalidade, que são as pistolas de choque, para evitar o confronto com arma letal, que é a pistola.
Stênio – Há, sim, a necessidade de utilização. Inclusive, já tem uma equipe trabalhando para, caso seja aprovada a PEC, apresentar ao Governo Federal e ao Ministério da Justiça todos os recursos necessários de equipamento, tecnologia, pessoal, viaturas, drones e tudo que envolva a fiscalização, para que a gente amplie todo o nosso parque tecnológico nesses modais que ainda não realizamos a fiscalização, que são o ferroviário e o hidroviário.
Stênio – No caso nosso da Polícia Rodoviária Federal, nós temos uma academia e um processo contínuo de capacitação dos nossos policiais.
Então, toda tecnologia nova que é implementada tem uma capacitação realizada com todos os policiais rodoviários federais em todo o Brasil. Só de investimento em capacitação, a PRF destina mais de 25 milhões de reais ao ano.
Graças a essa capacitação constante, não há uma defasagem em relação à necessidade do uso de tecnologia. Quando fazemos as aquisições de equipamentos e material, a gente faz um estudo e só é adquirido o necessário para o efetivo que nós temos hoje.
Eventualmente, se um policial for participar de uma ação em que vai ser utilizado um equipamento que ele nunca empregou, será realizado um treinamento com esse policial para que ele esteja apto.
Stênio – Hoje, o policial, para chegar até o curso de formação, passa por várias etapas.
O curso é muito intenso, cansativo e com uma carga horária bem extensa, para que os policiais possam aprender toda a metodologia de trabalho, uso de armamento e de todos os equipamentos tecnológicos.
Então, durante os quatro meses de duração do curso, eles passam por todos os equipamentos que poderão vir a utilizar no dia a dia de suas atividades.
Stênio – A mensagem que eu passo é que estudem, se dediquem ao concurso e tenham certeza de que aqueles que passarem e entrarem vão gostar muito da instituição e de prestar um bom serviço à sociedade brasileira. Esse é o maior orgulho que nós temos. Inclusive, está em nossa missão garantir a segurança à sociedade com cidadania.
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