Confira neste artigo a lógica por trás da catacrese e adicione um importante catálogo de exemplos do cotidiano à sua bagagem de estudos

Catacrese exemplos

Olá, pessoal! Tudo bem? Hoje falaremos sobre catacrese e exemplos dessa fascinante figura de linguagem.

Em síntese, a catacrese é uma figura de linguagem que habita a fronteira entre a necessidade prática do idioma e a estilística, estando tão entranhada na nossa rotina que a utilizamos todos os dias sem perceber.

​Para as bancas examinadoras, o assunto é um prato cheio, principalmente pelo fato de se tratar de um tema que testa a capacidade do candidato de diferenciar figuras de palavras, de pensamento e vícios de linguagem.

Neste artigo, analisaremos a lógica por trás da catacrese, apresentando um importante catálogo de exemplos do cotidiano e finalizando com um bloco cirúrgico focado nas armadilhas das bancas examinadoras. Acompanhe!​

Entendendo a catacrese

Como sabemos, ​a Língua Portuguesa é um organismo vivo, dinâmico e extremamente adaptável. Ao longo da evolução do nosso idioma, a sociedade criou novos objetos, ferramentas, situações e conceitos em um ritmo muito mais veloz do que a capacidade dos gramáticos de inventar palavras inéditas para nomeá-los. 

Diante da ausência de um termo próprio e específico no dicionário para designar algo, o falante nativo toma emprestada uma palavra já existente, associando-a por semelhança de forma, função ou posição. É exatamente desse mecanismo que nasce a catacrese.

​A catacrese é uma figura de linguagem que consiste no uso figurado de um termo por falta de uma palavra específica no acervo da língua para designar determinado ser, objeto ou ação. 

Com o passar do tempo e o uso contínuo, esse empréstimo se cristaliza, perde o seu caráter poético e passa a ser incorporado à norma culta como o nome “oficial” daquela realidade. Para compreender a essência da catacrese, é importante notar a sua diferença em relação à metáfora tradicional. 

A metáfora é uma criação poética, momentânea e individual. Quando um poeta escreve “seus olhos são duas esmeraldas”, ele está criando uma imagem estilística consciente. A catacrese, por sua vez, é uma metáfora desgastada pelo uso, um recurso que a comunidade de falantes adotou por pura necessidade denominativa. 

Assim, não há intenção poética em dizer que o “pé da mesa” está bambo. Trata-se simplesmente da única forma prática de nomear aquela estrutura de suporte. Ou seja, com o passar dos anos o provisório funciona tão bem que se consolida como o padrão definitivo do setor. A catacrese representa a definição desses “improvisos que deram certo” na história da língua.

Exemplos práticos do cotidiano

​A melhor maneira de assimilar a catacrese é analisar os seus exemplos divididos pelas associações que fazemos inconscientemente no dia a dia. Veja, primeiramente, os empréstimos da anatomia humana e animal: 

  • ​Pé da mesa, pé da cadeira, pé da página, pé da montanha: observa-se que, como o suporte inferior não tinha nome próprio, emprestou-se a palavra “pé”.
  • ​Braço da poltrona, braço do rio: a extensão lateral ganha a denominação do membro humano.
  • Boca da garrafa, boca do fogão, boca do balão: a abertura por onde entra ou sai algo é associada à cavidade bucal.
  • Cabeça de alho, cabeça do prego: a parte superior ou arredondada assume a denominação da cabeça.
  • ​Dente de alho: a unidade do bulbo lembra a forma do dente.
  • Coração do Brasil, coração da cidade: a região central.

Agora, veja exemplos de catacrese relacionados à extensão de verbos de ação (ações deslocadas):

  • ​Embarcar no trem, no avião, no ônibus: o verbo embarcar vem de “entrar em uma barca/embarcação”. Por falta de verbos específicos para cada meio de transporte, estendeu-se o uso para trens, aviões e automóveis.
  • Aterrissar na Lua, em Marte: o verbo aterrissar remete a “ir à Terra” (solo). Quando o astronauta desce na Lua, dizemos que ele aterrissou, usando a catacrese por extensão.
  • Enterrar uma agulha no tecido: o verbo enterrar significa colocar na terra, mas é usado para indicar a penetração profunda de algo em qualquer superfície.

​Como as bancas de concurso abordam a catacrese?

Veja onde os examinadores deixam as cascas de banana estrategicamente posicionadas dentro da sua prova:

  • ​Catacrese vs. metáfora: enunciados trazem trechos de textos e perguntam se a expressão sublinhada é uma metáfora ou uma catacrese. Para acertar a questão é preciso observar a intencionalidade e a existência de alternativa: se a expressão for a única forma comum e dicionarizada de nomear a coisa, como “asa da xícara” ou “maçã do rosto”, por exemplo, trata-se de catacrese. Se for uma associação original, expressiva e poética do autor, como “a xícara sorria com sua asa de cerâmica”, trata-se de metáfora.
  • ​Catacrese vs. metonímia: o examinador pode querer induzir o candidato a confundir catacrese com metonímia. Lembre-se: a metonímia é uma troca de termos que possuem relação de contiguidade real, como “bebi dois copos de água”. A catacrese é um empréstimo por ausência de termo próprio baseado em semelhança visual ou funcional.
  • Vício de linguagem: alternativas incorretas podem tentar associar a catacrese a um “erro gramatical” ou “vício de linguagem”. Fique atento, pois a catacrese é uma figura de linguagem plenamente reconhecida, legítima e aceita na norma culta da Língua Portuguesa, e não um desvio reprovável.

Como vimos, compreender a catacrese é um passo fundamental para enxergar o texto com olhos clínicos. Para além da aprovação, o assunto nos ensina a olhar para as palavras como ferramentas vivas de comunicação que se adaptam constantemente para servir à clareza do pensamento.

​​Considerações finais

Então, é isso, pessoal! Chegamos ao fim de nossa análise sobre catacrese e exemplos práticos do cotidiano. Esperamos que tenham gostado.

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Bons estudos a todos e até a próxima!

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Edmar Bezerra Araujo

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