Olá, concurseiros! Hoje vamos falar sobre um assunto que é fundamental para quem quer entender como funciona o orçamento público brasileiro: as vinculações orçamentárias.
De fato, as vinculações orçamentárias são um dos principais fatores que tornam nosso orçamento tão rígido. Mas por que isso acontece? Como funciona na prática? E quais são os mecanismos para dar mais flexibilidade ao gestor público?
Neste artigo, vamos abordar:
Preparados? Então vamos lá!
Primeiramente, é importante entender que as vinculações orçamentárias são regras que determinam que certas receitas devem ser usadas para finalidades específicas. Em outras palavras, o governo não pode usar esse dinheiro para qualquer coisa.
Por exemplo, imagine que você receba um dinheiro com a condição de que ele só pode ser gasto com educação. Pois é exatamente isso que acontece com as vinculações orçamentárias.
Conforme estabelece a Constituição Federal, no artigo 167, IV, existe uma regra importante: é proibido vincular receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. Contudo, a própria Constituição criou várias exceções a essa regra.
Por exemplo, os Estados e Municípios devem aplicar pelo menos 25% das receitas de impostos em educação. A União, da mesma forma, deve aplicar no mínimo 18%. Além disso, na saúde, a União deve aplicar 15% das receitas correntes líquidas.
Existem diferentes tipos de vinculações orçamentárias:
Vinculações Constitucionais: São as mais rígidas, pois estão na Constituição. Incluem os percentuais mínimos para educação e saúde, por exemplo.
Vinculações Legais: Criadas por leis ordinárias, dessa forma, são mais flexíveis que as constitucionais, pois podem ser alteradas mais facilmente.
Vinculações por Natureza: Por fim, algumas receitas já nascem com destino certo. As contribuições sociais, por exemplo, devem ir para a seguridade social.
O Brasil tem um dos orçamentos mais rígidos do mundo. Mais de 90% do orçamento federal é composto por gastos obrigatórios ou vinculados, ou seja, sobra muito pouco para o governo decidir onde gastar.
Gastos Constitucionais: Os pisos de educação e saúde crescem automaticamente conforme aumentam as receitas. Ademais, temos outras despesas obrigatórias previstas na Constituição.
Contribuições Sociais: COFINS, PIS, CSLL e contribuições previdenciárias têm destino certo e, desse modo, não podem ser usadas para outras finalidades.
Transferências Obrigatórias: FPE, FPM e outros repasses para Estados e Municípios são calculados automaticamente sobre a arrecadação.
Despesas com Pessoal: Embora não sejam vinculações, os gastos com servidores ativos e aposentados são pouco flexíveis.
A rigidez orçamentária traz vários problemas:
Dificuldade de Ajuste: Em tempos de crise, o governo não consegue cortar gastos proporcionalmente em todas as áreas. Finda que os cortes se concentram nos investimentos.
Falta de Flexibilidade: Se uma área precisa de mais recursos urgentemente, é difícil realocar dinheiro de outras áreas.
Pressão sobre Investimentos: Como os gastos correntes são rígidos, os investimentos são os primeiros a sofrer cortes.
Para dar mais flexibilidade ao orçamento, foi criada a Desvinculação de Receitas da União (DRU). Esse mecanismo permite ao governo usar livremente parte das receitas que, em princípio, teriam destino específico.
A DRU permite desvincular até 30% das receitas de contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e taxas. Dessa forma, esses recursos podem ser usados livremente pelo governo.
Por exemplo, se o governo arrecada R$ 100 bilhões em COFINS, pode usar R$ 30 bilhões para qualquer finalidade. Os outros R$ 70 bilhões devem ir para a seguridade social.
A DRU não é novidade. Ela começou em 1994 como Fundo Social de Emergência (FSE). Desde então, passou por várias prorrogações e mudanças.
A Emenda Constitucional nº 135/2024 prorrogou a DRU até 2032. Isso mostra que ela se tornou um instrumento permanente da política fiscal brasileira.
A DRU representa uma fonte importante de recursos livres. Estima-se que ela libere cerca de R$ 130 bilhões anuais para uso discricionário do governo federal.
As vinculações orçamentárias têm pontos positivos e negativos:
Proteção de Áreas Prioritárias: Garantem recursos mínimos para educação, saúde e outras áreas essenciais.
Estabilidade: Proporcionam previsibilidade para o planejamento de longo prazo.
Sinalização: Mostram o compromisso do Estado com determinadas políticas públicas.
Rigidez Excessiva: Limitam a capacidade do gestor de realocar recursos conforme as necessidades.
Ineficiência: Podem resultar em má alocação de recursos, direcionando dinheiro para áreas que não são prioritárias no momento.
Dificuldade de Ajuste: Em crises, concentram os cortes nas despesas não vinculadas.
Vamos ver alguns exemplos que podem aparecer na sua prova:
Se um Município arrecada R$ 100 milhões em impostos, deve aplicar pelo menos R$ 25 milhões em educação (25%) e o percentual estabelecido em lei para saúde.
Se a União arrecada R$ 200 bilhões em contribuições sociais, pode desvincular até R$ 60 bilhões (30%) para uso livre através da DRU.
As contribuições previdenciárias dos servidores públicos devem ir obrigatoriamente para o regime próprio de previdência. Não podem ser usadas para outras finalidades.
Para se dar bem nas questões sobre vinculações orçamentárias, lembre-se:
Percentuais: União (18% educação), Estados e Municípios (25% educação), União (15% saúde nas receitas correntes líquidas).
DRU: Atualmente em 30%, válida até 2032, incide sobre receitas de impostos, taxas, multas e outras receitas correntes.
Exceções: A regra de não vinculação só vale para impostos, não para outros tributos.
Rigidez: Brasil tem mais de 90% do orçamento federal com gastos obrigatórios ou vinculados.
As vinculações orçamentárias são um tema polêmico, mas fundamental para entender o orçamento público brasileiro. Elas protegem áreas prioritárias, mas também tornam o orçamento muito rígido.
A DRU surgiu como uma válvula de escape, dando alguma flexibilidade ao gestor público. Contudo, o debate sobre a necessidade de reformas mais amplas continua.
Para sua prova, foque nos percentuais, no funcionamento da DRU e nas consequências da rigidez orçamentária. Esses são os pontos mais prováveis de aparecerem em concursos.
Esperamos que este artigo tenha esclarecido suas dúvidas sobre vinculações orçamentárias. Continue estudando e boa sorte na sua preparação!
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