Concursos Públicos

Como priorizar matérias no concurso

Um edital extenso costuma provocar uma reação automática: tentar estudar tudo com o mesmo nível de profundidade. O candidato abre uma disciplina de peso alto e estuda por três horas; depois encontra um assunto periférico, de baixa incidência, e dedica praticamente o mesmo esforço.

No papel, parece dedicação. Na prática, pode ser desperdício de energia.

Priorizar matérias no concurso significa reconhecer que conteúdos diferentes oferecem retornos diferentes. Peso na prova, frequência de cobrança, dificuldade pessoal e tempo disponível precisam entrar na decisão sobre onde aprofundar e onde fazer um estudo mais objetivo.

A preparação fica mais eficiente quando o candidato começa a pensar em pontos, e não apenas em páginas estudadas.

Nem todo conteúdo merece o mesmo tempo

O edital determina aquilo que pode ser cobrado, mas raramente todos os assuntos aparecem com a mesma frequência ou importância.

Uma matéria com 20 questões merece, em regra, atenção diferente daquela responsável por apenas cinco. Da mesma forma, dentro de uma única disciplina, determinados temas podem representar boa parte das questões históricas da banca.

Por isso, a profundidade do estudo precisa acompanhar a relevância daquele conteúdo para a prova.

José Carlos Libâneo, ao discutir planejamento e organização da aprendizagem, destaca a importância da definição de objetivos e da seleção adequada dos conteúdos. Para o concurseiro, essa ideia tem aplicação direta: existe um tempo limitado e ele precisa ser distribuído conforme aquilo que mais contribui para o resultado esperado.

Peso é o primeiro filtro

Imagine uma prova com duas disciplinas. Uma vale 30% da pontuação e outra, 5%.

Naturalmente, abandonar a segunda seria arriscado. Entretanto, dedicar exatamente o mesmo volume de horas às duas também pode ser pouco racional.

O peso mostra quanto aquela matéria pode alterar sua classificação. Assim, disciplinas com maior participação na nota tendem a justificar mais horas, revisões frequentes e maior volume de questões.

Esse raciocínio se torna ainda mais importante no pós-edital, quando cada hora possui um custo de oportunidade elevado. Toda hora adicional em uma matéria significa uma hora retirada de outra. Portanto, antes de montar seu ciclo, descubra onde estão os pontos da prova.

Depois, observe a incidência

O segundo elemento é a frequência de cobrança. Provas anteriores permitem identificar assuntos que aparecem reiteradamente. Em Direito Constitucional, por exemplo, uma banca pode concentrar grande parte das questões em determinados capítulos. Em Administração Pública, alguns temas também podem ser muito mais recorrentes que outros.

A incidência não garante o que aparecerá na próxima prova. Ainda assim, ela oferece informação para estabelecer prioridades. Luckesi, ao trabalhar a avaliação como instrumento diagnóstico, reforça justamente o valor da informação produzida pelo desempenho. No concurso, provas anteriores e questões cumprem função semelhante: ajudam a revelar onde a cobrança efetivamente se concentra.

Consequentemente, olhar apenas para o tamanho do PDF pode enganar. Um capítulo de 150 páginas não é necessariamente três vezes mais importante que outro de 50.

Sua dificuldade também entra na conta

Há ainda uma terceira variável: você. Dois candidatos podem estar estudando para a mesma prova e precisar de planejamentos diferentes. Um possui 85% de acertos em Português e 55% em Contabilidade. O outro apresenta exatamente o cenário inverso.

Nesse caso, aplicar a mesma carga às duas matérias para ambos teria pouco sentido. Por isso, ao priorizar matérias no concurso, observe seu percentual de acertos, os tipos de erros mais recorrentes e quanto esforço é necessário para elevar seu desempenho.

Evely Boruchovitch, em seus trabalhos sobre estratégias de aprendizagem, enfatiza o papel da autorregulação: estudantes mais eficientes monitoram o próprio desempenho e ajustam suas estratégias. Essa lógica é especialmente valiosa para concursos. Seu cronograma precisa reagir aos seus resultados.

Uma regra prática de profundidade

Na hora de decidir quanto aprofundar, vale analisar três perguntas:

  1. Quanto essa matéria vale? Quanto maior o peso, maior tende a ser a necessidade de domínio.
  2. Quanto ela aparece? Assuntos recorrentes merecem contato frequente e estudo mais aprofundado.
  3. Como está meu desempenho? Conteúdos importantes nos quais seu percentual está baixo precisam ganhar espaço adicional.

Quando peso, incidência e dificuldade pessoal aparecem juntos, normalmente estamos diante de uma prioridade alta. Por outro lado, um assunto de baixa incidência, pequeno peso e alto custo de aprendizado pode justificar uma abordagem mais objetiva, especialmente quando o tempo é curto.

Profundidade também muda ao longo da preparação

A profundidade de estudo não precisa permanecer igual durante toda a caminhada. No primeiro contato com uma matéria, talvez seja necessário construir fundamentos. Depois, questões ajudam a mostrar quais partes merecem aprofundamento. Mais adiante, algumas disciplinas podem entrar quase exclusivamente em revisão e manutenção.

Assim, o planejamento precisa ser dinâmico. Uma matéria na qual você já alcança consistentemente 85% ou 90% de acertos talvez não precise receber o mesmo número de horas que outra disciplina relevante na qual você permanece em 60%. Nesse momento, manter desempenho pode ser mais inteligente do que insistir em buscar perfeição.

Onde a Platinum ajuda

Esse é justamente um dos pontos em que acompanhamento individualizado ganha importância. O aluno sozinho costuma enxergar o edital como uma grande lista de pendências. Além disso, pode ser difícil decidir quando reduzir uma matéria, quando aprofundar outra ou quando abandonar temporariamente um assunto de baixo retorno.

Na Platinum, o coach acompanha o desempenho do aluno nas questões e trabalha com um plano de estudos personalizado. Dessa forma, o planejamento pode ser ajustado de acordo com objetivo, disponibilidade de tempo e evolução real.

Essa orientação ajuda a transformar uma pergunta vaga — “o que eu deveria estudar mais?” — em uma análise baseada em desempenho e prioridade.

Para quem possui pouco tempo disponível, isso ganha ainda mais valor. A meta passa a ser utilizar cada hora onde ela possui maior potencial de produzir pontos.

Se você tem essa dificuldade na hora de se organizar, clique aqui e busque ajuda dos melhores Coachs do Estratégia Concursos.

Cuidado com a busca pelos 100%

Outro problema aparece quando o candidato tenta dominar completamente todas as matérias. Chegar de 50% para 75% em uma disciplina importante pode exigir determinado esforço. Entretanto, avançar de 90% para 95% talvez consuma a mesma quantidade de horas — ou até mais.

Enquanto isso, outra matéria relevante permanece abandonada em 55%. A preparação competitiva exige saber quando aprofundar e também quando seguir em frente. Isso não significa aceitar lacunas graves. Significa entender que concursos são disputas de pontuação global. O objetivo é construir o melhor desempenho possível com o tempo disponível.

Conclusão

Você provavelmente precisa estudar todo o conteúdo relevante do edital. Porém, dificilmente precisa estudar tudo com a mesma profundidade. Priorizar matérias no concurso envolve cruzar peso, incidência, dificuldade pessoal e desempenho. Quanto mais importante for determinado assunto e pior estiver seu resultado nele, maior tende a ser a necessidade de investimento.

Assim, o estudo deixa de ser uma sequência de páginas e passa a ser uma estratégia de pontuação. Antes de aumentar sua carga horária, portanto, talvez valha fazer outra pergunta: minhas melhores horas estão realmente sendo gastas nas matérias que mais podem mudar minha nota? Essa resposta pode valer mais do que simplesmente estudar mais.

Referências bibliográficas

Boruchovitch, E. (1999). Estratégias de aprendizagem e desempenho escolar. Psicologia: Reflexão e Crítica.

Libâneo, J. C. (2013). Didática. Cortez.

Luckesi, C. C. (2011). Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. Cortez.

Leonardo José da Conceição Carvalho

Jornalista de formação e servidor público federal desde 2010. Colecionei diversas APROVAÇÔES ao longo desses anos: - Auditor Fiscal do Trabalho (2025), onde atualmente trabalho - Oficial de Inteligência da ABIN (2019-2025), onde vivi experiências únicas - Técnico Judiciário do STM (2013-2018), onde aprendi muito sobre a área meio - Agente Administrativo da AGU (2010-2013), onde comecei minha jornada federal

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