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Português Consulplan – Recursos Câmara de BH (atualizado)

Olá, pessoal. Tudo tranquilo?

Analisei provas da Câmara de BH realizadas no último domingo e sugiro alguns recursos, para questões com problemas de elaboração. Se o seu caderno de prova era diferente, faça as devidas adaptações. Certo? Há varias provas idênticas para cargos diferentes, então vale a pena ler o artigo e procurar a questão no seu caderno.

Vamos lá….

Coordenador do Processo Legislativo (Tipo -04 Azul)

Questão 10

Dentre os termos destacados, apena um não foi empregado como um forma referencial que contribui para a progressão textual; identifique-o.

  1. Que vitalizam tecidos e órgãos…
  2. E que depois de driblar as nuvens e a poluição…
  3. Inalamos pela primeira vez o ar que enche os pulmões…
  4. Ferro, cálcio, maganês, zinco, que jazem nas profundezas do solo…

 

Gabarito preliminar letra B.

Não há como discutir, nas alternativas A, C e D, que o pronome relativo “que” é um elemento coesivo, uma forma referencial que retoma informação anterior, isto é, um referente já mencionado. Esses recursos de retomada e repetição fazem o texto progredir e se desenvolver, daí o termo “progressão textual”. Então, por definição, o pronome relativo é um termo empregado como forma referencial, pois tem um “antecedente”, a quem será atribuída uma caracterização, por meio da oração adjetiva que o pronome tem função de introduzir.

Vejamos a definição de Evanildo Bechara:

Pronomes relativos – São os que normalmente se referem a um termo anterior chamado antecedente:

Eu sou o freguês que por último compra o jornal.

O que se refere à palavra freguês.

O pronome relativo que desempenha dois papéis gramaticais: além de sua referência ao antecedente como pronome, funciona também como transpositor de oração originariamente independente a adjetivo e aí exercer função de adjunto adnominal deste mesmo antecedente.

(Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, 37ª Edição, página 171, Editora Nova Fronteira)

O exemplo da prova é inclusive idêntico ao que consta em comentário sobre as orações adjetivas na obra de Bechara chamada Lições de Português pela análise Sintática (10ª Edição, Editora Grifo, 1976, página 149)

“ O livro que li e que lhe devolvi é ótimo”.

Então, como o “que” é pronome relativo e faz referência clara a “estrela”, não há como sustentar que o “que” não tenha papel referencial no período:

“o brilho cintilante de uma estrela que atravessa milhões de quilômetros na velocidade da luz, e que depois de driblar as nuvens e a pluição, aparece no céu sem que percebamos seu esforço heroico”.

O termo em negrito é uma oração adjetiva introduzida pelo relativo “que” e se encaixa na teoria mencionada acima.

Então, pede-se anulação da questão, pois a resposta não atende o comando do enunciado e traz sim elemento referencial que contribui para a progressão textual.

 

OBS: Aqui entre nós, a banca vai argumentar que o segundo “que” poderia ser suprimido, por já constar na primeira oração adjetiva. Isso é até verdade, mas não significa que seja correto afirmar que o “que” não seja elemento referencial. Então, peço que REESCREVAM O RECURSO COM SUAS PRÓPRIAS palavras e tentem ganhar essa questão, ok?

 

Coordenador do Processo Legislativo (Tipo -04 Azul)

Questão 06

Assinale a alternativa que apresenta o trecho “Neste início de terceiro milênio, qando a humanidade estabelece novos recordes de destruição dos recursos naturais, perdemos o contato com a Mãe terra e, não por acaso, com nós mesmos”, pontuado corretamente, de acordo com a norma padrão da língua portuguesa, mesmo após algumas alterações.

 

Vamos focar na alternativa considerada como gabarito:

  1. a) Neste início de terceiro milênio perdemos o contato com a Mãe Terra e não por acaso, com nós mesmos, quando a humanidade estabelece novos recordes de destruição dos recursos naturais.

Essa alternativa tem erros claros de pontuação, então nunca poderia ser considerada “pontuada corretamente, de acordo com a norma padrão da língua portuguesa, mesmo após algumas alterações.”

Primeiramente, temos que inserir vírgula para marcar o adjunto adverbial de tempo, que está antecipado, antes do verbo da oração principal:

Neste início de terceiro milênio, perdemos o contato com a Mãe Terra…

Além disso, temos que marcar com vírgulas o adjunto adverbial intercalado “não por acaso”. 

e, não por acaso, com nós mesmos, quando a humanidade estabelece novos recordes de destruição dos recursos naturais.

Para embasar essa regra, cito novamente Bechara, gramático que a Consulplan costuma usar como referência:

“Vírgula – Emprega-se a vírgula:

  1. j) para separar, em geral, adjuntos adverbiais que precedem o verbo e as orações adverbiais que vêm antes ou no meio da sua principal:

“Eu mesmo, até então, tinha-vos em má conta…” [MA.1, 185].

“mas, como as pestanas eram rótulas, o olhar continuava o seu ofício…” [MA.1, 183].”

 

Também cito aqui a orientação de Cegalla, na mesma linha:

“[EMPREGA-SE A VÍRGULA] para separar adjuntos adverbiais:

“Eis que, aos poucos, lá para as bandas cio oriente, clareia um cantinho do céu.”

(V1sc-0NDE m T,,uN,w)

“Com mais de setenta anos, andava a pé.” (GR1\í.lL1/\NO R1,Mos)

 

  • de modo geral, para separar orações adverbiais desenvolvidas:

Enquanto o marido pescava, Rosa ficava pintando a paisagem. “

(CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 43. ed. São Paulo, Nacional, 2000.)

 

Essa regra consta em qualquer gramática, fique à vontade para adicionar outras referêcias.

É possível então pedir a anulação, ou mudança de gabarito para a letra D, que trouxe corretamente a oração adverbial temporal isolada entre vírgulas e empregou facultativamente uma vírgula ao final para marcar o adjunto adverbial “não por acaso”:

“Neste início de terceiro milênio, quando a humanidade estabelece novos recordes de destruição dos recursos naturais, perdemos o contato com a Mãe Terra e com nós mesmos, não por acaso.

Na mesma prova, há outra questão que também admite recurso:

Assinale a sugestão de alteração do trecho destacado do texto que mantém o sentido básico original e a correção de
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
A) “São marcas profundas, viscerais, que não podem ser apagadas.” (1º§) / São marcas profundas, viscerais, não podendo
serem apagadas.
B) “Como se vê, interagimos intensamente com o meio natural.” (3º§) / Como se ver, interagimos intensamente para
com o meio natural.
C) “Mergulhados em afazeres mais urgentes, nos afastamos de nossa essência.” (6º§) / Afastamo-nos de nossa própria
essência, mergulhados em urgente afazeres.
D) “Em nosso sangue carregamos a terra, pulverizada nos sais minerais, que vitalizam tecidos e órgãos.” (2º§) /
Carregamos, em nosso sangue, a terra; pulverizada nos sais minerais cuja ação é vitalizar tecidos e órgãos.

As letra A, B e C trazem erros mais evidentes:

A) O “serem” não deveria estar flexionado, pois temos locução verbal (ser apagadas)

B) Erradíssima a forma “ver”, no infinitivo. A forma correta é “vê”, presente do indicativo.

C) Faltou o S em urgente, o que causa erro de concordância.

D) Essa alternativa deveria ser considerada incorreta também, pois o ponto e vírgula não deve ser usado para separar uma oração subordinada.

Segundo Celso Cunha:

” O ponto e vírgula […] deve ser usado para separar orações de mesma natureza que tenham uma certa extensão”

Em sua gramática, os exemplos são de orações e termos coordenados, nunca subordinados.

No mesmo sentido, veja as palavras de Cegalla:

O ponto e vírgula denota uma pausa mais sensível que a vírgula e emprega-se principalmente:
• para separar orações coordenadas de certa extensão:
“Depois lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhecido, guardando
consigo a ponta farpada.” UosÉ DE ALENCAR)

Astrônomos já tentaram estabelecer contato com seres extraterrestres; suas tentativas,
porém, foram infrutíferas.

Bechara também menciona o fato de o ponto e vírgula marcar a independência sintática das orações:

A independência sintática das duas orações, neste caso, pode vir indicada por uma pausa
maior, isto é, por ponto e vírgula ou por ponto

Portanto, rigorosamente, a letra D também está errada. Digo “rigorosamente” porque o próprio Celso Cunha diz que o uso do ponto e vírgula é muito pouco regulado e restrito:

“Esta imprecisão do ponto e vírgula faz que seu emprego dependa substancialmente do contexto”. Então, a banca pode muito bem manter esse gabarito, considerando os erros evidentes nas outras opções. Vamos torcer.

 

A questão 5 da prova de Consultor Legislativo, cuja resposta foi “onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente” é traiçoeira, mas pelo contexto percebemos que retoma “mercado de trabalho”, pois é onde há um “chefe”. Não há como atacar essa questão.

 

Bem, esses são os únicos recursos que achei viáveis, certo? Se a questão que você errou não estiver aqui, é porque não vi possibilidade real de recurso. Tranquilo?

Boa sorte a todos!

Coordenação

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