Entenda, neste artigo, os desafios do financiamento de infraestrutura no Brasil, para o concurso do BNDES.
Olá, pessoal! O concurso do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) está se aproximando. Portanto, é hora de acelerar a preparação.
No artigo de hoje, trataremos do tema financiamento de projetos de infraestrutura, que faz parte dos conhecimentos básicos do conteúdo programático do edital, subitem Conhecimentos Transversais – Papel do BNDES no desenvolvimento brasileiro. Vamos lá?
A necessidade de financiamento de infraestrutura surge do déficit existente atualmente.
Os baixos níveis de investimento em infraestrutura no Brasil podem ser constatados de diversas maneiras, desde a percepção do cidadão comum quanto à oferta e à qualidade dos empreendimentos do setor, até os resultados de rankings internacionais, em que se avalia comparativamente a oferta de serviços de infraestrutura entre diferentes países.
Uma das variáveis analisadas nesse tipo de avaliação é o estoque de capital em infraestrutura, que é o conjunto de bens de capital utilizados como insumos no processo de produção de uma economia.
De acordo com um estudo realizado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o estoque de capital em infraestrutura estava estimado em aproximadamente 35% do PIB, em 2021, ao passo que o estoque alvo, que refletiria uma infraestrutura moderna, universal e de qualidade, seria de 60,4% do PIB.
No mesmo sentido, o Relatório de 2023 da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) indica que há um gap de investimento anual de 2,32% do PIB, que equivale a uma lacuna de aproximadamente R$ 250 bilhões por ano.
Esse quadro torna-se ainda mais crítico ao se considerar que, nos últimos anos, a crise fiscal vem se agravando no país, o que compromete a capacidade de financiamento do setor público. Diante desse cenário, a participação do capital privado para a alavancagem dos investimentos ganha relevância, o que não é novidade no Brasil.
Desde a década de 90, houve uma maior participação desse capital, devido, notadamente, à aprovação da Lei de Concessões, às privatizações das distribuidoras de energia elétrica e do setor de telecomunicações e às primeiras concessões rodoviárias.
Um dos conceitos basilares para realizar a modelagem econômico-financeira de um projeto de infraestrutura é a estrutura de capital, que se refere à maneira como uma empresa financia seus investimentos.
A estrutura de capital é composta por: (i) capital próprio, que é o dinheiro investido pelos acionistas da empresa; (ii) capital de terceiros, que se refere ao dinheiro emprestado, a ser pago com juros.
O capital de terceiros é, em geral, provido pelas seguintes fontes, muitas vezes de forma combinada:
Existem ainda outras formas de financiamento de infraestrutura que ainda não são tão comuns no mercado brasileiro: os organismos multinacionais e os bancos privados estrangeiros – nesses casos, o empréstimo ocorre principalmente em moeda estrangeira.
Com o aumento das taxas de juros no Brasil, esse tipo de empréstimo se mostra interessante, com vistas a atrair mais capital a taxas potencialmente mais baixas para o financiamento de infraestrutura.
No entanto, os investidores ficam expostos à variação cambial entre a moeda nacional e a moeda estrangeira – o denominado risco cambial –, já que o reajuste das receitas dos projetos é atrelado, normalmente, apenas ao IPCA, e não à variação do dólar, por exemplo.
Assim, para fomentar a entrada desse tipo de capital nos negócios da infraestrutura brasileira, é necessário ajustar a modelagem dos contratos, de modo a gerar incentivos ao privado para buscar essas fontes.
Outro aspecto crítico para a obtenção de financiamentos é a oferta de garantias aos bancos ou instituições financiadoras.
Uma das opções existentes é o Project Finance. Nesse modelo, um grupo de investidores cria uma nova entidade, denominada Sociedade de Propósito Específico (SPE), voltada unicamente para implantar e operar um determinado projeto de infraestrutura.
Dessa forma, é possível segregar os ativos e os riscos associados ao contrato, bem como o fluxo de caixa do projeto, que é oferecido como garantia aos financiadores, para pagamento da própria dívida.
Assim, os investidores não precisam oferecer garantias próprias, que comprometem seu balanço patrimonial, e conseguem financiar diversos grandes projetos ao mesmo tempo, o que aparenta ser um arranjo viável para escalar o financiamento de infraestrutura.
Por outro lado, como, em regra, esse tipo de projeto só gera receitas a partir da fase operacional, o Project Finance está associado a uma assunção de riscos elevada durante a fase de implantação dos projetos. Por isso, o modelo ainda carece de soluções para incentivá-lo.
Uma solução que vem sendo utilizada para o financiamento de infraestrura é a de um modelo híbrido, que incorpora, para além do fluxo de caixa do projeto, uma estrutura tradicional de garantias, com o comprometimento dos controladores da SPE.
E assim finalizamos mais um artigo, pessoal! Ótimos estudos e até a próxima!
Lara Dourado
O Estratégia realiza semanalmente aulas, eventos, entrevistas, simulados, revisões e maratonas dos principais concursos públicos.…
Edital do novo concurso MP GO oferece oportunidades de nível superior. Provas em julho! Foi…
Novo concurso Sefa PA oferece oportunidades de nível superior. Foram registrados mais de 31 mil…
Novo concurso MP GO tem edital publicado com oportunidades de nível superior. Provas em julho!…
Novo concurso SES MG oferece oportunidades para o cargo de Especialista em Políticas e Gestão…
Novo concurso Câmara de Mongaguá oferece 10 vagas nos níveis médio e superior! Foram divulgados…