extrafiscalidade
Olá, concurseiro! Seja muito bem-vindo a mais um artigo para a sua preparação. O Direito Tributário vai muito além da simples arrecadação de recursos e a extrafiscalidade dos tributos é um tema sempre relevante em provas da área fiscal e de controle. Portanto, dominar esse conceito é um diferencial competitivo.
Assim sendo, vamos desvendar esse conceito e analisar como ele se manifesta na prática. Além disso, veremos a sua importância como ferramenta de intervenção estatal na ordem econômica e social, conforme a Constituição Federal determina.
A seguir, abordaremos os seguintes tópicos:
A extrafiscalidade representa a utilização do tributo não com o objetivo primordial de arrecadar, mas sim como um instrumento de intervenção na economia e na sociedade. Em outras palavras, o Estado manipula a carga tributária (aumentando ou diminuindo alíquotas, por exemplo) para induzir ou desestimular determinados comportamentos dos agentes econômicos.
Dessa forma, o foco não é o caixa do governo, mas sim a regulação do mercado ou a promoção de um objetivo social. Pense, por exemplo, em um imposto ambiental. O propósito principal não é o dinheiro, mas sim desestimular a poluição, tornando-a mais cara.
O fundamento constitucional para a extrafiscalidade reside no Art. 170 da Constituição Federal, que trata da Ordem Econômica e Financeira, e no Art. 145, § 1º, que permite que os impostos tenham caráter pessoal e sejam graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. Ademais, a própria Constituição prevê exceções aos princípios da legalidade e da anterioridade para alguns impostos de natureza extrafiscal, como o Imposto de Importação (II), o Imposto de Exportação (IE), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
É importante notar que a extrafiscalidade não anula a função fiscal. Pelo contrário, a arrecadação sempre estará presente, mas em segundo plano. O que define a função é a finalidade preponderante do ato.
Para quem se prepara para concursos, é vital saber diferenciar não apenas a função fiscal da extrafiscal, mas também a parafiscalidade.
Primeiramente, a fiscalidade é a função clássica do tributo: prover o Estado dos recursos financeiros necessários para a manutenção dos serviços públicos. O Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) são exemplos claros. O produto da arrecadação vai para o Tesouro e é utilizado para despesas gerais do orçamento.
Em segundo lugar, a extrafiscalidade é a função regulatória, como já detalhamos. Ela é aplicada para atingir objetivos que vão além da simples receita. O produto da arrecadação, inclusive, não precisa ser vinculado à finalidade regulatória, exceto no caso das contribuições sociais.
Por fim, a parafiscalidade é a arrecadação de tributos por entidades que não são o Estado, mas que atuam em colaboração com ele. O exemplo mais notório são as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas (CIDE, Contribuições ao Sistema S). Nesse caso, o produto da arrecadação é vinculado à finalidade específica da entidade arrecadadora.
| Característica | Função FISCAL | Função EXTRAFISCAL | Função PARAFISCAL |
| Objetivo Principal | Arrecadar recursos | Intervir e regular | Arrecadar para entidades específicas |
| Arrecadador | Estado (União, Estados, Municípios) | Estado | Entidades Terceiras (Sistema S, OAB, etc.) |
| Vinculação da Receita | Não vinculada (regra) | Não vinculada (regra) | Vinculada à finalidade da entidade |
Assim sendo, a distinção reside na finalidade primária e no destino da arrecadação.
Diversos tributos em nosso ordenamento jurídico possuem forte caráter extrafiscal. Inclusive, a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional (CTN) permitem que alguns impostos tenham suas alíquotas alteradas por ato do Poder Executivo, sem a necessidade de lei, o que demonstra a urgência e a flexibilidade regulatória.
Vejamos alguns exemplos notáveis:
Consequentemente, a extrafiscalidade não é um mero detalhe, mas uma ferramenta poderosa de política pública.
A aplicação da extrafiscalidade está diretamente ligada à implementação de políticas públicas. Nesse sentido, o Direito Tributário se torna um braço do planejamento governamental, atuando como um incentivo ou desincentivo.
Quando o governo decide, por exemplo, incentivar a produção de veículos elétricos, ele pode reduzir o IPI. Consequentemente, o preço final do produto diminui, tornando-o mais acessível ao consumidor e, além disso, promovendo uma política ambiental.
Contudo, a extrafiscalidade deve ser utilizada com cautela e, principalmente, deve respeitar o Princípio da Capacidade Contributiva. A manipulação de alíquotas, mesmo que para fins extrafiscais, não pode gerar uma tributação confiscatória ou desproporcional. O STF já decidiu que a finalidade extrafiscal não pode justificar a violação de outros princípios constitucionais.
Apesar da margem de discricionariedade do Poder Executivo em matéria extrafiscal, essa atuação não é imune ao controle judicial. Afinal, o Judiciário pode e deve analisar a coerência e a razoabilidade da medida extrafiscal.
O controle judicial se concentra em verificar se:
Em suma, a extrafiscalidade é um tema que exige do concurseiro uma visão ampla, que conecta o Direito Tributário com a Economia e o Direito Constitucional, e que demonstra a complexidade da intervenção estatal.
Chegamos ao final da nossa análise sobre a função extrafiscal dos tributos. Em resumo, a extrafiscalidade é a manifestação da capacidade do Estado de usar o tributo como um motor de mudança, induzindo ou desestimulando condutas para alcançar objetivos sociais e econômicos.
Para finalizar, lembre-se de que a chave para as questões de concurso está na compreensão da finalidade preponderante de cada alteração tributária e no conhecimento das exceções aos princípios tributários. Portanto, revise a lista dos impostos extrafiscais e seus mecanismos de seletividade.
Fiquem ligados no blog do Estratégia Concursos para mais conteúdos assim.
Até a próxima e bons estudos!
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