Você já disse que leu Machado de Assis ou que adora tomar Nescau? Se a resposta for sim, você está utilizando uma figura de linguagem, sabia?
Você está se expressando através da metonímia.
De forma simples, a metonímia é a arte de substituir uma palavra por outra com a qual ela tem uma relação lógica e de proximidade.
CURIOSIDADE: A palavra metonímia vem do grego metonymía, que é a junção de meta (mudança) com onoma (nome), significando literalmente “mudança de nome”.
A metonímia está por toda parte, e vou mostrar a você as muitas formas que essa figura de linguagem pode assumir nos textos e nas nossas conversas.
A metonímia se manifesta de inúmeras formas no nosso cotidiano.
Dentre os tipos mais comuns cobrados em provas estão:
Vamos ver alguns destes de forma mais detalhada abaixo:
Neste caso, uma parte de um objeto ou ser é usada para se referir a ele por completo. A relação de proximidade é física e direta.
É extremamente comum usarmos o nome de uma marca famosa para nos referirmos ao produto genérico. Aqui, a marca se torna sinônimo do item que ela vende.
Outra forma clássica de metonímia é quando nos referimos à obra de um artista mencionando apenas o nome do criador.
Podemos substituir a causa de algo pelo seu resultado direto, ou o contrário, para criar uma imagem mais forte.
Aqui, um termo concreto é usado para representar uma qualidade ou conceito abstrato associado a ele.
Usamos também o material de que algo é feito para nos referirmos ao objeto final.
É quando usamos o nome do recipiente (o continente) para falar sobre aquilo que está dentro dele (o conteúdo).
Neste caso, um termo no singular é utilizado para representar toda uma classe ou um grupo de indivíduos.
“O cidadão foi às ruas lutar pelos seus direitos.” (o termo no singular, ‘o cidadão’, representa um grupo, ‘vários cidadãos’)
Um esqueminha para vocês:
Embora ambas sejam figuras de linguagem que substituem termos, a lógica por trás delas é diferente e é fundamental não confundi-las.
Veja a diferença na prática:
| Metonímia | Metáfora |
| Comprei Maizena para fazer o bolo | Paulina é uma gata. |
| Lógica: Relação de proximidade. Maizena é a marca do produto amido de milho. | Lógica: Relação de comparação. Paulina não é uma gata (animal), mas a sua beleza é comparada à beleza de uma gata. |
Entender essa diferença é muito importante, pois enquanto a metáfora cria novas realidades através da comparação (‘Paulina é uma gata’), a metonímia caminha pela realidade que já existe, usando associações lógicas (‘Comprei Maizena’).
Percebeu? A metonímia não é um bicho de sete cabeças.
Dominá-la é dominar uma parte essencial da arte de se expressar com clareza e, claro, de acertar muitas questões nas provas que envolvam figuras de linguagem e interpretação de textos.
Contudo, sempre ressaltamos que este artigo é apenas uma introdução a um dos muitos tópicos da língua portuguesa.
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