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Concurso TJ RJ: sugestões de recurso para Português!

As provas objetivas do concurso da Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ RJ) foram aplicadas no último domingo (01/02) e aqui você poderá conferir as sugestões de recurso para as questões de Português nos cargos de técnico e analista judiciário, elaborados pela professora Adriana Figueiredo.

Os candidatos terão até essa sexta-feira (06/02) para interpor o recurso no site da própria banca organizadora.

Lembre-se que o recurso é individual e a cópia pode resultar na anulação da sua interposição. Confira as sugestões na transcrição logo abaixo!

Concurso TJ RJ: recurso de Português para técnico judiciário – prova tipo 4

QUESTÃO 1

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: C 

GABARITO PRETENDIDO: ANULAÇÃO 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Solicita-se a anulação da questão, tendo em vista que nenhuma das alternativas apresentadas responde adequadamente ao comando do enunciado. 

Conforme consta expressamente no enunciado da questão, “o tema de um texto não está necessariamente relacionado com a sua finalidade”. Tal afirmação orienta o candidato a inferir a finalidade comunicativa do texto para além de simplesmente identificar o tema. Dessa forma, o comando da questão, ao solicitar a identificação da finalidade do texto, não se limita à identificação do assunto tratado (astrologia), mas demanda a inferência da intenção do autor ao construir o texto. 

Uma forma de inferir a finalidade de um texto é por meio da análise de sua tipologia textual. No caso em exame, o fragmento apresenta características próprias de textos preditivos, típicos de horóscopos e discursos astrológicos.

Esse tipo textual tem como objetivo antecipar comportamentos ou acontecimentos futuros, segundo a perspectiva do enunciador. São marcas evidentes dessa tipologia o uso recorrente de verbos no futuro do presente (“deverá apelar”, “responderá”, “terão momentos”), a construção de cenários hipotéticos e a interlocução implícita com o leitor. Trata-se, portanto, de um texto cuja finalidade é prever comportamentos, e não informar fatos, argumentar ou emitir juízo de valor explícito. 

Análise das alternativas: 

A) valorizar a astrologia no contato social 

A alternativa não se sustenta, pois o fragmento não apresenta estrutura argumentativa nem recursos que indiquem uma valorização explícita da astrologia. Além disso, limita-se a mencionar o tema do texto, sem identificar sua finalidade comunicativa. 

B) ironizar os dados astrológicos nas relações amorosas 

A ironia é um recurso mais frequentemente associado a textos argumentativos ou opinativos, nos quais o autor manifesta um ponto de vista crítico. No fragmento em análise, não há marcas inequívocas de ironia nem indícios de posicionamento crítico explícito do autor, mas sim a formulação de previsões típicas do discurso astrológico. 

C) informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato 

Alternativa, indicada como gabarito preliminar pela banca, restringe-se à identificação do conteúdo temático do texto. Ademais, textos preditivos não têm como finalidade informar, no sentido estrito do termo, pois não há fatos ou dados objetivos sobre um determinado tema, mas previsões e conjecturas. Assim, a alternativa não atende ao comando do enunciado. 

D) demonstrar a infalibilidade da astrologia 

A alternativa extrapola o conteúdo do fragmento, pois não há elementos textuais que permitam inferir a intenção de demonstrar que a astrologia é infalível. 

E) mostrar as diferenças entre os signos 

Também inadequada, uma vez que o fragmento se restringe à caracterização de apenas dois signos, o que impossibilita a generalização da alternativa, que pressupõe uma comparação mais ampla entre signos diversos. 

Diante do exposto, constata-se que nenhuma das alternativas apresentadas corresponde de modo adequado à finalidade do texto, conforme exigido pelo enunciado da questão. Em razão dessa incongruência entre comando e alternativas, requer-se a anulação do item. 

QUESTÃO 2 

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: C 

GABARITO PRETENDIDO: ANULAÇÃO 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Solicita-se a anulação da questão, tendo em vista a existência de duas alternativas corretas. 

O enunciado exige que o candidato identifique a alternativa em que a reescrita promove efetivamente o destaque do segmento previamente sublinhado, por meio de recursos linguísticos apropriados. 

A análise das alternativas C e E revela que ambas cumprem esse objetivo. 

Na alternativa C, observa-se o acréscimo do advérbio “especialmente” (que significa, segundo Dicionário Priberam: acima das outras coisas; com maior importância = principalmente) em referência ao segmento “por meio da aprendizagem”. Ao se inserir esse advérbio antes do segmento destacado, consegue-se atrair atenção do leitor para a ideia. Ou seja, atribui maior relevância ao trecho sublinhado e, portanto, atende à finalidade de destaque solicitada. 

Já na alternativa E, verifica-se a reorganização sintática do período, com a transformação do segmento “devem ser combatidas” em oração principal, posicionada no início da frase. 

Segundo Bechara, “a oração principal é aquela que tem um dos seus termos sob forma de outra oração”.

Já para Cegalla, a “oração principal é a que não exerce, no período, nenhuma função sintática e vem acompanhada de oração dependente, que lhe completa ou amplia o sentido”. Nesse sentido, pode-se concluir que a oração principal funciona como o “alicerce” do período, muitas vezes possuindo sentido completo ou independente sintaticamente. Por essa razão, para se destacar uma informação, os escritores frequentemente a colocam na oração principal. 

Desse modo, o deslocamento sintático do segmento sublinhado na letra E para a oração principal confere ênfase ao trecho, em relação à frase original.

Por fim, constata-se que ambas as alternativas empregam mecanismos linguísticos legítimos de valorização do segmento destacado, seja por meio de intensificação semântica, seja por meio de reestruturação sintática. 

Considerando que as alternativas C e E atendem de maneira adequada e coerente ao comando da questão, fica evidente que há mais de uma resposta correta. Assim, requer-se a anulação da questão. 

REFERÊNCIA 

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 

QUESTÃO 17

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: C 

GABARITO PRETENDIDO: Anulação 

FUNDAMENTAÇÃO: 

A questão apresenta inconsistência teórica, uma vez que envolve a concordância com verbo ser, tema sobre o qual há divergências relevantes entre gramáticos de referência, o que compromete a objetividade da avaliação. Em especial, as alternativas A e C podem ser consideradas corretas ou incorretas, a depender do arcabouço teórico adotado, razão pela qual se impõe a anulação do item. 

– Análise da alternativa A (“Tragédias é coisa em que não penso”) 

Para a maioria dos autores, a letra A está errada. Conforme a descrição de Bechara, por exemplo, a construção é considerada inadequada, pois o verbo “ser”, quando está entre dois substantivos de números diferentes, segue o plural. Segundo o autor: 

“Nas orações ditas equativas em que com ser se exprime a definição ou a identidade, o verbo, posto entre dois substantivos de números diferentes, concorda em geral com aquele que estiver no plural.” 

No caso analisado, o verbo ser encontra-se entre dois substantivos de números distintos: tragédias (plural) e coisa (singular). Assim, de acordo com Bechara, a concordância mais adequada seria com o termo no plural, resultando em “Tragédias são coisa em que não penso”. 

A correção dessa alternativa só encontra embasamento em Cegalla: segundo o autor, o verbo “ser”, na função de verbo de ligação, concorda com o predicativo quando este é representado pela palavra “coisa”. Afirma Cegalla: 

“O verbo de ligação ser concorda com o predicativo nos seguintes casos: 

[…] 

(e) quando o predicativo é o pronome demonstrativo o ou a palavra coisa: 

[…] 

‘Os responsórios e os sinos é coisa importuna em Tibães.’ (Camilo Castelo Branco)” 

Assim, de acordo com Cegalla, como o predicativo é “coisa”, justifica-se a flexão do verbo “ser” no singular. 

No entanto, o próprio Cegalla, se for usado como parâmetro para manutenção do gabarito, é autor que justifica que a alternativa C também está correta. 

– Análise da alternativa C (“Hoje é 28 de agosto”) – gabarito proposto pela banca 

Segundo Bechara, o emprego do verbo “ser” para indicar datas, deve concordar com o numeral no predicativo: 

“[…]. Todavia, em alguns casos, o verbo ser se acomoda à flexão do predicativo, 

especialmente quando se acha no plural. São os seguintes os casos em que se dá esta concordância: 

d) quando o verbo ser é empregado impessoalmente, isto é, sem sujeito, nas designações de horas, datas, distâncias: 

“Hoje são 15 de agosto.” 

À luz dessa orientação, a forma “Hoje é 28 de agosto” poderia ser considerada inadequada. 

Contudo, outros gramáticos de reconhecida autoridade, como Cegalla e Ernani Terra, admitem expressamente a flexão do verbo ser no singular nessas construções: 

– Cegalla: “Pode-se, entretanto, na linguagem espontânea, deixar o verbo no singular concordando com a ideia implícita de “dia”: ‘Hoje é seis de março.’ [Hoje é dia seis de março.]” 

– Ernani Terra: “Na indicação de data, o verbo ser poderá concordar com o primeiro numeral que aparecer ou com a palavra dia, que se considera subentendida: 

São quinze de dezembro. 

É quinze de dezembro. (Subentende-se: É dias quinze de dezembro.)” 

Assim, percebe-se que a banca usa como parâmetro o autor Cegalla para justificar a letra A como certa, porém o mesmo autor também abona a forma usada na letra C. Trata-se de grave incongruência teórica. Tal circunstância viola o princípio da objetividade exigido em questões de múltipla escolha. Por essa razão, requer-se a anulação da questão. 

Referências: 

BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 

CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional. 

Ernani Terra. Curso Prático de Gramática. 5 ed. Editora Scipione

QUESTÃO 18

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: D 

GABARITO PRETENDIDO: C 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Solicita-se a alteração de gabarito para a alternativa C. 

A alternativa D (“o fragmento mostra, em seu início, a duração dos acontecimentos de forma resumida”) não pode ser considerada correta. A expressão “ao fim de três dias” não indica a duração dos acontecimentos narrados, mas sim o momento em que os fatos se iniciam. Tratase de uma locução adverbial de tempo que estabelece um marco temporal para o início da ação, e não o seu tempo de duração, o que invalida a interpretação proposta na alternativa D. 

A alternativa C (“o texto mostra a técnica de suspense, antecipando ações sem identificar o referente”) revela-se correta. Observa-se no fragmento o emprego da técnica literária do suspense, caracterizada pela criação de tensão e expectativa no leitor por meio da omissão estratégica de informações essenciais. 

No texto, são antecipadas ações (“preparava”, “escutou”, “gritou”) sem que se explicite de modo claro o referente da voz ou a razão do espanto da personagem ao escutar a “voz de seu filho perto de sua orelha”. Essa indefinição intensifica a curiosidade do leitor. Assim, o texto constrói um efeito de suspense, conforme corretamente descrito na alternativa C. 

Questões anteriores em que a banca usou textos com as mesmas características (sequência de ações e descrições sem explicitação do referente) e o gabarito se relacionava com a técnica de suspense: 

Prova: FGV – 2023 – AL-MA – Técnico de Gestão Administrativa – Revisor (Letras) 

Uma das técnicas narrativas mais comuns é a do suspense, produzido pelo retardamento proposital de informações. 

Assinale o segmento de texto que se utiliza da técnica do suspense. 

A) Os cabelos são brancos como os de um Papai Noel e esvoaçantes como os de um maestro. 

Sublinham a pele morena do rosto vastos bigodes com vestígios de amarelo, sedimentação deixada por charutos Monte Cristo, legítimos cubanos, que se revezavam nos dedos com uma legião estrangeira de lapiseiras e canetas. 

B) A menina entrou apressada no escritório do pai, onde havia deixado o celular, mas só o encontrou depois de mais de uma hora de busca, entre as páginas do livro que lá estava lendo. 

C) A biblioteca pessoal do ex-ministro está sendo posta à venda, por um preço muito acima do esperado. O leilão está marcado para a próxima semana”. 

D) Alguns livros atuais estão atraindo muitos leitores, levados pelo estilo agressivo e pela posição ideológica conservadora do autor. 

E) Alguns negócios nada sofreram com a pandemia, ao que parece. A Apple, por exemplo, acaba de exibir um lucro altíssimo no último trimestre. 

Gabarito: A 

Prova: FGV – 2024 – Prefeitura de Niterói – RJ – Analista de Políticas Públicas e Gestão 

Governamental – Gestão Governamental 

Assinale a opção que apresenta o segmento narrativo que mostra uma situação de suspense. 

A) A cena final do filme mostrou o menino desamparado, abandonado pelos pais, que foram arrastados pela correnteza. 

B) O carro aproximou-se da entrada da garagem do prédio e, ao saltar para abrir a porta, o motorista foi assaltado por dois homens. 

C) O passageiro procurava os óculos em seus bolsos e não os encontrou, mas ao levantar-se do banco, notou os óculos quebrados no assento. 

D) Ele entrou rapidamente no Banco e dirigiu-se ao caixa mais próximo, sem notar que havia uma fila de espera. Os outros clientes reclamaram de imediato e ele teve que entrar no final da fila. 

E) Sacudiu o embrulho para ver se adivinhava o conteúdo, mas estava difícil: os ruídos eram baixos, como se algo estivesse acolchoado; tentou mais uma vez e nada! Desistiu e achou melhor esperar a irmã que abriria o pacote. 

Gabarito: E 

Prova: FGV – 2024 – TJ-SC – Técnico Judiciário Auxiliar 

Uma das estratégias empregadas para atrair a atenção do leitor para um texto é a utilização da técnica do suspense; veja, por exemplo, o fragmento textual abaixo: 

“O rapaz viu a carteira no meio do caminho por onde andava. Acelerou o passo, pegou a carteira rapidamente e enfiou-a no bolso de trás da calça; olhou para trás e para os lados para assegurar-se de que ninguém o vira. A carteira parecia gorda e, quem sabe, teria muito dinheiro; não poderia abri-la ali, pois havia gente ao redor. Pensou em ir a um bar e trancar-se no banheiro para poder examinar o conteúdo, mas àquela hora os bares ainda estavam fechados. Decidiu apressar-se para chegar a sua casa o mais rápido possível…”. 

O processo de criar suspense nesse pequeno texto é construído do seguinte modo: 

A) mostrar o desconhecimento de algo e certa passagem de tempo sem que se preveja a ação ou evento subsequente; 

B) indicar uma série de ações sem que sejam apontados seus agentes ou finalidades; 

C) destacar um fato desonesto e mostrar a possibilidade de a ação desonesta ser punida; 

D) enumerar ações possíveis, mas expressando dúvidas a respeito de sua possível realização; 

E) apontar ações de realização lenta, mostrando impossibilidades de serem executadas. 

Gabarito: A 

Prova: FGV – 2025 – SEEC-RN – Professor de Arte 

Observe o seguinte texto: 

“Há quem o chame de maluco, excêntrico, desvairado, mas ele não liga para esses xingamentos; todos os dias ele para o carro na praia de Ipanema, molha o corpo e se joga na areia, cobrindo o corpo com ela e, assim, volta ao carro”. 

Nesse caso, a introdução do texto segue o modelo de 

A) alusão histórica. 

B) suspense. 

C) definição. 

D) citação. 

E) declaração inicial. 

Gabarito: B 

Diante do exposto, evidencia-se a impropriedade da alternativa D e a adequação da alternativa C. Em razão disso, requer-se a alteração do gabarito para a letra C. 

QUESTÃO 19

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: A 

GABARITO PRETENDIDO: ANULAÇÃO 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Solicita-se a anulação da questão, em razão da existência de duas alternativas corretas, o que compromete a objetividade do item. 

A alternativa A está correta, pois o texto se organiza por meio de enumeração de exemplos que ilustram os perigos associados à tecnologia, mencionando, de forma sequencial, o uso do gás mostarda na Primeira Guerra Mundial, a bomba atômica na Segunda Guerra Mundial e, por fim, a inteligência artificial. 

Paralelamente, a alternativa D também se revela adequada. A afirmação inicial (“A tecnologia já não é uma garantia de progresso projetado para o futuro”) pressupõe a existência de uma crença comum de que a tecnologia seria, sim, garantia de progresso. A expressão “já não é” indica a negação de um pressuposto previamente aceito, o que caracteriza o parágrafo como uma contra-argumentação, ao se opor a uma ideia do senso comum. 

Koch traz embasamento teórico ao efeito de fazer referência, no texto, a um outro discurso implícito, nesse caso do senso comum: 

“O conceito de polifonia é mais amplo que o de intertextualidade. Enquanto nesta, […] faz-se necessária a presença de um intertexto, cuja fonte é explicitamente mencionada ou não (intertextualidade explícita x intertextualidade implícita, respectivamente), o conceito de polifonia […] exige apenas que se representem, encenem (no sentido teatral), em dado texto, perspectivas ou pontos de vista de enunciadores diferentes […]. 

Há casos de polifonia em que tais perspectivas são explicitamente apresentadas, isto é, nos quais, em um mesmo enunciado, há mais de um locutor, e que correspondem ao que venho denominando de intertextualidade explícita. Por outro lado, tem-se aqueles casos em que, no mesmo enunciado, “encenam-se” no interior do discurso do locutor perspectivas ou pontos de vista representados por enunciado – reais ou virtuais – diferentes, isto é, em que estes não precisam servir-se, necessariamente, de textos efetivamente existentes.” 

Assim, constata-se que o parágrafo admite, de forma igualmente válida, tanto a classificação como texto desenvolvido por enumeração (alternativa A) quanto como contra-argumentação (alternativa D). Tal duplicidade interpretativa revela a imprecisão do enunciado e inviabiliza a existência de uma única resposta correta. Em razão disso, requer-se a anulação da questão. 

Referência: 

Koch, Ingedore Grunfeld Villaça. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. 2ª ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. 

Concurso TJ RJ: recurso de Português para analista judiciário – prova tipo 3

QUESTÃO 1 

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: A 

GABARITO PRETENDIDO: ANULAÇÃO DA QUESTÃO 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Conforme eu já havia orientado na correção do nosso gabarito extraoficial, esta questão é cabível de recurso. 

Solicita-se a anulação da questão, uma vez que o comando exige a identificação de uma frase que contenha paradoxo, mas mais de uma alternativa atende plenamente ao critério definido, o que compromete a objetividade exigida em questões de múltipla escolha. 

O enunciado define paradoxo como “o emprego de palavras que contrariam a lógica ou o senso comum”, definição que se coaduna com a tradição gramatical e retórica. Bechara (2015), por exemplo, define o paradoxo como a “aproximação de ideias aparentemente inconciliáveis, que desafiam a lógica comum, mas produzem efeito expressivo”. De modo semelhante, Cunha e Cintra (2017) afirmam que o paradoxo ocorre quando há uma “contradição apenas aparente, resultante da associação de conceitos opostos”. 

À luz dessa definição, observa-se que a alternativa A, indicada como gabarito oficial, de fato apresenta oposição semântica entre o ato de “rir” e os qualificadores “mal”, “sério” e “aborrecido”. Considerando-se que, no senso comum, o riso pressupõe alegria ou prazer, a associação desses termos configura adequadamente um paradoxo. Assim, reconhece-se a correção da alternativa A. 

Entretanto, a alternativa E também apresenta, de forma inequívoca, uma construção paradoxal. Ao afirmar “Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor”, a frase articula conceitos logicamente incompatíveis, uma vez que o senso comum pressupõe que um autor esteja vivo para produzir uma obra. A coexistência simultânea das ideias de “autor” e “defunto” desafia a lógica ordinária, caracterizando plenamente o paradoxo, conforme a definição adotada no próprio enunciado. 

Cumpre destacar que essa passagem é recorrentemente citada pela crítica literária e por manuais de estilística como exemplo clássico do paradoxo machadiano. Fiorin (2014) afirma que o paradoxo se manifesta quando a “contradição semântica não se resolve no plano literal, exigindo do leitor uma leitura interpretativa”, exatamente o que ocorre na alternativa E. 

Na mesma vertente, Alfredo Bosi (2006) observa que, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis inaugura o romance a partir do “paradoxo de inventar-se como defunto autor”, jogando deliberadamente com categorias antagônicas da experiência humana. Roberto Schwarz (2000), por sua vez, destaca que a figura do “defunto autor” opera como provocação estética e crítica, ao tensionar a morte do sujeito com a permanência de sua voz narrativa. 

Por fim, segundo Antonio Candido (1995), o núcleo estrutural das Memórias Póstumas reside justamente na condição paradoxal do narrador: um morto que revisita e narra sua própria existência. Trata-se de uma situação intrinsecamente absurda e paradoxal, na medida em que a escrita se dá a partir da morte, e o procedimento de composição se confunde simbolicamente com o de decomposição. 

Diante do exposto, verifica-se que as alternativas A e E atendem igualmente ao conceito de paradoxo, conforme definido no enunciado e respaldado por gramáticos, linguistas e críticos literários de referência. A existência de mais de uma resposta correta viola o princípio da objetividade e da univocidade exigido em questões de múltipla escolha, razão pela qual se requer a anulação da questão. 

REFERÊNCIAS: 

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. 

BOSI, Alfredo. Brás Cubas em três versões: estudos machadianos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 

CANDIDO, Antonio. Esquema de Machado de Assis. In: Vários Escritos. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1995. 

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017. 

FIORIN, José Luiz. Figuras de retórica. São Paulo: Contexto, 2014. 

SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis. 4.ed. São Paulo: Duas Cidades; ed. 34, 2000. 

QUESTÃO 8 

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: B 

GABARITO PRETENDIDO: ANULAÇÃO DA QUESTÃO 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Conforme eu já havia orientado na correção do nosso gabarito extraoficial, esta questão é cabível de recurso. 

Solicita-se a anulação da questão, tendo em vista que o enunciado admite mais de uma interpretação legítima, o que resulta na possibilidade de mais de uma alternativa ser considerada correta, comprometendo a objetividade exigida em questões de múltipla escolha. 

O comando solicita a identificação da frase que não serve de resposta à pergunta “Para que aprender a escrever?”, isto é, aquela que não expressa finalidade, motivação, função ou razão associada ao aprendizado da escrita. Tal avaliação exige análise semânticodiscursiva, não meramente formal. 

Segundo Ingedore Koch (2014), a interpretação de enunciados deve considerar sua função discursiva, isto é, se o texto efetivamente responde à questão comunicativa proposta. 

Do mesmo modo, Bechara (2015) ressalta que a compreensão textual não se limita à estrutura linguística, mas envolve a intenção semântica global do enunciado. 

À luz desse critério, observa-se que a alternativa B, indicada como gabarito oficial :

“Aprende a escrever bem ou a não escrever de jeito nenhum” – apresenta uma formulação normativa e prescritiva, estabelecendo uma exigência de qualidade ou uma regra de conduta para o escritor. Não há, de forma explícita, a indicação de finalidade, motivação ou função da escrita, mas sim um juízo de valor sobre como se deve escrever. Sob essa perspectiva, é admissível considerá-la como alternativa que não responde diretamente à pergunta proposta. 

Entretanto, essa interpretação não é unívoca. A mesma alternativa B pode ser compreendida como uma resposta implícita à pergunta “para que aprender a escrever?”, na medida em que associa o aprendizado da escrita à finalidade de escrever bem, excluindo qualquer outra motivação que não seja a excelência do ato de escrever. Conforme observa Compagnon (2010), máximas literárias frequentemente condensam concepções sobre a função e o valor da linguagem, ainda que formuladas de modo prescritivo. Assim, a alternativa B pode ser legitimamente interpretada como uma resposta finalística, ainda que indireta. 

Ainda no que se refere à alternativa B, que apresenta uma máxima do poeta inglês John Dryden (1631–1700), cumpre observar que se trata de um autor cuja reflexão sobre a escrita possui reconhecida densidade teórica. Conforme aponta Lavinia Fiorussi (2008), em sua tese de doutorado em Letras Modernas (USP), Dryden é frequentemente considerado o “pai da crítica literária inglesa”, por ter sistematizado a crítica como prática baseada em análise e avaliação, e não em comentários ocasionais ou impressionistas. A autora ressalta, ainda, que há relativo consenso crítico de que Dryden foi o primeiro satirista “sério” das ilhas britânicas, na transição dos séculos XVII para XVIII. 

Inserido no contexto intelectual do Iluminismo, Dryden defendia que a escrita deveria ser orientada pela lógica, pela razão e pela clareza, resultando em um estilo preciso e controlado. Nesse sentido, a máxima “Aprende a escrever bem ou a não escrever de jeito nenhum” pode ser compreendida como uma formulação condensada de sua concepção acerca da função da escrita: aprende-se a escrever para escrever bem, segundo critérios racionais e estéticos rigorosos. Assim, embora expressa sob a forma de prescrição normativa, a frase responde implicitamente à pergunta “para que aprender a escrever?”, o que reforça a ambiguidade interpretativa do item e inviabiliza a existência de uma única alternativa correta. 

Por outro lado, a alternativa A – “O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país…” – também não responde de forma direta à pergunta “para que aprender a escrever?”. O enunciado descreve características esperadas do escritor, relacionadas à sensibilidade histórica e social, mas não explicita finalidade, utilidade ou motivação do aprendizado da escrita. O foco recai sobre o perfil ético-estético do escritor, e não sobre a função da escrita em si. 

Conforme destaca Fiorin (2017), respostas a perguntas de natureza finalística devem apresentar marcas explícitas ou inferíveis de propósito, causa ou efeito. Esse traço não se manifesta de modo inequívoco na alternativa A, o que permite igualmente classificá-la como uma frase que não serve de resposta à pergunta formulada no enunciado. 

Dessa forma, tanto as alternativas A quanto B podem ser justificadamente apontadas como respostas que não atendem ao comando da questão, a depender do critério interpretativo adotado. Tal duplicidade viola o princípio da unicidade da resposta correta, exigido em itens objetivos de múltipla escolha. 

Diante do exposto, requer-se a anulação da questão, uma vez que a existência de mais de uma alternativa plausível como resposta correta compromete a clareza, a objetividade e a validade do item avaliativo. 

REFERÊNCIAS: 

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. 

COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Trad. de Cleonice Paes Barreto Mourão, Consuelo Fortes Santiago. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010. 

FIORIN, José Luiz. Introdução à linguística textual: texto e leitura. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2017. 

FIORUSSI, Lavinia Silvares. No man is an island: John Donne e a poética da agudeza na Inglaterra do século XVIII. Tese (Doutorado em Letras Modernas). 257f. Faculdade de 

Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Departamento de Letras Modernas. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. 

KOCH, Ingedore G. Villaça. A coesão textual. 17. ed. São Paulo: Contexto, 2014. 

QUESTÃO 12 

GABARITO PRELIMINAR DA BANCA: B 

GABARITO PRETENDIDO: D 

FUNDAMENTAÇÃO: 

Conforme eu já havia orientado na correção do nosso gabarito extraoficial, esta questão é cabível de recurso. 

Solicita-se a mudança de gabarito, uma vez que a alternativa indicada como correta (letra B) não apresenta inadequação referencial, ao passo que a alternativa D efetivamente substitui o termo “coisa” por uma expressão semanticamente incompatível com o contexto narrativo, atendendo de forma mais precisa ao comando da questão. 

O enunciado solicita a identificação da frase em que a palavra “coisa” foi substituída por um termo de valor referencial inadequado, isto é, que não retoma corretamente o referente textual original. Conforme Bechara (2015), a referência lexical deve manter “compatibilidade semântica com o referente anteriormente estabelecido no texto”. No mesmo sentido, Koch (2015) afirma que a substituição lexical só é adequada quando preserva a continuidade referencial e a coerência semântica do enunciado. 

Na alternativa D, o texto original afirma que a personagem “dava-se a coisas de igreja”, expressão vaga que, no contexto, remete a práticas religiosas variadas e pouco definidas. A substituição proposta – “atividades” – introduz um termo excessivamente genérico e funcional, que empobrece e altera o valor referencial da expressão original, apagando sua carga cultural e simbólica associada ao universo religioso. Além disso, “atividades” não recupera adequadamente o tom coloquial e indeterminado do termo “coisas”, produzindo, assim, inadequação referencial. 

Já na alternativa B, a expressão “essas coisas” retoma práticas específicas mencionadas no período anterior, como “não deixar as chinelas emborcadas” e “cortar o cabelo no quarto crescente da lua”. Tais práticas correspondem, de fato, a hábitos ou crenças socialmente compartilhadas, o que legitima a substituição pelo termo “tradições”, entendido como práticas recorrentes transmitidas socialmente, ainda que em âmbito restrito. Assim, a substituição preserva o campo semântico e mantém a coerência referencial do texto. 

Conforme assinalam Cunha e Cintra (2017), a escolha lexical deve respeitar os traços semânticos pertinentes do referente, sob pena de gerar imprecisão ou inadequação. Nesse sentido, não se observa, na alternativa B, ruptura significativa do valor referencial do termo “coisas”, mas sim uma substituição semanticamente defensável no contexto narrativo. 

Diante disso, conclui-se que a alternativa B não configura inadequação referencial, enquanto a alternativa D é a que efetivamente compromete a retomada do referente original, alterando o sentido pretendido no texto de Aluísio Azevedo. Assim, requer-se a mudança do gabarito para a letra D, por ser a alternativa que melhor atende ao comando da questão. 

REFERÊNCIAS: 

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. 

CUNHA, Celso; CINTRA, LIndley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017. 

KOCH, Ingedore G. Villaça. Introdução à linguística textual. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2015. 

Coordenação

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