{"id":959138,"date":"2022-02-01T09:28:19","date_gmt":"2022-02-01T12:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=959138"},"modified":"2022-02-01T09:28:23","modified_gmt":"2022-02-01T12:28:23","slug":"informativo-stj-720-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-720-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 720 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><br \/>Informativo n\u00ba 720 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/02\/01092807\/stj-720.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_-mAvbOIzRz0\"><div id=\"lyte_-mAvbOIzRz0\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/-mAvbOIzRz0\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/-mAvbOIzRz0\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/-mAvbOIzRz0\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-des-necessidade-de-escritura-publica-para-cessao-de-credito-em-precatorio\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Des)Necessidade de escritura p\u00fablica para cess\u00e3o de cr\u00e9dito em precat\u00f3rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a cess\u00e3o de cr\u00e9dito em precat\u00f3rio, em regra, n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade que se realize por escritura p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 67.005-DF, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/11\/2021, DJe 19\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina ajuizou mandado de seguran\u00e7a contra o ato supostamente ilegal atribu\u00eddo ao&nbsp; Ju\u00edzo de Direito da Coordenadoria de Concilia\u00e7\u00e3o de Precat\u00f3rios, que, por reputar indispens\u00e1vel a apresenta\u00e7\u00e3o do original ou da c\u00f3pia autenticada da escritura p\u00fablica de cess\u00e3o de direitos credit\u00edcios, indeferiu pedido de habilita\u00e7\u00e3o do cession\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o Tribunal de Justi\u00e7a loca entendeu se tratar de neg\u00f3cio jur\u00eddico cuja validade dependeria de forma p\u00fablica. Inconformada, Crementina interp\u00f4s recurso no qual sustenta que a cess\u00e3o de cr\u00e9dito em precat\u00f3rio pode ser realizada independentemente da concord\u00e2ncia do devedor, sem que para isso se exija forma especial ou registro, haja vista a aus\u00eancia de previs\u00e3o legal ou constitucional nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 107. A validade da declara\u00e7\u00e3o de vontade n\u00e3o depender\u00e1 de forma especial, sen\u00e3o quando a lei expressamente a exigir.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 111. O sil\u00eancio importa anu\u00eancia, quando as circunst\u00e2ncias ou os usos o autorizarem, e n\u00e3o for necess\u00e1ria a declara\u00e7\u00e3o de vontade expressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 166. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico quando:<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; n\u00e3o revestir a forma prescrita em lei;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 286. O credor pode ceder o seu cr\u00e9dito, se a isso n\u00e3o se opuser a natureza da obriga\u00e7\u00e3o, a lei, ou a conven\u00e7\u00e3o com o devedor; a cl\u00e1usula proibitiva da cess\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser oposta ao cession\u00e1rio de boa-f\u00e9, se n\u00e3o constar do instrumento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 288. \u00c9 ineficaz, em rela\u00e7\u00e3o a terceiros, a transmiss\u00e3o de um cr\u00e9dito, se n\u00e3o celebrar-se mediante instrumento p\u00fablico, ou instrumento particular revestido das solenidades do \u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>do art. 654.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 654. Todas as pessoas capazes s\u00e3o aptas para dar procura\u00e7\u00e3o mediante instrumento particular, que valer\u00e1 desde que tenha a assinatura do outorgante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>O instrumento particular deve conter a indica\u00e7\u00e3o do lugar onde foi passado, a qualifica\u00e7\u00e3o do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designa\u00e7\u00e3o e a extens\u00e3o dos poderes conferidos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-necessaria-a-escritura-publica\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a escritura p\u00fablica?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de mandado de seguran\u00e7a interposto contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios que denegou a seguran\u00e7a impetrada em desfavor do MM. Juiz de Direito da Coordenadoria de Concilia\u00e7\u00e3o de Precat\u00f3rios, cuja autoridade, por reputar indispens\u00e1vel a apresenta\u00e7\u00e3o do original ou da c\u00f3pia autenticada da escritura p\u00fablica de cess\u00e3o de direitos credit\u00edcios, indeferiu pedido de habilita\u00e7\u00e3o do impetrante\/cession\u00e1rio em precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, sobreleva ressaltar que, em regra, todo e qualquer cr\u00e9dito pode ser objeto de cess\u00e3o de direito, salvo quando presentes algumas das veda\u00e7\u00f5es indicadas no art. 286 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m importa frisar que, conforme a jurisprud\u00eancia do STJ, &#8220;<strong>a forma do neg\u00f3cio jur\u00eddico \u00e9 o modo pelo qual a vontade \u00e9 exteriorizada. No ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, vigora o princ\u00edpio da liberdade de forma (art. 107 do CC\/2002). Isto \u00e9, salvo quando a lei requerer expressamente forma especial, a declara\u00e7\u00e3o de vontade pode operar de forma expressa, t\u00e1cita ou mesmo pelo sil\u00eancio<\/strong> (art. 111 do CC\/2002)&#8221;, sendo certo, ademais, que &#8220;a exig\u00eancia legal de forma especial \u00e9 quest\u00e3o atinente ao plano da validade do neg\u00f3cio (art. 166, IV, do CC\/2002)&#8221; (REsp 1.881.149\/DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 10\/6\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente quanto \u00e0 cess\u00e3o de cr\u00e9ditos, extrai-se do C\u00f3digo Civil que a necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o de instrumento p\u00fablico &#8211; ou instrumento particular, revestido das solenidades previstas no art. 654, \u00a7 1\u00ba, do mesmo diploma substantivo &#8211; representa uma EXCE\u00c7\u00c3O \u00e0 regra geral estabelecida em seu art. 107.<\/p>\n\n\n\n<p>De ser ver, portanto, que a ressalva contida no art. 288 do C\u00f3digo Civil aplica-se t\u00e3o somente \u00e0 hip\u00f3tese em que se pretenda fazer valer determinada cess\u00e3o de cr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terceira pessoa, sendo inopon\u00edvel tal condi\u00e7\u00e3o de validade em face dos pr\u00f3prios cedente e cession\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se diga em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es contidas na Lei Complementar Distrital n. 52\/1997 no qual resta evidenciado que o legislador distrital claramente afastou a regra geral acerca da liberdade de forma a que alude o art. 107 do C\u00f3digo Civil, para fins de cess\u00e3o de precat\u00f3rio, apenas em uma \u00fanica hip\u00f3tese: quando se objetivar a compensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos de natureza tribut\u00e1ria de compet\u00eancia do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, uma vez que o art. 4\u00ba, V, da Lei Distrital n. 52\/1997 se configura como sendo uma regra de natureza excepcional, imp\u00f5e-se que sua interpreta\u00e7\u00e3o deva ocorrer de forma restrita, conforme o cl\u00e1ssico brocardo segundo o qual&nbsp;<em>exceptiones sunt strictissimoe interpretationis<\/em>&nbsp;(&#8220;interpretam-se as exce\u00e7\u00f5es estritissimamente&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta-se que para denegar a ordem mandamental, o Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;fundamentou seu ju\u00edzo em precedentes deste Superior, fazem remiss\u00e3o ao REsp 1.102.473\/RS, julgado pela Corte Especial sob a sistem\u00e1tica dos recursos representativos de controv\u00e9rsia repetitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre, ent\u00e3o, ressaltar que a incidental refer\u00eancia \u00e0 express\u00e3o &#8220;escritura p\u00fablica&#8221;, como contida na segunda tese fixada no precedente indicado, decorreu exclusivamente do fato de que, no caso daqueles autos, a cess\u00e3o de cr\u00e9dito havia, sim, sido realizada por meio de forma p\u00fablica, n\u00e3o sendo essa, contudo, a real quest\u00e3o dirimida no repetitivo em apre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Para a cess\u00e3o de cr\u00e9dito em precat\u00f3rio, em regra, n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade que se realize por escritura p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-termo-inicial-do-prazo-prescricional-para-ajuizamento-da-acao-de-indenizacao-contra-o-estado-em-razao-da-demora-na-concessao-da-aposentadoria\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o contra o Estado em raz\u00e3o da demora na concess\u00e3o da aposentadoria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o contra o Estado em raz\u00e3o da demora na concess\u00e3o da aposentadoria <\/a>conta-se a partir do seu deferimento.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.840.570-RS, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/11\/2021, DJe 23\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Germano, servidor p\u00fablico, requereu sua aposentadoria em 31\/05\/2002, por\u00e9m, o ato de aposenta\u00e7\u00e3o somente foi publicado no dia 18\/10\/2004, ou seja, mais de 2 anos e 4 meses ap\u00f3s a data do pedido, tendo o recorrente permanecido na fun\u00e7\u00e3o compulsoriamente por todo este longo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, somente em 28\/06\/2016 decidiu por \u201cordenar o registro do ato\u201d, dando fim ao procedimento administrativo, ap\u00f3s 14 anos de tramita\u00e7\u00e3o. Foi ent\u00e3o que Germano ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da Uni\u00e3o por meio da qual requereu o pagamento de uma indeniza\u00e7\u00e3o correspondente \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o integral que deveria ter sido auferida no gozo de sua aposentadoria, durante o per\u00edodo da demora injustificada da Administra\u00e7\u00e3o. Ocorre que tal a\u00e7\u00e3o somente foi proposta em 01\/11\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o ent\u00e3o alegou a prescri\u00e7\u00e3o do direito de a\u00e7\u00e3o de Germano por entender que o termo para a contagem prazo prescricional de cinco anos seria contado a partir da data da concess\u00e3o inicial da aposentadoria (18\/10\/2004), enquanto o autor da a\u00e7\u00e3o entende que o termo inicial deve ser contado do registro da aposentadoria no TCU (28\/06\/2016).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto n. 20.910\/1932:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 1\u00ba As d\u00edvidas passivas da Uni\u00e3o, dos Estados e dos Munic\u00edpios, bem assim todo e qualquer direito ou a\u00e7\u00e3o contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-qual-o-termo-inicial-a-ser-considerado\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Qual o termo inicial a ser considerado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>A data do DEFERIMENTO da aposentadoria!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da prescri\u00e7\u00e3o, o artigo 1\u00ba do <a>Decreto n. 20.910\/1932 <\/a>consigna que as a\u00e7\u00f5es contra a Fazenda P\u00fablica prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato da qual se originaram. O disposto no artigo 189 do C\u00f3digo Civil tamb\u00e9m estabelece que <strong>a prescri\u00e7\u00e3o se inicia no momento da VIOLA\u00c7\u00c3O do direito sobre o qual se funda a a\u00e7\u00e3o<\/strong>. Assim, como regra, a prescri\u00e7\u00e3o come\u00e7a a correr desde que a pretens\u00e3o teve origem, pois, segundo a doutrina, &#8220;o maior fundamento da exist\u00eancia do pr\u00f3prio direito \u00e9 a garantia de pacifica\u00e7\u00e3o social&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O STF, ao julgar o Tema de Repercuss\u00e3o Geral 445\/STF, fixou a tese no sentido de que &#8220;[e]m aten\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da confian\u00e7a leg\u00edtima, os Tribunais de Contas est\u00e3o sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concess\u00e3o inicial de aposentadoria, reforma ou pens\u00e3o, a contar da chegada do processo \u00e0 respectiva Corte de Contas.&#8221; (STF. Plen\u00e1rio. RE 636.553\/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19\/2\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cuida-se, portanto, de prazo prescricional para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica vir anular ou revogar o ato de aposentadoria por ela concedida ao servidor, correndo o referido prazo n\u00e3o da concess\u00e3o do benef\u00edcio, mas do seu registro junto ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, ou seja, trata-se da pretens\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica contra o administrado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o que se examina \u00e9 a pretens\u00e3o, n\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, mas do administrado de discutir o direito de indeniza\u00e7\u00e3o por dano material pela suposta demora na concess\u00e3o de sua aposentadoria, ou seja, mat\u00e9ria completamente DIVERSA da tratada pelo STF no Tema de Repercuss\u00e3o Geral n. 445\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o termo inicial do prazo prescricional para o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o contra ato do Estado ocorre no momento em que constatada a les\u00e3o e os seus efeitos, ou seja, a partir do deferimento do pedido volunt\u00e1rio de aposentaria do servidor, conforme o princ\u00edpio da&nbsp;<em>actio nata<\/em><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o contra o Estado em raz\u00e3o da demora na concess\u00e3o da aposentadoria conta-se a partir do seu deferimento.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-obrigacao-de-alimentos-e-interesse-processual-do-alimentante-em-exigir-contas-da-detentora-da-guarda-do-alimentando\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obriga\u00e7\u00e3o de alimentos e interesse processual do alimentante em exigir contas da detentora da guarda do alimentando<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O alimentante n\u00e3o possui interesse processual <a>em exigir contas da detentora da guarda do alimentando<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.767.456-MG, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Vando ajuizou a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas em face de Suzete aduzindo que se divorciou da requerida, que ficou com a guarda do filho do ex-casal, Carlinhos. Por meio da a\u00e7\u00e3o, Vando buscava a presta\u00e7\u00e3o de contas da requerida (sua ex-mulher) pela administra\u00e7\u00e3o da verba alimentar devida ao filho nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Juiz de Primeiro Grau indeferiu a a\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o da car\u00eancia de a\u00e7\u00e3o, senten\u00e7a esta posteriormente reformada pelo Tribunal Local. Conforme o Tribunal, ao rejeitar a legitimidade do genitor para propor a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas, bem como requerer a restitui\u00e7\u00e3o de eventuais valores apurados em favor dos menores seria declarar morto o texto normativo, bem como colaborar com o enriquecimento il\u00edcito da parte que emprega, de forma indevida, os alimentos prestados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.583.&nbsp; A guarda ser\u00e1 unilateral ou compartilhada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00ba &nbsp;A guarda unilateral obriga o pai ou a m\u00e3e que n\u00e3o a detenha a supervisionar os interesses dos filhos, e, para possibilitar tal supervis\u00e3o, qualquer dos genitores sempre ser\u00e1 parte leg\u00edtima para solicitar informa\u00e7\u00f5es e\/ou presta\u00e7\u00e3o de contas, objetivas ou subjetivas, em assuntos ou situa\u00e7\u00f5es que direta ou indiretamente afetem a sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica e a educa\u00e7\u00e3o de seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.589. O pai ou a m\u00e3e, em cuja guarda n\u00e3o estejam os filhos, poder\u00e1 visit\u00e1-los e t\u00ea-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro c\u00f4njuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manuten\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico.&nbsp; O direito de visita estende-se a qualquer dos av\u00f3s, a crit\u00e9rio do juiz, observados os interesses da crian\u00e7a ou do adolescente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 187. Tamb\u00e9m comete ato il\u00edcito o titular de um direito que, ao exerc\u00ea-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econ\u00f4mico ou social, pela boa-f\u00e9 ou pelos bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-ha-interesse-processual\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 interesse processual?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Para a 3\u00aa Turma do STJ, N\u00c3O!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme estabelecido nos arts. 1.583, \u00a7 5\u00ba, e 1.589, do CC de 2002, ao genitor que n\u00e3o det\u00e9m a guarda do filho \u00e9 garantido o direito de fiscalizar o cumprimento, pelo outro genitor, dos aspectos pessoais e econ\u00f4micos da guarda, como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica, o lazer e o desenvolvimento de modo geral do filho, o que refoge ao verdadeiro objeto da a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A possibilidade de se buscar informa\u00e7\u00f5es a respeito do bem-estar do filho e da boa aplica\u00e7\u00e3o dos recursos devidos a t\u00edtulo de alimentos em nada se comunica com o dever de entregar uma planilha aritm\u00e9tica de gastos ao alimentante, que n\u00e3o \u00e9 credor de nada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O procedimento especial da a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas est\u00e1 previsto nos artigos 914 a 919 do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 e nos arts. 550 a 553 do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, que preveem, nesse caso, apenas a a\u00e7\u00e3o de exigir contas. Tal rito faculta \u00e0quele que detiver o direito de exigir contas de terceiro ou, ainda, a obriga\u00e7\u00e3o de prest\u00e1-las, a utiliza\u00e7\u00e3o do rito espec\u00edfico para averigua\u00e7\u00e3o de eventual cr\u00e9dito ou at\u00e9 mesmo de d\u00e9bito. Em outras palavras, a referida a\u00e7\u00e3o pode ser proposta por quem deveria receber um balan\u00e7o da administra\u00e7\u00e3o de bens alheios, mas n\u00e3o a recebeu, bem como por aquele que as deveria prestar a outrem, por\u00e9m se negou a faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o de alimentos apresenta PECULIARIEDADES que se dissociam da l\u00f3gica da a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas. A verba alimentar, uma vez transferida ao alimentante, ingressa definitivamente no patrim\u00f4nio do alimentando. <strong>O detentor da guarda tem, indubitavelmente, o dever de utilizar o montante da melhor forma poss\u00edvel em favor do benefici\u00e1rio<\/strong>. Contudo, ainda que se discorde da aplica\u00e7\u00e3o dos recursos, n\u00e3o h\u00e1 falar em devolu\u00e7\u00e3o da quantia utilizada pelo credor, ante o princ\u00edpio da irrepetibilidade que norteia as regras do direito de fam\u00edlia, em especial, com rela\u00e7\u00e3o aos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, <strong>o suposto direito de exigir o adequado emprego dos valores repassados pressuporia a an\u00e1lise da utiliza\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica da pens\u00e3o aliment\u00edcia, o que n\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel.<\/strong> Ademais, seria imprescind\u00edvel analisar todas as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas acerca da qualidade de vida do alimentando, consoante a condi\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica da fam\u00edlia de forma global, o que n\u00e3o se coaduna com os fundamentos l\u00f3gicos e jur\u00eddicos da a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 PRESUN\u00c7\u00c3O de que as verbas recebidas tenham sido utilizadas para a manuten\u00e7\u00e3o da comunidade familiar, abrangendo o custeio de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, vestu\u00e1rio, educa\u00e7\u00e3o, lazer, entre outros<strong>. Excepcionalmente, admite-se o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o revisional ou a\u00e7\u00e3o de modifica\u00e7\u00e3o da guarda ou suspens\u00e3o do poder familiar, quando presente a suspeita de abuso de direito no exerc\u00edcio desse poder<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se est\u00e1 a negar a possibilidade do abuso do direito (art. 187 do C\u00f3digo Civil de 2002) no Direito de Fam\u00edlia, especialmente no que tange ao desvio ou m\u00e1 gest\u00e3o da verba alimentar destinada \u00e0 prole. Todavia, existindo a inten\u00e7\u00e3o de prejudicar os filhos por meio de temer\u00e1ria administra\u00e7\u00e3o dos alimentos \u00e9 necess\u00e1rio que se acione o judici\u00e1rio para a avalia\u00e7\u00e3o concreta do melhor interesse da crian\u00e7a ou adolescente, num contexto global. Permitir a\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de contas significaria incentivar a\u00e7\u00f5es infind\u00e1veis e muitas vezes infundadas acerca de poss\u00edvel malversa\u00e7\u00e3o dos alimentos, alternativa n\u00e3o plaus\u00edvel e pouco eficaz no Direito de Fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, eventual desconfian\u00e7a sobre tais informa\u00e7\u00f5es, em especial do destino dos alimentos que paga, n\u00e3o se resolve por meio de planilha ou balancetes pormenorizadamente postos, de forma matem\u00e1tica e objetiva, mas com ampla an\u00e1lise de quem subjetivamente det\u00e9m melhores condi\u00e7\u00f5es para manter e criar uma crian\u00e7a em um ambiente saud\u00e1vel, seguro e feliz, garantindo-lhe a dignidade t\u00e3o essencial no ambiente familiar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O alimentante n\u00e3o possui interesse processual em exigir contas da detentora da guarda do alimentando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ATEN\u00c7\u00c3O!!! DIVERG\u00caNCIA ENTRE TURMAS DO STJ!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O alimentante pode propor\/tem interesse processual na a\u00e7\u00e3o de exigir contas contra a guardi\u00e3 do alimentado para obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es acerca da destina\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o aliment\u00edcia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>&nbsp;<strong>Para a 3\u00aa Turma do STJ: N\u00c3O<\/strong><\/td><td><strong>Para a 4\u00aa Turma do STJ: SIM<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><tr><td>O alimentante n\u00e3o possui interesse processual em exigir contas da detentora da guarda do alimentando. STJ. 3\u00aa Turma. REsp 1.767.456-MG, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, <strong>julgado em 25\/11\/2021<\/strong> (Info 720).<\/td><td>O genitor pode propor a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas em face do outro genitor relativamente aos valores decorrentes de pens\u00e3o aliment\u00edcia. STJ. 4\u00aa Turma. REsp 1.911.030-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o<strong>, julgado em 01\/06\/2021<\/strong> (Info 699).<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-im-possibilidade-de-o-condominio-residencial-proibir-a-locacao-de-unidade-autonoma-por-curto-periodo-de-tempo\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de o condom\u00ednio residencial proibir a loca\u00e7\u00e3o de unidade aut\u00f4noma por curto per\u00edodo de tempo.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O condom\u00ednio que possui destina\u00e7\u00e3o exclusivamente residencial pode proibir a <a>loca\u00e7\u00e3o de unidade aut\u00f4noma por curto per\u00edodo de tempo.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.884.483-PR, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 23\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ti\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o Condom\u00ednio Granada Residence visando \u00e0 anula\u00e7\u00e3o de assembleia condominial na qual foi aprovada, entre outras, a proposta de proibir a loca\u00e7\u00e3o de unidades aut\u00f4nomas por prazo inferior a 90 dias. O magistrado de primeiro grau reconheceu a proced\u00eancia do pedido formulado na demanda e declarou nula a delibera\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral Extraordin\u00e1ria, no tocante \u00e0 limita\u00e7\u00e3o do prazo de loca\u00e7\u00e3o de unidades aut\u00f4nomas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o Tribunal de Justi\u00e7a local deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o interposta pelo condom\u00ednio r\u00e9u para julgar improcedente o pedido formulado na a\u00e7\u00e3o ao fundamento de que a &#8216;loca\u00e7\u00e3o&#8217; por meio de \u201cplataformas digitais\u201d configuraria hospedagem, e por isso viola as normas dos artigos 1.228, \u00a7 1\u00ba (&#8216;O direito de propriedade deve ser exercido em conson\u00e2ncia com as suas finalidades econ\u00f4micas e sociais&#8217;), e 1.336, inciso IV do C\u00f3digo Civil (&#8216;S\u00e3o deveres do cond\u00f4mino dar \u00e0s suas partes a mesma destina\u00e7\u00e3o que tem a edifica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o as utilizar de maneira prejudicial ao sossego, salubridade e seguran\u00e7a dos possuidores, ou aos bons costumes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 4.591\/1964:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 19. Cada cond\u00f4mino tem o direito de usar e fruir, com exclusividade, de sua unidade aut\u00f4noma, segundo suas conveni\u00eancias e inter\u00easses, condicionados, umas e outros \u00e0s normas de boa vizinhan\u00e7a, e poder\u00e1 usar as partes e coisas comuns de maneira a n\u00e3o causar dano ou inc\u00f4modo aos demais cond\u00f4minos ou moradores, nem obst\u00e1culo ou embara\u00e7o ao bom uso das mesmas partes por todos.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.336. S\u00e3o deveres do cond\u00f4mino:<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; dar \u00e0s suas partes a mesma destina\u00e7\u00e3o que tem a edifica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o as utilizar de maneira prejudicial ao sossego, salubridade e seguran\u00e7a dos possuidores, ou aos bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-possivel-a-proibicao-de-locacao-por-curto-periodo\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a proibi\u00e7\u00e3o de loca\u00e7\u00e3o por curto per\u00edodo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente cumpre salientar que a disponibiliza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis para uso de terceiros por meio de plataformas digitais de hospedagem, a depender do caso concreto, pode ser enquadrada nas mais variadas hip\u00f3teses existentes no ordenamento jur\u00eddico, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o da constante expans\u00e3o das atividades desenvolvidas por empresas do g\u00eanero, sempre em busca de maiores lucros e maiores condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia no mercado mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa medida, somente a partir dos elementos f\u00e1ticos delineados em cada hip\u00f3tese submetida \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o judicial &#8211; considerados aspectos relativos ao tempo de hospedagem, ao grau de profissionalismo da atividade, \u00e0 destina\u00e7\u00e3o exclusiva do im\u00f3vel ao ocupante ou o seu compartilhamento com o propriet\u00e1rio, \u00e0 destina\u00e7\u00e3o da \u00e1rea em que ele est\u00e1 inserido (se residencial ou comercial), \u00e0 presta\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de outros servi\u00e7os perif\u00e9ricos, entre outros &#8211; \u00e9 que se afigura poss\u00edvel enquadrar determinada atividade em alguma das hip\u00f3teses legais, se isso se mostrar relevante para a solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversa \u00e9 a hip\u00f3tese em que o conflito se verifica na rela\u00e7\u00e3o entre o propriet\u00e1rio do im\u00f3vel que o disponibiliza para uso de terceiros e o pr\u00f3prio condom\u00ednio no qual o im\u00f3vel est\u00e1 inserido, atingindo diretamente os interesses dos demais cond\u00f4minos. Nessa espec\u00edfica hip\u00f3tese, imp\u00f5e-se observar as regras relativas ao condom\u00ednio edil\u00edcio, previstas no C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 19 da <a>Lei n. 4.591\/1964 <\/a>assegura aos cond\u00f4minos o direito de usar e fruir, com exclusividade, de sua unidade aut\u00f4noma, segundo suas conveni\u00eancias e interesses, condicionado \u00e0s normas de boa vizinhan\u00e7a, podendo usar as partes e coisas comuns de maneira a n\u00e3o causar dano ou inc\u00f4modo aos demais moradores, nem obst\u00e1culo ou embara\u00e7o ao bom uso das mesmas partes por todos.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 1.336, IV, do CC\/2002, por seu turno, prescreve <strong>ser DEVER do cond\u00f4mino dar \u00e0 sua parte exclusiva a mesma destina\u00e7\u00e3o que tem a edifica\u00e7\u00e3o, utilizando-a de maneira a preservar o sossego, a salubridade, a seguran\u00e7a e os bons costumes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que <strong>a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de unidades aut\u00f4nomas mediante loca\u00e7\u00e3o por curto ou curt\u00edssimo prazo, caracterizadas pela eventualidade e pela transitoriedade, n\u00e3o se compatibiliza com a destina\u00e7\u00e3o exclusivamente residencial atribu\u00edda ao condom\u00ednio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1, portanto, nenhuma ilegalidade ou falta de razoabilidade na restri\u00e7\u00e3o imposta pelo condom\u00ednio, a quem cabe decidir acerca da conveni\u00eancia ou n\u00e3o de permitir a loca\u00e7\u00e3o das unidades aut\u00f4nomas por curto per\u00edodo, tendo como embasamento legal o art. 1.336, IV, do CC\/2002, observada a destina\u00e7\u00e3o prevista na conven\u00e7\u00e3o condominial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O condom\u00ednio que possui destina\u00e7\u00e3o exclusivamente residencial pode proibir a loca\u00e7\u00e3o de unidade aut\u00f4noma por curto per\u00edodo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-im-possibilidade-de-usucapiao-de-imovel-vinculado-ao-sistema-financeiro-de-habitacao-ainda-que-em-situacao-de-abandono\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel vinculado ao Sistema Financeiro de Habita\u00e7\u00e3o, ainda que em situa\u00e7\u00e3o de abandono<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel <a>usucapi\u00e3o de im\u00f3vel vinculado ao Sistema Financeiro de Habita\u00e7\u00e3o, ainda que em situa\u00e7\u00e3o de abandono<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.874.632-AL, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25\/11\/2021, DJe 29\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Um Conjunto residencial foi constru\u00eddo de forma vinculada ao Sistema Financeiro de Habita\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, nem todas as unidades\/apartamentos foram vendidas e algumas foram abandonadas pela CEF e pela empresa respons\u00e1vel pela aliena\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Tempos depois, v\u00e1rias fam\u00edlias de baixa renda passaram a ocupar os im\u00f3veis abandonados com inten\u00e7\u00e3o de ali residir. Uma das fam\u00edlias ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o por meio da qual intenta adquirir a propriedade do im\u00f3vel que ali ocupa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 183. Aquele que possuir como sua \u00e1rea urbana de at\u00e9 duzentos e cinq\u00fcenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposi\u00e7\u00e3o, utilizando-a para sua moradia ou de sua fam\u00edlia, adquirir-lhe-\u00e1 o dom\u00ednio, desde que n\u00e3o seja propriet\u00e1rio de outro im\u00f3vel urbano ou rural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Os im\u00f3veis p\u00fablicos n\u00e3o ser\u00e3o adquiridos por usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 191. Aquele que, n\u00e3o sendo propriet\u00e1rio de im\u00f3vel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposi\u00e7\u00e3o, \u00e1rea de terra, em zona rural, n\u00e3o superior a cinq\u00fcenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua fam\u00edlia, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-\u00e1 a propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Os im\u00f3veis p\u00fablicos n\u00e3o ser\u00e3o adquiridos por usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 102. Os bens p\u00fablicos n\u00e3o est\u00e3o sujeitos a usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-possivel-a-usucapiao-de-imovel-vinculado-ao-sfh\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a usucapi\u00e3o de im\u00f3vel vinculado ao SFH?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina e a jurisprud\u00eancia, seguindo o disposto no \u00a7 3\u00ba do art. 183 e no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 191 da <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/a>, bem como no art. 102 do <a>C\u00f3digo Civil <\/a>e no enunciado da S\u00famula n. 340 do Supremo Tribunal Federal, entendem pela absoluta impossibilidade de usucapi\u00e3o de bens p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O im\u00f3vel vinculado ao Sistema Financeiro de Habita\u00e7\u00e3o, porque afetado \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico, deve ser tratado como bem p\u00fablico, sendo, pois, imprescrit\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na eventual colis\u00e3o de direitos fundamentais, como o de moradia e o da supremacia do interesse p\u00fablico, deve prevalecer, em regra, este \u00faltimo, norteador do sistema jur\u00eddico brasileiro, porquanto a preval\u00eancia dos direitos da coletividade sobre os interesses particulares \u00e9 pressuposto l\u00f3gico de qualquer ordem social est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo o eventual abandono de im\u00f3vel p\u00fablico n\u00e3o possui o cond\u00e3o de alterar a natureza jur\u00eddica que o permeia, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confundir a usucapi\u00e3o de bem p\u00fablico com a responsabilidade da Administra\u00e7\u00e3o pelo abandono de bem p\u00fablico<\/strong>. Com efeito, regra geral, o bem p\u00fablico \u00e9 INDISPON\u00cdVEL.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, \u00e9 poss\u00edvel depreender que o im\u00f3vel foi adquirido com recursos p\u00fablicos pertencentes ao Sistema Financeiro Habitacional, com capital 100% (cem por cento) p\u00fablico, destinado \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do problema habitacional no pa\u00eds, n\u00e3o sendo admitida, portanto, a prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventual in\u00e9rcia dos gestores p\u00fablicos, ao longo do tempo, n\u00e3o pode servir de justificativa para perpetuar a ocupa\u00e7\u00e3o il\u00edcita de \u00e1rea p\u00fablica, sob pena de se chancelar ilegais situa\u00e7\u00f5es de invas\u00e3o de terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o se pode olvidar, ainda, que os im\u00f3veis p\u00fablicos, mesmo desocupados, possuem finalidade espec\u00edfica (atender a eventuais necessidades da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica) ou gen\u00e9rica (realizar o planejamento urbano ou a reforma agr\u00e1ria). Significa dizer que, aceitar a usucapi\u00e3o de im\u00f3veis p\u00fablicos, com fundamento na dignidade humana do usucapiente, \u00e9 esquecer-se da dignidade dos destinat\u00e1rios da reforma agr\u00e1ria, do planejamento urbano ou de eventuais benefici\u00e1rios da utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, segundo as necessidades da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel usucapi\u00e3o de im\u00f3vel vinculado ao Sistema Financeiro de Habita\u00e7\u00e3o, ainda que em situa\u00e7\u00e3o de abandono.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-provedores-de-internet-e-dever-de-fornecimento-dos-dados-cadastrais-dos-responsaveis-pela-publicacao-de-videos-com-ofensas-a-memoria-de-pessoas-falecidas\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Provedores de internet e dever de fornecimento dos dados cadastrais dos respons\u00e1veis pela publica\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos com ofensas \u00e0 mem\u00f3ria de pessoas falecidas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os provedores de conex\u00e3o \u00e0 internet devem fornecer os dados cadastrais (nome, endere\u00e7o, RG e CPF) dos usu\u00e1rios respons\u00e1veis por publica\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos no Youtube com ofensas \u00e0 mem\u00f3ria de pessoa falecida.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.914.596-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o assassinato da Vereadora Marielle Franco, foram publicados diversos v\u00eddeos na plataforma Youtube com informa\u00e7\u00f5es ofensivas a respeito daquela. Inconformada, a irm\u00e3 da v\u00edtima ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o propriet\u00e1rio do Youtube requerendo a retirada dos v\u00eddeos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, a tutela foi deferida. A autora a\u00e7\u00e3o requereu ent\u00e3o que fosse ordenada a quebra do sigilo de dados e que os provedores de internet fossem oficiados para informar os dados dos usu\u00e1rios que postaram os v\u00eddeos combatidos, pedido este negado pelo Tribunal de Justi\u00e7a local que fundamentou o indeferimento no fato de que tal pedido n\u00e3o constava na a\u00e7\u00e3o original e que os provedores n\u00e3o eram partes do processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-os-provedores-devem-fornecer-os-dados\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os provedores devem fornecer os dados?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia passa pela an\u00e1lise primeira dos conceitos apresentados na Lei n. 12.965\/2014 (Marco Civil da Internet &#8211; MCI), notadamente quanto ao dever de guarda dos dados pelos provedores de internet &#8211; provedores de aplica\u00e7\u00e3o e de conex\u00e3o ou acesso &#8211; e a responsabilidade pela guarda dos referidos dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista as distin\u00e7\u00f5es entres as modalidades de provedores de internet, ou seja, provedores de aplica\u00e7\u00e3o, e os provedores de conex\u00e3o, cumpre analisar a responsabilidade atribu\u00edda a cada modalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ consagrou entendimento de que aos provedores de aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 exigida a guarda dos dados de conex\u00e3o (nestes inclu\u00eddo o respectivo IP), enquanto aos provedores de conex\u00e3o cumpre a guarda de dados pessoais do usu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>os pedidos formulados traduzem a finalidade do provimento judicial, qual seja, a preserva\u00e7\u00e3o da honra e mem\u00f3ria da falecida, mediante a retirada de v\u00eddeos ou mat\u00e9rias ofensivas do ar, bem como a obten\u00e7\u00e3o de dados para futura (e eventual) responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal dos usu\u00e1rios respons\u00e1veis pela divulga\u00e7\u00e3o dos fatos ofensivos e inver\u00eddicos, circunst\u00e2ncias que se encontram demonstradas pelas raz\u00f5es apresentadas na peti\u00e7\u00e3o inicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Estando presentes ind\u00edcios de ilicitude na conduta dos usu\u00e1rios que inseriram os v\u00eddeos na rede mundial de computadores e, ainda, por ser o pedido espec\u00edfico, voltado t\u00e3o apenas a obten\u00e7\u00e3o dos dados dos referidos usu\u00e1rios &#8211; a partir dos IPs apresentados -, a privacidade do usu\u00e1rio, no caso concreto, n\u00e3o prevalece.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, considerando o regramento aplic\u00e1vel \u00e0 mat\u00e9ria, a natureza dos elementos pretendidos &#8211; restritos, frise-se, ao fornecimento dos dados cadastrais dos usu\u00e1rios (nome, endere\u00e7o, identidade) -, assim como o entendimento recente do STJ que reconhece a obriga\u00e7\u00e3o do provedor de acesso \u00e0 internet de fornecer os dados cadastrais dos usu\u00e1rios de atos il\u00edcitos, conclui-se pela possibilidade de que os provedores de conex\u00e3o ou provedores de acesso forne\u00e7am os dados pleiteados, ainda que n\u00e3o tenham integrado a rela\u00e7\u00e3o processual em que formulado o requerimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 oportuno ainda destacar que as medidas em debate n\u00e3o confrontam com as determina\u00e7\u00f5es visando \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do sigilo trazida pela Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados &#8211; LGPD (<a>Lei n. 13.790\/2018<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina ressalta a inafastabilidade da aprecia\u00e7\u00e3o pelo Poder Judici\u00e1rio nas hip\u00f3teses em que os dados pessoais possam servir como elemento para o exerc\u00edcio de direitos em demandas em geral (judiciais, administrativos e arbitrais). Assim, a LGPD n\u00e3o exclui a possibilidade da quebra de sigilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a presta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es pelas respectivas concession\u00e1rias de servi\u00e7o p\u00fablico (provedores de conex\u00e3o de internet) dever\u00e1 observar estritamente ao regramento previsto pela lei referida, nos termos dos arts. 23 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-resultado-final\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os provedores de conex\u00e3o \u00e0 internet devem fornecer os dados cadastrais (nome, endere\u00e7o, RG e CPF) dos usu\u00e1rios respons\u00e1veis por publica\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos no Youtube com ofensas \u00e0 mem\u00f3ria de pessoa falecida.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-eleitoral\"><a>DIREITO ELEITORAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-desfiliacao-partidaria-e-multa-estatutaria\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desfilia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e multa estatut\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A multa estatut\u00e1ria por desfilia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria n\u00e3o decorre automaticamente da filia\u00e7\u00e3o e da consequente submiss\u00e3o \u00e0s regras do estatuto, sendo imprescind\u00edvel o documento <a>de aquiesc\u00eancia assinado pelo candidato<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.796.737-DF, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro \u2013 PRTB ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a em desfavor de C\u00edcero, pleiteando a cobran\u00e7a da multa por desfilia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria prevista no art. 85, X, do Estatuto Interno do PRTB, no valor equivalente a 12 (doze) meses do seu sal\u00e1rio, uma vez que este requereu a desfilia\u00e7\u00e3o durante seu mandato como deputado federal.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da senten\u00e7a, o Ju\u00edzo de primeiro grau julgou improcedente o pedido, ao fundamento de n\u00e3o ter sido juntado ao feito documento indispens\u00e1vel, qual seja, o termo de ci\u00eancia e concord\u00e2ncia subscrito pelo r\u00e9u, a respeito da possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o de tal penalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 17. \u00c9 livre a cria\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos, resguardados a soberania nacional, o regime democr\u00e1tico, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba \u00c9 assegurada aos partidos pol\u00edticos autonomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, forma\u00e7\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o de seus \u00f3rg\u00e3os permanentes e provis\u00f3rios e sobre sua organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento e para adotar os crit\u00e9rios de escolha e o regime de suas coliga\u00e7\u00f5es nas elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias, vedada a sua celebra\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es proporcionais, sem obrigatoriedade de vincula\u00e7\u00e3o entre as candidaturas em \u00e2mbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partid\u00e1ria.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.096\/1995:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 14. Observadas as disposi\u00e7\u00f5es constitucionais e as desta Lei, o partido \u00e9 livre para fixar, em seu programa, seus objetivos pol\u00edticos e para estabelecer, em seu estatuto, a sua estrutura interna, organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 15. O Estatuto do partido deve conter, entre outras, normas sobre:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>V &#8211; fidelidade e disciplina partid\u00e1rias, processo para apura\u00e7\u00e3o das infra\u00e7\u00f5es e aplica\u00e7\u00e3o das penalidades, assegurado amplo direito de defesa;<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 373. O \u00f4nus da prova incumbe:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 434. Incumbe \u00e0 parte instruir a peti\u00e7\u00e3o inicial ou a contesta\u00e7\u00e3o com os documentos destinados a provar suas alega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Quando o documento consistir em reprodu\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica ou fonogr\u00e1fica, a parte dever\u00e1 traz\u00ea-lo nos termos do&nbsp;caput&nbsp;, mas sua exposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 realizada em audi\u00eancia, intimando-se previamente as partes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-necessaria-a-comprovacao-da-aquiescencia-pelo-candidato\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o da aquiesc\u00eancia pelo candidato?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, em seu art. 17, \u00a7 1\u00ba, assegura aos partidos pol\u00edticos &#8220;autonomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, forma\u00e7\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o de seus \u00f3rg\u00e3os permanentes e provis\u00f3rios e sobre sua organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento [&#8230;], devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partid\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, disp\u00f5e a <a>Lei n. 9.096\/1995 <\/a>(regente dos partidos pol\u00edticos) que, observadas as disposi\u00e7\u00f5es constitucionais e da respectiva lei, a agremia\u00e7\u00e3o \u00e9 livre &#8220;para estabelecer, em seu estatuto, a sua estrutura interna, organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento&#8221; (art. 14), podendo conter, no estatuto, normas sobre &#8220;fidelidade e disciplina partid\u00e1rias, processo para apura\u00e7\u00e3o das infra\u00e7\u00f5es e aplica\u00e7\u00e3o das penalidades, assegurado amplo direito de defesa&#8221; (art. 15, V).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, ressai incontroversa a legitimidade da previs\u00e3o estatut\u00e1ria de incid\u00eancia de multa por desfilia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria no curso do mandato, tal como previsto no art. 85, X, do Estatuto do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro &#8211; PRTB, como uma medida de desest\u00edmulo \u00e0 infidelidade partid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Da leitura dessa norma, extrai-se que a penalidade pecuni\u00e1ria consistente no pagamento de valor correspondente a 12 (doze) meses do sal\u00e1rio do candidato eleito possui dois requisitos, a saber: i) a aquiesc\u00eancia expressa do candidato com a cobran\u00e7a da penalidade, mediante a assinatura do mencionado formul\u00e1rio; e ii) a sua desfilia\u00e7\u00e3o do partido no curso do respectivo mandato.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 incontroverso, na esp\u00e9cie, que: a) n\u00e3o foi juntado &#8220;documento que comprove a concord\u00e2ncia expressa do R\u00e9u com o pagamento da multa em quest\u00e3o&#8221;; e b) &#8220;o R\u00e9u era, ao tempo da sua elei\u00e7\u00e3o para o cargo de Deputado Federal, bem como que, no curso do seu mandato eletivo, &#8220;requereu a desfilia\u00e7\u00e3o do referido partido pol\u00edtico, conforme comprova o pedido de desfilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a exegese desse dispositivo estatut\u00e1rio, \u00e9 da concord\u00e2ncia incontest\u00e1vel do candidato a mandato eletivo que surge o v\u00ednculo obrigacional do pagamento da penalidade, n\u00e3o decorrendo automaticamente da filia\u00e7\u00e3o e da consequente submiss\u00e3o do candidato \u00e0s regras do estatuto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesse contexto, afigura-se IMPRESCIND\u00cdVEL. ao acolhimento do pedido de cobran\u00e7a em voga, a prova INCONTEST\u00c1VEL da anu\u00eancia com o pagamento da multa pelo candidato a mandato eletivo, revelando-se descabida a presun\u00e7\u00e3o de prova nesse sentido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em tal linha argumentativa, sobressai que o documento devidamente assinado n\u00e3o \u00e9&nbsp;<em>conditio sine qua non<\/em>&nbsp;ao registro da candidatura de filiado ao PRTB e \u00e0 sua efetiva participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es gerais, de forma que a disputa eleitoral, embora possa ser considerada um ind\u00edcio, \u00e9 insuficiente a evidenciar, indene de d\u00favida, a totalidade do fato probando.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, estando ausente a prova inequ\u00edvoca do direito alegado pelo partido pol\u00edtico de incid\u00eancia da multa por desfilia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria estabelecida no art. 85, X, do Estatuto do PRTB, de rigor a improced\u00eancia da tutela condenat\u00f3ria, em observ\u00e2ncia ao disposto nos arts. 373, I, e 434 do <a>CPC\/2015<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A multa estatut\u00e1ria por desfilia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria n\u00e3o decorre automaticamente da filia\u00e7\u00e3o e da consequente submiss\u00e3o \u00e0s regras do estatuto, sendo imprescind\u00edvel o documento de aquiesc\u00eancia assinado pelo candidato.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-reclamacao-pelo-descumprimento-de-decisao-do-stj-e-desnecessidade-da-publicacao-do-acordao-impugnado-ou-do-juizo-de-retratacao\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reclama\u00e7\u00e3o pelo descumprimento de decis\u00e3o do STJ e desnecessidade da publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o impugnado ou do ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECLAMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Reclama\u00e7\u00e3o com base na alega\u00e7\u00e3o de descumprimento de decis\u00e3o proferida pelo STJ em caso concreto independe, para sua admissibilidade, da publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o impugnado ou do ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o previsto no art. 1.030, II, do CPC<\/p>\n\n\n\n<p>Rcl 41.894-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 24\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>L\u00facia ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de EletroPaulo (concession\u00e1ria dos servi\u00e7os de energia el\u00e9trica) em raz\u00e3o da morte de seu marido, decorrente de choque el\u00e9trico ap\u00f3s rompimento de cabos de alta tens\u00e3o que se encontravam na via p\u00fablica ap\u00f3s queda de \u00e1rvore. O pedido foi julgado improcedente nas duas primeiras inst\u00e2ncias, que entenderam inexistente o nexo causal.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, L\u00facia interp\u00f4s recurso especial e o Ministro Relator decidiu monocraticamente que o feito retornasse \u00e0 origem para prosseguimento da demanda sob a premissa de que o nexo causal n\u00e3o fora quebrado. O TJ local desconsiderou a decis\u00e3o do STJ e manteve o decidido no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido. Ocorre que, antes mesmo que tal decis\u00e3o fosse publicada, L\u00facia ingressou com reclama\u00e7\u00e3o no STJ.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 988. Caber\u00e1 reclama\u00e7\u00e3o da parte interessada ou do Minist\u00e9rio P\u00fablico para:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00ba \u00c9 inadmiss\u00edvel a reclama\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 proposta para garantir a observ\u00e2ncia de ac\u00f3rd\u00e3o de recurso extraordin\u00e1rio com repercuss\u00e3o geral reconhecida ou de ac\u00f3rd\u00e3o proferido em julgamento de recursos extraordin\u00e1rio ou especial repetitivos, quando n\u00e3o esgotadas as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.030. Recebida a peti\u00e7\u00e3o do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido ser\u00e1 intimado para apresentar contrarraz\u00f5es no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos ser\u00e3o conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que dever\u00e1;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II \u2013 encaminhar o processo ao \u00f3rg\u00e3o julgador para realiza\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o, se o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justi\u00e7a exarado, conforme o caso, nos regimes de repercuss\u00e3o geral ou de recursos repetitivos;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-necessario-aguardar-a-publicacao-para-ingressar-com-a-reclamacao\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio aguardar a publica\u00e7\u00e3o para ingressar com a reclama\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a analisar a alega\u00e7\u00e3o de inadmissibilidade de conhecimento de reclama\u00e7\u00e3o constitucional ao argumento de que, no caso concreto, o ac\u00f3rd\u00e3o teria sido publicado e que as reclamantes deveriam ter interposto, antes, Recurso Especial. Somente ap\u00f3s o ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o previsto no art. 1.030, II, do <a>CPC<\/a>, a Reclama\u00e7\u00e3o seria admiss\u00edvel, conforme preveria, a contr\u00e1rio sensu, o \u00a7 5\u00ba, inciso II, do art. 988 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o previsto no art. 1.030, II, do CPC, tem aplica\u00e7\u00e3o quando &#8220;o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justi\u00e7a exarado, conforme o caso, nos regimes de repercuss\u00e3o geral ou de recursos repetitivos.&#8221; N\u00e3o \u00e9 o que ocorre na esp\u00e9cie, onde o reclamante alega descumprimento da decis\u00e3o proferida pelo STJ no caso concreto, n\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3o proferido sob o regime dos recursos repetitivos. N\u00e3o haveria oportunidade para que o Tribunal local se retratasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem mesmo eventuais Embargos de Declara\u00e7\u00e3o teriam aptid\u00e3o para reformar o ac\u00f3rd\u00e3o reclamado, j\u00e1 que o Tribunal a quo, n\u00e3o se omitiu sobre a decis\u00e3o do STJ. <strong>A reforma do novo ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a s\u00f3 seria vi\u00e1vel com o julgamento de mais um Recurso Especial, raz\u00e3o pela qual est\u00e1 esgotada a inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, o desrespeito \u00e0 autoridade da decis\u00e3o do STJ ocorreu com a prola\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o pelo Tribunal local e independe da intima\u00e7\u00e3o das partes por meio da imprensa oficial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A Reclama\u00e7\u00e3o com base na alega\u00e7\u00e3o de descumprimento de decis\u00e3o proferida pelo STJ em caso concreto independe, para sua admissibilidade, da publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o impugnado ou do ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o previsto no art. 1.030, II, do CPC<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-des-necessidade-de-apresentacao-nominal-do-rol-de-filiados-para-o-ajuizamento-de-acao-civil-publica-por-associacao\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Des)Necessidade de apresenta\u00e7\u00e3o nominal do rol de filiados para o ajuizamento de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica por associa\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 desnecess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o nominal <a>do rol de filiados para o ajuizamento de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica por associa\u00e7\u00e3o.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.325.857-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 30\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O <a>Instituto de Defesa dos Consumidores <\/a>ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em face do Banco CobroMesmo com o objetivo de declarar a nulidade da tarifa cobrada do consumidor na liquida\u00e7\u00e3o antecipada de d\u00edvidas. A a\u00e7\u00e3o foi inicialmente julgada procedente e a senten\u00e7a mantida pelo Tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Cobromesmo interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que o Instituto de Defesa dos Consumidores deveria ter juntado a lista com os nomes de todas as pessoas que est\u00e3o associadas naquele momento, bem como a autoriza\u00e7\u00e3o dos associados, tudo na forma do que teria sido decidido pelo STF no RE 573232\/SC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CDC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 103. Nas a\u00e7\u00f5es coletivas de que trata este c\u00f3digo, a senten\u00e7a far\u00e1 coisa julgada:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insufici\u00eancia de provas, hip\u00f3tese em que qualquer legitimado poder\u00e1 intentar outra a\u00e7\u00e3o, com id\u00eantico fundamento valendo-se de nova prova, na hip\u00f3tese do inciso I do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 81;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improced\u00eancia por insufici\u00eancia de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hip\u00f3tese prevista no inciso II do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 81;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; erga omnes, apenas no caso de proced\u00eancia do pedido, para beneficiar todas as v\u00edtimas e seus sucessores, na hip\u00f3tese do inciso III do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 81.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00b0 Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II n\u00e3o prejudicar\u00e3o interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00b0 Na hip\u00f3tese prevista no inciso III, em caso de improced\u00eancia do pedido, os interessados que n\u00e3o tiverem intervindo no processo como litisconsortes poder\u00e3o propor a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o a t\u00edtulo individual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00b0 Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 13 da Lei n\u00b0 7.347, de 24 de julho de 1985, n\u00e3o prejudicar\u00e3o as a\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou na forma prevista neste c\u00f3digo, mas, se procedente o pedido, beneficiar\u00e3o as v\u00edtimas e seus sucessores, que poder\u00e3o proceder \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o e \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, nos termos dos arts. 96 a 99.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba Aplica-se o disposto no par\u00e1grafo anterior \u00e0 senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 105. Integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), os \u00f3rg\u00e3os federais, estaduais, do Distrito Federal e municipais e as entidades privadas de defesa do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>CF\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXI &#8211; as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, t\u00eam legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-necessaria-a-juntada-da-lista-nominal-dos-associados\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a juntada da lista nominal dos associados?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia na verifica\u00e7\u00e3o da legitimidade das associa\u00e7\u00f5es para propor a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, tendo em vista a n\u00e3o apresenta\u00e7\u00e3o do rol de seus filiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, faz-se INDISPENS\u00c1VEL estudo detido da tese firmada pela Suprema Corte, no julgamento do RE 573.232\/SC, relativa \u00e0 necessidade de apresenta\u00e7\u00e3o de nominata de associados para ajuizamento de a\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que a an\u00e1lise proposta permitir\u00e1 desvendar se tal exig\u00eancia refere-se apenas \u00e0s a\u00e7\u00f5es coletivas ordin\u00e1rias, ou se tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas devem obedi\u00eancia \u00e0quela condicionante.<\/p>\n\n\n\n<p>Salutar \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o sobre a que t\u00edtulo a associa\u00e7\u00e3o atua no processo, se em substitui\u00e7\u00e3o ou representa\u00e7\u00e3o dos associados, resposta que orientar\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o da obrigatoriedade ou n\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o do rol de poss\u00edveis benefici\u00e1rios da demanda, sob pena de indeferimento da inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, \u00e9 o entendimento do egr\u00e9gio Superior Tribunal de Justi\u00e7a: &#8220;Independentemente de autoriza\u00e7\u00e3o especial ou da apresenta\u00e7\u00e3o de r\u00e9\/a\u00e7\u00e3o nominal de associados, as associa\u00e7\u00f5es civis, constitu\u00eddas h\u00e1 pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos pelo CDC, gozam de legitimidade ativa para a propositura de a\u00e7\u00e3o coletiva. (Superior Tribunal de Justi\u00e7a, Terceira Turma, REsp. 805277\/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 23\/09\/2008, DJe 08\/10\/2008)<\/p>\n\n\n\n<p>Referindo-se \u00e0 espec\u00edfica atua\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es, a doutrina elucida a quest\u00e3o, diferenciando os institutos da representa\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o processual, nos seguintes termos: &#8220;A distin\u00e7\u00e3o entre representa\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o processual \u00e9 cl\u00e1ssica, e ambas est\u00e3o relacionadas com a n\u00e3o coincid\u00eancia entre o titular do direito material e aquele que defende esse direito em ju\u00edzo. Ocorre representa\u00e7\u00e3o quando o representante age em nome do representado, na tutela do direito deste; j\u00e1 na substitui\u00e7\u00e3o processual o substituto age em nome pr\u00f3prio, na defesa do direito do substitu\u00eddo. Na hip\u00f3tese de atua\u00e7\u00e3o judicial de entidade associativa a t\u00edtulo de representante, o ente vai a ju\u00edzo em nome e no interesse dos associados, de modo que h\u00e1 necessidade de apresentar autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para essa atua\u00e7\u00e3o e os efeitos da senten\u00e7a ficam circunscritos aos representados. Trata-se da previs\u00e3o do art. 5, inc. XXI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Trata-se de legitima\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria. J\u00e1 na substitui\u00e7\u00e3o processual, o que ocorre \u00e9 uma atua\u00e7\u00e3o pelo ente coletivo que tem como fun\u00e7\u00e3o prec\u00edpua a defesa dos interesses comuns do grupo de substitu\u00eddos; da\u00ed a desnecessidade de autoriza\u00e7\u00e3o expressa e pontual dos seus membros para a sua atua\u00e7\u00e3o em ju\u00edzo, como tamb\u00e9m ocorre com a tradicional legitimidade extraordin\u00e1ria dos sindicatos. E da\u00ed, tamb\u00e9m, a extens\u00e3o dos efeitos da senten\u00e7a a todos os substitu\u00eddos, aplicando-se as regras da coisa julgada pr\u00f3prias dos processos coletivos (arts. 103 e 105 do <a>CDC<\/a>). Neste caso, a legitima\u00e7\u00e3o \u00e9 extraordin\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A atua\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es em processos coletivos pode se verificar de duas maneiras: (a) por meio da a\u00e7\u00e3o coletiva ordin\u00e1ria, hip\u00f3tese de representa\u00e7\u00e3o processual, com base no permissivo contido no artigo 5\u00ba, inciso XXI, da <a>CF\/1988<\/a>; ou (b) ou na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, agindo a associa\u00e7\u00e3o nos moldes da substitui\u00e7\u00e3o processual prevista no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor e na Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso analisado, vale dizer que a a\u00e7\u00e3o proposta na origem tem como escopo a defesa de direitos e interesses homog\u00eaneos de uma universalidade de consumidores que, embora tamb\u00e9m sejam, ontologicamente, direitos individuais, mereceram tratamento especial do ordenamento jur\u00eddico, que se expressa pela legitima\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do substituto processual.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em todo exposto, <strong>verifica-se a IMPOSSIBILIDADE de, no caso em an\u00e1lise, incidir o entendimento firmado no RE 573.232\/SC, em sede de repercuss\u00e3o geral.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque, o precedente da Corte Suprema se direcionou EXCLUSIVAMENTE \u00e0s demandas coletivas em que as Associa\u00e7\u00f5es autoras atuam por representa\u00e7\u00e3o processual, n\u00e3o tendo aplica\u00e7\u00e3o aos casos em que agem em substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessarte, <strong>na pretens\u00e3o deduzida na presente demanda, DIVERSAMENTE do julgamento do STF, a atua\u00e7\u00e3o da entidade autora deu-se, de forma inequ\u00edvoca, no campo da substitui\u00e7\u00e3o processual, sendo desnecess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o nominal do rol de seus filiados para ajuizamento da a\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 desnecess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o nominal do rol de filiados para o ajuizamento de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica por associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-i-legitimidade-do-locatario-do-imovel-cuja-propriedade-foi-consolidada-nas-maos-do-credor-fiduciario-diante-da-inadimplencia-do-devedor-fiduciante-para-responder-pela-taxa-de-ocupacao\"><a>10.&nbsp; (I)Legitimidade do locat\u00e1rio do im\u00f3vel cuja propriedade foi consolidada nas m\u00e3os do credor fiduci\u00e1rio diante da inadimpl\u00eancia do devedor fiduciante para responder pela taxa de ocupa\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>locat\u00e1rio do im\u00f3vel cuja propriedade foi consolidada nas m\u00e3os do credor fiduci\u00e1rio diante da inadimpl\u00eancia do devedor fiduciante <\/a>(antigo locador do bem) n\u00e3o \u00e9 parte leg\u00edtima para responder pela taxa de ocupa\u00e7\u00e3o, prevista no art. 37-A da Lei n. 9.514\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.966.030-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/11\/2021, DJe 30\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nerso celebrou com o Banco Cobromesmo um contrato de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria para compra de um im\u00f3vel residencial. Infelizmente, Nerso n\u00e3o conseguiu pagar as presta\u00e7\u00f5es combinadas e o banco ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a. Diante da inadimpl\u00eancia do devedor fiduci\u00e1rio e da in\u00e9rcia destes ap\u00f3s a intima\u00e7\u00e3o para a purga da mora, o banco consolidou a propriedade do im\u00f3vel para si e, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de dois leil\u00f5es infrut\u00edferos, concedeu ao devedor a quita\u00e7\u00e3o integral da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, ao tentar investir-se na posse do im\u00f3vel, Cobromesmo ficou sabendo que o bem havia sido locado para Caetano. O banco ent\u00e3o notificou Caetano para que deixasse o im\u00f3vel, o que s\u00f3 ocorreu 246 dias depois da notifica\u00e7\u00e3o.&nbsp; Em raz\u00e3o do atraso, Cobromesmo ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de Caetano por meio da qual cobra valor referente \u00e0 taxa de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.514\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 27. Uma vez consolidada a propriedade em seu nome, o fiduci\u00e1rio, no prazo de trinta dias, contados da data do registro de que trata o \u00a7 7\u00ba do artigo anterior, promover\u00e1 p\u00fablico leil\u00e3o para a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 7<sup>o<\/sup>&nbsp;Se o im\u00f3vel estiver locado, a loca\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser denunciada com o prazo de trinta dias para desocupa\u00e7\u00e3o, salvo se tiver havido aquiesc\u00eancia por escrito do fiduci\u00e1rio, devendo a den\u00fancia ser realizada no prazo de noventa dias a contar da data da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade no fiduci\u00e1rio, devendo essa condi\u00e7\u00e3o constar expressamente em cl\u00e1usula contratual espec\u00edfica, destacando-se das demais por sua apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37-A. &nbsp;O devedor fiduciante pagar\u00e1 ao credor fiduci\u00e1rio, ou a quem vier a suced\u00ea-lo, a t\u00edtulo de taxa de ocupa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, por m\u00eas ou fra\u00e7\u00e3o, valor correspondente a 1% (um por cento) do valor a que se refere o inciso VI ou o par\u00e1grafo \u00fanico do art. 24 desta Lei, computado e exig\u00edvel desde a data da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria no patrim\u00f4nio do credor fiduciante at\u00e9 a data em que este, ou seus sucessores, vier a ser imitido na posse do im\u00f3vel.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. &nbsp;O disposto no&nbsp;caput&nbsp;deste artigo aplica-se \u00e0s opera\u00e7\u00f5es do Programa Minha Casa, Minha Vida, institu\u00eddo pela&nbsp;Lei n\u00ba 11.977, de 7 de julho de 2009, com recursos advindos da integraliza\u00e7\u00e3o de cotas no Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-a-taxa-de-ocupacao-pode-ser-cobrada-de-caetano\">10.2.2. &nbsp;<a>A taxa de ocupa\u00e7\u00e3o pode ser cobrada de Caetano?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia cinge-se em saber se o locat\u00e1rio do im\u00f3vel, objeto de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria celebrada entre o banco (autor da a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a) e terceiros, como garantia das obriga\u00e7\u00f5es decorrentes de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, \u00e9 parte leg\u00edtima para responder pela taxa de ocupa\u00e7\u00e3o prevista no art. 37-A da <a>Lei n. 9.514\/1997 <\/a>(com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 10.931\/2004), exigida pela institui\u00e7\u00e3o financeira em raz\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o indevida do bem ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade para si e a notifica\u00e7\u00e3o para que o locador procedesse \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, no prazo que estipulou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A taxa de ocupa\u00e7\u00e3o tem por fundamento a posse INJUSTA exercida pelo devedor fiduciante a partir do momento em que consolidada a propriedade no patrim\u00f4nio do credor<\/strong>, sendo sua finalidade compensar o leg\u00edtimo propriet\u00e1rio do im\u00f3vel &#8211; o credor fiduci\u00e1rio, ou quem vier a suced\u00ea-lo &#8211; pela ocupa\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, observa-se que os sujeitos da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica apta a ensejar a cobran\u00e7a da taxa de ocupa\u00e7\u00e3o prevista no art. 37-A da Lei n. 9.514\/1997 est\u00e3o expressos na norma e s\u00e3o apenas os sujeitos origin\u00e1rios do ajuste &#8211; fiduciante e fiduci\u00e1rio -, ou aqueles que sucederam o credor na rela\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a parte consolidou a propriedade do im\u00f3vel para si e, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de dois leil\u00f5es infrut\u00edferos, concedeu ao devedor a quita\u00e7\u00e3o integral da d\u00edvida, tornando-se propriet\u00e1rio pleno do bem. Em seguida, ao tentar investir-se na posse do im\u00f3vel, tomou ci\u00eancia de que, em raz\u00e3o de um contrato de loca\u00e7\u00e3o firmado com o ent\u00e3o devedor-fiduciante, o bem estava sendo ocupado por um terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, cabe anotar que a cess\u00e3o da posse do im\u00f3vel objeto de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, por meio da celebra\u00e7\u00e3o de contrato de loca\u00e7\u00e3o com terceiros, \u00e9 uma faculdade assegurada ao devedor fiduciante, pois a lei lhe confere, &#8220;enquanto adimplente, a livre utiliza\u00e7\u00e3o por sua conta e risco do im\u00f3vel objeto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria&#8221; (art. 24, V, da Lei n. 9.514\/1997).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim<strong>, havendo anu\u00eancia do credor fiduci\u00e1rio, a loca\u00e7\u00e3o deve ser respeitada, passando o credor a figurar na rela\u00e7\u00e3o locat\u00edcia como sucessor do locador, e os valores que o credor poder\u00e1 cobrar do ocupante do im\u00f3vel, ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade s\u00e3o aqueles decorrentes do contrato de loca\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, n\u00e3o havendo essa anu\u00eancia, inexiste qualquer v\u00ednculo entre o locat\u00e1rio e o credor fiduci\u00e1rio, que poder\u00e1, apenas, denunciar a loca\u00e7\u00e3o, nos termos do disposto nos arts. 27, \u00a7 7\u00ba, da Lei n. 9.514\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o locat\u00e1rio do im\u00f3vel cuja propriedade foi consolidada nas m\u00e3os do credor fiduci\u00e1rio diante da inadimpl\u00eancia do devedor fiduciante (antigo locador do bem) n\u00e3o \u00e9 parte leg\u00edtima para responder pela taxa de ocupa\u00e7\u00e3o, prevista no art. 37-A da Lei n. 9.514\/1997, por n\u00e3o fazer parte da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que fundamenta a cobran\u00e7a da taxa em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O locat\u00e1rio do im\u00f3vel cuja propriedade foi consolidada nas m\u00e3os do credor fiduci\u00e1rio diante da inadimpl\u00eancia do devedor fiduciante (antigo locador do bem) n\u00e3o \u00e9 parte leg\u00edtima para responder pela taxa de ocupa\u00e7\u00e3o, prevista no art. 37-A da Lei n. 9.514\/1997.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-contestacao-de-autenticidade-de-assinatura-e-onus-probatorio\"><a>11.&nbsp; Contesta\u00e7\u00e3o de autenticidade de assinatura e \u00f4nus probat\u00f3rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em que o consumidor\/autor impugnar a autenticidade da assinatura constante em contrato banc\u00e1rio juntado ao processo pela institui\u00e7\u00e3o financeira, caber\u00e1 a esta o \u00f4nus de provar a autenticidade (CPC, arts. 6\u00ba, 369 e 429, II ).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.846.649-MA, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 24\/11\/2021. Tema 1061. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Vozinaldo contratou um empr\u00e9stimo consignado junto ao Banco Brasa no qual ficou acordado que seria descontado mensalmente o percentual de 10% do valor do seu benef\u00edcio previdenci\u00e1rio por cinco anos. No entanto, algum tempo depois, o banco passou a descontar 30% do valor do benef\u00edcio, o que deixou Vozinaldo em situa\u00e7\u00e3o financeira bastante complicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o idoso ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do Banco, que, por sua vez, juntou ao processo dois contratos de empr\u00e9stimos consignados supostamente assinados pelo autor. Vozinaldo afirma que o primeiro contrato efetivamente foi assinado por ele, mas contestou a assinatura do segundo contrato.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 6\u00ba Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razo\u00e1vel, decis\u00e3o de m\u00e9rito justa e efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 373. O \u00f4nus da prova incumbe:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; ao r\u00e9u, quanto \u00e0 exist\u00eancia de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas \u00e0 impossibilidade ou \u00e0 excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do&nbsp;caput&nbsp;ou \u00e0 maior facilidade de obten\u00e7\u00e3o da prova do fato contr\u00e1rio, poder\u00e1 o juiz atribuir o \u00f4nus da prova de modo diverso, desde que o fa\u00e7a por decis\u00e3o fundamentada, caso em que dever\u00e1 dar \u00e0 parte a oportunidade de se desincumbir do \u00f4nus que lhe foi atribu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba A decis\u00e3o prevista no \u00a7 1\u00ba deste artigo n\u00e3o pode gerar situa\u00e7\u00e3o em que a desincumb\u00eancia do encargo pela parte seja imposs\u00edvel ou excessivamente dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba A distribui\u00e7\u00e3o diversa do \u00f4nus da prova tamb\u00e9m pode ocorrer por conven\u00e7\u00e3o das partes, salvo quando:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; recair sobre direito indispon\u00edvel da parte;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; tornar excessivamente dif\u00edcil a uma parte o exerc\u00edcio do direito.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 4\u00ba A conven\u00e7\u00e3o de que trata o \u00a7 3\u00ba pode ser celebrada antes ou durante o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 429. Incumbe o \u00f4nus da prova quando:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; se tratar de falsidade de documento ou de preenchimento abusivo, \u00e0 parte que a arguir;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; se tratar de impugna\u00e7\u00e3o da autenticidade, \u00e0 parte que produziu o documento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-a-quem-cabe-comprovar-a-autenticidade-da-assinatura\"><a>11.2.2. A quem cabe comprovar a autenticidade da assinatura?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Ao Banco\/Institui\u00e7\u00e3o Financeira!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente cumpre salientar que para a resolu\u00e7\u00e3o desta controv\u00e9rsia deve-se limitar a discuss\u00e3o aos casos em que h\u00e1 contesta\u00e7\u00e3o da assinatura do contrato, pois, diversamente da hip\u00f3tese em que se contesta a veracidade do pr\u00f3prio documento (art. 429, I, do <a>CPC\/2015<\/a>), aqui se impugna apenas parte dele, isto \u00e9, a aposi\u00e7\u00e3o da assinatura (art. 429, II, do CPC\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutrina, &#8220;o \u00f4nus da prova da falsidade documental compete \u00e0 parte que a arguiu (art. 429, I, CPC), mas se a falsidade apontada disser respeito \u00e0 assinatura lan\u00e7ada no documento, o \u00f4nus da prova caber\u00e1 a quem o produziu (art. 429, II, CPC)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>a parte que produz o documento \u00e9 aquela por conta de quem se elaborou, porquanto respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o do contrato, sendo quem possui a capacidade de justificar ou comprovar a presen\u00e7a da pessoa que o assinou<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, v\u00ea-se que a pr\u00f3pria lei criou uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra geral de distribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus probat\u00f3rio, disposta no art. 373 do CPC\/2015, imputando o \u00f4nus a quem produziu o documento se houver impugna\u00e7\u00e3o de sua autenticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>aqui n\u00e3o se cuida de invers\u00e3o do \u00f4nus probat\u00f3rio com a imposi\u00e7\u00e3o de a casa banc\u00e1ria arcar com os custos da per\u00edcia, mas sim quanto \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o legal de a parte que produziu o documento suportar o \u00f4nus de demonstrar a veracidade da assinatura constante no contrato e oportunamente impugnada pelo mutu\u00e1rio, o que abrange a produ\u00e7\u00e3o da per\u00edcia grafot\u00e9cnica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Oportuno ressaltar, ainda, que n\u00e3o se est\u00e1 a afirmar que o fornecedor, nas rela\u00e7\u00f5es consumeristas, dever\u00e1 arcar com a produ\u00e7\u00e3o da prova pericial em toda e qualquer hip\u00f3tese, mas apenas que ser\u00e1 \u00f4nus seu, em regra, demonstrar a veracidade da assinatura aposta no contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se atentar ao fato de que as a\u00e7\u00f5es repetitivas que justificaram a admiss\u00e3o do IRDR na origem envolviam consumidores pessoas idosas, aposentadas, de baixa renda e analfabetas, os quais, em sua maioria, foram v\u00edtimas de fraudes ou pr\u00e1ticas abusivas perpetradas por correspondentes banc\u00e1rios. Portanto, a hip\u00f3tese em apre\u00e7o n\u00e3o imp\u00f5e a produ\u00e7\u00e3o de uma prova diab\u00f3lica, haja vista que o pr\u00f3prio consumidor, que supostamente teria assinado o contrato, impugna a autenticidade da assinatura e poder\u00e1 facilmente fornecer o material necess\u00e1rio para a per\u00edcia grafot\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o pode fechar os olhos para as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas que gravitam ao redor da quest\u00e3o jur\u00eddica, porquanto tais demandas envolvem, via de regra, pessoas hipervulner\u00e1veis, que n\u00e3o possuem condi\u00e7\u00f5es de arcar com os custos de uma prova pericial complexa, devendo ser imputado tal \u00f4nus \u00e0quela parte da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que det\u00e9m maiores condi\u00e7\u00f5es para sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o se olvide que o art. 6\u00ba do CPC\/2015 prev\u00ea expressamente o dever de coopera\u00e7\u00e3o entre os sujeitos do processo para que se obtenha uma solu\u00e7\u00e3o com efetividade, devendo as partes trazer aos autos as alega\u00e7\u00f5es e provas capazes de auxiliar, de forma efetiva, na forma\u00e7\u00e3o do convencimento do Magistrado para o deferimento da produ\u00e7\u00e3o das provas necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, havendo impugna\u00e7\u00e3o da autenticidade da assinatura constante de contrato banc\u00e1rio por parte do consumidor, caber\u00e1 \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira o \u00f4nus de provar sua autenticidade, mediante per\u00edcia grafot\u00e9cnica ou outro meio de prova.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em que o consumidor\/autor impugnar a autenticidade da assinatura constante em contrato banc\u00e1rio juntado ao processo pela institui\u00e7\u00e3o financeira, caber\u00e1 a esta o \u00f4nus de provar a autenticidade (CPC, arts. 6\u00ba, 369 e 429, II ).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-bens-alienados-em-garantia-a-ao-avalista-em-recuperacao-judicial-e-possibilidade-de-expropriacao-de-outros-bens-de-sua-titularidade\"><a>12.&nbsp; Bens alienados em garantia a ao avalista em recupera\u00e7\u00e3o judicial e possibilidade de expropria\u00e7\u00e3o de outros bens de sua titularidade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pertencendo os bens alienados em garantia ao avalista em recupera\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o podem ser expropriados outros bens de sua titularidade, pois devem servir ao pagamento de todos os credores. (1) Os credores fiduci\u00e1rios est\u00e3o exclu\u00eddos dos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial somente em rela\u00e7\u00e3o ao montante alcan\u00e7ado pelos bens alienados em garantia (2)<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.953.180-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25\/11\/2021, DJe 01\/12\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Banco Pinha ingressou com pedido de tutela cautelar antecedente unicamente contra FX S.A &#8211; Em Recupera\u00e7\u00e3o Judicial e Colarte Qu\u00edmica S.A., buscando garantir a futura execu\u00e7\u00e3o de 2 c\u00e9dulas de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, nas quais as requeridas constam como avalistas. Destaca-se que o devedor principal n\u00e3o foi acionado por meio desta a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As executadas informaram que ingressaram com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, tendo sido deferido o seu processamento pelo Ju\u00edzo competente, motivo pelo qual requereram a suspens\u00e3o do feito. O Ju\u00edzo da Vara de expediu of\u00edcios ao Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, encaminhando a decis\u00e3o que deferiu o processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial das recorridas\/executadas e requerendo o levantamento dos valores bloqueados e a suspens\u00e3o dos atos expropriat\u00f3rios relativos ao im\u00f3vel de titularidade de Colarte.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o banco argumentou que poderia expropriar os bens penhorados, uma vez que seu cr\u00e9dito \u00e9 extraconcursal e n\u00e3o se submete aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial da avalista.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00ba A decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia ou o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial implica:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 4\u00ba Na recupera\u00e7\u00e3o judicial, as suspens\u00f5es e a proibi\u00e7\u00e3o de que tratam os incisos I, II e III do&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo perdurar\u00e3o pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o, prorrog\u00e1vel por igual per\u00edodo, uma \u00fanica vez, em car\u00e1ter excepcional, desde que o devedor n\u00e3o haja concorrido com a supera\u00e7\u00e3o do lapso temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 49. Est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, ainda que n\u00e3o vencidos.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Tratando-se de credor titular da posi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio de bens m\u00f3veis ou im\u00f3veis, de arrendador mercantil, de propriet\u00e1rio ou promitente vendedor de im\u00f3vel cujos respectivos contratos contenham cl\u00e1usula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, ou de propriet\u00e1rio em contrato de venda com reserva de dom\u00ednio, seu cr\u00e9dito n\u00e3o se submeter\u00e1 aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial e prevalecer\u00e3o os direitos de propriedade sobre a coisa e as condi\u00e7\u00f5es contratuais, observada a legisla\u00e7\u00e3o respectiva, n\u00e3o se permitindo, contudo, durante o prazo de suspens\u00e3o a que se refere o \u00a7 4\u00ba do art. 6\u00ba desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-possivel-a-expropriacao\"><a>12.2.2. Poss\u00edvel a expropria\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme consignado no julgamento do REsp 1.677.939\/SP, &#8220;O aval apresenta 2 (duas) caracter\u00edsticas principais, a autonomia e a equival\u00eancia. A autonomia significa que a exist\u00eancia, validade e efic\u00e1cia do aval n\u00e3o est\u00e3o condicionadas \u00e0 da obriga\u00e7\u00e3o principal. A equival\u00eancia torna o avalista devedor do t\u00edtulo da mesma forma que a pessoa por ele avalizada. (&#8230;) Disso decorre que o credor pode exigir o pagamento tanto do devedor principal quanto do avalista, que n\u00e3o pode apresentar exce\u00e7\u00f5es pessoais que aproveitariam o avalizado, nem invocar benef\u00edcio de ordem.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desse modo, se o avalizado for devedor principal, o avalista ser\u00e1 tratado como se devedor principal fosse.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, caso os bens alienados em garantia fossem dos avalistas, poderiam ser perseguidos pelo credor fora da recupera\u00e7\u00e3o judicial, j\u00e1 que a extraconcursalidade do cr\u00e9dito est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 propriedade fiduci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, sendo os bens alienados em garantia de propriedade do devedor principal, o cr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o aos avalistas em recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o pode ser satisfeito com outros bens de sua propriedade, que est\u00e3o submetidos ao pagamento de todos os demais credores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os credores fiduci\u00e1rios est\u00e3o exclu\u00eddos dos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial???<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>R: Somente em rela\u00e7\u00e3o ao montante alcan\u00e7ado pelos bens em garantia!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia implica a transfer\u00eancia da propriedade de coisa material ao credor com a finalidade de garantir a obriga\u00e7\u00e3o principal. A transfer\u00eancia da propriedade, por\u00e9m, \u00e9 resol\u00favel. Satisfeita a obriga\u00e7\u00e3o principal, o bem retorna automaticamente \u00e0 propriedade do devedor. Na hip\u00f3tese de inadimplemento, no entanto, o credor poder\u00e1 retomar a posse do bem para efetivar sua liquida\u00e7\u00e3o e saldar a d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do artigo 49, \u00a7 3\u00ba, da <a>Lei n. 11.101\/2005<\/a>, tratando-se de credor titular da posi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio de bens m\u00f3veis ou im\u00f3veis, seu cr\u00e9dito n\u00e3o se submeter\u00e1 aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial e prevalecer\u00e3o os direitos de propriedade sobre a coisa e as condi\u00e7\u00f5es contratuais, observada a legisla\u00e7\u00e3o respectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, durante o prazo de suspens\u00e3o a que se refere o \u00a7 4\u00ba do art. 6\u00ba desta Lei, n\u00e3o ser\u00e1 permitida a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial. Como se observa da reda\u00e7\u00e3o do dispositivo legal, busca-se tutelar o direito de propriedade do credor, que poder\u00e1 retomar a posse do bem, sem se submeter aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, salvo algumas restri\u00e7\u00f5es que podem lhe ser impostas se os bens forem essenciais \u00e0 atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, <strong>\u00e9 poss\u00edvel concluir que o que diferencia o credor garantido por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria dos demais credores \u00e9 a propriedade do bem alienado em garantia<\/strong>. Assim, \u00e9 o objeto da garantia que tra\u00e7a os limites da extraconcursalidade do cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, <strong>se a aliena\u00e7\u00e3o do bem dado em garantia for suficiente para quitar o d\u00e9bito, extingue-se a obriga\u00e7\u00e3o. Por outro lado, se o valor apurado com a venda do bem n\u00e3o for bastante para extinguir a obriga\u00e7\u00e3o, o restante do cr\u00e9dito em aberto n\u00e3o mais poder\u00e1 ser exigido fora da recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor, pois n\u00e3o mais existir\u00e1 a caracter\u00edstica que diferenciava o credor titular da posi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio dos demais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o cr\u00e9dito do titular da posi\u00e7\u00e3o de credor fiduci\u00e1rio ser\u00e1 extraconcursal no limite do bem dado em garantia, sobre o qual se estabelece a propriedade resol\u00favel.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pertencendo os bens alienados em garantia ao avalista em recupera\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o podem ser expropriados outros bens de sua titularidade, pois devem servir ao pagamento de todos os credores. (1) Os credores fiduci\u00e1rios est\u00e3o exclu\u00eddos dos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial somente em rela\u00e7\u00e3o ao montante alcan\u00e7ado pelos bens alienados em garantia(2)<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-credor-fiduciario-antes-da-consolidacao-da-propriedade-e-imissao-na-posse-como-sujeito-passivo-do-iptu\"><a>13.&nbsp; Credor fiduci\u00e1rio antes da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e imiss\u00e3o na posse como sujeito passivo do IPTU<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O credor fiduci\u00e1rio, antes da <a>consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e da imiss\u00e3o na posse no im\u00f3vel objeto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/a>, n\u00e3o pode ser considerado sujeito passivo do IPTU, uma vez que n\u00e3o se enquadra em nenhuma das hip\u00f3teses previstas no art. 34 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.796.224-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Suzete celebrou contrato de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria com o Banco Cobromesmo para a aquisi\u00e7\u00e3o de um im\u00f3vel residencial. Ocorre que Suzete n\u00e3o conseguiu pagar as parcelas combinadas, al\u00e9m de n\u00e3o ter pago tamb\u00e9m o IPTU devido no tempo em que ali residiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O banco ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, mas antes mesmo da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e da imiss\u00e3o na posse no im\u00f3vel objeto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, o Munic\u00edpio no qual o im\u00f3vel se localiza notificou o banco para o pagamento do IPTU atrasado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.514\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 25. Com o pagamento da d\u00edvida e seus encargos, resolve-se, nos termos deste artigo, a propriedade fiduci\u00e1ria do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba No prazo de trinta dias, a contar da data de liquida\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, o fiduci\u00e1rio fornecer\u00e1 o respectivo termo de quita\u00e7\u00e3o ao fiduciante, sob pena de multa em favor deste, equivalente a meio por cento ao m\u00eas, ou fra\u00e7\u00e3o, sobre o valor do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba \u00c0 vista do termo de quita\u00e7\u00e3o de que trata o par\u00e1grafo anterior, o oficial do competente Registro de Im\u00f3veis efetuar\u00e1 o &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; cancelamento do registro da propriedade fiduci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 27. Uma vez consolidada a propriedade em seu nome, o fiduci\u00e1rio, no prazo de trinta dias, contados da data do registro de que trata o \u00a7 7\u00ba do artigo anterior, promover\u00e1 p\u00fablico leil\u00e3o para a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 8<sup>o<\/sup>&nbsp;Responde o fiduciante pelo pagamento dos impostos, taxas, contribui\u00e7\u00f5es condominiais e quaisquer outros encargos que recaiam ou venham a recair sobre o im\u00f3vel, cuja posse tenha sido transferida para o fiduci\u00e1rio, nos termos deste artigo, at\u00e9 a data em que o fiduci\u00e1rio vier a ser imitido na posse.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.231. A propriedade presume-se plena e exclusiva, at\u00e9 prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.361. Considera-se fiduci\u00e1ria a propriedade resol\u00favel de coisa m\u00f3vel infung\u00edvel que o devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Com a constitui\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria, d\u00e1-se o desdobramento da posse, tornando-se o devedor possuidor direto da coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.363. Antes de vencida a d\u00edvida, o devedor, a suas expensas e risco, pode usar a coisa segundo sua destina\u00e7\u00e3o, sendo obrigado, como deposit\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a empregar na guarda da coisa a dilig\u00eancia exigida por sua natureza;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a entreg\u00e1-la ao credor, se a d\u00edvida n\u00e3o for paga no vencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.365. \u00c9 nula a cl\u00e1usula que autoriza o propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio a ficar com a coisa alienada em garantia, se a d\u00edvida n\u00e3o for paga no vencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O devedor pode, com a anu\u00eancia do credor, dar seu direito eventual \u00e0 coisa em pagamento da d\u00edvida, ap\u00f3s o vencimento desta.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.367. &nbsp;A propriedade fiduci\u00e1ria em garantia de bens m\u00f3veis ou im\u00f3veis sujeita-se \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do Cap\u00edtulo I do T\u00edtulo X do Livro III da Parte Especial deste C\u00f3digo e, no que for espec\u00edfico, \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o especial pertinente, n\u00e3o se equiparando, para quaisquer efeitos, \u00e0 propriedade plena de que trata o art. 1.231.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.368-B. &nbsp;A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia de bem m\u00f3vel ou im\u00f3vel confere direito real de aquisi\u00e7\u00e3o ao fiduciante, seu cession\u00e1rio ou sucessor.&nbsp;(Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.043, de 2014)<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. &nbsp;O credor fiduci\u00e1rio que se tornar propriet\u00e1rio pleno do bem, por efeito de realiza\u00e7\u00e3o da garantia, mediante consolida\u00e7\u00e3o da propriedade, adjudica\u00e7\u00e3o, da\u00e7\u00e3o ou outra forma pela qual lhe tenha sido transmitida a propriedade plena, passa a responder pelo pagamento dos tributos sobre a propriedade e a posse, taxas, despesas condominiais e quaisquer outros encargos, tribut\u00e1rios ou n\u00e3o, incidentes sobre o bem objeto da garantia, a partir da data em que vier a ser imitido na posse direta do bem<\/p>\n\n\n\n<p>CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 34. Contribuinte do imposto \u00e9 o propriet\u00e1rio do im\u00f3vel, o titular do seu dom\u00ednio \u00fatil, ou o seu possuidor a qualquer t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-o-credor-fiduciario-pode-ser-considerado-sujeito-passivo-do-iptu\"><a>13.2.2. O credor fiduci\u00e1rio pode ser considerado sujeito passivo do IPTU?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nana-nina-N\u00c3O!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, anote-se que, de acordo com o art. 25 da <a>Lei n. 9.514\/1997<\/a>, a propriedade conferida ao credor fiduci\u00e1rio \u00e9 RESOL\u00daVEL. Al\u00e9m disso, nos termos dos arts. 1.231 e 1.367 do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>, essa n\u00e3o \u00e9 plena e nunca o ser\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, &#8220;a inten\u00e7\u00e3o do devedor fiduciante, ao oferecer o im\u00f3vel como garantia ao contrato de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9, ao fim e ao cabo, transferir para o credor fiduci\u00e1rio a propriedade plena do bem, diversamente do que ocorre na compra e venda, mas apenas garantir o adimplemento do contrato de financiamento a que se vincula, objetivando que, mediante o pagamento integral da d\u00edvida, a propriedade plena do bem seja restitu\u00edda ao seu patrim\u00f4nio&#8221; (REsp 1.726.733\/SP, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, DJe 16\/10\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00ea-se, pois, que <strong>a propriedade conferida ao credor fiduci\u00e1rio \u00e9 despida dos poderes de dom\u00ednio\/propriedade (uso, gozo e disposi\u00e7\u00e3o), sendo a posse indireta por ele exercida desprovida de \u00e2nimo de dom\u00ednio, considerando-se a inexist\u00eancia do elemento volitivo: a vontade de ter o bem como se seu fosse<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe-se que, na eventual hip\u00f3tese de consolida\u00e7\u00e3o da propriedade no nome do credor fiduci\u00e1rio (art. 26, \u00a7\u00a7, da Lei n. 9.514\/1997), a lei determina a obrigatoriedade de este promover a aliena\u00e7\u00e3o do bem (art. 27 da Lei 9.514\/1997 e art. 1.364 do CC\/2002), n\u00e3o sendo poss\u00edvel a manuten\u00e7\u00e3o da sua propriedade sobre o bem mesmo nas hip\u00f3teses de inadimplemento do contrato pelo devedor fiduciante (art. 1.365 do C\u00f3digo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>De mesma forma, o credor fiduci\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 detentor do dom\u00ednio \u00fatil sobre o im\u00f3vel, tendo em vista que esse reserva-se ao devedor fiduciante (arts. 1.361, \u00a7 2\u00b0, e 1.363 do CC\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, ganha relev\u00e2ncia a previs\u00e3o feita nos arts. 27, \u00a7 8\u00b0, da Lei 9.514\/1997 e 1.368-B, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002, quando declaram que sobre o credor fiduciante recaem todos os encargos (especial aten\u00e7\u00e3o dada aos tributos) incidentes sobre o bem apenas com a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e ap\u00f3s a imiss\u00e3o da posse.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos cr\u00e9ditos de IPTU, o entendimento do STJ se consolidou no sentido de que consideram-se contribuintes do referido imposto o propriet\u00e1rio do im\u00f3vel, o titular do seu dom\u00ednio \u00fatil ou o seu possuidor a qualquer t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o adotada no julgamento do Recurso Especial repetitivo 1.111.202\/SP, quando se definiu que o pr\u00f3prio Munic\u00edpio pode, por meio de lei local, escolher no rol do art. 34 do <a>CTN<\/a> aquele que constar\u00e1 como sujeito passivo da exa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a jurisprud\u00eancia do STJ, interpretando o art. 34 do CTN, tamb\u00e9m reconhece n\u00e3o ser poss\u00edvel a sujei\u00e7\u00e3o passiva do IPTU ao propriet\u00e1rio despido dos poderes de propriedade, daquele que n\u00e3o det\u00e9m o dom\u00ednio \u00fatil sobre o im\u00f3vel ou do possuidor sem \u00e2nimo de dom\u00ednio, no que se insere o credor fiduci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O credor fiduci\u00e1rio, antes da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e da imiss\u00e3o na posse no im\u00f3vel objeto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, n\u00e3o pode ser considerado sujeito passivo do IPTU, uma vez que n\u00e3o se enquadra em nenhuma das hip\u00f3teses previstas no art. 34 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-inadimplemento-de-prestacao-pecuniaria-como-impeditivo-da-extincao-da-punibilidade-em-caso-de-condenacao-concomitante-a-pena-privativa-de-liberdade-e-multa\"><a>14.&nbsp; Inadimplemento de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria como impeditivo da extin\u00e7\u00e3o da punibilidade em caso de condena\u00e7\u00e3o concomitante a pena privativa de liberdade e multa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de <a>condena\u00e7\u00e3o concomitante a pena privativa de liberdade e multa<\/a>, o inadimplemento da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, pelo condenado que comprovar impossibilidade de faz\u00ea-lo, n\u00e3o obsta o reconhecimento da extin\u00e7\u00e3o da punibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.785.383-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 24\/11\/2021, DJe 30\/11\/2021. (Tema 931) (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu foi condenado a uma pena privativa de liberdade e ao pagamento de 100 dias multa. Ele cumpriu o per\u00edodo designado na pena, mas deixou de pagar a san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria e alegou a absoluta impossibilidade de faz\u00ea-lo em raz\u00e3o de suas parcas condi\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson ent\u00e3o extinguiu a pena privativa de liberdade pelo seu cumprimento integral, mas determinou que fosse oficiada a Fazenda P\u00fablica para cobran\u00e7a da pena de multa e ressaltou que a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade somente poderia ser decretada quando Tadeu comprovasse o pagamento dos valores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 51. Transitada em julgado a senten\u00e7a condenat\u00f3ria, a multa ser\u00e1 executada perante o juiz da execu\u00e7\u00e3o penal e ser\u00e1 considerada d\u00edvida de valor, aplic\u00e1veis as normas relativas \u00e0 d\u00edvida ativa da Fazenda P\u00fablica, inclusive no que concerne \u00e0s causas interruptivas e suspensivas da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>CF\/88:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 226. A fam\u00edlia, base da sociedade, tem especial prote\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-o-nao-pagamento-obsta-a-extincao-da-punibilidade\"><a>14.2.2. O n\u00e3o pagamento obsta a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se comprovada a impossibilidade de pagamento, N\u00c3O!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por ocasi\u00e3o do julgamento do Recurso Especial Representativo da Controv\u00e9rsia n. 1.519.777\/SP, assentou a tese de que &#8220;[n]os casos em que haja condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena privativa de liberdade e multa, cumprida a primeira (ou a restritiva de direitos que eventualmente a tenha substitu\u00eddo), o inadimplemento da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria n\u00e3o obsta o reconhecimento da extin\u00e7\u00e3o da punibilidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ao apreciar a A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade n. 3.150\/DF, o STF firmou o entendimento de que a altera\u00e7\u00e3o do art. 51 do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, promovida Lei n. 9.268\/1996, n\u00e3o retirou o car\u00e1ter de san\u00e7\u00e3o criminal da pena de multa, de modo que a primazia para sua execu\u00e7\u00e3o incumbe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e o seu inadimplemento obsta a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade do apenado. Tal compreens\u00e3o foi posteriormente sintetizada em nova altera\u00e7\u00e3o do referido dispositivo legal, levada a cabo pela Lei n. 13.964\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Em decorr\u00eancia do entendimento firmado pelo STF, bem como em face da mais recente altera\u00e7\u00e3o legislativa sofrida pelo artigo 51 do C\u00f3digo Penal, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no julgamento dos Recursos Especiais Representativos da Controv\u00e9rsia n. 1.785.383\/SP e 1.785.861\/SP, reviu a tese anteriormente aventada no Tema n. 931, para assentar que, &#8220;na hip\u00f3tese de condena\u00e7\u00e3o concomitante a pena privativa de liberdade e multa, o inadimplemento da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria obsta o reconhecimento da extin\u00e7\u00e3o da punibilidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda consoante o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal julgamento da ADI n. 3.150\/DF, &#8220;em mat\u00e9ria de criminalidade econ\u00f4mica, a pena de multa desempenha um papel proeminente de preven\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, preven\u00e7\u00e3o geral e retribui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso o Supremo Tribunal Federal decidiu pela indispensabilidade do pagamento da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria para o gozo da progress\u00e3o a regime menos gravoso, &#8220;[a] exce\u00e7\u00e3o admiss\u00edvel ao dever de pagar a multa \u00e9 a impossibilidade econ\u00f4mica absoluta de faz\u00ea-lo. [&#8230;] \u00e9 poss\u00edvel a progress\u00e3o se o sentenciado, veraz e comprovadamente, demonstrar sua absoluta insolvabilidade. Absoluta insolvabilidade que o impossibilite at\u00e9 mesmo de efetuar o pagamento parcelado da quantia devida, como autorizado pelo art. 50 do C\u00f3digo Penal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode desconsiderar que o cen\u00e1rio do sistema carcer\u00e1rio exp\u00f5e disparidades s\u00f3cio-econ\u00f4micas da sociedade brasileira, as quais ultrapassam o ineg\u00e1vel car\u00e1ter seletivo do sistema punitivo e se projetam n\u00e3o apenas como mecanismo de aprisionamento f\u00edsico, mas tamb\u00e9m de confinamento em sua comunidade, a reduzir o indiv\u00edduo desencarcerado ao<em>&nbsp;status<\/em>&nbsp;de um p\u00e1ria social. Outra n\u00e3o \u00e9 a conclus\u00e3o a que poderia conduzir &#8211; relativamente aos condenados em comprovada situa\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia econ\u00f4mica &#8211; a subordina\u00e7\u00e3o da retomada dos seus direitos pol\u00edticos e de sua consequente reinser\u00e7\u00e3o social ao pr\u00e9vio adimplemento da pena de multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclui-se que condicionar a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade, ap\u00f3s o cumprimento da pena corporal, ao adimplemento da pena de multa acentuar a j\u00e1 agravada situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria e de indig\u00eancia dos apenados hipossuficientes e sobreonera pessoas pr\u00f3ximas do condenado, impondo a todo o seu grupo familiar priva\u00e7\u00f5es decorrentes de sua impossibilitada reabilita\u00e7\u00e3o social, o que p\u00f5e sob risco a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica estatal prote\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia (art. 226 da Carta de 1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, extin\u00e7\u00e3o da punibilidade, quando pendente apenas o adimplemento da pena pecuni\u00e1ria, reclama para si singular relevo na trajet\u00f3ria do egresso de reconquista de sua posi\u00e7\u00e3o como indiv\u00edduo aos olhos do Estado, ou seja, do percurso de reconstru\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia sob as balizas de um patamar civilizat\u00f3rio m\u00ednimo, a permitir outra vez o gozo e o exerc\u00edcio de direitos e garantias fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de condena\u00e7\u00e3o concomitante a pena privativa de liberdade e multa, o inadimplemento da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, pelo condenado que comprovar impossibilidade de faz\u00ea-lo, n\u00e3o obsta o reconhecimento da extin\u00e7\u00e3o da punibilidade.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-ampla-defesa-e-acesso-a-notebook-na-unidade-prisional-pelo-custodiado\"><a>15.&nbsp; Ampla defesa e acesso a notebook na unidade prisional pelo custodiado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a defesa t\u00e9cnica teve pleno acesso aos autos da a\u00e7\u00e3o penal, anexos e m\u00eddias eletr\u00f4nicas, a negativa de ingresso de notebook na unidade prisional para que o custodiado visualize as pe\u00e7as eletr\u00f4nicas n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 631.960-SP, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/11\/2021, DJe 26\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Maur\u00edcio, bacharel em direito, encontrava-se custodiado na Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal e requereu ao Tribunal Regional Federal local que lhe fosse garantida a comunica\u00e7\u00e3o reservada com seus advogados, fora do parlat\u00f3rio, al\u00e9m do acesso \u00e0 \u00edntegra dos autos e m\u00eddias eletr\u00f4nicas. O intento do pedido era auxiliar seus advogados na elabora\u00e7\u00e3o da sua tese de defesa. Destaca-se que a defesa teve pleno acesso aos autos e anexos da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal pedido foi negado pelo magistrado respons\u00e1vel. Inconformado, Maur\u00edcio impetrou Habeas Corpus no qual sustenta que tal recusa representaria cerceamento \u00e0 defesa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>LV &#8211; aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral s\u00e3o assegurados o contradit\u00f3rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-tudo-certo-arnaldo\"><a>15.2.2. Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A garantia constitucional \u00e0 ampla defesa, prevista no art. 5\u00ba, LV, da <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, envolve a defesa em sentido t\u00e9cnico (defesa t\u00e9cnica), realizada pelo advogado, e a defesa em sentido material (autodefesa), por meio de qualquer atividade defensiva desenvolvida pelo pr\u00f3prio acusado, em especial durante seu interrogat\u00f3rio. Contudo, no caso, <strong>a restri\u00e7\u00e3o ao ingresso de&nbsp;<em>notebook<\/em>&nbsp;na unidade prisional justificava-se pelo risco de ofensa \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o prisional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, <strong>tal restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o representava obst\u00e1culo \u00e0 ampla defesa, pois as pe\u00e7as processuais relevantes ou de interesse poderiam ter sido impressas e levadas ao preso<\/strong>. Frise-se que, embora o custodiado tenha forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, sua defesa t\u00e9cnica est\u00e1 sendo patrocinada por advogados habilitados nos autos, os quais tiveram pleno acesso aos autos da a\u00e7\u00e3o penal, anexos e m\u00eddias eletr\u00f4nicas. Portanto, assegurado \u00e0 defesa t\u00e9cnica amplo acesso \u00e0 integralidade dos elementos probat\u00f3rios encartados nos autos, j\u00e1 estando o custodiado ciente das imputa\u00e7\u00f5es descritas na den\u00fancia, n\u00e3o h\u00e1 falar em nulidade processual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Se a defesa t\u00e9cnica teve pleno acesso aos autos da a\u00e7\u00e3o penal, anexos e m\u00eddias eletr\u00f4nicas, a negativa de ingresso de notebook na unidade prisional para que o custodiado visualize as pe\u00e7as eletr\u00f4nicas n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-quebra-de-cadeia-de-custodia-e-seus-efeitos\"><a>16.&nbsp; Quebra de cadeia de cust\u00f3dia e seus efeitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a>A superveni\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria n\u00e3o tem o cond\u00e3o de prejudicar habeas corpus que analisa tese defensiva de que teria havido quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova, ocorrida ainda na fase inquisitorial e empregada como justa causa para a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o penal. (1) As irregularidades constantes da cadeia de cust\u00f3dia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instru\u00e7\u00e3o, a fim de aferir se a prova \u00e9 confi\u00e1vel.(2)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>HC 653.515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por maioria, julgado em 23\/11\/2021. (Info 720)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Sebasti\u00e3o foi preso em flagrante pelo crime de tr\u00e1fico de drogas. A droga apreendida foi enviada para per\u00edcia que constatou a total inconformidade em seu envio, uma vez que n\u00e3o fora lacrado e enviado em sacola de supermercado utilizada para transporte de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Sebasti\u00e3o ent\u00e3o requereu o relaxamento da pris\u00e3o alegando a ilegalidade da prova de materialidade, ante a falta do lacre destacada na per\u00edcia. No entanto, o juiz deixou de relaxar a pris\u00e3o por entender inexistente a ilegalidade. Inconformada, a defesa ent\u00e3o impetrou Habeas Corpus alegando a quebra de cadeia de cust\u00f3dia e requerendo a aplica\u00e7\u00e3o de medidas cautelares diversas da pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ concedeu liminar para deferir a aplica\u00e7\u00e3o de medidas cautelares, mas antes mesmo que pudesse concluir o julgamento, veio a senten\u00e7a condenat\u00f3ria de primeiro grau determinando a pris\u00e3o de Sebasti\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 158-A. Considera-se cadeia de cust\u00f3dia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a hist\u00f3ria cronol\u00f3gica do vest\u00edgio coletado em locais ou em v\u00edtimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento at\u00e9 o descarte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 158-B. A cadeia de cust\u00f3dia compreende o rastreamento do vest\u00edgio nas seguintes etapas:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produ\u00e7\u00e3o da prova pericial;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vest\u00edgios e local de crime;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; fixa\u00e7\u00e3o: descri\u00e7\u00e3o detalhada do vest\u00edgio conforme se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a sua posi\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispens\u00e1vel a sua descri\u00e7\u00e3o no laudo pericial produzido pelo perito respons\u00e1vel pelo atendimento;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; coleta: ato de recolher o vest\u00edgio que ser\u00e1 submetido \u00e0 an\u00e1lise pericial, respeitando suas caracter\u00edsticas e natureza;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vest\u00edgio coletado \u00e9 embalado de forma individualizada, de acordo com suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas, para posterior an\u00e1lise, com anota\u00e7\u00e3o da data, hora e nome de quem realizou a coleta e o acondicionamento;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; transporte: ato de transferir o vest\u00edgio de um local para o outro, utilizando as condi\u00e7\u00f5es adequadas (embalagens, ve\u00edculos, temperatura, entre outras), de modo a garantir a manuten\u00e7\u00e3o de suas caracter\u00edsticas originais, bem como o controle de sua posse;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; recebimento: ato formal de transfer\u00eancia da posse do vest\u00edgio, que deve ser documentado com, no m\u00ednimo, informa\u00e7\u00f5es referentes ao n\u00famero de procedimento e unidade de pol\u00edcia judici\u00e1ria relacionada, local de origem, nome de quem transportou o vest\u00edgio, c\u00f3digo de rastreamento, natureza do exame, tipo do vest\u00edgio, protocolo, assinatura e identifica\u00e7\u00e3o de quem o recebeu;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VIII &#8211; processamento: exame pericial em si, manipula\u00e7\u00e3o do vest\u00edgio de acordo com a metodologia adequada \u00e0s suas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas, f\u00edsicas e qu\u00edmicas, a fim de se obter o resultado desejado, que dever\u00e1 ser formalizado em laudo produzido por perito;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IX &#8211; armazenamento: procedimento referente \u00e0 guarda, em condi\u00e7\u00f5es adequadas, do material a ser processado, guardado para realiza\u00e7\u00e3o de contraper\u00edcia, descartado ou transportado, com vincula\u00e7\u00e3o ao n\u00famero do laudo correspondente;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>X &#8211; descarte: procedimento referente \u00e0 libera\u00e7\u00e3o do vest\u00edgio, respeitando a legisla\u00e7\u00e3o vigente e, quando pertinente, mediante autoriza\u00e7\u00e3o judicial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 158-C. A coleta dos vest\u00edgios dever\u00e1 ser realizada preferencialmente por perito oficial, que dar\u00e1 o encaminhamento necess\u00e1rio para a central de cust\u00f3dia, mesmo quando for necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de exames complementares.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Todos vest\u00edgios coletados no decurso do inqu\u00e9rito ou processo devem ser tratados como descrito nesta Lei, ficando \u00f3rg\u00e3o central de per\u00edcia oficial de natureza criminal respons\u00e1vel por detalhar a forma do seu cumprimento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba \u00c9 proibida a entrada em locais isolados bem como a remo\u00e7\u00e3o de quaisquer vest\u00edgios de locais de crime antes da libera\u00e7\u00e3o por parte do perito respons\u00e1vel, sendo tipificada como fraude processual a sua realiza\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-a-prolacao-de-sentenca-condenatoria-prejudicou-o-habeas-corpus\"><a>16.2.2. A prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a condenat\u00f3ria prejudicou o Habeas Corpus?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A superveni\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria NEM SEMPRE torna prejudicado o&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>, em raz\u00e3o da perda do seu objeto<\/strong>. Como exemplo, no caso concreto, os fatos que subjazem \u00e0 discuss\u00e3o trazida pela defesa acabaram por lastrear a den\u00fancia e toda a persecu\u00e7\u00e3o penal, al\u00e9m de haver sido ventilados ainda no limiar do processo e de dizer respeito \u00e0 pr\u00f3pria justa causa para a a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que ocorre com a pris\u00e3o preventiva, por exemplo &#8211; que tem natureza&nbsp;<em>rebus sic standibus<\/em>, isto \u00e9, que se caracteriza pelo dinamismo existente na situa\u00e7\u00e3o de fato que justifica a medida constritiva, a qual deve submeter-se sempre a constante avalia\u00e7\u00e3o do magistrado -, o caso dos autos traz hip\u00f3tese em que houve uma desconformidade entre o procedimento usado na coleta e no acondicionamento de determinadas subst\u00e2ncias supostamente apreendidas com o paciente e o modelo previsto no C\u00f3digo de Processo Penal, fen\u00f4meno processual, esse, produzido ainda na fase inquisitorial, que se tornou est\u00e1tico e n\u00e3o modific\u00e1vel e, mais do que isso, que subsidiou a pr\u00f3pria comprova\u00e7\u00e3o da materialidade e da autoria delitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a superveni\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria n\u00e3o tem o cond\u00e3o de prejudicar a an\u00e1lise da tese defensiva de que teria havido quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova, ocorrida ainda na fase inquisitorial e empregada como anteparo ao oferecimento da den\u00fancia &#8211; ou, de forma mais ampla, como justa causa para a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o penal -,&nbsp;<em>m\u00e1xime<\/em>&nbsp;quando verificado que a parte alegou a mat\u00e9ria&nbsp;<em>oportuno tempore<\/em>, isto \u00e9, logo ap\u00f3s a sua produ\u00e7\u00e3o e que essa tese j\u00e1 foi devidamente examinada e debatida pela inst\u00e2ncia de origem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais as consequ\u00eancias processuais da quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As irregularidades devem ser sopesadas com os demais elementos da instru\u00e7\u00e3o!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia que se estabelece diz respeito \u00e0s consequ\u00eancias para o processo penal da quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o disposto no art. 158-A do <a>CPP<\/a>, &#8220;Considera-se cadeia de cust\u00f3dia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a hist\u00f3ria cronol\u00f3gica do vest\u00edgio coletado em locais ou em v\u00edtimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento at\u00e9 o descarte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imperioso salientar que a autentica\u00e7\u00e3o de uma prova \u00e9 um dos m\u00e9todos que assegura ser o item apresentado aquilo que se afirma ele ser, denominado pela doutrina de princ\u00edpio da mesmidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com vistas a salvaguardar o potencial epist\u00eamico do processo penal, a Lei n. 13.964\/2019 (Pacote Anticrime) disciplinou &#8211; de maneira, ali\u00e1s, extremamente minuciosa &#8211; uma s\u00e9rie de provid\u00eancias que concretizam o desenvolvimento t\u00e9cnico-jur\u00eddico da cadeia de cust\u00f3dia.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma bastante sint\u00e9tica, pode-se afirmar que o art. 158-B do CPP detalha as diversas etapas de rastreamento do vest\u00edgio: reconhecimento, isolamento, fixa\u00e7\u00e3o, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento e descarte. O art. 158-C, por sua vez, estabelece o perito oficial como sujeito preferencial a realizar a coleta dos vest\u00edgios, bem como o lugar para onde devem ser encaminhados (central de cust\u00f3dia). J\u00e1 o art. 158-D disciplina como os vest\u00edgios devem ser acondicionados, com a previs\u00e3o de que todos os recipientes devem ser selados com lacres, com numera\u00e7\u00e3o individualizada, &#8220;de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vest\u00edgio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das mais relevantes controv\u00e9rsias que essa altera\u00e7\u00e3o legislativa suscita diz respeito \u00e0s consequ\u00eancias jur\u00eddicas, para o processo penal, da quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova (<em>break on the chain of custody<\/em>) ou do descumprimento formal de uma das exig\u00eancias feitas pelo legislador no cap\u00edtulo intitulado &#8220;Do exame de corpo de delito, da cadeia de cust\u00f3dia e das per\u00edcias em geral&#8221;: essa quebra acarreta a inadmissibilidade da prova e deve ela (e as dela decorrentes) ser exclu\u00edda do processo? Seria caso de nulidade da prova? Em caso afirmativo, deve a defesa comprovar efetivo preju\u00edzo, para que a nulidade seja reconhecida (\u00e0 luz da m\u00e1xima&nbsp;<em>pas de nulitt\u00e9 sans grief<\/em>)? Ou deve o juiz aferir se a prova \u00e9 confi\u00e1vel de acordo com todos os elementos existentes nos autos, a fim de identificar se eles s\u00e3o capazes de demonstrar a sua autenticidade e a sua integridade?<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 certo que, por um lado, o legislador trouxe, nos arts. 158-A a 158-F do CPP, determina\u00e7\u00f5es extremamente detalhadas de como se deve preservar a cadeia de cust\u00f3dia da prova, tamb\u00e9m \u00e9 certo que, por outro, quedou-se silente em rela\u00e7\u00e3o aos crit\u00e9rios objetivos para definir quando ocorre a quebra da cadeia de cust\u00f3dia e quais as consequ\u00eancias jur\u00eddicas, para o processo penal, dessa quebra ou do descumprimento de um desses dispositivos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>Respeitando aqueles que defendem a tese de que a viola\u00e7\u00e3o da cadeia de cust\u00f3dia implica, de plano e por si s\u00f3, a inadmissibilidade ou a nulidade da prova, de modo a atrair as regras de exclus\u00e3o da prova il\u00edcita, parece ser mais adequada aquela posi\u00e7\u00e3o que sustenta que as irregularidades constantes da cadeia de cust\u00f3dia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instru\u00e7\u00e3o, a fim de aferir se a prova \u00e9 confi\u00e1vel. Assim, \u00e0 m\u00edngua de outras provas capazes de dar sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, deve a pretens\u00e3o ser julgada improcedente, por insufici\u00eancia probat\u00f3ria, e o r\u00e9u ser absolvido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A superveni\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria n\u00e3o tem o cond\u00e3o de prejudicar habeas corpus que analisa tese defensiva de que teria havido quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova, ocorrida ainda na fase inquisitorial e empregada como justa causa para a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o penal. (1) As irregularidades constantes da cadeia de cust\u00f3dia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instru\u00e7\u00e3o, a fim de aferir se a prova \u00e9 confi\u00e1vel. (2).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/02\/01092807\/stj-720.pdf\">stj-720<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/02\/01092807\/stj-720.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 720 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! 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