{"id":903253,"date":"2021-11-08T13:03:40","date_gmt":"2021-11-08T16:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=903253"},"modified":"2021-11-08T13:03:42","modified_gmt":"2021-11-08T16:03:42","slug":"informativo-stj-713-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-713-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 713 Comentado"},"content":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 713 do STJ <strong>COMENTADO<\/strong> pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n<p><!-- \/wp:post-content --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph {\"align\":\"center\",\"fontSize\":\"huge\"} --><\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-huge-font-size\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/11\/08130205\/stj-713.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_U9iVXv8U80k\"><div id=\"lyte_U9iVXv8U80k\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/U9iVXv8U80k\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/U9iVXv8U80k\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/U9iVXv8U80k\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256629\"><\/a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256630\"><\/a>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reconhecimento por titula\u00e7\u00e3o do professor e certificado ou t\u00edtulo foi obtido antes da aposentadoria<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O professor do ensino b\u00e1sico t\u00e9cnico e tecnol\u00f3gico aposentado anteriormente \u00e0 vig\u00eancia da Lei n. 12.772\/2012, mas cujo certificado ou t\u00edtulo foi obtido antes da inativa\u00e7\u00e3o, tem direito ao Reconhecimento de Saberes e Compet\u00eancia (RSC), para fins de c\u00e1lculo da Retribui\u00e7\u00e3o por Titula\u00e7\u00e3o &#8211; RT.<\/p>\n<p>REsp 1.914.546-PE, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256631\"><\/a>1.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Cidesmar, professor da Carreira de Magist\u00e9rio do Ensino B\u00e1sico, T\u00e9cnico e Tecnol\u00f3gico de uma Universidade Federal, se aposentou em momento anterior \u00e0 vig\u00eancia da Lei 12.772\/2012, por\u00e9m, sua titula\u00e7\u00e3o foi obtida antes disso.<\/p>\n<p>Por tal raz\u00e3o, Cidesmar ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual pretende ter reconhecido o direito ao Reconhecimento de Saberes e Compet\u00eancia (RSC), para fins de c\u00e1lculo da Retribui\u00e7\u00e3o por Titula\u00e7\u00e3o \u2013 RT.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256632\"><\/a>1.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256633\"><\/a>1.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 12.772\/2012:<\/p>\n<p>Art. 17. Fica institu\u00edda a RT, devida ao docente integrante do Plano de Carreiras e Cargos de Magist\u00e9rio Federal em conformidade com a Carreira, cargo, classe, n\u00edvel e titula\u00e7\u00e3o comprovada, nos valores e vig\u00eancia estabelecidos no\u00a0Anexo IV.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba A RT ser\u00e1 considerada no c\u00e1lculo dos proventos e das pens\u00f5es, na forma dos regramentos de regime previdenci\u00e1rio aplic\u00e1vel a cada caso, desde que o certificado ou o t\u00edtulo tenham sido obtidos anteriormente \u00e0 data da inativa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256634\"><\/a>1.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cidesmar faz jus \u00e0 Retribui\u00e7\u00e3o de Titula\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Por for\u00e7a da Lei n. 12.772\/2012, que disp\u00f5e sobre o Plano de Carreiras e Cargos de Magist\u00e9rio Federal<strong>, a remunera\u00e7\u00e3o dos servidores \u00e9 composta de duas parcelas, Vencimento B\u00e1sico e Retribui\u00e7\u00e3o de Titula\u00e7\u00e3o (RT<\/strong>).<\/p>\n<p>Segundo o art. 17, \u00a7 1\u00ba, <u>a RT \u00e9 considerada no c\u00e1lculo dos proventos de aposentadoria. Sua concess\u00e3o \u00e9 feita de forma objetiva, com base em certificados ou t\u00edtulos obtidos antes da aposenta\u00e7\u00e3o<\/u>.<\/p>\n<p>A norma, para os cargos da Carreira de Magist\u00e9rio do Ensino B\u00e1sico, T\u00e9cnico e Tecnol\u00f3gico<strong>, criou o instrumento denominado Reconhecimento de Saberes e Compet\u00eancias (RSC) para facilitar a aquisi\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 RT<\/strong>, de modo que a soma de um RSC a um determinado t\u00edtulo equivaler\u00e1 a um outro t\u00edtulo de natureza superior.<\/p>\n<p>Assim, a concess\u00e3o do RSC impacta no pagamento da RT. Os pressupostos, diretrizes e procedimentos para a concess\u00e3o do RSC est\u00e3o estabelecidos na Resolu\u00e7\u00e3o n. 1\/2014 do Conselho Permanente para o Reconhecimento de Saberes e Compet\u00eancias, institu\u00eddo pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (art. 1\u00ba da Portaria n. 491\/2013). Seus efeitos, conforme o art. 15, retroagem a 1\u00ba\/3\/2013.<\/p>\n<p>Consigna-se ainda que, por for\u00e7a do art. 7\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 1\/2014, &#8220;a apresenta\u00e7\u00e3o de atividades para obten\u00e7\u00e3o do RSC independe do tempo em que as mesmas foram realizadas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Todos esses aspectos evidenciam que a vantagem correspondente ao reconhecimento da RSC n\u00e3o \u00e9 uma retribui\u00e7\u00e3o por produtividade alcan\u00e7ada durante o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o<\/strong>, ou seja, n\u00e3o corresponde a uma gratifica\u00e7\u00e3o\u00a0<em>propter laborem<\/em>. Seu nascedouro \u00e9, na verdade, uma avalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do servidor.<\/p>\n<p>O RSC, como parcela que, somada a um t\u00edtulo de gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou mestrado, adianta o recebimento de uma RT, corresponde a uma verba paga de modo linear e gen\u00e9rico aos professores em atividade. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 devida em raz\u00e3o do exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es especiais, alcan\u00e7ando a todos, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por esse motivo, deve tamb\u00e9m ser pago aos servidores inativos, afirmado o direito \u00e0 paridade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256635\"><\/a>1.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O professor do ensino b\u00e1sico t\u00e9cnico e tecnol\u00f3gico aposentado anteriormente \u00e0 vig\u00eancia da Lei n. 12.772\/2012, mas cujo certificado ou t\u00edtulo foi obtido antes da inativa\u00e7\u00e3o, tem direito ao Reconhecimento de Saberes e Compet\u00eancia (RSC), para fins de c\u00e1lculo da Retribui\u00e7\u00e3o por Titula\u00e7\u00e3o &#8211; RT.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256636\"><\/a>DIREITO CIVIL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256637\"><\/a>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cess\u00e3o de cr\u00e9dito e ci\u00eancia do devedor acerca da transfer\u00eancia<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a ajuizada pelo credor-cession\u00e1rio \u00e9 suficiente para cumprir a exig\u00eancia de cientificar o devedor acerca da transfer\u00eancia do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>EAREsp 1.125.139-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, Corte Especial, por maioria, julgado em 06\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256638\"><\/a>2.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Gia Energia, cession\u00e1ria do empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio de energia el\u00e9trica, ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o em face de Eletrobrais. Por\u00e9m, em determinado momento do processo, a Segunda Turma do STJ entendeu que parte cession\u00e1ria n\u00e3o cumpriu a obriga\u00e7\u00e3o de notificar formalmente a devedora, pois a simples proposi\u00e7\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a n\u00e3o equivaleria \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o exigida por lei. Dessa forma, a turma considerou que a cession\u00e1ria deveria ter dado ci\u00eancia da cess\u00e3o \u00e0 Eletrobrais antes do in\u00edcio da cobran\u00e7a judicial.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256639\"><\/a>2.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256640\"><\/a>2.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n<p>Art. 104. A validade do neg\u00f3cio jur\u00eddico requer:<\/p>\n<p>I &#8211; agente capaz;<\/p>\n<p>II &#8211; objeto l\u00edcito, poss\u00edvel, determinado ou determin\u00e1vel;<\/p>\n<p>III &#8211; forma prescrita ou n\u00e3o defesa em lei.<\/p>\n<p>Art. 286. O credor pode ceder o seu cr\u00e9dito, se a isso n\u00e3o se opuser a natureza da obriga\u00e7\u00e3o, a lei, ou a conven\u00e7\u00e3o com o devedor; a cl\u00e1usula proibitiva da cess\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser oposta ao cession\u00e1rio de boa-f\u00e9, se n\u00e3o constar do instrumento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 290. A cess\u00e3o do cr\u00e9dito n\u00e3o tem efic\u00e1cia em rela\u00e7\u00e3o ao devedor, sen\u00e3o quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito p\u00fablico ou particular, se declarou ciente da cess\u00e3o feita.<\/p>\n<p>Art. 294. O devedor pode opor ao cession\u00e1rio as exce\u00e7\u00f5es que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cess\u00e3o, tinha contra o cedente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256641\"><\/a>2.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Necess\u00e1ria a notifica\u00e7\u00e3o formal?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do julgamento do REsp 1.119.558\/SC, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe 01\/08\/2012, sob a sistem\u00e1tica do art. 543-C do CPC, ficou consignado que &#8220;<u>os cr\u00e9ditos decorrentes da obriga\u00e7\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio, incidente sobre o consumo de energia el\u00e9trica, podem ser cedidos a terceiros, uma vez inexistente impedimento legal expresso \u00e0 transfer\u00eancia ou \u00e0 cess\u00e3o dos aludidos cr\u00e9ditos, nada inibindo a incid\u00eancia das normas de direito privado \u00e0 esp\u00e9cie, notadamente do art. 286 do C\u00f3digo Civil<\/u>&#8220;. E, outrossim, que &#8220;o art. 286 do C\u00f3digo Civil autoriza a cess\u00e3o de cr\u00e9dito, condicionada \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o do devedor&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse contexto, decidiu o ac\u00f3rd\u00e3o embargado da Segunda Turma que &#8220;a validade da cess\u00e3o de cr\u00e9ditos oriundos da devolu\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio sobre energia el\u00e9trica submete-se n\u00e3o apenas ao preenchimento dos requisitos insertos no art. 104 do CC, como tamb\u00e9m ao fato de a devolu\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio n\u00e3o se dar mediante a compensa\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos com valores resultantes do consumo de energia, ficando sua efic\u00e1cia sujeita \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o do cedido (art. 286 do CC).&#8221; Asseverou ainda que, &#8220;a cession\u00e1ria n\u00e3o se desincumbiu do \u00f4nus de notificar formalmente a parte devedora &#8211; Eletrobr\u00e1s. Cabe ressaltar que, diferentemente do alegado pela agravante, a proposi\u00e7\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, por si s\u00f3, n\u00e3o equivale \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o formal da devedora. Deveria, no caso, a cession\u00e1ria dar ci\u00eancia da cess\u00e3o \u00e0 Eletrobr\u00e1s antes da propositura da cobran\u00e7a judicial.&#8221; (AgInt no AREsp 1.125.139\/PR, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, DJe 27\/08\/2018).<\/p>\n<p>Por sua vez, o ac\u00f3rd\u00e3o paradigma da Terceira Turma consignou a tese de que &#8220;a aus\u00eancia de notifica\u00e7\u00e3o do devedor a respeito da cess\u00e3o de cr\u00e9dito, n\u00e3o pode ser alegada pelo credor [rectius: devedor] quando esse teve conhecimento da cess\u00e3o quando citado na a\u00e7\u00e3o executiva.&#8221; (AgRg no AREsp 545.311\/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, DJe 23\/03\/2015).<\/p>\n<p>Frisa-se, desde logo, que <strong>n\u00e3o se vislumbra nenhuma circunst\u00e2ncia distintiva no fato de a cess\u00e3o em tela se referir a cr\u00e9dito oriundo de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio<\/strong>, tampouco no fato de a devolu\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio n\u00e3o poder se dar mediante a compensa\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos com valores resultantes do consumo de energia.<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia cinge-se, na verdade, a saber se a cita\u00e7\u00e3o da devedora em a\u00e7\u00e3o movida pelo cession\u00e1rio atende a finalidade prec\u00edpua do art. 290 do C\u00f3digo Civil, que \u00e9 a de &#8220;dar ci\u00eancia&#8221; ao devedor do neg\u00f3cio, por meio de &#8220;escrito p\u00fablico ou particular.&#8221;<\/p>\n<p>Pelo que se pode inferir da norma sob an\u00e1lise (art. 290 do C\u00f3digo Civil): <u>A cess\u00e3o do cr\u00e9dito n\u00e3o tem efic\u00e1cia em rela\u00e7\u00e3o ao devedor, sen\u00e3o quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito p\u00fablico ou particular, se declarou ciente da cess\u00e3o feita.). A finalidade \u00e9 informar ao devedor quem \u00e9 o seu novo credor<\/u>.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que o devedor fica dispensado de ter de pagar novamente ao credor-cession\u00e1rio, se j\u00e1 saldou a d\u00edvida diretamente com o credor origin\u00e1rio. Ademais, o devedor pode opor ao credor-cession\u00e1rio as exce\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pessoal que teria em rela\u00e7\u00e3o ao credor-cedente, anteriores a transfer\u00eancia do cr\u00e9dito e tamb\u00e9m posteriores, at\u00e9 o momento da cobran\u00e7a, conforme disp\u00f5e o art. 294 do C\u00f3digo Civil (O devedor pode opor ao cession\u00e1rio as exce\u00e7\u00f5es que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cess\u00e3o, tinha contra o cedente).<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que, segundo precedente deste Tribunal Superior, &#8220;[a] falta de notifica\u00e7\u00e3o do devedor sobre a cess\u00e3o do cr\u00e9dito n\u00e3o torna a d\u00edvida inexig\u00edvel (art. 290 do CC\/02)&#8221; (REsp 1.882.117\/MS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 12\/11\/2020).<\/p>\n<p>Nesse contexto, se aus\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o do cr\u00e9dito n\u00e3o afasta a exigibilidade da d\u00edvida, a quest\u00e3o est\u00e1 melhor decidida pelo ac\u00f3rd\u00e3o paradigma, ao considerar suficiente a cita\u00e7\u00e3o do devedor na a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a ajuizada pelo credor-cession\u00e1rio para atender ao comando do art. 290 do C\u00f3digo Civil, que \u00e9 a de &#8220;dar ci\u00eancia&#8221; ao devedor do neg\u00f3cio, por meio de &#8220;escrito p\u00fablico ou particular.&#8221;<\/p>\n<p>Com efeito<strong>, a partir da cita\u00e7\u00e3o, o devedor toma ci\u00eancia inequ\u00edvoca da cess\u00e3o de cr\u00e9dito e, por conseguinte, a quem deve pagar<\/strong>. Assim, a cita\u00e7\u00e3o revela-se suficiente para cumprir a exig\u00eancia de cientificar o devedor da transfer\u00eancia do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256642\"><\/a>2.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a ajuizada pelo credor-cession\u00e1rio \u00e9 suficiente para cumprir a exig\u00eancia de cientificar o devedor acerca da transfer\u00eancia do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256643\"><\/a>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cl\u00e1usula penal compensat\u00f3ria e responsabilidade do devedor solid\u00e1rio<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O devedor solid\u00e1rio responde pelo pagamento da cl\u00e1usula penal compensat\u00f3ria, ainda que n\u00e3o incorra em culpa.<\/p>\n<p>REsp 1.867.551-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 13\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256644\"><\/a>3.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Petrocaro firmou contrato de afretamento da Gas Limited para fins de explora\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de petr\u00f3leo em \u00e1guas brasileiras, tendo a empresa Larsen \u00d3leo e G\u00e1s do Brasil Ltda como <u>respons\u00e1vel solid\u00e1ria<\/u> nos termos de cl\u00e1usula contratual.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Petrocaro ficou sabendo que a unidade fretada passou a ser de propriedade de terceiros que n\u00e3o faziam parte do ajuste. Ap\u00f3s algumas tentativas frustradas de negocia\u00e7\u00e3o e ajustes, Petrocaro ent\u00e3o enviou notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial com a cobran\u00e7a da multa contratual de 10% do valor do frete.\u00a0<\/p>\n<p>Como n\u00e3o houve o pagamento, Petrocaro ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, a qual foi julgada procedente pelo juiz de primeiro grau. No entanto, Larsen \u00d3leo (devedora solid\u00e1ria por for\u00e7a contratual) interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta que n\u00e3o deveria ser condenado ao pagamento da multa, uma vez que o art. 279 do C\u00f3digo Civil prev\u00ea que o devedor solid\u00e1rio somente responde por perdas e danos nas hip\u00f3teses em que incorrer em culpa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256645\"><\/a>3.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256646\"><\/a>3.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n<p>Art. 279. Impossibilitando-se a presta\u00e7\u00e3o por culpa de um dos devedores solid\u00e1rios, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos s\u00f3 responde o culpado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256647\"><\/a>3.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devedor solid\u00e1rio responde pela multa independentemente de culpa?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!<\/strong><\/p>\n<p>O artigo 279 do C\u00f3digo Civil prev\u00ea que cabe ao devedor solid\u00e1rio pagar o equivalente \u00e0 presta\u00e7\u00e3o pela qual se obrigou e que se tornou imposs\u00edvel, apenas o isenta de pagar as perdas e danos, visto que n\u00e3o deu causa ao descumprimento. Eis a reda\u00e7\u00e3o do dispositivo: &#8220;Impossibilitando-se a presta\u00e7\u00e3o por culpa de um dos devedores solid\u00e1rios, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos s\u00f3 responde o culpado&#8221;.<\/p>\n<p>No caso, <strong>a parte n\u00e3o se obrigou pela entrega da embarca\u00e7\u00e3o (obriga\u00e7\u00e3o que se tornou imposs\u00edvel), mas pelas obriga\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias decorrentes do contrato<\/strong>.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 oportuno assinalar que a cl\u00e1usula penal compensat\u00f3ria tem como objetivo prefixar os preju\u00edzos decorrentes do descumprimento do contrato, evitando que o credor tenha que promover a liquida\u00e7\u00e3o dos danos. Assim, a cl\u00e1usula penal se traduz em um valor considerado suficiente pelas partes para indenizar o eventual descumprimento do contrato. Tem, portanto, car\u00e1ter nitidamente pecuni\u00e1rio.<\/p>\n<p>Diante disso, como a parte se obrigou conjuntamente com outra empresa pelas obriga\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias decorrentes do contrato &#8220;independente de causa, origem ou natureza jur\u00eddica&#8221;, est\u00e1 obrigada ao pagamento do valor relativo \u00e0 multa penal compensat\u00f3ria, cuja incid\u00eancia estava expressamente prevista no ajuste.<\/p>\n<p>Cumpre assinalar, ainda, <u>que os contratos devem ser interpretados de acordo com a sua finalidade econ\u00f4mica, isto \u00e9, com a necessidade econ\u00f4mica que buscavam satisfazer<\/u>.<\/p>\n<p>No caso, como a cl\u00e1usula penal est\u00e1 inserida em contrato empresarial firmado entre empresas de grande porte, tendo como objeto valores milion\u00e1rios, inexiste assimetria entre os contratantes que justifique a interven\u00e7\u00e3o em seus termos, devendo prevalecer a autonomia da vontade e a for\u00e7a obrigat\u00f3ria dos contratos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256648\"><\/a>3.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O devedor solid\u00e1rio responde pelo pagamento da cl\u00e1usula penal compensat\u00f3ria, ainda que n\u00e3o incorra em culpa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256649\"><\/a>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Transmissibilidade da pretens\u00e3o de declara\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de avoenga<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 intransmiss\u00edvel ao c\u00f4njuge sobrevivente a pretens\u00e3o de ver declarada a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o avoenga com o\u00a0de cujus. (1) A impossibilidade do julgamento do pedido declarat\u00f3rio de rela\u00e7\u00e3o avoenga n\u00e3o acarreta, necessariamente, a impossibilidade do julgamento do pedido de peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a.(2)<\/p>\n<p>REsp 1.868.188-GO, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria, julgado em 28\/09\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256650\"><\/a>4.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Creosmar (c\u00f4njuge da falecida Jurema), que era parte em uma investiga\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o, busca substitu\u00ed-la no processo por representar seu esp\u00f3lio e ser seu \u00fanico herdeiro necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Jucicleide, tia da falecida, interp\u00f4s recursos nos quais sustenta que o herdeiro necess\u00e1rio n\u00e3o poderia suceder a autora da a\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o avoenga, cumulada com pedido de heran\u00e7a, discuss\u00e3o que seria de direito personal\u00edssimo e intransmiss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256651\"><\/a>4.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256652\"><\/a>4.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CC\/2002:<\/p>\n<p>Art. 1.606. A a\u00e7\u00e3o de prova de filia\u00e7\u00e3o compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Se iniciada a a\u00e7\u00e3o pelo filho, os herdeiros poder\u00e3o continu\u00e1-la, salvo se julgado extinto o processo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n<p>Art. 485. O juiz n\u00e3o resolver\u00e1 o m\u00e9rito quando:<\/p>\n<p>IX &#8211; em caso de morte da parte, a a\u00e7\u00e3o for considerada intransmiss\u00edvel por disposi\u00e7\u00e3o legal; e<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256653\"><\/a>4.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A transmiss\u00e3o da pretens\u00e3o de reconhecimento da avoenga \u00e9 transmiss\u00edvel?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n<p>De in\u00edcio, <strong>n\u00e3o \u00e9 correto afirmar que a a\u00e7\u00e3o de estado, em que se veicula pretens\u00e3o personal\u00edssima, seja, sempre e obrigatoriamente, processualmente intransmiss\u00edvel aos herdeiros do falecido<\/strong>.<\/p>\n<p>Com efeito, a doutrina bem diferencia as intransmissibilidades absolutas das relativas, sendo que, nessas \u00faltimas, os direitos personal\u00edssimos (ou apenas as suas repercuss\u00f5es econ\u00f4micas ou patrimoniais) s\u00e3o, mediante autoriza\u00e7\u00e3o legal, suscet\u00edveis de transmiss\u00e3o e de defesa pelos herdeiros.<\/p>\n<p>As regras jur\u00eddicas contidas no art. 1.606,\u00a0<em>caput<\/em>\u00a0e par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002, bem demonstram, pois, a possibilidade de uma a\u00e7\u00e3o de estado, de natureza personal\u00edssima, ser transmiss\u00edvel aos herdeiros.<\/p>\n<p>A despeito de a transmissibilidade das a\u00e7\u00f5es\u00a0<em>lato sensu<\/em>\u00a0ser a regra no sistema jur\u00eddico brasileiro (n\u00e3o por acaso, ali\u00e1s, o art. 485, IX, do CPC\/2015, afirma que ela n\u00e3o se dar\u00e1 apenas &#8220;por disposi\u00e7\u00e3o legal&#8221;), <u>n\u00e3o se pode olvidar que a transmissibilidade das a\u00e7\u00f5es de estado, especificamente, deve ser orientada por regra<\/u> DISTINTA, mais RESTRITIVA e EXCEPCIONAL, quer seja diante da veicula\u00e7\u00e3o de pretens\u00f5es personal\u00edssimas e que somente interessem ao sujeito que as intentou, quer seja para evitar a cont\u00ednua judicializa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares, por infind\u00e1veis gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por esse motivo \u00e9 que, respeitadas as posi\u00e7\u00f5es em sentido contr\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel a interpreta\u00e7\u00e3o extensiva do art. 1.606, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002, segundo o qual &#8220;se iniciada a a\u00e7\u00e3o pelo filho, os herdeiros poder\u00e3o continu\u00e1-la&#8230;&#8221;, a fim de que tamb\u00e9m \u00e0s a\u00e7\u00f5es iniciadas pelos netos ou para outros descendentes em linha reta sejam igualmente transmiss\u00edveis aos herdeiros.<\/p>\n<p><strong>A impossibilidade de julgamento da avoenga resulta automaticamente a perda superveniente do objeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R: N\u00c3O NECESSARIAMENTE!!<\/strong><\/p>\n<p><u>Deve ser afastada, desde logo, a intransmissibilidade da peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a, na medida em que se trata de a\u00e7\u00e3o real, universal e condenat\u00f3ria, raz\u00e3o pela qual \u00e9 plenamente admiss\u00edvel a sucess\u00e3o processual pelo esp\u00f3lio ou herdeiros na hip\u00f3tese de falecimento de seu autor<\/u>.<\/p>\n<p>A esse respeito, ali\u00e1s, basta verificar que se a rela\u00e7\u00e3o avoenga houvesse sido reconhecida previamente ao ajuizamento da peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a, n\u00e3o existiria absolutamente nenhum \u00f3bice para que ela prosseguisse, ap\u00f3s a morte da neta, mediante ingresso de seu c\u00f4njuge sobrevivente, na qualidade de seu sucessor processual.<\/p>\n<p>Registra-se que <strong>a exist\u00eancia do v\u00ednculo de parentesco \u00e9 logicamente antecedente e efetivamente subordinante da resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito da peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a<\/strong>, de modo que, ausente o v\u00ednculo, ser\u00e1 naturalmente improcedente a peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a, ao passo que existente o v\u00ednculo, poder\u00e1 ser procedente a peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a se presentes os seus demais requisitos ensejadores (como, por exemplo, viabilidade temporal do pedido (aus\u00eancia de prescri\u00e7\u00e3o), exist\u00eancia de heran\u00e7a, etc.).<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese, o fato de ter havido a formula\u00e7\u00e3o cumulativa de pedido de declara\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o avoenga e de pedido de peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a n\u00e3o retira a qualifica\u00e7\u00e3o daquela como uma quest\u00e3o prejudicial, raz\u00e3o pela qual a impossibilidade de julgamento do pedido de declara\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o avoenga por intransmissibilidade da a\u00e7\u00e3o (em car\u00e1ter principal ou\u00a0<em>principaliter tantum<\/em>) n\u00e3o pode impedir o exame dessa quest\u00e3o como fundamento da decis\u00e3o da peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a (em car\u00e1ter incidental ou\u00a0<em>incidenter tantum<\/em>).<\/p>\n<p>Sublinhe-se que n\u00e3o se est\u00e1 aqui sustentando que haveria extens\u00e3o aos herdeiros, em especial aos c\u00f4njuges e companheiros, da legitima\u00e7\u00e3o para pleitear, em car\u00e1ter principal, a declara\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia de v\u00ednculos de parentesco entre falecidos, nem tampouco que poderiam eles propor peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a com fundamento em declara\u00e7\u00e3o incidental de exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de parentesco n\u00e3o investigada em vida por quem preteritamente faleceu.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o apresentada \u00e9 especificamente para uma singular situa\u00e7\u00e3o, qual seja, em que um descendente n\u00e3o contemplado pelo art. 1.606, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002, aju\u00edza, em vida, a\u00e7\u00e3o com pedido de natureza personal\u00edssima e intransmiss\u00edvel (declara\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o avoenga) cumulada com pedido condenat\u00f3rio transmiss\u00edvel (peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a) e vem a falecer no curso desta a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, <strong>o pedido de declara\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o avoenga efetivamente perdeu seu objeto pela superveniente ilegitimidade\u00a0<em>ad causam<\/em>\u00a0que decorre da intransmissibilidade legal da referida pretens\u00e3o ao c\u00f4njuge sobrevivente da autora, devendo, quanto ao ponto<\/strong>, ser aplicada a regra do art. 485, IX, do CPC\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256654\"><\/a>4.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 intransmiss\u00edvel ao c\u00f4njuge sobrevivente a pretens\u00e3o de ver declarada a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o avoenga com o\u00a0<em>de cujus<\/em>. A impossibilidade do julgamento do pedido declarat\u00f3rio de rela\u00e7\u00e3o avoenga n\u00e3o acarreta, necessariamente, a impossibilidade do julgamento do pedido de peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256655\"><\/a>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Des)necessidade da notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do comodat\u00e1rio para fins de comprova\u00e7\u00e3o do esbulho possess\u00f3rio quando verificada a ci\u00eancia inequ\u00edvoca do intuito de reaver o im\u00f3vel<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 desnecess\u00e1ria a notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do comodat\u00e1rio para fins de comprova\u00e7\u00e3o do esbulho possess\u00f3rio quando verificada a ci\u00eancia inequ\u00edvoca do intuito de reaver o im\u00f3vel.<\/p>\n<p>REsp 1.947.697-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/09\/2021, DJe 01\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256656\"><\/a>5.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Adroalda \u00e9 propriet\u00e1ria de determinado im\u00f3vel, tendo beneficiado exclusivamente Tadeu, seu sobrinho, em seu testamento. Antes de falecer, por\u00e9m, teria estipulado verbalmente comodato com Isaac e Isadora. Em raz\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico firmado, Isaac e Isadora constru\u00edram uma casa e residiram l\u00e1 por muitos anos. Ap\u00f3s o falecimento de Adroalda, tendo Tadeu recebido o im\u00f3vel por heran\u00e7a, este acusou o casal residente da pr\u00e1tica de esbulho e tentou reaver o bem por inteiro.<\/p>\n<p>Em contrapartida, Isaac e Isadora argumentaram que receberam o bem im\u00f3vel por meio de suposta doa\u00e7\u00e3o de Adroalda, ajuizando, posteriormente, a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse.\u00a0 Arguem, ainda, a necessidade de pr\u00e9via notifica\u00e7\u00e3o dos comodat\u00e1rios para a indica\u00e7\u00e3o do encerramento do neg\u00f3cio jur\u00eddico e configura\u00e7\u00e3o de esbulho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256657\"><\/a>5.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256658\"><\/a>5.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CC\/2002:<\/p>\n<p>Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turba\u00e7\u00e3o, restitu\u00eddo no de esbulho, e segurado de viol\u00eancia iminente, se tiver justo receio de ser molestado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n<p>Art. 561. Incumbe ao autor provar:<\/p>\n<p>I &#8211; a sua posse;<\/p>\n<p>II &#8211; a turba\u00e7\u00e3o ou o esbulho praticado pelo r\u00e9u;<\/p>\n<p>III &#8211; a data da turba\u00e7\u00e3o ou do esbulho;<\/p>\n<p>IV &#8211; a continua\u00e7\u00e3o da posse, embora turbada, na a\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o, ou a perda da posse, na a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256659\"><\/a>5.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Necess\u00e1ria a notifica\u00e7\u00e3o quando clara a inten\u00e7\u00e3o de reaver o im\u00f3vel?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>Disp\u00f5e o art. 1.210 do CC\/2002 que <u>o possuidor tem direito a ser mantido na posse do bem em caso de turba\u00e7\u00e3o; restitu\u00eddo, no caso de esbulho; e segurado de viol\u00eancia iminente, se tiver justo receio de ser molestado<\/u>.<\/p>\n<p>Entretanto, para fins de deferimento da tutela possess\u00f3ria, incumbe ao autor da a\u00e7\u00e3o provar i) a sua posse; ii) a turba\u00e7\u00e3o ou o esbulho praticado pelo r\u00e9u; iii) a data da turba\u00e7\u00e3o ou do esbulho; e iv) a continua\u00e7\u00e3o da posse, embora turbada, na a\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o, ou a perda da posse, na a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o (art. 561 do CPC\/2015).<\/p>\n<p>Nos contratos de comodato firmados por prazo determinado, mostra-se desnecess\u00e1ria a promo\u00e7\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via &#8211; seja extrajudicial ou judicial &#8211; do comodat\u00e1rio, pois, logicamente, a mora constituir-se-\u00e1 de pleno direito na data em que n\u00e3o devolvida a coisa emprestada, conforme estipulado contratualmente.<\/p>\n<p>Ao rev\u00e9s, tem-se como essencial a pr\u00e9via notifica\u00e7\u00e3o para rescindir o contrato verbal de comodato, quando firmado por prazo indeterminado, pois, somente ap\u00f3s o t\u00e9rmino do prazo previsto na notifica\u00e7\u00e3o premonit\u00f3ria, a posse exercida pelo comodat\u00e1rio, anteriormente tida como justa, tornar-se-\u00e1 injusta, de modo a configurar o esbulho possess\u00f3rio.<\/p>\n<p>No caso, todavia, <strong>a despeito de o comodato ter-se dado por tempo indeterminado e de n\u00e3o ter havido a pr\u00e9via notifica\u00e7\u00e3o dos comodat\u00e1rios, n\u00e3o se pode conceber que estes detinham a posse leg\u00edtima do bem<\/strong>. Isso porque o pr\u00f3prio ajuizamento de a\u00e7\u00e3o cautelar inominada por parte do esp\u00f3lio &#8211; que se deu anteriormente \u00e0 propositura da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria &#8211; j\u00e1 demonstrava esse intuito, mostrando-se a notifica\u00e7\u00e3o premonit\u00f3ria uma mera formalidade, in\u00f3cua aos fins propriamente pretendidos.<\/p>\n<p>Destarte, verificada a ci\u00eancia inequ\u00edvoca dos comodat\u00e1rios para que providenciassem a devolu\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel cuja posse detinham em fun\u00e7\u00e3o de comodato verbal com a falecida propriet\u00e1ria, configurado est\u00e1 o esbulho possess\u00f3rio, h\u00e1bil a justificar a proced\u00eancia da lide.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256660\"><\/a>5.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 desnecess\u00e1ria a notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do comodat\u00e1rio para fins de comprova\u00e7\u00e3o do esbulho possess\u00f3rio quando verificada a ci\u00eancia inequ\u00edvoca do intuito de reaver o im\u00f3vel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256661\"><\/a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256662\"><\/a>6.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Recusa da operadora em custear o aparelho auditivo de amplifica\u00e7\u00e3o sonora individual e abusividade<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 abusiva a recusa, por operadora ou seguradora de plano de sa\u00fade, de custeio de aparelho auditivo de amplifica\u00e7\u00e3o sonora individual &#8211; AASI cuja cobertura n\u00e3o possui previs\u00e3o contratual.<\/p>\n<p>REsp 1.915.528-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/09\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256663\"><\/a>6.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mois\u00e9s requereu ao seu plano de sa\u00fade o custeio de um Aparelho de Amplifica\u00e7\u00e3o Sonora (AASI), em raz\u00e3o de seus rec\u00e9m diagnosticados problemas auditivos. Ocorre que a operadora recusou o custeio p\u00f4r falta de previs\u00e3o contratual espec\u00edfica que cobrisse tal evento, uma vez que a condi\u00e7\u00e3o\/evento desencadeador dos problemas auditivos do segurado n\u00e3o estariam ligados a atos cir\u00fargicos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256664\"><\/a>6.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256665\"><\/a>6.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 9.656\/1998:<\/p>\n<p>Art.\u00a010.\u00a0\u00a0\u00c9 institu\u00eddo o plano-refer\u00eancia de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, com cobertura assistencial m\u00e9dico-ambulatorial e hospitalar, compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padr\u00e3o de enfermaria, centro de terapia intensiva, ou similar, quando necess\u00e1ria a interna\u00e7\u00e3o hospitalar, das doen\u00e7as listadas na Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados com a Sa\u00fade, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, respeitadas as exig\u00eancias m\u00ednimas estabelecidas no art. 12 desta Lei, exceto<\/p>\n<p>VII\u00a0&#8211;\u00a0fornecimento de pr\u00f3teses, \u00f3rteses e seus acess\u00f3rios n\u00e3o ligados ao ato cir\u00fargico;\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 8.080\/1990:<\/p>\n<p>Art. 4\u00ba O conjunto de a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de sa\u00fade, prestados por \u00f3rg\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais, estaduais e municipais, da Administra\u00e7\u00e3o direta e indireta e das funda\u00e7\u00f5es mantidas pelo Poder P\u00fablico, constitui o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba Est\u00e3o inclu\u00eddas no disposto neste artigo as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais, estaduais e municipais de controle de qualidade, pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de insumos, medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos para sa\u00fade.<\/li>\n<li>2\u00ba A iniciativa privada poder\u00e1 participar do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), em car\u00e1ter complementar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art. 7\u00ba As a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade e os servi\u00e7os privados contratados ou conveniados que integram o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), s\u00e3o desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constitui%C3%A7ao.htm#cfart198\">art. 198 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, obedecendo ainda aos seguintes princ\u00edpios:<\/p>\n<p>I &#8211; universalidade de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade em todos os n\u00edveis de assist\u00eancia;<\/p>\n<p>II &#8211; integralidade de assist\u00eancia, entendida como conjunto articulado e cont\u00ednuo das a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os n\u00edveis de complexidade do sistema;<\/p>\n<p>III &#8211; preserva\u00e7\u00e3o da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade f\u00edsica e moral;<\/p>\n<p>IV &#8211; igualdade da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, sem preconceitos ou privil\u00e9gios de qualquer esp\u00e9cie;<\/p>\n<p>V &#8211; direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0s pessoas assistidas, sobre sua sa\u00fade;<\/p>\n<p>VI &#8211; divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es quanto ao potencial dos servi\u00e7os de sa\u00fade e a sua utiliza\u00e7\u00e3o pelo usu\u00e1rio;<\/p>\n<p>VII &#8211; utiliza\u00e7\u00e3o da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a aloca\u00e7\u00e3o de recursos e a orienta\u00e7\u00e3o program\u00e1tica;<\/p>\n<p>VIII &#8211; participa\u00e7\u00e3o da comunidade;<\/p>\n<p>IX &#8211; descentraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa, com dire\u00e7\u00e3o \u00fanica em cada esfera de governo:<\/p>\n<ol>\n<li>a) \u00eanfase na descentraliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os para os munic\u00edpios;<\/li>\n<li>b) regionaliza\u00e7\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o da rede de servi\u00e7os de sa\u00fade;<\/li>\n<\/ol>\n<p>X &#8211; integra\u00e7\u00e3o em n\u00edvel executivo das a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, meio ambiente e saneamento b\u00e1sico;<\/p>\n<p>XI &#8211; conjuga\u00e7\u00e3o dos recursos financeiros, tecnol\u00f3gicos, materiais e humanos da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>XII &#8211; capacidade de resolu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os em todos os n\u00edveis de assist\u00eancia; e<\/p>\n<p>XIII &#8211; organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins id\u00eanticos.<\/p>\n<p>XIV \u2013 organiza\u00e7\u00e3o de atendimento p\u00fablico espec\u00edfico e especializado para mulheres e v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica em geral, que garanta, entre outros, atendimento, acompanhamento psicol\u00f3gico e cirurgias pl\u00e1sticas reparadoras, em conformidade com a\u00a0Lei n\u00ba\u00a012.845, de 1\u00ba\u00a0de agosto de 2013.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256666\"><\/a>6.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A recusa \u00e9 abusiva?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir acerca da obriga\u00e7\u00e3o das operadoras de planos de sa\u00fade e seguradoras de arcar com pr\u00f3teses e \u00f3rteses e seus acess\u00f3rios n\u00e3o ligados a ato cir\u00fargico, quando ausente previs\u00e3o contratual nesse sentido.<\/p>\n<p>Embora ao se contratar um plano de sa\u00fade ou seguro de sa\u00fade, o consumidor presuma e legitimamente espere que materiais b\u00e1sicos aos procedimentos m\u00e9dicos, como material de sutura, marcapasso, pr\u00f3teses para cirurgia reparadora de mama, pinos para cirurgias ortop\u00e9dicas e\u00a0<em>stents<\/em>\u00a0estejam cobertos, cumpre observar que <u>o art. 10, VII, da Lei n. 9.656\/1998 estabelece que as operadoras de planos de sa\u00fade e seguradoras n\u00e3o t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de arcar com pr\u00f3teses e \u00f3rteses e seus acess\u00f3rios n\u00e3o ligados a ato cir\u00fargico<\/u>.<\/p>\n<p>Conforme o esc\u00f3lio doutrin\u00e1rio especializado, &#8220;o que define a pertin\u00eancia da cobertura legal m\u00ednima obrigat\u00f3ria \u00e9 coloca\u00e7\u00e3o extremamente sutil: o fornecimento do dispositivo \u00e9 vinculado (entenda-se necess\u00e1rio) para que o ato cir\u00fargico atinja sua finalidade, o que n\u00e3o ocorre na situa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria quando sendo desnecess\u00e1rio ato cir\u00fargico precisa-se de \u00f3rtese ou de pr\u00f3tese&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com o art. 20, \u00a72\u00ba, da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa da ANS n. 428\/2017, considera-se pr\u00f3tese qualquer material permanente ou transit\u00f3rio que substitua, total ou parcialmente, um membro, \u00f3rg\u00e3o ou tecido.<\/p>\n<p>\u00c9 de todo oportuno e prudente consignar que a quest\u00e3o controvertida nada tem a ver com pr\u00f3teses referente a Implante Coclear (IC), que se constitui em um dispositivo eletr\u00f4nico que substitui parcialmente as fun\u00e7\u00f5es da c\u00f3clea (\u00f3rg\u00e3o da audi\u00e7\u00e3o), implantado mediante procedimento cir\u00fargico que visa proporcionar aos seus usu\u00e1rios sensa\u00e7\u00e3o auditiva pr\u00f3xima ao fisiol\u00f3gico.<\/p>\n<p>No caso, ao rev\u00e9s, \u00e9 vindicado <strong>a \u00f3rtese Aparelho de Amplifica\u00e7\u00e3o Sonora (AASI), que, assim como \u00f3culos para pacientes portadores de defici\u00eancia visual, n\u00e3o tem correla\u00e7\u00e3o com procedimento cir\u00fargico<\/strong>.<\/p>\n<p>Como ponderado em recurso repetitivo julgado pela Segunda Se\u00e7\u00e3o, REsp n. 1.755.866\/SP, relator Ministro Marco Buzzi, &#8220;a universaliza\u00e7\u00e3o da cobertura &#8211; apesar de garantida pelo constituinte origin\u00e1rio no artigo 198 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e considerada um dos princ\u00edpios basilares das a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, nos termos do artigo 7\u00ba da Lei n. 8.080\/1990, que disp\u00f5e sobre as condi\u00e7\u00f5es para a promo\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento dos servi\u00e7os correspondentes e d\u00e1 outras provid\u00eancias&#8221; &#8211; n\u00e3o pode ser imposta de modo completo e sem limites ao setor privado, porquanto, nos termos do arts. 199 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e 4\u00ba da Lei n. 8.080\/1990, &#8220;a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade de iniciativa privada \u00e9 exercida em car\u00e1ter complementar&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, como cedi\u00e7o e real\u00e7ado no precedente do STF, em sede de repercuss\u00e3o geral (RE 948.634\/RS), n\u00e3o se pode ignorar que &#8220;a contrapresta\u00e7\u00e3o paga pelo segurado \u00e9 atrelada aos riscos assumidos pela prestadora&#8221;. &#8220;Isso obedece \u00e0 l\u00f3gica atuarial desta esp\u00e9cie contratual, pois, quanto mais riscos forem cobertos, mais elevado ser\u00e1 o pr\u00eamio pago pela parte aderente. Esses pr\u00eamios, ademais, s\u00e3o calculados de maneira a permitir que, em uma complexa equa\u00e7\u00e3o atuarial, sejam suficientes para pagar as indeniza\u00e7\u00f5es aos contratantes e para cobrir os custos de administra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de, naturalmente, gerar os justos lucros \u00e0s fornecedoras&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse contexto, eventual modifica\u00e7\u00e3o,\u00a0<em>a posteriori<\/em>, das obriga\u00e7\u00f5es contratuais implica ineg\u00e1vel desequil\u00edbrio contratual e enriquecimento sem causa para os segurados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256667\"><\/a>6.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 abusiva a recusa, por operadora ou seguradora de plano de sa\u00fade, de custeio de aparelho auditivo de amplifica\u00e7\u00e3o sonora individual &#8211; AASI cuja cobertura n\u00e3o possui previs\u00e3o contratual.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256668\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256669\"><\/a>7.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Des)Necessidade do recolhimento inicial de custas judiciais no \u00e2mbito de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a coletiva gen\u00e9rica<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 devido o recolhimento inicial de custas judiciais no \u00e2mbito de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a coletiva gen\u00e9rica, proposta por associa\u00e7\u00e3o, em nome de titulares de direito material espec\u00edfico e determinado.<\/p>\n<p>REsp 1.637.366-SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 11\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256670\"><\/a>7.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, no \u00e2mbito de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a coletiva, interp\u00f4s agravo de instrumento desafiando decis\u00e3o interlocut\u00f3ria proferida pelo Ju\u00edzo de primeiro grau que indeferiu o pedido de diferimento das custas judiciais e, por conseguinte, determinou o seu imediato recolhimento, sob pena de extin\u00e7\u00e3o do feito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi determinada a juntada de documentos pessoais das partes liquidantes (representadas pela associa\u00e7\u00e3o ora insurgente), bem como de comprovantes de domic\u00edlio em nome pr\u00f3prio. No entanto, o Tribunal local apenas afastou a segunda exig\u00eancia (comprovantes de domic\u00edlio).<\/p>\n<p>Inconformado, o IBDEC interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta o descabimento de cobran\u00e7a de custas em seu desfavor, tendo em vista que ap\u00f3s a entrada em vigor em da Lei n. 11.232\/2005, tanto a liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a quanto o cumprimento de senten\u00e7a passaram a constituir uma fase do processo, n\u00e3o sendo mais aut\u00f4nomos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256671\"><\/a>7.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256672\"><\/a>7.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CDC:<\/p>\n<p>Art. 82. Para os fins do art. 81, par\u00e1grafo \u00fanico, s\u00e3o legitimados concorrentemente:<\/p>\n<p>I &#8211; o Minist\u00e9rio P\u00fablico,<\/p>\n<p>II &#8211; a Uni\u00e3o, os Estados, os Munic\u00edpios e o Distrito Federal;<\/p>\n<p>III &#8211; as entidades e \u00f3rg\u00e3os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jur\u00eddica,\u00a0 especificamente destinados \u00e0 defesa dos interesses e direitos protegidos por este c\u00f3digo;<\/p>\n<p>IV &#8211; as associa\u00e7\u00f5es legalmente constitu\u00eddas h\u00e1 pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este c\u00f3digo, dispensada a autoriza\u00e7\u00e3o assemblear<\/p>\n<p>Art. 87. Nas a\u00e7\u00f5es coletivas de que trata este c\u00f3digo n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9, em honor\u00e1rios de advogados, custas e despesas processuais.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Em caso de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a associa\u00e7\u00e3o autora e os diretores respons\u00e1veis pela propositura da a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o solidariamente condenados em honor\u00e1rios advocat\u00edcios e ao d\u00e9cuplo das custas, sem preju\u00edzo da responsabilidade por perdas e danos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 7.347\/1985:<\/p>\n<p>Art. 5<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0 T\u00eam legitimidade para propor a a\u00e7\u00e3o principal e a a\u00e7\u00e3o cautelar:\u00a0<\/p>\n<p>I &#8211; o Minist\u00e9rio P\u00fablico;\u00a0<\/p>\n<p>II &#8211; a Defensoria P\u00fablica;<\/p>\n<p>III &#8211; a Uni\u00e3o, os Estados, o Distrito Federal e os Munic\u00edpios;<\/p>\n<p>IV &#8211; a autarquia, empresa p\u00fablica, funda\u00e7\u00e3o ou sociedade de economia mista;<\/p>\n<p>V &#8211; a associa\u00e7\u00e3o que, concomitantemente;<\/p>\n<ol>\n<li>a) esteja constitu\u00edda h\u00e1 pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil;<\/li>\n<li>b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, ao consumidor, \u00e0 ordem econ\u00f4mica, \u00e0 livre concorr\u00eancia ou ao patrim\u00f4nio art\u00edstico, est\u00e9tico, hist\u00f3rico, tur\u00edstico e paisag\u00edstico;<\/li>\n<li>b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio p\u00fablico e social, ao meio ambiente, ao consumidor, \u00e0 ordem econ\u00f4mica, \u00e0 livre concorr\u00eancia, aos direitos de grupos raciais, \u00e9tnicos ou religiosos ou ao patrim\u00f4nio art\u00edstico, est\u00e9tico, hist\u00f3rico, tur\u00edstico e paisag\u00edstico.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n<p>Art. 18. Nas a\u00e7\u00f5es de que trata esta lei, n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9, em honor\u00e1rios de advogado, custas e despesas processuais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n<p>Art. 82. Salvo as disposi\u00e7\u00f5es concernentes \u00e0 gratuidade da justi\u00e7a, incumbe \u00e0s partes prover as despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo, antecipando-lhes o pagamento, desde o in\u00edcio at\u00e9 a senten\u00e7a final ou, na execu\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a plena satisfa\u00e7\u00e3o do direito reconhecido no t\u00edtulo.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba Incumbe ao autor adiantar as despesas relativas a ato cuja realiza\u00e7\u00e3o o juiz determinar de of\u00edcio ou a requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico, quando sua interven\u00e7\u00e3o ocorrer como fiscal da ordem jur\u00eddica.<\/li>\n<li>2\u00ba A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256673\"><\/a>7.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devidas as custas iniciais?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p><strong>As regras espec\u00edficas dispostas nos arts. 18 da LACP e 87 do CDC relativas ao microssistema da tutela coletiva, de diferimento e isen\u00e7\u00e3o das despesas processuais, alcan\u00e7am APENAS os colegitimados descritos nos arts. 82 do CDC e 5\u00ba da LACP<\/strong>, a fim de melhor assegurarem a efetividade das a\u00e7\u00f5es coletivas que, em regra, se destinam \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de direito de grande relev\u00e2ncia social.<\/p>\n<p><u>Tais benesses n\u00e3o mais subsistem na liquida\u00e7\u00e3o individual e\/ou cumprimento individual da senten\u00e7a coletiva que forem instaurados, em legitimidade ordin\u00e1ria, pelos titulares do direito material em nome pr\u00f3prio, com a forma\u00e7\u00e3o de novos processos tantos quantos forem as partes requerentes<\/u>, visto que sobressai, nesse momento processual, o interesse meramente privado de cada parte beneficiada pelo t\u00edtulo judicial gen\u00e9rico.<\/p>\n<p>Nesse caso, incidir\u00e1 a regra do processo civil tradicional (consoante assenta o art. 19 da Lei n. 7.347\/1985), de que as despesas processuais, notadamente as custas judiciais da demanda (a\u00ed se considerando a liquida\u00e7\u00e3o individual e\/ou execu\u00e7\u00e3o individual aut\u00f4nomas), devem ser recolhidas antecipadamente (o que n\u00e3o caracteriza condena\u00e7\u00e3o, mas mera antecipa\u00e7\u00e3o), ressalvada a hip\u00f3tese de concess\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a (arts. 19 do revogado CPC\/1973 e 82 do CPC\/2015), com revers\u00e3o desses encargos ao final do processo.<\/p>\n<p>Igualmente ocorre na liquida\u00e7\u00e3o e\/ou na execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva promovidas por uma associa\u00e7\u00e3o, na condi\u00e7\u00e3o flagrante de representante processual dos titulares do direito material devida e previamente especificados e determinados na peti\u00e7\u00e3o de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a e no interesse eminentemente privado de cada um deles, visto que tal situa\u00e7\u00e3o se equipara \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o individuais da senten\u00e7a coletiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256674\"><\/a>7.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 devido o recolhimento inicial de custas judiciais no \u00e2mbito de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a coletiva gen\u00e9rica, proposta por associa\u00e7\u00e3o, em nome de titulares de direito material espec\u00edfico e determinado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256675\"><\/a>8.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o, antes da contesta\u00e7\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Em caso de desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o e antes de apresentada a contesta\u00e7\u00e3o, \u00e9 devida a condena\u00e7\u00e3o do autor ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios, que deve observar a regra geral prevista no \u00a7 2\u00ba do art. 85 do CPC\/2015.<\/p>\n<p>REsp 1.819.876-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256676\"><\/a>8.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Hudson ajuizou a\u00e7\u00e3o de consigna\u00e7\u00e3o de chaves em desfavor de Josnei. Ocorre que, ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o e antes da apresenta\u00e7\u00e3o da contesta\u00e7\u00e3o, Hudson peticionou requerendo a desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em contesta\u00e7\u00e3o, Josnei discordou da desist\u00eancia e o juiz de primeiro grau jugou extinto o processo sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, mas condenou o autor da a\u00e7\u00e3o ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios. Inconformado, Hudson interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o, a qual foi provida pelo Tribunal local que entendeu indevida a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios porque a desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o ocorreu antes de apresentada a contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256677\"><\/a>8.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256678\"><\/a>8.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n<ul>\n<li>2\u00ba Os honor\u00e1rios ser\u00e3o fixados entre o m\u00ednimo de dez e o m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, do proveito econ\u00f4mico obtido ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; o grau de zelo do profissional;<\/p>\n<p>II &#8211; o lugar de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<\/p>\n<p>III &#8211; a natureza e a import\u00e2ncia da causa;<\/p>\n<p>IV &#8211; o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servi\u00e7o.<\/p>\n<ul>\n<li>8\u00ba Nas causas em que for inestim\u00e1vel ou irris\u00f3rio o proveito econ\u00f4mico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixar\u00e1 o valor dos honor\u00e1rios por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa, observando o disposto nos incisos do \u00a7 2\u00ba.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Art. 238. Cita\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato pelo qual s\u00e3o convocados o r\u00e9u, o executado ou o interessado para integrar a rela\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A cita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 efetivada em at\u00e9 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 1.040. Publicado o ac\u00f3rd\u00e3o paradigma:<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba A parte poder\u00e1 desistir da a\u00e7\u00e3o em curso no primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, antes de proferida a senten\u00e7a, se a quest\u00e3o nela discutida for id\u00eantica \u00e0 resolvida pelo recurso representativo da controv\u00e9rsia.<\/li>\n<li>2\u00ba Se a desist\u00eancia ocorrer antes de oferecida contesta\u00e7\u00e3o, a parte ficar\u00e1 isenta do pagamento de custas e de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia.<\/li>\n<li>3\u00ba A desist\u00eancia apresentada nos termos do \u00a7 1\u00ba independe de consentimento do r\u00e9u, ainda que apresentada contesta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256679\"><\/a>8.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devidos os honor\u00e1rios?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>No caso, o Tribunal local entendeu ser indevida a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios porque a desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o ocorreu antes de apresentada a contesta\u00e7\u00e3o, aplicando o \u00a7 2\u00ba do art. 1.040 do CPC\/2015, segundo o qual, &#8220;Se a desist\u00eancia ocorrer antes de oferecida contesta\u00e7\u00e3o, a parte ficar\u00e1 isenta do pagamento de custas e de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse contexto, os \u00a7\u00a7 1\u00ba, 2\u00ba e 3\u00ba do art. 1.040 do CPC\/2015 prev\u00eaem regras espec\u00edficas acerca da verba honor\u00e1ria para os casos de desist\u00eancia apresentada pelo autor em demandas que tramitem em primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, desde que a mat\u00e9ria neles discutidas seja id\u00eantica \u00e0quela resolvida pelo recurso representativo da controv\u00e9rsia.<\/p>\n<p>Assim, publicado o ac\u00f3rd\u00e3o proferido do recurso especial repetitivo, a parte pode desistir da a\u00e7\u00e3o antes de proferida a senten\u00e7a, independentemente do consentimento do r\u00e9u, ficando o autor isento do pagamento de custas e de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia se tal ato ocorrer antes de oferecida a contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa hip\u00f3tese, o legislador criou medidas processuais com o intuito de fazer com que o autor deixe de prosseguir com uma demanda a respeito da qual h\u00e1 uma tese vinculante fixada pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a. H\u00e1, em tais circunst\u00e2ncias, uma forma de compensa\u00e7\u00e3o destinada ao autor, com a isen\u00e7\u00e3o de custas e de honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n<p>Conforme a doutrina, tais medidas s\u00e3o de natureza indutiva, tamb\u00e9m chamadas de san\u00e7\u00f5es premiais, as quais somente podem ser adotadas pelo magistrado se estiverem expressamente previstas em lei.<\/p>\n<p>Em face disso, <strong>observa-se que a norma do art. 1.040, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015 \u00e9 de aplica\u00e7\u00e3o restrita aos casos de desist\u00eancia formulada dentro do microssistema do recurso especial repetitivo<\/strong>.<\/p>\n<p>Some-se a <u>isso o fato de que a pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica dos dispositivos em an\u00e1lise &#8211; art. 1.040, \u00a7\u00a7 1\u00ba, 2\u00ba, e 3\u00ba, -, destacada das regras gerais acerca &#8220;Das Despesas, dos Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios e das Multas&#8221;, permite concluir que o legislador estabeleceu regras espec\u00edficas aplicadas somente nas situa\u00e7\u00f5es ali tratadas<\/u>.<\/p>\n<p>Para as demais situa\u00e7\u00f5es, a responsabilidade pelo pagamento da verba honor\u00e1ria sucumbencial surge com a cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, por ser este momento da consolida\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o processual, conforme o\u00a0<em>caput<\/em>\u00a0do art. 238 do CPC\/2015. Dessa forma, aplica-se o princ\u00edpio da CAUSALIDADE, motivo pelo qual aquele que deu causa \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do processo deve ser responsabilizado pelo pagamento das despesas processuais e dos honor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por fim, para as situa\u00e7\u00f5es de desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o, os honor\u00e1rios devem observar inicialmente a regra geral prevista \u00a7 2\u00ba do art. 85 do CPC\/2015, somente cabendo a aplica\u00e7\u00e3o do \u00a7 8\u00ba se o proveito econ\u00f4mico for inestim\u00e1vel ou irris\u00f3rio ou se o valor da causa for muito baixo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256680\"><\/a>8.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em caso de desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o e antes de apresentada a contesta\u00e7\u00e3o, \u00e9 devida a condena\u00e7\u00e3o do autor ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios, que deve observar a regra geral prevista no \u00a7 2\u00ba do art. 85 do CPC\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256681\"><\/a>9.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a objeto de recurso de apela\u00e7\u00e3o e perda superveniente de objeto de agravo de instrumento pendente de julgamento que versa sobre a consuma\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a objeto de recurso de apela\u00e7\u00e3o n\u00e3o acarreta a perda superveniente do objeto de agravo de instrumento pendente de julgamento que versa sobre a consuma\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>REsp 1.921.166-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256682\"><\/a>9.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Rocha ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de indeniza\u00e7\u00e3o em desfavor de Pagonada Seguros por meio da qual requer o pagamento de vultosa quantia em raz\u00e3o de invalidez total e permanente decorrente de doen\u00e7a cr\u00f4nica. Em sua defesa, a seguradora alegou a prescri\u00e7\u00e3o, tese rejeitada em primeiro grau.<\/p>\n<p>Inconformada, a seguradora interp\u00f4s agravo de instrumento para ver reconhecida a consuma\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, neste meio tempo, o juiz de primeiro grau prolatou senten\u00e7a de improced\u00eancia do pedido de indeniza\u00e7\u00e3o. Contra tal decis\u00e3o, Rocha interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Tribunal local entendeu pela perda superveniente do objeto recursal do agravo de instrumento (que tratava do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o). Pagonada ent\u00e3o interp\u00f4s recurso especial por meio da qual sustenta que n\u00e3o houve a perda superveniente do objeto do agravo de instrumento &#8211; tampouco de seu interesse recursal, pois a mat\u00e9ria relativa \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o seria antecedente l\u00f3gico da aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito da demanda.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256683\"><\/a>9.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256684\"><\/a>9.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil de 2015:<\/p>\n<p>\u00a0Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decis\u00f5es interlocut\u00f3rias que versarem sobre:<\/p>\n<p>I &#8211; tutelas provis\u00f3rias;<\/p>\n<p>II &#8211; m\u00e9rito do processo;<\/p>\n<p>III &#8211; rejei\u00e7\u00e3o da alega\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem;<\/p>\n<p>IV &#8211; incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica;<\/p>\n<p>V &#8211; rejei\u00e7\u00e3o do pedido de gratuidade da justi\u00e7a ou acolhimento do pedido de sua revoga\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>VI &#8211; exibi\u00e7\u00e3o ou posse de documento ou coisa;<\/p>\n<p>VII &#8211; exclus\u00e3o de litisconsorte;<\/p>\n<p>VIII &#8211; rejei\u00e7\u00e3o do pedido de limita\u00e7\u00e3o do litiscons\u00f3rcio;<\/p>\n<p>IX &#8211; admiss\u00e3o ou inadmiss\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o de terceiros;<\/p>\n<p>X &#8211; concess\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o do efeito suspensivo aos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>XI &#8211; redistribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova nos termos do\u00a0art. 373, \u00a7 1\u00ba\u00a0;<\/p>\n<p>XIII &#8211; outros casos expressamente referidos em lei.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Tamb\u00e9m caber\u00e1 agravo de instrumento contra decis\u00f5es interlocut\u00f3rias proferidas na fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a ou de cumprimento de senten\u00e7a, no processo de execu\u00e7\u00e3o e no processo de invent\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256685\"><\/a>9.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Houve perda de objeto?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>O exame dos efeitos da prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a na pend\u00eancia de julgamento de agravo de instrumento n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o nova no processo civil brasileiro.<\/p>\n<p>No entanto, o debate ganhou novo impulso com o advento do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 e de seu art. 1.015, que elenca as diversas hip\u00f3teses de cabimento do agravo de instrumento, disposi\u00e7\u00e3o legal que, por si s\u00f3, gera controv\u00e9rsias e diverg\u00eancias.<\/p>\n<p>A Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, sem descurar da necessidade do exame casu\u00edstico da mat\u00e9ria e da apura\u00e7\u00e3o, sempre em cada hip\u00f3tese, do teor da decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, da senten\u00e7a e da rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre elas, fixou o entendimento de que <strong>seria imprescind\u00edvel observar-se os crit\u00e9rios da cogni\u00e7\u00e3o e da hierarquia para a adequada resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Com efeito, pelo crit\u00e9rio da cogni\u00e7\u00e3o, o conhecimento exauriente da senten\u00e7a absorveria a cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria da decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, havendo a perda superveniente do objeto do agravo. Por outro lado, pelo crit\u00e9rio da hierarquia, haveria que se reconhecer a preval\u00eancia da decis\u00e3o de segundo grau sobre a singular, quando ent\u00e3o o julgamento do agravo se imporia.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, fixou-se o entendimento de que &#8220;o ju\u00edzo acerca do destino conferido ao agravo ap\u00f3s a prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a n\u00e3o pode ser engendrado a partir da escolha isolada e simplista de um dos referidos crit\u00e9rios, fazendo-se mister o cotejo com a situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica e processual dos autos, haja vista que a pluralidade de conte\u00fados que pode assumir a decis\u00e3o impugnada, al\u00e9m de ensejar consequ\u00eancias processuais e materiais diversas, pode apresentar prejudicialidade em rela\u00e7\u00e3o ao exame do m\u00e9rito. A pedra angular que p\u00f5e termo \u00e0 quest\u00e3o \u00e9 a averigua\u00e7\u00e3o da realidade f\u00e1tica e o momento processual em que se encontra o feito, de modo a sempre perquirir acerca de eventual e remanescente interesse e utilidade no julgamento do recurso&#8221;.<\/p>\n<p>De fato, o recurso de agravo de instrumento, como cedi\u00e7o, \u00e9 recurso interposto em face de decis\u00f5es interlocut\u00f3rias, que representam pronunciamentos judiciais dotados de relevante conte\u00fado decis\u00f3rio voltados a resolver diversas quest\u00f5es incidentes, sem p\u00f4r fim ao processo ou \u00e0 fase de conhecimento.<\/p>\n<p>Desse modo, \u00e9 for\u00e7oso concluir que &#8220;<u>a superveni\u00eancia de senten\u00e7a no processo principal n\u00e3o conduz, necessariamente, \u00e0 perda do objeto do Agravo de Instrumento contra decis\u00e3o interlocut\u00f3ria do mesmo processo, devendo-se considerar em cada caso, o teor da decis\u00e3o interlocut\u00f3ria agravada e o conte\u00fado da senten\u00e7a superveniente para o fim de se verificar a prejudicialidade<\/u>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>No caso, a quest\u00e3o vertida no agravo de instrumento &#8211; consuma\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o &#8211; integra o rol de quest\u00f5es que representam antecedentes l\u00f3gicos da aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito da demanda<\/strong>.<\/p>\n<p>Nesse passo, se porventura for acolhida a preliminar de prescri\u00e7\u00e3o suscitada pela recorrente, ser\u00e1 fulminada, total ou parcialmente, a pretens\u00e3o deduzida pelo recorrido, de modo a impedir o julgamento do pedido ou, ao menos, a direcionar o modo pelo qual o pedido dever\u00e1 ser julgado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc2640174\"><\/a><a name=\"_Toc2640357\"><\/a><a name=\"_Toc2640184\"><\/a><a name=\"_Toc2640379\"><\/a><a name=\"_Toc87256686\"><\/a>9.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a objeto de recurso de apela\u00e7\u00e3o n\u00e3o acarreta a perda superveniente do objeto de agravo de instrumento pendente de julgamento que versa sobre a consuma\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256687\"><\/a>10.\u00a0 Benefici\u00e1rio de expurgos inflacion\u00e1rios e nova cobran\u00e7a dos juros n\u00e3o contemplados anteriormente<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O benefici\u00e1rio de expurgos inflacion\u00e1rios pode promover cumprimento individual de nova senten\u00e7a coletiva para a cobran\u00e7a dos juros remunerat\u00f3rios n\u00e3o contemplados no anterior t\u00edtulo judicial coletivo j\u00e1 executado.<\/p>\n<p>REsp 1.932.243-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256688\"><\/a>10.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Penelope promoveu o cumprimento individual da senten\u00e7a coletiva proferida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Cidad\u00e3o \u2013 IBDCI, para a cobran\u00e7a de expurgos inflacion\u00e1rios. Pen\u00e9lope ent\u00e3o moveu ainda uma SEGUNDA a\u00e7\u00e3o por meio da qual pretende a execu\u00e7\u00e3o de OUTRA senten\u00e7a coletiva, ajuizada pelo Instituto Pr\u00f3-Justi\u00e7a Tribut\u00e1ria (PROJUST), visando a cobran\u00e7a, <u>\u00fanica e exclusivamente, dos juros remunerat\u00f3rios que n\u00e3o haviam sido inclu\u00eddos no primeiro t\u00edtulo executivo.<\/u> Pode isso?<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256689\"><\/a>10.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256690\"><\/a>10.2.1. Poss\u00edvel a nova execu\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>No caso, <u>h\u00e1 duas senten\u00e7as coletivas transitadas em julgado sobre o mesmo dano individual homog\u00eaneo, uma beneficiando apenas os poupadores de alguns munic\u00edpios &#8211; e executada em primeiro lugar -, e outra beneficiando todos os poupadores do Estado<\/u>.<\/p>\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia, portanto, em verificar se, ante a aus\u00eancia de pedido de condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de juros remunerat\u00f3rios na primeira a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, seria poss\u00edvel o cumprimento individual de outra senten\u00e7a coletiva apenas em rela\u00e7\u00e3o aos juros remunerat\u00f3rios nesta prevista.<\/p>\n<p>A Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ fixou o entendimento de que, <strong>na execu\u00e7\u00e3o individual de senten\u00e7a proferida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica que reconhece o direito de poupadores aos expurgos inflacion\u00e1rios, descabe a inclus\u00e3o de juros remunerat\u00f3rios nos c\u00e1lculos de liquida\u00e7\u00e3o, se inexistir condena\u00e7\u00e3o expressa<\/strong>.<\/p>\n<p>No entanto, <u>como o pedido de juros n\u00e3o havia sido formulado na primeira a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em viola\u00e7\u00e3o aos limites objetivos da coisa julgada<\/u>.<\/p>\n<p>N\u00e3o se est\u00e1 a tratar, portanto, de execu\u00e7\u00e3o de verbas n\u00e3o previstas no novo t\u00edtulo executivo, tampouco de execu\u00e7\u00e3o de quantia j\u00e1 objeto de cumprimento de senten\u00e7a anterior &#8211; situa\u00e7\u00f5es que encontrariam \u00f3bice no ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio -, mas sim de cumprimento de nova senten\u00e7a coletiva apenas no que tange \u00e0 pretens\u00e3o n\u00e3o veiculada em a\u00e7\u00e3o anterior e que, portanto, n\u00e3o se encontra coberta pela coisa julgada material.<\/p>\n<p>Conclui-se que, no regime pr\u00f3prio das demandas coletivas envolvendo direitos individuais homog\u00eaneos, \u00e9 l\u00edcito aos poupadores promoverem cumprimento individual de senten\u00e7a coletiva apenas para a cobran\u00e7a dos juros remunerat\u00f3rios, ainda que j\u00e1 executado anterior t\u00edtulo executivo formado em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica diversa referente a expurgos inflacion\u00e1rios coincidentes, mas que n\u00e3o contemplava os referidos juros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256691\"><\/a>10.2.2. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O benefici\u00e1rio de expurgos inflacion\u00e1rios pode promover cumprimento individual de nova senten\u00e7a coletiva para a cobran\u00e7a dos juros remunerat\u00f3rios n\u00e3o contemplados no anterior t\u00edtulo judicial coletivo j\u00e1 executado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256692\"><\/a>11.\u00a0 T\u00e9cnica do julgamento ampliado e a necessidade de julgamento parcial do m\u00e9rito<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Somente se admite a t\u00e9cnica do julgamento ampliado, em agravo de instrumento, prevista no art. 942, \u00a7 3\u00ba, II, do CPC\/2015, quando houver o provimento do recurso por maioria de votos e desde que a decis\u00e3o agravada tenha julgado parcialmente o m\u00e9rito.<\/p>\n<p>REsp 1.960.580-MT, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 13\/10\/2021 (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256693\"><\/a>11.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Dawn Sementes ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial em desfavor de Unidos Insumos Agr\u00edcolas visando a satisfa\u00e7\u00e3o de seu cr\u00e9dito referente a diversas notas fiscais de venda de insumos agr\u00edcolas. No curso da execu\u00e7\u00e3o, o juiz de primeira inst\u00e2ncia indeferiu a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade oposta por Unidos na qual visava o cancelamento da inscri\u00e7\u00e3o em cadastros de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e a extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o em vista da ilegitimidade ativa de Dawn diante da sub-roga\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito realizada antes do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o disso, Unidos interp\u00f4s agravo de instrumento, o qual foi julgado e provido por maioria de votos em julgamento ampliado. Inconformada, Dawn interp\u00f4s recurso especial no qual alegou que a t\u00e9cnica de julgamento ampliado s\u00f3 teria cabimento quando houver reforma da decis\u00e3o que julgar o m\u00e9rito da insurg\u00eancia e desde que o agravo de instrumento tenha sido interposto em a\u00e7\u00f5es de conhecimento e n\u00e3o execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256694\"><\/a>11.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256695\"><\/a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>NCPC:<\/p>\n<p>Art. 942. Quando o resultado da apela\u00e7\u00e3o for n\u00e3o un\u00e2nime, o julgamento ter\u00e1 prosseguimento em sess\u00e3o a ser designada com a presen\u00e7a de outros julgadores, que ser\u00e3o convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em n\u00famero suficiente para garantir a possibilidade de invers\u00e3o do resultado inicial, assegurado \u00e0s partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas raz\u00f5es perante os novos julgadores.<\/p>\n<ul>\n<li>3\u00ba A t\u00e9cnica de julgamento prevista neste artigo aplica-se, igualmente, ao julgamento n\u00e3o un\u00e2nime proferido em:<\/li>\n<\/ul>\n<p>II &#8211; agravo de instrumento, quando houver reforma da decis\u00e3o que julgar parcialmente o m\u00e9rito.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256696\"><\/a>11.2.2. Necess\u00e1rio que a decis\u00e3o agravada tenha tratado do m\u00e9rito?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>O cerne da controv\u00e9rsia diz respeito a possibilidade ou n\u00e3o, de se ampliar o julgamento de agravo de instrumento que teve seu provimento denegado por maioria de votos.<\/p>\n<p>No caso, <u>ao julgar o agravo de instrumento, a Desembargadora Relatora a ele negou provimento, no que foi acompanhada pela Desembargadora Primeira Vogal. Enquanto, inaugurando a diverg\u00eancia, o Desembargador Segundo Vogal entendeu por bem em dar provimento ao agravo de instrumento<\/u>.<\/p>\n<p>Diante da aus\u00eancia de unanimidade, o Desembargador Presidente adiou o julgamento para que fosse aplicada a t\u00e9cnica do art. 942 do NCPC.<\/p>\n<p>O referido artigo disp\u00f5e que a utiliza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica ampliada de julgamento, em agravo de instrumento, depende da necessidade de reforma da decis\u00e3o que julgar parcialmente o m\u00e9rito da causa.<\/p>\n<p>Segundo a doutrina, &#8220;a t\u00e9cnica recursal em que se busca, com a participa\u00e7\u00e3o de outros julgadores, possibilitar a preval\u00eancia do voto vencido, s\u00f3 pode ser aplicada quando houver reforma da decis\u00e3o agravada em julgamento n\u00e3o un\u00e2nime em agravo contra interlocut\u00f3ria que verse sobre o m\u00e9rito da causa&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda, no mesmo sentido, leciona a doutrina que no julgamento do agravo de instrumento &#8220;a regra s\u00f3 se aplica se o agravo for admitido e provido, por maioria de votos, para reformar a decis\u00e3o que julgar parcialmente procedente o m\u00e9rito&#8221;.<\/p>\n<p>Verifica-se, assim, que a lei imp\u00f5e e a doutrina entende que, em sede de agravo de instrumento, a t\u00e9cnica de julgamento ampliado s\u00f3 \u00e9 admitida quando houver a reforma da decis\u00e3o que verse sobre o m\u00e9rito da causa, o que n\u00e3o ocorreu no caso.<\/p>\n<p>Dessa forma, reconhecido que o julgamento ampliado se deu em confronto com a lei, s\u00e3o nulos os votos proferidos nessa modalidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256697\"><\/a>11.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Somente se admite a t\u00e9cnica do julgamento ampliado, em agravo de instrumento, prevista no art. 942, \u00a7 3\u00ba, II, do CPC\/2015, quando houver o provimento do recurso por maioria de votos e desde que a decis\u00e3o agravada tenha julgado parcialmente o m\u00e9rito.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256698\"><\/a>DIREITO EMPRESARIAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256699\"><\/a>12.\u00a0 Acr\u00e9scimo das penalidades do art. 523,\u00a71\u00ba do CPC\/15 nos cr\u00e9ditos extraconcursais<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O cr\u00e9dito extraconcursal devido por empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial, objeto de cumprimento de senten\u00e7a em curso, pode ser acrescido das penalidades previstas no art. 523, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015.<\/p>\n<p>REsp 1.953.197-GO, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256700\"><\/a>12.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vandeco ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o em face de Tchau M\u00f3vel S.A. A a\u00e7\u00e3o encontrava-se em fase de cumprimento de senten\u00e7a quando o juiz indeferiu o pedido de inclus\u00e3o no valor em execu\u00e7\u00e3o da multa e dos honor\u00e1rios previstos no art. 523, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/15.<\/p>\n<p>Inconformado, Vandeco interp\u00f4s agravo de instrumento, o qual foi provido pelo Tribunal local. Conforme o Tribunal, n\u00e3o havendo que se falar em suspens\u00e3o do cr\u00e9dito, a multa e honor\u00e1rios previstos no art. 523, \u00a7 1\u00ba, do CPC, incidiriam automaticamente, quando verificado o inadimplemento do devedor no prazo que disp\u00f5e para efetuar o pagamento.<\/p>\n<p>Tchau M\u00f3vel ent\u00e3o interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que apesar do cr\u00e9dito executado ostentar natureza extraconcursal, o fato de estar em recupera\u00e7\u00e3o judicial impede a livre disposi\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio, de modo que \u201cn\u00e3o teria como realizar o pagamento volunt\u00e1rio da obriga\u00e7\u00e3o\u201d, logo, indevidas as penalidades.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256701\"><\/a>12.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256702\"><\/a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n<p>Art. 523. No caso de condena\u00e7\u00e3o em quantia certa, ou j\u00e1 fixada em liquida\u00e7\u00e3o, e no caso de decis\u00e3o sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da senten\u00e7a far-se-\u00e1 a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o d\u00e9bito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba N\u00e3o ocorrendo pagamento volunt\u00e1rio no prazo do\u00a0caput\u00a0, o d\u00e9bito ser\u00e1 acrescido de multa de dez por cento e, tamb\u00e9m, de honor\u00e1rios de advogado de dez por cento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n<p>Art. 49. Est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, ainda que n\u00e3o vencidos.<\/p>\n<p>Art. 59. O plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial implica nova\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos anteriores ao pedido, e obriga o devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem preju\u00edzo das garantias, observado o disposto no \u00a7 1\u00ba do art. 50 desta Lei.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256703\"><\/a>12.2.2. Cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o das penalidades?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>A multa e os honor\u00e1rios advocat\u00edcios previstos no art. 523, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015 somente incidem sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o nas hip\u00f3teses em que o executado n\u00e3o paga voluntariamente a quantia devida estampada no t\u00edtulo judicial no prazo de 15 dias.<\/p>\n<p>Nos termos do art. 49,\u00a0<em>caput<\/em>, da Lei n. 11.101\/2005, est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido (ainda que n\u00e3o vencidos), sendo certo que a aferi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia ou n\u00e3o do cr\u00e9dito deve levar em considera\u00e7\u00e3o a data da ocorr\u00eancia de seu fato gerador (fonte da obriga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese, contudo, ressai que <strong>o cr\u00e9dito em discuss\u00e3o possui car\u00e1ter extraconcursal, n\u00e3o se sujeitando, desse modo, aos efeitos do plano de soerguimento<\/strong>.<\/p>\n<p>Sucede que, nos termos do art. 59,\u00a0<em>caput<\/em>, da LFRE, <u>t\u00e3o somente as d\u00edvidas da recuperanda sujeitas ao plano de soerguimento (cr\u00e9ditos concursais) necessitam, em obedi\u00eancia \u00e0 sistem\u00e1tica pr\u00f3pria da lei de reg\u00eancia, ser adimplidas de acordo com as condi\u00e7\u00f5es nele pactuadas<\/u>.<\/p>\n<p><strong>As obriga\u00e7\u00f5es n\u00e3o atingidas pela recupera\u00e7\u00e3o judicial, consequentemente, devem continuar sendo cumpridas normalmente pela devedora, uma vez que os cr\u00e9ditos correlatos est\u00e3o exclu\u00eddos do plano e de seus efeitos<\/strong>.<\/p>\n<p>Dessa forma, a recuperanda n\u00e3o est\u00e1 impedida de satisfazer voluntariamente cr\u00e9ditos extraconcursais perseguidos em execu\u00e7\u00f5es individuais, de modo que as consequ\u00eancias jur\u00eddicas previstas na norma do dispositivo precitado devem incidir quando n\u00e3o pago o montante devido.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, portanto, defeso \u00e0 recuperanda dispor de seu acervo patrimonial para pagamento de cr\u00e9ditos extraconcursais (observada a exce\u00e7\u00e3o do art. 66 da LFRE), uma vez recebida a comunica\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo do soerguimento para dep\u00f3sito da quantia objeto da execu\u00e7\u00e3o, deve passar a correr o prazo de 15 dias estabelecido no art. 523,\u00a0<em>caput<\/em>, do CPC\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256704\"><\/a>12.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O cr\u00e9dito extraconcursal devido por empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial, objeto de cumprimento de senten\u00e7a em curso, pode ser acrescido das penalidades previstas no art. 523, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256705\"><\/a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256706\"><\/a>13.\u00a0 Fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria de fornecimento de insumos e aproveitamento de cr\u00e9ditos<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>As empresas e as cooperativas que exercem fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria de fornecimento de insumos e usufruem da suspens\u00e3o da incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre a receita da sua comercializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam direito ao aproveitamento de cr\u00e9ditos, \u00e0 luz da veda\u00e7\u00e3o contida no art. 8\u00ba, \u00a7 4\u00ba, inciso II, da Lei n. 10.925\/2004<\/p>\n<p>REsp 1.445.843-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256707\"><\/a>13.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Cooperativa Mist\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual requereu o reconhecimento do direito ao aproveitamento de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios. No entanto, a Fazenda Nacional se op\u00f4s ao pleiteado sob a alega\u00e7\u00e3o de que, por se tratar de cooperativa que exerce fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria de fornecimento de insumos e j\u00e1 benefici\u00e1ria da suspens\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es incidente sobre a receita de sua comercializa\u00e7\u00e3o, o aproveitamento de cr\u00e9ditos seria vedado pelo art. 8\u00ba, \u00a74\u00ba, II da Lei 10.925\/2004.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256708\"><\/a>13.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256709\"><\/a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 10.925\/2004:<\/p>\n<p>Art. 8\u00ba As pessoas jur\u00eddicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos cap\u00edtulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse cap\u00edtulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos c\u00f3digos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os c\u00f3digos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o humana ou animal, poder\u00e3o deduzir da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Pasep e da Cofins, devidas em cada per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o, cr\u00e9dito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no\u00a0inciso II do caput do art. 3\u00ba das Leis n\u00bas 10.637, de 30 de dezembro de 2002,\u00a0e\u00a010.833, de 29 de dezembro de 2003,\u00a0adquiridos de pessoa f\u00edsica ou recebidos de cooperado pessoa f\u00edsica.<\/p>\n<ul>\n<li>4\u00ba \u00c9 vedado \u00e0s pessoas jur\u00eddicas de que tratam os incisos I a III do \u00a7 1\u00ba deste artigo o aproveitamento:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; do cr\u00e9dito presumido de que trata o\u00a0<strong>caput\u00a0<\/strong>deste artigo;<\/p>\n<p>II &#8211; de cr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s receitas de vendas efetuadas com suspens\u00e3o \u00e0s pessoas jur\u00eddicas de que trata o\u00a0<strong>caput\u00a0<\/strong>deste artigo.<\/p>\n<p>Art. 9\u00ba-A. A pessoa jur\u00eddica poder\u00e1 utilizar o saldo de cr\u00e9ditos presumidos de que trata o art. 8\u00ba apurado em rela\u00e7\u00e3o a custos, despesas e encargos vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de leite, acumulado at\u00e9 o dia anterior \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do ato de que trata o \u00a7 8\u00ba deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano-calend\u00e1rio a partir da referida data, para:\u00a0<\/p>\n<p>I &#8211; compensa\u00e7\u00e3o com d\u00e9bitos pr\u00f3prios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0 mat\u00e9ria; ou\u00a0<\/p>\n<p>II &#8211; ressarcimento em dinheiro, observada a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0 mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256710\"><\/a>13.2.2. Poss\u00edvel o aproveitamento dos cr\u00e9ditos?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noops!!!<\/strong><\/p>\n<p>A Lei n. 10.925\/2004 instituiu um microssistema jur\u00eddico integrado por agricultores, fornecedores de insumos e industriais, atendendo as peculiaridades do setor agroindustrial, que sobreveio em substitui\u00e7\u00e3o ao regime n\u00e3o cumulativo geral relativamente aos insumos que menciona, previsto nas Leis n. 10.637\/2002 e 10.833\/2003.<\/p>\n<p>O referido microssistema busca desonerar a cadeia produtiva e estabelece a possibilidade de dedu\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito presumido da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS\/PASEP e da COFINS t\u00e3o somente pelas pessoas jur\u00eddicas descritas no art. 8\u00ba,\u00a0<em>caput<\/em>, da Lei n. 10.925\/2004, ou seja, pelos produtores de alimentos.<\/p>\n<p><u>A lei instituiu o cr\u00e9dito presumido com a finalidade de incrementar a aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias de pessoas f\u00edsicas, que n\u00e3o s\u00e3o sujeitas ao pagamento das contribui\u00e7\u00f5es em refer\u00eancia, de modo a estimular a atividade rural e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/u>. Com efeito, se n\u00e3o houvesse cr\u00e9dito presumido, os produtores somente adquiririam seus insumos de pessoas jur\u00eddicas, que geram cr\u00e9ditos ordin\u00e1rios.<\/p>\n<p>As empresas que exercem uma fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria de fornecimento de insumos, ao comercializarem os produtos descritos na lei, embora n\u00e3o sejam beneficiadas com o cr\u00e9dito presumido, em face da veda\u00e7\u00e3o do art. 8\u00ba, \u00a7 4\u00ba, da Lei 10.925\/2004, usufruem da suspens\u00e3o da incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre a receita da sua comercializa\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a das disposi\u00e7\u00f5es contidas no art. 9\u00ba e incisos do mencionado diploma legal.<\/p>\n<p>Em outras palavras<strong>, as empresas, inclusive cooperativas, que promovem atividades pr\u00e9-industriais n\u00e3o oferecem a receita proveniente da comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos especificados em lei \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es em tela, pois a revenda, no mercado interno, para os produtores de alimentos encontra-se sujeita \u00e0 suspens\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Desse modo, tem-se a seguinte sequ\u00eancia de tributa\u00e7\u00e3o relativamente aos agentes, inclusive cooperativas, que atuam com os produtos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios descritos na norma: a) os agricultores e pecuaristas, pessoas f\u00edsicas ou cooperados pessoas f\u00edsicas, que n\u00e3o s\u00e3o sujeitos ao pagamento das contribui\u00e7\u00f5es em tela; b) os fornecedores de insumos especificados na lei, que exercem fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria ao adquirem os insumos agropecu\u00e1rios e s\u00e3o igualmente desobrigados ao pagamento das contribui\u00e7\u00f5es, em raz\u00e3o da suspens\u00e3o da sua incid\u00eancia; e c) os produtores de alimentos, que gozam de cr\u00e9ditos presumidos, na forma da lei.<\/p>\n<p>Outrossim, \u00e0 luz do art. 9\u00ba-A da Lei n. 10.925\/2004, <u>somente aqueles que apuram saldos de cr\u00e9ditos presumidos, ou seja, os produtores de alimentos, podem requerer ressarcimento ou compensa\u00e7\u00e3o<\/u>.<\/p>\n<p>Com efeito, a tese de que seria aplic\u00e1vel o benef\u00edcio fiscal do art. 17 da Lei n. 11.033\/2004 n\u00e3o encontra respaldo na orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, pois tal dispositivo, em raz\u00e3o da especialidade, n\u00e3o derrogou a Lei n. 10.637\/2002 e a Lei n. 10.833\/2003, bem como n\u00e3o desnaturou a estrutura do sistema de cr\u00e9ditos estabelecida pelo legislador para a materializa\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade, quanto \u00e0 COFINS e \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o ao PIS.<\/p>\n<p>Dessa forma, da leitura dos dispositivos legais que regem a mat\u00e9ria em nenhum momento se pode extrair a compreens\u00e3o de que seria poss\u00edvel ressarcimento ou compensa\u00e7\u00e3o relativos a opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda com suspens\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256711\"><\/a>13.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As empresas e as cooperativas que exercem fun\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria de fornecimento de insumos e usufruem da suspens\u00e3o da incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre a receita da sua comercializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam direito ao aproveitamento de cr\u00e9ditos, \u00e0 luz da veda\u00e7\u00e3o contida no art. 8\u00ba, \u00a7 4\u00ba, inciso II, da Lei n. 10.925\/2004<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256712\"><\/a>14.\u00a0 Crit\u00e9rios para fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios provis\u00f3rios em execu\u00e7\u00e3o fiscal<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Na Execu\u00e7\u00e3o Fiscal, quando n\u00e3o inclu\u00eddos como encargo na CDA, os honor\u00e1rios provis\u00f3rios arbitrados no despacho do juiz que ordena a cita\u00e7\u00e3o devem observar o percentual estabelecido no art. 827 e n\u00e3o as faixas do art. 85, \u00a7 3\u00b0, ambos do C\u00f3digo de Processo Civil\/2015.<\/p>\n<p>AgInt no AREsp 1.738.784-GO, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256713\"><\/a>14.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal movida pelo Munic\u00edpio Cobrotudo em face do Col\u00e9gio Pagonada, o Tribunal de Justi\u00e7a local entendeu que, em face da falta de disposi\u00e7\u00e3o expressa da Lei 6.830\/80 sobre os honor\u00e1rios advocat\u00edcios, deveria ser aplicado subsidiariamente o regramento previsto no atual CPC. A quest\u00e3o \u00e9 se se aplica o percentual fixo de 10% (arts. 523 e 827) ou as faixas do art. 85, \u00a73\u00ba.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256714\"><\/a>14.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256715\"><\/a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/15:<\/p>\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n<ul>\n<li>2\u00ba Os honor\u00e1rios ser\u00e3o fixados entre o m\u00ednimo de dez e o m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, do proveito econ\u00f4mico obtido ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; o grau de zelo do profissional;<\/p>\n<p>II &#8211; o lugar de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<\/p>\n<p>III &#8211; a natureza e a import\u00e2ncia da causa;<\/p>\n<p>IV &#8211; o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servi\u00e7o.<\/p>\n<ul>\n<li>3\u00ba Nas causas em que a Fazenda P\u00fablica for parte, a fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios observar\u00e1 os crit\u00e9rios estabelecidos nos incisos I a IV do \u00a7 2\u00ba e os seguintes percentuais:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; m\u00ednimo de dez e m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido at\u00e9 200 (duzentos) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n<p>II &#8211; m\u00ednimo de oito e m\u00e1ximo de dez por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 200 (duzentos) sal\u00e1rios-m\u00ednimos at\u00e9 2.000 (dois mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n<p>III &#8211; m\u00ednimo de cinco e m\u00e1ximo de oito por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 2.000 (dois mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos at\u00e9 20.000 (vinte mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n<p>IV &#8211; m\u00ednimo de tr\u00eas e m\u00e1ximo de cinco por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 20.000 (vinte mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos at\u00e9 100.000 (cem mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n<p>V &#8211; m\u00ednimo de um e m\u00e1ximo de tr\u00eas por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 100.000 (cem mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Art. 523. No caso de condena\u00e7\u00e3o em quantia certa, ou j\u00e1 fixada em liquida\u00e7\u00e3o, e no caso de decis\u00e3o sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da senten\u00e7a far-se-\u00e1 a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o d\u00e9bito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba N\u00e3o ocorrendo pagamento volunt\u00e1rio no prazo do\u00a0caput\u00a0, o d\u00e9bito ser\u00e1 acrescido de multa de dez por cento e, tamb\u00e9m, de honor\u00e1rios de advogado de dez por cento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixar\u00e1, de plano, os honor\u00e1rios advocat\u00edcios de dez por cento, a serem pagos pelo executado.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba No caso de integral pagamento no prazo de 3 (tr\u00eas) dias, o valor dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios ser\u00e1 reduzido pela metade.<\/li>\n<li>2\u00ba O valor dos honor\u00e1rios poder\u00e1 ser elevado at\u00e9 vinte por cento, quando rejeitados os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, podendo a majora\u00e7\u00e3o, caso n\u00e3o opostos os embargos, ocorrer ao final do procedimento executivo, levando-se em conta o trabalho realizado pelo advogado do exequente.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256716\"><\/a>14.2.2. A fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios deve observar os par\u00e2metros do art. 85,\u00a73\u00ba do CPC?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nana-nina-N\u00c3O!!!<\/strong><\/p>\n<p><u>O CPC\/2015, nos arts. 523, \u00a7 1\u00ba, e 827, prev\u00ea o pagamento de honor\u00e1rios tanto na fase de cumprimento de senten\u00e7a como no processo de execu\u00e7\u00e3o, estabelecendo, em ambos os casos, o percentual fixo de 10% (dez por cento)<\/u>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em ambos os casos, o C\u00f3digo concede benef\u00edcio ao devedor que satisfizer o cr\u00e9dito exequendo voluntariamente. No cumprimento de senten\u00e7a, os honor\u00e1rios s\u00f3 ser\u00e3o devidos se n\u00e3o houver pagamento no prazo de quinze dias contados da intima\u00e7\u00e3o para pagamento volunt\u00e1rio (art. 523,\u00a0<em>caput<\/em>\u00a0e \u00a7 1\u00ba). E, no processo de execu\u00e7\u00e3o, embora no mandado citat\u00f3rio seja fixada\u00a0<em>ab initio<\/em>\u00a0a verba honor\u00e1ria, &#8220;[n]o caso de integral pagamento no prazo de 3 (tr\u00eas) dias, o valor dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios ser\u00e1 reduzido pela metade&#8221; (art. 827, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, se a verba honor\u00e1ria na fase de conhecimento est\u00e1 condicionada ao trabalho que se exigiu do advogado (art. 85, \u00a7 2\u00ba) e, mesmo nas causas em que a Fazenda P\u00fablica for parte, tem quantifica\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel (art. 85, \u00a7 3\u00ba), nos procedimentos executivos o percentual de 10% (dez por cento) \u00e9 dado pela lei, sendo, conforme doutrina, &#8220;ilegal o juiz fixar percentual inferior ou superior&#8221;. A exclus\u00e3o dessa verba (art. 523, caput e \u00a7 1\u00ba) ou sua redu\u00e7\u00e3o \u00e0 metade (art. 827, \u00a7 1\u00ba) condicionam-se \u00fanica e exclusivamente ao comportamento do devedor.<\/p>\n<p>A norma especial, no caso, n\u00e3o \u00e9 o \u00a7 3\u00ba do art. 85, que versa sobre honor\u00e1rios definitivos na fase de conhecimento, mas o art. 827, que, compondo a sistem\u00e1tica legal dos honor\u00e1rios provis\u00f3rios nos procedimentos executivos, conforme doutrina, &#8220;concede ao executado um est\u00edmulo para que satisfa\u00e7a o mais rapidamente poss\u00edvel a execu\u00e7\u00e3o&#8221;. <strong>A regra do art. 85, \u00a7 3\u00ba, somente poderia ser considerada especial em rela\u00e7\u00e3o ao art. 827 se disciplinasse concretamente os honor\u00e1rios provis\u00f3rios<\/strong>.<\/p>\n<p>Com isso, verifica-se correta a interpreta\u00e7\u00e3o do Tribunal de Origem que assim consignou: &#8221; 4.1 A Lei de Execu\u00e7\u00e3o Fiscal, em seu artigo 1\u00ba, traz, expressamente, a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria das normas expressas no C\u00f3digo de Processo Civil \u00e0 cobran\u00e7a da D\u00edvida Ativa da Fazenda P\u00fablica. Confira-se: (&#8230;) 4.1.1 Diante deste cen\u00e1rio, segundo a previs\u00e3o do artigo 827 do C\u00f3digo de Processo Civil\/2015, o MM. Julgador, ao proferir despacho inicial, nos processos executivos, fixar\u00e1, de plano, a verba honor\u00e1ria, no valor de 10% (dez por cento), a ser paga pela parte Executada. Aludido valor poder\u00e1, inclusive, ser reduzido pela metade, caso ocorra o pagamento integral do d\u00e9bito exequendo&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256717\"><\/a>14.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na Execu\u00e7\u00e3o Fiscal, quando n\u00e3o inclu\u00eddos como encargo na CDA, os honor\u00e1rios provis\u00f3rios arbitrados no despacho do juiz que ordena a cita\u00e7\u00e3o devem observar o percentual estabelecido no art. 827 e n\u00e3o as faixas do art. 85, \u00a7 3\u00b0, ambos do C\u00f3digo de Processo Civil\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256718\"><\/a>DIREITO PENAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256719\"><\/a>15.\u00a0 (Des)Necessidade da redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando do afastamento de uma circunst\u00e2ncia judicial negativa do art. 59 do CP reconhecida em senten\u00e7a condenat\u00f3ria<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 imperiosa a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de origem, em recurso exclusivo da defesa, afastar uma circunst\u00e2ncia judicial negativa do art. 59 do CP reconhecida na senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n<p>EREsp 1.826.799-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 08\/09\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256720\"><\/a>15.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Urtig\u00e3o foi condenado a uma pena em regime inicial fechado pelo cometimento de diversos crimes. No c\u00e1lculo da dosimetria, foram consideradas algumas circunst\u00e2ncias desfavor\u00e1veis, como o fato de ser padrasto de uma das v\u00edtimas e genitor das outras duas.<\/p>\n<p>Inconformada, somente a defesa de Urtig\u00e3o interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o, a qual foi parcialmente provida pelo Tribunal local que, mesmo tendo alterado a fundamenta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 valora\u00e7\u00e3o negativa das circunst\u00e2ncias judiciais (art. 59 do CP), afastando-a diante do reconhecimento do <em>bis in idem<\/em>, n\u00e3o realizou qualquer redu\u00e7\u00e3o na san\u00e7\u00e3o-base originalmente imposta ao r\u00e9u.<\/p>\n<p>Em embargos infringentes, a decis\u00e3o foi reformada, sob o entendimento de que o afastamento da valora\u00e7\u00e3o negativa do vetor do art. 59 do CP (circunst\u00e2ncias do crime), sem redu\u00e7\u00e3o correspondente de pena, configuraria <em>reformatio in pejus<\/em>, pois aumentaria o <em>quantum<\/em> de exaspera\u00e7\u00e3o das vetoriais cuja valora\u00e7\u00e3o se manteve.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256721\"><\/a>15.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256722\"><\/a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CP:<\/p>\n<p>Art. 59 &#8211; O juiz, atendendo \u00e0 culpabilidade, aos antecedentes, \u00e0 conduta social, \u00e0 personalidade do agente, aos motivos, \u00e0s circunst\u00e2ncias e conseq\u00fc\u00eancias do crime, bem como ao comportamento da v\u00edtima, estabelecer\u00e1, conforme seja necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime:\u00a0<\/p>\n<p>I &#8211; as penas aplic\u00e1veis dentre as cominadas;<\/p>\n<p>II &#8211; a quantidade de pena aplic\u00e1vel, dentro dos limites previstos;<\/p>\n<p>\u00a0III &#8211; o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;<\/p>\n<p>IV &#8211; a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa da liberdade aplicada, por outra esp\u00e9cie de pena, se cab\u00edvel<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n<p>\u00a0Art.\u00a0617.\u00a0\u00a0O tribunal, c\u00e2mara ou turma atender\u00e1 nas suas decis\u00f5es ao disposto nos\u00a0arts. 383,\u00a0386\u00a0e\u00a0387, no que for aplic\u00e1vel, n\u00e3o podendo, por\u00e9m, ser agravada a pena, quando somente o r\u00e9u houver apelado da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256723\"><\/a>15.2.2. Necess\u00e1ria a redu\u00e7\u00e3o da pena?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>No ac\u00f3rd\u00e3o embargado, o entendimento da Sexta Turma do STJ \u00e9 no sentido de que &#8220;<u>se em a\u00e7\u00e3o ou recurso exclusivo da defesa, for afastado o desvalor conferido a circunst\u00e2ncias judiciais equivocadamente negativadas, a pena-base dever\u00e1 necessariamente ser reduzida, ao inv\u00e9s de se manter inalterada, pois proceder de maneira diversa implicaria o agravamento do\u00a0<em>quantum<\/em>\u00a0anteriormente atribu\u00eddo a cada vetorial<\/u>&#8221; (AgRg no HC 493.941\/PB, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 28\/05\/2019).<\/p>\n<p>Por sua vez, no ac\u00f3rd\u00e3o paradigma, entende a Quinta Turma desta Corte que a ado\u00e7\u00e3o de novos fundamentos pelo Tribunal de origem, mantido o\u00a0<em>quantum<\/em>\u00a0da pena fixado pelo Ju\u00edzo de primeiro grau, n\u00e3o viola o art. 617 do CPP (AgRg no REsp 1.853.139\/PA, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 18\/5\/2020).<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, nos termos do art. 617 do C\u00f3digo de Processo Penal, <strong>a reforma prejudicial somente poder\u00e1 ocorrer na hip\u00f3tese de previs\u00e3o legal de recurso de of\u00edcio<\/strong>, em que se devolve ao Tribunal de Justi\u00e7a todo o conhecimento da mat\u00e9ria, assim como nas situa\u00e7\u00f5es em que houver recurso da acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desse modo, afastada pelo Tribunal local uma circunst\u00e2ncia judicial negativa reconhecida no \u00e9dito condenat\u00f3rio, imperiosa \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o proporcional da reprimenda b\u00e1sica. Isso, porque a proibi\u00e7\u00e3o de reforma para pior n\u00e3o admite, em caso de recurso exclusivo da defesa, seja agravada a situa\u00e7\u00e3o do recorrente, direta ou indiretamente.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256724\"><\/a>15.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 imperiosa a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de origem, em recurso exclusivo da defesa, afastar uma circunst\u00e2ncia judicial negativa do art. 59 do CP reconhecida na senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc87256725\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256726\"><\/a>16.\u00a0 (In)Exigibilidade do pagamento de custas processuais em embargos de diverg\u00eancia oriundos de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 inexig\u00edvel o pagamento de custas processuais em embargos de diverg\u00eancia oriundos de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica.<\/p>\n<p>EAREsp 1.809.270-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, Corte Especial, por maioria, julgado em 06\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256727\"><\/a>16.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O MP moveu uma a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica em face de Creosvaldo. A a\u00e7\u00e3o chegou ao STJ e, em determinado momento do processo, a defesa de Cresvaldo insurgiu-se contra o ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Superior por meio de embargos de diverg\u00eancia no qual alegava decis\u00f5es distintas da Corte Especial.<\/p>\n<p>Ocorre que os embargos de diverg\u00eancia foram liminarmente indeferidos pelo relator em raz\u00e3o da falta de preparo, uma vez que o recurso n\u00e3o foi instru\u00eddo com a guia de custas e o respectivo comprovante de pagamento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256728\"><\/a>16.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256729\"><\/a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 11.636\/2007:<\/p>\n<p>Art. 7<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0 N\u00e3o s\u00e3o devidas custas nos processos de\u00a0habeas data,\u00a0habeas corpus\u00a0e recursos em\u00a0habeas corpus, e nos demais processos criminais, salvo a a\u00e7\u00e3o penal privada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256730\"><\/a>16.2.2. Necess\u00e1rio o recolhimento das custas?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisar os jugados da Corte Especial, no que se refere \u00e0 necessidade de pagamento de custas para o processamento de embargos de diverg\u00eancia em mat\u00e9ria penal, constata-se que a quest\u00e3o tem sido solucionada de formas d\u00edspares. Em julgamento recente, a Corte Especial reiterou entendimento pela obrigatoriedade de recolhimento das custas em embargos de diverg\u00eancia em mat\u00e9ria penal.<\/p>\n<p>A Lei n. 11.636\/2007, que disp\u00f5e sobre as custas judiciais devidas no \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, prev\u00ea: &#8220;<u>Art. 7.\u00ba N\u00e3o s\u00e3o devidas custas nos processos de habeas data, habeas corpus e recursos em habeas corpus, e nos demais processos criminais, salvo a a\u00e7\u00e3o penal privada.<\/u>&#8220;. Por sua vez, a Resolu\u00e7\u00e3o STJ\/GP n. 2 de 1.\u00ba de fevereiro de 2017, repetindo a norma legal, disp\u00f5e: &#8220;Art. 3.\u00ba Haver\u00e1 isen\u00e7\u00e3o do preparo nos seguintes casos: I &#8211; nos habeas data, habeas corpus e recursos em habeas corpus; II &#8211; nos processos criminais, salvo na a\u00e7\u00e3o penal privada e sua revis\u00e3o criminal; [&#8230;]&#8221;.<\/p>\n<p>Entretanto, <strong>em se tratando de recurso em mat\u00e9ria penal, a interpreta\u00e7\u00e3o da norma processual que deve prevalecer \u00e9 aquela mais consent\u00e2nea com o direito \u00e0 ampla defesa e ao contradit\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n<p>Com efeito, a Lei de reg\u00eancia n\u00e3o fala de isen\u00e7\u00e3o para recursos apenas de natureza exclusivamente penal. A norma de isen\u00e7\u00e3o de preparo se refere a processos criminais.<\/p>\n<p>No caso, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os embargos de diverg\u00eancia, embora n\u00e3o sejam previstos na legisla\u00e7\u00e3o processual penal, s\u00e3o inquestionavelmente cab\u00edveis e foram manejados dentro de um processo criminal, raz\u00e3o pela qual deve ser inexig\u00edvel o pagamento de custas processuais.<\/p>\n<p>Registra-se, ademais, que a despeito de tamb\u00e9m ter havido decis\u00f5es discrepantes no \u00e2mbito da Terceira Se\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o foi amplamente rediscutida, tendo decidido aquele Colegiado, \u00e0 unanimidade, pela inexigibilidade de pagamento de custas processuais em embargos de diverg\u00eancia oriundos de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256731\"><\/a>16.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 inexig\u00edvel o pagamento de custas processuais em embargos de diverg\u00eancia oriundos de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc87256732\"><\/a>17.\u00a0 Compet\u00eancia da Justi\u00e7a Eleitoral sobre crimes eleitorais e comuns conexos<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n<p>A Justi\u00e7a Eleitoral \u00e9 competente para processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhe forem conexos.<\/p>\n<p>HC 612.636-RS, Rel. Min. Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Rel. Acd. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por maioria, julgado em 05\/10\/2021. (Info 713)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256733\"><\/a>17.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Gen\u00e9sio foi condenado pelo TRF em raz\u00e3o dos crimes de corrup\u00e7\u00e3o ativa, lavagem de capitais e organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Por\u00e9m, sua defesa interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Eleitoral para o processo, uma vez que os supostos crimes teriam sido cometidos em conex\u00e3o com infra\u00e7\u00f5es penais eleitorais e em raz\u00e3o do entendimento firmado pelo STF em julgamento de quest\u00e3o de ordem no Inq. 4.435 a compet\u00eancia se deslocaria \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc87256734\"><\/a>17.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256735\"><\/a>17.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo Eleitoral:<\/p>\n<p>Art. 350.\u00a0Omitir, em documento p\u00fablico ou particular, declara\u00e7\u00e3o que dele devia constar, ou nele inserir ou\u00a0fazer inserir\u00a0declara\u00e7\u00e3o falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPP:<\/p>\n<p>Art.\u00a082.\u00a0\u00a0Se, n\u00e3o obstante a conex\u00e3o ou contin\u00eancia, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdi\u00e7\u00e3o prevalente dever\u00e1 avocar os processos que corram perante os outros ju\u00edzes, salvo se j\u00e1 estiverem com senten\u00e7a definitiva. Neste caso, a unidade dos processos s\u00f3 se dar\u00e1, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unifica\u00e7\u00e3o das penas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>S\u00famula 235\/STJ:<\/p>\n<p>A conex\u00e3o n\u00e3o determina a reuni\u00e3o dos processos, se um deles j\u00e1 foi julgado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256736\"><\/a>17.2.2. Compet\u00eancia da Justi\u00e7a Eleitoral?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o tema, <strong>o precedente do Supremo Tribunal Federal, formado pelo seu Plen\u00e1rio no julgamento do Inq. 4435 AgR-Quarto\/DF, definiu ser competente a Justi\u00e7a Eleitoral para julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos<\/strong>, na forma dos arts. 109, IV, e 121, ambos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, bem como do art. 35, II, do C\u00f3digo Eleitoral, e do art. 78, IV, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n<p>Ou seja, em caso de conex\u00e3o ou contin\u00eancia entre crime comum e delito eleitoral, todos devem ser julgados conjuntamente perante a Justi\u00e7a Especializada.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o do precedente formado no Inq. 4435 AgR-Quarto\/DF, oriunda da leitura de votos dos Ministros que sa\u00edram vencedores no julgamento, indica que a a\u00e7\u00e3o de usar dinheiro, de origem criminosa, doado para campanha eleitoral, est\u00e1 prevista como delito de compet\u00eancia da Justi\u00e7a Especializada, encaixando-se na figura t\u00edpica descrita no art. 350, do C\u00f3digo Eleitoral.<\/p>\n<p>Dessa forma, <u>a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Eleitoral, proveniente da interpreta\u00e7\u00e3o dada pela Suprema Corte \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal e \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o dela decorrente, aplica-se sempre que na a\u00e7\u00e3o penal houver qualquer men\u00e7\u00e3o a crime dessa esp\u00e9cie, seja na descri\u00e7\u00e3o feita pelo \u00f3rg\u00e3o acusat\u00f3rio a respeito da suposta conduta il\u00edcita, seja nas decis\u00f5es oriundas dos \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais<\/u>.<\/p>\n<p>De outro lado, a parte final do art. 82, do CPP, assim como o Enunciado da S\u00famula 235\/STJ, apenas impede a reuni\u00e3o de processos conexos quando um deles j\u00e1 tenha sido julgado, n\u00e3o incidindo se eles caminharam conjuntamente, de forma reunida, desde o in\u00edcio da tramita\u00e7\u00e3o, muito anteriormente \u00e0 prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim, havendo reconhecimento da incompet\u00eancia absoluta da Justi\u00e7a Federal, a a\u00e7\u00e3o penal deve ser remetida \u00e0 Justi\u00e7a Especializada, <strong>mas com anula\u00e7\u00e3o apenas dos atos decis\u00f3rios praticados e sem preju\u00edzo da sua ratifica\u00e7\u00e3o pelo ju\u00edzo competente.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc87256737\"><\/a>17.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a Eleitoral \u00e9 competente para processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhe forem conexos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n<!-- wp:file {\"id\":903255,\"href\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/11\/08130205\/stj-713.pdf\",\"displayPreview\":true} -->\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/11\/08130205\/stj-713.pdf\">stj-713<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/11\/08130205\/stj-713.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n<!-- \/wp:file -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 713 do STJ COMENTADO pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! 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