{"id":892367,"date":"2021-10-25T10:53:59","date_gmt":"2021-10-25T13:53:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=892367"},"modified":"2021-10-25T10:54:01","modified_gmt":"2021-10-25T13:54:01","slug":"informativo-stj-712-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-712-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 712 Comentado"},"content":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 712 do STJ <strong>COMENTADO<\/strong> pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n<p><!-- \/wp:post-content --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph {\"align\":\"center\",\"fontSize\":\"huge\"} --><\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-huge-font-size\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/10\/25105345\/stj-712.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_KXQiw9AQKUQ\"><div id=\"lyte_KXQiw9AQKUQ\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/KXQiw9AQKUQ\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/KXQiw9AQKUQ\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/KXQiw9AQKUQ\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222219\"><\/a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222220\"><\/a>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Remo\u00e7\u00e3o por interesse da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e direito dos companheiros quando estes trabalham em locais distintos<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>Havendo remo\u00e7\u00e3o de um dos companheiros por interesse da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, o(a) outro(a) possui direito l\u00edquido e certo de obter a remo\u00e7\u00e3o independentemente de vaga no local de destino e mesmo que trabalhem em locais distintos \u00e0 \u00e9poca da remo\u00e7\u00e3o de of\u00edcio.<\/p>\n<p>RMS 66.823-MT, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222221\"><\/a>1.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Craudio (policial militar) e Claudete (policial civil) vivem em uni\u00e3o est\u00e1vel devidamente registrada em cart\u00f3rio. Em determinado momento, Craudio foi removido a interesse da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica para exercer suas atividades em outro munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Claudete ent\u00e3o solicitou a remo\u00e7\u00e3o para acompanhamento de c\u00f4njuge, sendo esta negada pelo respons\u00e1vel sob o argumento de que os companheiros j\u00e1 trabalhavam em localidades distintas, ainda que no mesmo Estado da Federa\u00e7\u00e3o, antes mesmo da remo\u00e7\u00e3o de of\u00edcio. Inconformada, Claudete impetrou mandado de seguran\u00e7a contra o ato denegat\u00f3rio da remo\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222222\"><\/a>1.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222223\"><\/a>1.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CF\/1988:<\/p>\n<p>Art. 226. A fam\u00edlia, base da sociedade, tem especial prote\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<ul>\n<li>3\u00ba Para efeito da prote\u00e7\u00e3o do Estado, \u00e9 reconhecida a uni\u00e3o est\u00e1vel entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua convers\u00e3o em casamento.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CC\/2002:<\/p>\n<p>Art. 1.723. \u00c9 reconhecida como entidade familiar a uni\u00e3o est\u00e1vel entre o homem e a mulher, configurada na conviv\u00eancia p\u00fablica, cont\u00ednua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222224\"><\/a>1.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Claudete tem direito \u00e0 remo\u00e7\u00e3o para acompanhar o marid\u00e3o (companheiro)?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n<p><u>A uni\u00e3o est\u00e1vel \u00e9 entidade familiar nos termos do art. 226, \u00a7 3\u00ba, da CF\/1988 e do art. 1.723 do CC\/2002, raz\u00e3o pela qual deve ser protegida pelo Estado tal como o casamento<\/u>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do dever do Estado na prote\u00e7\u00e3o das unidades familiares, no caso analisado observa-se disposi\u00e7\u00e3o normativa local espec\u00edfica prevendo o instituto &#8220;remo\u00e7\u00e3o para acompanhamento de c\u00f4njuge&#8221;.<\/p>\n<p>Dessa forma, havendo remo\u00e7\u00e3o de of\u00edcio de um dos companheiros, o(a) outro(a) possui, em regra, direito \u00e0 remo\u00e7\u00e3o para acompanhamento. <strong>N\u00e3o se trata de ato discricion\u00e1rio da Administra\u00e7\u00e3o, mas sim vinculado<\/strong>. A remo\u00e7\u00e3o visa garantir \u00e0 conviv\u00eancia da unidade familiar em face a um acontecimento causado pela pr\u00f3pria Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p><em>Ubi eadem ratio, ibi eadem jus<\/em>, os precedentes do STJ acerca do direito de remo\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos federais para acompanhamento de c\u00f4njuge devem ser aplicados no caso em exame.<\/p>\n<p>O fato de servidor p\u00fablico estar trabalhando em local distinto de onde a servidora p\u00fablica laborava \u00e0 \u00e9poca da remo\u00e7\u00e3o de of\u00edcio daquele n\u00e3o \u00e9 peculiaridade capaz de afastar a regra geral. Isso porque a conviv\u00eancia familiar estava adaptada a uma realidade que, por atitude exclusiva do Poder P\u00fablico, dever\u00e1 passar por nova adapta\u00e7\u00e3o. Ora, deve-se lembrar que a iniciativa exclusiva do Estado pode agravar a conviv\u00eancia da unidade familiar a ponto de torn\u00e1-la imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222225\"><\/a>1.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Havendo remo\u00e7\u00e3o de um dos companheiros por interesse da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, o(a) outro(a) possui direito l\u00edquido e certo de obter a remo\u00e7\u00e3o independentemente de vaga no local de destino e mesmo que trabalhem em locais distintos \u00e0 \u00e9poca da remo\u00e7\u00e3o de of\u00edcio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222226\"><\/a>DIREITO CIVIL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222227\"><\/a>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contrato de seguro sa\u00fade internacional firmado no Brasil e normas de reajuste da ANS<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O contrato de seguro sa\u00fade internacional firmado no Brasil n\u00e3o deve observar as normas p\u00e1trias alusivas aos reajustes de mensalidades de planos de sa\u00fade individuais fixados anualmente pela ANS.<\/p>\n<p>REsp 1.850.781-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/09\/2021, DJe 01\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222228\"><\/a>2.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Jucinei ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da Puba Insurance United objetivando a revis\u00e3o de reajustes das anuidades do seguro sa\u00fade internacional que foi contratado, visto que os percentuais utilizados n\u00e3o observaram aqueles divulgados pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) para os planos de assist\u00eancia m\u00e9dica individuais. Buscou, assim, a exclus\u00e3o dos aumentos que ultrapassaram os limites anuais autorizados pela aludida ag\u00eancia reguladora, com a consequente devolu\u00e7\u00e3o dos valores cobrados a maior.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o juiz de primeiro grau entendeu que o seguro em quest\u00e3o possu\u00eda caracter\u00edsticas diversas dos planos de sa\u00fade nacionais, notadamente quanto \u00e0 abrang\u00eancia, que engloba o reembolso de despesas m\u00e9dicas realizadas em diversos pa\u00edses, o que afastaria a pretens\u00e3o de aplica\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de reajustes estipulados pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade, que levam em conta o tratamento do segurado em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222229\"><\/a>2.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222230\"><\/a>2.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 9.656\/1998:<\/p>\n<p>Art.\u00a01<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0\u00a0Submetem-se \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es desta Lei as pessoas jur\u00eddicas de direito privado que operam planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, sem preju\u00edzo do cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplica\u00e7\u00e3o das normas aqui estabelecidas, as seguintes defini\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>3<u><sup>o<\/sup><\/u>As pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jur\u00eddicas de direito privado constitu\u00eddas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.\u00a0\u00a0\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art.\u00a08<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0\u00a0Para obter a autoriza\u00e7\u00e3o de funcionamento, as operadoras de planos privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade devem satisfazer os seguintes requisitos, independentemente de outros que venham a ser determinados pela ANS:\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Art.\u00a09<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0\u00a0Ap\u00f3s decorridos cento e vinte dias de vig\u00eancia desta Lei, para as operadoras, e duzentos e quarenta dias, para as administradoras de planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, e at\u00e9 que sejam definidas pela ANS, as normas gerais de registro, as pessoas jur\u00eddicas que operam os produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0do art. 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0desta Lei, e observado o que disp\u00f5e o art. 19, s\u00f3 poder\u00e3o comercializar estes produtos se:\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Art.\u00a019.\u00a0\u00a0Para requerer a autoriza\u00e7\u00e3o definitiva de funcionamento, as pessoas jur\u00eddicas que j\u00e1 atuavam como operadoras ou administradoras dos produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7\u00a01<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0do art. 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0desta Lei, ter\u00e3o prazo de cento e oitenta dias, a partir da publica\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pela ANS.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei Complementar n. 126\/2007:<\/p>\n<p>Art. 19.\u00a0 Ser\u00e3o exclusivamente celebrados no Pa\u00eds, ressalvado o disposto no art. 20 desta Lei Complementar:<\/p>\n<p>I &#8211; os seguros obrigat\u00f3rios; e<\/p>\n<p>II &#8211; os seguros n\u00e3o obrigat\u00f3rios contratados por pessoas naturais residentes no Pa\u00eds ou por pessoas jur\u00eddicas domiciliadas no territ\u00f3rio nacional, independentemente da forma jur\u00eddica, para garantia de riscos no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Art. 20.\u00a0 A contrata\u00e7\u00e3o de seguros no exterior por pessoas naturais residentes no Pa\u00eds ou por pessoas jur\u00eddicas domiciliadas no territ\u00f3rio nacional \u00e9 restrita \u00e0s seguintes situa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>I &#8211; cobertura de riscos para os quais n\u00e3o exista oferta de seguro no Pa\u00eds, desde que sua contrata\u00e7\u00e3o n\u00e3o represente infra\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente;<\/p>\n<p>II &#8211; cobertura de riscos no exterior em que o segurado seja pessoa natural residente no Pa\u00eds, para o qual a vig\u00eancia do seguro contratado se restrinja, exclusivamente, ao per\u00edodo em que o segurado se encontrar no exterior;<\/p>\n<p>III &#8211; seguros que sejam objeto de acordos internacionais referendados pelo Congresso Nacional; e<\/p>\n<p>IV &#8211; seguros que, pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor, na data de publica\u00e7\u00e3o desta Lei Complementar, tiverem sido contratados no exterior.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico.\u00a0 Pessoas jur\u00eddicas poder\u00e3o contratar seguro no exterior para cobertura de riscos no exterior, informando essa contrata\u00e7\u00e3o ao \u00f3rg\u00e3o fiscalizador de seguros brasileiro no prazo e nas condi\u00e7\u00f5es determinadas pelo \u00f3rg\u00e3o regulador de seguros brasileiro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222231\"><\/a>2.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aplic\u00e1veis os crit\u00e9rios de reajuste da ANS?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>Para uma empresa ser considerada operadora de plano de sa\u00fade no Brasil e poder operar planos privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, deve ser constitu\u00edda segundo as leis locais ou, ao menos, deve participar do capital social de empresas nacionais, n\u00e3o sendo exce\u00e7\u00e3o as pessoas jur\u00eddicas estrangeiras (art. 1\u00ba, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 9.656\/1998).<\/p>\n<p>As pessoas jur\u00eddicas de direito privado que pretenderem atuar no mercado brasileiro de sa\u00fade suplementar devem obter autoriza\u00e7\u00e3o de funcionamento na ANS, atendendo alguns requisitos, como o registro da operadora e o registro de produtos (arts. 8\u00ba, 9\u00ba e 19 da Lei n. 9.656\/1998 e RN ANS n. 85\/2004).<\/p>\n<p><strong>A natureza internacional de um contrato, inclu\u00eddo o de seguro, decorre da sua conex\u00e3o com mais de um ordenamento jur\u00eddico<\/strong>. Os elementos do contrato internacional podem ser identificados a partir da nacionalidade, domic\u00edlio e resid\u00eancia das partes, do lugar do objeto, do lugar da presta\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o, do lugar da formaliza\u00e7\u00e3o da aven\u00e7a, do foro de elei\u00e7\u00e3o e da legisla\u00e7\u00e3o aplicada.<\/p>\n<p>Para os seguros em geral, a contrata\u00e7\u00e3o no exterior deve observar a Lei Complementar n. 126\/2007 (arts. 19 e 20), a Resolu\u00e7\u00e3o CNSP n. 197\/2008 e a Circular SUSEP n. 392\/2009.<\/p>\n<p><u>Na hip\u00f3tese, a empresa estrangeira, constitu\u00edda sob as leis inglesas, n\u00e3o \u00e9 operadora de plano de sa\u00fade, conforme defini\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o brasileira, nem possui produto registrado na ANS, sendo o contrato firmado de cunho internacional, regido por grandezas globais<\/u>.<\/p>\n<p>Os \u00edndices anuais de reajuste para os planos individuais ou familiares divulgados pela ANS n\u00e3o s\u00e3o aptos a mensurar o mercado internacional de seguros sa\u00fade, n\u00e3o sendo apropriada a sua imposi\u00e7\u00e3o em contratos regidos por bases atuariais e mutuais diversas e mais amplas, de n\u00edvel global.<\/p>\n<p>A ap\u00f3lice internacional, que cont\u00e9m rede assistencial abrangente no exterior, n\u00e3o limitada ao rol da ANS de procedimentos e eventos em sa\u00fade, deve possuir f\u00f3rmula de reajuste compat\u00edvel com a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro do contrato de \u00e2mbito mundial, sendo incompat\u00edveis os \u00edndices de reajuste nacionais, definidos com base no processo inflacion\u00e1rio local e nos produtos de abrang\u00eancia interna.<\/p>\n<p>No plano interno, h\u00e1 produtos que podem satisfazer as necessidades de pessoas que viajam frequentemente ao exterior ou fixam resid\u00eancia provis\u00f3ria em outros pa\u00edses, como a contrata\u00e7\u00e3o de plano de sa\u00fade nacional com adicional de assist\u00eancia internacional. Desde que n\u00e3o fujam ao objeto contratual e n\u00e3o contrariem a legisla\u00e7\u00e3o, os contratos de planos de sa\u00fade p\u00e1trios podem conter cl\u00e1usulas de servi\u00e7os e coberturas adicionais de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade n\u00e3o previstas na Lei n. 9.656\/1998 (item 14 do Anexo II da RN ANS n. 85\/2004).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222232\"><\/a>2.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O contrato de seguro sa\u00fade internacional firmado no Brasil n\u00e3o deve observar as normas p\u00e1trias alusivas aos reajustes de mensalidades de planos de sa\u00fade individuais fixados anualmente pela ANS.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222233\"><\/a>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Multiparentalidade e equival\u00eancia de tratamento e de efeitos jur\u00eddicos entre as paternidades biol\u00f3gica e socioafetiva<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Na multiparentalidade deve ser reconhecida a equival\u00eancia de tratamento e de efeitos jur\u00eddicos entre as paternidades biol\u00f3gica e socioafetiva.<\/p>\n<p>REsp 1.487.596-MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/09\/2021, DJe 01\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222234\"><\/a>3.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vanessa \u00e9 filha biol\u00f3gica de Valdomiro e Odislene. Ocorre que Valdomiro faleceu quando Vanessa ainda contava com apenas 12 anos de idade. Ap\u00f3s algum tempo, Odislene (m\u00e3e de Vanessa) passou a viver em uni\u00e3o est\u00e1vel com Nerson, formando uma fam\u00edlia constitu\u00edda e estruturada que perdura at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da uni\u00e3o est\u00e1vel, Nerson tomou para si o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o paterna na vida de Vanessa, que de sua enteada passou a ser considerada e tratada como filha &#8211; vez que esta passou a exercer o efetivo estado de filia\u00e7\u00e3o -, situa\u00e7\u00e3o plenamente aceita, demandada e corroborada pela ent\u00e3o menor.<\/p>\n<p>Diante dessa realidade, as partes (Nerson e Vanessa) ajuizaram a\u00e7\u00e3o para reconhecer juridicamente tal situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica &#8212; n\u00e3o para excluir a paternidade biol\u00f3gica, mas para somar a ela o v\u00ednculo constru\u00eddo durante 15 anos, ora denominado pela doutrina e jurisprud\u00eancia como v\u00ednculo de socioafetividade.<\/p>\n<p>O juiz de primeiro grau indeferiu o pedido por impossibilidade jur\u00eddica do pedido, mas o Tribunal de Justi\u00e7a local reformou a decis\u00e3o para reconhecer a possibilidade de acrescer o nome de Nerson como pai socio-afetivo ao lado do nome do pai biol\u00f3gico. Por\u00e9m, excluiu do reconhecimento da multiparentalidade os efeitos patrimoniais e sucess\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222235\"><\/a>3.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222236\"><\/a>3.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CF:<\/p>\n<p>\u00a0Art. 227. \u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>6\u00ba Os filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os mesmos direitos e qualifica\u00e7\u00f5es, proibidas quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CC\/2002:<\/p>\n<p>Art. 1.596. Os filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os mesmos direitos e qualifica\u00e7\u00f5es, proibidas quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 8.069\/1990:<\/p>\n<p>Art. 20. Os filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os mesmos direitos e qualifica\u00e7\u00f5es, proibidas quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222237\"><\/a>3.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pode haver tal distin\u00e7\u00e3o no tratamento nos efeitos sucess\u00f3rios?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o da multiparentalidade foi decidida em repercuss\u00e3o geral pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 898.060\/SC, tendo sido reconhecida a possibilidade da filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica concomitante \u00e0 socioafetiva, por meio de tese assim firmada: &#8220;<u>A paternidade socioafetiva, declarada ou n\u00e3o em registro p\u00fablico, n\u00e3o impede o reconhecimento do v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o concomitante baseado na origem biol\u00f3gica, com os efeitos jur\u00eddicos pr\u00f3prios<\/u>.&#8221;<\/p>\n<p>A possibilidade de cumula\u00e7\u00e3o da paternidade socioafetiva com a biol\u00f3gica contempla especialmente o princ\u00edpio constitucional da IGUALDADE dos filhos (art. 227, \u00a7 6\u00ba, da CF), sendo expressamente vedado qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o e, portanto, de hierarquia entre eles.<\/p>\n<p>Assim<strong>, aceitar a concep\u00e7\u00e3o de multiparentalidade \u00e9 entender que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver condi\u00e7\u00f5es distintas entre o v\u00ednculo parental biol\u00f3gico e o afetivo<\/strong>. <u>Isso porque criar status diferenciado entre o genitor biol\u00f3gico e o socioafetivo \u00e9, por consequ\u00eancia, conceber um tratamento desigual entre os filhos<\/u>, o que viola o disposto nos arts. 1.596 do CC\/2002 e 20 da Lei n. 8.069\/1990, ambos com id\u00eantico teor: &#8220;Os filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os mesmos direitos e qualifica\u00e7\u00f5es, proibidas quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Por fim, anota-se que a Corregedoria Nacional de Justi\u00e7a alinhada ao precedente vinculante da Suprema Corte, editou o Provimento n. 63\/2017, instituindo modelos \u00fanicos de certid\u00e3o de nascimento, casamento e \u00f3bito, a serem adotados pelos of\u00edcios de registro civil das pessoas naturais, e dispondo sobre o reconhecimento volunt\u00e1rio e a averba\u00e7\u00e3o da paternidade e da maternidade socioafetivas, sem realizar nenhuma distin\u00e7\u00e3o de nomenclatura quanto \u00e0 origem da paternidade ou da maternidade na certid\u00e3o de nascimento &#8211; se biol\u00f3gica ou socioafetiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222238\"><\/a>3.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na multiparentalidade deve ser reconhecida a equival\u00eancia de tratamento e de efeitos jur\u00eddicos entre as paternidades biol\u00f3gica e socioafetiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222239\"><\/a>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Requisitos para o registro de nome civil como marca<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Para que um nome civil, ou patron\u00edmico, seja registrado como marca, imp\u00f5e-se a autoriza\u00e7\u00e3o pelo titular ou sucessores, de forma limitada e espec\u00edfica \u00e0quele registro, em classe e item pleiteados.<\/p>\n<p>REsp 1.354.473-RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222240\"><\/a>4.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Uma empresa que utiliza o nome fantasia de \u201cCol\u00e9gio Albert Einstein\u201d ajuizou a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o de registro de marca em face do Hospital Albert Einstein. Em sua fundamenta\u00e7\u00e3o, o col\u00e9gio alega ser constitu\u00edda e utilizar o nome desde 1994, sendo que em 1996 teria recebido uma notifica\u00e7\u00e3o do Hospital de mesmo nome que se afirmava detentor do direito de uso exclusivo do nome civil Albert Einstein e solicitara a cessa\u00e7\u00e3o do uso por parte do Col\u00e9gio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o recebimento da notifica\u00e7\u00e3o, o Col\u00e9gio realizou pesquisa onde n\u00e3o foi encontrada registro de marca \u201cAlbert Einstein\u201d na classe e item cab\u00edveis, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o deixou de utilizar o nome. Por\u00e9m, algum tempo depois, recebeu nova notifica\u00e7\u00e3o e ao realizar a mesma pesquisa, tomou conhecimento o do deferimento do registro da marca &#8220;Albert Einstein&#8221; na classe 41 e c\u00f3digo 10.<\/p>\n<p>Inconformado, o Col\u00e9gio requereu administrativamente a declara\u00e7\u00e3o de nulidade do registro, sob o argumento de que o fora feito em viola\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, na medida em que a institui\u00e7\u00e3o solicitante n\u00e3o demonstrara ter autoriza\u00e7\u00e3o dos herdeiros ou sucessores diretos de Albert Einstein para o registro como marca e a utiliza\u00e7\u00e3o exclusiva do referido nome civil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222241\"><\/a>4.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222242\"><\/a>4.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 9.279\/1996:<\/p>\n<p>Art. 124. N\u00e3o s\u00e3o registr\u00e1veis como marca:<\/p>\n<p>I &#8211; bras\u00e3o, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, p\u00fablicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designa\u00e7\u00e3o, figura ou imita\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>II &#8211; letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva;<\/p>\n<p>III &#8211; express\u00e3o, figura, desenho ou qualquer outro sinal contr\u00e1rio \u00e0 moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consci\u00eancia, cren\u00e7a, culto religioso ou id\u00e9ia e sentimento dignos de respeito e venera\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>IV &#8211; designa\u00e7\u00e3o ou sigla de entidade ou \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, quando n\u00e3o requerido o registro pela pr\u00f3pria entidade ou \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico;<\/p>\n<p>V &#8211; reprodu\u00e7\u00e3o ou imita\u00e7\u00e3o de elemento caracter\u00edstico ou diferenciador de t\u00edtulo de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscet\u00edvel de causar confus\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o com estes sinais distintivos;<\/p>\n<p>VI &#8211; sinal de car\u00e1ter gen\u00e9rico, necess\u00e1rio, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando tiver rela\u00e7\u00e3o com o produto ou servi\u00e7o a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma caracter\u00edstica do produto ou servi\u00e7o, quanto \u00e0 natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e \u00e9poca de produ\u00e7\u00e3o ou de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva;<\/p>\n<p>VII &#8211; sinal ou express\u00e3o empregada apenas como meio de propaganda;<\/p>\n<p>VIII &#8211; cores e suas denomina\u00e7\u00f5es, salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo;<\/p>\n<p>IX &#8211; indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, sua imita\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel de causar confus\u00e3o ou sinal que possa falsamente induzir indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica;<\/p>\n<p>X &#8211; sinal que induza a falsa indica\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 origem, proced\u00eancia, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou servi\u00e7o a que a marca se destina;<\/p>\n<p>XI &#8211; reprodu\u00e7\u00e3o ou imita\u00e7\u00e3o de cunho oficial, regularmente adotada para garantia de padr\u00e3o de qualquer g\u00eanero ou natureza;<\/p>\n<p>XII &#8211; reprodu\u00e7\u00e3o ou imita\u00e7\u00e3o de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certifica\u00e7\u00e3o por terceiro, observado o disposto no art. 154;<\/p>\n<p>XIII &#8211; nome, pr\u00eamio ou s\u00edmbolo de evento esportivo, art\u00edstico, cultural, social, pol\u00edtico, econ\u00f4mico ou t\u00e9cnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem como a imita\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel de criar confus\u00e3o, salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento;<\/p>\n<p>XIV &#8211; reprodu\u00e7\u00e3o ou imita\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo, ap\u00f3lice, moeda e c\u00e9dula da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territ\u00f3rios, dos Munic\u00edpios, ou de pa\u00eds;<\/p>\n<p>XV &#8211; nome civil ou sua assinatura, nome de fam\u00edlia ou patron\u00edmico e imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores;<\/p>\n<p>XVI &#8211; pseud\u00f4nimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome art\u00edstico singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores;<\/p>\n<p>XVII &#8211; obra liter\u00e1ria, art\u00edstica ou cient\u00edfica, assim como os t\u00edtulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscet\u00edveis de causar confus\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o, salvo com consentimento do autor ou titular;<\/p>\n<p>XVIII &#8211; termo t\u00e9cnico usado na ind\u00fastria, na ci\u00eancia e na arte, que tenha rela\u00e7\u00e3o com o produto ou servi\u00e7o a distinguir;<\/p>\n<p>XIX &#8211; reprodu\u00e7\u00e3o ou imita\u00e7\u00e3o, no todo ou em parte, ainda que com acr\u00e9scimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou servi\u00e7o id\u00eantico, semelhante ou afim, suscet\u00edvel de causar confus\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o com marca alheia;<\/p>\n<p>XX &#8211; dualidade de marcas de um s\u00f3 titular para o mesmo produto ou servi\u00e7o, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se revestirem de suficiente forma distintiva;<\/p>\n<p>XXI &#8211; a forma necess\u00e1ria, comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento, ou, ainda, aquela que n\u00e3o possa ser dissociada de efeito t\u00e9cnico;<\/p>\n<p>XXII &#8211; objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro; e<\/p>\n<p>XXIII &#8211; sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o requerente evidentemente n\u00e3o poderia desconhecer em raz\u00e3o de sua atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em territ\u00f3rio nacional ou em pa\u00eds com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou servi\u00e7o id\u00eantico, semelhante ou afim, suscet\u00edvel de causar confus\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o com aquela marca alheia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222243\"><\/a>4.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Necess\u00e1ria a autoriza\u00e7\u00e3o dos sucessores?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Ante a exclusividade de uso atribu\u00eddo ao titular &#8211; e a pr\u00f3pria finalidade distintiva inerente \u00e0s marcas -, a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia estabelece condi\u00e7\u00f5es ou restri\u00e7\u00f5es a seu registro, conforme se depreende do artigo 124 da Lei n. 9.279\/1996 e tamb\u00e9m consoante constava do art. 65 da revogada Lei n. 5.772\/1971.<\/p>\n<p><u>No que se refere ao nome civil, as limita\u00e7\u00f5es a seu registro encontram respaldo em sua pr\u00f3pria natureza jur\u00eddica &#8211; direito da personalidade &#8211; e no feixe de prote\u00e7\u00e3o concedido a referido atributo por meio do sistema normativo, levando-se em considera\u00e7\u00e3o as seguintes caracter\u00edsticas: oponibilidade\u00a0<em>erga omnes<\/em>, intransmissibilidade, imprescritibilidade, indisponibilidade e exclusividade<\/u>.<\/p>\n<p>Assim, para que um nome civil, ou patron\u00edmico, seja registrado como marca, imp\u00f5e-se a autoriza\u00e7\u00e3o, pelo titular ou sucessores, de forma limitada e espec\u00edfica \u00e0quele registro, em classe e item pleiteados.<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese<strong>, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel admitir que a presen\u00e7a de herdeiro de renomado cientista na solenidade de inaugura\u00e7\u00e3o de hospital, e a realiza\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00e3o para sua edifica\u00e7\u00e3o, represente uma autoriza\u00e7\u00e3o t\u00e1cita ao registro do referido nome civil<\/strong> nas mais variadas e diversas classes e itens e sem qualquer limita\u00e7\u00e3o temporal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222244\"><\/a>4.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para que um nome civil, ou patron\u00edmico, seja registrado como marca, imp\u00f5e-se a autoriza\u00e7\u00e3o pelo titular ou sucessores, de forma limitada e espec\u00edfica \u00e0quele registro, em classe e item pleiteados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222245\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222246\"><\/a>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Im)Possibilidade de interposi\u00e7\u00e3o de agravo de instrumento contra a decis\u00e3o que deixa de homologar pedido de extin\u00e7\u00e3o consensual da lide<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o que deixa de homologar pedido de extin\u00e7\u00e3o consensual da lide retrata decis\u00e3o interlocut\u00f3ria de m\u00e9rito a admitir recorribilidade por agravo de instrumento, interposto com fulcro no art. 1.015, II, do CPC\/2015.<\/p>\n<p>REsp 1.817.205-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222247\"><\/a>5.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em determinado processo, o juiz deixou de homologar pedido de extin\u00e7\u00e3o consensual da lide. Inconformadas, as partes interpuseram agravo de instrumento em face da decis\u00e3o, recurso este que n\u00e3o foi conhecido pelo Tribunal de Justi\u00e7a local por n\u00e3o estar expressamente prevista a hip\u00f3tese no art. 1.015 do CPC\/15.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222248\"><\/a>5.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222249\"><\/a>5.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil de 2015:<\/p>\n<p>Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistir\u00e3o em senten\u00e7as, decis\u00f5es interlocut\u00f3rias e despachos.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba Ressalvadas as disposi\u00e7\u00f5es expressas dos procedimentos especiais, senten\u00e7a \u00e9 o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos\u00a0arts. 485\u00a0e\u00a0487\u00a0, p\u00f5e fim \u00e0 fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art. 1.009. Da senten\u00e7a cabe apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba As quest\u00f5es resolvidas na fase de conhecimento, se a decis\u00e3o a seu respeito n\u00e3o comportar agravo de instrumento, n\u00e3o s\u00e3o cobertas pela preclus\u00e3o e devem ser suscitadas em preliminar de apela\u00e7\u00e3o, eventualmente interposta contra a decis\u00e3o final, ou nas contrarraz\u00f5es.<\/li>\n<li>2\u00ba Se as quest\u00f5es referidas no \u00a7 1\u00ba forem suscitadas em contrarraz\u00f5es, o recorrente ser\u00e1 intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas.<\/li>\n<li>3\u00ba O disposto no\u00a0caput\u00a0deste artigo aplica-se mesmo quando as quest\u00f5es mencionadas no\u00a0art. 1.015\u00a0integrarem cap\u00edtulo da senten\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decis\u00f5es interlocut\u00f3rias que versarem sobre:<\/p>\n<p>I &#8211; tutelas provis\u00f3rias;<\/p>\n<p>II &#8211; m\u00e9rito do processo;<\/p>\n<p>III &#8211; rejei\u00e7\u00e3o da alega\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem;<\/p>\n<p>IV &#8211; incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica;<\/p>\n<p>V &#8211; rejei\u00e7\u00e3o do pedido de gratuidade da justi\u00e7a ou acolhimento do pedido de sua revoga\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>VI &#8211; exibi\u00e7\u00e3o ou posse de documento ou coisa;<\/p>\n<p>VII &#8211; exclus\u00e3o de litisconsorte;<\/p>\n<p>VIII &#8211; rejei\u00e7\u00e3o do pedido de limita\u00e7\u00e3o do litiscons\u00f3rcio;<\/p>\n<p>IX &#8211; admiss\u00e3o ou inadmiss\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o de terceiros;<\/p>\n<p>X &#8211; concess\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o do efeito suspensivo aos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>XI &#8211; redistribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova nos termos do\u00a0art. 373, \u00a7 1\u00ba\u00a0;<\/p>\n<p>XII &#8211; (VETADO);<\/p>\n<p>XIII &#8211; outros casos expressamente referidos em lei.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Tamb\u00e9m caber\u00e1 agravo de instrumento contra decis\u00f5es interlocut\u00f3rias proferidas na fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a ou de cumprimento de senten\u00e7a, no processo de execu\u00e7\u00e3o e no processo de invent\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222250\"><\/a>5.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cab\u00edvel o agravo de instrumento?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Para o STJ, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n<p>O C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, em seu art. 203, conceitua senten\u00e7a como &#8220;o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, p\u00f5e fim \u00e0 fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execu\u00e7\u00e3o&#8221; e, de modo residual, decis\u00e3o interlocut\u00f3ria como &#8220;todo pronunciamento judicial de natureza decis\u00f3ria que n\u00e3o se enquadre&#8221; no conceito de senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Ademais, <u>\u00e9 cedi\u00e7o que as regras insertas no artigo 1.015 da Lei n. 13.105\/2015 (C\u00f3digo de Processo Civil), passaram a restringir a interposi\u00e7\u00e3o do agravo de instrumento a um rol taxativo de hip\u00f3teses de cabimento<\/u>.<\/p>\n<p>De modo inovador, o novel diploma prev\u00ea as interlocut\u00f3rias de m\u00e9rito, qualificadas pela doutrina como o pronunciamento judicial que, sem estar nominado como senten\u00e7a, resolve parcialmente o \u00e2mago na controv\u00e9rsia, sem encerrar o processo, e desafia a interposi\u00e7\u00e3o de agravo de instrumento.<\/p>\n<p><strong>Na hip\u00f3tese de rejei\u00e7\u00e3o de ato autocompositivo das partes, o juiz proferir\u00e1 decis\u00e3o que versa inequivocamente sobre o m\u00e9rito do processo, posto que, se o chancelar, resolve o m\u00e9rito, mediante ato judicial qualificado como senten\u00e7a e pass\u00edvel de apela\u00e7\u00e3o<\/strong> (arts. 203, \u00a71\u00ba e 1.009 do CPC\/2015).<\/p>\n<p><u>O indeferimento do pedido de extin\u00e7\u00e3o consensual do conflito manifesta pronunciamento jurisdicional que encarna, em sua ess\u00eancia, natureza decis\u00f3ria, sem, no entanto, enquadrar-se como senten\u00e7a<\/u>. Esta \u00e9, ali\u00e1s, a defini\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o interlocut\u00f3ria atribu\u00edda pelo legislador.<\/p>\n<p>Assim, por n\u00e3o extinguir o processo, admite perfeitamente a interposi\u00e7\u00e3o de agravo de instrumento, hip\u00f3tese taxativamente prevista no inciso II do art. 1.015 do C\u00f3digo de Processual Civil, segundo o qual cabe agravo de instrumento contra as decis\u00f5es interlocut\u00f3rias que versarem sobre o m\u00e9rito do processo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222251\"><\/a>5.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A decis\u00e3o que deixa de homologar pedido de extin\u00e7\u00e3o consensual da lide retrata decis\u00e3o interlocut\u00f3ria de m\u00e9rito a admitir recorribilidade por agravo de instrumento, interposto com fulcro no art. 1.015, II, do CPC\/2015.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222252\"><\/a>6.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de substitu\u00eddos em cada cumprimento de senten\u00e7a nas a\u00e7\u00f5es coletivas<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Nas a\u00e7\u00f5es coletivas \u00e9 poss\u00edvel a limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de substitu\u00eddos em cada cumprimento de senten\u00e7a, por aplica\u00e7\u00e3o extensiva do art. 113, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n<p>REsp 1.947.661-RS, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 23\/09\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222253\"><\/a>6.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em determinado cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o coletiva, o juiz Dr. Creisson vedou a forma\u00e7\u00e3o de litiscons\u00f3rcio ativo e determinou a distribui\u00e7\u00e3o de um processo por benefici\u00e1rio do t\u00edtulo judicial.<\/p>\n<p>Inconformados, os autores interpuseram agravo de instrumento contra a decis\u00e3o, mas o Tribunal de Justi\u00e7a local manteve a referida decis\u00e3o, por entender ser prerrogativa do juiz limitar o litiscons\u00f3rcio facultativo quando este comprometer a r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio ou dificultar a defesa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222254\"><\/a>6.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222255\"><\/a>6.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC:<\/p>\n<p>Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando:<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba O juiz poder\u00e1 limitar o litiscons\u00f3rcio facultativo quanto ao n\u00famero de litigantes na fase de conhecimento, na liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a ou na execu\u00e7\u00e3o, quando este comprometer a r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da senten\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n<p>Art. 90. Aplicam-se \u00e0s a\u00e7\u00f5es previstas neste t\u00edtulo as normas do C\u00f3digo de Processo Civil e da Lei n\u00b0 7.347, de 24 de julho de 1985, inclusive no que respeita ao inqu\u00e9rito civil, naquilo que n\u00e3o contrariar suas disposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Art. 95. Em caso de proced\u00eancia do pedido, a condena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gen\u00e9rica, fixando a responsabilidade do r\u00e9u pelos danos causados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222256\"><\/a>6.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Poss\u00edvel a limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de substitu\u00eddos?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente, n\u00e3o se olvida que a jurisprud\u00eancia do STJ, \u00e0 luz do CPC\/1973, registra compreens\u00e3o no sentido da impossibilidade de limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de litigantes no caso de substitui\u00e7\u00e3o processual, em a\u00e7\u00e3o de conhecimento (REsp 1.213.710\/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8\/2\/2011).<\/p>\n<p>Essa impossibilidade tinha fundamento no fato de que, em se tratando de substitui\u00e7\u00e3o processual, o substituto \u00e9 parte no processo e atua em nome pr\u00f3prio na defesa de direitos alheios.<\/p>\n<p>Todavia, <strong>com o advento do novo CPC, houve sens\u00edvel altera\u00e7\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o processual<\/strong>, pois, consoante o art. 113, \u00a7 1\u00ba, do CPC, &#8220;<u>O juiz poder\u00e1 limitar o litiscons\u00f3rcio facultativo quanto ao n\u00famero de litigantes na fase de conhecimento, na liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a ou na execu\u00e7\u00e3o, quando este comprometer a r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da senten\u00e7a<\/u>.&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, al\u00e9m de permitir a possibilidade de limita\u00e7\u00e3o de litigantes em v\u00e1rias fases processuais, sendo o caso de substitui\u00e7\u00e3o processual, <strong>ainda que a senten\u00e7a tenha sido favor\u00e1vel a todos os substitu\u00eddos, n\u00e3o lhe subtrai a natureza gen\u00e9rica<\/strong>, nos termos do art. 95 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/p>\n<p>De fato, na fase de cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o coletiva relativa a direitos individuais homog\u00eaneos, <u>n\u00e3o se est\u00e1 mais diante de uma atua\u00e7\u00e3o uniforme do substituto processual em prol dos substitu\u00eddos<\/u>, mas de uma demanda em que \u00e9 necess\u00e1ria a INDIVIDUALIZA\u00c7\u00c3O de cada um dos benefici\u00e1rios do t\u00edtulo judicial, bem como dos respectivos cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Nesse contexto &#8211; ainda que se possa afirmar que n\u00e3o h\u00e1 litisconsortes facultativos, por se tratar de hip\u00f3tese de substitui\u00e7\u00e3o processual -, \u00e9 poss\u00edvel a limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de substitu\u00eddos em cada cumprimento de senten\u00e7a, por aplica\u00e7\u00e3o extensiva do art. 113, \u00a7 1\u00ba, do CPC.<\/p>\n<p>Com efeito, em que pese ao referido dispositivo se referir apenas a litisconsortes, \u00e9 fato que o C\u00f3digo de Ritos n\u00e3o disciplina o procedimento espec\u00edfico das a\u00e7\u00f5es coletivas. Assim, n\u00e3o \u00e9 correto afastar a incid\u00eancia desse preceito normativo simplesmente por n\u00e3o haver refer\u00eancia expressa ao instituto da substitui\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n<p>Ademais, o pr\u00f3prio C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC), em seu art. 90, prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o supletiva do C\u00f3digo de Processo Civil. Destarte, por n\u00e3o haver previs\u00e3o expressa no CDC ou em nenhuma outra lei que componha o microsistema dos processos coletivos vedando a limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de substitu\u00eddos por cumprimento de senten\u00e7a, deve ser admitida a aplica\u00e7\u00e3o do art. 113, \u00a7 1\u00ba, do CPC.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222257\"><\/a>6.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nas a\u00e7\u00f5es coletivas \u00e9 poss\u00edvel a limita\u00e7\u00e3o do n\u00famero de substitu\u00eddos em cada cumprimento de senten\u00e7a, por aplica\u00e7\u00e3o extensiva do art. 113, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222258\"><\/a>7.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (I)Licitude da comprova\u00e7\u00e3o, em agravo interno, da tempestividade do recurso especial na hip\u00f3tese de ilegibilidade do carimbo de protocolo<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 l\u00edcita a comprova\u00e7\u00e3o, em agravo interno, da tempestividade do recurso especial na hip\u00f3tese de ilegibilidade do carimbo de protocolo.<\/p>\n<p>EDcl no AgInt no REsp 1.880.778-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/09\/2021, DJe 01\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222259\"><\/a>7.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No \u00e2mbito de a\u00e7\u00e3o coletiva para defesa de direitos individuais homog\u00eaneos, o TJPR negou provimento ao agravo de instrumento interposto. Da decis\u00e3o, a autora interp\u00f4s recurso especial, mas este n\u00e3o foi conhecido em raz\u00e3o de sua INTEMPESTIVIDADE. Inconformada, a parte interp\u00f4s agravo interno e posteriormente embargos declarat\u00f3rios, nos quais comprovou a tempestividade do recurso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222260\"><\/a>7.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222261\"><\/a>7.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 L\u00edcita a comprova\u00e7\u00e3o da tempestividade em agravo interno?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>T\u00e1 valendo!<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 DEVER da parte, constatada a ilegibilidade do carimbo de protocolo, providenciar certid\u00e3o da secretaria de protocolo do Tribunal de origem para possibilitar a verifica\u00e7\u00e3o da tempestividade recursal.<\/p>\n<p><u>Na hip\u00f3tese de reconhecimento, por meio de decis\u00e3o monocr\u00e1tica, da intempestividade de recurso especial em virtude de carimbo de protocolo ileg\u00edvel, a primeira oportunidade para manifesta\u00e7\u00e3o das partes \u00e9 o agravo interno<\/u>.<\/p>\n<p><strong>Se o carimbo de protocolo e a digitaliza\u00e7\u00e3o &#8211; atos a serem praticados pelo Poder Judici\u00e1rio &#8211; ocorrem no instante ou ap\u00f3s a interposi\u00e7\u00e3o do recurso, n\u00e3o h\u00e1 como se exigir da parte que, no ato da interposi\u00e7\u00e3o<\/strong>, comprove eventual v\u00edcio que, a rigor, naquele momento, sequer existe.<\/p>\n<p>\u00c9 imperioso concluir que \u00e9 l\u00edcita a comprova\u00e7\u00e3o, em agravo interno, da tempestividade de recurso especial na hip\u00f3tese de ilegibilidade de carimbo de protocolo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222262\"><\/a>7.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00edcita a comprova\u00e7\u00e3o, em agravo interno, da tempestividade do recurso especial na hip\u00f3tese de ilegibilidade do carimbo de protocolo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222263\"><\/a>8.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (I)Legitimidade do MP para promover a tutela coletiva de direitos individuais homog\u00eaneos de natureza dispon\u00edvel<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico possui legitimidade para promover a tutela coletiva de direitos individuais homog\u00eaneos, mesmo que de natureza dispon\u00edvel, desde que o interesse jur\u00eddico tutelado possua relevante natureza social. E na hip\u00f3tese de defesa do direito do consumidor, a relev\u00e2ncia social \u00e9 INTR\u00cdNSECA, por possuir rela\u00e7\u00e3o direta com o pr\u00f3prio desenvolvimento e bem-estar da sociedade.<\/p>\n<p>REsp 1.585.794-MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/09\/2021, DJe 01\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222264\"><\/a>8.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O MP mineiro ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em face de Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do Bairro Capim Alto que estaria realizando cobran\u00e7as indevidas de taxas de manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os j\u00e1 prestados pelo Poder P\u00fablico, tais como capina de passeios, limpeza de rua, seguran\u00e7a, entre outros.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o Ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia julgou extinto o processo, nos termos do art. 267, VI, do CPC\/1973, acolhendo o argumento da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores de car\u00eancia de a\u00e7\u00e3o, por ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico, decis\u00e3o mantida pelo Tribunal local que entendeu inexistente a relev\u00e2ncia social a justificar a legitimidade ativa do MP.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222265\"><\/a>8.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222266\"><\/a>8.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O MP det\u00e9m legitimidade para tanto?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>\u00d3bvio&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia jur\u00eddica diz respeito \u00e0 legitimidade do Minist\u00e9rio P\u00fablico para promover a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em defesa dos direitos de propriet\u00e1rios de im\u00f3veis, devido \u00e0 cobran\u00e7a de taxas por associa\u00e7\u00e3o de moradores.<\/p>\n<p>Segundo a jurisprud\u00eancia do STJ, o Minist\u00e9rio P\u00fablico possui legitimidade para promover a tutela coletiva de direitos individuais homog\u00eaneos, mesmo que de natureza dispon\u00edvel, desde que o interesse jur\u00eddico tutelado possua relevante natureza social.<\/p>\n<p>Em recente decis\u00e3o da Quarta Turma foi firmado o entendimento de que, <strong>na hip\u00f3tese de defesa do direito do consumidor, a relev\u00e2ncia social \u00e9 INTR\u00cdNSECA, por possuir rela\u00e7\u00e3o direta com o pr\u00f3prio desenvolvimento e bem-estar da sociedade<\/strong>.<\/p>\n<p>Sob a \u00f3tica objetiva e subjetiva da relev\u00e2ncia social, verifica-se que, no caso, n\u00e3o se busca defender bens ou valores essenciais \u00e0 sociedade, tais como o direito ao meio ambiente equilibrado, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura ou \u00e0 sa\u00fade, nem se pretende tutelar direito de vulner\u00e1vel, como o consumidor, o portador de necessidade especial, o ind\u00edgena, o idoso ou o menor de idade.<\/p>\n<p>Assim, a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica tem por finalidade apenas evitar a cobran\u00e7a de taxas, supostamente ilegais, por espec\u00edfica associa\u00e7\u00e3o de moradores. Nessa perspectiva, <u>n\u00e3o transcende a esfera de interesses puramente particulares e, consequentemente, n\u00e3o possui a relev\u00e2ncia social exigida para a tutela coletiva<\/u>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222267\"><\/a>8.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico possui legitimidade para promover a tutela coletiva de direitos individuais homog\u00eaneos, mesmo que de natureza dispon\u00edvel, desde que o interesse jur\u00eddico tutelado possua relevante natureza social.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222268\"><\/a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222269\"><\/a>9.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta \u2013 CPRB e base de c\u00e1lculo do PIS e da COFINS<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Os valores recolhidos a t\u00edtulo de Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB integram a base de c\u00e1lculo do PIS e da COFINS.<\/p>\n<p>REsp 1.945.068-RS, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF da 5\u00aa Regi\u00e3o), Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222270\"><\/a>9.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Luigi recorreu da decis\u00e3o do Tribunal\u00a0Regional\u00a0Federal da 4a\u00a0Regi\u00e3o, alegando que a CPRB n\u00e3o comporia a base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins. Para o contribuinte, a CPRB n\u00e3o representaria um acr\u00e9scimo patrimonial e, portanto, n\u00e3o poderia ser inclu\u00edda na base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Entretanto, o\u00a0Tribunal firmou entendimento em sentido contr\u00e1rio, raz\u00e3o que motivou a interposi\u00e7\u00e3o de recurso especial por parte do contribuinte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222271\"><\/a>9.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222272\"><\/a>9.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CTN:<\/p>\n<p>Art. 110. A lei tribut\u00e1ria n\u00e3o pode alterar a defini\u00e7\u00e3o, o conte\u00fado e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, pelas Constitui\u00e7\u00f5es dos Estados, ou pelas Leis Org\u00e2nicas do Distrito Federal ou dos Munic\u00edpios, para definir ou limitar compet\u00eancias tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CF:<\/p>\n<p>Art. 150. Sem preju\u00edzo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, \u00e9 vedado \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Munic\u00edpios:<\/p>\n<p>I &#8211; exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabele\u00e7a;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222273\"><\/a>9.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A CPRB integra a base de c\u00e1lculo de PIS e da COFINS?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Destaque-se, inicialmente, que os casos id\u00eanticos at\u00e9 ent\u00e3o submetidos \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do STJ n\u00e3o estavam sendo conhecidos sob o fundamento de que, apesar de constar de lei federal, a defini\u00e7\u00e3o de faturamento e receita bruta para delimitar a base de c\u00e1lculo do PIS\/COFINS tem \u00edndole constitucional, at\u00e9 mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alegada ofensa ao art. 110 do CTN.<\/p>\n<p>Todavia, o STF, ao analisar o RE 1.244.117 RG\/SC (Tema 1.111), firmou a seguinte tese: &#8220;<u>\u00c9 infraconstitucional a ela se aplicando os efeitos da aus\u00eancia de repercuss\u00e3o geral, a controv\u00e9rsia relativa \u00e0 inclus\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria substitutiva incidente sobre a receita bruta (CPRB) na base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS<\/u>&#8221; (Min. Relator Dias Toffoli, publicado em 26.2.2021).<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 base de c\u00e1lculo do PIS e da COFINS, os arts. 1\u00ba, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, das Leis n. 10.637\/2002 e 10.833\/2003, disp\u00f5em que <u>as referidas contribui\u00e7\u00f5es sociais incidem sobre o total das receitas auferidas no m\u00eas pela contribuinte, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977 e as demais receitas, excluindo-se apenas as receitas taxativamente elencadas em lei<\/u>.<\/p>\n<p>Da interpreta\u00e7\u00e3o LITERAL das normas que regem a mat\u00e9ria em debate, constata-se que &#8220;os tributos incidentes sobre a receita bruta &#8211; dentre os quais se inclui a CPRB &#8211; devem compor a receita bruta, que consiste na base de c\u00e1lculo das referidas contribui\u00e7\u00f5es, de modo que a inclus\u00e3o da CPRB na base de c\u00e1lculo do PIS e da COFINS est\u00e1 de acordo com o princ\u00edpio da legalidade tribut\u00e1ria (artigo 150, I, da CF)&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Suprema Corte, analisando caso similar no julgamento do RE 1.187.264 RG\/SP (Tema 1.048), entendeu pela constitucionalidade da inclus\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os-ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta-CPRB.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, em adi\u00e7\u00e3o aos fundamentos constitucionais, a quest\u00e3o foi analisada \u00e0 luz do art. 12 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.973\/2014, que trouxe a defini\u00e7\u00e3o de receita bruta e l\u00edquida para fins de incid\u00eancia tribut\u00e1ria, prevalecendo a orienta\u00e7\u00e3o de que a receita bruta compreende os tributos sobre ela incidentes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222274\"><\/a>9.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os valores recolhidos a t\u00edtulo de Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB integram a base de c\u00e1lculo do PIS e da COFINS.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222275\"><\/a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222276\"><\/a>10.\u00a0 Participa\u00e7\u00e3o do trabalhador no aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o\/transporte e base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O valor correspondente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do trabalhador no aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o ou aux\u00edlio transporte, descontado do sal\u00e1rio do trabalhador, deve integrar a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal.<\/p>\n<p>REsp 1.928.591-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222277\"><\/a>10.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Alinorte Alimentos impetrou Mandado de Seguran\u00e7a com objetivo de reconhecer a inexigibilidade das contribui\u00e7\u00f5es sociais incidentes sobre a folha de sal\u00e1rios, destinadas ao INSS, ao SAT e a terceiros (outras entidades e fundos), sobre os descontos de vale transporte, vale-refei\u00e7\u00e3o e vale-alimenta\u00e7\u00e3o fornecidos pela empresa para os seus funcion\u00e1rios, bem como a devolu\u00e7\u00e3o dos valores pagos indevidamente a contar dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O TRF local indeferiu o pleito em rela\u00e7\u00e3o ao aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o, mas excluiu da incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a rubrica referente \u00e0 verba aux\u00edlio-transporte por entender tratar-se de verba indenizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222278\"><\/a>10.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222279\"><\/a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei 8.212\/1991:<\/p>\n<p>Art. 22. A contribui\u00e7\u00e3o a cargo da empresa, destinada \u00e0 Seguridade Social, al\u00e9m do disposto no art. 23, \u00e9 de:\u00a0<\/p>\n<p>I &#8211; vinte por cento sobre o total das remunera\u00e7\u00f5es pagas, devidas ou creditadas a qualquer t\u00edtulo, durante o m\u00eas, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem servi\u00e7os, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos servi\u00e7os efetivamente prestados, quer pelo tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do empregador ou tomador de servi\u00e7os, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de conven\u00e7\u00e3o ou acordo coletivo de trabalho ou senten\u00e7a normativa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Art. 28. Entende-se por sal\u00e1rio-de-contribui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>5\u00ba O limite m\u00e1ximo do sal\u00e1rio-de-contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma \u00e9poca e com os mesmos \u00edndices que os do reajustamento dos benef\u00edcios de presta\u00e7\u00e3o continuada da Previd\u00eancia Social.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222280\"><\/a>10.2.2. O valor da participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores dos dois \u201caux\u00edlios\u201d deve integrar a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o patronal?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Discute-se se o valor correspondente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do trabalhador no aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o ou aux\u00edlio transporte, descontado do seu sal\u00e1rio, deve ou n\u00e3o integrar a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, nos termos do art. 22 da Lei 8.212\/1991.<\/p>\n<p>Busca-se, na hip\u00f3tese, o reconhecimento da inexigibilidade da contribui\u00e7\u00e3o patronal, dos valores descontados dos empregados a t\u00edtulo de Vale-Transporte<strong>,<\/strong>\u00a0Vale-Refei\u00e7\u00e3o e Vale-Alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O STJ consolidou firme jurisprud\u00eancia no sentido de que n\u00e3o sofrem a incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria &#8220;as import\u00e2ncias pagas a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o correspondam a servi\u00e7os prestados nem a tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do empregador&#8221; (REsp 1.230.957\/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe 18\/3\/2014, submetido ao art. 543-C do CPC).<\/p>\n<p>Por outro lado, se a verba trabalhista possuir natureza remunerat\u00f3ria, destinando-se a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o. O mesmo racioc\u00ednio se aplica \u00e0 RAT e \u00e0 Contribui\u00e7\u00e3o devidas a Terceiros.<\/p>\n<p>No caso em quest\u00e3o, <u>o fato de os valores descontados aos empregados correspondentes \u00e0 participa\u00e7\u00e3o deles no custeio do vale-transporte, aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio-sa\u00fade\/odontol\u00f3gico ser retida pelo empregador n\u00e3o retira a titularidade dos empregados de tais verbas remunerat\u00f3rias<\/u>.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 a incid\u00eancia de desconto para fins de coparticipa\u00e7\u00e3o dos empregados porque os valores pagos pelo empregador, os quais ingressam com natureza de sal\u00e1rio-de-contribui\u00e7\u00e3o, antes se incorporaram ao patrim\u00f4nio jur\u00eddico do empregado, para s\u00f3 ent\u00e3o serem destinado \u00e0 coparticipa\u00e7\u00e3o das referidas verbas.<\/p>\n<p>Outrossim, <strong>os valores descontados aos empregados correspondentes \u00e0 participa\u00e7\u00e3o deles no custeio do vale-transporte, aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio- sa\u00fade\/odontol\u00f3gico n\u00e3o constam no rol das verbas que n\u00e3o integram o conceito de sal\u00e1rio-de-contribui\u00e7\u00e3o<\/strong>, listadas no \u00a7 9\u00b0 do art. 28 da Lei n. 8.212\/1991. Por consequ\u00eancia, e por possuir natureza remunerat\u00f3ria, devem constituir a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e da RAT a cargo da empresa.<\/p>\n<p>O STJ, quando do julgamento do REsp 1.902.565\/PR, Rel. Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, DJe 7\/4\/2021, fixou que o montante retido a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria comp\u00f5e a remunera\u00e7\u00e3o do empregado, de modo que deve integrar a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal, da contribui\u00e7\u00e3o ao SAT\/RAT (art. 22, II, da Lei n. 8.212\/1991) e das contribui\u00e7\u00f5es sociais devidas a terceiros.<\/p>\n<p><u>\u00c9 que pretens\u00e3o de exclus\u00e3o da cota do empregado da base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o do empregador levaria, necessariamente, \u00e0 exclus\u00e3o do imposto de renda retido na fonte e, posteriormente, \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o do conceito de remunera\u00e7\u00e3o bruta em remunera\u00e7\u00e3o l\u00edquida, ao arrepio da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia<\/u>.<\/p>\n<p>Ademais, no referido julgamento do REsp 1.902.565\/PR foi apontado e se aplica ao caso presente o fato de que: &#8220;A rigor, o que pretende a parte recorrente \u00e9 que o tributo incida, n\u00e3o sobre a remunera\u00e7\u00e3o bruta, conforme previsto no art. 22, I, da Lei n. 8.212\/1991, mas sobre a remunera\u00e7\u00e3o l\u00edquida. O racioc\u00ednio, levado ao extremo, conduziria a perplexidades que bem demonstram o desacerto da tese. Primeiro, a exclus\u00e3o do montante retido a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria do empregado permitiria concluir que tamb\u00e9m o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) n\u00e3o integraria a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o, aproximando-a, ainda mais, da remunera\u00e7\u00e3o l\u00edquida. E, segundo, a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o patronal, observado o art. 28, \u00a7 5\u00ba, da Lei n. 8.212\/1991, seria inferior \u00e0 base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria do empregado, em potencial viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da equidade na forma de custeio, nos termos do art. 194, par\u00e1grafo \u00fanico, V, da Constitui\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc2640174\"><\/a><a name=\"_Toc2640357\"><\/a><a name=\"_Toc2640184\"><\/a><a name=\"_Toc2640379\"><\/a><a name=\"_Toc85222281\"><\/a>10.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O valor correspondente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do trabalhador no aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o ou aux\u00edlio transporte, descontado do sal\u00e1rio do trabalhador, deve integrar a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222282\"><\/a>DIREITO PENAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222283\"><\/a>11.\u00a0 Hist\u00f3rico do ato infracional e afastamento da minorante do art. 33, \u00a7 4.\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O hist\u00f3rico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do art. 33, \u00a7 4.\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, por meio de fundamenta\u00e7\u00e3o id\u00f4nea que aponte a exist\u00eancia de circunst\u00e2ncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pret\u00e9ritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razo\u00e1vel proximidade temporal com o crime em apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>EREsp 1.916.596-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 08\/09\/2021, DJe 04\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222284\"><\/a>11.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Clementino foi condenado pelo crime de tr\u00e1fico de drogas do art. 33 da Lei 11.343\/2006 em raz\u00e3o de ter sido apreendido consigo significativa quantidade de <em>crack<\/em>. No entanto, sua defesa interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o para que fosse reconhecida a modalidade de tr\u00e1fico privilegiado prevista no \u00a74\u00ba do mesmo dispositivo legal.<\/p>\n<p>Inconformado, o MP interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustentou que a exist\u00eancia de prova de pr\u00e1tica de atos infracionais por Clementino, embora n\u00e3o caracterizem reincid\u00eancia ou maus antecedentes, evidenciariam dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades criminosas, de modo a justificar a negativa da minorante.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222285\"><\/a>11.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222286\"><\/a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei de Drogas:<\/p>\n<p>Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor \u00e0 venda, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar:<\/p>\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.<\/p>\n<ul>\n<li>4\u00ba Nos delitos definidos no caput e no \u00a7 1\u00ba deste artigo, as penas poder\u00e3o ser reduzidas de um sexto a dois ter\u00e7os,\u00a0vedada a convers\u00e3o em penas restritivas de direitos\u00a0,\u00a0desde que o agente seja prim\u00e1rio, de bons antecedentes, n\u00e3o se dedique \u00e0s atividades criminosas nem integre organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente:<\/p>\n<p>Art. 122. A medida de interna\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 ser aplicada quando:<\/p>\n<p>I &#8211; tratar-se de ato infracional cometido mediante grave amea\u00e7a ou viol\u00eancia a pessoa;<\/p>\n<p>II &#8211; por reitera\u00e7\u00e3o no cometimento de outras infra\u00e7\u00f5es graves;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222287\"><\/a>11.2.2. A minorante pode ser afastada devido ao hist\u00f3rico de ato infracional?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim sinh\u00f4!!!<\/strong><\/p>\n<p>O cerne da controv\u00e9rsia existente entre as Turmas que comp\u00f5em a Terceira Se\u00e7\u00e3o desta Corte cinge-se, em s\u00edntese, a saber se a exist\u00eancia de ato(s) infracional(is) pode ser sopesada para fins de comprovar a dedica\u00e7\u00e3o do r\u00e9u a atividades criminosas e, por conseguinte, de impedir a incid\u00eancia da causa especial de diminui\u00e7\u00e3o de pena prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei de Drogas.<\/p>\n<p><strong>Embora atos infracionais praticados na adolesc\u00eancia n\u00e3o constituam crime na acep\u00e7\u00e3o normativa do termo, n\u00e3o h\u00e1 como se olvidar que eles s\u00e3o &#8211; e acredito ser isso um consenso &#8211; fatos contr\u00e1rios ao Direito e implicam, sim, consequ\u00eancias jur\u00eddicas, inclusive a possibilidade de interna\u00e7\u00e3o do menor<\/strong>. Isso, por si s\u00f3, j\u00e1 seria suficiente para nos levar \u00e0 seguinte reflex\u00e3o: o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente n\u00e3o permite a interna\u00e7\u00e3o quando tratar-se de ato infracional que n\u00e3o tenha sido cometido mediante grave amea\u00e7a ou viol\u00eancia a pessoa (art. 122, I), mas possibilita, sim, a imposi\u00e7\u00e3o dessa medida mais gravosa quando o adolescente praticar ato infracional n\u00e3o violento de forma reiterada (art. 122, II). Veja-se, portanto, que a reitera\u00e7\u00e3o no cometimento de outras infra\u00e7\u00f5es graves j\u00e1 permite uma solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica mais dr\u00e1stica para o adolescente infrator.<\/p>\n<p>Quando esse indiv\u00edduo completa 18 anos de idade &#8211; e, portanto, torna-se imput\u00e1vel -, essa mesma conduta deixa de ser considerada ato infracional e passa a ser, em seu sentido t\u00e9cnico-jur\u00eddico, classificada como crime. No entanto, do ponto de vista da ess\u00eancia do fato, n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre ambos, porque o fato, objetivamente <u>analisado, \u00e9 o mesmo.<\/u><\/p>\n<p><u>Diante de tais considera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se v\u00ea \u00f3bice a que a exist\u00eancia de atos infracionais possa, com base peculiaridades do caso concreto, ser considerada elemento apto a evidenciar a dedica\u00e7\u00e3o do acusado a atividades criminosas<\/u>, at\u00e9 porque esses atos n\u00e3o estar\u00e3o sendo sopesados para um agravamento da pena do r\u00e9u, mas para lhe negar a possibilidade de ser beneficiado com uma redu\u00e7\u00e3o em sua reprimenda.<\/p>\n<p>\u00c9 de rigor consignar, ainda, que uma interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006 \u00e0 luz da pol\u00edtica criminal de drogas institu\u00edda pelo Sistema Nacional de Pol\u00edticas P\u00fablicas sobre Drogas &#8211; Sisnad permite inferir que o esp\u00edrito da norma contida no referido dispositivo de lei \u00e9 o de beneficiar o agente iniciante na vida criminosa, que n\u00e3o faz do il\u00edcito sua atividade profissional. Se o intuito foi esse, inequivocamente a orienta\u00e7\u00e3o normativa pretendeu afastar o benef\u00edcio \u00e0queles que possuem um passado crimin\u00f3geno e que, constantemente, incorrem na pr\u00e1tica il\u00edcita e j\u00e1 tiveram envolvimento com o narcotr\u00e1fico e\/ou com il\u00edcitos que, n\u00e3o raro, est\u00e3o a ele interligados (como delitos patrimoniais, homic\u00eddio, associa\u00e7\u00e3o criminosa etc.).<\/p>\n<p>Ademais, se a natureza do instituto em an\u00e1lise \u00e9 justamente tratar com menor rigor o indiv\u00edduo que se envolve circunstancialmente com o tr\u00e1fico de drogas &#8211; e que, portanto, n\u00e3o possui maior envolvimento com o narcotr\u00e1fico ou habitualidade na pr\u00e1tica delitiva -, n\u00e3o parece razo\u00e1vel punir um jovem de 18 ou 19 anos de idade, sem nenhum passado crimin\u00f3geno e sem nenhum registro contra si, da mesma forma e com igual intensidade daquele indiv\u00edduo que, quando adolescente, cometeu reiteradas vezes atos infracionais graves ou atos infracionais equivalentes a tr\u00e1fico de drogas. Se assim o fiz\u00e9ssemos, estar\u00edamos afrontando o princ\u00edpio da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e o pr\u00f3prio princ\u00edpio da igualdade.<\/p>\n<p><u>Ainda, \u00e9 imperioso salientar que o registro de que tais elementos &#8211; atos infracionais &#8211; pode afastar o redutor n\u00e3o por aus\u00eancia de preenchimento dos dois primeiros requisitos elencados pelo legislador &#8211; quais sejam, a primariedade e a exist\u00eancia de bons antecedentes -, mas pelo descumprimento do terceiro requisito exigido pela lei, que \u00e9 a aus\u00eancia de dedica\u00e7\u00e3o do acusado a atividades criminosas.<\/u><\/p>\n<p>Em outros termos, embora seja evidente que n\u00e3o possamos considerar atos infracionais como antecedentes penais e muito menos como reincid\u00eancia, n\u00e3o se v\u00ea raz\u00f5es para desconsiderar todo o passado de atua\u00e7\u00e3o de um adolescente contr\u00e1rio ao Direito para concluir pela sua dedica\u00e7\u00e3o a atividades delituosas. N\u00e3o h\u00e1 impedimento, portanto, a que se considere fatos da vida real para esse fim.<\/p>\n<p>Ademais, exigir a exist\u00eancia de pr\u00e9vio cometimento de crime e de pr\u00e9via imposi\u00e7\u00e3o de pena para fins de justificar o afastamento do redutor em quest\u00e3o acaba, em \u00faltima an\u00e1lise, esvaziando o pr\u00f3prio conceito de dedica\u00e7\u00e3o a atividades criminosas. Isso porque, se houver tr\u00e2nsito em julgado de condena\u00e7\u00e3o por crime praticado anteriormente, ent\u00e3o essa condena\u00e7\u00e3o anterior j\u00e1 se enquadra ou no conceito de maus antecedentes ou no de reincid\u00eancia. Assim, considerando que n\u00e3o h\u00e1 palavras in\u00fateis na lei, por certo que o legislador quis abarcar situa\u00e7\u00e3o diversa ao prever a impossibilidade de concess\u00e3o do benef\u00edcio \u00e0queles indiv\u00edduos que se dedicam a atividades criminosas.<\/p>\n<p>Portanto, a tese que se prop\u00f5e, para fins de sanar a controv\u00e9rsia existente entre as Turmas que integram a Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ \u00e9 a de ser poss\u00edvel, sim, sopesar a exist\u00eancia de ato(s) infracional(is) para fins de comprovar a dedica\u00e7\u00e3o do r\u00e9u a atividades criminosas e, por conseguinte, impedir a incid\u00eancia da causa especial de diminui\u00e7\u00e3o de pena prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei de Drogas.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 todo e qualquer ato infracional praticado pelo acusado quando ainda adolescente que poder\u00e1, automaticamente, render-lhe a negativa de incid\u00eancia do redutor previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, at\u00e9 porque justi\u00e7a penal n\u00e3o se faz por atacado e sim artesanalmente, examinando-se atentamente cada caso para dele extra\u00edrem-se todas as suas especificidades, de modo a torn\u00e1-lo singular e, portanto, a merecer provid\u00eancia adequada e necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9, pois, necess\u00e1rio que, no caso concreto, se identifique: 1\u00ba) se o(s) ato(s) infracional(is) foi(ram) grave(s); 2\u00ba) se o(s) ato(s) infracional(is) est\u00e1(\u00e3o) documentado(s) nos autos, de sorte a n\u00e3o pairar d\u00favidas sobre o reconhecimento judicial de sua ocorr\u00eancia; 3\u00ba) a dist\u00e2ncia temporal entre o(s) ato(s) infracional(is) e o crime que deu origem ao processo no qual se est\u00e1 a decidir sobre a possibilidade de incid\u00eancia ou n\u00e3o do redutor, ou seja, se o(s) ato(s) infracional(is) n\u00e3o est\u00e1(\u00e3o) muito distante(s) no tempo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a esse terceiro ponto, semelhante proposta \u00e9 o que esta Corte tem adotado, por exemplo, ao fazer alus\u00e3o ao direito ao esquecimento para afastar condena\u00e7\u00e3o muito antiga a t\u00edtulo de maus antecedentes (v. g., AgRg no REsp n. 1.875.382\/MG, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6\u00aa T., DJe 29\/10\/2020). Seguindo o mesmo racioc\u00ednio, entendo n\u00e3o ser poss\u00edvel sopesar a exist\u00eancia de atos infracionais muito antigos para, sem nenhuma pondera\u00e7\u00e3o sobre as circunst\u00e2ncias do caso concreto, impedir o reconhecimento da minorante.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222288\"><\/a>11.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do art. 33, \u00a7 4.\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, por meio de fundamenta\u00e7\u00e3o id\u00f4nea que aponte a exist\u00eancia de circunst\u00e2ncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pret\u00e9ritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razo\u00e1vel proximidade temporal com o crime em apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222289\"><\/a>12.\u00a0 Livramento condicional e limite temporal do art. 75 do CP<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Aplica-se o limite temporal previsto no art. 75 do C\u00f3digo Penal (limita\u00e7\u00e3o em 30 e agora 40 anos) ao apenado em livramento condicional.<\/p>\n<p>REsp 1.922.012-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222290\"><\/a>12.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Dr. Creisson, juiz da vara de execu\u00e7\u00f5es penais, indeferiu o pedido de extin\u00e7\u00e3o da pena imposta a Jac\u00f3, embora atingido o limite de 30 anos disposto no artigo 75 do C\u00f3digo Penal \u2013 CP, uma vez que o apenado se encontrava em livramento condicional.<\/p>\n<p>Jac\u00f3 ent\u00e3o interp\u00f4s agravo em execu\u00e7\u00e3o, o qual foi provido pelo Tribunal de Justi\u00e7a local para declara extinta a pena com base no alcance do limite temporal previsto no art. 75 do CP. Inconformado, o MP interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que o limite de 30 anos disposto no art. 75 do CP, agora, com as altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n. 13.964\/2019, 40 anos, produziria seus efeitos somente em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo em que o apenado esteve recolhido ao sistema prisional, ou seja, com sua liberdade tolhida, n\u00e3o abrangendo o lapso temporal em que esteve gozando do benef\u00edcio do livramento condicional.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222291\"><\/a>12.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222292\"><\/a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CP:<\/p>\n<p>Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade n\u00e3o pode ser superior a 40 (quarenta) anos<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite m\u00e1ximo deste artigo.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>2\u00ba &#8211; Sobrevindo condena\u00e7\u00e3o por fato posterior ao in\u00edcio do cumprimento da pena, far-se-\u00e1 nova unifica\u00e7\u00e3o, desprezando-se, para esse fim, o per\u00edodo de pena j\u00e1 cumprido.\u00a0\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>LEP:<\/p>\n<p>Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei:<\/p>\n<p>II &#8211; o liberado condicional, durante o per\u00edodo de prova.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222293\"><\/a>12.2.2. Aplica-se o limite temporal mesmo se o apenado estiver em condicional?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente cumpre salientar que, no caso em tela, o Juiz da Execu\u00e7\u00e3o Penal havia negado a extin\u00e7\u00e3o da pena, eis que entendeu inaplic\u00e1vel a considera\u00e7\u00e3o do tempo em livramento condicional para alcance do limite do art. 75 do CP.<\/p>\n<p>Deve ser sopesado que <u>o art. 75 do CP decorre de balizamento da dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima das penas privativas de liberdade<\/u>, em aten\u00e7\u00e3o ao disposto na Emenda Constitucional n. 1 de 17\/10\/1969 que editou o novo texto da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 24\/01\/1967.<\/p>\n<p>Analisando-se a legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional, tem-se que o livramento condicional \u00e9 um instituto jur\u00eddico positivado, tanto no CP (arts. 83 a 90) quanto na Lei n. 7.210\/1984 (Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal &#8211; LEP) (arts. 131 a 146), a ser aplicado ao apenado para que ele fique solto, mediante condi\u00e7\u00f5es, por um tempo determinado e denominado de &#8220;per\u00edodo de prova&#8221; (art. 26, II, da LEP), com a finalidade de extinguir a pena privativa de liberdade. Ultrapassado o per\u00edodo de prova, ou seja, n\u00e3o revogado o livramento condicional, encerra-se seu per\u00edodo declarando-se extinta a pena privativa de liberdade.<\/p>\n<p><strong>Embora n\u00e3o se extraia da leitura dos dispositivos legais expressamente o prazo de dura\u00e7\u00e3o do livramento condicional, \u00e9 pac\u00edfica a compreens\u00e3o de que o tempo em livramento condicional corresponder\u00e1 ao mesmo tempo restante da pena privativa de liberdade a ser cumprida<\/strong>. Inclusive e em refor\u00e7o de tal compreens\u00e3o, o CP e a LEP disp\u00f5em que o tempo em livramento condicional ser\u00e1 computado como tempo de cumprimento de pena caso o motivo de revoga\u00e7\u00e3o do livramento condicional decorra de infra\u00e7\u00e3o penal anterior \u00e0 vig\u00eancia do referido instituto.<\/p>\n<p>Com o norte nos princ\u00edpios da ISONOMIA e da RAZOABILIDADE, podemos afirmar que <u>o instituto do livramento condicional deve produzir os mesmos efeitos para quaisquer dos apenados que nele ingressem e tais efeitos n\u00e3o devem ser alterados no decorrer do per\u00edodo de prova<\/u>, ressalvado o regramento legal a respeito da revoga\u00e7\u00e3o, devendo o t\u00e9rmino do prazo do livramento condicional coincidir com o alcance do limite do art. 75 do CP.<\/p>\n<p>Logo, em aten\u00e7\u00e3o ao tratamento ison\u00f4mico, o efeito ordin\u00e1rio do livramento condicional (um dia em livramento condicional equivale a um dia de pena privativa de liberdade), aplicado ao apenado em pena inferior ao limite do art. 75 do CP, deve ser aplicado em pena privativa de liberdade superior ao referido limite legal. Sob outra \u00f3tica, princ\u00edpio da razoabilidade, n\u00e3o se pode exigir, do mesmo apenado em livramento condicional sob mesmas condi\u00e7\u00f5es, mais do que um dia em livramento condicional para descontar um dia de pena privativa de liberdade, em raz\u00e3o apenas de estar cumprindo pena privativa de liberdade inferior ou superior ao limite do art. 75 do CP.<\/p>\n<p>Assim, o Juiz da Execu\u00e7\u00e3o Penal, para conceder o livramento condicional, observar\u00e1 a pena privativa de liberdade resultante de senten\u00e7a(s) condenat\u00f3ria(s). Alcan\u00e7ado o requisito objetivo para fins de concess\u00e3o do livramento condicional, a dura\u00e7\u00e3o dele (o per\u00edodo de prova) ser\u00e1 correspondente ao restante de pena privativa de liberdade a cumprir, limitada ao disposto no art. 75 do CP.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222294\"><\/a>12.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Aplica-se o limite temporal previsto no art. 75 do C\u00f3digo Penal ao apenado em livramento condicional.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222295\"><\/a>13.\u00a0 Excesso de exa\u00e7\u00e3o por mera interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da norma tribut\u00e1ria<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A mera interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da norma tribut\u00e1ria n\u00e3o configura o crime de excesso de exa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>REsp 1.943.262-SC, Rel. Min. Ant\u00f4nio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222296\"><\/a>13.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Astolfo, rec\u00e9m nomeado titular do of\u00edcio de registro de im\u00f3veis de certo Munic\u00edpio, exigiu emolumentos indevidos na presta\u00e7\u00e3o de cinco servi\u00e7os registrais, cobran\u00e7as essas que superavam o valor limite permitido na \u00e9poca. Por tais cobran\u00e7as, Astolfo foi denunciado pelo crime de excesso de exa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, sua defesa alega que o texto da lei estadual que dispunha sobre a cobran\u00e7a de emolumentos nos casos em que constavam, em um dos lados negociais, duas ou mais pessoas, era extremamente <u>vago e impreciso<\/u>, sem indica\u00e7\u00e3o clara sobre se a cobran\u00e7a deveria ser por ato negocial ou por atos registrais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222297\"><\/a>13.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222298\"><\/a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n<p>Art. 316 &#8211; Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da fun\u00e7\u00e3o ou antes de assumi-la, mas em raz\u00e3o dela, vantagem indevida:<\/p>\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.<\/p>\n<p><strong>Excesso de exa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba &#8211; Se o funcion\u00e1rio exige tributo ou contribui\u00e7\u00e3o social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobran\u00e7a meio vexat\u00f3rio ou gravoso, que a lei n\u00e3o autoriza:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222299\"><\/a>13.2.2. A interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da legisla\u00e7\u00e3o configura excesso de exa\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n<p>O tipo do art. 316, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Penal, pune o excesso na cobran\u00e7a pontual de tributos (exa\u00e7\u00e3o), seja por n\u00e3o ser devido o tributo, ou por valor acima do correto, ou, ainda, por meio vexat\u00f3rio ou gravoso, ou sem autoriza\u00e7\u00e3o legal. Ademais, <u>o elemento subjetivo do crime \u00e9 o dolo, consistente na vontade do agente de exigir tributo ou contribui\u00e7\u00e3o que sabe ou deveria saber indevido<\/u>, ou, ainda, de empregar meio vexat\u00f3rio ou gravoso na cobran\u00e7a de tributo ou contribui\u00e7\u00e3o devidos.<\/p>\n<p>E, consoante a doutrina, &#8220;<strong>se a d\u00favida \u00e9 escus\u00e1vel diante da complexidade de determinada lei tribut\u00e1ria, n\u00e3o se configura o delito<\/strong>&#8220;. Outrossim, ressalta-se que &#8220;tampouco existe crime quando o agente encontra-se em erro, equivocando-se na interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das normas tribut\u00e1rias que instituem e regulam a obriga\u00e7\u00e3o de pagar&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse palmilhar, a relev\u00e2ncia t\u00edpica da conduta prevista no art. 316, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Penal depende da constata\u00e7\u00e3o de que o agente atuou com consci\u00eancia e vontade de exigir tributo acerca do qual tinha ou deveria ter ci\u00eancia de ser indevido. Deve o titular da a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica, portanto, demonstrar que o sujeito ativo moveu-se para exigir o pagamento do tributo que sabia ou deveria saber indevido. Na d\u00favida, o dolo n\u00e3o pode ser presumido, pois isso significaria atribuir responsabilidade penal objetiva ao registrador que interprete equivocadamente a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>No caso, <strong>os elementos constantes do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido evidenciam que o texto da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia de custas e emolumentos \u00e0 \u00e9poca dos fatos provocava dificuldade exeg\u00e9tica<\/strong>, dando margem a INTERPRETA\u00c7\u00d5ES DIVERSAS, <u>tanto nos cart\u00f3rios do Estado, quanto dentro da pr\u00f3pria Corregedoria<\/u>, <u>composta por especialistas na aplica\u00e7\u00e3o da norma em refer\u00eancia<\/u>. Desse modo, a tese defensiva de que &#8220;a obscuridade da lei n\u00e3o permitia precisar a exata forma de cobran\u00e7a dos emolumentos cartor\u00e1rios no caso especificado pela den\u00fancia&#8221; revela-se coerente com a prova dos autos.<\/p>\n<p>Ademais, frisa-se que os elementos probat\u00f3rios delineados pela Corte de origem evidenciam que, embora o r\u00e9u possa ter cobrado de forma err\u00f4nea os emolumentos, o fez por mero erro de interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria no tocante ao m\u00e9todo de c\u00e1lculo do tributo, e n\u00e3o como resultado de conduta criminosa. Temer\u00e1ria, portanto, a sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena de 4 anos de reclus\u00e3o e \u00e0 gravosa perda do cargo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Outrossim, oportuno relembrar que, no RHC n. 44.492\/SC, interposto nesta Corte, a defesa pretendeu o trancamento desta a\u00e7\u00e3o ainda em sua fase inicial. A em. Ministra Laurita Vaz, relatora do feito, abra\u00e7ou a tese defensiva assentando que &#8220;n\u00e3o basta a ocorr\u00eancia de eventual cobran\u00e7a indevida de emolumentos, no caso, em valores maiores do que os presumidamente devidos, para a configura\u00e7\u00e3o do crime de excesso de exa\u00e7\u00e3o previsto no \u00a7 1.\u00ba do art. 316 do C\u00f3digo Penal, o que pode ocorrer, por exemplo, por mera interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da norma de reg\u00eancia ou pela aus\u00eancia desta, a ensejar diferentes entendimentos ou mesmo s\u00e9rias d\u00favidas de como deve ser cobrado tal ou qual servi\u00e7o cartorial. \u00c9 mister que haja o v\u00ednculo subjetivo (dolo) animando a conduta do agente.&#8221;<\/p>\n<p>E arrematou que &#8220;a iniciativa de acionar o aparato Estatal para persecu\u00e7\u00e3o criminal de titular de cart\u00f3rio, para punir suposta m\u00e1-cobran\u00e7a de emolumentos, em um contexto em que se constatam fundadas d\u00favidas, e ainda sem a indica\u00e7\u00e3o clara do dolo do agente, se apresenta,\u00a0<em>concessa venia<\/em>, absolutamente desproporcional e desarrazoada, infligindo inaceit\u00e1vel constrangimento ilegal ao acusado.&#8221; (RHC n. 44.492\/SC, relatora Ministra LAURITA VAZ, relator para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro MOURA RIBEIRO, QUINTA TURMA, julgado em 21\/8\/2014, DJe 19\/11\/2014).<\/p>\n<p>A em. relatora ficou vencida, decidindo a Turma, por maioria, pelo prosseguimento da a\u00e7\u00e3o penal em desfile, desfecho esse que desconsiderou que, <strong>em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima, o Direito Penal deve manter-se subsidi\u00e1rio e fragment\u00e1rio, e somente deve ser aplicado quando estritamente necess\u00e1rio ao combate a comportamentos indesejados<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o havendo previs\u00e3o para a puni\u00e7\u00e3o do crime em tela na modalidade culposa e n\u00e3o demonstrado o dolo do agente de exigir tributo que sabia ou deveria saber indevido, \u00e9 invi\u00e1vel a perfeita subsun\u00e7\u00e3o da conduta ao delito previsto no \u00a7 1\u00ba do art. 316 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222300\"><\/a>13.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A mera interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da norma tribut\u00e1ria n\u00e3o configura o crime de excesso de exa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc85222301\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222302\"><\/a>14.\u00a0 Firmeza do magistrado na condu\u00e7\u00e3o do julgamento e quebra da imparcialidade dos jurados<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n<p>A firmeza do magistrado presidente na condu\u00e7\u00e3o do julgamento n\u00e3o acarreta, necessariamente, a quebra da imparcialidade dos jurados.<\/p>\n<p>HC 694.450-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 05\/10\/2021, DJe 08\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222303\"><\/a>14.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Arno foi condenado pelo crime de homic\u00eddio. Inconformada, sua defesa impetrou Habeas Corpus no qual sustenta que a postura do juiz-presidente influenciou os \u00e2nimos dos jurados contra o acusado, al\u00e9m de ter, supostamente, cometido atos atentat\u00f3rios ao exerc\u00edcio da garantia constitucional da plenitude de defesa durante a sess\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222304\"><\/a>14.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222305\"><\/a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n<p>\u00a0Art. 497.\u00a0 S\u00e3o atribui\u00e7\u00f5es do juiz presidente do Tribunal do J\u00fari, al\u00e9m de outras expressamente referidas neste C\u00f3digo<\/p>\n<p>I \u2013 regular a pol\u00edcia das sess\u00f5es e prender os desobedientes<\/p>\n<p>II \u2013 requisitar o aux\u00edlio da for\u00e7a p\u00fablica, que ficar\u00e1 sob sua exclusiva autoridade:<\/p>\n<p>III \u2013 dirigir os debates, intervindo em caso de abuso, excesso de linguagem ou mediante requerimento de uma das partes<\/p>\n<p>IV \u2013 resolver as quest\u00f5es incidentes que n\u00e3o dependam de pronunciamento do j\u00fari:<\/p>\n<p>V \u2013 nomear defensor ao acusado, quando consider\u00e1-lo indefeso, podendo, neste caso, dissolver o Conselho e designar novo dia para o julgamento, com a nomea\u00e7\u00e3o ou a constitui\u00e7\u00e3o de novo defensor:<\/p>\n<p>VI \u2013 mandar retirar da sala o acusado que dificultar a realiza\u00e7\u00e3o do julgamento, o qual prosseguir\u00e1 sem a sua presen\u00e7a:<\/p>\n<p>VII \u2013 suspender a sess\u00e3o pelo tempo indispens\u00e1vel \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o das dilig\u00eancias requeridas ou entendidas necess\u00e1rias, mantida a incomunicabilidade dos jurados;<\/p>\n<p>VIII \u2013 interromper a sess\u00e3o por tempo razo\u00e1vel, para proferir senten\u00e7a e para repouso ou refei\u00e7\u00e3o dos jurados;<\/p>\n<p>IX \u2013 decidir, de of\u00edcio, ouvidos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a defesa, ou a requerimento de qualquer destes, a arg\u00fci\u00e7\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o de punibilidade;<\/p>\n<p>X \u2013 resolver as quest\u00f5es de direito suscitadas no curso do julgamento;<\/p>\n<p>XI \u2013 determinar, de of\u00edcio ou a requerimento das partes ou de qualquer jurado, as dilig\u00eancias destinadas a sanar nulidade ou a suprir falta que prejudique o esclarecimento da verdade;<\/p>\n<p>XII \u2013 regulamentar, durante os debates, a interven\u00e7\u00e3o de uma das partes, quando a outra estiver com a palavra, podendo conceder at\u00e9 3 (tr\u00eas) minutos para cada aparte requerido, que ser\u00e3o acrescidos ao tempo desta \u00faltima.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Art.\u00a0563.\u00a0\u00a0Nenhum ato ser\u00e1 declarado nulo, se da nulidade n\u00e3o resultar preju\u00edzo para a acusa\u00e7\u00e3o ou para a defesa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222306\"><\/a>14.2.2. A \u201cfirmeza\u201d do juiz acarreta a imparcialidade dos jurados?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Em absoluto!!!<\/strong><\/p>\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o ao art. 497 do C\u00f3digo de Processo Penal, tem-se que, <strong>no procedimento relativo aos processos da compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, o magistrado presidente n\u00e3o \u00e9 mero espectador inerte do julgamento, possuindo, n\u00e3o apenas o direito, mas o dever de conduzi-lo de forma eficiente e isenta na busca da verdade real dos fatos<\/strong>, em aten\u00e7\u00e3o a eventual abuso de uma das partes durante os debates.<\/p>\n<p>Com efeito<u>, n\u00e3o h\u00e1 falar em excesso de linguagem do Juiz presidente, quando, no exerc\u00edcio de suas atribui\u00e7\u00f5es na condu\u00e7\u00e3o do julgamento, interv\u00e9m t\u00e3o somente para fazer cessar os excessos e abusos cometidos pela defesa<\/u> durante a sess\u00e3o plen\u00e1ria e esclarecer fatos n\u00e3o relacionados com a materialidade ou a autoria dos diversos crimes imputados ao paciente.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que o STJ j\u00e1 se manifestou no sentido de que a firmeza do magistrado presidente na condu\u00e7\u00e3o do julgamento n\u00e3o acarreta, necessariamente, a quebra da imparcialidade dos jurados, somente sendo poss\u00edvel a anula\u00e7\u00e3o do julgamento se o preju\u00edzo \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 defesa for isento de d\u00favidas, nos termos do artigo 563 do CPP.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222307\"><\/a>14.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A firmeza do magistrado presidente na condu\u00e7\u00e3o do julgamento n\u00e3o acarreta, necessariamente, a quebra da imparcialidade dos jurados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc85222308\"><\/a>15.\u00a0 Inexist\u00eancia material ou negativa de autoria e mitiga\u00e7\u00e3o das independ\u00eancias das inst\u00e2ncias<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DECLARAD\u00d3RIOS NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n<p>A independ\u00eancia das inst\u00e2ncias deve ser mitigada quando, nos casos de inexist\u00eancia material ou de negativa de autoria, o mesmo fato for provado na esfera administrativa, mas n\u00e3o o for na esfera criminal. Logo, quando o \u00fanico fato que motivou a penalidade administrativa resultou em absolvi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito criminal, ainda que por aus\u00eancia de provas, a autonomia das esferas h\u00e1 que ceder espa\u00e7o \u00e0 coer\u00eancia que deve existir entre as decis\u00f5es sancionat\u00f3rias.<\/p>\n<p>AgRg nos EDcl no HC 601.533-SP, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 21\/09\/2021, DJe 01\/10\/2021. (Info 712)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222309\"><\/a>15.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Caruso teve a si imposta uma penalidade administrativa por falta grave durante o cumprimento de sua pena em raz\u00e3o de suposta conduta irregular consistente em posse de aparelho celular em estabelecimento prisional. Ocorre que o fato que motivou a penalidade administrativa resultou em absolvi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito criminal, por <u>aus\u00eancia de provas<\/u>.<\/p>\n<p>Agora, a defesa de Caruso impetra Habeas Corpus no qual sustenta que a absolvi\u00e7\u00e3o na esfera criminal deveria interferir no \u00e2mbito administrativo, tese refutada pelo juiz da execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc85222310\"><\/a>15.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222311\"><\/a>15.2.1. Poss\u00edvel a mitiga\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia entre as inst\u00e2ncias?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>A absolvi\u00e7\u00e3o criminal s\u00f3 afasta a responsabilidade administrativa quando restar proclamada a inexist\u00eancia do fato ou de autoria.<\/p>\n<p>Embora <strong>n\u00e3o se possa negar a independ\u00eancia entre as esferas<\/strong> &#8211; segundo a qual, em tese, admite-se repercuss\u00e3o da absolvi\u00e7\u00e3o penal nas demais inst\u00e2ncias apenas nos casos de inexist\u00eancia material ou de negativa de autoria -, n\u00e3o h\u00e1 como ser mantida a incoer\u00eancia de se ter o mesmo fato por n\u00e3o provado na esfera criminal e por provado na esfera administrativa.<\/p>\n<p>Assim<u>, quando o \u00fanico fato que motivou a penalidade administrativa resultou em absolvi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito criminal, ainda que por aus\u00eancia de provas, a autonomia das esferas h\u00e1 que ceder espa\u00e7o \u00e0 coer\u00eancia que deve existir entre as decis\u00f5es sancionat\u00f3rias<\/u>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc85222312\"><\/a>15.2.2. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A independ\u00eancia das inst\u00e2ncias deve ser mitigada quando, nos casos de inexist\u00eancia material ou de negativa de autoria, o mesmo fato for provado na esfera administrativa, mas n\u00e3o o for na esfera criminal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n<!-- wp:file {\"id\":892368,\"href\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/10\/25105345\/stj-712.pdf\",\"displayPreview\":true} -->\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/10\/25105345\/stj-712.pdf\">stj-712<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/10\/25105345\/stj-712.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n<!-- \/wp:file -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 712 do STJ COMENTADO pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! 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