{"id":798739,"date":"2021-07-19T23:15:25","date_gmt":"2021-07-20T02:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=798739"},"modified":"2021-07-19T23:15:26","modified_gmt":"2021-07-20T02:15:26","slug":"informativo-stj-701-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-701-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 701 Comentado"},"content":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 701 do STJ <strong>COMENTADO<\/strong> pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n<p><!-- \/wp:post-content --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph {\"align\":\"center\",\"fontSize\":\"huge\"} --><\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-huge-font-size\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/07\/19231507\/stj-701.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_W_U7YdJYX9Q\"><div id=\"lyte_W_U7YdJYX9Q\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/W_U7YdJYX9Q\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/W_U7YdJYX9Q\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/W_U7YdJYX9Q\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624034\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624035\"><\/a>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ajuizamento de um segundo processo de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o e novas custas judiciais<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O ajuizamento de um segundo processo de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o \u00e9 fato gerador de novas custas judiciais, independentemente da desist\u00eancia nos primeiros antes de realizada a cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>REsp 1.893.966-SP, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgada em 08\/06\/2021, DJe de 16\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624036\"><\/a>1.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tecnofloor ajuizou embargos de execu\u00e7\u00e3o em uma certa execu\u00e7\u00e3o fiscal movida pelo Estado de S\u00e3o Paulo, por\u00e9m, os embargos foram interpostos prematuramente, antes que a execu\u00e7\u00e3o fiscal de origem estivesse garantida, raz\u00e3o pela qual optou pela desist\u00eancia.<\/p>\n<p>Posteriormente, j\u00e1 com a quest\u00e3o da garantia regularizada, ajuizou novos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, deixou de recolher as custas iniciais e quis \u201caproveitar\u201d a guia de custas paga e j\u00e1 utilizada na a\u00e7\u00e3o anterior. O Ju\u00edzo de primeiro grau n\u00e3o aceitou as custas juntadas aos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, decis\u00e3o mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a Local.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624037\"><\/a>1.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624038\"><\/a>1.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC:<\/p>\n<p>Art. 84. As despesas abrangem as custas dos atos do processo, a indeniza\u00e7\u00e3o de viagem, a remunera\u00e7\u00e3o do assistente t\u00e9cnico e a di\u00e1ria de testemunha.<\/p>\n<p>Art. 90. Proferida senten\u00e7a com fundamento em desist\u00eancia, em ren\u00fancia ou em reconhecimento do pedido, as despesas e os honor\u00e1rios ser\u00e3o pagos pela parte que desistiu, renunciou ou reconheceu.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624039\"><\/a>1.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 V\u00e1lido o aproveitamento das custas anteriormente pagas?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!<\/strong><\/p>\n<p>O art. 90 do CPC estabelece a responsabilidade pelas despesas processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios em caso de desist\u00eancia e ren\u00fancia, nos seguintes termos: Proferida senten\u00e7a com fundamento em desist\u00eancia, em ren\u00fancia ou em reconhecimento do pedido, as despesas e os honor\u00e1rios ser\u00e3o pagos pela parte que desistiu, renunciou ou reconheceu.<\/p>\n<p>Por seu turno, o art. 84 do CPC assim estabelece o que pode ser inclu\u00eddo na categoria &#8220;despesa processual&#8221;: As despesas abrangem as custas dos atos do processo, a indeniza\u00e7\u00e3o de viagem, a remunera\u00e7\u00e3o do assistente t\u00e9cnico e a di\u00e1ria de testemunha.<\/p>\n<p>Dessa forma<u>, no g\u00eanero despesas, podem ser inclu\u00eddas diversas verbas: indeniza\u00e7\u00e3o de viagem, remunera\u00e7\u00e3o do assistente t\u00e9cnico, di\u00e1ria de testemunha e as custas judiciais, que t\u00eam natureza jur\u00eddica de taxa<\/u>.<\/p>\n<p>Portanto, <strong>as custas representam um tributo<\/strong>. A aparente confus\u00e3o ocorre por algumas legisla\u00e7\u00f5es estaduais utilizarem o termo gen\u00e9rico &#8220;custas&#8221;, outro, por\u00e9m, empregarem duas rubricas: custas e taxa judici\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como se sabe, o tributo taxa pode ser cobrado em raz\u00e3o do exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ou em raz\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico efetivamente prestado ou colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do contribuinte.<\/p>\n<p>Ora, ao se ajuizar determinada demanda, d\u00e1-se in\u00edcio ao processo. O encerramento desse processo exige a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico judicial, ainda que n\u00e3o se analise o m\u00e9rito da causa.<\/p>\n<p>Assim, o fato de em um primeiro processo de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal ter gerado desist\u00eancia sem a cita\u00e7\u00e3o da parte contr\u00e1ria n\u00e3o afasta a necessidade de recolhimento das &#8220;custas&#8221; com o ajuizamento de novos embargos porque o servi\u00e7o p\u00fablico foi prestado e estava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do contribuinte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>com o ajuizamento da demanda, j\u00e1 existe rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica processual, ainda que linea<\/strong>r. A cita\u00e7\u00e3o da parte apontada para figurar no polo passivo apenas tem o cond\u00e3o de ampliar a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Logo, j\u00e1 h\u00e1 processo e j\u00e1 existe presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico. Por conseguinte, o ajuizamento de um segundo processo de embargos gera um novo fato gerador do tributo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624040\"><\/a>1.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O ajuizamento de um segundo processo de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o \u00e9 fato gerador de novas custas judiciais, independentemente da desist\u00eancia nos primeiros antes de realizada a cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624041\"><\/a>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Veda\u00e7\u00e3o ao ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse de im\u00f3vel na pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria envolvendo o mesmo bem<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 vedado o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse de im\u00f3vel na pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria envolvendo o mesmo bem.<\/p>\n<p>REsp 1.909.196-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021, DJe 17\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624042\"><\/a>2.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Joana e Caio ajuizaram a\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o de posse em face de Tadeu, uma vez que o casal exerce posse de certo im\u00f3vel h\u00e1 mais de 20 anos, tendo-o adquirido mediante contrato de cess\u00e3o de direitos possess\u00f3rios. No entanto, afirmam que Tadeu os tem amea\u00e7ado para que saiam do im\u00f3vel, se dizendo o real propriet\u00e1rio do bem.<\/p>\n<p>Por sua vez, Tadeu, uma vez citado, sustentou ter adquirido o im\u00f3vel em 28\/11\/2017, em leil\u00e3o promovido pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, que, de seu turno, teria obtido a plena propriedade do bem ap\u00f3s o inadimplemento do financiamento imobili\u00e1rio firmado pelo dono anterior, garantido por cl\u00e1usula de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apresentar contesta\u00e7\u00e3o no processo, Tadeu tamb\u00e9m ajuizou a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse do im\u00f3vel em quest\u00e3o, sendo ambos os feitos reunidos para julgamento conjunto, com fundamento na conex\u00e3o. Na sequ\u00eancia, foi proferida senten\u00e7a conjunta que julgou improcedente o pedido possess\u00f3rio e procedente o pedido da a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse.<\/p>\n<p>Inconformado, o casal interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta a veda\u00e7\u00e3o, na pend\u00eancia de processo possess\u00f3rio, de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o objetivando o reconhecimento do dom\u00ednio, como \u00e9 o caso da a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624043\"><\/a>2.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624044\"><\/a>2.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/15:<\/p>\n<p>Art. 557. Na pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria \u00e9 vedado, tanto ao autor quanto ao r\u00e9u, propor a\u00e7\u00e3o de reconhecimento do dom\u00ednio, exceto se a pretens\u00e3o for deduzida em face de terceira pessoa.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. N\u00e3o obsta \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o ou \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o de posse a alega\u00e7\u00e3o de propriedade ou de outro direito sobre a coisa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624045\"><\/a>2.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Poss\u00edvel o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noops!!!<\/strong><\/p>\n<p>Nos termos do art. 557 do CPC\/15, <u>&#8220;na pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria \u00e9 vedado, tanto ao autor quanto ao r\u00e9u, propor a\u00e7\u00e3o de reconhecimento do dom\u00ednio, exceto se a pretens\u00e3o for deduzida em face de terceira pessoa<\/u>&#8220;.<\/p>\n<p>O mencionado dispositivo legal estabelece a IMPOSSIBILIDADE de debater-se o dom\u00ednio enquanto pende discuss\u00e3o acerca da posse, <strong>deixando evidente, assim, a cl\u00e1ssica concep\u00e7\u00e3o de que a posse \u00e9 direito aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade e, portanto, deve ser objeto de tutela jurisdicional espec\u00edfica.<\/strong><\/p>\n<p>Cabe salientar que a proibi\u00e7\u00e3o do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o petit\u00f3ria enquanto pendente a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria n\u00e3o limita o exerc\u00edcio dos direitos constitucionais de propriedade e de a\u00e7\u00e3o, mas vem ao prop\u00f3sito da garantia constitucional e legal de que a propriedade deve cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o social, representando uma mera condi\u00e7\u00e3o suspensiva do exerc\u00edcio do direito de a\u00e7\u00e3o fundada na propriedade.<\/p>\n<p>Apesar de seu nomen iuris, a a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse \u00e9 a\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio, por meio da qual o propriet\u00e1rio, ou o titular de outro direito real sobre a coisa, pretende obter a posse nunca exercida. Semelhantemente \u00e0 a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, a a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o funda-se no direito \u00e0 posse que decorre da propriedade ou de outro direito real (jus possidendi), e n\u00e3o na posse em si mesmo considerada, como uma situa\u00e7\u00e3o de fato a ser protegida juridicamente contra atentados praticados por terceiros (jus possessionis).<\/p>\n<p>Assim, a a\u00e7\u00e3o petit\u00f3ria ajuizada na pend\u00eancia da lide possess\u00f3ria deve ser extinta sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, por lhe faltar pressuposto negativo de constitui\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento v\u00e1lido do processo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624046\"><\/a>2.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 vedado o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de imiss\u00e3o na posse de im\u00f3vel na pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria envolvendo o mesmo bem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624047\"><\/a>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Des)Obrigatoriedade de litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio dos copropriet\u00e1rios do im\u00f3vel em a\u00e7\u00e3o demolit\u00f3ria<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Em a\u00e7\u00e3o demolit\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade de litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio dos copropriet\u00e1rios do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>REsp 1.721.472-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624048\"><\/a>3.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Chico e Lurdes, casados, resolveram construir um terra\u00e7o com churrasqueira para a realiza\u00e7\u00e3o de festas. Ocorre que, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o em si se mostrar irregular, o barulho proveniente das festas quase di\u00e1rias incomodava os vizinhos, dentre eles Andr\u00e9ia.<\/p>\n<p>Andr\u00e9ia ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fazer em desfavor de Lurdes e Chico. O ju\u00edzo de primeiro grau julgou parcialmente procedente a demanda para condenar os r\u00e9us a se absterem de realizar qualquer atividade apta a produzir barulho que ultrapasse os limites permitidos pela legisla\u00e7\u00e3o distrital para \u00e1rea residencial e a demolir as obras realizadas, eliminando o terra\u00e7o e a churrasqueira, no prazo de 30 dias ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Ocorre que o im\u00f3vel em que foram realizadas as obras \u00e9 de copropriedade de J\u00falio, que foi admitido no processo como assistente simples, mas que interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando a necessidade de forma\u00e7\u00e3o de litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio em a\u00e7\u00e3o real demolit\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624049\"><\/a>3.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624050\"><\/a>3.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC:<\/p>\n<p>Art. 114. O litiscons\u00f3rcio ser\u00e1 necess\u00e1rio por disposi\u00e7\u00e3o de lei ou quando, pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica controvertida, a efic\u00e1cia da senten\u00e7a depender da cita\u00e7\u00e3o de todos que devam ser litisconsortes.<\/p>\n<p>Art. 116. O litiscons\u00f3rcio ser\u00e1 unit\u00e1rio quando, pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o juiz tiver de decidir o m\u00e9rito de modo uniforme para todos os litisconsortes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624051\"><\/a>3.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Obrigat\u00f3rio o litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noops!!!<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o disposto no artigo 114 do CPC, &#8220;o litiscons\u00f3rcio ser\u00e1 necess\u00e1rio por disposi\u00e7\u00e3o de lei ou quando, pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica controvertida, a efic\u00e1cia da senten\u00e7a depender da cita\u00e7\u00e3o de todos que devam ser litisconsortes&#8221;. Por sua vez, segundo o artigo 116 do mesmo diploma, &#8220;o litiscons\u00f3rcio ser\u00e1 unit\u00e1rio quando, pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o juiz tiver de decidir o m\u00e9rito de modo uniforme para todos os litisconsortes&#8221;.<\/p>\n<p>A partir dessas regras, conclui-se que <u>o litiscons\u00f3rcio ser\u00e1 necess\u00e1rio quando a lei determinar ou quando for unit\u00e1rio.<\/u><\/p>\n<p>A estreita rela\u00e7\u00e3o entre o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio e o unit\u00e1rio fez com que o CPC\/1973, em seu artigo 47, tratasse de ambos conjuntamente: &#8220;H\u00e1 litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, quando, por disposi\u00e7\u00e3o de lei ou pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes; caso em que a efic\u00e1cia da senten\u00e7a depender\u00e1 da cita\u00e7\u00e3o de todos os litisconsortes no processo&#8221;.<\/p>\n<p>Em a\u00e7\u00e3o demolit\u00f3ria, como na hip\u00f3tese, n\u00e3o se discute a propriedade do im\u00f3vel, caso em que, dada a incindibilidade do direito material, os demais propriet\u00e1rios deveriam necessariamente integrar a rela\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio \u00e9 consequ\u00eancia natural da efetiva\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o judicial que imp\u00f4s aos r\u00e9us a obriga\u00e7\u00e3o de demolir as benfeitorias e acess\u00f5es erigidas ilicitamente.<\/p>\n<p>Portanto, na condi\u00e7\u00e3o de copropriet\u00e1rio, a parte sofrer\u00e1 os efeitos materiais da senten\u00e7a, mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para caracterizar o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, at\u00e9 porque o direito de propriedade permanecer\u00e1 intocado.<\/p>\n<p>Trata-se do que a doutrina denomina de efeito reflexo da senten\u00e7a, o que, a depender da intensidade, justifica o ingresso de terceiro no processo, mas n\u00e3o a obrigatoriedade do litiscons\u00f3rcio.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624052\"><\/a>3.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em a\u00e7\u00e3o demolit\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade de litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio dos copropriet\u00e1rios do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624053\"><\/a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624054\"><\/a>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Des)cabimento da reitera\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o com base no mesmo d\u00e9bito que fora objeto de compensa\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o homologada<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Descabe ao contribuinte reiterar declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o com base no mesmo d\u00e9bito que fora objeto de compensa\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o homologada.<\/p>\n<p>REsp 1.570.571-PB, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021, DJe 18\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624055\"><\/a>4.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Estaleiro Atl\u00e2ntico ajuizou mandado de seguran\u00e7a com o intuito de condenar o Fisco a processar pedido de compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria a respeito de d\u00e9bito que fora objeto de compensa\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o homologada.<\/p>\n<p>Em senten\u00e7a, a seguran\u00e7a foi concedida para se determinar \u00e0s autoridades coatoras que promovam o regular processamento da declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o apresentada, extinguindo os d\u00e9bitos sob condi\u00e7\u00e3o resolut\u00f3ria de ulterior homologa\u00e7\u00e3o, decis\u00e3o mantida pelo Tribunal Local.<\/p>\n<p>Inconformada, a Fazenda Nacional sustenta em recurso especial que o artigo 74, \u00a7 3\u00ba, inciso V, da Lei n\u00b0 9.430\/96 vedaria a reitera\u00e7\u00e3o de pedido de compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria cujo d\u00e9bito j\u00e1 tenha sido objeto de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o homologada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624056\"><\/a>4.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624057\"><\/a>4.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 9.430\/1996:<\/p>\n<p>Art. 74. O sujeito passivo que apurar cr\u00e9dito, inclusive os judiciais com tr\u00e2nsito em julgado, relativo a tributo ou contribui\u00e7\u00e3o administrado pela Secretaria da Receita Federal, pass\u00edvel de restitui\u00e7\u00e3o ou de ressarcimento, poder\u00e1 utiliz\u00e1-lo na compensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos pr\u00f3prios relativos a quaisquer tributos e contribui\u00e7\u00f5es administrados por aquele \u00d3rg\u00e3o<\/p>\n<ul>\n<li>1o A compensa\u00e7\u00e3o de que trata o caput ser\u00e1 efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declara\u00e7\u00e3o na qual constar\u00e3o informa\u00e7\u00f5es relativas aos cr\u00e9ditos utilizados e aos respectivos d\u00e9bitos compensados.<\/li>\n<li>3o Al\u00e9m das hip\u00f3teses previstas nas leis espec\u00edficas de cada tributo ou contribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e3o ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o mediante entrega, pela sujeito passivo, da declara\u00e7\u00e3o referida no \u00a7 1o:<\/li>\n<\/ul>\n<p>V &#8211; o d\u00e9bito que j\u00e1 tenha sido objeto de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o homologada, ainda que a compensa\u00e7\u00e3o se encontre pendente de decis\u00e3o definitiva na esfera administrativa;<\/p>\n<ul>\n<li>7o N\u00e3o homologada a compensa\u00e7\u00e3o, a autoridade administrativa dever\u00e1 cientificar o sujeito passivo e intim\u00e1-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ci\u00eancia do ato que n\u00e3o a homologou, o pagamento dos d\u00e9bitos indevidamente compensados.<\/li>\n<li>12. Ser\u00e1 considerada n\u00e3o declarada a compensa\u00e7\u00e3o nas hip\u00f3teses<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; previstas no \u00a7 3o deste artigo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional:<\/p>\n<p>Art. 111. Interpreta-se literalmente a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria que disponha sobre:<\/p>\n<p>I &#8211; suspens\u00e3o ou exclus\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624058\"><\/a>4.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cab\u00edvel a reitera\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o tentada?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!<\/strong><\/p>\n<p>O art. 74 da Lei n. 9.430\/1996 (na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 10.637\/2002 e Lei n. 10.833\/2003) explicita que <u>n\u00e3o poder\u00e3o ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o mediante entrega, pelo sujeito passivo, de d\u00e9bito que j\u00e1 tenha sido objeto de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o homologada, ainda que a compensa\u00e7\u00e3o se encontre pendente<\/u>. Neste ponto, a Lei n. 9.430\/1996 \u00e9 clara ao asseverar que a compensa\u00e7\u00e3o (de d\u00e9bito que j\u00e1 tenha sido objeto de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o homologada) ser\u00e1 considerada como &#8220;n\u00e3o declarada&#8221; (art. 74, \u00a7 3\u00ba, inciso V, da Lei n. 9.430\/96), e, portanto, impass\u00edvel de novo pedido de compensa\u00e7\u00e3o, independentemente da qualidade do cr\u00e9dito fiscal que seja apresentado pelo contribuinte, consoante os termos do artigo 74, \u00a7 12, inciso I, da Lei 9.430\/1996.<\/p>\n<p>Como se observa, a lei n\u00e3o concedeu margem para que se possa apresentar novos pedidos de compensa\u00e7\u00e3o sob os d\u00e9bitos fiscais que n\u00e3o foram homologados, independentemente do pedido apresentar cr\u00e9ditos distintos, porquanto em tais situa\u00e7\u00f5es, o d\u00e9bito foi considerado como &#8220;n\u00e3o declarado&#8221;, logo invi\u00e1vel de ser extinto pelo instituto da compensa\u00e7\u00e3o fiscal, consoante uma interpreta\u00e7\u00e3o restritiva imposta pelo artigo 111, inciso I, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n<p>Assim, uma vez considerado o d\u00e9bito n\u00e3o declarado, com a inviabilidade de sua compensa\u00e7\u00e3o fiscal, este passivo tribut\u00e1rio se tornar\u00e1 exig\u00edvel para a Fazenda P\u00fablica (Art. 74, \u00a7 7\u00ba, da Lei 9.430\/96), n\u00e3o podendo haver a sua extin\u00e7\u00e3o pelo instituto da compensa\u00e7\u00e3o. Portanto<strong>, relativizar tal condi\u00e7\u00e3o, mediante a apresenta\u00e7\u00e3o de outro pedido de compensa\u00e7\u00e3o, a par da exist\u00eancia de outros cr\u00e9ditos pelo sujeito passivo, permitiria ao contribuinte desvirtuar o instituto<\/strong>, ao suspender a exigibilidade do d\u00e9bito fiscal ao seu alvedrio, sempre que disponibilizasse de cr\u00e9ditos fiscais para tal miss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624059\"><\/a>4.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Descabe ao contribuinte reiterar declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o com base no mesmo d\u00e9bito que fora objeto de compensa\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o homologada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624060\"><\/a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624061\"><\/a>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Responsabilidade pelos danos sofridos por torcedores em decorr\u00eancia de atos violentos perpetrados por membros de torcida rival<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A entidade esportiva mandante do jogo responde pelos danos sofridos por torcedores em decorr\u00eancia de atos violentos perpetrados por membros de torcida rival.<\/p>\n<p>REsp 1.924.527-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021, DJe de 17\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624062\"><\/a>5.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Marcelo ajuizou a\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais em face de Caneludos F.C. pois, em dia de jogo oficial de mando deste, o ve\u00edculo de propriedade de Marcelo foi depredado por torcedores da r\u00e9 no estacionamento do est\u00e1dio de propriedade do clube.<\/p>\n<p>A senten\u00e7a julgou procedentes os pedidos, para condenar o clube ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais, decis\u00e3o mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a local.\u00a0 Inconformado, Caneludos interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta a inaplicabilidade do CDC em detrimento da lei especial, al\u00e9m de n\u00e3o ser respons\u00e1vel pelo evento danoso, haja vista que o desentendimento ocorreu em via p\u00fablica, fora do est\u00e1dio, e horas antes do in\u00edcio do jogo, de modo que n\u00e3o teria ocorrido nenhum ato il\u00edcito por parte do clube.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624063\"><\/a>5.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624064\"><\/a>5.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Estatuto de Defesa do Torcedor:<\/p>\n<p>Art. 13. O torcedor tem direito a seguran\u00e7a nos locais onde s\u00e3o realizados os eventos esportivos antes, durante e ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o das partidas.<\/p>\n<p>Art. 14. Sem preju\u00edzo do disposto nos arts. 12 a 14 da Lei n\u00ba 8.078, de 11 de setembro de 1990, a responsabilidade pela seguran\u00e7a do torcedor em evento esportivo \u00e9 da entidade de pr\u00e1tica desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, que dever\u00e3o:<\/p>\n<p>Art. 19. As entidades respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o, bem como seus dirigentes respondem solidariamente com as entidades de que trata o art. 15 e seus dirigentes, independentemente da exist\u00eancia de culpa, pelos preju\u00edzos causados a torcedor que decorram de falhas de seguran\u00e7a nos est\u00e1dios ou da inobserv\u00e2ncia do disposto neste cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624065\"><\/a>5.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A responsabilidade \u00e9 do clube mandante?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>O Estatuto de Defesa do Torcedor (EDT) foi editado com o objetivo de frear a viol\u00eancia nas pra\u00e7as esportivas, de modo a assegurar a seguran\u00e7a dos torcedores. O direito \u00e0 seguran\u00e7a nos locais dos eventos esportivos antes, durante e ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da partida est\u00e1 consagrado no art. 13 do EDT. <strong>A responsabilidade pela preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia nos esportes \u00e9 das entidades esportivas e do Poder P\u00fablico<\/strong>, os quais devem atuar de forma INTEGRADA para viabilizar a seguran\u00e7a do torcedor nas competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><u>Em caso de falha de seguran\u00e7a nos est\u00e1dios, as entidades respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o, bem como seus dirigentes responder\u00e3o solidariamente, independentemente da exist\u00eancia de culpa, pelos preju\u00edzos causados ao torcedor<\/u> (art. 19 do EDT). O art. 14 do Estatuto do Torcedor \u00e9 enf\u00e1tico ao atribuir \u00e0 entidade de pr\u00e1tica desportiva detentora do mando de jogo e a seus dirigentes a responsabilidade pela seguran\u00e7a do torcedor em evento esportivo. Assim, <strong>para despontar a responsabilidade da agremia\u00e7\u00e3o, \u00e9 suficiente a comprova\u00e7\u00e3o do dano, da falha de seguran\u00e7a e do nexo de causalidade.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo dessume-se do conte\u00fado do Estatuto em aprecia\u00e7\u00e3o, o local do evento esportivo n\u00e3o se restringe ao est\u00e1dio ou gin\u00e1sio, mas abrange tamb\u00e9m o seu entorno. Por essa raz\u00e3o, o clube mandante deve promover a seguran\u00e7a dos torcedores na chegada do evento, organizando a log\u00edstica no entorno do est\u00e1dio, de modo a proporcionar a entrada e a sa\u00edda de torcedores com celeridade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>No caso, o epis\u00f3dio violento ocorreu no entorno do est\u00e1dio, na \u00e1rea reservada especialmente aos torcedores do clube visitante. Tanto \u00e9 assim que a v\u00edtima e seus amigos conseguiram correr para dentro do est\u00e1dio para se proteger, local que tamb\u00e9m acabou sendo invadido pelos torcedores advers\u00e1rios. Sendo a \u00e1rea destinada aos torcedores da equipe visitante, o clube mandante deveria ter providenciado a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para conter conflitos entre opositores, propiciando a chegada segura dos torcedores daquela agremia\u00e7\u00e3o no local da partida. Mas n\u00e3o foi o que ocorreu, porquanto o reduzido n\u00famero de seguran\u00e7as no local n\u00e3o foi capaz de impedir a destrui\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo de uma das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Para que haja o rompimento do nexo causal, o fato de terceiro, al\u00e9m de ser a \u00fanica causa do evento danoso, n\u00e3o deve apresentar qualquer rela\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio e os riscos da atividade. Na esp\u00e9cie, n\u00e3o est\u00e1 configurada tal excludente de responsabilidade, porquanto a entidade mandante tem o dever legal de garantir a seguran\u00e7a do torcedor no interior e no entorno do est\u00e1dio antes, durante e ap\u00f3s a partida e essa obriga\u00e7\u00e3o foi descumprida pelo recorrente, \u00e0 medida em que n\u00e3o disponibilizou seguran\u00e7as em n\u00famero suficiente para permitir a chegada ao est\u00e1dio, em seguran\u00e7a, dos torcedores do time visitante, o que permitiu que eles fossem encurralados por torcedores da agremia\u00e7\u00e3o advers\u00e1ria, os quais, munidos de foguetes e bombas, depredaram o ve\u00edculo em que estavam o torcedor v\u00edtima e seus amigos.<\/p>\n<p>Ademais, frise-se que os atos de viol\u00eancia entre torcedores advers\u00e1rios s\u00e3o, lamentavelmente, eventos frequentes, estando relacionados com a atividade desempenhada pela agremia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 pertinente esclarecer que n\u00e3o se est\u00e1 admitindo a aplica\u00e7\u00e3o da teoria do risco integral \u00e0s agremia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Vale dizer, as entidades esportivas n\u00e3o responder\u00e3o por todo e qualquer dano ocorrido no entorno do local da partida. Ser\u00e1 sempre necess\u00e1rio proceder \u00e0 an\u00e1lise casu\u00edstica, de acordo com as particularidades do caso concreto, a fim de averiguar se houve defeito de seguran\u00e7a e se a situa\u00e7\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o com a atividade desempenhada pelo clube.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624066\"><\/a>5.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A entidade esportiva mandante do jogo responde pelos danos sofridos por torcedores em decorr\u00eancia de atos violentos perpetrados por membros de torcida rival.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624067\"><\/a>6.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cl\u00e1usula contratual que circunscreve e particulariza a cobertura securit\u00e1ria e abusividade<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A cl\u00e1usula contratual que circunscreve e particulariza a cobertura securit\u00e1ria n\u00e3o encerra, por si, abusividade nem indevida condi\u00e7\u00e3o potestativa por parte da seguradora.<\/p>\n<p>REsp 1.358.159-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 08\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624068\"><\/a>6.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A ANADEC, Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor, ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em face de Companhia de Seguros Brasileira, sob o fundamento da suposta ilegalidade das hip\u00f3teses de exclus\u00e3o contratual, que exoneram a seguradora de indenizar o segurado inv\u00e1lido acidentalmente em decorr\u00eancia de h\u00e9rnia, parto, aborto, perturba\u00e7\u00f5es e intoxica\u00e7\u00f5es alimentares ou choque anafil\u00e1tico e suas consequ\u00eancias, a teor dos artigos 60 e 51 do CDC.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi julgada procedente pelo juiz de primeiro grau para declarar a nulidade das cl\u00e1usulas combatidas, por\u00e9m, o Tribunal de Justi\u00e7a local reformou a decis\u00e3o por entender que se a exclus\u00e3o dos citados riscos se encontra expressamente prevista nas condi\u00e7\u00f5es gerais do contrato, n\u00e3o haveria que se falar em abusividade por parte da seguradora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624069\"><\/a>6.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624070\"><\/a>6.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tais cl\u00e1usulas de exclus\u00e3o s\u00e3o abusivas ou potestativas?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!! Ao menos n\u00e3o por si s\u00f3!<\/strong><\/p>\n<p><u>Nas rela\u00e7\u00f5es consumeristas, ante a fragilidade do polo consumidor, \u00e9 poss\u00edvel afastar a autonomia privada e alterar os termos do neg\u00f3cio jur\u00eddico quando reconhecida a abusividade das cl\u00e1usulas ou das condi\u00e7\u00f5es do contrato<\/u>, evidenciando onerosidade excessiva. Por sua vez<u>, caso n\u00e3o configurada a abusividade contratual ou ainda qualquer v\u00edcio na manifesta\u00e7\u00e3o da vontade das partes contratantes, de rigor seja prestigiada a liberdade negocial.<\/u><\/p>\n<p>Contudo, <strong>\u00e9 da pr\u00f3pria natureza do contrato de seguro a pr\u00e9via delimita\u00e7\u00e3o dos riscos cobertos a fim de que exista o equil\u00edbrio atuarial entre o valor a ser pago pelo consumidor e a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria de responsabilidade da seguradora<\/strong>, na eventual ocorr\u00eancia do sinistro.<\/p>\n<p>Vale dizer que a restri\u00e7\u00e3o da cobertura do seguro \u00e0s situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de invalidez por acidente decorrente de &#8220;qualquer tipo de h\u00e9rnia e suas consequ\u00eancias&#8221;, &#8220;parto ou aborto e suas consequ\u00eancias&#8221;, &#8220;perturba\u00e7\u00f5es e intoxica\u00e7\u00f5es alimentares de qualquer esp\u00e9cie, bem como as intoxica\u00e7\u00f5es decorrentes da a\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos, drogas ou medicamentos, salvo quando prescritos por m\u00e9dico devidamente habilitado, em decorr\u00eancia de acidente coberto&#8221; e &#8220;choque anafil\u00e1tico e suas consequ\u00eancias&#8221; n\u00e3o contraria a natureza do contrato de seguro nem esvazia seu objeto, apenas delimita as hip\u00f3teses de n\u00e3o pagamento do pr\u00eamio.<\/p>\n<p>Ademais, \u00e9 prudente que a an\u00e1lise da abusividade contratual seja realizada no caso concreto espec\u00edfico e pontual, ocasi\u00e3o em que dever\u00e3o ser verificados aspectos circunstanciais, como o valor da mensalidade do seguro e do pr\u00eamio correspondente, realizando-se ainda uma compara\u00e7\u00e3o com outros contratos de seguro ofertados no mercado; as caracter\u00edsticas do consumidor segurado; os efeitos nos c\u00e1lculos atuariais caso inclu\u00edda a cobertura de novos riscos; se houve informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, integral e adequada a respeito da cl\u00e1usula limitativa, inclusive com reda\u00e7\u00e3o destacada na ap\u00f3lice de seguro, entre outros.<\/p>\n<p>Conclui-se, portanto, que eventual revis\u00e3o de cl\u00e1usula delimitadora da cobertura contratual em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, sem exame das peculiaridades do contrato individual, pode ocasionar abalo significativo no equil\u00edbrio financeiro do contrato de seguro de vida em grupo, dando causa a que o desvio de risco passe a ser suportado pela coletividade dos segurados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624071\"><\/a>6.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A cl\u00e1usula contratual que circunscreve e particulariza a cobertura securit\u00e1ria n\u00e3o encerra, por si, abusividade nem indevida condi\u00e7\u00e3o potestativa por parte da seguradora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624072\"><\/a>7.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CDC e invers\u00e3o do \u00f4nus da prova<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A invers\u00e3o do \u00f4nus da prova prevista no art. 6\u00ba, VIII, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e9 regra de instru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o regra de julgamento, motivo pelo qual a decis\u00e3o judicial que a determina deve ocorrer antes da etapa instrut\u00f3ria ou, quando proferida em momento posterior, h\u00e1 que se garantir \u00e0 parte a quem foi imposto o \u00f4nus a oportunidade de apresentar suas provas, sob pena de absoluto cerceamento de defesa.<\/p>\n<p>REsp 1.286.273-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 08\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624073\"><\/a>7.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O MPSP ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em face de Yasha Seguros S\/A alegando, em s\u00edntese, que segundo dados obtidos em apura\u00e7\u00e3o administrativa, a demandada, juntamente com outras empresas de seguro e terceiros participantes de &#8220;esquema&#8221;, visando o n\u00e3o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es devidas, passaram a utilizar do procedimento escuso de imputar aos segurados a pr\u00e1tica de crimes de fraude contra seguro (estelionato), fundando tal assertiva em &#8220;investiga\u00e7\u00f5es&#8221; levadas a efeito por si e por empresas contratadas, em certid\u00f5es obtidas junto \u00e0 Pol\u00edcia Militar e &#8220;contratos privados&#8221; celebrados na Rep\u00fablica do Paraguai, documentos estes que eram usados contra os segurados como justificativa para o n\u00e3o pagamento dos valores securit\u00e1rios devidos.<\/p>\n<p>Sustentou que a seguradora, de posse dos documentos &#8220;frios&#8221;, por interm\u00e9dio de seus representantes, contatava os segurados e contra eles impingia diversas amea\u00e7as, imputando-lhes a pr\u00e1tica de crime de fraude contra seguro a fim de coibi-los a renunciar\/desistir dos valores indenizat\u00f3rios a que faziam jus. Contra aqueles segurados que prontamente n\u00e3o atendessem o pleito, incrementava-se o proceder il\u00edcito com a solicita\u00e7\u00e3o de instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial, sempre no mesmo distrito policial e perante os mesmos servidores de carreira envolvidos na falcatrua, oportunidade na qual, iludindo os segurados, afirmavam que ap\u00f3s a conclus\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o realizariam o pagamento do valor indenizat\u00f3rio devido, objetivando com isso, o decurso do prazo de um ano, a fim de caracterizar a prescri\u00e7\u00e3o ao direito da a\u00e7\u00e3o para o recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi julgada procedente e a condena\u00e7\u00e3o foi mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a local. Inconformada, a seguradora interp\u00f4s seguro especial no qual sustenta ser incab\u00edvel a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova, tendo em vista que o Tribunal n\u00e3o poderia ter decretado tal medida em sede de apela\u00e7\u00e3o, bem como o Minist\u00e9rio P\u00fablico, autor da a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o det\u00e9m a caracter\u00edstica de consumidor hipossuficiente a autorizar tal medida.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624074\"><\/a>7.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624075\"><\/a>7.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n<p>Art. 373. O \u00f4nus da prova incumbe:<\/p>\n<p>I &#8211; ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;<\/p>\n<p>II &#8211; ao r\u00e9u, quanto \u00e0 exist\u00eancia de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.<\/p>\n<ul>\n<li>1\u00ba Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas \u00e0 impossibilidade ou \u00e0 excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou \u00e0 maior facilidade de obten\u00e7\u00e3o da prova do fato contr\u00e1rio, poder\u00e1 o juiz atribuir o \u00f4nus da prova de modo diverso, desde que o fa\u00e7a por decis\u00e3o fundamentada, caso em que dever\u00e1 dar \u00e0 parte a oportunidade de se desincumbir do \u00f4nus que lhe foi atribu\u00eddo.<\/li>\n<li>2\u00ba A decis\u00e3o prevista no \u00a7 1\u00ba deste artigo n\u00e3o pode gerar situa\u00e7\u00e3o em que a desincumb\u00eancia do encargo pela parte seja imposs\u00edvel ou excessivamente dif\u00edcil.<\/li>\n<li>3\u00ba A distribui\u00e7\u00e3o diversa do \u00f4nus da prova tamb\u00e9m pode ocorrer por conven\u00e7\u00e3o das partes, salvo quando:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; recair sobre direito indispon\u00edvel da parte;<\/p>\n<p>II &#8211; tornar excessivamente dif\u00edcil a uma parte o exerc\u00edcio do direito.<\/p>\n<ul>\n<li>4\u00ba A conven\u00e7\u00e3o de que trata o \u00a7 3\u00ba pode ser celebrada antes ou durante o processo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba S\u00e3o direitos b\u00e1sicos do consumidor:<\/p>\n<p>VIII &#8211; a facilita\u00e7\u00e3o da defesa de seus direitos, inclusive com a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a crit\u00e9rio do juiz, for veross\u00edmil a alega\u00e7\u00e3o ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordin\u00e1rias de experi\u00eancias<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624076\"><\/a>7.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cab\u00edvel a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Somente na INSTRU\u00c7\u00c3O!!<\/strong><\/p>\n<p>O legislador ordin\u00e1rio, sob a \u00e9gide tanto do CPC\/1973 (art. 333) como do CPC\/2015 (art. 373) estabeleceu as regras atinentes ao \u00f4nus da prova, fixando para cada um dos sujeitos processuais as suas respectivas incumb\u00eancias.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de mencionar que o novo diploma processual civil de 2015 lan\u00e7ou novo olhar para a quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova, admitindo fosse ela din\u00e2mica, seja por conven\u00e7\u00e3o das partes, seja diante das peculiaridades da causa relacionadas \u00e0 impossibilidade ou \u00e0 excessiva dificuldade de cumprir o encargo estabelecido na lei ou \u00e0 maior facilidade de obten\u00e7\u00e3o da prova do fato contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tal proceder, embora n\u00e3o constasse da legisla\u00e7\u00e3o adjetiva revogada, era e ainda \u00e9 largamente aplicado com amparo nos ditames estabelecido pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, notadamente quando evidenciado que a hipossufici\u00eancia da parte enseja muitas vezes uma discrep\u00e2ncia entre a capacidade de produ\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria, podendo, por este motivo ceder passo \u00e0 invers\u00e3o do \u00f4nus quando estivesse defronte \u00e0 real plausibilidade do pedido corroborado pela efetiva verossimilhan\u00e7a das alega\u00e7\u00f5es do consumidor.<\/p>\n<p>No caso, em que pese a mat\u00e9ria de fundo esteja vinculada a contratos de seguro individual &#8211; os quais t\u00eam a incid\u00eancia do diploma consumerista, por constitu\u00edrem em larga medida ajustes padr\u00e3o (de ades\u00e3o), no \u00e2mbito dos quais o consumidor tem m\u00ednima ou nenhuma inger\u00eancia -, tal n\u00e3o autoriza a desmedida invers\u00e3o do \u00f4nus probat\u00f3rio, haja vista que a demanda \u00e9 movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, entidade que jamais pode ser considerada hipossuficiente, notadamente quando dotada de amplo poder investigat\u00f3rio de espectro administrativo pr\u00e9-processual, cercando-se de vasto aparato t\u00e9cnico e jur\u00eddico para alcan\u00e7ar e reunir um conjunto probante para fazer frente ao \u00f4nus de prova estabelecido na lei de reg\u00eancia.<\/p>\n<p>Certamente<u>, a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova como regra de procedimento ocorrer\u00e1 quando forem verificados os requisitos cumulativos da verossimilhan\u00e7a das alega\u00e7\u00f5es do consumidor ou a sua hipossufici\u00eancia<\/u>. Assim, o magistrado poderia inverter o \u00f4nus da prova, com base no artigo 6\u00ba, inciso VIII, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, transferindo ao r\u00e9u o \u00f4nus que inicialmente incumbia ao autor. Ou seja<strong>, a invers\u00e3o probat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 regra, \u00e9 mera faculdade<\/strong>. Com base nisso, \u00e9 que se fundamenta a necessidade de que a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova ocorra em momento anterior ao da senten\u00e7a, possibilitando \u00e0 parte onerada a plenitude do direito de produzir a prova considerada necess\u00e1ria para a sua defesa.<\/p>\n<p>Salienta-se que a jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 no sentido de que a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova prevista no art. 6\u00ba, VIII, do CDC, \u00e9 regra de instru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o regra de julgamento, motivo pelo qual a decis\u00e3o judicial que a determina deve ocorrer antes da etapa instrut\u00f3ria, ou quando proferida em momento posterior, garantir a parte a quem foi imposto o \u00f4nus a oportunidade de apresentar suas provas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624077\"><\/a>7.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A invers\u00e3o do \u00f4nus da prova prevista no art. 6\u00ba, VIII, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e9 regra de instru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o regra de julgamento, motivo pelo qual a decis\u00e3o judicial que a determina deve ocorrer antes da etapa instrut\u00f3ria ou, quando proferida em momento posterior, h\u00e1 que se garantir \u00e0 parte a quem foi imposto o \u00f4nus a oportunidade de apresentar suas provas, sob pena de absoluto cerceamento de defesa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624078\"><\/a>DIREITO EMPRESARIAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624079\"><\/a>8.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Termo inicial da contagem do prazo para pagamento dos credores trabalhistas no procedimento de recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL.<\/strong><\/p>\n<p>O termo inicial da contagem do prazo para pagamento dos credores trabalhistas no procedimento de recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor \u00e9 a data da concess\u00e3o desta.<\/p>\n<p>REsp 1.924.164-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021, DJe de 17\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624080\"><\/a>8.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Iber Ltda ajuizou a\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o judicial na qual foi homologado, com ressalvas, o plano de soerguimento aprovado pela assembleia de credores e concedida a recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Dentre as ressalvas, constou a altera\u00e7\u00e3o do termo inicial da contagem do prazo para pagamento dos credores trabalhistas (classe I), o qual foi alterado para o momento do t\u00e9rmino do per\u00edodo de das a\u00e7\u00f5es (<em>stay period<\/em>). Ao apreciar o agravo de instrumento interposto pelas recorrentes contra tal determina\u00e7\u00e3o, o Tribuna local manteve o entendimento do ju\u00edzo singular pela ilegalidade da cl\u00e1usula.<\/p>\n<p>Inconformada, Iber interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que o art. 54 da Lei 11.101\/2005, ao contr\u00e1rio do que decidiu o Tribunal local, traria como marco inicial do pagamento de credores trabalhistas a aprova\u00e7\u00e3o do plano de soerguimento, e n\u00e3o o final do <em>stay period.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624081\"><\/a>8.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624082\"><\/a>8.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n<p>Art. 54. O plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o poder\u00e1 prever prazo superior a 1 (um) ano para pagamento dos cr\u00e9ditos derivados da legisla\u00e7\u00e3o do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos at\u00e9 a data do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Art. 58. Cumpridas as exig\u00eancias desta Lei, o juiz conceder\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor cujo plano n\u00e3o tenha sofrido obje\u00e7\u00e3o de credor nos termos do art. 55 desta Lei ou tenha sido aprovado pela assembleia-geral de credores na forma dos arts. 45 ou 56-A desta Lei.\u00a0<\/p>\n<p>Art. 59. O plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial implica nova\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos anteriores ao pedido, e obriga o devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem preju\u00edzo das garantias, observado o disposto no \u00a7 1\u00ba do art. 50 desta Lei.<\/p>\n<p>Art. 61. Proferida a decis\u00e3o prevista no art. 58 desta Lei, o juiz poder\u00e1 determinar a manuten\u00e7\u00e3o do devedor em recupera\u00e7\u00e3o judicial at\u00e9 que sejam cumpridas todas as obriga\u00e7\u00f5es previstas no plano que vencerem at\u00e9, no m\u00e1ximo, 2 (dois) anos depois da concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial, independentemente do eventual per\u00edodo de car\u00eancia.<\/p>\n<p>Art. 71. O plano especial de recupera\u00e7\u00e3o judicial ser\u00e1 apresentado no prazo previsto no art. 53 desta Lei e limitar-se \u00e1 \u00e0s seguintes condi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>Art. 73. O juiz decretar\u00e1 a fal\u00eancia durante o processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial:<\/p>\n<p>I \u2013 por delibera\u00e7\u00e3o da assembl\u00e9ia-geral de credores, na forma do art. 42 desta Lei;<\/p>\n<p>II \u2013 pela n\u00e3o apresenta\u00e7\u00e3o, pelo devedor, do plano de recupera\u00e7\u00e3o no prazo do art. 53 desta Lei;<\/p>\n<p>III &#8211; quando n\u00e3o aplicado o disposto nos \u00a7\u00a7 4\u00ba, 5\u00ba e 6\u00ba do art. 56 desta Lei, ou rejeitado o plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial proposto pelos credores, nos termos do \u00a7 7\u00ba do art. 56 e do art. 58-A desta Lei)<\/p>\n<p>IV \u2013 por descumprimento de qualquer obriga\u00e7\u00e3o assumida no plano de recupera\u00e7\u00e3o, na forma do \u00a7 1\u00ba do art. 61 desta Lei.<\/p>\n<p>V &#8211; por descumprimento dos parcelamentos referidos no art. 68 desta Lei ou da transa\u00e7\u00e3o prevista no art. 10-C da Lei n\u00ba 10.522, de 19 de julho de 2002;<\/p>\n<p>VI &#8211; quando identificado o esvaziamento patrimonial da devedora que implique liquida\u00e7\u00e3o substancial da empresa, em preju\u00edzo de credores n\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial, inclusive as Fazendas P\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624083\"><\/a>8.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Qual o termo inicial a ser considerado?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>A data da concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial!!!<\/strong><\/p>\n<p><u>A liberdade de negociar prazos de pagamentos \u00e9 diretriz que serve de refer\u00eancia \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/u>. Todavia<u>, a fim de evitar abusos que possam inviabilizar a concretiza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios que regem o processo de soerguimento, a pr\u00f3pria Lei n. 11.101\/2005 cuidou de impor limites \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o dos envolvidos na negocia\u00e7\u00e3o<\/u>. <strong>Dentre esses limites, vislumbra-se aquele estampado em seu art. 54, que garante o pagamento privilegiado de cr\u00e9ditos trabalhistas<\/strong>. Tal privil\u00e9gio encontra justificativa por incidir sobre verba de natureza alimentar, titularizada por quem goza de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica especial em virtude de sua maior vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A par de garantir pagamento especial aos credores trabalhistas no prazo de um ano<u>, o art. 54 da LFRE n\u00e3o fixou o marco inicial para cumprimento dessa obriga\u00e7\u00e3o<\/u>.<\/p>\n<p>Todavia, decorre da interpreta\u00e7\u00e3o SISTEM\u00c1TICA desse diploma legal que o in\u00edcio do cumprimento de quaisquer obriga\u00e7\u00f5es previstas no plano de soerguimento est\u00e1 condicionado \u00e0 concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial (art. 61, caput, c\/c o art. 58, caput, da LFRE).<\/p>\n<p>Isso porque \u00e9 apenas a partir da concess\u00e3o do benef\u00edcio legal que o devedor poder\u00e1 satisfazer seus credores, conforme assentado no plano, sem que isso implique tratamento preferencial a alguns em detrimento de outros.<\/p>\n<p>Vale observar que, <strong>quando a lei pretendeu que determinada obriga\u00e7\u00e3o fosse cumprida a partir de outro marco inicial, ela o declarou de modo expresso<\/strong>, como ocorreu, a t\u00edtulo ilustrativo, na hip\u00f3tese do inciso III do art. 71 da LFRE (plano especial de recupera\u00e7\u00e3o judicial).<\/p>\n<p>Acres\u00e7a-se a isso que a nova\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos existentes \u00e0 \u00e9poca do pedido (art. 59 da LFRE) apenas se perfectibiliza, para todos os efeitos, com a prola\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que homologa o plano e concede a recupera\u00e7\u00e3o, haja vista que, antes disso, verificada uma das situa\u00e7\u00f5es previstas no art. 73 da LFRE, o juiz dever\u00e1 convolar o procedimento recuperacional em fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesse norte, n\u00e3o se poderia cogitar que o devedor adimplisse obriga\u00e7\u00f5es antes de ser definido que o procedimento concursal ser\u00e1, de fato, a recupera\u00e7\u00e3o judicial e n\u00e3o a fal\u00eancia. Somente depois de aprovado o plano e estabelecidas as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos pagamentos \u00e9 que estes podem ter in\u00edcio.<\/p>\n<p>No caso, o fundamento que serviu de suporte \u00e0 conclus\u00e3o &#8211; no sentido de que o pagamento dos cr\u00e9ditos trabalhistas deveria ter in\u00edcio imediatamente ap\u00f3s o decurso do prazo suspensivo de 180 dias &#8211; decorre da compreens\u00e3o de que, findo tal per\u00edodo, estaria autorizada a retomada da busca individual dos cr\u00e9ditos detidos contra a recuperanda. Essa compreens\u00e3o, contudo, n\u00e3o encontra respaldo na jurisprud\u00eancia deste Tribunal Superior, que possui entendimento consolidado no sentido de que o decurso do prazo acima indicado n\u00e3o pode conduzir, automaticamente, \u00e0 retomada da cobran\u00e7a dos cr\u00e9ditos sujeitos ao processo de soerguimento, uma vez que o objetivo da recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 garantir a preserva\u00e7\u00e3o da empresa e a manuten\u00e7\u00e3o dos bens de capital essenciais \u00e0 atividade na posse da devedora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624084\"><\/a>8.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O termo inicial da contagem do prazo para pagamento dos credores trabalhistas no procedimento de recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor \u00e9 a data da concess\u00e3o desta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624085\"><\/a>DIREITO DA CRIAN\u00c7A E DO ADOLESCENTE<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624086\"><\/a>9.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Im)Possibilidade de relativiza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a m\u00ednima de idade para ado\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>A regra que estabelece a diferen\u00e7a m\u00ednima de 16 (dezesseis) anos de idade entre adotante e adotando (art. 42, \u00a7 3\u00ba do ECA) pode, dada as peculiaridades do caso concreto, ser relativizada no interesse do adotando.<\/p>\n<p>REsp 1.338.616-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624087\"><\/a>9.1.\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Andr\u00e9 ajuizou a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o objetivando formalizar a extens\u00e3o do poder familiar, decorrente de socioafetividade do ent\u00e3o adolescente Bruno, filho biol\u00f3gico da esposa de Andr\u00e9 e de genitor desconhecido. Bruno, desde os dois anos de idade, convive com Andr\u00e9.<\/p>\n<p>O ju\u00edzo de primeiro grau indeferiu a inicial, com fundamento no artigo 295, inc. I, do CPC\/73, pois considerou o pedido juridicamente imposs\u00edvel, diante da diferen\u00e7a de idade entre Andr\u00e9 e Bruno ser de apenas 13 (treze) anos, violando a norma expressa do art. 42, \u00a7 3\u00ba, da Lei. 8.069\/90 (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente) que prev\u00ea dist\u00e2ncia et\u00e1ria m\u00ednima de 16 (dezesseis) anos entre adotante e adotando para a viabiliza\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inconformado, Andr\u00e9 interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta que a diferen\u00e7a m\u00ednima de 16 anos entre o adotante e o adotando poderia, diante da peculiaridade do caso concreto, ser flexibilizada, mitigando-se a rigidez da lei em benef\u00edcio do menor, especialmente se tratando de mera formaliza\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624088\"><\/a>9.2.\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624089\"><\/a>9.2.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>ECA:<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba Na interpreta\u00e7\u00e3o desta Lei levar-se-\u00e3o em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exig\u00eancias do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condi\u00e7\u00e3o peculiar da crian\u00e7a e do adolescente como pessoas em desenvolvimento<\/p>\n<p>Art. 42.\u00a0 Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil.<\/p>\n<ul>\n<li>3\u00ba O adotante h\u00e1 de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624090\"><\/a>9.2.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Poss\u00edvel a flexibiliza\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente, n\u00e3o se pode olvidar <u>que a inten\u00e7\u00e3o do legislador, ao fixar uma diferen\u00e7a m\u00ednima de 16 (dezesseis) anos de idade entre o adotando e o adotante, foi, al\u00e9m de tentar reproduzir &#8211; tanto quanto poss\u00edvel &#8211; os contornos da fam\u00edlia biol\u00f3gica padr\u00e3o<\/u>, evitar que a ado\u00e7\u00e3o camuflasse motivos escusos, onde a demonstra\u00e7\u00e3o de amor paternal para com o adotando mascarasse\/escondesse interesse impr\u00f3prio.<\/p>\n<p><strong>Entretanto a referida limita\u00e7\u00e3o et\u00e1ria, em situa\u00e7\u00f5es excepcionais e espec\u00edficas, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de se sobrepor a uma realidade f\u00e1tica<\/strong> &#8211; h\u00e1 muito j\u00e1 consolidada &#8211; que se mostrar plenamente FAVOR\u00c1VEL, sen\u00e3o ao deferimento da ado\u00e7\u00e3o, pelo menos ao regular processamento do pedido, pelo que o regramento pode ser mitigado, notadamente quando, ap\u00f3s a oitiva das partes interessadas, sejam apuradas as reais vantagens ao adotando e os motivos leg\u00edtimos do ato.<\/p>\n<p>Assim, o dispositivo legal atinente \u00e0 diferen\u00e7a m\u00ednima et\u00e1ria estabelecida no art. 42, \u00a7 3\u00ba do ECA, embora exig\u00edvel e de interesse p\u00fablico, <strong>n\u00e3o ostenta natureza absoluta a inviabilizar sua flexibiliza\u00e7\u00e3o de acordo com as peculiaridades do caso concreto<\/strong>, pois consoante disposto no artigo 6\u00ba do ECA, na interpreta\u00e7\u00e3o da lei deve-se levar em conta os fins sociais a que se dirige, as exig\u00eancias do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condi\u00e7\u00e3o peculiar da crian\u00e7a e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.<\/p>\n<p>O aplicador do Direito deve adotar o postulado do melhor interesse da crian\u00e7a e do adolescente como crit\u00e9rio primordial para a interpreta\u00e7\u00e3o das leis e para a solu\u00e7\u00e3o dos conflitos. Ademais, n\u00e3o se pode olvidar que o direito \u00e0 filia\u00e7\u00e3o \u00e9 personal\u00edssimo e fundamental, relacionado, pois, ao princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>No caso, o adotante \u00e9 casado, por v\u00e1rios anos, com a m\u00e3e do adotando, raz\u00e3o por que esse se encontra na conviv\u00eancia com aquele desde tenra idade; o adotando possui dois irm\u00e3os que s\u00e3o filhos de sua genitora com o adotante, motivo pelo qual pode a realidade dos fatos revelar efetiva rela\u00e7\u00e3o de guarda e afeto j\u00e1 consolidada no tempo, merecendo destaque a peculiaridade de tratar-se, na hip\u00f3tese, de ado\u00e7\u00e3o unilateral, circunst\u00e2ncia que certamente deve importar para a an\u00e1lise de uma poss\u00edvel relativiza\u00e7\u00e3o da refer\u00eancia de diferen\u00e7a et\u00e1ria.<\/p>\n<p>A justa pretens\u00e3o de fazer constar nos assentos civis do adotando, como pai, aquele que efetivamente o cria e educa juntamente com sua m\u00e3e, n\u00e3o pode ser frustrada por apego ao m\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o literal, em detrimento dos princ\u00edpios em que se funda a regra em quest\u00e3o ou dos prop\u00f3sitos do sistema do qual faz parte.<\/p>\n<p>Ademais, frise-que a presente delibera\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sacramentando a ado\u00e7\u00e3o em foco, uma vez que, na inst\u00e2ncia de origem, o processo se submeter\u00e1 a toda instru\u00e7\u00e3o e coleta de provas, cabendo, ent\u00e3o, ao juiz instrutor da causa averiguar se s\u00e3o satisfat\u00f3rias todas as demais circunst\u00e2ncias inerentes ao caso.<\/p>\n<p>Diante do norte hermen\u00eautico estabelecido por doutrina abalizada e da jurisprud\u00eancia que se formou acerca da mitiga\u00e7\u00e3o de regras constantes do ECA quando em pondera\u00e7\u00e3o com os interesses envolvidos, a regra prevista no art. 42, \u00a7 3\u00ba do ECA, no caso concreto, pode ser interpretada com menos rigidez, sobretudo quando se constata que a ado\u00e7\u00e3o visa apenas formalizar situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica estabelecida de forma p\u00fablica, cont\u00ednua, est\u00e1vel, concreta e duradoura.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624091\"><\/a>9.2.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A regra que estabelece a diferen\u00e7a m\u00ednima de 16 (dezesseis) anos de idade entre adotante e adotando (art. 42, \u00a7 3\u00ba do ECA) pode, dada as peculiaridades do caso concreto, ser relativizada no interesse do adotando.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624092\"><\/a>DIREITO PENAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624093\"><\/a>10.\u00a0 (In)Compatibilidade do dolo eventual no crime de homic\u00eddio com as qualificadoras objetivas previstas no art. 121, \u00a7 2\u00ba, III e IV, do C\u00f3digo Penal<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>O dolo eventual no crime de homic\u00eddio \u00e9 compat\u00edvel com as qualificadoras objetivas previstas no art. 121, \u00a7 2\u00ba, III e IV, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>REsp 1.836.556-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624094\"><\/a>10.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Katia, policial civil que n\u00e3o se encontrava em servi\u00e7o, incomodada com o barulho de uma confraterniza\u00e7\u00e3o que estaria sendo realizada perto de sua resid\u00eancia e, visando espantar estas pessoas, utilizando-se da arma de fogo que recebeu da institui\u00e7\u00e3o policial, efetuou um disparo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0quele grupo, onde todos estavam desarmados e distra\u00eddos, colocando em perigo a vida de todos os que ali se encontravam e atingindo Joselito no momento em que este conversava com seus amigos. <strong>Joselito veio a \u00f3bito!<\/strong><\/p>\n<p>Por tais raz\u00f5es, K\u00e1tia foi denunciada pelo delito tipificado no art. 121, \u00a7 2\u00ba, II, III (resultar perigo comum) e IV (mediante recurso que dificulte ou torne imposs\u00edvel a defesa do ofendido), do CP. Ap\u00f3s ampla discuss\u00e3o no Tribunal de Justi\u00e7a local, a quest\u00e3o chegou ao STJ por meio de recurso especial para avaliar a compatibilidade do dolo eventual com a as qualificadoras de ordem objetiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624095\"><\/a>10.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624096\"><\/a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n<p>Art. 121. Matar algu\u00e9m:<\/p>\n<ul>\n<li>2\u00b0 Se o homic\u00eddio \u00e9 cometido:<\/li>\n<\/ul>\n<p>I &#8211; mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;<\/p>\n<p>II &#8211; por motivo f\u00fatil;<\/p>\n<p>III &#8211; com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;<\/p>\n<p>IV &#8211; \u00e0 trai\u00e7\u00e3o, de emboscada, ou mediante dissimula\u00e7\u00e3o ou outro recurso que dificulte ou torne imposs\u00edvel a defesa do ofendido;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624097\"><\/a>10.2.2. H\u00e1 compatibilidade?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e do Supremo Tribunal Federal OSCILA a respeito da compatibilidade ou incompatibilidade do dolo eventual no homic\u00eddio com as qualificadoras objetivas (art. 121, \u00a7 2\u00ba, III e IV).<\/p>\n<p>Destaca-se que aqueles que compreendem pela referida incompatibilidade escoram tal posi\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o de que o autor escolhe o meio e o modo de proceder com outra finalidade, l\u00edcita ou n\u00e3o, embora seja previs\u00edvel e admitida a morte.<\/p>\n<p>Tal posicionamento, retira, definitivamente do mundo jur\u00eddico, a possibilidade f\u00e1tica de existir um autor que opte por utilizar meio e modo espec\u00edficos mais reprov\u00e1veis para alcan\u00e7ar fim diverso, mesmo sendo previs\u00edvel o resultado morte e admiss\u00edvel a sua concretiza\u00e7\u00e3o. Ainda<strong>, a justificativa de incompatibilidade entre o dolo eventual e as qualificadoras objetivas, inexist\u00eancia de dolo direto para o resultado morte, se contrap\u00f5e \u00e0 admiss\u00e3o no STJ de compatibilidade entre o dolo eventual e o motivo espec\u00edfico e mais reprov\u00e1vel<\/strong> (art. 121, \u00a7 2\u00ba, I e II, do CP).<\/p>\n<p>Com essas considera\u00e7\u00f5es, elege-se o posicionamento pela compatibilidade, em tese, do dolo eventual tamb\u00e9m com as qualificadoras objetivas (art. 121, \u00a7 2\u00ba, III e IV, do CP). Em resumo, as referidas qualificadoras ser\u00e3o devidas quando constatado que o autor delas se utilizou dolosamente como meio ou como modo espec\u00edfico mais reprov\u00e1vel para agir e alcan\u00e7ar outro resultado, mesmo sendo previs\u00edvel e tendo admitido o resultado morte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc2640174\"><\/a><a name=\"_Toc2640357\"><\/a><a name=\"_Toc2640184\"><\/a><a name=\"_Toc2640379\"><\/a><a name=\"_Toc77624098\"><\/a>10.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O dolo eventual no crime de homic\u00eddio \u00e9 compat\u00edvel com as qualificadoras objetivas previstas no art. 121, \u00a7 2\u00ba, III e IV, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624099\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624100\"><\/a>11.\u00a0 Reformas de 2008 e aplicabilidade<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo no caso de recebimento da den\u00fancia antes das reformas ocorridas no ano de 2008 e antes de o r\u00e9u ser diplomado como deputado estadual, apresentada a defesa escrita, caber\u00e1 ao Tribunal de origem apreciar a possibilidade de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria ou reconsidera\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do juiz de primeiro grau que recebeu a den\u00fancia, na forma do art. 6\u00ba da Lei n. 8.038\/1990.<\/p>\n<p>AREsp 1.492.099-PA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021, DJe de 21\/06\/2021. (Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624101\"><\/a>11.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ger\u00fandio foi denunciado perante a Justi\u00e7a Federal de primeira inst\u00e2ncia. Ap\u00f3s o recebimento da den\u00fancia pelo magistrado, em 22\/9\/2006, e antes de sua cita\u00e7\u00e3o, foi diplomado deputado estadual, o que motivou a remessa dos autos ao TRF da 1\u00aa Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, o TRF local declinou da compet\u00eancia em favor do TJ\/PA, entretanto, ap\u00f3s a interposi\u00e7\u00e3o de recurso extraordin\u00e1rio pelo MPF, o STF confirmou a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n<p>Em seguida, apesar de ainda n\u00e3o ter havido cita\u00e7\u00e3o, a defesa do r\u00e9u compareceu aos autos, pleiteando que lhe fosse concedida a prerrogativa de apresentar resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o no prazo de 15 dias, previsto no art. 4\u00ba da Lei 8.038\/1990, ou 10 dias, consoante o art. 396 do CPP. Seu pleito, entretanto, foi indeferido pelo TRF, para quem, uma vez j\u00e1 recebida a den\u00fancia validamente em primeiro grau, estaria superada a etapa procedimental dos arts. 4\u00ba a 7\u00ba da Lei 8.038\/1990.<\/p>\n<p>Inconformado, o r\u00e9u interp\u00f4s recurso especial no qual aponta viola\u00e7\u00e3o dos arts. 6\u00ba da Lei 8.038\/1990 e 397 do CPP. Para tanto, argumenta que o processo n\u00e3o poderia seguir, de imediato, para a apresenta\u00e7\u00e3o da defesa pr\u00e9via (com prazo de 5 dias) tratada no art. 8\u00ba da Lei 8.038\/1990, porque esta seria a primeira vez que o recorrente ter\u00e1 a oportunidade de, formalmente, contrapor-se \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624102\"><\/a>11.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624103\"><\/a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lei n. 8.038\/1990:<\/p>\n<p>Art. 4\u00ba &#8211; Apresentada a den\u00fancia ou a queixa ao Tribunal, far-se-\u00e1 a notifica\u00e7\u00e3o do acusado para oferecer resposta no prazo de quinze dias.\u00a0<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba &#8211; A seguir, o relator pedir\u00e1 dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento, a rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia ou da queixa, ou a improced\u00eancia da acusa\u00e7\u00e3o, se a decis\u00e3o n\u00e3o depender de outras provas.\u00a0<\/p>\n<p>Art. 8\u00ba &#8211; O prazo para defesa pr\u00e9via ser\u00e1 de cinco dias, contado do interrogat\u00f3rio ou da intima\u00e7\u00e3o do defensor dativo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n<p>Art. 397.\u00a0 Ap\u00f3s o cumprimento do disposto no art. 396-A, e par\u00e1grafos, deste C\u00f3digo, o juiz dever\u00e1 absolver sumariamente o acusado quando verificar<\/p>\n<p>I &#8211; a exist\u00eancia manifesta de causa excludente da ilicitude do fato<\/p>\n<p>II &#8211; a exist\u00eancia manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade<\/p>\n<p>III &#8211; que o fato narrado evidentemente n\u00e3o constitui crime;<\/p>\n<p>IV &#8211; extinta a punibilidade do agente.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624104\"><\/a>11.2.2. A quem compete julgar o pedido de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Ao Tribunal de origem!!!<\/strong><\/p>\n<p>A Lei n. 8.038\/<strong>1990 prev\u00ea dois momentos defensivos com objetivos pr\u00f3prios<\/strong>. <u>No primeiro deles, o r\u00e9u \u00e9 notificado, ap\u00f3s o oferecimento da den\u00fancia, para responder \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o no prazo de 15 dias<\/u> (art. 4\u00ba), com o objetivo de buscar a rejei\u00e7\u00e3o da exordial ou sua improced\u00eancia (art. 6\u00ba).<strong> Recebida a den\u00fancia, a\u00ed sim \u00e9 que ocorre a cita\u00e7\u00e3o do acusado, para apresenta\u00e7\u00e3o de defesa pr\u00e9via em 5 dias<\/strong> (art. 8\u00ba da Lei n. 8.038\/1990).<\/p>\n<p>Afastar a aplica\u00e7\u00e3o dos arts. 4\u00ba e 6\u00ba da Lei n. 8.038\/1990 teria o efeito pr\u00e1tico de anular a diferencia\u00e7\u00e3o legislativa entre o rito comum ordin\u00e1rio pr\u00e9-2008 e o rito das a\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias &#8211; distin\u00e7\u00e3o esta que, com concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia, \u00e9 real.<\/p>\n<p>Consoante o entendimento do STF, &#8220;recebida a den\u00fancia antes de o r\u00e9u ter sido diplomado como Deputado Federal, apresentada a defesa escrita, \u00e9 de ser examinada a possibilidade de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, segundo a previs\u00e3o do art. 397 do C\u00f3digo de Processo Penal, mesmo que o rito, por terem os autos sido remetidos ao Supremo Tribunal Federal, passe a ser o da Lei 8.038\/90&#8221; (AP 630 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, julgado em 15\/12\/2011, DJe 22\/3\/2012).<\/p>\n<p>Destarte, caber\u00e1 ao Tribunal de origem apreciar a possibilidade de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria (ou reconsidera\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do juiz de primeiro grau que recebeu a den\u00fancia), na forma do art. 6\u00ba da Lei n. 8.038\/1990. Caso rejeite as alega\u00e7\u00f5es defensivas, a\u00ed sim o r\u00e9u dever\u00e1 ser notificado para apresentar a defesa pr\u00e9via do art. 8\u00ba da mesma Lei.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624105\"><\/a>11.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo no caso de recebimento da den\u00fancia antes das reformas ocorridas no ano de 2008 e antes de o r\u00e9u ser diplomado como deputado estadual, apresentada a defesa escrita, caber\u00e1 ao Tribunal de origem apreciar a possibilidade de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria ou reconsidera\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do juiz de primeiro grau que recebeu a den\u00fancia, na forma do art. 6\u00ba da Lei n. 8.038\/1990.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1><a name=\"_Toc77624106\"><\/a>DIREITO PROCESSUAL PENAL E INTERNACIONAL<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><a name=\"_Toc77624107\"><\/a>12.\u00a0 Resolu\u00e7\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos de 22\/11\/2018, Instituto Penal Pl\u00e1cido de S\u00e1 Carvalho e c\u00f4mputo da pena em dobro<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos de 22\/11\/2018, que determina o c\u00f4mputo da pena em dobro, deve ser aplicada a todo o per\u00edodo cumprido pelo condenado no Instituto Penal Pl\u00e1cido de S\u00e1 Carvalho.<\/p>\n<p>RHC 136.961-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2021, DJe 21\/06\/2021.(Info 701)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624108\"><\/a>12.1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A defesa de Osmar impetrou habeas corpus perante a Corte estadual do Rio de Janeiro, pleiteando o c\u00f4mputo em dobro de todo o per\u00edodo em que o paciente cumpriu pena no Instituto Penal Pl\u00e1cido de S\u00e1 Carvalho de 09 de julho de 2017 a 24 de maio de 2019.<\/p>\n<p>A referida unidade prisional foi objeto de in\u00fameras Inspe\u00e7\u00f5es que culminaram com a Resolu\u00e7\u00e3o da Corte IDH de 22\/11\/2018, que, ao reconhecer referido instituto inadequado para a execu\u00e7\u00e3o de penas, especialmente em raz\u00e3o de os presos se acharem em situa\u00e7\u00e3o degradante e desumana, determinou no item n. 4, que se computasse em dobro cada dia de priva\u00e7\u00e3o de liberdade cumprido no IPPSC, para todas as pessoas ali alojadas, que n\u00e3o acusadas de crimes contra a vida ou a integridade f\u00edsica, ou de crimes sexuais, ou n\u00e3o tenham sido por eles condenadas.<\/p>\n<p>No entanto, o Tribunal de Justi\u00e7a local entendeu pela aplicabilidade da contagem em dobro somente a partir da data de 14\/12\/2018, data em que o Brasil foi formalmente notificado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos para cumprimento das medidas dispostas na Resolu\u00e7\u00e3o de 22\/11\/2018.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc77624109\"><\/a>12.2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624110\"><\/a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n<p>Art. 3\u00ba Constituem objetivos fundamentais da Rep\u00fablica Federativa do Brasil:<\/p>\n<p>I &#8211; construir uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria;<\/p>\n<p>II &#8211; garantir o desenvolvimento nacional;<\/p>\n<p>III &#8211; erradicar a pobreza e a marginaliza\u00e7\u00e3o e reduzir as desigualdades sociais e regionais;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624111\"><\/a>12.2.2. Deve ser aplicada a todo o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se do not\u00f3rio caso do Instituto Penal Pl\u00e1cido de S\u00e1 Carvalho no Rio de Janeiro (IPPSC), objeto de in\u00fameras Inspe\u00e7\u00f5es que culminaram com a Resolu\u00e7\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos &#8211; IDH de 22\/11\/2018, que, ao reconhecer referido Instituto inadequado para a execu\u00e7\u00e3o de penas, especialmente em raz\u00e3o de os presos se acharem em situa\u00e7\u00e3o degradante e desumana, determinou que se computasse &#8220;em dobro cada dia de priva\u00e7\u00e3o de liberdade cumprido no IPPSC, para todas as pessoas ali alojadas, que n\u00e3o sejam acusadas de crimes contra a vida ou a integridade f\u00edsica, ou de crimes sexuais, ou n\u00e3o tenham sido por eles condenadas, nos termos dos Considerandos 115 a 130 da presente Resolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ao sujeitar-se \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o da Corte IDH, o Pa\u00eds alarga o rol de direitos das pessoas e o espa\u00e7o de di\u00e1logo com a comunidade internacional. Com isso, a jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira, ao basear-se na coopera\u00e7\u00e3o internacional, pode ampliar a efetividade dos direitos humanos.<\/p>\n<p>A senten\u00e7a da Corte IDH produz autoridade de coisa julgada internacional, com efic\u00e1cia vinculante e direta \u00e0s partes. Todos os \u00f3rg\u00e3os e poderes internos do pa\u00eds encontram-se obrigados a cumprir a senten\u00e7a. Na hip\u00f3tese, as inst\u00e2ncias inferiores ao diferirem os efeitos da decis\u00e3o para o momento em que o Estado Brasileiro tomou ci\u00eancia da decis\u00e3o proferida pela Corte Interamericana, deixando com isso de computar parte do per\u00edodo em que teria sido cumprida pena em situa\u00e7\u00e3o considerada degradante, deixaram de dar cumprimento a tal mandamento, levando em conta que as senten\u00e7as da Corte possuem efic\u00e1cia imediata para os Estados Partes e efeito meramente declarat\u00f3rio.<\/p>\n<p><u>N\u00e3o se mostra poss\u00edvel que a determina\u00e7\u00e3o de c\u00f4mputo em dobro tenha seus efeitos modulados como se o condenado tivesse cumprido parte da pena em condi\u00e7\u00f5es aceit\u00e1veis at\u00e9 a notifica\u00e7\u00e3o e a partir de ent\u00e3o tal estado de fato tivesse se modificado.<\/u> Em realidade, <strong>o substrato f\u00e1tico que deu origem ao reconhecimento da situa\u00e7\u00e3o degradante j\u00e1 perdurara anteriormente, at\u00e9 para que pudesse ser objeto de reconhecimento, devendo, por tal raz\u00e3o, incidir sobre todo o per\u00edodo de cumprimento da pena.<\/strong><\/p>\n<p>Por princ\u00edpio interpretativo das conven\u00e7\u00f5es sobre direitos humanos, o Estado-parte da CIDH pode ampliar a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, por meio do princ\u00edpio pro personae, interpretando a senten\u00e7a da Corte IDH da maneira mais favor\u00e1vel poss\u00edvel aquele que v\u00ea seus direitos violados.<\/p>\n<p>As autoridades p\u00fablicas, judici\u00e1rias inclusive, devem exercer o controle de convencionalidade, observando os efeitos das disposi\u00e7\u00f5es do diploma internacional e adequando sua estrutura interna para garantir o cumprimento total de suas obriga\u00e7\u00f5es frente \u00e0 comunidade internacional, uma vez que os pa\u00edses signat\u00e1rios s\u00e3o guardi\u00f5es da tutela dos direitos humanos, devendo empregar a interpreta\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel ao ser humano.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, essa particular forma de parametrar a interpreta\u00e7\u00e3o das normas jur\u00eddicas (internas ou internacionais) \u00e9 a que mais se aproxima da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que faz da cidadania e da dignidade da pessoa humana dois de seus fundamentos, bem como tem por objetivos fundamentais erradicar a marginaliza\u00e7\u00e3o e construir uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria (incisos I, II e III do art. 3\u00ba). Tudo na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o do tipo ideal de sociedade que o pre\u00e2mbulo da respectiva Carta Magna caracteriza como &#8220;fraterna&#8221; (HC n. 94163, Relator Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma do STF, julgado em 2\/12\/2008, DJe-200 DIVULG 22\/10\/2009 PUBLIC 23\/10\/2009 EMENT VOL-02379-04 PP-00851). O horizonte da fraternidade \u00e9, na verdade, o que mais se ajusta com a efetiva tutela dos direitos humanos fundamentais. A certeza de que o titular desses direitos \u00e9 qualquer pessoa, deve sempre influenciar a interpreta\u00e7\u00e3o das normas e a a\u00e7\u00e3o dos atores do Direito e do Sistema de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ademais, os ju\u00edzes nacionais devem agir como ju\u00edzes interamericanos e estabelecer o di\u00e1logo entre o direito interno e o direito internacional dos direitos humanos, at\u00e9 mesmo para diminuir viola\u00e7\u00f5es e abreviar as demandas internacionais. \u00c9 com tal esp\u00edrito hermen\u00eautico que se dessume que, na hip\u00f3tese, a melhor interpreta\u00e7\u00e3o a ser dada, \u00e9 pela aplica\u00e7\u00e3o a Resolu\u00e7\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de 22 de novembro de 2018 a todo o per\u00edodo em que cumprida pena no IPPSC.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc77624112\"><\/a>12.2.3. Resultado final.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos de 22\/11\/2018, que determina o c\u00f4mputo da pena em dobro, deve ser aplicada a todo o per\u00edodo cumprido pelo condenado no Instituto Penal Pl\u00e1cido de S\u00e1 Carvalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!-- wp:embed {\"url\":\"https:\/\/youtu.be\/xSqu1M2gv2c\",\"type\":\"video\",\"providerNameSlug\":\"youtube\",\"responsive\":true,\"className\":\"wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"} --><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\u00a0<\/div>\n<\/figure>\n\n<!-- wp:file {\"id\":798741,\"href\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/07\/19231507\/stj-701.pdf\"} -->\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/07\/19231507\/stj-701.pdf\">stj-701<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2021\/07\/19231507\/stj-701.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n<!-- \/wp:file --><!-- \/wp:embed -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 701 do STJ COMENTADO pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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