{"id":521522,"date":"2020-06-02T13:21:23","date_gmt":"2020-06-02T16:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=521522"},"modified":"2020-06-02T13:21:25","modified_gmt":"2020-06-02T16:21:25","slug":"informativo-stf-978-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-978-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 978 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Amigos e amigas de todo o Brasil!<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou a vez do Informativo n\u00ba 978 do STF <strong>COMENTADO<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2020\/06\/02132012\/STF-978.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/strong><\/h1>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_K4ucT_5HSfU\"><div id=\"lyte_K4ucT_5HSfU\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/K4ucT_5HSfU\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/K4ucT_5HSfU\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/K4ucT_5HSfU\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p>Sum\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985755\">DIREITO TRIBUT\u00c1RIO&#8230; 2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985756\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADCT, art. 91: ICMS. Federalismo fiscal e omiss\u00e3o legislativa. 2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985757\">1.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA. 2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985758\">1.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA. 3<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985759\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Majora\u00e7\u00e3o indireta de tributo e incid\u00eancia do princ\u00edpio da anterioridade. 6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985760\">2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA. 6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985761\">2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA. 6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985762\">DIREITO ADMINISTRATIVO&#8230; 7<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985763\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Covid-19 e responsabiliza\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos. 7<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985764\">3.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA. 8<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985765\">3.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA. 9<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985766\">DIREITO PROCESSUAL PENAL. 12<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985767\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Colabora\u00e7\u00e3o premiada: acesso a documentos e exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa. 12<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985768\">4.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA. 13<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985769\">4.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA. 13<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985770\">PARA TESTAR SEU CONHECIMENTO&#8230; 16<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985771\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; QUEST\u00d5ES. 16<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985772\">5.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00f5es objetivas: CERTO ou ERRADO. 16<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_Toc41985773\">5.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gabarito. 16<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADCT, art. 91: ICMS. Federalismo fiscal e omiss\u00e3o legislativa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (POR OMISS\u00c3O)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fatos supervenientes justificaram o abrandamento do termo fixado no julgamento de m\u00e9rito (12 meses para o Congresso Nacional editar a lei complementar prevista no art. 91 do ADCT). Ademais, as unidades federativas buscaram a composi\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel do lit\u00edgio com a Uni\u00e3o, sob o olhar do federalismo cooperativo, e firmaram acordo com objeto l\u00edcito, tendo capacidade para tanto e em instrumento revestido das formalidades legais para homologa\u00e7\u00e3o e encaminhamento ao Congresso Nacional, que deliberar\u00e1 sobre os termos de anteprojeto de lei complementar, a ser encaminhado pela Uni\u00e3o, no prazo de at\u00e9 sessenta dias a contar desta data.<\/p>\n\n\n\n<p>ADO 25 QO\/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 20.5.2020. (ADO-25))<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>1.1. Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em 2016, o STF julgou procedente ADO para declarar a mora do Congresso Nacional na edi\u00e7\u00e3o da lei complementar prevista no art. 91 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias (ADCT), inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional (EC) 42\/2003, qual seja: \u201cA Uni\u00e3o entregar\u00e1 aos Estados e ao Distrito Federal o montante definido em lei complementar, de acordo com crit\u00e9rios, prazos e condi\u00e7\u00f5es nela determinados [&#8230;] os cr\u00e9ditos decorrentes de aquisi\u00e7\u00f5es destinadas ao ativo permanente e a efetiva manuten\u00e7\u00e3o e aproveitamento do cr\u00e9dito do imposto a que se refere o art. 155, \u00a7 2\u00ba, X, <em>a<\/em>\u201c (reparti\u00e7\u00e3o entre os diversos entes federados do ICMS).<\/p>\n\n\n\n<p>Na oportunidade, a Corte fixou o prazo de doze meses para que fosse sanada a omiss\u00e3o e deliberou que, na hip\u00f3tese de transcorrer <em>in albis<\/em> o mencionado prazo, caberia ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) fixar o valor do montante total a ser transferido anualmente aos estados-membros e ao Distrito Federal e calcular o valor das quotas a que cada um deles teria direito, considerando certos crit\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, prorroga\u00e7\u00e3o em cima de prorroga\u00e7\u00e3o, o prazo vem sendo chutado para frente. Nesse \u00ednterim, alguns estados-membros manifestaram interesse em buscarem a composi\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel do lit\u00edgio com a Uni\u00e3o. Diante disso, o relator designou, excepcionalmente, audi\u00eancia de tentativa de concilia\u00e7\u00e3o. Ocorreram v\u00e1rias reuni\u00f5es da Comiss\u00e3o Especial formada com o intuito de apresentar proposta de solu\u00e7\u00e3o do impasse. Os tr\u00e2mites finais culminaram nos termos do acordo submetido \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o, juntamente com novo pedido de prorroga\u00e7\u00e3o do prazo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>1.2. An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1.2.1.&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p>ADCT: \u201cArt. 91. A Uni\u00e3o entregar\u00e1 aos Estados e ao Distrito Federal o montante definido em lei complementar, de acordo com crit\u00e9rios, prazos e condi\u00e7\u00f5es nela determinados, podendo considerar as exporta\u00e7\u00f5es para o exterior de produtos prim\u00e1rios e semi-elaborados, a rela\u00e7\u00e3o entre as exporta\u00e7\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es, os cr\u00e9ditos decorrentes de aquisi\u00e7\u00f5es destinadas ao ativo permanente e a efetiva manuten\u00e7\u00e3o e aproveitamento do cr\u00e9dito do imposto a que se refere o art. 155, \u00a7 2\u00ba, X, a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Do montante de recursos que cabe a cada Estado, setenta e cinco por cento pertencem ao pr\u00f3prio Estado, e vinte e cinco por cento, aos seus Munic\u00edpios, distribu\u00eddos segundo os crit\u00e9rios a que se refere o art. 158, par\u00e1grafo \u00fanico, da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba A entrega de recursos prevista neste artigo perdurar\u00e1, conforme definido em lei complementar, at\u00e9 que o imposto a que se refere o art. 155, II, tenha o produto de sua arrecada\u00e7\u00e3o destinado predominantemente, em propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o inferior a oitenta por cento, ao Estado onde ocorrer o consumo das mercadorias, bens ou servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Enquanto n\u00e3o for editada a lei complementar de que trata o caput, em substitui\u00e7\u00e3o ao sistema de entrega de recursos nele previsto, permanecer\u00e1 vigente o sistema de entrega de recursos previsto no art. 31 e Anexo da Lei Complementar n\u00ba 87, de 13 de setembro de 1996, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei Complementar n\u00ba 115, de 26 de dezembro de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba Os Estados e o Distrito Federal dever\u00e3o apresentar \u00e0 Uni\u00e3o, nos termos das instru\u00e7\u00f5es baixadas pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, as informa\u00e7\u00f5es relativas ao imposto de que trata o art. 155, II, declaradas pelos contribuintes que realizarem opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es com destino ao exterior.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1.2.2.&nbsp; Do que se trata a quest\u00e3o?<\/h4>\n\n\n\n<p>Estamos a falar aqui de mora do Poder Legislativo na edi\u00e7\u00e3o de lei complementar que recompensasse a perda de arrecada\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) dos entes subnacionais com a exonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema envolve autonomia financeira e partilha de recursos tribut\u00e1rios. Embora o texto original da Constitui\u00e7\u00e3o tivesse promovido esfor\u00e7os para descentralizar as receitas, a Uni\u00e3o, por meio das contribui\u00e7\u00f5es (cuja receita n\u00e3o \u00e9 compartilhada com os demais entes), conseguiu reverter o quadro de partilha, <strong>concentrando em seu poder a maior parte dos recursos tribut\u00e1rios arrecadados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, o constituinte desenhou um quadro fiscal fortemente descentralizado quanto aos impostos, por outro, deixou nas m\u00e3os da Uni\u00e3o, livres de qualquer partilha de arrecada\u00e7\u00e3o, outra esp\u00e9cie tribut\u00e1ria: as CONTRIBUI\u00c7\u00d5ES, especialmente as sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do Plano Real, houve incremento da participa\u00e7\u00e3o das receitas de contribui\u00e7\u00f5es no total de receitas correntes da Uni\u00e3o, sem o respectivo incremento na participa\u00e7\u00e3o das receitas tribut\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, a edi\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 42\/2003, embora tenha traduzido um esfor\u00e7o de desonera\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es, trouxe severo <strong>impacto nas finan\u00e7as estaduais:<\/strong> <em>as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras foram completamente removidas do campo de incid\u00eancia do ICMS<\/em>. Criou-se, portanto, uma imunidade constitucional, em preju\u00edzo de uma fonte de receita p\u00fablica estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, a modifica\u00e7\u00e3o prestigia e incentiva as exporta\u00e7\u00f5es em prol de toda a Federa\u00e7\u00e3o, por outro, traz consequ\u00eancias severas sobretudo para quem se dedica \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios (<em>commodities<\/em>). Por isso, para compensar a perda de arrecada\u00e7\u00e3o imposta pela Emenda Constitucional 42\/2003, estabeleceu-se, no art. 91 do ADCT, uma f\u00f3rmula de transfer\u00eancia constitucional obrigat\u00f3ria da Uni\u00e3o em favor dos Estados-Membros e do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse mecanismo, em tese, poderia representar importante instrumento de federalismo cooperativo, de sorte a <em>atenuar os impactos financeiros<\/em> decorrentes da desonera\u00e7\u00e3o promovida pela Emenda Constitucional 42\/2003 nas contas estaduais. Entretanto, <strong>a lei complementar prevista no art. 91 do ADCT nunca foi editada e, at\u00e9 hoje, a regra do \u00a7 3\u00ba deste dispositivo continua sendo aplicada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>ADCT, art. 91, \u00a7 3\u00ba Enquanto n\u00e3o for editada a lei complementar de que trata o caput, em substitui\u00e7\u00e3o ao sistema de entrega de recursos nele previsto, permanecer\u00e1 vigente o sistema de entrega de recursos previsto no art. 31 e Anexo da LC 87\/1996.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1.2.3.&nbsp; Vale o acordo?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> T\u00e1 valendo.<\/p>\n\n\n\n<p>O STF registrou a inaugura\u00e7\u00e3o, nesta ADO, do pensamento do poss\u00edvel no Federalismo cooperativo, uma das facetas mais formid\u00e1veis da interpreta\u00e7\u00e3o constitucional. Todos os atores do pacto federativo foram chamados para tentarem solucionar o impasse entre as esferas federal, estadual e distrital, que se prolongava desde a institui\u00e7\u00e3o da Lei Kandir (Lei Complementar 87\/1996), com algumas atua\u00e7\u00f5es pontuais produzidas pelas Leis Complementares 102\/2000 e 115\/2002 e com a EC 42\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p>As unidades federativas foram conclamadas para que, na linha do pensamento do poss\u00edvel, se dissipassem de suas certezas absolutas, interesses estratificados e compreendessem a oportunidade sob o olhar do federalismo cooperativo, no af\u00e3 de <strong>diminuir as tens\u00f5es\/diferen\u00e7as e aproximar as converg\u00eancias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>As partes signat\u00e1rias possuem capacidade para firm\u00e1-lo em nome das respectivas unidades da Federa\u00e7\u00e3o. O objeto \u00e9 l\u00edcito e \u00e9 revestido das <strong>formalidades legais<\/strong> para homologa\u00e7\u00e3o e <em>encaminhamento ao Congresso Nacional, que deliberar\u00e1 sobre os termos de anteprojeto de lei complementar<\/em>, a ser encaminhado pela Uni\u00e3o, no prazo de at\u00e9 sessenta dias a contar desta data de homologa\u00e7\u00e3o do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o colegiado considerou equacionados e bem representados todos os interesses jur\u00eddicos no aludido acordo, que p\u00f5e termo \u00e0 discuss\u00e3o pol\u00edtico-jur\u00eddica. <strong>A Federa\u00e7\u00e3o brasileira sai fortalecida <\/strong>e passa a ter \u00f3timo exemplo de coopera\u00e7\u00e3o institucional entre seus entes integrantes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1.2.4.&nbsp; Prorroga mais uma vez?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> SIM.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ad referendum<\/em>, o prazo fora prorrogado pela \u00faltima vez por noventa dias a contar de 21.2.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando todo o tramitar previsto acima, e que existem tr\u00eas cen\u00e1rios f\u00e1tico-jur\u00eddicos de previsibilidade: <strong>(1)<\/strong> aprova\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 188\/2019, encaminhada pelo governo federal, com revoga\u00e7\u00e3o do art. 91 do ADCT; <strong>(2)<\/strong> aprova\u00e7\u00e3o da citada PEC, sem a revoga\u00e7\u00e3o do art. 91 do ADCT; e <strong>(3)<\/strong> situa\u00e7\u00e3o durante a tramita\u00e7\u00e3o da PEC no Congresso Nacional (item 4.3 da cl\u00e1usula quarta do Termo de Acordo), o colegiado ratificou as decis\u00f5es nas quais foi prorrogado o prazo, por seus pr\u00f3prios fundamentos. Fatos supervenientes justificaram o abrandamento do termo fixado no julgamento de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1.2.5.&nbsp; Diverg\u00eancia.<\/h4>\n\n\n\n<p>Vencido (<em>insistentemente<\/em>) o ministro Marco Aur\u00e9lio, que se limitou a assentar a mora do Congresso Nacional. Reiterou que, em se tratando de mora de outro Poder, n\u00e3o cabe ao STF assinar prazo para que seja afastada, sob pena de desgaste maior. Frisou que o TCU n\u00e3o pode, como tamb\u00e9m n\u00e3o pode o STF, se substituir ao Congresso Nacional e fazer as vezes deste no que omisso quanto \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de lei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1.2.6.&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Plen\u00e1rio, por maioria, referendou as decis\u00f5es monocr\u00e1ticas que <strong>prorrogaram o prazo fixado no julgamento do m\u00e9rito de a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade por omiss\u00e3o<\/strong> (ADO). De igual modo, homologou o acordo firmado entre a Uni\u00e3o e os entes estaduais e distrital, com o seu encaminhamento ao Congresso Nacional para as provid\u00eancias cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Majora\u00e7\u00e3o indireta de tributo e incid\u00eancia do princ\u00edpio da anterioridade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o ou supress\u00e3o de benef\u00edcios ou incentivos fiscais representam majora\u00e7\u00e3o indireta de tributo, sujeitando-se, portanto, \u00e0 incid\u00eancia dos princ\u00edpios da anterioridade tribut\u00e1ria geral e da anterioridade nonagesimal, previstos no art. 150, III, b e c, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1253706 AgR\/RS, rel. Min. Rosa Weber, julgamento em 19.5.2020<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>2.1. Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o (espertinha) buscou reduzir benef\u00edcios concedidos pelo Regime Especial de Reintegra\u00e7\u00e3o de Valores Tribut\u00e1rios para Empresas Exportadoras (REINTEGRA), que tem por objetivo devolver parcial ou integralmente o res\u00edduo tribut\u00e1rio remanescente na cadeia de produ\u00e7\u00e3o de bens exportados (MP 651\/2014 &#8211; convertida na Lei 13.043\/2014) \u2014 a pessoa jur\u00eddica que exporte bens pode apurar cr\u00e9dito, mediante a aplica\u00e7\u00e3o de percentual estabelecido em portaria do Ministro de Estado da Fazenda, sobre a receita auferida com a exporta\u00e7\u00e3o desses bens para o exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que os contribuintes foram r\u00e1pidos no gatilho e questionaram o movimento, alegando que tal redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios, na pr\u00e1tica, configurava majora\u00e7\u00e3o de tributo. Ser\u00e1 que a tese emplacou?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>2.2. An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2.2.1.&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p>CF: \u201cArt. 150. Sem preju\u00edzo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, \u00e9 vedado \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Munic\u00edpios: (&#8230;) III \u2013 cobrar tributos: (&#8230;) b) no mesmo exerc\u00edcio financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na al\u00ednea b\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2.2.2.&nbsp; Isso \u00e9 majora\u00e7\u00e3o de tributo?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> SIM (aumento indireto).<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Turma, por maioria, entendeu que o aumento indireto de tributo mediante a redu\u00e7\u00e3o ou supress\u00e3o de benef\u00edcios ou incentivos fiscais se sujeita \u00e0 incid\u00eancia dos princ\u00edpios da anterioridade tribut\u00e1ria <strong>geral<\/strong> e da anterioridade <strong>nonagesimal<\/strong>, previstos no art. 150, III, b e c, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Anterioridade GERAL (ANUAL)<\/strong><\/td><td><strong>Anterioridade NONAGESIMAL<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><tr><td>No <strong>mesmo exerc\u00edcio financeiro<\/strong> em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou o tributo.<\/td><td>Antes de decorridos <strong>noventa dias<\/strong> da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou o tributo.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2.2.3.&nbsp; Diverg\u00eancia.<\/h4>\n\n\n\n<p>Vencidos os ministros <strong>Luiz Fux<\/strong> e <strong>Alexandre de Moraes<\/strong>, que votaram pelo provimento do agravo, ao fundamento de que, nesses casos, incide apenas o princ\u00edpio da anterioridade nonagesimal. O ministro Alexandre de Moraes destacou, ainda, que a discuss\u00e3o acerca do tema foi iniciada pelo Plen\u00e1rio (RE 564.225).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Covid-19 e responsabiliza\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando as dimens\u00f5es sanit\u00e1ria, econ\u00f4mica, social e fiscal derivadas da crise do Coronav\u00edrus, bem assim a responsabilidade civil e administrativa dos agentes p\u00fablicos na tomada de decis\u00f5es em combate \u00e0 epidemia: 1. Configura erro grosseiro o ato administrativo que ensejar viola\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, ao meio ambiente equilibrado ou impactos adversos \u00e0 economia, por inobserv\u00e2ncia: (i) de normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos; ou (ii) dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o. &nbsp;2. A autoridade a quem compete decidir deve exigir que as opini\u00f5es t\u00e9cnicas em que basear\u00e1 sua decis\u00e3o tratem expressamente: (i) das normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos aplic\u00e1veis \u00e0 mat\u00e9ria, tal como estabelecidos por organiza\u00e7\u00f5es e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas; e (ii) da observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o, sob pena de se tornarem correspons\u00e1veis por eventuais viola\u00e7\u00f5es a direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 6421 MC\/DF, ADI 6422 MC\/DF, ADI 6424 MC\/DF, ADI 6425 MC\/DF, ADI 6427 MC\/DF, ADI 6428 MC\/DF, ADI 6431 MC\/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgamento em 20 e 21.5.2020.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>3.1. Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O novo Coronav\u00edrus representa problemas em v\u00e1rias dimens\u00f5es. Na dimens\u00e3o SANIT\u00c1RIA, trata-se de uma crise de sa\u00fade p\u00fablica, pois a doen\u00e7a se propagou sem que haja rem\u00e9dio eficaz ou vacina descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo se vem afirmando (e muita gente, inclusive o STF) assume a ideia de que a \u00fanica medida preventiva eficaz que as autoridades de sa\u00fade t\u00eam recomendado \u00e9 o <strong>isolamento social<\/strong> em toda parte (?) do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que na dimens\u00e3o ECON\u00d4MICA, est\u00e1 ocorrendo uma recess\u00e3o mundial. Na dimens\u00e3o SOCIAL, existe uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o nacional que trabalha na informalidade, e\/ou que n\u00e3o consta em qualquer tipo de cadastro oficial, de modo que h\u00e1 grande dificuldade em encontrar essas pessoas e oferecer a ajuda necess\u00e1ria. Por fim, h\u00e1 a dimens\u00e3o FISCAL da crise, que consiste na press\u00e3o existente sobre os cofres p\u00fablicos para manter os servi\u00e7os, principalmente de sa\u00fade, em funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muita preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 responsabilidade civil dos agentes p\u00fablicos pelas medidas tomadas de enfrentamento \u00e0 pandemia (considerando todos esses elementos conflitantes). Nesse contexto, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica editou a MP 966\/2020, regulando tal responsabilidade. Estabeleceu, basicamente, que os agentes p\u00fablicos somente poder\u00e3o ser responsabilizados nas esferas civil e administrativa se agirem ou se omitirem com dolo ou erro grosseiro pela pr\u00e1tica de atos relacionados, direta ou indiretamente, com as medidas de enfrentamento da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Muita gente n\u00e3o gostou, afirmando que a MP est\u00e1 limpando a barra para eventuais medidas imprudentes tomadas pelos gestores p\u00fablicos. Uma ADI foi proposta e, de lambuja, aproveitou para atacar o art. 28 do Decreto-Lei 4.657\/2018 (Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro ou LINDB), com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei 13.655\/2018 (\u201co agente p\u00fablico responder\u00e1 pessoalmente por suas decis\u00f5es ou opini\u00f5es t\u00e9cnicas em caso de dolo ou erro grosseiro\u201d) e, ainda, os arts. 12 e 14 do Decreto 9.830\/2019, que regulamentam o referido art. 28.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>3.2. An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.2.1.&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p>MP 966\/2020: \u201cArt. 2\u00ba. Para fins do disposto nesta Medida Provis\u00f3ria, considera-se erro grosseiro o erro manifesto, evidente e inescus\u00e1vel praticado com culpa grave, caracterizado por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o com elevado grau de neglig\u00eancia, imprud\u00eancia ou imper\u00edcia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>MP 966\/2020: \u201cArt. 1\u00ba Os agentes p\u00fablicos somente poder\u00e3o ser responsabilizados nas esferas civil e administrativa se agirem ou se omitirem com dolo ou erro grosseiro pela pr\u00e1tica de atos relacionados, direta ou indiretamente, com as medidas de: I \u2013 enfrentamento da emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica decorrente da pandemia da covid-19; e II \u2013 combate aos efeitos econ\u00f4micos e sociais decorrentes da pandemia da covid-19. \u00a7 1\u00ba A responsabiliza\u00e7\u00e3o pela opini\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o se estender\u00e1 de forma autom\u00e1tica ao decisor que a houver adotado como fundamento de decidir e somente se configurar\u00e1: I \u2013 se estiverem presentes elementos suficientes para o decisor aferir o dolo ou o erro grosseiro da opini\u00e3o t\u00e9cnica; ou II \u2013 se houver conluio entre os agentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>LINDB, art. 28 O agente p\u00fablico responder\u00e1 pessoalmente por suas decis\u00f5es ou opini\u00f5es t\u00e9cnicas em caso de dolo ou erro grosseiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.2.2.&nbsp; Como fica o artigo 28 da LINDB?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> Fica do jeito que est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere a este dispositivo, o STF anotou que a lei \u00e9 de 2018, portanto em vigor h\u00e1 mais de dois anos, <em>sem que se tenha detectado algum tipo de malef\u00edcio ou de transtorno decorrente de sua aplica\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 uma lei que cont\u00e9m normas gerais, de direito intertemporal, de Direito Internacional Privado, de hermen\u00eautica e de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional. Assim, seu car\u00e1ter abstrato, aliado \u00e0 sua vig\u00eancia por tempo consider\u00e1vel, tornam inoportuna sua an\u00e1lise em medida acauteladora nesse momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o colegiado se limitou a analisar, exclusivamente, a MP 966\/2020, no que se refere especificamente \u00e0 responsabilidade civil e administrativa de agentes p\u00fablicos no enfrentamento da pandemia e no combate a seus efeitos econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.2.3.&nbsp; Ok. E quanto \u00e0 MP?<\/h4>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito dessa MP foi dar seguran\u00e7a aos agentes p\u00fablicos que t\u00eam compet\u00eancias decis\u00f3rias, minimizando suas responsabilidades no tratamento da doen\u00e7a e no combate aos seus efeitos econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, h\u00e1 raz\u00f5es pelas quais ela n\u00e3o eleva a seguran\u00e7a dos agentes p\u00fablicos. Isso porque um dos problemas do Brasil \u00e9 que o controle dos atos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica sobrev\u00e9m <strong>muitos anos depois dos fatos relevantes<\/strong>, quando, muitas vezes, <em>j\u00e1 n\u00e3o se tem mais nenhum registro<\/em>, na mem\u00f3ria, da situa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia, das incertezas e indefini\u00e7\u00f5es que levaram o administrador a decidir.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a seguran\u00e7a viria se existisse desde logo um monitoramento quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o desses recursos, por via id\u00f4nea, no tempo real ou pouco tempo depois dos eventos. N\u00e3o obstante, o que se previu na MP n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00f5es como corrup\u00e7\u00e3o, superfaturamento ou favorecimentos indevidos s\u00e3o condutas ileg\u00edtimas independentemente da situa\u00e7\u00e3o de pandemia. A MP n\u00e3o trata de crime ou de ato il\u00edcito. Assim, <strong>qualquer interpreta\u00e7\u00e3o do texto impugnado que d\u00ea imunidade a agentes p\u00fablicos quanto a ato il\u00edcito ou de improbidade deve ser exclu\u00edda<\/strong>. O alcance da MP \u00e9 distinto.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da vida, a jurisprud\u00eancia do Tribunal se move por dois par\u00e2metros: o primeiro deles \u00e9 o de que <strong>devem ser observados padr\u00f5es t\u00e9cnicos e evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a mat\u00e9ria<\/strong>. O segundo \u00e9 que essas quest\u00f5es se sujeitam ao princ\u00edpio da preven\u00e7\u00e3o e ao princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o, ou seja, se existir alguma d\u00favida quanto aos efeitos de alguma medida, ela n\u00e3o deve ser aplicada, a Administra\u00e7\u00e3o deve se pautar pela autoconten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso ponderar a exist\u00eancia de agentes p\u00fablicos incorretos, que se <strong>aproveitam da situa\u00e7\u00e3o para obter vantagem apesar das mortes que v\u00eam ocorrendo<\/strong>; e a de administradores corretos que podem temer retalia\u00e7\u00f5es duras por causa de seus atos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, <strong>o texto impugnado limita corretamente a responsabiliza\u00e7\u00e3o do agente pelo erro estritamente grosseiro<\/strong>. O problema \u00e9 qualificar o que se entende por \u201cgrosseiro\u201d: al\u00e9m de excluir da incid\u00eancia da norma a ocorr\u00eancia de improbidade administrativa, que j\u00e1 \u00e9 tratada em legisla\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer que, na an\u00e1lise do sentido e alcance do que isso signifique \u2014 erro \u201cgrosseiro\u201d \u2014, <strong>deve se levar em considera\u00e7\u00e3o a observ\u00e2ncia pelas autoridades, pelos agentes p\u00fablicos, daqueles dois par\u00e2metros<\/strong>: os standards, normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos, tal como estabelecidos por organiza\u00e7\u00f5es e entidades m\u00e9dicas e sanit\u00e1rias nacional e internacionalmente reconhecidas, bem como a observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a <strong>autoridade competente deve exigir que a opini\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong>, com base na qual decidir\u00e1, trate expressamente das normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos aplic\u00e1veis \u00e0 mat\u00e9ria, tal como estabelecido por organiza\u00e7\u00f5es e entidades m\u00e9dicas e sanit\u00e1rias, reconhecidas nacional e internacionalmente, e a observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram firmadas as seguintes TESES:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Configura <strong>ERRO GROSSEIRO<\/strong> o ato administrativo que ensejar viola\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, ao meio ambiente equilibrado ou impactos adversos \u00e0 economia, por inobserv\u00e2ncia: (i) de normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos; ou (ii) dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>2. A autoridade a quem compete decidir <strong>DEVE EXIGIR<\/strong> que as opini\u00f5es t\u00e9cnicas em que basear\u00e1 sua decis\u00e3o tratem expressamente: (i) das normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos aplic\u00e1veis \u00e0 mat\u00e9ria, tal como estabelecidos por organiza\u00e7\u00f5es e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas; e (ii) da observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o, sob pena de se tornarem correspons\u00e1veis por eventuais viola\u00e7\u00f5es a direitos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.2.4.&nbsp; Diverg\u00eancia.<\/h4>\n\n\n\n<p>Vencidos os ministros <strong>Alexandre de Moraes<\/strong> e <strong>C\u00e1rmen L\u00fa<\/strong>cia, que concederam a medida cautelar em maior extens\u00e3o, para suspender parcialmente a efic\u00e1cia do art. 1\u00ba da MP 966\/2020 e integralmente a efic\u00e1cia do inciso II desse artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vencido, tamb\u00e9m, o ministro <strong>Marco Aur\u00e9lio<\/strong>, que, preliminarmente (a) entendeu inadequada a via eleita; no m\u00e9rito (b) concedeu a medida acauteladora para suspender integralmente a efic\u00e1cia da MP 966\/2020.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.2.5.&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Plen\u00e1rio, em julgamento conjunto e por maioria, <strong>deferiu parcialmente medidas cautelares<\/strong> em a\u00e7\u00f5es diretas de inconstitucionalidade, em que se discute a responsabiliza\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos pela pr\u00e1tica de atos relacionados com as medidas de enfrentamento da pandemia do novo Coronav\u00edrus e aos efeitos econ\u00f4micos e sociais dela decorrentes, para:<\/p>\n\n\n\n<p>a) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 2\u00ba da MP 966\/2020, no sentido de estabelecer que, na caracteriza\u00e7\u00e3o de erro grosseiro, deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o a <strong>observ\u00e2ncia, pelas autoridades<\/strong>: (i) de standards, normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos, tal como estabelecidos por organiza\u00e7\u00f5es e entidades internacional e nacionalmente conhecidas; bem como (ii) dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>b) conferir, ainda, interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 1\u00ba da MP 966\/2020, para explicitar que, para os fins de tal dispositivo, a autoridade \u00e0 qual compete a decis\u00e3o deve exigir que a opini\u00e3o t\u00e9cnica trate expressamente: (i) das normas e crit\u00e9rios cient\u00edficos e t\u00e9cnicos aplic\u00e1veis \u00e0 mat\u00e9ria, tal como estabelecidos por organiza\u00e7\u00f5es e entidades reconhecidas nacional e internacionalmente; (ii) da observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios constitucionais da precau\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Colabora\u00e7\u00e3o premiada: acesso a documentos e exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PETI\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei 12.850\/2013 prev\u00ea o sigilo do acordo de colabora\u00e7\u00e3o, como regra, at\u00e9 a den\u00fancia, se estendendo aos atos de coopera\u00e7\u00e3o, especialmente \u00e0s declara\u00e7\u00f5es do cooperador. Contudo, o sigilo dos atos de colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 opon\u00edvel ao delatado. A ele, o acesso deve ser garantido caso estejam presentes dois requisitos: (1) positivo: o ato de colabora\u00e7\u00e3o deve apontar a responsabilidade criminal do requerente; (2) negativo: o ato de colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deve referir a dilig\u00eancia em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Pet 7494 AgR\/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p\/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 19.5.2020<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>4.1. Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Estamos aqui no \u00e2mbito da famos\u00edssima Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n\n\n\n<p>Os termos do acordo celebrado entre os executivos da empresa Odebrecht e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal deram origem, por meio de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional celebrada entre Brasil e a Rep\u00fablica do Peru, a procedimento investigativo e, ap\u00f3s, a a\u00e7\u00e3o penal, em raz\u00e3o da qual os agravantes se encontram presos naquele pa\u00eds desde julho de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa desses acusados pretendia, em suma, obter acesso integral aos termos dos colaboradores para viabilizar, de forma plena e adequada, sua defesa nos procedimentos que tramitam em seu desfavor na Rep\u00fablica do Peru.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>4.2. An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">4.2.1.&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>S\u00famula Vinculante 14<\/strong>: \u201c\u00c9 direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, j\u00e1 documentados em procedimento investigat\u00f3rio realizado por \u00f3rg\u00e3o com compet\u00eancia de pol\u00edcia judici\u00e1ria, digam respeito ao exerc\u00edcio do direito de defesa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lei 12.850\/2013<\/strong>: \u201cArt. 7\u00ba O pedido de homologa\u00e7\u00e3o do acordo ser\u00e1 sigilosamente distribu\u00eddo, contendo apenas informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o possam identificar o colaborador e o seu objeto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba As informa\u00e7\u00f5es pormenorizadas da colabora\u00e7\u00e3o ser\u00e3o dirigidas diretamente ao juiz a que recair a distribui\u00e7\u00e3o, que decidir\u00e1 no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba O acesso aos autos ser\u00e1 restrito ao juiz, ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e ao delegado de pol\u00edcia, como forma de garantir o \u00eaxito das investiga\u00e7\u00f5es, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exerc\u00edcio do direito de defesa, devidamente precedido de autoriza\u00e7\u00e3o judicial, ressalvados os referentes \u00e0s dilig\u00eancias em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba O acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada e os depoimentos do colaborador ser\u00e3o mantidos em sigilo at\u00e9 o recebimento da den\u00fancia ou da queixa-crime, sendo vedado ao magistrado decidir por sua publicidade em qualquer hip\u00f3tese.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">4.2.2.&nbsp; Concede o acesso?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> SIM.<\/p>\n\n\n\n<p>Prevaleceu o voto do ministro Gilmar Mendes, segundo o qual o MPF tem compartilhado, por meio da coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional firmada com a Rep\u00fablica do Peru, elementos de prova colhidos em acordos de colabora\u00e7\u00e3o premiada, celebrados no Brasil e relacionados diretamente aos agravantes, de <strong>maneira possivelmente arbitr\u00e1ria e seletiva<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que elementos essenciais para a defesa dos agravantes, no processo em tr\u00e2mite na Rep\u00fablica do Peru, podem, eventualmente, e de acordo com as informa\u00e7\u00f5es prestadas pela defesa, n\u00e3o ter sido compartilhados pelo MPF, ofendendo, assim, os princ\u00edpios constitucionais do contradit\u00f3rio e da ampla defesa, j\u00e1 que a prova foi produzida originalmente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se podendo afirmar com certeza se o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Peru recebeu do MPF todos os elementos de prova relacionados aos agravantes, eventual pleito junto \u00e0s autoridades peruanas poderia restar totalmente ineficiente para que se pudesse exercer a defesa plena das acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses termos, a defesa dos agravantes n\u00e3o pode ficar \u00e0 merc\u00ea de uma sele\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria, por parte do MPF, dos dados que devem ou n\u00e3o ser compartilhados, sob pena de grave vilip\u00eandio dos princ\u00edpios constitucionais do contradit\u00f3rio e da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica-se, dessa forma, um claro <strong>conflito de interesses<\/strong> entre os \u00f3rg\u00e3os acusat\u00f3rios e a defesa dos agravantes. Em caso de o MPF ter compartilhado apenas os dados que eventualmente interessassem ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Peru, fica a defesa dos agravantes nitidamente prejudicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o expressos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, os princ\u00edpios do <strong>contradit\u00f3rio e da ampla defesa<\/strong>, tanto em seu momento INFORMATIVO quanto em seu momento REATIVO, representam valores axiol\u00f3gicos que norteiam o sistema processual penal em \u00e2mbito americano e est\u00e3o previstos na Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo sido o conte\u00fado das dela\u00e7\u00f5es que atingem os agravantes produzido no Brasil e tendo havido uma poss\u00edvel sele\u00e7\u00e3o dos dados a serem compartilhados, entendeu cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o do Enunciado 14 da S\u00famula Vinculante do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do referido entendimento sumular no \u00e2mbito do instituto da colabora\u00e7\u00e3o premiada, a <strong>Lei 12.850\/2013<\/strong> prev\u00ea, em seu art. 7\u00ba, o sigilo do acordo de colabora\u00e7\u00e3o, como regra, at\u00e9 a den\u00fancia, se estendendo aos atos de coopera\u00e7\u00e3o, especialmente \u00e0s declara\u00e7\u00f5es do cooperador.<\/p>\n\n\n\n<p>O sigilo dos atos de colabora\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o \u00e9 opon\u00edvel ao delatado. H\u00e1 uma norma especial que regulamenta o acesso do defensor do delatado aos atos de colabora\u00e7\u00e3o (Lei 12.850\/2013, art. 7\u00ba, \u00a7 2\u00ba). O dispositivo consagra o amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exerc\u00edcio do direito de defesa, ressalvados os referentes a dilig\u00eancias em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em um cotejo anal\u00edtico entre o referido verbete sumular e a Lei 12.850\/2013, <strong>o acesso deve ser garantido caso estejam presentes <\/strong>DOIS requisitos: (1) POSITIVO: o ato de colabora\u00e7\u00e3o deve apontar a responsabilidade criminal do requerente; (2) NEGATIVO: o ato de colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deve referir a dilig\u00eancia em andamento. No mesmo sentido: Rcl 24.116 e Rcl 30742 AgR\/SP, rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 4.2.2020 \u2013 Info 965.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>POSITIVO<\/strong><\/td><td><strong>NEGATIVO<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><tr><td>O ato de colabora\u00e7\u00e3o deve apontar a responsabilidade criminal do requerente.<\/td><td>O acesso ao acordo n\u00e3o deve prejudicar a efic\u00e1cia de dilig\u00eancia em andamento.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">4.2.3.&nbsp; Diverg\u00eancia.<\/h4>\n\n\n\n<p>Vencidos o ministro <strong>Edson Fachin<\/strong> (relator), que negou provimento ao agravo regimental e manteve a decis\u00e3o monocr\u00e1tica, e, em menor extens\u00e3o, a ministra <strong>C\u00e1rmen L\u00facia<\/strong>, que deferiu apenas parcialmente o pedido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">4.2.4.&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p>A Segunda Turma, por maioria, deu provimento a agravo regimental em peti\u00e7\u00e3o para PERMITIR o acesso dos requerentes ao conte\u00fado de colabora\u00e7\u00e3o premiada realizada por executivos da empresa Odebrecht, no \u00e2mbito da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava Jato\u201d, em que foram citados.<\/p>\n\n\n\n<p>Determinou-se que o acesso deve abranger somente documentos em que os agravantes s\u00e3o de fato mencionados (requisito positivo), exclu\u00eddos os atos investigativos e dilig\u00eancias que ainda se encontram em andamento e n\u00e3o foram consubstanciados e relatados no inqu\u00e9rito ou na a\u00e7\u00e3o penal em tr\u00e2mite (requisito negativo).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2020\/06\/02132012\/STF-978.pdf\">STF-978<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2020\/06\/02132012\/STF-978.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amigos e amigas de todo o Brasil! 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