{"id":418040,"date":"2019-09-09T16:09:09","date_gmt":"2019-09-09T19:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=418040"},"modified":"2020-02-17T12:15:50","modified_gmt":"2020-02-17T15:15:50","slug":"cacd-2019-correcao-detalhada-da-prova-de-geografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/cacd-2019-correcao-detalhada-da-prova-de-geografia\/","title":{"rendered":"CACD 2019 &#8211; Corre\u00e7\u00e3o detalhada da prova de Geografia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Corre\u00e7\u00e3o comentada e detalhada da prova de Geografia do CACD 2019, a primeira elaborada pelo IADES. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ol\u00e1, CACDistas! Tudo bem?<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de compartilhar com voc\u00eas meus coment\u00e1rios sobre a\nt\u00e3o esperada prova de Geografia para o Instituto Rio Branco. Por ser a primeira\nelaborada pelo IADES, gerou apreens\u00e3o em muitos alunos que, com toda a raz\u00e3o,\nse preocuparam (e muito!) por n\u00e3o conhecerem a nova banca. <\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que no geral, foi uma prova justa, honesta e previs\u00edvel, seguindo praticamente o mesmo formato das avalia\u00e7\u00f5es anteriores da CESPE e fazendo jus aos estudos de voc\u00eas &#8211; ainda que tivesse tido a cobran\u00e7a de alguns aspectos espec\u00edficos demais, conforme veremos adiante. <\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>primeira quest\u00e3o <\/strong>(n\u00famero 23) versou sobre o planejamento territorial da Regi\u00e3o Nordeste, um assunto que tratamos exaustivamente em nosso curso e que voc\u00eas poderiam responder tranquilamente sem grandes traumas. <\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>segunda quest\u00e3o<\/strong> (n\u00famero 24) j\u00e1 era mais complicada, pois exigiu conhecimentos de Atualidades e Pol\u00edtica Internacional, sobretudo sobre as rela\u00e7\u00f5es Brasil-China. N\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa que a prova de Geografia dialoga intensamente com estas duas \u00e1reas, por\u00e9m, houve alguns problemas de reda\u00e7\u00e3o que poderiam facilmente confundir o aluno (veja abaixo as possibilidades de recurso e anula\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>terceira quest\u00e3o<\/strong> (n\u00famero 25) cobrou basicamente o REGIC do IBGE, aquele estudo sobre as redes de cidades do Brasil que mesmo sendo antigo, ainda continua sendo cobrado nas provas do CACD. J\u00e1 foi um tema muito frequente, mas que caiu em desuso relativo nos \u00faltimos cinco anos. A julgar pela prova de 2019, parece que h\u00e1 uma tend\u00eancia de retomada do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>A<strong> quarta quest\u00e3o<\/strong> (n\u00famero 26) foi sobre metropoliza\u00e7\u00e3o e desmetropoliza\u00e7\u00e3o do Brasil, um tema bastante frequente nas \u00faltimas provas. No entanto, \u00e9 a primeira vez que a forma\u00e7\u00e3o de metr\u00f3poles \u00e9 cobrada do ponto de vista normativo. Sempre estudamos a parte te\u00f3rica, por\u00e9m, at\u00e9 ent\u00e3o, nunca havia ca\u00eddo. Repare que foi a segunda quest\u00e3o de Geografia Urbana. <\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>quinta quest\u00e3o<\/strong> (n\u00famero 27) foi a mais complexa da prova. N\u00e3o necessariamente por ser dif\u00edcil, mas sim, por exigir uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es, desde a dicotomia entre Mackinder e Mahan (um assunto j\u00e1 frequente para os CACDistas), at\u00e9 especificidades locais como, por exemplo, as fronteiras entre China e \u00cdndia ou o relevo dos Estados Unidos, que s\u00e3o conte\u00fados pouco usuais. Apesar de dif\u00edcil, eu particularmente achei uma quest\u00e3o bem elaborada, pois sintetizou bem o papel do ge\u00f3grafo na compreens\u00e3o integrada dos aspectos f\u00edsicos e geopol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>sexta quest\u00e3o<\/strong> (n\u00famero 28) versou sobre a transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica no Brasil, um assunto muito frequente nas provas do CACD. A grande surpresa negativa foi a cobran\u00e7a de aspectos espec\u00edficos como, por exemplo, as datas de transi\u00e7\u00e3o no Brasil. Por\u00e9m, no geral, foi uma boa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos os detalhes abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00c3O 23<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es recentes na Regi\u00e3o\nNordeste, considerando as iniciativas de planejamento regional, julgue (C ou E)\nos itens a seguir. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) Nas primeiras\nd\u00e9cadas do s\u00e9culo 21, a Regi\u00e3o Nordeste desenvolveu uma maior capacidade de\nresili\u00eancia frente ao fen\u00f4meno da seca. Contribu\u00edram para esse quadro, entre\noutros fatores, os investimentos em infraestrutura, perman\u00eancia de pol\u00edticas\nhidr\u00e1ulicas, novas pol\u00edticas de conviv\u00eancia com a seca, urbaniza\u00e7\u00e3o da\nsub-regi\u00e3o semi\u00e1rida, maior capilaridade das pol\u00edticas sociais de transfer\u00eancia\nde renda e pol\u00edticas de crescimento econ\u00f4mico. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa quest\u00e3o, o IADES manteve uma postura que a CESPE j\u00e1\ntinha e que j\u00e1 comentamos aqui.&nbsp; Ambas as\nbancas possuem uma abordagem possibilista e consideram que os problemas\nnaturais \u2013 como, por exemplo, a seca \u2013 n\u00e3o s\u00e3o justificativas para os problemas\nsociais. Uma vez que os problemas da seca foram contornados, pelo menos em\nparte, pelo poder p\u00fablico, as condi\u00e7\u00f5es de vida no nordeste melhoraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI, o governo federal\nprotagonizou uma s\u00e9rie de programas sociais na regi\u00e3o (Bolsa fam\u00edlia, PRONAF,\nseguro-safra, luz para todos, etc.). Do mesmo modo, realizou investimentos em\ninfraestrutura do qual o exemplo mais importante \u00e9 a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o\nFrancisco. <\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o tamb\u00e9m aponta um fen\u00f4meno que \u00e9 \u201cfigurinha\ncarimbada\u201d no CACD \u2013 isto \u00e9, aquilo que cai praticamente todos os anos \u2013 que \u00e9\no crescimento das cidades m\u00e9dias no Brasil, um fen\u00f4meno provocado\nprincipalmente pela desconcentra\u00e7\u00e3o industrial e pelo fortalecimento da\nagroind\u00fastria. No caso do nordeste, esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m teve influ\u00eancia desses\nprogramas sociais que ajudaram a manter o sertanejo na regi\u00e3o.&nbsp; Gabarito: Certo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) O modelo de\ndesenvolvimento industrial empregado por muitos estados da Regi\u00e3o Nordeste\npriorizou a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de atra\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias externas com\nfinanciamentos p\u00fablicos via benef\u00edcios fiscais para a atra\u00e7\u00e3o de unidades\nindustriais. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, esse foi o modelo de crescimento industrial\nempregado n\u00e3o somente na Regi\u00e3o Nordeste, como tamb\u00e9m, em todo o territ\u00f3rio\nbrasileiro. Isso caracteriza o que o Prof. Amado Cervo chamou de \u201cEstado\nLog\u00edstico\u201d, um modelo de desenvolvimento implantado no Brasil no in\u00edcio do\ns\u00e9culo XXI, com o Estado fornecendo o suporte log\u00edstico e financeiro para a\natua\u00e7\u00e3o do capital privado. Isto \u00e9, um Estado n\u00e3o t\u00e3o enxuto como no modelo\nneoliberal, por\u00e9m, n\u00e3o t\u00e3o forte como no modelo desenvolvimentista.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, essa quest\u00e3o deixa bem evidente a quest\u00e3o da guerra\nfiscal e da integra\u00e7\u00e3o das cadeias de produ\u00e7\u00e3o global, aquilo que estudamos no\nfen\u00f4meno de globaliza\u00e7\u00e3o. A partir do momento que o capital pode circular com\nmaior fluidez, \u00e9 necess\u00e1rio, cada vez mais, que os Estados garantam a sua\nperman\u00eancia. E esses benef\u00edcios fiscais s\u00e3o uma estrat\u00e9gia nesse sentido.\nGabarito: Certo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Criada no Governo de\nJuscelino Kubitschek, a Superintend\u00eancia de Desenvolvimento da Regi\u00e3o Nordeste\n(Sudene) foi extinta definitivamente no Governo Fernando Henrique Cardoso. O\nencerramento das atividades da Sudene representou o fim de um ciclo de\npol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o combate \u00e0s disparidades regionais no Brasil.\n<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, A SUDENE foi criada durante o governo de JK e\nextinta durante o governo de FHC. Isso em dois contextos diferentes. Na \u00e9poca\nde sua concep\u00e7\u00e3o, havia a ideia de \u201ccrescer 50 anos em 5\u201d, uma m\u00e1xima adotada\npelo \u201cPlano de Metas\u201d de Juscelino, um programa nitidamente\nnacional-desenvolvimentista. Sob essa perspectiva, a SUDENE serviria para\norientar o desenvolvimento e o crescimento da regi\u00e3o nordeste que j\u00e1 naquela\n\u00e9poca, apresentava in\u00fameros problemas sociais. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, ainda\nna gest\u00e3o de FHC, a SUDENE foi extinta, dando lugar a Ag\u00eancia do\nDesenvolvimento do Nordeste (ADENE). At\u00e9 a\u00ed, a quest\u00e3o est\u00e1 correta, por\u00e9m, h\u00e1\ndois erros que devemos comentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, a SUDENE n\u00e3o foi \u201cextinta definitivamente\u201d. Na verdade, o \u00f3rg\u00e3o foi recriado em 2007, na gest\u00e3o de Lula. Portanto, foi uma extin\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e n\u00e3o definitiva. Em segundo lugar, n\u00e3o \u00e9 verdade que a extin\u00e7\u00e3o da SUDENE marcou o \u201cfim de um ciclo de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o combate \u00e0s disparidades regionais no Brasil\u201d. Afinal, conforme vimos no item anterior, foi justamente nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI que o Estado brasileiro procurou implantar programas para sanar esses problemas. Gabarito: Errado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) Os focos din\u00e2micos\nda agricultura moderna no sert\u00e3o nordestino est\u00e3o diretamente associados \u00e0\nconstru\u00e7\u00e3o de per\u00edmetros p\u00fablicos irrigados, tais como o de Nilo Coelho (PE),\nCura\u00e7\u00e1 (BA) e Tabuleiro de Russas (CE).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agricultura irrigada no Nordeste \u00e9 outra \u201cfigurinha\ncarimbada\u201d, um assunto que costuma cair muito no CACD. De fato, embora as\ncondi\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas n\u00e3o sejam favor\u00e1veis, o sert\u00e3o do nordeste \u00e9 um dos\nprincipais polos produtores de frutas do Brasil, inclusive, respons\u00e1vel por um\ngrande volume de exporta\u00e7\u00f5es. At\u00e9 a\u00ed, quest\u00e3o tranquila.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior dificuldade dessa quest\u00e3o \u00e9 identificar os per\u00edmetros\np\u00fablicos irrigados que s\u00e3o citados (Nilo Coelho, Cura\u00e7\u00e1 e Tabuleiro de Russas).\nDe fato, s\u00e3o tr\u00eas exemplos de irriga\u00e7\u00f5es provenientes do Rio S\u00e3o\nFrancisco.&nbsp; A boa not\u00edcia \u00e9 que n\u00e3o era\nnecess\u00e1rio conhecer estes exemplos para acertar a quest\u00e3o. Nesse caso, a banca\nfoi justa e n\u00e3o se preocupou com especificidades pequenas.&nbsp; Gabarito: Certo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00c3O 24<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O agroneg\u00f3cio no Brasil \u00e9 bastante dependente da\ncomercializa\u00e7\u00e3o de commodities em mercados internacionais. A respeito da\nbalan\u00e7a comercial de produtos agropecu\u00e1rios entre Brasil e China, julgue (C ou\nE) os itens a seguir. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) A guerra comercial\nenvolvendo China e Estados Unidos causou repercuss\u00f5es diretas no com\u00e9rcio\nbilateral de produtos agropecu\u00e1rios do Brasil com o pa\u00eds asi\u00e1tico. O efeito\nmais vis\u00edvel foi o aumento substancial da comercializa\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os (soja) a\npartir de 2018.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para essa quest\u00e3o, conhecimentos de Geografia n\u00e3o bastavam. O\naluno precisava estar informado sobre atualidades. O que \u00e9 importante entender\naqui \u00e9 que o Brasil foi um dos pa\u00edses que se aproveitou da guerra comercial\nentre Estados Unidos e China. <\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos e o Brasil s\u00e3o, respectivamente, o primeiro\ne o segundo maior produtor de soja do mundo \u2013 de certa forma, portanto, s\u00e3o\nconcorrentes em \u00e2mbito global. Como por conta da guerra comercial, os produtos\nnorte-americanos passaram a serem taxados na China, os produtos brasileiros\nficaram mais baratos. Por conta disso, a soja brasileira passou a ser a\npreferida de Pequim. Gabarito: Certo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) O com\u00e9rcio bilateral\nentre Brasil e China envolvendo produtos agropecu\u00e1rios \u00e9 bastante longevo. N\u00e3o\nobstante o aumento dos volumes e dos valores exportados, o patamar de\nexporta\u00e7\u00f5es brasileiras manteve-se est\u00e1vel no s\u00e9culo 21 com varia\u00e7\u00e3o entre 5% e\n10% do total exportado para a China. Ou seja, as principais modifica\u00e7\u00f5es\nocorridas est\u00e3o relacionadas mais diretamente \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o de produtos com\ndestaque para o crescimento explosivo da exporta\u00e7\u00e3o de soja em gr\u00e3o em\ndetrimento do a\u00e7\u00facar e do caf\u00e9. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do afirmado na quest\u00e3o, as exporta\u00e7\u00f5es do Brasil\npara a China n\u00e3o se mantiveram est\u00e1veis no s\u00e9culo XXI. Na verdade, foi justamente\no aumento desse fluxo que possibilitou o grande crescimento econ\u00f4mico que o\nBrasil encarou na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo, aquilo que os especialistas chamam\nde \u201cefeito-China\u201d. O que ocorreu, na verdade, foi um aumento expressivo das\nexporta\u00e7\u00f5es do Brasil para o pa\u00eds asi\u00e1tico, tanto em percentuais quanto em\nvalores absolutos. Foi nesse per\u00edodo, por exemplo, que a China ultrapassou os\nEstados Unidos como nosso maior parceiro comercial. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a quest\u00e3o erra ao afirmar que h\u00e1 uma\ndiversifica\u00e7\u00e3o de produtos nessa rela\u00e7\u00e3o. Na verdade, apesar do aumento do\nfluxo, o Brasil ainda continua exportando commodities para a China,\nespecialmente soja e min\u00e9rio de ferro. Gabarito: Errado<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) A China exerce um\npapel importante no com\u00e9rcio internacional de alimentos no mundo e \u00e9 o quarto\npa\u00eds no ranking de exporta\u00e7\u00e3o. No entanto, as trocas comerciais de produtos\nagropecu\u00e1rios com o Brasil ainda n\u00e3o apresentam valores significativos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o extremamente complicada e mal escrita que, na\nminha humilde opini\u00e3o, deveria ser anulada. O gabarito est\u00e1 \u201ccorreto\u201d, por\u00e9m,\nh\u00e1 alguns erros.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, n\u00e3o est\u00e1 claro em qual \u201cquarta posi\u00e7\u00e3o\u201d a\nChina estaria. Levando em considera\u00e7\u00e3o dados do CIA Factbook, a China n\u00e3o \u00e9 o\nquarto, mas sim o primeiro pa\u00eds no ranking de exporta\u00e7\u00e3o global. Al\u00e9m disso, a\nChina tamb\u00e9m \u00e9 o pa\u00eds que o Brasil mais exporta, de acordo com dados do\nObservat\u00f3rio de Complexidade Econ\u00f4mica. Sendo assim, o pa\u00eds asi\u00e1tico est\u00e1 em\nprimeiro lugar, tanto no volume de exporta\u00e7\u00f5es global quanto no volume de\nexporta\u00e7\u00f5es do Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a quest\u00e3o diz que as trocas comerciais de\nprodutos agropecu\u00e1rios com o Brasil \u201cainda n\u00e3o apresentam valores\nsignificativos\u201d. Isso contradiz a pr\u00f3pria quest\u00e3o anterior que afirma que o\nBrasil passou a exportar mais soja para a China a partir de 2018 por conta da\nguerra comercial. Na verdade, \u00e9 bastante evidente para qualquer CACDista que h\u00e1\numa intensa troca comercial de produtos agropecu\u00e1rios entre os dois\npa\u00edses.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Surpreenda-me que esse gabarito esteja \u201ccorreto\u201d. Minha sugest\u00e3o \u00e9 que entrem com recurso.&nbsp; Gabarito: Correto (?)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) O esc\u00e2ndalo da Carne\nFraca n\u00e3o foi suficiente para abalar a lideran\u00e7a e o protagonismo do setor na\nbalan\u00e7a comercial de produtos agropecu\u00e1rios entre Brasil e China. Uma\nexplica\u00e7\u00e3o direta do sucesso da exporta\u00e7\u00e3o de carnes para o pa\u00eds asi\u00e1tico \u00e9 o\naumento cont\u00ednuo da demanda por prote\u00edna animal, bem como o avan\u00e7o recente do\nn\u00famero de casos da peste su\u00edna em 2019.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma quest\u00e3o de atualidades, desta vez, com uma pegadinha\nembutida. A quest\u00e3o tem algumas premissas corretas. Primeiramente, acerta ao\ndizer que o esc\u00e2ndalo da Carne Fraca (uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal em 2017\nque investigou e puniu empresas do ramo que adulteravam a qualidade das carnes\nno pa\u00eds) n\u00e3o afetou significativamente as exporta\u00e7\u00f5es do Brasil para a China. <\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, acerta ao dizer que o aumento de casos da\npeste su\u00edna \u2013 outro item de atualidades \u2013 estimulou a compra de carnes\nbrasileiras. De origem africana, a doen\u00e7a chegou \u00e0 China em 2018 e dizimou\ngrande parte do rebanho su\u00edno do pa\u00eds.&nbsp;\nVale ressaltar que a carne de porco \u00e9 a principal origem da prote\u00edna\nconsumida no pa\u00eds asi\u00e1tico. <\/p>\n\n\n\n<p>No meio de tantos acertos, \u00e9 dif\u00edcil encontrar o erro que\ncaracteriza a \u201cpegadinha\u201d da quest\u00e3o. O gabarito est\u00e1 errado simplesmente\nporque embora o Brasil seja um dos maiores produtores e exportadores de carne\ndo mundo, o setor de carnes N\u00c3O exerce a \u201clideran\u00e7a\u201d e o \u201cprotagonismo\u201d na\nbalan\u00e7a comercial entre Brasil e China. As carnes est\u00e3o longe de liderar as\nnossas exporta\u00e7\u00f5es para a China que s\u00e3o, em grande parte, caracterizadas pelo\nenorme fluxo de soja e min\u00e9rio de ferro. Gabarito: Errado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00c3O 25<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da divis\u00e3o t\u00e9cnica e territorial do trabalho e as&nbsp; transforma\u00e7\u00f5es&nbsp; decorrentes&nbsp; das&nbsp; novas&nbsp; formas&nbsp; de comunica\u00e7\u00e3o ampliaram a organiza\u00e7\u00e3o em redes \u2013 de produ\u00e7\u00e3o e&nbsp; distribui\u00e7\u00e3o,&nbsp; de&nbsp; presta\u00e7\u00e3o&nbsp; de&nbsp; servi\u00e7os,&nbsp; de&nbsp; gest\u00e3o&nbsp; pol\u00edtica&nbsp; e econ\u00f4mica \u2013 cujos n\u00f3s s\u00e3o constitu\u00eddos pelas cidades. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a rede urbana brasileira definida pelo\nInstituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a partir do estudo&nbsp; Regi\u00f5es&nbsp;\nde&nbsp; Influ\u00eancia&nbsp; das&nbsp;\nCidades&nbsp; \u2013&nbsp; REGIC&nbsp;\n(2007), destaca a concep\u00e7\u00e3o da complexidade das rela\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es\nespaciais&nbsp; entre&nbsp; as&nbsp;\ncidades&nbsp; brasileiras&nbsp; em&nbsp;\nsuas&nbsp; diferentes tipologias e\nredes de influ\u00eancia entre centros urbanos, em alguns contextos de proximidade\nou at\u00e9 mesmo de dist\u00e2ncia. <\/p>\n\n\n\n<p>IBGE. REGIC. Rio de Janeiro, 2008, p. 9, com adapta\u00e7\u00f5es. Rede\nUrbana do Brasil, 2007 IBGE. REGIC. Rio de Janeiro, 2008, p. 12. (Figura\nampliada na p\u00e1gina 15) <\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp; esse&nbsp; respeito,&nbsp;\ncom&nbsp; base&nbsp; nas&nbsp;\ninforma\u00e7\u00f5es&nbsp; do&nbsp; texto&nbsp;\ne considerando&nbsp; a&nbsp; imagem&nbsp;\nda&nbsp; rede&nbsp; urbana&nbsp;\nbrasileira apresentada, julgue (C ou E) os itens a seguir. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) S\u00e3o Paulo e Rio de\nJaneiro, maiores centros urbanos e principais centros financeiros e\nempresariais do Brasil e&nbsp; da Am\u00e9rica&nbsp; do&nbsp; Sul,&nbsp; s\u00e3o&nbsp;\ndenominados&nbsp; metr\u00f3poles\ninternacionais&nbsp; ou&nbsp; cidades&nbsp;\nmundiais&nbsp; pela&nbsp; respectiva influ\u00eancia&nbsp; sobre&nbsp;\na&nbsp; vasta&nbsp; extens\u00e3o&nbsp;\ndo&nbsp; territ\u00f3rio brasileiro e\nsul-americano. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja antigo, esse estudo do IBGE j\u00e1 caiu em v\u00e1rias\nprovas do CACD, inclusive em quest\u00f5es discursivas. De acordo com o REGIC, S\u00e3o\nPaulo \u00e9 uma \u201cgrande metr\u00f3pole nacional\u201d e Rio de Janeiro e Bras\u00edlia s\u00e3o\n\u201cmetr\u00f3poles nacionais\u201d. Isso significa que, dentro da hierarquiza\u00e7\u00e3o t\u00edpica da\nrede de cidades, possuem influ\u00eancia em todo o territ\u00f3rio nacional. At\u00e9 a\u00ed, tudo\nbem.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro da quest\u00e3o est\u00e1 em dizer que S\u00e3o Paulo e Rio de\nJaneiro est\u00e1 no mesmo patamar de \u201cmetr\u00f3poles internacionais\u201d ou \u201ccidades\nmundiais\u201d. Embora sejam relevantes em \u00e2mbito nacional, estas duas metr\u00f3poles\nn\u00e3o se projetam a n\u00edvel global do mesmo modo que, por exemplo, Londres, Nova\nYork ou T\u00f3kio \u2013 ainda que alguns estudos incluam S\u00e3o Paulo nessa\ncategoria.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que o REGIC considerasse S\u00e3o Paulo como uma cidade\nglobal, a quest\u00e3o estaria errada pelo fato de afirmar que uma \u201ccidade mundial\u201d\npossui influ\u00eancia sobre os territ\u00f3rios brasileiro e latinoamericano, dando uma\nideia de restri\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se aplica \u00e0 realidade. Na verdade, cidades mundiais,\nconforme o pr\u00f3prio nome sugere, exercem influ\u00eancia em todo o \u00e2mbito global (pelo\nmenos onde o meio t\u00e9cnico-cient\u00edfico-informacional faz-se presente) e n\u00e3o\nsomente em uma regi\u00e3o espec\u00edfica.&nbsp;\nGabarito: Errado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) As cidades s\u00e3o\neconomias abertas em que as estruturas produtivas&nbsp; t\u00eam&nbsp;\nampla&nbsp; mobilidade&nbsp; e&nbsp;\ncapacidade&nbsp; de transforma\u00e7\u00e3o. A rede\nurbana brasileira apresenta um conjunto expressivo de cidades de porte m\u00e9dio,\nque desempenham pap\u00e9is importantes na din\u00e2mica atual do territ\u00f3rio brasileiro. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma quest\u00e3o fazendo jus a tradi\u00e7\u00e3o do CACD de cobrar a\nimport\u00e2ncia das cidades m\u00e9dias na rede urbana brasileira. De fato, a rede\nurbana brasileira possui um grande n\u00famero de cidades m\u00e9dias que, de acordo com\no Censo de 2010, est\u00e3o crescendo acima da m\u00e9dia nacional \u2013 uma tend\u00eancia que\ndever\u00e1 se confirmar no Censo de 2020. Isso est\u00e1 vinculado aos fen\u00f4menos de\ndesmetropoliza\u00e7\u00e3o, desconcentra\u00e7\u00e3o industrial e tamb\u00e9m a revers\u00e3o dos fluxos\nmigrat\u00f3rios \u2013 como, por exemplo, a ruraliza\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o de retorno.\nGabarito: Certo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Bras\u00edlia, pela\npr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o de capital da Rep\u00fablica, det\u00e9m&nbsp;\npapel&nbsp; importante&nbsp; na&nbsp;\ngest\u00e3o&nbsp; federal&nbsp; e&nbsp; na\narticula\u00e7\u00e3o&nbsp; entre&nbsp; as&nbsp;\nregi\u00f5es&nbsp; brasileiras,&nbsp; sendo considerada uma metr\u00f3pole de influ\u00eancia\nnacional. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Perfeito. Ainda que metr\u00f3poles como S\u00e3o Paulo e Rio de\nJaneiro sejam economicamente mais expressivas do ponto de vista financeiro, Bras\u00edlia\n\u00e9 uma metr\u00f3pole nacional justamente porque \u00e9 o maior centro de decis\u00e3o\npol\u00edtica, territorial, or\u00e7ament\u00e1ria e legislativa do Brasil. As decis\u00f5es que\ndali partem possuem capacidade de influenciar todo o territ\u00f3rio nacional, da\u00ed o\nt\u00edtulo \u201cmetr\u00f3pole nacional\u201d. Apesar de a quest\u00e3o estar correta, devemos ter em\nmente que do ponto de vista da rede urbana global, Bras\u00edlia n\u00e3o possui o mesmo\npeso de S\u00e3o Paulo, Buenos Aires ou Santiago. Gabarito: Certo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) A ocupa\u00e7\u00e3o rarefeita\nda Amaz\u00f4nia brasileira apresenta urbaniza\u00e7\u00e3o limitada a duas grandes cidades\nm\u00e9dias, Bel\u00e9m&nbsp; e&nbsp; Manaus,&nbsp;\ne&nbsp; uma&nbsp; rede&nbsp;\ndispersa&nbsp; de&nbsp; pequenas cidades de influ\u00eancia apenas local.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o \u00e9 uma sequ\u00eancia de afirma\u00e7\u00f5es quase corretas. De\nfato, a Amaz\u00f4nia brasileira possui ocupa\u00e7\u00e3o rarefeita, sendo de modo geral\npouco povoada e populosa. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que Manaus e Bel\u00e9m s\u00e3o, de longe, as\nduas maiores cidades do bioma. Inclusive, para termos uma ideia da import\u00e2ncia\ndelas, de acordo com o REGIC, toda a rede urbana da Regi\u00e3o Norte (com exce\u00e7\u00e3o\nde parte do Tocantins) \u00e9 influenciada por estas duas metr\u00f3poles. Tamb\u00e9m \u00e9\nverdade que h\u00e1 uma rede dispersa de pequenas cidades de influ\u00eancia local \u2013\nainda que essa seja uma situa\u00e7\u00e3o que ocorre no Brasil todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro da quest\u00e3o, bastante sutil, est\u00e1 em afirmar que a\nurbaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia est\u00e1 \u201climitada\u201d a Manaus e Bel\u00e9m. Dentro dos pr\u00f3prios\nestados de Amazonas e Par\u00e1, a urbaniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre em centros regionais\ncomo, por exemplo, Parintins e Santar\u00e9m. Dentro da pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia, h\u00e1 outras\ncapitais estaduais como Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista, entre outras. \u00c9 um\nerro, portanto, dizer que a urbaniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o norte \u00e9 \u201climitada\u201d a Bel\u00e9m e\nManaus. <\/p>\n\n\n\n<p>Outro erro \u00e9 dizer que Manaus e Bel\u00e9m s\u00e3o \u201ccidades m\u00e9dias\u201d,\npois s\u00e3o muito mais do que isso. Ainda que a quest\u00e3o n\u00e3o aponte qual o crit\u00e9rio\npara definir o que \u00e9 \u201cm\u00e9dio\u201d e o que \u00e9 \u201cgrande\u201d \u2013 um tema de muita discuss\u00e3o\nentre ge\u00f3grafos \u2013 seria errado classificar duas enormes manchas urbanas em \u201ccidades\nm\u00e9dias\u201d. Gabarito: Errado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00c3O 26<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica\n(IBGE), o Brasil apresenta, no ano de 2019, uma popula\u00e7\u00e3o total de\naproximadamente 210 milh\u00f5es de habitantes. Esse n\u00famero expressivo revela\nquest\u00f5es importantes a respeito da distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pelo territ\u00f3rio\nnacional, bem como das implica\u00e7\u00f5es para a configura\u00e7\u00e3o intraurbana das cidades\nbrasileiras, j\u00e1 que cerca de 84% da popula\u00e7\u00e3o vive em espa\u00e7os urbanos. <\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessa informa\u00e7\u00e3o, julgue (C ou E) os itens a seguir.\n<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) As quest\u00f5es\nrelacionadas \u00e0 mobilidade urbana t\u00eam afetado, de forma negativa, a gest\u00e3o e a\ncapacidade competitiva das metr\u00f3poles brasileiras. A dist\u00e2ncia significativa\nentre bairros residenciais e as \u00e1reas centrais, concentradoras da oferta de\npostos de trabalho, tem gerado perdas de tempo e de recursos que afetam grande\nparte da popula\u00e7\u00e3o nessas metr\u00f3poles. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00e3o f\u00e1cil, tranquila, sem pegadinhas. De fato, defici\u00eancias\nna mobilidade urbana \u2013 que intensificam as migra\u00e7\u00f5es pendulares \u2013 s\u00e3o problemas\ngraves das grandes cidades. N\u00e3o h\u00e1 nenhum mist\u00e9rio em dizer que as \u00e1reas\ncentrais concentram a oferta de postos de trabalho e que moradores das\nperiferias afetados pelas formas de segrega\u00e7\u00e3o residencial sofrem mais com\ntransporte e locomo\u00e7\u00e3o. Gabarito: Certo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) O fator\nmetropolitano ganha express\u00e3o na pol\u00edtica p\u00fablica brasileira na d\u00e9cada de 1970,\ncom a cria\u00e7\u00e3o das primeiras regi\u00f5es metropolitanas no ano de 1973. A partir da\nConstitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a cria\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es metropolitanas passou do\n\u00e2mbito federal para a compet\u00eancia dos estados. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, foi a partir de 1973 que as primeiras metr\u00f3poles\nforam criadas pelo Governo Federal. Dentre elas, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, as\nduas mais importantes do pa\u00eds. Conforme vimos nas aulas, a partir da\nConstitui\u00e7\u00e3o de 1988, a cria\u00e7\u00e3o de metr\u00f3poles passou a ser compet\u00eancia dos estados\nda federa\u00e7\u00e3o. Por isso, a partir desse per\u00edodo, houve uma \u201cexplos\u00e3o\u201d desse\nfen\u00f4meno \u2013 inclusive, nos \u00faltimos anos, v\u00e1rias RMs foram criadas como, por exemplo,\nas de Ribeir\u00e3o Preto (SP) e Sobral (CE).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o \u00e9 importante para entendermos que a metr\u00f3pole \u00e9\numa unidade jur\u00eddica, algo normativo, diferentemente de uma \u00e1rea urbana concretamente\npercept\u00edvel no espa\u00e7o geogr\u00e1fico. No geral, o crit\u00e9rio para estabelecimento de\numa metr\u00f3pole \u00e9 a depend\u00eancia que os munic\u00edpios-sat\u00e9lite t\u00eam de um munic\u00edpio\ncentral, tanto no \u00e2mbito econ\u00f4mico-social quanto no aspecto\nterritorial-ambiental. Gabarito: Certo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Metr\u00f3pole pode ser\ndefinida conceitualmente como espa\u00e7os urbanos complexos e de grande extens\u00e3o\nterritorial e demogr\u00e1fica, acima de um milh\u00e3o de habitantes e com diversos\nmunic\u00edpios de diferentes tipologias, tamanhos e n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o, o que\ndefine o car\u00e1ter metropolitano dessas aglomera\u00e7\u00f5es. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o seja consenso entre os ge\u00f3grafos que uma\nmetr\u00f3pole deva, necessariamente, possuir mais de um milh\u00e3o de habitantes, a\nassertiva est\u00e1 correta. Mesmo que o limite populacional n\u00e3o fosse uma\nexig\u00eancia, dada a sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, a verdade \u00e9 que muito dificilmente uma\nmetr\u00f3pole teria menos que um milh\u00e3o de habitantes. &nbsp;De fato, conforme aponta a quest\u00e3o, metr\u00f3poles\npossuem grande extens\u00e3o territorial e demogr\u00e1fica, abrangendo diversos\nmunic\u00edpios diversos e dependentes entre si. Gabarito: Certo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) As metr\u00f3poles\nbrasileiras, em geral, t\u00eam apresentado um quadro de esvaziamento demogr\u00e1fico e\ndesconcentra\u00e7\u00e3o produtiva, perdendo popula\u00e7\u00e3o para novos centros din\u00e2micos: as\ncidades m\u00e9dias, que t\u00eam crescido em ritmo acelerado, recebendo infraestruturas\nprodutivas e fluxos migrat\u00f3rios provenientes das regi\u00f5es metropolitanas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cuidado com essa quest\u00e3o, h\u00e1 uma pegadinha cl\u00e1ssica das\nprovas de Geografia: a confus\u00e3o entre desmetropoliza\u00e7\u00e3o e esvaziamento\ndemogr\u00e1fico no Brasil. \u00c9 verdade que as cidades m\u00e9dias est\u00e3o crescendo em ritmo\nsuperior \u00e0s grandes cidades \u2013 inclusive, as metr\u00f3poles de m\u00e9dio porte est\u00e3o\ncrescendo mais do que as metr\u00f3poles tradicionais. <\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, n\u00e3o podemos afirmar que estas metr\u00f3poles\ntradicionais est\u00e3o perdendo popula\u00e7\u00e3o. O esvaziamento demogr\u00e1fico simplesmente\nn\u00e3o existe no Brasil. O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que centros tradicionais como\nS\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, est\u00e3o tendo saldo migrat\u00f3rio negativo,\npor\u00e9m, ainda est\u00e3o crescendo demograficamente de forma org\u00e2nica, vegetativa. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que cada cidade brasileira est\u00e1 em uma fase\ndiferente de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, mas isso n\u00e3o vem ao caso. O fato \u00e9 que\napesar das metr\u00f3poles tradicionais apresentarem atualmente mais pessoas saindo\ndo que entrando nelas (desmetropoliza\u00e7\u00e3o e saldo migrat\u00f3rio negativo), suas\npopula\u00e7\u00f5es continuam crescendo (n\u00e3o h\u00e1 esvaziamento demogr\u00e1fico) e a\u00ed est\u00e1 o\nerro da quest\u00e3o. Gabarito: Errado<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00c3O 27<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>O terreno em que vivemos sempre nos moldou. Ele moldou as\nguerras, o poder, a pol\u00edtica e o desenvolvimento social dos povos que habitam\nhoje todas as partes da Terra. A tecnologia talvez pare\u00e7a superar as dist\u00e2ncias\nentre n\u00f3s no espa\u00e7o mental e f\u00edsico, mas \u00e9 f\u00e1cil esquecer que o terreno em que\nvivemos, trabalhamos e criamos nossos filhos \u00e9 important\u00edssimo, e que as\nescolhas dos que dirigem os sete bilh\u00f5es de habitantes deste planeta ser\u00e3o\nsempre moldadas, em alguma medida, por rios, montanhas, desertos, lagos e mares\nque nos restringem \u2013 e sempre o fizeram. [&#8230;] <\/p>\n\n\n\n<p>Em termos gerais, a geopol\u00edtica examina as maneiras pelas\nquais os assuntos internacionais podem ser compreendidos por meio de fatores\ngeogr\u00e1ficos; n\u00e3o somente a paisagem f\u00edsica \u2013 as barreiras naturais ou conex\u00f5es\nde redes fluviais, por exemplo \u2013, mas tamb\u00e9m clima, dados demogr\u00e1ficos, regi\u00f5es\nculturais e acesso a recursos naturais. Fatores como esses podem ter um\nimportante impacto sobre aspectos diferenciados de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, de\nestrat\u00e9gia pol\u00edtica e militar a desenvolvimento social humano, incluindo\nl\u00edngua, com\u00e9rcio e religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As realidades f\u00edsicas que sustentam a pol\u00edtica nacional e\ninternacional s\u00e3o desconsideradas, com demasiada frequ\u00eancia, tanto quando se\nescreve a respeito de hist\u00f3ria quanto na cobertura contempor\u00e2nea da m\u00eddia\nacerca dos assuntos mundiais. A geografia \u00e9 claramente uma parte do \u201cpor qu\u00ea\u201d,\nbem como de \u201co qu\u00ea\u201d. Ela pode n\u00e3o ser o fator determinante, mas, com certeza, \u00e9\no mais subestimado. <\/p>\n\n\n\n<p>MARSHALL, Tim. Prisioneiros da Geografia: 10 mapas que\nexplicam tudo o que voc\u00ea precisa saber sobre pol\u00edtica global. Rio de Janeiro:\nEd. Zahar, 2018, p. 12-13, com adapta\u00e7\u00f5es. Com base nas rela\u00e7\u00f5es entre a\ngeografia e a pol\u00edtica, julgue (C ou E) os itens a seguir. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) A atual fronteira\nsinoindiana \u00e9 exemplo da falta de predomin\u00e2ncia de elementos naturais que\ndificultam o avan\u00e7o de grandes colunas militares pelo territ\u00f3rio, tendo em\nconta que a rede hidrogr\u00e1fica que separa os dois pa\u00edses tem como sentido\npredominante o noroeste-sudeste. No entanto, o peso demogr\u00e1fico, aliado ao\npoderio nuclear desenvolvido por ambos os pa\u00edses a partir da segunda metade do\ns\u00e9culo passado, desestimulou conflitos armados de grande escala entre a China e\na \u00cdndia ao longo dos s\u00e9culos 20 e 21, apesar de disputas fronteiri\u00e7as\nrecorrentes no sul e sudeste da \u00c1sia. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por ser uma quest\u00e3o bastante espec\u00edfica sobre as fronteiras\nda China e da \u00cdndia \u2013 algo que n\u00e3o costuma(va) cair no CACD \u2013 a banca \u201cpegou\nleve\u201d na resposta. O enunciado \u00e9 complicado, mas para respond\u00ea-la bastava saber\nque entre os dois pa\u00edses existe a Cordilheira do Himalaia e que ambos disputam\na regi\u00e3o da Caxemira junto com o Paquist\u00e3o. Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, ao contr\u00e1rio do afirmado, a fronteira\nsinoindiana N\u00c3O \u00e9 \u201cexemplo da falta de predomin\u00e2ncia de elementos naturais que\ndificultam o avan\u00e7o de grandes colunas militares pelo territ\u00f3rio\u201d. N\u00e3o existe\nessa \u201cfalta de predomin\u00e2ncia\u201d porque a fronteira sinoindiana, em sua maior\nparte, acompanha a Cordilheira do Himalaia com certa regularidade. Ou seja, neste\ncaso, o elemento natural exerce um papel bastante relevante: em ambos os\npa\u00edses, a irregularidade topogr\u00e1fica do Himalaia impede que a regi\u00e3o seja densamente\npovoada e militarizada. <\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, embora atualmente China e \u00cdndia se esforcem\npara estabelecer coopera\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas \u2013 a exemplo dos BRICS, do BASIC e do\nG20 \u2013 durante muito tempo, a rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses n\u00e3o foi nada f\u00e1cil,\nprincipalmente por conta das disputas nas regi\u00f5es da Caxemira e do Tibete do\nSul. Por isso, \u00e9 errado dizer que o peso demogr\u00e1fico \u201cdesestimulou conflitos\narmados de grande escala entre a China e a \u00cdndia ao longo dos s\u00e9culos 20 e 21\u201d.\nPor muito tempo, a exemplo da Guerra Sino-Indiana, ambos os pa\u00edses t\u00eam se\nenfrentado militarmente nas regi\u00f5es fronteiri\u00e7as. Gabarito: Errado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) A R\u00fassia, o maior\npa\u00eds do mundo, \u00e9 aproximadamente duas vezes maior que os Estados Unidos da\nAm\u00e9rica (EUA) ou a China e cinco vezes maior que a \u00cdndia. Estendendo-se por\ncerca de 170\u00b0 de longitude, possui ampla fronteira terrestre com pa\u00edses\neuropeus e asi\u00e1ticos, bem como fronteiras mar\u00edtimas com o Jap\u00e3o e os EUA. A\nprofundidade territorial russa, que dificultaria ataques de pot\u00eancias\nmar\u00edtimas, aliada \u00e0 exist\u00eancia de recursos naturais e energ\u00e9ticos e de um\nrelevo predominantemente plano, inspiraram Harlford Mackinder a formular a\nteoria da \u00c1rea Piv\u00f4. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora os dados territoriais da R\u00fassia estejam corretos, n\u00e3o\n\u00e9 isso que explica o gabarito \u201ccorreto\u201d da quest\u00e3o (n\u00fameros muito raramente s\u00e3o\ncobrados na prova de Geografia do CACD). O \u201cpulo do gato\u201d \u00e9 saber \u00e9 a teoria de\nMackinder, o geopol\u00edtico brit\u00e2nico que valorizava o poder terrestre da R\u00fassia. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do norte-americano Mahan que valorizava o poder\nnaval (citado na quest\u00e3o abaixo), o brit\u00e2nico Mackinder valorizava o poder\nterrestre. Para este, quem tivesse o dom\u00ednio da maior parte das terras do\nglobo, teria o dom\u00ednio do mundo todo. Como a maior parte dessas terras est\u00e1 na\nR\u00fassia, Mackinder estabeleceu o que ficou conhecido como \u201cheartland\u201d (cora\u00e7\u00e3o\nda terra) ou \u201c\u00e1rea-piv\u00f4\u201d que abrangia justamente partes do territ\u00f3rio da R\u00fassia\ne do Leste Europeu. A \u00e1rea geopol\u00edtica mais importante do planeta, portanto. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, quando a quest\u00e3o afirma que a \u201cprofundidade\nterritorial russa dificulta ataques de pot\u00eancias mar\u00edtimas\u201d e que esse \u00e9 um\nterrit\u00f3rio rico em \u201crecursos naturais e energ\u00e9ticos\u201d est\u00e1 concordando com as\nteorias de Mackinder. Por essa perspectiva, al\u00e9m de rico em recursos, o\nheartland russo seria seguro devido \u00e0 inacessibilidade. Gabarito: Certo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Os EUA consolidaram\na respectiva massa territorial ao longo do s\u00e9culo 19 e desenvolveram, durante o\ns\u00e9culo seguinte, um poderio naval bioce\u00e2nico, apoiado em bases navais e\nmilitares em ilhas do Atl\u00e2ntico e do Pac\u00edfico. O desenvolvimento de uma\n\u201cmarinha de \u00e1guas azuis\u201d estadunidense, inspirada pela teoria do poder mar\u00edtimo\nde Mahan, teve como meta impedir eventuais invas\u00f5es, sobretudo pela costa do\nPac\u00edfico, regi\u00e3o relativamente carente de barreiras f\u00edsicas de porte, que\npudessem servir de obst\u00e1culo natural ao acesso \u00e0s \u00e1reas produtoras de alimentos\ndo meio-oeste e aos grandes centros urbanos-industriais do leste. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de Mackinder, Mahan priorizava o poder naval\nafirmando que o pa\u00eds que possu\u00edsse o controle dos oceanos, tamb\u00e9m possuiria o\ncontrole do poder do global \u2013 a exemplo do que tivera sido o Reino Unido. Com\nessa ideia em mente, Mahan conseguiu prever o crescimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico\ndos Estados Unidos; afinal, por essa perspectiva, um pa\u00eds banhado por dois\ngrandes oceanos e com poucos vizinhos naturais teria grandes condi\u00e7\u00f5es de dar\ncerto. De fato, com base nas ideias desse te\u00f3rico, os Estados Unidos investiram\nsignificativamente em marinha, tanto no Pac\u00edfico quanto no Atl\u00e2ntico, inclusive,\nno pr\u00f3prio Canal do Panam\u00e1 que possibilitaria a integra\u00e7\u00e3o dessa grande frota. At\u00e9\na\u00ed, tudo bem.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro da quest\u00e3o est\u00e1 em dizer que a costa do Pac\u00edfico \u00e9 \u201crelativamente\ncarente de barreiras f\u00edsicas de porte\u201d. Na verdade, essa regi\u00e3o \u00e9 conhecida por\nabrigar as Montanhas Rochosas, uma grande cadeia que se estende por Estados\nUnidos e Canad\u00e1. Assim como no caso da Cordilheira dos Andes na Am\u00e9rica do Sul,\nas Rochosas configuram-se como um grande obst\u00e1culo \u00e0 invas\u00e3o militar. Ou seja,\n\u00e9 errado dizer que a costa do Pac\u00edfico \u00e9 \u201ccarente de barreiras f\u00edsicas\u201d.\nGabarito: Errado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) As fronteiras\nmodernas da China, com base em uma coer\u00eancia geogr\u00e1fica \u2013 relevo e hidrografia\n\u2013, garantem ao pa\u00eds pressupostos defensivos e comerciais eficazes. A Iniciativa\nBelt and Road, por sua vez, \u00e9 uma estrat\u00e9gia para estabelecer fluxos de abastecimento\nenerg\u00e9tico inter e intracontinentais eficientes, com o objetivo de contornar os\nentraves f\u00edsicos (estreitos, ilhas, entre outros) \u00e0 navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima chinesa,\numa vez que a pol\u00edtica de defesa do pa\u00eds privilegia o poderio territorial em\ndetrimento de investimentos para o desenvolvimento de uma for\u00e7a naval capaz de\natuar em \u00e1guas internacionais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o sejam claros os crit\u00e9rios que a banca utilizou para\ndefinir o que seria \u201ccoer\u00eancia geogr\u00e1fica\u201d, a quest\u00e3o tem alguns erros n\u00edtidos.\nPrimeiramente, a Iniciativa Belt and Road \u2013 ou seja, a reativa\u00e7\u00e3o da Rota da\nSeda \u2013 n\u00e3o possui somente \u201cobjetivos energ\u00e9ticos\u201d, conforme afirmado. Na verdade,\n\u00e9 um misto entre objetivos energ\u00e9ticos, econ\u00f4micos, geopol\u00edticos, de\ninfraestrutura, etc. Trata-se de um projeto de desenvolvimento em \u00e2mbito geral,\ncom o prop\u00f3sito de projetar a China como pot\u00eancia mundial, integrando-a\nfisicamente aos demais pa\u00edses da Europa, \u00c1frica e \u00c1sia. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio do afirmado, os investimentos\nchineses n\u00e3o privilegiam somente o poderio territorial. A verdade \u00e9 que o pa\u00eds\ntamb\u00e9m investe fortemente no poderio mar\u00edtimo. Inclusive, a expans\u00e3o mar\u00edtima\nchinesa tem causado in\u00fameros problemas geopol\u00edticos com os pa\u00edses do ASEAN,\nsobretudo no que diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de ilhas artificiais no Mar do Sul\nda China. Ao contr\u00e1rio do que a quest\u00e3o d\u00e1 a entender, a China est\u00e1 cada vez\nmais atuante em \u00e1guas internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00c3O 28<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A radical transforma\u00e7\u00e3o ocorrida no padr\u00e3o demogr\u00e1fico\nconstitui uma das mais importantes modifica\u00e7\u00f5es estruturais verificadas na\nsociedade brasileira, com redu\u00e7\u00f5es na taxa de crescimento populacional e\naltera\u00e7\u00f5es na estrutura et\u00e1ria, o que implicou no crescimento mais lento do\nn\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes, paralelamente ao aumento da popula\u00e7\u00e3o em\nidade ativa e da popula\u00e7\u00e3o idosa. <\/p>\n\n\n\n<p>SIM\u00d5ES, Celso Cardoso da Silva. Rela\u00e7\u00f5es entre as altera\u00e7\u00f5es\nhist\u00f3ricas na din\u00e2mica demogr\u00e1fica brasileira e os impactos decorrentes do\nprocesso de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: IBGE, 2016. <\/p>\n\n\n\n<p>Considerando o texto apresentado, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura e \u00e0\ndin\u00e2mica da popula\u00e7\u00e3o brasileira, julgue (C ou E) os itens a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) A fase atual de\ntransi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, tamb\u00e9m chamada de novo padr\u00e3o demogr\u00e1fico brasileiro, \u00e9\no resultado de intensas mudan\u00e7as na din\u00e2mica populacional \u2013 sobretudo no padr\u00e3o\nreprodutivo da mulher brasileira, mais especificamente nos baixos n\u00edveis de\nfecundidade, o que deve ser visto como um fen\u00f4meno que ultrapassa o campo de\ninteresse apenas demogr\u00e1fico e tem impactos econ\u00f4micos e nas pol\u00edticas\np\u00fablicas. Nesse sentido, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que vem sendo observado \u00e9 um\ngradual decr\u00e9scimo da taxa de crescimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o aparentemente dif\u00edcil, mas tranquila para quem estudou\nGeografia da Popula\u00e7\u00e3o. Desde a d\u00e9cada de 1960, o Brasil se encontra na\nterceira fase de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, caracterizada pelo aumento da\nexpectativa de vida, pela diminui\u00e7\u00e3o das taxas de fecundidade e natalidade e\nprincipalmente, pela diminui\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento populacional. De acordo\ncom proje\u00e7\u00f5es da ONU, espera-se que o Brasil ingresse na quarta fase ainda no\ns\u00e9culo XXI. Isso significa que o Brasil dever\u00e1 estabilizar sua popula\u00e7\u00e3o,\naumentar ainda mais a expectativa de vida e diminuir ainda mais as taxas de\nnatalidade e fecundidade. Diante desta mudan\u00e7a, os idosos ser\u00e3o a maioria da\npopula\u00e7\u00e3o, o que dever\u00e1 demandar pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para a\npopula\u00e7\u00e3o desta idade. Gabarito: Certo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) As grandes\ntransforma\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o demogr\u00e1fico brasileiro come\u00e7aram a ocorrer a partir da\nd\u00e9cada de 1920, quando se nota um acelerado decl\u00ednio dos n\u00edveis gerais de\nmortalidade, n\u00e3o acompanhado por um concomitante decl\u00ednio da natalidade. Cabe\nmencionar, entre as causas que levaram \u00e0 r\u00e1pida redu\u00e7\u00e3o da mortalidade, o\nimpulso dado ao sistema de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e0 previd\u00eancia social, \u00e0\ninfraestrutura urbana e \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho nas principais regi\u00f5es do\nPa\u00eds a partir daquela d\u00e9cada, bem como os avan\u00e7os da ind\u00fastria farmoqu\u00edmica. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, a quest\u00e3o est\u00e1 certa, por\u00e9m, h\u00e1 uma pegadinha\nmuito maldosa aqui. As mudan\u00e7as elencadas na assertiva come\u00e7aram a ocorrer a\npartir da d\u00e9cada de 1930 e n\u00e3o da d\u00e9cada de 1920. Em decorr\u00eancia da Crise de\n1929 e da mudan\u00e7a de poder no Brasil da Rep\u00fablica Velha para a Era Vargas,\nhouve desemprego no campo e incentivos \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds,\niniciando um longo per\u00edodo de \u00eaxodo rural que duraria at\u00e9 o final do s\u00e9culo XX.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Foi na d\u00e9cada de 1930 que o Brasil ingressou na segunda fase\nde transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, caracterizada exatamente pelos aspectos elencados na\nquest\u00e3o: o decl\u00ednio das taxas de mortalidade sem necessariamente acompanhar a\nqueda das taxas de natalidade (isso aconteceria somente na terceira fase). Os\navan\u00e7os elencados na quest\u00e3o \u2013 trabalhistas, farmac\u00eauticos, etc \u2013 de fato\nocorreram, por\u00e9m, n\u00e3o tendo a d\u00e9cada de 1920 como base. Gabarito: Errado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) Ao final dos anos de\n1960, e principalmente durante a d\u00e9cada de 1970, as transforma\u00e7\u00f5es em curso na\nsociedade brasileira levaram a importantes altera\u00e7\u00f5es no comportamento\nreprodutivo. Entre essas transforma\u00e7\u00f5es na sociedade, destacam-se: os fortes\ndeslocamentos migrat\u00f3rios do campo para a cidade, levando \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o e \u00e0\ndiversifica\u00e7\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o; os avan\u00e7os do processo de assalariamento da\neconomia, com o engajamento crescente da mulher no mercado de trabalho urbano;\ne a dissemina\u00e7\u00e3o de um modelo econ\u00f4mico voltado para o consumo de bens\ndur\u00e1veis, em \u00edntima associa\u00e7\u00e3o com a generaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de mercado e a\neleva\u00e7\u00e3o dos custos de reprodu\u00e7\u00e3o familiar e social. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um assunto que estudamos exaustivamente nas nossas aulas e\nque est\u00e1 plenamente correto. A partir da d\u00e9cada de 1960, o Brasil se tornou\nmais urbano do que rural, fazendo com que o pa\u00eds ingressasse na terceira fase\nde transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica. Essas transforma\u00e7\u00f5es inclu\u00edram a intensifica\u00e7\u00e3o dos\nfluxos migrat\u00f3rios, o assalariamento da economia, a inser\u00e7\u00e3o da mulher no\nmercado de trabalho e os demais aspectos corretamente elencados na quest\u00e3o. Gabarito:\nCerto<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4) At\u00e9 o final da\nd\u00e9cada de 1970, a estrutura et\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o brasileira era sobretudo jovem.\nA tend\u00eancia de estreitamento da base da pir\u00e2mide et\u00e1ria nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\nsugere que a participa\u00e7\u00e3o do grupo de crian\u00e7as e adolescentes de 0 a 14 anos de\nidade, que se manteve est\u00e1vel no total da popula\u00e7\u00e3o entre 1940 e 1970, iniciou,\na partir de ent\u00e3o, um processo de decl\u00ednio. Tal queda se contrap\u00f5e ao incremento\nobservado, n\u00e3o s\u00f3 nos grupos de idades adultas, mas tamb\u00e9m no grupo de idosos\nde 60 anos de idade ou mais, cujas participa\u00e7\u00f5es v\u00eam crescendo, no transcorrer\ndos \u00faltimos anos, apenas em termos absolutos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o \u00e9 aparentemente complicada, mas \u00e9 s\u00f3 ler com\ncalma que conseguimos respond\u00ea-la. Para quem estudou Geografia da Popula\u00e7\u00e3o,\nfica f\u00e1cil visualizar mentalmente as mudan\u00e7as nos formatos de pir\u00e2mide et\u00e1ria\ndescritos. A diminui\u00e7\u00e3o dos jovens na popula\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira e teve como causa\ndois fatores principais: o \u201cestreitamento da pir\u00e2mide\u201d mencionado na quest\u00e3o \u2013\nou seja, diminui\u00e7\u00e3o da taxa de natalidade \u2013 e, al\u00e9m disso, o aumento da\nexpectativa de vida, o que manteve os idosos vivos por mais tempo. &nbsp;Portanto, \u00e9 correto dizer que a participa\u00e7\u00e3o\ndo grupo de 60 anos de idade ou mais tem aumentado. At\u00e9 a\u00ed tudo bem.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro da quest\u00e3o est\u00e1 na afirmativa de que a popula\u00e7\u00e3o de 0 a 14 anos de idade se manteve est\u00e1vel entre 1940 e 1970. Ora, se a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu nesse per\u00edodo (primeiramente de forma expressiva entre 1930 e 1960 e, posteriormente, em ritmo menos elevado), isso significa que a quantidade de jovens e crian\u00e7as tamb\u00e9m cresceu, pelo menos em n\u00famero absoluto. Isso porque nem toda a popula\u00e7\u00e3o chega \u00e0 velhice, mas todos foram crian\u00e7as um dia. Uma quest\u00e3o quase correta, por\u00e9m, com esse detalhe que \u201cestraga\u201d o resto. Gabarito: Errado. <br \/><br \/>Abra\u00e7os e boa sorte!<br \/>Alexandre Vastella, professor de Geografia para o CACD do Estrat\u00e9gia Concursos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corre\u00e7\u00e3o comentada e detalhada da prova de Geografia do CACD 2019, a primeira elaborada pelo IADES. Ol\u00e1, CACDistas! Tudo bem? Gostaria de compartilhar com voc\u00eas meus coment\u00e1rios sobre a t\u00e3o esperada prova de Geografia para o Instituto Rio Branco. 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