{"id":1809873,"date":"2026-09-21T09:33:35","date_gmt":"2026-09-21T12:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1809873"},"modified":"2026-09-21T09:33:37","modified_gmt":"2026-09-21T12:33:37","slug":"informativo-stj-901-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 901 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/21093241\/stj-info-901.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_M5khmVHQr8s\"><div id=\"lyte_M5khmVHQr8s\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/M5khmVHQr8s\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><button tabindex=\"0\" class=\"play\"><\/button><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/M5khmVHQr8s\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/M5khmVHQr8s\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-multa-da-antt-e-a-norma-posterior-mais-branda\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; MULTA DA ANTT E A NORMA POSTERIOR MAIS BRANDA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A san\u00e7\u00e3o administrativa aplicada regularmente <strong>N\u00c3O retroage em favor do infrator pela superveni\u00eancia de norma mais ben\u00e9fica<\/strong> (caso da Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019): vige o <strong><em>tempus regit actum<\/em>, salvo previs\u00e3o legal espec\u00edfica e expressa<\/strong> que autorize a aplica\u00e7\u00e3o retroativa do normativo posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.175.768-ES e REsp 2.175.767-ES, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 9\/9\/2026 (Tema 1327).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Rodaleve Transportes levou multa de R$ 5.000 por dificultar a fiscaliza\u00e7\u00e3o da ANTT numa estrada federal. Anos depois, a ag\u00eancia reduziu, em nova resolu\u00e7\u00e3o, a multa da mesma conduta para R$ 550, e a empresa, executada, correu a invocar o princ\u00edpio penal de que a lei mais branda retroage em favor do infrator: se vale para crime, valeria para multa de transporte de carga. O tribunal regional comprou a tese e mandou recalcular a d\u00edvida. Regra criada para proteger a liberdade de quem pode ir para a cadeia serve para baratear boleto de infra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXXVI e XL; LINDB, art. 6\u00ba; Lei n. 9.784\/1999, art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, XIII<\/strong> <em>(a lei n\u00e3o prejudica o ato jur\u00eddico perfeito; a lei penal retroage para beneficiar o r\u00e9u; a lei em vigor tem efeito imediato e geral; no processo administrativo \u00e9 vedada a aplica\u00e7\u00e3o retroativa de nova interpreta\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Direito Administrativo sancionador e Direito Penal s\u00e3o express\u00f5es do mesmo poder punitivo, mas com l\u00f3gicas operativas distintas (Tema 1.199\/STF); a matriz comum n\u00e3o comunica institutos automaticamente, e a retroatividade ben\u00e9fica do art. 5\u00ba, XL, foi concebida para a prote\u00e7\u00e3o da liberdade individual, ausente na multa patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd N\u00e3o h\u00e1 lacuna a colmatar por analogia: a irretroatividade das san\u00e7\u00f5es administrativas \u00e9 disciplina positiva completa; a insatisfa\u00e7\u00e3o com o resultado da lei \u00e9 lacuna meramente axiol\u00f3gica, que n\u00e3o autoriza o juiz a legislar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A retroatividade \u00e9 exce\u00e7\u00e3o que depende de previs\u00e3o normativa espec\u00edfica; admitida sem lei, viraria anistia obl\u00edqua de condutas regularmente sancionadas, com est\u00edmulo \u00e0 infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O apelo da tese estava na aritm\u00e9tica da equidade: se a pr\u00f3pria ag\u00eancia agora acha que a conduta vale R$ 550, <strong>cobrar dez vezes mais por um fato id\u00eantico soa como teimosia punitiva<\/strong>, e o tribunal de origem cedeu a esse canto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O canto, por\u00e9m, escondia uma troca de fundamentos. A lei penal retroage porque a liberdade de ir e vir n\u00e3o admite pena que o pr\u00f3prio Estado j\u00e1 reputou excessiva; <strong>multa patrimonial de pessoa jur\u00eddica n\u00e3o carrega nada parecido<\/strong>, e transplantar o art. 5\u00ba, XL, para c\u00e1 \u00e9 analogia sem a identidade de raz\u00e3o que a t\u00e9cnica exige.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E nem de lacuna se tratava, o que derruba a analogia pela raiz. Ato jur\u00eddico perfeito, efeito imediato da lei nova e veda\u00e7\u00e3o de retroatividade no processo administrativo formam disciplina completa, <strong>e onde h\u00e1 norma n\u00e3o h\u00e1 vazio a preencher<\/strong>; quem quiser retroatividade ben\u00e9fica nas multas precisa convencer o legislador, n\u00e3o o juiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a aplica\u00e7\u00e3o retroativa de resolu\u00e7\u00e3o da ANTT que reduziu o valor da multa por infra\u00e7\u00e3o administrativa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) imp\u00f5e-se, por for\u00e7a do art. 5\u00ba, XL, da CF, extens\u00edvel ao direito punitivo estatal em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o ocorre, salvo previs\u00e3o legal espec\u00edfica que autorize a aplica\u00e7\u00e3o da norma posterior mais branda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende de requerimento do infrator na via administrativa, antes da inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) alcan\u00e7a as san\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o pagas, preservadas as multas j\u00e1 quitadas pelo infrator.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) cabe ao juiz da execu\u00e7\u00e3o fiscal, ponderando a proporcionalidade da san\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A retroatividade ben\u00e9fica tem raiz na prote\u00e7\u00e3o da liberdade; a Primeira Se\u00e7\u00e3o recusou o transplante anal\u00f3gico do dispositivo penal para a multa patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Vige o <em>tempus regit actum<\/em>, e a exce\u00e7\u00e3o retroativa exige autoriza\u00e7\u00e3o normativa pr\u00f3pria, inexistente para as resolu\u00e7\u00f5es da ANTT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Nenhuma via ou momento processual salva a pretens\u00e3o; falta o pr\u00f3prio direito \u00e0 retroa\u00e7\u00e3o, seja na esfera administrativa, seja na judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O corte entre multas pagas e pendentes n\u00e3o foi acolhido; a san\u00e7\u00e3o aplicada regularmente permanece h\u00edgida, quitada ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Autorizar o decote por equidade converteria o julgador em legislador positivo, exatamente o que o repetitivo vedou.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida ao rito dos recursos repetitivos consiste em definir a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019, por ser mais ben\u00e9fica ao infrator, \u00e0 infra\u00e7\u00e3o administrativa cometida antes de sua edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de execu\u00e7\u00e3o fiscal promovida pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres &#8211; ANTT para a cobran\u00e7a de cr\u00e9dito decorrente de multa administrativa aplicada com fundamento no art. 36, I, da Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 4.799\/2015, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), pela conduta de evadir, obstruir ou, de qualquer forma, dificultar a fiscaliza\u00e7\u00e3o durante o transporte rodovi\u00e1rio de cargas. Por meio de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, a executada postulou a redu\u00e7\u00e3o da penalidade, sob o argumento de que a superveniente Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019 reduziu, para R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais), a multa cominada \u00e0 mesma infra\u00e7\u00e3o, pretendendo a aplica\u00e7\u00e3o retroativa do ato normativo mais brando, com o consequente decote, na certid\u00e3o de d\u00edvida ativa, dos valores tidos por excedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal Regional Federal deu provimento ao agravo de instrumento da executada para acolher a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade e determinar o rec\u00e1lculo do d\u00e9bito segundo o valor fixado pela Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, tem-se que o Supremo Tribunal Federal, no Tema n. 1.199, consignou o Direito Administrativo sancionador como sub-ramo do Direito Administrativo que consiste na express\u00e3o do efetivo poder de punir estatal, direcionado a movimentar a prerrogativa punitiva do Estado por meio da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica em face do administrado. Na mesma ocasi\u00e3o, a Suprema Corte assentou que, diferentemente do Direito Penal &#8211; que materializa o jus puniendi na seara judicial criminal -, o Direito Administrativo sancionador opera no exerc\u00edcio do jus puniendi administrativo, sendo ambos express\u00f5es do poder punitivo estatal, mas representando sistemas sancionat\u00f3rios que n\u00e3o guardam similitude de l\u00f3gica operativa. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 o eixo de todo o racioc\u00ednio: o reconhecimento de uma matriz punitiva comum n\u00e3o conduz \u00e0 identidade de regimes, e menos ainda \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o irrestrita de institutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, a san\u00e7\u00e3o discutida no caso \u00e9 multa pecuni\u00e1ria, de valor reduzido, aplicada a pessoa jur\u00eddica pela conduta de dificultar a fiscaliza\u00e7\u00e3o do transporte de cargas. N\u00e3o h\u00e1, aqui, liberdade individual em jogo, nem consequ\u00eancia que se aproxime, sequer remotamente, da priva\u00e7\u00e3o da liberdade que justifica a incid\u00eancia de institutos do Direito Penal. Pretender aplicar a essa multa a l\u00f3gica da retroatividade penal \u00e9 desconsiderar exatamente o fundamento que a sustenta no Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a retroatividade determinada pelo ac\u00f3rd\u00e3o recorrido apoia-se, em \u00faltima an\u00e1lise, em racioc\u00ednio anal\u00f3gico, ou seja, diante da aus\u00eancia de norma administrativa a autorizar a retroatividade ben\u00e9fica, transp\u00f4s-se para o campo administrativo a disposi\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba, XL, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, concebida para o Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, no presente caso, n\u00e3o h\u00e1 lacuna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A efic\u00e1cia temporal das normas sancionat\u00f3rias administrativas \u00e9 mat\u00e9ria positivamente disciplinada pelo ordenamento. O art. 5\u00ba, XXXVI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal resguarda o ato jur\u00eddico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada; o art. 6\u00ba da LINDB reitera que a lei em vigor ter\u00e1 efeito imediato e geral, respeitados aqueles institutos, reputando ato jur\u00eddico perfeito o j\u00e1 consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou; e o art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, XIII, da Lei n. 9.784\/1999 veda expressamente, no processo administrativo, a aplica\u00e7\u00e3o retroativa de nova interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existe, portanto, disciplina normativa completa da quest\u00e3o, que consagra a regra da irretroatividade e o princ\u00edpio do <em>tempus regit actum<\/em>. Onde h\u00e1 norma, n\u00e3o h\u00e1 lacuna; e onde n\u00e3o h\u00e1 lacuna, n\u00e3o se deve aplicar a analogia. A pretens\u00e3o de aplicar analogicamente a retroatividade penal n\u00e3o colmata vazio algum; ela afasta norma existente, em manifesta contradi\u00e7\u00e3o com o pressuposto da t\u00e9cnica que invoca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o se cogita, na esp\u00e9cie, de lacuna normativa (aus\u00eancia de norma), pois a norma existe e \u00e9 clara; tampouco de lacuna ontol\u00f3gica (norma existente, mas dissociada da realidade social). Quando muito, poder-se-ia alegar uma lacuna axiol\u00f3gica &#8211; a impress\u00e3o de que a solu\u00e7\u00e3o legal seria menos justa do que a que decorreria da retroa\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica. Sucede que a lacuna axiol\u00f3gica n\u00e3o autoriza o int\u00e9rprete a substituir, por analogia, a op\u00e7\u00e3o do legislador pela sua pr\u00f3pria valora\u00e7\u00e3o de conveni\u00eancia. Faz\u00ea-lo seria converter o julgador em legislador positivo, sob as vestes da integra\u00e7\u00e3o. A eventual insatisfa\u00e7\u00e3o com o resultado da lei n\u00e3o \u00e9 fundamento jur\u00eddico para afast\u00e1-la; \u00e9, quando muito, mat\u00e9ria de pol\u00edtica legislativa, reservada a quem det\u00e9m a compet\u00eancia legiferante na ordem jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 identidade de raz\u00e3o. Ainda que, por hip\u00f3tese, se admitisse a exist\u00eancia de lacuna, faltaria o segundo requisito. A raz\u00e3o determinante da retroatividade da lei penal mais ben\u00e9fica, de fato, \u00e9 o favor libertatis, isto \u00e9, a prote\u00e7\u00e3o da liberdade individual amea\u00e7ada ou j\u00e1 restringida pela pena criminal. Esse fundamento, n\u00e3o se reproduz na san\u00e7\u00e3o administrativa de natureza patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acresce-se um terceiro \u00f3bice, pr\u00f3prio do Direito Administrativo sancionador. Nesse campo, vigora a legalidade estrita, com exig\u00eancia de tipicidade da infra\u00e7\u00e3o e da san\u00e7\u00e3o, tal como no Direito Penal. Desse regime decorre a proibi\u00e7\u00e3o da analogia <em>in malam partem<\/em> &#8211; n\u00e3o se pode, por analogia, criar infra\u00e7\u00e3o ou agravar san\u00e7\u00e3o n\u00e3o previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A retroatividade, por conseguinte, \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. E, como toda exce\u00e7\u00e3o, depende de previs\u00e3o expressa e comporta interpreta\u00e7\u00e3o restritiva. O ordenamento conhece exce\u00e7\u00f5es \u00e0 irretroatividade, mas todas elas repousam em autoriza\u00e7\u00e3o normativa espec\u00edfica, o que confirma a regra. Admitir a retroatividade autom\u00e1tica da norma administrativa mais ben\u00e9fica, \u00e0 m\u00edngua de autoriza\u00e7\u00e3o legal, equivaleria a instituir, por via obl\u00edqua, verdadeira anistia de condutas regularmente sancionadas, com risco de est\u00edmulo \u00e0 infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, fixam-se as seguintes teses:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1) A san\u00e7\u00e3o administrativa prevista na Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019, ainda que mais ben\u00e9fica ao infrator, n\u00e3o retroage para incidir sobre condutas e san\u00e7\u00f5es aplicadas regularmente \u00e0 luz da norma vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos; e 2) A penalidade administrativa deve se basear pelo princ\u00edpio do <em>tempus regit actum<\/em>, salvo se houver previs\u00e3o legal, espec\u00edfica e expressa, autorizativa de aplica\u00e7\u00e3o do normativo mais ben\u00e9fico posterior \u00e0s condutas pret\u00e9ritas.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-a-possessoria-da-faixa-de-dominio-sem-a-uniao\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; A POSSESS\u00d3RIA DA FAIXA DE DOM\u00cdNIO SEM A UNI\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas possess\u00f3rias ajuizadas por concession\u00e1ria em defesa da posse de faixa de dom\u00ednio de rodovia ou ferrovia federal, <strong>Uni\u00e3o, DNIT e ANTT n\u00e3o podem ser compelidos a integrar o processo<\/strong>: a rela\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria \u00e9 cind\u00edvel (CPC, art. 114), a assist\u00eancia \u00e9 volunt\u00e1ria, e a titularidade dominial <strong>n\u00e3o atrai a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal<\/strong> nem imp\u00f5e participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria (S\u00famula 637\/STJ: faculdade de intervir).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.195.089-RS e REsp 2.215.194-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 9\/9\/2026 (Tema 1384).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Madruga montou seu barraco de conveni\u00eancias dentro da faixa de dom\u00ednio de uma rodovia federal, a margem de seguran\u00e7a que acompanha a estrada, e a concession\u00e1ria Rodaboa foi a ju\u00edzo retom\u00e1-la. Chamados ao processo, Uni\u00e3o, DNIT e ANTT responderam em coro que n\u00e3o tinham interesse nenhum na briga, e mesmo assim a inst\u00e2ncia de origem os manteve amarrados \u00e0 lide, com o processo estacionado na Justi\u00e7a Federal por causa deles. O dono da estrada pode ser obrigado a brigar pela posse que nem reclama?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 114 e 119 a 124; CC, arts. 1.196 e 1.210; Lei n. 8.987\/1995, art. 31; S\u00famula 637\/STJ<\/strong> <em>(o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio decorre de lei ou da natureza incind\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o; a assist\u00eancia \u00e9 interven\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria; o possuidor se defende da turba\u00e7\u00e3o e do esbulho sem discutir dom\u00ednio; a concession\u00e1ria deve zelar pela integridade dos bens vinculados ao servi\u00e7o; o ente p\u00fablico tem legitimidade para intervir na possess\u00f3ria entre particulares).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Ningu\u00e9m \u00e9 for\u00e7ado a demandar: o direito de a\u00e7\u00e3o \u00e9 faculdade, e a doutrina recusa, em regra, o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio ativo; a assist\u00eancia, simples ou litisconsorcial, nasce da iniciativa do terceiro, pois o r\u00f3tulo qualifica o regime interno, n\u00e3o o modo de entrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A possess\u00f3ria da concession\u00e1ria n\u00e3o discute propriedade nem contrato de concess\u00e3o, s\u00f3 a deten\u00e7\u00e3o da faixa: rela\u00e7\u00e3o cind\u00edvel, fora das hip\u00f3teses do art. 114; declarado o desinteresse dos entes, o feito segue na Justi\u00e7a Estadual, sem a atra\u00e7\u00e3o do art. 109, I, da CF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A S\u00famula 637\/STJ d\u00e1 ao ente a prerrogativa de intervir, inclusive para discutir dom\u00ednio; faculdade de entrar n\u00e3o \u00e9 dever de ficar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A l\u00f3gica da origem parecia respeitosa com o patrim\u00f4nio p\u00fablico: terra da Uni\u00e3o em jogo, <strong>logo a Uni\u00e3o e seus fiscais deveriam sentar \u00e0 mesa, queiram ou n\u00e3o<\/strong>, ainda que a contragosto declarado nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f S\u00f3 que a mesa era de outro jantar. A concession\u00e1ria n\u00e3o disputa de quem \u00e9 a faixa, cobra que o ocupante saia da \u00e1rea que ela det\u00e9m por contrato, <strong>e posse se protege sem perguntar pelo dono<\/strong> (CC, arts. 1.196 e 1.210); ven\u00e7a ou perca a Rodaboa, a estrada continua da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Ficava de p\u00e9 o argumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o, e ele tampouco segura ningu\u00e9m no processo. Regular e fiscalizar s\u00e3o atribui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o criam interesse jur\u00eddico direto na lide possess\u00f3ria, <strong>e interven\u00e7\u00e3o de terceiro se faz por vontade, nunca por arrast\u00e3o judicial<\/strong>; recusado o convite pelos entes, a causa desce para a Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ajuizada por concession\u00e1ria a possess\u00f3ria contra o ocupante de faixa de dom\u00ednio de rodovia federal, e negado pelos entes federais o interesse em intervir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) a Uni\u00e3o permanece na lide como litisconsorte necess\u00e1ria, dada a titularidade do bem p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) o processo fica suspenso at\u00e9 que o DNIT e a ANTT ratifiquem a atua\u00e7\u00e3o da concession\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) a causa tramita na Justi\u00e7a Federal, atra\u00edda pela natureza federal da faixa de dom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige-se a convers\u00e3o da possess\u00f3ria em a\u00e7\u00e3o petit\u00f3ria, com cita\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) o feito prossegue na Justi\u00e7a Estadual, sem participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria dos entes federais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A rela\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria \u00e9 cind\u00edvel e n\u00e3o discute o dom\u00ednio; nenhuma das hip\u00f3teses do art. 114 do CPC se configura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A legitimidade da concession\u00e1ria vem do art. 31 da Lei n. 8.987\/1995, que lhe imp\u00f5e zelar pelos bens vinculados ao servi\u00e7o; ratifica\u00e7\u00e3o nenhuma \u00e9 exigida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Sem ente federal na lide por vontade pr\u00f3pria, n\u00e3o incide o art. 109, I, da CF; a titularidade do bem, sozinha, n\u00e3o desloca a compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O ju\u00edzo possess\u00f3rio dispensa a discuss\u00e3o dominial; converter a via seria negar a autonomia da prote\u00e7\u00e3o da posse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Assist\u00eancia \u00e9 volunt\u00e1ria e litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio n\u00e3o h\u00e1; declarado o desinteresse, a demanda segue entre concession\u00e1ria e ocupante, na Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia submetida ao rito dos recursos repetitivos consiste em definir se a Uni\u00e3o, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e\/ou a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) devem obrigatoriamente participar de a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias ajuizadas por concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos federais contra particulares que ocupam faixas de dom\u00ednio de ferrovias ou rodovias federais, independentemente de sua manifesta\u00e7\u00e3o de vontade, ou se a declara\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de interesse jur\u00eddico por esses entes \u00e9 suficiente para afastar a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal, deslocando o feito para a Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a Uni\u00e3o, o DNIT ou a ANTT, chamados a se manifestar, declararam, de forma expressa, que n\u00e3o tinham interesse em integrar a lide e, ainda assim, viram-se compelidos, pela inst\u00e2ncia de origem, a nela permanecer, sob o argumento de que a titularidade p\u00fablica da faixa de dom\u00ednio e as atribui\u00e7\u00f5es legais de fiscaliza\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o tornariam obrigat\u00f3ria a sua presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, pode o Judici\u00e1rio impor a esses entes uma participa\u00e7\u00e3o que eles pr\u00f3prios recusam? A resposta \u00e9 negativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ordenamento confere, ao terceiro interessado, o poder de ingressar no processo, jamais o dever de faz\u00ea-lo. Isso vale para as duas \u00fanicas portas pelas quais a Uni\u00e3o, o DNIT ou a ANTT poderiam entrar nas demandas em discuss\u00e3o: a ades\u00e3o ao polo ativo, ao lado da concession\u00e1ria, e a assist\u00eancia. Uma e outra traduzem manifesta\u00e7\u00e3o de vontade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ningu\u00e9m pode ser for\u00e7ado a ser autor. O direito de a\u00e7\u00e3o \u00e9 faculdade, n\u00e3o imposi\u00e7\u00e3o: quem o titulariza decide se o exerce, quando e contra quem. Por isso, a doutrina majorit\u00e1ria recusa, como regra, a figura do litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio ativo. Se nem mesmo quando a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fanica e indivis\u00edvel se admite compelir o colegitimado a demandar, com menos raz\u00e3o ainda se poderia obrigar o titular do dom\u00ednio a integrar uma possess\u00f3ria que sequer discute a propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A assist\u00eancia conduz ao mesmo resultado por caminho pr\u00f3prio. A assist\u00eancia \u00e9 uma modalidade de interven\u00e7\u00e3o de terceiro que ocorre de forma espont\u00e2nea. \u00c9 o que se l\u00ea no art. 119 do CPC: pendendo causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado em que a senten\u00e7a seja favor\u00e1vel a uma delas poder\u00e1 intervir no processo para assisti-la. O verbo \u00e9 poder\u00e1, n\u00e3o dever\u00e1. A interven\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e interesse jur\u00eddico do terceiro, mas esse interesse serve para permitir o ingresso, nunca para exigi-lo. A assist\u00eancia pode assumir as modalidades simples e litisconsorcial, e a distin\u00e7\u00e3o entre elas reside na intensidade da repercuss\u00e3o da senten\u00e7a sobre a esfera jur\u00eddica do interveniente. Seja simples, seja litisconsorcial, a assist\u00eancia continua dependendo da iniciativa do interessado &#8211; o r\u00f3tulo litisconsorcial qualifica o regime a que o assistente se submete uma vez dentro do processo, n\u00e3o o modo como nele entra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a S\u00famula 637 do STJ reconhece que o ente p\u00fablico det\u00e9m legitimidade e interesse para intervir, incidentalmente, na a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria entre particulares, podendo deduzir qualquer mat\u00e9ria defensiva, inclusive, se for o caso, o dom\u00ednio. A palavra decisiva \u00e9 legitimidade. A s\u00famula assegura ao ente a prerrogativa de intervir quando repute conveniente \u00e0 defesa de interesse pr\u00f3prio, inclusive para discutir a titularidade do bem, o que em regra n\u00e3o se admite em ju\u00edzo possess\u00f3rio. Reconhecer uma faculdade de intervir n\u00e3o imp\u00f5e participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. Fosse indispens\u00e1vel a presen\u00e7a do ente, n\u00e3o se falaria em faculdade de intervir, mas em nulidade decorrente de sua aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, assentado que nenhuma forma de ingresso volunt\u00e1rio pode ser imposta, resta uma \u00faltima via pela qual se poderia cogitar da presen\u00e7a obrigat\u00f3ria dos entes federais: o litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, que independe da vontade das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio forma-se em duas hip\u00f3teses, e apenas nelas (art. 114 do CPC): quando a lei expressamente o exige, ou quando, pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica controvertida, a efic\u00e1cia da senten\u00e7a depender da cita\u00e7\u00e3o de todos que devam ser litisconsortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E o que aqui se discute \u00e9 a necessariedade &#8211; se a Uni\u00e3o, o DNIT ou a ANTT devem obrigatoriamente compor a lide para que a senten\u00e7a seja eficaz. A resposta est\u00e1 na natureza da rela\u00e7\u00e3o de direito material deduzida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A primeira hip\u00f3tese do art. 114 n\u00e3o se cogita: nenhuma lei imp\u00f5e a participa\u00e7\u00e3o desses entes em a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias dessa natureza. Sobra a segunda, que tamb\u00e9m n\u00e3o se configura, porque a rela\u00e7\u00e3o deduzida \u00e9 cind\u00edvel. A concession\u00e1ria n\u00e3o vai a ju\u00edzo discutir de quem \u00e9 a faixa de dom\u00ednio. N\u00e3o pede o reconhecimento de propriedade, n\u00e3o questiona o contrato de concess\u00e3o, n\u00e3o disputa a titularidade do bem. Pede apenas que o ocupante deixe a \u00e1rea que ela det\u00e9m e conserva por for\u00e7a do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A posse protege-se independentemente do dom\u00ednio. Com efeito, os arts. 1.196 e 1.210 do CC asseguram ao possuidor a defesa contra a turba\u00e7\u00e3o e o esbulho sem indagar quem seja o propriet\u00e1rio. Tanto que o possuidor pode opor sua posse at\u00e9 ao pr\u00f3prio dono. Se a lide se resolve no plano possess\u00f3rio, sem tocar no dom\u00ednio, o titular do bem n\u00e3o \u00e9 titular da rela\u00e7\u00e3o discutida. A faixa de dom\u00ednio continua pertencendo \u00e0 Uni\u00e3o, ven\u00e7a ou perca a concession\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A isso se soma a legitimidade pr\u00f3pria da concession\u00e1ria. O art. 31 da Lei n. 8.987\/1995 n\u00e3o apenas a autoriza a proteger os bens vinculados ao servi\u00e7o concedido: imp\u00f5e-lhe o dever de zelar por sua integridade, o que abrange as provid\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 desocupa\u00e7\u00e3o da faixa invadida por terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, fixam-se as seguintes teses:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (i) Nas a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias ajuizadas por concession\u00e1ria de servi\u00e7o p\u00fablico em defesa da posse direta exercida sobre faixa de dom\u00ednio de rodovia ou ferrovia federal, a Uni\u00e3o, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) n\u00e3o podem ser compelidos a integrar a rela\u00e7\u00e3o processual contra sua vontade, seja a t\u00edtulo de assist\u00eancia &#8211; modalidade de interven\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria (arts. 119 a 124 do CPC) -, seja a t\u00edtulo de litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, que n\u00e3o se configura, dada a natureza cind\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria (art. 114 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (ii) A titularidade dominial do bem p\u00fablico, assim como o exerc\u00edcio de atribui\u00e7\u00f5es legais de administra\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o ou regula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o caracterizam, por si s\u00f3s, interesse jur\u00eddico direto apto a impor a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria desses entes na demanda nem a atrair a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal (art. 109, I, da CF\/1988).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (iii) A legitimidade reconhecida ao ente p\u00fablico para intervir em a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias entre particulares, nos termos da S\u00famula 637\/STJ, traduz faculdade processual e n\u00e3o se confunde com hip\u00f3tese de litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-rescisoria-que-derruba-o-titulo-e-a-conta-dos-honorarios\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; RESCIS\u00d3RIA QUE DERRUBA O T\u00cdTULO E A CONTA DOS HONOR\u00c1RIOS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Extinta a execu\u00e7\u00e3o individual de senten\u00e7a coletiva porque <strong>a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria da Fazenda P\u00fablica desconstituiu o t\u00edtulo que lhe dava suporte<\/strong>, <strong>N\u00c3O cabe condena\u00e7\u00e3o de nenhuma das partes em honor\u00e1rios advocat\u00edcios<\/strong>: pela causalidade, a perda de objeto veio de causa externa, alheia ao comportamento de ambas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.199.392-RJ e REsp 2.182.044-RN, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 9\/9\/2026 (Tema 1399).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Florinda venceu, com sua categoria, uma a\u00e7\u00e3o coletiva contra a Fazenda, esperou o tr\u00e2nsito em julgado e ajuizou a execu\u00e7\u00e3o individual da sua fatia, como manda o figurino. No meio do caminho, a Fazenda ganhou uma a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, a demanda que desfaz senten\u00e7a definitiva em hip\u00f3teses estreitas, e o t\u00edtulo que sustentava a execu\u00e7\u00e3o virou p\u00f3. O processo dela morreu por perda de objeto, e veio ent\u00e3o a pergunta cl\u00e1ssica dos finais melanc\u00f3licos: quem paga o advogado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 85, \u00a7 10, e 485, VI<\/strong> <em>(nos casos de perda de objeto, os honor\u00e1rios seguem o princ\u00edpio da causalidade; extingue-se sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito o processo que perde o interesse processual superveniente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Sucumb\u00eancia e causalidade se complementam: em regra, quem perde deu causa; mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o vencido n\u00e3o deu causa \u00e0 demanda, e a\u00ed respondem outros vetores, boa-f\u00e9, confian\u00e7a, contum\u00e1cia, conduta conforme o direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Executar t\u00edtulo transitado em julgado, emanado do pr\u00f3prio STJ, \u00e9 provid\u00eancia satisfativa natural, fundada na confian\u00e7a na coisa julgada; e a rescis\u00f3ria da Fazenda foi exerc\u00edcio regular de defesa. Nenhuma das partes deu causa indevida, e a extin\u00e7\u00e3o decorreu de causa ex\u00f3gena, alheia \u00e0s duas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Nos finais de processo por perda de objeto, a r\u00e9gua autom\u00e1tica costuma procurar um perdedor para pagar a conta, e cada lado apontava o outro, <strong>a exequente por ter executado, a Fazenda por ter rescindido<\/strong>, ambos com ar de inoc\u00eancia ofendida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E ambos tinham raz\u00e3o na inoc\u00eancia, eis o ponto. Quem executa t\u00edtulo transitado em julgado age na f\u00e9 da coisa julgada, n\u00e3o em aventura, <strong>e quem prop\u00f5e rescis\u00f3ria exerce defesa que a lei lhe d\u00e1<\/strong>; nenhum dos comportamentos \u00e9 causa indevida do processo que morreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sem causador, n\u00e3o h\u00e1 devedor de honor\u00e1rios. A causa da extin\u00e7\u00e3o foi ex\u00f3gena, o desmonte do t\u00edtulo por decis\u00e3o em outro processo, <strong>e a causalidade do art. 85, \u00a7 10, n\u00e3o fabrica respons\u00e1vel onde n\u00e3o existe<\/strong>, ficando cada parte com as despesas do seu pr\u00f3prio advogado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Extinta por perda de objeto a execu\u00e7\u00e3o individual de senten\u00e7a coletiva, ap\u00f3s a proced\u00eancia de rescis\u00f3ria da Fazenda que desconstituiu o t\u00edtulo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios, ausente causa indevida imput\u00e1vel \u00e0s partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) responde a exequente pela verba, vencida com a queda do t\u00edtulo que embasava seu pedido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) arca a Fazenda com os honor\u00e1rios, por haver provocado a extin\u00e7\u00e3o com a rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) os honor\u00e1rios se compensam, rateadas as despesas na propor\u00e7\u00e3o do proveito de cada parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) a verba fica diferida para eventual nova execu\u00e7\u00e3o, ajuizada sobre t\u00edtulo substitutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. \u00c9 a tese fixada pela Primeira Se\u00e7\u00e3o: a extin\u00e7\u00e3o veio de causa externa ao comportamento processual de ambas, e a causalidade n\u00e3o aponta pagador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exequente agiu na confian\u00e7a de t\u00edtulo h\u00edgido e transitado em julgado; impor-lhe a verba seria punir a cren\u00e7a na coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A rescis\u00f3ria \u00e9 exerc\u00edcio regular do direito de defesa; quem se defende legitimamente n\u00e3o d\u00e1 causa indevida ao processo alheio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 compensa\u00e7\u00e3o nem rateio; simplesmente n\u00e3o existe condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios para lado nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhum diferimento foi cogitado; a solu\u00e7\u00e3o do repetitivo \u00e9 a aus\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o, sem verba pendurada para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se, na execu\u00e7\u00e3o individual de senten\u00e7a coletiva, extinta em decorr\u00eancia da desconstitui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial que lhe dava suporte, operada pela proced\u00eancia de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria manejada pela Fazenda P\u00fablica, \u00e9 cab\u00edvel ou n\u00e3o a condena\u00e7\u00e3o da parte exequente ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, tal como dispunha o diploma legal anterior, elegeu o princ\u00edpio da sucumb\u00eancia como diretriz para nortear a responsabiliza\u00e7\u00e3o pela verba honor\u00e1ria (impondo-se ao vencido o pagamento dos honor\u00e1rios ao advogado do vencedor) e ampliou, por outro lado, as hip\u00f3teses em que se deva observar o princ\u00edpio da causalidade (examinando, a esse prop\u00f3sito, n\u00e3o quem necessariamente ficou vencido na a\u00e7\u00e3o, mas, sim, quem a ela deu causa).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1, entre os princ\u00edpios da causalidade e da sucumb\u00eancia, nenhuma rela\u00e7\u00e3o de incompatibilidade ou de oposi\u00e7\u00e3o, mas, em verdade, de complementariedade, ou mesmo de contin\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, basta constatar que, uma vez reconhecido, ao final do processo, que determinada parte n\u00e3o \u00e9 titular do direito ali controvertido, esta circunst\u00e2ncia constituiu um forte indicativo de que o vencido deu causa \u00e0 demanda, devendo, por isso, responder pelas despesas processuais. Na verdade, pode-se afirmar que a sucumb\u00eancia constitui apenas um dos muitos aspectos poss\u00edveis da causalidade. Isso porque h\u00e1 casos &#8211; alguns expressamente previstos na lei adjetiva civil; outros, reconhecidos pela jurisprud\u00eancia nacional &#8211; em que a parte, embora vencida na a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 causa \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do processo, n\u00e3o se apresentando justo, tampouco l\u00edcito, impor-lhe a responsabilidade pelo pagamento das despesas processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse fim, outros aspectos da causalidade h\u00e3o de ser considerados, como a boa-f\u00e9, a confian\u00e7a, a contum\u00e1cia, a ren\u00fancia do direito, a atua\u00e7\u00e3o da parte em conformidade com o direito e com a leg\u00edtima expectativa, entre outras circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo estabelece o \u00a7 10, do art. 85, do CPC, &#8220;nos casos de perda de objeto&#8221;, a responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos honor\u00e1rios advocat\u00edcios \u00e9 norteada pelo crit\u00e9rio da causalidade, impondo-se tal \u00f4nus \u00e0 parte que deu causa ao processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a tutela jurisdicional executiva, inicialmente \u00edntegra, necess\u00e1ria e adequada ao fim a que se destinava, perdeu a utilidade jur\u00eddica, em raz\u00e3o da posterior desconstitui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial coletivo, operada pela proced\u00eancia de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria (causa ex\u00f3gena). A a\u00e7\u00e3o executiva &#8211; cujo t\u00edtulo judicial apresentava-se absolutamente h\u00edgido quando de seu ajuizamento &#8211; ficou, assim, prejudicada pela perda de objeto decorrente da aus\u00eancia superveniente de interesse processual (art. 485, VI, do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse quadro, deve-se analisar o respons\u00e1vel pela instaura\u00e7\u00e3o da demanda, examinando outros aspectos da causalidade (que n\u00e3o a sucumb\u00eancia). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte exequente, n\u00e3o se antev\u00ea, de seu comportamento processual, nenhum desbordamento da boa-f\u00e9, ao promover o cumprimento individual de senten\u00e7a coletiva. A parte exequente n\u00e3o deu causa, injusta ou indevida, \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do processo executivo, constituindo esta, em verdade, provid\u00eancia satisfativa natural, fundada na confian\u00e7a e na credibilidade advindas do t\u00edtulo judicial transitado em julgado, emanado desta Corte Superior de Justi\u00e7a (que det\u00e9m constitucionalmente o m\u00fanus de uniformizar a jurisprud\u00eancia e dar a \u00faltima palavra sobre o direito infraconstitucional no Pa\u00eds, a robustecer a cren\u00e7a em sua imutabilidade). Afigurar-se-ia de manifesta iniquidade impor-lhe, nesse quadro, o \u00f4nus pelos honor\u00e1rios advocat\u00edcios advindos da extin\u00e7\u00e3o do processo executivo subjacente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por evidente, tamb\u00e9m n\u00e3o se apresenta poss\u00edvel atribuir ao ente p\u00fablico a responsabilidade pela verba honor\u00e1ria, j\u00e1 que, de igual modo, n\u00e3o contribuiu indevidamente pela instaura\u00e7\u00e3o do processo executivo. O ajuizamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria (causa externa ao processo executivo), cuja proced\u00eancia redundou na posterior desconstitui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo executivo, e, por consequ\u00eancia, na extin\u00e7\u00e3o do feito executivo, constituiu leg\u00edtimo e regular exerc\u00edcio do direito de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em circunst\u00e2ncias como a presente, em que a extin\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pela perda de objeto d\u00e1-se por fato superveniente absolutamente alheio ao comportamento processual de ambas as partes, mostra-se, pelo crit\u00e9rio da causalidade, de toda descabida a imposi\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios (para qualquer delas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1399\/STJ: Na execu\u00e7\u00e3o individual de senten\u00e7a coletiva, extinta em decorr\u00eancia da desconstitui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial que lhe dava suporte, operada pela proced\u00eancia de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria manejada pela Fazenda P\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o, de qualquer das partes, ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-a-cprb-dentro-da-base-de-pis-e-cofins\" class=\"wp-block-heading\">4. A CPRB DENTRO DA BASE DE PIS E COFINS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre a receita bruta (CPRB) <strong>comp\u00f5e as bases de c\u00e1lculo de PIS\/Pasep e Cofins<\/strong>, sem direito \u00e0 exclus\u00e3o: tributo <strong>cumulativo e direto, que n\u00e3o se repassa ao comprador<\/strong>, fica fora da ressalva do art. 12, \u00a7 4\u00ba, do DL n. 1.598\/1977 e dentro da receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.123.906-SP, REsp 2.123.904-SP e REsp 2.123.902-SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 9\/9\/2026 (Tema 1276).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Chuteforte Cal\u00e7ados aderiu \u00e0 CPRB, o regime que troca a contribui\u00e7\u00e3o sobre a folha de sal\u00e1rios por um percentual da receita bruta, desonerando setores como o cal\u00e7adista. Animada com a tese que expulsou o ICMS da base de PIS e Cofins (&#8220;tese do s\u00e9culo&#8221;), quis repetir a jogada com a pr\u00f3pria CPRB: se imposto que s\u00f3 passa pelo caixa n\u00e3o \u00e9 receita, o valor da contribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deveria sair da conta das outras duas. O Fisco respondeu que a compara\u00e7\u00e3o era torta. Tributo que a empresa deve do pr\u00f3prio bolso \u00e9 igual a imposto que ela s\u00f3 repassa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>DL n. 1.598\/1977, art. 12, \u00a7\u00a7 1\u00ba, 4\u00ba e 5\u00ba; Leis n. 10.637\/2002 e n. 10.833\/2003, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba; Lei n. 12.546\/2011<\/strong> <em>(a receita bruta engloba os tributos sobre ela incidentes; excluem-se dela os tributos n\u00e3o cumulativos cobrados destacadamente do comprador, na condi\u00e7\u00e3o de mero deposit\u00e1rio; a CPRB \u00e9 regime facultativo e favorecido, em extin\u00e7\u00e3o gradual at\u00e9 2028).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A CPRB nasce da folha substitu\u00edda, evento interno da empresa, sem rela\u00e7\u00e3o direta com a opera\u00e7\u00e3o de venda: n\u00e3o se embute no pre\u00e7o nem se destaca na nota; cumulativa e direta, seu \u00f4nus fica com o contribuinte, sem repasse \u00e0 etapa seguinte, o que a deixa fora da exce\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o com o ICMS (indireto, destacado, repassado) foi chancelada pelo STF, que reputou constitucional at\u00e9 a inclus\u00e3o do ICMS na base da pr\u00f3pria CPRB, por se tratar de benef\u00edcio fiscal facultativo a exigir exclus\u00e3o em lei espec\u00edfica; o racional da &#8220;tese do s\u00e9culo&#8221; n\u00e3o se estende aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Alinhando-se ao STF, a Primeira Se\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia revisto tese anterior em ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o; o repetitivo consolida a inclus\u00e3o da CPRB nas bases das duas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Depois que o ICMS saiu da base de PIS e Cofins, formou-se uma fila de teses-filhotes tentando o mesmo caminho, <strong>e a exclus\u00e3o da CPRB era das candidatas mais insistentes<\/strong>, embalada pelo racioc\u00ednio de que tributo n\u00e3o \u00e9 receita de ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A fila andou para tr\u00e1s porque a fisiologia dos tributos \u00e9 diferente. O ICMS atravessa o caixa com destino certo, destacado na nota e cobrado do comprador; <strong>a CPRB nasce dentro da empresa, e morre no bolso dela<\/strong>, sem destaque, sem repasse, sem a figura do mero deposit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Fechando o cerco, a regra geral do Decreto-Lei n. 1.598\/1977 diz que a receita bruta engloba os tributos que sobre ela incidem, <strong>e a exce\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba s\u00f3 socorre os n\u00e3o cumulativos destacados e repassados<\/strong>; a CPRB n\u00e3o preenche um requisito sequer, e por isso permanece dentro das bases.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 pretens\u00e3o de excluir a CPRB das bases de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS\/Pasep e da Cofins:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) procede, estendida a l\u00f3gica da exclus\u00e3o do ICMS aos tributos incidentes sobre a receita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) procede em parte, limitada a exclus\u00e3o ao per\u00edodo de ades\u00e3o obrigat\u00f3ria ao regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) n\u00e3o procede, por ser a CPRB tributo direto e cumulativo que integra a receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de op\u00e7\u00e3o do contribuinte, coerente com a natureza facultativa do regime substitutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) aguarda defini\u00e7\u00e3o do STF, por se tratar de mat\u00e9ria constitucional em repercuss\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O racional da exclus\u00e3o do ICMS pressup\u00f5e tributo indireto, destacado e repassado; a CPRB n\u00e3o tem nenhuma dessas marcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O car\u00e1ter obrigat\u00f3rio ou facultativo da ades\u00e3o n\u00e3o altera a natureza do tributo nem cria o direito de exclus\u00e3o em per\u00edodo algum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. \u00c9 a tese do repetitivo: incidente sobre a receita e suportada pelo pr\u00f3prio contribuinte, a CPRB comp\u00f5e as bases das duas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A facultatividade diz respeito ao ingresso no regime, n\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o das bases; a inclus\u00e3o decorre de lei, indispon\u00edvel \u00e0 escolha da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O STF assentou a natureza infraconstitucional da mat\u00e9ria, distinguindo-a dos precedentes de repercuss\u00e3o geral; a palavra final coube ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Decidir sobre a possibilidade de exclus\u00e3o da base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es ao PIS\/PASEP e COFINS do montante da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria substitutiva incidente sobre a receita bruta (CPRB) considerando a identidade dos fatos geradores dos tributos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A contribui\u00e7\u00e3o para os Programas de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS) e de Forma\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio do Servidor P\u00fablico (Pasep), bem como a Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) s\u00e3o esp\u00e9cies de contribui\u00e7\u00f5es sociais destinadas ao financiamento da seguridade social que decorrem dos arts. 149 e 195, I, b, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e t\u00eam como base de c\u00e1lculo o total da receita auferida no m\u00eas pela pessoa jur\u00eddica, entendendo-se como tal a receita bruta operacional (art. 12 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977) e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jur\u00eddica (arts. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, das Leis n. 10.637\/2002 e n. 10.833\/2003).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exegese que se extrai do art. 12 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977, com as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 12.973\/2014, \u00e9 a de que a receita bruta engloba, em regra, os tributos sobre ela incidentes, seja por disposi\u00e7\u00e3o expressa do respectivo \u00a7 5\u00ba, seja por interpreta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do \u00a7 1\u00ba, para o qual a receita l\u00edquida equivale \u00e0 receita bruta, subtra\u00eddos (entre outras parcelas) os tributos que sobre ela recaem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do mesmo modo, asseverou o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n. 1.187.264\/SP (Tema 1.048 da repercuss\u00e3o geral) ao se interpretar o conceito de receita bruta constante do art. 12 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977, que, &#8220;se a receita l\u00edquida compreende a receita bruta, descontados, entre outros, os tributos incidentes, significa que, contrario sensu, a receita bruta compreende os tributos sobre ela incidentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, afirmou a Suprema Corte que a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria substitutiva incidente sobre a receita bruta (CPRB) trata-se de um regime tribut\u00e1rio favorecido e facultativo, a se revelar um benef\u00edcio fiscal, o qual, por isso, requer lei espec\u00edfica que exclua expressamente o ICMS da base de c\u00e1lculo da CPRB (art. 150, \u00a7 6\u00ba, da CF), n\u00e3o se antevendo a exist\u00eancia dessa lei. Ao final, fixou-se, por maioria, a seguinte tese: &#8220;\u00c9 constitucional a inclus\u00e3o do Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS na base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre a receita bruta &#8211; CPRB.&#8221; Essa fundamenta\u00e7\u00e3o foi ratificada pelo STF nos subsequentes julgamentos dos Temas n. 1.135 (RE n. 1.285.845) e n. 1.186 (RE n. 1.341.464), sob a sistem\u00e1tica da repercuss\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em raz\u00e3o do julgamento de m\u00e9rito do Tema n. 1.048\/STF, sobreveio a modifica\u00e7\u00e3o da tese vinculada ao Tema 944\/STJ, em ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o. A tese fixada, inicialmente, por esta Primeira Se\u00e7\u00e3o, exclu\u00eda o ICMS da base de c\u00e1lculo da CPRB. Ap\u00f3s o ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o, reconheceu-se a constitucionalidade da inclus\u00e3o do ICMS na base de c\u00e1lculo da CPRB, em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante a norma extra\u00edda do art. 12, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 5\u00ba, do Decreto-Lei n. 1.598\/1977, ressalvou-se da inclus\u00e3o na receita bruta, no correlato \u00a7 4\u00ba, os valores dos tributos n\u00e3o cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos servi\u00e7os na condi\u00e7\u00e3o de mero deposit\u00e1rio (art. 12, \u00a7 4\u00ba, do Decreto-Lei n. 1.598\/1977), no que n\u00e3o se inclui a CPRB, como se ver\u00e1 doravante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria substitutiva sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB decorre, em patamar constitucional, do art. 195, \u00a7 13, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n. 42\/2003), que dispunha acerca da substitui\u00e7\u00e3o gradual, total ou parcial da contribui\u00e7\u00e3o sobre a folha de sal\u00e1rios e pagamentos por uma contribui\u00e7\u00e3o incidente sobre a receita ou faturamento, a fim de desonerar a carga tribut\u00e1ria para as empresas de determinadas atividades econ\u00f4micas, representando um regime fiscal mais ben\u00e9fico ao contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o advento da EC n. 103\/2019 (que deu in\u00edcio \u00e0 &#8220;Reforma da Previd\u00eancia&#8221;), foi revogado o referido \u00a7 13, direcionando-se o fundamento constitucional de validade da CPRB para o art. 195, \u00a7 9\u00ba, da CF, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela EC n. 103\/2019, conforme exarado no voto vencedor proferido no ac\u00f3rd\u00e3o do supracitado Tema 1.048\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No plano infraconstitucional, sobreveio a Lei n. 12.546\/2011 (resultado da convers\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 540\/2011), que, em seus arts. 7\u00ba a 10, instituiu e disciplinou a CPRB, consistindo em um regime tribut\u00e1rio favorecido para determinados segmentos econ\u00f4micos (a exemplo das pessoas jur\u00eddicas que prestem servi\u00e7os de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, de call center, que fabriquem cal\u00e7ados, vestu\u00e1rio e couro etc.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A sua ades\u00e3o &#8211; inicialmente obrigat\u00f3ria &#8211; passou a ser facultativa, com a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.161\/2015, e a sua vig\u00eancia foi objeto de sucessivas prorroga\u00e7\u00f5es, com previs\u00e3o, atualmente (pelas modifica\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n. 14.973\/2024), de redu\u00e7\u00e3o gradual das respectivas al\u00edquotas e reintrodu\u00e7\u00e3o gradual das contribui\u00e7\u00f5es antes substitu\u00eddas, previstas no art. 22, I e III, da Lei n. 8.212\/1991, at\u00e9 o ano-calend\u00e1rio de 2027, a extinguir-se, integralmente, a partir de 1\u00ba de janeiro de 2028 (arts. 9\u00ba-A e 9\u00ba-B da Lei n. 12.546\/2011, inclu\u00eddos pela Lei n. 14.973\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme se depreende desse quadro normativo, a materialidade da CPRB vincula-se \u00e0 folha de sal\u00e1rios e pagamentos da pessoa jur\u00eddica, decorrendo, portanto, de um evento interno desta. N\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o direta com as opera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de venda de mercadorias ou de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, n\u00e3o se embutindo, portanto, no respectivo pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de um tributo cumulativo, diante da aus\u00eancia de previs\u00e3o legal de direito a cr\u00e9dito, bem como de um tributo direto, cujo \u00f4nus econ\u00f4mico \u00e9 suportado apenas pelo contribuinte de direito, sem a possibilidade de repasse \u00e0 etapa subsequente da cadeia de consumo, ao adquirente ou consumidor. Afasta-se, assim, a CPRB da exce\u00e7\u00e3o disposta no \u00a7 4\u00ba do art. 12 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977 outrora citado, que admite a exclus\u00e3o de determinados tributos da receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, aplica-se a regra de que a CPRB comp\u00f5e a receita bruta, por ser um tributo sobre ela incidente, em exegese que se extrai do art. 12, <em>caput<\/em>, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 5\u00ba, do Decreto-Lei n. 1.598\/1977 (com reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.973\/2014), afigurando-se ileg\u00edtima a pretens\u00e3o de exclus\u00e3o dos respectivos valores das bases de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS\/Pasep e da Cofins. Esse \u00e9 o posicionamento vigente na jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importante mencionar, no ponto, o Tema n. 69 da repercuss\u00e3o geral do STF (RE n. 574.706), segundo o qual &#8220;o ICMS n\u00e3o comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo para a incid\u00eancia do PIS e da Cofins&#8221;, o seu fundamento determinante residiu na perspectiva de que aquele tributo n\u00e3o comp\u00f5e a receita da pessoa jur\u00eddica, a qual pressup\u00f5e efetivo acr\u00e9scimo patrimonial. Naquela oportunidade, a Suprema Corte asseverou, em s\u00edntese, que o ingresso dos valores cobrados de ICMS no caixa da empresa representa, em verdade, mero tr\u00e2nsito em sua contabilidade, pois os valores cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante t\u00eam como real destinat\u00e1rio o ente estatal ou distrital competente para a sua institui\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a, caracterizando, assim, o repasse do tributo \u00e0 etapa subsequente da cadeia de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o ICMS \u00e9 um tributo n\u00e3o cumulativo e indireto, cujo \u00f4nus econ\u00f4mico \u00e9 transferido ao comprador, de forma destacada na respectiva nota fiscal, e que guarda rela\u00e7\u00e3o direta com a opera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de venda da mercadoria. A CPRB, em sentido oposto, \u00e9 um tributo cumulativo e direto, em que \u00e9 vedada a transfer\u00eancia desse \u00f4nus \u00e0 etapa subsequente da cadeia de consumo, e n\u00e3o possui rela\u00e7\u00e3o direta com a opera\u00e7\u00e3o de venda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa distin\u00e7\u00e3o f\u00e1tica e jur\u00eddica &#8211; entre a mat\u00e9ria em an\u00e1lise e o Tema 69\/STF &#8211; foi evidenciada pelo Supremo Tribunal Federal, ao assentar, em repercuss\u00e3o geral (Tema n. 1.111 &#8211; RE n. 1.244.117), a natureza infraconstitucional da presente mat\u00e9ria, diferenciando-a do Tema n. 69\/STF e do Tema n. 1.048\/STF, cujo fundamento prec\u00edpuo recaiu sobre a natureza de benef\u00edcio fiscal facultativo, a exigir a expressa exclus\u00e3o legal do ICMS da base de c\u00e1lculo da CPRB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que, no julgamento do Tema n. 1.048\/STF, o relator origin\u00e1rio Ministro Marco Aur\u00e9lio &#8211; vencido &#8211; propunha a aplica\u00e7\u00e3o do mesmo racional do Tema n. 69\/STF, tendo em vista versar sobre a incid\u00eancia de um mesmo tributo (ICMS) sobre a mesma materialidade (receita bruta), embora dispondo sobre as bases de c\u00e1lculo de tributos diversos (no Tema n. 69\/STF, dispunha acerca das bases de PIS\/Cofins e, no Tema 1.048\/STF, discutia-se a respeito da base da CPRB). Todavia, prevaleceu conclus\u00e3o diversa, n\u00e3o se estendendo o racional do Tema n. 69\/STF \u00e0 esp\u00e9cie, com a fixa\u00e7\u00e3o da seguinte tese: &#8220;\u00c9 constitucional a inclus\u00e3o do Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1276\/STJ: A contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria substitutiva incidente sobre a receita bruta (CPRB) comp\u00f5e as bases de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS\/Pasep e da Cofins, n\u00e3o podendo delas ser exclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-o-banco-que-encerra-a-conta-do-cliente\" class=\"wp-block-heading\">5. O BANCO QUE ENCERRA A CONTA DO CLIENTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A veda\u00e7\u00e3o do art. 39, IX, do CDC <strong>N\u00c3O se aplica \u00e0 resili\u00e7\u00e3o unilateral do contrato de conta-corrente por iniciativa do banco<\/strong>: a mat\u00e9ria tem <strong>regula\u00e7\u00e3o especial do CMN (Resolu\u00e7\u00f5es n. 4.753\/2019 e n. 5.261\/2025)<\/strong>, com pr\u00e9via notifica\u00e7\u00e3o do correntista, e o dispositivo consumerista trata da recusa de contratar, n\u00e3o do encerramento de contrato em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.941.347-SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 3\/9\/2026 (Tema 1119).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Chaves mantinha sua continha no Banco Cobraforte havia anos quando recebeu a carta seca: o banco encerraria a conta por desinteresse comercial, sem mais explica\u00e7\u00f5es. Indignado, invocou o CDC, que pro\u00edbe o fornecedor de recusar a venda de bens ou servi\u00e7os a quem se disponha a pagar, e sustentou que banco n\u00e3o escolhe cliente como quem escolhe churros na feira. A rela\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, por\u00e9m, tem regula\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do Conselho Monet\u00e1rio Nacional, que admite a resili\u00e7\u00e3o por iniciativa de um ou de outro contratante, com aviso pr\u00e9vio. O contrato de conta-corrente \u00e9 balc\u00e3o de pronto pagamento ou v\u00ednculo duradouro que se desfaz com regras pr\u00f3prias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 39, IX; Resolu\u00e7\u00f5es CMN n. 4.753\/2019 e n. 5.261\/2025<\/strong> <em>(\u00e9 vedado recusar a venda de bens ou a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermedia\u00e7\u00e3o regulados em leis especiais; a regula\u00e7\u00e3o do CMN disciplina abertura, manuten\u00e7\u00e3o e encerramento de contas, permitindo a resili\u00e7\u00e3o por iniciativa de um ou outro contratante, com transpar\u00eancia e informa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Tr\u00eas raz\u00f5es afastam o dispositivo consumerista: a ressalva expressa aos casos regulados em leis especiais; a conta-corrente como contrato de execu\u00e7\u00e3o continuada e trato sucessivo, distante da rela\u00e7\u00e3o imediata de pronto pagamento; e o fato de a norma tratar da recusa de contratar, n\u00e3o do desfazimento de contrato j\u00e1 existente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A conta-corrente \u00e9 contrato <em>intuitu personae<\/em>, apoiado na confian\u00e7a rec\u00edproca entre as partes; a validade do motivo gen\u00e9rico &#8220;desinteresse comercial&#8221; n\u00e3o foi objetivada em tese, permanecendo casu\u00edstica; e a S\u00famula 297\/STJ (CDC aplic\u00e1vel \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras) segue de p\u00e9 como regra geral, cedendo aqui \u00e0 especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Do lado do correntista, a leitura era singela e simp\u00e1tica: banco \u00e9 fornecedor, correntista \u00e9 consumidor disposto a pagar, <strong>e fornecedor que dispensa cliente pagante comete pr\u00e1tica abusiva<\/strong> na letra do art. 39, IX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A letra, lida por inteiro, desmente a leitura. O pr\u00f3prio inciso ressalva as intermedia\u00e7\u00f5es reguladas em leis especiais, endere\u00e7o em que mora o sistema financeiro, <strong>e recusar-se a vender no balc\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mesmo que encerrar um v\u00ednculo duradouro<\/strong>; a norma mira a porta de entrada da rela\u00e7\u00e3o de consumo, n\u00e3o a porta de sa\u00edda de um contrato de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sobre a sa\u00edda, quem fala \u00e9 o regulador banc\u00e1rio, e fala dos dois lados. As resolu\u00e7\u00f5es do CMN permitem que o cliente encerre a conta quando quiser e que o banco fa\u00e7a o mesmo, <strong>mediante notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e com transpar\u00eancia<\/strong>, preservada para o caso concreto a discuss\u00e3o sobre eventual abuso do motivo invocado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito do encerramento unilateral de conta-corrente por iniciativa da institui\u00e7\u00e3o financeira:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) configura pr\u00e1tica abusiva do art. 39, IX, do CDC, vedada a recusa de servi\u00e7o a quem se disp\u00f5e a pagar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige decis\u00e3o judicial pr\u00e9via, dada a essencialidade do servi\u00e7o banc\u00e1rio de pagamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite-se restrito \u00e0s hip\u00f3teses de fraude, inadimpl\u00eancia ou uso irregular da conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 poss\u00edvel, sob a regula\u00e7\u00e3o especial do CMN, inaplic\u00e1vel a veda\u00e7\u00e3o do art. 39, IX, do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da comprova\u00e7\u00e3o de justa causa espec\u00edfica, insuficiente o desinteresse comercial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O dispositivo cuida da recusa de contratar mediante pronto pagamento e ressalva as atividades reguladas por normas especiais; n\u00e3o alcan\u00e7a a resili\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nenhuma chancela judicial pr\u00e9via foi erigida em requisito; o controle do Judici\u00e1rio \u00e9 posterior e casu\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A regula\u00e7\u00e3o do CMN n\u00e3o fecha rol de motivos; a resili\u00e7\u00e3o \u00e9 faculdade de ambos os contratantes, observadas notifica\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Prevalece a especialidade da disciplina do CMN, na linha da jurisprud\u00eancia uniforme das turmas de direito privado, agora convertida em tese vinculante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A validade do &#8220;desinteresse comercial&#8221; ficou fora da tese, reservada ao exame das circunst\u00e2ncias de cada caso, como no precedente do contrato de quarenta anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida ao rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Aplicabilidade (ou n\u00e3o) do art. 39, inciso IX, da Lei n. 8.078\/1990 (C\u00f3digo de Defesa do Consumidor &#8211; CDC) \u00e0 resili\u00e7\u00e3o unilateral de contrato de conta corrente banc\u00e1ria por iniciativa da institui\u00e7\u00e3o financeira&#8221; (Tema 1119 do STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Preliminarmente, duas quest\u00f5es jur\u00eddicas derivam do encerramento de conta-corrente banc\u00e1ria pela institui\u00e7\u00e3o financeira, as quais j\u00e1 foram debatidas por ocasi\u00e3o da afeta\u00e7\u00e3o do recurso: (1) A primeira relaciona-se \u00e0 exig\u00eancia de pr\u00e9via notifica\u00e7\u00e3o do correntista. Essa exig\u00eancia estava prevista no art. 12, inciso V, da Resolu\u00e7\u00e3o CMN n. 2.025\/1993, ora revogada, raz\u00e3o pela qual se entendeu desnecess\u00e1rio reafirmar esse enunciado normativo na tese deste recurso repetitivo (enunciado, ali\u00e1s, que encontra correspond\u00eancia nas vigentes Resolu\u00e7\u00f5es CMN n. 4.753\/2019 e n. 5.261\/2025). (2) A segunda quest\u00e3o versa sobre a necessidade (ou n\u00e3o) de declina\u00e7\u00e3o, por parte da institui\u00e7\u00e3o financeira, do motivo espec\u00edfico da resili\u00e7\u00e3o unilateral do contrato, porque, na maioria dos casos, o motivo declinado \u00e9 o gen\u00e9rico &#8220;desinteresse comercial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa discuss\u00e3o j\u00e1 foi objeto de julgamento no REsp 1.696.214\/SP, da Terceira Turma, de relatoria do Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, decidindo-se pela validade do motivo &#8220;desinteresse comercial&#8221; e fazendo-se distin\u00e7\u00e3o com o caso do REsp 1.277.762\/SP, de relatoria do Ministro Sidnei Beneti, que concluiu pela abusividade desse motivo, mas com base nas excepcionais circunst\u00e2ncias do caso concreto (contrato com mais de 40 anos de vig\u00eancia). Tal quest\u00e3o, como discutido no julgamento da afeta\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de ser objetivada em tese de repetitivo, pois, aprioristicamente, seria invi\u00e1vel definir as hip\u00f3teses em que o &#8220;desinteresse comercial&#8221; configura motivo v\u00e1lido e\/ou as hip\u00f3teses em que ele se revela abusivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, de acordo com o art. 39, inciso IX, do CDC: &#8220;\u00c9 vedado ao fornecedor de produto ou servi\u00e7o [&#8230;] recusar a venda de bens ou a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento [&#8230;]&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observa-se que al\u00e9m de o pr\u00f3prio inciso IX do art. 39 do CDC contemplar exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 invi\u00e1vel, t\u00e9cnica e sistematicamente, a sua aplica\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica aos casos de encerramento de conta-corrente pela institui\u00e7\u00e3o financeira. Isso se afirma porque esse dispositivo do diploma consumerista: (i) excepciona a sua aplica\u00e7\u00e3o aos &#8220;casos de intermedia\u00e7\u00e3o regulados em leis especiais&#8221;, nas quais se inclui a legisla\u00e7\u00e3o sobre institui\u00e7\u00f5es financeiras e as normas do CMN; (ii) refere-se \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de consumo imediata e de &#8220;pronto pagamento&#8221;, mas a conta-corrente pressup\u00f5e um contrato que se desdobra em outros servi\u00e7os acess\u00f3rios de trato sucessivo, n\u00e3o se amoldando a esse conceito de rela\u00e7\u00e3o consumerista imediata e de pagamento do pre\u00e7o no ato; e (iii) cuida da recusa de contratar ante mesmo de a rela\u00e7\u00e3o de consumo se estabelecer, o que n\u00e3o tem a ver com o encerramento de conta-corrente, j\u00e1 contratada anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A conta-corrente pressup\u00f5e um contrato sinalagm\u00e1tico, oneroso, comutativo, de ades\u00e3o e de execu\u00e7\u00e3o continuada e complexa, com presta\u00e7\u00f5es que se protraem no tempo. Por ser intuito personae, essa esp\u00e9cie contratual tem por premissa a <em>affectio contractus<\/em> e a confian\u00e7a rec\u00edproca entre o correntista e a institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A vigente Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) n. 4.753\/2019, que disp\u00f5e sobre a abertura, a manuten\u00e7\u00e3o e o encerramento de conta de dep\u00f3sitos, prev\u00ea a possibilidade de resili\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de um ou outro contratante, observadas a transpar\u00eancia e a informa\u00e7\u00e3o, conforme disposto em seus arts. 5\u00ba e 6\u00ba, alterado esse \u00faltimo pela Resolu\u00e7\u00e3o CMN n. 5.261\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E o art. 39, inciso IX, do CDC (i) excepciona a sua aplica\u00e7\u00e3o aos &#8220;casos de intermedia\u00e7\u00e3o regulados em leis especiais&#8221;, nas quais se inclui a legisla\u00e7\u00e3o sobre institui\u00e7\u00f5es financeiras e as normas do CMN; (ii) refere-se \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de consumo imediata e de &#8220;pronto pagamento&#8221; (enquanto a conta-corrente pressup\u00f5e um contrato que se desdobra em outros servi\u00e7os acess\u00f3rios de trato sucessivo, n\u00e3o se amoldando a esse conceito de rela\u00e7\u00e3o consumerista imediata e de pronto pagamento); e (iii) cuida da recusa de contratar antes mesmo de a rela\u00e7\u00e3o de consumo se estabelecer, o que n\u00e3o tem a ver com o encerramento de conta-corrente, por ser essa contratada anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, n\u00e3o se aplica \u00e0 resili\u00e7\u00e3o unilateral de conta-corrente por iniciativa da institui\u00e7\u00e3o financeira a regra do art. 39, IX, do CDC, e outras cong\u00eaneres do mesmo c\u00f3digo, que consideram pr\u00e1tica abusiva a recusa de fornecimento de produto ou servi\u00e7o a quem se disponha a pagar o pre\u00e7o, tendo em vista a exist\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do STJ tem se mostrado uniforme no sentido da validade da resili\u00e7\u00e3o unilateral do contrato de conta-corrente. As turmas de direito privado do STJ corroboram quest\u00e3o de direito federal objetiva, consubstanciada na n\u00e3o aplicabilidade do art. 39, inciso IX, do CDC \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, haja vista previs\u00e3o em normas especiais. Prevalece o princ\u00edpio da especialidade, ainda que a legisla\u00e7\u00e3o consumerista lhes seja aplic\u00e1vel como regra geral, nos termos da S\u00famula 297 do STJ (&#8220;O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras.&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do exposto, fixa-se a seguinte tese: &#8220;A veda\u00e7\u00e3o prevista no art. 39, inciso IX, do CDC n\u00e3o se aplica \u00e0 resili\u00e7\u00e3o unilateral de contrato de conta-corrente banc\u00e1ria por iniciativa da institui\u00e7\u00e3o financeira.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-a-carga-expressiva-e-o-trafico-privilegiado\" class=\"wp-block-heading\">6. A CARGA EXPRESSIVA E O TR\u00c1FICO PRIVILEGIADO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A apreens\u00e3o de quantidade de droga <strong>de tal modo expressiva que seja incompat\u00edvel com o traficante eventual ou de pequeno porte<\/strong> \u00e9 fundamento id\u00f4neo para afastar a minorante do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei de Drogas; fora da\u00ed, <strong>natureza e quantidade s\u00f3 afastam o privil\u00e9gio associadas a outros elementos concretos<\/strong> (profissionalismo, log\u00edstica sofisticada, estrutura de armazenamento), com fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.059.576-MG e REsp 2.059.577-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 18\/6\/2026, DJEN 8\/9\/2026 (Tema 1241).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Flagrado com meia tonelada de droga, Godines pleiteava na dosimetria o chamado tr\u00e1fico privilegiado, a redu\u00e7\u00e3o de pena de um sexto a dois ter\u00e7os reservada ao r\u00e9u prim\u00e1rio, de bons antecedentes, sem dedica\u00e7\u00e3o ao crime nem v\u00ednculo com organiza\u00e7\u00e3o criminosa. A defesa lembrava a jurisprud\u00eancia de que quantidade, sozinha, n\u00e3o prova dedica\u00e7\u00e3o criminosa; a acusa\u00e7\u00e3o devolvia o argumento com a balan\u00e7a na m\u00e3o, afinal ningu\u00e9m estoca meia tonelada por acaso. Existe um ponto em que o volume da carga, por ele mesmo, conta a hist\u00f3ria inteira?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.343\/2006, art. 33, \u00a7 4\u00ba<\/strong> <em>(as penas do tr\u00e1fico podem ser reduzidas de 1\/6 a 2\/3 se o agente for prim\u00e1rio, de bons antecedentes, n\u00e3o se dedicar \u00e0s atividades criminosas nem integrar organiza\u00e7\u00e3o criminosa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O repetitivo, julgado em conjunto com o Tema 1154, desenha dois degraus: no primeiro, a quantidade de tal modo expressiva, incompat\u00edvel com o traficante eventual, basta para negar o privil\u00e9gio; no segundo, quantidades relevantes, mas n\u00e3o excepcionais, precisam da companhia de elementos concretos, alto profissionalismo, log\u00edstica sofisticada de transporte, estrutura complexa de armazenamento, com fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 1\/6 tamb\u00e9m exige motiva\u00e7\u00e3o concreta, extra\u00edda dos autos, e a natureza e a quantidade s\u00f3 a modulam se n\u00e3o tiverem sido valoradas na primeira fase, em respeito \u00e0 veda\u00e7\u00e3o do <em>bis in idem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Quantos quilos separam o pequeno traficante do empres\u00e1rio do tr\u00e1fico? A pergunta atormentava a jurisprud\u00eancia, oscilando entre negar o privil\u00e9gio a toda carga relevante e exigir provas de dedica\u00e7\u00e3o <strong>mesmo diante de carregamentos de porte industrial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta veio em escala. Existe um volume que fala por si, aquele cuja pr\u00f3pria dimens\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a figura do traficante eventual, <strong>e a\u00ed a quantidade, sozinha, autoriza negar a minorante<\/strong>; abaixo desse patamar extremo, ela vira ind\u00edcio que precisa de companhia, profissionalismo, log\u00edstica, estrutura, tudo demonstrado no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O que n\u00e3o se admite \u00e9 o atalho ret\u00f3rico. Negar o privil\u00e9gio citando quantidade mediana sem outros elementos, ou fixar a fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima sem motiva\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o papel da quantidade de droga apreendida no reconhecimento do tr\u00e1fico privilegiado (art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei de Drogas):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) volume de tal modo expressivo, incompat\u00edvel com o pequeno traficante, basta para afastar a minorante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) a quantidade, por maior que seja, n\u00e3o afasta o privil\u00e9gio sem prova adicional de dedica\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) o privil\u00e9gio se afasta pela reincid\u00eancia espec\u00edfica, irrelevante o volume apreendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) presume-se a dedica\u00e7\u00e3o criminosa nas apreens\u00f5es acima de um quilo, dispensada motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) a quantidade s\u00f3 influi na primeira fase da dosimetria, vedado seu uso na terceira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. \u00c9 o primeiro degrau da tese: a dimens\u00e3o excepcional da carga, por ela mesma, \u00e9 fundamento id\u00f4neo para negar a minorante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exig\u00eancia de elementos adicionais vale para as quantidades n\u00e3o excepcionais; no volume incompat\u00edvel com o traficante eventual, a carga fala sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A reincid\u00eancia j\u00e1 derruba o requisito da primariedade; a tese trata do peso da quantidade, relevante nos dois degraus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Nenhum patamar num\u00e9rico foi criado, e presun\u00e7\u00e3o sem fundamenta\u00e7\u00e3o concreta \u00e9 o que o repetitivo veda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A regra \u00e9 a valora\u00e7\u00e3o na terceira fase, para modular a fra\u00e7\u00e3o, quando incidente a minorante; a primeira fase fica para os casos em que o privil\u00e9gio n\u00e3o se aplica.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O julgamento conjunto dos Temas Repetitivos n. 1241 e n. 1154 permitiu uniformizar a interpreta\u00e7\u00e3o do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006 quanto ao papel desempenhado pela natureza e pela quantidade das drogas apreendidas tanto na aferi\u00e7\u00e3o dos requisitos para incid\u00eancia da causa especial de diminui\u00e7\u00e3o quanto na defini\u00e7\u00e3o da respectiva fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A apreens\u00e3o de quantidade de drogas de tal modo expressiva que, por sua pr\u00f3pria dimens\u00e3o, seja incompat\u00edvel com a figura do traficante eventual ou de pequeno traficante constitui fundamento id\u00f4neo para afastar a incid\u00eancia da minorante prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fora dessa hip\u00f3tese excepcional, a natureza e a quantidade das drogas, isoladamente consideradas, n\u00e3o autorizam o afastamento da causa especial de diminui\u00e7\u00e3o. Nesses casos, exige-se que tais circunst\u00e2ncias estejam associadas a outros elementos concretos do caso, tais como elevado grau de profissionalismo, sofisticada log\u00edstica de transporte ou complexa estrutura de armazenamento, dos quais se possa inferir, mediante fundamenta\u00e7\u00e3o concreta, a dedica\u00e7\u00e3o do agente a atividades criminosas ou sua integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a fixa\u00e7\u00e3o da minorante no patamar m\u00ednimo de 1\/6 exige motiva\u00e7\u00e3o id\u00f4nea, extra\u00edda dos elementos concretos constantes dos autos, dentre os quais se inserem a natureza e a quantidade da droga apreendida, desde que tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o tenham sido valoradas na primeira fase da dosimetria, em observ\u00e2ncia \u00e0 veda\u00e7\u00e3o ao <em>bis in idem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aproveitando o julgamento da presente controv\u00e9rsia sob o rito dos recursos repetitivos, imp\u00f5e-se definir em qual fase da dosimetria devem ser valoradas a natureza e a quantidade das drogas apreendidas, a fim de conferir interpreta\u00e7\u00e3o uniforme ao art. 42 da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 certo que o art. 42 da Lei n. 11.343\/2006 estabelece que o juiz considerar\u00e1, com preponder\u00e2ncia sobre as circunst\u00e2ncias previstas no art. 59 do C\u00f3digo Penal, a natureza e a quantidade da subst\u00e2ncia ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A leitura isolada desse dispositivo poderia conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que tais circunst\u00e2ncias devem ser necessariamente valoradas na primeira fase da dosimetria. Essa interpreta\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o se harmoniza com a sistem\u00e1tica da Lei de Drogas. Isso porque o art. 42 da Lei n. 11.343\/2006 estabelece crit\u00e9rio de preponder\u00e2ncia, mas n\u00e3o determina, de forma absoluta, a fase da dosimetria em que tais circunst\u00e2ncias devam ser valoradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora a natureza e a quantidade das drogas n\u00e3o figurem expressamente entre os crit\u00e9rios legais para defini\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, tamb\u00e9m \u00e9 certo que o legislador n\u00e3o estabeleceu par\u00e2metros espec\u00edficos para a escolha da fra\u00e7\u00e3o redutora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa perspectiva, a sistem\u00e1tica da Lei n. 11.343\/2006, em harmonia com a veda\u00e7\u00e3o ao <em>bis in idem<\/em>, conduz \u00e0 compreens\u00e3o de que, reconhecida a incid\u00eancia da causa especial de diminui\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, a natureza e a quantidade das drogas devem ser consideradas, em regra, na terceira fase da dosimetria, para orientar a defini\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o, reservando-se sua valora\u00e7\u00e3o na primeira etapa \u00e0s hip\u00f3teses em que a minorante n\u00e3o incida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa interpreta\u00e7\u00e3o preserva a fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de cada fase do sistema trif\u00e1sico de aplica\u00e7\u00e3o da pena, prestigia a finalidade do art. 42 da Lei n. 11.343\/2006 e evita a dupla valora\u00e7\u00e3o da mesma circunst\u00e2ncia judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m n\u00e3o configura <em>bis in idem<\/em> a utiliza\u00e7\u00e3o da natureza e da quantidade das drogas como circunst\u00e2ncia judicial negativa para exasperar a pena-base e, simultaneamente, como elemento indicativo da dedica\u00e7\u00e3o do agente a atividades criminosas ou de sua integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa para afastar a incid\u00eancia da minorante prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006. A duplicidade somente ocorrer\u00e1 quando essas mesmas circunst\u00e2ncias forem utilizadas, ao mesmo tempo, para majorar a pena-base e para modular a fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o da pena na terceira fase da dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e0 vista das conclus\u00f5es alcan\u00e7adas pela Terceira Se\u00e7\u00e3o no julgamento conjunto dos Temas Repetitivos n. 1241 e n. 1154, fixa-se a seguinte tese: &#8220;A apreens\u00e3o de quantidade de drogas de tal modo expressiva que, por sua pr\u00f3pria dimens\u00e3o, seja incompat\u00edvel com a figura do traficante eventual ou de pequeno traficante, configura fundamento id\u00f4neo para afastar a minorante do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006. Fora dessa hip\u00f3tese, a natureza e a quantidade das drogas podem afastar a minorante quando associadas a outros elementos do caso concreto &#8211; como alto grau de profissionalismo, sofisticada log\u00edstica de transporte ou complexa estrutura de armazenamento -, dos quais se possa inferir, mediante fundamenta\u00e7\u00e3o concreta, a dedica\u00e7\u00e3o do agente a atividades criminosas ou sua integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-a-fase-certa-para-pesar-a-droga-na-pena\" class=\"wp-block-heading\">7. A FASE CERTA PARA PESAR A DROGA NA PENA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Natureza e quantidade da droga valoram-se em conjunto e, em regra, na terceira fase<\/strong>, para modular a fra\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba; n\u00e3o incidindo a minorante, podem elevar a pena-base; <strong>vedado o uso simult\u00e2neo na pena-base e na fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o<\/strong> (<em>bis in idem<\/em>). O deslocamento para a terceira fase, em recurso da defesa, n\u00e3o configura <em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.963.433-SP, REsp 1.964.296-MG e REsp 1.963.489-MS, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 18\/6\/2026, DJEN 8\/9\/2026 (Tema 1154).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Condenado por tr\u00e1fico, Kiko viu o juiz usar a mesma droga duas vezes na conta da pena, primeiro para elevar a pena-base, depois para encolher a fra\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico privilegiado ao m\u00ednimo de um sexto. A defesa gritou <em>bis in idem<\/em>, a dupla puni\u00e7\u00e3o pelo mesmo fato, e o caso exp\u00f4s a bagun\u00e7a nacional sobre o assunto, com cada tribunal pesando natureza e quantidade numa fase diferente do c\u00e1lculo. O art. 42 da Lei de Drogas manda consider\u00e1-las com preponder\u00e2ncia, mas n\u00e3o diz onde. Afinal, em que momento da dosimetria a droga apreendida entra na balan\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.343\/2006, arts. 33, \u00a7 4\u00ba, e 42<\/strong> <em>(o juiz considerar\u00e1, com preponder\u00e2ncia sobre as circunst\u00e2ncias do art. 59 do CP, a natureza e a quantidade da subst\u00e2ncia, a personalidade e a conduta social do agente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O crit\u00e9rio do art. 42 \u00e9 de preponder\u00e2ncia, n\u00e3o de endere\u00e7o: reconhecida a minorante, natureza e quantidade v\u00e3o, em regra, \u00e0 terceira fase, para modular a fra\u00e7\u00e3o; negado o privil\u00e9gio, podem majorar a pena-base. A valora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre conjunta, nunca como elementos aut\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Duas travas: usar as mesmas circunst\u00e2ncias na pena-base e na modula\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>bis in idem<\/em>; us\u00e1-las na pena-base e, cumulativamente, como ind\u00edcio de dedica\u00e7\u00e3o criminosa para afastar a minorante, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O tribunal que, em recurso exclusivo da defesa, aplica o redutor pode deslocar a valora\u00e7\u00e3o para a terceira fase sem incorrer em <em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Havia um r\u00e9u recebendo a mesma pancada duas vezes e tribunais fazendo contas diferentes com os mesmos quilos, <strong>um cen\u00e1rio de loteria dosim\u00e9trica que repetitivo nenhum podia deixar em p\u00e9<\/strong>, e foi para organiz\u00e1-lo que as duas controv\u00e9rsias subiram juntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A arruma\u00e7\u00e3o partiu da fun\u00e7\u00e3o de cada fase. A pena-base mede a gravidade do fato quando o privil\u00e9gio n\u00e3o incide; <strong>a fra\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba gradua o benef\u00edcio de quem o merece<\/strong>, e \u00e9 nela que natureza e quantidade, avaliadas em conjunto, encontram seu lugar de regra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f As fronteiras do <em>bis in idem<\/em> ficaram n\u00edtidas na mesma tacada. Proibido \u00e9 cobrar duas vezes no mesmo eixo, pena-base e fra\u00e7\u00e3o; <strong>permitido \u00e9 usar a carga para elevar a base e, por outro \u00e2ngulo, como ind\u00edcio da dedica\u00e7\u00e3o que barra o privil\u00e9gio<\/strong>; e o deslocamento da valora\u00e7\u00e3o em favor do redutor, quando s\u00f3 a defesa recorre, melhora a pena, n\u00e3o a piora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecida a minorante do tr\u00e1fico privilegiado, a natureza e a quantidade da droga apreendida:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) devem majorar a pena-base, por for\u00e7a da preponder\u00e2ncia determinada pelo art. 42 da Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) podem ser usadas na pena-base e tamb\u00e9m na fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o, dada a preponder\u00e2ncia legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) perdem relev\u00e2ncia dosim\u00e9trica, esgotada sua fun\u00e7\u00e3o no ju\u00edzo de tipicidade do tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) valoram-se, em regra, na terceira fase, modulando a fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o, vedada a dupla contagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) fixam obrigatoriamente a fra\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo legal quando o volume for significativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Preponder\u00e2ncia n\u00e3o define endere\u00e7o; incidindo o privil\u00e9gio, o lugar de regra dessas circunst\u00e2ncias \u00e9 a terceira fase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Cobrar as mesmas circunst\u00e2ncias na base e de novo no c\u00e1lculo do redutor \u00e9 justamente a dupla contagem vedada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. As circunst\u00e2ncias seguem centrais na dosimetria; o que se disciplinou foi a fase e o modo da sua valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. \u00c9 a sistematiza\u00e7\u00e3o do julgamento conjunto da Terceira Se\u00e7\u00e3o, que ainda admite o deslocamento da valora\u00e7\u00e3o em recurso da defesa, sem <em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima exige motiva\u00e7\u00e3o concreta; nenhum automatismo liga volume significativo a 1\/6.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de julgamento conjunto dos Temas Repetitivos n. 1241, de relatoria do Ministro Ribeiro Dantas, e n. 1154, de relatoria do Ministro Messod Azulay Neto, circunscritos \u00e0s seguintes controv\u00e9rsias: 1) &#8220;isoladamente consideradas, a natureza e a quantidade do entorpecente apreendido, por si s\u00f3s, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para embasar conclus\u00e3o acerca da presen\u00e7a das referidas condi\u00e7\u00f5es obstativas e, assim, afastar o reconhecimento da minorante do tr\u00e1fico privilegiado&#8221;; e 2) &#8220;possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o da quantidade e variedade de drogas apreendidas para definir a fra\u00e7\u00e3o da minorante do tr\u00e1fico privilegiado, prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao analisar o Tema 1241, decidiu, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de voto-vista do Ministro Rog\u00e9rio Schietti Cruz &#8211; que, naquela oportunidade, em raz\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o existente, avan\u00e7ava na mat\u00e9ria relativa ao Tema 1154 -, suspender o julgamento para que a mat\u00e9ria fosse examinada em conjunto com a controv\u00e9rsia relativa ao Tema 1154.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na sess\u00e3o do dia 05 de junho de 2025, o Ministro Messod Azulay Neto apresentou voto, manifestando a ades\u00e3o, quase integral, \u00e0s propostas trazidas pelo Ministro Rog\u00e9rio Schietti, com pequenas altera\u00e7\u00f5es, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao item 6.5, e com o acr\u00e9scimo de um item (item 6.1) nos seguintes termos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6.1) a natureza e quantidade de drogas devem ser valoradas sempre de forma conjunta. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, portanto, realizar a aplica\u00e7\u00e3o separada como se fossem elementos aut\u00f4nomos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6.2) a natureza e a quantidade de drogas devem ser valoradas preferencialmente na terceira fase da dosimetria da pena, para modular a fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o, salvo quando n\u00e3o incidir na hip\u00f3tese a minorante prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006, caso em que essa circunst\u00e2ncia poder\u00e1 ser aplicada na primeira etapa da dosimetria para aumentar a pena-base;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6.3) caso a inst\u00e2ncia anterior tenha afastado a incid\u00eancia da minorante e valorado a natureza e a quantidade de drogas na primeira fase da dosimetria, mas o tribunal, em recurso da defesa, decida aplicar o redutor, dever\u00e1, se poss\u00edvel, deslocar a aplica\u00e7\u00e3o dessa circunst\u00e2ncia para a terceira fase, a fim de modular a fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o configura <em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6.4) n\u00e3o configura <em>bis in idem<\/em> considerar a quantidade e a natureza de drogas como circunst\u00e2ncia judicial negativa para aumentar a pena-base e, ao mesmo tempo, como elemento f\u00e1tico indicador de dedica\u00e7\u00e3o a atividades criminosas ou de integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa para afastar a aplica\u00e7\u00e3o da minorante prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006. Somente haver\u00e1 <em>bis in idem<\/em> se essa circunst\u00e2ncia for usada, simultaneamente, para aumentar a pena-base e para modular a fra\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o da pena na terceira fase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6.5) a apreens\u00e3o de elevada quantidade de drogas, o contexto de alto grau de profissionalismo, a sofisticada log\u00edstica de transporte ou a complexa estrutura de armazenamento, conjunta ou separadamente consideradas, configuram fundamento id\u00f4neo para afastar a minorante prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006, por indicarem a dedica\u00e7\u00e3o do agente a atividades criminosas ou a integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do voto durante a sess\u00e3o de 05 de junho de 2025, pediu vista o Ministro Rog\u00e9rio Schietti e, na \u00faltima sess\u00e3o do dia 05 de fevereiro de 2026, trouxe ao colegiado voto em que apresentou diverg\u00eancia parcial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tese do item 6.5.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Ministro vistor, em sua diverg\u00eancia, apresentou a seguinte reda\u00e7\u00e3o para o item 6.5: &#8220;[a] apreens\u00e3o de elevad\u00edssima quantidade de drogas, em contexto de alto grau de profissionalismo e sofisticada log\u00edstica de transporte ou complexa estrutura de armazenamento, configura fundamento id\u00f4neo para afastar a minorante prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, por indicar a dedica\u00e7\u00e3o do agente a atividades criminosas ou a integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante da discord\u00e2ncia, o Ministro Messod Azulay Neto, pediu vistas regimental e submeteu manifesta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ponto divergente em aditamento ao voto proferido anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De forma simples, a tese apresentada pelo relator, Ministro Messod Azulay Neto, admite que o bin\u00f4mio natureza e quantidade afastem a causa de aumento do \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343, de 2006, e exemplifica &#8211; de modo, portanto, n\u00e3o taxativo, mas de forma coordenada, alternativa e n\u00e3o vinculante, a partir do termo &#8220;conjuntamente ou separadamente consideradas&#8221; &#8211; algumas hip\u00f3teses em que o afastamento do benef\u00edcio legal, sem deixar de lado outras poss\u00edveis, seria poss\u00edvel na an\u00e1lise do caso concreto pelo ju\u00edzo competente: elevada quantidade, alto grau de profissionalismo, sofisticada log\u00edstica de transporte ou a complexa estrutura de armazenamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Ministro relator entendeu que, no ponto da diverg\u00eancia que se apresentou, com a proposta de vincula\u00e7\u00e3o de um contexto espec\u00edfico n\u00e3o previsto em lei, o STJ extrapolaria sua fun\u00e7\u00e3o constitucional judici\u00e1ria e usurparia o discurso legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, entendeu que seria poss\u00edvel, a partir das controv\u00e9rsias afetadas, sim, a indica\u00e7\u00e3o de contextos em que a quantidade e natureza da droga podem afastar o redutor do \u00a7 4\u00ba, desde que de forma exemplificativa (n\u00e3o taxativa) e alternativa (n\u00e3o vinculante).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que vincula, portanto, \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de que a quantidade e a natureza podem afastar a causa de diminui\u00e7\u00e3o de pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e0 vista das conclus\u00f5es alcan\u00e7adas pela Terceira Se\u00e7\u00e3o no julgamento conjunto dos Temas Repetitivos n. 1241 e n. 1154, fixa-se a seguinte tese: &#8220;A apreens\u00e3o de quantidade de drogas de tal modo expressiva que, por sua pr\u00f3pria dimens\u00e3o, seja incompat\u00edvel com a figura do traficante eventual ou de pequeno traficante, configura fundamento id\u00f4neo para afastar a minorante do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006. Fora dessa hip\u00f3tese, a natureza e a quantidade das drogas podem afastar a minorante quando associadas a outros elementos do caso concreto &#8211; como alto grau de profissionalismo, sofisticada log\u00edstica de transporte ou complexa estrutura de armazenamento -, dos quais se possa inferir, mediante fundamenta\u00e7\u00e3o concreta, a dedica\u00e7\u00e3o do agente a atividades criminosas ou sua integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-o-sobrenome-que-deixou-de-caber-no-nome\" class=\"wp-block-heading\">8. O SOBRENOME QUE DEIXOU DE CABER NO NOME<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crime praticado pelos irm\u00e3os contra a pessoa interessada ou contra quem lhe \u00e9 ligado por afinidade <strong>pode ser justo motivo para suprimir o patron\u00edmico paterno<\/strong>, quando a manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade familiar e identit\u00e1ria, <strong>sem desconstitui\u00e7\u00e3o do estado de filia\u00e7\u00e3o<\/strong> (Lei n. 14.382\/2022; CC, art. 16).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Daniela Teixeira, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 8\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que os pr\u00f3prios irm\u00e3os de Crementina praticaram crime contra M\u00e9vio, esposo dela, Crementina n\u00e3o suportava mais assinar o sobrenome que a amarrava \u00e0quela fam\u00edlia. Foi ao registro civil suprimir o patron\u00edmico paterno, mantendo intacta a filia\u00e7\u00e3o nos assentos. A obje\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica era a de que o nome \u00e9 imut\u00e1vel por seguran\u00e7a geral. O nome, por\u00e9m, \u00e9 tamb\u00e9m um peda\u00e7o de quem se \u00e9, direito da personalidade que a lei recente flexibilizou. Carregar no documento a marca de uma fam\u00edlia que virou fonte de dor \u00e9 formalidade inofensiva?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 16; Lei n. 14.382\/2022; Lei n. 6.015\/1973 (LRP)<\/strong> <em>(o nome, com prenome e sobrenome, \u00e9 direito da personalidade; a reforma de 2022 ampliou as hip\u00f3teses de altera\u00e7\u00e3o, inclusive com inclus\u00e3o e exclus\u00e3o de sobrenomes, flexibilizando a imutabilidade registral).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A imutabilidade nunca foi absoluta: antes mesmo de 2022, a Terceira Turma admitiu suprimir o patron\u00edmico do pai que abandonou o filho criado pela m\u00e3e e pela av\u00f3; o regime atual privilegia a correspond\u00eancia entre o nome e a identidade familiar efetivamente vivida, na linha do Pacto de S\u00e3o Jos\u00e9 (art. 18), da Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a e da jurisprud\u00eancia internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A supress\u00e3o n\u00e3o desconstitui a filia\u00e7\u00e3o: a ascend\u00eancia permanece no registro de nascimento, com os direitos e deveres da parentalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccdA rastreabilidade das altera\u00e7\u00f5es impede fraudes, e a invoca\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica da imutabilidade, sem preju\u00edzo a terceiros nem comprometimento da identifica\u00e7\u00e3o civil, n\u00e3o barra o pedido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Registro civil gosta de estabilidade, e com raz\u00e3o: nome que muda ao sabor do humor vira esconderijo de devedor e pesadelo de cart\u00f3rio, <strong>e foi essa a trincheira erguida contra o pedido<\/strong>, a da imutabilidade como escudo de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Entre o escudo e a pessoa, a decis\u00e3o olhou para a pessoa. O sobrenome n\u00e3o \u00e9 etiqueta burocr\u00e1tica, participa da identidade de quem o carrega, <strong>e obrigar algu\u00e9m a exibir o emblema de uma fam\u00edlia que a feriu profundamente<\/strong> esvazia a fun\u00e7\u00e3o existencial do nome, protegida como direito da personalidade e mat\u00e9ria de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Nada disso abre porteira para fraudes, e o desenho legal explica o porqu\u00ea. A filia\u00e7\u00e3o fica intacta nos assentos, as altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o rastre\u00e1veis, <strong>e o justo motivo se prova caso a caso<\/strong>, com a porta fechada a quem buscar o expediente para fugir de credores ou apagar a pr\u00f3pria identifica\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao pedido de supress\u00e3o do patron\u00edmico paterno motivado por crime praticado pelos irm\u00e3os contra o c\u00f4njuge da interessada:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) improcede, cedendo a imutabilidade do nome civil nas estritas hip\u00f3teses listadas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pode proceder como justo motivo, preservado o estado de filia\u00e7\u00e3o nos assentos registrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige a pr\u00e9via condena\u00e7\u00e3o criminal definitiva dos irm\u00e3os autores do fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) acarreta a perda dos direitos sucess\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linha paterna suprimida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da anu\u00eancia do genitor cujo sobrenome se pretende excluir do registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O rol legal n\u00e3o \u00e9 fechado; a cl\u00e1usula do justo motivo acolhe situa\u00e7\u00f5es em que o nome deixou de espelhar a realidade familiar e identit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Foi a solu\u00e7\u00e3o da Terceira Turma: a viol\u00eancia vinda do n\u00facleo paterno pode justificar a supress\u00e3o, sem tocar na filia\u00e7\u00e3o nem nos deveres da parentalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Nenhum tr\u00e2nsito em julgado penal foi erigido em requisito; o justo motivo se afere na esfera civil, pela realidade vivida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A altera\u00e7\u00e3o atinge o nome, elemento da personalidade; ascend\u00eancia, heran\u00e7a e alimentos permanecem regidos pela filia\u00e7\u00e3o mantida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O direito \u00e9 da titular do nome; a supress\u00e3o n\u00e3o depende da vontade do genitor, cujos v\u00ednculos jur\u00eddicos seguem inalterados.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a pr\u00e1tica de crime, pelos irm\u00e3os da parte interessada, contra seu c\u00f4njuge configura justo motivo para autorizar a supress\u00e3o do sobrenome paterno do nome civil, sem desconstitui\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O nome, compreendidos o prenome e o sobrenome, constitui direito da personalidade, nos termos do art. 16 do C\u00f3digo Civil, exercendo simultaneamente fun\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o perante o Estado e terceiros e de express\u00e3o da identidade pessoal e familiar de seu titular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 14.382\/2022, ao ampliar as hip\u00f3teses de modifica\u00e7\u00e3o do nome previstas na Lei n. 6.015\/1973, inclusive mediante inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o de sobrenomes em raz\u00e3o de altera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de filia\u00e7\u00e3o, evidencia a flexibiliza\u00e7\u00e3o do regime de imutabilidade e a maior tutela da correspond\u00eancia entre o nome e a identidade familiar efetivamente vivenciada por seu titular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a pr\u00e1tica de crime pelos irm\u00e3os da parte interessada em seu desfavor ou em desfavor de pessoa a ela vinculada por rela\u00e7\u00e3o de afinidade pode configurar justo motivo para a supress\u00e3o do patron\u00edmico paterno, quando demonstrado que sua manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade familiar e identit\u00e1ria do interessado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destaca-se que a supress\u00e3o do sobrenome paterno n\u00e3o se confunde com a desconstitui\u00e7\u00e3o do estado de filia\u00e7\u00e3o, pois a altera\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a apenas elemento do nome civil, sem excluir a ascend\u00eancia constante do registro de nascimento nem afastar os direitos e deveres jur\u00eddicos decorrentes da parentalidade. A pr\u00f3pria Lei de Registros P\u00fablicos cont\u00e9m instrumentos destinados a assegurar a rastreabilidade das altera\u00e7\u00f5es realizadas e a impedir utiliza\u00e7\u00e3o fraudulenta do procedimento. Dessa forma, n\u00e3o demonstrado prop\u00f3sito fraudulento, preju\u00edzo a terceiros ou comprometimento da identifica\u00e7\u00e3o civil da interessada, a mera invoca\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica da imutabilidade registral n\u00e3o constitui fundamento suficiente para afastar a pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do STJ j\u00e1 caminhava nessa dire\u00e7\u00e3o mesmo antes da altera\u00e7\u00e3o legislativa de 2022. No REsp n. 1.304.718\/SP, julgado em 18\/12\/2014, a Terceira Turma reconheceu expressamente que o princ\u00edpio da imutabilidade do nome n\u00e3o possui car\u00e1ter absoluto e considerou configurado justo motivo para a supress\u00e3o do patron\u00edmico paterno na hip\u00f3tese em que o interessado havia sido abandonado pelo genitor desde tenra idade e criado exclusivamente pela m\u00e3e e pela av\u00f3 materna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais recentemente, a Terceira Turma, no julgamento do REsp n. 2.169.650\/GO, julgado em 3\/3\/2026, reafirmou e desenvolveu essa compreens\u00e3o, j\u00e1 \u00e0 luz do regime estabelecido pela Lei n. 14.382\/2022. Nesse precedente, assentou-se que a disciplina contempor\u00e2nea do nome civil deve ser interpretada levando-se em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas sua fun\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o perante terceiros, mas igualmente sua condi\u00e7\u00e3o de elemento integrante dos direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa interpreta\u00e7\u00e3o encontra respaldo no sistema internacional de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos incorporado ao ordenamento jur\u00eddico brasileiro, conforme art. 18 da Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto n. 678\/1992, e os arts. 7\u00ba e 8\u00ba da Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a, incorporada ao direito brasileiro pelo Decreto n. 99.710\/1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em sentido similar, aponta a jurisprud\u00eancia estrangeira, o Consejo de Estado espanhol, no Dictamen n. 68\/2020, de 11\/6\/2020 e, de maneira mais gen\u00e9rica e principiol\u00f3gica, a Corte Europeia de Direitos Humanos, no julgamento de Burghartz v. Switzerland, de 22 de fevereiro de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais elementos indicam, portanto, que o acolhimento de pedidos desta sorte \u00e9 mat\u00e9ria de direitos humanos, sendo elemento representativo da personaliza\u00e7\u00e3o do direito civil promovida pelo novo C\u00f3digo \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o constitucional, que veda a submiss\u00e3o de mat\u00e9rias que dizem respeito \u00e0 dignidade da pessoa humana a considera\u00e7\u00f5es de ordem meramente formal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-vidro-escuro-nao-e-salvo-conduto-para-revista\" class=\"wp-block-heading\">9. VIDRO ESCURO N\u00c3O \u00c9 SALVO-CONDUTO PARA REVISTA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abordagem administrativa de tr\u00e2nsito <strong>N\u00c3O autoriza, por si, busca pessoal ou veicular<\/strong>, que exige <strong>fundada suspeita objetiva, concreta e anterior, ligada \u00e0 posse de corpo de delito<\/strong> (CPP, arts. 240, \u00a7 2\u00ba, e 244); pel\u00edcula irregular, regi\u00e3o perif\u00e9rica e fiscaliza\u00e7\u00e3o de rotina n\u00e3o s\u00e3o justa causa, e as provas assim obtidas s\u00e3o il\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 3.203.005-MT, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chaves, malandr\u00e3o, rodava de vidros escuros por um bairro de periferia quando a fiscaliza\u00e7\u00e3o o parou, corretamente, pela pel\u00edcula irregular. Do auto de infra\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, os policiais emendaram uma revista completa no carro e no Chaves, sem den\u00fancia, sem fuga, sem cheiro, sem volume suspeito, e do porta-malas saiu a prova que virou processo criminal \u2014 Chaves tinha coisa que n\u00e3o devia (pela lei) guardada l\u00e1. A infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito abre a porta da multa; a d\u00favida era se abre tamb\u00e9m a porta do porta-malas. Est\u00e9tica automotiva duvidosa e CEP errado somam uma suspeita fundada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 240, \u00a7 2\u00ba, e 244<\/strong> <em>(a busca pessoal cabe quando houver fundada suspeita de posse de arma proibida ou de objetos e pap\u00e9is que constituam corpo de delito; independe de mandado quando presente essa fundada suspeita).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A fundada suspeita se demonstra por elementos objetivos, concretos e anteriores \u00e0 dilig\u00eancia; presen\u00e7a em local associado ao tr\u00e1fico n\u00e3o vira autoriza\u00e7\u00e3o ampla para abordagens invasivas, sob pena de pol\u00edcia explorat\u00f3ria incompat\u00edvel com o art. 244.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O contraste com o precedente do fardo e do odor de maconha (AgRg no HC 885.796-SP) ilustra a r\u00e9gua: l\u00e1, elementos concretos surgidos ap\u00f3s a parada e antes da busca; aqui, nada al\u00e9m da pel\u00edcula, da rotina e do bairro (local conhecido por pr\u00e1ticas il\u00edcitas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem justa causa, a prova \u00e9 il\u00edcita e, ausentes provas aut\u00f4nomas, a absolvi\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Para o policiamento de rua, a conta parecia simples: parada l\u00edcita, carro \u00e0 m\u00e3o, <strong>revistar custa pouco e de vez em quando acha alguma coisa<\/strong>, e foi essa l\u00f3gica de pescaria que o tribunal local validou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O poder de pol\u00edcia de tr\u00e2nsito, contudo, tem o tamanho do tr\u00e2nsito. A pel\u00edcula irregular sustenta a ordem de parada, o auto de infra\u00e7\u00e3o, a vistoria administrativa do equipamento, <strong>e nada disso se converte em licen\u00e7a para vasculhar pessoas e porta-malas<\/strong>; a busca probat\u00f3ria mora em outro estatuto, o da fundada suspeita referida a corpo de delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f De elementos concretos, o processo n\u00e3o tinha nenhum, e a lista do que faltou \u00e9 eloquente, sem fuga, sem den\u00fancia pr\u00e9via, sem objeto \u00e0 vista, sem descarte, sem odor, <strong>sem dado anterior algum que ligasse o motorista a um crime<\/strong>; sobrou o CEP do bairro como fundamento, e CEP n\u00e3o \u00e9 suspeita, \u00e9 endere\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a busca veicular realizada, sem mandado, na sequ\u00eancia de abordagem por pel\u00edcula automotiva irregular em regi\u00e3o perif\u00e9rica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 l\u00edcita, decorr\u00eancia natural do poder de pol\u00edcia que autorizou a ordem de parada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) valida-se pela descoberta superveniente de objeto il\u00edcito no interior do ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 il\u00edcita, ausente fundada suspeita objetiva, concreta e anterior de posse de corpo de delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de autoriza\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo, supr\u00edvel pela presen\u00e7a de duas testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) convalida-se pela lavratura do auto de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito antes da dilig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A fiscaliza\u00e7\u00e3o administrativa autoriza a parada e a autua\u00e7\u00e3o; a revista probat\u00f3ria exige justa causa pr\u00f3pria, aqui inexistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A suspeita deve ser anterior \u00e0 dilig\u00eancia; o achado n\u00e3o legitima retroativamente a busca que o produziu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Sem elementos objetivos pr\u00e9vios, a dilig\u00eancia extrapolou o poder de pol\u00edcia; as provas dela derivadas s\u00e3o il\u00edcitas, e a falta de provas aut\u00f4nomas levou \u00e0 absolvi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O regime da busca n\u00e3o passa por consentimento formalizado nem por testemunhas; o eixo \u00e9 a fundada suspeita do art. 244 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O auto de infra\u00e7\u00e3o documenta o il\u00edcito administrativo; nenhuma efic\u00e1cia convalidat\u00f3ria se projeta sobre a busca criminal subsequente.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se as alega\u00e7\u00f5es de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito (vidros escuros), de localidade suspeita (regi\u00e3o perif\u00e9rica comumente associada ao tr\u00e1fico) e de fiscaliza\u00e7\u00e3o de rotina autorizariam a realiza\u00e7\u00e3o de busca pessoal\/veicular sem mandado judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) \u00e9 no sentido de que a busca pessoal, e, por analogia, a busca veicular, sem mandado judicial, exigem fundada suspeita demonstrada por elementos objetivos, concretos e anteriores \u00e0 dilig\u00eancia, refer\u00edveis \u00e0 posse de arma proibida, objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a exist\u00eancia de pel\u00edcula automotiva irregular p\u00f4de justificar a ordem de parada e a fiscaliza\u00e7\u00e3o administrativa do ve\u00edculo, no exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia de tr\u00e2nsito. Todavia, tal circunst\u00e2ncia n\u00e3o autoriza, por si s\u00f3, a realiza\u00e7\u00e3o de busca pessoal ou veicular de natureza probat\u00f3ria, especialmente quando ausente qualquer elemento concreto que indicasse que o acusado ocultava consigo arma, muni\u00e7\u00e3o, droga ou outro objeto constitutivo de corpo de delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a jurisprud\u00eancia do STJ n\u00e3o admite que a mera presen\u00e7a em local tido como sens\u00edvel ao com\u00e9rcio il\u00edcito de drogas seja convertida em autoriza\u00e7\u00e3o ampla para abordagens invasivas, sob pena de se legitimar atua\u00e7\u00e3o policial explorat\u00f3ria incompat\u00edvel com as garantias previstas no art. 244 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que o Tribunal de origem n\u00e3o registrou tentativa de fuga, comportamento evasivo, den\u00fancia pr\u00e9via, informa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o ve\u00edculo ou seus ocupantes, visualiza\u00e7\u00e3o de objeto il\u00edcito, descarte de material suspeito, odor de entorpecente, nervosismo incomum associado a outros dados objetivos, ou outra circunst\u00e2ncia concreta, anterior \u00e0 busca, que vinculasse o recorrente \u00e0 posse de arma, muni\u00e7\u00e3o ou droga. Limitou-se a Corte estadual, para afastar a nulidade das provas, a afirmar a exist\u00eancia de pel\u00edculas escuras, fiscaliza\u00e7\u00e3o de rotina e alegado tr\u00e2nsito em \u00e1rea reputada como de pr\u00e1tica de tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Registre-se que a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do caso distingue-se de precedente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (AgRg no HC 885.796-SP), no qual, ap\u00f3s a ordem de parada motivada por fiscaliza\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito, os policiais perceberam no interior do ve\u00edculo fardos caracter\u00edsticos para embalar drogas e forte odor de maconha, elementos concretos e supervenientes \u00e0 abordagem inicial, mas anteriores \u00e0 busca invasiva, aptos a justificar a fundada suspeita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, embora a fiscaliza\u00e7\u00e3o administrativa de tr\u00e2nsito fosse l\u00edcita e justificada, a subsequente busca pessoal\/veicular extrapolou os limites do poder de pol\u00edcia, pois n\u00e3o estava amparada por fundada suspeita devidamente demonstrada de posse de corpo de delito, como exigem os arts. 240, \u00a7 2\u00ba, e 244 do CPP. Ou seja, carece de descri\u00e7\u00e3o concreta de crime espec\u00edfico e\/ou de apontamento de elementos objetivos de fundada suspeita que justificassem a dilig\u00eancia limitadora de direitos fundamentais consistente na submiss\u00e3o \u00e0 busca pessoal\/veicular.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-o-juiz-que-virou-ator-no-plenario-do-juri\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O JUIZ QUE VIROU ATOR NO PLEN\u00c1RIO DO J\u00daRI<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o ativa do juiz presidente do j\u00fari na produ\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria <strong>viola o sistema acusat\u00f3rio e o devido processo legal<\/strong> (CPP, arts. 3\u00ba e 212): confrontar testemunhas, sugerir provas \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o e conduzir o interrogat\u00f3rio com ju\u00edzos de valor <strong>gera nulidade das provas do plen\u00e1rio e do julgamento<\/strong>, com preju\u00edzo \u00ednsito \u00e0 viola\u00e7\u00e3o, diante do convencimento imotivado dos jurados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 3.141.827-DF, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/9\/2026, DJEN 14\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No j\u00fari de T\u00edcio, quem mais trabalhou n\u00e3o foi a acusa\u00e7\u00e3o nem a defesa. O juiz presidente confrontou testemunhas, anunciou ter chegado a &#8220;conclus\u00e3o diferente&#8221; da que elas apresentavam, sugeriu provas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e interrogou o r\u00e9u por cerca de quarenta minutos diante dos jurados, com perguntas incisivas e opini\u00f5es \u00e0 mostra. O tribunal local viu ali apenas firmeza na condu\u00e7\u00e3o. Entre a energia de quem preside e o protagonismo de quem acusa, onde termina o pulso firme e come\u00e7a o segundo promotor de toga?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 3\u00ba e 212<\/strong> <em>(o processo penal tem estrutura acusat\u00f3ria; as perguntas \u00e0s testemunhas s\u00e3o feitas pelas partes, cabendo ao juiz complementar a inquiri\u00e7\u00e3o sobre pontos n\u00e3o esclarecidos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Atua\u00e7\u00e3o firme do presidente n\u00e3o gera nulidade autom\u00e1tica; a iniciativa probat\u00f3ria do juiz existe, mas \u00e9 residual e complementar, a servi\u00e7o da imparcialidade, sem acumular num mesmo sujeito as fun\u00e7\u00f5es de acusar, defender e julgar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd No caso, houve protagonismo probat\u00f3rio com ju\u00edzos de valor sobre a vers\u00e3o defensiva; e, embora preju\u00edzo se exija at\u00e9 nas nulidades absolutas, o convencimento \u00edntimo e n\u00e3o motivado do Conselho de Senten\u00e7a torna imensur\u00e1vel a influ\u00eancia exercida, fazendo o preju\u00edzo ressair da pr\u00f3pria viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Juiz de j\u00fari n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tua, e ningu\u00e9m exigiu que fosse: dirige debates, policia excessos, complementa esclarecimentos, <strong>e a linha entre conduzir com energia e produzir prova \u00e9 reconhecidamente fina<\/strong>, tanto que a jurisprud\u00eancia jamais anulou julgamento por firmeza, sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A ata da sess\u00e3o, por\u00e9m, descrevia outra pe\u00e7a. Quarenta minutos de interrogat\u00f3rio incisivo sob os olhos dos jurados, conclus\u00f5es pessoais anunciadas em voz alta, sugest\u00e3o de prova \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, <strong>um conjunto que soma a fun\u00e7\u00e3o de acusar \u00e0 de julgar<\/strong>, exatamente a cumula\u00e7\u00e3o que a estrutura acusat\u00f3ria veio proibir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Quanto ao preju\u00edzo, a resposta veio da natureza do j\u00fari. Jurados decidem por \u00edntima convic\u00e7\u00e3o, sem motivar, <strong>e ningu\u00e9m consegue medir quanto pesou a opini\u00e3o do magistrado<\/strong> naquela sala; imposs\u00edvel a medi\u00e7\u00e3o, o preju\u00edzo ressai da pr\u00f3pria quebra do sistema, com nulidade das provas do plen\u00e1rio e do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da atua\u00e7\u00e3o do juiz presidente do j\u00fari que confronta testemunhas, sugere provas \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o e conduz o interrogat\u00f3rio com ju\u00edzos de valor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o h\u00e1 nulidade, traduzindo a conduta o poder de dire\u00e7\u00e3o dos trabalhos em plen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) a nulidade depende da demonstra\u00e7\u00e3o aritm\u00e9tica da influ\u00eancia sobre os votos dos jurados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) o v\u00edcio se sana com a exclus\u00e3o, da ata, das manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas do magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) a firmeza na condu\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o gera, por presun\u00e7\u00e3o legal, o desaforamento do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) contamina de nulidade a prova colhida em plen\u00e1rio e o veredicto, por viola\u00e7\u00e3o ao sistema acusat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Dire\u00e7\u00e3o dos trabalhos n\u00e3o inclui protagonismo probat\u00f3rio nem ju\u00edzo de valor sobre a tese defensiva; o limite do art. 212 \u00e9 a complementa\u00e7\u00e3o residual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O convencimento dos jurados \u00e9 \u00edntimo e imotivado; sendo imensur\u00e1vel a influ\u00eancia, o preju\u00edzo decorre da pr\u00f3pria viola\u00e7\u00e3o, como assentou a Quinta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O v\u00edcio est\u00e1 no que os jurados presenciaram, n\u00e3o no que a ata registra; nenhuma depura\u00e7\u00e3o documental restaura a imparcialidade quebrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Desaforamento tem hip\u00f3teses pr\u00f3prias e n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia autom\u00e1tica; a resposta ao v\u00edcio foi a nulidade do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. A cumula\u00e7\u00e3o de acusar e julgar quebrou a paridade de armas e contaminou a prova do plen\u00e1rio, impondo a renova\u00e7\u00e3o do j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se a atua\u00e7\u00e3o de juiz presidente em sess\u00e3o plen\u00e1ria, desbordando dos limites do sistema acusat\u00f3rio &#8211; com protagonismo probat\u00f3rio, ju\u00edzos de valor e condu\u00e7\u00e3o incisiva do interrogat\u00f3rio do r\u00e9u &#8211; compromete a imparcialidade e a paridade de armas, ensejando nulidade dos atos e do julgamento do j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca do tema, o Tribunal de origem concluiu que a mera &#8220;atua\u00e7\u00e3o firme e en\u00e9rgica da autoridade judici\u00e1ria n\u00e3o pode ser confundida com parcialidade em favor de um ou outro resultado e nem pode ter como consequ\u00eancia imediata e necess\u00e1ria a quebra da imparcialidade dos jurados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem a compreens\u00e3o reiterada de que a mera atua\u00e7\u00e3o firme do juiz presidente n\u00e3o conduz \u00e0 nulidade autom\u00e1tica. Contudo, no caso, a atua\u00e7\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o plen\u00e1ria desbordou dos limites impostos pelo sistema acusat\u00f3rio, expressamente previsto no art. 3\u00ba do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque, consoante se verifica da ata da sess\u00e3o plen\u00e1ria, o juiz presidente exerceu fun\u00e7\u00e3o ativa na condu\u00e7\u00e3o das oitivas, especialmente no interrogat\u00f3rio do acusado, e exarou manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas acerca dos fatos, da vers\u00e3o defensiva e dos pleitos da Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Durante a sess\u00e3o plen\u00e1ria, o magistrado confrontou testemunhas, afirmou ter obtido &#8220;conclus\u00e3o diferente&#8221; da apresentada pelas testemunhas e sugeriu a produ\u00e7\u00e3o de provas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico. Ainda, o juiz presidente conduziu o interrogat\u00f3rio do r\u00e9u em plen\u00e1rio, sob o escrut\u00ednio dos jurados, por cerca de 40 minutos, fazendo perguntas incisivas e transparecendo conclus\u00f5es subjetivas acerca da conduta submetida a julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do STJ tem posicionamento, em especial na interpreta\u00e7\u00e3o dos arts. 3\u00ba e 212 do C\u00f3digo de Processo Penal, de que a atua\u00e7\u00e3o do magistrado deve se limitar a conduzir de modo imparcial a instru\u00e7\u00e3o, restringindo sua participa\u00e7\u00e3o na atividade instrut\u00f3ria \u00e0 natureza meramente residual e complementar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a entende que a estrutura acusat\u00f3ria do processo penal p\u00e1trio impede que se sobreponham, em um mesmo sujeito processual, as fun\u00e7\u00f5es de defender, acusar e julgar. Embora n\u00e3o se elimine a iniciativa probat\u00f3ria do juiz, esta deve ocorrer de modo residual, complementar e sempre com o cuidado de preservar sua imparcialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a atua\u00e7\u00e3o ativa na produ\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria, como na situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, em que o magistrado participou ativamente da produ\u00e7\u00e3o da prova, conduzindo inquiri\u00e7\u00f5es, induzindo posicionamentos e exercendo ju\u00edzo de valor sobre a conduta e a atua\u00e7\u00e3o defensiva, viola o sistema acusat\u00f3rio, a paridade de armas e a imparcialidade, acarretando a nulidade da prova produzida em desconformidade com a legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, embora esta Corte tenha ampla compreens\u00e3o no sentido da necessidade de comprova\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo, mesmo nas nulidades absolutas, e de que a condena\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o pode ser considerada como preju\u00edzo, excepcionalmente, no caso em exame, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mensurar a influ\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o ativa do magistrado no \u00edntimo convencimento do Conselho de Senten\u00e7a, \u00f3rg\u00e3o cuja compet\u00eancia \u00e9 constitucionalmente estabelecida para o julgamento dos crimes contra a vida, de modo que o preju\u00edzo ressai da pr\u00f3pria viola\u00e7\u00e3o ao sistema acusat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-943fd3cf-550c-4b7c-ac39-01cd3b05914c\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/21093241\/stj-info-901.pdf\">STJ &#8211; Info 901<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/21093241\/stj-info-901.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-943fd3cf-550c-4b7c-ac39-01cd3b05914c\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; MULTA DA ANTT E A NORMA POSTERIOR MAIS BRANDA Destaque A san\u00e7\u00e3o administrativa aplicada regularmente N\u00c3O retroage em favor do infrator pela superveni\u00eancia de norma mais ben\u00e9fica (caso da Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019): vige o tempus regit actum, salvo previs\u00e3o legal espec\u00edfica e expressa que autorize a aplica\u00e7\u00e3o retroativa do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[2185],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1809873","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carreiras-juridicas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v28.4 (Yoast SEO v28.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 901 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 901 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; MULTA DA ANTT E A NORMA POSTERIOR MAIS BRANDA Destaque A san\u00e7\u00e3o administrativa aplicada regularmente N\u00c3O retroage em favor do infrator pela superveni\u00eancia de norma mais ben\u00e9fica (caso da Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019): vige o tempus regit actum, salvo previs\u00e3o legal espec\u00edfica e expressa que autorize a aplica\u00e7\u00e3o retroativa do [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-09-21T12:33:35+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-09-21T12:33:37+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"86 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ 901 Comentado\",\"datePublished\":\"2026-09-21T12:33:35+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-21T12:33:37+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/\"},\"wordCount\":17299,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Jur\u00eddico\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2026\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/\",\"name\":\"Informativo STJ 901 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2026-09-21T12:33:35+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-21T12:33:37+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-901-comentado\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ 901 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\\\/2025\\\/06\\\/03203428\\\/logo_concursos-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\\\/2025\\\/06\\\/03203428\\\/logo_concursos-1.jpg\",\"width\":230,\"height\":60,\"caption\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/EstratConcursos\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\",\"name\":\"Jean Vilbert\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jean Vilbert\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/author\\\/jeanvilbertgmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Informativo STJ 901 Comentado","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Informativo STJ 901 Comentado","og_description":"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; MULTA DA ANTT E A NORMA POSTERIOR MAIS BRANDA Destaque A san\u00e7\u00e3o administrativa aplicada regularmente N\u00c3O retroage em favor do infrator pela superveni\u00eancia de norma mais ben\u00e9fica (caso da Resolu\u00e7\u00e3o ANTT n. 5.847\/2019): vige o tempus regit actum, salvo previs\u00e3o legal espec\u00edfica e expressa que autorize a aplica\u00e7\u00e3o retroativa do [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2026-09-21T12:33:35+00:00","article_modified_time":"2026-09-21T12:33:37+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"86 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/"},"author":{"name":"Jean Vilbert","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999"},"headline":"Informativo STJ 901 Comentado","datePublished":"2026-09-21T12:33:35+00:00","dateModified":"2026-09-21T12:33:37+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/"},"wordCount":17299,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#organization"},"articleSection":["Jur\u00eddico"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/#respond"]}],"copyrightYear":"2026","copyrightHolder":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"}},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/","name":"Informativo STJ 901 Comentado","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#website"},"datePublished":"2026-09-21T12:33:35+00:00","dateModified":"2026-09-21T12:33:37+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-901-comentado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Informativo STJ 901 Comentado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#website","url":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","description":"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.","publisher":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#organization","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","url":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","width":230,"height":60,"caption":"Estrat\u00e9gia Concursos"},"image":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/EstratConcursos"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999","name":"Jean Vilbert","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jean Vilbert"},"url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1809873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1809873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1809873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1809876,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1809873\/revisions\/1809876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1809873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1809873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1809873"},{"taxonomy":"tax_estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tax_estado?post=1809873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}