{"id":1808081,"date":"2026-09-14T09:27:42","date_gmt":"2026-09-14T12:27:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1808081"},"modified":"2026-09-14T09:27:45","modified_gmt":"2026-09-14T12:27:45","slug":"informativo-stj-900-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 900 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/14092624\/stj-info-900.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_2d-pwwuTCMc\"><div id=\"lyte_2d-pwwuTCMc\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/2d-pwwuTCMc\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/2d-pwwuTCMc\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/2d-pwwuTCMc\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-credito-rural-e-a-suspensao-legal-da-prescricao\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; CR\u00c9DITO RURAL E A SUSPENS\u00c3O LEGAL DA PRESCRI\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A suspens\u00e3o do prazo prescricional prevista nas leis de liquida\u00e7\u00e3o ou renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de cr\u00e9dito rural <strong>opera de pleno direito, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o do devedor<\/strong>, quando o dispositivo legal a estabelecer diretamente; <strong>depende de provid\u00eancia do devedor quando a pr\u00f3pria lei a condicionar<\/strong> \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o ou \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de interesse, observado o enquadramento objetivo da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.217.707-MA, REsp 2.219.068-MA, REsp 2.232.278-PR e REsp 2.236.997-RS, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Corte Especial, por unanimidade, julgados em 2\/9\/2026 (Tema 1406).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Executado por uma d\u00edvida de cr\u00e9dito rural antiga, Nhonho apostou na prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, a regra que mata a cobran\u00e7a quando o processo fica parado tempo demais. O banco respondeu com o calend\u00e1rio do Congresso, apontando a sequ\u00eancia de leis que, entre 2008 e 2018, abriu janelas de renegocia\u00e7\u00e3o para o campo e mandou suspender execu\u00e7\u00f5es e prazos enquanto durassem. Nhonho retrucou que jamais aderiu a programa nenhum, e que morat\u00f3ria de quem n\u00e3o participa n\u00e3o deveria segurar rel\u00f3gio alheio. A pausa criada por lei precisa da assinatura do devedor para valer?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.775\/2008, art. 8\u00ba, \u00a7 5\u00ba; Lei n. 12.844\/2013, art. 8\u00ba, \u00a7 13; Lei n. 13.340\/2016, art. 10<\/strong> <em>(normas que, de forma expressa e gen\u00e9rica, suspenderam prazos prescricionais e atos executivos das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural enquadr\u00e1veis, durante as janelas de renegocia\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A suspens\u00e3o autom\u00e1tica operou por for\u00e7a de lei e com alcance geral sobre os cr\u00e9ditos abrangidos: os termos iniciais se deslocaram, a contagem parou nas janelas de morat\u00f3ria e, encerrada cada uma, o prazo retomou o curso pelo saldo remanescente, sem computar o per\u00edodo suspenso contra o credor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Regime diverso vale para os dispositivos que condicionaram a suspens\u00e3o \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de linha de cr\u00e9dito espec\u00edfica ou \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o formal de interesse (Lei n. 11.775\/2008, arts. 33 e 59-A): a\u00ed a paralisa\u00e7\u00e3o exige ato volitivo do executado, al\u00e9m do enquadramento objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Na pr\u00e1tica, o c\u00e1lculo da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente em execu\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural deve descontar as janelas legais de suspens\u00e3o autom\u00e1tica, ainda que o devedor n\u00e3o tenha aderido a programa algum de renegocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A intui\u00e7\u00e3o do devedor tinha l\u00f3gica contratual. Morat\u00f3ria serve a quem renegocia, <strong>e estender o benef\u00edcio da pausa a quem ficou de fora pareceria transformar incentivo em armadilha<\/strong>, prolongando execu\u00e7\u00f5es contra os desinteressados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f S\u00f3 que a leitura confunde o destinat\u00e1rio da pol\u00edtica com o destinat\u00e1rio da norma. As leis do cr\u00e9dito rural suspenderam prazos de forma geral para que os credores aguardassem as renegocia\u00e7\u00f5es sem perder seus cr\u00e9ditos, <strong>e suspens\u00e3o que decorre diretamente da lei n\u00e3o convida, imp\u00f5e<\/strong>; o texto alcan\u00e7a as opera\u00e7\u00f5es enquadr\u00e1veis, com ou sem assinatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A r\u00e9gua dupla fixada no repetitivo respeita a letra de cada dispositivo. Onde a lei suspendeu diretamente, a pausa foi autom\u00e1tica; <strong>onde exigiu contrata\u00e7\u00e3o ou manifesta\u00e7\u00e3o de interesse, a pausa dependeu do gesto do devedor<\/strong>, e \u00e9 essa distin\u00e7\u00e3o que as inst\u00e2ncias dever\u00e3o aplicar caso a caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0s pausas do prazo prescricional institu\u00eddas pela legisla\u00e7\u00e3o de renegocia\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito rural:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) dependeu, como regra, de manifesta\u00e7\u00e3o formal do devedor quanto ao interesse em renegociar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) operou como interrup\u00e7\u00e3o, reiniciando-se o prazo do zero ao fim de cada janela legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) foi autom\u00e1tica quando estabelecida diretamente pela lei, e condicionada quando a norma exigiu provid\u00eancia do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) restringiu-se \u00e0s execu\u00e7\u00f5es de t\u00edtulo extrajudicial, exclu\u00eddas as fundadas em senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) cessou de pleno direito com o ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o, incompat\u00edvel a morat\u00f3ria com o processo em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O ato do devedor s\u00f3 condiciona a suspens\u00e3o nos dispositivos que expressamente o exigiram, como os arts. 33 e 59-A da Lei n. 11.775\/2008; nas janelas gerais, a pausa veio da pr\u00f3pria lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Houve suspens\u00e3o, n\u00e3o interrup\u00e7\u00e3o: terminada a janela, a contagem seguiu do ponto em que havia parado, sem zerar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. \u00c9 a r\u00e9gua dupla do repetitivo da Corte Especial, que distingue a suspens\u00e3o de pleno direito da suspens\u00e3o condicionada a contrata\u00e7\u00e3o ou manifesta\u00e7\u00e3o do mutu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. As janelas legais alcan\u00e7aram execu\u00e7\u00f5es fundadas em t\u00edtulo extrajudicial ou judicial, sem o recorte sugerido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A morat\u00f3ria legal atingiu justamente os processos em curso, paralisando atos executivos e contagem prescricional durante sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida ao rito dos recursos repetitivos consiste em definir se as Leis n. 11.775\/2008, 12.716\/2012, 12.844\/2013, 13.001 \/2014, 13.340\/2016, 13.306\/2018, 13.606\/2018 e 13.729\/2018 &#8211; que institu\u00edram medidas de est\u00edmulo \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o ou renegocia\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural &#8211; suspenderam automaticamente o prazo de prescri\u00e7\u00e3o nas execu\u00e7\u00f5es fundadas em t\u00edtulo executivo extrajudicial ou judicial, ou se a referida suspens\u00e3o estava condicionada \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o expressa do executado quanto ao interesse em renegociar ou liquidar a d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As janelas normativas de suspens\u00e3o geral dos prazos de prescri\u00e7\u00e3o e dos atos executivos, previstas de forma expressa e gen\u00e9rica nas leis de reg\u00eancia do cr\u00e9dito rural, operaram automaticamente por for\u00e7a de lei (opus legis), com efeito <em>erga omnes<\/em> sobre os cr\u00e9ditos abrangidos, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o individual do devedor (Lei n. 11.775\/2008, art. 8\u00ba, \u00a7 5\u00ba; Lei n. 12.844\/2013, art. 8\u00ba, \u00a7 13; e Lei n. 13.340\/2016, art. 10, todas com suas sucessivas altera\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As suspens\u00f5es legais deslocaram termos iniciais e paralisaram a contagem prescricional durante a vig\u00eancia dos respectivos comandos normativos, n\u00e3o correndo contra o credor nas janelas de morat\u00f3ria, retomando-se a contagem apenas ap\u00f3s cada termo final estabelecido, em observ\u00e2ncia \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e \u00e0 estabilidade das rela\u00e7\u00f5es obrigacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Encerrada cada janela legal de suspens\u00e3o, o prazo prescricional retomou seu curso pelo saldo remanescente, sem computar o per\u00edodo suspenso em desfavor do credor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diversamente, quando os dispositivos legais condicionaram expressamente a suspens\u00e3o do prazo prescricional \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de linha de cr\u00e9dito espec\u00edfica ou \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o formal de interesse do mutu\u00e1rio em aderir \u00e0 renegocia\u00e7\u00e3o, a paralisa\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o dependia de ato volitivo do executado e de seu enquadramento objetivo (Lei n. 11.775\/2008, arts. 33 e 59-A, acrescidos pela Lei n. 11.992\/2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a tese a fixada deve distinguir os regimes de suspens\u00e3o autom\u00e1tica, derivados da letra da lei, daqueles em que a suspens\u00e3o dependia de ato formal do devedor, respeitando-se a mens legis de garantir previsibilidade, incentivar a regulariza\u00e7\u00e3o e evitar a caducidade artificial de cr\u00e9ditos rurais no per\u00edodo de pol\u00edtica p\u00fablica setorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do exposto, fixa-se a seguinte tese para o Tema 1406\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; I &#8211; A suspens\u00e3o do prazo prescricional prevista nas leis que institu\u00edram medidas de liquida\u00e7\u00e3o ou renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de cr\u00e9dito rural opera de pleno direito, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o do devedor, quando o respectivo dispositivo legal a estabelecer diretamente para as opera\u00e7\u00f5es nele enquadr\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; II &#8211; A suspens\u00e3o somente depender\u00e1 de manifesta\u00e7\u00e3o, ades\u00e3o ou outra provid\u00eancia do devedor quando o pr\u00f3prio dispositivo legal expressamente a estabelecer como condi\u00e7\u00e3o para a sua incid\u00eancia, observados os requisitos objetivos de enquadramento da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-improbidade-de-ambito-nacional-e-a-competencia-estabilizada\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; IMPROBIDADE DE \u00c2MBITO NACIONAL E A COMPET\u00caNCIA ESTABILIZADA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teoria da compet\u00eancia jurisdicional adequada e o deslocamento superveniente da a\u00e7\u00e3o penal correlata <strong>N\u00c3O modificam a compet\u00eancia j\u00e1 fixada para a a\u00e7\u00e3o de improbidade<\/strong>, ante a <strong>independ\u00eancia das inst\u00e2ncias c\u00edvel e penal<\/strong> e a estabiliza\u00e7\u00e3o operada pela <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt nos EDcl no CC 209.919-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 12\/8\/2026, DJEN 20\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">R\u00e9u em a\u00e7\u00e3o de improbidade nascida da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, Creosvaldo teve sua a\u00e7\u00e3o penal despachada de Curitiba para o Distrito Federal e enxergou a\u00ed a chance de levar junto o processo c\u00edvel de improbidade, invocando uma tese doutrin\u00e1ria batizada de compet\u00eancia jurisdicional adequada, segundo a qual a causa deveria tramitar no foro com melhor aptid\u00e3o para julg\u00e1-la. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal lembrou que escolhera Curitiba anos antes, quando ajuizou a demanda, e que compet\u00eancia fixada n\u00e3o anda atr\u00e1s de processo alheio. A mudan\u00e7a de endere\u00e7o do processo-crime arrasta a improbidade pela m\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 7.347\/1985, art. 2\u00ba; CDC, art. 93, II; CPC, art. 43<\/strong> <em>(nas a\u00e7\u00f5es coletivas por dano de \u00e2mbito nacional, o autor pode escolher entre a capital do estado e o Distrito Federal; a compet\u00eancia determina-se no momento do registro ou da distribui\u00e7\u00e3o, irrelevantes as modifica\u00e7\u00f5es posteriores).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Em improbidade com dano de \u00e2mbito nacional aplica-se o microssistema da tutela coletiva, com foro concorrente \u00e0 escolha de quem aju\u00edza; exercida a op\u00e7\u00e3o, a compet\u00eancia se estabiliza pela <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A doutrina do foro non conveniens n\u00e3o \u00e9 admitida pela jurisprud\u00eancia como instrumento de modifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia em favor do r\u00e9u; a prerrogativa de escolha pertence ao autor da demanda coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A independ\u00eancia entre as inst\u00e2ncias c\u00edvel e penal impede que o caminhar do processo-crime arraste a a\u00e7\u00e3o de improbidade j\u00e1 fixada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Reunir os processos num s\u00f3 foro tem seu charme de efici\u00eancia. Provas comuns, fatos entrela\u00e7ados, <strong>e a promessa de decis\u00f5es harm\u00f4nicas entre o ju\u00edzo criminal e o da improbidade<\/strong> comp\u00f5em o cen\u00e1rio ideal imaginado pela defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A harmonia imaginada esbarra em duas traves. A escolha do foro nas causas de dano nacional \u00e9 prerrogativa de quem prop\u00f5e a demanda coletiva, blindada contra revis\u00f5es por iniciativa do r\u00e9u, <strong>e a compet\u00eancia fixada no ajuizamento se perpetua<\/strong>, indiferente \u00e0s mudan\u00e7as posteriores de fato ou de direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Esferas independentes completam o desenho. Improbidade n\u00e3o \u00e9 ap\u00eandice do processo-crime, tem regime, provas e destino pr\u00f3prios, <strong>e o deslocamento da a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o gera modifica\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia c\u00edvel<\/strong>; cada inst\u00e2ncia segue sua estrada, ainda que olhando a paisagem comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fixada em Curitiba a compet\u00eancia para a\u00e7\u00e3o de improbidade com dano de \u00e2mbito nacional, o posterior deslocamento da a\u00e7\u00e3o penal correlata ao Distrito Federal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o altera a compet\u00eancia c\u00edvel estabilizada, diante da independ\u00eancia entre as inst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) atrai a improbidade por conex\u00e3o, evitando-se decis\u00f5es conflitantes entre os ju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) autoriza o r\u00e9u a requerer a remessa, com base na teoria da compet\u00eancia jurisdicional adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) imp\u00f5e a redistribui\u00e7\u00e3o da causa, prevalecendo o foro da capital federal nas causas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) suspende o processo c\u00edvel at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo criminal definitivamente competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A Primeira Se\u00e7\u00e3o manteve a compet\u00eancia de Curitiba: a op\u00e7\u00e3o leg\u00edtima do autor, somada \u00e0 <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em> e \u00e0 independ\u00eancia das inst\u00e2ncias, fecha a porta ao deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A conex\u00e3o n\u00e3o opera entre esferas independentes; o destino da a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o dita o da improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A teoria, de constru\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, n\u00e3o pode converter o foro non conveniens em ferramenta de mudan\u00e7a de compet\u00eancia a favor do r\u00e9u, o que a jurisprud\u00eancia rejeita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O foro do Distrito Federal era uma das op\u00e7\u00f5es \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do autor, n\u00e3o regra de preval\u00eancia; escolhida a capital paranaense, a fixa\u00e7\u00e3o se aperfei\u00e7oou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhuma prejudicialidade imp\u00f5e a paralisa\u00e7\u00e3o; as a\u00e7\u00f5es seguem trilhas paralelas, com instru\u00e7\u00e3o e julgamento aut\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia, em sua ess\u00eancia, reside em saber se a teoria da compet\u00eancia jurisdicional adequada e as circunst\u00e2ncias supervenientes relacionadas ao deslocamento da a\u00e7\u00e3o penal correlata para o Distrito Federal seriam aptas a modificar a compet\u00eancia para julgamento de a\u00e7\u00e3o de improbidade j\u00e1 fixada em favor do Ju\u00edzo Federal da Vara de Curitiba. A resposta \u00e9 negativa, por fundamentos que se somam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, segundo a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, tratando-se de a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa com imputa\u00e7\u00e3o de dano de \u00e2mbito nacional, aplica-se o microssistema processual da tutela coletiva, de modo que a a\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser proposta no foro da capital do estado ou no do Distrito Federal, cabendo ao autor a escolha, nos termos do art. 2\u00ba da Lei n. 7.347\/1985 c\/c o art. 93, II, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, exercida essa op\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em favor do foro de Curitiba ao tempo do ajuizamento, a compet\u00eancia ali se fixou e estabilizou-se pela <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A teoria da compet\u00eancia jurisdicional adequada, de constru\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de afastar a prerrogativa legal do autor de escolher o foro competente nas hip\u00f3teses de dano de \u00e2mbito nacional, sob pena de converter a doutrina do foro non conveniens em instrumento de modifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia a favor do r\u00e9u, o que a jurisprud\u00eancia desta Corte n\u00e3o admite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o deslocamento superveniente da a\u00e7\u00e3o penal correlata para o Distrito Federal n\u00e3o acarreta a modifica\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia j\u00e1 fixada para a a\u00e7\u00e3o de improbidade, ante a independ\u00eancia das inst\u00e2ncias c\u00edvel e penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-o-foro-da-improbidade-apos-a-reforma-da-lia\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; O FORO DA IMPROBIDADE AP\u00d3S A REFORMA DA LIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo ap\u00f3s o art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, da Lei n. 8.429\/1992 (inclu\u00eddo pela Lei n. 14.230\/2021), <strong>a improbidade com dano de \u00e2mbito nacional segue o microssistema da tutela coletiva<\/strong>: a a\u00e7\u00e3o pode ser proposta <strong>no foro da capital do estado ou no do Distrito Federal, \u00e0 escolha do autor<\/strong> (Lei n. 7.347\/1985, art. 2\u00ba, c\/c CDC, art. 93, II).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt nos EDcl no CC 209.919-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 12\/8\/2026, DJEN 20\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reforma legislativa de 2021 escreveu na pr\u00f3pria Lei de Improbidade que a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 proposta no foro do local do dano ou da pessoa jur\u00eddica prejudicada. Tratando-se de regra de compet\u00eancia absoluta, dizia a defesa do r\u00e9u, aplica-se de imediato aos processos em curso, apagando a escolha feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pelo Distrito Federal em 2019. Entre a letra nova da lei especial e o microssistema que governa os danos de alcance nacional, qual prevalece?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 17, \u00a7 4\u00ba-A<\/strong> <em>(a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jur\u00eddica prejudicada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Quando o preju\u00edzo ao er\u00e1rio \u00e9 de abrang\u00eancia nacional, o local do dano \u00e9 o pa\u00eds inteiro; o crit\u00e9rio \u00fatil vem do microssistema coletivo, que abre ao autor a escolha entre a capital do estado e o Distrito Federal (AgInt no CC 214.675\/DF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A op\u00e7\u00e3o exercida no ajuizamento vincula a fixa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia e n\u00e3o se revisa por iniciativa do r\u00e9u nem por legisla\u00e7\u00e3o superveniente, em respeito ao juiz natural e ao art. 43 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A tese da defesa apostava na literalidade fresca. Lei especial posterior, regra expressa de foro, <strong>compet\u00eancia dita absoluta aplic\u00e1vel de imediato<\/strong>, a combina\u00e7\u00e3o parecia irresist\u00edvel no papel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O detalhe \u00e9 que dano nacional n\u00e3o tem endere\u00e7o \u00fanico. Aplicar o local do dano a um preju\u00edzo espalhado pelo pa\u00eds inteiro devolveria a pergunta em vez de respond\u00ea-la, <strong>e \u00e9 o microssistema coletivo que oferece o crit\u00e9rio oper\u00e1vel<\/strong>, com a escolha entre capital e Distrito Federal nas m\u00e3os de quem aju\u00edza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sobre o processo em andamento, pesou a \u00e2ncora do art. 43 do CPC. A a\u00e7\u00e3o nasceu em 2019, no foro legitimamente eleito, <strong>e lei nova de compet\u00eancia n\u00e3o desloca causa j\u00e1 fixada<\/strong>, pre\u00e7o que o sistema paga, de bom grado, pela estabilidade e pelo juiz natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a inclus\u00e3o do art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, na Lei de Improbidade pela Lei n. 14.230\/2021, a a\u00e7\u00e3o por dano de \u00e2mbito nacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) deve tramitar no foro da sede da pessoa jur\u00eddica prejudicada, revogado o regime concorrente anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) passa ao Distrito Federal em car\u00e1ter privativo, concentrando-se as causas de alcance geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) retorna ao ju\u00edzo do local do dano preponderante, aferido pela maior fra\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) continua regida pelo microssistema coletivo, com foro concorrente \u00e0 escolha do autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) sujeita-se a redistribui\u00e7\u00e3o imediata, dada a natureza absoluta da nova regra de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O \u00a7 4\u00ba-A n\u00e3o revogou o regime concorrente para os danos de \u00e2mbito nacional; a Primeira Se\u00e7\u00e3o reafirmou a vig\u00eancia do microssistema no AgInt no CC 214.675\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O Distrito Federal \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es do autor, n\u00e3o foro privativo das causas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Fracionar o preju\u00edzo para achar um &#8220;dano preponderante&#8221; n\u00e3o tem amparo; a abrang\u00eancia nacional atrai o crit\u00e9rio do art. 93, II, do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A op\u00e7\u00e3o entre a capital estadual e o Distrito Federal permanece com o autor da demanda, na linha do art. 2\u00ba da LACP combinado com o CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Ainda que se discuta a natureza da regra, a compet\u00eancia j\u00e1 fixada se conserva pelo art. 43 do CPC, imune a altera\u00e7\u00f5es legislativas supervenientes.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia gira em torno da tese de que o art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, da Lei n. 8.429\/1992, inserido pela Lei n. 14.230\/2021, teria revogado o regime anterior de compet\u00eancia concorrente nas a\u00e7\u00f5es de improbidade com dano de \u00e2mbito nacional, passando a exigir que a demanda seja proposta no foro do local do dano ou da sede da pessoa jur\u00eddica prejudicada, e que, por se tratar de compet\u00eancia absoluta, a nova regra se aplicaria imediatamente ao caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, disp\u00f5e o referido dispositivo legal que a a\u00e7\u00e3o para a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es de que trata a Lei de Improbidade Administrativa ser\u00e1 proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico &#8220;perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jur\u00eddica prejudicada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por\u00e9m, o argumento n\u00e3o prospera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a quest\u00e3o foi recentemente examinada pela Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no AgInt no CC 214675\/DF, relator Ministro Francisco Falc\u00e3o, DJEN de 15\/12\/2025, no qual se assentou que, &#8220;nada obstante o disposto no art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, da LIA, inclu\u00eddo pela Lei n. 14.230\/2021, cujo entendimento h\u00e1 muito j\u00e1 vinha sendo adotado por esta Corte, tratando-se de a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa que envolve grave preju\u00edzo causado ao patrim\u00f4nio p\u00fablico a configurar dano de \u00e2mbito nacional, (&#8230;) a pac\u00edfica jurisprud\u00eancia desta Corte Superior orienta-se no sentido de que cumpre ao autor da demanda optar pela Se\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria em que dever\u00e1 ingressar com a a\u00e7\u00e3o, sendo que o ju\u00edzo escolhido se torna funcionalmente competente para o julgamento e deslinde da controv\u00e9rsia, nos termos do art. 2\u00ba da Lei n. 7.347\/1985&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal entendimento justifica-se porque, dentro do microssistema processual da tutela coletiva, se o dano experimentado pelo er\u00e1rio for de abrang\u00eancia nacional, a a\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser proposta no foro da capital do estado ou no do Distrito Federal, nos termos do art. 93, II, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa foi ajuizada em 2019, no foro de Curitiba, tendo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal exercido legitimamente sua prerrogativa de escolha do foro competente. Essa op\u00e7\u00e3o vincula a fixa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia e n\u00e3o pode ser revista por iniciativa do r\u00e9u, nem alterada em raz\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o superveniente, sob pena de viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do juiz natural e da regra da <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em> consagrada no art. 43 do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-demolicao-convertida-em-indenizacao-na-tutela-ambiental\" class=\"wp-block-heading\">4. DEMOLI\u00c7\u00c3O CONVERTIDA EM INDENIZA\u00c7\u00c3O NA TUTELA AMBIENTAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ambiental, <strong>N\u00c3O podem o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o particular acordar a convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de demolir em obriga\u00e7\u00e3o de indenizar<\/strong>: n\u00e3o h\u00e1 direito adquirido de manter situa\u00e7\u00e3o lesiva ao meio ambiente, <strong>inaplic\u00e1vel a teoria do fato consumado<\/strong> (S\u00famula n. 613\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.154.598-CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 22\/6\/2026, DJEN 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A casa de veraneio de Seu Barriga nasceu \u00e0 margem de um rio, dentro de \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente, faixa que a lei mant\u00e9m intocada justamente para proteger a \u00e1gua, o solo e a biodiversidade. Condenado a demolir na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, ele costurou com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal um acordo para trocar a marreta por dinheiro, indenizando o dano e mantendo a casa de p\u00e9. O tribunal local ainda o socorreu com outro argumento, o de que o poder p\u00fablico fora negligente na fiscaliza\u00e7\u00e3o. Senten\u00e7a ambiental que manda demolir aceita virar boleto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 4.771\/1965, arts. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba, IV e V, e 4\u00ba; S\u00famula n. 613\/STJ<\/strong> <em>(a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente restringe-se aos casos de utilidade p\u00fablica ou interesse social, hip\u00f3teses que n\u00e3o abrangem casas de veraneio; n\u00e3o se admite a teoria do fato consumado em tema de direito ambiental).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As normas que autorizam explora\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica de APP interpretam-se restritivamente, em nome do equil\u00edbrio ambiental e das gera\u00e7\u00f5es futuras; e a omiss\u00e3o do poder p\u00fablico na fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o converte bem p\u00fablico em privado nem legitima a perman\u00eancia do esbulho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Constru\u00e7\u00e3o incontroversamente erguida em APP e terreno de marinha, com preju\u00edzo ao meio ambiente, submete o particular ao comando da senten\u00e7a coletiva: a obriga\u00e7\u00e3o de demolir n\u00e3o se negocia em fase de cumprimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O acordo parecia um ganha-ganha maduro. O dano seria pago, o processo acabaria, <strong>e a consensualidade vem sendo celebrada em toda parte como evolu\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a<\/strong>, inclusive na seara coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Consenso tem limite onde come\u00e7a o bem indispon\u00edvel. A ordem de demoli\u00e7\u00e3o protege o rio, n\u00e3o o caixa do fundo de repara\u00e7\u00e3o, <strong>e trocar a recomposi\u00e7\u00e3o do ambiente por dinheiro perpetuaria a pr\u00f3pria les\u00e3o<\/strong> que a senten\u00e7a mandou cessar, transformando a APP em mercadoria de quem pode pagar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Ficam de p\u00e9 as balizas conhecidas da Corte. N\u00e3o h\u00e1 direito adquirido de poluir, fato consumado n\u00e3o convalida degrada\u00e7\u00e3o, <strong>e a des\u00eddia estatal na fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o premia o ocupante irregular<\/strong>; a casa cede, porque o rio fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na fase de cumprimento da senten\u00e7a coletiva que imp\u00f4s a demoli\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o erguida em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) admite-se acordo convertendo a demoli\u00e7\u00e3o em indeniza\u00e7\u00e3o, prestigiada a solu\u00e7\u00e3o consensual do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) a obriga\u00e7\u00e3o de demolir subsiste, sem espa\u00e7o para convers\u00e3o em indeniza\u00e7\u00e3o ou invoca\u00e7\u00e3o do fato consumado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) transfere-se ao poder p\u00fablico o custo da regulariza\u00e7\u00e3o, dada a sua neglig\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige-se prova de dano atual, presumida a consolida\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es antigas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) cabe ao ju\u00edzo optar pela medida menos gravosa, privilegiando a perman\u00eancia da moradia edificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O meio ambiente \u00e9 bem indispon\u00edvel; a Primeira Turma vedou expressamente a troca da demoli\u00e7\u00e3o por indeniza\u00e7\u00e3o nessa fase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. A constru\u00e7\u00e3o em APP e terreno de marinha contraria a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, e a S\u00famula n. 613\/STJ barra o fato consumado em mat\u00e9ria ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A omiss\u00e3o fiscalizat\u00f3ria n\u00e3o muda a titularidade do bem nem socorre o ocupante; foi exatamente o fundamento do ac\u00f3rd\u00e3o local que o STJ afastou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O preju\u00edzo ambiental era incontroverso, e antiguidade de ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera direito adquirido contra o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A senten\u00e7a coletiva j\u00e1 definiu a medida devida; ao ju\u00edzo do cumprimento n\u00e3o cabe substitu\u00ed-la por alternativa mais c\u00f4moda ao devedor.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se, em cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em mat\u00e9ria ambiental, \u00e9 poss\u00edvel ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e ao particular formalizarem acordo para converter a obriga\u00e7\u00e3o de demolir em obriga\u00e7\u00e3o de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, uma casa de veraneio foi constru\u00edda \u00e0 margem de um rio, sendo tal constru\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao disposto na legisla\u00e7\u00e3o ambiental. A Corte local deu provimento ao agravo de instrumento interposto pelo particular para afastar a obriga\u00e7\u00e3o de demoli\u00e7\u00e3o da casa de veraneio, sob o fundamento, em s\u00edntese, de que houve neglig\u00eancia da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na fiscaliza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cedi\u00e7o que os comandos legais que autorizam a explora\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente devem ser interpretados restritivamente, sob pena de colocar em risco o equil\u00edbrio ambiental, comprometendo a sobreviv\u00eancia das presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 4\u00ba da Lei n. 4.771\/1965, norma vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos, \u00e9 expl\u00edcito ao prever que somente \u00e9 poss\u00edvel a supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o de \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente nos casos de utilidade p\u00fablica ou de interesse social, sendo que o art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba, incisos IV e V, da mesma lei, arrola as hip\u00f3teses que se enquadram em tais circunst\u00e2ncias, dentre as quais n\u00e3o est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o de casas de veraneio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, as \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente t\u00eam como primordiais fun\u00e7\u00f5es a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, da estabilidade geol\u00f3gica e da biodiversidade, al\u00e9m de visarem \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do solo e do bem-estar de todos. Sendo assim, mostra-se descabida a pretens\u00e3o de grupos de pessoas que degradam referidas \u00e1reas para finalidades recreativas, acarretando \u00f4nus desmesurado ao meio ambiente e aos demais indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse aspecto, insta salientar que, diversamente do decidido pelo tribunal local, eventual omiss\u00e3o do Poder P\u00fablico em fiscalizar a \u00e1rea n\u00e3o converte o bem p\u00fablico em bem privado, nem outorga ao ocupante ileg\u00edtimo o direito de perpetuar esbulho ou procrastinar sua pronta corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, verifica-se que o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido tamb\u00e9m est\u00e1 em confronto com a orienta\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a segundo a qual n\u00e3o h\u00e1 falar em direito adquirido \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o que gere preju\u00edzo ao meio ambiente. Nesse sentido, \u00e9 o enunciado da S\u00famula n. 613\/STJ, segundo o qual: &#8220;N\u00e3o se admite a aplica\u00e7\u00e3o da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, tendo em vista ser incontroverso que o im\u00f3vel foi constru\u00eddo em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente situada em terreno da Marinha, em desacordo com a legisla\u00e7\u00e3o que rege a mat\u00e9ria, gerando preju\u00edzo ao meio ambiente, deve o particular submeter-se ao que fora determinado no \u00e2mbito do julgamento da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, objeto do cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se, portanto, que, em cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em mat\u00e9ria ambiental, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e ao particular formalizarem acordo para converter a obriga\u00e7\u00e3o de demolir em obriga\u00e7\u00e3o de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-arresto-antes-da-citacao-por-edital-na-execucao-fiscal\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; ARRESTO ANTES DA CITA\u00c7\u00c3O POR EDITAL NA EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 leg\u00edtima, em execu\u00e7\u00e3o fiscal, <strong>a prioriza\u00e7\u00e3o de medidas executivas, como o arresto via SisbaJud, antes da cita\u00e7\u00e3o ficta<\/strong>, no exerc\u00edcio do poder de dire\u00e7\u00e3o do processo (CPC, arts. 139 e 370): a cita\u00e7\u00e3o por edital <strong>N\u00c3O \u00e9 afastada, e sim postergada<\/strong>, por raz\u00f5es de celeridade e efetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.189.427-PE, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/8\/2026, DJEN 13\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Fazenda tentou citar a Furtiva Com\u00e9rcio pelo correio e por oficial de justi\u00e7a, sem sucesso; a executada parecia n\u00e3o existir em endere\u00e7o nenhum. Antes de partir para a cita\u00e7\u00e3o por edital, a fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de avisar quem n\u00e3o \u00e9 encontrado publicando o chamado onde ningu\u00e9m l\u00ea, o juiz deferiu bloquear dinheiro da empresa pelo SisbaJud, o sistema que alcan\u00e7a contas banc\u00e1rias por ordem judicial. A aposta era conhecida dos balc\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o, com o dono aparecendo em ju\u00edzo assim que o saldo some. Inverter a ordem dos atos, constringindo antes de chamar, cabe nos poderes do juiz?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 4\u00ba, 8\u00ba, 139, II, IV e VI, e 370, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong> <em>(as partes t\u00eam direito \u00e0 solu\u00e7\u00e3o integral do m\u00e9rito em prazo razo\u00e1vel; cabe ao juiz dirigir o processo, determinar medidas indutivas, alterar a ordem dos atos processuais e indeferir dilig\u00eancias in\u00fateis).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O poder-dever de dire\u00e7\u00e3o autoriza postergar a cita\u00e7\u00e3o ficta e priorizar a localiza\u00e7\u00e3o e constri\u00e7\u00e3o de bens, provid\u00eancia que serve \u00e0 celeridade e \u00e0 efetividade da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Constrito o patrim\u00f4nio, \u00e9 frequente o comparecimento espont\u00e2neo do executado para impugnar o bloqueio, o que instala o contradit\u00f3rio de forma mais eficiente que o edital; a cita\u00e7\u00e3o edital\u00edcia permanece devida, em momento posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A ordem tradicional do rito tem sua raz\u00e3o de ser. Primeiro se chama o devedor ao processo, depois se avan\u00e7a sobre os bens, <strong>e pular etapas evoca o fantasma da execu\u00e7\u00e3o \u00e0s cegas<\/strong>, sem defesa constitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O fantasma se desfaz diante do caso concreto. As vias reais de cita\u00e7\u00e3o j\u00e1 haviam falhado, <strong>e o edital n\u00e3o comunica, presume<\/strong>; entre presumir a ci\u00eancia de quem se esconde e localizar o patrim\u00f4nio de quem deve, o juiz escolheu o ato com chance de resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Efetividade aqui caminhou junto com o contradit\u00f3rio, n\u00e3o contra ele. O bloqueio costuma trazer o executado ao processo em dias, com defesa real em vez de curador de ausente, <strong>e a cita\u00e7\u00e3o por edital continua no horizonte<\/strong>, agora com endere\u00e7o conhecido para a discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a determina\u00e7\u00e3o, em execu\u00e7\u00e3o fiscal, de arresto via SisbaJud antes da realiza\u00e7\u00e3o da cita\u00e7\u00e3o por edital:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 nula, subordinado o ato constritivo \u00e0 pr\u00e9via integra\u00e7\u00e3o do executado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) depende de cau\u00e7\u00e3o da Fazenda exequente, garantindo-se eventual preju\u00edzo ao executado ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) suprime a cita\u00e7\u00e3o edital\u00edcia, substitu\u00edda pelo comparecimento espont\u00e2neo do devedor constrito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige demonstra\u00e7\u00e3o de risco concreto de dilapida\u00e7\u00e3o, requisito das cautelares patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) insere-se no poder de dire\u00e7\u00e3o do processo, postergada a cita\u00e7\u00e3o ficta por celeridade e efetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Ap\u00f3s as tentativas reais frustradas, a constri\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria antes da cita\u00e7\u00e3o ficta foi validada como gest\u00e3o leg\u00edtima do rito, sem nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nenhuma contracautela foi erigida em requisito; o fundamento est\u00e1 nos poderes de dire\u00e7\u00e3o do art. 139 do CPC, n\u00e3o no regime das cautelares t\u00edpicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A cita\u00e7\u00e3o por edital n\u00e3o desaparece do procedimento, sendo somente adiada; o comparecimento espont\u00e2neo, se houver, supre a cita\u00e7\u00e3o por outra via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A medida se apoiou na condu\u00e7\u00e3o eficiente do processo executivo, dispensando a demonstra\u00e7\u00e3o exigida nas cautelares aut\u00f4nomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Prioriza-se a busca patrimonial, com est\u00edmulo ao comparecimento espont\u00e2neo do executado, ficando o edital para o momento seguinte do rito.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em determinar se \u00e9 leg\u00edtima a prioriza\u00e7\u00e3o de medidas executivas, como o arresto via SisbaJud, antes da cita\u00e7\u00e3o ficta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, foi ajuizada execu\u00e7\u00e3o fiscal, na qual, ap\u00f3s tentativas frustradas de cita\u00e7\u00e3o por correio e por oficial de justi\u00e7a, o Ju\u00edzo de primeiro grau determinou arresto cautelar via SisbaJud e reputou, naquele momento, in\u00fatil a cita\u00e7\u00e3o por edital, orientando previamente a busca de bens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A medida consistente em postergar a cita\u00e7\u00e3o por edital e priorizar o arresto cautelar via SisbaJud insere-se no poder-dever de dire\u00e7\u00e3o do processo conferido ao juiz em prol dos princ\u00edpios da celeridade e da efetividade, orientado pelos arts. 4\u00ba, 8\u00ba, 139, incisos II, IV e VI, e 370, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo de Processo Civil, autorizando a dire\u00e7\u00e3o do processo para assegurar solu\u00e7\u00e3o integral do m\u00e9rito em prazo razo\u00e1vel, com uso de medidas indutivas e altera\u00e7\u00e3o da ordem dos atos, indeferindo dilig\u00eancias in\u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em execu\u00e7\u00e3o fiscal, observa-se que, ap\u00f3s a constri\u00e7\u00e3o patrimonial, frequentemente o pr\u00f3prio executado comparece espontaneamente para impugnar o bloqueio, circunst\u00e2ncia que viabiliza o contradit\u00f3rio e a ampla defesa e torna o procedimento mais efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, conclui-se que a cita\u00e7\u00e3o por edital n\u00e3o \u00e9 afastada, sendo apenas postergada por raz\u00f5es de celeridade e efetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o arresto cautelar via SisbaJud constitui medida id\u00f4nea para localiza\u00e7\u00e3o e constri\u00e7\u00e3o de bens, podendo, inclusive, estimular o comparecimento espont\u00e2neo do executado, viabilizando o contradit\u00f3rio de forma mais eficiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-acao-civil-publica-contra-morador-de-loteamento-irregular\" class=\"wp-block-heading\">6. A\u00c7\u00c3O CIVIL P\u00daBLICA CONTRA MORADOR DE LOTEAMENTO IRREGULAR<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Configura desvio da via coletiva <strong>o ajuizamento em massa, por Munic\u00edpio, de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas para demolir moradias de baixa renda<\/strong> em loteamentos cuja regulariza\u00e7\u00e3o \u00e9 de sua responsabilidade: sem direito transindividual em jogo, <strong>a demanda mascara a omiss\u00e3o na pol\u00edtica habitacional e viola o direito \u00e0 moradia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AREsp 2.765.693-SP, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/8\/2026, DJEN 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A casinha de Seu Madruga fica num loteamento que a pr\u00f3pria prefeitura classificou como Zona Especial de Interesse Social, o r\u00f3tulo urban\u00edstico das \u00e1reas destinadas \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, e o procedimento para regularizar o bairro j\u00e1 andava na secretaria competente. Ainda assim, o Munic\u00edpio ajuizou contra ele uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica exigindo a demoli\u00e7\u00e3o da casa, uma entre dezenas de a\u00e7\u00f5es id\u00eanticas espalhadas contra vizinhos de baixa renda. A ferramenta criada para defender direitos coletivos serve para o poder p\u00fablico demolir, casa por casa, o bairro que ele mesmo deveria regularizar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 7.347\/1985, arts. 1\u00ba, I e VI, e 18<\/strong> <em>(a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica destina-se \u00e0 tutela do meio ambiente, da ordem urban\u00edstica e de outros interesses difusos e coletivos; nela n\u00e3o h\u00e1 adiantamento de custas e despesas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Demoli\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o individual, sem tutela de direito transindividual, n\u00e3o cabe na via coletiva; a pulveriza\u00e7\u00e3o de ACPs contra moradores, com a regulariza\u00e7\u00e3o a cargo do pr\u00f3prio autor, revela uso da a\u00e7\u00e3o para escapar de custas, per\u00edcias e da pol\u00edtica habitacional devida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Em \u00e1rea classificada como ZEIS e com regulariza\u00e7\u00e3o em curso, eventual demoli\u00e7\u00e3o deve ser examinada dentro do procedimento administrativo, ap\u00f3s os estudos t\u00e9cnicos; a judicializa\u00e7\u00e3o individualizada dificulta solu\u00e7\u00f5es consensuais, como as das Comiss\u00f5es de Solu\u00e7\u00f5es Fundi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Na peti\u00e7\u00e3o, a bandeira era nobre. Ordem urban\u00edstica e meio ambiente s\u00e3o interesses difusos por excel\u00eancia, <strong>e a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica existe exatamente para proteg\u00ea-los<\/strong>, inclusive contra constru\u00e7\u00f5es irregulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A nobreza desmonta quando se olha o conjunto da obra. Dezenas de a\u00e7\u00f5es individuais fantasiadas de coletivas, contra moradores pobres de bairros que o pr\u00f3prio Munic\u00edpio classificou como ZEIS e prometeu regularizar, <strong>n\u00e3o tutelam interesse difuso nenhum, tutelam a fuga do autor \u00e0s suas obriga\u00e7\u00f5es<\/strong>, das custas processuais \u00e0 pol\u00edtica habitacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O lugar da resposta \u00e9 o procedimento de regulariza\u00e7\u00e3o em curso. L\u00e1 se decidir\u00e1, com estudo t\u00e9cnico, o que fica e o que sai, <strong>sem transformar o morador no r\u00e9u da omiss\u00e3o alheia<\/strong>; o direito \u00e0 moradia entra na equa\u00e7\u00e3o que a demanda demolit\u00f3ria ignorava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a propositura seriada, por Munic\u00edpio, de demandas ditas coletivas para demolir constru\u00e7\u00f5es individuais em loteamento classificado como ZEIS e em regulariza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) falta interesse coletivo apto a justificar a via eleita, mascarada a omiss\u00e3o na pol\u00edtica habitacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 leg\u00edtimo, pois a tutela da ordem urban\u00edstica dispensa a presen\u00e7a de direito transindividual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) justifica-se pela gratuidade da via coletiva, extens\u00edvel ao ente p\u00fablico em demandas urban\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) imp\u00f5e-se como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, saneando o loteamento antes dos estudos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da cumula\u00e7\u00e3o de pedido indenizat\u00f3rio, convertendo-se a demoli\u00e7\u00e3o em obriga\u00e7\u00e3o alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Sem direito coletivo em jogo, a via era inadequada; a demoli\u00e7\u00e3o, se couber, ser\u00e1 avaliada no procedimento de regulariza\u00e7\u00e3o, com os estudos t\u00e9cnicos devidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A invoca\u00e7\u00e3o da ordem urban\u00edstica n\u00e3o dispensa a transindividualidade; demolir a casa de um morador \u00e9 pretens\u00e3o individual com roupagem coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A dispensa de adiantamento de custas da LACP n\u00e3o \u00e9 salvo-conduto; us\u00e1-la para baratear dezenas de demandas individuais foi parte do artif\u00edcio censurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A ordem \u00e9 inversa: primeiro os estudos do procedimento de regulariza\u00e7\u00e3o, depois a defini\u00e7\u00e3o sobre eventual demoli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhuma cumula\u00e7\u00e3o salvaria a inadequa\u00e7\u00e3o da via; o defeito est\u00e1 na aus\u00eancia de interesse coletivo, n\u00e3o na formula\u00e7\u00e3o do pedido.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia volta-se \u00e0 an\u00e1lise da tese de que cabe a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica para tutela da ordem urban\u00edstica e ambiental mesmo quando se busca a demoli\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o individual irregular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ajuizada por Munic\u00edpio com pedido de demoli\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel constru\u00eddo em \u00e1rea apontada como irregular. O ac\u00f3rd\u00e3o recorrido e a senten\u00e7a de origem revelam, contudo, que o loteamento em quest\u00e3o est\u00e1 classificado pelo pr\u00f3prio Munic\u00edpio como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS 1), categoria urban\u00edstica voltada exatamente \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, e que o procedimento administrativo de regulariza\u00e7\u00e3o do Loteamento j\u00e1 se encontrava em tramita\u00e7\u00e3o na Secretaria de Urbanismo e Habita\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A senten\u00e7a concluiu, com acerto, que a eventual demoli\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o deve ser analisada no curso desse procedimento, ap\u00f3s os estudos t\u00e9cnicos necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como bem pontuado pelo magistrado, as a\u00e7\u00f5es demolit\u00f3rias propostas pelo Munic\u00edpio apenas v\u00eam contribuindo para o agravamento da desordem urbana, pois est\u00e3o desacompanhadas de medidas de regulariza\u00e7\u00e3o urban\u00edstica e de oferta adequada de habita\u00e7\u00e3o social. O Munic\u00edpio tem ajuizado dezenas de a\u00e7\u00f5es individuais com a roupagem de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, em sua maioria, contra moradores de baixa renda de loteamentos cuja regulariza\u00e7\u00e3o \u00e9 de sua pr\u00f3pria responsabilidade e, em alguns casos, objeto de condena\u00e7\u00e3o judicial anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal estadual j\u00e1 identificou essa pr\u00e1tica, assinalando que a via da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica tem sido utilizada pelo ente p\u00fablico com o objetivo de se eximir dos custos que lhe seriam inerentes, como o adiantamento de honor\u00e1rios periciais e despesas com dilig\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A propositura individual em massa mascara a omiss\u00e3o municipal na promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica habitacional adequada. O artif\u00edcio utilizado pelo ente p\u00fablico dificulta, ainda, a obten\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es consensuais coletivas, como, por exemplo, por meio da atua\u00e7\u00e3o das Comiss\u00f5es de Solu\u00e7\u00f5es Fundi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem reconheceu que n\u00e3o h\u00e1, no caso dos autos, tutela de direitos coletivos que justifique a utiliza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1, portanto, viola\u00e7\u00e3o aos arts. 1\u00ba, incisos I e VI, e 18 da Lei n. 7.347\/1985, pois n\u00e3o se trata de direito coletivo, mas de uma a\u00e7\u00e3o que objetiva, de forma transversa, eximir o Munic\u00edpio de garantir o direito \u00e0 moradia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es carentes de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-nbsp-investigacao-social-absolvicao-criminal-e-carreira-policial\" class=\"wp-block-heading\">7.&nbsp; INVESTIGA\u00c7\u00c3O SOCIAL, ABSOLVI\u00c7\u00c3O CRIMINAL E CARREIRA POLICIAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na investiga\u00e7\u00e3o social de concurso para carreira policial, <strong>a Administra\u00e7\u00e3o pode valorar fatos desabonadores e a\u00e7\u00e3o penal em curso, com amparo normativo e crit\u00e9rios objetivos<\/strong>; <strong>a absolvi\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia de provas N\u00c3O vincula o ju\u00edzo administrativo de idoneidade<\/strong>, reservado esse efeito \u00e0 inexist\u00eancia do fato ou \u00e0 negativa de autoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 4\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josefina passou nas provas para escriv\u00e3 de pol\u00edcia, mas caiu na investiga\u00e7\u00e3o social, a fase do concurso que vasculha a vida pregressa do candidato: respondia a a\u00e7\u00e3o penal por associa\u00e7\u00e3o criminosa ligada ao contrabando de cigarros no estado onde queria vestir a farda. No meio do recurso, veio a absolvi\u00e7\u00e3o por falta de provas, e ela levou a novidade ao processo, certa de que a elimina\u00e7\u00e3o perderia o ch\u00e3o. A senten\u00e7a criminal, por\u00e9m, registrava fatos inc\u00f4modos, do carro cedido que apareceu no esquema ao e-mail usado nas negocia\u00e7\u00f5es dos caminh\u00f5es do contrabando. Absolvi\u00e7\u00e3o sem provas suficientes limpa a ficha para portar distintivo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 493; CPP, art. 386, VII<\/strong> <em>(fato superveniente influente no julgamento do m\u00e9rito deve ser considerado pelo juiz; a absolvi\u00e7\u00e3o por n\u00e3o existir prova suficiente para a condena\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das hip\u00f3teses do rol legal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Pelos Temas 22 e 1.190 do STF, nem o inqu\u00e9rito ou a a\u00e7\u00e3o penal em curso, nem a condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado impedem, isoladamente, a participa\u00e7\u00e3o em concurso; a valora\u00e7\u00e3o exige amparo normativo, crit\u00e9rios objetivos e compatibilidade com as atribui\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A independ\u00eancia das inst\u00e2ncias limita o transporte da absolvi\u00e7\u00e3o: apenas a inexist\u00eancia material do fato ou a negativa de autoria vinculam a Administra\u00e7\u00e3o; a insufici\u00eancia de provas deixa \u00edntegro o ju\u00edzo administrativo sobre conduta social e idoneidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Fatos supervenientes entram no julgamento do recurso (CPC, art. 493), sem apagar a legalidade do ato quando persistem elementos concretos incompat\u00edveis com a fun\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia dava f\u00f4lego ao inconformismo. Se o Estado n\u00e3o provou o crime, <strong>usar o mesmo epis\u00f3dio para barrar a candidata soaria como pena sem condena\u00e7\u00e3o<\/strong>, aplicada por via administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f As esferas, por\u00e9m, medem coisas diferentes. O ju\u00edzo criminal pergunta se h\u00e1 prova cabal de um delito; <strong>a investiga\u00e7\u00e3o social pergunta se a vida pregressa combina com distintivo, arma e f\u00e9 p\u00fablica<\/strong>, e a pr\u00f3pria senten\u00e7a absolut\u00f3ria descreveu liga\u00e7\u00f5es e condutas que respondem mal a essa segunda pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O fato novo foi considerado, como manda o art. 493 do CPC, e mesmo assim a elimina\u00e7\u00e3o ficou de p\u00e9. Absolvi\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia probat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 atestado de idoneidade, <strong>e os elementos concretos registrados no processo-crime seguiram pesando<\/strong> no exame administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eliminada da investiga\u00e7\u00e3o social de concurso policial por responder a a\u00e7\u00e3o penal, sobrevindo absolvi\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia de provas, a candidata:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) readquire o direito \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o, vinculada a Administra\u00e7\u00e3o ao desfecho do processo criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) deve ser reintegrada ao certame, vedada a valora\u00e7\u00e3o administrativa de processo penal em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) tem direito \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o das fases, anulado o crit\u00e9rio subjetivo da banca examinadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) pode permanecer eliminada, se persistirem elementos concretos incompat\u00edveis com o cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) s\u00f3 seria eliminada ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado, por for\u00e7a da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A vincula\u00e7\u00e3o existe nas absolvi\u00e7\u00f5es por inexist\u00eancia do fato ou negativa de autoria; a insufici\u00eancia de provas preserva o ju\u00edzo administrativo pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Com amparo normativo e crit\u00e9rios objetivos, a valora\u00e7\u00e3o de fatos desabonadores e de a\u00e7\u00e3o penal em curso \u00e9 leg\u00edtima nas carreiras policiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o houve subjetivismo censur\u00e1vel; a elimina\u00e7\u00e3o partiu de circunst\u00e2ncias objetivas reconhecidas na pr\u00f3pria senten\u00e7a penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A Segunda Turma manteve o ato: o fato superveniente foi sopesado, e as circunst\u00e2ncias registradas no ju\u00edzo criminal continuaram a evidenciar risco incompat\u00edvel com a fun\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nem sequer a condena\u00e7\u00e3o definitiva \u00e9, por si s\u00f3, impeditivo universal (Tema 1.190\/STF); o eixo do exame \u00e9 a compatibilidade da conduta com o cargo, n\u00e3o o desfecho penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 legalidade do ato administrativo que eliminou candidata, na investiga\u00e7\u00e3o social, para o cargo de Escriv\u00e3o de Pol\u00edcia Civil com base em perfil considerado incompat\u00edvel para o exerc\u00edcio da atividade policial, conclus\u00e3o alcan\u00e7ada pelo fato de a candidata responder a a\u00e7\u00e3o penal por associa\u00e7\u00e3o criminosa voltada ao contrabando de cigarros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A carreira policial demanda de seus integrantes conduta ilibada e elevado padr\u00e3o de retid\u00e3o moral, em raz\u00e3o da relev\u00e2ncia das atribui\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e da f\u00e9 p\u00fablica inerente ao cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No julgamento do Tema n. 22 da repercuss\u00e3o geral, o Supremo Tribunal Federal firmou a tese de que a mera exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou de a\u00e7\u00e3o penal em curso n\u00e3o autoriza, por si s\u00f3, a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de candidato em concurso p\u00fablico. Posteriormente, ao apreciar o Tema n. 1.190 da repercuss\u00e3o geral, a Suprema Corte assentou que a condena\u00e7\u00e3o criminal transitada em julgado, enquanto perdurarem seus efeitos, tamb\u00e9m n\u00e3o constitui, por si s\u00f3, \u00f3bice \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o e \u00e0 posse de candidato aprovado em concurso p\u00fablico, desde que a natureza da infra\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o se revele incompat\u00edvel com as atribui\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, embora o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia constitua garantia fundamental, a jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal reconhece que, diante do interesse p\u00fablico de resguardar a idoneidade dos quadros da Administra\u00e7\u00e3o, \u00e9 leg\u00edtima a previs\u00e3o legal e a ado\u00e7\u00e3o, pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, de crit\u00e9rios rigorosos para aferi\u00e7\u00e3o da idoneidade moral dos candidatos \u00e0s carreiras de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a segue a mesma orienta\u00e7\u00e3o. Em se tratando, especialmente, de carreiras policiais, a Corte tem reiteradamente afirmado que a investiga\u00e7\u00e3o da vida pregressa do candidato n\u00e3o se restringe \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de antecedentes criminais, abrangendo, de forma mais ampla, a an\u00e1lise de sua conduta moral e social. Nessa perspectiva, tem-se reconhecido, inclusive, que a aferi\u00e7\u00e3o da idoneidade moral prescinde do tr\u00e2nsito em julgado de eventual condena\u00e7\u00e3o criminal, desde que amparada em elementos concretos aptos a evidenciar a incompatibilidade da conduta do candidato com as atribui\u00e7\u00f5es do cargo pretendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a exclus\u00e3o do concurso p\u00fablico para o cargo de Escriv\u00e3o de Pol\u00edcia Civil fundou-se na exist\u00eancia de apontamento criminal, no qual se apontou que a candidata respondia, perante a Justi\u00e7a Federal, a a\u00e7\u00e3o penal pela pr\u00e1tica, em tese, do crime de associa\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Durante a tramita\u00e7\u00e3o do recurso no STJ, a candidata noticiou a absolvi\u00e7\u00e3o definitiva na referida a\u00e7\u00e3o penal, requerendo que essa circunst\u00e2ncia fosse considerada na resolu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, o art. 493 do CPC expressamente determina que, &#8220;se, depois da propositura da a\u00e7\u00e3o, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do m\u00e9rito, caber\u00e1 ao juiz tom\u00e1-lo em considera\u00e7\u00e3o, de of\u00edcio ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, nada impede que a superveniente absolvi\u00e7\u00e3o criminal seja sopesada no julgamento, dada a devolutividade ampla do recurso em mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, tem-se, no caso, que a absolvi\u00e7\u00e3o criminal fundamentou-se no art. 386, VII, do CPP, por insufici\u00eancia de provas para a condena\u00e7\u00e3o. Contudo, tal hip\u00f3tese n\u00e3o vincula a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na avalia\u00e7\u00e3o da conduta social e da idoneidade moral do candidato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, \u00e9 firme a jurisprud\u00eancia deste STJ de que, em raz\u00e3o da independ\u00eancia entre as esferas penal e administrativa, a decis\u00e3o absolut\u00f3ria proferida no ju\u00edzo criminal somente produz efeitos sobre o processo administrativo quando reconhece a inexist\u00eancia material do fato ou afasta a autoria da conduta imputada. Nas hip\u00f3teses de absolvi\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia probat\u00f3ria, permanece \u00edntegra a possibilidade de a Administra\u00e7\u00e3o valorar os fatos \u00e0 luz dos crit\u00e9rios pr\u00f3prios de aferi\u00e7\u00e3o da idoneidade exigida para o exerc\u00edcio do cargo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, enquanto a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal exige prova inequ\u00edvoca da materialidade e da autoria delitivas, bem como a perfeita subsun\u00e7\u00e3o da conduta ao tipo penal correspondente, a avalia\u00e7\u00e3o da vida pregressa em concurso p\u00fablico, especialmente para o ingresso na Pol\u00edcia Civil, orienta-se pelo princ\u00edpio da moralidade administrativa e pela necessidade de aferir a idoneidade moral do candidato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, embora o ju\u00edzo criminal tenha absolvido a candidata da imputa\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00e3o criminosa, por insufici\u00eancia de provas para a condena\u00e7\u00e3o, consignou, na pr\u00f3pria senten\u00e7a, elementos f\u00e1ticos relevantes acerca de sua conduta social, reconhecendo a exist\u00eancia de circunst\u00e2ncias objetivas incompat\u00edveis com o elevado padr\u00e3o de idoneidade moral exigido para o ingresso na carreira policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cess\u00e3o de ve\u00edculo posteriormente utilizado na pr\u00e1tica de atividades criminosas, no interior do qual foi encontrado cart\u00e3o magn\u00e9tico de titularidade da recorrente, bem como a disponibiliza\u00e7\u00e3o de seu endere\u00e7o eletr\u00f4nico para intermedia\u00e7\u00e3o de negocia\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es empregados em esquema de contrabando, constituem fatos expressamente reconhecidos na senten\u00e7a penal. Tais circunst\u00e2ncias, embora n\u00e3o tenham sido reputadas suficientes para embasar a condena\u00e7\u00e3o criminal, evidenciam, no m\u00ednimo, comportamento desprovido da cautela e da prud\u00eancia esperadas de quem pretende ingressar na carreira policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, o exerc\u00edcio da atividade policial exige n\u00e3o apenas a aus\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o criminal, mas tamb\u00e9m conduta pessoal compat\u00edvel com a elevada responsabilidade inerente ao cargo. Espera-se do agente p\u00fablico discernimento para manter-se afastado de pessoas, ambientes e situa\u00e7\u00f5es capazes de comprometer a credibilidade das institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica, porquanto lhe incumbir\u00e1 exercer o poder de pol\u00edcia, portar arma de fogo, restringir direitos fundamentais e representar o Estado em atividades de elevada sensibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, rela\u00e7\u00f5es pessoais estreitas com indiv\u00edduo posteriormente condenado por associa\u00e7\u00e3o criminosa, aliadas \u00e0 intera\u00e7\u00e3o social e profissional com pessoas envolvidas em pr\u00e1ticas il\u00edcitas e \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o objetiva com fatos relacionados ao esquema criminoso, ainda que insuficientes para caracterizar responsabilidade penal, constituem elementos concretos aptos a evidenciar risco institucional incompat\u00edvel com a idoneidade moral exigida para o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, conclui-se que a exclus\u00e3o da candidata do certame foi leg\u00edtima, pois, \u00e0quela \u00e9poca, respondia a a\u00e7\u00e3o penal por associa\u00e7\u00e3o criminosa voltada ao contrabando de cigarros, sediada em Estado fronteiri\u00e7o, em cuja Pol\u00edcia Civil pretendia ingressar.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-a-tolerancia-de-20-na-rotulagem-nutricional\" class=\"wp-block-heading\">8. A TOLER\u00c2NCIA DE 20% NA ROTULAGEM NUTRICIONAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos r\u00f3tulos de alimentos, <strong>a falta de advert\u00eancia sobre a toler\u00e2ncia de varia\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20% nos valores nutricionais N\u00c3O viola o dever de informa\u00e7\u00e3o<\/strong> nem os direitos b\u00e1sicos do consumidor (CDC, art. 6\u00ba): <strong>a margem \u00e9 crit\u00e9rio regulat\u00f3rio de fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o informa\u00e7\u00e3o essencial ao consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.537.571-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 2\/6\/2026, DJEN 12\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, o Minist\u00e9rio P\u00fablico queria obrigar a Comebem Alimentos e o setor inteiro a estampar nos r\u00f3tulos um aviso de que os n\u00fameros da tabela nutricional podem variar em at\u00e9 20%, margem que as normas da Anvisa toleram h\u00e1 d\u00e9cadas por causa da variabilidade natural dos alimentos. O consumidor tem direito de ler no r\u00f3tulo a margem de erro da pr\u00f3pria tabela?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 6\u00ba, III; RDC n. 429\/2020 e IN n. 75\/2020 da Anvisa<\/strong> <em>(a informa\u00e7\u00e3o sobre produtos deve ser correta, clara e ostensiva; o novo marco regulat\u00f3rio padroniza a tabela nutricional e institui a rotulagem frontal de advert\u00eancia para nutrientes cr\u00edticos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A toler\u00e2ncia de 20% dirige-se \u00e0s autoridades sanit\u00e1rias como crit\u00e9rio de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o, acomodando a variabilidade natural dos alimentos; n\u00e3o foi imposta como conte\u00fado obrigat\u00f3rio do r\u00f3tulo nem no regime da Portaria n. 27\/1998 e da Resolu\u00e7\u00e3o n. 360\/2003, nem no atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O modelo vigente aposta na simplifica\u00e7\u00e3o cognitiva: acrescentar avisos n\u00e3o previstos comprometeria a padroniza\u00e7\u00e3o e desviaria o foco dos elementos essenciais \u00e0 escolha saud\u00e1vel; o STF devolvera o caso para rejulgamento \u00e0 luz do Tema 698 e das mudan\u00e7as normativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Quem defende o aviso parte de uma premissa simp\u00e1tica ao consumidor. Se o n\u00famero do r\u00f3tulo pode estar 20% fora, <strong>esconder a margem pareceria maquiar a precis\u00e3o da tabela<\/strong>, privando o comprador de um dado real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A premissa confunde o destinat\u00e1rio da margem. Os 20% n\u00e3o medem o que o consumidor come, calibram a r\u00e9gua do fiscal diante da variabilidade natural de qualquer alimento, <strong>e informa\u00e7\u00e3o essencial \u00e9 a que orienta a escolha, n\u00e3o a que descreve o m\u00e9todo de fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> da autoridade sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Pesou ainda o desenho do novo marco regulat\u00f3rio. A Anvisa trocou a sobrecarga de dados por clareza padronizada e advert\u00eancias frontais, <strong>e enxertar avisos t\u00e9cnicos fora do padr\u00e3o desorganizaria a comunica\u00e7\u00e3o<\/strong> que o sistema quer l\u00edmpida; sem obriga\u00e7\u00e3o normativa, n\u00e3o h\u00e1 d\u00e9ficit de informa\u00e7\u00e3o a censurar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 aus\u00eancia, nos r\u00f3tulos de alimentos, de advert\u00eancia sobre a toler\u00e2ncia de at\u00e9 20% de varia\u00e7\u00e3o nos valores nutricionais declarados:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) viola o dever de informa\u00e7\u00e3o, ocultando dado essencial \u00e0 escolha alimentar do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o ofende o CDC, por se tratar de margem destinada ao controle regulat\u00f3rio de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) obriga a Anvisa a rever o marco regulat\u00f3rio, incluindo o aviso na tabela padronizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) gera responsabilidade objetiva dos fabricantes pelos desvios verificados dentro da margem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) imp\u00f5e a advert\u00eancia nos produtos com nutrientes cr\u00edticos, dispensando-a nos demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Essencial \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o que orienta a decis\u00e3o de consumo; a margem de toler\u00e2ncia descreve o m\u00e9todo de controle sanit\u00e1rio, n\u00e3o o produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Na linha do rejulgamento determinado pelo STF, a Segunda Turma concluiu que a toler\u00e2ncia \u00e9 crit\u00e9rio de fiscaliza\u00e7\u00e3o, sem obrigatoriedade de constar do r\u00f3tulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Faltando fundamento jur\u00eddico para a exig\u00eancia, n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio impor \u00e0 ag\u00eancia reguladora a cria\u00e7\u00e3o do aviso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Varia\u00e7\u00f5es dentro da margem tolerada refletem a natureza dos alimentos e n\u00e3o configuram, elas pr\u00f3prias, defeito de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O tratamento dos nutrientes cr\u00edticos se faz pela rotulagem frontal padronizada, sem rela\u00e7\u00e3o com a advert\u00eancia de toler\u00e2ncia pretendida.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se, \u00e0 luz do atual marco regulat\u00f3rio da rotulagem nutricional de alimentos, especialmente a Resolu\u00e7\u00e3o de Diretoria Colegiada &#8211; RDC n. 429\/2020 e a Instru\u00e7\u00e3o Normativa &#8211; IN n. 75\/2020 da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA), a aus\u00eancia, nos r\u00f3tulos de alimentos, de advert\u00eancia sobre a toler\u00e2ncia de varia\u00e7\u00e3o nos valores constantes da informa\u00e7\u00e3o nutricional declarada viola o dever de informa\u00e7\u00e3o e o direito b\u00e1sico do consumidor previstos no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A referida A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica foi ajuizada no ano de 2006, quando estavam em vigor a Portaria n. 27\/1998 e a Resolu\u00e7\u00e3o n. 360\/2003 da ANVISA que regulamentaram a informa\u00e7\u00e3o nutricional complementar e a rotulagem nutricional de alimentos embalados. Ambos os atos normativos permitiam a toler\u00e2ncia de at\u00e9 20% nos valores constantes da informa\u00e7\u00e3o dos nutrientes declarados no r\u00f3tulo, sem obrigar que esta informa\u00e7\u00e3o constasse no r\u00f3tulo dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 24\/9\/2025, o Supremo Tribunal Federal determinou a devolu\u00e7\u00e3o dos autos ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a para que a Segunda Turma promovesse novo julgamento do feito, observando as diretrizes tra\u00e7adas no julgamento do Tema 698 de Repercuss\u00e3o Geral, bem como considere os quase 20 anos transcorridos desde a propositura da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica e as altera\u00e7\u00f5es normativas que se sucederam nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste ponto, o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor imp\u00f5e que a oferta e a apresenta\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os devam assegurar informa\u00e7\u00f5es corretas, claras, precisas e ostensivas, inclusive informando acerca de eventuais riscos que possam apresentar \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O novo marco regulat\u00f3rio institu\u00eddo pela RDC n. 429\/2020 e pela IN n. 75\/2020 alterou o paradigma da pol\u00edtica de rotulagem, adotando modelo de simplifica\u00e7\u00e3o cognitiva, com foco em nutrientes cr\u00edticos para a sa\u00fade p\u00fablica (a\u00e7\u00facares adicionados, gorduras saturadas e s\u00f3dio) e introdu\u00e7\u00e3o de rotulagem frontal de advert\u00eancia em formato padronizado, com r\u00edgida organiza\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o da tabela nutricional (formato \u00fanico, tipografia obrigat\u00f3ria, ordem fixa de nutrientes e limites de espa\u00e7o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse novo modelo, a estrat\u00e9gia regulat\u00f3ria busca reduzir a confus\u00e3o do consumidor, evitando sobrecarga informacional e privilegiando a clareza e a compreens\u00e3o r\u00e1pida dos riscos nutricionais relevantes, de modo que a inser\u00e7\u00e3o n\u00e3o calculada de informa\u00e7\u00e3o adicional sobre toler\u00e2ncia poderia comprometer a padroniza\u00e7\u00e3o, gerar confus\u00e3o e desviar o foco dos elementos essenciais para escolhas alimentares saud\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar das modifica\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas, n\u00e3o se tornou obrigat\u00f3rio informar a toler\u00e2ncia de varia\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es nutricionais no r\u00f3tulo dos produtos. Assim, a aus\u00eancia desta informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz dos crit\u00e9rios atuais de rotulagem, n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o ao dever de informa\u00e7\u00e3o estabelecido no artigo 6\u00ba do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A alegada toler\u00e2ncia de 20% em rela\u00e7\u00e3o ao valor nutricional aplica-se aos crit\u00e9rios de controle regulat\u00f3rio, n\u00e3o constituindo uma informa\u00e7\u00e3o essencial para o consumidor. Essa toler\u00e2ncia considera a variabilidade natural dos alimentos e \u00e9 utilizada apenas como crit\u00e9rio regulat\u00f3rio por autoridades sanit\u00e1rias de fiscaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo obrigat\u00f3rio constar no r\u00f3tulo dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, conclui-se que, \u00e0 luz das altera\u00e7\u00f5es normativas supervenientes, das diretrizes do Tema 698\/STF da Repercuss\u00e3o Geral e do novo paradigma de rotulagem nutricional, a aus\u00eancia, nos r\u00f3tulos, de advert\u00eancia expressa quanto \u00e0 toler\u00e2ncia de varia\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20% nos valores nutricionais n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o ao dever de informa\u00e7\u00e3o nem aos direitos b\u00e1sicos do consumidor previstos no art. 6\u00ba do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, inexistindo fundamento jur\u00eddico para impor \u00e0 ag\u00eancia reguladora a obriga\u00e7\u00e3o de exigir tal advert\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-o-trator-alugado-e-o-perdimento-ambiental\" class=\"wp-block-heading\">9. O TRATOR ALUGADO E O PERDIMENTO AMBIENTAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de bem no desmate de unidade de conserva\u00e7\u00e3o <strong>autoriza a apreens\u00e3o e a pena administrativa de perdimento do instrumento da infra\u00e7\u00e3o<\/strong> (Lei n. 9.605\/1998, arts. 25 e 72, IV), efeito real de natureza objetiva: <strong>a boa-f\u00e9 do propriet\u00e1rio locador N\u00c3O afasta a medida<\/strong>, assegurado o devido processo administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.226.768-MA, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por maioria, julgado em 16\/6\/2026, DJEN 6\/7\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Alugatudo M\u00e1quinas alugou um trator a Geremias, e o equipamento foi flagrado derrubando cerca de cem hectares de floresta nativa dentro de reserva biol\u00f3gica, em regi\u00e3o tomada pela atividade madeireira ilegal. O \u00f3rg\u00e3o ambiental apreendeu a m\u00e1quina e abriu caminho para o perdimento, a perda definitiva do bem em favor do poder p\u00fablico. A locadora correu ao Judici\u00e1rio exibindo o contrato de loca\u00e7\u00e3o como prova de boa-f\u00e9, afinal quem desmatou foi o cliente. A inoc\u00eancia do dono salva o instrumento do il\u00edcito ambiental?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.605\/1998, arts. 25 e 72, IV; Decreto n. 6.514\/2008, arts. 105 e 106<\/strong> <em>(verificada a infra\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o apreendidos seus produtos e instrumentos; a apreens\u00e3o do bem \u00e9 san\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o administrativa, com guarda e destina\u00e7\u00e3o reguladas em decreto).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A responsabilidade administrativa ambiental \u00e9 subjetiva para o autuado; o regime dos instrumentos da infra\u00e7\u00e3o \u00e9 outro: a apreens\u00e3o e o perdimento s\u00e3o efeito real, objetivo e <em>propter rem<\/em>, ligado \u00e0 fun\u00e7\u00e3o il\u00edcita a que o bem serviu, n\u00e3o \u00e0 culpa do dono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Pelos Temas 1036 e 1043\/STJ, a apreens\u00e3o independe de uso espec\u00edfico, exclusivo ou habitual na infra\u00e7\u00e3o, e o propriet\u00e1rio n\u00e3o tem direito subjetivo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de fiel deposit\u00e1rio; o perdimento observa o processo administrativo, com participa\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Quem insere o bem na cadeia econ\u00f4mica assume os riscos da entrega a terceiros; exigir m\u00e1-f\u00e9 do locador esvaziaria a finalidade preventiva e protetiva da norma ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O contrato de loca\u00e7\u00e3o parecia um bom escudo. Punir quem n\u00e3o desmatou nada, <strong>confiscando a ferramenta de trabalho de uma empresa alheia ao il\u00edcito<\/strong>, desafia a intui\u00e7\u00e3o de que san\u00e7\u00e3o pede culpa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A intui\u00e7\u00e3o vale para pessoas, n\u00e3o para coisas. A multa e as demais penas pessoais exigem a culpa do autuado; <strong>o perdimento recai sobre o instrumento porque ele serviu ao il\u00edcito<\/strong>, efeito acess\u00f3rio e objetivo que acompanha a coisa, \u00e0 maneira das obriga\u00e7\u00f5es <em>propter rem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Ao dono restou espa\u00e7o, mas no lugar certo. O perdimento passa por processo administrativo com participa\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio, <strong>e quem lucra alugando m\u00e1quinas assume o risco do destino que lhes d\u00e3o<\/strong>; blindar o bem com um contrato transformaria a loca\u00e7\u00e3o em salvo-conduto do desmate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Flagrado trator alugado em desmate de reserva biol\u00f3gica, a apreens\u00e3o e o perdimento administrativo do bem:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) dependem da prova de m\u00e1-f\u00e9 da locadora, dada a natureza subjetiva da responsabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) restringem-se aos bens de uso habitual na atividade il\u00edcita, poupado o equipamento locado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) convertem-se em multa equivalente ao valor do bem, preservada a propriedade de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) asseguram \u00e0 propriet\u00e1ria a guarda do trator como fiel deposit\u00e1ria at\u00e9 o fim do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) aplicam-se como efeito real ligado ao instrumento da infra\u00e7\u00e3o, indiferente a boa-f\u00e9 do dono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A subjetividade rege as san\u00e7\u00f5es pessoais do autuado; sobre o instrumento incide efeito objetivo, que dispensa o exame da conduta do propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O Tema 1036\/STJ dispensa uso espec\u00edfico, exclusivo ou habitual; basta a utiliza\u00e7\u00e3o do bem na pr\u00e1tica da infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Nenhuma convers\u00e3o pecuni\u00e1ria foi prevista; a lei determina a apreens\u00e3o do instrumento e permite seu perdimento, com finalidade preventiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O Tema 1043\/STJ nega ao propriet\u00e1rio direito subjetivo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o como fiel deposit\u00e1rio do bem apreendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. A maioria da Segunda Turma restabeleceu a apreens\u00e3o: o perdimento \u00e9 consequ\u00eancia objetiva do emprego do bem no il\u00edcito, e o contrato de loca\u00e7\u00e3o n\u00e3o o afasta.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em duas quest\u00f5es: (i) saber se \u00e9 abusiva a apreens\u00e3o e posterior aplica\u00e7\u00e3o da pena administrativa de perdimento de bem quando, no momento do flagrante ambiental, o bem estava sendo utilizado por locat\u00e1rio para a derrubada de aproximadamente 100ha de floresta nativa de Bioma, em regi\u00e3o de intensa atividade madeireira ilegal; e (ii) saber se a puni\u00e7\u00e3o refere-se ao bem enquanto instrumento do il\u00edcito, sendo desnecess\u00e1rio aferir boa ou m\u00e1-f\u00e9 do propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de mandado de seguran\u00e7a impetrado contra ato de autoridade de unidade de \u00f3rg\u00e3o ambiental federal que apreendeu ve\u00edculo trator utilizado em desmate em reserva biol\u00f3gica. Houve senten\u00e7a denegat\u00f3ria da ordem, posteriormente reformada por ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Regional Federal, em sede de apela\u00e7\u00e3o, para liberar, em definitivo, o ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, os arts. 25 e 72, IV, da Lei n. 9.605\/1998 estabelecem a apreens\u00e3o imediata dos instrumentos utilizados na pr\u00e1tica do il\u00edcito ambiental como efeito da infra\u00e7\u00e3o, sem exigir demonstra\u00e7\u00e3o de boa ou m\u00e1-f\u00e9 do propriet\u00e1rio do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme se depreende da norma, a apreens\u00e3o e o posterior perdimento do bem n\u00e3o dependem da demonstra\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo. Embora a responsabilidade administrativa por il\u00edcitos ambientais possua natureza subjetiva, tal entendimento se aplica \u00e0 pessoa que foi autuada pela infra\u00e7\u00e3o. O regime jur\u00eddico dos instrumentos utilizados na pr\u00e1tica da infra\u00e7\u00e3o obedece \u00e0 regra distinta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A apreens\u00e3o e o perdimento administrativo do bem n\u00e3o configuram uma san\u00e7\u00e3o pessoal, mas um efeito administrativo real relacionado ao instrumento da infra\u00e7\u00e3o. O perdimento \u00e9 uma consequ\u00eancia objetiva da utiliza\u00e7\u00e3o do bem no il\u00edcito ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o trator n\u00e3o ser\u00e1 apreendido por culpa do propriet\u00e1rio, mas porque foi contaminado por uma fun\u00e7\u00e3o il\u00edcita, configurando um efeito <em>propter rem<\/em>, de natureza objetiva. A puni\u00e7\u00e3o sobre a coisa \u00e9 um efeito acess\u00f3rio do il\u00edcito ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o Tema 1036\/STJ fixa que a apreens\u00e3o do instrumento do il\u00edcito independe de uso espec\u00edfico, exclusivo ou habitual; e o Tema 1043\/STJ afasta o direito p\u00fablico subjetivo do propriet\u00e1rio \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o como fiel deposit\u00e1rio, submetendo a medida aos arts. 105 e 106 do Decreto n. 6.514\/2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a apreens\u00e3o e o perdimento administrativos possuem finalidade preventiva, acautelat\u00f3ria, desestimuladora e de prote\u00e7\u00e3o ambiental, devendo o perdimento observar o devido processo administrativo com participa\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permitir a n\u00e3o imposi\u00e7\u00e3o da apreens\u00e3o do ve\u00edculo e posterior perdimento do bem nos casos em que houver contrato de loca\u00e7\u00e3o, ou exigir a m\u00e1-f\u00e9 do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo para a aplica\u00e7\u00e3o das medidas restritivas, contraria a finalidade da pr\u00f3pria norma que busca garantir a efetividade da prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a teoria econ\u00f4mica do crime exige que o propriet\u00e1rio do bem que o coloca na cadeia econ\u00f4mica assuma os riscos inerentes \u00e0 sua conduta. Aqui, n\u00e3o h\u00e1 falar em responsabilidade objetiva, mas na assun\u00e7\u00e3o de riscos ao escolher entregar seu bem a uma terceira pessoa por meio de um contrato de loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, deve ser determinada a imediata entrega do trator ao \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e o restabelecimento da apreens\u00e3o, com prosseguimento do processo administrativo para eventual perdimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-fertilizante-ineficaz-e-a-safra-perdida\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; FERTILIZANTE INEFICAZ E A SAFRA PERDIDA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fabricante e vendedor de fertilizante <strong>respondem solidariamente pelos preju\u00edzos do produtor rural<\/strong> quando o produto se mostra ineficaz e <strong>faltam informa\u00e7\u00f5es adequadas sobre composi\u00e7\u00e3o, ingredientes e modo de uso<\/strong> (CC, art. 942); a culpa concorrente exige conduta da v\u00edtima que efetivamente contribua para o dano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.244.010-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dorival preparou a safra de soja confiando no fertilizante \u00e0 base de f\u00f3sforo que a AgroVende lhe vendeu com o aval t\u00e9cnico dos representantes da fabricante Adubaforte. O produto liberou menos f\u00f3sforo do que a lavoura precisava, a colheita veio magra, e a per\u00edcia apontou a inefic\u00e1cia do adubo como causa preponderante do preju\u00edzo, embora solo, clima e manejo tamb\u00e9m tivessem suas falhas. Fabricante e vendedora se acusavam mutuamente e apontavam os erros do pr\u00f3prio agricultor. Quando a informa\u00e7\u00e3o falha e o produto tamb\u00e9m, quem paga a conta da colheita?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 942 e 945<\/strong> <em>(se a ofensa tiver mais de um autor, respondem solidariamente pela repara\u00e7\u00e3o; a indeniza\u00e7\u00e3o se reduz se a v\u00edtima tiver concorrido culposamente para o evento danoso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A responsabilidade do fabricante n\u00e3o se esgota na conformidade do produto: r\u00f3tulos, manuais, sites e canais de atendimento devem instruir adequadamente quanto a composi\u00e7\u00f5es, ingredientes e formas de emprego; a venda com informa\u00e7\u00e3o deficiente soma a concausa do vendedor \u00e0 do fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A redu\u00e7\u00e3o por culpa concorrente pressup\u00f5e nexo causal entre a conduta da v\u00edtima e o dano; fatores paralelos identificados, mas n\u00e3o determinantes, n\u00e3o abatem a indeniza\u00e7\u00e3o quando a per\u00edcia aponta a inefic\u00e1cia do produto como causa preponderante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Cada r\u00e9u tinha seu bode expiat\u00f3rio. A fabricante culpava o manejo e o clima, a vendedora culpava a fabricante, <strong>e o processo caminhava para diluir a responsabilidade at\u00e9 sumir<\/strong>, deixando o preju\u00edzo com quem plantou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A per\u00edcia reorganizou a fila. Entre os v\u00e1rios fatores que rondaram a lavoura, a libera\u00e7\u00e3o insuficiente de f\u00f3sforo foi a causa preponderante da perda, <strong>e a informa\u00e7\u00e3o prestada ao comprador falhou nos dois balc\u00f5es<\/strong>, do material da fabricante \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o da revenda; concausas somadas, solidariedade do art. 942.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Quanto ao agricultor, a tese da culpa concorrente morreu na prova. As condutas dele foram examinadas e n\u00e3o contribu\u00edram para o resultado, <strong>e sem nexo causal n\u00e3o h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong> pelo art. 945; concorr\u00eancia de culpa n\u00e3o se presume da simples exist\u00eancia de imperfei\u00e7\u00f5es no manejo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a responsabilidade de fabricante e vendedor de fertilizante ineficaz pelos preju\u00edzos na safra do produtor rural:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) recai com exclusividade sobre o fabricante, verdadeiro respons\u00e1vel pela qualidade do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) afasta-se diante de fatores clim\u00e1ticos e de solo, causas naturais excludentes do nexo causal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 solid\u00e1ria, somadas as concausas do defeito do produto e da informa\u00e7\u00e3o inadequada prestada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) reduz-se pela culpa concorrente do agricultor, presumida das falhas de manejo identificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de per\u00edcia que ateste v\u00edcio oculto de fabrica\u00e7\u00e3o, insuficiente a inefic\u00e1cia funcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A vendedora tamb\u00e9m falhou no dever de informar; concausas de autores diversos para o mesmo dano geram condena\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Os fatores paralelos foram considerados, mas a per\u00edcia fixou a inefic\u00e1cia do fertilizante como causa preponderante do preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A Terceira Turma manteve a condena\u00e7\u00e3o conjunta com base no art. 942 do CC, unindo o produto ineficaz \u00e0 falha de informa\u00e7\u00e3o de quem fabricou e de quem vendeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Faltou o liame entre o comportamento do produtor e o resultado; sem essa liga\u00e7\u00e3o n\u00e3o incide o art. 945, e as pr\u00e1ticas dele n\u00e3o concorreram para o insucesso do plantio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Bastou a demonstra\u00e7\u00e3o da inefic\u00e1cia na libera\u00e7\u00e3o do nutriente somada ao d\u00e9ficit informativo; nenhum requisito adicional de v\u00edcio oculto foi exigido.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a decidir se a fabricante de produto agr\u00edcola deve ser solidariamente responsabilizada, juntamente com a vendedora, pelo insucesso do plantio, quando h\u00e1 outros fatores que dificultaram a qualidade da safra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em geral, associa-se a responsabilidade dos fabricantes \u00e0s hip\u00f3teses em que um produto \u00e9 adquirido sem apresentar as qualidades a que se prop\u00f5e. Mas, al\u00e9m da conformidade do produto, os fabricantes tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelas informa\u00e7\u00f5es prestadas aos adquirentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, os r\u00f3tulos, caixas, manuais de instru\u00e7\u00f5es, sites e canais de atendimento devem instruir adequadamente quanto \u00e0s composi\u00e7\u00f5es, ingredientes e modos de uso dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 942 do C\u00f3digo Civil h\u00e1 expressa previs\u00e3o legal de condena\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria para a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar, quando dois ou mais agentes concorrem para a causa do dano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias condenaram solidariamente a vendedora e a fabricante de fertilizante \u00e0 base de f\u00f3sforo pelos preju\u00edzos sofridos por produtor de soja, uma vez que &#8220;n\u00e3o foi fornecida ao comprador a informa\u00e7\u00e3o adequada sobre a real capacidade de libera\u00e7\u00e3o do produto, o que constitui uma clara viola\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de venda&#8221; de modo que &#8220;os requeridos falharam ao n\u00e3o fornecer a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao autor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Constatou-se que &#8220;o autor baseou sua escolha em informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos representantes das empresas, confiando que o produto atenderia \u00e0s suas necessidades, e a falha na libera\u00e7\u00e3o de f\u00f3sforo foi determinante na perda da safra, conforme aponto a per\u00edcia&#8221;. Al\u00e9m da quest\u00e3o relativa \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, o produto &#8220;foi ineficaz na libera\u00e7\u00e3o de f\u00f3sforo na quantidade necess\u00e1ria para do o bom desenvolvimento da lavoura e, assim, o verdadeiro respons\u00e1vel pelos preju\u00edzos causados na lavoura do autor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1, portanto, concausas atribu\u00edveis a dois diferentes autores (vendedor e fabricante) que concorreram para um mesmo dano (preju\u00edzos \u00e0 colheita). Por isso, a condena\u00e7\u00e3o entre ambos os autores deve ser solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, &#8220;embora tenham sido identificados outros fatores que poderiam ter contribu\u00eddo para a baixa produtividade da safra, tais como defici\u00eancias do solo, inadequa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas, excesso de calc\u00e1rio e falhas no manejo da cultura, prevaleceu na per\u00edcia a conclus\u00e3o de que a inefic\u00e1cia do fertilizante foi a causa preponderante para os preju\u00edzos experimentados pelo autor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As condutas do agricultor foram devidamente consideradas, mas n\u00e3o concorreram para o insucesso do plantio. Portanto, n\u00e3o est\u00e1 demonstrado o nexo de causalidade, requisito essencial para a aplica\u00e7\u00e3o do art. 945 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-alimentos-pagos-com-imovel-e-o-dever-de-colacao\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ALIMENTOS PAGOS COM IM\u00d3VEL E O DEVER DE COLA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transfer\u00eancia de bens do genitor a descendentes <strong>em pagamento de obriga\u00e7\u00e3o alimentar N\u00c3O caracteriza adiantamento de heran\u00e7a<\/strong>, e sim <strong>da\u00e7\u00e3o em pagamento<\/strong>, afastado o dever de colacionar os bens no invent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.049.637-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devendo pens\u00e3o atrasada aos filhos, Tib\u00farcio quitou a d\u00edvida em acordo judicial transferindo a eles a nua-propriedade de sua cota num im\u00f3vel, com usufruto para Gertrudes, m\u00e3e das crian\u00e7as, arranjo que ainda pesou no c\u00e1lculo dos alimentos futuros. Anos depois, aberto o invent\u00e1rio de Tib\u00farcio, os demais herdeiros exigiram a cola\u00e7\u00e3o, o mecanismo que obriga o herdeiro a devolver ao monte, ao menos em valor, aquilo que recebeu de gra\u00e7a em vida do falecido, para igualar as leg\u00edtimas. Quem recebeu im\u00f3vel como pagamento de pens\u00e3o recebeu presente ou recebeu cr\u00e9dito?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Cola\u00e7\u00e3o e adiantamento de leg\u00edtima<\/strong> <em>(os descendentes que concorrem \u00e0 sucess\u00e3o devem conferir o valor das doa\u00e7\u00f5es recebidas do ascendente em vida, presumidas adiantamento da leg\u00edtima; a confer\u00eancia pressup\u00f5e liberalidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda No REsp 629.117\/DF, a Quarta Turma j\u00e1 assentara que a transfer\u00eancia de cota de im\u00f3vel do alimentante aos alimentandos, para extinguir d\u00e9bito alimentar, constitui da\u00e7\u00e3o em pagamento, n\u00e3o antecipa\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Feita a transfer\u00eancia a t\u00edtulo de pagamento de d\u00edvida, falta o ato de liberalidade que sustenta o dever de conferir; o herdeiro fica dispensado de colacionar o bem no invent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Aos olhos dos outros herdeiros, o resultado era desequil\u00edbrio puro. Um peda\u00e7o do patrim\u00f4nio paterno migrou em vida para alguns filhos, <strong>e a cola\u00e7\u00e3o existe justamente para devolver esse tipo de vantagem ao monte<\/strong>, igualando as leg\u00edtimas dos descendentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A premissa escondida no argumento \u00e9 que houve vantagem gratuita, e n\u00e3o houve. O im\u00f3vel saiu do patrim\u00f4nio do devedor para quitar pens\u00e3o aliment\u00edcia vencida, <strong>troca de d\u00edvida por bem, com valor certo e causa onerosa<\/strong>; quem paga o que deve n\u00e3o faz favor, cumpre obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sem doa\u00e7\u00e3o, a engrenagem da cola\u00e7\u00e3o n\u00e3o gira. A presun\u00e7\u00e3o de adiantamento da leg\u00edtima pressup\u00f5e liberalidade do ascendente, <strong>e da\u00e7\u00e3o em pagamento \u00e9 o contr\u00e1rio disso<\/strong>, raz\u00e3o pela qual os filhos alimentandos guardam o bem fora do invent\u00e1rio, sem dever de confer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Transferido im\u00f3vel do genitor aos filhos, em acordo judicial, para quita\u00e7\u00e3o de alimentos vencidos, a exig\u00eancia de cola\u00e7\u00e3o no invent\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) procede, presumindo-se o adiantamento de leg\u00edtima nas transfer\u00eancias entre ascendente e descendente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o procede, ausente a liberalidade que caracterizaria o adiantamento de heran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende da anu\u00eancia dos demais herdeiros ao acordo alimentar celebrado em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) limita-se ao valor que exceder o montante da d\u00edvida alimentar quitada na aven\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) alcan\u00e7a o usufruto institu\u00eddo em favor da genitora, conservada a nua-propriedade com os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o vale para doa\u00e7\u00f5es; pagamento de d\u00edvida alimentar tem causa onerosa e escapa \u00e0 regra de confer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Tratou-se de da\u00e7\u00e3o em pagamento, na linha do precedente da pr\u00f3pria Quarta Turma, o que dispensa os filhos de colacionar o bem recebido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A validade do acordo alimentar n\u00e3o passa pelos demais herdeiros; a discuss\u00e3o sucess\u00f3ria se resolve pela natureza jur\u00eddica da transfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Nenhum rateio proporcional foi cogitado; reconhecida a natureza de pagamento, o bem fica integralmente fora do dever de cola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O usufruto da genitora comp\u00f4s o pr\u00f3prio arranjo de quita\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o dos alimentos futuros, seguindo a mesma sorte onerosa do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a transfer\u00eancia de cota de bem im\u00f3vel do alimentante para os alimentandos, ocorrida como forma de pagamento de uma obriga\u00e7\u00e3o alimentar, caracteriza ato de liberalidade e adiantamento de heran\u00e7a, de modo a ensejar o dever de colacionar o bem recebido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Quarta Turma, no julgamento do REsp 629.117\/DF, j\u00e1 decidiu que a transfer\u00eancia de cota de bem im\u00f3vel do alimentante para os alimentandos, visando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito alimentar, n\u00e3o pode ser considerada como adiantamento da heran\u00e7a; constituindo, a rigor, da\u00e7\u00e3o em pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, quando a transfer\u00eancia do bem ocorrer a t\u00edtulo de pagamento, n\u00e3o se caracteriza um ato de liberalidade e, por conseguinte, um adiantamento de heran\u00e7a, o que afasta o dever de colacionar o bem recebido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a transfer\u00eancia da nua propriedade aos filhos, com o usufruto para a m\u00e3e dos alimentados, deu-se em acordo, nos autos de a\u00e7\u00e3o de alimentos, como forma de pagamento de alimentos vencidos, sendo considerado o usufruto na fixa\u00e7\u00e3o do valor dos alimentos futuros oferecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, portanto, o herdeiro fica dispensado de colacionar os bens recebidos no processo de invent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-o-que-a-apelacao-devolve-ao-tribunal\" class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O QUE A APELA\u00c7\u00c3O DEVOLVE AO TRIBUNAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito devolutivo da apela\u00e7\u00e3o <strong>devolve ao tribunal a mat\u00e9ria impugnada<\/strong> (CPC, art. 1.013): \u00e9 vedado conhecer de of\u00edcio de <strong>quest\u00f5es dispon\u00edveis n\u00e3o devolvidas<\/strong>, sob pena de ofensa \u00e0 adstri\u00e7\u00e3o, ao contradit\u00f3rio, \u00e0 n\u00e3o surpresa e \u00e0 veda\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.139.708-SC, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 22\/6\/2026, DJEN 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chiquinha processou o Banco Cobraforte por empr\u00e9stimos consignados que dizia jamais ter contratado, e a senten\u00e7a declarou inexistente a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, mandando devolver os descontos. O banco se conformou e n\u00e3o recorreu; ela apelou querendo ampliar a condena\u00e7\u00e3o. O tribunal local, por\u00e9m, reformou tudo e julgou os pedidos improcedentes, enxergando de of\u00edcio uma anu\u00eancia t\u00e1cita da cliente e aplicando a <em>supressio<\/em>, figura que faz o direito definhar pelo desuso prolongado. Pode o tribunal decidir o que ningu\u00e9m lhe devolveu, piorando a situa\u00e7\u00e3o da \u00fanica parte que recorreu?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.013<\/strong> <em>(a apela\u00e7\u00e3o devolve ao tribunal o conhecimento da mat\u00e9ria impugnada; podem ser apreciadas as quest\u00f5es suscitadas e discutidas no processo, ainda que n\u00e3o solucionadas, desde que relativas ao cap\u00edtulo impugnado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Na dimens\u00e3o vertical, o tribunal n\u00e3o fica preso aos fundamentos da senten\u00e7a ou das partes dentro do cap\u00edtulo devolvido; mat\u00e9rias de ordem p\u00fablica podem ser conhecidas de of\u00edcio, independentemente de provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A exist\u00eancia ou inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica contratual \u00e9 quest\u00e3o dispon\u00edvel: depende de provoca\u00e7\u00e3o oportuna, submete-se \u00e0 adstri\u00e7\u00e3o e aos limites da devolu\u00e7\u00e3o, e seu exame de of\u00edcio viola contradit\u00f3rio e n\u00e3o surpresa, sobretudo quando prejudica a \u00fanica parte recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Tribunais gostam de lembrar que conhecem o direito por inteiro. Dentro do cap\u00edtulo impugnado a profundidade \u00e9 mesmo ampla, <strong>e mat\u00e9rias de ordem p\u00fablica sobem sozinhas, sem precisar de convite<\/strong>, o que d\u00e1 ao julgador a sensa\u00e7\u00e3o de portas abertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A porta, contudo, tem batente. Anu\u00eancia t\u00e1cita e <em>supressio<\/em> dizem respeito \u00e0 exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o contratual, tema dispon\u00edvel por natureza, <strong>que s\u00f3 entra no julgamento pela m\u00e3o de quem recorre<\/strong>; nenhum recurso do banco existia para carregar essa carga ao segundo grau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O desfecho ainda somava um agravo \u00e0 autora. Reformar para pior a situa\u00e7\u00e3o da \u00fanica recorrente ofende a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>reformatio in pejus<\/em>, <strong>e o processo civil n\u00e3o premia surpresas contra quem confiou nos limites do pr\u00f3prio recurso<\/strong>, pilar do contradit\u00f3rio que a Quarta Turma recomp\u00f4s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao julgamento, de of\u00edcio, de quest\u00e3o dispon\u00edvel n\u00e3o impugnada na apela\u00e7\u00e3o, em preju\u00edzo da \u00fanica parte recorrente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 autorizado pela profundidade do efeito devolutivo, que desvincula o tribunal dos fundamentos das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) admite-se quando a quest\u00e3o for relevante para a justi\u00e7a da decis\u00e3o, a crit\u00e9rio do colegiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) convalida-se se a parte prejudicada n\u00e3o opuser embargos de declara\u00e7\u00e3o no momento oportuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 vedado, violando a adstri\u00e7\u00e3o, o contradit\u00f3rio, a n\u00e3o surpresa e a proibi\u00e7\u00e3o de reforma para pior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) restringe-se \u00e0s causas de consumo, regidas pela primazia do julgamento de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A profundidade vertical atua dentro do cap\u00edtulo devolvido; quest\u00e3o dispon\u00edvel estranha \u00e0 impugna\u00e7\u00e3o fica fora do alcance do tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Relev\u00e2ncia n\u00e3o substitui devolu\u00e7\u00e3o; o crit\u00e9rio \u00e9 normativo, reservado o exame de of\u00edcio \u00e0s mat\u00e9rias de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O v\u00edcio n\u00e3o se convalida pela via dos aclarat\u00f3rios; a viola\u00e7\u00e3o dos limites devolutivos contamina o pr\u00f3prio julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Sem impugna\u00e7\u00e3o da parte contr\u00e1ria, a improced\u00eancia decretada de of\u00edcio sobre tema dispon\u00edvel atropelou os limites do art. 1.013 do CPC e agravou a posi\u00e7\u00e3o de quem recorreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A regra dos limites devolutivos \u00e9 geral do processo civil, sem recorte por mat\u00e9ria consumerista.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-10\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o ac\u00f3rd\u00e3o de origem violou o efeito devolutivo da apela\u00e7\u00e3o ao reformar a senten\u00e7a e julgar improcedentes os pedidos sem recurso da parte contr\u00e1ria, mediante o exame, de of\u00edcio, de quest\u00e3o referente \u00e0 exist\u00eancia ou inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de a\u00e7\u00e3o em que a parte autora pleiteou a declara\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica quanto aos empr\u00e9stimos consignados, a restitui\u00e7\u00e3o em dobro dos descontos e a indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral. O Ju\u00edzo de primeiro grau julgou parcialmente procedentes os pedidos para reconhecer a inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e condenar o r\u00e9u \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o simples das parcelas descontadas com compensa\u00e7\u00e3o dos valores creditados em conta. A Corte de origem reformou a senten\u00e7a para julgar improcedentes os pedidos, reconhecendo anu\u00eancia t\u00e1cita e aplicando a teoria da supressio de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 1.013 do CPC, a apela\u00e7\u00e3o devolver\u00e1 ao tribunal o conhecimento da mat\u00e9ria impugnada, podendo ser objeto de aprecia\u00e7\u00e3o e julgamento todas as quest\u00f5es suscitadas e discutidas no processo, ainda que n\u00e3o tenham sido solucionadas, desde que relativas ao cap\u00edtulo impugnado. Trata-se do efeito devolutivo em sua dimens\u00e3o vertical, pelo qual o Tribunal n\u00e3o se limita aos fundamentos jur\u00eddicos adotados pela senten\u00e7a, nem \u00e0queles suscitados pela parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o Tribunal pode tamb\u00e9m decidir mat\u00e9ria que n\u00e3o tenha sido objeto de impugna\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em recurso quando verificar que a mat\u00e9ria discutida possui natureza de ordem p\u00fablica, podendo ser conhecida de of\u00edcio, independentemente de provoca\u00e7\u00e3o das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, por\u00e9m, n\u00e3o se est\u00e1 diante de situa\u00e7\u00e3o que autorize o exame da controv\u00e9rsia pelo Tribunal fora dos limites devolvidos pelo recurso, porquanto a quest\u00e3o analisada &#8211; referente \u00e0 exist\u00eancia ou inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica &#8211; \u00e9 de natureza dispon\u00edvel, submetendo-se, portanto, ao princ\u00edpio da adstri\u00e7\u00e3o e aos limites da devolu\u00e7\u00e3o recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentemente das mat\u00e9rias de ordem p\u00fablica, as quest\u00f5es de natureza dispon\u00edvel dependem de provoca\u00e7\u00e3o da parte interessada e devem ser suscitadas oportunamente, n\u00e3o sendo admiss\u00edvel sua aprecia\u00e7\u00e3o de of\u00edcio pelo \u00f3rg\u00e3o julgador, sob pena de viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do contradit\u00f3rio e da n\u00e3o surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, por n\u00e3o se tratar de mat\u00e9ria cognosc\u00edvel de of\u00edcio, o seu exame est\u00e1 condicionado \u00e0 impugna\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no recurso, n\u00e3o podendo ser conhecido ou revisto de maneira aut\u00f4noma pelo Tribunal, especialmente quando tal provid\u00eancia implicar altera\u00e7\u00e3o prejudicial \u00e0 \u00fanica parte recorrente, em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio non <em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-promotor-natural-e-o-grupo-especial-fora-da-capital\" class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; PROMOTOR NATURAL E O GRUPO ESPECIAL FORA DA CAPITAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autonomia investigat\u00f3ria do Minist\u00e9rio P\u00fablico <strong>N\u00c3O dispensa as regras de atribui\u00e7\u00e3o e designa\u00e7\u00e3o<\/strong>: a atua\u00e7\u00e3o de grupo especial fora de sua esfera, sem solicita\u00e7\u00e3o do promotor natural e sem designa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, <strong>gera nulidade dos atos persecut\u00f3rios e trancamento da a\u00e7\u00e3o penal<\/strong>, vedada a convalida\u00e7\u00e3o por portaria posterior \u00e0 den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.024.064-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Empres\u00e1rio em S\u00e3o Bernardo do Campo, Kiko se viu investigado, denunciado e alvo de cautelares conduzidas pelo GEDEC, grupo especial do Minist\u00e9rio P\u00fablico paulista criado para delitos econ\u00f4micos com atua\u00e7\u00e3o circunscrita \u00e0 capital. O princ\u00edpio do promotor natural garante que o acusador seja definido por crit\u00e9rios objetivos e anteriores aos fatos, sem acusadores escolhidos a dedo; a norma interna do pr\u00f3prio MP condicionava a sa\u00edda do grupo da capital \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do promotor da comarca e \u00e0 designa\u00e7\u00e3o do procurador-geral. A portaria autorizando a atua\u00e7\u00e3o s\u00f3 apareceu depois de oferecida a den\u00fancia. Papel assinado tarde conserta a acusa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o n. 554\/2008-PGJ\/SP, arts. 1\u00ba a 4\u00ba e 5\u00ba, \u00a7 2\u00ba; ADI 2.854\/DF<\/strong> <em>(a atribui\u00e7\u00e3o do GEDEC circunscreve-se aos feitos da capital; a atua\u00e7\u00e3o em atribui\u00e7\u00e3o alheia exige solicita\u00e7\u00e3o do promotor natural e designa\u00e7\u00e3o do PGJ; a avoca\u00e7\u00e3o pelo procurador-geral depende da concord\u00e2ncia do promotor natural e de delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Superior).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O promotor natural veda o acusador de exce\u00e7\u00e3o: as atribui\u00e7\u00f5es se fixam por crit\u00e9rios objetivos e pr\u00e9vios aos fatos; a autonomia investigat\u00f3ria do MP (Tema 184\/STF) se exerce dentro dessa moldura, sem cl\u00e1usula de dispensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Instaurar o procedimento, postular cautelares, conduzir colabora\u00e7\u00e3o premiada e oferecer den\u00fancia antes da designa\u00e7\u00e3o formal configura avoca\u00e7\u00e3o impl\u00edcita e ilegal; portaria posterior \u00e0 den\u00fancia, sem motiva\u00e7\u00e3o nem requisitos, n\u00e3o convalida retroativamente os atos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O v\u00edcio de atribui\u00e7\u00e3o presente desde a origem n\u00e3o \u00e9 mera irregularidade do inqu\u00e9rito: contamina a forma\u00e7\u00e3o da <em>opinio delicti<\/em> e da acusa\u00e7\u00e3o, impondo o trancamento por aus\u00eancia de justa causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Ningu\u00e9m nega m\u00fasculo investigativo aos grupos especiais. Criminalidade econ\u00f4mica pede estrutura, expertise concentrada, <strong>e os grupos de atua\u00e7\u00e3o especial nasceram para dar essa resposta<\/strong> que promotorias isoladas nem sempre conseguem articular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f M\u00fasculo n\u00e3o substitui mandato. A pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o desenhou os limites do grupo e o rito para ultrapass\u00e1-los, com pedido do promotor da comarca e designa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do procurador-geral, <strong>e nada disso existia quando a persecu\u00e7\u00e3o inteira j\u00e1 tinha acontecido<\/strong>; o acusador se autoescolheu, figura que o promotor natural existe para impedir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A cronologia selou o destino da a\u00e7\u00e3o penal. Portaria editada depois da den\u00fancia, sem motiva\u00e7\u00e3o e sem os requisitos da ADI 2.854, <strong>inverteria a l\u00f3gica de crit\u00e9rios fixados antes dos fatos<\/strong> se pudesse convalidar o passado, e a nulidade desde a g\u00eanese levou ao trancamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a atua\u00e7\u00e3o de grupo especial do Minist\u00e9rio P\u00fablico fora de sua esfera de atribui\u00e7\u00f5es, sem solicita\u00e7\u00e3o do promotor natural nem designa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) gera nulidade dos atos de persecu\u00e7\u00e3o, insan\u00e1vel por portaria editada ap\u00f3s a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 regular, express\u00e3o da unidade institucional e da autonomia investigat\u00f3ria do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) constitui irregularidade do inqu\u00e9rito, incapaz de contaminar a a\u00e7\u00e3o penal subsequente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) convalida-se pela ratifica\u00e7\u00e3o t\u00e1cita do promotor natural que n\u00e3o impugnar os atos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende, para ser anulada, de prova de preju\u00edzo concreto \u00e0 defesa do investigado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A designa\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 den\u00fancia n\u00e3o convalida a avoca\u00e7\u00e3o impl\u00edcita; a Quinta Turma reconheceu a nulidade desde a origem e trancou a a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Unidade institucional n\u00e3o dispensa crit\u00e9rios objetivos e pr\u00e9vios de distribui\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es; a autonomia se exerce dentro da moldura normativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O defeito alcan\u00e7a a pr\u00f3pria <em>opinio delicti<\/em> e a den\u00fancia dela derivada, ultrapassando em muito a esfera do inqu\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A moldura da ADI 2.854\/DF exige concord\u00e2ncia expressa do promotor natural e delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Superior, requisitos cumulativos que n\u00e3o se presumem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A ofensa ao promotor natural qualificou-se como nulidade que dispensou essa demonstra\u00e7\u00e3o, por atingir a pr\u00f3pria justa causa da persecu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-11\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se os atos de persecu\u00e7\u00e3o penal praticados pelo Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Delitos Econ\u00f4micos (GEDEC), fora de sua esfera de atribui\u00e7\u00e3o, violaram o princ\u00edpio do promotor natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O princ\u00edpio do promotor natural, reconhecido pela jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, visa assegurar a designa\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o acusador de forma objetiva, com a fixa\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es em momento anterior aos fatos, vedando-se a figura do acusador de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos da ADI 2.854\/DF (STF, Tribunal Pleno, DJe 16\/12\/2020), a avoca\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es de membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico pelo Procurador-Geral de Justi\u00e7a depende da concord\u00e2ncia do promotor natural e da delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Superior respectivo, requisitos cumulativos e inafast\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob essa moldura, a Resolu\u00e7\u00e3o n. 554\/2008-PGJ\/SP circunscreve a atribui\u00e7\u00e3o do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Delitos Econ\u00f4micos (GEDEC) aos feitos das Promotorias de Justi\u00e7a Criminais do Foro Central da Capital e da Promotoria de Justi\u00e7a da Cidadania da Capital (arts. 1\u00ba e 4\u00ba), condicionando a sua atua\u00e7\u00e3o em procedimentos de atribui\u00e7\u00e3o de outras Promotorias \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do Promotor de Justi\u00e7a Natural e \u00e0 designa\u00e7\u00e3o do Procurador-Geral de Justi\u00e7a (art. 5\u00ba, \u00a7 2\u00ba). A partir desses dispositivos, concluiu-se que o GEDEC &#8220;somente poderia atuar fora da Capital (i) por solicita\u00e7\u00e3o do Promotor de Justi\u00e7a natural e (ii) com designa\u00e7\u00e3o do Procurador-Geral de Justi\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, no caso em exame, a ampla atua\u00e7\u00e3o do GEDEC em S\u00e3o Bernardo do Campo precedeu qualquer designa\u00e7\u00e3o formal, vindo a Portaria PGJ n. 8.107\/2020 apenas posteriormente, sem motiva\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e sem evidenciar solicita\u00e7\u00e3o do promotor natural ou delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Superior, requisitos exigidos pela ADI 2.854\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa incompatibilidade \u00e9 refor\u00e7ada pela sequ\u00eancia cronol\u00f3gica: o GEDEC instaurou e presidiu o PIC, postulou cautelares, conduziu colabora\u00e7\u00e3o premiada e ofereceu den\u00fancia, todos os atos t\u00edpicos de condu\u00e7\u00e3o da persecu\u00e7\u00e3o, antes da edi\u00e7\u00e3o da portaria de designa\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o houve avoca\u00e7\u00e3o nem inger\u00eancia contraria os elementos registrados nos autos. A substitui\u00e7\u00e3o f\u00e1tica do promotor natural e o exerc\u00edcio da iniciativa persecut\u00f3ria na comarca alheia \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es do GEDEC configuram, exatamente, o v\u00edcio que a Constitui\u00e7\u00e3o e a jurisprud\u00eancia vedam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a distin\u00e7\u00e3o funcional entre o acompanhamento ministerial do inqu\u00e9rito policial e a presid\u00eancia de procedimento investigat\u00f3rio criminal pr\u00f3prio n\u00e3o elide, nem flexibiliza, o dever de observ\u00e2ncia pr\u00e9via das regras de atribui\u00e7\u00e3o e das garantias do promotor natural. A tentativa de justificar a atua\u00e7\u00e3o com base em poderes investigat\u00f3rios aut\u00f4nomos do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o afasta o v\u00edcio de atribui\u00e7\u00e3o, pois a unidade institucional n\u00e3o dispensa crit\u00e9rios objetivos e pr\u00e9vios de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a Portaria de designa\u00e7\u00e3o editada ap\u00f3s o oferecimento da den\u00fancia n\u00e3o se presta a convalidar retroativamente os atos praticados sem atribui\u00e7\u00e3o, por inverter a l\u00f3gica do princ\u00edpio do promotor natural, que exige a fixa\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios em momento anterior aos fatos, e por carecer dos requisitos constitucionais exigidos pela ADI 2.854\/DF (concord\u00e2ncia do promotor natural e delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Superior).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a autonomia investigat\u00f3ria do Minist\u00e9rio P\u00fablico (Tema n. 184\/STF) n\u00e3o constitui cl\u00e1usula de dispensa das regras de atribui\u00e7\u00e3o e designa\u00e7\u00e3o, exercendo-se nos limites da moldura normativa vigente e das garantias individuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, o v\u00edcio de atribui\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o acusador, presente desde a g\u00eanese da persecu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se confunde com mera irregularidade do inqu\u00e9rito, mas constitui nulidade absoluta que contamina os atos essenciais da forma\u00e7\u00e3o da <em>opinio delicti<\/em> e da acusa\u00e7\u00e3o, impondo o trancamento da a\u00e7\u00e3o penal por aus\u00eancia de justa causa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-escuta-no-parlatorio-entre-advogado-e-preso\" class=\"wp-block-heading\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ESCUTA NO PARLAT\u00d3RIO ENTRE ADVOGADO E PRESO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No sistema penitenci\u00e1rio federal, <strong>a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1udio e v\u00eddeo do atendimento advocat\u00edcio exige decis\u00e3o judicial espec\u00edfica, motivada, proporcional e com prazo determinado<\/strong>, baseada em elementos concretos (Lei n. 9.296\/1996, art. 8\u00ba-A); <strong>\u00e9 ilegal a autoriza\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica e irrestrita de monitoramento<\/strong> das entrevistas entre defensor e custodiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDcl no AgRg no REsp 1.954.331-RN, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/9\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Custodiado em pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima, Godines recebia sua advogada no parlat\u00f3rio, a sala de encontros monitor\u00e1vel do pres\u00eddio, sob c\u00e2meras e microfones ligados por uma autoriza\u00e7\u00e3o judicial que valia para as conversas de quaisquer presos com quaisquer defensores, por tempo indefinido. A lei manda instalar o aparato nas \u00e1reas comuns, mas pro\u00edbe us\u00e1-lo nas celas e no atendimento advocat\u00edcio, salvo ordem judicial em contr\u00e1rio. A d\u00favida estava no tamanho dessa exce\u00e7\u00e3o. Ordem judicial que vigia todo mundo, o tempo todo, ainda \u00e9 exce\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.671\/2008, art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba; Lei n. 9.296\/1996, art. 8\u00ba-A<\/strong> <em>(os pres\u00eddios federais de seguran\u00e7a m\u00e1xima devem dispor de monitoramento de \u00e1udio e v\u00eddeo no parlat\u00f3rio e nas \u00e1reas comuns, vedado o uso nas celas e no atendimento advocat\u00edcio, salvo expressa autoriza\u00e7\u00e3o judicial; a capta\u00e7\u00e3o ambiental exige subsidiariedade da prova e ind\u00edcios razo\u00e1veis de crimes com pena superior a quatro anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A exce\u00e7\u00e3o judicial \u00e0 veda\u00e7\u00e3o segue o regime geral do art. 8\u00ba-A, por relativizar garantia fundamental do custodiado e prerrogativa constitucional da advocacia; a leitura converge com o STF e com os standards da Corte Interamericana, que admitem a interven\u00e7\u00e3o mediante ordem pr\u00e9via e fundamentada, apoiada em ind\u00edcios concretos, com descarte do material desviante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A decis\u00e3o que autorizar a escuta do atendimento advocat\u00edcio deve ser individualizada, motivada, proporcional e por prazo certo; ju\u00edzo universal, prospectivo ou fundado em presun\u00e7\u00e3o de ader\u00eancia dos defensores a empreitadas criminosas \u00e9 ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria tinha a seguran\u00e7a como trunfo. Pres\u00eddio federal concentra lideran\u00e7as de organiza\u00e7\u00f5es, <strong>e o parlat\u00f3rio j\u00e1 serviu de correio de ordens para fora dos muros<\/strong>, risco que o monitoramento amplo prometia neutralizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O pre\u00e7o do atalho era alto demais. Conversa entre preso e defensor \u00e9 o oxig\u00eanio da ampla defesa, <strong>e vigi\u00e1-la por presun\u00e7\u00e3o transforma a exce\u00e7\u00e3o em regime<\/strong>, tratando cada advogado como suspeito e cada estrat\u00e9gia defensiva como informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel ao Estado acusador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Escuta no atendimento advocat\u00edcio s\u00f3 com decis\u00e3o espec\u00edfica, apoiada em ind\u00edcios concretos, proporcional e por prazo certo, <strong>sob o regime geral das capta\u00e7\u00f5es ambientais<\/strong>; sem isso, a intelig\u00eancia estatal opera \u00e0s escuras, fora de controle judicial digno do nome.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante ao monitoramento de \u00e1udio e v\u00eddeo do atendimento advocat\u00edcio em pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 permitido em car\u00e1ter permanente, dado o dever legal de instala\u00e7\u00e3o do aparato no parlat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) prescinde de ordem judicial, bastando ato motivado da dire\u00e7\u00e3o do estabelecimento penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite autoriza\u00e7\u00e3o judicial gen\u00e9rica, renov\u00e1vel enquanto durar o risco \u00e0 ordem interna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 vedado sem ressalvas, indispon\u00edvel a comunica\u00e7\u00e3o reservada entre preso e defensor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exige ordem judicial individualizada e motivada, com proporcionalidade demonstrada e prazo certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O dever de dispor do equipamento n\u00e3o autoriza seu uso no atendimento advocat\u00edcio, expressamente vedado pela Lei n. 11.671\/2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A relativiza\u00e7\u00e3o do sigilo \u00e9 reserva de jurisdi\u00e7\u00e3o; ato administrativo nenhum substitui a decis\u00e3o judicial exigida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Autoriza\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica e irrestrita foi exatamente o que a Quinta Turma declarou ilegal, por desnaturar a garantia e a prerrogativa da advocacia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Existe exce\u00e7\u00e3o, mas estreita: a pr\u00f3pria lei ressalva a autoriza\u00e7\u00e3o judicial, lida sob o regime do art. 8\u00ba-A da Lei n. 9.296\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. A escuta do parlat\u00f3rio advocat\u00edcio depende de decis\u00e3o fundada em elementos concretos, com ju\u00edzo de proporcionalidade e dura\u00e7\u00e3o delimitada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-12\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se \u00e9 legal a capta\u00e7\u00e3o ambiental ampla e irrestrita de sons e imagens nas entrevistas entre defensores e custodiados em estabelecimento penal federal, sem decis\u00e3o judicial espec\u00edfica, individualizada e devidamente fundamentada com base em elementos concretos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse respeito, os dispositivos centrais que devem ser interpretados sistematicamente para a solu\u00e7\u00e3o adequada da controv\u00e9rsia, ambos editados pela Lei n. 13.964\/2019 (Pacote Anticrime), s\u00e3o o \u00a7 2\u00ba do art. 3\u00ba da Lei n. 11.671\/2008 e o art. 8-A da Lei n. 9.296\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa perspectiva, a regra geral para capta\u00e7\u00f5es ambientais, prevista no art. 8-A da Lei n. 9.296\/1996, estabelece que, &#8220;[p]ara investiga\u00e7\u00e3o ou instru\u00e7\u00e3o criminal, poder\u00e1 ser autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do Minist\u00e9rio P\u00fablico, a capta\u00e7\u00e3o ambiental de sinais eletromagn\u00e9ticos, \u00f3pticos ou ac\u00fasticos, quando: I &#8211; a prova n\u00e3o puder ser feita por outros meios dispon\u00edveis e igualmente eficazes; e II &#8211; houver elementos probat\u00f3rios razo\u00e1veis de autoria e participa\u00e7\u00e3o em infra\u00e7\u00f5es criminais cujas penas m\u00e1ximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infra\u00e7\u00f5es penais conexas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 a norma espec\u00edfica e excepcional do \u00a7 2\u00ba do art. 3\u00ba da Lei n. 11.671\/2008, prescreve que &#8220;[o]s estabelecimentos penais federais de seguran\u00e7a m\u00e1xima dever\u00e3o dispor de monitoramento de \u00e1udio e v\u00eddeo no parlat\u00f3rio e nas \u00e1reas comuns, para fins de preserva\u00e7\u00e3o da ordem interna e da seguran\u00e7a p\u00fablica, vedado seu uso nas celas e no atendimento advocat\u00edcio, salvo expressa autoriza\u00e7\u00e3o judicial em contr\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a regra do monitoramento em pres\u00eddios deve ser lida a partir das seguintes premissas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a) por raz\u00f5es legislativamente consideradas de seguran\u00e7a, os estabelecimentos prisionais de seguran\u00e7a m\u00e1xima dever\u00e3o dispor do material necess\u00e1rio para capta\u00e7\u00e3o de \u00e1udio e v\u00eddeo nos parlat\u00f3rios e \u00e1reas comuns. Isso significa que, em regra, as atividades que ocorrem nesses locais do pres\u00eddio s\u00e3o pass\u00edveis de vigil\u00e2ncia constante com finalidade espec\u00edfica: garantir a ordem interna e a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; b) como regra, \u00e9 vedada, expressamente, a capta\u00e7\u00e3o ambiental de \u00e1udio e v\u00eddeo nas celas e no atendimento advocat\u00edcio. A proibi\u00e7\u00e3o constitui regra que admite exce\u00e7\u00e3o: autoriza\u00e7\u00e3o judicial em contr\u00e1rio. Esta exce\u00e7\u00e3o, contudo, deve seguir a diretriz geral de capta\u00e7\u00e3o ambiental, inscrita no art. 8-A da Lei n. 9.296\/1996, porque constitui relativiza\u00e7\u00e3o de garantia fundamental com finalidade de investiga\u00e7\u00e3o criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessas premissas, a conclus\u00e3o \u00e9 que a autoriza\u00e7\u00e3o judicial que permite a capta\u00e7\u00e3o ambiental de atendimento advocat\u00edcio n\u00e3o pode ser geral e irrestrita, ou seja, sem fundamenta\u00e7\u00e3o proporcional amparada em elementos concretos id\u00f4neos, na forma do art. 8-A da Lei n. 9.296\/1996. Interpreta\u00e7\u00e3o em sentido contr\u00e1rio desnaturaria garantia constitucional fundamental do custodiado e prerrogativa igualmente constitucional da advocacia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a excepcionalidade da relativiza\u00e7\u00e3o do direito do preso de comunica\u00e7\u00e3o livre e particular com seu advogado depende, invariavelmente, de decis\u00e3o judicial espec\u00edfica que justifique, no caso concreto, de forma detalhada e individualizada, a necessidade da mitiga\u00e7\u00e3o da garantia constitucional ao sigilo em raz\u00e3o de motivos de seguran\u00e7a coletiva. \u00c9 ilegal, em outras palavras, a provid\u00eancia de opera\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia estatal inespec\u00edfica e desamparada de raz\u00f5es concretas e transparentes pass\u00edveis de controle judicial pr\u00e9vio e posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa interpreta\u00e7\u00e3o encontra converg\u00eancia com a orienta\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal e com os standards estabelecidos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos: a interven\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00f5es entre defensores e clientes somente se admite, excepcionalmente, mediante autoriza\u00e7\u00e3o judicial pr\u00e9via e fundamentada, diante de ind\u00edcios concretos de pr\u00e1tica il\u00edcita, com descarte de informa\u00e7\u00f5es obtidas em desconformidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, deve ser afastada a interpreta\u00e7\u00e3o no sentido de que a autoriza\u00e7\u00e3o judicial, mitigadora da garantia constitucional do sigilo da comunica\u00e7\u00e3o entre advogado (ou defensor p\u00fablico) e o custodiado, derive de ju\u00edzo universal, isto \u00e9, geral para todas as conversas nos parlat\u00f3rios do estabelecimento prisional ou, ainda, prospectiva com presun\u00e7\u00e3o indireta e potencial de ader\u00eancia dos defensores constitu\u00eddos em empreitadas criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, a interpreta\u00e7\u00e3o das regras de capta\u00e7\u00e3o de conversas entre advogados e custodiados em estabelecimentos prisionais deve-se dar da seguinte forma: a express\u00e3o &#8220;salvo autoriza\u00e7\u00e3o judicial em contr\u00e1rio&#8221; implica, necessariamente: a) a observ\u00e2ncia do regime geral inscrito no art. 8-A da Lei n. 9.296\/1996; e b) a decis\u00e3o judicial que relativize a regra do sigilo deve justificar a proporcionalidade da medida com base em elementos indici\u00e1rios concretos e espec\u00edficos, bem como estabelecer prazo determinado.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-a-ligacao-que-libertou-a-vitima-do-roubo\" class=\"wp-block-heading\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A LIGA\u00c7\u00c3O QUE LIBERTOU A V\u00cdTIMA DO ROUBO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Configura a atenuante do art. 65, III, b, do CP <strong>a liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica volunt\u00e1ria do r\u00e9u para libertar a v\u00edtima<\/strong> de roubo com restri\u00e7\u00e3o de liberdade, <strong>ainda que posterior \u00e0 interven\u00e7\u00e3o policial<\/strong>: houve efetiva minora\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias do crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.087.657-SP, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/6\/2026, DJEN 22\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No roubo comandado por Creitinho, Dona Clotilde ficou retida pelos comparsas T\u00edcio e M\u00e9vio enquanto o crime se desenrolava. Veio a abordagem policial e, com ela, um telefonema do pr\u00f3prio Creitinho ordenando que a soltassem, ordem cumprida de imediato. Na dosimetria, a defesa cobrou a atenuante de quem procura, logo ap\u00f3s o crime, evitar ou minorar suas consequ\u00eancias; a acusa\u00e7\u00e3o respondia que gesto empurrado pela chegada da pol\u00edcia n\u00e3o vale desconto, por faltar espontaneidade. Bondade tardia, nascida do cerco, ainda conta a favor do r\u00e9u?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 65, III, b<\/strong> <em>(atenua a pena ter o agente procurado, por sua espont\u00e2nea vontade e com efici\u00eancia, logo ap\u00f3s o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequ\u00eancias).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As inst\u00e2ncias de origem qualificaram a liga\u00e7\u00e3o como conduta volunt\u00e1ria, embora n\u00e3o espont\u00e2nea; a restri\u00e7\u00e3o da liberdade ainda estava em curso e cessou por for\u00e7a da comunica\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O momento posterior \u00e0 interven\u00e7\u00e3o policial, isoladamente, n\u00e3o bloqueia a atenuante: premia-se a contribui\u00e7\u00e3o efetiva para reduzir as consequ\u00eancias do delito, n\u00e3o o arrependimento subjetivo, e sem direito autom\u00e1tico a desconto em outras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A resist\u00eancia da acusa\u00e7\u00e3o tinha lastro na letra da lei. O dispositivo fala em espont\u00e2nea vontade, <strong>e quem s\u00f3 age depois de cercado pela pol\u00edcia parece devolver o que j\u00e1 perdeu<\/strong>, n\u00e3o praticar generosidade penalmente relevante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O olhar do julgado foi para o resultado, n\u00e3o para a alma do agente. A v\u00edtima continuava presa quando a ordem partiu, e foi a liga\u00e7\u00e3o, volunt\u00e1ria ainda que provocada pelas circunst\u00e2ncias, <strong>que interrompeu a restri\u00e7\u00e3o da liberdade em curso<\/strong>; consequ\u00eancia minorada \u00e9 fato objetivo, seja qual for a motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f N\u00e3o se instituiu pr\u00eamio ao arrependimento tardio nem desconto de of\u00edcio para gestos p\u00f3s-crime em geral, <strong>reconheceu-se relev\u00e2ncia penal \u00e0 conduta que efetivamente reduziu o dano<\/strong>, leitura que humaniza a dosimetria sem abrir porteira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a ordem de liberta\u00e7\u00e3o da v\u00edtima transmitida pelo r\u00e9u, por telefone, ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o policial em roubo com restri\u00e7\u00e3o de liberdade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o configura atenuante, exigida espontaneidade incompat\u00edvel com a atua\u00e7\u00e3o policial pr\u00e9via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) caracteriza arrependimento posterior, reduzindo a pena de um a dois ter\u00e7os (CP, art. 16).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) atrai a atenuante da minora\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias, dada a cessa\u00e7\u00e3o efetiva da restri\u00e7\u00e3o em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) configura desist\u00eancia volunt\u00e1ria, respondendo o agente pelos atos at\u00e9 ent\u00e3o praticados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) vale como mera circunst\u00e2ncia judicial favor\u00e1vel, sem previs\u00e3o legal de atenua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A conduta foi tida por volunt\u00e1ria, e o momento posterior \u00e0 abordagem, por si, n\u00e3o afasta a atenuante quando a restri\u00e7\u00e3o ainda estava em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O arrependimento posterior do art. 16 pressup\u00f5e crime sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o do dano, moldura estranha ao roubo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A Sexta Turma aplicou o art. 65, III, b, do CP: a liga\u00e7\u00e3o interrompeu a priva\u00e7\u00e3o da liberdade da v\u00edtima, minorando efetivamente as consequ\u00eancias do crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O roubo j\u00e1 estava consumado; desist\u00eancia volunt\u00e1ria pertence ao iter do crime tentado, n\u00e3o ao momento posterior \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Existe previs\u00e3o legal expressa; a hip\u00f3tese se subsume \u00e0 al\u00ednea b do inciso III do art. 65, n\u00e3o ao ju\u00edzo aberto do art. 59.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-13\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se \u00e9 aplic\u00e1vel a atenuante prevista no art. 65, III, b, do C\u00f3digo Penal para a conduta do agente que, ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o policial, procura minorar as consequ\u00eancias do roubo ao dar ordem para libertar a v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica efetuada pelo r\u00e9u teve por objeto a ordem de liberta\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, que ocorreu ap\u00f3s a abordagem policial e foi considerada conduta volunt\u00e1ria, embora n\u00e3o espont\u00e2nea, pelas inst\u00e2ncias de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de a ordem haver sido transmitida ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o policial, por si s\u00f3, n\u00e3o impede a incid\u00eancia da atenuante, pois a restri\u00e7\u00e3o da liberdade ainda estava em curso e foi interrompida em raz\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o efetuada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se trata de premiar o arrependimento subjetivo, nem de instituir direito autom\u00e1tico \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da pena, mas de reconhecer a relev\u00e2ncia jur\u00eddico-penal de conduta que \u00e9 posterior ao crime e que contribuiu efetivamente para minorar suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-92ec1356-a9a6-40bd-a505-d67b0bbf4033\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/14092624\/stj-info-900.pdf\">STJ &#8211; Info 900<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/14092624\/stj-info-900.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-92ec1356-a9a6-40bd-a505-d67b0bbf4033\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; CR\u00c9DITO RURAL E A SUSPENS\u00c3O LEGAL DA PRESCRI\u00c7\u00c3O Destaque A suspens\u00e3o do prazo prescricional prevista nas leis de liquida\u00e7\u00e3o ou renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de cr\u00e9dito rural opera de pleno direito, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o do devedor, quando o dispositivo legal a estabelecer diretamente; depende de provid\u00eancia do devedor quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[2185],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1808081","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carreiras-juridicas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v28.1 (Yoast SEO v28.1) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 900 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 900 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; CR\u00c9DITO RURAL E A SUSPENS\u00c3O LEGAL DA PRESCRI\u00c7\u00c3O Destaque A suspens\u00e3o do prazo prescricional prevista nas leis de liquida\u00e7\u00e3o ou renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de cr\u00e9dito rural opera de pleno direito, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o do devedor, quando o dispositivo legal a estabelecer diretamente; depende de provid\u00eancia do devedor quando [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-09-14T12:27:42+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-09-14T12:27:45+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"95 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ 900 Comentado\",\"datePublished\":\"2026-09-14T12:27:42+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-14T12:27:45+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/\"},\"wordCount\":18931,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Jur\u00eddico\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2026\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/\",\"name\":\"Informativo STJ 900 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2026-09-14T12:27:42+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-14T12:27:45+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-900-comentado\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ 900 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\\\/2025\\\/06\\\/03203428\\\/logo_concursos-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\\\/2025\\\/06\\\/03203428\\\/logo_concursos-1.jpg\",\"width\":230,\"height\":60,\"caption\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/EstratConcursos\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\",\"name\":\"Jean Vilbert\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jean Vilbert\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/author\\\/jeanvilbertgmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Informativo STJ 900 Comentado","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Informativo STJ 900 Comentado","og_description":"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; CR\u00c9DITO RURAL E A SUSPENS\u00c3O LEGAL DA PRESCRI\u00c7\u00c3O Destaque A suspens\u00e3o do prazo prescricional prevista nas leis de liquida\u00e7\u00e3o ou renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de cr\u00e9dito rural opera de pleno direito, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o do devedor, quando o dispositivo legal a estabelecer diretamente; depende de provid\u00eancia do devedor quando [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2026-09-14T12:27:42+00:00","article_modified_time":"2026-09-14T12:27:45+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"95 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/"},"author":{"name":"Jean Vilbert","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999"},"headline":"Informativo STJ 900 Comentado","datePublished":"2026-09-14T12:27:42+00:00","dateModified":"2026-09-14T12:27:45+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/"},"wordCount":18931,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#organization"},"articleSection":["Jur\u00eddico"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/#respond"]}],"copyrightYear":"2026","copyrightHolder":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"}},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/","name":"Informativo STJ 900 Comentado","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#website"},"datePublished":"2026-09-14T12:27:42+00:00","dateModified":"2026-09-14T12:27:45+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-900-comentado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Informativo STJ 900 Comentado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#website","url":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","description":"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.","publisher":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#organization","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","url":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","width":230,"height":60,"caption":"Estrat\u00e9gia Concursos"},"image":{"@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/EstratConcursos"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999","name":"Jean Vilbert","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jean Vilbert"},"url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1808081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1808081"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1808081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1808087,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1808081\/revisions\/1808087"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1808081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1808081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1808081"},{"taxonomy":"tax_estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tax_estado?post=1808081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}