{"id":1806932,"date":"2026-09-09T08:19:57","date_gmt":"2026-09-09T11:19:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1806932"},"modified":"2026-09-09T10:12:59","modified_gmt":"2026-09-09T13:12:59","slug":"informativo-stf-1227-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1227-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1227 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/09101239\/stf-info-1227-1.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_oao1q48ns3o\"><div id=\"lyte_oao1q48ns3o\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/oao1q48ns3o\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/oao1q48ns3o\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/oao1q48ns3o\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-conselhos-de-medicina-e-a-fiscalizacao-dos-cursos\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONSELHOS DE MEDICINA E A FISCALIZA\u00c7\u00c3O DOS CURSOS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Conselhos de Medicina <strong>podem disciplinar e fiscalizar os aspectos \u00e9ticos e t\u00e9cnicos do ato m\u00e9dico praticado por estudante sob supervis\u00e3o<\/strong>, mas <strong>N\u00c3O podem, por resolu\u00e7\u00e3o, interferir na organiza\u00e7\u00e3o administrativa e pedag\u00f3gica das institui\u00e7\u00f5es de ensino<\/strong>, criar direitos sem fundamento legal, restringir a liberdade de contratar ou instituir san\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.864\/DF, Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Professor Girafales, m\u00e9dico, coordena o curso de medicina da Faculdade Vidalonga e viu o Conselho Federal de Medicina publicar uma resolu\u00e7\u00e3o recheada de novidades, com sal\u00e1rio digno garantido aos coordenadores, poder de &#8220;interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica&#8221; para fechar hospitais de est\u00e1gio que n\u00e3o seguissem a batuta e proibi\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios com faculdades estrangeiras. O conselho, autarquia que fiscaliza a profiss\u00e3o m\u00e9dica, dizia proteger o paciente atendido por estudantes; as escolas enxergaram um regulador de profiss\u00e3o legislando sobre ensino, mat\u00e9ria de lei federal e protegida pela autonomia das universidades. Quem cuida da \u00e9tica m\u00e9dica pode redesenhar a sala de aula?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 22, XXIV, e 207<\/strong> <em>(compete privativamente \u00e0 Uni\u00e3o legislar sobre diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional; as universidades gozam de autonomia did\u00e1tico-cient\u00edfica, administrativa e de gest\u00e3o financeira e patrimonial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O poder normativo dos conselhos profissionais \u00e9 infralegal e fica adstrito \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es que a lei lhes conferiu; obriga\u00e7\u00f5es, restri\u00e7\u00f5es e puni\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas dependem de lei, e regras sobre curr\u00edculo, metodologia e doc\u00eancia pertencem \u00e0 Uni\u00e3o (ADPF 1.036 e ADPF 1.155 MC-Ref).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Permanece leg\u00edtima a fiscaliza\u00e7\u00e3o, pelos CRMs, dos profissionais envolvidos no est\u00e1gio e do que toca a seguran\u00e7a do paciente, o sigilo e a regularidade t\u00e9cnica dos atendimentos; o ato m\u00e9dico de estudante supervisionado n\u00e3o escapa ao controle \u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Ca\u00edram a remunera\u00e7\u00e3o imposta aos coordenadores, a interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica de campos de est\u00e1gio e o veto a conv\u00eanios com institui\u00e7\u00f5es estrangeiras; constatada irregularidade material, cabe ao conselho comunicar as autoridades educacionais, sanit\u00e1rias ou administrativas competentes, sem poder pr\u00f3prio de interdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Havia um prop\u00f3sito sanit\u00e1rio leg\u00edtimo na resolu\u00e7\u00e3o. Estudante de medicina atende gente de verdade nos hospitais-escola, <strong>e a precariedade de um campo de est\u00e1gio pode custar a seguran\u00e7a do paciente<\/strong>, preocupa\u00e7\u00e3o que mora no cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o dos conselhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A fronteira, contudo, passa entre fiscalizar o ato m\u00e9dico e governar a escola. Vigiar a \u00e9tica e a t\u00e9cnica do atendimento supervisionado \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do CRM; <strong>fixar sal\u00e1rio de coordenador, fechar campo de est\u00e1gio por decis\u00e3o pr\u00f3pria e vetar conv\u00eanio internacional \u00e9 legislar sobre ensino e contratos<\/strong>, terreno reservado \u00e0 lei e \u00e0 autonomia universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Ao conselho fica o papel de sentinela, n\u00e3o o de xerife. Encontrada a irregularidade estrutural, <strong>comunica-se o problema a quem tem poder para san\u00e1-lo<\/strong>, autoridades educacionais, sanit\u00e1rias ou administrativas, e a interpreta\u00e7\u00e3o conforme preservou exatamente essa leitura dos dispositivos remanescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o poder regulamentar dos Conselhos de Medicina em rela\u00e7\u00e3o aos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e aos campos de est\u00e1gio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) abrange a interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica de campos de est\u00e1gio, express\u00e3o do poder de pol\u00edcia das autarquias profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) permite fiscalizar a \u00e9tica e a t\u00e9cnica do ato m\u00e9dico supervisionado, vedada a inger\u00eancia na gest\u00e3o do ensino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) cede \u00e0 autonomia universit\u00e1ria, imunizando o est\u00e1gio curricular ao controle dos conselhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) autoriza condicionar a remunera\u00e7\u00e3o dos coordenadores, dada a natureza t\u00e9cnica da fun\u00e7\u00e3o por eles exercida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de delega\u00e7\u00e3o expressa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar os hospitais-escola conveniados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O poder sancionat\u00f3rio dos conselhos fica adstrito ao que a lei prev\u00ea; a interdi\u00e7\u00e3o criada por resolu\u00e7\u00e3o caiu, restando a comunica\u00e7\u00e3o das irregularidades \u00e0s autoridades competentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. A linha divis\u00f3ria tra\u00e7ada na ADI 7.864 preserva o controle \u00e9tico-profissional do atendimento feito por estudantes e barra a interfer\u00eancia direta dos conselhos nas atividades acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A autonomia universit\u00e1ria n\u00e3o blinda o ato m\u00e9dico praticado no est\u00e1gio; o que ela impede \u00e9 o conselho governar a vida administrativa e pedag\u00f3gica da escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Crit\u00e9rio de remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria estranha ao poder regulamentar da autarquia; o dispositivo da resolu\u00e7\u00e3o que o impunha foi declarado inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A compet\u00eancia fiscalizat\u00f3ria sobre o exerc\u00edcio profissional vem da pr\u00f3pria lei de reg\u00eancia dos conselhos, n\u00e3o de delega\u00e7\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os Conselhos de Medicina podem disciplinar e fiscalizar os aspectos \u00e9ticos e t\u00e9cnicos do ato m\u00e9dico praticado por estudantes sob supervis\u00e3o, mas n\u00e3o podem, mediante resolu\u00e7\u00e3o, interferir na organiza\u00e7\u00e3o administrativa e pedag\u00f3gica das institui\u00e7\u00f5es de ensino, criar direitos subjetivos sem fundamento legal, restringir a liberdade de contratar ou instituir san\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui privativamente \u00e0 Uni\u00e3o compet\u00eancia para legislar sobre diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional e assegura \u00e0s universidades autonomia did\u00e1tico-cient\u00edfica, administrativa e de gest\u00e3o financeira e patrimonial (CF\/1988, arts. 22, XXIV, e 207). Essas disposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o afastam, contudo, a compet\u00eancia legal dos Conselhos de Medicina para disciplinar e fiscalizar os aspectos t\u00e9cnicos e \u00e9ticos do exerc\u00edcio profissional, inclusive quando o ato m\u00e9dico \u00e9 praticado por estudante sob supervis\u00e3o durante est\u00e1gio curricular obrigat\u00f3rio ou internato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), compete \u00e0 Uni\u00e3o estabelecer regras sobre curr\u00edculos, conte\u00fados program\u00e1ticos, metodologias de ensino e formas de exerc\u00edcio da atividade docente, sem preju\u00edzo da autonomia assegurada \u00e0s institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias. Por sua vez, o poder normativo e sancionat\u00f3rio dos conselhos profissionais deve permanecer adstrito \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es conferidas por lei, n\u00e3o lhes cabendo criar obriga\u00e7\u00f5es, restri\u00e7\u00f5es ou medidas punitivas aut\u00f4nomas por meio de atos infralegais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.434\/2025 disciplinou a responsabilidade t\u00e9cnica e \u00e9tica dos coordenadores de cursos de medicina no exerc\u00edcio supervisionado do ato m\u00e9dico. Embora leg\u00edtima a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos profissionais envolvidos e dos aspectos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a do paciente, ao sigilo profissional e \u00e0 regularidade t\u00e9cnica dos atendimentos, a resolu\u00e7\u00e3o exorbitou o poder regulamentar ao estabelecer crit\u00e9rio de remunera\u00e7\u00e3o para os coordenadores, instituir a denominada \u201cinterdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica\u201d dos campos de est\u00e1gio e proibir a celebra\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios acad\u00eamicos com institui\u00e7\u00f5es estrangeiras. As prerrogativas relacionadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais de funcionamento dos cursos e dos campos de est\u00e1gio, por sua vez, n\u00e3o conferem poderes aut\u00f4nomos aos coordenadores ou aos Conselhos de Medicina, autorizando apenas a comunica\u00e7\u00e3o das irregularidades \u00e0s autoridades educacionais, sanit\u00e1rias ou administrativas competentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido para: (i) declarar a inconstitucionalidade do \u00a7 2\u00ba do art. 4\u00ba; dos \u00a7\u00a7 2\u00ba, 3\u00ba e 5\u00ba do art. 8\u00ba; do art. 9\u00ba, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico; e do art. 11 da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.434\/2025; e (ii) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o aos arts. 7\u00ba, 8\u00ba, <em>caput<\/em> e \u00a7 1\u00ba, e 12 (2), preservando a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos aspectos \u00e9tico-profissionais do ato m\u00e9dico, mas vedando a interfer\u00eancia direta dos Conselhos de Medicina no funcionamento das atividades acad\u00eamicas e dos estabelecimentos de ensino, bem como o exerc\u00edcio de poder pr\u00f3prio de interdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADPF 1.036 e ADPF 1.155 MC-Ref.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.434\/2025: \u201cArt. 4\u00b0 O coordenador do curso de medicina deve obrigatoriamente ser m\u00e9dico, em conson\u00e2ncia com a Lei n\u00b012.842, de 10 de julho de 2013, em seu art. 5\u00b0, inciso IV, e ter seu registro no CRM do local de jurisdi\u00e7\u00e3o onde os campos de est\u00e1gio s\u00e3o desenvolvidos. (&#8230;) \u00a7 2\u00b0 Em se tratando de cargo de responsabilidade t\u00e9cnica, o m\u00e9dico desempenhando o papel de coordenador de curso de gradua\u00e7\u00e3o ou de coordenador de est\u00e1gio curricular obrigat\u00f3rio deve receber remunera\u00e7\u00e3o justa e digna para essa fun\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Art. 7\u00b0&nbsp; S\u00e3o prerrogativas do coordenador do curso nos campos de est\u00e1gio curriculares para o devido cumprimento de seus deveres: I \u2013 ter acesso garantido a recursos humanos, materiais e financeiros adequados e compat\u00edveis com a dimens\u00e3o do curso e a complexidade dos campos de est\u00e1gio, a fim de viabilizar a implementa\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e \u00e0 seguran\u00e7a do paciente; II \u2013 exercer autoridade deliberativa com autonomia e nas mat\u00e9rias relacionadas \u00e0 gest\u00e3o pedag\u00f3gica, \u00e9tica e pr\u00e1tica dos campos de est\u00e1gio, incluindo a proposi\u00e7\u00e3o de rotinas, normas internas e a implanta\u00e7\u00e3o de medidas corretivas e disciplinares quando cab\u00edveis, em conformidade com o PPC e a legisla\u00e7\u00e3o; III \u2013 ter acesso irrestrito e tempestivo a todas as informa\u00e7\u00f5es, dados e registros pertinentes \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de professores, preceptores e estudantes nos campos de est\u00e1gio, incluindo prontu\u00e1rios (com a devida salvaguarda \u00e9tica e legal da confidencialidade), relat\u00f3rios de supervis\u00e3o e avalia\u00e7\u00f5es de desempenho; IV \u2013 ser consultado e ter sua anu\u00eancia formal nos processos de celebra\u00e7\u00e3o, aditamento, rescis\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios ou instrumentos cong\u00eaneres que estabele\u00e7am ou modifiquem as condi\u00e7\u00f5es dos campos de est\u00e1gio do curso; V \u2013 ter garantido o acesso a programas de forma\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo em gest\u00e3o acad\u00eamica, did\u00e1tica, \u00e9tica e em temas relacionados \u00e0 seguran\u00e7a do paciente e \u00e0 preceptoria em medicina. Par\u00e1grafo \u00fanico. Caso as prerrogativas aqui estabelecidas n\u00e3o sejam integralmente atendidas pela IES, o coordenador do curso dever\u00e1 comunicar formalmente o fato ao CRM, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00b02.056\/2013. Art. 8\u00b0 Os CRMs, sob a coordena\u00e7\u00e3o do CFM, t\u00eam a prerrogativa legal e \u00e9tica de fiscalizar todos os locais onde se exer\u00e7a medicina, em todas as suas modalidades, incluindo os campos de est\u00e1gio de cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina e as atividades de internato m\u00e9dico, visando garantir a qualidade do ensino-aprendizagem, a seguran\u00e7a do paciente e o cumprimento das normas \u00e9ticas e legais do exerc\u00edcio profissional. \u00a7 1\u00b0 A fiscaliza\u00e7\u00e3o dos campos de est\u00e1gio curriculares ser\u00e1 realizada por conselheiros e\/ou m\u00e9dicos fiscais dos CRMs de forma programada ou por den\u00fancia, que ter\u00e3o acesso irrestrito e incondicional a todas as instala\u00e7\u00f5es, prontu\u00e1rios, documentos e informa\u00e7\u00f5es pertinentes \u00e0 forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e \u00e0 pr\u00e1tica supervisionada, conforme previsto no art. 6\u00b0, inciso VI, desta resolu\u00e7\u00e3o. \u00a7 2\u00b0 Constatado comprometimento das condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura, recursos humanos, responsabilidade t\u00e9cnica, seguran\u00e7a do paciente ou da supervis\u00e3o m\u00e9dica adequados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, o CRM poder\u00e1, mediante decis\u00e3o fundamentada, determinar interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica, total ou parcial, tempor\u00e1ria ou definitiva, das atividades m\u00e9dicas de ensino no campo de est\u00e1gio irregular. \u00a7 3\u00b0 A interdi\u00e7\u00e3o de um campo de est\u00e1gio implica a imediata suspens\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de estudantes de medicina em quaisquer atividades profissionais naquele local, at\u00e9 que as irregularidades sejam devidamente sanadas e atestadas pelo CRM. (&#8230;) \u00a7 5\u00b0 O coordenador do curso de medicina e a IES ser\u00e3o notificados das irregularidades e ter\u00e3o prazo para apresentar defesa e promover as adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, sob pena de interdi\u00e7\u00e3o da atividade m\u00e9dica de ensino no campo de est\u00e1gio irregular. Art. 9\u00b0 \u00c9 vedado ao coordenador de campos de est\u00e1gio participar da execu\u00e7\u00e3o, direta ou indireta, de conv\u00eanios ou quaisquer outros termos obrigacionais, para a realiza\u00e7\u00e3o de est\u00e1gios ou internatos, destinados a alunos oriundos de faculdades\/cursos de medicina de outros pa\u00edses, junto a institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade privada, filantr\u00f3pica ou p\u00fablica. Par\u00e1grafo \u00fanico. Excetuam-se do mandamento disposto no <em>caput<\/em> do artigo os hospitais p\u00fablicos universit\u00e1rios, quando da vig\u00eancia de acordo oficial celebrado entre as universidades. (&#8230;) Art. 11. A interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica dos campos de est\u00e1gio poder\u00e1 ser decretada quando n\u00e3o forem atendidas as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas exigidas pela Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00b0 2.056\/2013 e demais legisla\u00e7\u00f5es pertinentes, devendo a tramita\u00e7\u00e3o nos CRMs observar o disposto na Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00b02.062\/2013. Par\u00e1grafo \u00fanico. O CFM poder\u00e1 revisar, em sede recursal, as interdi\u00e7\u00f5es \u00e9ticas decretadas pelos CRMs. Art.12. Os m\u00e9dicos que assumirem coordena\u00e7\u00f5es de cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina devem assegurar que a IES tenha toda a infraestrutura prevista nesta resolu\u00e7\u00e3o e nas normas legais vigentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-advocacia-publica-estadual-e-carreiras-juridicas-paralelas\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; ADVOCACIA P\u00daBLICA ESTADUAL E CARREIRAS JUR\u00cdDICAS PARALELAS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ofende a <strong>unicidade org\u00e2nica da advocacia p\u00fablica estadual<\/strong> (CF, art. 132) a norma que atribui a Advogados Aut\u00e1rquicos e Fundacionais <strong>fun\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o judicial das autarquias e funda\u00e7\u00f5es<\/strong>; modulados os efeitos, os atuais ocupantes seguem em consultoria e assessoramento, sob supervis\u00e3o t\u00e9cnica da PGE, at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o dos cargos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.856\/SC, Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprovado em concurso, Osvaldo defendia em ju\u00edzo uma autarquia catarinense como Advogado Aut\u00e1rquico, carreira criada por lei estadual vinte e tantos anos depois da Constitui\u00e7\u00e3o. Pela regra constitucional, quem representa o estado em ju\u00edzo, inclu\u00eddas suas autarquias e funda\u00e7\u00f5es, \u00e9 um corpo \u00fanico de Procuradores do Estado, desenho conhecido como unicidade da advocacia p\u00fablica. Santa Catarina apostou no caminho oposto e montou servi\u00e7os jur\u00eddicos pr\u00f3prios para cada entidade. Pode isso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 132<\/strong> <em>(os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira com ingresso por concurso p\u00fablico, exercem a representa\u00e7\u00e3o judicial e a consultoria jur\u00eddica das respectivas unidades federadas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia reconhece quatro exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra: procuradorias de Assembleias Legislativas e Tribunais de Contas (autonomia institucional), contrata\u00e7\u00e3o pontual e justificada de advogados particulares, consultorias jur\u00eddicas separadas anteriores \u00e0 CF\/1988 (art. 69 do ADCT, situa\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria) e procuradorias de universidades estaduais (art. 207).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Norma editada mais de vinte anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se abriga na exce\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria do ADCT; e a consultoria separada por ela preservada jamais incluiu representa\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o: v\u00e1lidos os atos j\u00e1 praticados; vedados novos concursos, provimentos e estruturas paralelas de representa\u00e7\u00e3o; ressalvadas as procuradorias das universidades p\u00fablicas estaduais (ADI 5.215); os mecanismos de extin\u00e7\u00e3o das carreiras ficam a cargo da legisla\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O art. 132 fez uma escolha de arquitetura. Concentrar a defesa do estado num corpo \u00fanico de procuradores concursados <strong>evita a pulveriza\u00e7\u00e3o de teses, o clientelismo e a coloniza\u00e7\u00e3o das entidades por interesses de ocasi\u00e3o<\/strong>, e essa concentra\u00e7\u00e3o vale para a administra\u00e7\u00e3o direta e para a indireta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Santa Catarina argumentava com a praticidade. Autarquias t\u00eam personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria, demandas de massa e rotinas espec\u00edficas, <strong>e um corpo jur\u00eddico dentro de casa responderia mais r\u00e1pido<\/strong> que uma procuradoria-geral distante dos balc\u00f5es de cada entidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Efici\u00eancia n\u00e3o revoga Constitui\u00e7\u00e3o, e as exce\u00e7\u00f5es reconhecidas t\u00eam nome e fundamento pr\u00f3prios, da autonomia dos Parlamentos \u00e0 das universidades. <strong>Carreira paralela estruturada em 2010 n\u00e3o cabe em nenhuma delas<\/strong>, e a sa\u00edda foi de transi\u00e7\u00e3o, preservando os atos j\u00e1 praticados e deslocando os advogados para a atividade consultiva supervisionada, enquanto os cargos n\u00e3o se extinguem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prop\u00f3sito da cria\u00e7\u00e3o, por estado-membro, de carreira de Advogado Aut\u00e1rquico e Fundacional com atribui\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o judicial:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 v\u00e1lida, decorrendo da personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria das autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) ampara-se no art. 69 do ADCT, recepcionadas as consultorias jur\u00eddicas separadas dos estados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) acarreta a nulidade dos atos processuais praticados pelos ocupantes dos cargos desde a origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) estende-se \u00e0s universidades estaduais, igualmente proibidas de manter procuradorias pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) viola a unicidade da advocacia p\u00fablica, remanescendo aos ocupantes a consultoria sob supervis\u00e3o da PGE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A personalidade pr\u00f3pria das entidades n\u00e3o afasta o art. 132; a representa\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o indireta tamb\u00e9m pertence aos Procuradores do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O art. 69 do ADCT preserva, como situa\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria, consultorias anteriores a 1988; carreira estruturada em 2010 chega tarde demais para essa porta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A modula\u00e7\u00e3o preservou os atos praticados at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da ata do julgamento, em nome da seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. As procuradorias universit\u00e1rias foram expressamente ressalvadas, com apoio na autonomia do art. 207 da CF e nos par\u00e2metros da ADI 5.215.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Sem amparo em exce\u00e7\u00e3o constitucional, a carreira paralela ofende o art. 132; o julgado manteve aos ocupantes as fun\u00e7\u00f5es consultivas, sob a batuta t\u00e9cnica da Procuradoria-Geral, enquanto durar a extin\u00e7\u00e3o gradual dos cargos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional \u2013 por ofensa ao princ\u00edpio da unicidade org\u00e2nica da advocacia p\u00fablica estadual (CF\/1988, art. 132, <em>caput<\/em>) \u2013 norma estadual que estruturou a carreira de Advogado Aut\u00e1rquico e Fundacional e atribuiu a seus ocupantes fun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de representa\u00e7\u00e3o judicial, a exemplo de ajuizamento de a\u00e7\u00f5es, apresenta\u00e7\u00e3o de defesa e interposi\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte, o exerc\u00edcio das atividades de representa\u00e7\u00e3o judicial e de consultoria jur\u00eddica no \u00e2mbito dos estados e do Distrito Federal \u00e9 de compet\u00eancia exclusiva dos Procuradores do Estado (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, essa regra geral \u00e9 excepcionada em virtude de situa\u00e7\u00f5es constitucionais espec\u00edficas, nas quais h\u00e1 fundamento aut\u00f4nomo para a exist\u00eancia de estruturas jur\u00eddicas pr\u00f3prias: (i) procuradorias das Assembleias Legislativas e dos Tribunais de Contas, cuja atua\u00e7\u00e3o decorre da autonomia institucional assegurada a esses \u00f3rg\u00e3os (2); (ii) contrata\u00e7\u00e3o direta de advogados particulares, admitida em hip\u00f3teses espec\u00edficas e devidamente justificadas (3); (iii) consultorias jur\u00eddicas separadas existentes antes da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, preservadas pelo art. 69 do ADCT como situa\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria (4). Nesse caso, a consultoria jur\u00eddica n\u00e3o constitui modalidade alternativa de advocacia p\u00fablica. Trata-se de exce\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria destinada a assegurar a continuidade do assessoramento jur\u00eddico interno durante a implementa\u00e7\u00e3o do modelo previsto no art. 132 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. N\u00e3o abrange, contudo, o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial, reservadas aos Procuradores dos Estados; (iv) institui\u00e7\u00e3o de procuradorias em universidades estaduais em raz\u00e3o do princ\u00edpio da autonomia universit\u00e1ria (CF\/1988, art. 207) (5).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, ao estabelecer em comando geral dirigido a todas as entidades da Administra\u00e7\u00e3o indireta que as autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ter\u00e3o servi\u00e7os jur\u00eddicos pr\u00f3prios, a norma impugnada, editada mais de 20 (vinte) anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, n\u00e3o est\u00e1 respaldada em nenhuma das exce\u00e7\u00f5es acima mencionadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para: (i) declarar a inconstitucionalidade do art. 103, \u00a7 4\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Catarina (6), na parte em que determina a exist\u00eancia de servi\u00e7os jur\u00eddicos pr\u00f3prios para autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas estaduais, em desacordo com o art. 132 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (7); (ii) declarar a inconstitucionalidade do art. 3\u00ba da Lei Complementar estadual n\u00ba 485\/2010 (8), na reda\u00e7\u00e3o conferida pela Lei Complementar estadual n\u00ba 783\/2021, no ponto em que atribui aos Advogados Aut\u00e1rquicos e Fundacionais fun\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o judicial e extrajudicial das autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas estaduais; (iii) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o aos dispositivos remanescentes da Lei Complementar estadual n\u00ba 485\/2010 e da Lei Complementar estadual n\u00ba 783\/2021, para assentar que os atuais ocupantes dos cargos poder\u00e3o exercer, at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o das respectivas carreiras, atividades de consultoria e assessoramento jur\u00eddico, sob supervis\u00e3o t\u00e9cnica da Procuradoria-Geral do Estado; (iv) modular os efeitos da decis\u00e3o, nos termos do art. 27 da Lei n\u00ba 9.868\/1999, para: a) preservar a validade dos atos praticados pelos Advogados Aut\u00e1rquicos e Fundacionais at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da ata deste julgamento; b) permitir que os atuais ocupantes dos cargos permane\u00e7am no exerc\u00edcio das atividades de consultoria e assessoramento jur\u00eddico at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o dos respectivos cargos; c) vedar, a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata deste julgamento, a cria\u00e7\u00e3o de novos cargos nas procuradorias impugnadas, o provimento de cargos, a realiza\u00e7\u00e3o de concursos p\u00fablicos ou a cria\u00e7\u00e3o de novas estruturas jur\u00eddicas paralelas \u00e0 PGE destinadas ao exerc\u00edcio de representa\u00e7\u00e3o judicial das autarquias e funda\u00e7\u00f5es estaduais. Os mecanismos de extin\u00e7\u00e3o das Procuradorias devem ser fixados na legisla\u00e7\u00e3o estadual; e d) ressalvar a possibilidade de institui\u00e7\u00e3o e funcionamento de procuradoria jur\u00eddica pr\u00f3pria pelas universidades p\u00fablicas estaduais de Santa Catarina, observados os par\u00e2metros fixados na ADI 5.215.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 7.101, ADI 7.380, ADI 7.661, ADI 4.261, ADI 6.292, ADI 7.820 e ADI 6.397.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 7.177 e ADI 1.557.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Precedente citado: RE 656.558.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Precedentes citados: ADI 7.218 e ADI 7.420.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (5) Precedente citado: ADI 5.215.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (6) Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Catarina: \u201cArt. 103. A Procuradoria-Geral do Estado, subordinada ao Gabinete do Governador, \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o que, diretamente ou atrav\u00e9s de \u00f3rg\u00e3o vinculado, representa o Estado judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jur\u00eddico do Poder Executivo. (&#8230;) \u00a7 4\u00ba As autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ter\u00e3o servi\u00e7os jur\u00eddicos pr\u00f3prios, vinculados \u00e0 Procuradoria-Geral do Estado, nos termos da lei complementar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (7) CF\/1988: \u201cArt. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o ingresso depender\u00e1 de concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos, com a participa\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercer\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o judicial e a consultoria jur\u00eddica das respectivas unidades federadas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (8) Lei Complementar n\u00ba 485\/2010: \u201cArt. 3\u00ba A representa\u00e7\u00e3o judicial e a consultoria jur\u00eddica das autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Poder Executivo continuar\u00e3o a ser exercidas pelos ocupantes dos cargos de provimento efetivo de Advogado Aut\u00e1rquico e Advogado Fundacional, sem preju\u00edzo do disposto na Lei Complementar n\u00ba 226, de 14 de janeiro de 2002, e no art. 132 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, competindo-lhes, em especial, as seguintes atribui\u00e7\u00f5es: (Reda\u00e7\u00e3o dada pela LC 783, de 2021).\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-porte-de-arma-na-policia-cientifica-estadual\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; PORTE DE ARMA NA POL\u00cdCIA CIENT\u00cdFICA ESTADUAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os estados <strong>N\u00c3O podem editar normas sobre porte de arma de fogo<\/strong>, mat\u00e9ria de compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o (CF, arts. 21, VI, e 22, XXI); <strong>os peritos oficiais de natureza criminal fazem jus ao porte funcional previsto na lei federal<\/strong> (Lei n. 10.826\/2003, art. 6\u00ba), ainda que integrem \u00f3rg\u00e3o aut\u00f4nomo de per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.572\/ES, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Norberto, perito criminal da Pol\u00edcia Cient\u00edfica do Esp\u00edrito Santo, comemorou quando emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual garantiu porte de arma \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o inteira, do laborat\u00f3rio \u00e0 recep\u00e7\u00e3o. A regra nacional \u00e9 outra e vem do Estatuto do Desarmamento, lei federal que lista, categoria por categoria, quem pode andar armado no pa\u00eds; peritos oficiais de natureza criminal est\u00e3o na lista, auxiliares administrativos n\u00e3o. O estado, que j\u00e1 tirara sua per\u00edcia da estrutura da Pol\u00edcia Civil, entendeu que podia completar o servi\u00e7o com a arma na cintura do quadro inteiro. Emenda estadual consegue ampliar a lista da Uni\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 21, VI, e 22, XXI; Lei n. 10.826\/2003, art. 6\u00ba<\/strong> <em>(compete \u00e0 Uni\u00e3o autorizar e fiscalizar a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de material b\u00e9lico e legislar privativamente sobre a mat\u00e9ria; o Estatuto do Desarmamento define, em rol nacional e uniforme, as categorias autorizadas ao porte).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A defini\u00e7\u00e3o dos titulares do porte de arma integra a pol\u00edtica nacional de controle de armas, regida pela predomin\u00e2ncia do interesse geral (ADI 3.112 e ADI 7.627); norma estadual que amplia o rol de benefici\u00e1rios invade a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Os estados podem organizar livremente seus \u00f3rg\u00e3os periciais, inclusive desvinculando-os da Pol\u00edcia Civil; a op\u00e7\u00e3o administrativa n\u00e3o muda a natureza das atribui\u00e7\u00f5es nem retira dos peritos criminais o porte que a lei federal j\u00e1 lhes assegura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A inconstitucionalidade atingiu o dispositivo que armava indistintamente a corpora\u00e7\u00e3o; o porte funcional permanece garantido, com fundamento federal, aos integrantes que sejam peritos oficiais de natureza criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Do ponto de vista capixaba, a emenda parecia complemento natural da autonomia. Se o estado pode criar uma Pol\u00edcia Cient\u00edfica fora da Pol\u00edcia Civil, <strong>armar os servidores dessa nova estrutura soaria como detalhe da mesma decis\u00e3o organizacional<\/strong>, tomada dentro de casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Organizar o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 uma coisa, armar gente \u00e9 outra. A primeira mora na autonomia administrativa estadual; <strong>a segunda passa pela pol\u00edtica nacional de controle de armas<\/strong>, que exige lista \u00fanica de autorizados para n\u00e3o virar colcha de retalhos federativa, com porte generoso num estado e restrito no vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O resultado protege as duas pontas. Cai a extens\u00e3o indiscriminada, criada por quem n\u00e3o podia cri\u00e1-la, <strong>e permanece o porte dos peritos criminais, que n\u00e3o dependia da emenda estadual<\/strong>: o Estatuto do Desarmamento os contempla onde quer que a per\u00edcia esteja pendurada no organograma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante ao porte de arma de fogo dos integrantes de Pol\u00edcia Cient\u00edfica organizada como \u00f3rg\u00e3o aut\u00f4nomo estadual:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 assegurado, pela lei federal, aos que sejam peritos oficiais de natureza criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pode ser estendido pela constitui\u00e7\u00e3o estadual \u00e0 integralidade da corpora\u00e7\u00e3o, em refor\u00e7o \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) desaparece com a desvincula\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o pericial da estrutura da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige lei estadual espec\u00edfica, dada a compet\u00eancia comum dos entes em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) alcan\u00e7a os servidores administrativos, equiparados aos peritos pelo risco da atividade-fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. O porte funcional dos peritos criminais nasce do art. 6\u00ba do Estatuto do Desarmamento e sobrevive \u00e0 autonomia do \u00f3rg\u00e3o pericial, como assentou a ADI 7.572.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Ampliar o rol de portadores definido nacionalmente invade a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o; foi exatamente o v\u00edcio da emenda capixaba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A posi\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o no organograma estadual n\u00e3o altera a natureza das atribui\u00e7\u00f5es; o perito criminal conserva o porte previsto na lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A mat\u00e9ria n\u00e3o comporta suplementa\u00e7\u00e3o estadual; legislar sobre porte de arma \u00e9 compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o, n\u00e3o compet\u00eancia comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O benef\u00edcio federal contempla os peritos oficiais de natureza criminal; servidores administrativos ficam de fora do rol.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os Estados-membros n\u00e3o podem editar normas sobre porte de arma de fogo, por se tratar de mat\u00e9ria submetida \u00e0 compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o (CF\/1988, arts. 21, VI, e 22, XXI); contudo, os peritos oficiais de natureza criminal fazem jus ao porte funcional com fundamento na legisla\u00e7\u00e3o federal (Lei n\u00ba 10.826\/2003, art. 6\u00ba), ainda que integrem \u00f3rg\u00e3o aut\u00f4nomo de per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui \u00e0 Uni\u00e3o compet\u00eancia para autorizar e fiscalizar a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de material b\u00e9lico, bem como para legislar privativamente sobre a mat\u00e9ria. Nesse contexto, o Estatuto do Desarmamento estabelece regras nacionais e uniformes sobre posse e porte de arma de fogo, inclusive quanto \u00e0s categorias funcionais autorizadas e aos requisitos necess\u00e1rios para o exerc\u00edcio dessa prerrogativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), a defini\u00e7\u00e3o dos poss\u00edveis titulares do porte de arma de fogo insere-se na compet\u00eancia legislativa privativa da Uni\u00e3o, em raz\u00e3o da predomin\u00e2ncia do interesse nacional na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de controle de armas. Por outro lado, os Estados possuem autonomia para organizar seus \u00f3rg\u00e3os de per\u00edcia t\u00e9cnico-cient\u00edfica, inclusive mediante sua desvincula\u00e7\u00e3o administrativa da Pol\u00edcia Civil, sem que essa op\u00e7\u00e3o altere a natureza das atribui\u00e7\u00f5es exercidas pelos respectivos servidores (2). Assim, os peritos oficiais de natureza criminal fazem jus ao porte funcional previsto na legisla\u00e7\u00e3o federal, independentemente da posi\u00e7\u00e3o ocupada pelo \u00f3rg\u00e3o pericial na estrutura administrativa estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a norma impugnada assegurou porte de arma de fogo indistintamente a todos os integrantes da Pol\u00edcia Cient\u00edfica, embora a legisla\u00e7\u00e3o federal confira essa prerrogativa apenas aos peritos oficiais de natureza criminal. Com isso, a norma estadual ampliou o rol de benefici\u00e1rios definido nacionalmente e invadiu a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o direta para declarar a inconstitucionalidade do \u00a7 3\u00ba do art. 126 da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Esp\u00edrito Santo (3), inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional estadual n\u00ba 117\/2022, assegurado, com fundamento na legisla\u00e7\u00e3o federal, o porte de arma de fogo apenas aos integrantes da Pol\u00edcia Cient\u00edfica que sejam peritos oficiais de natureza criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 3.112, HC 113.592, ADI 2.035 MC, ADI 3.258 e ADI 7.627.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 2.861, ADI 2.575 e ADI 6.621.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Esp\u00edrito Santo: \u201cArt. 126. S\u00e3o \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica encarregados especificamente da seguran\u00e7a p\u00fablica: (&#8230;) \u00a7 3\u00ba Fica assegurado o porte de arma de fogo \u00e0 Pol\u00edcia Cient\u00edfica, em todo o territ\u00f3rio estadual, observado o disposto em legisla\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. (Dispositivo inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 117, de 25 de outubro de 2022).\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-emenda-jabuti-e-a-sucessao-na-presidencia-da-assembleia\" class=\"wp-block-heading\">4. EMENDA JABUTI E A SUCESS\u00c3O NA PRESID\u00caNCIA DA ASSEMBLEIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em ju\u00edzo de cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, <strong>\u00e9 plaus\u00edvel a inconstitucionalidade da altera\u00e7\u00e3o das regras de sucess\u00e3o da Presid\u00eancia de Assembleia Legislativa por emenda parlamentar sem pertin\u00eancia tem\u00e1tica<\/strong> (&#8220;emenda jabuti&#8221;), sobretudo quando editada de forma casu\u00edstica para incidir sobre <strong>vac\u00e2ncia j\u00e1 instaurada<\/strong>; a liminar suspendeu a norma por aparente ofensa ao devido processo legislativo, \u00e0 impessoalidade e \u00e0 legitimidade democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.984 MC-Ref\/AM, Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, referendo de medida cautelar, julgamento virtual finalizado em 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um projeto que dormia havia quase tr\u00eas anos na Assembleia do Amazonas tratava das compet\u00eancias da comiss\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o aos animais. Quando o presidente da Casa assumiu o Governo do estado e a cadeira da presid\u00eancia da Assembleia ficou vaga, o projeto acordou de repente, ganhou emenda mudando a regra de sucess\u00e3o da p\u00dfresid\u00eancia e foi aprovado em poucas horas, sob o comando interino do vice. A carona legislativa tem at\u00e9 apelido, emenda jabuti, bicho que n\u00e3o sobe em \u00e1rvore sozinho. Regra de sucess\u00e3o costurada no meio da pr\u00f3pria sucess\u00e3o vale como regra do jogo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Devido processo legislativo e pertin\u00eancia tem\u00e1tica<\/strong> <em>(a inser\u00e7\u00e3o, por emenda parlamentar, de mat\u00e9ria sem rela\u00e7\u00e3o com a proposi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria vulnera os princ\u00edpios democr\u00e1tico e do devido processo legislativo, ADI 5.127).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A emenda sem pertin\u00eancia atropela as etapas de discuss\u00e3o, amadurecimento e delibera\u00e7\u00e3o, encolhendo o controle dos pr\u00f3prios parlamentares e da sociedade; e o casu\u00edsmo agrava o quadro, pois mudan\u00e7a normativa desenhada para situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 instaurada, com destinat\u00e1rio certo, indicia desvio de finalidade e fere impessoalidade e moralidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O referendo da liminar suspendeu o art. 2\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o Legislativa n. 1.159\/2026 da ALEAM at\u00e9 o julgamento definitivo e mandou aplicar, no v\u00e1cuo, o procedimento do art. 8\u00ba, \u00a7 2\u00ba, do Regimento Interno da C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A lacuna regimental dever\u00e1 ser suprida pela pr\u00f3pria Assembleia na pr\u00f3xima legislatura, agora com observ\u00e2ncia do devido processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Regimento interno costuma ser mat\u00e9ria <em>interna corporis<\/em>, terreno em que o Judici\u00e1rio pisa com cautela. <strong>A porta se abre quando o expediente dom\u00e9stico atropela princ\u00edpios constitucionais<\/strong>, e aqui a alega\u00e7\u00e3o era de atropelo em dose dupla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O primeiro v\u00edcio \u00e9 de percurso. Mat\u00e9ria estranha pegou carona em projeto alheio e virou norma em poucas horas, <strong>sem a discuss\u00e3o que legitima a mudan\u00e7a das regras do pr\u00f3prio poder<\/strong>; o segundo \u00e9 de mira, porque a altera\u00e7\u00e3o nasceu depois da vac\u00e2ncia, sob medida para a disputa em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Para o intervalo, a solu\u00e7\u00e3o foi emprestada de Bras\u00edlia, com o rito sucess\u00f3rio do regimento da C\u00e2mara dos Deputados valendo enquanto durar a suspens\u00e3o. <strong>A palavra final sobre a lacuna continua com a Assembleia<\/strong>, que poder\u00e1 reescrever a regra na pr\u00f3xima legislatura, desta vez pelo caminho certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de emenda parlamentar que, sem pertin\u00eancia tem\u00e1tica, muda o rito sucess\u00f3rio da Presid\u00eancia de Assembleia Legislativa com vac\u00e2ncia j\u00e1 aberta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) trata-se de mat\u00e9ria <em>interna corporis<\/em>, infensa ao controle jurisdicional de constitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) a emenda \u00e9 v\u00e1lida, competindo aos parlamentares ampliar livremente o objeto das proposi\u00e7\u00f5es em tr\u00e2mite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) h\u00e1 plaus\u00edvel ofensa ao devido processo legislativo e \u00e0 impessoalidade, a justificar a suspens\u00e3o cautelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) o v\u00edcio \u00e9 meramente formal, san\u00e1vel pela aprova\u00e7\u00e3o da norma em plen\u00e1rio por maioria qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) a suspens\u00e3o da norma transfere ao Judici\u00e1rio a defini\u00e7\u00e3o permanente do rito sucess\u00f3rio da Casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A blindagem <em>interna corporis<\/em> cede quando o ato interno fere princ\u00edpios constitucionais; foi essa a chave de abertura do controle na ADI 7.984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Emenda parlamentar exige rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica com a proposi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria; a carona tem\u00e1tica vulnera o princ\u00edpio democr\u00e1tico, como j\u00e1 decidido na ADI 5.127.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Os dois defeitos somados, carona legislativa e casu\u00edsmo sobre vac\u00e2ncia aberta, sustentaram o referendo un\u00e2nime da liminar suspensiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Al\u00e9m do percurso viciado, o casu\u00edsmo com destinat\u00e1rio certo revela inconstitucionalidade material; qu\u00f3rum nenhum conserta desvio de finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O rito da C\u00e2mara dos Deputados vale como solu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria; a Assembleia suprir\u00e1 a lacuna na pr\u00f3xima legislatura, observado o devido processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em ju\u00edzo de cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria pr\u00f3prio das medidas de urg\u00eancia, apresenta plausibilidade jur\u00eddica a alega\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade de altera\u00e7\u00e3o das regras de sucess\u00e3o da Presid\u00eancia de Assembleia Legislativa estadual promovida por meio de emenda parlamentar sem pertin\u00eancia tem\u00e1tica (\u201cemenda jabuti\u201d), especialmente quando realizada de forma casu\u00edstica para incidir sobre situa\u00e7\u00e3o de vac\u00e2ncia j\u00e1 instaurada, justificando-se a suspens\u00e3o cautelar da norma por aparente ofensa ao devido processo legislativo, \u00e0 impessoalidade e \u00e0 legitimidade democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A inser\u00e7\u00e3o, mediante emenda parlamentar, de mat\u00e9ria destitu\u00edda de pertin\u00eancia tem\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria \u2013 conhecida como &#8220;emenda jabuti&#8221; \u2013 vulnera diretamente os princ\u00edpios democr\u00e1tico e do devido processo legislativo (1). Esse expediente impede que a inova\u00e7\u00e3o passe regularmente pelas etapas de discuss\u00e3o, amadurecimento institucional e delibera\u00e7\u00e3o adequadas, reduzindo as possibilidades de controle e participa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios parlamentares e da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o Projeto de Resolu\u00e7\u00e3o Legislativa n\u00ba 64\/2023 origin\u00e1rio visava t\u00e3o somente alterar as compet\u00eancias da Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o aos Animais, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM). Entretanto, ap\u00f3s quase tr\u00eas anos sem delibera\u00e7\u00e3o, o projeto foi pautado e aprovado em poucas horas ap\u00f3s receber emenda que inseriu regramento espec\u00edfico acerca da sucess\u00e3o da Presid\u00eancia da Casa Legislativa, desprovida de qualquer rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica com a mat\u00e9ria origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a referida inova\u00e7\u00e3o regimental foi promovida em contexto f\u00e1tico que acentua sua inconstitucionalidade material. A altera\u00e7\u00e3o promovida pela Resolu\u00e7\u00e3o Legislativa n\u00ba 1.159\/2026 ocorreu imediatamente ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o de vac\u00e2ncia definitiva na Presid\u00eancia da ALEAM, decorrente da assun\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Presidente da Assembleia ao cargo de Governador do Estado do Amazonas, enquanto a Casa permanecia sob comando interino do Vice-Presidente. Modifica\u00e7\u00f5es normativas casu\u00edsticas incidentes sobre situa\u00e7\u00f5es institucionais j\u00e1 instauradas, com claro destinat\u00e1rio certo e finalidade direcionada, revelam ind\u00edcio de desvio de finalidade e descumprem frontalmente os princ\u00edpios constitucionais da impessoalidade, da moralidade administrativa e da pr\u00f3pria legitimidade democr\u00e1tica do processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, referendou a medida liminar parcialmente concedida para (i) suspender a efic\u00e1cia do art. 2\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o Legislativa n\u00ba 1.159\/2026 da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (2), at\u00e9 o julgamento definitivo da presente a\u00e7\u00e3o direta; (ii) determinar a aplica\u00e7\u00e3o do procedimento previsto no \u00a7 2\u00ba do art. 8\u00ba do Regimento Interno da C\u00e2mara dos Deputados (3); e (iii) assentar que a ALEAM, na pr\u00f3xima legislatura, dever\u00e1 suprir a lacuna regimental, observado o devido processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 5.127 e ADI 7.713 MC-Ref.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Resolu\u00e7\u00e3o Legislativa n\u00ba 1.159\/2026 da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas: \u201cArt. 2\u00ba Altera o art. 20 da Resolu\u00e7\u00e3o Legislativa n\u00ba 469, de 16 mar\u00e7o de 2010, que passa a vigorar com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: \u2018Art. 20 (&#8230;) Par\u00e1grafo \u00fanico. A sucess\u00e3o prevista neste artigo se aplica qualquer que seja a esp\u00e9cie de aus\u00eancia ocorrida; impedimento ou vac\u00e2ncia\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Regimento Interno da C\u00e2mara dos Deputados: \u201cArt. 8\u00ba (&#8230;) \u00a7 2\u00ba Se at\u00e9 30 de novembro do segundo ano de mandato verificar-se qualquer vaga na Mesa, ser\u00e1 ela preenchida mediante elei\u00e7\u00e3o, dentro de cinco sess\u00f5es, observadas as disposi\u00e7\u00f5es do artigo precedente. Ocorrida a vac\u00e2ncia depois dessa data, a Mesa designar\u00e1 um dos membros titulares para responder pelo cargo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-aproveitamento-de-celetistas-de-estatal-em-liquidacao\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; APROVEITAMENTO DE CELETISTAS DE ESTATAL EM LIQUIDA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Padece de <strong>v\u00edcio formal de iniciativa<\/strong> (CF, art. 61, \u00a7 1\u00ba) a emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual, de origem parlamentar, que disp\u00f5e sobre aproveitamento de pessoal e regime remunerat\u00f3rio de servidores; <strong>\u00e9 leg\u00edtimo o aproveitamento, por lei de iniciativa do governador, de empregados concursados de estatal em liquida\u00e7\u00e3o<\/strong> em quadro em extin\u00e7\u00e3o, mantido o regime celetista e vedada a transposi\u00e7\u00e3o para cargos estatut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.832\/RR, Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concursada da Companhia Energ\u00e9tica de Roraima, Marlene viu a estatal entrar em liquida\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio emprego virar inc\u00f3gnita. Vieram ent\u00e3o dois socorros de naturezas diferentes, com deputados aprovando emendas \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual que mandavam aproveitar o pessoal nos quadros do estado, e o governador enviando projeto de lei de conte\u00fado parecido, criando um quadro em extin\u00e7\u00e3o regido pela CLT. Ocorre que a Constitui\u00e7\u00e3o reserva ao chefe do Executivo a iniciativa das leis sobre servidores, seu regime e sua remunera\u00e7\u00e3o. O destino de Marlene dependia de saber qual dos dois caminhos sobreviveria. A boa inten\u00e7\u00e3o parlamentar supre a assinatura que a Constitui\u00e7\u00e3o exige?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 61, \u00a7 1\u00ba, II, c e e<\/strong> <em>(s\u00e3o de iniciativa privativa do chefe do Executivo as leis sobre servidores p\u00fablicos, seu regime jur\u00eddico e provimento de cargos, e sobre cria\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A reserva de iniciativa alcan\u00e7a o poder de reforma estadual; emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do estado n\u00e3o \u00e9 atalho para driblar a assinatura do governador em mat\u00e9ria de servidores (ADI 2.966 e ADI 6.858).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Ca\u00edram o art. 25-A, \u00a7\u00a7 1\u00ba a 4\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o de Roraima e o art. 10-C do ADCT estadual, frutos de emendas parlamentares; sobreviveu a Lei n. 1.666\/2022, nascida de projeto do governador, inclusive na parte emendada pelo parlamento, que se limitou a flexibilizar lota\u00e7\u00f5es, sem desvio tem\u00e1tico nem despesa nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O aproveitamento v\u00e1lido respeita as balizas jurisprudenciais: beneficiados os aprovados em concurso, conservado o v\u00ednculo celetista em atividades compat\u00edveis com escolaridade e fun\u00e7\u00e3o, vedada a investidura em cargos efetivos estatut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Ningu\u00e9m discutia o m\u00e9rito social da medida. Empregados concursados de uma estatal moribunda ficariam ao relento, <strong>e o aproveitamento em quadro em extin\u00e7\u00e3o era resposta razo\u00e1vel<\/strong> dos dois Poderes que tentaram d\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Boa pol\u00edtica n\u00e3o dispensa porta de entrada correta. Quem desenha quadros, regimes e remunera\u00e7\u00f5es do Executivo \u00e9 o governador, <strong>e essa reserva de iniciativa vale at\u00e9 contra o poder de emenda constitucional estadual<\/strong>; do contr\u00e1rio, bastaria vestir de emenda o que o projeto parlamentar n\u00e3o pode fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Salvou-se o que veio pelo caminho certo. A lei de iniciativa do Executivo repetia o conte\u00fado das emendas derrubadas e passou no teste material, <strong>com aproveitamento restrito a concursados, no mesmo regime celetista e em fun\u00e7\u00f5es compat\u00edveis<\/strong>, ficando interditada a metamorfose de emprego p\u00fablico em cargo estatut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o aproveitamento de empregados p\u00fablicos concursados de empresa estatal estadual em liquida\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) pode ser imposto por emenda constitucional parlamentar, imune o poder de reforma \u00e0 reserva de iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) transforma os beneficiados em servidores estatut\u00e1rios, dado o ingresso nos quadros da administra\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) ofende a exig\u00eancia de concurso p\u00fablico, ainda que restrito a empregados originalmente concursados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 v\u00e1lido quando veiculado em lei de iniciativa do governador, mantidos o regime celetista e fun\u00e7\u00f5es compat\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de previs\u00e3o na constitui\u00e7\u00e3o estadual, insuficiente a disciplina por lei ordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A reserva de iniciativa do art. 61, \u00a7 1\u00ba, alcan\u00e7a o processo de reforma constitucional estadual; as emendas roraimenses ca\u00edram justamente por esse v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O v\u00ednculo permanece celetista dentro de quadro em extin\u00e7\u00e3o; a investidura em cargos efetivos estatut\u00e1rios foi expressamente vedada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O aproveitamento contemplou quem j\u00e1 havia passado por concurso na estatal, em atividades compat\u00edveis com escolaridade e fun\u00e7\u00e3o, dentro das balizas do art. 37, II.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A Lei n. 1.666\/2022, de iniciativa do governador, superou os testes formal e material, com o pessoal da CERR alocado em quadro em extin\u00e7\u00e3o sob a CLT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A sede constitucional estadual era o problema, n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o; lei ordin\u00e1ria de iniciativa correta basta para disciplinar a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional, por v\u00edcio formal de iniciativa (CF\/1988, art. 61, \u00a7 1\u00ba), norma de emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha sobre aproveitamento de pessoal, cria\u00e7\u00e3o de quadro funcional e regime remunerat\u00f3rio de servidores p\u00fablicos estaduais. Por outro lado, \u00e9 constitucionalmente leg\u00edtimo o aproveitamento, por meio de lei de iniciativa do Chefe do Executivo, de empregados celetistas admitidos por concurso p\u00fablico em empresa p\u00fablica em liquida\u00e7\u00e3o, alocando-os em quadro em extin\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o direta estadual sob o mesmo regime da CLT, desde que observados os requisitos de compatibilidade funcional, similitude salarial e identidade de escolaridade, sendo vedada a transposi\u00e7\u00e3o para cargos estatut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na esp\u00e9cie, as Emendas \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Roraima n\u00bas 57\/2017 e 73\/2020 padecem de v\u00edcio formal de iniciativa. Isso porque, de autoria parlamentar, as referidas emendas legislaram sobre temas sujeitos \u00e0 iniciativa legislativa privativa do Chefe do Poder Executivo ao criarem um quadro em extin\u00e7\u00e3o vinculado ao Executivo, institu\u00edrem o dever de aproveitamento de pessoal de empresas p\u00fablicas extintas e realizarem a disciplina do respectivo regime remunerat\u00f3rio (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (2), aplica-se ao processo de reforma constitucional a prerrogativa de iniciativa titularizada pelo Chefe do Poder Executivo estadual, de modo que a usurpa\u00e7\u00e3o do poder de iniciativa previsto no art. 61, \u00a7 1\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal pode resultar tanto da edi\u00e7\u00e3o de leis (ordin\u00e1rias ou complementares) quanto da promulga\u00e7\u00e3o de emendas \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo diverso, a Lei n\u00ba 1.666\/2022 do Estado de Roraima, que veiculou id\u00eantico conte\u00fado normativo, n\u00e3o apresenta o v\u00edcio formal apontado, dado que resultou de projeto de lei proposto originalmente pelo Governador do Estado. A emenda parlamentar que apenas flexibilizou a destina\u00e7\u00e3o das lota\u00e7\u00f5es dos servidores n\u00e3o enseja inconstitucionalidade, uma vez que n\u00e3o houve desvio tem\u00e1tico ou acr\u00e9scimo de despesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o aproveitamento dos empregados p\u00fablicos da Companhia Energ\u00e9tica de Roraima (CERR) observou todas as diretrizes firmadas pela jurisprud\u00eancia desta Corte (3). Somente os empregados previamente aprovados em concurso p\u00fablico foram beneficiados com o aproveitamento (CF\/1988, art. 37, II). N\u00e3o houve transposi\u00e7\u00e3o de regimes, pois mantida a sujei\u00e7\u00e3o ao celetista. Por fim, deu-se o novo enquadramento em \u201catividades laborais compat\u00edveis com a escolaridade, o cargo e a fun\u00e7\u00e3o anteriormente exercidos na CERR\u201d (Lei n\u00ba 1.666\/2022 do Estado de Roraima, art. 5\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, confirmando os termos da liminar referendada, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para: (i) declarar a inconstitucionalidade formal do art. 25-A, \u00a7\u00a7 1\u00ba a 4\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Roraima (inclu\u00eddos pela EC n\u00ba 73\/2020) (4) e do art. 10-C do ADCT estadual (inclu\u00eddo pela EC n\u00ba 57\/2017) (5), por v\u00edcio de iniciativa; (ii) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal ao art. 5\u00ba, caput e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 1.666\/2022 do Estado de Roraima (6), fixando exegese no sentido de que os empregados p\u00fablicos somente poder\u00e3o ser aproveitados em fun\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com a natureza jur\u00eddica do v\u00ednculo celetista, com vistas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de atividades t\u00e9cnicas, operacionais e de apoio administrativo, vedada a investidura em cargos efetivos de \u00edndole estatut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(1) CF\/1988: \u201cArt. 61. (&#8230;) \u00a7 1\u00ba S\u00e3o de iniciativa privativa do Presidente da Rep\u00fablica as leis que: (&#8230;) II &#8211; disponham sobre: (&#8230;) c) servidores p\u00fablicos da Uni\u00e3o e Territ\u00f3rios, seu regime jur\u00eddico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 18, de 1998) e) cria\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o de Minist\u00e9rios e \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, observado o disposto no art. 84, VI; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 32, de 2001).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(2) Precedentes citados: ADI 2.966, ADI 6.664, ADI 6.774, ADI 2.654, ADI 6.858 e ADI 6.775.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(3) Precedentes citados: ADI 4.730, RMS 39.343, ADI 3.620, ADI 4.214, ADI 4.151 e ADI 6.615.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(4) Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Roraima: \u201cArt. 25-A. No caso de extin\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o ou transfer\u00eancia de propriedade, para iniciativa privada ou para Estado, de empresa p\u00fablica ou sociedade de economia mista que fa\u00e7a parte do patrim\u00f4nio do Estado de Roraima, o empregado que tenha ingressado mediante concurso p\u00fablico no quadro de pessoal de qualquer das pessoas jur\u00eddicas elencadas dever\u00e1 ser aproveitado no quadro de pessoal da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica estadual, nos termos da lei. (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 73\/2020) \u00a7 1\u00ba Fica assegurada a irredutibilidade de vencimentos, n\u00edveis funcionais e manuten\u00e7\u00e3o das vantagens temporais fixas adquiridas no per\u00edodo desde a extin\u00e7\u00e3o da sociedade de economia mista; se necess\u00e1rio, a t\u00edtulo de vantagem pessoal compens\u00e1vel em futuros reajustes ou enquadramentos funcionais, direitos que ter\u00e1 se optar por ser aproveitado nos \u00f3rg\u00e3os e entidades da administra\u00e7\u00e3o direta e indireta estadual, nos termos do caput deste artigo. (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 73\/2020) \u00a7 2\u00ba Entendem-se como vantagens temporais aquelas que decorram exclusivamente da contagem do tempo de servi\u00e7o. (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 73\/2020) \u00a7 3\u00ba Os referidos servidores n\u00e3o far\u00e3o jus ao pagamento de quaisquer diferen\u00e7as remunerat\u00f3rias ou salariais retroativas. (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 73\/2020) \u00a7 4\u00ba Em caso de encerramento, fus\u00e3o, cis\u00e3o ou incorpora\u00e7\u00e3o de Diretorias, filiais ou unidades das empresas ou sociedades a que se refere o caput deste artigo, os empregados que ingressaram nos quadros de servidores via concurso p\u00fablico ser\u00e3o remanejados para a estrutura da matriz das referidas empresas p\u00fablicas ou sociedades de economia mista, atendidas as demais garantias e direitos contidos na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas. (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 73\/2020).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(5) ADCT do Estado de Roraima: \u201cArt. 10 &#8211; C. Os celetistas efetivos da Companhia Energ\u00e9tica de Roraima \u2013CERR\u2013por ocasi\u00e3o de sua extin\u00e7\u00e3o ou federaliza\u00e7\u00e3o passar\u00e3o a compor o quadro em extin\u00e7\u00e3o do Executivo Estadual, sendo redistribu\u00eddos de acordo com a compatibilidade laboral e a natureza do \u00f3rg\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o absorvente, com a anu\u00eancia do referido empregado p\u00fablico. (Artigo acrescido pela Emenda Constitucional n\u00b0 57\/2017). \u00a7 2\u00ba \u00c0s sub-roga\u00e7\u00f5es reconhecidas pela ANEEL ser\u00e3o dadas destina\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias ao pagamento dos direitos trabalhistas, das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e de Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), sendo sucedidas por demais patrim\u00f4nios remanescentes da CERR. (Par\u00e1grafo acrescido pela Emenda Constitucional n\u00b0 57\/2017).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(6) Lei n\u00ba 1.666\/2022 do Estado de Roraima: \u201cArt. 5\u00ba Fica criado o quadro em extin\u00e7\u00e3o do Poder Executivo do Estado de Roraima formado pelos empregados p\u00fablicos da Companhia Energ\u00e9tica do Estado de Roraima &#8211; CERR, por ocasi\u00e3o da extin\u00e7\u00e3o, de acordo com o art. 10-C, do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias, com regime jur\u00eddico da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho &#8211; CLT. Par\u00e1grafo \u00fanico. Aos empregados p\u00fablicos que passam a compor o quadro a que se refere o caput deste artigo fica assegurada a irredutibilidade de vencimentos e as vantagens incorporadas a que fazem jus, bem como a lota\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio de atividades laborais compat\u00edveis com escolaridade, cargo e fun\u00e7\u00e3o anteriormente exercida na CERR.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-devedor-contumaz-e-o-acesso-a-recuperacao-judicial\" class=\"wp-block-heading\">6. DEVEDOR CONTUMAZ E O ACESSO \u00c0 RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional o dispositivo do C\u00f3digo de Defesa do Contribuinte (LC n. 225\/2026, art. 13, I, d) que <strong>impede o devedor contumaz de propor recupera\u00e7\u00e3o judicial ou nela prosseguir<\/strong>, com poss\u00edvel convers\u00e3o em fal\u00eancia a pedido da Fazenda P\u00fablica: a medida <strong>N\u00c3O configura san\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong> nem fere a livre iniciativa, exigida a pr\u00e9via qualifica\u00e7\u00e3o do contumaz em procedimento com contradit\u00f3rio e ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.943\/DF, Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 21\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A distribuidora Devenunca fez da d\u00edvida tribut\u00e1ria um modelo de neg\u00f3cio, sem recolher imposto ano ap\u00f3s ano, consegue vender mais barato que a concorr\u00eancia. Enquadrada como devedora contumaz pelo novo C\u00f3digo de Defesa do Contribuinte, perdeu a porta da recupera\u00e7\u00e3o judicial, o instituto que d\u00e1 f\u00f4lego a empresas vi\u00e1veis em crise, e se viu diante do risco de fal\u00eancia a pedido da Fazenda. Em ju\u00edzo, sustentou sofrer san\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, nome que a jurisprud\u00eancia d\u00e1 \u00e0 press\u00e3o indireta para cobrar tributo, como interditar o neg\u00f3cio at\u00e9 o contribuinte pagar. Fechar a recupera\u00e7\u00e3o para quem transformou o calote em vantagem competitiva \u00e9 cobran\u00e7a torta ou defesa do mercado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 225\/2026 (CDC\/2026), arts. 11 a 13<\/strong> <em>(o devedor contumaz \u00e9 o que incorre em inadimpl\u00eancia substancial, reiterada e injustificada; a qualifica\u00e7\u00e3o depende de procedimento administrativo pr\u00e9vio, com contradit\u00f3rio e ampla defesa; entre as medidas cab\u00edveis est\u00e1 o impedimento de propositura ou de prosseguimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, com convola\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia a pedido da Fazenda).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda San\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o desproporcional usada como meio obl\u00edquo de cobran\u00e7a do tributo (ADI 173 e ADI 5.135); a marca do instituto \u00e9 estrangular a atividade econ\u00f4mica para for\u00e7ar o pagamento, sem processo adequado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O impedimento n\u00e3o alcan\u00e7a o inadimplente comum nem o devedor eventual: pressup\u00f5e o preenchimento de requisitos legais estritos, e a fal\u00eancia n\u00e3o \u00e9 decretada de of\u00edcio, dependendo de provoca\u00e7\u00e3o da Fazenda e de crivo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A restri\u00e7\u00e3o se ancora na livre concorr\u00eancia, na capacidade contributiva e na isonomia; a preserva\u00e7\u00e3o da empresa protege quem opera com boa-f\u00e9 e lealdade fiscal, n\u00e3o estruturas montadas sobre o calote sistem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O r\u00f3tulo de san\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tinha apelo hist\u00f3rico. De interdi\u00e7\u00e3o de estabelecimento a apreens\u00e3o de mercadoria, <strong>o Supremo passou d\u00e9cadas derrubando expedientes que sufocavam a empresa para cobrar tributo<\/strong>, e a defesa tentou encaixar o novo impedimento nessa velha prateleira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O encaixe falha em tr\u00eas pontos. A medida atinge um perfil estreito e provado, n\u00e3o o devedor comum; <strong>nasce de procedimento com contradit\u00f3rio, n\u00e3o de ato de for\u00e7a<\/strong>; e n\u00e3o fecha empresa nem confisca mercadoria, retirando do contumaz um benef\u00edcio legal desenhado para neg\u00f3cios de boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No fundo, a discuss\u00e3o era sobre quem merece o oxig\u00eanio da recupera\u00e7\u00e3o. Usar a inadimpl\u00eancia sistem\u00e1tica como vantagem de pre\u00e7o <strong>distorce a concorr\u00eancia e pune quem recolhe imposto em dia<\/strong>, e a ordem econ\u00f4mica constitucional n\u00e3o obriga o Estado a subsidiar esse arranjo com mais um favor legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao impedimento legal de o devedor contumaz propor recupera\u00e7\u00e3o judicial ou nela prosseguir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) constitui san\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, forma obl\u00edqua de cobran\u00e7a repudiada pela jurisprud\u00eancia do STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 restri\u00e7\u00e3o proporcional, condicionada a procedimento pr\u00e9vio com contradit\u00f3rio e ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) acarreta a decreta\u00e7\u00e3o imediata da fal\u00eancia, dispensado o exame judicial do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) alcan\u00e7a o contribuinte em atraso relevante, dispensados os demais requisitos da contum\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) vulnera a preserva\u00e7\u00e3o da empresa, garantia incondicional das unidades produtivas em crise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Falta \u00e0 medida o tra\u00e7o definidor da san\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o estrangulamento da atividade como meio de cobran\u00e7a; aqui se nega um benef\u00edcio legal a quem descumpre seus pressupostos de lealdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Assim decidiu a unanimidade do Plen\u00e1rio na ADI 7.943, apoiando a restri\u00e7\u00e3o na concorr\u00eancia leal, na capacidade de contribuir e no tratamento ison\u00f4mico entre contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A convola\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia depende de provoca\u00e7\u00e3o da Fazenda e passa pelo juiz da recupera\u00e7\u00e3o; n\u00e3o existe quebra de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Contum\u00e1cia exige inadimpl\u00eancia substancial, reiterada e injustificada, aferida em procedimento pr\u00f3prio; o simples atraso, ainda que volumoso, n\u00e3o basta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A preserva\u00e7\u00e3o da empresa ampara a atividade exercida com boa-f\u00e9; o princ\u00edpio n\u00e3o acoberta arranjos que fazem do calote fiscal vantagem de mercado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os Conselhos de Medicina podem disciplinar e fiscalizar os aspectos \u00e9ticos e t\u00e9cnicos do ato m\u00e9dico praticado por estudantes sob supervis\u00e3o, mas n\u00e3o podem, mediante resolu\u00e7\u00e3o, interferir na organiza\u00e7\u00e3o administrativa e pedag\u00f3gica das institui\u00e7\u00f5es de ensino, criar direitos subjetivos sem fundamento legal, restringir a liberdade de contratar ou instituir san\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui privativamente \u00e0 Uni\u00e3o compet\u00eancia para legislar sobre diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional e assegura \u00e0s universidades autonomia did\u00e1tico-cient\u00edfica, administrativa e de gest\u00e3o financeira e patrimonial (CF\/1988, arts. 22, XXIV, e 207). Essas disposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o afastam, contudo, a compet\u00eancia legal dos Conselhos de Medicina para disciplinar e fiscalizar os aspectos t\u00e9cnicos e \u00e9ticos do exerc\u00edcio profissional, inclusive quando o ato m\u00e9dico \u00e9 praticado por estudante sob supervis\u00e3o durante est\u00e1gio curricular obrigat\u00f3rio ou internato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), compete \u00e0 Uni\u00e3o estabelecer regras sobre curr\u00edculos, conte\u00fados program\u00e1ticos, metodologias de ensino e formas de exerc\u00edcio da atividade docente, sem preju\u00edzo da autonomia assegurada \u00e0s institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias. Por sua vez, o poder normativo e sancionat\u00f3rio dos conselhos profissionais deve permanecer adstrito \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es conferidas por lei, n\u00e3o lhes cabendo criar obriga\u00e7\u00f5es, restri\u00e7\u00f5es ou medidas punitivas aut\u00f4nomas por meio de atos infralegais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.434\/2025 disciplinou a responsabilidade t\u00e9cnica e \u00e9tica dos coordenadores de cursos de medicina no exerc\u00edcio supervisionado do ato m\u00e9dico. Embora leg\u00edtima a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos profissionais envolvidos e dos aspectos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a do paciente, ao sigilo profissional e \u00e0 regularidade t\u00e9cnica dos atendimentos, a resolu\u00e7\u00e3o exorbitou o poder regulamentar ao estabelecer crit\u00e9rio de remunera\u00e7\u00e3o para os coordenadores, instituir a denominada \u201cinterdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica\u201d dos campos de est\u00e1gio e proibir a celebra\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios acad\u00eamicos com institui\u00e7\u00f5es estrangeiras. As prerrogativas relacionadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais de funcionamento dos cursos e dos campos de est\u00e1gio, por sua vez, n\u00e3o conferem poderes aut\u00f4nomos aos coordenadores ou aos Conselhos de Medicina, autorizando apenas a comunica\u00e7\u00e3o das irregularidades \u00e0s autoridades educacionais, sanit\u00e1rias ou administrativas competentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido para: (i) declarar a inconstitucionalidade do \u00a7 2\u00ba do art. 4\u00ba; dos \u00a7\u00a7 2\u00ba, 3\u00ba e 5\u00ba do art. 8\u00ba; do art. 9\u00ba, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico; e do art. 11 da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.434\/2025; e (ii) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o aos arts. 7\u00ba, 8\u00ba, <em>caput<\/em> e \u00a7 1\u00ba, e 12 (2), preservando a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos aspectos \u00e9tico-profissionais do ato m\u00e9dico, mas vedando a interfer\u00eancia direta dos Conselhos de Medicina no funcionamento das atividades acad\u00eamicas e dos estabelecimentos de ensino, bem como o exerc\u00edcio de poder pr\u00f3prio de interdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADPF 1.036 e ADPF 1.155 MC-Ref.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.434\/2025: \u201cArt. 4\u00b0 O coordenador do curso de medicina deve obrigatoriamente ser m\u00e9dico, em conson\u00e2ncia com a Lei n\u00b012.842, de 10 de julho de 2013, em seu art. 5\u00b0, inciso IV, e ter seu registro no CRM do local de jurisdi\u00e7\u00e3o onde os campos de est\u00e1gio s\u00e3o desenvolvidos. (&#8230;) \u00a7 2\u00b0 Em se tratando de cargo de responsabilidade t\u00e9cnica, o m\u00e9dico desempenhando o papel de coordenador de curso de gradua\u00e7\u00e3o ou de coordenador de est\u00e1gio curricular obrigat\u00f3rio deve receber remunera\u00e7\u00e3o justa e digna para essa fun\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Art. 7\u00b0&nbsp; S\u00e3o prerrogativas do coordenador do curso nos campos de est\u00e1gio curriculares para o devido cumprimento de seus deveres: I \u2013 ter acesso garantido a recursos humanos, materiais e financeiros adequados e compat\u00edveis com a dimens\u00e3o do curso e a complexidade dos campos de est\u00e1gio, a fim de viabilizar a implementa\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e \u00e0 seguran\u00e7a do paciente; II \u2013 exercer autoridade deliberativa com autonomia e nas mat\u00e9rias relacionadas \u00e0 gest\u00e3o pedag\u00f3gica, \u00e9tica e pr\u00e1tica dos campos de est\u00e1gio, incluindo a proposi\u00e7\u00e3o de rotinas, normas internas e a implanta\u00e7\u00e3o de medidas corretivas e disciplinares quando cab\u00edveis, em conformidade com o PPC e a legisla\u00e7\u00e3o; III \u2013 ter acesso irrestrito e tempestivo a todas as informa\u00e7\u00f5es, dados e registros pertinentes \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de professores, preceptores e estudantes nos campos de est\u00e1gio, incluindo prontu\u00e1rios (com a devida salvaguarda \u00e9tica e legal da confidencialidade), relat\u00f3rios de supervis\u00e3o e avalia\u00e7\u00f5es de desempenho; IV \u2013 ser consultado e ter sua anu\u00eancia formal nos processos de celebra\u00e7\u00e3o, aditamento, rescis\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios ou instrumentos cong\u00eaneres que estabele\u00e7am ou modifiquem as condi\u00e7\u00f5es dos campos de est\u00e1gio do curso; V \u2013 ter garantido o acesso a programas de forma\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo em gest\u00e3o acad\u00eamica, did\u00e1tica, \u00e9tica e em temas relacionados \u00e0 seguran\u00e7a do paciente e \u00e0 preceptoria em medicina. Par\u00e1grafo \u00fanico. Caso as prerrogativas aqui estabelecidas n\u00e3o sejam integralmente atendidas pela IES, o coordenador do curso dever\u00e1 comunicar formalmente o fato ao CRM, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00b02.056\/2013. Art. 8\u00b0 Os CRMs, sob a coordena\u00e7\u00e3o do CFM, t\u00eam a prerrogativa legal e \u00e9tica de fiscalizar todos os locais onde se exer\u00e7a medicina, em todas as suas modalidades, incluindo os campos de est\u00e1gio de cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina e as atividades de internato m\u00e9dico, visando garantir a qualidade do ensino-aprendizagem, a seguran\u00e7a do paciente e o cumprimento das normas \u00e9ticas e legais do exerc\u00edcio profissional. \u00a7 1\u00b0 A fiscaliza\u00e7\u00e3o dos campos de est\u00e1gio curriculares ser\u00e1 realizada por conselheiros e\/ou m\u00e9dicos fiscais dos CRMs de forma programada ou por den\u00fancia, que ter\u00e3o acesso irrestrito e incondicional a todas as instala\u00e7\u00f5es, prontu\u00e1rios, documentos e informa\u00e7\u00f5es pertinentes \u00e0 forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e \u00e0 pr\u00e1tica supervisionada, conforme previsto no art. 6\u00b0, inciso VI, desta resolu\u00e7\u00e3o. \u00a7 2\u00b0 Constatado comprometimento das condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura, recursos humanos, responsabilidade t\u00e9cnica, seguran\u00e7a do paciente ou da supervis\u00e3o m\u00e9dica adequados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, o CRM poder\u00e1, mediante decis\u00e3o fundamentada, determinar interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica, total ou parcial, tempor\u00e1ria ou definitiva, das atividades m\u00e9dicas de ensino no campo de est\u00e1gio irregular. \u00a7 3\u00b0 A interdi\u00e7\u00e3o de um campo de est\u00e1gio implica a imediata suspens\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de estudantes de medicina em quaisquer atividades profissionais naquele local, at\u00e9 que as irregularidades sejam devidamente sanadas e atestadas pelo CRM. (&#8230;) \u00a7 5\u00b0 O coordenador do curso de medicina e a IES ser\u00e3o notificados das irregularidades e ter\u00e3o prazo para apresentar defesa e promover as adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, sob pena de interdi\u00e7\u00e3o da atividade m\u00e9dica de ensino no campo de est\u00e1gio irregular. Art. 9\u00b0 \u00c9 vedado ao coordenador de campos de est\u00e1gio participar da execu\u00e7\u00e3o, direta ou indireta, de conv\u00eanios ou quaisquer outros termos obrigacionais, para a realiza\u00e7\u00e3o de est\u00e1gios ou internatos, destinados a alunos oriundos de faculdades\/cursos de medicina de outros pa\u00edses, junto a institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade privada, filantr\u00f3pica ou p\u00fablica. Par\u00e1grafo \u00fanico. Excetuam-se do mandamento disposto no <em>caput<\/em> do artigo os hospitais p\u00fablicos universit\u00e1rios, quando da vig\u00eancia de acordo oficial celebrado entre as universidades. (&#8230;) Art. 11. A interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica dos campos de est\u00e1gio poder\u00e1 ser decretada quando n\u00e3o forem atendidas as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas exigidas pela Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00b0 2.056\/2013 e demais legisla\u00e7\u00f5es pertinentes, devendo a tramita\u00e7\u00e3o nos CRMs observar o disposto na Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00b02.062\/2013. Par\u00e1grafo \u00fanico. O CFM poder\u00e1 revisar, em sede recursal, as interdi\u00e7\u00f5es \u00e9ticas decretadas pelos CRMs. Art.12. Os m\u00e9dicos que assumirem coordena\u00e7\u00f5es de cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina devem assegurar que a IES tenha toda a infraestrutura prevista nesta resolu\u00e7\u00e3o e nas normas legais vigentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-3b3323fa-b906-4f29-9ee2-5b90cdc7ffbd\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/09101239\/stf-info-1227-1.pdf\">STF &#8211; Info 1227<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/09101239\/stf-info-1227-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-3b3323fa-b906-4f29-9ee2-5b90cdc7ffbd\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONSELHOS DE MEDICINA E A 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