{"id":1806450,"date":"2026-09-07T08:55:02","date_gmt":"2026-09-07T11:55:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1806450"},"modified":"2026-09-07T08:55:06","modified_gmt":"2026-09-07T11:55:06","slug":"informativo-stj-899-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-899-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 899 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/07085420\/stj-info-899.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_iuBMsivRkxA\"><div id=\"lyte_iuBMsivRkxA\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/iuBMsivRkxA\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/iuBMsivRkxA\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/iuBMsivRkxA\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><a><strong>STJ n<\/strong><strong>\u00ba 899<\/strong><\/a> <strong>1 de setembro de 2026<\/strong> <strong>Prof. Jean Vilbert<\/strong><\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-honorarios-contra-a-uniao-na-acao-civil-publica\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; HONOR\u00c1RIOS CONTRA A UNI\u00c3O NA A\u00c7\u00c3O CIVIL P\u00daBLICA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo princ\u00edpio da simetria, a isen\u00e7\u00e3o do art. 18 da LACP <strong>impede a condena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, vencida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, ao pagamento de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia<\/strong>, <strong>salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9<\/strong>; a exce\u00e7\u00e3o aberta \u00e0s associa\u00e7\u00f5es e funda\u00e7\u00f5es privadas no polo ativo n\u00e3o alcan\u00e7a os sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.991.439-SC e REsp 1.981.398-RS, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgados em 20\/8\/2026 (Tema 1177).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um sindicato de servidores venceu a Uni\u00e3o em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica sobre progress\u00f5es funcionais dos substitu\u00eddos e quis coroar a vit\u00f3ria com honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia, verba que sustentaria a advocacia da entidade. O tribunal de origem concordou. Acontece que a mesma lei que dispensa o legitimado coletivo de custas e honor\u00e1rios quando perde j\u00e1 foi lida, pela Corte Especial, como escudo de m\u00e3o dupla. Vit\u00f3ria sem verba honor\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 7.347\/1985 (LACP), art. 18<\/strong> <em>(na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica n\u00e3o h\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos e honor\u00e1rios periciais, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora em honor\u00e1rios, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Por especialidade, a LACP prevalece sobre as regras gerais do CPC; e a simetria constru\u00edda pela Corte Especial estende a dispensa ao r\u00e9u vencido, de modo que nenhum dos polos paga honor\u00e1rios sem m\u00e1-f\u00e9 comprovada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A exce\u00e7\u00e3o reconhecida no EREsp 1.304.939 tem recorte fechado, associa\u00e7\u00f5es e funda\u00e7\u00f5es privadas no polo ativo contra grandes grupos econ\u00f4micos; sindicatos ficaram de fora, e a natureza alimentar dos honor\u00e1rios (CPC, art. 85, \u00a7 14) n\u00e3o basta para equipar\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O apelo do sindicato tinha lastro pr\u00e1tico. Advogado de entidade sindical vive da verba de sucumb\u00eancia, e a Corte Especial j\u00e1 havia furado o escudo do art. 18 <strong>quando ONGs de consumidores venceram grandes grupos econ\u00f4micos<\/strong>, justamente para n\u00e3o sufocar a sociedade civil organizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O precedente invocado diz menos do que parece. Seu recorte nomeia associa\u00e7\u00f5es e funda\u00e7\u00f5es privadas, <strong>categorias que n\u00e3o se confundem com sindicatos<\/strong>, dotados de estrutura pr\u00f3pria, contribui\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria hist\u00f3rica e regime constitucional espec\u00edfico; ampliar a exce\u00e7\u00e3o exigiria fundamento que a jurisprud\u00eancia ainda n\u00e3o construiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prevaleceu, na maioria, a regra sim\u00e9trica em sua forma cl\u00e1ssica. Quem litiga sob o guarda-chuva da LACP aceita o pacote inteiro, <strong>isen\u00e7\u00e3o quando perde, nada a receber quando ganha<\/strong>, reservada a condena\u00e7\u00e3o ao litigante de m\u00e1-f\u00e9 comprovada, em qualquer dos polos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vencida a Uni\u00e3o em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ajuizada por sindicato, os honor\u00e1rios advocat\u00edcios de sucumb\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) s\u00e3o devidos, dada a natureza alimentar da verba e a necessidade de remunerar a advocacia sindical.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o podem ser impostos \u00e0 Uni\u00e3o, por for\u00e7a da simetria com a isen\u00e7\u00e3o do art. 18 da LACP, salvo m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) seguem o regime geral do art. 85 do CPC, aplic\u00e1vel \u00e0s a\u00e7\u00f5es coletivas por falta de regra especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) incidem pela metade, repartido o \u00f4nus entre os litigantes conforme a sorte de cada pedido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) alcan\u00e7am a Uni\u00e3o na fase de cumprimento de senten\u00e7a, preservada a fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O car\u00e1ter alimentar da verba \u00e9 regra geral que n\u00e3o legitima, por si, equiparar sindicatos \u00e0s associa\u00e7\u00f5es beneficiadas pelo recorte excepcional da Corte Especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. \u00c9 a tese do Tema 1177: a isen\u00e7\u00e3o do art. 18 da LACP opera nos dois sentidos, e a condena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o pressup\u00f5e m\u00e1-f\u00e9 comprovada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Existe regra especial, e ela decide a quest\u00e3o; a LACP prevalece sobre o CPC pelo princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Fracionamento de verba n\u00e3o entrou em cogita\u00e7\u00e3o; sem m\u00e1-f\u00e9, simplesmente n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o honor\u00e1ria contra o r\u00e9u vencido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A fase processual \u00e9 irrelevante para o regime do art. 18; a dispensa acompanha a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica como um todo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se \u00e9 poss\u00edvel ou n\u00e3o a condena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o ao pagamento de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia em sede de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, determinado sindicato ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra a Uni\u00e3o, a fim de que fosse reconhecido o direito dos substitu\u00eddos a progress\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es funcionais. No Tribunal <em>a quo<\/em>, foi dado parcial provimento ao recurso de apela\u00e7\u00e3o do Sindicato, assentando que seriam devidos honor\u00e1rios advocat\u00edcios em sede de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica quando julgada procedente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 18 da Lei n. 7.347\/1985 (LACP) disp\u00f5e que, nas a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas, n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9. Assim, a Lei n. 7.347\/1985, por instituir disciplina espec\u00edfica para a A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, prevalece sobre as regras gerais do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015), em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou entendimento no sentido de que, &#8220;em raz\u00e3o da simetria, descabe a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios da parte requerida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, quando inexistente m\u00e1-f\u00e9, de igual sorte como ocorre com a parte autora, por for\u00e7a da aplica\u00e7\u00e3o do art. 18 da Lei n. 7.347\/1985&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em julgamento mais recente, a mesma Corte Especial, em demandas entre grandes grupos econ\u00f4micos e associa\u00e7\u00e3o de defesa do consumidor, assentou que n\u00e3o se aplica o afastamento da condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios, previsto no art. 18 da Lei n. 7.347\/1985, quando o polo ativo da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica \u00e9 ocupado por associa\u00e7\u00f5es ou funda\u00e7\u00f5es privadas. A raz\u00e3o de decidir apoiou-se na necessidade de garantir maior acessibilidade \u00e0 Justi\u00e7a para a sociedade civil organizada, e na impropriedade de equiparar organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais a grandes grupos econ\u00f4micos e institui\u00e7\u00f5es de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O recorte \u00e9 espec\u00edfico: &#8220;associa\u00e7\u00f5es ou funda\u00e7\u00f5es privadas no polo ativo da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica&#8221; (EREsp n. 1.304.939\/RS, rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, rel. p\/ Ac\u00f3rd\u00e3o Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, DJEN\/ CNJ de 30\/10\/2025). N\u00e3o h\u00e1, nas refer\u00eancias trazidas, julgamento que abranja sindicatos. A amplia\u00e7\u00e3o do entendimento para alcan\u00e7ar sindicatos carece de suporte jurisprudencial espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A afirma\u00e7\u00e3o de que a remunera\u00e7\u00e3o dos advogados de sindicatos exige, por simetria, condena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o em honor\u00e1rios n\u00e3o altera o alcance da lei espec\u00edfica. Ainda que os honor\u00e1rios tenham natureza alimentar, conforme o art. 85, \u00a7 14, do CPC\/2015, tal regra geral n\u00e3o legitima, por si, equiparar sindicatos \u00e0s associa\u00e7\u00f5es no regime excepcional da Lei n. 7.347\/1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1177\/STJ: &#8220;\u00c0 luz do princ\u00edpio da simetria, a isen\u00e7\u00e3o prevista no art. 18 da Lei n. 7.347\/1985 (LACP) impede a condena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, quando vencida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios de sucumb\u00eancia, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-icms-difal-fora-da-base-de-pis-e-cofins\" class=\"wp-block-heading\">2. ICMS-DIFAL FORA DA BASE DE PIS E COFINS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ICMS-DIFAL (diferencial de al\u00edquotas em opera\u00e7\u00f5es interestaduais ao consumidor final) <strong>N\u00c3O comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS<\/strong>; <strong>efeitos modulados a partir de 15\/3\/2017<\/strong>, data do julgamento do Tema 69\/STF, ressalvados os processos ent\u00e3o em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.174.178-SC, REsp 2.191.532-ES e REsp 2.181.166-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 20\/8\/2026 (Tema 1372).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vendetudo Atacadista vende de tudo para consumidores de todos os estados. Em cada venda para fora, uma fatia do ICMS, chamada de diferencial de al\u00edquotas (o DIFAL), entra no caixa da empresa j\u00e1 com endere\u00e7o certo: ela apenas recolhe o valor e repassa ao estado onde mora o comprador. Na hora de calcular PIS e COFINS, por\u00e9m, a Receita tratava essa fatia como se fosse receita da pr\u00f3pria Vendetudo e cobrava as contribui\u00e7\u00f5es em cima dela. O STF j\u00e1 havia dito duas vezes que imposto de passagem n\u00e3o \u00e9 faturamento, primeiro para o ICMS comum (&#8220;tese do s\u00e9culo&#8221;), depois para o recolhido por substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria (ICMS-ST) \u2014 faltava a \u00faltima pe\u00e7a da fam\u00edlia. Dinheiro que s\u00f3 atravessa o caixa a caminho do cofre p\u00fablico pode ser tributado como se ficasse nele?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 69\/STF e Tema 1125\/STJ<\/strong> <em>(o ICMS pr\u00f3prio n\u00e3o integra a base de PIS e COFINS, pois n\u00e3o constitui faturamento; a mesma l\u00f3gica exclui o ICMS-ST recolhido pelo substitu\u00eddo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O DIFAL n\u00e3o \u00e9 tributo novo, e sim sistem\u00e1tica de c\u00e1lculo e reparti\u00e7\u00e3o do ICMS pr\u00f3prio entre origem e destino nas vendas interestaduais ao consumidor final; a t\u00e9cnica n\u00e3o muda a natureza do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O crit\u00e9rio decisivo est\u00e1 na titularidade dos valores, que por imposi\u00e7\u00e3o legal n\u00e3o ingressam de forma efetiva no patrim\u00f4nio do contribuinte; n\u00e3o se trata de excluir parcela da base, mas de reconhecer que ela nunca coube no conceito constitucional de faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o alinhada aos precedentes da fam\u00edlia: efic\u00e1cia desde 15\/3\/2017, preservadas as a\u00e7\u00f5es judiciais e os procedimentos administrativos pendentes naquela data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Fazenda tentava isolar o diferencial da tese-m\u00e3e. O DIFAL seria mecanismo financeiro de reparti\u00e7\u00e3o federativa, <strong>verba que transita pela contabilidade do vendedor como custo da opera\u00e7\u00e3o<\/strong>, e custos comp\u00f5em o pre\u00e7o que forma o faturamento tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Imposto \u00fanico n\u00e3o gera bases diferentes conforme o r\u00f3tulo do recolhimento. Se o ICMS n\u00e3o \u00e9 faturamento quando pago ao estado de origem, <strong>n\u00e3o passa a s\u00ea-lo quando repartido com o estado de destino<\/strong>; o acr\u00e9scimo do diferencial \u00e9 o mesmo tributo com outro endere\u00e7o, e o dinheiro segue sem ingressar no patrim\u00f4nio de quem vende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A data escolhida para a modula\u00e7\u00e3o fecha o ciclo com coer\u00eancia. Tomou-se o marco do pr\u00f3prio Tema 69, 15 de mar\u00e7o de 2017, <strong>o dia em que a tese do s\u00e9culo redefiniu o conceito de faturamento<\/strong>, poupando quem j\u00e1 litigava e evitando a reabertura de per\u00edodos consolidados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 inclus\u00e3o do ICMS-DIFAL na apura\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es PIS e COFINS:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 leg\u00edtima, pois o diferencial constitui receita financeira pr\u00f3pria da opera\u00e7\u00e3o interestadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) foi afastada para as empresas do regime n\u00e3o cumulativo, subsistindo a cobran\u00e7a no cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende da comprova\u00e7\u00e3o, caso a caso, do repasse do encargo ao consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 indevida, por n\u00e3o configurarem faturamento os valores que n\u00e3o ingressam no patrim\u00f4nio do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) permanece v\u00e1lida at\u00e9 que lei complementar discipline a reparti\u00e7\u00e3o interestadual do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O DIFAL n\u00e3o \u00e9 receita da empresa; \u00e9 fatia do ICMS destinada ao estado de destino, que apenas transita pelo caixa do vendedor por imposi\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nenhum recorte por regime de apura\u00e7\u00e3o foi feito; a tese vale para a materialidade das contribui\u00e7\u00f5es em si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A discuss\u00e3o sobre repasse econ\u00f4mico \u00e9 estranha ao fundamento adotado, que se apoia na titularidade jur\u00eddica dos valores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. \u00c9 a tese do Tema 1372, herdeira direta do Tema 69\/STF e do Tema 1125\/STJ: o ICMS, seja qual for a sistem\u00e1tica de recolhimento, escapa ao conceito constitucional de faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A defini\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 posta pela jurisprud\u00eancia vinculante; n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o normativo pendente que sustente a cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se a contribui\u00e7\u00e3o ao Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS) e a Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidem sobre o ICMS-DIFAL (Diferencial de Al\u00edquotas do Imposto sobre a Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os).&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Diferencial de Al\u00edquotas do Imposto sobre a Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS-DIFAL) constitui uma sistem\u00e1tica de c\u00e1lculo e de reparti\u00e7\u00e3o do ICMS pr\u00f3prio em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas ao consumidor final e visa equilibrar a arrecada\u00e7\u00e3o entre os Estados de origem e de destino, sendo certo que a ado\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo n\u00e3o implica a modifica\u00e7\u00e3o da natureza do ICMS incidente na circula\u00e7\u00e3o interestadual de mercadorias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema n. 69 sob o rito da repercuss\u00e3o geral, firmou entendimento de que o ICMS pr\u00f3prio n\u00e3o integra a base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e \u00e0 COFINS e, em aten\u00e7\u00e3o a esse precedente vinculante, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao apreciar o Tema 1125, consolidou a tese de que o ICMS-ST n\u00e3o comp\u00f5e a base impon\u00edvel dessas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal percep\u00e7\u00e3o deriva do entendimento firmado no mencionado precedente vinculante do STF, que serviu de fundamento para a tese jur\u00eddica fixada pelo STJ, cujo ponto central n\u00e3o reside no fato de o ICMS ser recolhido e repassado \u00e0 Fazenda P\u00fablica estadual, mas sim na circunst\u00e2ncia de que esses valores, por imposi\u00e7\u00e3o legal, n\u00e3o ingressam de forma efetiva no patrim\u00f4nio do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A materialidade constitucional do conceito de faturamento, estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal e aplicada pelo STJ, afasta a inclus\u00e3o do ICMS na base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS. N\u00e3o se trata, portanto, de excluir parcela que integraria a base de incid\u00eancia, mas de reconhecer que os valores correspondentes ao ICMS n\u00e3o configuram hip\u00f3tese de incid\u00eancia das exa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, mostra-se inafast\u00e1vel a conclus\u00e3o de que a contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e a COFINS n\u00e3o deve incidir sobre o ICMS-DIFAL, porquanto, conforme registrado anteriormente, o ICMS \u00e9 um imposto \u00fanico, sendo o diferencial de al\u00edquota um acr\u00e9scimo feito ao ICMS pr\u00f3prio para fins de reparti\u00e7\u00e3o espec\u00edfica entre Estados em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas ao consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1372\/STJ: &#8220;O ICMS-DIFAL (Diferencial de Al\u00edquotas do Imposto sobre a Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os) n\u00e3o comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Modula\u00e7\u00e3o: Na linha da orienta\u00e7\u00e3o firmada no julgamento do Tema n. 69\/STF, e guardando coer\u00eancia com o decidido no Tema 1125\/STJ, imp\u00f5e-se modular os efeitos desta decis\u00e3o, a fim de que estes ocorram a partir de 15\/03\/2017, data do julgamento do precedente vinculante do STF, ressalvadas as a\u00e7\u00f5es judiciais e os procedimentos administrativos em curso naquela data.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-salario-educacao-e-o-titular-de-cartorio-pessoa-fisica\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; SAL\u00c1RIO-EDUCA\u00c7\u00c3O E O TITULAR DE CART\u00d3RIO PESSOA F\u00cdSICA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contribui\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o (CF, art. 212, \u00a7 5\u00ba; Lei n. 9.424\/1996, art. 15) <strong>N\u00c3O \u00e9 exig\u00edvel da pessoa f\u00edsica que exerce servi\u00e7o notarial ou registral<\/strong>: o titular de cart\u00f3rio <strong>n\u00e3o se enquadra na defini\u00e7\u00e3o legal de empresa<\/strong> que delimita o contribuinte do tributo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.068.273-RS, REsp 2.068.698-PR e REsp 2.068.695-RS, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgados em 20\/8\/2026 (Tema 1228).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tabeli\u00e3o Jaiminho comanda a serventia com funcion\u00e1rios, CNPJ e faturamento que muita empresa invejaria, e por isso o Fisco lhe cobrava o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o como se empres\u00e1rio fosse. Ele resistiu lembrando o pr\u00f3prio t\u00edtulo, delegat\u00e1rio de atividade estatal, pessoa f\u00edsica aprovada em concurso. A apar\u00eancia empresarial do balc\u00e3o define o contribuinte, ou quem define \u00e9 a natureza da fun\u00e7\u00e3o exercida?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 212, \u00a7 5\u00ba, e 236; Lei n. 9.424\/1996, art. 15; Decreto n. 6.003\/2006<\/strong> <em>(o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o \u00e9 recolhido pelas empresas na forma da lei; contribuinte \u00e9 a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econ\u00f4mica; os servi\u00e7os notariais s\u00e3o exercidos em car\u00e1ter privado por delega\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A defini\u00e7\u00e3o regulamentar do contribuinte j\u00e1 foi validada em precedente qualificado (Tema 362\/STJ), e a natureza tribut\u00e1ria da exa\u00e7\u00e3o (RE 272.872) submete a mat\u00e9ria ao art. 108, \u00a7 1\u00ba, do CTN, que veda a analogia para exigir tributo n\u00e3o previsto em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A equipara\u00e7\u00e3o de pessoas f\u00edsicas a empresas prevista no art. 15, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 8.212\/1991 serve \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e n\u00e3o migra para o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, que tem matriz de incid\u00eancia pr\u00f3pria e sem lacuna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A atividade notarial \u00e9 fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica delegada (Lei n. 8.935\/1994, art. 1\u00ba), distante da defini\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rio do art. 966 do CC; o CNPJ obrigat\u00f3rio da serventia n\u00e3o cria firma individual nem pessoa jur\u00eddica aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Aos olhos da arrecada\u00e7\u00e3o, o cart\u00f3rio \u00e9 um neg\u00f3cio como outro qualquer. Emprega dezenas de pessoas, cobra emolumentos, gera lucro, <strong>e a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 financiada justamente por quem emprega<\/strong>, raz\u00e3o de ser da contribui\u00e7\u00e3o criada pelo constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Tributo se cobra de quem a lei nomeia, e a lei nomeou empresas. O titular de serventia exerce, como pessoa f\u00edsica concursada, <strong>atividade tipicamente estatal delegada<\/strong>, voltada \u00e0 f\u00e9 p\u00fablica e \u00e0 seguran\u00e7a dos atos jur\u00eddicos; a organiza\u00e7\u00e3o do balc\u00e3o pode parecer empresarial, a fun\u00e7\u00e3o jamais ser\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A sa\u00edda da equipara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava bloqueada. O empr\u00e9stimo do conceito previdenci\u00e1rio de empresa esbarra no art. 108 do CTN, <strong>porque analogia n\u00e3o serve para criar obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria onde a matriz legal \u00e9 completa<\/strong> e simplesmente n\u00e3o alcan\u00e7a o delegat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o exigida de pessoa f\u00edsica titular de servi\u00e7o notarial ou registral:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o \u00e9 exig\u00edvel, estranho o titular de cart\u00f3rio \u00e0 defini\u00e7\u00e3o legal de contribuinte do tributo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) incide quando a serventia possui CNPJ pr\u00f3prio, marco da personifica\u00e7\u00e3o para fins tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 devida, equiparado o delegat\u00e1rio a empresa pela estrutura organizada e pelo risco da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) aplica-se por for\u00e7a da equipara\u00e7\u00e3o prevista na legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria para o contribuinte individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende do n\u00famero de empregados da serventia, incidindo a partir do enquadramento como empregador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. \u00c9 a tese do Tema 1228: a defini\u00e7\u00e3o legal e regulamentar de contribuinte n\u00e3o abrange a pessoa f\u00edsica delegat\u00e1ria, e a analogia \u00e9 vedada pelo art. 108, \u00a7 1\u00ba, do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O CNPJ da serventia \u00e9 exig\u00eancia formal que n\u00e3o cria firma individual nem pessoa jur\u00eddica aut\u00f4noma, como registrou expressamente o precedente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A organiza\u00e7\u00e3o de meios n\u00e3o transmuda a natureza da fun\u00e7\u00e3o; o servi\u00e7o notarial \u00e9 atividade estatal delegada, estranha ao conceito de empresa do art. 966 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A equipara\u00e7\u00e3o criada pela lei previdenci\u00e1ria vale para as contribui\u00e7\u00f5es que ela rege; o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o tem regramento espec\u00edfico e sem lacuna a integrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O crit\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 quantitativo; falta ao titular de cart\u00f3rio a pr\u00f3pria qualidade de contribuinte, seja qual for o porte da serventia.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se a pessoa f\u00edsica que exerce servi\u00e7o notarial ou registral \u00e9 contribuinte da contribui\u00e7\u00e3o social do sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, prevista no \u00a7 5\u00ba do art. 212 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e institu\u00edda pelo art. 15 da Lei n. 9.424\/1996&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 212, \u00a7 5\u00ba, da Carta Magna, ser\u00e1 recolhido por empresas na forma da lei, mais especificamente, a Lei n. 9.424\/1996, a qual delegou a regulamento, atualmente o Decreto n. 6.003\/2006, a defini\u00e7\u00e3o de empresa para fins de exig\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e9 considerado contribuinte &#8220;qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econ\u00f4mica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou n\u00e3o, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa p\u00fablica e demais sociedades institu\u00eddas e mantidas pelo Poder P\u00fablico, nos termos do art. 173, \u00a7 2\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exist\u00eancia de regramento legal espec\u00edfico que define o sujeito passivo da contribui\u00e7\u00e3o para o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, o qual j\u00e1 fora, inclusive, reconhecido em precedente qualificado (Tema 362\/STJ), afasta a incid\u00eancia do art. 15, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 8.212\/1991, que estabelece a equipara\u00e7\u00e3o de contribuintes individuais e pessoas f\u00edsicas a empresas no que diz respeito \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Frise-se, ademais, que, ante o reconhecimento pela Suprema Corte da natureza tribut\u00e1ria da contribui\u00e7\u00e3o para o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o (RE n. 272.872\/RS), aplicam-se-lhe as regras de interpreta\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, de modo que a pretens\u00e3o fazend\u00e1ria de utilizar, por equipara\u00e7\u00e3o, a defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de empresa aplic\u00e1vel \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es para a Seguridade Social esbarra na veda\u00e7\u00e3o estabelecida no art. 108, <em>caput<\/em> e \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O emprego da analogia para integrar o conceito de contribuinte nesta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 devido ante a aus\u00eancia de v\u00e1cuo legislativo na matriz de incid\u00eancia tribut\u00e1ria do sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os servi\u00e7os notariais e de registro t\u00eam seu fundamento de validade a partir do art. 236 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Trata-se de atividade p\u00fablica, pr\u00f3pria do Estado, que \u00e9 exercida por particulares mediante delega\u00e7\u00e3o. Dessa forma, inobstante a organiza\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o notarial se assemelhe a uma atividade empresarial, a sua natureza &#8220;t\u00e9cnica e administrativa destinada a garantir a publicidade, autenticidade, seguran\u00e7a e efic\u00e1cia dos atos jur\u00eddicos&#8221;, nos termos do art. 1\u00ba da Lei n. 8.935\/1994, traduz-se em atividade tipicamente estatal, o que a distancia da defini\u00e7\u00e3o legal de empresa trazida no art. 966 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que obrigat\u00f3ria, a atribui\u00e7\u00e3o de um CNPJ \u00e0 serventia extrajudicial n\u00e3o implica a modifica\u00e7\u00e3o da natureza jur\u00eddica do titular de cart\u00f3rio, pessoa f\u00edsica, n\u00e3o d\u00e1 origem a firma ou empresa individual nos moldes previstos na legisla\u00e7\u00e3o, nem cria pessoa jur\u00eddica aut\u00f4noma para a serventia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ante o exposto, fixa-se a seguinte tese do Tema 1228\/STJ: A contribui\u00e7\u00e3o social do sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, prevista no \u00a7 5\u00ba do art. 212 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e institu\u00edda pelo art. 15 da Lei n. 9.424\/96, n\u00e3o \u00e9 exig\u00edvel da pessoa f\u00edsica que exerce servi\u00e7o notarial ou registral, a qual n\u00e3o se enquadra na defini\u00e7\u00e3o de contribuinte trazida na legisla\u00e7\u00e3o que rege o tributo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-penhora-do-peculio-para-pagar-a-multa-penal\" class=\"wp-block-heading\">4. PENHORA DO PEC\u00daLIO PARA PAGAR A MULTA PENAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel a <strong>penhora de at\u00e9 1\/4 do pec\u00falio do condenado para o pagamento da multa criminal<\/strong>, preservados os recursos indispens\u00e1veis ao sustento dele e da fam\u00edlia (CP, art. 50, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba; LEP, arts. 168 e 170); <strong>as impenhorabilidades do art. 833, IV e X, do CPC n\u00e3o alcan\u00e7am a multa penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.204.874-SP, REsp 2.195.564-SP e REsp 2.206.612-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgados em 12\/8\/2026 (Tema 1383).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trabalhando na oficina do pres\u00eddio, Creitinho conseguia comprar o pastel de bananinha no c\u00e1rcere e ainda poupava parte do pec\u00falio para o futuro l\u00e1 fora. A execu\u00e7\u00e3o da pena de multa bateu \u00e0 porta cobrando uma fatia, e a defesa sacou o CPC, que blinda tanto o pec\u00falio quanto a poupan\u00e7a de at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios-m\u00ednimos. Dois sistemas disputavam o mesmo dinheiro, o processual civil protegendo, o penal cobrando. A quem pertence a r\u00e9gua quando a d\u00edvida nasce de senten\u00e7a criminal?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, arts. 50, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, e 51; LEP, arts. 12, 168 e 170<\/strong> <em>(a multa pode ser descontada da remunera\u00e7\u00e3o do condenado, entre 1\/10 e 1\/4, sem atingir o necess\u00e1rio ao sustento do apenado e dos seus; trata-se de d\u00edvida de valor que conserva natureza de san\u00e7\u00e3o criminal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 833, IV e X<\/strong> <em>(impenhorabilidade das verbas remunerat\u00f3rias, do pec\u00falio e da quantia em poupan\u00e7a at\u00e9 40 sal\u00e1rios-m\u00ednimos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Pelo princ\u00edpio da especialidade, a cobran\u00e7a da multa penal segue o microssistema da legisla\u00e7\u00e3o criminal; as regras gerais do CPC ficam reservadas \u00e0s d\u00edvidas de outra origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A sistem\u00e1tica vale para quem cumpre pena em unidade prisional, onde o Estado assegura o m\u00ednimo existencial (LEP, art. 12); condenados em meio aberto ou penas alternativas, que se sustentam sozinhos, permanecem sob as impenhorabilidades comuns dos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o pode, fundamentadamente, afastar a constri\u00e7\u00e3o que recaia sobre recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa enxergava contradi\u00e7\u00e3o estatal. O mesmo Estado que estimula o trabalho prisional como ponte de reintegra\u00e7\u00e3o <strong>confiscaria o fruto desse trabalho para se pagar da multa<\/strong>, esvaziando a fun\u00e7\u00e3o ressocializadora do pec\u00falio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta mora na origem da d\u00edvida. Multa penal n\u00e3o \u00e9 d\u00e9bito civil comum, \u00e9 san\u00e7\u00e3o criminal (ADI 3.150), <strong>e a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o penal desenhou o equil\u00edbrio<\/strong> com teto de 1\/4, piso de 1\/10 e a trava dos recursos indispens\u00e1veis; onde o sistema especial regula, o geral n\u00e3o entra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Dentro dos muros, quem garante a subsist\u00eancia \u00e9 o Estado, pelo dever de assist\u00eancia material, o que torna a fatia penhor\u00e1vel compat\u00edvel com a dignidade do preso e da fam\u00edlia, destinat\u00e1ria do saldo restante. <strong>Fora dos muros a l\u00f3gica se inverte<\/strong>, e o condenado em regime aberto, que paga aluguel e mercado com o pr\u00f3prio sal\u00e1rio, recupera a prote\u00e7\u00e3o integral do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a penhora do pec\u00falio formado pelo trabalho do condenado que cumpre pena em unidade prisional, para pagamento da multa criminal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 vedada, prevalecendo a impenhorabilidade do pec\u00falio prevista no art. 833, IV, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) admite-se sem limite de valor, dada a natureza de san\u00e7\u00e3o criminal da multa executada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) restringe-se ao saldo que exceder quarenta sal\u00e1rios-m\u00ednimos, aplicada a regra da poupan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) estende-se igualmente aos condenados do regime aberto, sujeitos ao mesmo microssistema execut\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00e9 cab\u00edvel at\u00e9 1\/4 do pec\u00falio, resguardado o indispens\u00e1vel ao sustento do condenado e da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. As impenhorabilidades do CPC valem para d\u00edvidas de outra natureza; a multa fixada em senten\u00e7a penal segue o regime especial do CP e da LEP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Existe teto expresso, 1\/4 da remunera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do piso de 1\/10 e da salvaguarda do sustento; a san\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza confisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A regra da poupan\u00e7a (art. 833, X) tampouco incide; o par\u00e2metro \u00e9 o da legisla\u00e7\u00e3o penal, n\u00e3o o limite de quarenta sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Quem cumpre pena fora de unidade prisional se sustenta por conta pr\u00f3pria e permanece sob as impenhorabilidades comuns dos sal\u00e1rios; a sistem\u00e1tica do pec\u00falio n\u00e3o o alcan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. \u00c9 a tese do Tema 1383, com a v\u00e1lvula do caso concreto: o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o pode afastar, fundamentadamente, a penhora que atinja o m\u00ednimo vital do apenado e dos seus.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia submetida ao rito dos recursos repetitivos consiste em definir se \u00e9 poss\u00edvel a penhora de pec\u00falio do condenado para pagamento de pena de multa, diante da alega\u00e7\u00e3o de impenhorabilidade das verbas de natureza alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O pec\u00falio consiste em valores monet\u00e1rios ou ativos adquiridos durante o per\u00edodo de cumprimento da pena em unidade prisional, por meio do trabalho, seja interno, seja externo, cujo prop\u00f3sito \u00e9 garantir ao reeducando meios de subsist\u00eancia e, assim, contribuir para sua reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade ap\u00f3s o cumprimento da pena. O benefici\u00e1rio pode utiliz\u00e1-lo para adquirir produtos dentro do estabelecimento prisional, custear suas despesas pessoais e familiares ou at\u00e9 mesmo reserv\u00e1-los para o per\u00edodo posterior \u00e0 sua libera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, se houver ordem judicial, o pec\u00falio tamb\u00e9m pode ser usado na repara\u00e7\u00e3o dos danos causados pelo crime cometido, desde que ainda n\u00e3o tenham sido indenizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal estabelece um sistema normativo especial para a cobran\u00e7a da pena de multa aplicada, que, n\u00e3o obstante constitua d\u00edvida de valor (art. 51 do CP), n\u00e3o perde a natureza de san\u00e7\u00e3o criminal (ADI 3.150\/DF). Os arts. 50, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, do CP e arts. 168 e 170, da Lei n. 7.210\/1984, contemplam expressamente a possibilidade de penhora do pec\u00falio do apenado, com limite m\u00e1ximo de desconto mensal de 1\/4 da remunera\u00e7\u00e3o e m\u00ednimo de 1\/10, desde que n\u00e3o incida sobre os recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E justamente em raz\u00e3o dessa natureza de san\u00e7\u00e3o criminal \u00e9 que a ela devem se aplicar as normas especiais contidas na legisla\u00e7\u00e3o criminal, em detrimento das normas gerais de impenhorabilidade contidas no C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, os incisos IV e X do art. 833 do CPC, embora tratem, respectivamente, da impenhorabilidade do pec\u00falio e da quantia depositada em caderneta de poupan\u00e7a, at\u00e9 o limite de 40 sal\u00e1rios-m\u00ednimos, devem ter sua aplica\u00e7\u00e3o restrita \u00e0s hip\u00f3teses de penhora por d\u00edvida de natureza diversa da multa penal, ao passo que, quando se tratar de d\u00e9bito oriundo de multa fixada em senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria, ser\u00e3o aplic\u00e1veis os dispositivos da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal e do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale ressaltar que a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o penal, a fim de compatibilizar o cumprimento da multa com a preserva\u00e7\u00e3o da dignidade do reeducando e de sua fam\u00edlia, estabelece limites para o desconto, que n\u00e3o poder\u00e1 exceder 1\/4 da remunera\u00e7\u00e3o do condenado (art. 168, I, da LEP), nem incidir sobre &#8220;recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia&#8221; (art. 50, \u00a7 2\u00ba, do CP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a sistem\u00e1tica do pec\u00falio s\u00f3 \u00e9 aplic\u00e1vel aos condenados que cumprem pena em unidade prisional (ainda que o trabalho seja prestado extramuros), hip\u00f3tese em que a preserva\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo existencial ao preso incumbe ao Estado por meio do dever de assist\u00eancia material (art. 12 da LEP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a possibilidade de penhora de 1\/4 do pec\u00falio para pagar a pena de multa n\u00e3o deve ser considerada, como regra, incompat\u00edvel com o respeito \u00e0 dignidade do preso e de sua fam\u00edlia (\u00e0 qual poder\u00e1 ser destinado o saldo remanescente), ressalvada a possibilidade de o Ju\u00edzo das Execu\u00e7\u00f5es Penais considerar, fundamentadamente, no caso concreto, que a penhora incide sobre &#8220;recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia&#8221; (art. 50, \u00a7 2\u00ba, do CP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferente, por\u00e9m, \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o dos condenados que cumprem pena fora de unidade prisional (penas alternativas, regime aberto etc.), os quais se sujeitam \u00e0s regras trabalhistas ordin\u00e1rias e precisam providenciar por conta pr\u00f3pria a sua subsist\u00eancia. Nesses casos, n\u00e3o se aplica a sistem\u00e1tica do pec\u00falio e, por consequ\u00eancia, tamb\u00e9m n\u00e3o se aplicam as regras especiais da legisla\u00e7\u00e3o criminal sobre penhora de pec\u00falio, mas sim as regras gerais do CPC quanto \u00e0 impenhorabilidade dos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do exposto, fixa-se a seguinte tese do Tema 1383\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel a penhora de at\u00e9 1\/4 do pec\u00falio do condenado para o pagamento da pena de multa criminal, desde que n\u00e3o incida sobre os recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia, nos termos das previs\u00f5es contidas no art. 50, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, do CP e arts. 168 e 170 da Lei n. 7.210\/1984 (Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As regras de impenhorabilidade do pec\u00falio e da quantia depositada em caderneta de poupan\u00e7a, previstas no art. 833, IV e X, do CPC somente s\u00e3o aplic\u00e1veis a d\u00edvidas que n\u00e3o tenham como fundamento multa fixada em senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-prescricao-intercorrente-e-despachos-de-impulsionamento\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; PRESCRI\u00c7\u00c3O INTERCORRENTE E DESPACHOS DE IMPULSIONAMENTO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na prescri\u00e7\u00e3o intercorrente do processo administrativo sancionador (Lei n. 9.873\/1999, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba), <strong>N\u00c3O se exigem atos de apura\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o<\/strong>: decis\u00f5es e despachos previstos em lei e voltados \u00e0 decis\u00e3o final obstam o prazo, e <strong>paralisa\u00e7\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de despachos ou julgamentos, ou a pr\u00e1tica de atos sem previs\u00e3o legal<\/strong> e sem aptid\u00e3o para impulsionar o feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.223.324-MT, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por maioria, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Multado pelo IBAMA, Geremias foi \u00e0 Justi\u00e7a anular o auto de infra\u00e7\u00e3o ambiental alegando que o processo administrativo dormira por mais de tr\u00eas anos. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias concordaram, pois o \u00fanico despacho do per\u00edodo repetia outro anterior e nada apurava, e a jurisprud\u00eancia vinha exigindo &#8220;conte\u00fado apurat\u00f3rio&#8221; dos atos que afastam a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente. Encaminhar os autos \u00e0 procuradoria para parecer conta como movimento, ou s\u00f3 investiga\u00e7\u00e3o de verdade segura o rel\u00f3gio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.873\/1999, arts. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e 2\u00ba, II<\/strong> <em>(incide a prescri\u00e7\u00e3o no procedimento paralisado por mais de tr\u00eas anos, pendente de julgamento ou despacho; a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal da a\u00e7\u00e3o punitiva interrompe-se por ato inequ\u00edvoco de apura\u00e7\u00e3o do fato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Os dois institutos n\u00e3o se confundem, e cada um tem seu gatilho pr\u00f3prio; o requisito do &#8220;ato inequ\u00edvoco de apura\u00e7\u00e3o&#8221; pertence \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o punitiva do art. 2\u00ba, II, e n\u00e3o migra para a intercorrente do art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, em que o legislador falou apenas em despachos e julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Quatro teses: (a) dispensam-se atos de apura\u00e7\u00e3o para obstar a intercorrente; (b) decis\u00f5es e despachos legais voltados \u00e0 decis\u00e3o final impedem o prazo; (c) s\u00f3 h\u00e1 paralisa\u00e7\u00e3o sem despachos ou julgamentos, ou quando os atos praticados carecem de previs\u00e3o legal e de aptid\u00e3o de impulso; (d) despachos de impulsionamento previstos em lei afastam a paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Exemplos de andamento v\u00e1lido citados no julgado: encaminhamento \u00e0 procuradoria para parecer e relat\u00f3rios de instru\u00e7\u00e3o exigidos em norma; despacho meramente protelat\u00f3rio ou repetitivo continua sem valor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura exigente tinha um prop\u00f3sito honesto. Sem o filtro do conte\u00fado apurat\u00f3rio, <strong>a Administra\u00e7\u00e3o driblaria a prescri\u00e7\u00e3o carimbando despachos de fachada<\/strong>, eternizando processos sancionadores \u00e0 custa do administrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O texto legal, por\u00e9m, separa os regimes com clareza que a pr\u00e1tica vinha ignorando. Interromper a prescri\u00e7\u00e3o punitiva pede ato de apura\u00e7\u00e3o; <strong>evitar a intercorrente pede apenas que o processo ande<\/strong> por despachos e decis\u00f5es que a lei prev\u00ea, rumo ao julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E o receio do carimbo de fachada j\u00e1 encontra resposta dentro das pr\u00f3prias teses. Ato repetitivo, protelat\u00f3rio ou sem previs\u00e3o legal <strong>n\u00e3o conta como andamento e deixa o prazo correr<\/strong>; o que salva o processo \u00e9 o impulso genu\u00edno, n\u00e3o a assinatura em s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para afastar a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente trienal nos processos administrativos sancionadores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) bastam despachos de impulsionamento previstos em lei, voltados ao desenvolvimento regular do feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exigem-se atos inequ\u00edvocos de apura\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o, na forma prevista para a prescri\u00e7\u00e3o punitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 suficiente a manifesta\u00e7\u00e3o nos autos, mesmo repetitiva ou sem previs\u00e3o normativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) requer-se a intima\u00e7\u00e3o do administrado a cada ato, sob pena de inefic\u00e1cia interruptiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) o julgamento definitivo \u00e9 o \u00fanico ato capaz de impedir a consuma\u00e7\u00e3o do prazo trienal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. \u00c9 o n\u00facleo das teses fixadas no REsp 2.223.324: decis\u00f5es e despachos legais de impulsionamento, a exemplo da remessa \u00e0 procuradoria para parecer, obstam a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O requisito do ato de apura\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o punitiva quinquenal (art. 2\u00ba, II); transport\u00e1-lo para a intercorrente confunde institutos distintos, como fez a orienta\u00e7\u00e3o superada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Despacho repetitivo, protelat\u00f3rio ou sem previs\u00e3o legal configura exatamente a paralisa\u00e7\u00e3o que o instituto sanciona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A efic\u00e1cia do impulso n\u00e3o foi condicionada \u00e0 intima\u00e7\u00e3o por ato; a r\u00e9gua est\u00e1 na previs\u00e3o legal e na aptid\u00e3o para levar o feito \u00e0 decis\u00e3o final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O julgamento encerra o processo; antes dele, os despachos legais de andamento j\u00e1 bastam para manter o prazo em suspenso.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia discute a interpreta\u00e7\u00e3o do art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 9.873\/1999, que trata da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente em processos administrativos sancionat\u00f3rios, na busca por identificar o alcance normativo da express\u00e3o &#8220;despacho&#8221;, inserida naquele preceptivo legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de a\u00e7\u00e3o visando anular o auto de infra\u00e7\u00e3o de multa ambiental e o termo de embargo lavrado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA). Na primeira inst\u00e2ncia, o pedido formulado na inicial foi julgado procedente para declarar a nulidade do ato infracional, ao fundamento de que transcorreu prazo superior a tr\u00eas anos de paralisa\u00e7\u00e3o do processo administrativo (prescri\u00e7\u00e3o intercorrente da pretens\u00e3o punitiva da Administra\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte Regional manteve a senten\u00e7a, na compreens\u00e3o de que, de acordo com o art. 2\u00ba, II, da Lei n. 9.873\/1999, &#8220;n\u00e3o \u00e9 qualquer despacho\/ato que teria a consequ\u00eancia de interromper o curso do prazo prescricional, mas somente aquele direcionado, inequivocamente, \u00e0 instru\u00e7\u00e3o do processo administrativo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, segundo o aresto regional, n\u00e3o foi constatado &#8220;cunho instrut\u00f3rio&#8221; no despacho proferido nos autos do processo administrativo, o qual apenas se tratou de repeti\u00e7\u00e3o de outro anteriormente proferido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem exigido que os atos praticados tenham &#8220;conte\u00fado apurat\u00f3rio&#8221; para afastar a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, como entendeu a Corte Regional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca da natureza do ato interruptivo apto a afastar a ocorr\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, examinando sistematicamente os dispositivos da lei, entende-se que a exig\u00eancia prevista no art. 2\u00ba, II, da Lei n. 9.873\/1999 (ato inequ\u00edvoco que importe na apura\u00e7\u00e3o do fato) cuida da interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o punitiva e, por isso, n\u00e3o se confunde com o instituto da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente previsto no art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, do mesmo diploma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentemente do previsto para a prescri\u00e7\u00e3o punitiva, quanto \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, o legislador n\u00e3o menciona a aus\u00eancia de atos de apura\u00e7\u00e3o, mas cita apenas a aus\u00eancia de despachos ou do julgamento como situa\u00e7\u00e3o apta a ocasionar a paralisa\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob esse prisma, conv\u00e9m perquirir se os despachos de efetivo encaminhamento ou impulsionamento do feito constituem os &#8220;despachos&#8221; aptos a afastar a paralisa\u00e7\u00e3o do processo, na forma prevista no \u00a7 1\u00ba do art. 1\u00ba da lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fen\u00f4meno da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente pressup\u00f5e a in\u00e9rcia da Administra\u00e7\u00e3o. Por processo paralisado, entende-se aquele em que n\u00e3o h\u00e1 despachos ou em que os atos praticados (ainda que por despachos) s\u00e3o meramente protelat\u00f3rios. J\u00e1 os processos em andamento seriam aqueles em que s\u00e3o proferidos despachos previstos em lei e necess\u00e1rios ao regular desenvolvimento do feito (ex.: encaminhamento \u00e0 Procuradoria para parecer, relat\u00f3rios de instru\u00e7\u00e3o exigidos em norma, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pr\u00e1tica de despachos de impulsionamento legalmente previstos afasta a paralisa\u00e7\u00e3o do feito e, por conseguinte, a ocorr\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a interpreta\u00e7\u00e3o conjunta dos arts. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e 2\u00ba, II, ambos da Lei n. 9.873\/1999, permite a compreens\u00e3o de que as hip\u00f3teses de interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o punitiva quinquenal (arts. 1\u00ba e 2\u00ba) s\u00e3o distintas e n\u00e3o se aplicam \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o intercorrente trienal (art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nessa premissa, \u00e9 poss\u00edvel assentar as seguintes teses sobre o tema em debate: a) n\u00e3o se exige a pr\u00e1tica de atos tendentes \u00e0 apura\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o para fins de interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional intercorrente; b) decis\u00f5es e despachos proferidos com base na legisla\u00e7\u00e3o e voltados \u00e0 decis\u00e3o final obstam a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente; c) configura paralisa\u00e7\u00e3o processual apenas a aus\u00eancia de despachos ou de julgamentos ou, ainda, a pr\u00e1tica de atos sem previs\u00e3o legal e sem aptid\u00e3o para impulsionar o procedimento administrativo, e d) despachos de impulsionamento processual previstos em lei afastam a paralisa\u00e7\u00e3o do feito.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-mandado-de-seguranca-coletivo-e-associacao-generica\" class=\"wp-block-heading\">6. MANDADO DE SEGURAN\u00c7A COLETIVO E ASSOCIA\u00c7\u00c3O GEN\u00c9RICA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Associa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas, <strong>sem categoria delimitada e sem demonstra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de associados atingidos pela autoridade coatora<\/strong>, n\u00e3o t\u00eam legitimidade para o mandado de seguran\u00e7a coletivo, inaplic\u00e1vel o Tema 1.119\/STF; a substitui\u00e7\u00e3o processual exige <strong>pertin\u00eancia tem\u00e1tica entre as finalidades estatut\u00e1rias e os direitos tutelados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.280.900-SP, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com estatuto que prometia defender praticamente tudo e todos, a Associa\u00e7\u00e3o Defendetudo impetrou mandado de seguran\u00e7a coletivo sem apontar um \u00fanico associado sujeito \u00e0 autoridade coatora daquela circunscri\u00e7\u00e3o. Invocou o Tema 1.119\/STF, que dispensa autoriza\u00e7\u00e3o expressa e lista nominal de filiados no <em>writ<\/em> coletivo. A dispensa de formalidades criada para entidades aut\u00eanticas socorre tamb\u00e9m quem representa todo mundo e, na pr\u00e1tica, ningu\u00e9m?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 1.119\/STF (ARE 1.293.130)<\/strong> <em>(\u00e9 desnecess\u00e1ria a autoriza\u00e7\u00e3o expressa dos associados, a rela\u00e7\u00e3o nominal e a prova de filia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a cobran\u00e7a de valores de t\u00edtulo judicial oriundo de mandado de seguran\u00e7a coletivo impetrado por entidade associativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Na substitui\u00e7\u00e3o processual, o legitimado extraordin\u00e1rio atua em nome pr\u00f3prio na defesa de interesse alheio; o controle material da adequa\u00e7\u00e3o exige v\u00ednculo estatut\u00e1rio e institucional com o direito tutelado, a chamada pertin\u00eancia tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O pr\u00f3prio STF, no ARE 1.339.496 AgR, afastou o Tema 1.119 para as entidades gen\u00e9ricas, que n\u00e3o det\u00eam legitimidade sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa ou identifica\u00e7\u00e3o m\u00ednima dos substitu\u00eddos, por falta de categoria delimitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem associados demonstrados na circunscri\u00e7\u00e3o da autoridade coatora, falta o pr\u00f3prio interesse jur\u00eddico; objeto social indeterminado afasta a representa\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A facilita\u00e7\u00e3o do acesso coletivo \u00e0 Justi\u00e7a \u00e9 conquista real, e o Tema 1.119 a consagrou <strong>ao dispensar burocracias que estrangulavam o <em>writ<\/em> associativo<\/strong>, como listas nominais e autoriza\u00e7\u00f5es de assembleia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Facilitar o instrumento n\u00e3o significa entreg\u00e1-lo a qualquer estatuto. Entidade que se prop\u00f5e a defender tudo <strong>n\u00e3o representa adequadamente coisa alguma<\/strong>, e a pertin\u00eancia tem\u00e1tica funciona como o filtro que separa a substitui\u00e7\u00e3o processual leg\u00edtima do balc\u00e3o de demandas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso concreto, faltava at\u00e9 o m\u00ednimo dos m\u00ednimos, um associado que fosse alcan\u00e7ado pelos atos da autoridade impetrada. Sem grupo identific\u00e1vel na circunscri\u00e7\u00e3o, <strong>a seguran\u00e7a pedida n\u00e3o protegeria ningu\u00e9m em particular<\/strong>, e interesse jur\u00eddico n\u00e3o se presume a partir do nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito da legitimidade de associa\u00e7\u00e3o de objeto social indeterminado para impetrar mandado de seguran\u00e7a coletivo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 ampla, dispensadas autoriza\u00e7\u00e3o e lista de associados por for\u00e7a do Tema 1.119\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) configura-se pela simples previs\u00e3o estatut\u00e1ria de defesa de direitos difusos e coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) inexiste, ausentes pertin\u00eancia tem\u00e1tica e demonstra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de associados atingidos pela coatora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de autoriza\u00e7\u00e3o assemblear espec\u00edfica, suprindo-se com ela a generalidade do estatuto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) firma-se pela relev\u00e2ncia social da mat\u00e9ria discutida, aferida caso a caso pelo julgador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O Tema 1.119 foi constru\u00eddo para entidades de categoria delimitada; o pr\u00f3prio STF o declarou inaplic\u00e1vel \u00e0s associa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas no ARE 1.339.496 AgR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Cl\u00e1usula estatut\u00e1ria on\u00edvora \u00e9 justamente o problema; o v\u00ednculo institucional com o direito tutelado precisa ser espec\u00edfico, n\u00e3o ret\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Sem categoria definida, sem pertin\u00eancia tem\u00e1tica e sem um associado sequer sob a autoridade coatora, falham a representa\u00e7\u00e3o adequada e o pr\u00f3prio interesse jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o de assembleia n\u00e3o conserta a falta de pertin\u00eancia tem\u00e1tica; o defeito est\u00e1 na inadequa\u00e7\u00e3o da entidade, n\u00e3o na formalidade do mandato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria n\u00e3o substitui legitimidade; o controle \u00e9 da adequa\u00e7\u00e3o do substituto processual, n\u00e3o da import\u00e2ncia do tema.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se uma associa\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter gen\u00e9rico possui legitimidade ativa para impetrar mandado de seguran\u00e7a coletivo sem a indica\u00e7\u00e3o nominal de seus associados e sem a comprova\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, quando inexistente demonstra\u00e7\u00e3o de associados alcan\u00e7ados pelos atos da autoridade coatora na respectiva circunscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre, ainda, examinar a incid\u00eancia da tese firmada no Tema n. 1.119\/STF ao caso, \u00e0 vista da natureza gen\u00e9rica da associa\u00e7\u00e3o impetrante e da aus\u00eancia de pertin\u00eancia tem\u00e1tica espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ordenamento brasileiro, em situa\u00e7\u00f5es especiais, autoriza o manejo da substitui\u00e7\u00e3o processual, instituto pelo qual um legitimado extraordin\u00e1rio &#8211; v.g. partido pol\u00edtico, sindicato, entidade de classe ou associa\u00e7\u00e3o &#8211; atua em nome pr\u00f3prio, mas na defesa de interesse alheio, sendo dispensada a autoriza\u00e7\u00e3o especial dos substitu\u00eddos nessa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, imp\u00f5e-se o controle material da adequa\u00e7\u00e3o da legitimidade extraordin\u00e1ria, porquanto a entidade impetrante deve manter v\u00ednculo estatut\u00e1rio e institucional com o direito cuja tutela pretende, de modo a assegurar que sua atua\u00e7\u00e3o esteja efetivamente voltada \u00e0 defesa dos interesses do grupo representado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre a tem\u00e1tica da necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o expressa dos substitu\u00eddos no <em>writ<\/em> coletivo ajuizado por associa\u00e7\u00e3o, o Supremo Tribunal Federal julgou o ARE n. 1.293.130\/SP-RG (Tema n. 1.119\/STF) sob o rito da repercuss\u00e3o geral, sedimentando a tese de ser &#8220;desnecess\u00e1ria a autoriza\u00e7\u00e3o expressa dos associados, a rela\u00e7\u00e3o nominal destes, bem como a comprova\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, para a cobran\u00e7a de valores pret\u00e9ritos de t\u00edtulo judicial decorrente de mandado de seguran\u00e7a coletivo impetrado por entidade associativa de car\u00e1ter civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 quest\u00e3o da legitimidade de associa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, o tema foi objeto de pronunciamento expresso do STF, ao julgar o ARE n. 1.339.496 AgR, afastando-se a aplica\u00e7\u00e3o do Tema n. 1.119\/STF para essa espec\u00edfica hip\u00f3tese, consolidando que tais entidades n\u00e3o possuem legitimidade ativa para impetrar mandado de seguran\u00e7a coletivo sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa ou identifica\u00e7\u00e3o m\u00ednima dos substitu\u00eddos, por aus\u00eancia de pertin\u00eancia tem\u00e1tica e de delimita\u00e7\u00e3o de categoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, verifica-se que a associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o demonstrou a exist\u00eancia de associados submetidos \u00e0 autoridade coatora na circunscri\u00e7\u00e3o e ostenta objeto social indeterminado, o que afasta a representa\u00e7\u00e3o adequada e o interesse jur\u00eddico para a tutela pretendida.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-excecao-de-pre-executividade-parcial-e-sucumbencia-reciproca\" class=\"wp-block-heading\">7. EXCE\u00c7\u00c3O DE PR\u00c9-EXECUTIVIDADE PARCIAL E SUCUMB\u00caNCIA REC\u00cdPROCA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade parcialmente acolhida, <strong>N\u00c3O cabe sucumb\u00eancia rec\u00edproca<\/strong>: condenar o executado em honor\u00e1rios na exce\u00e7\u00e3o e, de novo, na continua\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o <strong>caracterizaria indevido <em>bis in idem<\/em><\/strong>; somente o exequente responde pela verba, na medida do proveito do executado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.243.944-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 10\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Executada pela Fazenda, a Sumiu Express apresentou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade e derrubou parte do cr\u00e9dito cobrado; a outra parte sobreviveu, e a execu\u00e7\u00e3o seguiu por ela. O ju\u00edzo ent\u00e3o repartiu a conta dos honor\u00e1rios entre os dois lados, como faria em qualquer sucumb\u00eancia parcial. A defesa protestou fazendo as contas do futuro, pois sobre o saldo remanescente da execu\u00e7\u00e3o ainda incidir\u00e3o honor\u00e1rios pr\u00f3prios. Pagar na exce\u00e7\u00e3o e pagar de novo na execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pagar duas vezes pelo mesmo fato?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Sucumb\u00eancia na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade<\/strong> <em>(constru\u00e7\u00e3o jurisprudencial: rejeitada a exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o do executado, porque a execu\u00e7\u00e3o simplesmente prossegue; acolhida, ainda que em parte, o exequente paga honor\u00e1rios sobre a fatia exclu\u00edda).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Na parcela em que o executado n\u00e3o teve \u00eaxito, a execu\u00e7\u00e3o continua e nela haver\u00e1, eventualmente, condena\u00e7\u00e3o honor\u00e1ria pr\u00f3pria, calculada sobre o montante restante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Impor ao executado honor\u00e1rios tamb\u00e9m na exce\u00e7\u00e3o significaria cobr\u00e1-lo duas vezes pelo mesmo fato, o que o julgado veda expressamente como <em>bis in idem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Vista de perto, a decis\u00e3o de origem parecia aritm\u00e9tica elementar. Cada parte ganhou e perdeu um peda\u00e7o, <strong>e o art. 86 do CPC manda distribuir os \u00f4nus proporcionalmente<\/strong> nas derrotas m\u00fatuas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A aritm\u00e9tica esquecia que a exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, e sim incidente dentro de uma execu\u00e7\u00e3o que continua viva. Sobre o cr\u00e9dito remanescente <strong>a verba honor\u00e1ria vir\u00e1 no seu pr\u00f3prio momento e pela sua pr\u00f3pria base<\/strong>; a derrota parcial do executado j\u00e1 tem pre\u00e7o marcado adiante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Fecha-se assim um desenho coerente com a jurisprud\u00eancia anterior. Exce\u00e7\u00e3o rejeitada nunca gerou honor\u00e1rios contra o excipiente; <strong>acolhimento parcial n\u00e3o pode puni-lo mais do que a rejei\u00e7\u00e3o total<\/strong>, e a \u00fanica condena\u00e7\u00e3o poss\u00edvel no incidente \u00e9 a do exequente, sobre o que perdeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acolhida em parte a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, com prosseguimento da execu\u00e7\u00e3o pelo saldo, os honor\u00e1rios advocat\u00edcios:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) repartem-se entre as partes, aplicada a sucumb\u00eancia rec\u00edproca do processo de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) recaem sobre o exequente, vedada a dupla condena\u00e7\u00e3o do executado pelo mesmo fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) incidem contra o executado sobre a parcela mantida, desde logo, no pr\u00f3prio incidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) compensam-se integralmente, dado o resultado parcial obtido por cada litigante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) ficam diferidos por inteiro para a senten\u00e7a final da execu\u00e7\u00e3o, sem condena\u00e7\u00e3o no incidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A l\u00f3gica da sucumb\u00eancia rec\u00edproca n\u00e3o se transporta para o incidente; a fatia perdida pelo executado ter\u00e1 honor\u00e1rios pr\u00f3prios na execu\u00e7\u00e3o que prossegue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Condenar o excipiente na exce\u00e7\u00e3o e depois na continua\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o seria cobr\u00e1-lo duas vezes pelo mesmo fato, <em>bis in idem<\/em> que o REsp 2.243.944 afastou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Sobre a parcela mantida n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o no incidente; a verba correspondente ser\u00e1 calculada, adiante, sobre o montante restante da execu\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 o que compensar, porque s\u00f3 existe uma condena\u00e7\u00e3o poss\u00edvel no incidente, a do exequente sobre a fatia exclu\u00edda do cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A condena\u00e7\u00e3o do exequente pela parte acolhida \u00e9 imediata; o que se difere \u00e9 apenas a verba da execu\u00e7\u00e3o remanescente.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 an\u00e1lise do cabimento de condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia com base na parcela rejeitada de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade (EPE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou-se no sentido de que a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade rejeitada n\u00e3o imp\u00f5e ao excipiente\/executado a condena\u00e7\u00e3o ao \u00f4nus sucumbencial, pois, nesse caso, h\u00e1 o prosseguimento da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o acolhimento da exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, ainda que parcial, acarreta a condena\u00e7\u00e3o apenas da parte exequente a pagar honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O executado, por sua vez, n\u00e3o deve ser condenado. Isso porque, na parcela na qual o excipiente n\u00e3o tem sucesso, h\u00e1 a continuidade da execu\u00e7\u00e3o e, nela, eventualmente, haver\u00e1 condena\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria em honor\u00e1rios, calculada justamente sobre o montante restante da execu\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se autoriza, portanto, a sucumb\u00eancia rec\u00edproca na EPE parcialmente acolhida, visto que condenar o excipiente\/executado em honor\u00e1rios advocat\u00edcios tanto na EPE quanto na continua\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o principal, seria conden\u00e1-lo duas vezes pelo mesmo fato, caracterizando indevido <em>bis in idem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-pedido-administrativo-e-prescricao-da-repeticao-de-indebito\" class=\"wp-block-heading\">8. PEDIDO ADMINISTRATIVO E PRESCRI\u00c7\u00c3O DA REPETI\u00c7\u00c3O DE IND\u00c9BITO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pedido ou a impugna\u00e7\u00e3o administrativa, <strong>qualquer que seja sua forma ou fundamento, N\u00c3O interrompe o prazo prescricional da repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito<\/strong> tribut\u00e1rio (S\u00famula 625\/STJ): a pretens\u00e3o de reaver o pagamento indevido tem <strong>termo inicial pr\u00f3prio e disciplina aut\u00f4noma<\/strong>, que n\u00e3o se comunica com a discuss\u00e3o do lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.176.108-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A declara\u00e7\u00e3o de renda de Dona Clotilde caiu na malha fina, rendeu lan\u00e7amento em 2013 e, quando ela soube, recurso administrativo em 2015 postulando a revis\u00e3o. Perdeu na via administrativa, foi inscrita em d\u00edvida ativa e executada. Na a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, derrubou a CDA e a execu\u00e7\u00e3o, mas o pedido de devolu\u00e7\u00e3o do que pagara indevidamente esbarrou na prescri\u00e7\u00e3o quinquenal. Ela distinguia os requerimentos, um para revisar o lan\u00e7amento, outro para repetir o ind\u00e9bito. Brigar contra a cobran\u00e7a na via administrativa segura o prazo para pedir o dinheiro de volta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, arts. 165 e 168; S\u00famula 625\/STJ<\/strong> <em>(o direito de pleitear a restitui\u00e7\u00e3o extingue-se em cinco anos da extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio; o pedido administrativo de compensa\u00e7\u00e3o ou restitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o interrompe o prazo da a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o nem o da execu\u00e7\u00e3o contra a Fazenda).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda N\u00e3o existe, no sistema, previs\u00e3o legal que d\u00ea efeito interruptivo ao requerimento administrativo, seja qual for sua denomina\u00e7\u00e3o ou objeto; a legalidade estrita rege a prescri\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Desconstituir o lan\u00e7amento e reaver valores pagos s\u00e3o pretens\u00f5es distintas, com prazos que correm separados; a anula\u00e7\u00e3o da CDA afasta a exigibilidade do cr\u00e9dito, mas n\u00e3o ressuscita a prescri\u00e7\u00e3o j\u00e1 consumada da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Do ponto de vista da contribuinte, a exig\u00eancia beirava o absurdo. Quem discute administrativamente a validade do lan\u00e7amento <strong>teria de ajuizar a repeti\u00e7\u00e3o antes de saber se o tributo era mesmo indevido<\/strong>, multiplicando demandas por cautela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Duro ou n\u00e3o, o desenho \u00e9 o da lei. Prescri\u00e7\u00e3o se interrompe nas hip\u00f3teses que a norma enumera, e o CTN n\u00e3o incluiu o requerimento administrativo entre elas; <strong>criar a interrup\u00e7\u00e3o por via interpretativa afrontaria a legalidade estrita<\/strong> que governa a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A distin\u00e7\u00e3o entre as pretens\u00f5es completa o racioc\u00ednio. Anular a CDA mata a cobran\u00e7a dali em diante, <strong>mas o direito de reaver o que j\u00e1 saiu do bolso nasceu na data do pagamento<\/strong> e corre desde a extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, indiferente \u00e0s batalhas travadas sobre o lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao efeito do requerimento administrativo de revis\u00e3o do lan\u00e7amento sobre o prazo da a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito tribut\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) interrompe a prescri\u00e7\u00e3o, reiniciando o quinqu\u00eanio a partir da decis\u00e3o administrativa definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) suspende o prazo enquanto pendente a an\u00e1lise do pedido pela autoridade fazend\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) nenhum efeito produz sobre a prescri\u00e7\u00e3o, que flui independentemente da provoca\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) reabre o prazo quando a CDA vem a ser anulada em ju\u00edzo, restaurando-se a pretens\u00e3o restituit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) aproveita ao contribuinte se o pedido versar sobre a mesma mat\u00e9ria da futura repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Falta previs\u00e3o legal para a interrup\u00e7\u00e3o; a S\u00famula 625\/STJ nega esse efeito ao pedido administrativo, qualquer que seja sua forma ou fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Tampouco h\u00e1 suspens\u00e3o; a n\u00e3o ser nos casos que a pr\u00f3pria norma preveja, o prazo segue fluindo durante a discuss\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. \u00c9 a aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula 625\/STJ feita no REsp 2.176.108: a pretens\u00e3o restituit\u00f3ria tem termo inicial pr\u00f3prio e n\u00e3o se comunica com a impugna\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Derrubar a CDA encerra a cobran\u00e7a dali em diante, sem reabrir, por si, prescri\u00e7\u00e3o j\u00e1 consumada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A identidade de mat\u00e9ria \u00e9 irrelevante; o que define o resultado \u00e9 a aus\u00eancia de regra atributiva de efeito interruptivo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 aplicabilidade do enunciado 625 da S\u00famula do STJ ao caso de impugna\u00e7\u00e3o a glosa realizada pela Receita Federal que culminou em inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa e execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Narra a recorrente que apresentou sua Declara\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda de Pessoa F\u00edsica (DIRPF) relativa ao exerc\u00edcio fiscal de 2011 (ano-calend\u00e1rio 2010), a qual ficou retida no setor de malha fiscal pela Receita Federal. Em decorr\u00eancia de supostas inconsist\u00eancias apuradas pelo Fisco, foi lavrada Notifica\u00e7\u00e3o de Lan\u00e7amento em 8\/7\/2013, constituindo cr\u00e9dito tribut\u00e1rio em seu desfavor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Afirma que somente teria tomado ci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o em per\u00edodo posterior, o que ensejou a apresenta\u00e7\u00e3o de recurso administrativo, em 20\/8\/2015, postulando a revis\u00e3o de sua DIRPF e a desconstitui\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento. O processo administrativo culminou na manuten\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio e posterior inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa, ensejando o ajuizamento de execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contra o d\u00e9bito inscrito, a recorrente ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, na qual foi declarada a nulidade da CDA e extinta a execu\u00e7\u00e3o fiscal. Todavia, o pedido de repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito formulado na mesma demanda foi julgado improcedente, sob o fundamento de ocorr\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o quinquenal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em seu recurso, a parte autora sustenta que o requerimento administrativo apresentado em 2015 &#8211; voltado \u00e0 revis\u00e3o do lan\u00e7amento e que deu origem \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal &#8211; n\u00e3o se confunde com o pedido de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito posteriormente formulado em ju\u00edzo, defendendo, por isso, a inaplicabilidade da S\u00famula 625 do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, o enunciado n. 625 da S\u00famula do STJ determina que &#8220;O pedido administrativo de compensa\u00e7\u00e3o ou de restitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o interrompe o prazo prescricional para a a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito tribut\u00e1rio de que trata o art. 168 do CTN nem o da execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo judicial contra a Fazenda P\u00fablica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A raz\u00e3o desse entendimento sumular sintetiza a inexist\u00eancia, no sistema normativo, de previs\u00e3o legal de interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional para a a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito pelo simples requerimento na via administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a regra geral relacionada \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito est\u00e1 prevista no art. 168 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e assim disp\u00f5e: &#8220;O direito de pleitear a restitui\u00e7\u00e3o extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I &#8211; nas hip\u00f3teses dos incisos I e II do art. 165, da data da extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1, no C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, regra que atribua efeito interruptivo ao requerimento administrativo, seja qual for a sua denomina\u00e7\u00e3o ou objeto espec\u00edfico. Ao rev\u00e9s, a jurisprud\u00eancia consolidada do STJ \u00e9 no sentido de que a provoca\u00e7\u00e3o administrativa n\u00e3o tem o cond\u00e3o de interromper o prazo prescricional da a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A respeito do tema referente \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pelo protocolo de pedido administrativo, as turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ j\u00e1 se manifestaram sobre o tema, firmando o entendimento de que o pedido administrativo n\u00e3o interrompe o prazo prescricional.&#8221; (REsp n. 815.738\/MG, relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 9\/10\/2007, DJ de 25\/10\/2007, p. 127.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a pretens\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito, fundada no alegado pagamento indevido, possui termo inicial pr\u00f3prio e disciplina prescricional aut\u00f4noma, que n\u00e3o se comunica com a posterior discuss\u00e3o acerca da glosa realizada pela Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, s\u00e3o pretens\u00f5es distintas a de desconstituir o lan\u00e7amento formalizado e a de reaver os valores indevidamente recolhidos. A anula\u00e7\u00e3o da CDA afasta a exigibilidade do cr\u00e9dito executado, mas n\u00e3o reabre, por si s\u00f3, o prazo prescricional j\u00e1 consumado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, admitir a tese recursal implicaria reconhecer, por via interpretativa, hip\u00f3tese de interrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista no ordenamento, em afronta ao princ\u00edpio da legalidade estrita que rege a disciplina da prescri\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria. Destarte, a n\u00e3o ser nos casos em que a pr\u00f3pria norma preveja a interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional, ele seguir\u00e1 fluindo, independentemente de questionamento na via administrativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-penhora-em-conta-do-conjuge-na-comunhao-universal\" class=\"wp-block-heading\">9. PENHORA EM CONTA DO C\u00d4NJUGE NA COMUNH\u00c3O UNIVERSAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No regime da comunh\u00e3o universal, <strong>\u00e9 poss\u00edvel penhorar valores em contas banc\u00e1rias do c\u00f4njuge que n\u00e3o integra o polo passivo<\/strong>, resguardada a mea\u00e7\u00e3o (CPC, art. 790, IV; CC, art. 1.667): a constri\u00e7\u00e3o recai sobre patrim\u00f4nio do pr\u00f3prio executado; <strong>a exclusividade ou incomunicabilidade do bem se demonstra por embargos de terceiro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.145.365-SP, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 22\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O credor de Tib\u00farcio, executado sem saldo nas pr\u00f3prias contas, requereu o bloqueio dos valores depositados em nome de Josefina, esposa dele sob comunh\u00e3o universal e estranha ao processo. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias barraram a medida em nome da pessoalidade da responsabilidade patrimonial. S\u00f3 que, naquele regime, o casal forma um patrim\u00f4nio \u00fanico, e metade do que est\u00e1 na conta dela pertence a ele. O nome impresso no cart\u00e3o do banco vale mais que o regime de bens?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 1.667 e 1.668; CPC, arts. 674, \u00a7 2\u00ba, I, 790, IV, e 843<\/strong> <em>(a comunh\u00e3o universal comunica todos os bens presentes e futuros, salvo as exce\u00e7\u00f5es legais; respondem pela execu\u00e7\u00e3o os bens do c\u00f4njuge nos casos em que seus bens ou os comuns respondem pela d\u00edvida; o c\u00f4njuge defende sua propriedade por embargos de terceiro; na aliena\u00e7\u00e3o de bem indivis\u00edvel preserva-se a mea\u00e7\u00e3o alheia em dinheiro).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Formando-se patrim\u00f4nio \u00fanico entre os consortes, a penhora de valores em conta da esposa n\u00e3o responsabiliza terceiro; alcan\u00e7a a mea\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio devedor tem naqueles fundos, por for\u00e7a do regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Se a constri\u00e7\u00e3o atingir bem pr\u00f3prio ou fruto da mea\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge (CC, art. 1.668), a via de rea\u00e7\u00e3o \u00e9 a dos embargos de terceiro, que afastam a presun\u00e7\u00e3o de comunicabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A recusa das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias traduzia um dogma respeit\u00e1vel. Execu\u00e7\u00e3o atinge o devedor, <strong>e conta banc\u00e1ria de quem nunca foi citado parece o retrato do patrim\u00f4nio alheio<\/strong>, intoc\u00e1vel sem responsabiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O regime de bens desfaz a apar\u00eancia. Casados em comunh\u00e3o universal, Tib\u00farcio e Josefina n\u00e3o t\u00eam dois patrim\u00f4nios que se tocam, t\u00eam um s\u00f3 que se reparte idealmente, <strong>e metade do saldo em qualquer conta do casal \u00e9 dinheiro do executado<\/strong>; bloquear essa metade \u00e9 penhorar bem do devedor, n\u00e3o do terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A prote\u00e7\u00e3o da esposa continua de p\u00e9, apenas muda de endere\u00e7o. Bens pr\u00f3prios e a mea\u00e7\u00e3o dela seguem intoc\u00e1veis, <strong>defendidos pelos embargos de terceiro<\/strong> quando a constri\u00e7\u00e3o passar da linha, e a aliena\u00e7\u00e3o de coisa indivis\u00edvel reserva-lhe a metade em dinheiro (CPC, art. 843).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na execu\u00e7\u00e3o movida apenas contra um dos c\u00f4njuges casados sob comunh\u00e3o universal, os valores em conta banc\u00e1ria de titularidade exclusiva do outro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) s\u00e3o impenhor\u00e1veis, pois a responsabilidade patrimonial n\u00e3o alcan\u00e7a quem n\u00e3o integra o polo passivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) podem ser penhorados na totalidade, comunicada a d\u00edvida pelo regime de bens adotado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sujeitam-se \u00e0 constri\u00e7\u00e3o condicionada a pr\u00e9via desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade do casal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exigem a cita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge para integrar a lide antes de atos constritivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) podem ser penhorados com resguardo da mea\u00e7\u00e3o, por alcan\u00e7ar a medida patrim\u00f4nio do pr\u00f3prio executado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A titularidade formal da conta n\u00e3o isola o dinheiro do regime de bens; a mea\u00e7\u00e3o do devedor naqueles valores responde pela d\u00edvida (CPC, art. 790, IV).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A comunicabilidade tem limite exato na mea\u00e7\u00e3o alheia; penhorar o todo atingiria patrim\u00f4nio que n\u00e3o pertence ao executado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o existe &#8220;personalidade do casal&#8221; a desconsiderar; a comunica\u00e7\u00e3o decorre diretamente do art. 1.667 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pressuposto da penhora sobre a mea\u00e7\u00e3o do devedor; o contradit\u00f3rio do c\u00f4njuge se exerce nos embargos de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Foi o que decidiu a Quarta Turma no REsp 2.145.365: a constri\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a a metade do executado nos fundos comuns, e o c\u00f4njuge defende exclusividades pela via dos embargos de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia diz respeito a agravo de instrumento interposto contra decis\u00e3o que indeferiu o bloqueio, via Sisbajud, de valores existentes em contas banc\u00e1rias de titularidade da esposa do executado, por ser terceira estranha \u00e0 lide e n\u00e3o respons\u00e1vel pela d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte estadual manteve a decis\u00e3o agravada, negando provimento ao agravo de instrumento, ao afirmar que a responsabilidade patrimonial limita-se \u00e0 pessoa do executado e que \u00e9 inadmiss\u00edvel a penhora sobre numer\u00e1rio em conta de titularidade exclusiva de quem n\u00e3o integra o polo passivo, ainda que casados sob comunh\u00e3o universal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, mostra-se patente a vulnera\u00e7\u00e3o do art. 790, IV, do C\u00f3digo de Processo Civil e do art. 1.667 do C\u00f3digo Civil, pois a mea\u00e7\u00e3o do executado responde pela d\u00edvida e a constri\u00e7\u00e3o deve recair sobre patrim\u00f4nio comunic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, no regime da comunh\u00e3o universal de bens, forma-se um \u00fanico patrim\u00f4nio entre os consortes, o qual engloba todos os cr\u00e9ditos e d\u00e9bitos de cada um individualmente, com exce\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses previstas no art. 1.668 do C\u00f3digo Civil. Por essa raz\u00e3o, revela-se perfeitamente poss\u00edvel a constri\u00e7\u00e3o judicial de bens do c\u00f4njuge do devedor, casado sob o regime da comunh\u00e3o universal de bens, ainda que o c\u00f4njuge n\u00e3o tenha sido parte no processo, resguardada, obviamente, a sua mea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em responsabiliza\u00e7\u00e3o de terceiro (c\u00f4njuge) pela d\u00edvida do executado, pois a penhora recair\u00e1 sobre bens de propriedade do pr\u00f3prio devedor, decorrentes de sua mea\u00e7\u00e3o nos bens em nome de sua esposa, em virtude do regime adotado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por derradeiro, vale salientar que, caso a medida constritiva recaia sobre bem de propriedade exclusiva do c\u00f4njuge do devedor &#8211; bem pr\u00f3prio, nos termos do art. 1.668 do C\u00f3digo Civil, ou decorrente de sua mea\u00e7\u00e3o -, o meio processual para impugnar essa constri\u00e7\u00e3o, a fim de se afastar a presun\u00e7\u00e3o de comunicabilidade, ser\u00e1 pela via dos embargos de terceiro, a teor do que disp\u00f5e o art. 674, \u00a7 2\u00ba, I, do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-suspeicao-de-perito-preclusao-e-pericia-anulada\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; SUSPEI\u00c7\u00c3O DE PERITO, PRECLUS\u00c3O E PER\u00cdCIA ANULADA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A suspei\u00e7\u00e3o do perito judicial <strong>deve ser arguida na primeira oportunidade em que a parte falar nos autos<\/strong>, sob pena de preclus\u00e3o; <strong>a anula\u00e7\u00e3o da per\u00edcia por v\u00edcio procedimental N\u00c3O reabre o prazo<\/strong> para argui\u00e7\u00e3o fundada em fato pret\u00e9rito e conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.579.704-PR, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kiko conhecia, desde o in\u00edcio, o fato que a seu ver comprometia a isen\u00e7\u00e3o do perito nomeado, e silenciou; a argui\u00e7\u00e3o tardia foi declarada preclusa. Tempos depois, a per\u00edcia caiu por um defeito de percurso, pois o expert n\u00e3o avisou formalmente as partes sobre a data e o local do in\u00edcio dos trabalhos. Refeita a prova pelo mesmo profissional, a suspei\u00e7\u00e3o antiga voltou \u00e0 mesa como se fosse nova. Anular o exame ressuscita a obje\u00e7\u00e3o que morreu por sil\u00eancio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC\/1973, art. 138, III e \u00a7 1\u00ba<\/strong> <em>(aplicam-se ao perito os motivos de impedimento e suspei\u00e7\u00e3o do juiz, argu\u00edveis em peti\u00e7\u00e3o fundamentada na primeira oportunidade em que couber \u00e0 parte falar nos autos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A imparcialidade do expert \u00e9 pressuposto de confiabilidade da prova t\u00e9cnica, mas a parte ciente do fato comprometedor n\u00e3o pode anuir \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o, aguardar o resultado e s\u00f3 ent\u00e3o suscitar o v\u00edcio conhecido (nulidade de algibeira).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A nulidade reconhecida atingiu a forma dos trabalhos, n\u00e3o o ato de nomea\u00e7\u00e3o; a nova per\u00edcia \u00e9 renova\u00e7\u00e3o do ato probat\u00f3rio, n\u00e3o nova investidura do perito, e nada reabre quanto a fato pret\u00e9rito j\u00e1 precluso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Solu\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria premiaria a nulidade de algibeira, comportamento incompat\u00edvel com a boa-f\u00e9 objetiva processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 H\u00e1 um argumento sedutor do lado da parte. Se a per\u00edcia inteira foi refeita, <strong>tudo o que diz respeito \u00e0 prova renasceria com ela<\/strong>, inclusive o direito de questionar quem a produz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O que renasceu foi o ato, n\u00e3o o agente. A anula\u00e7\u00e3o puniu a falta de ci\u00eancia formal sobre data e local dos trabalhos, defeito de procedimento que em nada toca a nomea\u00e7\u00e3o; <strong>o perito seguiu investido desde o primeiro dia<\/strong>, e o prazo para recus\u00e1-lo venceu na primeira oportunidade perdida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Por tr\u00e1s da t\u00e9cnica, uma quest\u00e3o de lealdade. Guardar a suspei\u00e7\u00e3o no bolso para sac\u00e1-la conforme o resultado \u00e9 a cl\u00e1ssica nulidade de algibeira, <strong>estrat\u00e9gia que a boa-f\u00e9 objetiva n\u00e3o tolera<\/strong> e que transformaria a imparcialidade em ferramenta de conveni\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anulada a per\u00edcia por v\u00edcio na execu\u00e7\u00e3o dos trabalhos, a argui\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o do perito fundada em fato anterior e j\u00e1 conhecido das partes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) readquire cabimento, renovando-se com a prova os prazos a ela relacionados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) permanece preclusa, atingida pela nulidade a prova em si e n\u00e3o a nomea\u00e7\u00e3o do expert.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) converte-se em impedimento, argu\u00edvel sem limite temporal, por envolver a validade da prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) transfere-se ao juiz, que deve examin\u00e1-la de of\u00edcio ao designar o refazimento da per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) condiciona-se \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo concreto advindo do primeiro laudo anulado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A renova\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a o ato probat\u00f3rio invalidado; prazos ligados a fato pret\u00e9rito e conhecido n\u00e3o ressuscitam com o refazimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Sem nova investidura do perito n\u00e3o nasce novo prazo; o REsp 1.579.704 manteve a preclus\u00e3o consumativa sobre o fato antigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Suspei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se converte em impedimento por conveni\u00eancia argumentativa; cada instituto tem hip\u00f3teses e regime pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O exame de of\u00edcio n\u00e3o foi cogitado; a lei imp\u00f5e \u00e0 parte interessada o \u00f4nus de arguir o v\u00edcio no momento oportuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Preju\u00edzo do laudo anulado \u00e9 quest\u00e3o da nulidade j\u00e1 resolvida; a suspei\u00e7\u00e3o preclusa n\u00e3o renasce por essa porta.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a anula\u00e7\u00e3o de per\u00edcia, por v\u00edcio procedimental na execu\u00e7\u00e3o dos trabalhos, teve o efeito de reabrir a possibilidade de argui\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o do perito com fundamento em fato preexistente, j\u00e1 conhecido pelas partes e anteriormente reputado precluso pelo Tribunal de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 138, III e \u00a7 1\u00ba, do CPC de 1973 estabelece que se aplicam ao perito os motivos de impedimento e suspei\u00e7\u00e3o previstos para o juiz, incumbindo, \u00e0 parte interessada, argui-los em peti\u00e7\u00e3o fundamentada e devidamente instru\u00edda, na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A disciplina legal \u00e9 clara ao submeter a argui\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o do perito a momento processual pr\u00f3prio. Embora a imparcialidade do expert constitua pressuposto de validade e confiabilidade da prova t\u00e9cnica, a parte n\u00e3o pode, ciente do fato que reputa comprometedor da isen\u00e7\u00e3o do auxiliar do ju\u00edzo, silenciar no momento oportuno, anuir \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o ou aguardar o desenvolvimento da prova para somente depois suscitar v\u00edcio anteriormente conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a assentou que a exce\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o deve observar o prazo legal contado da ci\u00eancia dos fatos, n\u00e3o sendo admiss\u00edvel a reitera\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia com base em fatos id\u00eanticos aos j\u00e1 apreciados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a nulidade reconhecida incidiu sobre a forma de realiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos periciais, e n\u00e3o sobre o ato de nomea\u00e7\u00e3o do perito. A per\u00edcia foi anulada porque o expert deixou de cientificar formalmente as partes e seus assistentes t\u00e9cnicos acerca da data e do local designados para o in\u00edcio dos trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A consequ\u00eancia processual dessa nulidade foi a necessidade de refazimento da prova, e n\u00e3o a desconstitui\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica da nomea\u00e7\u00e3o do perito ou a reabertura do prazo para argui\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o fundada em fato pret\u00e9rito e j\u00e1 conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A nova per\u00edcia representava mera renova\u00e7\u00e3o do ato probat\u00f3rio anteriormente invalidado, e n\u00e3o nova investidura do perito judicial apta a reabrir prazo para argui\u00e7\u00e3o de impedimento ou suspei\u00e7\u00e3o fundada em circunst\u00e2ncia pret\u00e9rita e plenamente conhecida das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a solu\u00e7\u00e3o em sentido diverso, al\u00e9m de contrariar a regra expressa do art. 138, \u00a7 1\u00ba, do CPC de 1973, terminaria por admitir comportamento processual incompat\u00edvel com a boa-f\u00e9 objetiva e com a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 chamada nulidade de algibeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-droga-trazida-por-visitante-e-falta-grave-do-preso\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DROGA TRAZIDA POR VISITANTE E FALTA GRAVE DO PRESO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tentativa de ingresso de entorpecente em estabelecimento prisional <strong>por visitante previamente cadastrada, com droga destinada ao preso<\/strong>, configura conduta t\u00edpica de crime doloso e <strong>falta disciplinar grave (LEP, art. 52), ainda que a subst\u00e2ncia seja interceptada na portaria<\/strong>, demonstrada a participa\u00e7\u00e3o do apenado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HC 1.037.481-SP, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revista da portaria flagrou o entorpecente com Neide, companheira cadastrada de Godines, que cumpria pena na unidade. A droga, apuraram as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, destinava-se exclusivamente a ele, com sua ci\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o. A defesa alegou responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva por v\u00ednculo afetivo e mero ato preparat\u00f3rio, j\u00e1 que nada chegou \u00e0s celas. Quem manda buscar, escolhe a portadora e espera a entrega participa do qu\u00ea, exatamente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 52; CP, art. 29; Lei n. 11.343\/2006, art. 33<\/strong> <em>(a pr\u00e1tica de fato previsto como crime doloso constitui falta grave; quem concorre de qualquer modo para o crime responde na medida de sua culpabilidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia distingue a mera solicita\u00e7\u00e3o de droga pelo preso, ato preparat\u00f3rio impun\u00edvel sem in\u00edcio do <em>iter criminis<\/em>, do transporte ou tentativa de ingresso pelo visitante, conduta t\u00edpica mesmo com intercepta\u00e7\u00e3o antes da entrega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A imputa\u00e7\u00e3o disciplinar exige prova da participa\u00e7\u00e3o do apenado, n\u00e3o bastando o v\u00ednculo afetivo com a visitante; no caso, o dom\u00ednio do fato pelo preso afastou a responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva e o apelo \u00e0 intranscend\u00eancia penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Para a falta grave, dispensa-se a consuma\u00e7\u00e3o dentro do estabelecimento; a chegada da droga \u00e0 portaria j\u00e1 \u00e9 etapa execut\u00f3ria dirigida \u00e0 viola\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a prisional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa tinha dois trilhos e ambos conhecidos. Pela intranscend\u00eancia, <strong>o ato da visitante n\u00e3o poderia castigar o visitado<\/strong>; pela teoria do crime, droga barrada na entrada nem teria sa\u00eddo da prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Os fatos apurados desmontaram o primeiro trilho. N\u00e3o se puniu o v\u00ednculo, puniu-se a participa\u00e7\u00e3o comprovada, <strong>com o preso no comando da empreitada<\/strong>, decidindo o que viria, por quem e para quem; coautoria pela regra elementar do art. 29 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O segundo trilho parou na portaria. Transporte da subst\u00e2ncia at\u00e9 a unidade \u00e9 execu\u00e7\u00e3o em marcha, frustrada apenas pela vigil\u00e2ncia, <strong>e a disciplina prisional n\u00e3o espera a droga circular nas galerias<\/strong> para reagir; a tentativa dolosa j\u00e1 fere a seguran\u00e7a que o art. 52 da LEP protege.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Interceptada na portaria do pres\u00eddio a droga trazida por visitante cadastrada, destinada ao apenado com sua ci\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o, a conduta do preso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) caracteriza falta disciplinar grave, presente a coautoria em fato previsto como crime doloso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) configura responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva, fundada no puro v\u00ednculo com a visitante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 at\u00edpica, pois a intercepta\u00e7\u00e3o impediu o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) limita-se \u00e0 esfera penal, sem repercuss\u00e3o no regime disciplinar da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende da apreens\u00e3o da droga em seu poder para justificar a san\u00e7\u00e3o disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Foi o que assentou a Quinta Turma no HC 1.037.481: coautoria no tr\u00e1fico tentado em contexto de viola\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a prisional, subsumida ao art. 52 da LEP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A san\u00e7\u00e3o apoiou-se na prova de participa\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio do fato pelo apenado, n\u00e3o no afeto que o ligava \u00e0 portadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Prepara\u00e7\u00e3o impun\u00edvel \u00e9 a mera solicita\u00e7\u00e3o sem transporte; a chegada da subst\u00e2ncia \u00e0 unidade \u00e9 etapa execut\u00f3ria id\u00f4nea, ainda que frustrada pela revista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O mesmo fato repercute nas duas esferas; a falta grave \u00e9 justamente a consequ\u00eancia disciplinar da pr\u00e1tica de crime doloso na execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A posse direta pelo preso nunca foi requisito; basta a conduta dolosa dirigida \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do il\u00edcito, com sua participa\u00e7\u00e3o demonstrada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o reconhecimento de falta disciplinar grave fundada em tentativa de ingresso de entorpecente em estabelecimento prisional por interm\u00e9dio de visitante do apenado configura (i) responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva; (ii) mera prepara\u00e7\u00e3o at\u00edpica; ou (iii) se est\u00e1 amparado em prova id\u00f4nea de participa\u00e7\u00e3o do sentenciado, \u00e0 luz do princ\u00edpio da intranscend\u00eancia penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que a mera solicita\u00e7\u00e3o de entorpecente por preso a visitante, sem a efetiva entrega no estabelecimento prisional, constitui ato preparat\u00f3rio impun\u00edvel, por aus\u00eancia de in\u00edcio do <em>iter criminis<\/em> do tr\u00e1fico. Diversamente, o transporte ou a tentativa de ingresso da droga no pres\u00eddio pelo visitante configura conduta t\u00edpica do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006, ainda que a subst\u00e2ncia seja interceptada antes da entrega ao destinat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal posicionamento, entretanto, imp\u00f5e reflex\u00e3o cr\u00edtica por parte do STJ, sobretudo diante do expressivo e preocupante aumento da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina vinculada a delitos de tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse respeito, estudos emp\u00edricos demonstram que o sistema de justi\u00e7a criminal, em mat\u00e9ria de drogas, opera predominantemente a partir de situa\u00e7\u00f5es de flagrante e de contextos relacionais imediatos, nos quais a imputa\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i a partir da vincula\u00e7\u00e3o direta entre o destinat\u00e1rio da droga e o agente intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias assentaram que o entorpecente foi introduzido na unidade prisional por interm\u00e9dio de visitante diretamente vinculada ao apenado, cadastrada como sua companheira, e que a subst\u00e2ncia destinava-se exclusivamente a ele, com sua ci\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o, afastando a alega\u00e7\u00e3o de ato exclusivo de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a imputa\u00e7\u00e3o disciplinar n\u00e3o se fundamenta em responsabilidade objetiva decorrente do mero v\u00ednculo afetivo com a visitante, mas na conclus\u00e3o probat\u00f3ria de que a tentativa de ingresso da droga no pres\u00eddio ocorreu em benef\u00edcio e com participa\u00e7\u00e3o do apenado, que detinha dom\u00ednio sobre a realiza\u00e7\u00e3o do fato, concentrando o poder de decis\u00e3o sobre a ocorr\u00eancia e o modo de execu\u00e7\u00e3o da conduta t\u00edpica, o que afasta a invoca\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da intranscend\u00eancia penal e a tese de responsabilidade objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na execu\u00e7\u00e3o penal, a configura\u00e7\u00e3o da falta grave n\u00e3o exige a consuma\u00e7\u00e3o do delito no interior do estabelecimento, bastando a pr\u00e1tica de conduta que constitua crime doloso ou sua tentativa em contexto de viola\u00e7\u00e3o das regras de seguran\u00e7a prisional. A introdu\u00e7\u00e3o &#8211; ainda que frustrada na portaria &#8211; de subst\u00e2ncia entorpecente destinada a preso, por interm\u00e9dio de visitante por ele indicado, consubstancia, em si, comportamento que atenta contra a disciplina e a seguran\u00e7a do estabelecimento, subsumindo-se ao art. 52 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste sentido, a tentativa de ingresso de droga no pres\u00eddio por meio de visitante previamente cadastrada n\u00e3o constitui prepara\u00e7\u00e3o remota ou indiferente penal-disciplinar, mas etapa execut\u00f3ria id\u00f4nea e concretamente dirigida \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do objeto il\u00edcito na unidade, frustrada apenas pela atua\u00e7\u00e3o do aparato de vigil\u00e2ncia. Trata-se de conduta t\u00edpica no \u00e2mbito penal e disciplinar, ainda que o entorpecente n\u00e3o tenha ultrapassado a barreira f\u00edsica da portaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, \u00e0 luz do art. 29 do C\u00f3digo Penal, o preso que concorre, de qualquer modo, para o crime de tr\u00e1fico de drogas praticado por interm\u00e9dio de visitante \u00e9 coautor ou part\u00edcipe na medida de sua culpabilidade, n\u00e3o havendo como afastar sua responsabilidade pelo transporte da subst\u00e2ncia entorpecente at\u00e9 o estabelecimento prisional quando demonstrado o v\u00ednculo funcional entre destinat\u00e1rio e intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-julgamento-de-promotor-por-orgao-fracionario-do-tribunal\" class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; JULGAMENTO DE PROMOTOR POR \u00d3RG\u00c3O FRACION\u00c1RIO DO TRIBUNAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 v\u00e1lida a <strong>atribui\u00e7\u00e3o regimental a \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio do Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong> da compet\u00eancia para processar e julgar, originariamente, membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual: <strong>a garantia \u00e9 de julgamento pelo Tribunal, n\u00e3o pelo seu Plen\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.042.816-RO, Rel. Min. Nilsoni de Freitas (Des. convocada do TJDFT), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Denunciado por crime comum, o promotor Teobaldo contestou o tribunal que o julgaria por dentro: as C\u00e2maras Criminais Reunidas, e n\u00e3o o Pleno, conduziriam a a\u00e7\u00e3o penal origin\u00e1ria, por obra do regimento interno. Para a defesa, prerrogativa de foro de membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico exigiria a corte inteira reunida. O foro garante a casa ou garante o sal\u00e3o principal da casa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 96, I, a; Lei n. 8.625\/1993, art. 40, IV<\/strong> <em>(compete privativamente aos tribunais elaborar seus regimentos e dispor sobre a compet\u00eancia de seus \u00f3rg\u00e3os; o membro do MP tem a garantia de julgamento origin\u00e1rio pelo Tribunal de Justi\u00e7a, sem indica\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o interno).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Na ADI 5.175, o STF assentou que a garantia constitucional \u00e9 de julgamento pelo Tribunal, e n\u00e3o pelo Plen\u00e1rio; o STJ segue a mesma trilha desde o HC 340.586.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A <em>ratio decidendi<\/em> est\u00e1 na autonomia regimental para repartir internamente a compet\u00eancia atribu\u00edda \u00e0 corte como um todo, indiferente \u00e0 natureza do cargo do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura defensiva partia da solenidade do foro. Se a prerrogativa protege a fun\u00e7\u00e3o ministerial, <strong>o colegiado m\u00e1ximo daria a medida dessa prote\u00e7\u00e3o<\/strong>, longe das c\u00e2maras menores e de suas composi\u00e7\u00f5es reduzidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prerrogativa de foro fixa o degrau da jurisdi\u00e7\u00e3o, nada diz sobre a sala. Quem distribui compet\u00eancias dentro do tribunal \u00e9 o regimento, <strong>por delega\u00e7\u00e3o direta do art. 96, I, a, da Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>; e a Lei Org\u00e2nica Nacional do MP, ao garantir o julgamento &#8220;pelo Tribunal de Justi\u00e7a&#8221;, parou exatamente a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f C\u00e2maras reunidas, ali\u00e1s, nada t\u00eam de diminutas. Trata-se de colegiado qualificado, <strong>e a validade dessa reparti\u00e7\u00e3o interna j\u00e1 foi chancelada pelo STF e pelo STJ<\/strong> para autoridades diversas; o cargo do acusado n\u00e3o muda a r\u00e9gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a compet\u00eancia para o processo e julgamento origin\u00e1rio de membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual por crime comum:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) pertence ao Tribunal Pleno, \u00fanico \u00f3rg\u00e3o que realiza a garantia da prerrogativa de foro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige lei estadual espec\u00edfica, insuficiente a previs\u00e3o meramente regimental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) desloca-se ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a quando o regimento local silenciar sobre o \u00f3rg\u00e3o competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) pode ser atribu\u00edda pelo regimento interno a \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio do Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) varia conforme a gravidade do delito, reservados os crimes mais graves ao Plen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O que a prerrogativa assegura \u00e9 a corte como um todo, n\u00e3o o seu \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo, como definiu o STF na ADI 5.175.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A previs\u00e3o regimental basta, pois decorre de compet\u00eancia privativa que a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o atribui aos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Sil\u00eancio regimental n\u00e3o desloca a compet\u00eancia constitucionalmente fixada no Tribunal de Justi\u00e7a; resolve-se pela via interna da corte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. O art. 96, I, a, da CF entrega ao regimento a reparti\u00e7\u00e3o interna das compet\u00eancias; c\u00e2maras criminais reunidas podem receber validamente a a\u00e7\u00e3o penal origin\u00e1ria contra o promotor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nenhuma grada\u00e7\u00e3o por gravidade existe; a distribui\u00e7\u00e3o interna vale para os crimes comuns em geral.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-10\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a compet\u00eancia origin\u00e1ria para processar e julgar membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual por crime comum pertence ao Tribunal Pleno ou se pode ser atribu\u00edda a \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio pelo Regimento Interno do Tribunal de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 96, I, a, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal confere aos tribunais compet\u00eancia privativa para elaborar seus regimentos internos, neles dispondo sobre a compet\u00eancia e o funcionamento dos respectivos \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais. Por sua vez, o art. 40, IV, da Lei n. 8.625\/1993, assegura ao membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico o julgamento origin\u00e1rio pelo Tribunal de Justi\u00e7a, sem indicar qual \u00f3rg\u00e3o interno deve faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi nesse espa\u00e7o normativo que o Regimento Interno do Tribunal de Justi\u00e7a estadual atribuiu \u00e0s C\u00e2maras Criminais Reunidas a compet\u00eancia para processar e julgar, originariamente, nos crimes comuns, os membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A garantia constitucional, portanto, \u00e9 de julgamento pelo Tribunal, e n\u00e3o pelo seu Plen\u00e1rio, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 5.175\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que reputa v\u00e1lida a atribui\u00e7\u00e3o, por norma regimental, do processamento e julgamento de autoridade com prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o a grupo de c\u00e2maras criminais (HC 340.586\/RJ, Ministro Rog\u00e9rio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 2\/2\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ratio decidendi dos precedentes citados est\u00e1 na autonomia regimental do tribunal para repartir internamente a compet\u00eancia que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal lhe atribuiu como um todo, e n\u00e3o na natureza do cargo ocupado pelo acusado.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-investigacao-de-autoridade-com-foro-sem-autorizacao-previa\" class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; INVESTIGA\u00c7\u00c3O DE AUTORIDADE COM FORO SEM AUTORIZA\u00c7\u00c3O PR\u00c9VIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o de autoridade com foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o <strong>N\u00c3O exige autoriza\u00e7\u00e3o judicial pr\u00e9via<\/strong>, bastando a <strong>supervis\u00e3o judicial posterior<\/strong>, salvo exig\u00eancia normativa espec\u00edfica; a averigua\u00e7\u00e3o preliminar da plausibilidade da not\u00edcia-crime n\u00e3o se confunde com investiga\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.042.816-RO, Rel. Min. Nilsoni de Freitas (Des. convocada do TJDFT), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de pedir qualquer autoriza\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico recebeu not\u00edcia an\u00f4nima envolvendo o promotor Teobaldo e examinou dados que j\u00e1 estavam judicializados em processos conexos, sem requisitar prova nova contra ele. S\u00f3 depois provocou o Tribunal de Justi\u00e7a, que autorizou o procedimento investigat\u00f3rio. A defesa postulou a contamina\u00e7\u00e3o de todo o acervo, datando a investiga\u00e7\u00e3o do primeiro olhar sobre os autos alheios. Checar a plausibilidade de uma dela\u00e7\u00e3o ap\u00f3crifa j\u00e1 \u00e9 investigar o detentor de foro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Supervis\u00e3o judicial das investiga\u00e7\u00f5es de autoridades<\/strong> <em>(na aus\u00eancia de exig\u00eancia normativa espec\u00edfica, a apura\u00e7\u00e3o contra detentor de prerrogativa de foro dispensa autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do tribunal competente, sujeitando-se ao seu controle posterior).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STF distingue as dilig\u00eancias de aferi\u00e7\u00e3o da plausibilidade m\u00ednima da not\u00edcia-crime da investiga\u00e7\u00e3o propriamente dita; a averigua\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o usurpa a prerrogativa de foro (Rcl 69.164 AgR).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo concreto ao investigado, a falta de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o gera nulidade; no caso, a an\u00e1lise inicial recaiu sobre dados j\u00e1 acessados judicialmente em feitos conexos e precedeu a provoca\u00e7\u00e3o do tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O receio defensivo n\u00e3o era fantasioso. Se o \u00f3rg\u00e3o acusador pudesse apurar \u00e0 vontade antes de bater \u00e0 porta do tribunal, <strong>a prerrogativa de foro viraria formalidade de fim de linha<\/strong>, acionada quando o caso j\u00e1 estivesse pronto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Entre a apura\u00e7\u00e3o selvagem e o engessamento total existe o meio-termo que a jurisprud\u00eancia desenhou. Verificar se uma den\u00fancia an\u00f4nima tem p\u00e9 e cabe\u00e7a, <strong>sobre material j\u00e1 judicializado e sem requisi\u00e7\u00e3o de prova nova<\/strong>, \u00e9 triagem de plausibilidade, n\u00e3o devassa contra o detentor de foro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Cruzada a fronteira da investiga\u00e7\u00e3o formal, o controle existe e funcionou, com o Tribunal de Justi\u00e7a autorizando o procedimento antes de qualquer dilig\u00eancia aut\u00f4noma. <strong>Nulidade exigiria preju\u00edzo concreto demonstrado<\/strong>, e nenhum apareceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 apura\u00e7\u00e3o criminal envolvendo autoridade com foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o, ausente exig\u00eancia normativa espec\u00edfica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) exige autoriza\u00e7\u00e3o judicial pr\u00e9via, contaminando-se o acervo colhido antes dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) depende de aval do Procurador-Geral de Justi\u00e7a, autoridade m\u00e1xima do \u00f3rg\u00e3o investigante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite-se com supervis\u00e3o judicial posterior, distinguindo-se a averigua\u00e7\u00e3o preliminar da investiga\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) s\u00f3 pode iniciar-se por determina\u00e7\u00e3o de of\u00edcio do tribunal competente para o foro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) veda o aproveitamento de dados de processos conexos, ainda que judicialmente acessados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o \u00e9 pressuposto geral; sem norma espec\u00edfica que a exija, vale a supervis\u00e3o posterior, e a nulidade ainda dependeria de preju\u00edzo concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nenhum aval interno do MP foi erigido em requisito; a discuss\u00e3o gira em torno do controle judicial, pr\u00e9vio ou posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Na linha do AgRg no HC 1.042.816, afinada com o STF: triagem de plausibilidade n\u00e3o \u00e9 investiga\u00e7\u00e3o formal, e esta se sujeita ao controle posterior do tribunal do foro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A iniciativa apurat\u00f3ria n\u00e3o depende de impulso oficial da corte; o tribunal supervisiona, n\u00e3o inaugura a apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O exame de dados j\u00e1 judicializados em feitos conexos foi exatamente o que legitimou a fase preliminar no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-11\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se as provid\u00eancias adotadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual entre o recebimento da not\u00edcia an\u00f4nima e a autoriza\u00e7\u00e3o judicial configuraram investiga\u00e7\u00e3o formal de autoridade detentora de prerrogativa de foro, a contaminar todo o acervo probat\u00f3rio subsequente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal estadual consignou que a atua\u00e7\u00e3o preliminar do \u00f3rg\u00e3o ministerial limitou-se, no momento inicial, \u00e0 an\u00e1lise de dados j\u00e1 judicialmente acessados em processos conexos, n\u00e3o havendo requisi\u00e7\u00e3o ou coleta aut\u00f4noma de provas direcionadas contra pessoa com prerrogativa de foro antes da autoriza\u00e7\u00e3o judicial e que a verifica\u00e7\u00e3o preliminar antecedeu &#8211; e justificou &#8211; a provoca\u00e7\u00e3o do Tribunal competente, que autorizou a instaura\u00e7\u00e3o do Procedimento Investigat\u00f3rio Criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou-se no sentido de que, ausente exig\u00eancia normativa espec\u00edfica, a investiga\u00e7\u00e3o criminal de autoridade com foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o reclama autoriza\u00e7\u00e3o judicial pr\u00e9via, bastando a supervis\u00e3o judicial posterior, e a aus\u00eancia dessa autoriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o acarreta nulidade quando n\u00e3o demonstrado preju\u00edzo concreto ao investigado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o Supremo Tribunal Federal distingue, na aplica\u00e7\u00e3o dessa orienta\u00e7\u00e3o, as dilig\u00eancias destinadas a aferir a plausibilidade m\u00ednima da not\u00edcia-crime da investiga\u00e7\u00e3o criminal propriamente dita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa dire\u00e7\u00e3o, &#8220;A mera averigua\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o consubstancia realiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o pelo Parquet em detrimento da prerrogativa do foro da reclamante, mas, t\u00e3o somente, a realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias para fins de colheita de ind\u00edcios de pr\u00e1tica de crime contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica municipal, aptos a justificar a eventual instaura\u00e7\u00e3o de efetiva investiga\u00e7\u00e3o perante o Tribunal de Justi\u00e7a local&#8221; (STF, Rcl 69164 AgR, Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 24\/10\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-bf03853d-6154-483e-b7de-f9e9583a3077\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/07085420\/stj-info-899.pdf\">STJ &#8211; Info 899<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/07085420\/stj-info-899.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-bf03853d-6154-483e-b7de-f9e9583a3077\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 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