{"id":1805221,"date":"2026-09-02T09:10:19","date_gmt":"2026-09-02T12:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1805221"},"modified":"2026-09-02T09:10:22","modified_gmt":"2026-09-02T12:10:22","slug":"informativo-stf-1226-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1226-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1226 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/02090734\/stf-info-1226.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_sfiozJT9EV8\"><div id=\"lyte_sfiozJT9EV8\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/sfiozJT9EV8\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/sfiozJT9EV8\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/sfiozJT9EV8\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-auditores-fiscais-e-subtetos-apos-a-reforma-tributaria\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; AUDITORES FISCAIS E SUBTETOS AP\u00d3S A REFORMA TRIBUT\u00c1RIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os auditores fiscais da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria estadual, distrital e municipal <strong>submetem-se ao teto e aos subtetos remunerat\u00f3rios do art. 37, XI, da CF<\/strong>, pois <strong>N\u00c3O constituem carreira de car\u00e1ter nacional<\/strong>, mesmo ap\u00f3s a reforma tribut\u00e1ria da EC n. 132\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.882\/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines, auditor fiscal de carreira estadual, via o contracheque esbarrar todo m\u00eas no subteto do governador, enquanto colegas da Receita Federal alcan\u00e7avam o teto do STF. Com a reforma tribut\u00e1ria e a arrecada\u00e7\u00e3o integrada do novo Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS), a categoria enxergou a chance e levou a tese ao Supremo. Fiscalizar tributo agora seria fun\u00e7\u00e3o nacional, como a magistratura e o Minist\u00e9rio P\u00fablico. De um lado, a integra\u00e7\u00e3o federativa da arrecada\u00e7\u00e3o; de outro, o or\u00e7amento de cada ente. Qual dos dois define o limite do contracheque?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, XI (reda\u00e7\u00e3o da EC n. 41\/2003)<\/strong> <em>(o teto geral \u00e9 o subs\u00eddio dos Ministros do STF; nos estados e munic\u00edpios valem os subtetos do governador, dos deputados, dos desembargadores e do prefeito, conforme o Poder).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O sistema de subtetos prestigia a autonomia administrativa, financeira e pol\u00edtica dos entes e a separa\u00e7\u00e3o de poderes, permitindo solu\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias compat\u00edveis com cada realidade regional (RE 609.381, Tema 480).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Judici\u00e1rio e Minist\u00e9rio P\u00fablico exercem parcela direta da soberania una e indivis\u00edvel, da\u00ed o tratamento nacional; a fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria nasce da compet\u00eancia impositiva que a Constitui\u00e7\u00e3o repartiu entre os entes, e a carreira segue o desenho descentralizado do Executivo a que se vincula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A EC n. 132\/2023 integrou a arrecada\u00e7\u00e3o sem centralizar gest\u00e3o de pessoal, remunera\u00e7\u00e3o, provimento ou regime disciplinar; atua\u00e7\u00e3o integrada n\u00e3o \u00e9 nacionaliza\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 ocorre na sa\u00fade e na seguran\u00e7a p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O paralelo invocado pela categoria tinha charme constitucional. Se ju\u00edzes e promotores estaduais escapam do subteto por integrarem carreiras de \u00edndole nacional, <strong>auditores que alimentam um imposto compartilhado por todos os entes mereceriam r\u00e9gua id\u00eantica<\/strong>, sobretudo depois que a reforma criou comit\u00ea gestor e arrecada\u00e7\u00e3o unificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A analogia morre na origem das fun\u00e7\u00f5es. Jurisdi\u00e7\u00e3o e persecu\u00e7\u00e3o penal emanam da soberania estatal, que n\u00e3o se reparte; <strong>a compet\u00eancia de tributar foi expressamente dividida pela Constitui\u00e7\u00e3o entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios<\/strong>, e o auditor fiscaliza o tributo do seu ente, pago pelo or\u00e7amento do seu ente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Quanto ao argumento da reforma, o texto da EC n. 132\/2023 desmente a tese. Integrar sistemas de cobran\u00e7a e criar inst\u00e2ncias de coordena\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o unifica planos de carreira nem estruturas remunerat\u00f3rias<\/strong>; cada fisco continua preso \u00e0s receitas e \u00e0s leis do seu ente, e o subteto respectivo permanece sendo a medida do contracheque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 submiss\u00e3o dos auditores fiscais estaduais, distritais e municipais aos limites remunerat\u00f3rios constitucionais, ap\u00f3s a EC n. 132\/2023:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) aplicam-se-lhes o teto do STF, reconhecido o car\u00e1ter nacional da carreira com a reforma tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) escapam dos subtetos, por for\u00e7a do art. 156-A da CF, os auditores vinculados ao comit\u00ea gestor do IBS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) equiparam-se aos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, dada a simetria das fun\u00e7\u00f5es essenciais ao Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) o regime varia conforme o tributo fiscalizado, nacional para o IBS e local para os demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) permanecem sujeitos ao teto e aos subtetos do art. 37, XI, conforme a esfera federativa a que vinculados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Carreira nacional pressup\u00f5e fun\u00e7\u00e3o que decorre da soberania una; a fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria espelha a compet\u00eancia impositiva repartida, e a reforma n\u00e3o mudou essa natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A ades\u00e3o a estruturas de coordena\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o altera o v\u00ednculo funcional e or\u00e7ament\u00e1rio de cada auditor com o pr\u00f3prio ente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O tratamento nacional de magistratura e MP tem raiz pr\u00f3pria; nenhuma simetria foi reconhecida em favor dos fiscos locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 regime h\u00edbrido por tributo; o limite remunerat\u00f3rio acompanha o ente empregador, seja qual for o imposto fiscalizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. \u00c0 unanimidade, a ADI 7.882 assentou a constitucionalidade do art. 37, XI, e a plena sujei\u00e7\u00e3o dos auditores aos limites da respectiva esfera federativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os auditores fiscais da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria estadual, distrital e municipal submetem-se ao teto e aos subtetos remunerat\u00f3rios previstos no art. 37, XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, haja vista que n\u00e3o constituem carreira de car\u00e1ter nacional, mesmo ap\u00f3s a reforma tribut\u00e1ria implementada pela Emenda Constitucional (EC) n\u00ba 132\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sistema de subtetos remunerat\u00f3rios inserido pela EC n\u00ba 41\/2003 (CF, art. 37, XI) \u00e9 compat\u00edvel com o texto constitucional, pois prestigia a autonomia administrativa, financeira e pol\u00edtica dos entes federados e o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o de poderes. A autonomia de estados e munic\u00edpios para fixar tetos de menor valor em suas respectivas esferas permite-lhes desenhar solu\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias compat\u00edveis com suas realidades financeiras e necessidades regionais, tratando igualmente os iguais e desigualmente os desiguais (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diversamente do que ocorre com as carreiras do Poder Judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico, os auditores fiscais n\u00e3o integram carreira de \u00edndole nacional, o que inviabiliza a aplica\u00e7\u00e3o uniforme do teto federal \u00e0s suas remunera\u00e7\u00f5es. Enquanto aquelas carreiras se caracterizam pelo exerc\u00edcio de compet\u00eancias que decorrem direta e incontornavelmente da soberania estatal, una e indivis\u00edvel, a atividade de fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria fundamenta-se na compet\u00eancia impositiva que a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o repartiu e descentralizou entre os diversos entes federados. A carreira de auditoria fiscal, portanto, reflete o arranjo descentralizado do Poder Executivo ao qual est\u00e1 vinculada, estruturando-se a partir da autonomia administrativa, financeira e pol\u00edtica de cada ente pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, a EC n\u00ba 132\/2023 (Reforma Tribut\u00e1ria) n\u00e3o alterou essa realidade federativa. As integra\u00e7\u00f5es funcionais estabelecidas na reforma buscam modernizar e coordenar a arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, sem promover a centraliza\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o de pessoal ou a unifica\u00e7\u00e3o de estruturas remunerat\u00f3rias, planos de carreira, regras de provimento ou regimes disciplinares. Como ocorre nos sistemas de sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablicas, a atua\u00e7\u00e3o integrada n\u00e3o equivale \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o das carreiras envolvidas, as quais continuam vinculadas \u00e0s receitas, aos or\u00e7amentos e \u00e0s leis de cada ente federado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o e assentou a constitucionalidade do art. 37, XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (com reda\u00e7\u00e3o dada pela EC n\u00ba 41\/2003) (2), esclarecendo, assim, a plena submiss\u00e3o dos vencimentos dos auditores fiscais ao teto e aos subtetos remunerat\u00f3rios, conforme a esfera federativa a que est\u00e3o vinculados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: RE 226.473, ADI 2.087 MC, RE 491.051 AgR, AI 716.442 AgR e RE 609.381 (Tema 480 RG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CF\/1988: \u201cArt. 37. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte: (&#8230;) XI &#8211; a remunera\u00e7\u00e3o e o subs\u00eddio dos ocupantes de cargos, fun\u00e7\u00f5es e empregos p\u00fablicos da administra\u00e7\u00e3o direta, aut\u00e1rquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes pol\u00edticos e os proventos, pens\u00f5es ou outra esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria, percebidos cumulativamente ou n\u00e3o, inclu\u00eddas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, n\u00e3o poder\u00e3o exceder o subs\u00eddio mensal, em esp\u00e9cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Munic\u00edpios, o subs\u00eddio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subs\u00eddio mensal do Governador no \u00e2mbito do Poder Executivo, o subs\u00eddio dos Deputados Estaduais e Distritais no \u00e2mbito do Poder Legislativo e o subs\u00eddio dos Desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco cent\u00e9simos por cento do subs\u00eddio mensal, em esp\u00e9cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no \u00e2mbito do Poder Judici\u00e1rio, aplic\u00e1vel este limite aos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, aos Procuradores e aos Defensores P\u00fablicos;&nbsp;(Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 41, 19.12.2003)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-medidas-protetivas-para-toda-violencia-de-genero\" class=\"wp-block-heading\">2. MEDIDAS PROTETIVAS PARA TODA VIOL\u00caNCIA DE G\u00caNERO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medidas protetivas de urg\u00eancia da Lei Maria da Penha <strong>aplicam-se a toda forma de viol\u00eancia contra a mulher baseada no g\u00eanero<\/strong>, dentro ou fora do \u00e2mbito dom\u00e9stico, familiar ou afetivo; o ju\u00edzo materialmente incompetente <strong>aprecia o pedido havendo risco imediato e remete os autos ao ju\u00edzo competente<\/strong>; a prote\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero; e delegados e policiais podem conceder as medidas nas situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARE 1.537.713\/MG, Rel. Min. Edson Fachin, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento finalizado em 19\/8\/2026 (Tema 1.412 RG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ivone registrou boletim de ocorr\u00eancia contra o vizinho, convencido de um namoro que s\u00f3 existia na cabe\u00e7a dele e autor de amea\u00e7as de morte cada vez mais expl\u00edcitas. O pedido de medidas protetivas esbarrou numa leitura corrente da Lei n. 11.340\/2006, feita para o \u00e2mbito dom\u00e9stico, familiar ou de rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto, e vizinho n\u00e3o \u00e9 marido, parente nem ex. &#8220;Preciso ter alguma rela\u00e7\u00e3o com o agressor para merecer prote\u00e7\u00e3o?&#8221;, resumiu a defesa da v\u00edtima ao levar o caso \u00e0 repercuss\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.340\/2006, art. 19<\/strong> <em>(as medidas protetivas podem ser concedidas de imediato, independentemente de audi\u00eancia, de tipifica\u00e7\u00e3o penal, de inqu\u00e9rito ou de boletim de ocorr\u00eancia, e vigoram enquanto persistir o risco).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong> <em>(compromisso do Estado brasileiro de prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia contra a mulher nas esferas p\u00fablica e privada, incorporado com estatura supralegal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tese 1: as medidas protetivas valem para toda viol\u00eancia de g\u00eanero, independentemente do cen\u00e1rio dom\u00e9stico, familiar ou afetivo, aplicadas pelo ju\u00edzo competente para avaliar o risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tese 2: apresentado o pedido a ju\u00edzo materialmente incompetente, havendo risco imediato \u00e0 integridade f\u00edsica ou ps\u00edquica, ele defere a medida e encaminha os autos \u00e0 vara especializada, onde houver, para ratifica\u00e7\u00e3o ou reforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tese 3: a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero (C\u00f3digo Eleitoral, art. 326-B) tamb\u00e9m atrai a prote\u00e7\u00e3o, na compet\u00eancia da Justi\u00e7a Eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tese 4: a autoridade policial pode deferi-las nas urg\u00eancias, nos termos da ADI 6.138.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura restritiva n\u00e3o era capricho. O art. 5\u00ba da lei desenha seu campo com tr\u00eas cen\u00e1rios (unidade dom\u00e9stica, fam\u00edlia e rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto), e <strong>estender o microssistema a qualquer agress\u00e3o de g\u00eanero pareceria reescrever a lei<\/strong> que o legislador limitou de prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O par\u00e2metro de julgamento, por\u00e9m, n\u00e3o era s\u00f3 a lei interna. A Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1 obriga o Brasil a proteger a mulher da viol\u00eancia de g\u00eanero <strong>nas esferas p\u00fablica e comunit\u00e1ria, n\u00e3o apenas atr\u00e1s da porta de casa<\/strong>; ler o art. 19 de modo estreito produziria d\u00e9ficit protetivo e descumprimento de tratado supralegal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Das teses processuais, a mais engenhosa resolve o drama da porta errada. Ju\u00edzo incompetente n\u00e3o devolve a v\u00edtima \u00e0 fila; <strong>defere a prote\u00e7\u00e3o diante do risco imediato e depois remete os autos<\/strong> para ratifica\u00e7\u00e3o ou reforma pela vara especializada. Compet\u00eancia se corrige; feminic\u00eddio, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O alcance completo aparece nas duas pontas finais. A candidata assediada por ser mulher encontra amparo na Justi\u00e7a Eleitoral (art. 326-B do C\u00f3digo Eleitoral), e a mulher amea\u00e7ada numa sexta \u00e0 noite <strong>n\u00e3o precisa esperar o f\u00f3rum abrir, porque delegado e policial podem conceder a medida<\/strong>, como j\u00e1 validado na ADI 6.138.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o alcance das medidas protetivas de urg\u00eancia da Lei n. 11.340\/2006, conforme a repercuss\u00e3o geral:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) protegem a mulher contra a viol\u00eancia baseada no g\u00eanero, ainda que o agressor seja estranho ao conv\u00edvio dom\u00e9stico, familiar ou afetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) restringem-se aos cen\u00e1rios dom\u00e9stico, familiar e de rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto descritos na pr\u00f3pria lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) dependem de inqu\u00e9rito instaurado e de tipifica\u00e7\u00e3o penal definida para que o juiz possa conced\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) devem ser indeferidas pelo ju\u00edzo materialmente incompetente, com remessa dos autos sem exame do pedido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) excluem a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero, confinada \u00e0s san\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do C\u00f3digo Eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. \u00c9 a primeira tese do Tema 1.412, constru\u00edda \u00e0 luz da Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1; a v\u00edtima de vizinho, colega ou desconhecido movido por raz\u00f5es de g\u00eanero tem direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A leitura confinada aos tr\u00eas cen\u00e1rios legais gera d\u00e9ficit protetivo e viola compromissos internacionais de estatura supralegal, como assentou o Plen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O art. 19, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, dispensa tipifica\u00e7\u00e3o, inqu\u00e9rito, a\u00e7\u00e3o penal e at\u00e9 boletim de ocorr\u00eancia; as medidas s\u00e3o aut\u00f4nomas e vigoram enquanto durar o risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Havendo risco imediato, o ju\u00edzo incompetente defere a medida e s\u00f3 ent\u00e3o encaminha os autos \u00e0 vara especializada para ratifica\u00e7\u00e3o ou reforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero (art. 326-B do C\u00f3digo Eleitoral) tamb\u00e9m atrai as medidas protetivas, com compet\u00eancia da Justi\u00e7a Eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201c1. As medidas protetivas de urg\u00eancia previstas na Lei n\u00ba 11.340\/2006 aplicam-se a toda forma de viol\u00eancia contra a mulher baseada no g\u00eanero, independentemente de sua ocorr\u00eancia no \u00e2mbito dom\u00e9stico, familiar ou em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto, devendo ser aplicadas pelo ju\u00edzo competente para apreciar a situa\u00e7\u00e3o de risco \u00e0 integridade da ofendida;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. O requerimento de medida protetiva de urg\u00eancia apresentado a ju\u00edzo materialmente incompetente deve ser apreciado em seu m\u00e9rito, a fim de deferir a medida, quando houver risco imediato \u00e0 integridade f\u00edsica ou ps\u00edquica da v\u00edtima, com o encaminhamento imediato dos autos ao ju\u00edzo competente, \u00e0 Vara Especializada em Viol\u00eancia contra a Mulher, onde houver, para ratifica\u00e7\u00e3o ou reforma da decis\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. A prote\u00e7\u00e3o em face da viol\u00eancia de g\u00eanero contra a mulher compreende a viol\u00eancia pol\u00edtica, fato tipificado no art. 326-B do C\u00f3digo Eleitoral, de compet\u00eancia, nesta hip\u00f3tese, da justi\u00e7a eleitoral;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. Cabe a concess\u00e3o de medidas protetivas inclusive por delegados de pol\u00edcia ou agentes policiais, nos termos da ADI 6.138 (Relator Ministro Alexandre de Moraes), nas situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia de amea\u00e7a ou viol\u00eancia de g\u00eanero contra a mulher.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em raz\u00e3o do compromisso de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres assumido pelo Estado brasileiro diante da Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol\u00eancia contra a Mulher (Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1), as medidas protetivas de urg\u00eancia previstas na Lei n\u00ba 11.340\/2006 n\u00e3o se restringem ao \u00e2mbito dom\u00e9stico ou afetivo, abarcando toda forma de viol\u00eancia contra a mulher baseada em g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interpreta\u00e7\u00e3o literal e restritiva no \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o das medidas protetivas de urg\u00eancia previstas no art. 19 da Lei n\u00ba 11.340\/2006 (1) resulta em d\u00e9ficit protetivo e em descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es firmadas em tratados internacionais de direitos humanos incorporados pelo ordenamento jur\u00eddico brasileiro como estrutura supralegal. Desse modo, essas medidas protetivas devem ser tamb\u00e9m aplicadas aos fatos ocorridos nas esferas p\u00fablica e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, \u00e0 luz dos tratados internacionais de direitos humanos, a jurisprud\u00eancia dessa Corte tem sido decisiva para consolidar uma leitura constitucional orientada a resguardar a prote\u00e7\u00e3o efetiva da mulher frente \u00e0 viol\u00eancia baseada em g\u00eanero (2). \u00c9 importante ressaltar que as medidas protetivas de urg\u00eancia s\u00e3o aut\u00f4nomas e n\u00e3o dependem para sua aplica\u00e7\u00e3o do enquadramento penal formal ou da exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o penal em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a v\u00edtima registrou o boletim de ocorr\u00eancia na delegacia de pol\u00edcia, solicitou aplica\u00e7\u00e3o de medidas protetivas de urg\u00eancia, ressaltou as amea\u00e7as praticadas por vizinho, o qual acreditava manter com ela relacionamento amoroso e a teria amea\u00e7ado de morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, apreciando o Tema 1.412 da repercuss\u00e3o geral, deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio para reconhecer a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o das medidas protetivas de urg\u00eancia da Lei n\u00ba 11.340\/2006 a toda forma de viol\u00eancia contra a mulher baseada no g\u00eanero, independentemente de sua ocorr\u00eancia no \u00e2mbito dom\u00e9stico, familiar ou em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Lei n\u00ba 11.340\/2006: \u201cArt. 19. As medidas protetivas de urg\u00eancia poder\u00e3o ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou a pedido da ofendida. \u00a7 1\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia poder\u00e3o ser concedidas de imediato, independentemente de audi\u00eancia das partes e de manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, devendo este ser prontamente comunicado. \u00a7 2\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o aplicadas isolada ou cumulativamente, e poder\u00e3o ser substitu\u00eddas a qualquer tempo por outras de maior efic\u00e1cia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem amea\u00e7ados ou violados. \u00a7 3\u00ba Poder\u00e1 o juiz, a requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas protetivas de urg\u00eancia ou rever aquelas j\u00e1 concedidas, se entender necess\u00e1rio \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da ofendida, de seus familiares e de seu patrim\u00f4nio, ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico. \u00a7 4\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o concedidas em ju\u00edzo de cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria a partir do depoimento da ofendida perante a autoridade policial ou da apresenta\u00e7\u00e3o de suas alega\u00e7\u00f5es escritas e poder\u00e3o ser indeferidas no caso de avalia\u00e7\u00e3o pela autoridade de inexist\u00eancia de risco \u00e0 integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus dependentes. (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 14.550, de 2023) \u00a7 5\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o concedidas independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia, do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o penal ou c\u00edvel, da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou do registro de boletim de ocorr\u00eancia. (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 14.550, de 2023) \u00a7 6\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia vigorar\u00e3o enquanto persistir risco \u00e0 integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus dependentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADC 19, ADI 6.138 e ADI 7.267.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-seguro-obrigatorio-de-cargas-a-cargo-do-transportador\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; SEGURO OBRIGAT\u00d3RIO DE CARGAS A CARGO DO TRANSPORTADOR<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional a norma que atribui <strong>exclusivamente aos transportadores a contrata\u00e7\u00e3o dos seguros obrigat\u00f3rios do transporte rodovi\u00e1rio de cargas<\/strong> (Lei n. 11.442\/2007, art. 13, na reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.599\/2023): <strong>op\u00e7\u00e3o leg\u00edtima do legislador na regula\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica<\/strong>, sem elimina\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia nem restri\u00e7\u00e3o desproporcional \u00e0 liberdade contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.579\/DF, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, o caminhoneiro Jaiminho rodou sob ap\u00f3lices e planos de gerenciamento de risco escolhidos pelos donos das cargas, cada embarcador com suas exig\u00eancias, seus custos e suas seguradoras. A Lei n. 14.599\/2023 inverteu a chave e entregou ao transportador a contrata\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas seguros obrigat\u00f3rios do setor (danos \u00e0 carga, desaparecimento e danos a terceiros). Parte do mercado reagiu na a\u00e7\u00e3o direta, em nome da livre iniciativa e da autonomia contratual dos embarcadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.442\/2007, art. 13 (reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.599\/2023)<\/strong> <em>(s\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pelos transportadores os seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V; o dono da mercadoria conserva o seguro facultativo e pode exigir medidas adicionais, arcando com os custos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 22, VII, IX e XI, 170 e 174<\/strong> <em>(compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para seguros, transporte e tr\u00e2nsito; livre iniciativa e livre concorr\u00eancia submetidas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o normativa e reguladora do Estado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Restri\u00e7\u00f5es legislativas razo\u00e1veis \u00e0 atividade econ\u00f4mica s\u00e3o admitidas para corrigir assimetrias entre agentes e assegurar o funcionamento do mercado (ADI 6.218, Tema 970); a escolha do respons\u00e1vel pela contrata\u00e7\u00e3o est\u00e1 no espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A nova sistem\u00e1tica reduz a multiplicidade de ap\u00f3lices, fortalece o transportador na negocia\u00e7\u00e3o das coberturas e preserva a contrata\u00e7\u00e3o facultativa pelos embarcadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Para os autores da a\u00e7\u00e3o, o Estado havia escolhido um vencedor no balc\u00e3o. Retirar do dono da carga a gest\u00e3o do pr\u00f3prio risco <strong>feriria a autonomia da vontade no cora\u00e7\u00e3o do contrato de transporte<\/strong>, encarecendo a log\u00edstica sem ganho vis\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Livre iniciativa n\u00e3o \u00e9 fim em si mesma. O modelo anterior empilhava sobre o caminhoneiro ap\u00f3lices e planos de gerenciamento ditados por cada embarcador, <strong>assimetria que o legislador podia legitimamente corrigir<\/strong> ao concentrar no transportador a contrata\u00e7\u00e3o dos seguros da sua responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sobre o alcance real da mudan\u00e7a, vale o invent\u00e1rio do que permaneceu intacto. O embarcador segue livre para o seguro facultativo da mercadoria, pode exigir medidas adicionais pagando por elas e fiscaliza a ap\u00f3lice do transportador; <strong>concorr\u00eancia e seguran\u00e7a vi\u00e1ria n\u00e3o sofreram um arranh\u00e3o<\/strong>, e a improced\u00eancia foi un\u00e2nime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 norma que imp\u00f5e aos transportadores rodovi\u00e1rios de carga a contrata\u00e7\u00e3o exclusiva dos seguros obrigat\u00f3rios do setor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) viola a livre iniciativa, por retirar do propriet\u00e1rio da carga a gest\u00e3o contratual do pr\u00f3prio risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 inconstitucional na origem, ausentes relev\u00e2ncia e urg\u00eancia na medida provis\u00f3ria convertida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 v\u00e1lida, inserida no espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador e na fun\u00e7\u00e3o reguladora do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) vale para os seguros de dano \u00e0 carga, mas n\u00e3o para a cobertura de danos corporais a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de comprova\u00e7\u00e3o atuarial de redu\u00e7\u00e3o dos pr\u00eamios para que a exclusividade se sustente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A autonomia contratual dos embarcadores foi preservada no essencial (seguro facultativo, exig\u00eancias adicionais custeadas); a restri\u00e7\u00e3o imposta \u00e9 razo\u00e1vel e proporcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O STF entendeu que nenhuma aus\u00eancia manifesta dos pressupostos da medida provis\u00f3ria foi identificada (a barra aqui \u00e9 bem baixa, como se percebe), tampouco desvio de finalidade ou abuso de poder pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A defini\u00e7\u00e3o de quem contrata os seguros obrigat\u00f3rios cabe ao legislador federal (CF, art. 22, VII, IX e XI), e a op\u00e7\u00e3o corrigiu assimetrias sem eliminar a concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Os tr\u00eas seguros do art. 13 (carga, desaparecimento e danos a terceiros) ficaram sob contrata\u00e7\u00e3o do transportador, sem distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Prova atuarial n\u00e3o foi erigida em condi\u00e7\u00e3o de validade; bastou o ju\u00edzo de razoabilidade sobre a corre\u00e7\u00e3o das distor\u00e7\u00f5es do modelo anterior.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 por constituir op\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-normativa leg\u00edtima e razo\u00e1vel, inserida no espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador e na fun\u00e7\u00e3o reguladora do Estado sobre a atividade econ\u00f4mica \u2013 norma que atribui exclusivamente aos transportadores a contrata\u00e7\u00e3o dos seguros obrigat\u00f3rios relacionados ao transporte rodovi\u00e1rio de cargas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui privativamente \u00e0 Uni\u00e3o compet\u00eancia para legislar sobre seguros, diretrizes da pol\u00edtica nacional de transportes e tr\u00e2nsito e transporte (CF\/1988, art. 22, VII, IX e XI). No exerc\u00edcio dessa atribui\u00e7\u00e3o, cabe ao legislador federal disciplinar o regime de contrata\u00e7\u00e3o dos seguros obrigat\u00f3rios relacionados ao transporte rodovi\u00e1rio de cargas, observados os princ\u00edpios que regem a ordem econ\u00f4mica. Nesse contexto, a livre iniciativa, a autonomia da vontade e a livre concorr\u00eancia n\u00e3o possuem car\u00e1ter absoluto nem constituem fins em si mesmas, submetendo-se \u00e0 atividade normativa e reguladora do Estado e \u00e0 harmoniza\u00e7\u00e3o com os demais valores constitucionalmente protegidos (CF\/1988, arts. 170 e 174).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), o exerc\u00edcio da atividade econ\u00f4mica pode ser submetido a restri\u00e7\u00f5es legislativas razo\u00e1veis e proporcionais, destinadas a corrigir assimetrias entre os agentes econ\u00f4micos e assegurar o adequado funcionamento do mercado. Nesse sentido, a defini\u00e7\u00e3o do respons\u00e1vel pela contrata\u00e7\u00e3o dos seguros obrigat\u00f3rios no transporte rodovi\u00e1rio de cargas insere-se no espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador, desde que n\u00e3o elimine a concorr\u00eancia, nem imponha limita\u00e7\u00f5es desproporcionais \u00e0 liberdade contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a norma impugnada atribuiu aos transportadores a contrata\u00e7\u00e3o dos seguros obrigat\u00f3rios destinados \u00e0 cobertura de perdas ou danos causados \u00e0s cargas, de seu desaparecimento e dos danos materiais ou corporais provocados a terceiros. A altera\u00e7\u00e3o buscou corrigir distor\u00e7\u00f5es do modelo anterior, reduzir a multiplicidade de ap\u00f3lices e planos de gerenciamento de riscos impostos aos transportadores e fortalecer a participa\u00e7\u00e3o desses profissionais na negocia\u00e7\u00e3o das coberturas securit\u00e1rias, sem impedir que os propriet\u00e1rios das mercadorias contratem seguros facultativos ou exijam medidas adicionais de prote\u00e7\u00e3o. A nova sistem\u00e1tica, portanto, n\u00e3o elimina a concorr\u00eancia, n\u00e3o restringe desproporcionalmente a autonomia contratual dos embarcadores e tampouco compromete a vida e a seguran\u00e7a dos motoristas, a seguran\u00e7a nas estradas ou a sa\u00fade dos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, n\u00e3o se verificou manifesta aus\u00eancia dos requisitos de relev\u00e2ncia e urg\u00eancia para a edi\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria que deu origem ao diploma impugnado, nem desvio de finalidade ou abuso de poder pol\u00edtico (2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou&nbsp; improcedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a constitucionalidade do art. 13 da Lei n\u00ba 11.442\/2007, na reda\u00e7\u00e3o conferida pela Lei n\u00ba 14.599\/2023 (3).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 6.218, ADI 4.613 e RE 732.686 (Tema 970 RG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 7.093, ADI 6.534, ADI 5.599, ADI 5.018, ADI 4.717 e ADI 2.425.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n\u00ba 11.442\/2007: \u201cArt. 13. S\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria dos transportadores, prestadores do servi\u00e7o de transporte rodovi\u00e1rio de cargas, os seguros de: I &#8211; Responsabilidade Civil do Transportador Rodovi\u00e1rio de Carga (RCTR-C), para cobertura de perdas ou danos causados \u00e0 carga transportada em consequ\u00eancia de acidentes com o ve\u00edculo transportador, decorrentes de colis\u00e3o, de abalroamento, de tombamento, de capotamento, de inc\u00eandio ou de explos\u00e3o; II &#8211; Responsabilidade Civil do Transportador Rodovi\u00e1rio por Desaparecimento de Carga (RC-DC), para cobertura de roubo, de furto simples ou qualificado, de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, de estelionato e de extors\u00e3o simples ou mediante sequestro sobrevindos \u00e0 carga durante o transporte; e III &#8211; Responsabilidade Civil de Ve\u00edculo (RC-V), para cobertura de danos corporais e materiais causados a terceiros pelo ve\u00edculo automotor utilizado no transporte rodovi\u00e1rio de cargas. \u00a7 1\u00ba Os seguros previstos nos incisos I e II do <em>caput<\/em> deste artigo dever\u00e3o estar vinculados a Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR), estabelecido de comum acordo entre o transportador e sua seguradora, observado que o contratante do servi\u00e7o de transporte poder\u00e1 exigir obriga\u00e7\u00f5es ou medidas adicionais, relacionadas a opera\u00e7\u00e3o e\/ou a gerenciamento, arcando este com todos os custos e despesas inerentes a elas. \u00a7 2\u00ba Os seguros previstos nos incisos I, II e III do <em>caput<\/em> deste artigo n\u00e3o excluem nem impossibilitam a contrata\u00e7\u00e3o facultativa pelo transportador de outras coberturas para quaisquer perdas ou danos causados \u00e0 carga transportada n\u00e3o contempladas nos referidos seguros. \u00a7 3\u00ba O seguro de que trata o inciso III do <em>caput<\/em> deste artigo poder\u00e1 ser feito em ap\u00f3lice globalizada que envolva toda a frota do segurado, com cobertura m\u00ednima de 35.000 DES (trinta e cinco mil direitos especiais de saque) para danos corporais e de 20.000 DES (vinte mil direitos especiais de saque) para danos materiais. \u00a7 4\u00ba No caso de subcontrata\u00e7\u00e3o do TAC: I &#8211; os seguros previstos nos incisos I e II do <em>caput<\/em> deste artigo dever\u00e3o ser firmados pelo contratante do servi\u00e7o emissor do conhecimento de transporte e do manifesto de transporte, sendo o TAC considerado preposto do tomador de servi\u00e7os, n\u00e3o cabendo sub-roga\u00e7\u00e3o por parte da seguradora contra este; II &#8211; o seguro previsto no inciso III do <em>caput<\/em> deste artigo dever\u00e1 ser firmado pelo contratante do servi\u00e7o, por viagem, em nome do TAC subcontratado. \u00a7 5\u00ba Os seguros previstos nos incisos I e II do <em>caput<\/em> deste artigo ser\u00e3o contratados mediante ap\u00f3lice \u00fanica para cada ramo de seguro, por segurado, vinculados ao respectivo RNTR-C. \u00a7 6\u00ba Para fixa\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos advindos \u00e0 carga transportada, dever\u00e1 ser realizada a vistoria conjunta, pelo contratante do frete e pelo transportador, bem como pelas respectivas seguradoras, quando couber, consoante o disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 7\u00ba desta Lei. \u00a7 7\u00ba Todos os embarques realizados por transportadores, pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas, devem possuir as devidas coberturas securit\u00e1rias nos termos e condi\u00e7\u00f5es deste artigo. \u00a7 8\u00ba O propriet\u00e1rio da mercadoria, contratante do frete, independentemente da contrata\u00e7\u00e3o pelo transportador dos seguros que cobrem suas responsabilidades previstos nos incisos I e II do <em>caput<\/em> deste artigo, poder\u00e1, a seu crit\u00e9rio, contratar o seguro facultativo de transporte nacional para cobertura das perdas e danos dos bens e mercadorias de sua propriedade. \u00a7 9\u00ba O propriet\u00e1rio da mercadoria poder\u00e1, na contrata\u00e7\u00e3o do frete, exigir do transportador a c\u00f3pia da ap\u00f3lice de seguro com as condi\u00e7\u00f5es, o pr\u00eamio e o gerenciamento de risco contratados. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 14.599, de 2023)\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-remissao-de-multas-do-tribunal-de-contas-por-lei-do-executivo\" class=\"wp-block-heading\">4. REMISS\u00c3O DE MULTAS DO TRIBUNAL DE CONTAS POR LEI DO EXECUTIVO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o inconstitucionais as leis estaduais de iniciativa do Executivo que concedem <strong>remiss\u00e3o a d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios decorrentes de ressarcimentos, devolu\u00e7\u00f5es e multas aplicados pelo Tribunal de Contas<\/strong>: h\u00e1 invas\u00e3o da iniciativa legislativa da Corte de Contas e ofensa \u00e0 razoabilidade, \u00e0 proporcionalidade e \u00e0 moralidade administrativa; <strong>a lei posterior de iniciativa do pr\u00f3prio TCE n\u00e3o convalida os atos praticados<\/strong>, vedada a constitucionalidade superveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.446\/SC, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas leis catarinenses, ambas gestadas no Executivo, perdoaram em bloco os d\u00e9bitos de at\u00e9 R$ 20.000,00 e depois R$ 30.000,00 por processo impostos pelo TCE-SC a gestores de recursos repassados, entre multas, ressarcimentos e devolu\u00e7\u00f5es, extinguindo at\u00e9 as cobran\u00e7as j\u00e1 ajuizadas. Anos depois, uma terceira lei, agora de iniciativa da pr\u00f3pria Corte de Contas, excluiu as multas do perd\u00e3o, mas convalidou tudo o que se fizera sob as anteriores. O controle externo sancionou, o legislador apagou. Sobra alguma coisa do sistema de responsabilidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Leis n. 17.878\/2019, art. 19, n. 18.319\/2021, art. 37, e n. 18.851\/2024, todas de Santa Catarina<\/strong> <em>(remiss\u00e3o de d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios aplicados pelo TCE-SC abaixo de R$ 20.000,00 e R$ 30.000,00 por processo; a \u00faltima, de iniciativa da Corte de Contas, convalidava os atos praticados sob as duas primeiras).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Os Tribunais de Contas det\u00eam iniciativa privativa para o processo legislativo sobre sua organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento, o que abrange medidas que interfiram na efetividade das suas san\u00e7\u00f5es (ADI 6.846, ADI 5.323).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Perd\u00e3o concedido sem exame de economicidade ou efici\u00eancia da cobran\u00e7a esvazia o n\u00facleo do controle externo e afronta razoabilidade, proporcionalidade e moralidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Salvo hip\u00f3tese excepcional\u00edssima, n\u00e3o existe constitucionalidade superveniente; declaradas inconstitucionais as tr\u00eas leis, o TCE-SC restabelece os d\u00e9bitos e o ente legitimado (Tema 642) retoma as cobran\u00e7as, suspensa a prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O discurso oficial vendia gest\u00e3o racional. Cobrar judicialmente d\u00edvidas pequenas custaria mais do que o valor recuperado, e <strong>o perd\u00e3o em faixas seria mera limpeza de estoque de cr\u00e9ditos antiecon\u00f4micos<\/strong>, pr\u00e1tica corriqueira nos fiscos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A compara\u00e7\u00e3o com a remiss\u00e3o tribut\u00e1ria esconde o essencial. Multa de Tribunal de Contas n\u00e3o \u00e9 receita atrasada, \u00e9 san\u00e7\u00e3o do controle externo; <strong>quem perdoa a san\u00e7\u00e3o alheia por lei pr\u00f3pria interfere no funcionamento de outro \u00f3rg\u00e3o<\/strong>, mat\u00e9ria cuja iniciativa a jurisprud\u00eancia reserva \u00e0 Corte sancionadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Nem o conte\u00fado se salvaria com a iniciativa correta. Os perd\u00f5es vieram sem qualquer an\u00e1lise de economicidade ou efici\u00eancia da cobran\u00e7a, em faixas generosas e com extin\u00e7\u00e3o de processos em curso, <strong>arbitrariedade que fere de frente a moralidade administrativa<\/strong> e desarma o sistema de responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Quanto \u00e0 lei reparadora de 2024, o v\u00edcio veio no vag\u00e3o de tr\u00e1s. Ao convalidar os atos praticados sob as normas defeituosas, <strong>pretendeu ressuscitar o que nasceu morto<\/strong>, e a teoria da constitucionalidade superveniente segue rejeitada; os d\u00e9bitos voltam, e as cobran\u00e7as recome\u00e7am com a prescri\u00e7\u00e3o suspensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca de lei estadual, de iniciativa do Poder Executivo, que perdoa d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios oriundos de multas, ressarcimentos e devolu\u00e7\u00f5es impostos pelo Tribunal de Contas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 v\u00e1lida, pois a remiss\u00e3o de cr\u00e9ditos do estado \u00e9 mat\u00e9ria or\u00e7ament\u00e1ria t\u00edpica do chefe do Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 inconstitucional, por usurpar a iniciativa da Corte de Contas e vulnerar a moralidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) convalida-se por lei posterior de iniciativa do pr\u00f3prio Tribunal de Contas que ratifique os atos praticados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) sustenta-se quanto aos ressarcimentos, restrito o v\u00edcio \u00e0 parcela relativa \u00e0s multas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) produz efeitos at\u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade, preservadas as extin\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7a j\u00e1 operadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. D\u00e9bito imposto pelo controle externo n\u00e3o \u00e9 cr\u00e9dito or\u00e7ament\u00e1rio comum; medidas que atinjam a efetividade das san\u00e7\u00f5es do TCE dependem de iniciativa da pr\u00f3pria Corte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. A dupla fundamenta\u00e7\u00e3o da ADI 7.446 une o v\u00edcio formal (iniciativa usurpada) ao material (perd\u00e3o arbitr\u00e1rio, sem exame de economicidade, contra razoabilidade, proporcionalidade e moralidade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A lei catarinense de 2024 tentou exatamente isso e caiu; fora de hip\u00f3tese excepcional\u00edssima, n\u00e3o se admite constitucionalidade superveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O perd\u00e3o de ressarcimentos e devolu\u00e7\u00f5es incorreu nos mesmos v\u00edcios; a declara\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou as tr\u00eas leis por inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O Plen\u00e1rio determinou o restabelecimento imediato dos d\u00e9bitos e a retomada das cobran\u00e7as pelo ente legitimado do Tema 642, com o prazo prescricional suspenso.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00e3o inconstitucionais \u2013 por invadir a prerrogativa de iniciativa legislativa do Tribunal de Contas estadual, bem como violar os princ\u00edpios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade administrativa \u2013 normas estaduais de iniciativa do Poder Executivo que concedem remiss\u00e3o a d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios, decorrentes de ressarcimentos, devolu\u00e7\u00f5es e multas, aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), os Tribunais de Contas t\u00eam iniciativa privativa para deflagrar o processo legislativo sobre sua organiza\u00e7\u00e3o, sua estrutura interna e seu funcionamento, o que inclui a iniciativa para medidas que visem interferir na efetividade das san\u00e7\u00f5es aplicadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel convalidar, por lei de iniciativa legislativa do Tribunal de Contas, atos praticados sob autoriza\u00e7\u00e3o de normas inconstitucionais, por v\u00edcio de iniciativa. \u00c9 que a jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal (2), salvo hip\u00f3tese excepcional\u00edssima, n\u00e3o reconhece a teoria da constitucionalidade superveniente de leis inconstitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as leis estaduais, ambas de iniciativa do Poder Executivo, conferiram remiss\u00e3o de d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios decorrentes de ressarcimentos, devolu\u00e7\u00f5es e multas aplicadas pela Corte de Contas, cujo valor inicial fosse inferior a R$ 20.000,00 (Lei n\u00ba 17.878\/2019) ou R$ 30.000,00 (Lei n\u00ba 18.319\/2021), por processo, extinguindo-se, consequentemente, qualquer procedimento administrativo ou judicial atinente \u00e0 cobran\u00e7a de tais valores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, essas normas esvaziaram o elemento central do sistema de responsabilidade a cargo do controle externo, qual seja, o sancionamento dos agentes infratores. Por conseguinte, concederam de forma arbitr\u00e1ria o perd\u00e3o, sem considerar a economicidade ou a efici\u00eancia da cobran\u00e7a de d\u00e9bitos, o que efetivamente implica viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n\u00ba 18.851\/2024 do Estado de Santa Catarina (3), de iniciativa da Corte de Contas, a fim de sanar o v\u00edcio de iniciativa de que padeciam as leis anteriormente mencionadas, excluiu da \u201cremiss\u00e3o\u201d as multas aplicadas, mas convalidou, nos termos de seu art. 2\u00ba, os atos praticados com fundamento no art. 19 da Lei n\u00ba 17.878\/2019 (4), e no art. 37 da Lei n\u00ba 18.319\/2021 (5).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para: 1) declarar a inconstitucionalidade material da Lei n\u00ba 18.851\/2024 do Estado de Santa Catarina; 2) declarar, tamb\u00e9m, a inconstitucionalidade, formal e material, dos artigos 19 da Lei n\u00ba 17.878\/2019 e 37 da Lei n\u00ba 18.319\/2021 do Estado de Santa Catarina, revogados pelo art. 4\u00ba da Lei n\u00ba 18.851\/2024, a fim de evitar o efeito repristinat\u00f3rio de normas igualmente incompat\u00edveis com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal; e, 3) determinar que o TCE-SC adote provid\u00eancias para o imediato restabelecimento dos d\u00e9bitos alcan\u00e7ados pelos dispositivos impugnados, bem como que o ente legitimado nos termos do RE 1.003.433\/RJ (Tema 642 da Repercuss\u00e3o Geral) adote as a\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7a pertinentes, observada a suspens\u00e3o do prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 6.846, ADI 5.323 e ADI 4418.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: AI 620.557 AgR, RE 474.267 e ARE 683849 AgR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n\u00ba 18.851\/2024 do Estado de Santa Catarina: \u201cArt. 1\u00ba Ficam remitidos os d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios oriundos de recursos repassados pela Lei n\u00ba 13.336, de 8 de mar\u00e7o de 2005, e pela Lei n\u00ba 13.334, de 28 de fevereiro de 2005, decorrentes de ressarcimento ou devolu\u00e7\u00f5es aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE\/SC), inscritos ou n\u00e3o em d\u00edvida ativa, inclusive os ajuizados at\u00e9 o dia 30 de novembro de 2021, cujo valor inicial seja inferior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais) por processo. \u00a7 1\u00ba Os d\u00e9bitos imputados at\u00e9 a data de 30 de novembro de 2021, em processos que se enquadram no descrito no <em>caput<\/em>, analisados e julgados pelo Tribunal de Contas do Estado, cujo valor origin\u00e1rio seja igual ou inferior ao limite fixado, ser\u00e3o, de igual forma, remitidos, extinguindo-se a responsabilidade solid\u00e1ria dos respons\u00e1veis pela concess\u00e3o e dos tomadores dos recursos, ainda que inscritos em d\u00edvida ativa. \u00a7 2\u00ba O disposto neste artigo n\u00e3o confere qualquer direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o ou compensa\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia j\u00e1 recolhida, exceto os pagamentos efetuados em duplicidade. Art. 2\u00ba Ficam convalidados os atos praticados com fundamento no art. 19 da Lei n\u00ba 17.878, de 27 de dezembro de 2019, e no art. 37 da Lei n\u00ba 18.319, de 30 de dezembro de 2021. Art. 3\u00ba Esta Lei entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o. Art. 4\u00ba Ficam revogados: I \u2013 o art. 19 da Lei n\u00ba 17.878, de 27 de dezembro de 2019; e II \u2013 o art. 37 da Lei n\u00ba 18.319, de 30 de dezembro de 2021.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Lei n\u00ba 17.878\/2019 do Estado de Santa Catarina: \u201cArt. 19. Ficam remitidos os d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios oriundos de recursos repassados pela Lei n\u00ba 13.336, de 8 de mar\u00e7o de 2005, e pela Lei n\u00ba 13.334, de 28 de fevereiro de 2005, inclusive os decorrentes de ressarcimento ou devolu\u00e7\u00f5es e multas, aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, inscritos ou n\u00e3o em d\u00edvida ativa, inclusive os ajuizados, at\u00e9 o dia 31 de dezembro de 2018, cujo valor inicial seja inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (5) Lei n\u00ba 18.319\/2021 do Estado de Santa Catarina: \u201cArt. 37. Ficam remitidos os d\u00e9bitos n\u00e3o tribut\u00e1rios oriundos de recursos repassados pela Lei n\u00ba 13.336, de 8 de mar\u00e7o de 2005, e pela Lei n\u00ba 13.334, de 28 de fevereiro de 2005, inclusive os decorrentes de ressarcimento ou devolu\u00e7\u00f5es e multas, aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE\/SC), inscritos ou n\u00e3o em d\u00edvida ativa, inclusive os ajuizados, at\u00e9 o dia 30 de novembro de 2021, cujo valor inicial seja inferior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais) por processo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-ipva-das-locadoras-responsaveis-domicilio-e-leasing\" class=\"wp-block-heading\">5. IPVA DAS LOCADORAS: RESPONS\u00c1VEIS, DOMIC\u00cdLIO E LEASING<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei ordin\u00e1ria estadual <strong>N\u00c3O pode criar hip\u00f3teses de responsabilidade tribut\u00e1ria de terceiros al\u00e9m da moldura do CTN<\/strong> (reserva de lei complementar, CF, art. 146, III), nem cobrar IPVA de locadora sediada em outro estado pela mera presen\u00e7a do ve\u00edculo ou pelo domic\u00edlio do locat\u00e1rio; <strong>no arrendamento mercantil, o imposto \u00e9 devido no domic\u00edlio do arrendat\u00e1rio<\/strong>, nos limites do Tema 708.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 4.376\/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Rodaleve, locadora sediada em Minas, viu S\u00e3o Paulo cobrar IPVA dos carros que cruzavam a divisa para atender clientes paulistas, com um arsenal completo na lei local. Novo fato gerador quando o ve\u00edculo usado fosse &#8220;colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para loca\u00e7\u00e3o&#8221; no estado, domic\u00edlio fiscal definido pelo endere\u00e7o do locat\u00e1rio e responsabilidade solid\u00e1ria despejada sobre s\u00f3cios, gerentes, locat\u00e1rios e at\u00e9 o agente p\u00fablico que assinasse o contrato de loca\u00e7\u00e3o oficial. J\u00e1 Dona Clotilde, arrendat\u00e1ria paulista de um carro em leasing, pagava o imposto em S\u00e3o Paulo sem discutir. A lei acertou em algum ponto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 146, III, e 155, III; CTN, arts. 128, 134 e 135<\/strong> <em>(normas gerais de responsabilidade tribut\u00e1ria s\u00e3o mat\u00e9ria de lei complementar; o respons\u00e1vel exige v\u00ednculo com o fato gerador que lhe permita repassar o \u00f4nus ao contribuinte, e a responsabilidade de terceiros pressup\u00f5e interven\u00e7\u00e3o, omiss\u00e3o ou ato com excesso de poderes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd S\u00e3o inconstitucionais as solidariedades criadas pela Lei paulista n. 13.296\/2008 (locat\u00e1rio e seus s\u00f3cios, dirigentes da locadora, agente p\u00fablico contratante), por extrapolarem a moldura federal sem as condi\u00e7\u00f5es dos arts. 134 e 135 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd \u00c9 inconstitucional o fato gerador na data da loca\u00e7\u00e3o, em territ\u00f3rio paulista, de ve\u00edculo usado registrado noutro estado, por gerar bitributa\u00e7\u00e3o no mesmo exerc\u00edcio, e inv\u00e1lida a elei\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio pela presen\u00e7a f\u00edsica do bem ou pelo endere\u00e7o do locat\u00e1rio; o IPVA pertence ao estado da sede ou domic\u00edlio tribut\u00e1rio da propriet\u00e1ria (Tema 708).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd \u00c9 constitucional, com interpreta\u00e7\u00e3o conforme, a regra do leasing: o arrendat\u00e1rio det\u00e9m a posse direta e exterioriza a capacidade contributiva, pagando o imposto no seu domic\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A guerra fiscal explicava a criatividade paulista. Locadoras registram frotas inteiras em estados de al\u00edquota baixa e faturam onde o imposto n\u00e3o entra, <strong>e S\u00e3o Paulo tentou puxar para si a receita dos carros que trabalham no seu territ\u00f3rio<\/strong>, multiplicando respons\u00e1veis para garantir o recebimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Mas as engenharias precisam passar pela porta estreita do art. 146, III. Responsabilidade tribut\u00e1ria de terceiro se cria dentro da moldura do CTN, com v\u00ednculo que permita repassar o \u00f4nus ao contribuinte, <strong>e n\u00e3o alcan\u00e7a s\u00f3cio, gerente ou funcion\u00e1rio p\u00fablico apenas por sua posi\u00e7\u00e3o<\/strong>; a seguran\u00e7a jur\u00eddica do sistema depende dessa conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No crit\u00e9rio espacial, a maioria aplicou r\u00e9gua conhecida. Desde o Tema 708, o imposto acompanha a sede da empresa propriet\u00e1ria, <strong>e presen\u00e7a f\u00edsica do carro ou endere\u00e7o do cliente n\u00e3o deslocam a compet\u00eancia<\/strong>; tributar o ve\u00edculo mineiro alugado a paulista significaria cobrar duas vezes o mesmo bem no mesmo ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O leasing escapou por ter outra l\u00f3gica. Ali o arrendat\u00e1rio usa e frui o bem como um quase propriet\u00e1rio, revelando a riqueza que o imposto quer alcan\u00e7ar, <strong>e por isso paga no pr\u00f3prio domic\u00edlio<\/strong>, com uma s\u00f3 condi\u00e7\u00e3o imposta na interpreta\u00e7\u00e3o conforme, a de que esse domic\u00edlio esteja em territ\u00f3rio paulista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relativamente ao IPVA exigido de empresa locadora de ve\u00edculos sediada em outro estado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) vale a responsabilidade solid\u00e1ria de s\u00f3cios e dirigentes, dado o interesse comum na atividade locat\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) o novo fato gerador na loca\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo usado em territ\u00f3rio de outro estado evita a evas\u00e3o e convalida a cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) o domic\u00edlio do locat\u00e1rio define validamente o local do pagamento, aproximando o tributo do uso do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) a cobran\u00e7a \u00e9 indevida, permanecendo a compet\u00eancia com o estado da sede ou domic\u00edlio tribut\u00e1rio da propriet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) fica livre ao legislador estadual o crit\u00e9rio espacial at\u00e9 que sobrevenha lei complementar nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Interesse econ\u00f4mico gen\u00e9rico n\u00e3o cria solidariedade; sem os filtros que o CTN imp\u00f5e \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o de terceiros, a lei ordin\u00e1ria estadual invadiu a reserva de lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O gatilho da loca\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio paulista autoriza bitributa\u00e7\u00e3o do mesmo ve\u00edculo no mesmo exerc\u00edcio e cobran\u00e7a fora do domic\u00edlio do contribuinte, na contram\u00e3o do Tema 708.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O ve\u00edculo permanece vinculado \u00e0 locadora propriet\u00e1ria; o endere\u00e7o do cliente n\u00e3o desloca o crit\u00e9rio espacial do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A compet\u00eancia acompanha a sede ou o domic\u00edlio tribut\u00e1rio da empresa propriet\u00e1ria, como fixado no Tema 708 e reafirmado na ADI 4.376.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A moldura j\u00e1 existe (CF, art. 155, III, e jurisprud\u00eancia vinculante); a liberdade estadual esbarra nela desde logo, sem espa\u00e7o para experimentos at\u00e9 lei futura.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00e3o inconstitucionais \u2013 por invadirem reserva de lei complementar (CF\/1988, art. 146, III) e comprometerem o princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica \u2013 dispositivos de lei ordin\u00e1ria estadual que, a pretexto de regulamentarem o Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA), inovam no ordenamento jur\u00eddico criando hip\u00f3teses de responsabilidade tribut\u00e1ria de terceiros, que ultrapassam os limites fixados nas regras matrizes estabelecidas no C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN\/1966).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A extrapola\u00e7\u00e3o dos limites contidos em normas gerais de responsabilidade tribut\u00e1ria no CTN\/1966 compromete o princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica, al\u00e9m de configurar invas\u00e3o de mat\u00e9ria reservada ao legislador complementar (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, s\u00e3o inconstitucionais os dispositivos da lei estadual impugnada que atribuem responsabilidade tribut\u00e1ria solid\u00e1ria pelo pagamento do IPVA e acr\u00e9scimos legais: (i) \u00e0 pessoa jur\u00eddica de direito privado e ao s\u00f3cio, diretor, gerente ou administrador que tomar em loca\u00e7\u00e3o ve\u00edculo para uso em seu \u00e2mbito de abrang\u00eancia; (ii) ao s\u00f3cio, diretor, gerente, administrador ou respons\u00e1vel pela empresa locadora relativamente aos ve\u00edculos locados ou colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para loca\u00e7\u00e3o na localidade; e (iii) ao agente p\u00fablico respons\u00e1vel pela contrata\u00e7\u00e3o de loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo, para uso no respectivo estado por pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico. A responsabilidade solid\u00e1ria estipulada \u00e9 inconstitucional por ampliar indevidamente o instituto jur\u00eddico para al\u00e9m dos par\u00e2metros estabelecidos no referido C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, os preceitos estaduais especificados estendem indevidamente as hip\u00f3teses de responsabilidade tribut\u00e1ria de terceiros para al\u00e9m da moldura estabelecida na legisla\u00e7\u00e3o federal (CTN\/1966, arts. 128, 134 e 135) (2). Tamb\u00e9m n\u00e3o trazem condi\u00e7\u00f5es que vinculam a conduta do terceiro ao tributo n\u00e3o pago, percebidas nas disposi\u00e7\u00f5es gerais dos arts. 134, <em>caput<\/em>, e 135, <em>caput<\/em>, do CTN\/1966: (i) limita\u00e7\u00e3o da responsabilidade aos \u201catos em que intervierem ou pelas omiss\u00f5es de que forem respons\u00e1veis\u201d (art. 134) e (ii) surgimento da responsabilidade em face de \u201catos praticados com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos\u201d (art. 135).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto aos limites normativos para a atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidade pelo cr\u00e9dito tribut\u00e1rio a terceira pessoa (CTN\/1966, art. 128), o v\u00ednculo exigido ao fato gerador da respectiva obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 qualquer nexo, e sim o de natureza que assegure ao terceiro a possibilidade efetiva de repassar o \u00f4nus financeiro do tributo ao contribuinte \u2013 por meio de reten\u00e7\u00e3o, desconto ou repasse contratual \u2013 sem que o patrim\u00f4nio do respons\u00e1vel seja definitivamente onerado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 materialmente inconstitucional dispositivo de lei estadual que considera ocorrido o fato gerador do IPVA na data em que o ve\u00edculo usado de propriedade de empresa locadora, registrado anteriormente em outro estado, for locado ou colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para loca\u00e7\u00e3o em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O preceito permite a dupla tributa\u00e7\u00e3o (bitributa\u00e7\u00e3o) de um mesmo ve\u00edculo em um mesmo ano calend\u00e1rio. Al\u00e9m disso, autoriza o recolhimento do IPVA em estado diverso daquele em que o contribuinte mant\u00e9m sua sede ou domic\u00edlio tribut\u00e1rio, em frontal disson\u00e2ncia com o decidido no RE 1.016.605 (Tema 708 RG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00e3o inconstitucionais \u2014 por violarem o art. 155, III, da CF\/1988 \u2014 dispositivos de lei estadual, relativos ao IPVA, que permitem a elei\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio da pessoa jur\u00eddica de direito privado propriet\u00e1ria do ve\u00edculo com base na mera presen\u00e7a f\u00edsica do bem ou no local do domic\u00edlio do locat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A legisla\u00e7\u00e3o estadual amplia indevidamente o campo de incid\u00eancia do tributo quando autoriza a cobran\u00e7a do IPVA justificada no local do ve\u00edculo ou no domic\u00edlio do locat\u00e1rio. Isso, porque tal d\u00e9bito deve estar restrito ao estado em que o contribuinte mant\u00e9m sua sede ou domic\u00edlio tribut\u00e1rio, pois o ve\u00edculo permanece vinculado \u00e0 empresa locadora (propriet\u00e1ria), e n\u00e3o \u00e0 pessoa jur\u00eddica que alugou o autom\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observa-se a amplia\u00e7\u00e3o inconstitucional do crit\u00e9rio espacial do IPVA ao se permitir que o estado tribute ve\u00edculos de empresas sediadas em outras unidades da Federa\u00e7\u00e3o, sob o argumento de que o ve\u00edculo est\u00e1 \u201cdispon\u00edvel para entrega\u201d ou vinculado ao domic\u00edlio de um locat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional dispositivo de lei estadual que estabelece ser devido o IPVA no local do domic\u00edlio ou resid\u00eancia do arrendat\u00e1rio nas situa\u00e7\u00f5es em que a propriedade do ve\u00edculo seja de empresa de arrendamento mercantil (leasing).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O IPVA decorre da propriedade, do dom\u00ednio \u00fatil ou da posse do ve\u00edculo e a indica\u00e7\u00e3o do arrendat\u00e1rio no leasing como contribuinte do IPVA mostra-se constitucional, pois ele, assim como o devedor fiduciante, det\u00e9m a posse direta do ve\u00edculo e exerce concretamente os poderes de uso e frui\u00e7\u00e3o do bem, portanto, exterioriza a capacidade contributiva relacionada \u00e0 propriedade do autom\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, em observ\u00e2ncia \u00e0 jurisprud\u00eancia desta Corte (Tema 708 RG), a compet\u00eancia tribut\u00e1ria estadual deve alcan\u00e7ar apenas os casos em que o arrendat\u00e1rio possua sede ou domic\u00edlio tribut\u00e1rio em seu territ\u00f3rio, vedada a cobran\u00e7a do IPVA em situa\u00e7\u00f5es diversas, ainda que o ve\u00edculo esteja temporariamente presente no estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, declarou a perda de objeto da a\u00e7\u00e3o direta quanto ao art. 9\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 13.296\/2008 do Estado de S\u00e3o Paulo, tendo em vista sua revoga\u00e7\u00e3o. Na sequ\u00eancia, por maioria, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o direta proposta contra dispositivos da referida lei paulista, para: (i) declarar a inconstitucionalidade material do art. 3\u00ba, X, b, bem como de seu par\u00e1grafo \u00fanico (3); (ii) declarar a inconstitucionalidade formal das al\u00edneas a, b e c do item 2 do \u00a7 1\u00ba, bem como do \u00a7 7\u00ba, todos do art. 4\u00ba (4); (iii) declarar a inconstitucionalidade formal, por invas\u00e3o da reserva de lei complementar, da express\u00e3o \u201cs\u00f3cio, diretor, gerente ou administrador\u201d, constante no inciso X, bem como do inciso IX, em sua integralidade, todos do art. 6\u00ba (5); (iv) declarar a inconstitucionalidade do inciso VIII do art. 6\u00ba (6), por viola\u00e7\u00e3o ao art. 146, III, a, da CF\/1988, \u00e0 luz da orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo Plen\u00e1rio (7); e (v) conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao \u00a7 6\u00ba do art. 4\u00ba (8), de modo que a express\u00e3o \u201clocal do domic\u00edlio ou resid\u00eancia do arrendat\u00e1rio\u201d seja compreendida \u00e0 luz do Tema 708 da repercuss\u00e3o geral (RE 1.016.605), alcan\u00e7ando a compet\u00eancia tribut\u00e1ria de S\u00e3o Paulo apenas os casos em que o arrendat\u00e1rio possua sede ou domic\u00edlio tribut\u00e1rio no territ\u00f3rio paulista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: \u201cArt. 146. Cabe \u00e0 lei complementar: (&#8230;) III \u2013 estabelecer normas gerais em mat\u00e9ria de legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, especialmente sobre: a) defini\u00e7\u00e3o de tributos e de suas esp\u00e9cies, bem como, em rela\u00e7\u00e3o aos impostos discriminados nesta Constitui\u00e7\u00e3o, a dos respectivos fatos geradores, bases de c\u00e1lculo e contribuintes; b) obriga\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amento, cr\u00e9dito, prescri\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia tribut\u00e1rios;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CTN\/1966: \u201cArt. 128. Sem preju\u00edzo do disposto neste cap\u00edtulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo cr\u00e9dito tribut\u00e1rio a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obriga\u00e7\u00e3o, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em car\u00e1ter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obriga\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exig\u00eancia do cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omiss\u00f5es de que forem respons\u00e1veis: I \u2013 os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II \u2013 os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III \u2013 os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV \u2013 o inventariante, pelos tributos devidos pelo esp\u00f3lio; V \u2013 o s\u00edndico e o comiss\u00e1rio, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordat\u00e1rio; VI \u2013 os tabeli\u00e3es, escriv\u00e3es e demais serventu\u00e1rios de of\u00edcio, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em raz\u00e3o do seu of\u00edcio; VII \u2013 os s\u00f3cios, no caso de liquida\u00e7\u00e3o de sociedade de pessoas. Par\u00e1grafo \u00fanico. O disposto neste artigo s\u00f3 se aplica, em mat\u00e9ria de penalidades, \u00e0s de car\u00e1ter morat\u00f3rio. Art. 135. S\u00e3o pessoalmente respons\u00e1veis pelos cr\u00e9ditos correspondentes a obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos: I \u2013 as pessoas referidas no artigo anterior; II \u2013 os mandat\u00e1rios, prepostos e empregados; III \u2013 os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jur\u00eddicas de direito privado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n\u00ba 13.296\/2008 do Estado de S\u00e3o Paulo: \u201cArtigo 3\u00b0 \u2013 Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto: (&#8230;) X \u2013 relativamente a ve\u00edculo de propriedade de empresa locadora: (&#8230;) b) na data em que vier a ser locado ou colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para loca\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio deste Estado, em se tratando de ve\u00edculo usado registrado anteriormente em outro Estado; (&#8230;) Par\u00e1grafo \u00fanico \u2013 O disposto no inciso X deste artigo aplica-se \u00e0s empresas locadoras de ve\u00edculos qualquer que seja o seu domic\u00edlio, sem preju\u00edzo da aplica\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es dos incisos II a IX, no que couber.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Lei n\u00ba 13.296\/2008 do Estado de S\u00e3o Paulo: \u201cArtigo 4\u00b0 \u2013 O imposto ser\u00e1 devido no local do domic\u00edlio ou da resid\u00eancia do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo neste Estado. \u00a7 1\u00b0 \u2013 Para os efeitos desta lei, considerar-se-\u00e1 domic\u00edlio: (&#8230;) 2 \u2013 se o propriet\u00e1rio for pessoa jur\u00eddica de direito privado: a) o estabelecimento situado no territ\u00f3rio deste Estado, quanto aos ve\u00edculos automotores que a ele estejam vinculados na data da ocorr\u00eancia do fato gerador; b) o estabelecimento onde o ve\u00edculo estiver dispon\u00edvel para entrega ao locat\u00e1rio na data da ocorr\u00eancia do fato gerador, na hip\u00f3tese de contrato de loca\u00e7\u00e3o avulsa; c) o local do domic\u00edlio do locat\u00e1rio ao qual estiver vinculado o ve\u00edculo na data da ocorr\u00eancia do fato gerador, na hip\u00f3tese de loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo para integrar sua frota; (&#8230;) \u00a7 7\u00b0 \u2013 Para os efeitos da al\u00ednea \u2018b\u2019 do item 2 do \u00a7 1\u00b0 deste artigo, equipara-se a estabelecimento da empresa locadora neste Estado, o lugar de situa\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos mantidos ou colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para loca\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (5) Lei n\u00ba 13.296\/2008 do Estado de S\u00e3o Paulo: \u201cArtigo 6\u00b0 \u2013 S\u00e3o respons\u00e1veis pelo pagamento do imposto e acr\u00e9scimos legais: (&#8230;) IX \u2013 o agente p\u00fablico respons\u00e1vel pela contrata\u00e7\u00e3o de loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo, para uso neste Estado por pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico, em rela\u00e7\u00e3o aos fatos geradores ocorridos nos exerc\u00edcios em que o ve\u00edculo estiver sob loca\u00e7\u00e3o; X \u2013 o s\u00f3cio, diretor, gerente, administrador ou respons\u00e1vel pela empresa locadora, em rela\u00e7\u00e3o aos ve\u00edculos locados ou colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para loca\u00e7\u00e3o neste Estado;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (6) Lei n\u00ba 13.296\/2008 do Estado de S\u00e3o Paulo: \u201cArtigo 6\u00b0 \u2013 S\u00e3o respons\u00e1veis pelo pagamento do imposto e acr\u00e9scimos legais: (&#8230;) VIII \u2013 a pessoa jur\u00eddica de direito privado, bem como o s\u00f3cio, diretor, gerente ou administrador, que tomar em loca\u00e7\u00e3o ve\u00edculo para uso neste Estado, em rela\u00e7\u00e3o aos fatos geradores ocorridos nos exerc\u00edcios em que o ve\u00edculo estiver sob loca\u00e7\u00e3o;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (7) Precedentes citados: RE 562.276 (Tema 13 RG), RE 603.191 (Tema 302 RG) e RE 1.355.870 (Tema 1.153 RG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (8) Lei n\u00ba 13.296\/2008 do Estado de S\u00e3o Paulo: \u201cArtigo 4\u00b0 \u2013 O imposto ser\u00e1 devido no local do domic\u00edlio ou da resid\u00eancia do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo neste Estado. (&#8230;) \u00a7 6\u00b0 \u2013 Em se tratando de ve\u00edculo de propriedade de empresa de arrendamento mercantil (leasing), o imposto ser\u00e1 devido no local do domic\u00edlio ou resid\u00eancia do arrendat\u00e1rio, nos termos deste artigo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-autonomia-da-pericia-criminal-dentro-da-policia-civil\" class=\"wp-block-heading\">6. AUTONOMIA DA PER\u00cdCIA CRIMINAL DENTRO DA POL\u00cdCIA CIVIL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional a cria\u00e7\u00e3o, na Pol\u00edcia Civil estadual, de \u00f3rg\u00e3o pericial com <strong>autonomia t\u00e9cnica, cient\u00edfica e funcional<\/strong>; \u00e9 inconstitucional, por\u00e9m, a outorga de <strong>autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira plena<\/strong>, prerrogativa que a Constitui\u00e7\u00e3o reservou a poderes e \u00f3rg\u00e3os nela previstos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.666\/MA, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 18\/8\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei maranhense criou a Per\u00edcia Oficial de Natureza Criminal dentro da Pol\u00edcia Civil e prometeu, no papel, autonomia de todos os sabores, inclusive &#8220;or\u00e7ament\u00e1ria e financeira&#8221;. Instituiu ainda o cargo de Perito Geral, de livre escolha do Governador entre os peritos de carreira, no lugar do antigo Superintendente. Para a perita Josefina, a promessa soava como independ\u00eancia real do laudo frente ao delegado; para o autor da a\u00e7\u00e3o, um corpo estranho no desenho constitucional da seguran\u00e7a p\u00fablica. Onde termina a autonomia que a Constitui\u00e7\u00e3o tolera?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 144, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 6\u00ba; Lei n. 11.236\/2020-MA<\/strong> <em>(o rol dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 taxativo; as pol\u00edcias civis subordinam-se aos governadores e s\u00e3o dirigidas por delegados de carreira; a lei local criou a Per\u00edcia Oficial com &#8220;autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira&#8221; conforme ato do Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A taxatividade do art. 144 n\u00e3o impede os estados de estruturarem \u00f3rg\u00e3os periciais aut\u00f4nomos, dentro ou fora da Pol\u00edcia Civil (ADI 6.621, ADPF 635); autonomia t\u00e9cnica, cient\u00edfica e funcional protege a isen\u00e7\u00e3o do trabalho pericial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Iniciar o ciclo or\u00e7ament\u00e1rio com proposta pr\u00f3pria \u00e9 atributo restrito aos poderes e \u00f3rg\u00e3os que a Constitui\u00e7\u00e3o elegeu; se nem a Pol\u00edcia Civil o det\u00e9m, o \u00f3rg\u00e3o pericial nela inserido tampouco pode receb\u00ea-lo. A express\u00e3o legal ganhou interpreta\u00e7\u00e3o conforme, valendo como rubrica or\u00e7ament\u00e1ria pr\u00f3pria e gest\u00e3o de recursos sob supervis\u00e3o do Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd V\u00e1lido o Perito Geral de livre provimento pelo Governador entre peritos de carreira: a dire\u00e7\u00e3o por delegados (art. 144, \u00a7 4\u00ba) cobre a pol\u00edcia judici\u00e1ria e a investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a chefia t\u00e9cnico-cient\u00edfica, e o art. 15 da Lei n. 14.735\/2023 opera como padr\u00e3o supletivo, sem apagar a compet\u00eancia local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Quem defendia a autonomia cheia falava em qualidade da prova. Laudo produzido sob a hierarquia de quem conduz a investiga\u00e7\u00e3o carrega suspeita estrutural, <strong>e sem caixa pr\u00f3prio a independ\u00eancia t\u00e9cnica viraria promessa de papel<\/strong>, ref\u00e9m do humor or\u00e7ament\u00e1rio da Secretaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Entre a isen\u00e7\u00e3o do perito e o desenho constitucional do or\u00e7amento, o julgado tra\u00e7ou a fronteira exata. Blindar o conte\u00fado do laudo, sim, <strong>abrir um ciclo or\u00e7ament\u00e1rio paralelo, n\u00e3o<\/strong>; propostas independentes pertencem ao clube fechado que a Constitui\u00e7\u00e3o enumerou, do qual nem a Pol\u00edcia Civil faz parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Na chefia, prevaleceu a leitura funcional do art. 144, \u00a7 4\u00ba. Delegado dirige investiga\u00e7\u00e3o e pol\u00edcia judici\u00e1ria, <strong>mas o comando de institutos t\u00e9cnico-cient\u00edficos pode recair em perito de carreira<\/strong> escolhido pelo Governador; a lei federal de 2023 serve de modelo supletivo, sem sufocar a organiza\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao \u00f3rg\u00e3o de per\u00edcia oficial criminal criado na estrutura da Pol\u00edcia Civil estadual:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) pode receber autonomia t\u00e9cnica, cient\u00edfica e funcional, vedada a autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira plena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 inconstitucional em si, pois o rol taxativo do art. 144 da CF n\u00e3o contempla \u00f3rg\u00e3os periciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) deve ser chefiado por delegado de carreira, por integrar a estrutura da pol\u00edcia judici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) herda a autonomia or\u00e7ament\u00e1ria da corpora\u00e7\u00e3o policial em que se insere, com proposta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) submete-se integralmente ao modelo da lei federal de 2023, esvaziada a compet\u00eancia organizativa local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A dupla medida da ADI 7.666 preserva a isen\u00e7\u00e3o do trabalho pericial e o desenho constitucional do or\u00e7amento; a express\u00e3o legal foi salva por interpreta\u00e7\u00e3o conforme, valendo como rubrica pr\u00f3pria sob supervis\u00e3o do Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A taxatividade do rol n\u00e3o impede a estrutura\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os periciais pelos estados, dentro ou fora da Pol\u00edcia Civil, como a jurisprud\u00eancia j\u00e1 admitia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A exig\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o por delegados alcan\u00e7a a investiga\u00e7\u00e3o e a pol\u00edcia judici\u00e1ria; a chefia t\u00e9cnico-cient\u00edfica pode caber a perito de carreira de livre escolha do Governador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Nem a pr\u00f3pria Pol\u00edcia Civil disp\u00f5e de autonomia or\u00e7ament\u00e1ria no texto constitucional; n\u00e3o h\u00e1 o que herdar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O art. 15 da Lei n. 14.735\/2023 funciona como padr\u00e3o organizacional supletivo, preservada a compet\u00eancia concorrente do estado para definir o modelo local.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional a cria\u00e7\u00e3o, na Pol\u00edcia Civil estadual, de \u00f3rg\u00e3o pericial dotado de autonomia t\u00e9cnica, cient\u00edfica e funcional. Contudo, \u00e9 inconstitucional \u2013 ante a aus\u00eancia de previs\u00e3o constitucional e para preservar o indispens\u00e1vel v\u00ednculo de subordina\u00e7\u00e3o ao Governador \u2013 a outorga de autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira plena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), a tradicional compreens\u00e3o sobre a taxatividade do rol do art. 144 da CF\/1988 (2) n\u00e3o impede os entes federados de criarem e estruturarem seus \u00f3rg\u00e3os de per\u00edcia de maneira aut\u00f4noma, admitindo-se tanto a desconcentra\u00e7\u00e3o com autonomia administrativa externa \u00e0 Pol\u00edcia Civil, quanto a desconcentra\u00e7\u00e3o na estrutura org\u00e2nica da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, a autonomia t\u00e9cnica, cient\u00edfica e funcional n\u00e3o implica a concess\u00e3o de autonomia financeira e or\u00e7ament\u00e1ria plena. Essa modalidade de autonomia pressup\u00f5e a prerrogativa de iniciar o ciclo or\u00e7ament\u00e1rio e elaborar propostas independentes, atributo que a Constitui\u00e7\u00e3o reservou estritamente a poderes e \u00f3rg\u00e3os nela previstos. Como a pr\u00f3pria Pol\u00edcia Civil n\u00e3o disp\u00f5e de autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira no texto constitucional (CF\/1988, art. 144, \u00a7 6\u00ba), \u00e9 descabido, por l\u00f3gica de subordina\u00e7\u00e3o, conceder tal prerrogativa ao \u00f3rg\u00e3o pericial a ela vinculado (3).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso da Lei n\u00ba 11.236\/2020 do Estado do Maranh\u00e3o, o dispositivo que menciona \u201cautonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira\u201d incorreu em impropriedade terminol\u00f3gica, uma vez que a execu\u00e7\u00e3o das verbas permanece subordinada \u00e0 Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica e \u00e0 SEPLAN. Assim, imp\u00f5e-se conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 norma para assentar que o \u00f3rg\u00e3o possui apenas rubrica or\u00e7ament\u00e1ria pr\u00f3pria e autonomia de gest\u00e3o de recursos, sob a supervis\u00e3o do Executivo (4).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, s\u00e3o constitucionais as normas que instituem o cargo de Perito Geral, de livre provimento pelo Governador dentre peritos de carreira, com a consequente extin\u00e7\u00e3o do cargo de Superintendente. A exig\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil por delegados (CF\/1988, art. 144, \u00a7 4\u00ba) limita-se \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de pol\u00edcia judici\u00e1ria e de investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se estendendo \u00e0 chefia de \u00f3rg\u00e3os de per\u00edcia t\u00e9cnico-cient\u00edfica. O artigo 15 da Lei federal n\u00ba 14.735\/2023 (5) funciona apenas como padr\u00e3o organizacional supletivo, n\u00e3o esvaziando a compet\u00eancia concorrente do Estado para definir o modelo de chefia local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do mesmo modo, revelam-se v\u00e1lidos os dispositivos que condicionam a implanta\u00e7\u00e3o gradativa das unidades a balizas or\u00e7ament\u00e1rias e autorizam o remanejamento de cargos por decreto, pois constituem mat\u00e9ria tipicamente regulamentar inserida na compet\u00eancia organizativa do Governador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1\u00ba da Lei n\u00ba 11.236\/2020 do Estado do Maranh\u00e3o (6), afastando qualquer leitura que lhe atribua autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira plena e reconhecendo que a Per\u00edcia Oficial ter\u00e1 rubrica or\u00e7ament\u00e1ria espec\u00edfica e gest\u00e3o financeira e administrativa, sob ato do Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a e operacionalizado pelo Secret\u00e1rio de Planejamento e Or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 6.621, ADI 2.575 e ADPF 635.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CF\/1988: \u201cArt. 144. A seguran\u00e7a p\u00fablica, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, \u00e9 exercida para a preserva\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica e da incolumidade das pessoas e do patrim\u00f4nio, atrav\u00e9s dos seguintes \u00f3rg\u00e3os: I &#8211; pol\u00edcia federal; II &#8211; pol\u00edcia rodovi\u00e1ria federal; III &#8211; pol\u00edcia ferrovi\u00e1ria federal; IV &#8211; pol\u00edcias civis; V &#8211; pol\u00edcias militares e corpos de bombeiros militares. VI &#8211; pol\u00edcias penais federal, estaduais e distrital.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Precedentes citados: ADI 5.573 e ADI 6.599.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Precedente citado: ARE 1.454.560 AgR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (5) Lei n\u00ba 14.735\/2023: \u201cArt. 15. Constituem unidades t\u00e9cnico-cient\u00edficas da pol\u00edcia civil as unidades respons\u00e1veis pela per\u00edcia oficial criminal, nos casos em que o \u00f3rg\u00e3o central de per\u00edcia oficial de natureza criminal estiver integrado em sua estrutura, cujos chefes devem ser designados pelo Delegado-Geral de Pol\u00edcia Civil, dentre outras: I &#8211; Instituto de Criminal\u00edstica; II &#8211; Instituto de Medicina Legal; e III &#8211; Instituto de Identifica\u00e7\u00e3o. \u00a7 1\u00ba As unidades t\u00e9cnico-cient\u00edficas s\u00e3o respons\u00e1veis pelas atividades de per\u00edcia oficial de natureza criminal e t\u00e9cnico-cient\u00edficas relativas \u00e0s ci\u00eancias forenses. \u00a7 2\u00ba Os Institutos de Criminal\u00edstica, de Medicina Legal e de Identifica\u00e7\u00e3o devem ser coordenados por peritos oficiais criminais das respectivas \u00e1reas que estejam na ativa e sejam da classe mais elevada. \u00a7 3\u00ba Fica garantido, mediante requisi\u00e7\u00e3o fundamentada, o livre acesso das pol\u00edcias civis aos bancos de dados de unidades t\u00e9cnico-cient\u00edficas n\u00e3o integradas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (6) Lei n\u00ba 11.236\/2020 do Estado do Maranh\u00e3o: \u201cArt. 1\u00ba &#8211; Fica criada, na estrutura da Pol\u00edcia Civil do Estado do Maranh\u00e3o, a Per\u00edcia Oficial de Natureza Criminal, a qual ter\u00e1 por atribui\u00e7\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de exames periciais necess\u00e1rios \u00e0 elucida\u00e7\u00e3o de il\u00edcitos penais. Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Al\u00e9m de autonomia t\u00e9cnica na sua miss\u00e3o final\u00edstica, a Per\u00edcia Oficial ter\u00e1 autonomia or\u00e7ament\u00e1ria e financeira conforme ato a ser editado pelo Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a e operacionalizado pela Secretaria de Estado do Planejamento e Or\u00e7amento \u2013 SEPLAN.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-4e56578b-ff43-4aa4-b6c0-f987329c5bb0\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/02090734\/stf-info-1226.pdf\">STF &#8211; Info 1226<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/09\/02090734\/stf-info-1226.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-4e56578b-ff43-4aa4-b6c0-f987329c5bb0\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp; AUDITORES FISCAIS E SUBTETOS AP\u00d3S A REFORMA TRIBUT\u00c1RIA Destaque Os auditores fiscais da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria estadual, distrital e municipal submetem-se ao teto e aos subtetos remunerat\u00f3rios do art. 37, XI, da CF, pois N\u00c3O constituem carreira de car\u00e1ter nacional, mesmo ap\u00f3s a reforma tribut\u00e1ria da EC n. 132\/2023. 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