{"id":1790510,"date":"2026-08-12T08:40:01","date_gmt":"2026-08-12T11:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1790510"},"modified":"2026-08-12T08:55:09","modified_gmt":"2026-08-12T11:55:09","slug":"informativo-stf-1223-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1223-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1223 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/12083905\/stf-info-1223.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_UZKYGWSsJpQ\"><div id=\"lyte_UZKYGWSsJpQ\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/UZKYGWSsJpQ\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/UZKYGWSsJpQ\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/UZKYGWSsJpQ\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-protesto-de-titulos-atribuido-a-serventia-preexistente\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; PROTESTO DE T\u00cdTULOS ATRIBU\u00cdDO A SERVENTIA PREEXISTENTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional, por configurar <strong>mera reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa dos servi\u00e7os extrajudiciais<\/strong>, a atribui\u00e7\u00e3o da especialidade de Protesto de Letras e T\u00edtulos a serventia preexistente e regularmente provida, pois a medida <strong>n\u00e3o implica ingresso nem provimento sem concurso p\u00fablico<\/strong> na atividade notarial e registral; eventual serventia decorrente de desacumula\u00e7\u00e3o, contudo, <strong>dever\u00e1 ser provida mediante concurso<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.797\/SP, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Paul\u00ednia, n\u00e3o havia tabelionato de protesto: para protestar uma duplicata vencida, o comerciante Seu Barriga precisava se deslocar at\u00e9 outra comarca. A Lei paulista n. 18.145\/2025 resolveu o impasse sem criar cart\u00f3rio novo: depois de estudos t\u00e9cnicos, atribuiu a especialidade de Protesto de Letras e T\u00edtulos \u00e0 serventia j\u00e1 existente, ocupada por delegat\u00e1rio aprovado em concurso p\u00fablico. Veio ent\u00e3o a a\u00e7\u00e3o direta, sob o argumento de que a manobra driblava a exig\u00eancia constitucional de certame. Redistribuir atribui\u00e7\u00f5es entre serventias j\u00e1 providas equivale a prover cart\u00f3rio sem concurso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 236, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (o ingresso na atividade notarial e de registro e o provimento de serventias vagas, desmembradas, desdobradas ou desacumuladas dependem de concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.935\/1994, art. 26, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (os servi\u00e7os notariais e de registro n\u00e3o s\u00e3o acumul\u00e1veis, admitida a acumula\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios que n\u00e3o comportarem, em raz\u00e3o do volume dos servi\u00e7os ou da receita, a instala\u00e7\u00e3o de mais de um deles).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STF (ADI 4.745 e ADI 7.655) separa o ingresso na atividade, que exige certame, da reorganiza\u00e7\u00e3o, por lei de iniciativa adequada e fundada em interesse p\u00fablico, da distribui\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es entre serventias j\u00e1 regularmente providas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A acumula\u00e7\u00e3o de especialidades em serventia preexistente \u00e9 excepcional: pressup\u00f5e delegat\u00e1rio que ingressou por concurso e enquadramento nas hip\u00f3teses do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 26 da Lei n. 8.935\/1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sobrevindo desacumula\u00e7\u00e3o, a unidade dela resultante dever\u00e1 ser provida mediante concurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A a\u00e7\u00e3o direta apostou numa equipara\u00e7\u00e3o: se a serventia ganha atribui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha, haveria provimento novo, e <strong>o provimento na atividade notarial exigiria concurso p\u00fablico<\/strong>, qualquer que fosse a roupagem dada pela lei estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O STF desfez a premissa. <strong>Acrescentar especialidade a unidade regularmente provida reorganiza o servi\u00e7o, n\u00e3o abre porta de ingresso<\/strong>: o titular continua o mesmo, habilitado em certame anterior, e nenhuma vaga \u00e9 criada \u00e0 margem da regra constitucional do concurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Restava o receio de abuso: leis estaduais poderiam empilhar especialidades em cart\u00f3rios escolhidos a dedo, esvaziando futuros concursos e concentrando receitas. <strong>A excepcionalidade da acumula\u00e7\u00e3o seria a primeira trava<\/strong>, admitida apenas onde o movimento local n\u00e3o sustenta duas unidades distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A segunda trava veio na parte dispositiva: interpreta\u00e7\u00e3o conforme para assentar que <strong>a serventia nascida de eventual desacumula\u00e7\u00e3o ser\u00e1 provida por concurso<\/strong>. Preservou-se, assim, a amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao servi\u00e7o de protesto na comarca sem sacrificar a regra constitucional de ingresso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o, por lei estadual, da especialidade de protesto de t\u00edtulos a serventia extrajudicial j\u00e1 provida:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) configura provimento origin\u00e1rio, a exigir pr\u00e9vio concurso p\u00fablico espec\u00edfico para a atribui\u00e7\u00e3o acrescida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 vedada pela Lei n. 8.935\/1994, que pro\u00edbe a acumula\u00e7\u00e3o de <em>servi\u00e7os notariais e de registro<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) traduz reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa compat\u00edvel em munic\u00edpios cujo movimento n\u00e3o comporta mais de uma serventia e o delegat\u00e1rio houver ingressado por concurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) permite que, sobrevindo desacumula\u00e7\u00e3o, a unidade resultante seja provida por remo\u00e7\u00e3o do delegat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de ato do Poder Judici\u00e1rio local, vedado ao legislador estadual dispor sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O STF afastou a equipara\u00e7\u00e3o: quando o delegat\u00e1rio j\u00e1 ingressou por certame e a unidade est\u00e1 regularmente provida, o acr\u00e9scimo de especialidade traduz reorganiza\u00e7\u00e3o das atribui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o novo provimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A pr\u00f3pria lei dos cart\u00f3rios admite a acumula\u00e7\u00e3o nas localidades em que o volume de servi\u00e7os ou a receita n\u00e3o sustenta mais de uma unidade; a veda\u00e7\u00e3o geral convive com essa ressalva expressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Foi o que decidiu o STF na ADI 7.797: precedida de estudos t\u00e9cnicos e destinada a levar o servi\u00e7o de protesto a comarca que n\u00e3o o possu\u00eda, a medida n\u00e3o cria cart\u00f3rio novo nem abre ingresso sem concurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A interpreta\u00e7\u00e3o conforme fixada pelo Plen\u00e1rio aponta o caminho oposto: a serventia decorrente de desacumula\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser provida mediante concurso p\u00fablico, na forma do \u00a7 3\u00ba do art. 236 da CF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A jurisprud\u00eancia admite que a pr\u00f3pria lei, de iniciativa id\u00f4nea e justificada pelo interesse p\u00fablico, redistribua as atribui\u00e7\u00f5es; exige-se respeito \u00e0s balizas constitucionais, n\u00e3o monop\u00f3lio de ato do Judici\u00e1rio local.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 por configurar mera reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa dos servi\u00e7os extrajudiciais e n\u00e3o implicar ingresso ou provimento sem concurso p\u00fablico na atividade notarial e registral \u2013 a atribui\u00e7\u00e3o da especialidade de Protesto de Letras e T\u00edtulos a serventia extrajudicial preexistente e regularmente provida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal exige concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos para o ingresso na atividade notarial e de registro, bem como para o provimento de serventias vagas, desmembradas, desdobradas ou desacumuladas (CF\/1988, art. 236, \u00a7 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), a exig\u00eancia de concurso p\u00fablico n\u00e3o impede a reorganiza\u00e7\u00e3o, por lei de iniciativa adequada e fundada em interesse p\u00fablico, da distribui\u00e7\u00e3o das atribui\u00e7\u00f5es entre serventias j\u00e1 regularmente providas. Ademais, admite-se, em car\u00e1ter excepcional, a acumula\u00e7\u00e3o de especialidades em serventia preexistente, desde que observadas as hip\u00f3teses previstas no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 26 da Lei n\u00ba 8.935\/1994 (2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a norma impugnada n\u00e3o criou nova serventia aut\u00f4noma nem promoveu&nbsp;&nbsp; provimento origin\u00e1rio sem concurso p\u00fablico, limitando-se a atribuir a especialidade de Protesto de Letras e T\u00edtulos a unidade j\u00e1 existente, ocupada por delegat\u00e1rio previamente habilitado em concurso p\u00fablico. A medida foi precedida de estudos t\u00e9cnicos e teve por objetivo ampliar o acesso da popula\u00e7\u00e3o local ao servi\u00e7o de protesto, at\u00e9 ent\u00e3o inexistente na comarca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido, para conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 2\u00ba da Lei n\u00ba 18.145\/2025 do Estado de S\u00e3o Paulo (3), a fim de assentar que eventual serventia decorrente de desacumula\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser provida mediante concurso p\u00fablico, nos termos do art. 236, \u00a7 3\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, preservada a validade da acumula\u00e7\u00e3o de especialidade em serventia preexistente, desde que o delegat\u00e1rio tenha ingressado na atividade por concurso p\u00fablico e a hip\u00f3tese se enquadre nas situa\u00e7\u00f5es excepcionais previstas no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 26 da Lei n\u00ba 8.935\/1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 4.745 e ADI 7.655.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Lei n\u00ba 8.935\/1994: \u201cArt. 26. N\u00e3o s\u00e3o acumul\u00e1veis os servi\u00e7os enumerados no art. 5\u00ba.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Par\u00e1grafo \u00fanico. Poder\u00e3o, contudo, ser acumulados nos Munic\u00edpios que n\u00e3o comportarem, em raz\u00e3o do volume dos servi\u00e7os ou da receita, a instala\u00e7\u00e3o de mais de um dos servi\u00e7os.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n\u00ba 18.145\/2025 do Estado de S\u00e3o Paulo: \u201cArtigo 2\u00b0 &#8211; Fica atribu\u00edda a especialidade de Protesto de Letras e T\u00edtulos ao j\u00e1 existente Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais, Interdi\u00e7\u00f5es e Tutelas e Tabeli\u00e3o de Notas da Comarca de Paul\u00ednia, que passa a ser: \u2018Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais, Interdi\u00e7\u00f5es e Tutelas e Tabeli\u00e3o de Notas e de Protesto de Letras e T\u00edtulos da Sede da Comarca de Paul\u00ednia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-receitas-proprias-do-mpu-e-teto-do-novo-arcabouco-fiscal\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; RECEITAS PR\u00d3PRIAS DO MPU E TETO DO NOVO ARCABOU\u00c7O FISCAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os valores custeados com as <strong>receitas pr\u00f3prias do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o<\/strong>, bem como com as provenientes de conv\u00eanios, contratos ou instrumentos cong\u00eaneres firmados com entes federativos ou com particulares, <strong>N\u00c3O se submetem ao teto de gastos<\/strong> institu\u00eddo pela LC n. 200\/2023 (Novo Arcabou\u00e7o Fiscal).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.922\/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o aprendeu a refor\u00e7ar o pr\u00f3prio caixa: conv\u00eanios, contratos e instrumentos cong\u00eaneres geram receitas que n\u00e3o saem do Tesouro. O Novo Arcabou\u00e7o Fiscal (LC n. 200\/2023), por\u00e9m, fixou limites de despesas prim\u00e1rias e, na leitura literal, capturava tamb\u00e9m o que a institui\u00e7\u00e3o arrecada por conta pr\u00f3pria, consumindo o teto como se fosse dota\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria. A a\u00e7\u00e3o direta cobrou coer\u00eancia: o STF j\u00e1 havia liberado do limite as receitas pr\u00f3prias dos tribunais federais. A simetria com o Judici\u00e1rio alcan\u00e7a o or\u00e7amento do MPU?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 200\/2023, art. 3\u00ba, <em>caput<\/em> e IV, e \u00a7 2\u00ba, IV<\/strong><em> (fixa limites individualizados para as despesas prim\u00e1rias, inclusive do MPU, e enumera despesas que n\u00e3o integram a base de c\u00e1lculo do teto).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A autonomia financeira e or\u00e7ament\u00e1ria assegura ao Minist\u00e9rio P\u00fablico o desempenho independente da defesa da ordem jur\u00eddica e do regime democr\u00e1tico; desde a EC n. 45\/2004, o tratamento entre o MP e o Poder Judici\u00e1rio deve ser convergente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Na ADI 7.641, o STF j\u00e1 exclu\u00edra do teto da LC n. 200\/2023 as receitas pr\u00f3prias dos tribunais federais; ADI 7.073 e ADI 6.594 refor\u00e7am o paralelismo institucional e as garantias de autogoverno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A solu\u00e7\u00e3o veio por interpreta\u00e7\u00e3o conforme: ficam fora do teto as receitas geradas pelo pr\u00f3prio MPU e as oriundas de conv\u00eanios, contratos ou instrumentos cong\u00eaneres com entes federativos ou entidades privadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O teto continua incidindo sobre as despesas custeadas por dota\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias do or\u00e7amento: a exclus\u00e3o restringe-se ao que a institui\u00e7\u00e3o arrecada por si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O argumento de resist\u00eancia era fiscal: o arcabou\u00e7o nasceu para conter o crescimento do gasto p\u00fablico, e <strong>abrir exce\u00e7\u00f5es corr\u00f3i a credibilidade do regime de limites<\/strong>. Se cada institui\u00e7\u00e3o reivindicar regime especial, o teto vira peneira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta do Plen\u00e1rio foca a origem do recurso. <strong>Submeter ao teto a receita que a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o gera compromete o autossustento e a gest\u00e3o aut\u00f4noma<\/strong>, transformando um instrumento de responsabilidade fiscal em freio \u00e0 capacidade de o MPU se financiar sem onerar o Tesouro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Havia ainda o obst\u00e1culo literal: a lista de despesas exclu\u00eddas menciona universidades e institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, <strong>sem qualquer refer\u00eancia ao Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o<\/strong>, e exce\u00e7\u00f5es a regimes fiscais costumam reclamar leitura estrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O impasse se desfez pela simetria. Se as receitas pr\u00f3prias dos tribunais federais j\u00e1 estavam fora do limite (ADI 7.641), <strong>o paralelismo institucional da EC n. 45\/2004 imp\u00f5e o mesmo regime ao MPU<\/strong>; a interpreta\u00e7\u00e3o conforme alinhou o texto ao desenho constitucional, mantida a sujei\u00e7\u00e3o das dota\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0s receitas pr\u00f3prias do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o diante do teto de gastos do Novo Arcabou\u00e7o Fiscal (LC n. 200\/2023):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) submetem-se ao limite de despesas prim\u00e1rias, silente o rol de exce\u00e7\u00f5es do \u00a7 2\u00ba do art. 3\u00ba quanto ao MPU.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) escapam do teto em sentido estrito, mantida a sujei\u00e7\u00e3o das verbas de conv\u00eanios e contratos firmados com entidades privadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sujeitam-se ao mesmo regime das dota\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias, restrita a simetria com o Judici\u00e1rio \u00e0s garantias dos membros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) ficam fora do limite, exonera\u00e7\u00e3o que se estende \u00e0s despesas custeadas por dota\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias do or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) n\u00e3o integram o teto, inclusive quando decorrentes de conv\u00eanios e contratos com entes federativos ou entidades privadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O Plen\u00e1rio conferiu interpreta\u00e7\u00e3o conforme justamente para impedir essa leitura: sujeitar ao limite o que a institui\u00e7\u00e3o arrecada por conta pr\u00f3pria comprometeria o autossustento e a gest\u00e3o aut\u00f4noma do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exclus\u00e3o abrange tamb\u00e9m as verbas de conv\u00eanios e contratos firmados com outros entes p\u00fablicos ou com particulares, na mesma extens\u00e3o reconhecida aos tribunais federais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Desde a EC n. 45\/2004, o tratamento jur\u00eddico-or\u00e7ament\u00e1rio das duas institui\u00e7\u00f5es deve ser convergente; foi esse paralelismo que levou o STF a estender ao MPU a solu\u00e7\u00e3o dada aos tribunais na ADI 7.641.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A regra geral permanece: o MPU atua com responsabilidade fiscal e observa os limites quanto \u00e0s dota\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias; a exclus\u00e3o restringe-se ao que a institui\u00e7\u00e3o gera por si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Foi a conclus\u00e3o un\u00e2nime do Plen\u00e1rio na ADI 7.922, mediante interpreta\u00e7\u00e3o conforme aos dispositivos da lei complementar que fixam os limites individualizados e suas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os valores custeados com as receitas pr\u00f3prias do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o (MPU), bem como com as decorrentes de conv\u00eanios, contratos ou instrumentos cong\u00eaneres celebrados com entes federativos ou entidades privadas, n\u00e3o se submetem ao teto de gastos institu\u00eddo pela Lei Complementar n\u00ba 200\/2023 (Novo Arcabou\u00e7o Fiscal).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A autonomia financeira e or\u00e7ament\u00e1ria \u00e9 prerrogativa imprescind\u00edvel para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico exer\u00e7a, de forma independente, sua miss\u00e3o constitucional de defesa da ordem jur\u00eddica e do regime democr\u00e1tico. Embora o Minist\u00e9rio P\u00fablico deva atuar com responsabilidade fiscal e observar, em regra, os limites de despesas prim\u00e1rias para garantir a sustentabilidade da d\u00edvida p\u00fablica, a incid\u00eancia do teto de gastos sobre receitas geradas pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o compromete sua capacidade de autossustento e gest\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a simetria constitucional estabelecida pela Emenda Constitucional n\u00ba 45\/2004 entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Poder Judici\u00e1rio imp\u00f5e que o tratamento jur\u00eddico-or\u00e7ament\u00e1rio a eles conferido seja convergente. Uma vez que o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 firmou o entendimento de que as receitas pr\u00f3prias dos tribunais federais est\u00e3o exclu\u00eddas do teto de gastos da LC n\u00ba 200\/2023 (1), o mesmo regime deve ser aplicado ao MPU, por for\u00e7a do paralelismo institucional e das garantias de autogoverno (2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 3\u00ba, <em>caput<\/em> e IV, e \u00a7 2\u00ba, IV, da LC n\u00ba 200\/2023 (3), para reconhecer, quanto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o, que os valores custeados com receitas pr\u00f3prias, ou de conv\u00eanios, contratos ou instrumentos cong\u00eaneres, celebrados com os demais entes federativos ou entidades privadas, n\u00e3o se submetem ao teto de gastos institu\u00eddo pela LC n\u00ba 200\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedente citado: ADI 7.641.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 7.073 e ADI 6.594.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei Complementar n\u00ba 200\/2023: \u201cArt. 3\u00ba Com fundamento no&nbsp;inciso VIII do&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do art. 163, no&nbsp;art. 164-A&nbsp;e nos&nbsp;\u00a7\u00a7 2\u00ba&nbsp;e&nbsp;12 do art. 165 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ficam estabelecidos, para cada exerc\u00edcio a partir de 2024, observado o disposto nos arts. 4\u00ba, 5\u00ba e 9\u00ba desta Lei Complementar, limites individualizados para o montante global das dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias relativas a despesas prim\u00e1rias: (&#8230;) IV &#8211; do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o e do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico; e (&#8230;) \u00a7 2\u00ba N\u00e3o se incluem na base de c\u00e1lculo e nos limites estabelecidos neste artigo: (&#8230;) IV &#8211; as despesas das universidades p\u00fablicas federais, das empresas p\u00fablicas da Uni\u00e3o prestadoras de servi\u00e7os para hospitais universit\u00e1rios federais, das institui\u00e7\u00f5es federais de educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia vinculadas ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, dos estabelecimentos de ensino militares federais e das demais institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, tecnol\u00f3gicas e de inova\u00e7\u00e3o, nos valores custeados com receitas pr\u00f3prias, ou de conv\u00eanios, contratos ou instrumentos cong\u00eaneres, celebrados com os demais entes federativos ou entidades privadas;\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-pracas-no-oficialato-auxiliar-da-pm-e-concurso-publico\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; PRA\u00c7AS NO OFICIALATO AUXILIAR DA PM E CONCURSO P\u00daBLICO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional o <strong>ingresso de pra\u00e7as (subtenentes e sargentos) em cargos de oficiais dos Quadros de Oficiais Auxiliares (QOA) e de Oficiais M\u00fasicos (QOM)<\/strong> da Pol\u00edcia Militar, mediante sele\u00e7\u00e3o interna e curso de habilita\u00e7\u00e3o, por <strong>n\u00e3o configurar provimento derivado nem burla \u00e0 regra do concurso p\u00fablico<\/strong>, desde que respeitadas as normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o editadas pela Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 5.775\/GO, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines, sargento m\u00fasico da Pol\u00edcia Militar de Goi\u00e1s, tocava na banda da corpora\u00e7\u00e3o havia vinte anos quando venceu a sele\u00e7\u00e3o interna e concluiu o curso de habilita\u00e7\u00e3o para o Quadro de Oficiais M\u00fasicos. A ascens\u00e3o foi contestada em a\u00e7\u00e3o direta: pra\u00e7as estariam virando oficiais sem novo concurso p\u00fablico, na contram\u00e3o da S\u00famula Vinculante 43, que barra a investidura em cargo distinto sem certame. As leis goianas criaram um atalho inconstitucional ou apenas desenharam mais um degrau da carreira militar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, XXI<\/strong><em> (compete privativamente \u00e0 Uni\u00e3o legislar sobre normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o, efetivos, garantias e inatividades das pol\u00edcias militares e dos corpos de bombeiros militares).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 14.751\/2023 (Lei Org\u00e2nica Nacional)<\/strong><em> (prev\u00ea que o Quadro de Oficiais Especialistas seja integrado por militares oriundos do quadro de pra\u00e7as, mediante curso de habilita\u00e7\u00e3o, para atividades complementares \u00e0s de comando e chefia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Pela jurisprud\u00eancia consolidada, inclusive na S\u00famula Vinculante 43, o concurso p\u00fablico \u00e9 indispens\u00e1vel ao ingresso origin\u00e1rio ou em carreira diversa; ascens\u00e3o e transposi\u00e7\u00e3o entre carreiras distintas s\u00e3o inconstitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd No \u00e2mbito militar, a movimenta\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as para quadros auxiliares de oficialato \u00e9 progress\u00e3o funcional fundada na hierarquia e na disciplina, n\u00e3o provimento derivado em cargo estranho \u00e0 carreira original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O modelo goiano foi validado porque os oficiais do QOA e do QOM exercem fun\u00e7\u00f5es administrativas e operacionais complementares, sem tocar nas atribui\u00e7\u00f5es do Quadro de Oficiais de Estado-Maior, e ficam proibidos de migrar para outros quadros da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 \u00c0 primeira vista, o choque com a S\u00famula Vinculante 43 parecia frontal: sargento que vira oficial muda de patamar sem novo certame, e <strong>a veda\u00e7\u00e3o de ascens\u00e3o funcional foi constru\u00edda exatamente para fechar atalhos<\/strong> na Administra\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A leitura do Plen\u00e1rio parte da natureza da carreira militar. <strong>Estruturada em hierarquia e disciplina, ela \u00e9 uma escada \u00fanica<\/strong>: subir de pra\u00e7a a oficial de quadro auxiliar percorre a mesma carreira, \u00e0 imagem das For\u00e7as Armadas, cujo desenho o art. 142, \u00a7 3\u00ba, X, da CF remete \u00e0 lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Sobrava a d\u00favida federativa: se as normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o das PMs pertencem \u00e0 Uni\u00e3o, <strong>poderia o estado desenhar quadros e sele\u00e7\u00f5es internas por conta pr\u00f3pria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Lei n. 14.751\/2023 dissolveu a obje\u00e7\u00e3o: a pr\u00f3pria norma geral federal prev\u00ea quadros de especialistas formados por pra\u00e7as habilitadas em curso pr\u00f3prio. <strong>As leis goianas se encaixam no figurino nacional<\/strong>, e a veda\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia para outros quadros cont\u00e9m qualquer tentativa de expans\u00e3o indevida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relativamente ao ingresso de pra\u00e7as em cargos de oficiais dos quadros auxiliares das pol\u00edcias militares, mediante sele\u00e7\u00e3o interna e curso de habilita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) constitui progress\u00e3o funcional dentro da mesma carreira, compat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) caracteriza ascens\u00e3o vedada pela S\u00famula Vinculante 43, por implicar investidura em carreira diversa sem certame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) insere-se na autonomia organizacional dos estados, imune \u00e0s normas gerais editadas pela Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) habilita o oficial oriundo das pra\u00e7as a transferir-se, conclu\u00eddo o curso, para os demais quadros da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) destoa do regime das For\u00e7as Armadas, cujo modelo de acesso ao oficialato n\u00e3o se aplica \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Na ADI 5.775, o Plen\u00e1rio reconheceu a validade da sele\u00e7\u00e3o interna para os postos do QOA e do QOM da PM de Goi\u00e1s: trata-se de degrau da mesma carreira militar, estruturada na hierarquia e na disciplina, n\u00e3o de ingresso em carreira diversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A veda\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a a mudan\u00e7a entre carreiras distintas; subir das pra\u00e7as ao oficialato auxiliar permanece um movimento interno da carreira original, em modelo de progress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A CF reserva privativamente \u00e0 Uni\u00e3o as normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias militares (art. 22, XXI), e a Lei n. 14.751\/2023 disciplina expressamente os quadros de especialistas integrados por militares vindos das pra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O desenho validado pelo STF veda a transfer\u00eancia dos oficiais do QOA e do QOM para outros quadros, justamente para que as fun\u00e7\u00f5es complementares n\u00e3o invadam as atribui\u00e7\u00f5es do Estado-Maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O Plen\u00e1rio destacou a simetria com as For\u00e7as Armadas, em que pra\u00e7as podem alcan\u00e7ar o oficialato de quadros auxiliares, e o texto constitucional delega \u00e0 lei as situa\u00e7\u00f5es especiais dos militares (CF, art. 142, \u00a7 3\u00ba, X).<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 por n\u00e3o configurar provimento derivado nem burla \u00e0 regra do concurso p\u00fablico \u2013 o ingresso de pra\u00e7as (subtenentes e sargentos) em cargos espec\u00edficos de oficiais dos Quadros de Oficiais Auxiliares (QOA) e de Oficiais M\u00fasicos (QOM) da Pol\u00edcia Militar, mediante processo de sele\u00e7\u00e3o interna e curso de habilita\u00e7\u00e3o, desde que respeitadas as normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o editadas pela Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias militares e dos corpos de bombeiros militares (1). No exerc\u00edcio dessa atribui\u00e7\u00e3o, a Lei Org\u00e2nica Nacional (Lei n\u00ba 14.751\/2023) prev\u00ea expressamente que o Quadro de Oficiais Especialistas (QOE) seja integrado por militares oriundos do quadro de pra\u00e7as, mediante curso de habilita\u00e7\u00e3o, para o exerc\u00edcio de atividades complementares \u00e0s de comando e chefia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (2), a regra do concurso p\u00fablico (3) \u00e9 indispens\u00e1vel para o ingresso origin\u00e1rio ou em carreira diversa, sendo inconstitucional a ascens\u00e3o ou a transposi\u00e7\u00e3o entre carreiras distintas. Contudo, no \u00e2mbito militar, a movimenta\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as para quadros auxiliares de oficialato n\u00e3o representa provimento derivado em cargo estranho \u00e0 carreira original, mas um modelo de progress\u00e3o funcional baseado na hierarquia e na disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a legisla\u00e7\u00e3o do Estado de Goi\u00e1s (Leis n\u00ba 11.596\/1991 e n\u00ba 19.452\/2016) organizou os quadros de modo que os oficiais do QOA e do QOM desempenhem fun\u00e7\u00f5es administrativas e operacionais complementares, sem intromiss\u00e3o nas atribui\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas do Quadro de Oficiais de Estado-Maior, sendo-lhes vedada a transfer\u00eancia para outros quadros da corpora\u00e7\u00e3o. Tal modelo guarda simetria com a organiza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, onde pra\u00e7as podem se tornar oficiais de quadros auxiliares, e atende ao comando constitucional que delega \u00e0 lei a disciplina sobre o ingresso e as situa\u00e7\u00f5es especiais dos militares (4).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o, reconhecendo a validade do procedimento de sele\u00e7\u00e3o interna para o ingresso de pra\u00e7as nos postos de oficiais dos quadros auxiliares da Pol\u00edcia Militar do Estado de Goi\u00e1s (Lei n\u00ba 11.596\/1991 e Lei n\u00ba 19.452\/2016 do Estado de Goi\u00e1s).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: \u201cArt. 22. Compete privativamente \u00e0 Uni\u00e3o legislar sobre: (&#8230;) XXI &#8211; normas gerais de organiza\u00e7\u00e3o, efetivos, material b\u00e9lico, garantias, convoca\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o, inatividades e pens\u00f5es das pol\u00edcias militares e dos corpos de bombeiros militares;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 97, ADI 245, ADI 368, ADI 837, ADI 1.345, ADI 3.030, ADI 3.341, ADI 1.350, ADI 3.332 e S\u00famula Vinculante 43.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) CF\/1988: \u201cArt. 37. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte: (&#8230;) II &#8211; a investidura em cargo ou emprego p\u00fablico depende de aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via em concurso p\u00fablico de provas ou de provas e t\u00edtulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomea\u00e7\u00f5es para cargo em comiss\u00e3o declarado em lei de livre nomea\u00e7\u00e3o e exonera\u00e7\u00e3o;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) CF\/1988: \u201cArt. 142. As For\u00e7as Armadas, constitu\u00eddas pela Marinha, pelo Ex\u00e9rcito e pela Aeron\u00e1utica, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da Rep\u00fablica, e destinam-se \u00e0 defesa da P\u00e1tria, \u00e0 garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. (&#8230;) \u00a7 3\u00ba Os membros das For\u00e7as Armadas s\u00e3o denominados militares, aplicando-se-lhes, al\u00e9m das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposi\u00e7\u00f5es:&nbsp;(&#8230;) X &#8211; a lei dispor\u00e1 sobre o ingresso nas For\u00e7as Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condi\u00e7\u00f5es de transfer\u00eancia do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remunera\u00e7\u00e3o, as prerrogativas e outras situa\u00e7\u00f5es especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por for\u00e7a de compromissos internacionais e de guerra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-fundos-eleitorais-e-candidaturas-de-pessoas-pretas-e-pardas\" class=\"wp-block-heading\">4. FUNDOS ELEITORAIS E CANDIDATURAS DE PESSOAS PRETAS E PARDAS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional a <strong>aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, pelos partidos, de 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partid\u00e1rio em candidaturas de pessoas pretas e pardas<\/strong>, com compensa\u00e7\u00e3o, a partir de 2026, dos valores n\u00e3o aplicados nos pleitos anteriores nas quatro elei\u00e7\u00f5es subsequentes: trata-se de <strong>leg\u00edtima a\u00e7\u00e3o afirmativa<\/strong> que n\u00e3o caracteriza retrocesso social nem ofende a anterioridade eleitoral (CF, art. 16).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.706\/DF e ADI 7.707\/DF, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A EC n. 133\/2024 fixou em 30% a fatia dos fundos eleitorais que os partidos devem aplicar em candidaturas de pessoas pretas e pardas e abriu caminho para as agremia\u00e7\u00f5es regularizarem o passado: o que deixou de ser investido nos pleitos anteriores ser\u00e1 compensado nas quatro elei\u00e7\u00f5es seguintes, a partir de 2026. Duas a\u00e7\u00f5es diretas atacaram o desenho por dois flancos: haveria anistia disfar\u00e7ada aos partidos inadimplentes e mudan\u00e7a de regras \u00e0s v\u00e9speras do jogo eleitoral. O refinanciamento das cotas raciais passa no crivo constitucional?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>EC n. 133\/2024, arts. 1\u00ba, 2\u00ba, 3\u00ba, 7\u00ba e 9\u00ba, I<\/strong><em> (acrescenta o \u00a7 9\u00ba ao art. 17 da CF, determinando que 30% dos recursos dos dois fundos, o FEFC e o Partid\u00e1rio, financiem candidaturas de pessoas pretas e pardas, e disciplina a regulariza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos das agremia\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STF \u00e9 consolidada quanto \u00e0 validade das a\u00e7\u00f5es afirmativas de corre\u00e7\u00e3o de desigualdades socioecon\u00f4micas e raciais (ADPF 186, ADC 41, MI 4.733); na seara eleitoral, a proporcionalidade de g\u00eanero e ra\u00e7a j\u00e1 orientava a distribui\u00e7\u00e3o de recursos partid\u00e1rios (ADI 5.617, ADPF 738 MC-Ref).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A anterioridade eleitoral (CF, art. 16) n\u00e3o alcan\u00e7a modifica\u00e7\u00f5es meramente procedimentais sobre financiamento e presta\u00e7\u00e3o de contas; da\u00ed a aplica\u00e7\u00e3o da cota j\u00e1 \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A regra de transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o extingue obriga\u00e7\u00f5es: institui o &#8220;refinanciamento&#8221; dos valores n\u00e3o aplicados, que dever\u00e3o refor\u00e7ar obrigatoriamente as candidaturas de pessoas pretas e pardas nos pleitos subsequentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O r\u00f3tulo de anistia guiou o primeiro ataque: considerar cumprida a aplica\u00e7\u00e3o feita nos pleitos anteriores <strong>premiaria os partidos que descumpriram as cotas<\/strong>, apagando d\u00edvidas acumuladas sob as regras ent\u00e3o vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio leu a transi\u00e7\u00e3o de outro modo. A quita\u00e7\u00e3o do passado s\u00f3 produz efeito se o montante faltante for investido, de forma compensat\u00f3ria, nas quatro elei\u00e7\u00f5es seguintes; <strong>o d\u00e9bito n\u00e3o desaparece, muda de forma e volta para as pr\u00f3prias candidaturas beneficiadas<\/strong>, solu\u00e7\u00e3o mais eficaz que reverter multas aos cofres da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O segundo flanco invocava o art. 16 da CF: norma que mexe em financiamento de campanha <strong>alteraria o processo eleitoral e n\u00e3o poderia valer para a elei\u00e7\u00e3o seguinte<\/strong>, sob pena de casu\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria rejeitou a moldura: mudan\u00e7as sobre financiamento e presta\u00e7\u00e3o de contas s\u00e3o procedimentais e escapam da anualidade. No m\u00e9rito, <strong>a cota de 30% concretiza a igualdade material<\/strong>, na linha das a\u00e7\u00f5es afirmativas j\u00e1 chanceladas pela Corte, sem retrocesso em rela\u00e7\u00e3o a uma ordem anterior que sequer previa piso racial de financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito da aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de 30% dos fundos eleitorais em candidaturas de pessoas pretas e pardas (EC n. 133\/2024):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) viola a anterioridade eleitoral quando incidente j\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es de 2024, por alterar o processo eleitoral em sentido estrito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) constitui a\u00e7\u00e3o afirmativa leg\u00edtima, voltada \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o da igualdade material.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) extinguiu as obriga\u00e7\u00f5es pendentes das agremia\u00e7\u00f5es inadimplentes, ao considerar cumprida a aplica\u00e7\u00e3o feita nos pleitos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) representa retrocesso em rela\u00e7\u00e3o ao regime anterior, que assegurava piso mais elevado para candidaturas fundadas em crit\u00e9rios raciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) determina a revers\u00e3o dos valores n\u00e3o aplicados, como multa, aos cofres da Uni\u00e3o, a partir das elei\u00e7\u00f5es de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O STF qualificou as mudan\u00e7as como procedimentais, relativas ao financiamento e \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de contas, categoria que escapa \u00e0 regra do art. 16 da CF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Na aprecia\u00e7\u00e3o conjunta das ADIs 7.706 e 7.707, o Plen\u00e1rio, por maioria, viu na cota leg\u00edtimo mecanismo de inclus\u00e3o e de concretiza\u00e7\u00e3o da igualdade material, na linha de ADPF 186, ADC 41 e MI 4.733.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A efic\u00e1cia da regulariza\u00e7\u00e3o ficou condicionada \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria, nas quatro elei\u00e7\u00f5es subsequentes a partir de 2026, do montante que deixou de ser investido; as obriga\u00e7\u00f5es foram &#8220;refinanciadas&#8221;, n\u00e3o extintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Na ordem constitucional anterior n\u00e3o havia piso de financiamento preestabelecido com base em crit\u00e9rios raciais, raz\u00e3o pela qual a emenda amplia, e n\u00e3o reduz, a prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O Plen\u00e1rio considerou o refinanciamento mais eficaz justamente por manter os recursos no circuito das candidaturas de pessoas pretas e pardas, em vez de dren\u00e1-los como multa para a Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 por consistir em leg\u00edtima a\u00e7\u00e3o afirmativa de promo\u00e7\u00e3o da igualdade material e por n\u00e3o caracterizar retrocesso social nem ofensa ao princ\u00edpio da anterioridade eleitoral (CF\/1988, art. 16) \u2013 a aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, pelas agremia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, de 30% dos recursos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partid\u00e1rio em candidaturas de pessoas pretas e pardas, devendo ser compensados, a partir de 2026, os valores n\u00e3o aplicados nos pleitos anteriores nas quatro elei\u00e7\u00f5es subsequentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Emenda Constitucional n\u00ba 133\/2024 imp\u00f4s aos partidos pol\u00edticos a obrigatoriedade da aplica\u00e7\u00e3o de recursos financeiros para candidaturas de pessoas pretas e pardas, bem como estabeleceu condi\u00e7\u00f5es para a regulariza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o das agremia\u00e7\u00f5es que deixaram de cumprir a obriga\u00e7\u00e3o nos pleitos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia desta Suprema Corte \u00e9 consolidada quanto \u00e0 constitucionalidade de a\u00e7\u00f5es afirmativas para a corre\u00e7\u00e3o de desigualdades socioecon\u00f4micas e raciais (1). Sob a perspectiva eleitoral, a proporcionalidade de g\u00eanero e ra\u00e7a foi considerada para fins de distribui\u00e7\u00e3o de recursos partid\u00e1rios, sendo medida destinada a suprir a aus\u00eancia de regramento espec\u00edfico (2). Na ordem constitucional anterior, n\u00e3o havia piso de financiamento preestabelecido para candidaturas com base em crit\u00e9rios raciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a destina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de 30% das verbas repassadas aos partidos pol\u00edticos para essa finalidade n\u00e3o atenta contra o princ\u00edpio da igualdade, mas atua como leg\u00edtimo mecanismo de inclus\u00e3o e concretiza\u00e7\u00e3o da igualdade material. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se verifica qualquer viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da anualidade da lei eleitoral (3), haja vista tratar-se de modifica\u00e7\u00f5es meramente procedimentais relativas ao financiamento e \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de contas (4). No que concerne \u00e0 regra de transi\u00e7\u00e3o financeira, inexiste indevida anistia dos partidos pol\u00edticos, porquanto a norma n\u00e3o extingue as obriga\u00e7\u00f5es, mas estabelece o seu \u201crefinanciamento\u201d, garantindo que os recursos n\u00e3o aplicados nas elei\u00e7\u00f5es anteriores sejam obrigatoriamente inclu\u00eddos nas candidaturas de pessoas pretas e pardas nos pleitos subsequentes, solu\u00e7\u00e3o que se revela mais eficaz do que a revers\u00e3o de multas eleitorais aos cofres da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria de votos e em aprecia\u00e7\u00e3o conjunta, julgou improcedentes as a\u00e7\u00f5es para declarar a constitucionalidade dos arts. 1\u00ba, 2\u00ba, 3\u00ba, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico, 7\u00ba e 9\u00ba, I, da Emenda n\u00ba 133\/2024 (5).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADPF 186, ADC 41 e MI 4.733.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 5.617 e ADPF 738 MC-Ref.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) CF\/1988: \u201cArt. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrar\u00e1 em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se aplicando \u00e0 elei\u00e7\u00e3o que ocorra at\u00e9 um ano da data de sua vig\u00eancia. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 4, de 1993)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Precedentes citados: ADPF 738 MC-Ref e ADI 3.741.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (5) EC n\u00ba 133\/2024: \u201cArt. 1\u00ba Esta Emenda Constitucional imp\u00f5e aos partidos pol\u00edticos a obrigatoriedade da aplica\u00e7\u00e3o de recursos financeiros para as candidaturas de pessoas pretas e pardas, estabelece par\u00e2metros e condi\u00e7\u00f5es para regulariza\u00e7\u00e3o e refinanciamento de d\u00e9bitos de partidos pol\u00edticos e refor\u00e7a a imunidade tribut\u00e1ria dos partidos pol\u00edticos conforme previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Art. 2\u00ba O art. 17 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal passa a vigorar acrescido do seguinte \u00a7 9\u00ba: \u2018Art. 17. (&#8230;) \u00a7 9\u00ba Dos recursos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do fundo partid\u00e1rio destinados \u00e0s campanhas eleitorais, os partidos pol\u00edticos devem, obrigatoriamente, aplicar 30% (trinta por cento) em candidaturas de pessoas pretas e pardas, nas circunscri\u00e7\u00f5es que melhor atendam aos interesses e \u00e0s estrat\u00e9gias partid\u00e1rias.\u2019 Art. 3\u00ba A aplica\u00e7\u00e3o de recursos de qualquer valor em candidaturas de pessoas pretas e pardas realizadas pelos partidos pol\u00edticos nas elei\u00e7\u00f5es ocorridas at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o desta Emenda Constitucional, com base em lei, em qualquer outro ato normativo ou em decis\u00e3o judicial, deve ser considerada como cumprida. Par\u00e1grafo \u00fanico. A efic\u00e1cia do disposto no <em>caput<\/em> deste artigo est\u00e1 condicionada \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o, nas 4 (quatro) elei\u00e7\u00f5es subsequentes \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o desta Emenda Constitucional, a partir de 2026, do montante correspondente \u00e0quele que deixou de ser aplicado para fins de cumprimento da cota racial nas elei\u00e7\u00f5es anteriores, sem preju\u00edzo do cumprimento da cota estabelecida nesta Emenda Constitucional. (&#8230;) Art. 7\u00ba O disposto nesta Emenda Constitucional aplica-se aos \u00f3rg\u00e3os partid\u00e1rios nacionais, estaduais, municipais e zonais e abrange os processos de presta\u00e7\u00e3o de contas de exerc\u00edcios financeiros e eleitorais, independentemente de terem sido julgados ou de estarem em execu\u00e7\u00e3o, mesmo que transitados em julgado. (&#8230;) Art. 9\u00ba Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o, aplicando-se a partir das elei\u00e7\u00f5es de 2024: I &#8211; o \u00a7 9\u00ba do art. 17 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal;\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-multa-estadual-por-desinformacao-sanitaria\" class=\"wp-block-heading\">5. MULTA ESTADUAL POR DESINFORMA\u00c7\u00c3O SANIT\u00c1RIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional lei estadual que prev\u00ea <strong>san\u00e7\u00f5es administrativas para a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas sobre epidemias, endemias e pandemias<\/strong>: exerc\u00edcio das compet\u00eancias comum e concorrente em mat\u00e9ria de sa\u00fade p\u00fablica que <strong>N\u00c3O viola a liberdade de express\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.639\/BA, Rel. Min. Nunes Marques, red. do ac\u00f3rd\u00e3o Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pandemia, o celular de Dona Florinda fervia: curas milagrosas, dosagens inventadas, boatos sobre vacina. Para conter a enxurrada, a Bahia editou a Lei n. 14.268\/2020, com multa de R$ 5.000,00 a R$ 20.000,00 para quem divulgasse informa\u00e7\u00f5es falsas, <em>sem proced\u00eancia oficial<\/em>, sobre epidemias, endemias e pandemias, poupando expressamente as publica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas assinadas e a opini\u00e3o pessoal identificada como tal. A a\u00e7\u00e3o direta enxergou dupla invas\u00e3o: da compet\u00eancia da Uni\u00e3o sobre telecomunica\u00e7\u00f5es e da liberdade de express\u00e3o. A multa estadual sobrevive?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 23, II, e 24, XII<\/strong><em> (compet\u00eancia comum dos entes federativos para cuidar da sa\u00fade e compet\u00eancia legislativa concorrente para legislar sobre sua prote\u00e7\u00e3o e defesa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 14.268\/2020 do Estado da Bahia<\/strong><em> (multa de R$ 5.000,00 a R$ 20.000,00 pela veicula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias inver\u00eddicas, sem proced\u00eancia oficial, acerca de crises sanit\u00e1rias, ressalvados o jornalismo assinado e a manifesta\u00e7\u00e3o claramente opinativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o sobre telecomunica\u00e7\u00f5es e radiodifus\u00e3o n\u00e3o bloqueia a norma estadual cuja finalidade predominante \u00e9 a tutela da sa\u00fade p\u00fablica e que repercute de modo meramente indireto sobre aquelas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A liberdade de express\u00e3o n\u00e3o protege pr\u00e1ticas de desinforma\u00e7\u00e3o aptas a comprometer direitos de terceiros ou a sa\u00fade coletiva (CF, arts. 5\u00ba, IV e IX, e 220, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O diploma baiano cria responsabiliza\u00e7\u00e3o administrativa posterior, sem impedir a circula\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es pessoais nem a atividade jornal\u00edstica regularmente identificada; nisso reside sua validade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O primeiro golpe mirou a federa\u00e7\u00e3o: multar quem publica em r\u00e1dio, TV ou internet seria <strong>regular telecomunica\u00e7\u00f5es e radiodifus\u00e3o, terreno privativo da Uni\u00e3o<\/strong>, por mais nobre que fosse o prop\u00f3sito sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O crit\u00e9rio decisivo foi o da finalidade predominante. <strong>A lei tutela a sa\u00fade coletiva e apenas tangencia os meios de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>: quem define a infra\u00e7\u00e3o \u00e9 o conte\u00fado falso sobre a doen\u00e7a, n\u00e3o o ve\u00edculo utilizado, o que mant\u00e9m a norma nas compet\u00eancias comum e concorrente dos estados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O segundo golpe soava mais grave: punir discurso seria <strong>censura de escolha estatal sobre o que \u00e9 verdadeiro<\/strong>, com efeito inibidor sobre o debate p\u00fablico em plena crise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A maioria separou opini\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o. O texto legal resguarda o jornalismo assinado e a manifesta\u00e7\u00e3o claramente opinativa; <strong>o que se sanciona \u00e9 a not\u00edcia falsa apta a comprometer a sa\u00fade de todos<\/strong>, campo em que a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o oferece salvo-conduto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre lei estadual que comina multa administrativa \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas a respeito de epidemias, endemias e pandemias:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) invade a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o, por disciplinar telecomunica\u00e7\u00f5es e radiodifus\u00e3o ao alcan\u00e7ar conte\u00fados de r\u00e1dio, TV e internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) equivale a censura pr\u00e9via, vedada pelo art. 220 da CF, por instituir controle estatal sobre o conte\u00fado do debate p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) alcan\u00e7a as publica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas assinadas que reproduzam dados posteriormente desmentidos, ainda que identificado o redator.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) insere-se validamente nas compet\u00eancias comum e concorrente dos estados em mat\u00e9ria de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) sanciona a opini\u00e3o pessoal que divergir das orienta\u00e7\u00f5es oficiais, ainda que evidenciado o car\u00e1ter opinativo do texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O STF aplicou o crit\u00e9rio da finalidade predominante: a lei baiana tutela a sa\u00fade p\u00fablica e repercute de modo meramente indireto sobre telecomunica\u00e7\u00f5es e radiodifus\u00e3o, o que preserva a compet\u00eancia estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 censura pr\u00e9via: a lei institui responsabiliza\u00e7\u00e3o administrativa posterior pela dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, e a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o acoberta pr\u00e1ticas de desinforma\u00e7\u00e3o lesivas \u00e0 sa\u00fade coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A pr\u00f3pria lei exclui do il\u00edcito as publica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas devidamente assinadas por seus redatores, em ve\u00edculos f\u00edsicos ou digitais, resguardando a atividade regularmente identificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Foi o fundamento central da ADI 7.639: as compet\u00eancias administrativa comum (CF, art. 23, II) e legislativa concorrente (art. 24, XII) autorizam o estado a refor\u00e7ar as medidas de prote\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O compartilhamento de opini\u00e3o pessoal, evidenciado o car\u00e1ter opinativo e n\u00e3o f\u00e1tico do texto, fica fora do alcance da multa; divergir de orienta\u00e7\u00e3o oficial n\u00e3o constitui, por si, il\u00edcito administrativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 por constituir exerc\u00edcio da compet\u00eancia administrativa comum e da compet\u00eancia legislativa concorrente em mat\u00e9ria de sa\u00fade p\u00fablica e por n\u00e3o violar a liberdade de express\u00e3o \u2013 lei estadual que prev\u00ea san\u00e7\u00f5es administrativas para a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas sobre epidemias, endemias e pandemias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui aos entes federativos compet\u00eancia comum para cuidar da sa\u00fade e compet\u00eancia legislativa concorrente para a sua prote\u00e7\u00e3o e defesa (CF\/1988, arts. 23, II, e 24, XII). Nesse contexto, admite-se a edi\u00e7\u00e3o de normas destinadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao enfrentamento de riscos sanit\u00e1rios, inclusive por meio da institui\u00e7\u00e3o de medidas administrativas voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 efetividade das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre telecomunica\u00e7\u00f5es e radiodifus\u00e3o n\u00e3o impede a atua\u00e7\u00e3o normativa dos estados quando a disciplina legal possui finalidade predominante relacionada \u00e0 tutela da sa\u00fade p\u00fablica e repercute apenas indiretamente sobre tais atividades. Ademais, a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o possui car\u00e1ter absoluto e n\u00e3o protege pr\u00e1ticas de desinforma\u00e7\u00e3o aptas a comprometer direitos fundamentais de terceiros ou interesses constitucionalmente relevantes, especialmente a sa\u00fade coletiva (CF\/1988, arts. 5\u00ba, IV e IX; 220, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a legisla\u00e7\u00e3o estadual instituiu san\u00e7\u00f5es administrativas para a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas sobre epidemias, endemias e pandemias, com o objetivo de refor\u00e7ar as medidas de prote\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria adotadas durante a crise da Covid-19. O diploma impugnado previu mecanismos de responsabiliza\u00e7\u00e3o administrativa pela dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, sem impedir a circula\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es pessoais nem o exerc\u00edcio da atividade jornal\u00edstica regularmente identificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou improcedente o pedido para declarar a constitucionalidade da Lei n\u00ba 14.268\/2020 do Estado da Bahia (2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 2.730, ADI 2.875, ADI 5.140, ADI 6.137, ADI 6.088, ADI 4.306, ADPF 672 MC-Ref, ADI 6.341 MC-Ref, ADI 6.343 MC-Ref e ADI 6.362.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Lei n\u00ba 14.268\/2020 do Estado da Bahia: \u201cArt. 1\u00ba &#8211; Fica sujeito \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) a R$20.000,00 (vinte mil reais) quem divulgar, por meio impresso, televisivo, de radiodifus\u00e3o ou eletr\u00f4nico, informa\u00e7\u00f5es falsas, sem proced\u00eancia oficial, sobre epidemias, endemias e pandemias no Estado da Bahia, sem citar a fonte prim\u00e1ria. Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Incide na mesma pena quem: I &#8211; elaborar a informa\u00e7\u00e3o falsa ou colaborar com sua elabora\u00e7\u00e3o ou dissemina\u00e7\u00e3o, tendo ci\u00eancia do seu destino II &#8211; divulgar dolosamente a informa\u00e7\u00e3o falsa, pelos meios indicados no <em>caput<\/em> deste artigo, ainda que citando a fonte prim\u00e1ria ou quem lhe tenha remetido; III &#8211; utilizar ou programar softwares ou outros mecanismos autom\u00e1ticos de propaga\u00e7\u00e3o que divulguem ou alterem informa\u00e7\u00f5es ou not\u00edcias, disseminando, ao final, dados n\u00e3o ver\u00eddicos. Art. 2\u00ba &#8211; N\u00e3o constituem il\u00edcito administrativo: I &#8211; publica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas devidamente assinadas por seus redatores em ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o f\u00edsicos ou digitais; II &#8211; compartilhamento de opini\u00e3o pessoal, desde que evidenciado o car\u00e1ter n\u00e3o-f\u00e1tico, e sim opinativo do texto. Art. 3\u00ba &#8211; A dosimetria na aplica\u00e7\u00e3o da multa observar\u00e1 a gravidade da repercuss\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es falsas, a poss\u00edvel exist\u00eancia de vantagem auferida e a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do autor do il\u00edcito. \u00a7 1\u00ba &#8211; Na avalia\u00e7\u00e3o da gravidade da repercuss\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es falsas, ser\u00e1 considerado o preju\u00edzo advindo para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, seja ao patrim\u00f4nio material ou ao regular funcionamento da atividade administrativa. \u00a7 2\u00ba &#8211; O valor da multa dever\u00e1 ser dobrado nos casos de reincid\u00eancia. \u00a7 3\u00ba &#8211; O valor da multa dever\u00e1 ser dobrado se a infra\u00e7\u00e3o for perpetrada por funcion\u00e1rios p\u00fablicos e dever\u00e1 ser quadruplicado se comprovado o uso de estrutura ou maquin\u00e1rio p\u00fablico no ato da elabora\u00e7\u00e3o ou dissemina\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o falsa. \u00a7 4\u00ba &#8211; Os recursos oriundos da multa prevista nesta Lei ser\u00e3o destinados a a\u00e7\u00f5es de apoio e tratamento de epidemias, endemias e pandemias no Estado da Bahia. \u00a7 5\u00ba &#8211; O valor da multa ser\u00e1 sempre atualizado pela taxa do Sistema Especial de Liquida\u00e7\u00e3o e de Cust\u00f3dia &#8211; SELIC. Art. 4\u00ba &#8211; A imposi\u00e7\u00e3o da pena administrativa de multa n\u00e3o impede ou substitui a instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito penal ou de processo administrativo disciplinar para apura\u00e7\u00e3o de falta residual do servidor p\u00fablico. Art. 5\u00ba &#8211; Caber\u00e1 ao Poder Executivo a edi\u00e7\u00e3o de normas complementares visando disciplinar o quanto previsto nesta Lei. Art. 6\u00ba &#8211; Esta Lei entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-feriado-estadual-de-corpus-christi-e-competencia-da-uniao\" class=\"wp-block-heading\">6. FERIADO ESTADUAL DE CORPUS CHRISTI E COMPET\u00caNCIA DA UNI\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 constitucional <strong>lei estadual ou municipal que institui feriado em data de relevante significa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural e religiosa<\/strong> para a comunidade local; a medida <strong>N\u00c3O usurpa a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o em mat\u00e9ria de direito do trabalho<\/strong> (CF, art. 22, I).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.898\/RJ, Rel. Min. C\u00e1rmen L\u00facia, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 19\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Rio de Janeiro declarou o dia de Corpus Christi feriado estadual (Lei n. 11.002\/2025). A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo foi ao STF: para o setor, feriado mexe com a presta\u00e7\u00e3o de trabalho, mat\u00e9ria privativa da Uni\u00e3o, e cada dia de portas fechadas pesa sobre a livre iniciativa. Estado pode transformar data religiosa em feriado local?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 24, VII, e 215<\/strong><em> (compet\u00eancia legislativa concorrente para a prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural e dever estatal de valoriza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es culturais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Conforme ADPF 634, ADI 4.092 e ARE 1.549.615 AgR, a institui\u00e7\u00e3o de feriados por estados e munic\u00edpios em datas de relevante significa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural e religiosa insere-se na compet\u00eancia concorrente dos entes federados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A exist\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o federal sobre feriados n\u00e3o afasta a compet\u00eancia de estados e munic\u00edpios para institu\u00ed-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A cria\u00e7\u00e3o do feriado, por si s\u00f3, n\u00e3o viola a livre iniciativa nem a livre concorr\u00eancia, tampouco configura interven\u00e7\u00e3o inconstitucional na ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A CNC construiu o ataque sobre o art. 22, I, da CF: feriado suspende a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o e altera a remunera\u00e7\u00e3o do dia, logo <strong>a mat\u00e9ria seria trabalhista e pertenceria com exclusividade ao legislador federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio deslocou o eixo da controv\u00e9rsia. A escolha de uma data que expressa a identidade da comunidade local <strong>protege patrim\u00f4nio cultural, campo da compet\u00eancia concorrente<\/strong> (CF, arts. 24, VII, e 215); os reflexos sobre os contratos de trabalho s\u00e3o indiretos e n\u00e3o transformam a lei em norma trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Restava o argumento econ\u00f4mico: multiplicar feriados locais encarece a produ\u00e7\u00e3o, fecha o com\u00e9rcio e <strong>interviria indevidamente na ordem econ\u00f4mica<\/strong>, em preju\u00edzo da livre concorr\u00eancia entre pra\u00e7as distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A institui\u00e7\u00e3o de feriado, por si s\u00f3, n\u00e3o fere a livre iniciativa. <strong>Datas de relevante significa\u00e7\u00e3o para a comunidade podem ser celebradas por decis\u00e3o do pr\u00f3prio ente federado<\/strong>, e a unanimidade confirmou a lei fluminense no julgamento definitivo de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de feriado estadual em data de significa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural e religiosa, a exemplo de Corpus Christi:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) cabe aos estados e munic\u00edpios, no exerc\u00edcio da compet\u00eancia concorrente de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) invade compet\u00eancia reservada ao legislador federal, dado o reflexo direto nos contratos de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) tem a efic\u00e1cia suspensa pela superveni\u00eancia de lei federal sobre feriados, nos moldes da compet\u00eancia concorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) configura interven\u00e7\u00e3o na ordem econ\u00f4mica, condicionada \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o concreta de proporcionalidade diante do impacto sobre o com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) esbarra na laicidade estatal, vedada a chancela de data religiosa por ente federado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Na ADI 7.898, o Plen\u00e1rio, \u00e0 unanimidade, declarou constitucional a Lei n. 11.002\/2025 do Rio de Janeiro, que instituiu o feriado de Corpus Christi, reafirmando ADPF 634 e ADI 4.092.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O STF enquadra a mat\u00e9ria na tutela concorrente do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e das manifesta\u00e7\u00f5es culturais (CF, arts. 24, VII, e 215); a repercuss\u00e3o trabalhista \u00e9 reflexa e n\u00e3o desloca o tema para o art. 22, I.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O julgado afirma o contr\u00e1rio: lei federal sobre a mat\u00e9ria n\u00e3o exclui a compet\u00eancia dos demais entes para instituir datas de relev\u00e2ncia local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A institui\u00e7\u00e3o do feriado, por si s\u00f3, n\u00e3o configura interven\u00e7\u00e3o inconstitucional na ordem econ\u00f4mica nem se sujeita a esse teste espec\u00edfico; foi essa a resposta dada ao argumento econ\u00f4mico da CNC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Os precedentes reconhecem a validade de feriados em datas de significa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m religiosa para a comunidade, sem que isso comprometa a laicidade do Estado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 constitucional \u2013 e n\u00e3o viola a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito do trabalho (CF\/1988, art. 22, I) \u2013 lei estadual ou municipal que institui feriado em data de relevante significa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural e religiosa para a comunidade local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) questionou a constitucionalidade da Lei n\u00ba 11.002\/2025 do Estado do Rio de Janeiro, que declarou o dia de Corpus Christi como feriado estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte (1), a institui\u00e7\u00e3o de feriados pelos estados e munic\u00edpios em datas de relevante significa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural e religiosa se insere no \u00e2mbito da compet\u00eancia legislativa concorrente dos entes federados para a prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural e a valoriza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es culturais (CF\/1988, arts. 24, VII, e 215). Nesse contexto, a exist\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o federal sobre feriados n\u00e3o afasta a compet\u00eancia daqueles entes federados para institu\u00ed-los nem a institui\u00e7\u00e3o deles, por si s\u00f3, viola os princ\u00edpios da livre iniciativa e da livre concorr\u00eancia ou configura interven\u00e7\u00e3o inconstitucional na ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, converteu a an\u00e1lise da medida cautelar em julgamento de m\u00e9rito e julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade para declarar a constitucionalidade da Lei n\u00ba 11.002\/2025 do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADPF 634, ADI 4.092 e ARE 1.549.615 AgR.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-reajuste-automatico-das-propostas-orcamentarias-estaduais\" class=\"wp-block-heading\">7. REAJUSTE AUTOM\u00c1TICO DAS PROPOSTAS OR\u00c7AMENT\u00c1RIAS ESTADUAIS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inconstitucional norma inserida em constitui\u00e7\u00e3o estadual por emenda parlamentar que estabelece <strong>crit\u00e9rios permanentes de reajuste autom\u00e1tico das propostas or\u00e7ament\u00e1rias anuais dos Poderes e \u00f3rg\u00e3os aut\u00f4nomos<\/strong>: h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o da <strong>iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo em mat\u00e9ria or\u00e7ament\u00e1ria<\/strong> e vincula\u00e7\u00e3o de receitas sem previs\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.868\/PB, Rel. Min. Dias Toffoli, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 19\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Assembleia paraibana emendou a Constitui\u00e7\u00e3o do estado para blindar os or\u00e7amentos alheios ao alcance do governador: as propostas or\u00e7ament\u00e1rias do Legislativo, do Judici\u00e1rio, do Tribunal de Contas, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria passariam a ser atualizadas automaticamente, por \u00edndice oficial de corre\u00e7\u00e3o ou pela varia\u00e7\u00e3o da receita de impostos. Na pr\u00e1tica, o chefe do Executivo montaria a lei or\u00e7ament\u00e1ria com essas fatias j\u00e1 engessadas. Emenda parlamentar \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual pode ditar reajuste permanente das propostas or\u00e7ament\u00e1rias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 2\u00ba; 25, <em>caput<\/em>; 84, XXIII; 165 e 167, IV<\/strong><em> (separa\u00e7\u00e3o dos Poderes, autonomia dos estados nos limites da Constitui\u00e7\u00e3o, iniciativa privativa do chefe do Executivo para as leis or\u00e7ament\u00e1rias e veda\u00e7\u00e3o de vincula\u00e7\u00e3o da receita de impostos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Pela simetria, a iniciativa privativa do chefe do Executivo em mat\u00e9ria or\u00e7ament\u00e1ria obriga os estados; nem por emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual se disciplina mat\u00e9ria tipicamente or\u00e7ament\u00e1ria sem a participa\u00e7\u00e3o do Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Crit\u00e9rio abstrato, pr\u00e9vio e permanente de reajuste autom\u00e1tico das propostas futuras, calculado sobre o or\u00e7amento vigente, cria vincula\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com o modelo constitucional e restringe a flexibilidade da gest\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A emenda se vendia como escudo institucional: com reajuste autom\u00e1tico, <strong>Judici\u00e1rio, Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria ficariam a salvo de retalia\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias<\/strong> do governo da vez, refor\u00e7ando a independ\u00eancia entre os Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O rem\u00e9dio, por\u00e9m, agride o pr\u00f3prio desenho que pretendia proteger. <strong>As leis or\u00e7ament\u00e1rias s\u00e3o de iniciativa privativa do chefe do Executivo<\/strong>, regra que a simetria imp\u00f5e aos estados; parlamento que fixa sozinho o crescimento das propostas usurpa essa reserva e desequilibra a separa\u00e7\u00e3o dos Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Argumentou-se ainda que emenda constitucional estadual n\u00e3o \u00e9 lei comum: <strong>obra do poder constituinte decorrente, escaparia das regras de iniciativa<\/strong> aplic\u00e1veis ao processo legislativo ordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio fechou a porta: o poder decorrente tamb\u00e9m se curva ao figurino federal. Ao fixar, de forma abstrata, pr\u00e9via e permanente, o piso das propostas futuras, <strong>a norma criou vincula\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria vedada pelo art. 167, IV<\/strong>, engessando a elabora\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento e comprometendo a gest\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 norma de constitui\u00e7\u00e3o estadual, fruto de emenda parlamentar, que fixa reajuste autom\u00e1tico das propostas or\u00e7ament\u00e1rias do Legislativo, do Judici\u00e1rio, do Tribunal de Contas, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) concretiza a autonomia financeira dos Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) respeita as regras de reserva de iniciativa do processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) invade a reserva de iniciativa do Executivo para o or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) contamina o reajuste da proposta do Judici\u00e1rio, mas preserva o da proposta do Legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00e9 mero par\u00e2metro t\u00e9cnico que n\u00e3o configura vincula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A autonomia financeira n\u00e3o elimina a reserva de iniciativa do governador para as leis de or\u00e7amento, imposta aos estados pela simetria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Nem por emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual se pode disciplinar mat\u00e9ria tipicamente or\u00e7ament\u00e1ria sem a participa\u00e7\u00e3o do Executivo, sob pena de afronta \u00e0 separa\u00e7\u00e3o dos Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Foi a dupla fundamenta\u00e7\u00e3o da ADI 7.868: usurpa\u00e7\u00e3o da reserva de iniciativa or\u00e7ament\u00e1ria (CF, arts. 84, XXIII, e 165) e vincula\u00e7\u00e3o vedada pelo art. 167, IV, por engessar os or\u00e7amentos futuros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O Plen\u00e1rio declarou a inconstitucionalidade integral do art. 172-A da Constitui\u00e7\u00e3o paraibana, que alcan\u00e7ava todas as propostas ali referidas, inclusive a do pr\u00f3prio Parlamento estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Ao fixar, de modo abstrato, pr\u00e9vio e permanente, o crescimento das propostas com base no or\u00e7amento vigente, a norma criou exatamente a vincula\u00e7\u00e3o que o modelo constitucional repele.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional \u2013 por violar a iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo em mat\u00e9ria or\u00e7ament\u00e1ria e instituir vincula\u00e7\u00e3o de receitas n\u00e3o prevista na Constitui\u00e7\u00e3o Federal (CF\/1988, arts. 2\u00ba; 25, <em>caput<\/em>; 84, XXIII; 165 e 167, IV) \u2013 norma inserida em constitui\u00e7\u00e3o estadual por emenda parlamentar que estabelece crit\u00e9rios permanentes de reajuste das propostas or\u00e7ament\u00e1rias anuais dos Poderes e \u00f3rg\u00e3os aut\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a norma impugnada determinou a atualiza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica das propostas or\u00e7ament\u00e1rias dos Poderes Legislativo e Judici\u00e1rio, bem como do Tribunal de Contas, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria P\u00fablica, com base em \u00edndice oficial de corre\u00e7\u00e3o ou na varia\u00e7\u00e3o da receita de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui privativamente ao chefe do Poder Executivo a iniciativa das leis or\u00e7ament\u00e1rias, regra que, por for\u00e7a do princ\u00edpio da simetria, \u00e9 de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria pelos estados. Nem mesmo por meio de emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o estadual \u00e9 poss\u00edvel disciplinar mat\u00e9ria tipicamente or\u00e7ament\u00e1ria sem a participa\u00e7\u00e3o do Poder Executivo, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, ao instituir, de forma abstrata, pr\u00e9via e permanente, crit\u00e9rio de reajuste autom\u00e1tico das futuras propostas or\u00e7ament\u00e1rias com base nos valores do or\u00e7amento vigente, a norma estadual criou vincula\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria incompat\u00edvel com o modelo constitucional, restringindo a flexibilidade da gest\u00e3o fiscal e comprometendo a elabora\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento pelo Poder Executivo, em afronta ao art. 167, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade do art. 172-A, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico, da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Para\u00edba, acrescido pela Emenda Constitucional estadual n\u00ba 61\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 7.060, ADI 6.308, ADI 5.897, ADI 6.059, ADI 584, ADI 2.447, ADI 820, ADI 2.966, ADI 422 e ADI 4.102.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-adicional-de-icms-sobre-comunicacao-apos-a-lc-194-2022\" class=\"wp-block-heading\">8. ADICIONAL DE ICMS SOBRE COMUNICA\u00c7\u00c3O AP\u00d3S A LC 194\/2022<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A superveni\u00eancia da LC n. 194\/2022, que reconheceu os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o como <strong>essenciais e indispens\u00e1veis, vedando trat\u00e1-los como sup\u00e9rfluos<\/strong>, acarretou a <strong>suspens\u00e3o da efic\u00e1cia de norma estadual que instituiu adicional de al\u00edquota de ICMS<\/strong> sobre tais servi\u00e7os para financiar Fundo Estadual de Combate \u00e0 Pobreza; os efeitos da decis\u00e3o foram modulados para 1\u00ba\/1\/2027.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.632\/AL, Rel. Min. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conta de telefone e internet que chegava \u00e0 casa da Chiquinha, em Macei\u00f3, carregava um extra: adicional de ICMS destinado ao Fundo Estadual de Combate \u00e0 Pobreza, apoiado no art. 82 do ADCT, que permite sobretaxar produtos e servi\u00e7os sup\u00e9rfluos. Em 2022, por\u00e9m, a LC n. 194 gravou no CTN que comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 servi\u00e7o essencial e indispens\u00e1vel, proibindo trat\u00e1-la como sup\u00e9rflua. Ca\u00eddo o r\u00f3tulo que sustentava a cobran\u00e7a, a sobretaxa alagoana ainda se mant\u00e9m de p\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 82, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (autoriza adicional de at\u00e9 dois pontos percentuais na al\u00edquota do ICMS sobre produtos e servi\u00e7os sup\u00e9rfluos para financiar os Fundos Estaduais de Combate \u00e0 Pobreza).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 194\/2022; CTN, art. 18-A<\/strong><em> (reconhece os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o como bens e servi\u00e7os essenciais e indispens\u00e1veis, vedado o seu tratamento como sup\u00e9rfluos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STF reconhecera a validade dos adicionais institu\u00eddos pelos estados e pelo Distrito Federal ap\u00f3s as ECs 33\/2001 e 42\/2003, at\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o de lei complementar federal sobre a mat\u00e9ria (ADI 7.716, ADI 7.634, ADI 7.077 e ADI 7.816).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Com a LC n. 194\/2022, instaurou-se novo par\u00e2metro normativo: ficou suspensa a efic\u00e1cia do adicional sobre comunica\u00e7\u00e3o, caso do art. 2\u00ba-A da Lei n. 6.558\/2004 do Estado de Alagoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o: a invalidade das cobran\u00e7as produz efeitos a partir de 1\u00ba\/1\/2027, in\u00edcio do pr\u00f3ximo exerc\u00edcio fiscal, ressalvadas as a\u00e7\u00f5es judiciais e os processos administrativos pendentes na data de publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Os estados tinham a seu favor o texto transit\u00f3rio: o art. 82 do ADCT autoriza a sobretaxa para financiar fundos de combate \u00e0 pobreza, e <strong>retirar a fonte de custeio golpearia pol\u00edticas sociais<\/strong> em plena vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A autoriza\u00e7\u00e3o, contudo, sempre teve uma condi\u00e7\u00e3o embutida: recair sobre o sup\u00e9rfluo. <strong>Quando a LC n. 194\/2022 declarou essencial o servi\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o, a premissa da cobran\u00e7a desabou<\/strong>, e com ela a efic\u00e1cia da norma alagoana, sem necessidade de revoga\u00e7\u00e3o expressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Abriu-se ent\u00e3o o problema pr\u00e1tico: anos de recolhimento, or\u00e7amentos estaduais comprometidos e <strong>o risco de uma avalanche de pedidos de restitui\u00e7\u00e3o<\/strong> caso a invalidade retroagisse \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A seguran\u00e7a jur\u00eddica ditou o desfecho. <strong>Os efeitos foram modulados para 1\u00ba\/1\/2027<\/strong>, abertura do exerc\u00edcio fiscal seguinte, preservados os lit\u00edgios e requerimentos administrativos em curso quando publicada a ata: equil\u00edbrio entre a tese e as finan\u00e7as estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca do adicional de al\u00edquota de ICMS sobre servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o destinado aos Fundos Estaduais de Combate \u00e0 Pobreza, ap\u00f3s a LC n. 194\/2022:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) permanece exig\u00edvel, porquanto o art. 82 do ADCT n\u00e3o pode ter a aplica\u00e7\u00e3o comprometida por lei complementar superveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) nasceu inv\u00e1lido, \u00e0 falta de lei complementar federal autorizativa anterior \u00e0s leis estaduais instituidoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) foi expressamente revogado, com a retirada das normas estaduais do ordenamento desde a publica\u00e7\u00e3o da lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) gera direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o do imposto recolhido desde a edi\u00e7\u00e3o da lei complementar, dado o efeito retroativo da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) teve a efic\u00e1cia suspensa pelo reconhecimento legal da essencialidade das comunica\u00e7\u00f5es, com efeitos modulados para o in\u00edcio de 2027.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o do ADCT pressup\u00f5e que o servi\u00e7o sobretaxado seja sup\u00e9rfluo; definida em lei complementar a essencialidade das comunica\u00e7\u00f5es, desapareceu o suporte da cobran\u00e7a, sem qualquer invers\u00e3o hier\u00e1rquica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O STF reconhecera a validade dos adicionais criados ap\u00f3s as ECs 33\/2001 e 42\/2003 justamente at\u00e9 que sobreviesse lei complementar federal sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O efeito identificado foi a suspens\u00e3o da efic\u00e1cia da norma estadual a partir da superveni\u00eancia da LC n. 194\/2022, t\u00e9cnica diversa da revoga\u00e7\u00e3o expressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e ao impacto nas finan\u00e7as estaduais, a decis\u00e3o s\u00f3 opera a contar de 1\u00ba\/1\/2027, ressalvados os processos pendentes quando publicada a ata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. \u00c9 a s\u00edntese da ADI 7.632: o art. 18-A do CTN, acrescido pela LC n. 194\/2022, instaurou novo par\u00e2metro que suspendeu a efic\u00e1cia do art. 2\u00ba-A da Lei n. 6.558\/2004 de Alagoas, com modula\u00e7\u00e3o prospectiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A superveni\u00eancia da Lei Complementar n\u00ba 194\/2022, que reconheceu os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o como essenciais e indispens\u00e1veis e vedou trat\u00e1-los como sup\u00e9rfluos, acarretou a suspens\u00e3o da efic\u00e1cia de norma estadual que tenha institu\u00eddo adicional de al\u00edquota do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) sobre tais servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a norma impugnada instituiu adicional de ICMS sobre servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00f5es destinados ao financiamento de Fundos Estaduais de Combate \u00e0 Pobreza, com fundamento em dispositivo do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias (ADCT) que autoriza a cobran\u00e7a de adicional do imposto sobre produtos e servi\u00e7os considerados sup\u00e9rfluos (1). A jurisprud\u00eancia desta Corte (2), por sua vez, reconheceu a validade desses adicionais institu\u00eddos pelos estados e pelo Distrito Federal ap\u00f3s as Emendas Constitucionais n\u00ba 33\/2001 e n\u00ba 42\/2003, at\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o de lei complementar federal sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com a edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n\u00ba 194\/2022, que acrescentou o art. 18-A ao C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e reconheceu os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o como bens e servi\u00e7os essenciais, vedando seu tratamento como sup\u00e9rfluos, estabeleceu-se novo par\u00e2metro normativo que implicou a suspens\u00e3o da efic\u00e1cia do adicional de ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, e em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e ao impacto nas finan\u00e7as estaduais, os efeitos da decis\u00e3o devem ser modulados, de modo que a invalidade das cobran\u00e7as produza efeitos apenas a partir de 1\u00ba de janeiro de 2027, quando se inicia o pr\u00f3ximo exerc\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, conheceu parcialmente da a\u00e7\u00e3o direta e, nessa extens\u00e3o, julgou-a improcedente, reconhecendo a suspens\u00e3o parcial da efic\u00e1cia do art. 2\u00ba-A da Lei n\u00ba 6.558\/2004 do Estado de Alagoas, a partir da superveni\u00eancia da Lei Complementar n\u00ba 194\/2022, modulando os efeitos da decis\u00e3o para produzir efic\u00e1cia a partir de 1\u00ba de janeiro de 2027, ressalvadas as a\u00e7\u00f5es judiciais e os processos administrativos pendentes de julgamento na data de publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) ADCT: \u201cArt. 82. Os Estados, o Distrito Federal e os Munic\u00edpios devem instituir Fundos de Combate \u00e0 Pobreza, com os recursos de que trata este artigo e outros que vierem a destinar, devendo os referidos Fundos ser geridos por entidades que contem com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil.&nbsp;(Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 31, de 2000). \u00a7 1\u00ba Para o financiamento dos Fundos Estaduais e Distrital, poder\u00e1 ser criado adicional de at\u00e9 dois pontos percentuais na al\u00edquota do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS, sobre os produtos e servi\u00e7os sup\u00e9rfluos e nas condi\u00e7\u00f5es definidas na lei complementar de que trata o art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, da Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se aplicando, sobre este percentual, o disposto no art. 158, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o.&nbsp;(Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 42, de 19.12.2003)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 7.716, ADI 7.634, ADI 7.077 e ADI 7.816.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-icms-reduzido-para-cerveja-com-suco-de-caju\" class=\"wp-block-heading\">9. ICMS REDUZIDO PARA CERVEJA COM SUCO DE CAJU<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inconstitucional norma estadual que <strong>reduz a al\u00edquota do ICMS sobre cervejas com percentual m\u00ednimo de 0,35% de suco de caju<\/strong>: o benef\u00edcio fiscal exigia <strong>pr\u00e9vio conv\u00eanio no \u00e2mbito do Confaz<\/strong>, e o discr\u00edmen viola a isonomia tribut\u00e1ria, a seletividade e a livre concorr\u00eancia; h\u00e1 ainda v\u00edcio formal pela aus\u00eancia de estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio (ADCT, art. 113).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.373\/PI, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 26\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Piau\u00ed, a cerveja ganhou tempero regional por lei: bastava conter 0,35% de suco de caju, para escapar da al\u00edquota de 27% de ICMS reservada \u00e0s bebidas alco\u00f3licas. No bar do Seu Madruga, a garrafa com um fio de caju chegava ao balc\u00e3o mais barata que a concorrente tradicional, e as cervejarias de fora reclamavam do privil\u00e9gio. Um toque da fruta regional faz merecer a al\u00edquota menor?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g<\/strong><em> (cabe \u00e0 lei complementar regular a forma como benef\u00edcios e incentivos fiscais de ICMS ser\u00e3o concedidos e revogados mediante delibera\u00e7\u00e3o conjunta dos estados e do Distrito Federal, os conv\u00eanios do Confaz).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 113<\/strong><em> (a proposi\u00e7\u00e3o legislativa que crie ou altere ren\u00fancia de receita deve vir acompanhada da estimativa do seu impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquota para um subconjunto de cervejas configura efetivo benef\u00edcio fiscal; concedido sem conv\u00eanio interestadual, contamina materialmente a norma (precedente: ADI 6.152).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O acr\u00e9scimo de pequena parcela de suco de caju n\u00e3o transforma a cerveja em produto essencial: a seletividade do ICMS (CF, art. 155, \u00a7 2\u00ba, III) n\u00e3o socorre a bebida alco\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O discr\u00edmen fere a isonomia tribut\u00e1ria (CF, art. 150, II) e a livre concorr\u00eancia (art. 170, IV).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade recebeu efeitos prospectivos, contados da publica\u00e7\u00e3o da ata do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O estado podia invocar a extrafiscalidade: privilegiar a bebida com fruta local <strong>fomentaria a cadeia produtiva do caju e a economia regional<\/strong>, fun\u00e7\u00e3o leg\u00edtima dos tributos sobre o consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O caminho escolhido, por\u00e9m, atropelou o pacto federativo fiscal. <strong>Benef\u00edcio de ICMS concedido sem conv\u00eanio no Confaz \u00e9 a semente da guerra fiscal<\/strong> que o art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g, da CF quis evitar; a delibera\u00e7\u00e3o conjunta dos estados era passagem obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Tentou-se ainda vestir a medida com a seletividade: se o imposto deve ser graduado pela essencialidade, <strong>o produto com insumo regional mereceria carga menor<\/strong> que a das demais bebidas alco\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio desmontou o disfarce: 0,35% de suco n\u00e3o muda a natureza da cerveja, e o favor a certos fabricantes <strong>afronta a isonomia tribut\u00e1ria e a livre concorr\u00eancia<\/strong>. Somou-se o v\u00edcio formal da falta de estimativa de impacto (ADCT, art. 113), e a norma caiu, com efeitos prospectivos definidos por maioria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 al\u00edquota reduzida de ICMS concedida por lei estadual a cervejas com percentual m\u00ednimo de suco de caju:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) legitima-se pela seletividade, graduado o imposto conforme a essencialidade do produto com insumo regional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) configura benef\u00edcio fiscal que depende de pr\u00e9vio conv\u00eanio celebrado no \u00e2mbito do Confaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) dispensa a estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio, por veicular redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquota em vez de isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) atende \u00e0 isonomia tribut\u00e1ria, ao tratar desigualmente contribuintes em situa\u00e7\u00f5es desiguais de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) deve ser invalidada com efeitos retroativos, exig\u00edvel a diferen\u00e7a de imposto sobre as opera\u00e7\u00f5es realizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O STF registrou que um percentual \u00ednfimo de fruta n\u00e3o muda a natureza do produto: cerveja segue bebida alco\u00f3lica, e a seletividade n\u00e3o a socorre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Na ADI 7.373, o Plen\u00e1rio identificou efetivo benef\u00edcio fiscal concedido sem a delibera\u00e7\u00e3o conjunta exigida pelo art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g, da CF, v\u00edcio que contaminou a norma piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquota implica ren\u00fancia de receita e, portanto, exigia a estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro prevista no art. 113 do ADCT; a aus\u00eancia gerou a inconstitucionalidade formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O discr\u00edmen fundado no percentual de suco de caju afronta a isonomia tribut\u00e1ria e a livre concorr\u00eancia, por favorecer certos fabricantes sem justificativa constitucional adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O pr\u00f3prio STF reconheceu a necessidade de dar efeitos prospectivos \u00e0 declara\u00e7\u00e3o, em vista da seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inconstitucional \u2013 por carecer da pr\u00e9via celebra\u00e7\u00e3o de conv\u00eanio no \u00e2mbito do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (CF\/1988, art. 155, \u00a7 2\u00ba, XII, g) e violar os princ\u00edpios da isonomia tribut\u00e1ria, da seletividade do ICMS e da livre concorr\u00eancia (CF\/1988, arts. 150, II; 155, \u00a7 2\u00ba, III; e 170, IV) \u2013 norma estadual que reduz a al\u00edquota do ICMS incidente sobre cervejas que contenham em sua composi\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo, 0,35% (trinta e cinco cent\u00e9simos por cento) de suco de caju concentrado e\/ou integral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, h\u00e1 inconstitucionalidade formal, haja vista a edi\u00e7\u00e3o da norma questionada sem a estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro, exigida para as propostas de lei que prevejam ren\u00fancia de receita (ADCT, art. 113).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob o aspecto material, o v\u00edcio decorre da redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquota de ICMS sem a exist\u00eancia de conv\u00eanio celebrado entre os estados, pois a redu\u00e7\u00e3o em debate configura efetivo benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 importante registrar que o acr\u00e9scimo de pequena parcela de suco de caju n\u00e3o tem o cond\u00e3o de transformar a cerveja em um produto essencial, capaz de atrair a incid\u00eancia do princ\u00edpio da seletividade do ICMS. \u00c9 evidente que o discr\u00edmen estabelecido tamb\u00e9m afronta os princ\u00edpios da isonomia tribut\u00e1ria e da livre concorr\u00eancia (1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, conheceu parcialmente da a\u00e7\u00e3o e, nessa extens\u00e3o, a julgou procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 2\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 269\/2022 do Estado do Piau\u00ed (2), no ponto em que acrescenta o item 1 \u00e0 al\u00ednea b do inciso I do art. 23 da Lei piauiense n\u00ba 4.257\/1989. Por maioria, o Tribunal imprimiu efeitos prospectivos \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade, de maneira a s\u00f3 operarem depois da publica\u00e7\u00e3o da ata deste julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedente citado: ADI 6.152.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Lei Complementar n\u00ba 269\/2022 do Estado do Piau\u00ed: \u201cArt. 2\u00ba Os dispositivos a seguir indicados da Lei n\u00ba 4.257, de 06 de janeiro de 1989, passam a vigorar com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: I \u2013 o art. 23: (&#8230;) \u2018Art. 23. As al\u00edquotas do imposto s\u00e3o: I \u2013 nas opera\u00e7\u00f5es e presta\u00e7\u00f5es internas: (&#8230;) b) 27% (vinte e sete por cento), com: 1. bebidas alco\u00f3licas, exceto aguardente de cana e cervejas que contenham, no m\u00ednimo, 0,35% (trinta e cinco cent\u00e9simos por cento) de suco de caju concentrado e\/ou suco integral de caju em sua composi\u00e7\u00e3o e desde que comercializadas em embalagem de vidro ou em lata;\u2019\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-18c53e1d-f1ea-4cf1-a720-cca07a71118e\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/12083905\/stf-info-1223.pdf\">STF &#8211; Info 1223<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/12083905\/stf-info-1223.pdf\" class=\"wp-block-file__button 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