{"id":1786788,"date":"2026-08-05T09:20:43","date_gmt":"2026-08-05T12:20:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1786788"},"modified":"2026-08-05T09:20:46","modified_gmt":"2026-08-05T12:20:46","slug":"informativo-stj-ed-especial-31-parte-2-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-31-parte-2-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Ed Especial 31 Parte 2 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/05091902\/stj_especial_31_parte2.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_oysgRF8Vksw\"><div id=\"lyte_oysgRF8Vksw\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/oysgRF8Vksw\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/oysgRF8Vksw\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/oysgRF8Vksw\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-cpd-en-por-compensacao-com-precatorio-e-formal-de-partilha\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; CPD-EN POR COMPENSA\u00c7\u00c3O COM PRECAT\u00d3RIO E FORMAL DE PARTILHA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A CPD-EN emitida em raz\u00e3o da suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, decorrente de pedido de compensa\u00e7\u00e3o com precat\u00f3rio, <strong>satisfaz a prova de quita\u00e7\u00e3o do art. 192 do CTN<\/strong>, autorizando a <strong>homologa\u00e7\u00e3o da partilha e a expedi\u00e7\u00e3o do formal<\/strong> no arrolamento sum\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.167.136-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Morto Geremias, os herdeiros Kiko e P\u00f3pis abriram arrolamento sum\u00e1rio e encontraram pend\u00eancias de IPTU e TLP sobre os im\u00f3veis do esp\u00f3lio. Em vez de desembolsar, requereram a compensa\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas com um precat\u00f3rio devido pelo pr\u00f3prio ente p\u00fablico, obtendo a suspens\u00e3o da exigibilidade e a certid\u00e3o positiva com efeitos de negativa. A Fazenda resistiu \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o do formal de partilha: quita\u00e7\u00e3o, para ela, significava pagamento. A CPD-EN destrava o arrolamento?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, arts. 192, 205 e 206<\/strong><em> (nenhuma senten\u00e7a de julgamento de partilha ou adjudica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 proferida sem prova da quita\u00e7\u00e3o de tributos relativos aos bens do esp\u00f3lio; a certid\u00e3o de que conste a exist\u00eancia de cr\u00e9ditos com exigibilidade suspensa tem os mesmos efeitos da certid\u00e3o negativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 659, \u00a7 2\u00ba, e 664, \u00a7 5\u00ba; Tema 1074\/STJ<\/strong><em> (no arrolamento sum\u00e1rio, a homologa\u00e7\u00e3o da partilha n\u00e3o se condiciona ao pr\u00e9vio recolhimento do ITCMD, exigida a comprova\u00e7\u00e3o do pagamento dos tributos incidentes sobre os bens e rendas do esp\u00f3lio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 192 do CTN funciona como garantia do cr\u00e9dito p\u00fablico antes que a universalidade do esp\u00f3lio se dissolva entre os herdeiros; o mesmo legislador que criou a garantia definiu os meios de comprov\u00e1-la, e a regularidade fiscal se demonstra por CND ou por CPD-EN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Reconhecida a viabilidade jur\u00eddica da compensa\u00e7\u00e3o, a extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito (CTN, art. 156, II) depende de atos administrativos de abatimento; frustrado o encontro de contas ap\u00f3s a homologa\u00e7\u00e3o, a cobran\u00e7a migra para a responsabilidade dos sucessores, sem represar o formal de partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A moldura do precedente qualificado separa dois grupos de tributos. <strong>O Tema 1074\/STJ dispensa o recolhimento pr\u00e9vio do ITCMD no arrolamento sum\u00e1rio, mas exige a comprova\u00e7\u00e3o de pagamento dos tributos que gravam os bens e as rendas do esp\u00f3lio<\/strong>, caso do IPTU e da TLP em discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A chave est\u00e1 no que a lei aceita como comprova\u00e7\u00e3o. <strong>Por expressa op\u00e7\u00e3o legislativa, a certid\u00e3o do art. 206 do CTN produz os mesmos efeitos da negativa<\/strong>, alcan\u00e7ando cr\u00e9ditos n\u00e3o vencidos, garantidos por penhora ou com exigibilidade suspensa, como na pend\u00eancia do pedido de compensa\u00e7\u00e3o com precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura contr\u00e1ria cobraria dos particulares a conta da mora estatal. <strong>Condicionar o formal ao desfecho do encontro de contas imporia aos herdeiros aguardar o pagamento de precat\u00f3rios, por vezes vencidos e em atraso<\/strong>, na contram\u00e3o da simplicidade e da celeridade que o legislador quis dar ao arrolamento sum\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E o cr\u00e9dito p\u00fablico n\u00e3o fica desamparado com a solu\u00e7\u00e3o. <strong>Homologada a partilha, eventual frustra\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o desloca a cobran\u00e7a para o campo da sucess\u00e3o tribut\u00e1ria<\/strong> (CTN, art. 131, II e III), respondendo herdeiros e esp\u00f3lio nos limites legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No arrolamento sum\u00e1rio, quanto \u00e0 prova de quita\u00e7\u00e3o dos tributos sobre os bens do esp\u00f3lio, pendente pedido de compensa\u00e7\u00e3o com precat\u00f3rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) exige-se o recolhimento integral dos tributos antes da homologa\u00e7\u00e3o da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) equipara-se ao regime do ITCMD, cuja comprova\u00e7\u00e3o fica postergada \u00e0 esfera administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) impede-se a expedi\u00e7\u00e3o do formal enquanto o precat\u00f3rio n\u00e3o for efetivamente pago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) transfere-se ao ju\u00edzo do invent\u00e1rio a decis\u00e3o sobre a viabilidade da compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) satisfaz-se com certid\u00e3o positiva com efeitos de negativa decorrente da suspens\u00e3o da exigibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A comprova\u00e7\u00e3o exigida pelo art. 192 do CTN se faz pelas certid\u00f5es de regularidade fiscal, e a CPD-EN tem os mesmos efeitos da negativa; o desembolso pr\u00e9vio n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A distin\u00e7\u00e3o do Tema 1074\/STJ corre em sentido oposto: o ITCMD fica fora da exig\u00eancia no arrolamento sum\u00e1rio, enquanto os tributos sobre os bens do esp\u00f3lio reclamam comprova\u00e7\u00e3o, atendida pela certid\u00e3o do art. 206 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Aguardar o pagamento do precat\u00f3rio imporia \u00f4nus desproporcional aos herdeiros; a suspens\u00e3o da exigibilidade pelo pedido de compensa\u00e7\u00e3o j\u00e1 sustenta a certid\u00e3o que destrava o procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A viabilidade do encontro de contas se resolve na esfera administrativa pr\u00f3pria; ao ju\u00edzo do arrolamento basta a certid\u00e3o de regularidade fiscal apresentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. A CPD-EN emitida pela suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito cumpre a exig\u00eancia de prova de quita\u00e7\u00e3o, liberando a senten\u00e7a homologat\u00f3ria e o t\u00edtulo de transfer\u00eancia aos herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a apresenta\u00e7\u00e3o de Certid\u00e3o Positiva de D\u00e9bitos com Efeito de Negativa (CPD-EN), em raz\u00e3o da suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio decorrente de pedido de compensa\u00e7\u00e3o dos tributos com precat\u00f3rio, \u00e9 suficiente para que se considere cumprido o requisito da prova de quita\u00e7\u00e3o de tributos sobre bens e rendas do esp\u00f3lio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao apreciar o Tema 1074, fixou a seguinte tese: &#8220;No arrolamento sum\u00e1rio, a homologa\u00e7\u00e3o da partilha ou da adjudica\u00e7\u00e3o, bem como a expedi\u00e7\u00e3o do formal de partilha e da carta de adjudica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se condicionam ao pr\u00e9vio recolhimento do imposto de transmiss\u00e3o causa mortis, devendo ser comprovado, todavia, o pagamento dos tributos relativos aos bens do esp\u00f3lio e \u00e0s suas rendas, nos termos dos arts. 659, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015 e 192 do CTN&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se observa do enunciado, o precedente desta Corte estabelece importante distin\u00e7\u00e3o entre o ITCMD (Imposto sobre a Transmiss\u00e3o Causa Mortis e Doa\u00e7\u00e3o) e os tributos incidentes sobre os bens do esp\u00f3lio (caso do IPTU e da TLP), exigindo, apenas na segunda hip\u00f3tese, a comprova\u00e7\u00e3o do pagamento dos tributos para a homologa\u00e7\u00e3o da partilha e para a expedi\u00e7\u00e3o do respectivo formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao interpretar o art. 192 do CTN em conjunto com o art. 659, \u00a7 2\u00ba, do CPC, consolidou-se no sentido de que, mesmo no arrolamento sum\u00e1rio, o magistrado deve exigir a comprova\u00e7\u00e3o de quita\u00e7\u00e3o dos tributos relativos aos bens do esp\u00f3lio e \u00e0s suas rendas para homologar a partilha e, na sequ\u00eancia, com o tr\u00e2nsito em julgado, expedir os t\u00edtulos de transfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por expressa op\u00e7\u00e3o do legislador, a certid\u00e3o a que faz jus o contribuinte nas hip\u00f3teses de exist\u00eancia de cr\u00e9ditos n\u00e3o vencidos, garantidos por penhora ou com exigibilidade suspensa (CPD-EN de que trata o art. 206 do CTN) produz o mesmo efeito previsto no art. 205 do CTN, referente \u00e0 Certid\u00e3o Negativa de D\u00e9bitos (CND).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, reconhecida a possibilidade jur\u00eddica da compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 luz das regras vigentes, a extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio (art. 156, II, do CTN) depende unicamente de atos administrativos voltados ao abatimento do valor compensado em rela\u00e7\u00e3o ao montante do precat\u00f3rio a ser pago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, nos casos de suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio pela formula\u00e7\u00e3o de pedido de compensa\u00e7\u00e3o, a CPD-EN \u00e9 suficiente para o cumprimento do requisito de &#8220;prova de quita\u00e7\u00e3o&#8221; de tributos sobre bens e rendas do esp\u00f3lio (art. 192 do CTN, e art. 664, \u00a7 5\u00ba, do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m de prestigiar a interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, em considera\u00e7\u00e3o aos arts. 205 e 206, do CTN, tal solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o inviabiliza a efetiva extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, nem imp\u00f5e aos particulares o \u00f4nus desproporcional de aguardar o pagamento de precat\u00f3rios, por vezes vencidos e em atraso, para a conclus\u00e3o do arrolamento sum\u00e1rio, ao qual o legislador buscou conferir simplifica\u00e7\u00e3o e celeridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como j\u00e1 explicado, o CTN estabelece que a &#8220;prova da quita\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 suficientemente realizada pelas certid\u00f5es de regularidade fiscal (CND e CPD-EN).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 192 do CTN, surge como uma garantia do cr\u00e9dito p\u00fablico, voltada a facilitar seu recebimento antes que a universalidade do esp\u00f3lio se dissolva entre os herdeiros, com a partilha. O mesmo legislador que previu tal garantia ao cr\u00e9dito p\u00fablico (que n\u00e3o \u00e9 absoluta), estabelece os par\u00e2metros de sua comprova\u00e7\u00e3o (arts. 205 e 206, do CTN).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, com a homologa\u00e7\u00e3o da partilha, j\u00e1 ocorrida, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, em decorr\u00eancia de eventual frustra\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o, resolve-se no campo da sucess\u00e3o tribut\u00e1ria (art. 131, II e III, do CTN), n\u00e3o constituindo, portanto, impedimento para a expedi\u00e7\u00e3o do formal de partilha.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-diferimento-do-icms-tecnica-de-arrecadacao-vs-beneficio-fiscal\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; DIFERIMENTO DO ICMS: T\u00c9CNICA DE ARRECADA\u00c7\u00c3O vs. BENEF\u00cdCIO FISCAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diferimento do ICMS <strong>N\u00c3O configura benef\u00edcio fiscal<\/strong>: \u00e9 <strong>t\u00e9cnica de arrecada\u00e7\u00e3o<\/strong> que posterga o recolhimento do imposto, o que afasta a aplica\u00e7\u00e3o da tese do Tema 490\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDcl nos EDcl no RMS 32.937-MT, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 22\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Planalto Distribuidora comprava mercadorias no Distrito Federal com o ICMS diferido pelo Programa Pr\u00f3-DF: o imposto seguia devido, mas seria recolhido depois. Ao receber os produtos, o Estado de destino estornou proporcionalmente os cr\u00e9ditos da empresa, tratando o diferimento como incentivo concedido sem aval do CONFAZ e invocando o Tema 490\/STF. A distribuidora impugnou o estorno: postergar o pagamento n\u00e3o \u00e9 perdoar imposto. A tese do estorno proporcional alcan\u00e7a o diferimento?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 490\/STF<\/strong><em> (o estorno proporcional de cr\u00e9dito de ICMS efetuado pelo Estado de destino, em raz\u00e3o de cr\u00e9dito fiscal presumido concedido pelo Estado de origem sem autoriza\u00e7\u00e3o do CONFAZ, n\u00e3o viola o princ\u00edpio constitucional da n\u00e3o cumulatividade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Benef\u00edcio fiscal envolve ren\u00fancia de receita ou redu\u00e7\u00e3o de carga tribut\u00e1ria, como a isen\u00e7\u00e3o e o cr\u00e9dito presumido, e por isso depende de delibera\u00e7\u00e3o un\u00e2nime no CONFAZ; o diferimento apenas desloca no tempo o momento do recolhimento, sem dispensa do tributo devido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Ausente ren\u00fancia, o valor do imposto n\u00e3o se altera e o creditamento na opera\u00e7\u00e3o seguinte deve ser assegurado como abatimento do ICMS devido ao Estado destinat\u00e1rio; a hip\u00f3tese f\u00e1tica escapa ao alcance da tese do estorno proporcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O enquadramento do incentivo decide a sorte do estorno. <strong>A tese do Tema 490\/STF foi constru\u00edda para o cr\u00e9dito presumido concedido \u00e0 margem do CONFAZ<\/strong>, figura que implica ren\u00fancia de receita pelo Estado de origem e deflagra a rea\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria do destino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O instituto examinado tem outra anatomia. <strong>No diferimento n\u00e3o h\u00e1 dispensa do pagamento, como ocorre na isen\u00e7\u00e3o ou na n\u00e3o incid\u00eancia: o tributo permanece devido, com recolhimento deslocado para etapa posterior<\/strong>, a servi\u00e7o da racionaliza\u00e7\u00e3o das tarefas de fiscalizar e arrecadar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Sem ren\u00fancia, desaparece a premissa da guerra fiscal. <strong>A posterga\u00e7\u00e3o do recolhimento n\u00e3o interfere na autonomia dos demais Estados nem fere o pacto federativo<\/strong>, pois nada \u00e9 subtra\u00eddo da cadeia de incid\u00eancia do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A consequ\u00eancia pr\u00e1tica protege a n\u00e3o cumulatividade. <strong>O c\u00e1lculo do imposto devido n\u00e3o se altera com o incentivo do Estado de origem, devendo o creditamento ser assegurado no Estado de destino<\/strong>; o estorno proporcional, aqui, careceria de fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o diferimento do ICMS concedido pelo Estado de origem e o estorno proporcional de cr\u00e9ditos pelo Estado de destino:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) legitima-se o estorno, pois o diferimento sem aval do CONFAZ equivale ao cr\u00e9dito presumido irregular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) qualifica-se o diferimento como benef\u00edcio fiscal, por aliviar o \u00f4nus financeiro do contribuinte no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) escapa o diferimento \u00e0 tese do Tema 490\/STF, por constituir t\u00e9cnica de arrecada\u00e7\u00e3o que posterga o recolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) condiciona-se a validade do diferimento \u00e0 pr\u00e9via celebra\u00e7\u00e3o de conv\u00eanio no \u00e2mbito do CONFAZ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) veda-se o creditamento na entrada da mercadoria enquanto o imposto diferido n\u00e3o for recolhido na origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A equival\u00eancia n\u00e3o se sustenta: o cr\u00e9dito presumido envolve ren\u00fancia de receita, enquanto o diferimento conserva o tributo devido por inteiro, apenas deslocando o momento do recolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O al\u00edvio de fluxo de caixa n\u00e3o transforma a posterga\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio fiscal; falta o tra\u00e7o definidor da ren\u00fancia ou da redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. O diferimento \u00e9 t\u00e9cnica de arrecada\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o das tarefas do Fisco; sem ren\u00fancia de receita, o quadro f\u00e1tico n\u00e3o se amolda \u00e0 tese do estorno proporcional do Tema 490\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A delibera\u00e7\u00e3o no CONFAZ \u00e9 exig\u00eancia dos benef\u00edcios fiscais; o diferimento, por n\u00e3o dispensar o tributo, prescinde do conv\u00eanio interestadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O cr\u00e9dito da entrada permanece garantido, abatendo-se do imposto devido no destino; o incentivo do Estado de origem n\u00e3o altera o c\u00e1lculo do tributo nem suspende a n\u00e3o cumulatividade.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia gira em torno da possibilidade de o Estado de destino da mercadoria realizar o estorno proporcional dos cr\u00e9ditos de ICMS, derivados de incentivo concedido pelo Estado de origem no \u00e2mbito do Programa Pr\u00f3-DF, mediante legisla\u00e7\u00e3o implementada ao arrepio de delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (CONFAZ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 628.075 RG\/RS, sob o regime da repercuss\u00e3o geral, firmou a seguinte tese: &#8220;O estorno proporcional de cr\u00e9dito de ICMS efetuado pelo Estado de destino, em raz\u00e3o de cr\u00e9dito fiscal presumido concedido pelo Estado de origem sem autoriza\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (CONFAZ), n\u00e3o viola o princ\u00edpio constitucional da n\u00e3o cumulatividade.&#8221; (Tema n. 490\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A parte alegou que &#8220;o incentivo por ela obtido no \u00e2mbito do Programa Pr\u00f3-DF, diferimento do pagamento do ICMS, n\u00e3o se confunde com benef\u00edcio fiscal, instituto que n\u00e3o implica ren\u00fancia de receita ou redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria, mas mera posterga\u00e7\u00e3o do momento de recolhimento do imposto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, deve ser feita a distin\u00e7\u00e3o entre a controv\u00e9rsia e o Tema n. 490\/STF, uma vez que o quadro f\u00e1tico n\u00e3o se enquadra no referido tema, visto que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel equiparar o diferimento do ICMS ao benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O diferimento tribut\u00e1rio n\u00e3o constitui um benef\u00edcio fiscal, at\u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 dispensa do pagamento do tributo (como ocorre com a isen\u00e7\u00e3o ou com a n\u00e3o incid\u00eancia), mas t\u00e9cnica de arrecada\u00e7\u00e3o que visa otimizar as tarefas t\u00edpicas do fisco, de fiscalizar e arrecadar tributos, o que n\u00e3o interfere na autonomia dos Estados para conceder benef\u00edcios fiscais, tampouco viola o pacto federativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o entendimento da Primeira Turma do STJ n\u00e3o destoa do entendimento firmado pelo STF, o qual firmou o entendimento de que o benef\u00edcio fiscal concedido pelo Estado de origem n\u00e3o altera o c\u00e1lculo do imposto devido, mas, apenas, retarda seu recolhimento, \u00e0 luz do princ\u00edpio da n\u00e3o-cumulatividade, devendo ser assegurado o creditamento como abatimento do ICMS devido ao Estado destinat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-revogacao-do-art-11-ii-da-lia-e-continuidade-tipico-normativa\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; REVOGA\u00c7\u00c3O DO ART. 11, II, DA LIA E CONTINUIDADE T\u00cdPICO-NORMATIVA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revogado o inciso II do art. 11 da LIA pela Lei n. 14.230\/2021, a conduta de retardar ou omitir ato de of\u00edcio <strong>perdeu a previs\u00e3o normativa<\/strong>: diante do rol taxativo, <strong>N\u00c3O cabe a continuidade t\u00edpico-normativa<\/strong> nem a readequa\u00e7\u00e3o em outro artigo quando o recurso \u00e9 exclusivo da defesa (<em>ne reformatio in pejus<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp 1.486.065-SP, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por maioria, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O oficial de justi\u00e7a Godines cobrava das partes por dilig\u00eancias e certificava atos que n\u00e3o realizava. Condenado por improbidade com base no antigo art. 11, II, da LIA (retardar ou deixar de praticar ato de of\u00edcio), recorreu; no meio do caminho, a Lei n. 14.230\/2021 revogou exatamente aquele inciso. A acusa\u00e7\u00e3o defendeu o reencaixe da conduta em outro dispositivo para salvar a condena\u00e7\u00e3o. Sem recurso do autor da a\u00e7\u00e3o, a condena\u00e7\u00e3o sobrevive \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 11 (reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021)<\/strong><em> (a viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios passou a exigir dolo espec\u00edfico e conduta enquadrada em rol taxativo; os incisos I e II foram revogados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia alinhada ao STF aplica de imediato a reforma aos processos sem tr\u00e2nsito em julgado e admite a continuidade t\u00edpico-normativa quando a conduta permanece t\u00edpica em um dos incisos remanescentes do art. 11; a opera\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e, por\u00e9m, encaixe real no novo rol e prova do dolo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Ausente inciso que hoje descreva o retardamento ou a omiss\u00e3o de ato de of\u00edcio, a conduta ficou sem tipo na esfera da improbidade por viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios; e a migra\u00e7\u00e3o para os arts. 9\u00ba ou 10 esbarra na proibi\u00e7\u00e3o de agravar a situa\u00e7\u00e3o de quem recorreu sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A porta que se fecha na improbidade n\u00e3o encerra a responsabiliza\u00e7\u00e3o: os mesmos fatos comportam apura\u00e7\u00e3o criminal e c\u00edvel, inclusive para repara\u00e7\u00e3o dos danos patrimoniais e extrapatrimoniais causados ao er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A reforma redesenhou o art. 11 com tesoura e cadeado. <strong>O <em>caput<\/em> ganhou exig\u00eancia de dolo espec\u00edfico, o rol tornou-se taxativo e os incisos I e II foram suprimidos<\/strong>, operando verdadeira <em>abolitio<\/em> das figuras neles descritas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A sobreviv\u00eancia da condena\u00e7\u00e3o dependeria de um reencaixe imposs\u00edvel. <strong>A continuidade t\u00edpico-normativa reclama que a conduta permane\u00e7a descrita em algum dos incisos atuais do art. 11<\/strong>; nenhum deles contempla o retardamento ou a omiss\u00e3o indevida de ato de of\u00edcio, e a taxatividade veda o alargamento interpretativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A rota alternativa esbarrava numa garantia processual. <strong>Com recurso exclusivo da defesa, a readequa\u00e7\u00e3o da conduta aos arts. 9\u00ba ou 10 da LIA agravaria a situa\u00e7\u00e3o do \u00fanico recorrente<\/strong>, em afronta ao <em>ne reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O desfecho n\u00e3o significa imunidade para o servidor desonesto. <strong>Os fatos permanecem apur\u00e1veis nas esferas criminal e c\u00edvel, inclusive para a recomposi\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos causados<\/strong>; o que se extingue \u00e9 a via da improbidade fundada em tipo revogado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a revoga\u00e7\u00e3o do inciso II do art. 11 da Lei de Improbidade, quanto \u00e0 condena\u00e7\u00e3o por retardar ou omitir ato de of\u00edcio, pendente recurso exclusivo da defesa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o subsiste, invi\u00e1veis o reenquadramento no rol taxativo e a readequa\u00e7\u00e3o em outro artigo da lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) mant\u00e9m-se pela continuidade t\u00edpico-normativa, realocada a conduta no <em>caput<\/em> do art. 11.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) converte-se em condena\u00e7\u00e3o pelo art. 10 da LIA, presumido o dano ao er\u00e1rio pela cobran\u00e7a indevida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) preserva-se, pois a lei vigente ao tempo da conduta rege a responsabiliza\u00e7\u00e3o por improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) suspende-se o processo at\u00e9 a apura\u00e7\u00e3o da tipicidade dos mesmos fatos no ju\u00edzo criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A conduta perdeu a previs\u00e3o normativa no rol taxativo do art. 11, e a migra\u00e7\u00e3o para outro artigo agravaria a situa\u00e7\u00e3o do \u00fanico recorrente, vedada pelo <em>ne reformatio in pejus<\/em>; a a\u00e7\u00e3o de improbidade n\u00e3o prossegue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O <em>caput<\/em> do art. 11 n\u00e3o abriga condutas por si: a nova reda\u00e7\u00e3o exige o encaixe em inciso espec\u00edfico do rol taxativo, e o retardamento de ato de of\u00edcio n\u00e3o consta de nenhum deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o de dano ao er\u00e1rio foi banida pela reforma, e o deslocamento para o art. 10, em recurso exclusivo da defesa, pioraria a posi\u00e7\u00e3o do recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A orienta\u00e7\u00e3o firmada com o STF aplica as altera\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas da Lei n. 14.230\/2021 aos processos sem tr\u00e2nsito em julgado; a lei do tempo da conduta n\u00e3o blinda a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 prejudicialidade entre as vias: a improbidade se encerra pela atipicidade superveniente, permanecendo livres as apura\u00e7\u00f5es criminal e c\u00edvel dos mesmos fatos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa julgada parcialmente procedente nos termos do art. 11, <em>caput<\/em> e inciso II, da Lei de Improbidade Administrativa &#8211; LIA. Por sua vez, o Colegiado estadual deu parcial provimento ao apelo do r\u00e9u apenas para reduzir as san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, extrai-se dos autos que foi objeto de an\u00e1lise, pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, o elemento subjetivo da conduta do r\u00e9u, restando reconhecido o agir doloso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Agora, sobressai que a Lei n. 14.230\/2021 estatuiu um rol taxativo para as hip\u00f3teses do artigo 11 da Lei n. 8.429\/1992, bem como a indispensabilidade do dolo espec\u00edfico para se inferir a viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, visto a altera\u00e7\u00e3o redacional do <em>caput<\/em> do referido artigo e a revoga\u00e7\u00e3o dos incisos I e II.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, ocorreu a <em>abolitio<\/em> dos incisos I e II do artigo 11 da LIA e das hip\u00f3teses de responsabiliza\u00e7\u00e3o por animus culposo ou doloso gen\u00e9rico de ofensa aos brocardos. Assim, n\u00e3o se sustenta o julgado que concluiu pela pr\u00e1tica de ato \u00edmprobo com base no superado regramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importante destacar que &#8220;esta Corte, alinhada ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, tem se posicionado pela aplica\u00e7\u00e3o imediata da Lei n. 14.230\/2021 aos processos em que tenha havido condena\u00e7\u00e3o pela conduta tipificada no art. 11, <em>caput<\/em> e incisos I e II da LIA, com reda\u00e7\u00e3o antiga, sem tr\u00e2nsito em julgado, bem como pela ado\u00e7\u00e3o da tese da continuidade t\u00edpico-normativa sempre que a conduta remanescer t\u00edpica se reenquadrada em um dos oito incisos do art. 11 da LIA, com nova reda\u00e7\u00e3o&#8221; (AgInt no REsp n. 1.939.626\/RJ, relator Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, julgado em 11\/3\/2025, DJEN de 18\/3\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa diretriz, mostra-se invi\u00e1vel a continuidade t\u00edpico-normativa, com o reenquadramento da conduta em outro inciso do dispositivo, haja vista os \u00f3bices da taxatividade do artigo 11 e da necessidade de se constatar o dolo espec\u00edfico (o ato de &#8220;retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de of\u00edcio&#8221; &#8211; inciso II do art. 11 da LIA, atualmente revogado &#8211; n\u00e3o possui mais previs\u00e3o normativa no rol taxativo do citado regramento, ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es pela Lei n. 14.230\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, no caso concreto, n\u00e3o h\u00e1 falar em readequa\u00e7\u00e3o do ato descrito como \u00edmprobo em outro tipo &#8211; como os artigos 9\u00ba ou 10 da LIA -, eis que apenas h\u00e1 recurso exclusivo da defesa, incidindo, assim, o princ\u00edpio do <em>ne reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessarte, a conduta debatida nos autos pode ser objeto de apura\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito criminal e c\u00edvel, inclusive para fins de repara\u00e7\u00e3o dos eventuais danos patrimoniais e extrapatrimoniais sofridos pelo er\u00e1rio, por\u00e9m n\u00e3o mais se apresenta vi\u00e1vel a continuidade da presente a\u00e7\u00e3o de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-limite-etario-da-lei-n-13-954-2019-e-militares-temporarios-anteriores\" class=\"wp-block-heading\">4. LIMITE ET\u00c1RIO DA LEI N. 13.954\/2019 E MILITARES TEMPOR\u00c1RIOS ANTERIORES<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O limite et\u00e1rio de 45 anos introduzido pela Lei n. 13.954\/2019 no art. 27 da Lei do Servi\u00e7o Militar <strong>N\u00c3O alcan\u00e7a os militares tempor\u00e1rios admitidos antes da vig\u00eancia<\/strong> da norma; o licenciamento fundado exclusivamente na idade, nesses casos, <strong>\u00e9 nulo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.231.574-DF, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 29\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho servia como militar tempor\u00e1rio da Aeron\u00e1utica desde muito antes de 2019, com o v\u00ednculo prorrogado ano a ano. Ao completar 45 anos, veio o licenciamento, fundado no limite et\u00e1rio que a Lei n. 13.954\/2019 inseriu no art. 27 da Lei do Servi\u00e7o Militar. Ele ajuizou a\u00e7\u00e3o pretendendo a reintegra\u00e7\u00e3o: quando ingressou, aquele teto de idade n\u00e3o existia. A regra nova apanha quem j\u00e1 estava na caserna?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 4.375\/1964, art. 27 (reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.954\/2019)<\/strong><em> (fixa em 45 anos a idade limite para a perman\u00eancia no servi\u00e7o militar tempor\u00e1rio volunt\u00e1rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 4.375\/1964, art. 5\u00ba<\/strong><em> (trata do per\u00edodo de obriga\u00e7\u00e3o para com o servi\u00e7o militar em tempo de paz, figura diversa do teto de idade para o v\u00ednculo tempor\u00e1rio volunt\u00e1rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A reda\u00e7\u00e3o prospectiva do dispositivo alterado e a leitura sistem\u00e1tica do regime do servi\u00e7o tempor\u00e1rio indicam que a inova\u00e7\u00e3o de 2019 mira os processos seletivos futuros; a orienta\u00e7\u00e3o se consolidou na Segunda Turma a partir do REsp 2.004.844-SP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Para os admitidos antes da vig\u00eancia da lei nova, o ato de licenciamento apoiado unicamente no crit\u00e9rio et\u00e1rio carece de respaldo legal e deve ser declarado nulo, com a reintegra\u00e7\u00e3o e as consequ\u00eancias jur\u00eddicas decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O texto da inova\u00e7\u00e3o legislativa j\u00e1 denuncia seu alvo temporal. <strong>A altera\u00e7\u00e3o promovida pela Lei n. 13.954\/2019 foi redigida em tempo verbal prospectivo, dirigida aos certames vindouros<\/strong>, sem cl\u00e1usula que capturasse os v\u00ednculos formados sob a disciplina anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A leitura sistem\u00e1tica confirma o que a literalidade sugere. <strong>O cotejo do art. 27 com seus par\u00e1grafos e com o regime do servi\u00e7o militar tempor\u00e1rio volunt\u00e1rio afasta a incid\u00eancia do teto sobre quem j\u00e1 integrava as fileiras<\/strong>, na linha do precedente firmado no REsp 2.004.844-SP e reafirmado pela Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O socorro buscado no art. 5\u00ba da mesma lei confunde institutos. <strong>O per\u00edodo de obriga\u00e7\u00e3o militar em tempo de paz n\u00e3o se identifica com limite de idade para a perman\u00eancia no v\u00ednculo tempor\u00e1rio<\/strong>; s\u00e3o disciplinas com fun\u00e7\u00f5es distintas, e a primeira n\u00e3o legitima o corte et\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sem base legal, o ato administrativo n\u00e3o se sustenta. <strong>O licenciamento fundado exclusivamente no atingimento dos 45 anos \u00e9 nulo quanto aos militares admitidos antes da vig\u00eancia da norma<\/strong>, impondo-se a reintegra\u00e7\u00e3o com os consect\u00e1rios pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao limite et\u00e1rio de 45 anos do art. 27 da Lei n. 4.375\/1964 (reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.954\/2019) para o servi\u00e7o militar tempor\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) aplica-se de imediato, pois as normas de reg\u00eancia do servi\u00e7o militar incidem sobre os v\u00ednculos em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) alcan\u00e7a os admitidos antes da lei quando a prorroga\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo ocorrer j\u00e1 sob a norma nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) confunde-se com o per\u00edodo de obriga\u00e7\u00e3o militar do art. 5\u00ba da mesma lei, cessando o v\u00ednculo aos 45 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) dirige-se aos processos seletivos futuros, sem apanhar os militares tempor\u00e1rios admitidos antes da vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) opera como crit\u00e9rio discricion\u00e1rio regrado, licenciando a administra\u00e7\u00e3o por idade conforme a conveni\u00eancia do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A incid\u00eancia imediata esbarra na pr\u00f3pria reda\u00e7\u00e3o prospectiva do dispositivo e na leitura sistem\u00e1tica do regime; a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o capturou os v\u00ednculos formados antes dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A prorroga\u00e7\u00e3o n\u00e3o renova o marco de ingresso: o crit\u00e9rio adotado \u00e9 a admiss\u00e3o anterior \u00e0 vig\u00eancia da lei, e as renova\u00e7\u00f5es do v\u00ednculo n\u00e3o atraem o teto criado depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O art. 5\u00ba cuida do tempo de sujei\u00e7\u00e3o \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es militares em \u00e9poca de paz, instituto diverso do limite de idade; a confus\u00e3o entre as figuras foi um dos equ\u00edvocos afastados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A altera\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.954\/2019 mira os certames futuros; para os militares tempor\u00e1rios admitidos antes, o licenciamento apoiado s\u00f3 na idade carece de respaldo legal e \u00e9 nulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O licenciamento et\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 ju\u00edzo de conveni\u00eancia: pressup\u00f5e base legal aplic\u00e1vel ao v\u00ednculo, ausente para os admitidos sob a disciplina anterior.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, foi ajuizada a\u00e7\u00e3o com o objetivo de afastar o limite et\u00e1rio de 45 anos aplicado \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o do tempo de servi\u00e7o militar tempor\u00e1rio da Aeron\u00e1utica, com reintegra\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo, sob alega\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de lei em sentido estrito \u00e0 \u00e9poca do ingresso e de irretroatividade da Lei n. 13.954\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a controv\u00e9rsia cinge-se \u00e0 possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o da referida limita\u00e7\u00e3o et\u00e1ria, introduzida no art. 27 da Lei n. 4.375\/1964 pela Lei n. 13.954\/2019, aos militares tempor\u00e1rios que j\u00e1 haviam ingressado no servi\u00e7o castrense antes da vig\u00eancia do referido diploma legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A an\u00e1lise detida do tema evidencia que a altera\u00e7\u00e3o legislativa promovida pela Lei n. 13.954\/2019 dirigiu-se aos futuros processos seletivos, n\u00e3o alcan\u00e7ando os militares tempor\u00e1rios anteriormente admitidos. Tal conclus\u00e3o decorre n\u00e3o apenas da interpreta\u00e7\u00e3o literal do dispositivo, redigido em tempo verbal prospectivo, mas tamb\u00e9m de uma leitura sistem\u00e1tica do art. 27 da Lei do Servi\u00e7o Militar, especialmente quando cotejado com seus par\u00e1grafos e com o pr\u00f3prio regime jur\u00eddico do servi\u00e7o militar tempor\u00e1rio volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destaca-se, ademais, que o entendimento adotado pelo ac\u00f3rd\u00e3o recorrido destoa da orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, notadamente daquela consolidada no julgamento do REsp n. 2.004.844\/SP, da relatoria do Ministro Og Fernandes, bem como reafirmada em julgados posteriores da Segunda Turma, nos quais se reconheceu que a altera\u00e7\u00e3o do art. 27 da Lei n. 4.375\/1964 n\u00e3o se aplica aos militares tempor\u00e1rios que ingressaram antes da vig\u00eancia da Lei n. 13.954\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda, a previs\u00e3o contida no art. 5\u00ba da Lei n. 4.375\/1964 refere-se ao per\u00edodo de obriga\u00e7\u00e3o para com o servi\u00e7o militar em tempo de paz, n\u00e3o se confundindo com limite et\u00e1rio para perman\u00eancia no servi\u00e7o militar tempor\u00e1rio volunt\u00e1rio, circunst\u00e2ncia que refor\u00e7a a nulidade do ato administrativo que fundamentou o licenciamento exclusivamente em crit\u00e9rio et\u00e1rio indevidamente aplicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, deve ser afastada a aplica\u00e7\u00e3o do limite et\u00e1rio previsto na Lei n. 13.954\/2019 ao caso, com o reconhecimento de que o ato administrativo que determinou o licenciamento da parte, com base exclusiva no atingimento da idade de 45 anos, carece de respaldo legal, o qual deve ser declarado nulo, com as consequ\u00eancias jur\u00eddicas da\u00ed decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-improbidade-da-pessoa-juridica-e-atos-do-representante\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; IMPROBIDADE DA PESSOA JUR\u00cdDICA E ATOS DO REPRESENTANTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A responsabiliza\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica por improbidade <strong>N\u00c3O \u00e9 autom\u00e1tica nem se funda em neglig\u00eancia<\/strong>: exige o <strong>dolo espec\u00edfico<\/strong> reclamado pela Lei n. 14.230\/2021 e pelo Tema 1.199\/STF, sobretudo quando os atos do representante s\u00e3o estranhos \u00e0s atividades institucionais da entidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.169.344-RJ, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 12\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tib\u00farcio, representante do Instituto Bem Viver, usou o nome da entidade em contratos fraudulentos que nada tinham a ver com as atividades institucionais. Na a\u00e7\u00e3o de improbidade, o instituto foi condenado solidariamente: teria sido negligente ao n\u00e3o vigiar o que o representante fazia em seu nome. A defesa da entidade atacou o fundamento: neglig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 dolo, e dolo \u00e9 o que a LIA passou a exigir. A omiss\u00e3o de vigil\u00e2ncia sustenta a condena\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 10, I; Tema 1.199\/STF<\/strong><em> (\u00e9 necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de responsabilidade subjetiva para a tipifica\u00e7\u00e3o dos atos de improbidade, exigindo-se, nos arts. 9\u00ba, 10 e 11 da LIA, a presen\u00e7a do dolo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O quadro probat\u00f3rio retratou culpa: a entidade n\u00e3o representou papel na celebra\u00e7\u00e3o dos contratos fraudados, e sua falha se resumiu a n\u00e3o impedir o uso indevido do pr\u00f3prio nome. Neglig\u00eancia, mesmo comprovada, n\u00e3o preenche o elemento subjetivo desenhado pela reforma de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A atua\u00e7\u00e3o de representante n\u00e3o contamina automaticamente a entidade: atos praticados fora do \u00e2mbito das atividades institucionais ou contratuais, imputados com base em presun\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e em dever gen\u00e9rico de vigil\u00e2ncia, n\u00e3o bastam para caracterizar a improbidade da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O standard subjetivo da improbidade foi elevado por lei e por tese vinculante. <strong>Depois da Lei n. 14.230\/2021 e do Tema 1.199\/STF, a tipifica\u00e7\u00e3o dos atos \u00edmprobos exige dolo, afastada a responsabiliza\u00e7\u00e3o por imprud\u00eancia ou descuido<\/strong>, em todas as figuras dos arts. 9\u00ba, 10 e 11 da LIA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rio narrava uma coisa e conclu\u00eda outra. <strong>A moldura f\u00e1tica descrevia neglig\u00eancia da entidade na vigil\u00e2ncia do uso do pr\u00f3prio nome, e n\u00e3o vontade dirigida \u00e0 les\u00e3o<\/strong>; o enquadramento no art. 10, I, destoava da pr\u00f3pria narrativa que o sustentava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A teoria da imputa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tinha limites desrespeitados. <strong>Atos do representante praticados em rela\u00e7\u00f5es estranhas \u00e0s atividades institucionais n\u00e3o se transferem automaticamente \u00e0 pessoa jur\u00eddica<\/strong>, e a presun\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia dos dirigentes n\u00e3o substitui a prova do elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos corr\u00e9us fecha o racioc\u00ednio. <strong>Sem dolo espec\u00edfico comprovado, a conduta imputada \u00e0 entidade \u00e9 at\u00edpica na esfera da improbidade<\/strong>, sem preju\u00edzo da responsabiliza\u00e7\u00e3o de quem efetivamente arquitetou as fraudes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca da responsabiliza\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica por improbidade em raz\u00e3o de fraudes praticadas por seu representante fora das atividades institucionais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) decorre da teoria do \u00f3rg\u00e3o, respondendo a entidade pelos atos de quem age em seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige dolo espec\u00edfico da entidade, insuficiente a neglig\u00eancia na vigil\u00e2ncia do representante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sustenta-se na <em>culpa in vigilando<\/em>, bastando o descuido no controle dos atos praticados em seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) presume-se pela ci\u00eancia dos dirigentes, invertido o \u00f4nus de demonstrar o desconhecimento da fraude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) afasta-se em raz\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, imune a entidade \u00e0s a\u00e7\u00f5es de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A imputa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica n\u00e3o dispensa o elemento subjetivo: atos do representante estranhos \u00e0s atividades institucionais n\u00e3o se transferem de modo autom\u00e1tico \u00e0 entidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. A responsabiliza\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica reclama o dolo espec\u00edfico exigido pela Lei n. 14.230\/2021 e pelo Tema 1.199\/STF; a neglig\u00eancia na vigil\u00e2ncia do representante n\u00e3o tipifica a improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A <em>culpa in vigilando<\/em> \u00e9 categoria de responsabilidade civil; na improbidade, a forma culposa foi banida do sistema, e o descuido no controle n\u00e3o preenche o tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia foi um dos fundamentos rejeitados: sem prova do dolo, n\u00e3o h\u00e1 invers\u00e3o de \u00f4nus capaz de sustentar a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Pessoas jur\u00eddicas podem figurar no polo passivo da improbidade; o que se exige \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo, n\u00e3o havendo imunidade decorrente da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordin\u00e1rio 843.989\/PR (Tema 1.199\/STF), fixou a tese no sentido de que &#8220;\u00e9 necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de responsabilidade subjetiva para a tipifica\u00e7\u00e3o dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se &#8211; nos artigos 9, 10 e 11 da LIA &#8211; a presen\u00e7a do elemento subjetivo &#8211; dolo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido enquadrou a conduta no art. 10, inciso I, da Lei n. 8.429\/1992, contudo, a narrativa evidencia culpa (neglig\u00eancia) e n\u00e3o dolo, muito menos o dolo espec\u00edfico exigido pela Lei de Improbidade Administrativa ap\u00f3s a Lei n. 14.230\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O quadro probat\u00f3rio delineado deixa claro que o r\u00e9u n\u00e3o representava a pessoa jur\u00eddica na celebra\u00e7\u00e3o dos contratos objeto de fraude. A omiss\u00e3o da pessoa jur\u00eddica na utiliza\u00e7\u00e3o indevida de seu nome, configurou t\u00e3o somente neglig\u00eancia, o que n\u00e3o condiz com a necessidade do elemento subjetivo doloso tratado na Lei de Improbidade Administrativa ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A atua\u00e7\u00e3o de representante da pessoa jur\u00eddica, ainda que comprovada, n\u00e3o implica automaticamente a responsabiliza\u00e7\u00e3o da entidade por atos praticados fora do \u00e2mbito de suas atividades institucionais ou contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A imputa\u00e7\u00e3o ao instituto baseia-se em presun\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e em dever gen\u00e9rico de vigil\u00e2ncia sobre a atua\u00e7\u00e3o de seu representante em rela\u00e7\u00f5es estranhas ao instituto, o que n\u00e3o \u00e9 juridicamente suficiente para caracterizar ato de improbidade administrativa. Assim, ausente o dolo, \u00e9 at\u00edpica a conduta imputada ao recorrente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-papiloscopistas-e-a-condicao-de-peritos-oficiais\" class=\"wp-block-heading\">6. PAPILOSCOPISTAS E A CONDI\u00c7\u00c3O DE PERITOS OFICIAIS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os papiloscopistas policiais federais <strong>N\u00c3O se equiparam aos peritos oficiais de natureza criminal<\/strong>: o reconhecimento judicial da equipara\u00e7\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o art. 159 do CPP, com a ADI 4.354\/DF e, por via transversa, com a <strong>S\u00famula Vinculante 37<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.228.838-MG, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 12\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Corregedoria-Geral da Pol\u00edcia Federal vedou, em parecer, o reconhecimento dos papiloscopistas como peritos oficiais criminais. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra o ato: servidores concursados, com forma\u00e7\u00e3o superior e capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica da Academia Nacional de Pol\u00edcia, os papiloscopistas exercem fun\u00e7\u00f5es periciais de identifica\u00e7\u00e3o humana todos os dias. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias acolheram o pedido. Pode o Judici\u00e1rio promover a equipara\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 159; Lei n. 12.030\/2009<\/strong><em> (o exame de corpo de delito e outras per\u00edcias ser\u00e3o realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior; a lei arrola os peritos oficiais de natureza criminal sem taxatividade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famula Vinculante 37; ADI 4.354\/DF<\/strong><em> (n\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio, que n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o legislativa, aumentar vencimentos de servidores sob o fundamento de isonomia; os cargos de perito criminal e de papiloscopista t\u00eam naturezas distintas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O rol da Lei n. 12.030\/2009 delimita a estrutura m\u00ednima da per\u00edcia criminal sem excluir a compet\u00eancia t\u00e9cnica de categorias com fun\u00e7\u00e3o pericial institucionalizada; a inclus\u00e3o dos papiloscopistas na carreira de perito, contudo, \u00e9 escolha do ente competente para legislar sobre o cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Per\u00edcias criminais pertencem \u00e0 criminal\u00edstica; per\u00edcias datilosc\u00f3picas, \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o. A distin\u00e7\u00e3o tra\u00e7ada na ADI 4.354\/DF impede que a equipara\u00e7\u00e3o venha por senten\u00e7a, caminho que produziria, por via obl\u00edqua, o resultado vedado pela S\u00famula Vinculante 37.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos servidores nunca esteve em d\u00favida. <strong>Concursados, com forma\u00e7\u00e3o superior e capacita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, os papiloscopistas desempenham fun\u00e7\u00f5es de natureza pericial voltadas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o humana<\/strong>, e o rol legal dos peritos oficiais n\u00e3o tem car\u00e1ter taxativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O obst\u00e1culo est\u00e1 em quem pode fazer a inclus\u00e3o. <strong>Listar o cargo na categoria de perito criminal \u00e9 decis\u00e3o do ente competente para dispor sobre a carreira<\/strong>, n\u00e3o do Judici\u00e1rio; a aus\u00eancia de veda\u00e7\u00e3o legal n\u00e3o se converte em autoriza\u00e7\u00e3o para equiparar por senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O precedente do Supremo demarcou as fronteiras entre os of\u00edcios. <strong>Na ADI 4.354\/DF, assentou-se que per\u00edcias criminais dizem respeito \u00e0 criminal\u00edstica, enquanto as datilosc\u00f3picas s\u00e3o afetas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o<\/strong>, naturezas distintas que impedem a fus\u00e3o das carreiras pela via interpretativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E a via eleita esbarrava numa s\u00famula vinculante. <strong>Reconhecer judicialmente a condi\u00e7\u00e3o de perito oficial produziria, por caminho transverso, o aumento remunerat\u00f3rio fundado em isonomia que a S\u00famula Vinculante 37 pro\u00edbe<\/strong>; o ac\u00f3rd\u00e3o que confirmou a senten\u00e7a violou o art. 159 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 pretens\u00e3o de reconhecimento dos papiloscopistas policiais federais como peritos oficiais de natureza criminal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) acolhe-se, pois exercem de forma permanente fun\u00e7\u00f5es periciais de identifica\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) depende do rol da Lei n. 12.030\/2009, que impede a inclus\u00e3o de novas categorias periciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) resolve-se pela via judicial, dada a omiss\u00e3o do legislador em disciplinar a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) equipara as per\u00edcias papilosc\u00f3picas \u00e0 criminal\u00edstica, ramos da mesma atividade t\u00e9cnico-cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) descabe a equipara\u00e7\u00e3o pela via judicial, demandando altera\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es periciais de identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o converte o cargo em perito oficial criminal: a defini\u00e7\u00e3o da carreira cabe ao legislador competente, e as naturezas dos of\u00edcios s\u00e3o distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O rol legal n\u00e3o \u00e9 taxativo nem veda inclus\u00f5es futuras; o que falta \u00e9 ato normativo do ente competente, n\u00e3o permiss\u00e3o da Lei n. 12.030\/2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A omiss\u00e3o legislativa n\u00e3o transfere ao Judici\u00e1rio o poder de criar a equipara\u00e7\u00e3o: a senten\u00e7a nesse sentido produziria o resultado vedado pela S\u00famula Vinculante 37.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A ADI 4.354\/DF firmou o oposto: as per\u00edcias criminais pertencem \u00e0 criminal\u00edstica e as datilosc\u00f3picas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, campos de naturezas diversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. O reconhecimento judicial da condi\u00e7\u00e3o de perito oficial \u00e9 incompat\u00edvel com o art. 159 do CPP e com o precedente da ADI 4.354\/DF, al\u00e9m de ofender, por via transversa, a S\u00famula Vinculante 37.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se, na origem, de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em que se buscava a decreta\u00e7\u00e3o de invalidade de parecer proferido pela Corregedoria-Geral da Pol\u00edcia Federal que, em suma, vedava o reconhecimento dos papiloscopistas policiais federais como peritos oficiais criminais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os papiloscopistas policiais federais s\u00e3o servidores p\u00fablicos concursados, investidos em cargo efetivo da Pol\u00edcia Federal; possuem forma\u00e7\u00e3o superior e capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica espec\u00edfica, conferida pela Academia Nacional de Pol\u00edcia; exercem, de forma permanente, fun\u00e7\u00f5es de natureza pericial, voltadas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o humana e exames t\u00e9cnicos papilosc\u00f3picos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 12.030\/2009 n\u00e3o vedou a inclus\u00e3o dos papiloscopistas na rela\u00e7\u00e3o de peritos oficiais de natureza criminal, de modo que seria cab\u00edvel a listagem desse cargo na categoria de perito criminal, caso assim entenda o ente competente para dispor sobre a carreira, visto que tal disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui natureza taxativa. Contudo, no que diz respeito ao exerc\u00edcio da atividade pericial, assim pontuou o Ministro Dias Toffolli, relator da ADI n. 4.354\/DF: &#8220;os cargos de perito oficial de natureza criminal e de papiloscopista possuem naturezas distintas, uma vez que as per\u00edcias criminais dizem respeito \u00e0 criminal\u00edstica, ao passo que as per\u00edcias datilosc\u00f3picas s\u00e3o afetas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, ainda que o rol legal, ao delimitar a estrutura m\u00ednima da per\u00edcia criminal, n\u00e3o exclua nem revogue a compet\u00eancia t\u00e9cnico-cient\u00edfica de categorias profissionais com fun\u00e7\u00e3o pericial institucionalizada, como \u00e9 o caso dos papiloscopistas policiais federais, da\u00ed n\u00e3o se pode concluir pela sua equipara\u00e7\u00e3o aos peritos oficiais, sob pena de viola\u00e7\u00e3o, por via transversa, da S\u00famula Vinculante n. 37 do STF, segundo a qual, &#8220;n\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio, que n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o legislativa, aumentar vencimentos de servidores p\u00fablicos sob o fundamento de isonomia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o art. 159 do C\u00f3digo de Processo Penal, citado como violado pela Uni\u00e3o, estabelece que &#8220;o exame de corpo de delito e outras per\u00edcias ser\u00e3o realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por essas raz\u00f5es, ante o precedente do STF em que se reconhece a impossibilidade de os papiloscopistas serem considerados peritos oficiais, deve-se concluir que, ao confirmar a senten\u00e7a que reconheceu tal condi\u00e7\u00e3o aos papiloscopistas policiais federais, o Tribunal de origem realizou interpreta\u00e7\u00e3o violadora do art. 159 do C\u00f3digo de Processo Penal e incompat\u00edvel com entendimento jurisprudencial da Suprema Corte.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-mandado-de-seguranca-contra-ato-de-tribunal-local-e-competencia\" class=\"wp-block-heading\">7. MANDADO DE SEGURAN\u00c7A CONTRA ATO DE TRIBUNAL LOCAL E COMPET\u00caNCIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ <strong>N\u00c3O tem compet\u00eancia para mandado de seguran\u00e7a contra atos de outros Tribunais<\/strong> (CF, art. 105, I, b; S\u00famula 41\/STJ); contra a negativa de seguimento do recurso especial fundada no art. 1.030, I, b, do CPC, <strong>o \u00fanico recurso cab\u00edvel \u00e9 o agravo interno na origem<\/strong>, e o <em>writ<\/em> subsequente se examina no Tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RMS 75.406-SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 3\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O recurso especial da Sumiu Express Ltda morreu na origem: negativa de seguimento com base no art. 1.030, I, b, do CPC, confirmada no agravo interno. A transportadora impetrou mandado de seguran\u00e7a no pr\u00f3prio Tribunal de Justi\u00e7a, apontando teratologia, mas o \u00d3rg\u00e3o Especial da corte entendeu que a compet\u00eancia seria do STJ: o ju\u00edzo de admissibilidade do recurso especial seria fun\u00e7\u00e3o delegada do STJ, a quem, por extens\u00e3o, caberia analisar o <em>writ<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 105, I, b; S\u00famula 41\/STJ<\/strong><em> (compete ao STJ processar mandados de seguran\u00e7a contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes das For\u00e7as ou do pr\u00f3prio Tribunal; n\u00e3o compete ao STJ o writ contra ato de outros tribunais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.030, I, b; Lei n. 12.016\/2009, art. 5\u00ba, II<\/strong><em> (a negativa de seguimento de recurso especial que contraria precedente qualificado desafia agravo interno; n\u00e3o se concede mandado de seguran\u00e7a quando do ato couber recurso com efeito suspensivo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O agravo interno contra a decis\u00e3o fundada no art. 1.030, I, b, \u00e9 julgado pelo pr\u00f3prio Tribunal de origem, com exclusividade e em car\u00e1ter definitivo; dali n\u00e3o segue recurso ao STJ, o que esvazia a tese de que o <em>writ<\/em> encontraria barreira na exist\u00eancia de via recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem recurso cab\u00edvel contra o ac\u00f3rd\u00e3o do agravo interno, abre-se a via mandamental perante a Corte local, \u00e0 qual incumbe examinar o direito l\u00edquido e certo ou a eventual teratologia da decis\u00e3o impugnada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A r\u00e9gua constitucional da compet\u00eancia mandamental do STJ \u00e9 curta e fechada. <strong>O art. 105, I, b, contempla o <em>writ<\/em> contra atos do pr\u00f3prio Tribunal, de Ministros de Estado e dos Comandantes das For\u00e7as<\/strong>; ato de Tribunal de Justi\u00e7a n\u00e3o figura na lista, como cristaliza a S\u00famula 41\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A tese da delega\u00e7\u00e3o inverteu o desenho do sistema recursal. <strong>O exame de admissibilidade feito na origem n\u00e3o desloca para o STJ o controle mandamental dos ac\u00f3rd\u00e3os locais<\/strong>: a negativa de seguimento se exaure no agravo interno da pr\u00f3pria Corte de origem, sem passagem posterior \u00e0 inst\u00e2ncia superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O obst\u00e1culo da lei do mandado de seguran\u00e7a tampouco se aplicava. <strong>A veda\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba, II, pressup\u00f5e recurso com efeito suspensivo ainda dispon\u00edvel; julgado o agravo interno, nenhum recurso resta<\/strong>, e a porta do <em>writ<\/em> se abre na inst\u00e2ncia adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Definida a compet\u00eancia, o m\u00e9rito volta para casa. <strong>Cabe \u00e0 Corte local examinar a alega\u00e7\u00e3o de direito l\u00edquido e certo ou de teratologia do ac\u00f3rd\u00e3o impugnado<\/strong>, ju\u00edzo que o \u00d3rg\u00e3o Especial deixou de exercer ao declinar da pr\u00f3pria compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o mandado de seguran\u00e7a impetrado contra ac\u00f3rd\u00e3o de Tribunal local que manteve a negativa de seguimento de recurso especial (art. 1.030, I, b, do CPC):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) compete ao STJ, exercido na origem, por delega\u00e7\u00e3o, o ju\u00edzo de admissibilidade do recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) mostra-se incab\u00edvel, pois a decis\u00e3o comporta agravo em recurso especial dirigido ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) processa-se no Tribunal de origem, a quem cabe examinar o direito l\u00edquido e certo ou eventual teratologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) esbarra na veda\u00e7\u00e3o legal ao <em>writ<\/em> contra ato pass\u00edvel de recurso com efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) admite-se diretamente no STJ como suced\u00e2neo recursal, esgotada a inst\u00e2ncia local no agravo interno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A delega\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo de admissibilidade n\u00e3o transfere ao STJ o controle mandamental de ac\u00f3rd\u00e3os locais: a compet\u00eancia do art. 105, I, b, da CF n\u00e3o contempla atos de outros tribunais (S\u00famula 41\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A negativa fundada no art. 1.030, I, b, desafia agravo interno na origem; o agravo em recurso especial \u00e9 reservado \u00e0s hip\u00f3teses do inciso V do mesmo artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Julgado o agravo interno em car\u00e1ter definitivo, sem recurso subsequente, o mandado de seguran\u00e7a se processa no Tribunal de origem, que examina o direito l\u00edquido e certo ou a teratologia do ato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A veda\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba, II, da Lei n. 12.016\/2009 pressup\u00f5e via recursal ainda aberta; encerrado o agravo interno, n\u00e3o h\u00e1 recurso com efeito suspensivo a bloquear o <em>writ<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O esgotamento da inst\u00e2ncia local n\u00e3o cria compet\u00eancia mandamental do STJ: o <em>writ<\/em> contra ac\u00f3rd\u00e3o de Tribunal de Justi\u00e7a permanece na pr\u00f3pria Corte de origem.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se compete ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a processar e julgar mandado de seguran\u00e7a impetrado contra ac\u00f3rd\u00e3o de Tribunal de Justi\u00e7a, que nega provimento ao agravo interno interposto contra decis\u00e3o que negou seguimento ao recurso especial, com fundamento no art. 1.030, I, b, do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O \u00d3rg\u00e3o Especial do Tribunal de Justi\u00e7a estadual entendeu que n\u00e3o tinha compet\u00eancia para o exame do <em>writ<\/em>, sob o fundamento de que &#8220;o ju\u00edzo de admissibilidade de recursos especiais \u00e9 fun\u00e7\u00e3o jurisdicional do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, exercido de forma delegada pelos Presidentes das Se\u00e7\u00f5es deste Tribunal. Desta forma, o controle jurisdicional pretendido pelo agravante cabe apenas \u00e0 Corte Superior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse entendimento, contudo, diverge expressamente do que disp\u00f5e o art. 105, inciso I, al\u00ednea b, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que estabelece a compet\u00eancia do STJ para o processamento e julgamento de mandados de seguran\u00e7a impetrados contra atos da pr\u00f3pria Corte, de Ministros de Estado e de Comandantes da Marinha, do Ex\u00e9rcito e da Aeron\u00e1utica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 qualquer previs\u00e3o no ordenamento jur\u00eddico de que o STJ seja competente para processar e julgar mandado de seguran\u00e7a impetrado contra decis\u00f5es de outros Tribunais, mesmo que a impugna\u00e7\u00e3o seja contra ac\u00f3rd\u00e3o que manteve a negativa de seguimento de recurso especial com base no art. 1.030, I, b, do CPC\/2015, como ocorre na esp\u00e9cie. Esse entendimento, ali\u00e1s, est\u00e1 consolidado no Enunciado n. 41 da S\u00famula do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o \u00fanico recurso cab\u00edvel contra a decis\u00e3o que nega seguimento a recurso especial com fundamento no art. 1.030, I, b, do CPC\/2015 \u00e9 o agravo interno a ser julgado pelo pr\u00f3prio Tribunal de origem, com exclusividade e em car\u00e1ter definitivo, n\u00e3o cabendo, da\u00ed em diante, a interposi\u00e7\u00e3o de qualquer outro recurso a esta Corte Superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, tratando-se de decis\u00e3o da qual n\u00e3o cabe recurso, revela-se vi\u00e1vel a impetra\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a, caso haja a demonstra\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de direito l\u00edquido e certo ou eventual teratologia do decisum, quest\u00f5es que, no caso, dever\u00e3o ser analisadas pela Corte local.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-fraude-a-execucao-fiscal-e-intimacao-previa-do-terceiro-adquirente\" class=\"wp-block-heading\">8. FRAUDE \u00c0 EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL E INTIMA\u00c7\u00c3O PR\u00c9VIA DO TERCEIRO ADQUIRENTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na execu\u00e7\u00e3o fiscal de d\u00edvida ativa tribut\u00e1ria aplica-se, subsidiariamente, o art. 792, \u00a7 4\u00ba, do CPC: <strong>o juiz, antes de reconhecer a fraude, deve intimar o terceiro adquirente<\/strong>, abrindo-lhe o prazo para <strong>embargos de terceiro<\/strong>; a presun\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN n\u00e3o dispensa o contradit\u00f3rio pr\u00e9vio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.170.194-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por maioria, julgado em 12\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jaiminho comprou um im\u00f3vel sem saber que o vendedor acumulava d\u00edvida ativa tribut\u00e1ria. Na execu\u00e7\u00e3o fiscal, a Fazenda apontou a aliena\u00e7\u00e3o e o ju\u00edzo declarou a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de pronto, tornando o neg\u00f3cio ineficaz sem ouvir o pobre do Jaiminho (comprador): a presun\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN dispensaria qualquer di\u00e1logo. O Tribunal local anulou a decis\u00e3o por falta de intima\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, e a Fazenda recorreu. A presun\u00e7\u00e3o legal de fraude autoriza decidir sem ouvir o adquirente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 9\u00ba, 10, 675, par\u00e1grafo \u00fanico, e 792, \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (n\u00e3o se proferir\u00e1 decis\u00e3o contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida; antes de declarar a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, o juiz dever\u00e1 intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poder\u00e1 opor embargos de terceiro no prazo de 15 dias).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.830\/1980, art. 1\u00ba; CTN, art. 185<\/strong><em> (a execu\u00e7\u00e3o fiscal rege-se pela LEF e, subsidiariamente, pelo CPC; presume-se fraudulenta a aliena\u00e7\u00e3o por devedor com cr\u00e9dito inscrito em d\u00edvida ativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Num processo constitucionalizado, a regra do art. 792, \u00a7 4\u00ba, n\u00e3o \u00e9 formalidade: concretiza a proibi\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o-surpresa em favor de quem, sem integrar o feito, ter\u00e1 o patrim\u00f4nio atingido pela ordem judicial. A aus\u00eancia de norma espec\u00edfica na LEF e a compatibilidade com seu rito autorizam a aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A presun\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN recai sobre os pressupostos f\u00e1ticos da aliena\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o suprime a defesa do terceiro, que pode demonstrar a reserva de bens suficientes (par\u00e1grafo \u00fanico) ou o desacerto quanto ao momento do neg\u00f3cio; a elis\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o exige contradit\u00f3rio aberto antes da declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Exemplo de poss\u00edvel defesa do adquirente:<\/strong> A inscri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito em d\u00edvida ativa <strong>N\u00c3O configura, isoladamente, fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal<\/strong> quando o terceiro adquirente de boa-f\u00e9 se ampara em <strong>certid\u00e3o negativa expedida pela Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria<\/strong>, ainda que emitida por erro do Fisco. REsp 2.030.470-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por maioria, julgado em 16\/6\/2026.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O estatuto processual de 2015 mudou o piso do debate. <strong>A veda\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o-surpresa protege inclusive quem est\u00e1 fora do processo e ser\u00e1 atingido pela ordem judicial em seu patrim\u00f4nio<\/strong>, e o art. 792, \u00a7 4\u00ba, traduz essa garantia no terreno espec\u00edfico da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A ponte com a execu\u00e7\u00e3o fiscal est\u00e1 na pr\u00f3pria lei de reg\u00eancia. <strong>O art. 1\u00ba da LEF manda aplicar subsidiariamente o CPC onde n\u00e3o houver regra especial incompat\u00edvel<\/strong>; sobre a oitiva pr\u00e9via do terceiro, a lei especial silencia, e a norma processual comum se encaixa sem atrito no rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A obje\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria confundia dois planos distintos. <strong>A dispensa do elemento subjetivo pela presun\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN n\u00e3o autoriza mitigar o devido processo legal<\/strong>; uma coisa \u00e9 n\u00e3o exigir prova de m\u00e1-f\u00e9, outra \u00e9 decidir sem ouvir quem sofrer\u00e1 os efeitos da inefic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O contradit\u00f3rio pr\u00e9vio tem, aqui, conte\u00fado bem concreto. <strong>Intimado, o terceiro pode apontar a reserva de bens do devedor, discutir o momento da aliena\u00e7\u00e3o ou invocar situa\u00e7\u00e3o consolidada em seu favor<\/strong>, mat\u00e9rias que os embargos de terceiro canalizam antes que a constri\u00e7\u00e3o se consume.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal de d\u00edvida tribut\u00e1ria, no tocante ao terceiro adquirente do bem:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) reclama sua intima\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, aplicando-se subsidiariamente o art. 792, \u00a7 4\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) dispensa-se a oitiva pr\u00e9via, pois a presun\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN independe do elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) rege-se pela S\u00famula 375 do STJ, exigindo-se o registro da penhora ou a prova da m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) opera de pleno direito com a aliena\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a inscri\u00e7\u00e3o, reservada ao terceiro a via anulat\u00f3ria aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) subordina-se \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o, pelo credor, do conluio entre o alienante e o adquirente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Ausente regra espec\u00edfica na LEF, incide a norma processual comum: o terceiro adquirente \u00e9 intimado antes da declara\u00e7\u00e3o de fraude, com a via dos embargos de terceiro \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o (CPC, art. 792, \u00a7 4\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o legal dispensa a prova de m\u00e1-f\u00e9, n\u00e3o o contradit\u00f3rio: decidir sem ouvir o atingido mitiga o devido processo legal, e foi essa a confus\u00e3o de planos afastada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A S\u00famula 375 n\u00e3o rege as execu\u00e7\u00f5es fiscais, submetidas ao regime especial do art. 185 do CTN; a controv\u00e9rsia girou em torno do procedimento, n\u00e3o do elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A declara\u00e7\u00e3o de inefic\u00e1cia n\u00e3o opera de pleno direito: exige pronunciamento judicial precedido da intima\u00e7\u00e3o do terceiro, que n\u00e3o pode ser remetido a uma defesa meramente posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O credor fiscal n\u00e3o carrega o \u00f4nus de provar conluio: a presun\u00e7\u00e3o do art. 185 recai sobre os pressupostos f\u00e1ticos da aliena\u00e7\u00e3o; o que se assegura ao terceiro \u00e9 a chance de elidi-la antes da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 necessidade de observ\u00e2ncia da intima\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do terceiro afetado pela decreta\u00e7\u00e3o da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, ante o disposto no art. 185 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e no art. 792, \u00a7 4\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 792, \u00a7 4\u00ba, do CPC em um c\u00f3digo de processo constitucionalizado, como \u00e9 o do Brasil, n\u00e3o consubstancia uma mera formalidade procedimental, porque convola uma garantia fundamental do sistema processual criado em 2015, o qual impede, inclusive, decis\u00f5es-surpresa n\u00e3o apenas para aqueles que est\u00e3o sujeitos \u00e0s regras de um processo espec\u00edfico, mas tamb\u00e9m para aqueles em rela\u00e7\u00e3o aos quais o processo espec\u00edfico far\u00e1 gerar uma ordem que atingir\u00e1 seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E \u00e9 por isso que deve ser assegurada a esse sujeito a possibilidade de tutela de seu interesse jur\u00eddico pr\u00f3prio, que \u00e9 o de influir previamente na forma\u00e7\u00e3o do convencimento judicial, antes de atingir seu patrim\u00f4nio. Ent\u00e3o, a previs\u00e3o do \u00a7 4\u00ba do art. 792 do CPC, introduzido no ordenamento jur\u00eddico posteriormente \u00e0s previs\u00f5es do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, visa ensejar o contradit\u00f3rio e a ampla defesa do terceiro adquirente para que, a\u00ed sim, o magistrado possa utilizar-se de seu ju\u00edzo de valor e entender se houve ou n\u00e3o fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, \u00e9 necess\u00e1ria a participa\u00e7\u00e3o do terceiro adquirente, e decidir apenas com base em um texto legal, sem pr\u00e9via oitiva do terceiro adquirente, significa abrir um precedente contra normas interagentes e interferentes que legitimariam uma decis\u00e3o judicial mais justa, tendo em vista que a aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o suprimiria do propriet\u00e1rio o direito de se defender n\u00e3o apenas da quest\u00e3o atinente \u00e0 propriedade, mas tamb\u00e9m, por exemplo, de uma prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva que esse adquirente de boa-f\u00e9 j\u00e1 teria em rela\u00e7\u00e3o a um determinado bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a jurisprud\u00eancia do STJ, o art. 1\u00ba da Lei n. 6.830\/1980 disp\u00f5e que a execu\u00e7\u00e3o judicial para cobran\u00e7a da d\u00edvida ativa da Fazenda P\u00fablica \u00e9 regida pela referida lei e, &#8220;subsidiariamente, pelo C\u00f3digo de Processo Civil&#8221;. Assim, se n\u00e3o houver regra na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Fiscal que discipline determinado assunto espec\u00edfico do processo de execu\u00e7\u00e3o fiscal e se a norma do CPC for compat\u00edvel com o rito da LEF, as disposi\u00e7\u00f5es previstas no CPC poder\u00e3o repercutir na a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal (AgRg no AREsp 360.490\/PR, Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 7\/3\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem decidiu com acerto no sentido de que, mesmo em se tratando de execu\u00e7\u00e3o fiscal de d\u00edvida ativa de natureza tribut\u00e1ria, aplica-se, subsidiariamente, o disposto no art. 792, \u00a7 4\u00ba, do CPC, segundo o qual, &#8220;antes de declarar a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, o juiz dever\u00e1 intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poder\u00e1 opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda acerca dos embargos de terceiro, o par\u00e1grafo \u00fanico do art. 675 do CPC estabelece que, &#8220;caso identifique a exist\u00eancia de terceiro titular de interesse em embargar o ato, o juiz mandar\u00e1 intim\u00e1-lo pessoalmente&#8221;. Portanto, cabe ao juiz determinar a intima\u00e7\u00e3o do terceiro adquirente, antes de reconhecer a situa\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, a fim de oportunizar-lhe o exerc\u00edcio da defesa de seus interesses atrav\u00e9s dos embargos de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o fato de ter sido reconhecida fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o com base no art. 185 do CTN &#8211; o que afastaria a necessidade de apura\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo das partes em raz\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o legal de fraude &#8211; n\u00e3o modifica a conclus\u00e3o alcan\u00e7ada no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque a controv\u00e9rsia n\u00e3o gravita em torno da aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula 375 do STJ, mas, em n\u00edvel mais fundamental, da preserva\u00e7\u00e3o do devido processo legal (art. 5\u00ba, LIV, da CF\/1988), em sua dimens\u00e3o de contradit\u00f3rio preventivo, como positivado nos arts. 9\u00ba, <em>caput<\/em>, 10 e 792, \u00a7 4\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 certo que a S\u00famula 375 do STJ n\u00e3o se aplica \u00e0s execu\u00e7\u00f5es fiscais, em raz\u00e3o da especialidade do art. 185 do CTN. Todavia, a dispensa do elemento subjetivo da fraude (m\u00e1-f\u00e9 do adquirente) n\u00e3o autoriza a mitiga\u00e7\u00e3o do devido processo legal, nem afasta a necessidade de observ\u00e2ncia do procedimento legalmente estabelecido para a sua declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A presun\u00e7\u00e3o de fraude prevista no art. 185 do CTN incide sobre os pressupostos f\u00e1ticos da aliena\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o suprime o direito do terceiro adquirente de demonstrar, por exemplo, a exist\u00eancia de bens suficientes \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito (par\u00e1grafo \u00fanico do art. 185) ou eventual desacerto quanto ao momento da aliena\u00e7\u00e3o. Trata-se, portanto, de presun\u00e7\u00e3o cuja elis\u00e3o exige, necessariamente, a abertura do contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A declara\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o sem a pr\u00e9via oitiva do terceiro adquirente subtrai-lhe a possibilidade de resist\u00eancia em momento oportuno, impondo-lhe, desde logo, os efeitos de uma inefic\u00e1cia que n\u00e3o p\u00f4de contestar. Nesse contexto, o art. 792, \u00a7 4\u00ba, do CPC, ao estabelecer o itiner\u00e1rio procedimental que viabiliza o exerc\u00edcio desse direito de defesa, se revela imprescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-honorarios-sucumbenciais-no-simples-nacional-e-base-do-iss\" class=\"wp-block-heading\">9. HONOR\u00c1RIOS SUCUMBENCIAIS NO SIMPLES NACIONAL E BASE DO ISS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sociedade de advogados optante pelo Simples Nacional <strong>N\u00c3O pode excluir os honor\u00e1rios sucumbenciais da base de c\u00e1lculo do ISS<\/strong>: a verba integra a receita bruta da atividade, <strong>vedado o regime h\u00edbrido<\/strong> que combina regras do Simples com as do regime ordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.262.105-SC, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A banca Crementina &amp; Associados, optante pelo Simples Nacional, logrou \u00eaxito em a\u00e7\u00f5es gordinhas (de alto valor) e viu os honor\u00e1rios sucumbenciais engordarem o caixa. Na hora de apurar o ISS dentro do regime unificado, pretendeu deixar essas verbas de fora da base de c\u00e1lculo: paga pela parte vencida, e n\u00e3o pelo cliente, ela n\u00e3o seria pre\u00e7o do servi\u00e7o. O Fisco municipal recusou a conta. Os honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia escapam da base do ISS no Simples?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 123\/2006; LC n. 116\/2003<\/strong><em> (a tributa\u00e7\u00e3o unificada do Simples Nacional tem por base a <u>receita bruta<\/u> auferida pela pessoa jur\u00eddica; o regime ordin\u00e1rio do ISS disciplina de modo pr\u00f3prio a base de c\u00e1lculo do imposto).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Os honor\u00e1rios sucumbenciais, embora suportados pela parte vencida e dotados de disciplina legal pr\u00f3pria, mant\u00eam v\u00ednculo direto com a atividade profissional da sociedade: o crit\u00e9rio tribut\u00e1rio relevante \u00e9 a natureza da receita e sua liga\u00e7\u00e3o ao objeto social, n\u00e3o a origem da obriga\u00e7\u00e3o de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A ades\u00e3o ao Simples implica submiss\u00e3o integral ao seu regime jur\u00eddico; selecionar regras de outros sistemas para reduzir a carga cria combina\u00e7\u00e3o vedada, e a exclus\u00e3o pretendida cindiria indevidamente a receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O argumento da origem do pagamento n\u00e3o resiste ao crit\u00e9rio tribut\u00e1rio. <strong>O que define a inclus\u00e3o na base \u00e9 a natureza da receita e seu v\u00ednculo com a atividade que constitui o objeto social<\/strong>; a sucumb\u00eancia remunera o trabalho advocat\u00edcio, pouco importando que a fonte pagadora seja o advers\u00e1rio processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A op\u00e7\u00e3o pelo regime unificado tem pre\u00e7o de coer\u00eancia. <strong>Quem adere ao Simples Nacional submete-se por inteiro ao modelo da LC n. 123\/2006, calcado na receita bruta<\/strong>, sem espa\u00e7o para escolher, item a item, as regras que mais aliviam a carga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A pretens\u00e3o desenhava exatamente o arranjo proibido. <strong>Excluir a sucumb\u00eancia da base do ISS mantendo os favores do regime unificado combinaria normas do Simples com as do regime ordin\u00e1rio da LC n. 116\/2003<\/strong>, o h\u00edbrido que a jurisprud\u00eancia da Corte rejeita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O desfecho preserva a integridade do sistema simplificado. <strong>A retirada da verba sucumbencial cindiria a receita bruta, desfigurando a base eleita pelo legislador complementar<\/strong>; a tributa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a o conjunto das receitas da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito dos honor\u00e1rios sucumbenciais percebidos por sociedade de advogados optante pelo Simples Nacional, para fins de ISS:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) excluem-se da base de c\u00e1lculo, por serem devidos pela parte vencida, estranha \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) tributam-se \u00e0 parte, pelo regime fixo das sociedades uniprofissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) qualificam-se como verba indenizat\u00f3ria, alheia ao conceito de receita da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) integram a receita bruta da sociedade, vedada a combina\u00e7\u00e3o de regras de regimes distintos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) comportam segrega\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil, com tributa\u00e7\u00e3o separada da receita dos honor\u00e1rios contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A fonte pagadora n\u00e3o define a natureza da receita: a sucumb\u00eancia decorre do exerc\u00edcio da advocacia e se liga ao objeto social, integrando a base do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O regime fixo das sociedades uniprofissionais pertence \u00e0 sistem\u00e1tica ordin\u00e1ria; a optante pelo Simples n\u00e3o pode import\u00e1-lo, sob pena de montar o h\u00edbrido vedado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 indeniza\u00e7\u00e3o: os honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia remuneram o servi\u00e7o prestado pelo advogado vencedor, constituindo receita da atividade profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. A verba sucumbencial comp\u00f5e a receita bruta da sociedade, base do regime unificado da LC n. 123\/2006; a exclus\u00e3o pretendida combinaria regimes distintos, o que n\u00e3o encontra respaldo na jurisprud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A segrega\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil n\u00e3o altera a natureza da receita nem autoriza a cis\u00e3o da base: o conjunto das receitas da atividade se submete \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o unificada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a sociedade de advogados optante pelo Simples Nacional pode excluir os honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais da base de c\u00e1lculo do ISS abrangido pelo regime unificado de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais, embora possuam disciplina legal pr\u00f3pria e sejam suportados pela parte vencida, mant\u00eam v\u00ednculo direto com a atividade profissional exercida pela sociedade de advogados, constituindo receita decorrente de seu objeto social. Assim, o crit\u00e9rio relevante, para fins tribut\u00e1rios, \u00e9 a natureza da receita e sua vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade empresarial, e n\u00e3o a origem da obriga\u00e7\u00e3o de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ades\u00e3o ao Simples Nacional implica submiss\u00e3o integral ao regime jur\u00eddico estabelecido pela Lei Complementar n. 123\/2006, cujo modelo de tributa\u00e7\u00e3o tem como base a receita bruta auferida pela pessoa jur\u00eddica, n\u00e3o sendo poss\u00edvel ao contribuinte selecionar regras pr\u00f3prias de outros regimes para reduzir a incid\u00eancia tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em outras palavras, \u00e9 vedada a ado\u00e7\u00e3o de regime h\u00edbrido, combinando o regime do Simples Nacional, previsto na Lei Complementar n. 123\/2006, com regras do regime ordin\u00e1rio previsto na Lei Complementar n. 116\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pretens\u00e3o de excluir os honor\u00e1rios sucumbenciais da base de c\u00e1lculo do ISS, mantendo-se a tributa\u00e7\u00e3o pelo regime do Simples Nacional, implica justamente a ado\u00e7\u00e3o desse regime h\u00edbrido, o que n\u00e3o encontra respaldo na jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a exclus\u00e3o dos honor\u00e1rios sucumbenciais da base de c\u00e1lculo do ISS implica indevida cis\u00e3o da receita bruta, em afronta ao regime do Simples Nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-agio-interno-e-dedutibilidade-no-irpj-e-na-csll\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c1GIO INTERNO E DEDUTIBILIDADE NO IRPJ E NA CSLL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob a Lei n. 9.532\/1997 e o Decreto n. 3.000\/1999, <strong>admite-se a amortiza\u00e7\u00e3o fiscal do \u00e1gio interno<\/strong> fundado em expectativa de rentabilidade futura, demonstrada a <strong>legitimidade das opera\u00e7\u00f5es<\/strong> de aquisi\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o, ressalvada ao Fisco a comprova\u00e7\u00e3o da artificialidade (simula\u00e7\u00e3o) em cada caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.808.639-SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro do Grupo Vendetudo, uma controladora adquiriu participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria de empresa do pr\u00f3prio grupo com \u00e1gio fundado em expectativa de rentabilidade futura e, ap\u00f3s a incorpora\u00e7\u00e3o, passou a amortizar o valor na apura\u00e7\u00e3o do IRPJ e da CSLL. O Fisco glosou a dedu\u00e7\u00e3o: \u00e1gio gerado entre partes dependentes seria artificial por defini\u00e7\u00e3o, como sugerem as regras cont\u00e1beis. A opera\u00e7\u00e3o ocorreu antes da Lei n. 12.973\/2014. O \u00e1gio interno da \u00e9poca comporta amortiza\u00e7\u00e3o fiscal?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.532\/1997, arts. 7\u00ba e 8\u00ba; Decreto n. 3.000\/1999, arts. 385 e 386<\/strong><em> (a pessoa jur\u00eddica que absorver patrim\u00f4nio de outra, em virtude de incorpora\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o ou cis\u00e3o, na qual detenha participa\u00e7\u00e3o adquirida com \u00e1gio por expectativa de rentabilidade futura, poder\u00e1 amortiz\u00e1-lo na apura\u00e7\u00e3o do lucro real, \u00e0 raz\u00e3o m\u00e1xima de um sessenta avos ao m\u00eas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 109; Lei n. 12.973\/2014, arts. 22 e 65<\/strong><em> (a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria pode atribuir efeitos fiscais pr\u00f3prios a institutos privados; a partir do novo regime, a amortiza\u00e7\u00e3o do \u00e1gio ficou restrita \u00e0s aquisi\u00e7\u00f5es entre partes <u>n\u00e3o dependentes<\/u>, com regra de transi\u00e7\u00e3o para opera\u00e7\u00f5es anteriores).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As diretrizes cont\u00e1beis rejeitam o registro do \u00e1gio interno, mas, no conflito com o tratamento espec\u00edfico da lei tribut\u00e1ria da \u00e9poca, prevalece esta \u00faltima; as pessoas jur\u00eddicas interdependentes conservam autonomia legal (CC, art. 49-A), mitig\u00e1vel nas hip\u00f3teses t\u00edpicas, como a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade e o abuso do controlador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A veda\u00e7\u00e3o ao aproveitamento do \u00e1gio entre partes dependentes nasceu com a Lei n. 12.973\/<strong>2014<\/strong> e alcan\u00e7a as aquisi\u00e7\u00f5es a partir de 1\u00ba\/1\/2015; para as opera\u00e7\u00f5es anteriores, a dedu\u00e7\u00e3o se admite quando as tratativas reproduzem bases negociais de partes independentes, cabendo ao Fisco provar a simula\u00e7\u00e3o, como a aus\u00eancia de efetivo pagamento do pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O sil\u00eancio da lei tribut\u00e1ria da \u00e9poca era eloquente. <strong>Os arts. 7\u00ba e 8\u00ba da Lei n. 9.532\/1997 n\u00e3o restringiam a amortiza\u00e7\u00e3o ao \u00e1gio formado entre partes independentes<\/strong>, e a diverg\u00eancia com as regras cont\u00e1beis se resolve pela preval\u00eancia do regramento fiscal espec\u00edfico (CTN, art. 109).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A autonomia das pessoas do grupo n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o descart\u00e1vel. <strong>Empresas interdependentes permanecem pessoas distintas por for\u00e7a de lei, e essa separa\u00e7\u00e3o s\u00f3 cede nas hip\u00f3teses legalmente previstas<\/strong>, como a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica e o abuso de poder do controlador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O marco divis\u00f3rio veio com a reforma de 2014, sem efeito retroativo. <strong>A restri\u00e7\u00e3o do aproveitamento ao \u00e1gio formado entre partes n\u00e3o dependentes foi inova\u00e7\u00e3o da Lei n. 12.973\/2014, com regra de transi\u00e7\u00e3o expressa<\/strong>; para aquisi\u00e7\u00f5es at\u00e9 31\/12\/2014 e reorganiza\u00e7\u00f5es at\u00e9 31\/12\/2017, vigora a disciplina anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A porta aberta n\u00e3o dispensa a vigil\u00e2ncia contra abusos. <strong>A dedu\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e opera\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas, negociadas em bases equivalentes \u00e0s de partes independentes, reservando-se ao Fisco a prova da artificialidade<\/strong>; no caso, a falta de comprova\u00e7\u00e3o do pagamento do pre\u00e7o indicou poss\u00edvel simula\u00e7\u00e3o, afastando a amortiza\u00e7\u00e3o pretendida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tratando-se de \u00e1gio gerado entre empresas do mesmo grupo, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sob a Lei n. 9.532\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) veda-se a amortiza\u00e7\u00e3o fiscal, pois as regras cont\u00e1beis pro\u00edbem o registro do \u00e1gio entre partes dependentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) admite-se a dedu\u00e7\u00e3o no IRPJ e na CSLL, leg\u00edtimas as opera\u00e7\u00f5es e ressalvada ao Fisco a prova de simula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) aplica-se retroativamente a veda\u00e7\u00e3o da Lei n. 12.973\/2014, norma interpretativa da disciplina anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) restringe-se a dedutibilidade ao IRPJ, silente a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia quanto \u00e0 CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) condiciona-se o aproveitamento a laudo de perito independente registrado, exig\u00eancia do regime da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. As diretrizes cont\u00e1beis n\u00e3o governam a mat\u00e9ria: diante do tratamento espec\u00edfico da lei tribut\u00e1ria, prevalecem os seus regramentos (CTN, art. 109), que na \u00e9poca n\u00e3o vedavam o \u00e1gio interno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. No regime anterior \u00e0 reforma de 2014, a amortiza\u00e7\u00e3o do \u00e1gio interno por rentabilidade futura \u00e9 dedut\u00edvel no IRPJ e na CSLL, demonstrada a legitimidade das opera\u00e7\u00f5es e ressalvada ao Fisco a comprova\u00e7\u00e3o da artificialidade em cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A Lei n. 12.973\/2014 inovou e trouxe regra de transi\u00e7\u00e3o expressa: a restri\u00e7\u00e3o \u00e0s partes n\u00e3o dependentes alcan\u00e7a as aquisi\u00e7\u00f5es posteriores, sem car\u00e1ter interpretativo retroativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A extens\u00e3o \u00e0 CSLL decorre do art. 57 da Lei n. 8.981\/1995, que alinha a base da contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s regras de apura\u00e7\u00e3o do lucro real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O laudo de perito independente protocolado ou registrado \u00e9 exig\u00eancia do regime novo; \u00e0 \u00e9poca, a avalia\u00e7\u00e3o se fazia por demonstra\u00e7\u00e3o arquivada pelo pr\u00f3prio contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se \u00e9 poss\u00edvel a amortiza\u00e7\u00e3o fiscal do \u00e1gio interno, proveniente de aquisi\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria entre sociedades interdependentes (integrantes de um mesmo grupo econ\u00f4mico), na determina\u00e7\u00e3o do lucro real, a influir nas bases de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL, sob a \u00e9gide da Lei n. 9.532\/1997 e do Decreto n. 3.000\/1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos dos arts. 7\u00ba e 8\u00ba da Lei n. 9.532\/1997 e dos arts. 385 e 386 do Decreto n. 3.000\/1999, vigentes \u00e0 \u00e9poca dos fatos, a pessoa jur\u00eddica que absorver patrim\u00f4nio de outra, em virtude de incorpora\u00e7\u00e3o (inclusive reversa), fus\u00e3o ou cis\u00e3o, na qual detenha participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria adquirida com \u00e1gio fundado em expectativa de rentabilidade futura, poder\u00e1 amortizar o valor do \u00e1gio, nos balan\u00e7os correspondentes \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do lucro real, \u00e0 raz\u00e3o de um sessenta avos, no m\u00e1ximo, para cada m\u00eas do per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em raz\u00e3o da aus\u00eancia de veda\u00e7\u00e3o legal expressa na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, instaurou-se um impasse hermen\u00eautico a respeito da possibilidade de amortiza\u00e7\u00e3o fiscal do \u00e1gio gerado internamente, por ocasi\u00e3o da aquisi\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria entre empresas de um mesmo grupo econ\u00f4mico, considerando as regras cont\u00e1beis em vi\u00e9s diverso, no sentido do descabimento da amortiza\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil do \u00e1gio interno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante do tratamento espec\u00edfico do \u00e1gio pela lei tribut\u00e1ria, os seus regramentos devem prevalecer, quando em conflito com as diretrizes cont\u00e1beis. Isso porque, nos termos do art. 109 do CTN, pode a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria conferir efeitos fiscais pr\u00f3prios a institutos de direito privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As pessoas jur\u00eddicas interdependentes, embora possam ter parcial identidade nos quadros societ\u00e1rios ou diretivos, isso n\u00e3o lhes retira a autonomia que lhes \u00e9 legalmente conferida, tratando-se, portanto, de pessoas distintas. Tal caracter\u00edstica, porque decorrente da lei, tal como disp\u00f5e o art. 49-A do CC, somente pode ser mitigada nos casos legalmente previstos, a exemplo das hip\u00f3teses de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica (art. 50 do CC) e do abuso de poder pelo acionista controlador (art. 117 da Lei n. 6.404\/1976).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apenas com o advento da Lei n. 12.973\/2014, n\u00e3o aplic\u00e1vel ao caso, \u00e9 que a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, aproximando-se da Contabilidade em mat\u00e9ria de \u00e1gio, determinou expressamente, em seu art. 22, que a amortiza\u00e7\u00e3o fiscal do \u00e1gio &#8211; agora restrito, economicamente, \u00e0 expectativa de rentabilidade futura (<em>goodwill<\/em>) e calculado de forma ligeiramente diversa da anteriormente prevista -, \u00e9 devida apenas quando a aquisi\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria geradora do \u00e1gio ocorrer entre partes n\u00e3o dependentes, entendidas como aquelas que n\u00e3o possuem entre si nenhum v\u00ednculo societ\u00e1rio, como se d\u00e1 nas hip\u00f3teses enunciadas no art. 25 da lei de reg\u00eancia, a impedir, peremptoriamente, o aproveitamento tribut\u00e1rio do \u00e1gio interno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atrav\u00e9s dessa inova\u00e7\u00e3o legislativa, o \u00e1gio previsto no art. 20 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977, que antes representava a mera diferen\u00e7a positiva entre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o do investimento e o patrim\u00f4nio l\u00edquido (registrado contabilmente) da sociedade investida, independentemente do seu fundamento econ\u00f4mico, ganhou nova defini\u00e7\u00e3o, consistente na diferen\u00e7a positiva entre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o do investimento e o somat\u00f3rio do patrim\u00f4nio l\u00edquido e da diferen\u00e7a entre este e a mais-valia (valor justo dos ativos l\u00edquidos da investida), limitando-se apenas ao fundamento econ\u00f4mico da expectativa de rentabilidade futura (inciso III).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a avalia\u00e7\u00e3o do investimento, para fins de apura\u00e7\u00e3o do \u00e1gio, antes baseada apenas em demonstra\u00e7\u00e3o arquivada pelo pr\u00f3prio contribuinte como comprovante de escritura\u00e7\u00e3o, agora deve ser realizada mediante laudo elaborado por perito independente e protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou registrado em Cart\u00f3rio de Registro de T\u00edtulos e Documentos, at\u00e9 o \u00faltimo dia \u00fatil do 13\u00ba (d\u00e9cimo terceiro) m\u00eas subsequente ao da aquisi\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o (\u00a7 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 vista da diversidade de regimes, a lei nova estabeleceu uma regra de transi\u00e7\u00e3o, dispondo o art. 65 da Lei n. 12.973\/2014, que &#8220;as disposi\u00e7\u00f5es contidas nos arts. 7\u00ba e 8\u00ba da Lei n\u00ba 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e nos arts. 35 e 37 do Decreto-Lei n\u00ba 1.598, de 26 de dezembro de 1977, continuam a ser aplicadas somente \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de incorpora\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o e cis\u00e3o, ocorridas at\u00e9 31 de dezembro de 2017, cuja participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria tenha sido adquirida at\u00e9 31 de dezembro de 2014&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s aquisi\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria com \u00e1gio por rentabilidade futura ocorridas at\u00e9 31\/12\/2014 e incorpora\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o ou cis\u00e3o ocorridas at\u00e9 31\/12\/2017, aplicam-se as disposi\u00e7\u00f5es legais e normativas antecedentes, da Lei n. 9.532\/1997 e do Decreto n. 3.000\/1999. Sobre as opera\u00e7\u00f5es posteriores, aquisi\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria com \u00e1gio ocorrida a partir de 1\u00ba\/1\/2015 e\/ou incorpora\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o ou cis\u00e3o, ocorrida a partir de 1\u00ba\/1\/2018, aplica-se a Lei n. 12.973\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, impende destacar que embora a Lei n. 9.532\/1997 refira-se apenas \u00e0 dedutibilidade do \u00e1gio na determina\u00e7\u00e3o do lucro real, que \u00e9 \u00ednsito ao IRPJ, tal compreens\u00e3o estende-se \u00e0 CSLL, por disposi\u00e7\u00e3o do art. 57 da Lei n. 8.981\/1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, sob a \u00e9gide dos arts. 7\u00ba e 8\u00ba da Lei n. 9.532\/1997 e 385 e 386 do Decreto n. 3.000\/1999, admite-se a amortiza\u00e7\u00e3o fiscal do \u00e1gio interno fundado, economicamente, em expectativa de rentabilidade futura, a influir nas bases de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL, dada a aus\u00eancia de restri\u00e7\u00e3o nesse sentido na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, desde que leg\u00edtimas as opera\u00e7\u00f5es de efetiva aquisi\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria com \u00e1gio e de posterior incorpora\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o ou cis\u00e3o, pressupondo a realiza\u00e7\u00e3o das tratativas nas mesmas bases negociais que seriam observadas entre partes independentes, ressalvando-se ao Fisco a comprova\u00e7\u00e3o da artificialidade do \u00e1gio (simula\u00e7\u00e3o), em cada caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, embora infundada a denega\u00e7\u00e3o da ordem pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, com base no descabimento da amortiza\u00e7\u00e3o fiscal do \u00e1gio interno, asseverou-se inexistir prova do pagamento do pre\u00e7o, a indicar poss\u00edvel artificialidade do \u00e1gio, insuscet\u00edvel, portanto, de amortiza\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p 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