{"id":1785941,"date":"2026-08-03T09:12:49","date_gmt":"2026-08-03T12:12:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1785941"},"modified":"2026-08-03T09:12:51","modified_gmt":"2026-08-03T12:12:51","slug":"informativo-stj-ed-especial-31-parte-1-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-31-parte-1-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Ed Especial 31 Parte 1 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/03091209\/stj_especial_31_parte1.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_zccfEZRa5LE\"><div id=\"lyte_zccfEZRa5LE\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/zccfEZRa5LE\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/zccfEZRa5LE\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/zccfEZRa5LE\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-tema-793-e-a-presenca-da-uniao-nas-demandas-de-saude\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; TEMA 793 E A PRESEN\u00c7A DA UNI\u00c3O NAS DEMANDAS DE SA\u00daDE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tese do Tema 793\/STF <strong>N\u00c3O autoriza, por si s\u00f3, a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo<\/strong> para atrair a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal; ela permite o <strong>redirecionamento da obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou do ressarcimento<\/strong>, conforme a reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias no \u00e2mbito do SUS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no CC 216.376-RS, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 11\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acamada e dependente de equipe multiprofissional, Dona Clotilde ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o Estado e o Munic\u00edpio para obter atendimento domiciliar em regime de <em>home care<\/em>. No meio do caminho, o ju\u00edzo estadual mandou incluir a Uni\u00e3o e remeteu os autos \u00e0 Justi\u00e7a Federal, invocando a solidariedade dos entes reconhecida no Tema 793\/STF. O ju\u00edzo federal devolveu: a Uni\u00e3o n\u00e3o tinha legitimidade para a causa. Instaurado o conflito, onde tramita a demanda?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famulas 150 e 254 do STJ<\/strong><em> (compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal decidir sobre a exist\u00eancia de interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o no processo; a decis\u00e3o do ju\u00edzo federal que exclui o ente federal n\u00e3o pode ser reexaminada no ju\u00edzo estadual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 793\/STF<\/strong><em> (os entes federados respondem solidariamente nas demandas de sa\u00fade, cabendo ao juiz direcionar o cumprimento conforme as regras de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e determinar o ressarcimento a quem suportou o \u00f4nus).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A solidariedade fixada pelo Supremo opera no plano do cumprimento: o magistrado identifica o ente com melhores condi\u00e7\u00f5es de executar a medida e preserva o acerto financeiro entre os cofres p\u00fablicos. O enunciado nada diz sobre for\u00e7ar a presen\u00e7a do ente federal em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O magistrado estadual julgar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o e condenar\u00e1 o Estado ou o Munic\u00edpio a fornecer a presta\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. O ente estadual ou municipal que pagar a conta dever\u00e1 buscar o reembolso (ressarcimento) contra a Uni\u00e3o administrativamente ou por meio de <strong>a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria na Justi\u00e7a Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Exclu\u00edda a Uni\u00e3o pelo ju\u00edzo federal, a causa retorna e permanece na Justi\u00e7a Estadual: o ju\u00edzo estadual n\u00e3o pode rever aquela exclus\u00e3o, e a compet\u00eancia se firma sem o ente federal no processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura ampliada do precedente foi o motor do conflito. <strong>O Tema 793\/STF cuida do redirecionamento do cumprimento e do ressarcimento entre os entes, observada a organiza\u00e7\u00e3o do SUS<\/strong>, e n\u00e3o funciona como bilhete de ingresso da Uni\u00e3o em toda demanda sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O guardi\u00e3o da porta federal \u00e9 o pr\u00f3prio ju\u00edzo federal. <strong>Cabe \u00e0 Justi\u00e7a Federal decidir sobre o interesse jur\u00eddico que justificaria a presen\u00e7a da Uni\u00e3o no feito<\/strong>, na linha da S\u00famula 150 do STJ; reconhecida a ilegitimidade, o pronunciamento fecha a discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A blindagem da decis\u00e3o federal completa o desenho do sistema. <strong>A exclus\u00e3o do ente federal decidida pelo ju\u00edzo federal n\u00e3o pode ser reexaminada pelo ju\u00edzo estadual<\/strong> (S\u00famula 254 do STJ), o que impede o vaiv\u00e9m de autos entre os ramos do Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O resultado harmoniza acesso \u00e0 sa\u00fade e regra de compet\u00eancia. <strong>A demanda prossegue na Justi\u00e7a Estadual contra o Estado e o Munic\u00edpio, sem preju\u00edzo de o cumprimento ser dirigido ao ente mais bem aparelhado<\/strong>, com eventual acerto financeiro posterior entre as esferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a demanda de sa\u00fade ajuizada contra Estado e Munic\u00edpio, ap\u00f3s o ju\u00edzo federal excluir a Uni\u00e3o do processo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) prossegue na Justi\u00e7a Estadual, vedado o reexame da exclus\u00e3o do ente federal pelo ju\u00edzo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) exige a presen\u00e7a da Uni\u00e3o no feito, dada a solidariedade dos entes reconhecida no Tema 793.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) permite ao ju\u00edzo estadual devolver a quest\u00e3o da legitimidade federal, provocando novo pronunciamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) reclama a presen\u00e7a da Uni\u00e3o para viabilizar o direcionamento do cumprimento ao ente com melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) desloca-se \u00e0 Justi\u00e7a Federal ante a possibilidade de futuro ressarcimento a cargo do ente federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta<\/strong>. Reconhecida a ilegitimidade da Uni\u00e3o pelo ju\u00edzo federal, firma-se a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual, e a S\u00famula 254 do STJ veda ao ju\u00edzo estadual reexaminar aquela exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A solidariedade do Tema 793 n\u00e3o imp\u00f5e litiscons\u00f3rcio com o ente federal: o precedente disciplina o cumprimento da medida e o ressarcimento, sem autorizar a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o para atrair o foro federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A palavra sobre o interesse da Uni\u00e3o \u00e9 privativa da Justi\u00e7a Federal (S\u00famula 150 do STJ); o ju\u00edzo estadual n\u00e3o devolve a quest\u00e3o nem reabre o exame da legitimidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O direcionamento do cumprimento ao ente mais bem aparelhado dispensa a presen\u00e7a formal da Uni\u00e3o no processo: opera conforme a reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias do SUS, com acerto financeiro entre as esferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A perspectiva de ressarcimento entre os cofres p\u00fablicos n\u00e3o gera interesse jur\u00eddico apto a firmar o foro federal; a compet\u00eancia se define pela rela\u00e7\u00e3o processual efetivamente formada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O conflito de compet\u00eancia foi suscitado em demanda ajuizada perante a Justi\u00e7a Estadual em face do Estado e do Munic\u00edpio, com o objetivo de assegurar o fornecimento do servi\u00e7o de Home Care, mediante atendimento domiciliar por equipe multiprofissional, necess\u00e1rio ao tratamento de sa\u00fade da autora. No curso do processo, foi determinada a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo, com a consequente remessa dos autos \u00e0 Justi\u00e7a Federal. Contudo, o Ju\u00edzo Federal reconheceu a ilegitimidade passiva da Uni\u00e3o, declinou da compet\u00eancia e determinou o retorno dos autos \u00e0 Justi\u00e7a Estadual, dando ensejo ao conflito de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, como a Justi\u00e7a Federal reconheceu a ilegitimidade passiva da Uni\u00e3o, imp\u00f5e-se a declara\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual para o julgamento da demanda, nos termos das S\u00famulas 150 e 254 do STJ: &#8220;S\u00famula 150\/STJ: Compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal decidir sobre a exist\u00eancia de interesse jur\u00eddico que justifique a presen\u00e7a, no processo, da Uni\u00e3o, suas autarquias ou empresas p\u00fablicas. S\u00famula 254\/STJ: A decis\u00e3o do Ju\u00edzo Federal que exclui da rela\u00e7\u00e3o processual ente federal n\u00e3o pode ser reexaminada no Ju\u00edzo Estadual&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o Tema n. 793 do STF prev\u00ea a possibilidade de o juiz competente direcionar o cumprimento das medidas de tutela da sa\u00fade para o ente que, em princ\u00edpio, deteria melhores condi\u00e7\u00f5es de cumprir a medida e determinar o ressarcimento a quem suportou o \u00f4nus financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, a tese firmada no Tema n. 793\/STF admite o redirecionamento da obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou do ressarcimento, observadas as regras de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Contudo, n\u00e3o autoriza a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo da demanda como forma de atrair a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-precedente-repetitivo-e-termo-inicial-da-acao-rescisoria\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; PRECEDENTE REPETITIVO E TERMO INICIAL DA A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A superveni\u00eancia de precedente qualificado do STJ, ainda que firmado em recursos repetitivos, <strong>N\u00c3O altera o termo inicial do prazo decadencial da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria<\/strong>: a exce\u00e7\u00e3o dos arts. 525, \u00a7 15, e 535, \u00a7 8\u00ba, do CPC \u00e9 restrita \u00e0s <strong>decis\u00f5es do STF em controle de constitucionalidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt na AR 7.954-RS, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 22\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vendetudo Atacadista perdeu a disputa tribut\u00e1ria e viu a decis\u00e3o transitar em julgado em 23\/8\/2021. Anos depois, o STJ fixou, em repetitivo, tese favor\u00e1vel \u00e0 posi\u00e7\u00e3o que a empresa defendera (Tema 1125\/STJ). Animada, a Vendetudo ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria em 2025, contando o bi\u00eanio do tr\u00e2nsito em julgado do paradigma, \u00e0 moda do que o CPC prev\u00ea para as decis\u00f5es do STF. O precedente repetitivo reabre o prazo da rescis\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 975<\/strong><em> (o direito \u00e0 rescis\u00e3o se extingue em 2 anos contados do tr\u00e2nsito em julgado da \u00faltima decis\u00e3o proferida no processo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 525, \u00a7 15, e 535, \u00a7 8\u00ba<\/strong><em> (quando a decis\u00e3o exequenda se funda em lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo STF, ou em interpreta\u00e7\u00e3o tida por incompat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o, o prazo da rescis\u00f3ria conta-se do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o do STF).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O regime diferenciado das decis\u00f5es do Supremo decorre de sua fun\u00e7\u00e3o de guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o: o pronunciamento em controle de constitucionalidade pode infirmar a pr\u00f3pria validade da norma e revelar v\u00edcio qualificado na coisa julgada. A supera\u00e7\u00e3o de entendimento infraconstitucional n\u00e3o produz esse efeito estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Norma que flexibiliza prazo decadencial \u00e9 excepcional e se interpreta restritivamente, vedada a amplia\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica: quisesse o legislador contemplar os repetitivos do STJ, teria mencionado as duas Cortes, como fez no art. 927, III e V, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A regra geral \u00e9 singela e protege um valor caro ao sistema. <strong>O bi\u00eanio da rescis\u00f3ria corre do tr\u00e2nsito em julgado da \u00faltima decis\u00e3o do processo (CPC, art. 975)<\/strong>, disciplina de direito potestativo que reclama leitura estrita, em prest\u00edgio \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A exce\u00e7\u00e3o invocada tem endere\u00e7o certo e portas fechadas \u00e0 analogia. <strong>O art. 525, \u00a7 15, alcan\u00e7a somente a hip\u00f3tese de decis\u00e3o contr\u00e1ria a pronunciamento do STF em controle de constitucionalidade<\/strong>; a jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional pode desconstituir a base normativa do julgado, e \u00e9 essa peculiaridade que justifica o marco deslocado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O precedente infraconstitucional joga em outra divis\u00e3o. <strong>A tese repetitiva do STJ vincula, mas n\u00e3o infirma a validade de normas nem gera o v\u00edcio qualificado que autoriza reabrir a coisa julgada<\/strong>; equipar\u00e1-la ao pronunciamento do Supremo criaria prorroga\u00e7\u00e3o de prazo decadencial sem previs\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O sil\u00eancio do legislador, aqui, foi escolha, n\u00e3o esquecimento. <strong>Quando o CPC quis tratar juntas as duas Cortes superiores, ele o fez expressamente, como no art. 927, III e V<\/strong>; transitada em julgado a decis\u00e3o em 23\/8\/2021, o bi\u00eanio expirou em 23\/8\/2023, e a a\u00e7\u00e3o proposta em 2025 \u00e9 intempestiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao termo inicial do prazo decadencial da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria diante de posterior precedente repetitivo do STJ:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) conta-se do tr\u00e2nsito em julgado do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma, na linha do regime do art. 525, \u00a7 15, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) desloca-se para a data da ci\u00eancia da nova tese pela parte interessada, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>actio nata<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) permanece no tr\u00e2nsito em julgado da \u00faltima decis\u00e3o do processo, nos termos do art. 975 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) equipara-se ao regime das decis\u00f5es do STF, dada a for\u00e7a vinculante que o art. 927 confere aos repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) transfere-se para a via da impugna\u00e7\u00e3o por inexigibilidade do t\u00edtulo, dispensada a rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O marco do art. 525, \u00a7 15, \u00e9 reservado aos pronunciamentos do STF em controle de constitucionalidade; norma excepcional de prazo decadencial n\u00e3o comporta aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica aos repetitivos do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A <em>actio nata<\/em> n\u00e3o rege a decad\u00eancia da rescis\u00f3ria: o legislador fixou termo objetivo, e atrelar o prazo \u00e0 ci\u00eancia da tese tornaria indefinido o in\u00edcio da contagem, com permanente instabilidade da coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta<\/strong>. O bi\u00eanio decadencial flui da \u00faltima decis\u00e3o do feito, uma vez transitada em julgado; a superveni\u00eancia de tese repetitiva do STJ n\u00e3o desloca esse marco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A for\u00e7a vinculante do art. 927 opera no plano infraconstitucional e n\u00e3o produz o efeito estrutural de infirmar a validade de normas; sem essa nota, n\u00e3o h\u00e1 equipara\u00e7\u00e3o ao regime das decis\u00f5es do Supremo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A inexigibilidade do t\u00edtulo fundada em decis\u00e3o superveniente tamb\u00e9m \u00e9 mecanismo atrelado aos pronunciamentos do STF; a mudan\u00e7a de jurisprud\u00eancia do STJ n\u00e3o abre essa via nem substitui a rescis\u00f3ria tempestiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do termo inicial do prazo decadencial para o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, especificamente se o referido lapso deve ser contado do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o rescindenda ou do tr\u00e2nsito em julgado do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma proferido no Tema 1125\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o art. 975 do C\u00f3digo de Processo Civil estabelece, de forma clara e inequ\u00edvoca, a regra geral segundo a qual o prazo decadencial da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria \u00e9 de 2 anos, contados do tr\u00e2nsito em julgado da \u00faltima decis\u00e3o proferida no processo. Trata-se de norma que disciplina o exerc\u00edcio de direito potestativo, cuja natureza decadencial imp\u00f5e interpreta\u00e7\u00e3o estrita, em prest\u00edgio \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e \u00e0 estabilidade das rela\u00e7\u00f5es jurisdicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exce\u00e7\u00e3o prevista no art. 525, \u00a7 15, do CPC possui campo de incid\u00eancia espec\u00edfico e delimitado pelo legislador, restringindo-se \u00e0s hip\u00f3teses em que a decis\u00e3o rescindenda contraria pronunciamento do Supremo Tribunal Federal em controle de constitucionalidade. Cuida-se, portanto, de norma excepcional, cuja interpreta\u00e7\u00e3o deve ser necessariamente restritiva, vedada sua amplia\u00e7\u00e3o por analogia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o regime diferenciado conferido \u00e0s decis\u00f5es do Supremo Tribunal Federal nos arts. 525, \u00a7 15, e 535, \u00a7 8\u00ba, do CPC decorre de sua fun\u00e7\u00e3o de guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, sendo suas decis\u00f5es, especialmente em controle de constitucionalidade, dotadas de efic\u00e1cia apta a infirmar a pr\u00f3pria validade das normas jur\u00eddicas. Nesse contexto, a superveni\u00eancia de pronunciamento da Corte Constitucional pode revelar v\u00edcio qualificado na coisa julgada, justificando a excepcional flexibiliza\u00e7\u00e3o do prazo rescis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os precedentes firmados pelo STJ, embora dotados de for\u00e7a vinculante no \u00e2mbito da legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional, n\u00e3o possuem a mesma natureza nem produzem os mesmos efeitos estruturais no sistema jur\u00eddico. A supera\u00e7\u00e3o de entendimento jurisprudencial em mat\u00e9ria infraconstitucional n\u00e3o se equipara, portanto, \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade de norma pelo STF, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o autoriza a incid\u00eancia da exce\u00e7\u00e3o prevista no art. 525, \u00a7 15, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se fosse inten\u00e7\u00e3o do legislador conferir o mesmo tratamento aos precedentes vinculantes do Superior Tribunal de Justi\u00e7a para se desconstituir a coisa julgada, nos termos dos arts. 525, \u00a7 15, e 535, \u00a7 8\u00ba, isso teria sido feito expressamente, tal como disposto em diversos outros dispositivos do CPC que mencionam, conjuntamente, ambas as Cortes Superiores (vide, por exemplo, o pr\u00f3prio art. 927, incisos III e V).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admitir tal racioc\u00ednio implicaria, em \u00faltima an\u00e1lise, criar hip\u00f3tese de prorroga\u00e7\u00e3o do prazo decadencial n\u00e3o prevista em lei, em afronta direta aos princ\u00edpios da legalidade e da seguran\u00e7a jur\u00eddica. Tal interpreta\u00e7\u00e3o conduziria \u00e0 indesej\u00e1vel consequ\u00eancia de tornar indefinido o termo inicial da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, sujeitando a coisa julgada \u00e0 permanente instabilidade sempre que houvesse altera\u00e7\u00e3o jurisprudencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a estabiliza\u00e7\u00e3o da coisa julgada, ap\u00f3s o decurso do prazo decadencial, constitui op\u00e7\u00e3o constitucionalmente leg\u00edtima de pondera\u00e7\u00e3o entre a justi\u00e7a do decis\u00f3rio e a seguran\u00e7a jur\u00eddica, n\u00e3o sendo dado ao int\u00e9rprete afast\u00e1-la com base em considera\u00e7\u00f5es de conveni\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, \u00e9 incontroverso que a decis\u00e3o rescindenda transitou em julgado em 23\/8\/2021. Assim, o prazo bienal para o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria esgotou-se em 23\/8\/2023. Proposta a a\u00e7\u00e3o apenas em 2025, ela \u00e9 manifestamente intempestiva, n\u00e3o sendo poss\u00edvel reabrir o prazo em raz\u00e3o de posterior fixa\u00e7\u00e3o de tese pelo STJ no Tema 1125\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-anpc-concurso-de-agentes-e-controle-judicial-do-acordo\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; ANPC, CONCURSO DE AGENTES E CONTROLE JUDICIAL DO ACORDO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o civil, a cl\u00e1usula de integral repara\u00e7\u00e3o do dano \u00e9 obrigat\u00f3ria, mas, no concurso de agentes, <strong>limita-se \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o causal do imputado<\/strong>, quando mensur\u00e1vel seu grau de participa\u00e7\u00e3o; e o art. 17-B, \u00a7 2\u00ba, da LIA autoriza o <strong>controle judicial formal e substancial<\/strong> do ajuste, com recusa de homologa\u00e7\u00e3o do pacto contr\u00e1rio ao interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.263.884-SE, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acusado de improbidade ao lado de outros agentes, Godines negociou com o Minist\u00e9rio P\u00fablico um acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o civil: assumiria o ressarcimento na exata medida de sua participa\u00e7\u00e3o no esquema, apurada em per\u00edcia. Na fase de homologa\u00e7\u00e3o, o Dr. Creisson, juiz da causa, hesitou em dobro: a cl\u00e1usula legal de repara\u00e7\u00e3o integral admitiria fra\u00e7\u00e3o? E o juiz poderia examinar o conte\u00fado do ajuste, ou estaria confinado \u00e0 checagem formal do procedimento? At\u00e9 onde v\u00e3o a limita\u00e7\u00e3o e o controle?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 17-B, I e \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (o ANPC deve prever o integral ressarcimento do dano; sua celebra\u00e7\u00e3o considera a personalidade do agente, a natureza, as circunst\u00e2ncias, a gravidade e a repercuss\u00e3o social do ato, al\u00e9m das vantagens da r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o do caso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 17-C, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (na hip\u00f3tese de litiscons\u00f3rcio passivo, a condena\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 no limite da participa\u00e7\u00e3o e dos benef\u00edcios diretos, vedada a solidariedade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O ANPC \u00e9 neg\u00f3cio jur\u00eddico volunt\u00e1rio entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o demandado, sujeito a homologa\u00e7\u00e3o judicial, criado para encerrar o lit\u00edgio e resguardar o patrim\u00f4nio p\u00fablico. Como via alternativa de solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode carregar consequ\u00eancias mais gravosas que as do desfecho judicial da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sendo poss\u00edvel pormenorizar a concorr\u00eancia de cada agente para o preju\u00edzo, a repara\u00e7\u00e3o pactuada acompanha a medida da culpabilidade; e o juiz, diante de ajuste sem razoabilidade ou em choque com o interesse p\u00fablico, nega a homologa\u00e7\u00e3o e devolve as partes \u00e0 mesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A aparente antinomia entre os dispositivos se desfaz pela leitura conjunta. <strong>A cl\u00e1usula de ressarcimento integral do art. 17-B, I, convive com a regra do art. 17-C, \u00a7 2\u00ba, que confina a condena\u00e7\u00e3o ao limite da participa\u00e7\u00e3o e dos benef\u00edcios diretos de cada r\u00e9u<\/strong>, com expressa veda\u00e7\u00e3o de solidariedade no litiscons\u00f3rcio passivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O paralelo com a senten\u00e7a define o teto do ajuste. <strong>Se nem a condena\u00e7\u00e3o judicial pode ultrapassar a contribui\u00e7\u00e3o causal do agente, o acordo que encerra o processo n\u00e3o pode ser mais gravoso<\/strong>; mensur\u00e1vel o grau de participa\u00e7\u00e3o, a repara\u00e7\u00e3o pactuada respeita essa fra\u00e7\u00e3o, ressalvada a imputa\u00e7\u00e3o conjunta quando o il\u00edcito \u00e9 indivis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O segundo eixo do julgado redefine o papel do magistrado na homologa\u00e7\u00e3o. <strong>Os par\u00e2metros do art. 17-B, \u00a7 2\u00ba, autorizam exame que vai al\u00e9m da regularidade procedimental, alcan\u00e7ando a pertin\u00eancia entre as condi\u00e7\u00f5es fixadas e o atendimento ao interesse p\u00fablico<\/strong>; gravidade do fato, personalidade do agente e repercuss\u00e3o social entram na conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sem esse crivo, a homologa\u00e7\u00e3o viraria carimbo. <strong>Diante de pacto infundado, desarrazoado ou destoante da supremacia do interesse p\u00fablico, o juiz recusa a valida\u00e7\u00e3o e devolve as partes \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o<\/strong>, evitando transformar-se em avalista acr\u00edtico de neg\u00f3cios celebrados em nome da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tratando-se de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o civil celebrado com um dos agentes em concurso, quanto ao ressarcimento e ao papel do juiz:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) deve abranger o dano por inteiro, incompat\u00edvel o fracionamento com a cl\u00e1usula legal de repara\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) imp\u00f5e a cada imputado a resposta pelo total do preju\u00edzo, ressalvado o regresso contra os demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sujeita-se a controle judicial circunscrito \u00e0 regularidade formal do procedimento negocial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) autoriza o juiz a revisar as cl\u00e1usulas desproporcionais, homologando o ajuste com as corre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) comporta limita\u00e7\u00e3o \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o causal mensur\u00e1vel do imputado, sob controle judicial formal e substancial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A integralidade da repara\u00e7\u00e3o se interpreta em sistema com o art. 17-C, \u00a7 2\u00ba, da LIA: sendo mensur\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o, o compromisso do imputado se limita \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o causal, sem abranger a fra\u00e7\u00e3o alheia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A LIA veda a solidariedade no litiscons\u00f3rcio passivo: cada agente responde na medida de sua participa\u00e7\u00e3o e dos ganhos que auferiu, e o acordo n\u00e3o pode ser mais gravoso que a pr\u00f3pria condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O art. 17-B, \u00a7 2\u00ba, autoriza escrut\u00ednio que ultrapassa a forma: o juiz examina a compatibilidade das condi\u00e7\u00f5es pactuadas com a gravidade do fato e com o interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O controle substancial n\u00e3o transforma o juiz em coautor do ajuste: verificada a despropor\u00e7\u00e3o, a via \u00e9 a recusa de homologa\u00e7\u00e3o com remessa das partes a nova negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta<\/strong>. A repara\u00e7\u00e3o pactuada pode ficar limitada \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o causal do imputado, quando mensur\u00e1vel, e o acordo se submete a controle judicial nas \u00f3ticas formal e substancial.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O cerne da controv\u00e9rsia reside em definir duas quest\u00f5es distintas e in\u00e9ditas: i) possibilidade de homologar Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC) contemplando a obriga\u00e7\u00e3o de reparar parcialmente o dano ao er\u00e1rio, na medida da contribui\u00e7\u00e3o de cada litisconsorte para o preju\u00edzo ao patrim\u00f4nio p\u00fablico; e ii) viabilidade de controle judicial dos par\u00e2metros negociais estipulados pelas partes em Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC), tendo em conta o regramento previsto no art. 17-B da Lei n. 8.429\/1992.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com a disciplina normativa prevista no art. 17-B da Lei n. 8.429\/1992, inclu\u00eddo pela Lei n. 14.230\/2021, o Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC) desponta como neg\u00f3cio jur\u00eddico firmado, de maneira volunt\u00e1ria, entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o demandado, mediante o qual s\u00e3o ajustadas condi\u00e7\u00f5es para encerrar o lit\u00edgio e resguardar o patrim\u00f4nio p\u00fablico lesado. Trata-se, por conseguinte, de meio consensual de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos sempre sujeito a ulterior homologa\u00e7\u00e3o judicial (art. 17-B, \u00a7 1\u00ba, III).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por meio dessa esp\u00e9cie de ajuste, assegura-se o integral ressarcimento do dano causado e a revers\u00e3o \u00e0 pessoa jur\u00eddica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados &#8211; cl\u00e1usulas indispens\u00e1veis \u00e0 entabula\u00e7\u00e3o da aven\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De outra parte, malgrado seja cl\u00e1usula essencial do Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC) a assun\u00e7\u00e3o de responsabilidade pelo ressarcimento integral do dano, tal exig\u00eancia deve ser interpretada em conson\u00e2ncia com o art. 17-C, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992, segundo o qual, &#8220;[&#8230;] na hip\u00f3tese de litiscons\u00f3rcio passivo, a condena\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 no limite da participa\u00e7\u00e3o e dos benef\u00edcios diretos, vedada qualquer solidariedade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa maneira, havendo possibilidade de pormenorizar a participa\u00e7\u00e3o do agente em fato il\u00edcito imputado a diversas pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas em concurso &#8211; inclusive mediante defini\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da concorr\u00eancia para o dano patrimonial causado -, a condena\u00e7\u00e3o, enquanto consequ\u00eancia da pr\u00e1tica de ato de improbidade, deve ser implementada na medida da culpabilidade de cada corr\u00e9u, ressalvada, no entanto, a atribui\u00e7\u00e3o conjunta e integral de responsabilidade a todos os causadores do il\u00edcito, no mesmo grau de intensidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, sendo o Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC) instrumento alternativo de solu\u00e7\u00e3o de controv\u00e9rsia, n\u00e3o se pode emprestar-lhe aspecto mais gravoso que aquele legalmente previsto para o desfecho judicial, sendo de rigor empreender interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica entre os arts. 17-B, I, e 17-C, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992, no sentido de reconhecer ser cl\u00e1usula obrigat\u00f3ria do ajuste o compromisso de integral repara\u00e7\u00e3o dos danos causados, limitado, em casos de concurso de agentes, \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o causal do imputado para sua ocorr\u00eancia, desde que poss\u00edvel mensurar o respectivo grau de participa\u00e7\u00e3o no il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, embora indene de d\u00favida a possibilidade de escrut\u00ednio jurisdicional de Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC) sob a \u00f3tica formal &#8211; autorizando-se o juiz a deixar de homologar aven\u00e7as em contraste com o regramento procedimental da Lei n. 8.429\/1992 -, n\u00e3o se pode dispensar o controle de pactos cujas san\u00e7\u00f5es acordadas n\u00e3o se ajustem \u00e0 gravidade do fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, o art. 17-B, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992 \u00e9 expresso ao estipular que a celebra\u00e7\u00e3o de Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Civil (ANPC) deve considerar a personalidade do agente, a natureza, as circunst\u00e2ncias, a gravidade e a repercuss\u00e3o social do ato de improbidade, bem como as vantagens para o interesse p\u00fablico da r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o do caso, autorizando, dessarte, controle judicial sob as \u00f3ticas formal e substancial, mediante exame da pertin\u00eancia entre as condi\u00e7\u00f5es nele fixadas e o necess\u00e1rio atendimento ao interesse p\u00fablico, sob pena de transformar o juiz em mero avalista acr\u00edtico de neg\u00f3cios dessa natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, deparando-se com ajuste que desconsidere expectativas leg\u00edtimas em defesa do patrim\u00f4nio p\u00fablico, constitui dever do Poder Judici\u00e1rio refutar a valida\u00e7\u00e3o de acordos infundados, desarrazoados e destoantes do princ\u00edpio da supremacia do interesse p\u00fablico, remetendo as partes a nova negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-transposicao-de-fiscal-agropecuario-e-quadro-do-mapa\" class=\"wp-block-heading\">4. TRANSPOSI\u00c7\u00c3O DE FISCAL AGROPECU\u00c1RIO E QUADRO DO MAPA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transposi\u00e7\u00e3o para o cargo de Fiscal Federal Agropecu\u00e1rio <strong>exige o preenchimento concomitante dos requisitos<\/strong> do art. 28 da MP n. 2.229-43\/2001, entre eles a <strong>integra\u00e7\u00e3o ao Quadro de Pessoal do MAPA<\/strong>; o exerc\u00edcio de atividades t\u00edpicas de fiscaliza\u00e7\u00e3o, sozinho, n\u00e3o basta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 3.022.257-AP, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Admitido via concurso para cargo no extinto Territ\u00f3rio Federal do Amap\u00e1, Creitinho passou ao quadro em extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e seguiu cedido ao Estado, fiscalizando lavouras e rebanhos por d\u00e9cadas. Quando a carreira de Fiscal Federal Agropecu\u00e1rio foi reestruturada, Creitinho &nbsp;requereu a transposi\u00e7\u00e3o: fazia, afinal, o mesmo trabalho dos colegas transformados. A Uni\u00e3o resistiu, apontando um elo faltante na trajet\u00f3ria do servidor: ele jamais integrara o quadro do Minist\u00e9rio da Agricultura. O desempenho das atividades t\u00edpicas garante a transposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>MP n. 2.229-43\/2001, art. 28<\/strong><em> (s\u00e3o transformados em cargos de Fiscal Federal Agropecu\u00e1rio os cargos efetivos da Carreira de Fiscal de Defesa Agropecu\u00e1ria e de M\u00e9dico Veterin\u00e1rio NS 910, cujos ocupantes estejam em efetivo exerc\u00edcio nas atividades de controle, inspe\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e defesa agropecu\u00e1ria, do Quadro de Pessoal do MAPA).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A transforma\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou os servidores que, na edi\u00e7\u00e3o da norma, reunissem tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo: ocupar os cargos efetivos das carreiras mencionadas, exercer as atividades de fiscaliza\u00e7\u00e3o e pertencer ao quadro do minist\u00e9rio. A aus\u00eancia de uma delas afasta o enquadramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O servidor oriundo de ex-Territ\u00f3rio que permaneceu cedido ao Estado, sem jamais compor o quadro do MAPA, n\u00e3o preenche o requisito do v\u00ednculo ministerial, e a tese de que o regime anterior a 5\/10\/1988 dispensaria a integra\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o encontra apoio no texto da norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A porta de entrada da carreira foi desenhada com tr\u00eas fechaduras. <strong>O art. 28 da MP n. 2.229-43\/2001 condiciona a transforma\u00e7\u00e3o ao cargo efetivo nas carreiras de origem, ao efetivo exerc\u00edcio das atividades de defesa agropecu\u00e1ria e ao pertencimento ao Quadro de Pessoal do MAPA<\/strong>, exig\u00eancias que devem coexistir no momento da edi\u00e7\u00e3o da norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A trajet\u00f3ria funcional do servidor n\u00e3o percorreu o terceiro requisito. <strong>Admitido no ex-Territ\u00f3rio, transferido ao quadro em extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e cedido ao Estado, ele nunca comp\u00f4s os quadros do minist\u00e9rio<\/strong>, como assentou a inst\u00e2ncia de origem ao examinar os registros funcionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A tese da dispensa pelo regime antigo esbarra na literalidade. <strong>A alega\u00e7\u00e3o de que a disciplina anterior a 5\/10\/1988 se contentaria com o desempenho de atividades t\u00edpicas n\u00e3o convence<\/strong>: a norma de transforma\u00e7\u00e3o elegeu o v\u00ednculo ministerial como elemento estrutural do enquadramento, sem abrir exce\u00e7\u00e3o temporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O desfecho preserva a l\u00f3gica das reestrutura\u00e7\u00f5es de carreira. <strong>Sem integra\u00e7\u00e3o ao quadro ministerial, n\u00e3o h\u00e1 transposi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel<\/strong>; permitir o ingresso pela via do exerc\u00edcio f\u00e1tico equivaleria a provimento sem concurso na carreira reorganizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o para Fiscal Federal Agropecu\u00e1rio de servidor oriundo de ex-Territ\u00f3rio, cedido a Estado e sem passagem pelo quadro do MAPA:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) efetiva-se com o exerc\u00edcio das atividades de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, n\u00facleo material do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) descabe sem o preenchimento concomitante dos requisitos legais, entre eles o pertencimento ao quadro do minist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) rege-se pela disciplina anterior \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que dispensava a integra\u00e7\u00e3o formal ao \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) aperfei\u00e7oa-se pela cess\u00e3o prolongada, que consolida v\u00ednculo funcional de fato com a \u00e1rea agropecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) supre-se a falta do v\u00ednculo ministerial pela titula\u00e7\u00e3o profissional exigida para a carreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O desempenho das atividades t\u00edpicas \u00e9 um dos requisitos, n\u00e3o o bastante: a norma reclama tamb\u00e9m o cargo efetivo nas carreiras de origem e o pertencimento ao Quadro de Pessoal do MAPA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta<\/strong>. A transforma\u00e7\u00e3o do art. 28 da MP n. 2.229-43\/2001 pressup\u00f5e requisitos concomitantes, e a aus\u00eancia da integra\u00e7\u00e3o ao quadro do minist\u00e9rio impede o enquadramento do servidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O texto da medida provis\u00f3ria n\u00e3o abre exce\u00e7\u00e3o temporal: o v\u00ednculo ministerial \u00e9 elemento estrutural da transforma\u00e7\u00e3o, indiferente o regime jur\u00eddico sob o qual o servidor foi admitido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A cess\u00e3o ao Estado n\u00e3o gera integra\u00e7\u00e3o de fato ao \u00f3rg\u00e3o federal: o tempo de ced\u00eancia n\u00e3o substitui o pertencimento formal ao quadro exigido pela norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A habilita\u00e7\u00e3o profissional diz respeito ao exerc\u00edcio da atividade, n\u00e3o ao enquadramento: a titula\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz as vezes do v\u00ednculo com o minist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se o art. 28 da Medida Provis\u00f3ria n. 2.229-43\/2001 permitiria a transposi\u00e7\u00e3o sem exigir integra\u00e7\u00e3o formal ao quadro do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA), bastando o exerc\u00edcio de atividades t\u00edpicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o servidor p\u00fablico foi admitido no extinto Territ\u00f3rio Federal do Amap\u00e1, passou para o quadro em extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e permaneceu cedido ao Estado, sem nunca integrar o quadro do MAPA. A conclus\u00e3o do Tribunal de origem foi direta no sentido de que, em momento algum, houve integra\u00e7\u00e3o do servidor ao Quadro do MAPA, deixando, assim, de preencher um requisito legal para a transposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a alega\u00e7\u00e3o das recorrentes, a aplica\u00e7\u00e3o do regime jur\u00eddico anterior a 5\/10\/1988 dispensaria a integra\u00e7\u00e3o formal ao quadro ministerial, pois bastaria o desempenho de atividades t\u00edpicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o art. 28 da Medida Provis\u00f3ria n. 2.229-43\/2001 estabelece o seguinte: &#8220;S\u00e3o transformados em cargos de Fiscal Federal Agropecu\u00e1rio, os atuais cargos efetivos da Carreira de Fiscal de Defesa Agropecu\u00e1ria e de M\u00e9dico Veterin\u00e1rio &#8211; NS 910, cujos ocupantes estejam em efetivo exerc\u00edcio nas atividades de controle, inspe\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e defesa agropecu\u00e1ria, do Quadro de Pessoal do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, na forma do Anexo IV&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, de acordo com a reda\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria mencionada, a transforma\u00e7\u00e3o em cargos de Fiscal Federal Agropecu\u00e1rio alcan\u00e7ou somente os servidores que, no momento da edi\u00e7\u00e3o da referida Medida Provis\u00f3ria, preenchessem todos os requisitos concomitantemente, quais sejam: (a) j\u00e1 ocupassem os cargos efetivos da Carreira de Fiscal de Defesa Agropecu\u00e1ria e de M\u00e9dico Veterin\u00e1rio &#8211; NS 910; (b) estivessem no exerc\u00edcio das atividades de controle, inspe\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e defesa agropecu\u00e1ria; e (c) pertencessem ao Quadro de Pessoal do MAPA. No caso, a Corte de origem constatou que o servidor n\u00e3o integrou o Quadro de Pessoal do MAPA, ou seja, n\u00e3o preencheu os requisitos autorizadores da transposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, reafirma-se que, sem integra\u00e7\u00e3o ao quadro ministerial, n\u00e3o h\u00e1 transposi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-nepotismo-em-cargo-politico-e-improbidade-administrativa\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; NEPOTISMO EM CARGO POL\u00cdTICO E IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nomea\u00e7\u00e3o de filhas do prefeito para o secretariado municipal, cargos de natureza pol\u00edtica, <strong>N\u00c3O configura a improbidade do art. 11, XI, da LIA sem o elemento subjetivo<\/strong> voltado \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de proveito indevido e <strong>sem a demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ao er\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.154.497-MG, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O prefeito Henrique Pereira montou o secretariado em fam\u00edlia: nomeou as filhas Maiara e Maraisa para duas pastas municipais. O Minist\u00e9rio P\u00fablico ajuizou a\u00e7\u00e3o de improbidade com base na veda\u00e7\u00e3o ao nepotismo. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, por\u00e9m, registraram que ambas tinham qualifica\u00e7\u00e3o para as fun\u00e7\u00f5es (oc\u00ea acha que pessoal do sertanejo n\u00e3o tem cultura?), que n\u00e3o houve fraude nem proveito econ\u00f4mico ou pol\u00edtico dissimulado, e que os cargos eram pol\u00edticos. A nomea\u00e7\u00e3o de parentes para o secretariado, nesse quadro, \u00e9 ato \u00edmprobo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 11, XI e \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong><em> (constitui improbidade nomear c\u00f4njuge, companheiro ou parente para cargo em comiss\u00e3o ou fun\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a; exige-se o dolo com o fim il\u00edcito de obter proveito ou benef\u00edcio indevido).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 1.199\/STF; S\u00famula Vinculante 13\/STF<\/strong><em> (as altera\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas da Lei n. 14.230\/2021 alcan\u00e7am os processos sem tr\u00e2nsito em julgado; a veda\u00e7\u00e3o ao nepotismo tem assento constitucional no princ\u00edpio da impessoalidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A reforma de 2021 excluiu a modalidade culposa, baniu a condena\u00e7\u00e3o por dolo gen\u00e9rico, afastou a presun\u00e7\u00e3o de les\u00e3o ao er\u00e1rio e tornou taxativo o rol do art. 11. Para os cargos pol\u00edticos, a jurisprud\u00eancia do STF oscilou entre a incid\u00eancia direta e a aplica\u00e7\u00e3o temperada da S\u00famula Vinculante 13, reclamando notas adicionais como a fraude ou a inaptid\u00e3o do nomeado; a mat\u00e9ria aguarda defini\u00e7\u00e3o no Tema 1.000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem inten\u00e7\u00e3o comprovada de obter proveito indevido, sem dano ao er\u00e1rio e com nomeadas tecnicamente qualificadas, a escolha de parentes para pastas pol\u00edticas, ainda que reprov\u00e1vel, fica fora do tipo do art. 11, XI, da LIA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O novo regime subjetivo da improbidade mudou o ponto de partida. <strong>Depois da Lei n. 14.230\/2021, a condena\u00e7\u00e3o reclama dolo qualificado pela busca de proveito ou benef\u00edcio indevido, banidas a forma culposa e a presun\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo<\/strong>, regras de incid\u00eancia imediata nos processos sem tr\u00e2nsito em julgado (Tema 1.199\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A moldura constitucional do nepotismo em pastas pol\u00edticas nunca foi uniforme. <strong>Para secret\u00e1rios e ministros, o STF ora aplicou diretamente a S\u00famula Vinculante 13, ora exigiu algo mais, como a dissimula\u00e7\u00e3o fraudulenta ou a patente inaptid\u00e3o do nomeado<\/strong>; a oscila\u00e7\u00e3o levou a quest\u00e3o ao Tema 1.000 da repercuss\u00e3o geral, ainda pendente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O quadro concreto ficou aqu\u00e9m do tipo sancionador. <strong>As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias assentaram a qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica das nomeadas e a aus\u00eancia de fraude ou de favorecimento econ\u00f4mico ou pol\u00edtico dissimulado<\/strong>, esvaziando o elemento subjetivo que o art. 11, \u00a7 1\u00ba, da LIA passou a exigir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Nem a futura defini\u00e7\u00e3o do Supremo alteraria o desfecho deste caso. <strong>Como a jurisprud\u00eancia da \u00e9poca dos fatos n\u00e3o era pac\u00edfica quanto aos cargos pol\u00edticos, falta o dolo de violar os princ\u00edpios tutelados<\/strong>; reprovabilidade moral, sozinha, n\u00e3o sustenta condena\u00e7\u00e3o por improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca da nomea\u00e7\u00e3o de filhas do prefeito para secretarias municipais, sob a \u00f3tica do art. 11, XI, da LIA:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) configura o il\u00edcito pela literalidade da veda\u00e7\u00e3o ao nepotismo, de aferi\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) contenta-se com o dolo gen\u00e9rico de realizar a nomea\u00e7\u00e3o, dispensada finalidade espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige o dolo de obter proveito indevido, afastando-se o il\u00edcito na nomea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sem esse elemento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) imuniza-se pela natureza pol\u00edtica da fun\u00e7\u00e3o, descabendo exame de fraude ou de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) subsiste na modalidade culposa quando a escolha do parente viola os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A aferi\u00e7\u00e3o objetiva foi superada: o art. 11, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da LIA exige dolo com fim il\u00edcito, e a jurisprud\u00eancia sobre cargos pol\u00edticos reclama notas adicionais, como fraude ou inaptid\u00e3o do nomeado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O dolo gen\u00e9rico deixou de bastar com a Lei n. 14.230\/2021: a conduta deve mirar proveito ou benef\u00edcio indevido, e a mera voluntariedade da nomea\u00e7\u00e3o n\u00e3o preenche o tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta<\/strong>. Ausentes o dolo dirigido ao proveito indevido e a prova de dano ao er\u00e1rio, a escolha de parentes para pastas pol\u00edticas escapa ao tipo sancionador do nepotismo na LIA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A natureza pol\u00edtica n\u00e3o blinda a nomea\u00e7\u00e3o: havendo dissimula\u00e7\u00e3o fraudulenta ou patente falta de qualifica\u00e7\u00e3o, o ato pode configurar nepotismo vedado; o que se afasta \u00e9 a incid\u00eancia mec\u00e2nica da veda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A modalidade culposa foi exclu\u00edda do sistema da improbidade pela reforma de 2021, com aplica\u00e7\u00e3o imediata aos processos sem tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia sobre a configura\u00e7\u00e3o de ato de improbidade administrativa tipificado pela pr\u00e1tica de nepotismo (art. 11, XI, da LIA) no ato de nomea\u00e7\u00e3o das duas filhas de um prefeito para cargos do secretariado municipal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A altera\u00e7\u00e3o legislativa promovida pela Lei n. 14.230\/2021 retirou do \u00e2mbito da improbidade administrativa a possibilidade de tipifica\u00e7\u00e3o do agir meramente culposo e a condena\u00e7\u00e3o com apenas o dolo gen\u00e9rico, bem como afastou a presun\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo ao er\u00e1rio e tornou taxativa a tipicidade do art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a e o Supremo Tribunal Federal firmaram compreens\u00e3o quanto \u00e0 incid\u00eancia imediata das altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 14.230\/2021 \u00e0 Lei de Improbidade Administrativa nos processos em que ainda n\u00e3o houve tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o condenat\u00f3ria, inclusive quanto a hip\u00f3teses outras que n\u00e3o apenas o elemento subjetivo da conduta em rela\u00e7\u00e3o ao art. 10 da LIA, conforme a orienta\u00e7\u00e3o do Tema n. 1.199\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exige-se, assim, o dolo na concep\u00e7\u00e3o atualmente prevista na Lei de Improbidade, condicionando a a\u00e7\u00e3o a uma obten\u00e7\u00e3o de vantagem indevida (\u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba do art. 11 da LIA), n\u00e3o bastando a mera voluntariedade do agente. Ademais, a veda\u00e7\u00e3o ao nepotismo, positivada no art. 11, XI, da LIA, n\u00e3o pode ser avaliada de forma aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 jurisprud\u00eancia do STF e do STJ, \u00e0 \u00e9poca dos fatos, acerca da aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula Vinculante n. 13 do STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O diferencial, na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, \u00e9 que os cargos para os quais foram nomeadas as filhas do prefeito eram cargos pol\u00edticos e n\u00e3o administrativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o a tais cargos, o Supremo, ao longo do tempo, manteve o foco no princ\u00edpio da impessoalidade, oscilando entre aplica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica e aplica\u00e7\u00e3o temperada da S\u00famula Vinculante n. 13, segundo a qual seriam necess\u00e1rios elementos outros para a sua configura\u00e7\u00e3o, como a dissimula\u00e7\u00e3o (fraude) ou a patente aus\u00eancia de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do nomeado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exatamente por for\u00e7a dessa oscila\u00e7\u00e3o, mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal reconheceu repercuss\u00e3o geral sobre a quest\u00e3o, estando a analisar a figura do nepotismo no Tema 1.000, acerca da constitucionalidade de norma que prev\u00ea a possibilidade de nomea\u00e7\u00e3o de c\u00f4njuge, companheiro ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, at\u00e9 o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante, para o exerc\u00edcio de cargo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o ju\u00edzo de primeiro grau e o Tribunal de origem entenderam, com base na jurisprud\u00eancia das Cortes Superiores, que, para a configura\u00e7\u00e3o do nepotismo, vedado pela S\u00famula Vinculante n. 13\/STF e tipificado como improbidade pelo inciso XI do art. 11 da LIA (inclu\u00eddo pela Lei n. 14.230\/2021), \u00e9 necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o da inten\u00e7\u00e3o do agente p\u00fablico de obter proveito ou benef\u00edcio indevido e que o fato de o Prefeito ter nomeado suas filhas para os cargos de secret\u00e1rias municipais, ainda que reprov\u00e1vel, sem o elemento subjetivo necess\u00e1rio e a demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ao er\u00e1rio, n\u00e3o configura improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Inst\u00e2ncia de origem deixou claro possu\u00edrem as nomeadas capacidade t\u00e9cnica para bem atender \u00e0s fun\u00e7\u00f5es desempenhadas, ressaltando que as suas nomea\u00e7\u00f5es n\u00e3o consubstanciaram mero beneficiamento econ\u00f4mico ou pol\u00edtico, e nem decorreriam de procedimento fraudulento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, uma eventual consolida\u00e7\u00e3o do entendimento do STF em sentido diverso n\u00e3o interferiria na conclus\u00e3o acerca da inexist\u00eancia do ato \u00edmprobo no caso concreto, pois a sua jurisprud\u00eancia n\u00e3o era pac\u00edfica acerca da inclus\u00e3o dos cargos pol\u00edticos no \u00e2mbito da S\u00famula Vinculante n. 13, raz\u00e3o pela qual o afastamento do dolo voltado \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios administrativos correlatos \u00e0 S\u00famula impede a configura\u00e7\u00e3o do ato de improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-demora-na-titulacao-quilombola-e-dano-moral-coletivo\" class=\"wp-block-heading\">6. DEMORA NA TITULA\u00c7\u00c3O QUILOMBOLA E DANO MORAL COLETIVO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A in\u00e9rcia estatal por mais de quinze anos na demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio quilombola gera <strong>dano moral coletivo afer\u00edvel <em>in re ipsa<\/em><\/strong>, com <strong>condena\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria da Uni\u00e3o e do INCRA<\/strong>, dispensada a prova de sofrimento ou vergonha da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.153.688-SE, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Comunidade Quilombola Vale do Dend\u00ea foi reconhecida em 2006, teve o relat\u00f3rio t\u00e9cnico conclu\u00eddo com a delimita\u00e7\u00e3o de quase 900 hectares para 142 fam\u00edlias, e ent\u00e3o o procedimento parou: quinze anos \u00e0 espera de provid\u00eancias do INCRA e do decreto expropriat\u00f3rio da Uni\u00e3o. O MPF ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica requerendo, al\u00e9m das obriga\u00e7\u00f5es de fazer, compensa\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo. O Tribunal local negou a indeniza\u00e7\u00e3o por falta de prova de que a comunidade suportasse vergonha com a espera. A omiss\u00e3o prolongada, em si, gera o dever de compensar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 68; Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT (Decreto n. 5.051\/2004)<\/strong><em> (aos remanescentes das comunidades de quilombos \u00e9 reconhecida a propriedade definitiva de suas terras, devendo o Estado emitir os t\u00edtulos; imp\u00f5e-se ao poder p\u00fablico delimitar, demarcar e titular esses territ\u00f3rios em prazo razo\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXVIII<\/strong><em> (a todos s\u00e3o assegurados a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramita\u00e7\u00e3o, inclusive no \u00e2mbito administrativo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STF (ADI 3.239) qualificou o art. 68 do ADCT como direito fundamental de grupo \u00e9tnico-racial minorit\u00e1rio, de efic\u00e1cia plena e aplica\u00e7\u00e3o imediata; a Corte Interamericana soma ao quadro o dever estatal de medidas materiais de prote\u00e7\u00e3o territorial. A responsabilidade, por\u00e9m, n\u00e3o nasce de mero lapso temporal: exige dever de agir, persist\u00eancia da omiss\u00e3o, insufici\u00eancia dos mecanismos internos e concreta inseguran\u00e7a territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O dano moral coletivo se afere <em>in re ipsa<\/em>: basta a an\u00e1lise objetiva da conduta antijur\u00eddica e de sua aptid\u00e3o para violar valores fundamentais da coletividade, sem exame de sentimentos de dor, vergonha ou abalo ps\u00edquico (EREsp 1.342.846-RS).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O direito em jogo tem estatura constitucional e prazo impl\u00edcito. <strong>A propriedade definitiva das terras quilombolas decorre do art. 68 do ADCT, norma de efic\u00e1cia plena, e a ordem internacional imp\u00f5e delimita\u00e7\u00e3o, demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o em prazo razo\u00e1vel<\/strong>; a agenda n\u00e3o \u00e9 discricionariedade administrativa pura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O caso ultrapassou em muito a fronteira do atraso toler\u00e1vel. <strong>Reconhecimento em 2006, relat\u00f3rio t\u00e9cnico conclu\u00eddo e quinze anos de paralisa\u00e7\u00e3o classificados pela pr\u00f3pria inst\u00e2ncia de origem como descaso institucional<\/strong>: o quadro \u00e9 de in\u00e9rcia qualificada, n\u00e3o de vicissitude operacional justific\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A exig\u00eancia de prova da humilha\u00e7\u00e3o inverteu a natureza do instituto. <strong>O dano moral coletivo dispensa a demonstra\u00e7\u00e3o de dor, sofrimento ou abalo psicol\u00f3gico, categorias pr\u00f3prias da esfera individual<\/strong>; o que se examina \u00e9 a conduta antijur\u00eddica e sua aptid\u00e3o objetiva para vulnerar valores fundamentais do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Preenchidos os pressupostos, a compensa\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e. <strong>A omiss\u00e3o prolongada atinge a propriedade coletiva, a identidade \u00e9tnico-cultural e a seguran\u00e7a da comunidade, gerando condena\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria dos entes respons\u00e1veis<\/strong>, com quantum a apurar em liquida\u00e7\u00e3o segundo as fun\u00e7\u00f5es compensat\u00f3ria, preventiva e pedag\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o ao dano moral coletivo pela demora estatal superior a quinze anos na titula\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio quilombola:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) afere-se <em>in re ipsa<\/em>, mediante an\u00e1lise objetiva da conduta omissiva, dispensada a prova do abalo suportado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pressup\u00f5e demonstra\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o excepcional de vergonha ou sofrimento vivida pela comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) esbarra na discricionariedade administrativa, que situa o cronograma de titula\u00e7\u00e3o fora do controle judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) configura-se pelo transcurso do tempo em si, prescindindo do exame do dever de agir e da persist\u00eancia da omiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) resolve-se em obriga\u00e7\u00e3o de fazer voltada \u00e0 conclus\u00e3o do procedimento, sem indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta<\/strong>. O dano moral coletivo \u00e9 afer\u00edvel <em>in re ipsa<\/em>: basta o exame objetivo da conduta il\u00edcita e de sua capacidade de atingir valores essenciais do grupo, sem prova do estado ps\u00edquico de seus membros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Exigir a comprova\u00e7\u00e3o de vergonha ou sofrimento transporta para o plano coletivo categorias da esfera individual; a orienta\u00e7\u00e3o da Corte Especial dispensa esses elementos subjetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A titula\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios quilombolas concretiza direito fundamental de efic\u00e1cia plena; o poder p\u00fablico n\u00e3o pode trat\u00e1-la como pauta meramente discricion\u00e1ria imune ao controle judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O lapso temporal, isoladamente, n\u00e3o gera responsabilidade: exige-se a conjuga\u00e7\u00e3o do dever de agir com a persist\u00eancia da omiss\u00e3o, a insufici\u00eancia dos mecanismos internos e a concreta inseguran\u00e7a territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A tutela espec\u00edfica n\u00e3o esgota a resposta do ordenamento: a in\u00e9rcia qualificada configura ofensa a valores fundamentais do grupo e sustenta, al\u00e9m das obriga\u00e7\u00f5es de fazer, a compensa\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 possibilidade de condena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria &#8211; INCRA ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos em favor de comunidade quilombola, em raz\u00e3o da omiss\u00e3o estatal prolongada &#8211; mais de quinze anos &#8211; na conclus\u00e3o do procedimento de titula\u00e7\u00e3o de suas terras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O direito ao territ\u00f3rio \u00e9 direito fundamental dos povos e das comunidades tradicionais. Quanto \u00e0s comunidades quilombolas, decorre diretamente do art. 68 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias, que, segundo o Supremo Tribunal Federal (ADI 3.239\/DF), consagra direito fundamental de grupo \u00e9tnico-racial minorit\u00e1rio, dotado de efic\u00e1cia plena e aplica\u00e7\u00e3o imediata. A Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, internalizada pelo Decreto n. 5.051\/2004, e a jurisprud\u00eancia da Corte Interamericana de Direitos Humanos imp\u00f5em ao Estado o dever positivo de delimitar, demarcar e titular esses territ\u00f3rios em prazo razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o da responsabilidade estatal pela demora na titula\u00e7\u00e3o de terras quilombolas n\u00e3o pode ser tratada como mera quest\u00e3o de defici\u00eancia burocr\u00e1tica desprovida de densidade jur\u00eddica. Quando o poder p\u00fablico posterga, por per\u00edodo irrazo\u00e1vel, a ado\u00e7\u00e3o das provid\u00eancias necess\u00e1rias ao reconhecimento formal e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o efetiva desses territ\u00f3rios, o que se verifica n\u00e3o \u00e9 simples lentid\u00e3o procedimental, mas comprometimento material de direitos fundamentais ligados \u00e0 exist\u00eancia coletiva, \u00e0 continuidade hist\u00f3rica, \u00e0 integridade cultural e \u00e0 seguran\u00e7a das comunidades atingidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao mesmo tempo, importa registrar que a responsabilidade estatal n\u00e3o decorre automaticamente de qualquer lapso temporal. A configura\u00e7\u00e3o da responsabilidade exige a conjuga\u00e7\u00e3o entre o dever de agir, a persist\u00eancia da omiss\u00e3o, a insufici\u00eancia dos mecanismos internos de supera\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos e a produ\u00e7\u00e3o concreta de inseguran\u00e7a territorial e vulnera\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A autoaplicabilidade da prote\u00e7\u00e3o territorial quilombola, a centralidade do territ\u00f3rio para a continuidade f\u00edsica e cultural das comunidades e a exig\u00eancia interamericana de medidas materiais de delimita\u00e7\u00e3o, demarca\u00e7\u00e3o, titula\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o conduzem \u00e0 compreens\u00e3o de que o Estado n\u00e3o pode tratar tais procedimentos como agenda administrativa meramente discricion\u00e1ria. Quando a demora injustificada e irrazo\u00e1vel impede o exerc\u00edcio efetivo do direito territorial, prolonga riscos e mant\u00e9m comunidades sob quadro cont\u00ednuo de inseguran\u00e7a, forma-se base jur\u00eddica plaus\u00edvel para reconhecer a incid\u00eancia de responsabilidade estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, destaca-se que os fatos que servem de substrato para a an\u00e1lise da configura\u00e7\u00e3o do dano moral coletivo encontram-se expressamente reconhecidos pelo Tribunal de origem, sendo, portanto, incontroversos, notadamente: (i) a Comunidade Quilombola foi reconhecida em 2006, mediante portaria da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares; (ii) o Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o &#8211; RTID foi conclu\u00eddo, com a delimita\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de 886,7775 hectares para 142 fam\u00edlias; (iii) o procedimento administrativo encontra-se paralisado h\u00e1 mais de quinze anos, \u00e0 espera de provid\u00eancias dos entes p\u00fablicos; (iv) que a omiss\u00e3o configura &#8220;descaso&#8221; do INCRA no cumprimento de suas fun\u00e7\u00f5es institucionais; (v) que h\u00e1 omiss\u00e3o da Uni\u00e3o; e (vi) que dificuldades operacionais n\u00e3o podem ser invocadas para justificar a viola\u00e7\u00e3o de direito assegurado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se est\u00e1, portanto, diante de mero atraso burocr\u00e1tico justific\u00e1vel pelas vicissitudes operacionais inerentes \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Est\u00e1-se diante de in\u00e9rcia administrativa qualificada, expressamente reconhecida pela Inst\u00e2ncia de origem como descaso institucional, que perpetua por mais de quinze anos a denega\u00e7\u00e3o de um direito fundamental constitucionalmente assegurado \u00e0 comunidade historicamente vulnerabilizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A despeito desse reconhecimento, o Tribunal a quo afastou a configura\u00e7\u00e3o do dano moral coletivo, ao fundamento de que o MPF &#8220;n\u00e3o apresentou qualquer elemento que demonstrasse que os envolvidos na quest\u00e3o estivessem suportando danos de natureza excepcional, decorrente exclusivamente do atraso na conclus\u00e3o do processo administrativo&#8221;, entendendo que a caracteriza\u00e7\u00e3o do dano moral pressuporia &#8220;uma situa\u00e7\u00e3o excepcional, que seria a de estar a comunidade quilombola suportando vergonha ante a conduta omissiva dos entes p\u00fablicos apelantes, o que n\u00e3o restou cabalmente comprovado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, segundo a orienta\u00e7\u00e3o consolidada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (EREsp 1.342.846\/RS), o dano moral coletivo \u00e9 afer\u00edvel <em>in re ipsa<\/em>, dispensando a demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos concretos ou de aspectos de ordem subjetiva. Ou seja, a verifica\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia do dano n\u00e3o depende de prova sobre estado ps\u00edquico, sentimentos de vergonha ou sofrimento experimentados pelos membros da comunidade. Depende, antes, da an\u00e1lise objetiva da conduta antijur\u00eddica e de sua aptid\u00e3o para violar valores fundamentais da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acres\u00e7a-se que, ao exigir a comprova\u00e7\u00e3o de &#8220;vergonha&#8221; suportada pela comunidade quilombola, o Tribunal regional incorreu em afronta direta \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o h\u00e1 tempos firmada por esta Corte, segundo a qual &#8220;o dano extrapatrimonial coletivo prescinde da comprova\u00e7\u00e3o de dor, de sofrimento e de abalo psicol\u00f3gico, suscet\u00edveis de aprecia\u00e7\u00e3o na esfera do indiv\u00edduo, mas inaplic\u00e1vel aos interesses difusos e coletivos&#8221; (REsp 1.057.274\/RS, Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 26\/2\/2010).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, tal omiss\u00e3o prolongada, injustificada e lesiva, configura, em si mesma, grave ofensa a valor fundamental da comunidade quilombola, atingindo simultaneamente o direito de propriedade coletiva, a identidade \u00e9tnico-cultural, a reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e social do grupo e a garantia da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo (art. 5\u00ba, LXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, \u00e9 devida a condena\u00e7\u00e3o dos entes p\u00fablicos ao pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o correspondente aos danos morais coletivos, cujo quantum dever\u00e1 ser apurado em liquida\u00e7\u00e3o, observando-se os crit\u00e9rios de razoabilidade, proporcionalidade e adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s fun\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias, preventivas e pedag\u00f3gicas da responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-mandado-de-seguranca-disciplinar-e-acao-de-improbidade\" class=\"wp-block-heading\">7. MANDADO DE SEGURAN\u00c7A DISCIPLINAR E A\u00c7\u00c3O DE IMPROBIDADE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fundamenta\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a sobre a proporcionalidade da san\u00e7\u00e3o disciplinar <strong>N\u00c3O impede o ajuizamento nem o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o de improbidade<\/strong>: os motivos da decis\u00e3o n\u00e3o fazem coisa julgada (CPC, art. 504, I) e as <strong>inst\u00e2ncias s\u00e3o independentes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AgInt no REsp 1.928.279-RS, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O servidor Tib\u00farcio usou documentos falsos para subir na carreira. O processo disciplinar terminou em demiss\u00e3o, mas, em mandado de seguran\u00e7a, ele obteve a troca da pena por san\u00e7\u00e3o mais branda: a discuss\u00e3o ali se resumiu \u00e0 proporcionalidade da resposta administrativa, sem tocar nos fatos nem na autoria. Quando veio a a\u00e7\u00e3o de improbidade pelos mesmos fatos, Tib\u00farcio brandiu a coisa julgada do <em>writ<\/em> como escudo. A decis\u00e3o mandamental sobre a dosimetria disciplinar trava a improbidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 21, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (as senten\u00e7as civis e penais produzir\u00e3o efeitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o de improbidade quando conclu\u00edrem pela inexist\u00eancia da conduta ou pela negativa da autoria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 504, I<\/strong><em> (n\u00e3o fazem coisa julgada os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da senten\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A independ\u00eancia entre as esferas administrativa, c\u00edvel e penal impede que o desfecho do <em>writ<\/em> sobre a pena de demiss\u00e3o condicione o ju\u00edzo da improbidade, que n\u00e3o tem natureza disciplinar; a vincula\u00e7\u00e3o legal fica reservada \u00e0s senten\u00e7as que negam o fato ou a autoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Concedida a seguran\u00e7a para rever a grada\u00e7\u00e3o da pena, preservados os fatos apurados e a autoria, nada obsta a persecu\u00e7\u00e3o por improbidade: a leitura expansiva transformaria o debate disciplinar em barreira \u00e0 pr\u00f3pria propositura da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O objeto do <em>writ<\/em> era mais estreito do que a defesa sugeria. <strong>A discuss\u00e3o mandamental cingiu-se \u00e0 proporcionalidade da san\u00e7\u00e3o aplicada no processo administrativo, sem rejeitar os fatos apurados nem infirmar a autoria<\/strong>; a conduta fraudulenta permaneceu \u00edntegra como premissa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A regra de vincula\u00e7\u00e3o entre esferas tem gatilho espec\u00edfico. <strong>O art. 21, \u00a7 3\u00ba, da LIA reserva efic\u00e1cia vinculante \u00e0s senten\u00e7as que afastam o pr\u00f3prio fato ou negam sua autoria<\/strong>, hip\u00f3teses estranhas \u00e0 mera reavalia\u00e7\u00e3o normativa da dosimetria disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A t\u00e9cnica processual desmonta o argumento remanescente. <strong>Os motivos da decis\u00e3o, ainda que relevantes para o dispositivo, n\u00e3o fazem coisa julgada (CPC, art. 504, I)<\/strong>; o que transitou foi a troca da pena, n\u00e3o uma certid\u00e3o de regularidade da conduta do servidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A tese expansiva produziria invers\u00e3o sist\u00eamica de consequ\u00eancias graves. <strong>Aceitar que o debate sobre a pena disciplinar encerre a via da improbidade converteria o <em>writ<\/em> em salvo-conduto<\/strong>, vinculando uma a\u00e7\u00e3o de estatura pr\u00f3pria ao desfecho de controv\u00e9rsia que n\u00e3o lhe diz respeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre os efeitos, na a\u00e7\u00e3o de improbidade, da coisa julgada formada em mandado de seguran\u00e7a que reduziu a pena disciplinar do servidor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) impede o prosseguimento, pois o <em>writ<\/em> afastou no processo disciplinar a demiss\u00e3o fundada em improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) vincula o ju\u00edzo da improbidade, por for\u00e7a do art. 21, \u00a7 3\u00ba, da LIA, aplic\u00e1vel \u00e0s decis\u00f5es favor\u00e1veis ao servidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) estende-se aos motivos da decis\u00e3o mandamental, quando determinantes para o alcance do dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) n\u00e3o obsta a demanda quando a decis\u00e3o se limita \u00e0 grada\u00e7\u00e3o da pena, preservados os fatos e a autoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) condiciona o prosseguimento da demanda \u00e0 pr\u00e9via renova\u00e7\u00e3o do processo administrativo disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O afastamento da demiss\u00e3o no plano disciplinar n\u00e3o alcan\u00e7a a a\u00e7\u00e3o de improbidade: as inst\u00e2ncias s\u00e3o independentes, e a qualifica\u00e7\u00e3o administrativa da falta n\u00e3o define o ju\u00edzo da LIA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O art. 21, \u00a7 3\u00ba, vincula apenas quando a senten\u00e7a nega a exist\u00eancia da conduta ou a autoria; a revis\u00e3o da grada\u00e7\u00e3o da pena n\u00e3o toca nesses pontos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O CPC \u00e9 expresso em sentido oposto: os motivos n\u00e3o fazem coisa julgada, ainda que importantes para determinar o alcance do dispositivo (art. 504, I).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta<\/strong>. Restrita a decis\u00e3o mandamental \u00e0 proporcionalidade da san\u00e7\u00e3o, mantidos os fatos e a autoria, a coisa julgada do <em>writ<\/em> n\u00e3o impede o ajuizamento nem o curso da a\u00e7\u00e3o de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 condicionamento \u00e0 renova\u00e7\u00e3o do PAD: a a\u00e7\u00e3o de improbidade tem trilha pr\u00f3pria e prossegue independentemente de novo percurso administrativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a discuss\u00e3o pr\u00e9via da proporcionalidade da pena disciplinar, em mandado de seguran\u00e7a, vincula o desfecho pela inadmissibilidade da a\u00e7\u00e3o judicial por improbidade administrativa, baseando-se na coisa julgada do <em>writ<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, em mandado de seguran\u00e7a anteriormente impetrado, a discuss\u00e3o restringiu-se \u00e0 proporcionalidade da pena disciplinar aplicada no \u00e2mbito do processo administrativo, que apurou a conduta fraudulenta de utiliza\u00e7\u00e3o de documentos falsos para progress\u00e3o na carreira por servidor, afastando-se a demiss\u00e3o pela qualifica\u00e7\u00e3o de improbidade para restabelecer penalidade diversa, sem rejeitar os fatos apurados nem infirmar a autoria atribu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, \u00e9 pertinente a compreens\u00e3o do STJ no sentido de que, &#8220;A independ\u00eancia das inst\u00e2ncias administrativa, c\u00edvel e penal impede que a coisa julgada havida em mandado de seguran\u00e7a impetrado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pena de demiss\u00e3o aplicada no \u00e2mbito administrativo afete a aprecia\u00e7\u00e3o judicial da aplica\u00e7\u00e3o da pena de perda da fun\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o por improbidade.&#8221; (AgInt no AgInt no REsp 1.393.587\/SC, Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 23\/6\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos da fundamenta\u00e7\u00e3o do referido precedente, &#8220;n\u00e3o \u00e9 porque transitou em julgado a decis\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a, afastando determinada pena aplicada em \u00e2mbito administrativo, que n\u00e3o se poder\u00e1 na a\u00e7\u00e3o por improbidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale observar que, se prevalecer entendimento em sentido contr\u00e1rio, a proporcionalidade da pena disciplinar contra o servidor p\u00fablico passaria a vincular a esfera judicial da improbidade, isso pelo mero fato de a san\u00e7\u00e3o administrativa ter sido alvo anterior de mandado de seguran\u00e7a. Haveria a invers\u00e3o da l\u00f3gica processual e sist\u00eamica, de forma que o debate judicial da san\u00e7\u00e3o disciplinar passaria a encerrar at\u00e9 mesmo a possibilidade de ajuizamento da a\u00e7\u00e3o baseada na Lei de Improbidade Administrativa, que n\u00e3o ostenta natureza disciplinar e administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, frise que, consoante o disposto no art. 21, \u00a7 3\u00ba, da LIA, &#8220;as senten\u00e7as civis e penais produzir\u00e3o efeitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o de improbidade quando conclu\u00edrem pela inexist\u00eancia da conduta ou pela negativa da autoria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, n\u00e3o houve rejei\u00e7\u00e3o dos fatos apurados no PAD, ao contr\u00e1rio, a conduta il\u00edcita e a autoria permaneceram h\u00edgidas. A concess\u00e3o da seguran\u00e7a foi restrita \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o normativa da grada\u00e7\u00e3o da pena, n\u00e3o revertendo nenhum aspecto fatual sobre a conduta do impetrante. O citado dispositivo da lei de improbidade administrativa vincula a conclus\u00e3o de senten\u00e7as que se pronunciem a respeito de negativa de circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas, n\u00e3o contemplando a mera discuss\u00e3o havida no mandado de seguran\u00e7a sobre grada\u00e7\u00e3o das penas disciplinares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob outra perspectiva, \u00e9 importante ter em considera\u00e7\u00e3o a previs\u00e3o do art. 504, I, do CPC, o qual especifica que n\u00e3o fazem coisa julgada &#8220;os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da senten\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a limita\u00e7\u00e3o de tal desfecho ao aspecto disciplinar precisa ser reconhecida, sem o acolhimento de tese expansiva, no sentido de que a avalia\u00e7\u00e3o da proporcionalidade da pena aplicada no PAD, feita no <em>writ<\/em>, chegue ao ponto de impedir a a\u00e7\u00e3o de improbidade com fundamento na coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-competencia-na-nova-lia-e-perpetuatio-jurisdictionis\" class=\"wp-block-heading\">8. COMPET\u00caNCIA NA NOVA LIA E PERPETUATIO JURISDICTIONIS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, da LIA instituiu <strong>compet\u00eancia territorial relativa e concorrente<\/strong> (local do dano ou sede da pessoa jur\u00eddica lesada, \u00e0 escolha do autor), o que <strong>inviabiliza o deslocamento superveniente dos feitos j\u00e1 ajuizados<\/strong>, por for\u00e7a da <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 3.000.174-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">R\u00e9u em a\u00e7\u00e3o de improbidade nascida da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, ajuizada anos antes em Curitiba, Geremias enxergou na Lei n. 14.230\/2021 a chance de mudar de endere\u00e7o processual: o novo art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, da LIA preveria foro pr\u00f3prio, e a regra, por ser alegadamente de compet\u00eancia absoluta, alcan\u00e7aria os processos em curso. Postulou a remessa dos autos ao foro da sede da estatal lesada. A lei nova desloca as a\u00e7\u00f5es de improbidade j\u00e1 ajuizadas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 17, \u00a7\u00a7 4\u00ba-A e 5\u00ba, e art. 17-D<\/strong><em> (a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 proposta no foro do local do dano ou da sede da pessoa jur\u00eddica prejudicada, prevenindo-se a compet\u00eancia para a\u00e7\u00f5es posteriores de mesma causa de pedir ou objeto; a a\u00e7\u00e3o segue o procedimento comum do CPC, afastadas as disposi\u00e7\u00f5es da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 14 e 43<\/strong><em> (a norma processual n\u00e3o retroage, respeitados os atos j\u00e1 praticados; a compet\u00eancia se determina no momento do registro ou da distribui\u00e7\u00e3o, sendo irrelevantes as modifica\u00e7\u00f5es posteriores, salvo supress\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia absoluta).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda No regime original, a compet\u00eancia vinha da remiss\u00e3o \u00e0 Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, com qualifica\u00e7\u00e3o funcional e ajuizamento no local do dano; para les\u00f5es de \u00e2mbito nacional, admitia-se a escolha entre qualquer capital ou o Distrito Federal. A reforma rompeu a ponte com o microssistema coletivo e submeteu a a\u00e7\u00e3o ao procedimento comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A oferta legal de dois foros \u00e0 escolha do autor \u00e9 a marca das compet\u00eancias territoriais <strong><u>relativas<\/u><\/strong>; sem natureza absoluta na regra nova, os feitos pendentes permanecem no ju\u00edzo em que propostos, pela <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>, como as a\u00e7\u00f5es da Lava Jato radicadas na 1\u00aa Vara Federal de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A \u00e2ncora do regime antigo desapareceu com a reforma. <strong>Os arts. 17, <em>caput<\/em>, e 17-D da LIA afastaram expressamente a aplica\u00e7\u00e3o da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica e submeteram a demanda ao procedimento comum<\/strong>, derrubando o fundamento normativo que sustentava a qualifica\u00e7\u00e3o funcional da compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O figurino da regra nova \u00e9 inconfund\u00edvel. <strong>A previs\u00e3o de dois foros \u00e0 escolha do autor, o do local do dano ou o da sede da pessoa jur\u00eddica prejudicada, \u00e9 caracter\u00edstica t\u00edpica das compet\u00eancias territoriais relativas<\/strong>; nada no texto sugere natureza funcional ou absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Definida a natureza, entram em cena as regras gerais do processo. <strong>A teoria do isolamento dos atos processuais e a <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em> (CPC, arts. 14 e 43) estabilizam a compet\u00eancia no momento da propositura<\/strong>, ressalvadas hip\u00f3teses de supress\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ou de altera\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia absoluta, ausentes na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Para os processos da opera\u00e7\u00e3o, o endere\u00e7o n\u00e3o muda. <strong>Ajuizada a a\u00e7\u00e3o sob o regime anterior, quando o autor podia eleger o foro nos danos de alcance nacional, os autos permanecem no ju\u00edzo de origem<\/strong>; inexiste fundamento para o deslocamento superveniente pretendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 natureza da compet\u00eancia para a a\u00e7\u00e3o de improbidade ap\u00f3s a Lei n. 14.230\/2021 e ao seu reflexo sobre os feitos em curso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) qualifica-se como funcional e absoluta, impondo o deslocamento dos feitos pendentes ao foro definido na lei nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 territorial, relativa e concorrente, mantidos os feitos em curso no ju\u00edzo de origem pela <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) submete-se \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o imediata da lei processual, com redistribui\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es pendentes ao foro do local do dano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) continua regida pelo microssistema da tutela coletiva, com foro definido pela Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) opera pela preven\u00e7\u00e3o: as a\u00e7\u00f5es conexas posteriores atraem as anteriores ao foro da sede da pessoa jur\u00eddica lesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A fei\u00e7\u00e3o funcional vinha do empr\u00e9stimo das normas da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, elo desfeito pela reforma; a regra nova, com foros concorrentes \u00e0 escolha do autor, n\u00e3o guarda tra\u00e7o de compet\u00eancia absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta<\/strong>. A regra nova cria foros concorrentes de natureza territorial e relativa; ausente hip\u00f3tese excepcional do art. 43 do CPC, os feitos ajuizados permanecem no ju\u00edzo de origem, pela <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A aplica\u00e7\u00e3o imediata encontra limite na estabiliza\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia no momento da propositura; a redistribui\u00e7\u00e3o dos feitos pendentes exigiria altera\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia absoluta, inexistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A reforma cortou o v\u00ednculo com o microssistema coletivo e submeteu a demanda ao rito comum do CPC; o foro deixou de ser regido pela Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A preven\u00e7\u00e3o do \u00a7 5\u00ba opera em sentido inverso: o ju\u00edzo da primeira a\u00e7\u00e3o previne a compet\u00eancia para as posteriores de mesma causa de pedir ou objeto, sem arrastar os feitos antigos a novo foro.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se as altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n. 14.230\/2021, em especial o art. 17, \u00a7 4\u00ba-A, da Lei n. 8.429\/1992, t\u00eam natureza de regra de compet\u00eancia funcional e absoluta, apta a afastar o microssistema da tutela coletiva e a autorizar o deslocamento da compet\u00eancia previamente fixada em a\u00e7\u00f5es de improbidade administrativa j\u00e1 ajuizadas, notadamente aquelas relacionadas \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na reda\u00e7\u00e3o original da Lei de Improbidade Administrativa, a defini\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia decorreu de constru\u00e7\u00e3o jurisprudencial fundada na remiss\u00e3o ao art. 2\u00ba da Lei n. 7.347\/1985 (Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir dessa remiss\u00e3o, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou o entendimento de que a compet\u00eancia se fixava no local da ocorr\u00eancia do dano, inclusive com a admiss\u00e3o do ajuizamento da demanda em qualquer capital de Estado ou no Distrito Federal, nos casos de dano de \u00e2mbito nacional, nos termos do art. 93, II, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, e do art. 21 da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A superveni\u00eancia da Lei n. 14.230\/2021 alterou substancialmente o panorama normativo anteriormente vigente. Os arts. 17, <em>caput<\/em>, e 17-D da nova Lei de Improbidade Administrativa afastaram, de modo expresso, a aplica\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais dispositivos, ainda, submeteram a a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa ao procedimento comum do C\u00f3digo de Processo Civil e, com isso, afastaram o fundamento normativo que sustentava, no regime anterior, a qualifica\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia como funcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse novo regime, os arts. 17, \u00a7\u00a7 4\u00ba-A e 5\u00ba da LIA disciplinam expressamente o crit\u00e9rio de compet\u00eancia para a a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa. Assim, a a\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser proposta no foro do local do dano ou no foro da sede da pessoa jur\u00eddica prejudicada, prevenindo-se a compet\u00eancia para a\u00e7\u00f5es posteriores que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentemente do sistema anterior, a atual Lei de Improbidade Administrativa n\u00e3o contempla qualquer previs\u00e3o de compet\u00eancia funcional, sendo certo que tal natureza decorria exclusivamente da aplica\u00e7\u00e3o das normas do art. 2\u00b0 da Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica. Ademais, a exist\u00eancia de dois foros legalmente previstos para o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o &#8211; local do dano ou sede da pessoa jur\u00eddica prejudicada &#8211; propicia escolha ao autor, caracter\u00edstica t\u00edpica das regras de compet\u00eancia territorial relativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A submiss\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa ao procedimento comum do CPC atrai a incid\u00eancia direta das normas gerais sobre efic\u00e1cia da lei processual e fixa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia, especialmente os arts. 14 e 43 do C\u00f3digo de Processo Civil, os quais contemplam, respectivamente, a teoria do isolamento dos atos processuais e a regra da <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, afastado o microssistema da tutela coletiva e submetida a a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa ao procedimento comum do CPC, a defini\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia, no novo regime da Lei n. 14.230\/2021, ostenta natureza eminentemente territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o Supremo Tribunal Federal, apreciando o Tema 1.199 da repercuss\u00e3o geral, firmou a compreens\u00e3o no sentido de que a retroatividade da Lei n. 14.230\/2021 est\u00e1 adstrita &#8220;[&#8230;] aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vig\u00eancia do texto anterior da lei, por\u00e9m sem condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado&#8221;, sem preju\u00edzo do eventual reconhecimento de dolo pelo ju\u00edzo competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 vista disso, no julgamento do AREsp 2.031.414\/MG, a Primeira Turma do STJ decidiu que as normas de natureza processual n\u00e3o retroagem, nos termos do art. 14 do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015. Desse modo, as normas definidoras de compet\u00eancia, por ostentarem tal natureza, n\u00e3o se aplicam retroativamente no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa foi ajuizada sob a vig\u00eancia da reda\u00e7\u00e3o original da Lei n. 8.429\/1992, quando a improbidade administrativa era compreendida como integrante do microssistema da tutela coletiva. Nesse contexto, era firme a jurisprud\u00eancia do STJ no sentido de que, tratando-se de dano de abrang\u00eancia nacional, competia ao autor a escolha do foro, admitindo-se o ajuizamento da demanda em qualquer capital de Estado ou no Distrito Federal, nos termos do art. 93, II, do CDC, c\/c o art. 2\u00ba da LACP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, ainda que se considerasse a aplica\u00e7\u00e3o imediata das normas processuais \u00e0s a\u00e7\u00f5es em curso, tal incid\u00eancia encontra limite expresso nos arts. 14 e 43 do C\u00f3digo de Processo Civil, que asseguram a preserva\u00e7\u00e3o dos atos processuais j\u00e1 praticados e a estabiliza\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia no momento da propositura da a\u00e7\u00e3o, ressalvadas apenas as hip\u00f3teses de supress\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o judici\u00e1rio ou de altera\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia absoluta, inexistentes na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante desse panorama, seja \u00e0 luz da reda\u00e7\u00e3o primitiva da Lei n. 8.429\/1992, seja \u00e0 luz da Lei n. 14.230\/2021 &#8211; que afastou o microssistema da tutela coletiva e atribuiu natureza territorial e relativa \u00e0 compet\u00eancia -, imp\u00f5e-se a manuten\u00e7\u00e3o dos autos relacionados \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato no Ju\u00edzo da 1\u00aa Vara Federal da Subse\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria de Curitiba\/PR, por incid\u00eancia do princ\u00edpio da <em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>, inexistindo fundamento jur\u00eddico para o deslocamento do feito.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-cnd-expedida-por-erro-do-fisco-e-fraude-a-execucao-fiscal\" class=\"wp-block-heading\">9. CND EXPEDIDA POR ERRO DO FISCO E FRAUDE \u00c0 EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inscri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito em d\u00edvida ativa <strong>N\u00c3O configura, isoladamente, fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal<\/strong> quando o terceiro adquirente de boa-f\u00e9 se ampara em <strong>certid\u00e3o negativa expedida pela Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria<\/strong>, ainda que emitida por erro do Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.030.470-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por maioria, julgado em 16\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de fechar a compra do im\u00f3vel da Madeireira Verde Floresta, Kiko fez o dever de casa: pediu a certid\u00e3o fiscal da vendedora, e o Fisco estadual atestou que nada havia contra ela. O papel, por\u00e9m, estava errado: a empresa tinha d\u00e9bito inscrito em d\u00edvida ativa, e a certid\u00e3o negativa saiu por falha exclusiva da reparti\u00e7\u00e3o. Tempos depois, a Fazenda pretendeu a penhora do im\u00f3vel vendido, invocando a presun\u00e7\u00e3o de fraude do art. 185 do CTN. A certid\u00e3o equivocada protege o comprador?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 185 (reda\u00e7\u00e3o da LC n. 118\/2005)<\/strong><em> (presume-se fraudulenta a aliena\u00e7\u00e3o de bens por sujeito passivo em d\u00e9bito para com a Fazenda P\u00fablica por cr\u00e9dito tribut\u00e1rio regularmente inscrito como d\u00edvida ativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 290\/STJ; S\u00famula 375\/STJ<\/strong><em> (a S\u00famula 375, que exige registro da penhora ou m\u00e1-f\u00e9 do adquirente, n\u00e3o se aplica \u00e0s execu\u00e7\u00f5es fiscais, regidas por regras pr\u00f3prias; ap\u00f3s a LC n. 118\/2005, o marco da presun\u00e7\u00e3o \u00e9 a inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O cr\u00e9dito p\u00fablico goza de prerrogativas especiais, mas a boa-f\u00e9 objetiva permeia as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas justamente onde uma das partes as det\u00e9m: notifica\u00e7\u00f5es e certid\u00f5es existem para dar publicidade aos d\u00e9bitos e permitir que terceiros verifiquem a situa\u00e7\u00e3o fiscal do alienante antes do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Expedida certid\u00e3o negativa em favor do alienante, ato dotado de f\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de veracidade, a efic\u00e1cia do neg\u00f3cio perante o Fisco fica imput\u00e1vel \u00e0 pr\u00f3pria falha administrativa; penalizar o comprador diligente geraria \u00f4nus desproporcional \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es da vida civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O regime especial das execu\u00e7\u00f5es fiscais n\u00e3o estava em disputa. <strong>Ap\u00f3s a LC n. 118\/2005, a aliena\u00e7\u00e3o por devedor com cr\u00e9dito inscrito em d\u00edvida ativa presume-se fraudulenta, sem aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula 375 do STJ<\/strong> (Tema 290); a controv\u00e9rsia estava em saber se a presun\u00e7\u00e3o sobrevive \u00e0 certid\u00e3o emitida pelo pr\u00f3prio credor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A resposta passa pela fun\u00e7\u00e3o dos instrumentos de publicidade. <strong>Certid\u00f5es e notifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o os meios postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de terceiros para conhecer a situa\u00e7\u00e3o fiscal do alienante<\/strong>; quem consulta o canal oficial e recebe resposta tranquilizadora fez o que o sistema lhe pedia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A f\u00e9 p\u00fablica do ato administrativo cobra seu pre\u00e7o de quem o emite. <strong>A certid\u00e3o negativa expedida por falha exclusiva da reparti\u00e7\u00e3o indicou aos adquirentes a inexist\u00eancia de \u00f3bice ao neg\u00f3cio<\/strong>, e essa sinaliza\u00e7\u00e3o estatal foi elemento de influ\u00eancia decisiva na contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Entre o credor desidioso e o comprador diligente, a balan\u00e7a pende para o segundo. <strong>A efic\u00e1cia do neg\u00f3cio perante a Fazenda imputa-se \u00e0 falta administrativa do pr\u00f3prio ente<\/strong>; complac\u00eancia com o erro do Fisco transferiria aos particulares \u00f4nus desproporcional nas negocia\u00e7\u00f5es da vida civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito da aliena\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel por devedor com d\u00e9bito inscrito em d\u00edvida ativa, amparada em certid\u00e3o negativa expedida por erro do Fisco:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) caracteriza a fraude, pois a presun\u00e7\u00e3o decorrente da inscri\u00e7\u00e3o prevalece sobre a certid\u00e3o emitida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) rege-se pela S\u00famula 375 do STJ, exigindo-se o registro da penhora ou a prova de m\u00e1-f\u00e9 do adquirente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 ineficaz perante o Fisco, restando ao adquirente voltar-se contra o ente pela falha administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) afasta a fraude se anterior \u00e0 cita\u00e7\u00e3o do executado, marco que subsiste mesmo ap\u00f3s a LC n. 118\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) n\u00e3o configura fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, amparado o adquirente de boa-f\u00e9 na certid\u00e3o dotada de f\u00e9 p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN convive com a boa-f\u00e9 objetiva: emitida certid\u00e3o negativa pelo pr\u00f3prio credor, a sinaliza\u00e7\u00e3o oficial de regularidade desarma a presun\u00e7\u00e3o em favor do adquirente diligente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O Tema 290\/STJ afastou a S\u00famula 375 das execu\u00e7\u00f5es fiscais, que seguem regras pr\u00f3prias; nem registro de penhora nem prova de m\u00e1-f\u00e9 comp\u00f5em o regime do art. 185 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A solu\u00e7\u00e3o inverte os pap\u00e9is: a falha administrativa imputa-se ao ente que a cometeu, preservando-se a efic\u00e1cia do neg\u00f3cio, em vez de sacrificar o comprador e remet\u00ea-lo a uma a\u00e7\u00e3o contra o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A cita\u00e7\u00e3o era o marco do regime anterior; desde a LC n. 118\/2005, a presun\u00e7\u00e3o se ancora na inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa, e o neg\u00f3cio examinado \u00e9 posterior \u00e0 mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta<\/strong>. A certid\u00e3o negativa expedida pela Administra\u00e7\u00e3o, ato com f\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de veracidade, ampara o terceiro de boa-f\u00e9; a inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa, sozinha, n\u00e3o sustenta a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se constitui fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal a conduta de devedor inscrito em d\u00edvida ativa que aliena bem com fundamento em certid\u00e3o negativa de d\u00e9bitos emitida por falha da administra\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no julgamento do REsp 1.141.990\/PR (Tema 290\/STJ), submetido ao rito dos recursos repetitivos, fixou o entendimento pela inaplicabilidade da S\u00famula 375 do STJ \u00e0s execu\u00e7\u00f5es fiscais, as quais observam regras espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o entendimento desta Corte, quando o neg\u00f3cio for anterior \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN pela Lei Complementar n. 118\/2005, presume-se a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal se a aliena\u00e7\u00e3o do bem tiver ocorrido ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o do executado na execu\u00e7\u00e3o fiscal e, em se tratando de ato posterior \u00e0 referida modifica\u00e7\u00e3o legislativa, se alienado o bem quando j\u00e1 inscrito o d\u00e9bito tribut\u00e1rio em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem constatou a exist\u00eancia de certid\u00e3o negativa expedida pela administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria quando da aliena\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o do bem e, mesmo assim, considerou configurada a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, uma vez que a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel teria ocorrido posteriormente ao in\u00edcio da vig\u00eancia da Lei Complementar n. 118\/2005 e \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; V\u00ea-se que a lei tribut\u00e1ria agracia o fisco com prerrogativas especiais em raz\u00e3o da natureza do cr\u00e9dito p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, com fundamento no princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva &#8211; que deve permear todas as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, em especial aquelas em que uma das partes goza de prerrogativas especiais em detrimento das demais -, o fisco deve disponibilizar ao adquirente os meios de verifica\u00e7\u00e3o capazes de demonstrar que, ao tempo do neg\u00f3cio jur\u00eddico, haveria quest\u00e3o impeditiva do neg\u00f3cio, como a exist\u00eancia de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio inscrito em d\u00edvida ativa a servir como \u00f3bice \u00e0 validade e \u00e0 efic\u00e1cia da aliena\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o por outro motivo, as notifica\u00e7\u00f5es pessoais dos devedores e as certid\u00f5es expedidas unilateralmente pelo ente credor s\u00e3o essenciais \u00e0 observ\u00e2ncia do princ\u00edpio da publicidade e existem para se dar conhecimento a terceiros da exist\u00eancia de d\u00e9bitos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No presente caso, extrai-se do que fora consignado na senten\u00e7a que, por falha imput\u00e1vel exclusivamente ao fisco estadual, a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria n\u00e3o promoveu o devido apontamento quanto \u00e0 exist\u00eancia de d\u00e9bito tribut\u00e1rio a macular o patrim\u00f4nio do alienante do bem im\u00f3vel ora objeto da penhora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, mesmo quando j\u00e1 inscrito o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio em d\u00edvida ativa, foi expedida certid\u00e3o negativa pelo fisco estadual em favor do alienante do bem im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O referido ato administrativo, que goza de f\u00e9 p\u00fablica e presun\u00e7\u00e3o de veracidade, indicou aos adquirentes do bem im\u00f3vel a inexist\u00eancia de \u00f3bice \u00e0 efic\u00e1cia do neg\u00f3cio jur\u00eddico ao tempo da sua efetiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No contexto retratado, a efic\u00e1cia do neg\u00f3cio jur\u00eddico em rela\u00e7\u00e3o ao fisco \u00e9 imput\u00e1vel ao pr\u00f3prio ente p\u00fablico por sua falta administrativa, falha esta que, a toda evid\u00eancia, foi elemento de significativa influ\u00eancia \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a falha da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria ao expedir a certid\u00e3o negativa de d\u00e9bito em favor do alienante (ato administrativo dotado de f\u00e9 p\u00fablica e de presun\u00e7\u00e3o de veracidade e validade), e que poderia ter por motivo diversas circunst\u00e2ncias n\u00e3o acess\u00edveis aos terceiros adquirentes, n\u00e3o pode ser desconsiderada sob pena de se agir de forma complacente com a administra\u00e7\u00e3o fiscal, gerando \u00f4nus desproporcional aos particulares para as suas negocia\u00e7\u00f5es da vida civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MENOR RELEV\u00c2NCIA para concurso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-responsabilidade-civil-de-notarios-e-a-secao-competente-no-stj\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; RESPONSABILIDADE CIVIL DE NOT\u00c1RIOS E A SE\u00c7\u00c3O COMPETENTE NO STJ<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compete \u00e0 <strong>Primeira Se\u00e7\u00e3o<\/strong> e \u00e0s suas Turmas processar e julgar os feitos relativos \u00e0 <strong>responsabilidade civil dos servi\u00e7os extrajudiciais<\/strong> de tabeli\u00e3es e registradores oficiais, mat\u00e9ria inserida na responsabilidade civil do Estado (Tema 777\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">QO no REsp 1.799.959-DF, Rel. Min. Humberto Martins, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 4\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma escritura lavrada com erro no cart\u00f3rio de Seu Barriga causou preju\u00edzo a Jaiminho, que ajuizou a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria. Quando o recurso chegou ao STJ, o processo virou impasse interno: a atividade notarial \u00e9 exercida em car\u00e1ter privado, o que apontaria para a Segunda Se\u00e7\u00e3o; a tese do Tema 777\/STF, por\u00e9m, trata o dano causado por not\u00e1rios como problema de responsabilidade do Estado, terreno da Primeira Se\u00e7\u00e3o. A qual colegiado pertence a mat\u00e9ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>RISTJ, art. 9\u00ba, <em>caput<\/em> e \u00a7 1\u00ba, VIII<\/strong><em> (a compet\u00eancia das Se\u00e7\u00f5es e das Turmas \u00e9 fixada em fun\u00e7\u00e3o da natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica litigiosa; \u00e0 Primeira Se\u00e7\u00e3o cabem os feitos de responsabilidade civil do Estado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 777\/STF<\/strong><em> (o Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeli\u00e3es e registradores oficiais que, no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, causem dano a terceiros, assegurado o regresso contra o respons\u00e1vel nos casos de dolo ou culpa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Depois do RE 842.846, as duas Turmas do STF reafirmaram que o dano provocado por titulares de serventias extrajudiciais se resolve no campo da responsabilidade estatal, e n\u00e3o como quest\u00e3o de direito privado do delegat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Definida a natureza da rela\u00e7\u00e3o litigiosa pela tese vinculante, o encaixe regimental \u00e9 direto: demandas indenizat\u00f3rias envolvendo atos de not\u00e1rios e registradores tramitam na Primeira Se\u00e7\u00e3o e nas Turmas que a comp\u00f5em.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O crit\u00e9rio regimental resolve a d\u00favida antes de qualquer prefer\u00eancia. <strong>O art. 9\u00ba do RISTJ manda fixar a compet\u00eancia interna pelo exame da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica litigiosa<\/strong>, de modo que a pergunta correta n\u00e3o \u00e9 quem figura no processo, e sim qual \u00e9 a natureza da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Essa natureza foi definida fora de casa, com for\u00e7a vinculante. <strong>Ao julgar o RE 842.846, o STF assentou que o Estado responde objetivamente pelos danos causados por not\u00e1rios e registradores no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o<\/strong>, com regresso contra o respons\u00e1vel em caso de dolo ou culpa; a delega\u00e7\u00e3o privada do servi\u00e7o n\u00e3o muda o titular do dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A jurisprud\u00eancia posterior consolidou a leitura publicista. <strong>As duas Turmas do Supremo v\u00eam reafirmando que o tema integra a responsabilidade civil do Estado<\/strong>, o que esvazia a tentativa de tratar a mat\u00e9ria como lit\u00edgio privado entre o lesado e o delegat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Fechada a premissa, a conclus\u00e3o regimental \u00e9 autom\u00e1tica. <strong>Cabendo \u00e0 Primeira Se\u00e7\u00e3o os feitos de responsabilidade estatal (RISTJ, art. 9\u00ba, \u00a7 1\u00ba, VIII), \u00e9 dela, e das suas Turmas, a compet\u00eancia para os lit\u00edgios envolvendo as serventias<\/strong>, uniformizando o encaminhamento interno desses recursos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se, \u00e0 luz da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema n. 777 da repercuss\u00e3o geral, compete \u00e0 Primeira ou \u00e0 Segunda Se\u00e7\u00e3o e \u00e0s suas respectivas Turmas processar e julgar os feitos relativos \u00e0 responsabilidade civil dos servi\u00e7os extrajudiciais dos tabeli\u00e3es e registradores oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Supremo Tribunal Federal, ao examinar o RE n. 842.846, assentou a Tese n. 777 de repercuss\u00e3o geral, segundo a qual &#8220;O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeli\u00e3es e os registradores oficiais que, no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o respons\u00e1vel, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir do precedente, as duas Turmas do Supremo Tribunal Federal t\u00eam reafirmado que a responsabilidade civil dos titulares dos servi\u00e7os extrajudiciais de registro e de notas est\u00e1 inserida no tema da responsabilidade civil do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a preceitua a fixa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia das Se\u00e7\u00f5es e de suas Turmas a partir do exame da rela\u00e7\u00e3o litigiosa (art. 9\u00ba), cabendo \u00e0 Primeira Se\u00e7\u00e3o processar e julgar os feitos relativos \u00e0 responsabilidade civil do Estado (art. 9\u00ba, \u00a7 1\u00ba, VIII).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se, portanto, que, estando a responsabilidade civil dos not\u00e1rios e dos registradores inserida na responsabilidade civil do Estado, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal em tese fixada em repercuss\u00e3o geral (Tema 777\/STF), compete \u00e0 Primeira Se\u00e7\u00e3o e \u00e0s suas Turmas processar e julgar os feitos relativos \u00e0 responsabilidade civil dos servi\u00e7os extrajudiciais dos tabeli\u00e3es e dos registradores oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-337601b5-ba30-40ea-8b2b-e974b331fa3b\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/08\/03091209\/stj_especial_31_parte1.pdf\">STJ_Especial_31_Parte1<\/a><a 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