{"id":1784876,"date":"2026-07-29T08:27:53","date_gmt":"2026-07-29T11:27:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1784876"},"modified":"2026-07-29T08:27:55","modified_gmt":"2026-07-29T11:27:55","slug":"informativo-stj-ed-especial-30-parte-2-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-30-parte-2-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Ed Especial 30 Parte 2 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/29082731\/stj_especial_30_parte2.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_Ux0MzfqB_lY\"><div id=\"lyte_Ux0MzfqB_lY\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/Ux0MzfqB_lY\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/Ux0MzfqB_lY\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/Ux0MzfqB_lY\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-pronuncia-com-testemunhos-indiretos-e-crime-organizado\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; PRON\u00daNCIA COM TESTEMUNHOS INDIRETOS E CRIME ORGANIZADO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Particularidades do contexto \u2014 homic\u00eddio praticado por organiza\u00e7\u00e3o criminosa voltada ao tr\u00e1fico, com relevante temor na comunidade \u2014 <strong>justificam o <em>distinguishing<\/em><\/strong> frente \u00e0 jurisprud\u00eancia consolidada do STJ e <strong>autorizam a pron\u00fancia com apoio em testemunhos indiretos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 2.937.604-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/8\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No territ\u00f3rio dominado pela fac\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m viu nada; ou ningu\u00e9m teve coragem de dizer que viu. O homic\u00eddio atribu\u00eddo a Creitinho e Godines, apontados como integrantes de organiza\u00e7\u00e3o criminosa do tr\u00e1fico com m\u00e9todos de grupo de exterm\u00ednio, chegou \u00e0 pron\u00fancia escorado em relatos de quem apenas ouviu falar: as testemunhas presenciais, aterrorizadas, calaram-se. A defesa invocou a jurisprud\u00eancia do STJ que rejeita a pron\u00fancia fundada em ouvir dizer. O contexto de intimida\u00e7\u00e3o muda o desfecho?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 413<\/strong><em> (o juiz pronunciar\u00e1 o acusado se convencido da materialidade do fato e da exist\u00eancia de ind\u00edcios suficientes de autoria ou de participa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Para a autoria na pron\u00fancia, o STJ exige provas claras e convincentes, capazes de corroborar com elevada probabilidade a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria; em regra, depoimentos de ouvir dizer n\u00e3o bastam para submeter o r\u00e9u ao j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A regra comporta distin\u00e7\u00e3o quando o quadro f\u00e1tico revela impossibilidade pr\u00e1tica de obter outras provas: crime cometido por organiza\u00e7\u00e3o voltada ao tr\u00e1fico, em atividade t\u00edpica de grupo de exterm\u00ednio, cujo poder de intimida\u00e7\u00e3o silencia as testemunhas da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O ponto de partida \u00e9 a r\u00e9gua probat\u00f3ria da fase de admissibilidade. <strong>A senten\u00e7a de pron\u00fancia pressup\u00f5e, quanto \u00e0 autoria, elementos claros e convincentes que sustentem com elevada probabilidade a acusa\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 e \u00e9 por isso que, como regra geral, o testemunho indireto isolado n\u00e3o abre as portas do j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A regra geral, por\u00e9m, foi constru\u00edda para cen\u00e1rios provat\u00f3rios normais. <strong>H\u00e1 relevante distin\u00e7\u00e3o quando os ind\u00edcios apontam homic\u00eddio praticado no seio do crime organizado do tr\u00e1fico, cuja atua\u00e7\u00e3o intimida a popula\u00e7\u00e3o local<\/strong> e compromete a colheita de prova direta \u2014 as pessoas sabem, mas temem falar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O <em>distinguishing<\/em> n\u00e3o \u00e9 abandono do precedente, \u00e9 sua leitura contextual. <strong>Diante da atividade t\u00edpica de grupo de exterm\u00ednio, com temor generalizado, desconsiderar os relatos indiretos equivaleria a blindar a criminalidade mais violenta<\/strong> exatamente pelo efeito que ela produz: o sil\u00eancio imposto \u00e0s testemunhas presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A realidade f\u00e1tica, portanto, molda a aplica\u00e7\u00e3o do standard. <strong>Reconhecida a impossibilidade pr\u00e1tica de produzir outras provas al\u00e9m dos testemunhos extrajudiciais e indiretos, admite-se a pron\u00fancia dos r\u00e9us<\/strong>, devolvendo-se ao Conselho de Senten\u00e7a o julgamento aprofundado da causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 pron\u00fancia fundada em testemunhos indiretos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) mostram-se sem serventia nessa fase, vedada sua valora\u00e7\u00e3o no ju\u00edzo de admissibilidade da acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o bastam em regra, mas o contexto de crime organizado autoriza a distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sustentam a pron\u00fancia, pois nessa fase a d\u00favida se resolve em favor da acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) autorizam a pron\u00fancia quando acompanhados de prova plena da autoria, exig\u00eancia pr\u00f3pria dessa decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) prestam-se \u00e0 pron\u00fancia quando colhidos em ju\u00edzo, sob contradit\u00f3rio, descartados os relatos extrajudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Os relatos indiretos n\u00e3o s\u00e3o prova proibida: podem ser valorados na admissibilidade da acusa\u00e7\u00e3o; o que a jurisprud\u00eancia veda, em regra, \u00e9 que sirvam de \u00fanico esteio da pron\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. A regra do STJ exige elementos claros e convincentes de autoria, insuficiente o mero ouvir dizer; mas o quadro de organiza\u00e7\u00e3o criminosa com m\u00e9todos de exterm\u00ednio, que aterroriza a comunidade e impede outras provas, justifica o <em>distinguishing<\/em> e autoriza a pron\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Nem na fase da pron\u00fancia vale a admiss\u00e3o irrestrita: a autoria reclama suporte com elevada probabilidade, e a m\u00e1xima de que a d\u00favida favorece a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispensa base probat\u00f3ria id\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Prova plena \u00e9 padr\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da pron\u00fancia, que se contenta com a materialidade comprovada e ind\u00edcios suficientes de autoria (CPP, art. 413).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A distin\u00e7\u00e3o admitida abarcou justamente relatos extrajudiciais e indiretos, ante a impossibilidade pr\u00e1tica de colheita judicial; a origem do depoimento n\u00e3o foi erigida em requisito.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se, diante das especificidades do caso, \u00e9 poss\u00edvel a pron\u00fancia dos r\u00e9us com base em testemunhos indiretos, considerando a atua\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, atuante em atividade t\u00edpica de grupo de exterm\u00ednio e que intimida a comunidade local e dificulta a obten\u00e7\u00e3o de outras provas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 no sentido de que a prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a de pron\u00fancia pressup\u00f5e, quanto \u00e0 autoria, exist\u00eancia de provas claras e convincentes, capazes de corroborar, com elevada probabilidade, a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria, de modo que, em regra, testemunhos indiretos n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar do entendimento do STJ de que a pron\u00fancia n\u00e3o pode se basear apenas em depoimentos de ouvir dizer (testemunho indireto), no presente caso, deve ser feita distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao entendimento adotado como regra geral, j\u00e1 que apresenta particularidades que justificam conclus\u00e3o diversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, no caso, h\u00e1 relevante distin\u00e7\u00e3o a justificar a adapta\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia desta Corte Superior, uma vez que o Tribunal de origem destacou a presen\u00e7a de ind\u00edcios de que o homic\u00eddio foi praticado no contexto do crime organizado voltado para o tr\u00e1fico de drogas, o que dificulta a obten\u00e7\u00e3o de provas, em raz\u00e3o do temor causado aos populares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, n\u00e3o se pode desconsiderar a realidade f\u00e1tica que revela a impossibilidade pr\u00e1tica de obten\u00e7\u00e3o de outras provas, para al\u00e9m de testemunhos extrajudiciais e indiretos, em raz\u00e3o de se tratar de delito cometido no contexto de crime organizado, atuante em atividade t\u00edpica de grupo de exterm\u00ednio, o que provoca temor nas testemunhas em prestarem os devidos esclarecimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-reconhecimento-espontaneo-da-vitima-e-o-procedimento-do-art-226-do-cpp\" class=\"wp-block-heading\">2. RECONHECIMENTO ESPONT\u00c2NEO DA V\u00cdTIMA E O PROCEDIMENTO DO ART. 226 DO CPP<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O procedimento do art. 226 do CPP <strong>\u00e9 dispens\u00e1vel quando a v\u00edtima identifica o autor do fato com certeza<\/strong>; o <strong>reconhecimento espont\u00e2neo, sem sugestionamento das autoridades, \u00e9 v\u00e1lido<\/strong> e suficiente para a identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.029.656-BA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assaltada, Dona Florinda foi levada ao hospital para atendimento. L\u00e1, ao passar por uma maca, gelou: era ele, o autor do roubo, ferido na fuga e capturado em flagrante. Ningu\u00e9m lhe mostrou foto, ningu\u00e9m apontou suspeito; o reconhecimento de Jaiminho saiu da pr\u00f3pria v\u00edtima, na hora, sem qualquer indu\u00e7\u00e3o. A defesa atacou a identifica\u00e7\u00e3o por inobserv\u00e2ncia do ritual do art. 226 do CPP. O reconhecimento espont\u00e2neo em flagrante exige o procedimento formal?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 226<\/strong><em> (quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, a pessoa que tiver de ser reconhecida ser\u00e1 colocada, se poss\u00edvel, ao lado de outras que com ela tiverem semelhan\u00e7a, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apont\u00e1-la).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A abertura do dispositivo \u2014 &#8220;quando houver necessidade&#8221; \u2014 indica que o ritual serve aos casos de d\u00favida sobre a identifica\u00e7\u00e3o; a jurisprud\u00eancia do STJ admite a dispensa em flagrante ou quando a v\u00edtima individualiza o autor com seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O que invalida a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o sugestionamento: indu\u00e7\u00f5es, mostras dirigidas de fotografia, apontamentos pr\u00e9vios. A manifesta\u00e7\u00e3o genu\u00edna da v\u00edtima, surgida sem interfer\u00eancia de terceiros, conserva for\u00e7a probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O texto legal traz a chave interpretativa logo no seu pressuposto. <strong>O ritual do art. 226 destina-se aos casos em que h\u00e1 d\u00favida sobre quem \u00e9 o autor do fato<\/strong> \u2014 a f\u00f3rmula &#8220;quando houver necessidade&#8221; condiciona o procedimento \u00e0 incerteza que ele visa dissipar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Onde a certeza dispensa o m\u00e9todo, o m\u00e9todo n\u00e3o \u00e9 fim em si. <strong>Em contexto de flagrante, ou quando a v\u00edtima individualiza o agente com seguran\u00e7a, o procedimento formal pode ser dispensado<\/strong>, sem que a identifica\u00e7\u00e3o perca valor probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O risco a ser policiado \u00e9 outro: a contamina\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. <strong>A identifica\u00e7\u00e3o nasceu da pr\u00f3pria v\u00edtima, ao avistar o acusado numa maca de hospital, sem mostra de fotos, sem indica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, sem interfer\u00eancia de terceiros<\/strong> \u2014 cen\u00e1rio que afasta a alega\u00e7\u00e3o de sugestionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A conclus\u00e3o preserva a finalidade garantista sem sacralizar a forma. <strong>Sendo inconteste a autoria apontada de modo espont\u00e2neo, o descumprimento do rito n\u00e3o macula a identifica\u00e7\u00e3o<\/strong>, orienta\u00e7\u00e3o a que o ac\u00f3rd\u00e3o de origem se amoldou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o procedimento de reconhecimento de pessoas do art. 226 do CPP:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) constitui formalidade essencial, a ser observada na identifica\u00e7\u00e3o de suspeito, mesmo diante de flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) gera, se inobservado, nulidade que contamina as demais provas de autoria produzidas no processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) supre-se pelo reconhecimento fotogr\u00e1fico, desde que documentado nos autos do inqu\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) dispensa-se quando a v\u00edtima identifica o autor com certeza, como no reconhecimento espont\u00e2neo sem sugestionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) imp\u00f5e-se apenas na fase judicial, permanecendo livre a forma de identifica\u00e7\u00e3o no inqu\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O rito n\u00e3o \u00e9 exig\u00edvel em toda identifica\u00e7\u00e3o: seu pressuposto \u00e9 a necessidade \u2014 a d\u00favida sobre a autoria \u2014, ausente quando a v\u00edtima aponta o agente com seguran\u00e7a em contexto de flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A inobserv\u00e2ncia do procedimento, nas hip\u00f3teses em que ele \u00e9 dispens\u00e1vel, n\u00e3o gera nulidade nem efeito expansivo sobre o conjunto probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A mostra de fotografias n\u00e3o substitui o ritual \u2014 ao contr\u00e1rio, quando dirigida, \u00e9 justamente fonte de sugestionamento apta a viciar a mem\u00f3ria do reconhecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. O art. 226 incide &#8220;quando houver necessidade&#8221;; identificado o autor com certeza pela v\u00edtima, de forma espont\u00e2nea e sem indu\u00e7\u00e3o das autoridades, o procedimento formal \u00e9 dispens\u00e1vel e o reconhecimento \u00e9 v\u00e1lido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o de fases no dispositivo: o ritual serve ao inqu\u00e9rito e ao processo sempre em fun\u00e7\u00e3o da d\u00favida, e n\u00e3o de barreira cronol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o reconhecimento pessoal realizado de forma espont\u00e2nea pela v\u00edtima, em contexto de flagrante delito, dispensa o procedimento formal previsto no art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 226 do CPP prev\u00ea que o procedimento de reconhecimento de pessoa ser\u00e1 realizado &#8220;quando houver necessidade&#8221;, ou seja, quando houver d\u00favida sobre a identifica\u00e7\u00e3o do autor do fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite que, em casos de flagrante delito ou quando a v\u00edtima \u00e9 capaz de individualizar o autor do fato com certeza, o procedimento formal de reconhecimento pode ser dispensado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a v\u00edtima reconheceu o acusado de forma espont\u00e2nea, sem influ\u00eancia de terceiros, ao v\u00ea-lo em uma maca no hospital, o que afasta a alega\u00e7\u00e3o de sugestionamento ou necessidade de observ\u00e2ncia ao procedimento do art. 226 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a decis\u00e3o do Tribunal de origem est\u00e1 em conformidade com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que considera desnecess\u00e1rio o procedimento formal de reconhecimento quando a autoria \u00e9 inconteste.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-especializacao-de-varas-e-ratificacao-dos-atos-decisorios\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; ESPECIALIZA\u00c7\u00c3O DE VARAS E RATIFICA\u00c7\u00c3O DOS ATOS DECIS\u00d3RIOS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A especializa\u00e7\u00e3o de varas em raz\u00e3o da mat\u00e9ria constitui <strong>compet\u00eancia territorial relativa<\/strong>, permitindo a <strong>ratifica\u00e7\u00e3o dos atos decis\u00f3rios<\/strong> pelo juiz competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o contra Seu Barriga, envolvendo organiza\u00e7\u00e3o criminosa, foi distribu\u00edda a uma vara criminal do interior e ali tramitou por meses, com decis\u00f5es importantes proferidas, at\u00e9 se descobrir que a comarca era abrangida por vara especializada na capital, criada pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria justamente para aquele tipo de caso. A defesa festejou: ju\u00edzo incompetente, tudo nulo, inclusive as decis\u00f5es. A inobserv\u00e2ncia da especializa\u00e7\u00e3o derruba os atos decis\u00f3rios?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 567<\/strong><em> (a incompet\u00eancia do ju\u00edzo anula somente os atos decis\u00f3rios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STJ consolidou que a inobserv\u00e2ncia da regra de compet\u00eancia ligada \u00e0 especializa\u00e7\u00e3o de varas \u2014 de \u00edndole territorial em raz\u00e3o da mat\u00e9ria \u2014 n\u00e3o conduz de imediato \u00e0 nulidade do feito: cuida-se de compet\u00eancia relativa, convalid\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Em hip\u00f3tese an\u00e1loga \u2014 apura\u00e7\u00e3o distribu\u00edda a vara do interior apesar de vara especializada na capital abranger o territ\u00f3rio \u2014, chancelou-se a solu\u00e7\u00e3o que, mesmo reconhecendo a incompet\u00eancia, preservou os atos mediante ratifica\u00e7\u00e3o pelo juiz competente, inclusive os decis\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A classifica\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia \u00e9 o divisor da controv\u00e9rsia. <strong>A distribui\u00e7\u00e3o de causas entre varas especializadas resolve quest\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria no plano do territ\u00f3rio, e n\u00e3o de jurisdi\u00e7\u00e3o material absoluta<\/strong> \u2014 o desenho pertence \u00e0s normas locais e comporta acomoda\u00e7\u00e3o sem ruptura do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da natureza relativa seguem-se as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. <strong>A tramita\u00e7\u00e3o perante ju\u00edzo n\u00e3o especializado n\u00e3o importa nulidade imediata do feito, abrindo-se espa\u00e7o \u00e0 convalida\u00e7\u00e3o dos atos praticados<\/strong>, na linha da orienta\u00e7\u00e3o firmada pela Corte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Nem os atos de conte\u00fado decis\u00f3rio escapam dessa l\u00f3gica. <strong>Reconhecida a incompet\u00eancia, admite-se que o juiz competente ratifique tamb\u00e9m as decis\u00f5es proferidas pelo ju\u00edzo de origem<\/strong> \u2014 solu\u00e7\u00e3o j\u00e1 chancelada em caso muito similar de vara do interior versus vara especializada da capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O desenho final equilibra garantia e funcionalidade. <strong>O processo migra ao ju\u00edzo correto sem que se desperdicem os atos at\u00e9 ali produzidos<\/strong>, preservando-se a dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel sem preju\u00edzo do controle sobre a regularidade da persecu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 compet\u00eancia decorrente da especializa\u00e7\u00e3o de varas em raz\u00e3o da mat\u00e9ria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) qualifica-se como territorial e relativa, admitida a ratifica\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es pelo ju\u00edzo competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) reveste-se de natureza absoluta, porque institu\u00edda em raz\u00e3o da mat\u00e9ria, com nulidade dos atos decis\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite convalida\u00e7\u00e3o restrita aos atos instrut\u00f3rios, reservada aos decis\u00f3rios a renova\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) imp\u00f5e o retorno dos autos ao ju\u00edzo de origem para repeti\u00e7\u00e3o integral da instru\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) acarreta a inexist\u00eancia jur\u00eddica dos atos praticados pelo ju\u00edzo n\u00e3o especializado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A especializa\u00e7\u00e3o de varas encerra hip\u00f3tese de compet\u00eancia territorial, portanto relativa; a consequ\u00eancia \u00e9 a possibilidade de o juiz competente ratificar os atos praticados, inclusive os decis\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O crit\u00e9rio material que orienta a especializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o a transforma em compet\u00eancia absoluta: trata-se de arranjo de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria no plano territorial, de \u00edndole relativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A convalida\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita aos atos de instru\u00e7\u00e3o: a orienta\u00e7\u00e3o do STJ alcan\u00e7a expressamente os atos decis\u00f3rios, ratific\u00e1veis pelo ju\u00edzo competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Reconhecida a incompet\u00eancia, os autos seguem ao ju\u00edzo correto \u2014 n\u00e3o retornam ao de origem \u2014, e a ratifica\u00e7\u00e3o evita a repeti\u00e7\u00e3o dos atos j\u00e1 praticados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o se cogita de inexist\u00eancia: os atos do ju\u00edzo relativamente incompetente s\u00e3o v\u00e1lidos ou, quando menos, convalid\u00e1veis, jamais um nada jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a compet\u00eancia por especializa\u00e7\u00e3o de varas em raz\u00e3o da mat\u00e9ria \u00e9 absoluta, impedindo a ratifica\u00e7\u00e3o de atos decis\u00f3rios por juiz inicialmente incompetente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 consolidou entendimento de que &#8220;a n\u00e3o observ\u00e2ncia da regra da compet\u00eancia, no caso territorial em raz\u00e3o da mat\u00e9ria, atinente \u00e0 especializa\u00e7\u00e3o de varas, n\u00e3o importa automaticamente na nulidade do feito, posto que n\u00e3o \u00e9 absoluta, mas relativa, sendo poss\u00edvel ao Ju\u00edzo a convalida\u00e7\u00e3o dos atos praticados, inclusive os decis\u00f3rios.&#8221; (AgRg no REsp n. 1.758.299\/SC, Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, julgado em 20\/5\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, em caso muito similar, em que a investiga\u00e7\u00e3o foi distribu\u00edda e tramitou em Vara Criminal do interior, apesar da exist\u00eancia de Vara Especializada na capital, a abranger o territ\u00f3rio correspondente, a Quinta Turma do STJ chancelou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de origem em que, embora se tenha reconhecido a incompet\u00eancia do primeiro Ju\u00edzo, n\u00e3o se declarou a nulidade dos atos praticados, permitida a ratifica\u00e7\u00e3o pelo juiz competente (AgRg no RHC n. 166.379\/MA, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18\/4\/2023, DJe de 24\/4\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a especializa\u00e7\u00e3o de varas em raz\u00e3o da mat\u00e9ria encerra hip\u00f3tese de compet\u00eancia territorial e, portanto, relativa, permitindo a ratifica\u00e7\u00e3o dos atos decis\u00f3rios pelo juiz competente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-interdicao-temporaria-de-direitos-e-o-instrutor-de-hipismo\" class=\"wp-block-heading\">4. INTERDI\u00c7\u00c3O TEMPOR\u00c1RIA DE DIREITOS E O INSTRUTOR DE HIPISMO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interdi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do art. 47, II, do CP <strong>restringe-se \u00e0s atividades que dependem de habilita\u00e7\u00e3o especial, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o<\/strong> do poder p\u00fablico; a atividade de instrutor de hipismo, de exerc\u00edcio livre, <strong>N\u00c3O comporta a interdi\u00e7\u00e3o<\/strong>, vedada a aplica\u00e7\u00e3o extensiva da norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 29\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Condenado por crime praticado no exerc\u00edcio da atividade de instrutor de hipismo, Kiko recebeu do Tribunal local, al\u00e9m da pena, a proibi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de continuar ensinando equita\u00e7\u00e3o \u2014 medida pensada para evitar a reitera\u00e7\u00e3o. A defesa impugnou a restri\u00e7\u00e3o: dar aulas de hipismo n\u00e3o exige diploma, registro em conselho, licen\u00e7a nem autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico; \u00e9 of\u00edcio livre. A interdi\u00e7\u00e3o do art. 47, II, do CP alcan\u00e7a atividade n\u00e3o regulamentada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 47, II<\/strong><em> (a interdi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de direitos compreende a proibi\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio de profiss\u00e3o, atividade ou of\u00edcio que dependam de habilita\u00e7\u00e3o especial, de licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Diferentemente de medicina, advocacia ou engenharia \u2014 profiss\u00f5es regulamentadas, com ingresso condicionado pelo Estado \u2014, o ensino de equita\u00e7\u00e3o pode ser exercido livremente, sem registro em \u00f3rg\u00e3o fiscalizador ou chancela governamental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Normas penais restritivas de direitos n\u00e3o admitem aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica ou extensiva: por louv\u00e1vel que seja o objetivo de prevenir a reitera\u00e7\u00e3o, a san\u00e7\u00e3o s\u00f3 alcan\u00e7a as atividades expressamente enquadradas nos requisitos do tipo sancionador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A norma sancionadora traz seus pr\u00f3prios limites de incid\u00eancia. <strong>O art. 47, II, do CP alcan\u00e7a somente profiss\u00e3o, atividade ou of\u00edcio cujo exerc\u00edcio o Estado condiciona a habilita\u00e7\u00e3o especial, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 o legislador delimitou o campo de aplica\u00e7\u00e3o de modo expresso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O of\u00edcio em causa n\u00e3o passa por esse filtro. <strong>O ensino de hipismo \u00e9 atividade de exerc\u00edcio livre, sem registro obrigat\u00f3rio em \u00f3rg\u00e3o fiscalizador nem chancela estatal pr\u00e9via<\/strong>, em contraste com as profiss\u00f5es regulamentadas que o dispositivo tem em mira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A preocupa\u00e7\u00e3o preventiva do julgador n\u00e3o altera a moldura legal. <strong>Compreende-se o intuito de evitar a reitera\u00e7\u00e3o de crime cometido no exerc\u00edcio da instru\u00e7\u00e3o equestre, mas a pena restritiva deve observar os contornos que a lei estabeleceu<\/strong> \u2014 fins leg\u00edtimos n\u00e3o autorizam meios sem previs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Fecha o racioc\u00ednio a regra de ouro da legalidade penal. <strong>\u00c9 inadmiss\u00edvel a amplia\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica ou extensiva de normas penais que restringem direitos<\/strong>; se a atividade n\u00e3o depende de barreira estatal de acesso, a interdi\u00e7\u00e3o do art. 47, II, simplesmente n\u00e3o a alcan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca da pena de interdi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de direitos que veda o exerc\u00edcio profissional (art. 47, II, do CP):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) aplica-se \u00e0 atividade no exerc\u00edcio da qual o crime foi praticado, como instrumento de preven\u00e7\u00e3o da reitera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) comporta extens\u00e3o anal\u00f3gica quando o of\u00edcio envolver risco a terceiros ou a pessoas vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) alcan\u00e7a o ensino esportivo, por sujeitar-se ao registro no conselho profissional da categoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) recai sobre a atividade econ\u00f4mica em sentido amplo, bastando que gere renda habitual ao condenado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) limita-se \u00e0s atividades cuja pr\u00e1tica depende de chancela estatal \u2014 habilita\u00e7\u00e3o, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O v\u00ednculo entre o crime e a atividade n\u00e3o basta: a interdi\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e que o of\u00edcio dependa de habilita\u00e7\u00e3o especial, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o estatal, requisito que a finalidade preventiva n\u00e3o substitui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Normas penais restritivas de direitos n\u00e3o comportam amplia\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica; o risco da atividade n\u00e3o autoriza estender a san\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos requisitos legais expressos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O ensino de equita\u00e7\u00e3o \u00e9 de exerc\u00edcio livre, sem registro obrigat\u00f3rio em conselho ou fiscaliza\u00e7\u00e3o estatal de acesso \u2014 justamente por isso ficou fora do alcance da interdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A gera\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio do dispositivo: a nota distintiva \u00e9 o condicionamento estatal do exerc\u00edcio, e n\u00e3o o car\u00e1ter econ\u00f4mico da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. A leitura do art. 47, II, do CP \u00e9 restritiva: a san\u00e7\u00e3o incide somente sobre of\u00edcios de acesso condicionado pelo Estado \u2014 os que reclamam habilita\u00e7\u00e3o, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o para serem exercidos.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar a aplicabilidade da pena restritiva de direitos consistente na interdi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do exerc\u00edcio de atividades relacionadas ao hipismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A atividade de instrutor de hipismo n\u00e3o se enquadra no conceito legal previsto no art. 47, II, do C\u00f3digo Penal, uma vez que tal atividade n\u00e3o depende de habilita\u00e7\u00e3o especial, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico para seu exerc\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interpreta\u00e7\u00e3o do art. 47, II, do C\u00f3digo Penal deve ser restritiva, n\u00e3o podendo ser estendida a atividades que n\u00e3o se enquadram nos requisitos legais expressos. O legislador foi claro ao delimitar o \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o da norma, exigindo que a profiss\u00e3o, atividade ou of\u00edcio dependa efetivamente de habilita\u00e7\u00e3o especial, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o ensino de hipismo constitui atividade que pode ser exercida de forma livre, sem a necessidade de registro em \u00f3rg\u00e3o fiscalizador espec\u00edfico ou obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a governamental. Diferentemente de profiss\u00f5es regulamentadas como medicina, advocacia, engenharia, entre outras, a atividade de instrutor de hipismo n\u00e3o est\u00e1 submetida a regime jur\u00eddico que exija habilita\u00e7\u00e3o especial ou autoriza\u00e7\u00e3o estatal pr\u00e9via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora seja compreens\u00edvel a preocupa\u00e7\u00e3o do Tribunal de origem em prevenir a reitera\u00e7\u00e3o delitiva, considerando que o crime foi praticado no exerc\u00edcio da atividade de instrutor, a imposi\u00e7\u00e3o da pena restritiva deve observar os limites legais estabelecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica ou extensiva de normas penais restritivas de direitos n\u00e3o \u00e9 admitida em nosso ordenamento jur\u00eddico, devendo-se respeitar o princ\u00edpio da legalidade estrita.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-habeas-corpus-no-lugar-da-revisao-criminal\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; HABEAS CORPUS NO LUGAR DA REVIS\u00c3O CRIMINAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o ajuizada revis\u00e3o criminal, <strong>\u00e9 poss\u00edvel conhecer de habeas corpus contra condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado<\/strong>, desde que presentes <strong>flagrante ilegalidade e desnecessidade de dila\u00e7\u00e3o f\u00e1tico-probat\u00f3ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.011.096-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A condena\u00e7\u00e3o de Seu Madruga transitou em julgado, e a defesa, em vez de propor revis\u00e3o criminal, foi direto ao habeas corpus, apontando ilegalidade que saltava dos autos, sem depender de prova nova. Veio a obje\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica: o <em>writ<\/em> n\u00e3o substitui a revis\u00e3o criminal, via pr\u00f3pria contra o julgado condenat\u00f3rio. O tr\u00e2nsito em julgado fecha a porta do habeas corpus?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXVIII; CPP, art. 647<\/strong><em> (conceder-se-\u00e1 habeas corpus sempre que algu\u00e9m sofrer ou se achar amea\u00e7ado de sofrer viol\u00eancia ou coa\u00e7\u00e3o em sua liberdade de locomo\u00e7\u00e3o, por ilegalidade ou abuso de poder).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O sistema oferece via espec\u00edfica contra o julgado condenat\u00f3rio \u2014 a revis\u00e3o criminal, de cogni\u00e7\u00e3o ampla. A racionalidade no uso dos instrumentos defensivos preserva a funcionalidade da justi\u00e7a criminal, comprometida pelo emprego simult\u00e2neo de dois meios com id\u00eantica pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Afetada a liberdade de locomo\u00e7\u00e3o por ilegalidade ou abuso de poder, o cabimento do <em>writ<\/em> \u00e9 indiscut\u00edvel: se a parte n\u00e3o ajuizou revis\u00e3o criminal e a quest\u00e3o dispensa revolvimento probat\u00f3rio aprofundado, o habeas corpus pode ser conhecido \u2014 e, mesmo quando n\u00e3o conhecido, a ordem se concede de of\u00edcio diante de ilegalidade flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O desenho institucional convida \u00e0 parcim\u00f4nia, n\u00e3o \u00e0 interdi\u00e7\u00e3o. <strong>O complexo sistema recursal penal e a via revisional permitem impugnar o julgado na forma e no prazo legais, e o manejo do <em>writ<\/em> \u00e9 estrat\u00e9gia v\u00e1lida, com suas vantagens e seus \u00f4nus<\/strong> \u2014 o que se reprova \u00e9 a duplicidade simult\u00e2nea de impugna\u00e7\u00f5es com a mesma pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O temperamento tem sua raz\u00e3o de ser na mat\u00e9ria em jogo. <strong>A tutela da liberdade humana justifica abrandar rigores formais, sem dispensar racionalidade no uso dos instrumentos<\/strong>, pois a funcionalidade do sistema de justi\u00e7a \u2014 com suas limita\u00e7\u00f5es materiais e humanas \u2014 serve \u00e0 sociedade e aos jurisdicionados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Os requisitos de admiss\u00e3o traduzem esse equil\u00edbrio. <strong>N\u00e3o proposta a revis\u00e3o criminal, conhece-se do habeas corpus se a les\u00e3o \u00e0 liberdade prescinde de revolvimento aprofundado de provas<\/strong> \u2014 a via c\u00e9lere fica reservada ao que nela cabe: a ilegalidade demonstr\u00e1vel de plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E o sistema guarda ainda uma v\u00e1lvula final de prote\u00e7\u00e3o. <strong>Mesmo nos casos de n\u00e3o conhecimento do <em>writ<\/em> substitutivo, concede-se a ordem de of\u00edcio quando constatada ilegalidade flagrante<\/strong> \u2014 a forma cede quando o constrangimento \u00e9 evidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o ao habeas corpus impetrado contra condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) mostra-se incab\u00edvel, pois a revis\u00e3o criminal \u00e9 a via de cogni\u00e7\u00e3o ampla pr\u00f3pria ao desfazimento do julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) esbarra na coisa julgada, que imuniza o t\u00edtulo condenat\u00f3rio contra impugna\u00e7\u00e3o fora do sistema recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) pode ser conhecido se n\u00e3o ajuizada revis\u00e3o criminal, presente flagrante ilegalidade e dispensada a dila\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) pressup\u00f5e o pr\u00e9vio esgotamento da via revisional, admitido o <em>writ<\/em> apenas contra a decis\u00e3o que a julgar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) presta-se \u00e0 rediscuss\u00e3o do conjunto probat\u00f3rio, dada a amplitude da tutela constitucional da liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A exist\u00eancia da via revisional n\u00e3o interdita o <em>writ<\/em>: atingida a liberdade por ato ilegal ou abusivo, essa porta permanece aberta, observados os limites cognitivos do rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A coisa julgada n\u00e3o blinda o t\u00edtulo contra ilegalidade flagrante: o pr\u00f3prio ordenamento convive com a revis\u00e3o criminal e com o habeas corpus como instrumentos de desconstitui\u00e7\u00e3o do julgado viciado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. N\u00e3o ajuizada a revis\u00e3o criminal \u2014 afastado o risco de duplicidade de impugna\u00e7\u00f5es \u2014, o <em>writ<\/em> pode ser conhecido quando a ilegalidade \u00e9 flagrante e a mat\u00e9ria dispensa dila\u00e7\u00e3o f\u00e1tico-probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 requisito de esgotamento da via revisional: o que se verificou, ao contr\u00e1rio, foi a viabilidade do <em>writ<\/em> justamente porque a revis\u00e3o criminal n\u00e3o havia sido proposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O rito c\u00e9lere do habeas corpus \u00e9 avesso ao revolvimento aprofundado de provas; a amplitude da tutela da liberdade n\u00e3o converte o <em>writ<\/em> em inst\u00e2ncia de reexame probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se \u00e9 cab\u00edvel a impetra\u00e7\u00e3o de habeas corpus substitutivo de revis\u00e3o criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exist\u00eancia de um complexo sistema recursal no processo penal brasileiro permite \u00e0 parte prejudicada por decis\u00e3o judicial submeter ao \u00f3rg\u00e3o colegiado competente a revis\u00e3o do ato jurisdicional, na forma e no prazo previstos em lei. Outrossim, eventual manejo de habeas corpus, a\u00e7\u00e3o constitucional voltada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da liberdade humana, constitui estrat\u00e9gia defensiva v\u00e1lida, sopesadas as vantagens, mas tamb\u00e9m os \u00f4nus de tal op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A tutela constitucional e legal da liberdade humana justifica algum temperamento aos rigores formais inerentes aos recursos em geral, mas n\u00e3o dispensa a racionalidade no uso dos instrumentos postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do acusado ao longo da persecu\u00e7\u00e3o penal, dada a necessidade de tamb\u00e9m preservar a funcionalidade do sistema de justi\u00e7a criminal, cujo poder de julgar de maneira organizada, justa e correta, permeado pelas limita\u00e7\u00f5es materiais e humanas dos \u00f3rg\u00e3os de jurisdi\u00e7\u00e3o, se v\u00ea comprometido \u2014 em preju\u00edzo da sociedade e dos jurisdicionados em geral \u2014 pelo concomitante emprego de dois meios de impugna\u00e7\u00e3o com igual pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem embargo, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, cuidando-se de discuss\u00e3o acerca da liberdade de locomo\u00e7\u00e3o, diretamente afetada por ilegalidade ou abuso de poder, o cabimento do <em>writ<\/em> \u00e9 indiscut\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consoante entendimento e pr\u00e1tica consolidados neste Superior Tribunal, n\u00e3o h\u00e1 \u00f3bice \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de habeas corpus quando, havendo les\u00e3o ou amea\u00e7a de les\u00e3o \u00e0 liberdade de locomo\u00e7\u00e3o do paciente, n\u00e3o houver a necessidade do revolvimento aprofundado de provas ou a necessidade de dila\u00e7\u00e3o f\u00e1tico-probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, sob esse vi\u00e9s, tenho como perfeitamente poss\u00edvel o conhecimento do habeas corpus impetrado nesta Corte, pois, n\u00e3o obstante tenha ocorrido o tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel verificar que n\u00e3o foi ajuizada revis\u00e3o criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De todo modo, mesmo quando eventualmente n\u00e3o se conhece de habeas corpus substitutivo nesta Corte, em diversas oportunidades a ordem \u00e9 concedida de of\u00edcio quando constatada ilegalidade flagrante.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-investigacao-pela-policia-federal-e-competencia-jurisdicional\" class=\"wp-block-heading\">6. INVESTIGA\u00c7\u00c3O PELA POL\u00cdCIA FEDERAL E COMPET\u00caNCIA JURISDICIONAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es pela Pol\u00edcia Federal <strong>N\u00c3O firma, por si, a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal<\/strong>: a compet\u00eancia se define <strong>pelas imputa\u00e7\u00f5es da den\u00fancia<\/strong> e pela exist\u00eancia de les\u00e3o a bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o (art. 109, IV, da CF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RHC 205.658-SP, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ou na Pol\u00edcia Federal, mirando a suposta inser\u00e7\u00e3o de dados falsos em sistema gerenciado pela Uni\u00e3o. No meio do caminho, os investigadores encontraram outra coisa: desvio de produtos qu\u00edmicos para a prepara\u00e7\u00e3o de drogas. Geremias acabou denunciado na Justi\u00e7a Estadual por tr\u00e1fico, associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico e lavagem. A defesa atacou: se a PF investigou, o processo pertenceria \u00e0 Justi\u00e7a Federal. A origem federal do inqu\u00e9rito desloca a compet\u00eancia da a\u00e7\u00e3o penal?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, IV<\/strong><em> (compete aos ju\u00edzes federais processar e julgar as infra\u00e7\u00f5es penais praticadas em detrimento de bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o, de suas autarquias ou empresas p\u00fablicas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 122\/STJ<\/strong><em> (compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal o julgamento unificado dos crimes conexos de compet\u00eancia federal e estadual \u2014 enunciado que precedentes recentes do STJ t\u00eam afastado em hip\u00f3teses determinadas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Oferecida a den\u00fancia, a compet\u00eancia jurisdicional se estabelece pelas imputa\u00e7\u00f5es nela contidas. Tr\u00e1fico interno, associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico e lavagem s\u00e3o figuras afetas \u00e0 Justi\u00e7a Estadual, e a falsidade apurada na origem sequer foi objeto de acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Sem demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo direto a bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o e sem conex\u00e3o objetiva entre a falsidade investigada e os crimes denunciados, n\u00e3o h\u00e1 v\u00ednculo que justifique o foro federal \u2014 e eventual den\u00fancia futura por crime federal n\u00e3o obstaria o tr\u00e2mite estadual dos delitos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O crit\u00e9rio constitucional \u00e9 de resultado lesivo, n\u00e3o de autoria investigativa. <strong>A compet\u00eancia federal do art. 109, IV, pressup\u00f5e que o delito golpeie interesses, bens ou servi\u00e7os federais<\/strong> \u2014 quem conduziu o inqu\u00e9rito \u00e9 dado administrativo, sem for\u00e7a para redesenhar o mapa jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O marco definidor chega com a acusa\u00e7\u00e3o formalizada. <strong>As imputa\u00e7\u00f5es da den\u00fancia balizam a compet\u00eancia: e os delitos atribu\u00eddos ao recorrente \u2014 tr\u00e1fico, associa\u00e7\u00e3o e lavagem \u2014 pertencem inquestionavelmente ao foro estadual<\/strong>; nenhuma acusa\u00e7\u00e3o por crime federal foi formulada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O elo que a defesa tentou construir n\u00e3o existia nos autos. <strong>A inser\u00e7\u00e3o de dados falsos em sistema federal, al\u00e9m de n\u00e3o denunciada, n\u00e3o guarda conex\u00e3o objetiva com o desvio de produtos qu\u00edmicos destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de drogas<\/strong> \u2014 a oculta\u00e7\u00e3o documental e a facilita\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico seguem trilhas causais distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Nem a perspectiva de desdobramentos futuros altera o quadro. <strong>Sobrevindo den\u00fancia por crime de compet\u00eancia federal, ainda assim o tr\u00e2mite estadual dos delitos pr\u00f3prios n\u00e3o ficaria obstado<\/strong>, pois a Corte tem precedentes afastando, em hip\u00f3teses determinadas, a unifica\u00e7\u00e3o preconizada pela S\u00famula 122\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 compet\u00eancia para a a\u00e7\u00e3o penal por tr\u00e1fico, associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico e lavagem, deflagrada a investiga\u00e7\u00e3o pela Pol\u00edcia Federal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) firma-se na Justi\u00e7a Federal, pois o \u00f3rg\u00e3o que conduz a investiga\u00e7\u00e3o define o ju\u00edzo competente para a a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) define-se pelo conte\u00fado da acusa\u00e7\u00e3o e pela presen\u00e7a de preju\u00edzo a bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) atrai-se ao ju\u00edzo federal por conex\u00e3o com a falsidade em sistema federal apurada na origem da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) imp\u00f5e a reuni\u00e3o dos feitos na Justi\u00e7a Federal se sobrevier den\u00fancia por delito de compet\u00eancia federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) contamina-se a a\u00e7\u00e3o penal pela atua\u00e7\u00e3o de pol\u00edcia federal em crimes estaduais, anulados os atos investigativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O \u00f3rg\u00e3o investigador n\u00e3o fixa compet\u00eancia: o inqu\u00e9rito \u00e9 pe\u00e7a informativa, e o foro se determina pelo conte\u00fado da acusa\u00e7\u00e3o e pelo crit\u00e9rio do art. 109, IV, da CF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Oferecida a den\u00fancia, a compet\u00eancia se estabelece pelas imputa\u00e7\u00f5es feitas \u2014 cada qual de \u00edndole estadual no caso \u2014, e o foro federal exigiria preju\u00edzo direto a interesse da Uni\u00e3o, n\u00e3o demonstrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Faltou o pressuposto da conex\u00e3o: a falsidade investigada na origem n\u00e3o foi denunciada e n\u00e3o guarda correla\u00e7\u00e3o objetiva com a facilita\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico imputada ao recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Nem a superveni\u00eancia de acusa\u00e7\u00e3o federal obrigaria a unifica\u00e7\u00e3o: precedentes do STJ afastam a S\u00famula 122 em hip\u00f3teses determinadas, preservado o tr\u00e2mite estadual dos crimes pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o: a atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal na fase apurat\u00f3ria n\u00e3o invalida os elementos colhidos nem repercute como nulidade sobre a a\u00e7\u00e3o penal estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento consiste em definir se a Justi\u00e7a Estadual \u00e9 competente para processar e julgar o feito, uma vez que a investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida pela Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal s\u00f3 exsurge nas hip\u00f3teses em que o eventual il\u00edcito for praticado em detrimento de bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o ou de suas autarquias ou empresas p\u00fablicas, nos termos do art. 109, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, de acordo com a den\u00fancia, ao recorrente e aos codenunciados foram imputadas as pr\u00e1ticas dos delitos de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas, tr\u00e1fico de drogas e lavagem de capitais, figuras essas inquestionavelmente afetas \u00e0 compet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de as investiga\u00e7\u00f5es terem in\u00edcio na Pol\u00edcia Federal, em raz\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o decorrente de suposta inser\u00e7\u00e3o de dados falsos em sistema gerenciado pela Uni\u00e3o Federal, n\u00e3o tem o cond\u00e3o, por si s\u00f3, de firmar a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal para o processamento e julgamento de crimes afetos exclusivamente \u00e0 Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Especificamente quanto \u00e0 suposta inclus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o falsa em sistema administrado por \u00f3rg\u00e3o federal, o que segundo a defesa justificaria o deslocamento da compet\u00eancia para a Justi\u00e7a Federal, cumpre observar que, al\u00e9m de n\u00e3o ter sido imputada essa conduta na den\u00fancia, n\u00e3o houve demonstra\u00e7\u00e3o de implica\u00e7\u00e3o em les\u00e3o a bens, servi\u00e7os ou interesse da Uni\u00e3o, raz\u00e3o pela qual, consoante j\u00e1 decidiu o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 o caso de configura\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, como tamb\u00e9m bem observou o Parquet Federal, n\u00e3o se verifica conex\u00e3o objetiva entre o crime de falsidade ideol\u00f3gica e os crimes pelos quais o recorrente foi denunciado, sendo que a falsifica\u00e7\u00e3o de documentos, objeto da investiga\u00e7\u00e3o inicial da Justi\u00e7a Federal, ensejou a eventual oculta\u00e7\u00e3o do desvio de produtos qu\u00edmicos, o que n\u00e3o guarda necess\u00e1ria correla\u00e7\u00e3o direta com a facilita\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de entorpecentes, com destina\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos para a prepara\u00e7\u00e3o de drogas, conduta imputada aos denunciados e crime pelo qual foi o recorrente denunciado na a\u00e7\u00e3o penal de que trata este recurso ordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalta-se que, oferecida a den\u00fancia, a compet\u00eancia jurisdicional \u00e9 estabelecida de acordo com as imputa\u00e7\u00f5es feitas ao denunciado e, no caso, o ora recorrente n\u00e3o foi denunciado por nenhum crime de compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal, raz\u00e3o pela qual, por si s\u00f3, j\u00e1 n\u00e3o se verifica qualquer elemento que justifique o julgamento perante o Ju\u00edzo Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre observar, por fim, que eventual den\u00fancia posterior pela pr\u00e1tica de crime de compet\u00eancia federal n\u00e3o implicaria em necess\u00e1rio \u00f3bice ao tr\u00e2mite da a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a Estadual pelos crimes de sua compet\u00eancia, tendo esta Corte, em diversos precedentes, afastado o teor da S\u00famula 122\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-mandado-de-busca-cumprido-apos-o-prazo-e-contemporaneidade\" class=\"wp-block-heading\">7. MANDADO DE BUSCA CUMPRIDO AP\u00d3S O PRAZO E CONTEMPORANEIDADE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00c3O h\u00e1 prazo legal espec\u00edfico<\/strong> para o cumprimento do mandado de busca e apreens\u00e3o: o prazo assinalado pelo juiz \u00e9 impr\u00f3prio, e a dilig\u00eancia tardia <strong>\u00e9 v\u00e1lida se contempor\u00e2neos os fatos<\/strong> que motivaram o deferimento da medida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 897.802-SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 2\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O juiz deferiu a busca na loja e na casa de Tib\u00farcio e assinalou prazo para o cumprimento. A equipe policial, por\u00e9m, s\u00f3 bateu \u00e0 porta dias depois de vencido o calend\u00e1rio; e encontrou exatamente o que a investiga\u00e7\u00e3o apontava. A defesa arguiu a invalidade da dilig\u00eancia executada com a ordem &#8220;vencida&#8221; e pediu o desentranhamento das provas. O atraso no cumprimento derruba a busca?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 243<\/strong><em> (o mandado de busca dever\u00e1 indicar a casa em que ser\u00e1 realizada a dilig\u00eancia, o motivo e os fins dela, e ser subscrito pelo escriv\u00e3o e assinado pela autoridade \u2014 sem previs\u00e3o de prazo de validade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O rol de requisitos do mandado n\u00e3o contempla termo de efic\u00e1cia; o prazo eventualmente assinalado pelo juiz \u00e9 impr\u00f3prio: n\u00e3o vincula a autoridade policial nem invalida a dilig\u00eancia ser\u00f4dia, apurando-se caso a caso eventual irregularidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O teste substancial \u00e9 a contemporaneidade: subsistindo os elementos que justificaram a ordem \u2014 como o com\u00e9rcio esp\u00fario no estabelecimento, com estoque na resid\u00eancia \u2014, a atua\u00e7\u00e3o policial permanece leg\u00edtima mesmo ap\u00f3s o vencimento do calend\u00e1rio judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A premissa normativa \u00e9 singela: a lei n\u00e3o criou validade temporal para a ordem. <strong>Entre os requisitos do art. 243 do CPP n\u00e3o figura a fixa\u00e7\u00e3o de prazo para o cumprimento do mandado de busca<\/strong> \u2014 e termo que a lei n\u00e3o exige n\u00e3o pode funcionar como condi\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia da dilig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O calend\u00e1rio do juiz tem natureza ordinat\u00f3ria. <strong>O prazo assinalado tem valor apenas ordinat\u00f3rio: seu vencimento n\u00e3o retira da pol\u00edcia a autoriza\u00e7\u00e3o nem, isoladamente, desfaz a busca realizada depois<\/strong>, reservando-se a apura\u00e7\u00e3o de eventual irregularidade ao exame de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O que o controle judicial deve vigiar \u00e9 a atualidade da justa causa. <strong>Cumprida a ordem dias ap\u00f3s o termo, permanece leg\u00edtima a atua\u00e7\u00e3o policial quando n\u00e3o desapareceram as circunst\u00e2ncias que a justificaram<\/strong> \u2014 na linha do precedente que validou busca realizada dez dias depois do prazo, mantida a base indici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Entre a expedi\u00e7\u00e3o e a execu\u00e7\u00e3o, o padr\u00e3o \u00e9 o da razoabilidade. <strong>Havendo tempo razo\u00e1vel entre a ordem e o seu cumprimento, e conservada a contemporaneidade dos fatos, a dilig\u00eancia tardia \u00e9 v\u00e1lida<\/strong>, sem espa\u00e7o para o desentranhamento das provas colhidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o cumprimento de mandado de busca e apreens\u00e3o ap\u00f3s o prazo assinalado pelo juiz:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) invalida a dilig\u00eancia e as provas dela derivadas, por esgotada a efic\u00e1cia da ordem judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) reclama a renova\u00e7\u00e3o da ordem pelo magistrado para restaurar a autoriza\u00e7\u00e3o exaurida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) contraria o prazo de validade que o CPP fixa entre os requisitos do mandado de busca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) admite-se mediante demonstra\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia que tenha impedido o cumprimento tempestivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) permanece v\u00e1lido, pois o prazo judicial \u00e9 impr\u00f3prio, desde que contempor\u00e2neos os fatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A ordem n\u00e3o perde efic\u00e1cia pelo simples vencimento do calend\u00e1rio: sem prazo legal de validade, o atraso configura, quando muito, irregularidade a ser apurada caso a caso, sem efeito invalidante sobre as provas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o se exige nova decis\u00e3o: a autoriza\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria subsiste, cabendo verificar apenas se permanecem atuais os elementos que a justificaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O art. 243 do CPP enumera os requisitos do mandado sem prever termo de validade. O prazo, quando assinalado, \u00e9 cria\u00e7\u00e3o judicial de natureza impr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A validade da dilig\u00eancia tardia n\u00e3o depende de justificativa de urg\u00eancia: o crit\u00e9rio \u00e9 objetivo. A contemporaneidade dos fatos e a razoabilidade do interregno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Inexistindo prazo legal espec\u00edfico, o termo fixado pelo juiz \u00e9 impr\u00f3prio; a busca cumprida depois dele \u00e9 v\u00e1lida enquanto se mantiver atual a base f\u00e1tica que amparou a autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1, no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, prazo espec\u00edfico para o cumprimento do mandado de busca e apreens\u00e3o. Entre os requisitos do mandado de busca previstos no artigo 243 do CPP, n\u00e3o se encontra a fixa\u00e7\u00e3o de prazo para o seu cumprimento. Diante disso, eventual prazo indicado pelo juiz ser\u00e1 impr\u00f3prio, n\u00e3o vinculando a autoridade policial e tampouco invalidando a dilig\u00eancia cumprida ap\u00f3s o seu vencimento, devendo eventual irregularidade ser apurada caso a caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 decidiu que &#8220;n\u00e3o h\u00e1, no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, prazo espec\u00edfico para o cumprimento do mandado de busca e apreens\u00e3o. Apesar de o mandado de busca e apreens\u00e3o ter sido cumprido 10 dias ap\u00f3s o prazo delimitado, n\u00e3o faz desaparecer os elementos que haviam justificado a determina\u00e7\u00e3o judicial, sendo leg\u00edtima a atua\u00e7\u00e3o policial na loja e, posteriormente, na resid\u00eancia, amparada com elementos colhidos previamente, de com\u00e9rcio esp\u00fario, realizado no estabelecimento comercial, com estoque em resid\u00eancia&#8221; (AgRg no HC n. 788.025\/RS, relator Ministro Jesu\u00edno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 15\/5\/2023, DJe de 18\/5\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, houve razoabilidade de tempo entre a expedi\u00e7\u00e3o da ordem e o seu cumprimento, n\u00e3o tendo desaparecido as circunst\u00e2ncias que haviam justificado a determina\u00e7\u00e3o judicial, de modo que foi leg\u00edtima a atua\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, considera-se v\u00e1lido o cumprimento de mandado de busca vencido desde que permane\u00e7am contempor\u00e2neos os fatos que motivaram o deferimento da medida.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-audiencia-de-custodia-fora-das-24-horas-e-validade-do-flagrante\" class=\"wp-block-heading\">8. AUDI\u00caNCIA DE CUST\u00d3DIA FORA DAS 24 HORAS E VALIDADE DO FLAGRANTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A audi\u00eancia de cust\u00f3dia realizada poucas horas ap\u00f3s o prazo legal, <strong>com atraso justificado, N\u00c3O acarreta nulidade autom\u00e1tica<\/strong> da pris\u00e3o em flagrante; exige-se demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo (art. 563 do CPP), e a <strong>convers\u00e3o em preventiva constitui novo t\u00edtulo<\/strong> da priva\u00e7\u00e3o da liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00f3pis foi presa em flagrante \u00e0s 20h19 de uma ter\u00e7a-feira, em pleno regime de plant\u00e3o judici\u00e1rio, e apresentada ao juiz na quinta. A audi\u00eancia de cust\u00f3dia, portanto, estourou o prazo de 24 horas, mas por poucas horas. Na sequ\u00eancia, o flagrante foi convertido em preventiva. A defesa pediu o relaxamento: prazo \u00e9 constitucionalmente sens\u00edvel, e atraso \u00e9 atraso, alegou. A apresenta\u00e7\u00e3o ser\u00f4dia derruba a pris\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 310 e art. 563<\/strong><em> (o juiz deve realizar a audi\u00eancia de cust\u00f3dia em at\u00e9 24 horas ap\u00f3s a pris\u00e3o; nenhum ato ser\u00e1 declarado nulo se da nulidade n\u00e3o resultar preju\u00edzo para a acusa\u00e7\u00e3o ou para a defesa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A inobserv\u00e2ncia das 24 horas n\u00e3o gera, de pleno direito, a invalidade do flagrante: a orienta\u00e7\u00e3o consolidada do STJ reclama demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo efetivo, \u00e0 luz do <em>pas de nullit\u00e9 sans grief<\/em> positivado no art. 563 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Atraso de poucas horas, explicado pela captura em regime de plant\u00e3o, \u00e9 justificativa id\u00f4nea; e a superveniente convers\u00e3o do flagrante em preventiva inaugura t\u00edtulo aut\u00f4nomo da pris\u00e3o, superando a alega\u00e7\u00e3o de demora na apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A moldura temporal existe, mas seu descumprimento pontual n\u00e3o opera sozinho. <strong>A apresenta\u00e7\u00e3o do preso fora das 24 horas n\u00e3o conduz \u00e0 invalidade de pleno direito do flagrante<\/strong> \u2014 o sistema de nulidades penais \u00e9 regido pela exig\u00eancia de preju\u00edzo concreto, e n\u00e3o por automatismos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso, havia ainda uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para o descompasso. <strong>A captura ocorreu \u00e0 noite, durante o plant\u00e3o judici\u00e1rio, e a audi\u00eancia se realizou poucas horas depois de vencido o prazo<\/strong> \u2014 retardo m\u00ednimo e circunstanciado, incapaz de traduzir constrangimento ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O \u00f4nus argumentativo pesa sobre quem alega o v\u00edcio. <strong>Sem demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo efetivo \u00e0 defesa, a demora na apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o invalida os atos subsequentes<\/strong>, na exata dic\u00e7\u00e3o do art. 563 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f E a cronologia processual selou a sorte da impugna\u00e7\u00e3o. <strong>Convertido o flagrante em pris\u00e3o preventiva, surge t\u00edtulo novo e aut\u00f4nomo a justificar a cust\u00f3dia<\/strong>, ficando superada a alega\u00e7\u00e3o de nulidade fundada na apresenta\u00e7\u00e3o tardia ao ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito da audi\u00eancia de cust\u00f3dia realizada ap\u00f3s o prazo de 24 horas da pris\u00e3o em flagrante:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o gera nulidade autom\u00e1tica quando o atraso \u00e9 justificado, exigindo-se preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) imp\u00f5e o relaxamento da pris\u00e3o, diante da inobserv\u00e2ncia do prazo de apresenta\u00e7\u00e3o do preso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) computa-se o prazo a partir da comunica\u00e7\u00e3o do flagrante ao ju\u00edzo, e n\u00e3o do momento da captura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) persiste como ilegalidade de origem mesmo ap\u00f3s a convers\u00e3o do flagrante em pris\u00e3o preventiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) dispensa-se a apresenta\u00e7\u00e3o do preso quando a captura ocorre em regime de plant\u00e3o judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. O atraso de poucas horas, justificado pela pris\u00e3o em plant\u00e3o, n\u00e3o invalida o flagrante sem demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo (art. 563 do CPP); e a convers\u00e3o em preventiva constitui t\u00edtulo aut\u00f4nomo, superando a alega\u00e7\u00e3o de demora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O relaxamento n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia necess\u00e1ria da apresenta\u00e7\u00e3o tardia: sem preju\u00edzo demonstrado, a inobserv\u00e2ncia pontual do prazo n\u00e3o torna ilegal a pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O prazo da audi\u00eancia de cust\u00f3dia corre da pris\u00e3o, e n\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo; o que se discutiu foi o efeito do seu descumprimento, n\u00e3o o seu termo inicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A convers\u00e3o em preventiva inaugura novo t\u00edtulo da cust\u00f3dia, superando a alega\u00e7\u00e3o de nulidade ligada \u00e0 fase do flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O plant\u00e3o judici\u00e1rio justifica o atraso, mas n\u00e3o dispensa a apresenta\u00e7\u00e3o: a audi\u00eancia de cust\u00f3dia permanece devida, ainda que realizada fora da janela legal.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia gira em torno da tese de constrangimento ilegal pela demora na realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia de cust\u00f3dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, acerca da realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia de cust\u00f3dia fora do prazo legal de 24 horas, depreende-se do ac\u00f3rd\u00e3o que o recorrente &#8220;foi preso em flagrante em 5\/8\/2025, \u00e0s 20h19min, durante o regime de plant\u00e3o, e apresentado em audi\u00eancia de cust\u00f3dia no dia 7\/8\/2025&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se v\u00ea, a audi\u00eancia foi realizada apenas poucas horas ap\u00f3s o prazo legal definido, e est\u00e1 devidamente justificada, uma vez que a pris\u00e3o em flagrante foi realizada em regime de plant\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que assim n\u00e3o fosse, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a possui entendimento consolidado de que a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia de cust\u00f3dia no prazo de 24 horas n\u00e3o acarreta a nulidade autom\u00e1tica da pris\u00e3o em flagrante, devendo ser demonstrado o efetivo preju\u00edzo \u00e0 luz do art. 563 do C\u00f3digo de Processo Penal, assim como que a convers\u00e3o da pris\u00e3o em flagrante em preventiva constitui novo t\u00edtulo a justificar a priva\u00e7\u00e3o da liberdade, ficando superada a alega\u00e7\u00e3o de nulidade decorrente da aus\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do preso ao ju\u00edzo de origem no prazo legal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-reu-preso-em-causa-propria-e-intimacao-pessoal\" class=\"wp-block-heading\">9. R\u00c9U PRESO EM CAUSA PR\u00d3PRIA E INTIMA\u00c7\u00c3O PESSOAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O r\u00e9u preso, advogado, que atua em causa pr\u00f3pria <strong>deve ser intimado pessoalmente ou por carta com aviso de recebimento<\/strong>, em observ\u00e2ncia \u00e0 ampla defesa; sem essa ci\u00eancia, <strong>torna-se sem efeito a certid\u00e3o de tr\u00e2nsito em julgado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementina, advogada, defendia a si mesma no processo criminal \u2014 do lado de dentro das grades. A decis\u00e3o desfavor\u00e1vel saiu na publica\u00e7\u00e3o oficial, o prazo correu em sil\u00eancio e o cart\u00f3rio certificou o tr\u00e2nsito em julgado. Um detalhe, por\u00e9m, passou despercebido: presa, ela n\u00e3o teve como acompanhar o di\u00e1rio de justi\u00e7a, e ningu\u00e9m a intimou pessoalmente. A certid\u00e3o de tr\u00e2nsito em julgado se sustenta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LV<\/strong><em> (aos litigantes e aos acusados em geral s\u00e3o assegurados o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A publica\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3o oficial pressup\u00f5e advogado em condi\u00e7\u00f5es de acompanh\u00e1-la. O profissional recolhido ao c\u00e1rcere, atuando em causa pr\u00f3pria, n\u00e3o tem acesso ao expediente forense; equipar\u00e1-lo ao advogado livre transforma a ci\u00eancia ficta em supress\u00e3o real da defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A garantia da ampla defesa engloba a autodefesa: a comunica\u00e7\u00e3o dos atos ao r\u00e9u preso em causa pr\u00f3pria h\u00e1 de alcan\u00e7\u00e1-lo diretamente \u2014 contato pessoal ou correspond\u00eancia com comprovante de entrega \u2014, e sua falta impede a estabiliza\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O caso somava duas condi\u00e7\u00f5es que isoladamente j\u00e1 mereceriam aten\u00e7\u00e3o. <strong>O paciente estava preso e advogava em causa pr\u00f3pria \u2014 sem defensor externo que acompanhasse as publica\u00e7\u00f5es e sem liberdade para faz\u00ea-lo pessoalmente<\/strong>; a intima\u00e7\u00e3o ficta pela imprensa oficial caiu num vazio inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A regra de ci\u00eancia deve acompanhar a realidade do destinat\u00e1rio. <strong>Ao recluso que se autodefende, a comunica\u00e7\u00e3o dos atos processuais h\u00e1 de chegar pessoalmente ou por carta com aviso de recebimento<\/strong> \u2014 formas aptas a atravessar os muros do estabelecimento prisional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O fundamento \u00e9 a dimens\u00e3o constitucional do direito comprometido. <strong>A ampla defesa engloba a autodefesa, e ela pressup\u00f5e conhecimento real das decis\u00f5es que atingem o acusado<\/strong>; frustrada a ci\u00eancia, frustra-se a pr\u00f3pria possibilidade de reagir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A consequ\u00eancia processual acompanha a gravidade do v\u00edcio. <strong>Certificado o tr\u00e2nsito em julgado sem a regular intima\u00e7\u00e3o do r\u00e9u preso em causa pr\u00f3pria, a certid\u00e3o deve ser tornada sem efeito<\/strong>, reabrindo-se a via impugnativa indevidamente fechada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 intima\u00e7\u00e3o do r\u00e9u preso, advogado, que atua em causa pr\u00f3pria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) satisfaz-se com a publica\u00e7\u00e3o oficial, forma ordin\u00e1ria de ci\u00eancia dos advogados constitu\u00eddos nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) supre-se pela comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do estabelecimento prisional em que o r\u00e9u se encontra recolhido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) consolida o tr\u00e2nsito em julgado se n\u00e3o interposto recurso no prazo contado da publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige ci\u00eancia pessoal ou por carta com aviso de recebimento, sem a qual se desfaz a certid\u00e3o de tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) resolve-se com a nomea\u00e7\u00e3o de defensor dativo para acompanhar o feito e receber as comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A publica\u00e7\u00e3o oficial pressup\u00f5e advogado em condi\u00e7\u00f5es de acompanh\u00e1-la; para o profissional recolhido ao c\u00e1rcere que se autodefende, essa forma de ci\u00eancia \u00e9 fic\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com a ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 administra\u00e7\u00e3o prisional n\u00e3o equivale \u00e0 ci\u00eancia do interessado: a intima\u00e7\u00e3o deve alcan\u00e7ar pessoalmente o r\u00e9u, por contato direto ou carta com aviso de recebimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O prazo contado da publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o corre contra quem n\u00e3o podia conhec\u00ea-la: ausente a intima\u00e7\u00e3o pessoal devida, n\u00e3o h\u00e1 tr\u00e2nsito em julgado a consolidar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. O r\u00e9u preso que advoga em causa pr\u00f3pria deve receber a comunica\u00e7\u00e3o em m\u00e3os ou por correspond\u00eancia com comprovante de entrega, em respeito \u00e0 ampla defesa e \u00e0 autodefesa; ausente essa ci\u00eancia, a certid\u00e3o de tr\u00e2nsito em julgado n\u00e3o subsiste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A nomea\u00e7\u00e3o de dativo contra a vontade de quem exerce a autodefesa t\u00e9cnica n\u00e3o resolve o v\u00edcio de comunica\u00e7\u00e3o \u2014 o direito de atuar em causa pr\u00f3pria inclui o de ser cientificado dos atos do processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em determinar se a certid\u00e3o de tr\u00e2nsito em julgado deve ser tornada sem efeito, em raz\u00e3o da aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o pessoal do r\u00e9u preso advogado que atua em causa pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, conforme se verifica, a decis\u00e3o foi publicada e, ausente recurso, foi certificado o tr\u00e2nsito em julgado. Ocorre que o embargante\/paciente est\u00e1 preso e atua em causa pr\u00f3pria, n\u00e3o tendo sido regularmente intimado da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O r\u00e9u preso e que advoga em causa pr\u00f3pria deve ser intimado pessoalmente, ou por carta com aviso de recebimento, para que possa exercer o seu direito constitucional \u00e0 ampla defesa que engloba o direito \u00e0 autodefesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a certid\u00e3o de tr\u00e2nsito em julgado deve ser tornada sem efeito.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-progressao-de-regime-no-presidio-federal-de-seguranca-maxima\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; PROGRESS\u00c3O DE REGIME NO PRES\u00cdDIO FEDERAL DE SEGURAN\u00c7A M\u00c1XIMA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A progress\u00e3o de regime do preso recolhido em pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima <strong>condiciona-se \u00e0 aus\u00eancia dos motivos que justificaram a transfer\u00eancia<\/strong> ou a manuten\u00e7\u00e3o no sistema penitenci\u00e1rio federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.015.327-DF, Rel. Min. Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chaves cumpria pena num pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima, para onde fora transferido por raz\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica ligadas \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o em fac\u00e7\u00e3o criminosa. Alcan\u00e7ado o requisito temporal e com boa conduta atestada, requereu a progress\u00e3o ao semiaberto. O ju\u00edzo negou: os motivos da transfer\u00eancia continuavam de p\u00e9, com renova\u00e7\u00f5es sucessivas da perman\u00eancia. Preenchidos os requisitos comuns, a progress\u00e3o se imp\u00f5e?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.671\/2008, art. 3\u00ba<\/strong><em> (ser\u00e3o inclu\u00eddos em estabelecimentos penais federais de seguran\u00e7a m\u00e1xima aqueles cuja medida se justifique no interesse da seguran\u00e7a p\u00fablica ou do pr\u00f3prio preso, em car\u00e1ter excepcional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A inclus\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o da perman\u00eancia no sistema federal s\u00e3o medidas excepcionais, fundadas em ju\u00edzo atual de periculosidade; a l\u00f3gica do regime diferenciado convive mal com a passagem ao semiaberto, marcado pela amplia\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a e pelo contato com o meio externo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Enquanto subsistirem as raz\u00f5es da transfer\u00eancia ou da manuten\u00e7\u00e3o \u2014 seguran\u00e7a p\u00fablica, necessidade de segrega\u00e7\u00e3o diferenciada \u2014, a progress\u00e3o fica obstada: o benef\u00edcio pressup\u00f5e a supera\u00e7\u00e3o do quadro que levou o apenado ao sistema federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O regime federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima n\u00e3o \u00e9 uma pris\u00e3o como as outras. <strong>A inclus\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o da perman\u00eancia sustentam-se em raz\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica ou de prote\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio custodiado, a t\u00edtulo excepcional<\/strong> (Lei n. 11.671\/2008, art. 3\u00ba) \u2014 pressup\u00f5em, portanto, um ju\u00edzo qualificado e atual de periculosidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Esse ju\u00edzo repercute diretamente sobre o m\u00e9rito execut\u00f3rio. <strong>H\u00e1 incompatibilidade l\u00f3gica entre reconhecer a necessidade de segrega\u00e7\u00e3o diferenciada e, ao mesmo tempo, franquear ao apenado regime de menor conten\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 o semiaberto amplia contatos externos exatamente onde a cust\u00f3dia federal os restringe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Por isso o benef\u00edcio ganha um condicionante espec\u00edfico nesse ambiente. <strong>A passagem a regime mais brando exige que se tenham dissipado os fundamentos da remo\u00e7\u00e3o para a cust\u00f3dia federal ou da renova\u00e7\u00e3o da perman\u00eancia<\/strong>; os requisitos comuns \u2014 tempo e m\u00e9rito \u2014 n\u00e3o bastam enquanto o fundamento da medida excepcional estiver vivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso, o exame concreto confirmou a subsist\u00eancia do quadro. <strong>Permaneciam atuais os motivos ligados \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e \u00e0 necessidade de conten\u00e7\u00e3o diferenciada, com renova\u00e7\u00f5es sucessivas da perman\u00eancia<\/strong> \u2014 cen\u00e1rio em que a negativa da progress\u00e3o se alinha \u00e0 jurisprud\u00eancia da Corte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 progress\u00e3o de regime do apenado recolhido em pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) constitui direito subjetivo de quem preenche os requisitos objetivo e subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) compete ao ju\u00edzo corregedor do pres\u00eddio federal, vinculado ao parecer da dire\u00e7\u00e3o do estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) subordina-se ao desaparecimento das raz\u00f5es que levaram o preso ao sistema federal ou que l\u00e1 o mant\u00eam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) fica vedada enquanto durar o prazo fixado para a perman\u00eancia no estabelecimento de seguran\u00e7a m\u00e1xima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de exame criminol\u00f3gico favor\u00e1vel, exig\u00eancia pr\u00f3pria dos presos submetidos a regime diferenciado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Tempo de pena e boa conduta n\u00e3o bastam nesse ambiente: a cust\u00f3dia federal pressup\u00f5e ju\u00edzo atual de periculosidade, e o local do cumprimento traduz condi\u00e7\u00e3o material incompat\u00edvel com a progress\u00e3o enquanto subsistirem seus motivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A controv\u00e9rsia n\u00e3o se resolveu por regra de compet\u00eancia nem por vincula\u00e7\u00e3o a parecer administrativo: o condicionante fixado \u00e9 substancial, ligado aos fundamentos da cust\u00f3dia federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A concess\u00e3o da progress\u00e3o ao preso do sistema penitenci\u00e1rio federal est\u00e1 condicionada \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es que motivaram a transfer\u00eancia ou a manuten\u00e7\u00e3o \u2014 subsistindo o interesse de seguran\u00e7a p\u00fablica, o benef\u00edcio fica obstado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o se trata de veda\u00e7\u00e3o atrelada ao calend\u00e1rio da perman\u00eancia: o crit\u00e9rio \u00e9 a subsist\u00eancia material dos motivos da medida, aferida no caso concreto, e n\u00e3o o simples curso do prazo de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O \u00f3bice reconhecido n\u00e3o foi a falta de exame criminol\u00f3gico, e sim a atualidade das raz\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica que sustentam a segrega\u00e7\u00e3o diferenciada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a perman\u00eancia de condenado em pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima \u00e9 compat\u00edvel com a concess\u00e3o de progress\u00e3o ao regime semiaberto, considerando os motivos que justificaram a transfer\u00eancia ao sistema federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a entende que &#8220;A transfer\u00eancia e a inclus\u00e3o de presos em estabelecimento penal federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima, bem como a renova\u00e7\u00e3o de sua perman\u00eancia, justifica-se no interesse da seguran\u00e7a p\u00fablica ou do pr\u00f3prio preso, nos termos do art. 3 da Lei n. 11.671\/2008, sendo medida de car\u00e1ter excepcional&#8221; (HC 481.550\/RS, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 21\/2\/2019, DJe 11\/3\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a estabelece que a concess\u00e3o de progress\u00e3o de regime a preso em pres\u00eddio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima est\u00e1 condicionada \u00e0 aus\u00eancia dos motivos que justificaram sua transfer\u00eancia ou manuten\u00e7\u00e3o no sistema federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, foi reconhecido que subsistem os motivos que ensejaram a transfer\u00eancia do paciente ao sistema penitenci\u00e1rio federal, relacionados \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e \u00e0 necessidade de segrega\u00e7\u00e3o em regime diferenciado, seguindo a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-45bb08dc-7f96-4714-9e94-2929d9202b9b\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/29082731\/stj_especial_30_parte2.pdf\">STJ_Especial_30_Parte2<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/29082731\/stj_especial_30_parte2.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-45bb08dc-7f96-4714-9e94-2929d9202b9b\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; PRON\u00daNCIA COM TESTEMUNHOS INDIRETOS E CRIME ORGANIZADO Destaque Particularidades do contexto \u2014 homic\u00eddio praticado por organiza\u00e7\u00e3o criminosa voltada ao tr\u00e1fico, com relevante temor na comunidade \u2014 justificam o distinguishing frente \u00e0 jurisprud\u00eancia consolidada do STJ e autorizam a pron\u00fancia com apoio em testemunhos indiretos. 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