{"id":1783768,"date":"2026-07-22T09:28:05","date_gmt":"2026-07-22T12:28:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1783768"},"modified":"2026-07-22T09:28:08","modified_gmt":"2026-07-22T12:28:08","slug":"informativo-stj-ed-especial-29-parte-2-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-29-parte-2-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Ed Especial 29 Parte 2 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/22092510\/stj_especial_29_parte2.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_04yq8SQ6lgI\"><div id=\"lyte_04yq8SQ6lgI\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/04yq8SQ6lgI\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/04yq8SQ6lgI\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/04yq8SQ6lgI\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-deferimento-da-recuperacao-judicial-e-manutencao-de-protestos-e-negativacoes\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; DEFERIMENTO DA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL E MANUTEN\u00c7\u00c3O DE PROTESTOS E NEGATIVA\u00c7\u00d5ES<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial <strong>n\u00e3o implica a suspens\u00e3o nem o cancelamento<\/strong> das anota\u00e7\u00f5es negativas em nome do devedor nos cadastros de restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e nos tabelionatos de protesto; a baixa <strong>somente poder\u00e1 ocorrer a partir da aprova\u00e7\u00e3o do plano<\/strong>, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s d\u00edvidas a ele sujeitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.205.921-MT, Rel. Min. Daniela Teixeira, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 15\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Fiofino Tecelagem obteve o deferimento do processamento de sua recupera\u00e7\u00e3o judicial e, na sequ\u00eancia, requereu ao ju\u00edzo a susta\u00e7\u00e3o dos protestos lavrados contra si e a exclus\u00e3o de seu nome dos cadastros de restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito, sustentando que as anota\u00e7\u00f5es inviabilizavam a contrata\u00e7\u00e3o com fornecedores e o acesso a cr\u00e9dito novo. Os credores impugnaram a pretens\u00e3o, ao argumento de que as d\u00edvidas permaneciam existentes e exig\u00edveis. O deferimento do processamento autoriza a baixa das restri\u00e7\u00f5es nesse momento?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.101\/2005, art. 6\u00ba, caput e \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o suspende o curso das a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es contra o devedor pelo prazo de blindagem, sem extinguir as obriga\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Enunciado n. 54 da I Jornada de Direito Comercial do CJF<\/strong><em> (o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o enseja o cancelamento da negativa\u00e7\u00e3o do nome do devedor nos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e nos tabelionatos de protesto).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O <em>stay period<\/em> tem alcance delimitado: paralisa a marcha de a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es para viabilizar a negocia\u00e7\u00e3o do plano, mas as obriga\u00e7\u00f5es assumidas permanecem \u00edntegras. O cr\u00e9dito continua existente e exig\u00edvel ap\u00f3s o t\u00e9rmino da suspens\u00e3o, e \u00e9 essa subsist\u00eancia da d\u00edvida que sustenta os apontamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A manuten\u00e7\u00e3o dos registros preserva o direito dos credores e a veracidade das informa\u00e7\u00f5es de mercado. O marco para a baixa \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o: a partir dela, e apenas quanto \u00e0s d\u00edvidas sujeitas ao plano, protestos e negativa\u00e7\u00f5es podem ser retirados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O ponto de partida \u00e9 a exata medida do efeito legal do deferimento. <strong>A decis\u00e3o que defere o processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial tem como efeito jur\u00eddico apenas a suspens\u00e3o do curso das a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es ajuizadas contra o devedor<\/strong>, conforme o art. 6\u00ba, caput e \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.101\/2005; a medida n\u00e3o extingue as obriga\u00e7\u00f5es assumidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Subsistente a d\u00edvida, cai o fundamento da pretens\u00e3o de limpeza cadastral. <strong>N\u00e3o h\u00e1 base jur\u00eddica para suspender ou cancelar as anota\u00e7\u00f5es negativas nos cadastros de restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito ou nos tabelionatos de protesto<\/strong>, pois o cr\u00e9dito permanece existente e exig\u00edvel ap\u00f3s o t\u00e9rmino da suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria consolidada caminha no mesmo sentido. <strong>O Enunciado n. 54 da I Jornada de Direito Comercial do CJF registra que o deferimento do processamento n\u00e3o enseja o cancelamento da negativa\u00e7\u00e3o<\/strong> nos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e nos tabelionatos de protesto &#8211; a publicidade da inadimpl\u00eancia reflete uma situa\u00e7\u00e3o que a recupera\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o resolveu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O sistema reserva um marco pr\u00f3prio para a baixa das restri\u00e7\u00f5es. <strong>A retirada do nome dos cadastros e a baixa dos protestos poder\u00e3o ocorrer a partir da aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s d\u00edvidas que estiverem sujeitas ao plano<\/strong>; at\u00e9 l\u00e1, a manuten\u00e7\u00e3o dos registros preserva o direito dos credores e evita preju\u00edzos injustificados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto aos efeitos do deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial sobre os protestos e as anota\u00e7\u00f5es em cadastros de inadimplentes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) imp\u00f5e a retirada do nome do devedor dos cadastros restritivos, como decorr\u00eancia do princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) suspende as anota\u00e7\u00f5es durante o per\u00edodo de blindagem, restabelecendo-se os apontamentos ao t\u00e9rmino do prazo legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) nova as obriga\u00e7\u00f5es anteriores, o que determina o cancelamento definitivo dos protestos lavrados contra a recuperanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) mant\u00e9m as anota\u00e7\u00f5es e os protestos, pois seu efeito se limita a suspender a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es, subsistindo a d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) autoriza a exclus\u00e3o apenas dos apontamentos ligados aos cr\u00e9ditos sujeitos ao plano, ainda que pendente de vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A preserva\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o elimina o d\u00e9bito: o deferimento do processamento suspende apenas a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es (art. 6\u00ba da Lei n. 11.101\/2005), e o cr\u00e9dito subsistente legitima a manuten\u00e7\u00e3o dos apontamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O stay period atinge o curso de a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o os registros de protesto e de inadimpl\u00eancia; n\u00e3o existe suspens\u00e3o tempor\u00e1ria das anota\u00e7\u00f5es com posterior restabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A nova\u00e7\u00e3o \u00e9 efeito da aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do mero deferimento do processamento; antes desse marco, as obriga\u00e7\u00f5es permanecem \u00edntegras e exig\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. O deferimento do processamento tem como efeito apenas a suspens\u00e3o das a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es; como a d\u00edvida subsiste, n\u00e3o h\u00e1 fundamento para suspender ou cancelar anota\u00e7\u00f5es e protestos (Enunciado n. 54 da I Jornada de Direito Comercial do CJF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Nem quanto aos cr\u00e9ditos sujeitos ao plano cabe exclus\u00e3o nesse momento: a baixa dos apontamentos somente poder\u00e1 ocorrer a partir da aprova\u00e7\u00e3o do plano, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s d\u00edvidas a ele sujeitas.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial autoriza a suspens\u00e3o das anota\u00e7\u00f5es negativas em nome do devedor nos cadastros de restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e nos tabelionatos de protesto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A decis\u00e3o que defere o processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial tem como efeito jur\u00eddico apenas a suspens\u00e3o do curso das a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es ajuizadas contra o devedor, conforme disp\u00f5e o art. 6\u00ba, caput e \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.101\/2005. Essa medida, entretanto, n\u00e3o extingue as obriga\u00e7\u00f5es assumidas, permanecendo o cr\u00e9dito existente e exig\u00edvel ap\u00f3s o t\u00e9rmino da suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, subsistente a d\u00edvida, n\u00e3o h\u00e1 fundamento jur\u00eddico para a suspens\u00e3o do nome da empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial dos registros de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito ou dos apontamentos em cart\u00f3rios de protesto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mesma linha, \u00e9 o teor do Enunciado n. 54 da I Jornada de Direito Comercial do Conselho da Justi\u00e7a Federal, no sentido de que &#8220;o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o enseja o cancelamento da negativa\u00e7\u00e3o do nome do devedor nos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e nos tabelionatos de protestos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, a manuten\u00e7\u00e3o dos registros nos cadastros de inadimplentes e protestos preserva o direito dos credores, evitando preju\u00edzos injustificados. Por fim, frisa-se que a baixa dos protestos e a retirada do nome de empresa dos cadastros de inadimplentes poder\u00e1 se dar a partir da aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s d\u00edvidas que estiverem sujeitas ao referido plano.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-loteamento-de-acesso-controlado-vs-impedimento-de-ingresso\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; LOTEAMENTO DE ACESSO CONTROLADO vs. IMPEDIMENTO DE INGRESSO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A associa\u00e7\u00e3o de moradores <strong>pode exercer o controle de acesso<\/strong> em loteamento fechado, mediante identifica\u00e7\u00e3o ou cadastro, mas <strong>n\u00e3o pode impedir o ingresso de terceiros identificados<\/strong>, inclusive no interesse de moradores n\u00e3o associados, aos quais deve fornecer os meios de pronta entrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.191.745-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No loteamento de acesso controlado Recanto dos Ip\u00eas, a associa\u00e7\u00e3o de moradores vedava a entrada de terceiros que n\u00e3o se dirigissem a im\u00f3veis de associados, ressalvando apenas entregadores de medicamentos e prestadores de servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o. Seu Madruga, propriet\u00e1rio de lote e n\u00e3o associado, era obrigado a se identificar na portaria de acesso a cada ingresso, pois a associa\u00e7\u00e3o lhe negava o cart\u00e3o de entrada r\u00e1pida por ele n\u00e3o pagar a mensalidade. Seu Madruga ajuizou a\u00e7\u00e3o para impugnar as restri\u00e7\u00f5es. At\u00e9 onde pode ir o controle de acesso da associa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.766\/1979, art. 2\u00ba, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, e art. 22<\/strong><em> (as vias de circula\u00e7\u00e3o, pra\u00e7as e espa\u00e7os livres passam a ser \u00e1reas p\u00fablicas desde o registro do loteamento; no loteamento de acesso controlado, o ingresso n\u00e3o pode ser negado a pedestres e condutores n\u00e3o residentes, desde que devidamente identificados ou cadastrados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 13.465\/2017<\/strong><em> (introduziu na lei de parcelamento do solo a figura do loteamento de acesso controlado, autorizando o controle sem transformar as \u00e1reas p\u00fablicas em \u00e1reas privadas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O regime legal distingue controlar e impedir. O controle de acesso \u00e9 compat\u00edvel com a natureza p\u00fablica das vias, porque se resume \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o ou ao cadastramento de quem entra; o impedimento de ingresso de pessoa identificada equivale a apropria\u00e7\u00e3o privada de \u00e1rea p\u00fablica, sem amparo na Lei n. 6.766\/1979.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd N\u00e3o h\u00e1 base legal para distinguir o acesso de moradores associados e n\u00e3o associados: a restri\u00e7\u00e3o cercearia o direito de ingressar, por via de circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no loteamento em que situada a propriedade. Se os associados escolheram o controle de acesso, cabe \u00e0 associa\u00e7\u00e3o fornecer os meios (cart\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o) para a pronta entrada do morador n\u00e3o associado, cadastrado uma \u00fanica vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A chave do problema est\u00e1 na natureza jur\u00eddica das vias internas. <strong>Desde a data do registro do loteamento, as vias de circula\u00e7\u00e3o, pra\u00e7as e espa\u00e7os livres passam a ser \u00e1reas p\u00fablicas<\/strong>, por expressa dic\u00e7\u00e3o do art. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e do art. 22 da Lei n. 6.766\/1979 &#8211; e, como \u00e1rea p\u00fablica, o acesso n\u00e3o pode ser negado a pedestres ou condutores de ve\u00edculos n\u00e3o residentes, devidamente identificados ou cadastrados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Diante disso, a veda\u00e7\u00e3o imposta a visitantes n\u00e3o se sustenta. <strong>Deve ser permitida a entrada de visitas, entregadores e prestadores de servi\u00e7o, mediante identifica\u00e7\u00e3o ou cadastramento na portaria<\/strong>, ainda que se dirijam a im\u00f3veis de moradores n\u00e3o associados; o ac\u00f3rd\u00e3o que restringia o ingresso aos que buscavam im\u00f3veis de associados contrariava determina\u00e7\u00e3o legal expressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O tratamento do morador n\u00e3o associado revela o segundo v\u00edcio da pr\u00e1tica. <strong>N\u00e3o h\u00e1 fundamento legal para distinguir o acesso de moradores associados e n\u00e3o associados<\/strong>, sob pena de restri\u00e7\u00e3o sem base legal ao direito de ingressar, por via de circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no loteamento onde est\u00e1 a propriedade. Exigir identifica\u00e7\u00e3o a cada entrada n\u00e3o tem utilidade al\u00e9m de cercear o direito do propriet\u00e1rio, compelindo-o indiretamente a se associar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica acompanha a l\u00f3gica do servi\u00e7o escolhido pela coletividade. <strong>Se foi escolha dos associados o controle de acesso, cabe \u00e0 associa\u00e7\u00e3o fornecer os meios &#8211; o cart\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o &#8211; para a pronta entrada do morador n\u00e3o associado<\/strong>, cujo cadastramento deve ser feito uma \u00fanica vez, ainda que ele n\u00e3o pague a mensalidade associativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante ao ingresso de pessoas em loteamento de acesso controlado administrado por associa\u00e7\u00e3o de moradores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) permite-se vedar a entrada de terceiros que n\u00e3o se destinem a im\u00f3veis de associados, ressalvados entregadores e prestadores essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) admite-se o controle mediante identifica\u00e7\u00e3o ou cadastro, vedado o impedimento de ingresso de terceiros identificados, mesmo no interesse de n\u00e3o associados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige-se que o morador n\u00e3o associado se identifique a cada entrada, pois o cart\u00e3o de acesso \u00e9 servi\u00e7o restrito a quem custeia a associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) convertem-se as vias internas em \u00e1reas privadas da associa\u00e7\u00e3o a partir do fechamento, legitimando as restri\u00e7\u00f5es fixadas em assembleia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) restringe-se o controle a pedestres e condutores n\u00e3o residentes quando houver risco concreto \u00e0 seguran\u00e7a, aferido caso a caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A veda\u00e7\u00e3o de ingresso de terceiros identificados contraria o art. 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 6.766\/1979: as vias s\u00e3o \u00e1reas p\u00fablicas e o acesso de pessoas identificadas ou cadastradas deve ser permitido, ainda que se dirijam a im\u00f3veis de n\u00e3o associados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. O regime do loteamento de acesso controlado autoriza o controle &#8211; identifica\u00e7\u00e3o ou cadastro na portaria -, mas n\u00e3o o impedimento de ingresso de terceiros identificados; e o morador n\u00e3o associado, cadastrado uma \u00fanica vez, deve receber da associa\u00e7\u00e3o os meios de pronta entrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 base legal para distinguir associados e n\u00e3o associados no acesso: a exig\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o a cada ingresso cerceia o direito do propriet\u00e1rio e o compele indiretamente a se associar, cabendo \u00e0 associa\u00e7\u00e3o fornecer o cart\u00e3o de entrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O fechamento n\u00e3o altera a natureza dos bens: as vias de circula\u00e7\u00e3o, pra\u00e7as e espa\u00e7os livres tornam-se p\u00fablicos desde o registro do loteamento (art. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e art. 22 da Lei n. 6.766\/1979), e delibera\u00e7\u00e3o assemblear n\u00e3o pode privatiz\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O controle mediante identifica\u00e7\u00e3o independe de demonstra\u00e7\u00e3o de risco concreto: a lei o admite como regra do loteamento de acesso controlado; o que se veda \u00e9 transform\u00e1-lo em barreira de ingresso a pessoas identificadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o do ingresso de terceiros, em loteamento urbano de acesso controlado, est\u00e1 disciplinada pela Lei n. 6.766\/1979, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 13.465\/2017. O art. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba e o art. 22 da referida lei disp\u00f5em textualmente que as vias de circula\u00e7\u00e3o, pra\u00e7as, espa\u00e7os livres e as \u00e1reas destinadas a edif\u00edcios p\u00fablicos e outros equipamentos urbanos passam a ser \u00e1reas p\u00fablicas, desde a data do registro do loteamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como \u00e1rea p\u00fablica, o acesso n\u00e3o pode ser negado a pedestres ou a condutores de ve\u00edculos, n\u00e3o residentes, devidamente identificados ou cadastrados, consoante expressa dic\u00e7\u00e3o do \u00a7 2\u00ba do art. 2\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, no entanto, contrariando expressa determina\u00e7\u00e3o legal, entendeu legal a veda\u00e7\u00e3o de ingresso terceiros ao loteamento, quando n\u00e3o se dirigissem aos im\u00f3veis de associados, ressalvando, apenas, a entrada de entregadores de medicamentos e prestadores de servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o e reparo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Merece reforma, portanto, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, para que seja permitida a entrada de visitas, entregadores e prestadores de servi\u00e7o, mediante identifica\u00e7\u00e3o ou cadastramento na portaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No tocante ao ingresso de propriet\u00e1rios e moradores n\u00e3o associados, o Tribunal de origem fez a distin\u00e7\u00e3o entre o ingresso no loteamento fechado de moradores associados e n\u00e3o associados. Quanto a estes, decidiu pela necessidade de identifica\u00e7\u00e3o no bols\u00e3o de acesso do condom\u00ednio, negando o fornecimento de cart\u00e3o de acesso para ingresso mais r\u00e1pido, sob o fundamento de que \u00e9 servi\u00e7o oferecido pela associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao ponto, n\u00e3o h\u00e1 fundamento legal para distinguir o acesso de moradores associados e n\u00e3o associados, sob pena de restri\u00e7\u00e3o sem base legal ao direito de ingressar, por qualquer via de circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no loteamento no qual inserida a respectiva propriedade. N\u00e3o tem utilidade &#8211; salvo cercear o direito do propriet\u00e1rio, procurando compeli-lo a se associar &#8211; exigir que os moradores se identifiquem a cada vez que ingressam no loteamento, submetendo-os a atrasos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se s\u00e3o moradores, o cadastramento deve ser feito uma \u00fanica vez. Embora n\u00e3o paguem a mensalidade associativa, se foi escolha dos associados o controle de acesso ao loteamento, cabe \u00e0 associa\u00e7\u00e3o fornecer os meios (no caso, o cart\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o) para a pronta entrada do morador n\u00e3o associado.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-perda-da-visao-em-idade-escolar-e-limitacao-da-capacidade-laborativa\" class=\"wp-block-heading\">3. PERDA DA VIS\u00c3O EM IDADE ESCOLAR E LIMITA\u00c7\u00c3O DA CAPACIDADE LABORATIVA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A perda da vis\u00e3o em idade escolar <strong>presume a limita\u00e7\u00e3o da capacidade laborativa<\/strong> e justifica o <strong>pensionamento vital\u00edcio<\/strong>, fixado em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo quando a v\u00edtima n\u00e3o auferia renda \u00e0 \u00e9poca do acidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.993.028-DF, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 4\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kiko, ent\u00e3o com 14 anos, perdeu a vis\u00e3o do olho esquerdo quando uma colega arremessou uma lapiseira durante a aula no Col\u00e9gio Sabich\u00e3o. A inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria reconheceu o dano e a responsabilidade do estabelecimento, mas negou o pensionamento vital\u00edcio, ao argumento de que o estudante n\u00e3o estaria impossibilitado de exercer atividades profissionais. Kiko postulou a pens\u00e3o, sustentando que a les\u00e3o, sofrida em idade escolar, reduziu sua capacidade de trabalho. O pensionamento exige prova de incapacidade profissional efetiva?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 950<\/strong><em> (se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido n\u00e3o possa exercer o seu of\u00edcio ou profiss\u00e3o, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indeniza\u00e7\u00e3o incluir\u00e1 pens\u00e3o correspondente \u00e0 import\u00e2ncia do trabalho para que se inabilitou, ou da deprecia\u00e7\u00e3o que ele sofreu).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STJ firmou que o direito \u00e0 pens\u00e3o do art. 950 do CC exige apenas a comprova\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da capacidade de trabalho, sendo prescind\u00edvel a demonstra\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio de atividade remunerada \u00e0 \u00e9poca do acidente. Se a v\u00edtima n\u00e3o auferia renda, a pens\u00e3o \u00e9 fixada em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo (REsp 1.884.887-DF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Em acidentes ocorridos em idade escolar, a limita\u00e7\u00e3o ou perda da capacidade laborativa \u00e9 presumida: a v\u00edtima ainda n\u00e3o ingressou no mercado de trabalho, e a les\u00e3o permanente compromete o leque de atividades futuras, o que basta para o pensionamento vital\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A aplica\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o dispensa reexame de provas quando a inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria j\u00e1 assentou o fato essencial &#8211; a perda da vis\u00e3o em idade escolar -, restando apenas qualific\u00e1-lo juridicamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O art. 950 do CC n\u00e3o condiciona a pens\u00e3o \u00e0 inabilita\u00e7\u00e3o completa. <strong>Basta a diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de trabalho para que a indeniza\u00e7\u00e3o inclua pens\u00e3o correspondente \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o sofrida<\/strong>; a norma contempla dois patamares &#8211; a inabilita\u00e7\u00e3o para o of\u00edcio e a mera redu\u00e7\u00e3o -, e o segundo \u00e9 suficiente para gerar a obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A idade da v\u00edtima desloca o eixo probat\u00f3rio da controv\u00e9rsia. <strong>Em acidentes ocorridos em idade escolar, presume-se a limita\u00e7\u00e3o ou a perda da capacidade laborativa, justificando o pensionamento vital\u00edcio<\/strong>: quem ainda n\u00e3o ingressou no mercado de trabalho n\u00e3o tem como demonstrar preju\u00edzo profissional atual, e exigir essa prova esvaziaria a prote\u00e7\u00e3o do art. 950.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O par\u00e2metro econ\u00f4mico acompanha a mesma l\u00f3gica protetiva. <strong>Sendo prescind\u00edvel a demonstra\u00e7\u00e3o de atividade remunerada \u00e0 \u00e9poca do acidente, a pens\u00e3o da v\u00edtima que n\u00e3o auferia renda \u00e9 fixada em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo<\/strong>, crit\u00e9rio consolidado no REsp 1.884.887-DF e reafirmado neste julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A moldura f\u00e1tica dispensava nova incurs\u00e3o probat\u00f3ria. <strong>A inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria j\u00e1 reconhecera que o acidente causou a perda da vis\u00e3o do olho esquerdo de v\u00edtima em idade escolar<\/strong>; sobre esse fato incontroverso incidiu a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da presun\u00e7\u00e3o, fixando-se o pensionamento vital\u00edcio em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, sem reexame de provas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o pensionamento civil devido a quem, em idade escolar, perdeu a vis\u00e3o de um olho em acidente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) exige a prova de que a v\u00edtima ficou impossibilitada de exercer atividades profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pressup\u00f5e que a v\u00edtima exercesse atividade remunerada na data do acidente, base de c\u00e1lculo da renda mensal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) limita-se ao per\u00edodo entre o evento danoso e a data em que a v\u00edtima completar vinte e cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de per\u00edcia que aponte percentual m\u00ednimo de perda funcional apto a gerar a obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) decorre da presun\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o da capacidade laborativa, fixando-se em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo se a v\u00edtima n\u00e3o auferia renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O art. 950 do CC contenta-se com a diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de trabalho; a inabilita\u00e7\u00e3o completa para atividades profissionais n\u00e3o \u00e9 requisito da pens\u00e3o, e exigi-la esvaziaria a prote\u00e7\u00e3o nas les\u00f5es parciais permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A demonstra\u00e7\u00e3o de atividade remunerada \u00e0 \u00e9poca do acidente \u00e9 prescind\u00edvel; justamente para a v\u00edtima sem renda o STJ fixa a pens\u00e3o em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O limite et\u00e1rio de vinte e cinco anos \u00e9 crit\u00e9rio da pens\u00e3o devida aos pais pela morte de filho, ligado \u00e0 presumida constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia pr\u00f3pria; na redu\u00e7\u00e3o da capacidade laborativa da pr\u00f3pria v\u00edtima, o pensionamento \u00e9 vital\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Reconhecida a perda da vis\u00e3o em idade escolar pela inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria, a limita\u00e7\u00e3o da capacidade laborativa \u00e9 presumida; a obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica condicionada \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o pericial de percentual m\u00ednimo de perda funcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Em acidente ocorrido em idade escolar, presume-se a limita\u00e7\u00e3o da capacidade laborativa, o que justifica o pensionamento vital\u00edcio; n\u00e3o auferindo renda a v\u00edtima, a pens\u00e3o \u00e9 fixada em um sal\u00e1rio-m\u00ednimo (art. 950 do CC).<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a perda da vis\u00e3o do olho esquerdo do recorrente, ocorrida em idade escolar, justifica o direito ao pensionamento vital\u00edcio, mesmo sem comprova\u00e7\u00e3o de incapacidade laboral imediata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o recorrente, com 14 anos na data dos fatos, ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o, movida por motivo de acidente ocorrido em estabelecimento de ensino no qual outra aluna jogou uma lapiseira que atingiu o olho esquerdo do demandante vindo a comprometer sua vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria reconheceu que o acidente causou a perda da vis\u00e3o do olho esquerdo do demandante que \u00e0 \u00e9poca dos fatos estava em idade escolar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, a Corte local n\u00e3o reconheceu o direito ao pensionamento vital\u00edcio ao argumento de que o recorrente n\u00e3o estaria impossibilitado de exercer atividades profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a presume a limita\u00e7\u00e3o ou perda da capacidade laborativa em casos de acidentes ocorridos em idade escolar, justificando o pensionamento vital\u00edcio. Cita-se o entendimento no REsp n. 1.884.887\/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10\/8\/2021, DJe de 16\/8\/2021, no sentido de que &#8220;o direito \u00e0 pens\u00e3o vital\u00edcia previsto no art. 950 do CC\/02 exige apenas a comprova\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da capacidade de trabalho, sendo prescind\u00edvel a demonstra\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio de atividade remunerada \u00e0 \u00e9poca do acidente. Se a v\u00edtima n\u00e3o auferia renda, o valor da pens\u00e3o vital\u00edcia deve ser fixado em um sal\u00e1rio m\u00ednimo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, independentemente do reexame de provas, no caso concreto, \u00e9 cedi\u00e7o que a inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria decidiu que o acidente causou a perda da vis\u00e3o do olho esquerdo do demandante que \u00e0 \u00e9poca dos fatos estava em idade escolar, motivo pelo qual, nos termos da jurisprud\u00eancia desta Corte, fixa-se o pensionamento vital\u00edcio em um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-vicio-oculto-e-responsabilidade-do-fabricante-pela-baixa-do-veiculo\" class=\"wp-block-heading\">4. V\u00cdCIO OCULTO E RESPONSABILIDADE DO FABRICANTE PELA BAIXA DO VE\u00cdCULO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fabricante <strong>\u00e9 respons\u00e1vel pela baixa do registro<\/strong> de ve\u00edculo irrecuper\u00e1vel em caso de perda total por v\u00edcio oculto, respondendo pelos encargos do salvado <strong>desde a constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio<\/strong> e da determina\u00e7\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o do bem ao fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 2.291.627-DF, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Barriga adquiriu um autom\u00f3vel da Motorvel Montadora. Passado um m\u00eas, o motor fundiu for falha oculta no sistema de lubrifica\u00e7\u00e3o. O possante ficou imprest\u00e1vel ao uso (perda total). Em a\u00e7\u00e3o redibit\u00f3ria, Seu Barriga obteve a restitui\u00e7\u00e3o do valor pago, com a determina\u00e7\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o do salvado \u00e0 fabricante. Depois disso, continuaram a ser lan\u00e7ados em seu nome IPVA, licenciamento e multas vinculados ao registro do ve\u00edculo. Seu Barriga postulou que a Motorvel promovesse a baixa do registro e arcasse com os encargos; a fabricante sustentou que a propriedade de bem m\u00f3vel se transfere com a tradi\u00e7\u00e3o e que o art. 126 do CTB n\u00e3o a alcan\u00e7a. Quem responde pela baixa e pelos encargos do salvado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTB, art. 126<\/strong><em> (a obriga\u00e7\u00e3o de dar baixa no registro de ve\u00edculo irrecuper\u00e1vel \u00e9 da companhia seguradora ou do adquirente do ve\u00edculo destinado \u00e0 desmontagem, quando estes sucederem ao propriet\u00e1rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.267<\/strong><em> (a propriedade das coisas m\u00f3veis transfere-se com a tradi\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STJ, aplicando o art. 126 do CTB, j\u00e1 decidira que a <strong>seguradora<\/strong> que indeniza o segurado pela perda total por <strong>acidente<\/strong> sub-roga-se na propriedade do salvado e torna-se respons\u00e1vel pela sua transfer\u00eancia junto ao \u00f3rg\u00e3o de tr\u00e2nsito, a fim de resguardar o segurado de ocorr\u00eancias posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Reconhecido judicialmente o <strong>v\u00edcio oculto<\/strong> que levou \u00e0 perda total, com restitui\u00e7\u00e3o do valor pago e devolu\u00e7\u00e3o do salvado, os efeitos patrimoniais retroagem \u00e0 constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio: onde h\u00e1 a mesma raz\u00e3o, aplica-se o mesmo direito (<em>ubi eadem ratio ibi idem jus<\/em>), e o <strong>fabricante<\/strong> assume os encargos do ve\u00edculo defeituoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A regra de reg\u00eancia parte do destino do salvado. <strong>O art. 126 do CTB atribui a obriga\u00e7\u00e3o de dar baixa no registro de ve\u00edculo irrecuper\u00e1vel a quem sucede o propriet\u00e1rio na titularidade do bem<\/strong> &#8211; a seguradora que indeniza a perda total ou o adquirente destinado \u00e0 desmontagem -, l\u00f3gica que o STJ j\u00e1 aplicara \u00e0s seguradoras sub-rogadas na propriedade do salvado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O v\u00edcio oculto reconhecido em ju\u00edzo desloca os efeitos no tempo. <strong>Reconhecido que o ve\u00edculo apresentava v\u00edcio oculto causador da perda total e que o fabricante deve restituir o valor pago, os efeitos patrimoniais retroagem \u00e0 data da constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio<\/strong>, momento a partir do qual o uso do bem se tornou imposs\u00edvel ao comprador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A posi\u00e7\u00e3o do fabricante equipara-se, na ess\u00eancia, \u00e0 da seguradora. <strong>Determinada a devolu\u00e7\u00e3o do salvado ao fornecedor, o fabricante passa a responder pelos encargos do ve\u00edculo defeituoso<\/strong>; a identidade de raz\u00f5es atrai a aplica\u00e7\u00e3o do mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem jus), sem que a regra da tradi\u00e7\u00e3o do art. 1.267 do CC sirva de escudo contra a sucess\u00e3o nos deveres ligados ao registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O resultado protege o consumidor contra ocorr\u00eancias posteriores ao desfazimento. <strong>Cabe ao fabricante providenciar a transfer\u00eancia ou a baixa do ve\u00edculo sinistrado junto ao \u00f3rg\u00e3o de tr\u00e2nsito<\/strong>, evitando que tributos, taxas e infra\u00e7\u00f5es vinculados ao registro continuem a onerar quem j\u00e1 n\u00e3o pode usar o bem e j\u00e1 foi ressarcido justamente porque o produto era defeituoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito da baixa do registro de ve\u00edculo com perda total decorrente de v\u00edcio oculto reconhecido judicialmente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) incumbe ao fabricante, que responde pelos encargos do salvado desde a constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) permanece com o comprador, pois a propriedade de bem m\u00f3vel somente se transfere com a tradi\u00e7\u00e3o do salvado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) recai sobre quem constar do registro no \u00f3rg\u00e3o de tr\u00e2nsito, por se tratar de dever vinculado \u00e0 titularidade formal do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) n\u00e3o alcan\u00e7a o fabricante, porquanto o art. 126 do CTB contempla a seguradora e o adquirente destinado \u00e0 desmontagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) surge apenas com a entrega do ve\u00edculo ao fornecedor, sem retroa\u00e7\u00e3o \u00e0 data da constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. Reconhecido o v\u00edcio oculto com perda total e determinada a devolu\u00e7\u00e3o do salvado, o fabricante responde pela baixa do registro e pelos encargos desde a constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio, aplicando-se a mesma raz\u00e3o que o art. 126 do CTB reserva \u00e0s seguradoras (ubi eadem ratio ibi idem jus).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A regra da tradi\u00e7\u00e3o (art. 1.267 do CC) n\u00e3o impede a retroa\u00e7\u00e3o dos efeitos patrimoniais \u00e0 constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio: o desfazimento do neg\u00f3cio por v\u00edcio oculto transfere ao fabricante os encargos do salvado, ainda que a entrega f\u00edsica ocorra depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O dever de baixa n\u00e3o se prende \u00e0 titularidade formal do registro: o art. 126 do CTB o atribui a quem sucede o propriet\u00e1rio no dom\u00ednio do bem irrecuper\u00e1vel, e a sub-roga\u00e7\u00e3o decorrente do desfazimento alcan\u00e7a o fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A men\u00e7\u00e3o do art. 126 do CTB \u00e0 seguradora e ao adquirente para desmontagem n\u00e3o esgota as hip\u00f3teses: havendo identidade de raz\u00e3o &#8211; sucess\u00e3o na titularidade do salvado -, o mesmo regime se aplica ao fabricante que recebe o bem de volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Os efeitos patrimoniais retroagem \u00e0 data da constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio, que tornou o uso imposs\u00edvel; a responsabilidade do fabricante n\u00e3o espera a entrega f\u00edsica do salvado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a responsabilidade pela baixa do registro de ve\u00edculo irrecuper\u00e1vel deve ser atribu\u00edda ao fabricante, em caso de perda total por v\u00edcio oculto, ou ao propriet\u00e1rio, considerando a tradi\u00e7\u00e3o como forma de transfer\u00eancia de propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte local concluiu que a fabricante deve arcar com os d\u00e9bitos do ve\u00edculo ap\u00f3s o sinistro, fundamentando-se na sub-roga\u00e7\u00e3o dos direitos e deveres do propriet\u00e1rio. Esclareceu, ainda, que &#8220;a fabricante tem o dever de providenciar a transfer\u00eancia ou a baixa do ve\u00edculo sinistrado junto ao DETRAN em caso de perda total resultante de v\u00edcio oculto, pois os salvados s\u00e3o a ela transferidos, por for\u00e7a da sub-roga\u00e7\u00e3o operada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o art. 126 do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro &#8211; CTB estabelece que a obriga\u00e7\u00e3o de dar baixa ao registro de ve\u00edculo irrecuper\u00e1vel \u00e9 da companhia seguradora ou do adquirente do ve\u00edculo destinado \u00e0 desmontagem, quando estes sucederem ao propriet\u00e1rio. J\u00e1 o art. 1.267 do C\u00f3digo Civil &#8211; CC disp\u00f5e que a propriedade do bem m\u00f3vel transfere-se com a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, em se reconhecendo judicialmente que o ve\u00edculo apresentava v\u00edcio oculto que levou a perda total (e impossibilitou o seu uso por parte do comprador) e que o fabricante deve indenizar o consumidor com a restitui\u00e7\u00e3o do valor pago ou substitui\u00e7\u00e3o do bem, os efeitos patrimoniais retroagem \u00e0 data que impossibilitou o uso (constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o fabricante passa a responder pelos encargos do salvado a partir da constata\u00e7\u00e3o do v\u00edcio e da determina\u00e7\u00e3o da devolu\u00e7\u00e3o do salvado ao fornecedor\/fabricante, momento em que, assume a responsabilidade pelo ve\u00edculo defeituoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Veja-se que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, aplicando a literalidade do art. 126 do CTB, decidiu que &#8220;a empresa seguradora que indeniza o segurado pela perda total do ve\u00edculo, sub-roga-se na propriedade do &#8216;salvado&#8217;, tornando-se respons\u00e1vel pela sua transfer\u00eancia junto ao DETRAN, a fim de resguardar o segurado de qualquer ocorr\u00eancia posterior&#8221; (EDcl no AgRg no REsp n. 1.404.981\/MG, relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 25\/2\/2014, DJe de 14\/3\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, assiste raz\u00e3o ao Tribunal de origem que, com base nas peculiaridades do caso concreto, reconheceu a incid\u00eancia do mesmo fundamento utilizado pelo STJ \u00e0s seguradoras (art. 126 do CTB) \u00e0 presente situa\u00e7\u00e3o dos autos (v\u00edcio oculto em autom\u00f3vel que levou o ve\u00edculo a perda total), atraindo a aplica\u00e7\u00e3o do mesmo direito reconhecido (ubi eadem ratio ibi idem jus) e concluiu pela pertin\u00eancia da atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidade do fabricante pelos encargos do ve\u00edculo irrecuper\u00e1vel que apresentava v\u00edcio oculto.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-fazenda-publica-condomina-e-encargos-de-mora-da-convencao-condominial\" class=\"wp-block-heading\">5. FAZENDA P\u00daBLICA COND\u00d4MINA E ENCARGOS DE MORA DA CONVEN\u00c7\u00c3O CONDOMINIAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Fazenda P\u00fablica, ao realizar neg\u00f3cio de direito privado e aceitar os termos de conven\u00e7\u00e3o condominial, <strong>sujeita-se aos encargos de mora previstos no instrumento<\/strong>, em observ\u00e2ncia ao pacta sunt servanda, <strong>afastado o art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/1997<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.214.098-PE, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 22\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Munic\u00edpio de Tangamand\u00e1pio, propriet\u00e1rio de salas no Condom\u00ednio Edif\u00edcio Solar das Ac\u00e1cias, deixou de pagar as quotas condominiais. Na a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, o condom\u00ednio pleiteou os juros e a multa morat\u00f3ria previstos na conven\u00e7\u00e3o; o ente p\u00fablico sustentou que, por se tratar de condena\u00e7\u00e3o contra a Fazenda, os encargos deveriam seguir o art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/1997, com os \u00edndices da caderneta de poupan\u00e7a. Quais encargos de mora incidem sobre o d\u00e9bito condominial do ente p\u00fablico?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.494\/1997, art. 1\u00ba-F<\/strong><em> (nas condena\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica, para atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, remunera\u00e7\u00e3o do capital e compensa\u00e7\u00e3o da mora, incidem os \u00edndices oficiais de remunera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e juros aplicados \u00e0 caderneta de poupan\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 260 do STJ<\/strong><em> (a conven\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio aprovada, ainda que sem registro, \u00e9 eficaz para regular as rela\u00e7\u00f5es entre os cond\u00f4minos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 1\u00ba-F foi editado para padronizar encargos de mora em rela\u00e7\u00f5es de Direito Administrativo &#8211; contratos administrativos, servidores, mat\u00e9ria previdenci\u00e1ria e tribut\u00e1ria -, conferindo previsibilidade e preservando o equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio. Sua voca\u00e7\u00e3o s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de ordem p\u00fablica, n\u00e3o os neg\u00f3cios comuns do ente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Quando o Poder P\u00fablico adquire im\u00f3vel em condom\u00ednio edil\u00edcio, contrata como particular, sem supremacia contratual. Prevalecem, quanto \u00e0 cobran\u00e7a das taxas condominiais, os encargos da conven\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio, aplic\u00e1veis a ele como aos demais cond\u00f4minos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 o divisor de \u00e1guas do regime de encargos. <strong>O art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/1997 aplica-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de Direito Administrativo que a Fazenda estabelece com terceiros<\/strong> &#8211; contratados, servidores, rela\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e tribut\u00e1rias -, todas marcadas pela ordem p\u00fablica e pela posi\u00e7\u00e3o de supremacia do ente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O caso, por\u00e9m, situa-se em outro terreno. <strong>Ao adquirir im\u00f3vel integrante de condom\u00ednio edil\u00edcio, o Poder P\u00fablico realiza neg\u00f3cio comum de direito privado, na condi\u00e7\u00e3o de contratante como qualquer particular<\/strong>, sem distin\u00e7\u00e3o essencial &#8211; tanto que a mat\u00e9ria \u00e9 julgada no \u00e2mbito da Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, e n\u00e3o entre as turmas de direito p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Aceitos os termos da conven\u00e7\u00e3o, ela vincula o ente como vincula os demais. <strong>Prevalece, quanto \u00e0 cobran\u00e7a das taxas condominiais, o disposto na conven\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio, em observ\u00e2ncia ao pacta sunt servanda<\/strong>; a efic\u00e1cia do instrumento entre cond\u00f4minos independe at\u00e9 de registro, como assenta a S\u00famula 260 do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Permitir o regime especial aqui inverteria a l\u00f3gica do benef\u00edcio. <strong>N\u00e3o \u00e9 adequado que o ente se beneficie de regras pensadas para outras rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas quando contrata em p\u00e9 de igualdade<\/strong>: a Fazenda cond\u00f4mina deve obedecer \u00e0s mesmas regras impostas aos demais cond\u00f4minos, inclusive juros e multa convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto aos encargos de mora sobre quotas condominiais devidas por Munic\u00edpio propriet\u00e1rio de unidade em condom\u00ednio edil\u00edcio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) seguem o art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/1997, aplic\u00e1vel \u00e0s condena\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica independentemente de sua natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) incidem conforme a conven\u00e7\u00e3o somente at\u00e9 a cita\u00e7\u00e3o do ente p\u00fablico, aplicando-se dali em diante os \u00edndices da caderneta de poupan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) obedecem \u00e0 conven\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio, pois o ente contrata como particular em rela\u00e7\u00e3o de direito privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) dependem do registro da conven\u00e7\u00e3o no cart\u00f3rio de im\u00f3veis para que sejam opon\u00edveis ao cond\u00f4mino p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) ficam limitados aos juros legais do C\u00f3digo Civil, afastada a multa convencional por incompatibilidade com o regime administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A literalidade do art. 1\u00ba-F n\u00e3o o torna aplic\u00e1vel aos neg\u00f3cios privados do ente: a norma rege rela\u00e7\u00f5es de Direito Administrativo; na compra de im\u00f3vel em condom\u00ednio edil\u00edcio, o Poder P\u00fablico contrata como particular e se submete \u00e0 conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 regime h\u00edbrido com marco na cita\u00e7\u00e3o: aceitos os termos da conven\u00e7\u00e3o condominial, os encargos nela previstos regem a mora do ente do vencimento ao pagamento, por for\u00e7a do pacta sunt servanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. Ao realizar neg\u00f3cio de direito privado e aceitar a conven\u00e7\u00e3o condominial, a Fazenda sujeita-se aos encargos de mora do instrumento, como os demais cond\u00f4minos; o art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/1997 fica afastado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A conven\u00e7\u00e3o aprovada, ainda que sem registro, \u00e9 eficaz para regular as rela\u00e7\u00f5es entre os cond\u00f4minos (S\u00famula 260 do STJ), inclusive em face do cond\u00f4mino p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre a multa convencional e a posi\u00e7\u00e3o do ente: contratando em igualdade com os demais cond\u00f4minos, a Fazenda responde pelos juros e pela multa previstos na conven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas pelos juros legais.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se, tratando-se de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de natureza privada em que a Fazenda P\u00fablica municipal assume obriga\u00e7\u00f5es com o particular e aceita os termos de conven\u00e7\u00e3o condominial (S\u00famula 260 do STJ), deve prevalecer o que consta do respectivo instrumento no tocante aos encargos decorrentes da mora, em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio pacta sunt servanda, ou deve prevalecer o disposto no art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/97, aplic\u00e1vel \u00e0s condena\u00e7\u00f5es contra a Fazenda P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/1997, com a reda\u00e7\u00e3o que lhe foi dada pela Lei n. 11.960\/2009, disp\u00f5e o seguinte: Nas condena\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica, independentemente de sua natureza e para fins de atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, remunera\u00e7\u00e3o do capital e compensa\u00e7\u00e3o da mora, haver\u00e1 a incid\u00eancia uma \u00fanica vez, at\u00e9 o efetivo pagamento, dos \u00edndices oficiais de remunera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e juros aplicados \u00e0 caderneta de poupan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A norma foi editada em raz\u00e3o do reconhecimento pelo legislador da necessidade de padronizar os encargos de mora impostos \u00e0 Fazenda P\u00fablica em condena\u00e7\u00f5es judiciais, conferindo previsibilidade e preservando o equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 9.494\/1997 aplica-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de Direito Administrativo que a Fazenda P\u00fablica estabelece com terceiros em geral, como seus contratados, seus servidores p\u00fablicos, e outras de natureza previdenci\u00e1ria e tribut\u00e1ria, por exemplo. No entanto, no presente caso, trata-se de um contrato t\u00edpico de Direito Privado, raz\u00e3o pela qual \u00e9 julgado no \u00e2mbito da Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando o Poder P\u00fablico aluga um im\u00f3vel ou efetua uma compra e venda simples, ele o faz na condi\u00e7\u00e3o de qualquer locat\u00e1rio ou contratante comum, como qualquer particular, sem distin\u00e7\u00e3o ou diferencia\u00e7\u00e3o essencial. Nesse contexto, n\u00e3o se trata de um contrato de Direito Administrativo em que o Poder P\u00fablico possui supremacia contratual sobre o contratado e, portanto, n\u00e3o parece adequado que ele se beneficie de regras espec\u00edficas aplic\u00e1veis a outras rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas possuem diversas naturezas, como previdenci\u00e1ria, tribut\u00e1ria, de servidor p\u00fablico, de contrato administrativo e estatut\u00e1ria. Todas essas naturezas s\u00e3o de ordem p\u00fablica e, independentemente de qual seja, normalmente aplica-se a regra do artigo 1\u00ba-F da Lei n. 9.494\/97.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, na hip\u00f3tese, o Poder P\u00fablico, ao realizar um neg\u00f3cio comum, de direito privado &#8211; a compra e venda de im\u00f3vel integrante de condom\u00ednio edil\u00edcio -, sujeita-se aos termos aplic\u00e1veis aos demais cond\u00f4minos, devendo prevalecer, quanto \u00e0 cobran\u00e7a de taxas condominiais, o disposto na respectiva Conven\u00e7\u00e3o de Condom\u00ednio. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a Fazenda P\u00fablica deve, portanto, obedecer \u00e0s mesmas regras impostas a todos os demais cond\u00f4minos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-biografia-nao-autorizada-e-indenizacao-pelo-conteudo-violador-da-intimidade\" class=\"wp-block-heading\">6. BIOGRAFIA N\u00c3O AUTORIZADA E INDENIZA\u00c7\u00c3O PELO CONTE\u00daDO VIOLADOR DA INTIMIDADE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divulga\u00e7\u00e3o de obra biogr\u00e1fica <strong>dispensa a autoriza\u00e7\u00e3o<\/strong> das pessoas retratadas, mas <strong>n\u00e3o exclui o dever de indenizar<\/strong> quando o conte\u00fado do texto viola a imagem, a privacidade ou a intimidade dessas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines publicou biografia de Kiko sem sua autoriza\u00e7\u00e3o. Chiquinha, que aparece na obra, ajuizou a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria sustentando que trechos do livro expuseram aspectos \u00edntimos de sua vida que ela n\u00e3o costumava compartilhar publicamente, embora mantivesse presen\u00e7a ativa em redes sociais. O bi\u00f3grafo alegou que os fatos narrados eram ver\u00eddicos e que a ADI 4815 dispensou o consentimento dos retratados. A veracidade dos fatos e a dispensa de autoriza\u00e7\u00e3o afastam a indeniza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 20 e 21<\/strong><em> (interpretados conforme a Constitui\u00e7\u00e3o pelo STF na ADI 4815: \u00e9 inexig\u00edvel a autoriza\u00e7\u00e3o do biografado e das pessoas retratadas como coadjuvantes ou familiares para a publica\u00e7\u00e3o de obras biogr\u00e1ficas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Nos conflitos entre liberdade de express\u00e3o e direitos da personalidade, o STJ pondera tr\u00eas elementos: o compromisso \u00e9tico com a informa\u00e7\u00e3o veross\u00edmil; a preserva\u00e7\u00e3o dos direitos \u00e0 honra, \u00e0 imagem, \u00e0 privacidade e \u00e0 intimidade; e a veda\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica com intuito de difamar, injuriar ou caluniar (<em>animus injuriandi vel diffamandi<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A narrativa de fatos ver\u00eddicos ou veross\u00edmeis, sem abuso do direito de express\u00e3o, n\u00e3o configura ato il\u00edcito. Ultrapassada a informa\u00e7\u00e3o de cunho objetivo, com exposi\u00e7\u00e3o indevida da intimidade, preponderam os direitos da personalidade e surge o dever de indenizar &#8211; n\u00e3o pela falta de consentimento, mas pelo conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A exposi\u00e7\u00e3o habitual da pr\u00f3pria vida em redes sociais n\u00e3o elimina a esfera de intimidade: o que a pessoa n\u00e3o compartilhava com o p\u00fablico &#8211; como aspectos de sua vida \u00edntima &#8211; permanece protegido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O ponto pacificado pela jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional delimita o terreno da controv\u00e9rsia. <strong>Na ADI 4815, o STF deu interpreta\u00e7\u00e3o conforme aos arts. 20 e 21 do CC para dispensar a autoriza\u00e7\u00e3o do biografado e tamb\u00e9m das pessoas retratadas como coadjuvantes ou familiares<\/strong>; a censura pr\u00e9via \u00e0 obra biogr\u00e1fica, sob a forma de consentimento obrigat\u00f3rio, ficou banida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Dispensar autoriza\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o imuniza o conte\u00fado. <strong>A desnecessidade de consentimento n\u00e3o exclui eventual dever de indenizar, n\u00e3o pela falta de autoriza\u00e7\u00e3o, mas pelo conte\u00fado do texto, se houver viola\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem, \u00e0 privacidade ou \u00e0 intimidade<\/strong> &#8211; \u00e9 a garantia constitucional de indeniza\u00e7\u00e3o operando a posteriori, onde a censura n\u00e3o pode operar a priori.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O crit\u00e9rio de aferi\u00e7\u00e3o \u00e9 a pondera\u00e7\u00e3o j\u00e1 sedimentada para a liberdade de imprensa. <strong>A narrativa de fatos ver\u00eddicos ou veross\u00edmeis, sem abusos no direito de express\u00e3o, n\u00e3o configura ato il\u00edcito; comprovado que o autor ultrapassou a informa\u00e7\u00e3o de cunho objetivo, preponderam os direitos da personalidade<\/strong>, avaliados o compromisso com a informa\u00e7\u00e3o veross\u00edmil, a preserva\u00e7\u00e3o da honra, imagem, privacidade e intimidade, e a aus\u00eancia de animus injuriandi vel diffamandi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso, a veracidade n\u00e3o salvou a obra. <strong>Embora ver\u00eddicos os fatos e sem car\u00e1ter ofensivo o relato, houve exposi\u00e7\u00e3o indevida da intimidade da autora<\/strong>: nem a presen\u00e7a ativa dela em redes sociais autorizava revelar o que ela n\u00e3o compartilhava com o p\u00fablico, e essa invas\u00e3o da esfera \u00edntima gera indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a responsabilidade civil do autor de biografia publicada sem autoriza\u00e7\u00e3o das pessoas retratadas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) decorre da falta de consentimento, pois a divulga\u00e7\u00e3o de obra biogr\u00e1fica exige autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos retratados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pode configurar-se pelo conte\u00fado da obra, quando viola imagem, privacidade ou intimidade, ainda que dispensada a autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) fica afastada quando os fatos narrados s\u00e3o ver\u00eddicos, hip\u00f3tese em que prevalece a liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige o consentimento apenas do biografado, dispensando-se a autoriza\u00e7\u00e3o dos coadjuvantes retratados na obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) n\u00e3o se configura quando a pessoa retratada exp\u00f5e habitualmente a pr\u00f3pria vida em redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A ADI 4815 tornou inexig\u00edvel a autoriza\u00e7\u00e3o para a publica\u00e7\u00e3o de biografias; a responsabilidade n\u00e3o nasce da falta de consentimento, e condicionar a obra \u00e0 anu\u00eancia pr\u00e9via equivaleria \u00e0 censura vedada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. Dispensada a autoriza\u00e7\u00e3o, subsiste o controle a posteriori do conte\u00fado: se o texto ultrapassa a informa\u00e7\u00e3o objetiva e viola imagem, privacidade ou intimidade, preponderam os direitos da personalidade e surge o dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A veracidade afasta o il\u00edcito apenas enquanto a narrativa permanece no plano objetivo; mesmo fatos ver\u00eddicos geram indeniza\u00e7\u00e3o quando sua exposi\u00e7\u00e3o invade indevidamente a intimidade da pessoa retratada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A dispensa de autoriza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a n\u00e3o apenas os coadjuvantes e familiares retratados, nos termos da interpreta\u00e7\u00e3o conforme dada aos arts. 20 e 21 do CC na ADI 4815.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A exposi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria em redes sociais n\u00e3o suprime a esfera de intimidade: os aspectos que a pessoa n\u00e3o compartilhava com o p\u00fablico permanecem protegidos, e sua divulga\u00e7\u00e3o indevida \u00e9 indeniz\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No julgamento da ADI 4815\/DF, o Supremo Tribunal Federal deu interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o aos arts. 20 e 21 do CC, entendendo que, al\u00e9m de n\u00e3o ser necess\u00e1ria a autoriza\u00e7\u00e3o da pessoa biografada para que seja mencionada em livro biogr\u00e1fico, tamb\u00e9m \u00e9 inexig\u00edvel a autoriza\u00e7\u00e3o de pessoas retratadas como coadjuvantes ou familiares na biografia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apreciando a mesma quest\u00e3o, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, em aten\u00e7\u00e3o ao que decidido pelo STF, orientou o seu entendimento no sentido de que a aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o para a divulga\u00e7\u00e3o de obra biogr\u00e1fica n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o aos direitos de imagem do biografado ou de seus familiares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de n\u00e3o haver d\u00favidas quanto \u00e0 desnecessidade de autoriza\u00e7\u00e3o de pessoas retratadas em biografias para a sua divulga\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o exclui eventual dever de indenizar essas mesmas pessoas, n\u00e3o por falta de consentimento, mas devido ao conte\u00fado do texto, se houver viola\u00e7\u00e3o \u00e0 sua imagem, privacidade ou intimidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, ao tratar da liberdade de imprensa e de informa\u00e7\u00e3o, esta Corte j\u00e1 estabeleceu, para situa\u00e7\u00f5es de conflito entre a liberdade de express\u00e3o e os direitos da personalidade, entre outros, os seguintes elementos de pondera\u00e7\u00e3o: &#8220;(I) o compromisso \u00e9tico com a informa\u00e7\u00e3o veross\u00edmil; (II) a preserva\u00e7\u00e3o dos chamados direitos da personalidade, entre os quais incluem-se os direitos \u00e0 honra, \u00e0 imagem, \u00e0 privacidade e \u00e0 intimidade; e (III) a veda\u00e7\u00e3o de veicula\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica jornal\u00edstica com intuito de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa (animus injuriandi vel diffamandi)&#8221; (REsp 801.109\/DF, relator Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, DJe de 12\/3\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em princ\u00edpio, portanto, a narrativa de fatos ver\u00eddicos ou veross\u00edmeis, sem abusos no direito de express\u00e3o, n\u00e3o configura ato il\u00edcito. Comprovando-se, entretanto, que o autor do texto ultrapassou informa\u00e7\u00e3o de cunho objetivo, devem preponderar os direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso dos autos, embora os fatos relatados na biografia do primeiro r\u00e9u sejam ver\u00eddicos, sem car\u00e1ter pornogr\u00e1fico, er\u00f3tico ou ofensivo, \u00e9 ineg\u00e1vel que houve exposi\u00e7\u00e3o indevida da intimidade da autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme relatado na senten\u00e7a, &#8220;apesar de a autora estar acostumada, segundo consta dos autos, a expor parte de sua vida nas redes sociais, o que torna dif\u00edcil o entendimento do que seria a sua vida privada, o certo \u00e9 que, salvo as &#8220;trolagens&#8221; (meras brincadeiras, portanto) mencionadas na contesta\u00e7\u00e3o, nada h\u00e1 demonstrando que ela costumava compartilhar com o seu p\u00fablico aspectos \u00edntimos relacionados \u00e0 sua vida sexual&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, comprovado que o autor do livro ultrapassou informa\u00e7\u00e3o de cunho objetivo, devem preponderar os direitos da personalidade da autora, o que d\u00e1 ensejo \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-erro-em-documentos-de-transporte-aereo-internacional-e-prescricao-bienal\" class=\"wp-block-heading\">7. ERRO EM DOCUMENTOS DE TRANSPORTE A\u00c9REO INTERNACIONAL E PRESCRI\u00c7\u00c3O BIENAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A responsabilidade da transportadora a\u00e9rea por erro no preenchimento de documentos de transporte internacional, mat\u00e9ria expressamente disciplinada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, <strong>submete-se ao prazo prescricional de 2 anos<\/strong> nela previsto, e n\u00e3o ao prazo do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.844.556-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A FrutaBoa Exportadora contratou a AsasVeloz Cargo para o transporte a\u00e9reo internacional de mercadorias. A transportadora errou no preenchimento dos documentos de transporte, o que levou a exportadora a recolher tributos indevidos no destino. Mais de dois anos depois passados, a FrutaBoa percebeu o equ\u00edvoco e ajuizou pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria, sustentando a incid\u00eancia do prazo decenal do C\u00f3digo Civil; a transportadora arguiu a prescri\u00e7\u00e3o bienal da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal. Qual prazo prescricional rege a pretens\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Conven\u00e7\u00e3o de Montreal (Decreto n. 5.910\/2006), art. 35<\/strong><em> (o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o se extingue se a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o for iniciada dentro do prazo de dois anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema n. 210\/STF<\/strong><em> (as normas internacionais limitadoras da responsabilidade das transportadoras a\u00e9reas, como as Conven\u00e7\u00f5es de Vars\u00f3via e Montreal, prevalecem sobre a legisla\u00e7\u00e3o interna nos casos por elas regulados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STJ, alinhada ao STF, aplica a prescri\u00e7\u00e3o bienal das Conven\u00e7\u00f5es de Montreal\/Vars\u00f3via aos casos expressamente regulados pelos tratados; nas mat\u00e9rias neles n\u00e3o tratadas, incidem os prazos da legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A Conven\u00e7\u00e3o de Montreal disciplina expressamente a responsabilidade pelas informa\u00e7\u00f5es e documentos relativos \u00e0 importa\u00e7\u00e3o, impondo deveres ao expedidor e ao transportador; sendo a mat\u00e9ria regulada pelo tratado, o prazo aplic\u00e1vel \u00e9 o bienal do art. 35.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O crit\u00e9rio de conviv\u00eancia entre o tratado e a lei interna est\u00e1 assentado em repercuss\u00e3o geral. <strong>As normas internacionais limitadoras da responsabilidade das transportadoras a\u00e9reas prevalecem sobre a legisla\u00e7\u00e3o interna nos casos expressamente regulados pelos tratados<\/strong> (Tema n. 210\/STF); fora do campo regulado, voltam a incidir os prazos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A aplica\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio exige identificar o objeto da disciplina convencional. <strong>A Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, internalizada pelo Decreto n. 5.910\/2006, disciplina expressamente a responsabilidade pelas informa\u00e7\u00f5es e pelos documentos relacionados \u00e0 importa\u00e7\u00e3o<\/strong>, impondo deveres ao expedidor e ao transportador e definindo a natureza de suas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O enquadramento do caso decorre da pr\u00f3pria causa de pedir. <strong>O preju\u00edzo derivou de erro da transportadora no preenchimento de documentos de transporte internacional &#8211; mat\u00e9ria tratada pelo acordo, e n\u00e3o pelo C\u00f3digo Civil<\/strong>; n\u00e3o se cuida de lacuna do tratado que reabrisse espa\u00e7o ao direito interno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Definida a norma de reg\u00eancia, o desfecho prescricional \u00e9 direto. <strong>Aplica-se o prazo de 2 anos previsto no art. 35 da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal<\/strong>, afastado o prazo do C\u00f3digo Civil que a autora invocava para salvar a pretens\u00e3o ajuizada tardiamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o ao prazo prescricional da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria contra transportadora a\u00e9rea por erro no preenchimento de documentos de transporte internacional de mercadorias:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) conta-se pelo prazo decenal do C\u00f3digo Civil, por se tratar de responsabilidade contratual n\u00e3o abrangida pelo tratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) segue o prazo quinquenal do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, dada a natureza consumerista do contrato de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) sujeita-se \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o interna, pois a Conven\u00e7\u00e3o de Montreal alcan\u00e7a apenas extravio, avaria ou atraso na entrega da carga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 bienal, pois a responsabilidade pelos documentos de transporte \u00e9 mat\u00e9ria expressamente disciplinada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) observa a norma mais favor\u00e1vel \u00e0 v\u00edtima, crit\u00e9rio que resolve o conflito entre o tratado e o C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O prazo decenal s\u00f3 incidiria em mat\u00e9ria n\u00e3o regulada pelo tratado; a responsabilidade pelos documentos de transporte \u00e9 expressamente disciplinada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, que rege a pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A rela\u00e7\u00e3o entre exportadora e transportadora de carga \u00e9 empresarial, e o crit\u00e9rio decisivo n\u00e3o \u00e9 a qualifica\u00e7\u00e3o consumerista: tratando-se de mat\u00e9ria regulada pela Conven\u00e7\u00e3o, prevalece o prazo bienal do art. 35.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o se esgota nos danos \u00e0 carga: o tratado disciplina tamb\u00e9m a responsabilidade pelas informa\u00e7\u00f5es e documentos relativos \u00e0 importa\u00e7\u00e3o, impondo deveres ao expedidor e ao transportador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Sendo a responsabilidade pelos documentos de transporte mat\u00e9ria expressamente regulada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, incide o prazo prescricional de 2 anos do seu art. 35, que prevalece sobre a legisla\u00e7\u00e3o interna (Tema n. 210\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rio da norma mais favor\u00e1vel nesse conflito: a preval\u00eancia do tratado nos casos por ele regulados decorre do Tema n. 210\/STF, ainda que o prazo convencional seja menos ben\u00e9fico ao lesado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria decorrente de erro da transportadora a\u00e9rea no preenchimento de documentos de transporte internacional, que resultou no pagamento indevido de tributos pela autora, submete-se ao prazo prescricional bienal das Conven\u00e7\u00f5es de Vars\u00f3via\/Montreal ou ao prazo decenal do C\u00f3digo Civil brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos da jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e do Supremo Tribunal Federal (Tema n. 210\/STF) as normas internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras a\u00e9reas, como as Conven\u00e7\u00f5es de Vars\u00f3via e Montreal, prevalecem sobre a legisla\u00e7\u00e3o interna, nos casos expressamente regulados por esses tratados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 luz do entendimento firmado pela Suprema Corte, pacificou-se a jurisprud\u00eancia do STJ no sentido de que a prescri\u00e7\u00e3o bienal prevista nas Conven\u00e7\u00f5es de Montreal\/Vars\u00f3via incide aos casos expressamente regulados pelos referidos acordos. De outro lado, nos casos n\u00e3o tratados na norma internacional, incidem os prazos prescricionais previstos na legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, internalizada pelo Decreto n. 5.910\/2006, disciplina expressamente a responsabilidade pelas informa\u00e7\u00f5es e documentos relacionados \u00e0 importa\u00e7\u00e3o, impondo deveres ao expedidor e ao transportador e, ainda, estabelecendo a natureza de suas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, sendo a quest\u00e3o tratada pelo acordo internacional, e n\u00e3o pelo C\u00f3digo Civil, aplica-se ao caso o prazo prescricional de 2 (dois) anos, previsto no art. 35 da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-contrato-de-contragarantia-como-titulo-executivo-e-prescricao-quinquenal\" class=\"wp-block-heading\">8. CONTRATO DE CONTRAGARANTIA COMO T\u00cdTULO EXECUTIVO E PRESCRI\u00c7\u00c3O QUINQUENAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contrato de contragarantia <strong>configura t\u00edtulo executivo extrajudicial<\/strong> sob condi\u00e7\u00e3o futura, aperfei\u00e7oada com o sinistro, o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, a notifica\u00e7\u00e3o do tomador e o vencimento do prazo assinalado; a pretens\u00e3o execut\u00f3ria <strong>prescreve em 5 anos<\/strong> (CC, art. 206, \u00a7 5\u00ba, I), por se tratar de d\u00edvida l\u00edquida constante de instrumento particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 1.878.110-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A BemProtege Seguros emitiu seguro-garantia em favor de obra contratada com a Construforte Engenharia, tomadora, e com ela firmou contrato de contragarantia. Isso quer dizer: Construforte, construa; se n\u00e3o construir ou der algo errado na obra, a seguradora vai indenizar o contratante da obra (seguro-garantia); da\u00ed a seguradora vai poder cobrar a respons\u00e1vel pela obra, a Construforte, de maneira mais facilitada (contragarantia). Dias v\u00eam e dias v\u00e3o, deu zica na obra. A seguradora pagou a indeniza\u00e7\u00e3o ao segurado, notificou a Construforte (tomadora) e, vencido o prazo assinalado sem reembolso, ajuizou execu\u00e7\u00e3o fundada na contragarantia. A executada sustentou a inexist\u00eancia de t\u00edtulo executivo e a prescri\u00e7\u00e3o \u00e2nua pr\u00f3pria das pretens\u00f5es securit\u00e1rias. A via executiva \u00e9 adequada e qual \u00e9 o prazo prescricional?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC\/1973, art. 585, II; CPC\/2015, art. 784, XI-A<\/strong><em> (o documento particular assinado pelo devedor \u00e9 t\u00edtulo executivo extrajudicial; a Lei n. 14.711\/2023 passou a prever expressamente o contrato de contragarantia no rol dos t\u00edtulos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 206, \u00a7 5\u00ba, I<\/strong><em> (prescreve em cinco anos a pretens\u00e3o de cobran\u00e7a de d\u00edvidas l\u00edquidas constantes de instrumento p\u00fablico ou particular).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A contragarantia n\u00e3o \u00e9 contrato de seguro &#8211; n\u00e3o possui ap\u00f3lice nem condi\u00e7\u00f5es gerais, que pertencem ao seguro-garantia. \u00c9 contrato at\u00edpico destinado a refor\u00e7ar o ressarcimento da seguradora em caso de inadimpl\u00eancia do tomador, permitindo-lhe superar a fase de conhecimento; sem isso, a sub-roga\u00e7\u00e3o j\u00e1 bastaria para a a\u00e7\u00e3o de conhecimento, e a contragarantia seria in\u00f3cua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Trata-se de t\u00edtulo sob condi\u00e7\u00e3o futura: a celebra\u00e7\u00e3o traz a certeza da obriga\u00e7\u00e3o, e a liquidez e a exigibilidade se aperfei\u00e7oam com o sinistro, o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, a notifica\u00e7\u00e3o do tomador e o vencimento do prazo, eventos que, documentados, completam a efic\u00e1cia executiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd<strong> <\/strong>A pretens\u00e3o prescreve em 5 anos, nos termos do art. 206, \u00a7 5\u00ba, I, do CC, n\u00e3o se aplicando a prescri\u00e7\u00e3o \u00e2nua pr\u00f3pria das pretens\u00f5es securit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A qualifica\u00e7\u00e3o do instrumento antecede a defini\u00e7\u00e3o do prazo. <strong>O contrato de contragarantia n\u00e3o \u00e9 contrato de seguro, mas contrato at\u00edpico voltado a refor\u00e7ar a garantia de ressarcimento da seguradora em caso de inadimpl\u00eancia do tomador<\/strong>; ap\u00f3lice e condi\u00e7\u00f5es gerais dizem respeito ao seguro-garantia, figura distinta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pacto revela sua voca\u00e7\u00e3o executiva. <strong>O objeto principal da aven\u00e7a \u00e9 praticamente a forma\u00e7\u00e3o de um t\u00edtulo executivo extrajudicial, que permite \u00e0 seguradora superar a fase de conhecimento e executar diretamente a d\u00edvida<\/strong> &#8211; se assim n\u00e3o fosse, a pr\u00f3pria sub-roga\u00e7\u00e3o j\u00e1 permitiria a a\u00e7\u00e3o de conhecimento, tornando in\u00f3cua a contrata\u00e7\u00e3o da contragarantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A peculiaridade do t\u00edtulo est\u00e1 no seu aperfei\u00e7oamento diferido. <strong>Cuida-se de t\u00edtulo executivo sob condi\u00e7\u00e3o futura: a certeza nasce com a celebra\u00e7\u00e3o, e a liquidez e a exigibilidade surgem com o sinistro, o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, a notifica\u00e7\u00e3o do tomador e o vencimento do prazo assinalado<\/strong>, eventos que, devidamente documentados, constituem a prova necess\u00e1ria \u00e0 efic\u00e1cia executiva &#8211; solu\u00e7\u00e3o hoje refor\u00e7ada pelo art. 784, XI-A, do CPC, inclu\u00eddo pela Lei n. 14.711\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O regime prescricional acompanha a natureza da d\u00edvida, n\u00e3o o r\u00f3tulo securit\u00e1rio. <strong>Sendo contrato at\u00edpico cuja natureza, para fins de prescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 a de d\u00edvida l\u00edquida constante de instrumento particular, a pretens\u00e3o prescreve em 5 anos, nos termos do art. 206, \u00a7 5\u00ba, I, do CC<\/strong>, afastada a prescri\u00e7\u00e3o \u00e2nua pr\u00f3pria das pretens\u00f5es entre segurador e segurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 cobran\u00e7a, pela seguradora, do contrato de contragarantia firmado com o tomador do seguro-garantia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) pode dar-se por execu\u00e7\u00e3o direta, pois o t\u00edtulo se aperfei\u00e7oa com o implemento da condi\u00e7\u00e3o, prescrevendo a pretens\u00e3o em cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) submete-se \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o \u00e2nua das pretens\u00f5es do segurador contra o segurado, dada a natureza securit\u00e1ria da aven\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende de pr\u00e9via a\u00e7\u00e3o de conhecimento, pois a sub-roga\u00e7\u00e3o confere \u00e0 seguradora o cr\u00e9dito, mas n\u00e3o a via executiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) observa o prazo decenal das pretens\u00f5es pessoais, por se tratar de contrato at\u00edpico sem previs\u00e3o prescricional espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) mostra-se invi\u00e1vel pela via executiva, uma vez que o valor do ressarcimento demanda liquida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A contragarantia \u00e9 t\u00edtulo executivo extrajudicial sob condi\u00e7\u00e3o futura: com o sinistro, o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, a notifica\u00e7\u00e3o e o vencimento do prazo, documentados, aperfei\u00e7oa-se a efic\u00e1cia executiva; a pretens\u00e3o, por veicular d\u00edvida l\u00edquida de instrumento particular, prescreve em cinco anos (CC, art. 206, \u00a7 5\u00ba, I).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A contragarantia n\u00e3o \u00e9 contrato de seguro &#8211; n\u00e3o tem ap\u00f3lice nem condi\u00e7\u00f5es gerais, pr\u00f3prias do seguro-garantia; sendo contrato at\u00edpico, n\u00e3o incide a prescri\u00e7\u00e3o \u00e2nua das pretens\u00f5es securit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Exigir a\u00e7\u00e3o de conhecimento inverteria a fun\u00e7\u00e3o do pacto: a contragarantia existe justamente para dispensar essa fase, formando t\u00edtulo executivo; a sub-roga\u00e7\u00e3o, essa sim, conduziria \u00e0 via cognitiva e tornaria in\u00f3cua a contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A atipicidade n\u00e3o remete ao prazo residual: para fins prescricionais, a natureza da aven\u00e7a \u00e9 a de d\u00edvida l\u00edquida constante de instrumento particular, sujeita ao quinqu\u00eanio do art. 206, \u00a7 5\u00ba, I, do CC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 iliquidez a sanar em processo aut\u00f4nomo: o valor \u00e9 determin\u00e1vel a partir do pagamento realizado pela seguradora, e os documentos que comprovam a condi\u00e7\u00e3o implementada completam a liquidez e a exigibilidade do t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 verificar se o contrato de contragarantia \u00e9 t\u00edtulo executivo extrajudicial, nos termos do art. 585, II, do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973, bem como definir qual \u00e9 o seu prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, o contrato de contragarantia n\u00e3o \u00e9 contrato de seguro, mas sim, um contrato at\u00edpico que tem por objetivo refor\u00e7ar a garantia de ressarcimento em caso de inadimpl\u00eancia do tomador, e, portanto, n\u00e3o possui &#8220;ap\u00f3lice&#8221; ou &#8220;condi\u00e7\u00f5es gerais&#8221;. A ap\u00f3lice e condi\u00e7\u00f5es gerais se referem ao seguro-garantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O contrato de contragarantia \u00e9 uma aven\u00e7a cujo objeto principal \u00e9, praticamente, a forma\u00e7\u00e3o de um t\u00edtulo executivo extrajudicial, propiciando \u00e0 seguradora superar a fase de conhecimento e executar de forma direta a d\u00edvida. Ora, se assim n\u00e3o fosse, a pr\u00f3pria sub-roga\u00e7\u00e3o j\u00e1 permitiria \u00e0 seguradora, em a\u00e7\u00e3o de conhecimento, perseguir seu cr\u00e9dito, o que tornaria in\u00f3cua a contrata\u00e7\u00e3o da contragarantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A contragarantia, contudo, n\u00e3o \u00e9 um t\u00edtulo executivo tradicional, como a nota promiss\u00f3ria. Trata-se de t\u00edtulo executivo extrajudicial sob condi\u00e7\u00e3o a ser implementada no futuro. Sua celebra\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, traz a certeza da obriga\u00e7\u00e3o pactuada. Sendo t\u00edtulo sob condi\u00e7\u00e3o futura, n\u00e3o cont\u00e9m liquidez e exigibilidade para executar o patrim\u00f4nio do tomador e seus garantidores, a n\u00e3o ser se e quando sobrevier o sinistro, o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, a notifica\u00e7\u00e3o do tomador e o vencimento do prazo assinalado pela seguradora, eventos que, devidamente documentados, constituem a prova necess\u00e1ria ao aperfei\u00e7oamento de sua efic\u00e1cia executiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O contrato de contragarantia, portanto, quando ocorrida a condi\u00e7\u00e3o suspensiva, reveste-se dos atributos da certeza (exist\u00eancia da obriga\u00e7\u00e3o contratual), da liquidez (valor determin\u00e1vel a partir do pagamento realizado) e da exigibilidade (direito de regresso nascido com o desembolso), configurando-se como t\u00edtulo executivo extrajudicial, nos termos do art. 585, II, do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, vale registrar que a Lei n. 14.711\/2023 reconheceu expressamente o contrato de contragarantia como t\u00edtulo executivo extrajudicial (art. 784, XI-A do CPC\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, destaca-se que sendo um contrato at\u00edpico, sua natureza jur\u00eddica, para fins de prescri\u00e7\u00e3o, \u00e9 o de d\u00edvida liquida constante em instrumento particular que, nos termos do artigo 206, \u00a7 5\u00b0, inciso I, do C\u00f3digo Civil, prescreve em 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-despesas-de-estacionamento-de-veiculo-alienado-fiduciariamente-e-legitimidade-do-credor-fiduciario\" class=\"wp-block-heading\">9. DESPESAS DE ESTACIONAMENTO DE VE\u00cdCULO ALIENADO FIDUCIARIAMENTE E LEGITIMIDADE DO CREDOR FIDUCI\u00c1RIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As despesas de estacionamento privado contratadas pelo devedor fiduciante <strong>n\u00e3o constituem obriga\u00e7\u00e3o <em>propter rem<\/em><\/strong> e devem ser suportadas <strong>pelo possuidor direto que efetivamente utilizou o servi\u00e7o<\/strong>, sendo o credor fiduci\u00e1rio parte ileg\u00edtima para responder pela cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.228.769-PE, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho adquiriu ve\u00edculo com aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia em favor do Banco Cobraforte e, ap\u00f3s deleitar-se com o possante por um tempo, abandonou-o no estacionamento do Shopping Vendetudo. A administradora do estacionamento ajuizou cobran\u00e7a das di\u00e1rias acumuladas contra o banco, sustentando que a d\u00edvida adere \u00e0 coisa e alcan\u00e7a o propriet\u00e1rio resol\u00favel. O banco arguiu ilegitimidade passiva, por n\u00e3o ter contratado nem utilizado o servi\u00e7o. De quem pode ser exigida a d\u00edvida de estacionamento?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.361<\/strong><em> (a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria opera o desdobramento da posse: o credor recebe a propriedade resol\u00favel e a posse indireta; o devedor permanece possuidor direto).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.368-B, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (o credor fiduci\u00e1rio responde pelos encargos incidentes sobre o bem a partir da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e da imiss\u00e3o na posse, requisitos cumulativos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As obriga\u00e7\u00f5es <em>propter rem<\/em> vinculam quem det\u00e9m a titularidade do direito real, independentemente de vontade, e se caracterizam por dois elementos: vincula\u00e7\u00e3o direta ao direito real e ambulatoriedade &#8211; a aptid\u00e3o de acompanhar o bem em suas transmiss\u00f5es sucessivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O teste da ambulatoriedade afasta a natureza <em>propter rem<\/em> da di\u00e1ria de estacionamento: vendido o ve\u00edculo, o d\u00e9bito n\u00e3o segue o novo propriet\u00e1rio. A despesa nasce de rela\u00e7\u00e3o contratual de guarda e conserva\u00e7\u00e3o entre o usu\u00e1rio e o estabelecimento, obriga\u00e7\u00e3o pessoal de quem contratou e usufruiu do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A estrutura da garantia explica a posi\u00e7\u00e3o de cada figurante. <strong>A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria transfere ao credor a propriedade resol\u00favel e a posse indireta, mantendo o devedor como possuidor direto<\/strong> (CC, art. 1.361); dessa titularidade dominial podem decorrer obriga\u00e7\u00f5es propter rem, que vinculam o titular do direito real independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o de vontade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O enquadramento da di\u00e1ria de estacionamento n\u00e3o resiste ao teste da ambulatoriedade. <strong>Se o ve\u00edculo for vendido, o d\u00e9bito de estacionamento n\u00e3o se transfere ao novo propriet\u00e1rio<\/strong>: a despesa decorre de rela\u00e7\u00e3o contratual espec\u00edfica, estranha ao direito real &#8211; o que revela sua natureza pessoal, e n\u00e3o propter rem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O marco legal da responsabilidade do credor fiduci\u00e1rio confirma a conclus\u00e3o. <strong>O art. 1.368-B do CC exige dois requisitos cumulativos: a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade plena mediante realiza\u00e7\u00e3o da garantia e a efetiva imiss\u00e3o na posse direta do bem<\/strong>; enquanto perdura apenas a garantia fiduci\u00e1ria, inexiste base legal para responsabilizar o credor por encargos gerados pela utiliza\u00e7\u00e3o do bem pelo possuidor direto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Responsabilizar quem n\u00e3o contratou desafiaria tamb\u00e9m o contradit\u00f3rio. <strong>A obriga\u00e7\u00e3o surge da utiliza\u00e7\u00e3o efetiva do servi\u00e7o de guarda e conserva\u00e7\u00e3o, recaindo sobre quem o contratou e dele usufruiu<\/strong> &#8211; o possuidor direto que abandonou o ve\u00edculo -, e n\u00e3o sobre o propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio, alheio \u00e0 rela\u00e7\u00e3o e impedido de se defender sobre fatos como o abandono, a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o ou o pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a cobran\u00e7a, por estacionamento privado, das di\u00e1rias de ve\u00edculo abandonado que \u00e9 objeto de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) recai sobre o credor fiduci\u00e1rio, titular da propriedade resol\u00favel, por se tratar de obriga\u00e7\u00e3o que adere \u00e0 coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) permite exigir a d\u00edvida, solidariamente, do devedor fiduciante e do credor fiduci\u00e1rio, integrantes da rela\u00e7\u00e3o de garantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) dirige-se ao possuidor direto que contratou e utilizou o servi\u00e7o, por se tratar de obriga\u00e7\u00e3o pessoal estranha ao direito real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) alcan\u00e7a o credor fiduci\u00e1rio desde a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade, ainda que ausente a imiss\u00e3o na posse direta do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) acompanha o ve\u00edculo em suas transmiss\u00f5es, podendo ser exigida de quem vier a adquirir o bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A di\u00e1ria de estacionamento n\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o propter rem: falta-lhe a ambulatoriedade, pois o d\u00e9bito n\u00e3o segue o bem nas transmiss\u00f5es; a titularidade resol\u00favel do credor n\u00e3o o vincula a despesa nascida de contrato alheio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 solidariedade &#8211; que depende de lei ou contrato: o v\u00ednculo obrigacional se forma entre o estabelecimento e quem utilizou o servi\u00e7o, e o credor fiduci\u00e1rio sequer participou da rela\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A despesa de estacionamento tem natureza obrigacional, nascida da rela\u00e7\u00e3o de guarda e conserva\u00e7\u00e3o entre o usu\u00e1rio e o estabelecimento; responde por ela o possuidor direto que contratou e usufruiu do servi\u00e7o, sendo o credor fiduci\u00e1rio parte ileg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O art. 1.368-B do CC exige requisitos cumulativos &#8211; consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e efetiva imiss\u00e3o na posse direta; a consolida\u00e7\u00e3o isolada n\u00e3o basta para transferir ao credor os encargos de utiliza\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O d\u00e9bito n\u00e3o acompanha o ve\u00edculo: exatamente por n\u00e3o se transferir ao adquirente nas aliena\u00e7\u00f5es sucessivas \u00e9 que se conclui n\u00e3o haver obriga\u00e7\u00e3o propter rem, mas d\u00edvida pessoal do usu\u00e1rio do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o credor fiduci\u00e1rio pode ser responsabilizado pelas despesas de estacionamento de ve\u00edculo abandonado pelo devedor fiduciante em estabelecimento privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia, disciplinada pelo art. 1.361 do C\u00f3digo Civil, configura direito real de garantia que opera o desdobramento da propriedade, transferindo ao credor a propriedade resol\u00favel e a posse indireta da coisa m\u00f3vel, mantendo o devedor na condi\u00e7\u00e3o de possuidor direto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em decorr\u00eancia dessa titularidade dominial, pode surgir para o credor fiduci\u00e1rio responsabilidade por obriga\u00e7\u00f5es propter rem &#8211; isto \u00e9, obriga\u00e7\u00f5es que &#8220;seguem a coisa&#8221; e vinculam automaticamente quem det\u00e9m a titularidade do direito real sobre ela. Essas obriga\u00e7\u00f5es decorrem da simples condi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio, independentemente de manifesta\u00e7\u00e3o de vontade, criando um v\u00ednculo objetivo entre o titular do direito real e determinadas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, as obriga\u00e7\u00f5es propter rem caracterizam-se por dois elementos essenciais: (i) vincula\u00e7\u00e3o direta ao direito real de propriedade; e (ii) ambulatoriedade, ou seja, a capacidade de &#8220;acompanhar&#8221; o bem em suas transmiss\u00f5es sucessivas, independentemente da vontade das partes ou do conhecimento do novo adquirente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O teste da ambulatoriedade revela, de forma inequ\u00edvoca, que as despesas de estacionamento n\u00e3o constituem obriga\u00e7\u00e3o propter rem: caso o ve\u00edculo seja vendido a terceiro, o d\u00e9bito de estacionamento n\u00e3o se transfere automaticamente para o novo propriet\u00e1rio. O comprador do ve\u00edculo n\u00e3o assume responsabilidade pelas di\u00e1rias de estacionamento geradas pelo propriet\u00e1rio anterior, pois tais despesas decorrem de rela\u00e7\u00e3o contratual espec\u00edfica, estranha ao direito real de propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, o ordenamento jur\u00eddico brasileiro estabeleceu marco normativo espec\u00edfico para delimitar a responsabilidade do credor fiduci\u00e1rio por encargos relacionados ao bem objeto da garantia fiduci\u00e1ria no art. 1.368-B do C\u00f3digo Civil. Nesse sentido, a interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do dispositivo revela que o legislador estabeleceu dois requisitos cumulativos para a responsabiliza\u00e7\u00e3o do credor fiduci\u00e1rio por encargos do bem com garantia real: (i) a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade plena mediante realiza\u00e7\u00e3o da garantia; e (ii) a efetiva imiss\u00e3o na posse direta do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, enquanto perdura apenas a garantia fiduci\u00e1ria, inexiste base legal para responsabilizar o credor por encargos gerados pela utiliza\u00e7\u00e3o do bem pelo possuidor direto, que sequer foi citado para figurar como r\u00e9u na lide. Logo, a responsabiliza\u00e7\u00e3o do credor fiduci\u00e1rio por neg\u00f3cio jur\u00eddico do qual n\u00e3o participou violaria o princ\u00edpio do contradit\u00f3rio, impedindo a defesa efetiva sobre fatos como configura\u00e7\u00e3o do abandono, presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o ou exist\u00eancia de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 despesa de estacionamento de ve\u00edculo, sua natureza jur\u00eddica \u00e9 eminentemente obrigacional, originando-se da rela\u00e7\u00e3o entre o usu\u00e1rio do servi\u00e7o e o estabelecimento comercial. Trata-se de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de guarda e conserva\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, cujo v\u00ednculo obrigacional surge da utiliza\u00e7\u00e3o efetiva do servi\u00e7o, n\u00e3o da mera propriedade do bem. Consequentemente, a responsabilidade recai sobre quem efetivamente contratou e usufruiu do servi\u00e7o, e n\u00e3o sobre o propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio que sequer participou da rela\u00e7\u00e3o contratual. Ademais, a despesa resultou da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica contratual entre o possuidor direto e o estabelecimento comercial, configurando obriga\u00e7\u00e3o pessoal estranha ao contrato de garantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se, ent\u00e3o, que a responsabilidade pelas despesas de estacionamento deve recair exclusivamente sobre o possuidor direto, que, no exerc\u00edcio de sua posse, teria supostamente contratado os servi\u00e7os e posteriormente abandonado o ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-mutuo-com-instituicao-financeira-estrangeira-sem-autorizacao-do-bacen\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; M\u00daTUO COM INSTITUI\u00c7\u00c3O FINANCEIRA ESTRANGEIRA SEM AUTORIZA\u00c7\u00c3O DO BACEN<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central para a atua\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00e3o financeira estrangeira no Brasil <strong>N\u00c3O acarreta a nulidade do contrato de m\u00fatuo<\/strong>, ficando as san\u00e7\u00f5es <strong>restritas \u00e0s esferas administrativa e penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt nos EDcl no REsp 1.583.005-RS, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cooperativa Gr\u00e3odourado firmou com o Overseas Capital Bank, institui\u00e7\u00e3o financeira estrangeira sem autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central para operar no Pa\u00eds, contrato de recebimento antecipado de exporta\u00e7\u00e3o, recebendo os recursos e deixando de embarcar a mercadoria. Cobrada, a cooperativa arguiu a nulidade do m\u00fatuo, ao fundamento de que o art. 18 da Lei n. 4.595\/1964 condiciona o funcionamento de institui\u00e7\u00e3o estrangeira \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o estatal. A irregularidade administrativa contamina a validade do contrato?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 4.595\/1964, art. 18<\/strong><em> (as institui\u00e7\u00f5es financeiras somente poder\u00e3o funcionar no Pa\u00eds mediante pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 7.492\/1986, art. 16; CC, arts. 422 e 884<\/strong><em> (fazer operar institui\u00e7\u00e3o financeira sem a devida autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 crime contra o sistema financeiro; a boa-f\u00e9 objetiva rege os contratos e veda-se o enriquecimento sem causa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A teleologia da exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger a higidez, a estabilidade e a confiabilidade do Sistema Financeiro Nacional; as san\u00e7\u00f5es administrativas e penais dirigem-se \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que opera irregularmente, para coibir a pr\u00e1tica e punir o infrator &#8211; n\u00e3o para desfazer os neg\u00f3cios privados celebrados com terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Imp\u00f5e-se a cindibilidade entre a infra\u00e7\u00e3o administrativa\/penal e a validade do contrato civil: declarar a nulidade permitiria ao mutu\u00e1rio, que recebeu e usou o capital, eximir-se da restitui\u00e7\u00e3o &#8211; enriquecimento sem causa e <em>venire contra factum proprium<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A norma violada e a sua finalidade delimitam o alcance da san\u00e7\u00e3o. <strong>A exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o do art. 18 da Lei n. 4.595\/1964 tutela a higidez, a estabilidade e a confiabilidade do Sistema Financeiro Nacional<\/strong>, e sua inobserv\u00e2ncia atrai san\u00e7\u00f5es administrativas do BACEN e a tipifica\u00e7\u00e3o penal do art. 16 da Lei n. 7.492\/1986 &#8211; respostas dirigidas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o infratora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A quest\u00e3o de fundo \u00e9 saber se a irregularidade regulat\u00f3ria contamina o neg\u00f3cio privado. <strong>A cindibilidade entre a infra\u00e7\u00e3o administrativa ou penal e a validade do contrato civil se imp\u00f5e<\/strong>, sob pena de gerar inseguran\u00e7a jur\u00eddica e, paradoxalmente, beneficiar indevidamente uma das partes da aven\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O desate contr\u00e1rio produziria o resultado que o direito veda. <strong>Declarar a nulidade permitiria ao mutu\u00e1rio, ap\u00f3s receber e utilizar vultosa quantia, eximir-se da restitui\u00e7\u00e3o, configurando enriquecimento sem causa<\/strong> (CC, art. 884); a conduta afrontaria ainda a boa-f\u00e9 objetiva (CC, art. 422), na vertente do venire contra factum proprium, pois quem anuiu aos termos e recebeu os valores n\u00e3o pode invocar depois a irregularidade para n\u00e3o cumprir a contrapresta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Cada esfera respondendo pelo que lhe cabe, o contrato subsiste. <strong>As consequ\u00eancias da atua\u00e7\u00e3o irregular devem ser apuradas nas inst\u00e2ncias administrativa e penal, sem servir de escudo para o inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o civil<\/strong> assumida por quem efetivamente se beneficiou do capital mutuado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca do contrato de m\u00fatuo celebrado com institui\u00e7\u00e3o financeira estrangeira que atua no Brasil sem autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 nulo, por violar norma cogente que condiciona o funcionamento de institui\u00e7\u00e3o estrangeira \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pode ser anulado por iniciativa do mutu\u00e1rio, a quem a exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o visa proteger.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) subsiste como obriga\u00e7\u00e3o natural, cujo cumprimento n\u00e3o pode ser exigido judicialmente pela institui\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) permanece v\u00e1lido, mas com os encargos remunerat\u00f3rios reduzidos \u00e0 taxa legal, em raz\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o irregular do mutuante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) conserva a validade, respondendo a institui\u00e7\u00e3o mutuante nas esferas administrativa e penal, mantida a obriga\u00e7\u00e3o de restituir o capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A viola\u00e7\u00e3o do art. 18 da Lei n. 4.595\/1964 desencadeia san\u00e7\u00f5es administrativas e penais dirigidas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o invalida o neg\u00f3cio privado: a teleologia da norma \u00e9 proteger o sistema financeiro, n\u00e3o desfazer contratos cumpridos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o protege a higidez do sistema financeiro, n\u00e3o o mutu\u00e1rio individualmente; n\u00e3o h\u00e1 anulabilidade a ser manejada por quem recebeu os recursos e se beneficiou do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A obriga\u00e7\u00e3o permanece civil e plenamente exig\u00edvel: negar a cobran\u00e7a judicial equivaleria, na pr\u00e1tica, \u00e0 nulidade que se rejeita, premiando o inadimplemento de quem usou o dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A irregularidade administrativa n\u00e3o repercute nos encargos pactuados: a consequ\u00eancia do il\u00edcito se resolve nas esferas pr\u00f3prias, sem redu\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o contratada como pena civil sem previs\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Imp\u00f5e-se a cindibilidade entre a infra\u00e7\u00e3o e o contrato: o m\u00fatuo \u00e9 v\u00e1lido e o mutu\u00e1rio deve restituir o capital, sob pena de enriquecimento sem causa (CC, art. 884) e de venire contra factum proprium; a institui\u00e7\u00e3o responde perante o BACEN e na esfera penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se a aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central (BACEN) para atua\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o financeira estrangeira no Brasil acarreta a nulidade do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as partes firmaram contrato denominado &#8220;recebimento antecipado de exporta\u00e7\u00e3o&#8221; (RAE), pelo qual o importador paga o valor da mercadoria ao exportador antes do embarque e, em seguida, o exportador providencia a exporta\u00e7\u00e3o de mercadoria e o envido da respectiva documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, \u00e9 incontroverso que a Lei n. 4.595\/1964, que disp\u00f5e sobre a Pol\u00edtica e as Institui\u00e7\u00f5es Monet\u00e1rias, Banc\u00e1rias e Credit\u00edcias, e cria o Conselho Monet\u00e1rio Nacional, estabelece em seu artigo 18 que &#8220;As institui\u00e7\u00f5es financeiras somente poder\u00e3o funcionar no Pa\u00eds mediante pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central da Rep\u00fablica do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A inobserv\u00e2ncia dessa exig\u00eancia atrai a incid\u00eancia de san\u00e7\u00f5es administrativas, a serem aplicadas pelo BACEN, e pode configurar il\u00edcito penal, conforme tipificado no artigo 16 da Lei n. 7.492\/1982 (Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional), que pune a conduta de &#8220;Fazer operar, sem a devida autoriza\u00e7\u00e3o, [&#8230;] institui\u00e7\u00e3o financeira&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, a teleologia dessas normas \u00e9 eminentemente voltada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da higidez, da estabilidade e da confiabilidade do Sistema Financeiro Nacional, tutelando a economia popular e a regularidade das opera\u00e7\u00f5es financeiras sob a supervis\u00e3o estatal. As san\u00e7\u00f5es previstas &#8211; administrativas e penais &#8211; s\u00e3o dirigidas primordialmente \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que opera de forma irregular, visando coibir tal pr\u00e1tica e punir o infrator.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 se essa irregularidade na rela\u00e7\u00e3o entre a institui\u00e7\u00e3o financeira e o \u00f3rg\u00e3o regulador (BACEN) contamina, de forma irremedi\u00e1vel, a validade dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos privados celebrados com terceiros, especificamente um contrato de m\u00fatuo onde a institui\u00e7\u00e3o cumpriu sua parte na aven\u00e7a (libera\u00e7\u00e3o dos recursos) e o mutu\u00e1rio (recorrente) efetivamente recebeu e se beneficiou do capital estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A resposta deve ser negativa. A cindibilidade entre a infra\u00e7\u00e3o administrativa \/penal e a validade do contrato civil se imp\u00f5e, sob pena de se gerar inseguran\u00e7a jur\u00eddica e, paradoxalmente, beneficiar indevidamente uma das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Declarar a nulidade do contrato, no caso, implicaria permitir que a recorrente, ap\u00f3s receber e utilizar vultosa quantia, se eximisse de sua obriga\u00e7\u00e3o de restituir o valor emprestado, configurando manifesto enriquecimento sem causa, o que \u00e9 vedado pelo ordenamento jur\u00eddico (art. 884 do C\u00f3digo Civil). Ademais, tal solu\u00e7\u00e3o iria de encontro ao princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva (art. 422 do CC), que deve permear todas as rela\u00e7\u00f5es contratuais, mormente na sua vertente do venire contra factum proprium, pois a cooperativa, ap\u00f3s anuir com os termos contratuais e receber os valores, n\u00e3o pode, posteriormente, alegar a irregularidade (da qual, inclusive, poderia ter se certificado) para se furtar ao cumprimento de sua contrapresta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As consequ\u00eancias da atua\u00e7\u00e3o irregular da institui\u00e7\u00e3o financeira estrangeira devem ser apuradas e sancionadas nas inst\u00e2ncias competentes (administrativa, perante o BACEN, e penal, se for o caso), mas n\u00e3o podem servir de escudo para o inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o civil assumida pela recorrente, que efetivamente se beneficiou do capital mutuado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o do BACEN, embora configure irregularidade, n\u00e3o acarreta, por si s\u00f3, a nulidade do contrato em discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-clausula-compromissoria-estatutaria-e-primazia-do-juizo-arbitral\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CL\u00c1USULA COMPROMISS\u00d3RIA ESTATUT\u00c1RIA E PRIMAZIA DO JU\u00cdZO ARBITRAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A previs\u00e3o contratual de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem atribui ao ju\u00edzo arbitral <strong>compet\u00eancia com primazia sobre o Poder Judici\u00e1rio<\/strong> para decidir as quest\u00f5es acerca do contrato, inclusive o alcance da cl\u00e1usula, impondo-se a <strong>extin\u00e7\u00e3o do processo judicial sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 1.602.247-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Voltalux Comercializadora, associada da C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica &#8211; CCEE, ajuizou a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria por danos materiais e morais contra a associa\u00e7\u00e3o e seu presidente, imputando-lhes a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que teriam abalado a imagem da empresa. Os r\u00e9us invocaram a cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria prevista nos atos da entidade; a autora sustentou que a pretens\u00e3o, de natureza extracontratual, n\u00e3o estaria abarcada pela conven\u00e7\u00e3o. A quem compete dirimir o lit\u00edgio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.307\/1996, art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (caber\u00e1 ao \u00e1rbitro decidir de of\u00edcio, ou por provoca\u00e7\u00e3o das partes, as quest\u00f5es acerca da exist\u00eancia, validade e efic\u00e1cia da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem &#8211; princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 485, VII<\/strong><em> (o juiz n\u00e3o resolve o m\u00e9rito quando acolhe a alega\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem ou quando o ju\u00edzo arbitral reconhece sua compet\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria atrai a compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral com primazia sobre o Judici\u00e1rio; interpreta\u00e7\u00f5es restritivas da conven\u00e7\u00e3o &#8211; como excluir de plano a responsabilidade extracontratual &#8211; invadem compet\u00eancia que pertence ao \u00e1rbitro, a quem cabe analisar o alcance subjetivo e a extens\u00e3o objetiva da cl\u00e1usula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Aplica-se o princ\u00edpio da<em> kompetenz-kompetenz<\/em> (compet\u00eancia-compet\u00eancia): o \u00e1rbitro tem compet\u00eancia para avaliar sua pr\u00f3pria compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O afastamento inicial da arbitragem pelo Judici\u00e1rio fica reservado \u00e0s patologias manifestas &#8211; ilegalidade ou invalidade evidentes da conven\u00e7\u00e3o; ausentes, o processo judicial deve ser extinto sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A moldura do lit\u00edgio j\u00e1 continha o dado decisivo. <strong>Era incontroversa a exist\u00eancia de cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria remetendo ao ju\u00edzo arbitral as controv\u00e9rsias entre a entidade e seus agentes<\/strong>, fundadas nas rela\u00e7\u00f5es estabelecidas ao amparo dos atos da associa\u00e7\u00e3o, sem insurg\u00eancia quanto \u00e0 legalidade da disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O corte feito pela inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria invadiu seara alheia. <strong>Qualificar a demanda como extracontratual para mant\u00ea-la no Judici\u00e1rio confere \u00e0 cl\u00e1usula interpreta\u00e7\u00e3o restritiva que se distancia da jurisprud\u00eancia do STJ<\/strong>: o alcance subjetivo e a extens\u00e3o objetiva da conven\u00e7\u00e3o devem ser analisados pelo pr\u00f3prio ju\u00edzo arbitral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia d\u00e1 a raz\u00e3o de decidir. <strong>A exist\u00eancia de cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria atrai a compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral para dirimir a controv\u00e9rsia, com preced\u00eancia sobre o Poder Judici\u00e1rio<\/strong> (Lei n. 9.307\/1996, art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico); a interven\u00e7\u00e3o judicial imediata ficaria reservada a hip\u00f3teses de ilegalidade ou patologia manifestas, inexistentes no caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Definida a compet\u00eancia, o destino do processo estatal \u00e9 \u00fanico. <strong>Reconhecida a conven\u00e7\u00e3o de arbitragem, o processo judicial deve ser extinto sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito<\/strong>, prevalecendo a via extrajudicial eleita pelas partes para a solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tratando-se de a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria ajuizada por associada contra a associa\u00e7\u00e3o, em que se alega divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que teriam abalado a imagem da autora, havendo cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria nos atos da entidade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) permanece a causa na jurisdi\u00e7\u00e3o estatal, pois a responsabilidade extracontratual n\u00e3o se sujeita \u00e0 cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) deve o lit\u00edgio ser dirimido na arbitragem, cabendo ao \u00e1rbitro, com primazia, definir o alcance da cl\u00e1usula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) admite-se exame judicial da validade e do alcance da conven\u00e7\u00e3o, com remessa ao \u00e1rbitro se reconhecida sua efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) prossegue o feito perante o ju\u00edzo estatal se a associada n\u00e3o subscreveu individualmente a conven\u00e7\u00e3o estatut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) suspende-se o processo judicial at\u00e9 que o ju\u00edzo arbitral delibere sobre a pr\u00f3pria compet\u00eancia, retomando-se o curso se negativa a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Excluir de plano a responsabilidade extracontratual do \u00e2mbito da conven\u00e7\u00e3o \u00e9 interpreta\u00e7\u00e3o restritiva que invade a compet\u00eancia do \u00e1rbitro: o alcance objetivo da cl\u00e1usula \u00e9 quest\u00e3o a ser decidida pelo pr\u00f3prio ju\u00edzo arbitral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. A cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria atrai a compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral com primazia sobre o Judici\u00e1rio (compet\u00eancia-compet\u00eancia), inclusive para definir o alcance subjetivo e objetivo da conven\u00e7\u00e3o, impondo-se a extin\u00e7\u00e3o do processo sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O controle judicial pr\u00e9vio inverte o art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.307\/1996: salvo patologias manifestas da conven\u00e7\u00e3o, quem decide primeiro sobre exist\u00eancia, validade e efic\u00e1cia da cl\u00e1usula \u00e9 o \u00e1rbitro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A conven\u00e7\u00e3o constante dos atos da entidade vincula a associada nas controv\u00e9rsias fundadas nas rela\u00e7\u00f5es associativas; n\u00e3o se exigiu subscri\u00e7\u00e3o individual apartada para sua efic\u00e1cia no caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A consequ\u00eancia processual do acolhimento da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito (CPC, art. 485, VII), e n\u00e3o a suspens\u00e3o condicionada do feito.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia discute se a pretens\u00e3o deduzida pela autora (associada) em face da C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica &#8211; CCEE (associa\u00e7\u00e3o) deve, ou n\u00e3o, ser submetida \u00e0 arbitragem, por for\u00e7a de cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria, cuja reda\u00e7\u00e3o \u00e9 incontroversa e est\u00e1 bem delineada na senten\u00e7a e no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria por danos materiais e morais por viola\u00e7\u00e3o ao direito de imagem, na qual a autora imputa ao co-r\u00e9u &#8211; na qualidade de Presidente de Administra\u00e7\u00e3o da CCEE &#8211; a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que teriam abalado a imagem da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o questionamento posto \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a relaciona-se, t\u00e3o somente, \u00e0 aplicabilidade da cl\u00e1usula arbitral e a compet\u00eancia para dirimir a lide, n\u00e3o havendo insurg\u00eancia relacionada \u00e0 legalidade da disposi\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, sob essa \u00f3tica, considerando a incontroversa exist\u00eancia de cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria no ajuste firmado entre as partes, deve prevalecer a via extrajudicial para a solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A despeito disso, o Tribunal a quo concluiu que o Poder Judici\u00e1rio seria competente para analisar o pleito da parte recorrida porquanto a presente demanda trataria de responsabilidade extracontratual, n\u00e3o estando tal pretens\u00e3o abarcada pela compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral. Esse entendimento distancia-se da jurisprud\u00eancia do STJ ao conferir \u00e0 cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria uma &#8220;interpreta\u00e7\u00e3o restritiva&#8221;, invadindo, assim, compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral acerca da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, \u00e9 incontroversa a exist\u00eancia de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem que remete ao ju\u00edzo arbitral as controv\u00e9rsias ou diverg\u00eancia de interesses estabelecidos entre a CCEE e seus respectivos agentes, fundados nas rela\u00e7\u00f5es estabelecidas ao amparo do Estatuto Social da CCEE e da Conven\u00e7\u00e3o de Comercializa\u00e7\u00e3o, e desde que n\u00e3o envolva quest\u00f5es de compet\u00eancia da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica &#8211; ANEEL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se verifica, do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico extra\u00eddo do pr\u00f3prio ac\u00f3rd\u00e3o, elementos que indiquem hip\u00f3tese de ilegalidade ou patologia manifestas, tampouco a exist\u00eancia de controv\u00e9rsia estranha ao v\u00ednculo jur\u00eddico da CCEE (associa\u00e7\u00e3o) com a parte autora (associada), em que reconhecida &#8211; pelo pr\u00f3prio Tribunal estadual &#8211; a exist\u00eancia de conven\u00e7\u00e3o arbitral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo orienta\u00e7\u00e3o do STJ acerca da mat\u00e9ria, a exist\u00eancia de cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria no pacto entabulado entre as partes atrai a compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral para dirimir a controv\u00e9rsia, segundo o princ\u00edpio da kompetenz-kompetenz. A prop\u00f3sito, o alcance subjetivo e a extens\u00e3o objetiva da cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria, \u00e0 luz do referido princ\u00edpio, devem ser analisadas pelo ju\u00edzo arbitral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta forma, deve ser reconhecida a compet\u00eancia do ju\u00edzo arbitral para dirimir a controv\u00e9rsia estabelecida entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acao-rescisoria-por-prova-falsa-e-necessidade-de-pericia-sobre-a-tabela-price\" class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA POR PROVA FALSA E NECESSIDADE DE PER\u00cdCIA SOBRE A TABELA PRICE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 <strong>cab\u00edvel a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria fundada em falsidade ideol\u00f3gica<\/strong> de laudo pericial, mas a aferi\u00e7\u00e3o da capitaliza\u00e7\u00e3o de juros na Tabela Price \u00e9 mat\u00e9ria de fato, <strong>exigindo prova pericial que contraponha o laudo impugnado<\/strong>, sob pena de cerceamento de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.113.173-PR, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 22\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Florinda ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria sustentando a falsidade ideol\u00f3gica do laudo pericial que, na a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria movida contra o Banco CrediLar, deixara de reconhecer capitaliza\u00e7\u00e3o de juros em financiamento calculado pela Tabela Price. O Tribunal local julgou procedente a rescis\u00f3ria sem determinar nova per\u00edcia, apoiado apenas no fato de a taxa contratual de juros anual ser superior ao duod\u00e9cuplo da mensal. A rescis\u00e3o do julgado podia prescindir da prova t\u00e9cnica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 966, VI<\/strong><em> (a decis\u00e3o de m\u00e9rito pode ser rescindida quando fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Temas 246, 247 e 572 do STJ; S\u00famulas 539 e 541 do STJ<\/strong><em> (a pactua\u00e7\u00e3o de taxa efetiva e taxa nominal n\u00e3o implica, por essa circunst\u00e2ncia, capitaliza\u00e7\u00e3o de juros; a eventual capitaliza\u00e7\u00e3o na Tabela Price \u00e9 quest\u00e3o de fato, afer\u00edvel por prova t\u00e9cnica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O laudo t\u00e9cnico incorreto, incompleto ou inadequado pode servir de base \u00e0 decis\u00e3o rescindenda. Embora n\u00e3o se amolde com perfei\u00e7\u00e3o ao conceito de prova falsa, pode ser impugnado na rescis\u00f3ria por falsidade ideol\u00f3gica (REsp 331.550-RS). Por\u00e9m, juros compostos &#8211; m\u00e9todo de forma\u00e7\u00e3o da taxa &#8211; n\u00e3o se confundem com o anatocismo vedado pela Lei de Usura, que pressup\u00f5e a incorpora\u00e7\u00e3o de juros vencidos e n\u00e3o pagos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>JUROS COMPOSTOS<\/strong> <strong>(taxa de juros capitalizada)<\/strong><\/td><td><strong>CAPITALIZA\u00c7\u00c3O DE JUROS<\/strong> <strong>(anatocismo)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Os juros relativos a cada per\u00edodo de remunera\u00e7\u00e3o s\u00e3o adicionados ao capital inicial (ou principal), constituindo um novo capital, maior que o inicial, que tamb\u00e9m vai ser remunerado para a forma\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. S\u00e3o os juros sobre juros.<\/td><td>Tem como pressuposto o descumprimento da obriga\u00e7\u00e3o contratual = novos juros sobre os juros j\u00e1 computados anteriormente e n\u00e3o pagos. Isto \u00e9, incorpora\u00e7\u00e3o de juros sobre eventuais parcelas devidas e n\u00e3o pagas que, por sua vez, j\u00e1 foram calculadas com a incid\u00eancia de juros.<\/td><\/tr><tr><td>A mera circunst\u00e2ncia de estar pactuada taxa efetiva e taxa nominal de juros n\u00e3o implica capitaliza\u00e7\u00e3o de juros, mas apenas processo de forma\u00e7\u00e3o da taxa de juros pelo m\u00e9todo composto.<\/td><td>Vedada pelo Decreto n. 22.626\/1933 (Lei de Usura) em intervalo inferior a um ano e permitida pela Medida Provis\u00f3ria n. 2.170-36\/2001, desde que expressamente pactuada.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Tratar a capitaliza\u00e7\u00e3o na Tabela Price como quest\u00e3o exclusivamente de direito, dispensando a per\u00edcia, cerceia a defesa e vulnera a coisa julgada: imp\u00f5e-se a prova pericial para contrapor o laudo apontado como falso e verificar sua eventual incorre\u00e7\u00e3o, incompletude ou inadequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O cabimento da rescis\u00f3ria n\u00e3o era o verdadeiro obst\u00e1culo. <strong>O laudo incorreto, incompleto ou inadequado que embasou a decis\u00e3o rescindenda pode ser impugnado na rescis\u00f3ria por falsidade ideol\u00f3gica<\/strong>, ainda que n\u00e3o se encaixe com perfei\u00e7\u00e3o no conceito de prova falsa do art. 966, VI, do CPC &#8211; orienta\u00e7\u00e3o firmada desde o REsp 331.550-RS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O equ\u00edvoco da inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria esteve na premissa material. <strong>A mera circunst\u00e2ncia de estar pactuada taxa efetiva anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal n\u00e3o implica capitaliza\u00e7\u00e3o vedada, mas apenas processo de forma\u00e7\u00e3o da taxa pelo m\u00e9todo composto<\/strong> (Temas 246 e 247 do STJ); confundir juros compostos com anatocismo \u00e9 interpretar mal as teses firmadas pela Corte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A distin\u00e7\u00e3o conceitual tem consequ\u00eancia probat\u00f3ria direta. <strong>A eventual capitaliza\u00e7\u00e3o de juros na utiliza\u00e7\u00e3o da Tabela Price \u00e9 mat\u00e9ria de fato, e n\u00e3o de direito, devendo ser aferida mediante produ\u00e7\u00e3o de prova t\u00e9cnica<\/strong> (Tema 572 do STJ); tratar quest\u00e3o eminentemente t\u00e9cnica como exclusivamente jur\u00eddica configura cerceamento de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Na rescis\u00f3ria, o rigor \u00e9 ainda maior, pelo que est\u00e1 em jogo. <strong>Concluir pela falsidade do laudo sem per\u00edcia vulnera a coisa julgada, a seguran\u00e7a jur\u00eddica, a prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a e a veda\u00e7\u00e3o ao comportamento contradit\u00f3rio<\/strong>; imp\u00f5e-se realizar a prova pericial para contrapor o laudo impugnado e verificar eventual incorre\u00e7\u00e3o, incompletude ou inadequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria fundada em falsidade ideol\u00f3gica de laudo pericial que negou a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros em contrato regido pela Tabela Price:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel, pois o laudo incorreto ou incompleto n\u00e3o se enquadra no conceito de prova falsa do art. 966, VI, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) pressup\u00f5e que a falsidade tenha sido apurada previamente em processo criminal, vedada sua demonstra\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) prospera com a demonstra\u00e7\u00e3o de taxa de juros anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal, indicativo bastante da capitaliza\u00e7\u00e3o vedada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00e9 cab\u00edvel em tese, mas a aferi\u00e7\u00e3o da capitaliza\u00e7\u00e3o na Tabela Price \u00e9 mat\u00e9ria de fato, a exigir prova pericial que contraponha o laudo impugnado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) dispensa nova per\u00edcia quando o m\u00e9todo composto de forma\u00e7\u00e3o da taxa estiver documentado no contrato, por configurar anatocismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Embora o laudo incorreto n\u00e3o se amolde com perfei\u00e7\u00e3o ao conceito de prova falsa, o STJ admite sua impugna\u00e7\u00e3o na rescis\u00f3ria por falsidade ideol\u00f3gica; o cabimento da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o \u00f3bice reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O art. 966, VI, do CPC contempla duas vias alternativas: a falsidade apurada em processo criminal ou a demonstrada na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria; a apura\u00e7\u00e3o criminal pr\u00e9via n\u00e3o \u00e9 pressuposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A previs\u00e3o de taxa anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal revela apenas a forma\u00e7\u00e3o da taxa pelo m\u00e9todo composto, o que n\u00e3o \u00e9 vedado (Temas 246 e 247 do STJ); da\u00ed n\u00e3o se extrai a capitaliza\u00e7\u00e3o proibida nem a falsidade do laudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Correta. Admitida a rescis\u00f3ria por falsidade ideol\u00f3gica de laudo, a eventual capitaliza\u00e7\u00e3o na Tabela Price \u00e9 mat\u00e9ria de fato (Tema 572 do STJ), a ser aferida por prova pericial que contraponha o laudo impugnado, sob pena de cerceamento de defesa e ofensa \u00e0 coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Juros compostos na forma\u00e7\u00e3o da taxa n\u00e3o configuram anatocismo, que pressup\u00f5e a incorpora\u00e7\u00e3o de juros vencidos e n\u00e3o pagos; a documenta\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo composto no contrato n\u00e3o autoriza dispensar a per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-10\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria pode ser fundamentada na alega\u00e7\u00e3o de falsidade ideol\u00f3gica de laudo pericial sem a realiza\u00e7\u00e3o de nova prova t\u00e9cnica para comprovar a alega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange \u00e0 quest\u00e3o espec\u00edfica do cabimento da rescis\u00f3ria com fundamento em prova falsa quando busca impugnar laudo pericial, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 se manifestou no sentido de que &#8220;O laudo t\u00e9cnico incorreto, incompleto ou inadequado que tenha servido de base para a decis\u00e3o rescindenda, embora n\u00e3o se inclua perfeitamente no conceito de &#8216;prova falsa&#8217; a que se refere o art. 485, inciso VI, do CPC, pode ser impugnado ou refutado na a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, por falsidade ideol\u00f3gica&#8221; (REsp 331.550\/RS, Relatora Ministra Nancy Andrighi, julgado em 26\/2\/2002, DJ de 25\/3\/2002, p. 278).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No presente caso, o Tribunal de Justi\u00e7a concluiu pela incorre\u00e7\u00e3o do laudo pericial que embasou o ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, ao afastar a ocorr\u00eancia de capitaliza\u00e7\u00e3o de juros, t\u00e3o somente em raz\u00e3o de o contrato prever taxa de juros anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal, o que ensejaria capitaliza\u00e7\u00e3o de juros no caso concreto, com base nas S\u00famulas n. 539 e n. 541 do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que, ao julgar o REsp 973.827\/RS (Relatora para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Maria Isabel Gallotti, julgado em 8\/8\/2012, DJe de 24\/9\/2012), pelo rito dos recursos repetitivos (Temas 246 e 247), a Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ esclareceu que &#8220;A mera circunst\u00e2ncia de estar pactuada taxa efetiva e taxa nominal de juros n\u00e3o implica capitaliza\u00e7\u00e3o de juros, mas apenas processo de forma\u00e7\u00e3o da taxa de juros pelo m\u00e9todo composto, o que n\u00e3o \u00e9 proibido pelo Decreto n. 22.626\/1933&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o termo &#8220;juros compostos&#8221; (ou taxa de juros capitalizada) diz respeito ao m\u00e9todo abstrato de matem\u00e1tica financeira usado na forma\u00e7\u00e3o da taxa de juros contratada para o c\u00e1lculo das presta\u00e7\u00f5es a serem pagas pelo tomador do empr\u00e9stimo, previamente ao in\u00edcio do cumprimento do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa metodologia, os juros relativos a cada per\u00edodo de remunera\u00e7\u00e3o (v.g. di\u00e1ria, mensal, anual, etc) s\u00e3o adicionados ao capital inicial (ou principal), constituindo um novo capital, maior que o inicial, que tamb\u00e9m vai ser remunerado para a forma\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. S\u00e3o os juros sobre juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os juros compostos, no entanto, n\u00e3o se confundem com a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros em sentido estrito (ou anatocismo) &#8211; vedada pelo Decreto n. 22.626\/1933 (Lei de Usura) em intervalo inferior a um ano e permitida pela Medida Provis\u00f3ria n. 2.170-36\/2001, desde que expressamente pactuada -, a qual tem como pressuposto o descumprimento da obriga\u00e7\u00e3o contratual e diz respeito \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de novos juros sobre os juros j\u00e1 computados anteriormente e n\u00e3o pagos. Isto \u00e9, trata de incorpora\u00e7\u00e3o de juros sobre eventuais parcelas devidas e n\u00e3o pagas que, por sua vez, j\u00e1 foram calculadas com a incid\u00eancia de juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que se observa, portanto, \u00e9 que tanto os autores quanto o Tribunal de Justi\u00e7a, ao defenderem a exist\u00eancia de capitaliza\u00e7\u00e3o de juros t\u00e3o somente em raz\u00e3o de previs\u00e3o contratual de taxa anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal, confundem os conceitos de juros compostos e juros capitalizados e interpretam equivocadamente as teses firmadas por esta Corte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalta-se, ademais, que ao julgar o Tema Repetitivo 572, a Corte Especial do STJ firmou o entendimento de que eventual capitaliza\u00e7\u00e3o de juros na utiliza\u00e7\u00e3o da Tabela Price \u00e9 mat\u00e9ria de fato, e n\u00e3o de direito, e deve ser aferida mediante produ\u00e7\u00e3o de prova t\u00e9cnica, n\u00e3o sendo poss\u00edvel tratar mat\u00e9rias de fato ou eminentemente t\u00e9cnicas como exclusivamente de direito, sob pena de cerceamento de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, ao concluir pela falsidade ideol\u00f3gica do laudo pericial com fundamento t\u00e3o somente na previs\u00e3o contratual de taxa de juros anual superior ao duod\u00e9cuplo da mensal, sem a realiza\u00e7\u00e3o de per\u00edcia t\u00e9cnica, o Tribunal de origem acabou por tratar mat\u00e9ria de fato (e eminentemente t\u00e9cnica) como exclusivamente de direito, o que n\u00e3o se pode admitir, mormente em se tratando de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, sob pena de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa julgada, \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a leg\u00edtima e \u00e0 veda\u00e7\u00e3o ao comportamento contradit\u00f3rio por parte do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, deve-se determinar a realiza\u00e7\u00e3o da prova pericial para o fim de contrapor o laudo apontado como falso e verificar a exist\u00eancia de eventual incorre\u00e7\u00e3o, incompletude ou inadequa\u00e7\u00e3o do laudo impugnado a fim de se evitar eventual configura\u00e7\u00e3o de cerceamento de defesa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-transportadora-e-vicio-intrinseco-do-produto-transportado\" class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; TRANSPORTADORA E V\u00cdCIO INTR\u00cdNSECO DO PRODUTO TRANSPORTADO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transportadora que se limita ao transporte de produtos entre agentes da cadeia produtiva, sem integra\u00e7\u00e3o funcional na rela\u00e7\u00e3o de consumo e sem defeito no servi\u00e7o prestado, <strong>n\u00e3o responde objetiva e solidariamente por v\u00edcios intr\u00ednsecos<\/strong> do produto transportado, ante a <strong>aus\u00eancia de nexo causal<\/strong> entre sua atividade e os danos suportados pelos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.228.759-RS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fazer o produto \u201crender\u201d, produtores estavam adulterando o leite com subst\u00e2ncias impr\u00f3prias ao consumo. Quando a falcatrua foi descoberta, o MP ajuizou a\u00e7\u00e3o coletiva contra os agentes envolvidos, incluindo no polo passivo a Via L\u00e1ctea Transportes, que apenas conduzia o produto dos produtores rurais at\u00e9 a ind\u00fastria Latic\u00ednios Beira Campo. A transportadora sustentou que seu servi\u00e7o n\u00e3o apresentou defeito e que a adultera\u00e7\u00e3o foi praticada por terceiros, sendo estranha \u00e0 sua atividade log\u00edstica. A transportadora integra a cadeia de fornecimento para fins de responsabilidade solid\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 14, \u00a7 3\u00ba, I<\/strong><em> (o fornecedor de servi\u00e7os n\u00e3o \u00e9 responsabilizado quando provar que, tendo prestado o servi\u00e7o, o defeito inexiste).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O sistema consumerista adota a Teoria da Cadeia de Fornecimento: respondem solidariamente os agentes que participam da disponibiliza\u00e7\u00e3o do produto ou servi\u00e7o no mercado de consumo. A solidariedade pressup\u00f5e, por\u00e9m, que o agente integre funcionalmente a cadeia, contribuindo para a coloca\u00e7\u00e3o do produto no mercado e auferindo proveito econ\u00f4mico dessa atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd N\u00e3o \u00e9 fornecedor, para fins de responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva solid\u00e1ria, o prestador de servi\u00e7o sem v\u00ednculo funcional com o bem fornecido ao consumidor final, ainda que preste servi\u00e7o a fornecedor da cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A atividade exclusivamente log\u00edstica entre agentes produtivos, cumprida sem defeito, n\u00e3o gera nexo de causalidade adequada com a adultera\u00e7\u00e3o praticada por terceiros &#8211; o dano \u00e9 estranho ao servi\u00e7o de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A responsabilidade objetiva do art. 14 do CDC tem um pressuposto que costuma passar despercebido. <strong>Ela exige defeito no servi\u00e7o efetivamente prestado; inexistente o defeito, incide a excludente do \u00a7 3\u00ba, I, do mesmo dispositivo<\/strong> &#8211; a objetiva\u00e7\u00e3o dispensa a culpa, n\u00e3o o defeito nem o nexo causal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Teoria da Cadeia de Fornecimento tamb\u00e9m tem contornos definidos. <strong>A solidariedade pressup\u00f5e que o agente integre funcionalmente a cadeia de consumo, contribuindo para a coloca\u00e7\u00e3o do produto no mercado e auferindo proveito econ\u00f4mico dessa atividade<\/strong>; prestar servi\u00e7o a um fornecedor n\u00e3o transforma o prestador em fornecedor perante o consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A posi\u00e7\u00e3o da transportadora no circuito econ\u00f4mico era perif\u00e9rica. <strong>A atividade era exclusivamente log\u00edstica, entre agentes da cadeia produtiva, sem inser\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o aos consumidores<\/strong>, e a obriga\u00e7\u00e3o contratual de transporte foi cumprida integralmente, sem defeito no servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Faltando o elo causal, a imputa\u00e7\u00e3o se desfaz. <strong>Inexiste nexo de causalidade adequada entre o servi\u00e7o de transporte e a adultera\u00e7\u00e3o do leite, que decorreu de conduta praticada por terceiros<\/strong>, estranha \u00e0 atividade desenvolvida pela transportadora &#8211; raz\u00e3o pela qual n\u00e3o h\u00e1 responsabilidade objetiva solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 responsabilidade da transportadora que conduz leite cru entre os produtores rurais e a ind\u00fastria, vindo o produto a ser adulterado por terceiros:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) n\u00e3o se configura, pois o transporte entre agentes produtivos, sem defeito no servi\u00e7o, n\u00e3o a integra funcionalmente na rela\u00e7\u00e3o de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 solid\u00e1ria, pois quem participa da circula\u00e7\u00e3o do produto at\u00e9 o mercado consumidor responde pelos danos causados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) somente se afasta mediante prova de culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, excludentes opon\u00edveis pelo prestador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) decorre do risco da atividade de transporte, respondendo a empresa pelo resultado ainda que inexista defeito no servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) subsiste em car\u00e1ter subsidi\u00e1rio, ante o proveito econ\u00f4mico auferido com o frete na cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Correta. A transportadora com atividade puramente log\u00edstica entre agentes produtivos n\u00e3o integra funcionalmente a cadeia de consumo; sem defeito no servi\u00e7o prestado e sem nexo causal com a adultera\u00e7\u00e3o praticada por terceiros, n\u00e3o responde objetiva e solidariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A mera participa\u00e7\u00e3o na circula\u00e7\u00e3o f\u00edsica do produto n\u00e3o basta: a solidariedade exige integra\u00e7\u00e3o funcional na cadeia &#8211; contribui\u00e7\u00e3o para a coloca\u00e7\u00e3o do produto no mercado de consumo -, ausente na atua\u00e7\u00e3o puramente log\u00edstica entre produtores e ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A inexist\u00eancia de defeito no servi\u00e7o \u00e9 excludente aut\u00f4noma (CDC, art. 14, \u00a7 3\u00ba, I); a exonera\u00e7\u00e3o do prestador n\u00e3o depende da prova de culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O regime do CDC n\u00e3o \u00e9 de responsabilidade pelo risco integral: o defeito do servi\u00e7o \u00e9 pressuposto da imputa\u00e7\u00e3o objetiva, e o transporte foi cumprido sem falha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 responsabilidade subsidi\u00e1ria fundada no proveito do frete: o prestador sem v\u00ednculo funcional com o bem fornecido ao consumidor final n\u00e3o \u00e9 fornecedor para fins de responsabiliza\u00e7\u00e3o, ainda que sirva a um fornecedor da cadeia.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-11\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se a empresa transportadora, que se limitou ao transporte de leite cru adulterado entre os produtores rurais e a ind\u00fastria processadora, pode ser submetida ao regime de responsabilidade objetiva solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A responsabilidade objetiva por defeito na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os (art. 14, CDC) pressup\u00f5e a exist\u00eancia de defeito no servi\u00e7o efetivamente prestado, do contr\u00e1rio incide a excludente estabelecida no \u00a7 3\u00ba, inciso I, do mesmo dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sistema consumerista adota a Teoria da Cadeia de Fornecimento, segundo a qual todos os agentes que participam da disponibiliza\u00e7\u00e3o do produto ou servi\u00e7o no mercado de consumo respondem solidariamente pelos danos causados aos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A responsabilidade solid\u00e1ria pressup\u00f5e que o agente integre funcionalmente a cadeia de consumo, contribuindo para a coloca\u00e7\u00e3o do produto ou servi\u00e7o no mercado consumidor e auferindo direta ou indiretamente proveito econ\u00f4mico dessa atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o \u00e9 fornecedor, para fins de responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva solid\u00e1ria, o prestador de servi\u00e7o que n\u00e3o possui v\u00ednculo funcional com o bem a ser fornecido ao consumidor final, ainda que preste servi\u00e7o a fornecedor envolvido na cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em an\u00e1lise, a empresa transportadora exercia atividade exclusivamente log\u00edstica entre agentes da cadeia produtiva, sem inser\u00e7\u00e3o alguma na cadeia de produ\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o aos consumidores do produto l\u00e1cteo, tendo cumprido integralmente sua obriga\u00e7\u00e3o contratual sem apresentar defeito no servi\u00e7o de transporte prestado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, no caso em an\u00e1lise, inexiste nexo de causalidade adequada entre o servi\u00e7o de transporte e a adultera\u00e7\u00e3o do leite, que decorreu de conduta praticada por terceiros, sendo estranha \u00e0 atividade desenvolvida pela transportadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acao-uti-singuli-na-sociedade-limitada-e-legitimidade-do-socio\" class=\"wp-block-heading\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00c7\u00c3O UTI SINGULI NA SOCIEDADE LIMITADA E LEGITIMIDADE DO S\u00d3CIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00f3cio de sociedade limitada <strong>possui legitimidade ativa, como substituto processual<\/strong>, para ajuizar, em nome pr\u00f3prio, a\u00e7\u00e3o <em>uti singuli<\/em> de repara\u00e7\u00e3o de danos contra o administrador, em defesa dos interesses da sociedade, desde que, em regra, cumpridos <strong>os requisitos do art. 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da Lei n. 6.404\/1976<\/strong>, de aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria; a delibera\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9 dispensada quando o quadro social a inviabiliza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.053.505-PR, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por maioria, julgado em 18\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Mercadinho Bom Pre\u00e7o Ltda. \u00e9 composta por dois casais, cada um titular de metade das quotas. Geremias e Crementina ajuizaram, em nome pr\u00f3prio, a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos contra Tib\u00farcio, s\u00f3cio administrador, imputando-lhe atos il\u00edcitos lesivos ao patrim\u00f4nio da sociedade. O r\u00e9u arguiu a ilegitimidade ativa dos autores, pela aus\u00eancia de delibera\u00e7\u00e3o assemblear autorizando a demanda e pela inaplicabilidade da Lei das Sociedades por A\u00e7\u00f5es ao tipo societ\u00e1rio. Os s\u00f3cios podem demandar em benef\u00edcio da sociedade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.404\/1976, art. 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba<\/strong><em> (a a\u00e7\u00e3o uti singuli pode ser proposta pelo acionista, como substituto processual da companhia, se a assembleia deliberar n\u00e3o promover a a\u00e7\u00e3o &#8211; por acionistas que representem 5% do capital &#8211; ou se ela n\u00e3o for proposta em tr\u00eas meses da delibera\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.053, par\u00e1grafo \u00fanico; LINDB, art. 4\u00ba<\/strong><em> (o contrato social pode prever a reg\u00eancia supletiva da limitada pelas normas da sociedade an\u00f4nima; na omiss\u00e3o da lei, o juiz decide por analogia, costumes e princ\u00edpios gerais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 159 da Lei Acion\u00e1ria organiza tr\u00eas vias reparat\u00f3rias: a a\u00e7\u00e3o <em>uti universi<\/em>, da pr\u00f3pria companhia; a a\u00e7\u00e3o <em>uti singuli<\/em>, do acionista como substituto processual, em proveito do patrim\u00f4nio social; e a a\u00e7\u00e3o individual, do acionista diretamente lesado (\u00a7 7\u00ba). O STJ admite a aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da LSA \u00e0s limitadas para suprir lacunas de sua regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A delibera\u00e7\u00e3o assemblear pr\u00e9via \u00e9 dispens\u00e1vel quando se revela provid\u00eancia meramente formal e inexequ\u00edvel &#8211; como na sociedade de dois casais com participa\u00e7\u00f5es iguais, em que o administrador demandado e sua esposa est\u00e3o impedidos de votar (arts. 115, 156 e 159, \u00a7 2\u00ba, da LSA) e a maioria \u00e9 inalcan\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A lacuna normativa abre a porta da analogia. <strong>Nem o contrato social nem o regime legal da limitada disciplinam a legitimidade extraordin\u00e1ria dos s\u00f3cios para demandar em benef\u00edcio da sociedade<\/strong>; na omiss\u00e3o da lei, decide-se por analogia (LINDB, art. 4\u00ba), e o STJ admite a aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da Lei n. 6.404\/1976 \u00e0s limitadas, dada sua abrang\u00eancia e superioridade t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A pretens\u00e3o dos autores tinha natureza social, n\u00e3o individual. <strong>A a\u00e7\u00e3o uti singuli do art. 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da LSA permite ao s\u00f3cio, como substituto processual, pleitear a recomposi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio da sociedade lesado pelo administrador<\/strong> &#8211; distinta da a\u00e7\u00e3o uti universi, da pr\u00f3pria pessoa jur\u00eddica, e da a\u00e7\u00e3o individual do \u00a7 7\u00ba, reservada ao preju\u00edzo direto do s\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O requisito da delibera\u00e7\u00e3o pr\u00e9via encontrou aqui seu limite funcional. <strong>Na sociedade composta por dois casais com metade das quotas cada, a delibera\u00e7\u00e3o seria meramente formal e inexequ\u00edvel<\/strong>: o administrador demandado e sua esposa n\u00e3o poderiam votar (arts. 115, 156 e 159, \u00a7 2\u00ba, da LSA), e a forma\u00e7\u00e3o de maioria seria imposs\u00edvel &#8211; n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel exigir a submiss\u00e3o da decis\u00e3o ao colegiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O precedente conversa com a jurisprud\u00eancia da pr\u00f3pria Turma. <strong>Em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga, admitiu-se que a limitada de dois s\u00f3cios igualit\u00e1rios demandasse um deles sem pr\u00e9via reuni\u00e3o de quotistas<\/strong>; reconhece-se, assim, a legitimidade ativa dos s\u00f3cios, como substitutos processuais, com fundamento nos arts. 1.053, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC e 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da LSA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a pretens\u00e3o reparat\u00f3ria deduzida por s\u00f3cios de sociedade limitada, em nome pr\u00f3prio, por danos causados \u00e0 sociedade pelo s\u00f3cio administrador:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) carece de legitimidade, pois a recomposi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio social cabe apenas \u00e0 pessoa jur\u00eddica lesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) autoriza os s\u00f3cios a reclamar, em proveito pr\u00f3prio, o preju\u00edzo reflexo sofrido com a desvaloriza\u00e7\u00e3o das quotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) n\u00e3o encontra amparo na Lei das Sociedades por A\u00e7\u00f5es, cuja incid\u00eancia se restringe aos tipos societ\u00e1rios nela regulados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende de pr\u00e9via delibera\u00e7\u00e3o assemblear, ainda que a composi\u00e7\u00e3o do quadro social torne imposs\u00edvel formar maioria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) admite-se em substitui\u00e7\u00e3o processual, com aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da lei das SAs, dispensada a delibera\u00e7\u00e3o invi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o uti universi da pessoa jur\u00eddica, o ordenamento admite a a\u00e7\u00e3o uti singuli do s\u00f3cio, como substituto processual, em defesa do patrim\u00f4nio social (art. 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da LSA, de aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria \u00e0 limitada).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A a\u00e7\u00e3o uti singuli tem natureza social: a repara\u00e7\u00e3o reverte ao patrim\u00f4nio da sociedade, e n\u00e3o ao dos s\u00f3cios; o preju\u00edzo reflexo da desvaloriza\u00e7\u00e3o das quotas n\u00e3o \u00e9 o objeto dessa via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O STJ admite a aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da LSA \u00e0s sociedades limitadas para suprir lacunas de sua regulamenta\u00e7\u00e3o (CC, art. 1.053, par\u00e1grafo \u00fanico; LINDB, art. 4\u00ba), inclusive quanto \u00e0 legitimidade para a a\u00e7\u00e3o reparat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A delibera\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9, em regra, exigida, mas se dispensa quando meramente formal e inexequ\u00edvel &#8211; como na sociedade de dois casais igualit\u00e1rios em que o demandado e sua esposa est\u00e3o impedidos de votar e a maioria \u00e9 inalcan\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Correta. Reconhece-se a legitimidade ativa do s\u00f3cio como substituto processual para a a\u00e7\u00e3o uti singuli em benef\u00edcio da sociedade, com aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria do art. 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da Lei n. 6.404\/1976, dispensada a delibera\u00e7\u00e3o quando o quadro social a inviabiliza.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-12\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em verificar a legitimidade ativa de s\u00f3cios de Sociedade Limitada para pleitear, em nome pr\u00f3prio, repara\u00e7\u00e3o civil em decorr\u00eancia de danos causados \u00e0 sociedade, por alegada conduta il\u00edcita do outro s\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em an\u00e1lise, \u00e9 fato incontroverso que o contrato social da empresa nada prev\u00ea quanto \u00e0 legitimidade extraordin\u00e1ria dos s\u00f3cios para ajuizamento de a\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tampouco a mat\u00e9ria encontra-se regulamentada no cap\u00edtulo espec\u00edfico da Sociedade Limitada ou da Sociedade Simples (art. 1.053, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002), sendo certo que, na omiss\u00e3o da lei, o juiz deve decidir o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princ\u00edpios gerais de direito (LINDB, art. 4\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a manifesta entendimento que assevera a &#8220;viabilidade de aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da Lei das Sociedades An\u00f4nimas (Lei n. 6.404\/1976) \u00e0s sociedades limitadas para suprir as lacunas da sua regulamenta\u00e7\u00e3o legal&#8221; (REsp n. 1.396.716\/MG, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 24\/3\/2015, DJe de 30\/3\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, a doutrina especializada ensina que &#8220;a lei das sociedades por a\u00e7\u00f5es, por sua abrang\u00eancia e superioridade t\u00e9cnica tem sido aplicada a todos os tipos societ\u00e1rios, inclusive a limitada, tamb\u00e9m por via anal\u00f3gica. Quer dizer, sendo o C\u00f3digo Civil lacunoso, poder\u00e1 o juiz aplicar a LSA, mesmo que o regime de reg\u00eancia supletiva da limitada seja o das sociedades simples.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00e2mbito das sociedades an\u00f4nimas, a legitimidade para a propositura da a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o civil, por danos causados ao patrim\u00f4nio da sociedade pelo administrador, encontra previs\u00e3o no art. 159 da Lei Acion\u00e1ria, mais especificamente em seus \u00a7\u00a7 3\u00ba, 4\u00ba e 7\u00ba. O dispositivo legal prev\u00ea as tr\u00eas hip\u00f3teses legais para o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o civil contra o administrador da sociedade: (i) a a\u00e7\u00e3o uti universi, pela pessoa jur\u00eddica, com a finalidade de recomposi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio patrim\u00f4nio lesado por ato do administrador (caput do art. 159); (ii) a a\u00e7\u00e3o uti singuli, pelo acionista, na condi\u00e7\u00e3o de substituto processual da companhia, pleiteando repara\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo causado ao patrim\u00f4nio social (\u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba); e (iii) a a\u00e7\u00e3o individual, pelo acionista que busca o ressarcimento de preju\u00edzo diretamente causado a seu patrim\u00f4nio por ato do administrador (\u00a7 7\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para o caso, importa a an\u00e1lise da segunda hip\u00f3tese &#8211; a\u00e7\u00e3o uti singuli, prevista no art. 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da Lei n. 6.404\/1976 -, porquanto se refere a pedido de repara\u00e7\u00e3o civil formulado por s\u00f3cios em decorr\u00eancia de danos causados \u00e0 sociedade, por alegada conduta il\u00edcita do outro s\u00f3cio. Trata-se, portanto, de pretens\u00e3o em que se objetiva a recomposi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio da sociedade. Por conseguinte, a demanda reveste-se de natureza social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, a a\u00e7\u00e3o social ut singuli, alicer\u00e7ada no mesmo fundamento da a\u00e7\u00e3o ut universi, qual seja, o dano causado diretamente ao patrim\u00f4nio da sociedade, \u00e9 cab\u00edvel, em regra, quando a assembleia-geral \u00e9 contr\u00e1ria ao ajuizamento de a\u00e7\u00e3o contra o administrador ou se recusa a deliberar acerca dessa proposta, cabendo ent\u00e3o \u00e0 minoria ajuizar a demanda como representante da companhia (art. 159, \u00a7 4\u00ba, da LSA), desde que re\u00fana, ao menos, 5% (cinco por cento) do capital social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse respeito, no caso, \u00e9 desnecess\u00e1ria a delibera\u00e7\u00e3o dos demais s\u00f3cios quotistas a respeito da a\u00e7\u00e3o reparat\u00f3ria, porque tal providencia seria meramente formal, sem nenhuma efetividade, qui\u00e7\u00e1 inexequ\u00edvel, tendo em vista que a sociedade limitada \u00e9 composta por dois casais, cada um possuindo 50% (cinquenta por cento) das quotas sociais, raz\u00e3o pela qual qualquer delibera\u00e7\u00e3o a respeito da propositura de a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos contra um dos s\u00f3cios, seria rejeitada, logicamente, sendo imposs\u00edvel, consequentemente, alcan\u00e7ar a maioria dos votos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, nem o r\u00e9u e tampouco sua esposa poderiam votar quanto ao pedido de ajuizamento da a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria, em raz\u00e3o da veda\u00e7\u00e3o legal contida nos arts. 115, 156 e 159, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 6.404\/1976. Portanto, se o r\u00e9u e sua esposa se encontravam impedidos de votar, restaram apenas os s\u00f3cios autores para decidir a respeito do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, sob qualquer perspectiva, conclui-se n\u00e3o ser razo\u00e1vel exigir que a decis\u00e3o seja submetida ao colegiado dos s\u00f3cios em assembleia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, a Quarta Turma do STJ, ao julgar situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga, decidiu que a sociedade limitada seria parte leg\u00edtima para propor, em nome pr\u00f3prio, a\u00e7\u00e3o de responsabilidade civil contra um dos s\u00f3cios, pelos preju\u00edzos causados \u00e0 empresa, mesmo sem pr\u00e9via reuni\u00e3o de quotistas, tendo em vista ser composta por apenas dois s\u00f3cios, cada um detentor de 50% (cinquenta por cento) das quotas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, deve ser reconhecida a legitimidade ativa dos s\u00f3cios, na condi\u00e7\u00e3o de substitutos processuais, para ajuizamento, em nome pr\u00f3prio, de a\u00e7\u00e3o reparat\u00f3ria em benef\u00edcio da sociedade, com fundamento nos arts. 1.053, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002 e 159, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, da Lei n. 6.404\/1976.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-producao-antecipada-de-provas-contra-terceiro-e-competencia-competencia\" class=\"wp-block-heading\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; PRODU\u00c7\u00c3O ANTECIPADA DE PROVAS CONTRA TERCEIRO E COMPET\u00caNCIA-COMPET\u00caNCIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ju\u00edzo arbitral <strong>N\u00c3O tem preced\u00eancia sobre o ju\u00edzo estatal<\/strong> na defini\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria compet\u00eancia para decidir sobre a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas requerida <strong>em face de terceiro n\u00e3o signat\u00e1rio<\/strong> da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A AgroVale requereu produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas para instruir pretens\u00e3o credit\u00f3ria discutida em arbitragem instaurada com base em contrato de compra e venda. Incluiu no polo passivo a Armaz\u00e9ns Guardatudo, empresa que n\u00e3o firmou o contrato nem a conven\u00e7\u00e3o de arbitragem. A Guardatudo sustentou a compet\u00eancia do ju\u00edzo estatal; a requerente arguiu que caberia ao \u00e1rbitro decidir, com preced\u00eancia, sobre a pr\u00f3pria compet\u00eancia, inclusive quanto ao terceiro. Quem define a compet\u00eancia para a medida probat\u00f3ria contra o n\u00e3o signat\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.307\/1996, art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (caber\u00e1 ao \u00e1rbitro decidir as quest\u00f5es acerca da exist\u00eancia, validade e efic\u00e1cia da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem e do contrato que contenha a cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria &#8211; princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A preced\u00eancia do \u00e1rbitro impede que o contratante, invocando v\u00edcios do neg\u00f3cio, provoque primeiro o Judici\u00e1rio para retardar ou frustrar a aprecia\u00e7\u00e3o do conflito pelo \u00e1rbitro. O princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo: \u00e9 corol\u00e1rio do elemento estruturante da jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral &#8211; a autonomia da vontade dos contratantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Quem n\u00e3o firmou a conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral: a compet\u00eancia para decidir sobre a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas em face do terceiro \u00e9 do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A conex\u00e3o da causa de pedir com o cr\u00e9dito discutido na arbitragem n\u00e3o substitui o requisito que alicer\u00e7a a compet\u00eancia do \u00e1rbitro &#8211; a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade na conven\u00e7\u00e3o; entendimento diverso permitiria ao \u00e1rbitro reconhecer compet\u00eancia sobre pessoas sem contrato algum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O alcance do princ\u00edpio invocado define o desfecho. <strong>A compet\u00eancia-compet\u00eancia confere ao \u00e1rbitro a prerrogativa de decidir sobre a pr\u00f3pria compet\u00eancia com preced\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Poder Judici\u00e1rio<\/strong> (Lei n. 9.307\/1996, art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico), blindando a jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral contra manobras de contratantes que buscassem o Judici\u00e1rio para retardar o exame do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A blindagem, por\u00e9m, tem raiz e limite na mesma fonte. <strong>O prest\u00edgio da compet\u00eancia-compet\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo: \u00e9 corol\u00e1rio da autonomia da vontade dos contratantes<\/strong>, elemento estruturante da jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral &#8211; e \u00e9 essa origem que baliza at\u00e9 onde a preced\u00eancia do \u00e1rbitro pode ir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O terceiro estava fora do c\u00edrculo de vontade que funda a arbitragem. <strong>Quem n\u00e3o \u00e9 signat\u00e1rio do contrato que cont\u00e9m a cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral<\/strong>, e a circunst\u00e2ncia de a causa de pedir da medida probat\u00f3ria derivar do cr\u00e9dito postulado na arbitragem n\u00e3o se confunde com o requisito que alicer\u00e7a a compet\u00eancia do \u00e1rbitro: a celebra\u00e7\u00e3o da conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Estender a preced\u00eancia a n\u00e3o contratantes subverteria o sistema. <strong>Pensar de forma distinta tornaria o art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.307\/1996 instrumento capaz de permitir ao \u00e1rbitro reconhecer sua compet\u00eancia sobre pessoas sem conven\u00e7\u00e3o ou sequer contrato<\/strong>; correta, pois, a decis\u00e3o que manteve no ju\u00edzo estatal a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas contra o terceiro n\u00e3o signat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No tocante \u00e0 produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas requerida em face de quem n\u00e3o firmou a conven\u00e7\u00e3o de arbitragem prevista no contrato principal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) submete-se \u00e0 preced\u00eancia do ju\u00edzo arbitral, a quem cabe decidir primeiro sobre a pr\u00f3pria compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) atrai-se \u00e0 arbitragem por conex\u00e3o, pois a prova se destina a instruir o cr\u00e9dito l\u00e1 discutido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) processa-se no ju\u00edzo estatal, pois a jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral repousa na vontade manifestada na conven\u00e7\u00e3o, ausente quanto ao terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) exige a via da carta arbitral, pela qual o \u00e1rbitro requisita ao Judici\u00e1rio a pr\u00e1tica do ato em face de quem n\u00e3o contratou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) fica sobrestada at\u00e9 que o tribunal arbitral delimite a extens\u00e3o subjetiva da cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A preced\u00eancia do \u00e1rbitro para decidir sobre a pr\u00f3pria compet\u00eancia pressup\u00f5e v\u00ednculo com a conven\u00e7\u00e3o de arbitragem; em face de quem n\u00e3o a firmou, o princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia n\u00e3o opera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A conex\u00e3o entre a prova e o cr\u00e9dito discutido na arbitragem n\u00e3o substitui o fundamento da jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral &#8211; a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade; a causa de pedir derivada do lit\u00edgio arbitral n\u00e3o arrasta o terceiro para fora do ju\u00edzo estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Correta. A compet\u00eancia-compet\u00eancia \u00e9 corol\u00e1rio da autonomia da vontade; ausente conven\u00e7\u00e3o firmada pelo terceiro, a compet\u00eancia para decidir sobre a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas contra ele \u00e9 do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A carta arbitral serve \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o para atos coercitivos em arbitragem validamente instaurada entre as partes convenentes; n\u00e3o \u00e9 pressuposto para que o terceiro seja demandado, pois contra ele a medida tramita diretamente no ju\u00edzo estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 sobrestamento \u00e0 espera do \u00e1rbitro: quanto ao n\u00e3o signat\u00e1rio, a defini\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia n\u00e3o \u00e9 diferida ao tribunal arbitral, prosseguindo a medida probat\u00f3ria perante o Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-13\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se o ju\u00edzo arbitral tem preced\u00eancia, em rela\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo estatal, na defini\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria compet\u00eancia para decidir sobre a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas requerida em face de terceiro n\u00e3o signat\u00e1rio da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem, com base no princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de Justi\u00e7a estadual reconheceu a compet\u00eancia de Tribunal Arbitral para conhecer da a\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas em face de parcela dos r\u00e9us, com exce\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o em face de uma das empresas, que n\u00e3o integrava o contrato de compra e venda no qual pactuada a cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria, raz\u00e3o pela qual a pretens\u00e3o contra si permaneceu submetida ao ju\u00edzo estatal. Interposto recurso, alegou-se que a a\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas em face da mencionada empresa deveria ser tamb\u00e9m submetida ao ju\u00edzo arbitral, a quem competiria decidir sobre sua pr\u00f3pria compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia, previsto no art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei de Arbitragem, confere ao ju\u00edzo arbitral a prerrogativa de decidir sobre sua pr\u00f3pria compet\u00eancia, com preced\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dita regra legal tem por finalidade impedir a fragiliza\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral livremente pactuada pelas partes, resultado facilmente previs\u00edvel caso qualquer dos contratantes pudesse &#8211; sob a invoca\u00e7\u00e3o de v\u00edcios ou falhas nos planos de exist\u00eancia, validade ou efic\u00e1cia do neg\u00f3cio jur\u00eddico &#8211; provocar primeiramente o Poder Judici\u00e1rio, retardando ou at\u00e9 impedindo a aprecia\u00e7\u00e3o do conflito pelo \u00e1rbitro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O prest\u00edgio conferido ao princ\u00edpio da compet\u00eancia-compet\u00eancia nos lit\u00edgios submetidos ao ju\u00edzo arbitral n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, mas sim um corol\u00e1rio do elemento estruturante da pr\u00f3pria jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral: a autonomia da vontade dos contratantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A empresa recorrente n\u00e3o est\u00e1 sujeita \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral, por n\u00e3o ser parte signat\u00e1ria do contrato que cont\u00e9m a cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria. Portanto, a compet\u00eancia para decidir sobre a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas em face dela \u00e9 do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de a causa de pedir que anima a a\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas relativamente \u00e0 ela decorrer do suposto direito de cr\u00e9dito postulado perante o ju\u00edzo arbitral, em face de outras pessoas jur\u00eddicas, em nada se confunde com o requisito que alicer\u00e7a a compet\u00eancia do \u00e1rbitro, qual seja a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade das partes, por meio da celebra\u00e7\u00e3o da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, pensar de forma distinta tornaria o art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.307\/1996 um instrumento normativo capaz de fazer com que o \u00e1rbitro pudesse reconhecer sua compet\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a qualquer pessoa, f\u00edsica ou jur\u00eddica, independentemente da exist\u00eancia de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem ou sequer de contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, observa-se que o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido aplicou corretamente o art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.307\/1996, ao permitir o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas, perante o ju\u00edzo estatal, exclusivamente em face de terceiro n\u00e3o signat\u00e1rio da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-16-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-curador-especial-e-intimacao-pessoal-do-executado-sobre-a-penhora\" class=\"wp-block-heading\">16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CURADOR ESPECIAL E INTIMA\u00c7\u00c3O PESSOAL DO EXECUTADO SOBRE A PENHORA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curador especial <strong>n\u00e3o se equipara a advogado constitu\u00eddo<\/strong> para os fins do art. 841, \u00a7 2\u00ba, do CPC, sendo <strong>necess\u00e1ria a intima\u00e7\u00e3o pessoal do executado<\/strong> sobre a penhora, ainda que realizada por edital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.086.883-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na execu\u00e7\u00e3o movida pela Cobraforte Recuperadora contra Chaves, citado por edital e revel, a Defensoria P\u00fablica foi nomeada curadora especial. Penhorado im\u00f3vel do executado, a exequente sustentou que a intima\u00e7\u00e3o do curador especial supria a exig\u00eancia de ci\u00eancia pessoal do devedor, por equiparar-se o curador a advogado constitu\u00eddo nos autos. O ju\u00edzo, contudo, entendeu pela necessidade de intima\u00e7\u00e3o pessoal do executado, ainda que por edital. A intima\u00e7\u00e3o do curador basta para a ci\u00eancia da penhora?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 841, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong><em> (a intima\u00e7\u00e3o da penhora ser\u00e1 feita ao advogado do executado; n\u00e3o o tendo, ser\u00e1 intimado pessoalmente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 186, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (a requerimento da Defensoria P\u00fablica, a intima\u00e7\u00e3o pessoal da parte ser\u00e1 feita quando o ato depender de provid\u00eancia ou informa\u00e7\u00e3o que somente por ela possa ser realizada ou prestada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O advogado constitu\u00eddo mant\u00e9m com a parte rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o; o curador especial do citado ficticiamente \u00e9 representa\u00e7\u00e3o imposta por lei, sem contato com o executado e sem meios de localiz\u00e1-lo para cientific\u00e1-lo dos atos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A finalidade do art. 841, \u00a7 2\u00ba, do CPC \u00e9 assegurar a ci\u00eancia efetiva da constri\u00e7\u00e3o patrimonial; a defesa da penhora depende de informa\u00e7\u00f5es e provid\u00eancias que somente o pr\u00f3prio executado pode prestar, impondo-se sua intima\u00e7\u00e3o pessoal &#8211; ainda que por meio de edital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A norma de reg\u00eancia distingue duas situa\u00e7\u00f5es, e o caso n\u00e3o se encaixa na primeira. <strong>O art. 841 do CPC manda intimar a penhora na pessoa do advogado e, n\u00e3o havendo advogado constitu\u00eddo, intimar pessoalmente o executado<\/strong>; o executado citado por edital n\u00e3o constituiu advogado &#8211; o que existe \u00e9 curador especial nomeado pelo ju\u00edzo, figura que n\u00e3o se confunde com o patrono escolhido pela parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A diferen\u00e7a entre as duas figuras n\u00e3o \u00e9 formal, mas substancial. <strong>O advogado constitu\u00eddo mant\u00e9m com a parte rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o; o curador especial do citado ficticiamente n\u00e3o possui meios de localizar o executado para cientific\u00e1-lo dos atos processuais<\/strong> &#8211; trata-se de representa\u00e7\u00e3o institu\u00edda por imposi\u00e7\u00e3o legal, sem v\u00ednculo nem comunica\u00e7\u00e3o efetiva com a parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A leitura teleol\u00f3gica do dispositivo refor\u00e7a a exig\u00eancia. <strong>A finalidade do art. 841, \u00a7 2\u00ba, \u00e9 assegurar a ci\u00eancia efetiva do executado acerca da constri\u00e7\u00e3o patrimonial<\/strong>; a rea\u00e7\u00e3o \u00e0 penhora depende de informa\u00e7\u00f5es e provid\u00eancias que somente o pr\u00f3prio executado pode prestar, como confirma o art. 186, \u00a7 2\u00ba, do CPC ao prever a intima\u00e7\u00e3o pessoal da parte assistida pela Defensoria em atos dessa natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A garantia n\u00e3o paralisa a execu\u00e7\u00e3o. <strong>Exigir a intima\u00e7\u00e3o pessoal do executado, ainda que por edital, n\u00e3o representa \u00f3bice \u00e0 efetividade executiva<\/strong>, mas garantia de que a constri\u00e7\u00e3o chegue ao conhecimento do devedor, permitindo-lhe o exerc\u00edcio de seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 intima\u00e7\u00e3o da penhora quando o executado, revel, foi citado por edital e \u00e9 assistido por curador especial:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) aperfei\u00e7oa-se na pessoa do curador especial, que se equipara ao advogado constitu\u00eddo para os atos executivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) reclama a ci\u00eancia pessoal do executado, ainda que por edital, pois o curador especial n\u00e3o se equipara a advogado constitu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) mostra-se dispens\u00e1vel, correndo os prazos da constri\u00e7\u00e3o contra o revel independentemente de nova comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) satisfaz-se com a intima\u00e7\u00e3o pessoal da Defensoria P\u00fablica, prerrogativa institucional que alcan\u00e7a os atos dirigidos \u00e0 parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) imp\u00f5e a ci\u00eancia por oficial de justi\u00e7a, afastada a via edital\u00edcia para o ato de constri\u00e7\u00e3o patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O curador especial \u00e9 representa\u00e7\u00e3o imposta por lei, sem rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a nem meios de comunica\u00e7\u00e3o com o citado ficticiamente; n\u00e3o se equipara ao advogado constitu\u00eddo para os fins do art. 841, \u00a7 2\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Correta. N\u00e3o havendo advogado constitu\u00eddo &#8211; e o curador especial n\u00e3o o \u00e9 -, o executado deve ser intimado pessoalmente da penhora, admitida a via edital\u00edcia, pois a finalidade da norma \u00e9 assegurar a ci\u00eancia efetiva da constri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A revelia do citado por edital n\u00e3o dispensa a intima\u00e7\u00e3o da penhora: o art. 841, \u00a7 2\u00ba, do CPC exige a ci\u00eancia pessoal do executado que n\u00e3o tem advogado constitu\u00eddo nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A intima\u00e7\u00e3o pessoal da Defensoria, prerrogativa do \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o substitui a ci\u00eancia da parte; o art. 186, \u00a7 2\u00ba, do CPC refor\u00e7a que atos dependentes de provid\u00eancia exclusiva da parte reclamam a intima\u00e7\u00e3o pessoal dela pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A exig\u00eancia \u00e9 de intima\u00e7\u00e3o pessoal, n\u00e3o de meio espec\u00edfico: admite-se a comunica\u00e7\u00e3o edital\u00edcia da penhora ao executado citado por edital, sem imposi\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancia por oficial de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-14\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se, no caso de executado revel citado por edital, a intima\u00e7\u00e3o da penhora realizada na pessoa do defensor p\u00fablico nomeado como curador especial supre a exig\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o pessoal prevista no artigo 841, \u00a7 2\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o central, portanto, reside em determinar se a nomea\u00e7\u00e3o de curador especial ao executado citado por edital equivale, para os fins do artigo 841, \u00a7 2\u00ba, do CPC, \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de advogado nos autos. A resposta \u00e9 negativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a situa\u00e7\u00e3o do executado que constitui advogado de sua livre escolha, estabelecendo com este uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 substancialmente diversa daquela do executado citado fictamente, em favor de quem \u00e9 nomeado curador especial, sem que haja qualquer contato entre ambos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O curador especial, ao contr\u00e1rio do advogado constitu\u00eddo pela parte, n\u00e3o possui meios de localizar o executado para cientific\u00e1-lo dos atos processuais. Trata-se de representa\u00e7\u00e3o processual institu\u00edda por imposi\u00e7\u00e3o legal, sem que haja qualquer v\u00ednculo de confian\u00e7a ou possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o efetiva com a parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interpreta\u00e7\u00e3o do artigo 841, \u00a7 2\u00ba, do CPC deve ser sistem\u00e1tica e teleol\u00f3gica, considerando-se a finalidade da norma, que \u00e9 assegurar a ci\u00eancia efetiva do executado acerca da constri\u00e7\u00e3o patrimonial realizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A norma estabelece que, n\u00e3o havendo advogado constitu\u00eddo nos autos, o executado ser\u00e1 intimado pessoalmente. No caso dos autos, o executado efetivamente n\u00e3o constituiu advogado. O que existe \u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o, pelo ju\u00edzo, de curador especial, figura processual que n\u00e3o se confunde com o advogado constitu\u00eddo pela parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda, o artigo 186, \u00a7 2\u00ba, do CPC, ao prever a possibilidade de intima\u00e7\u00e3o pessoal da parte assistida pela Defensoria P\u00fablica, a requerimento desta, quando o ato processual depender de provid\u00eancia ou informa\u00e7\u00e3o que somente pela parte possa ser realizada ou prestada, refor\u00e7a a compreens\u00e3o de que a atua\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica, ainda que na condi\u00e7\u00e3o de curadora especial, n\u00e3o dispensa, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, a intima\u00e7\u00e3o pessoal da parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso da penhora, a intima\u00e7\u00e3o pessoal do executado \u00e9 essencial para que este possa, se assim desejar, exercer seus direitos. Trata-se de ato que, embora possa ser praticado pelo curador especial, depende fundamentalmente de informa\u00e7\u00f5es e provid\u00eancias que somente o pr\u00f3prio executado pode prestar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, exigir a intima\u00e7\u00e3o pessoal do executado, por edital, acerca da penhora realizada, n\u00e3o representa \u00f3bice \u00e0 efetividade da execu\u00e7\u00e3o, mas sim garantia de que o ato de constri\u00e7\u00e3o patrimonial seja levado ao conhecimento do executado, ainda que por meio de publica\u00e7\u00e3o edital\u00edcia, permitindo-lhe o exerc\u00edcio de seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-27d63398-55de-47f5-927b-f4b167dee4d1\" 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