{"id":1781176,"date":"2026-07-15T08:51:38","date_gmt":"2026-07-15T11:51:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1781176"},"modified":"2026-07-15T08:51:41","modified_gmt":"2026-07-15T11:51:41","slug":"informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/15085116\/stj_especial_28_parte2.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_fdnNmhn06XE\"><div id=\"lyte_fdnNmhn06XE\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/fdnNmhn06XE\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/fdnNmhn06XE\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/fdnNmhn06XE\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-inovacao-juridica-do-lancamento\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; INOVA\u00c7\u00c3O JUR\u00cdDICA DO LAN\u00c7AMENTO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos termos do art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972, <strong>\u00e9 defeso \u00e0 autoridade julgadora, unilateralmente, inovar ou alterar as balizas jur\u00eddicas do lan\u00e7amento fiscal<\/strong>, impondo-se, nessas hip\u00f3teses, a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, devolvido ao sujeito passivo o prazo de impugna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.118.134-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Metal\u00fargica Ferro Forte Ltda foi autuada pela Receita Federal, que descreveu determinado fato e apontou dispositivo legal espec\u00edfico como fundamento da exig\u00eancia. Impugnado o auto, o Conselho de Contribuintes manteve a cobran\u00e7a, por\u00e9m sob fundamento jur\u00eddico diverso do originalmente adotado pelo Auditor Fiscal, sem abrir nova oportunidade de defesa. A empresa alegou cerceamento, pois sua impugna\u00e7\u00e3o atacara o fundamento antigo, n\u00e3o o novo. A autoridade julgadora pode alterar o fundamento jur\u00eddico do lan\u00e7amento no curso do processo administrativo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 70.235\/1972, art. 18, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (verificadas incorre\u00e7\u00f5es ou inexatid\u00f5es que agravem a exig\u00eancia, ou inova\u00e7\u00e3o do fundamento jur\u00eddico, lavra-se auto complementar e devolve-se o prazo de impugna\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 70.235\/1972, arts. 10, III e IV, e 11, II<\/strong><em> (motiva\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento: descri\u00e7\u00e3o do fato, disposi\u00e7\u00e3o legal infringida e san\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 70.235\/1972, art. 59, II<\/strong><em> (nulidade dos despachos e decis\u00f5es proferidos com preteri\u00e7\u00e3o do direito de defesa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O processo administrativo fiscal segue rito cogente. O lan\u00e7amento deve conter motiva\u00e7\u00e3o completa, e \u00e9 sobre essa motiva\u00e7\u00e3o que se estrutura a impugna\u00e7\u00e3o do contribuinte, tornando-se incontroversas as mat\u00e9rias n\u00e3o contestadas. A defesa \u00e9 delimitada pelos fundamentos que a Administra\u00e7\u00e3o apresentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Se, no curso do processo, a autoridade julgadora identifica incorre\u00e7\u00f5es que agravem a exig\u00eancia ou pretende inovar o fundamento jur\u00eddico, n\u00e3o pode faz\u00ea-lo unilateralmente na pr\u00f3pria decis\u00e3o: imp\u00f5e-se a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, com devolu\u00e7\u00e3o do prazo de impugna\u00e7\u00e3o. Decidir com base em fundamento novo, sem essa reabertura, importa preteri\u00e7\u00e3o do direito de defesa e nulidade (art. 59, II).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O lan\u00e7amento n\u00e3o \u00e9 um ato aberto: ele fixa as balizas do lit\u00edgio. <strong>A exig\u00eancia fiscal deve conter motiva\u00e7\u00e3o que abranja a descri\u00e7\u00e3o do fato, a disposi\u00e7\u00e3o legal infringida e a san\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel<\/strong>, pois \u00e9 sobre esses elementos que o contribuinte estrutura sua impugna\u00e7\u00e3o, tornando-se incontroversas as mat\u00e9rias n\u00e3o contestadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Alterar o fundamento no julgamento desloca o alvo depois do disparo. <strong>Se a autoridade julgadora inova ou altera o fundamento jur\u00eddico da exig\u00eancia, a defesa j\u00e1 apresentada perde objeto: o contribuinte impugnou uma acusa\u00e7\u00e3o e v\u00ea-se condenado por outra<\/strong>, sem oportunidade de contrapor-se \u00e0 nova capitula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A lei prev\u00ea a solu\u00e7\u00e3o, e ela n\u00e3o \u00e9 a decis\u00e3o unilateral. <strong>Verificadas incorre\u00e7\u00f5es que agravem a exig\u00eancia ou havendo inova\u00e7\u00e3o do fundamento jur\u00eddico, imp\u00f5e-se a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, com concess\u00e3o de novo prazo de impugna\u00e7\u00e3o<\/strong> (art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A consequ\u00eancia do descumprimento \u00e9 a invalidade do julgado. <strong>Decidir com base em fundamento jur\u00eddico n\u00e3o submetido ao contradit\u00f3rio importa preteri\u00e7\u00e3o do direito de defesa, viciando a decis\u00e3o administrativa de nulidade<\/strong> (art. 59, II, do Decreto n. 70.235\/1972); a compet\u00eancia \u00e9 estritamente vinculada, e o rito n\u00e3o comporta atalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 altera\u00e7\u00e3o, pela autoridade julgadora administrativa, do fundamento jur\u00eddico originalmente adotado no lan\u00e7amento fiscal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) insere-se no poder de autotutela, que autoriza corrigir a capitula\u00e7\u00e3o legal na pr\u00f3pria decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 admitida quando o novo fundamento n\u00e3o agravar o valor da exig\u00eancia tribut\u00e1ria apurada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) aplica-se o brocardo <em>iura novit curia<\/em>, cabendo \u00e0 autoridade requalificar juridicamente o fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) convalida-se com a intima\u00e7\u00e3o do contribuinte acerca da decis\u00e3o que adotou o novo fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exige auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o complementares, com devolu\u00e7\u00e3o do prazo de impugna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A autotutela n\u00e3o autoriza inovar o fundamento na pr\u00f3pria decis\u00e3o: o art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972 imp\u00f5e auto complementar e reabertura de prazo, sob pena de preteri\u00e7\u00e3o do direito de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exig\u00eancia de auto complementar n\u00e3o se limita \u00e0s hip\u00f3teses de agravamento do valor: alcan\u00e7a expressamente a inova\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o do fundamento jur\u00eddico, ainda que o montante permane\u00e7a o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O brocardo \u00e9 pr\u00f3prio da atividade jurisdicional e n\u00e3o se transp\u00f5e ao processo administrativo fiscal, cujo rito \u00e9 cogente e vinculado; a requalifica\u00e7\u00e3o sem contradit\u00f3rio preteriria a defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A ci\u00eancia posterior da decis\u00e3o n\u00e3o sana o v\u00edcio: o que a lei assegura \u00e9 a oportunidade de impugnar o novo fundamento, e n\u00e3o apenas de conhec\u00ea-lo depois de decidido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> Havendo inova\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o das balizas jur\u00eddicas do lan\u00e7amento, imp\u00f5e-se a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, com devolu\u00e7\u00e3o do prazo de impugna\u00e7\u00e3o (art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972), sob pena de nulidade por preteri\u00e7\u00e3o do direito de defesa (art. 59, II).<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia reside em analisar se a modifica\u00e7\u00e3o ou inova\u00e7\u00e3o pelo Conselho de Contribuintes e pela C\u00e2mara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) dos crit\u00e9rios jur\u00eddicos do lan\u00e7amento efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sem oportunizar o direito \u00e0 ulterior impugna\u00e7\u00e3o, viola os arts. 18, 3, e 59, II, do Decreto n. 70.235\/1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, ressalta-se que a disciplina processual pertinente \u00e0 determina\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios da Uni\u00e3o \u00e9 regulada pelo Decreto n. 70.235\/1972 &#8211; recepcionado pela ordem constitucional com status de lei ordin\u00e1ria -, o qual estabelece o iter procedimental a ser cogentemente observado pelo Fisco para o exerc\u00edcio de suas compet\u00eancias estritamente vinculadas. De acordo com esse regramento, a exig\u00eancia do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio e a aplica\u00e7\u00e3o de penalidades s\u00e3o empreendidas mediante formaliza\u00e7\u00e3o de notifica\u00e7\u00f5es de lan\u00e7amento e lavratura de autos de infra\u00e7\u00e3o (art. 9), os quais devem conter motiva\u00e7\u00e3o que abranja, entre outros pontos, a descri\u00e7\u00e3o do fato, a disposi\u00e7\u00e3o legal infringida e a san\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel (arts. 10, III e IV, e 11, II).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em seguida, ap\u00f3s regular comunica\u00e7\u00e3o, faculta-se ao sujeito passivo o direito de contrapor-se \u00e0 exig\u00eancia mediante impugna\u00e7\u00e3o, a qual instaura a fase litigiosa do procedimento. Tal pe\u00e7a defensiva deve ser formalizada por escrito e instru\u00edda com os documentos que a fundamentam, mencionando-se, ainda, os motivos de fato e direito, os pontos de discord\u00e2ncia e as raz\u00f5es e provas a serem objeto de discuss\u00e3o administrativa, tomando-se por incontroversas as mat\u00e9rias n\u00e3o contestadas, como denotam os arts. 14 a 17 do Decreto n. 70.235\/1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apresentada impugna\u00e7\u00e3o e realizadas as respectivas dilig\u00eancias, caso a autoridade competente verifique, no curso do processo, a exist\u00eancia de incorre\u00e7\u00f5es ou inexatid\u00f5es que resultem agravamento da exig\u00eancia fiscal ou, ainda, inova\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o do fundamento jur\u00eddico da exig\u00eancia tribut\u00e1ria, imp\u00f5e-se a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou emiss\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, com concess\u00e3o de novo prazo de impugna\u00e7\u00e3o ao sujeito passivo, determina\u00e7\u00e3o extra\u00edda do art. 18, 3, do Decreto n. 70.235\/1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de preceito destinado a resguardar o direito de defesa no tocante aos aspectos f\u00e1tico-jur\u00eddicos inovadores relativamente \u00e0 autua\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria e, portanto, impass\u00edveis de oportuna contesta\u00e7\u00e3o pelo sujeito passivo, uma vez que n\u00e3o integraram a motiva\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pelo Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa hip\u00f3tese, o art. 41, 3, do Decreto n. 7.574\/2011, o qual densifica o Decreto n. 70.235\/1972 na regulamenta\u00e7\u00e3o do processo administrativo fiscal, assegura ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias, &#8220;[&#8230;] contados da data da ci\u00eancia da intima\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia complementar, para a apresenta\u00e7\u00e3o de impugna\u00e7\u00e3o apenas no concernente \u00e0 mat\u00e9ria modificada&#8221;, sendo tais atos levados a efeito no mesmo processo administrativo e objeto de um \u00fanico julgamento, nos moldes dos 4 e 5 do mesmo diploma normativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O descumprimento de tais regras macula a validade do respectivo processo de exig\u00eancia fiscal, sendo nulos, na esteira do art. 59, II, do Decreto n. 70.235\/1972 &#8220;[&#8230;] os despachos e decis\u00f5es proferidos por autoridade incompetente ou com preteri\u00e7\u00e3o do direito de defesa&#8221;, v\u00edcio que se projeta para os atos subsequentes na cadeia procedimental, nos moldes do 1 do sobredito preceito normativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o termo de verifica\u00e7\u00e3o fiscal integrante do auto de infra\u00e7\u00e3o refutou o procedimento adotado pelo sujeito passivo de deduzir da base impon\u00edvel da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), no exerc\u00edcio de 2002, perdas incorridas por sucursal estrangeira em per\u00edodos pret\u00e9ritos, viabilizando, contudo, a retifica\u00e7\u00e3o das respectivas declara\u00e7\u00f5es de rendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Malgrado entendimento adotado pelo Fisco, o Conselho de Contribuintes e a C\u00e2mara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) adotaram fundamenta\u00e7\u00e3o inovadora, passando a afirmar que, \u00e0 vista do princ\u00edpio da territorialidade da tributa\u00e7\u00e3o, as apontadas perdas jamais poderiam ser exclu\u00eddas da apura\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo da CSLL, situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o alterada com a publica\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 1.858\/1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a brusca mudan\u00e7a de posicionamento foi empreendida \u00e0 revelia da norma do art. 18, 3, do Decreto n. 70.235 \/1972. Isso porque a modifica\u00e7\u00e3o do fundamento da autua\u00e7\u00e3o demandava, antes, a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementar, com devolu\u00e7\u00e3o do prazo para impugna\u00e7\u00e3o, sob pena de nulidade por manifesta viola\u00e7\u00e3o ao direito de defesa, na forma do art. 59, I, do Decreto n. 70.235\/1972.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-credito-de-icms-na-aquisicao-de-bens-do-ativo-permanente\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; CR\u00c9DITO DE ICMS NA AQUISI\u00c7\u00c3O DE BENS DO ATIVO PERMANENTE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O valor do cr\u00e9dito financeiro de ICMS relativo \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de bens destinados ao ativo permanente resulta da multiplica\u00e7\u00e3o de fatores, entre eles a rela\u00e7\u00e3o entre as sa\u00eddas tributadas e o total das opera\u00e7\u00f5es do per\u00edodo; <strong>inexistindo opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda tributadas, o fator torna-se nulo e impede a apropria\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito no per\u00edodo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AREsp 2.449.390-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cer\u00e2mica Terra Firme S.A. adquiriu maquin\u00e1rio para o ativo imobilizado durante a fase pr\u00e9-operacional, quando ainda n\u00e3o realizava vendas. Nesse per\u00edodo, acumulou mensalmente cr\u00e9ditos financeiros de ICMS com base no art. 20, \u00a7 5\u00ba, da LC n. 87\/1996. Iniciadas as opera\u00e7\u00f5es, o Fisco estadual glosou os cr\u00e9ditos apropriados antes das primeiras sa\u00eddas tributadas e autuou a empresa. A contribuinte sustentou que o direito ao cr\u00e9dito nasce com a aquisi\u00e7\u00e3o do bem, independentemente de sa\u00eddas. \u00c9 poss\u00edvel apropriar o cr\u00e9dito em per\u00edodo sem sa\u00eddas tributadas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 87\/1996, art. 20, \u00a7 5\u00ba, I a III<\/strong><em> (crit\u00e9rios objetivos, expressos em opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, para o aproveitamento do cr\u00e9dito financeiro do ativo permanente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 87\/1996, art. 20, \u00a7 5\u00ba, III<\/strong><em> (o cr\u00e9dito apropri\u00e1vel resulta da multiplica\u00e7\u00e3o de fatores, entre eles a rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00eddas tributadas e total das opera\u00e7\u00f5es do per\u00edodo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 155, \u00a7 2\u00ba, I<\/strong><em> (n\u00e3o cumulatividade do ICMS, que fundamenta o cr\u00e9dito f\u00edsico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O cr\u00e9dito financeiro n\u00e3o se confunde com o cr\u00e9dito f\u00edsico. Este decorre diretamente da n\u00e3o cumulatividade constitucional; aquele, relativo ao imposto pago na aquisi\u00e7\u00e3o de bens do ativo fixo, \u00e9 direito criado pela legisla\u00e7\u00e3o complementar (LC n. 87\/1996), com a conforma\u00e7\u00e3o que a pr\u00f3pria lei lhe deu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Por serem crit\u00e9rios objetivos expressos em opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, os incisos do art. 20, \u00a7 5\u00ba, interpretam-se literalmente. Um dos fatores da multiplica\u00e7\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o entre sa\u00eddas tributadas e total das opera\u00e7\u00f5es do per\u00edodo. Se n\u00e3o houve sa\u00edda tributada, esse fator \u00e9 zero, e o produto da multiplica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m: n\u00e3o h\u00e1 cr\u00e9dito a apropriar naquele per\u00edodo. Da\u00ed a legitimidade da glosa de cr\u00e9ditos acumulados na fase pr\u00e9-operacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A natureza do cr\u00e9dito em disputa condiciona toda a solu\u00e7\u00e3o. <strong>O cr\u00e9dito financeiro, decorrente do imposto recolhido na aquisi\u00e7\u00e3o de bens para o ativo fixo, n\u00e3o deriva diretamente da n\u00e3o cumulatividade constitucional: \u00e9 direito previsto na legisla\u00e7\u00e3o complementar federal<\/strong> (LC n. 87\/1996), e existe nos termos e limites em que a lei o criou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A lei disciplinou o aproveitamento por meio de f\u00f3rmula, e f\u00f3rmula se aplica como est\u00e1. Os incisos do art. 20, \u00a7 5\u00ba, estabelecem <strong>crit\u00e9rios objetivos, expressos em opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, raz\u00e3o pela qual devem ser interpretados de forma literal<\/strong>; n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete substituir os fatores legais por ju\u00edzo de equidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Um dos fatores da multiplica\u00e7\u00e3o zera o resultado na fase pr\u00e9-operacional. <strong>O cr\u00e9dito resulta da multiplica\u00e7\u00e3o de fatores, entre eles a rela\u00e7\u00e3o entre o valor das sa\u00eddas tributadas e o total das opera\u00e7\u00f5es do per\u00edodo; inexistindo sa\u00eddas tributadas, esse fator \u00e9 nulo e impede a apropria\u00e7\u00e3o<\/strong>. Zero multiplicando qualquer valor produz zero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da\u00ed a validade da autua\u00e7\u00e3o no caso concreto. <strong>A contribuinte apropriou e acumulou cr\u00e9ditos financeiros em per\u00edodo anterior ao in\u00edcio de suas opera\u00e7\u00f5es, em descompasso com os limites e formalidades da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, o que legitima a glosa<\/strong>; n\u00e3o h\u00e1 v\u00edcio na atua\u00e7\u00e3o do agente fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito financeiro de ICMS sobre bens do ativo permanente adquiridos em per\u00edodo sem sa\u00eddas tributadas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 impedida no per\u00edodo, pois o fator relativo \u00e0s sa\u00eddas tributadas anula o resultado da f\u00f3rmula legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 assegurada pela n\u00e3o cumulatividade, que independe da exist\u00eancia de sa\u00eddas tributadas no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) fica diferida para o primeiro per\u00edodo em que houver sa\u00eddas, com atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria dos valores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) admite-se pelo regime de compet\u00eancia, pois o direito nasce com a entrada do bem no estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) comporta apropria\u00e7\u00e3o proporcional, calculada sobre a expectativa de sa\u00eddas tributadas futuras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> O cr\u00e9dito resulta da multiplica\u00e7\u00e3o de fatores (art. 20, \u00a7 5\u00ba, III, da LC n. 87\/1996), entre eles a raz\u00e3o entre sa\u00eddas tributadas e total das opera\u00e7\u00f5es; sem sa\u00eddas tributadas, o fator \u00e9 nulo e a apropria\u00e7\u00e3o fica impedida naquele per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O cr\u00e9dito financeiro n\u00e3o decorre diretamente da n\u00e3o cumulatividade constitucional (pr\u00f3pria do cr\u00e9dito f\u00edsico), mas da legisla\u00e7\u00e3o complementar, que o condicionou \u00e0 f\u00f3rmula do art. 20, \u00a7 5\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A lei n\u00e3o prev\u00ea diferimento com atualiza\u00e7\u00e3o: o c\u00e1lculo \u00e9 feito per\u00edodo a per\u00edodo, e a aus\u00eancia de sa\u00eddas tributadas simplesmente zera o fator naquele per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A entrada do bem n\u00e3o basta: os crit\u00e9rios do art. 20, \u00a7 5\u00ba, s\u00e3o objetivos e matem\u00e1ticos, e condicionam a apropria\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia de sa\u00eddas tributadas no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 apropria\u00e7\u00e3o proporcional a expectativa futura: os fatores da f\u00f3rmula s\u00e3o apurados com base nas opera\u00e7\u00f5es efetivamente realizadas no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia submetida \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 forma de creditamento e \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito financeiro de ICMS pago na aquisi\u00e7\u00e3o de bens e mercadorias de terceiros destinados ao ativo permanente da sociedade, bem como \u00e0s limita\u00e7\u00f5es legais ao seu aproveitamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentemente do cr\u00e9dito f\u00edsico, vinculado ao princ\u00edpio constitucional da n\u00e3o cumulatividade do ICMS, o cr\u00e9dito financeiro &#8211; como aquele decorrente do imposto recolhido na aquisi\u00e7\u00e3o de bens para o ativo fixo e imobilizado &#8211; constitui direito previsto na legisla\u00e7\u00e3o complementar federal (LC n. 87\/1996).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 20, 5, da referida lei complementar, disciplina o direito de apropria\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito financeiro de ICMS relativo \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de bens e mercadorias de terceiros destinados ao ativo permanente da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os incisos I, II e III do referido 5 estabelecem crit\u00e9rios objetivos, expressos em opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, para o aproveitamento do cr\u00e9dito financeiro, raz\u00e3o pela qual devem ser interpretados de forma literal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do inciso III, o valor do cr\u00e9dito a ser apropriado resulta da multiplica\u00e7\u00e3o de fatores, sendo um deles a rela\u00e7\u00e3o entre o valor das opera\u00e7\u00f5es de sa\u00eddas e presta\u00e7\u00f5es tributadas e o total das opera\u00e7\u00f5es realizadas no per\u00edodo, sendo certo que, inexistindo opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda tributadas, o fator torna-se nulo, impedindo a apropria\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso concreto, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias consignaram que a autua\u00e7\u00e3o fiscal decorreu do recolhimento a menor do ICMS incidente sobre opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda realizadas ap\u00f3s o in\u00edcio das atividades da empresa e fora do prazo legal, tendo a sociedade se utilizado indevidamente de cr\u00e9ditos acumulados mensalmente com base no art. 20, 5, inciso I, da LC n. 87\/1996, em per\u00edodo anterior ao in\u00edcio de suas opera\u00e7\u00f5es (per\u00edodo pr\u00e9-operacional).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o se verifica nenhum v\u00edcio na atua\u00e7\u00e3o do agente fiscal que promoveu a glosa dos cr\u00e9ditos financeiros apropriados e acumulados indevidamente antes do in\u00edcio das atividades da contribuinte e em per\u00edodos sem opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda, em descompasso com os limites e formalidades previstos na legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-jornada-de-trinta-horas-dos-assistentes-sociais-e-regime-juridico-dos-servidores\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; JORNADA DE TRINTA HORAS DOS ASSISTENTES SOCIAIS E REGIME JUR\u00cdDICO DOS SERVIDORES<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lei n. 12.317\/2010, que estabelece jornada de trinta horas semanais para assistentes sociais, <strong>aplica-se exclusivamente aos profissionais vinculados ao regime celetista, n\u00e3o alcan\u00e7ando os servidores p\u00fablicos estatut\u00e1rios<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RMS 76.359-PR, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 4\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Florinda \u00e9 assistente social e servidora p\u00fablica estatut\u00e1ria do Estado do Paran\u00e1, cuja lei estadual fixa jornada de quarenta horas semanais para a categoria. Invocando a Lei federal n. 12.317\/2010, que inseriu na Lei n. 8.662\/1993 a jornada de trinta horas semanais para assistentes sociais, ela requereu a redu\u00e7\u00e3o de sua carga hor\u00e1ria, sem redu\u00e7\u00e3o de vencimentos. A Administra\u00e7\u00e3o estadual indeferiu. A lei federal alcan\u00e7a a servidora estatut\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.662\/1993, art. 5\u00ba-A (inclu\u00eddo pela Lei n. 12.317\/2010)<\/strong><em> (dura\u00e7\u00e3o do trabalho do assistente social de trinta horas semanais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.317\/2010, art. 2\u00ba<\/strong><em> (garante a adequa\u00e7\u00e3o da jornada aos profissionais com contrato de trabalho em vigor, vedada a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 18, 25 e 39<\/strong><em> (autonomia dos entes federativos; cada ente institui, por lei pr\u00f3pria, o regime jur\u00eddico de seus servidores).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A compet\u00eancia para dispor sobre o regime jur\u00eddico dos servidores p\u00fablicos, inclusive a jornada de trabalho, \u00e9 de cada ente federativo, por for\u00e7a da autonomia assegurada pela Constitui\u00e7\u00e3o (arts. 18, 25 e 39). A Uni\u00e3o n\u00e3o pode, por lei ordin\u00e1ria federal, fixar a jornada dos servidores estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O pr\u00f3prio texto da Lei n. 12.317\/2010 confirma seu alcance: o art. 2\u00ba refere-se aos profissionais com contrato de trabalho em vigor, express\u00e3o t\u00edpica do regime celetista, estruturalmente distinto do estatut\u00e1rio. A norma dirige-se aos assistentes sociais da iniciativa privada; a jornada dos servidores estaduais permanece regida pela lei do respectivo ente, no caso, a lei estadual que fixa quarenta horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O regime jur\u00eddico do servidor \u00e9 mat\u00e9ria reservada a cada ente. <strong>A compet\u00eancia para legislar sobre o regime jur\u00eddico dos servidores p\u00fablicos, inclusive quanto \u00e0 jornada, \u00e9 atribu\u00edda a cada ente federativo, por for\u00e7a da autonomia constitucional<\/strong> (CF, arts. 18, 25 e 39); cada um institui, por lei pr\u00f3pria, as regras aplic\u00e1veis aos seus quadros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A lei federal invocada n\u00e3o se dirige a esse universo. <strong>O art. 2\u00ba da Lei n. 12.317\/2010 assegura a adequa\u00e7\u00e3o da jornada aos profissionais com contrato de trabalho em vigor, express\u00e3o tipicamente associada ao regime celetista<\/strong>, fundamentalmente distinto do v\u00ednculo estatut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A conclus\u00e3o decorre da leitura sistem\u00e1tica. A Lei n. 8.662\/1993, na reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 12.317\/2010, <strong>aplica-se somente aos assistentes sociais da iniciativa privada, n\u00e3o alcan\u00e7ando os vinculados \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, regidos por estatuto pr\u00f3prio<\/strong>; interpreta\u00e7\u00e3o diversa faria a Uni\u00e3o legislar sobre servidores alheios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso, prevalece a norma estadual. <strong>A jornada dos assistentes sociais servidores do Paran\u00e1 \u00e9 disciplinada pela Lei Estadual n. 13.666\/2002, que fixa quarenta horas semanais, n\u00e3o havendo direito \u00e0 redu\u00e7\u00e3o com base na lei federal<\/strong>; a autonomia do ente \u00e9 o fundamento do indeferimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 jornada de trinta horas semanais da Lei n. 12.317\/2010, pleiteada por assistente social servidora p\u00fablica estatut\u00e1ria estadual:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) aplica-se, por tratar-se de norma geral sobre exerc\u00edcio profissional, de observ\u00e2ncia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) prevalece sobre a lei estadual, dada a primazia da lei geral federal de reg\u00eancia da profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) imp\u00f5e-se por for\u00e7a da isonomia entre os profissionais da mesma categoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) n\u00e3o a alcan\u00e7a, pois a lei federal atinge apenas os celetistas, cabendo a cada ente reger seus servidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) incidiria apenas se a lei estadual fosse omissa quanto \u00e0 carga hor\u00e1ria da categoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A lei n\u00e3o \u00e9 norma geral de observ\u00e2ncia nacional quanto \u00e0 jornada do servidor: o regime jur\u00eddico dos servidores p\u00fablicos \u00e9 mat\u00e9ria de cada ente federativo (CF, arts. 18, 25 e 39).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 hierarquia que fa\u00e7a a lei federal sobre a profiss\u00e3o prevalecer sobre a lei do ente quanto \u00e0 jornada de seus servidores; a compet\u00eancia \u00e9 do pr\u00f3prio ente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A isonomia n\u00e3o se aplica entre regimes jur\u00eddicos distintos: o v\u00ednculo celetista e o estatut\u00e1rio s\u00e3o estruturalmente diversos, e o tratamento diferenciado decorre da pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> O art. 2\u00ba da Lei n. 12.317\/2010 refere-se a contrato de trabalho, express\u00e3o t\u00edpica do regime celetista; a lei alcan\u00e7a apenas os assistentes sociais da iniciativa privada, cabendo a cada ente disciplinar a jornada de seus servidores estatut\u00e1rios (CF, arts. 18, 25 e 39).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A eventual omiss\u00e3o da lei estadual n\u00e3o atrairia a lei federal, cujo \u00e2mbito \u00e9 o regime celetista.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a Lei Federal n. 12.317\/2010, que estabelece jornada de trabalho de 30 horas semanais para assistentes sociais da iniciativa privada, \u00e9 aplic\u00e1vel aos servidores p\u00fablicos estaduais, em detrimento da Lei Estadual do Paran\u00e1 n. 13.666\/2002 que prev\u00ea jornada de 40 horas semanais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 12.317\/2010 incluiu o art. 5-A na Lei n. 8.662\/1993, que disp\u00f5e sobre a profiss\u00e3o de Assistente Social da iniciativa privada, estabelecendo a jornada de trabalho da categoria em 30 (trinta) horas semanais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que a compet\u00eancia para legislar sobre o regime jur\u00eddico dos servidores p\u00fablicos &#8211; incluindo regras sobre a jornada de trabalho &#8211; \u00e9 atribu\u00edda a cada ente federativo (Uni\u00e3o, Estados, Distrito Federal e Munic\u00edpios), em raz\u00e3o da autonomia garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa autonomia est\u00e1 prevista nos artigos 18 e 25 da CF, que asseguram aos entes o poder de se organizar administrativamente, e no artigo 39 da CF, que determina que cada um deve instituir, por meio de lei pr\u00f3pria, o regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel aos seus servidores. Portanto, cabe a cada ente definir, dentro dos limites constitucionais, as normas que regem os v\u00ednculos funcionais de seus servidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A prop\u00f3sito, o art. 2 da Lei Federal n. 12.317\/2010 especifica a sua aplicabilidade: &#8220;aos profissionais com contrato de trabalho em vigor na data de publica\u00e7\u00e3o desta Lei \u00e9 garantida a adequa\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, vedada a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio&#8221;. A express\u00e3o &#8220;contrato de trabalho&#8221; \u00e9 tipicamente associada ao regime celetista, que difere fundamentalmente do regime estatut\u00e1rio aplic\u00e1vel aos servidores p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, conclui-se que a Lei n. 8.662\/1993, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.317\/2010, tem aplica\u00e7\u00e3o somente para os Assistentes Sociais da iniciativa privada, n\u00e3o alcan\u00e7ando aqueles vinculados \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, os quais s\u00e3o regidos por estatuto pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso concreto, a jornada de trabalho dos servidores estaduais do Paran\u00e1 \u00e9 disciplinada pela Lei Estadual n. 13.666\/2002, que estabelece carga hor\u00e1ria de 40 horas semanais para assistentes sociais, n\u00e3o havendo direito l\u00edquido e certo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da jornada com base na legisla\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-fundo-de-comercio-na-justa-indenizacao-e-sociedade-com-patrimonio-liquido-negativo\" class=\"wp-block-heading\">4. FUNDO DE COM\u00c9RCIO NA JUSTA INDENIZA\u00c7\u00c3O E SOCIEDADE COM PATRIM\u00d4NIO L\u00cdQUIDO NEGATIVO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fundo de com\u00e9rcio (aviamento) <strong>n\u00e3o pode ser inclu\u00eddo na justa indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o quando a sociedade possui patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.348.075-RS, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 18\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Uni\u00e3o promoveu desapropria\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es representativas do capital social de sociedades an\u00f4nimas, com base no Decreto-Lei n. 3.365\/1941 e na Lei n. 7.315\/1985. As sociedades apresentavam patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo, e o dep\u00f3sito inicial seguiu o valor simb\u00f3lico previsto na lei. Os expropriados pretenderam que o c\u00e1lculo da indeniza\u00e7\u00e3o inclu\u00edsse o fundo de com\u00e9rcio, ativo intang\u00edvel que refletiria a capacidade de gerar lucros. O aviamento integra a justa indeniza\u00e7\u00e3o nessas condi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Decreto-Lei n. 3.365\/1941; Lei n. 7.315\/1985<\/strong><em> (desapropria\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es; crit\u00e9rio do patrim\u00f4nio l\u00edquido para a indeniza\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.404\/1976, arts. 178 e 182<\/strong><em> (composi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio l\u00edquido como categoria cont\u00e1bil objetiva).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXIV<\/strong><em> (justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro na desapropria\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O patrim\u00f4nio l\u00edquido, tal como definido nos arts. 178 e 182 da Lei n. 6.404\/1976, \u00e9 categoria cont\u00e1bil objetiva. Sua composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o abrange ativos intang\u00edveis como o aviamento, cuja mensura\u00e7\u00e3o exigiria avalia\u00e7\u00e3o subjetiva sem previs\u00e3o legal de inclus\u00e3o nessa rubrica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O fundo de com\u00e9rcio expressa, em ess\u00eancia, expectativa de lucros futuros. Quando a sociedade apresenta patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo, falta-lhe lastro financeiro para honrar as pr\u00f3prias obriga\u00e7\u00f5es, o que torna praticamente invi\u00e1vel a gera\u00e7\u00e3o de lucros. Sem essa base, o aviamento n\u00e3o tem substrato econ\u00f4mico a indenizar, e sua inclus\u00e3o na justa indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O crit\u00e9rio legal da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00e1bil e objetivo. <strong>O patrim\u00f4nio l\u00edquido<\/strong>, com amparo nos arts. 178 e 182 da Lei n. 6.404\/1976,<strong> \u00e9 categoria cont\u00e1bil que n\u00e3o abrange ativos intang\u00edveis como o aviamento<\/strong>, cuja apura\u00e7\u00e3o dependeria de avalia\u00e7\u00e3o subjetiva sem previs\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O aviamento n\u00e3o \u00e9 um bem em si: \u00e9 expectativa. <strong>O fundo de com\u00e9rcio traduz a aptid\u00e3o do estabelecimento para gerar lucros futuros<\/strong>, e n\u00e3o um ativo aut\u00f4nomo j\u00e1 incorporado ao patrim\u00f4nio; sua exist\u00eancia pressup\u00f5e uma atividade economicamente vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo desmente essa expectativa. <strong>A aus\u00eancia de lastro financeiro para o pagamento das obriga\u00e7\u00f5es sociais torna praticamente invi\u00e1vel a gera\u00e7\u00e3o de lucros<\/strong>; a sociedade que n\u00e3o consegue honrar seu passivo n\u00e3o sustenta, no plano econ\u00f4mico, um fundo de com\u00e9rcio a ser indenizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da\u00ed a exclus\u00e3o do aviamento do c\u00e1lculo, sem ofensa \u00e0 justa indeniza\u00e7\u00e3o. <strong>Indenizar o fundo de com\u00e9rcio de sociedade com patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo remuneraria expectativa de lucro que a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o patrimonial afasta<\/strong>, o que extrapolaria a justa indeniza\u00e7\u00e3o constitucionalmente assegurada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 inclus\u00e3o do fundo de com\u00e9rcio na indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o de sociedade com patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) imp\u00f5e-se, por integrar o aviamento o conceito constitucional de justa indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) mostra-se invi\u00e1vel, pois afastada a expectativa de lucros que o aviamento traduz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) tratando-se de ativo intang\u00edvel, depende de arbitramento pericial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) admite-se, mas somente quando o fundo de com\u00e9rcio \u00e9 registrado no balan\u00e7o patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) comporta c\u00e1lculo proporcional ao tempo de explora\u00e7\u00e3o da atividade pela sociedade expropriada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A justa indeniza\u00e7\u00e3o (CF, art. 5\u00ba, XXIV) n\u00e3o imp\u00f5e indenizar expectativa de lucro que a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o patrimonial afasta; o crit\u00e9rio legal \u00e9 o patrim\u00f4nio l\u00edquido, categoria cont\u00e1bil objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> O aviamento traduz aptid\u00e3o para gerar lucros futuros; com patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo, falta lastro para honrar as obriga\u00e7\u00f5es sociais e torna-se praticamente invi\u00e1vel a gera\u00e7\u00e3o de lucros, de modo que o fundo de com\u00e9rcio n\u00e3o integra a justa indeniza\u00e7\u00e3o (Lei n. 6.404\/1976, arts. 178 e 182).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A per\u00edcia n\u00e3o supre a aus\u00eancia de substrato econ\u00f4mico: o patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo esvazia a pr\u00f3pria expectativa de lucro que o aviamento representaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O patrim\u00f4nio l\u00edquido, como definido nos arts. 178 e 182 da Lei n. 6.404\/1976, n\u00e3o abrange ativos intang\u00edveis avaliados subjetivamente, como o aviamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rio de proporcionalidade temporal: a exclus\u00e3o decorre da inexist\u00eancia de lastro econ\u00f4mico, n\u00e3o do tempo de explora\u00e7\u00e3o da atividade.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o promovida pela Uni\u00e3o contra sociedades an\u00f4nimas, visando \u00e0 transfer\u00eancia de a\u00e7\u00f5es representativas do capital social, com fundamento no Decreto-Lei n. 3.365\/1941 e na Lei n. 7.315\/1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A senten\u00e7a julgou procedente o pedido, atribuindo \u00e0 Uni\u00e3o a propriedade das a\u00e7\u00f5es e reconhecendo a sufici\u00eancia do dep\u00f3sito inicial baseado no patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo, conforme o valor simb\u00f3lico previsto no art. 2, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 7.315\/1985. As apela\u00e7\u00f5es interpostas foram desprovidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assm, a controv\u00e9rsia cinge-se a estabelecer se ativos intang\u00edveis, como fundo de com\u00e9rcio, deve ser inclu\u00eddo no c\u00e1lculo do patrim\u00f4nio l\u00edquido para fixa\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O patrim\u00f4nio l\u00edquido, com amparo nos arts. 178 e 182 da Lei n. 6.404\/1976, \u00e9 uma categoria cont\u00e1bil e objetiva, n\u00e3o abrangendo ativos intang\u00edveis, como aviamento, devido \u00e0 aus\u00eancia de previs\u00e3o legal para inclus\u00e3o de rubricas que demandam uma avalia\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, o fundo de com\u00e9rcio (aviamento) n\u00e3o pode ser inclu\u00eddo na justa indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o quando a sociedade possui patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo, pois a aus\u00eancia de lastro financeiro para pagamento de suas obriga\u00e7\u00f5es torna praticamente invi\u00e1vel a gera\u00e7\u00e3o de lucros, como no caso dos autos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-retroatividade-da-lei-14-230-2021-e-suspensao-dos-direitos-politicos\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; RETROATIVIDADE DA LEI 14.230\/2021 E SUSPENS\u00c3O DOS DIREITOS POL\u00cdTICOS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da superveni\u00eancia da Lei n. 14.230\/2021 e da nova reda\u00e7\u00e3o do art. 12, III, da Lei de Improbidade Administrativa, <strong>deve-se aplicar retroativamente a previs\u00e3o mais ben\u00e9fica ao r\u00e9u, para afastar a penalidade de suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos<\/strong>, nos processos ainda sem tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt nos EDcl no AREsp 2.047.048-SP, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Barriga, prefeito municipal, contratou sem licita\u00e7\u00e3o o fornecimento de g\u00eaneros aliment\u00edcios e materiais aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos do munic\u00edpio. Condenado por improbidade com base no art. 11 da LIA, entre as san\u00e7\u00f5es aplicadas figurava a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos. Antes do tr\u00e2nsito em julgado, entrou em vigor a Lei n. 14.230\/2021, que, na nova reda\u00e7\u00e3o do art. 12, III, n\u00e3o prev\u00ea essa penalidade para os atos do art. 11 (viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio). Discutiu-se se a norma mais ben\u00e9fica alcan\u00e7aria o processo em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 12, III (reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021)<\/strong><em> (san\u00e7\u00f5es para os atos que atentam contra os princ\u00edpios, sem previs\u00e3o de suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, Tema 1.199 (RE 843.989)<\/strong><em> (irretroatividade quanto \u00e0 exig\u00eancia de dolo diante da coisa julgada; aplica\u00e7\u00e3o da lei mais ben\u00e9fica aos processos sem tr\u00e2nsito em julgado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Direito Administrativo Sancionador<\/strong><em> (incid\u00eancia mitigada das garantias penais, entre elas a retroatividade da lex mitior).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A improbidade situa-se, majoritariamente, no campo do Direito Administrativo Sancionador. Suas san\u00e7\u00f5es (perda da fun\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos, multas expressivas) justificam a incid\u00eancia, ainda que suavizada, das garantias que o constituinte reservou \u00e0s san\u00e7\u00f5es penais, entre elas a aplica\u00e7\u00e3o da lei mais favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A Lei n. 14.230\/2021, ao reescrever o art. 12, III, deixou de prever a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos para os atos que atentam contra os princ\u00edpios (art. 11). Trata-se de norma mais ben\u00e9fica, que retroage para alcan\u00e7ar os processos ainda sem tr\u00e2nsito em julgado, respeitada a coisa julgada. A retroa\u00e7\u00e3o, no caso, afasta a penalidade, sem preju\u00edzo das demais san\u00e7\u00f5es cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A natureza sancionadora da improbidade abre espa\u00e7o \u00e0s garantias do regime punitivo. <strong>A vis\u00e3o majorit\u00e1ria situa a improbidade no campo do Direito Administrativo Sancionador, o que autoriza a aplica\u00e7\u00e3o suavizada de garantias que o constituinte reservou \u00e0s san\u00e7\u00f5es penais<\/strong>, entre elas a retroatividade da lei mais favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A gravidade das san\u00e7\u00f5es refor\u00e7a esse enquadramento. <strong>A LIA comina perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos por per\u00edodo consider\u00e1vel e pesadas multas civis, o que justifica a incid\u00eancia do princ\u00edpio da lei mais favor\u00e1vel, <\/strong>em homenagem \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O novo art. 12, III, \u00e9 efetivamente mais ben\u00e9fico. <strong>Na reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021, as san\u00e7\u00f5es cominadas aos atos que atentam contra os princ\u00edpios n\u00e3o incluem a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos<\/strong>; o legislador reservou essa penalidade \u00e0s modalidades mais graves de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A retroa\u00e7\u00e3o encontra limite apenas na coisa julgada. <strong>Nos processos ainda sem tr\u00e2nsito em julgado, aplica-se retroativamente a previs\u00e3o mais ben\u00e9fica, afastando-se a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos<\/strong>; respeitada a garantia da coisa julgada, o Tema 1.199\/STF autoriza precisamente essa solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos aplicada por ato que atenta contra princ\u00edpios, em processo sem tr\u00e2nsito em julgado ap\u00f3s a Lei n. 14.230\/2021:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) mant\u00e9m-se, pois a lei nova n\u00e3o retroage no Direito Administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) preserva-se, por integrar a san\u00e7\u00e3o o n\u00facleo essencial da tutela da probidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) deve ser afastada, por for\u00e7a da retroatividade da previs\u00e3o mais ben\u00e9fica do novo art. 12, III.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) persiste, salvo se o r\u00e9u demonstrar a aus\u00eancia de dolo espec\u00edfico na conduta praticada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) reduz-se ao m\u00ednimo legal, ante a nova dosimetria introduzida pela lei superveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A improbidade situa-se no Direito Administrativo Sancionador, o que autoriza a aplica\u00e7\u00e3o, ainda que suavizada, da retroatividade da lei mais ben\u00e9fica (Tema 1.199\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O legislador de 2021 justamente retirou essa san\u00e7\u00e3o do rol aplic\u00e1vel aos atos do art. 11, reservando-a \u00e0s modalidades mais graves; ela n\u00e3o integra n\u00facleo intang\u00edvel da tutela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> A nova reda\u00e7\u00e3o do art. 12, III, da LIA n\u00e3o prev\u00ea a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos para os atos que atentam contra os princ\u00edpios; por ser mais ben\u00e9fica, retroage aos processos sem tr\u00e2nsito em julgado, afastando a penalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O afastamento n\u00e3o depende de prova sobre o dolo: decorre diretamente da supress\u00e3o legal da penalidade para os atos do art. 11, norma mais ben\u00e9fica que retroage.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o se trata de reduzir a san\u00e7\u00e3o ao m\u00ednimo: a lei nova simplesmente n\u00e3o a comina para essa modalidade, impondo seu afastamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se h\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 14.230, de 25 de outubro de 2021, aos processos em curso, sem tr\u00e2nsito em julgado, para ato tipificado no art. 11, V, na reda\u00e7\u00e3o atual da Lei de Improbidade Administrativa &#8211; LIA (Lei n. 8.429\/1992), no que tange \u00e0 impossibilidade de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de caso no qual prefeito municipal contratou irregularmente o fornecimento de g\u00eaneros aliment\u00edcios, refei\u00e7\u00f5es, materiais de constru\u00e7\u00e3o, de limpeza e de consumo em geral aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos municipais, sem o devido processo licitat\u00f3rio, em processo iniciado anteriormente \u00e0s recentes altera\u00e7\u00f5es na Lei de Improbidade Administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, destaca-se que a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021 trouxe significativas altera\u00e7\u00f5es \u00e0 Lei n. 8.429\/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), o que suscita debates intensos sobre sua aplica\u00e7\u00e3o nos processos em curso, especialmente naqueles ainda n\u00e3o transitados em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e9 imperioso definir se as normas mais benignas introduzidas pela nova lei podem ou devem ser aplicadas retroativamente em prol dos r\u00e9us, \u00e0 luz do princ\u00edpio da retroatividade da lei mais ben\u00e9fica (lex mitior) e dos limites constitucionais a essa retroa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do Direito Administrativo Sancionador. \u00c9 ineg\u00e1vel que o substrato normativo da LIA implica san\u00e7\u00f5es como perda da fun\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos por per\u00edodo consider\u00e1vel e pesadas multas civis. Da\u00ed se justifica a incid\u00eancia do princ\u00edpio da lei mais favor\u00e1vel, em homenagem \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais, respeitada a tamb\u00e9m fundamental garantia da coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, enxerga-se uma vis\u00e3o majorit\u00e1ria que situa a improbidade no campo do Direito Administrativo Sancionador e, desta forma, abre margem para uma aplica\u00e7\u00e3o &#8211; suavizada &#8211; de garantias gizadas pelo constituinte \u00e0s san\u00e7\u00f5es penais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A prop\u00f3sito, no julgamento do Recurso Extraordin\u00e1rio n. 843.989\/PR, foi reconhecida a repercuss\u00e3o geral da mat\u00e9ria (Tema n. 1199\/STF) e foram fixadas teses a respeito da exig\u00eancia de dolo e da retroatividade da lei mais ben\u00e9fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante dessas defini\u00e7\u00f5es, consolidou-se uma f\u00f3rmula de retroatividade mitigada: beneficia-se o r\u00e9u quando o processo n\u00e3o esteja coberto pela coisa julgada, no que toca \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do il\u00edcito (dolo, tipicidade, exclus\u00e3o da modalidade culposa), mas n\u00e3o se altera o c\u00f4mputo prescricional sob a lei anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O STF combinou, assim, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa julgada e a seguran\u00e7a jur\u00eddica (em mat\u00e9ria de prescri\u00e7\u00e3o) com a necessidade de evitar puni\u00e7\u00f5es por condutas que o legislador democraticamente escolheu n\u00e3o capitular como ato \u00edmprobo, a despeito de continuarem atos antinormativos, visto que irregulares ou ilegais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De outro giro, deve-se observar que apesar da revoga\u00e7\u00e3o do art. 11, inciso I, da LIA, o ato \u00edmprobo consistente n\u00e3o apenas na ilegalidade na contrata\u00e7\u00e3o desprovida de licita\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no dolo espec\u00edfico e no preenchimento do elemento normativo &#8220;com vistas \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio pr\u00f3prio, direto ou indireto, ou de terceiros&#8221; enquadra-se no inciso V do art. 11, da referida norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, em situa\u00e7\u00f5es nas quais o v\u00edcio quanto \u00e0 indevida contrata\u00e7\u00e3o direta se soma a circunst\u00e2ncias especiais que denotam a m\u00e1-f\u00e9 do agente e seu intuito de obter para si ou para outrem vantagem indevida (dolo espec\u00edfico), reconhece-se a continuidade t\u00edpico-normativa, haja vista o disposto no art. 11, V da LIA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante a configura\u00e7\u00e3o de ato \u00edmprobo violador de princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei 14.230\/2021 no inciso III do art. 12 da LIA afastam a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o das penas de suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesses casos, portanto, conclui-se que diante da superveni\u00eancia da Lei n. 14.230\/2021 e da nova reda\u00e7\u00e3o conferida ao art. 12, inciso III, da Lei de Improbidade Administrativa, deve-se aplicar retroativamente tal previs\u00e3o mais ben\u00e9fica ao r\u00e9u, para afastar a penalidade de suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-manutencao-de-aves-silvestres-em-cativeiro-dano-moral-coletivo\" class=\"wp-block-heading\">6. MANUTEN\u00c7\u00c3O DE AVES SILVESTRES EM CATIVEIRO: DANO MORAL COLETIVO?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A manuten\u00e7\u00e3o de elevada quantidade de aves da fauna silvestre em cativeiro <strong>justifica a fixa\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo<\/strong>, pois agride de forma intoler\u00e1vel o patrim\u00f4nio ambiental coletivo e viola valores imateriais da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.216.068-SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creosvaldo mantinha na resid\u00eancia, sem autoriza\u00e7\u00e3o legal, dezenas de aves da fauna silvestre em cativeiro, entre elas trinca-ferros, coleirinhas, um sabi\u00e1-laranjeira, um tiziu e um pixox\u00f3, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Autuado, foi acionado em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica para reparar o dano ambiental. Ele sustentou que a cria\u00e7\u00e3o era um passatempo pessoal, sem sofrimento aos animais. A conduta configura dano moral coletivo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 225, \u00a7 1\u00ba, VII<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas que coloquem em risco a fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da fauna ou submetam animais a crueldade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 5.197\/1967 (Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Fauna)<\/strong><em> (os animais silvestres s\u00e3o propriedade do Estado, vedada sua utiliza\u00e7\u00e3o e apanha).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>dano moral coletivo<\/strong><em> (les\u00e3o a valores imateriais da coletividade, de natureza transindividual, que dispensa prova de dor ou sofrimento individual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A fauna silvestre \u00e9 bem difuso, essencial ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, e deve ser protegida para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es. Os animais silvestres n\u00e3o s\u00e3o propriedade privada, e sua utiliza\u00e7\u00e3o como passatempo pessoal viola valores \u00e9ticos sociais de forma grave, configurando il\u00edcito independentemente do sofrimento f\u00edsico causado aos bichinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A retirada das aves de seu habitat natural impede o fluxo g\u00eanico, dificulta a forma\u00e7\u00e3o de pares e a manuten\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es nativas, comprometendo a continuidade ecol\u00f3gica. A elevada quantidade de esp\u00e9cimes agrava a les\u00e3o. Configura-se dano difuso e transindividual, que ofende a biodiversidade, o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e o patrim\u00f4nio natural coletivo, justificando a indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A fauna silvestre n\u00e3o \u00e9 coisa de ningu\u00e9m: \u00e9 bem de todos. <strong>Trata-se de bem difuso, essencial ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, que deve ser protegido para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es<\/strong>; os animais silvestres n\u00e3o s\u00e3o de propriedade privada, e sua apropria\u00e7\u00e3o como passatempo viola valores \u00e9ticos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O preju\u00edzo ecol\u00f3gico transcende o sofrimento de cada ave. <strong>A retirada dos esp\u00e9cimes do habitat natural impede o fluxo g\u00eanico, dificulta a forma\u00e7\u00e3o de pares e a manuten\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es nativas, comprometendo a continuidade ecol\u00f3gica<\/strong>; a les\u00e3o \u00e9 ao sistema, n\u00e3o apenas ao indiv\u00edduo animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A escala da conduta agrava a ofensa. <strong>A manuten\u00e7\u00e3o de cinquenta e tr\u00eas aves em cativeiro, entre elas esp\u00e9cime amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, revela agress\u00e3o intoler\u00e1vel ao patrim\u00f4nio ambiental coletivo<\/strong>; a quantidade elevada retira a conduta do campo do descuido isolado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da\u00ed a caracteriza\u00e7\u00e3o do dano moral coletivo. <strong>A conduta viola valores imateriais da coletividade, configurando les\u00e3o difusa e transindividual \u00e0 biodiversidade, ao equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e ao patrim\u00f4nio natural que pertence \u00e0s presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es<\/strong>, o que justifica a indeniza\u00e7\u00e3o, independentemente de prova de sofrimento f\u00edsico dos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de elevada quantidade de aves silvestres em cativeiro residencial:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) configura dano moral coletivo, por agress\u00e3o intoler\u00e1vel ao patrim\u00f4nio ambiental da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) enseja san\u00e7\u00e3o administrativa, quando ausente prova de sofrimento f\u00edsico infligido aos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) depende, para a indeniza\u00e7\u00e3o c\u00edvel, da demonstra\u00e7\u00e3o de abalo ps\u00edquico \u00e0 comunidade diretamente afetada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Pode ser tolerada como hobby pessoal, se a cria\u00e7\u00e3o for amadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) reclama a comprova\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo econ\u00f4mico para fixa\u00e7\u00e3o de dano moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> A fauna silvestre \u00e9 bem difuso; a retirada de elevada quantidade de esp\u00e9cimes do habitat impede o fluxo g\u00eanico e compromete a continuidade ecol\u00f3gica, agredindo de forma intoler\u00e1vel o patrim\u00f4nio ambiental coletivo e violando valores imateriais da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A configura\u00e7\u00e3o do il\u00edcito independe de sofrimento f\u00edsico dos animais: a les\u00e3o \u00e9 ao bem difuso e aos valores \u00e9ticos sociais, e a san\u00e7\u00e3o n\u00e3o se esgota na esfera administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O dano moral coletivo dispensa prova de abalo ps\u00edquico da comunidade: decorre da les\u00e3o objetiva a valores transindividuais, aferida pela gravidade da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A cria\u00e7\u00e3o de silvestres como passatempo pessoal n\u00e3o \u00e9 tolerada: os animais n\u00e3o s\u00e3o propriedade privada, e a conduta viola gravemente valores \u00e9ticos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o se exige preju\u00edzo econ\u00f4mico estatal: o dano \u00e9 difuso e recai sobre a biodiversidade e o patrim\u00f4nio natural das presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a manuten\u00e7\u00e3o de aves silvestres na resid\u00eancia da parte recorrida, sem autoriza\u00e7\u00e3o legal, configura dano moral coletivo, a fim de justificar a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme se infere dos princ\u00edpios e diretrizes da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos dos Animais, a fauna silvestre goza de especial prote\u00e7\u00e3o legal, \u00e9 essencial ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, configurando um bem difuso que deve ser protegido para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a parte recorrida mantinha de forma ilegal em sua resid\u00eancia 53 aves de fauna silvestre em cativeiro, sendo elas 44 trinca-ferros, 5 coleirinhas, 1 sabi\u00e1 laranjeira, 1 tiziu, 1 pixox\u00f3 (ave amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o) e 1 sabi\u00e1 coleira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal conduta agride de forma intoler\u00e1vel o patrim\u00f4nio ambiental coletivo, violando valores imateriais da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a quantidade de aves apreendidas \u00e9 elevada. Tais aves exercem pap\u00e9is ecol\u00f3gicos fundamentais e cada uma contribui de maneiras distintas para o equil\u00edbrio dos ecossistemas brasileiros. A Exposi\u00e7\u00e3o de motivos da Lei de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Fauna destaca que a &#8220;fauna silvestre \u00e9 mais que um bem do Estado: \u00e9 um fator de bem estar do homem na biosfera&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A retirada dessas aves do seu habitat natural impede o fluxo g\u00eanico, dificulta a forma\u00e7\u00e3o de pares, a manuten\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es nativas e a continuidade ecol\u00f3gica, configurando les\u00e3o difusa e transindividual pois ofende os valores da sociedade, a biodiversidade, o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e o patrim\u00f4nio natural que pertence \u00e0s presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es. Vale registrar que os animais silvestres n\u00e3o s\u00e3o de propriedade privada e sua utiliza\u00e7\u00e3o como um hobbie pessoal viola os valores \u00e9ticos sociais de forma t\u00e3o grave que configura um crime independente do sofrimento f\u00edsico causado. Ademais, a liberdade \u00e9 um direito inerente \u00e0 fauna silvestre e a sua supress\u00e3o sem um fundamento leg\u00edtimo configura uma forma de viol\u00eancia intoler\u00e1vel pela sociedade brasileira pois configura uma supress\u00e3o severa de direitos naturais b\u00e1sicos. A coloca\u00e7\u00e3o em cativeiro retira das aves selvagens a sua liberdade de voo, a intera\u00e7\u00e3o social com esp\u00e9cies semelhantes, o comportamento natural, incluindo can\u00e7\u00f5es territoriais, reprodu\u00e7\u00e3o e forrageamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve-se destacar que 44 trinca-ferros e 5 coleirinhas s\u00e3o aves que movimentam intensamente o tr\u00e1fico de fauna em raz\u00e3o de seu valor cultural e econ\u00f4mico em competi\u00e7\u00f5es de canto. As duas esp\u00e9cies tem como caracter\u00edsticas o canto forte, limpo e repetitivo, um comportamento altamente competitivo e facilidade de adestramento, aumentando o seu valor no tr\u00e1fico ilegal de animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a captura e a manuten\u00e7\u00e3o dessas aves contribui com um relevante mercado ilegal do pa\u00eds, em uma cadeia criminosa organizada. A captura massiva dessas aves afeta os ecossistemas locais, provocando a redu\u00e7\u00e3o de variabilidade gen\u00e9tica, o colapso de popula\u00e7\u00f5es locais e o preju\u00edzo \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o vegetal, ampliando o dano ecol\u00f3gico e o dano moral coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o pixox\u00f3 (Sporophila frontalis) \u00e9 uma esp\u00e9cime considerada vulner\u00e1vel em listas oficiais. A sua retirada do meio natural \u00e9 ainda mais lesiva porque reduz drasticamente o n\u00famero de indiv\u00edduos aptos \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, afeta popula\u00e7\u00f5es pequenas e fragmentadas, compromete o sucesso reprodutivo da esp\u00e9cie, aproximando-a da extin\u00e7\u00e3o local\/regional. Assim, a condena\u00e7\u00e3o por danos morais fixada em primeira inst\u00e2ncia deve ser restabelecida.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-tecnica-de-ampliacao-do-colegiado-em-agravo-contra-decisao-de-liquidacao\" class=\"wp-block-heading\">7. T\u00c9CNICA DE AMPLIA\u00c7\u00c3O DO COLEGIADO EM AGRAVO CONTRA DECIS\u00c3O DE LIQUIDA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00e9cnica de amplia\u00e7\u00e3o de colegiado prevista no art. 942 do CPC\/2015 <strong>aplica-se no julgamento de agravo de instrumento quando houver reforma, por maioria, de decis\u00e3o de m\u00e9rito proferida em liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.111.495-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 12\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento, o ju\u00edzo de primeiro grau proferiu decis\u00e3o de m\u00e9rito sobre o valor devido. A parte agravou de instrumento, e o Tribunal, por maioria de votos, reformou a decis\u00e3o. O vencido sustentou que deveria ter sido observada a t\u00e9cnica do art. 942 do CPC, com amplia\u00e7\u00e3o do colegiado. O Tribunal recusou, ao argumento de que a t\u00e9cnica n\u00e3o alcan\u00e7aria agravo oriundo de fase executiva. A amplia\u00e7\u00e3o do colegiado \u00e9 devida nessa hip\u00f3tese?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 942, \u00a7 3\u00ba, II<\/strong><em> (aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de amplia\u00e7\u00e3o ao agravo de instrumento, quando houver reforma da decis\u00e3o que julgar parcialmente o m\u00e9rito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STJ, EREsp 1.426.968\/MG<\/strong><em> (a liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a integra a fase de conhecimento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A t\u00e9cnica do art. 942 n\u00e3o \u00e9 recurso, mas modo de aperfei\u00e7oamento do julgamento n\u00e3o un\u00e2nime. A jurisprud\u00eancia a afasta em agravo de instrumento oriundo de processo de execu\u00e7\u00e3o ou de cumprimento de senten\u00e7a. O ponto decisivo, portanto, \u00e9 definir em que fase se situa a decis\u00e3o impugnada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a integra a fase de conhecimento, e n\u00e3o a executiva, at\u00e9 porque a execu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser deflagrada quando o t\u00edtulo se torna l\u00edquido. Assim, havendo reforma, por maioria, de decis\u00e3o de m\u00e9rito proferida em liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento, incide a t\u00e9cnica do art. 942: o julgamento do agravo deve ser retomado, com qu\u00f3rum ampliado, exclusivamente quanto ao ponto em que houve dissenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A t\u00e9cnica do art. 942 tem alcance definido pela natureza da decis\u00e3o impugnada. <strong>Aplica-se ao agravo de instrumento quando houver reforma, por maioria, de decis\u00e3o que julga parcialmente o m\u00e9rito<\/strong>; n\u00e3o se dirige, em regra, a agravo oriundo de processo de execu\u00e7\u00e3o ou de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A chave do caso est\u00e1 em situar a liquida\u00e7\u00e3o na estrutura do processo. <strong>Segundo a jurisprud\u00eancia da Primeira Se\u00e7\u00e3o, a liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a integra a fase de conhecimento, at\u00e9 porque a execu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser deflagrada quando o t\u00edtulo executivo se encontrar l\u00edquido<\/strong> (EREsp 1.426.968\/MG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Situada a liquida\u00e7\u00e3o no conhecimento, cai o \u00f3bice invocado. <strong>N\u00e3o se trata de agravo oriundo de execu\u00e7\u00e3o ou de cumprimento de senten\u00e7a, hip\u00f3teses em que a t\u00e9cnica \u00e9 afastada, mas de decis\u00e3o de m\u00e9rito na fase cognitiva<\/strong>; a exce\u00e7\u00e3o jurisprudencial n\u00e3o alcan\u00e7a a liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A consequ\u00eancia processual \u00e9 objetiva. <strong>Havendo reforma ou anula\u00e7\u00e3o, por maioria, de decis\u00e3o de m\u00e9rito proferida na liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento, o Tribunal deve retomar o julgamento do agravo com qu\u00f3rum ampliado, exclusivamente quanto ao ponto de dissenso<\/strong> (art. 942 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 t\u00e9cnica do art. 942 do CPC em agravo de instrumento que reforma decis\u00e3o de m\u00e9rito proferida em liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) fica afastada, por tratar-se de decis\u00e3o proferida em fase executiva do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) condiciona-se a que o dissenso recaia sobre mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica suscitada no agravo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) restringe-se ao julgamento de apela\u00e7\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, n\u00e3o alcan\u00e7ando o agravo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) incide se houve reforma por maioria de decis\u00e3o de m\u00e9rito, pois a liquida\u00e7\u00e3o integra a fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exigiria que a decis\u00e3o agravada houvesse extinguido a liquida\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a n\u00e3o \u00e9 fase executiva: integra a fase de conhecimento, pois a execu\u00e7\u00e3o s\u00f3 se deflagra com o t\u00edtulo j\u00e1 l\u00edquido (EREsp 1.426.968\/MG).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A incid\u00eancia n\u00e3o se condiciona \u00e0 natureza da mat\u00e9ria controvertida: basta a reforma, por maioria, de decis\u00e3o de m\u00e9rito na fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A t\u00e9cnica n\u00e3o se restringe \u00e0 apela\u00e7\u00e3o e \u00e0 rescis\u00f3ria: o art. 942, \u00a7 3\u00ba, II, prev\u00ea expressamente sua incid\u00eancia em agravo de instrumento que reforma decis\u00e3o de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> A liquida\u00e7\u00e3o integra a fase de conhecimento; havendo reforma, por maioria, de decis\u00e3o de m\u00e9rito nela proferida, incide a t\u00e9cnica do art. 942 do CPC, retomando-se o julgamento do agravo com qu\u00f3rum ampliado quanto ao ponto de dissenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. \u00c9 justamente a decis\u00e3o de m\u00e9rito na liquida\u00e7\u00e3o que atrai a t\u00e9cnica; a extin\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito n\u00e3o seria o pressuposto do art. 942.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 942 do CPC disp\u00f5e sobre t\u00e9cnica aplic\u00e1vel a casos de julgamento n\u00e3o un\u00e2nime, inclusive em sede de agravo de instrumento, quando houver reforma da decis\u00e3o que julgar parcialmente o m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 conhecida a posi\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e jurisprudencial no sentido de que a t\u00e9cnica de julgamento ampliado se dirige apenas \u00e0s a\u00e7\u00f5es de conhecimento, n\u00e3o se aplicando a agravo de instrumento interposto contra decis\u00e3o oriunda de processo de execu\u00e7\u00e3o ou de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, todavia, a decis\u00e3o de primeiro grau impugnada foi proferida em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, que, segundo a jurisprud\u00eancia firmada pela Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (EREsp n. 1.426.968\/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa, julgado em 13\/6\/2018, DJe de 22\/6\/2018), integra a fase de conhecimento &#8211; at\u00e9 porque a execu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser deflagrada quando o t\u00edtulo executivo encontrar-se l\u00edquido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse respeito, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou-se no sentido de que &#8220;a t\u00e9cnica de amplia\u00e7\u00e3o de colegiado prevista no artigo 942 do CPC\/2015 aplica-se no julgamento de agravo de instrumento quando houver reforma por maioria de decis\u00e3o de m\u00e9rito proferida em liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento&#8221; (REsp n. 1.931.969\/SP, relator Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 8\/2\/2022, DJe de 11\/2\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, havendo reforma\/anula\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o de m\u00e9rito proferida pelo ju\u00edzo de primeiro grau na fase de liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento, em decis\u00e3o tomada por maioria de votos, o Tribunal deve observar o regramento previsto no art. 942 do CPC (amplia\u00e7\u00e3o do qu\u00f3rum para julgamento).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, configurada a situa\u00e7\u00e3o descrita, deve ser retomado o julgamento do Agravo de Instrumento, \u00fanica e exclusivamente quanto ao ponto em que houver dissenso (n\u00e3o unanimidade), com observ\u00e2ncia do disposto no art. 942 do CPC (amplia\u00e7\u00e3o do qu\u00f3rum).<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-recurso-especial-contra-julgado-sobre-conformacao-a-tese-repetitiva\" class=\"wp-block-heading\">8. RECURSO ESPECIAL CONTRA JULGADO SOBRE CONFORMA\u00c7\u00c3O A TESE REPETITIVA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se<strong> conhece de recurso especial contra julgado que decide, positiva ou negativamente, apenas sobre a conforma\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 tese afetada ao rito dos repetitivos<\/strong>, para fins de sobrestamento ou seguimento do feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 2.780.620-SP, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, julgado em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afetada determinada mat\u00e9ria ao rito dos recursos repetitivos, o Dr. Creisson, ju\u00edzo de primeiro grau, recusou o sobrestamento do processo, por entender que a causa n\u00e3o se amoldava \u00e0 tese afetada. O Tribunal de origem, em agravo de instrumento, manteve a decis\u00e3o. Indignada, Gertrudes interp\u00f4s recurso especial ao STJ, sustentando que o feito deveria ficar suspenso at\u00e9 o julgamento do repetitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.030, III e \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (cabe ao vice-presidente ou presidente do tribunal de origem o ju\u00edzo de prejudicialidade do recurso que versa sobre tema repetitivo; contra a decis\u00e3o cabe agravo interno).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 1.036, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, e 1.037, \u00a7\u00a7 10 a 13<\/strong><em> (compet\u00eancia da origem para o ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o entre a tese e o caso concreto, inclusive quanto ao dessobrestamento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.040, I<\/strong><em> (cabe \u00e0 origem, inclusive, o exame de m\u00e9rito na aplica\u00e7\u00e3o da tese).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O CPC reservou \u00e0 origem o ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o entre a tese vinculante e o caso concreto, inclusive sobre o m\u00e9rito. Se o vice-presidente local afirma a converg\u00eancia e nega seguimento ao recurso, o instrumento cab\u00edvel \u00e9 o agravo interno para o \u00f3rg\u00e3o competente da pr\u00f3pria origem, n\u00e3o o recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Seria incoerente que o sistema atribu\u00edsse \u00e0 origem esse ju\u00edzo apenas para que outros tantos recursos especiais fossem processados discutindo a distin\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o julgado que decide apenas sobre a conforma\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 tese, para fins de sobrestamento ou seguimento, n\u00e3o tem comando decis\u00f3rio apto a causar preju\u00edzo \u00e0 parte: falta sucumb\u00eancia e interesse recursal. A efici\u00eancia processual e a l\u00f3gica do sistema conduzem \u00e0 inadmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O desenho do sistema de precedentes atribui esse ju\u00edzo \u00e0 origem. <strong>O CPC reservou ao tribunal de origem o ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o entre a tese vinculante e o caso concreto, inclusive quanto ao m\u00e9rito da aplica\u00e7\u00e3o<\/strong> (arts. 1.030, \u00a7 2\u00ba, 1.036, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, 1.037, \u00a7\u00a7 10 a 13, e 1.040, I).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O caminho recursal contra essa decis\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 no plano local. <strong>Se o vice-presidente afirma a converg\u00eancia entre os julgados e nega seguimento ao feito, o \u00fanico recurso cab\u00edvel \u00e9 o <u>agravo interno<\/u> para o \u00f3rg\u00e3o especial da origem<\/strong>; n\u00e3o se abre, a\u00ed, a via extraordin\u00e1ria ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Admitir o recurso especial subverteria a pr\u00f3pria raz\u00e3o do repetitivo. <strong>Seria incoerente que o sistema atribu\u00edsse \u00e0 origem o ju\u00edzo de prejudicialidade e de conforma\u00e7\u00e3o apenas para que fossem processados tantos outros recursos especiais discutindo a distin\u00e7\u00e3o<\/strong>, o que multiplicaria justamente o que o rito busca conter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Falta, ainda, o pressuposto elementar do interesse recursal. <strong>O julgado que decide apenas sobre a conforma\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 tese, para sobrestamento ou seguimento, n\u00e3o tem comando decis\u00f3rio apto a causar preju\u00edzo \u00e0 parte: n\u00e3o h\u00e1 sucumb\u00eancia nem interesse recursal<\/strong>; a efici\u00eancia processual conduz \u00e0 inadmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao recurso especial interposto contra ac\u00f3rd\u00e3o que decide sobre a conforma\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 tese afetada ao rito dos repetitivos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) admite-se de modo geral, por versar a decis\u00e3o a aplica\u00e7\u00e3o de precedente qualificado de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) cabe se houver risco de que a origem afaste indevidamente a suspens\u00e3o determinada pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel, por faltar comando decis\u00f3rio apto a causar preju\u00edzo e, portanto, interesse recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) somente se abre ap\u00f3s o julgamento do repetitivo, quando fixada em definitivo a tese vinculante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) dependeria do esgotamento pr\u00e9vio das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias mediante embargos de declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A decis\u00e3o sobre a conforma\u00e7\u00e3o ao repetitivo n\u00e3o abre a via especial: o CPC reservou esse ju\u00edzo \u00e0 origem, cabendo dela agravo interno, e n\u00e3o recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O eventual desacerto da origem n\u00e3o legitima o recurso especial: o sistema atribuiu a ela o ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o, com controle interno pelo agravo previsto no art. 1.030, \u00a7 2\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> O julgado que decide apenas sobre a conforma\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 tese, para fins de sobrestamento ou seguimento, n\u00e3o possui comando decis\u00f3rio apto a causar preju\u00edzo, faltando sucumb\u00eancia e interesse recursal; ademais, o CPC reservou esse ju\u00edzo \u00e0 origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o se trata de quest\u00e3o de momento processual: a inadmissibilidade decorre da aus\u00eancia de comando decis\u00f3rio prejudicial e da compet\u00eancia da origem para o ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O \u00f3bice n\u00e3o \u00e9 a falta de prequestionamento ou de esgotamento por embargos, mas a inexist\u00eancia de interesse recursal e a compet\u00eancia da origem.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A discuss\u00e3o versa sobre a admissibilidade de recurso especial interposto contra ac\u00f3rd\u00e3o que, em agravo de instrumento, manteve decis\u00e3o da primeira inst\u00e2ncia contra a suspens\u00e3o do processo por for\u00e7a de afeta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria ao rito dos repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015), conforme interpreta\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a &#8211; STJ, reservou \u00e0 origem o ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o entre a tese vinculante e o caso concreto, inclusive sobre o m\u00e9rito. Assim, se o vice-presidente local afirma a converg\u00eancia entre os julgados e nega seguimento ao feito, o \u00fanico recurso cab\u00edvel \u00e9 o agravo interno para o \u00f3rg\u00e3o especial da origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria de todo incoerente que o STJ obstasse na origem a remessa de feitos discutindo a mat\u00e9ria de m\u00e9rito e que o CPC\/2015 atribu\u00edsse ao vice-presidente local o ju\u00edzo de prejudicialidade do recurso que versa sobre tema repetitivo (art. 1.030, III), bem como \u00e0 origem o julgamento de conformidade entre a tese e a causa concreta (arts. 1.030, 2, 1.035, 6, 7 e 8, 1.036, 2 e 3, 1.037, 10, II e III, 12 e 13, II), inclusive sobre o m\u00e9rito (art. 1.040, I), apenas para que fossem processados tantos outros recursos especiais discutindo a distin\u00e7\u00e3o, para dessobrestamento do processo suspenso na origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou, como no caso, que se trouxesse diretamente ao STJ qualquer causa em que, \u00e0 revelia da compreens\u00e3o da origem, fosse alegada a necessidade de considera\u00e7\u00e3o do impacto de repetitivo nem mesmo julgado em a\u00e7\u00e3o nem sequer instru\u00edda. A efici\u00eancia processual e a pr\u00f3pria l\u00f3gica inerente ao sistema conduzem \u00e0 inadmiss\u00e3o do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais disso, o julgado que decide positiva ou negativamente apenas sobre a conforma\u00e7\u00e3o do caso \u00e0 tese, para fins de sobrestamento ou seguimento, n\u00e3o tem comando decis\u00f3rio apto a causar preju\u00edzo \u00e0 parte. N\u00e3o h\u00e1, assim, sucumb\u00eancia ou interesse recursal na esp\u00e9cie. Por outra perspectiva, o ac\u00f3rd\u00e3o que versa sobre essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui &#8220;causa decidida&#8221;, nos termos do art. 105, III, da CF\/1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, admitindo-se que a parte pode alegar a distin\u00e7\u00e3o no caso de seu feito ter sido sobrestado, para reconhecer, por paralelismo, o cabimento de insurg\u00eancia de quem teve o processo continuado, cabe observar que essa decis\u00e3o \u00e9 encerrada na inst\u00e2ncia de origem, por analogia ao pr\u00f3prio ju\u00edzo de m\u00e9rito nos casos submetidos ao regime de repetitivos. Seria contrassenso evidente admitir o recurso especial da decis\u00e3o que rejeita o sobrestamento e neg\u00e1-lo para o ac\u00f3rd\u00e3o de m\u00e9rito quando o vice-presidente local afirma a conformidade do repetitivo ao julgado, de forma, essa sim, definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa atribui\u00e7\u00e3o exclusiva da origem para deliberar sobre a distin\u00e7\u00e3o da causa concreta frente a tese vinculante no curso do processo est\u00e1 disseminada por toda a lei processual, e ensejou at\u00e9 mesmo a altera\u00e7\u00e3o legislativa no CPC\/2015 original durante sua vacatio, promovida por provoca\u00e7\u00e3o do STJ, ante a potencialidade do volume de agravos destinados ao Tribunal pela norma inicialmente editada (art. 1.036, 3, do CPC\/2015). Se n\u00e3o existe recurso para o STJ contra a decis\u00e3o colegiada que decide contra a suspens\u00e3o originariamente decretada no segundo grau, tampouco deve existir recurso contra a decis\u00e3o colegiada desse mesmo \u00f3rg\u00e3o que rejeita a suspens\u00e3o decretada em primeira inst\u00e2ncia. Eventual equ\u00edvoco ser\u00e1 resolvido ap\u00f3s o julgamento definitivo na origem, esgotadas as vias ordin\u00e1rias de debate da causa.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-deposito-integral-em-execucao-fiscal-e-cessacao-dos-juros-e-correcao-monetaria\" class=\"wp-block-heading\">9. DEP\u00d3SITO INTEGRAL EM EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL E CESSA\u00c7\u00c3O DOS JUROS E CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em execu\u00e7\u00e3o fiscal, efetivado o dep\u00f3sito integral do valor exequendo, de forma volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria, <strong>deve cessar a responsabilidade do executado quanto \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e aos juros de mora incidentes sobre o d\u00e9bito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.213.669-PR, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 2\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Distribuidora P\u00e9 de Serra Ltda. teve valores bloqueados por penhora on-line em execu\u00e7\u00e3o fiscal, convertidos em dep\u00f3sito judicial correspondente ao montante integral e atualizado da d\u00edvida ativa. Anos depois, ao final da demanda, a Fazenda pretendeu cobrar juros de mora e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria relativos ao per\u00edodo posterior ao dep\u00f3sito, alegando que este n\u00e3o fora volunt\u00e1rio. A empresa sustentou que a responsabilidade cessara com o dep\u00f3sito. O car\u00e1ter involunt\u00e1rio do dep\u00f3sito altera essa consequ\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.830\/1980, art. 9\u00ba, \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (somente o dep\u00f3sito em dinheiro faz cessar a responsabilidade pela atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e pelos juros de mora).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.830\/1980, art. 11, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (a penhora em dinheiro converte-se em dep\u00f3sito, produzindo os mesmos efeitos jur\u00eddicos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 151, II; S\u00famula 271\/STJ; STJ, Tema 623<\/strong><em> (dep\u00f3sito integral suspende a exigibilidade; a partir dele, corre\u00e7\u00e3o e juros recaem sobre a institui\u00e7\u00e3o deposit\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O \u00a7 4\u00ba do art. 9\u00ba da LEF \u00e9 expresso: o dep\u00f3sito em dinheiro faz cessar a responsabilidade pela atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e pelos juros de mora. O dispositivo n\u00e3o distingue entre dep\u00f3sito volunt\u00e1rio e involunt\u00e1rio, e onde a lei n\u00e3o distingue, n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete distinguir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A penhora em dinheiro converte-se em dep\u00f3sito e produz os mesmos efeitos jur\u00eddicos (art. 11, \u00a7 2\u00ba), devendo o valor corresponder ao montante integral e atualizado da d\u00edvida. Constitu\u00eddo o dep\u00f3sito judicial integral, a responsabilidade pela corre\u00e7\u00e3o e pelos juros passa a recair sobre a institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria deposit\u00e1ria, que remunera o numer\u00e1rio (S\u00famula 271\/STJ; Tema 623\/STJ). O executado n\u00e3o responde por encargos de valores que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o em seu poder.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Execu\u00e7\u00e3o Fiscal<\/strong><\/td><td><strong>Execu\u00e7\u00e3o C\u00edvel<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>&nbsp;CTN, art. 151, II; S\u00famula 271 e Tema 623 do STJ<\/strong><\/td><td><strong>Tema 677 do STJ<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Efetivado o dep\u00f3sito integral do valor exequendo, de forma volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria, deve cessar a responsabilidade do executado quanto \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e aos juros de mora incidentes sobre o d\u00e9bito.<\/td><td>&#8220;Na execu\u00e7\u00e3o, o dep\u00f3sito efetuado a t\u00edtulo de garantia do ju\u00edzo ou decorrente da penhora de ativos financeiros n\u00e3o isenta o devedor do pagamento dos consect\u00e1rios de sua mora, conforme previstos no t\u00edtulo executivo, devendo-se, quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante final devido o saldo da conta judicial.&#8221;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A lei de reg\u00eancia resolve a quest\u00e3o de forma direta. <strong>O \u00a7 4\u00ba do art. 9\u00ba da Lei n. 6.830\/1980 estabelece que o dep\u00f3sito em dinheiro faz cessar a responsabilidade pela atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e pelos juros de mora<\/strong>, sem estabelecer qualquer distin\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 origem volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria do dep\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A penhora em dinheiro equipara-se ao dep\u00f3sito para todos os efeitos. <strong>O \u00a7 2\u00ba do art. 11 da LEF prev\u00ea que a penhora efetuada em dinheiro seja convertida em dep\u00f3sito, produzindo os mesmos efeitos jur\u00eddicos<\/strong>; o valor bloqueado deve corresponder ao montante integral e atualizado da d\u00edvida ativa, com principal, juros, multa e encargos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Feito o dep\u00f3sito, o encargo migra para o deposit\u00e1rio. <strong>A partir da constitui\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito judicial integral, a responsabilidade pelo pagamento de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros passa a recair sobre a institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria incumbida da guarda do numer\u00e1rio<\/strong>, que o remunera (S\u00famula 271\/STJ; Tema 623\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O car\u00e1ter involunt\u00e1rio do dep\u00f3sito n\u00e3o muda o resultado. <strong>Onde a lei n\u00e3o distingue, n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete distinguir: o dep\u00f3sito involunt\u00e1rio, decorrente de penhora convertida, produz o mesmo efeito liberat\u00f3rio quanto aos encargos<\/strong>; exigir juros do executado sobre valores que j\u00e1 sa\u00edram de seu patrim\u00f4nio seria contradizer a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto aos juros de mora e \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria ap\u00f3s o dep\u00f3sito integral do valor exequendo em execu\u00e7\u00e3o fiscal, decorrente de penhora on-line:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) seguem correndo contra o executado, por n\u00e3o ter sido o dep\u00f3sito espont\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) dependem de o executado renunciar ao direito de discutir o d\u00e9bito na via dos embargos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) acumulam-se at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o, respondendo o executado como fiel deposit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) interrompem-se apenas quanto aos juros, mantendo-se a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria a cargo do executado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) cessam para o executado, pois o dep\u00f3sito integral produz efeito liberat\u00f3rio, ainda que involunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O art. 9\u00ba, \u00a7 4\u00ba, da LEF n\u00e3o distingue entre dep\u00f3sito volunt\u00e1rio e involunt\u00e1rio; a penhora em dinheiro converte-se em dep\u00f3sito e produz os mesmos efeitos (art. 11, \u00a7 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O efeito liberat\u00f3rio n\u00e3o se condiciona \u00e0 ren\u00fancia ao direito de discutir o d\u00e9bito: o dep\u00f3sito integral suspende a exigibilidade (CTN, art. 151, II) e faz cessar os encargos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O executado n\u00e3o responde como deposit\u00e1rio pelos encargos: a partir do dep\u00f3sito, a remunera\u00e7\u00e3o do numer\u00e1rio cabe \u00e0 institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria que o guarda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A cessa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a tanto os juros quanto a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, nos termos expressos do art. 9\u00ba, \u00a7 4\u00ba, da LEF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> Efetivado o dep\u00f3sito integral, ainda que involunt\u00e1rio, cessa a responsabilidade do executado por juros e corre\u00e7\u00e3o: os encargos passam a recair sobre a institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria deposit\u00e1ria (LEF, art. 9\u00ba, \u00a7 4\u00ba; S\u00famula 271\/STJ; Tema 623\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em definir se, na execu\u00e7\u00e3o fiscal, o dep\u00f3sito do valor exequendo, efetuado de forma volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria, faz cessar a responsabilidade do executado pela atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e pelos juros de mora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De modo expresso, o 4 do art. 9 da Lei n. 6.830\/1980 (Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais &#8211; LEF) estabelece que somente o dep\u00f3sito em dinheiro tem o cond\u00e3o de fazer cessar a responsabilidade pela atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e pelos juros de mora; vale ressaltar que n\u00e3o h\u00e1 diferencia\u00e7\u00e3o quanto ao dep\u00f3sito ter sido efetuado voluntariamente ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o art. 151, II, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN), disp\u00f5e que o dep\u00f3sito do montante integral do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio exequendo importa em suspens\u00e3o da sua exigibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, o 2 do art. 11 da LEF prev\u00ea que a penhora efetuada em dinheiro deve ser convertida em dep\u00f3sito, produzindo os mesmos efeitos jur\u00eddicos, sendo que o valor bloqueado ou depositado deve corresponder ao montante integral e atualizado da d\u00edvida ativa, incluindo principal, juros, multa e demais encargos constantes na certid\u00e3o de d\u00edvida ativa, conforme estabelece o caput do art. 9 da da referida Lei. Nesse contexto, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 reconheceu que o dep\u00f3sito integral para garantia do ju\u00edzo afasta a incid\u00eancia dos juros de mora a partir da data em que foi efetivado, uma vez que os valores estar\u00e3o acrescidos de juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria pagos pela institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria onde se efetivou o dep\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, consolidou-se, por meio da edi\u00e7\u00e3o da S\u00famula n. 271\/STJ e do julgamento do REsp n. 1.360.212 (Tema 623\/STJ), sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, o entendimento de que, a partir da constitui\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito judicial integral, a responsabilidade pelo pagamento de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros passa a recair exclusivamente sobre a institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria incumbida da guarda do numer\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se olvida que a Corte Especial do STJ revisou o Tema 677\/STJ, dos recursos repetitivos, fixando a seguinte tese jur\u00eddica: &#8220;Na execu\u00e7\u00e3o, o dep\u00f3sito efetuado a t\u00edtulo de garantia do ju\u00edzo ou decorrente da penhora de ativos financeiros n\u00e3o isenta o devedor do pagamento dos consect\u00e1rios de sua mora, conforme previstos no t\u00edtulo executivo, devendo-se, quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante final devido o saldo da conta judicial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, a tese firmada no mencionado Tema versa sobre cumprimento de senten\u00e7a entre particulares, isto \u00e9, trata de obriga\u00e7\u00f5es civis, regidas estritamente pelas normas de direito privado, sendo que, pelo crit\u00e9rio da especialidade, \u00e0s execu\u00e7\u00f5es fiscais se aplicam as disposi\u00e7\u00f5es da Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais e do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, o que afasta a aplica\u00e7\u00e3o do Tema 677\/STJ, e h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o expressa de que o dep\u00f3sito do valor integral da d\u00edvida ativa exequenda faz cessar a responsabilidade pela atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros de mora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim sendo, uma vez efetivado o dep\u00f3sito judicial volunt\u00e1rio em dinheiro ou mesmo realizado o bloqueio involunt\u00e1rio de ativos financeiros em valor correspondente \u00e0 integralidade do cr\u00e9dito inscrito na CDA, deve cessar a responsabilidade do executado quanto \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e aos juros de mora incidentes sobre o d\u00e9bito, ficando tais acr\u00e9scimos limitados \u00e0queles devidos pela institui\u00e7\u00e3o financeira deposit\u00e1ria, conforme regras pr\u00f3prias de remunera\u00e7\u00e3o do capital depositado judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-exigencia-de-formulario-eletronico-por-instrucao-normativa-e-deferencia-tecnica\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; EXIG\u00caNCIA DE FORMUL\u00c1RIO ELETR\u00d4NICO POR INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA E DEFER\u00caNCIA T\u00c9CNICA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o pode ser <strong>recebida e analisada declara\u00e7\u00e3o apresentada em formul\u00e1rio f\u00edsico quando instru\u00e7\u00e3o normativa da Receita Federal imp\u00f5e o uso de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico espec\u00edfico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.167.208-PE, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por maioria, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Comercial Bem-Te-Vi Ltda apresentou declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o em formul\u00e1rio f\u00edsico, protocolada na unidade da Receita Federal. A instru\u00e7\u00e3o normativa de reg\u00eancia exigia a transmiss\u00e3o exclusivamente por formul\u00e1rio eletr\u00f4nico espec\u00edfico. O Fisco recusou o recebimento. A empresa foi a ju\u00edzo, sustentando que a exig\u00eancia de meio eletr\u00f4nico, criada por norma infralegal, extrapolaria a lei e restringiria indevidamente o direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o. A instru\u00e7\u00e3o normativa pode impor o meio eletr\u00f4nico?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.430\/1996<\/strong><em> (disciplina legal da compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, sem detalhamento do procedimento administrativo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n. 1.300\/2012<\/strong><em> (normas sobre restitui\u00e7\u00e3o, compensa\u00e7\u00e3o, ressarcimento e reembolso; exig\u00eancia de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Defer\u00eancia t\u00e9cnico-administrativa<\/strong><em> (limite do controle judicial sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal que n\u00e3o extrapola o quadro normativo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A lei n\u00e3o precisa esmiu\u00e7ar o procedimento administrativo da compensa\u00e7\u00e3o. A norma infralegal que confere operabilidade \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es legais, sem extrapolar suas balizas, reveste-se de legalidade. A exig\u00eancia de meio eletr\u00f4nico \u00e9 compat\u00edvel com a lei de reg\u00eancia e proporcional ao exerc\u00edcio do direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A imposi\u00e7\u00e3o do meio eletr\u00f4nico \u00e9 razo\u00e1vel e a prestigia: \u00e9 consent\u00e2nea com a l\u00f3gica da atua\u00e7\u00e3o administrativa e jurisdicional, cada vez mais digital, e propicia acessibilidade, controle, fiscaliza\u00e7\u00e3o e cruzamento de dados imprescind\u00edveis \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Tratando-se de regulamenta\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel que apenas gere melhor o cumprimento da lei, n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio revisar o m\u00e9rito administrativo, salvo se a norma ultrapassar o quadro normativo, o que n\u00e3o ocorre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A norma infralegal n\u00e3o invadiu o espa\u00e7o da lei. <strong>A Instru\u00e7\u00e3o Normativa n. 1.300\/2012 reveste-se de legalidade e n\u00e3o extrapolou as balizas da Lei n. 9.430\/1996, que n\u00e3o precisa destrinchar o procedimento administrativo da compensa\u00e7\u00e3o<\/strong>; a norma apenas conferiu operabilidade \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A exig\u00eancia de meio eletr\u00f4nico \u00e9 razo\u00e1vel, e n\u00e3o um capricho burocr\u00e1tico. <strong>A regulamenta\u00e7\u00e3o que imp\u00f5e o cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias exclusivamente por meio eletr\u00f4nico \u00e9 consent\u00e2nea com a l\u00f3gica da atua\u00e7\u00e3o administrativa e jurisdicional, cada vez mais inserida no ambiente digital<\/strong>, e propicia acessibilidade, controle, fiscaliza\u00e7\u00e3o e cruzamento de dados imprescind\u00edveis \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 H\u00e1, aqui, um limite ao controle judicial. <strong>Tratando-se de regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal que apenas gere melhor a atua\u00e7\u00e3o administrativa no cumprimento da lei, com proposi\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis, n\u00e3o \u00e9 dado ao Judici\u00e1rio revisar quest\u00f5es atinentes ao m\u00e9rito administrativo<\/strong>; a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria faz jus \u00e0 defer\u00eancia t\u00e9cnico-administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Judici\u00e1rio s\u00f3 atuaria em caso de extrapola\u00e7\u00e3o normativa. <strong>A interven\u00e7\u00e3o judicial se justifica quando a regulamenta\u00e7\u00e3o ultrapassa o quadro normativo, o que n\u00e3o \u00e9 o caso<\/strong>; observados os limites legais e a proporcionalidade, a declara\u00e7\u00e3o em formul\u00e1rio f\u00edsico n\u00e3o pode ser recebida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recusa de declara\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria apresentada em formul\u00e1rio f\u00edsico, quando instru\u00e7\u00e3o normativa exige o formul\u00e1rio eletr\u00f4nico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) padece de ilegalidade, por criar a norma infralegal restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista na lei de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) viola o formalismo moderado que rege o processo administrativo tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 leg\u00edtima, pois a norma confere operabilidade \u00e0 lei e merece defer\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) dependeria de a instru\u00e7\u00e3o normativa prever regime de transi\u00e7\u00e3o para os contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) usurpa reserva de lei formal, a quem competiria disciplinar as obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A instru\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o criou restri\u00e7\u00e3o al\u00e9m da lei: apenas conferiu operabilidade \u00e0 Lei n. 9.430\/1996, que n\u00e3o precisa detalhar o procedimento administrativo da compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O formalismo moderado n\u00e3o afasta exig\u00eancia procedimental razo\u00e1vel e proporcional; o meio eletr\u00f4nico prestigia a acessibilidade e o controle, sem inviabilizar o direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> A norma infralegal reveste-se de legalidade, \u00e9 razo\u00e1vel e proporcional, e apenas gere melhor o cumprimento da lei; nesse espa\u00e7o, a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria faz jus \u00e0 defer\u00eancia t\u00e9cnico-administrativa, cabendo ao Judici\u00e1rio atuar s\u00f3 se houver extrapola\u00e7\u00e3o do quadro normativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A validade n\u00e3o se condiciona \u00e0 previs\u00e3o de regime de transi\u00e7\u00e3o: o que se examina \u00e9 se a norma extrapolou as balizas legais, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. As obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias comportam disciplina infralegal, desde que observados os limites da lei; n\u00e3o h\u00e1 reserva absoluta de lei formal para o meio de entrega da declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a discutir a possibilidade de que seja recebida e analisada declara\u00e7\u00e3o apresentada em formul\u00e1rio f\u00edsico quando instru\u00e7\u00e3o normativa da Receita Federal do Brasil imp\u00f5e que se fa\u00e7a uso de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Instru\u00e7\u00e3o Normativa n. 1.300\/2012, que estabeleceu normas sobre restitui\u00e7\u00e3o, compensa\u00e7\u00e3o, ressarcimento e reembolso, no \u00e2mbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se reveste de legalidade, n\u00e3o tendo extrapolado as balizas impostas pela Lei n. 9.430\/1996 que, por sua vez, n\u00e3o necessita destrinchar o procedimento administrativo da compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Observados os limites legais, a norma infralegal pretendeu conferir operabilidade \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do referido diploma normativo, estabelecendo normas compat\u00edveis com a lei regente e, ainda, adequadas e proporcionais ao exerc\u00edcio do direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o foge \u00e0 razoabilidade &#8211; muito ao contr\u00e1rio, prestigia-a &#8211; a regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal que imp\u00f5e que a entrega de declara\u00e7\u00f5es ou o cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias relacionadas ao direito tribut\u00e1rio se fa\u00e7a exclusivamente por meio eletr\u00f4nico. Trata-se de meio consent\u00e2neo com toda a l\u00f3gica da atua\u00e7\u00e3o administrativa e jurisdicional, cada vez mais inserida no ambiente digital, e propicia maior acessibilidade, ferramentas de controle, fiscaliza\u00e7\u00e3o e cruzamento de dados n\u00e3o somente \u00fateis como imprescind\u00edveis \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Anote-se que, em se tratando de regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal que visa a melhor gerir a atua\u00e7\u00e3o administrativa no cumprimento da lei, estabelecendo proposi\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis, n\u00e3o \u00e9 dado ao Poder Judici\u00e1rio revisar quest\u00f5es atinentes ao m\u00e9rito administrativo, somente devendo atuar nas hip\u00f3teses em que a regulamenta\u00e7\u00e3o ultrapassar o quadro normativo, o que n\u00e3o \u00e9 o caso. Em outras palavras, tamb\u00e9m a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria faz jus \u00e0 defer\u00eancia t\u00e9cnico-administrativa, por parte do Poder Judici\u00e1rio, na regulamenta\u00e7\u00e3o de seus processos internos, quando atue de maneira razo\u00e1vel e proporcional, dentro da esfera de legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A preval\u00eancia de posicionamento contr\u00e1rio certamente exigiria que todos os procedimentos internos fossem rigorosamente previstos em lei, o que representaria um precedente preocupante que fatalmente causaria um caos na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica deste pa\u00eds. Permitiria, ainda, que os contribuintes criassem a forma que lhe fosse mais conveniente para se dirigir \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Instru\u00e7\u00e3o Normativa n. 1.300\/2012 estabelece os requisitos de exist\u00eancia do pedido administrativo, cuja n\u00e3o observa\u00e7\u00e3o pelo contribuinte acarreta a sua desconsidera\u00e7\u00e3o. Significa dizer que o contribuinte precisa seguir passo a passo as regras procedimentais, sob pena de o seu pedido ser considerado inexistente. O termo para tanto, na verdade, \u00e9 o que menos importa. Ao inv\u00e9s de &#8220;compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o declarada&#8221;, poderia ser &#8220;o pedido ser\u00e1 tido por inexistente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o regulamento n\u00e3o trata do cr\u00e9dito a ser compensado tal como disciplina o art. 74 da Lei n. 9.430\/1996, tampouco promove interpreta\u00e7\u00e3o extensiva das hip\u00f3teses de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o declarada previstas na lei. O que se determina \u00e9 a forma como essa compensa\u00e7\u00e3o deve ser realizada, mat\u00e9ria essencialmente disciplinada no plano infralegal. Da\u00ed porque n\u00e3o se pode falar em cria\u00e7\u00e3o de hip\u00f3tese n\u00e3o prevista no rol do art. 74, 3 e 12 da Lei n. 9.430\/1996. Em suma, a lei trata dos cr\u00e9ditos que n\u00e3o podem ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o, enquanto a Instru\u00e7\u00e3o Normativa n. 1.300\/2012 apenas regulamenta a forma como essa compensa\u00e7\u00e3o deve ser realizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ante o exposto, correto o posicionamento da Receita Federal do Brasil ao n\u00e3o atribuir efeito suspensivo ao recurso interposto contra a decis\u00e3o administrativa que considerou n\u00e3o declarada, ou seja, inexistente porque n\u00e3o atendeu \u00e0 forma prescrita na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, a compensa\u00e7\u00e3o manejada pela contribuinte por meio f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-imunidade-tributaria-na-pendencia-de-renovacao-do-cebas\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; IMUNIDADE TRIBUT\u00c1RIA NA PEND\u00caNCIA DE RENOVA\u00c7\u00c3O DO CEBAS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pend\u00eancia de an\u00e1lise do pedido de renova\u00e7\u00e3o do CEBAS, protocolado tempestivamente pela entidade, <strong>prorroga a validade do certificado anterior e n\u00e3o pode constituir \u00f3bice \u00e0 frui\u00e7\u00e3o da imunidade<\/strong>, sob pena de penalizar o contribuinte pela mora da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 1.942.242-SP, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Instituto M\u00e3os que Ajudam, entidade beneficente de assist\u00eancia social, protocolou tempestivamente o pedido de renova\u00e7\u00e3o de seu CEBAS. Enquanto a Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o conclu\u00eda a an\u00e1lise, a entidade promoveu o desembara\u00e7o aduaneiro de equipamentos e invocou a imunidade tribut\u00e1ria. O Fisco exigiu os tributos, ao argumento de que o certificado anterior expirara e de que a entidade deveria comprovar, a cada ato de fiscaliza\u00e7\u00e3o, o cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN. A pend\u00eancia da renova\u00e7\u00e3o afasta a imunidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 150, VI, c<\/strong><em> (imunidade das institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e de assist\u00eancia social sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 14<\/strong><em> (requisitos para o gozo da imunidade: n\u00e3o distribui\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio ou renda, aplica\u00e7\u00e3o integral dos recursos no pa\u00eds e escritura\u00e7\u00e3o regular).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CEBAS (Decreto n. 2.536\/1998, vigente \u00e0 \u00e9poca)<\/strong><em> (certifica\u00e7\u00e3o concedida ao cabo de procedimento administrativo rigoroso, com requisitos similares ou mais detalhados que os do art. 14 do CTN).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O CEBAS n\u00e3o \u00e9 mera formalidade: \u00e9 ato administrativo de certifica\u00e7\u00e3o, dotado de presun\u00e7\u00e3o de legitimidade e veracidade, expedido ao final de procedimento em que a entidade demonstra, perante o Minist\u00e9rio competente, o cumprimento de requisitos legais substancialmente similares aos do art. 14 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Protocolado tempestivamente o pedido de renova\u00e7\u00e3o, sua demora n\u00e3o pode prejudicar a entidade: a validade do certificado anterior prorroga-se, pois a mora administrativa n\u00e3o pode penalizar o contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Exigir que a entidade prove novamente, em ju\u00edzo e a cada ato de fiscaliza\u00e7\u00e3o, o cumprimento de todos os requisitos esvazia a raz\u00e3o de ser do sistema de certifica\u00e7\u00e3o e imp\u00f5e \u00f4nus probat\u00f3rio desproporcional, incompat\u00edvel com o rito c\u00e9lere do mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O CEBAS n\u00e3o \u00e9 papel formal: \u00e9 ato de certifica\u00e7\u00e3o estatal. <strong>Sua expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato final de um complexo e rigoroso procedimento administrativo, no qual a entidade demonstra, perante o Minist\u00e9rio competente, o cumprimento de requisitos previstos em lei e regulamento<\/strong>; goza de presun\u00e7\u00e3o de legitimidade e veracidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Os requisitos certificados coincidem, em subst\u00e2ncia, com os do CTN. <strong>A legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia evidencia que os requisitos para obten\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do certificado s\u00e3o substancialmente similares, quando n\u00e3o mais detalhados, aos previstos no art. 14 do CTN<\/strong>; o pr\u00f3prio Poder P\u00fablico j\u00e1 atestou o que o Fisco pretende rediscutir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Reexigir toda a prova a cada fiscaliza\u00e7\u00e3o esvazia o sistema. <strong>Impor \u00e0 entidade o \u00f4nus de provar, em ju\u00edzo e a cada ato de fiscaliza\u00e7\u00e3o, o cumprimento de todas as exig\u00eancias legais desnatura a raz\u00e3o de ser da certifica\u00e7\u00e3o e cria \u00f4nus probat\u00f3rio desproporcional<\/strong>, incompat\u00edvel com o rito c\u00e9lere do mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A mora da Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser transferida ao administrado. <strong>Protocolado tempestivamente o pedido de renova\u00e7\u00e3o, a pend\u00eancia de sua an\u00e1lise prorroga a validade do certificado anterior e n\u00e3o obsta a frui\u00e7\u00e3o da imunidade<\/strong>; penalizar a entidade pela demora estatal inverteria a l\u00f3gica do dever de efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que tange \u00e0 frui\u00e7\u00e3o da imunidade tribut\u00e1ria por entidade beneficente cujo pedido de renova\u00e7\u00e3o do CEBAS, protocolado tempestivamente, aguarda an\u00e1lise:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) subsiste, pois a pend\u00eancia prorroga a validade do certificado anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) fica suspensa at\u00e9 a expedi\u00e7\u00e3o do novo certificado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) exige que a entidade comprove, a cada ato de fiscaliza\u00e7\u00e3o, os requisitos do art. 14 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) depende da concess\u00e3o de medida liminar que reconhe\u00e7a, provisoriamente, a condi\u00e7\u00e3o de beneficente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) subsiste apenas quanto aos tributos internos, n\u00e3o alcan\u00e7ando as opera\u00e7\u00f5es de desembara\u00e7o aduaneiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> Protocolado tempestivamente o pedido, a pend\u00eancia de an\u00e1lise prorroga a validade do certificado anterior e n\u00e3o obsta a frui\u00e7\u00e3o da imunidade; o CEBAS \u00e9 ato de certifica\u00e7\u00e3o dotado de presun\u00e7\u00e3o de legitimidade, e a mora da Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode penalizar o contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A expira\u00e7\u00e3o formal do certificado n\u00e3o afasta a imunidade quando o pedido de renova\u00e7\u00e3o foi tempestivo: penalizar a entidade pela mora administrativa inverteria o dever de efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Exigir nova prova de todos os requisitos a cada fiscaliza\u00e7\u00e3o esvazia a raz\u00e3o de ser da certifica\u00e7\u00e3o e imp\u00f5e \u00f4nus probat\u00f3rio desproporcional, incompat\u00edvel com o rito do mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A frui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se condiciona a provimento liminar: decorre da pr\u00f3pria prorroga\u00e7\u00e3o da validade do certificado diante do pedido tempestivo de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 essa cis\u00e3o: a imunidade reconhecida alcan\u00e7a tamb\u00e9m as opera\u00e7\u00f5es de desembara\u00e7o aduaneiro, objeto do pr\u00f3prio caso julgado.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a estabelecer se o Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social (CEBAS), regularmente expedido pelo \u00f3rg\u00e3o estatal competente, \u00e9 documento h\u00e1bil e suficiente para, na via do Mandado de Seguran\u00e7a, comprovar o preenchimento dos requisitos previstos no artigo 14 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e, assim, garantir \u00e0 entidade o gozo da imunidade tribut\u00e1ria em opera\u00e7\u00f5es de desembara\u00e7o aduaneiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem, ao denegar a seguran\u00e7a, partiu da premissa de que a apresenta\u00e7\u00e3o do CEBAS n\u00e3o desincumbe a entidade do \u00f4nus de provar, em ju\u00edzo e a cada ato de fiscaliza\u00e7\u00e3o, o cumprimento de todas as exig\u00eancias legais, notadamente aquelas dispostas nos incisos do artigo 14 do CTN. Tal entendimento, com a devida v\u00eania, esvazia a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser do sistema de certifica\u00e7\u00e3o e imp\u00f5e um \u00f4nus probat\u00f3rio desproporcional e incompat\u00edvel com a natureza do direito \u00e0 imunidade e com a via augusta e o rito c\u00e9lere do mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O CEBAS n\u00e3o \u00e9 uma mera formalidade. Sua expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato final de um complexo e rigoroso procedimento administrativo, no qual a entidade postulante deve demonstrar, perante o Minist\u00e9rio competente, o cumprimento de uma s\u00e9rie de requisitos previstos em lei e regulamento. Uma an\u00e1lise atenta da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, como o Decreto n. 2.536\/1998, vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos, evidencia que os requisitos para a obten\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do certificado s\u00e3o substancialmente similares, quando n\u00e3o mais detalhados, aos previstos no artigo 14 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o CEBAS funciona como um ato administrativo de certifica\u00e7\u00e3o, dotado de presun\u00e7\u00e3o de legitimidade e veracidade, pelo qual o pr\u00f3prio Poder P\u00fablico, por meio de seu \u00f3rg\u00e3o especializado, atesta que a entidade cumpre as condi\u00e7\u00f5es legais para ser considerada beneficente e, consequentemente, para fruir dos benef\u00edcios fiscais correlatos, incluindo a imunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desiderato prec\u00edpuo dessa sistem\u00e1tica \u00e9 justamente a de conferir seguran\u00e7a jur\u00eddica, previsibilidade e operacionalidade \u00e0 frui\u00e7\u00e3o da imunidade, evitando que a entidade seja compelida a comprovar sua condi\u00e7\u00e3o a todo momento e perante toda e qualquer autoridade fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, impor \u00e0 entidade portadora do CEBAS o dever de, a cada opera\u00e7\u00e3o de desembara\u00e7o aduaneiro, apresentar sua escritura\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil completa, balancetes e demais documentos para uma nova an\u00e1lise por parte da autoridade aduaneira, torna o certificado um documento praticamente in\u00f3cuo. Para al\u00e9m disso, tal exig\u00eancia subverte a l\u00f3gica do sistema, transferindo para o Judici\u00e1rio e para a autoridade fiscal de ponta uma tarefa de auditoria que j\u00e1 foi &#8211; ou deveria ser-, realizada pelo \u00f3rg\u00e3o certificador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A an\u00e1lise da escritura\u00e7\u00e3o, a verifica\u00e7\u00e3o da correta aplica\u00e7\u00e3o dos recursos e o acompanhamento cont\u00ednuo do cumprimento dos requisitos s\u00e3o atividades pr\u00f3prias do poder-dever de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Fisco, a serem realizadas em procedimento fiscalizat\u00f3rio pr\u00f3prio, no qual se assegure o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, e n\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e repetitiva para o exerc\u00edcio de um direito j\u00e1 reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo prumo, a exig\u00eancia se apresenta descabida e desproporcional quando observados o volume e a natureza das opera\u00e7\u00f5es exercidas pela recorrente no contexto da din\u00e2mica econ\u00f4mica e comercial envolvida (presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os hospitalares). A prevalecer a exig\u00eancia de exame casu\u00edstico dos pressupostos, o custo de conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria arcado pela impetrante facilmente poderia suplantar o benef\u00edcio oriundo da imunidade, fazendo t\u00e1bula rasa do intento almejado pelo legislador constitucional e infraconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre salientar que, no caso, a entidade demonstrou ter protocolado tempestivamente seu pedido de renova\u00e7\u00e3o do certificado, de modo que a pend\u00eancia de exame por parte da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o pode operar em seu desfavor. A mora administrativa na an\u00e1lise da renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o cond\u00e3o de suspender ou cassar os efeitos do certificado anterior, sob pena de se penalizar indevidamente a entidade que cumpriu com seus deveres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o CEBAS, enquanto v\u00e1lido ou com pedido de renova\u00e7\u00e3o pendente de an\u00e1lise, gera uma presun\u00e7\u00e3o relativa de que a entidade preenche os requisitos do artigo 14 do CTN, sendo prova pr\u00e9-constitu\u00edda suficiente para amparar a impetra\u00e7\u00e3o e demonstrar a liquidez e certeza do direito ao desembara\u00e7o aduaneiro sem a exig\u00eancia dos tributos em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-4474e541-9289-400e-a511-d39bb1dee4c1\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/15085116\/stj_especial_28_parte2.pdf\">STJ_Especial_28_Parte2<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/15085116\/stj_especial_28_parte2.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-4474e541-9289-400e-a511-d39bb1dee4c1\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; INOVA\u00c7\u00c3O JUR\u00cdDICA DO LAN\u00c7AMENTO Destaque Nos termos do art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972, \u00e9 defeso \u00e0 autoridade julgadora, unilateralmente, inovar ou alterar as balizas jur\u00eddicas do lan\u00e7amento fiscal, impondo-se, nessas hip\u00f3teses, a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, devolvido ao sujeito passivo o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1781176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v28.0 (Yoast SEO v28.0) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; INOVA\u00c7\u00c3O JUR\u00cdDICA DO LAN\u00c7AMENTO Destaque Nos termos do art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972, \u00e9 defeso \u00e0 autoridade julgadora, unilateralmente, inovar ou alterar as balizas jur\u00eddicas do lan\u00e7amento fiscal, impondo-se, nessas hip\u00f3teses, a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, devolvido ao sujeito passivo o [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-07-15T11:51:38+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-07-15T11:51:41+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"79 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado\",\"datePublished\":\"2026-07-15T11:51:38+00:00\",\"dateModified\":\"2026-07-15T11:51:41+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/\"},\"wordCount\":15712,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Concursos P\u00fablicos\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2026\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/\",\"name\":\"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2026-07-15T11:51:38+00:00\",\"dateModified\":\"2026-07-15T11:51:41+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\\\/2025\\\/06\\\/03203428\\\/logo_concursos-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\\\/2025\\\/06\\\/03203428\\\/logo_concursos-1.jpg\",\"width\":230,\"height\":60,\"caption\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/EstratConcursos\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\",\"name\":\"Jean Vilbert\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jean Vilbert\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/www.estrategiaconcursos.com.br\\\/blog\\\/author\\\/jeanvilbertgmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado","og_description":"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; INOVA\u00c7\u00c3O JUR\u00cdDICA DO LAN\u00c7AMENTO Destaque Nos termos do art. 18, \u00a7 3\u00ba, do Decreto n. 70.235\/1972, \u00e9 defeso \u00e0 autoridade julgadora, unilateralmente, inovar ou alterar as balizas jur\u00eddicas do lan\u00e7amento fiscal, impondo-se, nessas hip\u00f3teses, a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento complementares, devolvido ao sujeito passivo o [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2026-07-15T11:51:38+00:00","article_modified_time":"2026-07-15T11:51:41+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"79 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/"},"author":{"name":"Jean Vilbert","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999"},"headline":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado","datePublished":"2026-07-15T11:51:38+00:00","dateModified":"2026-07-15T11:51:41+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/"},"wordCount":15712,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"articleSection":["Concursos P\u00fablicos"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/#respond"]}],"copyrightYear":"2026","copyrightHolder":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"}},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/","name":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website"},"datePublished":"2026-07-15T11:51:38+00:00","dateModified":"2026-07-15T11:51:41+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-2-comentado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 2 Comentado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","description":"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","width":230,"height":60,"caption":"Estrat\u00e9gia Concursos"},"image":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/EstratConcursos"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999","name":"Jean Vilbert","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jean Vilbert"},"url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1781176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1781176"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1781176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1781178,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1781176\/revisions\/1781178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1781176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1781176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1781176"},{"taxonomy":"tax_estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tax_estado?post=1781176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}