{"id":1779905,"date":"2026-07-13T09:02:33","date_gmt":"2026-07-13T12:02:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/blog\/?p=1779905"},"modified":"2026-07-13T09:02:35","modified_gmt":"2026-07-13T12:02:35","slug":"informativo-stj-ed-especial-28-parte-1-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-ed-especial-28-parte-1-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Ed Especial 28 Parte 1 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/13090207\/stj_especial_28_parte1.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_dfL811SamRM\"><div id=\"lyte_dfL811SamRM\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/dfL811SamRM\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/dfL811SamRM\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/dfL811SamRM\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-exclusao-de-candidato-por-acao-penal-sem-transito-em-julgado-e-o-tema-22-do-stf\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; EXCLUS\u00c3O DE CANDIDATO POR A\u00c7\u00c3O PENAL SEM TR\u00c2NSITO EM JULGADO E O TEMA 22 DO STF<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exclus\u00e3o de candidato de concurso p\u00fablico, fundada exclusivamente na exist\u00eancia de boletins de ocorr\u00eancia e de a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o transitada em julgado, <strong>n\u00e3o se enquadra na situa\u00e7\u00e3o excepcional prevista no Tema 22 do STF<\/strong>, que exige excepcionalidade e gravidade indiscut\u00edvel comprovadas de maneira objetiva e fundamentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no RE nos EDcl no AgInt no RMS 64.965-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, por maioria, julgado em 5\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines prestou concurso para carreira da seguran\u00e7a p\u00fablica e foi aprovado nas provas. Na investiga\u00e7\u00e3o social, a Administra\u00e7\u00e3o o eliminou por constarem boletins de ocorr\u00eancia em seu nome e uma a\u00e7\u00e3o penal em curso, sem tr\u00e2nsito em julgado nem condena\u00e7\u00e3o por \u00f3rg\u00e3o colegiado. N\u00e3o houve demonstra\u00e7\u00e3o concreta da gravidade das condutas nem do car\u00e1ter excepcional do caso. Godines impetrou mandado de seguran\u00e7a, sustentando ofensa \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. A elimina\u00e7\u00e3o encontra amparo na exce\u00e7\u00e3o admitida pelo STF?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, Tema 22 (RG)<\/strong><em> (sem previs\u00e3o constitucional adequada e institu\u00edda por lei, n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima a cl\u00e1usula de edital que restrinja a participa\u00e7\u00e3o de candidato pelo simples fato de responder a inqu\u00e9rito ou a\u00e7\u00e3o penal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LVII<\/strong><em> (presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Admite-se maior rigor na aferi\u00e7\u00e3o da idoneidade moral em carreiras da seguran\u00e7a p\u00fablica. Essa restri\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, s\u00f3 opera em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas e de indiscut\u00edvel gravidade, a serem comprovadas de maneira objetiva e fundamentada pela Administra\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o bastando a exist\u00eancia formal de registros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Boletins de ocorr\u00eancia e a\u00e7\u00e3o penal em curso, isoladamente, n\u00e3o demonstram a excepcionalidade exigida, especialmente se n\u00e3o h\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o concreta da gravidade das condutas. Eliminar o candidato sem condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado, nem por \u00f3rg\u00e3o colegiado, converteria a exce\u00e7\u00e3o admitida pelo STF em regra geral, com afronta \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O Tema 22 do STF fixou uma veda\u00e7\u00e3o e, dentro dela, uma exce\u00e7\u00e3o estreita. <strong>A regra \u00e9 que n\u00e3o se restrinja a participa\u00e7\u00e3o do candidato pelo simples fato de responder a inqu\u00e9rito ou a\u00e7\u00e3o penal, salvo previs\u00e3o constitucional adequada institu\u00edda por lei<\/strong>; a exce\u00e7\u00e3o existe, mas n\u00e3o se presume.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A carreira policial admite rigor maior na investiga\u00e7\u00e3o social, sem que isso libere a Administra\u00e7\u00e3o do \u00f4nus de demonstrar. <strong>A restri\u00e7\u00e3o s\u00f3 se legitima em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas e de indiscut\u00edvel gravidade, comprovadas de maneira objetiva e fundamentada<\/strong>; o rigor autoriza investigar mais a fundo, n\u00e3o dispensa a motiva\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 No caso, a elimina\u00e7\u00e3o apoiou-se apenas em registros formais. <strong>A exclus\u00e3o decorreu unicamente da exist\u00eancia de boletins de ocorr\u00eancia e de processo penal, sem demonstra\u00e7\u00e3o concreta da excepcionalidade ou da gravidade das condutas, e sem condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado ou por \u00f3rg\u00e3o colegiado<\/strong> \u2014 lastro insuficiente para acionar a exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Aceitar essa fundamenta\u00e7\u00e3o inverteria a l\u00f3gica do precedente. <strong>Admitir a elimina\u00e7\u00e3o por mera pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o penal, sem demonstra\u00e7\u00e3o cabal da excepcionalidade, transformaria a exce\u00e7\u00e3o do STF em regra geral, em afronta \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica<\/strong>. A exce\u00e7\u00e3o, para permanecer exce\u00e7\u00e3o, exige prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de candidato de concurso da \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica, apoiada em boletins de ocorr\u00eancia e em a\u00e7\u00e3o penal ainda sem tr\u00e2nsito em julgado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) legitima-se pelo maior rigor admitido na investiga\u00e7\u00e3o social das carreiras policiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) configura situa\u00e7\u00e3o excepcional, nos termos do Tema 22 do STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) como regra, basta a exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o penal recebida pelo judici\u00e1rio, mas n\u00e3o meros registros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se forem objetivamente comprovadas a gravidade e excepcionalidade do caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) tratando-se de discricionariedade administrativa, \u00e9 insuscet\u00edvel de controle pelo Poder Judici\u00e1rio no conte\u00fado, mas admite controle na forma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O rigor admitido nas carreiras de seguran\u00e7a autoriza investigar com mais profundidade, mas n\u00e3o dispensa a demonstra\u00e7\u00e3o objetiva e fundamentada da excepcionalidade e da gravidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A exce\u00e7\u00e3o do Tema 22 exige comprova\u00e7\u00e3o objetiva e fundamentada, n\u00e3o quando h\u00e1 apenas boletins e a\u00e7\u00e3o penal em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Nem o simples inqu\u00e9rito, nem a a\u00e7\u00e3o penal, por si s\u00f3s, afastam a idoneidade moral; entender de outro modo violaria a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia (CF, art. 5\u00ba, LVII).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> A elimina\u00e7\u00e3o fundada exclusivamente em boletins de ocorr\u00eancia e a\u00e7\u00e3o penal sem tr\u00e2nsito em julgado n\u00e3o preenche a situa\u00e7\u00e3o excepcional do Tema 22\/STF, que reclama excepcionalidade e gravidade indiscut\u00edvel comprovadas de maneira objetiva e fundamentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O ato \u00e9 sindic\u00e1vel: cabe ao Judici\u00e1rio verificar se a Administra\u00e7\u00e3o demonstrou, objetivamente, a excepcionalidade exigida pelo precedente. E pelo teor do Tema 22 do STF, o judici\u00e1rio pode colocar o dedinho na an\u00e1lise da fundamenta\u00e7\u00e3o. Op\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, mas a D estava evidentemente correta. E prova \u00e9 assim mesmo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a exclus\u00e3o de candidato de concurso p\u00fablico, fundada exclusivamente na exist\u00eancia de boletins de ocorr\u00eancia e a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o transitada em julgado, se enquadra na situa\u00e7\u00e3o excepcional prevista no Tema n. 22 do STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tema n. 22 do Supremo Tribunal Federal fixou a tese de que, &#8220;sem previs\u00e3o constitucional adequada e institu\u00edda por lei, n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima a cl\u00e1usula de edital de concurso p\u00fablico que restrinja a participa\u00e7\u00e3o de candidato pelo simples fato de responder a inqu\u00e9rito ou a\u00e7\u00e3o penal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que se reconhe\u00e7a a possibilidade de maior rigor na aferi\u00e7\u00e3o da idoneidade moral em carreiras da seguran\u00e7a p\u00fablica, a jurisprud\u00eancia consolidou que tal restri\u00e7\u00e3o somente pode ocorrer em situa\u00e7\u00f5es &#8220;excepcional\u00edssimas e de indiscut\u00edvel gravidade&#8221;, a serem comprovadas de maneira objetiva e fundamentada pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, conforme orienta\u00e7\u00e3o expressa no precedente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de origem consignou que a elimina\u00e7\u00e3o do candidato decorreu unicamente da exist\u00eancia de boletins de ocorr\u00eancia e de processo penal, sem que se tenha demonstrado concretamente a excepcionalidade do caso ou a gravidade indiscut\u00edvel das condutas, tampouco se identificou condena\u00e7\u00e3o penal transitada em julgado ou por \u00f3rg\u00e3o colegiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admitir a elimina\u00e7\u00e3o por mera pend\u00eancia de a\u00e7\u00e3o penal, sem a demonstra\u00e7\u00e3o cabal da excepcionalidade, equivaleria a transformar a exce\u00e7\u00e3o prevista pelo Supremo Tribunal Federal em regra geral, em afronta \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-retificacao-de-edital-para-inclusao-de-prova-de-titulos-apos-as-provas-objetivas\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; RETIFICA\u00c7\u00c3O DE EDITAL PARA INCLUS\u00c3O DE PROVA DE T\u00cdTULOS AP\u00d3S AS PROVAS OBJETIVAS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 <strong>poss\u00edvel a retifica\u00e7\u00e3o de edital de concurso p\u00fablico para a inclus\u00e3o de prova de t\u00edtulos<\/strong>, a fim de adequ\u00e1-lo \u00e0 lei de reg\u00eancia do cargo, ainda que ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o das provas objetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no MS 30.973-DF, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 16\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chiquinha prestou as provas objetivas de concurso para Analista T\u00e9cnico de Pol\u00edticas Sociais. Depois de realizadas as objetivas, a Administra\u00e7\u00e3o retificou o edital para incluir prova de t\u00edtulos \u2014 etapa que a lei da carreira (Lei n. 12.094\/2009) exigia, mas que o edital original havia omitido. A retifica\u00e7\u00e3o decorreu de acordo judicial homologado. Chiquinha impetrou mandado de seguran\u00e7a, sustentando que a altera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s as provas violaria a legalidade e a isonomia. A retifica\u00e7\u00e3o superveniente do edital \u00e9 leg\u00edtima?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.094\/2009, art. 4\u00ba<\/strong><em> (ingresso na carreira de Analista T\u00e9cnico de Pol\u00edticas Sociais mediante concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>princ\u00edpio da legalidade<\/strong><em> (vincula\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei; o edital n\u00e3o pode dispor contra a lei de reg\u00eancia do cargo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O edital \u00e9 a lei do concurso e vincula a Administra\u00e7\u00e3o e os candidatos. Essa vincula\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o blinda a cl\u00e1usula edital\u00edcia que contrarie a lei da carreira: prevalece a norma legal, e a Administra\u00e7\u00e3o pode \u2014 e deve \u2014 retificar o edital para adequ\u00e1-lo a ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A retifica\u00e7\u00e3o para incluir a prova de t\u00edtulos exigida por lei n\u00e3o fere a legalidade nem a isonomia: ao contr\u00e1rio, restaura a conformidade do certame com o art. 4\u00ba da Lei n. 12.094\/2009, que imp\u00f5e concurso de provas e t\u00edtulos. Realizada em cumprimento a acordo judicial homologado e com observ\u00e2ncia da publicidade e da transpar\u00eancia, a altera\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida ainda que posterior \u00e0s provas objetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O edital \u00e9 a lei do concurso, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra quando conflita com a lei do cargo. <strong>A altera\u00e7\u00e3o do edital para adequa\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da legalidade \u00e9 permitida e n\u00e3o fere a legalidade nem a isonomia<\/strong>; a vincula\u00e7\u00e3o ao instrumento convocat\u00f3rio n\u00e3o legitima a manuten\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula contr\u00e1ria \u00e0 lei de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso, a omiss\u00e3o original \u00e9 que era ilegal. <strong>A Lei n. 12.094\/2009 disp\u00f5e que o ingresso na carreira de Analista T\u00e9cnico de Pol\u00edticas Sociais se d\u00e1 mediante concurso de provas e t\u00edtulos<\/strong>; o edital que suprimiu a fase de t\u00edtulos afastou-se da norma que deveria observar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Retificar, portanto, foi restaurar a legalidade, n\u00e3o inovar em preju\u00edzo dos candidatos. <strong>N\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na retifica\u00e7\u00e3o do edital para incluir a exig\u00eancia de prova de t\u00edtulos, em conformidade com o art. 4\u00ba da Lei n. 12.094\/2009<\/strong>; a Administra\u00e7\u00e3o aproximou o certame do modelo legal, do qual jamais poderia ter se afastado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f As circunst\u00e2ncias da altera\u00e7\u00e3o refor\u00e7am sua validade. <strong>A retifica\u00e7\u00e3o resultou de acordo judicial homologado, visando atender ao princ\u00edpio da legalidade, sem viola\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade e \u00e0 transpar\u00eancia<\/strong>; o momento posterior \u00e0s objetivas, isoladamente, n\u00e3o a invalida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 retifica\u00e7\u00e3o de edital de concurso, ap\u00f3s as provas objetivas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 vedada, por ser o edital a lei do concurso, imut\u00e1vel ap\u00f3s o in\u00edcio das provas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) mostra-se poss\u00edvel, para adequar o certame \u00e0 lei de reg\u00eancia do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) ofende a isonomia, por alterar as regras entre candidatos j\u00e1 submetidos \u00e0s objetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) s\u00f3 se admite se anteceder a publica\u00e7\u00e3o do resultado das provas objetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) exige a anula\u00e7\u00e3o integral do certame e a republica\u00e7\u00e3o do edital corrigido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O edital \u00e9 a lei do concurso, mas n\u00e3o pode subsistir contra a lei da carreira; a vincula\u00e7\u00e3o ao instrumento convocat\u00f3rio n\u00e3o impede sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A retifica\u00e7\u00e3o para incluir a prova de t\u00edtulos exigida pela lei de reg\u00eancia (Lei n. 12.094\/2009, art. 4\u00ba) \u00e9 permitida, ainda que ap\u00f3s as objetivas: restaura a legalidade do certame, sem ofensa \u00e0 isonomia, \u00e0 publicidade ou \u00e0 transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 ofensa \u00e0 isonomia: a nova fase aplica-se igualmente a todos os candidatos e apenas alinha o certame ao modelo legal que sempre lhe foi obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A validade n\u00e3o se condiciona ao momento anterior ao resultado das objetivas; a retifica\u00e7\u00e3o foi admitida justamente ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o dessa etapa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A adequa\u00e7\u00e3o n\u00e3o exige anular o certame: basta a retifica\u00e7\u00e3o do edital, preservados os atos j\u00e1 praticados e observada a publicidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a retifica\u00e7\u00e3o do edital do concurso p\u00fablico, para incluir a prova de t\u00edtulos, viola os princ\u00edpios da legalidade e da isonomia, considerando que a altera\u00e7\u00e3o ocorreu ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o das provas objetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 o de que o edital \u00e9 a lei do concurso, e sua altera\u00e7\u00e3o para adequa\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da legalidade \u00e9 permitida, n\u00e3o ferindo os princ\u00edpios da legalidade e da isonomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a Lei n. 12.094\/2009, que trata da carreira dos Analistas T\u00e9cnicos de Pol\u00edticas Sociais, disp\u00f5e que o ingresso na carreira se dar\u00e1 mediante concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos, observada a legisla\u00e7\u00e3o pertinente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade perpetrada pela autoridade coatora ao retificar o edital do concurso p\u00fablico para incluir a exig\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o de concurso de provas e t\u00edtulos para o referido cargo, em conformidade com o art. 4 da Lei n. 12.094\/2009, notadamente porque a altera\u00e7\u00e3o do edital foi resultado de acordo judicial homologado, visando atender ao princ\u00edpio da legalidade, sem violar os princ\u00edpios da publicidade e da transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-revisao-de-anistia-de-cabos-da-aeronautica-e-inaplicabilidade-do-prazo-decadencial\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; REVIS\u00c3O DE ANISTIA DE CABOS DA AERON\u00c1UTICA E INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As anistias concedidas a cabos da Aeron\u00e1utica com fundamento na Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964, sem motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica, <strong>podem ser revistas pela Administra\u00e7\u00e3o mesmo depois de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos<\/strong>, por caracterizarem situa\u00e7\u00e3o flagrantemente inconstitucional, em viola\u00e7\u00e3o ao art. 8\u00ba do ADCT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no MS 30.434-DF, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Madruga, ex-cabo da Aeron\u00e1utica, obteve reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de anistiado pol\u00edtico com base na Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964, que tratava do licenciamento por t\u00e9rmino de tempo de servi\u00e7o. Anos depois, j\u00e1 ultrapassados os cinco anos do art. 54 da Lei n. 9.784\/1999, a Administra\u00e7\u00e3o instaurou processo e revogou a anistia, ao constatar que o afastamento n\u00e3o decorrera de motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica. Seu Madruga impetrou mandado de seguran\u00e7a, invocando a decad\u00eancia e a seguran\u00e7a jur\u00eddica. A revis\u00e3o tardia \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.784\/1999, art. 54<\/strong><em> (decad\u00eancia em cinco anos do direito de a Administra\u00e7\u00e3o anular atos favor\u00e1veis aos destinat\u00e1rios, salvo m\u00e1-f\u00e9).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 8\u00ba; Lei n. 10.559\/2002, art. 17<\/strong><em> (anistia pol\u00edtica; dever de anular o ato de reconhecimento quando comprovada a falsidade dos motivos, assegurado o contradit\u00f3rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, Tema 839 (RG)<\/strong><em> (n\u00e3o incide o prazo decadencial da Lei n. 9.784\/1999 para a revis\u00e3o de anistias quando presente situa\u00e7\u00e3o flagrantemente inconstitucional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de anistiado pol\u00edtico \u00e9 ato vinculado: s\u00f3 se legitima se atendidos os requisitos da Lei n. 10.559\/2002, entre eles a motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica do afastamento. Comprovada a falsidade dos motivos, a Administra\u00e7\u00e3o tem o dever de anular o ato e os benef\u00edcios dele decorrentes (art. 17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A decad\u00eancia quinquenal do art. 54 da Lei n. 9.784\/1999 n\u00e3o protege o ato flagrantemente inconstitucional. No Tema 839, o STF assentou que n\u00e3o incide esse prazo quando a Administra\u00e7\u00e3o, no exerc\u00edcio da autotutela, rev\u00ea anistias fundadas na Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964, que n\u00e3o configura ato de exce\u00e7\u00e3o, sem ofensa \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica. O controle judicial da revis\u00e3o limita-se \u00e0 regularidade do procedimento e \u00e0 legalidade do ato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O reconhecimento da anistia pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 ato discricion\u00e1rio nem imune a revis\u00e3o. <strong>Trata-se de ato vinculado, leg\u00edtimo apenas se atendidos os requisitos da Lei n. 10.559\/2002, entre os quais a motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica do afastamento<\/strong>; ausente esse pressuposto, o ato nasce viciado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964 n\u00e3o \u00e9, em si, ato de exce\u00e7\u00e3o. <strong>O Tema 839\/STF fixou que a Administra\u00e7\u00e3o tem o dever de rever as anistias nela fundamentadas quando comprovada a aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica<\/strong>; a norma disciplinava o licenciamento por t\u00e9rmino de tempo de servi\u00e7o, n\u00e3o a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Sobre esse ato viciado, a decad\u00eancia quinquenal n\u00e3o estende seu manto. <strong>N\u00e3o incide o prazo do art. 54 da Lei n. 9.784\/1999 quando a Administra\u00e7\u00e3o, no exerc\u00edcio da autotutela, rev\u00ea ato de anistia em situa\u00e7\u00e3o flagrantemente inconstitucional, o que n\u00e3o ofende a seguran\u00e7a jur\u00eddica<\/strong> (Tema 839\/STF). A inconstitucionalidade flagrante afasta a convalida\u00e7\u00e3o pelo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O procedimento, por\u00e9m, tem limites e o controle judicial tamb\u00e9m. <strong>A anula\u00e7\u00e3o exige contradit\u00f3rio e ampla defesa (art. 17 da Lei n. 10.559\/2002), e o controle judicial do processo de revis\u00e3o restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e da legalidade do ato<\/strong>, sem reexame do m\u00e9rito administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 revis\u00e3o administrativa de anistia concedida a cabo da Aeron\u00e1utica sem motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica, ap\u00f3s cinco anos do ato:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) est\u00e1 impedida pela decad\u00eancia quinquenal do art. 54 da Lei n. 9.784\/1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) depende da comprova\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 do benefici\u00e1rio, \u00fanica ressalva \u00e0 decad\u00eancia quinquenal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 vedada, por configurar a Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964 verdadeiro ato de exce\u00e7\u00e3o do regime militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) somente se admite por a\u00e7\u00e3o judicial pr\u00f3pria, sendo defesa a autotutela administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00e9 poss\u00edvel, pois a decad\u00eancia n\u00e3o alcan\u00e7a ato de anistia flagrantemente inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A decad\u00eancia do art. 54 da Lei n. 9.784\/1999 n\u00e3o incide sobre a revis\u00e3o de anistia flagrantemente inconstitucional: o Tema 839\/STF afastou expressamente esse prazo no exerc\u00edcio da autotutela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A m\u00e1-f\u00e9 \u00e9 ressalva prevista no art. 54 da Lei n. 9.784\/1999, mas n\u00e3o \u00e9 o fundamento aqui: o Tema 839\/STF afasta a pr\u00f3pria incid\u00eancia do prazo decadencial diante de anistia flagrantemente inconstitucional, independentemente de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964 n\u00e3o configura ato de exce\u00e7\u00e3o \u2014 foi justamente esse o fundamento do Tema 839\/STF para admitir a revis\u00e3o das anistias nela baseadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A Administra\u00e7\u00e3o pode anular o ato no exerc\u00edcio da autotutela, assegurados contradit\u00f3rio e ampla defesa; n\u00e3o se exige a\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> Sem motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica, a anistia \u00e9 flagrantemente inconstitucional (ADCT, art. 8\u00ba) e pode ser revista pela Administra\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s o quinqu\u00eanio, pois n\u00e3o incide a decad\u00eancia do art. 54 da Lei n. 9.784\/1999 (Tema 839\/STF), assegurado o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o versa sobre a regularidade de portarias que revogaram a concess\u00e3o de anistia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 54 da Lei n. 9.784\/1999 disp\u00f5e que o direito da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica de anular atos administrativos que produziram efeitos favor\u00e1veis aos seus destinat\u00e1rios decai em 5 anos, contados a partir da data em que foram praticados ou a partir da entrada em vigor do referido diploma legal, em 1 de fevereiro de 1999, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta forma, as anistias concedidas a cabos da Aeron\u00e1utica com fundamento na Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964, sem motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente pol\u00edtica, podem ser revistas pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica mesmo depois de transcorrido o prazo decadencial da Lei 9.784\/1999, por caracterizarem situa\u00e7\u00e3o inconstitucional, violando o art. 8 do ADCT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 17 da Lei n. 10.559\/2002, que regulamenta o art. 8 do ADCT, a autoridade competente deve anular o ato de reconhecimento de anistiado pol\u00edtico e os benef\u00edcios dele decorrentes, uma vez comprovada a falsidade dos motivos que ensejaram a pr\u00e1tica do ato de concess\u00e3o, assegurado o contradit\u00f3rio e a ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de anistiado pol\u00edtico constitui ato vinculado, e sua pr\u00e1tica pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica apenas ser\u00e1 leg\u00edtima se atendidos os requisitos legais, quais sejam, aqueles fixados na citada Lei n. 10.559\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No julgamento do RE 817.338\/DF, sob o rito da repercuss\u00e3o geral \u2014 Tema n. 839, o STF fixou a tese de que n\u00e3o incide o prazo decadencial previsto na Lei n. 9.784\/1999 para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, no exerc\u00edcio de seu poder de autotutela, rever os atos de concess\u00e3o de anistia, quando presente situa\u00e7\u00e3o flagrantemente inconstitucional, o que n\u00e3o ofende a seguran\u00e7a jur\u00eddica. A jurisprud\u00eancia desta Corte Superior seguiu esse entendimento, alinhando-se \u00e0 tese fixada pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a Portaria n. 1.104\/GM-3\/1964 n\u00e3o configura ato de exce\u00e7\u00e3o, tanto que o citado Tema n. 839\/STF fixou a tese jur\u00eddica de que a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica tem o dever de rever os atos de anistia fundamentados nela quando se comprovar a aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o exclusivamente politica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, ressalte-se que o controle judicial do processo administrativo de revis\u00e3o da anistia deve ser restrito ao exame da regularidade do procedimento e \u00e0 legalidade do ato, \u00e0 luz dos princ\u00edpios do devido processo legal e das exig\u00eancias da Lei 10.559\/2002, vedado o reexame do m\u00e9rito administrativo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-atipicidade-superveniente-na-improbidade-e-ressarcimento-ao-erario\" class=\"wp-block-heading\">4. ATIPICIDADE SUPERVENIENTE NA IMPROBIDADE E RESSARCIMENTO AO ER\u00c1RIO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A despeito da atipicidade superveniente da conduta, por falta de dolo espec\u00edfico, que imp\u00f5e a absolvi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s san\u00e7\u00f5es, <strong>persiste a condena\u00e7\u00e3o com base na efetiva les\u00e3o ao er\u00e1rio, prosseguindo a demanda para o ressarcimento do dano<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 1.994.350-SP, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 22\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prof. Girafales, agente p\u00fablico municipal, foi condenado por improbidade (art. 10, VIII e X, da Lei n. 8.429\/1992, reda\u00e7\u00e3o original) por dispensa indevida de licita\u00e7\u00e3o, com dano ao er\u00e1rio reconhecido pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias. Antes do tr\u00e2nsito em julgado, sobreveio a Lei n. 14.230\/2021, que passou a exigir dolo espec\u00edfico, n\u00e3o demonstrado nos autos. Discutiu-se se a atipicidade superveniente extinguiria tamb\u00e9m a obriga\u00e7\u00e3o de ressarcir. O processo deve ser extinto por completo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 10 (reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021)<\/strong><em> (exig\u00eancia de dolo espec\u00edfico para a configura\u00e7\u00e3o do ato de improbidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, Tema 1.199 (ARE 843.989)<\/strong><em> (irretroatividade das altera\u00e7\u00f5es da Lei n. 14.230\/2021 diante da coisa julgada; retroatividade quando n\u00e3o houver tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, \u00a7 5\u00ba<\/strong><em> (imprescritibilidade das a\u00e7\u00f5es de ressarcimento por dano ao er\u00e1rio decorrente de ato doloso de improbidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Com a Lei n. 14.230\/2021, exige-se dolo espec\u00edfico para a configura\u00e7\u00e3o do ato \u00edmprobo. N\u00e3o demonstrado o especial fim de agir, e ainda sem tr\u00e2nsito em julgado, a norma mais ben\u00e9fica retroage (Tema 1.199\/STF) e imp\u00f5e a absolvi\u00e7\u00e3o no plano sancionat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A absolvi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s san\u00e7\u00f5es n\u00e3o apaga o dano. Reconhecida pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias a les\u00e3o efetiva e comprovada ao er\u00e1rio, a a\u00e7\u00e3o prossegue para o ressarcimento: a anula\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o por atipicidade superveniente n\u00e3o impede a continuidade da demanda quanto \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico, sob pena de se premiar o dano com a extin\u00e7\u00e3o total do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A altera\u00e7\u00e3o legislativa reconfigurou o tipo de improbidade e alcan\u00e7a o caso. <strong>A Lei n. 14.230\/2021 passou a exigir dolo espec\u00edfico para o ato \u00edmprobo, e a norma mais ben\u00e9fica retroage quando ainda n\u00e3o houve tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o<\/strong> (Tema 1.199\/STF); n\u00e3o detalhado o especial fim de agir, imp\u00f5e-se a absolvi\u00e7\u00e3o sancionat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A absolvi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, opera apenas no plano das san\u00e7\u00f5es. <strong>A atipicidade superveniente afasta as penalidades da LIA, mas n\u00e3o desconstitui o dano ao er\u00e1rio efetivo e comprovado, reconhecido pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias<\/strong>; uma coisa \u00e9 a san\u00e7\u00e3o pela improbidade, outra \u00e9 a recomposi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio lesado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Da\u00ed o prosseguimento da demanda para fim de ressarcimento. A anula\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o por improbidade, em raz\u00e3o da atipicidade superveniente,<strong> n\u00e3o impede o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o para o ressarcimento do dano<\/strong> \u2014 orienta\u00e7\u00e3o j\u00e1 assentada pelo STF; a pretens\u00e3o ressarcit\u00f3ria tem fundamento pr\u00f3prio e subsiste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o evita que a mudan\u00e7a de regime sancionador funcione como anistia patrimonial. <strong>Extinguir por completo o processo devolveria ao agente o proveito do dano comprovado, esvaziando a prote\u00e7\u00e3o do er\u00e1rio<\/strong>; a demanda segue, portanto, restrita \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo apurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao destino da a\u00e7\u00e3o de improbidade quando a atipicidade superveniente afasta o dolo espec\u00edfico, mas h\u00e1 dano ao er\u00e1rio comprovado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) prossegue para o ressarcimento do dano, embora afastadas as san\u00e7\u00f5es da improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) extingue-se integralmente, pois a atipicidade alcan\u00e7a tamb\u00e9m a pretens\u00e3o de ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) mant\u00e9m as san\u00e7\u00f5es, pois a Lei n. 14.230\/2021 n\u00e3o retroage em nenhuma hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) converte-se em a\u00e7\u00e3o penal por crime contra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) suspende-se at\u00e9 que o Minist\u00e9rio P\u00fablico aju\u00edze a\u00e7\u00e3o civil aut\u00f4noma de ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> A atipicidade superveniente (falta de dolo espec\u00edfico) imp\u00f5e a absolvi\u00e7\u00e3o sancionat\u00f3ria, mas n\u00e3o desconstitui o dano efetivo ao er\u00e1rio: a a\u00e7\u00e3o prossegue para o ressarcimento, conforme orienta\u00e7\u00e3o do STF (Tema 1.199; RE 1.481.355).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A atipicidade afasta as san\u00e7\u00f5es, n\u00e3o a pretens\u00e3o ressarcit\u00f3ria: o dano comprovado subsiste e a demanda continua quanto \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A Lei n. 14.230\/2021 retroage quando ainda n\u00e3o houve tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o (Tema 1.199\/STF); no caso, isso levou \u00e0 absolvi\u00e7\u00e3o sancionat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 convers\u00e3o em a\u00e7\u00e3o penal: as esferas s\u00e3o independentes, e o que subsiste \u00e9 a pretens\u00e3o civil de ressarcimento nos pr\u00f3prios autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o se exige nova a\u00e7\u00e3o: a demanda em curso prossegue para fins de ressarcimento, sem necessidade de ajuizamento aut\u00f4nomo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Discute-se, na presente controv\u00e9rsia, a continuidade da a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa apenas para fins de ressarcimento ao er\u00e1rio, em rela\u00e7\u00e3o ao dano efetivo cometido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso dos autos, verifica-se que a condena\u00e7\u00e3o dos agravados ocorreu, com fundamento nos art. 10, VIII e X, da Lei n. 8.429\/1992, em sua reda\u00e7\u00e3o original, por terem, na qualidade de agentes p\u00fablicos municipais respons\u00e1veis, realizado dispensa indevida de licita\u00e7\u00e3o e formalizado contrato de loca\u00e7\u00e3o envolvendo bem im\u00f3vel, em tese, inserv\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dito isso, cabe anotar que, em 25 de outubro de 2021, entrou em vigor a Lei n. 14.230, a qual promoveu significativas altera\u00e7\u00f5es na Lei n. 8.429\/1992. Nesse contexto, a orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a passou a ser a de que \u00e9 necess\u00e1rio o dolo espec\u00edfico para a configura\u00e7\u00e3o do ato \u00edmprobo que acarrete dano ao er\u00e1rio ou atente contra os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o que n\u00e3o ocorreu no caso, uma vez que n\u00e3o foi detalhado o especial fim de agir dos recorrentes com a conduta perpetrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa toada, o Supremo Tribunal Federal, em 18 de agosto de 2022, concluiu o julgamento do ARE n. 843.989 (Tema 1.199), DJe 12\/12\/2022, Rel. Min. Alexandre de Moraes, ocasi\u00e3o em que firmou a tese de irretroatividade das altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n. 14.230 \/2021, em face da coisa julgada ou durante o processo de execu\u00e7\u00e3o, ressalvada a retroatividade relativa aos casos em que n\u00e3o houver o tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o por ato \u00edmprobo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, \u00e9 imperiosa a absolvi\u00e7\u00e3o dos agravados, do ponto de vista sancionat\u00f3rio, diante da aus\u00eancia de dolo espec\u00edfico, na hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, merece provimento a pretens\u00e3o de continuidade da a\u00e7\u00e3o apenas para fins de ressarcimento ao er\u00e1rio, a despeito da atipicidade superveniente da conduta dos acusados, por falta de dolo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observa-se que foi reconhecido pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias o efetivo e comprovado dano ao er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha de percep\u00e7\u00e3o, sobreleva mencionar que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal no RE 1.481.355 ED-AgR, de relatoria do Min. Fl\u00e1vio Dino, decidiu que &#8220;[&#8230;] A anula\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o por improbidade administrativa, em raz\u00e3o da superveniente atipicidade da conduta[&#8230;], n\u00e3o impede o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o para o ressarcimento do dano ao er\u00e1rio [&#8230;]. Tal obriga\u00e7\u00e3o, com fundamento no art. 37, 5, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e na legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional pertinente (C\u00f3digo Civil e Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica), possui natureza civil e subsiste independentemente da caracteriza\u00e7\u00e3o de improbidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, malgrado a atipicidade superveniente da conduta no caso vertente por falta de dolo espec\u00edfico, persiste a condena\u00e7\u00e3o com base na efetiva les\u00e3o ao er\u00e1rio, de modo que \u00e9 imperioso prosseguimento da demanda visando, t\u00e3o somente, o ressarcimento dos danos experimentados pelo ente municipal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-destinacao-da-multa-civil-na-redacao-preterita-da-lei-de-improbidade\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; DESTINA\u00c7\u00c3O DA MULTA CIVIL NA REDA\u00c7\u00c3O PRET\u00c9RITA DA LEI DE IMPROBIDADE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita do art. 18 da Lei n. 8.429\/1992, que nada dispunha sobre a destina\u00e7\u00e3o da multa civil, esta \u2014 embora de car\u00e1ter punitivo \u2014 deve ser <strong>revertida em favor da pessoa jur\u00eddica diretamente lesada pela conduta \u00edmproba<\/strong>, e n\u00e3o a fundo indicado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.925.304-SC, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kiko obteve bolsa de institui\u00e7\u00e3o de pesquisa valendo-se de documento falso, embora tenha efetivamente prestado os servi\u00e7os \u2014 circunst\u00e2ncia que afastou a improbidade por dano ao er\u00e1rio, mas n\u00e3o a ilicitude da conduta. Condenado ao pagamento de multa civil, o ju\u00edzo determinou que o valor fosse revertido a fundo indicado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, autor da a\u00e7\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o lesada insurgiu-se, sustentando ser ela a destinat\u00e1ria. A quem se destina a multa civil, na reda\u00e7\u00e3o ent\u00e3o vigente da LIA?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 18 (reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita)<\/strong><em> (a senten\u00e7a determinar\u00e1 o pagamento ou a revers\u00e3o dos bens em favor da pessoa jur\u00eddica prejudicada pelo il\u00edcito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 12<\/strong><em> (multa civil como san\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, de car\u00e1ter punitivo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 7.347\/1985, art. 13<\/strong><em> (fundos destinados \u00e0 reconstitui\u00e7\u00e3o dos bens lesados nas a\u00e7\u00f5es coletivas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 18, em sua reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita, cuidava apenas do ressarcimento do dano e do enriquecimento sem causa \u2014 silenciando quanto ao destino da multa civil. Dessa lacuna nasceu a controv\u00e9rsia: reverter a multa a fundo (por analogia ao art. 13 da Lei n. 7.347\/1985) ou \u00e0 entidade lesada?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O car\u00e1ter punitivo da multa, que afasta sua fei\u00e7\u00e3o ressarcit\u00f3ria, n\u00e3o impede que ela seja revertida em prol da entidade diretamente lesada. A tutela da probidade n\u00e3o se resume ao preju\u00edzo material \u2014 tanto que existe a improbidade por viola\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios (art. 11). No caso, a declara\u00e7\u00e3o falsa atingiu diretamente a institui\u00e7\u00e3o de pesquisa, sua credibilidade e a finalidade do incentivo educacional, o que justifica destinar-lhe a multa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A lacuna do texto antigo \u00e9 o ponto de partida. <strong>O art. 18, na reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita, nada dispunha sobre a destina\u00e7\u00e3o da multa civil, limitando-se ao ressarcimento do dano e ao enriquecimento sem causa<\/strong>; da\u00ed a tenta\u00e7\u00e3o de aplicar por analogia o art. 13 da Lei n. 7.347\/1985 e remeter o valor a um fundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Essa solu\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, contudo, n\u00e3o \u00e9 a melhor leitura. <strong>O car\u00e1ter punitivo da multa \u2014 que afasta sua fei\u00e7\u00e3o ressarcit\u00f3ria \u2014 n\u00e3o impede a compreens\u00e3o de que a san\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possa ser revertida em prol da entidade diretamente lesada pela conduta \u00edmproba<\/strong>; puni\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o s\u00e3o planos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A pr\u00f3pria arquitetura da LIA mostra que o preju\u00edzo material n\u00e3o \u00e9 o centro da tutela. <strong>Tanto assim que existe a improbidade por viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o (art. 11), independentemente de dano patrimonial<\/strong>; a probidade protege bens que v\u00e3o al\u00e9m do er\u00e1rio \u2014 a credibilidade e a integridade institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso concreto, a les\u00e3o recaiu sobre a institui\u00e7\u00e3o de pesquisa. <strong>A declara\u00e7\u00e3o falsa causou preju\u00edzo direto \u00e0 entidade, \u00e0 credibilidade de seus programas e \u00e0 expectativa quanto ao resultado do incentivo educacional<\/strong>; se a efetiva presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o descaracterizou a improbidade mais grave, n\u00e3o apaga a les\u00e3o institucional \u2014 que justifica destinar-lhe a multa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 destina\u00e7\u00e3o da multa civil por improbidade, na reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita do art. 18 da Lei n. 8.429\/1992:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) cabe ao fundo indicado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, autor da a\u00e7\u00e3o, por analogia \u00e0 Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) destina-se ao Tesouro do ente federativo ao qual se vincula o agente \u00edmprobo condenado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) reverte-se em favor da pessoa jur\u00eddica diretamente lesada pela conduta \u00edmproba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) divide-se, em partes iguais, entre o fundo de direitos difusos e a entidade lesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) n\u00e3o pode ser fixada, ante a omiss\u00e3o legal quanto ao seu benefici\u00e1rio na reda\u00e7\u00e3o ent\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A analogia com o art. 13 da Lei n. 7.347\/1985 n\u00e3o \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o da lacuna: o car\u00e1ter punitivo da multa n\u00e3o impede sua revers\u00e3o \u00e0 entidade diretamente lesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A destina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ao Tesouro do ente, mas \u00e0 pessoa jur\u00eddica que sofreu a les\u00e3o direta pela conduta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> Diante do sil\u00eancio do art. 18 em sua reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita, a multa civil, embora punitiva, reverte-se em favor da pessoa jur\u00eddica diretamente lesada, cuja credibilidade e cujos programas foram atingidos pela conduta \u00edmproba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de rateio entre fundo e entidade; a multa reverte-se integralmente em favor da pessoa jur\u00eddica lesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A lacuna n\u00e3o impede a fixa\u00e7\u00e3o da multa: apenas exige que o int\u00e9rprete defina o destinat\u00e1rio, que \u00e9 a entidade diretamente lesada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de controv\u00e9rsia acerca da destina\u00e7\u00e3o da multa civil aplicada no contexto da reda\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita da Lei de Improbidade Administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem confirmou a senten\u00e7a no ponto em que fixou a revers\u00e3o da pena pecuni\u00e1ria, &#8220;conforme destina\u00e7\u00e3o indicada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei de Improbidade Administrativa na reda\u00e7\u00e3o ent\u00e3o vigente (Lei n. 8.429\/1992), assim dispunha: &#8220;Art. 18. A senten\u00e7a que julgar procedente a\u00e7\u00e3o civil de repara\u00e7\u00e3o de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinar\u00e1 o pagamento ou a revers\u00e3o dos bens, conforme o caso, em favor da pessoa jur\u00eddica prejudicada pelo il\u00edcito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme se v\u00ea, o aludido dispositivo n\u00e3o versa sobre a destina\u00e7\u00e3o da multa, limitando-se a cuidar dos valores relativos ao ressarcimento do dano e ao enriquecimento sem causa. H\u00e1, de fato, lacuna legislativa no tocante ao benefici\u00e1rio expresso do valor, da\u00ed o Ju\u00edzo sentenciante ter feito a destina\u00e7\u00e3o conforme designa\u00e7\u00e3o a ser eleita pelo MPF, autor da a\u00e7\u00e3o, o que estaria, em princ\u00edpio, alinhado com o art. 13 da Lei n. 7.347\/1985, ao cuidar dos fundos que arrecadam valores derivados de repara\u00e7\u00e3o dos danos nas a\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa, por\u00e9m, n\u00e3o se revela a melhor interpreta\u00e7\u00e3o para solucionar tal lacuna legislativa. Isso porque, o car\u00e1ter punitivo da multa, afastando-se a fei\u00e7\u00e3o ressarcit\u00f3ria, n\u00e3o impede a compreens\u00e3o de que a citada san\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possa ser revertida em prol da entidade diretamente lesada pela conduta \u00edmproba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observe-se que o preju\u00edzo material direto n\u00e3o \u00e9 o foco central da tutela da probidade administrativa, tanto que existem as figuras do art. 11 da LIA por viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios que regem a Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na decis\u00e3o do Tribunal de origem, est\u00e1 bem delimitado que a presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os pela parte r\u00e9 foi fundamento para n\u00e3o configurar a improbidade prevista no art. 10 da LIA, apesar da confirma\u00e7\u00e3o de conduta il\u00edcita de se valer de documento falso para acesso \u00e0s contrapresta\u00e7\u00f5es da bolsa paga pela institui\u00e7\u00e3o de pesquisa autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A declara\u00e7\u00e3o falsa, portanto, causou preju\u00edzo direto \u00e0 entidade de pesquisa, \u00e0 credibilidade de seus programas e expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao resultado do incentivo educacional. Se a efetiva presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o descaracteriza uma tipologia mais grave de improbidade por falta de dano, considerado a\u00ed o seu aspecto material, disso n\u00e3o segue a aus\u00eancia de preju\u00edzo administrativo e institucional \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o, na condi\u00e7\u00e3o de entidade ludibriada mediante fraude, no \u00e2mbito de suas relevantes atividades de desenvolvimento de pesquisa e ensino superiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A multa, como puni\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais bem vinculada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o da finalidade legal se a entidade diretamente lesada for compensada pela conduta il\u00edcita do agente \u00edmprobo. Entendimento diverso, nesse contexto, no qual s\u00f3 houve aplica\u00e7\u00e3o de multa, levaria \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de o ofensor da probidade administrativa nada responder perante a institui\u00e7\u00e3o realmente atingida por sua reprov\u00e1vel conduta. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que se estabele\u00e7a o elo entre a entidade prejudicada e a multa prevista na Lei n. 8.429\/1992.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, se n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o expressa na lei de improbidade administrativa acerca do destino da multa, a melhor solu\u00e7\u00e3o para esse impasse \u00e9 encontrar a resposta na pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da lei especial, para se compreender que tal san\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 contemplada na disposi\u00e7\u00e3o do art. 18, em benef\u00edcio da entidade lesada pela conduta, cuja les\u00e3o, repita-se, n\u00e3o se limita ao enfoque de preju\u00edzo afer\u00edvel em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-retroatividade-do-novo-codigo-florestal-e-forca-vinculante-das-decisoes-do-stf\" class=\"wp-block-heading\">6. RETROATIVIDADE DO NOVO C\u00d3DIGO FLORESTAL E FOR\u00c7A VINCULANTE DAS DECIS\u00d5ES DO STF<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em adequa\u00e7\u00e3o ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, o novo C\u00f3digo Florestal (Lei n. 12.651\/2012) <strong>deve retroagir para atingir situa\u00e7\u00f5es consolidadas sob a vig\u00eancia de lei ambiental anterior<\/strong>, sob pena de esvaziar a for\u00e7a normativa do dispositivo legal e as diretrizes vinculantes fixadas nas ADIs 4.901, 4.902, 4.903 e 4.937 e na ADC 42.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDcl no AgInt no REsp 1.700.760-SP, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Fazenda Boa Vista foi autuada por infra\u00e7\u00e3o ambiental praticada sob a vig\u00eancia do C\u00f3digo Florestal de 1965. Antes do desfecho, entrou em vigor a Lei n. 12.651\/2012, cujo regime \u00e9 menos restritivo para a situa\u00e7\u00e3o consolidada. A empresa pretendeu a aplica\u00e7\u00e3o retroativa da nova lei; o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido a recusou, invocando o ato jur\u00eddico perfeito, os direitos ambientais adquiridos e a veda\u00e7\u00e3o ao retrocesso. O novo C\u00f3digo Florestal alcan\u00e7a situa\u00e7\u00f5es consolidadas sob a lei anterior?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.651\/2012<\/strong><em> (novo C\u00f3digo Florestal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, ADIs 4.901, 4.902, 4.903 e 4.937; ADC 42<\/strong><em> (diretrizes de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria sobre a validade e a aplica\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 225<\/strong><em> (dever de defesa do meio ambiente, conciliado com outros valores constitucionais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ entendiam que o novo C\u00f3digo Florestal n\u00e3o poderia retroagir para atingir o ato jur\u00eddico perfeito, os direitos ambientais adquiridos e a coisa julgada formados sob a lei anterior. O STF, por\u00e9m, tem determinado reiteradamente a adequa\u00e7\u00e3o desses ac\u00f3rd\u00e3os \u00e0s diretrizes vinculantes fixadas nas ADIs 4.901, 4.902, 4.903 e 4.937 e na ADC 42.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Segundo o STF, as pol\u00edticas ambientais devem conciliar-se com outros valores democraticamente eleitos, n\u00e3o sendo adequado desqualificar regra legal sob o r\u00f3tulo gen\u00e9rico de retrocesso ambiental, ignorando as nuances do processo decis\u00f3rio do legislador. Recusar a aplica\u00e7\u00e3o imediata do novo C\u00f3digo Florestal esvazia a for\u00e7a normativa do dispositivo e desafia decis\u00e3o vinculante da Suprema Corte, gerando a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 As Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o entendiam que o novo C\u00f3digo Florestal <strong>n\u00e3o poderia retroagir<\/strong> para atingir ato jur\u00eddico perfeito, direitos ambientais adquiridos e coisa julgada formados sob a lei anterior; esse entendimento <strong>n\u00e3o subsistiu<\/strong> ao crivo do STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Suprema Corte firmou diretrizes de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria sobre a mat\u00e9ria. Nas ADIs 4.901, 4.902, 4.903 e 4.937 e na ADC 42,<strong> o STF fixou par\u00e2metros vinculantes, e tem determinado reiteradamente a adequa\u00e7\u00e3o dos ac\u00f3rd\u00e3os do STJ e das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias a essas diretrizes<\/strong>; a vincula\u00e7\u00e3o n\u00e3o comporta resist\u00eancia interpretativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O fundamento substantivo \u00e9 a concilia\u00e7\u00e3o entre prote\u00e7\u00e3o ambiental e outros valores constitucionais. <strong>Para o STF, n\u00e3o \u00e9 adequado desqualificar regra legal como contr\u00e1ria ao art. 225 da CF sob o r\u00f3tulo gen\u00e9rico e subjetivo de retrocesso ambiental, <\/strong>ignorando as nuances do processo decis\u00f3rio do legislador democraticamente investido; a tutela do meio ambiente convive com o desenvolvimento social e o mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Recusar a aplica\u00e7\u00e3o imediata teria custo institucional. <strong>A recusa em aplicar o novo C\u00f3digo Florestal ao caso concreto esvazia a for\u00e7a normativa do dispositivo legal, em disson\u00e2ncia com a decis\u00e3o vinculativa do STF<\/strong>; da\u00ed a adequa\u00e7\u00e3o do entendimento do STJ para admitir a retroatividade sobre situa\u00e7\u00f5es consolidadas sob a lei anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal a situa\u00e7\u00f5es consolidadas sob a vig\u00eancia da lei ambiental anterior:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00e9 vedada, por atingir o ato jur\u00eddico perfeito e os direitos ambientais adquiridos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) esbarra na proibi\u00e7\u00e3o do retrocesso ambiental<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) s\u00f3 alcan\u00e7a fatos posteriores \u00e0 Lei n. 12.651\/2012, em respeito ao princ\u00edpio <em>tempus regit actum<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) deve retroagir, em adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s diretrizes vinculantes fixadas pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) normas menos protetivas ao meio ambiente n\u00e3o retroagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Foi justamente esse o entendimento superado: o STF determinou a adequa\u00e7\u00e3o dos ac\u00f3rd\u00e3os que invocavam ato jur\u00eddico perfeito e direitos ambientais adquiridos para recusar a retroa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Para o STF, n\u00e3o se desqualifica regra legal sob o r\u00f3tulo gen\u00e9rico de retrocesso ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A retroa\u00e7\u00e3o foi expressamente admitida para situa\u00e7\u00f5es consolidadas sob a lei anterior; limitar a aplica\u00e7\u00e3o a fatos posteriores esvaziaria a for\u00e7a normativa do novo C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> Em adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s diretrizes vinculantes das ADIs 4.901, 4.902, 4.903 e 4.937 e da ADC 42, o novo C\u00f3digo Florestal retroage para atingir situa\u00e7\u00f5es consolidadas sob a lei anterior, sob pena de esvaziar a for\u00e7a normativa do dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A retroa\u00e7\u00e3o decorre de decis\u00e3o vinculante do STF: as pol\u00edticas ambientais conciliam-se com outros valores constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se pode ser aplicado retroativamente dispositivo do C\u00f3digo Florestal (Lei n. 12.651\/2012), que estabelece padr\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ambiental inferior ao da legisla\u00e7\u00e3o vigente do ato infracional objeto de impugna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de fundo, \u00e9 certo que as Turmas que comp\u00f5em a Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a- STJ possu\u00edam entendimento alinhado de que o novo C\u00f3digo Florestal n\u00e3o poderia retroagir para atingir o ato jur\u00eddico perfeito, os direitos ambientais adquiridos e a coisa julgada formada sob a vig\u00eancia de lei ambiental anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o Supremo Tribunal Federal \u2014 STF, de forma reiterada, tem determinado a adequa\u00e7\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3os proferidos pelo STJ e pelas demais inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias \u00e0s diretrizes de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria fixadas no julgamento das A\u00e7\u00f5es Diretas de Inconstitucionalidade n. 4.937, 4.903 e 4.902, bem como no da A\u00e7\u00e3o de Constitucionalidade n. 42.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, tal como consta da pr\u00f3pria ementa dos julgados proferidos pela Excelsa Corte: &#8220;Por outro lado, as pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais devem conciliar-se com outros valores democraticamente eleitos pelos legisladores como o mercado de trabalho, o desenvolvimento social, o atendimento \u00e0s necessidades b\u00e1sicas de consumo dos cidad\u00e3os etc. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 adequado desqualificar determinada regra legal como contr\u00e1ria ao comando constitucional de defesa do meio ambiente (art. 225, caput, Constitui\u00e7\u00e3o Federal CFRFB), ou mesmo sob o gen\u00e9rico e subjetivo r\u00f3tulo de &#8220;retrocesso ambiental&#8221;, ignorando as diversas nuances que permeiam o processo decis\u00f3rio do legislador, democraticamente investido da fun\u00e7\u00e3o de apaziguar interesses conflitantes por meio de regras gerais e objetivas&#8221;. Assim, a jurisprud\u00eancia do STF vem se firmando no sentido de que &#8220;a recusa na aplica\u00e7\u00e3o imediata do novo C\u00f3digo Florestal ao caso concreto esvaziou a for\u00e7a normativa do dispositivo legal em disson\u00e2ncia com a decis\u00e3o vinculativa formalizada por esta Suprema Corte no julgamento das ADIs 4.901, 4.902 e 4.903, 4.937&#8221; (ARE 1.473.967 AgR, Relator(a): Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 22\/4\/2024, processo eletr\u00f4nico DJe-s\/n divulg 24\/4\/2024, public 25\/4\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a leitura atenta dos julgados proferidos pelo STF conduz \u00e0 inequ\u00edvoca conclus\u00e3o de que aquela Corte n\u00e3o vem estabelecendo distin\u00e7\u00e3o entre a incid\u00eancia do novo C\u00f3digo Florestal a a\u00e7\u00f5es em curso, aquelas que est\u00e3o em fase de cumprimento de senten\u00e7a j\u00e1 transitada em julgado ou, ainda, execu\u00e7\u00f5es de Termos de Ajustamento de Conduta firmados sob a \u00e9gide da legisla\u00e7\u00e3o ambiental anterior, impondo-se, em todos esses cen\u00e1rios, a incid\u00eancia da novel legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, no caso concreto, n\u00e3o h\u00e1 como se furtar da estrita observ\u00e2ncia do comando exarado pelo Supremo Tribunal Federal no bojo da reclama\u00e7\u00e3o que deu origem ao presente julgamento, a fim de que seja negado provimento ao agravo em recurso especial manejado pelo Parquet estadual, mantendo-se as conclus\u00f5es exaradas pela inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria quanto \u00e0 plena aplicabilidade do art. 15 do C\u00f3digo Florestal de 2012 e \u00e0 possibilidade de c\u00f4mputo das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente no c\u00e1lculo do percentual da reserva legal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-trancamento-da-acao-penal-por-atipicidade-e-responsabilizacao-civil-ambiental\" class=\"wp-block-heading\">7. TRANCAMENTO DA A\u00c7\u00c3O PENAL POR ATIPICIDADE E RESPONSABILIZA\u00c7\u00c3O CIVIL AMBIENTAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reconhecimento de aus\u00eancia de justa causa para o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o penal, por atipicidade da conduta, <strong>n\u00e3o impede o prosseguimento de demanda civil para apura\u00e7\u00e3o de responsabilidade ambiental<\/strong>, dada a independ\u00eancia das inst\u00e2ncias e a natureza objetiva da responsabilidade civil pelo dano ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AREsp 2.328.127-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica intentando condenar solidariamente os respons\u00e1veis pelos danos ambientais decorrentes do rompimento de uma barragem de rejeitos. Dona Florinda, s\u00f3cia e diretora de uma das empresas envolvidas, sustentou sua ilegitimidade passiva: o STJ havia trancado a a\u00e7\u00e3o penal movida contra ela pelos mesmos fatos, por atipicidade da conduta. O dano ambiental era incontroverso. O trancamento penal repercute na esfera civil?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 225, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (as condutas lesivas ao meio ambiente sujeitam os infratores a san\u00e7\u00f5es penais e administrativas, independentemente da obriga\u00e7\u00e3o de reparar os danos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.938\/1981, art. 14, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (o poluidor \u00e9 obrigado, independentemente da exist\u00eancia de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A Constitui\u00e7\u00e3o separa expressamente as esferas: as san\u00e7\u00f5es penais e administrativas incidem independentemente da obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano (art. 225, \u00a7 3\u00ba). A responsabilidade civil ambiental \u00e9 objetiva e adota a teoria do risco integral, bastando a conduta lesiva, o dano e o nexo causal \u2014 dispensada a investiga\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Por isso, o trancamento da a\u00e7\u00e3o penal por atipicidade n\u00e3o vincula o ju\u00edzo c\u00edvel: a atipicidade diz respeito ao enquadramento penal da conduta, ao passo que a responsabilidade civil ambiental prescinde de culpa e n\u00e3o admite excludentes. Todos os sujeitos que concorreram para a ofensa ao bem transindividual podem ser chamados a integrar a lide, em prol da repara\u00e7\u00e3o integral (<em>restitutio in integrum<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Constitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 separa os planos de responsabiliza\u00e7\u00e3o. <strong>O art. 225, \u00a7 3\u00ba, submete os infratores a san\u00e7\u00f5es penais e administrativas independentemente da obriga\u00e7\u00e3o de reparar os danos causados<\/strong>; a repara\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia da condena\u00e7\u00e3o criminal, mas dever aut\u00f4nomo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A responsabilidade civil ambiental dispensa o elemento subjetivo. <strong>Nos termos do art. 14, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 6.938\/1981, o poluidor \u00e9 obrigado a reparar o dano independentemente da exist\u00eancia de culpa, bastando a conduta lesiva, o dano e o nexo causal<\/strong>; adota-se a teoria do risco integral, vedadas as excludentes de responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A atipicidade penal, portanto, n\u00e3o repercute nessa apura\u00e7\u00e3o. <strong>O trancamento da a\u00e7\u00e3o penal por aus\u00eancia de justa causa n\u00e3o impede o prosseguimento da demanda civil, pois a atipicidade concerne ao enquadramento criminal da conduta, n\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia do dano e do nexo<\/strong>; as inst\u00e2ncias s\u00e3o independentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A l\u00f3gica da repara\u00e7\u00e3o integral refor\u00e7a a legitimidade passiva. <strong>Todos os sujeitos que concorreram para a ofensa ao bem transindividual podem ser chamados a integrar a lide, <\/strong>de modo a permitir a repara\u00e7\u00e3o integral (<em>restitutio in integrum<\/em>) das les\u00f5es ao meio ambiente; a condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cia\/diretora n\u00e3o \u00e9 afastada pelo desfecho penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao reflexo, na a\u00e7\u00e3o civil ambiental, do trancamento da a\u00e7\u00e3o penal por atipicidade da conduta, pelos mesmos fatos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) acarreta a extin\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) n\u00e3o impede o prosseguimento da demanda civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) transfere ao autor o \u00f4nus de provar a culpa do r\u00e9u na causa\u00e7\u00e3o do dano ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) afasta a legitimidade passiva do s\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) suspende a a\u00e7\u00e3o civil at\u00e9 que sobrevenha nova capitula\u00e7\u00e3o penal dos mesmos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 vincula\u00e7\u00e3o: o art. 225, \u00a7 3\u00ba, da CF submete o infrator \u00e0s san\u00e7\u00f5es penais independentemente da obriga\u00e7\u00e3o de reparar, e as inst\u00e2ncias s\u00e3o aut\u00f4nomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A atipicidade penal n\u00e3o impede a demanda civil: a responsabilidade civil ambiental \u00e9 objetiva e adota o risco integral (Lei n. 6.938\/1981, art. 14, \u00a7 1\u00ba), bastando conduta, dano e nexo, sem exame de culpa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A responsabilidade \u00e9 objetiva: n\u00e3o se transfere ao autor o \u00f4nus de provar culpa, elemento dispensado na repara\u00e7\u00e3o do dano ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A legitimidade passiva n\u00e3o depende de condena\u00e7\u00e3o criminal; todos os que concorreram para a les\u00e3o podem ser chamados a reparar integralmente o dano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A a\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o se suspende \u00e0 espera de desfecho penal; a independ\u00eancia das inst\u00e2ncias autoriza seu prosseguimento imediato.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No m\u00e9rito, os autos tratam de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que objetiva a condena\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria dos demandados ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o pelos danos ambientais provenientes do rompimento de barragem de rejeitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, incontroversa a exist\u00eancia do dano ambiental, a tese recursal versa sobre a responsabilidade da recorrente pelo evento danoso (ilegitimidade passiva), na condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cia\/diretora de umas das pessoas jur\u00eddicas, tendo em vista decis\u00e3o proferida pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a que determinou o trancamento da a\u00e7\u00e3o penal pelos mesmos fatos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, de acordo com o art. 225, 3, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, &#8220;as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitar\u00e3o os infratores, pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas, a san\u00e7\u00f5es penais e administrativas, independentemente da obriga\u00e7\u00e3o de reparar os danos causados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos moldes do art. 14, 1, da Lei n. 6.938\/1981, que disp\u00f5e sobre a Pol\u00edtica Nacional do Meio Ambiente, &#8220;[&#8230;] \u00e9 o poluidor obrigado, independentemente da exist\u00eancia de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais preceitos adotam a teoria do risco integral e o princ\u00edpio da restitutio in integrum dos danos ambientais, viabilizando, portanto, que todos os sujeitos respons\u00e1veis pela causa\u00e7\u00e3o de ofensas ao bem jur\u00eddico transindividual, independentemente da presen\u00e7a de culpa, sejam chamados a integrar a lide, de modo a permitir a repara\u00e7\u00e3o integral de todas as les\u00f5es causadas ao meio ambiente, vedando-se, ademais, a invoca\u00e7\u00e3o de excludentes de responsabilidade. Para tanto, a responsabiliza\u00e7\u00e3o civil ambiental \u00e9 de natureza objetiva, demandando, t\u00e3o somente, constata\u00e7\u00e3o de conduta lesiva, do dano e o do nexo causal entre ambos, dispensando averigua\u00e7\u00f5es acerca do elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse ponto, a constata\u00e7\u00e3o de les\u00e3o ecol\u00f3gica deve ser apreciada de maneira objetiva e tomando por par\u00e2metro avalia\u00e7\u00e3o conjuntural de a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es singulares, sendo presumido o dano sempre que as condutas il\u00edcitas, consideradas em sua totalidade, afetem processos ou padr\u00f5es ecol\u00f3gicos detentores de especial prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, evidenciando, assim, o nexo de causalidade a a\u00e7\u00e3o\/omiss\u00e3o e o dano ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A seu turno, de acordo com os arts. 66 do C\u00f3digo de<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais dispositivos consagram, no direito brasileiro, o princ\u00edpio da relativa independ\u00eancia entre as inst\u00e2ncias civil e penal, possibilitando apura\u00e7\u00f5es distintas no \u00e2mbito de cada esfera de responsabilidade, excepcionada a preval\u00eancia da jurisdi\u00e7\u00e3o criminal quanto \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica acerca da inocorr\u00eancia da conduta ou quando peremptoriamente afastada contribui\u00e7\u00e3o do agente para sua pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, afora a hip\u00f3tese de senten\u00e7a penal na qual apontada a n\u00e3o ocorr\u00eancia material da conduta ou irrefutavelmente afastada a respectiva autoria, n\u00e3o h\u00e1 impedimento \u00e0 continuidade de apura\u00e7\u00f5es sobre os mesmos fatos em \u00e2mbito civil, ainda que obstada a responsabilidade criminal, a exemplo das seguintes situa\u00e7\u00f5es: i) reconhecimento da atipicidade penal; ii) aus\u00eancia de provas da exist\u00eancia do fato ou de ter o agente concorrido para sua eclos\u00e3o; e iii) insufici\u00eancia de provas para o ju\u00edzo condenat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, destaco a orienta\u00e7\u00e3o da Segunda Turma desta Corte no sentido de que, &#8220;[&#8230;] para o fim de apura\u00e7\u00e3o do nexo de causalidade no dano ambiental, equiparam-se quem faz, quem n\u00e3o faz quando deveria fazer, quem deixa fazer, quem n\u00e3o se importa que fa\u00e7am, quem financia para que fa\u00e7am, e quem se beneficia quando outros fazem&#8221; (REsp 650.728-SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2\/12\/2009), conferindo, portanto, perspectiva ampliada \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, a qual pode ser verificada entre quaisquer condutas ativas ou omissivas das quais resultem em les\u00e3o ao meio ambiente, praticadas por todos os sujeitos da respectiva cadeia causal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Anoto, ainda, o entendimento vinculante exarado pela Primeira Se\u00e7\u00e3o desta Corte, consoante o qual a les\u00e3o ambiental det\u00e9m natureza propter rem e objetiva, viabilizando, portanto, o acionamento de quaisquer dos sujeitos integrantes da cadeia dominial, isolada ou cumulativamente, somente sendo poss\u00edvel ao anterior propriet\u00e1rio exonerar-se do dever de indenizar se comprovar n\u00e3o ter concorrido para o resultado (Tema Repetitivo n. 1.204, lesivo, direta ou indiretamente REsp 1.962.089-MS, Relatora Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 13\/9\/2023, DJe 26\/9\/2023). Na mesma linha, pontuo a recente diretriz hermen\u00eautica abra\u00e7ada por esta Primeira Turma relativamente \u00e0 aferi\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o causal de infratores ambientais, levando-se em conta, sobretudo, a perspectiva cumulativa de a\u00e7\u00f5es individuais, ocasi\u00e3o na qual consignei que, &#8220;[&#8230;] dada a magnitude da macro les\u00e3o ambiental oriunda de a\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es praticadas por diversos sujeitos \u2014 as quais, a t\u00edtulo de concausas, qualificam-se como conditio sine qua non da ofensa ecol\u00f3gica em sentido amplo -, imp\u00f5e-se reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o causal de todos aqueles que, por conduta pr\u00f3pria, direta ou indiretamente, praticam m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es sin\u00e9rgicas deflagradoras de uma \u00fanica, intoler\u00e1vel e injusta les\u00e3o ao bioma Floresta Amaz\u00f4nica, os quais, consequentemente, s\u00e3o correspons\u00e1veis pelo pagamento de compensa\u00e7\u00e3o financeira em virtude de dano extrapatrimonial ao meio ambiente, modulando-se, no entanto, o quantum luz de cada situa\u00e7\u00e3o concreta&#8221; (REsp 2.200.069-MT, Primeira Turma, julgado em 13\/5\/2025, DJEN 21\/5\/2025). Diante dessas considera\u00e7\u00f5es, imputou-se ao Grupo Matarazzo e \u00e0 recorrente a responsabilidade civil ambiental, pois foram respons\u00e1veis pela contrata\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o da Barragem, assumindo, em consequ\u00eancia, o dever de garantir a integridade f\u00edsica de sua estrutura, especialmente por n\u00e3o terem adotado as medidas necess\u00e1rias ao esvaziamento do reservat\u00f3rio enquanto o bem ainda lhe pertencia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em suas raz\u00f5es recursais, a recorrente suscita que a decis\u00e3o proferida no HC n. 94.543\/RJ deve necessariamente repercutir sobre a presente A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, argumentando ser indevida sua condena\u00e7\u00e3o ao dever de reparar os danos causados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, descabe atribuir ao ac\u00f3rd\u00e3o prolatado pela Quinta Turma desta Corte no HC n. 94.543\/RJ o efeito de interditar an\u00e1lise da responsabilidade civil ambiental da Recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque, embora, naquela ocasi\u00e3o, estivessem sob an\u00e1lise os mesmos fatos il\u00edcitos que deram origem \u00e0 presente demanda, n\u00e3o houve reconhecimento da inocorr\u00eancia material do fato, tampouco perempt\u00f3rio afastamento da autoria delitiva, \u00fanicos fundamentos da decis\u00e3o criminal cujos efeitos necessariamente se irradiam para a \u00f3rbita civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Quinta Turma reconheceu a aus\u00eancia de justa causa para o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o penal em face da atipicidade da conduta, elemento que, como sabido, n\u00e3o impede prosseguimento de demanda civil para apura\u00e7\u00e3o de responsabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que, na ocasi\u00e3o, o Sr. Ministro Arnaldo Esteves Lima asseverou n\u00e3o haver d\u00favidas acerca da responsabiliza\u00e7\u00e3o dos diretores em raz\u00e3o de se omitirem no dever de &#8220;[&#8230;] desativar o reservat\u00f3rio que deu causa \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o e ao desastre ambiental&#8221;, pelo que assumiram o risco da ocorr\u00eancia do resultado lesivo a bem jur\u00eddico transindividual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, malgrado o ac\u00f3rd\u00e3o prolatado no HC n. 94.543\/RJ, ancorando-se na aus\u00eancia do poder de agir \u2014 elemento inerente \u00e0 estrutura t\u00edpica dos delitos omissivos impr\u00f3prios, \u00e0 vista do art. 13, 2, do C\u00f3digo Penal -, tenha afastado a responsabiliza\u00e7\u00e3o penal da Recorrente pelo descumprimento do dever de evitar a trag\u00e9dia passados 9 (nove) anos da transfer\u00eancia da propriedade, tal circunst\u00e2ncia n\u00e3o produz o efeito de interditar, ipso facto, cogni\u00e7\u00e3o na esfera c\u00edvel, porquanto, a par de a decis\u00e3o criminal expressamente se fundar na atipicidade material da conduta, a amplitude da averigua\u00e7\u00e3o do nexo causal entre a a\u00e7\u00e3o\/omiss\u00e3o lesiva e o evento danoso possui contornos pr\u00f3prios na esfera ambiental. Nessa toada, tendo o tribunal de origem reconhecido a responsabilidade civil ambiental da recorrente, n\u00e3o h\u00e1 reparos a fazer no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, o qual, ali\u00e1s, est\u00e1 afinado ao entendimento vinculante da Primeira Se\u00e7\u00e3o desta Corte no Tema n. 1.204, segundo o qual a transmiss\u00e3o de propriedade, por si s\u00f3, n\u00e3o afasta a responsabilidade do alienante pelo dever de indenizar os danos ambientais, o que somente ocorre se restar provado n\u00e3o ter concorrido para o resultado lesivo, direta ou indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-licenca-ambiental-unica-estadual-e-poder-fiscalizatorio-do-sisnama\" class=\"wp-block-heading\">8. LICEN\u00c7A AMBIENTAL \u00daNICA ESTADUAL E PODER FISCALIZAT\u00d3RIO DO SISNAMA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exist\u00eancia de Licen\u00e7a Ambiental \u00danica, emitida por \u00f3rg\u00e3o estadual, <strong>n\u00e3o obsta, por si s\u00f3, a atua\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria dos demais \u00f3rg\u00e3os ambientais integrantes do SISNAMA<\/strong>, pois a compet\u00eancia para licenciar n\u00e3o se confunde com o poder de fiscalizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.971.073-MT, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Agropecu\u00e1ria Cerrado Verde exercia atividade amparada em Licen\u00e7a Ambiental \u00danica (LAU) concedida pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental estadual. O IBAMA, ao fiscalizar a \u00e1rea, lavrou auto de infra\u00e7\u00e3o e embargou a atividade. A empresa impetrou mandado de seguran\u00e7a, e o Tribunal de origem acolheu sua tese: enquanto n\u00e3o anulada a licen\u00e7a estadual, a autarquia federal n\u00e3o poderia embargar. O IBAMA depende da pr\u00e9via anula\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a estadual para fiscalizar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 23, VI e VII<\/strong><em> (compet\u00eancia material comum da Uni\u00e3o, dos Estados, do DF e dos Munic\u00edpios para proteger o meio ambiente e preservar as florestas e a flora).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n. 140\/2011, art. 17<\/strong><em> (regulamenta\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia comum; atribui\u00e7\u00f5es de licenciamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A prote\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 compet\u00eancia material comum de todos os entes (CF, art. 23, VI e VII). \u00c9 \u00e0 luz desse comando que se interpreta o art. 17 da LC n. 140\/2011: a atribui\u00e7\u00e3o de licenciar a um ente n\u00e3o exclui, necessariamente, o poder de fiscalizar dos demais \u00f3rg\u00e3os do SISNAMA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Compet\u00eancia para licenciar e poder de fiscalizar s\u00e3o coisas distintas. Por isso, condicionar a atua\u00e7\u00e3o do IBAMA \u00e0 pr\u00e9via anula\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a estadual inverte a l\u00f3gica do sistema: a licen\u00e7a emitida pelo Estado n\u00e3o imuniza a atividade contra a fiscaliza\u00e7\u00e3o federal nem exige, como pressuposto do auto de infra\u00e7\u00e3o e do embargo, a desconstitui\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do ato estadual de licenciamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente \u00e9 tarefa de todos os entes, por comando constitucional. <strong>Os incisos VI e VII do art. 23 da CF estabelecem como compet\u00eancia material comum da Uni\u00e3o, dos Estados, do DF e dos Munic\u00edpios proteger o meio ambiente e preservar as florestas e a flora<\/strong>; \u00e9 \u00e0 luz desses preceitos que se l\u00ea a LC n. 140\/2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Licenciar e fiscalizar s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se confundem. <strong>A compet\u00eancia para licenciar n\u00e3o se confunde com o poder fiscalizat\u00f3rio dos demais \u00f3rg\u00e3os ambientais integrantes do SISNAMA<\/strong>; a reparti\u00e7\u00e3o da atribui\u00e7\u00e3o de licenciamento n\u00e3o reparte, na mesma medida, o dever de fiscalizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Se a compet\u00eancia de um ente para licenciar n\u00e3o exclui a de outro para fiscalizar, o racioc\u00ednio do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido n\u00e3o se sustenta. <strong>\u00c9 equivocada a conclus\u00e3o de que a exist\u00eancia de Licen\u00e7a Ambiental \u00danica emitida por Estado obstaria, por si s\u00f3, a atua\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria da autarquia federal<\/strong>; o ato estadual n\u00e3o imuniza a atividade contra o controle dos demais \u00f3rg\u00e3os do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da\u00ed n\u00e3o se exigir a pr\u00e9via anula\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a como pressuposto do auto de infra\u00e7\u00e3o. <strong>Condicionar a fiscaliza\u00e7\u00e3o do IBAMA \u00e0 anula\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da licen\u00e7a expedida pelo \u00f3rg\u00e3o estadual esvaziaria o poder de pol\u00edcia ambiental federal<\/strong>; o auto de infra\u00e7\u00e3o e o embargo podem ser lavrados independentemente da desconstitui\u00e7\u00e3o do ato de licenciamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 atua\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria do IBAMA sobre atividade amparada em Licen\u00e7a Ambiental \u00danica expedida pelo Estado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) depende da pr\u00e9via anula\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a estadual, sob pena de invas\u00e3o de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) restringe-se \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o da irregularidade ao \u00f3rg\u00e3o estadual licenciador competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 leg\u00edtima, pois a compet\u00eancia para licenciar n\u00e3o se confunde com o poder de fiscalizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) pressup\u00f5e conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o firmado entre a autarquia federal e o Estado licenciador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) configura bis in idem, por sujeitar a atividade a duplo controle ambiental sobre o mesmo fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. N\u00e3o se exige anula\u00e7\u00e3o pr\u00e9via: a licen\u00e7a estadual n\u00e3o imuniza a atividade contra a fiscaliza\u00e7\u00e3o federal, pois licenciar e fiscalizar s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O IBAMA n\u00e3o fica reduzido a comunicar o Estado: pode lavrar auto de infra\u00e7\u00e3o e embargar a atividade, no exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> A prote\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 compet\u00eancia material comum (CF, art. 23, VI e VII), e a compet\u00eancia para licenciar n\u00e3o se confunde com o poder fiscalizat\u00f3rio dos demais \u00f3rg\u00e3os do SISNAMA; a Licen\u00e7a Ambiental \u00danica estadual n\u00e3o obsta, por si s\u00f3, a atua\u00e7\u00e3o do IBAMA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O poder de fiscalizar decorre da compet\u00eancia comum constitucional, n\u00e3o de conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o com o ente licenciador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 bis in idem: o licenciamento e a fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o atividades diversas, e a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os do SISNAMA \u00e9 complementar, n\u00e3o duplicada.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se a atua\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria do Ibama, com lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o e de realiza\u00e7\u00e3o de embargo a atividade, dependeria da pr\u00e9via anula\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a ambiental anteriormente concedida por Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, foi impetrado mandado de seguran\u00e7a com o objetivo de invalidar a lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o e o embargo pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), no qual a parte autora alegou que a sua atividade agropecu\u00e1ria estava amparada em Licen\u00e7a Ambiental \u00danica (LAU) concedida pelo \u00f3rg\u00e3o estadual ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o jur\u00eddica formulada pela parte, qual seja, a legitimidade da fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama sobre \u00e1reas licenciadas pelos Estados, foi decidida pelo Tribunal de origem no sentido de que enquanto n\u00e3o houvesse sido anulado o ato estadual de licenciamento, n\u00e3o poderia o Ibama embargar as atividades realizadas na respectiva \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, ao condicionar a atua\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria da autarquia federal \u00e0 anula\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a expedida pelo \u00f3rg\u00e3o estadual, o Tribunal de origem divergiu de entendimento adotado em julgados do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, segundo o qual &#8220;[a] compet\u00eancia para licenciar n\u00e3o se confunde com o poder fiscalizat\u00f3rio dos demais \u00f3rg\u00e3os ambientais integrantes do SISNAMA&#8221; (REsp 1.307.317\/SC, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27\/8\/2013, DJe de 23\/10\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, essa orienta\u00e7\u00e3o encontra fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que estabelecem, como compet\u00eancia material comum da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a preserva\u00e7\u00e3o das florestas e da flora. \u00c9 a luz desses preceitos que se deve interpretar o art. 17 da Lei Complementar 140\/2011, que regulamentou a compet\u00eancia comum constitucionalmente definida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, se a compet\u00eancia de um ente federativo para licenciar n\u00e3o exclui, necessariamente, a compet\u00eancia do outro para fiscalizar, est\u00e1 errada a conclus\u00e3o do Tribunal de origem de que a exist\u00eancia da Licen\u00e7a Ambiental \u00danica, emitida por Estado, obstaria, por si s\u00f3, a atua\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria da autarquia federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-auxilio-reclusao-e-divisor-fixo-na-apuracao-da-renda-do-segurado-de-baixa-renda\" class=\"wp-block-heading\">9. AUX\u00cdLIO-RECLUS\u00c3O E DIVISOR FIXO NA APURA\u00c7\u00c3O DA RENDA DO SEGURADO DE BAIXA RENDA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A condi\u00e7\u00e3o de segurado de baixa renda, para a concess\u00e3o do aux\u00edlio-reclus\u00e3o aos dependentes, apura-se pela m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o dos doze meses anteriores ao recolhimento \u00e0 pris\u00e3o, <strong>utilizando-se o divisor fixo de doze<\/strong>, ainda que existam, no per\u00edodo, compet\u00eancias sem sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho \u00e9 dependente Creosvaldo, segurado recolhido \u00e0 pris\u00e3o. Nos doze meses anteriores \u00e0 pris\u00e3o, Creosvaldo teve algumas compet\u00eancias sem sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o \u2014 meses em que nada recebeu. Para aferir se ele era segurado de baixa renda (requisito do aux\u00edlio-reclus\u00e3o), o INSS somou os sal\u00e1rios existentes e dividiu apenas pelo n\u00famero de meses efetivamente contribu\u00eddos, elevando a m\u00e9dia e afastando o benef\u00edcio. Os dependentes sustentaram que o divisor deveria ser 12, o per\u00edodo fixado em lei. Qual divisor se aplica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.213\/1991, art. 80, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (segurado de baixa renda: aquele cuja renda, no m\u00eas do recolhimento \u00e0 pris\u00e3o, seja igual ou inferior ao limite do art. 13 da EC n. 20\/1998, corrigido).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.213\/1991, art. 80, \u00a7 4\u00ba (MP n. 871\/2019, convertida na Lei n. 13.846\/2019)<\/strong><em> (aferi\u00e7\u00e3o da renda mensal bruta pela m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o apurados no per\u00edodo de doze meses anteriores ao m\u00eas do recolhimento \u00e0 pris\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A norma fixa tr\u00eas elementos do c\u00e1lculo: um per\u00edodo b\u00e1sico (&#8216;per\u00edodo de doze meses&#8217;); os fatores do somat\u00f3rio (&#8216;sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o apurados&#8217;, isto \u00e9, os efetivamente existentes); e uma m\u00e9dia aritm\u00e9tica simples \u2014 soma dividida por um divisor. A controv\u00e9rsia recai apenas sobre esse divisor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A interpreta\u00e7\u00e3o literal, teleol\u00f3gica e sistem\u00e1tica conduz ao divisor fixo de doze: \u00e9 o per\u00edodo b\u00e1sico de c\u00e1lculo que a pr\u00f3pria lei estabeleceu. Usar divisor vari\u00e1vel, correspondente apenas aos meses com contribui\u00e7\u00e3o, elevaria artificialmente a m\u00e9dia e restringiria o acesso ao benef\u00edcio justamente de quem teve intermit\u00eancia de renda \u2014 resultado incompat\u00edvel com a prote\u00e7\u00e3o social que o aux\u00edlio-reclus\u00e3o persegue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O texto legal fornece a estrutura do c\u00e1lculo. <strong>A norma estabelece um per\u00edodo b\u00e1sico de doze meses, manda somar os sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o efetivamente apurados e determina uma m\u00e9dia aritm\u00e9tica simples<\/strong> \u2014 soma dividida por um divisor. O que se discute \u00e9 qual \u00e9 esse divisor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A diverg\u00eancia tem consequ\u00eancia pr\u00e1tica direta. <strong>Os dependentes sustentam divisor 12, correspondente ao per\u00edodo fixado em lei; a autarquia defende n\u00famero vari\u00e1vel, conforme a quantidade de sal\u00e1rios efetivamente recebidos nos doze meses anteriores \u00e0 pris\u00e3o<\/strong>; quanto menor o divisor, maior a m\u00e9dia \u2014 e menor a chance de enquadramento como baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A literalidade favorece o divisor fixo. <strong>Quando a lei fixa &#8216;o per\u00edodo de doze meses&#8217; como base de c\u00e1lculo, \u00e9 esse o par\u00e2metro do divisor; os &#8216;sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o apurados&#8217; definem o que se soma, n\u00e3o por quanto se divide<\/strong>; confundir os dois planos \u00e9 reescrever a norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A leitura teleol\u00f3gica confirma o resultado. <strong>Adotar divisor vari\u00e1vel elevaria artificialmente a renda m\u00e9dia e excluiria do benef\u00edcio justamente o segurado com v\u00ednculos intermitentes, contrariando a prote\u00e7\u00e3o social que orienta a Seguridade<\/strong>; a m\u00e9dia deve refletir a realidade dos doze meses, inclusive os de aus\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao divisor da m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o, na aferi\u00e7\u00e3o da baixa renda para o aux\u00edlio-reclus\u00e3o, havendo meses sem contribui\u00e7\u00e3o no per\u00edodo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) corresponde ao n\u00famero de compet\u00eancias efetivamente contribu\u00eddas no per\u00edodo de doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00e9 fixo em doze, ainda que existam compet\u00eancias sem sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) varia conforme o n\u00famero de meses trabalhados nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) toma por base os \u00faltimos trinta e seis meses, per\u00edodo contributivo m\u00ednimo do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) desconsidera a m\u00e9dia, bastando a renda do m\u00eas do recolhimento \u00e0 pris\u00e3o para o enquadramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O n\u00famero de compet\u00eancias contribu\u00eddas define o que se soma, n\u00e3o o divisor; adot\u00e1-lo elevaria artificialmente a m\u00e9dia e restringiria o benef\u00edcio de quem teve renda intermitente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A lei fixa o per\u00edodo b\u00e1sico de doze meses (art. 80, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 8.213\/1991), que serve de divisor da m\u00e9dia aritm\u00e9tica simples; o divisor \u00e9 fixo em doze, ainda que haja compet\u00eancias sem sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Desprezar as compet\u00eancias sem recolhimento no divisor equivale a adotar divisor vari\u00e1vel, tese afastada por elevar a m\u00e9dia e contrariar a finalidade protetiva do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O per\u00edodo legal de apura\u00e7\u00e3o \u00e9 de doze meses anteriores ao recolhimento \u00e0 pris\u00e3o, n\u00e3o de trinta e seis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A lei exige a m\u00e9dia dos doze meses (art. 80, \u00a7 4\u00ba); a renda do m\u00eas da pris\u00e3o, isolada, n\u00e3o substitui esse c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A presente controv\u00e9rsia cinge-se a definir qual o divisor a ser utilizado no c\u00e1lculo para aferir a condi\u00e7\u00e3o de segurado de baixa renda e consequente concess\u00e3o do aux\u00edlio-reclus\u00e3o aos dependentes quando, no per\u00edodo de doze meses anteriores ao recolhimento \u00e0 pris\u00e3o, existem compet\u00eancias sem sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os dependentes do segurado encarcerado defendem que o divisor deve ser 12, correspondente ao per\u00edodo fixado em lei, enquanto a autarquia sustenta que deve ser um n\u00famero vari\u00e1vel, de acordo com a quantidade de sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o efetivamente recebidos pelo segurado nos doze meses anteriores \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o em lit\u00edgio perpassa por uma an\u00e1lise sistem\u00e1tica, baseada na interpreta\u00e7\u00e3o literal, teleol\u00f3gica e \u00e0 luz dos princ\u00edpios que regem a Seguridade Social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir da edi\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 871\/2019, convertida na Lei n. 13.846\/2019, o legislador incluiu os 3 e 4 no art. 80 da Lei de Benef\u00edcios para disciplinar quem \u00e9 o segurado de baixa renda e qual a forma de apura\u00e7\u00e3o da renda mensal bruta para seu enquadramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O 3 define como segurado de baixa renda aquele que, no m\u00eas de compet\u00eancia de recolhimento \u00e0 pris\u00e3o, tenha renda de valor igual ou inferior \u00e0quela prevista no art. 13 da Emenda Constitucional n. 20\/1998, corrigido pelos \u00edndices de reajuste aplicados aos benef\u00edcios do RGPS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 o 4 estabelece que a aferi\u00e7\u00e3o da renda mensal bruta para enquadramento do segurado como de baixa renda ocorrer\u00e1 pela m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o apurados no per\u00edodo de doze meses anteriores ao m\u00eas do recolhimento \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob o prisma da interpreta\u00e7\u00e3o literal, a norma previdenci\u00e1ria estabelece algumas premissas importantes para a estrutura do c\u00e1lculo: (i) um per\u00edodo b\u00e1sico de c\u00e1lculo, ou seja, &#8220;per\u00edodo de 12 meses&#8221;; (ii) os fatores a serem considerados no somat\u00f3rio, pois quando a lei diz &#8220;sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o apurados&#8221;, est\u00e1 a indicar que s\u00e3o aqueles efetivamente existentes; e (iii) a m\u00e9dia aritm\u00e9tica simples, obtida pela soma dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o dividida por um n\u00famero (divisor).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir do que disp\u00f5e o pr\u00f3prio texto da norma legal, depreende-se que o c\u00e1lculo deve ser apurado pelo somat\u00f3rio de todos os sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o do segurado no per\u00edodo de doze meses aplicados a um divisor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o controvertida \u00e9 saber se o divisor seria fixo (12) ou vari\u00e1vel (a depender da quantidade de meses de remunera\u00e7\u00e3o recebida pelo segurado).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ado\u00e7\u00e3o de um divisor fixo correspondente ao per\u00edodo que o pr\u00f3prio legislador elegeu (12) \u00e9 mais condizente com a finalidade de alcan\u00e7ar o segurado de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quem obteve renda menos vezes ao longo de um ano, seja porque estava desempregado, por ser trabalhador tempor\u00e1rio, ou ainda, por estar na informalidade, demonstra estar numa situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, compat\u00edvel com a exig\u00eancia constitucional de ser &#8220;segurado de baixa renda&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exist\u00eancia de renda intermitente \u00e9 uma realidade social t\u00edpica de trabalhadores de baixa renda, por isso a aus\u00eancia de remunera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de c\u00e1lculo deve ser interpretada de forma mais favor\u00e1vel ao segurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ado\u00e7\u00e3o de um divisor vari\u00e1vel, como defende a autarquia, inverteria a l\u00f3gica da prote\u00e7\u00e3o que deu ensejo \u00e0 altera\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica do crit\u00e9rio de baixa renda busca direcionar os recursos da Seguridade Social para fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade econ\u00f4mica e social, em conformidade com os princ\u00edpios da solidariedade, universalidade da cobertura e prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o aux\u00edlio-reclus\u00e3o concretiza o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, impedindo que crian\u00e7as, idosos e outros dependentes sejam lan\u00e7ados \u00e0 mis\u00e9ria em decorr\u00eancia da pris\u00e3o do segurado, garantindo-lhes meios m\u00ednimos de subsist\u00eancia e preservando a coes\u00e3o do n\u00facleo familiar durante o per\u00edodo de reclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a ado\u00e7\u00e3o do divisor 12, no c\u00e1lculo do crit\u00e9rio de apura\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de segurado de baixa renda para a concess\u00e3o de aux\u00edlio-reclus\u00e3o aos dependentes, mostra-se razo\u00e1vel e coerente do ponto de vista sist\u00eamico, pois previne distor\u00e7\u00f5es e n\u00e3o quebra a l\u00f3gica protetiva do sistema previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-juros-de-mora-e-correcao-monetaria-como-materia-de-ordem-publica\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; JUROS DE MORA E CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA COMO MAT\u00c9RIA DE ORDEM P\u00daBLICA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os juros morat\u00f3rios e a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, por constitu\u00edrem mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, <strong>podem ser apreciados de of\u00edcio pelo magistrado<\/strong>, independentemente de pedido ou recurso da parte, e a modifica\u00e7\u00e3o de seus termos n\u00e3o caracteriza reformatio in pejus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AREsp 2.821.566-DF, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 22\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de valores, o Tribunal de origem, ao julgar a apela\u00e7\u00e3o, alterou os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria aplic\u00e1veis aos valores a restituir \u2014 tema que n\u00e3o havia sido devolvido nas raz\u00f5es recursais. A parte sustentou que o ac\u00f3rd\u00e3o teria extrapolado os limites do efeito devolutivo da apela\u00e7\u00e3o, incorrendo em julgamento extra petita e em reformatio in pejus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica<\/strong><em> (quest\u00f5es cognosc\u00edveis de of\u00edcio, a qualquer tempo e grau, independentemente de provoca\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>consect\u00e1rios legais da condena\u00e7\u00e3o<\/strong><em> (juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria integram automaticamente a condena\u00e7\u00e3o, ainda que n\u00e3o pedidos expressamente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Juros morat\u00f3rios e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria s\u00e3o consect\u00e1rios legais da condena\u00e7\u00e3o: aderem a ela por for\u00e7a de lei, e n\u00e3o por for\u00e7a do pedido. Da\u00ed sua natureza de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, cognosc\u00edvel de of\u00edcio pelo magistrado, em qualquer tempo e grau de jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Por decorrerem da lei, sua fixa\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o configura julgamento extra petita nem reformatio in pejus, tampouco se sujeita \u00e0 preclus\u00e3o consumativa. O tribunal pode, portanto, ajustar \u00edndices e termos sem que a mat\u00e9ria tenha sido expressamente devolvida no recurso \u2014 o que n\u00e3o representa extrapola\u00e7\u00e3o do efeito devolutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A natureza jur\u00eddica desses encargos \u00e9 a chave da solu\u00e7\u00e3o. <strong>Juros de mora e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria s\u00e3o consect\u00e1rios legais da condena\u00e7\u00e3o: aderem a ela por for\u00e7a de lei, independentemente de pedido expresso da parte<\/strong>; n\u00e3o s\u00e3o vantagem que se pleiteia, mas efeito que a lei atribui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Dessa natureza decorre a cognoscibilidade de of\u00edcio. <strong>Por se tratar de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, juros e corre\u00e7\u00e3o podem ser apreciados de of\u00edcio pelo magistrado, independentemente de solicita\u00e7\u00e3o ou recurso da parte<\/strong>; a mat\u00e9ria pode ser alegada na inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria a qualquer tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 As obje\u00e7\u00f5es processuais habituais n\u00e3o se aplicam. <strong>A decis\u00e3o que fixa ou altera esses encargos n\u00e3o caracteriza julgamento extra petita nem conduz \u00e0 preclus\u00e3o consumativa, tampouco configura reformatio in pejus<\/strong>; o que a lei imp\u00f5e n\u00e3o depende do que a parte pediu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso, o Tribunal de origem n\u00e3o extrapolou o efeito devolutivo. <strong>Ao decidir sobre os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria aplic\u00e1veis aos valores a restituir, ainda que a mat\u00e9ria n\u00e3o constasse das raz\u00f5es recursais, agiu dentro dos limites de sua cogni\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 tratava-se de consect\u00e1rio legal, apreci\u00e1vel de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 altera\u00e7\u00e3o, pelo tribunal, dos \u00edndices de juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria n\u00e3o devolvidos nas raz\u00f5es da apela\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) extrapola o efeito devolutivo, configurando julgamento extra petita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) caracteriza reformatio in pejus, se agravar a situa\u00e7\u00e3o do recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00e9 admitida de of\u00edcio, por serem consect\u00e1rios legais e mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) submete-se \u00e0 preclus\u00e3o consumativa, se n\u00e3o impugnada na primeira oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) depende de recurso adesivo da parte contr\u00e1ria para ser conhecida em segundo grau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 extra petita: juros e corre\u00e7\u00e3o s\u00e3o consect\u00e1rios legais da condena\u00e7\u00e3o e aderem a ela por for\u00e7a de lei, independentemente de pedido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A modifica\u00e7\u00e3o de seus termos n\u00e3o configura reformatio in pejus, justamente por se tratar de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, cognosc\u00edvel de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> Juros morat\u00f3rios e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria s\u00e3o consect\u00e1rios legais e mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica: podem ser apreciados de of\u00edcio, a qualquer tempo e grau, sem que isso configure extra petita, reformatio in pejus ou preclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o se sujeitam \u00e0 preclus\u00e3o consumativa: a mat\u00e9ria pode ser alegada a qualquer tempo na inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria e conhecida de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O conhecimento independe de recurso adesivo ou de qualquer provoca\u00e7\u00e3o da parte, dada a natureza de ordem p\u00fablica da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em verificar se o Tribunal de origem ao decidir sobre os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria aplic\u00e1veis aos valores a serem restitu\u00eddos ultrapassou os limites do efeito devolutivo da apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a quest\u00e3o relativa aos juros morat\u00f3rios e \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, por se tratar de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, pode ser apreciada de of\u00edcio pelo magistrado, independentemente de solicita\u00e7\u00e3o ou recurso da parte, e a modifica\u00e7\u00e3o dos seus termos n\u00e3o caracteriza reformatio in pejus. Nesse sentido, &#8220;a aplica\u00e7\u00e3o de juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria pode ser alegada na inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de of\u00edcio. A decis\u00e3o nesse sentido n\u00e3o caracteriza julgamento extra petita, tampouco conduz \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancia de preclus\u00e3o consumativa, porquanto tais institutos s\u00e3o meros consect\u00e1rios legais da condena\u00e7\u00e3o&#8221; (AgInt no REsp 1.353.317\/RS, Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 9\/8\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-8e3a4805-9e4d-4cc2-a876-15784091b2f9\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/13090207\/stj_especial_28_parte1.pdf\">STJ_Especial_28_Parte1<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/07\/13090207\/stj_especial_28_parte1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download 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