{"id":1770073,"date":"2026-06-22T09:07:41","date_gmt":"2026-06-22T12:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1770073"},"modified":"2026-06-22T09:07:44","modified_gmt":"2026-06-22T12:07:44","slug":"informativo-stj-892-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-892-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 892 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/22090716\/stj_info_892.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_QXTYOGEOP14\"><div id=\"lyte_QXTYOGEOP14\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/QXTYOGEOP14\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/QXTYOGEOP14\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/QXTYOGEOP14\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"h-1-nbsp-nbsp-honorarios-em-execucao-fiscal-extinta-por-quitacao-antes-da-citacao\" class=\"wp-block-heading\">1.&nbsp;&nbsp; HONOR\u00c1RIOS EM EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL EXTINTA POR QUITA\u00c7\u00c3O ANTES DA CITA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em respeito ao princ\u00edpio da causalidade e do art. 85, \u00a7 10, do CPC, <strong>\u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do executado ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios em execu\u00e7\u00e3o fiscal extinta por perda superveniente do objeto, quando h\u00e1 quita\u00e7\u00e3o extrajudicial do d\u00e9bito ap\u00f3s o ajuizamento, ainda que antes da efetiva cita\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.215.141-PE, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2026 (Tema 1413).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o ajuizamento de execu\u00e7\u00e3o fiscal pela Fazenda P\u00fablica contra Seu Madruga, mas antes da cita\u00e7\u00e3o, ele procurou diretamente o Fisco e quitou o d\u00e9bito inscrito em d\u00edvida ativa. O ju\u00edzo extinguiu a execu\u00e7\u00e3o por perda superveniente do objeto. Havia diverg\u00eancia entre os Tribunais Regionais Federais sobre se o art. 9\u00ba do CPC, ao impedir decis\u00e3o contra a parte sem oitiva, obstaria a condena\u00e7\u00e3o do executado em honor\u00e1rios antes da cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 85, \u00a7 10<\/strong><em> (fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios nas causas em que n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o principal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 9\u00ba<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o contra a parte sem oitiva (regra procedimental)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 485, VI<\/strong><em> (extin\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito por perda do interesse processual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O princ\u00edpio da causalidade orienta a distribui\u00e7\u00e3o dos \u00f4nus sucumbenciais: paga as despesas e os honor\u00e1rios quem deu causa \u00e0 demanda, ainda que a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica processual n\u00e3o tenha se completado pela cita\u00e7\u00e3o. O Fisco, que ajuizou a execu\u00e7\u00e3o com base em d\u00e9bito vencido, n\u00e3o foi a parte que deu causa ao processo &#8211; a parte que provocou a movimenta\u00e7\u00e3o processual foi o devedor, ao deixar de pagar tempestivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O art. 9\u00ba do CPC (veda\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o contra a parte sem oitiva) \u00e9 regra procedimental que instrumentaliza o contradit\u00f3rio e a ampla defesa. N\u00e3o interfere no direito processual de fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios pelo crit\u00e9rio da causalidade &#8211; este opera no plano do <em>direito ao reembolso<\/em> pelo servi\u00e7o j\u00e1 prestado pelo procurador da Fazenda, que ajuizou a a\u00e7\u00e3o com base em d\u00e9bito inadimplido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o fiscal por pagamento administrativo do cr\u00e9dito antes da cita\u00e7\u00e3o configura <strong>extin\u00e7\u00e3o por perda de objeto, pela aus\u00eancia superveniente de interesse processual (CPC, art. 485, VI)<\/strong>. A pergunta seguinte \u00e9: quem suportar\u00e1 os honor\u00e1rios nessa hip\u00f3tese, em que sequer houve forma\u00e7\u00e3o completa da rela\u00e7\u00e3o processual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O princ\u00edpio da causalidade resolve a quest\u00e3o: <strong>paga as despesas e os honor\u00e1rios a parte que deu causa \u00e0 demanda, mesmo que a rela\u00e7\u00e3o processual n\u00e3o tenha sido formada<\/strong>. O autor da execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser prejudicado pelo exerc\u00edcio leg\u00edtimo de seu direito &#8211; propor a a\u00e7\u00e3o executiva de d\u00e9bito inscrito em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A obje\u00e7\u00e3o fundada no art. 9\u00ba do CPC (veda\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o contra parte n\u00e3o ouvida) n\u00e3o prospera. <strong>Trata-se de regra procedimental que instrumentaliza o contradit\u00f3rio e a ampla defesa; opera no plano dos atos decis\u00f3rios de m\u00e9rito, n\u00e3o na fixa\u00e7\u00e3o de \u00f4nus sucumbenciais por causalidade<\/strong>. O executado, ao quitar o d\u00e9bito ap\u00f3s o ajuizamento, demonstra o reconhecimento impl\u00edcito da proced\u00eancia da pretens\u00e3o executiva, dispensando o contradit\u00f3rio formal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A norma extra\u00edda do art. 85, \u00a7 10, do CPC &#8211; de fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios nas causas sem condena\u00e7\u00e3o principal &#8211; opera diretamente: <strong>o juiz fixa honor\u00e1rios consoante aprecia\u00e7\u00e3o equitativa, em respeito ao trabalho efetivamente desenvolvido pelo procurador<\/strong>. Aplica-se ao caso: a Fazenda ajuizou a a\u00e7\u00e3o, mobilizou recursos, distribuiu autos &#8211; faz jus \u00e0 contrapartida pelo servi\u00e7o prestado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a condena\u00e7\u00e3o do executado em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em execu\u00e7\u00e3o fiscal extinta por quita\u00e7\u00e3o extrajudicial do d\u00e9bito ap\u00f3s o ajuizamento:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 invi\u00e1vel, se ainda n\u00e3o houve cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, conforme art. 9\u00ba do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 invi\u00e1vel, pois a extin\u00e7\u00e3o por perda de objeto n\u00e3o comporta fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 cab\u00edvel apenas se o executado tiver sido previamente notificado da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 cab\u00edvel, em respeito ao princ\u00edpio da causalidade e do art. 85, \u00a7 10, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 cab\u00edvel, com observ\u00e2ncia do percentual de 10% sobre o valor da causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O art. 9\u00ba do CPC \u00e9 regra procedimental que instrumentaliza o contradit\u00f3rio; n\u00e3o afasta a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios por causalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O art. 85, \u00a7 10, do CPC disciplina expressamente a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios em causas sem condena\u00e7\u00e3o principal, hip\u00f3tese de extin\u00e7\u00e3o sem m\u00e9rito por perda de objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A causalidade prescinde de notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via; o que importa \u00e9 a circunst\u00e2ncia objetiva de o devedor ter dado causa \u00e0 execu\u00e7\u00e3o pelo inadimplemento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> O princ\u00edpio da causalidade orienta a distribui\u00e7\u00e3o dos \u00f4nus: paga quem deu causa \u00e0 demanda. O executado, ao deixar de pagar tempestivamente, provocou o ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o; sua quita\u00e7\u00e3o posterior n\u00e3o desonera dos honor\u00e1rios (Tema 1413\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Sem condena\u00e7\u00e3o principal (art. 85, \u00a7 10), os honor\u00e1rios seguem aprecia\u00e7\u00e3o equitativa do juiz.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do contribuinte ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios em a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal, quando h\u00e1 a quita\u00e7\u00e3o extrajudicial do d\u00e9bito ap\u00f3s o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o executiva, mas antes de sua efetiva cita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o fiscal de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, em que houve pagamento administrativo do cr\u00e9dito inscrito em d\u00edvida ativa antes da cita\u00e7\u00e3o, configura extin\u00e7\u00e3o por perda de objeto em raz\u00e3o da aus\u00eancia superveniente de interesse processual (art. 485, VI do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para essa hip\u00f3tese, \u00e9 do texto do art. 85, 10 do CPC que se extrai a norma a ser aplicada, responsabilizando-se a parte que deu causa ao processo executivo pelas verbas de sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa posi\u00e7\u00e3o decorre da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da causalidade, que &#8220;prev\u00ea o pagamento das despesas e dos honor\u00e1rios por aquele que der causa \u00e0 demanda, mesmo que a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica processual n\u00e3o tenha sido formada, pois o autor da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser prejudicado pelo exerc\u00edcio de direito leg\u00edtimo, que, no caso, \u00e9 a propositura da execu\u00e7\u00e3o fiscal. (REsp 1.592.755\/MG, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2\/9\/2016 e AgRg no AREsp 759.959\/SP, rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 28\/9\/2015)&#8221; (REsp n. 1.854.592\/SC, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 05\/03\/2020, DJe de 31\/08\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que n\u00e3o procede a alega\u00e7\u00e3o acerca de que a norma extra\u00edda do texto do art. 9 do CPC impede a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios em desfavor da parte executada ainda n\u00e3o citada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tratando-se de regra procedimental que instrumentaliza a garantia ao contradit\u00f3rio e \u00e0 ampla defesa, ela n\u00e3o interfere no direito processual de fixa\u00e7\u00e3o, pelo princ\u00edpio da causalidade, dos honor\u00e1rios em desfavor da parte que deu causa \u00e0 execu\u00e7\u00e3o ainda que n\u00e3o tenha sido citada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1369\/STJ: &#8220;Em respeito ao princ\u00edpio da causalidade e da norma extra\u00edda do texto do art. 85, 10 do CPC\/2015, \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do executado ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios em a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal extinta por perda superveniente do objeto, quando h\u00e1 a quita\u00e7\u00e3o extrajudicial do d\u00e9bito ap\u00f3s o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o executiva, ainda que antes da efetiva cita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-2-nbsp-icms-difal-em-operacoes-com-contribuinte-antes-da-lc-190-2022\" class=\"wp-block-heading\">2.&nbsp; ICMS-DIFAL EM OPERA\u00c7\u00d5ES COM CONTRIBUINTE ANTES DA LC 190\/2022<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lei Complementar n\u00ba 87\/1996 (Lei Kandir) disciplina de forma suficiente a cobran\u00e7a de ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte do imposto <strong>antes da entrada em vigor da Lei Complementar n\u00ba 190\/2022<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.133.933-DF, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2026 (Tema 1369).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vendetudo Atacadista Ltda. realizava vendas interestaduais para consumidores finais contribuintes do ICMS. O Estado de destino exigia o ICMS-DIFAL com base na LC n\u00ba 87\/1996, mesmo antes da entrada em vigor da LC n\u00ba 190\/2022. A Vendetudo sustentava que: (i) o DIFAL exigiria LC espec\u00edfica para regulamentar a exig\u00eancia; (ii) a tese do Tema n\u00ba 1.093\/STF (que reconheceu a necessidade da LC n\u00ba 190\/2022) tamb\u00e9m alcan\u00e7aria as opera\u00e7\u00f5es com contribuinte. A LC n\u00ba 87\/1996 era suficiente para a exig\u00eancia do DIFAL antes da LC n\u00ba 190\/2022 nessas opera\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 155, \u00a7 2\u00ba, VII e VIII (reda\u00e7\u00e3o original)<\/strong><em> (al\u00edquota interestadual com diferencial no destino para opera\u00e7\u00f5es com contribuinte).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 146, III, &#8220;a&#8221;<\/strong><em> (lei complementar para normas gerais sobre fato gerador, base de c\u00e1lculo e contribuintes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n\u00ba 87\/1996, arts. 2\u00ba, 4\u00ba, 6\u00ba, \u00a7 1\u00ba, 7\u00ba, 8\u00ba, 11 e 13<\/strong><em> (contribuinte, fato gerador, base de c\u00e1lculo, local da opera\u00e7\u00e3o e responsabilidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, Tema n\u00ba 1.331<\/strong><em> (natureza infraconstitucional da controv\u00e9rsia sobre sufici\u00eancia da LC n\u00ba 87\/1996 para o DIFAL-contribuinte).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A reda\u00e7\u00e3o original da CF (art. 155, \u00a7 2\u00ba, VII e VIII) j\u00e1 previa, para opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte, al\u00edquota interestadual na origem e diferencial de al\u00edquota no destino. A EC n\u00ba 87\/2015 inovou apenas para o consumidor final n\u00e3o contribuinte, equiparando-o ao regime j\u00e1 previsto para contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Varejo e a ind\u00fastria, pois adquirem bens para uso e consumo ou ativo imobilizado, como insumos e maquin\u00e1rio \u00ae n\u00e3o possui inscri\u00e7\u00e3o no cadastro de ICMS ou n\u00e3o exerce habitualmente a comercializa\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os tributados pelo imposto.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O Tema n\u00ba 1.093\/STF, que exigiu LC n\u00ba 190\/2022, restringiu-se ao DIFAL para consumidor final N\u00c3O contribuinte, em raz\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o da EC n\u00ba 87\/2015. Para o DIFAL-contribuinte, a controv\u00e9rsia \u00e9 infraconstitucional (STF, Tema n\u00ba 1.331): a sufici\u00eancia da LC n\u00ba 87\/1996 \u00e9 a quest\u00e3o jur\u00eddica posta, e ela \u00e9 positiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia exigia distinguir dois regimes do DIFAL. <strong>Para o consumidor final N\u00c3O contribuinte do ICMS, a EC n\u00ba 87\/2015 inovou a tributa\u00e7\u00e3o &#8211; da\u00ed a exig\u00eancia da LC n\u00ba 190\/2022 (Tema n\u00ba 1.093\/STF) para regulamentar essa nova situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Para o consumidor final CONTRIBUINTE, o regime existia desde a reda\u00e7\u00e3o original da CF (art. 155, \u00a7 2\u00ba, VII e VIII).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Apartir da EC n\u00ba 87\/2015 passou a ser<strong> irrelevante se o destinat\u00e1rio era ou n\u00e3o contribuinte do imposto<\/strong>; o regime de DIFAL-contribuinte j\u00e1 constava do texto constitucional desde 1988 e foi regulamentado pela LC n\u00ba 87\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Houve manifesta\u00e7\u00e3o expressa do STF sobre o ponto: <strong>no Tema n\u00ba 1.331, o STF firmou que \u00e9 infraconstitucional a controv\u00e9rsia sobre a sufici\u00eancia da LC n\u00ba 87\/1996 para a exigibilidade do DIFAL em opera\u00e7\u00f5es com contribuinte, afastando a aplica\u00e7\u00e3o da tese do Tema n\u00ba 1.093\/STF<\/strong>. A quest\u00e3o foi devolvida \u00e0 esfera do STJ para an\u00e1lise da legalidade da exig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A an\u00e1lise da legalidade \u00e9 positiva: <strong>a LC n\u00ba 87\/1996 cont\u00e9m densidade normativa suficiente para a exig\u00eancia do DIFAL-contribuinte &#8211; define contribuinte (art. 4\u00ba), fato gerador (arts. 2\u00ba e 12), base de c\u00e1lculo (art. 13), local da opera\u00e7\u00e3o (art. 11) e responsabilidade por substitui\u00e7\u00e3o (arts. 6\u00ba a 10)<\/strong>. A LC n\u00ba 190\/2022 cuidou da disciplina espec\u00edfica para opera\u00e7\u00f5es com n\u00e3o contribuinte, em raz\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o da EC n\u00ba 87\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a exigibilidade do ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte do imposto, antes da entrada em vigor da LC n\u00ba 190\/2022:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Era exig\u00edvel, em raz\u00e3o da densidade normativa da LC n\u00ba 87\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Era inexig\u00edvel, pelas mesmas raz\u00f5es fixadas no Tema n\u00ba 1.093\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Era inexig\u00edvel, em raz\u00e3o da aus\u00eancia de lei complementar espec\u00edfica regulando o DIFAL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Era exig\u00edvel apenas ap\u00f3s decreto regulamentar do Estado destinat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Era exig\u00edvel, mas vinculada \u00e0 observ\u00e2ncia da anterioridade nonagesimal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> A LC n\u00ba 87\/1996 traz a densidade normativa exigida pelo art. 146, III, &#8220;a&#8221;, da CF para as opera\u00e7\u00f5es com contribuinte, regime j\u00e1 previsto na reda\u00e7\u00e3o original do art. 155, \u00a7 2\u00ba, VII e VIII; a LC n\u00ba 190\/2022 cuidou da disciplina do DIFAL-n\u00e3o contribuinte (Tema n\u00ba 1.331\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O Tema n\u00ba 1.093\/STF refere-se ao DIFAL-n\u00e3o contribuinte; o STF, no Tema n\u00ba 1.331, afastou expressamente essa tese para opera\u00e7\u00f5es com contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A LC n\u00ba 87\/1996 j\u00e1 disciplinava de forma suficiente o DIFAL em opera\u00e7\u00f5es com contribuinte: contribuinte, fato gerador, base de c\u00e1lculo, local da opera\u00e7\u00e3o e responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A exigibilidade decorre da LC n\u00ba 87\/1996; decreto regulamentar opera no plano da execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da pr\u00f3pria exig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A anterioridade nonagesimal opera para inova\u00e7\u00f5es; aqui se trata de regime j\u00e1 vigente desde a edi\u00e7\u00e3o da LC n\u00ba 87\/1996.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-0\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se a cobran\u00e7a de ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte do imposto estava suficientemente disciplinada na Lei Complementar n. 87\/1996 (Lei Kandir), antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 190\/2022.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, tem-se que o art. 155, VII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em sua reda\u00e7\u00e3o original, previa que, nas opera\u00e7\u00f5es e presta\u00e7\u00f5es que destinassem bens e servi\u00e7os a consumidores finais localizados em outros Estados, a al\u00edquota adotada seria a interestadual, quando o destinat\u00e1rio fosse contribuinte do imposto (al\u00ednea a), ou interna, quando o destinat\u00e1rio n\u00e3o fosse contribuinte dele (al\u00ednea b). Posteriormente, a Emenda Constitucional n. 87\/2015 inovou a disciplina apenas quanto ao consumidor final n\u00e3o contribuinte do ICMS; para consumidor final contribuinte, a reparti\u00e7\u00e3o (al\u00edquota interestadual na origem e diferencial de al\u00edquota no destino) j\u00e1 constava do texto constitucional desde a reda\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria (CF, art. 155, 2, VII e VIII). A modifica\u00e7\u00e3o equiparou a situa\u00e7\u00e3o de destinat\u00e1rios de mercadorias n\u00e3o contribuintes \u00e0quela que j\u00e1 era prevista para os contribuintes, devendo ambos recolher a al\u00edquota interestadual, cabendo, ao Estado de localiza\u00e7\u00e3o do destinat\u00e1rio, o imposto correspondente \u00e0 diferen\u00e7a entre a al\u00edquota interna do Estado destinat\u00e1rio e a al\u00edquota interestadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es e presta\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte, todavia, observa-se que n\u00e3o houve altera\u00e7\u00e3o do regime de tributa\u00e7\u00e3o do ICMS. Assim, a partir da EC n. 87\/2015, passou a ser irrelevante se o destinat\u00e1rio da mercadoria ou servi\u00e7o \u00e9, ou n\u00e3o, contribuinte do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o Supremo Tribunal Federal, no Tema n. 1.331, firmou que \u00e9 infraconstitucional a controv\u00e9rsia sobre a sufici\u00eancia da LC n. 87\/1996 para a exigibilidade do ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es com consumidor final contribuinte, afastando a aplica\u00e7\u00e3o da tese do Tema n. 1.093\/STF dessa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O texto constitucional \u00e9 muito claro ao dispor que caber\u00e1 \u00e0 lei complementar estabelecer normas gerais em mat\u00e9ria de legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, especialmente sobre os fatos geradores, bases de c\u00e1lculo e contribuintes dos impostos discriminados na Constitui\u00e7\u00e3o (art. 146, III, a), tendo o art. 155, 2, XII, da CF\/1988 refor\u00e7ado esses aspectos no que tange ao ICMS. Nesse contexto, a Lei Complementar n. 87\/1996 cont\u00e9m densidade normativa suficiente para a exig\u00eancia do ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte, definindo contribuinte, fato gerador, base de c\u00e1lculo, local da opera\u00e7\u00e3o e responsabilidade por substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria (arts. 2, 4, 6, 1, 7, 8, 11 e 13), em conson\u00e2ncia com a Constitui\u00e7\u00e3o (art. 155, 2, VII e VIII).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exig\u00eancia de lei complementar veiculando normas gerais foi suprida, quanto ao consumidor final contribuinte, pela LC n. 87\/1996; a LC n. 190\/2022 cuidou de ajustar a disciplina para opera\u00e7\u00f5es com n\u00e3o contribuintes e de aperfei\u00e7oar procedimentos, n\u00e3o sendo condi\u00e7\u00e3o para a cobran\u00e7a do diferencial nas hip\u00f3teses de consumidor final contribuinte antes de sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a disciplina do ICMS-DIFAL prescindia das inova\u00e7\u00f5es da LC n. 190\/2022 para a cobran\u00e7a, pois os elementos da regra-matriz j\u00e1 se encontravam encartados no ordenamento jur\u00eddico nacional desde 1996. Tolher aos Estados o direito de exigir o diferencial de al\u00edquota nas opera\u00e7\u00f5es de uso e consumo sob o pretexto de aus\u00eancia de lei complementar equivaleria a anular a efic\u00e1cia de dispositivos da Lei Kandir que vigoram h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1369\/STJ: &#8220;A Lei Complementar n. 87\/1996 (Lei Kandir) disciplina de forma suficiente a cobran\u00e7a de ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte do imposto antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 190\/2022.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-3-nbsp-pis-cofins-de-varejistas-de-combustiveis-no-regime-monofasico\" class=\"wp-block-heading\">3.&nbsp; PIS\/COFINS DE VAREJISTAS DE COMBUST\u00cdVEIS NO REGIME MONOF\u00c1SICO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comerciante varejista de combust\u00edveis, por estar sujeito ao regime monof\u00e1sico de PIS\/COFINS, <strong>n\u00e3o tem direito \u00e0 obten\u00e7\u00e3o nem \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis<\/strong>, mesmo ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o das LC n\u00ba 192\/2022 e n\u00ba 194\/2022 e da MP n\u00ba 1.118\/2022; inaplic\u00e1vel, quanto a esse contribuinte, o princ\u00edpio da anterioridade nonagesimal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.124.940-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2026 (Tema 1339).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Posto Combustil Ltda., comerciante varejista de combust\u00edveis sujeito ao regime monof\u00e1sico de PIS\/COFINS, pleiteou o direito de manter cr\u00e9ditos vinculados \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis entre a vig\u00eancia da LC n\u00ba 192\/2022 e 31\/12\/2022 (ou, subsidiariamente, at\u00e9 22\/09\/2022 &#8211; prazo nonagesimal contado da LC n\u00ba 194\/2022). Sustentava: (i) que as novas leis teriam alterado a disciplina, gerando direito a cr\u00e9dito; (ii) que a posterior majora\u00e7\u00e3o indireta ofenderia a anterioridade nonagesimal (ADI 7.181). A nova legisla\u00e7\u00e3o alterou o regime monof\u00e1sico para os varejistas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003, art. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221;<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito sobre bens sujeitos ao regime monof\u00e1sico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Decreto-Lei n\u00ba 1.598\/1977, art. 13<\/strong><em> (tratamento de bens no regime monof\u00e1sico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n\u00ba 192\/2022; LC n\u00ba 194\/2022; MP n\u00ba 1.118\/2022<\/strong><em> (redu\u00e7\u00e3o a zero da al\u00edquota de PIS\/COFINS sobre combust\u00edveis at\u00e9 31\/12\/2022).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STJ, Tema 1.093<\/strong><em> (regime monof\u00e1sico: aus\u00eancia de direito a cr\u00e9dito do comerciante varejista).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, ADI 7.181\/DF-MC<\/strong><em> (anterioridade nonagesimal em caso de majora\u00e7\u00e3o indireta).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda No regime monof\u00e1sico, a carga tribut\u00e1ria concentra-se em uma \u00fanica fase (produtor\/importador) e \u00e9 suportada por um \u00fanico contribuinte. Os demais elos da cadeia (varejistas) ficam desonerados, e a anterioridade nonagesimal opera apenas quando h\u00e1 majora\u00e7\u00e3o que efetivamente alcance o contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A redu\u00e7\u00e3o a zero pela LC n\u00ba 192\/2022 atingiu apenas o produtor\/importador (sujeito passivo \u00fanico). Os varejistas j\u00e1 estavam \u00e0 al\u00edquota zero desde antes &#8211; sem direito a cr\u00e9dito sobre a aquisi\u00e7\u00e3o. A reincid\u00eancia da al\u00edquota original (ap\u00f3s o per\u00edodo) n\u00e3o foi majora\u00e7\u00e3o para os varejistas, e a anterioridade nonagesimal n\u00e3o opera nessa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O com\u00e9rcio de combust\u00edveis est\u00e1 estruturado em regime monof\u00e1sico: <strong>a tributa\u00e7\u00e3o concentra-se no in\u00edcio da cadeia (importadores, produtores e refinarias de petr\u00f3leo); os varejistas, na ponta, ficam desonerados<\/strong>. A consequ\u00eancia dogm\u00e1tica \u00e9 direta: n\u00e3o h\u00e1 cr\u00e9dito a aproveitar sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o houve recolhimento na etapa anterior pelo varejista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Tema 1093\/STJ j\u00e1 havia firmado que <strong>o regime monof\u00e1sico afasta o creditamento na etapa subsequente<\/strong>: as Leis n\u00ba 10.637\/2002 (art. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221;) e n\u00ba 10.833\/2003 vedam o cr\u00e9dito sobre bens n\u00e3o sujeitos ao pagamento no elo seguinte. A LC n\u00ba 192\/2022 n\u00e3o alterou essa disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A redu\u00e7\u00e3o a zero da al\u00edquota pela LC n\u00ba 192\/2022 incidiu sobre o \u00fanico sujeito passivo &#8211; o produtor\/importador. <strong>Os varejistas, antes da LC n\u00ba 192\/2022, j\u00e1 se encontravam fora do \u00e2mbito de incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es (al\u00edquota zero estrutural)<\/strong>. N\u00e3o houve modifica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do regime para eles, nem direito a cr\u00e9dito a manter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Da\u00ed decorre a inaplicabilidade da anterioridade nonagesimal aos varejistas: <strong>aus\u00eancia de direito a cr\u00e9dito = aus\u00eancia de majora\u00e7\u00e3o indireta a proteger pela anterioridade nonagesimal (afastada a aplica\u00e7\u00e3o da ADI 7.181\/DF-MC)<\/strong>. A ADI protege contra majora\u00e7\u00e3o indireta superveniente; n\u00e3o opera quando inexiste direito anterior a ser preservado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o direito do comerciante varejista de combust\u00edveis, sujeito ao regime monof\u00e1sico de PIS\/COFINS, \u00e0 obten\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre aquisi\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o das LC n\u00ba 192\/2022 e n\u00ba 194\/2022:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Tem direito a cr\u00e9dito entre a vig\u00eancia das novas leis e 31\/12\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Tem direito a cr\u00e9dito, em raz\u00e3o da anterioridade nonagesimal aplic\u00e1vel \u00e0 majora\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o tem direito a cr\u00e9dito, mas pode opcionalmente migrar para o regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Tem direito a cr\u00e9dito desde que comprove o efetivo recolhimento de PIS\/COFINS pelo elo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) N\u00e3o tem direito a cr\u00e9dito, em raz\u00e3o do regime monof\u00e1sico mantido pela nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A redu\u00e7\u00e3o a zero atingiu apenas o produtor\/importador (sujeito passivo \u00fanico); o varejista, na ponta da cadeia, j\u00e1 estava desonerado e sem direito a cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A anterioridade nonagesimal protege contra majora\u00e7\u00e3o que afete o contribuinte; ausente direito a cr\u00e9dito do varejista, n\u00e3o h\u00e1 majora\u00e7\u00e3o indireta proteg\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A op\u00e7\u00e3o pelo regime n\u00e3o cumulativo n\u00e3o est\u00e1 autorizada para o com\u00e9rcio de combust\u00edveis sujeito ao monof\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Mesmo demonstrado o recolhimento pelo elo anterior, o regime monof\u00e1sico, por sua estrutura, veda o creditamento ao varejista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> O regime monof\u00e1sico concentra a tributa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da cadeia; o varejista, na ponta, n\u00e3o tem direito a cr\u00e9dito (Tema 1093\/STJ). A LC n\u00ba 192\/2022 e a LC n\u00ba 194\/2022 n\u00e3o alteraram essa disciplina; sem direito a cr\u00e9dito, inaplic\u00e1vel a anterioridade nonagesimal (ADI 7.181\/DF-MC) ao varejista (Tema 1339\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-1\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Decidir se o comerciante varejista de combust\u00edveis, sujeito ao regime monof\u00e1sico de tributa\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS e da COFINS, tem direito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos vinculados, decorrentes da aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, no per\u00edodo compreendido entre a data da entrada em vigor da Lei Complementar n. 192\/2022 at\u00e9 31\/12\/2022 ou, subsidiariamente, at\u00e9 22\/09\/2022, data final do prazo nonagesimal, contado da publica\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n. 194\/2022.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a orienta\u00e7\u00e3o firmada no julgamento do Tema 1093\/STJ, especialmente \u00e0 luz do disposto nos arts. 13 do Decreto-Lei n. 1.598\/1977 e 3, I, b, das Leis n. 10.637\/2002 e 10.833\/2003, n\u00e3o \u00e9 permitida a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS e da COFINS sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos ao regime monof\u00e1sico de tributa\u00e7\u00e3o. No regime monof\u00e1sico, a carga tribut\u00e1ria concentra-se numa \u00fanica fase, sendo suportada por um \u00fanico contribuinte, n\u00e3o havendo cumulatividade a se evitar, pois os demais integrantes da cadeia econ\u00f4mica ficam desonerados do pagamento do tributo. Na t\u00e9cnica n\u00e3o cumulativa, por sua vez, a carga tribut\u00e1ria \u00e9 dilu\u00edda em opera\u00e7\u00f5es sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia, havendo direito de abater o cr\u00e9dito da etapa anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O com\u00e9rcio de combust\u00edveis insere-se na sistem\u00e1tica da monofasia, pois as contribui\u00e7\u00f5es em tela apresentam-se concentradas no in\u00edcio da cadeia econ\u00f4mica, incidindo sobre as receitas de importadores, produtores e refinarias de petr\u00f3leo, de modo que os varejistas, porque se encontram no fim da mencionada cadeia, n\u00e3o t\u00eam direito ao aproveitamento de cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o art. 9 da Lei Complementar n. 192\/2022, ainda que com as reda\u00e7\u00f5es da Medida Provis\u00f3ria n. 1.118\/2022 e da Lei Complementar n. 194\/2022, n\u00e3o alterou essa disciplina, ou seja, n\u00e3o assegurou ao comerciante varejista sujeito ao regime monof\u00e1sico a constitui\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. Ao reduzir a 0 (zero) a al\u00edquota das referidas contribui\u00e7\u00f5es at\u00e9 31\/12\/2022, assim o fez em rela\u00e7\u00e3o ao \u00fanico sujeito passivo encarregado de proceder ao pagamento, qual seja, o produtor ou importador. N\u00e3o alcan\u00e7ou os comerciantes varejistas, os quais, antes mesmo da vig\u00eancia do diploma legal em tela, j\u00e1 se encontravam submetidos \u00e0 al\u00edquota 0 (zero).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante da aus\u00eancia de direito a ser reconhecido aos varejistas de combust\u00edveis, apresenta-se inaplic\u00e1vel a compreens\u00e3o firmada nos autos da ADI 7.181\/DF-MC, relativamente \u00e0 observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da anterioridade nonagesimal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1.339\/STJ: &#8220;O comerciante varejista, porque sujeito ao regime monof\u00e1sico de tributa\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS, n\u00e3o tem direito \u00e0 obten\u00e7\u00e3o, tampouco \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos vinculados \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, mesmo ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o das Leis Complementares n. 192\/2022 e 194\/2022 e da Medida Provis\u00f3ria n. 1.118\/2022, n\u00e3o havendo que se falar, assim, quanto a referido contribuinte, em posterior majora\u00e7\u00e3o indireta de tributos a ensejar ofensa ao princ\u00edpio da anterioridade nonagesimal.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-4-continuidade-delitiva-entre-apropriacao-indebita-e-sonegacao-previdenciarias\" class=\"wp-block-heading\">4. CONTINUIDADE DELITIVA ENTRE APROPRIA\u00c7\u00c3O IND\u00c9BITA E SONEGA\u00c7\u00c3O PREVIDENCI\u00c1RIAS<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 invi\u00e1vel reconhecer a continuidade delitiva entre os delitos de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria (CP, art. 168-A) e de sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria (CP, art. 337-A), <strong>por se tratarem de esp\u00e9cies diversas que descrevem condutas t\u00edpicas distintas, embora sejam do mesmo g\u00eanero<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.094.362-SP, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2026 (Tema 1353).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Barriga, empres\u00e1rio, foi denunciado por apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria (art. 168-A do CP) &#8211; reteve valores descontados dos empregados sem repass\u00e1-los ao INSS &#8211; e, em per\u00edodos imediatamente subsequentes, por sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria (art. 337-A do CP) &#8211; omitiu fatos geradores em declara\u00e7\u00f5es para reduzir o valor das contribui\u00e7\u00f5es devidas. A defesa pleiteou a continuidade delitiva (CP, art. 71) entre os dois grupos de condutas, alegando que ambos tutelariam a mesma seguridade social. \u00c9 reconhec\u00edvel a continuidade entre os dois delitos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 71<\/strong><em> (crime continuado: pluralidade de crimes da mesma esp\u00e9cie, mesmas condi\u00e7\u00f5es de tempo, lugar e maneira).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 168-A<\/strong><em> (apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria: reten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o repasse ao INSS).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 337-A<\/strong><em> (sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria: oculta\u00e7\u00e3o, fraude ou omiss\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O crime continuado \u00e9 fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica criada por pol\u00edtica criminal: exige cumulativamente pluralidade de crimes da MESMA ESP\u00c9CIE, mesma forma de execu\u00e7\u00e3o, unidade de des\u00edgnios, liga\u00e7\u00e3o temporal e espacial pr\u00f3xima. &#8220;Mesma esp\u00e9cie&#8221; n\u00e3o se confunde com &#8220;mesmo g\u00eanero&#8221;: exige identidade do tipo penal ou tipos com elementos estruturais correspondentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Os crimes do art. 168-A e 337-A do CP t\u00eam naturezas jur\u00eddicas distintas: (i) bens jur\u00eddicos diversos &#8211; patrim\u00f4nio alheio (168-A) x ordem tribut\u00e1ria + seguridade social (337-A); (ii) elementos subjetivos pr\u00f3prios; (iii) tratamento jur\u00eddico distinto quanto \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da punibilidade (perd\u00e3o judicial e prescri\u00e7\u00e3o). A perten\u00e7a ao mesmo g\u00eanero (delitos previdenci\u00e1rios) n\u00e3o basta para a continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A continuidade delitiva (CP, art. 71) \u00e9 fic\u00e7\u00e3o criada por pol\u00edtica criminal para abrandar a regra do concurso material em hip\u00f3teses de homogeneidade de condutas. <strong>Exige cumulativamente pluralidade de crimes da mesma esp\u00e9cie, mesma forma de execu\u00e7\u00e3o, unidade de des\u00edgnios, liga\u00e7\u00e3o temporal e espacial pr\u00f3xima<\/strong>. O requisito decisivo, aqui, \u00e9 o primeiro: &#8220;crimes da mesma esp\u00e9cie&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Esp\u00e9cie \u2260 g\u00eanero. Crimes do mesmo g\u00eanero podem ser de esp\u00e9cies distintas. <strong>A apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria caracteriza-se pela reten\u00e7\u00e3o indevida dos valores descontados dos empregados; a sonega\u00e7\u00e3o consiste na oculta\u00e7\u00e3o, fraude ou omiss\u00e3o para deixar de recolher contribui\u00e7\u00f5es devidas pelo pr\u00f3prio agente<\/strong>. As condutas t\u00eam n\u00facleos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Os bens jur\u00eddicos protegidos s\u00e3o distintos: <strong>a apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria protege o patrim\u00f4nio alheio (os valores descontados dos empregados, pertencentes ao INSS); a sonega\u00e7\u00e3o protege a ordem tribut\u00e1ria e a seguridade social, prevenindo fraudes e evas\u00e3o fiscal<\/strong>. Reflete-se em elementos subjetivos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f H\u00e1 ainda diferen\u00e7as no tratamento jur\u00eddico: <strong>a apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria recebe tratamento mais rigoroso na extin\u00e7\u00e3o da punibilidade (perd\u00e3o judicial e prescri\u00e7\u00e3o), pois envolve disposi\u00e7\u00e3o de valor de terceiro; a sonega\u00e7\u00e3o admite condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, inclusive pelo pagamento da d\u00edvida<\/strong>. Localizados em partes diversas do CP, com regimes distintos, descrevem esp\u00e9cies diversas &#8211; afastada a continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a configura\u00e7\u00e3o da continuidade delitiva entre os crimes de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria (CP, art. 168-A) e sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria (CP, art. 337-A):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 reconhecida, em raz\u00e3o da identidade de bem jur\u00eddico protegido (a seguridade social).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 invi\u00e1vel, por se tratarem de esp\u00e9cies diversas, embora do mesmo g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Pode ser reconhecida se houver proximidade temporal e modus operandi semelhante entre as condutas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Fact\u00edvel apenas quando o mesmo agente cometer m\u00faltiplas figuras de cada delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 proibida, pelo art. 71 do CP exigir crimes com id\u00eantica pena cominada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Os bens jur\u00eddicos s\u00e3o distintos: a apropria\u00e7\u00e3o tutela o patrim\u00f4nio alheio; a sonega\u00e7\u00e3o tutela a ordem tribut\u00e1ria e a seguridade social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> O CP, art. 71, exige crimes da mesma esp\u00e9cie &#8211; n\u00e3o basta o mesmo g\u00eanero. Apropria\u00e7\u00e3o (168-A) e sonega\u00e7\u00e3o (337-A) t\u00eam bens jur\u00eddicos distintos, condutas t\u00edpicas diversas, elementos subjetivos pr\u00f3prios e tratamento jur\u00eddico diferenciado quanto \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da punibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Proximidade temporal e modus operandi s\u00e3o requisitos secund\u00e1rios; falta o pressuposto prim\u00e1rio &#8211; crimes da mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A multiplicidade dentro de cada figura n\u00e3o converte esp\u00e9cies diversas em mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A continuidade n\u00e3o depende de id\u00eantica pena cominada; ali\u00e1s, no caso, as penas s\u00e3o iguais e a continuidade segue invi\u00e1vel por outras raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-2\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida ao rito dos recursos repetitivos cinge-se a saber se \u00e9 poss\u00edvel reconhecer a continuidade delitiva entre os delitos de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria (art. 168-A do C\u00f3digo Penal) e sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria (art. 337-A do C\u00f3digo Penal).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, cabe destacar que o crime continuado, enquanto fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica criada pelo legislador por op\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica criminal, compreende exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra do concurso material, prevista na Parte Geral do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consoante o disposto no art. 71 do CP, para o reconhecimento do crime continuado exige-se, de forma cumulativa, pluralidade de crimes da mesma esp\u00e9cie; mesma forma de execu\u00e7\u00e3o (modus operandi); unidade de des\u00edgnios ou finalidade; liga\u00e7\u00e3o temporal e espacial pr\u00f3xima, resultando na cumula\u00e7\u00e3o progressiva da pena, julgando-se os crimes em conjunto como se fossem um s\u00f3, mas aumentando a pena final. Todavia, os crimes em an\u00e1lise revestem-se de naturezas jur\u00eddicas distintas, o que inviabiliza a incid\u00eancia da continuidade delitiva. A apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria caracteriza-se pela reten\u00e7\u00e3o indevida dos valores descontados dos empregados, com posterior apropria\u00e7\u00e3o, enquanto a sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria consiste na oculta\u00e7\u00e3o, fraude ou omiss\u00e3o para deixar de recolher as contribui\u00e7\u00f5es sociais devidas pelo agente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange ao bem jur\u00eddico protegido, a apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria protege o patrim\u00f4nio alheio, especificamente os valores descontados dos empregados que devem ser repassados ao INSS, enquanto que a sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria protege a ordem tribut\u00e1ria e a seguridade social, buscando prevenir fraudes e evitar a evas\u00e3o fiscal, o que repercute, inclusive, na presen\u00e7a de elemento subjetivo diferente para cada um dos delitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, justamente, por haver essa distin\u00e7\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o do seu objeto material e do elemento subjetivo, ainda que o legislador comine a mesma pena para ambos os tipos penais e que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a reconhe\u00e7a a prescindibilidade do dolo espec\u00edfico para esses tipos penais, n\u00e3o se deve admitir a possibilidade de continuidade delitiva entre esses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Demais disso, al\u00e9m de estarem localizados em partes diversas do C\u00f3digo Penal, a despeito de ambos os tipos penais prescreverem condutas relacionadas \u00e0 evas\u00e3o fiscal e \u00e0 viola\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico da Uni\u00e3o, constata-se a diferen\u00e7a de tratamento jur\u00eddico no fato de que, no delito de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria, pelo agente dispor dos valores que recolheu dos contribuintes, o legislador acabou por impor maior rigor para a extin\u00e7\u00e3o de sua punibilidade no que versa sobre prazos para prescri\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es para o perd\u00e3o judicial, ao contr\u00e1rio do previsto para o delito de sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, em que essa pode ser reconhecida mediante condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, inclusive pelo pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, embora esses crimes sejam do mesmo g\u00eanero, compreendem esp\u00e9cies distintas ao descreverem condutas completamente diversas. Por essa raz\u00e3o, ambas as Turmas Criminais do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidaram o entendimento no sentido de refutar a aplica\u00e7\u00e3o da continuidade delitiva aos referidos delitos e reconhecer que deve incidir a regra do concurso material.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do exposto, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1353\/STJ: \u00c9 invi\u00e1vel reconhecer a continuidade delitiva entre os delitos de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita previdenci\u00e1ria (art. 168-A do C\u00f3digo Penal) e de sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria (art. 337-A do C\u00f3digo Penal), por se tratarem de esp\u00e9cies diversas que descrevem condutas t\u00edpicas distintas, embora sejam do mesmo g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-5-nbsp-livramento-condicional-no-crime-de-associacao-para-o-trafico\" class=\"wp-block-heading\">5.&nbsp; LIVRAMENTO CONDICIONAL NO CRIME DE ASSOCIA\u00c7\u00c3O PARA O TR\u00c1FICO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por for\u00e7a do princ\u00edpio da especialidade, aplica-se a fra\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena prevista no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 44 da Lei n\u00ba 11.343\/2006 <strong>ao delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas (art. 35 da mesma lei), para fins de livramento condicional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.073.971-SP, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2026 (Tema 1355).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines, condenado por associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico (art. 35 da Lei n\u00ba 11.343\/2006), pleiteou livramento condicional ap\u00f3s cumprir 1\/3 da pena, com base no art. 83 do CP. O MP questionou aplicar-se a fra\u00e7\u00e3o de 2\/3 do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 44 da Lei n\u00ba 11.343\/2006, embora o crime n\u00e3o tenha sido equiparado a hediondo na Lei n\u00ba 8.072\/1990. A defesa argumentou que: (i) sem equipara\u00e7\u00e3o a hediondo, aplica-se a regra geral; (ii) o art. 44 fala em &#8220;crimes&#8221; do art. 33 e seguintes, sem clareza espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 12<\/strong><em> (aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria do CP a leis especiais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 83<\/strong><em> (livramento condicional: regra geral &#8211; 1\/3 ou 1\/2 (reincid\u00eancia)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 35<\/strong><em> (associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (2\/3 de cumprimento para livramento condicional nos crimes previstos nos arts. 33, caput e \u00a7 1\u00ba, 34 a 37).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.072\/1990, arts. 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong><em> (hediondos e equiparados (associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico N\u00c3O inclu\u00edda)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda H\u00e1 aparente contradi\u00e7\u00e3o entre n\u00e3o-equipara\u00e7\u00e3o a hediondo (Lei n\u00ba 8.072\/1990) e regime especial mais rigoroso (Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico). A solu\u00e7\u00e3o exige distinguir os planos: a equipara\u00e7\u00e3o a hediondo (LEP, regime, livramento) est\u00e1 restrita ao art. 35 da Lei n\u00ba 11.343\/2006; o regime de fra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica est\u00e1 expressamente previsto pela lei especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica: o legislador adotou regime mais rigoroso para crimes que alimentam o tr\u00e1fico (equipara\u00e7\u00e3o funcional), refor\u00e7ando a gravidade da conduta. Princ\u00edpio da especialidade (CP, art. 12): a norma especial (Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico) prevalece sobre a norma geral (CP, art. 83) nas hip\u00f3teses cobertas pela lei especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia derivava de aparente contradi\u00e7\u00e3o entre dois regimes. <strong>Por um lado, o art. 35 da Lei n\u00ba 11.343\/2006 (associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico) n\u00e3o consta dos arts. 1\u00ba e 2\u00ba da Lei n\u00ba 8.072\/1990 &#8211; portanto, n\u00e3o \u00e9 hediondo nem equiparado<\/strong>. Por outro, o art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 11.343\/2006 fixa fra\u00e7\u00e3o de 2\/3 do cumprimento da pena para o livramento condicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o opera por dois planos. No primeiro, <strong>interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e teleol\u00f3gica: o legislador adotou regime mais rigoroso para crimes que alimentam o tr\u00e1fico de drogas (equipara\u00e7\u00e3o funcional, n\u00e3o material)<\/strong>. A associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico tem como objetivo facilitar e manter a atividade il\u00edcita do tr\u00e1fico; da\u00ed a equipara\u00e7\u00e3o funcional para fins de execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 No segundo plano, opera o <strong>princ\u00edpio da especialidade (CP, art. 12): a norma especial (Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico) prevalece sobre a norma geral (CP, art. 83) nas hip\u00f3teses cobertas pela lei especial<\/strong>. A fra\u00e7\u00e3o de 2\/3 incide; afasta-se a regra geral de 1\/3 ou 1\/2 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Cautela final: <strong>a interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica n\u00e3o estende a equipara\u00e7\u00e3o a hediondo ao art. 35 (o que exigiria observ\u00e2ncia \u00e0 legalidade penal), apenas aplica a fra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica prevista pela lei especial<\/strong>. Regime mais rigoroso, sem rotula\u00e7\u00e3o como hediondo &#8211; distin\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica que preserva a estrita legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a fra\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena exigida para o livramento condicional no crime de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas (art. 35 da Lei n\u00ba 11.343\/2006):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 de 2\/3, por for\u00e7a do art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 11.343\/2006, pela especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 de 1\/2, pela aplica\u00e7\u00e3o por analogia da fra\u00e7\u00e3o dos crimes equiparados a hediondos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 de 1\/3, em raz\u00e3o da regra geral do art. 83, I, do CP, ante a n\u00e3o-equipara\u00e7\u00e3o a hediondo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 de 3\/5, por aplica\u00e7\u00e3o do regime intermedi\u00e1rio previsto na LEP para crimes graves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 de 2\/3, em raz\u00e3o da equipara\u00e7\u00e3o material da associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico a crime hediondo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> O art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 11.343\/2006 prev\u00ea fra\u00e7\u00e3o de 2\/3 para livramento condicional nos crimes do art. 35; pelo princ\u00edpio da especialidade (CP, art. 12), prevalece sobre o art. 83 do CP. O regime mais rigoroso \u00e9 equipara\u00e7\u00e3o funcional, sem rotula\u00e7\u00e3o como hediondo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o se aplica por analogia a regra de 1\/2 dos equiparados a hediondos; a lei especial j\u00e1 fixa fra\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de 2\/3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O CP (art. 83) \u00e9 norma geral; o art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 11.343\/2006 \u00e9 norma especial e prevalece (CP, art. 12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 fra\u00e7\u00e3o de 3\/5 na LEP nem na Lei n\u00ba 11.343\/2006; o regime especial fixa 2\/3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica n\u00e3o equipara a associa\u00e7\u00e3o a hediondo (o que violaria a estrita legalidade); apenas aplica a fra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica prevista pela lei especial.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-3\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida ao rito dos recursos repetitivos consiste em definir a fra\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena exigida para a obten\u00e7\u00e3o do livramento condicional no delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico, tipificado no art. 35 da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 11.343\/2006, o legislador, no art. 44, par\u00e1grafo \u00fanico, previu, como um dos requisitos objetivos para obten\u00e7\u00e3o do livramento condicional, a fra\u00e7\u00e3o de 2\/3 de cumprimento de pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com isso, surgiu, no \u00e2mbito doutrin\u00e1rio, a d\u00favida se seria poss\u00edvel aplicar a referida fra\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena para o delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas, a despeito desse n\u00e3o ter sido equiparado a crime hediondo devido \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos arts. 1 e 2, ambos da Lei n. 8.072\/1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a sobre o tema conferiu interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e teleol\u00f3gica ao referido dispositivo legal para o fim de reconhecer que, para fins de livramento condicional, aplica-se a fra\u00e7\u00e3o de 2\/3 ao crime de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas, ainda que esse delito n\u00e3o tenha sido equiparado a crime hediondo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque, entende-se que a inten\u00e7\u00e3o do legislador infraconstitucional foi estabelecer requisitos mais rigorosos para aqueles que praticam delitos de maior periculosidade social, tais como os hediondos ou equiparados a hediondos, como forma, inclusive, de observar a individualiza\u00e7\u00e3o das penas, considerando uma equipara\u00e7\u00e3o funcional, no caso do delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas, por ter esse o objetivo de facilitar e manter a atividade il\u00edcita do tr\u00e1fico de drogas, raz\u00e3o pela qual se justifica sua equipara\u00e7\u00e3o ao delito de tr\u00e1fico de drogas para fins de execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aplica\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o mais rigorosa (2\/3) visa a refor\u00e7ar a gravidade e a periculosidade do crime que alimenta o tr\u00e1fico de drogas, impedindo que o condenado por associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico seja beneficiado com livramento condicional antes de cumprir uma fra\u00e7\u00e3o significativa da pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por essa raz\u00e3o, ainda que o delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas n\u00e3o esteja relacionado dentre aqueles equiparados aos hediondos, por meio de uma interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, entende-se que esse crime est\u00e1 abarcado pelo regime legal mais rigoroso aplic\u00e1vel aos crimes hediondos no que diz respeito \u00e0 execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, a partir da referida premissa, deve-se aplicar o princ\u00edpio da especialidade para o fim de definir que a fra\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena a incidir para o crime de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas compreende aquela prevista na norma especial, em detrimento da norma geral disposta no art. 83 do C\u00f3digo Penal. Ademais, saliente-se que, ante um conflito normativo entre normas penais geral e especial, conforme determina o art. 12 do C\u00f3digo Penal, prevalecer\u00e1 a norma especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Veja-se que, por meio da interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, n\u00e3o se est\u00e1 procedendo \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o do delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas aos delitos hediondos, o que, de fato, requer observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da legalidade, mas, sim, se est\u00e1 definindo a interpreta\u00e7\u00e3o da norma disposta no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 44 da Lei n. 11.343\/2006 que determina um requisito mais rigoroso para concess\u00e3o do benef\u00edcio do livramento condicional para o referido delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1355\/STJ: Por for\u00e7a da incid\u00eancia do princ\u00edpio da especialidade, aplica-se a fra\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena prevista no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 44 da Lei n. 11.343\/2006 ao delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico de drogas, previsto no art. 35 dessa lei federal, para fins de deferimento do livramento condicional.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-6-direito-de-regresso-entre-devedores-solidarios-apos-pagamento-parcial\" class=\"wp-block-heading\">6. DIREITO DE REGRESSO ENTRE DEVEDORES SOLID\u00c1RIOS AP\u00d3S PAGAMENTO PARCIAL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O direito de regresso entre devedores solid\u00e1rios <strong>somente se torna exig\u00edvel ap\u00f3s o pagamento integral da d\u00edvida ao credor comum<\/strong>; \u00e9 invi\u00e1vel seu exerc\u00edcio com base em pagamento parcial, por n\u00e3o estar encerrada a fase externa da solidariedade passiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.232.326-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Florinda e Kiko (j\u00e1 homem crescido) foram condenados solidariamente em a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria elevada por danos materiais e morais contra Seu Madruga. Dona Florinda efetuou pagamento parcial, equivalente a 60% do total da condena\u00e7\u00e3o, e ajuizou a\u00e7\u00e3o de regresso contra Kiko (drama familiar), pleiteando o ressarcimento proporcional. Kiko contestou alegando que o regresso s\u00f3 seria exig\u00edvel ap\u00f3s a quita\u00e7\u00e3o integral. Pode o codevedor solid\u00e1rio exercer o regresso com base em pagamento parcial?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 275<\/strong><em> (credor pode exigir de um, alguns ou todos os codevedores a d\u00edvida comum (solidariedade passiva)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 283<\/strong><em> (direito de regresso do devedor solid\u00e1rio que pagou: contra os demais, na propor\u00e7\u00e3o que lhes caiba).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 285<\/strong><em> (cessa\u00e7\u00e3o da solidariedade entre codevedores).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A solidariedade passiva estrutura-se em duas fases. A FASE EXTERNA compreende a rela\u00e7\u00e3o entre o credor e os devedores solid\u00e1rios &#8211; cada um pode ser cobrado pela totalidade. A FASE INTERNA \u00e9 relativa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de nivelamento e reembolso entre codevedores &#8211; destinada a restabelecer o equil\u00edbrio patrimonial conforme as quotas devidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A fase interna (regresso) somente se inicia com o encerramento da fase externa, nos termos do art. 283 do CC. O pagamento parcial n\u00e3o extingue a fase externa: o credor ainda pode cobrar dos outros codevedores o saldo remanescente. Da\u00ed porque o regresso por pagamento parcial \u00e9 prematuro &#8211; o prazo prescricional s\u00f3 come\u00e7a a correr com a quita\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A solidariedade passiva opera em duas fases distintas. <strong>A primeira (externa) \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o credor e os devedores: cada um pode ser cobrado pela totalidade, e o credor escolhe contra quem dirigir a execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Essa fase s\u00f3 se encerra com a quita\u00e7\u00e3o total da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A segunda (interna) trata do nivelamento patrimonial entre os codevedores: <strong>aquele que pagou ao credor tem direito de regresso contra os demais, na propor\u00e7\u00e3o das quotas que lhes cabia<\/strong> (CC, art. 283). \u00c9 o ajuste entre eles, \u00e0 margem do credor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A regra do art. 283 do CC condiciona o regresso ao encerramento da fase externa: <strong>o pagamento parcial n\u00e3o extingue a fase externa &#8211; o credor ainda pode cobrar o saldo dos outros codevedores<\/strong>. Permitir o regresso prematuro geraria multiplicidade de rela\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas (cobran\u00e7a da parte ainda devida pelo credor + regresso entre codevedores), incompat\u00edvel com a l\u00f3gica do instituto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Mesmo na solidariedade passiva oriunda de responsabilidade civil, <strong>\u00e9 necess\u00e1ria a quita\u00e7\u00e3o integral para o exerc\u00edcio do regresso; o pagamento parcial reduz o saldo mas n\u00e3o esgota a fase externa<\/strong>. O prazo prescricional da pretens\u00e3o regressiva come\u00e7a a correr a partir da quita\u00e7\u00e3o integral, momento em que a fase interna se inicia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o exerc\u00edcio do direito de regresso entre devedores solid\u00e1rios, na hip\u00f3tese de pagamento parcial da d\u00edvida ao credor comum:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 exig\u00edvel desde logo, na propor\u00e7\u00e3o do pagamento parcial efetuado pelo codevedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 exig\u00edvel, mas apenas em rela\u00e7\u00e3o ao codevedor identific\u00e1vel como principal respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 exig\u00edvel desde que comprovada concord\u00e2ncia expressa do credor com o pagamento parcial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) N\u00e3o \u00e9 exig\u00edvel, pois a fase externa da solidariedade ainda n\u00e3o foi encerrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) N\u00e3o \u00e9 exig\u00edvel, em raz\u00e3o da impossibilidade jur\u00eddica do pagamento parcial em solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O regresso pressup\u00f5e quita\u00e7\u00e3o integral; o pagamento parcial n\u00e3o encerra a fase externa, mantendo aberta a cobran\u00e7a do saldo pelo credor sobre os demais codevedores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1, na solidariedade passiva, hierarquia entre codevedores: o credor pode demandar pela totalidade contra cada um deles; o regresso opera por quotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Concord\u00e2ncia do credor n\u00e3o altera a estrutura da solidariedade; o que importa \u00e9 o esgotamento objetivo da fase externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> O direito de regresso (CC, art. 283) s\u00f3 se torna exig\u00edvel com o encerramento da fase externa, ou seja, com a quita\u00e7\u00e3o integral ao credor; o pagamento parcial n\u00e3o basta &#8211; a fase externa permanece aberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O pagamento parcial \u00e9 juridicamente poss\u00edvel e v\u00e1lido para reduzir o d\u00e9bito; o que ocorre \u00e9 a impossibilidade de regresso prematuro.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-4\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia resume-se a definir a possibilidade de exerc\u00edcio imediato do direito de regresso por devedor solid\u00e1rio em face dos demais codevedores em virtude de pagamento parcial efetuado \u00e0 credora comum, no contexto de condena\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria em elevada indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais decorrentes de responsabilidade civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a solidariedade passiva estrutura-se em duas fases: a externa, que compreende a rela\u00e7\u00e3o entre o credor e os devedores solid\u00e1rios, e a interna, relativa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de nivelamento e reembolso entre os codevedores, destinada a restabelecer o equil\u00edbrio patrimonial conforme as quotas de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A fase interna, destinada ao nivelamento entre os codevedores e que viabiliza o direito de regresso, somente se inicia com o encerramento da fase externa, nos termos do art. 283 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mesmo na solidariedade passiva decorrente da responsabilidade civil, quem pretende exercer o direito de regresso deve quitado integralmente a d\u00edvida com o credor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a pretens\u00e3o de cobran\u00e7a exercida pela via da a\u00e7\u00e3o de regresso passa a ser exercit\u00e1vel com o pagamento integral, momento a partir do qual, inclusive, inicia-se o curso do correspondente prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, o pagamento parcial, embora v\u00e1lido e \u00fatil para a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito comum, n\u00e3o extingue a fase externa da solidariedade, raz\u00e3o pela qual \u00e9 prematuro o exerc\u00edcio do direito de regresso.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-7-cirurgia-de-feminizacao-facial-e-cobertura-por-plano-de-saude\" class=\"wp-block-heading\">7. CIRURGIA DE FEMINIZA\u00c7\u00c3O FACIAL E COBERTURA POR PLANO DE SA\u00daDE<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial, no processo transexualizador, <strong>\u00e9 de cobertura obrigat\u00f3ria pelas operadoras de planos de sa\u00fade<\/strong>, quando prescrita por m\u00e9dico assistente \u00e0 benefici\u00e1ria diagnosticada com incongru\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementina, mulher transg\u00eanero, recebeu prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial &#8211; reconstru\u00e7\u00e3o craniana ou craniofacial, rinoplastia reparadora e tireoplastia (ressec\u00e7\u00e3o parcial de &#8220;pomo de Ad\u00e3o&#8221;) &#8211; no contexto do processo transexualizador. Diagnosticada com incongru\u00eancia de g\u00eanero (CID-11 HA60), pleiteou cobertura pela BemProtege Sa\u00fade S.A. A operadora negou, sob fundamento de que o procedimento teria natureza est\u00e9tica e n\u00e3o estaria expressamente listado no rol da ANS. A cirurgia integra a cobertura obrigat\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2427\/2025<\/strong><em> (crit\u00e9rios \u00e9ticos e t\u00e9cnicos para atendimento a pessoas com incongru\u00eancia e\/ou disforia de g\u00eanero &#8211; linha de cuidados espec\u00edficos com acolhimento, ambulatorial, hormonioterapia e cuidado cir\u00fargico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>ANS &#8211; Parecer T\u00e9cnico n\u00ba 26\/GCITS\/GGRAS\/DIPRO\/2024<\/strong><em> (cobertura do processo transexualizador conforme prescri\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico assistente e crit\u00e9rios CFM).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>ANS &#8211; Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 424\/2017<\/strong><em> (junta m\u00e9dica para solucionar diverg\u00eancia t\u00e9cnico-assistencial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.656\/1998, art. 10, \u00a7 13<\/strong><em> (cobertura de tratamento fora do rol (Lei n\u00ba 14.454\/2022)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Princ\u00edpios de Yogyakarta, Princ\u00edpio 17<\/strong><em> (direito \u00e0 sa\u00fade sem discrimina\u00e7\u00e3o por orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O Conselho Federal de Medicina (Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2427\/2025) define a incongru\u00eancia de g\u00eanero como condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e estabelece linha de cuidados que inclui o cuidado cir\u00fargico. A ANS, no Parecer n\u00ba 26\/2024, reconhece a cobertura obrigat\u00f3ria do processo transexualizador, observados os crit\u00e9rios de elegibilidade definidos pelo CFM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial integra o processo transexualizador e tem finalidade terap\u00eautica (adequa\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica \u00e0 identidade de g\u00eanero), n\u00e3o meramente est\u00e9tica. A diretriz CNJ (2021) para julgamento com perspectiva de g\u00eanero orienta a leitura constitucional do direito \u00e0 sa\u00fade no plano da igualdade material.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras. A primeira, da operadora: a cirurgia teria natureza est\u00e9tica e dependeria de previs\u00e3o expressa no rol da ANS para cobertura. A segunda, da benefici\u00e1ria: <strong>a cirurgia integra o processo transexualizador, que tem finalidade terap\u00eautica reconhecida pelo CFM (Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2427\/2025) e pela ANS (Parecer n\u00ba 26\/2024)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prevaleceu a leitura terap\u00eautica. <strong>A incongru\u00eancia de g\u00eanero (CID-11 HA60) \u00e9 condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica diagnosticada e tratada por linha de cuidados espec\u00edfica &#8211; acolhimento, acompanhamento ambulatorial, hormonioterapia e cuidado cir\u00fargico<\/strong>. A cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial integra essa linha, com finalidade de adequa\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica \u00e0 identidade de g\u00eanero &#8211; n\u00e3o \u00e9 est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O regime regulat\u00f3rio confirma essa leitura: <strong>a ANS, no Parecer n\u00ba 26\/2024, estabeleceu que deve ser garantida a cobertura de procedimentos previstos no rol quando solicitados pelo m\u00e9dico assistente e atendidos os crit\u00e9rios definidos pelo CFM<\/strong>. A operadora pode requerer junta m\u00e9dica para diverg\u00eancia t\u00e9cnica (RN n\u00ba 424\/2017), mas n\u00e3o negar a cobertura por presun\u00e7\u00e3o de natureza est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A leitura constitucional refor\u00e7a: <strong>o direito \u00e0 sa\u00fade no plano da igualdade material exige aten\u00e7\u00e3o \u00e0 perspectiva de g\u00eanero (protocolo CNJ de 2021) e ao princ\u00edpio da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o por identidade de g\u00eanero (Princ\u00edpio 17 de Yogyakarta)<\/strong>. Recusar a cobertura por estere\u00f3tipo (&#8220;cirurgia est\u00e9tica&#8221;) sem an\u00e1lise individualizada perpetua discrimina\u00e7\u00e3o vedada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a cobertura, pela operadora de plano de sa\u00fade, de cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial prescrita \u00e0 benefici\u00e1ria diagnosticada com incongru\u00eancia de g\u00eanero:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 facultativa, em raz\u00e3o da natureza est\u00e9tica dos procedimentos de feminiza\u00e7\u00e3o facial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 obrigat\u00f3ria apenas quando a benefici\u00e1ria apresentar disforia de g\u00eanero grave e laudo psiqui\u00e1trico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 facultativa, condicionada \u00e0 inclus\u00e3o expressa do procedimento no rol da ANS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 obrigat\u00f3ria somente ap\u00f3s decis\u00e3o judicial espec\u00edfica autorizadora do procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 obrigat\u00f3ria, por integrar a linha de cuidados do processo transexualizador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial tem finalidade terap\u00eautica de adequa\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica \u00e0 identidade de g\u00eanero, integrando o processo transexualizador (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2427\/2025) &#8211; n\u00e3o \u00e9 est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A condi\u00e7\u00e3o diagnosticada \u00e9 a incongru\u00eancia de g\u00eanero (CID-11 HA60), cujo tratamento envolve linha de cuidados espec\u00edfica; n\u00e3o se exige disforia grave nem laudo psiqui\u00e1trico adicional al\u00e9m da prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O processo transexualizador integra a cobertura obrigat\u00f3ria conforme regulamenta\u00e7\u00e3o da ANS, independentemente de inclus\u00e3o expressa do procedimento de feminiza\u00e7\u00e3o facial no rol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de decis\u00e3o judicial espec\u00edfica: a cobertura \u00e9 obrigat\u00f3ria quando preenchidos os crit\u00e9rios CFM e a prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> A cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial integra a linha de cuidados do processo transexualizador (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2427\/2025) e a ANS reconheceu a cobertura obrigat\u00f3ria (Parecer n\u00ba 26\/2024), observados os crit\u00e9rios CFM e a prescri\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico assistente.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-5\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir sobre a obriga\u00e7\u00e3o de cobertura, pela operadora do plano de sa\u00fade, de cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial, prescrita \u00e0 benefici\u00e1ria diagnosticada com incongru\u00eancia de g\u00eanero (CID-11 HA60).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, cabe salientar que, atendendo \u00e0 diretriz da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, o CNJ instituiu, em 2021, o protocolo para julgamento com perspectiva de g\u00eanero, com o objetivo de &#8220;orientar a magistratura no julgamento de casos concretos, de modo que magistradas e magistrados julguem sob a lente de g\u00eanero, avan\u00e7ando na efetiva\u00e7\u00e3o da igualdade e nas pol\u00edticas de equidade&#8221;, inclusive para garantir os direitos humanos das pessoas LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 sob essa perspectiva, portanto, que deve ser analisada a controv\u00e9rsia, considerando que se trata de mulher transg\u00eanero, diagnosticada com incongru\u00eancia de g\u00eanero, condi\u00e7\u00e3o definida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como &#8220;discord\u00e2ncia acentuada e persistente entre o g\u00eanero vivenciado de um indiv\u00edduo e o sexo atribu\u00eddo, sem necessariamente implicar sofrimento&#8221; (art. 1, II, da Resolu\u00e7\u00e3o 2427\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para tanto, cabe considerar que o Conselho Federal de Medicina &#8211; CFM publicou a Resolu\u00e7\u00e3o n. 2427\/2025 por meio da qual &#8220;revisa os crit\u00e9rios \u00e9ticos e t\u00e9cnicos para o atendimento a pessoas com incongru\u00eancia e\/ou disforia de g\u00eanero e d\u00e1 outras provid\u00eancias&#8221;, estabelecendo, &#8220;em rela<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na aus\u00eancia de lei que disponha, especificamente, sobre os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, o STF orienta que, embora sem conte\u00fado vinculante, os Princ\u00edpios de Yogyakarta &#8220;cont\u00e9m recomenda\u00e7\u00f5es aos governos, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es intergovernamentais, \u00e0 sociedade civil e \u00e0 pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a prote\u00e7\u00e3o dos direitos LGBT e t\u00eam a pretens\u00e3o de ser adotado como um standard jur\u00eddico universal&#8221; (RE 670422, Tribunal Pleno, DJe de 09\/03\/2020). De acordo com o Princ\u00edpio 17 de Yogyakarta, &#8220;toda pessoa tem o direito ao padr\u00e3o mais alto alcan\u00e7\u00e1vel de sa\u00fade f\u00edsica e mental, sem discrimina\u00e7\u00e3o por motivo de orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero&#8221; e os Estados dever\u00e3o facilitar o acesso daquelas pessoas que est\u00e3o buscando modifica\u00e7\u00f5es corporais relacionadas \u00e0 redesigna\u00e7\u00e3o de sexo\/g\u00eanero, ao atendimento, tratamento e apoio competentes e n\u00e3o discriminat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recentemente, a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) emitiu o Parecer T\u00e9cnico n. 26\/GCITS\/GGRAS\/DIPRO\/2024 sobre a cobertura do processo transexualizador ou de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, por meio do qual estabelece que &#8220;dever\u00e1 ser garantida a cobertura de procedimentos previstos no rol, desde que sejam solicitados pelo m\u00e9dico assistente e se atendidos os crit\u00e9rios definidos em eventuais Diretriz de Utiliza\u00e7\u00e3o &#8211; DUT ou na pr\u00f3pria denomina\u00e7\u00e3o do procedimento&#8221;, observados os crit\u00e9rios de elegibilidade estabelecidos pelo CFM, cabendo, \u00e0 operadora, &#8220;garantir a realiza\u00e7\u00e3o de junta m\u00e9dica, com vistas a solucionar a diverg\u00eancia t\u00e9cnico-assistencial, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa &#8211; RN n 424\/2017, desde que haja previs\u00e3o contratual para o mecanismo de regula\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No particular, al\u00e9m de os procedimentos de feminiza\u00e7\u00e3o facial &#8211; reconstru\u00e7\u00e3o craniana ou craniofacial, rinoplastia reparadora e tireoplastia (ressec\u00e7\u00e3o parcial de &#8220;pomo de Ad\u00e3o&#8221;) &#8211; terem sido prescritos pelo m\u00e9dico assistente e serem reconhecidos pelo CFM como procedimentos de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero do masculino para o feminino, integram o processo transexualizador, o qual foi incorporado ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), e est\u00e3o listados na tabela TUSS (terminologia unificada de sa\u00fade suplementar) e no rol da ANS, sem diretrizes de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A par de n\u00e3o se tratar de procedimento experimental, tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de procedimento est\u00e9tico, sendo certo que a cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial, muito antes de melhorar a apar\u00eancia, visa, no processo transexualizador, \u00e0 autoafirma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio indiv\u00edduo, inclu\u00edda no conceito de sa\u00fade integral do ser humano, enquanto medida de preven\u00e7\u00e3o ao adoecimento decorrente do sofrimento causado pela incongru\u00eancia de g\u00eanero, pelo preconceito e pelo estigma social vivido por quem experimenta a inadequa\u00e7\u00e3o de um corpo masculino \u00e0 sua identidade feminina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cirurgia de feminiza\u00e7\u00e3o facial, no processo transexualizador, n\u00e3o se enquadra nas exce\u00e7\u00f5es do art. 10 da Lei n. 9.656\/1998, impondo-se \u00e0 operadora do plano de sa\u00fade a obriga\u00e7\u00e3o de sua cobertura.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-8-assedio-de-consumo-e-visita-domiciliar-de-correspondente-bancario-a-idoso\" class=\"wp-block-heading\">8. ASS\u00c9DIO DE CONSUMO E VISITA DOMICILIAR DE CORRESPONDENTE BANC\u00c1RIO A IDOSO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A visita domiciliar realizada por correspondente banc\u00e1rio a consumidor idoso <strong>para a oferta de cr\u00e9dito, sem que tenha havido solicita\u00e7\u00e3o, configura ass\u00e9dio de consumo<\/strong>; a institui\u00e7\u00e3o financeira responde pelos atos praticados pelo correspondente contratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.226.633-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria, julgado em 2\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00f3pis, aposentada do INSS de 78 anos, recebeu visita domiciliar n\u00e3o solicitada de correspondente banc\u00e1rio do Banco Confia Mais S.A. para ofertar empr\u00e9stimo consignado. Ap\u00f3s assinar contrato sem compreens\u00e3o clara dos termos, ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando: (i) a visita configura ass\u00e9dio de consumo, vedado pelo CDC; (ii) a institui\u00e7\u00e3o financeira responde pelo ato do correspondente. A opera\u00e7\u00e3o envolveu publico vulner\u00e1vel (idosa) e produto de impacto financeiro relevante (consignado). A visita n\u00e3o solicitada caracteriza ass\u00e9dio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 39, III<\/strong><em> (pr\u00e1tica abusiva: envio ou entrega de produto ou fornecimento de servi\u00e7o sem solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 54-C<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o ao ass\u00e9dio de consumo na oferta de cr\u00e9dito, em especial ao consumidor idoso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Estatuto do Idoso (Lei n\u00ba 10.741\/2003)<\/strong><em> (prote\u00e7\u00e3o especial nas rela\u00e7\u00f5es de consumo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o BACEN n\u00ba 4.935\/2021, art. 2\u00ba<\/strong><em> (institui\u00e7\u00e3o financeira responde inteiramente pelo atendimento prestado por correspondente contratado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O envio ou fornecimento n\u00e3o solicitado de produto ou servi\u00e7o \u00e9 pr\u00e1tica abusiva (CDC, art. 39, III). A oferta de cr\u00e9dito &#8211; opera\u00e7\u00e3o de impacto financeiro relevante &#8211; \u00e9 especialmente sens\u00edvel: o art. 54-C do CDC veda expressamente o ass\u00e9dio de consumo, com prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada ao idoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A figura do correspondente banc\u00e1rio (Resolu\u00e7\u00e3o BACEN n\u00ba 4.935\/2021) \u00e9 v\u00ednculo de delega\u00e7\u00e3o operacional, n\u00e3o de externaliza\u00e7\u00e3o de responsabilidade. A institui\u00e7\u00e3o financeira responde inteiramente pelo atendimento prestado por meio do contratado &#8211; tanto em rela\u00e7\u00e3o aos termos do produto quanto \u00e0s pr\u00e1ticas comerciais utilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia tinha dois planos. O primeiro: a visita domiciliar n\u00e3o solicitada a idoso, para oferta de cr\u00e9dito, configura pr\u00e1tica abusiva? <strong>O CDC, no art. 39, III, veda expressamente o envio ou fornecimento de servi\u00e7o sem solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via<\/strong>. Trata-se de prote\u00e7\u00e3o da autonomia da vontade do consumidor: a oferta deve operar por iniciativa dele, n\u00e3o por abordagem direta do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A oferta de cr\u00e9dito tem regime de prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ado. <strong>O art. 54-C do CDC veda expressamente o ass\u00e9dio de consumo na oferta de cr\u00e9dito, em especial ao consumidor idoso<\/strong>. A combina\u00e7\u00e3o dos dois dispositivos (39, III + 54-C) torna o caso da visita domiciliar n\u00e3o solicitada a idoso, para oferta de empr\u00e9stimo, pr\u00e1tica abusiva qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O segundo plano da controv\u00e9rsia: a institui\u00e7\u00e3o financeira responde pelos atos do correspondente banc\u00e1rio? <strong>A Resolu\u00e7\u00e3o BACEN n\u00ba 4.935\/2021, art. 2\u00ba, \u00e9 categ\u00f3rica: a institui\u00e7\u00e3o financeira assume inteira responsabilidade pelo atendimento prestado aos clientes e usu\u00e1rios por meio do correspondente contratado<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 cis\u00e3o de responsabilidade entre matriz banc\u00e1ria e correspondente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o tem fundamento sist\u00eamico: <strong>o correspondente banc\u00e1rio \u00e9 instrumento operacional do banco, v\u00ednculo de delega\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o modo de transferir riscos aos terceiros<\/strong>. O cliente da rela\u00e7\u00e3o \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, cliente do banco &#8211; cabendo-lhe responder pelas pr\u00e1ticas comerciais utilizadas na capta\u00e7\u00e3o e na execu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a visita domiciliar realizada por correspondente banc\u00e1rio a consumidor idoso para oferta de cr\u00e9dito sem solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, e a responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o financeira:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Configura pr\u00e1tica abusiva, mas a responsabiliza\u00e7\u00e3o recai apenas sobre o correspondente banc\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Configura ass\u00e9dio de consumo; a institui\u00e7\u00e3o financeira responde pelos atos do correspondente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o configura pr\u00e1tica abusiva, em raz\u00e3o do princ\u00edpio da livre iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Configura pr\u00e1tica abusiva, mas a responsabilidade do banco \u00e9 subsidi\u00e1ria \u00e0 do correspondente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Configura ass\u00e9dio de consumo apenas se o consumidor demonstrar vulnerabilidade cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A Resolu\u00e7\u00e3o BACEN n\u00ba 4.935\/2021, art. 2\u00ba, atribui \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira inteira responsabilidade pelo atendimento prestado por correspondente; o correspondente \u00e9 instrumento operacional do banco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A oferta n\u00e3o solicitada a idoso configura ass\u00e9dio de consumo (CDC, arts. 39, III, e 54-C); a institui\u00e7\u00e3o financeira responde pelos atos do correspondente banc\u00e1rio (Resolu\u00e7\u00e3o BACEN n\u00ba 4.935\/2021, art. 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A livre iniciativa n\u00e3o autoriza pr\u00e1tica vedada pelo CDC; o art. 54-C \u00e9 norma cogente de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor, especialmente o idoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 direta e integral (Resolu\u00e7\u00e3o BACEN n\u00ba 4.935\/2021), n\u00e3o subsidi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A vulnerabilidade do idoso \u00e9 presumida pelo CDC; a configura\u00e7\u00e3o do ass\u00e9dio n\u00e3o depende de prova adicional de incapacidade cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-6\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em decidir se o oferecimento ativo de cr\u00e9dito em domic\u00edlio a aposentados e pensionistas do INSS, sem pr\u00e9via solicita\u00e7\u00e3o, configura ass\u00e9dio de consumo e se as institui\u00e7\u00f5es financeiras respondem pelos il\u00edcitos praticados por seus correspondentes banc\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre a proibi\u00e7\u00e3o da oferta de empr\u00e9stimo consignado a aposentados e pensionistas do INSS em visitas domiciliares realizadas por correspondentes banc\u00e1rios, entende-se que tal pr\u00e1tica somente \u00e9 l\u00edcita quando ocorrer em decorr\u00eancia de pedido realizado pelo consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Noutro v\u00e9rtice, a visita domiciliar n\u00e3o requerida se configura como ass\u00e9dio de consumo, porquanto o art. 39 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) determina que \u00e9 vedado, ao fornecedor de servi\u00e7os, enviar ou entregar ao consumidor, sem solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, qualquer produto, ou fornecer qualquer servi\u00e7o. Determina\u00e7\u00e3o esta que \u00e9 refor\u00e7ada no art. 54-C do CDC ao vedar o ass\u00e9dio de consumo na oferta de cr\u00e9dito, notadamente quando se tratar de consumidor idoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 a Resolu\u00e7\u00e3o n. 4.935\/2021 do BACEN, ao dispor sobre a contrata\u00e7\u00e3o de correspondentes banc\u00e1rios, estabelece, no seu art. 2, que a institui\u00e7\u00e3o financeira assume inteira responsabilidade pelo atendimento prestado aos clientes e usu\u00e1rios por meio do contratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a visita domiciliar realizada por correspondente banc\u00e1rio a consumidor idoso, sem que tenha havido solicita\u00e7\u00e3o, configura-se como ass\u00e9dio de consumo, sendo a institui\u00e7\u00e3o financeira respons\u00e1vel pelo atendimento prestado aos clientes e usu\u00e1rios por interm\u00e9dio dos correspondentes banc\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-9-tarifa-de-adiantamento-a-depositante-legitimidade-da-cobranca\" class=\"wp-block-heading\">9. TARIFA DE ADIANTAMENTO A DEPOSITANTE: LEGITIMIDADE DA COBRAN\u00c7A<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tarifa de adiantamento a depositante consubstancia servi\u00e7o espec\u00edfico, individualizado e distinto da remunera\u00e7\u00e3o do capital, <strong>sendo leg\u00edtima sua cobran\u00e7a quando prevista contratualmente, informada com transpar\u00eancia e efetivada a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quico, correntista do Cr\u00e9dito Justo S.A., apresentou saldo negativo em conta-corrente. O banco cobriu o excesso e cobrou a tarifa de adiantamento a depositante, prevista contratualmente. Quico ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando: (i) a tarifa seria abusiva por desproporcional ao valor adiantado; (ii) a opera\u00e7\u00e3o se confundiria com a remunera\u00e7\u00e3o do capital pelos juros; (iii) o CDC vedaria a cobran\u00e7a. A tarifa de adiantamento a depositante constitui cobran\u00e7a leg\u00edtima ou abusividade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 4.595\/1964, arts. 4\u00ba, VI e IX, e 9\u00ba<\/strong><em> (compet\u00eancia do CMN e do BACEN sobre servi\u00e7os financeiros e tarifas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CMN n\u00ba 3.919\/2010, art. 3\u00ba, IV, e Tabela I, item 4.1<\/strong><em> (previs\u00e3o expressa da tarifa de adiantamento a depositante).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STJ &#8211; Tema Repetitivo 168<\/strong><em> (validade das tarifas banc\u00e1rias aferida \u00e0 luz dos normativos do CMN e do BACEN).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC<\/strong><em> (aplica\u00e7\u00e3o preterida naquilo em que incompat\u00edvel com a compet\u00eancia do CMN\/BACEN).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O Tema 168\/STJ delimitou: a validade das tarifas banc\u00e1rias afere-se \u00e0 luz dos normativos do CMN e do BACEN, em raz\u00e3o das compet\u00eancias legais atribu\u00eddas pela Lei n\u00ba 4.595\/1964. CDC e CC aplicam-se subsidiariamente, naquilo em que forem compat\u00edveis com o regime regulat\u00f3rio espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A tarifa de adiantamento a depositante tem previs\u00e3o normativa expressa (Resolu\u00e7\u00e3o CMN n\u00ba 3.919\/2010). Remunera servi\u00e7o aut\u00f4nomo: a an\u00e1lise t\u00e9cnica, registro e processamento singularizado para cobrir excesso na conta &#8211; opera\u00e7\u00e3o distinta da remunera\u00e7\u00e3o do capital adiantado (esta sim, paga pelos juros).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras. A primeira, do correntista: a tarifa seria abusiva e estaria absorvida pelos juros remunerat\u00f3rios. A segunda, do banco: <strong>os juros remuneram o capital adiantado; a tarifa remunera o servi\u00e7o acess\u00f3rio de an\u00e1lise, registro e processamento da opera\u00e7\u00e3o<\/strong>. As causas s\u00e3o diversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prevaleceu a segunda. <strong>Confundir tarifa de servi\u00e7o com remunera\u00e7\u00e3o de capital implicaria admitir que toda atividade da institui\u00e7\u00e3o financeira no contexto de uma contrata\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito estaria absorvida pelos juros<\/strong> &#8211; o que n\u00e3o procede, pois h\u00e1 diversos servi\u00e7os acess\u00f3rios que exigem atua\u00e7\u00e3o individualizada, mobiliza\u00e7\u00e3o operacional espec\u00edfica e processamento singularizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O regime regulat\u00f3rio confirma a legitimidade da cobran\u00e7a: <strong>a Resolu\u00e7\u00e3o CMN n\u00ba 3.919\/2010 (art. 3\u00ba, IV, e Tabela I, item 4.1) prev\u00ea expressamente a tarifa de adiantamento a depositante<\/strong>; e o Tema 168\/STJ firmou que a validade das tarifas banc\u00e1rias afere-se \u00e0 luz dos normativos do CMN e do BACEN, em raz\u00e3o das compet\u00eancias legais (Lei n\u00ba 4.595\/1964, arts. 4\u00ba e 9\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A an\u00e1lise pelo vi\u00e9s do CDC chega \u00e0 mesma conclus\u00e3o. <strong>N\u00e3o h\u00e1 veda\u00e7\u00e3o absoluta a tarifas acess\u00f3rias; o que o CDC repudia \u00e9 vantagem manifestamente excessiva, cobran\u00e7a por servi\u00e7o inexistente ou atividade interna do fornecedor<\/strong>. Havendo efetiva contrapresta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, com informa\u00e7\u00e3o adequada e identifica\u00e7\u00e3o objetiva do servi\u00e7o prestado, n\u00e3o se configura abusividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a cobran\u00e7a da tarifa de adiantamento a depositante, prevista contratualmente e fundada em saldo devedor em conta-corrente do consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 leg\u00edtima, por remunerar servi\u00e7o aut\u00f4nomo distinto da remunera\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 abusiva, pois absorvida pela remunera\u00e7\u00e3o do capital embutida nos juros aplic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 abusiva, em raz\u00e3o da aus\u00eancia de proporcionalidade entre tarifa e valor do cr\u00e9dito disponibilizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 leg\u00edtima apenas em contratos firmados fora do \u00e2mbito do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 abusiva, em raz\u00e3o da veda\u00e7\u00e3o geral do CDC a tarifas vinculadas a opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> A tarifa de adiantamento a depositante remunera servi\u00e7o espec\u00edfico, individualizado e distinto da remunera\u00e7\u00e3o do capital (Resolu\u00e7\u00e3o CMN n\u00ba 3.919\/2010). Leg\u00edtima quando prevista contratualmente, informada com transpar\u00eancia e efetivada a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o (Tema 168\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. Os juros remuneram o capital; a tarifa remunera servi\u00e7o acess\u00f3rio. As causas s\u00e3o diversas &#8211; confundi-las implicaria absorver a atividade banc\u00e1ria integralmente pelos juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A desproporcionalidade entre tarifa e valor do cr\u00e9dito n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio: a tarifa remunera servi\u00e7o aut\u00f4nomo (an\u00e1lise, registro, processamento), n\u00e3o a disponibiliza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A legitimidade opera pelos crit\u00e9rios materiais (previs\u00e3o contratual, transpar\u00eancia, presta\u00e7\u00e3o efetiva do servi\u00e7o), mesmo que em contratos consumeristas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O CDC n\u00e3o veda em abstrato tarifas em opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito; repudia apenas vantagem manifestamente excessiva, servi\u00e7o inexistente ou atividade interna do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-7\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a cl\u00e1usula contratual que prev\u00ea a cobran\u00e7a da tarifa de adiantamento a depositante \u00e9 v\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, tem-se que a cobran\u00e7a de tarifas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras ficou delimitada no julgamento do Tema Repetitivo 168 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a &#8211; STJ, cuja ratio decidendi parte do reconhecimento das compet\u00eancias atribu\u00eddas ao Conselho Monet\u00e1rio Nacional &#8211; CMN e ao Banco Central &#8211; BACEN (arts. 4, VI e IX, e 9 da Lei n. 4.595\/1964), preterindo a aplica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Civil e do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor naquilo em que forem incompat\u00edveis , e examina a validade das tarifas banc\u00e1rias \u00e0 luz dos normativos do CMN e do BACEN. Nesse contexto, a tarifa de adiantamento a depositante possui respaldo normativo expresso na Resolu\u00e7\u00e3o CMN n. 3.919\/2010 (art. 3, IV, e Tabela I, item 4.1) e consubstancia servi\u00e7o espec\u00edfico, individualizado e distinto da remunera\u00e7\u00e3o do capital, sendo leg\u00edtima sua cobran\u00e7a quando prevista contratualmente, informada com transpar\u00eancia e efetivada a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, n\u00e3o configura abusividade a falta de proporcionalidade entre o valor da tarifa de adiantamento a depositante e o valor do cr\u00e9dito disponibilizado para cobrir o excesso verificado na conta-corrente do consumidor, pois n\u00e3o se deve confundir custo do capital emprestado &#8211; remunerado pelos juros &#8211; com o servi\u00e7o acess\u00f3rio e aut\u00f4nomo prestado ao consumidor e objeto da tarifa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, mesmo analisando a quest\u00e3o sob a \u00f3tica do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em veda\u00e7\u00e3o absoluta \u00e0 cobran\u00e7a de tarifas acess\u00f3rias. O que o normativo repudia \u00e9 a vantagem manifestamente excessiva, a cobran\u00e7a por servi\u00e7o inexistente ou inerente exclusivamente \u00e0 atividade interna do fornecedor. Todavia, havendo efetiva contrapresta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em favor do consumidor, com informa\u00e7\u00e3o adequada e possibilidade de identifica\u00e7\u00e3o objetiva do servi\u00e7o prestado, n\u00e3o se configura abusividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compreens\u00e3o diversa implicaria admitir que toda atividade desempenhada pela institui\u00e7\u00e3o financeira no contexto de uma contrata\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito estaria necessariamente absorvida pelos juros remunerat\u00f3rios, o que n\u00e3o procede, pois h\u00e1 diversos servi\u00e7os acess\u00f3rios que exigem atua\u00e7\u00e3o individualizada, mobiliza\u00e7\u00e3o operacional espec\u00edfica, an\u00e1lise t\u00e9cnica, registro ou processamento singularizado, que extrapolam a mera disponibiliza\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. Da\u00ed por que se admite a cobran\u00e7a de tarifas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras quando demonstrada sua correspond\u00eancia com servi\u00e7o efetivo e aut\u00f4nomo, precisamente porque tais valores n\u00e3o representam incremento artificial do saldo devedor nem remunera\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada do capital emprestado. A causa \u00e9 diversa: enquanto os juros remuneram o capital, a tarifa remunera o servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-usucapiao-familiar-e-limite-da-area-total-do-imovel\" class=\"wp-block-heading\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; USUCAPI\u00c3O FAMILIAR E LIMITE DA \u00c1REA TOTAL DO IM\u00d3VEL<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O limite de 250 m\u00b2 estabelecido no art. 1.240-A do CC <strong>refere-se \u00e0 \u00e1rea total do im\u00f3vel urbano objeto da posse<\/strong>, de modo que a usucapi\u00e3o familiar n\u00e3o pode incidir sobre fra\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel de maior dimens\u00e3o para fins de adequa\u00e7\u00e3o ao par\u00e2metro legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 1.878.735-RJ, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/6\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josefina ajuizou a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o familiar contra o ex-companheiro ausente Geremias, fundamentada no art. 1.240-A do CC, sobre fra\u00e7\u00e3o de 250 m\u00b2 de im\u00f3vel urbano cuja \u00e1rea total \u00e9 de 360 m\u00b2. Sustentava que: (i) ocupava com a fam\u00edlia apenas a fra\u00e7\u00e3o; (ii) a limita\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o \u00e0 parcela de 250 m\u00b2 atenderia ao requisito legal. O Tribunal local negou: o limite refere-se \u00e0 \u00e1rea total do im\u00f3vel, n\u00e3o \u00e0 fra\u00e7\u00e3o que se pretende usucapir. \u00c9 poss\u00edvel restringir o pedido a 250 m\u00b2 quando o im\u00f3vel total \u00e9 maior?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXII<\/strong><em> (direito de propriedade como direito fundamental).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.240-A<\/strong><em> (usucapi\u00e3o familiar: im\u00f3vel urbano de at\u00e9 250 m\u00b2, posse direta exclusiva, por 2 anos, abandono pelo ex-c\u00f4njuge).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Enunciado n\u00ba 313 da IV Jornada de Direito Civil<\/strong><em> (usucapi\u00e3o especial: posse sobre \u00e1rea superior aos limites legais n\u00e3o admite aquisi\u00e7\u00e3o, ainda que o pedido restrinja a dimens\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A usucapi\u00e3o familiar \u00e9 modalidade de prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva especial que opera sobre a mea\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge ou companheiro ausente. Como restringe direito fundamental (propriedade, CF, art. 5\u00ba, XXII), a norma exige interpreta\u00e7\u00e3o restritiva: aplica-se nos precisos limites em que o legislador a formulou, sem extens\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A leitura do art. 1.240-A do CC revela que o limite de 250 m\u00b2 qualifica o &#8220;im\u00f3vel urbano&#8221; sobre o qual se exerce a posse &#8211; e n\u00e3o a fra\u00e7\u00e3o que se pretende usucapir. A palavra &#8220;im\u00f3vel&#8221; \u00e9 usada no singular e de forma unit\u00e1ria no caput. O objeto do instituto \u00e9 o im\u00f3vel como um todo, e ele deve ter \u00e1rea m\u00e1xima de 250 m\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras sobre o art. 1.240-A do CC. A primeira: <strong>o limite de 250 m\u00b2 qualificaria apenas a fra\u00e7\u00e3o efetivamente exercida em posse pelo c\u00f4njuge remanescente, permitindo usucapir parcela de im\u00f3vel maior<\/strong>. A segunda: o limite refere-se \u00e0 \u00e1rea total do im\u00f3vel, n\u00e3o admitindo fragmenta\u00e7\u00e3o interpretativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prevaleceu a segunda leitura, com base em duas raz\u00f5es dogm\u00e1ticas. A primeira \u00e9 hermen\u00eautica: <strong>toda norma que restringe direito fundamental exige conten\u00e7\u00e3o interpretativa &#8211; deve ser aplicada nos precisos limites em que o legislador a formulou, sem extens\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas<\/strong>. A propriedade \u00e9 direito fundamental (CF, art. 5\u00ba, XXII); a usucapi\u00e3o opera como restri\u00e7\u00e3o a ela. Ampliar o instituto por via interpretativa significaria restringir mais intensamente o direito do ex-c\u00f4njuge ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A segunda raz\u00e3o \u00e9 textual: <strong>a palavra &#8220;im\u00f3vel&#8221; \u00e9 usada no singular e de forma unit\u00e1ria ao longo do caput do art. 1.240-A: \u00e9 sobre o &#8220;im\u00f3vel urbano de at\u00e9 250 m\u00b2&#8221; que se exerce a posse; \u00e9 o &#8220;im\u00f3vel&#8221; cuja propriedade se divide com o ex-c\u00f4njuge; \u00e9 o &#8220;im\u00f3vel&#8221; usado para moradia<\/strong>. Nenhuma men\u00e7\u00e3o a &#8220;parte&#8221;, &#8220;fra\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;\u00e1rea&#8221; do im\u00f3vel &#8211; o objeto do instituto \u00e9 o im\u00f3vel como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Refor\u00e7o doutrin\u00e1rio: <strong>o Enunciado n\u00ba 313 da IV Jornada de Direito Civil \u00e9 categ\u00f3rico &#8211; quando a posse ocorre sobre \u00e1rea superior aos limites legais, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a aquisi\u00e7\u00e3o pela usucapi\u00e3o especial, ainda que o pedido restrinja a dimens\u00e3o<\/strong>. O legislador definiu conscientemente o limite de 250 m\u00b2 como par\u00e2metro de elegibilidade do instituto; n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio ampliar essa elegibilidade por via interpretativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a interpreta\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o de \u00e1rea prevista no art. 1.240-A do CC, em pedido de usucapi\u00e3o familiar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Refere-se \u00e0 fra\u00e7\u00e3o de \u00e1rea que o c\u00f4njuge remanescente efetivamente ocupa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Pode ser ampliada mediante decis\u00e3o judicial fundamentada no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Pode ser flexibilizado mediante prova de hipossufici\u00eancia econ\u00f4mica do c\u00f4njuge remanescente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Refere-se \u00e0 fra\u00e7\u00e3o ideal correspondente \u00e0 mea\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Refere-se \u00e0 \u00e1rea total do im\u00f3vel urbano, sem possibilidade de adequa\u00e7\u00e3o por fragmenta\u00e7\u00e3o do pedido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A palavra &#8220;im\u00f3vel&#8221; no art. 1.240-A \u00e9 usada no singular e unitariamente &#8211; refere-se \u00e0 totalidade, n\u00e3o a fra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de amplia\u00e7\u00e3o por decis\u00e3o judicial; o par\u00e2metro de 250 m\u00b2 \u00e9 elegibilidade objetiva fixada pelo legislador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A hipossufici\u00eancia econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio legal para flexibiliza\u00e7\u00e3o; o par\u00e2metro \u00e9 objetivo (\u00e1rea total do im\u00f3vel) e n\u00e3o comporta exce\u00e7\u00e3o por condi\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. Fra\u00e7\u00e3o ideal correspondente \u00e0 mea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio do dispositivo; o im\u00f3vel inteiro deve ter at\u00e9 250 m\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> O limite de 250 m\u00b2 qualifica o im\u00f3vel urbano em sua integralidade (CC, art. 1.240-A); a usucapi\u00e3o familiar n\u00e3o incide sobre fra\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel maior, ainda que o pedido restrinja a dimens\u00e3o pleiteada (Enunciado n\u00ba 313 da IV JDC).<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-8\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se \u00e9 juridicamente poss\u00edvel o reconhecimento de usucapi\u00e3o familiar sobre fra\u00e7\u00e3o de at\u00e9 250 m de im\u00f3vel urbano cuja \u00e1rea total supera esse limite. Isto \u00e9, se o limite de 250 m estabelecido no art. 1.240-A do C\u00f3digo Civil diz respeito ao im\u00f3vel em sua integralidade &#8211; impedindo a usucapi\u00e3o quando a \u00e1rea total supera esse patamar &#8211; ou apenas \u00e0 fra\u00e7\u00e3o que se pretende usucapir, de modo que seria poss\u00edvel reconhecer a aquisi\u00e7\u00e3o limitada a 250 m, ainda que o im\u00f3vel total seja maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O instituto da usucapi\u00e3o familiar, introduzido pela Lei n. 12.424\/2011, \u00e9 modalidade de prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva que opera sobre a mea\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge ou companheiro ausente. A propriedade \u00e9 direito fundamental expressamente assegurado pelo art. 5, XXII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Toda norma que restringe direito fundamental exige do int\u00e9rprete conten\u00e7\u00e3o hermen\u00eautica: deve ser aplicada nos precisos limites em que o legislador a formulou, sem extens\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o expressamente previstas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 dado ao int\u00e9rprete ampliar o alcance do art. 1.240-A do C\u00f3digo Civil para al\u00e9m do que seu texto expressamente estabelece. A amplia\u00e7\u00e3o do instituto por via interpretativa corresponderia a uma restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada do direito de propriedade do c\u00f4njuge ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A leitura do referido dispositivo revela que o limite de 250 m qualifica o &#8220;im\u00f3vel urbano&#8221; sobre o qual se exerce a posse &#8211; e n\u00e3o a fra\u00e7\u00e3o que se pretende adquirir. A palavra &#8220;im\u00f3vel&#8221; \u00e9 utilizada no singular e de forma unit\u00e1ria ao longo de todo o caput do dispositivo: \u00e9 sobre o &#8220;im\u00f3vel urbano de at\u00e9 250 m&#8221; que se exerce a posse; \u00e9 o &#8220;im\u00f3vel&#8221; cuja propriedade se divide com o ex-c\u00f4njuge; \u00e9 o &#8220;im\u00f3vel&#8221; que \u00e9 usado para moradia. Em nenhum momento, o legislador emprega express\u00f5es como &#8220;parte do im\u00f3vel&#8221;, &#8220;fra\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel&#8221; ou &#8220;\u00e1rea do im\u00f3vel&#8221;. O objeto do instituto \u00e9 o im\u00f3vel como um todo, e esse im\u00f3vel deve ter \u00e1rea m\u00e1xima de 250 m. Portanto, a pretens\u00e3o de usucapir fra\u00e7\u00e3o de at\u00e9 250 m de im\u00f3vel com \u00e1rea total de 360 m n\u00e3o \u00e9 apenas interpreta\u00e7\u00e3o extensiva da norma &#8211; \u00e9 uma burla \u00e0 restri\u00e7\u00e3o que ela imp\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse mesmo sentido, o Enunciado n. 313 da IV Jornada de Direito Civil do Conselho da Justi\u00e7a Federal disp\u00f5e: &#8220;Quando a posse ocorre sobre \u00e1rea superior aos limites legais, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a aquisi\u00e7\u00e3o pela via da usucapi\u00e3o especial, ainda que o pedido restrinja a dimens\u00e3o do que se quer usucapir&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, o legislador definiu conscientemente o limite de 250 m como par\u00e2metro de elegibilidade, e n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio ampliar esse par\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-caducidade-de-marca-e-onus-de-prorrogacao-do-registro\" class=\"wp-block-heading\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CADUCIDADE DE MARCA E \u00d4NUS DE PRORROGA\u00c7\u00c3O DO REGISTRO<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pend\u00eancia de procedimento administrativo de caducidade de marca <strong>n\u00e3o configura justa causa para a aus\u00eancia de requerimento de prorroga\u00e7\u00e3o do registro<\/strong>; permanece com o titular o \u00f4nus de praticar, no prazo legal, os atos necess\u00e1rios \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vig\u00eancia da marca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.246.429-SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Sabor Caseiro Ind\u00fastria de Alimentos S.A. era titular de marca registrada no INPI. A Devotudo Distribui\u00e7\u00e3o Ltda. instaurou procedimento administrativo de caducidade alegando desuso da marca por mais de cinco anos. Em primeiro momento, o INPI declarou a caducidade; em recurso administrativo, a decis\u00e3o foi reformada, restabelecendo o registro. Durante a tramita\u00e7\u00e3o, a Sabor Caseiro deixou de requerer a prorroga\u00e7\u00e3o no prazo legal, alegando que a pend\u00eancia do procedimento de caducidade configuraria justa causa. O INPI declarou a extin\u00e7\u00e3o por falta de prorroga\u00e7\u00e3o. A pend\u00eancia do procedimento \u00e9 justa causa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.279\/1996, art. 133<\/strong><em> (prazo de prote\u00e7\u00e3o da marca de 10 anos, prorrog\u00e1vel por per\u00edodos iguais e sucessivos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.279\/1996, art. 133, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong><em> (prorroga\u00e7\u00e3o: pedido nos \u00faltimos 6 meses de vig\u00eancia ou nos 6 meses seguintes mediante retribui\u00e7\u00e3o adicional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.279\/1996, art. 221, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (justa causa: evento imprevisto, alheio \u00e0 vontade da parte, que impede a pr\u00e1tica do ato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A prorroga\u00e7\u00e3o do registro de marca opera por iniciativa do titular: cabe a ele requerer no prazo legal (6 meses antes do t\u00e9rmino, ou 6 meses ap\u00f3s mediante retribui\u00e7\u00e3o adicional). O \u00f4nus de manuten\u00e7\u00e3o do registro \u00e9 objetivo e independe da exist\u00eancia de outros procedimentos paralelos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O conceito de justa causa do art. 221, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 9.279\/1996, \u00e9 restritivo: &#8220;evento imprevisto, alheio \u00e0 vontade da parte e que a impediu de praticar o ato&#8221;. A pend\u00eancia de procedimento de caducidade \u00e9 evento previs\u00edvel e n\u00e3o impede materialmente o titular de requerer a prorroga\u00e7\u00e3o &#8211; ao contr\u00e1rio, durante a pend\u00eancia o registro permanece vigente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras sobre o \u00f4nus de prorroga\u00e7\u00e3o. A primeira: <strong>a pend\u00eancia de caducidade torna incerta a manuten\u00e7\u00e3o do registro &#8211; o titular ficaria desonerado de prorrogar at\u00e9 defini\u00e7\u00e3o final<\/strong>. A segunda: o \u00f4nus \u00e9 objetivo e independe da exist\u00eancia de outros procedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prevaleceu a segunda leitura. <strong>Enquanto pendente o procedimento de caducidade, o registro permanece vigente &#8211; inclusive em raz\u00e3o do efeito suspensivo do recurso administrativo<\/strong>. Cabia ao titular, no exerc\u00edcio natural dos atributos do registro, praticar tempestivamente os atos de manuten\u00e7\u00e3o, especialmente quando pr\u00f3ximo do fim da prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O conceito de justa causa do art. 221, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 9.279\/1996, \u00e9 restritivo: <strong>evento imprevisto, alheio \u00e0 vontade da parte, que a impediu de praticar o ato<\/strong>. O tr\u00e2mite de procedimento de caducidade n\u00e3o satisfaz nenhum dos tr\u00eas requisitos: \u00e9 previs\u00edvel (decorre de provoca\u00e7\u00e3o de interessado), n\u00e3o \u00e9 alheio \u00e0 vontade do titular (pode ser influenciado por seus argumentos) e n\u00e3o impede materialmente o requerimento de prorroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancia pr\u00e1tica severa: <strong>o titular que negligencia a prorroga\u00e7\u00e3o por contar com o sucesso no procedimento de caducidade assume o risco da pr\u00f3pria omiss\u00e3o<\/strong>. Mesmo restabelecido o registro no recurso, a falta de prorroga\u00e7\u00e3o tempestiva extingue o direito &#8211; o ato negligenciado opera em paralelo, com efeitos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a pend\u00eancia de procedimento administrativo de caducidade da marca em curso e o \u00f4nus, do titular, de requerer a prorroga\u00e7\u00e3o do registro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) A pend\u00eancia caracteriza justa causa para suspender o \u00f4nus de prorroga\u00e7\u00e3o at\u00e9 decis\u00e3o final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) A pend\u00eancia interrompe o prazo para requerimento da prorroga\u00e7\u00e3o, suspendendo a contagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) A pend\u00eancia transfere o \u00f4nus de prorroga\u00e7\u00e3o ao INPI, dada a controv\u00e9rsia administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) A pend\u00eancia n\u00e3o configura justa causa; o \u00f4nus de prorrogar permanece com o titular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) A pend\u00eancia caracteriza justa causa apenas se o titular vier a obter \u00eaxito no procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A justa causa do art. 221, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 9.279\/1996, exige evento imprevisto e alheio \u00e0 vontade da parte; a pend\u00eancia de caducidade \u00e9 previs\u00edvel e dependente da iniciativa de interessado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de interrup\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o do prazo de prorroga\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de procedimento de caducidade; a prorroga\u00e7\u00e3o opera por iniciativa do titular (art. 133, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da Lei n\u00ba 9.279\/1996).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O INPI \u00e9 \u00f3rg\u00e3o administrativo de registro; n\u00e3o cabe a ele praticar o ato de prorroga\u00e7\u00e3o, que \u00e9 prerrogativa do titular do registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> A pend\u00eancia do procedimento de caducidade n\u00e3o \u00e9 justa causa (art. 221, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 9.279\/1996): \u00e9 previs\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 vontade do titular e n\u00e3o impede materialmente a prorroga\u00e7\u00e3o. O \u00f4nus permanece com o titular (art. 133, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O sucesso do titular no procedimento de caducidade n\u00e3o retroage para sanar a omiss\u00e3o na prorroga\u00e7\u00e3o; os atos t\u00eam efeitos independentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-9\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o controvertida consiste na an\u00e1lise dos efeitos de decis\u00f5es do procedimento administrativo de caducidade de marca, por alegado desuso pela titular, invocado por sociedade empres\u00e1ria interessada na marca, frente ao registro caducando, a fim de que se verifique a ocorr\u00eancia, ou n\u00e3o, de justa causa para a aus\u00eancia de requerimento de prorroga\u00e7\u00e3o do aludido registro, conforme disp\u00f5e o art. 133, 1 e 2, da Lei n. 9.279\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A discuss\u00e3o teve origem em procedimento administrativo de caducidade instaurado perante o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) em face de registro da marca, sob a alega\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de uso da marca por per\u00edodo superior a cinco anos. Em um primeiro momento, o pedido foi acolhido, com a declara\u00e7\u00e3o de caducidade do registro. Todavia, a titular interp\u00f4s recurso administrativo que, posteriormente, foi provido, restabelecendo a validade do registro e afastando a decreta\u00e7\u00e3o de caducidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, durante a tramita\u00e7\u00e3o do procedimento administrativo e do respectivo recurso, a titular deixou de requerer a prorroga\u00e7\u00e3o do registro dentro do prazo legal, apesar de este permanecer vigente enquanto pendente o julgamento recursal. E, em raz\u00e3o dessa omiss\u00e3o, o INPI declarou a extin\u00e7\u00e3o do registro por falta de prorroga\u00e7\u00e3o, o que ensejou a discuss\u00e3o acerca da exist\u00eancia de justa causa para o descumprimento dessa obriga\u00e7\u00e3o, diante da pend\u00eancia do procedimento de caducidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, estando em plena vig\u00eancia o registro no curso do procedimento administrativo de caducidade, pois pendente de julgamento recurso com efeito suspensivo contra decis\u00e3o que reconhecera a caducidade, era \u00f4nus do respectivo titular, caso fosse de seu interesse permanecer no gozo dos atributos do registro inicialmente concedido, praticar os atos tendentes \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o, se j\u00e1 pr\u00f3ximo do fim da prote\u00e7\u00e3o, conforme previsto no art. 133, 1 e 2, da Lei n. 9.279\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, o art. 221, 1, da referida Lei reputa como justa causa &#8220;o evento imprevisto, alheio \u00e0 vontade da parte e que a impediu de praticar o ato&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o tr\u00e2mite de procedimento de caducidade n\u00e3o pode ser considerado um evento imprevisto, alheio \u00e0 vontade da parte, que impedia a titular da marca de proceder aos atos necess\u00e1rios \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o do seu registro, confirmando, assim, sua inten\u00e7\u00e3o de manter o uso de sua marca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 irregularidade ou ilegalidade no ato administrativo do INPI que declarou a extin\u00e7\u00e3o do registro da marca da autora por falta de requerimento de prorroga\u00e7\u00e3o do aludido registro no prazo legal e, consequentemente, no ato administrativo que concedeu o registro de marca similar \u00e0 sociedade empres\u00e1ria r\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-agravo-retido-do-cpc-1973-e-reiteracao-nas-contrarrazoes-sob-o-cpc-2015\" class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; AGRAVO RETIDO DO CPC\/1973 E REITERA\u00c7\u00c3O NAS CONTRARRAZ\u00d5ES SOB O CPC\/2015<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00e3o conhecimento do agravo retido interposto sob o CPC\/1973, por aus\u00eancia de reitera\u00e7\u00e3o expressa na forma exigida por aquele c\u00f3digo, <strong>n\u00e3o impede o Tribunal de origem de examinar a mesma quest\u00e3o interlocut\u00f3ria quando reiterada nas contrarraz\u00f5es de apela\u00e7\u00e3o (CPC\/2015, art. 1.009, \u00a7 1\u00ba)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 3.136.623-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho, parte em a\u00e7\u00e3o c\u00edvel, interp\u00f4s agravo retido contra decis\u00e3o interlocut\u00f3ria que rejeitou preliminar de incompet\u00eancia (sob o CPC\/1973). Quando a apela\u00e7\u00e3o veio a ser processada, j\u00e1 sob a vig\u00eancia do CPC\/2015, Creitinho n\u00e3o reiterou expressamente o agravo retido (forma do art. 523, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/1973), mas suscitou a mesma quest\u00e3o em preliminar de contrarraz\u00f5es (forma do art. 1.009, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015). O Tribunal de origem n\u00e3o conheceu do agravo retido por aus\u00eancia de reitera\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m se recusou a examinar a preliminar. Como articular os dois c\u00f3digos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC\/1973, art. 523, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (agravo retido s\u00f3 era apreciado se reiterado expressamente nas raz\u00f5es ou contrarraz\u00f5es da apela\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 14<\/strong><em> (tempus regit actum: norma processual aplica-se imediatamente, respeitados os atos j\u00e1 praticados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 1.009, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (quest\u00f5es resolvidas na fase de conhecimento n\u00e3o cobertas pela preclus\u00e3o, suscitadas em preliminar de apela\u00e7\u00e3o ou nas contrarraz\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O princ\u00edpio tempus regit actum (CPC\/2015, art. 14) imp\u00f5e que cada ato processual seja regido pela lei vigente ao seu tempo. O ato de INTERPOSI\u00c7\u00c3O do agravo retido foi praticado sob o CPC\/1973, sendo regido pelas condi\u00e7\u00f5es daquele c\u00f3digo. J\u00e1 o momento de trazer a quest\u00e3o ao Tribunal \u00e9 ato distinto, em fase ulterior, regido pela lei processual vigente nesse momento &#8211; o CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O CPC\/2015 extinguiu o agravo retido e instituiu novo mecanismo: as quest\u00f5es interlocut\u00f3rias n\u00e3o agrav\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o cobertas pela preclus\u00e3o e devem ser suscitadas em preliminar de apela\u00e7\u00e3o ou nas contrarraz\u00f5es (art. 1.009, \u00a7 1\u00ba). Essa \u00e9 a \u00fanica forma processualmente cab\u00edvel sob o regime atual &#8211; exigir a f\u00f3rmula do CPC\/1973 seria criar pressuposto inexistente no sistema vigente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia exigia articular dois c\u00f3digos no mesmo processo. O CPC\/1973 era categ\u00f3rico (art. 523, \u00a7 1\u00ba): <strong>o agravo retido s\u00f3 seria apreciado pelo Tribunal se a parte agravante reiterasse expressamente, nas raz\u00f5es ou na resposta da apela\u00e7\u00e3o, sua aprecia\u00e7\u00e3o<\/strong>. Sem reitera\u00e7\u00e3o, recurso inadmiss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O CPC\/2015, por sua vez, extinguiu o agravo retido. <strong>Em seu lugar, estabeleceu no art. 1.009, \u00a7 1\u00ba, que as quest\u00f5es resolvidas na fase de conhecimento, se n\u00e3o comportarem agravo de instrumento, n\u00e3o s\u00e3o cobertas pela preclus\u00e3o e devem ser suscitadas em preliminar de apela\u00e7\u00e3o ou nas contrarraz\u00f5es<\/strong>. Fun\u00e7\u00e3o equivalente, forma distinta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A solu\u00e7\u00e3o opera por dois planos articulados. <strong>Primeiro: o ato de interposi\u00e7\u00e3o do agravo retido foi praticado sob o CPC\/1973 e \u00e9 por ele disciplinado quanto \u00e0 sua validade<\/strong>; o ato jur\u00eddico perfeito formou-se ali. Segundo: o ato de trazer a quest\u00e3o ao Tribunal \u00e9 praticado em fase ulterior, regido pela lei processual vigente ao tempo do processamento &#8211; o CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Conclus\u00e3o: <strong>a reitera\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o deve observar a forma vigente ao tempo do processamento da apela\u00e7\u00e3o &#8211; suscita\u00e7\u00e3o em preliminar de apela\u00e7\u00e3o ou nas contrarraz\u00f5es (CPC\/2015, art. 1.009, \u00a7 1\u00ba), \u00fanica forma processualmente cab\u00edvel no sistema atual<\/strong>. Exigir men\u00e7\u00e3o expressa ao &#8220;agravo retido&#8221; (recurso extinto) seria criar pressuposto inexistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o exame, pelo Tribunal de origem, de quest\u00e3o interlocut\u00f3ria decidida sob o CPC\/1973 e impugnada por agravo retido cuja reitera\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi feita na forma daquele c\u00f3digo, mas suscitada em preliminar das contrarraz\u00f5es de apela\u00e7\u00e3o sob o CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Est\u00e1 impedido, em raz\u00e3o da preclus\u00e3o decorrente da n\u00e3o reitera\u00e7\u00e3o na forma do CPC\/1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) N\u00e3o est\u00e1 impedido; a reitera\u00e7\u00e3o observa a lei processual vigente ao tempo do processamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Est\u00e1 impedido, pois o ato jur\u00eddico perfeito do CPC\/1973 vincula integralmente o tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Est\u00e1 impedido at\u00e9 nova manifesta\u00e7\u00e3o expressa da parte sobre a quest\u00e3o na forma do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) N\u00e3o est\u00e1 impedido apenas se o Tribunal entender presente quest\u00e3o de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A reitera\u00e7\u00e3o observa a lei processual vigente ao tempo do processamento da apela\u00e7\u00e3o (CPC\/2015), n\u00e3o a do tempo da interposi\u00e7\u00e3o original do agravo retido (CPC\/1973).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> Pelo tempus regit actum (CPC\/2015, art. 14), o ato de interposi\u00e7\u00e3o \u00e9 regido pelo CPC\/1973, mas o ato de reitera\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o perante o Tribunal \u00e9 regido pela lei vigente ao tempo do processamento da apela\u00e7\u00e3o &#8211; CPC\/2015, art. 1.009, \u00a7 1\u00ba, que prev\u00ea a suscita\u00e7\u00e3o em preliminar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O ato jur\u00eddico perfeito da interposi\u00e7\u00e3o do agravo retido (CPC\/1973) preserva a validade desse ato, mas n\u00e3o imp\u00f5e a forma da reitera\u00e7\u00e3o sob o CPC\/2015, que opera em fase ulterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A suscita\u00e7\u00e3o em preliminar das contrarraz\u00f5es j\u00e1 \u00e9 a forma processualmente cab\u00edvel sob o CPC\/2015; n\u00e3o h\u00e1 necessidade de nova manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O conhecimento da quest\u00e3o pelo Tribunal independe de ser de ordem p\u00fablica; o art. 1.009, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015, opera para quest\u00f5es interlocut\u00f3rias n\u00e3o agrav\u00e1veis em geral.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-10\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se o n\u00e3o conhecimento do agravo retido interposto sob o C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 &#8211; por aus\u00eancia de reitera\u00e7\u00e3o expressa na forma exigida por aquele c\u00f3digo &#8211; impede o Tribunal de origem de examinar a mesma quest\u00e3o interlocut\u00f3ria quando reiterada, na \u00fanica forma processualmente cab\u00edvel sob o C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 vigente ao tempo do processamento do recurso, mediante sua suscita\u00e7\u00e3o em preliminar das contrarraz\u00f5es de apela\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 1.009, 1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O princ\u00edpio tempus regit actum, positivado no art. 14 do CPC\/2025, imp\u00f5e que o agravo retido, enquanto ato praticado sob o regime do CPC\/1973, seja inteiramente disciplinado pela lei ent\u00e3o vigente, inclusive quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de admissibilidade e de processamento. Tal disciplina, contudo, diz respeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de validade do pr\u00f3prio ato de interposi\u00e7\u00e3o do agravo retido. O momento subsequente &#8211; o de trazer a quest\u00e3o interlocut\u00f3ria ao conhecimento do Tribunal, durante o processamento da apela\u00e7\u00e3o -, constitui ato processual distinto, praticado em fase ulterior e, portanto, regido pela lei processual vigente naquele momento, qual seja, o CPC\/2015. Com efeito, o art. 523, 1, do CPC\/1973 era categ\u00f3rico: o agravo retido somente seria apreciado pelo Tribunal se a parte agravante requeresse expressamente, nas raz\u00f5es ou na resposta da apela\u00e7\u00e3o, sua aprecia\u00e7\u00e3o. Tratava-se de pressuposto espec\u00edfico de admissibilidade, cuja aus\u00eancia tornava o recurso inadmiss\u00edvel, por mais que a quest\u00e3o nele veiculada fosse, em tese, relevante para a solu\u00e7\u00e3o da causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, o CPC\/2015, ao extinguir o agravo retido e instituir novo mecanismo de controle das decis\u00f5es interlocut\u00f3rias n\u00e3o agrav\u00e1veis, estabeleceu, no art. 1.009, 1, que &#8220;as quest\u00f5es resolvidas na fase de conhecimento, se a decis\u00e3o a seu respeito n\u00e3o comportar agravo de instrumento, n\u00e3o s\u00e3o cobertas pela preclus\u00e3o e devem ser suscitadas em preliminar de apela\u00e7\u00e3o, eventualmente interposta contra a decis\u00e3o final, ou nas contrarraz\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora o CPC\/2015 n\u00e3o utilize a express\u00e3o &#8220;reitera\u00e7\u00e3o do agravo retido&#8221; &#8211; instituto que suprimiu -, o art. 1.009, 1 cumpre fun\u00e7\u00e3o equivalente: assegura que a parte leve ao Tribunal, na fase da apela\u00e7\u00e3o, as quest\u00f5es interlocut\u00f3rias que pretende ver revistas. Ao determinar que essas quest\u00f5es &#8220;n\u00e3o s\u00e3o cobertas pela preclus\u00e3o&#8221;, o legislador conferiu-lhes um tratamento distinto daquele que prevalecia sob o regime anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No CPC\/1973, a n\u00e3o reitera\u00e7\u00e3o expressa do agravo retido nas raz\u00f5es ou contrarraz\u00f5es da apela\u00e7\u00e3o importava preclus\u00e3o e inadmissibilidade do recurso. Sob o CPC\/2015, o mecanismo foi inteiramente reformulado: a reitera\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o interlocut\u00f3ria perante o Tribunal ocorre, necessariamente, mediante sua suscita\u00e7\u00e3o em preliminar de apela\u00e7\u00e3o ou nas contrarraz\u00f5es &#8211; sendo essa a \u00fanica forma processualmente cab\u00edvel, uma vez que o agravo retido foi suprimido do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, tendo o agravo retido sido interposto sob o CPC\/1973 como ato jur\u00eddico perfeito, a sua reitera\u00e7\u00e3o perante o Tribunal &#8211; necess\u00e1ria para que a quest\u00e3o fosse apreciada &#8211; deveria observar a forma vigente ao tempo do processamento da apela\u00e7\u00e3o, qual seja, a do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, sob esse diploma, a reitera\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria interlocut\u00f3ria n\u00e3o se faz por f\u00f3rmula atrelada ao recurso extinto, mas sim mediante sua suscita\u00e7\u00e3o em preliminar de apela\u00e7\u00e3o ou nas contrarraz\u00f5es, conforme o art. 1.009, 1 do CPC\/2015. Exigir, nesse contexto, que a parte fizesse men\u00e7\u00e3o expressa ao &#8220;agravo retido&#8221; &#8211; instituto inexistente no sistema processual ent\u00e3o vigente &#8211; seria impor requisito formal\u00edstico incompat\u00edvel com a lei aplic\u00e1vel ao ato.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-funcao-de-olheiro-e-delimitacao-entre-os-arts-33-e-37-da-lei-n-11-343-2006\" class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; FUN\u00c7\u00c3O DE &#8220;OLHEIRO&#8221; E DELIMITA\u00c7\u00c3O ENTRE OS ARTS. 33 E 37 DA LEI N. 11.343\/2006<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fun\u00e7\u00e3o de &#8220;olheiro&#8221; ou &#8220;vigilante&#8221;, desempenhada de forma integrada e essencial \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de entorpecentes, <strong>caracteriza coautoria ou participa\u00e7\u00e3o no crime de tr\u00e1fico (art. 33 da Lei n\u00ba 11.343\/2006), afastando a subsun\u00e7\u00e3o ao art. 37 da mesma lei<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 3.136.623-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chaves foi flagrado atuando como &#8220;olheiro&#8221; em ponto de venda de drogas, em estreita sintonia com o corr\u00e9u respons\u00e1vel pela comercializa\u00e7\u00e3o: permanecia ao seu lado durante as transa\u00e7\u00f5es, observava o movimento da via para alertar sobre a chegada de policiais e sa\u00eda junto ap\u00f3s a conclus\u00e3o das vendas. Condenado com base no art. 33 da Lei n\u00ba 11.343\/2006, requereu desclassifica\u00e7\u00e3o para o art. 37, alegando que seria informante perif\u00e9rico, sem envolvimento direto na execu\u00e7\u00e3o. A fun\u00e7\u00e3o desempenhada caracteriza tr\u00e1fico ou informante?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 33<\/strong><em> (tr\u00e1fico de drogas: importar, exportar, vender, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar etc.).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.343\/2006, art. 37<\/strong><em> (crime de informante: colaborar com grupo, organiza\u00e7\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o destinados ao tr\u00e1fico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 29<\/strong><em> (concurso de pessoas: cada agente responde na medida de sua culpabilidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 37 da Lei n\u00ba 11.343\/2006 tem car\u00e1ter subsidi\u00e1rio: pune o informante que colabora de forma <strong>eventual<\/strong> e <strong>perif\u00e9rica<\/strong>, sem envolver-se diretamente nos atos de execu\u00e7\u00e3o do crime principal. A subsun\u00e7\u00e3o exige que a conduta N\u00c3O se confunda com os n\u00facleos do art. 33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o operativa \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o com a cadeia executiva. Quando a fun\u00e7\u00e3o do &#8220;olheiro&#8221; \u00e9 mecanismo de seguran\u00e7a essencial e integrado \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o da venda (n\u00e3o meramente avisar genericamente algu\u00e9m), opera-se em coautoria\/participa\u00e7\u00e3o no tr\u00e1fico (CP, art. 29) &#8211; n\u00e3o como informante subsidi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas <em>vis\u00f5es<\/em> sobre o papel do &#8220;olheiro&#8221; (com o perd\u00e3o do trocadilho). A primeira, da defesa: <strong>a fun\u00e7\u00e3o seria de informante eventual e perif\u00e9rico, subsumindo-se ao art. 37 da Lei n\u00ba 11.343\/2006<\/strong> &#8211; tipo subsidi\u00e1rio que pune colabora\u00e7\u00e3o externa ao n\u00facleo executivo. A segunda, do tribunal de origem: a fun\u00e7\u00e3o \u00e9 mecanismo de seguran\u00e7a integrado \u00e0 pr\u00f3pria venda, configurando coautoria\/participa\u00e7\u00e3o no art. 33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Prevaleceu a segunda. <strong>O art. 37 tem car\u00e1ter subsidi\u00e1rio: pune o informante que colabora de forma eventual e perif\u00e9rica, sem se envolver diretamente nos atos de execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. A subsun\u00e7\u00e3o exige que a conduta n\u00e3o se confunda com os n\u00facleos do art. 33 &#8211; exatamente o oposto do caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 As premissas f\u00e1ticas fixadas pelo Tribunal de origem foram decisivas: <strong>o &#8220;olheiro&#8221; atuava em estreita sintonia com o corr\u00e9u respons\u00e1vel pela venda, permanecendo ao seu lado durante a comercializa\u00e7\u00e3o, observando o movimento e saindo junto ap\u00f3s a transa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Atuaram juntos, cada um com fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, na concretiza\u00e7\u00e3o das vendas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A consequ\u00eancia dogm\u00e1tica \u00e9 direta: <strong>a fun\u00e7\u00e3o de &#8220;vigilante&#8221; era indispens\u00e1vel e integrada \u00e0 cadeia de tr\u00e1fico &#8211; mecanismo de seguran\u00e7a fundamental para a concretiza\u00e7\u00e3o da venda de drogas, n\u00e3o colabora\u00e7\u00e3o externa, eventual e perif\u00e9rica<\/strong>. A subsun\u00e7\u00e3o ao art. 33 (&#8220;guardar&#8221;, &#8220;ter em dep\u00f3sito&#8221;, &#8220;vender&#8221;), em coautoria\/participa\u00e7\u00e3o (CP, art. 29), \u00e9 tecnicamente adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creosvaldo realizava a venda de drogas. Josicleide atuava como &#8220;olheiro&#8221; ou &#8220;vigilante&#8221;: n\u00e3o era respons\u00e1vel pela venda, mas permanecia ao lado durante a comercializa\u00e7\u00e3o, informando sobre o movimento na rua e retirando-se ao final do expediente. A conduta de Josicleide:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Caracteriza coautoria ou participa\u00e7\u00e3o no art. 33 da Lei n\u00ba 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Subsume-se ao art. 28 da Lei n\u00ba 11.343\/2006, na hip\u00f3tese de tamb\u00e9m ser usu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Subsume-se ao art. 37 da Lei n\u00ba 11.343\/2006, em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o meramente auxiliar de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Configura crime imposs\u00edvel, em raz\u00e3o da inocuidade da fun\u00e7\u00e3o de mera observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Subsume-se ao art. 37 da Lei n\u00ba 11.343\/2006 desde que comprovada a habitualidade da fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> A fun\u00e7\u00e3o de &#8220;olheiro&#8221; desempenhada de forma integrada e essencial \u00e0 venda de drogas (ao lado do vendedor, observando movimento, saindo junto) caracteriza coautoria ou participa\u00e7\u00e3o no crime de tr\u00e1fico do art. 33 da Lei n\u00ba 11.343\/2006, afastando a subsun\u00e7\u00e3o ao art. 37, que \u00e9 subsidi\u00e1rio e exige colabora\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O art. 28 trata da posse para consumo pessoal; a fun\u00e7\u00e3o de &#8220;olheiro&#8221; tem natureza distinta &#8211; participa\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico, independentemente da condi\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O art. 37 \u00e9 tipo subsidi\u00e1rio, aplic\u00e1vel \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o eventual e perif\u00e9rica; o &#8220;olheiro&#8221; integrado \u00e0 cadeia de venda atua dentro do n\u00facleo executivo do art. 33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A fun\u00e7\u00e3o de &#8220;olheiro&#8221; tem efic\u00e1cia concreta no mecanismo de seguran\u00e7a do tr\u00e1fico; n\u00e3o configura crime imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A habitualidade n\u00e3o altera a tipifica\u00e7\u00e3o; o que importa \u00e9 a natureza integrada ou perif\u00e9rica da fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 id=\"h-inteiro-teor-11\" class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a atua\u00e7\u00e3o do acusado na fun\u00e7\u00e3o de &#8220;olheiro&#8221; autoriza a desclassifica\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o do art. 33 para o art. 37 da Lei n. 11.343\/2006, ou se se trata de participa\u00e7\u00e3o direta e integrada na comercializa\u00e7\u00e3o de entorpecentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tipo penal do art. 37 da Lei n. 11.343\/2006 possui car\u00e1ter subsidi\u00e1rio, aplicando-se \u00e0quele que colabora com o tr\u00e1fico de forma eventual, sem se envolver diretamente nos atos de execu\u00e7\u00e3o do crime principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pune-se aquele que colabora como informante de maneira mais perif\u00e9rica, com grupo, organiza\u00e7\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 pr\u00e1tica de tr\u00e1fico, sem que sua conduta se confunda com os n\u00facleos do tipo do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as premissas f\u00e1ticas fixadas pelo Tribunal de origem descrevem a atua\u00e7\u00e3o do imputado como &#8220;olheiro&#8221; ou &#8220;vigilante&#8221; em estreita sintonia com o corr\u00e9u respons\u00e1vel pela venda, permanecendo ao lado durante a comercializa\u00e7\u00e3o, observando o movimento e saindo junto com ele ap\u00f3s a transa\u00e7\u00e3o, o que revela participa\u00e7\u00e3o ativa, essencial e integrada na din\u00e2mica do tr\u00e1fico, incompat\u00edvel com a colabora\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica t\u00edpica do art. 37 da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Toda essa din\u00e2mica leva \u00e0 conclus\u00e3o de que atuaram juntos, cada um com sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, na comercializa\u00e7\u00e3o dos entorpecentes e revela que a atua\u00e7\u00e3o como &#8220;vigilante&#8221; era indispens\u00e1vel e integrada \u00e0 cadeia de tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, essa fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o era meramente uma colabora\u00e7\u00e3o externa, eventual e perif\u00e9rica, mas sim um mecanismo de seguran\u00e7a fundamental para a concretiza\u00e7\u00e3o da venda de drogas, o que o coloca em uma posi\u00e7\u00e3o de coautor ou part\u00edcipe nos atos de execu\u00e7\u00e3o do crime principal, como &#8220;guardar&#8221;, &#8220;ter em dep\u00f3sito&#8221; ou &#8220;vender&#8221; a droga, por meio do aux\u00edlio \u00e0 difus\u00e3o il\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o no art. 33, caput, da Lei n. 11.343\/2006 pela inst\u00e2ncia de origem encontra respaldo na interpreta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de que a fun\u00e7\u00e3o de &#8220;olheiro&#8221;, exercida de forma integrada e essencial \u00e0 venda de entorpecentes, representa participa\u00e7\u00e3o direta no crime de tr\u00e1fico, e n\u00e3o uma colabora\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria e perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-e18588fa-30ac-401d-a82e-fdcd143474a8\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/22090716\/stj_info_892.pdf\">STJ_Info_892<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/22090716\/stj_info_892.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download 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