{"id":1768320,"date":"2026-06-15T09:22:26","date_gmt":"2026-06-15T12:22:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1768320"},"modified":"2026-06-15T09:22:58","modified_gmt":"2026-06-15T12:22:58","slug":"informativo-stj-891-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-891-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 891 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/15092119\/stj_info_891.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_47MFqUnY36g\"><div id=\"lyte_47MFqUnY36g\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/47MFqUnY36g\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/47MFqUnY36g\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/47MFqUnY36g\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-sentenca-estrangeira-citacao-de-reu-no-brasil-por-carta-com-ar\">1.&nbsp;&nbsp; Senten\u00e7a estrangeira: cita\u00e7\u00e3o de r\u00e9u no Brasil por carta com AR<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cita\u00e7\u00e3o de r\u00e9u domiciliado no Brasil para responder a processo estrangeiro deve ser realizada por carta rogat\u00f3ria (RISTJ, art. 216-D, II); <strong>a aus\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida configura viola\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica nacional e impede a homologa\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a estrangeira<\/strong>; admite-se flexibiliza\u00e7\u00e3o apenas em casos excepcionais, mediante prova inequ\u00edvoca de ci\u00eancia da parte requerida sobre o processo estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CC 218.933-RS, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 21\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Empresa estrangeira buscou homologa\u00e7\u00e3o, pelo STJ, de senten\u00e7a proferida em corte alien\u00edgena contra Crementina, domiciliada no Brasil, cujo endere\u00e7o completo constava em acordo pr\u00e9-litigioso firmado entre as partes. A cita\u00e7\u00e3o no processo estrangeiro foi feita por carta com aviso de recebimento, em endere\u00e7o diverso do que constava do acordo. Crementina nunca participou do processo estrangeiro e alegou desconhecimento total da demanda. A cita\u00e7\u00e3o por carta com AR, fora dos casos de carta rogat\u00f3ria, \u00e9 v\u00e1lida para fins de homologa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>RISTJ, art. 216-D, II<\/strong><em> (senten\u00e7a estrangeira: regularidade da cita\u00e7\u00e3o ou revelia legalmente verificada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>RISTJ, arts. 216-C e 216-F<\/strong><em> (requisitos formais da homologa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STJ, AgInt nos EDcl na HDE n. 8.123<\/strong><em> (flexibiliza\u00e7\u00e3o excepcional: comprova\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de ci\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira \u00e9 ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o: o STJ n\u00e3o reexamina o m\u00e9rito, mas verifica requisitos formais. Entre eles, a regularidade da cita\u00e7\u00e3o. R\u00e9u domiciliado no Brasil deve ser citado por carta rogat\u00f3ria, instrumento que respeita a soberania nacional e a ordem jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A aus\u00eancia ou irregularidade da cita\u00e7\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica nacional &#8211; obst\u00e1culo direto \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o. A flexibiliza\u00e7\u00e3o, baseada no princ\u00edpio da instrumentalidade das formas, \u00e9 admitida apenas em hip\u00f3teses excepcionais: ci\u00eancia inequ\u00edvoca da parte sobre o processo, endere\u00e7o desconhecido ap\u00f3s esfor\u00e7os, comparecimento espont\u00e2neo. O \u00f4nus da prova \u00e9 da parte requerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o fixou tr\u00eas entendimentos interligadas, organizadas em escala de aplica\u00e7\u00e3o. O primeiro \u00e9 a regra geral: <strong>o r\u00e9u domiciliado no Brasil deve ser citado para processo estrangeiro por carta rogat\u00f3ria<\/strong>, instrumento formal que respeita a soberania nacional. A previs\u00e3o consta expressamente do art. 216-D, II, do RISTJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O segundo estabelece a consequ\u00eancia do descumprimento: <strong>a aus\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida ou a irregularidade do ato citat\u00f3rio configura viola\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica nacional<\/strong>, impedindo a homologa\u00e7\u00e3o. A homologa\u00e7\u00e3o \u00e9 ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o reexamina m\u00e9rito, mas controla pressupostos formais cuja inobserv\u00e2ncia afeta direitos fundamentais (ampla defesa e contradit\u00f3rio).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O terceiro aspecto &#8211; \u00fanico que admite mitiga\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 restritivo: <strong>a flexibiliza\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia da carta rogat\u00f3ria opera apenas em casos excepcionais, mediante prova inequ\u00edvoca de ci\u00eancia da parte requerida<\/strong>. Exemplos jurisprudenciais: ci\u00eancia comprovada e op\u00e7\u00e3o por n\u00e3o participar; endere\u00e7o desconhecido ap\u00f3s esfor\u00e7os razo\u00e1veis; comparecimento espont\u00e2neo no processo estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso concreto, a cita\u00e7\u00e3o foi por carta com AR em endere\u00e7o diverso daquele constante de acordo pr\u00e9vio entre as partes &#8211; o requerente conhecia o endere\u00e7o correto. <strong>Ausentes elementos que comprovassem ci\u00eancia inequ\u00edvoca da demanda, a flexibiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o opera<\/strong>. O \u00f4nus da prova \u00e9 de quem invoca a mitiga\u00e7\u00e3o &#8211; in casu, a parte requerente &#8211; e n\u00e3o foi atendido. Senten\u00e7a estrangeira n\u00e3o homologada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a cita\u00e7\u00e3o de r\u00e9u domiciliado no Brasil para processo em curso no exterior:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Pode ser realizada validamente por carta com aviso de recebimento, em endere\u00e7o conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Deve ser como regra por carta rogat\u00f3ria, mas pode ser flexibilizada mediante prova inequ\u00edvoca da ci\u00eancia da parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Pode ser por carta rogat\u00f3ria ou por edital, conforme conveni\u00eancia do feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Deve ser por carta rogat\u00f3ria, descabida hip\u00f3tese de flexibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo brasileiro do domic\u00edlio do citando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A regra geral \u00e9 a carta rogat\u00f3ria (RISTJ, art. 216-D, II); cita\u00e7\u00e3o por AR em endere\u00e7o conhecido n\u00e3o atende ao requisito formal nem garante ci\u00eancia inequ\u00edvoca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A regra \u00e9 a carta rogat\u00f3ria; a flexibiliza\u00e7\u00e3o, baseada no princ\u00edpio da instrumentalidade das formas, admite cita\u00e7\u00e3o alternativa apenas quando comprovada de forma inequ\u00edvoca a ci\u00eancia da parte requerida sobre o processo estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 equival\u00eancia entre carta rogat\u00f3ria e edital; a primeira \u00e9 a regra, e a alternativa \u00e9 admiss\u00edvel apenas em casos excepcionais com prova de ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O STJ admite flexibiliza\u00e7\u00e3o excepcional (AgInt nos EDcl na HDE n. 8.123), \u00e0 luz do princ\u00edpio da instrumentalidade das formas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A cita\u00e7\u00e3o em processo estrangeiro n\u00e3o depende de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do ju\u00edzo brasileiro; a soberania nacional opera no ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a cita\u00e7\u00e3o realizada por carta com aviso de recebimento, em endere\u00e7o diverso do constante no acordo celebrado entre as partes, pode ser considerada v\u00e1lida para fins de homologa\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a estrangeira, \u00e0 luz dos requisitos previstos nos arts. 216-C, 216-D e 216-F do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O inciso II do art. 216-D do RISTJ exige que a senten\u00e7a estrangeira contenha elementos que comprovem terem sido as partes regularmente citadas ou ter sido legalmente verificada a revelia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a aus\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida ou a irregularidade do ato citat\u00f3rio configura viola\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica nacional, impedindo a homologa\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem se posicionado no sentido de que a cita\u00e7\u00e3o de r\u00e9u domiciliado no Brasil para responder a processo em tr\u00e2mite no exterior deve ocorrer por meio de carta rogat\u00f3ria, sob pena de viola\u00e7\u00e3o da soberania nacional e da ordem jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mitiga\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o por carta rogat\u00f3ria de r\u00e9u domiciliado no Brasil \u00e9 admitida pelo STJ, \u00e0 luz do princ\u00edpio da instrumentalidade das formas, em casos excepcionais, como, por exemplo, se comprovado, de forma inequ\u00edvoca, que a parte requerida teve ci\u00eancia do processo em curso no estrangeiro, optando por dele n\u00e3o participar, ou, ainda, nos casos em que desconhecido o endere\u00e7o do citando e tendo sido empreendidos esfor\u00e7os necess\u00e1rios para sua localiza\u00e7\u00e3o, ou quando houve o comparecimento espont\u00e2neo no decorrer do processo alien\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A hip\u00f3tese que justificou a flexibiliza\u00e7\u00e3o da regra no julgamento do AgInt nos EDcl na HDE n. 8.123 foi justamente a exist\u00eancia de provas cabais de que a parte teve ci\u00eancia inequ\u00edvoca da a\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a parte requerida tem domic\u00edlio no Brasil e seu endere\u00e7o era conhecido da parte requerente, eis que constante do acordo celebrado antes do ajuizamento da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nada obstante, a cita\u00e7\u00e3o ocorreu por carta com aviso de recebimento, em endere\u00e7o que nem sequer guarda identidade com aquele constante do mencionado acordo celebrado entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o h\u00e1 nos autos elementos capazes de comprovar a ci\u00eancia inequ\u00edvoca da demanda no estrangeiro que possam justificar a flexibiliza\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de carta rogat\u00f3ria de cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assinala-se, por fim, que \u00e9 \u00f4nus da parte requerente, que n\u00e3o promoveu a cita\u00e7\u00e3o por carta rogat\u00f3ria, comprovar que a parte requerida teve ci\u00eancia inequ\u00edvoca da demanda no estrangeiro, de modo que se possa reconhecer a validade da aplica\u00e7\u00e3o da revelia, n\u00e3o sendo razo\u00e1vel exigir-se prova negativa desta \u00faltima.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-celular-apreendido-espelhamento-por-hash-e-coleta-preliminar-pelo-agente-policial\">2.&nbsp; Celular apreendido: espelhamento por hash e coleta preliminar pelo agente policial?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cadeia de cust\u00f3dia digital, a c\u00f3pia por espelhamento utilizando a fun\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica hash \u00e9 instrumento h\u00e1bil para garantir a integridade e a auditabilidade da evid\u00eancia imaterial; <strong>e o agente policial pode realizar a verifica\u00e7\u00e3o e a coleta preliminar de dados em aparelho celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreens\u00e3o, sem a necessidade imediata da participa\u00e7\u00e3o de perito oficial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CC 218.933-RS, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 21\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quico foi investigado por organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Em busca e apreens\u00e3o regularmente autorizada, agentes policiais apreenderam seu celular e, no local, realizaram verifica\u00e7\u00e3o preliminar de dados, com posterior duplica\u00e7\u00e3o por espelhamento. O m\u00e9todo empregou a fun\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica hash, que gera c\u00f3digo alfanum\u00e9rico funcionando como &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; do conte\u00fado. A defesa arguiu nulidade: (i) coleta deveria ter sido feita por perito oficial desde o in\u00edcio; (ii) o espelhamento sem perito comprometeria a cadeia de cust\u00f3dia. O m\u00e9todo \u00e9 v\u00e1lido?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 158-A a 158-F (Lei n\u00ba 13.964\/2019)<\/strong><em> (cadeia de cust\u00f3dia: rastreamento dos vest\u00edgios coletados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 157<\/strong><em> (inadmissibilidade das provas obtidas por meios il\u00edcitos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Procedimento Operacional Padr\u00e3o (MJ, 2024)<\/strong><em> (duplica\u00e7\u00e3o dos dados em m\u00eddia de trabalho; exame na c\u00f3pia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A cadeia de cust\u00f3dia, incorporada ao CPP pela Lei n\u00ba 13.964\/2019, busca garantir que a prova material analisada no processo seja a mesma apreendida na investiga\u00e7\u00e3o. Segundo o STJ, a inobserv\u00e2ncia dos arts. 158-A a 158-F n\u00e3o se confunde com nulidade processual: discute-se a efic\u00e1cia da prova, \u00e0 luz dos demais elementos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A alega\u00e7\u00e3o de quebra da cadeia de cust\u00f3dia exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de adultera\u00e7\u00e3o ou preju\u00edzo &#8211; mera aus\u00eancia de eventual documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 insuficiente. O espelhamento por hash atende ao POP do MJ (2024): cria &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; da evid\u00eancia, e qualquer altera\u00e7\u00e3o posterior gera c\u00f3digo diverso, permitindo auditoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A primeira parte da decis\u00e3o valida o m\u00e9todo t\u00e9cnico: <strong>a c\u00f3pia por espelhamento utilizando fun\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica hash \u00e9 instrumento h\u00e1bil para garantir a integridade e a auditabilidade da evid\u00eancia imaterial<\/strong>. O hash funciona como &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; do conte\u00fado &#8211; qualquer altera\u00e7\u00e3o posterior implica gera\u00e7\u00e3o de c\u00f3digo diverso, expondo a adultera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A segunda parte trata da participa\u00e7\u00e3o institucional: <strong>o agente policial pode realizar verifica\u00e7\u00e3o e coleta preliminar de dados em celular durante o cumprimento do mandado de busca e apreens\u00e3o, sem necessidade imediata da participa\u00e7\u00e3o de perito oficial<\/strong>. A presen\u00e7a do perito n\u00e3o \u00e9 requisito de validade do ato inicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Os fundamentos jur\u00eddicos est\u00e3o estruturados em tr\u00eas planos: <strong>(i) os arts. 158-A a 158-F do CPP estabelecem procedimentos m\u00ednimos, n\u00e3o f\u00f3rmulas sacramentais; (ii) eventual desconformidade n\u00e3o gera nulidade autom\u00e1tica &#8211; discute-se efic\u00e1cia da prova; (iii) o exame t\u00e9cnico subsequente do perito incide sobre a c\u00f3pia espelhada, preservando-se a m\u00eddia original<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente com o entendimento do STJ: <strong>a alega\u00e7\u00e3o de quebra da cadeia de cust\u00f3dia exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de adultera\u00e7\u00e3o ou preju\u00edzo<\/strong>, n\u00e3o bastando a aus\u00eancia formal de algum documento. O m\u00e9todo de espelhamento por hash, combinado com a an\u00e1lise pericial posterior sobre a c\u00f3pia, atende plenamente aos objetivos da cadeia de cust\u00f3dia: rastreabilidade, integridade e auditabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a verifica\u00e7\u00e3o preliminar de dados em aparelho celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreens\u00e3o, com posterior duplica\u00e7\u00e3o por espelhamento utilizando fun\u00e7\u00e3o hash:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Exige a participa\u00e7\u00e3o de perito oficial desde o momento da verifica\u00e7\u00e3o preliminar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 inv\u00e1lida quando o espelhamento ocorre sem assist\u00eancia da defesa t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Exige autoriza\u00e7\u00e3o judicial espec\u00edfica adicional \u00e0 do mandado de busca e apreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 v\u00e1lida quando documentada por hash e analisada posteriormente em c\u00f3pia espelhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 inv\u00e1lida, em raz\u00e3o da quebra da cadeia de cust\u00f3dia decorrente da aus\u00eancia de perito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A participa\u00e7\u00e3o do perito n\u00e3o \u00e9 requisito de validade do ato preliminar; o exame t\u00e9cnico subsequente recai sobre a c\u00f3pia espelhada, preservada a m\u00eddia original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A presen\u00e7a da defesa n\u00e3o \u00e9 requisito da coleta na fase preliminar; o contradit\u00f3rio opera no curso do processo, sobre a prova produzida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O mandado de busca e apreens\u00e3o abrange a verifica\u00e7\u00e3o preliminar dos dados em aparelhos apreendidos; n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o adicional para o procedimento t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> O espelhamento por fun\u00e7\u00e3o hash funciona como impress\u00e3o digital da evid\u00eancia (altera\u00e7\u00e3o posterior gera c\u00f3digo diverso). A an\u00e1lise pericial sobre a c\u00f3pia preserva o original e atende aos objetivos da cadeia de cust\u00f3dia (CPP, arts. 158-A a 158-F).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A jurisprud\u00eancia do STJ exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de adultera\u00e7\u00e3o ou preju\u00edzo para reconhecer quebra da cadeia de cust\u00f3dia; a participa\u00e7\u00e3o do perito n\u00e3o \u00e9, por si, requisito formal de validade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O instituto da cadeia de cust\u00f3dia foi incorporado ao C\u00f3digo de Processo Penal pela Lei n. 13.964\/2019, sendo regulamentado entre os artigos 158-A e 158-F. Esses dispositivos estabelecem procedimentos m\u00ednimos a serem seguidos pelo Estado a fim de garantir o rastreamento dos vest\u00edgios coletados durante a fase investigativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O objetivo \u00e9 assegurar que a prova material do crime &#8211; analisada pelas partes e pelo juiz no curso do processo penal &#8211; seja a mesma que foi apreendida no momento da suposta infra\u00e7\u00e3o ou durante dilig\u00eancias cautelares de busca e apreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de mecanismo que atesta a regularidade e a confiabilidade da prova apresentada pelas partes, documentando a hist\u00f3ria cronol\u00f3gica do vest\u00edgio coletado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a consequ\u00eancia processual concreta de eventual desconformidade com as regras previstas no C\u00f3digo de Processo Penal para as etapas de rastreamento dos vest\u00edgios (158-A a 158-F) depender\u00e1 do cotejo com os demais elementos de prova constantes dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prevalece, no STJ, o entendimento de que a quest\u00e3o em torno da observ\u00e2ncia da cadeia de cust\u00f3dia n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o com as nulidades processuais, mas, sim, com a efic\u00e1cia da prova, a ser analisada na situa\u00e7\u00e3o concreta e \u00e0 luz dos demais elementos produzidos na instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a alega\u00e7\u00e3o de quebra da cadeia de cust\u00f3dia da prova exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de adultera\u00e7\u00e3o ou preju\u00edzo, n\u00e3o sendo suficiente a mera aus\u00eancia de eventual documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, o m\u00e9todo de espelhamento ou duplica\u00e7\u00e3o do equipamento original apreendido (v.g., aparelho celular, hds, computadores, laptops) est\u00e1 em sintonia com o Procedimento Operacional Padr\u00e3o, publicado pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a no ano de 2024, ato infralegal que estabelece que os dados contidos na m\u00eddia original devem ser duplicados para uma m\u00eddia de trabalho, de forma a garantir a preserva\u00e7\u00e3o do conte\u00fado da prova imaterial, devendo o exame ser realizado sobre a c\u00f3pia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, no \u00e2mbito digital, \u00e9 poss\u00edvel a c\u00f3pia por espelhamento de dados utilizando-se da fun\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica hash, que cria um algoritmo alfanum\u00e9rico capaz de comprovar que os dados contidos na c\u00f3pia gerada s\u00e3o id\u00eanticos aos existentes no dispositivo eletr\u00f4nico apreendido. Com efeito, o c\u00f3digo hash configura verdadeira &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; da evid\u00eancia, sendo que qualquer altera\u00e7\u00e3o posterior no conte\u00fado do equipamento implicar\u00e1, invariavelmente, a gera\u00e7\u00e3o de c\u00f3digo diverso. Em julgado paradigm\u00e1tico sobre o tema da cadeia de cust\u00f3dia da prova digital, o Ministro Ribeiro Dantas (relator para ac\u00f3rd\u00e3o do AgRg no RHC n. 143.169\/RJ, Quinta Turma, julgado em 7\/2\/2023, DJe de 2\/3\/2023), destacou a extrema relev\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o hash como forma de garantir a mesmidade da evid\u00eancia imaterial. Consigne-se, ainda, que, na esteira de entendimento do STJ, a quebra da cadeia de cust\u00f3dia deve ser demonstrada concretamente pela defesa e n\u00e3o se pode pressupor, sem prova, eventual m\u00e1-f\u00e9 dos agentes p\u00fablicos no manuseio dos elementos probat\u00f3rios por eles recebidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, no que concerne \u00e0 alegada inexist\u00eancia da cadeia de cust\u00f3dia quanto ao iPad do denunciado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitou, nos autos do AgRg no Habeas Corpus 242.158-SP (julgado em 1\/7\/2024), argui\u00e7\u00e3o de quebra da cadeia de cust\u00f3dia e decidiu que o agente policial pode realizar a verifica\u00e7\u00e3o e a coleta preliminar de dados em aparelho celular durante o cumprimento de um mandado de busca e apreens\u00e3o, sem a necessidade imediata da participa\u00e7\u00e3o de um perito oficial. A atua\u00e7\u00e3o do agente policial, com esteio nos arts. 158-A, 1 e 2, e 158-B, I, todos do CPP, limita-se a verificar, nessas situa\u00e7\u00f5es, se o celular encontrado no momento da busca possui capacidade de armazenar informa\u00e7\u00f5es relacionadas ao crime investigado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; As fases de reconhecimento e coleta (art. 158-B, I e IV, do CPP), entre outros atos preliminares, ocorrem antes da per\u00edcia t\u00e9cnica oficial prevista no art. 159 do CPP, raz\u00e3o pela qual esses procedimentos podem ser realizados sem a interven\u00e7\u00e3o imediata de um perito oficial, n\u00e3o havendo que se falar em nulidade ou ilegalidade na manipula\u00e7\u00e3o do dispositivo por parte do agente policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A finalidade da busca e apreens\u00e3o do aparelho celular (na situa\u00e7\u00e3o dos autos, um tablet) n\u00e3o est\u00e1 relacionada ao pr\u00f3prio aparelho, mas aos dados existentes no equipamento, raz\u00e3o pela qual se consolidou o entendimento no \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a de que a apreens\u00e3o do telefone pressup\u00f5e o acesso aos dados nele armazenados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-exclusao-ente-federal-e-conflito-de-competencia\">3.&nbsp; Exclus\u00e3o ente federal e conflito de compet\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ju\u00edzo federal que, ao excluir do processo o ente federal cuja presen\u00e7a motivou a remessa, deve restituir os autos ao ju\u00edzo estadual <strong>sem suscitar conflito de compet\u00eancia (CPC, art. 45, \u00a7 3\u00ba; S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ)<\/strong>; a decis\u00e3o que afasta o interesse jur\u00eddico ou a legitimidade da Uni\u00e3o n\u00e3o pode ser reexaminada por CC, devendo eventual inconformismo seguir as vias recursais ordin\u00e1rias, sob pena de uso do incidente como suced\u00e2neo recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.726.185-RS, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00f3pis ajuizou a\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer contra a Uni\u00e3o e o Estado do RS, pleiteando tratamento domiciliar (home care) com equipe multiprofissional. Distribu\u00edda \u00e0 Justi\u00e7a Federal, o ju\u00edzo federal afastou a legitimidade da Uni\u00e3o e excluiu-a do polo passivo. Em vez de restituir os autos ao ju\u00edzo estadual, suscitou conflito de compet\u00eancia perante o STJ. O suscitado ju\u00edzo estadual sustentou que a remessa deveria ter sido direta, na forma do art. 45, \u00a7 3\u00ba, do CPC. O conflito de compet\u00eancia \u00e9 cab\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 45, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (exclus\u00e3o do ente federal: devolu\u00e7\u00e3o direta dos autos, sem CC).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 66<\/strong><em> (conflito de compet\u00eancia: pressuposto de controv\u00e9rsia efetiva entre ju\u00edzos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, I<\/strong><em> (compet\u00eancia ratione personae da Justi\u00e7a Federal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ<\/strong><em> (interesse jur\u00eddico federal: controle interno pela Justi\u00e7a Federal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.015, VII<\/strong><em> (cabimento de agravo de instrumento contra decis\u00e3o sobre exclus\u00e3o de litisconsorte).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O incidente de conflito de compet\u00eancia (CPC, art. 66) pressup\u00f5e controv\u00e9rsia efetiva entre ju\u00edzos sobre compet\u00eancia &#8211; hip\u00f3tese inexistente quando, ap\u00f3s exclus\u00e3o do ente federal, o pr\u00f3prio ju\u00edzo federal est\u00e1 obrigado, por lei, a devolver os autos. A norma do art. 45, \u00a7 3\u00ba, do CPC, positivou jurisprud\u00eancia consolidada (S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A aferi\u00e7\u00e3o do interesse jur\u00eddico federal \u00e9 pressuposto de compet\u00eancia ratione personae (CF, art. 109, I), controlado internamente pela Justi\u00e7a Federal. Inconformismo da parte com a exclus\u00e3o da Uni\u00e3o deve ser veiculado por agravo de instrumento (CPC, art. 1.015, VII), inclusive sob a mitiga\u00e7\u00e3o do rol do art. 1.015 firmada no Tema 988\/STJ, e n\u00e3o por CC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Regra t\u00e9cnica expl\u00edcita: <strong>exclu\u00eddo o ente federal, o ju\u00edzo federal deve restituir os autos ao ju\u00edzo estadual diretamente, sem suscitar conflito de compet\u00eancia<\/strong>. O art. 45, \u00a7 3\u00ba, do CPC positivou jurisprud\u00eancia consolidada nas S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ. A devolu\u00e7\u00e3o \u00e9 regra, n\u00e3o op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Veda-se o uso do CC como instrumento de revis\u00e3o substantiva: <strong>a decis\u00e3o do ju\u00edzo federal que afasta interesse jur\u00eddico ou legitimidade da Uni\u00e3o n\u00e3o pode ser reexaminada por meio de conflito de compet\u00eancia<\/strong>. A aferi\u00e7\u00e3o do interesse federal \u00e9 pressuposto de compet\u00eancia ratione personae (CF, art. 109, I), controlado pela pr\u00f3pria Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O<strong> CC n\u00e3o pode ser utilizado como suced\u00e2neo recursal para provocar manifesta\u00e7\u00e3o prematura do STJ<\/strong>. O inconformismo deve ser veiculado pelas vias recursais ordin\u00e1rias (agravo de instrumento, art. 1.015, VII, do CPC), inclusive sob a mitiga\u00e7\u00e3o do rol firmada no Tema 988\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f H\u00e1 ainda dimens\u00e3o sist\u00eamica: aceitar o CC nessa hip\u00f3tese <strong>inverteria a l\u00f3gica processual ao permitir que ju\u00edzos estaduais ou o pr\u00f3prio incidente reabrissem quest\u00e3o da compet\u00eancia ratione personae federal<\/strong>, em preju\u00edzo da especializa\u00e7\u00e3o funcional dos ju\u00edzos. A solu\u00e7\u00e3o: CC n\u00e3o conhecido, devolu\u00e7\u00e3o dos autos ao ju\u00edzo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o procedimento adequado quando o ju\u00edzo federal, em demanda contra ente federal e ente estadual, exclui o ente federal por afastar seu interesse jur\u00eddico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Restitui os autos ao ju\u00edzo estadual, sem suscitar conflito de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Suscita conflito negativo de compet\u00eancia perante o STJ, para definir o ju\u00edzo natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Mant\u00e9m o processo na Justi\u00e7a Federal por for\u00e7a da regra da perpetua\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Encaminha os autos diretamente ao tribunal federal regional para an\u00e1lise da exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Suscita conflito perante o respectivo tribunal regional, em raz\u00e3o da exclus\u00e3o do ente federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> O art. 45, \u00a7 3\u00ba, do CPC determina que, exclu\u00eddo o ente federal cuja presen\u00e7a motivou a remessa, o ju\u00edzo federal devolva diretamente os autos ao ju\u00edzo estadual, sem suscitar conflito (tamb\u00e9m S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O CC pressup\u00f5e controv\u00e9rsia efetiva (CPC, art. 66); exclu\u00eddo o ente federal, a devolu\u00e7\u00e3o \u00e9 regra legal, n\u00e3o op\u00e7\u00e3o a ser instaurada por incidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A perpetua\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia (CPC, art. 43) opera dentro do mesmo ju\u00edzo; aqui o interesse jur\u00eddico federal afastado descaracteriza o pressuposto que motivou a compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O TRF n\u00e3o \u00e9 competente para essa devolu\u00e7\u00e3o; a regra \u00e9 direta entre ju\u00edzos (federal e estadual).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O CC perante TRF \u00e9 cab\u00edvel em hip\u00f3teses espec\u00edficas, mas n\u00e3o substitui a devolu\u00e7\u00e3o direta prevista no art. 45, \u00a7 3\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cuida-se de conflito negativo de compet\u00eancia suscitado por ju\u00edzo federal, apontando como suscitado ju\u00edzo estadual em demanda proposta contra ente estadual, com a finalidade de obter tratamento domiciliar integral (home care), com equipe multiprofissional e equipamentos de suporte. A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se deve ser conhecido o conflito negativo de compet\u00eancia entre Justi\u00e7a Federal e Justi\u00e7a Estadual quando o ju\u00edzo federal, ao excluir a Uni\u00e3o do polo passivo da a\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer relativa a tratamento domiciliar (home care), deveria, nos termos do art. 45, 3, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015), apenas restituir os autos ao Ju\u00edzo estadual, sem suscitar conflito. Com efeito, o conflito de compet\u00eancia, nos termos do art. 66 do CPC\/2015, pressup\u00f5e efetiva controv\u00e9rsia entre ju\u00edzos sobre compet\u00eancia ou sobre reuni\u00e3o\/separa\u00e7\u00e3o de processos, o que n\u00e3o se verifica quando, ap\u00f3s a exclus\u00e3o do ente federal, o pr\u00f3prio ju\u00edzo federal est\u00e1 obrigado, por lei, a devolver os autos ao ju\u00edzo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 45, 3, do CPC\/2015 estabelece regra espec\u00edfica segundo a qual o ju\u00edzo federal deve restituir os autos ao ju\u00edzo estadual, sem suscitar conflito, quando o ente federal cuja presen\u00e7a ensejou a remessa for exclu\u00eddo do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mencionada norma apenas positivou jurisprud\u00eancia consolidada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, sintetizada nas S\u00famulas ns. 150, 224 e 254\/STJ, segundo as quais compete exclusivamente \u00e0 Justi\u00e7a Federal decidir sobre a exist\u00eancia de interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o, de suas autarquias e empresas p\u00fablicas; exclu\u00eddo o ente federal, o ju\u00edzo federal deve devolver os autos e n\u00e3o suscitar conflito; e a decis\u00e3o federal que afasta o ente n\u00e3o pode ser reexaminada pelo Ju\u00edzo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aferi\u00e7\u00e3o do interesse jur\u00eddico federal constitui pressuposto de compet\u00eancia ratione personae, nos termos do art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a ser controlado internamente pela pr\u00f3pria Justi\u00e7a Federal, com eventual revis\u00e3o pelas respectivas inst\u00e2ncias federais, sendo incompat\u00edvel que ju\u00edzos estaduais ou o incidente de conflito de compet\u00eancia sejam utilizados para reabrir essa discuss\u00e3o. O conflito de compet\u00eancia n\u00e3o se presta a substituir os meios recursais previstos em lei, de modo que o inconformismo com a exclus\u00e3o da Uni\u00e3o do polo passivo deve ser veiculado por recurso cab\u00edvel, como o agravo de instrumento (art. 1.015, VII, do CPC\/2015), inclusive \u00e0 luz da mitiga\u00e7\u00e3o do rol do art. 1.015 fixada no Tema 988\/STJ, e n\u00e3o por meio de incidente dirigido ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O entendimento, reiteradamente afirmado pela Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, de que a legitimidade da Uni\u00e3o, uma vez afastada pelo ju\u00edzo federal, n\u00e3o pode ser revista via conflito de compet\u00eancia, recolhe-se \u00e0 necessidade de evitar a utiliza\u00e7\u00e3o desse incidente como suced\u00e2neo recursal, preservando a l\u00f3gica constitucional de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e a racionalidade do sistema recursal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A multiplica\u00e7\u00e3o de conflitos de compet\u00eancia manifestamente incab\u00edveis, especialmente em demandas de sa\u00fade, agrava o quadro de sobrecarga estrutural do STJ e compromete a dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo e a fun\u00e7\u00e3o uniformizadora da Corte, impondo a reafirma\u00e7\u00e3o da inadmissibilidade de incidentes que contrariem determina\u00e7\u00e3o legal expressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O retorno dos autos ao ju\u00edzo estadual suscitado n\u00e3o impede o futuro controle, pelo STJ, de eventuais viola\u00e7\u00f5es \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o federal em sede recursal pr\u00f3pria, preservando-se a possibilidade de exame da mat\u00e9ria de fundo em momento processual correto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa maneira, compete ao ju\u00edzo estadual, uma vez devolvidos os autos, examinar, sem suscitar novo conflito, a responsabilidade do Estado pelo fornecimento do tratamento requisitado e, se entender inexistente tal responsabilidade, julgar improcedente o pedido, decis\u00e3o que poder\u00e1 ser impugnada por recurso pr\u00f3prio ou motivar a propositura de nova a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a federal, com inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-exportacao-de-produto-nao-tributado-e-credito-presumido-de-ipi\">4. Exporta\u00e7\u00e3o de produto n\u00e3o tributado e cr\u00e9dito presumido de IPI<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exporta\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o tributados (produtos com nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221; na TIPI) <strong>n\u00e3o gera cr\u00e9dito presumido de IPI<\/strong>, pois a empresa que os fabrica n\u00e3o se enquadra no conceito de &#8220;estabelecimento produtor&#8221; exigido para frui\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio fiscal (Lei n\u00ba 9.363\/1996, art. 1\u00ba; Lei n\u00ba 4.502\/1964, art. 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.188.764-SC, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Verde Floresta Madeireira Ltda. exportou madeira em bruto, produto com nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221; na TIPI (Tabela de Incid\u00eancia do IPI). Pleiteou cr\u00e9dito presumido de IPI sobre o valor dessas exporta\u00e7\u00f5es, com fundamento na Lei n\u00ba 9.363\/1996. O Fisco indeferiu, sustentando que, sem incid\u00eancia de IPI no produto exportado, a empresa n\u00e3o se qualifica como &#8220;estabelecimento produtor&#8221; e n\u00e3o atende ao pressuposto legal do benef\u00edcio. A exporta\u00e7\u00e3o de produto NT integra a base de c\u00e1lculo do cr\u00e9dito presumido?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.363\/1996, art. 1\u00ba<\/strong><em> (cr\u00e9dito presumido de IPI: ressarcimento de PIS\/COFINS na cadeia exportadora).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 4.502\/1964, art. 3\u00ba<\/strong><em> (conceito de estabelecimento produtor: industrializa\u00e7\u00e3o de produtos sujeitos ao IPI).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.493\/1997, art. 13 e Lei n\u00ba 10.451\/2002, art. 6\u00ba<\/strong><em> (produtos NT est\u00e3o fora do campo de incid\u00eancia do IPI).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 46, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (conceito de industrializa\u00e7\u00e3o: opera\u00e7\u00e3o que modifica natureza, funcionamento ou aperfei\u00e7oa o produto).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>IN SRF n\u00ba 69\/2001, art. 21<\/strong><em> (exclus\u00e3o das vendas de produtos NT na apura\u00e7\u00e3o da receita de exporta\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O cr\u00e9dito presumido de IPI da Lei n\u00ba 9.363\/1996 \u00e9 benef\u00edcio fiscal direcionado a estabelecimentos produtores, como ressarcimento simb\u00f3lico do PIS\/COFINS incidente nas aquisi\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas. Pressup\u00f5e industrializa\u00e7\u00e3o de produto SUJEITO ao IPI &#8211; exatamente o que falta nos produtos NT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Produtos com nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221; na TIPI est\u00e3o fora do campo de incid\u00eancia do IPI: as Leis n\u00ba 9.493\/1997 e 10.451\/2002 expressamente os retiram desse universo. A empresa que os fabrica n\u00e3o \u00e9 &#8220;estabelecimento produtor&#8221; no conceito da Lei n\u00ba 4.502\/1964; portanto, sequer \u00e9 contribuinte do IPI e n\u00e3o pode reivindicar o cr\u00e9dito presumido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O cr\u00e9dito presumido de IPI tem natureza espec\u00edfica: <strong>destina-se a estabelecimentos produtores, como ressarcimento simb\u00f3lico do PIS\/COFINS embutido nos insumos da cadeia exportadora<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 benef\u00edcio autom\u00e1tico para qualquer exporta\u00e7\u00e3o; pressup\u00f5e industrializa\u00e7\u00e3o de produto sujeito ao IPI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Produtos com nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221; na TIPI <strong>est\u00e3o fora do campo de incid\u00eancia do IPI por for\u00e7a das Leis n\u00ba 9.493\/1997 (art. 13) e 10.451\/2002 (art. 6\u00ba)<\/strong>. N\u00e3o foram apenas isentos ou aplicada al\u00edquota zero: foram retirados do pr\u00f3prio n\u00facleo de incid\u00eancia do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A consequ\u00eancia direta dessa exclus\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica: <strong>a empresa que fabrica apenas produtos NT n\u00e3o \u00e9 &#8220;estabelecimento produtor&#8221; no sentido do art. 3\u00ba da Lei n\u00ba 4.502\/1964<\/strong> (&#8220;todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto&#8221;). Sequer \u00e9 contribuinte do IPI. Como reivindicar cr\u00e9dito presumido de imposto a que n\u00e3o est\u00e1 sujeita?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF n\u00ba 69\/2001 (art. 21) confirma a l\u00f3gica: <strong>determina expressamente a n\u00e3o inclus\u00e3o das vendas de produtos NT na apura\u00e7\u00e3o da receita de exporta\u00e7\u00e3o para fins de c\u00e1lculo do benef\u00edcio<\/strong>. O administrativo regulamenta o que a lei j\u00e1 estabelece: produtos NT n\u00e3o geram o cr\u00e9dito presumido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a possibilidade de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito presumido de IPI sobre exporta\u00e7\u00f5es de produtos com nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221; na TIPI:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 admiss\u00edvel, em raz\u00e3o do est\u00edmulo constitucional \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 admiss\u00edvel quando o exportador tamb\u00e9m produzir outros bens tributados pelo IPI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 admiss\u00edvel na propor\u00e7\u00e3o do PIS\/COFINS efetivamente recolhidos sobre os insumos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 admiss\u00edvel mediante pr\u00e9via habilita\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) N\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel, pois a empresa fabricante de produto NT n\u00e3o \u00e9 estabelecimento produtor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O est\u00edmulo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o opera por mecanismos pr\u00f3prios; o cr\u00e9dito presumido da Lei n\u00ba 9.363\/1996 exige especificamente que a empresa seja estabelecimento produtor de bem sujeito ao IPI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A discuss\u00e3o refere-se ao produto exportado, n\u00e3o \u00e0 empresa em si; a exporta\u00e7\u00e3o de NT n\u00e3o comp\u00f5e a base do benef\u00edcio, independentemente de outras linhas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O cr\u00e9dito presumido tem f\u00f3rmula objetiva (Lei n\u00ba 9.363\/1996), independente do PIS\/COFINS efetivamente recolhidos; mas o pressuposto &#8211; condi\u00e7\u00e3o de estabelecimento produtor &#8211; falta no caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 requisito de habilita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via; o problema \u00e9 a inadequa\u00e7\u00e3o do produto NT ao conceito legal de estabelecimento produtor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> Produtos NT est\u00e3o fora do campo de incid\u00eancia do IPI (Leis n\u00ba 9.493\/1997 e 10.451\/2002); a empresa que apenas os fabrica n\u00e3o \u00e9 estabelecimento produtor (Lei n\u00ba 4.502\/1964, art. 3\u00ba), n\u00e3o \u00e9 contribuinte do IPI e, por isso, n\u00e3o preenche o pressuposto da Lei n\u00ba 9.363\/1996.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a decidir sobre a possibilidade de serem gerados cr\u00e9ditos presumidos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir das receitas de exporta\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o tributados pelo IPI (produtos NT).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o aos produtos com a nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221;, as empresas que os produzem n\u00e3o s\u00e3o consideradas estabelecimentos produtores, por for\u00e7a do art. 3 da Lei n. 4.502\/1964, segundo o qual &#8220;considera-se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, os produtos com a nota\u00e7\u00e3o &#8220;NT&#8221;, na Tabela de Incid\u00eancia do Imposto sobre Produtos Industrializados &#8211; TIPI, n\u00e3o s\u00e3o considerados produtos industrializados, pois est\u00e3o fora do campo de incid\u00eancia desse imposto, a teor dos arts. 13 da Lei n. 9.493\/1997; e 6 da Lei n. 10.451\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, se nas opera\u00e7\u00f5es relativas aos produtos n\u00e3o tributados a empresa n\u00e3o \u00e9 considerada como produtora, n\u00e3o satisfaz, por conseguinte, uma das condi\u00e7\u00f5es a que est\u00e1 subordinado o benef\u00edcio fiscal em apre\u00e7o, o de ser produtora. N\u00e3o h\u00e1 como conceder o direito ao cr\u00e9dito presumido do IPI \u00e0 pessoa jur\u00eddica que sequer \u00e9 contribuinte desse imposto, sem viola\u00e7\u00e3o ao art. 1 da Lei n. 9.363\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, por for\u00e7a do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 3 da Lei n. 9.363\/1996, a legisla\u00e7\u00e3o do IPI deve ser utilizada, subsidiariamente, para o estabelecimento do conceito de produ\u00e7\u00e3o, para fins de concess\u00e3o do cr\u00e9dito presumido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, o cr\u00e9dito presumido de IPI dever\u00e1 levar em conta &#8220;as respectivas aquisi\u00e7\u00f5es, no mercado interno, de mat\u00e9rias-primas, produtos intermedi\u00e1rios e material de embalagem, para utiliza\u00e7\u00e3o no processo produtivo&#8221;, conforme se extrai do art. 1 da Lei n. 9.363\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A caracteriza\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o, nessa medida, ocorre diante de qualquer opera\u00e7\u00e3o que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresenta\u00e7\u00e3o ou a finalidade de determinado produto que esteja no campo de incid\u00eancia do IPI, ou o aperfei\u00e7oe para consumo, como se d\u00e1 nas etapas de transforma\u00e7\u00e3o, beneficiamento, montagem, acondicionamento e renova\u00e7\u00e3o ou recondicionamento, conforme disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 46 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN), bem como no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 3 da Lei n. 4.502\/1964.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF n. 69, de 2001, no 1 de seu art. 21, por sua vez, determinou, com amparo no art. 6 da Lei 9.363\/1996, a n\u00e3o inclus\u00e3o na apura\u00e7\u00e3o da receita de exporta\u00e7\u00e3o do valor resultante das vendas de produtos &#8220;NT&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, as Instru\u00e7\u00f5es Normativas SRF ns. 313 e 315, de 2003, assim como as Instru\u00e7\u00f5es Normativas SRF ns. 419 e 420, de 2004, tamb\u00e9m exclu\u00edram o valor resultante das vendas de produtos &#8220;NT&#8221; do cr\u00e9dito presumido de IPI concedidos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de produtos nacionais para ressarcimento das contribui\u00e7\u00f5es ao PIS\/Pasep e da Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando a delega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia normativa prevista no art. 6 da Lei n. 9.363\/1996, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a reconheceu a legalidade das normas complementares que, sucessivamente, admitiram a exclus\u00e3o das receitas de exporta\u00e7\u00e3o o resultado decorrente das vendas de produtos &#8220;NT&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, conclui-se que a exporta\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o tributados (NT) n\u00e3o gera cr\u00e9dito presumido de IPI.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-agente-de-carga-e-reponsabilidade-por-dano-a-mercadoria-no-transporte\">5.&nbsp; Agente de carga e reponsabilidade por dano \u00e0 mercadoria no transporte<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade do agente de carga \u00e9 de intermedia\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de transporte; <strong>o agente de carga n\u00e3o responde pelo ressarcimento da indeniza\u00e7\u00e3o paga pela seguradora ao dono da carga eventualmente avariada (DL n\u00ba 37\/1966, art. 37, \u00a7 1\u00ba)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.188.764-SC, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Equilibra-se Seguros S.A. pagou indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 segurada por avarias em mercadorias importadas &#8211; transportadas de Xangai para Navegantes\/SC, com danos no cont\u00eainer e no produto identificados na chegada e na desova. Sub-rogada nos direitos da segurada, a seguradora ajuizou a\u00e7\u00e3o regressiva contra a Conex\u00e3o Global Log\u00edstica Ltda., agente de carga que intermediou o transporte. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias condenaram a agente. O agente de carga \u00e9 respons\u00e1vel pelo ressarcimento por avarias ocorridas durante o transporte?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>DL n\u00ba 37\/1966, art. 37, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (conceito de agente de carga: contrata\u00e7\u00e3o de transporte em nome do importador\/exportador, consolida\u00e7\u00e3o\/desconsolida\u00e7\u00e3o de cargas e servi\u00e7os conexos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 730 a 733<\/strong><em> (contrato de transporte: obriga\u00e7\u00e3o do transportador de entregar a mercadoria inc\u00f3lume).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 786<\/strong><em> (sub-roga\u00e7\u00e3o do segurador no direito do segurado contra o causador do dano).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O agente de carga \u00e9 pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica que, em nome do importador ou exportador, contrata o transporte da mercadoria, consolida ou desconsolida cargas e presta servi\u00e7os conexos. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 de intermedia\u00e7\u00e3o: obter espa\u00e7o (em navio ou aeronave) e organizar a log\u00edstica operacional, n\u00e3o executar o transporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Distin\u00e7\u00e3o decisiva: o transportador assume a obriga\u00e7\u00e3o de resultado de entregar a mercadoria inc\u00f3lume; o agente de carga apenas viabiliza a contrata\u00e7\u00e3o. A aus\u00eancia de responsabilidade pelo dano material no transporte deriva da natureza da atividade &#8211; intermedia\u00e7\u00e3o -, e n\u00e3o de cl\u00e1usula contratual de exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras sobre o papel do agente de carga. A primeira: <strong>o agente seria &#8220;transportador funcional&#8221; pela centralidade de sua atua\u00e7\u00e3o na cadeia log\u00edstica<\/strong>, devendo responder pelos danos por for\u00e7a da sub-roga\u00e7\u00e3o da seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A segunda leitura, adotada pela Terceira Turma, parte da defini\u00e7\u00e3o legal: <strong>o art. 37, \u00a7 1\u00ba, do DL n\u00ba 37\/1966 define o agente de carga como aquele que, em nome do importador ou exportador, contrata o transporte, consolida ou desconsolida cargas e presta servi\u00e7os conexos<\/strong>. A fun\u00e7\u00e3o \u00e9 de intermedia\u00e7\u00e3o &#8211; obter espa\u00e7o em navio ou aeronave para acomoda\u00e7\u00e3o da carga a ser transportada por terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A natureza intermediadora afasta a responsabilidade pela execu\u00e7\u00e3o do transporte. <strong>O agente n\u00e3o assume a obriga\u00e7\u00e3o de resultado de entregar a mercadoria inc\u00f3lume &#8211; essa \u00e9 presta\u00e7\u00e3o t\u00edpica do transportador<\/strong>. Quem responde por avarias ocorridas no transporte \u00e9 o transportador (a transportadora mar\u00edtima ou a\u00e9rea), n\u00e3o o intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A consequ\u00eancia processual: <strong>a seguradora, sub-rogada nos direitos da segurada (CC, art. 786), deve voltar-se contra o efetivo transportador, e n\u00e3o contra o agente de carga<\/strong>. A a\u00e7\u00e3o regressiva contra o intermedi\u00e1rio, sem demonstra\u00e7\u00e3o de culpa espec\u00edfica do agente, n\u00e3o procede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a responsabilidade do agente de carga em a\u00e7\u00e3o regressiva movida pela seguradora sub-rogada, por avarias em mercadorias durante o transporte internacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Responde solidariamente com o transportador, em raz\u00e3o da centralidade na cadeia log\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) N\u00e3o responde, pois sua atividade \u00e9 de intermedia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Responde subsidiariamente, quando o transportador n\u00e3o localizado ou insolvente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Responde quando emitiu conhecimento de transporte em nome pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Responde objetivamente, em raz\u00e3o dos riscos profissionais da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A solidariedade pressup\u00f5e assun\u00e7\u00e3o da mesma obriga\u00e7\u00e3o; o agente intermedi\u00e1rio n\u00e3o assume a obriga\u00e7\u00e3o de resultado de entregar a mercadoria inc\u00f3lume.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A atividade do agente de carga, definida no art. 37, \u00a7 1\u00ba, do DL n\u00ba 37\/1966, \u00e9 de intermedia\u00e7\u00e3o &#8211; obter espa\u00e7o para a carga e organizar a log\u00edstica -, n\u00e3o de transporte. A responsabilidade por avarias recai sobre o transportador, n\u00e3o sobre o intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A subsidiariedade n\u00e3o decorre da intermedia\u00e7\u00e3o; situa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o localiza\u00e7\u00e3o ou insolv\u00eancia do transportador n\u00e3o convertem o agente em obrigado por dano que n\u00e3o causou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A emiss\u00e3o de conhecimento em nome pr\u00f3prio caracterizaria atua\u00e7\u00e3o como transportador, e n\u00e3o como agente; a hip\u00f3tese aqui \u00e9 diversa, a de intermedia\u00e7\u00e3o t\u00edpica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A responsabilidade objetiva pelos riscos do transporte recai sobre o transportador, conforme contrato de transporte (CC, arts. 730 a 733), n\u00e3o sobre o intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em examinar se o agente de cargas responde por danos ocorridos no curso do transporte internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em an\u00e1lise, uma seguradora ajuizou a\u00e7\u00e3o regressiva de ressarcimento contra agente de cargas alegando avarias em mercadorias importadas por sua segurada. A carga viera de Xangai para Navegantes com registros de danos no cont\u00eainer e nas mercadorias logo na chegada e na desova. A seguradora pagou indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria \u00e0 segurada e buscou o regresso com base na sub-roga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, o Ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia julgou procedente o pedido condenando o agente de cargas ao ressarcimento \u00e0 seguradora. O Tribunal estadual manteve a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o art. 37, 1, do Decreto-lei n. 37\/1966 \u00e9 o principal fundamento legal que reconhece e regula a exist\u00eancia e as fun\u00e7\u00f5es do agente de carga. Segundo a disposi\u00e7\u00e3o nele contida, este pode ser definido como qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste servi\u00e7os conexos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se, portanto, que o agente de carga, por lei, trabalha como um mero intermediador, ou seja, sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 a de obter espa\u00e7o, em navios ou avi\u00f5es, para acomoda\u00e7\u00e3o da carga a ser transportada por terceira pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, como a sua atividade \u00e9 de intermedia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a de transportador, n\u00e3o cabe a responsabiliza\u00e7\u00e3o do mero agente de cargas pelo ressarcimento, \u00e0 seguradora, da indeniza\u00e7\u00e3o por ela suportada referente \u00e0 repara\u00e7\u00e3o integral de danos ocorridos por defeito na execu\u00e7\u00e3o de transporte internacional de cargas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-protecao-veicular-mutualista-aplica-se-o-cdc\">6. Prote\u00e7\u00e3o veicular mutualista: aplica-se o CDC?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No contrato de prote\u00e7\u00e3o veicular de natureza mutualista, admite-se a incid\u00eancia das normas do CDC, <strong>pois a rela\u00e7\u00e3o de consumo caracteriza-se pelo objeto contratado, sendo irrelevante a natureza jur\u00eddica da entidade prestadora dos servi\u00e7os, ainda que sem fins lucrativos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.225.451-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 27\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Madruga aderiu a plano de prote\u00e7\u00e3o veicular da BemProtege Cooperativa de Prote\u00e7\u00e3o Veicular, entidade sem fins lucrativos que opera no regime mutualista: os participantes contribuem para rateio dos preju\u00edzos do grupo. Ap\u00f3s sinistro com seu ve\u00edculo, teve a cobertura negada e ajuizou a\u00e7\u00e3o invocando o CDC. A BemProtege defendeu-se sustentando: (i) n\u00e3o \u00e9 seguradora regulada pela Susep; (ii) n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de consumo, por se tratar de rela\u00e7\u00e3o entre associados. Aplica-se o CDC \u00e0 opera\u00e7\u00e3o mutualista?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n\u00ba 213\/2025<\/strong><em> (disciplina das opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista (alterou o DL n\u00ba 73\/1966)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>DL n\u00ba 73\/1966, arts. 88-D e 88-E (LC n\u00ba 213\/2025)<\/strong><em> (opera\u00e7\u00f5es de PPM: rateio mutualista entre associados, sem natureza securit\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CDC, arts. 2\u00ba e 3\u00ba<\/strong><em> (rela\u00e7\u00e3o de consumo: fornecedor e consumidor; servi\u00e7o como atividade no mercado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A LC n\u00ba 213\/2025 disciplinou a prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista (PPM): opera\u00e7\u00e3o distinta do seguro tradicional, exercida entre associados de uma mesma comunidade, com rateio dos preju\u00edzos do grupo (DL n\u00ba 73\/1966, arts. 88-D e 88-E). N\u00e3o h\u00e1 transfer\u00eancia integral de risco \u00e0 entidade securit\u00e1ria; h\u00e1 compartilhamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O entendimento consolidado do STJ \u00e9 objetivo: a rela\u00e7\u00e3o de consumo se caracteriza pelo objeto contratado &#8211; oferta de servi\u00e7o no mercado de consumo -, sendo irrelevante a natureza jur\u00eddica da entidade que o presta. Ainda que sem fins lucrativos, a entidade que oferta prote\u00e7\u00e3o patrimonial \u00e9 fornecedora; o aderente vulner\u00e1vel \u00e9 consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Distin\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica: a opera\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista <strong>n\u00e3o \u00e9 seguro no sentido tradicional<\/strong>. No seguro, h\u00e1 transfer\u00eancia integral do risco \u00e0 seguradora, mediante pr\u00eamio fixo calculado em bases atuariais e lastreado em reservas t\u00e9cnicas. Na PPM, h\u00e1 compartilhamento do risco entre associados, com contribui\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis conforme a sinistralidade do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A LC n\u00ba 213\/2025 disciplinou a PPM expressamente, alterando o DL n\u00ba 73\/1966 para fixar o regime: <strong>entidades exclusivas de associados, riscos predeterminados, rateio mutualista de despesas<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 seguro privado, e a regula\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria da Susep n\u00e3o se aplica nessa modalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A inaplicabilidade das regras tradicionais do seguro, contudo, <strong>n\u00e3o exclui a aplica\u00e7\u00e3o do CDC<\/strong>. O entendimento do STJ \u00e9 objetivo: a rela\u00e7\u00e3o de consumo caracteriza-se pelo objeto contratado, e n\u00e3o pela natureza jur\u00eddica da entidade. Pessoa f\u00edsica vulner\u00e1vel que adere a plano de prote\u00e7\u00e3o patrimonial \u00e9 consumidor; a entidade que o oferta \u00e9 fornecedora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A irrelev\u00e2ncia do car\u00e1ter n\u00e3o-lucrativo j\u00e1 foi reafirmada em outros contextos pelo STJ: <strong>&#8220;a rela\u00e7\u00e3o de consumo se caracteriza pelo objeto contratado, sendo irrelevante a natureza jur\u00eddica da entidade que presta os servi\u00e7os, ainda que sem fins lucrativos&#8221;<\/strong>. A vulnerabilidade do consumidor e a oferta organizada de servi\u00e7o no mercado bastam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a aplica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista (PPM), exercidas por entidade sem fins lucrativos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Aplica-se, pois a rela\u00e7\u00e3o de consumo se caracteriza pelo objeto contratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) N\u00e3o se aplica, em raz\u00e3o da disciplina espec\u00edfica da LC n\u00ba 213\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o se aplica, pois a entidade sem fins lucrativos n\u00e3o \u00e9 fornecedora no sentido do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Aplica-se subsidiariamente \u00e0s regras do contrato de seguro tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Aplica-se apenas quando a entidade tiver autoriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da Susep.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> O entendimento consolidado do STJ \u00e9 objetivo: a rela\u00e7\u00e3o de consumo caracteriza-se pelo objeto contratado, sendo irrelevante a natureza jur\u00eddica da entidade prestadora, ainda que sem fins lucrativos (CDC, arts. 2\u00ba e 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A LC n\u00ba 213\/2025 disciplinou a PPM e afastou-a do regime do seguro tradicional, mas n\u00e3o excluiu a incid\u00eancia do CDC, que opera em plano distinto (prote\u00e7\u00e3o do consumidor).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O car\u00e1ter n\u00e3o-lucrativo \u00e9 irrelevante para a configura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de consumo: o crit\u00e9rio \u00e9 o objeto contratado (oferta organizada de servi\u00e7o no mercado).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A PPM n\u00e3o se confunde com o seguro tradicional (LC n\u00ba 213\/2025); a aplica\u00e7\u00e3o do CDC opera diretamente, em raz\u00e3o do objeto, n\u00e3o por subsidiariedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A PPM justamente foi disciplinada como modalidade fora da regula\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria da Susep; a aplica\u00e7\u00e3o do CDC independe dessa autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se incidem as normas do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor nas opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 mat\u00e9ria, importa salientar que n\u00e3o se trata, na esp\u00e9cie, de t\u00edpico contrato de seguro, mas de opera\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista (PPM), recentemente disciplinada pela Lei Complementar n. 213\/2025, que alterou o Decreto-Lei n. 73\/1966 para dispor sobre as sociedades cooperativas de seguros e as opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com o novo modelo, as opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista devem ser exercidas pela reuni\u00e3o exclusiva de pessoas naturais ou jur\u00eddicas que sejam membros de uma mesma associa\u00e7\u00e3o, e contra riscos predeterminados que sejam repartidos entre os seus participantes por meio de rateio mutualista de despesas (arts. 88-D e 88-E do Decreto-Lei n. 73\/1966), estando a atua\u00e7\u00e3o das cooperativas de seguros vinculada, portanto, somente \u00e0 oferta de seguros privados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante da not\u00f3ria diferen\u00e7a entre os institutos, n\u00e3o se mostra poss\u00edvel aplicar \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista, indistintamente, as mesmas regras atinentes aos seguros tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, no contrato de seguro tradicional, ocorre a transfer\u00eancia integral do risco ao ente segurador, o qual, mediante a percep\u00e7\u00e3o de pr\u00eamio previamente fixado e calculado com base em crit\u00e9rios atuariais, assume a obriga\u00e7\u00e3o de garantir a correspondente indeniza\u00e7\u00e3o, lastreada em reservas t\u00e9cnicas obrigat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 no \u00e2mbito da prote\u00e7\u00e3o veicular de natureza mutualista, n\u00e3o h\u00e1 transfer\u00eancia do risco a uma entidade espec\u00edfica, mas o seu compartilhamento entre os associados, que se obrigam, de forma rec\u00edproca, ao rateio dos preju\u00edzos suportados pelo grupo, resultando em contribui\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter vari\u00e1vel, apuradas conforme a sinistralidade verificada em cada per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em ambas as hip\u00f3teses, admite-se a aplica\u00e7\u00e3o das normas de prote\u00e7\u00e3o ao direito do consumidor, haja vista o entendimento predominante no \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, de que &#8220;[&#8230;] a rela\u00e7\u00e3o de consumo se caracteriza pelo objeto contratado [&#8230;], sendo irrelevante a natureza jur\u00eddica da entidade que presta os servi\u00e7os, ainda que sem fins lucrativos&#8221; (AgInt nos EDcl no REsp 1.638.373\/PR, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 29\/4\/2019, DJe de 6\/5\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em situa\u00e7\u00e3o semelhante, envolvendo a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o veicular por associa\u00e7\u00e3o, a Terceira Turma do STJ decidiu que, uma vez configurada a rela\u00e7\u00e3o de consumo, devem incidir as normas de prote\u00e7\u00e3o ao direito do consumidor (REsp 2.186.942\/SC, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 6\/5\/2025, DJEN de 13\/5\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hodiernamente, com as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela LC n. 213\/2025, as opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista passaram a se submeter tamb\u00e9m \u00e0s regras da Superintend\u00eancia de Seguros Privados (Susep).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em apre\u00e7o, a tese sustentada \u00e9 a de que os supostos preju\u00edzos por ele sofridos decorreram do descumprimento do prazo m\u00e1ximo de 30 (trinta) dias para pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, previsto na Circular Susep n. 621\/2021. O referido ato normativo, no entanto, estabelece regras de funcionamento e crit\u00e9rios para os seguros de danos, e n\u00e3o para as opera\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o patrimonial mutualista, n\u00e3o havendo falar, desse modo, em descumprimento do prazo nele estabelecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, enquanto a mat\u00e9ria n\u00e3o for efetivamente regulamentada pela Susep, que at\u00e9 o momento definiu apenas as diretrizes para cadastramento das associa\u00e7\u00f5es j\u00e1 constitu\u00eddas e em atividade nos segmentos de prote\u00e7\u00e3o veicular (Resolu\u00e7\u00e3o Susep n. 49\/2025), deve ser respeitada a livre pactua\u00e7\u00e3o entre as partes, ressalvada a estipula\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usulas abusivas, presente a rela\u00e7\u00e3o de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, houve o afastamento das normas do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, contrariamente \u00e0 jurisprud\u00eancia do STJ. Contudo, ainda que sejam aplic\u00e1veis as normas do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor no caso, diante da clareza da previs\u00e3o contratual e por n\u00e3o haver nenhum impedimento legal ou normativo, n\u00e3o se considera abusiva a cl\u00e1usula que estipulou em 90 (noventa) dias \u00fateis o prazo para pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, tampouco a que excluiu da cobertura os lucros cessantes e os danos emergentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-partilha-amigavel-com-quinhoes-desiguais-entre-irmaos\">7. Partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais entre irm\u00e3os<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel a partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais entre herdeiros maiores e capazes, <strong>desde que haja consenso e pr\u00e9via cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios, realizada entre a abertura da sucess\u00e3o e antes da partilha<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falecido sem herdeiros necess\u00e1rios deixou apenas dois herdeiros colaterais: Geremias (irm\u00e3o bilateral) e Tib\u00farcio (irm\u00e3o unilateral). Pela voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria (CC, art. 1.841), Tib\u00farcio teria direito \u00e0 metade do que receberia Geremias. Os dois celebraram acordo amig\u00e1vel invertendo a propor\u00e7\u00e3o: Tib\u00farcio cederia parcela de seu quinh\u00e3o a Geremias. A ju\u00edza indeferiu por entender se tratar de ren\u00fancia parcial (vedada). O TJ manteve, qualificando como doa\u00e7\u00e3o dissimulada. Geremias recorreu sustentando ser cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios, plenamente admiss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.793<\/strong><em> (cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios: total ou parcial, a benefici\u00e1rio espec\u00edfico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.808<\/strong><em> (ren\u00fancia da heran\u00e7a: sempre total, sem indica\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 2.015<\/strong><em> (partilha amig\u00e1vel entre herdeiros maiores e capazes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.841<\/strong><em> (sucess\u00e3o colateral: irm\u00e3os bilaterais herdam o dobro dos unilaterais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Tr\u00eas institutos distintos. (i) REN\u00daNCIA (art. 1.808): sempre total, sem benefici\u00e1rio espec\u00edfico; o renunciante abdica de sua condi\u00e7\u00e3o de herdeiro. (ii) CESS\u00c3O DE DIREITOS HEREDIT\u00c1RIOS (art. 1.793): neg\u00f3cio jur\u00eddico inter vivos, total ou PARCIAL, com benefici\u00e1rio espec\u00edfico; admite-se entre a abertura da sucess\u00e3o e antes da partilha. (iii) DOA\u00c7\u00c3O: pressup\u00f5e bens individualizados (ap\u00f3s partilha).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A diferen\u00e7a pr\u00e1tica \u00e9 decisiva. A ren\u00fancia parcial \u00e9 vedada (&#8220;ren\u00fancia da heran\u00e7a deve ser por escritura p\u00fablica ou termo judicial e, ainda, deve ser total&#8221;); a cess\u00e3o parcial \u00e9 admitida. Em partilha amig\u00e1vel entre herdeiros maiores capazes, \u00e9 l\u00edcito acordar quinh\u00f5es desiguais por meio de cess\u00e3o pr\u00e9via, sem violar a voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia exigia distinguir tr\u00eas institutos pr\u00f3ximos: ren\u00fancia, cess\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o. A ren\u00fancia, <strong>nos termos do art. 1.808 do CC, \u00e9 sempre total: o renunciante abdica integralmente de sua condi\u00e7\u00e3o de herdeiro<\/strong>. N\u00e3o admite parcialidade nem indica\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rio espec\u00edfico &#8211; da\u00ed porque &#8220;ren\u00fancia parcial&#8221; \u00e9 figura inexistente no direito brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios (CC, art. 1.793) opera em chave distinta: <strong>\u00e9 neg\u00f3cio jur\u00eddico inter vivos, pode ser total ou PARCIAL, e admite benefici\u00e1rio espec\u00edfico<\/strong>. O herdeiro cede parcela do seu quinh\u00e3o a outro herdeiro (ou a terceiro), mantendo no mais sua condi\u00e7\u00e3o. A cess\u00e3o pode ser realizada da abertura da sucess\u00e3o at\u00e9 o momento da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A doa\u00e7\u00e3o, por sua vez, <strong>pressup\u00f5e bens individualizados &#8211; hip\u00f3tese ap\u00f3s a partilha<\/strong>. Antes da partilha, os bens ainda integram massa heredit\u00e1ria comum; o ato translativo opera no plano dos direitos heredit\u00e1rios, n\u00e3o dos bens em esp\u00e9cie. Da\u00ed porque o Tribunal de origem errou ao qualificar o acordo como doa\u00e7\u00e3o dissimulada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o do STJ harmoniza essas figuras com a partilha amig\u00e1vel (CC, art. 2.015): <strong>herdeiros maiores e capazes podem partilhar amigavelmente com quinh\u00f5es desiguais, desde que haja consenso e pr\u00e9via cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios<\/strong>. O instrumento adequado \u00e9 a cess\u00e3o (n\u00e3o a ren\u00fancia), e o momento \u00e9 entre a abertura da sucess\u00e3o e a partilha (n\u00e3o depois).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais entre herdeiros maiores e capazes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 vedada, pois implica ren\u00fancia parcial da heran\u00e7a, instituto inadmitido pelo CC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 vedada quando importa em quinh\u00f5es inferiores \u00e0 voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria dos colaterais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 admiss\u00edvel por meio de doa\u00e7\u00e3o realizada antes da partilha entre os herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 admiss\u00edvel mediante cess\u00e3o pr\u00e9via de direitos heredit\u00e1rios, antes da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Roga-se pelo princ\u00edpio do melhor interesse do esp\u00f3lio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Ren\u00fancia parcial \u00e9 figura inexistente (CC, art. 1.808 &#8211; ren\u00fancia abrange a totalidade da heran\u00e7a); o instrumento adequado \u00e9 a cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios (CC, art. 1.793), que admite parcialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria \u00e9 regra dispositiva quanto \u00e0 parte dispon\u00edvel; herdeiros maiores capazes podem celebrar acordo amig\u00e1vel que se afaste dela, por cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A doa\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e bens individualizados, hip\u00f3tese s\u00f3 configurada ap\u00f3s a partilha; antes dela, opera-se no plano dos direitos heredit\u00e1rios (cess\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> A partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais \u00e9 vi\u00e1vel mediante cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios (CC, art. 1.793), realizada da abertura da sucess\u00e3o at\u00e9 o momento da partilha. Ren\u00fancia (que abrange a totalidade) e doa\u00e7\u00e3o (ap\u00f3s partilha) n\u00e3o cabem aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A partilha amig\u00e1vel dispensa homologa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica fundada em &#8220;melhor interesse do esp\u00f3lio&#8221;; bastam o consenso dos herdeiros maiores capazes e o instrumento adequado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia debate a possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de partilha amig\u00e1vel com distribui\u00e7\u00e3o desigual de quinh\u00f5es heredit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se, na origem, de a\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rio dos bens. O de cujus n\u00e3o deixou herdeiros necess\u00e1rios, mas apenas dois herdeiros colaterais: seu irm\u00e3o bilateral, ora recorrente, e o seu irm\u00e3o unilateral. Ap\u00f3s o regular processamento da a\u00e7\u00e3o, os herdeiros compuseram-se amigavelmente a fim de promover a partilha amig\u00e1vel do acervo patrimonial. Considerando que um dos irm\u00e3os do falecido \u00e9 irm\u00e3o unilateral, este teria direito a receber metade do que receberia o recorrente, irm\u00e3o bilateral. No entanto, os dois celebraram acordo de partilha que n\u00e3o obedeceu \u00e0 voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria, de forma que o irm\u00e3o unilateral comprometeu-se a ceder parte de seu quinh\u00e3o ao irm\u00e3o bilateral, que ficaria com a maior parte dos bens deixados pelo falecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ju\u00edza, contudo, indeferiu a partilha, compreendendo tratar-se da hip\u00f3tese de ren\u00fancia parcial, o que \u00e9 vedado pelo ordenamento jur\u00eddico brasileiro. O Tribunal recorrido, por sua vez, concluiu pela impossibilidade da partilha nos termos como pretendido pelos herdeiros, uma vez que o acordo teria por escopo suprimir doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Irresignado, recorre o herdeiro irm\u00e3o bilateral, pugnando pela proced\u00eancia do acordo amig\u00e1vel. Sustenta o recorrente, em s\u00edntese, que a hip\u00f3tese n\u00e3o se trata de cess\u00e3o prevista no artigo 1.793 do C\u00f3digo Civil, ou mesmo ren\u00fancia parcial, mas de doa\u00e7\u00e3o de parcela de cota-parte dispon\u00edvel do outro herdeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, mostra-se necess\u00e1ria a diferencia\u00e7\u00e3o entre os institutos da ren\u00fancia, cess\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme determina o art. 1.808 do CC, a ren\u00fancia \u00e9 sempre total, de forma que o renunciante abdica de sua condi\u00e7\u00e3o de herdeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 a cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios igualmente refere-se ao exerc\u00edcio do direito de liberdade de que desfruta o herdeiro em rela\u00e7\u00e3o ao direito de heran\u00e7a. No entanto, diferentemente da ren\u00fancia, diz respeito a neg\u00f3cio jur\u00eddico inter vivos, cujos efeitos operam somente ap\u00f3s o ato translativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que diferencia a ren\u00fancia da cess\u00e3o \u00e9 a possibilidade de o herdeiro ceder seu quinh\u00e3o de forma universal ou parcial, al\u00e9m de indicar um benefici\u00e1rio espec\u00edfico. A cess\u00e3o, ademais, pode ser levada a efeito a partir da abertura da sucess\u00e3o at\u00e9 o momento da partilha. Conforme a doutrina, depois de partilhados os bens deixados pelo falecido, &#8220;n\u00e3o mais se pode falar em cess\u00e3o, mas em venda ou em doa\u00e7\u00e3o, eis que os bens j\u00e1 est\u00e3o individualizados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios poder\u00e1 se dar a t\u00edtulo oneroso ou gratuito. A cess\u00e3o gratuita, embora se assemelhe \u00e0 doa\u00e7\u00e3o, com ela n\u00e3o se confunde. Trata-se a doa\u00e7\u00e3o de um contrato unilateral, por meio do qual o doador compromete-se a doar bens ou vantagens a outra pessoa por esp\u00edrito de liberalidade (art. 538 do CC). A cess\u00e3o gratuita pode ter como objeto a totalidade do quinh\u00e3o ou parte ideal, mas n\u00e3o bens determinados (art. 1.793, 2 CC). Ademais, diferentemente da doa\u00e7\u00e3o, a cess\u00e3o depende da aceita\u00e7\u00e3o do cession\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da mesma forma, a cess\u00e3o onerosa n\u00e3o se confunde com compra e venda, uma vez que se cede um direito heredit\u00e1rio, enquanto se vende a coisa materializada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou-se no sentido de que &#8220;enquanto n\u00e3o ultimada a partilha, o herdeiro n\u00e3o poder\u00e1 ceder um bem espec\u00edfico do monte, porque ele ainda faz parte da universalidade. [&#8230;] Vi\u00e1vel, contudo, a cess\u00e3o universal ou parcial de direitos heredit\u00e1rios, cientificados os demais herdeiros, e havendo autoriza\u00e7\u00e3o judicial&#8221; (REsp 2042491\/DF, Terceira Turma, DJe 25\/5\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca da partilha amig\u00e1vel, disp\u00f5e o art. 2.015 do CC que, &#8220;se os herdeiros forem capazes, poder\u00e3o fazer partilha amig\u00e1vel, por escritura p\u00fablica, termo nos autos de invent\u00e1rio, ou escrito particular, homologado pelo juiz&#8221;. Da leitura do dispositivo retromencionado, verifica-se que os requisitos legais para a partilha amig\u00e1vel s\u00e3o: (I) capacidade de todos os herdeiros; (II) consenso quanto \u00e0 divis\u00e3o do acervo; e (III) formaliza\u00e7\u00e3o por escritura p\u00fablica, termo nos autos do invent\u00e1rio ou por escrito particular homologado pelo juiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao partilhar os bens, orienta o art. 2.017 do CC a observa\u00e7\u00e3o, quanto ao seu valor, natureza e qualidade, da maior igualdade poss\u00edvel. N\u00e3o se exige, entretanto, que a igualdade entre quinh\u00f5es seja sempre absoluta. O pr\u00f3prio texto legal admite que a igualdade absoluta nem sempre ser\u00e1 atingida, diante das particularidades de cada patrim\u00f4nio e de cada grupo de herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mera desigualdade entre os quinh\u00f5es n\u00e3o descaracteriza, por si s\u00f3, a partilha amig\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1, pois, nenhum \u00f3bice \u00e0 partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais, desde que precedida por cess\u00e3o de direitos. Reitera-se que a cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios pode ser universal ou parcial, e deve ser levada a efeito a partir da abertura da sucess\u00e3o e antes da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, disp\u00f5e o art. 659 do C\u00f3digo de Processo Civil que a partilha amig\u00e1vel, celebrada entre partes capazes, nos termos da lei, ser\u00e1 homologada de plano pelo juiz. O juiz, ao homologar a partilha consensual, deve apenas verificar a validade da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade, n\u00e3o cabendo exigir a equival\u00eancia matem\u00e1tica dos quinh\u00f5es desiguais, mormente quando celebrada entre herdeiros maiores e capazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e9 poss\u00edvel a partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais entre herdeiros maiores e capazes, desde que haja consenso e pr\u00e9via cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios, realizada a partir da abertura da sucess\u00e3o e antes da partilha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-sursis-violencia-domestica-grupo-reflexivo-pode-ser-imposto-como-condicao\">8. Sursis + viol\u00eancia dom\u00e9stica: grupo reflexivo pode ser imposto como condi\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o em grupo reflexivo pode ser imposta como condi\u00e7\u00e3o do sursis (CP, art. 79; LEP, art. 152, par\u00e1grafo \u00fanico), <strong>e, em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, o verbo &#8220;poder\u00e1&#8221; dos dispositivos protetivos deve ser interpretado como poder-dever do magistrado<\/strong>; a aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o exaustiva e de prazo espec\u00edfico na senten\u00e7a n\u00e3o impede a imposi\u00e7\u00e3o, quando a medida \u00e9 id\u00f4nea e pode ser detalhada na audi\u00eancia admonit\u00f3ria ou na fase de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.041.047-GO, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chavez foi condenado por les\u00e3o corporal no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica (n\u00e3o aceitou o t\u00e9rmino do relacionamento e agrediu Chiquinha com tapas). A senten\u00e7a concedeu sursis por 2 anos, com as condi\u00e7\u00f5es do art. 78, \u00a7 2\u00ba, do CP, e determinou frequ\u00eancia a cursos e palestras sobre viol\u00eancia contra a mulher (art. 79 do CP). O Tribunal de origem decotou a participa\u00e7\u00e3o em grupo reflexivo por aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e prazo. A imposi\u00e7\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com o sistema do sursis em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 79<\/strong><em> (senten\u00e7a que concede sursis pode especificar outras condi\u00e7\u00f5es adequadas ao fato e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pessoal do condenado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 152, par\u00e1grafo \u00fanico (Lei n\u00ba 14.344\/2022)<\/strong><em> (obrigatoriedade de comparecimento a programas de recupera\u00e7\u00e3o em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica\/familiar).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha)<\/strong><em> (mecanismos para coibir e prevenir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 226, \u00a7 8\u00ba<\/strong><em> (dever do Estado de criar mecanismos para coibir a viol\u00eancia no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es familiares).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O sursis admite, no art. 79 do CP, a imposi\u00e7\u00e3o de &#8220;outras condi\u00e7\u00f5es&#8221; pela senten\u00e7a, desde que adequadas ao fato e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pessoal do condenado. A LEP, art. 152, par\u00e1grafo \u00fanico (introduzido pela Lei n\u00ba 14.344\/2022), prev\u00ea expressamente programas de recupera\u00e7\u00e3o para agressores em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica\/familiar ou maus-tratos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Em viol\u00eancia dom\u00e9stica, o STJ firmou que o &#8220;poder\u00e1&#8221; dos dispositivos protetivos deve ser lido como PODER-DEVER do magistrado. Raz\u00f5es: (i) efic\u00e1cia da medida em coibir reitera\u00e7\u00e3o delitiva; (ii) gravidade do fen\u00f4meno da viol\u00eancia de g\u00eanero; (iii) dever constitucional do Estado de criar mecanismos de prote\u00e7\u00e3o integral (CF, art. 226, \u00a7 8\u00ba); (iv) compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A<strong> participa\u00e7\u00e3o em grupo reflexivo pode ser imposta como condi\u00e7\u00e3o do sursis, com base no art. 79 do CP (&#8220;outras condi\u00e7\u00f5es adequadas&#8221;) e no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 152 da LEP<\/strong> (introduzido pela Lei n\u00ba 14.344\/2022). O fato concreto (extrema viol\u00eancia, agress\u00f5es f\u00edsicas, tentativa de enforcamento) amolda-se \u00e0 hip\u00f3tese normativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Embora o art. 152, par\u00e1grafo \u00fanico, da LEP utilize a express\u00e3o &#8220;poder\u00e1&#8221;, <strong>o STJ firmou que deve ser interpretado como verdadeiro poder-dever do magistrado em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/strong>. A discricionariedade n\u00e3o \u00e9 absoluta: o juiz deve impor a medida, salvo motivo concreto que a desaconselhe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Os fundamentos da interpreta\u00e7\u00e3o como poder-dever s\u00e3o robustos: <strong>(i) plena efic\u00e1cia da medida em coibir reitera\u00e7\u00e3o delitiva; (ii) gravidade do fen\u00f4meno da viol\u00eancia de g\u00eanero; (iii) dever constitucional do Estado de criar mecanismos de prote\u00e7\u00e3o integral (CF, art. 226, \u00a7 8\u00ba); (iv) compromissos internacionais do Brasil<\/strong>; e (v) inexist\u00eancia de motivo concreto, no caso, que afastasse a medida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Tribunal de origem havia decotado a condi\u00e7\u00e3o por &#8220;aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o exaustiva&#8221; e &#8220;falta de prazo espec\u00edfico&#8221;. A Quinta Turma rejeitou tais argumentos: <strong>a aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o exaustiva e de prazo na senten\u00e7a n\u00e3o impede a imposi\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o, quando a medida \u00e9 id\u00f4nea e pode ser detalhada na audi\u00eancia admonit\u00f3ria ou na fase de execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Exigir fundamenta\u00e7\u00e3o detalhada na senten\u00e7a esvaziaria a finalidade protetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a participa\u00e7\u00e3o em grupo reflexivo, imposta na senten\u00e7a como condi\u00e7\u00e3o do sursis, em caso de condena\u00e7\u00e3o por viol\u00eancia dom\u00e9stica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) N\u00e3o pode ser imposta, em raz\u00e3o da taxatividade do rol de condi\u00e7\u00f5es do art. 78, \u00a7 2\u00ba, do CP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Pode ser imposta, devendo ser interpretada como poder-dever do magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o pode ser imposta, pois ainda depende de regula\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Pode ser imposta, desde que haja fundamenta\u00e7\u00e3o exaustiva e prazo definidos na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Pode ser imposta com pr\u00e9vio acordo do condenado, em raz\u00e3o da natureza da medida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O art. 78, \u00a7 2\u00ba, do CP traz condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas; o art. 79 expressamente admite &#8220;outras condi\u00e7\u00f5es adequadas ao fato e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pessoal do condenado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A participa\u00e7\u00e3o pode ser imposta (CP, art. 79; LEP, art. 152, par\u00e1grafo \u00fanico), e em viol\u00eancia dom\u00e9stica o STJ firmou que o &#8220;poder\u00e1&#8221; do dispositivo \u00e9 poder-dever do magistrado, dado o dever estatal de prote\u00e7\u00e3o integral (CF, art. 226, \u00a7 8\u00ba; Lei n\u00ba 11.340\/2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A imposi\u00e7\u00e3o decorre diretamente do art. 79 do CP e do art. 152, par\u00e1grafo \u00fanico, da LEP; n\u00e3o depende de regula\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o exaustiva e de prazo na senten\u00e7a n\u00e3o impede a imposi\u00e7\u00e3o, pois a medida pode ser detalhada em audi\u00eancia admonit\u00f3ria ou na execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. As condi\u00e7\u00f5es do sursis s\u00e3o impostas pelo juiz com base em lei; n\u00e3o dependem de acordo do condenado para sua validade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria em grupo reflexivo, como condi\u00e7\u00e3o do sursis, encontra amparo no C\u00f3digo Penal, na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal e nos dispositivos da Lei Maria da Penha, exigindo fundamenta\u00e7\u00e3o concreta e prazo espec\u00edfico na senten\u00e7a, e se o verbo &#8220;poder\u00e1&#8221; deve ser interpretado como poder-dever em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, em raz\u00e3o do dever estatal de prote\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o da reincid\u00eancia. No caso, a senten\u00e7a condenat\u00f3ria concedeu sursis por 2 anos com as condi\u00e7\u00f5es do art. 78, 2, do C\u00f3digo Penal, e determinou a frequ\u00eancia a cursos e palestras sobre viol\u00eancia contra a mulher (art. 79 do C\u00f3digo Penal). O Tribunal de origem decotou a participa\u00e7\u00e3o em grupo reflexivo por aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e prazo. No entanto, os fundamentos invocados pela Corte de origem para afastar a determina\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o do acusado em grupo reflexivo a respeito da viol\u00eancia dom\u00e9stica esvaziam a inten\u00e7\u00e3o das normas protetivas estabelecidas em prol das v\u00edtimas do aludido crime, mormente considerando a extrema viol\u00eancia empregada pelo acusado, que, em decorr\u00eancia de n\u00e3o aceitar o t\u00e9rmino do relacionamento, teria desferido v\u00e1rios tapas no rosto, al\u00e9m de segurar a v\u00edtima pelos cabelos enquanto a agredia e tentava enforc\u00e1-la. Trata-se de contexto que se amolda \u00e0 norma prevista no art. 79 do C\u00f3digo Penal, pela qual &#8220;[a] senten\u00e7a poder\u00e1 especificar outras condi\u00e7\u00f5es a que fica subordinada a suspens\u00e3o, desde que adequadas ao fato e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pessoal do condenado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o art. 152 da Lei n. 7.210\/1984 estabelece que condenados podem receber cursos, palestras e atividades educativas durante o cumprimento da pena. O par\u00e1grafo \u00fanico, inclu\u00eddo pela Lei n. 14.344\/2022, autoriza o juiz a obrigar agressores em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica\/familiar ou maus-tratos a comparecerem a programas de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, embora o referido art. 152 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal utilize a express\u00e3o &#8220;poder\u00e1&#8221;, \u00e9 necess\u00e1rio interpretar o dispositivo como um verdadeiro poder-dever.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa interpreta\u00e7\u00e3o justifica-se pela plena efic\u00e1cia da medida em coibir a reitera\u00e7\u00e3o delitiva, pela gravidade do fen\u00f4meno da viol\u00eancia de g\u00eanero e pelo dever do Estado de criar mecanismos de prote\u00e7\u00e3o integral, conforme estabelece o art. 226, 8, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, mormente considerando que o Brasil assumiu compromissos para a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher, objetivo ainda distante da realidade experimentada na sociedade e refor\u00e7ada por posturas como a do Tribunal a quo, a despeito da gravidade dos fatos. Nessa toada, destaca-se que a Lei n. 13.984\/2024, que alterou o art. 22 da Lei Maria da Penha, passou a instituir, ante a an\u00e1lise do caso concreto, que homens envolvidos em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica participem de programas de car\u00e1ter educativo, de reabilita\u00e7\u00e3o e de acompanhamento psicossocial, ampliando a atua\u00e7\u00e3o do ordenamento jur\u00eddico para al\u00e9m da mera imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es estatais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, evidencia-se a incorpora\u00e7\u00e3o da reeduca\u00e7\u00e3o como medida juridicamente prevista e pass\u00edvel de implementa\u00e7\u00e3o, voltada \u00e0 preven\u00e7\u00e3o da reincid\u00eancia e \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es comportamentais. Na mesma linha os artigos 35, 36 e 38 da Lei n. 11.340\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m, o art. 45 da Lei Maria da Penha, ao modificar a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, estabelece que o juiz poder\u00e1 determinar o comparecimento obrigat\u00f3rio do agressor a programas de recupera\u00e7\u00e3o e reeduca\u00e7\u00e3o, sobretudo quando h\u00e1 reconhecimento judicial da pr\u00e1tica de viol\u00eancia dom\u00e9stica; verifica-se risco de reitera\u00e7\u00e3o delitiva e a medida se mostra adequada \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e \u00e0 ressocializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em igual dire\u00e7\u00e3o, o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), ao editar a Recomenda\u00e7\u00e3o n. 124\/2022, estabeleceu que os tribunais instituam e mantenham grupos voltados \u00e0 reflex\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o de agressores de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, demonstrando a grande relev\u00e2ncia da medida que, por conseguinte, deve ser restabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 cristalino que os grupos reflexivos possuem extrema relev\u00e2ncia, haja vista que a determina\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do suposto agressor tem como escopo a diminui\u00e7\u00e3o e a coibi\u00e7\u00e3o da reitera\u00e7\u00e3o das supostas condutas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, o que denota que a medida \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 reeduca\u00e7\u00e3o do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa leitura \u00e9 refor\u00e7ada pelos princ\u00edpios que regem a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, especialmente o da ressocializa\u00e7\u00e3o (art. 1), bem como pelo dever estatal de prote\u00e7\u00e3o efetiva \u00e0s mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem admitido a imposi\u00e7\u00e3o de medidas dessa natureza como condi\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas e proporcionais, justamente por atenderem \u00e0 finalidade de preven\u00e7\u00e3o da reincid\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es comportamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, diante de um caso concreto em que a viol\u00eancia dom\u00e9stica esteja caracterizada, n\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel, mas recomend\u00e1vel &#8211; e em certos contextos exig\u00edvel &#8211; como o da situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, que demonstrou que o r\u00e9u ostenta culpabilidade e circunst\u00e2ncias do crime desfavor\u00e1veis, reconhecidas nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias &#8211; que o magistrado determine a participa\u00e7\u00e3o do agressor em grupos reflexivos, concretizando seu poder-dever de aplicar medidas eficazes \u00e0 tutela dos direitos fundamentais e \u00e0 pol\u00edtica de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, compreende-se que o magistrado deve fundamentar sua decis\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 para determinar que o r\u00e9u se submeta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de grupos reflexivos, mas tamb\u00e9m naqueles casos em que conclua n\u00e3o ser essa condi\u00e7\u00e3o (participa\u00e7\u00e3o de grupos reflexivos) necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a exclus\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o por aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o exaustiva e de prazo espec\u00edfico esvazia a efetividade das normas protetivas, sendo suficiente, \u00e0 luz da adequa\u00e7\u00e3o e da situa\u00e7\u00e3o pessoal, que a senten\u00e7a indique a medida e a possibilidade de detalhamento em audi\u00eancia admonit\u00f3ria, sem preju\u00edzo de complementa\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-flagrante-ilicito-e-prova-obtida-com-posterior-autorizacao-judicial\">9. Flagrante il\u00edcito e prova obtida com posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ilicitude da pris\u00e3o em flagrante, reconhecida por aus\u00eancia das hip\u00f3teses do art. 302 do CPP, <strong>contamina os atos investigativos subsequentes que dela derivam (teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada, CPP, art. 157)<\/strong>; o consentimento do investigado ou a posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o afastam a nulidade quando h\u00e1 nexo causal com o ato il\u00edcito origin\u00e1rio e inexistente fonte independente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chiquinha foi abordada por agentes policiais fora das situa\u00e7\u00f5es flagr\u00e2ncias do art. 302 do CPP. Ainda assim, foi formalmente presa em &#8220;flagrante&#8221;, e na sequ\u00eancia foi interrogada e teve seus celulares apreendidos com extra\u00e7\u00e3o de dados, com o consentimento de Chiquinha. O ju\u00edzo de primeiro grau relaxou a pris\u00e3o por inexist\u00eancia de flagrante. O TJ, contudo, manteve os atos investigativos subsequentes, sob fundamento de que o relaxamento da pris\u00e3o n\u00e3o invalidaria os atos posteriores (interrogat\u00f3rio e dados dos celulares). A ilicitude da pris\u00e3o contamina as provas obtidas em seguida?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 302<\/strong><em> (hip\u00f3teses de flagrante delito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 310, I<\/strong><em> (relaxamento da pris\u00e3o ilegal pelo juiz).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXV<\/strong><em> (pris\u00e3o ilegal ser\u00e1 imediatamente relaxada pela autoridade judici\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 157 e \u00a7\u00a7<\/strong><em> (inadmissibilidade das provas il\u00edcitas; exce\u00e7\u00f5es: fonte independente e descoberta inevit\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 6\u00ba<\/strong><em> (dilig\u00eancias da autoridade policial ap\u00f3s conhecimento da infra\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada (CPP, art. 157), de origem norte-americana, estabelece que a prova derivada de outra prova il\u00edcita tamb\u00e9m \u00e9 il\u00edcita. As exce\u00e7\u00f5es legais s\u00e3o (i) fonte independente e (ii) descoberta inevit\u00e1vel: hip\u00f3teses em que o v\u00ednculo causal com o ato origin\u00e1rio se rompe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O consentimento do investigado para acesso a aparelhos celulares ou a posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial N\u00c3O operam como exce\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas: para afastar a contamina\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso demonstrar fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel &#8211; crit\u00e9rios objetivos que rompem o nexo causal com o ato il\u00edcito origin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Sexta Turma fixou dois entendimentos articulados. O primeiro: <strong>a ilicitude da pris\u00e3o em flagrante, reconhecida por aus\u00eancia das hip\u00f3teses do art. 302 do CPP, contamina os atos investigativos subsequentes que dela derivam<\/strong>. \u00c9 a aplica\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada (CPP, art. 157): a nulidade origem propaga-se \u00e0s provas dela derivadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A nulidade da pris\u00e3o estabelece nexo causal entre o ato il\u00edcito origin\u00e1rio e os elementos probat\u00f3rios derivados, <strong>inclusive os interrogat\u00f3rios policiais e a apreens\u00e3o\/an\u00e1lise de dados celulares<\/strong>. O TJ havia separado os planos (relaxamento da pris\u00e3o x preserva\u00e7\u00e3o dos atos investigativos posteriores); o STJ rejeitou essa cis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O segundo entendimento \u00e9 dogmaticamente importante: <strong>o consentimento do investigado para acesso aos celulares ou a posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o afastam, por si, a contamina\u00e7\u00e3o<\/strong>. Para romper o v\u00ednculo causal, \u00e9 necess\u00e1rio demonstrar fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel &#8211; crit\u00e9rios objetivos previstos no art. 157, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o preserva o sentido protetivo do art. 157 do CPP: <strong>aceitar consentimento ou autoriza\u00e7\u00e3o judicial posterior como saneadores autom\u00e1ticos esvaziaria a teoria, permitindo que abordagens ilegais fossem regularizadas a posteriori<\/strong>. A exig\u00eancia de fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel \u00e9 controle objetivo que impede esse efeito reverso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o reconhecimento da ilicitude de pris\u00e3o em flagrante por aus\u00eancia das hip\u00f3teses do art. 302 do CPP:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) N\u00e3o atinge as provas posteriores, em raz\u00e3o do relaxamento operar apenas sobre a pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Contamina as provas derivadas, salvo fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 afastada pelo consentimento do investigado para a produ\u00e7\u00e3o de prova derivada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 afastada pela posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial sobre a produ\u00e7\u00e3o da prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Contamina apenas a pris\u00e3o; os atos posteriores s\u00e3o per si aut\u00f4nomos e independentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A ilicitude da pris\u00e3o estabelece nexo causal com os atos investigativos derivados; a teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada (CPP, art. 157) propaga a nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A ilicitude do flagrante (CPP, arts. 302 e 310, I; CF, art. 5\u00ba, LXV) contamina as provas derivadas (CPP, art. 157), salvo demonstra\u00e7\u00e3o objetiva de fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel (CPP, art. 157, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O consentimento posterior do investigado n\u00e3o afasta, por for\u00e7a pr\u00f3pria, a contamina\u00e7\u00e3o; sem fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel, o nexo causal persiste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o judicial posterior tamb\u00e9m n\u00e3o rompe, por si, o nexo causal origin\u00e1rio; a exce\u00e7\u00e3o exige crit\u00e9rio objetivo (fonte independente\/descoberta inevit\u00e1vel).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O entendimento do TJ foi expressamente rejeitado pelo STJ; a propaga\u00e7\u00e3o da nulidade \u00e9 regra, e a separa\u00e7\u00e3o &#8220;pris\u00e3o x atos posteriores&#8221; n\u00e3o opera.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a ilicitude da pris\u00e3o em flagrante, por aus\u00eancia das hip\u00f3teses do art. 302 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), contamina os atos investigativos subsequentes, notadamente os interrogat\u00f3rios policiais e a apreens\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de dados de aparelhos celulares, ainda que haja o alegado consentimento dos investigados ou posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Ju\u00edzo de primeiro grau reconheceu a inexist\u00eancia de situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia, pois a abordagem ocorreu no dia seguinte ao fato, sem persegui\u00e7\u00e3o ou enquadramento nas hip\u00f3teses do art. 302 do CPP, e relaxou a pris\u00e3o com fundamento no art. 5, inciso LXV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (CF) e no art. 310, inciso I, do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A seu turno, o Tribunal de origem, embora tenha ratificado que a aus\u00eancia de flagrante delito ensejou o relaxamento da pris\u00e3o dos envolvidos, entendeu que este fato, por si s\u00f3, n\u00e3o invalidaria os atos subsequentes de investiga\u00e7\u00e3o, especificamente os interrogat\u00f3rios e a apreens\u00e3o dos celulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 cedi\u00e7o, nos termos do art. 6 do CPP, que, assim que tomar conhecimento da pr\u00e1tica de uma infra\u00e7\u00e3o penal, a autoridade policial dever\u00e1 realizar diversas dilig\u00eancias no sentido de identificar a autoria delitiva e resguardar o conjunto probat\u00f3rio, apreendendo, por exemplo, qualquer objeto que tenha rela\u00e7\u00e3o com o fato investigado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, o entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 no sentido de que \u00e9 vedado \u00e0 autoridade policial acessar dados de celular apreendido sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial, sendo que, no caso, a pr\u00f3pria origem da apreens\u00e3o decorre de pris\u00e3o reconhecida como il\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a jurisprud\u00eancia do STJ afirma que a pris\u00e3o ou busca ilegal torna il\u00edcitas as provas subsequentes, aplicando-se a teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada, prevista no art. 157 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, a nulidade da pris\u00e3o em flagrante estabelece nexo causal entre o ato il\u00edcito e os elementos probat\u00f3rios decorrentes, inclusive os interrogat\u00f3rios policiais e a apreens\u00e3o e an\u00e1lise de dados celulares, o que contamina todo o acervo probat\u00f3rio derivado. Por conseguinte, ser\u00e1 nula a prova derivada de conduta il\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o eventual consentimento dos investigados para acesso aos aparelhos celulares ou a posterior autoriza\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o afasta a ilicitude quando ausente fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel apta a romper o v\u00ednculo causal com o ato originariamente ilegal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-advogado-que-abandona-o-juri-multa\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Advogado que abandona o j\u00fari: multa?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cancelamento do j\u00fari pelo n\u00e3o comparecimento dos advogados \u00e0 sess\u00e3o plen\u00e1ria n\u00e3o pode ser punido com san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, <strong>ap\u00f3s a Lei n\u00ba 14.752\/2023 ter alterado o art. 265 do CPP para suprimir a multa por abandono da causa<\/strong>; eventual falta \u00e9tica deve ser apurada exclusivamente pela OAB, vedada a aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do art. 77 do CPC, cujo \u00a7 6\u00ba expressamente afasta a incid\u00eancia dessas san\u00e7\u00f5es aos advogados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.041.047-GO, Rel. Min. Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s indeferido requerimento de cancelamento do j\u00fari, os advogados de defesa n\u00e3o compareceram \u00e0 sess\u00e3o plen\u00e1ria, motivando o adiamento da sess\u00e3o. O juiz aplicou-lhes multa por ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a, com fundamento no antigo art. 265 do CPP. O evento causador ocorreu j\u00e1 na vig\u00eancia da Lei n\u00ba 14.752\/2023, que alterou o dispositivo para suprimir a multa por abandono da causa. Aplicada a nova lei processual de imediato, \u00e9 cab\u00edvel a multa ao advogado pelo juiz criminal?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 265 (Lei n\u00ba 14.752\/2023)<\/strong><em> (supress\u00e3o da multa por abandono da causa; falta \u00e9tica apurada pela OAB).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 2\u00ba<\/strong><em> (lei processual penal tem aplica\u00e7\u00e3o imediata, sem preju\u00edzo dos atos realizados sob a lei anterior).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 3\u00ba<\/strong><em> (analogia e interpreta\u00e7\u00e3o extensiva no processo penal: somente em caso de lacuna).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 77, \u00a7 6\u00ba<\/strong><em> (san\u00e7\u00f5es por ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a N\u00c3O se aplicam aos advogados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STJ havia consolidado entendimento de que o abandono do plen\u00e1rio do j\u00fari configurava ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a, atraindo multa do antigo art. 265 do CPP. A Lei n\u00ba 14.752\/2023 revogou essa multa e fixou que a falta \u00e9tica deve ser apurada exclusivamente pela OAB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A natureza da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria \u00e9 processual: aplica-se de imediato, nos termos do art. 2\u00ba do CPP. Mais: o art. 77, \u00a7 6\u00ba, do CPC \u00e9 expresso ao excluir os advogados dessas san\u00e7\u00f5es; us\u00e1-lo por analogia (CPP, art. 3\u00ba) \u00e9 inadequado, porque (i) o art. 3\u00ba exige lacuna &#8211; inexistente ap\u00f3s op\u00e7\u00e3o legislativa expressa da Lei n\u00ba 14.752\/2023 &#8211; e (ii) o pr\u00f3prio CPC j\u00e1 exclui os advogados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O STJ chegou a consolidar entendimento de que o abandono do plen\u00e1rio do j\u00fari configurava ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a, com aplica\u00e7\u00e3o da multa do antigo art. 265 do CPP. <strong>Sob aquela disciplina, a san\u00e7\u00e3o visava reprimir o desrespeito \u00e0 autoridade do tribunal, independentemente do desfecho da causa principal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A Lei n\u00ba 14.752\/2023 alterou esse panorama: <strong>revogou a multa do art. 265 do CPP e transferiu a apura\u00e7\u00e3o da eventual falta \u00e9tica exclusivamente \u00e0 OAB<\/strong>. O legislador fez op\u00e7\u00e3o clara: o juiz criminal deixou de ter compet\u00eancia direta para sancionar pecuniariamente os advogados; deve comunicar o fato \u00e0 OAB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Quanto \u00e0 incid\u00eancia temporal: <strong>a san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria tem natureza processual e aplica-se a nova lei de imediato (CPP, art. 2\u00ba), sem preju\u00edzo dos atos realizados sob a lei anterior<\/strong>. O evento causador ocorreu j\u00e1 na vig\u00eancia da Lei n\u00ba 14.752\/2023; portanto, a nova disciplina incide diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sobre eventual aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do art. 77 do CPC: <strong>(i) o art. 3\u00ba do CPP exige lacuna &#8211; inexistente, dada a op\u00e7\u00e3o legislativa expressa pela revoga\u00e7\u00e3o; (ii) o pr\u00f3prio \u00a7 6\u00ba do art. 77 do CPC exclui expressamente os advogados das san\u00e7\u00f5es por ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 fundamento para a multa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o de multa pelo juiz criminal aos advogados de defesa que abandonam a sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari, na vig\u00eancia da Lei n\u00ba 14.752\/2023:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 cab\u00edvel, em raz\u00e3o do dever \u00e9tico de comparecimento, ainda que n\u00e3o previsto no novo CPP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 cab\u00edvel, por aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do art. 77 do CPC ao processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 cab\u00edvel, em raz\u00e3o do princ\u00edpio da indisponibilidade do processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel, mas pode ser substitu\u00edda por advert\u00eancia judicial documentada nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel; eventual falta \u00e9tica deve ser apurada apenas pela OAB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O dever \u00e9tico dos advogados existe, mas sua apura\u00e7\u00e3o foi atribu\u00edda apenas \u00e0 OAB pela Lei n\u00ba 14.752\/2023; o juiz criminal n\u00e3o pode mais sancionar pecuniariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A analogia do art. 3\u00ba do CPP exige lacuna, inexistente ap\u00f3s op\u00e7\u00e3o legislativa expressa; ademais, o pr\u00f3prio \u00a7 6\u00ba do art. 77 do CPC exclui os advogados dessas san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A indisponibilidade do processo penal n\u00e3o autoriza a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria sem base legal vigente; o legislador removeu a previs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A advert\u00eancia judicial substitutiva n\u00e3o est\u00e1 prevista na nova disciplina; a comunica\u00e7\u00e3o deve ser dirigida \u00e0 OAB para apura\u00e7\u00e3o \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> A Lei n\u00ba 14.752\/2023 revogou a multa do art. 265 do CPP e transferiu a apura\u00e7\u00e3o da falta \u00e9tica apenas \u00e0 OAB; aplica-se de imediato (CPP, art. 2\u00ba), com veda\u00e7\u00e3o ao uso anal\u00f3gico do art. 77 do CPC (cujo \u00a7 6\u00ba exclui os advogados).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se \u00e9 cab\u00edvel a san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, por ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a, a advogados que n\u00e3o compareceram \u00e0 sess\u00e3o plen\u00e1ria depois de ser indeferido o requerimento de cancelamento do j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a chegou a consolidar o entendimento de que a postura de abandonar o plen\u00e1rio do J\u00fari, como t\u00e1tica da defesa, configura abandono processual apto a atrair a aplica\u00e7\u00e3o da multa anteriormente prevista no art. 265 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme os julgados do STJ, a multa amparava-se na viola\u00e7\u00e3o de um dever n\u00e3o apenas para com o r\u00e9u, mas tamb\u00e9m para com o Estado-Juiz. A san\u00e7\u00e3o visava a reprimir o desrespeito \u00e0 autoridade do tribunal, independentemente do desfecho final da causa principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, no caso, o evento causador da penalidade ocorreu na vig\u00eancia da Lei 14.752\/2023, que revogou a penalidade. Nessa circunst\u00e2ncia, \u00e9 aplic\u00e1vel a nova legisla\u00e7\u00e3o que suprimiu a multa processual, haja vista a natureza processual da san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria decorrente do abandono de causa, de modo que a novel lei em comento, nos termos do art. 2 do C\u00f3digo de Processo Penal, tem aplicabilidade imediata, sem preju\u00edzo da validade dos atos realizados sob a vig\u00eancia da lei anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com essa mudan\u00e7a, o legislador deixou claro que o juiz criminal n\u00e3o tem mais compet\u00eancia direta para aplicar san\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias a advogados. Em vez disso, deve comunicar o fato \u00e0 Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apura\u00e7\u00e3o \u00e9tica e disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O uso do art. 77 do C\u00f3digo de Processo Civil para multar advogados no \u00e2mbito criminal encontra barreiras intranspon\u00edveis. O pr\u00f3prio 6 do art. 77 do CPC estabelece que as san\u00e7\u00f5es por ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da Justi\u00e7a n\u00e3o se aplicam aos advogados. Eventuais infra\u00e7\u00f5es cometidas pelos caus\u00eddicos devem ser punidas exclusivamente pela OAB, conforme o Estatuto da Advocacia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica ou subsidi\u00e1ria prevista no art. 3 do CPP s\u00f3 ocorre quando h\u00e1 uma lacuna na lei penal. Como a nova lei penal brasileira optou por extinguir a multa e transferir a puni\u00e7\u00e3o para a esfera administrativa, n\u00e3o h\u00e1 falar em lacuna, mas sim em op\u00e7\u00e3o legislativa deliberada de impossibilidade de puni\u00e7\u00e3o pelo Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-4ccccdfe-b31e-4b2a-bacc-fbb144968211\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/15092119\/stj_info_891.pdf\">STJ_Info_891<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/15092119\/stj_info_891.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-4ccccdfe-b31e-4b2a-bacc-fbb144968211\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; Senten\u00e7a estrangeira: cita\u00e7\u00e3o de r\u00e9u no Brasil por carta com AR Destaque A cita\u00e7\u00e3o de r\u00e9u domiciliado no Brasil para responder a processo estrangeiro deve ser realizada por carta rogat\u00f3ria (RISTJ, art. 216-D, II); a aus\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida configura viola\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica nacional e impede a homologa\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1768320","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.7 (Yoast SEO v27.7) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 891 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