{"id":1766652,"date":"2026-06-08T08:39:25","date_gmt":"2026-06-08T11:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/blog\/?p=1766652"},"modified":"2026-06-08T08:39:27","modified_gmt":"2026-06-08T11:39:27","slug":"informativo-stj-890-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-890-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 890 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/08083851\/stj_info_890.pdf\"><strong>DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_6lNz0D2nB1I\"><div id=\"lyte_6lNz0D2nB1I\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/6lNz0D2nB1I\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/6lNz0D2nB1I\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/6lNz0D2nB1I\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-pena-base-filhos-orfaos-menores-autorizam-exasperacao\">1.&nbsp;&nbsp; Pena-base: filhos \u00f3rf\u00e3os menores autorizam exaspera\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 v\u00e1lida a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base, em raz\u00e3o das consequ\u00eancias do delito, na hip\u00f3tese de a v\u00edtima de homic\u00eddio haver deixado filho(s) menor(es) de idade, <strong>desde que a valora\u00e7\u00e3o seja motivada e n\u00e3o autom\u00e1tica<\/strong>; dispensa-se a comprova\u00e7\u00e3o de impacto extraordin\u00e1rio e individualizado sobre os dependentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.195.921-AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 7\/5\/2026 (Tema 1394).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tib\u00farcio foi condenado por homic\u00eddio doloso. A v\u00edtima deixou tr\u00eas filhos menores de idade. O ju\u00edzo exasperou a pena-base com fundamento no art. 59 do CP, valorando negativamente as consequ\u00eancias do crime (orfandade dos filhos menores). A defesa recorreu sustentando que: (i) a morte \u00e9 elementar do tipo, sendo a orfandade consequ\u00eancia inerente; (ii) seria necess\u00e1ria prova de impacto psicol\u00f3gico individualizado nos filhos. A Terceira Se\u00e7\u00e3o foi chamada a fixar tese repetitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 59<\/strong><em> (circunst\u00e2ncias judiciais: consequ\u00eancias do crime).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 93, IX<\/strong><em> (motiva\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es judiciais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda As consequ\u00eancias do crime, como circunst\u00e2ncia judicial do art. 59 do CP, exigem demonstra\u00e7\u00e3o de impacto que extrapole o resultado t\u00edpico. A morte \u00e9 elementar do homic\u00eddio, n\u00e3o pode ser valorada novamente; mas a orfandade de filhos menores n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia natural e inerente ao tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A valora\u00e7\u00e3o negativa exige motiva\u00e7\u00e3o concreta. N\u00e3o pode ser autom\u00e1tica (sob pena de transformar circunst\u00e2ncia judicial em crit\u00e9rio objetivo), mas tampouco exige a prova de impacto extraordin\u00e1rio e individualizado nos dependentes (sob pena de esvaziar a possibilidade de valora\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O art. 59 do CP elenca as consequ\u00eancias do crime como circunst\u00e2ncia judicial para fixa\u00e7\u00e3o da pena-base. <strong>A valora\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel depende de impacto superior \u00e0quele inerente ao tipo penal<\/strong>: dano que extrapola os efeitos que se confundem com a tipifica\u00e7\u00e3o da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O homic\u00eddio tem como elementar a morte da v\u00edtima. A Terceira Se\u00e7\u00e3o firmou que <strong>a orfandade de filhos menores n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia natural e inerente ao crime de homic\u00eddio<\/strong>: configura dano adicional ao bem jur\u00eddico tutelado, atingindo aspectos material e emocional de pessoa em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 exig\u00eancia constitucional (CF, art. 93, IX). A valora\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias do crime, para majorar a pena-base, <strong>n\u00e3o pode ser autom\u00e1tica nem decorrer apenas da presen\u00e7a de filhos menores<\/strong>: o julgador deve declinar, motivadamente, as raz\u00f5es que correspondam objetivamente \u00e0s caracter\u00edsticas do vetor desabonado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Por outro lado, a Terceira Se\u00e7\u00e3o rejeitou a exig\u00eancia de prova de impacto extraordin\u00e1rio e individualizado nos dependentes: <strong>essa exig\u00eancia esvaziaria a possibilidade de valora\u00e7\u00e3o concreta da circunst\u00e2ncia judicial<\/strong>. A orfandade objetivamente configurada, com fundamenta\u00e7\u00e3o motivada, basta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base, em raz\u00e3o das consequ\u00eancias do crime de homic\u00eddio, quando a v\u00edtima deixa filhos menores de idade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 vedada, pois a morte \u00e9 elementar do tipo e a orfandade \u00e9 consequ\u00eancia natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 v\u00e1lida pela simples constata\u00e7\u00e3o da menoridade dos filhos da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 v\u00e1lida desde que motivada, sem necessidade de prova de impacto individualizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Depende de prova de impacto psicol\u00f3gico extraordin\u00e1rio sobre os filhos menores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Depende de prova de que a v\u00edtima era a \u00fanica provedora dos filhos menores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A orfandade n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia natural e inerente ao homic\u00eddio; extrapola o resultado t\u00edpico (CP, art. 59).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A simples constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta: a valora\u00e7\u00e3o deve ser motivada concretamente, sob pena de transformar circunst\u00e2ncia judicial em crit\u00e9rio objetivo (CF, art. 93, IX).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> A Terceira Se\u00e7\u00e3o firmou no Tema 1394 que a exaspera\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida quando motivada concretamente, sem exigir prova de impacto extraordin\u00e1rio e individualizado, que esvaziaria a possibilidade de valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A exig\u00eancia de prova de impacto extraordin\u00e1rio esvaziaria a valora\u00e7\u00e3o concreta da circunst\u00e2ncia judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A exclusividade de provedoria n\u00e3o \u00e9 requisito; a orfandade qualifica-se pela perda do conv\u00edvio parental e pelo aspecto emocional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se \u00e9 v\u00e1lida a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base, em raz\u00e3o das consequ\u00eancias do delito, na hip\u00f3tese de a v\u00edtima de homic\u00eddio haver deixado filhos \u00f3rf\u00e3os menores de idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; As consequ\u00eancias do crime s\u00e3o as circunst\u00e2ncias advindas do fato t\u00edpico que transcendem ao resultado t\u00edpico, ou seja, extrapolam as consequ\u00eancias inerentes ao tipo penal. No caso do homic\u00eddio, tem-se que a morte \u00e9 consequ\u00eancia inerente ao tipo penal, n\u00e3o podendo, dessa forma, ser valorada negativamente. No entanto, <strong>o fato de a v\u00edtima ter deixado filhos \u00f3rf\u00e3os menores de idade n\u00e3o pode ser considerado consequ\u00eancia natural e inerente ao crime de homic\u00eddio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, trata-se de consequ\u00eancia que pode e deve ser valorada pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, de forma devidamente fundamentada, uma vez que o fato de a v\u00edtima do crime contra a vida deixar filhos menores \u00f3rf\u00e3os pode repercutir n\u00e3o apenas sobre o aspecto material, mas, igualmente, sobre o aspecto emocional de pessoa em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pela leitura atenta da doutrina e de in\u00fameros precedentes do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, constata-se que a valora\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de filhos \u00f3rf\u00e3os menores de idade como consequ\u00eancia do crime de homic\u00eddio \u00e9 efetivamente v\u00e1lida. Por\u00e9m, n\u00e3o pode ser considerada de forma autom\u00e1tica, sob pena de se transformar uma circunst\u00e2ncia judicial em crit\u00e9rio objetivo de eleva\u00e7\u00e3o da pena-base.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lado outro, n\u00e3o se pode exigir a comprova\u00e7\u00e3o de um impacto extraordin\u00e1rio e individualizado nos dependentes da v\u00edtima, sob pena de se esvaziar a possibilidade de concreta valora\u00e7\u00e3o da mencionada circunst\u00e2ncia judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, conforme j\u00e1 assentado pela Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ, \u00e9 necess\u00e1rio que o julgador, ao considerar desfavor\u00e1veis as circunst\u00e2ncias judiciais, decline, &#8220;motivadamente, as suas raz\u00f5es, que devem corresponder objetivamente \u00e0s caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do vetor desabonado. A inobserv\u00e2ncia dessa regra implica ofensa ao preceito contido no art. 93, inciso IX, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica&#8221; (REsp n. 1.794.854\/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 23\/6\/2021, DJe de 1\/7\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Feitas essas considera\u00e7\u00f5es, reafirma-se a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a por meio da fixa\u00e7\u00e3o da seguinte tese: &#8220;\u00c9 v\u00e1lida a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base, em raz\u00e3o das consequ\u00eancias do delito, na hip\u00f3tese de a v\u00edtima de homic\u00eddio haver deixado filho(s) menor(es) de idade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-novo-delito-no-livramento-condicional-quando-comeca-a-contar-a-nova-pena\">2.&nbsp; Novo delito no livramento condicional: quando come\u00e7a a contar a nova pena?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cumprimento de pena relativa a delito praticado no curso do livramento condicional, sem suspens\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio, <strong>tem como termo inicial o dia subsequente ao fim do per\u00edodo de prova<\/strong>, dada a impossibilidade de cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.205.262-RJ, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 7\/5\/2026 (Tema 1367).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Godines cumpria pena em livramento condicional quando, no curso do per\u00edodo de prova, foi preso cautelarmente por novo delito. O livramento n\u00e3o foi suspenso nem revogado, e o per\u00edodo de prova encerrou-se normalmente. O Tribunal de origem entendeu que o tempo entre a pris\u00e3o cautelar e o t\u00e9rmino do livramento poderia ser contabilizado simultaneamente como cumprimento da nova pena, para fins de detra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 89<\/strong><em> (extin\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade ap\u00f3s cumprimento do livramento sem revoga\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 88<\/strong><em> (unifica\u00e7\u00e3o de penas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 42<\/strong><em> (detra\u00e7\u00e3o penal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Segundo o STJ, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deduzir o tempo de pris\u00e3o pela pr\u00e1tica de novo delito durante livramento condicional n\u00e3o revogado da nova pena a cumprir, dada a impossibilidade de cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A solu\u00e7\u00e3o fixada evita o bis in idem: contar o mesmo per\u00edodo simultaneamente para extin\u00e7\u00e3o do livramento (transcurso do per\u00edodo de prova) e para cumprimento da nova pena (detra\u00e7\u00e3o) violaria o princ\u00edpio de que penas distintas n\u00e3o unificadas n\u00e3o correm em paralelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras: (i) a pris\u00e3o cautelar pelo novo delito inicia desde logo a nova execu\u00e7\u00e3o, com detra\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea ao livramento; ou (ii) a nova execu\u00e7\u00e3o s\u00f3 inicia ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo de prova. <strong>A Terceira Se\u00e7\u00e3o adotou a segunda leitura<\/strong>, com fundamento na impossibilidade de cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Durante o per\u00edodo de prova do livramento condicional, o apenado est\u00e1 cumprindo a pena anterior, com regras pr\u00f3prias (CP, art. 89). <strong>A pris\u00e3o cautelar pelo novo delito n\u00e3o converte o livramento em execu\u00e7\u00e3o de pena, nem inicia a contagem da nova pena<\/strong>: s\u00e3o institutos jur\u00eddicos distintos com finalidades pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Aceitar a contagem simult\u00e2nea configuraria <strong>bis in idem por reaproveitamento do mesmo per\u00edodo<\/strong>: uma mesma fra\u00e7\u00e3o temporal seria usada para encerrar o livramento (pena 1) e para cumprir parte da pena 2. A jurisprud\u00eancia do STJ rejeita esse modelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A tese fixada no Tema 1367 estabelece marco objetivo: <strong>o dia subsequente ao fim do per\u00edodo de prova \u00e9 o termo inicial da nova execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. A detra\u00e7\u00e3o pelo per\u00edodo da pris\u00e3o cautelar fica restrita aos limites do art. 42 do CP, sem absorver o tempo coincidente com o livramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao termo inicial do cumprimento de pena por delito praticado no curso de livramento condicional que se encerrou sem revoga\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 a data da pris\u00e3o cautelar pelo novo delito, com detra\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 a data do tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o pelo novo delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 a data da pris\u00e3o cautelar, deduzido o tempo coincidente com o livramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 o dia subsequente ao fim do per\u00edodo de prova do livramento condicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 a data da revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita do livramento por reincid\u00eancia no novo delito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A detra\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea configuraria bis in idem por cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O tr\u00e2nsito em julgado \u00e9 marco de exigibilidade da execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fixa o termo inicial em raz\u00e3o da incompatibilidade com o livramento em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A dedu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea \u00e9 vedada; o c\u00f4mputo s\u00f3 inicia ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo de prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> A Terceira Se\u00e7\u00e3o fixou no Tema 1367 que o termo inicial \u00e9 o dia subsequente ao fim do per\u00edodo de prova, dada a impossibilidade de cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O caso \u00e9 de livramento n\u00e3o revogado; n\u00e3o h\u00e1 revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos consiste em definir se, na hip\u00f3tese de pris\u00e3o por delito cometido durante o per\u00edodo de prova do livramento condicional ainda n\u00e3o revogado, o termo inicial da nova execu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a data da pris\u00e3o ou o dia seguinte ao encerramento do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, no per\u00edodo de prova do livramento condicional, o apenado foi preso cautelarmente por fato n\u00e3o relacionado \u00e0 execu\u00e7\u00e3o penal em curso. Embora o livramento condicional n\u00e3o tenha sido revogado, o Tribunal de origem entendeu ser poss\u00edvel contabilizar simultaneamente o per\u00edodo entre a pris\u00e3o cautelar e o t\u00e9rmino do livramento condicional como per\u00edodo cumprido de pena privativa de liberdade, para fins de detra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal compreens\u00e3o destoa da orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, segundo a qual, nas hip\u00f3teses de pris\u00e3o por crime cometido no curso do per\u00edodo de prova do livramento condicional, que se encerrou sem suspens\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o, o termo inicial da nova execu\u00e7\u00e3o penal deve ser o dia seguinte ao t\u00e9rmino do per\u00edodo de prova. Isso evita o bis in idem, que ocorreria com o cumprimento simult\u00e2neo de penas em execu\u00e7\u00f5es distintas e n\u00e3o unificadas. A prop\u00f3sito, &#8220;n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deduzir o tempo de pris\u00e3o pela pr\u00e1tica de novo delito durante livramento condicional n\u00e3o revogado da nova pena a cumprir, dada a impossibilidade de cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas&#8221; (REsp 1.432.192\/RJ, Rel. Ministra Maria Thereza, Sexta Turma, DJe de 1\/6\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do exposto, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1367\/STJ: O cumprimento de pena relativa a delito praticado no curso de livramento condicional ter\u00e1 como seu termo inicial o dia subsequente ao fim do per\u00edodo de prova, dada a impossibilidade de cumprimento simult\u00e2neo de duas penas n\u00e3o unificadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-mandado-de-injuncao-e-autorizacao-para-cultivo-domestico-de-cannabis\">3.&nbsp; Mandado de injun\u00e7\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o para cultivo dom\u00e9stico de cannabis<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mandado de injun\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o pode servir para instituir, por decis\u00e3o judicial, regime excepcional de plantio dom\u00e9stico de cannabis sativa para uso terap\u00eautico<\/strong>, sob pena de ofensa \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de poderes, mormente quando a Administra\u00e7\u00e3o j\u00e1 editou marco regulat\u00f3rio (RDCs Anvisa n\u00ba 1.012 a 1.015\/2026) sobre a cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Og Fernandes, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 6\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chaves, paciente com prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para uso terap\u00eautico de canabidiol, impetrou mandado de injun\u00e7\u00e3o contra o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a Anvisa pedindo autoriza\u00e7\u00e3o para cultivo dom\u00e9stico, transporte e produ\u00e7\u00e3o artesanal do \u00f3leo, alegando omiss\u00e3o regulamentar. A Anvisa, contudo, editou as RDCs n\u00ba 1.012, 1.013, 1.014 e 1.015\/2026, regulamentando a cadeia produtiva por pessoas jur\u00eddicas autorizadas e mantendo a importa\u00e7\u00e3o excepcional mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. A Corte Especial foi chamada a definir o alcance do MI nessa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXI<\/strong><em> (mandado de injun\u00e7\u00e3o: aus\u00eancia de norma regulamentadora que torne invi\u00e1vel o exerc\u00edcio de direitos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 13.300\/2016<\/strong><em> (regulamento do MI).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>RDCs Anvisa n\u00ba 1.012 a 1.015\/2026<\/strong><em> (marco regulat\u00f3rio da cadeia produtiva da cannabis).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O MI \u00e9 cab\u00edvel quando a aus\u00eancia de norma inviabiliza o exerc\u00edcio de direitos constitucionais. N\u00e3o autoriza a substitui\u00e7\u00e3o completa da atividade normativa do Legislativo ou da fun\u00e7\u00e3o administrativa do Executivo: tem por fim suprir lacunas, n\u00e3o criar regime jur\u00eddico aut\u00f4nomo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A Anvisa editou marco regulat\u00f3rio abrangente em 2026, restringindo o cultivo a PJ com capacidade operacional e controle institucional rigoroso. A op\u00e7\u00e3o normativa foi clara: afastar o cultivo dom\u00e9stico individual. N\u00e3o h\u00e1 omiss\u00e3o inconstitucional, mas escolha regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O paciente buscava autoriza\u00e7\u00e3o judicial para cultivar cannabis em sua resid\u00eancia para fins terap\u00eauticos. A Corte Especial reconheceu o cabimento do MI como a\u00e7\u00e3o adequada quando h\u00e1 omiss\u00e3o normativa, <strong>mas afastou seu uso para instituir regime jur\u00eddico inexistente<\/strong>. O direito \u00e0 sa\u00fade imp\u00f5e ao Estado o dever de estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o confere ao indiv\u00edduo direito subjetivo ao cultivo de planta proscrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A controv\u00e9rsia distingue-se do IAC 16\/STJ, que tratou da necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o administrativa para uso medicinal e cient\u00edfico <strong>por pessoas jur\u00eddicas<\/strong>. No caso atual, a pretens\u00e3o era reconhecimento de cultivo individual, contornos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Anvisa, em 2026, editou as RDCs n\u00ba 1.012, 1.013, 1.014 e 1.015, estruturando a cadeia produtiva da cannabis para usos medicinais e cient\u00edficos. O modelo regulat\u00f3rio <strong>restringe o cultivo a entes com capacidade operacional e controle rigoroso, afastando expressamente o cultivo dom\u00e9stico individual<\/strong>. A Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o permaneceu inerte: fez op\u00e7\u00e3o normativa clara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A autoriza\u00e7\u00e3o judicial para cultivo dom\u00e9stico apresenta riscos: <strong>inviabilidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o, desvio de finalidade, aus\u00eancia de controle de qualidade<\/strong>. A solu\u00e7\u00e3o pretendida extrapola o papel do Judici\u00e1rio e invade a esfera de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica, em afronta \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o mandado de injun\u00e7\u00e3o impetrado por paciente para autorizar cultivo dom\u00e9stico de cannabis sativa para uso terap\u00eautico, \u00e0 luz do marco regulat\u00f3rio editado pela Anvisa (RDCs n\u00ba 1.012 a 1.015\/2026):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 cab\u00edvel, pois o MI alcan\u00e7a a omiss\u00e3o regulamentar em direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 cab\u00edvel, pois o direito \u00e0 sa\u00fade confere direito subjetivo ao cultivo medicinal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel, pois a Anvisa estruturou marco regulat\u00f3rio optando por modelo distinto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 incab\u00edvel, em raz\u00e3o do precedente IAC 16\/STJ, que imp\u00f4s regulamenta\u00e7\u00e3o geral do cultivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 cab\u00edvel desde que o paciente comprove prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e aus\u00eancia de alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O MI n\u00e3o opera para criar regime jur\u00eddico inexistente; sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 suprir lacuna sem substituir a atividade normativa dos demais Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. O direito \u00e0 sa\u00fade imp\u00f5e ao Estado o dever de estruturar pol\u00edticas, sem conferir ao indiv\u00edduo direito subjetivo ao cultivo de planta proscrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> A Anvisa editou marco regulat\u00f3rio (RDCs n\u00ba 1.012 a 1.015\/2026) restringindo o cultivo a PJ com controle institucional, op\u00e7\u00e3o normativa que afasta a omiss\u00e3o inconstitucional. O MI n\u00e3o pode instituir regime de plantio dom\u00e9stico, sob pena de ofensa \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de poderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O IAC 16\/STJ tratou do cultivo por pessoas jur\u00eddicas para fins medicinais e cient\u00edficos, distinto da pretens\u00e3o de cultivo individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. Os requisitos da prescri\u00e7\u00e3o e da aus\u00eancia de alternativa n\u00e3o convertem o MI em via para criar regime jur\u00eddico inexistente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de mandado de injun\u00e7\u00e3o impetrado contra o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria com a finalidade de obter autoriza\u00e7\u00e3o para importa\u00e7\u00e3o de sementes, cultivo e transporte da Cannabis Sativa Linea tendo em vista a omiss\u00e3o na regulamenta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. A controv\u00e9rsia deduzida no rem\u00e9dio constitucional n\u00e3o se confunde, em sua integralidade, com o objeto das determina\u00e7\u00f5es firmadas pelo Superior Tribunal de justi\u00e7a no julgamento do Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia n. 16.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No referido incidente, o STJ reconheceu a necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o administrativa da cadeia produtiva da Cannabis sativa L. para usos medicinais e cient\u00edficos, com \u00eanfase na atua\u00e7\u00e3o de pessoas jur\u00eddicas e na estrutura\u00e7\u00e3o de um ambiente regulat\u00f3rio voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o da atividade. Diversamente, no caso concreto, a pretens\u00e3o veiculada na presente a\u00e7\u00e3o mandamental possui contornos espec\u00edficos, consistentes no reconhecimento do direito ao cultivo da cannabis por pessoa f\u00edsica, como meio de viabilizar tratamento de sa\u00fade individualizado, diante da alegada insufici\u00eancia das alternativas terap\u00eauticas dispon\u00edveis. Nesse contexto, tem-se que o mandado de injun\u00e7\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel quando a aus\u00eancia de norma regulamentadora inviabiliza o exerc\u00edcio de direitos constitucionais (Constitui\u00e7\u00e3o Federal, art. 5, LXXI; e Lei n. 13.300\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O direito \u00e0 sa\u00fade imp\u00f5e ao Estado o dever de estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas e regulamenta\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o confere ao indiv\u00edduo direito fundamental de cultivar planta proscrita ou de fabricar artesanalmente sua medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ordenamento jur\u00eddico brasileiro, especialmente ap\u00f3s a superveni\u00eancia do novo marco regulat\u00f3rio institu\u00eddo pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria por meio das Resolu\u00e7\u00f5es da Diretoria Colegiada n. 1.012, 1.013 e 1.015, todas de 2026, passou a contemplar disciplina mais abrangente da cadeia produtiva da Cannabis para usos medicinais e cient\u00edficos, incluindo o cultivo controlado do c\u00e2nhamo industrial por pessoas jur\u00eddicas autorizadas, a produ\u00e7\u00e3o sob padr\u00f5es t\u00e9cnicos e a amplia\u00e7\u00e3o dos mecanismos de acesso por meio de produtos regularizados. Mant\u00eam-se, ainda, as vias previamente existentes, como a importa\u00e7\u00e3o excepcional mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, nos termos da regulamenta\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria vigente. Esse conjunto normativo evidencia que a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o permaneceu inerte, tendo estruturado, no \u00e2mbito de sua discricionariedade t\u00e9cnica, modelo regulat\u00f3rio para o cultivo, a produ\u00e7\u00e3o e o acesso a produtos derivados da Cannabis, em observ\u00e2ncia \u00e0s diretrizes fixadas no IAC n. 16. Ademais, tal disciplina revela op\u00e7\u00e3o normativa clara no sentido de restringir o cultivo a entes dotados de capacidade operacional e sujeitos a controle institucional rigoroso, afastando o cultivo dom\u00e9stico individual do \u00e2mbito das atividades autorizadas. Conv\u00e9m ressaltar que, no atual regime jur\u00eddico, n\u00e3o se est\u00e1 diante de aus\u00eancia de disciplina normativa, mas de veda\u00e7\u00e3o expressa ao manejo de variedades da Cannabis com potencial psicoativo, notadamente aquelas com teor de tetrahidrocanabinol &#8211; THC superior a 0,3%. Assim, embora persistam dificuldades pr\u00e1ticas relacionadas a custo, disponibilidade e burocracia, tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o s\u00e3o aptas, por si s\u00f3s, a converter o cultivo dom\u00e9stico da planta em direito subjetivo do paciente, nem a caracterizar omiss\u00e3o normativa inconstitucional a ser suprida por meio do mandado de injun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A autoriza\u00e7\u00e3o judicial para cultivo dom\u00e9stico individual apresenta riscos relevantes, como a inviabilidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o estatal, o potencial desvio de finalidade, a aus\u00eancia de controle de qualidade e a consequente inseguran\u00e7a regulat\u00f3ria, em afronta \u00e0 l\u00f3gica de prote\u00e7\u00e3o coletiva da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mandado de injun\u00e7\u00e3o tem por finalidade suprir lacunas legislativas e viabilizar o exerc\u00edcio de direitos fundamentais, mas n\u00e3o autoriza a completa substitui\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o normativa do Poder Legislativo ou das compet\u00eancias administrativas do Executivo. No caso, ainda que se reconhe\u00e7a a exist\u00eancia de lacuna quanto ao cultivo individual, a concess\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o judicial para o plantio e a produ\u00e7\u00e3o artesanal de \u00f3leo extrapola o papel do Judici\u00e1rio e invade a esfera de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o rem\u00e9dio constitucional em tela n\u00e3o pode servir como meio de instituir, por decis\u00e3o judicial, regime excepcional de plantio dom\u00e9stico, sob pena de ofensa ao princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o de poderes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-fraude-a-execucao-tributaria-e-usucapiao\">4. Fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e usucapi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presun\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN <strong>n\u00e3o se aplica \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria por usucapi\u00e3o<\/strong>, pois a norma pressup\u00f5e aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o (acordo de vontades), inexistente na aquisi\u00e7\u00e3o por usucapi\u00e3o, ainda que o registro da senten\u00e7a ocorra ap\u00f3s a penhora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.130.801-RJ, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 12\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu Madruga consolidou usucapi\u00e3o de im\u00f3vel ap\u00f3s anos de posse mansa e pac\u00edfica (sem pagar o aluguel). A senten\u00e7a declarat\u00f3ria foi proferida e registrada ap\u00f3s o im\u00f3vel ter sido objeto de penhora em execu\u00e7\u00e3o fiscal contra o anterior propriet\u00e1rio registral, Seu Barriga. O Fisco invocou o art. 185 do CTN sustentando fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. Seu Madruga argumentou que a usucapi\u00e3o \u00e9 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, sem aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se enquadrando no dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 185<\/strong><em> (fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o: presun\u00e7\u00e3o em caso de aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 109<\/strong><em> (institutos de direito privado: pesquisa de seus contornos pr\u00f3prios).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Tema 290\/STJ<\/strong><em> (fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o civil e tribut\u00e1ria: exist\u00eancia de consilium fraudis).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A usucapi\u00e3o \u00e9 forma de aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria da propriedade, distinta da aquisi\u00e7\u00e3o derivada: independe de acordo de vontades entre o propriet\u00e1rio anterior e o usucapiente. A senten\u00e7a que a reconhece tem natureza declarat\u00f3ria; o registro apenas confere publicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O art. 185 do CTN exige aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o, que pressup\u00f5em acordo de vontades. A fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, em ambos os \u00e2mbitos (civil e fiscal), exige consilium fraudis \u2014 conluio entre terceiro e devedor para lesar credor (Tema 290\/STJ). Na usucapi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o negocial entre o usucapiente e o propriet\u00e1rio registral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O art. 185 do CTN presume fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o nas aliena\u00e7\u00f5es ou onera\u00e7\u00f5es praticadas pelo devedor ap\u00f3s inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa. <strong>Pressup\u00f5e ato volunt\u00e1rio de transfer\u00eancia da propriedade por acordo de vontades<\/strong>, elemento ausente na aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria por usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A natureza jur\u00eddica da usucapi\u00e3o \u00e9 decisiva: <strong>a senten\u00e7a \u00e9 <u>declarat\u00f3ria<\/u>, n\u00e3o constitutiva; a propriedade j\u00e1 se consolidou pelo decurso do tempo na posse<\/strong>. O registro tem efeito de publicidade, n\u00e3o de constitui\u00e7\u00e3o. A penhora superveniente n\u00e3o atinge bem que n\u00e3o pertencia ao devedor \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O Tema 290\/STJ esclareceu que <strong>a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o exige consilium fraudis: conluio entre terceiro e devedor para lesar credor<\/strong>. A diferen\u00e7a entre a fraude civil e a fiscal est\u00e1 na presun\u00e7\u00e3o (absoluta no art. 185 do CTN), mas a estrutura \u2014 tr\u00eas sujeitos \u2014 permanece. Na usucapi\u00e3o, falta o terceiro adquirente em rela\u00e7\u00e3o negocial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O art. 109 do CTN permite ao legislador tribut\u00e1rio atribuir efeitos pr\u00f3prios a institutos de direito privado, mas a Primeira Turma observou que isso n\u00e3o foi feito quanto \u00e0 usucapi\u00e3o: <strong>o art. 185 limitou-se a tratar de &#8220;aliena\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong>. Estender essa hip\u00f3tese \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria seria alargar indevidamente o \u00e2mbito da norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a aplica\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria de propriedade por usucapi\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Aplica-se, se o registro da senten\u00e7a \u00e9 posterior \u00e0 penhora, caracterizando o consilium fraudis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Aplica-se, salvo se o usucapiente comprovar boa-f\u00e9 anterior \u00e0 constri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o se aplica, pois a usucapi\u00e3o \u00e9 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, sem aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Aplica-se quando o usucapiente \u00e9 terceiro adquirente do bem objeto da penhora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) N\u00e3o se aplica em raz\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 objetiva do usucapiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O consilium fraudis exige acordo de vontades; na usucapi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o negocial entre o usucapiente e o propriet\u00e1rio registral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A boa-f\u00e9 \u00e9 elemento da usucapi\u00e3o ordin\u00e1ria, mas n\u00e3o condiciona a inaplicabilidade do art. 185 do CTN; o fundamento \u00e9 a natureza origin\u00e1ria da aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> O art. 185 do CTN exige aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o \u2014 acordo de vontades. A usucapi\u00e3o \u00e9 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, com senten\u00e7a declarat\u00f3ria; sua natureza afasta a presun\u00e7\u00e3o de fraude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O usucapiente n\u00e3o \u00e9 &#8220;terceiro adquirente&#8221; em rela\u00e7\u00e3o negocial; sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de quem consolida a propriedade pelo decurso do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A inaplicabilidade decorre da natureza origin\u00e1ria da aquisi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9, que n\u00e3o opera com esse alcance.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a presun\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o prevista no art. 185 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN) \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria de propriedade por usucapi\u00e3o, especialmente quando o registro da senten\u00e7a de usucapi\u00e3o ocorre em data posterior \u00e0 penhora do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se v\u00ea da reda\u00e7\u00e3o do dispositivo em an\u00e1lise, h\u00e1 a necessidade de uma aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o, o que pressup\u00f5e um acordo de vontades, a fim de transmitir a propriedade de uma pessoa a outra. Entretanto, a usucapi\u00e3o \u00e9 forma de aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria da propriedade, distinta da aquisi\u00e7\u00e3o derivada, e n\u00e3o pressup\u00f5e acordo de vontades entre o propriet\u00e1rio anterior e o usucapiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inclusive, no caso da aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade por meio da usucapi\u00e3o, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) compreende que a senten\u00e7a que a reconhece tem natureza jur\u00eddica declarat\u00f3ria, bastando, por si s\u00f3, para atribuir a propriedade ao usucapiente. Diferentemente das hip\u00f3teses de aquisi\u00e7\u00e3o derivada da propriedade im\u00f3vel, o registro, no caso da usucapi\u00e3o tem o cond\u00e3o unicamente de conferir publicidade \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o do bem, al\u00e9m de permitir ao novo propriet\u00e1rio exercer o seu direito de dispor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, \u00e9 importante relembrar que, no julgamento do Tema 290\/STJ, houve toda uma diferencia\u00e7\u00e3o entre a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito civil e no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o fiscal, a fim de demonstrar de que, em ambas, h\u00e1 a necessidade da exist\u00eancia de consilium fraudis, que nada mais \u00e9 do que a exist\u00eancia de um conluio entre um terceiro e o devedor com a finalidade de lesar um credor. A diferen\u00e7a, entretanto, entre os diferentes tipos de fraude \u00e9 que, na fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do art. 185 do CTN, haveria presun\u00e7\u00e3o absoluta de intuito fraudulento entre os negociantes. Logo, exige-se ao menos tr\u00eas pessoas: o credor, lesado com o ato, o devedor e um terceiro. Na hip\u00f3tese de aquisi\u00e7\u00e3o por usucapi\u00e3o n\u00e3o existe qualquer rela\u00e7\u00e3o negocial entre o usucapiente e o propriet\u00e1rio registral. H\u00e1 que se rememorar que o art. 109 do CTN estabelece que os institutos de direito privado ingressam no direito tribut\u00e1rio, conforme os contornos que foram dados por tal ramo do direito, sendo l\u00edcito, ao legislador tribut\u00e1rio, atribuir-lhes efeitos diversos. No caso da usucapi\u00e3o, poderia o legislador ter trazido um regramento pr\u00f3prio para fins de aplica\u00e7\u00e3o do instituto da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o o fez. Limitou-se a utilizar o termo &#8220;aliena\u00e7\u00e3o&#8221; para definir a incid\u00eancia da norma contida no art. 185 do CTN. Contudo, para o direito privado, aliena\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade por meio de usucapi\u00e3o s\u00e3o coisas distintas e com efeitos jur\u00eddicos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, conclui-se que o art. 185 do CTN n\u00e3o tem possibilidade de incidir no caso de aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria de propriedade por usucapi\u00e3o , sob de pena de alargar sua hip\u00f3tese de incid\u00eancia para fins de atingir situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fora de seu \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-icms-st-pode-trocar-pmpf-por-mva-quando-o-preco-supera-a-pauta\">5.&nbsp; ICMS-ST: pode trocar PMPF por MVA quando o pre\u00e7o supera a pauta?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ileg\u00edtimo afastar o Pre\u00e7o M\u00e9dio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) para aplicar a Margem do Valor Agregado (MVA) na defini\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS-ST, <strong>ainda que o pre\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto supere o definido na pauta fiscal<\/strong>; a Lei Complementar n\u00ba 87\/1996 n\u00e3o autoriza ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de dois modelos de base presumida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.233.670-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cobraforte Distribuidora S.A., substituta tribut\u00e1ria, recolhia ICMS-ST com base no PMPF (Pre\u00e7o M\u00e9dio Ponderado ao Consumidor Final), conforme regra da Resolu\u00e7\u00e3o SEFAZ\/RJ n\u00ba 53\/2017. Em determinadas opera\u00e7\u00f5es, o pre\u00e7o pr\u00f3prio superou a pauta fiscal e o Estado aplicou a MVA (Margem do Valor Agregado), invocando &#8220;gatilho&#8221; previsto na Resolu\u00e7\u00e3o. A Cobraforte recorreu sustentando que a LC n\u00ba 87\/1996 n\u00e3o autoriza ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea dos dois modelos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n\u00ba 87\/1996 (Lei Kandir), art. 8\u00ba, \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (PMPF: m\u00e9dia ponderada dos pre\u00e7os usualmente praticados).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LC n\u00ba 87\/1996, art. 8\u00ba, \u00a7 6\u00ba<\/strong><em> (faculdade legislativa de adotar PMPF em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 MVA).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o SEFAZ\/RJ n\u00ba 53\/2017<\/strong><em> (adota PMPF e prev\u00ea &#8220;gatilho&#8221; para MVA).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A LC n\u00ba 87\/1996 confere ao legislador estadual a prerrogativa de instituir o modelo do PMPF em substitui\u00e7\u00e3o ao da MVA. A escolha exclui a aplica\u00e7\u00e3o concomitante: n\u00e3o h\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o legal para dois modelos de base presumida simult\u00e2neos condicionados ao pre\u00e7o praticado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O PMPF, por sua pr\u00f3pria estrutura, incorpora pre\u00e7os maiores ou menores (m\u00e9dia ponderada). A pr\u00e1tica de pre\u00e7os acima ou abaixo da m\u00e9dia n\u00e3o pode servir de crit\u00e9rio para afastar o m\u00e9todo: caso contr\u00e1rio, o PMPF deixaria de ser &#8220;valor m\u00e9dio&#8221; para se converter em &#8220;valor m\u00e1ximo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Resolu\u00e7\u00e3o SEFAZ\/RJ n\u00ba 53\/2017 adotou o PMPF como regra geral e previu &#8220;gatilho&#8221; para MVA quando o pre\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto superasse percentuais (80% interestaduais, 90% internas). <strong>Essa sistem\u00e1tica viola o art. 8\u00ba, \u00a7 6\u00ba, da LC n\u00ba 87\/1996<\/strong>, que prev\u00ea a faculdade legislativa de escolha entre PMPF e MVA, exclu\u00edda a ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio do STJ reafirmou: <strong>a op\u00e7\u00e3o pelo PMPF exclui a aplica\u00e7\u00e3o concomitante da MVA<\/strong>. A LC n\u00ba 87\/1996 n\u00e3o autoriza a coexist\u00eancia de dois modelos presuntivos condicionados ao pre\u00e7o praticado pelo substituto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O PMPF \u00e9 &#8220;m\u00e9dia ponderada dos pre\u00e7os usualmente praticados no mercado&#8221; (\u00a7 4\u00ba). <strong>Sua estrutura j\u00e1 incorpora pre\u00e7os maiores ou menores: a m\u00e9dia foi calculada com base nesse universo de varia\u00e7\u00f5es<\/strong>. Adotar valor maior como gatilho para afast\u00e1-lo significa converter o PMPF em valor m\u00e1ximo, deturpando sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem impacto significativo nas opera\u00e7\u00f5es de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do RJ e de outros Estados que adotaram &#8220;gatilhos&#8221; semelhantes. <strong>Os contribuintes podem questionar a recomposi\u00e7\u00e3o da base com MVA quando submetidos ao PMPF<\/strong>, restabelecendo a aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo originalmente escolhido pela Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o afastamento do PMPF para aplica\u00e7\u00e3o da MVA na base de c\u00e1lculo do ICMS-ST, quando o pre\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto supera a pauta fiscal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 leg\u00edtimo, em raz\u00e3o da preval\u00eancia da MVA quando o pre\u00e7o real supera o PMPF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 ileg\u00edtimo, pois a LC n\u00ba 87\/1996 n\u00e3o autoriza ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea dos dois modelos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 leg\u00edtimo, desde que prevista a sistem\u00e1tica em ato infralegal da Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 leg\u00edtimo nas opera\u00e7\u00f5es interestaduais; ileg\u00edtimo nas internas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 ileg\u00edtimo, em raz\u00e3o da reserva de lei complementar para definir base de c\u00e1lculo de tributo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O PMPF j\u00e1 incorpora pre\u00e7os maiores ou menores; a pr\u00e1tica de pre\u00e7o acima da m\u00e9dia n\u00e3o autoriza converter o m\u00e9todo em valor m\u00e1ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A LC n\u00ba 87\/1996 (art. 8\u00ba, \u00a7 6\u00ba) prev\u00ea a faculdade de escolha entre PMPF e MVA, sem autorizar ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea. O &#8220;gatilho&#8221; da Resolu\u00e7\u00e3o SEFAZ\/RJ viola essa estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. Ato infralegal n\u00e3o pode contrariar a LC n\u00ba 87\/1996; a op\u00e7\u00e3o legislativa exclui o modelo substitu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A ilegitimidade abrange opera\u00e7\u00f5es interestaduais e internas; a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 coexist\u00eancia opera em ambas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O fundamento n\u00e3o \u00e9 reserva gen\u00e9rica de LC; \u00e9 a estrutura pr\u00f3pria do art. 8\u00ba, \u00a7 6\u00ba, que veda ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de PMPF e MVA.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia discute a validade da sistem\u00e1tica de apura\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS-ST (ICMS por substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria) institu\u00edda pela Resolu\u00e7\u00e3o SEFAZ\/RJ n. 53\/2017, que adota, como regra, o PMPF (Pre\u00e7o M\u00e9dio Ponderado ao Consumidor Final), incidindo a exce\u00e7\u00e3o (&#8220;gatilho&#8221;) para utiliza\u00e7\u00e3o da MVA (Margem do Valor Agregado) quando o valor da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto tribut\u00e1rio superar 80% do PMPF (opera\u00e7\u00f5es interestaduais) ou 90% (opera\u00e7\u00f5es internas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou, com base na estrita legalidade da disciplina da substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria (Lei Complementar n. 87\/1996), o entendimento segundo o qual \u00e9 ileg\u00edtimo afastar o PMPF para aplicar a MVA na defini\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS-ST quando o pre\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto supera a definida na pauta fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal entendimento foi firmado com base em substanciais fundamentos: (i) nos termos do 6 do art. 8 da Lei Kandir, a ado\u00e7\u00e3o do PMPF compreende uma faculdade em substitui\u00e7\u00e3o ao disposto no inciso II do caput do apontado dispositivo legal, de modo que a escolha leg\u00edtima pelo Pre\u00e7o M\u00e9dio Ponderado ao Consumidor Final exclui a aplica\u00e7\u00e3o concomitante da MVA; (ii) a Lei Complementar n. 87\/1996 n\u00e3o autoriza a ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de dois modelos de base presumida condicionados ao pre\u00e7o praticado pelo substituto; e (iii) o PMPF espelha &#8220;a m\u00e9dia ponderada dos pre\u00e7os usualmente praticados no mercado&#8221; ( 4 do art. 8), coletados para fixa\u00e7\u00e3o desse valor m\u00e9dio, de modo que a pr\u00e1tica de pre\u00e7os maiores ou menores n\u00e3o pode servir de crit\u00e9rio para afastar a metodologia \u00e0 qual o contribuinte foi submetido pela pr\u00f3pria Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria. Na dic\u00e7\u00e3o precisa do 6 do art. 8 da Lei Complementar n. 87\/1996, o legislador estadual possui a prerrogativa de instituir o modelo do PMPF em substitui\u00e7\u00e3o ao da MVA, situa\u00e7\u00e3o em que fica exclu\u00eddo o modelo substitu\u00eddo, diante da aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o legal para ado\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de dois modelos de base presumida em raz\u00e3o do valor da opera\u00e7\u00e3o praticada pelo substituto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Noutro giro, o PMPF, definido como &#8220;m\u00e9dia ponderada dos pre\u00e7os praticados&#8221; (art. 8, 4, da LC n. 87\/1996), j\u00e1 incorpora pre\u00e7os maiores ou menores, n\u00e3o podendo tais varia\u00e7\u00f5es servir de par\u00e2metro para afast\u00e1-lo, uma vez que, em tal situa\u00e7\u00e3o, os valores contidos na pauta fiscal passam a ser adotados como valor m\u00e1ximo da opera\u00e7\u00e3o, em vez de refletir o valor m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, deve ser reconhecida a ilegitimidade do afastamento do Pre\u00e7o M\u00e9dio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) para aplicar a Margem do Valor Agregado (MVA) na defini\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS-ST, quando o pre\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto supera a pauta fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-isencao-de-icms-na-compra-de-veiculo-e-visao-monocular\">6. Isen\u00e7\u00e3o de ICMS na compra de ve\u00edculo e vis\u00e3o monocular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vis\u00e3o monocular autoriza o reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de pessoa com defici\u00eancia <strong>para fins de frui\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o de ICMS prevista no Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 38\/2012 do Confaz<\/strong> na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo automotor, sendo a interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN harmonizada com a evolu\u00e7\u00e3o constitucional e legislativa sobre o conceito de defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.267.089-DF, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quico, portador de vis\u00e3o monocular, requereu isen\u00e7\u00e3o de ICMS na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo automotor, com base no Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 38\/2012. O Fisco estadual indeferiu, sustentando: (i) interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN n\u00e3o permite ampliar o benef\u00edcio; (ii) o Conv\u00eanio n\u00e3o mencionava expressamente a vis\u00e3o monocular. Quico invocou a S\u00famula n\u00ba 377\/STJ, a Lei n\u00ba 14.126\/2021 e a ADI n\u00ba 6.850, que reconheceram a vis\u00e3o monocular como defici\u00eancia sensorial visual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 38\/2012 do Confaz<\/strong><em> (isen\u00e7\u00e3o de ICMS na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo por PcD).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 111, II<\/strong><em> (interpreta\u00e7\u00e3o literal das normas de isen\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 14.126\/2021<\/strong><em> (classifica\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o monocular como defici\u00eancia sensorial visual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>S\u00famula n\u00ba 377\/STJ<\/strong><em> (o portador de vis\u00e3o monocular tem direito de concorrer, em concurso p\u00fablico, \u00e0s vagas reservadas a deficientes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STF declarou constitucional a Lei n\u00ba 14.126\/2021 na ADI n\u00ba 6.850, reconhecendo a vis\u00e3o monocular como defici\u00eancia sensorial visual para todos os efeitos legais. Adotou ainda o conceito evolutivo de defici\u00eancia da Conven\u00e7\u00e3o Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia (status de emenda constitucional).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN n\u00e3o se confunde com interpreta\u00e7\u00e3o isolada ou descontextualizada. Em benef\u00edcios fiscais voltados a PcD, deve-se privilegiar interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica e sist\u00eamica, em harmonia com o conceito constitucional evolutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia era se a interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN impediria estender o benef\u00edcio do Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 38\/2012 a quem tem vis\u00e3o monocular. <strong>A Segunda Turma rejeitou a leitura restritiva: literalidade n\u00e3o equivale a isolamento interpretativo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A jurisprud\u00eancia consolidada do STJ e do STF reconhece o portador de vis\u00e3o monocular como PcD para diversos efeitos (S\u00famula n\u00ba 377\/STJ; ARE n\u00ba 760.015 AgR). <strong>A Lei n\u00ba 14.126\/2021 positivou expressamente essa classifica\u00e7\u00e3o, declarada constitucional na ADI n\u00ba 6.850<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O conceito de defici\u00eancia da Conven\u00e7\u00e3o Internacional sobre os Direitos das PcD (status de emenda constitucional) \u00e9 <strong>evolutivo: envolve fatores sociais, ambientais e estruturais<\/strong>. Restri\u00e7\u00f5es normativas ou interpretativas em desconformidade com esse paradigma incorrem em inconstitucionalidade (ADI n\u00ba 7.028).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN n\u00e3o impede a interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica e sist\u00eamica em benef\u00edcios voltados a PcD. <strong>O REsp n\u00ba 2.185.814\/RS j\u00e1 havia reconhecido isen\u00e7\u00e3o de IPI na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos por pessoas com vis\u00e3o monocular<\/strong>; a mesma l\u00f3gica aplica-se \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de ICMS, com finalidade equivalente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de ICMS na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo automotor por portador de vis\u00e3o monocular:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 indevida, pois a interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN veda a extens\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 devida, pois a vis\u00e3o monocular \u00e9 classificada como defici\u00eancia sensorial visual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 devida apenas quando h\u00e1 ato normativo estadual expresso incluindo a vis\u00e3o monocular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 indevida, em raz\u00e3o da aus\u00eancia de men\u00e7\u00e3o expressa no Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 38\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 devida apenas para quem comprove redu\u00e7\u00e3o superior a 50% da capacidade visual total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 111 do CTN n\u00e3o equivale a leitura isolada; deve ser harmonizada com o conceito evolutivo de defici\u00eancia (Lei n\u00ba 14.126\/2021; ADI n\u00ba 6.850).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> A Lei n\u00ba 14.126\/2021 classifica a vis\u00e3o monocular como defici\u00eancia sensorial visual para todos os efeitos legais; o STF (ADI n\u00ba 6.850) declarou-a constitucional, e o STJ aplicou o entendimento \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de ICMS do Conv\u00eanio n\u00ba 38\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A Lei n\u00ba 14.126\/2021 vale &#8220;para todos os efeitos legais&#8221;, sem necessidade de norma estadual espec\u00edfica adicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 38\/2012 destina-se \u00e0 PcD em geral; a Lei n\u00ba 14.126\/2021 enquadra a vis\u00e3o monocular nesse conceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rio quantitativo de &#8220;redu\u00e7\u00e3o superior a 50%&#8221;; a classifica\u00e7\u00e3o como defici\u00eancia sensorial visual \u00e9 qualitativa, prevista em lei.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia jur\u00eddica consiste em definir se a vis\u00e3o monocular autoriza o reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de pessoa com defici\u00eancia para fins de frui\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o de ICMS prevista no Conv\u00eanio ICMS n. 38\/2012 do Confaz, notadamente diante da exig\u00eancia de interpreta\u00e7\u00e3o literal das normas isentivas (art. 111, II, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN) e de respeito ao princ\u00edpio da estrita legalidade tribut\u00e1ria para a concess\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A despeito de a jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal entender que n\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio, sob o pretexto de realizar o princ\u00edpio da isonomia tribut\u00e1ria, ampliar ou criar benef\u00edcio fiscal sem previs\u00e3o legal espec\u00edfica, tal compreens\u00e3o n\u00e3o impede o controle jurisdicional de omiss\u00f5es normativas incompat\u00edveis com a Constitui\u00e7\u00e3o quando estas implicarem discrimina\u00e7\u00e3o indevida em rela\u00e7\u00e3o a pessoas com defici\u00eancia. Precedente: ADO n. 30, Relator(a): Ministro Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2020, DJe 05-10-2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia consolidada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e do Supremo Tribunal Federal, tal como se observa da S\u00famula n. 377\/STJ e do ARE n. 760015 AgR, reconhece que o portador de vis\u00e3o monocular \u00e9 pessoa com defici\u00eancia para diversos efeitos jur\u00eddicos. Tal entendimento foi positivado pela Lei n. 14.126\/2021, que classificou expressamente a vis\u00e3o monocular como defici\u00eancia sensorial do tipo visual para todos os efeitos legais, norma esta declarada constitucional pelo STF no julgamento da ADI n. 6.850.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo julgamento da ADI n. 6.850, o STF assentou que o conceito de defici\u00eancia, extra\u00eddo da Conven\u00e7\u00e3o Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia (CDPD), que possui status de emenda constitucional, \u00e9 de natureza evolutiva e constitui fen\u00f4meno complexo que envolve fatores sociais, ambientais e estruturais que podem restringir a participa\u00e7\u00e3o plena da pessoa na vida em sociedade. Nessa perspectiva, qualquer tentativa legislativa ou interpretativa que restrinja indevidamente o conceito de pessoa com defici\u00eancia em desconformidade com esse paradigma constitucional poder\u00e1 incorrer em inconstitucionalidade. Precedente: ADI n. 7.028, Relator(a): Ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 19-06-2023, DJe 22-06-2023. Embora o art. 111 do CTN prescreva a interpreta\u00e7\u00e3o literal para normas que disp\u00f5em sobre outorga de isen\u00e7\u00e3o, a jurisprud\u00eancia do STJ orienta que tal literalidade n\u00e3o se confunde com interpreta\u00e7\u00e3o isolada ou descontextualizada. Em se tratando de benef\u00edcios fiscais voltados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia, deve-se privilegiar a interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica e sist\u00eamica, orientada pela finalidade social de promover a inclus\u00e3o e a mobilidade, em harmonia com a Conven\u00e7\u00e3o Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia, tal como se observa do julgamento do REsp n. 2.185.814\/RS, no qual se reconheceu o direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de IPI concedida na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos por pessoas com vis\u00e3o monocular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mesma l\u00f3gica hermen\u00eautica deve orientar a interpreta\u00e7\u00e3o das normas relativas \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de ICMS, prevista no Conv\u00eanio ICMS n. 38\/2012, cujo objetivo evidente \u00e9 viabilizar maior autonomia e mobilidade \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, contribuindo para sua plena participa\u00e7\u00e3o na vida social. A interpreta\u00e7\u00e3o do recorrente, que busca excluir os portadores de vis\u00e3o monocular da categoria de pessoas com defici\u00eancia para fins de frui\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio fiscal, conduziria a resultado incompat\u00edvel com o sistema constitucional de prote\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia e com a evolu\u00e7\u00e3o jurisprudencial e legislativa sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, mostra-se for\u00e7oso reconhecer que o portador dessa condi\u00e7\u00e3o enquadra-se no conceito de pessoa com defici\u00eancia para fins de frui\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o de ICMS na aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo automotor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-pis-cofins-aquisicao-de-soja-com-suspensao-gera-credito-ao-produtor-de-biodiesel\">7. PIS\/COFINS: aquisi\u00e7\u00e3o de soja com suspens\u00e3o gera cr\u00e9dito ao produtor de biodiesel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 devido o cr\u00e9dito de PIS\/COFINS sobre o valor de aquisi\u00e7\u00e3o de soja em gr\u00e3os com suspens\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es (art. 29 da Lei n\u00ba 12.865\/2013), <strong>quando a sa\u00edda do produto (biodiesel) \u00e9 normalmente tributada<\/strong>; a suspens\u00e3o sem condicionantes equivale funcionalmente \u00e0 isen\u00e7\u00e3o para fins de creditamento no regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.165.276-RS, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A BioPura Biodiesel S.A. adquiriu soja em gr\u00e3os sob o regime de suspens\u00e3o de PIS\/COFINS (art. 29 da Lei n\u00ba 12.865\/2013) e utilizou os gr\u00e3os como insumo na fabrica\u00e7\u00e3o de biodiesel, cuja venda \u00e9 tributada. Pleiteou o creditamento das contribui\u00e7\u00f5es. O Tribunal de origem negou, sob fundamento de que: (i) sem recolhimento na etapa anterior, inexiste cumulatividade a neutralizar; (ii) a veda\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, das Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003 alcan\u00e7a &#8220;bens n\u00e3o sujeitos ao pagamento&#8221;. A BioPura recorreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CF, art. 195, \u00a7 12<\/strong><em> (regime n\u00e3o cumulativo de PIS\/COFINS por delega\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.865\/2013, art. 29<\/strong><em> (suspens\u00e3o de PIS\/COFINS na venda de soja).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003, art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito sobre bens n\u00e3o sujeitos ao pagamento, ressalvada sa\u00edda tributada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CTN, arts. 111, I, e 175, I<\/strong><em> (interpreta\u00e7\u00e3o literal de normas restritivas; isen\u00e7\u00e3o como dispensa legal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A veda\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, das Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003 alcan\u00e7a bens &#8220;n\u00e3o sujeitos ao pagamento&#8221;, mas ressalva os insumos isentos quando empregados em sa\u00eddas tributadas. Interpretada a contrario sensu, admite o cr\u00e9dito quando o insumo \u00e9 desonerado e o produto final tributado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A suspens\u00e3o sem condicionantes temporais ou materiais, prevista no art. 29 da Lei n\u00ba 12.865\/2013, revela equival\u00eancia funcional com a isen\u00e7\u00e3o. Aplicar a veda\u00e7\u00e3o extensivamente \u00e0 suspens\u00e3o sem previs\u00e3o legal expressa contraria o art. 111, I, do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 O regime n\u00e3o cumulativo de PIS\/COFINS, por delega\u00e7\u00e3o do art. 195, \u00a7 12, da CF, apura cr\u00e9ditos mediante aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota sobre o valor de aquisi\u00e7\u00e3o dos insumos. <strong>A quest\u00e3o era se a aquisi\u00e7\u00e3o com suspens\u00e3o impede esse cr\u00e9dito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A veda\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, das Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003 fala em bens &#8220;n\u00e3o sujeitos ao pagamento&#8221;, ressalvando os isentos quando aplicados em sa\u00eddas tributadas. <strong>Lida a contrario sensu, a regra admite cr\u00e9dito quando o insumo desonerado \u00e9 utilizado em produto tributado<\/strong>: \u00e9 exatamente a situa\u00e7\u00e3o do biodiesel produzido com soja em suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Segunda Turma reconheceu equival\u00eancia funcional entre suspens\u00e3o e isen\u00e7\u00e3o. <strong>A suspens\u00e3o prevista no art. 29 da Lei n\u00ba 12.865\/2013 n\u00e3o tem condicionantes temporais ou materiais<\/strong>: funciona estruturalmente como desonera\u00e7\u00e3o definitiva, alinhando-se aos efeitos da isen\u00e7\u00e3o para o regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A leitura extensiva da veda\u00e7\u00e3o \u00e0s hip\u00f3teses de suspens\u00e3o, sem previs\u00e3o legal expressa, <strong>contraria o art. 111, I, do CTN (interpreta\u00e7\u00e3o literal de normas restritivas) e o art. 175, I, do CTN (dispensa legal do pagamento como isen\u00e7\u00e3o)<\/strong>. O direito ao cr\u00e9dito \u00e9 reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o ao direito a creditamento de PIS\/COFINS sobre aquisi\u00e7\u00e3o de soja em gr\u00e3os com suspens\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es (art. 29 da Lei n\u00ba 12.865\/2013), utilizada na fabrica\u00e7\u00e3o de biodiesel cuja venda \u00e9 tributada:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 devido, pois a suspens\u00e3o sem condicionantes equivale funcionalmente \u00e0 isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 vedado, em raz\u00e3o da veda\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, das Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) \u00c9 vedado, pois sem recolhimento na etapa anterior, n\u00e3o h\u00e1 cumulatividade a neutralizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 devido apenas se a soja for produzida em estabelecimento agroindustrial pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 devido somente nas opera\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o do biodiesel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) <strong>Correta.<\/strong> A suspens\u00e3o do art. 29 da Lei n\u00ba 12.865\/2013 n\u00e3o tem condicionantes, equivalendo funcionalmente \u00e0 isen\u00e7\u00e3o. Combinada com a ressalva do art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, das Leis n\u00ba 10.637\/2002 e 10.833\/2003 e com os arts. 111, I, e 175, I, do CTN, autoriza o creditamento na sa\u00edda tributada do biodiesel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A veda\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, ressalva expressamente os insumos isentos aplicados em sa\u00edda tributada; lida a contrario sensu, admite o cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O regime n\u00e3o cumulativo n\u00e3o opera por essa l\u00f3gica; o cr\u00e9dito \u00e9 apurado sobre o valor de aquisi\u00e7\u00e3o dos insumos (CF, art. 195, \u00a7 12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 requisito de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria; basta a aquisi\u00e7\u00e3o com suspens\u00e3o e a sa\u00edda tributada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o; o cr\u00e9dito decorre da estrutura do regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a aquisi\u00e7\u00e3o de soja com suspens\u00e3o de PIS\/COFINS, nos termos do art. 29 da Lei n. 12.865\/2013, gera ou n\u00e3o direito ao creditamento dessas contribui\u00e7\u00f5es para o fabricante de biodiesel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, uma fabricante de biodiesel buscou o reconhecimento do direito ao creditamento dos mencionados tributos sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de soja em gr\u00e3os utilizada como insumo, adquirida sob regime de suspens\u00e3o dessas contribui\u00e7\u00f5es (art. 29 da Lei n. 12.865\/2013), sendo a receita de venda do biodiesel normalmente tributada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem negou o direito ao cr\u00e9dito, por entender que, sem recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es na etapa anterior, inexiste cumulatividade a neutralizar, o que afasta o pressuposto l\u00f3gico do creditamento. Ademais, consignou que a suspens\u00e3o equivale a n\u00e3o sujei\u00e7\u00e3o ao pagamento, hip\u00f3tese vedada pelo art. 3, 2, inciso II, das Leis n. 10.637\/2002 e 10.833\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O regime n\u00e3o cumulativo do PIS\/COFINS, definido por delega\u00e7\u00e3o do art. 195, 12, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, apura cr\u00e9ditos mediante aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota sobre o valor de aquisi\u00e7\u00e3o dos insumos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a veda\u00e7\u00e3o do art. 3, 2, inciso II, das Leis n. 10.637\/2002 e 10.833\/2003 alcan\u00e7a bens &#8220;n\u00e3o sujeitos ao pagamento&#8221;, ressalvando os insumos isentos apenas quando empregados em sa\u00eddas igualmente desoneradas, de modo que, interpretado a contrario sensu, admite-se o cr\u00e9dito quando o insumo isento \u00e9 utilizado em produto cuja sa\u00edda \u00e9 tributada. Por sua vez, a suspens\u00e3o da incid\u00eancia do PIS\/COFINS sobre a venda de soja, prevista no art. 29, da Lei n. 12.865\/2013, sem condicionantes temporais ou materiais, revela <strong>equival\u00eancia funcional com a isen\u00e7\u00e3o<\/strong>, para fins de creditamento no regime n\u00e3o cumulativo, quando a opera\u00e7\u00e3o de sa\u00edda (biodiesel) \u00e9 tributada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao esmiu\u00e7ar o regime do <strong>Drawback-Suspens\u00e3o<\/strong>, a doutrina o trata como regime aduaneiro especial que visa <em>incentivar a exporta\u00e7\u00e3o, suspendendo o pagamento de tributos incidentes na importa\u00e7\u00e3o de mercadorias que ser\u00e3o utilizadas na fabrica\u00e7\u00e3o ou beneficiamento de produtos export\u00e1veis<\/em>. O regime \u00e9 classificado como uma isen\u00e7\u00e3o suspensivamente condicionada: a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria existe, mas fica pendente at\u00e9 o cumprimento da condi\u00e7\u00e3o (a exporta\u00e7\u00e3o). Se a exporta\u00e7\u00e3o ocorre dentro do prazo, a suspens\u00e3o converte-se em isen\u00e7\u00e3o definitiva. Ressalta-se que h\u00e1 precedentes do Superior Tribunal de Justi\u00e7a que amparam a distin\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica do regime de cr\u00e9ditos do PIS\/COFINS e a equival\u00eancia funcional entre desonera\u00e7\u00f5es na etapa de aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a leitura extensiva da veda\u00e7\u00e3o do art. 3, 2, inciso II, \u00e0s hip\u00f3teses de suspens\u00e3o, sem previs\u00e3o legal expressa, contraria o art. 111, inciso I, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (interpreta\u00e7\u00e3o literal de normas restritivas) e o art. 175, inciso I, tamb\u00e9m do CTN (dispensa legal do pagamento).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, no caso, ao determinar que a exa\u00e7\u00e3o estaria suspensa sem impor condicionante alguma, n\u00e3o se vislumbra outra concep\u00e7\u00e3o ao referido instituto que n\u00e3o o de norma isentiva. Desonera-se, portanto, a referida opera\u00e7\u00e3o e deve ser conferida a compreens\u00e3o de que h\u00e1 de se entender pelo direito ao creditamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-equoterapia-para-tea-cobertura-obrigatoria-pelo-plano-de-saude\">8. Equoterapia para TEA: cobertura obrigat\u00f3ria pelo plano de sa\u00fade?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equoterapia, <strong>embora regulamentada pela Lei n\u00ba 13.830\/2019 como m\u00e9todo de reabilita\u00e7\u00e3o para PcD, n\u00e3o \u00e9 de cobertura obrigat\u00f3ria pelos planos de sa\u00fade para pacientes com TEA<\/strong>, por inexist\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica atual de sua efic\u00e1cia para essa condi\u00e7\u00e3o, nos termos exigidos pela ADI n\u00ba 7.265\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementina, crian\u00e7a com diagn\u00f3stico de TEA em grau severo, teve prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de equoterapia como tratamento de reabilita\u00e7\u00e3o. A operadora Bem-Estar Sa\u00fade S.A. negou cobertura sob fundamento de aus\u00eancia de previs\u00e3o no rol da ANS e de comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para TEA. A Corte de origem condenou a operadora \u00e0 cobertura, considerando a regulamenta\u00e7\u00e3o da equoterapia pela Lei n\u00ba 13.830\/2019. A operadora recorreu, invocando os crit\u00e9rios fixados pelo STF na ADI n\u00ba 7.265\/DF para tratamentos fora do rol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 13.830\/2019<\/strong><em> (regulamenta\u00e7\u00e3o da equoterapia como m\u00e9todo de reabilita\u00e7\u00e3o para PcD).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.656\/1998, art. 10, \u00a7 13 (Lei n\u00ba 14.454\/2022)<\/strong><em> (cobertura de tratamento fora do rol da ANS).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STF, ADI n\u00ba 7.265\/DF<\/strong><em> (interpreta\u00e7\u00e3o conforme: cinco requisitos cumulativos para cobertura fora do rol).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STF, na ADI n\u00ba 7.265\/DF, conferiu interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao \u00a7 13 do art. 10 da Lei n\u00ba 9.656\/1998: em caso de tratamento fora do rol da ANS, a cobertura deve ser autorizada quando preenchidos cumulativamente cinco requisitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Os cinco requisitos cumulativos: (i) prescri\u00e7\u00e3o por m\u00e9dico ou odont\u00f3logo assistente habilitado; (ii) inexist\u00eancia de negativa expressa da ANS ou de pend\u00eancia de proposta de atualiza\u00e7\u00e3o do rol; (iii) aus\u00eancia de alternativa terap\u00eautica adequada no rol da ANS; (iv) comprova\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia e seguran\u00e7a por evid\u00eancias cient\u00edficas de alto n\u00edvel ou ATS; (v) exist\u00eancia de registro na Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia opunha duas leituras: (i) a regulamenta\u00e7\u00e3o da equoterapia pela Lei n\u00ba 13.830\/2019 bastaria para obrigar a cobertura; (ii) a regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispensa o atendimento dos requisitos do \u00a7 13 do art. 10 da Lei n\u00ba 9.656\/1998. <strong>A Quarta Turma adotou a segunda leitura<\/strong>: a previs\u00e3o legal do m\u00e9todo n\u00e3o substitui a comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A ADI n\u00ba 7.265\/DF fixou cinco requisitos cumulativos. <strong>Mesmo presente a prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e o registro na Anvisa, falta o requisito (iv): comprova\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia e seguran\u00e7a por evid\u00eancias cient\u00edficas de alto n\u00edvel<\/strong> para a aplica\u00e7\u00e3o da equoterapia em pacientes com TEA. Sem evid\u00eancias, n\u00e3o h\u00e1 cobertura obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Quarta Turma j\u00e1 havia firmado entendimento no AgInt no REsp 1.963.064\/SP e no AgInt no REsp 2.029.237\/SP: <strong>a equoterapia, embora regulamentada como m\u00e9todo de reabilita\u00e7\u00e3o para PcD, n\u00e3o tem efic\u00e1cia cientificamente demonstrada para TEA<\/strong>. A regulamenta\u00e7\u00e3o legal cumpre fun\u00e7\u00e3o organizativa, n\u00e3o substitui a comprova\u00e7\u00e3o por evid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A decis\u00e3o preserva a coer\u00eancia do sistema: <strong>a cobertura fora do rol \u00e9 regida por crit\u00e9rios objetivos, n\u00e3o pela mera regulamenta\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo<\/strong>. Se a Lei n\u00ba 13.830\/2019 fosse suficiente, qualquer m\u00e9todo regulamentado por lei se imporia automaticamente \u00e0s operadoras, esvaziando os crit\u00e9rios da ADI n\u00ba 7.265.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobertura, por plano de sa\u00fade, de equoterapia para paciente com TEA:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 obrigat\u00f3ria, em raz\u00e3o da pr\u00f3pria regulamenta\u00e7\u00e3o legal do m\u00e9todo de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) \u00c9 obrigat\u00f3ria se prescrita pelo m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) N\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria, por inexist\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de efic\u00e1cia para TEA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) \u00c9 facultativa diante da aus\u00eancia de registro na Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) \u00c9 obrigat\u00f3ria quando inexistir alternativa terap\u00eautica no rol da ANS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A regulamenta\u00e7\u00e3o legal do m\u00e9todo n\u00e3o substitui os requisitos do \u00a7 13 do art. 10 da Lei n\u00ba 9.656\/1998 (interpreta\u00e7\u00e3o conforme do STF na ADI n\u00ba 7.265\/DF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A mera prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) <strong>Correta.<\/strong> A ADI n\u00ba 7.265\/DF exige, como requisito cumulativo, comprova\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia e seguran\u00e7a por evid\u00eancias cient\u00edficas de alto n\u00edvel. Para a equoterapia aplicada a TEA, esse requisito n\u00e3o est\u00e1 atendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O m\u00e9todo conta com registro na Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A aus\u00eancia de alternativa terap\u00eautica \u00e9 apenas um dos cinco requisitos; n\u00e3o opera isoladamente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o do dever de cobertura de tratamento m\u00e9dico prescrito para a terap\u00eautica adequada de benefici\u00e1ria de plano de sa\u00fade, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte de origem concluiu pela obrigatoriedade da cobertura da equoterapia, considerando ser a paciente pessoa com de transtorno do espectro autista de grau severo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, quanto \u00e0 equoterapia, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, na sess\u00e3o de 7 de outubro de 2025, ao julgar o AgInt no REsp 1.963.064\/SP e o AgInt no REsp 2.029.237\/SP (Relator para ac\u00f3rd\u00e3o o Ministro Raul Ara\u00fajo), concluiu que, embora regulamentada pela Lei n. 13.830\/2019 como m\u00e9todo de reabilita\u00e7\u00e3o para pessoas com defici\u00eancia, <strong>n\u00e3o \u00e9 de cobertura obrigat\u00f3ria pelos planos de sa\u00fade, porquanto ainda n\u00e3o existe a devida demonstra\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia cient\u00edfica do tratamento para pessoas com TEA,<\/strong> nos termos exigidos pela legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia e pela jurisprud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No AgInt no REsp 2.029.237\/SP, que discutia se a musicoterapia e a equoterapia constituem tratamentos de cobertura obrigat\u00f3ria pelos planos de sa\u00fade para o tratamento de TEA, entendeu-se que: &#8220;O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 7.265\/DF, conferiu interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao 13 do art. 10 da Lei 9.656\/98, inclu\u00eddo pela Lei 14.454\/2022, concluindo que, em caso de tratamento ou procedimento n\u00e3o previsto no rol da ANS, a cobertura dever\u00e1 ser autorizada pela operadora de planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, desde que preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: &#8220;(i) prescri\u00e7\u00e3o por m\u00e9dico ou odont\u00f3logo assistente habilitado; (ii) inexist\u00eancia de negativa expressa da ANS ou de pend\u00eancia de an\u00e1lise em proposta de atualiza\u00e7\u00e3o do rol (PAR); (iii) aus\u00eancia de alternativa terap\u00eautica adequada para a condi\u00e7\u00e3o do paciente no rol de procedimentos da ANS; (iv) comprova\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia e seguran\u00e7a do tratamento \u00e0 luz da medicina baseada em evid\u00eancias de alto grau ou ATS, necessariamente respaldadas por evid\u00eancias cient\u00edficas de alto n\u00edvel; e (v) exist\u00eancia de registro na Anvisa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-hidreletrica-da-para-deixar-para-liquidacao-a-prova-do-dano-e-da-condicao-de-pescador\">9. Hidrel\u00e9trica: d\u00e1 para deixar para liquida\u00e7\u00e3o a prova do dano e da condi\u00e7\u00e3o de pescador?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na hip\u00f3tese de dano decorrente da constru\u00e7\u00e3o de usina hidrel\u00e9trica, <strong>n\u00e3o se pode relegar para a fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a a comprova\u00e7\u00e3o dos lucros cessantes e da qualidade de pescador<\/strong>, pois a senten\u00e7a condenat\u00f3ria exige certeza do an debeatur, restando \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o apenas a defini\u00e7\u00e3o do quantum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.102.646-RO, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 5\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Geremias e seus vizinhos, alegando exercer pesca artesanal no Rio Madeira, ajuizaram a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria contra a Hidrel\u00e9trica Rio Madeira Energias S.A. pleiteando lucros cessantes pela redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de peixes ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o do Complexo Hidrel\u00e9trico. A senten\u00e7a condenou genericamente a empresa, relegando \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o tanto a comprova\u00e7\u00e3o dos lucros cessantes quanto a qualidade de pescador de cada autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 509 a 512<\/strong><em> (liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a: apura\u00e7\u00e3o do quantum debeatur).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 402<\/strong><em> (danos materiais: o que efetivamente se perdeu e o que razoavelmente se deixou de lucrar).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a destina-se \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do quantum devido, n\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria obriga\u00e7\u00e3o. Pressup\u00f5e certeza do an debeatur \u2014 o t\u00edtulo executivo deve estar perfeitamente identificado quanto \u00e0 exist\u00eancia da obriga\u00e7\u00e3o e seu benefici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd Lucros cessantes exigem efetiva comprova\u00e7\u00e3o dos danos, com respaldo hist\u00f3rico concreto. N\u00e3o se admitem lucros cessantes hipot\u00e9ticos ou aleat\u00f3rios, sem suporte na realidade f\u00e1tica. A condi\u00e7\u00e3o de pescador, por sua vez, \u00e9 elemento de legitimidade ativa e do nexo causal, n\u00e3o de quantifica\u00e7\u00e3o posterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Quarta Turma firmou que a fase cognitiva exige a fixa\u00e7\u00e3o <strong>da regra individual concreta em que o Estado reconhece a qual das partes assiste raz\u00e3o<\/strong>. A certeza do t\u00edtulo executivo (an debeatur) deve ser estabelecida na senten\u00e7a; \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o cabe apenas a extens\u00e3o do dano dentro do per\u00edodo da decis\u00e3o condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f O ac\u00f3rd\u00e3o de origem relegou \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente a apura\u00e7\u00e3o dos lucros cessantes (o que seria correto se houvesse base na cogni\u00e7\u00e3o), mas a <strong>pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o dos danos<\/strong>. Isso inverteu a l\u00f3gica processual: a decis\u00e3o futura n\u00e3o teria natureza constitutivo-integrativa, mas constituiria fragmento da pr\u00f3pria decis\u00e3o condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Quanto \u00e0 qualidade de pescador, o STJ esclareceu que <strong>a aferi\u00e7\u00e3o da legitimidade decorre de condi\u00e7\u00e3o f\u00e1tica ou situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica atingida pela atividade<\/strong>, n\u00e3o de comprova\u00e7\u00e3o na fase liquidat\u00f3ria. Em litiscons\u00f3rcio facultativo, n\u00e3o se pode relegar para a liquida\u00e7\u00e3o o pr\u00f3prio reconhecimento da titularidade da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m separa o caso das a\u00e7\u00f5es coletivas de direitos individuais homog\u00eaneos: <strong>nessas, a senten\u00e7a condena genericamente e a liquida\u00e7\u00e3o comprova titularidade<\/strong>. Aqui, tratava-se de a\u00e7\u00e3o proposta diretamente pelos titulares, com litiscons\u00f3rcio facultativo \u2014 outra estrutura processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o ao que pode ser relegado \u00e0 fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a em a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria individual por dano decorrente de constru\u00e7\u00e3o de usina hidrel\u00e9trica, ajuizada por pescadores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) A comprova\u00e7\u00e3o dos lucros cessantes e da qualidade de pescador, em homenagem \u00e0 efetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) A comprova\u00e7\u00e3o da qualidade de pescador, fixados os par\u00e2metros dos lucros cessantes na cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) A exist\u00eancia de impacto ambiental, bastando a cita\u00e7\u00e3o do empreendimento como gerador de risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) A comprova\u00e7\u00e3o do nexo causal entre o empreendimento e os danos individualmente sofridos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) A apura\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o dos lucros cessantes; n\u00e3o a sua configura\u00e7\u00e3o nem a qualidade de pescador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. Tanto a comprova\u00e7\u00e3o dos lucros cessantes quanto a qualidade de pescador integram a cogni\u00e7\u00e3o; a efetividade n\u00e3o autoriza inverter a l\u00f3gica processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A qualidade de pescador \u00e9 elemento de legitimidade e do nexo causal; deve ser apurada na cogni\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A exist\u00eancia de impacto e do dano individualmente sofrido s\u00e3o pressupostos a serem demonstrados na cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. O nexo causal \u00e9 elemento estrutural da responsabilidade; deve ser apurado na cogni\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> \u00c0 liquida\u00e7\u00e3o cabe apenas a defini\u00e7\u00e3o do quantum dos lucros cessantes, dentro do per\u00edodo fixado na senten\u00e7a. A configura\u00e7\u00e3o dos danos e a qualidade de pescador devem ser comprovadas na cogni\u00e7\u00e3o (CPC, arts. 509-512).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cuida-se de demanda responsabilizat\u00f3ria que objetiva o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais, relativos a lucros cessantes, e por danos morais, em virtude da constru\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o do Complexo Hidrel\u00e9trico do Rio Madeira, composto pelas Usinas Hidrel\u00e9tricas de Santo Ant\u00f4nio e Jirau, que teriam resultado na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de peixes, ocasionando danos aos pescadores profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que provenha do exerc\u00edcio de atividades l\u00edcitas e socialmente desej\u00e1veis ou necess\u00e1rias, o dano ambiental pode caracterizar-se pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental, figurando o poluidor, ainda que tome todas as medidas legais e administrativas tendentes a neutralizar os potenciais efeitos de sua atividade, como um garantidor das eventuais consequ\u00eancias ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esses danos, no entanto, t\u00eam o potencial de atingir toda a coletividade, pela les\u00e3o ao bem ambiental, estendendo-se a interesses difusos de toda a sociedade, com o que se afirma que afeta o macrobem, cuja reparabilidade se direciona ao pr\u00f3prio bem danificado, ou, ainda, atingir direitos e interesses individuais, com o que se relaciona ao microbem e a reparabilidade destina-se tamb\u00e9m \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o dos demais direitos e interesses de seus titulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, torna-se evidente que, para a repara\u00e7\u00e3o de direitos individuais decorrentes de danos ambientais &#8211; como a hip\u00f3tese de pescadores artesanais que tiveram sua atividade de subsist\u00eancia afetada pela constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas ao longo do rio -, entremostra-se necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o geradora do dano, bem como o nexo de causalidade que permita imputar este dano ao seu respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a orientou-se no sentido de que, na hip\u00f3tese de reparabilidade do indiv\u00edduo cujos direitos ou interesses sejam concretamente afetados por uma a\u00e7\u00e3o ou atividade potencial ou efetivamente lesiva, exige-se a demonstra\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo sofrido (REsp n. 1.354.536\/SE, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Segunda Se\u00e7\u00e3o, julgado em 26\/3\/2014, DJe de 5\/5\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a controv\u00e9rsia relaciona-se \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da qualidade de pescador e \u00e0 extens\u00e3o dos danos, especificamente os lucros cessantes, cuja solu\u00e7\u00e3o teria sido transferida pelo Tribunal de origem \u00e0 fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A este respeito, importa referir que a liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a destina-se \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do quantum devido decorrente de condena\u00e7\u00e3o judicial, cuja quantifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi poss\u00edvel na fase de conhecimento. N\u00e3o se presta, evidentemente, \u00e0 formula\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria obriga\u00e7\u00e3o a ser executada pelo fato de que \u00e9 necess\u00e1rio o estabelecimento da regra individual concreta em que o Estado reconhece a qual das partes assiste raz\u00e3o. Deve estar perfeitamente identificada a certeza do t\u00edtulo executivo (an debeatur), restando \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o t\u00e3o somente a defini\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o do dano no per\u00edodo de exerc\u00edcio da atividade pesqueira circunscrito na decis\u00e3o condenat\u00f3ria. Todavia, h\u00e1 lacuna na regra concreta quanto \u00e0 condena\u00e7\u00e3o das recorrentes ao pagamento dos lucros cessantes, sendo relegada para a liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a n\u00e3o somente a apura\u00e7\u00e3o dos danos, mas sua pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o. Assim, a futura decis\u00e3o a ser proferida n\u00e3o ter\u00e1 natureza constitutivo-integrativa, mas constituir\u00e1 fragmento da pr\u00f3pria decis\u00e3o condenat\u00f3ria, em evidente invers\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica processual da fase de conhecimento. A conjuntura em an\u00e1lise \u00e9 diferente da hip\u00f3tese de a\u00e7\u00f5es coletivas em que se discutem direitos individuais homog\u00eaneos, nas quais as condena\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas exigem, por vezes, al\u00e9m da liquida\u00e7\u00e3o do valor a ser executado, a comprova\u00e7\u00e3o do exequente sobre a titularidade da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica abrangida pelo comando abstrato da decis\u00e3o. No caso presente, n\u00e3o houve an\u00e1lise suficiente pela Corte de origem da qualidade de pescadores e n\u00e3o foram estabelecidos adequadamente os par\u00e2metros para a apura\u00e7\u00e3o do quantum debeatur em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, notadamente porque se trata de litiscons\u00f3rcio facultativo. Impende ressaltar que a indeniza\u00e7\u00e3o por lucros cessantes exige efetiva comprova\u00e7\u00e3o dos danos. Danos devem corresponder ao que a v\u00edtima perdeu ou deixou de ganhar com a atividade lesiva (l\u00edcita ou il\u00edcita). N\u00e3o se admitem lucros cessantes hipot\u00e9ticos ou aleat\u00f3rios, sem suporte algum na realidade f\u00e1tica; deve haver um respaldo hist\u00f3rico concreto, tanto no que tange aos pressupostos da responsabilidade quanto aos elementos quantificativos. Todavia, no presente caso, a decis\u00e3o recorrida estabeleceu par\u00e2metros arbitr\u00e1rios e facciosos alargados, restando a pr\u00f3pria comprova\u00e7\u00e3o para a fase liquidat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outro aspecto relativo \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, de acordo com as raz\u00f5es recursais, relaciona-se \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da qualidade de pescador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, o dano decorrente da constru\u00e7\u00e3o de usina hidrel\u00e9trica pode causar preju\u00edzos de variadas vertentes e possibilita aos lesados buscar a respectiva indeniza\u00e7\u00e3o e a aferi\u00e7\u00e3o da legitimidade decorrer\u00e1 de condi\u00e7\u00e3o f\u00e1tica ou situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica atingida pela atividade. N\u00e3o se pode falar, portanto, em comprova\u00e7\u00e3o da qualidade de pescador, que conferiria legitimidade aos exequentes, na fase de liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao transferir a quantifica\u00e7\u00e3o do dano para a fase liquidat\u00f3ria, porquanto dependeria da verifica\u00e7\u00e3o de aspectos f\u00e1ticos individuais de cada pescador, o Tribunal a quo estabeleceu a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio exerc\u00edcio da atividade durante o per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o das usinas. Evidentemente, na forma como foi estabelecida, o efetivo exerc\u00edcio da atividade de pescador no per\u00edodo j\u00e1 determinado pela decis\u00e3o recorrida e seus reflexos na extens\u00e3o dos danos sofridos (lucros cessantes) ser\u00e1 objeto de calibra\u00e7\u00e3o em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, o que, repita-se, inverte a l\u00f3gica processual. Nesse sentido, ausente a comprova\u00e7\u00e3o concreta dos danos causados pelo empreendimento na fase de cogni\u00e7\u00e3o, consistentes nos lucros cessantes, bem como a n\u00e3o comprova\u00e7\u00e3o da qualidade de pescadores artesanais, o pedido formulado na a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o deve ser julgado improcedente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-sucessao-empresarial-e-desconsideracao-da-pj\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sucess\u00e3o empresarial e desconsidera\u00e7\u00e3o da PJ<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sucess\u00e3o empresarial e a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica s\u00e3o institutos aut\u00f4nomos, <strong>sendo vedada a aplica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica desta \u00faltima com base meramente na ocorr\u00eancia da primeira<\/strong>; a responsabilidade da sucessora decorre do art. 1.146 do CC, dispensando o incidente do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AEsp 2.605.052-SP, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em cumprimento de senten\u00e7a contra a Sumiu Express Log\u00edstica Ltda., o exequente requereu desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica para incluir, no polo passivo, a M\u00e3os \u00e0 Obra Transportes S.A., sob alega\u00e7\u00e3o de sucess\u00e3o empresarial \u2014 adquirida em 2024 com transfer\u00eancia de estabelecimento, continuidade da atividade e cessa\u00e7\u00e3o da sucedida. O ju\u00edzo deferiu a desconsidera\u00e7\u00e3o. A M\u00e3os \u00e0 Obra recorreu sustentando que: (i) n\u00e3o foram demonstrados desvio de finalidade ou confus\u00e3o patrimonial (art. 50 do CC); (ii) sucess\u00e3o n\u00e3o autoriza desconsidera\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 50<\/strong><em> (desconsidera\u00e7\u00e3o da PJ: teoria maior, abuso (desvio ou confus\u00e3o patrimonial)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.146<\/strong><em> (responsabilidade solid\u00e1ria do adquirente do estabelecimento por d\u00edvidas anteriores).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 133 a 137<\/strong><em> (incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda Sucess\u00e3o empresarial \u00e9 instituto de direito material: ocorre por fus\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o, cis\u00e3o ou simples transfer\u00eancia de estabelecimento, com continuidade da atividade. Gera responsabilidade solid\u00e1ria da sucessora pelos passivos da sucedida (CC, art. 1.146), por norma aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A desconsidera\u00e7\u00e3o da PJ \u00e9 instituto distinto: exige abuso da personalidade (desvio de finalidade ou confus\u00e3o patrimonial \u2014 teoria maior, art. 50 do CC). N\u00e3o decorre da sucess\u00e3o; precisa ser demonstrada pelos seus pr\u00f3prios requisitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia confundia dois institutos. A Quarta Turma esclareceu que sucess\u00e3o empresarial e desconsidera\u00e7\u00e3o da PJ <strong>n\u00e3o se confundem: t\u00eam pressupostos, fundamentos e consequ\u00eancias distintos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Demonstrada a sucess\u00e3o empresarial (transfer\u00eancia do estabelecimento, continuidade da atividade pela sucessora, cessa\u00e7\u00e3o pela sucedida), <strong>a responsabilidade solid\u00e1ria pelas d\u00edvidas anteriores decorre diretamente do art. 1.146 do CC<\/strong>. A sucessora \u00e9 legalmente respons\u00e1vel pelos passivos da sucedida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Da\u00ed porque a desconsidera\u00e7\u00e3o <strong>torna-se despicienda quando a sucess\u00e3o est\u00e1 demonstrada<\/strong>: n\u00e3o h\u00e1 necessidade de superar a autonomia patrimonial da PJ se a responsabiliza\u00e7\u00e3o decorre de norma pr\u00f3pria. Aplicar a desconsidera\u00e7\u00e3o nessa hip\u00f3tese seria confundir os institutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A desconsidera\u00e7\u00e3o teria cabimento aut\u00f4nomo em outras hip\u00f3teses: <strong>sucess\u00e3o de fato (sem trespasse formal) com ind\u00edcios de desvio, ou cl\u00e1usula contratual de transfer\u00eancia de responsabilidade destinada a fraudar credores<\/strong>. Nesses casos, a aplica\u00e7\u00e3o seguiria os requisitos pr\u00f3prios do art. 50 do CC, ainda que coexistente com a sucess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Demonstrada sucess\u00e3o empresarial entre duas sociedades, o credor da sucedida pode buscar cobrar a sucessora:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Pela desconsidera\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica da personalidade jur\u00eddica, em raz\u00e3o da sucess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Pela responsabilidade solid\u00e1ria do art. 1.146 do CC, sem necessidade de desconsidera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Pela aplica\u00e7\u00e3o cumulativa de desconsidera\u00e7\u00e3o e sucess\u00e3o, em raz\u00e3o da continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Pela teoria menor da desconsidera\u00e7\u00e3o, dispensada a comprova\u00e7\u00e3o de abuso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Pela responsabilidade subsidi\u00e1ria da sucessora, condicionada a benef\u00edcio de ordem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A sucess\u00e3o n\u00e3o autoriza desconsidera\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica; s\u00e3o institutos aut\u00f4nomos com requisitos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> Demonstrada a sucess\u00e3o empresarial, opera a responsabilidade solid\u00e1ria do art. 1.146 do CC pelas d\u00edvidas da sucedida. A desconsidera\u00e7\u00e3o torna-se despicienda \u2014 exigiria abuso da personalidade, distinto da sucess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A aplica\u00e7\u00e3o cumulativa confunde os institutos; havendo sucess\u00e3o, a responsabilidade decorre do art. 1.146 do CC, sem desconsidera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A teoria menor n\u00e3o se aplica a rela\u00e7\u00f5es empresariais regidas pelo CC; a teoria maior (art. 50) exige abuso da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A responsabilidade do art. 1.146 do CC \u00e9 solid\u00e1ria, n\u00e3o subsidi\u00e1ria; n\u00e3o h\u00e1 benef\u00edcio de ordem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em analisar a legalidade de decis\u00e3o que deferiu, em incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, a inclus\u00e3o da empresa recorrente no polo passivo do cumprimento de senten\u00e7a, reconhecendo a situa\u00e7\u00e3o de sucess\u00e3o empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alega a recorrente que n\u00e3o foram demonstrados o desvio de finalidade ou a confus\u00e3o patrimonial, \u00fanicos fundamentos para a desconsidera\u00e7\u00e3o, bem como n\u00e3o foi demonstrado o preenchimento dos requisitos do art. 134, 4, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, tem-se que a sucess\u00e3o empresarial (fus\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o, cis\u00e3o ou simples transfer\u00eancia de estabelecimento) n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, hip\u00f3tese de desconsidera\u00e7\u00e3o, pois ainda se exige que venha acompanhada de fraude, abuso ou confus\u00e3o patrimonial. Os artigos 133 a 137 do CPC, relativos ao Incidente de Desconsidera\u00e7\u00e3o da Personalidade Jur\u00eddica, deixam claro que a desconsidera\u00e7\u00e3o ocorre apenas quando preenchidos os requisitos do direito material, n\u00e3o se presumindo, ou seja, n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica. N\u00e3o decorre apenas da sucess\u00e3o. Assim, a possibilidade da desconsidera\u00e7\u00e3o nas hip\u00f3teses de sucess\u00e3o depende essencialmente das condi\u00e7\u00f5es em que foi pactuada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, a sucess\u00e3o empresarial \u00e9 instituto que n\u00e3o se confunde com a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, pois normalmente ocorre quando se adquire o patrim\u00f4nio comercial de estabelecimento com a continuidade da atividade, ficando respons\u00e1vel pelas finan\u00e7as e neg\u00f3cios firmados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a sucess\u00e3o empresarial ficou devidamente demonstrada, com base em prova de efetiva transfer\u00eancia do estabelecimento, continuidade da atividade pela sucessora e cessa\u00e7\u00e3o pela sucedida, inclusive com explora\u00e7\u00e3o exclusiva das marcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem raz\u00e3o a recorrente no ponto em que impugna a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, pois n\u00e3o cabe aplicar tal instituto em confus\u00e3o com a figura da sucess\u00e3o de empresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em verdade, torna-se despicienda a desconsidera\u00e7\u00e3o para atingir bens de uma empresa que j\u00e1 \u00e9 legalmente respons\u00e1vel pelos passivos da sucedida. A responsabilidade solid\u00e1ria \u00e9 aplic\u00e1vel, na forma do art. 1.146 do C\u00f3digo Civil, nas hip\u00f3teses de sucess\u00e3o empresarial, quando a empresa sucessora adquire o fundo de com\u00e9rcio e as instala\u00e7\u00f5es da devedora origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, a responsabilidade nasce da sucess\u00e3o, sem necessidade de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica. A desconsidera\u00e7\u00e3o teria cabimento na hip\u00f3tese de sucess\u00e3o de fato, por exemplo, ou na presen\u00e7a de cl\u00e1usula contratual de atribui\u00e7\u00f5es de responsabilidades, que servisse para fraudar credores ou execu\u00e7\u00f5es, por patente desvio de finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, \u00e9 claro que a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica est\u00e1 suportada na mera sucess\u00e3o empresarial, figuras que n\u00e3o se confundem, e nem mesmo a sucess\u00e3o justifica a desconsidera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-estupro-dissenso-superveniente-caracteriza-violencia\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estupro: dissenso superveniente caracteriza viol\u00eancia?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havendo dissenso superveniente no curso do ato sexual, <strong>a continuidade da rela\u00e7\u00e3o mediante uso de for\u00e7a f\u00edsica configura a elementar viol\u00eancia do art. 213 do CP<\/strong>, ainda que o ato tenha se iniciado consensualmente; o tipo n\u00e3o exige forma determinada ou intensidade espec\u00edfica de resist\u00eancia da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conjun\u00e7\u00e3o carnal iniciada com consentimento foi continuada mesmo ap\u00f3s a v\u00edtima manifestar dissenso expresso. O r\u00e9u &#8220;ignorou suas s\u00faplicas e a segurou fisicamente, for\u00e7ando-a a dar continuidade \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o carnal&#8221;, segundo as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, com base na palavra da v\u00edtima, depoimentos e laudo psicol\u00f3gico. A defesa sustentou: (i) o consentimento inicial afastaria a elementar viol\u00eancia; (ii) a relativa passividade posterior da v\u00edtima descaracterizaria a resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 213<\/strong><em> (estupro: constranger algu\u00e9m mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 20<\/strong><em> (erro de tipo: ignor\u00e2ncia de elemento constitutivo do tipo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STJ, AgRg no REsp 2.105.317\/DF<\/strong><em> (tipo n\u00e3o exige forma determinada ou intensidade espec\u00edfica de resist\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O art. 213 do CP exige conjun\u00e7\u00e3o carnal ou ato libidinoso mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a. A elementar viol\u00eancia configura-se pela imposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica ao ato sexual quando a v\u00edtima a ele se op\u00f5e, expressa ou implicitamente, independentemente da forma ou intensidade da resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd O dissenso pode ser inicial (recusa desde o princ\u00edpio) ou superveniente (durante o ato). Em qualquer hip\u00f3tese, a continuidade mediante for\u00e7a f\u00edsica caracteriza a elementar. O consentimento inicial \u00e9 revog\u00e1vel a qualquer momento, e sua revoga\u00e7\u00e3o obriga o cessamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Quinta Turma firmou que o consentimento inicial <strong>n\u00e3o cria direito \u00e0 continuidade do ato sexual<\/strong>. O consentimento \u00e9 revog\u00e1vel e sua revoga\u00e7\u00e3o durante o ato imp\u00f5e ao parceiro o dever de cessar. A continua\u00e7\u00e3o mediante for\u00e7a f\u00edsica configura a elementar viol\u00eancia do art. 213 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f Sobre a forma da resist\u00eancia, o STJ j\u00e1 assentou (AgRg no REsp 2.105.317\/DF) que <strong>o tipo do art. 213 do CP n\u00e3o exige forma determinada ou intensidade espec\u00edfica de resist\u00eancia da v\u00edtima<\/strong>. Basta o dissenso, expresso ou impl\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A defesa invocava a &#8220;relativa passividade&#8221; da v\u00edtima ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o de dissenso. A Quinta Turma rejeitou: <strong>a posterior submiss\u00e3o da ofendida ao ato, \u00e0 espera de seu t\u00e9rmino ap\u00f3s internalizar que a resist\u00eancia ativa n\u00e3o impedir\u00e1 o ato, n\u00e3o exclui o crime<\/strong>. A passividade p\u00f3s-viol\u00eancia \u00e9 fato comum em delitos sexuais, n\u00e3o \u00edndice de consentimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A defesa tamb\u00e9m invocou erro de tipo (CP, art. 20), alegando que o agente teria suposto consentimento continuado. A Quinta Turma afastou: <strong>a premissa f\u00e1tica registrava categoricamente que o agente fora cientificado do dissenso e prosseguiu mediante viol\u00eancia<\/strong>. Sem d\u00favida sobre elemento do tipo, n\u00e3o h\u00e1 erro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elementar viol\u00eancia do art. 213 do CP, em conjun\u00e7\u00e3o carnal iniciada consensualmente e continuada mediante for\u00e7a f\u00edsica ap\u00f3s dissenso expresso da v\u00edtima:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) N\u00e3o se caracteriza, em raz\u00e3o do consentimento inicial ao ato sexual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Caracteriza-se, ainda que o ato tenha se iniciado consensualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Caracteriza-se se houver resist\u00eancia ativa e cont\u00ednua da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Caracteriza-se apenas se o agente confessar a percep\u00e7\u00e3o do dissenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Configura erro de tipo, pelo consentimento inicial gerar suposi\u00e7\u00e3o de continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O consentimento inicial \u00e9 revog\u00e1vel; sua revoga\u00e7\u00e3o durante o ato obriga ao cessamento. A continuidade mediante for\u00e7a f\u00edsica caracteriza a elementar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) <strong>Correta.<\/strong> O dissenso superveniente, expresso pela v\u00edtima, e a continua\u00e7\u00e3o mediante for\u00e7a f\u00edsica caracterizam a elementar viol\u00eancia do art. 213 do CP. O consentimento inicial n\u00e3o cria direito \u00e0 continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. O STJ (AgRg no REsp 2.105.317\/DF) firmou que o tipo n\u00e3o exige forma determinada ou intensidade espec\u00edfica de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A percep\u00e7\u00e3o do dissenso \u00e9 aferida pela prova; n\u00e3o exige confiss\u00e3o. No caso, inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias firmaram categoricamente essa premissa f\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. O erro de tipo exige d\u00favida sobre elemento do tipo; presente o dissenso expresso, o agente est\u00e1 ciente do elemento, afastando o art. 20 do CP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem afirmado, em casos de dissenso superveniente no curso do ato sexual, que a continuidade do ato mediante o uso de for\u00e7a f\u00edsica configura a elementar viol\u00eancia do art. 213 do C\u00f3digo Penal, ainda quando a rela\u00e7\u00e3o tenha se iniciado consensualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem concluiu pela presen\u00e7a de viol\u00eancia f\u00edsica a partir do dissenso expl\u00edcito da v\u00edtima, consignando que o acusado &#8220;ignorou suas s\u00faplicas e a segurou fisicamente, for\u00e7ando-a a dar continuidade \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o carnal&#8221;, atribuindo especial valor \u00e0 sua palavra, corroborada por depoimentos e laudo psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o STJ j\u00e1 assentou, no julgamento do AgRg no REsp 2.105.317\/DF, que o tipo do art. 213 do C\u00f3digo Penal n\u00e3o exige forma determinada ou intensidade espec\u00edfica de resist\u00eancia da v\u00edtima, bastando, implicitamente, o dissenso. Da\u00ed por que, expressamente se afirmou que &#8220;o fato de a v\u00edtima n\u00e3o ter reagido f\u00edsica ou ferozmente n\u00e3o exclui o crime&#8221;, tampouco o afasta a posterior submiss\u00e3o da ofendida ao ato, \u00e0 espera de seu t\u00e9rmino, quando demonstrada expressa discord\u00e2ncia &#8211; porquanto a relativa passividade, ap\u00f3s a internaliza\u00e7\u00e3o de que a resist\u00eancia ativa n\u00e3o impedir\u00e1 o ato, n\u00e3o \u00e9 incomum em delitos dessa natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o erro de tipo (art. 20 do CP) n\u00e3o se configura quando a premissa f\u00e1tica firmada pelo Tribunal a quo registra, de forma categ\u00f3rica, que o agente, cientificado do dissenso, prosseguiu mediante viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pena-restritiva-de-direitos-superveniente-converte-ou-suspende\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pena restritiva de direitos superveniente: converte ou suspende?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o vedadas a convers\u00e3o e a unifica\u00e7\u00e3o de penas quando o condenado j\u00e1 se encontra em cumprimento de pena privativa de liberdade <strong>e sobrev\u00e9m condena\u00e7\u00e3o substitu\u00edda por pena restritiva de direitos<\/strong>, devendo a execu\u00e7\u00e3o da pena alternativa ser suspensa at\u00e9 que se viabilize sua compatibiliza\u00e7\u00e3o com a pena corporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 1.080.161-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 13\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho cumpria pena privativa de liberdade em regime semiaberto quando sobreveio nova condena\u00e7\u00e3o por delito anterior, com pena substitu\u00edda por restritivas de direitos. O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o converteu a restritiva em privativa, sob fundamento de incompatibilidade do cumprimento simult\u00e2neo. A defesa recorreu sustentando que: (i) a convers\u00e3o exige superveni\u00eancia da privativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alternativa (CP, art. 44, \u00a7 5\u00ba), hip\u00f3tese inversa \u00e0 dos autos; (ii) violaria a coisa julgada que substituiu a pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>CP, art. 44, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba<\/strong><em> (reconvers\u00e3o de pena alternativa em privativa de liberdade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 181, \u00a7 1\u00ba, al\u00ednea e<\/strong><em> (convers\u00e3o por superveni\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena privativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>STJ, Tema 1106 (REsp 1.918.287\/MG)<\/strong><em> (limita a reconvers\u00e3o \u00e0 hip\u00f3tese de superveni\u00eancia da privativa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda A reconvers\u00e3o da pena alternativa em privativa pressup\u00f5e que a privativa seja superveniente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da alternativa (CP, art. 44, \u00a7 5\u00ba; LEP, art. 181, \u00a7 1\u00ba, e). O Tema 1106\/STJ veda a unifica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica na hip\u00f3tese inversa \u2014 quando a privativa \u00e9 anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A convers\u00e3o autom\u00e1tica nessa hip\u00f3tese inversa carece de amparo legal e viola a coisa julgada que substituiu a pena. A solu\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 suspender a execu\u00e7\u00e3o da alternativa at\u00e9 que se viabilize a compatibiliza\u00e7\u00e3o com a privativa em curso, evitando agravamento da situa\u00e7\u00e3o sentenciada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Quinta Turma firmou que o art. 44, \u00a7 5\u00ba, do CP, e o art. 181, \u00a7 1\u00ba, al\u00ednea e, da LEP, s\u00f3 autorizam a reconvers\u00e3o quando a <strong>pena privativa de liberdade \u00e9 superveniente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da alternativa<\/strong>: \u00e9 a hip\u00f3tese t\u00edpica em que o condenado, cumprindo a alternativa, recebe nova condena\u00e7\u00e3o \u00e0 privativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f No caso dos autos, a hip\u00f3tese era a inversa: <strong>a pena privativa j\u00e1 estava em execu\u00e7\u00e3o quando sobreveio a condena\u00e7\u00e3o substitu\u00edda por restritiva<\/strong>. Para essa situa\u00e7\u00e3o, o STJ no Tema 1106 (REsp 1.918.287\/MG) veda a unifica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 Aplicar a convers\u00e3o autom\u00e1tica na hip\u00f3tese inversa <strong>afrontaria a coisa julgada da senten\u00e7a substitutiva e agravaria a situa\u00e7\u00e3o do condenado fixada em senten\u00e7a transitada<\/strong>. A substitui\u00e7\u00e3o da pena j\u00e1 operada n\u00e3o pode ser desfeita por incompatibilidade superveniente entre o cumprimento simult\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A solu\u00e7\u00e3o adequada para o conflito \u00e9 a suspens\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o da pena restritiva: <strong>at\u00e9 que se torne poss\u00edvel sua compatibiliza\u00e7\u00e3o com a pena corporal em execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Encerrado o cumprimento da privativa, a alternativa retoma sua execu\u00e7\u00e3o nos termos da senten\u00e7a substitutiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a hip\u00f3tese em que o condenado cumpre pena privativa de liberdade e sobrev\u00e9m condena\u00e7\u00e3o substitu\u00edda por pena restritiva de direitos, cabe:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Convers\u00e3o da restritiva em privativa, com unifica\u00e7\u00e3o das penas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Convers\u00e3o se houver incompatibilidade de cumprimento simult\u00e2neo das penas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Execu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea da restritiva e da privativa, sem necessidade de suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Suspens\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o da pena restritiva at\u00e9 a compatibiliza\u00e7\u00e3o com a privativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Revis\u00e3o da senten\u00e7a substitutiva para readequa\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. A convers\u00e3o autom\u00e1tica viola o art. 44, \u00a7 5\u00ba, do CP (que exige privativa superveniente) e a coisa julgada da senten\u00e7a substitutiva (Tema 1106\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A incompatibilidade n\u00e3o autoriza convers\u00e3o nessa hip\u00f3tese inversa; a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 suspens\u00e3o da alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A execu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea \u00e9 f\u00e1ticamente invi\u00e1vel; configura a incompatibilidade que motiva a suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) <strong>Correta.<\/strong> O Tema 1106\/STJ veda a unifica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica quando a privativa \u00e9 anterior; a solu\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 suspender a execu\u00e7\u00e3o da pena restritiva at\u00e9 que se viabilize a compatibiliza\u00e7\u00e3o (CP, art. 44, \u00a7 5\u00ba; LEP, art. 181, \u00a7 1\u00ba, e).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Incorreta. A revis\u00e3o da senten\u00e7a n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel; a senten\u00e7a substitutiva est\u00e1 protegida pela coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se \u00e9 poss\u00edvel converter san\u00e7\u00f5es restritivas de direitos em pena privativa de liberdade, com unifica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es, quando a pena corporal j\u00e1 estava em execu\u00e7\u00e3o e a condena\u00e7\u00e3o substitu\u00edda por pena alternativa \u00e9 superveniente, havendo alegada incompatibilidade de cumprimento simult\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o apenado cumpria pena privativa de liberdade em regime semiaberto quando sobreveio nova condena\u00e7\u00e3o com substitui\u00e7\u00e3o da pena corporal por penas restritivas de direitos, hip\u00f3tese inversa \u00e0 prevista no art. 44, 5, do CP e no art. 181, 1, al\u00ednea e, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal (LEP). A respeito da controv\u00e9rsia, a tese firmada pela Terceira Se\u00e7\u00e3o desta Corte no Tema Repetitivo 1106\/STJ (REsp 1.918.287\/MG) limita a reconvers\u00e3o da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade aos casos em que a condena\u00e7\u00e3o por pena privativa de liberdade \u00e9 superveniente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da pena alternativa e n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de cumprimento simult\u00e2neo, vedando a unifica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica quando a condena\u00e7\u00e3o substitu\u00edda por pena alternativa \u00e9 superveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os arts. 44, 4 e 5, do CP, e 181, 1, al\u00ednea e, da LEP n\u00e3o autorizam a convers\u00e3o da pena restritiva de direitos quando a pena privativa de liberdade \u00e9 anterior e j\u00e1 se encontra em execu\u00e7\u00e3o, de modo que a convers\u00e3o nessa hip\u00f3tese carece de amparo legal e viola a coisa julgada, visto que agrava a situa\u00e7\u00e3o definida em senten\u00e7a condenat\u00f3ria transitada em julgado. A convers\u00e3o autom\u00e1tica de penas restritivas de direitos em privativa de liberdade, fundada apenas na alegada incompatibilidade de cumprimento simult\u00e2neo, afronta os princ\u00edpios da legalidade e da coisa julgada, raz\u00e3o pela qual, diante da superveni\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena alternativa incompat\u00edvel com a pena corporal em execu\u00e7\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 suspender a execu\u00e7\u00e3o da pena restritiva de direitos at\u00e9 que se torne poss\u00edvel sua compatibiliza\u00e7\u00e3o com a reprimenda privativa de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-arma-com-registro-vencido-de-terceiro-falecido\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Arma com registro vencido de terceiro falecido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A posse de arma de fogo com registro vencido, pertencente a terceiro falecido, configura il\u00edcito penal (Lei n\u00ba 10.826\/2003, art. 12), n\u00e3o mera irregularidade administrativa; <strong>a condi\u00e7\u00e3o de herdeiro n\u00e3o legitima a posse de arma de fogo sem regulariza\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.201.660-RS, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/5\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josefina foi denunciada pela posse de arma de fogo encontrada em sua resid\u00eancia. A arma estava registrada em nome do pai falecido em 2018; o registro encontrava-se vencido desde 2016, dois anos antes do \u00f3bito; a apreens\u00e3o ocorreu em 2023. A defesa sustentou: (i) atipicidade material por mera irregularidade administrativa; (ii) condi\u00e7\u00e3o de herdeira legitima a posse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 10.826\/2003, art. 12<\/strong><em> (posse irregular de arma de fogo de uso permitido).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udcda O STJ reconhece atipicidade material apenas quando o pr\u00f3prio propriet\u00e1rio leg\u00edtimo deixa de renovar a documenta\u00e7\u00e3o do artefato regularmente adquirido. A jurisprud\u00eancia n\u00e3o estende esse entendimento a terceiros que mant\u00eam posse de armamento alheio, ainda que na condi\u00e7\u00e3o de herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udccd A posse pelo herdeiro depende de regulariza\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria pr\u00e9via: a mera expectativa de direito heredit\u00e1rio n\u00e3o substitui o procedimento legal de transfer\u00eancia de propriedade de armamentos, exigido pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A Sexta Turma firmou duas teses aut\u00f4nomas. A primeira: <strong>a posse de arma com registro vencido pertencente a terceiro falecido configura o tipo penal do art. 12 da Lei n\u00ba 10.826\/2003<\/strong>, e n\u00e3o mera irregularidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f A jurisprud\u00eancia de atipicidade material por registro vencido tem alcance restrito: <strong>aplica-se apenas quando o pr\u00f3prio propriet\u00e1rio, que adquiriu regularmente a arma, deixa de renovar a documenta\u00e7\u00e3o<\/strong>. A situa\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 distinta: terceiro mant\u00e9m posse de arma alheia, com v\u00edcio documental anterior ao pr\u00f3prio falecimento do titular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udce3 A segunda tese tem fundamento pr\u00f3prio: <strong>a condi\u00e7\u00e3o de herdeiro n\u00e3o legitima a posse de arma de fogo sem regulariza\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria<\/strong>. A mera expectativa de direito heredit\u00e1rio n\u00e3o substitui o procedimento legal espec\u00edfico para a transfer\u00eancia de propriedade de armamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2696\ufe0f H\u00e1 ainda agravante f\u00e1tico: o registro estava vencido desde 2016, dois anos antes do \u00f3bito do titular em 2018. <strong>A irregularidade documental antecedeu a morte, afastando qualquer possibilidade de regulariza\u00e7\u00e3o post mortem<\/strong>. A herdeira n\u00e3o pode invocar continuidade de situa\u00e7\u00e3o anteriormente regular, pois essa regularidade nunca existiu nos dois anos imediatamente anteriores ao \u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a posse, por herdeiro, de arma de fogo pertencente a terceiro falecido:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Configura crime apenas se o herdeiro tivesse o dever legal de renovar o registro do falecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) N\u00e3o configura crime, pela condi\u00e7\u00e3o de herdeiro legitimar a posse at\u00e9 a partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Configura atipicidade material, pelo registro anterior equivaler a irregularidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) N\u00e3o configura crime, em raz\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 do herdeiro na guarda do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) Configura crime, pois a atipicidade material n\u00e3o alcan\u00e7a a posse de arma alheia sem regulariza\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) Incorreta. O dever de renova\u00e7\u00e3o cabia ao titular vivo; o herdeiro responde pela posse irregular ap\u00f3s o \u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) Incorreta. A mera expectativa de direito heredit\u00e1rio n\u00e3o substitui o procedimento legal de transfer\u00eancia de propriedade de armamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C) Incorreta. A atipicidade material aplica-se apenas quando o pr\u00f3prio propriet\u00e1rio deixa de renovar; n\u00e3o alcan\u00e7a posse por terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D) Incorreta. A boa-f\u00e9 do herdeiro n\u00e3o opera para afastar a tipicidade da posse irregular de armamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E) <strong>Correta.<\/strong> Duas teses do julgado: (i) a posse de arma vencida pertencente a terceiro falecido configura o art. 12 da Lei n\u00ba 10.826\/2003; (ii) a condi\u00e7\u00e3o de herdeiro n\u00e3o legitima a posse sem regulariza\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se a posse de arma de fogo com registro vencido, pertencente a terceiro falecido, configura il\u00edcito penal ou mera irregularidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 12 da Lei n. 10.826\/2003 tipifica a conduta de possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acess\u00f3rio ou muni\u00e7\u00e3o, de uso permitido, em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a arma de fogo apreendida n\u00e3o estava registrada em nome do r\u00e9u, mas, sim, de seu genitor falecido. O registro da arma encontrava-se vencido desde 2016, portanto, dois anos antes do falecimento do propriet\u00e1rio leg\u00edtimo e aproximadamente cinco anos antes da data dos fatos (maio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se trata aqui de mero descumprimento do dever de recadastramento por parte do propriet\u00e1rio leg\u00edtimo da arma, mas, sim, de posse por terceiro &#8211; ainda que herdeiro &#8211; de arma cujo registro j\u00e1 se encontrava irregular \u00e0 \u00e9poca do falecimento do titular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por oportuno, a presun\u00e7\u00e3o de conhecimento do estado de irregularidade do registro n\u00e3o se aplica \u00e0 esp\u00e9cie. Com efeito, o r\u00e9u n\u00e3o era o respons\u00e1vel legal pela manuten\u00e7\u00e3o do registro da arma nem tinha obriga\u00e7\u00e3o de proceder ao seu recadastramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o falecimento do real propriet\u00e1rio em 2018, com o registro j\u00e1 vencido desde 2016, demonstra que a irregularidade documental antecedeu a morte do titular, o que afasta qualquer possibilidade de regulariza\u00e7\u00e3o post mortem. A posse da arma pelo recorrente, nessas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o pode ser considerada mera continuidade da situa\u00e7\u00e3o anteriormente regular. A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a reconhece a atipicidade material da posse de arma com registro vencido apenas quando o pr\u00f3prio propriet\u00e1rio deixa de renovar a documenta\u00e7\u00e3o de artefato regularmente adquirido. N\u00e3o se estende tal entendimento para situa\u00e7\u00f5es em que terceiros mant\u00eam posse de armamento alheio, ainda que na condi\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis herdeiros, sem a devida regulariza\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre destacar que a mera expectativa de direito heredit\u00e1rio n\u00e3o legitima a posse de arma de fogo. O ordenamento jur\u00eddico exige procedimentos espec\u00edficos para a transfer\u00eancia de propriedade de armamentos, n\u00e3o sendo suficiente a condi\u00e7\u00e3o de herdeiro para autorizar a manuten\u00e7\u00e3o da posse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a posse de arma registrada em nome de terceiro falecido, com registro vencido, enquadra-se perfeitamente no tipo penal, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o legal para tal conduta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-1d55c420-20fc-4de8-a7ce-2dd535754a11\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/08083851\/stj_info_890.pdf\">STJ_Info_890<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/06\/08083851\/stj_info_890.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-1d55c420-20fc-4de8-a7ce-2dd535754a11\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; Pena-base: filhos \u00f3rf\u00e3os menores autorizam exaspera\u00e7\u00e3o? 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