{"id":1763000,"date":"2026-05-20T09:24:20","date_gmt":"2026-05-20T12:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1763000"},"modified":"2026-05-20T09:24:22","modified_gmt":"2026-05-20T12:24:22","slug":"informativo-stf-1215-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1215-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1215 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/20092356\/stf_info_1215.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_wEkS8uiH0A0\"><div id=\"lyte_wEkS8uiH0A0\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/wEkS8uiH0A0\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/wEkS8uiH0A0\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/wEkS8uiH0A0\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-pm-estadual-criterios-proprios-para-reserva-e-reforma-sao-constitucionais\">1.&nbsp;&nbsp; PM estadual: crit\u00e9rios pr\u00f3prios para reserva e reforma s\u00e3o constitucionais<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional norma estadual que estabelece crit\u00e9rios espec\u00edficos para a transfer\u00eancia de militares \u00e0 reserva remunerada e \u00e0 reforma, <strong>desde que respeitados os par\u00e2metros das normas gerais da legisla\u00e7\u00e3o nacional<\/strong>, no exerc\u00edcio da compet\u00eancia reconhecida pela Lei n\u00ba 13.954\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.777\/AL, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 28\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 9.381\/2024 de Alagoas fixou: (i) transfer\u00eancia autom\u00e1tica para a reserva remunerada aos 67 anos; (ii) reforma aos 72 anos; (iii) regras diferenciadas para comandante e subcomandante geral; (iv) requisitos distintos de tempo de servi\u00e7o conforme o quadro de oficiais. O PGR ajuizou ADI alegando viola\u00e7\u00e3o \u00e0 simetria federativa e ao Estatuto dos Militares (Lei n\u00ba 6.880\/1980). Pode o estado fixar idades e condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias para reserva e reforma de militares estaduais?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 42, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (militares estaduais: compet\u00eancia do estado para fixar regras de inatividade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 13.954\/2019<\/strong><em> (alterou o DL n\u00ba 667\/1969, reconhecendo compet\u00eancia estadual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 6.880\/1980<\/strong><em> (Estatuto dos Militares federais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A Lei n\u00ba 13.954\/2019 reconheceu aos estados compet\u00eancia para disciplinar o Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Social dos Militares estaduais. A simetria federativa exige apenas respeito \u00e0s <strong>normas gerais<\/strong> (condi\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social), n\u00e3o reprodu\u00e7\u00e3o id\u00eantica do regime federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o entre cargos de comandante\/subcomandante e a diferencia\u00e7\u00e3o por quadro de oficiais s\u00e3o <strong>op\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas<\/strong> do legislador estadual, compat\u00edveis com a hierarquia e disciplina militares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A CF (art. 42, \u00a7 1\u00ba) remete \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o estadual a disciplina das condi\u00e7\u00f5es de inatividade dos militares estaduais. A Lei n\u00ba 13.954\/2019 refor\u00e7ou essa compet\u00eancia ao <strong>reconhecer expressamente o espa\u00e7o normativo dos estados para disciplinar reserva, reforma e pens\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio distinguiu: a simetria federativa exige que os estados respeitem normas gerais (condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de prote\u00e7\u00e3o social), mas <strong>n\u00e3o imp\u00f5e reprodu\u00e7\u00e3o id\u00eantica do regime federal<\/strong>. Idades distintas, crit\u00e9rios de tempo de servi\u00e7o diferenciados e tratamento espec\u00edfico para cargos de comando s\u00e3o compat\u00edveis com o federalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A norma alagoana fixou 67 anos para reserva e 72 para reforma, idades diversas das previstas no Estatuto dos Militares federais. O Plen\u00e1rio entendeu que essa diferen\u00e7a <strong>\u00e9 exerc\u00edcio leg\u00edtimo da compet\u00eancia estadual<\/strong>, n\u00e3o viola\u00e7\u00e3o da simetria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para todos os estados que ajustaram seus regimes ap\u00f3s a Lei n\u00ba 13.954\/2019. <strong>O espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador estadual \u00e9 amplo<\/strong>, limitado apenas pelas normas gerais da legisla\u00e7\u00e3o nacional sobre condi\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social dos militares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a compet\u00eancia estadual para fixar crit\u00e9rios de reserva e reforma de militares estaduais:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 vedada, pois a mat\u00e9ria \u00e9 de compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Exige reprodu\u00e7\u00e3o do regime federal (Lei n\u00ba 6.880\/1980).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Limita-se ao tempo de servi\u00e7o, vedada a fixa\u00e7\u00e3o de idades distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 constitucional, desde que respeitadas as normas gerais da legisla\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de lei complementar federal autorizativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A CF (art. 42, \u00a7 1\u00ba) e a Lei n\u00ba 13.954\/2019 reconhecem compet\u00eancia estadual para a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A simetria exige respeito \u00e0s normas gerais, n\u00e3o reprodu\u00e7\u00e3o id\u00eantica do regime federal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A fixa\u00e7\u00e3o de idades distintas \u00e9 op\u00e7\u00e3o leg\u00edtima do legislador estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Os estados podem fixar crit\u00e9rios pr\u00f3prios de reserva e reforma, respeitadas as normas gerais sobre condi\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social (CF, art. 42, \u00a7 1\u00ba; Lei n\u00ba 13.954\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A compet\u00eancia decorre da CF e da Lei n\u00ba 13.954\/2019, sem necessidade de LC federal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional norma estadual que estabelece crit\u00e9rios espec\u00edficos para a transfer\u00eancia de militares \u00e0 reserva remunerada e \u00e0 reforma, desde que respeitados os par\u00e2metros m\u00ednimos da legisla\u00e7\u00e3o federal, o princ\u00edpio da razoabilidade e a hierarquia institucional, porquanto compete \u00e0 Uni\u00e3o estabelecer normas de car\u00e1ter geral sobre inatividades e pens\u00f5es das pol\u00edcias militares (CF\/1988, art. 22, XXI) e aos estados federados legislar sobre as especificidades da carreira (CF\/1988, art. 142,&nbsp; 3, X).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n 13.954\/2019, ao promover altera\u00e7\u00f5es no Decreto-Lei n 667\/1969, reconheceu aos estados membros compet\u00eancia para disciplinarem o Sistema de Prote\u00e7\u00e3o Social de seus militares e estabeleceu modelo de simetria relativa, pelo qual a lei local deve regulamentar a transfer\u00eancia para a reserva remunerada, de of\u00edcio, em raz\u00e3o de ser atingida idade limite, sob a condi\u00e7\u00e3o de observar os crit\u00e9rios et\u00e1rios m\u00ednimos aplicados aos militares federais, bem como disciplinar outros aspectos da inativa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o conflitem com o enquadramento geral, como, por exemplo, as demais hip\u00f3teses de transfer\u00eancia para a reserva remunerada e reforma.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os ajustes dos regimes jur\u00eddicos estaduais para a manuten\u00e7\u00e3o da simetria federativa, exigidos na legisla\u00e7\u00e3o nacional, abarcam apenas as normas gerais sobre as carreiras castrenses e n\u00e3o condicionam as especificidades atribu\u00eddas aos ordenamentos subnacionais. Reduzir a compet\u00eancia estadual \u00e0 pura c\u00f3pia da legisla\u00e7\u00e3o federal anularia o poder de autoadministra\u00e7\u00e3o dos estados membros, em contrariedade ao federalismo cooperativo, transformando-os em meros \u00f3rg\u00e3os administrativos da Uni\u00e3o (1).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, h\u00e1 previs\u00e3o para os militares de transfer\u00eancia autom\u00e1tica para a reserva remunerada na idade limite de 67 anos e a reforma na idade limite de 72 anos. N\u00e3o h\u00e1 invas\u00e3o da compet\u00eancia da Uni\u00e3o, uma vez que a legisla\u00e7\u00e3o nacional (Decreto-Lei n 667\/1969, art. 24-A, IV) delega aos estados a regulamenta\u00e7\u00e3o desses marcos, sob condi\u00e7\u00e3o de observar o par\u00e2metro m\u00ednimo federal. Quanto \u00e0 reforma, n\u00e3o h\u00e1 norma geral apta a limitar o escopo do preceito estadual, havendo certo grau de liberdade para os entes federados, desde que respeitados o direito adquirido e as regras de transi\u00e7\u00e3o do marco federal (Decreto-Lei n 667\/1969, arts. 24-F e 24-G).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No tocante a transfer\u00eancia imediata, de of\u00edcio, para a reserva remunerada, a distin\u00e7\u00e3o dos cargos de comandante e de subcomandante geral n\u00e3o \u00e9 estranha ao regramento castrense federal e prestigia a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura hier\u00e1rquica e da coes\u00e3o institucional dentro da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 distin\u00e7\u00e3o dos pressupostos de tempo de servi\u00e7o para a passagem \u00e0 reserva remunerada a depender do quadro de oficiais ao qual pertence o militar, o Quadro de Oficiais do Estado Maior&nbsp; QOEM (35 anos) e o Quadro de Oficiais Especialistas&nbsp; QOE (42 anos), mostra-se razo\u00e1vel diante das diferentes atribui\u00e7\u00f5es exercidas pelos integrantes de cada quadro, com impactos diversos na carreira, na hierarquia, na estrutura castrense e na din\u00e2mica de inativa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a constitucionalidade dos arts. 1 e 2 da Lei n 9.381\/2024 do Estado de Alagoas (2), que alteram a Lei estadual n 5.346\/1992 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado de Alagoas).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 42 Os membros das Pol\u00edcias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, institui\u00e7\u00f5es organizadas com base na hierarquia e disciplina, s\u00e3o militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios. (&#8230;)&nbsp; 1 Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios, al\u00e9m do que vier a ser fixado em lei, as disposi\u00e7\u00f5es do art. 14,&nbsp; 8; do art. 40,&nbsp; 9; e do art. 142,&nbsp; 2 e 3, cabendo a lei estadual espec\u00edfica dispor sobre as mat\u00e9rias do art. 142,&nbsp; 3, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores. (&#8230;) Art. 142. (&#8230;)&nbsp; 3(&#8230;) X&nbsp; a lei dispor\u00e1 sobre o ingresso nas For\u00e7as Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condi\u00e7\u00f5es de transfer\u00eancia do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remunera\u00e7\u00e3o, as prerrogativas e outras situa\u00e7\u00f5es especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por for\u00e7a de compromissos internacionais e de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Lei n 9.381\/2024 do Estado de Alagoas: Art. 1 Os dispositivos adiante indicados da Lei Estadual n 5.346, de 26 de maio de 1992, passam a vigorar com as seguintes reda\u00e7\u00f5es: I&nbsp; o inciso I do art. 51: Art. 51. A transfer\u00eancia para a reserva remunerada, ex-officio, verificar-se-\u00e1 sempre que o Policial Militar incidir nos seguintes casos: I&nbsp; atingir a idade limite de 67 (sessenta e sete) anos; (&#8230;) II&nbsp; o inciso I do art. 54: Art. 54. A reforma de que trata o artigo anterior ser\u00e1 aplicada ao Policial Militar que: I&nbsp; atingir a idade limite de 72 (setenta e dois) anos de idade; (&#8230;) Art. 2 A Lei Estadual n 5.346, de 1992, passa a vigorar acrescida dos incisos II-A, II-B e do&nbsp; 5 ao art. 51, com as seguintes reda\u00e7\u00f5es: Art. 51. A transfer\u00eancia para a reserva remunerada, ex-officio, verificar-se-\u00e1 sempre que o Policial Militar incidir nos seguintes casos: (&#8230;) II-A&nbsp; fica transferido, imediatamente, ex-officio, o Coronel QOEM (Quadro dos Oficiais do Estado Maior) que ocupar os cargos de Comandante Geral e Subcomandante Geral da Corpora\u00e7\u00e3o quando exonerado dos referidos cargos para os quais foram nomeados e j\u00e1 possu\u00edrem o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria; II-B&nbsp; fica transferido, imediatamente, ex-officio, o oficial no \u00faltimo posto do quadro QOEM que completar 35 (trinta e cinco) anos de efetivo servi\u00e7o, contados o tempo averbado, e o oficial do quadro QOE (Quadro de Oficiais Especialista) que completar 42 (quarenta e dois) anos de efetivo servi\u00e7o, contados o tempo averbado; (&#8230;)&nbsp; 5 N\u00e3o se aplica o contido no inciso II-B deste artigo, nos casos em que os oficiais ocuparem os cargos de Comandante Geral, Subcomandante Geral, Chefe da Assessoria Militar do Governador, Chefe da Assessoria Militar da Assembleia Legislativa, Chefe da Assessoria Militar do Tribunal de Justi\u00e7a e Chefe da Assessoria Militar do Tribunal de Contas, assim como n\u00e3o se aplica o contido no inciso II-A, nos casos de, se houver, renomea\u00e7\u00e3o subsequente ao ato de exonera\u00e7\u00e3o, em um dos cargos previstos neste par\u00e1grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.777\/AL, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 28.04.2026 (ter\u00e7a-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-delegados-de-policia-mora-legislativa-na-definicao-do-subsidio\">2.&nbsp; Delegados de pol\u00edcia: mora legislativa na defini\u00e7\u00e3o do subs\u00eddio?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional, por configurar mora legislativa, a aus\u00eancia de lei estadual que implemente o <strong>regime de subs\u00eddio em parcela \u00fanica para delegados de pol\u00edcia<\/strong> (CF, art. 144, \u00a7 9\u00ba), quando o estado mant\u00e9m sistema fracionado com gratifica\u00e7\u00f5es e abonos.<\/p>\n\n\n\n<p>ADO 13\/MG, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio, Red. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento finalizado em 30\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Minas Gerais n\u00e3o editou lei fixando o subs\u00eddio em parcela \u00fanica para delegados de pol\u00edcia, conforme exige o art. 144, \u00a7 9\u00ba, da CF. A remunera\u00e7\u00e3o permanecia fracionada: vencimento b\u00e1sico acrescido de gratifica\u00e7\u00f5es, abonos e vantagens pessoais. O Sindicato dos Delegados ajuizou ADO sustentando mora legislativa. O estado argumentou que a remunera\u00e7\u00e3o era adequada e que a migra\u00e7\u00e3o para subs\u00eddio dependia de estudo de impacto financeiro. A manuten\u00e7\u00e3o do sistema fracionado configura mora?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 144, \u00a7 9\u00ba (EC n\u00ba 19\/1998)<\/strong><em> (subs\u00eddio em parcela \u00fanica para delegados de pol\u00edcia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 39, \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (regime de subs\u00eddio: parcela \u00fanica, vedado acr\u00e9scimo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 144, \u00a7 9\u00ba, da CF \u00e9 norma de <strong>efic\u00e1cia limitada<\/strong> que exige lei estadual para sua implementa\u00e7\u00e3o. A omiss\u00e3o prolongada do estado, mantendo regime fracionado, configura mora legislativa inequ\u00edvoca.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio fixou prazo de <strong>24 meses<\/strong> para edi\u00e7\u00e3o da lei, sob pena de incid\u00eancia de san\u00e7\u00f5es constitucionais ao ente federativo omisso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 144, \u00a7 9\u00ba, da CF (inclu\u00eddo pela EC n\u00ba 19\/1998) determina que a remunera\u00e7\u00e3o dos delegados de pol\u00edcia ser\u00e1 fixada em parcela \u00fanica (subs\u00eddio), vedado acr\u00e9scimo de gratifica\u00e7\u00f5es e vantagens. <strong>A norma exige lei regulamentadora que o estado de MG n\u00e3o editou em mais de 25 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A mora legislativa \u00e9 inequ\u00edvoca: mant\u00e9m-se o regime fracionado (vencimento + gratifica\u00e7\u00f5es), <strong>frustrando o mandamento constitucional de parcela \u00fanica<\/strong>. A aus\u00eancia de lei n\u00e3o \u00e9 mero atraso, mas descumprimento material da CF.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Plen\u00e1rio reconheceu a omiss\u00e3o e fixou <strong>prazo de 24 meses para que MG edite a lei implementando o subs\u00eddio<\/strong>. Enquanto n\u00e3o editada, o sistema fracionado subsiste de fato, mas est\u00e1 formalmente em mora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para diversos estados que ainda n\u00e3o migraram para o subs\u00eddio. <strong>O mandamento constitucional n\u00e3o \u00e9 optativo: o art. 144, \u00a7 9\u00ba, imp\u00f5e o subs\u00eddio<\/strong>, e a aus\u00eancia de lei \u00e9 omiss\u00e3o inconstitucional pass\u00edvel de ADO.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Julgue o item a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p><br \/>A manuten\u00e7\u00e3o, por estado membro, de regime remunerat\u00f3rio fracionado para delegados de pol\u00edcia, com vencimento b\u00e1sico acrescido de gratifica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o configura mora legislativa, pois a implementa\u00e7\u00e3o do subs\u00eddio depende de estudo de impacto financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Errado<\/strong>. O art. 144, \u00a7 9\u00ba, da CF imp\u00f5e o subs\u00eddio em parcela \u00fanica para delegados de pol\u00edcia. A aus\u00eancia de lei estadual implementadora, ap\u00f3s mais de 25 anos da EC n\u00ba 19\/1998, configura mora legislativa inequ\u00edvoca, independentemente de estudo de impacto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional, por configurar mora legislativa inequ\u00edvoca e violar os princ\u00edpios da transpar\u00eancia, racionalidade administrativa e uniformidade remunerat\u00f3ria, a omiss\u00e3o estadual quanto \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do regime de remunera\u00e7\u00e3o por subs\u00eddio para os delegados de pol\u00edcia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, discute-se a aus\u00eancia de edi\u00e7\u00e3o, pelo Estado de Minas Gerais, de lei apta a conferir efetividade ao art. 144,&nbsp; 9, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. A controv\u00e9rsia concentra-se, especialmente, na situa\u00e7\u00e3o dos delegados de pol\u00edcia, diante da persistente in\u00e9rcia estatal, desde a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, em instituir o regime de remunera\u00e7\u00e3o por subs\u00eddio para a categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aus\u00eancia de norma espec\u00edfica fere o mandamento constitucional que determina a fixa\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o em parcela \u00fanica, vedado o acr\u00e9scimo de gratifica\u00e7\u00f5es, abonos, pr\u00eamios ou outras esp\u00e9cies remunerat\u00f3rias, ressalvadas exclusivamente as verbas de natureza indenizat\u00f3ria (CF\/1988, art. 39,&nbsp; 4, e art. 144,&nbsp; 9). Ademais, a mora legislativa na implementa\u00e7\u00e3o do regime de subs\u00eddio favorece a multiplica\u00e7\u00e3o de verbas acess\u00f3rias, com impactos relevantes na gest\u00e3o fiscal, compromete a transpar\u00eancia e o controle do sistema remunerat\u00f3rio, bem como estimula a consolida\u00e7\u00e3o de um regime h\u00edbrido e fragmentado apto a gerar inseguran\u00e7a jur\u00eddica e despesas imprevistas ao er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente o pedido para reconhecer a omiss\u00e3o do Estado de Minas Gerais na elabora\u00e7\u00e3o de lei destinada ao cumprimento do art. 144,&nbsp; 9, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Na mesma assentada, fixou o prazo de 24 meses, contados a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, para a supera\u00e7\u00e3o da omiss\u00e3o, consideradas a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e limita\u00e7\u00f5es inerentes ao processo legislativo em ano eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADO 13\/MG, relator Ministro Marco Aur\u00e9lio, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Cristiano Zanin, julgamento finalizado em 30.04.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-advocacia-publica-inscricao-na-oab-e-obrigatoria-para-o-exercicio\">3.&nbsp; Advocacia p\u00fablica: inscri\u00e7\u00e3o na OAB \u00e9 obrigat\u00f3ria para o exerc\u00edcio<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil \u00e9 <strong>condi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da atividade de advogado p\u00fablico<\/strong>, por for\u00e7a do art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba, do Estatuto da Advocacia (Lei n\u00ba 8.906\/1994), n\u00e3o havendo incompatibilidade com a CF.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 609.517\/RO, Rel. Min. Cristiano Zanin, Red. Min. Edson Fachin, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento finalizado em 30\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Procuradores do estado de Rond\u00f4nia questionaram a exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o na OAB como condi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da advocacia p\u00fablica, sustentando que: (i) a investidura por concurso p\u00fablico j\u00e1 habilitaria ao exerc\u00edcio; (ii) a exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o configuraria indevida subordina\u00e7\u00e3o de carreira de Estado a entidade privada (OAB). A exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o na OAB para advogados p\u00fablicos \u00e9 constitucional?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.906\/1994, art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (exerc\u00edcio da advocacia: inscri\u00e7\u00e3o na OAB).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 132<\/strong><em> (Procuradoria-Geral dos Estados: carreira e ingresso por concurso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A CF (art. 132) regula o ingresso na carreira (concurso p\u00fablico), mas n\u00e3o afasta a exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o na OAB para o exerc\u00edcio da atividade. S\u00e3o <strong>requisitos distintos<\/strong>: o concurso habilita ao cargo; a inscri\u00e7\u00e3o habilita \u00e0 profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Estatuto da Advocacia (art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba) <strong>n\u00e3o distingue<\/strong> entre advocacia privada e p\u00fablica: ambas exigem inscri\u00e7\u00e3o. A aprova\u00e7\u00e3o em concurso p\u00fablico n\u00e3o substitui a habilita\u00e7\u00e3o profissional perante a OAB.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 8.906\/1994 exige inscri\u00e7\u00e3o na OAB para o exerc\u00edcio da advocacia. O Plen\u00e1rio entendeu que essa exig\u00eancia \u00e9 <strong>plenamente aplic\u00e1vel aos advogados p\u00fablicos<\/strong>, sem que a investidura por concurso a substitua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 entre habilita\u00e7\u00e3o funcional (concurso p\u00fablico) e habilita\u00e7\u00e3o profissional (inscri\u00e7\u00e3o na OAB). <strong>A primeira \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o cargo; a segunda \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a profiss\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o camadas independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O argumento de subordina\u00e7\u00e3o a entidade privada n\u00e3o prosperou: a OAB tem natureza aut\u00e1rquica sui generis (ADI 3.026) e exerce <strong>fun\u00e7\u00e3o constitucional de regula\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de advogado<\/strong>, abrangendo tanto a advocacia privada quanto a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o afeta milhares de advogados p\u00fablicos em todo o pa\u00eds. <strong>A consequ\u00eancia pr\u00e1tica \u00e9 que a inscri\u00e7\u00e3o na OAB \u00e9 requisito cumulativo com o concurso<\/strong>: o candidato aprovado que n\u00e3o se inscrever n\u00e3o pode exercer as atribui\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o na OAB para o exerc\u00edcio da advocacia p\u00fablica:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 dispensada pela aprova\u00e7\u00e3o em concurso p\u00fablico para o cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Configura subordina\u00e7\u00e3o da carreira de Estado a entidade privada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Aplica-se apenas \u00e0 advocacia privada, n\u00e3o \u00e0 p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Viola a autonomia funcional dos procuradores estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 constitucional, por ser condi\u00e7\u00e3o profissional distinta da funcional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O concurso \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o cargo; a inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a profiss\u00e3o. S\u00e3o cumulativos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A OAB tem natureza aut\u00e1rquica sui generis (ADI 3.026) e exerce fun\u00e7\u00e3o constitucional de regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O Estatuto da Advocacia (art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba) n\u00e3o distingue entre advocacia privada e p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o n\u00e3o afeta a autonomia funcional; refere-se \u00e0 habilita\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A inscri\u00e7\u00e3o na OAB \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de advogado, inclusive p\u00fablico, e n\u00e3o se confunde com a investidura no cargo por concurso (Lei n\u00ba 8.906\/1994, art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Tese fixada<\/strong>: A inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nos termos do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei n 8.906\/94), \u00e9 indispens\u00e1vel aos advogados p\u00fablicos, ficando garantida a submiss\u00e3o desses profissionais, quando atuam em tal qualidade, exclusivamente ao poder disciplinar do \u00f3rg\u00e3o correicional competente, nos termos de seu regime jur\u00eddico pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional a exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), prevista na Lei n 8.906\/94, para os advogados p\u00fablicos, pois a Constitui\u00e7\u00e3o Federal n\u00e3o estabelece distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica entre a advocacia p\u00fablica e a privada, tratando-as como uma carreira \u00fanica e essencial \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a (CF\/1988, art. 133).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A fun\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 Justi\u00e7a da advocacia \u00e9 una e indivis\u00edvel, n\u00e3o comportando fragmenta\u00e7\u00e3o em categorias profissionais distintas com base no v\u00ednculo (p\u00fablico ou privado) do profissional. O constituinte de 1988 conferiu a ambas as atividades o mesmo status profissional e as localizou na mesma se\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica da Constitui\u00e7\u00e3o (Cap\u00edtulo IV), indicando que o exerc\u00edcio do cargo de advogado p\u00fablico pressup\u00f5e o cumprimento dos deveres \u00e9tico-profissionais fiscalizados pela OAB.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De forma diversa do decidido no Tema 1.074 (relativo aos Defensores P\u00fablicos), a Advocacia P\u00fablica n\u00e3o possui uma veda\u00e7\u00e3o constitucional absoluta ao exerc\u00edcio da advocacia privada (salvo restri\u00e7\u00f5es em leis espec\u00edficas), nem uma estrutura aut\u00f4noma que dispense a inscri\u00e7\u00e3o na Ordem para a obten\u00e7\u00e3o de capacidade postulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o ao regime disciplinar, a advocacia p\u00fablica se submete ao regime jur\u00eddico pr\u00f3prio que regula a mat\u00e9ria atinente a infra\u00e7\u00f5es e san\u00e7\u00f5es, sujeitando-se os advogados p\u00fablicos aos \u00f3rg\u00e3os correcionais respectivos de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00e2mbito estadual e municipal, de acordo com a lei de reg\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel ao advogado exercer advocacia p\u00fablica n\u00e3o exclusiva, podendo advogar tamb\u00e9m no \u00e2mbito privado, desde que n\u00e3o seja contra o ente p\u00fablico que ele defende. Nesse caso, o advogado ser\u00e1 submetido ao poder disciplinar da OAB.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o Tema 936 da repercuss\u00e3o geral, deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio para reconhecer a constitucionalidade da exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o nos quadros da OAB tamb\u00e9m para os advogados p\u00fablicos, ainda que em regula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de suas carreiras, e fixou a tese anteriormente citada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; RE 609.517\/RO, relator Ministro Cristiano Zanin, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Edson Fachin, julgamento finalizado em 30.04.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-mp-custas-e-honorarios-quando-vencido-devidos\">4. MP: custas e honor\u00e1rios quando vencido? Devidos<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os membros e \u00f3rg\u00e3os do Minist\u00e9rio P\u00fablico <strong>est\u00e3o sujeitos ao pagamento de custas processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios de sucumb\u00eancia<\/strong> quando vencidos, nos termos do CPC e da legisla\u00e7\u00e3o processual, sem distin\u00e7\u00e3o entre atua\u00e7\u00e3o como parte ou custos legis.<\/p>\n\n\n\n<p>ARE 1.524.619\/SP (Tema 1.382 RG) e ACO 1.560 AgR-terceiro\/MS, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento finalizado em 29\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O MP do estado de S\u00e3o Paulo foi condenado em honor\u00e1rios ao sucumbir em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica. Recorreu ao STF sustentando que: (i) goza de isen\u00e7\u00e3o de custas por for\u00e7a do art. 128, \u00a7 5\u00ba, II, &#8220;a&#8221;, da CF; (ii) a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios comprometeria a independ\u00eancia funcional. O MP quando vencido deve pagar custas e honor\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 128, \u00a7 5\u00ba, II, &#8220;a&#8221;<\/strong><em> (veda\u00e7\u00f5es ao MP: advocacia, com\u00e9rcio, participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 85<\/strong><em> (honor\u00e1rios advocat\u00edcios de sucumb\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 82, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (MP: responsabilidade por despesas quando vencido).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A CF <strong>n\u00e3o prev\u00ea isen\u00e7\u00e3o<\/strong> de custas para o MP. O art. 128, \u00a7 5\u00ba, II, &#8220;a&#8221;, trata de veda\u00e7\u00f5es funcionais (advocacia, com\u00e9rcio), n\u00e3o de isen\u00e7\u00e3o processual. O CPC (art. 82, \u00a7 2\u00ba) \u00e9 expresso: &#8220;quando vencido, o MP ser\u00e1 condenado ao pagamento das despesas processuais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio fixou tese em repercuss\u00e3o geral (Tema 1.382): a condena\u00e7\u00e3o em custas e honor\u00e1rios quando vencido decorre do princ\u00edpio da causalidade e da isonomia processual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Plen\u00e1rio analisou a quest\u00e3o sob dupla perspectiva: custas e honor\u00e1rios. Quanto \u00e0s custas, <strong>o CPC (art. 82, \u00a7 2\u00ba) \u00e9 expresso ao prever a condena\u00e7\u00e3o do MP quando vencido<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 norma constitucional que o isente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Quanto aos honor\u00e1rios, o art. 85 do CPC aplica-se a todas as partes, inclusive ao MP. <strong>A independ\u00eancia funcional n\u00e3o \u00e9 comprometida pela condena\u00e7\u00e3o em sucumb\u00eancia<\/strong>: trata-se de consequ\u00eancia processual objetiva, n\u00e3o de san\u00e7\u00e3o \u00e0 atua\u00e7\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O argumento de que a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios &#8220;inibiria&#8221; a atua\u00e7\u00e3o do MP foi rejeitado. <strong>O princ\u00edpio da causalidade imp\u00f5e que quem deu causa ao processo arque com os \u00f4nus<\/strong>. A isonomia processual veda tratamento privilegiado sem base constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio fixou tese vinculante (Tema 1.382 RG): <strong>o MP est\u00e1 sujeito ao pagamento de custas e honor\u00e1rios quando vencido<\/strong>, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o processual. A decis\u00e3o encerra controv\u00e9rsia que gerava tratamento desigual em diversos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao art. 82, \u00a7 2\u00ba, do CPC, que prev\u00ea a condena\u00e7\u00e3o do MP em despesas processuais quando vencido:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O MP \u00e9 isento de custas por for\u00e7a da CF (art. 128, \u00a7 5\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>B) O MP est\u00e1 sujeito a custas e honor\u00e1rios quando vencido.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O MP est\u00e1 sujeito apenas a custas, n\u00e3o a honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O MP est\u00e1 sujeito apenas quando atua como parte, n\u00e3o como custos legis.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A condena\u00e7\u00e3o depende de comprova\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 na atua\u00e7\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 128, \u00a7 5\u00ba, da CF trata de veda\u00e7\u00f5es funcionais, n\u00e3o de isen\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O CPC (arts. 82, \u00a7 2\u00ba, e 85) \u00e9 expresso; o Plen\u00e1rio fixou tese vinculante (Tema 1.382 RG) no sentido da condena\u00e7\u00e3o em custas e honor\u00e1rios quando o MP \u00e9 vencido.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O Plen\u00e1rio fixou a condena\u00e7\u00e3o tanto em custas quanto em honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A distin\u00e7\u00e3o entre parte e custos legis n\u00e3o afasta a incid\u00eancia do art. 82, \u00a7 2\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A condena\u00e7\u00e3o decorre da causalidade e da sucumb\u00eancia, n\u00e3o da m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Teses fixada<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. O Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 institui\u00e7\u00e3o permanente, essencial \u00e0 fun\u00e7\u00e3o jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jur\u00eddica, do regime democr\u00e1tico e dos interesses sociais e individuais indispon\u00edveis, n\u00e3o sendo poss\u00edvel sua condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de despesas processuais e honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia, sob pena de ferimento \u00e0 sua independ\u00eancia e autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Quando houver necessidade de arcar com encargos financeiros relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de prova pericial requerida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, o custeio dever\u00e1 ser suportado pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial, mediante suas dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias pr\u00f3prias (art. 127, \u00a7 3\u00ba, CF), observado o regime do art. 91 do C\u00f3digo de Processo Civil, inclusive quanto \u00e0 possibilidade de adiantamento havendo previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria ou de pagamento diferido nos termos legais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o pode ser condenado a pagar custas processuais e honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia quando for derrotado em a\u00e7\u00f5es judiciais, mas deve custear gastos relacionados \u00e0s per\u00edcias por ele requeridas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Minist\u00e9rio P\u00fablico possui autonomia funcional, administrativa e financeira (1). Nesse contexto, submeter a institui\u00e7\u00e3o ao pagamento de custas e honor\u00e1rios poderia comprometer sua atua\u00e7\u00e3o, pois a falta de recursos or\u00e7ament\u00e1rios para esses fins impediria o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es importantes na defesa da ordem jur\u00eddica, do regime democr\u00e1tico e dos interesses sociais e individuais indispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, por uma quest\u00e3o de l\u00f3gica processual, se o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o pode receber tais verbas quando vence (2), tamb\u00e9m n\u00e3o deveria ser obrigado a pag\u00e1-las quando vencido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, o Minist\u00e9rio P\u00fablico deve custear as per\u00edcias por ele requeridas, nos termos do regime espec\u00edfico estabelecido pelo art. 91 do CPC\/2015 (3) a fim de desestimular demandas fr\u00edvolas, obrigando o \u00f3rg\u00e3o a verificar a viabilidade or\u00e7ament\u00e1ria antes de requerer a per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.382 da repercuss\u00e3o geral, deu provimento ao ARE 1.524.619 para afastar a condena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico ao pagamento de custas e despesas processuais, bem como honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia, e fixou a tese anteriormente citada. Al\u00e9m disso, por maioria, indeferiu o pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o formulado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal na ACO 1.560 e reiterou o entendimento de que o Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 respons\u00e1vel pelo pagamento dos honor\u00e1rios periciais da per\u00edcia por ele requerida, nos termos do art. 91 do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 127. (&#8230;)&nbsp; 2 Ao Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a cria\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o de seus cargos e servi\u00e7os auxiliares, provendo-os por concurso p\u00fablico de provas ou de provas e t\u00edtulos, a pol\u00edtica remunerat\u00f3ria e os planos de carreira; a lei dispor\u00e1 sobre sua organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento.&nbsp; 3 O Minist\u00e9rio P\u00fablico elaborar\u00e1 sua proposta or\u00e7ament\u00e1ria dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CF\/1988: Art. 128. (&#8230;)&nbsp; 5 Leis complementares da Uni\u00e3o e dos Estados, cuja iniciativa \u00e9 facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecer\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o, as atribui\u00e7\u00f5es e o estatuto de cada Minist\u00e9rio P\u00fablico, observadas, relativamente a seus membros: (&#8230;) II &#8211; as seguintes veda\u00e7\u00f5es: a) receber, a qualquer t\u00edtulo e sob qualquer pretexto, honor\u00e1rios, percentagens ou custas processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) CPC\/2015: Art. 91. As despesas dos atos processuais praticados a requerimento da Fazenda P\u00fablica, do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou da Defensoria P\u00fablica ser\u00e3o pagas ao final pelo vencido.&nbsp; 1 As per\u00edcias requeridas pela Fazenda P\u00fablica, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ou pela Defensoria P\u00fablica poder\u00e3o ser realizadas por entidade p\u00fablica ou, havendo previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, ter os valores adiantados por aquele que requerer a prova.&nbsp; 2 N\u00e3o havendo previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria no exerc\u00edcio financeiro para adiantamento dos honor\u00e1rios periciais, eles ser\u00e3o pagos no exerc\u00edcio seguinte ou ao final, pelo vencido, caso o processo se encerre antes do adiantamento a ser feito pelo ente p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ARE 1.524.619\/SP, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 29.04.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ACO 1.560 AgR-terceiro\/MS, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento finalizado em 29.04.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-desoneracao-fiscal-sem-estimativa-de-impacto-orcamentario-inconstitucional\">5.&nbsp; Desonera\u00e7\u00e3o fiscal: sem estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio? Inconstitucional<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional a prorroga\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais e a redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria <strong>sem a pr\u00e9via estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro exigida pelo art. 113 do ADCT<\/strong> (inclu\u00eddo pela EC n\u00ba 95\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.633\/DF, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento finalizado em 30\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 14.784\/2023 prorrogou a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento (contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal) para 17 setores da economia e manteve a al\u00edquota reduzida do INSS para munic\u00edpios de at\u00e9 156 mil habitantes, sem apresentar a estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro exigida pelo art. 113 do ADCT. O governo federal ajuizou ADI. A aus\u00eancia de estimativa formal de impacto torna inconstitucional a lei de desonera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 113 (EC n\u00ba 95\/2016)<\/strong><em> (obrigatoriedade de estimativa de impacto para proposi\u00e7\u00f5es que reduzam receita).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LRF (LC n\u00ba 101\/2000), art. 14<\/strong><em> (ren\u00fancia de receita: estimativa de impacto e medidas compensat\u00f3rias).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 14.784\/2023<\/strong><em> (prorroga\u00e7\u00e3o da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 113 do ADCT \u00e9 norma de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria no processo legislativo: toda proposi\u00e7\u00e3o que crie ou altere despesa obrigat\u00f3ria ou reduza receita deve ser acompanhada de estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro. A exig\u00eancia \u00e9 <strong>formal e procedimental<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento reduz a arrecada\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria em bilh\u00f5es de reais anuais. A aus\u00eancia de estimativa impede que o Congresso avalie a <strong>sustentabilidade fiscal<\/strong> da medida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 113 do ADCT (EC n\u00ba 95\/2016) exige que toda proposi\u00e7\u00e3o legislativa que implique ren\u00fancia de receita seja acompanhada de estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro. A exig\u00eancia \u00e9 <strong>pressuposto formal de validade do processo legislativo<\/strong>, n\u00e3o mera recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento substitui a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal (20% sobre a folha) por al\u00edquota sobre receita bruta (1% a 4,5%). <strong>A ren\u00fancia de receita \u00e9 expressiva e mensur\u00e1vel<\/strong>, tornando a estimativa de impacto n\u00e3o apenas obrigat\u00f3ria, mas essencial para a decis\u00e3o legislativa informada.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Plen\u00e1rio declarou a inconstitucionalidade integral da Lei n\u00ba 14.784\/2023 por v\u00edcio formal. <strong>A aus\u00eancia de estimativa contamina toda a lei<\/strong>, independentemente do m\u00e9rito da pol\u00edtica de desonera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o modulou efeitos para preservar a desonera\u00e7\u00e3o j\u00e1 concedida at\u00e9 a data do julgamento. <strong>A inconstitucionalidade opera prospectivamente<\/strong>: as empresas que se beneficiaram da desonera\u00e7\u00e3o at\u00e9 o julgamento n\u00e3o ser\u00e3o obrigadas a recolher retroativamente a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro para leis de desonera\u00e7\u00e3o fiscal:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 recomenda\u00e7\u00e3o, sem for\u00e7a vinculante sobre o processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Aplica-se a projetos de iniciativa do Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 pressuposto formal de validade, cuja aus\u00eancia gera inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Aplica-se a desonera\u00e7\u00f5es superiores a R$ 1 bilh\u00e3o anual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pode ser suprida por nota t\u00e9cnica posterior \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Trata-se de norma cogente, cuja inobserv\u00e2ncia gera v\u00edcio formal de inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A exig\u00eancia aplica-se a toda proposi\u00e7\u00e3o legislativa que reduza receita, independentemente da iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> O art. 113 do ADCT \u00e9 pressuposto formal do processo legislativo; a aus\u00eancia de estimativa contamina a lei por v\u00edcio formal (ADI 7.633\/DF).<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O art. 113 do ADCT n\u00e3o fixa valor m\u00ednimo; aplica-se a toda ren\u00fancia de receita.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A estimativa deve acompanhar a proposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser produzida posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional a prorroga\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais e a redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sem a pr\u00e9via estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro e a indica\u00e7\u00e3o das respectivas medidas de compensa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, os dispositivos impugnados ampliavam a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos para 17 setores da economia e reduziam para 8% a al\u00edquota da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria de munic\u00edpios de pequeno e m\u00e9dio porte. O Poder Executivo sustentou a inconstitucionalidade da norma, ao argumento de que o Congresso Nacional n\u00e3o apresentou as estimativas de impacto financeiro exigidas para a aprova\u00e7\u00e3o da despesa ou da ren\u00fancia de receita.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A validade de normas que veiculam novas despesas ou ren\u00fancia de receita para a Seguridade Social condiciona-se ao cumprimento dos requisitos de responsabilidade fiscal previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e no art. 113 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias (ADCT) (1), que integra o devido processo legislativo em mat\u00e9ria financeira (2). Nesse contexto, o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas e a sustentabilidade or\u00e7ament\u00e1ria imp\u00f5em ao legislador o dever de transpar\u00eancia, consistente na demonstra\u00e7\u00e3o de como a perda de arrecada\u00e7\u00e3o ser\u00e1 suprida, de modo a n\u00e3o comprometer o or\u00e7amento da Uni\u00e3o, bem como a continuidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, conciliando o Estado de bem-estar social com um regime fiscal equilibrado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, tornou definitiva a medida cautelar e, ao julgar parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o, declarou a inconstitucionalidade dos arts. 1, 2, 4 e 5 da Lei n 14.784\/2023, sem pron\u00fancia de nulidade, preservando as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e os benef\u00edcios concedidos durante sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) ADCT: Art. 113. A proposi\u00e7\u00e3o legislativa que crie ou altere despesa obrigat\u00f3ria ou ren\u00fancia de receita dever\u00e1 ser acompanhada da estimativa do seu impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2)Precedente citado: ADI 6.303.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.633\/DF, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento finalizado em 30.04.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-ea5bf3a9-1e34-442c-9592-7b7b7b8dbeb6\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/20092356\/stf_info_1215.pdf\">STF_Info_1215<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/20092356\/stf_info_1215.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-ea5bf3a9-1e34-442c-9592-7b7b7b8dbeb6\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp; PM estadual: crit\u00e9rios pr\u00f3prios para reserva e reforma s\u00e3o constitucionais Destaque \u00c9 constitucional norma estadual que estabelece crit\u00e9rios espec\u00edficos para a transfer\u00eancia de militares \u00e0 reserva remunerada e \u00e0 reforma, desde que respeitados os par\u00e2metros das normas gerais da legisla\u00e7\u00e3o nacional, no exerc\u00edcio da compet\u00eancia reconhecida pela Lei n\u00ba 13.954\/2019. 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