{"id":1762460,"date":"2026-05-18T09:18:52","date_gmt":"2026-05-18T12:18:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1762460"},"modified":"2026-05-18T09:18:54","modified_gmt":"2026-05-18T12:18:54","slug":"informativo-stj-887-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-887-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 887 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/18091721\/stj_info_887.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_ZMPJwOA2MCA\"><div id=\"lyte_ZMPJwOA2MCA\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/ZMPJwOA2MCA\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/ZMPJwOA2MCA\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/ZMPJwOA2MCA\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-sucessao-da-uniao-em-sem-natureza-privada-do-contrato-preservada\">1.&nbsp;&nbsp; Sucess\u00e3o da Uni\u00e3o em SEM: natureza privada do contrato preservada<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sucess\u00e3o da Uni\u00e3o em sociedade de economia mista extinta <strong>n\u00e3o altera a natureza jur\u00eddica do contrato originalmente firmado<\/strong>, sendo inaplic\u00e1vel o regime de direito p\u00fablico, com aplica\u00e7\u00e3o da Taxa Selic aos juros morat\u00f3rios (art. 1\u00ba-F da Lei n\u00ba 9.494\/1997), \u00e0s rela\u00e7\u00f5es contratuais privadas preexistentes.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.162.500-RJ, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Ferrovia do A\u00e7o Empreendimentos Ltda. contratou com a Rede Ferrovi\u00e1ria Federal S\/A (RFFSA) a execu\u00e7\u00e3o de obras da &#8220;Ferrovia do A\u00e7o&#8221;. Ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o da RFFSA pela MP n\u00ba 353\/2007, a Uni\u00e3o a sucedeu. Na liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento, a Uni\u00e3o pleiteou a aplica\u00e7\u00e3o da Taxa Selic (art. 1\u00ba-F da Lei n\u00ba 9.494\/1997) aos juros morat\u00f3rios. A empresa sustentou que o contrato era privado e que a sucess\u00e3o n\u00e3o transmudava a natureza da rela\u00e7\u00e3o. A sucess\u00e3o da Uni\u00e3o transforma o contrato privado em p\u00fablico?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.494\/1997, art. 1\u00ba-F (reda\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 11.960\/2009)<\/strong><em> (\u00edndices de corre\u00e7\u00e3o para a Fazenda P\u00fablica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>MP n\u00ba 353\/2007<\/strong><em> (extin\u00e7\u00e3o da RFFSA e sucess\u00e3o pela Uni\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A RFFSA era sociedade de economia mista (direito privado). Os contratos por ela firmados seguiam o regime privado. A sucess\u00e3o pela Uni\u00e3o n\u00e3o transforma a natureza dessas rela\u00e7\u00f5es: o regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel \u00e9 o vigente \u00e0 \u00e9poca da celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A inaplicabilidade do art. 1\u00ba-F implica que os juros e a corre\u00e7\u00e3o seguem os <strong>\u00edndices contratuais<\/strong> ou legais aplic\u00e1veis \u00e0s rela\u00e7\u00f5es privadas, n\u00e3o o regime da Fazenda P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A extin\u00e7\u00e3o da RFFSA transferiu \u00e0 Uni\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o de parte nos contratos vigentes. A Primeira Turma reafirmou que essa transfer\u00eancia \u00e9 de <strong>posi\u00e7\u00e3o processual e obrigacional, sem altera\u00e7\u00e3o da natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica subjacente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 1\u00ba-F da Lei n\u00ba 9.494\/1997 aplica-se a condena\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica. Contudo, a rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria era entre dois entes privados (empresa e SEM). <strong>A mera altera\u00e7\u00e3o subjetiva do polo passivo n\u00e3o converte o contrato privado em p\u00fablico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o preserva a seguran\u00e7a jur\u00eddica contratual: <strong>quem contratou com SEM sob regime privado n\u00e3o pode ter sua posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica alterada pela extin\u00e7\u00e3o do ente<\/strong>. Os indexadores pactuados ou legalmente aplic\u00e1veis \u00e0s rela\u00e7\u00f5es privadas subsistem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O impacto \u00e9 direto em milhares de contratos celebrados pela RFFSA antes da extin\u00e7\u00e3o. <strong>O regime de precat\u00f3rios tamb\u00e9m n\u00e3o se aplica a essas obriga\u00e7\u00f5es<\/strong>, pois a rela\u00e7\u00e3o permanece privada, independentemente de a Uni\u00e3o figurar como sucessora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a sucess\u00e3o da Uni\u00e3o em contratos firmados por sociedade de economia mista extinta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Os juros passam a seguir o art. 1\u00ba-F da Lei n\u00ba 9.494\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A rela\u00e7\u00e3o contratual converte-se em regime de direito p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O pagamento submete-se ao regime de precat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A natureza privada do contrato \u00e9 preservada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A compet\u00eancia desloca-se para a Justi\u00e7a Federal diante da altera\u00e7\u00e3o do regime contratual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 1\u00ba-F aplica-se a condena\u00e7\u00f5es da Fazenda P\u00fablica, n\u00e3o a contratos privados preexistentes.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A sucess\u00e3o altera o polo subjetivo, n\u00e3o a natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Obriga\u00e7\u00f5es decorrentes de contratos privados n\u00e3o se submetem a precat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A sucess\u00e3o da Uni\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o da RFFSA n\u00e3o transmuda a natureza do contrato privado; os indexadores e o regime obrigacional permanecem os da rela\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pegadinha. A compet\u00eancia desloca-se para a JF (presen\u00e7a da Uni\u00e3o), mas o regime jur\u00eddico material permanece privado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cuida-se, na origem, de agravo de instrumento interposto pela Uni\u00e3o contra decis\u00e3o que, no bojo da liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento homologou c\u00e1lculos periciais em favor de determinada empresa. O processo principal foi proposto pela referida sociedade objetivando rescindir contrato com a Rede Ferrovi\u00e1ria Federal S\/A (RFFSA) para obras da &#8220;Ferrovia do A\u00e7o&#8221; e indeniza\u00e7\u00e3o por danos da paralisa\u00e7\u00e3o, sendo determinada a liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com a extin\u00e7\u00e3o da RFFSA pela MP n. 353\/2007 e a sucess\u00e3o pela Uni\u00e3o, os autos foram remetidos \u00e0 Justi\u00e7a Federal, que anulou apenas os atos da liquida\u00e7\u00e3o do Tribunal estadual, preservando o t\u00edtulo e a prova produzida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em nova liquida\u00e7\u00e3o, quanto aos juros, a Uni\u00e3o requereu Taxa Selic de 01\/2003 a 06\/2009, sem cumula\u00e7\u00e3o. A empresa, por sua vez, pretendeu 1% ao m\u00eas de 01\/2003 a 08\/2018. O perito adotou juros de mora de 0,5% ao m\u00eas at\u00e9 10\/01\/2003; juros de mora de 1% ao m\u00eas a partir de 11\/01\/2003; e, desde 30\/06\/2009, juros de mora nos mesmos moldes da poupan\u00e7a, conforme a Tabela da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, fixou-se que a Uni\u00e3o, como sucessora da RFFSA, mant\u00e9m prerrogativas de Fazenda P\u00fablica, aplicando-se o regime de Direito P\u00fablico (art. 1-F da Lei n. 9.494\/1997, reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 11.960\/2009), afastando indexadores contratuais. Assim, reformou-se parcialmente a decis\u00e3o para aplicar a Taxa Selic, sem cumula\u00e7\u00e3o, de janeiro\/2003 a junho\/2009 nos juros morat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante desse cen\u00e1rio, verifica-se que o ac\u00f3rd\u00e3o de origem encontra-se em disson\u00e2ncia com a orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no sentido de n\u00e3o haver altera\u00e7\u00e3o da natureza jur\u00eddica do contrato firmado entre a RFFSA e a outra parte, em virtude da sucess\u00e3o da RFFSA pela Uni\u00e3o. Desse modo, inaplic\u00e1vel o art. 1-F da Lei n. 9.494\/1997, com reda\u00e7\u00e3o conferida pela Lei n. 11.960\/2009.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, conclui-se que o fato de a Uni\u00e3o suceder a RFFSA (sociedade de economia mista) n\u00e3o tem o cond\u00e3o de desconstituir as rela\u00e7\u00f5es processuais existentes ao tempo da sucess\u00e3o ou transmud\u00e1-las de privadas para p\u00fablicas, nem mesmo submet\u00ea-las ao sistema de precat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-precatorios-trocar-indice-de-correcao-nao-e-erro-material\">2.&nbsp; Precat\u00f3rios: trocar \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 erro material<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A compet\u00eancia do Presidente do Tribunal para revis\u00e3o de c\u00e1lculos em precat\u00f3rios <strong>limita-se \u00e0 corre\u00e7\u00e3o de inexatid\u00f5es aritm\u00e9ticas<\/strong>, n\u00e3o abrangendo a substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, que constitui mat\u00e9ria jurisdicional de compet\u00eancia do ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O N\u00facleo Auxiliar de Concilia\u00e7\u00e3o de Precat\u00f3rios (NACP) de Tribunal estadual, a pretexto de corre\u00e7\u00e3o de erro material, substituiu os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria originalmente aplicados nos c\u00e1lculos que instru\u00edram o of\u00edcio precat\u00f3rio. O credor recorreu sustentando que a substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices extrapola a compet\u00eancia do NACP. Trocar o \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria de precat\u00f3rio \u00e9 corre\u00e7\u00e3o de erro material ou mat\u00e9ria jurisdicional?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.494\/1997, art. 1\u00ba-E<\/strong><em> (compet\u00eancia do Presidente para revis\u00e3o de precat\u00f3rios).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 303\/2019, art. 26, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong><em> (distin\u00e7\u00e3o entre erro material e crit\u00e9rio de c\u00e1lculo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O \u00a7 1\u00ba do art. 26 da Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 303\/2019 delimita: o procedimento de revis\u00e3o &#8220;pode abranger a aprecia\u00e7\u00e3o das inexatid\u00f5es materiais&#8221;, mas &#8220;n\u00e3o alcan\u00e7a a an\u00e1lise dos crit\u00e9rios de c\u00e1lculo&#8221;. O \u00a7 2\u00ba complementa: questionamento relativo a crit\u00e9rio de c\u00e1lculo &#8220;competir\u00e1 ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 consolidada no STJ: corre\u00e7\u00e3o de erro material abrange erros aritm\u00e9ticos (soma, multiplica\u00e7\u00e3o); substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices (IPCA-E por TR, por exemplo) \u00e9 <strong>mat\u00e9ria jurisdicional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 303\/2019 disciplina a revis\u00e3o de c\u00e1lculos de precat\u00f3rios pelo Presidente do Tribunal. O art. 26, \u00a7 1\u00ba, autoriza a corre\u00e7\u00e3o de &#8220;inexatid\u00f5es materiais&#8221;, mas <strong>exclui expressamente a &#8220;an\u00e1lise dos crit\u00e9rios de c\u00e1lculo&#8221;<\/strong>, que competem ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o (\u00a7 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, o NACP substituiu os \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria do precat\u00f3rio. Essa substitui\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o \u00e9 erro aritm\u00e9tico, mas escolha de crit\u00e9rio jur\u00eddico<\/strong>: qual \u00edndice aplicar (IPCA-E, TR, Selic) \u00e9 decis\u00e3o jurisdicional que depende da interpreta\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Turma anulou a revis\u00e3o promovida pelo NACP e determinou a remessa ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o para elabora\u00e7\u00e3o de novos c\u00e1lculos, <strong>assegurando o contradit\u00f3rio<\/strong>. A parte prejudicada deve ter oportunidade de se manifestar sobre os crit\u00e9rios aplic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a a <strong>separa\u00e7\u00e3o funcional entre atividade administrativa (Presid\u00eancia do Tribunal) e jurisdicional (ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o)<\/strong>. O Presidente pode corrigir erros aritm\u00e9ticos; substituir crit\u00e9rios \u00e9 ato jurisdicional que exige fundamenta\u00e7\u00e3o e contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revis\u00e3o de c\u00e1lculos de precat\u00f3rios pelo Presidente do Tribunal, nos termos do art. 26 da Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 303\/2019:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Abrange a substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Limita-se \u00e0 corre\u00e7\u00e3o de inexatid\u00f5es materiais, sem alcan\u00e7ar crit\u00e9rios de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Pode alterar crit\u00e9rios de c\u00e1lculo quando houver erro evidente.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Dispensa contradit\u00f3rio quando se tratar de mera atualiza\u00e7\u00e3o de \u00edndice.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Abrange a substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices quando determinada por s\u00famula vinculante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices \u00e9 mat\u00e9ria jurisdicional de compet\u00eancia do ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o (art. 26, \u00a7 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O art. 26, \u00a7 1\u00ba, da Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 303\/2019 autoriza apenas a corre\u00e7\u00e3o de inexatid\u00f5es materiais; a an\u00e1lise de crit\u00e9rios de c\u00e1lculo compete ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A evid\u00eancia do suposto erro n\u00e3o altera a compet\u00eancia; crit\u00e9rios de c\u00e1lculo exigem decis\u00e3o jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Toda altera\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rio exige contradit\u00f3rio, por ser mat\u00e9ria jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A origem da determina\u00e7\u00e3o (s\u00famula, lei, jurisprud\u00eancia) n\u00e3o altera a compet\u00eancia funcional para a revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o N\u00facleo Auxiliar de Concilia\u00e7\u00e3o de Precat\u00f3rios (NACP) de Tribunal estadual, a pretexto de corre\u00e7\u00e3o de erro material, procedeu \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria originalmente aplicados nos c\u00e1lculos que instru\u00edram o of\u00edcio precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por\u00e9m, tal provid\u00eancia n\u00e3o se enquadra na hip\u00f3tese de corre\u00e7\u00e3o de erro material ou inexatid\u00e3o aritm\u00e9tica, mas constitui altera\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de c\u00e1lculo, mat\u00e9ria de natureza jurisdicional cuja compet\u00eancia recai sobre o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, nos termos do 2 do art. 26 da Resolu\u00e7\u00e3o n. 303\/2019 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a &#8211; CNJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 revis\u00e3o dos c\u00e1lculos promovida pelo NACP, a compet\u00eancia do Presidente do Tribunal encontra previs\u00e3o no art. 1-E da Lei n. 9.494\/1997 e nos arts. 26 a 30 da Resolu\u00e7\u00e3o n. 303\/2019 do CNJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pr\u00f3pria Resolu\u00e7\u00e3o, contudo, delimita o alcance dessa compet\u00eancia, pois o 1 do art. 26 estabelece que o procedimento de revis\u00e3o &#8220;pode abranger a aprecia\u00e7\u00e3o das inexatid\u00f5es materiais presentes nas contas do precat\u00f3rio, inclu\u00eddos os c\u00e1lculos produzidos pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o alcan\u00e7ando, sob qualquer aspecto, a an\u00e1lise dos crit\u00e9rios de c\u00e1lculo&#8221;, ao passo que o 2 do mesmo dispositivo complementa que, tratando-se de &#8220;questionamento relativo a crit\u00e9rio de c\u00e1lculo judicial, assim considerado aquele constante das escolhas do julgador, competir\u00e1 a revis\u00e3o da conta ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a distin\u00e7\u00e3o entre erro material e crit\u00e9rio de c\u00e1lculo \u00e9 objeto de jurisprud\u00eancia consolidada no Superior Tribunal de Justi\u00e7a, segundo a qual a corre\u00e7\u00e3o de erros materiais compreende inexatid\u00f5es aritm\u00e9ticas, e n\u00e3o a substitui\u00e7\u00e3o de \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, que constitui mat\u00e9ria de natureza jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na situa\u00e7\u00e3o em comento, portanto, a revis\u00e3o promovida deve ser anulada, com a remessa dos autos ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o para que, observados os crit\u00e9rios definidos no t\u00edtulo judicial, proceda \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de novos c\u00e1lculos, assegurando-se o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-compensacao-tributaria-via-esocial-restricoes-da-lei-n\u00ba-13-670-2018-sao-validas\">3.&nbsp; Compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria via eSocial: restri\u00e7\u00f5es da Lei n\u00ba 13.670\/2018 s\u00e3o v\u00e1lidas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de cr\u00e9ditos de PIS e COFINS com d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sociais sobre a folha de sal\u00e1rios deve observar as <strong>restri\u00e7\u00f5es do art. 26-A da Lei n\u00ba 11.457\/2007<\/strong> (inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.670\/2018) quando o contribuinte utiliza o eSocial: os cr\u00e9ditos de &#8220;outros tributos&#8221; apurados antes do eSocial n\u00e3o podem compensar d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha apurados ap\u00f3s o in\u00edcio do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.206.562-RN, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 15\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Devotudo Importa\u00e7\u00f5es S.A. obteve reconhecimento judicial de cr\u00e9ditos de PIS e COFINS (Tema 69\/STF) e pretendeu compens\u00e1-los com d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sociais sobre a folha de sal\u00e1rios via eSocial. A RFB glosou a compensa\u00e7\u00e3o com base no art. 26-A, \u00a7 1\u00ba, da Lei n\u00ba 11.457\/2007: cr\u00e9ditos de &#8220;outros tributos&#8221; apurados antes do eSocial n\u00e3o podem compensar d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha apurados ap\u00f3s o in\u00edcio do sistema. A restri\u00e7\u00e3o temporal da Lei n\u00ba 13.670\/2018 \u00e9 v\u00e1lida?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.457\/2007, art. 26-A, \u00a7 1\u00ba (inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.670\/2018)<\/strong><em> (restri\u00e7\u00f5es \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o via eSocial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.430\/1996, art. 74<\/strong><em> (procedimento de compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 265\/STJ<\/strong><em> (regime jur\u00eddico vigente \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 26-A estabelece que cr\u00e9ditos de &#8220;outros tributos&#8221; (como PIS e COFINS) apurados antes do eSocial n\u00e3o podem compensar d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha apurados depois. Os <strong>per\u00edodos de apura\u00e7\u00e3o<\/strong> n\u00e3o se relacionam com a data do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que reconheceu o cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A restri\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida e opera objetivamente: o crit\u00e9rio \u00e9 o momento de apura\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e do d\u00e9bito em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio de utiliza\u00e7\u00e3o do eSocial, n\u00e3o a data do fato gerador ou do tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Lei n\u00ba 13.670\/2018 introduziu o art. 26-A na Lei n\u00ba 11.457\/2007, criando regras espec\u00edficas para a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por contribuintes que utilizam o eSocial. <strong>A norma reconheceu o direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o, mas imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es temporais objetivas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A restri\u00e7\u00e3o do \u00a7 1\u00ba, inciso I, veda que cr\u00e9ditos de &#8220;outros tributos&#8221; apurados antes do eSocial compensem d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha apurados depois. <strong>A l\u00f3gica \u00e9 segregar os universos de cr\u00e9ditos e d\u00e9bitos por marco temporal<\/strong>: antes e depois do eSocial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Turma reafirmou a validade da restri\u00e7\u00e3o, aplicando o Tema 265\/STJ: em mat\u00e9ria de compensa\u00e7\u00e3o, <strong>considera-se o regime jur\u00eddico vigente \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento da demanda<\/strong>. Como a Lei n\u00ba 13.670\/2018 j\u00e1 vigorava quando a empresa pediu a compensa\u00e7\u00e3o, as restri\u00e7\u00f5es s\u00e3o aplic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem impacto significativo para empresas com cr\u00e9ditos reconhecidos judicialmente de PIS e COFINS (Tema 69\/STF). <strong>Esses cr\u00e9ditos podem ser compensados, mas n\u00e3o com d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha se houver defasagem temporal em rela\u00e7\u00e3o ao eSocial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de cr\u00e9ditos de PIS e COFINS com d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha de sal\u00e1rios, por contribuinte que utiliza o eSocial:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 livre, pois o tr\u00e2nsito em julgado do cr\u00e9dito afasta restri\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 restrita apenas a d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias patronais.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 vedada pelo eSocial, que n\u00e3o admite compensa\u00e7\u00e3o entre tributos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 livre quando os cr\u00e9ditos decorrem de decis\u00e3o judicial transitada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 restrita aos per\u00edodos de apura\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O Tema 265\/STJ aplica o regime vigente \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento; restri\u00e7\u00f5es posteriores s\u00e3o aplic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A restri\u00e7\u00e3o abrange contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha e contribui\u00e7\u00f5es devidas a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O eSocial admite compensa\u00e7\u00e3o, mas com restri\u00e7\u00f5es temporais espec\u00edficas do art. 26-A.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O tr\u00e2nsito em julgado reconhece o cr\u00e9dito, mas n\u00e3o afasta as restri\u00e7\u00f5es procedimentais da Lei n\u00ba 13.670\/2018.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> O art. 26-A, \u00a7 1\u00ba, veda a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de outros tributos apurados antes do eSocial com d\u00e9bitos de contribui\u00e7\u00f5es sobre a folha apurados depois. A restri\u00e7\u00e3o temporal \u00e9 objetiva e v\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia refere-se \u00e0 limita\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o do direito do sujeito passivo tribut\u00e1rio \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria dos valores pagos a mais a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e de COFINS (Tema n. 69 do STF) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em espec\u00edfico, ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.670\/2018, que incluiu o art. 26-A na Lei n. 11.457\/2007, o qual veicula regras restritivas e proibitivas para a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, na hip\u00f3tese em que o contribuinte utiliza o Sistema de Escritura\u00e7\u00e3o Digital das Obriga\u00e7\u00f5es Fiscais, Previdenci\u00e1rias e Trabalhistas (eSocial).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria adquire a natureza de direito subjetivo do contribuinte, em havendo a concomit\u00e2ncia de tr\u00eas elementos essenciais: (i) a exist\u00eancia de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, como produto do ato administrativo do lan\u00e7amento ou do ato-norma do contribuinte que constitui o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio; (ii) a exist\u00eancia de d\u00e9bito do fisco, como resultado: (a) de ato administrativo de invalida\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, (b) de decis\u00e3o administrativa, (c) de decis\u00e3o judicial, ou (d) de ato do pr\u00f3prio administrado, quando autorizado em lei, cabendo \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria a fiscaliza\u00e7\u00e3o e ulterior homologa\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito do fisco apurado pelo contribuinte; e (iii) a exist\u00eancia de lei espec\u00edfica, editada pelo ente competente, que autorize a compensa\u00e7\u00e3o, ex vi do art. 170 C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN&#8221; (REsp n. 1.008.343\/SP, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 9\/12\/2009, DJe de 1\/2\/2010) . Al\u00e9m disso, consoante a tese definida pela Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, ao apreciar o Tema 265\/STJ, &#8220;em se tratando de compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, deve ser considerado o regime jur\u00eddico vigente \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento da demanda [&#8230;], ressalvando-se o direito de o contribuinte proceder \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos pr\u00f3prios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, observa-se que o art. 26-A da Lei n. 11.457\/2007, introduzido pela Lei n. 13.670\/2018, reconheceu o direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, na forma do procedimento estabelecido pelo art. 74 da Lei n. 9.430\/1996, das contribui\u00e7\u00f5es sociais das empresas sobre a folha de sal\u00e1rios, dos empregadores dom\u00e9sticos, dos trabalhadores e das contribui\u00e7\u00f5es devidas a terceiros para o sujeito passivo que utiliza o Sistema de Escritura\u00e7\u00e3o Digital das Obriga\u00e7\u00f5es Fiscais, Previdenci\u00e1rias e Trabalhistas (eSocial), desde que observado seu 1, o qual estabelece regras restritivas e proibitivas para a compensa\u00e7\u00e3o a ser realizada pelo referido sujeito passivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o 1, inciso I, do mencionado art. 26-A, o sujeito passivo que utiliza o eSocial n\u00e3o pode compensar: a) d\u00e9bitos das referidas contribui\u00e7\u00f5es, na hip\u00f3tese em que se originarem em per\u00edodo anterior ao in\u00edcio de utiliza\u00e7\u00e3o do sistema de escritura\u00e7\u00e3o digital; e b) se posteriores ao in\u00edcio da utiliza\u00e7\u00e3o do sistema, n\u00e3o poder\u00e3o ser compensados com cr\u00e9ditos de outros tributos, se estes forem apurados anteriormente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do eSocial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, se h\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o do sistema de escritura\u00e7\u00e3o digital, os cr\u00e9ditos do sujeito passivo &#8220;de outros tributos&#8221;, apurados antes da utiliza\u00e7\u00e3o do eSocial, n\u00e3o podem ser usados para compensar d\u00e9bitos das contribui\u00e7\u00f5es sociais das empresas sobre a folha de sal\u00e1rios, dos empregadores dom\u00e9sticos, dos trabalhadores e das contribui\u00e7\u00f5es devidas a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, o inciso II do 1 do art. 26-A da Lei n. 11.457\/2007 pro\u00edbe a compensa\u00e7\u00e3o de &#8220;d\u00e9bitos dos demais tributos&#8221; de per\u00edodos anteriores \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do eSocial com cr\u00e9ditos das j\u00e1 referidas contribui\u00e7\u00f5es; e pro\u00edbe, tamb\u00e9m, que &#8220;d\u00e9bitos dos demais tributos&#8221; sejam compensados com cr\u00e9ditos das contribui\u00e7\u00f5es apurados anteriormente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do eSocial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A respeito desse regramento legal, \u00e9 oportuno anotar que o STJ tem externado que os per\u00edodos de apura\u00e7\u00e3o a que se refere o 1 do art. 26-A da Lei n. 11.457\/2007 n\u00e3o se relacionam com o momento do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que reconheceu o cr\u00e9dito ou \u00e0 data do fato gerador do respectivo tributo; e que \u00e9 v\u00e1lida a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e d\u00e9bitos elencados nesse dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, \u00e0 parte foi declarado o direito ao ind\u00e9bito de contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS (art. 11, par\u00e1grafo \u00fanico, al\u00ednea d, da Lei n. 8.212\/1991). Trata-se de &#8220;cr\u00e9ditos de outros tributos&#8221;, os quais, se apurados antes da utiliza\u00e7\u00e3o do sistema eSocial, n\u00e3o podem ser indicados para a compensa\u00e7\u00e3o, na forma do procedimento estabelecido pelo art. 74 da Lei n. 9.430\/1996, com d\u00e9bitos das contribui\u00e7\u00f5es sociais das empresas sobre a folha de sal\u00e1rios nem das contribui\u00e7\u00f5es devidas a terceiros, apurados ap\u00f3s \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do sistema de escritura\u00e7\u00e3o digital (os empregadores dom\u00e9sticos e os trabalhadores n\u00e3o pagam referidas contribui\u00e7\u00f5es, da\u00ed por que n\u00e3o mais se faz men\u00e7\u00e3o a elas). E, nesse contexto, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria vigente desde 2018, o cr\u00e9dito de contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e de COFINS, apurado pelo sujeito passivo antes do in\u00edcio da utiliza\u00e7\u00e3o do eSocial, n\u00e3o poder\u00e1 ser indicado para a compensa\u00e7\u00e3o, na forma do art. 74 da Lei n. 9.430\/1996, com d\u00e9bitos das contribui\u00e7\u00f5es sociais das empresas sobre a folha de sal\u00e1rios nem com d\u00e9bitos das contribui\u00e7\u00f5es devidas a terceiros, apurados ap\u00f3s \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do sistema de escritura\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, com utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos do sujeito passivo, originados do pagamento indevido de contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e de COFINS, deve observ\u00e2ncia \u00e0 restri\u00e7\u00e3o estabelecida pelo 1 do art. 26-A da Lei n. 11.457\/2007.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-desindexacao-nome-como-unico-termo-de-busca-cabivel-excepcionalmente\">4. Desindexa\u00e7\u00e3o: nome como \u00fanico termo de busca? Cab\u00edvel, excepcionalmente<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, quando o nome do indiv\u00edduo for o \u00fanico elemento de busca, \u00e9 poss\u00edvel a <strong>desvincula\u00e7\u00e3o entre resultados desabonadores e o nome da pessoa<\/strong>, sem que isso configure direito ao esquecimento (Tema 786\/STF), pois a not\u00edcia permanece acess\u00edvel por outros termos de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.242.808-ES, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda figurou em not\u00edcia sobre investiga\u00e7\u00e3o policial que foi arquivada. Anos depois, ao buscar seu nome no Google, o primeiro resultado era a mat\u00e9ria desabonadora. Ajuizou a\u00e7\u00e3o contra a Gugle SA (provedor de busca) pedindo a desvincula\u00e7\u00e3o do resultado ao seu nome. A empresa recusou invocando o Tema 786\/STF (veda\u00e7\u00e3o do direito ao esquecimento) e a jurisprud\u00eancia do STJ que pro\u00edbe elimina\u00e7\u00e3o de resultados de busca. Desindexar \u00e9 o mesmo que apagar??<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.965\/2014 (Marco Civil), art. 19<\/strong><em> (responsabilidade do provedor).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>STF, Tema 786<\/strong><em> (direito ao esquecimento \u00e9 incompat\u00edvel com a CF).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STJ distingue <strong>tr\u00eas conceitos<\/strong>: (i) esquecimento (obstar acesso \u00e0 not\u00edcia pelo decurso do tempo &#8211; vedado pelo Tema 786); (ii) exclus\u00e3o (eliminar resultado de busca &#8211; vedado pela jurisprud\u00eancia do STJ); (iii) desindexa\u00e7\u00e3o (desvincular o resultado do nome como crit\u00e9rio exclusivo de busca &#8211; cab\u00edvel em situa\u00e7\u00f5es excepcionais).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A not\u00edcia <strong>permanece acess\u00edvel<\/strong> por outros termos de pesquisa (nome da opera\u00e7\u00e3o, local, tema). O que se desvincula \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o direta entre o nome da pessoa e o resultado desabonador quando buscado como \u00fanico crit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF, no Tema 786, vedou o &#8220;direito ao esquecimento&#8221;: n\u00e3o se pode obstar o acesso a informa\u00e7\u00f5es verdadeiras e l\u00edcitas em raz\u00e3o do decurso do tempo. A Terceira Turma distinguiu: <strong>a desindexa\u00e7\u00e3o n\u00e3o obsta o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, apenas interrompe o ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o<\/strong> que mant\u00e9m a not\u00edcia em evid\u00eancia quando o nome \u00e9 buscado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A jurisprud\u00eancia do STJ (Rcl 5.072\/AC, Segunda Se\u00e7\u00e3o) pro\u00edbe que provedores de busca eliminem resultados. A Terceira Turma compatibilizou: <strong>desindexar n\u00e3o \u00e9 eliminar<\/strong>. A mat\u00e9ria continua indexada e acess\u00edvel por outros termos; o que se remove \u00e9 o v\u00ednculo direto entre o nome da pessoa e o resultado, quando buscado como crit\u00e9rio exclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A medida \u00e9 excepcional e exige: (i) aus\u00eancia de interesse p\u00fablico atual na not\u00edcia; (ii) potencial lesivo \u00e0 intimidade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais; (iii) <strong>a not\u00edcia permanece acess\u00edvel por outros termos de pesquisa<\/strong>. N\u00e3o se trata de censura ou de apagamento da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o harmoniza o Tema 786\/STF com o direito \u00e0 intimidade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais. <strong>O equil\u00edbrio \u00e9: a informa\u00e7\u00e3o permanece dispon\u00edvel, mas n\u00e3o retroalimenta eternamente a associa\u00e7\u00e3o entre o nome da pessoa e o fato pret\u00e9rito<\/strong>, quando buscado como crit\u00e9rio exclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desindexa\u00e7\u00e3o de resultados de busca vinculados ao nome do indiv\u00edduo como crit\u00e9rio exclusivo de pesquisa:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 cab\u00edvel, excepcionalmente, sem impedir o acesso por outros termos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Equivale \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o do resultado, vedada pela jurisprud\u00eancia do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 cab\u00edvel apenas quando a not\u00edcia \u00e9 falsa ou ilicitamente obtida.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 vedada pelo Tema 786\/STF, que proibiu o direito ao esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 cab\u00edvel apenas mediante ordem judicial dirigida ao ve\u00edculo de imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A desindexa\u00e7\u00e3o \u00e9 medida excepcional que desvincula o resultado do nome como crit\u00e9rio exclusivo de busca, sem obstar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o por outros termos (compat\u00edvel com o Tema 786\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Desindexar n\u00e3o \u00e9 eliminar: a not\u00edcia permanece acess\u00edvel por outros termos de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A medida \u00e9 cab\u00edvel mesmo para not\u00edcias verdadeiras e l\u00edcitas, desde que ausente interesse p\u00fablico atual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O Tema 786 vedou o esquecimento, n\u00e3o a desindexa\u00e7\u00e3o; s\u00e3o institutos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A medida dirige-se ao provedor de busca, n\u00e3o ao ve\u00edculo de imprensa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir acerca da possibilidade de desvincula\u00e7\u00e3o (desindexa\u00e7\u00e3o) de resultados desabonadores exibidos por provedores de busca na internet quando a pesquisa \u00e9 realizada exclusivamente a partir do nome do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Supremo Tribunal Federal, no Tema de Repercuss\u00e3o Geral n. 786, decidiu que o direito ao esquecimento \u00e9 incompat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal. H\u00e1, portanto, a impossibilidade de obstar, impedir ou excluir a divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias amparadas em fatos ver\u00eddicos e licitamente obtidos apenas em raz\u00e3o do decurso do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, a controv\u00e9rsia apresentada \u00e9 outra: restrita \u00e0 viola\u00e7\u00e3o do art. 19 do Marco Civil da Internet sob a perspectiva da possibilidade de realizar a desindexa\u00e7\u00e3o (desvincula\u00e7\u00e3o) entre os resultados da busca apresentados pelo provedor de pesquisa e o nome de determinada pessoa, quando este for adotado como \u00fanico crit\u00e9rio de busca.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consoante a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;os provedores de pesquisa virtual n\u00e3o podem ser obrigados a eliminar do seu sistema os resultados derivados da busca de determinado termo ou express\u00e3o, tampouco os resultados que apontem para uma foto ou texto espec\u00edfico, independentemente da indica\u00e7\u00e3o do URL da p\u00e1gina onde este estiver inserido&#8221; (Rcl n. 5.072\/AC, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe 4\/6\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a fim de preservar a seguran\u00e7a jur\u00eddica, orientar a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional e aclarar as quest\u00f5es que se interseccionam (esquecimento, exclus\u00e3o e desvincula\u00e7\u00e3o), ratifica-se que, em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, dada a finalidade de assegurar o direito \u00e0 intimidade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais e diante da aus\u00eancia de interesse p\u00fablico, \u00e9 cab\u00edvel a cessa\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo virtual estabelecido entre not\u00edcia espec\u00edfica potencialmente constrangedora\/desabonadora e o nome do indiv\u00edduo quando este for utilizado como crit\u00e9rio exclusivo de pesquisa no provedor, permitindo-se que eventual mat\u00e9ria ou reportagem seja encontrada mediante a inser\u00e7\u00e3o de outros termos de pesquisa ou palavras-chave associadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse entendimento encontra-se em conformidade com o Tema n. 786\/STF (porquanto n\u00e3o se obsta o acesso a informa\u00e7\u00f5es verdadeiras e licitamente obtidas em raz\u00e3o do decurso do tempo) e em harmonia com o direito fundamental \u00e0 intimidade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais, evitando-se um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m em evid\u00eancia not\u00edcias desabonadoras pret\u00e9ritas a partir de busca realizada exclusivamente pelo nome do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-recuperacao-judicial-2-anos-de-exercicio-por-cada-litisconsorte-sem-relativizacao\">5.&nbsp; Recupera\u00e7\u00e3o judicial: 2 anos de exerc\u00edcio por cada litisconsorte, sem relativiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial de grupo econ\u00f4mico, <strong>cada litisconsorte deve comprovar individualmente o exerc\u00edcio regular de atividades h\u00e1 mais de 2 anos<\/strong>, sendo vedada a soma dos per\u00edodos de atividade de sociedades sucedidas.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.218.122-RS, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Sobrevivendo Participa\u00e7\u00f5es Ltda. e outras sociedades do mesmo grupo econ\u00f4mico ajuizaram recupera\u00e7\u00e3o judicial em consolida\u00e7\u00e3o substancial. Duas das empresas n\u00e3o completavam 2 anos de exerc\u00edcio regular (art. 48 da LREF), mas exploravam a mesma atividade e no mesmo endere\u00e7o de sociedades anteriores que haviam adquirido. O ju\u00edzo deferiu o processamento por entender haver &#8220;sucess\u00e3o empresarial&#8221;. Os credores recorreram. Pode-se somar o tempo de atividade da empresa adquirida ao da adquirente para preencher os 2 anos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.101\/2005, arts. 48, 51 e 69-J<\/strong><em> (requisitos para recupera\u00e7\u00e3o judicial e consolida\u00e7\u00e3o substancial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 48 da LREF exige 2 anos de exerc\u00edcio regular. No pedido em litiscons\u00f3rcio, cada empresa deve comprovar <strong>individualmente<\/strong> o requisito. A soma dos per\u00edodos de atividade de empresas distintas &#8211; ainda que do mesmo grupo ou atuando no mesmo endere\u00e7o &#8211; n\u00e3o \u00e9 admitida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Admitir a soma permitiria que um grupo adquirisse empresas e pedisse recupera\u00e7\u00e3o logo em seguida, financiando as aquisi\u00e7\u00f5es com o sacrif\u00edcio dos credores &#8211; conduta <strong>incompat\u00edvel<\/strong> com a finalidade do instituto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 48 da LREF exige que o devedor &#8220;exer\u00e7a regularmente suas atividades h\u00e1 mais de 2 (dois) anos&#8221;. Quando o pedido \u00e9 formulado em litiscons\u00f3rcio por grupo econ\u00f4mico, <strong>cada litisconsorte deve demonstrar individualmente o preenchimento do requisito<\/strong>. A jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 firme nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, duas sociedades passaram a explorar a mesma atividade e no mesmo endere\u00e7o de empresas anteriores. A Terceira Turma rejeitou a tese de &#8220;sucess\u00e3o empresarial&#8221; como fundamento para somar per\u00edodos: <strong>as sociedades n\u00e3o tinham o mesmo patrim\u00f4nio, s\u00f3cios ou administradores<\/strong>, de modo que o desempenho da antecessora n\u00e3o subsidia a avalia\u00e7\u00e3o de viabilidade da sucessora.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o tamb\u00e9m afastou a consolida\u00e7\u00e3o substancial para as empresas que n\u00e3o preenchiam o requisito temporal. A consolida\u00e7\u00e3o (art. 69-J da LREF) \u00e9 medida excepcional que exige <strong>interconex\u00e3o e confus\u00e3o entre ativos ou passivos<\/strong>, o que n\u00e3o se demonstrou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A ratio \u00e9 de prote\u00e7\u00e3o aos credores: <strong>os demonstrativos cont\u00e1beis dos 3 \u00faltimos exerc\u00edcios (art. 51, II) s\u00e3o essenciais para a avalia\u00e7\u00e3o de viabilidade<\/strong>. Empresa com menos de 2 anos n\u00e3o tem esse hist\u00f3rico, impossibilitando a an\u00e1lise informada pelos credores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial formulado por grupo econ\u00f4mico, quanto ao requisito de 2 anos de exerc\u00edcio regular (art. 48 da LREF):<\/p>\n\n\n\n<p>A) Pode ser preenchido pela soma dos per\u00edodos de atividade de empresas sucedidas.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Pode ser relativizado quando h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o da mesma atividade e no mesmo endere\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Deve ser comprovado individualmente para cada litisconsorte.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Pode ser dispensado na consolida\u00e7\u00e3o substancial de grupo econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pode ser comprovado com base nos demonstrativos da controladora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A soma de per\u00edodos de empresas distintas n\u00e3o \u00e9 admitida, ainda que do mesmo grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A coincid\u00eancia de atividade e endere\u00e7o n\u00e3o autoriza a relativiza\u00e7\u00e3o; as empresas s\u00e3o pessoas jur\u00eddicas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> Cada litisconsorte deve demonstrar individualmente os 2 anos de exerc\u00edcio regular, e a soma de per\u00edodos de empresas adquiridas n\u00e3o \u00e9 admitida (art. 48 da LREF).<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A consolida\u00e7\u00e3o substancial exige interconex\u00e3o e confus\u00e3o patrimonial, n\u00e3o dispensa o requisito temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Os demonstrativos de cada sociedade devem ser pr\u00f3prios (art. 51, II, da LREF).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a definir se est\u00e3o presentes os requisitos para a recupera\u00e7\u00e3o judicial ser processada em consolida\u00e7\u00e3o substancial e se era poss\u00edvel a relativiza\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de exerc\u00edcio da atividade empresarial por 2 (dois) anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, duas das sociedades integrantes de grupo econ\u00f4mico que ingressaram com o pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o cumpriam o requisito previsto no artigo 48 da Lei n. 11.101\/2005 (LREF), pois, no momento do pedido, n\u00e3o exerciam regularmente suas atividades h\u00e1 mais de 2 (dois) anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar disso, o Ju\u00edzo de primeiro grau deferiu o processamento de sua recupera\u00e7\u00e3o judicial por considerar que houve sucess\u00e3o empresarial, prosseguindo o adquirente na mesma atividade da empresa sucedida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange ao tema, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou-se no sentido de que, no caso de pedido de recupera\u00e7\u00e3o de grupo econ\u00f4mico, cada litisconsorte individualmente deve comprovar que atende aos requisitos exigidos pela Lei n. 11.101\/2005. Isso significa que cada litisconsorte dever\u00e1 apresentar a documenta\u00e7\u00e3o exigida nos artigos 51 e 52 da LREF e observar o requisito temporal de 2 (dois) anos de exerc\u00edcio regular de suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a LREF exige que se juntem \u00e0 inicial os demonstrativos cont\u00e1beis dos 3 (tr\u00eas) \u00faltimos exerc\u00edcios (artigo 51, II, da Lei n. 11.101\/2005). Isso porque os credores, a partir desses subs\u00eddios, poder\u00e3o decidir acerca da viabilidade econ\u00f4mica da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as sociedades que requereram a recupera\u00e7\u00e3o sem cumprirem o requisito temporal passaram a explorar a mesma atividade e no mesmo endere\u00e7o das sociedades que estavam instaladas naqueles locais. Esse fato n\u00e3o autoriza que se somem os per\u00edodos de atividade para o fim de demonstra\u00e7\u00e3o da viabilidade econ\u00f4mica da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, as sociedades n\u00e3o t\u00eam o mesmo patrim\u00f4nio, tampouco os mesmos s\u00f3cios e administradores, de modo que o desempenho na explora\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica n\u00e3o pode ser comparado com o do propriet\u00e1rio anterior, subsidiando a decis\u00e3o dos credores acerca da conveni\u00eancia da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre destacar, tamb\u00e9m, que, a vingar esse entendimento, seria poss\u00edvel a um grupo societ\u00e1rio adquirir outras sociedades e, em sequ\u00eancia, pedir recupera\u00e7\u00e3o judicial, financiando as novas aquisi\u00e7\u00f5es com o sacrif\u00edcio dos credores, o que n\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito do instituto. N\u00e3o se mostra cab\u00edvel, portanto, relativizar a exig\u00eancia do artigo 48 da LREF no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que respeita ao processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial em consolida\u00e7\u00e3o substancial, esta se trata de situa\u00e7\u00e3o excepcional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua ocorr\u00eancia depende do consentimento dos credores, o que em regra se d\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o a cada sociedade particularizada em assembleia geral de credores, ou pode ser autorizada pelo juiz, o que somente se justifica com o preenchimento dos requisitos do artigo 69-J da Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, n\u00e3o se verificam a an\u00e1lise e o cumprimento de requisito essencial para a autoriza\u00e7\u00e3o judicial da consolida\u00e7\u00e3o substancial: a constata\u00e7\u00e3o de &#8220;interconex\u00e3o e a confus\u00e3o entre ativos ou passivos dos devedores, de modo que n\u00e3o seja poss\u00edvel identificar a sua titularidade sem excessivo disp\u00eandio de tempo ou de recursos&#8221;. Na verdade, no prazo para a realiza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia pr\u00e9via, 5 (cinco) dias, dificilmente se alcan\u00e7aria essa conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ausente esse requisito, cabe aos credores decidir acerca do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial em consolida\u00e7\u00e3o substancial, que n\u00e3o pode ser imposta por decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-acordo-homologado-desconstituicao-por-acao-anulatoria-nao-rescisoria\">6. Acordo homologado: desconstitui\u00e7\u00e3o por a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, n\u00e3o rescis\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O meio adequado para desconstituir senten\u00e7a que se limita a homologar acordo firmado entre as partes, sem incurs\u00e3o no m\u00e9rito, \u00e9 a <strong>a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria (CPC, art. 966, \u00a7 4\u00ba)<\/strong>, e n\u00e3o a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.230.360-SE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Barriga e Seu Madruga firmaram acordo em a\u00e7\u00e3o judicial, homologado por senten\u00e7a. Posteriormente, Seu Barriga ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria alegando que o acordo fora celebrado mediante coa\u00e7\u00e3o (v\u00edcio de consentimento). O Tribunal conheceu e julgou a rescis\u00f3ria. Seu Madruga recorreu sustentando que o meio adequado seria a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria (CPC, art. 966, \u00a7 4\u00ba). A senten\u00e7a meramente homologat\u00f3ria pode ser rescindida?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 966, caput<\/strong><em> (a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria contra decis\u00e3o de m\u00e9rito transitada em julgado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 966, \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (atos de disposi\u00e7\u00e3o homologados: sujeitos \u00e0 anula\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O CPC\/2015 encerrou a controv\u00e9rsia que existia sob o CPC\/1973: o \u00a7 4\u00ba do art. 966 prev\u00ea expressamente que &#8220;os atos de disposi\u00e7\u00e3o de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo ju\u00edzo, est\u00e3o sujeitos \u00e0 <strong>anula\u00e7\u00e3o<\/strong>, nos termos da lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 entre ato estatal (decis\u00e3o de m\u00e9rito do juiz &#8211; rescis\u00f3ria) e <strong>ato das partes<\/strong> (acordo &#8211; anulat\u00f3ria). Na homologa\u00e7\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia foi determinada pelas partes, n\u00e3o imposta pelo Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 966 do CPC prev\u00ea a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para &#8220;decis\u00e3o de m\u00e9rito transitada em julgado&#8221;. Quando o juiz homologa acordo, <strong>n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o de m\u00e9rito propriamente dita: a solu\u00e7\u00e3o foi determinada pelas partes<\/strong>, e o ju\u00edzo limitou-se a chancelar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O \u00a7 4\u00ba do art. 966 \u00e9 expresso: atos de disposi\u00e7\u00e3o homologados &#8220;est\u00e3o sujeitos \u00e0 anula\u00e7\u00e3o, nos termos da lei&#8221;. A Terceira Turma reafirmou que <strong>o meio adequado \u00e9 a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria<\/strong>, cujo objeto \u00e9 declarar a invalidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico subjacente (v\u00edcios de consentimento, incapacidade, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A distin\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas: (i) o prazo da rescis\u00f3ria \u00e9 de 2 anos do tr\u00e2nsito em julgado (CPC, art. 975); (ii) o prazo da anulat\u00f3ria segue o regime do direito material (anula\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio jur\u00eddico &#8211; CC, art. 178: 4 anos). <strong>A via processual errada pode gerar decad\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o encerra a controv\u00e9rsia que persistia sob o CPC\/1973, quando parte da doutrina admitia rescis\u00f3ria contra senten\u00e7a homologat\u00f3ria. <strong>O CPC\/2015 deu tratamento expresso e inequ\u00edvoco \u00e0 mat\u00e9ria no \u00a7 4\u00ba do art. 966<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao \u00a7 4\u00ba do art. 966 do CPC, a senten\u00e7a que homologa acordo firmado entre as partes:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 rescind\u00edvel por a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria no prazo de 2 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 revis\u00e1vel por a\u00e7\u00e3o fulminat\u00f3ria, nos termos da lei civil.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 rescind\u00edvel quando houver v\u00edcio de consentimento.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Sujeita-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, pois a solu\u00e7\u00e3o foi das partes, n\u00e3o do ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pode ser desconstitu\u00edda tanto por rescis\u00f3ria quanto por anulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A rescis\u00f3ria destina-se a decis\u00f5es de m\u00e9rito; a senten\u00e7a homologat\u00f3ria n\u00e3o decide o m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Haha. Fulminat\u00f3ria? \u00c9 a que tem fulmiga (formiga)?! Inventou legal&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O v\u00edcio de consentimento \u00e9 fundamento da anulat\u00f3ria, n\u00e3o da rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> O \u00a7 4\u00ba do art. 966 do CPC prev\u00ea que atos de disposi\u00e7\u00e3o homologados est\u00e3o sujeitos \u00e0 anula\u00e7\u00e3o; a senten\u00e7a apenas chancelou o neg\u00f3cio jur\u00eddico das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O CPC\/2015 \u00e9 expresso: atos de disposi\u00e7\u00e3o homologados sujeitam-se \u00e0 anula\u00e7\u00e3o (\u00a7 4\u00ba do art. 966).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir se \u00e9 cab\u00edvel a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ou anulat\u00f3ria para desconstituir senten\u00e7a homologat\u00f3ria de acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob a vig\u00eancia do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973, a previs\u00e3o legislativa era confusa em rela\u00e7\u00e3o ao cabimento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ou anulat\u00f3ria como medida para desconstituir do acordo homologado judicialmente, o que gerava intensos debates doutrin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 966 do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 prev\u00ea o cabimento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para rescindir &#8220;a decis\u00e3o de m\u00e9rito, transitada em julgado&#8221;. A a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria \u00e9 cab\u00edvel de forma excepcional, nas hip\u00f3teses expressa e taxativamente previstas em lei, e nos estreitos limites da manifesta\u00e7\u00e3o da parte prejudicada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 o 4 do art. 966 passou a prever que &#8220;os atos de disposi\u00e7\u00e3o de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo ju\u00edzo, bem como os atos homologat\u00f3rios praticados no curso da execu\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sujeitos \u00e0 anula\u00e7\u00e3o, nos termos da lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, disp\u00f5e a doutrina que, &#8220;havendo (i) ato de disposi\u00e7\u00e3o do direito debatido em ju\u00edzo (ou seja, abre-se m\u00e3o do pr\u00f3prio direito material), aliado \u00e0 (ii) exist\u00eancia de homologa\u00e7\u00e3o em ju\u00edzo, seja no processo de conhecimento ou de execu\u00e7\u00e3o, a hip\u00f3tese ser\u00e1 de a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria e n\u00e3o de AR&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atualmente, portanto, &#8220;a jurisprud\u00eancia e a doutrina p\u00e1trias entendem que o cabimento da a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria est\u00e1 restrito ao reconhecimento de v\u00edcios de atos praticados pelas partes ou por outros participantes do processo, ou seja, n\u00e3o se busca a desconstitui\u00e7\u00e3o de um ato propriamente estatal. Por conseguinte, a senten\u00e7a surge apenas como um ato homologat\u00f3rio, porquanto a solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia foi determinada pelas pr\u00f3prias partes, e n\u00e3o imposta pelo Poder Judici\u00e1rio&#8221; (REsp n. 2.064.264\/PA, Terceira Turma, DJe de 28\/8\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8220;O acordo firmado pelas partes e homologado judicialmente \u00e9 um ato processualizado, o que, por conseguinte, imp\u00f5e sua an\u00e1lise sob o espectro do direito material que o respalda. Assim, o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria seria necess\u00e1rio para a declara\u00e7\u00e3o da invalidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico&#8221; (REsp n. 1.845.558\/SP, Terceira Turma, DJe de 10\/6\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a fixou-se no sentido de que o meio adequado para desconstituir senten\u00e7a que se limita a homologar do acordo firmado entre as partes, sem incurs\u00e3o no m\u00e9rito pelo magistrado, \u00e9 a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-consorcio-cessao-de-credito-sem-anuencia-da-administradora-invalida\">7. Cons\u00f3rcio: cess\u00e3o de cr\u00e9dito sem anu\u00eancia da administradora? Inv\u00e1lida<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cl\u00e1usula contratual que condiciona a cess\u00e3o de cr\u00e9dito de cota de cons\u00f3rcio cancelada \u00e0 anu\u00eancia da administradora \u00e9 <strong>v\u00e1lida e opon\u00edvel ao cession\u00e1rio que dela tinha conhecimento<\/strong>, nos termos do art. 286 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.155.476-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 13\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ComproTudo Consultoria Financeira adquiriu de Creitinho cr\u00e9ditos decorrentes de cotas canceladas de cons\u00f3rcio administrado pela Bradesko Cons\u00f3rcios. A Consultoria tinha pleno conhecimento da cl\u00e1usula restritiva constante do Regulamento do Cons\u00f3rcio, a qual exigia a anu\u00eancia pr\u00e9via da Bradesko para cess\u00e3o. Ainda assim, ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a contra a administradora. O TJ acolheu, entendendo que a cl\u00e1usula n\u00e3o se aplicaria a cotas canceladas. A cess\u00e3o sem anu\u00eancia \u00e9 v\u00e1lida?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 286<\/strong><em> (cess\u00e3o de cr\u00e9dito: exce\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de cess\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 286, in fine<\/strong><em> (cl\u00e1usula proibitiva opon\u00edvel ao cession\u00e1rio se constar do instrumento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 286 do CC permite a cess\u00e3o de cr\u00e9dito, salvo quando a natureza da obriga\u00e7\u00e3o, a lei ou a conven\u00e7\u00e3o com o devedor disponham em contr\u00e1rio. A cl\u00e1usula proibitiva \u00e9 <strong>opon\u00edvel ao cession\u00e1rio<\/strong> quando consta do instrumento da obriga\u00e7\u00e3o &#8211; o que ocorria no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A lei <strong>n\u00e3o distingue<\/strong> entre cotas ativas, contempladas ou canceladas. A restri\u00e7\u00e3o contratual aplica-se igualmente a todas. Onde o legislador n\u00e3o distinguiu, n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 286 do CC autoriza a cess\u00e3o de cr\u00e9dito, mas ressalva tr\u00eas exce\u00e7\u00f5es: natureza da obriga\u00e7\u00e3o, lei e conven\u00e7\u00e3o com o devedor. No caso, a conven\u00e7\u00e3o (Regulamento do Cons\u00f3rcio) condicionava a cess\u00e3o \u00e0 anu\u00eancia pr\u00e9via da administradora. <strong>Essa cl\u00e1usula \u00e9 v\u00e1lida e opon\u00edvel ao cession\u00e1rio que dela tinha ci\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma rejeitou a tese do TJ de que a restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplicaria a cotas canceladas: <strong>a lei n\u00e3o distingue entre o estado das cotas (ativas, contempladas ou canceladas)<\/strong>, e a cl\u00e1usula restritiva \u00e9 gen\u00e9rica, abrangendo toda cess\u00e3o de direitos e obriga\u00e7\u00f5es do cons\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A mera notifica\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o n\u00e3o substitui a anu\u00eancia exigida contratualmente. <strong>Notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 ato unilateral de ci\u00eancia; anu\u00eancia \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o de vontade<\/strong>. S\u00e3o figuras jur\u00eddicas distintas, e a administradora n\u00e3o pode ser compelida a aceitar cess\u00e3o que n\u00e3o autorizou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o preserva o <strong>pacta sunt servanda e a autonomia privada<\/strong>: a cl\u00e1usula restritiva foi livremente pactuada, constava do instrumento e era do conhecimento do cession\u00e1rio. Desconsider\u00e1-la implicaria modificar unilateralmente a rela\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cess\u00e3o de cr\u00e9dito decorrente de cota de cons\u00f3rcio cancelada, realizada sem a anu\u00eancia contratualmente exigida pela administradora:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 v\u00e1lida, pois a restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 inv\u00e1lida, pois a exig\u00eancia de anu\u00eancia \u00e9 requisito opon\u00edvel ao cession\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 v\u00e1lida quando o cession\u00e1rio notifica a administradora da cess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 inv\u00e1lida, exceto no caso de cota cancelada, que gera cr\u00e9dito aut\u00f4nomo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 v\u00e1lida, se h\u00e1 anu\u00eancia do cession\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A lei n\u00e3o distingue entre cotas ativas, contempladas ou canceladas; a restri\u00e7\u00e3o \u00e9 gen\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O art. 286 do CC prev\u00ea que a cl\u00e1usula proibitiva \u00e9 opon\u00edvel ao cession\u00e1rio quando consta do instrumento; a cess\u00e3o sem anu\u00eancia \u00e9 inv\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 ato de ci\u00eancia, n\u00e3o de anu\u00eancia; n\u00e3o substitui a exig\u00eancia contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O cr\u00e9dito de cota cancelada permanece vinculado ao regulamento do cons\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A anu\u00eancia deve ser da administradora. O cession\u00e1rio \u00e9 parte do acordo de vontades!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia circunscreve-se \u00e0 validade de cess\u00e3o de cr\u00e9dito decorrente de cota de cons\u00f3rcio cancelada, realizada sem a pr\u00e9via e expressa anu\u00eancia da administradora, em afronta \u00e0 cl\u00e1usula contratual restritiva, constante de regulamento do cons\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 286 do C\u00f3digo Civil disp\u00f5e que o credor pode ceder seu cr\u00e9dito, salvo se a natureza da obriga\u00e7\u00e3o, a lei ou a conven\u00e7\u00e3o com o devedor dispuserem em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acrescenta, ainda, que a cl\u00e1usula proibitiva da cess\u00e3o somente n\u00e3o ser\u00e1 opon\u00edvel ao cession\u00e1rio de boa-f\u00e9 se n\u00e3o constar do instrumento da obriga\u00e7\u00e3o &#8211; o que n\u00e3o se aplica \u00e0 esp\u00e9cie, uma vez que a cl\u00e1usula restritiva estava inserida expressamente no regulamento do cons\u00f3rcio, de conhecimento da parte cession\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A esse respeito, n\u00e3o obstante a argumenta\u00e7\u00e3o adotada pela inst\u00e2ncia recursal, observa-se que o pr\u00f3prio ac\u00f3rd\u00e3o recorrido reconhece a exist\u00eancia de cl\u00e1usula do Regulamento do Cons\u00f3rcio, a qual condiciona a cess\u00e3o de direitos e obriga\u00e7\u00f5es \u00e0 pr\u00e9via e expressa anu\u00eancia da administradora, no caso, Bradesco Cons\u00f3rcios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que \u00e9 incontroverso nos autos que a parte recorrida (Consultoria Financeira) tinha pleno conhecimento dessa cl\u00e1usula contratual e que a cess\u00e3o foi realizada \u00e0 revelia da anu\u00eancia exigida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre destacar que a lei n\u00e3o distingue entre os diferentes estados das cotas &#8211; ativas, contempladas ou canceladas &#8211; motivo pelo qual n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito ao int\u00e9rprete estabelecer distin\u00e7\u00f5es onde o legislador n\u00e3o o fez.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a exist\u00eancia da cl\u00e1usula proibitiva atinge igualmente a cess\u00e3o de cr\u00e9ditos decorrentes de cotas canceladas, sendo condi\u00e7\u00e3o para sua validade a obten\u00e7\u00e3o de anu\u00eancia expressa da administradora, o que, repita-se, n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, n\u00e3o se pode considerar suficiente a mera notifica\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o como substitutiva da exig\u00eancia contratual de consentimento. A notifica\u00e7\u00e3o constitui ato unilateral de ci\u00eancia, n\u00e3o sendo apta a elidir a necessidade de manifesta\u00e7\u00e3o de vontade da administradora para autorizar a transfer\u00eancia de direitos e obriga\u00e7\u00f5es, nos termos contratualmente estipulados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permitir o contr\u00e1rio implicaria invalidar cl\u00e1usula contratual livremente pactuada entre as partes e impor \u00e0 administradora a aceita\u00e7\u00e3o de modifica\u00e7\u00e3o substancial na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, em ofensa aos princ\u00edpios da for\u00e7a obrigat\u00f3ria dos contratos (pacta sunt servanda) e da autonomia da vontade. Dessa forma, ao desconsiderar cl\u00e1usula contratual v\u00e1lida e eficaz que condicionava a cess\u00e3o \u00e0 anu\u00eancia da administradora, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido contrariou disposi\u00e7\u00e3o legal expressa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, imp\u00f5e-se o reconhecimento da invalidade da cess\u00e3o de cr\u00e9dito realizada sem a observ\u00e2ncia da cl\u00e1usula contratual restritiva, constante do regulamento do cons\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-alienacao-fiduciaria-diarias-de-patio-privado-sem-limite-temporal\">8. Aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria: di\u00e1rias de p\u00e1tio privado sem limite temporal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O credor fiduci\u00e1rio \u00e9 respons\u00e1vel pelas despesas de guarda e conserva\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo em p\u00e1tio privado, <strong>sem limita\u00e7\u00e3o ao prazo de 30 dias previsto no art. 262 do CTB<\/strong>, pois a apreens\u00e3o decorre de a\u00e7\u00e3o judicial movida em seu interesse, n\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.216.266-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 13\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Cobraforte S.A., credor fiduci\u00e1rio, ajuizou busca e apreens\u00e3o de ve\u00edculos alienados fiduciariamente. Obteve liminar e os ve\u00edculos foram depositados em p\u00e1tio privado da Guarda Segura P\u00e1tios Ltda. Os ve\u00edculos permaneceram por meses. O banco sustentou que as di\u00e1rias deveriam ser limitadas a 30 dias, invocando o art. 262 do CTB. A deposit\u00e1ria cobrou o per\u00edodo integral. A limita\u00e7\u00e3o do CTB aplica-se a ve\u00edculos apreendidos por ordem judicial em a\u00e7\u00f5es de busca e apreens\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTB, art. 262 (vigente \u00e0 \u00e9poca)<\/strong><em> (prazo de 30 dias para despesas de remo\u00e7\u00e3o e estadia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto-Lei n\u00ba 911\/1969<\/strong><em> (busca e apreens\u00e3o em aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 262 do CTB refere-se a ve\u00edculos apreendidos por infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito &#8211; penalidade imposta pelo Estado. A apreens\u00e3o por ordem judicial em a\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o fiduci\u00e1ria tem <strong>causa diversa<\/strong>: decorre de a\u00e7\u00e3o movida pelo credor em seu interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Limitar as di\u00e1rias a 30 dias configuraria <strong>enriquecimento sem causa<\/strong> do credor fiduci\u00e1rio: beneficiar-se-ia do servi\u00e7o de guarda sem contrapresta\u00e7\u00e3o pelo per\u00edodo excedente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, em recurso repetitivo, interpretou o art. 262 do CTB como limite para despesas de estadia decorrentes de apreens\u00e3o por infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito (penalidade estatal). <strong>A apreens\u00e3o em a\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o fiduci\u00e1ria tem natureza distinta<\/strong>: n\u00e3o \u00e9 penalidade, mas medida judicial requerida pelo credor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A obriga\u00e7\u00e3o do credor fiduci\u00e1rio pelas despesas de p\u00e1tio \u00e9 propter rem: <strong>quem det\u00e9m a propriedade (resol\u00favel) do ve\u00edculo responde pela guarda e conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>. Essa obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sujeita ao limite temporal do CTB, que foi pensado para outra hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma rejeitou a tese do banco: <strong>limitar as di\u00e1rias a 30 dias transferiria ao deposit\u00e1rio o \u00f4nus da in\u00e9rcia do credor<\/strong> em retirar o ve\u00edculo do p\u00e1tio. Se o credor ajuizou a a\u00e7\u00e3o, obteve a liminar e deixou o ve\u00edculo depositado, deve arcar com as despesas integrais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o incentiva o credor fiduci\u00e1rio a <strong>agir com celeridade na destina\u00e7\u00e3o do bem apreendido<\/strong>: vender, leiloar ou devolver. Deixar o ve\u00edculo indefinidamente no p\u00e1tio gera despesas proporcionais ao per\u00edodo, sem limite artificial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As despesas de estadia de ve\u00edculo alienado fiduciariamente em p\u00e1tio privado, decorrentes de busca e apreens\u00e3o judicial requerida pelo credor:<\/p>\n\n\n\n<p>A) S\u00e3o limitadas a 30 dias, por aplica\u00e7\u00e3o do art. 262 do CTB.<\/p>\n\n\n\n<p>B) S\u00e3o de responsabilidade do devedor fiduciante inadimplente.<\/p>\n\n\n\n<p>C) S\u00e3o limitadas ao valor de mercado do ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) S\u00e3o de responsabilidade do Estado, por se tratar de ato judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>E) S\u00e3o devidas integralmente pelo credor fiduci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 262 do CTB aplica-se a apreens\u00f5es por infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito, n\u00e3o a busca e apreens\u00e3o judicial fiduci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A obriga\u00e7\u00e3o propter rem recai sobre o propriet\u00e1rio (credor fiduci\u00e1rio), n\u00e3o sobre o devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de limita\u00e7\u00e3o ao valor de mercado para despesas de estadia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A responsabilidade \u00e9 do credor que requereu a medida judicial em seu interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A apreens\u00e3o judicial tem causa diversa da infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito; o credor fiduci\u00e1rio responde integralmente pelas di\u00e1rias, sob pena de enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o credor fiduci\u00e1rio, em raz\u00e3o do inadimplemento dos contratantes, ajuizou a\u00e7\u00f5es de busca e apreens\u00e3o dos ve\u00edculos. Ao obter \u00eaxito na esfera judicial, teve os autom\u00f3veis depositados no p\u00e1tio privado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em discutir a possibilidade de se limitar a cobran\u00e7a das despesas de estadia dos referidos ve\u00edculos alienados fiduciariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 no sentido de que o pagamento devido pelas despesas relativas \u00e0 guarda e conserva\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo alienado fiduciariamente em p\u00e1tio privado em virtude da efetiva\u00e7\u00e3o de liminar de busca e apreens\u00e3o do bem, por se tratar de obriga\u00e7\u00e3o propter rem, \u00e9 de responsabilidade do credor fiduci\u00e1rio, que \u00e9 quem det\u00e9m a propriedade do autom\u00f3vel objeto de contrato garantido por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria. Nessa senda, quanto \u00e0 pretens\u00e3o de que a cobran\u00e7a das despesas de estadia em p\u00e1tio seria limitada a seis meses, aplic\u00e1vel a ve\u00edculo &#8220;apreendido ou removido a qualquer t\u00edtulo&#8221; e que a exig\u00eancia de di\u00e1rias por per\u00edodo indefinido teria implicado enriquecimento sem causa da deposit\u00e1ria, sendo necess\u00e1ria a limita\u00e7\u00e3o legal para evitar onera\u00e7\u00e3o superior ao valor do pr\u00f3prio bem, a Corte de origem concluiu &#8220;pela inaplicabilidade, in casu, da limita\u00e7\u00e3o de que trata o 10 do art. 271 do CTB, cuja previs\u00e3o se restringe, na expressa dic\u00e7\u00e3o legal, aos ve\u00edculos removidos nos casos previstos no aludido C\u00f3digo&#8221;. Sobre a tem\u00e1tica, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, julgando recurso especial repetitivo, interpretou o art. 262 do CTB delineando que a apreens\u00e3o de ve\u00edculo nele referida era uma penalidade decorrente do cometimento de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por essa raz\u00e3o, concluiu que, sendo uma pena imposta pelo Estado, n\u00e3o poderia ser ultrapassado o prazo de trinta dias de que trata o referido dispositivo para fins de cobran\u00e7a de despesas de remo\u00e7\u00e3o e estadia, estabelecendo o seguinte: &#8220;o ve\u00edculo pode ficar no dep\u00f3sito, por for\u00e7a da remo\u00e7\u00e3o, por mais de trinta dias e at\u00e9 que o propriet\u00e1rio regularize a situa\u00e7\u00e3o que deu ensejo ao dep\u00f3sito. Nada obstante, o valor da taxa respectiva n\u00e3o poder\u00e1 exceder o valor dos primeiros trinta dias de perman\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso, porque &#8220;as despesas de estadia dos ve\u00edculos em dep\u00f3sito possuem natureza jur\u00eddica de taxa&#8221;, cobrada, pois, pelo Estado, de maneira que &#8220;o prazo de 30 dias previsto no art. 262 do CTB garante ao contribuinte, em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do n\u00e3o-confisco (art. 150, inciso IV, da CF\/88), que n\u00e3o poder\u00e1 ser taxado de modo indefinido e ilimitado, al\u00e9m desse prazo, afastando assim a possibilidade, n\u00e3o remota, de que o valor da taxa ultrapasse o do ve\u00edculo apreendido&#8221; (REsp 1.104.775\/RS, Min. Castro Meira, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 1\/7\/2009).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Feitas tais considera\u00e7\u00f5es, a apreens\u00e3o e o consequente dep\u00f3sito do ve\u00edculo no p\u00e1tio particular da situa\u00e7\u00e3o em exame t\u00eam causa diversa da prevista no ent\u00e3o vigente art. 262 do CTB, o qual estava relacionado \u00e0 penalidade decorrente de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o credor fiduci\u00e1rio \u00e9 o respons\u00e1vel pelo pagamento das despesas derivadas da guarda, remo\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o dos bens.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, infere-se que a pretens\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o do valor devido pelo credor fiduci\u00e1rio a seis meses de estadia configuraria enriquecimento sem causa, uma vez que estaria o credor fiduci\u00e1rio beneficiando-se do servi\u00e7o de guarda e conserva\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos sem nenhuma contrapresta\u00e7\u00e3o, mesmo tendo sido acionados os referidos servi\u00e7os em decorr\u00eancia de a\u00e7\u00f5es ajuizadas por ele pr\u00f3prio e em seu interesse e benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, &#8220;a limita\u00e7\u00e3o a trinta dias do valor devido pelo credor fiduci\u00e1rio ao propriet\u00e1rio de p\u00e1tio privado respons\u00e1vel pela guarda e conserva\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo apreendido, al\u00e9m de n\u00e3o encontrar previs\u00e3o legal, tendo em vista que a limita\u00e7\u00e3o prevista no art. 262 do CTB somente se aplica em caso de apreens\u00e3o decorrente de penalidade imposta por infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito, configuraria enriquecimento sem causa da institui\u00e7\u00e3o financeira, a qual se beneficiaria do servi\u00e7o sem nenhuma contrapresta\u00e7\u00e3o&#8221; (AgInt no AREsp 910.776\/SP, Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, DJe de 7\/12\/2018).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-sub-rogacao-legal-sucessao-processual-dispensa-nova-intimacao\">9. Sub-roga\u00e7\u00e3o legal: sucess\u00e3o processual dispensa nova intima\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Configurada a sub-roga\u00e7\u00e3o legal em favor do terceiro que pagou a d\u00edvida, <strong>opera-se a sucess\u00e3o processual no cumprimento de senten\u00e7a no estado em que se encontra<\/strong>, sendo desnecess\u00e1ria nova intima\u00e7\u00e3o da executada para pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 935.216-RJ, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Josefina teve seus ativos penhorados em incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica e quitou integralmente a d\u00edvida de Creitinho. Sub-rogou-se legalmente no cr\u00e9dito (CC, art. 346, III) e requereu o prosseguimento do cumprimento de senten\u00e7a contra o devedor original. O ju\u00edzo exigiu nova intima\u00e7\u00e3o do devedor para pagamento (art. 523 do CPC). Josefina recorreu sustentando que a sub-roga\u00e7\u00e3o opera sucess\u00e3o processual e dispensa novo ato intimat\u00f3rio. \u00c9 necess\u00e1ria nova intima\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 346, III, e 349<\/strong><em> (sub-roga\u00e7\u00e3o legal do terceiro interessado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 523 e 778, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (cumprimento de senten\u00e7a e legitimidade do sub-rogado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A sub-roga\u00e7\u00e3o legal opera de <strong>pleno direito<\/strong> (CC, art. 346, III): o terceiro que paga a d\u00edvida adquire todos os direitos, a\u00e7\u00f5es, privil\u00e9gios e garantias do credor origin\u00e1rio (CC, art. 349). A sucess\u00e3o processual \u00e9 consequ\u00eancia autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Por fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o sucessor processual \u00e9 tratado como se fosse o pr\u00f3prio sucedido, recebendo o processo <strong>no estado em que se encontra<\/strong>. A intima\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada ao devedor n\u00e3o precisa ser repetida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A sub-roga\u00e7\u00e3o legal do art. 346, III, do CC opera de pleno direito em favor do terceiro que paga d\u00edvida pela qual era ou podia ser obrigado. <strong>N\u00e3o depende do consentimento do devedor nem de ato judicial constitutivo<\/strong>: basta o pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O sub-rogado sucede o credor origin\u00e1rio em todos os seus direitos (CC, art. 349). Na esfera processual, essa sucess\u00e3o equivale \u00e0 <strong>substitui\u00e7\u00e3o do polo ativo, sem altera\u00e7\u00e3o do objeto ou do estado do processo<\/strong>. O cumprimento de senten\u00e7a prossegue exatamente de onde parou.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma rejeitou a exig\u00eancia de nova intima\u00e7\u00e3o: o devedor j\u00e1 foi devidamente intimado para pagar e impugnar (art. 523 do CPC). <strong>A altera\u00e7\u00e3o subjetiva do polo ativo n\u00e3o reabre prazo nem reinicia atos processuais j\u00e1 consumados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tamb\u00e9m afastou a necessidade de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de regresso: o sub-rogado <strong>pode prosseguir diretamente no cumprimento de senten\u00e7a<\/strong>, sem ajuizar nova demanda. Essa solu\u00e7\u00e3o prestigia a economia processual e a celeridade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sub-roga\u00e7\u00e3o legal do terceiro que pagou a d\u00edvida (CC, art. 346, III), no cumprimento de senten\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Opera sucess\u00e3o processual, dispensando nova intima\u00e7\u00e3o do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Exige nova intima\u00e7\u00e3o do devedor para pagamento (art. 523 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Exige ajuizamento de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de regresso pelo sub-rogado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de homologa\u00e7\u00e3o judicial para produzir efeitos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Opera a partir da cita\u00e7\u00e3o do devedor na nova demanda do sub-rogado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A sub-roga\u00e7\u00e3o opera de pleno direito e a sucess\u00e3o processual permite o prosseguimento no estado em que o processo se encontra, sem nova intima\u00e7\u00e3o (CC, arts. 346, III, e 349; CPC, art. 778, \u00a7 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A intima\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada ao devedor produz efeitos; a altera\u00e7\u00e3o do polo ativo n\u00e3o a invalida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O sub-rogado pode prosseguir diretamente no cumprimento de senten\u00e7a, sem a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A sub-roga\u00e7\u00e3o legal opera de pleno direito, sem necessidade de homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 nova demanda; o sub-rogado ingressa no processo existente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de cobran\u00e7a de d\u00edvida n\u00e3o personal\u00edssima por credora legalmente sub-rogada. O d\u00e9bito deriva de um neg\u00f3cio jur\u00eddico tradicional que fora quitado integralmente pela recorrente ap\u00f3s ocorrer a penhora de seus ativos financeiros em raz\u00e3o de seu ingresso for\u00e7ado no processo decorrente de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica instaurado pelos credores origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a controv\u00e9rsia cinge-se \u00e0 necessidade, ou n\u00e3o, de nova intima\u00e7\u00e3o para pagamento \u00e0 credora legalmente sub-rogada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se que a sub-roga\u00e7\u00e3o legal se opera de pleno direito em favor do terceiro interessado que pagou a d\u00edvida pela qual era ou podia ser obrigado, independentemente do consentimento do executado (C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC, art. 778, 2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a credora sub-rogada est\u00e1 investida em &#8220;todos os direitos, a\u00e7\u00f5es, privil\u00e9gios e garantias do primitivo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida, contra o devedor principal e os fiadores&#8221; (C\u00f3digo Civil &#8211; CC, art. 349).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por consect\u00e1rio l\u00f3gico, portanto, segundo o pr\u00f3prio fen\u00f4meno jur\u00eddico da sucess\u00e3o processual, h\u00e1 a altera\u00e7\u00e3o subjetiva da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, passando outro sujeito a ser titular de obriga\u00e7\u00e3o ou direito que antes eram imputados a outrem (de rela\u00e7\u00e3o preexistente) e, por fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, reconhece-se que a rela\u00e7\u00e3o posta \u00e9 continuada, considerando o sucessor como se fosse o pr\u00f3prio sucedido, na mesma situa\u00e7\u00e3o processual, como mero continuador do processo, recebendo-o no estado em que se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na condi\u00e7\u00e3o de sub-rogada, a recorrente sucedeu processualmente os credores origin\u00e1rios, na denominada legitima\u00e7\u00e3o ativa derivada ou superveniente, estando autorizada a ingressar no cumprimento de senten\u00e7a no estado em que o feito se encontra, dando-lhe o devido prosseguimento, sendo despiciendo o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de regresso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, de acordo com todas essas premissas, n\u00e3o h\u00e1 falar em exig\u00eancia de nova intima\u00e7\u00e3o da executada para pagar a d\u00edvida, na forma exigida pelo art. 475-J do CPC\/1973 (equivalente ao art. 523, caput, do CPC\/2015). Isso porque o referido ato processual j\u00e1 ocorreu, tendo a executada sido devidamente intimada para pagar e apresentar a sua impugna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-laudo-pericial-desconsiderar-sem-fundamento-tecnico-vedado\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Laudo pericial: desconsiderar sem fundamento t\u00e9cnico? Vedado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A desconsidera\u00e7\u00e3o do laudo pericial pelo juiz (CPC, arts. 371 e 479) <strong>n\u00e3o pode se fundar em suposi\u00e7\u00f5es<\/strong>, exigindo fundamenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e racional apta a infirmar a conclus\u00e3o do perito, especialmente em mat\u00e9ria complexa.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.773.143-SP, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o contra hospital e m\u00e9dica obstetra pelo \u00f3bito de rec\u00e9m-nascido, alegando erro m\u00e9dico. O laudo pericial concluiu pela inexist\u00eancia de nexo causal: a conduta m\u00e9dica (cardiotocografia normal e indica\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o domiciliar) era &#8220;correta&#8221;. O TJ desconsiderou o laudo com base na aus\u00eancia de exame de ultrassonografia e condenou. A m\u00e9dica recorreu. O juiz pode rejeitar laudo t\u00e9cnico em mat\u00e9ria complexa com base em infer\u00eancias?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 371 e 479<\/strong><em> (livre convencimento e valora\u00e7\u00e3o do laudo pericial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 477, \u00a7 2\u00ba, I, e 480<\/strong><em> (esclarecimentos do perito e nova per\u00edcia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 479 autoriza o juiz a formar convic\u00e7\u00e3o diversa do laudo. Contudo, a motiva\u00e7\u00e3o deve ser <strong>substancial e racional<\/strong>: em mat\u00e9ria de alta complexidade (como medicina obst\u00e9trica), a desconsidera\u00e7\u00e3o exige elementos t\u00e9cnicos concretos, n\u00e3o suposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Antes de contrapor sua convic\u00e7\u00e3o pessoal ao laudo, o juiz deve utilizar os <strong>mecanismos processuais<\/strong> dispon\u00edveis: solicitar esclarecimentos ao perito (art. 477, \u00a7 2\u00ba, I) ou determinar nova per\u00edcia (art. 480).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O princ\u00edpio do livre convencimento motivado (CPC, art. 371) permite ao juiz formar convic\u00e7\u00e3o diversa do laudo pericial. Contudo, essa prerrogativa n\u00e3o \u00e9 ilimitada: <strong>a fundamenta\u00e7\u00e3o para rejeitar conclus\u00e3o t\u00e9cnica em mat\u00e9ria complexa deve ser substancial, racional e amparada em elementos dos autos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, o TJ desconsiderou laudo de medicina obst\u00e9trica com base na hip\u00f3tese de que a falta de ultrassonografia teria alterado o desfecho. <strong>Essa suposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi amparada por nenhum elemento t\u00e9cnico que demonstrasse o nexo causal entre a omiss\u00e3o e o resultado fatal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma refor\u00e7ou que o juiz, antes de descartar o laudo, deve <strong>utilizar os mecanismos processuais do CPC: esclarecimentos ao perito (art. 477, \u00a7 2\u00ba, I) ou nova per\u00edcia (art. 480)<\/strong>. A omiss\u00e3o em utiliz\u00e1-los, aliada \u00e0 fundamenta\u00e7\u00e3o insuficiente, configura viola\u00e7\u00e3o aos arts. 371 e 479.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o n\u00e3o retira do juiz o poder de discordar do perito, mas delimita os limites dessa discord\u00e2ncia: <strong>em mat\u00e9ria de alta complexidade, a convic\u00e7\u00e3o pessoal do julgador n\u00e3o pode substituir a conclus\u00e3o cient\u00edfica sem suporte t\u00e9cnico equivalente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a desconsidera\u00e7\u00e3o do laudo pericial em mat\u00e9ria de alta complexidade (CPC, arts. 371 e 479):<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 vedada, pois o laudo pericial vincula o juiz.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Demanda fundamenta\u00e7\u00e3o dentro do livre convencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 admitida quando o juiz aponta falha na metodologia adotada pelo perito.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige fundamenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para infirmar a conclus\u00e3o do perito.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 livre quando a prova testemunhal contradiz o laudo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 479 do CPC permite ao juiz formar convic\u00e7\u00e3o diversa; o laudo n\u00e3o vincula.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O livre convencimento \u00e9 motivado, n\u00e3o arbitr\u00e1rio; em mat\u00e9ria complexa, exige suporte t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Pegadinha. A discord\u00e2ncia metodol\u00f3gica \u00e9 leg\u00edtima, mas enseja esclarecimentos e, se for o caso, nova per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A desconsidera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se fundar em suposi\u00e7\u00f5es; em mat\u00e9ria complexa, o juiz deve apontar elementos t\u00e9cnicos concretos ou utilizar os mecanismos do CPC (esclarecimentos, nova per\u00edcia).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A prova testemunhal n\u00e3o substitui conclus\u00e3o cient\u00edfica em mat\u00e9ria de alta complexidade m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por \u00f3bito de rec\u00e9m-nascido por suposto erro m\u00e9dico e falha na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os hospitalares, com discuss\u00e3o sobre valora\u00e7\u00e3o da prova pericial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao ponto, \u00e9 certo que, ao realizar o julgamento, o juiz n\u00e3o \u00e9 obrigado a seguir as conclus\u00f5es do perito. Isso decorre do princ\u00edpio do livre convencimento motivado, previsto no art. 371 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC) e, ainda, de forma espec\u00edfica, em raz\u00e3o do disposto no art. 479 do mesmo diploma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar dessa prerrogativa legal, a valora\u00e7\u00e3o da prova pericial pelo art. 479 do CPC n\u00e3o pode ser exercida de forma arbitr\u00e1ria nem com base em suposi\u00e7\u00f5es desprovidas de suporte t\u00e9cnico ou probat\u00f3rio robusto que se sobreponham \u00e0 conclus\u00e3o cient\u00edfica do expert. A necess\u00e1ria fundamenta\u00e7\u00e3o (art. 371 do CPC) deve ser substancial e racional, especialmente quando se trata de reverter uma conclus\u00e3o t\u00e9cnica em \u00e1rea de alta complexidade, como a medicina obst\u00e9trica, em que a avalia\u00e7\u00e3o de nexo causal em evento fatal exige precis\u00e3o cient\u00edfica. No caso, o Tribunal de origem recha\u00e7ou as conclus\u00f5es do laudo m\u00e9dico pericial com base em suposi\u00e7\u00f5es, sem respaldo t\u00e9cnico suficiente para derruir a aus\u00eancia de nexo causal entre a conduta da m\u00e9dica e a morte do rec\u00e9m-nascido apresentada no laudo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, para derruir um laudo pericial que concluiu pela inexist\u00eancia de nexo causal t\u00e9cnico entre a conduta e o dano, a fundamenta\u00e7\u00e3o do juiz, embora livre, deve apontar quais elementos dos autos ou fatos cl\u00ednicos incontrovertidos seriam suficientes para infirmar a per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a mera alega\u00e7\u00e3o de que faltou &#8220;exame de ultrassonografia&#8221; ou &#8220;outra cardiotocografia&#8221;, embora possa refletir uma opini\u00e3o t\u00e9cnica, quando confrontada com um laudo pericial, exige que o julgador demonstre por que, na situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica espec\u00edfica da paciente, a omiss\u00e3o desses exames foi determinante para o desfecho fatal, em detrimento do que foi atestado pelo expert &#8211; que considerou a conduta inicial (cardiotocografia normal e indica\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o domiciliar por pr\u00f3dromos de parto) como &#8220;absolutamente correta&#8221;. O juiz tem o poder-dever de solicitar esclarecimentos do perito sobre eventuais v\u00edcios, omiss\u00f5es ou obscuridades do laudo em rela\u00e7\u00e3o a fatos cl\u00ednicos n\u00e3o considerados (art. 477, 2, I), ou at\u00e9 mesmo determinar a realiza\u00e7\u00e3o de nova per\u00edcia (art. 480), antes de simplesmente contrapor sua convic\u00e7\u00e3o pessoal t\u00e9cnica com a conclus\u00e3o do expert. A omiss\u00e3o em utilizar esses mecanismos, aliada \u00e0 fundamenta\u00e7\u00e3o insuficiente para desconstituir o laudo t\u00e9cnico em mat\u00e9ria complexa, configura viola\u00e7\u00e3o indireta dos limites do art. 479 c\/c art. 371 do CPC, demonstrando que a Corte de origem extrapolou a margem de discricionariedade probat\u00f3ria, de modo a comprometer a seguran\u00e7a jur\u00eddica e o devido processo legal. Portanto, a discuss\u00e3o n\u00e3o recai sobre a possibilidade de desconsiderar o laudo (art. 479), mas, sim, sobre a qualidade da motiva\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e t\u00e9cnica que levou a essa desconsidera\u00e7\u00e3o, sendo este um ponto puramente de direito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pronuncia-tj-nao-pode-afastar-dolo-por-analise-exauriente-das-provas\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pron\u00fancia: TJ n\u00e3o pode afastar dolo por an\u00e1lise exauriente das provas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na fase de pron\u00fancia, \u00e9 vedado ao Tribunal de Justi\u00e7a afastar, <strong>a partir de an\u00e1lise aprofundada e exauriente das provas<\/strong>, a possibilidade de dolo e desclassificar crime doloso contra a vida, sob pena de usurpar a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio foi pronunciado por homic\u00eddio doloso (dolo eventual) em acidente de tr\u00e2nsito. O TJ, em recurso, reformou a pron\u00fancia: afastou o dolo eventual, afastou a culpa e atribuiu o resultado \u00e0 culpa exclusiva da v\u00edtima, absolvendo sumariamente. A<em> acusa\u00e7\u00e3o<\/em> (MP e assistente) recorreram sustentando que o TJ realizou an\u00e1lise exauriente de provas, usurpando a compet\u00eancia do J\u00fari. O TJ pode, na fase de pron\u00fancia, excluir dolo eventual com base em valora\u00e7\u00e3o aprofundada?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXXVIII<\/strong><em> (soberania do Tribunal do J\u00fari).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 413, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (pron\u00fancia: prova da materialidade e ind\u00edcios de autoria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Na pron\u00fancia (<em>judicium accusationis<\/em>), basta prova da materialidade e ind\u00edcios suficientes de autoria. D\u00favidas sobre dolo eventual versus culpa consciente resolvem-se pelo <strong>in dubio pro societate<\/strong>: a an\u00e1lise aprofundada \u00e9 reservada ao Conselho de Senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ao afastar dolo e culpa e absolver sumariamente, o TJ realizou &#8220;<strong>ju\u00edzo absolut\u00f3rio antecipado<\/strong>&#8220;, substituindo o Conselho de Senten\u00e7a na valora\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari para julgar crimes dolosos contra a vida \u00e9 garantia constitucional (CF, art. 5\u00ba, XXXVIII). Na fase de pron\u00fancia, o ju\u00edzo de admissibilidade \u00e9 <strong>sum\u00e1rio, n\u00e3o exauriente<\/strong>: basta a exist\u00eancia de materialidade e ind\u00edcios de autoria para submeter o r\u00e9u ao J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O TJ de origem extrapolou os limites cognitivos da fase de admissibilidade: afastou dolo eventual, afastou culpa e concluiu por culpa exclusiva da v\u00edtima. <strong>Essa an\u00e1lise \u00e9 t\u00edpica do ju\u00edzo de m\u00e9rito, reservada ao Conselho de Senten\u00e7a<\/strong>, que aprecia a prova sob o crivo do contradit\u00f3rio pleno.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quinta Turma restabeleceu a pron\u00fancia, reconhecendo que a defini\u00e7\u00e3o sobre dolo eventual versus culpa consciente <strong>demanda ju\u00edzo aprofundado de valora\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria que compete ao J\u00fari<\/strong>, especialmente em hip\u00f3teses lim\u00edtrofes como acidentes de tr\u00e2nsito com resultado morte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o reafirma o <em>in dubio pro societate<\/em> na pron\u00fancia: <strong>havendo d\u00favida razo\u00e1vel sobre a configura\u00e7\u00e3o do dolo, o r\u00e9u deve ser submetido ao julgamento popular<\/strong>. A pron\u00fancia n\u00e3o \u00e9 ju\u00edzo de certeza, mas de admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na fase do <em>judicium accusationis<\/em>, o Tribunal de Justi\u00e7a que analisa recurso contra pron\u00fancia:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Pode afastar o dolo eventual, mas apenas com valora\u00e7\u00e3o exauriente das provas.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Deve limitar-se \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o de materialidade delitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Pode absolver sumariamente quando verificar que houve culpa exclusiva da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>D) N\u00e3o pode, por an\u00e1lise exauriente, substituir o Conselho de Senten\u00e7a na defini\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pode desclassificar para crime culposo quando evidente a aus\u00eancia de dolo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A valora\u00e7\u00e3o exauriente do elemento subjetivo compete ao Conselho de Senten\u00e7a, n\u00e3o ao TJ na fase de admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A verifica\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria (art. 413, \u00a7 1\u00ba, do CPP) \u00e9 tanto da materialidade quanto dos ind\u00edcios de autoria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria por culpa exclusiva da v\u00edtima extrapola os limites da fase de admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> O TJ que afasta o dolo por an\u00e1lise aprofundada realiza julgamento antecipado do m\u00e9rito, usurpando a compet\u00eancia constitucional do J\u00fari (CF, art. 5\u00ba, XXXVIII; CPP, art. 413, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A &#8220;evid\u00eancia&#8221; da aus\u00eancia de dolo \u00e9 ju\u00edzo de m\u00e9rito que compete ao J\u00fari, n\u00e3o ao TJ na pron\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se, na fase do judicium accusationis, o Tribunal de Justi\u00e7a pode afastar, de forma exauriente, a presen\u00e7a de dolo (direto ou eventual) e mesmo de culpa na conduta atribu\u00edda ao acusado, desclassificando o crime doloso contra a vida e afastando a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari. A defini\u00e7\u00e3o acerca do elemento subjetivo que orientou a conduta do acusado, especialmente em hip\u00f3teses lim\u00edtrofes entre dolo eventual e culpa consciente, demanda ju\u00edzo aprofundado de valora\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria e an\u00e1lise das circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas do caso concreto, atribui\u00e7\u00f5es que competem ao Conselho de Senten\u00e7a, nos termos do art. 5, XXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na fase do <em>judicium accusationis<\/em>, n\u00e3o se exige certeza quanto \u00e0 responsabilidade penal do acusado, tampouco ju\u00edzo exauriente sobre o elemento subjetivo. Conforme disp\u00f5e o art. 413, 1, do C\u00f3digo de Processo Penal, basta a prova da materialidade do fato e a exist\u00eancia de ind\u00edcios suficientes de autoria. Eventuais d\u00favidas razo\u00e1veis quanto \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do dolo devem ser resolvidas em favor da sociedade, sob a l\u00f3gica do princ\u00edpio do in dubio pro societate, pr\u00f3prio desta etapa processual. Ao afastar, desde logo, qualquer possibilidade de dolo, e at\u00e9 mesmo de culpa, atribuindo o resultado \u00e0 culpa exclusiva da v\u00edtima e, assim, concluindo pela desclassifica\u00e7\u00e3o delitiva da conduta do acusado, o Tribunal de origem realizou verdadeiro ju\u00edzo absolut\u00f3rio antecipado, substituindo o Conselho de Senten\u00e7a na an\u00e1lise aprofundada das provas e das circunst\u00e2ncias que envolvem o fato, o que configura indevida supress\u00e3o da compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre salientar que a decis\u00e3o de pron\u00fancia proferida pelo magistrado de primeiro grau reconheceu expressamente a presen\u00e7a da materialidade delitiva e de ind\u00edcios suficientes de autoria, preenchendo os requisitos legais para a submiss\u00e3o do denunciado ao julgamento popular. A revers\u00e3o dessa decis\u00e3o, com base em ju\u00edzo valorativo aprofundado sobre o elemento subjetivo, extrapola os limites cognitivos pr\u00f3prios da fase de admissibilidade da acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, imp\u00f5e-se o restabelecimento da decis\u00e3o de pron\u00fancia, a fim de que o acusado seja submetido ao julgamento pelo Tribunal do J\u00fari, \u00f3rg\u00e3o soberano e constitucionalmente competente para decidir \u00e0 luz da prova produzida sob o crivo do contradit\u00f3rio pleno acerca da exist\u00eancia, ou n\u00e3o, de dolo eventual ou culpa na conduta descrita na den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-violencia-domestica-exame-de-corpo-de-delito-dispensavel-quando-ha-outras-provas\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Viol\u00eancia dom\u00e9stica: exame de corpo de delito dispens\u00e1vel quando h\u00e1 outras provas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, inclusive psicol\u00f3gica, o exame de corpo de delito <strong>pode ser dispensado quando h\u00e1 outras provas id\u00f4neas da materialidade<\/strong>, como depoimentos, \u00e1udios e mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 3.057.385-DF, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Prof. Jirafales foi denunciado por viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra Dona Florinda, sua ex-companheira (CP, art. 147-B). N\u00e3o foi realizado exame de corpo de delito. A defesa alegou falta de materialidade. O TJ manteve a condena\u00e7\u00e3o com base nas declara\u00e7\u00f5es da Dona Florinda, depoimento de testemunhas (Seu Madruga e Chiquinha), \u00e1udios e mensagens que demonstravam a conduta agressiva e controladora do Prof. Jirafales (que papel\u00e3o, eihn??!!). A viol\u00eancia psicol\u00f3gica exige exame de corpo de delito para comprovar a materialidade?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 147-B<\/strong><em> (viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 167<\/strong><em> (suprimento do exame de corpo de delito por outros meios).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A viol\u00eancia psicol\u00f3gica (art. 147-B do CP) <strong>n\u00e3o deixa vest\u00edgios f\u00edsicos<\/strong> vis\u00edveis. O CPP (art. 167) admite o suprimento do exame de corpo de delito quando os vest\u00edgios desapareceram ou quando a natureza do crime n\u00e3o os produz.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A palavra da v\u00edtima, em harmonia com os demais elementos dos autos, possui <strong>relevante valor probat\u00f3rio<\/strong> em crimes de viol\u00eancia dom\u00e9stica, conforme jurisprud\u00eancia consolidada do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A viol\u00eancia psicol\u00f3gica (art. 147-B do CP) configura crime que, por sua natureza, <strong>n\u00e3o produz vest\u00edgios corporais examin\u00e1veis por per\u00edcia tradicional<\/strong>. A materialidade \u00e9 comprovada por outros meios: declara\u00e7\u00f5es da v\u00edtima, depoimentos, \u00e1udios, mensagens e laudos psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O CPP (art. 167) prev\u00ea que, quando os vest\u00edgios desapareceram ou a infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o os deixou, o exame de corpo de delito pode ser suprido por prova testemunhal. A Quinta Turma estendeu esse entendimento \u00e0 viol\u00eancia psicol\u00f3gica: <strong>o exame pericial n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o sine qua non da materialidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 No caso, as declara\u00e7\u00f5es da v\u00edtima foram corroboradas por testemunha e por \u00e1udios demonstrativos da conduta agressiva. A Quinta Turma reafirmou que, em viol\u00eancia dom\u00e9stica, <strong>a palavra da v\u00edtima tem especial valor quando harm\u00f4nica com os demais elementos<\/strong>, dada a natureza clandestina desses crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o aplica-se tanto \u00e0 viol\u00eancia psicol\u00f3gica (art. 147-B) quanto \u00e0 les\u00e3o corporal em contexto dom\u00e9stico (art. 129, \u00a7 9\u00ba). <strong>O crit\u00e9rio \u00e9 a idoneidade do conjunto probat\u00f3rio, n\u00e3o a exist\u00eancia de um meio de prova espec\u00edfico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos crimes de viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher no contexto dom\u00e9stico (CP, art. 147-B), o exame de corpo de delito:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 requisito indispens\u00e1vel para a comprova\u00e7\u00e3o da materialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Pode ser dispensado quando h\u00e1 outras provas id\u00f4neas da materialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 de ser substitu\u00eddo por laudo psiqui\u00e1trico da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 dispensado apenas quando a v\u00edtima apresenta atestado m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 dispensado apenas em crimes apenados com deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A viol\u00eancia psicol\u00f3gica n\u00e3o produz vest\u00edgios f\u00edsicos; o exame pode ser suprido (CPP, art. 167).<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> Declara\u00e7\u00f5es da v\u00edtima, depoimentos, \u00e1udios e mensagens constituem provas id\u00f4neas da materialidade, dispensando o exame de corpo de delito (CPP, art. 167).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O laudo psiqui\u00e1trico \u00e9 elemento poss\u00edvel, mas n\u00e3o substituto obrigat\u00f3rio; a prova \u00e9 livre.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Atestado m\u00e9dico \u00e9 um dos meios, n\u00e3o o \u00fanico; a materialidade admite prova diversificada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A dispensa independe da pena cominada; decorre da natureza do crime.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se, nos casos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra a mulher, o exame de corpo de delito \u00e9 indispens\u00e1vel para comprovar a materialidade delitiva, ou se outras provas id\u00f4neas podem suprir sua aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem assentou que &#8220;a prova testemunhal, a qual relatou a exist\u00eancia de depend\u00eancia psicol\u00f3gica da v\u00edtima em rela\u00e7\u00e3o ao r\u00e9u, sujeitando-se aos seus comandos por receio de que este viesse a importun\u00e1-la, a seus filhos ou, ainda, a praticar atos mais graves contra ela ou contra as crian\u00e7as. Nessa toada, a v\u00edtima foi enf\u00e1tica ao afirmar que o apelante lhe causou dano emocional em diversas ocasi\u00f5es ao longo do per\u00edodo delimitado na den\u00fancia&#8221;. E apontou que &#8220;Corroborando os relatos apresentados, os \u00e1udios anexados aos autos demonstram a conduta agressiva e importunadora do r\u00e9u em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima, atitude mais do que suficiente para lhe causar fundado temor, desestabilizando suas a\u00e7\u00f5es, comportamentos e decis\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na caso, verifica-se que as declara\u00e7\u00f5es da v\u00edtima foram corroboradas pelo depoimento de testemunha, al\u00e9m de diversas mensagens demonstrativas da viol\u00eancia emocional sofrida pela v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o entendimento do Tribunal a quo est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido de que a palavra da v\u00edtima, em harmonia com os demais elementos presentes nos autos, possui relevante valor probat\u00f3rio, especialmente em crimes que envolvem viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. Ademais, esta Corte possui o entendimento de que, mesmo nos casos de les\u00e3o corporal em sede de viol\u00eancia dom\u00e9stica (posicionamento que, notadamente, pode ser estendido tamb\u00e9m a casos envolvendo viol\u00eancia psicol\u00f3gica e emocional), o exame de corpo de delito poder\u00e1 ser dispensado, quando subsistirem outras provas id\u00f4neas da materialidade delitiva, como ocorreu no caso em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-furto-qualificado-rompimento-de-obstaculo-iniciado-tentativa-nao-ato-preparatorio\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Furto qualificado: rompimento de obst\u00e1culo iniciado? Tentativa, n\u00e3o ato preparat\u00f3rio<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A conduta do agente que inicia o rompimento de obst\u00e1culo e n\u00e3o alcan\u00e7a a subtra\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es alheias \u00e0 sua vontade <strong>configura tentativa de furto qualificado<\/strong>, e n\u00e3o mero ato preparat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.255.737-MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>God\u00ednez foi flagrado por policiais ap\u00f3s destruir o cadeado e danificar a porta do restaurante da Dona Florinda &#8212; certamente em busca de alguma panqueca que tenha sobrado. O TJ absolveu God\u00ednez por entender que a conduta era mero ato preparat\u00f3rio, pois n\u00e3o houve &#8220;inaugura\u00e7\u00e3o da subtra\u00e7\u00e3o de coisa alheia m\u00f3vel&#8221;. O MP recorreu. Destruir cadeado e danificar porta \u00e9 ato preparat\u00f3rio ou in\u00edcio de execu\u00e7\u00e3o do furto?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, arts. 14, II, e 155, \u00a7 4\u00ba, I<\/strong><em> (tentativa e furto qualificado por rompimento de obst\u00e1culo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STJ adota a <strong>teoria objetivo-formal temperada<\/strong>: o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o exige o in\u00edcio do verbo nuclear (&#8220;subtrair&#8221;), mas abrange atos perif\u00e9ricos que evidenciem inequivocamente o in\u00edcio da agress\u00e3o ao bem jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Destruir cadeado e danificar porta para ingressar em estabelecimento n\u00e3o \u00e9 ato preparat\u00f3rio: \u00e9 <strong>execu\u00e7\u00e3o da qualificadora<\/strong> (rompimento de obst\u00e1culo), que exp\u00f5e o bem jur\u00eddico a risco relevante e imediato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A teoria objetivo-formal pura atrela o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o ao verbo nuclear do tipo (&#8220;subtrair&#8221;). A Quinta Turma, por\u00e9m, aplica a vers\u00e3o temperada: <strong>atos perif\u00e9ricos que exponham o bem jur\u00eddico a risco relevante e imediato configuram in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o<\/strong>, mesmo antes do contato com a coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, os agentes destru\u00edram o cadeado e danificaram a porta, sendo flagrados antes de ingressar na loja. Essa conduta <strong>j\u00e1 integra a qualificadora do rompimento de obst\u00e1culo (art. 155, \u00a7 4\u00ba, I, do CP)<\/strong> e coloca o patrim\u00f4nio em perigo concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quinta Turma reformou o ac\u00f3rd\u00e3o absolut\u00f3rio e reconheceu a tentativa de furto qualificado. <strong>A interrup\u00e7\u00e3o por flagrante policial, circunst\u00e2ncia alheia \u00e0 vontade dos agentes, configura o art. 14, II, do CP<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o delimita a fronteira entre ato preparat\u00f3rio e tentativa: <strong>o rompimento de obst\u00e1culo j\u00e1 \u00e9 execu\u00e7\u00e3o do crime de furto qualificado<\/strong>, mesmo que o agente n\u00e3o tenha tocado nos bens que pretendia subtrair. O perigo concreto ao patrim\u00f4nio \u00e9 o crit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agentes que destroem cadeado e danificam porta de loja, sendo flagrados pela pol\u00edcia antes de ingressar no estabelecimento:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Praticaram mero ato preparat\u00f3rio, insuscet\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Praticaram dano qualificado, n\u00e3o furto.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Praticaram tentativa de furto simples.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Praticaram crime imposs\u00edvel, por inefic\u00e1cia do meio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Praticaram tentativa de furto qualificado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A destrui\u00e7\u00e3o do cadeado e dano \u00e0 porta exp\u00f5em o patrim\u00f4nio a risco concreto, superando o ato preparat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O dano \u00e9 meio para o furto, n\u00e3o fim em si; a conduta integra a qualificadora do rompimento de obst\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O rompimento de obst\u00e1culo configura a qualificadora do art. 155, \u00a7 4\u00ba, I, n\u00e3o o tipo simples.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O meio era eficaz (destrui\u00e7\u00e3o do cadeado); a interrup\u00e7\u00e3o decorreu de flagrante policial, n\u00e3o de inaptid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A teoria objetivo-formal temperada reconhece o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o em atos que exp\u00f5em o bem a risco concreto; o rompimento de obst\u00e1culo j\u00e1 \u00e9 execu\u00e7\u00e3o da qualificadora (CP, arts. 14, II, e 155, \u00a7 4\u00ba, I).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se configura tentativa de furto qualificado a conduta de agentes flagrados ao tentar arrombar a porta de estabelecimento comercial depois de destruir o cadeado, sem conseguir prosseguir na subtra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, embora parta da teoria objetivo-formal, que atrela o ato execut\u00f3rio ao in\u00edcio da realiza\u00e7\u00e3o do verbo nuclear do tipo, adota uma concep\u00e7\u00e3o temperada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, distingue-se o come\u00e7o de execu\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o t\u00edpica (isto \u00e9, o ingresso no verbo), do in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o do crime, situa\u00e7\u00e3o igualmente abrangida pela norma de extens\u00e3o do art. 14, inciso II, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa \u00faltima hip\u00f3tese, pode-se considerar tentado o crime antes mesmo do in\u00edcio da a\u00e7\u00e3o nuclear, quando atos perif\u00e9ricos, analisados \u00e0 luz do plano concreto do agente, evidenciarem de forma inequ\u00edvoca o in\u00edcio da agress\u00e3o ao bem jur\u00eddico, expondo-o a um risco relevante e imediato.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, a descri\u00e7\u00e3o f\u00e1tica expressamente delineada pelo Tribunal de origem n\u00e3o se coaduna com o entendimento que absolveu os acusados por atipicidade da conduta, com fundamento na falta de &#8220;inaugura\u00e7\u00e3o da subtra\u00e7\u00e3o de coisa alheia m\u00f3vel&#8221; (verbo nuclear do tipo penal), porquanto demonstra a relevante periclita\u00e7\u00e3o do bem juridicamente tutelado, o qual foi posto em risco iminente, inclusive com a pr\u00e1tica de conduta inerente \u00e0 qualificadora do rompimento de obst\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque, no caso, verifica-se que os r\u00e9us, com a inten\u00e7\u00e3o de furtar objetos do interior do estabelecimento v\u00edtima, &#8220;estouraram&#8221; o cadeado e danificaram a porta da loja, momento em que foram flagrados pelos policiais e impedidos de prosseguir com a empreitada delitiva, por raz\u00f5es alheias \u00e0 vontade dos agentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, invi\u00e1vel falar em atos meramente preparat\u00f3rios, porquanto configurado o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o do crime descrito no art. 155 do C\u00f3digo Penal, caracterizando, assim, a tentativa do crime de furto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-venda-ilegal-de-medicamentos-art-273-1\u00ba-b-do-cp-nao-trafico-de-drogas\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Venda ilegal de medicamentos: art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP, n\u00e3o tr\u00e1fico de drogas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A venda de medicamentos controlados pela internet, sem observ\u00e2ncia das formalidades legais, <strong>amolda-se ao art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP (falsifica\u00e7\u00e3o de produto terap\u00eautico)<\/strong>, e n\u00e3o ao art. 33 da Lei de Drogas, pelo princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AgRg no REsp 1.835.395-RS, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por maioria, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio foi condenado por tr\u00e1fico de drogas (arts. 33 e 35 da Lei n\u00ba 11.343\/2006) por vender medicamentos controlados pela internet, operando uma &#8220;farm\u00e1cia clandestina&#8221; virtual. Alguns medicamentos constavam da Portaria SVS\/MS n\u00ba 344\/1998. A defesa sustentou que a conduta se enquadrava no art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP (venda de produto terap\u00eautico sem registro), pelo princ\u00edpio da especialidade. A venda irregular de medicamentos controlados \u00e9 tr\u00e1fico ou crime contra a sa\u00fade p\u00fablica?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 273, \u00a7 1\u00ba-B<\/strong><em> (venda de produto terap\u00eautico sem registro ou em desacordo com a f\u00f3rmula).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.343\/2006, arts. 33 e 35<\/strong><em> (tr\u00e1fico de drogas e associa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Portaria SVS\/MS n\u00ba 344\/1998<\/strong><em> (subst\u00e2ncias sujeitas a controle especial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A conduta de vender medicamentos irregulares, ainda que controlados pela Portaria n\u00ba 344, enquadra-se no <strong>tipo especial<\/strong> do art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP quando a finalidade \u00e9 terap\u00eautica\/medicinal. O tipo geral (tr\u00e1fico, art. 33) cede ao especial pelo princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O fato de os medicamentos constarem da Portaria n\u00ba 344 n\u00e3o os transforma em drogas il\u00edcitas para fins do art. 33: a finalidade (terap\u00eautica, n\u00e3o recreativa) e o contexto (farm\u00e1cia clandestina, n\u00e3o trafic\u00e2ncia) definem o tipo aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 33 da Lei de Drogas tipifica o tr\u00e1fico de subst\u00e2ncias entorpecentes. O art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP tipifica a venda de produto destinado a fins terap\u00eauticos sem registro ou em desacordo com a f\u00f3rmula. <strong>A conduta de operar farm\u00e1cia clandestina e vender medicamentos controlados amolda-se ao tipo especial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O princ\u00edpio da especialidade resolve o conflito aparente de normas: o tipo especial (art. 273, \u00a7 1\u00ba-B) <strong>prevalece sobre o tipo geral (art. 33 da Lei de Drogas) quando a conduta \u00e9 orientada \u00e0 venda de medicamentos<\/strong>, n\u00e3o \u00e0 trafic\u00e2ncia de subst\u00e2ncias il\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma determinou a desclassifica\u00e7\u00e3o da conduta, <strong>reenquadrando-a no art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP<\/strong>. A consequ\u00eancia pr\u00e1tica \u00e9 significativa: as penas do art. 273 s\u00e3o substancialmente diversas das do tr\u00e1fico, e o regime processual difere (sem as restri\u00e7\u00f5es da Lei de Drogas).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para o crescente fen\u00f4meno de farm\u00e1cias clandestinas online. O crit\u00e9rio distintivo \u00e9 a <strong>finalidade da conduta: vender medicamentos (art. 273) versus comercializar drogas il\u00edcitas (art. 33)<\/strong>. A presen\u00e7a do medicamento na Portaria n\u00ba 344 \u00e9 relevante, mas n\u00e3o determinante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A venda de medicamentos controlados pela internet, por meio de &#8220;farm\u00e1cia clandestina&#8221;, enquadra-se:<\/p>\n\n\n\n<p>A) No art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP, pelo princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) No art. 33 da Lei n\u00ba 11.343\/2006, se algum dos medicamentos consta da Portaria n\u00ba 344 SVS.<\/p>\n\n\n\n<p>C) No tr\u00e1fico de drogas quando h\u00e1 associa\u00e7\u00e3o, e na venda de produto destinado a fins terap\u00eauticos sem registro ou em desacordo com a f\u00f3rmula quando individual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Em concurso formal entre tr\u00e1fico e venda clandestina de medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) No art. 33 da lei de drogas quando envolve subst\u00e2ncias psicotr\u00f3picas, e no art. 273 do CP para os demais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A venda de medicamentos com finalidade terap\u00eautica, mesmo controlados, enquadra-se no tipo especial do art. 273, \u00a7 1\u00ba-B, do CP, que prevalece sobre o art. 33 da Lei de Drogas pelo princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A presen\u00e7a na Portaria n\u00ba 344 n\u00e3o transforma a conduta em tr\u00e1fico; o crit\u00e9rio \u00e9 a finalidade (terap\u00eautica versus recreativa).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O crit\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de agentes, mas a finalidade da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 concurso formal; o princ\u00edpio da especialidade resolve o conflito aparente.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz pela classifica\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica, mas pela finalidade (terap\u00eautica versus trafic\u00e2ncia).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-12\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria, o acusado foi condenado pela pr\u00e1tica do crime de tr\u00e1fico de entorpecentes e por associa\u00e7\u00e3o para o mesmo fim (arts. 33 e 35 da Lei n. 11.343\/2006).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, verifica-se a necessidade de proceder \u00e0 adequada classifica\u00e7\u00e3o dos fatos narrados na den\u00fancia. Isso porque a conduta imputada ao acusado consistia, exclusivamente, na venda de medicamentos controlados, pela internet, em desacordo com a determina\u00e7\u00e3o legal. Neste caso, tendo em vista o princ\u00edpio da especialidade, afigura-se mais adequada a capitula\u00e7\u00e3o dos fatos no art. 273 do C\u00f3digo Penal, em vez do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006, uma vez que a conduta se restringiu \u00e0 venda irregular de medicamentos, valendo-se de uma &#8220;farm\u00e1cia clandestina&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, ao participar de um esquema que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pretendia vender, de forma irregular, medicamentos por meio de farm\u00e1cias virtuais na internet, o acusado teve a sua conduta amoldada ao disposto no art. 273, 1-B, do CP. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, em caso an\u00e1logo, decidiu que, a despeito de alguns medicamentos irregularmente comercializados estarem relacionados na Portaria SVS\/MS n. 344 de 1998, a conduta n\u00e3o seria a prevista no art. 33 da Lei n. 11.343\/2006, tendo em vista que &#8220;os fatos materializados demonstraram ser a conduta dos recorrentes, desde o in\u00edcio de sua empreitada, orientada para, numa sucess\u00e3o de eventos e sob a fachada de uma farm\u00e1cia, falsificar, vender e manter em dep\u00f3sito para venda produtos falsificados destinados a fins terap\u00eauticos e medicinais&#8221; (REsp n. 1.537.773\/SC, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 16\/8\/2016, DJe de 19\/9\/2016).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-decadencia-6-meses-para-queixa-crime-e-peremptorio-sem-prorrogacao\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Decad\u00eancia: 6 meses para queixa-crime \u00e9 perempt\u00f3rio, sem prorroga\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O prazo de 6 meses para o oferecimento da queixa ou da representa\u00e7\u00e3o <strong>\u00e9 perempt\u00f3rio e n\u00e3o admite suspens\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o<\/strong>, ainda que ocorra altera\u00e7\u00e3o da capitula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 3.080.643-SE, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Barriga ofereceu queixa-crime contra Kiko por difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria, ap\u00f3s 7 meses da data em que soube quem era o autor. Sustentou que a queixa foi tempestiva porque, inicialmente, os fatos pareciam configurar cal\u00fania (a\u00e7\u00e3o p\u00fablica condicionada), e que a altera\u00e7\u00e3o da capitula\u00e7\u00e3o para difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria (a\u00e7\u00e3o privada) reabriria o prazo. Decaiu ou t\u00e1 de p\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 103<\/strong><em> (decad\u00eancia do direito de queixa ou representa\u00e7\u00e3o: 6 meses).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 38<\/strong><em> (prazo decadencial: 6 meses da ci\u00eancia da autoria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O prazo de 6 meses \u00e9 decadencial (n\u00e3o prescricional): <strong>n\u00e3o admite suspens\u00e3o<\/strong>, interrup\u00e7\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o, salvo exce\u00e7\u00f5es legais expressas. A altera\u00e7\u00e3o da capitula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica n\u00e3o constitui exce\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O prazo conta da <strong>ci\u00eancia da autoria<\/strong>, n\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do crime. Se o ofendido sabe quem \u00e9 o autor, o prazo corre independentemente de d\u00favida sobre a capitula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 103 do CP e o art. 38 do CPP s\u00e3o claros: o prazo de 6 meses conta do dia em que o ofendido veio a saber quem \u00e9 o autor do crime. \u00c9 <strong>prazo decadencial, de natureza perempt\u00f3ria<\/strong>: n\u00e3o se suspende, n\u00e3o se interrompe, n\u00e3o se prorroga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Sexta Turma rejeitou o argumento de que a mudan\u00e7a de capitula\u00e7\u00e3o (de cal\u00fania para difama\u00e7\u00e3o\/inj\u00faria) reabriria o prazo. <strong>O prazo \u00e9 o mesmo independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o<\/strong>: o que importa \u00e9 a ci\u00eancia da autoria, n\u00e3o a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do fato.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o reafirma que a decad\u00eancia opera automaticamente pelo mero decurso do prazo, <strong>extinguindo a punibilidade sem possibilidade de reabertura<\/strong>. O ofendido que soube da autoria h\u00e1 mais de 6 meses perdeu o direito de queixa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A ratio protege a seguran\u00e7a jur\u00eddica e a estabilidade das rela\u00e7\u00f5es: <strong>o investigado n\u00e3o pode ficar indefinidamente sujeito \u00e0 amea\u00e7a de queixa-crime<\/strong>. O prazo decadencial \u00e9 garantia do indiv\u00edduo contra a in\u00e9rcia do ofendido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o prazo decadencial de 6 meses para oferecimento de queixa-crime (CP, art. 103):<\/p>\n\n\n\n<p>A) Admite suspens\u00e3o enquanto pendente procedimento policial.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Conta-se da instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 perempt\u00f3rio e n\u00e3o admite suspens\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Conta-se da data do fato.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Admite prorroga\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o da capitula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O prazo decadencial n\u00e3o admite suspens\u00e3o; o procedimento policial n\u00e3o o interrompe.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O inqu\u00e9rito policial n\u00e3o interrompe prazo decadencial penal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> O prazo de 6 meses \u00e9 decadencial e perempt\u00f3rio (CP, art. 103; CPP, art. 38), contado da ci\u00eancia da autoria, sem admitir suspens\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O prazo conta da ci\u00eancia da autoria, n\u00e3o da data do fato (art. 103 do CP).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A altera\u00e7\u00e3o da capitula\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui exce\u00e7\u00e3o legal ao prazo decadencial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-13\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consta que a parte recorrente ofereceu queixa-crime em desfavor dos recorridos pela suposta pr\u00e1tica dos crimes de difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Ju\u00edzo singular julgou extinta a punibilidade dos querelados pela decad\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consoante disposto no art. 103 do C\u00f3digo Penal, &#8220;salvo disposi\u00e7\u00e3o expressa em contr\u00e1rio, o ofendido decai do direito de queixa ou de representa\u00e7\u00e3o se n\u00e3o o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber quem \u00e9 o autor do crime&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, o art. 38 do C\u00f3digo de Processo Penal disp\u00f5e que: &#8220;Salvo disposi\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, o ofendido, ou seu representante legal, decair\u00e1 no direito de queixa ou de representa\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o o exercer dentro de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem \u00e9 o autor do crime&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se, portanto, de prazo perempt\u00f3rio, que n\u00e3o admite suspens\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o, ressalvadas as exce\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, mesmo nos casos em que houve altera\u00e7\u00e3o da capitula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, n\u00e3o existe suspens\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o do prazo decadencial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-sigilo-medico-comunicacao-a-policia-sobre-aborto-prova-ilicita\">16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sigilo m\u00e9dico: comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia sobre aborto? Prova il\u00edcita<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o feita por profissional de sa\u00fade \u00e0 autoridade policial de fatos protegidos pelo sigilo m\u00e9dico, <strong>notadamente em casos de aborto, constitui prova il\u00edcita<\/strong>, contaminando, por deriva\u00e7\u00e3o, todos os elementos de prova subsequentes.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 1.000.918-SP, Rel. Ministro Ot\u00e1vio de Almeida Toledo (Desembargador convocado do TJSP), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chiquinha deu entrada em hospital ap\u00f3s ingerir subst\u00e2ncia abortiva. A m\u00e9dica que a atendeu comunicou o fato \u00e0 autoridade policial, que iniciou investiga\u00e7\u00e3o. Com base na comunica\u00e7\u00e3o, Chiquinha foi denunciada pelo crime do art. 124 do CP (autoaborto). A decis\u00e3o de pron\u00fancia baseou-se integralmente na den\u00fancia da m\u00e9dica. A comunica\u00e7\u00e3o feita pela m\u00e9dica, violando o sigilo profissional, torna il\u00edcitas as provas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LVI<\/strong><em> (inadmissibilidade de provas il\u00edcitas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 157 e 207<\/strong><em> (provas derivadas das il\u00edcitas e sigilo profissional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.217\/2018<\/strong><em> (C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica: veda\u00e7\u00e3o de revelar segredo profissional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O CPP (art. 207) pro\u00edbe o depoimento de quem deva guardar segredo profissional, salvo desobriga\u00e7\u00e3o pela parte interessada. O sigilo m\u00e9dico \u00e9 <strong>garantia do paciente<\/strong>, n\u00e3o prerrogativa do m\u00e9dico. A viola\u00e7\u00e3o contamina toda a prova derivada.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A teoria dos <strong>frutos da \u00e1rvore envenenada<\/strong> (CPP, art. 157, \u00a7 1\u00ba) imp\u00f5e a exclus\u00e3o das provas derivadas da comunica\u00e7\u00e3o il\u00edcita, salvo fonte independente ou descoberta inevit\u00e1vel, nenhuma das quais se verificou: o feto morto foi ent\u00e3o localizado no interior da resid\u00eancia da paciente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 207 do CPP \u00e9 expresso: s\u00e3o proibidas de depor as pessoas que devam guardar segredo em raz\u00e3o de profiss\u00e3o. A m\u00e9dica que atendeu a paciente <strong>violou o sigilo ao comunicar \u00e0 pol\u00edcia fatos conhecidos no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o<\/strong>, sem desobriga\u00e7\u00e3o pela paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O sigilo m\u00e9dico \u00e9 garantia constitucional de dupla face: protege a intimidade do paciente (CF, art. 5\u00ba, X) e assegura a confian\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. <strong>A quebra pelo pr\u00f3prio m\u00e9dico, sem autoriza\u00e7\u00e3o do paciente, \u00e9 viola\u00e7\u00e3o direta dessa garantia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma aplicou a teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada: a comunica\u00e7\u00e3o il\u00edcita da m\u00e9dica foi a fonte prim\u00e1ria de toda a investiga\u00e7\u00e3o. <strong>Sem ela, n\u00e3o haveria inqu\u00e9rito, den\u00fancia nem pron\u00fancia<\/strong>. Toda a cadeia probat\u00f3ria est\u00e1 contaminada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem impacto direto na prote\u00e7\u00e3o de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de aborto que buscam atendimento m\u00e9dico. <strong>O sigilo garante que a paciente procure socorro sem medo de criminaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>. A quebra pelo m\u00e9dico desestimula o acesso ao sistema de sa\u00fade e coloca vidas em risco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e9dica \u00e0 autoridade policial sobre aborto praticado por paciente atendida, sem autoriza\u00e7\u00e3o da paciente:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 dever legal do m\u00e9dico, previsto no CPP (art. 6\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 l\u00edcita quando h\u00e1 provas adicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 l\u00edcita quando h\u00e1 risco de vida para a paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Constitui prova il\u00edcita, contaminando as provas derivadas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 dever \u00e9tico do m\u00e9dico perante o Conselho Federal de Medicina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 6\u00ba do CPP dirige-se \u00e0 autoridade policial, n\u00e3o ao m\u00e9dico; este est\u00e1 vinculado ao sigilo (CPP, art. 207).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A localiza\u00e7\u00e3o do feto \u00e9 irrelevante para a licitude da comunica\u00e7\u00e3o; a viola\u00e7\u00e3o \u00e9 do sigilo profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O sigilo m\u00e9dico protege o paciente independentemente do risco; a exce\u00e7\u00e3o exigiria consentimento.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A comunica\u00e7\u00e3o viola o sigilo profissional (CPP, art. 207; Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.217\/2018) e constitui prova il\u00edcita; a teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada (CPP, art. 157, \u00a7 1\u00ba) contamina as provas derivadas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica veda a revela\u00e7\u00e3o de segredo profissional (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.217\/2018).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-14\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consta dos autos que a paciente foi denunciada pela suposta pr\u00e1tica do crime previsto no artigo 124 do C\u00f3digo Penal por ter provocado aborto em si mesma mediante a ingest\u00e3o de subst\u00e2ncia abortiva. A decis\u00e3o de pron\u00fancia foi baseada em comunica\u00e7\u00e3o feita \u00e0 pol\u00edcia pela m\u00e9dica que atendeu a paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a controv\u00e9rsia consiste em saber se a comunica\u00e7\u00e3o feita pela m\u00e9dica, violando o sigilo profissional, torna il\u00edcitas as provas obtidas e, por consequ\u00eancia, inviabiliza a a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ordenamento jur\u00eddico brasileiro estabelece, no artigo 5, LVI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a inadmissibilidade das provas obtidas por meios il\u00edcitos. Em conson\u00e2ncia com esse dispositivo constitucional, o C\u00f3digo de Processo Penal, em seu artigo 157, caput e 1, disp\u00f5e que s\u00e3o &#8220;inadmiss\u00edveis as provas derivadas das il\u00edcitas, salvo quando n\u00e3o evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por fonte independente das primeiras.&#8221;. Trata-se da consagra\u00e7\u00e3o legislativa da chamada teoria dos frutos da \u00e1rvore envenenada (<em>fruits of the poisonous tree<\/em>), segundo a qual as provas derivadas de provas il\u00edcitas s\u00e3o igualmente contaminadas e, portanto, inadmiss\u00edveis no processo. No ac\u00f3rd\u00e3o impugnado, o Tribunal local deu provimento ao recurso interposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico para pronunciar a paciente como incursa nas san\u00e7\u00f5es previstas no artigo 124 do C\u00f3digo Penal, ao fundamento de que a m\u00e9dica respons\u00e1vel pelo atendimento da paciente, por dever de of\u00edcio, n\u00e3o poderia ter tomado outra provid\u00eancia sen\u00e3o informar as autoridades sobre a presen\u00e7a de feto possivelmente morto no interior da resid\u00eancia da paciente. Entendeu que se tratava de dever compuls\u00f3rio e necess\u00e1rio a fim de que as autoridades fossem at\u00e9 l\u00e1 para preservar o local e realizar os necess\u00e1rios exames t\u00e9cnicos para os devidos esclarecimentos dos fatos cumprindo-se, nada mais, nada menos, que o disposto no art. 6 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a Corte Estadual ressaltou que, invariavelmente, ainda que sem a notifica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica especificamente em rela\u00e7\u00e3o ao poss\u00edvel aborto, os fatos descritos na den\u00fancia teriam chegado ao conhecimento das autoridades p\u00fablicas especialmente porque o feto ainda se encontrava na resid\u00eancia da acusada quando ela precisou de atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia, feita pela m\u00e9dica que atendeu a paciente, mostra-se incompat\u00edvel com os preceitos legais e \u00e9ticos que regem o sigilo profissional na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Processo Penal, em seu artigo 207, estabelece claramente que &#8220;s\u00e3o proibidas de depor as pessoas que, em raz\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse dispositivo protege o sigilo profissional, especialmente no caso dos m\u00e9dicos, refor\u00e7ado tamb\u00e9m pelo C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n. 2.217\/2018) que veda expressamente ao m\u00e9dico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o, salvo com o consentimento do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mesmo sentido, a Consulta n. 24.292\/00 do CREMESP firmou orienta\u00e7\u00e3o clara no sentido de que, diante de abortamentos &#8211; sejam espont\u00e2neos ou provocados -, n\u00e3o se deve proceder \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades policiais ou judiciais, dada a prote\u00e7\u00e3o conferida pelo segredo m\u00e9dico, salvo em hip\u00f3teses legalmente excepcionadas, o que n\u00e3o se verifica na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse cen\u00e1rio, constata-se que a conduta da m\u00e9dica, ao violar o dever legal de sigilo profissional e comunicar os fatos \u00e0 autoridade policial, configura afronta \u00e0 norma jur\u00eddica, resultando na ilicitude da prova assim produzida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que h\u00e1 entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justi\u00e7a para reconhecer como il\u00edcita a prova obtida mediante quebra indevida do sigilo m\u00e9dico, notadamente em situa\u00e7\u00f5es envolvendo casos de aborto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante de tais fundamentos, observa-se que n\u00e3o h\u00e1, nos autos, provas aut\u00f4nomas e independentes aptas a sustentar validamente a acusa\u00e7\u00e3o, uma vez que toda a investiga\u00e7\u00e3o decorreu da comunica\u00e7\u00e3o il\u00edcita inicialmente realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, os elementos subsequentes &#8211; como o encontro do feto e o pr\u00f3prio interrogat\u00f3rio da paciente &#8211; constituem provas derivadas da origem contaminada, raz\u00e3o pela qual tamb\u00e9m devem ser reputadas il\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, diante da aus\u00eancia de suporte probat\u00f3rio l\u00edcito e id\u00f4neo, imp\u00f5e-se o reconhecimento da impossibilidade de prosseguimento da a\u00e7\u00e3o penal, com a consequente impron\u00fancia da acusada, por absoluta aus\u00eancia de justa causa legitimamente constitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a 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