{"id":1760192,"date":"2026-05-06T09:11:24","date_gmt":"2026-05-06T12:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1760192"},"modified":"2026-05-06T09:11:26","modified_gmt":"2026-05-06T12:11:26","slug":"informativo-stf-1213-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1213-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1213 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/06091100\/stf_info_1213.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_KUgIpmt-cus\"><div id=\"lyte_KUgIpmt-cus\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/KUgIpmt-cus\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/KUgIpmt-cus\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/KUgIpmt-cus\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-piso-do-magisterio-vale-para-temporarios-tema-1-308\">1.&nbsp;&nbsp; Piso do magist\u00e9rio: vale para tempor\u00e1rios! (Tema 1.308)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O piso salarial nacional do magist\u00e9rio (Lei n\u00ba 11.738\/2008) aplica-se a <strong>todos os docentes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica p\u00fablica, inclusive contratados temporariamente<\/strong>, pois a natureza do v\u00ednculo n\u00e3o autoriza remunera\u00e7\u00e3o inferior ao piso constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>ARE 1.487.739\/PE, Rel. Ministro Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento finalizado em 16\/4\/2026 (Tema 1.308 RG).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pernambuco contratou temporariamente milhares de professores para a rede estadual de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, pagando-lhes remunera\u00e7\u00e3o inferior ao piso nacional do magist\u00e9rio (Lei n\u00ba 11.738\/2008). O estado sustentou que o piso aplicar-se-ia apenas a professores efetivos, pois os tempor\u00e1rios mant\u00eam contrato administrativo de natureza distinta. O sindicato da categoria recorreu ao STF. O piso nacional incide sobre professores contratados temporariamente?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 206, VIII<\/strong><em> (valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.738\/2008<\/strong><em> (piso salarial nacional do magist\u00e9rio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, IX<\/strong><em> (contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para excepcional interesse p\u00fablico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O piso representa patamar remunerat\u00f3rio m\u00ednimo constitucional para o magist\u00e9rio. A distin\u00e7\u00e3o entre v\u00ednculo efetivo e tempor\u00e1rio n\u00e3o autoriza tratamento salarial inferior, pois ambos exercem a <strong>mesma fun\u00e7\u00e3o essencial<\/strong>: lecionar na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Plen\u00e1rio fixou ainda limite de <strong>5% para cess\u00e3o<\/strong> de professores efetivos a outros \u00f3rg\u00e3os, combatendo a precariza\u00e7\u00e3o estrutural que obriga contrata\u00e7\u00e3o massiva de tempor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio \u00e9 princ\u00edpio estruturante do sistema educacional (CF, art. 206, VIII). O piso da Lei n\u00ba 11.738\/2008 materializa essa diretriz, fixando <strong>patamar remunerat\u00f3rio m\u00ednimo que n\u00e3o admite exce\u00e7\u00e3o por tipo de v\u00ednculo<\/strong>. A fun\u00e7\u00e3o docente \u00e9 a mesma, independentemente de o professor ser efetivo ou tempor\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STF j\u00e1 reconhecia que a contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria (CF, art. 37, IX) gera contrato administrativo, n\u00e3o trabalhista (Tema 551 RG). Isso n\u00e3o afasta, contudo, a incid\u00eancia do piso: <strong>o contrato administrativo pode ter remunera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mas n\u00e3o inferior ao m\u00ednimo constitucional da carreira<\/strong>. A diferen\u00e7a de regime jur\u00eddico autoriza tratamento distinto em outros aspectos, n\u00e3o na remunera\u00e7\u00e3o m\u00ednima.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Plen\u00e1rio tamb\u00e9m identificou precariza\u00e7\u00e3o estrutural: estados cedem professores efetivos para fun\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas em outros \u00f3rg\u00e3os e os substituem por tempor\u00e1rios pagando menos. Para conter esse desvio, fixou <strong>limite de 5% do quadro efetivo para cess\u00f5es a \u00f3rg\u00e3os alheios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<\/strong>, garantindo que o quadro permanente fique vinculado \u00e0 fun\u00e7\u00e3o prec\u00edpua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A tese do Tema 1.308 tem duplo efeito: (i) assegura remunera\u00e7\u00e3o digna aos tempor\u00e1rios e (ii) <strong>desincentiva a contrata\u00e7\u00e3o massiva de tempor\u00e1rios como forma de burlar o piso<\/strong>. Se o custo \u00e9 o mesmo, o estado tem incentivo para realizar concurso p\u00fablico e manter quadro efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a incid\u00eancia do piso nacional do magist\u00e9rio (Lei n\u00ba 11.738\/2008) nos contratos de professores tempor\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica p\u00fablica:<\/p>\n\n\n\n<p>A) N\u00e3o incide, pois o v\u00ednculo tempor\u00e1rio \u00e9 contrato administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incide apenas quando o professor tempor\u00e1rio leciona por mais de 2 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>C) N\u00e3o incide, pois a isonomia salarial entre efetivos e tempor\u00e1rios foi afastada pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incide, pois a natureza do v\u00ednculo n\u00e3o autoriza remunera\u00e7\u00e3o inferior ao piso.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incide apenas quando o estado n\u00e3o realiza concurso p\u00fablico h\u00e1 mais de 4 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A natureza administrativa do v\u00ednculo n\u00e3o afasta a incid\u00eancia do piso, que \u00e9 m\u00ednimo constitucional da carreira docente.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A incid\u00eancia decorre da fun\u00e7\u00e3o exercida (magist\u00e9rio), n\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STF afastou a isonomia plena entre regimes (ADI 6.196), mas manteve a incid\u00eancia do piso como m\u00ednimo inafast\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> O piso \u00e9 patamar remunerat\u00f3rio m\u00ednimo que n\u00e3o admite exce\u00e7\u00e3o por tipo de v\u00ednculo; a fun\u00e7\u00e3o docente \u00e9 a mesma (Tema 1.308 RG).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A incid\u00eancia independe da regularidade dos concursos; decorre da CF, art. 206, VIII.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>Teses fixadas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. O valor do piso nacional previsto na Lei n 11.738\/2008 aplica-se a todos os profissionais do magist\u00e9rio p\u00fablico da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, independentemente da natureza jur\u00eddica do v\u00ednculo firmado com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, observando-se o decidido no Tema 551 de RG e na ADI 6.196.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. O n\u00famero de professores efetivos cedidos para outros \u00f3rg\u00e3os, dos Tr\u00eas Poderes, n\u00e3o pode ultrapassar 5% do quadro efetivo de cada unidade federada (percentual esse que vigorar\u00e1 at\u00e9 que lei regulamente a mat\u00e9ria).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O piso salarial nacional do magist\u00e9rio, institu\u00eddo pela Lei n 11.738\/2008, constitui uma diretriz constitucional de valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e deve ser observado em favor de todos os docentes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da rede p\u00fablica, inclusive aqueles submetidos a regimes de contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio \u00e9 um princ\u00edpio estruturante do sistema educacional brasileiro (CF\/1988, art. 206, VIII), de modo que o piso representa um patamar remunerat\u00f3rio m\u00ednimo, sendo que a natureza do v\u00ednculo (efetivo ou tempor\u00e1rio) n\u00e3o autoriza o pagamento de vencimentos inferiores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte (1), as contrata\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de excepcional interesse p\u00fablico t\u00eam natureza de contrato administrativo, n\u00e3o gerando v\u00ednculo do contratado com o poder p\u00fablico com base nas normas regentes do direito do trabalho. Al\u00e9m disso, a fixa\u00e7\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o distinta para professores efetivos e tempor\u00e1rios n\u00e3o representa viola\u00e7\u00e3o \u00e0 isonomia, tendo em vista a diferen\u00e7a entre os regimes jur\u00eddicos (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, verifica-se uma precariza\u00e7\u00e3o estrutural da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica nacional, decorrente da cess\u00e3o excessiva de professores de carreira para fun\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, que obriga a contrata\u00e7\u00e3o em massa de tempor\u00e1rios, desvirtuando o car\u00e1ter excepcional. Para mitigar essa distor\u00e7\u00e3o e prestigiar a regra do concurso p\u00fablico (CF\/1988, art. 37, II e IX), fixou-se o limite de 5% para a cess\u00e3o de professores efetivos para \u00f3rg\u00e3os alheios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, garantindo que o quadro permanente fique vinculado \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o prec\u00edpua.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.308 da repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e fixou a tese anteriormente citada, sendo, por maioria, apenas no tocante ao percentual previsto no item 2.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedente citado: RE 1.066.677 (Tema 551 RG)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedente citado: ADI 6.196.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ARE 1.487.739\/PE, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 16.04.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-cotas-etnico-raciais-estado-nao-pode-vedar\">2.&nbsp; Cotas \u00e9tnico-raciais: estado n\u00e3o pode vedar!<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional lei estadual que <strong>veda a ado\u00e7\u00e3o de cotas \u00e9tnico-raciais em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior<\/strong>, por violar a igualdade material, a autonomia universit\u00e1ria e compromissos internacionais com status de emenda constitucional, especialmente quando a decis\u00e3o legislativa prescinde de pr\u00e9via avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.925\/SC, ADI 7.926\/SC, ADI 7.927\/SC, ADI 7.928\/SC, ADI 7.929\/SC e ADI 7.930\/SC, Rel. Ministro Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento finalizado em 16\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Santa Catarina aprovou, em r\u00e1pida tramita\u00e7\u00e3o legislativa, a Lei n\u00ba 19.722\/2026 vedando a ado\u00e7\u00e3o de cotas \u00e9tnico-raciais e outras a\u00e7\u00f5es afirmativas em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas ou que recebam verbas p\u00fablicas no estado. A lei foi aprovada sem ouvir as universidades afetadas e sem avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos efeitos e resultados das pol\u00edticas de cotas ent\u00e3o vigentes. O STF j\u00e1 havia declarado constitucionais as cotas raciais (ADPF 186 e Tema 203 RG). Pode o estado, por lei, proibir o que a Constitui\u00e7\u00e3o e os tratados internacionais autorizam?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, caput<\/strong><em> (igualdade formal e material).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 207<\/strong><em> (autonomia universit\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto n\u00ba 10.932\/2022<\/strong><em> (Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo \u2013 status de EC).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>STF, ADPF 186 e RE 597.285 (Tema 203 RG)<\/strong><em> (constitucionalidade das cotas raciais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo (Decreto n\u00ba 10.932\/2022), aprovada com qu\u00f3rum de emenda constitucional, obriga o Brasil a adotar a\u00e7\u00f5es afirmativas para assegurar igualdade de oportunidades. Lei estadual que veda essas a\u00e7\u00f5es contraria norma com <strong>status de emenda<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A interrup\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica de a\u00e7\u00e3o afirmativa exige <strong>pr\u00e9via avalia\u00e7\u00e3o<\/strong> t\u00e9cnica de seus efeitos e resultados. A lei catarinense foi aprovada sem essa avalia\u00e7\u00e3o, em tramita\u00e7\u00e3o acelerada e sem ouvir as universidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF j\u00e1 declarou a constitucionalidade das cotas raciais (ADPF 186, Tema 203 RG) e firmou que a decis\u00e3o legislativa de interromper a\u00e7\u00f5es afirmativas <strong>n\u00e3o pode prescindir da pr\u00e9via avalia\u00e7\u00e3o de seus efeitos e resultados<\/strong> (ADI 7.654 MC-Ref). A lei catarinense n\u00e3o observou esse requisito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo, aprovada com status de emenda constitucional (CF, art. 5\u00ba, \u00a7 3\u00ba), obriga os Estados Partes a <strong>adotar a\u00e7\u00f5es afirmativas para assegurar igualdade de oportunidades<\/strong>. Lei estadual que veda essas a\u00e7\u00f5es contraria norma hierarquicamente superior \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A autonomia universit\u00e1ria (CF, art. 207) tamb\u00e9m foi violada: a lei estadual <strong>retirou das universidades o poder de definir suas pr\u00f3prias pol\u00edticas de inclus\u00e3o<\/strong>, substituindo a avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica pela decis\u00e3o legislativa, sem embasamento t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio declarou a inconstitucionalidade integral da Lei n\u00ba 19.722\/2026 de SC e, por arrastamento, do Decreto regulamentador. A decis\u00e3o reafirma que a\u00e7\u00f5es afirmativas s\u00e3o <strong>instrumentos constitucionais de corre\u00e7\u00e3o de desigualdades hist\u00f3ricas<\/strong>, cuja interrup\u00e7\u00e3o exige avalia\u00e7\u00e3o rigorosa e fundamentada \u2014 n\u00e3o pode ser fruto de decis\u00e3o pol\u00edtica apressada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lei estadual que veda cotas \u00e9tnico-raciais em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do estado:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 inconstitucional, por violar igualdade material e autonomia universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 constitucional, por se inserir na compet\u00eancia concorrente em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 constitucional quando precedida de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos das cotas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 constitucional quando restrita a institui\u00e7\u00f5es estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de referendo popular para produzir efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A veda\u00e7\u00e3o contraria a igualdade material (CF, art. 5\u00ba), a autonomia universit\u00e1ria (art. 207) e a Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo (status de EC), al\u00e9m de prescindir de avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A compet\u00eancia concorrente em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza veda\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica constitucional de inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para interromper, n\u00e3o para vedar integralmente as cotas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A restri\u00e7\u00e3o subjetiva n\u00e3o afasta a inconstitucionalidade material da veda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 de compet\u00eancia legislativa, n\u00e3o de consulta popular.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional&nbsp; por violar o princ\u00edpio da igualdade material, a autonomia universit\u00e1ria e compromissos internacionais com status de emenda constitucional&nbsp; lei estadual que veda a ado\u00e7\u00e3o de cotas \u00e9tnico-raciais e outras a\u00e7\u00f5es afirmativas em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas ou que recebam verbas p\u00fablicas no estado, especialmente quando a decis\u00e3o legislativa de interrup\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas carece de pr\u00e9via avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de seus efeitos e resultados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a jurisprud\u00eancia desta Corte, o estabelecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas de a\u00e7\u00e3o afirmativa calcadas em crit\u00e9rios de natureza \u00e9tnico-racial n\u00e3o viola o princ\u00edpio da isonomia e a decis\u00e3o legislativa que implique na interrup\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas n\u00e3o pode prescindir da pr\u00e9via avalia\u00e7\u00e3o dos seus efeitos, das consequ\u00eancias da sua descontinuidade e dos resultados alcan\u00e7ados (1).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o projeto de lei foi aprovado em r\u00e1pida tramita\u00e7\u00e3o pela assembleia legislativa, sem que o \u00f3rg\u00e3o tenha procedido \u00e0 devida an\u00e1lise da efic\u00e1cia da pol\u00edtica p\u00fablica vedada ou das consequ\u00eancias de sua abrupta interrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se buscou ouvir nem mesmo as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior diretamente afetadas pela proposi\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, houve consider\u00e1vel d\u00e9ficit na aprecia\u00e7\u00e3o de fatos e prognoses legislativos que deveriam, necessariamente, ter norteado a edi\u00e7\u00e3o da lei estadual, uma vez que as a\u00e7\u00f5es afirmativas baseadas em crit\u00e9rio \u00e9tnico-racial constituem instrumento considerado constitucional pelo STF e expressamente admitido por norma que possui status de emenda constitucional (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade: (i) n\u00e3o conheceu da ADI 7.925 e da ADI 7.926 e (ii) conheceu e julgou parcialmente procedentes os pedidos das ADIs 7.927, 7.928, 7.929 e 7.930 para declarar a inconstitucionalidade integral da Lei n 19.722\/2026 do Estado de Santa Catarina (3), bem como a inconstitucionalidade por arrastamento do Decreto n 1.372\/2026 do Estado de Santa Catarina (4).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 7.654 MC-Ref, ADPF 186, RE 597.285 (Tema 203 RG) e ADC 41.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Decreto n 10.932\/2022 (Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo, a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial e Formas Correlatas de Intoler\u00e2ncia): Artigo 5. Os Estados Partes comprometem-se a adotar as pol\u00edticas especiais e a\u00e7\u00f5es afirmativas necess\u00e1rias para assegurar o gozo ou exerc\u00edcio dos direitos e liberdades fundamentais das pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial e formas correlatas de intoler\u00e2ncia, com o prop\u00f3sito de promover condi\u00e7\u00f5es equitativas para a igualdade de oportunidades, inclus\u00e3o e progresso para essas pessoas ou grupos. Tais medidas ou pol\u00edticas n\u00e3o ser\u00e3o consideradas discriminat\u00f3rias ou incompat\u00edveis com o prop\u00f3sito ou objeto desta Conven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resultar\u00e3o na manuten\u00e7\u00e3o de direitos separados para grupos distintos e n\u00e3o se estender\u00e3o al\u00e9m de um per\u00edodo razo\u00e1vel ou ap\u00f3s terem alcan\u00e7ado seu objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n 19.722\/2026 do Estado de Santa Catarina: Art. 1 Fica vedada, no Estado de Santa Catarina, a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de reserva de vagas ou qualquer forma de cota ou a\u00e7\u00e3o afirmativa, como vagas suplementares e medidas cong\u00eaneres para o ingresso de estudantes ou contrata\u00e7\u00e3o de docentes, t\u00e9cnicos e qualquer outro profissional em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas ou que recebam verbas p\u00fablicas. Par\u00e1grafo \u00fanico. Ficam exclu\u00eddas desta proibi\u00e7\u00e3o a reserva de vagas \u00e0 Pessoas com Defici\u00eancia (PCD), a reserva de vagas baseada em crit\u00e9rios exclusivamente econ\u00f4micos e a reserva de vagas para estudantes oriundos de institui\u00e7\u00f5es estaduais p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio. Art. 2 O descumprimento desta Lei, al\u00e9m da nulidade do certame, sujeitar\u00e1 o \u00f3rg\u00e3o ou entidade respons\u00e1vel pelas normas do certame \u00e0s seguintes penalidades: I&nbsp; multa administrativa de R$ 100.000,00 (cem mil reais) por edital publicado em desacordo com esta Lei; II&nbsp; corte dos repasses de verbas p\u00fablicas. Art. 3 O descumprimento desta Lei sujeitar\u00e1 os agentes p\u00fablicos respons\u00e1veis pela confec\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o das normas do certame a Procedimento Administrativo Disciplinar por ofensa ao princ\u00edpio da legalidade, sem preju\u00edzo \u00e0s demais san\u00e7\u00f5es cab\u00edveis. Art. 4 Esta Lei entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Decreto n 1.372\/2026 do Estado de Santa Catarina: Art. 1 Este Decreto regulamenta o disposto no art. 1 da Lei n 19.722, de 22 de janeiro de 2026,no que se refere \u00e0s pol\u00edticas de ingresso e de a\u00e7\u00f5es afirmativas aplic\u00e1veis \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e aos programas de ensino superior sob a compet\u00eancia do Estado. Art. 2 Aplica-se a veda\u00e7\u00e3o prevista no art. 1 daLei n 19.722, de 2026: I&nbsp; \u00e0s institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias p\u00fablicas estaduais; e II&nbsp; \u00e0s institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias comunit\u00e1rias e privadas na hip\u00f3tese de participa\u00e7\u00e3o em programas estaduais de acesso, perman\u00eancia ou financiamento do ensino superior, institu\u00eddos pelo Governo do Estado, quando executados diretamente ou por meio de parcerias.&nbsp; 1 A veda\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o de cotas, a\u00e7\u00f5es afirmativas, vagas suplementares ou medidas cong\u00eaneres, nos casos mencionados no inciso II docaputdeste artigo, aplica-se apenas aos processos seletivos que contemplem programas financiados total ou parcialmente com recursos estaduais.&nbsp; 2 Fica ressalvada da veda\u00e7\u00e3o de que trata este Decreto, nos termos do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1 da Lei n 19.722, de 2026, a reserva de vagas baseada em crit\u00e9rios exclusivamente econ\u00f4micos, bem como aquelas destinadas a estudante oriundo de institui\u00e7\u00f5es estaduais p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio e a pessoa com defici\u00eancia (PcD), em observ\u00e2ncia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o federal e estadual de prote\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o. Art. 3 Para os fins do disposto neste Decreto, consideram-se programas estaduais de acesso, perman\u00eancia ou financiamento de ensino superior aqueles: I&nbsp; criados por lei, decreto ou ato normativo estadual; e II&nbsp; voltados \u00e0 concess\u00e3o de bolsas, aux\u00edlios, subs\u00eddios ou outras formas de apoio ao acesso ou \u00e0 perman\u00eancia no ensino superior, financiados com recursos do Tesouro do Estado. Art. 4 Este Decreto entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.925\/SC, ADI 7.926\/SC, ADI 7.927\/SC, ADI 7.928\/SC, ADI 7.929\/SC, ADI 7.930\/SC, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 17.04.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-e6504061-f02f-4b86-bfd3-c33489fcf3f2\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/06091100\/stf_info_1213.pdf\">STF_Info_1213<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/06091100\/stf_info_1213.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-e6504061-f02f-4b86-bfd3-c33489fcf3f2\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp; Piso do magist\u00e9rio: vale para tempor\u00e1rios! 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