{"id":1759611,"date":"2026-05-04T08:20:28","date_gmt":"2026-05-04T11:20:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1759611"},"modified":"2026-05-04T08:20:31","modified_gmt":"2026-05-04T11:20:31","slug":"informativo-stj-885-parte-2-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/04081932\/stj_info_885-pt2.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_AKzONDu-F78\"><div id=\"lyte_AKzONDu-F78\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/AKzONDu-F78\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/AKzONDu-F78\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/AKzONDu-F78\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-remocao-por-saude-direito-subjetivo-do-servidor-e-vinculacao-ao-laudo-da-junta-medica\">1.&nbsp;&nbsp; Remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade \u2013 direito subjetivo do servidor e vincula\u00e7\u00e3o ao laudo da junta m\u00e9dica<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A remo\u00e7\u00e3o por motivo de sa\u00fade (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, III, &#8220;b&#8221;) constitui <strong>direito subjetivo do servidor quando comprovada por junta m\u00e9dica oficial<\/strong>, sendo ato vinculado que independe do interesse da Administra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pode ser afastado pelo Judici\u00e1rio sem base pericial id\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.151.392-DF, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio, servidor federal lotado em cidade distante da fam\u00edlia, desenvolveu transtornos psicol\u00f3gicos agravados pela solid\u00e3o. A junta m\u00e9dica oficial atestou que a conviv\u00eancia familiar era determinante para a recupera\u00e7\u00e3o e recomendou a remo\u00e7\u00e3o. A Administra\u00e7\u00e3o indeferiu alegando haver tratamento dispon\u00edvel na cidade de lota\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo de primeiro grau negou o pedido com base na exist\u00eancia de tratamento local. A disponibilidade de tratamento na cidade de lota\u00e7\u00e3o afasta o direito \u00e0 remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, III, &#8220;b&#8221;<\/strong><em> (remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade \u2013 independente do interesse da Administra\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A remo\u00e7\u00e3o do art. 36, III, &#8220;b&#8221;, \u00e9 <strong>ato vinculado<\/strong>: preenchidos os requisitos (laudo da junta m\u00e9dica), o servidor tem direito subjetivo \u00e0 remo\u00e7\u00e3o. A Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode negar com base em crit\u00e9rios de conveni\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Em transtornos psicol\u00f3gicos, o <strong>apoio familiar<\/strong> pode ser fator determinante para a recupera\u00e7\u00e3o, conforme reconhecido pela medicina. A exist\u00eancia de tratamento local n\u00e3o afasta a necessidade de conv\u00edvio familiar atestada pela junta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Lei n\u00ba 8.112\/1990 prev\u00ea tr\u00eas modalidades de remo\u00e7\u00e3o (art. 36): de of\u00edcio, a pedido a crit\u00e9rio da Administra\u00e7\u00e3o e a pedido independentemente do interesse da Administra\u00e7\u00e3o. A al\u00ednea &#8220;b&#8221; do inciso III enquadra-se nesta \u00faltima: <strong>\u00e9 ato vinculado, n\u00e3o discricion\u00e1rio<\/strong>. Comprovada a necessidade de sa\u00fade por junta m\u00e9dica oficial, a remo\u00e7\u00e3o \u00e9 direito subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Segunda Turma rejeitou o argumento de que a exist\u00eancia de tratamento na cidade de lota\u00e7\u00e3o afastaria o direito. Em transtornos psicol\u00f3gicos, <strong>a conviv\u00eancia familiar \u00e9 elemento terap\u00eautico reconhecido<\/strong>, podendo ser t\u00e3o relevante quanto o tratamento medicamentoso. A junta m\u00e9dica, com compet\u00eancia t\u00e9cnica, \u00e9 quem afere essa necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o fixou que o Poder Judici\u00e1rio <strong>n\u00e3o pode substituir o ju\u00edzo t\u00e9cnico da junta m\u00e9dica<\/strong> para afirmar a sufici\u00eancia do tratamento na cidade de lota\u00e7\u00e3o. As conclus\u00f5es da junta gozam de presun\u00e7\u00e3o de legitimidade, e o afastamento exigiria laudo pericial id\u00f4neo em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A ratio protege dois valores: (i) a <strong>sa\u00fade do servidor<\/strong> (direito fundamental) e (ii) a seguran\u00e7a jur\u00eddica do ato vinculado \u2014 se a lei condiciona a remo\u00e7\u00e3o ao laudo da junta, a Administra\u00e7\u00e3o e o Judici\u00e1rio n\u00e3o podem criar requisitos extras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade do servidor (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, III, &#8220;b&#8221;), quando a junta m\u00e9dica oficial atesta a necessidade:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A Administra\u00e7\u00e3o pode indeferir se houver tratamento na cidade de lota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O Judici\u00e1rio pode realizar ju\u00edzo pr\u00f3prio sobre o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de vaga dispon\u00edvel na localidade de destino.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Constitui direito subjetivo, por ser ato vinculado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de parecer da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A exist\u00eancia de tratamento local n\u00e3o afasta a necessidade de conv\u00edvio familiar atestada pela junta m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O Judici\u00e1rio n\u00e3o det\u00e9m compet\u00eancia para reavaliar o m\u00e9rito t\u00e9cnico do laudo da junta sem base pericial id\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade independe da Administra\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se exige vaga dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Comprovada a necessidade por junta m\u00e9dica oficial, a remo\u00e7\u00e3o \u00e9 ato vinculado, configurando direito subjetivo do servidor (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, III, &#8220;b&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O parecer da AGU n\u00e3o \u00e9 requisito para a remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se, comprovado por laudo de junta m\u00e9dica oficial o motivo de sa\u00fade do servidor, nos termos do art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, III, &#8220;b&#8221;, da Lei n. 8.112\/1990, configura direito subjetivo \u00e0 remo\u00e7\u00e3o para outra localidade, independentemente do interesse da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica; bem como se o Poder Judici\u00e1rio pode afastar, com base em ju\u00edzo pr\u00f3prio sobre a sufici\u00eancia de tratamento m\u00e9dico na cidade de lota\u00e7\u00e3o, as conclus\u00f5es t\u00e9cnicas da junta m\u00e9dica oficial que atestam a relev\u00e2ncia do apoio e da conviv\u00eancia familiar para a recupera\u00e7\u00e3o do servidor e recomendam a remo\u00e7\u00e3o por motivo de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a Lei n. 8.112\/1990 prev\u00ea tr\u00eas modalidades de remo\u00e7\u00e3o (art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico): de of\u00edcio, no interesse da Administra\u00e7\u00e3o (inciso I); a pedido, a crit\u00e9rio da Administra\u00e7\u00e3o (inciso II); e a pedido, independentemente do interesse da Administra\u00e7\u00e3o (inciso III). Nessa \u00faltima, uma vez preenchidos os requisitos legais, a remo\u00e7\u00e3o configura direito subjetivo do servidor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a al\u00ednea &#8220;b&#8221; do inciso III do art. 36 da Lei n. 8.112\/1990 estabelece hip\u00f3tese de remo\u00e7\u00e3o a pedido, independentemente do interesse da Administra\u00e7\u00e3o, por motivo de sa\u00fade do servidor, c\u00f4njuge, companheiro ou dependente, condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o por junta m\u00e9dica oficial, tratando-se de ato administrativo vinculado, e n\u00e3o discricion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a junta m\u00e9dica oficial reconheceu a exist\u00eancia das enfermidades, afirmou que a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 preexistente \u00e0 lota\u00e7\u00e3o, que o quadro psicol\u00f3gico desenvolveu-se pelo fato de o servidor permanecer sozinho na cidade de lota\u00e7\u00e3o, bem como que a aus\u00eancia de familiares compromete a recupera\u00e7\u00e3o, e concluiu expressamente pelo deferimento da remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, uma vez atendidos os requisitos estabelecidos no art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, inciso III, al\u00ednea &#8220;b&#8221;, da Lei n. 8.112\/1990 &#8211; remo\u00e7\u00e3o a pedido do servidor por motivo de sa\u00fade, devidamente comprovada por junta m\u00e9dica oficial -, resta caracterizado o direito subjetivo \u00e0 remo\u00e7\u00e3o pretendida, independentemente do interesse da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a exist\u00eancia de tratamento m\u00e9dico na cidade de lota\u00e7\u00e3o n\u00e3o afasta, por si s\u00f3, o direito \u00e0 remo\u00e7\u00e3o por motivo de sa\u00fade, pois, em casos de transtornos psicol\u00f3gicos, o apoio e a conviv\u00eancia familiar s\u00e3o elementos relevantes para a recupera\u00e7\u00e3o e para a estabilidade do quadro cl\u00ednico, podendo justificar a remo\u00e7\u00e3o para localidade em que se encontra a fam\u00edlia, conforme orienta\u00e7\u00e3o consolidada no Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, ressalte-se que n\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio substituir-se \u00e0 junta m\u00e9dica oficial para reavaliar o m\u00e9rito t\u00e9cnico do laudo, a fim de afirmar a sufici\u00eancia do tratamento na cidade de lota\u00e7\u00e3o e negar a remo\u00e7\u00e3o, porquanto n\u00e3o det\u00e9m compet\u00eancia legal nem conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico para aferir as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade do servidor, bem como as conclus\u00f5es da junta m\u00e9dica gozam de presun\u00e7\u00e3o de legitimidade e veracidade, e a avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica espec\u00edfica foi realizada justamente para instruir o pedido de remo\u00e7\u00e3o na forma da lei.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-loteamento-irregular-danos-patrimoniais-individuais-e-natureza-privada-da-responsabilidade\">2.&nbsp; Loteamento irregular \u2013 danos patrimoniais individuais e natureza privada da responsabilidade<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de natureza privada a responsabilidade por preju\u00edzos patrimoniais individuais de adquirentes de lotes em parcelamento irregular, <strong>n\u00e3o se aplicando responsabilidade objetiva e solid\u00e1ria do Munic\u00edpio<\/strong>, apesar do dever de fiscaliza\u00e7\u00e3o urban\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.721.679-SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 25\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda adquiriu lote em parcelamento do solo executado pela Loteaf\u00e1cil Empreendimentos Ltda. O loteamento era irregular \u2014 sem aprova\u00e7\u00e3o municipal, sem infraestrutura e sem registro. Dona Florinda ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o Munic\u00edpio pleiteando indeniza\u00e7\u00e3o por preju\u00edzos patrimoniais individuais, alegando omiss\u00e3o na fiscaliza\u00e7\u00e3o. O Munic\u00edpio responde pelos danos individuais dos compradores de lotes irregulares?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 6.766\/1979<\/strong><em> (parcelamento do solo urbano).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 30, VIII<\/strong><em> (compet\u00eancia municipal para ordenamento territorial urbano).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O Munic\u00edpio tem poder-dever de fiscalizar o uso e parcelamento do solo (CF, art. 30, VIII). Contudo, a responsabilidade objetiva e solid\u00e1ria aplica-se a danos ambientais e urban\u00edsticos (difusos). Preju\u00edzos patrimoniais individuais dos compradores s\u00e3o de <strong>natureza privada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A rela\u00e7\u00e3o entre comprador e loteador \u00e9 privada e direta. O dano sofrido pelo comprador n\u00e3o decorre da omiss\u00e3o municipal, mas do neg\u00f3cio ilegal com o loteador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 consolidada no sentido de que o Munic\u00edpio responde solidariamente por danos ambientais e urban\u00edsticos causados por loteamentos irregulares. Contudo, a Segunda Turma <strong>distinguiu dano ambiental-urban\u00edstico de dano patrimonial individual<\/strong>: s\u00e3o bens jur\u00eddicos distintos, com regimes de responsabilidade diversos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O dano ambiental-urban\u00edstico \u00e9 difuso (atinge a coletividade): degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente urbano, ocupa\u00e7\u00e3o desordenada, aus\u00eancia de infraestrutura. Nesse caso, a responsabilidade do Munic\u00edpio \u00e9 objetiva e solid\u00e1ria. <strong>O dano patrimonial individual \u00e9 privado (atinge o comprador do lote)<\/strong>: preju\u00edzo decorrente de neg\u00f3cio jur\u00eddico irregular com o loteador.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A omiss\u00e3o do Munic\u00edpio na fiscaliza\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o tem nexo causal direto com o preju\u00edzo patrimonial individual<\/strong>: o comprador foi lesado pelo loteador, n\u00e3o pelo Munic\u00edpio. A fiscaliza\u00e7\u00e3o poderia ter impedido o loteamento, mas o dano patrimonial \u00e9 consequ\u00eancia do neg\u00f3cio, n\u00e3o da omiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o preserva a coer\u00eancia do sistema: <strong>o comprador deve acionar o loteador (respons\u00e1vel direto pelo neg\u00f3cio irregular)<\/strong>, sem preju\u00edzo da responsabilidade do Munic\u00edpio por danos urban\u00edsticos e ambientais em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a responsabilidade do Munic\u00edpio pelos preju\u00edzos patrimoniais individuais de adquirentes de lotes em parcelamento irregular:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 objetiva e solid\u00e1ria com o loteador, por omiss\u00e3o na fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 de natureza privada, cabendo ao comprador acionar o loteador.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de pr\u00e9vio esgotamento da via administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 subsidi\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 do loteador.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 solid\u00e1ria quando o Munic\u00edpio tem ci\u00eancia do loteamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A responsabilidade objetiva e solid\u00e1ria aplica-se a danos urban\u00edsticos difusos, n\u00e3o a preju\u00edzos individuais dos compradores.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O dano patrimonial individual decorre do neg\u00f3cio com o loteador, sendo de natureza privada; a omiss\u00e3o municipal n\u00e3o tem nexo causal direto com o preju\u00edzo do comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A quest\u00e3o n\u00e3o envolve esgotamento administrativo, mas natureza da responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A responsabilidade subsidi\u00e1ria n\u00e3o foi reconhecida; o dano \u00e9 privado, cabendo a\u00e7\u00e3o contra o loteador.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A ci\u00eancia do Munic\u00edpio n\u00e3o transforma a responsabilidade por danos individuais em solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a omiss\u00e3o do Munic\u00edpio no exerc\u00edcio de seu poder-dever de fiscaliza\u00e7\u00e3o e ordenamento do uso, parcelamento e ocupa\u00e7\u00e3o do solo urbano gera responsabilidade civil objetiva e solid\u00e1ria a ensejar indeniza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos patrimoniais individuais suportados pelos adquirentes de lotes irregulares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 pac\u00edfica no sentido de que &#8220;o Munic\u00edpio tamb\u00e9m responde pelo dano ambiental-urban\u00edstico causado por particular que procede a parcelamento irregular do solo contando com a in\u00e9rcia ou descaso estatal&#8221; (REsp n. 1.635.457\/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6\/12\/2016, DJe de 26\/8\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o Munic\u00edpio \u00e9 o ente respons\u00e1vel pelo parcelamento, uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo urbano, sendo a ele atribu\u00eddo o poder-dever de agir para fiscalizar e regularizar, quando poss\u00edvel, loteamento irregular, de forma a n\u00e3o permitir que se agrida o meio ambiente e as normas urban\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Poder P\u00fablico, ao tomar conhecimento de uma situa\u00e7\u00e3o que configura um ato il\u00edcito, tem o dever de agir para impedir a forma\u00e7\u00e3o do loteamento irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, em havendo omiss\u00e3o em seu dever de fiscaliza\u00e7\u00e3o, surge a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar os danos ambientais e urban\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exatamente por se tratar de dano ambiental, a responsabilidade \u00e9 objetiva e solid\u00e1ria, podendo ser aplicada em raz\u00e3o da simples omiss\u00e3o no dever de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que a situa\u00e7\u00e3o posta \u00e9 distinta. O que se discute \u00e9 a responsabilidade por danos que a empresa que executou o parcelamento causou aos indiv\u00edduos que adquiriram o lote irregular. Neste caso, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 privada e o dano \u00e9 direto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 um dano ambiental a ser reparado, mas um preju\u00edzo particular decorrente de um neg\u00f3cio ilegal. Assim, n\u00e3o se pode imputar ao Munic\u00edpio uma responsabilidade solid\u00e1ria e objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, n\u00e3o h\u00e1 responsabilidade do Munic\u00edpio em indenizar os adquirentes de lote por eventuais danos sofridos decorrente de parcelamento irregular do solo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-saude-conversao-de-obrigacao-de-fazer-em-perdas-e-danos-por-ineficiencia-estatal\">3.&nbsp; Sa\u00fade \u2013 convers\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos por inefici\u00eancia estatal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos, em raz\u00e3o da inefici\u00eancia estatal em fornecer tratamento ao paciente, <strong>n\u00e3o configura julgamento extra petita<\/strong>, pois constitui adequa\u00e7\u00e3o do meio executivo \u00e0 realidade f\u00e1tica (CPC, arts. 497, 499 e 536).<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2026, DJEN 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o Estado pedindo interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria do filho em unidade de sa\u00fade mental. O ju\u00edzo deferiu, mas o Estado n\u00e3o cumpriu por falta de vaga. Diante da inefici\u00eancia estatal, o ju\u00edzo converteu a obriga\u00e7\u00e3o de fazer (interna\u00e7\u00e3o) em perdas e danos, para que Crementina custeasse o tratamento particular. O Estado recorreu alegando julgamento extra petita: o pedido era de interna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o \u00e9 extra petita?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 141 e 492<\/strong><em> (congru\u00eancia \u2013 veda\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o diversa da pedida).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 497, 499 e 536<\/strong><em> (tutela espec\u00edfica e convers\u00e3o em perdas e danos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O CPC autoriza expressamente a convers\u00e3o da tutela espec\u00edfica em perdas e danos quando imposs\u00edvel o cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o ou a obten\u00e7\u00e3o de resultado pr\u00e1tico equivalente (art. 499). N\u00e3o se trata de decis\u00e3o diversa, mas de <strong>adequa\u00e7\u00e3o do meio executivo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A finalidade do pedido (tratamento de sa\u00fade do filho) foi preservada; apenas o meio de satisfa\u00e7\u00e3o mudou (de interna\u00e7\u00e3o p\u00fablica para custeio particular via indeniza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Os arts. 141 e 492 do CPC vedam decis\u00e3o de natureza diversa da pedida. Contudo, o magistrado n\u00e3o est\u00e1 adstrito \u00e0 literalidade do pedido: pode adotar <strong>solu\u00e7\u00e3o juridicamente adequada ao caso, desde que respeitada a causa de pedir e a finalidade<\/strong>. A convers\u00e3o em perdas e danos \u00e9 expressamente prevista pelo art. 499 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, a parte buscava tratamento de sa\u00fade para o filho. O Estado n\u00e3o cumpriu a obriga\u00e7\u00e3o de fazer (interna\u00e7\u00e3o). A convers\u00e3o em perdas e danos <strong>viabilizou a satisfa\u00e7\u00e3o do mesmo direito material por via diversa<\/strong>: em vez de interna\u00e7\u00e3o p\u00fablica (imposs\u00edvel por falta de vaga), custeio particular.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma reafirmou que a convers\u00e3o \u00e9 <strong>consequ\u00eancia natural da impossibilidade de cumprimento espec\u00edfico<\/strong>, admitida pelo sistema processual como mecanismo de efetividade. N\u00e3o h\u00e1 concess\u00e3o de provid\u00eancia estranha; h\u00e1 adequa\u00e7\u00e3o do meio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para o contencioso de sa\u00fade p\u00fablica: quando o Estado descumpre obriga\u00e7\u00e3o de fornecer tratamento, o Judici\u00e1rio pode converter a obriga\u00e7\u00e3o em indeniza\u00e7\u00e3o sem que isso configure julgamento extra petita. <strong>A inefici\u00eancia estatal n\u00e3o pode prejudicar o direito do jurisdicionado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fornecer tratamento de sa\u00fade em perdas e danos:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Configura julgamento extra petita, por alterar a natureza do pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de pedido expresso do autor para ser deferida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Exige pr\u00e9via declara\u00e7\u00e3o de impossibilidade pelo tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de nova cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u para contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pode ser deferida de of\u00edcio como adequa\u00e7\u00e3o do meio executivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A convers\u00e3o mant\u00e9m a causa de pedir e a finalidade; apenas adequa o meio (CPC, arts. 497, 499 e 536).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A convers\u00e3o pode ocorrer de of\u00edcio quando imposs\u00edvel a tutela espec\u00edfica (CPC, art. 499).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A impossibilidade pode ser constatada pelo ju\u00edzo de primeiro grau.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A convers\u00e3o opera nos mesmos autos, sem necessidade de nova cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> O CPC autoriza a convers\u00e3o em perdas e danos quando imposs\u00edvel a tutela espec\u00edfica, sem configurar decis\u00e3o diversa da pedida, pois a finalidade do pedido \u00e9 preservada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se a convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos, em raz\u00e3o da inefici\u00eancia estatal em fornecer tratamento adequado ao paciente, configura julgamento extra petita. Nos termos dos arts. 141 e 492 do C\u00f3digo de Processo Civil, o julgador deve decidir a lide nos limites da demanda, sendo-lhe vedado proferir decis\u00e3o de natureza diversa da pedida ou em quantidade superior ao que foi requerido. Todavia, \u00e9 igualmente pac\u00edfico que o magistrado n\u00e3o est\u00e1 adstrito \u00e0 literalidade da provid\u00eancia requerida, podendo adotar solu\u00e7\u00e3o juridicamente adequada ao caso concreto, desde que respeitada a causa de pedir e a finalidade do pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a parte autora buscou, desde a inicial, tutela jurisdicional destinada a assegurar tratamento de sa\u00fade ao filho, mediante interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria em unidade adequada. A convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fazer em perdas e danos foi adotada como consequ\u00eancia da impossibilidade ou inefic\u00e1cia da presta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, com o objetivo de viabilizar a satisfa\u00e7\u00e3o do direito material reconhecido, o que se insere no \u00e2mbito do pr\u00f3prio pedido e da causa de pedir.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o houve concess\u00e3o de provid\u00eancia estranha \u00e0 demanda, mas apenas adequa\u00e7\u00e3o do meio executivo \u00e0 realidade f\u00e1tica constatada, provid\u00eancia expressamente admitida pelo ordenamento (arts. 497, 499 e 536 do CPC), afastando-se, portanto, qualquer m\u00e1cula de decis\u00e3o extra petita.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-adjudicacao-compulsoria-imprescritibilidade-da-conversao-em-perdas-e-danos\">4. Adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u2013 imprescritibilidade da convers\u00e3o em perdas e danos<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imprescritibilidade da pretens\u00e3o de adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria <strong>estende-se \u00e0 pretens\u00e3o de perdas e danos<\/strong> quando a obriga\u00e7\u00e3o de outorgar escritura n\u00e3o puder ser cumprida de modo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.196.855-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Godines celebrou compromisso de compra e venda de im\u00f3vel, quitou integralmente o pre\u00e7o, mas o promitente vendedor faleceu sem outorgar a escritura. Os herdeiros alienaram o im\u00f3vel a terceiro de boa-f\u00e9, inviabilizando a adjudica\u00e7\u00e3o. Godines ajuizou a\u00e7\u00e3o de perdas e danos. Os herdeiros alegaram prescri\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o em perdas e danos, quando a adjudica\u00e7\u00e3o se torna imposs\u00edvel, segue a imprescritibilidade da pretens\u00e3o original?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 1.417 e 1.418<\/strong><em> (direito \u00e0 adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 248<\/strong><em> (obriga\u00e7\u00e3o de fazer \u2013 impossibilidade e convers\u00e3o em perdas e danos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 499<\/strong><em> (convers\u00e3o da tutela espec\u00edfica em perdas e danos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u00e9 pretens\u00e3o imprescrit\u00edvel (S\u00famula 239\/STJ). A convers\u00e3o em perdas e danos, quando a obriga\u00e7\u00e3o de fazer se torna imposs\u00edvel, mant\u00e9m a <strong>mesma natureza<\/strong>: decorre da mesma causa de pedir (compromisso de compra e venda quitado).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Admitir prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria quando a adjudica\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescrit\u00edvel geraria <strong>contradi\u00e7\u00e3o<\/strong>: bastaria ao devedor alienar o im\u00f3vel a terceiro e aguardar a prescri\u00e7\u00e3o para se eximir de toda responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u00e9 pretens\u00e3o potestativa de natureza real, exercida pelo promitente comprador para obter a transfer\u00eancia da propriedade. O STJ firmou sua imprescritibilidade (S\u00famula 239). <strong>Quando a obriga\u00e7\u00e3o de fazer se torna imposs\u00edvel (aliena\u00e7\u00e3o a terceiro), a convers\u00e3o em perdas e danos \u00e9 consequ\u00eancia natural<\/strong>, admitida pelo CC (art. 248) e pelo CPC (art. 499).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Terceira Turma entendeu que a imprescritibilidade da adjudica\u00e7\u00e3o se estende \u00e0 pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria substitutiva, pois <strong>ambas derivam da mesma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e da mesma causa de pedir<\/strong>: o compromisso de compra e venda quitado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A l\u00f3gica \u00e9 de coer\u00eancia: se o promitente comprador pode exigir a escritura a qualquer tempo, <strong>a impossibilidade superveniente (criada pelo pr\u00f3prio devedor) n\u00e3o pode gerar prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o substitutiva<\/strong>. Admitir o contr\u00e1rio premiaria a conduta il\u00edcita do devedor que aliena o im\u00f3vel para frustrar a obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a a <strong>prote\u00e7\u00e3o ao promitente comprador de boa-f\u00e9<\/strong>: quem pagou integralmente o pre\u00e7o e ficou impedido de obter a escritura por ato do devedor n\u00e3o pode ser prejudicado pela prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o subsidi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inviabilizada a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria pela aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel a terceiro, a pretens\u00e3o de perdas e danos:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 imprescrit\u00edvel, por decorrer da mesma causa de pedir.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Prescreve em 10 anos da data do compromisso de compra e venda.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de pr\u00e9via a\u00e7\u00e3o de adjudica\u00e7\u00e3o frustrada para ser exercida.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Prescreve em 3 anos da data da aliena\u00e7\u00e3o a terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de pr\u00e9via resolu\u00e7\u00e3o contratual para gerar efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A pretens\u00e3o de perdas e danos substitutiva mant\u00e9m a imprescritibilidade da adjudica\u00e7\u00e3o, por derivar da mesma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica (CC, arts. 248 e 1.417-1.418; S\u00famula 239\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria n\u00e3o tem prazo aut\u00f4nomo quando substitui a adjudica\u00e7\u00e3o imprescrit\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A convers\u00e3o pode ser diretamente pleiteada, sem exigir a\u00e7\u00e3o pr\u00e9via frustrada.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A imprescritibilidade da adjudica\u00e7\u00e3o estende-se \u00e0 pretens\u00e3o substitutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A convers\u00e3o n\u00e3o exige resolu\u00e7\u00e3o contratual; o contrato permanece vigente, com obriga\u00e7\u00e3o convertida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O prop\u00f3sito da controv\u00e9rsia consiste em definir se, inviabilizada a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria e convertida a obriga\u00e7\u00e3o em perdas e danos, est\u00e1 configurada a prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com os artigos 1.417 e 1.418 do C\u00f3digo Civil, os quais disp\u00f5em sobre o direito \u00e0 adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, se, ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o de compromisso de compra e venda de bem im\u00f3vel, o promitente vendedor n\u00e3o cumprir a obriga\u00e7\u00e3o de outorgar a escritura definitiva, o promitente comprador tem o direito de pleitear em ju\u00edzo a prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a constitutiva, que substitua a vontade do vendedor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 dizer, embora o promitente vendedor n\u00e3o possa ser coagido a emitir declara\u00e7\u00e3o de vontade, os efeitos da declara\u00e7\u00e3o omitida podem ser substitu\u00eddos pela senten\u00e7a judicial (artigo 501, CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A a\u00e7\u00e3o de adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria tem por objetivo &#8220;a constitui\u00e7\u00e3o de um direito real, fruto de compromisso de compra e venda, com a transfer\u00eancia da propriedade ao promitente comprador ap\u00f3s a quita\u00e7\u00e3o integral do pre\u00e7o&#8221; (REsp 1.489.565\/DF, Terceira Turma, DJe 18\/12\/2017). Trata-se, portanto, de mecanismo que viabiliza a execu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da promessa de compra e venda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em \u00faltima an\u00e1lise, a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria busca a satisfa\u00e7\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o de fazer, relativa \u00e0 emiss\u00e3o de declara\u00e7\u00e3o de vontade pelo promitente vendedor, que, se n\u00e3o ocorrer, pode ser suprida por determina\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao disciplinar as obriga\u00e7\u00f5es de fazer, o C\u00f3digo Civil preceitua, em seu artigo 248, que &#8220;se a presta\u00e7\u00e3o do fato tornar-se imposs\u00edvel sem culpa do devedor, resolver-se-\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o; se por culpa dele, responder\u00e1 por perdas e danos&#8221;. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, o artigo 499 do CPC prescreve que &#8220;a obriga\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se imposs\u00edvel a tutela espec\u00edfica ou a obten\u00e7\u00e3o de tutela pelo resultado pr\u00e1tico equivalente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;definida a obriga\u00e7\u00e3o pela presta\u00e7\u00e3o de tutela espec\u00edfica &#8211; seja ela obriga\u00e7\u00e3o de fazer, n\u00e3o fazer ou dar coisa certa -, \u00e9 plenamente cab\u00edvel, de forma autom\u00e1tica, a convers\u00e3o em perdas e danos, ainda que sem pedido expl\u00edcito, quando imposs\u00edvel o seu cumprimento ou a obten\u00e7\u00e3o de resultado pr\u00e1tico equivalente&#8221; (REsp 1.982.739\/MT, Terceira Turma, DJe 21\/3\/2022; AgInt no AREsp 228.070\/MG, Quarta Turma, DJe de 4\/11\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda, &#8220;a convers\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de dar, fazer ou n\u00e3o fazer em perdas e danos, em decorr\u00eancia da inviabilidade de cumprimento espec\u00edfico, n\u00e3o representa julgamento extra petita, ainda que a parte lesada n\u00e3o pleiteie a convers\u00e3o&#8221; (AgInt no AREsp 1.803.365\/ES, Terceira Turma, DJe 6\/10\/2021). Assim, inviabilizada a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, ressalva-se ao promitente comprador a possibilidade de convers\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o, consolidou-se o entendimento do STJ no sentido de que a pretens\u00e3o de obter a escritura definitiva do im\u00f3vel n\u00e3o se sujeita a prazo prescricional; todavia, o direito \u00e0 adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria deixar\u00e1 de existir se configurada a prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva amparada em usucapi\u00e3o (AgInt no REsp 1.584.461\/GO, Terceira Turma, DJe 21\/5\/2019; REsp 369.206\/MG, Quarta Turma, DJ 30\/6\/2003). Ressalvada essa possibilidade, a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria afigura-se imprescrit\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o estando sujeita a prazo prescricional a pretens\u00e3o de adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, conclui-se que, caso a obriga\u00e7\u00e3o de fazer, por qualquer motivo, mostre-se inexequ\u00edvel, a convers\u00e3o em perdas e danos \u00e9 igualmente insuscet\u00edvel \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o, por consect\u00e1rio l\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se a pretens\u00e3o relativa \u00e0 outorga da escritura definitiva, cuja consequ\u00eancia \u00e9 a transmiss\u00e3o da propriedade do im\u00f3vel, \u00e9 infensa \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o, aquela referente \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por perdas e danos em caso de impossibilidade do cumprimento de tal obriga\u00e7\u00e3o igualmente o ser\u00e1. A maiori, ad minus: o que \u00e9 v\u00e1lido para o mais, deve prevalecer para o menos. Em \u00faltima an\u00e1lise, estando presentes os requisitos espec\u00edficos para a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, a convers\u00e3o em perdas e danos decorrente da impossibilidade material de cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o corresponde a um simples reflexo do acolhimento da pretens\u00e3o, substitu\u00edda por presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, sem que isso baste para afastar a sua imprescritibilidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-simulacao-parte-que-participou-pode-alegar-o-vicio-apos-o-cc-2002\">5.&nbsp; Simula\u00e7\u00e3o \u2013 parte que participou pode alegar o v\u00edcio ap\u00f3s o CC\/2002<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o C\u00f3digo Civil de 2002, ficou superada a regra do CC\/1916 (art. 104) que impedia os simuladores de <strong>alegar o v\u00edcio um contra o outro<\/strong>, pois a simula\u00e7\u00e3o passou a ser causa de nulidade (art. 167 do CC\/2002), podendo ser suscitada por qualquer interessado.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 3.067.152-MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 30\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Josefina vendeu im\u00f3vel a Creitinho por contrato de compra e venda. Mas quando Creitinho tentou tomar posse do bem, Josefina alegou que aquele neg\u00f3cio foi simulado para proteg\u00ea-la de amea\u00e7as de terceiros \u2014 n\u00e3o havia inten\u00e7\u00e3o real de transferir a propriedade. O Tribunal de origem rejeitou com base no princ\u00edpio <em>nemo potest venire contra factum proprium<\/em>: quem participou da simula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode alegar o v\u00edcio em benef\u00edcio pr\u00f3prio. A veda\u00e7\u00e3o do CC\/1916 subsiste ap\u00f3s o CC\/2002?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC\/1916, art. 104<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o de alega\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00e3o pelos simuladores).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC\/2002, art. 167<\/strong><em> (simula\u00e7\u00e3o como causa de nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Enunciado 294\/CJF (IV Jornada de Direito Civil)<\/strong><em> (sendo nulidade, a simula\u00e7\u00e3o pode ser alegada por uma das partes contra a outra).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O CC\/2002 al\u00e7ou a simula\u00e7\u00e3o a causa de <strong>nulidade<\/strong> (art. 167), superando o regime do CC\/1916 que a tratava como causa de anulabilidade com restri\u00e7\u00e3o subjetiva. Sendo nulidade, pode ser reconhecida de of\u00edcio ou alegada por qualquer interessado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Enunciado 294\/CJF da IV Jornada de Direito Civil confirma: &#8220;sendo a simula\u00e7\u00e3o causa de nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico, pode ser alegada <strong>por uma das partes contra a outra<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O CC\/1916 tratava a simula\u00e7\u00e3o como causa de anulabilidade e, no art. 104, vedava aos simuladores alegar o v\u00edcio um contra o outro (&#8220;ningu\u00e9m pode se beneficiar da pr\u00f3pria torpeza&#8221;). O CC\/2002 <strong>mudou a natureza do v\u00edcio: a simula\u00e7\u00e3o passou a ser causa de nulidade (art. 167)<\/strong>, com regime jur\u00eddico distinto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A nulidade \u00e9 v\u00edcio mais grave que a anulabilidade: pode ser reconhecida de of\u00edcio pelo juiz, n\u00e3o convalesce pelo decurso do tempo e pode ser invocada por qualquer interessado. <strong>Restringir a legitimidade de quem participou da simula\u00e7\u00e3o contraria a natureza do instituto ap\u00f3s o CC\/2002<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma cassou o ac\u00f3rd\u00e3o do TJRJ, que havia aplicado o princ\u00edpio do venire contra factum proprium para negar legitimidade \u00e0 simuladora. A decis\u00e3o determinou <strong>novo julgamento sem a premissa de que as partes n\u00e3o podem alegar a simula\u00e7\u00e3o<\/strong>, devendo o tribunal examinar se a simula\u00e7\u00e3o efetivamente existiu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A ratio \u00e9 clara: o CC\/2002 n\u00e3o mais protege a &#8220;seguran\u00e7a&#8221; do ato simulado. <strong>Se o neg\u00f3cio \u00e9 nulo, sua nulidade deve ser declarada independentemente de quem a invoque<\/strong>. A prote\u00e7\u00e3o da boa-f\u00e9 de terceiros continua assegurada pelo art. 167, \u00a7 2\u00ba, do CC\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a legitimidade da parte que participou da simula\u00e7\u00e3o para alegar o v\u00edcio no regime do CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 vedada, por for\u00e7a do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo concreto pelo simulador.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 admitida, pois a simula\u00e7\u00e3o \u00e9 causa de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de pr\u00e9via rescis\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 vedada pelo princ\u00edpio do venire contra factum proprium.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A boa-f\u00e9 objetiva n\u00e3o impede a declara\u00e7\u00e3o de nulidade por simula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 v\u00edcio de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A nulidade pode ser reconhecida independentemente de preju\u00edzo concreto do alegante.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> O CC\/2002 (art. 167) transformou a simula\u00e7\u00e3o em causa de nulidade, superando a veda\u00e7\u00e3o do CC\/1916 (art. 104); os pr\u00f3prios simuladores podem invocar o v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 declarat\u00f3ria de nulidade, n\u00e3o de rescis\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O venire contra factum proprium n\u00e3o se aplica quando o v\u00edcio \u00e9 nulidade de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se o ordenamento jur\u00eddico admite que a parte que participou da simula\u00e7\u00e3o pleiteie sua anula\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de a\u00e7\u00e3o de declara\u00e7\u00e3o de nulidade de neg\u00f3cio jur\u00eddico visando \u00e0 anula\u00e7\u00e3o de contrato de compra e venda de im\u00f3vel, sob alega\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00e3o para proteger a autora de amea\u00e7as de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem entendeu que &#8220;a simula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser alegada por quem participou do ato simulado, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica e veda\u00e7\u00e3o ao comportamento contradit\u00f3rio (nemo potest venire contra factum proprium)&#8221;. Contudo, segundo a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;com o advento do CC\/2002 ficou superada a regra que constava do art. 104 do CC\/1916, pela qual, na simula\u00e7\u00e3o, os simuladores n\u00e3o poderiam alegar o v\u00edcio um contra o outro, pois ningu\u00e9m poderia se beneficiar da pr\u00f3pria torpeza. O art. 167 do CC\/2002 al\u00e7ou a simula\u00e7\u00e3o como motivo de nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico. Sendo a simula\u00e7\u00e3o uma causa de nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico, pode ser alegada por uma das partes contra a outra (Enunciado n. 294\/CJF da IV Jornada de Direito Civil)&#8221; (REsp n. 2.037.095\/SP, rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe 11\/4\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a simula\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico torna o ato nulo de pleno direito, nos termos do art. 167 do C\u00f3digo Civil, independentemente de quem o alegue ou das consequ\u00eancias posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, imp\u00f5e-se a cassa\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido para que o Tribunal de origem promova nova an\u00e1lise da alegada exist\u00eancia, ou n\u00e3o, de simula\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico sem que se ampare na premissa de que os contratantes n\u00e3o podem suscitar o referido v\u00edcio, pois n\u00e3o mais subsiste esse entendimento ap\u00f3s a vig\u00eancia do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-remocao-de-conteudo-digital-urls-vinculadas-a-hashtags-e-protecao-integral-da-crianca\">6. Remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado digital \u2013 URLs vinculadas a hashtags e prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s hashtags \u00e9 instrumento id\u00f4neo para identificar conte\u00fados il\u00edcitos replicados massivamente, <strong>especialmente em cen\u00e1rios de viol\u00eancia digital contra crian\u00e7as e adolescentes<\/strong>, nos quais o provedor tem dever de agir mais imediato.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.239.457-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Crementina, m\u00e3e de adolescente v\u00edtima de viol\u00eancia digital, obteve ordem judicial determinando a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados il\u00edcitos publicados em rede social da Gugle. Os conte\u00fados estavam vinculados a hashtags espec\u00edficas e eram replicados massivamente. A plataforma recusava a cumprir a ordem na integralidade, alegando que a jurisprud\u00eancia do STJ exige indica\u00e7\u00e3o individualizada de cada URL. A indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s hashtags basta para a remo\u00e7\u00e3o, ou \u00e9 preciso apontar cada publica\u00e7\u00e3o individual?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.965\/2014 (Marco Civil), art. 19<\/strong><em> (responsabilidade do provedor \u2013 ordem judicial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 15.211\/2025, art. 29<\/strong><em> (prote\u00e7\u00e3o digital de crian\u00e7as \u2013 retirada independente de ordem judicial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>STF, RE 1.037.396 (Tema 987) e RE 1.057.258 (Tema 533)<\/strong><em> (inconstitucionalidade parcial do art. 19).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A exig\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o individualizada de cada URL pressupunha cen\u00e1rio digital em que isso era vi\u00e1vel. Diante de viol\u00eancia digital massificada (dissemina\u00e7\u00e3o viral por hashtags), essa exig\u00eancia <strong>inviabiliza a prote\u00e7\u00e3o<\/strong> da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Quando o conte\u00fado ofensivo envolve crian\u00e7as e adolescentes, prevalece o princ\u00edpio da <strong>prote\u00e7\u00e3o integral<\/strong> (CF, art. 227), impondo ao provedor dever de agir mais imediato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A jurisprud\u00eancia do STJ consolidou a exig\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o individualizada de URLs para remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. Contudo, <strong>essa constru\u00e7\u00e3o foi superada pela nova din\u00e2mica de dissemina\u00e7\u00e3o digital<\/strong>: conte\u00fados il\u00edcitos s\u00e3o replicados massivamente por hashtags, tornando imposs\u00edvel a identifica\u00e7\u00e3o individual de cada publica\u00e7\u00e3o pela v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STF, nos Temas 987 e 533, reconheceu a inconstitucionalidade parcial do art. 19 do Marco Civil e assentou que a <strong>viol\u00eancia digital constitui fen\u00f4meno social aut\u00f4nomo que gera vulnerabilidade f\u00e1tica e jur\u00eddica particularmente agravada para mulheres, crian\u00e7as e adolescentes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma atualizou sua orienta\u00e7\u00e3o: a indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s hashtags \u00e9 <strong>instrumento tecnicamente id\u00f4neo e proporcional<\/strong> para permitir que o provedor identifique o conjunto de conte\u00fados il\u00edcitos. Exigir identifica\u00e7\u00e3o individualizada de milhares de r\u00e9plicas imporia \u00f4nus desproporcional \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Lei n\u00ba 15.211\/2025 refor\u00e7ou essa orienta\u00e7\u00e3o ao determinar que provedores devem retirar conte\u00fado que viola direitos de crian\u00e7as e adolescentes <strong>assim que comunicados, independentemente de ordem judicial<\/strong>. A decis\u00e3o do STJ antecipou, em parte, o esp\u00edrito dessa nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados il\u00edcitos vinculados a hashtags em plataformas digitais:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Exige indica\u00e7\u00e3o individualizada de cada URL publicada.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de pr\u00e9via per\u00edcia t\u00e9cnica para identificar os conte\u00fados.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 de responsabilidade do MP, n\u00e3o da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Admite a mera indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s hashtags.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de regulamenta\u00e7\u00e3o da ANPD para ser determinada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A exig\u00eancia de URL individualizada foi superada pela nova din\u00e2mica de dissemina\u00e7\u00e3o digital massificada.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A remo\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de per\u00edcia; a indica\u00e7\u00e3o das hashtags com URLs basta para identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A v\u00edtima e seus representantes podem requerer; o MP \u00e9 legitimado, mas n\u00e3o exclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s hashtags \u00e9 proporcional e eficaz para identificar o conjunto de conte\u00fados replicados, especialmente quando envolvem crian\u00e7as e adolescentes (CF, art. 227; Lei n\u00ba 15.211\/2025, art. 29).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 de tutela jurisdicional, n\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o pela ANPD.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O prop\u00f3sito recursal consiste em definir se a indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s hashtags \u00e9 suficiente para a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados il\u00edcitos publicados por terceiros em plataformas digitais. Nos termos da jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, consolidou-se orienta\u00e7\u00e3o no sentido da exig\u00eancia da indica\u00e7\u00e3o individualizada das URLs das publica\u00e7\u00f5es reputadas como il\u00edcitas pelo requerente para remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados publicados por terceiros em plataformas digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa constru\u00e7\u00e3o jurisprudencial, embora coerente com a interpreta\u00e7\u00e3o normativa ent\u00e3o vigente, pressupunha um ambiente digital em que fosse vi\u00e1vel exigir da v\u00edtima a identifica\u00e7\u00e3o individualizada de cada postagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Supremo Tribunal Federal, ao julgar conjuntamente os RE 1.037.396 (Tema 987) e 1.057.258 (Tema 533), declarou a inconstitucionalidade parcial e progressiva do art. 19 da Lei n. 12.965\/2014 (Marco Civil da Internet), e assentou que, enquanto n\u00e3o sobrevier nova legisla\u00e7\u00e3o, o art. 19 deve ser compreendido \u00e0 luz de par\u00e2metros constitucionais mais amplos de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao examinar a din\u00e2mica contempor\u00e2nea de dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados nocivos nas redes sociais, a Suprema Corte reconheceu que a viol\u00eancia digital constitui fen\u00f4meno social aut\u00f4nomo, capaz de gerar uma nova categoria de vulnerabilidade f\u00e1tica e jur\u00eddica &#8211; a chamada vulnerabilidade digital &#8211; que incide, de maneira particularmente agravada, sobre &#8220;mulheres, crian\u00e7as e adolescentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a Suprema Corte assentou que tais grupos demandam resposta r\u00e1pida e efetiva por parte de plataformas digitais, a ser prestada com base no ordenamento jur\u00eddico existente, \u00e0 luz dos princ\u00edpios constitucionais &#8220;da igualdade de g\u00eanero e da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o (Constitui\u00e7\u00e3o Federal &#8211; CRFB\/88, art. 5, caput e II) e da prote\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as e adolescentes (CRFB\/88, art. 227)&#8221; (RE 1.057.258, Pleno, DJe 5\/11\/2025). Esse marco interpretativo aproxima-se da orienta\u00e7\u00e3o j\u00e1 firmada pela Quarta Turma deste Superior Tribunal no julgamento do REsp 1.783.269\/MG, no qual reconheceu que, quando o conte\u00fado ofensivo envolve crian\u00e7as e adolescentes, prevalece o princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral, impondo ao provedor de aplica\u00e7\u00e3o um dever de agir mais imediato e eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 de se observar, igualmente, a recent\u00edssima promulga\u00e7\u00e3o da Lei n. 15.211\/2025, que disp\u00f5e sobre a prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes em ambientes digitais, na qual, em seu art. 29, presente no cap\u00edtulo intitulado &#8220;Do Reporte de Viola\u00e7\u00f5es aos Direitos de Crian\u00e7as e de Adolescentes&#8221;, estabelece que: &#8220;Para atender ao princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral, \u00e9 dever dos fornecedores de produtos ou servi\u00e7os de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o direcionados a crian\u00e7as e a adolescentes ou de acesso prov\u00e1vel por eles proceder \u00e0 retirada de conte\u00fado que viola direitos de crian\u00e7as e de adolescentes assim que forem comunicados do car\u00e1ter ofensivo da publica\u00e7\u00e3o pela v\u00edtima, por seus representantes, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ou por entidades representativas de defesa dos direitos de crian\u00e7as e de adolescentes, independentemente de ordem judicial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, conclui-se que, em hip\u00f3teses de circula\u00e7\u00e3o massiva de conte\u00fados il\u00edcitos graves contra crian\u00e7as e adolescentes, o par\u00e2metro de atua\u00e7\u00e3o das plataformas n\u00e3o deve se limitar \u00e0 indica\u00e7\u00e3o individualizada de URLs, sendo suficiente a apresenta\u00e7\u00e3o dos marcadores de indexa\u00e7\u00e3o que re\u00fanem o conjunto das publica\u00e7\u00f5es il\u00edcitas, a partir dos quais a plataforma pode identificar e remover o conte\u00fado ofensivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessas situa\u00e7\u00f5es, a indica\u00e7\u00e3o das URLs vinculadas \u00e0s chamadas hashtags, que concentram a difus\u00e3o do material ofensivo, configura instrumento tecnicamente id\u00f4neo para permitir que o provedor identifique, de forma proporcional e eficaz, o conjunto de conte\u00fados il\u00edcitos massivamente replicados. Nota-se que a URL da hashtag, por funcionar como marcador objetivo de agrupamento e indexa\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es, permite ao provedor localizar o n\u00facleo tem\u00e1tico no qual ocorre a replica\u00e7\u00e3o do il\u00edcito, sem que isso configure monitoramento gen\u00e9rico ou filtragem pr\u00e9via, mas sim cumprimento do dever de cuidado e da prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente, delineado pela Suprema Corte, por este Tribunal Superior e pela referida Lei n. 15.211\/2025 (Estatuto Digital da Crian\u00e7a e do Adolescente). Em cen\u00e1rios de viol\u00eancia digital e vulnerabilidade digital, a indica\u00e7\u00e3o das URLs das hashtags mostra-se suficientemente adequada para acionar a atua\u00e7\u00e3o diligente exigida das plataformas, de modo a possibilitar a pronta remo\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados il\u00edcitos, assegurando, de modo efetivo, a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente e a tutela dos direitos fundamentais envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-marco-civil-da-internet-honorarios-sucumbenciais-ao-provedor-vencido-na-remocao-de-conteudo\">7. Marco Civil da Internet \u2013 honor\u00e1rios sucumbenciais ao provedor vencido na remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Marco Civil da Internet n\u00e3o afasta a regra geral de sucumb\u00eancia do CPC: <strong>o provedor que resiste \u00e0 remo\u00e7\u00e3o e \u00e9 vencido deve arcar com honor\u00e1rios<\/strong>, mesmo em demandas cuja judicializa\u00e7\u00e3o decorra de exig\u00eancia legal.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.239.457-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda ajuizou a\u00e7\u00e3o contra a Gugle, pedindo remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado ofensivo. A plataforma contestou e interp\u00f4s recursos. Ao final, foi condenada \u00e0 remo\u00e7\u00e3o. A Gugle recorreu da condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios alegando que a judicializa\u00e7\u00e3o era &#8220;procedimento necess\u00e1rio&#8221; imposto pelo art. 19 do Marco Civil e que, por isso, n\u00e3o haveria sucumb\u00eancia. Quando a lei exige judicializa\u00e7\u00e3o para remo\u00e7\u00e3o, o provedor que perde deve pagar honor\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.965\/2014, art. 19<\/strong><em> (responsabilidade do provedor \u2013 exig\u00eancia de ordem judicial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 82 e 85<\/strong><em> (honor\u00e1rios sucumbenciais \u2013 princ\u00edpio da causalidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A exig\u00eancia de judicializa\u00e7\u00e3o pelo art. 19 define a forma de acesso \u00e0 tutela, mas n\u00e3o transforma o lit\u00edgio em jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria nem exclui o regime de honor\u00e1rios. Subsiste a estrutura adversarial do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A responsabilidade por honor\u00e1rios decorre da causalidade e da <strong>resist\u00eancia processual<\/strong> (contesta\u00e7\u00e3o, recursos), n\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o de il\u00edcito material.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O regime de honor\u00e1rios sucumbenciais (CPC, arts. 82 e 85) \u00e9 objetivo e decorre do princ\u00edpio da causalidade: <strong>quem d\u00e1 causa \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o ou continuidade do processo suporta os \u00f4nus<\/strong>. A Lei n\u00ba 12.965\/2014 n\u00e3o cont\u00e9m exce\u00e7\u00e3o a essa regra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O argumento do &#8220;procedimento necess\u00e1rio&#8221; n\u00e3o prospera: a exig\u00eancia de ordem judicial para remo\u00e7\u00e3o (art. 19) define a via de acesso, mas <strong>n\u00e3o descaracteriza a sucumb\u00eancia quando o provedor contesta e perde<\/strong>. Se o provedor aceita a remo\u00e7\u00e3o sem resistir, n\u00e3o h\u00e1 sucumb\u00eancia; se contesta e \u00e9 vencido, h\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma distinguiu: <strong>a interven\u00e7\u00e3o judicial como condi\u00e7\u00e3o legal n\u00e3o exclui a estrutura adversarial do processo<\/strong>. H\u00e1 pretens\u00e3o, defesa, contradit\u00f3rio e atua\u00e7\u00e3o profissional indispens\u00e1vel \u2014 todos os elementos que justificam honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para o contencioso digital: provedores que sistematicamente contestam remo\u00e7\u00f5es e perdem <strong>devem arcar com os custos da litig\u00e2ncia<\/strong>. A regra incentiva comportamento processual respons\u00e1vel e desincentiva resist\u00eancias infundadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o provedor de internet contesta a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e \u00e9 vencido judicialmente:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Os honor\u00e1rios s\u00e3o indevidos, por tratar-se de procedimento necess\u00e1rio do Marco Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Os honor\u00e1rios s\u00e3o devidos, pois o Marco Civil n\u00e3o afasta a regra de sucumb\u00eancia do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Os honor\u00e1rios dependem de demonstra\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 do provedor.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A condena\u00e7\u00e3o depende de pr\u00e9via recusa extrajudicial do provedor.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Os honor\u00e1rios s\u00e3o devidos apenas em a\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O &#8220;procedimento necess\u00e1rio&#8221; define a via processual, n\u00e3o exclui a sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O CPC (arts. 82 e 85) incide plenamente; o Marco Civil n\u00e3o afasta a regra de sucumb\u00eancia, e a resist\u00eancia processual do provedor vencido justifica a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Os honor\u00e1rios decorrem da causalidade e sucumb\u00eancia, n\u00e3o da m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios decorre da sucumb\u00eancia processual, n\u00e3o de pr\u00e9via recusa extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A natureza da a\u00e7\u00e3o (remo\u00e7\u00e3o ou indeniza\u00e7\u00e3o) \u00e9 irrelevante para a incid\u00eancia dos honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O prop\u00f3sito recursal consiste em definir se \u00e9 devida a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios sucumbenciais quando a legisla\u00e7\u00e3o exige a judicializa\u00e7\u00e3o para a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados publicados virtualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O regime jur\u00eddico dos honor\u00e1rios sucumbenciais, tal como disciplinado nos arts. 82 e 85 do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC, possui natureza objetiva e decorre do princ\u00edpio da causalidade, isto \u00e9, aquele que d\u00e1 causa \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o ou \u00e0 continuidade do processo deve suportar os \u00f4nus decorrentes da atividade jurisdicional. Trata-se de norma cogente, que n\u00e3o admite restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A circunst\u00e2ncia de determinadas medidas dependerem, por op\u00e7\u00e3o legislativa, de pr\u00e9via ordem judicial &#8211; como ocorre em diversas hip\u00f3teses reguladas pela Lei n. 12.965\/2014 (Marco Civil da Internet) &#8211; n\u00e3o altera o car\u00e1ter contencioso da rela\u00e7\u00e3o processual nem descaracteriza a sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O chamado &#8220;procedimento necess\u00e1rio&#8221; apenas define a forma de acesso \u00e0 tutela jurisdicional, mas n\u00e3o transforma o lit\u00edgio em jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, tampouco exclui o regime comum de honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que a interven\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio seja condi\u00e7\u00e3o legal para a efetiva\u00e7\u00e3o de determinadas obriga\u00e7\u00f5es, subsiste a estrutura adversarial do processo, com formula\u00e7\u00e3o de pretens\u00f5es, defesa, contradit\u00f3rio e atua\u00e7\u00e3o profissional indispens\u00e1vel \u00e0 adequada representa\u00e7\u00e3o das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destaca-se que a responsabilidade pelo pagamento de honor\u00e1rios n\u00e3o depende apenas da configura\u00e7\u00e3o de il\u00edcito material, mas tamb\u00e9m da exist\u00eancia de resist\u00eancia processual, que pode se manifestar pela contesta\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o ou pela interposi\u00e7\u00e3o de sucessivos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A insurg\u00eancia recursal revela oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o judicial e imp\u00f5e trabalho adicional ao advogado da parte ex adversa, o que refor\u00e7a a incid\u00eancia objetiva da regra sucumbencial. Nessa perspectiva, o sistema processual estabelece que, havendo resist\u00eancia \u00e0 pretens\u00e3o e resultado \u00fatil reconhecido em favor de uma das partes, \u00e9 juridicamente impositiva a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios. A causalidade deriva do comportamento processual adotado no curso do lit\u00edgio, e n\u00e3o da natureza da obriga\u00e7\u00e3o material discutida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessarte, n\u00e3o h\u00e1, no art. 19 do Marco Civil da Internet ou em qualquer outro dispositivo da referida lei, previs\u00e3o que afaste ou relativize a regra geral da sucumb\u00eancia prevista nos arts. 82 e 85 do CPC, mesmo em lit\u00edgios envolvendo provedores de aplica\u00e7\u00e3o ou em demandas cujo processamento dependa de ordem judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-chargeback-responsabilizacao-exclusiva-do-lojista-por-fraudes-em-arranjo-de-pagamento-com-cartao\">8. Chargeback \u2013 responsabiliza\u00e7\u00e3o exclusiva do lojista por fraudes em arranjo de pagamento com cart\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cl\u00e1usula que imputa ao lojista responsabilidade exclusiva por chargebacks (cancelamentos de transa\u00e7\u00f5es) em caso de fraude <strong>s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida quando houver descumprimento dos deveres contratuais do lojista<\/strong>, devendo-se verificar se sua conduta contribuiu para a fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.455.757-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Vendetudo Com\u00e9rcio Digital Ltda. sofreu preju\u00edzos com chargebacks: compradores contestaram transa\u00e7\u00f5es por fraude (compras com cart\u00e3o clonado). A Paga R\u00e1pido Credenciadora S.A. debitou integralmente os valores da Vendetudo com base em cl\u00e1usula contratual de responsabilidade exclusiva do lojista. A Vendetudo ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando que n\u00e3o contribuiu para a fraude e que a cl\u00e1usula \u00e9 abusiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 421 e 422<\/strong><em> (boa-f\u00e9 objetiva e fun\u00e7\u00e3o social do contrato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.865\/2013, art. 7\u00ba<\/strong><em> (arranjos de pagamento \u2013 regula\u00e7\u00e3o pelo BC).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O arranjo de pagamento com cart\u00f5es envolve m\u00faltiplos agentes (emissor, credenciadora, subcredenciadora, lojista). Imputar ao lojista a responsabilidade exclusiva por fraudes equivale a transferir-lhe <strong>todo o risco<\/strong> da atividade, inclusive de falhas dos demais participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A responsabilidade do lojista \u00e9 leg\u00edtima quando descumpre <strong>deveres contratuais<\/strong> (cobran\u00e7a em duplicidade, neglig\u00eancia com dados de clientes). Fora dessas hip\u00f3teses, a cl\u00e1usula \u00e9 desproporcional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O chargeback \u00e9 a contesta\u00e7\u00e3o de compra feita com cart\u00e3o, normalmente pelo titular perante o emissor. Pode ocorrer por: (i) n\u00e3o recebimento de mercadoria; (ii) fraude; (iii) erro de processamento; (iv) erro no valor. <strong>Nos casos de fraude, a responsabilidade do lojista exige an\u00e1lise da sua conduta concreta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma entendeu que a cl\u00e1usula de responsabilidade exclusiva do lojista <strong>n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida indiscriminadamente<\/strong>: o lojista responde quando descumpre deveres que lhe s\u00e3o contratualmente impostos (verifica\u00e7\u00e3o de identidade, confer\u00eancia de dados, seguran\u00e7a do terminal).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A quest\u00e3o central \u00e9 a <strong>reparti\u00e7\u00e3o do risco no arranjo de pagamento<\/strong>: o emissor aceita o cart\u00e3o, a credenciadora processa a transa\u00e7\u00e3o, o lojista recebe. Se a fraude decorreu de clonagem do cart\u00e3o (falha na seguran\u00e7a do emissor), imputar o preju\u00edzo ao lojista \u00e9 transferir risco alheio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o equilibra a liberdade contratual empresarial (pacta sunt servanda) com o dever de <strong>boa-f\u00e9 objetiva e veda\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usulas que coloquem uma parte em desvantagem excessiva<\/strong>. O lojista n\u00e3o pode ser responsabilizado por falhas sist\u00eamicas do arranjo de pagamento que fogem ao seu controle.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cl\u00e1usula que imputa ao lojista responsabilidade por chargebacks decorrentes de fraude em transa\u00e7\u00f5es com cart\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 v\u00e1lida quando a conduta do lojista n\u00e3o contribuiu para a fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 v\u00e1lida quando o contrato \u00e9 firmado entre sociedades empres\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de regulamenta\u00e7\u00e3o para ser exigida.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 v\u00e1lida por decorrer da liberdade contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) S\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida quando o lojista descumpriu seus deveres contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. \u00c9 inv\u00e1lida quando a conduta do lojista n\u00e3o contribuiu para a fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A natureza empresarial dos contratantes n\u00e3o valida cl\u00e1usula desproporcional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A validade da cl\u00e1usula depende da an\u00e1lise da conduta concreta, n\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A liberdade contratual encontra limite na boa-f\u00e9 objetiva e na veda\u00e7\u00e3o de desvantagem excessiva.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> O lojista responde quando descumpre deveres que lhe s\u00e3o contratualmente impostos; fora dessas hip\u00f3teses, a transfer\u00eancia do risco integral da fraude \u00e9 desproporcional (CC, arts. 421 e 422).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na complexa e multifacetada rela\u00e7\u00e3o entre as empresas que integram o arranjo de pagamento em cart\u00f5es, sobrev\u00eam diversos neg\u00f3cios jur\u00eddicos: (1) contrato de emiss\u00e3o de cart\u00e3o, celebrado entre o banco emissor do cart\u00e3o de cr\u00e9dito\/d\u00e9bito e o portador do cart\u00e3o (usu\u00e1rio); (2) contrato de aquisi\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os, celebrado entre o lojista e o portador do cart\u00e3o (usu\u00e1rio); (3) contrato de credenciamento, realizado entre o lojista e a credenciadora ou a subcredenciadora; e (4) contrato entre a credenciadora e a subcredenciadora, visando \u00e0 maior difus\u00e3o dos cart\u00f5es de pagamento na economia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em que pese a complementariedade desses contratos para o adequado funcionamento do sistema de pagamentos com cart\u00f5es, trata-se de contratos distintos e independentes, estabelecidos por meio de rela\u00e7\u00f5es interempresariais entre pessoas jur\u00eddicas diversas. Isto \u00e9, com exce\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos realizados pelo portador (usu\u00e1rio), os demais contratos s\u00e3o estabelecidos entre sociedades empres\u00e1rias com a finalidade de incrementar e aprimorar seus pr\u00f3prios servi\u00e7os e rendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a credenciadora det\u00e9m responsabilidades somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subcredenciada contratada e, por sua vez, a subcredenciadora tem obriga\u00e7\u00f5es em face do lojista.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas rela\u00e7\u00f5es entre lojistas e empresas credenciadoras, em que os sujeitos da rela\u00e7\u00e3o contratual s\u00e3o empres\u00e1rios (pressuposto subjetivo) e seu objeto decorre da atividade empresarial por eles exercida (pressuposto objetivo), devem prevalecer as condi\u00e7\u00f5es livremente pactuadas e o princ\u00edpio do pacta sunt servanda, salvo se as cl\u00e1usulas colocarem alguma das partes em desvantagem excessiva. Contudo, entende-se que seria temeroso, a princ\u00edpio, reconhecer a validade de uma cl\u00e1usula que, em toda e qualquer circunst\u00e2ncia, venha a imputar ao lojista a responsabilidade exclusiva por contesta\u00e7\u00f5es e\/ou cancelamentos de transa\u00e7\u00f5es (chargebacks). O chargeback, em linhas gerais, \u00e9 a contesta\u00e7\u00e3o de uma compra feita com cart\u00e3o, normalmente efetuada pelo titular do cart\u00e3o perante o emissor, mas que tamb\u00e9m pode ser realizada pelos demais agentes da rela\u00e7\u00e3o na hip\u00f3tese de desatendimento \u00e0s regras estabelecidas pelo instituidor do arranjo de pagamento, tendo como objetivo cancelar a transa\u00e7\u00e3o e promover o reembolso do valor pago. O chargeback pode ocorrer em quatro situa\u00e7\u00f5es: 1. N\u00e3o recebimento da mercadoria (geralmente em transa\u00e7\u00f5es em e-commerce); 2. Fraude &#8211; o portador n\u00e3o efetuou a transa\u00e7\u00e3o; 3. Erro de processamento do emissor; e 4. Erro no valor cobrado. Diante dessa intrincada teia de rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, entende-se que imputar ao lojista, em toda e qualquer circunst\u00e2ncia, a responsabilidade exclusiva por contesta\u00e7\u00f5es e\/ou cancelamento de transa\u00e7\u00f5es (chargebacks) equivaleria a lhe repassar todo o risco da atividade, inclusive daquelas desempenhadas pelos demais personagens envolvidos no arranjo de pagamento. O lojista, por exemplo, poderia ser responsabilizado pelo ato de seu funcion\u00e1rio que, maliciosamente, efetua a cobran\u00e7a em duplicidade ou por valor maior, ou que utiliza os dados dos cart\u00f5es de seus clientes para fins il\u00edcitos. O estabelecimento comercial tamb\u00e9m concorreria com culpa nas hip\u00f3teses em que n\u00e3o tomasse a devida cautela para n\u00e3o se tornar v\u00edtima de atos visivelmente fraudulentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob tal perspectiva, entende-se que a solu\u00e7\u00e3o mais adequada seria admitir a integral responsabiliza\u00e7\u00e3o do cliente (lojista) por contesta\u00e7\u00f5es e\/ou cancelamentos de transa\u00e7\u00f5es somente se n\u00e3o forem observados os deveres a ele impostos contratualmente, impondo-se ainda observar, tamb\u00e9m \u00e0 luz do dever de cautela que deve nortear a pr\u00e1tica de atos de com\u00e9rcio, se a sua conduta foi ou n\u00e3o decisiva para o sucesso do ato fraudulento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 o que ocorre com o chargeback, quando iniciado mediante a contesta\u00e7\u00e3o do portador, nas situa\u00e7\u00f5es em que o estabelecimento comercial realizar uma transa\u00e7\u00e3o em valor superior \u00e0 devida; deixar de cancelar uma transa\u00e7\u00e3o recorrente; realizar uma transa\u00e7\u00e3o fraudulenta; ou concorrer para a pr\u00e1tica de fraude por terceiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-junta-comercial-obrigacao-de-publicar-demonstracoes-financeiras-sem-previsao-legal\">9. Junta Comercial \u2013 obriga\u00e7\u00e3o de publicar demonstra\u00e7\u00f5es financeiras sem previs\u00e3o legal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inv\u00e1lida delibera\u00e7\u00e3o de Junta Comercial que cria obriga\u00e7\u00e3o de publicar demonstra\u00e7\u00f5es financeiras de sociedades limitadas de grande porte <strong>n\u00e3o prevista em lei<\/strong>, por excesso regulamentar e viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.002.734-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Grandona Participa\u00e7\u00f5es Ltda., sociedade limitada de grande porte, teve o arquivamento de atos societ\u00e1rios na Junta Comercial de Minas Gerais condicionado \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o anual em Di\u00e1rio Oficial e jornais de grande circula\u00e7\u00e3o. A Junta fundamentou a exig\u00eancia na Lei n\u00ba 11.638\/2007, que aplicou \u00e0s sociedades de grande porte as regras de escritura\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 6.404\/1976. A Grandona impugnou: a Lei n\u00ba 11.638\/2007 fala em &#8220;escritura\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o&#8221;, n\u00e3o em &#8220;publica\u00e7\u00e3o&#8221;. O ponto: a aus\u00eancia da palavra &#8220;publica\u00e7\u00e3o&#8221; na lei \u00e9 sil\u00eancio eloquente ou lacuna?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.638\/2007, art. 3\u00ba, caput<\/strong><em> (sociedades de grande porte \u2013 escritura\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 6.404\/1976<\/strong><em> (Lei das S.A. \u2013 obriga\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 3\u00ba da Lei n\u00ba 11.638\/2007 aplicou \u00e0s sociedades de grande porte n\u00e3o constitu\u00eddas como S.A. apenas as regras de escritura\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de demonstra\u00e7\u00f5es, sem mencionar publica\u00e7\u00e3o. O hist\u00f3rico legislativo confirma que a palavra &#8220;publica\u00e7\u00e3o&#8221; foi <strong>intencionalmente suprimida<\/strong> no Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A supress\u00e3o consciente de um termo do texto legislativo (<strong>sil\u00eancio eloquente<\/strong>) tem for\u00e7a normativa: o que o legislador quis afastar n\u00e3o pode ser restaurado por ato administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Lei n\u00ba 11.638\/2007 estendeu \u00e0s sociedades limitadas de grande porte as normas da Lei das S.A. relativas \u00e0 escritura\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de demonstra\u00e7\u00f5es financeiras. <strong>A palavra &#8220;publica\u00e7\u00e3o&#8221; est\u00e1 ausente do texto final, e essa aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 acidental<\/strong>: o PL 3.741\/2000 continha alus\u00e3o expressa \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, e o legislador a suprimiu intencionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Trata-se de sil\u00eancio eloquente: na t\u00e9cnica hermen\u00eautica, <strong>a supress\u00e3o deliberada de um termo tem for\u00e7a normativa equivalente a uma exclus\u00e3o expressa<\/strong>. O que o legislador optou por afastar n\u00e3o pode ser restaurado por via administrativa ou por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A delibera\u00e7\u00e3o da Junta Comercial de Minas Gerais criou obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista em lei e a utilizou como condi\u00e7\u00e3o para arquivamento de atos societ\u00e1rios. <strong>Isso configura excesso regulamentar<\/strong>: ato infralegal n\u00e3o pode inovar na ordem jur\u00eddica em mat\u00e9ria reservada \u00e0 lei formal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o protege o <strong>princ\u00edpio da legalidade e o livre exerc\u00edcio da atividade empresarial<\/strong>: sociedades limitadas de grande porte n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a publicar demonstra\u00e7\u00f5es financeiras enquanto a lei n\u00e3o o determinar expressamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Delibera\u00e7\u00e3o de Junta Comercial que condiciona o arquivamento de atos societ\u00e1rios de sociedade limitada de grande porte \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de demonstra\u00e7\u00f5es financeiras:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 inv\u00e1lida, por criar obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 v\u00e1lida, por extens\u00e3o da Lei das sociedades an\u00f4nimas.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 v\u00e1lida, pois o sil\u00eancio da lei autoriza integra\u00e7\u00e3o por ato administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 inv\u00e1lida quando a sociedade tem faturamento inferior ao piso legal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Exige pr\u00e9via publica\u00e7\u00e3o de decreto estadual autorizativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A palavra &#8220;publica\u00e7\u00e3o&#8221; foi intencionalmente suprimida no processo legislativo (sil\u00eancio eloquente); ato infralegal n\u00e3o pode criar obriga\u00e7\u00e3o reservada \u00e0 lei (princ\u00edpio da legalidade).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Lei n\u00ba 11.638\/2007 estendeu escritura\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o publica\u00e7\u00e3o; a supress\u00e3o foi deliberada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O sil\u00eancio legal eloquente veda a pretendida integra\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O faturamento \u00e9 irrelevante; a obriga\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe em lei para sociedades limitadas (quer seja de grande porte, quem dir\u00e1 as de pequeno&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 de reserva legal federal, n\u00e3o de decreto estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia refere-se \u00e0 legalidade de delibera\u00e7\u00e3o de Junta Comercial que exige a comprova\u00e7\u00e3o da pr\u00e9via publica\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o anual e das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras do \u00faltimo exerc\u00edcio, no Di\u00e1rio Oficial e em jornais de grande circula\u00e7\u00e3o, como condi\u00e7\u00e3o para arquivamento dos documentos societ\u00e1rios das sociedades limitadas de grande porte, ainda que n\u00e3o constitu\u00eddas sob a forma de sociedades por a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 3, caput, da Lei n. 11.638\/2007 aplicou \u00e0s sociedades de grande porte, n\u00e3o constitu\u00eddas sob a forma de sociedade an\u00f4nima, apenas as disposi\u00e7\u00f5es da Lei n. 6.404\/1976 relativas \u00e0 escritura\u00e7\u00e3o e \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de demonstra\u00e7\u00f5es financeiras, nada se referindo \u00e0 publica\u00e7\u00e3o. Com efeito, a palavra &#8220;publica\u00e7\u00e3o&#8221; est\u00e1 ausente do texto normativo. E essa aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 acidental. O hist\u00f3rico legislativo revela que o Projeto de Lei n. 3.741\/2000, que culminou com a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 11.638\/2007, continha alus\u00e3o expl\u00edcita \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, tendo o legislador, no processo de delibera\u00e7\u00e3o parlamentar, intencionalmente suprimido a referida obriga\u00e7\u00e3o do texto final. Cuida-se, portanto, de sil\u00eancio eloquente, o qual, na t\u00e9cnica hermen\u00eautica, tem for\u00e7a normativa equivalente \u00e0 de uma exclus\u00e3o expressa. O que o legislador quis afastar n\u00e3o pode ser restaurado por via administrativa ou por constru\u00e7\u00e3o interpretativa extensiva. A supress\u00e3o consciente de um termo do texto legislativo \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da vontade normativa e vincula o int\u00e9rprete.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O princ\u00edpio da legalidade veda a imposi\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es aos particulares sem fundamento em lei. Dessa forma, inexistindo previs\u00e3o legal de obrigatoriedade de publica\u00e7\u00e3o das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras para as sociedades limitadas de grande porte, n\u00e3o se admite que ato infralegal crie tal exig\u00eancia, sob pena de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 reserva legal e ao livre exerc\u00edcio da atividade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a delibera\u00e7\u00e3o da Junta Comercial incorre em excesso regulamentar e inverte a hierarquia normativa ao instituir a exig\u00eancia de publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista em lei e utiliz\u00e1-la como condi\u00e7\u00e3o para o arquivamento de atos societ\u00e1rios, inovando na ordem jur\u00eddica em mat\u00e9ria reservada \u00e0 lei formal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pena-restritiva-de-direitos-adequacao-a-legislacao-de-transito-em-recurso-da-defesa\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pena restritiva de direitos \u2013 adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito em recurso da defesa<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o da modalidade de pena restritiva de direitos para adequ\u00e1-la \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito (CTB, art. 312-A), em recurso exclusivo da defesa, <strong>n\u00e3o configura reformatio in pejus<\/strong>, desde que mantido o quantum da san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.204.178-MG, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por maioria, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Godines foi condenado por homic\u00eddio culposo na dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo (CTB, art. 302). O ju\u00edzo substituiu a pena privativa por presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria. A defesa apelou para buscar a absolvi\u00e7\u00e3o. O Tribunal manteve a condena, mas substituiu a presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria por presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, aplicando o art. 312-A do CTB, que imp\u00f5e essa modalidade para crimes de tr\u00e2nsito. A defesa alegou reformatio in pejus: trocou-se a san\u00e7\u00e3o em recurso exclusivo seu. A adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 lei especial, em recurso da defesa, \u00e9 reformatio?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTB, art. 312-A<\/strong><em> (crimes de tr\u00e2nsito \u2013 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade como modalidade substitutiva).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 617<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o da reformatio in pejus).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 312-A do CTB determina <strong>imperativamente<\/strong> a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade como modalidade substitutiva em crimes de tr\u00e2nsito (arts. 302-312). A senten\u00e7a que aplica modalidade diversa cont\u00e9m erro de direito que o Tribunal pode corrigir.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A adequa\u00e7\u00e3o da modalidade \u00e0 lei especial n\u00e3o piora a situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u quando o quantum da san\u00e7\u00e3o permanece o mesmo: <strong>troca-se a forma<\/strong>, n\u00e3o a quantidade da pena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A reformatio in pejus veda que o Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, piore a situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u. A quest\u00e3o \u00e9 se a adequa\u00e7\u00e3o da modalidade de pena restritiva \u00e0 lei especial configura piora. <strong>A Quinta Turma entendeu que n\u00e3o, desde que mantido o quantum<\/strong>: a troca da forma (pecuni\u00e1ria \u2192 servi\u00e7os) n\u00e3o agrava a san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 312-A do CTB \u00e9 norma imperativa: nos crimes de tr\u00e2nsito dos arts. 302 a 312, <strong>a modalidade substitutiva \u00e9 a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade<\/strong>. O ju\u00edzo n\u00e3o tem discricionariedade para escolher outra. A senten\u00e7a que imp\u00f4s presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria continha erro de direito.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A corre\u00e7\u00e3o do erro pelo Tribunal <strong>n\u00e3o inova em preju\u00edzo do r\u00e9u<\/strong>: apenas adequa a san\u00e7\u00e3o \u00e0 lei aplic\u00e1vel. O r\u00e9u n\u00e3o tinha expectativa leg\u00edtima de manter modalidade imposta em desacordo com a legisla\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o fixa crit\u00e9rio claro: a altera\u00e7\u00e3o da modalidade de pena restritiva em recurso da defesa \u00e9 admitida quando decorre de <strong>vincula\u00e7\u00e3o legal \u00e0 modalidade espec\u00edfica<\/strong>, como ocorre no CTB. A veda\u00e7\u00e3o da reformatio persiste para aumento de quantum ou substitui\u00e7\u00e3o por san\u00e7\u00e3o mais gravosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria por presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, em recurso exclusivo da defesa, em crime de tr\u00e2nsito:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Configura reformatio in pejus, por piorar a situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de concord\u00e2ncia expressa do r\u00e9u para ser admitida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) N\u00e3o configura reformatio in pejus, por ser adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 lei especial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige pr\u00e9via audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o sobre a modalidade adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Somente \u00e9 admitida quando o MP tamb\u00e9m houver recorrido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A troca da modalidade sem altera\u00e7\u00e3o do quantum n\u00e3o piora a situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 lei imperativa independe de concord\u00e2ncia; \u00e9 dever do julgador.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> O art. 312-A do CTB imp\u00f5e a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como modalidade substitutiva; a adequa\u00e7\u00e3o corrige erro de direito sem agravar a san\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o para corre\u00e7\u00e3o de erro de direito na modalidade de pena.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A adequa\u00e7\u00e3o legal independe de recurso do MP; \u00e9 mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a substitui\u00e7\u00e3o da pena restritiva de direitos de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria por presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, em recurso exclusivo da defesa, configura reformatio in pejus. No caso, o Tribunal de origem, ao substituir a presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria por presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, corrigindo erro verificado na senten\u00e7a quanto \u00e0 modalidade de pena restritiva adotada, fundamentou sua decis\u00e3o no princ\u00edpio da especialidade, aplicando o art. 312-A do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, com reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 13.281\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importa ressaltar que, nos crimes de tr\u00e2nsito previstos nos artigos 302 a 312 do CTB, a decis\u00e3o judicial encontra-se vinculada ao comando espec\u00edfico do art. 312-A, que determina, de forma taxativa, a aplica\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade como modalidade substitutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa norma especial, aplic\u00e1vel aos crimes de tr\u00e2nsito, determina de forma imperativa a modalidade de pena substitutiva, n\u00e3o deixando margem de discricionariedade quanto \u00e0 escolha entre as diferentes esp\u00e9cies de penas restritivas de direitos, devendo o julgador observar estritamente o comando legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em reformatio in pejus quando o Tribunal de segundo grau, mesmo em recurso exclusivo da defesa, adequa a pena restritiva de direitos \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica aplic\u00e1vel, mantendo inalterado o quantum da san\u00e7\u00e3o substitutiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-inquerito-policial-demora-injustificada-rejeicao-da-denuncia\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inqu\u00e9rito policial \u2013 demora injustificada? rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia!<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A demora injustificada de quase 6 anos para concluir inqu\u00e9rito de baixa complexidade <strong>compromete a legitimidade da persecu\u00e7\u00e3o penal e pode afastar a justa causa para a den\u00fancia<\/strong>, por viola\u00e7\u00e3o ao direito fundamental \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 3.164.204-MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kiko foi investigado por apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de um smartphone. O objeto foi restitu\u00eddo ao propriet\u00e1rio. Havia um \u00fanico investigado e nenhuma complexidade na apura\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, o inqu\u00e9rito levou quase 6 anos para ser conclu\u00eddo e a den\u00fancia oferecida. O ju\u00edzo de primeiro grau rejeitou a den\u00fancia pela demora. O TJ reformou. A demora de quase 6 anos em inqu\u00e9rito de baixa complexidade e com bem restitu\u00eddo afasta a justa causa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXVIII<\/strong><em> (razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 395<\/strong><em> (rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia por falta de justa causa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A justa causa para a a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o se limita a ind\u00edcios de autoria e materialidade: exige que a persecu\u00e7\u00e3o respeite a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo (CF, art. 5\u00ba, LXXVIII). A in\u00e9rcia estatal prolongada compromete a <strong>legitimidade punitiva<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O entendimento de que o recebimento da den\u00fancia supera o excesso de prazo <strong>n\u00e3o se aplica<\/strong> a situa\u00e7\u00f5es de in\u00e9rcia estatal prolongada e injustificada em investiga\u00e7\u00f5es de baixa complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 395 do CPP autoriza a rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia quando faltar justa causa. A Quinta Turma ampliou a compreens\u00e3o do instituto: justa causa n\u00e3o \u00e9 apenas suporte probat\u00f3rio m\u00ednimo, mas <strong>inclui o respeito ao prazo razo\u00e1vel durante toda a persecu\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A demora de quase 6 anos para concluir inqu\u00e9rito sobre apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de um smartphone, com objeto restitu\u00eddo e um \u00fanico investigado, \u00e9 <strong>manifestamente desproporcional<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 complexidade (m\u00faltiplos agentes, crimes transnacionais, dilig\u00eancias intrincadas) que justifique a dila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quinta Turma ressalvou a distin\u00e7\u00e3o com investiga\u00e7\u00f5es complexas: <strong>em casos simples, a demora injustificada compromete a legitimidade da atua\u00e7\u00e3o punitiva<\/strong>. O Estado que leva 6 anos para investigar um furto de celular perde a credibilidade para processar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o cassou o ac\u00f3rd\u00e3o do TJ que havia reformado a rejei\u00e7\u00e3o, por entender que o tribunal deveria ter <strong>demonstrado raz\u00f5es concretas para a excepcional demora<\/strong>, em vez de classific\u00e1-la como mera irregularidade. A razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo \u00e9 direito fundamental, n\u00e3o recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inqu\u00e9rito policial de baixa complexidade que leva anos para ser conclu\u00eddo:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A demora n\u00e3o afeta a justa causa se houver ind\u00edcios de autoria e materialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O recebimento da den\u00fancia supera o excesso de prazo investigativo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00fanico rem\u00e9dio contra a demora na fase investigativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A demora compromete a justa causa para a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A den\u00fancia deve ser recebida, cabendo ao r\u00e9u alegar a demora na defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A justa causa exige tamb\u00e9m respeito \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo, n\u00e3o apenas lastro probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Esse entendimento n\u00e3o se aplica a situa\u00e7\u00f5es de in\u00e9rcia prolongada e injustificada em casos simples.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia por falta de justa causa \u00e9 rem\u00e9dio processual pr\u00f3prio (CPP, art. 395).<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A demora injustificada em investiga\u00e7\u00e3o de baixa complexidade compromete a legitimidade punitiva e afasta a justa causa (CF, art. 5\u00ba, LXXVIII; CPP, art. 395), especialmente com objeto restitu\u00eddo e investigado \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O direito \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o opera desde a fase investigativa, n\u00e3o apenas no processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 duas quest\u00f5es em discuss\u00e3o: (i) saber se a demora injustificada de quase seis anos para o oferecimento da den\u00fancia, em investiga\u00e7\u00e3o de baixa complexidade e com bem restitu\u00eddo, viola o direito fundamental \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo e afasta a justa causa para a persecu\u00e7\u00e3o penal, autorizando a rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia; e (ii) saber se a compreens\u00e3o jurisprudencial de que o oferecimento e o recebimento da den\u00fancia superam a discuss\u00e3o quanto ao excesso de prazo na fase investigativa pode ser aplicada a situa\u00e7\u00e3o de in\u00e9rcia estatal prolongada e injustificada, em que a pr\u00f3pria legitimidade da atua\u00e7\u00e3o punitiva se encontra comprometida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O artigo 395 do C\u00f3digo de Processo Penal estabelece que o juiz rejeitar\u00e1 a den\u00fancia quando faltar justa causa para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal. A justa causa \u00e9 compreendida como o suporte probat\u00f3rio m\u00ednimo que autoriza a instaura\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal, composto por ind\u00edcios de autoria e prova da materialidade do delito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, a justa causa n\u00e3o se limita apenas \u00e0 exist\u00eancia de ind\u00edcios de autoria e materialidade. Tamb\u00e9m se exige que a persecu\u00e7\u00e3o penal seja conduzida dentro de um prazo razo\u00e1vel, respeitando os direitos fundamentais do investigado, conforme preconiza o artigo 5, inciso LXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia, ao rejeitar a exordial acusat\u00f3ria, destacou o &#8220;inacredit\u00e1vel transcurso de tempo&#8221; sem que a investiga\u00e7\u00e3o fosse conclu\u00edda e a aus\u00eancia de demonstra\u00e7\u00e3o de &#8220;qualquer raz\u00e3o de complexidade que justificasse essa procrastina\u00e7\u00e3o desmedida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o fato de a persecu\u00e7\u00e3o penal se referir a uma apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de um smartphone, com o objeto restitu\u00eddo e um \u00fanico investigado, refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que a demora foi excessiva e, mais importante, injustificada. \u00c9 crucial salientar que a hip\u00f3tese vertente distingue-se sobremaneira de cen\u00e1rios de investiga\u00e7\u00f5es complexas, que, por sua natureza, envolvem multiplicidade de agentes, crimes de dif\u00edcil apura\u00e7\u00e3o, ou a necessidade de dilig\u00eancias intrincadas e transnacionais, as quais poderiam, em tese, justificar uma dila\u00e7\u00e3o temporal prolongada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabia, portanto, ao Tribunal de Justi\u00e7a, ao reformar a decis\u00e3o de primeiro grau, demonstrar de forma inequ\u00edvoca e fundamentada as raz\u00f5es concretas que justificariam a excepcional demora de quase 6 anos na conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito policial, e n\u00e3o meramente classific\u00e1-la como uma irregularidade. A aus\u00eancia dessa demonstra\u00e7\u00e3o expl\u00edcita desqualifica a reforma, uma vez que o direito fundamental \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo n\u00e3o pode ser mitigado por uma in\u00e9rcia estatal desprovida de lastro justificativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem sido de que a demora injustificada na conclus\u00e3o de inqu\u00e9rito policial configura constrangimento ilegal, violando o direito \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo e a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, se a demora injustificada na fase investigativa, por si s\u00f3, \u00e9 suficiente para configurar constrangimento ilegal e violar direitos fundamentais, o recebimento de uma den\u00fancia que emerge de um inqu\u00e9rito nessa condi\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s quase 6 anos de in\u00e9rcia, seria uma valida\u00e7\u00e3o dessa viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A justa causa para a a\u00e7\u00e3o penal deve ser compreendida em sua acep\u00e7\u00e3o mais ampla, englobando n\u00e3o apenas os aspectos f\u00e1ticos e legais da imputa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o respeito aos direitos fundamentais do acusado durante toda a persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a jurisprud\u00eancia que entende que o excesso de prazo \u00e9 superado com o oferecimento da den\u00fancia n\u00e3o pode se sobrepor a uma situa\u00e7\u00e3o de flagrante viola\u00e7\u00e3o de preceitos constitucionais, em que a pr\u00f3pria base da persecu\u00e7\u00e3o penal est\u00e1 comprometida pela des\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, em um cen\u00e1rio de in\u00e9rcia estatal prolongada e injustificada, em caso de baixa complexidade, a falta de justa causa para o recebimento da den\u00fancia n\u00e3o decorre de uma insufici\u00eancia de elementos f\u00e1ticos, mas sim da viola\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios constitucionais que permeiam o devido processo legal e a pr\u00f3pria legitimidade da atua\u00e7\u00e3o punitiva estatal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Posse de maconha \u2013 descriminaliza\u00e7\u00e3o (Tema 506\/STF) n\u00e3o afasta falta grave prisional<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tema 506 do STF, que descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal, <strong>n\u00e3o afasta a tipifica\u00e7\u00e3o da conduta como falta grave na execu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>, pois a ilicitude extrapenal no ambiente prisional subsiste.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.234.146-MG, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 25\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chaves, apenado em regime fechado, foi flagrado com maconha para consumo pessoal dentro da unidade prisional. A dire\u00e7\u00e3o instaurou procedimento administrativo e o ju\u00edzo reconheceu falta grave. A defesa invocou o Tema 506\/STF (descriminaliza\u00e7\u00e3o do porte para consumo) para afastar a falta disciplinar. A descriminaliza\u00e7\u00e3o do porte para consumo pessoal impede o reconhecimento de falta grave na execu\u00e7\u00e3o penal?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LEP, arts. 50 e 52<\/strong><em> (falta disciplinar grave).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>STF, RE 635.659 (Tema 506)<\/strong><em> (descriminaliza\u00e7\u00e3o do porte de maconha para consumo pessoal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A descriminaliza\u00e7\u00e3o afasta a tipicidade penal da conduta, mas n\u00e3o elimina a <strong>ilicitude extrapenal<\/strong> no contexto prisional. A posse de entorpecente em pres\u00eddio compromete a disciplina e a seguran\u00e7a, justificando a falta grave.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A LEP estabelece <strong>regime disciplinar pr\u00f3prio<\/strong>, mais rigoroso que o regime comum. A falta grave n\u00e3o depende de tipifica\u00e7\u00e3o penal da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Tema 506\/STF descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal no contexto geral, afastando a tipicidade penal (art. 28 da Lei de Drogas). Contudo, <strong>n\u00e3o se confunde tipicidade penal com ilicitude disciplinar<\/strong>: s\u00e3o planos normativos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No ambiente prisional, a posse de entorpecente \u2014 independentemente da quantidade \u2014 <strong>compromete a disciplina, a seguran\u00e7a e a ordem do estabelecimento<\/strong>. O regime disciplinar da LEP \u00e9 aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o ao direito penal material.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma manteve o entendimento consolidado: <strong>a falta grave por posse de droga em pres\u00eddio subsiste mesmo ap\u00f3s a descriminaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>. A conduta deixou de ser crime, mas permanece como infra\u00e7\u00e3o disciplinar grave na execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o delimita o alcance do Tema 506: <strong>a descriminaliza\u00e7\u00e3o opera no plano penal, n\u00e3o no disciplinar<\/strong>. O apenado que porta maconha no pres\u00eddio n\u00e3o comete crime, mas pratica falta grave que pode afetar progress\u00e3o de regime, remi\u00e7\u00e3o e outros benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A posse de maconha para consumo pessoal por apenado dentro de estabelecimento prisional, ap\u00f3s o Tema 506\/STF:<\/p>\n\n\n\n<p>A) N\u00e3o configura falta grave, por aus\u00eancia de conduta t\u00edpica e il\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Configura falta grave, pois a ilicitude disciplinar subsiste.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Configura falta grave a depender da quantidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A falta disciplinar depende da tipicidade penal com.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Somente configura falta grave se houver processo criminal instaurado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A falta grave independe de tipicidade penal; decorre do regime disciplinar aut\u00f4nomo da LEP.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O Tema 506 descriminalizou a conduta no plano penal, mas n\u00e3o afetou o regime disciplinar da LEP; a posse de droga em pres\u00eddio compromete a disciplina e seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A quantidade \u00e9 irrelevante para a falta disciplinar; posse de entorpecente em pres\u00eddio \u00e9 falta grave.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00c3O se confunde tipicidade penal com ilicitude disciplinar: s\u00e3o planos normativos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A falta disciplinar \u00e9 aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o ao processo criminal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber (i) se a posse de maconha para uso pessoal no interior de estabelecimento prisional, mesmo ap\u00f3s a descriminaliza\u00e7\u00e3o da conduta pelo Supremo Tribunal Federal &#8211; STF no Tema 506, configura falta disciplinar grave; e (ii) se a aus\u00eancia de previs\u00e3o legal espec\u00edfica nos artigos 50 e 52 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal impede a subsun\u00e7\u00e3o da conduta ao regime de faltas graves.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a &#8211; STJ \u00e9 firme no sentido de que a posse de drogas no interior de estabelecimento prisional, ainda que para uso pr\u00f3prio, configura falta disciplinar de natureza grave, em raz\u00e3o do regime disciplinar mais rigoroso que rege a execu\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tema 506 do STF, que trata da descriminaliza\u00e7\u00e3o do porte de maconha para consumo pessoal, n\u00e3o afasta a tipifica\u00e7\u00e3o da conduta como falta grave no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o penal, pois n\u00e3o se confunde o ju\u00edzo de tipicidade penal com a viola\u00e7\u00e3o \u00e0s normas disciplinares prisionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a conduta de posse de subst\u00e2ncia entorpecente no pres\u00eddio compromete a disciplina e influencia negativamente a conduta de outros detentos, justificando sua classifica\u00e7\u00e3o como falta grave.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a aus\u00eancia de previs\u00e3o legal espec\u00edfica para a posse de maconha para uso pr\u00f3prio nos artigos 50 e 52 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal n\u00e3o afasta o reconhecimento da ilicitude extrapenal da conduta, sendo poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00e3o administrativa por meio de processo administrativo disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mil\u00edcia privada (art. 288-A do CP) \u2013 estabilidade e perman\u00eancia deduz\u00edveis da narrativa<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o do crime de constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada exige v\u00ednculo est\u00e1vel e permanente, mas esse requisito <strong>pode ser deduzido da narrativa f\u00e1tica<\/strong>, mesmo sem identifica\u00e7\u00e3o nominal de todos os integrantes ou emprego literal das express\u00f5es &#8220;estabilidade&#8221; e &#8220;perman\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 922.420-RJ, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio foi condenado por integrar mil\u00edcia privada (CP, art. 288-A): exercia papel de lideran\u00e7a, cobrava taxa de seguran\u00e7a de comerciantes mediante amea\u00e7a, utilizava r\u00e1dio comunicador, portava armas com numera\u00e7\u00e3o suprimida e mantinha anota\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7as. A defesa alegou que o ac\u00f3rd\u00e3o condenat\u00f3rio n\u00e3o empregou as express\u00f5es &#8220;estabilidade&#8221; e &#8220;perman\u00eancia&#8221; e que nem todos os integrantes foram identificados. A aus\u00eancia dessas express\u00f5es literais afasta o crime?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 288-A<\/strong><em> (constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O tipo do art. 288-A exige organiza\u00e7\u00e3o paramilitar, mil\u00edcia particular, grupo ou esquadr\u00e3o com finalidade de cometer crimes. A estabilidade e perman\u00eancia s\u00e3o elementares do tipo, mas podem ser demonstradas por <strong>circunst\u00e2ncias objetivas<\/strong> (atua\u00e7\u00e3o organizada, cont\u00ednua, com divis\u00e3o de tarefas).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o nominal de todos os integrantes n\u00e3o impede a configura\u00e7\u00e3o: basta a comprova\u00e7\u00e3o de <strong>v\u00ednculo associativo<\/strong> entre tr\u00eas ou mais pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 288-A do CP tipifica a constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada com finalidade de cometer crimes. A estabilidade e perman\u00eancia <strong>s\u00e3o elementares do tipo, mas n\u00e3o exigem prova direta ou emprego literal dessas express\u00f5es<\/strong>: podem ser inferidas das circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias descreveram: lideran\u00e7a, cobran\u00e7a de taxa de seguran\u00e7a mediante amea\u00e7a, uso de r\u00e1dio comunicador, porte de armas com numera\u00e7\u00e3o suprimida e anota\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7as. Esse conjunto f\u00e1tico <strong>evidencia atua\u00e7\u00e3o organizada, cont\u00ednua e est\u00e1vel<\/strong>, dispensando o emprego literal das express\u00f5es no ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma tamb\u00e9m afastou a exig\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o nominal de todos os integrantes: <strong>basta a prova de v\u00ednculo entre tr\u00eas ou mais pessoas<\/strong>, conforme entendimento consolidado nos Tribunais Superiores para crimes associativos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a que o direito penal <strong>trabalha com infer\u00eancias a partir de provas indici\u00e1rias<\/strong>: a organiza\u00e7\u00e3o criminosa se prova por seus efeitos (atua\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, divis\u00e3o de tarefas, modus operandi), n\u00e3o por documentos formais de constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a configura\u00e7\u00e3o do crime de constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada (CP, art. 288-A):<\/p>\n\n\n\n<p>A) Exige emprego das express\u00f5es &#8220;estabilidade&#8221; e &#8220;perman\u00eancia&#8221; na decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de identifica\u00e7\u00e3o nominal dos integrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de pr\u00e9via investiga\u00e7\u00e3o por \u00f3rg\u00e3o especializado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige prova documental da constitui\u00e7\u00e3o do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A estabilidade e perman\u00eancia podem ser deduzidas da narrativa f\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. As elementares podem ser demonstradas por circunst\u00e2ncias objetivas, sem emprego literal das express\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Basta o v\u00ednculo associativo entre tr\u00eas ou mais pessoas; n\u00e3o se exige identifica\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A investiga\u00e7\u00e3o pode ser conduzida por delegacia comum; n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de \u00f3rg\u00e3o especializado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A prova de crimes associativos \u00e9 tipicamente indici\u00e1ria, n\u00e3o documental.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A atua\u00e7\u00e3o organizada, cont\u00ednua e com divis\u00e3o de tarefas evidencia estabilidade e perman\u00eancia, dispensando emprego literal das express\u00f5es ou identifica\u00e7\u00e3o nominal completa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se a condena\u00e7\u00e3o demonstra os elementos caracterizadores do crime de constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias descreveram, com base na prova produzida, que o acusado integrava mil\u00edcia privada atuante em determinada regi\u00e3o, exercendo papel de lideran\u00e7a, cobrando taxa de seguran\u00e7a de comerciantes mediante amea\u00e7a, utilizando-se de r\u00e1dio comunicador para coordenar a\u00e7\u00f5es, portando armas de fogo (inclusive com numera\u00e7\u00e3o suprimida) e muni\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de manter anota\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7as e recebimentos, o que evidenciou atua\u00e7\u00e3o organizada, cont\u00ednua e voltada \u00e0 pr\u00e1tica de, ao menos, crimes de extors\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 registro, portanto, de que o r\u00e9u chefiaria mil\u00edcia privada para a pr\u00e1tica de, no m\u00ednimo, crimes de extors\u00e3o, n\u00e3o havendo que se falar em aus\u00eancia de descri\u00e7\u00e3o de delitos que estariam sendo cometidos pela mil\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A caracteriza\u00e7\u00e3o do crime de constitui\u00e7\u00e3o de mil\u00edcia privada (art. 288-A do C\u00f3digo Penal) exige v\u00ednculo est\u00e1vel e permanente entre os integrantes da mil\u00edcia, o que foi reconhecido pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias a partir das circunst\u00e2ncias objetivas da atua\u00e7\u00e3o do grupo. A aus\u00eancia de emprego literal das express\u00f5es &#8220;estabilidade&#8221; e &#8220;perman\u00eancia&#8221; no ac\u00f3rd\u00e3o n\u00e3o afasta a presen\u00e7a dessas elementares quando dedut\u00edveis da narrativa f\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o nominal de todos os integrantes da organiza\u00e7\u00e3o criminosa ou da mil\u00edcia n\u00e3o impede a configura\u00e7\u00e3o do delito associativo, bastando a comprova\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo associativo entre tr\u00eas ou mais pessoas, conforme entendimento consolidado nos Tribunais Superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A situa\u00e7\u00e3o narrada, pois, denota car\u00e1ter organizado e cont\u00ednuo da associa\u00e7\u00e3o criminosa, e sustenta a conclus\u00e3o das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias acerca do v\u00ednculo est\u00e1vel e permanente do sentenciado com a mil\u00edcia privada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pris\u00e3o domiciliar de m\u00e3e \u2013 aus\u00eancia moment\u00e2nea por deslocamento interestadual n\u00e3o \u00e9 abandono<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A circunst\u00e2ncia de a genitora n\u00e3o estar, no momento da pris\u00e3o em flagrante, no estado em que residem suas filhas <strong>n\u00e3o afasta o cabimento da pris\u00e3o domiciliar (CPP, art. 318-A)<\/strong>, n\u00e3o se podendo equiparar aus\u00eancia f\u00edsica moment\u00e2nea a abandono ou inexist\u00eancia de v\u00ednculo maternal.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 1.070.513-PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, por maioria, julgado em 14\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda, m\u00e3e de duas filhas menores, foi presa em flagrante por tr\u00e1fico de drogas durante transporte interestadual \u2014 estava em estado diverso daquele em que residem as crian\u00e7as. O TJ negou a pris\u00e3o domiciliar alegando que a aus\u00eancia da m\u00e3e demonstrava que ela n\u00e3o era imprescind\u00edvel aos cuidados das filhas. O ponto: a aus\u00eancia moment\u00e2nea em outro estado afasta a pris\u00e3o domiciliar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 318-A<\/strong><em> (pris\u00e3o domiciliar \u2013 m\u00e3e de crian\u00e7a menor de 12 anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>STF, HC Coletivo 143.641\/SP<\/strong><em> (substitui\u00e7\u00e3o da preventiva por domiciliar para m\u00e3es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 318-A do CPP e o HC Coletivo 143.641\/SP exigem apenas a prova da condi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e de crian\u00e7a menor de 12 anos. N\u00e3o h\u00e1 requisito de &#8220;imprescindibilidade&#8221; para a pris\u00e3o cautelar domiciliar (esse requisito aplica-se \u00e0 LEP, art. 117, para condenadas).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aus\u00eancia moment\u00e2nea decorrente de deslocamento interestadual <strong>n\u00e3o implica abandono<\/strong> ou inexist\u00eancia de v\u00ednculo maternal; a m\u00e3e pode estar viajando a trabalho, tratamento ou por outras raz\u00f5es compat\u00edveis com a maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF, no HC Coletivo 143.641\/SP, determinou a substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por domiciliar para m\u00e3es de crian\u00e7as menores, salvo crimes com viol\u00eancia ou contra descendentes. <strong>O \u00fanico requisito \u00e9 a prova da condi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e<\/strong>; N\u00c3O se exige demonstra\u00e7\u00e3o de &#8220;imprescindibilidade&#8221;. oO<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Sexta Turma distinguiu dois regimes: (i) pris\u00e3o cautelar domiciliar (CPP, art. 318-A) \u2014 basta ser m\u00e3e de crian\u00e7a menor; (ii) pris\u00e3o-pena domiciliar (LEP, art. 117) \u2014 exige demonstra\u00e7\u00e3o de que os cuidados s\u00f3 a m\u00e3e pode proporcionar. <strong>O TJ aplicou o requisito errado ao caso cautelar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A aus\u00eancia moment\u00e2nea da m\u00e3e no estado das filhas <strong>n\u00e3o se equipara a abandono ou a inexist\u00eancia de v\u00ednculo<\/strong>. A genitora pode estar em deslocamento por diversas raz\u00f5es, e a maternidade n\u00e3o se afere pela presen\u00e7a f\u00edsica constante no mesmo local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o protege o <strong>melhor interesse da crian\u00e7a<\/strong>: privar a m\u00e3e da domiciliar \u2014 e, com isso, priv\u00e1-la de cuidar das filhas \u2014 com base em aus\u00eancia moment\u00e2nea agrava a situa\u00e7\u00e3o das menores, que \u00e9 exatamente o que a lei quis evitar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se a apreens\u00e3o de quantidade expressiva de entorpecentes em poder da r\u00e9 em transporte interestadual justifica o afastamento da pris\u00e3o domiciliar cautelar concedida em raz\u00e3o da necessidade de cuidado das filhas menores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A orienta\u00e7\u00e3o da Supremo Tribunal Federal \u00e9 substituir a pris\u00e3o preventiva pela domiciliar de todas as mulheres presas, gestantes, pu\u00e9rperas ou m\u00e3es de crian\u00e7as ou pessoas com defici\u00eancia, nos termos do art. 2 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; ECA e da Conven\u00e7\u00e3o sobre Direitos das Pessoas com Defici\u00eancias (Decreto Legislativo n. 186\/2008 e Lei n. 13.146\/2015), salvo as seguintes situa\u00e7\u00f5es: crimes praticados por elas mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, contra seus descendentes ou, ainda, em situa\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas, as quais dever\u00e3o ser devidamente fundamentadas pelos ju\u00edzes que denegarem o benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em alinhamento \u00e0 decis\u00e3o proferida pelo STF no julgamento do Habeas Corpus Coletivo n. 143.641\/SP, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 decidiu que, &#8220;para haver a substitui\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o preventiva por pris\u00e3o domiciliar de gestante ou de m\u00e3e de menores de 12 anos de idade, nenhum requisito \u00e9 legalmente exigido al\u00e9m da prova dessa condi\u00e7\u00e3o&#8221; (AgRg no HC n. 726.534\/MS, rel. Ministro Olindo Menezes &#8211; Desembargador convocado do TRF 1 Regi\u00e3o -, Sexta Turma, julgado em 6\/12\/2022, DJe de 15\/12\/2022). No caso, considerando que o crime praticado n\u00e3o envolveu viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, bem como n\u00e3o foi praticado contra os pr\u00f3prios filhos e n\u00e3o foi apresentada situa\u00e7\u00e3o excepcional a impedir a concess\u00e3o do benef\u00edcio, \u00e9 cab\u00edvel a pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal local, ao analisar o pleito de pris\u00e3o domiciliar, entendeu que n\u00e3o existiria constrangimento ilegal, porquanto n\u00e3o estaria comprovada a substancialidade da presen\u00e7a da paciente nos cuidados das filhas menores de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, o requisito da demonstra\u00e7\u00e3o de que a crian\u00e7a necessitaria de cuidados que apenas a genitora poderia proporcionar aplica-se t\u00e3o somente aos pedidos de concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o decorrente de uma condena\u00e7\u00e3o (art. 117 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal &#8211; LEP), situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reflete a hip\u00f3tese dos autos, em que est\u00e1 a paciente segregada sob t\u00edtulo cautelar, de modo que aplic\u00e1veis, ao caso, as disposi\u00e7\u00f5es legais do art. 318-A do C\u00f3digo de Processo Penal &#8211; CPP e o entendimento jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do HC Coletivo n. 143.641\/SP.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De igual modo, a circunst\u00e2ncia de a paciente n\u00e3o se encontrar, no momento da pris\u00e3o em flagrante, no Estado em que residem suas filhas n\u00e3o implica aus\u00eancia de v\u00ednculo maternal ou de responsabilidade sobre as menores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, aus\u00eancia f\u00edsica moment\u00e2nea, decorrente de deslocamento interestadual, n\u00e3o pode ser equiparada a abandono ou a inexist\u00eancia de imprescindibilidade, sob pena de se criar crit\u00e9rio n\u00e3o previsto em lei para restringir direito expressamente assegurado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a gravidade em concreto da conduta imputada &#8211; ainda que consubstanciada na apreens\u00e3o de expressiva quantidade de entorpecentes transportados em \u00f4nibus interestadual &#8211; n\u00e3o configura, por si s\u00f3, a situa\u00e7\u00e3o excepcional\u00edssima exigida para afastar o direito \u00e0 pris\u00e3o domiciliar, uma vez que o delito n\u00e3o envolveu viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e n\u00e3o foi praticado contra os pr\u00f3prios filhos da paciente, que constituem os \u00fanicos \u00f3bices legais expressamente previstos no art. 318-A do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-0aaff428-1b28-4669-b450-4b77d5fa7f05\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/04081932\/stj_info_885-pt2.pdf\">STJ_Info_885 Pt2<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/05\/04081932\/stj_info_885-pt2.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-0aaff428-1b28-4669-b450-4b77d5fa7f05\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; Remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade \u2013 direito subjetivo do servidor e vincula\u00e7\u00e3o ao laudo da junta m\u00e9dica Destaque A remo\u00e7\u00e3o por motivo de sa\u00fade (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, III, &#8220;b&#8221;) constitui direito subjetivo do servidor quando comprovada por junta m\u00e9dica oficial, sendo ato vinculado que independe do interesse da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1759611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; Remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade \u2013 direito subjetivo do servidor e vincula\u00e7\u00e3o ao laudo da junta m\u00e9dica Destaque A remo\u00e7\u00e3o por motivo de sa\u00fade (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, III, &#8220;b&#8221;) constitui direito subjetivo do servidor quando comprovada por junta m\u00e9dica oficial, sendo ato vinculado que independe do interesse da [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-05-04T11:20:28+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-05-04T11:20:31+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"79 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado\",\"datePublished\":\"2026-05-04T11:20:28+00:00\",\"dateModified\":\"2026-05-04T11:20:31+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\"},\"wordCount\":15738,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Concursos P\u00fablicos\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2026\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\",\"name\":\"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website\"},\"datePublished\":\"2026-05-04T11:20:28+00:00\",\"dateModified\":\"2026-05-04T11:20:31+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg\",\"width\":230,\"height\":60,\"caption\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/x.com\/EstratConcursos\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\",\"name\":\"Jean Vilbert\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jean Vilbert\"},\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado","og_description":"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; Remo\u00e7\u00e3o por sa\u00fade \u2013 direito subjetivo do servidor e vincula\u00e7\u00e3o ao laudo da junta m\u00e9dica Destaque A remo\u00e7\u00e3o por motivo de sa\u00fade (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico, III, &#8220;b&#8221;) constitui direito subjetivo do servidor quando comprovada por junta m\u00e9dica oficial, sendo ato vinculado que independe do interesse da [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2026-05-04T11:20:28+00:00","article_modified_time":"2026-05-04T11:20:31+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"79 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/"},"author":{"name":"Jean Vilbert","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999"},"headline":"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado","datePublished":"2026-05-04T11:20:28+00:00","dateModified":"2026-05-04T11:20:31+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/"},"wordCount":15738,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"articleSection":["Concursos P\u00fablicos"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#respond"]}],"copyrightYear":"2026","copyrightHolder":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"}},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/","name":"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website"},"datePublished":"2026-05-04T11:20:28+00:00","dateModified":"2026-05-04T11:20:31+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-885-parte-2-comentado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Informativo STJ 885 Parte 2 Comentado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","description":"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","width":230,"height":60,"caption":"Estrat\u00e9gia Concursos"},"image":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/EstratConcursos"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999","name":"Jean Vilbert","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jean Vilbert"},"url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1759611"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759611\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1759624,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759611\/revisions\/1759624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1759611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1759611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1759611"},{"taxonomy":"tax_estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tax_estado?post=1759611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}