{"id":1755646,"date":"2026-04-20T09:03:26","date_gmt":"2026-04-20T12:03:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1755646"},"modified":"2026-04-20T09:03:29","modified_gmt":"2026-04-20T12:03:29","slug":"informativo-stj-884-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-884-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 884 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/04\/20090140\/stj_info_884.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_Qd5ukw1bSCY\"><div id=\"lyte_Qd5ukw1bSCY\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/Qd5ukw1bSCY\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/Qd5ukw1bSCY\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/Qd5ukw1bSCY\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-citacao-por-edital-expedicao-de-oficios-e-esgotamento-razoavel-dos-meios-tema-1338\">1.&nbsp;&nbsp; Cita\u00e7\u00e3o por edital \u2013 expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios e esgotamento razo\u00e1vel dos meios (Tema 1338)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios a cadastros de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou concession\u00e1rias <strong>n\u00e3o \u00e9 requisito obrigat\u00f3rio para a cita\u00e7\u00e3o por edital<\/strong>, bastando as tentativas nos sistemas informatizados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Ju\u00edzo, com avalia\u00e7\u00e3o motivada da sufici\u00eancia das dilig\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.166.983-AP, Rel. Ministro Og Fernandes, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 18\/3\/2026 (Tema 1338).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Barriga ajuizou a\u00e7\u00e3o contra Seu Madruga, que n\u00e3o foi localizado nos endere\u00e7os constantes dos autos nem nos sistemas informatizados do Judici\u00e1rio (SIEL, Infojud, CNIB). O ju\u00edzo autorizou cita\u00e7\u00e3o por edital. Seu Madruga impugnou alegando que o ju\u00edzo deveria ter expedido of\u00edcios a concession\u00e1rias de energia, \u00e1gua e telefone antes de autorizar o edtal. O art. 256, \u00a7 3\u00ba, do CPC exige essas dilig\u00eancias como requisito de validade?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 256, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (cita\u00e7\u00e3o por edital \u2013 esgotamento dos meios de localiza\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A interpreta\u00e7\u00e3o do art. 256, \u00a7 3\u00ba, \u00e9 teleol\u00f3gica: o &#8220;esgotamento&#8221; n\u00e3o significa realizar toda dilig\u00eancia imagin\u00e1vel, mas demonstrar que os <strong>meios razo\u00e1veis<\/strong> foram tentados. Os sistemas informatizados concentram informa\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplas bases, tornando desnecess\u00e1ria, em regra, a expedi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de of\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O magistrado deve <strong>avaliar casuisticamente<\/strong> a sufici\u00eancia das dilig\u00eancias e motivar sua conclus\u00e3o, observando efici\u00eancia, proporcionalidade e dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 256, \u00a7 3\u00ba, do CPC menciona &#8220;requisi\u00e7\u00e3o pelo ju\u00edzo de informa\u00e7\u00f5es sobre seu endere\u00e7o nos cadastros de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou de concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos&#8221;. A Corte Especial interpretou esse dispositivo de forma <strong>teleol\u00f3gica, n\u00e3o literal<\/strong>: o verbo &#8220;inclusive&#8221; indica que a requisi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das possibilidades, n\u00e3o requisito obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Os sistemas informatizados integrados ao Poder Judici\u00e1rio (SIEL, Infojud, CNIB, CCS-Bacen) j\u00e1 consolidam dados de diversas fontes p\u00fablicas e privadas. Exigir <strong>expedi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de of\u00edcios a cada concession\u00e1ria geraria sobrecarga desproporcional ao Judici\u00e1rio<\/strong> sem garantia de resultado adicional, atentando contra a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A tese do Tema 1338 fixa dois pontos: (i) a expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios <strong>n\u00e3o \u00e9 requisito obrigat\u00f3rio<\/strong> para a validade da cita\u00e7\u00e3o por edital; (ii) considera-se atendido o art. 256, \u00a7 3\u00ba, quando infrut\u00edferas as tentativas nos sistemas informatizados, sendo desnecess\u00e1rio o esgotamento de meios extrajudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o preserva o <strong>equil\u00edbrio entre a garantia do contradit\u00f3rio e a efetividade processual<\/strong>: o r\u00e9u n\u00e3o localizado por meios razo\u00e1veis ser\u00e1 citado por edital, e eventual preju\u00edzo poder\u00e1 ser sanado por a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ou querela nullitatis. Exigir dilig\u00eancias infinitas inviabilizaria a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da validade da cita\u00e7\u00e3o por edital e da expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios a concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 requisito obrigat\u00f3rio de validade da cita\u00e7\u00e3o por edital.<\/p>\n\n\n\n<p>B) S\u00f3 pode ser dispensada em a\u00e7\u00f5es de procedimento sum\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 dispens\u00e1vel apenas nas a\u00e7\u00f5es de estado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) N\u00e3o \u00e9 requisito obrigat\u00f3rio, bastando os sistemas informatizados.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 dispensada quando o autor declara desconhecer o endere\u00e7o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A Corte Especial fixou que os of\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o requisito obrigat\u00f3rio (Tema 1338).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A dispensa n\u00e3o se limita a tipo de procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 tal restri\u00e7\u00e3o na jurisprud\u00eancia do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Os sistemas informatizados concentram informa\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplas bases; o esgotamento dos meios \u00e9 aferido pelo magistrado casuisticamente (CPC, art. 256, \u00a7 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A declara\u00e7\u00e3o do autor n\u00e3o supre a necessidade de dilig\u00eancias pelo ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir, \u00e0 luz do art. 256, 3, do C\u00f3digo de Processo Civil, se \u00e9 obrigat\u00f3ria a expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios a cadastros de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e a concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos para a localiza\u00e7\u00e3o do r\u00e9u antes da autoriza\u00e7\u00e3o da cita\u00e7\u00e3o por edital.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, ao regular a cita\u00e7\u00e3o por edital, estabelece em seu art. 256, 3, que o r\u00e9u ser\u00e1 considerado em local ignorado ou incerto se infrut\u00edferas as tentativas de sua localiza\u00e7\u00e3o, &#8220;inclusive mediante requisi\u00e7\u00e3o pelo ju\u00edzo de informa\u00e7\u00f5es sobre seu endere\u00e7o nos cadastros de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou de concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e teleol\u00f3gica deste dispositivo, contudo, n\u00e3o pode conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que o legislador criou uma etapa burocr\u00e1tica obrigat\u00f3ria e irrestrita como condi\u00e7\u00e3o de validade para a cita\u00e7\u00e3o ficta, sob pena de inviabilizar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional e atentar contra a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 se consolidou no sentido de que a cita\u00e7\u00e3o por edital pressup\u00f5e sim o esgotamento dos meios de localiza\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, mas tal exaurimento n\u00e3o implica a realiza\u00e7\u00e3o de todas as dilig\u00eancias imagin\u00e1veis, devendo a an\u00e1lise ser casu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, uma vez infrut\u00edferas as pesquisas realizadas nos sistemas estatais integrados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo e ausentes elementos que indiquem a necessidade de dilig\u00eancia adicional espec\u00edfica, consolida-se de forma leg\u00edtima a presun\u00e7\u00e3o de que o r\u00e9u se encontra em local incerto ou n\u00e3o sabido, autorizando-se a cita\u00e7\u00e3o por edital.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, \u00e9 suficiente, em regra, a utiliza\u00e7\u00e3o dos sistemas informatizados de pesquisa \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio, observados os princ\u00edpios da efici\u00eancia, da proporcionalidade e da dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo, sem preju\u00edzo da ado\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias adicionais quando houver utilidade concreta. Logo, n\u00e3o prosperam as teses que defendem a obrigatoriedade absoluta dessas requisi\u00e7\u00f5es, pois isso acarretaria sobrecarga desproporcional ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixam-se as seguintes teses do Tema 1338\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8220;1. A expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios a cadastros de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou a concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o \u00e9 requisito obrigat\u00f3rio para a validade da cita\u00e7\u00e3o por edital, competindo ao magistrado, \u00e0 luz das circunst\u00e2ncias do caso concreto, avaliar a sufici\u00eancia das dilig\u00eancias realizadas e motivar a conclus\u00e3o quanto ao esgotamento razo\u00e1vel dos meios dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Considera-se atendido, em regra, o requisito do art. 256, 3, do CPC quando infrut\u00edferas as tentativas de localiza\u00e7\u00e3o do r\u00e9u nos endere\u00e7os constantes dos autos e naqueles obtidos por meio dos sistemas informatizados de pesquisa \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Ju\u00edzo, sendo desnecess\u00e1rio o esgotamento de todos os meios extrajudiciais ou a expedi\u00e7\u00e3o de of\u00edcios a empresas privadas de servi\u00e7os p\u00fablicos.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-greve-de-auditores-fiscais-legalidade-por-inercia-administrativa-no-bonus-de-eficiencia\">2.&nbsp; Greve de auditores fiscais \u2013 legalidade por in\u00e9rcia administrativa no b\u00f4nus de efici\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A greve dos Auditores-Fiscais da RFB foi legal porque provocada por <strong>in\u00e9rcia da Administra\u00e7\u00e3o em regulamentar o b\u00f4nus de efici\u00eancia<\/strong> (Lei n\u00ba 13.464\/2017), atraindo a exce\u00e7\u00e3o ao desconto de dias parados (Tema 531\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>Pet 16.334-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 8\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 13.464\/2017 criou o B\u00f4nus de Efici\u00eancia e Produtividade para auditores fiscais, mas condicionou seu pagamento \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o pelo Comit\u00ea Gestor do Programa de Produtividade. O Poder Executivo levou quase 7 anos para instituir o Comit\u00ea (Decreto n\u00ba 11.312\/2022) e mais 2 anos para publicar a resolu\u00e7\u00e3o final. A greve foi deflagrada em 20\/11\/2023 pela frustra\u00e7\u00e3o da categoria. A Administra\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela paralisa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 13.464\/2017, art. 6\u00ba, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (b\u00f4nus de efici\u00eancia \u2013 regulamenta\u00e7\u00e3o pelo Comit\u00ea Gestor).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 531\/STF<\/strong><em> (desconto de dias parados \u2013 exce\u00e7\u00e3o quando a greve \u00e9 provocada por conduta il\u00edcita do Poder P\u00fablico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STF fixou no Tema 531 que o desconto dos dias parados \u00e9 a regra, mas h\u00e1 exce\u00e7\u00e3o: se a greve foi provocada por <strong>conduta il\u00edcita<\/strong> do Poder P\u00fablico. A omiss\u00e3o de quase 7 anos na regulamenta\u00e7\u00e3o configura essa conduta il\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A consequ\u00eancia da legalidade \u00e9 dupla: (i) <strong>veda\u00e7\u00e3o do desconto<\/strong> de sal\u00e1rios dos grevistas e (ii) c\u00f4mputo do per\u00edodo de afastamento como tempo de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Tema 531\/STF estabelece que a Administra\u00e7\u00e3o deve descontar os dias parados, salvo quando a greve for provocada por conduta il\u00edcita do Poder P\u00fablico. No caso, a <strong>mora de quase 7 anos na regulamenta\u00e7\u00e3o do b\u00f4nus de efici\u00eancia<\/strong> configurou essa exce\u00e7\u00e3o: a Lei n\u00ba 13.464\/2017 fixou prazo de 1\/3\/2017 para o Comit\u00ea Gestor editar o ato, e a regulamenta\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorreu em janeiro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Se\u00e7\u00e3o acolheu a tese de que a omiss\u00e3o administrativa <strong>privou os auditores de parcela remunerat\u00f3ria prevista em lei<\/strong>, frustrando leg\u00edtima expectativa da categoria. A in\u00e9rcia n\u00e3o foi acidental: foram necess\u00e1rios decreto (2022) e resolu\u00e7\u00e3o (2024) que poderiam ter sido editados muito antes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o tem duas consequ\u00eancias pr\u00e1ticas: (i) <strong>veda\u00e7\u00e3o do desconto dos sal\u00e1rios<\/strong> dos servidores que aderiram \u00e0 greve entre 20\/11\/2023 e 6\/2\/2024; (ii) c\u00f4mputo do per\u00edodo como tempo de contribui\u00e7\u00e3o, com reten\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es devidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A ratio refor\u00e7a a <strong>responsabilidade da Administra\u00e7\u00e3o pelo cumprimento de suas pr\u00f3prias leis<\/strong>: se o Estado cria obriga\u00e7\u00e3o regulament\u00e1vel e n\u00e3o regulamenta por anos, n\u00e3o pode punir os servidores que se mobilizam pela efetiva\u00e7\u00e3o do direito. A greve, nesse contexto, foi instrumento leg\u00edtimo de press\u00e3o institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a greve de servidores \u00e9 provocada por in\u00e9rcia da Administra\u00e7\u00e3o em regulamentar verba prevista em lei:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O desconto dos dias parados \u00e9 de rigor.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 legal, vedando-se o desconto dos dias parados.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 ilegal, pois a greve n\u00e3o pode ter por objeto regulamenta\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O desconto depende de negocia\u00e7\u00e3o coletiva entre sindicato e Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A legalidade depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O Tema 531\/STF prev\u00ea exce\u00e7\u00e3o quando a greve \u00e9 provocada por conduta il\u00edcita da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A in\u00e9rcia na regulamenta\u00e7\u00e3o de verba legalmente prevista configura conduta il\u00edcita da Administra\u00e7\u00e3o, atraindo a exce\u00e7\u00e3o do Tema 531\/STF que afasta o desconto dos dias parados.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A greve pode ter por objeto a regulamenta\u00e7\u00e3o de direitos previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A exce\u00e7\u00e3o do Tema 531 opera por for\u00e7a jurisprudencial, n\u00e3o depende de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A legalidade da greve n\u00e3o depende de autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a greve deflagrada pela categoria dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil em 20.11.2023 foi motivada pela aus\u00eancia de tempestiva regulamenta\u00e7\u00e3o do B\u00f4nus de Efici\u00eancia e Produtividade na Atividade Tribut\u00e1ria e Aduaneira previsto na Lei n. 13.464\/2017, cujo art. 6, 3, determinou que o Comit\u00ea Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, \u00f3rg\u00e3o a ser institu\u00eddo pelo Poder Executivo federal, editasse ato pr\u00f3prio estabelecendo a metodologia para a mensura\u00e7\u00e3o da produtividade global e fixasse o \u00edndice de efici\u00eancia institucional at\u00e9 o dia 1.3.2017.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, por omiss\u00e3o imput\u00e1vel \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, apenas em 27.12.2022, foi publicado o Decreto n. 11.312\/2022 instituindo o Comit\u00ea Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil que, por sua vez, com atraso de quase 7 (sete) anos, publicou a Resolu\u00e7\u00e3o CGPP n. 5, de 30 de janeiro de 2024, especificando o \u00edndice de efici\u00eancia institucional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, obstando o tempestivo cumprimento da Lei n. 13.464\/2017 e frustrando a leg\u00edtima expectativa da categoria quanto ao percebimento de parcela objeto de acordo administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A despeito da narrativa no sentido de que a mora deve-se a evento n\u00e3o atribu\u00edvel \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, verifica-se que, independentemente de qualquer d\u00favida t\u00e9cnico-jur\u00eddica suscitada por \u00f3rg\u00e3os de controle ou de controv\u00e9rsia judicial a respeito da higidez da parcela remunerat\u00f3ria, em diversas ocasi\u00f5es restou comprovada a in\u00e9rcia na ado\u00e7\u00e3o de medidas concretas tendentes a dar fiel cumprimento \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.464\/2017, cuja omiss\u00e3o privou os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil do recebimento escorreito do B\u00f4nus de Efici\u00eancia e Produtividade na Atividade Tribut\u00e1ria e Aduaneira em parcela vari\u00e1vel, regulamenta\u00e7\u00e3o que somente ocorreu em virtude da paralisa\u00e7\u00e3o coletiva do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destaca-se que, ao apreciar o Tema n. 531 de repercuss\u00e3o geral, o Supremo Tribunal Federal, em precedente vinculante, firmou tese no seguinte sentido: &#8220;A Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica deve proceder ao desconto dos dias de paralisa\u00e7\u00e3o decorrentes do exerc\u00edcio do direito de greve pelos servidores p\u00fablicos, em virtude da suspens\u00e3o do v\u00ednculo funcional que dela decorre, permitida a compensa\u00e7\u00e3o em caso de acordo. O desconto ser\u00e1, contudo, incab\u00edvel se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta il\u00edcita do Poder P\u00fablico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, restando provado ter o movimento paredista sido deflagrado em virtude de il\u00edcito atribu\u00eddo \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal, imp\u00f5e-se afastar o corte implementado na remunera\u00e7\u00e3o dos servidores que aderiram \u00e0 greve entre 20.11.2023 e 6.2.2024, aplicando-se a exce\u00e7\u00e3o prevista pelo STF no Tema n. 531 de repercuss\u00e3o geral, devendo, ainda, o per\u00edodo de afastamento ser computado como tempo de contribui\u00e7\u00e3o para efeitos previdenci\u00e1rios, porquanto o pagamento de sal\u00e1rios dever\u00e1 ser precedido de reten\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias devidas no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-multa-cominatoria-subsistencia-apos-extincao-da-acao-inibitoria-de-greve\">3.&nbsp; Multa cominat\u00f3ria \u2013 subsist\u00eancia ap\u00f3s extin\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o inibit\u00f3ria de greve<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A multa cominat\u00f3ria aplicada por descumprimento de ordem liminar <strong>subsiste mesmo ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do processo sem exame do m\u00e9rito<\/strong>, pois a transgress\u00e3o do comando judicial constitui fato gerador aut\u00f4nomo da san\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>Pet 16.334-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 8\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a greve dos auditores fiscais, o ju\u00edzo deferiu liminar determinando a manuten\u00e7\u00e3o do qu\u00f3rum parit\u00e1rio nas sess\u00f5es do CARF. O sindicato descumpriu deliberadamente a ordem, comparecendo com n\u00famero insuficiente de conselheiros representantes do Fisco. Ap\u00f3s o fim da greve, a a\u00e7\u00e3o inibit\u00f3ria foi extinta sem exame do m\u00e9rito. O sindicato argumentou que a multa perderia a raz\u00e3o de ser com a extin\u00e7\u00e3o. A multa cominat\u00f3ria sobrevive \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do processo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 536 e 537<\/strong><em> (multa cominat\u00f3ria \u2013 astreintes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A multa cominat\u00f3ria (astreintes) tem finalidade coercitiva, mas seu fato gerador \u00e9 o descumprimento da ordem judicial. Uma vez descumprida, a obriga\u00e7\u00e3o de pagar a multa <strong>se autonomiza<\/strong> do resultado da lide principal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A Primeira Se\u00e7\u00e3o fixou R$ 30.000,00 por sess\u00e3o n\u00e3o realizada (45 sess\u00f5es), totalizando R$ 1.350.000,00. O descumprimento foi <strong>deliberado<\/strong>: o sindicato interpretou a liminar restritivamente para manter preponder\u00e2ncia de conselheiros dos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A multa cominat\u00f3ria tem dupla natureza: fun\u00e7\u00e3o coercitiva (pressionar o cumprimento) e fun\u00e7\u00e3o sancionat\u00f3ria (punir o descumprimento). Mesmo quando o processo \u00e9 extinto sem m\u00e9rito, <strong>o descumprimento da ordem judicial j\u00e1 ocorreu e constitui fato gerador aut\u00f4nomo da multa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O sindicato descumpriu a liminar de forma deliberada, adotando <strong>interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do alcance da decis\u00e3o para manter preponder\u00e2ncia num\u00e9rica dos conselheiros dos contribuintes<\/strong> nas sess\u00f5es do CARF. Essa conduta configurou transgress\u00e3o inequ\u00edvoca da ordem judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o reconheceu que extinguir a multa junto com o processo <strong>premiaria o descumprimento da ordem judicial<\/strong>: bastaria ao obrigado descumprir e esperar a extin\u00e7\u00e3o do processo para escapar da san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a a <strong>autoridade das decis\u00f5es judiciais<\/strong>: a multa cominat\u00f3ria \u00e9 instrumento essencial da jurisdi\u00e7\u00e3o, e sua efic\u00e1cia n\u00e3o pode ficar condicionada ao resultado final da lide. A subsist\u00eancia \u00e9 coer\u00eancia com a fun\u00e7\u00e3o instrumental das astreintes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A multa cominat\u00f3ria aplicada por descumprimento de ordem liminar, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do processo sem m\u00e9rito:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 extinta junto com o processo, por acessoriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de liquida\u00e7\u00e3o em processo aut\u00f4nomo para ser exigida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que aplicou a multa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Somente subsiste se a parte benefici\u00e1ria requerer sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Subsiste, pois o descumprimento \u00e9 fato gerador aut\u00f4nomo da san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A multa autonomiza-se do processo principal ap\u00f3s o descumprimento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A multa \u00e9 exig\u00edvel nos pr\u00f3prios autos, sem necessidade de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A multa \u00e9 exig\u00edvel desde o descumprimento, sem depender de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A subsist\u00eancia decorre da lei, n\u00e3o de requerimento da parte.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A transgress\u00e3o da ordem judicial constitui fato gerador aut\u00f4nomo do dever de pagar a multa, que n\u00e3o se extingue com o processo (CPC, arts. 536 e 537).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, foi extinta A\u00e7\u00e3o Inibit\u00f3ria de Greve, sem aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, que buscava a fixa\u00e7\u00e3o de contingente m\u00ednimo de Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil em exerc\u00edcio durante a greve iniciada pela respectiva categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos da Lei n. 7.783\/1989, aplic\u00e1vel, no que couber, a movimentos grevistas de servidores p\u00fablicos, o exerc\u00edcio regular do direito de greve pressup\u00f5e estrita observ\u00e2ncia \u00e0s normas previstas em lei e t\u00e9rmino da paralisa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o de acordo, conven\u00e7\u00e3o ou prola\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o judicial, sob pena de caracteriza\u00e7\u00e3o de ilicitude, cujo abuso resta afastado se a greve tem por objetivo exigir o cumprimento das cl\u00e1usulas ou condi\u00e7\u00f5es fixadas para o seu exerc\u00edcio ou, ainda, quando motivada por superveni\u00eancia de fatos imprevistos que modifiquem a regular presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, requisitos cumpridos no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante o reconhecimento da legalidade da greve deflagrada pela categoria dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil em reconven\u00e7\u00e3o, bem como o fato de que foi extinta a A\u00e7\u00e3o Inibit\u00f3ria sem aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, remanesceu controv\u00e9rsia entre as partes no tocante \u00e0 multa cominat\u00f3ria (arts. 536 e 537 do C\u00f3digo de Processo Civil) aplicada em raz\u00e3o do descumprimento da ordem liminar de manuten\u00e7\u00e3o do funcionamento das sess\u00f5es de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conquanto ausente preceito legal especificando o destino da multa cominat\u00f3ria quando ignorada a ordem judicial no curso da demanda, a finalidade prec\u00edpua das astreintes imp\u00f5e concluir por sua subsist\u00eancia, independentemente do resultado da lide. Com efeito, a sua instrumentalidade atrela-se ao comando jurisdicional n\u00e3o observado, cuja transgress\u00e3o constitui fato gerador aut\u00f4nomo do dever de adimplir a san\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal compreens\u00e3o ressoou na jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a sempre pontuando a subsist\u00eancia das astreintes em contexto no qual, a despeito da extin\u00e7\u00e3o do processo sem exame do m\u00e9rito em decorr\u00eancia do \u00f3bito do autor, houve manifesta transgress\u00e3o da ordem judicial (AgInt no REsp n. 2.048.557\/SP, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, j. 12.6.2023, DJe 15.6.2023; e AgInt no AREsp n. 2.504.668\/SE, Relator Ministro Ra\u00fal Ara\u00fajo, Quarta Turma, j. 19.8.2024, DJe 2.9.2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No presente caso, houve prola\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o liminar cuja raz\u00e3o determinante foi a necessidade de dar prosseguimento \u00e0s sess\u00f5es de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) com a ordem de manuten\u00e7\u00e3o de qu\u00f3rum parit\u00e1rio de julgamento, assegurando, na generalidade dos casos, a observ\u00e2ncia da teleologia do Decreto n. 70.235\/1972. Contudo, a ordem judicial restou descumprida pela reprov\u00e1vel conduta do sindicato da categoria por interpreta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e enviesada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora clara a decis\u00e3o judicial quanto ao seu objeto e alcance &#8211; n\u00e3o comportando, por isso, redu\u00e7\u00f5es de sua abrang\u00eancia ao alvedrio conveniente da parte interessada -, a entidade sindical atribui-lhe indevida interpreta\u00e7\u00e3o restritiva, no sentido de que somente seria exigida a presen\u00e7a do qu\u00f3rum de instala\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o de julgamento, com a presen\u00e7a de apenas um Conselheiro representante do Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, tratou-se de deliberada transgress\u00e3o da ordem liminar, porquanto a entidade sindical adotou intelec\u00e7\u00e3o limitante de seu alcance \u00e0 vista de seu interesse pr\u00f3prio, qual seja, o de dar continuidade ao tensionamento com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica no contexto da greve mediante mecanismo tendente a reduzir a participa\u00e7\u00e3o de membros oriundos do Fisco nos julgamentos do CARF, mantendo, na pr\u00e1tica, qu\u00f3rum de julgamento que, na integralidade das sess\u00f5es, resultaria em preponder\u00e2ncia num\u00e9rica de conselheiros representantes dos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, sendo inequ\u00edvoca a inobserv\u00e2ncia da decis\u00e3o, a qual, repise-se, foi tomada diante do excepcional contexto de greve e com amparo nas peculiaridades da causa, \u00e9 de rigor a aplica\u00e7\u00e3o de multa no patamar de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) relativamente a cada uma das 45 (quarenta e cinco) sess\u00f5es de julgamento n\u00e3o realizadas em virtude do movimento paredista, redundando na quantia total de R$ 1.350.000,00 (um milh\u00e3o, trezentos e cinquenta mil reais).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-competencia-estadual-uso-indevido-de-imagem-de-advogado-para-golpes-digitais\">4. Compet\u00eancia estadual \u2013 uso indevido de imagem de advogado para golpes digitais<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Estadual processar a\u00e7\u00e3o sobre uso indevido de imagem e dados profissionais de advogado para aplica\u00e7\u00e3o de golpes, quando a <strong>Justi\u00e7a Federal afasta interesse da Uni\u00e3o ou vazamento de sistemas federais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 218.005-CE, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Creosvaldo, advogado, descobriu que golpistas usavam sua foto e dados profissionais para aplicar fraudes via WhatsApp, simulando atuar em processos do PJe da Justi\u00e7a Federal. Ajuizou a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a Estadual, que declinou para a Federal (supondo vazamento de dados do PJe). A Justi\u00e7a Federal se declarou incompetente: n\u00e3o havia vazamento \u2014 os dados eram p\u00fablicos (Processo eletr\u00f4nico \u00e9 p\u00fablico). A compet\u00eancia \u00e9 fixada pela pessoa da parte ou pela origem dos dados usados no golpe?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, I<\/strong><em> (compet\u00eancia federal ratione personae).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ<\/strong><em> (conflito de compet\u00eancia e crit\u00e9rios de fixa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal (CF, art. 109, I) \u00e9 fixada pela <strong>identidade das partes<\/strong>, n\u00e3o pela natureza da lide. Se a Uni\u00e3o n\u00e3o \u00e9 parte, assistente ou oponente, e n\u00e3o se demonstra interesse federal, a compet\u00eancia \u00e9 estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Dados acess\u00edveis publicamente (processos eletr\u00f4nicos, sites de tribunais) <strong>n\u00e3o configuram vazamento<\/strong> de sistema federal, mesmo que tenham sido usados para fins il\u00edcitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal \u00e9 excepcional e se fixa por crit\u00e9rio subjetivo (ratione personae). A mera utiliza\u00e7\u00e3o de dados p\u00fablicos do PJe por golpistas <strong>n\u00e3o transforma a Uni\u00e3o em parte interessada<\/strong>: o sistema de processo eletr\u00f4nico \u00e9 p\u00fablico, e o acesso a informa\u00e7\u00f5es nele dispon\u00edveis n\u00e3o equivale a vazamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Se\u00e7\u00e3o aplicou as S\u00famulas 150, 224 e 254\/STJ, reconhecendo que <strong>a aus\u00eancia de elementos comprobat\u00f3rios de responsabilidade da Uni\u00e3o ou de vazamento de dados federais<\/strong> desloca a compet\u00eancia para a Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O acesso ao processo judicial eletr\u00f4nico ocorreu em observ\u00e2ncia ao <strong>princ\u00edpio da publicidade dos atos processuais (CF, art. 93, IX)<\/strong>. N\u00e3o se pode imputar ao sistema federal a responsabilidade pelo uso il\u00edcito de dados que s\u00e3o p\u00fablicos por for\u00e7a constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para o crescente contencioso de golpes digitais que usam dados profissionais de advogados: <strong>a compet\u00eancia segue a regra geral (estadual), salvo demonstra\u00e7\u00e3o concreta de envolvimento de ente federal<\/strong>. A mera refer\u00eancia a sistemas federais no modo de opera\u00e7\u00e3o do golpe n\u00e3o basta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando golpistas usam dados profissionais de advogado extra\u00eddos de processos p\u00fablicos do PJe da Justi\u00e7a Federal, a compet\u00eancia para jugar os fatos:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 da Justi\u00e7a Estadual, afastado o interesse da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 da Justi\u00e7a Estadual, pois dados p\u00fablicos n\u00e3o configuram vazamento federal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de per\u00edcia sobre a origem dos dados para fixar compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 da Justi\u00e7a Federal, por envolver sistema sob guarda da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 concorrente entre Justi\u00e7a Federal e Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A compet\u00eancia federal exige interesse concreto da Uni\u00e3o (CF, art. 109, I); dados p\u00fablicos do PJe n\u00e3o configuram vazamento, e a mera refer\u00eancia ao sistema federal n\u00e3o basta.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira no m\u00e9rito, mas a alternativa D \u00e9 mais precisa ao condicionar \u00e0 an\u00e1lise do interesse da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A compet\u00eancia \u00e9 fixada pelo crit\u00e9rio ratione personae, n\u00e3o pela per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O acesso a processos p\u00fablicos n\u00e3o configura envolvimento de bem federal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 compet\u00eancia concorrente; o crit\u00e9rio \u00e9 subjetivo (partes).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a compet\u00eancia para processar e julgar a a\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer, envolvendo uso indevido de imagem e dados profissionais de advogado para aplica\u00e7\u00e3o de golpes, \u00e9 da Justi\u00e7a Federal ou da Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Ju\u00edzo Estadual declinou da compet\u00eancia ao fundamento de que a controv\u00e9rsia central diz respeito \u00e0 origem e \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de dados extra\u00eddos de sistema sob a guarda da Uni\u00e3o, especificamente o PJe da Justi\u00e7a Federal, configurando interesse jur\u00eddico direto da Uni\u00e3o na apura\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Ju\u00edzo Federal, por sua vez, reconheceu sua incompet\u00eancia, ao entender que n\u00e3o h\u00e1 imputa\u00e7\u00e3o de responsabilidade \u00e0 Uni\u00e3o, tampouco ind\u00edcios de vazamento de dados provenientes de sistemas judiciais federais, sendo o alegado golpe decorrente de fraude praticada por terceiros particulares, sem rela\u00e7\u00e3o direta com bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal, prevista no art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, \u00e9 fixada em raz\u00e3o da pessoa (compet\u00eancia ratione personae), levando-se em conta a identidade das partes na rela\u00e7\u00e3o processual, e n\u00e3o a natureza da lide. Considerando que o Ju\u00edzo Federal, na esp\u00e9cie, reconheceu a aus\u00eancia de elementos comprobat\u00f3rios quanto \u00e0 responsabilidade da Uni\u00e3o, bem como a inexist\u00eancia de ind\u00edcios de vazamento de dados provenientes de sistemas judiciais federais e tendo em vista que o acesso ao processo em tr\u00e2mite na Justi\u00e7a Federal ocorreu em estrita observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da publicidade dos atos processuais e \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel, conclui-se que a compet\u00eancia para o exame e julgamento da demanda \u00e9 da Justi\u00e7a Estadual, aplicando, \u00e0 esp\u00e9cie, o entendimento consolidado nas S\u00famulas n. 150, 224 e 254 desta Corte Superior.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-feminicidio-por-militar-competencia-do-tribunal-do-juri-e-cisao-com-justica-militar\">5.&nbsp; Feminic\u00eddio por militar \u2013 compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari e cis\u00e3o com Justi\u00e7a Militar<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O feminic\u00eddio praticado por militar em depend\u00eancia militar atrai a compet\u00eancia do <strong>Tribunal do J\u00fari<\/strong>, por ser crime doloso contra a vida com n\u00facleo de viol\u00eancia de g\u00eanero, cabendo \u00e0 Justi\u00e7a Militar os crimes conexos que atinjam bens castrenses.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 218.865-DF, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 8\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, militar da ativa, matou Josefina, (tamb\u00e9m militar) dentro do quartel, com motiva\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia de g\u00eanero (feminic\u00eddio). No mesmo contexto, danificou instala\u00e7\u00f5es militares (inc\u00eandio), subtraiu arma de servi\u00e7o e tentou fraudar o local do crime. O MP Militar denunciou por todos os crimes na Justi\u00e7a Militar. A defesa suscitou conflito de compet\u00eancia: o feminic\u00eddio deve ir ao J\u00fari ou \u00e0 Justi\u00e7a Militar? E os crimes conexos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXXVIII, &#8220;d&#8221;<\/strong><em> (compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari \u2013 crimes dolosos contra a vida).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 124<\/strong><em> (compet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar \u2013 crimes militares).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPM, art. 9\u00ba<\/strong><em> (defini\u00e7\u00e3o de crime militar).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 79, I, e CPPM, art. 102, &#8220;a&#8221;<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o de julgamento conjunto entre jurisdi\u00e7\u00e3o comum e militar).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A compet\u00eancia do J\u00fari (CF, art. 5\u00ba, XXXVIII) e da Justi\u00e7a Militar (CF, art. 124) s\u00e3o ambas de estatura constitucional, mas n\u00e3o se hierarquizam: <strong>coordenam-se<\/strong>. O feminic\u00eddio, por seu n\u00facleo centrado na viol\u00eancia de g\u00eanero, \u00e9 incompat\u00edvel com a l\u00f3gica da jurisdi\u00e7\u00e3o militar, mesmo em depend\u00eancia militar.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A <strong>cis\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria<\/strong> (CPP, art. 79, I; CPPM, art. 102, &#8220;a&#8221;): feminic\u00eddio ao J\u00fari; crimes castrenses (inc\u00eandio, dano, furto de arma, fraude) \u00e0 Justi\u00e7a Militar. N\u00e3o h\u00e1 bis in idem, pois s\u00e3o imputa\u00e7\u00f5es distintas com bens jur\u00eddicos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Constitui\u00e7\u00e3o atribui ao J\u00fari os crimes dolosos contra a vida (art. 5\u00ba, XXXVIII) e \u00e0 Justi\u00e7a Militar os crimes militares (art. 124). Quando ambas as compet\u00eancias incidem no mesmo fato, <strong>prevalece a reserva do J\u00fari para o crime contra a vida, quando ausente nexo funcional com a atividade castrense<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 9\u00ba do CPM, mesmo ap\u00f3s a Lei n\u00ba 13.491\/2017, <strong>n\u00e3o autoriza que a Justi\u00e7a Militar absorva crimes dolosos contra a vida quando a motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 pessoal e afetiva<\/strong>. O feminic\u00eddio \u00e9 crime marcado pela viol\u00eancia de g\u00eanero \u2014 motiva\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com miss\u00e3o, ordem superior ou dever funcional das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A den\u00fancia do MP Militar reconheceu a coexist\u00eancia de infra\u00e7\u00f5es de natureza diversa e requereu concurso material (CPM, art. 79). A Terceira Se\u00e7\u00e3o determinou a <strong>cis\u00e3o obrigat\u00f3ria<\/strong>: feminic\u00eddio ao Tribunal do J\u00fari; crimes contra bens castrenses (inc\u00eandio, dano a instala\u00e7\u00f5es, furto de arma, fraude processual) \u00e0 Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A especial gravidade do feminic\u00eddio <strong>intensifica a raz\u00e3o de ser do J\u00fari<\/strong>: a garantia constitucional do julgamento por pares em crimes dolosos contra a vida tem n\u00facleo essencial que n\u00e3o pode ser esvaziado por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva da jurisdi\u00e7\u00e3o militar. A sociedade \u2014 n\u00e3o o ju\u00edzo castrense \u2014 deve julgar crimes de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao feminic\u00eddio praticado por militar da ativa em depend\u00eancia militar, em conjunto com dano ao quartel:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A compet\u00eancia \u00e9 da Justi\u00e7a Militar, por envolver militares da ativa em local militar.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Compete ao J\u00fari a aprecia\u00e7\u00e3o de todos os crimes, incluindo os castrenses.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Compete ao J\u00fari, com cis\u00e3o obrigat\u00f3ria dos crimes castrenses conexos para a Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A compet\u00eancia \u00e9 do J\u00fari para o feminic\u00eddio, com cis\u00e3o obrigat\u00f3ria e envio dos crimes castrenses \u00e0 Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A cis\u00e3o \u00e9 facultativa, cabendo ao MP escolher a jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O feminic\u00eddio \u00e9 crime doloso contra a vida com motiva\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, atraindo o J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Os crimes que atingem bens castrenses permanecem na Justi\u00e7a Militar (CPP, art. 79, I).<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> O J\u00fari \u00e9 competente para o feminic\u00eddio, pois a motiva\u00e7\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 incompat\u00edvel com a jurisdi\u00e7\u00e3o militar; os crimes castrenses conexos s\u00e3o julgados pela Justi\u00e7a Militar, com cis\u00e3o obrigat\u00f3ria (CPP, art. 79, I; CPPM, art. 102, &#8220;a&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A alternativa est\u00e1 pr\u00f3xima, mas repete o enunciado sem acrescentar ponto jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A cis\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria por for\u00e7a do CPP (art. 79, I) e do CPPM (art. 102, &#8220;a&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em definir (i) se o feminic\u00eddio praticado por militar da ativa contra outro militar da ativa, em depend\u00eancia militar, deve ser submetido \u00e0 Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o ou ao Tribunal do J\u00fari, considerando a coexist\u00eancia de compet\u00eancias constitucionais absolutas e (ii) se os demais crimes conexos, que atingem diretamente bens jur\u00eddicos castrenses, devem ser julgados pela Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica atribui ao Tribunal do J\u00fari a compet\u00eancia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida (art. 5, XXXVIII, &#8220;d&#8221;) e, simultaneamente, confere \u00e0 Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o a compet\u00eancia para processar e julgar os crimes militares definidos em lei (art. 124).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essas normas n\u00e3o se encontram em rela\u00e7\u00e3o de hierarquia, mas de coordena\u00e7\u00e3o. A jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal \u00e9 firme no sentido de que a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, embora de extra\u00e7\u00e3o constitucional, n\u00e3o \u00e9 absoluta a ponto de afastar, em toda hip\u00f3tese, a incid\u00eancia das Justi\u00e7as especializadas. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 assente que a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar n\u00e3o pode absorver, sem limites, crimes que se inserem no n\u00facleo essencial do Tribunal do J\u00fari, quando ausente rela\u00e7\u00e3o funcional direta com a atividade castrense.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em exame: a) o delito foi praticado no interior de unidade militar, em depend\u00eancia funcional da organiza\u00e7\u00e3o castrense; b) a v\u00edtima, militar, encontrava-se em situa\u00e7\u00e3o cotidiana, compondo a rotina da unidade; c) houve inc\u00eandio e dano significativo a instala\u00e7\u00f5es militares; d) houve subtra\u00e7\u00e3o de arma de servi\u00e7o pertencente \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o; e, por fim, e) h\u00e1 imputa\u00e7\u00e3o de condutas voltadas \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do estado do local e \u00e0 fraude processual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esses elementos objetivos afastam a caracteriza\u00e7\u00e3o do fato como mero evento privado ocorrido entre militares &#8220;agindo como civis&#8221;, evidenciando que parte do contexto f\u00e1tico projeta-se sobre a tutela de bens jur\u00eddicos pr\u00f3prios da administra\u00e7\u00e3o militar. Todavia, o reconhecimento da exist\u00eancia de relevantes interesses castrenses atingidos em rela\u00e7\u00e3o a determinadas condutas n\u00e3o conduz, automaticamente, \u00e0 submiss\u00e3o integral do caso \u00e0 Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que se refere ao crime de homic\u00eddio, a regra geral extra\u00edda do caput e dos incisos do art. 9 do C\u00f3digo Penal Militar (CPM) \u00e9 a de que o delito ser\u00e1 considerado crime militar quando praticado por militar em determinadas condi\u00e7\u00f5es funcionais, como no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o dela ou em local sob administra\u00e7\u00e3o militar, ainda que o tipo penal esteja previsto exclusivamente no C\u00f3digo Penal comum. Esse alargamento, contudo, n\u00e3o se opera de forma absoluta. Embora o 1 do art. 9 do CPM trate explicitamente da hip\u00f3tese de homic\u00eddio praticado por militar contra civil, sua leitura sistem\u00e1tica projeta efeitos relevantes tamb\u00e9m para a compreens\u00e3o da compet\u00eancia nos casos em que o homic\u00eddio tem como v\u00edtima outro militar. Nessas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o incide a ressalva legal que desloca a compet\u00eancia para a Justi\u00e7a comum, de modo que, presentes as circunst\u00e2ncias descritas no art. 9, o homic\u00eddio poder\u00e1 ser qualificado como crime militar, atraindo a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar, ainda que se trate de crime doloso contra a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diversa, contudo, \u00e9 a hip\u00f3tese de homic\u00eddio praticado contra militar quando ausente nexo funcional ou institucional com a atividade castrense. Assim, a compet\u00eancia da Justi\u00e7a comum para o julgamento de homic\u00eddio praticado contra militar n\u00e3o decorre automaticamente da condi\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, mas da inexist\u00eancia dos elementos de conex\u00e3o funcional, subjetiva ou espacial exigidos pelo art. 9 do CPM. Nesses casos, o militar figura apenas como sujeito passivo de crime comum, incidindo integralmente a disciplina constitucional e legal do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a pr\u00f3pria den\u00fancia afasta qualquer v\u00ednculo do homic\u00eddio com as atividades militares. Trata-se de imputa\u00e7\u00e3o de crime de feminic\u00eddio que constitui crime doloso contra a vida e cuja ofensa nuclear recai sobre o bem jur\u00eddico vida, em contexto marcado por viol\u00eancia de g\u00eanero e motiva\u00e7\u00e3o de ordem pessoal e afetiva, sem rela\u00e7\u00e3o com miss\u00e3o, ordem, dever funcional ou finalidade institucional das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 9 do C\u00f3digo Penal Militar n\u00e3o incide na hip\u00f3tese em exame &#8211; feminic\u00eddio &#8211; porque a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica estabelece, no art. 5, inciso XXXVIII, uma reserva de compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari para os crimes dolosos contra a vida, a qual prevalece sobre qualquer regra infraconstitucional de defini\u00e7\u00e3o de crime militar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se trata, portanto, de simples regra de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia, mas de verdadeira garantia institucional, cujo n\u00facleo essencial n\u00e3o pode ser suprimido, restringido ou esvaziado por legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional, tampouco por interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa de normas excepcionais, como o art. 9 do C\u00f3digo Penal Militar. Qualquer leitura que conduza \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o do julgamento pelo corpo de jurados em hip\u00f3teses de crimes dolosos contra a vida, quando ausente nexo funcional direto com a atividade castrense, importaria afronta direta \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e ao princ\u00edpio do juiz natural.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; E ainda que o fato tenha ocorrido em ambiente militar e que seus desdobramentos tenham atingido bens castrenses, a especial gravidade do feminic\u00eddio intensifica a raz\u00e3o de ser do J\u00fari, cuja compet\u00eancia n\u00e3o pode ser esvaziada por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva da jurisdi\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pr\u00f3pria estrutura da den\u00fancia evidencia que o Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar reconheceu a coexist\u00eancia, no mesmo contexto f\u00e1tico, de infra\u00e7\u00f5es penais de natureza diversa, submetidas a regimes jur\u00eddicos distintos, tanto que requereu a aplica\u00e7\u00e3o do concurso material de crimes, nos termos do art. 79 do C\u00f3digo Penal Militar. Tal circunst\u00e2ncia refor\u00e7a a impossibilidade de submiss\u00e3o integral do feito a uma \u00fanica jurisdi\u00e7\u00e3o, sob pena de confus\u00e3o entre bens jur\u00eddicos heterog\u00eaneos e de esvaziamento de compet\u00eancias constitucionalmente delimitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, ao imputar o feminic\u00eddio com fundamento em menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher, o \u00f3rg\u00e3o de acusa\u00e7\u00e3o reconheceu que a motiva\u00e7\u00e3o do crime se insere em din\u00e2mica relacional e afetiva de viol\u00eancia de g\u00eanero, incompat\u00edvel com a l\u00f3gica da fun\u00e7\u00e3o militar e alheia \u00e0 finalidade institucional das For\u00e7as Armadas. Ainda que o fato tenha ocorrido em depend\u00eancia militar e envolvido agentes da ativa, o n\u00facleo da imputa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se ancora em dever funcional, ordem superior ou interesse castrense, mas na motiva\u00e7\u00e3o do crime, no caso, na elimina\u00e7\u00e3o da vida da v\u00edtima enquanto mulher, em contexto de desigualdade e viol\u00eancia estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse dado \u00e9 particularmente relevante para a interpreta\u00e7\u00e3o do art. 9 do C\u00f3digo Penal Militar. Se, de um lado, o dispositivo admite, ap\u00f3s a Lei n. 13.491\/2017, a amplia\u00e7\u00e3o do conceito de crime militar para abarcar delitos previstos na legisla\u00e7\u00e3o penal comum, de outro, n\u00e3o autoriza que a jurisdi\u00e7\u00e3o militar absorva crimes dolosos contra a vida quando ausente nexo funcional direto com a atividade castrense, sobretudo quando o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o acusat\u00f3rio reconhece tratar-se de feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a den\u00fancia oferecida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar, longe de fragilizar a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, corrobora a necessidade de cis\u00e3o do feito, ao evidenciar que o feminic\u00eddio constitui crime comum doloso contra a vida, inserido no n\u00facleo de prote\u00e7\u00e3o constitucional do Tribunal do J\u00fari, ao passo que os delitos que atingem diretamente o patrim\u00f4nio, a seguran\u00e7a e a regularidade do funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o militar permanecem submetidos \u00e0 Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, diante da coexist\u00eancia de compet\u00eancias constitucionais absolutas, a legisla\u00e7\u00e3o processual imp\u00f5e a separa\u00e7\u00e3o dos processos. O art. 79, inciso I, do C\u00f3digo de Processo Penal e o art. 102, al\u00ednea &#8220;a&#8221;, do C\u00f3digo de Processo Penal Militar vedam o julgamento conjunto quando h\u00e1 concurso entre jurisdi\u00e7\u00e3o comum e jurisdi\u00e7\u00e3o militar. A cis\u00e3o n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do ne bis in idem, pois se trata de imputa\u00e7\u00f5es distintas, com bens jur\u00eddicos diversos, conforme reconhecido pela jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-improbidade-administrativa-vedacao-de-dano-moral-coletivo-apos-a-lei-14-230-2021\">6. Improbidade administrativa \u2013 veda\u00e7\u00e3o de dano moral coletivo ap\u00f3s a Lei 14.230\/2021<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a Lei n\u00ba 14.230\/2021, <strong>n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo em a\u00e7\u00e3o de improbidade<\/strong>, devendo a repara\u00e7\u00e3o extrapatrimonial ser buscada por a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O MP ajuizou a\u00e7\u00e3o de improbidade contra Seu Creisson (agente p\u00fablico) e requereu, al\u00e9m das san\u00e7\u00f5es t\u00edpicas, condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo. Seu Creisson invocou a Lei n\u00ba 14.230\/2021, que reconfigurou o objeto indeniz\u00e1vel da a\u00e7\u00e3o de improbidade. A condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo ainda \u00e9 cab\u00edvel na a\u00e7\u00e3o de improbidade, ou deve ser buscada em ACP pr\u00f3pria?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LIA (Lei n\u00ba 8.429\/1992), art. 12 (reda\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.230\/2021)<\/strong><em> (objeto indeniz\u00e1vel \u2013 dano patrimonial efetivo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LIA, art. 17-D<\/strong><em> (a\u00e7\u00e3o de improbidade como repressiva e sancionat\u00f3ria \u2013 n\u00e3o \u00e9 ACP).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 7.347\/1985<\/strong><em> (a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica \u2013 tutela de interesses difusos e coletivos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A Lei n\u00ba 14.230\/2021 alterou a LIA em tr\u00eas eixos: (i) o art. 12 delimitou o objeto indeniz\u00e1vel ao dano patrimonial efetivo; (ii) o art. 17 afastou a a\u00e7\u00e3o de improbidade do microssistema de tutela coletiva; (iii) o art. 17-D qualificou a a\u00e7\u00e3o como repressiva e sancionat\u00f3ria, vedando seu uso para tutela de interesses difusos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A repara\u00e7\u00e3o extrapatrimonial coletiva permanece poss\u00edvel, mas deve ser buscada <strong>por a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica<\/strong>, n\u00e3o por a\u00e7\u00e3o de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Lei n\u00ba 14.230\/2021 redesenhou a arquitetura da a\u00e7\u00e3o de improbidade. O art. 17-D \u00e9 expresso: <strong>a a\u00e7\u00e3o de improbidade \u00e9 &#8220;repressiva e sancionat\u00f3ria&#8221; e n\u00e3o serve \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de outros interesses difusos, coletivos ou individuais homog\u00eaneos<\/strong>. Essas pretens\u00f5es foram remetidas \u00e0 a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 12, caput, complementa essa l\u00f3gica ao delimitar o objeto indeniz\u00e1vel ao <strong>dano patrimonial efetivo<\/strong>. A express\u00e3o afasta pretens\u00f5es extrapatrimoniais: se o legislador quis limitar a indeniza\u00e7\u00e3o ao dano patrimonial &#8220;se efetivo&#8221;, excluiu o dano moral coletivo, que \u00e9 por natureza extrapatrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A reforma de 2021 criou dois trilhos: (i) na a\u00e7\u00e3o de improbidade, <strong>aplicam-se san\u00e7\u00f5es pessoais (suspens\u00e3o de direitos, perda de cargo) e busca-se ressarcimento patrimonial e multa<\/strong>; (ii) na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, tutelam-se interesses difusos e coletivos, inclusive o dano moral coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Turma reconheceu que essa separa\u00e7\u00e3o decorre da <strong>vontade expressa do legislador<\/strong>, registrada nos debates parlamentares da Lei n\u00ba 14.230\/2021, onde se consignou que a multa civil prevista na LIA destina-se a indenizar eventual dano n\u00e3o patrimonial. O dano moral coletivo, portanto, \u00e9 cab\u00edvel \u2014 mas na via adequada (ACP), n\u00e3o na improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a Lei n\u00ba 14.230\/2021, a condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo em a\u00e7\u00e3o de improbidade:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 cab\u00edvel quando demonstrada ofensa grave a valores coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 vedada; a repara\u00e7\u00e3o extrapatrimonial deve ser buscada em a\u00e7\u00e3o individual pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de pr\u00e9via demonstra\u00e7\u00e3o de dano patrimonial efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, devendo a repara\u00e7\u00e3o extrapatrimonial ser buscada por a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 cab\u00edvel nas mesmas hip\u00f3teses da legisla\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 reforma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 17-D da LIA vedou o uso da a\u00e7\u00e3o de improbidade para tutela de interesses difusos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A via COLETIVA adequada (ACP).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O dano moral coletivo \u00e9 extrapatrimonial e n\u00e3o se condiciona a dano patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> O art. 12 da LIA limita o objeto indeniz\u00e1vel ao dano patrimonial efetivo, e o art. 17-D qualifica a a\u00e7\u00e3o como repressiva\/sancionat\u00f3ria, remetendo pretens\u00f5es difusas e coletivas \u00e0 ACP.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A Lei n\u00ba 14.230\/2021 alterou substancialmente o regime; a legisla\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o se aplica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se \u00e9 poss\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo em a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 14.230\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 \u00e9poca da reda\u00e7\u00e3o original da Lei n. 8.429\/1992, a jurisprud\u00eancia da Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou-se no sentido do cabimento do dano moral coletivo em a\u00e7\u00f5es de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, ap\u00f3s a Lei n. 14.230\/2021, a jurisprud\u00eancia das Turmas de Direito P\u00fablico do STJ ainda n\u00e3o \u00e9 uniforme sobre o cabimento do dano moral coletivo na improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Segunda Turma firmou orienta\u00e7\u00e3o pela possibilidade da condena\u00e7\u00e3o, desde que demonstrada ofensa grave a valores extrapatrimoniais da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Primeira Turma, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 posicionamento firmado a respeito do tema, porquanto a \u00fanica decis\u00e3o existente refere-se \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o c\u00edvel, no qual a controv\u00e9rsia em tela n\u00e3o foi examinada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que o regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel, ap\u00f3s a Lei n. 14.230\/2021, reconfigurou o objeto indeniz\u00e1vel e a finalidade da a\u00e7\u00e3o de improbidade, circunst\u00e2ncia que imp\u00f5e a leitura e interpreta\u00e7\u00e3o dos arts. 12, 17 e 17-D da Lei n. 8.429\/1992.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 vista dessa disciplina normativa, a reforma promovida pela Lei n. 14.230\/2021 alterou a improbidade administrativa em tr\u00eas eixos decisivos quanto \u00e0s san\u00e7\u00f5es e ao dano oriundo do ato de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Primeiramente, o art. 12, caput, delimitou o objeto indeniz\u00e1vel na a\u00e7\u00e3o de improbidade ao dano patrimonial, se efetivo, condicionando a repara\u00e7\u00e3o \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo econ\u00f4mico. Assim, as pretens\u00f5es extrapatrimoniais, como o dano moral coletivo, n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com a reforma da Lei de Improbidade Administrativa &#8211; LIA. Al\u00e9m disso, o art. 17, caput, reposicionou a a\u00e7\u00e3o de improbidade no procedimento comum do C\u00f3digo de Processo Civil, afastando-a do microssistema da tutela coletiva, ou seja, do procedimento previsto na Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica (Lei n. 7.347\/1985). Na mesma linha, o art. 17-D qualificou a a\u00e7\u00e3o de improbidade como repressiva e sancionat\u00f3ria, n\u00e3o sendo a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, e vedou seu uso para a prote\u00e7\u00e3o de outros interesses difusos, coletivos e individuais homog\u00eaneos, remetendo tais pretens\u00f5es \u00e0 a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante de tal quadro, na a\u00e7\u00e3o de improbidade aplicam-se as san\u00e7\u00f5es pessoais e busca-se o ressarcimento patrimonial e a multa previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, diversamente, tutelam-se interesses difusos e coletivos, inclusive a repara\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em consequ\u00eancia, a condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo, de natureza extrapatrimonial coletiva, n\u00e3o encontra abrigo na atual dic\u00e7\u00e3o da Lei de Improbidade Administrativa, devendo, se cab\u00edvel, ser buscada por meio de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acrescente-se que tal conclus\u00e3o resultou dos debates legislativos travados durante a proposta que deu origem \u00e0 Lei n. 14.230\/2021, registrando-se em Plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados que o patrim\u00f4nio p\u00fablico tutelado na Lei de Improbidade Administrativa deve compreender bens e direitos de valor econ\u00f4mico, uma vez que &#8220;[&#8230;] somente o dano efetivo ao patrim\u00f4nio p\u00fablico \u00e9 que caracteriza o ato de improbidade e que deve ser ressarcido, retirando a hip\u00f3tese de interpreta\u00e7\u00e3o de que o dano in re ipsa, assim considerado hipoteticamente, possa ser utilizado para caracteriza\u00e7\u00e3o do ato de improbidade, nem tampouco possa ser indenizado, j\u00e1 que se considera, nesses casos, que a multa civil prevista destina-se, justamente, a indenizar eventual dano n\u00e3o patrimonial que a Administra\u00e7\u00e3o tenha sofrido&#8221;. Dessa forma, j\u00e1 \u00e0 \u00e9poca da tramita\u00e7\u00e3o do respectivo projeto de lei sinalizava-se a exclus\u00e3o de pretens\u00f5es indenizat\u00f3rias extrapatrimoniais coletivas diante da condena\u00e7\u00e3o por ato de improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, consoante as disposi\u00e7\u00f5es atuais da LIA, mant\u00eam-se, na a\u00e7\u00e3o correspondente, a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pessoal e o ressarcimento do dano patrimonial efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A repara\u00e7\u00e3o extrapatrimonial coletiva, por sua vez, deve ser buscada na via pr\u00f3pria, por meio de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-contrato-de-seguro-declaracao-previa-da-seguradora-e-inicio-da-cobertura\">7. Contrato de seguro \u2013 declara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da seguradora e in\u00edcio da cobertura<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A declara\u00e7\u00e3o da seguradora que afirma cobertura <strong>desde data anterior \u00e0 emiss\u00e3o formal da ap\u00f3lice vincula a seguradora<\/strong>, por for\u00e7a da boa-f\u00e9 objetiva e da natureza consensual do contrato de seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.189.140-SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Madruga contratou seguro para colheitadeira agr\u00edcola junto \u00e0 Inoc\u00eancia Seguros S.A. Em 30\/9\/2016, a seguradora emitiu declara\u00e7\u00e3o afirmando que o bem estava coberto desde 16\/9\/2016, embora a ap\u00f3lice estivesse &#8220;em processo de emiss\u00e3o&#8221;. Em 24\/9\/2016, a colheitadeira foi destru\u00edda por inc\u00eandio. A seguradora negou a cobertura alegando que a ap\u00f3lice, formalizada em 29\/9\/2016, n\u00e3o abrangia fato anterior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 112<\/strong><em> (interpreta\u00e7\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es de vontade \u2013 inten\u00e7\u00e3o sobre literalidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 421 e 422<\/strong><em> (boa-f\u00e9 objetiva \u2013 probidade na conclus\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do contrato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 757<\/strong><em> (contrato de seguro \u2013 natureza consensual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O contrato de seguro \u00e9 <strong>consensual<\/strong> (CC, art. 757): a ap\u00f3lice \u00e9 ato de formaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de constitui\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o. A obriga\u00e7\u00e3o nasce do consenso. A declara\u00e7\u00e3o da seguradora, que atesta cobertura desde data anterior, \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de vontade que integra o contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A boa-f\u00e9 objetiva (CC, art. 422) imp\u00f5e lealdade e prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a: ao declarar que o bem estava segurado, a seguradora criou <strong>expectativa leg\u00edtima<\/strong> no segurado, que n\u00e3o pode ser frustrada pela emiss\u00e3o tardia da ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 112 do CC determina que nas declara\u00e7\u00f5es de vontade se atender\u00e1 mais \u00e0 inten\u00e7\u00e3o nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. A seguradora declarou, por escrito, que o bem estava coberto desde 16\/9\/2016. <strong>A inten\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca era de que a cobertura existia antes da formaliza\u00e7\u00e3o da ap\u00f3lice<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O contrato de seguro n\u00e3o \u00e9 formal: a ap\u00f3lice \u00e9 prova, n\u00e3o requisito de exist\u00eancia. O art. 758 do CC menciona ap\u00f3lice, bilhete ou pagamento do pr\u00eamio como meios de prova, <strong>mas n\u00e3o exclui outros meios aptos a comprovar a rela\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria<\/strong>, conforme jurisprud\u00eancia consolidada do STJ (REsp 1.130.704\/MG).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma reformou o ac\u00f3rd\u00e3o do TJSP, reconhecendo que a <strong>declara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via vincula a seguradora desde a data nela mencionada<\/strong>. Negar efic\u00e1cia a essa declara\u00e7\u00e3o equivaleria a frustrar a confian\u00e7a do segurado, violando a boa-f\u00e9 contratual (CC, art. 422) e a fun\u00e7\u00e3o social do contrato (CC, art. 421).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tamb\u00e9m registra que a <strong>Lei n\u00ba 15.040\/2024 (novo Marco Legal dos Seguros)<\/strong>, em vigor desde 11\/12\/2025, refor\u00e7a essa orienta\u00e7\u00e3o ao introduzir regras espec\u00edficas de interpreta\u00e7\u00e3o do contrato de seguro (arts. 56 e 57). Embora inaplic\u00e1vel ao caso, confirma a tend\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a no mercado securit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a seguradora declara, por escrito, que o bem est\u00e1 coberto desde data anterior \u00e0 emiss\u00e3o da ap\u00f3lice:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 mero ato administrativo interno, sem efeitos jur\u00eddicos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A declara\u00e7\u00e3o vincula a seguradora desde a data mencionada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A cobertura s\u00f3 se inicia com a emiss\u00e3o formal da ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A cobertura depende de confirma\u00e7\u00e3o pelo corretor de seguros.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O segurado deve provar o pagamento do pr\u00eamio para que a declara\u00e7\u00e3o tenha efeito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o de vontade com efeitos jur\u00eddicos (CC, art. 112).<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A boa-f\u00e9 objetiva (CC, art. 422) vincula a seguradora \u00e0 declara\u00e7\u00e3o emitida, e a confian\u00e7a leg\u00edtima do segurado n\u00e3o pode ser frustrada pela formaliza\u00e7\u00e3o tardia da ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O contrato de seguro \u00e9 consensual; a ap\u00f3lice \u00e9 formaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o constitui\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A vincula\u00e7\u00e3o decorre da declara\u00e7\u00e3o da seguradora, n\u00e3o de ato do corretor.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A declara\u00e7\u00e3o da seguradora \u00e9 meio de prova aut\u00f4nomo; o pagamento do pr\u00eamio \u00e9 outro meio, n\u00e3o condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a promovida contra seguradora visando ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria por perda total de colheitadeira em inc\u00eandio ocorrido em 24\/9\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em primeiro grau, reconheceu-se a cobertura do sinistro com fundamento na declara\u00e7\u00e3o expressa da seguradora, emitida em 30\/9\/2016, na qual ela afirmava que o bem se encontrava coberto desde 16\/9\/2016, apesar de a ap\u00f3lice ainda estar em processo de emiss\u00e3o. O Tribunal estadual, contudo, afastou esse entendimento ao considerar que a ap\u00f3lice, formalizada apenas em 29\/9\/2016, n\u00e3o abrangia o evento ocorrido anteriormente, atribuindo \u00e0 referida declara\u00e7\u00e3o car\u00e1ter insuficiente para comprovar a cobertura.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a controv\u00e9rsia gira em torno de saber se deve ser reconhecida a cobertura e o dever de indenizar diante da boa-f\u00e9 objetiva, da pr\u00e1tica de aceita\u00e7\u00e3o e da declara\u00e7\u00e3o expressa da seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, diante da dic\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica do art. 112 do C\u00f3digo Civil &#8211; CC\/02 (Nas declara\u00e7\u00f5es de vontade se atender\u00e1 mais \u00e0 inten\u00e7\u00e3o nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem), a vontade real, indubitavelmente, \u00e9 a de que a m\u00e1quina agr\u00edcola estava assegurada desde 16\/9\/2016, porque a respectiva ap\u00f3lice estava &#8220;em processo de emiss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, embora seja incontroverso que a obriga\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria delimite-se pelos riscos, coberturas e vig\u00eancia constantes da ap\u00f3lice, h\u00e1 elementos que demonstram que a seguradora j\u00e1 havia assumido o compromisso de garantir a cobertura antes mesmo da formaliza\u00e7\u00e3o documental. A seguradora, em manifesta\u00e7\u00e3o expressa, declarou que a m\u00e1quina objeto da lide j\u00e1 estava segurada e que a ap\u00f3lice encontrava-se em fase de emiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme bem salientado pelo Ju\u00edzo de primeiro grau, ao julgar procedente a pretens\u00e3o autoral, aquela declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser considerada mero ato administrativo interno, mas sim manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de vontade, apta a produzir efeitos jur\u00eddicos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 422 do CC\/02, os contratantes devem guardar, tanto na conclus\u00e3o quanto na execu\u00e7\u00e3o do contrato, os princ\u00edpios de probidade e boa-f\u00e9. A declara\u00e7\u00e3o da seguradora, portanto, vincula sua conduta futura, integrando o contrato de seguro posteriormente formalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva imp\u00f5e \u00e0s partes deveres anexos, como lealdade, transpar\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a leg\u00edtima. Ao declarar que o referido maquin\u00e1rio j\u00e1 estava segurado, a seguradora gerou expectativa leg\u00edtima de cobertura desde 16\/9\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que a ap\u00f3lice seja o instrumento formal que delimita riscos e vig\u00eancia, a obriga\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria nasce do consenso entre as partes. A emiss\u00e3o da ap\u00f3lice \u00e9 ato de formaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de constitui\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, abalizada doutrina confirma a natureza consensual do contrato de seguro, conforme se v\u00ea do art. 757 do CC\/02.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, qualquer documento que comprove o pagamento do pr\u00eamio ou evidencie o consenso &#8211; como a proposta escrita ou correspond\u00eancia do segurador indicando aceita\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 suficiente para confirmar a exist\u00eancia do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse panorama, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, desde h\u00e1 muito, j\u00e1 exarou a orienta\u00e7\u00e3o de que, embora o art. 758 do C\u00f3digo Civil fa\u00e7a alus\u00e3o \u00e0 ap\u00f3lice, bilhete ou pagamento do pr\u00eamio como meios de prova do contrato de seguro, \u00e9 certo tamb\u00e9m que n\u00e3o exclui outras formas aptas \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria; ou seja, a citada norma indica que se considera provado o contrato de seguro mediante a exibi\u00e7\u00e3o da ap\u00f3lice, bilhete ou pagamento do pr\u00eamio, n\u00e3o se excluindo, aprioristicamente, outros tipos de prova (REsp n. 1.130.704\/MG, rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 19\/3\/2013, DJe 17\/4\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a declara\u00e7\u00e3o da seguradora, ainda que feita posteriormente \u00e0 emiss\u00e3o formal da ap\u00f3lice, mas que se referia a uma cobertura anterior, deve ser interpretada como in\u00edcio da cobertura, vinculando-a desde a data mencionada no aludido documento. Al\u00e9m do mais, negar efic\u00e1cia a manifesta\u00e7\u00e3o expressa da seguradora equivaleria a frustrar a confian\u00e7a depositada pelo segurado, configurando viola\u00e7\u00e3o da boa-f\u00e9 contratual e do princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social do contrato (art. 421 do CC\/02).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em aparte, acrescenta-se que a Lei n. 15.040\/2024, conhecida como o novo Marco Legal dos Seguros e em vigor desde 11 de dezembro de 2025, atualizou as normas de seguros privados no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, vem a calhar a introdu\u00e7\u00e3o no Direito brasileiro de regras espec\u00edficas sobre a interpreta\u00e7\u00e3o do contrato de seguro (arts. 56 e 57).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da\u00ed porque, ainda que n\u00e3o aplic\u00e1veis ao caso, tais diretrizes apontam para o acerto da senten\u00e7a de primeiro grau, que reconheceu a cobertura do sinistro com base em declara\u00e7\u00e3o expressa da seguradora, feita em 30\/9\/2016, que atestava a cobertura do bem desde 16\/9\/2016, antes mesmo da emiss\u00e3o formal da ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-criptoativos-aplicacao-do-cdc-as-exchanges-e-responsabilidade-por-fraudes\">8. Criptoativos \u2013 aplica\u00e7\u00e3o do CDC \u00e0s exchanges e responsabilidade por fraudes<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As sociedades prestadoras de servi\u00e7os de ativos virtuais (exchanges de criptoativos) autorizadas pelo Banco Central <strong>est\u00e3o submetidas ao CDC<\/strong>, com responsabilidade objetiva afast\u00e1vel apenas pela inexist\u00eancia de defeito no servi\u00e7o ou culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. A exchange que processou a transa\u00e7\u00e3o corretamente n\u00e3o responde pelo defeito da plataforma de terceiro que operava fraudulentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.250.674-MG, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chaves converteu reais em USDT (criptoativo) na plataforma da Criptocoins Exchange S.A. e transferiu os ativos para uma carteira digital (wallet) externa fornecida por outra plataforma. A carteira era falsa e Chaves perdeu tudo. Ajuizou a\u00e7\u00e3o contra a Criptocoins alegando defeito no servi\u00e7o. A exchange se defendeu sustentando que a fraude ocorreu na carteira externa, fora de sua plataforma. A exchange responde pela fraude em carteira digital operada por terceiro?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 14.478\/2022 (Marco Legal dos Criptoativos), art. 13<\/strong><em> (aplica\u00e7\u00e3o do CDC \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de ativos virtuais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 14, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (excludentes de responsabilidade do fornecedor).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 297\/STJ<\/strong><em> (CDC aplic\u00e1vel \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 13 da Lei n\u00ba 14.478\/2022 \u00e9 expresso: o <strong>CDC aplica-se<\/strong> \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de ativos virtuais &#8220;no que couber&#8221;. As exchanges autorizadas pelo BC funcionam como institui\u00e7\u00f5es de pagamento (Lei n\u00ba 12.865\/2013, art. 7\u00ba), submetendo-se \u00e0s mesmas obriga\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A responsabilidade da exchange \u00e9 <strong>limitada ao servi\u00e7o que prestou<\/strong>: se a fraude ocorreu em plataforma de cust\u00f3dia operada por terceiro, a exchange que realizou a transfer\u00eancia a pedido do cliente n\u00e3o responde pelo defeito do servi\u00e7o alheio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Marco Legal dos Criptoativos (Lei n\u00ba 14.478\/2022) submeteu as exchanges ao regime do CDC. A responsabilidade \u00e9 objetiva (CDC, art. 14), mas <strong>pode ser afastada se demonstrada inexist\u00eancia de defeito no servi\u00e7o ou culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Terceira Turma distinguiu entre as opera\u00e7\u00f5es realizadas pela exchange: (i) recebimento de valores do cliente; (ii) convers\u00e3o em criptoativos; (iii) transfer\u00eancia para carteira externa informada pelo cliente. <strong>O servi\u00e7o da exchange encerra-se na transfer\u00eancia correta dos ativos para o endere\u00e7o indicado<\/strong>. Se esse endere\u00e7o era de carteira falsa operada por terceiro, a fraude ocorreu fora do servi\u00e7o da exchange.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o \u00e9 pioneira ao delimitar a <strong>cadeia de responsabilidade no mercado de criptoativos<\/strong>: cada prestador responde pelos defeitos de seu pr\u00f3prio servi\u00e7o. A exchange que processou a transa\u00e7\u00e3o corretamente n\u00e3o responde pelo defeito da plataforma de cust\u00f3dia que operava a carteira fraudulenta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A ratio \u00e9 que as transa\u00e7\u00f5es de criptoativos podem envolver m\u00faltiplas plataformas independentes, cada qual com responsabilidade pr\u00f3pria. O consumidor lesado deve <strong>acionar a plataforma que manteve a carteira falsa<\/strong>, pois \u00e9 ela quem permitiu a abertura e manuten\u00e7\u00e3o de instrumento utilizado para fraude.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 responsabilidade de exchange de criptoativos por fraude em carteira digital operada por terceiro:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A exchange responde solidariamente com a plataforma da carteira falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A responsabilidade da exchange \u00e9 minorada quando demonstrado que o defeito ocorreu no servi\u00e7o de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A exchange \u00e9 isenta de responsabilidade por se tratar de opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o regulada.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O CDC n\u00e3o se aplica \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de criptoativos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A exchange n\u00e3o responde quando o defeito \u00e9 do servi\u00e7o de cust\u00f3dia de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A responsabilidade \u00e9 delimitada pelo servi\u00e7o efetivamente prestado, n\u00e3o solid\u00e1ria com terceiros independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. N\u00e3o minorada; \u00e9 a inexist\u00eancia de defeito no servi\u00e7o da Exchange leva \u00e0 exclus\u00e3o da responsabilidade por ato de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A Lei n\u00ba 14.478\/2022 regulou as opera\u00e7\u00f5es e submeteu as exchanges ao CDC (art. 13).<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O art. 13 da Lei n\u00ba 14.478\/2022 determina a aplica\u00e7\u00e3o do CDC \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de ativos virtuais.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A exchange responde pelo servi\u00e7o que prestou (convers\u00e3o e transfer\u00eancia); se a fraude ocorreu em carteira operada por terceiro, n\u00e3o h\u00e1 defeito no servi\u00e7o da exchange (CDC, art. 14, \u00a7 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir se incide o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor nas transa\u00e7\u00f5es realizadas por sociedades prestadoras de servi\u00e7os de ativos virtuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As normas de prote\u00e7\u00e3o ao direito do consumidor incidem nas transa\u00e7\u00f5es realizadas pelas sociedades prestadoras de servi\u00e7os de ativos virtuais, por expressa dic\u00e7\u00e3o do art. 13 da Lei n. 14.478\/2022 (&#8220;Marco Legal dos Criptoativos&#8221;): &#8220;Aplicam-se \u00e0s opera\u00e7\u00f5es conduzidas no mercado de ativos virtuais, no que couber, as disposi\u00e7\u00f5es da Lei n 8.078, de 11 de setembro de 1990 (C\u00f3digo de Defesa do Consumidor).&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, toda a compreens\u00e3o que j\u00e1 se firmou no tocante \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es impostas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 incid\u00eancia do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (S\u00famula n. 297\/STJ), \u00e9 inteiramente aplic\u00e1vel \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de pagamento, a exemplo da parte r\u00e9, \u00e0s quais tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00eddo o dever de processar com seguran\u00e7a as transa\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios finais, por expressa disposi\u00e7\u00e3o do art. 7 da Lei n. 12.865\/2013.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, a pr\u00f3pria r\u00e9 admite estar autorizada pelo Banco Central do Brasil &#8220;[&#8230;] a funcionar como institui\u00e7\u00e3o de pagamento regulada, nas modalidades de emissor de moeda eletr\u00f4nica e emissor de instrumento de pagamento p\u00f3s-pago&#8221;, n\u00e3o havendo d\u00favida, portanto, por qualquer \u00e2ngulo que se examine, quanto \u00e0 aplicabilidade do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, a despeito da incid\u00eancia das normas consumeristas na esp\u00e9cie, raz\u00e3o n\u00e3o assiste ao autor quanto \u00e0 pretendida responsabiliza\u00e7\u00e3o da parte r\u00e9 pela repara\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos que alega ter sofrido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para melhor compreens\u00e3o da controv\u00e9rsia, faz-se necess\u00e1rio apresentar algumas peculiaridades atinentes \u00e0s opera\u00e7\u00f5es envolvendo criptoativos, tarefa que ficou menos complexa para o operador do Direito a partir da edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.478\/2022 e seus respectivos regulamentos. Com o avan\u00e7o do uso da tecnologia digital nas mais diversas \u00e1reas de conhecimento, surgiram as denominadas &#8220;criptomoedas&#8221;, idealizadas a partir de 2008 para servir como meio de pagamento descentralizado, ou seja, sem a interven\u00e7\u00e3o de uma autoridade central, valendo ressaltar que essa nova modalidade de representa\u00e7\u00e3o digital de valores destoa, em in\u00fameros aspectos, dos m\u00e9todos at\u00e9 ent\u00e3o utilizados globalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, imp\u00f5e-se registrar a atecnia do uso da express\u00e3o &#8220;criptomoedas&#8221;, tendo em vista que tais ativos n\u00e3o possuem todas as caracter\u00edsticas de uma moeda &#8211; entendida como o ativo financeiro emitido por uma institui\u00e7\u00e3o financeira oficial, de aceita\u00e7\u00e3o geral e curso for\u00e7ado garantido por lei, utilizado na troca de bens e servi\u00e7os, com poder liberat\u00f3rio (capacidade de pagamento) instant\u00e2neo &#8211; e tampouco se confundem com a defini\u00e7\u00e3o de moeda eletr\u00f4nica de que trata a Lei n. 12.865\/2013, sendo mais adequado, portanto, o uso da express\u00e3o &#8220;criptoativos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Anota-se, a prop\u00f3sito, que a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 teve a oportunidade de decidir que &#8220;[&#8230;] a opera\u00e7\u00e3o envolvendo compra ou venda de criptomoedas n\u00e3o encontra regula\u00e7\u00e3o no ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, pois as moedas virtuais n\u00e3o s\u00e3o tidas pelo Banco Central do Brasil (BCB) como moeda, nem s\u00e3o consideradas como valor mobili\u00e1rio pela Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM), n\u00e3o caracterizando sua negocia\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, os crimes tipificados nos arts. 7, II, e 11, ambos da Lei n. 7.492\/1986, nem mesmo o delito previsto no art. 27-E da Lei n 6.385\/1976&#8221; (CC 161.123\/SP, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 28\/11\/2018, DJe de 5\/12\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em linguagem simples, criptoativos s\u00e3o ativos digitais de emiss\u00e3o n\u00e3o governamental, protegidos por criptografia e transacionados eletronicamente, podendo ser utilizados como investimento, meio de pagamento ou transfer\u00eancia de valores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 14.478\/2022, ao estabelecer as diretrizes a serem observadas na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de criptoativos, disp\u00f4s que se considera ativo virtual &#8220;[&#8230;] a representa\u00e7\u00e3o digital de valor que pode ser negociada ou transferida por meios eletr\u00f4nicos e utilizada para realiza\u00e7\u00e3o de pagamentos ou com prop\u00f3sito de investimento&#8221; (art. 3, caput). Diferentemente do modelo centralizado atualmente adotado pelas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, as transa\u00e7\u00f5es envolvendo criptoativos utilizam a tecnologia de registros distribu\u00eddos (Distributed Ledger Technology &#8211; DLT), que funciona sem a presen\u00e7a de uma institui\u00e7\u00e3o intermediadora para valid\u00e1-las, sendo o blockchain a mais comum delas. H\u00e1 consenso de que o uso da tecnologia blockchain, por exigir a valida\u00e7\u00e3o de toda a rede e de seus usu\u00e1rios, traz in\u00fameras vantagens no que diz respeito \u00e0 seguran\u00e7a das transa\u00e7\u00f5es oficialmente realizadas. No entanto, por se tratar de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ainda em desenvolvimento, com riscos desconhecidos e imprevis\u00edveis, e que ainda n\u00e3o foi completamente introduzida no dia a dia da maioria das pessoas, acaba sendo terreno f\u00e9rtil para fraudes perpetradas por terceiros. As transa\u00e7\u00f5es de criptoativos, n\u00e3o obstante a possibilidade da negocia\u00e7\u00e3o direta entre pessoas (Peer-to-Peer), s\u00e3o normalmente realizadas por interm\u00e9dio das Sociedades Prestadoras de Servi\u00e7os de Ativos Virtuais (SPSAVs), popularmente conhecidas como exchanges. As exchanges exercem papel fundamental nesse tipo de opera\u00e7\u00e3o, permitindo aos usu\u00e1rios a compra, venda e troca de criptoativos com maior seguran\u00e7a, sendo que muitas delas tamb\u00e9m oferecem servi\u00e7o de cust\u00f3dia, armazenando os criptoativos de seus clientes em carteiras digitais (wallets). As carteiras virtuais (wallets) n\u00e3o armazenam os criptoativos em si, mas sim as chaves p\u00fablicas e privadas que permitem ao usu\u00e1rio moviment\u00e1-los na blockchain. A chave p\u00fablica gera o endere\u00e7o que pode ser compartilhado para receber valores, semelhante ao n\u00famero de uma conta banc\u00e1ria, enquanto a chave privada funciona como uma assinatura digital (senha) que autoriza transa\u00e7\u00f5es. Assim, quem controla a chave privada controla os ativos vinculados \u00e0quele endere\u00e7o. Por isso, a seguran\u00e7a de uma carteira est\u00e1 diretamente relacionada com a prote\u00e7\u00e3o dessas chaves, que podem ser armazenadas em dispositivos f\u00edsicos, m\u00eddias digitais, aplicativos ou at\u00e9 mesmo em formato impresso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na aferi\u00e7\u00e3o da responsabilidade das exchanges por eventuais fraudes, \u00e9 sempre importante definir qual o tipo de carteira digital utilizado, seja para confirmar ou n\u00e3o a exist\u00eancia de nexo causal entre a conduta do prestador de servi\u00e7o e o dano, seja para constatar a exist\u00eancia ou n\u00e3o de v\u00edcio no servi\u00e7o prestado. Para os fins que aqui interessam, importa registrar, por \u00faltimo, que as opera\u00e7\u00f5es relacionadas com a compra, venda, troca e cust\u00f3dia de criptoativos podem envolver uma s\u00f3 prestadora (exchange) ou v\u00e1rias plataformas distintas, cada qual atraindo, nessa segunda hip\u00f3tese, a responsabilidade por v\u00edcios porventura existentes nos servi\u00e7os que cada uma prestou, a ser aferida a partir das incumb\u00eancias legalmente atribu\u00eddas a cada uma delas. N\u00e3o se trata de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra da responsabilidade solid\u00e1ria de todos os integrantes da cadeia de consumo, consagrada no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, tendo em vista que, no mais das vezes, h\u00e1 absoluta independ\u00eancia entre os servi\u00e7os prestados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em apre\u00e7o, o pr\u00f3prio autor afirma que a fraude ocorreu no momento em que ele transferiu os valores, por ele previamente depositados e convertidos para criptoativos dentro da plataforma r\u00e9, para uma carteira digital (wallet), tendo, para tanto, informado ao r\u00e9u uma chave de acesso p\u00fablica, na forma de endere\u00e7o eletr\u00f4nico, fornecida pela pr\u00f3pria carteira digital. Na narrativa apresentada na peti\u00e7\u00e3o inicial, portanto, \u00e9 poss\u00edvel identificar a exist\u00eancia das seguintes opera\u00e7\u00f5es: 1) transfer\u00eancia de valores efetuada pelo autor, em moeda corrente (reais), para a plataforma r\u00e9; 2) compra de ativos virtuais espec\u00edficos (USDT &#8211; Tether) dentro da plataforma r\u00e9, e 3) transfer\u00eancia dos ativos virtuais para uma carteira digital (wallet) vinculada a uma outra plataforma, respons\u00e1vel pela cust\u00f3dia desses ativos. Em tese, eventuais defeitos na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o poder\u00e3o ser identificados em qualquer uma dessas fases, a atrair a responsabilidade daquela institui\u00e7\u00e3o que agiu em contrariedade \u00e0s normas de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, todavia, encerrou-se a atua\u00e7\u00e3o da r\u00e9 no momento em que ela, a pedido do autor e com a identifica\u00e7\u00e3o do recebedor por ele fornecida, efetuou a transfer\u00eancia dos criptoativos para uma carteira externa custodiada por outra plataforma, a qual ele pr\u00f3prio afirma ter-lhe fornecido a chave de acesso (endere\u00e7o de destino) e que n\u00e3o mant\u00e9m nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a demandada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale dizer, o servi\u00e7o de cust\u00f3dia de ativos virtuais, no qual se verificou a suposta fraude, n\u00e3o foi prestado pela r\u00e9, n\u00e3o podendo ela ser responsabilizada pela repara\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo sofrido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali\u00e1s, entre as atribui\u00e7\u00f5es dos custodiantes de ativos virtuais est\u00e1 &#8220;[&#8230;] a ado\u00e7\u00e3o de medidas que mitiguem o risco de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 integridade e a qualquer outra caracter\u00edstica dos ativos virtuais custodiados cuja viola\u00e7\u00e3o provoque ou possa provocar preju\u00edzo do exerc\u00edcio justo dos direitos pelo titular dos ativos virtuais&#8221; (art. 9, 1, da Resolu\u00e7\u00e3o BCB n. 520\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; E diante de tal conclus\u00e3o, de nada adiantaria determinar a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova, porquanto devidamente comprovado que n\u00e3o houve v\u00edcio no servi\u00e7o prestado pela plataforma r\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em tais circunst\u00e2ncias, restaria ao autor a op\u00e7\u00e3o de voltar a sua pretens\u00e3o contra a institui\u00e7\u00e3o mantenedora da carteira digital falsa para a qual foram transferidos os seus criptoativos, por, supostamente, permitir a abertura e manter aberta carteira utilizada para a pr\u00e1tica de golpes, conforme j\u00e1 decidido, com as adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, no seguinte julgado (REsp 2.222.137\/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 7\/10\/2025, DJEN 13\/10\/2025).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-serp-jud-pesquisa-e-constricao-de-bens-sem-esgotamento-de-diligencias-extrajudiciais\">9. SERP-JUD \u2013 pesquisa e constri\u00e7\u00e3o de bens sem esgotamento de dilig\u00eancias extrajudiciais<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o do SERP-JUD para pesquisa e medidas constritivas sobre bens dos devedores, mediante ordem judicial fundamentada,<strong> sem necessidade de esgotar dilig\u00eancias extrajudiciais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.226.101-SC, Rel. Ministro Lu\u00eds Carlos Gambogi (Desembargador convocado do TJMG), Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Cobraforte S.A. requereu pesquisa de bens via SERP-JUD contra a Paganada Com\u00e9rcio Ltda. em execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial. O ju\u00edzo indeferiu exigindo que o credor esgotasse dilig\u00eancias extrajudiciais antes (certid\u00f5es de cart\u00f3rios, consultas a registros de im\u00f3veis). O sistema SERP-JUD pode ser utilizado diretamente, ou depende do esgotamento pr\u00e9vio de buscas extrajudiciais pelo credor?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 6\u00ba e 139, II e IV<\/strong><em> (coopera\u00e7\u00e3o e poderes do juiz na efetiva\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O SERP-JUD integra o sistema de coopera\u00e7\u00e3o judicial e concentra informa\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplas bases (Bacen, Detran, RFB, cart\u00f3rios). Exigir dilig\u00eancias extrajudiciais pr\u00e9vias <strong>duplicaria esfor\u00e7os<\/strong> e retardaria a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A utiliza\u00e7\u00e3o depende de <strong>ordem judicial fundamentada<\/strong>, mas n\u00e3o de pr\u00e9vio esgotamento de buscas extrajudiciais pelo credor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O SERP-JUD \u00e9 sistema de coopera\u00e7\u00e3o que permite ao ju\u00edzo acessar informa\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplas bases integradas. <strong>Exigir que o credor esgote dilig\u00eancias extrajudiciais antes de autorizar a pesquisa judicial contraria a efetividade da execu\u00e7\u00e3o<\/strong> e o princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o (CPC, art. 6\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma reconheceu que a <strong>exig\u00eancia de esgotamento pr\u00e9vio \u00e9 \u00f4nus desproporcional ao credor<\/strong>: o sistema j\u00e1 concentra informa\u00e7\u00f5es que o credor teria que buscar individualmente em cada \u00f3rg\u00e3o, gerando duplica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o e atraso.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o n\u00e3o dispensa a fundamenta\u00e7\u00e3o judicial: o juiz deve <strong>motivar a ordem de pesquisa e constri\u00e7\u00e3o<\/strong>, avaliando a proporcionalidade no caso concreto. O que se dispensa \u00e9 a etapa burocr\u00e1tica pr\u00e9via de buscas extrajudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O entendimento refor\u00e7a a <strong>efetividade do processo de execu\u00e7\u00e3o e a moderniza\u00e7\u00e3o dos instrumentos de localiza\u00e7\u00e3o patrimonial<\/strong>. O SERP-JUD \u00e9 ferramenta oficial do Judici\u00e1rio, e condicionar seu uso a dilig\u00eancias pr\u00e9vias do credor equivaleria a ignorar a infraestrutura tecnol\u00f3gica dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do SERP-JUD para pesquisa e constri\u00e7\u00e3o de bens em execu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 poss\u00edvel mediante ordem judicial fundamentada.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de pr\u00e9vio esgotamento de dilig\u00eancias pelo credor.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 vedada em execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige concord\u00e2ncia do devedor para ser utilizada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de requerimento do MP como fiscal da lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> O SERP-JUD \u00e9 instrumento de coopera\u00e7\u00e3o judicial que dispensa buscas pr\u00e9vias, bastando ordem fundamentada (CPC, arts. 6\u00ba e 139).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O esgotamento pr\u00e9vio seria \u00f4nus desproporcional e duplica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O SERP-JUD \u00e9 cab\u00edvel em execu\u00e7\u00f5es de t\u00edtulo judicial e extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A constri\u00e7\u00e3o de bens em execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de anu\u00eancia do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O requerimento \u00e9 do exequente, n\u00e3o do MP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se \u00e9 poss\u00edvel utilizar o Sistema Eletr\u00f4nico dos Registros P\u00fablicos do Brasil (SERP-JUD) para localizar bens penhor\u00e1veis em processo de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal a quo manteve o indeferimento da utiliza\u00e7\u00e3o do SERP-JUD para a pesquisa de bens do devedor, capazes de satisfazer o cr\u00e9dito inadimplido, sob os fundamentos de que as fun\u00e7\u00f5es previstas na Lei n. 14.382\/2022 n\u00e3o compreendem a busca de bens penhor\u00e1veis, bem ainda de que o sistema \u00e9 de uso restrito pelo Poder Judici\u00e1rio para o implemento de sua fun\u00e7\u00e3o institucional. O C\u00f3digo de Processo Civil consagra o princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o, determinando que todos os sujeitos do processo devem colaborar para alcan\u00e7ar uma decis\u00e3o de m\u00e9rito justa e efetiva em tempo razo\u00e1vel (art. 6 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O juiz possui poderes para determinar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogat\u00f3rias necess\u00e1rias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas a\u00e7\u00f5es que tenham por objeto presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria (art. 139, incisos II e IV do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O SERP-JUD, conforme a Lei n. 14.382\/2022, foi criado para viabilizar consultas integradas aos servi\u00e7os dos registros p\u00fablicos, incluindo a busca de bens e direitos registrados ou averbados nos registros p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a reconhece a legalidade da utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas auxiliares conveniados do Poder Judici\u00e1rio, como Bacenjud, Renajud e Infojud, para a identifica\u00e7\u00e3o de bens penhor\u00e1veis, dispensando o esgotamento de dilig\u00eancias extrajudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, diante do embasamento legal e jurisprudencial das medidas executivas congregadas pelas plataformas postas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio, for\u00e7oso \u00e9 reconhecer que, existindo ordem judicial de consulta e constri\u00e7\u00e3o devidamente fundamentada, com a especifica\u00e7\u00e3o dos sistemas deflagrados e indica\u00e7\u00e3o de eventuais requisitos de validade pr\u00f3prios de cada ferramenta, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em ilegalidade, ofensa aos direitos do devedor, restri\u00e7\u00e3o de uso aos fins institucionais dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou impossibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o para a tentativa de satisfa\u00e7\u00e3o dos direitos reclamados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acao-rescisoria-erro-de-fato-e-pressuposto-fatico-inexistente-art-966-viii-cpc\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria \u2013 erro de fato e pressuposto f\u00e1tico inexistente (art. 966, VIII, CPC)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O erro de fato apto \u00e0 rescis\u00e3o (art. 966, VIII, CPC) pode ser reconhecido quando o julgador <strong>constr\u00f3i sua decis\u00e3o sobre pressuposto f\u00e1tico inexistente<\/strong>, ainda que o equ\u00edvoco s\u00f3 se revele posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.248.144-GO, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creosvaldo foi condenado em a\u00e7\u00e3o c\u00edvel de indeniza\u00e7\u00e3o por subtra\u00e7\u00e3o de gado, solidariamente com seu filho e genro \u2014 os autores materiais do il\u00edcito. A condena\u00e7\u00e3o c\u00edvel partiu da premissa impl\u00edcita de que Creosvaldo participou do crime, embora a inicial n\u00e3o descrevesse conduta espec\u00edfica dele, mas apenas uma responsabiliza\u00e7\u00e3o por contexto familiar e patrimonial. Posteriormente, no julgamento da apela\u00e7\u00e3o criminal, Creosvaldo foi absolvido (CPP, art. 386, V \u2014 inexist\u00eancia de prova de participa\u00e7\u00e3o), constando que ele estava debilitado por AVC, n\u00e3o administrava a fazenda e assinava documentos sem ci\u00eancia das ilicitudes. Creosvaldo ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria. O pressuposto f\u00e1tico admitido implicitamente pelo julgador c\u00edvel (participa\u00e7\u00e3o no il\u00edcito) configura erro de fato rescis\u00f3rio (CPC, art. 966, VIII)??<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 966, VIII<\/strong><em> (rescis\u00f3ria por erro de fato).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 66 e 386, V<\/strong><em> (absolvi\u00e7\u00e3o por n\u00e3o existir prova de participa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O erro de fato rescis\u00f3rio ocorre quando o julgador decide com base em <strong>percep\u00e7\u00e3o equivocada<\/strong> da realidade processual. O art. 966, VIII, exige que o erro: (i) seja verific\u00e1vel pelos elementos dos autos; (ii) n\u00e3o tenha sido objeto de controv\u00e9rsia entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O fato de o equ\u00edvoco s\u00f3 se revelar posteriormente <strong>n\u00e3o impede<\/strong> a rescis\u00f3ria, desde que os elementos para sua constata\u00e7\u00e3o j\u00e1 estivessem nos autos ou sejam comprovados por prova nova.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O erro de fato do art. 966, VIII, pressup\u00f5e que o juiz <strong>tenha admitido fato inexistente ou considerado inexistente fato efetivamente ocorrido<\/strong>. N\u00e3o se trata de reexame de prova (vedado na rescis\u00f3ria), mas de constata\u00e7\u00e3o de que a base f\u00e1tica da decis\u00e3o era falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma ampliou a compreens\u00e3o do instituto ao admitir que o erro pode ser reconhecido <strong>mesmo quando s\u00f3 se revela ap\u00f3s o julgamento<\/strong>, desde que o pressuposto f\u00e1tico sobre o qual o julgador construiu a decis\u00e3o seja demonstradamente inexistente.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A distin\u00e7\u00e3o entre erro de fato rescis\u00f3rio e mero revolvimento de provas \u00e9 crucial: na rescis\u00f3ria, <strong>n\u00e3o se pede nova valora\u00e7\u00e3o das provas, mas se demonstra que o fato pressuposto n\u00e3o existia<\/strong>. \u00c9 v\u00edcio na premissa, n\u00e3o na conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante para a <strong>interface entre processo civil e processo penal<\/strong>: absolvi\u00e7\u00f5es fundadas em premissas f\u00e1ticas falsas podem ser rescindidas quando o erro \u00e9 demonstr\u00e1vel, garantindo a justi\u00e7a substancial sem violar a coisa julgada por mera diverg\u00eancia interpretativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o erro de fato como fundamento da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria (art. 966, VIII, CPC):<\/p>\n\n\n\n<p>A) Exige que o equ\u00edvoco tenha sido apontado durante o processo original.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Equivale ao reexame de provas em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Pode ser reconhecido quando a premissa f\u00e1tica \u00e9 falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de tr\u00e2nsito em julgado posterior a 2 anos para ser alegado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 vedado em senten\u00e7as penais que absolvam o r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O erro pode ser reconhecido mesmo que s\u00f3 se revele posteriormente ao julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A rescis\u00f3ria por erro de fato n\u00e3o \u00e9 reexame de prova, mas constata\u00e7\u00e3o de premissa falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> O v\u00edcio est\u00e1 na premissa f\u00e1tica (inexistente), n\u00e3o na valora\u00e7\u00e3o das provas; o art. 966, VIII, autoriza a rescis\u00e3o quando o julgador construiu a decis\u00e3o sobre base f\u00e1tica falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O prazo da rescis\u00f3ria \u00e9 de 2 anos do tr\u00e2nsito em julgado (CPC, art. 975).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A rescis\u00f3ria c\u00edvel \u00e9 cab\u00edvel contra decis\u00f5es penais em certos aspectos (CPP, art. 66).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de recurso especial interposto contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de origem que julgou procedente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria que visava desconstituir o ac\u00f3rd\u00e3o que manteve senten\u00e7a condenat\u00f3ria proferida em a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o, por subtra\u00e7\u00e3o de gado. A senten\u00e7a c\u00edvel julgou parcialmente procedentes os pedidos para condenar os r\u00e9us ao pagamento de danos materiais e danos morais. O ac\u00f3rd\u00e3o c\u00edvel negou provimento aos recursos e manteve a senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, ao analisar a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria da qual o presente recurso foi extra\u00eddo, a Corte estadual julgando procedente o pedido rescindendo e o pedido rescis\u00f3rio, reconheceu erro de fato e afastou a responsabilidade civil. No recurso especial, alega-se que a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria foi indevidamente julgada procedente com base nos incisos VII e VIII do art. 966 da Lei n. 13.105\/2015, pois n\u00e3o houve &#8220;prova nova&#8221;, j\u00e1 que a absolvi\u00e7\u00e3o penal por aus\u00eancia de provas foi anterior ao tr\u00e2nsito em julgado c\u00edvel e foi examinada pela C\u00e2mara C\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, n\u00e3o se pode dizer que haja prova nova. Observa-se do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido a cronologia das decis\u00f5es, destacando que a absolvi\u00e7\u00e3o penal do falecido, proferida pela C\u00e2mara Criminal em 8\/11\/2016, foi posterior \u00e0 senten\u00e7a c\u00edvel (9\/3\/2016) e \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o c\u00edvel (20\/10\/2016). Portanto, n\u00e3o se trata de &#8220;prova nova&#8221; apta a assegurar resultado favor\u00e1vel nos termos do art. 966, VII, do CPC. Isso porque, embora a decis\u00e3o que absolveu o recorrido seja documento novo, considerando a cronologia, n\u00e3o se trata de documento preexistente \u00e0 decis\u00e3o rescindenda, pois surgiu posteriormente. Todavia, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido deve ser mantido, uma vez que o voto vencedor reconheceu a proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria com fundamento no art. 966, VIII, do C\u00f3digo de Processo Civil, por erro de fato verific\u00e1vel dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que concerne ao erro do fato, ocorre quando o julgador admite como existente um fato que n\u00e3o ocorreu, ou considera inexistente um fato efetivamente ocorrido, desde que tal fato n\u00e3o tenha sido objeto de controv\u00e9rsia entre as partes: o pronunciamento judicial tenha se baseado nesse falso pressuposto f\u00e1tico; e n\u00e3o tenha havido pronunciamento judicial expresso sobre o ponto. Ou seja, trata-se de falsa percep\u00e7\u00e3o da realidade f\u00e1tica processual, tomada como premissa indiscutida do julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 consignou que: &#8220;O erro de fato que enseja a propositura da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 aquele que resulta de eventual m\u00e1 aprecia\u00e7\u00e3o da prova, mas, sim, o que decorre da ignor\u00e2ncia de determinada prova, diante da desaten\u00e7\u00e3o do julgador na aprecia\u00e7\u00e3o dos autos. O erro de fato apto a embasar a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria deve apresentar nexo de causalidade com a decis\u00e3o rescindenda, isto \u00e9, ter influenciado no julgamento do feito.&#8221; (AgInt no AREsp n. 2.103.018\/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 28\/11\/2022, DJe de 30\/11\/2022.).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O caso presente se encaixa ao que estabelece a norma legal &#8211; art. 966, VIII, do CPC. A a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria origin\u00e1ria teve como causa de pedir a responsabilidade civil decorrente de crime de furto qualificado de reses bovinas, imputado a um grupo de pessoas, dentre elas o recorrido. Contudo, a narrativa n\u00e3o descrevia fatos positivos de autoria material, mas uma responsabiliza\u00e7\u00e3o por contexto, por v\u00ednculo familiar e patrimonial, j\u00e1 que os outros acusados eram filho e genro dele. Esse ponto \u00e9 relevante porque o erro de fato n\u00e3o se constr\u00f3i a partir de reavalia\u00e7\u00e3o da prova, mas da disson\u00e2ncia entre o que a inicial efetivamente afirmou e o que o julgador tomou como ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A senten\u00e7a c\u00edvel e o ac\u00f3rd\u00e3o confirmat\u00f3rio condenaram o recorrido solidariamente ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o, partindo da premissa de que ele integrou a conduta il\u00edcita, ao menos de forma concorrente. Essa conclus\u00e3o, embora n\u00e3o explicitada de forma anal\u00edtica, pressup\u00f4s como existente a participa\u00e7\u00e3o do recorrido no crime de furto qualificado. Esse pressuposto f\u00e1tico que sustentou a imputa\u00e7\u00e3o de responsabilidade civil, n\u00e3o foi objeto de controv\u00e9rsia nessa esfera, pois foi admitido como um dado impl\u00edcito e, como consignado no ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo, sequer contou como causa de pedir na inicial da indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Soma-se a isso outro aspecto. Posteriormente, no julgamento da apela\u00e7\u00e3o criminal, o recorrido foi absolvido com fundamento no art. 386, V, do CPP, ou seja, &#8220;n\u00e3o existir prova de ter o r\u00e9u concorrido para a infra\u00e7\u00e3o penal&#8221;. No ac\u00f3rd\u00e3o criminal restou consignado que a inicial acusat\u00f3ria n\u00e3o descreveu conduta t\u00edpica praticada pelo recorrente. Naquele feito foi apurado ainda que ele estava debilitado por AVC; n\u00e3o administrava a fazenda; assinava documentos sem ci\u00eancia das ilicitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante de todos esses elementos, o voto vencedor na a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria afastou corretamente as hip\u00f3teses dos incisos IV e V do art. 966 do CPC, bem como rejeitou o inciso VII (documento novo), para concentrar a rescindibilidade exclusivamente no erro de fato. E o fez com uma premissa central: a decis\u00e3o c\u00edvel rescindenda admitiu como existente a participa\u00e7\u00e3o do recorrido no ato il\u00edcito, quando, \u00e0 luz do pr\u00f3prio conjunto processual, esse fato jamais esteve comprovado nem sequer claramente narrado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, tal julgado n\u00e3o se baseou na absolvi\u00e7\u00e3o criminal, por si s\u00f3, e nem mesmo procedeu a qualquer revalora\u00e7\u00e3o de provas. Ao contr\u00e1rio, partiu de um fato inexistente (autoria concorrente), tomado como dado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse racioc\u00ednio se alinha com a doutrina de que o erro de fato pode ser reconhecido quando o julgador constr\u00f3i sua decis\u00e3o sobre um pressuposto f\u00e1tico inexistente, ainda que o equ\u00edvoco s\u00f3 se revele posteriormente, ou seja: o juiz acreditou ter acontecido o que, de fato, n\u00e3o aconteceu. Portanto, o entendimento do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido no sentido de julgar a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria procedente est\u00e1 perfeitamente adequado ao comando do art. 966, VIII, do CPC, pois, em resumo, o erro reconhecido consistiu na admiss\u00e3o impl\u00edcita de um fato inexistente, qual seja, a participa\u00e7\u00e3o no il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-agravante-de-genero-art-61-ii-f-inaplicabilidade-ao-art-129-13-do-cp\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Agravante de g\u00eanero (art. 61, II, &#8220;f&#8221;) \u2013 inaplicabilidade ao art. 129, \u00a7 13, do CP<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do CP (viol\u00eancia contra a mulher) <strong>n\u00e3o se aplica ao art. 129, \u00a7 13<\/strong>, pois a condi\u00e7\u00e3o de mulher e a viol\u00eancia de g\u00eanero j\u00e1 integram o pr\u00f3prio tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.247.908-RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Godines foi condenado por les\u00e3o corporal contra mulher no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica (art. 129, \u00a7 13, do CP). O ju\u00edzo aplicou cumulativamente a agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221; (crime contra a mulher por raz\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino). A defesa alegou bis in idem, pois a qualificadora do \u00a7 13 j\u00e1 incorpora a viol\u00eancia de g\u00eanero. A agravante pode incidir cumulativamente com o tipo qualificado que j\u00e1 considera a condi\u00e7\u00e3o de mulher?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 61, II, &#8220;f&#8221;<\/strong><em> (agravante \u2013 crime contra mulher por raz\u00e3o do sexo feminino).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 129, \u00a7 9\u00ba<\/strong><em> (les\u00e3o corporal em viol\u00eancia dom\u00e9stica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 129, \u00a7 13<\/strong><em> (les\u00e3o corporal contra mulher por raz\u00e3o de g\u00eanero).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 1197\/STJ<\/strong><em> (agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, c\/c art. 129, \u00a7 9\u00ba \u2013 admissibilidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O Tema 1197\/STJ admite a cumula\u00e7\u00e3o da agravante com o \u00a7 9\u00ba (viol\u00eancia dom\u00e9stica gen\u00e9rica), pois o <strong>\u00a7 9\u00ba n\u00e3o tem como elementar<\/strong> a condi\u00e7\u00e3o de mulher. Diversamente, o \u00a7 13 j\u00e1 incorpora a viol\u00eancia de g\u00eanero como elemento do tipo, tornando a agravante bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 entre o \u00a7 9\u00ba (viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2013 qualquer v\u00edtima) e o \u00a7 13 (les\u00e3o contra mulher por raz\u00e3o de g\u00eanero \u2013 elementar espec\u00edfica). Onde o g\u00eanero j\u00e1 \u00e9 elemento, a agravante n\u00e3o pode reincidir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Tema 1197\/STJ firmou que a agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, pode incidir junto com o \u00a7 9\u00ba do art. 129 (viol\u00eancia dom\u00e9stica gen\u00e9rica), porque o \u00a7 9\u00ba n\u00e3o exige condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero como elementar \u2014 protege qualquer pessoa no contexto dom\u00e9stico. <strong>Quando a qualificadora j\u00e1 incorpora a condi\u00e7\u00e3o de mulher como elemento do tipo, a agravante se torna redundante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O \u00a7 13 do art. 129 tipifica a les\u00e3o corporal &#8220;contra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino&#8221;. <strong>A condi\u00e7\u00e3o de mulher e a viol\u00eancia de g\u00eanero s\u00e3o elementos constitutivos do tipo<\/strong>, n\u00e3o circunst\u00e2ncias externas. Aplicar a agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, que pune exatamente o mesmo fundamento (crime contra mulher), configuraria dupla valora\u00e7\u00e3o do mesmo fato.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quinta Turma diferenciou os dois cen\u00e1rios com clareza: <strong>\u00a7 9\u00ba + agravante = poss\u00edvel (Tema 1197); \u00a7 13 + agravante = vedado (bis in idem)<\/strong>. A linha divis\u00f3ria \u00e9 se a condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 ou n\u00e3o elementar do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem impacto pr\u00e1tico na dosimetria de penas por viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher, frequente em varas de fam\u00edlia e juizados especiais. A distin\u00e7\u00e3o entre \u00a7 9\u00ba e \u00a7 13 orienta ju\u00edzes na <strong>correta aplica\u00e7\u00e3o da agravante sem incorrer em dupla puni\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 incid\u00eancia da agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do CP no crime de les\u00e3o corporal qualificada pelo \u00a7 13 do art. 129:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 admitida, conforme o Tema 1197\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende da gravidade da les\u00e3o para ser aplicada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 admitida quando h\u00e1 reincid\u00eancia espec\u00edfica do agressor.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 vedada, pois o g\u00eanero j\u00e1 integra o tipo do \u00a7 13.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de requerimento da parte para ser reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O Tema 1197 refere-se ao \u00a7 9\u00ba, n\u00e3o ao \u00a7 13; este j\u00e1 incorpora a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A gravidade da les\u00e3o \u00e9 irrelevante para a quest\u00e3o da dupla valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A reincid\u00eancia \u00e9 circunst\u00e2ncia diversa, sem rela\u00e7\u00e3o com o bis in idem aqui discutido.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> O \u00a7 13 tipifica a les\u00e3o &#8220;contra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino&#8221; \u2014 a agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, pune o mesmo fundamento, gerando bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. H\u00e1 veda\u00e7\u00e3o decorre da lei (ne bis in idem).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a aplica\u00e7\u00e3o cumulativa da qualificadora prevista no art. 129, 13, do C\u00f3digo Penal, com a agravante gen\u00e9rica do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do mesmo diploma, em crime de les\u00e3o corporal praticada contra a mulher, por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino e no \u00e2mbito da unidade dom\u00e9stica, configura bis in idem na dosimetria da pena. A Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no julgamento do Tema 1197\/STJ, firmou a orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que n\u00e3o h\u00e1 bis in idem na aplica\u00e7\u00e3o da agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal aos crimes previstos no art. 129, 9, do mesmo C\u00f3digo, pois as elementares desse tipo penal n\u00e3o fazem refer\u00eancia ao g\u00eanero da v\u00edtima, ao passo que a agravante incide justamente quando a conduta \u00e9 praticada com viol\u00eancia contra a mulher na forma da legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. No art. 129, 9, do CP, o legislador qualifica a les\u00e3o corporal em raz\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, familiar ou de coabita\u00e7\u00e3o, abrangendo qualquer pessoa (ascendente, descendente, irm\u00e3o, c\u00f4njuge, companheiro ou pessoa com quem o agente conviva ou tenha convivido), sem distinguir o g\u00eanero da v\u00edtima, de modo que a condi\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o constitui elementar do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diversamente, o art. 129, 13, do CP qualifica a les\u00e3o corporal quando praticada contra a mulher, por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino, nos termos do art. 121, 2-A, do CP, que expressamente abrange, entre outras hip\u00f3teses, a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, incorporando o contexto de viol\u00eancia de g\u00eanero como elemento do pr\u00f3prio tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do CP tamb\u00e9m tem por fundamento, entre outros, a pr\u00e1tica do crime com viol\u00eancia contra a mulher na forma da lei espec\u00edfica, de modo que, quando aplicada a fato j\u00e1 enquadrado no art. 129, 13, do C\u00f3digo Penal, recai sobre a mesma circunst\u00e2ncia f\u00e1tico-normativa (viol\u00eancia dom\u00e9stica e de g\u00eanero contra a mulher) j\u00e1 valorada para qualificar o delito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a utiliza\u00e7\u00e3o, na segunda fase da dosimetria, da mesma circunst\u00e2ncia que j\u00e1 integra o n\u00facleo essencial do tipo qualificado do art. 129, 13, do C\u00f3digo Penal configura duplicidade punitiva vedada, por implicar bis in idem e violar os princ\u00edpios da proporcionalidade e da especialidade na aplica\u00e7\u00e3o da lei penal. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, julgado recente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao examinar a incid\u00eancia da agravante do art. 61, do II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal em crime de descumprimento de medida protetiva (art. 24-A da Lei n. 11.340\/2006), reconheceu igualmente o bis in idem, porquanto o contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica j\u00e1 integra o tipo penal, refor\u00e7ando o entendimento de que a agravante n\u00e3o pode recair sobre circunst\u00e2ncia j\u00e1 contemplada como elementar espec\u00edfica da figura t\u00edpica aplicada. Portanto, a ratio decidendi do Tema 1197\/STJ &#8211; que admite a cumula\u00e7\u00e3o da agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal com o art. 129, 9, do C\u00f3digo Penal, justamente porque o tipo-base n\u00e3o contempla a condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero &#8211; n\u00e3o se estende aos casos regidos pelo art. 129, 13, em que a condi\u00e7\u00e3o de mulher e o contexto de viol\u00eancia de g\u00eanero j\u00e1 s\u00e3o elementares do tipo penal qualificado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-embriaguez-ao-volante-auto-de-infracao-nao-e-condicao-de-procedibilidade-penal\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embriaguez ao volante \u2013 auto de infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade penal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o administrativa de tr\u00e2nsito <strong>n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade nem requisito para a a\u00e7\u00e3o penal<\/strong> pelo crime de embriaguez ao volante (art. 306 do CTB).<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.943.421-BA, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Madruga foi flagrado dirigindo embriagado e submetido a teste de etil\u00f4metro, que acusou concentra\u00e7\u00e3o acima do permitido. O agente de tr\u00e2nsito realizou o teste, mas n\u00e3o lavrou auto de infra\u00e7\u00e3o administrativa. O MP denunciou pelo art. 306 do CTB. A defesa arguiu nulidade por falta do auto de infra\u00e7\u00e3o. O auto administrativo \u00e9 pressuposto da a\u00e7\u00e3o penal?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTB, art. 306<\/strong><em> (embriaguez ao volante \u2013 crime de tr\u00e2nsito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda As esferas administrativa (auto de infra\u00e7\u00e3o) e penal (a\u00e7\u00e3o penal) s\u00e3o independentes. O auto de infra\u00e7\u00e3o \u00e9 ato administrativo de fiscaliza\u00e7\u00e3o; a a\u00e7\u00e3o penal depende de materialidade e autoria, comprovadas por outros meios (etil\u00f4metro, exame de sangue, prova testemunhal).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O teste de etil\u00f4metro e o boletim de ocorr\u00eancia s\u00e3o <strong>meios suficientes<\/strong> para a materialidade do crime, dispensando o auto de infra\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A infra\u00e7\u00e3o administrativa de tr\u00e2nsito e o crime do art. 306 do CTB s\u00e3o <strong>il\u00edcitos de natureza distinta, com pressupostos e procedimentos pr\u00f3prios<\/strong>. O auto de infra\u00e7\u00e3o destina-se \u00e0 esfera administrativa (multa, apreens\u00e3o de CNH); a a\u00e7\u00e3o penal exige materialidade e autoria comprovadas por meios penais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quinta Turma reconheceu que condicionar a a\u00e7\u00e3o penal ao auto de infra\u00e7\u00e3o <strong>criaria depend\u00eancia entre esferas que o ordenamento n\u00e3o prev\u00ea<\/strong>. A aus\u00eancia do auto n\u00e3o afeta a materialidade do crime, que pode ser comprovada por etil\u00f4metro, exame de sangue ou prova testemunhal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o pacifica controv\u00e9rsia que surgia quando agentes de tr\u00e2nsito realizavam o teste mas n\u00e3o formalizavam o auto \u2014 situa\u00e7\u00e3o comum em abordagens noturnas ou em conting\u00eancias operacionais. <strong>A formaliza\u00e7\u00e3o administrativa n\u00e3o condiciona a persecu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O entendimento refor\u00e7a a <strong>autonomia das inst\u00e2ncias administrativa e penal<\/strong>: o agente de tr\u00e2nsito pode n\u00e3o lavrar o auto (por erro ou conting\u00eancia) sem que isso prejudique a a\u00e7\u00e3o penal, que se move com base em elementos probat\u00f3rios pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o penal pelo crime de embriaguez ao volante (CTB, art. 306) na aus\u00eancia de auto de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 inadmiss\u00edvel por falta de condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Pode prosseguir, pois o auto n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de representa\u00e7\u00e3o da autoridade de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o de processo administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Somente \u00e9 admitida quando o teste de etil\u00f4metro for realizado pela pol\u00edcia, n\u00e3o por agente de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O auto de infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> As esferas administrativa e penal s\u00e3o independentes; a materialidade \u00e9 comprovada por meios pr\u00f3prios (etil\u00f4metro, exame de sangue, prova testemunhal).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O crime do art. 306 do CTB \u00e9 de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o depende de processo administrativo pr\u00e9vio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O teste de etil\u00f4metro tem validade independentemente de quem o realizou.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a definir se a aus\u00eancia de lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito pela autoridade administrativa constitui \u00f3bice ao recebimento da den\u00fancia pelo crime de embriaguez ao volante (art. 306 do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro &#8211; CTB).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem reformou a decis\u00e3o de primeira inst\u00e2ncia que havia rejeitado a den\u00fancia, no tocante ao crime de embriaguez ao volante. O magistrado singular fundamentou a rejei\u00e7\u00e3o na aus\u00eancia de justa causa pela n\u00e3o lavratura de auto de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito pela autoridade administrativa e no entendimento de que a persecu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o poderia suprir a falha administrativa. Sustentou, ainda, que a atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, sem conv\u00eanio espec\u00edfico ou ato administrativo pr\u00e9vio, seria ileg\u00edtima para configurar a materialidade do delito do art. 306 do CTB.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, cumpre destacar que o ordenamento jur\u00eddico brasileiro consagra o princ\u00edpio da independ\u00eancia das esferas de responsabiliza\u00e7\u00e3o, de modo que a aus\u00eancia de san\u00e7\u00e3o administrativa ou a eventual irregularidade no procedimento administrativo de tr\u00e2nsito (como a n\u00e3o lavratura do auto de infra\u00e7\u00e3o no momento da abordagem) n\u00e3o contamina, automaticamente, a persecu\u00e7\u00e3o penal, nem impede a apura\u00e7\u00e3o da responsabilidade criminal do agente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O legislador, ao tipificar a conduta no art. 306 do CTB, elevou a embriaguez ao volante \u00e0 categoria de il\u00edcito penal, independentemente da aplica\u00e7\u00e3o de multa administrativa, dada a gravidade da conduta e o perigo abstrato que ela representa para a seguran\u00e7a vi\u00e1ria e a incolumidade p\u00fablica. Condicionar a a\u00e7\u00e3o penal \u00e0 pr\u00e9via autua\u00e7\u00e3o administrativa seria criar uma condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade n\u00e3o prevista em lei, restringindo indevidamente a atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Poder Judici\u00e1rio na repress\u00e3o aos crimes de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No tocante \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da materialidade delitiva, o art. 306, 2, do CTB, alterado pela Lei n. 12.760\/2012, ampliou significativamente os meios de prova admitidos para atestar a altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora. O dispositivo legal \u00e9 claro ao estabelecer que: &#8220;A verifica\u00e7\u00e3o do disposto neste artigo poder\u00e1 ser obtida mediante teste de alcoolemia ou toxicol\u00f3gico, exame cl\u00ednico, per\u00edcia, v\u00eddeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos, observado o direito \u00e0 contraprova&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a exig\u00eancia de um auto de infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito (multa administrativa) como prova tarifada ou exclusiva para a comprova\u00e7\u00e3o da materialidade do crime afrontaria a sistem\u00e1tica processual penal vigente e o pr\u00f3prio texto do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, que flexibilizou os meios de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a atua\u00e7\u00e3o dos policiais militares encontra amparo constitucional no art. 144, 5, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que atribui \u00e0 Pol\u00edcia Militar o policiamento ostensivo e a preserva\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica. No caso, ao se depararem com um acidente de tr\u00e2nsito com v\u00edtima (atropelamento em faixa de pedestre) e constatarem que o condutor apresentava vis\u00edveis sinais de embriaguez, os agentes estatais agiram no estrito cumprimento do dever legal ao efetuarem a pris\u00e3o em flagrante, nos termos do art. 301 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a aus\u00eancia de elabora\u00e7\u00e3o do auto de infra\u00e7\u00e3o administrativa no calor dos acontecimentos, embora possa configurar eventual falha administrativa, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de anular o flagrante criminal nem de desconstituir os elementos probat\u00f3rios legitimamente colhidos que indicam a pr\u00e1tica delitiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-inteligencia-artificial-generativa-relatorio-policial-sem-confiabilidade-probatoria\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Intelig\u00eancia artificial generativa \u2013 relat\u00f3rio policial sem confiabilidade probat\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio produzido por investigador de pol\u00edcia com uso de <strong>ferramentas de IA generativa n\u00e3o possui confiabilidade epist\u00eamica m\u00ednima<\/strong> para ser utilizado como prova no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 1.059.475-SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/4\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Investigador de pol\u00edcia elaborou relat\u00f3rio de investiga\u00e7\u00e3o utilizando ferramenta de IA generativa (tipo ChatGPT) para redigir an\u00e1lise e conclus\u00f5es sobre fatos apurados. O relat\u00f3rio foi juntado aos autos como elemento informativo. A defesa impugnou sustentando que o conte\u00fado gerado por IA n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel para fundamentar medidas investigativas ou decis\u00f5es judiciais. Relat\u00f3rio policial produzido com aux\u00edlio de IA generativa serve como prova?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, arts. 159 e 182<\/strong><em> (per\u00edcia e valor probat\u00f3rio dos laudos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A IA generativa produz texto plaus\u00edvel, mas n\u00e3o confi\u00e1vel: pode gerar informa\u00e7\u00f5es falsas (&#8220;alucina\u00e7\u00f5es&#8221;), inventar refer\u00eancias e apresentar conclus\u00f5es sem base factual verific\u00e1vel. No processo penal, a prova deve ter <strong>confiabilidade epist\u00eamica m\u00ednima<\/strong> \u2014 aptid\u00e3o para representar a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O relat\u00f3rio policial com IA generativa carece de: (i) <strong>verificabilidade<\/strong> (a fonte das informa\u00e7\u00f5es \u00e9 opaca); (ii) reprodutibilidade (a mesma pergunta pode gerar respostas diferentes); (iii) autoria intelectual (o investigador n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro autor do conte\u00fado anal\u00edtico).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O processo penal exige que os elementos probat\u00f3rios tenham confiabilidade epist\u00eamica \u2014 capacidade de <strong>representar a realidade de forma verific\u00e1vel e control\u00e1vel<\/strong>. A IA generativa produz texto estatisticamente plaus\u00edvel, mas sem compromisso com a verdade factual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quinta Turma identificou tr\u00eas v\u00edcios no uso da IA generativa como instrumento probat\u00f3rio: (i) <strong>opacidade da fonte (o modelo n\u00e3o revela de onde extraiu as informa\u00e7\u00f5es)<\/strong>; (ii) irreproducibilidade (respostas diferentes para a mesma pergunta); (iii) propens\u00e3o a &#8220;alucina\u00e7\u00f5es&#8221; (gera\u00e7\u00e3o de fatos e refer\u00eancias inexistentes).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o n\u00e3o veda o uso de tecnologia na investiga\u00e7\u00e3o policial: ferramentas de an\u00e1lise de dados, reconhecimento facial, cruzamento de bases e geolocaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o admitidas. O que se veda \u00e9 <strong>o uso de IA generativa como substituto da an\u00e1lise humana qualificada<\/strong> na produ\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios que fundamentar\u00e3o medidas restritivas de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O precedente \u00e9 pioneiro no Brasil e reflete preocupa\u00e7\u00e3o internacional com o uso irrespons\u00e1vel de IA no sistema de justi\u00e7a. A <strong>confiabilidade epist\u00eamica \u00e9 crit\u00e9rio de admissibilidade da prova<\/strong>, e a IA generativa, em seu est\u00e1gio atual, n\u00e3o atende a esse crit\u00e9rio quando utilizada para produzir conclus\u00f5es investigativas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio policial produzido com uso de ferramenta de intelig\u00eancia artificial generativa:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 admiss\u00edvel como prova documental no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Tem valor probat\u00f3rio equivalente ao de laudo pericial.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 admiss\u00edvel se ratificado pela autoridade policial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de regulamenta\u00e7\u00e3o do CNJ para ser utilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) N\u00e3o possui confiabilidade epist\u00eamica para servir como prova no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A IA generativa n\u00e3o garante confiabilidade epist\u00eamica m\u00ednima para fins probat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O laudo pericial exige perito habilitado e metodologia control\u00e1vel; a IA generativa n\u00e3o atende a esses requisitos.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A ratifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o supre o v\u00edcio de origem: o conte\u00fado gerado pela IA carece de verificabilidade e reprodutibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A inadmissibilidade decorre da falta de confiabilidade, n\u00e3o de aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A IA generativa produz texto plaus\u00edvel mas n\u00e3o confi\u00e1vel (opacidade, irreproducibilidade, &#8220;alucina\u00e7\u00f5es&#8221;), sem aptid\u00e3o para representar a realidade de forma verific\u00e1vel no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia refere-se \u00e0 admiss\u00e3o de &#8220;Relat\u00f3rio T\u00e9cnico&#8221; produzido por investigador de pol\u00edcia com a utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas de intelig\u00eancia artificial generativa (Gemini e Perplexity) para ser utilizado como prova no processo penal, sem o crivo da racionalidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o contexto refere-se a imputa\u00e7\u00e3o de inj\u00faria racial, ocorrida em est\u00e1dio de futebol, em raz\u00e3o de o acusado ter supostamente chamado a v\u00edtima de &#8220;macaco&#8221;, o que foi captado por um cinegrafista. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s filmagens, foram providenciados laudos periciais do Instituto de Criminal\u00edstica e pareceres t\u00e9cnicos. Consta da den\u00fancia que a autoridade policial tamb\u00e9m solicitou a atua\u00e7\u00e3o do Centro de Intelig\u00eancia Policial, sendo o v\u00eddeo submetido \u00e0 an\u00e1lise por instrumentos de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, n\u00e3o h\u00e1 falar em ilicitude do relat\u00f3rio t\u00e9cnico produzido por intelig\u00eancia artificial generativa, uma vez que, conforme destacado pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, n\u00e3o foram violadas normas de direito penal. Tamb\u00e9m n\u00e3o se observa ofensa \u00e0 cadeia de cust\u00f3dia da prova, em especial, porque n\u00e3o se questiona o acautelamento dos v\u00eddeos analisados, mas apenas a an\u00e1lise destes por ferramenta de intelig\u00eancia artificial generativa. Por fim, n\u00e3o h\u00e1 falar igualmente em ofensa ao art. 159 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), porque n\u00e3o se trata de per\u00edcia, mas de mero documento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um dos riscos inerentes \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial generativa \u00e9 a alucina\u00e7\u00e3o, que consiste na apresenta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es imprecisas, irreais ou fabricadas, por\u00e9m com apar\u00eancia de fidedignidade. Isso se deve especialmente ao fato de que n\u00e3o h\u00e1 consulta \u00e0s bases de dados em tempo real, mas sim estrutura\u00e7\u00e3o de respostas com base em padr\u00f5es estat\u00edsticos extra\u00eddos do per\u00edodo de treinamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise apresenta particularidade que torna ainda mais preocupante a utiliza\u00e7\u00e3o de tais ferramentas, pois o objeto de an\u00e1lise \u00e9 o \u00e1udio constante de um v\u00eddeo. No entanto, a ferramenta utiliza-se de grandes modelos de linguagem, tamb\u00e9m conhecidos como LLMs (large language model), os quais processam textos e n\u00e3o ondas sonoras, n\u00e3o sendo adequados para an\u00e1lise fon\u00e9tica. Outra particularidade relevante no caso \u00e9 a efetiva exist\u00eancia de per\u00edcia t\u00e9cnica realizada nos v\u00eddeos pelo Instituto de Criminal\u00edstica. A conclus\u00e3o obtida foi no sentido de que, &#8220;[c]om base nos par\u00e2metros t\u00e9cnicos da fon\u00e9tica forense e da ac\u00fastica da fala, n\u00e3o se confirmaram [&#8230;] tra\u00e7os articulat\u00f3rios compat\u00edveis com o termo &#8216;macaco'&#8221;. Nada obstante, solicitou-se ao Centro de Intelig\u00eancia da Delegacia a produ\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio por meio de intelig\u00eancia artificial generativa, no qual se concluiu que foi, sim, utilizada a palavra &#8220;macaco&#8221;, sendo a referida conclus\u00e3o utilizada na den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa senda, \u00e9 poss\u00edvel identificar certo vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o na atividade estatal que, al\u00e9m de n\u00e3o ter se contentado com a per\u00edcia oficial, a qual n\u00e3o identificou a palavra esperada, procedeu \u00e0 an\u00e1lise por meio de ferramentas de intelig\u00eancia artificial generativa, as quais n\u00e3o possuem respaldo cient\u00edfico. De fato, tanto a autoridade policial quanto o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o pr\u00f3prio Judici\u00e1rio consideraram o ju\u00edzo probabil\u00edstico da intelig\u00eancia artificial n\u00e3o apenas suficiente, mas prevalente em rela\u00e7\u00e3o a uma per\u00edcia realizada por \u00f3rg\u00e3o oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora o Magistrado possa afastar as conclus\u00f5es periciais, conforme lhe faculta o art. 182 do CPP, \u00e9 imperativo que o fa\u00e7a mediante fundamenta\u00e7\u00e3o id\u00f4nea. N\u00e3o se pode descurar, ademais, que os relat\u00f3rios produzidos n\u00e3o constituem prova pericial, haja vista a intelig\u00eancia artificial generativa ser mera geradora de conte\u00fado sint\u00e9tico. Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, para se afastar ou mitigar a conclus\u00e3o constante de per\u00edcia oficial, mister se faz a indica\u00e7\u00e3o de motiva\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica id\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, a leitura da per\u00edcia oficial revela todo o racioc\u00ednio inferencial e t\u00e9cnico empregado, em oposi\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio simplista produzido pela intelig\u00eancia artificial, quando instada a transcrever &#8220;fielmente, na \u00edntegra, o \u00e1udio do v\u00eddeo&#8221;. Cumpre recordar que referidas ferramentas, no presente momento, n\u00e3o processam ondas sonoras, n\u00e3o sendo, portanto, adequadas \u00e0 an\u00e1lise fon\u00e9tica. Tem-se, dessa forma, a aus\u00eancia de adequa\u00e7\u00e3o epist\u00eamica, diante da produ\u00e7\u00e3o de documento que n\u00e3o encontra respaldo em regras cient\u00edficas, t\u00e9cnicas ou de experi\u00eancia, o que inviabiliza a extra\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o racional a respeito da hip\u00f3tese f\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, constata-se que o &#8220;Relat\u00f3rio T\u00e9cnico&#8221; produzido por investigador de pol\u00edcia, com a utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas de intelig\u00eancia artificial generativa (Gemini e Perplexity), n\u00e3o possui confiabilidade epist\u00eamica m\u00ednima, n\u00e3o podendo ser utilizado como prova no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prefeito-pena-de-perda-de-cargo-e-prescricao-autonoma-dl-201-1967\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prefeito \u2013 pena de perda de cargo e prescri\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma (DL 201\/1967)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pena de perda de cargo e inabilita\u00e7\u00e3o (art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba, do DL 201\/1967) \u00e9 <strong>aut\u00f4noma e possui prazo prescricional pr\u00f3prio<\/strong>, n\u00e3o sendo atingida pela prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.130.713-AP, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio, ex-prefeito, foi condenado por crime de responsabilidade (DL 201\/1967). A pena privativa de liberdade prescreveu, mas o MP sustentou que a pena de perda do cargo e inabilita\u00e7\u00e3o por 5 anos tem prescri\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma. Tib\u00farcio alegou que a prescri\u00e7\u00e3o da pena principal extingue todos os efeitos da condena\u00e7\u00e3o. A prescri\u00e7\u00e3o da pena corporal alcan\u00e7a a pena de perda de cargo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>DL 201\/1967, art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (perda do cargo e inabilita\u00e7\u00e3o por 5 anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A pena de perda de cargo do DL 201\/1967 n\u00e3o \u00e9 efeito secund\u00e1rio da condena\u00e7\u00e3o (como no CP, art. 92): \u00e9 <strong>pena principal aut\u00f4noma<\/strong>, com prescri\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. A prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa n\u00e3o a alcan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A prescri\u00e7\u00e3o da perda de cargo segue a regra geral do CP (art. 109), mas calculada sobre a pena de inabilita\u00e7\u00e3o (5 anos), n\u00e3o sobre a pena privativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O DL 201\/1967 prev\u00ea, para crimes de responsabilidade de prefeitos, penas de natureza distinta: privativa de liberdade e perda do cargo com inabilita\u00e7\u00e3o. <strong>A pena de perda de cargo n\u00e3o \u00e9 efeito autom\u00e1tico da condena\u00e7\u00e3o, mas san\u00e7\u00e3o principal aut\u00f4noma<\/strong>, com regramento pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Diferentemente do art. 92 do CP (efeitos da condena\u00e7\u00e3o, que dependem da pena principal), o art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba, do DL 201\/1967 <strong>estabelece a perda de cargo como pena aut\u00f4noma, cominada diretamente pelo tipo penal<\/strong>. Essa autonomia implica prescri\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma reconheceu que a prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade <strong>n\u00e3o contamina a pena de perda de cargo<\/strong>, que subsiste com seu pr\u00f3prio prazo prescricional, calculado sobre o per\u00edodo de inabilita\u00e7\u00e3o (5 anos).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem impacto na <strong>efetividade do controle penal dos crimes de responsabilidade<\/strong>: mesmo prescrita a pena corporal, o ex-prefeito permanece sujeito \u00e0 perda do cargo e inabilita\u00e7\u00e3o, evitando que a prescri\u00e7\u00e3o parcial frustre a finalidade sancionat\u00f3ria do DL 201\/1967.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 pena de perda de cargo de prefeito prevista no DL 201\/1967, diante da prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A perda de cargo tem prescri\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 extinta por acessoriedade \u00e0 pena principal prescrita.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Subsiste apenas se a prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa ocorreu ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de decis\u00e3o espec\u00edfica do tribunal para ser mantida.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Segue a mesma prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa, por aplica\u00e7\u00e3o do CP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A pena de perda de cargo \u00e9 aut\u00f4noma (n\u00e3o efeito da condena\u00e7\u00e3o) e tem prescri\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria calculada sobre o per\u00edodo de inabilita\u00e7\u00e3o, subsistindo independentemente da prescri\u00e7\u00e3o da pena corporal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A perda de cargo no DL 201\/1967 \u00e9 pena aut\u00f4noma, n\u00e3o acess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A autonomia prescricional independe do momento da prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A subsist\u00eancia decorre da lei, n\u00e3o de decis\u00e3o judicial espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O DL 201\/1967 tem regramento pr\u00f3prio; a pena de perda de cargo n\u00e3o \u00e9 efeito do CP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-12\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da possibilidade de manuten\u00e7\u00e3o da pena de inabilita\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de cargo ou fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nos crimes de responsabilidade, mesmo diante da prescri\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca do tema, o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou-se no sentido de que a pena de inabilita\u00e7\u00e3o, pelo prazo de 5 anos, para o exerc\u00edcio de cargo ou fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, eletivo ou de nomea\u00e7\u00e3o, pressup\u00f5e condena\u00e7\u00e3o definitiva por crime previsto no Decreto-Lei n. 201\/1967, a teor do seu art. 1, 2, n\u00e3o subsistindo, de forma aut\u00f4noma, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pena privativa de liberdade fulminada pela pretens\u00e3o punitiva do Estado (EDcl no AgInt no REsp 1.628.741\/CE, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 4\/10\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, desde o julgamento do REsp 1.326.452\/PR, da relatoria do Ministro Jorge Mussi, ambas as Turmas Criminais do Superior Tribunal de Justi\u00e7a passaram a entender pela aus\u00eancia de autonomia das penas de perda do cargo ou inabilita\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de cargo p\u00fablico, previstas no art. 1, 2, do Decreto-Lei n. 201\/1967.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar disso, a orienta\u00e7\u00e3o da Suprema Corte firmou-se em sentido oposto, ou seja, de que a pena de inabilita\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de cargo ou fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nos crimes de responsabilidade, \u00e9 aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pena privativa de liberdade, de maneira que pode subsistir mesmo quando declarada a prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva da pena privativa de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio que se promova a readequa\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia do STJ para que a pena de inabilita\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de cargo ou fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nos crimes de responsabilidade, seja aplicada de forma aut\u00f4noma e independente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s penas privativas de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-busca-domiciliar-fuga-para-o-interior-do-imovel-como-fundada-razao\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Busca domiciliar \u2013 fuga para o interior do im\u00f3vel como fundada raz\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em adequa\u00e7\u00e3o ao STF, a fuga para o interior do im\u00f3vel ao perceber a aproxima\u00e7\u00e3o policial configura <strong>fundadas raz\u00f5es para busca domiciliar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 1.035.519-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 25\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Policiais militares realizavam patrulhamento em \u00e1rea conhecida por tr\u00e1fico de drogas quando avistaram Kiko, que, ao perceber a viatura, correu para dentro de sua casa. Os policiais ingressaram no im\u00f3vel sem mandado e encontraram drogas e arma de fogo. A defesa alegou ilicitude da busca por falta de mandado judicial. A fuga para dentro do im\u00f3vel, ao ver a pol\u00edcia, configura &#8220;fundadas raz\u00f5es&#8221; que autorizam a busca domiciliar sem mandado?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XI<\/strong><em> (inviolabilidade do domic\u00edlio \u2013 exce\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 240, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (busca domiciliar \u2013 fundadas raz\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 280\/STF (RE 603.616\/RO)<\/strong><em> (busca domiciliar e fundadas raz\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udcda O STF fixou no Tema 280 que a entrada em domic\u00edlio sem mandado exige justa causa objetiva, n\u00e3o bastando den\u00fancia an\u00f4nima isolada. A fuga para o interior do im\u00f3vel ao perceber a pol\u00edcia \u00e9 <strong>elemento objetivo<\/strong> que, somado ao contexto (local de tr\u00e1fico, investiga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via), pode configurar fundadas raz\u00f5es.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A fuga por si mesma pode n\u00e3o bastar; o que a torna fundada raz\u00e3o \u00e9 o <strong>contexto<\/strong>: local conhecido por tr\u00e1fico, atitude suspeita anterior \u00e0 fuga, exist\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias sobre a atividade il\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A inviolabilidade domiciliar (CF, art. 5\u00ba, XI) admite exce\u00e7\u00e3o para flagrante delito. A quest\u00e3o \u00e9 se a fuga para o interior do im\u00f3vel, ao perceber a pol\u00edcia, pode configurar a justa causa que autoriza o ingresso sem mandado. <strong>O STJ, em adequa\u00e7\u00e3o ao Tema 280\/STF, reconheceu que sim, quando contextualizada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A fuga isolada poderia ter m\u00faltiplas explica\u00e7\u00f5es (medo, trauma, desconfian\u00e7a). Contudo, quando ocorre em <strong>local notoriamente associado ao tr\u00e1fico e em contexto de patrulhamento direcionado<\/strong>, a fuga adquire significado probat\u00f3rio que, somado \u00e0s demais circunst\u00e2ncias, pode fundamentar a busca.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma aplicou o precedente vinculante do STF, reconhecendo que a <strong>fuga para o interior do im\u00f3vel \u00e9 circunst\u00e2ncia objetiva que, em conjunto com o contexto f\u00e1tico, configura fundadas raz\u00f5es<\/strong> para a busca domiciliar sem mandado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o n\u00e3o autoriza ingresso domiciliar pela mera fuga: exige <strong>contextualiza\u00e7\u00e3o f\u00e1tica que demonstre a probabilidade concreta de flagrante<\/strong>. A motiva\u00e7\u00e3o da busca deve ser registrada com precis\u00e3o no auto circunstanciado, sob pena de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fuga do suspeito para o interior do im\u00f3vel ao perceber a aproxima\u00e7\u00e3o policial, em contexto de tr\u00e1fico de drogas:<\/p>\n\n\n\n<p>A) N\u00e3o configura fundada raz\u00e3o para busca domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial para ingresso.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Configura fundadas raz\u00f5es para busca, conforme Tema 280\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige flagrante previamente constatado por testemunha civil.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de den\u00fancia formal pr\u00e9via contra o morador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A fuga contextualizada configura elemento objetivo que fundamenta a busca (Tema 280\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O flagrante delito \u00e9 exce\u00e7\u00e3o constitucional \u00e0 exig\u00eancia de mandado (CF, art. 5\u00ba, XI).<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A fuga contextualizada (local de tr\u00e1fico, patrulhamento direcionado) \u00e9 circunst\u00e2ncia objetiva que, somada ao contexto, configura fundadas raz\u00f5es para ingresso sem mandado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O Tema 280\/STF n\u00e3o exige testemunha civil pr\u00e9via.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Den\u00fancia an\u00f4nima pode ser elemento complementar, mas n\u00e3o \u00e9 requisito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-13\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a discutir a possibilidade de ingresso imediato em domic\u00edlio em situa\u00e7\u00e3o na qual o indiv\u00edduo foge para o interior do im\u00f3vel ao avistar a guarni\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, os policiais relataram que o r\u00e9u, ao avistar a guarni\u00e7\u00e3o, empreendeu fuga para o interior do domic\u00edlio, onde, posteriormente, foram encontradas drogas, tendo o Tribunal a quo afastado a nulidade e reconhecido a justa causa para a abordagem e a busca, \u00e0 luz dos arts. 240, 2, e 244 do C\u00f3digo de Processo Penal &#8211; CPP e do art. 5, XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. O Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 603.616\/RO, com repercuss\u00e3o geral previamente reconhecida (Tema n. 280), assentou que &#8220;a entrada for\u00e7ada em domic\u00edlio sem mandado judicial s\u00f3 \u00e9 l\u00edcita, mesmo em per\u00edodo noturno, quando amparada em fundadas raz\u00f5es, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados&#8221; (Rel. Ministro Gilmar Mendes, DJe 10\/5\/2016). \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, que as fundadas raz\u00f5es quanto \u00e0 exist\u00eancia de situa\u00e7\u00e3o flagrancial sejam anteriores \u00e0 entrada na casa, ainda que essas justificativas sejam exteriorizadas posteriormente no processo, n\u00e3o se admitindo que a mera constata\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia, posterior ao ingresso, justifique a medida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s o julgamento do STF, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, sobretudo a partir do REsp n. 1.574.681\/RS (Rel. Ministro Rogerio Schietti, Sexta Turma, DJe 30\/5\/2017), passou a dar concretude \u00e0 express\u00e3o &#8220;fundadas raz\u00f5es&#8221;, extra\u00edda do art. 240, 1, do CPP, decidindo, em cada caso, sobre a exist\u00eancia de elementos pr\u00e9vios e concretos que amparem a dilig\u00eancia policial e configurem fundadas raz\u00f5es quanto \u00e0 pr\u00e1tica de crime no interior do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com a jurisprud\u00eancia ent\u00e3o consolidada no STJ, o fato de o r\u00e9u, ao haver avistado os agentes policiais, ter corrido para o interior da resid\u00eancia, por si s\u00f3, n\u00e3o justificava o ingresso imediato em seu domic\u00edlio sem mandado judicial pr\u00e9vio (HC n. 877.943\/MS, Terceira Se\u00e7\u00e3o, Rel. Ministro Rogerio Schietti, julgado em 18\/4\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal, em julgamento de embargos de diverg\u00eancia, firmou a tese de que &#8220;a fuga para o interior do im\u00f3vel ao perceber a aproxima\u00e7\u00e3o dos policiais militares, que realizavam patrulhamento de rotina na regi\u00e3o, evidencia a exist\u00eancia de fundadas raz\u00f5es para a busca domiciliar&#8221; (RE 1.492.256 AgR-EDvAgR, Rel. Ministro Edson Fachin, Red. Acd. Ministro Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, j. 17\/2\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As duas turmas que integram a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 se adequaram \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da Suprema Corte em recentes julgados, alinhando-se ao entendimento de que a fuga para o interior do im\u00f3vel, ao perceber a aproxima\u00e7\u00e3o policial, configura fundadas raz\u00f5es para a busca domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por conseguinte, em aten\u00e7\u00e3o ao dever de uniformiza\u00e7\u00e3o, estabilidade, integridade e coer\u00eancia da jurisprud\u00eancia pelos Tribunais (CPC, art. 926, c\/c CPP, art. 3), e com ressalva de posi\u00e7\u00e3o pessoal sobre o tema, deve ser aplicada ao caso a nova tese firmada pelo Plen\u00e1rio do STF, reputando presentes fundadas raz\u00f5es para o ingresso no domic\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-remicao-de-pena-vedacao-de-multiplas-aprovacoes-em-exames-de-mesma-natureza\">16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remi\u00e7\u00e3o de pena \u2013 veda\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas aprova\u00e7\u00f5es em exames de mesma natureza<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 vedada a concess\u00e3o de m\u00faltiplas remi\u00e7\u00f5es por aprova\u00e7\u00f5es em <strong>exames de mesma natureza e conte\u00fado durante a mesma execu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>, sob pena de bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 1.045.443-SP, Rel. Ministro Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chaves, apenado, foi aprovado no ENEM em 2018, durante a execu\u00e7\u00e3o penal e obteve remi\u00e7\u00e3o. Em 2024, realizou novamente o ENEM e foi aprovado outra vez, requerendo nova remi\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo indeferiu por entender que se tratava do mesmo exame j\u00e1 recompensado. Chaves alegou que cada aprova\u00e7\u00e3o no ENEM representa novo esfor\u00e7o intelectual autodidata. H\u00e1 direito a nova remi\u00e7\u00e3o de pena?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 126, \u00a7 1\u00ba, I<\/strong><em> (remi\u00e7\u00e3o por estudo \u2013 cursos e exames).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A remi\u00e7\u00e3o por exame visa incentivar a educa\u00e7\u00e3o do apenado. A aprova\u00e7\u00e3o em exame de determinado n\u00edvel (fundamental, m\u00e9dio) gera remi\u00e7\u00e3o <strong>uma \u00fanica vez<\/strong>: aprova\u00e7\u00f5es repetidas no mesmo n\u00edvel n\u00e3o configuram novo estudo, mas repeti\u00e7\u00e3o de certifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 obtida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Admitir m\u00faltiplas remi\u00e7\u00f5es pelo mesmo exame transformaria a aprova\u00e7\u00e3o em instrumento de redu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da pena, <strong>desvirtuando<\/strong> a finalidade educacional do instituto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A remi\u00e7\u00e3o por estudo (LEP, art. 126, \u00a7 1\u00ba, I) tem finalidade de ressocializa\u00e7\u00e3o: premiar o apenado que investe em educa\u00e7\u00e3o durante o cumprimento da pena. <strong>A aprova\u00e7\u00e3o em exame de conclus\u00e3o de n\u00edvel de ensino gera remi\u00e7\u00e3o por representar avan\u00e7o educacional efetivo<\/strong>. A repeti\u00e7\u00e3o do mesmo exame n\u00e3o configura novo avan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Sexta Turma aplicou o princ\u00edpio do ne bis in idem: <strong>conceder remi\u00e7\u00e3o pela mesma certifica\u00e7\u00e3o obtida mais de uma vez seria computar o mesmo fato m\u00faltiplas vezes<\/strong>. O apenado j\u00e1 foi premiado pela conclus\u00e3o do ensino fundamental; novas aprova\u00e7\u00f5es no mesmo n\u00edvel n\u00e3o acrescentam conte\u00fado educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o distingue entre exames de n\u00edveis diferentes (fundamental \u2192 m\u00e9dio \u2192 superior) e exames de mesmo n\u00edvel. <strong>Cada n\u00edvel gera remi\u00e7\u00e3o uma vez; a progress\u00e3o entre n\u00edveis gera novas remi\u00e7\u00f5es<\/strong>. O que se veda \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do mesmo n\u00edvel para fins de redu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O entendimento preserva a <strong>integridade do sistema de remi\u00e7\u00e3o<\/strong>: se m\u00faltiplas aprova\u00e7\u00f5es no mesmo exame gerassem remi\u00e7\u00f5es sucessivas, o apenado poderia realizar o mesmo exame anualmente, obtendo redu\u00e7\u00e3o de pena sem progresso educacional real, o que desvirtuaria o instituto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00faltiplas aprova\u00e7\u00f5es no mesmo exame de certifica\u00e7\u00e3o durante a execu\u00e7\u00e3o penal, para fins de remi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Gera remi\u00e7\u00e3o a cada aprova\u00e7\u00e3o, por representar dedica\u00e7\u00e3o ao estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 vedada como fundamento de m\u00faltiplas remi\u00e7\u00f5es, salvo se autorizadas previamente pelo juiz da execu\u00e7\u00e3o configurar bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende do intervalo entre as aprova\u00e7\u00f5es para gerar novas remi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Gera remi\u00e7\u00e3o apenas na primeira aprova\u00e7\u00e3o; repeti\u00e7\u00f5es s\u00e3o bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Exige que o apenado comprove frequ\u00eancia m\u00ednima em curso preparat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A repeti\u00e7\u00e3o do mesmo exame n\u00e3o configura avan\u00e7o educacional novo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 tal exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O intervalo \u00e9 irrelevante; o v\u00edcio \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o da mesma certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A remi\u00e7\u00e3o por exame premia o avan\u00e7o educacional efetivo; a primeira aprova\u00e7\u00e3o gera remi\u00e7\u00e3o, e repeti\u00e7\u00f5es no mesmo n\u00edvel s\u00e3o bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A remi\u00e7\u00e3o por exame n\u00e3o exige frequ\u00eancia em curso; basta a aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-14\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se \u00e9 poss\u00edvel a concess\u00e3o de remi\u00e7\u00e3o de pena por m\u00faltiplas aprova\u00e7\u00f5es no ENEM realizadas durante a execu\u00e7\u00e3o penal, mesmo quando o apenado j\u00e1 concluiu o ensino m\u00e9dio anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem reconhecido a distin\u00e7\u00e3o entre a aprova\u00e7\u00e3o no ENEM e a aprova\u00e7\u00e3o no ENCCEJA para fins de remi\u00e7\u00e3o de pena. A diferencia\u00e7\u00e3o reside na finalidade e no grau de complexidade dos exames: o ENCCEJA visa \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o do ensino fundamental ou m\u00e9dio, enquanto o ENEM, desde 2017, visa primariamente ao acesso ao ensino superior, demandando maior esfor\u00e7o e estudo autodidata do apenado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a remi\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mesmo quando o apenado j\u00e1 possu\u00eda o ensino m\u00e9dio anteriormente, pois o ENEM \u00e9 considerado um novo esfor\u00e7o intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, a situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise n\u00e3o envolve apenas a aprova\u00e7\u00e3o em exames de naturezas distintas (ENEM e ENCCEJA), mas sim a busca pela remi\u00e7\u00e3o por m\u00faltiplas aprova\u00e7\u00f5es no mesmo exame (ENEM), em anos diferentes (2018 e 2024), ap\u00f3s o apenado j\u00e1 ter obtido a remi\u00e7\u00e3o pela primeira aprova\u00e7\u00e3o e j\u00e1 ter conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 firme no sentido de que \u00e9 vedada a concess\u00e3o de remi\u00e7\u00e3o por m\u00faltiplas aprova\u00e7\u00f5es no ENEM durante a mesma execu\u00e7\u00e3o penal, por configurar duplicidade de benef\u00edcio pelo mesmo fato.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em suma, embora o esfor\u00e7o individual e a ressocializa\u00e7\u00e3o sejam objetivos prim\u00e1rios, o sistema de remi\u00e7\u00e3o deve observar a veda\u00e7\u00e3o ao bis in idem. A negativa, portanto, n\u00e3o viola a dignidade humana ou a ressocializa\u00e7\u00e3o, mas assegura a coer\u00eancia do sistema de execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cannabis-medicinal-cumprimento-do-iac-16-pela-anvisa-e-regulamentacao-do-canhamo\">17.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cannabis medicinal \u2013 cumprimento do IAC 16 pela ANVISA e regulamenta\u00e7\u00e3o do c\u00e2nhamo<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Se\u00e7\u00e3o declarou atendidas as determina\u00e7\u00f5es do IAC 16 pela Uni\u00e3o e ANVISA, com a edi\u00e7\u00e3o de RDCs que <strong>regulamentaram o cultivo de Cannabis para fins medicinais e farmac\u00eauticos<\/strong>, retirando o c\u00e2nhamo (THC \u2264 0,3%) da lista de subst\u00e2ncias proscritas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pet no REsp 2.024.250-PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 8\/4\/2026 (IAC 16).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em cumprimento ao IAC 16, a ANVISA editou cinco RDCs (1.011 a 1.015) em fevereiro de 2026, que: (i) retiraram o c\u00e2nhamo (THC \u2264 0,3%) da lista de subst\u00e2ncias proscritas; (ii) regulamentaram o cultivo para fins de pesquisa e medicinais; (iii) institu\u00edram sandbox regulat\u00f3rio experimental; (iv) estabeleceram novas regras de fabrica\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de produtos \u00e0 base de Cannabis. A Uni\u00e3o e a ANVISA peticionaram informando o cumprimento. A Primeira Se\u00e7\u00e3o homologou?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.343\/2006 (Lei de Drogas)<\/strong><em> (subst\u00e2ncias controladas \u2013 Portaria SVS\/MS 344\/1998).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RDCs ANVISA n\u00bas 1.011 a 1.015\/2026<\/strong><em> (regulamenta\u00e7\u00e3o do c\u00e2nhamo e Cannabis medicinal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O IAC 16 determinou que a ANVISA atualizasse o regime regulat\u00f3rio da Cannabis medicinal. As RDCs editadas atenderam em <strong>cinco frentes<\/strong>: (i) reclassifica\u00e7\u00e3o do c\u00e2nhamo; (ii) cultivo para pesquisa; (iii) cultivo medicinal\/farmac\u00eautico; (iv) sandbox regulat\u00f3rio; (v) fabrica\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A RDC 1.011 foi a mais impactante: retirou a Cannabis sativa com THC \u2264 0,3% da lista de subst\u00e2ncias proscritas, permitindo cultivo e uso para fins medicinais sem enquadramento como tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O IAC 16 foi instrumento pelo qual o STJ determinou \u00e0 ANVISA a regulamenta\u00e7\u00e3o do uso medicinal da Cannabis. A ag\u00eancia editou cinco RDCs que, conjuntamente, <strong>reestruturaram o arcabou\u00e7o normativo do c\u00e2nhamo e da Cannabis medicinal<\/strong>, afastando entraves anteriores e instituindo regime compat\u00edvel com a finalidade regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A RDC 1.011 promoveu a altera\u00e7\u00e3o mais significativa: <strong>acrescentou adendos \u00e0s listas da Portaria SVS\/MS 344\/1998<\/strong>, retirando a Cannabis sativa com THC \u2264 0,3% da categoria de subst\u00e2ncias proscritas. Isso permitiu o cultivo e uso medicinal sem risco de enquadramento na Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 As RDCs 1.012 a 1.015 complementaram a regulamenta\u00e7\u00e3o: (i) cultivo para pesquisa com possibilidade de obten\u00e7\u00e3o de material propagativo em estabelecimentos nacionais; (ii) cultivo medicinal e farmac\u00eautico; (iii) <strong>sandbox regulat\u00f3rio experimental por at\u00e9 5 anos<\/strong>; (iv) fabrica\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o com extin\u00e7\u00e3o da obrigatoriedade de insumos estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Se\u00e7\u00e3o declarou cumpridas as determina\u00e7\u00f5es e remeteu a execu\u00e7\u00e3o ao primeiro grau para o caso concreto. A previs\u00e3o de <strong>vacatio legis de alguns meses para parte das normas n\u00e3o afastou o cumprimento<\/strong>, sendo considerada t\u00e9cnica legislativa adequada \u00e0 transi\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o cumprimento do IAC 16 pela ANVISA quanto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da Cannabis medicinal:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Foi declarado cumprido ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o das RDCs que regulamentaram o c\u00e2nhamo e a Cannabis medicinal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Foi cumprido, com reclassifica\u00e7\u00e3o do c\u00e2nhamo e regulamenta\u00e7\u00e3o do cultivo medicinal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de nova aprecia\u00e7\u00e3o pelo Plen\u00e1rio do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Foi declarado parcialmente cumprido, pendente de lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A vacatio legis das RDCs impediu o reconhecimento do cumprimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A alternativa \u00e9 correta no m\u00e9rito, mas a alternativa C especifica os elementos centrais do cumprimento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A ANVISA editou cinco RDCs que retiraram o c\u00e2nhamo (THC \u2264 0,3%) da lista de subst\u00e2ncias proscritas, regulamentaram cultivo medicinal e farmac\u00eautico, e institu\u00edram sandbox regulat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O IAC 16 \u00e9 do STJ, n\u00e3o do STF; a homologa\u00e7\u00e3o \u00e9 da Primeira Se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A Primeira Se\u00e7\u00e3o declarou cumprimento integral, n\u00e3o parcial.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A vacatio legis foi considerada t\u00e9cnica adequada de transi\u00e7\u00e3o, sem afetar o cumprimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-15\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por meio de Quest\u00e3o de Ordem, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a homologou o \u00faltimo Plano de A\u00e7\u00e3o proposto pelas partes, relacionado \u00e0s determina\u00e7\u00f5es contidas no IAC 16, a fim de fixar a data de 31\/3\/2026 como termo final para o cumprimento integral de tais medidas, devendo a Uni\u00e3o e a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria &#8211; ANVISA, at\u00e9 l\u00e1, comunicar acerca da execu\u00e7\u00e3o das etapas intermedi\u00e1rias discriminadas no cronograma.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No termo final do prazo assinalado, isto \u00e9, em 31\/3\/2026, ANVISA e Uni\u00e3o juntaram aos autos a \u00edntegra dos atos administrativos expedidos e publicados, mediante os quais pretendem demonstrar o cumprimento total das determina\u00e7\u00f5es, justificando, ademais, a necessidade de vacatio legis para alguns deles no intuito de &#8220;viabilizar a prepara\u00e7\u00e3o institucional necess\u00e1ria \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do novo regime regulat\u00f3rio, diante da complexidade e do car\u00e1ter inovador das normas&#8221;, dentre elas a edi\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o de protocolos operacionais e normativos de atua\u00e7\u00e3o das Pol\u00edcias Federal e Rodovi\u00e1ria Federal, do MAPA, al\u00e9m da capacita\u00e7\u00e3o de equipes e estrutura\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios, tudo isso para assegurar &#8220;uma migra\u00e7\u00e3o ordenada para o novo regime sanit\u00e1rio, com preserva\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a jur\u00eddica e do controle estatal sobre as atividades reguladas&#8221;. A atualiza\u00e7\u00e3o providenciada pela autarquia sanit\u00e1ria, em janeiro de 2026, acerca do cumprimento das etapas do &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221;, contemplou informa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de consultas internas e externas, \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es t\u00e9cnicas e visitas institucionais, \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e judiciais, \u00e0 prospec\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica internacional e \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o e ao aperfei\u00e7oamento das minutas de Resolu\u00e7\u00f5es da Diretoria Colegiada da ANVISA &#8211; RDCs.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 de acordo com a peti\u00e7\u00e3o conjunta das Requeridas de 31\/3\/2026, uma vez consolidadas, tais minutas deram origem a cinco RDCs (ns. 1.011, 1.012, 1.013, 1.014 e 1.015), publicadas no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o em 3\/2\/2026, cada qual dedicada a modificar, no \u00e2mbito administrativo, aspectos espec\u00edficos do arcabou\u00e7o normativo imediata ou mediatamente derivados do ac\u00f3rd\u00e3o desta Se\u00e7\u00e3o referente ao manejo medicinal e farmac\u00eautico do c\u00e2nhamo (Hemp). Coube \u00e0 RDC n. 1.011 &#8211; a que mais diretamente contribuiu para materializar o cumprimento da decis\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a &#8211; promover &#8220;a atualiza\u00e7\u00e3o do Anexo I (Listas de Subst\u00e2ncias Entorpecentes, Psicotr\u00f3picas, Precursoras e Outras sob Controle Especial) da Portaria n. SVS\/MS n. 344, de 12 de maio de 1998, mediante o acr\u00e9scimo do Adendo 15 na Lista &#8216;C1&#8217; e dos Adendos 13, 14 e 15 na Lista &#8216;E&#8217;, em cumprimento ao ac\u00f3rd\u00e3o proferido pelo STJ no Recurso Especial representativo do Incidente Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia 16&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As modifica\u00e7\u00f5es inseridas retiraram a esp\u00e9cie vegetal Cannabis Sativa L. que, comprovadamente, produza teor de tetrahidrocanabinol (THC) menor ou igual a 0,3%, da lista de &#8220;subst\u00e2ncias proscritas que podem originar subst\u00e2ncias entorpecentes e\/ou psicotr\u00f3picas&#8221;, discriminadas na Portaria n. SVS\/MS 344\/1998, ato administrativo regulamentador da aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es penais previstas na Lei n. 11.343\/2006 (Lei de Drogas). Por sua vez, a RDC n. 1.012 disp\u00f4s &#8220;sobre os requisitos para o cultivo da esp\u00e9cie vegetal Cannabis sativa L. destinado exclusivamente a fins de pesquisa&#8221;, e, ao faz\u00ea-lo, excluiu a aquisi\u00e7\u00e3o de material propagativo da variedade com teor de THC menor ou igual a 0,3% unicamente por meio de importa\u00e7\u00e3o, autorizando sua obten\u00e7\u00e3o em estabelecimentos nacionais autorizados (art. 29, par\u00e1grafo \u00fanico). J\u00e1 a RDC n. 1.013, tamb\u00e9m em atendimento direto \u00e0s determina\u00e7\u00f5es do presente IAC, disciplinou o cultivo dessa esp\u00e9cie da planta para fins medicinais e\/ou farmac\u00eauticos, veiculando as regras para o exerc\u00edcio da atividade, importa\u00e7\u00e3o, aquisi\u00e7\u00e3o, fornecimento, monitoramento, controle, rastreabilidade e transporte do vegetal, al\u00e9m de outorgar prazo para que os estabelecimentos que j\u00e1 realizem seu cultivo por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial venham a se adequar aos requisitos exigidos para a obten\u00e7\u00e3o da Autoriza\u00e7\u00e3o Especial (art. 28).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A RDC n. 1.014 instituiu, pelo prazo de at\u00e9 cinco anos, um &#8220;Ambiente Regulat\u00f3rio Experimental (Sandbox Regulat\u00f3rio) para testagem controlada de atividades relacionadas \u00e0 Cannabis para fins medicinais&#8221;, &#8220;[&#8230;] com vista \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de riscos sanit\u00e1rios, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias regulat\u00f3rias e ao aperfei\u00e7oamento do modelo regulat\u00f3rio, no qual pessoas jur\u00eddicas participantes poder\u00e3o receber autoriza\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para desenvolver e produzir, em car\u00e1ter experimental e em ambiente real controlado e supervisionado, produtos ou servi\u00e7os inovadores sujeitos \u00e0 vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, mediante o cumprimento de crit\u00e9rios, limites e salvaguardas&#8221; (art. 5, I). Finalmente, a RDC n. 1.015, ao revogar a RDC n. 327\/2019, estabeleceu novas regras voltadas \u00e0 concess\u00e3o de &#8220;Autoriza\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria para fabrica\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de produtos de Cannabis para uso medicinal humano&#8221;, dentre as quais a extin\u00e7\u00e3o da obrigatoriedade de as pessoas jur\u00eddicas nacionais utilizarem apenas insumos estrangeiros para a fabrica\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de produtos \u00e0 base de Cannabis, fixando, no ponto, &#8220;requisitos relativos \u00e0 sua comercializa\u00e7\u00e3o&#8221;. Nesse contexto, as etapas previstas no &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221; foram executadas, culminando na edi\u00e7\u00e3o de RDCs que promoveram a atualiza\u00e7\u00e3o do regime regulat\u00f3rio aplic\u00e1vel, afastando entraves pret\u00e9ritos e instituindo referenciais novos, mais consent\u00e2neos \u00e0 finalidade regulat\u00f3ria e \u00e0 realidade f\u00e1tica, conforme decidido no presente IAC.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assinale-se que as altera\u00e7\u00f5es implementadas n\u00e3o se limitaram a ajustes formais, implicando, antes, a reestrutura\u00e7\u00e3o substancial do arcabou\u00e7o normativo, com a redefini\u00e7\u00e3o das listas de controle, a regulamenta\u00e7\u00e3o do cultivo para fins medicinais\/farmac\u00eauticos e de pesquisa, a institui\u00e7\u00e3o de ambiente regulat\u00f3rio experimental e a revis\u00e3o das regras relativas \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o da Cannabis, revelando que tais medidas, consideradas em conjunto, desoneraram as R\u00e9s das obriga\u00e7\u00f5es que lhes foram impostas. Registre-se, ademais, que as demandadas adotaram, como par\u00e2metro regulat\u00f3rio, o teor de tetrahidrocanabinol (THC) menor ou igual a 0,3%, enquanto o ac\u00f3rd\u00e3o fixara percentual inferior a 0,3%, traduzindo, desse modo, o aprimoramento e o avan\u00e7o da disciplina normativa em sentido mais permissivo, sem nenhuma incompatibilidade com o comando judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, a previs\u00e3o de vacatio legis de apenas alguns meses para parte das normas editadas n\u00e3o afasta tal conclus\u00e3o, porquanto constitui t\u00e9cnica legislativa adequada e razo\u00e1vel \u00e0 transi\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, sem preju\u00edzo do reconhecimento de que as provid\u00eancias determinadas foram efetivadas. Dessa forma, devem ser declaradas atendidas as determina\u00e7\u00f5es, pela UNI\u00c3O e pela ANVISA, para a ado\u00e7\u00e3o das provid\u00eancias normativas impostas no IAC 16, devendo a execu\u00e7\u00e3o do julgado, relativamente ao caso concreto, prosseguir em primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-c0650b58-6b58-42db-8c2c-e41a25c801f3\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/04\/20090140\/stj_info_884.pdf\">STJ_Info_884<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/04\/20090140\/stj_info_884.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-c0650b58-6b58-42db-8c2c-e41a25c801f3\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; 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