{"id":1752335,"date":"2026-04-13T08:04:05","date_gmt":"2026-04-13T11:04:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1752335"},"modified":"2026-04-13T08:04:08","modified_gmt":"2026-04-13T11:04:08","slug":"informativo-stj-883-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-883-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 883 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/04\/13080341\/stj_info_883.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_ioY_VXADQRQ\"><div id=\"lyte_ioY_VXADQRQ\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/ioY_VXADQRQ\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/ioY_VXADQRQ\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/ioY_VXADQRQ\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-acao-de-estado-vedacao-de-citacao-via-whatsapp\">1.&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o de estado \u2013 veda\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00e3o via WhatsApp<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00f5es de estado, \u00e9 <strong>obrigat\u00f3ria a cita\u00e7\u00e3o pessoal<\/strong>, sendo vedada a cita\u00e7\u00e3o por meio eletr\u00f4nico, inclusive por WhatsApp (chamada de voz ou mensagem de texto), nos termos do art. 247, I, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 3\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chiquinha ajuizou a\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade contra Seu Madruga. Diante de dificuldades em localiz\u00e1-lo, requereu sua cita\u00e7\u00e3o via WhatsApp \u2014 tanto por chamada de voz quanto por mensagem de texto. A cita\u00e7\u00e3o foi realizada e Seu Madruga respondeu \u00e0 mensagem, confirmando recebimento. Vale isso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 247, I<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica em a\u00e7\u00e3o de estado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda As a\u00e7\u00f5es de estado (paternidade, div\u00f3rcio, alimentos, interdi\u00e7\u00e3o) envolvem <strong>direitos indispon\u00edveis<\/strong> e exigem a m\u00e1xima garantia de ci\u00eancia do citando. A cita\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 requisito essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A veda\u00e7\u00e3o do art. 247, I, abrange <strong>toda forma eletr\u00f4nica<\/strong> \u2014 inclusive aplicativos de mensagens que simulam comunica\u00e7\u00e3o pessoal \u2014, pois a forma eletr\u00f4nica n\u00e3o oferece as mesmas garantias da cita\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 247, I, do CPC \u00e9 categ\u00f3rico: nas a\u00e7\u00f5es de estado, a cita\u00e7\u00e3o deve ser pessoal. A ratio do dispositivo \u00e9 a <strong>indisponibilidade dos direitos em jogo<\/strong>, que exige certeza absoluta sobre a ci\u00eancia do r\u00e9u acerca da demanda. A forma eletr\u00f4nica, por sua natureza instant\u00e2nea e \u00e0 dist\u00e2ncia, n\u00e3o oferece o mesmo grau de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A cita\u00e7\u00e3o por WhatsApp \u2014 seja por mensagem de texto, seja por chamada de voz \u2014 <strong>n\u00e3o se equipara \u00e0 cita\u00e7\u00e3o pessoal<\/strong> nem mesmo quando o citando responde. A validade da cita\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o de estado exige forma tipificada em lei, n\u00e3o comportando supress\u00e3o por aceita\u00e7\u00e3o t\u00e1cita.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A resposta do citando ou eventual confirma\u00e7\u00e3o de leitura <strong>n\u00e3o suprem o v\u00edcio formal<\/strong>. Em mat\u00e9rias envolvendo estado das pessoas, a forma da cita\u00e7\u00e3o \u00e9 substancial: sua inobserv\u00e2ncia gera nulidade insan\u00e1vel, mesmo diante de manifesta\u00e7\u00e3o posterior do citando.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o distingue as a\u00e7\u00f5es de estado das demais: <strong>nestas, \u00e9 poss\u00edvel flexibilizar formas de cita\u00e7\u00e3o; naquelas, a veda\u00e7\u00e3o \u00e9 absoluta<\/strong>. Trata-se de prote\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo mais sens\u00edvel da esfera jur\u00eddica pessoal, que n\u00e3o admite comprometimento por conveni\u00eancia processual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da cita\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es de estado, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 admitida por WhatsApp quando o citando confirma o recebimento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Admite forma eletr\u00f4nica quando garantida a efetiva ci\u00eancia do citando.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 admitida por meio eletr\u00f4nico nas mesmas hip\u00f3teses das demais a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 vedada por meio eletr\u00f4nico, sendo obrigat\u00f3ria a cita\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de autoriza\u00e7\u00e3o judicial espec\u00edfica quando realizada por WhatsApp.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A confirma\u00e7\u00e3o de recebimento n\u00e3o supre o v\u00edcio formal da cita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A a\u00e7\u00e3o de estado exige forma tipificada em lei (cita\u00e7\u00e3o pessoal).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O art. 247, I, do CPC cont\u00e9m veda\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a\u00e7\u00f5es de estado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A indisponibilidade dos direitos em jogo exige certeza plena sobre a ci\u00eancia do citando, inadmitindo formas eletr\u00f4nicas (CPC, art. 247, I).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A cita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica \u00e9 vedada de forma geral nas a\u00e7\u00f5es de estado, n\u00e3o havendo autoriza\u00e7\u00e3o judicial que a valide.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, discute-se a validade de cita\u00e7\u00e3o realizada por oficial de justi\u00e7a em conversa com o requerido por chamada de voz efetuada por meio do aplicativo WhatsApp. Ocorre que o fato de o requerido ter supostamente conversado por liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica com o oficial de justi\u00e7a n\u00e3o configura cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, pois, em a\u00e7\u00f5es de estado, a cita\u00e7\u00e3o por meio eletr\u00f4nico \u00e9 expressamente vedada pelo art. 247, I, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pelo mesmo motivo, \u00e9 invi\u00e1vel acatar pedido para que a cita\u00e7\u00e3o se d\u00ea por meio de mensagem de texto pelo mesmo aplicativo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-gratuidade-de-justica-pessoa-juridica-e-prova-de-inatividade-fiscal\">2.&nbsp; Gratuidade de justi\u00e7a \u2013 pessoa jur\u00eddica e prova de inatividade fiscal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mera declara\u00e7\u00e3o de inatividade fiscal da empresa, sem esclarecimentos sobre bens e ativos financeiros, <strong>n\u00e3o basta para concess\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a<\/strong> a pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt na PET na AR 7.576-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A PagoNada Ltda. requereu gratuidade de justi\u00e7a em a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria apresentando apenas declara\u00e7\u00e3o de inatividade fiscal perante a Receita. O ju\u00edzo indeferiu exigindo documenta\u00e7\u00e3o complementar sobre bens e ativos. A PagoNada recorreu sustentando que a inatividade, por si, comprovaria incapacidade financeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 99, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (\u00f4nus da prova da hipossufici\u00eancia \u2013 pessoa jur\u00eddica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 481\/STJ<\/strong><em> (gratuidade a pessoa jur\u00eddica \u2013 prova efetiva da impossibilidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A presun\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia da pessoa f\u00edsica (CPC, art. 99, \u00a7 3\u00ba) <strong>n\u00e3o se estende<\/strong> \u00e0 pessoa jur\u00eddica. Esta deve demonstrar efetivamente sua incapacidade financeira, com documenta\u00e7\u00e3o ampla (bens, ativos, movimenta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A inatividade fiscal <strong>pode coexistir com patrim\u00f4nio relevante<\/strong> (im\u00f3veis, ve\u00edculos, aplica\u00e7\u00f5es). Sem documenta\u00e7\u00e3o sobre esses ativos, o ju\u00edzo n\u00e3o pode avaliar a real situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O CPC diferencia o tratamento da gratuidade para pessoa f\u00edsica e pessoa jur\u00eddica. A pessoa f\u00edsica goza de <strong>presun\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia mediante mera declara\u00e7\u00e3o<\/strong> (art. 99, \u00a7 3\u00ba). A pessoa jur\u00eddica, ao contr\u00e1rio, precisa demonstrar efetivamente sua incapacidade financeira (S\u00famula 481\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A declara\u00e7\u00e3o de inatividade fiscal \u00e9 dado relevante, mas isoladamente insuficiente. <strong>Inatividade operacional n\u00e3o equivale a aus\u00eancia de patrim\u00f4nio<\/strong>: empresa inativa pode ter im\u00f3veis, ve\u00edculos, aplica\u00e7\u00f5es financeiras e direitos credit\u00f3rios que comportam o pagamento das custas processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Se\u00e7\u00e3o exige que a pessoa jur\u00eddica apresente panorama completo de sua situa\u00e7\u00e3o patrimonial: <strong>bens, ativos financeiros, fluxo de caixa e movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria<\/strong>. Sem esse conjunto probat\u00f3rio, o ju\u00edzo n\u00e3o tem elementos para aferir a real hipossufici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o preserva o equil\u00edbrio entre <strong>acesso \u00e0 justi\u00e7a e responsabilidade processual da pessoa jur\u00eddica<\/strong>. Conceder gratuidade sem exigir comprova\u00e7\u00e3o ampla abriria brecha para uso oportunista do benef\u00edcio por empresas com patrim\u00f4nio relevante, mas sem atividade corrente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da gratuidade de justi\u00e7a para pessoa jur\u00eddica, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 concedida mediante simples declara\u00e7\u00e3o do representante legal da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Exige demonstra\u00e7\u00e3o efetiva da incapacidade financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A inatividade fiscal da empresa configura, por si, a hipossufici\u00eancia exigida.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 equiparada \u00e0 gratuidade concedida \u00e0 pessoa f\u00edsica, com presun\u00e7\u00e3o relativa de hipossufici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Depende de decis\u00e3o colegiada do tribunal de origem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o por declara\u00e7\u00e3o aplica-se \u00e0 pessoa f\u00edsica, n\u00e3o \u00e0 jur\u00eddica (S\u00famula 481\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A pessoa jur\u00eddica deve demonstrar efetivamente sua incapacidade, e a inatividade fiscal pode coexistir com patrim\u00f4nio relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Inatividade fiscal n\u00e3o equivale a aus\u00eancia de patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O tratamento \u00e9 distinto: pessoa jur\u00eddica tem \u00f4nus probat\u00f3rio efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A gratuidade pode ser apreciada pelo ju\u00edzo de primeiro grau.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 99, 1, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), embora a gratuidade possa ser requerida a qualquer tempo, incumbe \u00e0 parte requerente demonstrar, de forma efetiva, a impossibilidade de arcar com os encargos processuais, especialmente quando se trata de pessoa jur\u00eddica, hip\u00f3tese em que n\u00e3o se presume a hipossufici\u00eancia econ\u00f4mica, conforme orienta\u00e7\u00e3o consolidada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (S\u00famula n. 481\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia desta Corte \u00e9 firme no sentido de que a mera declara\u00e7\u00e3o de inatividade da empresa, desacompanhada de informa\u00e7\u00f5es claras e completas acerca de seu patrim\u00f4nio, ativos financeiros ou participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 suficiente para justificar a concess\u00e3o do benef\u00edcio, conforme reiteradamente decidido em a\u00e7\u00f5es rescis\u00f3rias recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a pr\u00f3pria requerente afirma que, desde 1998, passou a ter por finalidade exclusiva a administra\u00e7\u00e3o de bens pr\u00f3prios e a participa\u00e7\u00e3o em outras sociedades, consolidando-se como holding patrimonial. Todavia, n\u00e3o h\u00e1 qualquer esclarecimento nos autos acerca da efetiva destina\u00e7\u00e3o desses bens, da exist\u00eancia atual de patrim\u00f4nio, da eventual titularidade de quotas ou a\u00e7\u00f5es em outras sociedades, tampouco da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira de seus s\u00f3cios controladores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os documentos fiscais apresentados &#8211; DCTFs, DCTFWeb, certid\u00e3o negativa de d\u00e9bitos e declara\u00e7\u00e3o do contador &#8211; limitam-se a indicar aus\u00eancia de atividade operacional ou de fatos geradores tribut\u00e1rios, o que n\u00e3o se confunde com incapacidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A inatividade fiscal, por si s\u00f3, n\u00e3o afasta a exist\u00eancia de patrim\u00f4nio acumulado, especialmente, em se tratando de sociedade cuja pr\u00f3pria natureza jur\u00eddica \u00e9 a gest\u00e3o de ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, os documentos societ\u00e1rios juntados revelam hist\u00f3rico relevante de capital social elevado, sucessivas altera\u00e7\u00f5es contratuais com incrementos expressivos de capital ao longo do tempo, al\u00e9m da pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de estrutura empresarial compat\u00edvel com a administra\u00e7\u00e3o de bens de alto valor. Nada disso foi minimamente contextualizado para demonstrar eventual esvaziamento patrimonial ou impossibilidade concreta de suportar os encargos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre ainda destacar que a presente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria tem por objeto im\u00f3vel avaliado em aproximadamente R$ 30.000.000,00 (trinta milh\u00f5es de reais), circunst\u00e2ncia que torna pouco cr\u00edvel a alega\u00e7\u00e3o de absoluta incapacidade financeira da autora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Soma-se a isso o fato de que, conforme reconhecido nos autos, o valor da causa inicialmente atribu\u00eddo era manifestamente discrepante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o econ\u00f4mica do lit\u00edgio, o que refor\u00e7a a necessidade de exame rigoroso do pedido de gratuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se mostra razo\u00e1vel admitir que empresa que litiga para reaver patrim\u00f4nio de vulto milion\u00e1rio, e que se apresenta como holding patrimonial, esteja absolutamente impossibilitada de arcar com o dep\u00f3sito rescis\u00f3rio e demais despesas processuais, sem qualquer demonstra\u00e7\u00e3o concreta e transparente de sua situa\u00e7\u00e3o patrimonial atual. Assim, verifica-se que os documentos apresentados n\u00e3o comprovam a alegada insufici\u00eancia de recursos, limitando-se a alega\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas de inatividade e aus\u00eancia de faturamento, o que n\u00e3o atende ao \u00f4nus probat\u00f3rio exigido para a concess\u00e3o da gratuidade \u00e0 pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-empresa-estadual-competencia-para-crimes-sem-envolvimento-de-verba-federal\">3.&nbsp; Empresa estadual \u2013 compet\u00eancia para crimes sem envolvimento de verba federal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a Estadual \u00e9 competente para julgar crimes praticados contra empresa estadual <strong>quando n\u00e3o h\u00e1 desvio de verba de origem federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg nos EDcl no CC 213.422-GO, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Funcion\u00e1rios da Cumpratudo Energia S.A. (empresa estadual) desviaram recursos da companhia. O MP Estadual denunciou. A defesa suscitou conflito de compet\u00eancia alegando que, por envolver empresa de capital estadual com conv\u00eanios federais, a compet\u00eancia seria federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, IV<\/strong><em> (compet\u00eancia da JF \u2013 ofensa a bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o, autarquias ou empresas p\u00fablicas federais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal exige <strong>nexo direto com a Uni\u00e3o<\/strong> ou entidades federais. Empresa estadual \u00e9 ente local e crimes contra seu patrim\u00f4nio s\u00e3o, em regra, de compet\u00eancia estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd S\u00f3 h\u00e1 deslocamento para a Justi\u00e7a Federal quando o crime envolve <strong>efetivo desvio de verba de origem federal<\/strong> (transfer\u00eancia volunt\u00e1ria, conv\u00eanio com fiscaliza\u00e7\u00e3o federal ou recurso da Uni\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 109, IV, da CF define a compet\u00eancia federal por crit\u00e9rio subjetivo: crimes contra bens, servi\u00e7os ou interesses <strong>da Uni\u00e3o, suas autarquias ou empresas p\u00fablicas federais<\/strong>. Empresa estadual, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o integra esse rol.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O fato de a empresa estadual manter conv\u00eanios com a Uni\u00e3o <strong>n\u00e3o transforma automaticamente sua condi\u00e7\u00e3o em federal<\/strong>. \u00c9 necess\u00e1rio que o crime envolva efetivamente verba de origem federal \u2014 e n\u00e3o apenas o funcionamento ordin\u00e1rio da empresa com seus recursos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Se\u00e7\u00e3o fixou o crit\u00e9rio objetivo: <strong>h\u00e1 desvio de verba federal? Compet\u00eancia federal. N\u00e3o h\u00e1? Compet\u00eancia estadual<\/strong>. A mera exist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es da empresa estadual com a Uni\u00e3o n\u00e3o basta para o deslocamento competencial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o reafirma a <strong>excepcionalidade da compet\u00eancia federal<\/strong>. Crimes contra empresas estaduais seguem a regra geral da compet\u00eancia estadual, salvo demonstra\u00e7\u00e3o concreta do envolvimento de recursos federais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compet\u00eancia para crimes contra empresa estadual, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A compet\u00eancia \u00e9 da Justi\u00e7a Federal em raz\u00e3o da natureza p\u00fablica do ente.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 da Justi\u00e7a Federal quando a empresa estadual mant\u00e9m conv\u00eanios com a Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende do valor do preju\u00edzo patrimonial experimentado pela empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 da Justi\u00e7a Federal quando desdobramento de opera\u00e7\u00e3o conduzida no \u00e2mbito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 da Justi\u00e7a Estadual quando n\u00e3o h\u00e1 desvio de verba de origem federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A compet\u00eancia federal exige nexo espec\u00edfico com a Uni\u00e3o ou entidades federais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A exist\u00eancia de conv\u00eanios n\u00e3o transforma a empresa estadual em federal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O valor do preju\u00edzo \u00e9 irrelevante para fixar a compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. \u00c9 irrelevante o fato de as a\u00e7\u00f5es decorrerem de desdobramento de opera\u00e7\u00e3o conduzida no \u00e2mbito da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A compet\u00eancia federal \u00e9 excepcional (art. 109, IV, da CF), exigindo nexo concreto com recursos federais; crimes contra empresa estadual com recursos pr\u00f3prios seguem a regra estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em verificar o \u00f3rg\u00e3o jurisdicional competente para julgar os crimes licitat\u00f3rios praticados em detrimento da empresa de estadual de saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a Justi\u00e7a Estadual deve ser reconhecida como competente, pois os eventuais crimes licitat\u00f3rios n\u00e3o dizem respeito ao desvio de verba federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve-se assentar que a compet\u00eancia absoluta, como no caso entre a Justi\u00e7a Federal e a Estadual, n\u00e3o se prorroga pela conex\u00e3o probat\u00f3ria ou pela preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha, &#8220;A compet\u00eancia absoluta n\u00e3o pode ser alterada por conex\u00e3o ou contin\u00eancia, devendo prevalecer a orienta\u00e7\u00e3o segundo a qual a eventual conex\u00e3o entre as demandas s\u00f3 autoriza a reuni\u00e3o dos processos caso o ju\u00edzo apontado como prevento seja competente para ambas as causas.&#8221; (CC 217.562\/MG, Ministra Daniela Teixeira, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJEN de 15\/12\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, no caso, \u00e9 irrelevante o fato de as a\u00e7\u00f5es penais em discuss\u00e3o decorrerem de opera\u00e7\u00e3o que seria desdobramento de outra opera\u00e7\u00e3o conduzida no \u00e2mbito da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-portaria-ibama-desvio-de-poder-e-limitacao-do-exercicio-profissional-de-guia\">4. Portaria IBAMA \u2013 desvio de poder e limita\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio profissional de guia<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portaria do IBAMA que pro\u00edbe a venda de servi\u00e7os de guia de turismo em parque nacional configura <strong>desvio de poder<\/strong>, por aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o legal para a restri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.868.522-PR, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por maioria, julgado em 10\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kiko, guia de turismo credenciado, estava impedido de prestar suas atividades no Parque Nacional de Foz do Igua\u00e7u por for\u00e7a da Portaria n\u00ba 12\/2006 do IBAMA\/PR, que proibia a venda dos servi\u00e7os dentro do parque. A associa\u00e7\u00e3o de guias impetrou a\u00e7\u00e3o sustentando que a Lei n\u00ba 9.985\/2000 (SNUC) e o Decreto n\u00ba 4.340\/2002 n\u00e3o autorizam o IBAMA a limitar o exerc\u00edcio profissional. Pode o IBAMA restringir o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de guia por portaria?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XIII<\/strong><em> (livre exerc\u00edcio de qualquer trabalho, of\u00edcio ou profiss\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.985\/2000 (SNUC)<\/strong><em> (gest\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto n\u00ba 4.340\/2002<\/strong><em> (regulamenta\u00e7\u00e3o do SNUC).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A regulamenta\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio profissional \u00e9 mat\u00e9ria de <strong>reserva legal<\/strong>. O IBAMA tem compet\u00eancia para gerir unidades de conserva\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o para restringir por portaria o exerc\u00edcio de profiss\u00e3o regulamentada em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A portaria extrapolou o poder regulamentar: restringiu atividade profissional sem base legal espec\u00edfica, caracterizando <strong>desvio de finalidade<\/strong> do ato administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O princ\u00edpio da legalidade administrativa exige que atos infralegais tenham base em lei. A Lei do SNUC autoriza o IBAMA a gerir unidades de conserva\u00e7\u00e3o, mas <strong>n\u00e3o lhe confere compet\u00eancia para regulamentar o exerc\u00edcio profissional<\/strong> de guias de turismo, mat\u00e9ria disciplinada por legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Portaria n\u00ba 12\/2006 ultrapassou o \u00e2mbito regulamentar ao <strong>proibir a venda de servi\u00e7os dentro do parque<\/strong>. N\u00e3o se tratava de regular uso do espa\u00e7o (tempo, forma, seguran\u00e7a), mas de restringir atividade profissional legalmente constitu\u00edda, o que configura desvio de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O desvio de poder caracteriza-se quando o administrador utiliza a compet\u00eancia para <strong>finalidade diversa daquela para a qual a lei a conferiu<\/strong>. No caso, a compet\u00eancia de gest\u00e3o ambiental foi utilizada para limitar atividade econ\u00f4mica, o que foge \u00e0 finalidade legal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a que a <strong>discricionariedade administrativa tem limites<\/strong>: ainda quando motivada por preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas (ordenamento do uso do parque), a restri\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais exige amparo legal expresso. N\u00e3o basta invocar a tutela ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere ao ato administrativo que restringe exerc\u00edcio profissional de guia tur\u00edstico em unidade de conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Configura desvio de poder por aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 leg\u00edtimo quando justificado pela prote\u00e7\u00e3o ambiental da unidade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do conselho gestor da unidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Compete ao IBAMA por for\u00e7a da lei do SNUC.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Exige regulamenta\u00e7\u00e3o por decreto presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A regulamenta\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio profissional \u00e9 mat\u00e9ria de reserva legal. A Portaria n\u00ba 12\/2006 do IBAMA\/PR extrapolou sua compet\u00eancia ao restringir atividade sem base em lei espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A tutela ambiental n\u00e3o autoriza, por si, restri\u00e7\u00e3o a direito fundamental sem lei.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O v\u00edcio \u00e9 a aus\u00eancia de base legal, n\u00e3o a falta de autoriza\u00e7\u00e3o do conselho.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A Lei do SNUC autoriza a gest\u00e3o da unidade, n\u00e3o a restri\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A mat\u00e9ria exige lei em sentido formal, n\u00e3o decreto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de mandado de seguran\u00e7a por meio do qual se pretende a concess\u00e3o de ordem que reconhe\u00e7a a nulidade da Portaria n. 12\/2006 do IBAMA\/PR, que proibiu a venda de servi\u00e7os de guia de turismo no interior do Parque Nacional de Foz do Igua\u00e7u, determinando \u00e0 autoridade impetrada que n\u00e3o impe\u00e7a, por meio de fiscaliza\u00e7\u00e3o, a oferta desses servi\u00e7os, em especial no Centro de Visitantes da unidade de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; V\u00ea-se que a Lei n. 9.985\/2000 e o Decreto n. 4.340\/2002 de fato n\u00e3o autorizam a limita\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio profissional de guia tur\u00edstico, havendo desvio de poder na edi\u00e7\u00e3o da Portaria n. 12\/2006 do IBAMA.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme preceitua o art. 11, 2, da Lei n. 9.985\/2000, &#8220;a visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e1 sujeita \u00e0s normas e restri\u00e7\u00f5es estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, \u00e0s normas estabelecidas pelo \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por sua administra\u00e7\u00e3o, e \u00e0quelas previstas em regulamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o Plano de Manejo do Parque Nacional do Igua\u00e7u reconhece a possibilidade de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de guias tur\u00edsticos no interior do parque, desde que sejam seguidas a legisla\u00e7\u00e3o federal vigente e outras normas do \u00f3rg\u00e3o gestor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalta-se que a administra\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o do parque s\u00e3o objeto de concess\u00e3o \u00e0 iniciativa privada desde 1998, antes mesmo da edi\u00e7\u00e3o da portaria em quest\u00e3o. Desse modo, a atividade dos guias tur\u00edsticos dentro do Parque Nacional do Igua\u00e7u est\u00e1 sujeita \u00e0s regras estabelecidas pela empresa titular da concess\u00e3o, bem como \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, a Portaria n. 12\/2006, embora tenha sido editada com finalidade de interesse p\u00fablico, qual seja, a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da moralidade administrativa, n\u00e3o poderia se prestar \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da atividade dos guias tur\u00edsticos dentro do Parque Nacional do Igua\u00e7u, de maneira que est\u00e1 configurado o v\u00edcio de finalidade na sua edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-pert-descontos-de-multas-e-juros-e-incidencia-de-irpj-csll\">5.&nbsp; PERT \u2013 descontos de multas e juros e incid\u00eancia de IRPJ\/CSLL<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os descontos e redu\u00e7\u00f5es de multas e juros concedidos na ades\u00e3o ao PERT <strong>comp\u00f5em a base de c\u00e1lculo do IRPJ e CSLL<\/strong> no lucro presumido e no lucro real, por configurarem acr\u00e9scimo patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.128.885-CE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Devotudo Importa\u00e7\u00f5es S.A. aderiu ao PERT, obtendo redu\u00e7\u00f5es expressivas de multas e juros. Ao apurar o IRPJ e a CSLL, deixou de computar os valores descontados, sustentando que n\u00e3o constitu\u00edam renda. A Receita autuou. O desconto em programa de parcelamento \u00e9 receita tribut\u00e1vel ou mera redu\u00e7\u00e3o de passivo sem repercuss\u00e3o na base tribut\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 43<\/strong><em> (fato gerador do IR \u2013 aquisi\u00e7\u00e3o de disponibilidade econ\u00f4mica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 13.496\/2017<\/strong><em> (Programa Especial de Regulariza\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria (PERT)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O desconto em programa de parcelamento representa <strong>acr\u00e9scimo patrimonial<\/strong>: o contribuinte v\u00ea sua d\u00edvida reduzida sem contrapartida econ\u00f4mica, configurando disponibilidade nova.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A natureza do acr\u00e9scimo \u00e9 a mesma no lucro presumido e no lucro real: a diferen\u00e7a entre o valor originalmente devido e o valor efetivamente pago integra a <strong>receita tribut\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O IRPJ e a CSLL incidem sobre acr\u00e9scimos patrimoniais do contribuinte. Quando o Estado concede redu\u00e7\u00e3o de multas e juros em programa de parcelamento, o contribuinte <strong>obt\u00e9m vantagem econ\u00f4mica que reduz seu passivo sem contrapresta\u00e7\u00e3o correspondente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Essa vantagem configura <strong>aumento do patrim\u00f4nio l\u00edquido (acr\u00e9scimo patrimonial)<\/strong>, pois o contribuinte passa a ter menos d\u00edvidas sem ter desembolsado valor proporcional. A natureza \u00e9 an\u00e1loga \u00e0 remiss\u00e3o de d\u00edvida pelo credor privado, que tamb\u00e9m integra a base de c\u00e1lculo do imposto sobre a renda.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Turma estendeu o entendimento aos dois regimes: <strong>tanto no lucro presumido quanto no lucro real, os descontos do PERT comp\u00f5em a base<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o de tratamento, pois a natureza do acr\u00e9scimo \u00e9 a mesma em ambos os regimes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a a <strong>autonomia entre o regime do parcelamento (benef\u00edcio fiscal espec\u00edfico) e a tributa\u00e7\u00e3o da renda<\/strong>. O benef\u00edcio do PERT \u00e9 bilateral: reduz o passivo tribut\u00e1rio espec\u00edfico (multas e juros), mas gera acr\u00e9scimo que tributa o imposto sobre a renda, sem que isso anule o benef\u00edcio original.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a tributa\u00e7\u00e3o dos descontos obtidos na ades\u00e3o ao PERT, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) S\u00e3o isentos de IRPJ e CSLL por se tratarem de benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Comp\u00f5em a base do IRPJ e CSLL apenas no regime do lucro real.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Comp\u00f5em a base do IRPJ e CSLL, por configurarem acr\u00e9scimo patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Configuram mera redu\u00e7\u00e3o de passivo, sem repercuss\u00e3o na base do IRPJ.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Exigem lei complementar espec\u00edfica para serem tributados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 isen\u00e7\u00e3o legal prevista; o acr\u00e9scimo \u00e9 tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A tributa\u00e7\u00e3o aplica-se a ambos os regimes, dada a natureza do acr\u00e9scimo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A redu\u00e7\u00e3o do passivo sem contrapresta\u00e7\u00e3o configura acr\u00e9scimo patrimonial (CTN, art. 43), tribut\u00e1vel no IRPJ e na CSLL em ambos os regimes.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A redu\u00e7\u00e3o de passivo sem contrapartida gera disponibilidade nova, tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A tributa\u00e7\u00e3o decorre da regra geral do IR, sem exig\u00eancia de lei complementar espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito, em que se busca a restitui\u00e7\u00e3o de IRPJ e de CSLL incidentes sobre os valores decorrentes da redu\u00e7\u00e3o de multa e de juros de mora em raz\u00e3o da ades\u00e3o a programa de parcelamento tribut\u00e1rio &#8211; PERT.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante, a quest\u00e3o em debate j\u00e1 est\u00e1 pacificada no \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido da inclus\u00e3o dos valores atinentes aos descontos\/redu\u00e7\u00f5es de multas e dos juros concedidos ao contribuinte na ades\u00e3o a programa de parcelamento tribut\u00e1rio &#8211; PERT na base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme ressaltado pelo STJ, a concess\u00e3o de benef\u00edcio fiscal de redu\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, em regra, por operar diminui\u00e7\u00e3o nos custos da empresa, impacta positivamente em seu lucro, de modo a atrair, sobre o valor correspondente a essa redu\u00e7\u00e3o, a incid\u00eancia do IRPJ e da CSLL (AgInt no AREsp 2149908\/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 24\/6\/2024, DJe 3\/7\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, cumpre registrar que o fato de a contribuinte estar submetida \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro presumido, em que se adota como base de c\u00e1lculo percentual da receita bruta da empresa, n\u00e3o afasta a aplica\u00e7\u00e3o do entendimento pacificado. Isso ocorre porque ambas as Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ adotam o posicionamento de que esses mesmos valores integram a base de c\u00e1lculo do PIS e da COFINS, tributos cuja base impon\u00edvel tamb\u00e9m \u00e9 a receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, mesmo quando a empresa apura o IRPJ e a CSLL pelo regime do lucro presumido, os descontos\/redu\u00e7\u00f5es de multas e os juros concedidos ao contribuinte na ades\u00e3o a programa de parcelamento tribut\u00e1rio, no caso o PERT, devem ser considerados nas respectivas bases de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-transfusao-forcada-em-testemunha-de-jeova-via-processual-para-dano-moral\">6. Transfus\u00e3o for\u00e7ada em Testemunha de Jeov\u00e1 \u2013 via processual para dano moral<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deferida tutela para transfus\u00e3o de sangue em paciente Testemunha de Jeov\u00e1, a pretens\u00e3o de dano moral <strong>deve ser deduzida em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/strong>, n\u00e3o podendo ser apreciada em incidente de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.123.053-SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, Testemunha de Jeov\u00e1, recusou transfus\u00e3o de sangue em procedimento hospitalar. A Sa\u00fade Garantida Planos Ltda. obteve tutela de urg\u00eancia para realizar a transfus\u00e3o contra sua vontade. Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o, Creosvaldo pleiteou danos morais pela viola\u00e7\u00e3o de sua liberdade religiosa por meio de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a. A pretens\u00e3o de dano moral pela transfus\u00e3o for\u00e7ada pode ser deduzida em liquida\u00e7\u00e3o, ou exige a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 302, III<\/strong><em> (responsabilidade por efetiva\u00e7\u00e3o de tutela de urg\u00eancia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 309, III<\/strong><em> (cessa\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia da tutela).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a pressup\u00f5e condena\u00e7\u00e3o anterior a uma obriga\u00e7\u00e3o, destinando-se apenas a determinar o quantum. Dano moral exige processo cognitivo aut\u00f4nomo, com <strong>contradit\u00f3rio e instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria pr\u00f3prios<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A efetiva\u00e7\u00e3o de tutela pode gerar responsabilidade civil (CPC, art. 302), mas a apura\u00e7\u00e3o de dano moral espec\u00edfico exige <strong>a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria<\/strong>, n\u00e3o incidente em execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a \u00e9 fase do processo de conhecimento destinada a <strong>determinar o quantum debeatur quando h\u00e1 senten\u00e7a condenat\u00f3ria il\u00edquida<\/strong>. N\u00e3o substitui o processo cognitivo para a apura\u00e7\u00e3o de nova obriga\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do dano moral decorrente da efetiva\u00e7\u00e3o da tutela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A transfus\u00e3o realizada por for\u00e7a de tutela de urg\u00eancia <strong>pode gerar responsabilidade civil da parte requerente ou do hospital<\/strong> (CPC, art. 302, III), mas essa responsabilidade n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica nem pode ser apurada em liquida\u00e7\u00e3o. Exige-se contradit\u00f3rio amplo sobre a exist\u00eancia do dano, seu quantum e os respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma distinguiu: <strong>na liquida\u00e7\u00e3o, apenas calcula-se o que j\u00e1 foi reconhecido; na a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, examina-se a exist\u00eancia e extens\u00e3o do dano<\/strong>. A pretens\u00e3o de dano moral por transfus\u00e3o for\u00e7ada envolve an\u00e1lise f\u00e1tica complexa (liberdade religiosa, urg\u00eancia m\u00e9dica, proporcionalidade) incompat\u00edvel com a natureza expedita da liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o n\u00e3o nega o direito \u00e0 repara\u00e7\u00e3o: apenas define a <strong>via processual adequada<\/strong>. O paciente mant\u00e9m direito de ajuizar a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria contra os respons\u00e1veis (hospital, plano de sa\u00fade, profissionais), com instru\u00e7\u00e3o completa e ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deferida tutela para transfus\u00e3o de sangue em paciente Testemunha de Jeov\u00e1, o dano moral decorrente dessa efetiva\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 presumido e apurado na pr\u00f3pria liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Somente \u00e9 cab\u00edvel se o paciente falecer em raz\u00e3o do procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Decorre da mera comprova\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o religiosa do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Deve ser deduzido em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, n\u00e3o cabendo apura\u00e7\u00e3o em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Pressup\u00f5e pr\u00e9via declara\u00e7\u00e3o judicial de invalidade da tutela deferida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A liquida\u00e7\u00e3o apura quantum de obriga\u00e7\u00e3o j\u00e1 reconhecida; n\u00e3o apura novo dano.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O dano moral pode decorrer da mera viola\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa, sem exigir morte.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O dano moral exige contradit\u00f3rio e demonstra\u00e7\u00e3o concreta, n\u00e3o se presumindo pela ades\u00e3o religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A apura\u00e7\u00e3o do dano moral exige a\u00e7\u00e3o cognitiva aut\u00f4noma, com contradit\u00f3rio e instru\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios, incompat\u00edveis com a natureza restrita da liquida\u00e7\u00e3o (CPC, art. 302, III).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria n\u00e3o exige pr\u00e9via invalida\u00e7\u00e3o da tutela.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia tem origem em a\u00e7\u00e3o proposta por um hospital que obteve tutela de urg\u00eancia para realizar transfus\u00e3o de sangue em paciente que, por convic\u00e7\u00f5es religiosas, recusava o procedimento, medida que chegou a ser efetivada. Posteriormente, a decis\u00e3o teve sua efic\u00e1cia suspensa em sede de agravo de instrumento, sobrevindo a alta hospitalar diante da recusa da institui\u00e7\u00e3o em prosseguir com o tratamento sem o uso de sangue, seguida de pedido de desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o e sua extin\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado e o falecimento do paciente, seu esp\u00f3lio ajuizou incidente de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a visando \u00e0 repara\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes da tutela anteriormente efetivada, o qual foi extinto pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias sob o fundamento de inexist\u00eancia de t\u00edtulo judicial a ser liquidado e da necessidade de propositura de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma para discuss\u00e3o da responsabilidade civil do hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a controv\u00e9rsia recursal consiste em decidir se os arts. 302, III e par\u00e1grafo \u00fanico, c\/c 309, III, ambos do CPC, autorizam a liquida\u00e7\u00e3o, nos pr\u00f3prios autos, da indeniza\u00e7\u00e3o por preju\u00edzos decorrentes da efetiva\u00e7\u00e3o de tutela provis\u00f3ria cuja efic\u00e1cia cessou por senten\u00e7a sem m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, o art. 302 do CPC prev\u00ea que a indeniza\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo causado \u00e0 parte adversa em virtude da efetiva\u00e7\u00e3o da tutela de urg\u00eancia ser\u00e1 liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que poss\u00edvel. Assim, n\u00e3o \u00e9 todo e qualquer dano que ser\u00e1 liquidado nos mesmos autos principais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como bem delineado no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, embora a responsabilidade seja de natureza objetiva, o procedimento de liquida\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o adequado para discutir poss\u00edvel ilegalidade de ordem judicial pela qual se deferiu transfus\u00e3o de sangue em Testemunha de Jeov\u00e1, por se tratar de quest\u00e3o complexa, que merece aprofundamento em via pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta feita, se o objetivo \u00e9 discutir eventuais danos morais sofridos pelo esp\u00f3lio do paciente em virtude dos fatos ocorridos nos autos principais, devem os interessados buscar o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o adequada, porquanto, como bem salientou o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido &#8220;a an\u00e1lise sobre a legalidade ou n\u00e3o da conduta do hospital (consistente em realizar, com autoriza\u00e7\u00e3o judicial e mediante o uso da for\u00e7a, a primeira sess\u00e3o de transfus\u00e3o de sangue) \u00e9 quest\u00e3o que refoge ao campo cognitivo da lide, devendo ser debatida, se o caso, na via pr\u00f3pria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, n\u00e3o merece reforma o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido porque, na hip\u00f3tese de se pretender a an\u00e1lise de eventuais danos morais supostamente experimentados pelo paciente, em decorr\u00eancia dos fatos delineados nos autos principais, imp\u00f5e-se que o esp\u00f3lio, ou seus herdeiros, deduzam sua pretens\u00e3o pela via processual pr\u00f3pria, mediante a propositura de a\u00e7\u00e3o cab\u00edvel, n\u00e3o sendo poss\u00edvel a aprecia\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria neste incidente de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, delineado no art. 302, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-cumprimento-provisorio-conversao-em-definitivo-e-necessidade-de-intimacao\">7. Cumprimento provis\u00f3rio \u2013 convers\u00e3o em definitivo e necessidade de intima\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O devedor <strong>deve ser intimado<\/strong> para cumprir obriga\u00e7\u00e3o ou apresentar impugna\u00e7\u00e3o quando o cumprimento provis\u00f3rio se convola em definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.997.512-RS, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio foi executado em cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a. Ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado do t\u00edtulo, o ju\u00edzo deu prosseguimento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o como definitiva sem nova intima\u00e7\u00e3o. Tib\u00farcio recorreu alegando viola\u00e7\u00e3o ao contradit\u00f3rio, pois perdeu a oportunidade de impugnar no regime definitivo. A convers\u00e3o do cumprimento provis\u00f3rio em definitivo dispensa nova intima\u00e7\u00e3o do devedor?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 513, \u00a7 2\u00ba, 520, 523 e 527<\/strong><em> (regime do cumprimento de senten\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O cumprimento provis\u00f3rio e o definitivo t\u00eam <strong>regras e efeitos distintos<\/strong>. No provis\u00f3rio, h\u00e1 cau\u00e7\u00e3o e responsabilidade objetiva do exequente; no definitivo, a execu\u00e7\u00e3o prossegue sem essas limita\u00e7\u00f5es. A mudan\u00e7a de regime altera a esfera jur\u00eddica do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica para fins de desconsiderar o contradit\u00f3rio: o devedor precisa ser <strong>intimado para oferecer impugna\u00e7\u00e3o<\/strong> no regime definitivo, com os novos fundamentos cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O cumprimento provis\u00f3rio (CPC, art. 520) e o definitivo (CPC, art. 523) s\u00e3o regimes distintos. No provis\u00f3rio, h\u00e1 <strong>cau\u00e7\u00e3o, responsabilidade objetiva do exequente e limites aos atos expropriat\u00f3rios<\/strong>; no definitivo, a execu\u00e7\u00e3o prossegue sem essas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Quando ocorre a convers\u00e3o (pelo tr\u00e2nsito em julgado), as regras mudam substancialmente. Ignorar essa transforma\u00e7\u00e3o seria <strong>retirar do devedor a oportunidade de impugnar no novo regime<\/strong>, com os fundamentos espec\u00edficos do cumprimento definitivo (art. 525).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma reconheceu que o devedor <strong>deve ser novamente intimado para cumprir ou impugnar<\/strong>, mesmo que j\u00e1 tenha sido intimado no cumprimento provis\u00f3rio. A intima\u00e7\u00e3o anterior esgotou-se no regime provis\u00f3rio; o novo regime exige nova comunica\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o preserva o <strong>contradit\u00f3rio substancial<\/strong>: o devedor n\u00e3o pode ser surpreendido pela continuidade autom\u00e1tica da execu\u00e7\u00e3o em regime diverso, com perda da oportunidade de defesa. A exig\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o \u00e9 garantia processual inafast\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a se convola em definitivo:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Dispensa nova intima\u00e7\u00e3o, pois o devedor j\u00e1 foi intimado no provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Exige nova intima\u00e7\u00e3o para cumprimento ou impugna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de requerimento expresso do exequente para nova intima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige nova cita\u00e7\u00e3o do devedor, a ser realizada por oficial de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Prescinde de ato processual do ju\u00edzo, operando por for\u00e7a da lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A intima\u00e7\u00e3o anterior esgota-se no regime provis\u00f3rio; o novo regime exige comunica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> Os regimes provis\u00f3rio e definitivo s\u00e3o distintos, com fundamentos de impugna\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios; a aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o retira do devedor a oportunidade de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A intima\u00e7\u00e3o decorre da natureza do ato processual, n\u00e3o de requerimento do exequente.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Trata-se de intima\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de nova cita\u00e7\u00e3o; o processo j\u00e1 est\u00e1 instaurado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A aus\u00eancia de ato processual comunicador violaria o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em analisar se, com amparo no art. 523, caput, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), o executado deve ser intimado para cumprir sua obriga\u00e7\u00e3o ou para apresentar impugna\u00e7\u00e3o, quando o cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a se convola em cumprimento definitivo. Nesse sentido, o CPC estabelece que o cumprimento provis\u00f3rio da senten\u00e7a ser\u00e1 realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo (art. 520, caput), sendo que as regras do cumprimento definitivo aplicam-se, no que couber, ao procedimento provis\u00f3rio (art. 527). J\u00e1 se observa que as disposi\u00e7\u00f5es da execu\u00e7\u00e3o definitiva aplicam-se supletivamente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, mas n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A diferen\u00e7a fundamental entre um e outro est\u00e1 no grau de estabilidade da decis\u00e3o judicial executada: enquanto no cumprimento provis\u00f3rio a senten\u00e7a ainda \u00e9 pass\u00edvel de recurso desprovido de efeito suspensivo (art. 520, caput, do CPC) e pode ser alterada, o cumprimento definitivo exige condena\u00e7\u00e3o em quantia certa, fixada em liquida\u00e7\u00e3o, ou decis\u00e3o sobre parcela incontroversa (art. 523, caput, do CPC). No que tange \u00e0 intima\u00e7\u00e3o, a lei processual estabelece que o devedor ser\u00e1 intimado para cumprir a senten\u00e7a (art. 513, 2). Essa determina\u00e7\u00e3o n\u00e3o diferencia o cumprimento provis\u00f3rio do definitivo, de modo que o afastamento da intima\u00e7\u00e3o, quando o procedimento provis\u00f3rio convola-se em definitivo, n\u00e3o \u00e9 excepcionado pela regra geral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 importante frisar que a intima\u00e7\u00e3o do devedor quando da mencionada convola\u00e7\u00e3o n\u00e3o retira a coercitividade da execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, ao passo que a aus\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o definitiva pode representar ofensa ao direito de defesa do executado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, n\u00e3o se pode presumir que a intima\u00e7\u00e3o realizada na execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria supre a necessidade de nova intima\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o definitiva. A intima\u00e7\u00e3o a ser feita no cumprimento definitivo representa ato processual distinto e aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela realizada na provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O CPC n\u00e3o estabelece que o procedimento de cumprimento provis\u00f3rio substitua o cumprimento definitivo, de modo que as disposi\u00e7\u00f5es gerais e espec\u00edficas, mesmo quando praticadas em momento provis\u00f3rio, tamb\u00e9m devem ser observadas na execu\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o bastasse isso, a diferencia\u00e7\u00e3o entre os ritos e as etapas processuais, somada \u00e0s eventuais discrep\u00e2ncias entre os valores apurados no cumprimento provis\u00f3rio e no definitivo, imp\u00f5e a intima\u00e7\u00e3o na instaura\u00e7\u00e3o do cumprimento definitivo, sem que isso acarrete qualquer preju\u00edzo \u00e0 efetividade ou \u00e0 for\u00e7a coercitiva do procedimento provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se, portanto, que o CPC exige a intima\u00e7\u00e3o do devedor quando da convola\u00e7\u00e3o do cumprimento provis\u00f3rio em definitivo, para que seja iniciado o prazo para o pagamento da d\u00edvida, possibilitando ao executado cumprir a obriga\u00e7\u00e3o l\u00edquida, certa e exig\u00edvel, ou impugnar o valor da condena\u00e7\u00e3o. A intima\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera liberalidade que possa ser dispensada na execu\u00e7\u00e3o definitiva; ao contr\u00e1rio, representa formalidade necess\u00e1ria ao aperfei\u00e7oamento do cumprimento permanente da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-minha-casa-minha-vida-solidariedade-entre-construtora-e-cef-por-vicios\">8. Minha Casa, Minha Vida \u2013 solidariedade entre construtora e CEF por v\u00edcios<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A construtora e a CEF respondem <strong>solidariamente pelos v\u00edcios de constru\u00e7\u00e3o no Programa Minha Casa, Minha Vida<\/strong>, sendo cab\u00edvel indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais quando os defeitos comprometem a habitabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.153.450-RJ, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda, querendo se mudar da vila para n\u00e3o se misturar com a gentalha, adquiriu im\u00f3vel no Programa Minha Casa, Minha Vida financiado pela Caixa e constru\u00eddo pela Sobrevivendo Constru\u00e7\u00f5es Ltda. Surgiram v\u00edcios estruturais (infiltra\u00e7\u00f5es graves, rachaduras) que tornaram o im\u00f3vel inabit\u00e1vel. Dona Florinda, tendo de retornar ao conv\u00edvio com Seu Madruga, ajuizou a\u00e7\u00e3o contra a construtora e a Caixa pleiteando indeniza\u00e7\u00e3o. A Caixa negou responsabilidade alegando ser mera agente financeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, arts. 14 e 25<\/strong><em> (responsabilidade solid\u00e1ria do fornecedor).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.977\/2009<\/strong><em> (Programa Minha Casa, Minha Vida).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda No PMCMV, a CEF atua como agente financeiro e gestor operacional do programa, fiscalizando a execu\u00e7\u00e3o das obras e liberando recursos conforme o andamento. Essa atua\u00e7\u00e3o a coloca na <strong>cadeia de fornecimento<\/strong> do im\u00f3vel, gerando responsabilidade solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Quando os v\u00edcios <strong>comprometem a habitabilidade<\/strong>, configura-se dano moral que ultrapassa o mero dissabor, justificando indeniza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 No PMCMV, a CEF n\u00e3o \u00e9 mera financiadora: atua como <strong>gestora operacional e fiscalizadora da execu\u00e7\u00e3o das obras<\/strong>. Libera recursos em etapas, aprova projetos e fiscaliza entregas. Essa atua\u00e7\u00e3o integrada a insere na cadeia de fornecimento do im\u00f3vel (CDC, art. 14).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A solidariedade decorre da <strong>posi\u00e7\u00e3o da CEF como fornecedora dos servi\u00e7os habitacionais<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que o adquirente, em rela\u00e7\u00e3o contratual complexa, tenha que distinguir responsabilidades entre construtora e agente financeiro quando o im\u00f3vel apresenta v\u00edcios que comprometem sua utilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O dano moral configura-se quando os <strong>v\u00edcios comprometem a habitabilidade do im\u00f3vel<\/strong>: rachaduras estruturais, infiltra\u00e7\u00f5es graves, aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. N\u00e3o se trata de mero aborrecimento por atraso ou defeito est\u00e9tico, mas da frustra\u00e7\u00e3o do direito fundamental \u00e0 moradia digna.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem impacto significativo no <strong>acesso \u00e0 justi\u00e7a dos benefici\u00e1rios do programa<\/strong>, que frequentemente enfrentavam dificuldades para responsabilizar a CEF. A solidariedade facilita a repara\u00e7\u00e3o ao permitir que o adquirente acione qualquer dos fornecedores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Programa Minha Casa, Minha Vida, quando o im\u00f3vel apresenta v\u00edcios que comprometem a habitabilidade:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Somente a construtora responde pelos v\u00edcios; a CEF atua como mera agente financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A CEF responde apenas pelos aspectos financeiros; os v\u00edcios de constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o de responsabilidade exclusiva da construtora.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A responsabilidade da CEF \u00e9 subsidi\u00e1ria \u00e0 da construtora.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A responsabilidade da construtora \u00e9 subsidi\u00e1ria \u00e0 da CEF.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Construtora e CEF respondem solidariamente, cabendo danos morais quando comprometida a habitabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. No PMCMV, a CEF atua como gestora e fiscalizadora, integrando a cadeia de fornecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A atua\u00e7\u00e3o integrada da CEF no programa gera responsabilidade solid\u00e1ria, n\u00e3o segmentada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A responsabilidade no CDC (art. 14) \u00e9 solid\u00e1ria, n\u00e3o subsidi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. De jeito nenhum! Tudo invertido.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A CEF integra a cadeia de fornecimento por atuar como gestora e fiscalizadora do programa (CDC, arts. 14 e 25), e os v\u00edcios que comprometem a habitabilidade configuram dano moral indeniz\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a examinar a responsabilidade da construtora e da Caixa Econ\u00f4mica Federal no \u00e2mbito do Programa Minha Casa, Minha Vida pelos v\u00edcios construtivos surgidos em im\u00f3vel, bem como da necessidade de pr\u00e9vio acionamento do programa &#8220;De Olho na Qualidade&#8221; como condi\u00e7\u00e3o para o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o. Discute-se, ainda, a possibilidade de condena\u00e7\u00e3o por danos morais diante da exist\u00eancia de v\u00edcios graves no im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No tocante \u00e0 preliminar de falta de interesse de agir, o entendimento pac\u00edfico do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 no sentido de que n\u00e3o se exige o esgotamento da via administrativa como condi\u00e7\u00e3o para o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es judiciais, em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional do livre acesso \u00e0 Justi\u00e7a. Assim, n\u00e3o prospera o argumento de falta de interesse de agir, fundamentado na aus\u00eancia de acionamento pr\u00e9vio do programa &#8220;De Olho na Qualidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Superada essa quest\u00e3o, verifica-se que, em casos que envolvem o Programa Minha Casa, Minha Vida, a construtora \u00e9 solidariamente respons\u00e1vel&amp;#8201;pelos v\u00edcios da obra, juntamente com a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF), a qual atua como agente executor de pol\u00edticas p\u00fablicas federais para a promo\u00e7\u00e3o de moradia para pessoas de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, no que concerne \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, a jurisprud\u00eancia do STJ admite a condena\u00e7\u00e3o em casos de v\u00edcios construtivos que ultrapassam o mero dissabor, afetando a dignidade e a tranquilidade do morador. No caso, a prec\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o de habitabilidade&amp;#8201; do im\u00f3vel, com v\u00edcios graves, como comprometimento total do revestimento e infiltra\u00e7\u00f5es, evidencia a les\u00e3o a interesse existencial e a ang\u00fastia que transcende o mero aborrecimento, configurando dano moral indeniz\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-averiguacao-oficiosa-de-paternidade-natureza-administrativa-e-intimacao-da-genitora\">9. Averigua\u00e7\u00e3o oficiosa de paternidade \u2013 natureza administrativa e intima\u00e7\u00e3o da genitora<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A averigua\u00e7\u00e3o oficiosa de paternidade tem <strong>natureza administrativa<\/strong> e n\u00e3o constitui condi\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o investigat\u00f3ria, dispensando intima\u00e7\u00e3o da genitora quando ausente indica\u00e7\u00e3o do suposto pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Crementina, genitora de crian\u00e7a registrada sem o nome do pai, expressamente se recusou a indicar o suposto genitor. O ju\u00edzo ainda assim determinou sua intima\u00e7\u00e3o para comparecer \u00e0 averigua\u00e7\u00e3o oficiosa prevista na Lei n\u00ba 8.560\/1992. Crementina recorreu sustentando que a averigua\u00e7\u00e3o exige pr\u00e9via indica\u00e7\u00e3o de suposto pai. A averigua\u00e7\u00e3o oficiosa pode ser instaurada mesmo sem indica\u00e7\u00e3o do suposto pai pela genitora?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.560\/1992<\/strong><em> (investiga\u00e7\u00e3o de paternidade \u2013 averigua\u00e7\u00e3o oficiosa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A averigua\u00e7\u00e3o oficiosa \u00e9 procedimento administrativo que <strong>pressup\u00f5e indica\u00e7\u00e3o<\/strong> (pela m\u00e3e ou por outro meio) de suposto pai. Sem essa indica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 objeto ao procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A averigua\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o<\/strong> para a a\u00e7\u00e3o judicial de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade. A parte interessada pode ingressar diretamente em ju\u00edzo, e a recusa da m\u00e3e em indicar suposto pai n\u00e3o bloqueia o acesso judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Lei n\u00ba 8.560\/1992 disciplina a investiga\u00e7\u00e3o de paternidade, incluindo a figura da averigua\u00e7\u00e3o oficiosa. Trata-se de <strong>procedimento administrativo cartor\u00e1rio<\/strong>, voltado a obter reconhecimento volunt\u00e1rio do suposto pai antes da judicializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A averigua\u00e7\u00e3o oficiosa <strong>exige pr\u00e9via indica\u00e7\u00e3o do suposto pai<\/strong>: sem indica\u00e7\u00e3o, falta o pr\u00f3prio objeto do procedimento. N\u00e3o h\u00e1 como &#8216;investigar&#8217; of\u00edciosamente quem n\u00e3o foi apontado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma rejeitou a imposi\u00e7\u00e3o de intima\u00e7\u00e3o da genitora para comparecer ao procedimento quando ela <strong>expressamente se recusa a indicar o suposto pai<\/strong>. A recusa da m\u00e3e n\u00e3o pode ser compensada por medidas coercitivas administrativas \u2014 \u00e9 direito seu n\u00e3o indicar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o esclarece importante ponto: <strong>a averigua\u00e7\u00e3o oficiosa n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o investigat\u00f3ria<\/strong>. O interessado (filho, Minist\u00e9rio P\u00fablico) pode ingressar diretamente em ju\u00edzo, e a a\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade tramita com os meios pr\u00f3prios de prova, inclusive DNA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a genitora se recusa a indicar o suposto pai, a averigua\u00e7\u00e3o oficiosa de paternidade:<\/p>\n\n\n\n<p>A) N\u00e3o pode ser instaurada, pois exige pr\u00e9via indica\u00e7\u00e3o de suposto pai.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Impede o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o investigat\u00f3ria at\u00e9 que seja realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Deve ser substitu\u00edda por requisi\u00e7\u00e3o de exame de DNA coletivo na fam\u00edlia materna.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Pode ser instaurada de of\u00edcio a partir de registros p\u00fablicos que indiquem paternidade prov\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Torna obrigat\u00f3ria a intima\u00e7\u00e3o da genitora para apontar o suposto pai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> Sem indica\u00e7\u00e3o do suposto pai, falta objeto ao procedimento administrativo, e o interessado pode ingressar diretamente em ju\u00edzo com a a\u00e7\u00e3o investigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A averigua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o investigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de DNA coletivo na fam\u00edlia materna para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. De of\u00edcio? A\u00ed n\u00e3o&#8230; Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 tal presun\u00e7\u00e3o a partir de registros&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A recusa da genitora n\u00e3o pode ser suprida por coer\u00e7\u00e3o; \u00e9 direito seu.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O procedimento de averigua\u00e7\u00e3o oficiosa de paternidade, disciplinado pela Lei n. 8.560\/1992, possui natureza administrativa e insere-se no \u00e2mbito da jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, n\u00e3o constituindo requisito para o ajuizamento de futura a\u00e7\u00e3o judicial de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A paternidade a ser investigada no procedimento administrativo \u00e9 a de suposto pai, cujo nome tenha sido declarado perante o Oficial do Registro Civil pela m\u00e3e ou por terceiro que dele tenha conhecimento. O intuito \u00e9 investigar oficiosamente a veracidade da atribui\u00e7\u00e3o da paternidade feita unilateralmente pela m\u00e3e ou por terceiro declarante, dando oportunidade ao alegado pai de reconhecer expressamente a paternidade, sem necessidade de a\u00e7\u00e3o contenciosa de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se n\u00e3o h\u00e1 atribui\u00e7\u00e3o de paternidade a nenhum indiv\u00edduo perante o Oficial do Registro Civil, n\u00e3o se apresenta a hip\u00f3tese cogitada pela regra do art. 2 da Lei n. 8.560\/1992, pois n\u00e3o h\u00e1 paternidade alegada em rela\u00e7\u00e3o a suposto pai que pudesse ser notificado para concordar ou n\u00e3o com a paternidade que lhe foi imputada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 2 da Lei n. 8.560\/1992 n\u00e3o determina ao magistrado, na aus\u00eancia de atribui\u00e7\u00e3o de paternidade no ato de registro &#8211; notadamente quando houver recusa expressa da genitora de declarar o nome do suposto pai &#8211; que ordene a intima\u00e7\u00e3o da m\u00e3e para dela obter informa\u00e7\u00f5es, em sua presen\u00e7a e na presen\u00e7a do representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico, para a identifica\u00e7\u00e3o do genitor da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora a Lei n. 8.560\/1992 estabele\u00e7a mecanismos destinados \u00e0 apura\u00e7\u00e3o da paternidade de filhos havidos fora do casamento, a atua\u00e7\u00e3o judicial deve observar, de forma equilibrada, tanto o direito da crian\u00e7a \u00e0 origem gen\u00e9tica quanto o direito da genitora \u00e0 intimidade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral, conforme preceitua o art. 17 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; ECA.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em in\u00fameros casos, a aus\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o imediata do suposto pai decorre da necessidade de proteger o menor de contextos familiares permeados por situa\u00e7\u00f5es de risco. O sil\u00eancio materno, nesses casos, constitui medida de autoprote\u00e7\u00e3o e de tutela da integridade f\u00edsica e emocional da crian\u00e7a, cujo desenvolvimento saud\u00e1vel poderia ser gravemente comprometido caso tais circunst\u00e2ncias fossem desconsideradas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumpre observar que a genitora, ao ser chamada a prestar declara\u00e7\u00f5es perante o Minist\u00e9rio P\u00fablico ou o Ju\u00edzo, encontra-se, em regra, em posi\u00e7\u00e3o de acentuada vulnerabilidade, podendo sentir-se constrangida ou compelida a indicar o suposto genitor, ainda que tema eventuais repres\u00e1lias paternas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal contexto evidencia a necessidade de atua\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico pautada pela sensibilidade e pela prote\u00e7\u00e3o integral da mulher e da crian\u00e7a, evitando-se a revitimiza\u00e7\u00e3o e assegurando-se ambiente seguro e prop\u00edcio para a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-execucao-eletronica-juntada-do-titulo-original-nao-e-requisito-de-admissibilidade\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Execu\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica \u2013 juntada do t\u00edtulo original n\u00e3o \u00e9 requisito de admissibilidade<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A juntada da via original do t\u00edtulo executivo extrajudicial <strong>n\u00e3o \u00e9 requisito de admissibilidade<\/strong> da execu\u00e7\u00e3o no processo eletr\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.015.911-DF, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Empresta F\u00e1cil S.A. ajuizou execu\u00e7\u00e3o baseada em c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, instruindo a inicial com c\u00f3pia digitalizada. O ju\u00edzo extinguiu o feito por aus\u00eancia da juntada da via original. O Banco recorreu alegando que, no processo eletr\u00f4nico, a apresenta\u00e7\u00e3o digital \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 425, VI, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong><em> (documentos eletr\u00f4nicos e sua validade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.419\/2006, art. 11<\/strong><em> (autenticidade dos documentos eletr\u00f4nicos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda No processo eletr\u00f4nico, a digitaliza\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo executivo autenticada presume autenticidade. A juntada da via original <strong>s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria quando houver d\u00favida concreta<\/strong> suscitada pela parte adversa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O juiz tem <strong>discricionariedade fundamentada<\/strong> para exigir a via original, mas n\u00e3o pode transformar essa faculdade em requisito autom\u00e1tico de admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O processo eletr\u00f4nico trouxe substancial modifica\u00e7\u00e3o ao regime probat\u00f3rio documental. A Lei n\u00ba 11.419\/2006 e o CPC (art. 425, VI) reconhecem <strong>validade aos documentos digitalizados e aos produzidos eletronicamente<\/strong>, desde que respeitados os requisitos de autenticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Exigir a juntada da via original como requisito autom\u00e1tico de admissibilidade <strong>esvaziaria a finalidade da digitaliza\u00e7\u00e3o processual<\/strong>. O t\u00edtulo digitalizado, salvo impugna\u00e7\u00e3o fundamentada, goza de presun\u00e7\u00e3o de autenticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma fixou crit\u00e9rio: <strong>o juiz pode determinar a juntada da via original, mas deve fundamentar a necessidade<\/strong>. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 casu\u00edstica, considerando a natureza do t\u00edtulo, eventuais d\u00favidas suscitadas e o estado da instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o equilibra dois valores: <strong>celeridade processual e seguran\u00e7a jur\u00eddica<\/strong>. A regra \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o do documento digital; a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a exig\u00eancia da via original, motivada por d\u00favida concreta sobre autenticidade ou integridade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No processo eletr\u00f4nico, a juntada da via original do t\u00edtulo executivo extrajudicial:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 requisito obrigat\u00f3rio de admissibilidade da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de regulamenta\u00e7\u00e3o do tribunal competente.<\/p>\n\n\n\n<p>C) N\u00e3o \u00e9 requisito de admissibilidade da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Somente \u00e9 dispensada quando a execu\u00e7\u00e3o tramita no rito sum\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Exige pr\u00e9via impugna\u00e7\u00e3o do devedor para ser dispensada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A digitaliza\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo presume autenticidade, e a via original n\u00e3o \u00e9 requisito geral de admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 de direito processual, n\u00e3o depende de regulamenta\u00e7\u00e3o setorial.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A digitaliza\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo tem validade (CPC, art. 425, VI, c\/c Lei n\u00ba 11.419\/2006), cabendo ao juiz, fundamentadamente, avaliar a necessidade da via original caso a caso.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o por rito quanto a esse requisito.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A dispensa \u00e9 regra, n\u00e3o exce\u00e7\u00e3o condicionada a ato do devedor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a juntada da via original da C\u00e9dula de Cr\u00e9dito Banc\u00e1rio &#8211; CCB constitui requisito de admissibilidade da peti\u00e7\u00e3o inicial de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A compreens\u00e3o do caso exige que se considere o fen\u00f4meno da digitaliza\u00e7\u00e3o dos documentos e dos processos judiciais, que j\u00e1 n\u00e3o permite a interpreta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria a partir de premissas exclusivamente calcadas na tradi\u00e7\u00e3o do Direito Cambi\u00e1rio cl\u00e1ssico, constru\u00edda em torno da fisicalidade e da circula\u00e7\u00e3o manual dos t\u00edtulos de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) consolidou-se historicamente no sentido de que a peti\u00e7\u00e3o inicial da execu\u00e7\u00e3o deve ser instru\u00edda com a via original da cambial, admitindo-se, em car\u00e1ter excepcional, a dispensa da juntada. Essa orienta\u00e7\u00e3o, contudo, foi concebida em um contexto no qual os processos tramitavam em autos f\u00edsicos e a juntada do original cumpria a fun\u00e7\u00e3o prec\u00edpua de car\u00e1ter probat\u00f3rio e de controle da circula\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos tempos atuais, todavia, esse cen\u00e1rio transformou-se. Os documentos s\u00e3o arquivados em meio eletr\u00f4nico, os processos tramitam integralmente em plataformas digitais e a reprodu\u00e7\u00e3o digitalizada passou a fazer a mesma prova que o t\u00edtulo original, nos termos expressos do art. 425, VI, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 425, VI, do CPC e o art. 11 da Lei n. 11.419\/2006 equiparam as reprodu\u00e7\u00f5es digitalizadas de documentos aos originais para todos os efeitos legais, impondo ao detentor o dever de conservar os originais at\u00e9 o fim do prazo para propositura de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria (art. 425, 1, do CPC), o que, por si, inibe a circula\u00e7\u00e3o irregular do t\u00edtulo ap\u00f3s o ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 425, 2, do CPC confere, ao juiz, mera faculdade de determinar o dep\u00f3sito em cart\u00f3rio ou na secretaria de c\u00f3pia digital do t\u00edtulo executivo extrajudicial, revelando que o legislador n\u00e3o instituiu a apresenta\u00e7\u00e3o do original f\u00edsico como condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade da execu\u00e7\u00e3o, mas atribuiu ao julgador, a avalia\u00e7\u00e3o, caso a caso, da necessidade de apresenta\u00e7\u00e3o do documento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, ausente qualquer alega\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de adultera\u00e7\u00e3o, de circula\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, de endosso irregular ou de exist\u00eancia de outra execu\u00e7\u00e3o fundada na mesma C\u00e9dula de Cr\u00e9dito Banc\u00e1rio, a simples obje\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica \u00e0 juntada de c\u00f3pia converte a exig\u00eancia do original f\u00edsico em formalismo destitu\u00eddo de utilidade, incompat\u00edvel com os princ\u00edpios da instrumentalidade das formas, da celeridade processual e da efetividade da tutela jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a finalidade do art. 425 do CPC \u00e9 precisamente a de fortalecer a tramita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica dos processos judiciais, valorizando a autonomia dos atos e documentos produzidos em meio digital, desde que observados os requisitos legais de autenticidade e seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o. Interpretar esse dispositivo de modo a preservar a obrigatoriedade irrestrita do original f\u00edsico seria, em \u00faltima an\u00e1lise, negar efetividade ao projeto legislativo que orientou a reforma processual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-fraude-a-execucao-transferencia-a-descendente-apos-citacao\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o \u2013 transfer\u00eancia a descendente ap\u00f3s cita\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Configura fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o a <strong>transfer\u00eancia patrimonial a descendente ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida<\/strong>, presumindo-se a m\u00e1-f\u00e9 em raz\u00e3o do v\u00ednculo familiar, independentemente de registro da penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.847.102-GO, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Madruga, ap\u00f3s citado em execu\u00e7\u00e3o, transferiu im\u00f3vel \u00e0 sua filha Chiquinha por compra e venda. N\u00e3o havia registro de penhora. Quando o credor tentou penhorar o bem, Chiquinha alegou ser terceiro de boa-f\u00e9. A aus\u00eancia de registro da penhora afasta a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o quando a transfer\u00eancia \u00e9 feita a descendente ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 792, IV e V, e \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 375\/STJ<\/strong><em> (fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o \u2013 registro e m\u00e1-f\u00e9 do adquirente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A S\u00famula 375\/STJ exige, como regra, registro da penhora ou prova de m\u00e1-f\u00e9 do adquirente. Contudo, quando a transfer\u00eancia \u00e9 feita a descendente, <strong>presume-se a m\u00e1-f\u00e9<\/strong> em raz\u00e3o do v\u00ednculo familiar, o que dispensa o registro.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O v\u00ednculo familiar pr\u00f3ximo (descendente, c\u00f4njuge) gera presun\u00e7\u00e3o relativa de conhecimento das d\u00edvidas do alienante, invertendo o \u00f4nus probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A S\u00famula 375\/STJ consolidou o entendimento de que a fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o exige, em regra, <strong>registro da penhora ou prova de m\u00e1-f\u00e9 do adquirente<\/strong>. A regra protege o terceiro de boa-f\u00e9 contra consequ\u00eancias de pend\u00eancias judiciais do alienante que n\u00e3o eram p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A transfer\u00eancia a descendente, por\u00e9m, n\u00e3o se encaixa nesse padr\u00e3o de terceiro estranho. O <strong>v\u00ednculo familiar pr\u00f3ximo gera presun\u00e7\u00e3o relativa de conhecimento das d\u00edvidas do alienante<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel presumir que um filho ignore execu\u00e7\u00f5es em curso contra seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Nesses casos, <strong>a aus\u00eancia de registro da penhora n\u00e3o afasta a fraude<\/strong>. O adquirente familiar assume o \u00f4nus de demonstrar que adquiriu de boa-f\u00e9, sem conhecimento da pend\u00eancia \u2014 prova dif\u00edcil de produzir, diante da presun\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o equilibra <strong>prote\u00e7\u00e3o ao credor e ao terceiro de boa-f\u00e9<\/strong>. Terceiro estranho precisa do registro para saber da pend\u00eancia; descendente, por\u00e9m, tem acesso natural \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o do alienante, o que justifica tratamento diferenciado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A transfer\u00eancia de im\u00f3vel a descendente, ap\u00f3s cita\u00e7\u00e3o do alienante em execu\u00e7\u00e3o e sem registro da penhora:<\/p>\n\n\n\n<p>A) N\u00e3o configura fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, por aus\u00eancia de publicidade da penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Configura fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, desde que comprovada a m\u00e1-f\u00e9 em raz\u00e3o do v\u00ednculo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de prova de insolv\u00eancia do alienante para configurar fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Configura fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, com presun\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 pelo v\u00ednculo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Exige prova efetiva da inten\u00e7\u00e3o fraudulenta do adquirente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O v\u00ednculo familiar gera presun\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 que dispensa a publicidade via registro.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. H\u00e1 presun\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 pelo v\u00ednculo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o decorre do v\u00ednculo familiar, n\u00e3o da insolv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A S\u00famula 375\/STJ estabelece a regra do registro, mas a transfer\u00eancia a descendente gera presun\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 que dispensa esse requisito, cabendo ao adquirente provar a boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9 inverte o \u00f4nus probat\u00f3rio em favor do credor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia reside na viola\u00e7\u00e3o ao artigo 792, IV e V, e 1, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), especificamente quanto \u00e0 configura\u00e7\u00e3o de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a parte exequente alegou a ocorr\u00eancia de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de permuta de bem de propriedade do executado com terceiro e posterior doa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel \u00e0 sua neta, com reserva de usufruto, quando j\u00e1 tramitava a\u00e7\u00e3o capaz de reduzir o devedor \u00e0 insolv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ac\u00f3rd\u00e3o de origem concluiu pela inocorr\u00eancia de fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o da aus\u00eancia de registro de penhora ou de averba\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o na matr\u00edcula do im\u00f3vel e da aus\u00eancia de prova de ci\u00eancia dos terceiros acerca da exist\u00eancia da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, nos termos da S\u00famula n. 375 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o reconhecimento da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de m\u00e1-f\u00e9 do terceiro adquirente. Todavia, conforme entendimento da Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, admite-se a relativiza\u00e7\u00e3o da S\u00famula n. 375 do STJ em casos de doa\u00e7\u00f5es realizadas no \u00e2mbito familiar, quando a transfer\u00eancia de bens revela evidente tentativa de blindagem patrimonial com o prop\u00f3sito de frustrar credores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessas hip\u00f3teses de transfer\u00eancia patrimonial para dentro do n\u00facleo familiar, a m\u00e1-f\u00e9 do devedor \u00e9 presumida, de modo que o ato de transferir bens para filhos ou netos enquanto o alienante responde a uma execu\u00e7\u00e3o \u00e9 visto como manobra para blindar o patrim\u00f4nio e frustrar o direito do credor. Nesses casos, o foco do julgamento desloca-se da boa-f\u00e9 do adquirente descendente para a conduta do devedor, sendo a ci\u00eancia da demanda e o parentesco suficientes para caracterizar o conluio fraudulento, independentemente da exist\u00eancia de registro da penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, embora para o reconhecimento da fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira transa\u00e7\u00e3o, realizada com terceiro, exijam o registro da penhora do bem alienado ou prova de m\u00e1-f\u00e9 do terceiro adquirente, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda transa\u00e7\u00e3o &#8211; doa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel \u00e0 neta &#8211; a m\u00e1-f\u00e9 decorre diretamente do v\u00ednculo familiar entre o devedor e a donat\u00e1ria, ainda que sem averba\u00e7\u00e3o premonit\u00f3ria ou registro pr\u00e9vio da penhora, bastando que o ato de disposi\u00e7\u00e3o seja posterior \u00e0 cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida do devedor na demanda, ainda que esta esteja em fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-celular-apreendido-em-presidio-inaplicabilidade-do-sigilo-constitucional\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Celular apreendido em pres\u00eddio \u2013 inaplicabilidade do sigilo constitucional<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A prote\u00e7\u00e3o constitucional ao sigilo de dados n\u00e3o se aplica a <strong>meios de comunica\u00e7\u00e3o utilizados ilicitamente em estabelecimentos prisionais<\/strong>, sendo cab\u00edvel a extra\u00e7\u00e3o integral de dados sob supervis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.235.157-RS, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 4\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Godines, preso em unidade prisional, teve celular apreendido durante revista de rotina. A autoridade policial determinou a extra\u00e7\u00e3o integral dos dados do aparelho. A defesa impugnou alegando viola\u00e7\u00e3o ao sigilo de dados (CF, art. 5\u00ba, XII). O sigilo constitucional alcan\u00e7a comunica\u00e7\u00f5es feitas por celular ilegalmente introduzido em pres\u00eddio?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XII<\/strong><em> (sigilo das comunica\u00e7\u00f5es \u2013 inviolabilidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 50, VII<\/strong><em> (falta grave \u2013 posse de aparelho celular em pres\u00eddio).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O sigilo constitucional protege a esfera de <strong>privacidade legalmente exercida<\/strong>. Meios de comunica\u00e7\u00e3o introduzidos ilicitamente em pres\u00eddio n\u00e3o gozam dessa prote\u00e7\u00e3o, pois sua pr\u00f3pria exist\u00eancia configura il\u00edcito (falta disciplinar grave).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A extra\u00e7\u00e3o de dados exige <strong>supervis\u00e3o judicial<\/strong> para garantir a proporcionalidade e impedir abusos, mas n\u00e3o depende de quebra sigilo que nunca existiu juridicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 5\u00ba, XII, da CF protege as comunica\u00e7\u00f5es realizadas no exerc\u00edcio leg\u00edtimo da liberdade de express\u00e3o e correspond\u00eancia. A prote\u00e7\u00e3o <strong>pressup\u00f5e atividade juridicamente l\u00edcita<\/strong>: n\u00e3o se protege o que \u00e9, em sua origem, il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A posse de aparelho celular em pres\u00eddio configura <strong>falta grave (LEP, art. 50, VII)<\/strong>. As comunica\u00e7\u00f5es feitas por esse meio, al\u00e9m de il\u00edcitas no contexto prisional, frequentemente envolvem continuidade de atividade criminosa (ordens para o exterior do pres\u00eddio).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quinta Turma distinguiu claramente: <strong>a prote\u00e7\u00e3o do sigilo exige licitude na origem do meio de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>. O celular ilegalmente introduzido em pres\u00eddio n\u00e3o gera esfera protegida de privacidade; seus dados podem ser acessados sem viola\u00e7\u00e3o ao sigilo constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o exige, ainda assim, <strong>supervis\u00e3o judicial da extra\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o se trata de autoriza\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica para acesso a qualquer dado: o ju\u00edzo competente avalia a proporcionalidade e a finalidade da medida, impedindo abusos da autoridade policial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de dados de celular apreendido em pres\u00eddio:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 vedada pela prote\u00e7\u00e3o constitucional ao sigilo de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 admitida sob supervis\u00e3o judicial, sem viola\u00e7\u00e3o ao sigilo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de autoriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o penal para cada tipo de dado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Exige pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do preso para ser realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 permitida sem necessidade de supervis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O sigilo pressup\u00f5e licitude na origem do meio de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A posse do aparelho \u00e9 il\u00edcita (LEP, art. 50, VII), n\u00e3o gerando esfera protegida de sigilo; a supervis\u00e3o judicial preserva a proporcionalidade da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A supervis\u00e3o \u00e9 geral sobre a medida, n\u00e3o espec\u00edfica por tipo de dado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o do preso n\u00e3o \u00e9 requisito, tratando-se de aparelho ilicitamente possu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A supervis\u00e3o judicial \u00e9 exigida para garantir proporcionalidade e impedir abusos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o uso il\u00edcito de meio de comunica\u00e7\u00e3o pelo preso, especificamente telefone de celular em estabelecimento prisional, afasta a incid\u00eancia plena da garantia constitucional da inviolabilidade de dados, permitindo a extra\u00e7\u00e3o integral das informa\u00e7\u00f5es armazenadas no dispositivo apreendido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a autoridade policial representou pela extra\u00e7\u00e3o completa dos dados armazenados, especialmente contatos, registros de liga\u00e7\u00f5es e comunica\u00e7\u00f5es possivelmente mantidas com organiza\u00e7\u00e3o criminosa, visando identificar eventual ordem de execu\u00e7\u00e3o oriunda do c\u00e1rcere. O Ju\u00edzo de primeiro grau deferiu parcialmente o pedido, limitando o acesso a liga\u00e7\u00f5es realizadas nos \u00faltimos 30 dias e respectivos contatos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem manteve os limites da medida, sob o argumento de que o investigado, mesmo utilizando meio il\u00edcito de comunica\u00e7\u00e3o dentro da unidade prisional, ainda estaria integralmente protegido pela inviolabilidade dos dados e das comunica\u00e7\u00f5es prevista no art. 5, XII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, tal fundamento diverge da jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e do pr\u00f3prio regime jur\u00eddico da execu\u00e7\u00e3o penal. Os artigos 3, 38, 41, XV e 46 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal vedam expressamente o uso de meios il\u00edcitos de comunica\u00e7\u00e3o no ambiente prisional pelo preso e autorizam a imposi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es proporcionais a direitos individuais no ambiente carcer\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a prote\u00e7\u00e3o ao sigilo das comunica\u00e7\u00f5es privadas assegurada pelo art. 10 da Lei n. 12.965\/2014 (Marco Civil da Internet), que condiciona o acesso ao conte\u00fado \u00e0 pr\u00e9via ordem judicial, pressup\u00f5e a licitude do instrumento de comunica\u00e7\u00e3o utilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No contexto prisional, tal garantia \u00e9 necessariamente mitigada, pois a posse de aparelho celular por detento \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, il\u00edcita, configurando falta grave e, em alguns casos, crime. Diferentemente das apreens\u00f5es realizadas em via p\u00fablica, n\u00e3o h\u00e1 fundamento jur\u00eddico para aplicar integralmente a prote\u00e7\u00e3o ao sigilo em situa\u00e7\u00f5es em que o meio utilizado \u00e9 expressamente proibido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estender a prote\u00e7\u00e3o constitucional do sigilo a comunica\u00e7\u00f5es praticadas por meio il\u00edcito, sob pena de desvirtuar a finalidade da garantia e convert\u00ea-la em mecanismo de blindagem de pr\u00e1ticas criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, na situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, n\u00e3o se discute a necessidade de ordem judicial, a qual j\u00e1 foi regularmente requerida e concedida. Discute-se, apenas, a limita\u00e7\u00e3o temporal imposta sem fundamento legal, que obstaculiza indevidamente a investiga\u00e7\u00e3o de crime grave com poss\u00edvel envolvimento de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, cuja atua\u00e7\u00e3o se daria justamente a partir do c\u00e1rcere.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, a extra\u00e7\u00e3o integral dos dados \u00e9 medida necess\u00e1ria, adequada e proporcional em sentido estrito, pois n\u00e3o h\u00e1 meio menos invasivo capaz de atingir o resultado investigativo almejado, e h\u00e1 ind\u00edcios razo\u00e1veis que justificam a provid\u00eancia. A decis\u00e3o do Tribunal de origem, ao limitar arbitrariamente o alcance da prova, acaba por inviabilizar a pr\u00f3pria finalidade da medida judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-assistente-de-acusacao-rse-contra-rejeicao-da-denuncia\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assistente de acusa\u00e7\u00e3o \u2013 RSE contra rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O assistente de acusa\u00e7\u00e3o possui <strong>legitimidade para interpor recurso em sentido estrito contra decis\u00e3o que rejeita a den\u00fancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Genov\u00e9via, v\u00edtima de crime, habilitou-se como assistente de acusa\u00e7\u00e3o. A den\u00fancia foi rejeitada pelo ju\u00edzo de primeiro grau. O MP n\u00e3o recorreu. Genov\u00e9via, por meio de seu advogado, interp\u00f4s recurso em sentido estrito. O ju\u00edzo n\u00e3o conheceu o recurso alegando falta de legitimidade do assistente antes de instaurada a a\u00e7\u00e3o penal. O assistente de acusa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o habilitado pode recorrer em sentido estrito contra a rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 271<\/strong><em> (poderes do assistente de acusa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A habilita\u00e7\u00e3o do assistente de acusa\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a\u00e7\u00e3o penal instaurada. Contudo, quando a den\u00fancia \u00e9 rejeitada e o MP se omite, admitir a legitimidade do assistente para recorrer <strong>preserva o interesse leg\u00edtimo da v\u00edtima<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A legitimidade do assistente para o RSE contra rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia decorre da <strong>finalidade protetiva<\/strong> do instituto: se a v\u00edtima tem interesse na persecu\u00e7\u00e3o, deve ter meios de provocar o reexame da decis\u00e3o que a frustra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O assistente de acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 admitido no processo penal para <strong>representar o interesse secund\u00e1rio da v\u00edtima na persecu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>. Sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 complementar \u00e0 do MP, mas ganha relev\u00e2ncia espec\u00edfica quando o MP se omite diante de decis\u00e3o desfavor\u00e1vel \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Tradicionalmente se afirmava que o assistente s\u00f3 poderia atuar ap\u00f3s a instaura\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal. A Sexta Turma <strong>flexibilizou essa compreens\u00e3o<\/strong>: negar legitimidade ao assistente para recorrer da rejei\u00e7\u00e3o deixaria a v\u00edtima desamparada diante da in\u00e9rcia ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O interesse da v\u00edtima na persecu\u00e7\u00e3o \u00e9 concreto e leg\u00edtimo. Quando a den\u00fancia \u00e9 rejeitada e o MP n\u00e3o recorre, o assistente \u2014 que se habilitou justamente para acompanhar o caso \u2014 <strong>deve ter legitimidade para provocar o reexame<\/strong> da decis\u00e3o que frustra o direito \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o amplia o espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o da v\u00edtima no processo penal, em conson\u00e2ncia com a <strong>tend\u00eancia de reconhecimento de seus direitos processuais<\/strong>. A legitimidade do assistente para o RSE \u00e9 instrumento importante de controle da in\u00e9rcia ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rejeitada a den\u00fancia e n\u00e3o havendo recurso do MP, o assistente de acusa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A) N\u00e3o tem legitimidade, por se tratar de ato anterior \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do MP para recorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Pode recorrer apenas mediante substitui\u00e7\u00e3o processual pelo MP.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Somente pode provocar o Procurador-Geral para reexame da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Tem legitimidade para interpor recurso em sentido estrito contra a rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A Sexta Turma flexibilizou o entendimento, reconhecendo legitimidade do assistente nesse caso.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o do MP n\u00e3o \u00e9 requisito; a legitimidade \u00e9 aut\u00f4noma do assistente.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A legitimidade do assistente \u00e9 pr\u00f3pria, n\u00e3o derivada por substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A provoca\u00e7\u00e3o do PGJ \u00e9 caminho alternativo, mas n\u00e3o exclui a legitimidade recursal direta.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A in\u00e9rcia do MP diante da rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia deixaria a v\u00edtima desamparada; a legitimidade do assistente para o RSE preserva seu interesse leg\u00edtimo na persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se o assistente de acusa\u00e7\u00e3o possui legitimidade para interpor recurso em sentido estrito contra decis\u00e3o que rejeitou parcialmente a den\u00fancia com fundamento em interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do art. 271 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem, ante a aus\u00eancia de recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico, manteve a decis\u00e3o que recebeu parcialmente a den\u00fancia, sob o argumento de que a legitimidade do assistente de acusa\u00e7\u00e3o estaria restrita \u00e0s hip\u00f3teses previstas no art. 271 do CPP, o que n\u00e3o alcan\u00e7aria a possibilidade de interpor recurso em sentido estrito contra a rejei\u00e7\u00e3o parcial da inicial acusat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, a jurisprud\u00eancia da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a posiciona-se no sentido de que o artigo 271 do CPP deve ser interpretado de maneira sistem\u00e1tica, de modo a reconhecer a legitimidade do assistente de acusa\u00e7\u00e3o para, quando j\u00e1 iniciada a persecu\u00e7\u00e3o penal pelo seu \u00f3rg\u00e3o titular, atuar em seu aux\u00edlio e supletivamente na busca pela justa san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa dire\u00e7\u00e3o, por se tratar de norma que garante os direitos da v\u00edtima, a interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica aplicada ao referido dispositivo da lei processual deve considerar o rol de medidas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do assistente de acusa\u00e7\u00e3o nele constantes como apenas exemplificativo e n\u00e3o taxativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O objetivo, ent\u00e3o, \u00e9 primar pela busca da verdade real, al\u00e9m de proteger a dignidade humana, princ\u00edpio que n\u00e3o \u00e9 resguardado quando o sujeito passivo de um crime encontra-se em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, levando-se em conta o protagonismo da v\u00edtima no direito processual, impende mencionar que a Declara\u00e7\u00e3o dos Princ\u00edpios Fundamentais de Justi\u00e7a Relativos \u00e0s V\u00edtimas da Criminalidade e de Abuso de Poder, das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU-1985), para al\u00e9m de tornar cristalino o conceito de v\u00edtima, abarca direitos fundamentais destas, dentre os quais, o direito de participa\u00e7\u00e3o mais ativa no processo penal, demonstrando que o ofendido deve figurar como polo atuante para o restabelecimento do status quo ante do conflito que gerou dano. Portanto, levando-se em conta os pressupostos b\u00e1sicos do Estado Democr\u00e1tico de Direito, todo aquele que, de algum modo, \u00e9 alvo do provimento jurisdicional deve ter a possibilidade de influenciar este mesmo provimento, sendo imperioso tornar a v\u00edtima mais pr\u00f3xima do Princ\u00edpio da Dignidade da Pessoa Humana, na sua perspectiva de n\u00e3o instrumentaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podendo ser compreendida como mero objeto do direito, ao passo que lhe deve ser ofertada a possibilidade plena de ocupar o lugar de sujeito de direitos no campo processual penal por meio da capacidade de interfer\u00eancia na solu\u00e7\u00e3o dos conflitos penais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse diapas\u00e3o, considerando-se o papel ativo do sujeito passivo no direito processual penal, eventual in\u00e9rcia do \u00d3rg\u00e3o Ministerial pode ensejar que a v\u00edtima interponha o recurso cab\u00edvel frente a determinada situa\u00e7\u00e3o haja vista a humaniza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importante salientar que, no caso, o recurso apresentado pelo assistente de acusa\u00e7\u00e3o est\u00e1 alinhado com o conte\u00fado da pe\u00e7a inaugural, seguindo a baliza do Superior Tribunal de Justi\u00e7a que estabelece que o assistente de acusa\u00e7\u00e3o deve atuar dentro dos limites da den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, no caso, a atua\u00e7\u00e3o do assistente de acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o viola o sistema acusat\u00f3rio, pois se limita a auxiliar o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a buscar a efetiva\u00e7\u00e3o da tutela jurisdicional em favor da v\u00edtima, sem usurpar a titularidade da a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-art-89-da-lei-8-666-1993-abolitio-criminis-pela-lei-14-133-2021\">Art. 89 da Lei 8.666\/1993 \u2013 abolitio criminis pela Lei 14.133\/2021<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o da parte final do art. 89 da Lei 8.666\/1993, n\u00e3o reproduzida no art. 337-E do CP, configura <strong>abolitio criminis<\/strong> da conduta de deixar de observar formalidades de dispensa ou inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.079.040-SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Administrador p\u00fablico foi denunciado por, na vig\u00eancia da Lei 8.666\/1993, ter dispensado licita\u00e7\u00e3o sem observar todas as formalidades. A Lei 14.133\/2021 revogou a Lei 8.666 e tipificou o crime de contrata\u00e7\u00e3o direta ilegal no art. 337-E do CP, sem reproduzir a parte sobre inobserv\u00e2ncia de formalidades. A revoga\u00e7\u00e3o da parte final do art. 89 da Lei 8.666 configura abolitio criminis?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei 8.666\/1993, art. 89<\/strong><em> (dispensar ou inexigir licita\u00e7\u00e3o fora das hip\u00f3teses \u2013 e formalidades).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei 14.133\/2021<\/strong><em> (Nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 337-E<\/strong><em> (contrata\u00e7\u00e3o direta ilegal (tipo correspondente no CP)).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Quando uma lei nova revoga tipo penal e n\u00e3o reproduz parcela de sua conduta, ocorre abolitio criminis dessa parcela espec\u00edfica. A <strong>continuidade normativo-t\u00edpica<\/strong> exige que a mesma conduta permane\u00e7a pun\u00edvel na nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O art. 337-E do CP manteve a puni\u00e7\u00e3o da dispensa ou inexigibilidade fora das hip\u00f3teses legais, mas n\u00e3o da inobserv\u00e2ncia de formalidades. Essa <strong>parcela espec\u00edfica foi descriminalizada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 89 da Lei 8.666\/1993 previa duas condutas: (i) dispensar ou inexigir licita\u00e7\u00e3o fora das hip\u00f3teses legais; e (ii) deixar de observar as formalidades da dispensa ou da inexigibilidade. A Lei 14.133\/2021 <strong>reorganizou a mat\u00e9ria ao revogar a Lei 8.666 e incluir tipo correspondente no art. 337-E do CP<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 337-E do CP manteve a primeira conduta (dispensa ou inexigibilidade fora das hip\u00f3teses), mas <strong>n\u00e3o reproduziu a parte relativa \u00e0 inobserv\u00e2ncia de formalidades<\/strong>. Essa omiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera reda\u00e7\u00e3o diversa: \u00e9 deliberada exclus\u00e3o de tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A n\u00e3o reprodu\u00e7\u00e3o da parte final configura <strong>abolitio criminis<\/strong>: a conduta que antes era crime deixou de s\u00ea-lo. Fatos anteriores \u00e0 Lei 14.133 que se enquadrem apenas na inobserv\u00e2ncia de formalidades est\u00e3o abrangidos pela descriminaliza\u00e7\u00e3o, com extin\u00e7\u00e3o da punibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a o <strong>princ\u00edpio da legalidade estrita no direito penal<\/strong>: n\u00e3o h\u00e1 crime sem lei anterior que o defina. A revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita pela nova lei \u2014 sem reprodu\u00e7\u00e3o do tipo \u2014 produz efeitos imediatos favor\u00e1veis ao r\u00e9u, retroagindo para alcan\u00e7ar todas as situa\u00e7\u00f5es pendentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o da parte final do art. 89 da Lei 8.666\/1993 sem reprodu\u00e7\u00e3o no art. 337-E do CP:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Configura abolitio criminis da conduta de inobserv\u00e2ncia de formalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Configura continuidade normativa, sem efeitos descriminalizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Exige decis\u00e3o espec\u00edfica do STF para produzir efeitos retroativos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Afasta a pena criminal e as respetivas san\u00e7\u00f5es administrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) N\u00e3o afeta processos j\u00e1 em curso, alcan\u00e7ando apenas fatos posteriores \u00e0 Lei 14.133\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A Lei 14.133\/2021 revogou o art. 89 e o art. 337-E do CP n\u00e3o reproduziu a conduta de inobserv\u00e2ncia de formalidades, configurando descriminaliza\u00e7\u00e3o que retroage para extinguir a punibilidade de fatos pendentes.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A omiss\u00e3o da nova lei \u00e9 deliberada, n\u00e3o mera reorganiza\u00e7\u00e3o redacional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A abolitio criminis opera ope legis, sem necessidade de decis\u00e3o espec\u00edfica do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A descriminaliza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a integralmente o tipo penal; san\u00e7\u00f5es administrativas seguem regime pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A lei penal mais ben\u00e9fica retroage para alcan\u00e7ar fatos pendentes (CF, art. 5\u00ba, XL).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-12\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se, diante da revoga\u00e7\u00e3o do art. 89 da Lei n. 8.666\/1993 pela Lei n. 14.133\/2021 e da tipifica\u00e7\u00e3o atualmente prevista no art. 337-E do C\u00f3digo Penal (CP), houve abolitio criminis da conduta consistente em deixar de observar as formalidades pertinentes \u00e0 dispensa de licita\u00e7\u00e3o, em hip\u00f3tese legal de dispensa por valor (art. 24, II, da Lei n. 8.666\/1993). O revogado art. 89, caput e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 8.666\/1993 dispunha que tanto a dispensa ou a declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o em desconformidade com as hip\u00f3teses legais quanto \u00e0 inobserv\u00e2ncia das formalidades inerentes aos procedimentos de dispensa ou de inexigibilidade ensejavam responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal do agente p\u00fablico e daqueles que concorressem para a consuma\u00e7\u00e3o do delito, beneficiando-se da contrata\u00e7\u00e3o direta ilegal. De fato, a conduta de dispensar ou inexigir licita\u00e7\u00e3o fora das hip\u00f3teses legais ocorre quando a lei n\u00e3o autorizava a contrata\u00e7\u00e3o direta e, ainda assim, o agente p\u00fablico, em afronta ao comando normativo, realiza a contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, a conduta de deixar de observar as formalidades configurava-se quando, diante de hip\u00f3tese regular de dispensa ou de inexigibilidade, o agente p\u00fablico n\u00e3o cumpria as formalidades exigidas para sua efetiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o advento da Lei n. 14.133\/2021, a parte final do referido dispositivo n\u00e3o foi reproduzida pelo art. 337-E do C\u00f3digo Penal, que passou a prever: &#8220;Admitir, possibilitar ou dar causa \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o direta fora das hip\u00f3teses previstas em lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse cen\u00e1rio, nos termos do art. 2 do CP, operou-se abolitio criminis quanto \u00e0 conduta relacionada \u00e0 inobserv\u00e2ncia das formalidades pertinentes \u00e0 dispensa ou \u00e0 inexigibilidade, permanecendo t\u00edpica a primeira parte do antigo art. 89 da do respectivo preceito secund\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-remicao-de-pena-prova-testemunhal-do-trabalho-interno-do-apenado\">Remi\u00e7\u00e3o de pena \u2013 prova testemunhal do trabalho interno do apenado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A prova testemunhal \u00e9 <strong>meio id\u00f4neo para comprova\u00e7\u00e3o de trabalho interno<\/strong> para fins de remi\u00e7\u00e3o de pena, especialmente diante de falha estatal no registro.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 1.048.611-RS, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chaves, apenado em unidade prisional, requereu remi\u00e7\u00e3o de pena por trabalho interno realizado ao longo de v\u00e1rios meses. A administra\u00e7\u00e3o prisional n\u00e3o registrou as horas trabalhadas. O ju\u00edzo indeferiu por falta de documenta\u00e7\u00e3o oficial. Chaves apresentou testemunhas (agentes penitenci\u00e1rios e demais presos) que confirmaram o trabalho. A prova testemunhal \u00e9 cab\u00edvel para comprovar trabalho interno diante de falha no registro oficial?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 126<\/strong><em> (remi\u00e7\u00e3o de pena por trabalho ou estudo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A remi\u00e7\u00e3o \u00e9 direito do apenado vinculado ao efetivo trabalho ou estudo. A aus\u00eancia de registro oficial por falha da administra\u00e7\u00e3o prisional <strong>n\u00e3o pode prejudicar o apenado<\/strong>, que n\u00e3o tem dom\u00ednio sobre o procedimento burocr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A prova testemunhal \u00e9 <strong>meio id\u00f4neo<\/strong> no processo judicial em geral e na execu\u00e7\u00e3o penal, especialmente quando h\u00e1 falha estatal na produ\u00e7\u00e3o do registro oficial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O direito \u00e0 remi\u00e7\u00e3o de pena decorre do efetivo trabalho ou estudo (LEP, art. 126). O registro administrativo \u00e9 <strong>meio probat\u00f3rio preferencial, mas n\u00e3o exclusivo<\/strong>. Quando ausente ou defeituoso o registro, outros meios de prova admitidos em direito podem suprir a omiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A falha estatal na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no registro do trabalho <strong>n\u00e3o pode ser imputada ao apenado<\/strong>. N\u00e3o se pode exigir do preso o controle sobre a atua\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o: se esta deixou de registrar, o apenado continua fazendo jus ao benef\u00edcio mediante outra forma de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma admitiu a prova testemunhal como meio id\u00f4neo nesse contexto. <strong>Agentes penitenci\u00e1rios, outros presos e eventualmente instrutores de atividades podem testemunhar sobre o trabalho efetivamente realizado<\/strong>, suprindo a falha documental da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o refor\u00e7a o <strong>car\u00e1ter ressocializador da remi\u00e7\u00e3o<\/strong>: formalismos burocr\u00e1ticos n\u00e3o podem esvaziar o direito substancial do apenado. A exig\u00eancia excessiva de documenta\u00e7\u00e3o oficial \u2014 quando a falha \u00e9 estatal \u2014 frustraria a finalidade do instituto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para fins de remi\u00e7\u00e3o de pena por trabalho interno n\u00e3o registrado pela administra\u00e7\u00e3o prisional:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 indispens\u00e1vel a documenta\u00e7\u00e3o oficial expedida pela dire\u00e7\u00e3o da unidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 exigida per\u00edcia t\u00e9cnica sobre as condi\u00e7\u00f5es do trabalho realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A prova testemunhal \u00e9 meio id\u00f4neo, especialmente diante de falha estatal no registro.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de confiss\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o prisional sobre a omiss\u00e3o do registro.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Somente \u00e9 admitida mediante reconstitui\u00e7\u00e3o judicial das atividades no pres\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A falha estatal no registro n\u00e3o pode prejudicar o apenado.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A per\u00edcia t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 meio comum para essa comprova\u00e7\u00e3o; a prova testemunhal \u00e9 adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A remi\u00e7\u00e3o decorre do trabalho efetivo (LEP, art. 126); a falha estatal no registro n\u00e3o afasta o direito, admitindo-se prova testemunhal como meio id\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A confiss\u00e3o administrativa n\u00e3o \u00e9 requisito para a prova testemunhal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A reconstitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 meio processual previsto para essa finalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-13\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a prova testemunhal pode ser considerada id\u00f4nea para comprovar o trabalho realizado pelo apenado, para fins de remi\u00e7\u00e3o de pena, nos termos do art. 126 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o paciente pretendeu comprovar o trabalho como paneleiro por meio da prova testemunhal, para fins de remi\u00e7\u00e3o de pena, diante da aus\u00eancia de registro formal da atividade pela administra\u00e7\u00e3o prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem considerou a prova testemunhal inid\u00f4nea, por se tratar de depoimentos de outros apenados, que teriam interesse indireto na concess\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal n\u00e3o impede a produ\u00e7\u00e3o da prova testemunhal como comprova\u00e7\u00e3o do trabalho para fins de remi\u00e7\u00e3o de pena. Nesse sentido, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite a produ\u00e7\u00e3o de prova testemunhal para tal finalidade, desde que id\u00f4nea e devidamente fundamentada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a prova \u00e9 apenas o meio de comprova\u00e7\u00e3o das alega\u00e7\u00f5es. Da mesma forma que serve como meio de comprovar ou afastar o cometimento de falta grave, pode ser utilizada para exerc\u00edcio de outros direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da administra\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria na produ\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria pode assegurar a idoneidade da prova testemunhal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a proibi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da produ\u00e7\u00e3o de prova testemunhal para comprova\u00e7\u00e3o de trabalho interno \u00e9 indevida, especialmente quando h\u00e1 alega\u00e7\u00e3o de falha estatal na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no registro do trabalho realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-feabb65f-2a15-4515-b30e-53fbedd54960\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/04\/13080341\/stj_info_883.pdf\">STJ_Info_883<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/04\/13080341\/stj_info_883.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-feabb65f-2a15-4515-b30e-53fbedd54960\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o de estado \u2013 veda\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00e3o via WhatsApp Destaque Em a\u00e7\u00f5es de estado, \u00e9 obrigat\u00f3ria a cita\u00e7\u00e3o pessoal, sendo vedada a cita\u00e7\u00e3o por meio eletr\u00f4nico, inclusive por WhatsApp (chamada de voz ou mensagem de texto), nos termos do art. 247, I, do CPC. 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