{"id":1742779,"date":"2026-03-25T08:48:47","date_gmt":"2026-03-25T11:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1742779"},"modified":"2026-03-25T08:48:50","modified_gmt":"2026-03-25T11:48:50","slug":"informativo-stf-1208-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1208-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1208 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/03\/25084825\/stf_info_1208.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_ejsD0iHYnB8\"><div id=\"lyte_ejsD0iHYnB8\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/ejsD0iHYnB8\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/ejsD0iHYnB8\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/ejsD0iHYnB8\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-militares-estaduais-reducao-de-tempo-para-transferencia-a-inatividade-de-ex-comandantes-adi-5-531\">1.&nbsp;&nbsp; Militares estaduais \u2013 redu\u00e7\u00e3o de tempo para transfer\u00eancia \u00e0 inatividade de ex-comandantes (ADI 5.531)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional lei estadual que reduz o tempo de servi\u00e7o para transfer\u00eancia \u00e0 reserva remunerada de militares que ocuparam cargos de <strong>comandante-geral ou chefe do estado-maior<\/strong>, por se tratar de mat\u00e9ria de compet\u00eancia do legislador estadual e visar \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da hierarquia militar.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 5.531\/SE, Rel. Ministro Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 13\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sergipe editou lei complementar permitindo que coron\u00e9is que exerceram o cargo de Comandante-Geral da PM ou do Corpo de Bombeiros fossem transferidos \u00e0 reserva remunerada com apenas 25 anos de servi\u00e7o p\u00fablico (tempo reduzido). O PGR questionou a norma alegando viola\u00e7\u00e3o \u00e0 isonomia e \u00e0 compet\u00eancia da Uni\u00e3o para legislar sobre inatividade militar. O ponto central era: pode o Estado-membro criar regra diferenciada de inatividade para ex-comandantes, ou essa mat\u00e9ria \u00e9 de compet\u00eancia federal?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 42, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (militares estaduais \u2013 lei estadual disp\u00f5e sobre mat\u00e9rias do art. 142, \u00a7 3\u00ba, X).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 142, \u00a7 3\u00ba, X<\/strong><em> (condi\u00e7\u00f5es de transfer\u00eancia \u00e0 inatividade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, XXI<\/strong><em> (compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o \u2013 normas gerais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 14.751\/2023<\/strong><em> (Lei Org\u00e2nica Nacional das PMs e Corpos de Bombeiros).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A CF distribui a compet\u00eancia em <strong>dois n\u00edveis<\/strong>: \u00e0 Uni\u00e3o cabe editar normas gerais sobre inatividade (art. 22, XXI), enquanto aos Estados cabe dispor sobre as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como tempo m\u00ednimo para transfer\u00eancia \u00e0 reserva (art. 42, \u00a7 1\u00ba, c\/c art. 142, \u00a7 3\u00ba, X). N\u00e3o h\u00e1 limite constitucional fixo para o tempo m\u00ednimo de inatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O tratamento diferenciado para ex-ocupantes de cargos de c\u00fapula justifica-se pela necessidade de <strong>preservar a hierarquia<\/strong>: n\u00e3o seria razo\u00e1vel que o ex-comandante-geral fosse subordinado ao novo comandante at\u00e9 reunir os requisitos comuns de reserva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A compet\u00eancia para legislar sobre condi\u00e7\u00f5es de transfer\u00eancia \u00e0 inatividade de militares estaduais \u00e9 <strong>repartida entre Uni\u00e3o (normas gerais) e Estados (condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas)<\/strong>. A CF, ao remeter ao legislador estadual as mat\u00e9rias do art. 142, \u00a7 3\u00ba, X (ingresso, limites de idade, estabilidade, inatividade), conferiu-lhe margem para disciplinar requisitos como o tempo m\u00ednimo para a reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A inexist\u00eancia de limite constitucional fixo para o tempo m\u00ednimo de inatividade significa que o legislador estadual pode, dentro dos par\u00e2metros de razoabilidade, <strong>criar regras diferenciadas para categorias espec\u00edficas<\/strong>. No caso, o tratamento especial para ex-comandantes-gerais decorre da l\u00f3gica hier\u00e1rquica: o retorno de um ex-comandante \u00e0 ativa, em posi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o ao novo comandante, comprometeria a disciplina e a cadeia de comando.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A LC sergipana n\u00e3o estabeleceu privil\u00e9gio injustificado: fixou 25 anos de servi\u00e7o p\u00fablico como requisito e <strong>vinculou a regra ao exerc\u00edcio efetivo do cargo de c\u00fapula<\/strong>. Trata-se de condi\u00e7\u00e3o objetiva, n\u00e3o de benef\u00edcio pessoal, pois incide sobre todos que ocuparam ou vierem a ocupar os cargos indicados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio tamb\u00e9m descartou a alega\u00e7\u00e3o de que a norma equivaleria a uma &#8216;aposentadoria compuls\u00f3ria&#8217; disfar\u00e7ada. A transfer\u00eancia \u00e0 reserva remunerada de of\u00edcio \u00e9 <strong>instituto pr\u00f3prio do direito militar, distinto da aposentadoria dos servidores civis<\/strong>, e sua regulamenta\u00e7\u00e3o insere-se na esfera de conforma\u00e7\u00e3o do legislador estadual, observados os princ\u00edpios constitucionais da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da compet\u00eancia para legislar sobre transfer\u00eancia \u00e0 inatividade de militares estaduais, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A CF fixa tempo m\u00ednimo de 30 anos de servi\u00e7o para transfer\u00eancia de militares estaduais \u00e0 reserva remunerada.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A compet\u00eancia para disciplinar a inatividade de militares estaduais \u00e9 da Uni\u00e3o, cabendo aos Estados apenas executar as normas federais.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O tratamento diferenciado para ex-comandantes-gerais viola a isonomia entre oficiais de mesmo posto.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Compete ao legislador estadual disciplinar as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de transfer\u00eancia \u00e0 inatividade de militares estaduais, incluindo tempo m\u00ednimo diferenciado para ex-ocupantes de cargos de c\u00fapula, visando \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da hierarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A transfer\u00eancia \u00e0 reserva remunerada de militares estaduais segue as mesmas regras da aposentadoria dos servidores civis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A CF n\u00e3o fixa tempo m\u00ednimo; a mat\u00e9ria \u00e9 de conforma\u00e7\u00e3o legislativa estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A compet\u00eancia \u00e9 repartida: normas gerais (Uni\u00e3o) e condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (Estados).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 justificada pela preserva\u00e7\u00e3o da hierarquia castrense.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pelo Plen\u00e1rio na ADI 5.531\/SE.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A reserva remunerada \u00e9 instituto militar pr\u00f3prio, distinto da aposentadoria civil.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional o tratamento diferenciado para ocupantes de cargos de c\u00fapula visando preservar o regime hier\u00e1rquico essencial \u00e0 ordem castrense, bem como compete \u00e0 lei estadual versar sobre o tempo m\u00ednimo para reserva remunerada de militares estaduais (CF\/1988, arts. 42,&nbsp; 1 e 142,&nbsp; 3, X).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Uni\u00e3o possui compet\u00eancia privativa para legislar sobre normas gerais sobre inatividade e pens\u00f5es dos militares estaduais (CF\/1988, art. 22). No exerc\u00edcio dessa atribui\u00e7\u00e3o, foi editada a Lei n 14.751\/2023 (Lei Org\u00e2nica Nacional das Pol\u00edcias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, \u00e9 dos estados-membros a compet\u00eancia normativa para versar sobre ingresso nas corpora\u00e7\u00f5es estaduais, limites de idade, estabilidade, condi\u00e7\u00f5es para transfer\u00eancia \u00e0 inatividade, direitos e deveres, remunera\u00e7\u00e3o, prerrogativas e outras situa\u00e7\u00f5es especiais dos militares (1) (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o direito \u00e0 inatividade dos militares \u00e9 mat\u00e9ria submetida ao legislador estadual, observados os princ\u00edpios constitucionais aplic\u00e1veis \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e a proporcionalidade. N\u00e3o h\u00e1 limite constitucional quanto ao tempo m\u00ednimo necess\u00e1rio \u00e0 transfer\u00eancia de of\u00edcio para a inatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, uma vez que as corpora\u00e7\u00f5es militares s\u00e3o baseadas na hierarquia e disciplina, n\u00e3o seria razo\u00e1vel que ex-ocupantes dos cargos mais altos da carreira fossem submetidos \u00e0 autoridade de um novo oficial, ao menos at\u00e9 que reunissem os requisitos para a transfer\u00eancia \u00e0 reserva remunerada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, declarou o preju\u00edzo parcial da a\u00e7\u00e3o, relativamente ao art. 89, XI, da Lei n 2.066\/1976, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei Complementar n 206\/2011, ambas do Estado de Sergipe, e julgou improcedente o pedido, para assentar a constitucionalidade dos arts. 1 e 2 da LC n 206\/2011 do Estado de Sergipe (3).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 42. Os membros das Pol\u00edcias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, institui\u00e7\u00f5es organizadas com base na hierarquia e disciplina, s\u00e3o militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios.&nbsp; 1 Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios, al\u00e9m do que vier a ser fixado em lei, as disposi\u00e7\u00f5es do art. 14,&nbsp; 8; do art. 40,&nbsp; 9; e do art. 142,&nbsp; 2 e 3, cabendo a lei estadual espec\u00edfica dispor sobre as mat\u00e9rias do art. 142,&nbsp; 3, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CF\/1988: Art. 142. As For\u00e7as Armadas, constitu\u00eddas pela Marinha, pelo Ex\u00e9rcito e pela Aeron\u00e1utica, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da Rep\u00fablica, e destinam-se \u00e0 defesa da P\u00e1tria, \u00e0 garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. (&#8230;)&nbsp; 3 Os membros das For\u00e7as Armadas s\u00e3o denominados militares, aplicando-se-lhes, al\u00e9m das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposi\u00e7\u00f5es: (&#8230;) X&nbsp; a lei dispor\u00e1 sobre o ingresso nas For\u00e7as Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condi\u00e7\u00f5es de transfer\u00eancia do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remunera\u00e7\u00e3o, as prerrogativas e outras situa\u00e7\u00f5es especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por for\u00e7a de compromissos internacionais e de guerra;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) LC n 206\/2011 do Estado de Sergipe: Art. 1 Ficam alterados os incisos X e XI do art. 89, da Lei n 2.066, de 23 de dezembro de 1976, que passam a vigorar com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: Art. 89. A transfer\u00eancia ex of\u00edcio para a reserva remunerada, verificar-se-\u00e1 sempre que o policial militar incidir nos seguintes casos: (&#8230;) X&nbsp; ter, o Oficial Superior do \u00faltimo Posto do QOPM, do QCOPM ou do QOBM, exercido, como titular, o Cargo de Comandante-Geral ou de Chefe do Estado Maior-Geral da respectiva Corpora\u00e7\u00e3o, e contar com 25 (vinte e cinco) anos ou mais de servi\u00e7o p\u00fablico; XI&nbsp; ser, o Oficial Superior do \u00faltimo Posto do QOPM, do QCOPM, do QOSPM ou do QOBM, mais antigo que o Oficial Superior da PM ou do CBM, conforme o caso, que estiver no exerc\u00edcio, como titular, do Cargo de Comandante-Geral ou de Chefe do Estado Maior-Geral da respectiva Corpora\u00e7\u00e3o, e contar com 25 (vinte e cinco) anos ou mais de servi\u00e7o p\u00fablico. Art. 2 O militar que, na data da publica\u00e7\u00e3o desta Lei Complementar, estiver enquadrado nos incisos X e XI do art. 89 da Lei n 2.066, de 23 de dezembro de 1976, com a reda\u00e7\u00e3o dada por esta Lei, ou que, nesta mesma data, estiver no exerc\u00edcio, como titular, dos cargos de Comandante-Geral ou de Chefe do Estado-Maior-Geral da respectiva Corpora\u00e7\u00e3o, far\u00e1 jus, uma vez transferido para a reserva remunerada, a proventos integrais, tomando-se por base o soldo do seu pr\u00f3prio posto, acrescido de 20% (vinte por cento).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 5.531\/SE, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 13.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nacionalidade-originaria-brasileira-filho-adotado-no-exterior-por-brasileiro-tema-1-253-rg\">2.&nbsp; Nacionalidade origin\u00e1ria brasileira \u2013 filho adotado no exterior por brasileiro (Tema 1.253 RG)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assegurado o direito \u00e0 nacionalidade brasileira origin\u00e1ria \u00e0 pessoa nascida no exterior e <strong>adotada por brasileiro, desde que registrada em reparti\u00e7\u00e3o consular<\/strong>, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es da filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica (CF, art. 12, I, c, c\/c art. 227, \u00a7 6\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.163.774\/MG, Rel. Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento finalizado em 12\/3\/2026 (Tema 1.253 RG).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda, brasileira residente no exterior, adotou regularmente duas menores nascidas fora do Brasil e registrou as certid\u00f5es de nascimento e ado\u00e7\u00e3o no consulado brasileiro competente. Ao requerer a transcri\u00e7\u00e3o dos termos no registro civil de Belo Horizonte com op\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de nacionalidade brasileira origin\u00e1ria (a ser confirmada na maioridade), o pedido foi negado sob o fundamento de que o art. 12, I, &#8220;c&#8221;, da CF se refere a &#8220;pai brasileiro ou m\u00e3e brasileira&#8221;, o que pressuporia v\u00ednculo biol\u00f3gico, n\u00e3o adotivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 12, I, &#8220;c&#8221;<\/strong><em> (nacionalidade origin\u00e1ria \u2013 nascido no exterior registrado em reparti\u00e7\u00e3o brasileira).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 227, \u00a7 6\u00ba<\/strong><em> (igualdade entre filhos biol\u00f3gicos e adotivos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A CF <strong>pro\u00edbe distin\u00e7\u00e3o<\/strong> entre filhos biol\u00f3gicos e adotivos (art. 227, \u00a7 6\u00ba). A filia\u00e7\u00e3o adotiva \u00e9 plena, definitiva e irrevog\u00e1vel. A interpreta\u00e7\u00e3o do art. 12, I, &#8220;c&#8221;, que restrinja a nacionalidade origin\u00e1ria ao v\u00ednculo sangu\u00edneo desconsidera os princ\u00edpios protetivos do ordenamento e os tratados internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A <strong>op\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria<\/strong> de nacionalidade pode ser exercida pelos representantes legais do menor, devendo ser ratificada ap\u00f3s a maioridade, nos termos do art. 12, I, &#8220;c&#8221;, da CF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 227, \u00a7 6\u00ba, da CF consagra a igualdade plena entre filhos biol\u00f3gicos e adotivos, vedando &#8216;quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o&#8217;. Essa igualdade <strong>estende-se a todos os direitos fundamentais, inclusive o direito \u00e0 nacionalidade origin\u00e1ria<\/strong>. Distinguir o v\u00ednculo familiar (se sangu\u00edneo ou afetivo) para fins de nacionalidade viola frontalmente esse princ\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 12, I, &#8220;c&#8221;, ao referir-se a &#8216;pai brasileiro ou m\u00e3e brasileira&#8217;, <strong>n\u00e3o distingue entre filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e adotiva<\/strong>. A interpreta\u00e7\u00e3o que confere m\u00e1xima efetividade ao direito fundamental \u00e0 nacionalidade orienta-se pela conclus\u00e3o que garanta efic\u00e1cia jur\u00eddica, social e pol\u00edtica do que \u00e9 assegurado constitucionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A ado\u00e7\u00e3o, no ordenamento brasileiro, \u00e9 <strong>filia\u00e7\u00e3o plena, definitiva e irrevog\u00e1vel<\/strong>. O adotado passa a integrar a fam\u00edlia do adotante para todos os efeitos, rompendo v\u00ednculo com a fam\u00edlia de origem. Negar a nacionalidade origin\u00e1ria ao filho adotivo registrado no consulado equivaleria a criar uma &#8216;filia\u00e7\u00e3o de segunda classe&#8217;, incompat\u00edvel com a CF.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio fixou tese vinculante (Tema 1.253) assegurando que o nascido no exterior, adotado por brasileiro e registrado em reparti\u00e7\u00e3o consular, pode <strong>optar pela nacionalidade brasileira origin\u00e1ria nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que os filhos biol\u00f3gicos<\/strong>. A decis\u00e3o deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e determinou a transcri\u00e7\u00e3o dos registros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que toca \u00e0 nacionalidade origin\u00e1ria brasileira de pessoa adotada no exterior por brasileiro, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A nacionalidade brasileira origin\u00e1ria \u00e9 assegurada ao adotado no exterior, desde que registrado em reparti\u00e7\u00e3o consular, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es da filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O art. 12, I, &#8220;c&#8221;, da CF exige v\u00ednculo sangu\u00edneo para a concess\u00e3o de nacionalidade origin\u00e1ria a nascidos no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A ado\u00e7\u00e3o no exterior confere ao adotado apenas a nacionalidade brasileira derivada (naturaliza\u00e7\u00e3o simplificada).<\/p>\n\n\n\n<p>D) A op\u00e7\u00e3o de nacionalidade do menor adotado depende de decis\u00e3o do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, n\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A igualdade do art. 227, \u00a7 6\u00ba, restringe-se a direitos patrimoniais e sucess\u00f3rios, n\u00e3o alcan\u00e7ando a nacionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> Conforme tese fixada pelo Plen\u00e1rio no Tema 1.253 RG.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O dispositivo n\u00e3o distingue entre filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e adotiva.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Trata-se de nacionalidade origin\u00e1ria (brasileiro nato), n\u00e3o de naturaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O registro consular e a op\u00e7\u00e3o de nacionalidade s\u00e3o mat\u00e9rias jurisdicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A igualdade do \u00a7 6\u00ba estende-se a todos os direitos, incluindo a nacionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Tese fixada:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 assegurado o direito \u00e0 nacionalidade brasileira origin\u00e1ria \u00e0 pessoa nascida no exterior, adotada por pessoa brasileira e registrada em \u00f3rg\u00e3o consular competente, nos termos da al\u00ednea c do inciso I do art. 12 c\/c o&nbsp; 6 do art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Resumo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A op\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria da nacionalidade origin\u00e1ria brasileira dos nascidos no estrangeiro&nbsp; CF\/1988, art. 12, I, c&nbsp; pode ser exercida pelos filhos adotados no exterior por brasileiros, desde que registrados no \u00f3rg\u00e3o consular competente, atendidas as mesmas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas para a filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A igualdade de direitos entre filhos garantida pelo texto constitucional, que pro\u00edbe a distin\u00e7\u00e3o entre filhos biol\u00f3gicos e adotivos (1), se estende a todos os direitos fundamentais. Com efeito, o v\u00ednculo familiar afetivo (ado\u00e7\u00e3o) \u00e9 reconhecido em nosso ordenamento jur\u00eddico. Trata-se de filia\u00e7\u00e3o plena, definitiva e irrevog\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob a perspectiva de conferir efetividade jur\u00eddica plena, a interpreta\u00e7\u00e3o do direito fundamental \u00e0 nacionalidade deve orientar-se por conclus\u00e3o que garanta a efic\u00e1cia jur\u00eddica, social e pol\u00edtica daquilo que \u00e9 assegurado constitucionalmente. Ademais, compreens\u00e3o que restringe o direito \u00e0 nacionalidade, distinguindo o v\u00ednculo familiar (se sangu\u00edneo ou se afetivo), desconsidera os princ\u00edpios protetivos postos nas normas vigentes e nos atos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, desde que registrados no \u00f3rg\u00e3o consular competente, o nascido no exterior&nbsp; e l\u00e1 regularmente adotado por brasileiro&nbsp; pode optar, pleitear e obter a condi\u00e7\u00e3o de brasileiro nato da mesma forma que os nascidos no estrangeiro, de m\u00e3e ou pai brasileiros, por filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, duas menores nascidas em solo estrangeiro foram adotadas, no exterior, por uma brasileira e, providenciado o registro das respectivas certid\u00f5es de nascimento e de ado\u00e7\u00e3o na reparti\u00e7\u00e3o consular competente. Em ju\u00edzo, as menores, representadas pela m\u00e3e adotiva, requereram a transcri\u00e7\u00e3o dos termos no registro civil de pessoas naturais de Belo Horizonte\/MG, com op\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de nacionalidade brasileira origin\u00e1ria, a ser ratificada ap\u00f3s a maioridade (2). Na situa\u00e7\u00e3o dos autos, o recurso extraordin\u00e1rio foi interposto do ac\u00f3rd\u00e3o no qual rejeitado o pedido das autoras, mantendo a senten\u00e7a, haja vista serem ligadas \u00e0 m\u00e3e brasileira pelo v\u00ednculo da ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o Tema 1.253 da repercuss\u00e3o geral, deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e fixou a tese anteriormente citada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 227. \u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o. (&#8230;)&nbsp; 6 Os filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os mesmos direitos e qualifica\u00e7\u00f5es, proibidas quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) CF\/1988: Art. 12. S\u00e3o brasileiros: I&nbsp; natos: (&#8230;) c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de m\u00e3e brasileira, desde que sejam registrados em reparti\u00e7\u00e3o brasileira competente ou venham a residir na Rep\u00fablica Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; RE 1.163.774\/MG, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 12.03.2026, quinta-feira<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-agravo-interno-tj-estadual-nao-pode-restringir-cabimento-por-norma-regimental-adi-7-692\">3.&nbsp; Agravo interno \u2013 TJ estadual n\u00e3o pode restringir cabimento por norma regimental (ADI 7.692)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional norma de regimento interno de TJ que <strong>restringe o cabimento de agravo interno contra decis\u00e3o monocr\u00e1tica do relator<\/strong>, por violar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual civil (CF, art. 22, I).<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.692\/MA, Rel. Ministro Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 13\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O TJ\/MA alterou seu Regimento Interno para vedar o agravo interno contra decis\u00f5es monocr\u00e1ticas baseadas em teses firmadas em IRDR ou IAC, salvo demonstra\u00e7\u00e3o de distin\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, o jurisdicionado perderia um grau de revis\u00e3o colegiada e, al\u00e9m disso, ficaria impedido de acessar REsp e RE, pois esses recursos exigem esgotamento das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias. A PGR questionou se norma regimental pode criar restri\u00e7\u00e3o recursal n\u00e3o prevista no CPC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, I<\/strong><em> (compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o \u2013 direito processual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.021<\/strong><em> (agravo interno contra decis\u00e3o monocr\u00e1tica do relator).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O CPC prev\u00ea que toda decis\u00e3o monocr\u00e1tica de relator pode ser atacada por agravo interno (art. 1.021). Os tribunais estaduais podem editar normas complementares de processamento (como definir o \u00f3rg\u00e3o colegiado competente), mas <strong>n\u00e3o podem suprimir ou restringir<\/strong> pressupostos de admissibilidade de recursos previstos em lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A supress\u00e3o do agravo interno <strong>afeta indiretamente<\/strong> o REsp, o RE e a reclama\u00e7\u00e3o constitucional, pois esses instrumentos pressup\u00f5em esgotamento das vias ordin\u00e1rias. Sem o agravo, o jurisdicionado n\u00e3o alcan\u00e7a a &#8216;\u00faltima inst\u00e2ncia&#8217; exigida como pressuposto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O CPC estabelece o agravo interno como recurso cab\u00edvel contra toda decis\u00e3o monocr\u00e1tica de relator (art. 1.021). Ao suprimir esse recurso para certas hip\u00f3teses, o TJ\/MA <strong>invadiu a compet\u00eancia legislativa da Uni\u00e3o em mat\u00e9ria processual civil<\/strong>, criando regra de inadmissibilidade recursal n\u00e3o prevista na legisla\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A norma regimental do TJ\/MA teve efeito cascata sobre a sistem\u00e1tica recursal: ao suprimir o agravo interno, impediu que a parte esgotasse as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, o que \u00e9 <strong>pressuposto de admissibilidade do REsp, do RE e da reclama\u00e7\u00e3o constitucional<\/strong>. Assim, uma norma regimental estadual acabou por restringir o acesso aos tribunais superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Plen\u00e1rio distinguiu entre compet\u00eancia dos tribunais para editar normas de processamento (como definir \u00f3rg\u00e3o colegiado) e a <strong>veda\u00e7\u00e3o de alterar a sistem\u00e1tica recursal prevista em lei federal<\/strong>. O art. 1.021 do CPC limita a compet\u00eancia regimental ao &#8216;processamento&#8217; do agravo, n\u00e3o \u00e0 sua admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o declarou a inconstitucionalidade formal da norma regimental, reafirmando que a <strong>compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o (CF, art. 22, I) abrange a defini\u00e7\u00e3o dos recursos cab\u00edveis e seus pressupostos<\/strong>. Tribunais estaduais podem regulamentar o tr\u00e2mite interno, mas n\u00e3o criar hip\u00f3teses de inadmissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao cabimento de agravo interno de decis\u00e3o monocr\u00e1tica do relator em tribunal estadual, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O regimento interno do TJ pode restringir o cabimento de agravo interno em favor da celeridade processual.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A compet\u00eancia dos tribunais para editar normas de processamento inclui a defini\u00e7\u00e3o de pressupostos de admissibilidade recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A supress\u00e3o do agravo interno por norma regimental n\u00e3o afeta o acesso aos tribunais superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O CPC faculta aos tribunais estaduais restringir o agravo interno quando a decis\u00e3o monocr\u00e1tica se fundar em precedentes vinculantes.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 inconstitucional norma regimental de TJ que restringe o agravo interno, por invadir a compet\u00eancia da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A compet\u00eancia para legislar sobre recursos \u00e9 da Uni\u00e3o, n\u00e3o dos tribunais estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Normas de processamento referem-se ao tr\u00e2mite, n\u00e3o \u00e0 admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A supress\u00e3o impede o esgotamento das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, pressuposto do REsp e RE.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O CPC prev\u00ea agravo interno contra toda decis\u00e3o monocr\u00e1tica, sem exce\u00e7\u00e3o por tipo de fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pelo Plen\u00e1rio na ADI 7.692\/MA.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional&nbsp; por violar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual civil (CF\/1988, art. 22, I)&nbsp; norma do Regimento Interno do Tribunal de Justi\u00e7a maranhense que estabelece o n\u00e3o-cabimento de agravo interno contra decis\u00f5es monocr\u00e1ticas do relator fundamentadas em ac\u00f3rd\u00e3os proferidos em sede de incidente de resolu\u00e7\u00e3o de demandas repetitivas ou de assun\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Processo Civil prev\u00ea que qualquer decis\u00e3o monocr\u00e1tica de relator pode ser objeto de agravo interno para o respectivo \u00f3rg\u00e3o colegiado. Portanto, os tribunais de justi\u00e7a n\u00e3o t\u00eam ju\u00edzo de discricionariedade para escolher quais atos judiciais podem ou n\u00e3o ser objeto do recurso. A compet\u00eancia da justi\u00e7a estadual alcan\u00e7a apenas normas complementares de processamento, tais como aquelas que especificam o \u00f3rg\u00e3o colegiado competente (1).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, a norma regimental afetou diretamente os pressupostos de admissibilidade do recurso especial e do extraordin\u00e1rio, uma vez que esses recursos pressup\u00f5em decis\u00e3o proferida em \u00fanica ou \u00faltima inst\u00e2ncia. O mesmo efeito ocorreu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o constitucional, que tamb\u00e9m possui o conhecimento condicionado ao exaurimento das vias ordin\u00e1rias. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel concluir que o Tribunal de Justi\u00e7a estadual alterou a sistem\u00e1tica recursal prevista na legisla\u00e7\u00e3o federal (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade para declarar a inconstitucionalidade formal das normas inscritas no art. 643, caput e par\u00e1grafo primeiro, do Regimento Interno do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Maranh\u00e3o (3).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CPC\/2015: Art. 1.021. Contra decis\u00e3o proferida pelo relator caber\u00e1 agravo interno para o respectivo \u00f3rg\u00e3o colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 4.161, ADI 2.970 e HC 74.761.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Regimento Interno do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Maranh\u00e3o: Art. 643. N\u00e3o cabe agravo interno da decis\u00e3o monocr\u00e1tica do relator com base no art. 932, IV, c e V, c, do C\u00f3digo de Processo Civil, salvo se demonstrada a distin\u00e7\u00e3o entre a quest\u00e3o controvertida nos autos e a que foi objeto da tese firmada em incidente de resolu\u00e7\u00e3o de demandas repetitivas ou de assun\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia.&nbsp; 1 Na hip\u00f3tese do caput considera-se esgotada a via ordin\u00e1ria para efeito de recursos perante os tribunais superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.692\/MA, relator Ministro Fl\u00e1vio Dino, julgamento virtual finalizado em 13.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-policia-penal-ausencia-de-omissao-constitucional-na-implementacao-estadual-ado-90-e-91\">4. Pol\u00edcia Penal \u2013 aus\u00eancia de omiss\u00e3o constitucional na implementa\u00e7\u00e3o estadual (ADO 90 e 91)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 omiss\u00e3o constitucional na implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Penal estadual (EC 104\/2019) quando <strong>n\u00e3o se verifica in\u00e9rcia deliberativa injustificada<\/strong>, mas sim processo de implementa\u00e7\u00e3o em curso compat\u00edvel com a complexidade da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>ADO 90\/PI e ADO 91\/PA, Rel. Ministro Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 13\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sindicatos de agentes penitenci\u00e1rios do Piau\u00ed e do Par\u00e1 ajuizaram ADOs alegando que os governadores estaduais estariam em mora legislativa por n\u00e3o terem editado leis regulamentando a Pol\u00edcia Penal, criada pela EC 104\/2019. Os Estados argumentaram que vinham adotando provid\u00eancias concretas (altera\u00e7\u00f5es constitucionais locais, transforma\u00e7\u00e3o de cargos, comiss\u00f5es t\u00e9cnicas), e que a complexidade de criar um novo \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica justificava o prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 144, VI (EC 104\/2019)<\/strong><em> (pol\u00edcias penais no rol de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 144, \u00a7 7\u00ba<\/strong><em> (lei disciplinar\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>EC 104\/2019, art. 4\u00ba<\/strong><em> (provimento por concurso e transforma\u00e7\u00e3o de cargos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A EC 104\/2019 redesenhou o estatuto constitucional das pol\u00edcias penais: (i) incluiu-as no art. 144, VI; (ii) vinculou-as ao \u00f3rg\u00e3o gestor do sistema penal; (iii) submeteu-as ao chefe do Executivo; (iv) exigiu concurso e transforma\u00e7\u00e3o de cargos. Contudo, a implanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o dessa complexidade pressup\u00f5e <strong>planejamento t\u00e9cnico e financeiro<\/strong>, ajustados \u00e0 conjuntura fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A configura\u00e7\u00e3o de omiss\u00e3o constitucional depende de demonstra\u00e7\u00e3o de <strong>in\u00e9rcia deliberativa injustificada<\/strong>, e n\u00e3o da mera inexist\u00eancia de diploma espec\u00edfico ou do fato de a implementa\u00e7\u00e3o demandar etapas graduais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A ADO pressup\u00f5e omiss\u00e3o de autoridade ou poder competente que torne inefetiva norma constitucional. O Plen\u00e1rio estabeleceu crit\u00e9rio objetivo: <strong>a omiss\u00e3o se configura pela in\u00e9rcia deliberativa, n\u00e3o pela complexidade do processo legislativo<\/strong>. Se h\u00e1 provid\u00eancias concretas em andamento (altera\u00e7\u00f5es legais, comiss\u00f5es t\u00e9cnicas, transforma\u00e7\u00e3o de cargos), n\u00e3o se pode falar em mora irrazo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Os Estados demonstraram que vinham adotando medidas como <strong>altera\u00e7\u00f5es constitucionais locais, adequa\u00e7\u00f5es legislativas de carreira e instaura\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es t\u00e9cnicas<\/strong>. Esse conjunto de provid\u00eancias evidencia andamento efetivo, compat\u00edvel com a complexidade de estruturar nova carreira em \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A decis\u00e3o \u00e9 relevante porque fixa que o prazo para implementa\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es constitucionais complexas deve ser avaliado \u00e0 luz da <strong>razoabilidade, considerando as particularidades locais e a conjuntura fiscal<\/strong>. Cada ente federativo tem condi\u00e7\u00f5es e tempos diferentes para absorver as demandas de uma emenda constitucional que cria novo \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio julgou ambas as ADOs improcedentes, reafirmando que a mera inexist\u00eancia de lei espec\u00edfica <strong>n\u00e3o configura omiss\u00e3o quando h\u00e1 processo de implementa\u00e7\u00e3o gradual em curso<\/strong>. A ADO n\u00e3o \u00e9 instrumento para apressar processos legislativos em andamento, mas para provocar a atua\u00e7\u00e3o de poderes inertes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Penal estadual ap\u00f3s a EC 104\/2019, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A aus\u00eancia de lei estadual regulamentando a Pol\u00edcia Penal configura omiss\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>B) N\u00e3o h\u00e1 omiss\u00e3o constitucional quando o Estado demonstra provid\u00eancias concretas de implementa\u00e7\u00e3o, compat\u00edveis com a complexidade da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A EC 104\/2019 dispensou os Estados de regulamentar a Pol\u00edcia Penal por lei espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O prazo para implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Penal \u00e9 de 5 anos contados da EC 104\/2019, ap\u00f3s o que se configura a mora.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A compet\u00eancia para regulamentar a Pol\u00edcia Penal estadual \u00e9 da Uni\u00e3o, n\u00e3o dos Estados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A mera inexist\u00eancia de lei n\u00e3o configura omiss\u00e3o se h\u00e1 implementa\u00e7\u00e3o gradual em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pelo Plen\u00e1rio nas ADOs 90\/PI e 91\/PA.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A EC exige regulamenta\u00e7\u00e3o por lei (CF, art. 144, \u00a7 7\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A CF n\u00e3o fixa prazo espec\u00edfico; a razoabilidade \u00e9 aferida caso a caso.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A organiza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Penal estadual \u00e9 compet\u00eancia do legislador estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 omiss\u00e3o constitucional na implementa\u00e7\u00e3o normativa e administrativa da Pol\u00edcia Penal no \u00e2mbito estadual (EC n 104\/2019), pois n\u00e3o se verifica in\u00e9rcia deliberativa apta a caracterizar mora irrazo\u00e1vel na ado\u00e7\u00e3o das provid\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e ao funcionamento da institui\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Emenda Constitucional n 104\/2019 redesenhou o estatuto constitucional das pol\u00edcias penais ao (i) inclu\u00ed-las no rol de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica (CF\/1988, art. 144, VI); (ii) vincul\u00e1-las ao \u00f3rg\u00e3o gestor do sistema penal da unidade federativa (CF\/1988, art. 144,&nbsp; 5-A); (iii) submet\u00ea-las ao chefe do Poder Executivo respectivo (CF\/1988, art. 144,&nbsp; 6); al\u00e9m de (iv) exigir o provimento do quadro de pessoal por concurso p\u00fablico e pela transforma\u00e7\u00e3o dos cargos ent\u00e3o existentes (EC n 104\/2019, art. 4). Ademais, o&nbsp; 7 do art. 144 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (1) remete \u00e0 lei a disciplina da organiza\u00e7\u00e3o e do funcionamento desses \u00f3rg\u00e3os, de modo a assegurar efici\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o das atividades de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora haja comando constitucional expresso dirigido aos entes subnacionais para estruturar e prover a Pol\u00edcia Penal, a implanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o dessa complexidade pressup\u00f5e, \u00e0 luz da razoabilidade, planejamento t\u00e9cnico e estudos financeiros consistentes, ajustados \u00e0s particularidades locais e \u00e0 conjuntura fiscal. Por isso, a configura\u00e7\u00e3o de omiss\u00e3o constitucional depende da demonstra\u00e7\u00e3o de in\u00e9rcia deliberativa injustificada, e n\u00e3o da mera inexist\u00eancia imediata de diploma espec\u00edfico ou do fato de a implementa\u00e7\u00e3o demandar etapas legislativas e administrativas graduais (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o quadro normativo e procedimental estadual n\u00e3o revela paralisa\u00e7\u00e3o deliberada ou neglig\u00eancia institucional, mas sim processo de implementa\u00e7\u00e3o em curso, compat\u00edvel com a complexidade de estrutura\u00e7\u00e3o de nova carreira e de \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por servi\u00e7o p\u00fablico essencial. Nesse sentido, registrou-se a ado\u00e7\u00e3o de provid\u00eancias concretas voltadas \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Penal, como: (i) altera\u00e7\u00f5es na ordem constitucional e legal local para inserir a institui\u00e7\u00e3o no sistema estadual de seguran\u00e7a; (ii) adequa\u00e7\u00f5es legislativas de carreira, inclusive com transforma\u00e7\u00e3o\/adequa\u00e7\u00e3o de cargos e atribui\u00e7\u00f5es; e (iii) instaura\u00e7\u00e3o de comiss\u00e3o t\u00e9cnica destinada \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o da minuta do projeto normativo de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento, evidenciando andamento efetivo da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade por omiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 144. A seguran\u00e7a p\u00fablica, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, \u00e9 exercida para a preserva\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica e da incolumidade das pessoas e do patrim\u00f4nio, atrav\u00e9s dos seguintes \u00f3rg\u00e3os: (&#8230;) VI &#8211; pol\u00edcias penais federal, estaduais e distrital. (&#8230;)&nbsp; 7 A lei disciplinar\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a p\u00fablica, de maneira a garantir a efici\u00eancia de suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADO 88 e ADO 72 AgR.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADO 90\/PI, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 13.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADO 91\/PA, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 13.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-fundo-estadual-de-infraestrutura-uso-de-recursos-para-pagamento-de-dividas-do-setor-adi-7-894\">5.&nbsp; Fundo estadual de infraestrutura \u2013 uso de recursos para pagamento de d\u00edvidas do setor (ADI 7.894)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional norma que permite a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos de fundo estadual de infraestrutura log\u00edstica para <strong>pagamento de d\u00edvidas oriundas de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito destinadas ao pr\u00f3prio setor<\/strong>, pois mant\u00e9m vincula\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica com a finalidade original do fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.894\/PI, Rel. Ministro Dias Toffoli, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 13\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Piau\u00ed editou lei permitindo que o Fundo Estadual de Infraestrutura Log\u00edstica \u2013 financiado por contribui\u00e7\u00e3o vinculada ao ICMS \u2013 fosse usado para pagar d\u00edvidas de empr\u00e9stimos tomados para obras de infraestrutura. O PGR questionou, alegando que a EC 132\/2023 (Reforma Tribut\u00e1ria) determina, no art. 136, III, do ADCT, que a destina\u00e7\u00e3o dos recursos deve ser a mesma vigente em 30\/4\/2023, e que pagamento de d\u00edvida n\u00e3o seria &#8220;investimento em obra&#8221;. A quest\u00e3o era dupla: (a) a restri\u00e7\u00e3o do ADCT alcan\u00e7a contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes? (b) se sim, pagar d\u00edvida de obra \u00e9 compat\u00edvel com a finalidade original?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 136, III (EC 132\/2023)<\/strong><em> (destina\u00e7\u00e3o de receita igual \u00e0 vigente em 30\/4\/2023).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.557\/2024 do Piau\u00ed<\/strong><em> (uso do fundo para pagamento de d\u00edvidas de infraestrutura).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 136 do ADCT refere-se \u00e0s <strong>novas contribui\u00e7\u00f5es<\/strong> a serem institu\u00eddas ap\u00f3s a Reforma Tribut\u00e1ria. A lei piauiense alterou a disciplina de contribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente, vinculada ao ICMS, n\u00e3o se enquadrando na restri\u00e7\u00e3o do inciso III.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ainda que se aplique a restri\u00e7\u00e3o, o pagamento de empr\u00e9stimos tomados para obras de infraestrutura log\u00edstica mant\u00e9m <strong>vincula\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica<\/strong> com a finalidade original do fundo: quem financia a obra financia, indiretamente, a d\u00edvida que viabilizou a obra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 136 do ADCT autoriza os Estados que possu\u00edam fundos de infraestrutura em 30\/4\/2023 a instituir contribui\u00e7\u00f5es semelhantes no novo sistema tribut\u00e1rio, desde que a destina\u00e7\u00e3o seja a mesma. Contudo, essa regra <strong>refere-se \u00e0s novas contribui\u00e7\u00f5es p\u00f3s-Reforma, n\u00e3o \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes<\/strong>. A lei piauiense alterou disciplina de contribui\u00e7\u00e3o vigente, n\u00e3o criou nova contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Mesmo que se entendesse aplic\u00e1vel a restri\u00e7\u00e3o do ADCT, o pagamento de empr\u00e9stimos destinados a obras de infraestrutura <strong>mant\u00e9m vincula\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica com a finalidade original do fundo<\/strong>. Trata-se da mesma cadeia final\u00edstica: os empr\u00e9stimos viabilizaram as obras, e o pagamento da d\u00edvida \u00e9 consequ\u00eancia necess\u00e1ria do investimento realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Plen\u00e1rio utilizou dois fundamentos independentes e suficientes: (i) a norma do ADCT <strong>n\u00e3o alcan\u00e7a contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes<\/strong> e (ii) ainda que alcan\u00e7asse, haveria vincula\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica. Ambos os fundamentos conduzem \u00e0 constitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o \u00e9 relevante no contexto da transi\u00e7\u00e3o da Reforma Tribut\u00e1ria (EC 132\/2023), pois delimita o alcance do art. 136 do ADCT e preserva a <strong>flexibilidade dos Estados na gest\u00e3o de seus fundos de investimento<\/strong>, desde que respeitada a finalidade institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos de fundo estadual de infraestrutura para pagamento de d\u00edvidas do setor, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O art. 136, III, do ADCT veda a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos de fundos estaduais de infraestrutura para pagamento de d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A restri\u00e7\u00e3o de destina\u00e7\u00e3o do art. 136 do ADCT aplica-se a contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes antes da EC 132\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 constitucional o uso dos recursos do fundo para pagar d\u00edvidas de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito destinadas ao pr\u00f3prio setor de infraestrutura, por vincula\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica com a finalidade original.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O pagamento de d\u00edvidas com recursos do fundo exige autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do Senado Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A EC 132\/2023 extinguiu os fundos estaduais de infraestrutura existentes em 30\/4\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A restri\u00e7\u00e3o do art. 136, III, refere-se a novas contribui\u00e7\u00f5es p\u00f3s-Reforma.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O art. 136 alcan\u00e7a novas contribui\u00e7\u00f5es a serem institu\u00eddas, n\u00e3o as j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pelo Plen\u00e1rio na ADI 7.894\/PI.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o senatorial para essa opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A EC 132\/2023 autorizou a manuten\u00e7\u00e3o dos fundos existentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional norma que permite a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos de fundo estadual de infraestrutura log\u00edstica para o pagamento de d\u00edvidas do pr\u00f3prio setor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A regra constitucional de manter a destina\u00e7\u00e3o original do fundo (1) refere-se apenas \u00e0s novas contribui\u00e7\u00f5es a serem institu\u00eddas ap\u00f3s a Reforma Tribut\u00e1ria (EC n 132\/2023). A lei impugnada alterou a disciplina de uma contribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente, vinculada ao Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS), n\u00e3o se enquadrando na restri\u00e7\u00e3o imediata do inciso III do artigo 136 do ADCT (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda que assim n\u00e3o fosse, o pagamento de empr\u00e9stimos tomados para obras de infraestrutura log\u00edstica mant\u00e9m vincula\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica com a finalidade original do fundo em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, conheceu em parte da a\u00e7\u00e3o e, quanto a essa parte, julgou-a improcedente para assentar a constitucionalidade da Lei n 8.557\/2024 do Estado do Piau\u00ed (3).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) ADCT: Art. 136. Os Estados que possu\u00edam, em 30 de abril de 2023, fundos destinados a investimentos em obras de infraestrutura e habita\u00e7\u00e3o e financiados por contribui\u00e7\u00f5es sobre produtos prim\u00e1rios e semielaborados estabelecidas como condi\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de diferimento, regime especial ou outro tratamento diferenciado, relativos ao imposto de que trata o art. 155, II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, poder\u00e3o instituir contribui\u00e7\u00f5es semelhantes, n\u00e3o vinculadas ao referido imposto, observado que: (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n 132, de 2023) (&#8230;) III &#8211; a destina\u00e7\u00e3o de sua receita dever\u00e1 ser a mesma das contribui\u00e7\u00f5es vigentes em 30 de abril de 2023;(Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n 132, de 2023)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedente citado: ADI 7.363 AgR.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Lei n 8.557\/2024 do Estado do Piau\u00ed: Art. 1 Fica acrescentado par\u00e1grafo \u00fanico ao art. 8 da Lei Complementar n 269, de 08 de dezembro de 2022, com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: Art. 8 (&#8230;) Par\u00e1grafo \u00fanico. Os recursos do fundo previsto no caput poder\u00e3o ser aplicados no pagamento dos servi\u00e7os da d\u00edvida oriunda de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito que destinaram recursos para \u00e1rea de infraestrutura log\u00edstica em todo o Estado. (NR) Art. 2 Esta Lei entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o, com efeitos a partir de 1 de dezembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.894\/PI, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 13.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-5f6e5f05-8de2-4f0d-877a-295fd20d6c6a\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/03\/25084825\/stf_info_1208.pdf\">STF_Info_1208<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/03\/25084825\/stf_info_1208.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-5f6e5f05-8de2-4f0d-877a-295fd20d6c6a\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp; Militares estaduais \u2013 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