{"id":1734752,"date":"2026-03-16T09:35:49","date_gmt":"2026-03-16T12:35:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1734752"},"modified":"2026-03-16T09:35:51","modified_gmt":"2026-03-16T12:35:51","slug":"informativo-stj-878-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-878-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 878 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/03\/16093515\/stj_info_878.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_B9B6jI_x_fE\"><div id=\"lyte_B9B6jI_x_fE\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/B9B6jI_x_fE\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/B9B6jI_x_fE\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/B9B6jI_x_fE\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-remessa-necessaria-demanda-previdenciaria-com-valor-aferivel-por-calculos-aritmeticos-tema-1081\">1.&nbsp;&nbsp; Remessa necess\u00e1ria \u2013 demanda previdenci\u00e1ria com valor afer\u00edvel por c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos (Tema 1081)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A demanda previdenci\u00e1ria cujo valor da condena\u00e7\u00e3o seja afer\u00edvel por simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos <strong>deve ser dispensada da remessa necess\u00e1ria<\/strong> quando for poss\u00edvel estimar que n\u00e3o exceder\u00e1 o limite do art. 496, \u00a7 3\u00ba, I, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.882.236-RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 4\/2\/2026 (Tema 1081).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Barriga, aposentado por invalidez, obteve senten\u00e7a condenat\u00f3ria contra o INSS sem indica\u00e7\u00e3o num\u00e9rica do valor. A autarquia alegou necessidade de remessa necess\u00e1ria por se tratar de senten\u00e7a il\u00edquida (S\u00famula 490\/STJ). O ju\u00edzo entendeu que os par\u00e2metros fixados na senten\u00e7a permitiam aferir, por c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos, que o valor n\u00e3o excedia 1.000 sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 496, \u00a7 3\u00ba, I<\/strong><em> (dispensa de remessa necess\u00e1ria \u2013 valor inferior a 1.000 sal\u00e1rios-m\u00ednimos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 509, \u00a7 2\u00ba, e 786, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (liquidez da obriga\u00e7\u00e3o com c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 17\/STJ e S\u00famula 490\/STJ<\/strong><em> (remessa necess\u00e1ria em senten\u00e7as il\u00edquidas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A necessidade de simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos para apura\u00e7\u00e3o do quantum n\u00e3o afasta a liquidez da obriga\u00e7\u00e3o. A iliquidez para fins de remessa necess\u00e1ria deve ser compreendida como <strong>iliquidez material<\/strong>, e n\u00e3o mera aus\u00eancia formal de quantifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Tema 17\/STJ e a S\u00famula 490\/STJ permanecem aplic\u00e1veis apenas \u00e0s senten\u00e7as <strong>materialmente il\u00edquidas<\/strong>, que exigem liquida\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma ou atividade cognitiva complementar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O CPC\/2015 ampliou substancialmente as hip\u00f3teses de dispensa de remessa necess\u00e1ria. Em demandas previdenci\u00e1rias, a senten\u00e7a usualmente fixa par\u00e2metros suficientes para quantifica\u00e7\u00e3o imediata, configurando <strong>liquidez material, ainda que sem indica\u00e7\u00e3o num\u00e9rica final<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A no\u00e7\u00e3o de &#8216;senten\u00e7a il\u00edquida&#8217; para fins de remessa necess\u00e1ria, \u00e0 luz do CPC\/2015, deve ser compreendida como <strong>iliquidez material (impossibilidade de aferir o valor)<\/strong>, e n\u00e3o como mera aus\u00eancia formal de quantifica\u00e7\u00e3o num\u00e9rica. Se os par\u00e2metros da senten\u00e7a permitem c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos, a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Tema 17\/STJ e a S\u00famula 490 continuam v\u00e1lidos para senten\u00e7as que <strong>n\u00e3o permitem a aferi\u00e7\u00e3o segura do valor no momento da prola\u00e7\u00e3o<\/strong>, exigindo liquida\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma. Mas n\u00e3o se aplicam quando a senten\u00e7a cont\u00e9m elementos para apura\u00e7\u00e3o imediata por c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte Especial fixou tese vinculante (Tema 1081) reconhecendo que a <strong>dispensa de remessa necess\u00e1ria opera quando o valor estimado por c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos n\u00e3o excede o limite legal<\/strong>. Essa orienta\u00e7\u00e3o adequa os precedentes anteriores ao novo regime do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que toca \u00e0 remessa necess\u00e1ria em demandas previdenci\u00e1rias, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A S\u00famula 490\/STJ imp\u00f5e remessa necess\u00e1ria em toda senten\u00e7a previdenci\u00e1ria sem indica\u00e7\u00e3o num\u00e9rica do valor.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A iliquidez material da senten\u00e7a previdenci\u00e1ria \u00e9 aferida pela aus\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o formal do valor da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O CPC\/2015 n\u00e3o alterou o regime de remessa necess\u00e1ria aplic\u00e1vel \u00e0s demandas previdenci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A demanda previdenci\u00e1ria com valor afer\u00edvel por c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos dispensa remessa necess\u00e1ria quando n\u00e3o exceder o limite legal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A dispensa de remessa necess\u00e1ria em demandas previdenci\u00e1rias exige liquida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via por perito judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A S\u00famula 490 aplica-se apenas a senten\u00e7as materialmente il\u00edquidas, n\u00e3o a toda senten\u00e7a sem valor num\u00e9rico.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A iliquidez material \u00e9 a impossibilidade de aferir o valor, n\u00e3o a mera aus\u00eancia de quantifica\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O CPC\/2015 ampliou substancialmente as hip\u00f3teses de dispensa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Tese fixada pela Corte Especial no Tema 1081.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A dispensa ocorre quando os pr\u00f3prios par\u00e2metros da senten\u00e7a permitem c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 1.036 do C\u00f3digo de Processo Civil, para forma\u00e7\u00e3o de precedente vinculante previsto no art. 927, III, do C\u00f3digo de Processo Civil, \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se a demanda previdenci\u00e1ria cujo valor da condena\u00e7\u00e3o seja afer\u00edvel por simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos deve ser dispensada da remessa necess\u00e1ria, quando for poss\u00edvel estimar que ser\u00e1 inferior ao montante previsto no artigo 496, 3, inc. I, do C\u00f3digo de Processo Civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 496 do CPC\/2015 ampliou substancialmente as hip\u00f3teses de dispensa da remessa necess\u00e1ria, condicionando-a \u00e0 aferi\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o ou proveito econ\u00f4mico de valor certo e l\u00edquido inferior a 1.000 sal\u00e1rios-m\u00ednimos, quando se tratar da Uni\u00e3o e de suas autarquias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos dos art. 509, 2, e art. 786, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC de 2015, a necessidade de simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos para a apura\u00e7\u00e3o do quantum debeatur n\u00e3o afasta a liquidez da obriga\u00e7\u00e3o reconhecida em senten\u00e7a. Nas demandas previdenci\u00e1rias, a senten\u00e7a usualmente fixa par\u00e2metros suficientes \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o imediata da condena\u00e7\u00e3o, configurando hip\u00f3tese de liquidez material, ainda que ausente a indica\u00e7\u00e3o num\u00e9rica final do valor devido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tema 17\/STJ e a S\u00famula n. 490\/STJ permanecem aplic\u00e1veis \u00e0s senten\u00e7as materialmente il\u00edquidas, isto \u00e9, \u00e0quelas que n\u00e3o permitem a aferi\u00e7\u00e3o segura do valor da condena\u00e7\u00e3o no momento da prola\u00e7\u00e3o do decisum, exigindo liquida\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma ou atividade cognitiva complementar. \u00c0 luz do CPC\/2015, a no\u00e7\u00e3o de &#8220;senten\u00e7a il\u00edquida&#8221; para fins de remessa necess\u00e1ria deve ser compreendida como iliquidez material, e n\u00e3o como mera aus\u00eancia formal de quantifica\u00e7\u00e3o num\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando a senten\u00e7a cont\u00e9m elementos suficientes para a apura\u00e7\u00e3o imediata do proveito econ\u00f4mico por simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos e permite concluir, com seguran\u00e7a, que o valor n\u00e3o excede o limite legal, n\u00e3o incidem o Tema 17\/STJ nem a S\u00famula n. 490\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aplica\u00e7\u00e3o intertemporal desses precedentes deve observar o novo regime jur\u00eddico da remessa necess\u00e1ria institu\u00eddo pelo CPC\/2015, caracterizado pela eleva\u00e7\u00e3o substancial dos limites econ\u00f4micos de dispensa e pela redefini\u00e7\u00e3o legislativa do conceito de liquidez.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1081\/STJ: &#8220;A demanda previdenci\u00e1ria cujo valor da condena\u00e7\u00e3o seja afer\u00edvel por simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos, com base nos par\u00e2metros fixados na senten\u00e7a, deve ser dispensada da remessa necess\u00e1ria quando for poss\u00edvel estimar que n\u00e3o exceder\u00e1 o limite previsto no art. 496, 3, I, do C\u00f3digo de Processo Civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-competencia-da-justica-federal-trf-6-programa-indenizatorio-do-desastre-de-mariana\">2.&nbsp; Compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal (TRF-6) \u2013 Programa Indenizat\u00f3rio do desastre de Mariana<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal \u2013 TRF da 6\u00aa Regi\u00e3o \u2013 processar e julgar as demandas relativas ao <strong>Programa Indenizat\u00f3rio Definitivo (PID) do rompimento da barragem de Fund\u00e3o<\/strong>, no contexto da repactua\u00e7\u00e3o homologada pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 215.613-MG, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 5\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda, atingida pelo rompimento da barragem de Fund\u00e3o em Mariana\/MG, ajuizou a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a Estadual de Governador Valadares buscando valida\u00e7\u00e3o de aptid\u00e3o para ser integrada ao PID (entrar no grupo dos indenizados). O ju\u00edzo estadual declinou para a Justi\u00e7a Federal, suscitando conflito negativo de compet\u00eancia perante o STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, I<\/strong><em> (compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal \u2013 causas com interesse da Uni\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Pet. 13.157\/DF (STF)<\/strong><em> (homologa\u00e7\u00e3o do acordo de repactua\u00e7\u00e3o \u2013 barragem de Fund\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STF <strong>delegou ao TRF-6<\/strong> a compet\u00eancia para demandas cujo objeto seja o Acordo de Repactua\u00e7\u00e3o homologado pela Suprema Corte, por meio da Coordenadoria Regional de Demandas Estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A a\u00e7\u00e3o que discute <strong>elegibilidade ao PID<\/strong> envolve necessariamente an\u00e1lise do acordo de repactua\u00e7\u00e3o, atraindo a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF, ao homologar o acordo de repactua\u00e7\u00e3o na Pet. 13.157\/DF, definiu que demandas cujo objeto esteja <strong>relacionado ao Acordo homologado s\u00e3o de compet\u00eancia do TRF-6<\/strong>, por delega\u00e7\u00e3o \u00e0 Coordenadoria Regional de Demandas Estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A a\u00e7\u00e3o que discute elegibilidade ao PID implica <strong>necessariamente revisitar o acordo de repactua\u00e7\u00e3o<\/strong>, analisando suas cl\u00e1usulas e crit\u00e9rios. A Uni\u00e3o \u00e9 parte integrante e signat\u00e1ria do acordo, estabelecendo rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica direta com as obriga\u00e7\u00f5es pactuadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o resolveu o conflito reconhecendo que a compet\u00eancia \u00e9 da <strong>Justi\u00e7a Federal vinculada ao TRF-6<\/strong>, independentemente do domic\u00edlio do autor ou da localidade da ag\u00eancia da Samarco\/Renova.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O monitoramento do acordo foi <strong>expressamente atribu\u00eddo \u00e0 Justi\u00e7a Federal pela decis\u00e3o homologat\u00f3ria do STF<\/strong>. Assim, toda demanda que tenha por objeto cl\u00e1usulas do acordo segue essa compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compet\u00eancia para demandas de programa indenizat\u00f3rio originado por desastre de rompimento de barragem, em especial o Programa Indenizat\u00f3rio Definitivo (PID) derivado do desastre de Mariana, \u00e9 correto afirmar<\/p>\n\n\n\n<p>A) A compet\u00eancia \u00e9 da Justi\u00e7a Estadual do domic\u00edlio do autor atingido pelo desastre.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal (TRF-6) processar e julgar demandas relativas ao PID no contexto da repactua\u00e7\u00e3o homologada pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A compet\u00eancia \u00e9 do ju\u00edzo que primeiro conheceu da causa, por preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O conflito de compet\u00eancia \u00e9 resolvido em favor do foro da sede da Samarco.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A Justi\u00e7a Federal \u00e9 competente apenas para demandas de valor superior a 60 sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A compet\u00eancia foi delegada ao TRF-6 pela decis\u00e3o do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Primeira Se\u00e7\u00e3o no CC 215.613-MG.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A compet\u00eancia decorre da natureza da demanda (objeto ligado ao acordo), n\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O crit\u00e9rio \u00e9 a vincula\u00e7\u00e3o ao acordo homologado pelo STF, n\u00e3o a sede da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O crit\u00e9rio de compet\u00eancia \u00e9 material (vincula\u00e7\u00e3o ao acordo), n\u00e3o valorativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de conflito negativo de compet\u00eancia suscitado pelo Ju\u00edzo de Direito da 6 Vara C\u00edvel da Comarca de Governador Valadares\/MG, em face do Ju\u00edzo Federal da 3 Vara do Juizado Especial Federal de Governador Valadares\/MG, na a\u00e7\u00e3o judicial ajuizada por pessoa atingida pelo rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana\/MG, em que se objetiva a valida\u00e7\u00e3o de sua aptid\u00e3o para o programa de indeniza\u00e7\u00e3o definitivo (PID) relativo ao mencionado desastre.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre essa quest\u00e3o, o Supremo Tribunal Federal (STF), j\u00e1 proferiu decis\u00e3o na Pet. 13.157\/DF sobre aspectos relacionados \u00e0 compet\u00eancia para aprecia\u00e7\u00e3o de demandas decorrentes do rompimento da barragem de Fund\u00e3o\/MG, uma vez que ap\u00f3s a homologa\u00e7\u00e3o do acordo de repactua\u00e7\u00e3o pela Suprema Corte, houve o ajuizamento de diversas demandas judiciais, individuais e coletivas, que discutem quest\u00f5es referentes aos termos acordados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, o STF afirmou que &#8220;a delimita\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia parte de uma distin\u00e7\u00e3o fundamental: se a causa de pedir da demanda est\u00e1 ou n\u00e3o relacionada ao Acordo de Repactua\u00e7\u00e3o homologado por esta Suprema Corte [&#8230;]. Caso a demanda tenha como objeto o Acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal, a compet\u00eancia para o seu julgamento ser\u00e1 da Coordenadoria Regional de Demandas Estruturais e Coopera\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria, vinculada ao Tribunal Regional Federal da 6 Regi\u00e3o, por delega\u00e7\u00e3o [&#8230;]&#8221;. Assim, o cerne da quest\u00e3o, apto a dirimir o conflito de compet\u00eancia, consiste em saber se cuida ou n\u00e3o de demanda que tenha como objeto o Acordo homologado pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a a\u00e7\u00e3o judicial em discuss\u00e3o tem como pano de fundo o programa indenizat\u00f3rio definitivo (PID) constante especificamente do acordo de repactua\u00e7\u00e3o (das medidas, programas, responsabilidades e obriga\u00e7\u00f5es assumidas pela empresa Samarco, por suas acionistas e pela Funda\u00e7\u00e3o Renova, em decorr\u00eancia do rompimento da barragem de Mariana\/MG e seus desdobramentos), homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 6\/11\/2024 na Pet. 13.157\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, como afirmou o Ju\u00edzo da 6 Vara C\u00edvel da Comarca de Governador Valadares\/MG em sua decis\u00e3o declinat\u00f3ria, &#8220;a Uni\u00e3o figura como parte integrante e signat\u00e1ria do acordo de repactua\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es, estabelecendo-se verdadeira rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica direta entre o ente federal e as obriga\u00e7\u00f5es pactuadas. A mat\u00e9ria objeto da presente demanda versa especificamente e exclusivamente sobre a execu\u00e7\u00e3o do PID, cujo monitoramento foi expressamente atribu\u00eddo \u00e0 Justi\u00e7a Federal por for\u00e7a da decis\u00e3o homologat\u00f3ria do acordo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque, saber se a pessoa atingida pelo rompimento da barragem se enquadra ou n\u00e3o nos crit\u00e9rios de elegibilidade e nas regras previstas implica, necessariamente, em visitar o acordo de repactua\u00e7\u00e3o e analisar suas cl\u00e1usulas para a realiza\u00e7\u00e3o dessa aferi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, conclui-se que compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal &#8211; Tribunal Regional Federal da 6 Regi\u00e3o &#8211; processar e julgar as demandas que tenham por objeto o Programa Indenizat\u00f3rio Definitivo (PID) relativo ao desastre do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana\/MG, no contexto da repactua\u00e7\u00e3o homologada pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ProcessoAgInt no MS 27.589-DF, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 5\/2\/2026, DJEN 19\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-cebas-exame-a-luz-do-art-14-do-ctn-ate-edicao-de-lei-complementar\">3.&nbsp; CEBAS \u2013 exame \u00e0 luz do art. 14 do CTN at\u00e9 edi\u00e7\u00e3o de lei complementar<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pedido de concess\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o de Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social (CEBAS) deve ser examinado \u00e0 luz do <strong>art. 14 do CTN<\/strong>, at\u00e9 que sobrevenha lei complementar disciplinando de forma diversa a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no MS 27.589-DF, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 5\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ajudinha Assist\u00eancia Social, entidade beneficente, teve seu pedido de renova\u00e7\u00e3o do CEBAS indeferido com base em disposi\u00e7\u00f5es de lei ordin\u00e1ria, decreto e portaria. A entidade impetrou mandado de seguran\u00e7a alegando que os requisitos para a imunidade tribut\u00e1ria devem ser previstos em lei complementar (CTN, art. 14), conforme Tema 32\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 195, \u00a7 7\u00ba<\/strong><em> (imunidade de contribui\u00e7\u00f5es sociais para entidades beneficentes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 14<\/strong><em> (requisitos para gozo de imunidade tribut\u00e1ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 32\/STF<\/strong><em> (exig\u00eancia de lei complementar para defini\u00e7\u00e3o do modo beneficente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STF declarou inconstitucionais dispositivos de leis ordin\u00e1rias e decretos que estabeleciam requisitos adicionais ao gozo da imunidade, pois <strong>apenas lei complementar<\/strong> pode faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Enquanto n\u00e3o editada lei complementar espec\u00edfica, os requisitos do art. 14 do CTN s\u00e3o os <strong>\u00fanicos exig\u00edveis<\/strong> para concess\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o do CEBAS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF, no Tema 32, fixou que a <strong>lei complementar \u00e9 forma exig\u00edvel para a defini\u00e7\u00e3o do modo beneficente de atua\u00e7\u00e3o<\/strong> das entidades de assist\u00eancia social. Dispositivos de leis ordin\u00e1rias e decretos que imp\u00f5em requisitos adicionais s\u00e3o inconstitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A autoridade administrativa indeferiu a renova\u00e7\u00e3o do CEBAS com base em nota t\u00e9cnica que invocava <strong>disposi\u00e7\u00f5es de lei ordin\u00e1ria, decreto e portaria<\/strong>, sem apontar descumprimento do art. 14 do CTN. Essa fundamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 insuficiente \u00e0 luz do Tema 32\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 14 do CTN, recepcionado como lei complementar, estabelece os requisitos para a imunidade: <strong>n\u00e3o distribuir parcela do patrim\u00f4nio, aplicar recursos na manuten\u00e7\u00e3o dos objetivos e manter escritura\u00e7\u00e3o regular<\/strong>. S\u00e3o esses, e somente esses, os requisitos exig\u00edveis at\u00e9 edi\u00e7\u00e3o de nova lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Se\u00e7\u00e3o manteve o entendimento de que o CEBAS deve ser analisado <strong>exclusivamente \u00e0 luz do art. 14 do CTN<\/strong>, afastando exig\u00eancias previstas em normas infraconstitucionais ou em leis ordin\u00e1rias n\u00e3o recepcionadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca dos requisitos para concess\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o do CEBAS, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Os requisitos podem ser estabelecidos por decreto regulamentar do Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A Lei n\u00ba 8.212\/1991 estabelece requisitos v\u00e1lidos para o gozo da imunidade de contribui\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A autoridade administrativa pode indeferir o CEBAS com base em portaria ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O CEBAS pode ser indeferido com base em lei ordin\u00e1ria que imponha contrapartidas adicionais ao art. 14 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O pedido de CEBAS deve ser examinado \u00e0 luz do art. 14 do CTN at\u00e9 que sobrevenha lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O Tema 32\/STF exige lei complementar, n\u00e3o decreto.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STF declarou inconstitucionais dispositivos da Lei n\u00ba 8.212\/1991 sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Portaria n\u00e3o pode criar requisitos para imunidade tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Lei ordin\u00e1ria n\u00e3o pode disciplinar requisitos de imunidade (reserva de lei complementar).<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Primeira Se\u00e7\u00e3o no AgInt no MS 27.589-DF.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de mandado de seguran\u00e7a impetrado contra ato de autoridade administrativa que manteve o indeferimento do pedido de renova\u00e7\u00e3o do Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social (CEBAS) da impetrante.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o apontado ato coator ampara-se em Nota T\u00e9cnica em que ficou consignado o indeferimento de renova\u00e7\u00e3o do CEBAS.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, observa-se que a autoridade ministerial impetrada n\u00e3o indicou qualquer descumprimento, por parte da entidade, dos requisitos previstos no art. 14 do CTN, limitando-se a invocar disposi\u00e7\u00f5es de lei ordin\u00e1ria, decreto e portaria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre a mat\u00e9ria, o Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercuss\u00e3o geral, firmou compreens\u00e3o de que s\u00e3o inconstitucionais os dispositivos das Leis n. 8.212\/1991, n. 8.742\/1993, n. 9.732\/1998 e dos Decretos n. 2.536\/1998 e n. 752\/1993, ao fundamento de que apenas lei complementar pode estabelecer requisitos ao gozo de imunidade tribut\u00e1ria relativamente \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o STF firmou a tese concernente ao Tema n. 32, com o seguinte teor: &#8220;a lei complementar \u00e9 forma exig\u00edvel para a defini\u00e7\u00e3o do modo beneficente de atua\u00e7\u00e3o das entidades de assist\u00eancia social contempladas pelo art. 195, 7, da CF, especialmente no que se refere \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de contrapartidas a serem por elas observadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, o pedido de concess\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o de CEBAS deve ser examinado, a princ\u00edpio, \u00e0 luz da regra contida no art. 14 do CTN, at\u00e9 que sobrevenha, se for o caso, lei complementar disciplinando de forma diversa a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-abono-de-permanencia-especial-prescricao-quinquenal-a-partir-do-requerimento-administrativo-comprovado\">4. Abono de perman\u00eancia especial \u2013 prescri\u00e7\u00e3o quinquenal a partir do requerimento administrativo comprovado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos financeiros do abono de perman\u00eancia especial submetem-se \u00e0 <strong>prescri\u00e7\u00e3o quinquenal contada a partir do requerimento administrativo em que se comprove o direito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 65.384-DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Geremias, servidor p\u00fablico com vis\u00e3o monocular desde a inf\u00e2ncia, teve seu primeiro requerimento de abono de perman\u00eancia especial indeferido em 2013 por insufici\u00eancia de provas. Em 2018, apresentou novo pedido com laudos mais completos, obtendo deferimento. Geremias pretendeu retroa\u00e7\u00e3o dos efeitos financeiros a 2013.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.784\/1999, art. 65<\/strong><em> (revis\u00e3o de processos administrativos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 373, I<\/strong><em> (\u00f4nus da prova \u2013 fatos constitutivos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Se a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 concess\u00e3o do benef\u00edcio <strong>somente foi apresentada no segundo requerimento<\/strong>, a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal conta a partir deste, e n\u00e3o do primeiro pedido indeferido por insufici\u00eancia probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Incumbe ao servidor <strong>instruir adequadamente<\/strong> seu pedido, carreando documenta\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o do direito. O princ\u00edpio da informalidade n\u00e3o exime o administrado do \u00f4nus de prova.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O primeiro requerimento foi indeferido por insufici\u00eancia de provas \u2013 decis\u00e3o leg\u00edtima da Administra\u00e7\u00e3o. <strong>N\u00e3o houve ilegalidade ou v\u00edcio no indeferimento<\/strong>, pois os documentos apresentados eram insuficientes para comprovar a patologia desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O segundo requerimento, instru\u00eddo com novos laudos e exames, permitiu a concess\u00e3o. A prescri\u00e7\u00e3o quinquenal conta a partir da <strong>data do segundo requerimento administrativo<\/strong>, pois foi nesse momento que a Administra\u00e7\u00e3o tomou conhecimento dos elementos probat\u00f3rios suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A retroa\u00e7\u00e3o ao primeiro pedido somente seria cab\u00edvel se a decis\u00e3o administrativa de 2013 fosse <strong>equivocada diante das provas ent\u00e3o <u>existentes<\/u><\/strong>. Mas o acervo probat\u00f3rio de 2013 era insuficiente, tornando correta a negativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Turma afastou a revis\u00e3o administrativa (art. 65 da Lei n\u00ba 9.784\/1999), pois <strong>n\u00e3o havia fatos novos nem ilegalidade no primeiro indeferimento<\/strong>. O princ\u00edpio da informalidade n\u00e3o exime o servidor do \u00f4nus de demonstrar os fatos constitutivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando servidor p\u00fablico apresentou m\u00faltiplos pedidos de abono de perman\u00eancia especial, sendo apenas o \u00faltimo deferido, sobre a prescri\u00e7\u00e3o dos efeitos financeiros do benef\u00edcio, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A prescri\u00e7\u00e3o quinquenal conta a partir do requerimento em que se comprovou o direito ao benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A prescri\u00e7\u00e3o retroage \u00e0 data do primeiro requerimento, se o servidor j\u00e1 faria jus ao benef\u00edcio \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O princ\u00edpio da informalidade administrativa escusa o servidor do \u00f4nus comprobat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A revis\u00e3o administrativa do art. 65 da Lei n\u00ba 9.784\/1999 \u00e9 cab\u00edvel mesmo sem fatos novos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O indeferimento por insufici\u00eancia de provas configura ilegalidade administrativa pass\u00edvel de revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Primeira Turma no RMS 65.384-DF.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A prescri\u00e7\u00e3o conta do requerimento com provas suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O servidor deve instruir adequadamente seu pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A revis\u00e3o do art. 65 exige fatos novos ou circunst\u00e2ncias relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Indeferimento leg\u00edtimo por falta de provas n\u00e3o \u00e9 ilegalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do marco inicial para a contagem da prescri\u00e7\u00e3o quinquenal dos efeitos financeiros do abono de perman\u00eancia especial, se a partir do primeiro requerimento administrativo (26\/03\/2013) ou do segundo requerimento administrativo (23\/04\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No primeiro requerimento administrativo (protocolado em 26\/03\/2013), a Administra\u00e7\u00e3o indeferiu o pleito do servidor por insufici\u00eancia de provas quanto \u00e0 alegada vis\u00e3o monocular adquirida desde a inf\u00e2ncia, decis\u00e3o fundada exclusivamente no acervo probat\u00f3rio ent\u00e3o existente nos autos, com tr\u00e2nsito em julgado em 14\/11\/2017. Na ocasi\u00e3o, foi reconhecida a exist\u00eancia da patologia apenas a partir do exame admissional realizado em 21\/11\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s o arquivamento do processo administrativo, o servidor apresentou, em 23\/04\/2018 (mais de 5 meses depois), pedido de revis\u00e3o administrativa, instru\u00eddo com laudos e exames mais complexos, com fundamento no art. 65, da Lei n. 9.784\/1999.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 certo que processos administrativos sancionadores podem ser revistos a qualquer tempo, quando surgirem fatos novos ou circunst\u00e2ncias relevantes aptos a evidenciar a inadequa\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o aplicada. No caso, al\u00e9m de n\u00e3o se tratar de processo administrativo disciplinar sancionador, n\u00e3o houve fatos novos ou circunst\u00e2ncias relevantes que autorizassem a revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A revis\u00e3o administrativa pode fundar-se na autotutela para a corre\u00e7\u00e3o de atos ilegais ou viciados; contudo, tal circunst\u00e2ncia tamb\u00e9m n\u00e3o se verifica na esp\u00e9cie. Como \u00e9 de conhecimento, incumbe ao servidor instruir adequadamente o seu pedido, carreando a documenta\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o do direito postulado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se a decis\u00e3o administrativa proferida no primeiro requerimento se revelou equivocada, porquanto a prova ent\u00e3o produzida era suficiente para demonstrar o direito vindicado, imp\u00f5e-se a retroa\u00e7\u00e3o do marco inicial da prescri\u00e7\u00e3o quinquenal dos efeitos financeiros da concess\u00e3o, decorrente do segundo requerimento, \u00e0 data do protocolo do primeiro pleito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, se a comprova\u00e7\u00e3o do direito somente se consolidou no segundo requerimento administrativo &#8211; embora pudesse ter sido apresentada desde o primeiro e n\u00e3o o foi, como na esp\u00e9cie &#8211; imp\u00f5e-se reconhecer a corre\u00e7\u00e3o da conclus\u00e3o administrativa de que a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal dos efeitos financeiros possui como data inicial a do protocolo do segundo pedido administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como j\u00e1 assinalado, no primeiro requerimento, n\u00e3o foram oportunamente acostados documentos id\u00f4neos \u00e0 concess\u00e3o do pleito, raz\u00e3o pela qual a decis\u00e3o administrativa n\u00e3o poderia ser diversa, em observ\u00e2ncia estrita ao princ\u00edpio da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 falar em excesso de formalismo no procedimento administrativo. A negativa n\u00e3o se amparou em exig\u00eancias meramente formais ou em rigor procedimental desproporcional, mas na aus\u00eancia de elementos probat\u00f3rios suficientes ao reconhecimento do direito invocado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O princ\u00edpio da informalidade, pr\u00f3prio do processo administrativo, impede que formalidades in\u00fateis obstaculizem a tutela de direitos; entretanto, n\u00e3o exime o administrado do \u00f4nus de demonstrar os fatos constitutivos de sua pretens\u00e3o, nos termos do art. 373, I, do CPC\/2015, aplicado subsidiariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme j\u00e1 delineado, a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica apenas tomou conhecimento dos novos elementos probat\u00f3rios no segundo requerimento administrativo, ocasi\u00e3o em que o servidor juntou aos autos novos exames e laudos m\u00e9dicos, os quais permitiram concluir pela exist\u00eancia da patologia h\u00e1 mais de quarenta anos e ensejar o deferimento do novo pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se que n\u00e3o se verifica ilegalidade ou v\u00edcio na decis\u00e3o administrativa proferida no primeiro requerimento do servidor. Desse modo, os efeitos financeiros do abono de perman\u00eancia especial devem observar a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal a partir do segundo requerimento administrativo, porquanto, a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 concess\u00e3o do benef\u00edcio somente foi apresentada nessa ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-contribuicao-social-patronal-sobre-terco-constitucional-de-ferias-gozadas-adequacao-ao-tema-985-stf\">5.&nbsp; Contribui\u00e7\u00e3o social patronal sobre ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas \u2013 adequa\u00e7\u00e3o ao Tema 985\/STF<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 leg\u00edtima a incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o social, a cargo do empregador, sobre os valores pagos a t\u00edtulo de <strong>ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas<\/strong>, em adequa\u00e7\u00e3o ao entendimento do STF (Tema 985).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.559.926-RS, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pagonada Alimentos S.A. obteve decis\u00e3o favor\u00e1vel do STJ afastando a contribui\u00e7\u00e3o patronal sobre o ter\u00e7o de f\u00e9rias. A Fazenda Nacional interp\u00f4s recurso extraordin\u00e1rio, sobrestado at\u00e9 o julgamento do Tema 985\/STF, que reconheceu a legitimidade da incid\u00eancia. Incide ou n\u00e3o incide???<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 985\/STF (RE 1.072.485\/PR)<\/strong><em> (contribui\u00e7\u00e3o patronal sobre ter\u00e7o de f\u00e9rias gozadas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STF conferiu <strong>natureza remunerat\u00f3ria<\/strong> ao ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas para fins de custeio previdenci\u00e1rio, superando o entendimento anterior do STJ que reconhecia natureza indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A modula\u00e7\u00e3o de efeitos opera <strong>ex nunc a partir de 15\/9\/2020<\/strong>, ressalvando contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 pagas e n\u00e3o impugnadas judicialmente at\u00e9 essa data.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ havia consolidado entendimento pela n\u00e3o incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o patronal sobre o ter\u00e7o de f\u00e9rias. Contudo, o STF, no Tema 985, <strong>reconheceu a legitimidade da cobran\u00e7a<\/strong>, conferindo natureza remunerat\u00f3ria \u00e0 verba para fins previdenci\u00e1rios. Isso imp\u00f4s retrata\u00e7\u00e3o da Segunda Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A modula\u00e7\u00e3o de efeitos determina que a nova tese tem <strong>efic\u00e1cia ex nunc a partir de 15\/9\/2020<\/strong>. Contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 pagas e n\u00e3o impugnadas at\u00e9 essa data est\u00e3o ressalvadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A retrata\u00e7\u00e3o do STJ \u00e9 consequ\u00eancia do <strong>sistema de precedentes vinculantes<\/strong>: decis\u00e3o do STF em repercuss\u00e3o geral vincula os tribunais inferiores, impondo a adequa\u00e7\u00e3o do entendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Segunda Turma reconheceu a <strong>legalidade da incid\u00eancia respeitando a modula\u00e7\u00e3o temporal<\/strong>, garantindo seguran\u00e7a jur\u00eddica ao contribuinte que atuou conforme o entendimento anterior do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a adequa\u00e7\u00e3o do STJ ao Tema 985\/STF, relativa \u00e0 incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o social sobre os valores pagos a t\u00edtulo de ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O STJ manteve o entendimento de que o ter\u00e7o de f\u00e9rias tem natureza indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A modula\u00e7\u00e3o de efeitos do Tema 985 opera retroativamente ao fato gerador das contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A contribui\u00e7\u00e3o patronal sobre o ter\u00e7o de f\u00e9rias gozadas \u00e9 leg\u00edtima, mas deve ser modulada temporalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A decis\u00e3o do STF no Tema 985 n\u00e3o vincula o STJ em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A retrata\u00e7\u00e3o do STJ depende de provoca\u00e7\u00e3o das partes, n\u00e3o ocorrendo de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STJ retratou-se, adequando-se ao Tema 985\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A modula\u00e7\u00e3o \u00e9 ex nunc, n\u00e3o retroativa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Segunda Turma no REsp 1.559.926-RS: modula\u00e7\u00e3o ex nunc a partir de 15\/9\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Decis\u00e3o do STF em repercuss\u00e3o geral vincula os demais tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A retrata\u00e7\u00e3o \u00e9 dever legal decorrente do sistema de precedentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, foi interposto recurso especial contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4 Regi\u00e3o. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, em ju\u00edzo monocr\u00e1tico inicial, deu parcial provimento ao recurso especial para afastar a incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o sobre o ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias e aux\u00edlio educa\u00e7\u00e3o, mantendo a n\u00e3o incid\u00eancia, em conformidade com o entendimento ent\u00e3o prevalente no STJ, sob o rito do recurso repetitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ac\u00f3rd\u00e3o do STJ foi objeto de recurso extraordin\u00e1rio pela Fazenda Nacional, que foi sobrestado em raz\u00e3o do Tema n. 985 do Supremo Tribunal Federal, que discute a constitucionalidade da cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal sobre o ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema em comento, o STJ havia firmado o entendimento, de forma consolidada, pela n\u00e3o incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal sobre o ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas, ante o reconhecimento de sua natureza indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que o STF, no julgamento do recurso extraordin\u00e1rio n. 1.072.485\/PR, sob a sistem\u00e1tica da Repercuss\u00e3o Geral (Tema n. 985), reconheceu a legitimidade da incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o social patronal sobre os valores pagos a t\u00edtulo de ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas, conferindo natureza remunerat\u00f3ria \u00e0 verba para fins de custeio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A tese firmada pelo STF, portanto, diverge do entendimento anteriormente adotado pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reconhecimento da constitucionalidade da cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o social a cargo do empregador sobre o ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas implica a necessidade de retrata\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o pela Segunda Turma do STJ, que negou provimento ao Agravo Regimental da Fazenda Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se ainda que, em sede de embargos de declara\u00e7\u00e3o, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal modulou os efeitos da decis\u00e3o para que a nova tese tenha efic\u00e1cia ex nunc, a partir da data de publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento do ac\u00f3rd\u00e3o de m\u00e9rito (15 de setembro de 2020), ressalvando as contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 pagas e n\u00e3o impugnadas judicialmente at\u00e9 essa mesma data. Assim, imp\u00f5e-se a retrata\u00e7\u00e3o para reconhecer a legalidade da incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a cargo do empregador sobre o ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas, devendo a Fazenda Nacional aplicar o entendimento do Tema n. 985, respeitada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-transacao-sem-participacao-da-seguradora-ineficacia-quanto-aos-direitos-sub-rogados\">6. Transa\u00e7\u00e3o sem participa\u00e7\u00e3o da seguradora \u2013 inefic\u00e1cia quanto aos direitos sub-rogados<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A transa\u00e7\u00e3o dos direitos da seguradora realizada sem sua participa\u00e7\u00e3o ou anu\u00eancia <strong>n\u00e3o gera efeitos em rela\u00e7\u00e3o aos direitos sub-rogados<\/strong> decorrentes do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.206.239-MS, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 1\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inoc\u00eancia Seguros S.A. pagou indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 importadora Compratudo Ltda. por furto de carga em transporte a\u00e9reo e ajuizou a\u00e7\u00e3o regressiva contra a Voaleve Transportes S.A. A transportadora se defendeu alegando que j\u00e1 firmara acordo com a Compratudo, no qual esta deu quita\u00e7\u00e3o inclusive dos direitos da seguradora \u2014 sem que a Inoc\u00eancia tivesse participado ou sequer sido comunicada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 786, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (sub-roga\u00e7\u00e3o do segurador nos direitos do segurado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 374, II<\/strong><em> (presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 afastada por confiss\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A sub-roga\u00e7\u00e3o transfere ao segurador os direitos que o segurado detinha contra o causador do dano. Terceiro n\u00e3o pode dispor de direitos do segurador <strong>sem sua anu\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 da transportadora foi <strong>afastada quando confessou<\/strong> ter inclu\u00eddo cl\u00e1usula de quita\u00e7\u00e3o dos direitos da seguradora sabendo que esta n\u00e3o participara do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 786, \u00a7 2\u00ba, do CC assegura a sub-roga\u00e7\u00e3o do segurador. A transa\u00e7\u00e3o entre terceiros <strong>n\u00e3o pode dispor de direitos alheios sem anu\u00eancia do titular<\/strong>. A inclus\u00e3o de cl\u00e1usula quitando direitos da seguradora sem sua participa\u00e7\u00e3o \u00e9 ineficaz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A transportadora confessou ter inclu\u00eddo cl\u00e1usula de quita\u00e7\u00e3o sabendo que a seguradora n\u00e3o participara, o que <strong>afastou a presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 (CPC, art. 374, II)<\/strong>. Sem boa-f\u00e9, n\u00e3o h\u00e1 justa expectativa de n\u00e3o ser demandada pela seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma manteve a condena\u00e7\u00e3o da transportadora, reconhecendo que <strong>a transa\u00e7\u00e3o n\u00e3o produziu efeitos quanto aos direitos sub-rogados<\/strong>. A seguradora, ao pagar a indeniza\u00e7\u00e3o, sub-rogou-se nos direitos da segurada contra a transportadora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o reafirma que a sub-roga\u00e7\u00e3o opera no momento do pagamento e <strong>transfere ao segurador os direitos que o segurado detinha<\/strong>. Acordo posterior entre terceiros, sem participa\u00e7\u00e3o do sub-rogado, \u00e9 res inter alios acta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da sub-roga\u00e7\u00e3o do segurador e da efic\u00e1cia de transa\u00e7\u00e3o celebrada pelo segurado, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A transa\u00e7\u00e3o celebrada entre a segurada e o causador do dano extingue os direitos sub-rogados da seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A boa-f\u00e9 do causador do dano \u00e9 presumida mesmo quando a seguradora n\u00e3o participa da sub-roga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A sub-roga\u00e7\u00e3o opera no momento do sinistro, independentemente do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A transa\u00e7\u00e3o que inclui quita\u00e7\u00e3o dos direitos da seguradora sem sua participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o produz efeitos quanto aos direitos sub-rogados.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A seguradora deve ser intimada previamente da transa\u00e7\u00e3o, sob pena de nulidade processual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Terceiro n\u00e3o pode dispor de direitos da seguradora sem anu\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A presun\u00e7\u00e3o foi afastada pela confiss\u00e3o (CPC, art. 374, II).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A sub-roga\u00e7\u00e3o opera no momento do pagamento, n\u00e3o do sinistro (CC, arts. 349 e 786).<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Quarta Turma no REsp 2.206.239-MS.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A quest\u00e3o \u00e9 de efic\u00e1cia material, n\u00e3o de nulidade processual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se o instrumento de transa\u00e7\u00e3o realizado diretamente entre a transportadora e a importadora segurada, no qual foram transacionados (dados por quitados) os direitos da seguradora &#8211; sem que esta tenha participado &#8211; impede a sub-roga\u00e7\u00e3o decorrente do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a empresa segurada importou, mediante contrato de transporte a\u00e9reo, lote de componentes eletr\u00f4nicos, que foi furtado durante o transporte. Quando a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria foi paga, a seguradora ajuizou a\u00e7\u00e3o regressiva em desfavor da transportadora. O Tribunal local, ent\u00e3o, condenou a transportadora a pagar \u00e0 seguradora, indeniza\u00e7\u00e3o correspondente ao valor efetivamente pago \u00e0 segurada, abatido o valor adiantado pela transportadora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A transportadora, por sua vez, declarou que houve transa\u00e7\u00e3o realizada sem a participa\u00e7\u00e3o da seguradora com outorga de ampla quita\u00e7\u00e3o pela segurada, em seu nome e em nome da seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, em conson\u00e2ncia com o disposto no art. 374, inc. II, do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC, a presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 da transportadora foi afastada quando confessou que, apesar da seguradora n\u00e3o ter participado da transa\u00e7\u00e3o realizada com a importadora segurada, incluiu cl\u00e1usula de quita\u00e7\u00e3o dos direitos da seguradora no referido acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, em que n\u00e3o reconhecida a boa-f\u00e9, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em justa expectativa da transportadora de n\u00e3o ser demandada pela seguradora. Logo, afastada a presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 pela declara\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria parte que dela se aproveitaria, a transa\u00e7\u00e3o realizada n\u00e3o gerou efeitos em rela\u00e7\u00e3o aos direitos sub-rogados pela seguradora, nos termos do 2 do art. 786 do C\u00f3digo Civil &#8211; CC.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-dano-moral-por-morte-de-filho-em-excursao-escolar-parametro-orientador-e-gravidade-excepcional\">7. Dano moral por morte de filho em excurs\u00e3o escolar \u2013 par\u00e2metro orientador e gravidade excepcional<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso de morte de filho por homic\u00eddio em atividade escolar, o dano moral dos genitores \u00e9 presumido (in re ipsa) e os <strong>par\u00e2metros jurisprudenciais s\u00e3o meramente orientadores<\/strong>, admitindo adequa\u00e7\u00e3o diante de gravidade excepcional.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio, pai de adolescente de 17 anos assassinada por asfixia durante excurs\u00e3o escolar organizada por institui\u00e7\u00e3o de ensino renomada, obteve condena\u00e7\u00e3o de R$ 1 milh\u00e3o em primeiro grau. O Tribunal reduziu o montante para R$ 400 mil, aplicando o par\u00e2metro jurisprudencial de 300 a 500 sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 186, 927 e 944<\/strong><em> (responsabilidade civil e repara\u00e7\u00e3o integral).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O par\u00e2metro de 300 a 500 sal\u00e1rios-m\u00ednimos para dano moral por morte de familiar \u00e9 <strong>mero orientador<\/strong>, suscet\u00edvel de modula\u00e7\u00e3o conforme a singularidade e gravidade do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A morte violenta (homic\u00eddio por asfixia) durante atividade escolar sob responsabilidade direta da institui\u00e7\u00e3o configura <strong>gravidade excepcional<\/strong> que justifica fixa\u00e7\u00e3o al\u00e9m do par\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ reconhece que o dano moral por morte de familiar \u00e9 in re ipsa. O par\u00e2metro de 300 a 500 sal\u00e1rios-m\u00ednimos \u00e9 <strong>refer\u00eancia para racionalidade e coer\u00eancia, n\u00e3o regra r\u00edgida<\/strong>. Circunst\u00e2ncias de singularidade e gravidade extraordin\u00e1ria justificam fixa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, a adolescente foi <strong>assassinada durante excurs\u00e3o organizada pela escola<\/strong>, em atividade que se presumia segura. A neglig\u00eancia flagrante da institui\u00e7\u00e3o e a extrema viol\u00eancia do crime (asfixia mec\u00e2nica) configuram gravidade excepcional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O valor de R$ 1 milh\u00e3o representava apenas <strong>13,9% do limite de cobertura do seguro da institui\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o sendo irrazo\u00e1vel diante da capacidade econ\u00f4mica da escola e da gravidade dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma restabeleceu o valor fixado em primeiro grau, reconhecendo que a indeniza\u00e7\u00e3o era <strong>proporcional e moderada diante da trag\u00e9dia<\/strong>. A considera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das partes \u00e9 princ\u00edpio da responsabilidade civil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao dano moral por morte de filho em atividade escolar:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; Incide o par\u00e2metro indenizat\u00f3rio jurisprudencial de 300 a 500 sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; O dano moral por morte de familiar escapa \u00e9 in re ipsa.<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; Os par\u00e2metros indenizat\u00f3rios s\u00e3o orientadores, admitindo adequa\u00e7\u00e3o diante de gravidade excepcional.<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; A fixa\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o acima de 500 sal\u00e1rios-m\u00ednimos configura enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; O dano moral por morte violenta de menor segue tabela fixa definida pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o corretos os itens:<\/p>\n\n\n\n<p>A) I e II.<\/p>\n\n\n\n<p>B) II e III.<\/p>\n\n\n\n<p>C) I e IV.<\/p>\n\n\n\n<p>D) &nbsp;III e IV.<\/p>\n\n\n\n<p>E) IV e V.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>I) Incorreto. O par\u00e2metro \u00e9 orientador, n\u00e3o r\u00edgido.<\/p>\n\n\n\n<p>II) <strong>Correto<\/strong>. Dispensa prova concreta, pois presumido.<\/p>\n\n\n\n<p>III) <strong>Correto.<\/strong> Conforme decidido pela Quarta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>IV) Incorreto. Circunst\u00e2ncias excepcionais justificam fixa\u00e7\u00e3o superior ao par\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p>V) Incorreto. N\u00e3o h\u00e1 tabela fixa; os valores s\u00e3o orientadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Op\u00e7\u00e3o B) = <strong>Correta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia gira em torno da adequa\u00e7\u00e3o do valor da indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais \u00e0 gravidade do caso e \u00e0 capacidade econ\u00f4mica da demandada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Encontra-se em debate a adequa\u00e7\u00e3o do valor fixado pelo Tribunal de origem a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o por dano moral, quando se trata da perda de filho em circunst\u00e2ncias que envolvem morte violenta durante atividade escolar sob responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o educacional. No caso, a Corte local reduziu o valor da indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais de R$ 1.000.000,00 (um milh\u00e3o de reais) para R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O montante indenizat\u00f3rio dos danos morais fixado pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias est\u00e1 sujeito a excepcional controle pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, quando se revelar exorbitante ou irris\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o STJ estabeleceu que a repara\u00e7\u00e3o por dano moral decorrente da morte de familiar possui como par\u00e2metro o valor de 300 (trezentos) a 500 (quinhentos) sal\u00e1rios-m\u00ednimos, servindo tal faixa como refer\u00eancia para quantificar essa esp\u00e9cie de indeniza\u00e7\u00e3o (AgRg no AREsp n. 44.611\/AP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 8\/11\/2016, DJe de 21\/11\/2016; e AgRg no REsp n. 1.370.919\/RJ, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19\/11\/2015, DJe de 27\/11\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal par\u00e2metro surgiu como resposta \u00e0 necessidade de racionalidade e coer\u00eancia nas decis\u00f5es, evitando arbitrariedades e disparidades injustificadas na valora\u00e7\u00e3o do sofrimento humano. Impende consignar, contudo, que o referido intervalo n\u00e3o constitui regra r\u00edgida e intranspon\u00edvel. Ao contr\u00e1rio, traduz-se em mero orientador, suscet\u00edvel de modula\u00e7\u00e3o conforme as particularidades do caso concreto. Existem circunst\u00e2ncias que, por sua singularidade e gravidade extraordin\u00e1ria, justificam a fixa\u00e7\u00e3o aqu\u00e9m ou al\u00e9m desse espectro. Isso porque a morte de familiar comporta infinitas nuances: h\u00e1 mortes por acidente, outras por neglig\u00eancia e h\u00e1 as decorrentes de crime violento, ato de absoluta crueldade que extrapola a compreens\u00e3o humana e demanda tutela jur\u00eddica diferenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, trata-se de trag\u00e9dia de elevad\u00edssima magnitude. Uma adolescente de 17 (dezessete) anos foi assassinada durante excurs\u00e3o escolar sob a responsabilidade direta da institui\u00e7\u00e3o educacional. N\u00e3o se tratava de atividade de risco intr\u00ednseco, de natureza perigosa, que justificasse presun\u00e7\u00e3o de consequ\u00eancias tr\u00e1gicas. Era mera atividade pedag\u00f3gica &#8211; medi\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica em uma fazenda -, que se presumiria segura, organizada, adequadamente supervisionada. O genitor acreditou na necessidade da atividade, em seu car\u00e1ter formativo, e permitiu que sua filha dela participasse, contando com a vigil\u00e2ncia e a seguran\u00e7a que a institui\u00e7\u00e3o de ensino deveria prestar. Tratou-se n\u00e3o de morte acidental ou natural, mas de homic\u00eddio consumado mediante asfixia mec\u00e2nica &#8211; sufoca\u00e7\u00e3o direta -, ato de extrema viol\u00eancia e crueldade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A entrega de um filho aos cuidados de institui\u00e7\u00e3o educacional n\u00e3o \u00e9 mera contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. \u00c9 ato que supera a dimens\u00e3o comercial, de extrema confian\u00e7a. Os pais depositam em m\u00e3os alheias o que de mais precioso possuem, aquilo em que repousa toda a sua esperan\u00e7a de futuro. Acreditam estar proporcionando ao filho experi\u00eancia formativa, crescimento pessoal, seguran\u00e7a. O v\u00ednculo contratual que se estabelece n\u00e3o \u00e9 meramente comercial, \u00e9 voca\u00e7\u00e3o de tutela, de guarda, de responsabilidade que se equipara \u00e0quela que os pr\u00f3prios pais exercem. Ademais, analisa-se a presente causa n\u00e3o apenas sob a dimens\u00e3o do dano sofrido pelo pai, mas tamb\u00e9m sob a gravidade extraordin\u00e1ria das circunst\u00e2ncias que ensejaram essa morte e, sobretudo, a neglig\u00eancia flagrante da institui\u00e7\u00e3o educacional respons\u00e1vel. A gravidade do fato decorreu da conduta negligente da escola r\u00e9, cujo grau de culpa foi bastante elevado, conforme constou na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao fixar o valor em R$ 1.000.000,00 (um milh\u00e3o de reais), o Ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia considerou ainda as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da institui\u00e7\u00e3o de ensino, registrando que, em 2019, a escola estava &#8220;dentre as institui\u00e7\u00f5es de ensino mais renomadas do pa\u00eds em qualidade de ensino, cujo valor das mensalidades atinge patamares pr\u00f3ximos a R$ 3.000,00 (tr\u00eas mil reais) mensais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A indeniza\u00e7\u00e3o fixada, nesse contexto, revela-se n\u00e3o apenas proporcional, mas moderada. O valor de R$ 1.000.000,00 (um milh\u00e3o de reais) representa aproximadamente 13,9% do limite de cobertura de seguro que a institui\u00e7\u00e3o mantinha. N\u00e3o se trata, portanto, de quantia que confiscaria ou impediria o funcionamento da institui\u00e7\u00e3o; representa somente ajuste adequado de responsabilidade perante a gravidade dos fatos. A considera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das partes \u00e9 princ\u00edpio consagrado no direito da responsabilidade civil. Serve precisamente para calibrar a resposta jur\u00eddica, de modo que n\u00e3o seja irris\u00f3ria frente \u00e0 capacidade do respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem ignorar a dificuldade extrema de expressar materialmente a dor do pai que perde a filha jovem assassinada em ambiente de excurs\u00e3o organizada pela escola &#8211; dor que nenhuma cifra consegue verdadeiramente compensar -, imp\u00f5e-se que a indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral seja fixada em patamar que reconhe\u00e7a plenamente essa dimens\u00e3o extraordin\u00e1ria de sofrimento, que compense adequadamente a irremedi\u00e1vel perda. Assim, o valor da indeniza\u00e7\u00e3o do dano moral fixado pelo Ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia, de R$ 1.000.000,00 (um milh\u00e3o de reais), coaduna-se com as particularidades e a gravidade extrema do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ProcessoProcesso em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/12\/2025, DJEN 19\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-seguradora-sub-rogada-limite-da-convencao-de-montreal-e-declaracao-especial-de-valor\">8. Seguradora sub-rogada \u2013 limite da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal e Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A seguradora sub-rogada n\u00e3o recebe mais direitos do que os que a segurada detinha. <strong>A Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor \u00e9 o \u00fanico documento apto a afastar o limite indenizat\u00f3rio<\/strong> do art. 22, item 3, da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inoc\u00eancia Seguros (de novo ela!) pagou indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 segurada por furto de carga em transporte a\u00e9reo e ajuizou a\u00e7\u00e3o regressiva contra a transportadora. O Tribunal condenou a transportadora pelo valor integral com base em faturas comerciais e conhecimento a\u00e9reo. A transportadora recorreu alegando aplica\u00e7\u00e3o do limite da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal (17 DES\/kg).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, art. 22, item 3<\/strong><em> (limite de 17 DES por quilograma).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 349 e 786<\/strong><em> (sub-roga\u00e7\u00e3o \u2013 transfer\u00eancia de direitos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor n\u00e3o se confunde com faturas comerciais nem com conhecimento a\u00e9reo. \u00c9 <strong>documento formal<\/strong> que faculta ao transportador avaliar a carga e cobrar quantia suplementar.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Na sub-roga\u00e7\u00e3o, a seguradora recebe os <strong>mesmos direitos<\/strong> que o segurado detinha no momento do pagamento. Se o segurado estava sujeito ao limite da Conven\u00e7\u00e3o, a seguradora tamb\u00e9m est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A sub-roga\u00e7\u00e3o transfere ao segurador os direitos do segurado nos limites desses direitos. <strong>Se pagou valor superior ao cab\u00edvel, agiu por liberalidade<\/strong>, n\u00e3o tendo direito de regresso contra o transportador pelo excedente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 22, item 3, da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal limita a responsabilidade do transportador a 17 DES\/kg, <strong>salvo apresenta\u00e7\u00e3o de Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor e pagamento de quantia suplementar<\/strong>. Faturas comerciais e conhecimento a\u00e9reo n\u00e3o substituem essa declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma reformou o ac\u00f3rd\u00e3o para aplicar o <strong>limite tarifado da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal<\/strong>, pois n\u00e3o foi demonstrada Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor nem pagamento suplementar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o reafirma que a <strong>Conven\u00e7\u00e3o de Montreal prevalece sobre o art. 944 do CC<\/strong> no transporte a\u00e9reo internacional, e que faturas, notas fiscais e conhecimentos de transporte n\u00e3o t\u00eam aptid\u00e3o para afastar o limite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 responsabilidade do transportador a\u00e9reo e \u00e0 sub-roga\u00e7\u00e3o da seguradora, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A seguradora sub-rogada pode pleitear indeniza\u00e7\u00e3o superior ao direito do segurado contra o transportador.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Faturas comerciais e conhecimento a\u00e9reo s\u00e3o suficientes para afastar o limite da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor \u00e9 dispens\u00e1vel quando h\u00e1 outros documentos que demonstrem o valor da carga.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O art. 944 do CC prevalece sobre a Conven\u00e7\u00e3o de Montreal no transporte a\u00e9reo internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor e o pagamento suplementar s\u00e3o os \u00fanicos meios para afastar o limite do art. 22, item 3, da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A seguradora recebe os mesmos direitos do segurado, n\u00e3o mais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Faturas e conhecimento a\u00e9reo n\u00e3o substituem a Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A Conven\u00e7\u00e3o menciona apenas a Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, como tratado internacional, prevalece.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Quarta Turma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As quest\u00f5es em discuss\u00e3o s\u00e3o: i) a possibilidade de transfer\u00eancia \u00e0 seguradora de mais direitos do que aqueles que a segurada detinha no momento do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o; e ii) a aptid\u00e3o de outros documentos que afirmem o valor da carga transportada &#8211; al\u00e9m da declara\u00e7\u00e3o especial de valor e do pagamento da quantia suplementar &#8211; para afastarem o limite indenizat\u00f3rio previsto no item 3 do art. 22 da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a empresa segurada &#8211; que n\u00e3o faz parte do processo &#8211; importou, mediante contrato de transporte a\u00e9reo, lote de componentes eletr\u00f4nicos, furtado durante o transporte. Paga a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria, a seguradora ajuizou a\u00e7\u00e3o regressiva em desfavor da transportadora. O pedido foi julgado improcedente em primeiro grau. Em recurso especial anterior &#8211; com tr\u00e2nsito em julgado -, foi determinada a aplica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal e novo julgamento da apela\u00e7\u00e3o c\u00edvel. Ent\u00e3o, o Tribunal de origem condenou a transportadora a pagar \u00e0 seguradora indeniza\u00e7\u00e3o correspondente ao valor efetivamente pago \u00e0 segurada, abatido o valor a essa adiantado pela transportadora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sub-roga\u00e7\u00e3o, nos termos dos arts. 349 e 786 do C\u00f3digo Civil, ela ocorre no momento do pagamento (e n\u00e3o no momento do dano) e transfere o direito que o segurado detinha em rela\u00e7\u00e3o ao autor do dano &#8211; no momento em que ocorreu o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o pela seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao efetuar o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o ao segurado em decorr\u00eancia de danos causados por terceiro, a seguradora sub-roga-se nos direitos daquele, nos limites desses direitos, ou seja, n\u00e3o se transfere \u00e0 seguradora mais direitos do que aqueles que o segurado detinha no momento do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o (AgInt no REsp n. 1.865.798\/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 10\/12\/2020, DJe de 15\/12\/2020 e AgInt no REsp n. 1.613.489\/SP, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 19\/9\/2017, DJe de 28\/9\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, &#8220;n\u00e3o pode a seguradora sub-rogada pleitear indeniza\u00e7\u00e3o superior ao valor a que tem direito o segurado e, portanto, \u00e9 incorreto o afastamento da limita\u00e7\u00e3o prevista na legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica ao segurado \u00e0 pretens\u00e3o de ressarcimento pela sub-rogada&#8221; (AgInt nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.668.937\/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 11\/10\/2021, DJe de 15\/10\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, competia \u00e0 seguradora observar o montante a que fazia jus o segurado antes de efetuar o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o. Se pagou valor superior ao cab\u00edvel, agiu por mera liberalidade, n\u00e3o possuindo direito de regresso contra a transportadora no que se excedeu (AgInt no REsp n. 2.066.188\/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 29\/4\/2024, DJe de 2\/5\/2024) e REsp n. 2.052.769\/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20\/6\/2023, DJe de 26\/6\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso dos autos, cabe a mesma conclus\u00e3o apresentada pela Ministra Maria Isabel Gallotti em seu voto no AgInt no REsp n. 2.066.188\/SP, no sentido de que &#8220;na hip\u00f3tese de sub-roga\u00e7\u00e3o subjetiva, ocorre a altera\u00e7\u00e3o da titularidade do cr\u00e9dito, transferindo-se ao novo credor os direitos e a\u00e7\u00f5es do credor primitivo, mantido o objeto da obriga\u00e7\u00e3o em todos os seus termos. Seguindo-se esse racioc\u00ednio, tendo em vista que a rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria \u00e9 regida pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, a sub-roga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dever\u00e1 observar a referida norma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao valor da indeniza\u00e7\u00e3o, a Corte local considerou, para fins do item 3 do artigo 22 da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, que as faturas comerciais (&#8220;Commercial Invoices&#8221;) e o conhecimento a\u00e9reo (&#8220;Air Waybill&#8221;) demonstrariam o valor da mercadoria transportada e que tal ci\u00eancia seria suficiente para a caracteriza\u00e7\u00e3o da responsabilidade do transportador pelo pagamento do valor integral da carga furtada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que o art. 22, item 3, da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal prev\u00ea que: &#8220;No transporte de carga, a responsabilidade do transportador em caso de destrui\u00e7\u00e3o, perda, avaria ou atraso se limita a uma quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma, a menos que o expedidor haja feito ao transportador, ao entregar-lhe o volume, uma declara\u00e7\u00e3o especial de valor de sua entrega no lugar de destino, e tenha pago uma quantia suplementar, se for cab\u00edvel. Neste caso, o transportador estar\u00e1 obrigado a pagar uma quantia que n\u00e3o exceder\u00e1 o valor declarado, a menos que prove que este valor \u00e9 superior ao valor real da entrega no lugar de destino&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor n\u00e3o se confunde com faturas comerciais (&#8220;Commercial Invoices&#8221;) nem com conhecimento a\u00e9reo (&#8220;Air Waybill&#8221;). Ela \u00e9 um documento formal e espec\u00edfico, que revela ter sido facultado ao transportador avaliar o conte\u00fado da carga e cobrar uma quantia suplementar, com base no valor declarado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a Ministra Nancy Andrighi, ao proferir voto no REsp n. 2.034.746\/SP (Terceira Turma, julgado em 21\/3\/2023, DJe de 24\/3\/2023), destacou que &#8220;A alega\u00e7\u00e3o de que, em virtude do que disciplina o art. 944 do C\u00f3digo Civil, seria desnecess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor caso houvesse outro documento que permitisse mensurar o real dano sofrido em decorr\u00eancia da destrui\u00e7\u00e3o, perda, avaria ou atraso no transporte de carga, \u00e9, em verdade, uma afronta ao que disciplina o pr\u00f3prio tratado internacional. [&#8230;] a Conven\u00e7\u00e3o de Montreal menciona somente a Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor para afastar a limita\u00e7\u00e3o de responsabilidade prevista no seu art. 22, III, n\u00e3o fazendo refer\u00eancia a nenhum outro documento. [&#8230;] Portanto, a Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor \u00e9 mais que um mero documento contendo informa\u00e7\u00f5es a respeito da carga transportada. Somente ela revela que foi facultado ao transportador avaliar o conte\u00fado da carga e cobrar, se cab\u00edvel, uma quantia suplementar com base no valor declarado para a eventual contrata\u00e7\u00e3o de seguro adicional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Ministra Maria Isabel Gallotti, quando do julgamento de situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga, nos autos do AgInt no AREsp n. 1.273.173\/SP (Quarta Turma, julgado em 13\/12\/2018, DJe de 19\/12\/2018), concluiu em seu voto que, &#8220;Como o &#8216;conhecimento de transporte&#8217; n\u00e3o equivale a &#8216;declara\u00e7\u00e3o especial&#8217;, nem o documento de fl. 52, que \u00e9 mera nota fiscal, aquela substitui, invi\u00e1vel o ressarcimento integral pleiteado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, somente a Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor e o pagamento, quando exigido, da quantia suplementar s\u00e3o capazes de afastar o limite indenizat\u00f3rio previsto no art. 22, item 3, da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, n\u00e3o servindo para essa finalidade outros documentos que afirmem o valor da carga transportada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese em julgamento, n\u00e3o foi demonstrada a exist\u00eancia de Declara\u00e7\u00e3o Especial de Valor da mercadoria transportada nem foi comprovado o pagamento da quantia suplementar (condi\u00e7\u00e3o legal para afastamento da limita\u00e7\u00e3o tarifada), de modo que a responsabilidade da transportadora foi limitada a 17 (dezessete) Direitos Especiais de Saque por quilograma, abatido o valor anteriormente pago pela transportadora \u00e0 importadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-reparacao-integral-custeio-de-tratamento-por-infeccao-hospitalar-em-uti-neonatal\">9. Repara\u00e7\u00e3o integral \u2013 custeio de tratamento por infec\u00e7\u00e3o hospitalar em UTI neonatal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecido o ato il\u00edcito e a responsabilidade civil, \u00e9 devida a indeniza\u00e7\u00e3o pelo <strong>preju\u00edzo material em sua integralidade<\/strong>, em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.206.239-MS, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 1\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kiko, rec\u00e9m-nascido, contraiu infec\u00e7\u00e3o hospitalar em UTI neonatal, resultando em sequelas irrevers\u00edveis. Seus pais ajuizaram a\u00e7\u00e3o contra o hospital, que foi condenado. A discuss\u00e3o centrava-se na extens\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o: o hospital pretendia limitar o custeio do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 949 e 950<\/strong><em> (indeniza\u00e7\u00e3o por les\u00e3o corporal e incapacidade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral visa <strong>repor o ofendido ao estado anterior<\/strong> ao dano, transferindo ao ofensor as consequ\u00eancias do evento lesivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O <strong>custeio integral e continuado<\/strong> do tratamento \u00e9 devido enquanto perdurarem as sequelas, a ser apurado em liquida\u00e7\u00e3o e cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O sistema de repara\u00e7\u00e3o civil brasileiro imp\u00f5e que os danos sejam reparados na <strong>exata extens\u00e3o em que demonstrados<\/strong>. N\u00e3o se admite enriquecimento, mas tampouco repara\u00e7\u00e3o insuficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Reconhecida a responsabilidade do hospital por falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, o <strong>custeio integral do tratamento \u00e9 impositivo (arts. 949 e 950 do CC)<\/strong>, enquanto perdurarem as sequelas da infec\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A obriga\u00e7\u00e3o de custeio do tratamento <strong>decorre da lei (art. 949 do CC), independentemente de previs\u00e3o expressa na senten\u00e7a<\/strong>. A recupera\u00e7\u00e3o deve ser integral, restabelecendo ao lesado o estado anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma determinou o custeio integral do tratamento, a ser apurado em liquida\u00e7\u00e3o, e <strong>pens\u00e3o vital\u00edcia de 4 sal\u00e1rios-m\u00ednimos a partir dos 18 anos<\/strong>, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 repara\u00e7\u00e3o integral das sequelas permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral em caso de infec\u00e7\u00e3o hospitalar, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A repara\u00e7\u00e3o integral imp\u00f5e custeio do tratamento enquanto perdurarem as sequelas, a ser apurado em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais limita-se ao valor das despesas m\u00e9dicas j\u00e1 comprovadas.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A senten\u00e7a deve indicar valor certo para o tratamento futuro, sob pena de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O hospital pode limitar o custeio ao per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A pens\u00e3o vital\u00edcia somente \u00e9 devida em caso de incapacidade total para o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Quarta Turma no REsp 2.206.239-MS.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A repara\u00e7\u00e3o abrange despesas futuras enquanto perdurarem as sequelas.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A apura\u00e7\u00e3o pode ser feita em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O custeio \u00e9 devido enquanto perdurarem as sequelas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A pens\u00e3o \u00e9 devida tamb\u00e9m em caso de incapacidade parcial (art. 950 do CC).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia decorre de a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria ajuizada em raz\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o hospitalar em UTI neonatal contra\u00edda por rec\u00e9m-nascido, que resultou em sequelas irrevers\u00edveis, atribu\u00eddas \u00e0 falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Houve a responsabiliza\u00e7\u00e3o exclusiva do hospital, com fundamento na teoria da causalidade adequada (dano direto e imediato), impondo-lhe a condena\u00e7\u00e3o integral. A discuss\u00e3o centra-se na extens\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o devida, especialmente quanto ao custeio integral e continuado do tratamento de sa\u00fade do menor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sistema de repara\u00e7\u00e3o civil brasileiro n\u00e3o permite qualquer forma de enriquecimento, raz\u00e3o pela qual os danos sofridos devem ser efetivamente demonstrados no curso da demanda ou na fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a e, nessa exata extens\u00e3o, \u00e9 que devem ser reparados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a doutrina, &#8220;O princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral possui por finalidade repor o ofendido ao estado anterior \u00e0 eclos\u00e3o do dano injusto, assumindo a \u00e1rdua tarefa de transferir ao patrim\u00f4nio do ofensor as consequ\u00eancias do evento lesivo, de forma a conceder \u00e0 v\u00edtima uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0quela que detinha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, cujos danos decorrem da falha na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos, a fim de atender ao princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral, o preju\u00edzo material suportado pela v\u00edtima deve ser ressarcido \u00e0 luz do disposto nos artigos 949 e 950 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, nos termos da jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;Uma vez comprovado o dano, mesmo que n\u00e3o constasse expressamente na senten\u00e7a a obriga\u00e7\u00e3o ao pagamento das despesas at\u00e9 a convalescen\u00e7a, disso n\u00e3o se desoneraria o r\u00e9u, haja vista que essa obriga\u00e7\u00e3o decorre da pr\u00f3pria lei, a teor do que preceitua o art. 949 do CC. A recupera\u00e7\u00e3o pelo dano sofrido, portanto, h\u00e1 de ser integral, de modo a restabelecer ao lesado o estado anterior \u00e0 ocorr\u00eancia do evento danoso&#8221; (REsp n. 1.219.079\/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 1\/3\/2011, DJe 14\/3\/2011).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha intelectiva, reconhecida a responsabilidade do hospital, revela-se impositivo o custeio integral do tratamento de sa\u00fade do menor, enquanto perdurarem as sequelas decorrentes da falha de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o hospitalar, a ser apurado em sede de liquida\u00e7\u00e3o e cumprimento de senten\u00e7a, bem como o pagamento da pens\u00e3o vital\u00edcia de quatro sal\u00e1rios m\u00ednimos, a partir dos dezoito anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-seguro-de-vida-em-grupo-inviabilidade-de-equiparar-doenca-profissional-a-acidente-de-trabalho\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seguro de vida em grupo \u2013 inviabilidade de equiparar doen\u00e7a profissional a acidente de trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos contratos de seguro de vida em grupo, \u00e9 invi\u00e1vel a equipara\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7a profissional e acidente de trabalho para fins de indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria, <strong>notadamente quando h\u00e1 exclus\u00e3o contratual de cobertura<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.230.017-PB, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Madruga, trabalhador com LER\/DORT reconhecida como doen\u00e7a profissional, pleiteou indeniza\u00e7\u00e3o do seguro de vida em grupo por invalidez permanente por acidente. A ap\u00f3lice continha cl\u00e1usula excluindo cobertura para invalidez por doen\u00e7a laboral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 757 e 760<\/strong><em> (contrato de seguro \u2013 interpreta\u00e7\u00e3o das cl\u00e1usulas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A <strong>interpreta\u00e7\u00e3o restritiva<\/strong> das cl\u00e1usulas do seguro impede a equipara\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7a profissional e acidente de trabalho. A cl\u00e1usula de exclus\u00e3o de doen\u00e7as profissionais \u00e9 v\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Microtraumas repetitivos decorrentes da atividade laboral <strong>n\u00e3o se equiparam a acidente pessoal<\/strong> para fins de cobertura securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O contrato de seguro exige <strong>interpreta\u00e7\u00e3o restritiva de suas cl\u00e1usulas<\/strong>. Se a ap\u00f3lice cobre invalidez por acidente e exclui doen\u00e7a profissional, n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio equiparar as hip\u00f3teses para ampliar a cobertura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A cl\u00e1usula que exclui doen\u00e7as profissionais do conceito de acidente pessoal \u00e9 <strong>v\u00e1lida e n\u00e3o configura abusividade<\/strong>. Microtraumas repetitivos da atividade laboral (LER\/DORT) diferem ontologicamente de acidente pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Quarta Turma do STJ consolidou que <strong>doen\u00e7a profissional e acidente de trabalho s\u00e3o conceitos distintos no \u00e2mbito securit\u00e1rio<\/strong>, ainda que a legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria os equipare para outros fins.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quinta Turma reformou o ac\u00f3rd\u00e3o regional para <strong>afastar a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria<\/strong>, reconhecendo a validade da exclus\u00e3o contratual de cobertura para doen\u00e7a laboral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 correto afirmar, sobre seguro de vida em grupo e doen\u00e7a profissional:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A equipara\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7a profissional e acidente de trabalho para fins previdenci\u00e1rios estende-se ao contrato de seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A cl\u00e1usula de exclus\u00e3o de doen\u00e7a profissional \u00e9 abusiva por limitar direitos do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Nos contratos de seguro de vida em grupo, \u00e9 invi\u00e1vel equiparar doen\u00e7a profissional a acidente para fins de indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O segurado com doen\u00e7a profissional tem direito \u00e0 cobertura de invalidez por acidente, independentemente da ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A interpreta\u00e7\u00e3o do contrato de seguro deve ser extensiva em favor do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A equipara\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria n\u00e3o se estende ao \u00e2mbito securit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A cl\u00e1usula \u00e9 v\u00e1lida, conforme jurisprud\u00eancia consolidada do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Quinta Turma no AgRg no REsp 2.230.017-PB.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A cobertura depende dos termos da ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A interpreta\u00e7\u00e3o do seguro \u00e9 restritiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o do cabimento da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria em caso de invalidez permanente por acidente, equiparando a doen\u00e7a ocupacional do segurado a acidente pessoal, para fins trabalhistas, em raz\u00e3o do reconhecimento da abusividade da cl\u00e1usula de exclus\u00e3o do referido risco (doen\u00e7a) da ap\u00f3lice de seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por seu turno, o Tribunal de origem reformou a senten\u00e7a que julgara improcedente o pedido inicial sob o argumento de que: &#8220;a les\u00e3o ocorrida no local de trabalho equipara-se a acidente de trabalho, de modo que havendo previs\u00e3o no contrato de seguro de cobertura para riscos decorrentes de acidente e existindo demonstra\u00e7\u00e3o da invalidez permanente para a atividade laborativa, devida \u00e9 a indeniza\u00e7\u00e3o ao segurado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O entendimento adotado encontra-se em disson\u00e2ncia com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a que se consolidou no sentido de que, &#8220;nos contratos de seguro de vida em grupo, diante da necessidade de interpreta\u00e7\u00e3o restritiva das cl\u00e1usulas do seguro, \u00e9 invi\u00e1vel a equipara\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7a profissional e acidente de trabalho, para recebimento de indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria, notadamente quando h\u00e1 exclus\u00e3o de cobertura da invalidez parcial por doen\u00e7a laboral&#8221; (AgInt no AREsp n. 1.903.050-DF, relator Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, julgado em 15\/5\/2023, DJe 22\/5\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outrossim, a Quarta Turma do STJ entende que a &#8220;cl\u00e1usula que exclui as &#8216;doen\u00e7as profissionais&#8217; do conceito de acidente pessoal \u00e9 v\u00e1lida, sendo descabido, nessa hip\u00f3tese, equiparar os microtraumas repetitivos decorrentes da atividade laboral a um acidente pessoal, para fins de cobertura securit\u00e1ria&#8221; (AgInt no AREsp n. 1.782.278-SC, rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 14\/8\/2023, DJe 18\/8\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; QUINTA TURMA ProcessoAgRg no REsp 2.230.017-PB, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025, DJEN 18\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-estelionato-previdenciario-casamento-com-objetivo-financeiro-nao-configura-fraude\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estelionato previdenci\u00e1rio \u2013 casamento com objetivo financeiro n\u00e3o configura fraude<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A obten\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte mediante casamento regularmente formalizado, quando <strong>n\u00e3o evidenciada fraude no preenchimento dos requisitos legais<\/strong>, n\u00e3o caracteriza vantagem indevida para fins de estelionato (CP, art. 171, \u00a7 3\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 1.035.233-PR, Rel. Ministro Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 25\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda (apaixonada por Prof. Jirafales, todo mundo sabe!) casou-se com Creosvaldo, servidor p\u00fablico aposentado e idoso, sendo denunciada por estelionato previdenci\u00e1rio (art. 171, \u00a7 3\u00ba, do CP) sob alega\u00e7\u00e3o de que o casamento teria sido simulado para obten\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte. O casamento observou formalidades legais e n\u00e3o havia impedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 171, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (estelionato contra entidade de direito p\u00fablico).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O Estado n\u00e3o det\u00e9m compet\u00eancia para fiscalizar as <strong>motiva\u00e7\u00f5es individuais<\/strong> que levam uma pessoa a contrair matrim\u00f4nio. O simples objetivo financeiro n\u00e3o torna o casamento fraudulento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A busca de vantagem financeira futura mediante benef\u00edcio legalmente previsto n\u00e3o configura, por si s\u00f3, conduta criminosa, podendo representar ato imoral, mas n\u00e3o il\u00edcito penal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O casamento foi <strong>regularmente formalizado, com lavratura de certid\u00e3o e sem impedimentos<\/strong>. A pens\u00e3o decorreu de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio legalmente institu\u00eddo, cujos requisitos foram preenchidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O ordenamento jur\u00eddico <strong>n\u00e3o se imbrica nas motiva\u00e7\u00f5es subjetivas dos contraentes<\/strong>, mas apenas na legalidade e regularidade formal do ato. A mera inten\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o configura fraude penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma manteve a absolvi\u00e7\u00e3o por aus\u00eancia de: (i) impedimento ao casamento; (ii) nulidade civil; (iii) <strong>fraude ou ato il\u00edcito penal capaz de tornar indevida a pens\u00e3o<\/strong>. O simples objetivo de obter benef\u00edcio legalmente previsto pode ser imoral, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o distingue entre <strong>imoralidade e ilicitude penal<\/strong>: o Direito Penal n\u00e3o pune motiva\u00e7\u00f5es subjetivas quando o ato atende aos requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que toca ao estelionato previdenci\u00e1rio por meio de casamento, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O casamento celebrado com objetivo financeiro configura simula\u00e7\u00e3o para fins penais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O Minist\u00e9rio P\u00fablico pode anular o casamento com base na motiva\u00e7\u00e3o financeira da nubente.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A obten\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte mediante casamento regular pode configurar estelionato.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A motiva\u00e7\u00e3o financeira do casamento \u00e9 suficiente para configurar o dolo do estelionato.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio com casamento regular, sem fraude nos requisitos, n\u00e3o configura estelionato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A motiva\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o configura simula\u00e7\u00e3o quando o ato atende aos requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O ordenamento n\u00e3o examina motiva\u00e7\u00f5es subjetivas dos contraentes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Nada! N\u00e3o cabe ao Estado ficar colocando o nariz nisso!<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A mera motiva\u00e7\u00e3o financeira pode ser imoral, mas n\u00e3o configura dolo de fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Sexta Turma no AgRg no HC 1.035.233-PR.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se houve tipicidade na conduta, por meio da celebra\u00e7\u00e3o de casamento com o suposto objetivo exclusivo de obten\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte, seguido do falecimento do c\u00f4njuge, de maneira a configurar o crime de estelionato previdenci\u00e1rio, considerando a a regularidade formal do ato e a aus\u00eancia de prova inequ\u00edvoca sobre impedimentos legais ao casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Minist\u00e9rio P\u00fablico ofereceu den\u00fancia pela pr\u00e1tica da conduta descrita no artigo 171, caput e 3, do C\u00f3digo Penal, sob o argumento de que induziram a erro a Uni\u00e3o, mediante fraude consubstanciada na simula\u00e7\u00e3o do casamento da acusada com servidor p\u00fablico federal, aposentado e pai do segundo denunciado, com a finalidade de obter benef\u00edcio previdenci\u00e1rio de pens\u00e3o por morte e auferir vantagem econ\u00f4mica indevida em preju\u00edzo ao er\u00e1rio. O Tribunal de origem destacou que a vantagem auferida, na forma de pens\u00e3o por morte, n\u00e3o pode ser considerada indevida, uma vez que decorreu de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio legalmente institu\u00eddo, cujos requisitos legais foram devidamente preenchidos pela requerente. Ademais, concluiu que o casamento observou todas as formalidades legais, com a devida lavratura da certid\u00e3o em registro pr\u00f3prio, n\u00e3o se evidenciando quaisquer impedimentos dirimentes ou nulidades do neg\u00f3cio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, n\u00e3o se identifica pr\u00e1tica de il\u00edcito penal pelo simples fato de o casamento ter sido celebrado com objetivos financeiros, visto que o Estado n\u00e3o det\u00e9m compet\u00eancia para fiscalizar as motiva\u00e7\u00f5es individuais que levam uma pessoa a contrair matrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o simples objetivo de obter pens\u00e3o previdenci\u00e1ria por meio da celebra\u00e7\u00e3o do casamento, seguido do falecimento do de cujus, n\u00e3o \u00e9 capaz de configurar ato fraudulento, mas apenas eventual ato imoral, pois, sob a \u00f3tica do direito penal, o casamento foi regularmente formalizado. Nessa senda, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em anula\u00e7\u00e3o do ato civil com base na mera inten\u00e7\u00e3o imoral da nubente, uma vez que o ordenamento jur\u00eddico n\u00e3o se imbrica nas motiva\u00e7\u00f5es subjetivas dos contraentes, mas apenas na legalidade e regularidade formal do ato. Portanto, o Tribunal regional apresentou fundamenta\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e coerente para a absolvi\u00e7\u00e3o dos denunciados, diante da aus\u00eancia de substrato f\u00e1tico-probat\u00f3rio que evidenciasse: (i) a exist\u00eancia de impedimento ao casamento ou qualquer nulidade civil relativa \u00e0 sua celebra\u00e7\u00e3o; (ii) a pr\u00e1tica de fraude ou de ato il\u00edcito penal relevante capaz de caracterizar o crime de estelionato, tornando indevida a pens\u00e3o por morte. A simples busca de vantagem financeira futura, mediante a obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio legalmente previsto, n\u00e3o configura, por si s\u00f3, conduta criminosa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prisao-domiciliar-exigencia-de-prova-da-imprescindibilidade-da-presenca-materna\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pris\u00e3o domiciliar \u2013 exig\u00eancia de prova da imprescindibilidade da presen\u00e7a materna<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exige-se prova inequ\u00edvoca da <strong>imprescindibilidade da presen\u00e7a materna<\/strong> como fundamento da pris\u00e3o domiciliar, n\u00e3o bastando o mero v\u00ednculo familiar com a crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Josefina, presa preventivamente, requereu pris\u00e3o domiciliar por ser m\u00e3e de crian\u00e7a menor de 12 anos. A menor estava sob os cuidados da av\u00f3 paterna, adaptada ao novo ambiente. A Defesa n\u00e3o comprovou que Josefina era imprescind\u00edvel para os cuidados da filha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 318, V<\/strong><em> (pris\u00e3o domiciliar \u2013 mulher com filho menor de 12 anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 227<\/strong><em> (prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a <strong>n\u00e3o implica concess\u00e3o autom\u00e1tica<\/strong> de pris\u00e3o domiciliar. Cabe \u00e0 Defesa comprovar a imprescindibilidade da figura materna.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A <strong>adapta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a<\/strong> ao novo ambiente e a exist\u00eancia de cuidadores adequados podem afastar a imprescindibilidade da presen\u00e7a materna.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A pris\u00e3o domiciliar para m\u00e3es de crian\u00e7as menores de 12 anos <strong>n\u00e3o \u00e9 direito absoluto<\/strong>. O STJ exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de que a presen\u00e7a materna \u00e9 imprescind\u00edvel para os cuidados da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, a menor estava sob os cuidados da av\u00f3 paterna, <strong>sem dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o ao novo ambiente<\/strong>. Relat\u00f3rio Informativo atestou a adequa\u00e7\u00e3o dos cuidados, afastando a tese de preju\u00edzo ao desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma manteve a pris\u00e3o preventiva, concluindo pela <strong>aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade da presen\u00e7a materna<\/strong>. O \u00f4nus da prova cabe \u00e0 Defesa, que deve demonstrar que nenhum outro familiar pode suprir os cuidados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o equilibra a prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com a necessidade da cust\u00f3dia cautelar, exigindo <strong>prova inequ\u00edvoca, n\u00e3o presun\u00e7\u00e3o<\/strong>, da imprescindibilidade materna.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a pris\u00e3o domiciliar para m\u00e3e de crian\u00e7a menor de 12 anos, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A concess\u00e3o deve se dar pelo fato de ser m\u00e3e de menor de 12 anos com quem convivia.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Exige-se prova inequ\u00edvoca da imprescindibilidade da presen\u00e7a materna, n\u00e3o bastando o v\u00ednculo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A exist\u00eancia de outros cuidadores \u00e9 irrelevante para a an\u00e1lise do pedido, se a crian\u00e7a habitava com a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O \u00f4nus da prova da prescindibilidade da m\u00e3e recai sobre o Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A adapta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ao novo ambiente \u00e9 fator que refor\u00e7a a necessidade de pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A concess\u00e3o exige comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Sexta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A exist\u00eancia de cuidadores adequados \u00e9 fator relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O \u00f4nus \u00e9 da Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A adapta\u00e7\u00e3o afasta a tese de preju\u00edzo, enfraquecendo o pedido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a verificar a imprescindibilidade de concess\u00e3o da pris\u00e3o domiciliar \u00e0 paciente em raz\u00e3o de ser m\u00e3e de crian\u00e7a menor de 12 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a menor est\u00e1 sob os cuidados da av\u00f3 paterna e de seu esposo, que demonstraram interesse em requerer a guarda provis\u00f3ria da crian\u00e7a, n\u00e3o havendo, nos autos, nada que comprove que a m\u00e3e \u00e9 a \u00fanica pessoa capaz de proporcionar os cuidados \u00e0 filha.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte de origem utilizou-se do Relat\u00f3rio Informativo, o qual atesta a aus\u00eancia de dificuldades da crian\u00e7a na adapta\u00e7\u00e3o ao novo ambiente, afastando a tese de que a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o acarretaria grave preju\u00edzo ao desenvolvimento da menor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a decis\u00e3o enfrentou o ponto fulcral do pedido de pris\u00e3o domiciliar, concluindo pela aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade da paciente para os cuidados da filha menor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a n\u00e3o implica a concess\u00e3o autom\u00e1tica da pris\u00e3o domiciliar, cabendo \u00e0 Defesa comprovar a imprescindibilidade da figura materna para os cuidados da crian\u00e7a, o que as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias afastaram no caso concreto, com base nos elementos de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ProcessoAgRg no HC 1.014.212-ES, Rel. Ministro Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026, DJEN de 20\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prova-digital-dados-sem-confirmacao-pericial-e-substituicao-da-prisao-preventiva-por-cautelares\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prova digital \u2013 dados sem confirma\u00e7\u00e3o pericial e substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por cautelares<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando os principais elementos de autoria s\u00e3o dados digitais cuja fidedignidade necessita de confirma\u00e7\u00e3o pericial, a proporcionalidade recomenda a <strong>substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por medidas cautelares diversas<\/strong> at\u00e9 a conclus\u00e3o da dilig\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 1.014.212-ES, Rel. Ministro Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creitinho, preso preventivamente desde 2022, teve a imputa\u00e7\u00e3o de autoria baseada em dados digitais (prints de conversas e imagens de videomonitoramento) cuja integridade e autenticidade n\u00e3o foram confirmadas por per\u00edcia. A defesa requereu substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o por cautelares diversas enquanto se aguardava o exame pericial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 282, \u00a7 6\u00ba<\/strong><em> (substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por medidas cautelares).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Dados digitais cuja fidedignidade aguarda confirma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica <strong>n\u00e3o autorizam, por si s\u00f3s<\/strong>, a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva, especialmente quando o preso j\u00e1 se encontra segregado h\u00e1 longo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A cautela probat\u00f3ria que justifica a per\u00edcia tamb\u00e9m justifica a <strong>reavalia\u00e7\u00e3o da medida cautelar<\/strong> mais gravosa (pris\u00e3o preventiva).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A pris\u00e3o preventiva fundamentava-se em elementos probat\u00f3rios digitais que <strong>careciam de certifica\u00e7\u00e3o de integridade e autenticidade<\/strong>. A determina\u00e7\u00e3o de per\u00edcia t\u00e9cnica decorreu da necessidade de confirmar que os dados correspondiam aos originalmente armazenados no dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f N\u00e3o se trata de aus\u00eancia de ind\u00edcios de autoria, mas de ponderar que ind\u00edcios <strong>consistentes em dados digitais sem confirma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong> n\u00e3o justificam, por si s\u00f3s, a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva, especialmente ap\u00f3s longo per\u00edodo de segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A proporcionalidade imp\u00f5e a <strong>substitui\u00e7\u00e3o por medidas cautelares diversas (CPP, art. 282, \u00a7 6\u00ba)<\/strong> enquanto se aguarda a conclus\u00e3o do exame pericial. A gravidade dos delitos impede a liberdade plena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Sexta Turma converteu a pris\u00e3o em cautelares diversas, <strong>preservando o equil\u00edbrio entre persecu\u00e7\u00e3o penal e garantias fundamentais<\/strong>. O tempo adicional para a per\u00edcia somado ao per\u00edodo j\u00e1 decorrido justificou a convers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 pris\u00e3o preventiva baseada em provas digitais sem confirma\u00e7\u00e3o pericial, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A aus\u00eancia de per\u00edcia t\u00e9cnica nos dados digitais n\u00e3o afeta a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Dados digitais sem confirma\u00e7\u00e3o de integridade s\u00e3o suficientes para manter a pris\u00e3o preventiva indefinidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A gravidade do crime de per si impede a substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por cautelares diversas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A proporcionalidade permite a substitui\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o h\u00e1 liberdade plena, mas a gravidade impede a soltura.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A proporcionalidade recomenda a substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o por cautelares diversas quando os elementos digitais de autoria aguardam confirma\u00e7\u00e3o pericial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A cautela probat\u00f3ria justifica reavalia\u00e7\u00e3o da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O tempo de segrega\u00e7\u00e3o e a pend\u00eancia de per\u00edcia imp\u00f5em reavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A gravidade impede liberdade plena, n\u00e3o a substitui\u00e7\u00e3o por cautelares.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A alternativa E expressa melhor a tese.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Sexta Turma no AgRg no HC 1.014.212-ES.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pris\u00e3o preventiva, decretada em novembro de 2022, fundamenta-se em elementos probat\u00f3rios de natureza digital, que carecem de certifica\u00e7\u00e3o de integridade e autenticidade, raz\u00e3o por que devem ser submetidos a exame pericial complementar para confirma\u00e7\u00e3o da fidedignidade do material probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A determina\u00e7\u00e3o de per\u00edcia t\u00e9cnica, nesse contexto, n\u00e3o decorre de mera cautela processual, mas da necessidade de confirmar que os elementos que sustentam a imputa\u00e7\u00e3o de autoria correspondem fidedignamente aos dados originalmente armazenados no dispositivo apreendido. Enquanto n\u00e3o realizado o exame pericial que permita atestar a correspond\u00eancia entre os dados do aparelho e os artefatos probat\u00f3rios juntados aos autos, a base factual que ampara a cust\u00f3dia cautelar carece de confirma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se trata de reconhecer aus\u00eancia de ind\u00edcios de autoria, mas de ponderar que ind\u00edcios consistentes em dados digitais cuja fidedignidade aguarda confirma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o autorizam, por si s\u00f3s, a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva, especialmente quando o custodiado j\u00e1 se encontra segregado desde novembro de 2022 e quando a realiza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia complementar demandar\u00e1 tempo adicional. A cautela probat\u00f3ria que justifica a per\u00edcia tamb\u00e9m justifica a reavalia\u00e7\u00e3o da adequa\u00e7\u00e3o da medida cautelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante dessas circunst\u00e2ncias, a proporcionalidade recomenda a ado\u00e7\u00e3o de medidas cautelares menos gravosas enquanto se aguarda a conclus\u00e3o do exame.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A gravidade concreta dos delitos imputados, por outro lado, impede a concess\u00e3o de liberdade plena, pois a tutela da ordem p\u00fablica e a garantia da aplica\u00e7\u00e3o da lei penal recomendam a manuten\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos cautelares do acusado ao processo. A solu\u00e7\u00e3o proporcional e adequada, nos termos do art. 282, 6, do CPP, \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por medidas cautelares diversas, suficientes para assegurar a presen\u00e7a do acusado aos atos processuais e resguardar a ordem p\u00fablica enquanto se aguarda a conclus\u00e3o da prova t\u00e9cnica e o desfecho da instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a necessidade de confirma\u00e7\u00e3o pericial da fidedignidade dos elementos digitais centrais \u00e0 imputa\u00e7\u00e3o de autoria, somada ao tempo j\u00e1 decorrido de pris\u00e3o cautelar e ao tempo adicional necess\u00e1rio para a realiza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia, justifica a convers\u00e3o da cust\u00f3dia em medidas cautelares diversas, preservando-se o equil\u00edbrio entre a efic\u00e1cia da persecu\u00e7\u00e3o penal e o respeito \u00e0s garantias fundamentais do acusado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prova-digital-integridade-cadeia-de-custodia-e-necessidade-de-pericia\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prova digital \u2013 integridade, cadeia de cust\u00f3dia e necessidade de per\u00edcia<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Havendo d\u00favida razo\u00e1vel sobre a integridade e autenticidade da prova digital, \u00e9 necess\u00e1ria <strong>a realiza\u00e7\u00e3o de exame pericial para assegurar a confiabilidade do material<\/strong> e o exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 1.014.212-ES, Rel. Ministro Carlos Pires Brand\u00e3o, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo caso de Creitinho, a Sexta Turma analisou a validade dos prints de conversas e imagens de videomonitoramento utilizados como prova. A defesa impugnou a correspond\u00eancia entre o material juntado e o conte\u00fado original do dispositivo, apontando aus\u00eancia de extra\u00e7\u00e3o forense e de hash criptogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 563<\/strong><em> (nulidade \u2013 necessidade de demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O dado digital \u00e9 imaterial, vol\u00e1til e pass\u00edvel de altera\u00e7\u00e3o sem rastros percept\u00edveis. A confiabilidade exige salvaguardas t\u00e9cnicas que assegurem <strong>autenticidade<\/strong> (ser o que diz ser) e <strong>integridade<\/strong> (n\u00e3o ter sofrido modifica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O <strong>hash<\/strong> \u00e9 identificador criptogr\u00e1fico sens\u00edvel a altera\u00e7\u00f5es, funcionando como marcador t\u00e9cnico de integridade. Sem fixa\u00e7\u00e3o de hash e c\u00f3pia forense, n\u00e3o h\u00e1 como demonstrar a identidade material entre fonte e artefato probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O dado digital \u00e9 por natureza vol\u00e1til e pass\u00edvel de manipula\u00e7\u00e3o. Quando impugnada a correspond\u00eancia entre material juntado e conte\u00fado original, incide o dever estatal de demonstrar, <strong>por meios objetivos e audit\u00e1veis, a integridade e rastreabilidade do percurso probat\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A autoriza\u00e7\u00e3o judicial e a identifica\u00e7\u00e3o do agente afastam a devassa indevida, mas <strong>n\u00e3o suprem a aus\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica m\u00ednima<\/strong> quando o material \u00e9 utilizado como suporte probat\u00f3rio relevante. Acesso autorizado n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, garantia de integridade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O hash criptogr\u00e1fico permite comparar o estado do material em diferentes momentos (coleta, extra\u00e7\u00e3o, armazenamento, per\u00edcia), oferecendo base objetiva para afirmar que <strong>o arquivo permaneceu inalterado<\/strong>. Sem hash e c\u00f3pia forense, perde-se a capacidade de demonstrar identidade material.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Sexta Turma determinou <strong>dilig\u00eancia pericial complementar<\/strong> para suprir o d\u00e9ficit t\u00e9cnico, conciliando os entendimentos das Quinta e Sexta Turmas: acesso autorizado e controlado n\u00e3o \u00e9 ruptura autom\u00e1tica da cadeia, mas a aus\u00eancia de rastreabilidade verific\u00e1vel exige per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da prova digital e da cadeia de cust\u00f3dia, \u00e9 correto afirmar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Havendo d\u00favida sobre integridade da prova digital, \u00e9 necess\u00e1ria per\u00edcia para assegurar confiabilidade e contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A autoriza\u00e7\u00e3o judicial para acesso aos dados dispensa a verifica\u00e7\u00e3o de integridade do material.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Prints de conversas de aplicativos de mensagens dispensam per\u00edcia por se tratarem de documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A aus\u00eancia de hash criptogr\u00e1fico gera nulidade autom\u00e1tica da prova digital.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A cadeia de cust\u00f3dia digital exige apenas identifica\u00e7\u00e3o do agente que acessou o dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Sexta Turma no AgRg no HC 1.014.212-ES.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Autoriza\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o supre a aus\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de integridade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Quando impugnados, prints exigem verifica\u00e7\u00e3o de integridade por meios t\u00e9cnicos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Irregularidades devem ser sopesadas \u00e0 luz da confiabilidade concreta (CPP, art. 563).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A cadeia exige rastreabilidade verific\u00e1vel por meios objetivos e audit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-12\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste na validade dos elementos probat\u00f3rios de natureza digital, especificamente capturas de tela (prints) de conversas de aplicativo de mensagens e imagens de videomonitoramento, que sustentam a acusa\u00e7\u00e3o e a cust\u00f3dia cautelar. O dado digital \u00e9 imaterial, vol\u00e1til e, sobretudo, pass\u00edvel de altera\u00e7\u00e3o sem deixar rastros percept\u00edveis a olho nu. Tais caracter\u00edsticas exigem que a atividade probat\u00f3ria estatal seja revestida de salvaguardas t\u00e9cnicas que assegurem n\u00e3o apenas a autenticidade do dado digital (ser o que diz ser), mas sua integridade (n\u00e3o ter sofrido modifica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem, consignou que o material consistia em capturas de tela e m\u00eddias extra\u00eddas de aplicativo de mensagens, ao passo que as imagens provenientes do aparelho DVR teriam sido apenas transferidas para arquivos, reputando dispens\u00e1vel o emprego de conhecimento t\u00e9cnico-pericial especializado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destacou, ainda, que a obten\u00e7\u00e3o dos dados ocorreu com elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio circunstanciado por agente policial identificado. Nesse relat\u00f3rio, registraram-se elementos como data de apreens\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o do portador e do aparelho, transcri\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos e descri\u00e7\u00e3o dos procedimentos adotados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse modo de decidir dialoga com a orienta\u00e7\u00e3o da Sexta Turma no REsp 2.123.764\/ES, ao reconhecer que determinados conte\u00fados digitais, uma vez formalizados e juntados aos autos, podem ser apreciados sob regime documental, sem exig\u00eancia autom\u00e1tica de per\u00edcia complexa, ressalvada a necessidade de controle de confiabilidade quando houver impugna\u00e7\u00e3o substancial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, esse enquadramento n\u00e3o autoriza a admiss\u00e3o acr\u00edtica de elementos de convic\u00e7\u00e3o cuja confiabilidade n\u00e3o seja tecnicamente verific\u00e1vel. Ainda que se trate de documento, a partir do momento em que a defesa impugna a correspond\u00eancia entre o material juntado e o conte\u00fado originariamente existente no dispositivo, ou aponta d\u00favida plaus\u00edvel quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos dados durante a apreens\u00e3o, o manuseio e a extra\u00e7\u00e3o, incide o dever estatal de demonstrar, por meios objetivos e audit\u00e1veis, a integridade e a rastreabilidade do percurso probat\u00f3rio, especialmente quando o material digital assume relev\u00e2ncia central para sustentar medidas gravosas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, embora exista autoriza\u00e7\u00e3o judicial para acesso aos dados, n\u00e3o se verifica lastro t\u00e9cnico minimamente consistente de que, no ato de apreens\u00e3o e de obten\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, tenham sido observadas rotinas aptas a preservar e demonstrar a integridade, a rastreabilidade e a reprodutibilidade do material digital apresentado como prova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando se pretende transportar para o processo capturas de tela, transcri\u00e7\u00f5es, relat\u00f3rios de extra\u00e7\u00e3o ou quaisquer artefatos derivados do dispositivo, a exig\u00eancia central deixa de ser apenas a licitude do acesso e passa a ser a demonstra\u00e7\u00e3o objetiva de que o produto juntado \u00e9 tecnicamente confi\u00e1vel, isto \u00e9, corresponde ao que estava armazenado no aparelho no instante relevante e permaneceu imune a interven\u00e7\u00f5es durante o manuseio, a extra\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m, sobre o tema, no julgamento do AREsp 2.972.295\/MT, a Quinta Turma do STJ firmou precedente cuja l\u00f3gica subjacente preconiza que, em prova digital, a confiabilidade n\u00e3o deriva da autoridade de quem acessou o conte\u00fado, mas da possibilidade de reexecu\u00e7\u00e3o e controle t\u00e9cnico por terceiros, mediante trilha verific\u00e1vel do que foi feito, quando foi feito, com que ferramenta, em qual m\u00eddia, e com quais garantias de integridade do produto final.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 nesse ponto que se revela o papel do hash com densidade processual. O hash \u00e9 um identificador criptogr\u00e1fico derivado do conte\u00fado, sens\u00edvel a qualquer altera\u00e7\u00e3o, ainda que m\u00ednima, funcionando como marcador t\u00e9cnico de integridade em momentos distintos do procedimento. Permite comparar o estado do material no instante da coleta, da extra\u00e7\u00e3o, do armazenamento e da per\u00edcia, oferecendo base objetiva para afirmar que o arquivo ou a imagem forense permaneceu inalterado. Sem esse tipo de fixa\u00e7\u00e3o, e sem a gera\u00e7\u00e3o de c\u00f3pia forense integral quando a finalidade \u00e9 probat\u00f3ria, o que se perde n\u00e3o \u00e9 uma formalidade, mas a capacidade de demonstrar a identidade material entre a fonte (dispositivo e seus dados) e o artefato probat\u00f3rio juntado (prints, relat\u00f3rios, exporta\u00e7\u00f5es), sobretudo porque ferramentas contempor\u00e2neas de manipula\u00e7\u00e3o permitem reencenar conversas, editar bancos locais, alterar atributos temporais, reconstruir cadeias de mensagens e modular metadados com apar\u00eancia de normalidade, inclusive por meio de automa\u00e7\u00f5es e recursos de intelig\u00eancia artificial. A concilia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre os vetores das Sexta e Quinta Turmas se faz, portanto, por uma chave de proporcionalidade metodol\u00f3gica: acesso autorizado e documentalmente controlado n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, ruptura da cadeia de cust\u00f3dia; ruptura ocorre quando o percurso do dado at\u00e9 o processo n\u00e3o \u00e9 rastre\u00e1vel a ponto de permitir verifica\u00e7\u00e3o independente de integridade e de contexto. Por isso, irregularidades devem ser sopesadas \u00e0 luz da confiabilidade concreta e do conjunto probat\u00f3rio, sem nulidade autom\u00e1tica, incidindo o art. 563 do CPP quando inexistir demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo real \u00e0 credibilidade do material.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao mesmo tempo, o devido processo legal probat\u00f3rio impede que se atribua valor determinante a um conte\u00fado digital cuja integridade n\u00e3o \u00e9 tecnicamente demonstr\u00e1vel, porque, em mat\u00e9ria digital, a d\u00favida sobre integridade n\u00e3o \u00e9 d\u00favida abstrata, mas risco estrutural inerente ao meio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com isso, preserva-se o n\u00facleo do entendimento da Sexta Turma sobre atos de instru\u00e7\u00e3o autorizados judicialmente e tratamento documental de conte\u00fados digitais, sem renunciar ao rigor metodol\u00f3gico exigido pela Quinta Turma quando a prova digital se torna determinante. Essa \u00e9 a via de concilia\u00e7\u00e3o adequada ao devido processo legal probat\u00f3rio em contexto de crescente sofistica\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de manipula\u00e7\u00e3o e de reconstru\u00e7\u00e3o artificial da realidade informacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicando essas premissas ao caso concreto, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer que a autoriza\u00e7\u00e3o judicial e a identifica\u00e7\u00e3o do agente respons\u00e1vel afastam, em princ\u00edpio, a tese de devassa indevida, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para suprir a aus\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica m\u00ednima quando o que se traz aos autos s\u00e3o artefatos derivados do aparelho. Se o prop\u00f3sito foi apenas visualiza\u00e7\u00e3o pontual para orienta\u00e7\u00e3o investigativa, seria indispens\u00e1vel, ao menos, registro circunstanciado dos acessos e preserva\u00e7\u00e3o do dispositivo em condi\u00e7\u00f5es de impedir interven\u00e7\u00f5es supervenientes, com manuten\u00e7\u00e3o sob guarda formal e disponibilidade para exame oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, por\u00e9m, o material n\u00e3o foi utilizado apenas para orienta\u00e7\u00e3o investigativa, mas sim como suporte probat\u00f3rio relevante. O Relat\u00f3rio de An\u00e1lise Policial estrutura a indica\u00e7\u00e3o de autoria do acusado em diversas capturas de tela (prints) de di\u00e1logos que a acusa\u00e7\u00e3o interpreta como tratativas diretas sobre o pagamento da execu\u00e7\u00e3o e a confirma\u00e7\u00e3o do \u00f3bito. Diante dessa centralidade probat\u00f3ria, a aus\u00eancia de extra\u00e7\u00e3o forense audit\u00e1vel, com fixa\u00e7\u00e3o de integridade do produto e preserva\u00e7\u00e3o adequada, reduz drasticamente a confiabilidade do conte\u00fado transportado ao processo. A provid\u00eancia compat\u00edvel com a persecu\u00e7\u00e3o penal e com o contradit\u00f3rio \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancia pericial complementar, n\u00e3o para anular o feito por automatismo, mas para suprir o d\u00e9ficit t\u00e9cnico e permitir controle efetivo pelas partes.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-5764d901-0f4b-41c8-84ef-b690b5391447\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/03\/16093515\/stj_info_878.pdf\">STJ_Info_878<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/03\/16093515\/stj_info_878.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-5764d901-0f4b-41c8-84ef-b690b5391447\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp; Remessa necess\u00e1ria \u2013 demanda previdenci\u00e1ria com valor afer\u00edvel por c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos (Tema 1081) Destaque A demanda previdenci\u00e1ria cujo valor da condena\u00e7\u00e3o seja afer\u00edvel por simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos deve ser dispensada da remessa necess\u00e1ria quando for poss\u00edvel estimar que n\u00e3o exceder\u00e1 o limite do art. 496, \u00a7 3\u00ba, I, do CPC. 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