{"id":1719182,"date":"2026-02-23T02:52:10","date_gmt":"2026-02-23T05:52:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1719182"},"modified":"2026-02-23T02:52:13","modified_gmt":"2026-02-23T05:52:13","slug":"informativo-stj-875-parte-2-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-875-parte-2-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 875 Parte 2 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/23025122\/stj_info_875_pt2.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_9ADhrfRk1Yc\"><div id=\"lyte_9ADhrfRk1Yc\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/9ADhrfRk1Yc\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/9ADhrfRk1Yc\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/9ADhrfRk1Yc\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-bem-de-familia-hipoteca-anterior-a-formacao-da-entidade-familiar\">1.&nbsp;&nbsp; Bem de fam\u00edlia \u2013 hipoteca anterior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da entidade familiar<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o superveniente de entidade familiar (uni\u00e3o est\u00e1vel e nascimento de filho) <strong>n\u00e3o afasta a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade<\/strong> do bem de fam\u00edlia, mesmo que o im\u00f3vel tenha sido oferecido em hipoteca quando o garantidor era solteiro e sem filhos, desde que comprovada a utiliza\u00e7\u00e3o como resid\u00eancia familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.011.981-SP, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ronaldinho, na flor da solteirice, ofereceu seu apartamento em hipoteca para garantir um empr\u00e9stimo banc\u00e1rio. Tudo tranquilo, at\u00e9 que a vida deu suas voltas: conheceu Mariazinha, come\u00e7aram a morar juntos e veio o primeiro filho. Quando o banco tentou executar a hipoteca, Ronaldinho alegou que o im\u00f3vel agora era bem de fam\u00edlia. O banco n\u00e3o gostou nada, argumentando que a garantia foi dada quando ele era solteiro e sem filhos, portanto a fam\u00edlia veio depois \u2013 e n\u00e3o poderia se esconder atr\u00e1s da prote\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.009\/1990, art. 1\u00ba, caput<\/strong><em> (prote\u00e7\u00e3o ao bem de fam\u00edlia legal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 6\u00ba<\/strong><em> (direito fundamental \u00e0 moradia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.009\/1990, art. 3\u00ba<\/strong><em> (exce\u00e7\u00f5es \u00e0 impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia n\u00e3o visa proteger o devedor contra suas d\u00edvidas, mas sim a <strong>entidade familiar em sentido amplo<\/strong>, garantindo a dignidade da pessoa humana em distintas configura\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A jurisprud\u00eancia do STJ j\u00e1 admitia o <strong>desdobramento da prote\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplos im\u00f3veis<\/strong> quando h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o de c\u00f4njuges, permitindo que cada n\u00facleo familiar tenha seu pr\u00f3prio bem de fam\u00edlia protegido.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A <strong>forma\u00e7\u00e3o superveniente de fam\u00edlia n\u00e3o pode ser penalizada<\/strong> por obriga\u00e7\u00f5es anteriores do devedor, pois a tutela legal recai sobre a entidade familiar, n\u00e3o sobre o patrim\u00f4nio individual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma reafirmou que a Lei n. 8.009\/1990 protege a <strong>entidade familiar em sentido amplo<\/strong>, e n\u00e3o o devedor contra suas d\u00edvidas. Trata-se de uma prote\u00e7\u00e3o de natureza constitucional, ancorada no direito fundamental \u00e0 moradia (art. 6\u00ba da CF) e no princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana. O instituto do bem de fam\u00edlia legal independe de qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do propriet\u00e1rio, bastando a demonstra\u00e7\u00e3o de que o im\u00f3vel serve como resid\u00eancia da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f <strong>N<\/strong><strong>\u00e3o se pode impor \u00e0 futura companheira o \u00f4nus de pesquisar eventuais constri\u00e7\u00f5es<\/strong> sobre o im\u00f3vel do parceiro como condi\u00e7\u00e3o para ter direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o legal. Esse entendimento decorre da pr\u00f3pria l\u00f3gica do sistema: a prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio concedido ao devedor, mas uma garantia m\u00ednima assegurada \u00e0 entidade familiar, independentemente de quando esta tenha sido constitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Importante registrar que a Corte evoluiu sua jurisprud\u00eancia ao longo dos anos. Inicialmente, admitia-se o desdobramento da prote\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplos im\u00f3veis em caso de separa\u00e7\u00e3o de c\u00f4njuges. Posteriormente, a Quarta Turma ampliou esse entendimento para reconhecer que a prote\u00e7\u00e3o pode surgir <strong>de forma superveniente<\/strong>, ou seja, mesmo que o im\u00f3vel n\u00e3o fosse bem de fam\u00edlia ao tempo da constitui\u00e7\u00e3o da garantia, a forma\u00e7\u00e3o posterior de entidade familiar atrai a prote\u00e7\u00e3o legal, desde que comprovada a efetiva utiliza\u00e7\u00e3o como resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A dignidade da pessoa humana prevalece sobre a garantia real. O STJ concluiu que o fundamento central dessa prote\u00e7\u00e3o \u00e9 que a <strong>superveniente modifica\u00e7\u00e3o do estado de fato \u00e9 irrelevante ao escopo pr\u00f3prio do instituto<\/strong>, que \u00e9 a tutela da dignidade humana. N\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio penalizar a futura fam\u00edlia por obriga\u00e7\u00f5es contra\u00eddas antes de sua forma\u00e7\u00e3o, sob pena de esvaziar a teleologia da norma protetiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia legal (Lei n. 8.009\/1990), assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A hipoteca constitu\u00edda antes da forma\u00e7\u00e3o da entidade familiar prevalece sobre a prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia exige que a entidade familiar esteja constitu\u00edda no momento da concess\u00e3o da garantia real.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A forma\u00e7\u00e3o superveniente de entidade familiar n\u00e3o impede o reconhecimento da impenhorabilidade, desde que comprovada a utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel como resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A companheira do devedor deve pesquisar a exist\u00eancia de penhoras antes de constituir fam\u00edlia para fazer jus \u00e0 prote\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia visa a proteger o devedor contra suas d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia pode ser reconhecida mesmo quando a hipoteca \u00e9 anterior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, conforme entendimento firmado pela Terceira Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ admite a prote\u00e7\u00e3o superveniente, bastando que o im\u00f3vel sirva de resid\u00eancia familiar no momento da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> \u00c9 o exato teor do entendimento firmado pela Terceira Turma, que reconhece a impenhorabilidade mesmo diante de hipoteca anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STJ afastou expressamente esse \u00f4nus, por ser incompat\u00edvel com a teleologia da norma protetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o visa resguardar a entidade familiar como um todo, n\u00e3o o devedor individualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Bem de fam\u00edlia \u2013 hipoteca anterior<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o da entidade familiar, n\u00e3o do devedor<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Forma\u00e7\u00e3o superveniente n\u00e3o afasta prote\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Comprova\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia familiar \u00e9 suficiente<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Dignidade da pessoa humana prevalece sobre garantia real<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o se exige da companheira pesquisa de constri\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se supervenientes companheira e filho t\u00eam direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia legal no caso em que o im\u00f3vel no qual residem foi oferecido em hipoteca pelo garantidor quando ainda solteiro e sem filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias entenderam que companheira e filho do executado n\u00e3o merecem a prote\u00e7\u00e3o da Lei n. 8.009\/1990, porquanto, antes da cria\u00e7\u00e3o da alegada entidade familiar, o executado j\u00e1 era devedor do embargado e j\u00e1 ocupava o polo passivo em a\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 8.009\/1990 &#8211; que disciplina o bem de fam\u00edlia legal, cuja prote\u00e7\u00e3o independe da manifesta\u00e7\u00e3o da vontade do propriet\u00e1rio &#8211; foi promulgada com o prop\u00f3sito de resguardar o direito fundamental \u00e0 moradia, assegurando, \u00e0 luz do princ\u00edpio do patrim\u00f4nio m\u00ednimo, a preserva\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, uma vez caracterizado o im\u00f3vel como bem de fam\u00edlia, ele passa a estar sujeito a um regime jur\u00eddico especial, encontrando-se protegido das obriga\u00e7\u00f5es decorrentes de direitos patrimoniais subjetivos. Para tanto, basta que o im\u00f3vel sirva de resid\u00eancia da fam\u00edlia do devedor ou que a renda obtida com a sua loca\u00e7\u00e3o seja destinada \u00e0 subsist\u00eancia da entidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, \u00e0 luz do direito fundamental \u00e0 moradia, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a definiu que a posterior separa\u00e7\u00e3o dos c\u00f4njuges desdobra a prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia em quantos im\u00f3veis venham a residir, ainda que a prote\u00e7\u00e3o j\u00e1 tenha anteriormente beneficiado o credor e mesmo que ele pr\u00f3prio n\u00e3o mais possua moradia no bem constrito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Evoluindo em tal orienta\u00e7\u00e3o, a Terceira Turma do STJ concluiu que, mesmo em distintas configura\u00e7\u00f5es familiares, com distintos n\u00facleos em m\u00faltiplos im\u00f3veis, a prote\u00e7\u00e3o do instituto n\u00e3o cessa, mas se estende a tantos im\u00f3veis quantos residam membros da entidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adensando ainda mais o conte\u00fado material da prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia, a Quarta Turma do STJ concluiu que, como a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade pode desdobrar-se para alcan\u00e7ar m\u00faltiplos im\u00f3veis, ela tamb\u00e9m alberga situa\u00e7\u00f5es que venham se consolidar supervenientemente \u00e0 concess\u00e3o da garantia, como a forma\u00e7\u00e3o de entidade familiar posterior \u00e0 penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fundamento, para tanto, \u00e9 o de que a superveniente modifica\u00e7\u00e3o do estado de fato \u00e9 irrelevante ao escopo pr\u00f3prio do instituto, que \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o cabe impor \u00e0 futura esposa ou companheira o \u00f4nus de pesquisar a exist\u00eancia de poss\u00edvel e eventual constri\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel do futuro esposo ou companheiro como condi\u00e7\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o de direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deduz-se, portanto, que a jurisprud\u00eancia desta Corte Superior tem reiteradamente afirmado que a prote\u00e7\u00e3o conferida ao bem de fam\u00edlia pela Lei n. 8.009\/1990 n\u00e3o visa a proteger o devedor contra suas d\u00edvidas, mas a entidade familiar em sentido amplo, garantindo a dignidade da pessoa humana em distintas configura\u00e7\u00f5es familiares. Essas situa\u00e7\u00f5es abrangem mesmo circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas constitu\u00eddas posteriormente \u00e0 concess\u00e3o do im\u00f3vel em garantia hipotec\u00e1ria de m\u00fatuo e estendem-se mesmo a mais de um im\u00f3vel, desde que nele residam familiares do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o fato de a uni\u00e3o est\u00e1vel e o nascimento do filho terem ocorrido ap\u00f3s a constitui\u00e7\u00e3o da hipoteca n\u00e3o impede o reconhecimento da impenhorabilidade, desde que comprovada a utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel como resid\u00eancia da entidade familiar, como ocorreu, na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-direito-de-imagem-aparicao-acidental-em-documentario\">2.&nbsp; Direito de imagem \u2013 apari\u00e7\u00e3o acidental em document\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o ao direito de imagem<\/strong> quando pessoa aparece em document\u00e1rio sobre crime de grande repercuss\u00e3o de forma acidental ou coadjuvante, por pouco tempo, sem divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es pessoais e com observ\u00e2ncia dos deveres de veracidade, pertin\u00eancia e cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.214.287-MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Carlinhos autorizou o uso de sua imagem por uma emissora de TV aberta para mat\u00e9ria jornal\u00edstica sobre o caso Guilherme de P\u00e1dua (assassinato de Daniella Perez). Posteriormente, um trecho dessa reportagem \u2013 com Carlinhos aparecendo por m\u00edseros 2 segundos \u2013 foi utilizado em document\u00e1rio exibido pela HBO. Sentindo-se prejudicado, Carlinhos ajuizou a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria alegando uso n\u00e3o autorizado de sua imagem em obra com finalidade comercial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 20<\/strong><em> (prote\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem e indeniza\u00e7\u00e3o por uso indevido).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 220<\/strong><em> (liberdade de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica com respeito \u00e0 imagem).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 403\/STJ<\/strong><em> (dano moral in re ipsa por uso n\u00e3o autorizado com fins comerciais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A jurisprud\u00eancia do STJ admite <strong>exce\u00e7\u00f5es \u00e0 S\u00famula 403<\/strong> quando a apari\u00e7\u00e3o \u00e9 coadjuvante em obra sobre fato hist\u00f3rico, prevalecendo o interesse p\u00fablico informativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Os deveres de <strong>veracidade, pertin\u00eancia e cuidado<\/strong> limitam o exerc\u00edcio da liberdade de imprensa e devem ser observados mesmo em document\u00e1rios de interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma aplicou a distin\u00e7\u00e3o entre <strong>uso central e uso acidental da imagem<\/strong>. No caso, Carlinhos aparecia por apenas 2 segundos, sem qualquer destaque, sem men\u00e7\u00e3o ao seu nome e em document\u00e1rio de interesse p\u00fablico sobre crime que comoveu a na\u00e7\u00e3o. A Turma entendeu que essa participa\u00e7\u00e3o fugaz e secund\u00e1ria n\u00e3o configura uso indevido da imagem para fins comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ n\u00e3o estendeu a autoriza\u00e7\u00e3o original (concedida \u00e0 TV aberta) ao document\u00e1rio da HBO, mas sim <strong>reconheceu a inexist\u00eancia de viola\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma ao direito de imagem<\/strong>. A apari\u00e7\u00e3o foi acidental, sem conte\u00fado depreciativo ou que pudesse causar dano \u00e0 honra, e os deveres de veracidade, pertin\u00eancia e cuidado foram integralmente observados pela produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O direito de imagem, embora fundamental, <strong>n\u00e3o \u00e9 absoluto<\/strong> e deve ser ponderado com a liberdade de informa\u00e7\u00e3o e express\u00e3o (CF, art. 220). Quando a obra tem finalidade informativa sobre fato de grande repercuss\u00e3o social, a apari\u00e7\u00e3o breve, acidental e n\u00e3o depreciativa de terceiro n\u00e3o gera dever de indenizar, mesmo sem autoriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para aquela produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Cabe destacar que o STJ diferenciou o caso da hip\u00f3tese da S\u00famula 403\/STJ, que trata de uso n\u00e3o autorizado com <strong>fins lucrativos ou comerciais diretos<\/strong>. No document\u00e1rio, a imagem de Carlinhos n\u00e3o foi utilizada como atrativo comercial, mas como elemento secund\u00e1rio e contextual de uma narrativa jornal\u00edstica sobre fato hist\u00f3rico. A finalidade era informativa, n\u00e3o comercial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem do recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o direito de imagem e sua utiliza\u00e7\u00e3o em document\u00e1rios, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A apari\u00e7\u00e3o acidental e breve em document\u00e1rio de interesse p\u00fablico, sem informa\u00e7\u00f5es pessoais e sem conte\u00fado depreciativo, n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o ao direito de imagem.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O uso de imagem sem autoriza\u00e7\u00e3o gera dano moral in re ipsa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A autoriza\u00e7\u00e3o para uso de imagem em TV aberta estende-se a qualquer outra plataforma.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Document\u00e1rios sobre crimes de grande repercuss\u00e3o tem flexibilizados os deveres de veracidade e cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A S\u00famula 403\/STJ aplica-se indistintamente a todo uso n\u00e3o autorizado de imagem, ainda que acidental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> \u00c9 o entendimento firmado pela Terceira Turma, que distinguiu uso central de uso acidental da imagem.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ admite exce\u00e7\u00f5es quando a apari\u00e7\u00e3o \u00e9 coadjuvante, breve e em obra de interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica para o meio de comunica\u00e7\u00e3o para o qual foi concedida.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Os deveres de veracidade, pertin\u00eancia e cuidado devem ser observados em qualquer produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A S\u00famula 403\/STJ n\u00e3o se aplica a apari\u00e7\u00f5es acidentais em obras de interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Direito de imagem \u2013 apari\u00e7\u00e3o acidental em document\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Distin\u00e7\u00e3o entre uso central e uso acidental<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Apari\u00e7\u00e3o breve (2 seg), sem destaque, sem nome<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Document\u00e1rio de interesse p\u00fablico<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Deveres de veracidade, pertin\u00eancia e cuidado observados<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd S\u00famula 403\/STJ inaplic\u00e1vel ao caso<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se viola direito de imagem do gravado a reprodu\u00e7\u00e3o, sem a sua autoriza\u00e7\u00e3o, de trecho de mat\u00e9ria jornal\u00edstica, em document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A utiliza\u00e7\u00e3o da imagem de uma pessoa depende, em regra, de autoriza\u00e7\u00e3o, sendo cab\u00edvel indeniza\u00e7\u00e3o pelo seu uso indevido, &#8220;se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais&#8221;, nos termos do art. 20 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, quanto ao dano, a S\u00famula 403\/STJ estabelece que &#8220;independe de prova do preju\u00edzo a indeniza\u00e7\u00e3o pela publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada de imagem de pessoa com fins econ\u00f4micos ou comerciais&#8221;, sendo hip\u00f3tese de dano moral in re ipsa, com ressalvas a partir de crit\u00e9rios de razoabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A prop\u00f3sito dessas exce\u00e7\u00f5es, &#8220;a representa\u00e7\u00e3o c\u00eanica de epis\u00f3dio hist\u00f3rico em obra audiovisual biogr\u00e1fica n\u00e3o depende da concess\u00e3o de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o de terceiros ali representados como coadjuvantes&#8221; (Terceira Turma, DJe de REsp n. 1.454.016\/SP, 12\/3\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda assim, as liberdades de informa\u00e7\u00e3o, de express\u00e3o e de imprensa, conquanto garantias essenciais ao regime democr\u00e1tico, n\u00e3o autorizam o abuso. O pr\u00f3prio art. 220 da CF, ao mesmo tempo em que garante a plena liberdade de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, imp\u00f5e aos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o o dever de respeito \u00e0 intimidade, \u00e0 vida privada, \u00e0 honra e \u00e0 imagem das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para averiguar se o direito \u00e0 liberdade de informa\u00e7\u00e3o foi exercido de modo leg\u00edtimo, a jurisprud\u00eancia do STJ estabeleceu tamb\u00e9m os deveres de veracidade, de pertin\u00eancia e de cuidado (REsp 1.970.489\/RS, Quarta Turma, DJEN 21\/3\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange aos document\u00e1rios, em especial aqueles que retratam fatos hist\u00f3ricos, como crimes de grande repercuss\u00e3o, existe um prop\u00f3sito informativo. Por isso, ambas as Turmas de Direito Privado desta Corte Superior j\u00e1 apontaram que, inexistindo vi\u00e9s econ\u00f4mico ou comercial, apenas o uso degradante da imagem gerar\u00e1 o dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste processo, o autor autorizou o uso de sua imagem pela televis\u00e3o aberta, para produ\u00e7\u00e3o de reportagem sobre Guilherme de P\u00e1dua, condenado pelo assassinato de Daniella Perez. Um trecho desta reportagem, em que o recorrente aparece por dois segundos, foi reproduzido em document\u00e1rio exibido pela HBO. Ele aparece no document\u00e1rio de forma acidental ou como coadjuvante, inexistindo qualquer papel de relevo ou destaque, seja pelo pouco tempo de tela, seja pela inexist\u00eancia de maiores informa\u00e7\u00f5es a seu respeito, pois sequer seu nome foi divulgado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tratando-se de crime de como\u00e7\u00e3o nacional, sua divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 de interesse p\u00fablico, havendo pertin\u00eancia no document\u00e1rio produzido. Assim, n\u00e3o houve qualquer preju\u00edzo \u00e0 imagem do autor, pois, conforme a senten\u00e7a, &#8220;o document\u00e1rio n\u00e3o possuiu conte\u00fado depreciativo ou abusivo a ensejar, por exemplo, a suposta proximidade do autor com o criminoso e seu papel na garantia do bem-estar deste, conclus\u00f5es improv\u00e1veis levando em considera\u00e7\u00e3o o referido trecho de 2 segundos&#8221;. Al\u00e9m disso, foram respeitados os deveres de veracidade, pertin\u00eancia e cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, n\u00e3o se trata de estender a autoriza\u00e7\u00e3o dada pelo autor \u00e0 reportagem exibida na televis\u00e3o aberta, tamb\u00e9m, ao document\u00e1rio produzido pela HBO. Trata-se de reconhecer a inexist\u00eancia de viola\u00e7\u00e3o ao direito de imagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-impenhorabilidade-da-pequena-propriedade-rural-e-alienacao-fiduciaria\">3.&nbsp; Impenhorabilidade da pequena propriedade rural e aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aplic\u00e1vel a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade de pequena propriedade rural \u00e0 hip\u00f3tese em que o bem \u00e9 oferecido como <strong>garantia em aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/strong>, n\u00e3o podendo o credor fiduci\u00e1rio promover a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade por ato extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.233.886-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Z\u00e9 Maria, pequeno agricultor do interior do Rio Grande do Sul, deu sua propriedade rural de 3 m\u00f3dulos fiscais como garantia fiduci\u00e1ria de um empr\u00e9stimo para modernizar sua planta\u00e7\u00e3o. Quando n\u00e3o conseguiu pagar, o credor tentou consolidar a propriedade por via extrajudicial (leil\u00e3o). Seu Z\u00e9 Maria recorreu ao Judici\u00e1rio invocando a impenhorabilidade constitucional da pequena propriedade rural trabalhada pela fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXVI<\/strong><em> (impenhorabilidade da pequena propriedade rural).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.629\/1993, art. 4\u00ba, II<\/strong><em> (conceito de pequena propriedade rural).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.514\/1997, arts. 26 e 27<\/strong><em> (aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de im\u00f3vel e consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A prote\u00e7\u00e3o constitucional da pequena propriedade rural \u00e9 norma de <strong>efic\u00e1cia plena e aplicabilidade imediata<\/strong>, n\u00e3o admitindo exce\u00e7\u00f5es al\u00e9m daquelas expressamente previstas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria n\u00e3o desnatura a prote\u00e7\u00e3o constitucional, pois a consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial da propriedade <strong>equivale funcionalmente \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o<\/strong> do bem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma enfrentou a controv\u00e9rsia acerca da <strong>aplicabilidade da prote\u00e7\u00e3o constitucional da pequena propriedade rural \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/strong>. O art. 5\u00ba, XXVI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela fam\u00edlia, n\u00e3o ser\u00e1 objeto de penhora para pagamento de d\u00e9bitos decorrentes de sua atividade produtiva. A Turma entendeu que essa prote\u00e7\u00e3o se estende \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A <strong>consolida\u00e7\u00e3o da propriedade pelo credor fiduci\u00e1rio equivale funcionalmente \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o do bem<\/strong>, raz\u00e3o pela qual incide a mesma prote\u00e7\u00e3o constitucional. N\u00e3o se pode admitir que o credor contorne a garantia constitucional simplesmente por utilizar a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria como modalidade de garantia, em vez da hipoteca tradicional. A subst\u00e2ncia prevalece sobre a forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A prote\u00e7\u00e3o constitucional da pequena propriedade rural tem por fundamento a <strong>fun\u00e7\u00e3o social da propriedade e a prote\u00e7\u00e3o da agricultura familiar<\/strong>. A propriedade rural trabalhada pela fam\u00edlia constitui instrumento essencial para a subsist\u00eancia do n\u00facleo familiar e para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, de modo que sua expropria\u00e7\u00e3o \u2013 por qualquer meio \u2013 comprometeria n\u00e3o apenas o interesse privado do devedor, mas tamb\u00e9m o interesse p\u00fablico na manuten\u00e7\u00e3o da atividade produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Os efeitos dessa prote\u00e7\u00e3o <strong>incidem tamb\u00e9m sobre o ato extrajudicial de expropria\u00e7\u00e3o<\/strong> previsto nos arts. 26 e 27 da Lei n. 9.514\/1997. Assim, o credor fiduci\u00e1rio n\u00e3o pode promover a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade em seu nome, devendo buscar outras formas de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito que n\u00e3o impliquem a perda da pequena propriedade rural trabalhada pela fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da impenhorabilidade da pequena propriedade rural, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A prote\u00e7\u00e3o constitucional da pequena propriedade rural n\u00e3o se aplica \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, por se tratar de garantia voluntariamente constitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial da propriedade pelo credor fiduci\u00e1rio n\u00e3o se equipara \u00e0 penhora para fins de prote\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A impenhorabilidade da pequena propriedade rural depende de regulamenta\u00e7\u00e3o infraconstitucional para ter efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade da pequena propriedade rural \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, impedindo a consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial da propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de pequena propriedade rural \u00e9 nula de pleno direito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o constitucional incide independentemente da modalidade de garantia, pois a consolida\u00e7\u00e3o equivale \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ equiparou funcionalmente a consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba, XXVI, da CF tem efic\u00e1cia plena e aplicabilidade imediata.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> O STJ reconheceu que a prote\u00e7\u00e3o constitucional se estende \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, impedindo a consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O contrato n\u00e3o \u00e9 nulo, apenas n\u00e3o se pode efetivar a expropria\u00e7\u00e3o do bem protegido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Pequena propriedade rural \u2013 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd CF, art. 5\u00ba, XXVI \u2013 prote\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia plena<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial = expropria\u00e7\u00e3o funcional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o se estende \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Fun\u00e7\u00e3o social da propriedade e agricultura familiar<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Credor deve buscar outras formas de satisfa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O prop\u00f3sito recursal consiste em decidir se (I) \u00e9 aplic\u00e1vel a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade de pequena propriedade rural \u00e0 hip\u00f3tese em que o bem \u00e9 oferecido como garantia em aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, e se (II) os efeitos dessa prote\u00e7\u00e3o incidem sobre o ato extrajudicial de expropria\u00e7\u00e3o do bem em consolida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade recai sobre o im\u00f3vel que se enquadre no conceito de pequena propriedade rural, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 961) e pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (Tema 1234), desde que seja comprovadamente explorado pela entidade familiar. A raz\u00e3o de ser dessa garantia est\u00e1, como reconhecido em ambos os precedentes, calcada na prote\u00e7\u00e3o \u00e0 subsist\u00eancia do n\u00facleo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A impenhorabilidade de pequena propriedade rural constitui-se como um direito fundamental indispon\u00edvel, ligado \u00e0 atividade econ\u00f4mica familiar e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social da propriedade, o que n\u00e3o pode ser objeto de ren\u00fancia nem de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 inafast\u00e1vel pela vontade das partes a prote\u00e7\u00e3o de impenhorabilidade conferida \u00e0 pequena propriedade rural, por se tratar de norma de ordem p\u00fablica, ainda que o bem tenha sido oferecido em garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria constitui-se como esp\u00e9cie moderna do instituto hipotec\u00e1rio, raz\u00e3o pela qual se imp\u00f5e estender os mesmos efeitos protetivos da impenhorabilidade de pequena propriedade rural j\u00e1 reconhecidos \u00e0 hip\u00f3tese de oferecimento do bem em hipoteca.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depreende-se que o ordenamento jur\u00eddico brasileiro n\u00e3o distingue atos judiciais dos extrajudiciais quando o resultado \u00e9 a impenhorabilidade de bem protegido, raz\u00e3o pela qual a prote\u00e7\u00e3o conferida \u00e0 pequena propriedade rural \u00e9 opon\u00edvel tanto \u00e0 penhora judicial quanto \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o extrajudicial da propriedade, nos termos do art. 833, VIII, do CPC, e do art. 5\u00ba, XXVI, da CF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, restando comprovada a explora\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel para fins de subsist\u00eancia e trabalho pela fam\u00edlia, o bem se enquadra na prote\u00e7\u00e3o da pequena propriedade rural, de modo que, embora o bem tenha sido dado em garantia fiduci\u00e1ria, o contrato particular n\u00e3o prevalece sobre a norma constitucional de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-plano-de-saude-obrigatoriedade-de-cobertura-do-metodo-treini\">4. Plano de sa\u00fade \u2013 obrigatoriedade de cobertura do m\u00e9todo TREINI<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 obrigat\u00f3ria a cobertura de tratamentos multidisciplinares, a exemplo do <strong>m\u00e9todo TREINI<\/strong>, pelos planos de sa\u00fade aos benefici\u00e1rios diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.221.399-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pedrinho Pedregulho, crian\u00e7a de 5 anos diagnosticada com TEA (Transtorno do Espectro Autista), foi indicado pelo neuropediatra para tratamento pelo m\u00e9todo TREINI, que combina terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicomotricidade de forma integrada. O plano de sa\u00fade negou a cobertura sob o argumento de que o m\u00e9todo n\u00e3o constava expressamente no Rol de Procedimentos da ANS. Os pais ajuizaram a\u00e7\u00e3o para compelir a operadora a custear o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.656\/1998, art. 10<\/strong><em> (plano-refer\u00eancia de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 14.454\/2022<\/strong><em> (alterou a Lei n. 9.656\/1998 para tornar o rol da ANS exemplificativo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>EREsp 1.889.704\/SP (Segunda Se\u00e7\u00e3o)<\/strong><em> (taxatividade mitigada do rol da ANS).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Ap\u00f3s a Lei n. 14.454\/2022, o rol da ANS passou a ser considerado <strong>refer\u00eancia b\u00e1sica<\/strong>, n\u00e3o sendo mais admiss\u00edvel a recusa de cobertura com base exclusivamente na aus\u00eancia do procedimento no rol.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O m\u00e9todo TREINI, embora n\u00e3o conste expressamente no rol da ANS, \u00e9 <strong>tratamento multidisciplinar reconhecido cientificamente<\/strong> para TEA, sendo a cobertura obrigat\u00f3ria quando h\u00e1 prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma reafirmou que, ap\u00f3s o julgamento do EREsp 1.889.704\/SP pela Segunda Se\u00e7\u00e3o e, especialmente, ap\u00f3s a entrada em vigor da <strong>Lei n. 14.454\/2022<\/strong>, o rol de procedimentos da ANS passou a ter natureza de refer\u00eancia b\u00e1sica, n\u00e3o mais se admitindo a recusa de cobertura fundada exclusivamente na aus\u00eancia do tratamento na listagem. A lei estabelece que a operadora deve cobrir tratamentos prescritos por profissional de sa\u00fade habilitado, ainda que n\u00e3o previstos no rol, quando houver comprova\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ aplicou esse entendimento ao <strong>m\u00e9todo TREINI<\/strong>, reconhecendo que se trata de abordagem terap\u00eautica multidisciplinar com base cient\u00edfica para o tratamento do TEA. A Turma ressaltou que a negativa de cobertura de tratamento prescrito por m\u00e9dico especialista, sob o pretexto de aus\u00eancia no rol da ANS, viola o princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social do contrato e frustra a leg\u00edtima expectativa do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Turma fez quest\u00e3o de registrar que o direito \u00e0 sa\u00fade, garantido constitucionalmente (CF, art. 196), <strong>imp\u00f5e aos planos de sa\u00fade o dever de fornecer cobertura adequada e eficaz<\/strong>, especialmente quando se trata de crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancia, protegidos pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e pela Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia. A recusa injustificada constitui pr\u00e1tica abusiva nos termos do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Por fim, a Terceira Turma registrou que a <strong>prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 elemento essencial e suficiente para fundamentar a obrigatoriedade da cobertura<\/strong>. N\u00e3o cabe \u00e0 operadora do plano de sa\u00fade substituir-se ao profissional de sa\u00fade na indica\u00e7\u00e3o do tratamento mais adequado ao paciente, sob pena de indevida interfer\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a cobertura de tratamentos pelos planos de sa\u00fade, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A operadora pode recusar tratamento prescrito por m\u00e9dico se este n\u00e3o constar no Rol de Procedimentos da ANS.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A cobertura de tratamentos multidisciplinares para TEA \u00e9 obrigat\u00f3ria pelos planos de sa\u00fade quando h\u00e1 prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, ainda que o m\u00e9todo n\u00e3o conste no rol da ANS.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O m\u00e9todo TREINI dispensa prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para ser coberto pelo plano de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O rol de procedimentos da ANS \u00e9 taxativo e n\u00e3o admite exce\u00e7\u00f5es, mesmo ap\u00f3s a Lei n. 14.454\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A cobertura do m\u00e9todo TREINI depende de pr\u00e9via aprova\u00e7\u00e3o administrativa pela ANS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Ap\u00f3s a Lei n. 14.454\/2022, o rol da ANS \u00e9 meramente exemplificativo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> O STJ reconheceu a obrigatoriedade da cobertura com base na prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e na natureza exemplificativa do rol.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 justamente o elemento que fundamenta a obrigatoriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A Lei n. 14.454\/2022 alterou expressamente esse entendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o se exige aprova\u00e7\u00e3o administrativa pr\u00e9via quando h\u00e1 prescri\u00e7\u00e3o de profissional habilitado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Plano de sa\u00fade \u2013 m\u00e9todo TREINI \u2013 TEA<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Rol da ANS = refer\u00eancia b\u00e1sica (Lei 14.454\/2022)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tratamento multidisciplinar com base cient\u00edfica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 suficiente<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o especial a crian\u00e7as com defici\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Recusa injustificada = pr\u00e1tica abusiva (CDC)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por ocasi\u00e3o do julgamento do EREsp n. 1.889.704\/SP, em 8\/6\/2022, embora tenha fixado a tese quanto \u00e0 taxatividade, em regra, do rol de procedimentos e eventos em sa\u00fade da ANS, negou provimento aos embargos de diverg\u00eancia opostos pela operadora do plano de sa\u00fade para manter ac\u00f3rd\u00e3o da Terceira Turma do STJ que concluiu ser abusiva a recusa de cobertura de sess\u00f5es de terapia especializada prescritas para o tratamento de pacientes diagnosticados com transtorno global do desenvolvimento, prescritas para preservar a sa\u00fade, a dignidade e o desenvolvimento do benefici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem, ao julgar o recurso de apela\u00e7\u00e3o interposto pela parte recorrente, concluiu pela aus\u00eancia de obrigatoriedade do custeio do tratamento multidisciplinar TREINI a menor diagnosticado com paralisia cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a decis\u00e3o recorrida encontra-se em disson\u00e2ncia com a jurisprud\u00eancia consolidada pelo STJ, que determina a obrigatoriedade de cobertura de tratamentos multidisciplinares por planos de sa\u00fade a menores diagnosticados com transtornos globais do desenvolvimento e paralisia cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, determina-se que a operadora de plano de sa\u00fade custeie o tratamento multidisciplinar do benefici\u00e1rio, pelo m\u00e9todo TREINI, por meio de profissional integrante da rede credenciada ou, na aus\u00eancia deste, que o reembolso seja realizado diretamente ao prestador do servi\u00e7o, nos termos do \u00a7 1\u00ba do art. 4\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n. 566\/2022 da ANS.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-direito-de-arrependimento-e-competencia-regulatoria-da-anatel\">5.&nbsp; Direito de arrependimento e compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o judicial que imp\u00f5e obriga\u00e7\u00e3o geral de &#8220;degusta\u00e7\u00e3o&#8221; do servi\u00e7o por prazo determinado a todas as operadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es <strong>invade a compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL<\/strong>, violando o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.114.283-RJ, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 3\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra tr\u00eas grandes operadoras de telefonia, alegando falhas na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de internet 3G e viola\u00e7\u00e3o ao dever de informa\u00e7\u00e3o. O juiz, al\u00e9m de condenar as empresas, determinou que todas as operadoras oferecessem per\u00edodo de &#8220;degusta\u00e7\u00e3o&#8221; de 7 dias ao consumidor antes de qualquer cobran\u00e7a, como extens\u00e3o do direito de arrependimento do CDC. As operadoras recorreram ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 49<\/strong><em> (direito de arrependimento em contrata\u00e7\u00f5es fora do estabelecimento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.472\/1997 (Lei Geral de Telecomunica\u00e7\u00f5es), art. 19<\/strong><em> (compet\u00eancias da ANATEL).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 21, XI<\/strong><em> (compet\u00eancia da Uni\u00e3o para explorar servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O direito de arrependimento previsto no art. 49 do CDC aplica-se \u00e0s contrata\u00e7\u00f5es realizadas fora do estabelecimento comercial, mas <strong>n\u00e3o autoriza a cria\u00e7\u00e3o judicial de obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias gerais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A ANATEL det\u00e9m <strong>compet\u00eancia exclusiva para regulamentar<\/strong> os servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es, cabendo ao Judici\u00e1rio o controle de legalidade dos atos regulat\u00f3rios, mas n\u00e3o a substitui\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas setoriais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Judici\u00e1rio <strong>n\u00e3o pode criar obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias gerais para o setor de telecomunica\u00e7\u00f5es<\/strong>, pois tal atribui\u00e7\u00e3o \u00e9 da ANATEL, conforme a Lei Geral de Telecomunica\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o de primeira inst\u00e2ncia, ao impor a todas as operadoras o dever de oferecer per\u00edodo de degusta\u00e7\u00e3o, extrapolou os limites da jurisdi\u00e7\u00e3o e invadiu a seara regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ diferenciou a <strong>tutela individual do consumidor da cria\u00e7\u00e3o de normas regulat\u00f3rias gerais<\/strong>. Enquanto o Judici\u00e1rio pode e deve proteger o consumidor em casos concretos (por exemplo, garantindo o direito de arrependimento em contrata\u00e7\u00e3o fora do estabelecimento), n\u00e3o lhe compete estabelecer obriga\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas que afetem todo o setor regulado, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A ANATEL j\u00e1 possui <strong>regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o direito de arrependimento nas telecomunica\u00e7\u00f5es<\/strong>, disciplinando prazos, formas de exerc\u00edcio e obriga\u00e7\u00f5es das operadoras. A sobreposi\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o judicial a essa regulamenta\u00e7\u00e3o criaria inseguran\u00e7a jur\u00eddica e potencial conflito normativo, comprometendo a coer\u00eancia do sistema regulat\u00f3rio setorial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A atua\u00e7\u00e3o jurisdicional no \u00e2mbito dos servi\u00e7os regulados deve observar o <strong>princ\u00edpio da defer\u00eancia ao regulador t\u00e9cnico<\/strong>, reconhecendo que as ag\u00eancias reguladoras det\u00eam expertise e legitimidade para estabelecer normas gerais setoriais. Isso n\u00e3o impede o controle judicial de atos ilegais ou abusivos, mas veda a substitui\u00e7\u00e3o do regulador pelo Judici\u00e1rio na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL e o papel do Poder Judici\u00e1rio, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O Poder Judici\u00e1rio pode determinar obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias para o setor de telecomunica\u00e7\u00f5es em sede de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A ANATEL n\u00e3o tem compet\u00eancia para regulamentar o direito de arrependimento nas contrata\u00e7\u00f5es de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O princ\u00edpio da inafastabilidade da jurisdi\u00e7\u00e3o autoriza o Judici\u00e1rio a atuar subsidiariamente na regulamenta\u00e7\u00e3o setorial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O Judici\u00e1rio pode controlar a legalidade dos atos regulat\u00f3rios, inclusive para criar obriga\u00e7\u00f5es gerais regulat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A decis\u00e3o judicial que imp\u00f5e obriga\u00e7\u00e3o de degusta\u00e7\u00e3o \u00e0s operadoras invade a compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O Judici\u00e1rio n\u00e3o pode criar obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias gerais, sob pena de violar a separa\u00e7\u00e3o dos poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A ANATEL det\u00e9m compet\u00eancia exclusiva para regulamentar os servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A inafastabilidade da jurisdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se confunde com a substitui\u00e7\u00e3o do regulador.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A assertiva \u00e9 verdadeira quanto ao controle de legalidade, mas errada quanto ao poder geral regulador.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A Terceira Turma reconheceu expressamente que tal decis\u00e3o invade a compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc ANATEL \u2013 compet\u00eancia regulat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Judici\u00e1rio n\u00e3o pode criar obriga\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias gerais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tutela individual \u2260 cria\u00e7\u00e3o de normas setoriais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd ANATEL: expertise e regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Princ\u00edpio da defer\u00eancia ao regulador t\u00e9cnico<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Separa\u00e7\u00e3o dos poderes<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra tr\u00eas operadoras de telefonia, alegando que elas comercializavam o servi\u00e7o de internet banda larga 3G de forma inapropriada, com falhas na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o por inviabilidade t\u00e9cnica de cobertura, em viola\u00e7\u00e3o do dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, cinge-se a controv\u00e9rsia quanto \u00e0 legalidade da decis\u00e3o do Tribunal de origem que estendeu, a todas as modalidades de contrata\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, o direito de arrependimento previsto no art. 49 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao assunto, o art. 49 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor estabelece, de forma taxativa, o direito de arrependimento exclusivamente para contrata\u00e7\u00f5es realizadas fora do estabelecimento comercial, visando proteger o consumidor em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de vulnerabilidade decorrentes de t\u00e9cnicas de venda agressivas ou da impossibilidade de avaliar adequadamente o produto ou servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessas condi\u00e7\u00f5es, a falha no dever de informa\u00e7\u00e3o ou o v\u00edcio na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o s\u00e3o quest\u00f5es que encontram amparo em outros dispositivos do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, como os arts. 18, 20 e 35, que preveem san\u00e7\u00f5es como a restitui\u00e7\u00e3o da quantia paga, o abatimento do pre\u00e7o ou a rescis\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, as operadoras sustentam que a decis\u00e3o do Tribunal de origem, ao criar uma regra geral e abstrata de conduta, invadiu a compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a decis\u00e3o judicial que imp\u00f5e obriga\u00e7\u00e3o geral de &#8220;degusta\u00e7\u00e3o&#8221; do servi\u00e7o por prazo determinado a todas as operadoras de telefonia extrapola a fun\u00e7\u00e3o jurisdicional e invade a esfera de compet\u00eancia regulat\u00f3ria da ANATEL, violando a Lei n. 9.472\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o art. 19, X, da Lei Geral de Telecomunica\u00e7\u00f5es, compete exclusivamente \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es expedir normas sobre presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es, incluindo defini\u00e7\u00e3o de prazos, condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o e direitos espec\u00edficos dos usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a cria\u00e7\u00e3o de norma de car\u00e1ter geral e abstrato pelo Poder Judici\u00e1rio, modificando condi\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os para todo um setor econ\u00f4mico, viola o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos poderes e a compet\u00eancia legalmente atribu\u00edda \u00e0 ag\u00eancia reguladora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-acao-de-alimentos-abandono-da-causa-e-nomeacao-de-curador-especial\">6. A\u00e7\u00e3o de alimentos \u2013 abandono da causa e nomea\u00e7\u00e3o de curador especial<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante da relev\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o de alimentos ajuizada em favor de crian\u00e7as e adolescentes, o abandono da causa por seu representante legal <strong>n\u00e3o enseja a extin\u00e7\u00e3o do processo<\/strong>, devendo o juiz nomear curador especial ao menor, preferencialmente a Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o de alimentos em nome de seus dois filhos menores contra o pai, Tib\u00farcio. Ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o, Crementina simplesmente sumiu: n\u00e3o compareceu \u00e0s audi\u00eancias, n\u00e3o respondeu \u00e0s intima\u00e7\u00f5es e abandonou completamente o processo. O juiz, diante do abandono, extinguiu o feito sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito. A Defensoria P\u00fablica recorreu, alegando que os interesses das crian\u00e7as n\u00e3o poderiam ser prejudicados pela in\u00e9rcia da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ECA, art. 142, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (nomea\u00e7\u00e3o de curador especial ao menor).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 72, I<\/strong><em> (curador especial ao incapaz sem representante).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 227<\/strong><em> (prote\u00e7\u00e3o integral \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Quando o representante legal do menor abandona a a\u00e7\u00e3o de alimentos, configura-se <strong>conflito de interesses<\/strong> entre o representante e o representado, ensejando a nomea\u00e7\u00e3o de curador especial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A Defensoria P\u00fablica exerce a fun\u00e7\u00e3o de curadoria especial como <strong>atribui\u00e7\u00e3o institucional<\/strong>, nos termos da LC 80\/1994, devendo ser preferencialmente nomeada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O abandono da a\u00e7\u00e3o de alimentos pela m\u00e3e <strong>n\u00e3o pode prejudicar o direito dos filhos menores \u00e0 presta\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia<\/strong>. A Turma fundamentou que o direito a alimentos \u00e9 indispon\u00edvel, irrenunci\u00e1vel e imprescrit\u00edvel quando se trata de crian\u00e7as e adolescentes, de modo que a in\u00e9rcia do representante legal n\u00e3o tem o cond\u00e3o de extinguir o processo sem que sejam adotadas medidas para a prote\u00e7\u00e3o dos interesses dos menores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O abandono processual pela m\u00e3e configura <strong>hip\u00f3tese de conflito de interesses entre o representante legal e o menor<\/strong>, prevista tanto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 142 do ECA quanto no art. 72, I, do CPC. Quando a m\u00e3e, ao abandonar a causa, deixa de perseguir o direito alimentar dos filhos, seus interesses divergem dos interesses das crian\u00e7as, justificando a interven\u00e7\u00e3o de curador especial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Turma fez refer\u00eancia expressa ao <strong>princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral (CF, art. 227)<\/strong>, que imp\u00f5e ao Estado, \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 sociedade o dever de assegurar \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Extinguir o processo por abandono da m\u00e3e significaria transferir para a crian\u00e7a as consequ\u00eancias da conduta omissiva de seu representante legal, o que \u00e9 vedado pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A <strong>Defensoria P\u00fablica deve ser preferencialmente nomeada como curadora especial<\/strong>, em raz\u00e3o de sua atribui\u00e7\u00e3o institucional prevista na LC 80\/1994. A Defensoria possui estrutura e expertise para assumir a condu\u00e7\u00e3o do processo e garantir que o direito alimentar das crian\u00e7as seja efetivamente tutelado, sem depender da colabora\u00e7\u00e3o do representante legal que se mostrou negligente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a a\u00e7\u00e3o de alimentos ajuizada em favor de menores, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O abandono da a\u00e7\u00e3o de alimentos pela genitora enseja a extin\u00e7\u00e3o do processo por desist\u00eancia t\u00e1cita.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O juiz deve extinguir o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito quando o representante legal abandona a causa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A nomea\u00e7\u00e3o de curador especial \u00e9 faculdade do juiz, n\u00e3o havendo obrigatoriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O direito a alimentos de crian\u00e7as e adolescentes pode ser prejudicado pela in\u00e9rcia do representante legal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A Defensoria P\u00fablica n\u00e3o pode ser nomeada curadora especial em a\u00e7\u00f5es de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Terceira Turma, diante do abandono, o juiz deve nomear curador especial, n\u00e3o extinguir o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ determinou que o processo n\u00e3o deve ser extinto, mas sim que seja nomeado curador especial.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A nomea\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria quando configurado conflito de interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral impede que a crian\u00e7a seja prejudicada pela conduta da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A Defensoria tem atribui\u00e7\u00e3o institucional para exercer curadoria especial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc A\u00e7\u00e3o de alimentos \u2013 abandono pela m\u00e3e<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Direito a alimentos: indispon\u00edvel e irrenunci\u00e1vel<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Abandono da m\u00e3e \u2260 extin\u00e7\u00e3o do processo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Conflito de interesses \u2192 curador especial<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Defensoria P\u00fablica: curadora especial preferencial<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral (CF, art. 227)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir se a conduta da representante legal do infante, ao abandonar a\u00e7\u00e3o de alimentos em favor do filho, enseja a atua\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica como curadora especial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se que, sempre que a crian\u00e7a ou o adolescente encontrar-se sem representante ou assistente legal &#8211; isto \u00e9, se n\u00e3o estiver sob a autoridade parental dos pais e n\u00e3o possuir tutor ou curador, ainda que por raz\u00e3o eventual &#8211; ser-lhe-\u00e1 nomeado curador especial. O mesmo ocorrer\u00e1 diante da exist\u00eancia de conflito de interesses de crian\u00e7as e adolescentes com os de seu representante legal, conforme orientam os arts. 72, I, do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC e 142, par\u00e1grafo \u00fanico, do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; ECA.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se, pois, de norma protetiva aos interesses de crian\u00e7as e adolescentes, a fim de resguardar seus direitos fundamentais. Quando considerados os interesses de crian\u00e7as e adolescentes, todo o arcabou\u00e7o legal que orienta a pr\u00e1tica do Poder Judici\u00e1rio submete-se ao princ\u00edpio do seu melhor interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por\u00e9m, a nomea\u00e7\u00e3o de curador especial n\u00e3o ser\u00e1 autom\u00e1tica. A an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o em concreto dever\u00e1 determinar a necessidade de nomea\u00e7\u00e3o de curador especial, a fim de zelar pelo melhor interesse de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 dever dos pais e m\u00e3es primar pela preserva\u00e7\u00e3o dos direitos de seus filhos, representando-os judicialmente na hip\u00f3tese de a\u00e7\u00e3o que busca o implemento de obriga\u00e7\u00e3o alimentar. Diante da relev\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o de alimentos ajuizada em favor de crian\u00e7as e adolescentes, o abandono da causa por seu representante legal configura conflito de interesses apto a autorizar a nomea\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica como curadora especial do alimentando.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, em recente julgamento da Terceira Turma do STJ, concluiu-se que &#8220;o abandono da causa em que postula a declara\u00e7\u00e3o de paternidade e a condena\u00e7\u00e3o a alimentos implica o reconhecimento do conflito de interesses entre os da m\u00e3e e os da crian\u00e7a ou adolescente, justificando a nomea\u00e7\u00e3o de curador especial&#8221; (REsp 2040310\/MT, Terceira Turma, DJe 15\/8\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a des\u00eddia da genitora em proceder com a demanda de interesse do filho vai de encontro \u00e0 sua prote\u00e7\u00e3o integral, n\u00e3o podendo a crian\u00e7a ter seu direito \u00e0 subsist\u00eancia prejudicado pela neglig\u00eancia de seu representante. Assim, configurado o conflito de interesses do representante legal em raz\u00e3o de sua in\u00e9rcia, \u00e9 do melhor interesse do alimentando a nomea\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica como curadora especial, a fim de dar prosseguimento \u00e0 demanda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-honorarios-sucumbenciais-cumulacao-de-bases-de-calculo\">7. Honor\u00e1rios sucumbenciais \u2013 cumula\u00e7\u00e3o de bases de c\u00e1lculo<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC <strong>n\u00e3o impede a cumula\u00e7\u00e3o das bases de c\u00e1lculo<\/strong> dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais, sendo poss\u00edvel fix\u00e1-los sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o e sobre o proveito econ\u00f4mico obtido.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.168.312-PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 3\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Beltrano S.A. ajuizou a\u00e7\u00e3o de natureza d\u00faplice contra Fulano LTDA, cumulando pedido declarat\u00f3rio (inexigibilidade de d\u00e9bito de R$ 500 mil) com pedido indenizat\u00f3rio (danos de R$ 200 mil). Fulano perdeu tudo: o d\u00e9bito foi declarado inexig\u00edvel e a indeniza\u00e7\u00e3o concedida. O juiz fixou honor\u00e1rios apenas sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o (R$ 200 mil). Beltrano recorreu, pedindo que os honor\u00e1rios incidissem tamb\u00e9m sobre o proveito econ\u00f4mico da declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 85, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (bases de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios sucumbenciais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 85, \u00a7 6\u00ba<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 292<\/strong><em> (cumula\u00e7\u00e3o de pedidos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Em demandas de natureza d\u00faplice com pedidos cumulados, cada pretens\u00e3o possui <strong>base de c\u00e1lculo aut\u00f4noma<\/strong> para fins de honor\u00e1rios, admitindo-se a cumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A jurisprud\u00eancia do STJ j\u00e1 reconhecia a possibilidade de fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios sobre <strong>bases distintas em demandas com pedidos heterog\u00eaneos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma analisou se, em demandas de natureza d\u00faplice com pedidos declarat\u00f3rio e condenat\u00f3rio cumulados, \u00e9 poss\u00edvel <strong>cumular as bases de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios<\/strong>. O art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC estabelece que os honor\u00e1rios ser\u00e3o fixados entre 10% e 20% sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, do proveito econ\u00f4mico ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-los, sobre o valor atualizado da causa. A Turma entendeu que essas bases n\u00e3o s\u00e3o mutuamente excludentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Quando h\u00e1 <strong>cumula\u00e7\u00e3o de pedidos de natureza diversa<\/strong>, cada pretens\u00e3o gera um resultado econ\u00f4mico aut\u00f4nomo. No caso, a declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade do d\u00e9bito gerou proveito econ\u00f4mico de R$ 500 mil (valor que o autor deixou de pagar), enquanto a condena\u00e7\u00e3o em danos gerou valor de R$ 200 mil. Fixar honor\u00e1rios apenas sobre uma das bases significaria remunerar parcialmente o trabalho do advogado vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Turma invocou o <strong>princ\u00edpio da causalidade e da sucumb\u00eancia plena<\/strong> para justificar a cumula\u00e7\u00e3o. Quem deu causa \u00e0 demanda e perdeu integralmente deve arcar com honor\u00e1rios proporcionais a todo o benef\u00edcio econ\u00f4mico obtido pela parte vencedora, e n\u00e3o apenas sobre uma parcela dele. A interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC frustraria a pr\u00f3pria finalidade remunerat\u00f3ria dos honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios (CPC, art. 85, \u00a7 14) e o <strong>princ\u00edpio da justa remunera\u00e7\u00e3o do advogado<\/strong> refor\u00e7am a conclus\u00e3o de que a cumula\u00e7\u00e3o das bases \u00e9 admiss\u00edvel. A Turma ressaltou que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios t\u00eam natureza alimentar e devem refletir adequadamente o trabalho desenvolvido pelo caus\u00eddico em todos os aspectos da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais em demandas com pedidos cumulados, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O CPC veda expressamente a cumula\u00e7\u00e3o de bases de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Os honor\u00e1rios devem ser fixados exclusivamente sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, ainda que haja proveito econ\u00f4mico adicional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o exclui automaticamente o proveito econ\u00f4mico como base de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 poss\u00edvel cumular as bases de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios quando h\u00e1 pedidos de natureza diversa, incidindo sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o e sobre o proveito econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A cumula\u00e7\u00e3o de bases de c\u00e1lculo \u00e9 admitida apenas quando expressamente requerida na peti\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O CPC n\u00e3o veda a cumula\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, a Terceira Turma reconheceu sua admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ admitiu a incid\u00eancia sobre ambas as bases quando h\u00e1 proveito econ\u00f4mico adicional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. As bases s\u00e3o aut\u00f4nomas e n\u00e3o se excluem mutuamente.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A Terceira Turma reconheceu a possibilidade de cumula\u00e7\u00e3o das bases em demandas com pedidos heterog\u00eaneos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A cumula\u00e7\u00e3o decorre da natureza dos pedidos, independentemente de requerimento expresso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Honor\u00e1rios \u2013 cumula\u00e7\u00e3o de bases de c\u00e1lculo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd CPC, art. 85, \u00a7 2\u00ba \u2013 bases n\u00e3o excludentes<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Pedidos de natureza diversa = bases aut\u00f4nomas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Princ\u00edpio da causalidade e sucumb\u00eancia plena<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Justa remunera\u00e7\u00e3o do advogado (natureza alimentar)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Veda\u00e7\u00e3o \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o refor\u00e7a cumula\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se, em demandas de natureza d\u00faplice (pretens\u00f5es declarat\u00f3ria e indenizat\u00f3ria), \u00e9 poss\u00edvel cumular as bases de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais, considerando tanto o valor da condena\u00e7\u00e3o quanto o proveito econ\u00f4mico obtido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pela dic\u00e7\u00e3o do art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC, verifica-se que n\u00e3o h\u00e1 impedimento para cumula\u00e7\u00e3o, na base de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios, do valor da condena\u00e7\u00e3o e do proveito econ\u00f4mico obtido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O \u00fanico elemento subsidi\u00e1rio refere-se ao valor da causa, que apenas incidir\u00e1 se n\u00e3o houver valor de condena\u00e7\u00e3o ou proveito econ\u00f4mico obtido, os quais se situam na mesma categoria, sem ordem l\u00f3gica de exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, \u00e9 comum que em a\u00e7\u00f5es contratuais haja condena\u00e7\u00e3o em dano moral, a ensejar honor\u00e1rios sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, e declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade do d\u00e9bito, a ensejar honor\u00e1rios sobre o valor do proveito econ\u00f4mico obtido (valor da inexigibilidade da d\u00edvida).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por serem aut\u00f4nomas e apresentarem naturezas distintas, as duas bases de c\u00e1lculo s\u00e3o som\u00e1veis, e n\u00e3o excludentes, n\u00e3o havendo bis in idem. Ali\u00e1s, as duas bases (pretens\u00e3o declarat\u00f3ria e pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria) deveriam representar, juntas, o valor adequado da causa, que deve corresponder ao &#8220;conte\u00fado patrimonial em discuss\u00e3o ou ao proveito econ\u00f4mico perseguido pelo autor&#8221; (art. 292, \u00a7 3\u00ba, CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a senten\u00e7a apresenta dois cap\u00edtulos aut\u00f4nomos: (i) a declara\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia do d\u00e9bito e da contrata\u00e7\u00e3o; (ii) a condena\u00e7\u00e3o em danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por\u00e9m, o magistrado de primeiro grau fixou os honor\u00e1rios apenas em rela\u00e7\u00e3o ao valor da condena\u00e7\u00e3o, em viola\u00e7\u00e3o do art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC, haja vista que tamb\u00e9m deveriam incluir o proveito econ\u00f4mico obtido (valor do contrato).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-reducao-de-limite-de-cartao-ausencia-de-dano-moral-presumido\">8. Redu\u00e7\u00e3o de limite de cart\u00e3o \u2013 aus\u00eancia de dano moral presumido<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A simples redu\u00e7\u00e3o do limite do cart\u00e3o de cr\u00e9dito sem pr\u00e9via comunica\u00e7\u00e3o ao consumidor <strong>n\u00e3o gera, por si s\u00f3, dano moral presumido<\/strong> (in re ipsa).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.215.427-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Florinda, cliente h\u00e1 15 anos do Banco Dinheir\u00e3o, teve seu limite de cart\u00e3o de cr\u00e9dito reduzido de R$ 20 mil para R$ 5 mil, sem qualquer aviso pr\u00e9vio. Ao tentar fazer uma compra de R$ 5 mil para seu filho Kiko, teve o cart\u00e3o recusado na frente de outros clientes. Constrangida, ajuizou a\u00e7\u00e3o de danos morais alegando que a redu\u00e7\u00e3o unilateral e sem comunica\u00e7\u00e3o gerou dano moral in re ipsa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 14<\/strong><em> (responsabilidade objetiva do fornecedor de servi\u00e7os).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 6\u00ba, III<\/strong><em> (direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CMN n. 4.893\/2021<\/strong><em> (pol\u00edtica de cr\u00e9dito das institui\u00e7\u00f5es financeiras).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A redu\u00e7\u00e3o do limite de cr\u00e9dito insere-se no \u00e2mbito da pol\u00edtica de cr\u00e9dito da institui\u00e7\u00e3o financeira, que possui <strong>discricionariedade para gerir o risco<\/strong> das opera\u00e7\u00f5es, embora deva observar o dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aus\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via pode configurar falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, mas n\u00e3o necessariamente gera dano moral presumido, exigindo-se a <strong>demonstra\u00e7\u00e3o concreta do preju\u00edzo<\/strong> extrapatrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma enfrentou a quest\u00e3o da <strong>natureza do dano moral decorrente da redu\u00e7\u00e3o unilateral do limite do cart\u00e3o de cr\u00e9dito<\/strong>. A Turma reconheceu que a institui\u00e7\u00e3o financeira tem o direito de ajustar os limites de cr\u00e9dito de acordo com sua pol\u00edtica de risco, exercendo prerrogativa contratual prevista nos termos de ades\u00e3o. No entanto, esse direito deve ser exercido com transpar\u00eancia e respeito ao dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ distinguiu a situa\u00e7\u00e3o da <strong>inscri\u00e7\u00e3o indevida em cadastro de inadimplentes<\/strong> \u2013 que gera dano moral in re ipsa \u2013 da mera redu\u00e7\u00e3o de limite de cr\u00e9dito. Enquanto a negativa\u00e7\u00e3o indevida atinge diretamente a honra e a imagem do consumidor perante terceiros, a redu\u00e7\u00e3o do limite, embora inconveniente, n\u00e3o possui a mesma gravidade objetiva e n\u00e3o gera, automaticamente, presun\u00e7\u00e3o de dano moral.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A <strong>aus\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via configura falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o<\/strong> (CDC, art. 14), pois o consumidor tem o direito de ser informado sobre altera\u00e7\u00f5es em seu contrato. No entanto, essa falha, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente para configurar dano moral presumido. O consumidor deve demonstrar situa\u00e7\u00e3o concreta de constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o ou preju\u00edzo \u00e0 sua dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso concreto, embora a falta de comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via fosse censur\u00e1vel, o <strong>dano moral dependia de prova do efetivo constrangimento<\/strong>. A Turma ressaltou que nem todo descumprimento contratual gera dano moral, sendo necess\u00e1rio que a conduta ultrapasse os limites do mero aborrecimento e atinja efetivamente a esfera da dignidade do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da redu\u00e7\u00e3o do limite de cart\u00e3o de cr\u00e9dito e do dano moral, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A redu\u00e7\u00e3o do limite de cart\u00e3o de cr\u00e9dito sem comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via gera dano moral in re ipsa.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A institui\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o pode reduzir o limite de cart\u00e3o de cr\u00e9dito unilateralmente.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A redu\u00e7\u00e3o do limite do cart\u00e3o sem comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o gera dano moral presumido, exigindo-se prova concreta do preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A redu\u00e7\u00e3o do limite de cr\u00e9dito equipara-se \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o indevida em cadastro de inadimplentes para fins de dano moral.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O dever de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica \u00e0 mera redu\u00e7\u00e3o de limite de cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STJ afastou expressamente a tese do dano moral in re ipsa nessa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A institui\u00e7\u00e3o tem discricionariedade para gerir sua pol\u00edtica de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A Terceira Turma exigiu a demonstra\u00e7\u00e3o concreta do preju\u00edzo extrapatrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STJ diferenciou expressamente as duas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O dever de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel, embora sua viola\u00e7\u00e3o n\u00e3o gere automaticamente dano moral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u2013 redu\u00e7\u00e3o de limite<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Discricionariedade da institui\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o de risco<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Dever de informa\u00e7\u00e3o (comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aus\u00eancia de dano moral in re ipsa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Necessidade de prova concreta do constrangimento<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Distin\u00e7\u00e3o: negativa\u00e7\u00e3o indevida \u00d7 redu\u00e7\u00e3o de limite<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em decidir se a simples redu\u00e7\u00e3o do limite do cart\u00e3o de cr\u00e9dito sem pr\u00e9via comunica\u00e7\u00e3o ao consumidor gera dano moral presumido (in re ipsa).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o art. 14 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor &#8211; CDC, o fornecedor de servi\u00e7os responde, independentemente da exist\u00eancia de culpa, pela repara\u00e7\u00e3o dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos \u00e0 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, bem como por informa\u00e7\u00f5es insuficientes ou inadequadas sobre sua frui\u00e7\u00e3o e riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por seu turno, a Resolu\u00e7\u00e3o n. 96\/2021 do BACEN, alterada pela Resolu\u00e7\u00e3o BCB n. 365\/2023, que disp\u00f5e sobre a abertura, a manuten\u00e7\u00e3o e o encerramento de contas de pagamento, estabelece que o consumidor deve ser informado acerca da redu\u00e7\u00e3o dos limites de cr\u00e9dito em conta de pagamento p\u00f3s-paga.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a aus\u00eancia de pr\u00e9via comunica\u00e7\u00e3o do consumidor acerca da redu\u00e7\u00e3o do limite configura falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o banc\u00e1rio, pass\u00edvel de fiscaliza\u00e7\u00e3o e san\u00e7\u00e3o pelos \u00f3rg\u00e3os administrativos competentes, como o BACEN, e pelo Judici\u00e1rio, quando cab\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar da inobserv\u00e2ncia da normativa, como regra, o reconhecimento do dano moral indeniz\u00e1vel pressup\u00f5e a demonstra\u00e7\u00e3o de les\u00e3o efetiva aos direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Somente em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite o arbitramento de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral sem a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos (in re ipsa), mormente nas hip\u00f3teses em que o fato ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano e configura evidente viola\u00e7\u00e3o a direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, n\u00e3o se presume a ocorr\u00eancia de viola\u00e7\u00e3o a direitos da personalidade (dano moral in re ipsa) pela simples redu\u00e7\u00e3o do limite do cart\u00e3o de cr\u00e9dito sem pr\u00e9via comunica\u00e7\u00e3o ao consumidor. Embora haja a falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, o fato n\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o \u00e0 honra, imagem ou dignidade do consumidor, traduzindo mero dissabor decorrente da rela\u00e7\u00e3o contratual e da autonomia da institui\u00e7\u00e3o de rever os limites de cr\u00e9dito segundo crit\u00e9rios objetivos de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diversamente, quando tal conduta estiver associada a elementos que demonstrem efetivo preju\u00edzo, a exemplo de negativa vexat\u00f3ria, humilha\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o indevida ou constrangimento gerado pela impossibilidade de realizar compras espec\u00edficas e determinadas, poder\u00e1 caracterizar dano moral indeniz\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-sucessao-empresarial-fraudulenta-desnecessidade-de-incidente-de-desconsideracao\">9. Sucess\u00e3o empresarial fraudulenta \u2013 desnecessidade de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Admite-se, em regra, que o ju\u00edzo em que se processa a execu\u00e7\u00e3o, ou cumprimento de senten\u00e7a, proceda ao exame quanto \u00e0 presen\u00e7a ou n\u00e3o dos elementos indicativos da sucess\u00e3o empresarial, <strong>sem a necessidade de instaura\u00e7\u00e3o de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.230.998-SP, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Empresa Alpha LTDA foi condenada a pagar R$ 2 milh\u00f5es a um fornecedor. Durante o cumprimento de senten\u00e7a, verificou-se que a Alpha havia sido dissolvida irregularmente e todos os seus ativos, clientes e funcion\u00e1rios foram absorvidos pela Beta S.A., empresa constitu\u00edda pelos mesmos s\u00f3cios. O fornecedor pediu ao ju\u00edzo que reconhecesse a sucess\u00e3o empresarial fraudulenta e redirecionasse a execu\u00e7\u00e3o contra a Beta. O juiz indeferiu, exigindo a instaura\u00e7\u00e3o de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica (arts. 133-137 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 1.113 a 1.122<\/strong><em> (transforma\u00e7\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o e cis\u00e3o de sociedades).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 133-137<\/strong><em> (incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CLT, art. 10<\/strong><em> (sucess\u00e3o empresarial trabalhista).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Os institutos da sucess\u00e3o empresarial e da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica <strong>n\u00e3o se confundem<\/strong>, possuindo pressupostos, finalidades e procedimentos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A sucess\u00e3o empresarial fraudulenta <strong>dispensa a comprova\u00e7\u00e3o formal<\/strong> dos requisitos da desconsidera\u00e7\u00e3o, bastando a demonstra\u00e7\u00e3o de que houve transfer\u00eancia irregular de atividades, ativos e passivos entre sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma diferenciou os institutos da <strong>sucess\u00e3o empresarial e da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica<\/strong>. Na desconsidera\u00e7\u00e3o, busca-se atingir o patrim\u00f4nio dos s\u00f3cios ou de outra pessoa jur\u00eddica do mesmo grupo, afastando a autonomia patrimonial da sociedade. Na sucess\u00e3o empresarial, por outro lado, a responsabilidade decorre da continuidade da atividade econ\u00f4mica por outra entidade, que assume os d\u00e9bitos da sucedida por for\u00e7a de lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A <strong>sucess\u00e3o empresarial fraudulenta dispensa a instaura\u00e7\u00e3o de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o<\/strong>. A Turma fundamentou que o incidente dos arts. 133-137 do CPC foi concebido especificamente para a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica (art. 50 do CC), e n\u00e3o para a sucess\u00e3o empresarial, que possui natureza jur\u00eddica distinta e pode ser reconhecida diretamente pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A sucess\u00e3o empresarial fraudulenta ocorre quando a figura da sucess\u00e3o, <strong>prevista de forma leg\u00edtima no C\u00f3digo Civil, \u00e9 desvirtuada por opera\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias escusas<\/strong>, como a dissolu\u00e7\u00e3o irregular seguida de constitui\u00e7\u00e3o de nova empresa com os mesmos s\u00f3cios, atividades, clientes e funcion\u00e1rios. Nesses casos, a caracteriza\u00e7\u00e3o da fraude dispensa a comprova\u00e7\u00e3o formal dos requisitos do art. 50 do CC (confus\u00e3o patrimonial ou desvio de finalidade).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Uma vez comprovada a sucess\u00e3o empresarial fraudulenta, a <strong>sociedade adquirente responde solidariamente pelos d\u00e9bitos da sucedida<\/strong>, podendo o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o determinar diretamente a inclus\u00e3o da sucessora no polo passivo, garantidos o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, mas sem a necessidade do procedimento formal do incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a sucess\u00e3o empresarial fraudulenta no \u00e2mbito do cumprimento de senten\u00e7a, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A sucess\u00e3o empresarial fraudulenta exige a instaura\u00e7\u00e3o de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A sucess\u00e3o empresarial pode ser reconhecida diretamente pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, dispensando o incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica e a sucess\u00e3o empresarial s\u00e3o institutos equivalentes, considerando compartilharem os pressupostos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A sociedade sucessora responde subsidiariamente pelos d\u00e9bitos da sucedida.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O reconhecimento da sucess\u00e3o empresarial despede contradit\u00f3rio e ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STJ afirmou expressamente que o incidente \u00e9 desnecess\u00e1rio para a sucess\u00e3o empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A Terceira Turma reconheceu que a sucess\u00e3o pode ser apreciada diretamente pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STJ diferenciou expressamente os dois institutos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A responsabilidade \u00e9 solid\u00e1ria, n\u00e3o subsidi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O contradit\u00f3rio e a ampla defesa s\u00e3o garantidos, apenas o procedimento formal \u00e9 dispensado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Sucess\u00e3o empresarial fraudulenta<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sucess\u00e3o \u2260 desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Dispensa incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Reconhecimento direto pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Responsabilidade solid\u00e1ria da sucessora<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Garantia de contradit\u00f3rio e ampla defesa<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a saber se \u00e9 necess\u00e1ria a instaura\u00e7\u00e3o de incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica para a aprecia\u00e7\u00e3o de pedido de redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fundado em sucess\u00e3o empresarial irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os institutos da sucess\u00e3o empresarial e o da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica n\u00e3o se confundem, tendo em vista que, no primeiro, a responsabilidade do sucessor resulta de simples previs\u00e3o legal associada \u00e0 exist\u00eancia de um neg\u00f3cio jur\u00eddico celebrado entre sucessor e sucedido, seja ele formal ou n\u00e3o, ao passo que, no segundo, deriva de atos praticados com abuso da personalidade jur\u00eddica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confus\u00e3o patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A sucess\u00e3o empresarial informal, irregular ou fraudulenta ocorre quando a figura da sucess\u00e3o empresarial, prevista de forma leg\u00edtima no C\u00f3digo Civil, \u00e9 deturpada para funcionar como mecanismo de blindagem patrimonial, mediante transfer\u00eancia de estabelecimento, fundo de com\u00e9rcio, bens ou atividade empresarial com a inten\u00e7\u00e3o de frustrar credores ou escapar de responsabilidades j\u00e1 constitu\u00eddas ou em vias de constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a caracteriza\u00e7\u00e3o de sucess\u00e3o empresarial fraudulenta, marcada pela realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias escusas, dispensa a comprova\u00e7\u00e3o formal da transfer\u00eancia de bens, direitos e obriga\u00e7\u00f5es \u00e0 nova sociedade, admitindo-se sua presun\u00e7\u00e3o quando os elementos indiquem a presen\u00e7a, por exemplo, de ind\u00edcios de que houve o prosseguimento na explora\u00e7\u00e3o da mesma atividade econ\u00f4mica, no mesmo endere\u00e7o e com o mesmo objeto social.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma vez comprovada a sucess\u00e3o empresarial, sobretudo se promovida \u00e0s margens da lei, passa a sociedade adquirente a responder solidariamente pelos d\u00e9bitos da empresa sucedida, mesmo os contra\u00eddos anteriormente \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, diante da amplitude de questionamentos pass\u00edveis de serem feitos na sucess\u00e3o empresarial irregular, admite-se, em regra, que o ju\u00edzo em que se processa o cumprimento de senten\u00e7a proceda ao exame quanto \u00e0 presen\u00e7a ou n\u00e3o de elementos indicativos de sucess\u00e3o empresarial fraudulenta, sem a necessidade de instaura\u00e7\u00e3o do incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica ou de qualquer outro incidente em apartado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-desnecessidade-de-fianca-bancaria-sobre-valor-incontroverso\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; desnecessidade de fian\u00e7a banc\u00e1ria sobre valor incontroverso<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No cumprimento definitivo de senten\u00e7a, <strong>n\u00e3o bastam a mera refer\u00eancia ao poder geral de cautela do Ju\u00edzo e a simples alega\u00e7\u00e3o de que a execu\u00e7\u00e3o versa sobre valor elevado<\/strong> para exigir do exequente a apresenta\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a banc\u00e1ria como condi\u00e7\u00e3o para o levantamento de valor incontroverso.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.167.952-PE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agroneg\u00f3cio Sertanejo S.A. obteve senten\u00e7a condenat\u00f3ria em a\u00e7\u00e3o revisional de c\u00e9dula rural contra o Banco do Campo, no valor de R$ 15 milh\u00f5es. Na fase de cumprimento definitivo, havia R$ 10 milh\u00f5es incontroversos. A Sertanejo requereu o levantamento imediato desse valor. O Banco pediu ao juiz que condicionasse o levantamento \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a banc\u00e1ria, alegando risco de irreversibilidade diante do valor elevado. O juiz deferiu o pedido do Banco com base no poder geral de cautela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 520, IV<\/strong><em> (cumprimento provis\u00f3rio e cau\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 523<\/strong><em> (cumprimento definitivo de senten\u00e7a).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 300<\/strong><em> (poder geral de cautela).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda No cumprimento definitivo, o t\u00edtulo executivo j\u00e1 transitou em julgado, de modo que a exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o \u00e9 <strong>excepcional e deve ser fundamentada concretamente<\/strong>, n\u00e3o bastando alega\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A jurisprud\u00eancia do STJ tem evolu\u00eddo no sentido de prestigiar a <strong>efetividade da execu\u00e7\u00e3o<\/strong>, afastando exig\u00eancias desproporcionais que dificultem o acesso do credor ao seu cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Terceira Turma analisou se o ju\u00edzo pode exigir fian\u00e7a banc\u00e1ria para o levantamento de valor incontroverso em <strong>cumprimento definitivo de senten\u00e7a<\/strong>. A Turma concluiu que, nessa fase processual, o t\u00edtulo j\u00e1 transitou em julgado e o cr\u00e9dito do exequente est\u00e1 consolidado, de modo que a imposi\u00e7\u00e3o de garantias para o levantamento de valores incontroversos \u00e9 medida excepcional\u00edssima, que demanda fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e concreta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O <strong>poder geral de cautela n\u00e3o pode ser invocado de forma gen\u00e9rica<\/strong> para restringir o direito do exequente ao levantamento de valor incontroverso no cumprimento definitivo. A Turma ressaltou que o art. 520, IV, do CPC, que prev\u00ea a necessidade de cau\u00e7\u00e3o, aplica-se ao cumprimento provis\u00f3rio, e n\u00e3o ao definitivo, em que o direito do credor j\u00e1 foi reconhecido de forma irrecorr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Turma diferenciou a situa\u00e7\u00e3o do <strong>cumprimento provis\u00f3rio<\/strong> (em que a senten\u00e7a pode ser reformada e h\u00e1 risco de devolu\u00e7\u00e3o) <strong>do cumprimento definitivo<\/strong> (em que houve tr\u00e2nsito em julgado). No primeiro caso, a cau\u00e7\u00e3o se justifica para garantir a reversibilidade. No segundo, exigir fian\u00e7a banc\u00e1ria sobre valor incontroverso imp\u00f5e ao credor \u00f4nus desproporcional e incompat\u00edvel com o princ\u00edpio da efetividade da tutela jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A <strong>menor onerosidade ao executado n\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 efetividade da execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. A Turma citou precedentes no sentido de que &#8220;ao interpretar as normas que regem a execu\u00e7\u00e3o, deve-se extrair a maior efetividade poss\u00edvel ao processo&#8221;. O simples fato de o valor ser elevado n\u00e3o \u00e9 fundamento id\u00f4neo para restringir o direito do credor, sob pena de transformar o cumprimento definitivo em provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca do cumprimento definitivo de senten\u00e7a e a exig\u00eancia de fian\u00e7a banc\u00e1ria, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) No cumprimento definitivo, o poder geral de cautela autoriza a imposi\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a banc\u00e1ria sobre qualquer valor.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o no cumprimento definitivo \u00e9 regra geral, cabendo ao exequente demonstrar sua desnecessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O valor elevado da execu\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamento razo\u00e1vel para exigir fian\u00e7a banc\u00e1ria no cumprimento definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A fian\u00e7a banc\u00e1ria equivale \u00e0 cau\u00e7\u00e3o prevista no art. 520, IV, do CPC e pode ser exigida no cumprimento definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) No cumprimento definitivo, a exig\u00eancia de fian\u00e7a banc\u00e1ria sobre valor incontroverso demanda fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O poder geral de cautela n\u00e3o pode ser utilizado genericamente para restringir direitos do exequente.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. No cumprimento definitivo, a regra \u00e9 o levantamento sem cau\u00e7\u00e3o, sendo esta excepcional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O valor elevado, por si s\u00f3, n\u00e3o justifica a imposi\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O art. 520, IV, do CPC aplica-se ao cumprimento provis\u00f3rio, n\u00e3o ao definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> O STJ exigiu fundamenta\u00e7\u00e3o concreta e espec\u00edfica para a imposi\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a no cumprimento definitivo, n\u00e3o bastando o poder geral de cautela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Cumprimento definitivo \u2013 fian\u00e7a banc\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd T\u00edtulo com tr\u00e2nsito em julgado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Valor incontroverso: levantamento imediato<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Poder geral de cautela \u2260 restri\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Cumprimento provis\u00f3rio \u2260 cumprimento definitivo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Efetividade da execu\u00e7\u00e3o prevalece<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O prop\u00f3sito da controv\u00e9rsia consiste em decidir se \u00e9 poss\u00edvel exigir do exequente a apresenta\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a banc\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a valor incontroverso no cumprimento definitivo de senten\u00e7a com base no poder geral de cautela.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio analisar (I) se a fian\u00e7a banc\u00e1ria se enquadra na mesma esp\u00e9cie de cau\u00e7\u00e3o determinada pelo art. 520, IV, do CPC\/15; (II) se o poder geral de cautela do Ju\u00edzo possibilita a exig\u00eancia de fian\u00e7a banc\u00e1ria para a libera\u00e7\u00e3o de valores no cumprimento definitivo de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem evolu\u00eddo a respeito da tem\u00e1tica da cau\u00e7\u00e3o na fase de cumprimento definitivo de senten\u00e7a. Durante a vig\u00eancia do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973, a jurisprud\u00eancia se consolidou no sentido de que era desnecess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o. Posteriormente, surgiu o entendimento de que &#8220;com muito maior raz\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 de se exigir cau\u00e7\u00e3o quando se tratar de execu\u00e7\u00e3o definitiva com impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a recebida no efeito suspensivo. Isso porque o efeito suspensivo s\u00f3 alcan\u00e7a a parte controvertida da d\u00edvida&#8221; (REsp 1.069.189\/DF, Terceira Turma, DJe 17\/10\/2011).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o advento do CPC\/15, o entendimento do STJ progrediu no sentido de ser desnecess\u00e1ria a cau\u00e7\u00e3o pelo exequente quando se tratar de cumprimento definitivo de senten\u00e7a. Outrossim, a exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o no cumprimento provis\u00f3rio de senten\u00e7a \u00e9 determinada pelo inciso IV, do art. 520 do CPC\/15, e cumpre o papel de proteger o exequente diante da possibilidade de revers\u00e3o da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A fian\u00e7a banc\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 uma cau\u00e7\u00e3o em sentido amplo, mas uma esp\u00e9cie de garantia fidejuss\u00f3ria, na qual uma institui\u00e7\u00e3o financeira garante a restitui\u00e7\u00e3o ao estado anterior, na hip\u00f3tese de revers\u00e3o da decis\u00e3o que possibilitou ao exequente levantar os valores. Dessa forma, a fian\u00e7a banc\u00e1ria \u00e9 uma garantia menos gravosa que a cau\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o exige, num primeiro momento, um grande disp\u00eandio econ\u00f4mico do exequente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, a jurisprud\u00eancia do STJ compreende que &#8220;ao interpretar as normas que regem a execu\u00e7\u00e3o, deve-se extrair a maior efetividade poss\u00edvel ao procedimento execut\u00f3rio&#8221; (REsp 1.851.436\/PR, Terceira Turma, DJe 11\/2\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mesma linha, a Terceira Turma do STJ entende que &#8220;a menor onerosidade ao executado n\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 efetividade da execu\u00e7\u00e3o&#8221; (REsp 1.953.667\/SP, Terceira Turma, DJe 13\/12\/2021). Nesse aspecto, no cumprimento definitivo de senten\u00e7a, n\u00e3o bastam a mera refer\u00eancia ao poder geral de cautela do Ju\u00edzo e a simples alega\u00e7\u00e3o de que a execu\u00e7\u00e3o versa sobre elevado valor para justificar a exig\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o de fian\u00e7a banc\u00e1ria sobre o valor incontroverso ao exequente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-lide-temeraria-responsabilidade-do-advogado-em-acao-propria\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lide temer\u00e1ria \u2013 responsabilidade do advogado em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados <strong>n\u00e3o est\u00e3o sujeitos \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de pena processual por sua atua\u00e7\u00e3o profissional<\/strong>, devendo a sua responsabilidade pelo ajuizamento de lide temer\u00e1ria ser apurada em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.197.464-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Astolfo, advogado, ajuizou a\u00e7\u00e3o em nome de cliente, cujo pedido foi julgado improcedente com reconhecimento de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9. O juiz, al\u00e9m de condenar o cliente nas penas do art. 81 do CPC, condenou solidariamente o advogado Dr. Astolfo ao pagamento da multa por litig\u00e2ncia temer\u00e1ria, entendendo que o profissional tinha plena ci\u00eancia da improced\u00eancia do pedido. Dr. Astolfo recorreu ao STJ, alegando que n\u00e3o poderia ser punido processualmente por atos praticados no exerc\u00edcio da advocacia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 79-81<\/strong><em> (litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9 e suas san\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Estatuto da OAB (Lei n. 8.906\/1994), art. 32<\/strong><em> (responsabilidade do advogado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 133<\/strong><em> (inviolabilidade do advogado por atos e manifesta\u00e7\u00f5es no exerc\u00edcio da advocacia).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O Estatuto da OAB prev\u00ea que o advogado \u00e9 respons\u00e1vel pelos atos que praticar com dolo ou culpa no exerc\u00edcio profissional, mas essa <strong>responsabilidade deve ser apurada em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria<\/strong>, n\u00e3o no bojo do processo em que atuou.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A inviolabilidade do advogado (CF, art. 133) n\u00e3o \u00e9 absoluta, mas <strong>impede a aplica\u00e7\u00e3o direta de penas processuais<\/strong> ao profissional pelos atos praticados no exerc\u00edcio da advocacia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Os advogados <strong>n\u00e3o podem ser condenados diretamente a penas processuais por litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9<\/strong> nos processos em que atuam como representantes das partes. A Turma fundamentou que o Estatuto da OAB (art. 32) prev\u00ea regime pr\u00f3prio de responsabiliza\u00e7\u00e3o do advogado, que deve ser exercido em a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, garantidos o contradit\u00f3rio e a ampla defesa em procedimento adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ invocou a <strong>inviolabilidade do advogado prevista no art. 133 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong> como fundamento central da decis\u00e3o. Embora essa inviolabilidade n\u00e3o seja absoluta, ela garante que o advogado n\u00e3o seja penalizado diretamente no processo em que atua, pois isso poderia cercear sua liberdade de atua\u00e7\u00e3o profissional e comprometer o exerc\u00edcio pleno do direito de defesa do cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 <strong>P<\/strong><strong>ermitir a condena\u00e7\u00e3o direta do advogado em penas processuais criaria efeito inibit\u00f3rio (<em>chilling effec<\/em>t)<\/strong> sobre a advocacia, desencorajando profissionais de defender teses jur\u00eddicas inovadoras ou impopulares. A liberdade de postula\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial ao funcionamento do sistema de justi\u00e7a e n\u00e3o pode ser restringida pela amea\u00e7a de san\u00e7\u00f5es processuais diretas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A <strong>irresponsabilidade processual direta n\u00e3o equivale \u00e0 impunidade<\/strong>. O advogado que aju\u00edza lide temer\u00e1ria com dolo pode ser responsabilizado civilmente em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria (Estatuto da OAB, art. 32), bem como disciplinarmente perante o Tribunal de \u00c9tica da OAB. A decis\u00e3o apenas afasta a via processual direta como meio de sancionamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a responsabilidade do advogado por litig\u00e2ncia temer\u00e1ria, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O advogado pode ser condenado com a parte nas penas de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, se condenado em a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A inviolabilidade prevista no art. 133 da CF torna o advogado imune \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o por ato profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O advogado somente responde por atos praticados com dolo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A responsabilidade do advogado \u00e9 apurada em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, n\u00e3o no processo em que atuou como representante da parte.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O ajuizamento de a\u00e7\u00e3o com pedido improcedente n\u00e3o pode gerar a responsabilidade do advogado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A condena\u00e7\u00e3o direta do advogado em penas processuais no mesmo processo \u00e9 vedada, devendo-se apurar em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A inviolabilidade n\u00e3o \u00e9 absoluta; o advogado pode ser responsabilizado em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O Estatuto da OAB prev\u00ea responsabilidade por dolo ou culpa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta, mas esta \u00e9 a tese correta na sua ess\u00eancia. Por\u00e9m a alternativa A melhor reflete o entendimento do STJ no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A improced\u00eancia, por si s\u00f3, n\u00e3o gera responsabilidade do advogado, mas caso se afira a litig\u00e2ncia temer\u00e1ria, a responsabilidade \u00e9 em tese poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Lide temer\u00e1ria \u2013 responsabilidade do advogado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Advogado n\u00e3o sofre pena processual direta<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Responsabiliza\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria (EOAB, art. 32)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Inviolabilidade (CF, art. 133) \u2013 n\u00e3o absoluta<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Chilling effect: prote\u00e7\u00e3o da liberdade de postula\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Responsabilidade disciplinar perante a OAB<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se advogado pode ser condenado ao pagamento de honor\u00e1rios sucumbenciais no processo em que atuou como representante do autor mediante procura\u00e7\u00e3o falsificada e sem o seu conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao constatar a fraude, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias extinguiram o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, condenando o advogado ao pagamento dos \u00f4nus sucumbenciais, pelo princ\u00edpio da causalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, sobre a responsabilidade dos caus\u00eddicos, o art. 77, \u00a7 6\u00ba, do CPC determina que os advogados n\u00e3o est\u00e3o sujeitos \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de pena processual por sua atua\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eventual responsabilidade disciplinar decorrente de atos praticados no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es dever\u00e1 ser apurada pelo respectivo \u00f3rg\u00e3o de classe ou corregedoria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, verifica-se o ajuizamento de lide temer\u00e1ria, hip\u00f3tese que atrai a incid\u00eancia do art. 32 do Estatuto da OAB, pelo qual o advogado \u00e9 respons\u00e1vel pelos atos que, no exerc\u00edcio profissional, praticar com dolo ou culpa. O par\u00e1grafo \u00fanico do referido dispositivo legal disp\u00f5e que, em caso de lide temer\u00e1ria, o advogado ser\u00e1 solidariamente respons\u00e1vel com seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contr\u00e1ria, o que ser\u00e1 apurado em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, ainda que o advogado tenha proposto lide temer\u00e1ria, sua responsabilidade pelos \u00f4nus sucumbenciais deve ser apurada em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prescricao-penal-art-115-do-cp-e-acordao-que-altera-substancialmente-a-pena\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prescri\u00e7\u00e3o penal \u2013 art. 115 do CP e ac\u00f3rd\u00e3o que altera substancialmente a pena<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pelo art. 115 do C\u00f3digo Penal aplica-se quando o r\u00e9u possui mais de 70 anos na data do <strong>ac\u00f3rd\u00e3o que altera substancialmente a pena<\/strong>, e n\u00e3o apenas na data da senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 219.766-SP, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Madruga foi condenado em primeira inst\u00e2ncia a 4 anos de reclus\u00e3o, quando ainda tinha 68 anos de idade. O Minist\u00e9rio P\u00fablico apelou e o Tribunal aumentou a pena para 8 anos. Quando o ac\u00f3rd\u00e3o foi proferido, Seu Madruga j\u00e1 tinha 72 anos nas costas. A defesa arguiu a prescri\u00e7\u00e3o com base no art. 115 do CP (prazo prescricional reduzido pela metade para maiores de 70 anos), considerando a data do ac\u00f3rd\u00e3o \u2013 e n\u00e3o da senten\u00e7a \u2013 como marco temporal relevante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 115<\/strong><em> (redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pela metade para maiores de 70 anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 109<\/strong><em> (prazos prescricionais conforme a pena).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 110<\/strong><em> (prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 115 do CP refere-se ao r\u00e9u maior de 70 anos <strong>&#8216;na data da senten\u00e7a&#8217;<\/strong>, express\u00e3o que historicamente gerou controv\u00e9rsia sobre se abrange apenas a senten\u00e7a de primeiro grau ou tamb\u00e9m o ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A Sexta Turma adotou <strong>interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa<\/strong> do conceito de &#8216;senten\u00e7a&#8217; para incluir o ac\u00f3rd\u00e3o que altera substancialmente a pena, por ser este, na ess\u00eancia, uma nova decis\u00e3o condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Sexta Turma enfrentou a controv\u00e9rsia acerca do marco temporal para a aplica\u00e7\u00e3o do art. 115 do CP. A quest\u00e3o central era definir se a express\u00e3o <strong>&#8220;na data da senten\u00e7a&#8221; abrange o ac\u00f3rd\u00e3o que majora substancialmente a pena<\/strong>. A Turma, por maioria, concluiu que sim, adotando interpreta\u00e7\u00e3o que privilegia o princ\u00edpio da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e a prote\u00e7\u00e3o do idoso no sistema penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O ac\u00f3rd\u00e3o <strong>altera substancialmente a pena<\/strong> \u2013 como no caso, em que houve majora\u00e7\u00e3o de 4 para 8 anos \u2013, ele assume a natureza de verdadeira decis\u00e3o condenat\u00f3ria, substituindo a senten\u00e7a para todos os efeitos. Assim, se o r\u00e9u completa 70 anos antes do ac\u00f3rd\u00e3o que agrava sua situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 esse o marco temporal relevante para a redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Turma invocou o <strong>princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana e a prote\u00e7\u00e3o especial ao idoso<\/strong> como vetores interpretativos. O Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741\/2003) e a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal imp\u00f5em ao Estado o dever de tratamento diferenciado \u00e0 pessoa idosa, o que inclui o reconhecimento de que o decurso do tempo tem impacto maior sobre ela. A interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do art. 115 do CP frustraria a finalidade humanit\u00e1ria da norma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f N\u00e3o se pode criar <strong>situa\u00e7\u00e3o paradoxal em que a majora\u00e7\u00e3o da pena pelo Tribunal prejudica duplamente o r\u00e9u idoso<\/strong>: primeiro, aumentando a pena; segundo, impedindo a aplica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pelo fato de ele n\u00e3o ter completado 70 anos quando da senten\u00e7a de primeiro grau. A coer\u00eancia do sistema imp\u00f5e que o ac\u00f3rd\u00e3o substitutivo seja tratado como nova decis\u00e3o condenat\u00f3ria para todos os efeitos, inclusive para fins do art. 115 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a prescri\u00e7\u00e3o penal e a aplica\u00e7\u00e3o do art. 115 do C\u00f3digo Penal, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O art. 115 do CP aplica-se exclusivamente quando o r\u00e9u possui mais de 70 anos na data da senten\u00e7a de primeiro grau.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O STJ tem adotado <strong>um conceito estrito<\/strong> de &#8216;senten\u00e7a&#8217; para fins de an\u00e1lise de eventual prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O ac\u00f3rd\u00e3o que mant\u00e9m integralmente a senten\u00e7a condenat\u00f3ria equivale a nova senten\u00e7a para fins do art. 115 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional do art. 115 do CP aplica-se quando o r\u00e9u possui mais de 70 anos na data do ac\u00f3rd\u00e3o que altera substancialmente a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O art. 115 do CP n\u00e3o se aplica \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A Sexta Turma ampliou o conceito para incluir o ac\u00f3rd\u00e3o que altera substancialmente a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ tem adotado uma interpreta\u00e7\u00e3o bastante ampliativa do conceito de &#8216;senten\u00e7a&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A equival\u00eancia exige que o ac\u00f3rd\u00e3o altere substancialmente a pena, n\u00e3o apenas a mantenha.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A Sexta Turma reconheceu que o ac\u00f3rd\u00e3o substitutivo da senten\u00e7a \u00e9 o marco temporal relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O art. 115 do CP aplica-se tanto \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva quanto \u00e0 execut\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Prescri\u00e7\u00e3o \u2013 art. 115 do CP<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd &#8216;Senten\u00e7a&#8217; = inclui ac\u00f3rd\u00e3o que altera a pena<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ac\u00f3rd\u00e3o substitutivo = nova decis\u00e3o condenat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o ao idoso (dignidade + Estatuto do Idoso)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Veda\u00e7\u00e3o ao paradoxo da dupla prejudicialidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prescri\u00e7\u00e3o reduzida pela metade (&gt; 70 anos)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em determinar se o art. 115 do C\u00f3digo Penal, que reduz o prazo prescricional pela metade para r\u00e9us com mais de 70 anos, \u00e9 aplic\u00e1vel a partir da data do ac\u00f3rd\u00e3o que majorou a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para afastar o reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o, o Tribunal de origem entendeu que o disposto no art. 115 do C\u00f3digo Penal aplica-se quando o r\u00e9u possui mais de 70 anos na data da senten\u00e7a condenat\u00f3ria e que a aplica\u00e7\u00e3o desse artigo a partir do ac\u00f3rd\u00e3o exigiria que este n\u00e3o apenas majorasse a pena e alterasse o lapso prescricional, mas tamb\u00e9m modificasse a tipifica\u00e7\u00e3o conferida ao fato, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sucede que precedentes do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consideram que h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o do marco temporal para a contagem da prescri\u00e7\u00e3o, com a redu\u00e7\u00e3o prevista no art. 115 do C\u00f3digo Penal, quando o ac\u00f3rd\u00e3o proferido pelo Tribunal de apela\u00e7\u00e3o altera substancialmente a pena imposta pela senten\u00e7a monocr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outros julgados desta Corte tamb\u00e9m apontam que h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o substancial da senten\u00e7a quando o ac\u00f3rd\u00e3o majora a reprimenda de modo a alterar inclusive o prazo prescricional. Nesse sentido, o AgRg no AREsp 743.426\/DF, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 1\u00ba\/8\/2017 e o AgRg no REsp 1.481.022\/RS, rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, DJe 22\/10\/2018.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, constata-se que o r\u00e9u completou 70 anos antes do ac\u00f3rd\u00e3o que confirmou a senten\u00e7a condenat\u00f3ria, alterando-a de forma substancial, uma vez que majorou a pena de 4 anos para 5 anos, com agravamento do regime inicial, revoga\u00e7\u00e3o da substitui\u00e7\u00e3o por penas alternativas e modifica\u00e7\u00e3o do prazo prescricional, hip\u00f3tese que se enquadra nos precedentes deste Superior Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-461d41a3-7676-44cf-bffc-80af22ec1ca9\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/23025122\/stj_info_875_pt2.pdf\">STJ_Info_875_Pt2<\/a><a 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