{"id":1716949,"date":"2026-02-18T09:07:04","date_gmt":"2026-02-18T12:07:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1716949"},"modified":"2026-02-18T09:07:06","modified_gmt":"2026-02-18T12:07:06","slug":"informativo-stf-1203-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-1203-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1203 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/18090628\/stf-info-1203.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_xFq42Lqy958\"><div id=\"lyte_xFq42Lqy958\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/xFq42Lqy958\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/xFq42Lqy958\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/xFq42Lqy958\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-desestatizacao-da-eletrobras-acordo-sobre-a-limitacao-do-direito-de-voto-da-uniao\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras: acordo sobre a limita\u00e7\u00e3o do direito de voto da Uni\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional, <strong>desde que interpretada de forma sistem\u00e1tica e condicionada<\/strong>, a limita\u00e7\u00e3o legal do direito de voto da Uni\u00e3o a <strong>10% do capital votante da Eletrobras<\/strong>, prevista na <strong>Lei n\u00ba 14.182\/2021<\/strong>, quando acompanhada de <strong>mecanismos compensat\u00f3rios de governan\u00e7a<\/strong>, definidos em <strong>termo de concilia\u00e7\u00e3o homologado pelo STF<\/strong>, que asseguram \u00e0 Uni\u00e3o prerrogativas relevantes na <strong>indica\u00e7\u00e3o de membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o e do Conselho Fiscal<\/strong> da companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.385 Acordo\/DF, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 11\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No processo de desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, a Uni\u00e3o, apesar de manter participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria relevante, passou a ter seu direito de voto limitado a 10% por for\u00e7a de lei. Essa limita\u00e7\u00e3o gerou impasse institucional, pois a empresa continuava respons\u00e1vel por ativos estrat\u00e9gicos, como a Eletronuclear e a usina de Angra 3. Para evitar instabilidade na governan\u00e7a e prolongamento do conflito judicial, Uni\u00e3o e Eletrobras buscaram solu\u00e7\u00e3o consensual, submetendo ao STF um acordo que reequilibrasse a influ\u00eancia estatal sem restabelecer o controle acion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 14.182\/2021, art. 3\u00ba, III, \u201ca\u201d e \u201cb\u201d<\/strong> (<em>limita\u00e7\u00e3o do direito de voto a 10% e veda\u00e7\u00e3o de acordos de acionistas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 37, caput, e 173<\/strong> (<em>regime jur\u00eddico das empresas estatais e sociedades de economia mista<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 515, \u00a7 2\u00ba<\/strong> (<em>autocomposi\u00e7\u00e3o judicial pode versar sobre rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o deduzida em ju\u00edzo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei das S.A. (Lei n\u00ba 6.404\/1976), arts. 138, 161 e 162<\/strong> (<em>estrutura e compet\u00eancias dos \u00f3rg\u00e3os de administra\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras instituiu <strong>modelo at\u00edpico de governan\u00e7a<\/strong>, voltado \u00e0 <strong>dispers\u00e3o do controle acion\u00e1rio<\/strong> e \u00e0 <strong>neutraliza\u00e7\u00e3o de poderes hegem\u00f4nicos<\/strong>, inclusive do antigo acionista controlador.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A limita\u00e7\u00e3o do voto n\u00e3o elimina a presen\u00e7a estatal, mas <strong>reconfigura sua forma de atua\u00e7\u00e3o<\/strong>, deslocando a influ\u00eancia da Uni\u00e3o do plano do voto assemblear para o plano <strong>institucional da governan\u00e7a corporativa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A autocomposi\u00e7\u00e3o judicial foi utilizada como <strong>instrumento de supera\u00e7\u00e3o de impasse institucional<\/strong>, sem afastar o controle concentrado de constitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF enfrentou uma controv\u00e9rsia singular: a constitucionalidade de uma <strong>lei de desestatiza\u00e7\u00e3o com conte\u00fado concreto<\/strong>, que, ao mesmo tempo, limitou drasticamente o poder de voto da Uni\u00e3o \u2014 independentemente de sua participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria \u2014 e preservou interesses p\u00fablicos sens\u00edveis ligados \u00e0 seguran\u00e7a energ\u00e9tica, \u00e0 pol\u00edtica nuclear e \u00e0 governan\u00e7a de empresa estrat\u00e9gica. Diferentemente de leis abstratas de organiza\u00e7\u00e3o administrativa, a Lei n\u00ba 14.182\/2021 produziu efeitos diretos e imediatos sobre uma rela\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria espec\u00edfica, o que levou o Tribunal a reconhecer a legitimidade do uso da <strong>via consensual<\/strong>, por meio da C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o e Arbitragem da Administra\u00e7\u00e3o Federal (CCAF), como t\u00e9cnica adequada para recompor o equil\u00edbrio institucional rompido pela limita\u00e7\u00e3o do voto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio, contudo, deixou claro que a homologa\u00e7\u00e3o do acordo <strong>n\u00e3o substitui<\/strong> nem <strong>neutraliza<\/strong> o controle de constitucionalidade. Ao contr\u00e1rio, a Corte afirmou que a <strong>validade da limita\u00e7\u00e3o do voto<\/strong> depende de uma <strong>interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>, que incorpore, como elemento normativo necess\u00e1rio, as <strong>compensa\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a previstas no Termo de Concilia\u00e7\u00e3o<\/strong>. Assim, a restri\u00e7\u00e3o aos direitos pol\u00edticos dos acionistas que detenham mais de 10% do capital votante somente \u00e9 constitucional se acompanhada da prerrogativa conferida \u00e0 Uni\u00e3o de indicar membros dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o e fiscal, nos termos da delibera\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral Extraordin\u00e1ria da Eletrobras de 29\/4\/2025, que alterou o estatuto social da companhia (arts. 20 a 25).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Al\u00e9m disso, o STF reconheceu que a <strong>autocomposi\u00e7\u00e3o judicial pode abranger mat\u00e9rias conexas e estruturalmente relacionadas<\/strong>, ainda que n\u00e3o deduzidas originalmente na a\u00e7\u00e3o, como ocorreu com temas sens\u00edveis envolvendo a <strong>Eletronuclear<\/strong>, a <strong>usina de Angra 3<\/strong> e compromissos de investimento da Eletrobras. Com fundamento no <strong>CPC, art. 515, \u00a7 2\u00ba<\/strong>, a Corte validou uma compreens\u00e3o ampla da autocomposi\u00e7\u00e3o, compat\u00edvel com lit\u00edgios estruturais complexos, nos quais a solu\u00e7\u00e3o jurisdicional cl\u00e1ssica seria insuficiente para estabilizar rela\u00e7\u00f5es institucionais de alta densidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica e administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras e da limita\u00e7\u00e3o do direito de voto da Uni\u00e3o, segundo o entendimento firmado pelo STF na ADI 7.385 Acordo\/DF, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A limita\u00e7\u00e3o do direito de voto da Uni\u00e3o a 10% do capital votante \u00e9 inconstitucional, ainda que acompanhada de mecanismos compensat\u00f3rios de governan\u00e7a, por violar o regime jur\u00eddico das sociedades de economia mista.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A homologa\u00e7\u00e3o do termo de concilia\u00e7\u00e3o celebrado entre a Uni\u00e3o e a Eletrobras impede o STF de exercer o controle de constitucionalidade da Lei n\u00ba 14.182\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A constitucionalidade da limita\u00e7\u00e3o do direito de voto da Uni\u00e3o depende de interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que assegure, como elemento normativo necess\u00e1rio, prerrogativas de governan\u00e7a, como a indica\u00e7\u00e3o de membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o e do Conselho Fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A autocomposi\u00e7\u00e3o judicial, no controle concentrado, restringe-se \u00e0s mat\u00e9rias expressamente deduzidas na peti\u00e7\u00e3o inicial, sendo vedada a inclus\u00e3o de temas conexos n\u00e3o judicializados.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A limita\u00e7\u00e3o do direito de voto prevista no art. 3\u00ba, III, da Lei n\u00ba 14.182\/2021 \u00e9 v\u00e1lida porque afasta completamente qualquer forma de influ\u00eancia estatal na governan\u00e7a da Eletrobras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF reconheceu que a limita\u00e7\u00e3o <strong>pode ser constitucional<\/strong>, desde que interpretada de forma conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, <strong>incorporando compensa\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a<\/strong> em favor da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O Tribunal foi expresso ao afirmar que <strong>n\u00e3o pode renunciar<\/strong> ao controle de constitucionalidade, mesmo diante de acordo entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Correta. Essa \u00e9 exatamente a solu\u00e7\u00e3o adotada pelo STF: a limita\u00e7\u00e3o de voto <strong>somente \u00e9 constitucional<\/strong> se acompanhada das <strong>compensa\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a previstas no acordo homologado<\/strong>. \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Com base no <strong>CPC, art. 515, \u00a7 2\u00ba<\/strong>, o STF admitiu que a autocomposi\u00e7\u00e3o <strong>versasse sobre rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas n\u00e3o deduzidas em ju\u00edzo<\/strong>, inclusive temas estruturais conexos, como Eletronuclear e Angra 3.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O modelo validado pelo STF <strong>n\u00e3o elimina<\/strong> a influ\u00eancia estatal, mas a <strong>reconfigura<\/strong>, deslocando-a do plano do voto assemblear para o plano institucional da governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Eletrobras \u2013 desestatiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Limita\u00e7\u00e3o do voto estatal a 10%<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Lei n\u00ba 14.182\/2021 (conte\u00fado concreto)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autocomposi\u00e7\u00e3o via CCAF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd STF homologa acordo, mas mant\u00e9m controle de constitucionalidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Interpreta\u00e7\u00e3o conforme condicionada \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Uni\u00e3o indica membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o e do Conselho Fiscal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autocomposi\u00e7\u00e3o pode abranger mat\u00e9rias conexas (Angra 3, Eletronuclear)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 v\u00e1lido o termo de concilia\u00e7\u00e3o firmado perante a C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o e a Arbitragem da Administra\u00e7\u00e3o Federal (CCAF) no qual a Uni\u00e3o \u2014 que teve seu direito a voto limitado a 10%, independentemente da sua participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria na Eletrobras (Lei n\u00ba 14.182\/2021, art. 3\u00ba, III, <em>a<\/em> e <em>b<\/em>) \u2014 foi compensada com poder de governan\u00e7a ampliado nos conselhos fiscal e administrativo da empresa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, em raz\u00e3o da natureza concreta da lei impugnada, a op\u00e7\u00e3o pela via consensual foi privilegiada, a fim de devolver aos pr\u00f3prios protagonistas da controv\u00e9rsia (Uni\u00e3o e Eletrobras) a responsabilidade pela constru\u00e7\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o que superasse o impasse institucional produzido pela limita\u00e7\u00e3o do poder de voto e que respeitasse a arquitetura legal da desestatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, mesmo havendo acordo entre as partes, o STF n\u00e3o pode renunciar \u00e0 an\u00e1lise da constitucionalidade da norma objeto de an\u00e1lise. Nesse contexto, cabe \u00e0 Corte declarar que a limita\u00e7\u00e3o de voto prevista em lei \u00e9 constitucional somente se for interpretada de modo a incluir a compensa\u00e7\u00e3o prevista no acordo, que garante \u00e0 Uni\u00e3o a prerrogativa de indicar membros dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o e fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, outros aspectos complexos do relacionamento entre as partes, como os investimentos da Eletrobras na Eletronuclear e as regras para a usina Angra 3, tamb\u00e9m podem ser objetos de acordo, pois a autocomposi\u00e7\u00e3o judicial pode versar sobre rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que n\u00e3o tenha sido deduzida em ju\u00edzo (1).<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, homologou a \u00edntegra do Termo de Concilia\u00e7\u00e3o n\u00ba 7\/2025\/CCAF\/CGU\/AGU-GVDM e, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para atribuir interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o ao <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2019-2022\/2021\/Lei\/L14182.htm#:~:text=III%20%2D%20altera%C3%A7%C3%A3o%20do,deste%20inciso%3B%20e\">art. 3\u00ba, III, <em>a<\/em> e <em>b,<\/em> da Lei n\u00ba 14.182\/2021<\/a> (2), estabelecendo que a limita\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos de acionistas ou de grupo de acionistas que detenham mais que 10% do capital votante admite a previs\u00e3o, a favor da Uni\u00e3o, em assembleia geral de acionistas, da prerrogativa de indicar membros do Conselho Fiscal e do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, nos termos da delibera\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral Extraordin\u00e1ria da Eletrobras realizada em 29.04.2025, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de seu estatuto social, para \u201c<em>inclus\u00e3o dos novos artigos 20 a 25 para estabelecer novas regras de governan\u00e7a aplic\u00e1veis para a Uni\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#:~:text=%C2%A7%202%C2%BA%20A%20autocomposi%C3%A7%C3%A3o%20judicial%20pode%20envolver%20sujeito%20estranho%20ao%20processo%20e%20versar%20sobre%20rela%C3%A7%C3%A3o%20jur%C3%ADdica%20que%20n%C3%A3o%20tenha%20sido%20deduzida%20em%20ju%C3%ADzo.\">CPC\/2015<\/a>: \u201cArt. 515. S\u00e3o t\u00edtulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-\u00e1 de acordo com os artigos previstos neste T\u00edtulo: (&#8230;) \u00a7 2\u00ba A autocomposi\u00e7\u00e3o judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que n\u00e3o tenha sido deduzida em ju\u00edzo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2019-2022\/2021\/Lei\/L14182.htm#:~:text=III%20%2D%20altera%C3%A7%C3%A3o%20do,deste%20inciso%3B%20e\">Lei n\u00ba 14.182\/2021<\/a>: \u201cArt. 3\u00ba A desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras fica condicionada \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, por sua assembleia geral de acionistas, das seguintes condi\u00e7\u00f5es: (&#8230;) III &#8211; altera\u00e7\u00e3o do estatuto social da Eletrobras para: a) vedar que qualquer acionista ou grupo de acionistas exer\u00e7a votos em n\u00famero superior a 10% (dez por cento) da quantidade de a\u00e7\u00f5es em que se dividir o capital votante da Eletrobras; b) vedar a realiza\u00e7\u00e3o de acordos de acionistas para o exerc\u00edcio de direito de voto, exceto para a forma\u00e7\u00e3o de blocos com n\u00famero de votos inferior ao limite de que trata a al\u00ednea&nbsp;<em>a<\/em>&nbsp;deste inciso; e (&#8230;)\u201d&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-lei-organica-da-magistratura-e-pena-de-disponibilidade-de-magistrado\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lei Org\u00e2nica da Magistratura e pena de disponibilidade de magistrado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o compat\u00edveis com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal as disposi\u00e7\u00f5es do <strong>art. 57, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da Lei Complementar n\u00ba 35\/1979 (Loman)<\/strong>, que disciplinam a <strong>pena de disponibilidade de magistrado<\/strong>, com vencimentos proporcionais ao tempo de servi\u00e7o, bem como o <strong>regime jur\u00eddico do pedido de reaproveitamento<\/strong>, desde que interpretadas de modo a <strong>vedar puni\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter indefinido ou perp\u00e9tuo<\/strong>, em conson\u00e2ncia com os princ\u00edpios da <strong>individualiza\u00e7\u00e3o da pena<\/strong>, do <strong>devido processo legal<\/strong> e da <strong>veda\u00e7\u00e3o \u00e0s san\u00e7\u00f5es perp\u00e9tuas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>ADPF 677\/DF, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 15\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson, magistrado estadual, teve contra si aplicada pena disciplinar de disponibilidade, com fundamento na Loman. O Tribunal entendia inexistir prazo limite para o afastamento, ao passo que o Dr. Creisson quer saber quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para seu eventual retorno \u00e0 magistratura. Ele argumenta que a manuten\u00e7\u00e3o indefinida em disponibilidade, sem prazo certo para reaproveitamento, viola garantias constitucionais b\u00e1sicas. A discuss\u00e3o ganhou relevo institucional ao envolver o equil\u00edbrio entre a autonomia disciplinar da magistratura, o poder sancionat\u00f3rio do Estado e a prote\u00e7\u00e3o contra san\u00e7\u00f5es administrativas de car\u00e1ter permanente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Loman (LC n\u00ba 35\/1979), art. 57, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong> (<em>pena de disponibilidade e pedido de reaproveitamento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XLVI<\/strong> (<em>individualiza\u00e7\u00e3o da pena<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XLVII, \u201cb\u201d<\/strong> (<em>veda\u00e7\u00e3o a penas de car\u00e1ter perp\u00e9tuo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 93<\/strong> (<em>estatuto constitucional da magistratura<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 135\/2011, art. 6\u00ba<\/strong> (<em>regime administrativo da pena de disponibilidade<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00f5es CNJ n\u00ba 323\/2020 e n\u00ba 563\/2024<\/strong> (<em>procedimento de reaproveitamento e avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A pena de disponibilidade \u00e9 <strong>san\u00e7\u00e3o administrativa t\u00edpica da magistratura<\/strong>, distinta da aposentadoria compuls\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A carreira judicial admite <strong>regime sancionat\u00f3rio pr\u00f3prio<\/strong>, compat\u00edvel com a independ\u00eancia judicial e o interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O reaproveitamento n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico, mas <strong>submetido a crit\u00e9rios objetivos e procedimentais<\/strong>, com controle institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF reconheceu que a magistratura possui <strong>estatuto constitucional diferenciado<\/strong>, o que legitima a exist\u00eancia de san\u00e7\u00f5es administrativas espec\u00edficas, como a disponibilidade, que n\u00e3o encontram paralelo exato em outros regimes funcionais. A Corte afastou a tese de que a simples previs\u00e3o legal de afastamento por prazo indeterminado violaria, por si s\u00f3, a Constitui\u00e7\u00e3o, destacando que a disponibilidade n\u00e3o equivale \u00e0 exclus\u00e3o definitiva da carreira nem \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o de direitos funcionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O ponto central do julgamento foi a <strong>interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong> do art. 57 da Loman. O Tribunal afirmou que a norma \u00e9 constitucional <strong>desde que n\u00e3o seja lida como autoriza\u00e7\u00e3o para puni\u00e7\u00e3o indefinida<\/strong>. Nesse contexto, atribuiu especial relev\u00e2ncia \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do <strong>Conselho Nacional de Justi\u00e7a<\/strong>, que, no exerc\u00edcio de sua compet\u00eancia constitucional, editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 135\/2011 e posteriores altera\u00e7\u00f5es para <strong>densificar garantias procedimentais<\/strong>, fixar <strong>marcos temporais<\/strong>, prever <strong>avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas<\/strong> e estabelecer, inclusive, a possibilidade de convers\u00e3o da disponibilidade em <strong>aposentadoria compuls\u00f3ria<\/strong>, mediante novo procedimento administrativo, quando constatada incompatibilidade permanente para o exerc\u00edcio da magistratura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Assim, o STF concluiu que o sistema normativo, considerado de forma integrada (Loman + regulamenta\u00e7\u00e3o do CNJ), <strong>afasta qualquer risco de san\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua<\/strong>, preserva o devido processo legal e assegura a individualiza\u00e7\u00e3o da pena, julgando <strong>improcedente<\/strong> a argui\u00e7\u00e3o de descumprimento de preceito fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da pena de disponibilidade aplicada a magistrados, segundo o entendimento do STF na ADPF 677\/DF, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A pena de disponibilidade prevista na Loman \u00e9 inconstitucional, pois permite o afastamento do magistrado por prazo indeterminado, em afronta \u00e0 veda\u00e7\u00e3o \u00e0s penas perp\u00e9tuas.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A disponibilidade \u00e9 san\u00e7\u00e3o administrativa incompat\u00edvel com o regime constitucional da magistratura, devendo ser substitu\u00edda pela aposentadoria compuls\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A regulamenta\u00e7\u00e3o da pena de disponibilidade pelo CNJ configura usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia legislativa, por inovar no regime jur\u00eddico previsto na Loman.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A constitucionalidade do art. 57 da Loman pressup\u00f5e interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que impe\u00e7a a imposi\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00e3o indefinida, assegurando mecanismos de reaproveitamento e controle institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O magistrado em disponibilidade tem direito subjetivo ao reaproveitamento autom\u00e1tico ap\u00f3s o decurso de dois anos do afastamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF reconheceu a constitucionalidade da pena, desde que interpretada em conjunto com as garantias procedimentais e temporais estabelecidas pelo CNJ, que afastam o car\u00e1ter perp\u00e9tuo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Corte destacou que a disponibilidade \u00e9 san\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria leg\u00edtima, distinta da aposentadoria compuls\u00f3ria, compat\u00edvel com o estatuto constitucional da magistratura.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STF afirmou que o CNJ atua dentro de sua compet\u00eancia constitucional ao densificar e operacionalizar o regime disciplinar da magistratura.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Correta. O STF condicionou a validade da norma \u00e0 veda\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es permanentes, ressaltando o papel das resolu\u00e7\u00f5es do CNJ na concretiza\u00e7\u00e3o dessas garantias. \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O reaproveitamento depende de procedimento espec\u00edfico, avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e decis\u00e3o fundamentada do tribunal competente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Magistratura \u2013 san\u00e7\u00e3o administrativa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Pena de disponibilidade constitucional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Veda\u00e7\u00e3o a puni\u00e7\u00e3o indefinida<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Interpreta\u00e7\u00e3o conforme da Loman<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Papel central do CNJ na regulamenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Reaproveitamento condicionado a avalia\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Poss\u00edvel aposentadoria compuls\u00f3ria ap\u00f3s procedimento pr\u00f3prio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o compat\u00edveis com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 \u2014 e n\u00e3o afrontam os princ\u00edpios constitucionais da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, da veda\u00e7\u00e3o \u00e0s penas de car\u00e1ter perp\u00e9tuo e do devido processo legal \u2014 as disposi\u00e7\u00f5es do art. 57, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da Lei Complementar n\u00ba 35\/1979 (Lei Org\u00e2nica da Magistratura \u2013 Loman), que versam sobre a pena de disponibilidade de magistrado, com vencimentos proporcionais ao tempo de servi\u00e7o, e sobre o pedido do juiz, posto em disponibilidade, de reaproveitamento na magistratura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A peculiaridade da carreira da magistratura permite reconhecer a constitucionalidade dos preceitos impugnados, que conferem a flexibilidade imprescind\u00edvel para compatibilizar o interesse p\u00fablico, a necessidade de san\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de retorno do juiz afastado \u00e0 fun\u00e7\u00e3o, viabilizando, inclusive, a prorroga\u00e7\u00e3o do afastamento quando sobrevier fato relevante que impe\u00e7a esse retorno. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o que estabele\u00e7a puni\u00e7\u00e3o indefinida ao magistrado sancionado com disponibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o CNJ afastou a possibilidade de interpreta\u00e7\u00f5es que pudessem conduzir \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, da veda\u00e7\u00e3o \u00e0s penas de car\u00e1ter perp\u00e9tuo e do devido processo legal, ao regulamentar, no exerc\u00edcio de sua compet\u00eancia constitucional, a san\u00e7\u00e3o administrativa de disponibilidade (1).<\/p>\n\n\n\n<p><a>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a argui\u00e7\u00e3o de descumprimento de preceito fundamental ajuizada em face do <\/a><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/LCP\/Lcp35.htm#:~:text=Art.%2057%20%2D%20O,seu%20%C3%B3rg%C3%A3o%20especial.\">art. 57, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da Loman<\/a> (2).<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/atos.cnj.jus.br\/files\/compilado145705202406066661ce417030b.pdf\">Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 135\/2011<\/a>: \u201cArt. 6\u00ba O magistrado ser\u00e1 posto em disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de servi\u00e7o, ou, se n\u00e3o for vital\u00edcio, demitido por interesse p\u00fablico, quando a gravidade das faltas n\u00e3o justificar a aplica\u00e7\u00e3o de pena de censura ou remo\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. \u00a7 1\u00ba Cumpridos dois anos de pena de disponibilidade, havendo pedido de aproveitamento, cabe ao tribunal ao qual vinculado o magistrado promover: (Inclu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 323, de 07.07.2020) I \u2013 sindic\u00e2ncia da vida pregressa e investiga\u00e7\u00e3o social; (Inclu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 323, de 07.07.2020) II \u2013 reavalia\u00e7\u00e3o da capacidade f\u00edsica, mental e psicol\u00f3gica; e (Inclu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 323, de 07.07.2020) III \u2013 reavalia\u00e7\u00e3o da capacidade t\u00e9cnica e jur\u00eddica, por meio de frequ\u00eancia obrigat\u00f3ria a curso oficial ministrado pela Escola da Magistratura, com aproveitamento suficiente. (reda\u00e7\u00e3o dada pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 563, de 3.6.2024) \u00a7 2\u00ba Na an\u00e1lise do pedido, o tribunal proceder\u00e1 ao exame da subsist\u00eancia das raz\u00f5es que determinaram a disponibilidade, ou da superveni\u00eancia de fatos novos, quando dever\u00e1 apontar motivo plaus\u00edvel, de ordem \u00e9tica ou profissional, diverso dos fatos que ensejaram a pena. (Inclu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 323, de 07.07.2020) \u00a7 3\u00ba Devidamente instru\u00eddo e fundamentado o procedimento, caber\u00e1 ao tribunal ou \u00d3rg\u00e3o Especial decidir quanto ao deferimento ou n\u00e3o do retorno imediato ou gradual e adaptativo do magistrado. (reda\u00e7\u00e3o dada pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 563, de 3.6.2024) \u00a7 4\u00ba Em caso de aplica\u00e7\u00e3o de pena de disponibilidade com prazo inferior a 2 (dois) anos, o aproveitamento do magistrado apenado ocorrer\u00e1 imediatamente ap\u00f3s o cumprimento da pena, independentemente do procedimento previsto nos par\u00e1grafos anteriores. (inclu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 563, de 3.6.2024) \u00a7 5\u00ba Ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos da aplica\u00e7\u00e3o da pena de disponibilidade e n\u00e3o havendo pedido de aproveitamento ou sendo esse indeferido reiteradamente, cabe ao tribunal ao qual vinculado o magistrado instaurar procedimento administrativo, assegurado o contradit\u00f3rio e ampla defesa, com a finalidade de verificar a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o de aposentadoria compuls\u00f3ria, diante de poss\u00edvel incompatibilidade permanente do magistrado para o exerc\u00edcio do cargo, conforme disposto nos incisos I a III do art. 56 da Loman e incisos I a III do art. 7\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 135\/2011. (inclu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 563, de 3.6.2024)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/LCP\/Lcp35.htm#:~:text=Art.%2057%20%2D%20O,seu%20%C3%B3rg%C3%A3o%20especial.\">Loman<\/a>: \u201cArt. 57 &#8211; O Conselho Nacional da Magistratura poder\u00e1 determinar a disponibilidade de magistrado, com vencimentos proporcionais ao tempo de servi\u00e7o, no caso em que a gravidade das faltas a que se reporta o artigo anterior n\u00e3o justifique a decreta\u00e7\u00e3o da aposentadoria. \u00a7 1\u00ba \u2013 O magistrado, posto em disponibilidade por determina\u00e7\u00e3o do Conselho, somente poder\u00e1 pleitear o seu aproveitamento, decorridos dois anos do afastamento. \u00a7 2\u00ba \u2013 O pedido, devidamente instru\u00eddo e justificado, acompanhado de parecer do Tribunal competente, ou de seu \u00f3rg\u00e3o especial, ser\u00e1 apreciado pelo Conselho Nacional da Magistratura ap\u00f3s parecer do Procurador-Geral da Rep\u00fablica. Deferido o pedido, o aproveitamento far-se-\u00e1 a crit\u00e9rio do Tribunal ou seu \u00f3rg\u00e3o especial.\u201d&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-racismo-estrutural-no-brasil-e-controle-constitucional-das-politicas-publicas\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Racismo estrutural no Brasil e controle constitucional das pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O STF reconheceu a <strong>exist\u00eancia de racismo estrutural no Brasil<\/strong>, caracterizado por <strong>graves e persistentes viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas a direitos fundamentais da popula\u00e7\u00e3o negra<\/strong>, mas afastou o reconhecimento de <strong>estado de coisas inconstitucional<\/strong>, diante da <strong>ado\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas<\/strong> voltadas ao enfrentamento da desigualdade racial, ainda que insuficientes, determinando o <strong>aperfei\u00e7oamento institucional dessas pol\u00edticas por meio de di\u00e1logo interinstitucional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>ADPF 973\/DF, Rel. Min. Luiz Fux, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 18\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entidades da sociedade civil e organiza\u00e7\u00f5es representativas da popula\u00e7\u00e3o negra ajuizaram argui\u00e7\u00e3o de descumprimento de preceito fundamental sustentando que o Brasil vivencia um quadro estrutural de discrimina\u00e7\u00e3o racial, refletido em indicadores persistentes de desigualdade em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, renda, seguran\u00e7a p\u00fablica e prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia. Alegaram que a insufici\u00eancia hist\u00f3rica das pol\u00edticas p\u00fablicas configuraria um estado de coisas inconstitucional, exigindo atua\u00e7\u00e3o estrutural do STF para compelir o Poder P\u00fablico \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de medidas abrangentes e coordenadas de enfrentamento ao racismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 1\u00ba, III<\/strong> (<em>dignidade da pessoa humana<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 3\u00ba, III e IV<\/strong> (<em>erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades; rep\u00fadio \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, caput e XLII<\/strong> (<em>igualdade material; racismo como crime inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 6\u00ba<\/strong> (<em>direitos sociais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 227<\/strong> (<em>prote\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as e adolescentes<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 10.639\/2003<\/strong> (<em>ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.288\/2010<\/strong> (<em>Estatuto da Igualdade Racial<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 12.711\/2012<\/strong>, com altera\u00e7\u00f5es das Leis n\u00ba 13.409\/2016 e n\u00ba 14.723\/2023 (<em>cotas raciais no ensino federal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto n\u00ba 8.136\/2013<\/strong> (<em>Sistema Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial \u2013 SINAPIR<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 14.600\/2023<\/strong> (<em>cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 15.142\/2025<\/strong> (<em>cotas raciais em concursos p\u00fablicos federais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O racismo estrutural manifesta-se como <strong>padr\u00e3o sist\u00eamico de exclus\u00e3o<\/strong>, reproduzido social e institucionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A insufici\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas <strong>n\u00e3o se confunde<\/strong> com aus\u00eancia completa de atua\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O estado de coisas inconstitucional exige <strong>omiss\u00e3o prolongada, generalizada e estrutural<\/strong> das autoridades p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF reconheceu, de forma expressa e in\u00e9dita, que o racismo estrutural constitui um <strong>fen\u00f4meno hist\u00f3rico, social e institucional<\/strong>, que produz efeitos desproporcionais sobre a popula\u00e7\u00e3o negra em m\u00faltiplas dimens\u00f5es da vida social, incluindo sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o adequada, educa\u00e7\u00e3o, mercado de trabalho, seguran\u00e7a p\u00fablica e prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes. A Corte afirmou que os dados emp\u00edricos apresentados no processo revelam <strong>viola\u00e7\u00e3o massiva e reiterada de direitos fundamentais<\/strong>, inclusive com impacto intergeracional, caracterizando um quadro estrutural de desigualdade racial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Todavia, ao examinar os requisitos t\u00e9cnicos do <strong>estado de coisas inconstitucional<\/strong>, o Tribunal entendeu que, embora as pol\u00edticas p\u00fablicas existentes sejam <strong>insuficientes para a supera\u00e7\u00e3o do racismo estrutural<\/strong>, n\u00e3o se verifica o elemento da <strong>in\u00e9rcia estatal absoluta ou prolongada<\/strong>, uma vez que o Estado brasileiro adotou, ao longo dos anos, um conjunto relevante de medidas normativas e institucionais \u2014 como o Estatuto da Igualdade Racial, pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa, o SINAPIR, a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial e a amplia\u00e7\u00e3o recente de cotas em concursos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Nesse contexto, o STF optou por uma solu\u00e7\u00e3o de <strong>di\u00e1logo interinstitucional<\/strong>, rejeitando uma interven\u00e7\u00e3o judicial substitutiva e determinando a <strong>atualiza\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (PLANAPIR)<\/strong> ou, alternativamente, a elabora\u00e7\u00e3o de um <strong>Plano Nacional de Combate ao Racismo Estrutural<\/strong>, como instrumento normativo central para a coordena\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e aprimoramento das pol\u00edticas p\u00fablicas existentes. A Corte reafirmou que o papel do Judici\u00e1rio, em lit\u00edgios estruturais dessa natureza, \u00e9 o de <strong>indutor, fiscalizador e garantidor de direitos<\/strong>, sem assumir a formula\u00e7\u00e3o direta das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do julgamento da ADPF 973\/DF, que tratou do racismo estrutural no Brasil, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O Tribunal reconheceu o racismo estrutural, afastou o estado de coisas inconstitucional e determinou o aperfei\u00e7oamento das pol\u00edticas p\u00fablicas por meio de di\u00e1logo interinstitucional e planejamento estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A Corte afastou o reconhecimento de racismo estrutural, por considerar suficientes os programas estatais existentes de combate \u00e0 desigualdade racial.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O STF reconheceu o racismo estrutural e as graves viola\u00e7\u00f5es a direitos fundamentais, mas afastou o estado de coisas inconstitucional em raz\u00e3o da inexist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O STF reconheceu a exist\u00eancia de racismo estrutural e declarou a configura\u00e7\u00e3o de estado de coisas inconstitucional, determinando a substitui\u00e7\u00e3o integral das pol\u00edticas p\u00fablicas vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O STF limitou-se a reconhecer a constitucionalidade das a\u00e7\u00f5es afirmativas, sem examinar o fen\u00f4meno do racismo estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Correta. O STF reconheceu o racismo estrutural, afastou o estado de coisas inconstitucional e determinou o aperfei\u00e7oamento institucional das pol\u00edticas p\u00fablicas, com atualiza\u00e7\u00e3o ou elabora\u00e7\u00e3o de plano nacional espec\u00edfico. \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O Tribunal reconheceu expressamente a exist\u00eancia de racismo estrutural e de graves viola\u00e7\u00f5es a direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O afastamento do estado de coisas inconstitucional decorreu justamente da exist\u00eancia \u2014 ainda que insuficiente \u2014 de pol\u00edticas p\u00fablicas em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STF afastou o estado de coisas inconstitucional e n\u00e3o determinou a substitui\u00e7\u00e3o integral das pol\u00edticas p\u00fablicas, optando por solu\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O julgamento foi muito mais amplo, abordando o racismo estrutural como fen\u00f4meno sist\u00eamico e institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Racismo estrutural \u2013 ADPF 973<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Viola\u00e7\u00e3o sist\u00eamica de direitos fundamentais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Reconhecimento expresso pelo STF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Pol\u00edticas p\u00fablicas existentes, por\u00e9m insuficientes<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aus\u00eancia de omiss\u00e3o estatal absoluta<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Estado de coisas inconstitucional afastado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Di\u00e1logo interinstitucional e planejamento estatal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Atualiza\u00e7\u00e3o do PLANAPIR ou cria\u00e7\u00e3o de plano aut\u00f4nomo<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Reconhece-se a exist\u00eancia de racismo estrutural no Brasil, decorrente de graves viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas a direitos fundamentais da popula\u00e7\u00e3o negra. Contudo, diante da ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas destinadas ao seu enfrentamento, em especial para sanar omiss\u00f5es hist\u00f3ricas, afasta-se o estado de coisas inconstitucional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade racial \u00e9 uma triste realidade que, lamentavelmente, assola a sociedade brasileira, abrangendo aspectos da vida, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o digna e seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o negra, al\u00e9m de viola\u00e7\u00f5es espec\u00edficas na seara dos direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes como, por exemplo, no caso da evas\u00e3o escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo no Brasil, em virtude de sua dimens\u00e3o hist\u00f3rica e social, ocasiona, consciente ou inconscientemente, preju\u00edzos sistem\u00e1ticos a grupos minorit\u00e1rios, afetando a popula\u00e7\u00e3o negra de maneira desproporcional, al\u00e9m de se manifestar tamb\u00e9m nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A gravidade dos dados apresentados pelas entidades que se manifestaram no curso do processo revela a massiva viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais da popula\u00e7\u00e3o negra e a insufici\u00eancia das pol\u00edticas estatais vigentes para a efetiva supera\u00e7\u00e3o dessa lesividade sist\u00eamica. Nesse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio um di\u00e1logo interinstitucional para o aperfei\u00e7oamento das pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento ao racismo com a atualiza\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (PLANAPIR) \u2014 plano que integra a estrutura governamental para direitos humanos e figura como vetor normativo essencial na organiza\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o das medidas destinadas \u00e0 igualdade racial no Pa\u00eds \u2014 ou a elabora\u00e7\u00e3o de um novo Plano Nacional de Combate ao Racismo Estrutural, em car\u00e1ter aut\u00f4nomo, de modo a aprimorar o marco normativo de enfrentamento ao racismo no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ainda que se considere a pol\u00edtica para o combate \u00e0 desigualdade racial insuficiente, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer a ado\u00e7\u00e3o de diversos programas e pol\u00edticas p\u00fablicas para a mitiga\u00e7\u00e3o da desigualdade racial, como, por exemplo: (i) a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.639.htm\">Lei n\u00ba 10.639\/2003<\/a>, que incluiu no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica <em>\u201c<\/em>Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira\u201d; (ii) a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2010\/lei\/l12288.htm\">Lei n\u00ba 12.288\/2010<\/a>, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial; (iii) o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2013\/decreto\/d8136.htm\">Decreto n\u00ba 8.136\/2013<\/a>, que regulamenta o Sistema Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (SINAPIR); (iv) a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12711.htm\">Lei n\u00ba 12.711\/2012<\/a>, com as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n\u00ba 13.409\/2016 e pela Lei n\u00ba 14.723\/2023, que instituiu cotas raciais para ingresso nas universidades federais e nas institui\u00e7\u00f5es federais de ensino t\u00e9cnico de n\u00edvel m\u00e9dio; (v) a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/Mpv\/mpv1154.htm\">Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 1.154\/2023<\/a>, convertida na <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14600.htm\">Lei n\u00ba 14.600\/2023<\/a>, que criou o Minist\u00e9rio da Igualdade Racial, respons\u00e1vel por diversas pol\u00edticas p\u00fablicas nessa tem\u00e1tica; e (vi) a recente <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2025\/lei\/l15142.htm\">Lei n\u00ba 15.142\/2025<\/a>, que \u201creserva \u00e0s pessoas pretas e pardas, ind\u00edgenas e quilombolas o percentual de 30% (trinta por cento) das vagas oferecidas nos concursos p\u00fablicos para provimento de cargos efetivos e empregos p\u00fablicos no \u00e2mbito da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal direta<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, observa-se que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 inerte em sua miss\u00e3o constitucional de combate ao racismo, pois h\u00e1 diversas pol\u00edticas p\u00fablicas em andamento para enfrent\u00e1-lo. Essa circunst\u00e2ncia afasta um dos requisitos para o reconhecimento do estado de coisas inconstitucional: a prolongada omiss\u00e3o das autoridades no cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es para a garantia desses direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a argui\u00e7\u00e3o para reconhecer a exist\u00eancia de racismo estrutural no Brasil e de graves viola\u00e7\u00f5es a preceitos fundamentais, bem como para determinar a ado\u00e7\u00e3o de diversas provid\u00eancias, devidamente registradas na ata deste julgamento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-tribunal-de-contas-dos-municipios-e-controle-pela-assembleia-legislativa\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tribunal de contas dos munic\u00edpios e controle pela assembleia legislativa<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional norma estadual que determine a presta\u00e7\u00e3o de contas do <strong>Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios<\/strong> diretamente \u00e0 <strong>Assembleia Legislativa<\/strong>, pois, sendo \u00f3rg\u00e3o inserido na estrutura estadual, suas contas devem ser julgadas pelo <strong>Tribunal de Contas do Estado<\/strong>, nos termos dos <strong>arts. 31, \u00a7 1\u00ba; 71, II; e 75 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 4.124\/BA, Rel. Ministro Nunes Marques, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 15\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia estabelecia que tanto o Tribunal de Contas do Estado quanto o Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios deveriam prestar contas diretamente \u00e0 Assembleia Legislativa. A ADI proposta assevera que essa previs\u00e3o viola o modelo constitucional de controle externo, que define compet\u00eancias espec\u00edficas para julgamento de contas e delimita a posi\u00e7\u00e3o institucional dos tribunais de contas no \u00e2mbito federativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 31, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>controle externo municipal com aux\u00edlio dos tribunais de contas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 71, II<\/strong> (<em>compet\u00eancia do tribunal de contas para julgar contas de administradores p\u00fablicos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 75<\/strong> (<em>aplica\u00e7\u00e3o das normas do TCU aos tribunais de contas estaduais e municipais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 35, II<\/strong> (<em>hip\u00f3tese de interven\u00e7\u00e3o estadual por aus\u00eancia de presta\u00e7\u00e3o de contas municipal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, art. 71, XI, e art. 91, \u00a7 3\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Os tribunais de contas dos munic\u00edpios, quando institu\u00eddos pela Constitui\u00e7\u00e3o estadual, integram a estrutura estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O julgamento das contas desses \u00f3rg\u00e3os compete ao Tribunal de Contas do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O controle pol\u00edtico-administrativo das atividades pode ser exercido pela Assembleia Legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF reafirmou que os tribunais de contas dos munic\u00edpios, embora auxiliem as c\u00e2maras municipais no controle externo das contas municipais, s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os criados pela Constitui\u00e7\u00e3o estadual e, portanto, inserem-se na estrutura administrativa do estado-membro. Por essa raz\u00e3o, suas contas devem ser julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado, e n\u00e3o diretamente pela Assembleia Legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte distinguiu o julgamento de contas do controle pol\u00edtico-institucional das atividades do \u00f3rg\u00e3o. A Assembleia Legislativa pode exercer fiscaliza\u00e7\u00e3o institucional sobre o Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios, mas n\u00e3o pode assumir compet\u00eancia para julgar suas contas, sob pena de violar o modelo constitucional delineado pelos arts. 71 e 75 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Assim, declarou-se a inconstitucionalidade das express\u00f5es que atribu\u00edam essa compet\u00eancia \u00e0 Assembleia Legislativa, sem afastar o dever de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da organiza\u00e7\u00e3o e controle dos Tribunais de Contas dos Munic\u00edpios, segundo o entendimento do STF, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios deve prestar contas diretamente \u00e0 Assembleia Legislativa, por se tratar de \u00f3rg\u00e3o de aux\u00edlio do controle externo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O controle externo exercido pelas c\u00e2maras municipais inclui o julgamento das contas do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A Assembleia Legislativa n\u00e3o pode exercer qualquer controle sobre o Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O modelo constitucional permite que cada estado defina quem julga as contas do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>E) As contas do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios devem ser julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado, pois integra a estrutura estadual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF declarou inconstitucional a presta\u00e7\u00e3o direta de contas \u00e0 Assembleia Legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. As c\u00e2maras municipais n\u00e3o julgam as contas do TCM.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A Assembleia Legislativa pode exercer fiscaliza\u00e7\u00e3o institucional, mas n\u00e3o julgar suas contas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A organiza\u00e7\u00e3o dos tribunais de contas deve observar o modelo constitucional federal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Correta. Por integrar a estrutura estadual, o TCM deve ter suas contas julgadas pelo TCE, conforme os arts. 71 e 75 da CF ( ADI 4.124\/BA). \u2705<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc TCM \u2013 presta\u00e7\u00e3o de contas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd \u00d3rg\u00e3o inserido na estrutura estadual<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Contas julgadas pelo TCE<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Assembleia exerce fiscaliza\u00e7\u00e3o institucional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Modelo constitucional obrigat\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional a presta\u00e7\u00e3o de contas pelo tribunal de contas dos munic\u00edpios \u2014 \u00f3rg\u00e3o institu\u00eddo pela Constitui\u00e7\u00e3o do estado, e, portanto, inserido na estrutura estadual \u2014 diretamente \u00e0 assembleia legislativa, tendo em vista a compet\u00eancia do tribunal de contas estadual para julg\u00e1-las (CF\/1988, arts. 31, \u00a7 1\u00ba; 71, II; e 75).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte (1), os tribunais de contas dos munic\u00edpios devem prestar contas perante o tribunal de contas do estado (2), o qual \u00e9 competente para julgar as contas de todos os \u00f3rg\u00e3os estaduais (3).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o controle das atividades dos tribunais de contas municipais \u2014 que auxiliam as c\u00e2maras municipais no controle externo das contas municipais \u2014 deve ser realizado pela assembleia legislativa estadual (4). Isso n\u00e3o fere a autonomia do munic\u00edpio, pois n\u00e3o envolve a aprecia\u00e7\u00e3o das contas municipais em si, mas o desempenho do tribunal quanto ao cumprimento de suas fun\u00e7\u00f5es institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, o art. 35 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (5) elenca hip\u00f3teses excepcionais em que o estado-membro tem poder de interven\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio, algumas, inclusive, ligadas diretamente \u00e0s pr\u00f3prias atividades do tribunal de contas municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, a Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia atribui ao Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios as obriga\u00e7\u00f5es de prestar contas \u00e0 Assembleia Legislativa e de encaminhar-lhe, trimestral e anualmente, um relat\u00f3rio de atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou <a>parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para (i) declarar a inconstitucionalidade<\/a> da express\u00e3o \u201c<em>e pelo Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios<\/em>\u201d, contida no art. 71, XI, da <a href=\"https:\/\/www.al.ba.gov.br\/fserver\/:imagensAlbanet:upload:Constituicao_2025_EC_33.pdf\">Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia<\/a> (6) e do art. 3\u00ba da Lei Complementar estadual n\u00ba 6\/1991; e (ii) declarar a inconstitucionalidade parcial, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, da express\u00e3o \u201c<em>Os Tribunais<\/em>\u201d, constante do art. 91, \u00a7 3\u00ba, da <a href=\"https:\/\/www.al.ba.gov.br\/fserver\/:imagensAlbanet:upload:Constituicao_2025_EC_33.pdf\">Lei fundamental baiana<\/a> (7), a fim de excluir de seu \u00e2mbito de incid\u00eancia, relativamente ao dever de prestar contas \u00e0 Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios, restringindo a efetividade da norma ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a>Precedente citado: <\/a><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=1531922\">ADI 687<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#:~:text=II%20%2D%20julgar%20as,ao%20er%C3%A1rio%20p%C3%BAblico%3B\">CF\/1988<\/a>: \u201cArt. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, ser\u00e1 exercido com o aux\u00edlio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, ao qual compete: (&#8230;) II &#8211; julgar as contas dos administradores e demais respons\u00e1veis por dinheiros, bens e valores p\u00fablicos da administra\u00e7\u00e3o direta e indireta, inclu\u00eddas as funda\u00e7\u00f5es e sociedades institu\u00eddas e mantidas pelo Poder P\u00fablico federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte preju\u00edzo ao er\u00e1rio p\u00fablico; (&#8230;) Art. 75. As normas estabelecidas nesta se\u00e7\u00e3o aplicam-se, no que couber, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Munic\u00edpios.<a><\/a>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#:~:text=Art.%2031.%20A,Munic%C3%ADpios%2C%20onde%20houver.\">CF\/1988<\/a>: \u201cArt. 31. A fiscaliza\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio ser\u00e1 exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.<a><\/a> \u00a7 1\u00ba O controle externo da C\u00e2mara Municipal ser\u00e1 exercido com o aux\u00edlio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Munic\u00edpio ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Munic\u00edpios, onde houver.\u201d<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(4) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#:~:text=%C2%A7%204%C2%BA%20O%20Tribunal%20encaminhar%C3%A1%20ao%20Congresso%20Nacional%2C%20trimestral%20e%20anualmente%2C%20relat%C3%B3rio%20de%20suas%20atividades.\">CF\/1988<\/a>: \u201cArt. 71 (&#8230;) \u00a7 4\u00ba O Tribunal encaminhar\u00e1 ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relat\u00f3rio de suas atividades.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>(5) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#:~:text=Art.%2035.%20O%20Estado,n%C2%BA%2029%2C%20de%202000)\">CF\/1988<\/a>: <a><\/a>\u201cArt. 35. O Estado n\u00e3o intervir\u00e1 em seus Munic\u00edpios, nem a Uni\u00e3o nos Munic\u00edpios localizados em Territ\u00f3rio Federal, exceto quando:<a><\/a> I &#8211; deixar de ser paga, sem motivo de for\u00e7a maior, por dois anos consecutivos, a d\u00edvida fundada;<a><\/a> II &#8211; n\u00e3o forem prestadas contas devidas, na forma da lei;<a><\/a> III &#8211; n\u00e3o tiver sido aplicado o m\u00ednimo exigido da receita municipal na manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do ensino e nas a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 29, de 2000).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(6) <a><\/a><a href=\"https:\/\/www.al.ba.gov.br\/fserver\/:imagensAlbanet:upload:Constituicao_2025_EC_33.pdf\">Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia<\/a>: \u201cArt. 71. Al\u00e9m de outros casos previstos nesta Constitui\u00e7\u00e3o, compete privativamente \u00e0 Assembleia Legislativa: (&#8230;) XI &#8211; julgar as contas anualmente prestadas pelo Tribunal de Justi\u00e7a, pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios, realizando, periodicamente, inspe\u00e7\u00f5es auditoriais;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(7) <a href=\"https:\/\/www.al.ba.gov.br\/fserver\/:imagensAlbanet:upload:Constituicao_2025_EC_33.pdf\">Constitui\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia<\/a>: \u201cArt. 91. Os Tribunais de Contas do Estado e dos Munic\u00edpios, dotados de autonomia administrativa e de independ\u00eancia funcional, s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os de aux\u00edlio do controle externo a cargo, respectivamente, da Assembleia Legislativa e das C\u00e2maras Municipais, competindo-lhes: (&#8230;) XVI &#8211; oferecer parecer conclusivo, no prazo de trinta dias, a respeito da solicita\u00e7\u00e3o feita pela comiss\u00e3o competente da Casa Legislativa, em vista de ind\u00edcios de despesa n\u00e3o autorizada, ainda que sob a forma de investimento n\u00e3o programado, quando a autoridade governamental respons\u00e1vel n\u00e3o prestar os esclarecimentos reclamados ou, se prestados, forem considerados insuficientes. (&#8230;) \u00a7 3\u00ba Os Tribunais prestar\u00e3o suas pr\u00f3prias contas \u00e0 Assembleia Legislativa, bem como a ela encaminhar\u00e3o, trimestral e anualmente, relat\u00f3rio de suas atividades.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-terras-indigenas-e-marco-temporal\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terras ind\u00edgenas e marco temporal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o inconstitucionais dispositivos da Lei n. 14.701\/2023 que condicionam o reconhecimento de terras tradicionalmente ocupadas \u00e0 presen\u00e7a ind\u00edgena em 5\/10\/1988 (ou que reproduzam essa l\u00f3gica), por restringirem o alcance do <strong>CF, art. 231<\/strong>, que assegura direitos origin\u00e1rios territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>ADC 87\/DF, ADI 7.582\/DF, ADI 7.583\/DF e ADI 7.586\/DF, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 18\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Comunidades ind\u00edgenas e entidades apontaram que a Lei n. 14.701\/2023 \u201creintroduziu\u201d o marco temporal e, na pr\u00e1tica, dificultou o reconhecimento de \u00e1reas tradicionalmente ocupadas, sobretudo em situa\u00e7\u00f5es de expuls\u00f5es hist\u00f3ricas, deslocamentos for\u00e7ados e conflitos possess\u00f3rios antigos. Do outro lado, o legislativo sustenta que a lei buscou estabilizar conflitos fundi\u00e1rios e conferir previsibilidade ao procedimento demarcat\u00f3rio. O STF julgou, em controle concentrado, se esse redesenho legislativo era compat\u00edvel com o regime constitucional do <strong>CF, art. 231<\/strong> e com o precedente do Tema 1.031.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 231<\/strong> (<em>direitos origin\u00e1rios e dever estatal de demarcar e proteger<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 231, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>crit\u00e9rios de \u201ctradicionalmente ocupadas\u201d sem recorte cronol\u00f3gico fixo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADCT, art. 67<\/strong> (<em>dever de concluir demarca\u00e7\u00f5es em 5 anos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RE 1.017.365 (Tema 1.031 RG\/STF)<\/strong> (<em>incompatibilidade do marco temporal com o art. 231<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 14.701\/2023, art. 4\u00ba, caput e \u00a7\u00a7 2\u00ba a 4\u00ba<\/strong> (<em>marco temporal; renitente esbulho; exclus\u00f5es<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 14.701\/2023, art. 5\u00ba e art. 6\u00ba<\/strong> (<em>participa\u00e7\u00e3o e contradit\u00f3rio no procedimento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O direito territorial ind\u00edgena \u00e9 <strong>origin\u00e1rio<\/strong>: a demarca\u00e7\u00e3o <strong>declara<\/strong> uma situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica preexistente, n\u00e3o \u201ccria\u201d a terra ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd \u201cTradicionalidade\u201d se prova por elementos constitucionais (habita\u00e7\u00e3o permanente, atividades produtivas, preserva\u00e7\u00e3o ambiental necess\u00e1ria ao bem-estar e reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural), n\u00e3o por presen\u00e7a f\u00edsica em data fixa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Requisitos temporais r\u00edgidos tendem a transferir \u00e0s comunidades um \u00f4nus probat\u00f3rio desproporcional e, na pr\u00e1tica, reduzem a prote\u00e7\u00e3o do art. 231.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A demora estrutural do Estado em concluir demarca\u00e7\u00f5es (ADCT, art. 67) aprofunda conflitos e esvazia a tutela constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF partiu da premissa de que o <strong>CF, art. 231<\/strong> n\u00e3o tutela um \u201cdireito adquirido em 1988\u201d, mas reconhece um direito <strong>origin\u00e1rio<\/strong> ligado \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o tradicional, anterior \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Por isso, a no\u00e7\u00e3o de \u201cterras tradicionalmente ocupadas\u201d n\u00e3o se subordina a um marco cronol\u00f3gico externo ao pr\u00f3prio texto constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Nessa linha, a Corte tratou o marco temporal como uma forma de \u201credefinir\u201d por lei ordin\u00e1ria o conte\u00fado do art. 231: ao exigir presen\u00e7a ind\u00edgena em 5\/10\/1988 (ou ao impor filtros equivalentes), a lei passa a excluir situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas t\u00edpicas do problema ind\u00edgena brasileiro, como expuls\u00f5es, remo\u00e7\u00f5es, confinamentos e deslocamentos for\u00e7ados, que rompem a presen\u00e7a f\u00edsica no territ\u00f3rio sem romper, necessariamente, a rela\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Por isso, o STF entendeu que dispositivos que condicionam o reconhecimento \u00e0 presen\u00e7a em 5\/10\/1988 (ou que, na pr\u00e1tica, operem como esse requisito) s\u00e3o inconstitucionais: eles substituem os crit\u00e9rios do <strong>CF, art. 231, \u00a7 1\u00ba<\/strong> por um crit\u00e9rio temporal, estreitando a prote\u00e7\u00e3o constitucional e impondo \u00e0s comunidades um \u00f4nus de prova frequentemente imposs\u00edvel (especialmente quando o pr\u00f3prio Estado falhou, por d\u00e9cadas, em demarcar e proteger).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte tamb\u00e9m enfrentou o argumento de \u201cseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d. Concluiu que a seguran\u00e7a jur\u00eddica n\u00e3o se produz por redu\u00e7\u00e3o legislativa do n\u00facleo do art. 231, mas por atua\u00e7\u00e3o administrativa efetiva, com procedimento demarcat\u00f3rio estruturado, participa\u00e7\u00e3o adequada e conclus\u00e3o em prazo razo\u00e1vel. A tentativa de estabilizar conflitos por \u201ccorte temporal\u201d n\u00e3o resolve o passivo hist\u00f3rico e tende a deslocar a disputa para controv\u00e9rsias probat\u00f3rias insol\u00faveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 No plano institucional, o STF reconheceu que h\u00e1 omiss\u00e3o estatal persistente no cumprimento do <strong>ADCT, art. 67<\/strong>, e vinculou a efetividade do art. 231 a um dever concreto de administra\u00e7\u00e3o: demarcar, proteger e fazer respeitar. A falta de conclus\u00e3o de procedimentos mant\u00e9m um estado de incerteza permanente que alimenta conflito, viol\u00eancia e litigiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Por isso, fixou comandos transit\u00f3rios e prazos para implementa\u00e7\u00e3o de provid\u00eancias (com refer\u00eancia expressa a um horizonte de cumprimento e acompanhamento), preservando par\u00e2metros constitucionais at\u00e9 que sobrevenha legisla\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com a decis\u00e3o. A ideia central foi: n\u00e3o basta invalidar a l\u00f3gica do marco temporal; \u00e9 preciso impedir que a paralisia administrativa continue produzindo viola\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 No aspecto procedimental, o STF enfatizou que o contradit\u00f3rio deve ser <strong>efetivo e tempestivo<\/strong>: participa\u00e7\u00e3o apenas ao final (quando estudos j\u00e1 se encerraram) tende a esvaziar a utilidade do contradit\u00f3rio. A Corte tamb\u00e9m recha\u00e7ou formalismos que, em vez de qualificar o procedimento, sirvam para travar processos e reabrir indefinidamente etapas j\u00e1 tecnicamente conclu\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Ainda no procedimento, o Tribunal tratou da fase anterior \u00e0 portaria declarat\u00f3ria: a incerteza objetiva quanto aos limites pode demandar tratamento jur\u00eddico cuidadoso sobre benfeitorias e condutas de ocupantes n\u00e3o ind\u00edgenas, especialmente quando h\u00e1 boa-f\u00e9. Mas deixou claro que qualquer interfer\u00eancia no uso e gozo da posse coletiva ind\u00edgena exige motiva\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, proporcionalidade e salvaguardas (inclusive a l\u00f3gica de consulta e prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais), sob pena de degradar a tutela do art. 231.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do reconhecimento de terras tradicionalmente ocupadas \u00e0 presen\u00e7a ind\u00edgena, assinale a alternativa correta conforme a jurisprud\u00eancia do STF:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 inconstitucional lei ordin\u00e1ria que substitui os crit\u00e9rios do art. 231, \u00a7 1\u00ba, por requisito temporal fixo, pois isso restringe direitos origin\u00e1rios e imp\u00f5e \u00f4nus probat\u00f3rio desproporcional \u00e0s comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A demarca\u00e7\u00e3o tem natureza constitutiva, de modo que, sem ato estatal pr\u00e9vio, inexiste direito territorial ind\u00edgena opon\u00edvel a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A Lei n. 14.701\/2023 \u00e9 compat\u00edvel com o art. 231 da Constitui\u00e7\u00e3o ao exigir presen\u00e7a ind\u00edgena em 5\/10\/1988, pois tal recorte temporal confere seguran\u00e7a jur\u00eddica e reduz conflitos fundi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O STF rejeitou a ideia de omiss\u00e3o estatal no tema e reconheceu discricionariedade administrativa para as demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas, por envolverem escolhas pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O STF validou integralmente a Lei n. 14.701\/2023, limitando-se a recomendar aprimoramentos administrativos \u00e0 Funai e ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Coment\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Correta. A Corte considerou inconstitucionais dispositivos que reintroduzem requisito temporal incompat\u00edvel com o art. 231 e com o Tema 1.031, por restringirem indevidamente a prote\u00e7\u00e3o territorial ind\u00edgena. Vide conjunto da ADC 87\/DF e das ADIs 7.582\/DF, 7.583\/DF e 7.586\/DF \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O direito territorial \u00e9 origin\u00e1rio e a demarca\u00e7\u00e3o atua como reconhecimento\/declara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como cria\u00e7\u00e3o do direito.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STF afastou a l\u00f3gica do marco temporal por entender que ela reduz o conte\u00fado do art. 231 ao substituir crit\u00e9rios constitucionais por recorte cronol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STF reconheceu omiss\u00e3o estatal vinculada ao dever do ADCT, art. 67, e imp\u00f4s comandos de implementa\u00e7\u00e3o para superar a in\u00e9rcia prolongada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Houve declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade de diversos dispositivos\/express\u00f5es, com defini\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros constitucionais e provid\u00eancias transit\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Terras ind\u00edgenas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Direito origin\u00e1rio territorial (<strong>CF, art. 231<\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tradicionalidade = crit\u00e9rios do <strong>CF, art. 231, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (sem corte temporal)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Marco temporal legislativo (5\/10\/1988) = restri\u00e7\u00e3o inconstitucional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Omiss\u00e3o estatal (<strong>ADCT, art. 67<\/strong>) e comandos de implementa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Procedimento: contradit\u00f3rio efetivo; veda\u00e7\u00e3o de formalismos paralisantes; motiva\u00e7\u00e3o proporcional em interfer\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o inconstitucionais \u2014 por restringirem indevidamente a prote\u00e7\u00e3o constitucional aos direitos origin\u00e1rios dos povos ind\u00edgenas e por contrariarem o regime constitucional de reconhecimento e demarca\u00e7\u00e3o das terras tradicionalmente ocupadas (CF\/1988, art. 231) \u2014 dispositivos da Lei n\u00ba 14.701\/2023 que (i) condicionam o conceito de terra tradicionalmente ocupada \u00e0 \u201cdata da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal\u201d e (ii) reproduzem, direta ou indiretamente, a l\u00f3gica do \u201cmarco temporal\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O texto constitucional assegura aos povos ind\u00edgenas direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam e imp\u00f5e ao Estado deveres correlatos de prote\u00e7\u00e3o e de atua\u00e7\u00e3o administrativa voltada ao reconhecimento e \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas (1).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte, firmada no <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciarepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=5109720&amp;numeroProcesso=1017365&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=1031\">Tema 1.031 da repercuss\u00e3o geral<\/a> (2), o reconhecimento das terras tradicionalmente ocupadas por povos ind\u00edgenas n\u00e3o se submete a recorte temporal fixo, pois se trata de direito origin\u00e1rio cuja tradicionalidade deve ser aferida pelos crit\u00e9rios constitucionais \u2014 e n\u00e3o por requisito cronol\u00f3gico imposto em lei. Nesse contexto, a Lei n\u00ba 14.701\/2023, ao condicionar o conceito de \u201c<em>terras tradicionalmente ocupadas<\/em>\u201d \u00e0 \u201c<em>data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/em>\u201d ou a \u201c<em>5 de outubro de 1988<\/em>\u201d, reintroduziu requisito temporal incompat\u00edvel com o regime constitucional de prote\u00e7\u00e3o territorial ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a positiva\u00e7\u00e3o legislativa de marco temporal com pretens\u00e3o retroativa n\u00e3o promove seguran\u00e7a jur\u00eddica, pois transfere \u00e0s comunidades ind\u00edgenas um \u00f4nus probat\u00f3rio excessivo \u2014 por vezes inexequ\u00edvel \u2014 de comprova\u00e7\u00e3o documental de ocupa\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita e, na pr\u00e1tica, reduz o alcance da prote\u00e7\u00e3o conferida pelo dispositivo constitucional acima citado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 omiss\u00e3o inconstitucional do poder p\u00fablico no cumprimento do dever de concluir a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas (ADCT, art. 67).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado deve atuar para proteger os direitos humanos e para evitar a escalada de tens\u00f5es de forma a buscar a paz social e minimizar conflitos nas demarca\u00e7\u00f5es. Nesse contexto, determinou-se, em car\u00e1ter transit\u00f3rio, a conclus\u00e3o das demarca\u00e7\u00f5es no prazo de cinco anos, contado da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o (3). Esse comando refor\u00e7a a natureza obrigat\u00f3ria da atua\u00e7\u00e3o estatal e evidencia a centralidade da efetividade administrativa como pressuposto para a tutela dos direitos fundamentais dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da persist\u00eancia de in\u00e9rcia estatal prolongada na finaliza\u00e7\u00e3o dos procedimentos demarcat\u00f3rios \u2014 com a manuten\u00e7\u00e3o de indefini\u00e7\u00f5es que inviabilizam, na pr\u00e1tica, a plena efic\u00e1cia do regime protetivo do art. 231 \u2014, o Tribunal fixou o prazo de at\u00e9 180 (cento e oitenta) dias para que os Poderes P\u00fablicos cumpram as determina\u00e7\u00f5es estabelecidas, as quais subsistir\u00e3o, transitoriamente, at\u00e9 a superveni\u00eancia de lei que se harmonize com os par\u00e2metros constitucionais delineados na decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano procedimental, o STF assentou que: (i) o processo demarcat\u00f3rio deve assegurar participa\u00e7\u00e3o efetiva e tempestiva dos interessados, sob pena de esvaziar o contradit\u00f3rio quando a interven\u00e7\u00e3o apenas se viabiliza ap\u00f3s a conclus\u00e3o dos estudos t\u00e9cnicos; (ii) exig\u00eancias formais n\u00e3o podem operar como obst\u00e1culo desproporcional nem inviabilizar retroativamente trabalhos t\u00e9cnicos j\u00e1 conclu\u00eddos e entregues \u00e0 Funai, sob pena de paralisia administrativa e incremento de litigiosidade; (iii) at\u00e9 a portaria declarat\u00f3ria do Ministro da Justi\u00e7a, a incerteza objetiva quanto aos limites justifica o tratamento de boa-f\u00e9 das benfeitorias realizadas por ocupantes n\u00e3o ind\u00edgenas; e (iv) eventual interfer\u00eancia estatal no uso e gozo da posse coletiva ind\u00edgena exige motiva\u00e7\u00e3o expl\u00edcita e proporcional, com garantia de consulta pr\u00e9via, livre e informada \u00e0s comunidades afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, em julgamento conjunto e por maioria, dentre outras medidas, (i) homologou o produto da Comiss\u00e3o Especial e determinou o envio ao Congresso Nacional para ado\u00e7\u00e3o das provid\u00eancias que entender cab\u00edveis; (ii) julgou parcialmente procedentes as a\u00e7\u00f5es com o fim de declarar a inconstitucionalidade de dispositivos e express\u00f5es contidas nos arts. 4\u00ba, <em>caput<\/em> e \u00a7\u00a7 2\u00ba a 4\u00ba; 5\u00ba; 6\u00ba; 9\u00ba, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba; 10, 13, 14; 18, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba; 20, <em>caput<\/em> e par\u00e1grafo \u00fanico; 22; 23, <em>caput<\/em> e \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba; 26; 27; 31 e 32, todos da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/lei\/l14701.htm\">Lei n\u00ba 14.701\/2023<\/a> (4), no art. 2\u00ba, IX, da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L4132.htm#:~:text=IX%20%2D%20a%20destina%C3%A7%C3%A3o%20de%20%C3%A1reas%20%C3%A0s%20comunidades%20ind%C3%ADgenas%20que%20n%C3%A3o%20se%20encontravam%20em%20%C3%A1rea%20de%20ocupa%C3%A7%C3%A3o%20tradicional%20em%205%20de%20outubro%20de%201988%2C%20desde%20que%20necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20reprodu%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsica%20e%20cultural%2C%20segundo%20seus%20usos%2C%20costumes%20e%20tradi%C3%A7%C3%B5es.%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Inclu%C3%ADdo%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2014.701%2C%20de%202023)\">Lei n\u00ba 4.132\/1962<\/a> (5) e no art. 2\u00ba, IX, da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6001.htm#:~:text=IX%20%2D%20garantir%20aos%20%C3%ADndios%20e%20comunidades%20ind%C3%ADgenas%2C%20nos%20termos%20da%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20Federal%2C%20a%20posse%20permanente%20das%20terras%20tradicionalmente%20ocupadas%20em%205%20de%20outubro%20de%201988%2C%20reconhecendo%2Dlhes%20o%20direito%20ao%20usufruto%20exclusivo%20das%20riquezas%20naturais%20e%20de%20todas%20as%20utilidades%20naquelas%20terras%20existentes%3B%C2%A0\">Lei n\u00ba 6.001\/1973<\/a> (6); e (iii) declarou a inconstitucionalidade por omiss\u00e3o quanto ao art. 67 do ADCT, fixando prazo de 180 dias para o cumprimento das determina\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/ConstituicaoCompilado.htm#:~:text=Art.%20231.%20S%C3%A3o,3%C2%BA%20e%20%C2%A7%204%C2%BA.\">CF\/1988<\/a>: \u201cArt. 231. S\u00e3o reconhecidos aos \u00edndios sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es, e os direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo \u00e0 Uni\u00e3o demarc\u00e1-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. \u00a7 1\u00ba S\u00e3o terras tradicionalmente ocupadas pelos \u00edndios as por eles habitadas em car\u00e1ter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescind\u00edveis \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos recursos ambientais necess\u00e1rios a seu bem-estar e as necess\u00e1rias a sua reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural, segundo seus usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es. \u00a7 2\u00ba As terras tradicionalmente ocupadas pelos \u00edndios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. \u00a7 3\u00ba O aproveitamento dos recursos h\u00eddricos, inclu\u00eddos os potenciais energ\u00e9ticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras ind\u00edgenas s\u00f3 podem ser efetivados com autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participa\u00e7\u00e3o nos resultados da lavra, na forma da lei. \u00a7 4\u00ba As terras de que trata este artigo s\u00e3o inalien\u00e1veis e indispon\u00edveis, e os direitos sobre elas, imprescrit\u00edveis. \u00a7 5\u00ba \u00c9 vedada a remo\u00e7\u00e3o dos grupos ind\u00edgenas de suas terras, salvo, \u2018ad referendum\u2019 do Congresso Nacional, em caso de cat\u00e1strofe ou epidemia que ponha em risco sua popula\u00e7\u00e3o, ou no interesse da soberania do Pa\u00eds, ap\u00f3s delibera\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hip\u00f3tese, o retorno imediato logo que cesse o risco. \u00a7 6\u00ba S\u00e3o nulos e extintos, n\u00e3o produzindo efeitos jur\u00eddicos, os atos que tenham por objeto a ocupa\u00e7\u00e3o, o dom\u00ednio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse p\u00fablico da Uni\u00e3o, segundo o que dispuser lei complementar, n\u00e3o gerando a nulidade e a extin\u00e7\u00e3o direito a indeniza\u00e7\u00e3o ou a a\u00e7\u00f5es contra a Uni\u00e3o, salvo, na forma da lei, quanto \u00e0s benfeitorias derivadas da ocupa\u00e7\u00e3o de boa f\u00e9. \u00a7 7\u00ba N\u00e3o se aplica \u00e0s terras ind\u00edgenas o disposto no art. 174, \u00a7 3\u00ba e \u00a7 4\u00ba.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) Precedente citado: <a href=\"https:\/\/redir.stf.jus.br\/paginadorpub\/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=774190498\">RE 1.017.365<\/a> (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciarepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=5109720&amp;numeroProcesso=1017365&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=1031\">Tema 1.031 RG<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/ConstituicaoCompilado.htm#:~:text=Art.%2067.%20A%20Uni%C3%A3o%20concluir%C3%A1%20a%20demarca%C3%A7%C3%A3o%20das%20terras%20ind%C3%ADgenas%20no%20prazo%20de%20cinco%20anos%20a%20partir%20da%20promulga%C3%A7%C3%A3o%20da%20Constitui%C3%A7%C3%A3o.\">ADCT<\/a>: \u201cArt. 67. A Uni\u00e3o concluir\u00e1 a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas no prazo de cinco anos a partir da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(4) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/lei\/l14701.htm\">Lei n\u00ba 14.701\/2023<\/a>: \u201cArt. 4\u00ba S\u00e3o terras tradicionalmente ocupadas pelos ind\u00edgenas brasileiros aquelas que, na data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, eram, simultaneamente: (&#8230;) \u00a7 2\u00ba A aus\u00eancia da comunidade ind\u00edgena em 5 de outubro de 1988 na \u00e1rea pretendida descaracteriza o seu enquadramento no inciso Ido <em>caput<\/em> deste artigo, salvo o caso de renitente esbulho devidamente comprovado. \u00a7 3\u00ba Para os fins desta Lei, considera-se renitente esbulho o efetivo conflito possess\u00f3rio, iniciado no passado e persistente at\u00e9 o marco demarcat\u00f3rio temporal da data de promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, materializado por circunst\u00e2ncias de fato ou por controv\u00e9rsia possess\u00f3ria judicializada. \u00a7 4\u00ba A cessa\u00e7\u00e3o da posse ind\u00edgena ocorrida anteriormente a 5 de outubro de 1988, independentemente da causa, inviabiliza o reconhecimento da \u00e1rea como tradicionalmente ocupada, salvo o disposto no \u00a7 3\u00ba deste artigo (&#8230;) Art. 5\u00ba A demarca\u00e7\u00e3o contar\u00e1 obrigatoriamente com a participa\u00e7\u00e3o dos Estados e dos Munic\u00edpios em que se localize a \u00e1rea pretendida, bem como de todas as comunidades diretamente interessadas, franqueada a manifesta\u00e7\u00e3o de interessados e de entidades da sociedade civil desde o in\u00edcio do processo administrativo demarcat\u00f3rio, a partir da reivindica\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas. Par\u00e1grafo \u00fanico. \u00c9 assegurado aos entes federativos o direito de participa\u00e7\u00e3o efetiva no processo administrativo de demarca\u00e7\u00e3o de terras tradicionalmente ocupadas pelos ind\u00edgenas. Art. 6\u00ba Aos interessados na demarca\u00e7\u00e3o ser\u00e3o assegurados, em todas as suas fases, inclusive nos estudos preliminares, o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, e ser\u00e1 obrigat\u00f3ria a sua intima\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio do procedimento, bem como permitida a indica\u00e7\u00e3o de peritos auxiliares. (&#8230;) Art. 9\u00ba Antes de conclu\u00eddo o procedimento demarcat\u00f3rio e de indenizadas as benfeitorias de boa-f\u00e9, nos termos do \u00a7 6\u00ba do art. 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, n\u00e3o haver\u00e1 qualquer limita\u00e7\u00e3o de uso e gozo aos n\u00e3o ind\u00edgenas que exer\u00e7am posse sobre a \u00e1rea, garantida a sua perman\u00eancia na \u00e1rea objeto de demarca\u00e7\u00e3o. \u00a7 1\u00ba Consideram-se de boa-f\u00e9 as benfeitorias realizadas pelos ocupantes at\u00e9 que seja conclu\u00eddo o procedimento demarcat\u00f3rio. \u00a7 2\u00ba A indeniza\u00e7\u00e3o das benfeitorias deve ocorrer ap\u00f3s a comprova\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o realizada em vistoria do \u00f3rg\u00e3o federal competente. Art. 10. Aplica-se aos antrop\u00f3logos, aos peritos e a outros profissionais especializados, nomeados pelo poder p\u00fablico, cujos trabalhos fundamentem a demarca\u00e7\u00e3o, o disposto no art. 148 da Lei n\u00ba 13.105, de 16 de mar\u00e7o de 2015 (C\u00f3digo de Processo Civil). (&#8230;) Art. 13. \u00c9 vedada a amplia\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas j\u00e1 demarcadas. Art. 14. Os processos administrativos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas ainda n\u00e3o conclu\u00eddos ser\u00e3o adequados ao disposto nesta Lei. (&#8230;) Art. 18. S\u00e3o consideradas \u00e1reas ind\u00edgenas adquiridas as havidas pela comunidade ind\u00edgena mediante qualquer forma de aquisi\u00e7\u00e3o permitida pela legisla\u00e7\u00e3o civil, tal como a compra e venda ou a doa\u00e7\u00e3o. \u00a7 1\u00ba Aplica-se \u00e0s \u00e1reas ind\u00edgenas adquiridas o regime jur\u00eddico da propriedade privada. \u00a7 2\u00ba As terras de dom\u00ednio ind\u00edgena constitu\u00eddas nos termos da Lei n\u00ba 6.001, de 19 de dezembro de 1973, ser\u00e3o consideradas \u00e1reas ind\u00edgenas adquiridas nos moldes desta Lei. (&#8230;) Art. 20. O usufruto dos ind\u00edgenas n\u00e3o se sobrep\u00f5e ao interesse da pol\u00edtica de defesa e soberania nacional. Par\u00e1grafo \u00fanico. A instala\u00e7\u00e3o de bases, unidades e postos militares e demais interven\u00e7\u00f5es militares, a expans\u00e3o estrat\u00e9gica da malha vi\u00e1ria, a explora\u00e7\u00e3o de alternativas energ\u00e9ticas de cunho estrat\u00e9gico e o resguardo das riquezas de cunho estrat\u00e9gico ser\u00e3o implementados independentemente de consulta \u00e0s comunidades ind\u00edgenas envolvidas ou ao \u00f3rg\u00e3o indigenista federal competente. (&#8230;) Art. 22. Ao poder p\u00fablico \u00e9 permitida a instala\u00e7\u00e3o, em terras ind\u00edgenas, de equipamentos, de redes de comunica\u00e7\u00e3o, de estradas e de vias de transporte, al\u00e9m das constru\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos, especialmente os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Art. 23. O usufruto dos ind\u00edgenas em terras ind\u00edgenas superpostas a unidades de conserva\u00e7\u00e3o fica sob a responsabilidade do \u00f3rg\u00e3o federal gestor das \u00e1reas protegidas, observada a compatibilidade do respectivo regime de prote\u00e7\u00e3o. \u00a7 1\u00ba O \u00f3rg\u00e3o federal gestor responder\u00e1 pela administra\u00e7\u00e3o das \u00e1reas das unidades de conserva\u00e7\u00e3o superpostas a terras ind\u00edgenas, com a participa\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas, que dever\u00e3o ser ouvidas, considerados os seus usos, tradi\u00e7\u00f5es e costumes, e poder\u00e1, para tanto, contar com a consultoria do \u00f3rg\u00e3o indigenista federal competente. \u00a7 2\u00ba O tr\u00e2nsito de visitantes e pesquisadores n\u00e3o ind\u00edgenas deve ser admitido na \u00e1rea afetada \u00e0 unidade de conserva\u00e7\u00e3o, nos hor\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es estipulados pelo \u00f3rg\u00e3o federal gestor. (&#8230;) Art. 26. \u00c9 facultado o exerc\u00edcio de atividades econ\u00f4micas em terras ind\u00edgenas, desde que pela pr\u00f3pria comunidade ind\u00edgena, admitidas a coopera\u00e7\u00e3o e a contrata\u00e7\u00e3o de terceiros n\u00e3o ind\u00edgenas. \u00a7 1\u00ba As terras ind\u00edgenas n\u00e3o poder\u00e3o ser objeto de arrendamento ou de qualquer ato ou neg\u00f3cio jur\u00eddico que elimine a posse direta pela comunidade ind\u00edgena. \u00a7 2\u00ba \u00c9 permitida a celebra\u00e7\u00e3o de contratos que visem \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o entre ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas para a realiza\u00e7\u00e3o de atividades econ\u00f4micas, inclusive agrossilvipastoris, em terras ind\u00edgenas, desde que: I &#8211; os frutos da atividade gerem benef\u00edcios para toda a comunidade ind\u00edgena; II &#8211; a posse dos ind\u00edgenas sobre a terra seja mantida, ainda que haja atua\u00e7\u00e3o conjunta de n\u00e3o ind\u00edgenas no exerc\u00edcio da atividade; III &#8211; a comunidade ind\u00edgena, mediante os pr\u00f3prios meios de tomada de decis\u00e3o, aprove a celebra\u00e7\u00e3o contratual; IV &#8211; os contratos sejam registrados na Funai. Art. 27. \u00c9 permitido o turismo em terras ind\u00edgenas, organizado pela pr\u00f3pria comunidade ind\u00edgena, admitida a celebra\u00e7\u00e3o de contratos para a capta\u00e7\u00e3o de investimentos de terceiros, desde que respeitadas as condi\u00e7\u00f5es estabelecidas no \u00a7 2\u00ba do art. 26 desta Lei. Par\u00e1grafo \u00fanico. Nas terras ind\u00edgenas, \u00e9 vedada a qualquer pessoa estranha \u00e0s comunidades ind\u00edgenas a pr\u00e1tica de ca\u00e7a, pesca, extrativismo ou coleta de frutos, salvo se relacionada ao turismo organizado pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas, respeitada a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(5) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L4132.htm#:~:text=IX%20%2D%20a%20destina%C3%A7%C3%A3o%20de%20%C3%A1reas%20%C3%A0s%20comunidades%20ind%C3%ADgenas%20que%20n%C3%A3o%20se%20encontravam%20em%20%C3%A1rea%20de%20ocupa%C3%A7%C3%A3o%20tradicional%20em%205%20de%20outubro%20de%201988%2C%20desde%20que%20necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20reprodu%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsica%20e%20cultural%2C%20segundo%20seus%20usos%2C%20costumes%20e%20tradi%C3%A7%C3%B5es.%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Inclu%C3%ADdo%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2014.701%2C%20de%202023)\">Lei n\u00ba 4.132\/1962<\/a>: \u201cArt. 2\u00ba Considera-se de interesse social: (&#8230;) IX &#8211; a destina\u00e7\u00e3o de \u00e1reas \u00e0s comunidades ind\u00edgenas que n\u00e3o se encontravam em \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional em 5 de outubro de 1988, desde que necess\u00e1rias \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural, segundo seus usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es. (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 14.701, de 2023)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(6) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6001.htm#:~:text=IX%20%2D%20garantir%20aos%20%C3%ADndios%20e%20comunidades%20ind%C3%ADgenas%2C%20nos%20termos%20da%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20Federal%2C%20a%20posse%20permanente%20das%20terras%20tradicionalmente%20ocupadas%20em%205%20de%20outubro%20de%201988%2C%20reconhecendo%2Dlhes%20o%20direito%20ao%20usufruto%20exclusivo%20das%20riquezas%20naturais%20e%20de%20todas%20as%20utilidades%20naquelas%20terras%20existentes%3B%C2%A0\">Lei n\u00ba 6.001\/1973<\/a>: \u201cArt. 2\u00b0 Cumpre \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados e aos Munic\u00edpios, bem como aos \u00f3rg\u00e3os das respectivas administra\u00e7\u00f5es indiretas, nos limites de sua compet\u00eancia, para a prote\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas e a preserva\u00e7\u00e3o dos seus direitos: (&#8230;) IX &#8211; garantir aos \u00edndios e comunidades ind\u00edgenas, nos termos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a posse permanente das terras tradicionalmente ocupadas em 5 de outubro de 1988, reconhecendo-lhes o direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades naquelas terras existentes. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 14.701, de 2023)\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-mulheres-vitimas-de-violencia-domestica-e-onus-remuneratorio-do-afastamento\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e \u00f4nus remunerat\u00f3rio do afastamento<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o viola a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal a decis\u00e3o do <strong>ju\u00edzo estadual criminal<\/strong> (Lei Maria da Penha) que determina a <strong>presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria<\/strong> \u00e0 v\u00edtima afastada do trabalho (Lei n\u00ba 11.340\/2006, art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II), ainda que o <strong>cumprimento material<\/strong> recaia sobre <strong>empregador e INSS<\/strong>, cabendo <strong>a\u00e7\u00e3o regressiva<\/strong> do INSS contra o agressor na Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.520.468\/PR, Rel. Ministro Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 15\/12\/2025 (Tema 1.370 RG).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s epis\u00f3dio de viol\u00eancia dom\u00e9stica, o ju\u00edzo criminal estadual deferiu medida protetiva para afastar Gertrudes do trabalho e assegurar <strong>manuten\u00e7\u00e3o de renda<\/strong> durante o per\u00edodo de afastamento. O debate surgiu porque a ordem, na pr\u00e1tica, exigia que <strong>INSS<\/strong> (e, quando houvesse v\u00ednculo empregat\u00edcio, tamb\u00e9m o <strong>empregador<\/strong>) suportassem o pagamento, levantando a alega\u00e7\u00e3o de que o ju\u00edzo estadual teria invadido compet\u00eancia t\u00edpica da Justi\u00e7a Federal ao impor obriga\u00e7\u00e3o \u00e0 autarquia previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 11.340\/2006, art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II<\/strong> (<em>manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo trabalhista e afastamento do local de trabalho por at\u00e9 seis meses<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, I<\/strong> (<em>compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal e a\u00e7\u00f5es envolvendo autarquia federal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.213\/1991, art. 120, II<\/strong> (<em>a\u00e7\u00e3o regressiva do INSS em hip\u00f3teses legalmente previstas, para ressarcimento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.742\/1993 (LOAS)<\/strong> (<em>assist\u00eancia social e benef\u00edcios eventuais por vulnerabilidade tempor\u00e1ria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A medida protetiva do art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, tem natureza <strong>cautelar-protetiva<\/strong>: busca preservar a integridade <strong>f\u00edsica, psicol\u00f3gica e econ\u00f4mica<\/strong> da v\u00edtima, garantindo <strong>continuidade m\u00ednima de renda<\/strong> no afastamento necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O ju\u00edzo estadual criminal <strong>fixa<\/strong> a medida protetiva e pode <strong>requisitar<\/strong> o pagamento; isso n\u00e3o equivale a \u201cconceder benef\u00edcio previdenci\u00e1rio\u201d em demanda contra o INSS, mas a <strong>operacionalizar<\/strong> a prote\u00e7\u00e3o prevista em lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A presta\u00e7\u00e3o pode ter natureza <strong>previdenci\u00e1ria<\/strong> ou <strong>assistencial<\/strong>, conforme o v\u00ednculo da mulher com a seguridade social:<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd (i) <strong>Previdenci\u00e1ria<\/strong>: se segurada do RGPS; quando houver emprego, <strong>empregador<\/strong> paga os <strong>primeiros 15 dias<\/strong> e o <strong>INSS<\/strong> custeia o per\u00edodo subsequente, <strong>sem car\u00eancia<\/strong>; se n\u00e3o houver rela\u00e7\u00e3o de emprego (p. ex., segurada facultativa\/individual), o custeio recai <strong>integralmente<\/strong> sobre o INSS.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd (ii) <strong>Assistencial<\/strong>: se n\u00e3o segurada do RGPS; a presta\u00e7\u00e3o funciona como <strong>benef\u00edcio eventual<\/strong> por vulnerabilidade tempor\u00e1ria, a ser provido <strong>pelo Estado<\/strong> via LOAS, mediante <strong>ateste judicial<\/strong> de aus\u00eancia de meios pr\u00f3prios de subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A solu\u00e7\u00e3o preserva a coer\u00eancia do sistema: o \u00f4nus imediato viabiliza a prote\u00e7\u00e3o e o <strong>ressarcimento<\/strong> pode ser buscado por via pr\u00f3pria, inclusive por <strong>regresso<\/strong> contra o agressor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF enfrentou, primeiro, um problema de desenho institucional: a Lei Maria da Penha atribui ao juiz, no \u00e2mbito criminal, o dever de assegurar condi\u00e7\u00f5es concretas para interromper o ciclo de viol\u00eancia. A Corte leu o art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, como comando de prote\u00e7\u00e3o <strong>integrada<\/strong>, que n\u00e3o se esgota em \u201cproibir condutas\u201d, mas exige medidas aptas a neutralizar o mecanismo cl\u00e1ssico de coer\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do agressor: o risco de perda do trabalho e da renda. Nessa chave, o afastamento remunerado n\u00e3o aparece como \u201cbenef\u00edcio previdenci\u00e1rio t\u00edpico\u201d, e sim como <strong>instrumento protetivo<\/strong> cuja finalidade \u00e9 impedir que a v\u00edtima tenha de escolher entre seguran\u00e7a e subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A obje\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia (CF, art. 109, I) foi resolvida pela distin\u00e7\u00e3o entre (a) a compet\u00eancia para <strong>fixar a medida protetiva<\/strong> no processo criminal e (b) a compet\u00eancia para <strong>lit\u00edgios federais<\/strong> que discutam, em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-previdenci\u00e1ria ou pretens\u00f5es regressivas. Para o STF, quando o juiz estadual determina o cumprimento material pelo INSS, ele n\u00e3o julga \u201ca\u00e7\u00e3o contra autarquia\u201d nem concede presta\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria por substitui\u00e7\u00e3o processual; ele emite ordem instrumental necess\u00e1ria \u00e0 efic\u00e1cia da medida protetiva prevista em lei federal, dentro de sua jurisdi\u00e7\u00e3o criminal. O eventual acerto de contas do sistema \u2014 inclusive para evitar que o custo social recaia definitivamente sobre a coletividade \u2014 desloca-se para a via adequada: a <strong>a\u00e7\u00e3o regressiva do INSS<\/strong> contra o agressor, de compet\u00eancia federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Tribunal tamb\u00e9m precisou dar conte\u00fado \u00e0 express\u00e3o \u201cv\u00ednculo trabalhista\u201d para evitar uma prote\u00e7\u00e3o seletiva e insuficiente. A decis\u00e3o reconheceu que o objetivo constitucional e legal \u00e9 a <strong>manuten\u00e7\u00e3o da fonte de renda<\/strong>, n\u00e3o apenas do emprego formal: proteger somente a mulher com contrato celetista deixaria desamparada a parcela mais exposta \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 precariedade (trabalho informal, aut\u00f4nomas sem cobertura, situa\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia econ\u00f4mica). Por isso, o STF ampliou a compreens\u00e3o do comando legal: o Judici\u00e1rio avalia, no caso concreto, a necessidade de afastamento e a preserva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, definindo o regime aplic\u00e1vel conforme a inser\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) da v\u00edtima na seguridade social.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Da\u00ed resultou um modelo de reparti\u00e7\u00e3o de encargos que procura manter coer\u00eancia com categorias j\u00e1 conhecidas do direito social, sem transformar a medida protetiva em um \u201catalho\u201d permanente de previd\u00eancia. Se a mulher integra o RGPS, a presta\u00e7\u00e3o assume natureza <strong>previdenci\u00e1ria<\/strong>, com regras de custeio compat\u00edveis com a l\u00f3gica de afastamentos remunerados (empregador no in\u00edcio, INSS depois, sem car\u00eancia, por tratar-se de prote\u00e7\u00e3o emergencial). Se n\u00e3o integra, a presta\u00e7\u00e3o assume natureza <strong>assistencial<\/strong>, como resposta a vulnerabilidade tempor\u00e1ria, exigindo do juiz um ju\u00edzo expl\u00edcito sobre a inexist\u00eancia de meios de manuten\u00e7\u00e3o, para que a provid\u00eancia n\u00e3o se converta em pagamento autom\u00e1tico desconectado do estado de necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do Tema 1.370 da repercuss\u00e3o geral (RE 1.520.468\/PR), assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A fixa\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria prevista na Lei Maria da Penha, quando dirigida ao INSS, exige que a v\u00edtima proponha a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a Federal, pois ju\u00edzo estadual criminal n\u00e3o pode impor obriga\u00e7\u00e3o \u00e0 autarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O afastamento remunerado da v\u00edtima ter\u00e1 natureza previdenci\u00e1ria, independentemente de ela integrar o RGPS.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria do art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, tem natureza cautelar e pode ser fixada pelo ju\u00edzo estadual criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A limita\u00e7\u00e3o do \u201cv\u00ednculo trabalhista\u201d impede a extens\u00e3o da benesse via decis\u00e3o judicial a trabalhadoras aut\u00f4nomas e informais, por falta de base legal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Ainda que a v\u00edtima n\u00e3o seja segurada do RGPS, o INSS deve custear integralmente o afastamento, pois a prote\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica integra o n\u00facleo essencial da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Coment\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF distinguiu a <strong>fixa\u00e7\u00e3o da medida protetiva<\/strong> (ju\u00edzo estadual criminal) do lit\u00edgio federal t\u00edpico: a ordem ao INSS aparece como <strong>cumprimento material<\/strong> da medida protetiva, sem transformar o caso em a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria origin\u00e1ria na Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STF n\u00e3o tratou a presta\u00e7\u00e3o como \u201cbenef\u00edcio novo\u201d universalmente previdenci\u00e1rio; a natureza varia conforme o <strong>v\u00ednculo da mulher com a seguridade social<\/strong> (previdenci\u00e1ria ou assistencial).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Correta. Essa alternativa sintetiza o n\u00facleo do Tema 1.370: compet\u00eancia do ju\u00edzo estadual para a medida protetiva, regime de custeio conforme a posi\u00e7\u00e3o da v\u00edtima no RGPS (incluindo a regra dos <strong>15 dias<\/strong> quando houver empregador e <strong>dispensa de car\u00eancia<\/strong>) e possibilidade de <strong>regresso<\/strong> do INSS contra o agressor na Justi\u00e7a Federal (Lei n\u00ba 8.213\/1991, art. 120, II). \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STF afirmou interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa da prote\u00e7\u00e3o: a express\u00e3o legal deve abarcar a preserva\u00e7\u00e3o da <strong>fonte de renda<\/strong>, permitindo solu\u00e7\u00e3o <strong>assistencial<\/strong> (LOAS) quando a mulher n\u00e3o for segurada do RGPS, desde que o ju\u00edzo ateste aus\u00eancia de meios de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Quando inexistir v\u00ednculo com o RGPS, a Corte apontou natureza <strong>assistencial<\/strong>, a ser provida pelo <strong>Estado<\/strong> segundo a LOAS, e n\u00e3o custeada automaticamente pelo INSS, evitando deslocamento indevido de atribui\u00e7\u00f5es e custeio previdenci\u00e1rio sem base.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Viol\u00eancia dom\u00e9stica e afastamento remunerado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Medida protetiva (Lei n\u00ba 11.340\/2006, art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II) \u2192 prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m econ\u00f4mica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ju\u00edzo estadual criminal fixa a medida e pode requisitar a presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Cumprimento material: empregador (15 dias, quando houver) + INSS (depois, sem car\u00eancia), se RGPS<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sem RGPS \u2192 natureza assistencial (LOAS) + ateste judicial de vulnerabilidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Regresso do INSS contra o agressor (Lei n\u00ba 8.213\/1991, art. 120, II) na Justi\u00e7a Federal<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o viola a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal ato emanado de juiz de direito que determina ao INSS o pagamento de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria em favor de v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica com base no art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, da Lei n\u00ba 11.340\/2006.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ordem atinente ao cumprimento material do comando normativo extra\u00eddo do art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, da Lei Maria da Penha (1) n\u00e3o consiste na condena\u00e7\u00e3o da autarquia \u00e0 concess\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio propriamente dito, restringindo-se ao cumprimento material de ordem emanada de ju\u00edzo estadual competente para apreciar casos concretos, nos quais devem ser aplicadas a medida de seguran\u00e7a e a consequente presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria correspondente.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida prevista na Lei n\u00ba 11.340\/2006 possui natureza cautelar, destinada a preservar a integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e, sobretudo, econ\u00f4mica da mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica, mediante a garantia da manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo trabalhista durante o afastamento do local de trabalho. Nesse contexto, cabe ao INSS ajuizar a\u00e7\u00e3o de regresso na Justi\u00e7a Federal contra o agressor para o ressarcimento do \u00f4nus financeiro.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em se tratando de empregada, a medida configura hip\u00f3tese de interrup\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho, situa\u00e7\u00e3o que garante a manuten\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o com a contagem de tempo de servi\u00e7o. Nessa hip\u00f3tese, a remunera\u00e7\u00e3o dos primeiros 15 dias ser\u00e1 de responsabilidade do empregador e o per\u00edodo subsequente ser\u00e1 custeado pela autarquia previdenci\u00e1ria, independentemente de cumprimento de per\u00edodo de car\u00eancia. Por\u00e9m, se a v\u00edtima for segurada facultativa do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de emprego, o benef\u00edcio ser\u00e1 arcado integralmente pelo INSS.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, se a mulher afastada n\u00e3o for segurada obrigat\u00f3ria ou facultativa da previd\u00eancia social, atuando como trabalhadora aut\u00f4noma informal, a presta\u00e7\u00e3o advinda da medida protetiva assume natureza assistencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a prote\u00e7\u00e3o deve ser garantida mediante aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica dos princ\u00edpios e normas que regem a assist\u00eancia social, especialmente a Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social \u2013 LOAS (Lei n\u00ba 8.742\/1993), circunst\u00e2ncia em que o ju\u00edzo competente atestar\u00e1 que a mulher n\u00e3o possui quaisquer meios de prover a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o, reclamando a assist\u00eancia do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=7064773&amp;numeroProcesso=1520468&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=1370\">Tema 1.370 da repercuss\u00e3o geral<\/a>, negou provimento ao recurso para manter o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido e declarar a compet\u00eancia do Ju\u00edzo de Direito da 2\u00aa Vara Criminal de Toledo\/PR para a fixa\u00e7\u00e3o da medida protetiva disposta no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#:~:text=for%20o%20caso.-,Art.%209%C2%BA%C2%A0,-A%20assist%C3%AAncia%20%C3%A0\">art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, da Lei n\u00ba 11.340\/2006<\/a>, inclusive no que concerne \u00e0 determina\u00e7\u00e3o dirigida ao INSS para que seja garantido o afastamento remunerado mediante a concess\u00e3o de benef\u00edcio an\u00e1logo ao aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria (aux\u00edlio-doen\u00e7a), e fixou a tese citada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teses fixadas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c1) Compete ao ju\u00edzo estadual, no exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o criminal, especialmente aquele respons\u00e1vel pela aplica\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha), fixar a medida protetiva prevista no art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, da referida lei, inclusive quanto \u00e0 requisi\u00e7\u00e3o de pagamento de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria em favor da v\u00edtima afastada do local de trabalho, ainda que o cumprimento material da decis\u00e3o fique sob o encargo do INSS e do empregador;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2) Nos termos do que disp\u00f5e o art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal processar e julgar as a\u00e7\u00f5es regressivas que, com fundamento no art. 120, II, da Lei n\u00ba 8.213\/1991, dever\u00e3o ser ajuizadas pela Autarquia Previdenci\u00e1ria Federal contra os respons\u00e1veis nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3) A express\u00e3o constante da Lei (\u2018<em>v\u00ednculo trabalhista\u2019<\/em>) deve abranger a prote\u00e7\u00e3o da mulher visando \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua fonte de renda, qualquer que seja ela, da qual tenha que se afastar em face da viol\u00eancia sofrida, conforme aprecia\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio. A presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria decorrente da efetiva\u00e7\u00e3o da medida protetiva prevista no art. 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, da Lei n\u00ba 11.340\/2006 possui natureza previdenci\u00e1ria ou assistencial, conforme o v\u00ednculo jur\u00eddico da mulher com a seguridade social:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(i) previdenci\u00e1ria, quando a mulher for segurada do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, como empregada, contribuinte individual, facultativa ou segurada especial, hip\u00f3tese em que a remunera\u00e7\u00e3o dos primeiros 15 dias ser\u00e1 de responsabilidade do empregador (quando houver), e o per\u00edodo subsequente ser\u00e1 custeado pelo INSS, independentemente de cumprimento de per\u00edodo de car\u00eancia. No caso de inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de emprego de segurada do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, o benef\u00edcio ser\u00e1 arcado integralmente pelo INSS;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(ii) assistencial, quando a mulher n\u00e3o for segurada da previd\u00eancia social, hip\u00f3tese em que a presta\u00e7\u00e3o assume natureza de benef\u00edcio eventual decorrente de vulnerabilidade tempor\u00e1ria, cabendo ao Estado, na forma da Lei n\u00ba 8.742\/1993 (LOAS), prover a assist\u00eancia financeira necess\u00e1ria. Nesse caso, o ju\u00edzo competente dever\u00e1 atestar que a mulher destinat\u00e1ria da medida de afastamento do local de trabalho n\u00e3o possuir\u00e1, em raz\u00e3o de sua implementa\u00e7\u00e3o, quaisquer meios de prover a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#:~:text=for%20o%20caso.-,Art.%209%C2%BA%C2%A0,-A%20assist%C3%AAncia%20%C3%A0\">Lei n\u00ba 11.340\/2006<\/a>: \u201cArt. 9\u00ba A assist\u00eancia \u00e0 mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar ser\u00e1 prestada em car\u00e1ter priorit\u00e1rio no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e no Sistema \u00danico de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Susp), de forma articulada e conforme os princ\u00edpios e as diretrizes previstos na Lei n\u00ba 8.742, de 7 de dezembro de 1993 (Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social), e em outras normas e pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o, e emergencialmente, quando for o caso. (&#8230;) \u00a7 2\u00ba O juiz assegurar\u00e1 \u00e0 mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, para preservar sua integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica: (&#8230;) II &#8211; manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo trabalhista, quando necess\u00e1rio o afastamento do local de trabalho, por at\u00e9 seis meses.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-criacao-de-central-de-cumprimento-de-sentenca-por-resolucao-de-tribunal-de-justica\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cria\u00e7\u00e3o de central de cumprimento de senten\u00e7a por resolu\u00e7\u00e3o de tribunal de justi\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional ato normativo de tribunal de justi\u00e7a estadual que, como medida de <strong>coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional e gest\u00e3o eficiente<\/strong>, determina a concentra\u00e7\u00e3o de processos em fase de cumprimento de senten\u00e7a em \u00f3rg\u00e3o especializado, sem violar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre processo (<strong>CF, art. 22, I<\/strong>) nem as garantias do juiz natural e da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.636\/MG, Rel. Ministro Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 15\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 805\/2015, criando a Central de Cumprimento de Senten\u00e7a (CENTRASE) na comarca de Belo Horizonte, com a finalidade de concentrar, em regime de coopera\u00e7\u00e3o, processos em fase de cumprimento de senten\u00e7a oriundos das varas c\u00edveis. A norma foi questionada sob o argumento de que teria usurpado a compet\u00eancia legislativa da Uni\u00e3o para dispor sobre direito processual, al\u00e9m de violar o princ\u00edpio do juiz natural ao deslocar a tramita\u00e7\u00e3o de processos para \u00f3rg\u00e3o diverso do ju\u00edzo de origem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, I<\/strong> (<em>compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LIII<\/strong> (<em>princ\u00edpio do juiz natural<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXVIII<\/strong> (<em>razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 96, I, a, e II, d<\/strong> (<em>autonomia dos tribunais para organiza\u00e7\u00e3o interna<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 125, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>organiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a estadual<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 93, XI<\/strong> (<em>cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o especial<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei Complementar mineira n\u00ba 59\/2001, art. 10, \u00a7 13, e art. 73, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>centro de apoio jurisdicional e coopera\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Tribunais possuem autonomia administrativa e organizacional para distribuir internamente suas compet\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional n\u00e3o altera compet\u00eancia constitucional, mas racionaliza a tramita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Medidas de gest\u00e3o processual podem ser implementadas por ato normativo interno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF iniciou o exame diferenciando compet\u00eancia legislativa em mat\u00e9ria processual (CF, art. 22, I) da autonomia organizacional dos tribunais (CF, arts. 96 e 125). A Corte entendeu que a resolu\u00e7\u00e3o impugnada n\u00e3o inovou no direito processual nem criou novos procedimentos ou recursos, limitando-se a disciplinar a <strong>distribui\u00e7\u00e3o interna de compet\u00eancias e a coopera\u00e7\u00e3o entre unidades judiciais<\/strong>, mat\u00e9ria inserida na esfera de auto-organiza\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A cria\u00e7\u00e3o da CENTRASE foi interpretada como instrumento de <strong>gest\u00e3o do acervo e racionaliza\u00e7\u00e3o da fase executiva<\/strong>, especialmente em cumprimento de senten\u00e7a j\u00e1 transitada em julgado. A central n\u00e3o substitui o ju\u00edzo natural da causa, pois atua em coopera\u00e7\u00e3o com a vara de origem e apenas na etapa executiva, impulsionando atos processuais que n\u00e3o alteram o conte\u00fado da decis\u00e3o nem o \u00f3rg\u00e3o julgador competente para eventual revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Quanto \u00e0 alega\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do juiz natural (CF, art. 5\u00ba, LIII), o STF destacou que n\u00e3o houve cria\u00e7\u00e3o de ju\u00edzo ad hoc nem redistribui\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de causas. A atua\u00e7\u00e3o da central decorre de regra geral, previamente estabelecida, aplic\u00e1vel a todos os processos em igual situa\u00e7\u00e3o, o que afasta qualquer personaliza\u00e7\u00e3o ou direcionamento indevido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tribunal tamb\u00e9m ressaltou que a medida concretiza o princ\u00edpio da efici\u00eancia (CF, art. 37, caput) e da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo (CF, art. 5\u00ba, LXXVIII), pois busca enfrentar o passivo processual acumulado em fase executiva, etapa tradicionalmente marcada por morosidade. A coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional foi compreendida como mecanismo leg\u00edtimo de moderniza\u00e7\u00e3o administrativa, compat\u00edvel com o modelo constitucional de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Por fim, a Corte reafirmou sua jurisprud\u00eancia segundo a qual tribunais estaduais possuem ampla margem para dispor sobre sua organiza\u00e7\u00e3o interna, inclusive quanto \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de estruturas especializadas e \u00f3rg\u00e3os auxiliares, desde que n\u00e3o alterem o n\u00facleo das garantias processuais nem invadam compet\u00eancia legislativa federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da cria\u00e7\u00e3o de estruturas especializadas e \u00f3rg\u00e3os auxiliares pelos tribunais estaduais, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A cria\u00e7\u00e3o de central de cumprimento de senten\u00e7a por resolu\u00e7\u00e3o de tribunal estadual viola a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A concentra\u00e7\u00e3o de processos em \u00f3rg\u00e3o especializado afronta o princ\u00edpio do juiz natural, por deslocar a compet\u00eancia do ju\u00edzo de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A organiza\u00e7\u00e3o interna dos tribunais estaduais depende de lei federal regulamentadora.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o especializado para atuar na fase de cumprimento de senten\u00e7a, em regime de coopera\u00e7\u00e3o, insere-se na autonomia organizacional do tribunal de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional s\u00f3 pode ser institu\u00edda mediante lei aprovada pelo Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF entendeu que n\u00e3o houve inova\u00e7\u00e3o processual, mas organiza\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o ao juiz natural quando a redistribui\u00e7\u00e3o decorre de regra geral e abstrata de organiza\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A Constitui\u00e7\u00e3o assegura autonomia aos tribunais estaduais para propor sua organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Correta. A medida foi considerada express\u00e3o leg\u00edtima da autonomia administrativa e organizacional do tribunal. \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional pode ser institu\u00edda por ato normativo interno, desde que amparado na lei de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autonomia organizacional dos tribunais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o h\u00e1 invas\u00e3o da compet\u00eancia processual da Uni\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Juiz natural preservado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Efici\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional \u2014 e n\u00e3o ofende a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual (CF\/1988, art. 22, I), a garantia do ju\u00edzo natural (CF\/1988, art. 5\u00ba, LIII), a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo (CF\/1988, art. 5\u00ba, LXXVIII), o direito do acesso \u00e0 justi\u00e7a, nem a inafastabilidade da tutela jurisdicional \u2014 ato normativo de tribunal de justi\u00e7a estadual que determina, como medida de coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional e de gest\u00e3o eficiente, a concentra\u00e7\u00e3o de processos em fase de cumprimento de senten\u00e7a em \u00f3rg\u00e3o especializado nessa etapa jurisdicional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Minas Gerais, por meio da resolu\u00e7\u00e3o impugnada (1), disp\u00f4s sobre a cria\u00e7\u00e3o e o funcionamento da Central de Cumprimento de Senten\u00e7a (CENTRASE) na comarca de Belo Horizonte, a fim de administrar o passivo processual, oriundo das varas c\u00edveis em fase de cumprimento de senten\u00e7a transitada em julgado, com condena\u00e7\u00e3o em obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou pagamento de quantia certa.<\/p>\n\n\n\n<p>A referida norma n\u00e3o usurpa a compet\u00eancia legislativa processual da Uni\u00e3o, porquanto ocupa, de forma leg\u00edtima, delimitado espa\u00e7o regulamentador em \u00e2mbito local, com amparo na Lei de Organiza\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria do Estado de Minas Gerais (Lei Complementar mineira n\u00ba 59\/2001) (2), a qual permitiu, expressamente, que se criasse uma estrutura de coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional por meio de resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte, os tribunais estaduais possuem autonomia para dispor sobre compet\u00eancia, alterar sua organiza\u00e7\u00e3o, bem como propor sua lei de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria (CF\/1988, art. 96, I, <em>a<\/em>;e II, <em>d<\/em>; e art. 125, \u00a7 1\u00ba) (3).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, algumas mat\u00e9rias dever\u00e3o necessariamente ser tratadas por ato normativo editado por cada tribunal de justi\u00e7a, quando digam respeito a sua estrutura org\u00e2nica e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o interna de sua compet\u00eancia constitucional, tendo em vista que o poder constituinte, ao tratar da organiza\u00e7\u00e3o interna dos tribunais, concedeu ampla margem decis\u00f3ria na esfera de cada corte, inclusive quanto \u00e0 possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o especial (CF\/1988, art. 93, XI) (4).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a implementa\u00e7\u00e3o da CENTRASE n\u00e3o viola o princ\u00edpio do juiz natural, pois sua atua\u00e7\u00e3o apenas complementa a da unidade jurisdicional de origem, impulsionando os processos em est\u00e1gio j\u00e1 adiantado de execu\u00e7\u00e3o, em observ\u00e2ncia \u00e0 razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo e ao princ\u00edpio da efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o direta para declarar a constitucionalidade da <a><\/a><a href=\"https:\/\/www8.tjmg.jus.br\/institucional\/at\/pdf\/re08052015.PDF\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 805\/2015 do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Minas Gerais<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www8.tjmg.jus.br\/institucional\/at\/pdf\/re08052015.PDF\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 805\/2015 do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Minas Gerais<\/a>: \u201cArt. 1\u00ba Fica criada a Central de Cumprimento de Senten\u00e7a &#8211; CENTRASE, para atuar, em regime de coopera\u00e7\u00e3o, com as varas da Comarca de Belo Horizonte ou de outras comarcas, observado o disposto nesta Resolu\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Art. 2\u00ba Caber\u00e1 \u00e0 CENTRASE a coopera\u00e7\u00e3o com as varas de que trata o \u2018caput\u2019 do art. 1\u00ba desta Resolu\u00e7\u00e3o no processamento e julgamento dos processos delas origin\u00e1rios em fase de cumprimento de senten\u00e7a transitada em julgado com condena\u00e7\u00e3o em obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou em quantia certa apur\u00e1vel por simples c\u00e1lculos aritm\u00e9ticos ou previamente fixada em liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento ou procedimento comum, conforme disposto no C\u00f3digo de Processo Civil, bem como o incidente processual e a a\u00e7\u00e3o conexa, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o que vise anula\u00e7\u00e3o do julgado da vara com a qual coopere. (Nova reda\u00e7\u00e3o dada pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 939\/2020)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.almg.gov.br\/legislacao-mineira\/texto\/LCP\/59\/2001\/?cons=1\">Lei Complementar n\u00ba 59\/2001 do Estado de Minas Gerais<\/a>: \u201cArt. 10 (&#8230;) \u00a7 13 &#8211; Resolu\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o competente do Tribunal de Justi\u00e7a poder\u00e1 criar estrutura, nas comarcas sedes de circunscri\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria, para funcionamento de Centro de Apoio Jurisdicional, composto por Ju\u00edzes de Direito Substitutos, com compet\u00eancia para substitui\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o nas respectivas comarcas que as integram. (&#8230;) Art. 73 (&#8230;) \u00a7 1\u00ba &#8211; O Presidente do Tribunal de Justi\u00e7a poder\u00e1 designar Juiz de Direito para servir como cooperador em comarcas ou varas cujo servi\u00e7o estiver acumulado. (Par\u00e1grafo renumerado e com reda\u00e7\u00e3o dada pelo art. 5\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 85, de 28\/12\/2005.)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(3) Precedente citado: <a href=\"https:\/\/redir.stf.jus.br\/paginadorpub\/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=15147410\">ADI 3.915<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) Precedente citado: <a href=\"https:\/\/redir.stf.jus.br\/paginadorpub\/paginador.jsp?docTP=AC&amp;docID=346367\">ADI 410 MC<\/a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aposentadoria-por-incapacidade-permanente-e-calculo-apos-a-ec-n\u00ba-103-2019\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aposentadoria por incapacidade permanente e c\u00e1lculo ap\u00f3s a EC n\u00ba 103\/2019<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a aplica\u00e7\u00e3o da regra do <strong>art. 26, \u00a7 2\u00ba, III, da EC n\u00ba 103\/2019<\/strong> para c\u00e1lculo da aposentadoria por incapacidade permanente quando a invalidez \u00e9 constatada ap\u00f3s a Reforma da Previd\u00eancia, ainda que a doen\u00e7a seja grave, contagiosa ou incur\u00e1vel. Assim, <strong>se a incapacidade permanente para o trabalho \u00e9 constatada depois da referida reforma, a aposentadoria ser\u00e1 fixada em e 60% da m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o, com acr\u00e9scimo <\/strong>de 2% para cada ano de contribui\u00e7\u00e3o que exceder 20 anos, no caso dos homens, e 15 anos, no caso das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.469.150\/PR, Rel. Ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, Red. p\/ o ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 18\/12\/2025 (Tema 1.300 RG).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gerimundo, segurado do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, anteriormente benefici\u00e1rio de aux\u00edlio-doen\u00e7a, teve sua incapacidade convertida em permanente apenas em 2023, j\u00e1 sob a vig\u00eancia da EC n\u00ba 103\/2019. Sustentou que, por se tratar de doen\u00e7a grave, o c\u00e1lculo da aposentadoria deveria observar crit\u00e9rios anteriores mais vantajosos, alegando viola\u00e7\u00e3o \u00e0 isonomia, \u00e0 dignidade da pessoa humana e \u00e0 irredutibilidade do valor dos benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 201, caput<\/strong> (<em>equil\u00edbrio financeiro e atuarial do RGPS<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, caput e I<\/strong> (<em>isonomia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 1\u00ba, III<\/strong> (<em>dignidade da pessoa humana<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 194, par\u00e1grafo \u00fanico, IV<\/strong> (<em>irredutibilidade do valor dos benef\u00edcios<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>EC n\u00ba 103\/2019, art. 26, \u00a7 2\u00ba, III<\/strong> (<em>c\u00e1lculo da aposentadoria por incapacidade permanente: 60% + 2% por ano excedente<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 8.213\/1991, art. 61<\/strong> (<em>aux\u00edlio-doen\u00e7a correspondente a 91% do sal\u00e1rio de benef\u00edcio<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A Reforma da Previd\u00eancia introduziu nova l\u00f3gica de c\u00e1lculo para benef\u00edcios permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A incapacidade tempor\u00e1ria e a permanente s\u00e3o institutos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A diferencia\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7a e acidente de trabalho possui fundamento contributivo e solid\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF partiu da premissa de que o sistema previdenci\u00e1rio \u00e9 estruturado sob o princ\u00edpio do <strong>equil\u00edbrio financeiro e atuarial<\/strong> (CF, art. 201, caput). A Reforma da Previd\u00eancia, ao redefinir o c\u00e1lculo da aposentadoria por incapacidade permanente, buscou compatibilizar a prote\u00e7\u00e3o social com a sustentabilidade do regime. O Tribunal enfatizou que a modelagem atuarial envolve vari\u00e1veis t\u00e9cnicas complexas, e interven\u00e7\u00f5es judiciais indiscriminadas podem comprometer a estabilidade do sistema e afetar milh\u00f5es de segurados.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Corte afastou a alega\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 isonomia. Destacou que a diferen\u00e7a entre o valor do aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria (91% do sal\u00e1rio de benef\u00edcio) e a aposentadoria por incapacidade permanente (60% + acr\u00e9scimos progressivos) n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1ria. O aux\u00edlio-doen\u00e7a possui natureza transit\u00f3ria, justificando patamar remunerat\u00f3rio mais elevado para manuten\u00e7\u00e3o da subsist\u00eancia no curto prazo. J\u00e1 a aposentadoria permanente projeta efeitos por prazo indeterminado, o que imp\u00f5e tratamento compat\u00edvel com o equil\u00edbrio do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STF tamb\u00e9m rejeitou o argumento de afronta \u00e0 irredutibilidade dos benef\u00edcios. A convers\u00e3o de aux\u00edlio-doen\u00e7a em aposentadoria por incapacidade permanente n\u00e3o configura redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio, mas substitui\u00e7\u00e3o de instituto jur\u00eddico distinto, com regime pr\u00f3prio. N\u00e3o h\u00e1 direito adquirido a regime jur\u00eddico anterior quando a incapacidade permanente \u00e9 constatada sob a vig\u00eancia da nova norma constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Quanto \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o entre incapacidade decorrente de acidente de trabalho e de doen\u00e7a grave, a Corte afirmou que <strong>n\u00e3o h\u00e1 dever constitucional de tratamento id\u00eantico<\/strong>. O acidente laboral pode refletir falha ou risco inerente \u00e0 atividade empresarial, legitimando maior esfor\u00e7o contributivo do empregador e benef\u00edcio diferenciado, em conson\u00e2ncia com a l\u00f3gica solid\u00e1ria do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Assim, o STF fixou tese no sentido de que, constatada a incapacidade permanente ap\u00f3s a EC n\u00ba 103\/2019, aplica-se o c\u00e1lculo previsto no <strong>art. 26, \u00a7 2\u00ba, III<\/strong>, independentemente da natureza grave da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao Tema 1.300 da repercuss\u00e3o geral, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A aposentadoria por incapacidade permanente decorrente de doen\u00e7a grave deve manter o valor do aux\u00edlio-doen\u00e7a, por for\u00e7a da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A aplica\u00e7\u00e3o do art. 26, \u00a7 2\u00ba, III, da EC n\u00ba 103\/2019 \u00e9 inconstitucional por violar a irredutibilidade do valor dos benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A incapacidade permanente constatada ap\u00f3s a EC n\u00ba 103\/2019 deve ser calculada conforme a legisla\u00e7\u00e3o vigente \u00e0 \u00e9poca do in\u00edcio da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O segurado tem direito adquirido ao regime jur\u00eddico anterior sempre que tenha recebido aux\u00edlio-doen\u00e7a antes da Reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A diferen\u00e7a de c\u00e1lculo entre aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria e aposentadoria por incapacidade permanente n\u00e3o viola a isonomia, pois os institutos possuem natureza e dura\u00e7\u00e3o distintas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF reconheceu a constitucionalidade da regra da EC n\u00ba 103\/2019, com o valor da aposentadoria fixado em 60% da m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o + acr\u00e9scimos progressivos<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A substitui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio n\u00e3o configura redu\u00e7\u00e3o vedada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O marco relevante \u00e9 a data da constata\u00e7\u00e3o da incapacidade permanente, n\u00e3o o in\u00edcio da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 direito adquirido a regime jur\u00eddico anterior quando a incapacidade permanente \u00e9 constatada ap\u00f3s a reforma.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Correta. O STF destacou a distin\u00e7\u00e3o estrutural entre benef\u00edcio tempor\u00e1rio e permanente, afastando viola\u00e7\u00e3o \u00e0 isonomia. \u2705<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Aposentadoria por incapacidade permanente<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aplica\u00e7\u00e3o da EC n\u00ba 103\/2019<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Equil\u00edbrio financeiro e atuarial<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Distin\u00e7\u00e3o entre incapacidade tempor\u00e1ria e permanente<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aus\u00eancia de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 isonomia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sem direito adquirido a regime anterior<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional \u2014 na medida em que n\u00e3o viola os princ\u00edpios da isonomia (CF\/1988, art. 5\u00ba, <em>caput<\/em>, I), da dignidade humana (CF\/1988, art. 1\u00ba, III) e da irredutibilidade do valor dos benef\u00edcios (CF\/1988, art. 194, par\u00e1grafo \u00fanico, IV) \u2014 norma da \u201cReforma da Previd\u00eancia\u201d (EC n\u00ba 103\/2019, art. 26, \u00a7 2\u00ba, III) que estabelece, para a hip\u00f3tese em que a incapacidade permanente para o trabalho seja constatada depois da referida reforma, o pagamento de uma cota de 60% da m\u00e9dia dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o, com acr\u00e9scimo de 2% para cada ano de contribui\u00e7\u00e3o que exceder 20 anos, no caso dos homens, e 15 anos, no caso das mulheres.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o de medidas para o alcance do equil\u00edbrio financeiro e atuarial na Previd\u00eancia Social (CF\/1988, art. 201, <em>caput<\/em>) pressup\u00f5e o dom\u00ednio de quest\u00f5es t\u00e9cnicas sofisticadas, de modo que qualquer interven\u00e7\u00e3o nesse campo pode produzir consequ\u00eancias desastrosas, em especial diante do n\u00famero elevado de pessoas afetadas. Nas quest\u00f5es previdenci\u00e1rias, deve-se considerar a imprescind\u00edvel prote\u00e7\u00e3o social dos indiv\u00edduos e a sustentabilidade de todo o sistema, sendo certo que a viabilidade financeira do regime previdenci\u00e1rio \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 continuidade do pagamento dos benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>A discrep\u00e2ncia entre o valor do benef\u00edcio por \u201cincapacidade tempor\u00e1ria\u201d (1) \u2014 que segue regido pela Lei n\u00ba 8.213\/1991, que o prev\u00ea como \u201caux\u00edlio-doen\u00e7a\u201d e correspondente a 91% do sal\u00e1rio de benef\u00edcio (2) \u2014 e o valor por \u201cincapacidade permanente\u201d, nos moldes previstos pela EC n\u00ba 109\/2023 (3), n\u00e3o afronta os postulados da isonomia e da dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As raz\u00f5es para a fixa\u00e7\u00e3o de valores diferentes de benef\u00edcios n\u00e3o representam uma distin\u00e7\u00e3o desarrazoada. O aux\u00edlio-doen\u00e7a, por sua natureza, \u00e9 transit\u00f3rio, circunst\u00e2ncia que justifica a tentativa de manter, na maior medida poss\u00edvel, o patamar remunerat\u00f3rio do trabalhador. Do ponto de vista do equil\u00edbrio financeiro e atuarial, \u00e9 intuitivo ponderar que benef\u00edcios mais limitados no tempo possam ter valores maiores, sem impactar t\u00e3o fortemente o sistema previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o fato de uma pessoa, inicialmente, receber aux\u00edlio-doen\u00e7a e, depois, a aposentadoria por incapacidade permanente, em valor menor, n\u00e3o representa ofensa \u00e0 irredutibilidade dos benef\u00edcios (CF\/1988, art. 194, IV), pois se trata de institutos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a diferencia\u00e7\u00e3o entre aposentadoria por incapacidade permanente, de forma geral, e a aposentadoria por incapacidade permanente decorrente de acidente de trabalho tamb\u00e9m n\u00e3o viola o princ\u00edpio da isonomia, pois n\u00e3o h\u00e1 um dever constitucional de tratamento igualit\u00e1rio a quem deixe de trabalhar em decorr\u00eancia de um acidente de trabalho e a quem se incapacite por for\u00e7a de uma doen\u00e7a grave.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de acidentes de trabalho, doen\u00e7as profissionais e doen\u00e7as do trabalho derivarem, de alguma maneira, da pr\u00f3pria conduta do empregador (comissiva ou omissiva), autoriza que se exija dele um esfor\u00e7o contributivo maior para sustentar benef\u00edcios mais caros. Trata-se de uma forma v\u00e1lida de se operar a solidariedade caracter\u00edstica do regime previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, apesar de o autor ter sido licenciado anteriormente por aux\u00edlio-doen\u00e7a, pela incapacidade tempor\u00e1ria, a invalidez foi constatada pelo INSS apenas em 06.04.2023, isto \u00e9, em data posterior \u00e0 entrada em vigor da EC n\u00ba 103\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=6792062&amp;numeroProcesso=1469150&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=1300\">Tema 1.300 da repercuss\u00e3o geral<\/a>, (i) deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio para reformar o ac\u00f3rd\u00e3o de origem e julgar improcedente o pedido inicial, invertendo-se a condena\u00e7\u00e3o nos \u00f4nus de sucumb\u00eancia; bem como (ii) fixou a tese citada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tese fixada: \u201c\u00c9 constitucional o pagamento do benef\u00edcio de aposentadoria por incapacidade permanente nos termos fixados pelo art. 26, \u00a7 2\u00ba, III, da Emenda Constitucional n\u00ba 103\/2019 para os casos em que a incapacidade para o trabalho seja constatada posteriormente \u00e0 Reforma da Previd\u00eancia.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#:~:text=I%20%2D%20cobertura%20dos%20eventos%20de%20incapacidade%20tempor%C3%A1ria%20ou%20permanente%20para%20o%20trabalho%20e%20idade%20avan%C3%A7ada%3B%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Emenda%20Constitucional%20n%C2%BA%20103%2C%20de%202019)\">CF\/1988<\/a>: \u201cArt. 201. A previd\u00eancia social ser\u00e1 organizada sob a forma do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, de car\u00e1ter contributivo e de filia\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, observados crit\u00e9rios que preservem o equil\u00edbrio financeiro e atuarial, e atender\u00e1, na forma da lei, a: I &#8211; cobertura dos eventos de incapacidade tempor\u00e1ria ou permanente para o trabalho e idade avan\u00e7ada; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 103, de 2019)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8213cons.htm#:~:text=Art.%2061.%C2%A0O%20aux%C3%ADlio%2Ddoen%C3%A7a%2C%20inclusive%20o%20decorrente%20de%20acidente%20do%20trabalho%2C%20consistir%C3%A1%20numa%20renda%20mensal%20correspondente%20a%2091%25%20(noventa%20e%20um%20por%20cento)%20do%20sal%C3%A1rio%2Dde%2Dbenef%C3%ADcio%2C%20observado%20o%20disposto%20na%20Se%C3%A7%C3%A3o%20III%2C%20especialmente%20no%20art.%2033%20desta%20Lei.\">Lei n\u00ba 8.213\/1991<\/a>: \u201cArt. 61. O aux\u00edlio-doen\u00e7a, inclusive o decorrente de acidente do trabalho, consistir\u00e1 numa renda mensal correspondente a 91% (noventa e um por cento) do sal\u00e1rio-de-benef\u00edcio, observado o disposto na Se\u00e7\u00e3o III, especialmente no art. 33 desta Lei.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/Emendas\/Emc\/emc103.htm#:~:text=III%20%2D%20de%20aposentadoria%20por%20incapacidade%20permanente%20aos%20segurados%20do%20Regime%20Geral%20de%20Previd%C3%AAncia%20Social%2C%20ressalvado%20o%20disposto%20no%20inciso%20II%20do%20%C2%A7%203%C2%BA%20deste%20artigo%3B%20e\">EC n\u00ba 103\/2019<\/a>: \u201cArt. 26. At\u00e9 que lei discipline o c\u00e1lculo dos benef\u00edcios do regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia social da Uni\u00e3o e do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, ser\u00e1 utilizada a m\u00e9dia aritm\u00e9tica simples dos sal\u00e1rios de contribui\u00e7\u00e3o e das remunera\u00e7\u00f5es adotados como base para contribui\u00e7\u00f5es a regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia social e ao Regime Geral de Previd\u00eancia Social, ou como base para contribui\u00e7\u00f5es decorrentes das atividades militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, atualizados monetariamente, correspondentes a 100% (cem por cento) do per\u00edodo contributivo desde a compet\u00eancia julho de 1994 ou desde o in\u00edcio da contribui\u00e7\u00e3o, se posterior \u00e0quela compet\u00eancia. (&#8230;) \u00a7 2\u00ba O valor do benef\u00edcio de aposentadoria corresponder\u00e1 a 60% (sessenta por cento) da m\u00e9dia aritm\u00e9tica definida na forma prevista no <em>caput<\/em>e no \u00a7 1\u00ba, com acr\u00e9scimo de 2 (dois) pontos percentuais para cada ano de contribui\u00e7\u00e3o que exceder o tempo de 20 (vinte) anos de contribui\u00e7\u00e3o nos casos: (&#8230;) III &#8211; de aposentadoria por incapacidade permanente aos segurados do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, ressalvado o disposto no inciso II do \u00a7 3\u00ba deste artigo; e (&#8230;)\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-desoneracao-tributaria-de-agrotoxicos-e-controle-de-constitucionalidade\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de agrot\u00f3xicos e controle de constitucionalidade<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o constitucionais as normas que reduziram em 60% a base de c\u00e1lculo do ICMS e isentaram o IPI sobre defensivos agr\u00edcolas (agrot\u00f3xicos), por n\u00e3o violarem os direitos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente (CF, arts. 196 e 225), nem os princ\u00edpios da capacidade contributiva e da seletividade (CF, arts. 153, \u00a7 3\u00ba, I, e 155, \u00a7 2\u00ba, III).<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 5.553\/DF e ADI 7.755\/DF, Rel. Ministro Edson Fachin, Red. p\/ o ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 18\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00faltiplas ADIs questionaram cl\u00e1usulas do Conv\u00eanio CONFAZ n\u00ba 100\/1997 e dispositivos da Tabela do IPI que conferem benef\u00edcios fiscais a defensivos agr\u00edcolas. Os proponentes alegam que tais desonera\u00e7\u00f5es afrontariam o direito \u00e0 sa\u00fade, o meio ambiente ecologicamente equilibrado e os princ\u00edpios da seletividade e da capacidade contributiva, ao favorecer produtos potencialmente nocivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 153, \u00a7 3\u00ba, I<\/strong> (<em>seletividade do IPI<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 155, \u00a7 2\u00ba, III<\/strong> (<em>seletividade do ICMS<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 196<\/strong> (<em>direito \u00e0 sa\u00fade<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 225<\/strong> (<em>direito ao meio ambiente equilibrado<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Conv\u00eanio CONFAZ n\u00ba 100\/1997, cl\u00e1usulas 1\u00aa e 3\u00aa<\/strong> (<em>redu\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>EC n\u00ba 132\/2023, art. 9\u00ba, \u00a7 1\u00ba, XI<\/strong> (<em>regimes diferenciados para insumos agropecu\u00e1rios<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda ICMS e IPI s\u00e3o tributos indiretos que incidem sobre o consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A seletividade considera essencialidade do produto.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Benef\u00edcios fiscais em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria inserem-se no espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF reconheceu que a an\u00e1lise da constitucionalidade de benef\u00edcios fiscais deve considerar o contexto estrutural do sistema tribut\u00e1rio e da pol\u00edtica p\u00fablica envolvida. ICMS e IPI s\u00e3o tributos indiretos, cujo \u00f4nus econ\u00f4mico tende a ser repassado ao consumidor final. Assim, eventual revoga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio n\u00e3o atingiria apenas grandes produtores rurais, mas repercutiria na <em>cadeia alimentar<\/em>, com potencial aumento do pre\u00e7o dos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 No exame da seletividade, a Corte observou que o crit\u00e9rio constitucional permite tratamento diferenciado conforme a essencialidade do produto. Os defensivos agr\u00edcolas, embora suscet\u00edveis a riscos, integram o modelo contempor\u00e2neo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, sendo considerados insumos essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da produtividade e \u00e0 estabilidade de pre\u00e7os dos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STF tamb\u00e9m enfrentou a alega\u00e7\u00e3o de afronta aos direitos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente. Destacou que o ordenamento jur\u00eddico brasileiro submete os defensivos agr\u00edcolas a rigoroso regime de controle e registro, com avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica por \u00f3rg\u00e3os como Anvisa, Ibama e Minist\u00e9rio da Agricultura. A constitucionalidade da desonera\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa aus\u00eancia de controle ambiental, mas coexist\u00eancia entre pol\u00edtica fiscal e pol\u00edtica regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte ressaltou que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o imp\u00f5e proibi\u00e7\u00e3o absoluta \u00e0 concess\u00e3o de incentivos fiscais a produtos potencialmente nocivos, cabendo ao legislador ponderar interesses p\u00fablicos diversos, inclusive seguran\u00e7a alimentar, competitividade econ\u00f4mica e sustentabilidade ambiental. O benef\u00edcio n\u00e3o exclui a possibilidade de est\u00edmulo maior \u00e0 produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, nem impede pol\u00edticas ambientais mais rigorosas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Por fim, o Tribunal considerou relevante que a EC n\u00ba 132\/2023, ao reformar a tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo, preservou a possibilidade de regimes diferenciados para insumos agropecu\u00e1rios, refor\u00e7ando a legitimidade da op\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os agrot\u00f3xicos integram o modelo contempor\u00e2neo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m s\u00e3o suscet\u00edveis a riscos. Com vistas a essa conjuntura e nos termos da jurisprud\u00eancia do STF, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A desonera\u00e7\u00e3o de ICMS e IPI sobre defensivos agr\u00edcolas \u00e9 constitucional, pois insere-se no espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o legislativa e n\u00e3o afasta o controle regulat\u00f3rio ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O princ\u00edpio da seletividade impede tratamento tribut\u00e1rio favorecido a produtos que apresentem risco potencial \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A concess\u00e3o de benef\u00edcio fiscal a agrot\u00f3xicos \u00e9 inconstitucional por violar o direito ao meio ambiente equilibrado.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O STF entendeu que a EC n\u00ba 132\/2023 revogou implicitamente os benef\u00edcios fiscais concedidos aos defensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A redu\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS afronta o princ\u00edpio da capacidade contributiva por beneficiar grandes produtores rurais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Correta. O Tribunal assentou que a pol\u00edtica fiscal \u00e9 compat\u00edvel com o regime constitucional, mantido o controle regulat\u00f3rio (ADIs 5.553\/DF e 7.755\/DF).<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A seletividade admite diferencia\u00e7\u00f5es conforme essencialidade e pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STF n\u00e3o reconheceu incompatibilidade autom\u00e1tica entre benef\u00edcio fiscal e prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A reforma tribut\u00e1ria manteve a possibilidade de regimes diferenciados.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Tratando-se de tributos indiretos, o impacto recai sobre a cadeia de consumo, n\u00e3o apenas sobre produtores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Desonera\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd ICMS e IPI \u2013 tributos indiretos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Seletividade e essencialidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Controle regulat\u00f3rio ambiental mantido<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Espa\u00e7o de conforma\u00e7\u00e3o do legislador<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Constitucionalidade reconhecida<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>S\u00e3o constitucionais \u2014 na medida em que n\u00e3o violam os direitos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (CF\/1988, arts. 196 e 225), bem como os princ\u00edpios da capacidade contributiva e da seletividade (CF\/1988, arts. 153, \u00a7 3\u00ba, I; e 155, \u00a7 2\u00ba, III) \u2014 normas sobre defensivos agr\u00edcolas que reduziram em 60% (sessenta por cento) a base de c\u00e1lculo do ICMS, que autorizaram os estados e o Distrito Federal a promoverem a desonera\u00e7\u00e3o de ICMS em opera\u00e7\u00f5es internas, e que isentaram o IPI.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ICMS e o IPI s\u00e3o impostos que incidem sobre o consumo. Nesse contexto, eventual revoga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio fiscal com base no princ\u00edpio da capacidade contributiva, ainda que possa onerar grandes produtores rurais, n\u00e3o ter\u00e1 a efic\u00e1cia desejada, pois se trata de impostos com natureza indireta. Todo incremento fiscal ser\u00e1 repassado at\u00e9 atingir o consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p>Os defensivos agr\u00edcolas s\u00e3o produtos essenciais que garantem a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos alimentos. A sua utiliza\u00e7\u00e3o aumenta a produtividade sem expandir a \u00e1rea plantada\/cultivada, de modo que o benef\u00edcio fiscal n\u00e3o viola o princ\u00edpio da seletividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 alega\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente equilibrado, os defensivos agr\u00edcolas t\u00eam a sua ofensividade reduzida mediante rigorosa avalia\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica, ambiental e agron\u00f4mica, promovida pela an\u00e1lise de diferentes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para efetiva\u00e7\u00e3o de seu registro, com o objetivo de garantir que seus efeitos negativos sejam atenuados e superados pelos benef\u00edcios de seu uso. O uso de agrot\u00f3xico \u00e9 feito no Pa\u00eds a partir da supervis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a medida n\u00e3o impede que benef\u00edcios ainda maiores sejam dados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de culturas org\u00e2nicas. N\u00e3o se trata de escolher entre uma ou outra cultura, mas de ambas servirem ao prop\u00f3sito de acabar com a fome no Brasil, objetivo fundamental da Rep\u00fablica. Assim, a pol\u00edtica fiscal objeto de an\u00e1lise reconhece aos agrot\u00f3xicos natureza de insumo t\u00e9cnico imprescind\u00edvel \u00e0 agricultura contempor\u00e2nea, objetivando reduzir custos de produ\u00e7\u00e3o alimentar, al\u00e9m de evitar aumentos expressivos nos pre\u00e7os pagos pelos consumidores brasileiros e manter a competitividade internacional do Pa\u00eds no setor agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a recente reforma tribut\u00e1ria sobre o consumo, aprovada por meio da EC n\u00ba 132\/2023 (1), expressamente manteve a possibilidade de concess\u00e3o desses benef\u00edcios fiscais, o que demonstra que o Congresso Nacional, a partir do seu poder de conforma\u00e7\u00e3o, compreendeu a import\u00e2ncia de satisfazer as necessidades que o Brasil possui em rela\u00e7\u00e3o ao uso e seus impactos na cadeia alimentar e em outros valores.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, em aprecia\u00e7\u00e3o conjunta e por maioria, julgou improcedentes as a\u00e7\u00f5es para assentar a constitucionalidade das cl\u00e1usulas 1\u00aa e 3\u00aa do <a href=\"http:\/\/www.confaz.fazenda.gov.br\/legislacao\/convenios\/1997\/CV100_97\">Conv\u00eanio CONFAZ n\u00ba 100\/1997<\/a> (2) e dos itens da Tabela do IPI referentes aos agrot\u00f3xicos (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2011\/decreto\/d7660.htm\">Decreto n\u00ba 7.660\/2011<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc132.htm#:~:text=XI%20%2D%20insumos%20agropecu%C3%A1rios%20e%20aqu%C3%ADcolas%3B\">EC n\u00ba 132\/2023<\/a>: \u201cArt. 9\u00ba A lei complementar que instituir o imposto de que trata o art. 156-A e a contribui\u00e7\u00e3o de que trata o art. 195, V, ambos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, poder\u00e1 prever os regimes diferenciados de tributa\u00e7\u00e3o de que trata este artigo, desde que sejam uniformes em todo o territ\u00f3rio nacional e sejam realizados os respectivos ajustes nas al\u00edquotas de refer\u00eancia com vistas a reequilibrar a arrecada\u00e7\u00e3o da esfera federativa. \u00a7 1\u00ba A lei complementar definir\u00e1 as opera\u00e7\u00f5es beneficiadas com redu\u00e7\u00e3o de 60% (sessenta por cento) das al\u00edquotas dos tributos de que trata o <em>caput <\/em>entre as relativas aos seguintes bens e servi\u00e7os: (&#8230;) VIII &#8211; alimentos destinados ao consumo humano; (&#8230;) XI &#8211; insumos agropecu\u00e1rios e aqu\u00edcolas;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"http:\/\/www.confaz.fazenda.gov.br\/legislacao\/convenios\/1997\/CV100_97\">Conv\u00eanio CONFAZ n\u00ba 100\/1997<\/a>:&nbsp; \u201cCl\u00e1usula primeira Fica reduzida em 60% (sessenta por cento) a base de c\u00e1lculo do ICMS nas sa\u00eddas interestaduais dos seguintes produtos: I &#8211; inseticidas, fungicidas, formicidas, herbicidas, parasiticidas, germicidas, acaricidas, nematicidas, raticidas, desfolhantes, dessecantes, espalhantes, adesivos, estimuladores e inibidores de crescimento (reguladores), vacinas, soros e medicamentos, produzidos para uso na agricultura e na pecu\u00e1ria, inclusive inoculantes, vedada a sua aplica\u00e7\u00e3o quando dada ao produto destina\u00e7\u00e3o diversa; (\u2026) Cl\u00e1usula terceira Ficam os Estados e o Distrito Federal autorizados a conceder \u00e0s opera\u00e7\u00f5es internas com os produtos relacionados nas cl\u00e1usulas anteriores, redu\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo ou isen\u00e7\u00e3o do ICMS, observadas as respectivas condi\u00e7\u00f5es para frui\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio.\u201d &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-multa-isolada-por-descumprimento-de-obrigacao-acessoria-e-vedacao-ao-confisco\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Multa isolada por descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o acess\u00f3ria e veda\u00e7\u00e3o ao confisco<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A multa isolada aplicada por descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria acess\u00f3ria deve observar limites m\u00e1ximos fixados pelo STF: at\u00e9 <strong>60% do valor do tributo ou cr\u00e9dito vinculado<\/strong>, podendo chegar a <strong>100% em caso de circunst\u00e2ncias agravantes<\/strong>; inexistindo tributo vinculado, mas havendo valor de opera\u00e7\u00e3o, a multa n\u00e3o pode superar <strong>20% desse valor<\/strong>, podendo atingir <strong>30% em caso de agravantes<\/strong> (Tema 487 RG).<\/p>\n\n\n\n<p>RE 640.452\/RO, Rel. Ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, Red. p\/ o ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Dias Toffoli, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 17\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Descumprimus LTDA, contribuinte fiscal, foi autuada com multa isolada por descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o acess\u00f3ria, fixada em percentual elevado sobre o valor da opera\u00e7\u00e3o, sem rela\u00e7\u00e3o direta com tributo devido. Alegou car\u00e1ter confiscat\u00f3rio e desproporcionalidade da penalidade. O caso foi submetido ao STF sob repercuss\u00e3o geral para definir par\u00e2metros constitucionais de controle das multas por infra\u00e7\u00f5es instrumentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 150, IV<\/strong> (<em>veda\u00e7\u00e3o ao confisco<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 146, III<\/strong> (<em>compet\u00eancia para normas gerais em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LIV e LV<\/strong> (<em>devido processo legal e ampla defesa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 145, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>capacidade contributiva<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Multas por descumprimento de deveres instrumentais n\u00e3o podem ser desproporcionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aus\u00eancia de lei complementar n\u00e3o afasta controle judicial de excessos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Princ\u00edpios da proporcionalidade, razoabilidade e seguran\u00e7a jur\u00eddica orientam a fixa\u00e7\u00e3o de limites.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF reconheceu a inexist\u00eancia de norma geral federal que estabele\u00e7a par\u00e2metros uniformes para multas por descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias, o que tem gerado grande <em>heterogeneidade<\/em> nas legisla\u00e7\u00f5es estaduais e federais. Essa dispers\u00e3o normativa, aliada \u00e0 diversidade de hip\u00f3teses de infra\u00e7\u00f5es instrumentais, dificulta a consolida\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o sistem\u00e1tico apenas pela via legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Diante desse cen\u00e1rio, a Corte afirmou que compete ao Judici\u00e1rio exercer controle de constitucionalidade \u00e0 luz da veda\u00e7\u00e3o ao confisco e da proporcionalidade, especialmente quando multas isoladas se aproximam ou superam o pr\u00f3prio valor do tributo ou da opera\u00e7\u00e3o vinculada. A finalidade sancionat\u00f3ria n\u00e3o pode converter-se em instrumento de arrecada\u00e7\u00e3o desmedida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tribunal estabeleceu crit\u00e9rios objetivos diferenciados: quando houver tributo ou cr\u00e9dito tribut\u00e1rio vinculado, a multa n\u00e3o pode exceder 60% desse valor, admitindo-se 100% apenas em hip\u00f3teses agravadas. Quando n\u00e3o houver tributo vinculado, mas houver valor de opera\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o, o limite deve ser de 20%, podendo chegar a 30% com agravantes. O STF tamb\u00e9m ressaltou a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o do <strong>princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o<\/strong>, evitando dupla puni\u00e7\u00e3o por il\u00edcitos instrumentais que estejam absorvidos por infra\u00e7\u00e3o mais grave.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte esclareceu que tais limites <strong>N\u00c3O se aplicam a multas de natureza predominantemente administrati<\/strong>va, como as aduaneiras, cuja disciplina constitucional e legal possui fundamento distinto. Por fim, modulou os efeitos da decis\u00e3o para que os par\u00e2metros fixados incidam apenas a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, preservando situa\u00e7\u00f5es consolidadas e processos pendentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No tocante ao Tema 487 da repercuss\u00e3o geral, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A multa isolada por descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o acess\u00f3ria n\u00e3o admite limita\u00e7\u00e3o abstrata percentual, havendo de ser analisada caso a caso.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O STF fixou que multas isoladas vinculadas a tributo n\u00e3o podem superar 60% do valor devido, podendo atingir 100% em caso de agravantes.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O limite de 20% da multa isolada aplica-se a todas as multas tribut\u00e1rias, inclusive as aduaneiras.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A exist\u00eancia de lei complementar impositiva impede o controle judicial quanto ao valor das multas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O STF declarou a inconstitucionalidade da aplica\u00e7\u00e3o isolada de multa por descumprimento de deveres instrumentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A veda\u00e7\u00e3o ao confisco e a proporcionalidade limitam o percentual da multa, inclusive em abstrato.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Correta. Esse foi o par\u00e2metro fixado para multas vinculadas a tributo ou cr\u00e9dito tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Multas aduaneiras n\u00e3o se submetem aos limites estabelecidos no tema.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STF afirmou que o Judici\u00e1rio pode fixar par\u00e2metros na aus\u00eancia de norma geral.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A Corte fixou limites, n\u00e3o declarou inconstitucionalidade geral das multas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Multas por obriga\u00e7\u00e3o acess\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Veda\u00e7\u00e3o ao confisco<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Limite de 60% (at\u00e9 100% com agravantes)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Limite de 20% (at\u00e9 30% com agravantes)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o de efeitos<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Diante da aus\u00eancia de normas gerais que estabele\u00e7am limites qualitativos e quantitativos para as multas decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais, compete ao Poder Judici\u00e1rio, \u00e0 luz do conjunto f\u00e1tico-probat\u00f3rio, da legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional pertinente, bem como dos princ\u00edpios da proporcionalidade, razoabilidade, seguran\u00e7a jur\u00eddica e veda\u00e7\u00e3o ao confisco, estabelecer par\u00e2metros que orientem sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O sistema de san\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias impostas por infra\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria (CF\/1988, art. 146, III) caracteriza-se por elevada complexidade e heterogeneidade entre as legisla\u00e7\u00f5es dos diversos entes da federa\u00e7\u00e3o, o que dificulta a ado\u00e7\u00e3o de um tratamento sistematizado pelo Poder Judici\u00e1rio. No campo das multas tribut\u00e1rias decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais, aplicadas isoladamente ou cumuladas com as da obriga\u00e7\u00e3o principal, verifica-se ampla varia\u00e7\u00e3o conforme a gravidade da infra\u00e7\u00e3o e a presen\u00e7a de qualificadoras, al\u00e9m de diverg\u00eancias quanto aos crit\u00e9rios objetivos e subjetivos e aos limites quantitativos estabelecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe, portanto, a esta Corte, em ju\u00edzo de pondera\u00e7\u00e3o, fixar par\u00e2metros que orientem o legislador e os aplicadores da lei, a fim de conferir maior uniformidade sist\u00eamica at\u00e9 que seja editada lei complementar sobre o tema, especialmente no que se refere \u00e0: (a) aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o, segundo o qual o il\u00edcito mais abrangente absorve o menos abrangente a ele vinculado; (b) an\u00e1lise individualizada das circunst\u00e2ncias agravantes e atenuantes e (c) fixa\u00e7\u00e3o de tetos para as multas, nas hip\u00f3teses em que haja tributo ou cr\u00e9dito vinculado, ou, excepcionalmente, na aus\u00eancia destes, ado\u00e7\u00e3o de valor de refer\u00eancia relacionado \u00e0 penalidade, como o montante da opera\u00e7\u00e3o, presta\u00e7\u00e3o ou receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as multas isoladas por descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias acess\u00f3rias s\u00e3o limitadas a 60% do valor do tributo ou cr\u00e9dito vinculado, podendo alcan\u00e7ar at\u00e9 100% em casos de circunst\u00e2ncias agravantes. Se n\u00e3o houver tributo vinculado, mas existir um valor de opera\u00e7\u00e3o associado, a multa n\u00e3o deve superar 20%, podendo, entretanto, chegar a 30% em situa\u00e7\u00f5es agravantes. Esses limites n\u00e3o se aplicam a multas de natureza administrativa, como as aduaneiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, homologou a desist\u00eancia do recurso extraordin\u00e1rio. Em seguida, por maioria, ao apreciar o <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4071634&amp;numeroProcesso=640452&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=487\">Tema 487 da repercuss\u00e3o geral<\/a>, (i) fixou as teses anteriormente citadas e (ii) modulou os efeitos da decis\u00e3o, para que estes passem a incidir a partir da data de publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento do m\u00e9rito, resguardando as a\u00e7\u00f5es judiciais e os processos administrativos pendentes de conclus\u00e3o at\u00e9 essa data, bem como os fatos geradores ocorridos at\u00e9 ent\u00e3o, desde que n\u00e3o tenha havido o pagamento de multa abrangida pelo presente tema de repercuss\u00e3o geral. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teses fixadas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c1. A multa isolada aplicada por descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria acess\u00f3ria estabelecida em percentual n\u00e3o pode ultrapassar 60% do valor do tributo ou do cr\u00e9dito vinculado, podendo chegar a 100% no caso de exist\u00eancia de circunst\u00e2ncias agravantes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. N\u00e3o havendo tributo ou cr\u00e9dito tribut\u00e1rio vinculado, mas havendo valor de opera\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o vinculado \u00e0 penalidade, a multa em quest\u00e3o n\u00e3o pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de exist\u00eancia de circunst\u00e2ncias agravantes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Na aplica\u00e7\u00e3o da multa por descumprimento de deveres instrumentais, deve ser observado o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o, e, na an\u00e1lise individualizada das circunst\u00e2ncias agravantes e atenuantes, o aplicador das normas sancionat\u00f3rias por descumprimento de deveres instrumentais <u>pode<\/u> considerar outros par\u00e2metros qualitativos, tais como: adequa\u00e7\u00e3o, necessidade, justa medida, princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia e <em>ne bis in idem<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. N\u00e3o se aplicam os limites ora estabelecidos \u00e0 multa isolada que, embora aplicada pelo \u00f3rg\u00e3o fiscal, se refira a infra\u00e7\u00f5es de natureza predominantemente administrativa, a exemplo das multas aduaneiras.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cobranca-de-taxa-para-emissao-de-atestado-pelo-corpo-de-bombeiros\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cobran\u00e7a de taxa para emiss\u00e3o de atestado pelo Corpo de Bombeiros<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional a cobran\u00e7a de taxa para emiss\u00e3o de atestado pelo Corpo de Bombeiros quando solicitado para a <strong>defesa de direitos<\/strong> ou <strong>esclarecimento de situa\u00e7\u00e3o de interesse pessoal<\/strong>, por viola\u00e7\u00e3o ao <strong>CF, art. 5\u00ba, XXXIV, b<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.448\/AL, Rel. Ministro Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 17\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lei estadual de Alagoas previu a cobran\u00e7a de taxa para emiss\u00e3o de \u201catestado\u201d pelo Corpo de Bombeiros, qualificando-o como servi\u00e7o p\u00fablico espec\u00edfico e divis\u00edvel. Questionou-se se essa cobran\u00e7a seria compat\u00edvel com a garantia constitucional de gratuidade na obten\u00e7\u00e3o de certid\u00f5es destinadas \u00e0 defesa de direitos ou esclarecimento de situa\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXXIV, b<\/strong> (<em>gratuidade de certid\u00f5es para defesa de direitos e esclarecimento de interesse pessoal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 145, II<\/strong> (<em>taxas como contrapresta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico espec\u00edfico e divis\u00edvel ou poder de pol\u00edcia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 6.442\/2003\/AL, Anexo \u00danico, item 1.1.1<\/strong> (<em>previs\u00e3o de taxa para expedi\u00e7\u00e3o de atestado<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A garantia constitucional protege o conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o requerida, e n\u00e3o a nomenclatura do documento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A distin\u00e7\u00e3o formal entre \u201catestado\u201d e \u201ccertid\u00e3o\u201d n\u00e3o afasta a gratuidade quando a finalidade \u00e9 constitucionalmente protegida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Taxa exige contrapresta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, mas n\u00e3o pode incidir quando a Constitui\u00e7\u00e3o assegura gratuidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STF reafirmou que o art. 5\u00ba, XXXIV, b, da Constitui\u00e7\u00e3o assegura, independentemente do pagamento de taxas, a obten\u00e7\u00e3o de certid\u00f5es destinadas \u00e0 defesa de direitos e ao esclarecimento de situa\u00e7\u00f5es de interesse pessoal. A Corte enfatizou que a prote\u00e7\u00e3o constitucional n\u00e3o se limita \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o formal do documento, mas ao seu conte\u00fado e finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Nesse contexto, a tentativa do legislador estadual de diferenciar \u201catestado\u201d de \u201ccertid\u00e3o\u201d por via sem\u00e2ntica n\u00e3o \u00e9 suficiente para afastar a garantia constitucional. Se o documento cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de direitos do pr\u00f3prio requerente ou \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica pessoal, incide a regra de gratuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STF tamb\u00e9m destacou que, quando o conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o se refere ao pr\u00f3prio interessado, presume-se a finalidade constitucionalmente protegida, salvo prova em sentido contr\u00e1rio. Assim, a cobran\u00e7a de taxa nessas hip\u00f3teses configura restri\u00e7\u00e3o indevida a direito fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Por outro lado, o Tribunal esclareceu que a decis\u00e3o n\u00e3o inviabiliza a cobran\u00e7a de taxas em outras hip\u00f3teses em que o documento n\u00e3o se destine \u00e0 defesa de direitos ou esclarecimento de situa\u00e7\u00e3o pessoal, preservando o regime constitucional das taxas como tributo vinculado ao exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ou \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico espec\u00edfico e divis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da ADI 7.448\/AL, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A Constitui\u00e7\u00e3o assegura gratuidade apenas para certid\u00f5es, n\u00e3o alcan\u00e7ando atestados.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A cobran\u00e7a de taxa para emiss\u00e3o de atestado \u00e9 inconstitucional, independentemente da finalidade do documento.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Atestados e certid\u00f5es n\u00e3o possuem previs\u00e3o constitucional de gratuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A gratuidade constitucional aplica-se quando o documento, ainda que denominado atestado, seja solicitado para defesa de direitos ou esclarecimento de situa\u00e7\u00e3o de interesse pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A garantia do art. 5\u00ba, XXXIV, b, n\u00e3o vincula os estados-membros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o constitucional recai sobre o conte\u00fado e finalidade, n\u00e3o sobre a nomenclatura do documento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A inconstitucionalidade ocorre apenas quando o documento se destina \u00e0 defesa de direitos ou interesse pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A cobran\u00e7a \u00e9 vedada nas hip\u00f3teses constitucionalmente protegidas (mais uma vez) de defesa de direitos ou interesse pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Correta. O STF afirmou que a distin\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica n\u00e3o afasta a garantia constitucional de gratuidade. \u2705<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O dispositivo constitucional vincula todos os entes federativos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Taxa e emiss\u00e3o de documento<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Art. 5\u00ba, XXXIV, b, da CF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Conte\u00fado prevalece sobre nomenclatura<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Gratuidade para defesa de direitos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Taxa v\u00e1lida apenas fora dessas hip\u00f3teses<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional \u2014 por violar o art. 5\u00ba, XXXIV, <em>b<\/em>, da CF\/1988 \u2014 a cobran\u00e7a de taxa para a emiss\u00e3o de atestado pelos bombeiros quando solicitado para a defesa de direitos e esclarecimento de situa\u00e7\u00e3o de interesse pessoal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a cobran\u00e7a de taxa nos casos de documentos destinados \u00e0 defesa de direitos e esclarecimento de situa\u00e7\u00e3o de interesse pessoal, pois, embora o estado-membro, no texto da legisla\u00e7\u00e3o, tente diferenciar \u201catestado\u201d de \u201ccertid\u00e3o\u201d, essa distin\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica n\u00e3o pode afastar a garantia constitucional de gratuidade prevista no dispositivo acima citado (1).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a denomina\u00e7\u00e3o, o t\u00edtulo, a rubrica dada pela norma estadual impugnada ao documento sobre o qual se destina a cobran\u00e7a da taxa n\u00e3o deve prevalecer, na medida em que a previs\u00e3o constitucional se dirige ao conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o requerida junto aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos (2).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nas hip\u00f3teses em que o conte\u00fado das informa\u00e7\u00f5es diga respeito ao pr\u00f3prio contribuinte requerente, \u00e9 presumida a motiva\u00e7\u00e3o da solicita\u00e7\u00e3o no sentido de se referir \u00e0 defesa de direitos e ao esclarecimento de situa\u00e7\u00e3o de interesse pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos demais itens impugnados, cabe apenas ressaltar que taxa \u00e9 esp\u00e9cie tribut\u00e1ria que configura contrapresta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ao exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia, bem como \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos, de forma efetiva ou colocada \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do contribuinte, de modo a viabilizar a adequada mensura\u00e7\u00e3o do tributo e a individualiza\u00e7\u00e3o do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesse e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a nulidade, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, do <a href=\"https:\/\/www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=117107#:~:text=1.1.1,Atestado\">subitem 1.1.1 do Anexo \u00danico da Lei n\u00ba 6.442\/2003 do Estado de Alagoas (com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei estadual n\u00ba 6.502\/2004)<\/a><a><\/a> (3), que versa sobre o fornecimento de \u201c<em>atestado<\/em>\u201d, de forma a retirar do seu \u00e2mbito de incid\u00eancia material a cobran\u00e7a da taxa na hip\u00f3tese em que solicitado para a defesa de direitos e esclarecimento de situa\u00e7\u00f5es de interesse pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#:~:text=b)%20a%20obten%C3%A7%C3%A3o%20de%20certid%C3%B5es%20em%20reparti%C3%A7%C3%B5es%20p%C3%BAblicas%2C%20para%20defesa%20de%20direitos%20e%20esclarecimento%20de%20situa%C3%A7%C3%B5es%20de%20interesse%20pessoal%3B\">CF\/1988<\/a>: \u201cArt. 5\u00ba. (&#8230;) XXXIV &#8211; s\u00e3o a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: (&#8230;)<a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a> b) a obten\u00e7\u00e3o de certid\u00f5es em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situa\u00e7\u00f5es de interesse pessoal;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) Precedentes citados: <a href=\"https:\/\/redir.stf.jus.br\/paginadorpub\/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=761645797\">ADI 7.035<\/a> e <a href=\"https:\/\/redir.stf.jus.br\/paginadorpub\/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=10499061\">ADI 3.278<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=117107#:~:text=1.1.1,Atestado\">Lei n\u00ba 6.442\/2003 do Estado de Alagoas<\/a>: \u201cArt. 1\u00ba S\u00e3o devidas: I &#8211; as Taxas pelo exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia pelo Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas em rela\u00e7\u00e3o ao contribuinte, cujo fato gerador s\u00e3o as atividades discriminadas no Anexo \u00danico desta Lei; e II &#8211; as Taxas por servi\u00e7os p\u00fablicos espec\u00edficos e divis\u00edveis, prestados ou postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do contribuinte pelo Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, indicados no Anexo \u00danico desta Lei. (&#8230;) ANEXO \u00daNICO 1. SERVI\u00c7OS P\u00daBLICOS PRESTADOS OU DISPONIBILIZADOS 1.1. EXPEDI\u00c7\u00c3O DE DOCUMENTOS 1.1.1. Atestado\u201d &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-0cae85b2-8668-495a-8fce-cc40b1eb49ca\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/18090628\/stf-info-1203.pdf\">STF &#8211; Info 1203<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/18090628\/stf-info-1203.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-0cae85b2-8668-495a-8fce-cc40b1eb49ca\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras: acordo sobre a limita\u00e7\u00e3o do direito de voto da Uni\u00e3o Destaque \u00c9 constitucional, desde que interpretada de forma sistem\u00e1tica e 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