{"id":1716536,"date":"2026-02-16T00:20:30","date_gmt":"2026-02-16T03:20:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1716536"},"modified":"2026-02-16T00:21:21","modified_gmt":"2026-02-16T03:21:21","slug":"informativo-stj-875-parte-1-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-875-parte-1-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 875 Parte 1 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/16001957\/stj-info-875.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_7M3oI8cu278\"><div id=\"lyte_7M3oI8cu278\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/7M3oI8cu278\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/7M3oI8cu278\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/7M3oI8cu278\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-honorarios-advocaticios-em-embargos-a-execucao-fiscal-e-adesao-a-programa-de-recuperacao-fiscal-tema-1317\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Honor\u00e1rios advocat\u00edcios em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal e ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal (Tema 1317)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A extin\u00e7\u00e3o dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal em raz\u00e3o da desist\u00eancia ou da ren\u00fancia do direito manifestada para ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal que j\u00e1 contemple honor\u00e1rios advocat\u00edcios pela cobran\u00e7a da d\u00edvida p\u00fablica <strong>n\u00e3o autoriza nova condena\u00e7\u00e3o em verba honor\u00e1ria<\/strong>, sob pena de bis in idem, \u00e0 luz da sistem\u00e1tica do <strong>CPC\/2015, art. 827<\/strong> (Tema 1317\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.158.358-MG, Rel. Ministro Gurgel de Faria e REsp 2.158.602-MG, Rel. Ministro Gurgel de Faria Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 12\/11\/2025, (Tema 1317).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contribuintes da cidade de Creditolandia, ao aderirem a programas de parcelamento ou recupera\u00e7\u00e3o fiscal, optaram por desistir dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal j\u00e1 opostos contra a cobran\u00e7a da d\u00edvida ativa. Ocorre que, nos termos do pr\u00f3prio programa de parcelamento, j\u00e1 havia previs\u00e3o de cobran\u00e7a de honor\u00e1rios advocat\u00edcios administrativos pela inscri\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a da d\u00edvida. Mesmo assim, alguns ju\u00edzos passaram a fixar nova verba honor\u00e1ria na senten\u00e7a que extinguia os embargos, gerando controv\u00e9rsia sobre poss\u00edvel duplicidade de cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 1.036<\/strong> (<em>afeta\u00e7\u00e3o ao rito dos recursos repetitivos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 927, III<\/strong> (<em>precedente vinculante decorrente de repetitivo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 827, caput e \u00a7 2\u00ba<\/strong> (<em>honor\u00e1rios na execu\u00e7\u00e3o e majora\u00e7\u00e3o at\u00e9 20%<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 90<\/strong> (<em>honor\u00e1rios em caso de extin\u00e7\u00e3o do processo por desist\u00eancia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/1973, art. 20, \u00a7 3\u00ba<\/strong> (<em>limite de 20% na sistem\u00e1tica anterior<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda No CPC\/1973, havia relativa autonomia entre execu\u00e7\u00e3o fiscal e embargos, admitindo-se honor\u00e1rios em ambos, respeitado o teto de 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O CPC\/2015 passou a tratar os honor\u00e1rios na execu\u00e7\u00e3o de forma <strong>unit\u00e1ria<\/strong>, com fixa\u00e7\u00e3o inicial e eventual majora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A inclus\u00e3o de honor\u00e1rios no parcelamento configura <strong>transa\u00e7\u00e3o sobre o cr\u00e9dito<\/strong>, impedindo nova cobran\u00e7a judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ reconheceu que, sob o regime do CPC\/1973, era poss\u00edvel fixar honor\u00e1rios tanto na execu\u00e7\u00e3o fiscal quanto nos embargos, desde que respeitado o limite global de 20%. Contudo, o CPC\/2015 promoveu altera\u00e7\u00e3o estrutural ao disciplinar os honor\u00e1rios na execu\u00e7\u00e3o no <strong>art. 827<\/strong>, prevendo fixa\u00e7\u00e3o inicial de 10% e possibilidade de majora\u00e7\u00e3o at\u00e9 20%, inclusive quando rejeitada a defesa do executado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Diante dessa nova sistem\u00e1tica, a Primeira Se\u00e7\u00e3o concluiu que <strong>n\u00e3o subsiste autonomia para nova condena\u00e7\u00e3o honor\u00e1ria nos embargos<\/strong> quando estes s\u00e3o extintos por desist\u00eancia ou ren\u00fancia para ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal que j\u00e1 contemple honor\u00e1rios administrativos. Permitir nova fixa\u00e7\u00e3o judicial implicaria <strong>bis in idem<\/strong>, pois a verba honor\u00e1ria j\u00e1 foi objeto de transa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do parcelamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte ainda modulou os efeitos da decis\u00e3o, preservando pagamentos j\u00e1 realizados e n\u00e3o impugnados at\u00e9 18 de mar\u00e7o de 2025, data do encerramento da sess\u00e3o virtual de afeta\u00e7\u00e3o do tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da tese fixada no Tema 1.317\/STJ, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A desist\u00eancia dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal para ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal gera condena\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma em honor\u00e1rios advocat\u00edcios, independentemente da previs\u00e3o no parcelamento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O CPC\/2015 manteve integralmente a l\u00f3gica do CPC\/1973 quanto \u00e0 autonomia entre execu\u00e7\u00e3o fiscal e embargos para fins de fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A inclus\u00e3o de honor\u00e1rios no momento da ades\u00e3o ao parcelamento impede nova condena\u00e7\u00e3o judicial em honor\u00e1rios nos embargos, sob pena de bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A extin\u00e7\u00e3o dos embargos por desist\u00eancia impede qualquer cobran\u00e7a de honor\u00e1rios na execu\u00e7\u00e3o fiscal principal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A modula\u00e7\u00e3o de efeitos determinou a devolu\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios j\u00e1 pagos anteriormente \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o da tese.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A tese fixada justamente afasta nova condena\u00e7\u00e3o quando o parcelamento j\u00e1 contempla honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O CPC\/2015 alterou a disciplina, especialmente com o <strong>CPC, art. 827<\/strong>, tornando unit\u00e1ria a fixa\u00e7\u00e3o da verba na execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Correta. O STJ afirmou que nova condena\u00e7\u00e3o configuraria <strong>bis in idem<\/strong>, pois o cr\u00e9dito honor\u00e1rio j\u00e1 foi objeto de transa\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. Os honor\u00e1rios da execu\u00e7\u00e3o permanecem devidos nos termos do art. 827 do CPC; o que se afasta \u00e9 a nova condena\u00e7\u00e3o nos embargos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A modula\u00e7\u00e3o preservou os pagamentos j\u00e1 realizados e n\u00e3o impugnados at\u00e9 18\/3\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Tema 1.317\/STJ \u2013 honor\u00e1rios e parcelamento<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd CPC\/2015 unifica disciplina da execu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Parcelamento j\u00e1 inclui honor\u00e1rios<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Vedado bis in idem<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sem condena\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma nos embargos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o: preserva\u00e7\u00e3o de pagamentos n\u00e3o impugnados<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 1.036 do C\u00f3digo de Processo Civil, para forma\u00e7\u00e3o de precedente vinculante previsto no art. 927, III, do C\u00f3digo de Processo Civil, \u00e9 a seguinte: &#8220;definir se, \u00e0 luz do CPC, \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o do contribuinte em honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal extintos com fundamento na desist\u00eancia ou na ren\u00fancia de direito manifestada para fins de ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal, em que j\u00e1 est\u00e1 inserida a cobran\u00e7a de verba honor\u00e1ria no \u00e2mbito administrativo.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a sedimentou na vig\u00eancia do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 foi no sentido de haver autonomia, ainda que relativa, entre a execu\u00e7\u00e3o fiscal e os embargos, de modo a admitir a condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em ambos os processos, mas com a limita\u00e7\u00e3o de que a soma dos valores arbitrados n\u00e3o superasse o percentual m\u00e1ximo de 20% ent\u00e3o previsto no art. 20, \u00a7 3\u00ba, do CPC\/1973, reconhecida a faculdade de o magistrado proceder a esse arbitramento cumulativo numa \u00fanica decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seguindo essa orienta\u00e7\u00e3o, as Turmas de Direito P\u00fablico, interpretando o art. 26 do CPC\/1973 (atual art. 90 do CPC\/2015), adotaram o posicionamento pelo cabimento da condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em face da desist\u00eancia ou da ren\u00fancia manifestadas nos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal para fins de ades\u00e3o a programa de parcelamento, excepcionando a aplica\u00e7\u00e3o dessa regra geral na hip\u00f3tese de a lei de reg\u00eancia do benef\u00edcio fiscal disciplinar de forma diversa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que o CPC\/2015 inovou ao estabelecer regra espec\u00edfica sobre honor\u00e1rios advocat\u00edcios nos casos de rejei\u00e7\u00e3o de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo executivo extrajudicial, categoria que tamb\u00e9m abrange a esp\u00e9cie Certid\u00e3o de D\u00edvida Ativa (CDA).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Agora prev\u00ea o art. 827, \u00a7 2\u00ba, que, quando a defesa apresentada pelo devedor n\u00e3o logra \u00eaxito na desconstitui\u00e7\u00e3o total ou parcial da d\u00edvida cobrada, seja em sede de embargos, seja nos pr\u00f3prios autos da execu\u00e7\u00e3o, caber\u00e1 ao magistrado majorar a verba honor\u00e1ria j\u00e1 estabelecida inicialmente em 10% (dez por cento), observado o limite de 20% (vinte por cento) sobre o valor do cr\u00e9dito exequendo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a verba honor\u00e1ria somente ser\u00e1 devida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cobran\u00e7a da d\u00edvida (processo de execu\u00e7\u00e3o), inicialmente fixada em 10% e pass\u00edvel de majora\u00e7\u00e3o at\u00e9 20% para remunerar o trabalho adicional do advogado do credor, n\u00e3o havendo mais condena\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de honor\u00e1rios advocat\u00edcios na senten\u00e7a extintiva dos embargos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicando esta nova disciplina normativa \u00e0 controv\u00e9rsia em julgamento, tem-se que, havendo inclus\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios referentes \u00e0 cobran\u00e7a de d\u00edvida p\u00fablica por ocasi\u00e3o de ades\u00e3o ao programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal, a Fazenda P\u00fablica n\u00e3o poder\u00e1 exigir judicialmente valor adicional a t\u00edtulo de verba honor\u00e1ria, sob pena de <em>bis in idem<\/em>, pois o acerto dos honor\u00e1rios no momento da ades\u00e3o ao parcelamento configura verdadeira transa\u00e7\u00e3o sobre esse cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1.317\/STJ: &#8220;A extin\u00e7\u00e3o dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal em face da desist\u00eancia ou da ren\u00fancia do direito manifestada para fins de ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal em que j\u00e1 inserida a verba honor\u00e1ria pela cobran\u00e7a da d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o enseja nova condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Modula\u00e7\u00e3o de efeitos: preservados os pagamentos de honor\u00e1rios advocat\u00edcios j\u00e1 recolhidos quando decorrentes de senten\u00e7a que extingue embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal em face da ades\u00e3o a programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal que j\u00e1 contemplava verba honor\u00e1ria pela cobran\u00e7a da d\u00edvida p\u00fablica, se n\u00e3o foram (os pagamentos) objeto de impugna\u00e7\u00e3o apresentada pela parte embargante at\u00e9 18 de mar\u00e7o de 2025 &#8211; data de encerramento da sess\u00e3o virtual em que foi afetado o presente tema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-comutacao-de-pena-e-falta-grave-irrelevancia-da-data-de-homologacao-tema-1195-stj\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Comuta\u00e7\u00e3o de pena e falta grave \u2013 irrelev\u00e2ncia da data de homologa\u00e7\u00e3o (Tema 1195\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo de 12 meses previsto no art. 4\u00ba, I, do Decreto n. 9.246\/2017 refere-se \u00e0 data da pr\u00e1tica da falta grave, e n\u00e3o \u00e0 data de sua homologa\u00e7\u00e3o judicial, desde que j\u00e1 instaurado o processo administrativo disciplinar (Tema 1195\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.011.706-MG, Rel. Ministro Og Fernandes, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1195).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creitinho, apenado, requereu comuta\u00e7\u00e3o de pena com base no Decreto n. 9.246\/2017. Constatou-se que ele havia praticado falta grave dentro dos 12 meses anteriores \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do decreto, mas a homologa\u00e7\u00e3o judicial da san\u00e7\u00e3o ocorreu ap\u00f3s essa data. A defesa de Creitinho &nbsp;sustentou que, como a decis\u00e3o homologat\u00f3ria n\u00e3o se deu no per\u00edodo anterior ao decreto, n\u00e3o estaria configurada a veda\u00e7\u00e3o ao benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 9.246\/2017, art. 4\u00ba, I<\/strong> (<em>veda\u00e7\u00e3o ao indulto\/comuta\u00e7\u00e3o para quem sofreu san\u00e7\u00e3o por falta grave nos 12 meses anteriores<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 84, XII<\/strong> (<em>compet\u00eancia do Presidente da Rep\u00fablica para conceder indulto e comuta\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 7.210\/1984 (LEP), art. 50<\/strong> (<em>infra\u00e7\u00f5es disciplinares graves<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.036<\/strong> (<em>recurso repetitivo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O objetivo do decreto \u00e9 aferir o <strong>bom comportamento recente do apenado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A reda\u00e7\u00e3o amb\u00edgua n\u00e3o altera a finalidade material da norma.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A interpreta\u00e7\u00e3o deve ser <strong>l\u00f3gica e sistem\u00e1tica<\/strong>, n\u00e3o meramente literal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ afastou a leitura literal que condicionaria a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 data da homologa\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o. A Corte destacou que a Exposi\u00e7\u00e3o de Motivos do decreto evidencia que o crit\u00e9rio relevante \u00e9 o comportamento do apenado nos 12 meses anteriores, e n\u00e3o a formaliza\u00e7\u00e3o judicial da puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Firmou-se que a comuta\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito comportamental recente. Assim, se a falta grave foi <strong>praticada<\/strong> dentro do per\u00edodo de 12 meses, o benef\u00edcio pode ser indeferido, ainda que a homologa\u00e7\u00e3o ocorra depois da publica\u00e7\u00e3o do decreto, desde que j\u00e1 instaurado o procedimento disciplinar. Interpreta\u00e7\u00e3o diversa permitiria situa\u00e7\u00f5es incoerentes, como concess\u00e3o de benef\u00edcio a apenado em regress\u00e3o cautelar de regime por falta grave ainda n\u00e3o homologada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da tese firmada no Tema 1195\/STJ, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 comuta\u00e7\u00e3o depende da homologa\u00e7\u00e3o judicial da falta grave dentro dos 12 meses anteriores \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do decreto.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O crit\u00e9rio temporal do Decreto n. 9.246\/2017 refere-se \u00e0 data da pr\u00e1tica da falta grave, e n\u00e3o \u00e0 data de sua homologa\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A comuta\u00e7\u00e3o deve ser concedida sempre que a falta grave n\u00e3o tiver sido homologada antes da publica\u00e7\u00e3o do decreto.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica \u00e9 vedada em mat\u00e9ria de indulto e comuta\u00e7\u00e3o, por se tratar de benef\u00edcio de natureza penal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A exist\u00eancia de regress\u00e3o cautelar de regime impede automaticamente a concess\u00e3o da comuta\u00e7\u00e3o, independentemente da pr\u00e1tica de falta grave.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STJ fixou que o marco relevante \u00e9 a pr\u00e1tica da falta, n\u00e3o a homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Correta. A tese estabelece que o per\u00edodo de 12 meses diz respeito \u00e0 <strong>ocorr\u00eancia da falta grave<\/strong>, desde que j\u00e1 instaurado o processo disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A aus\u00eancia de homologa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo n\u00e3o impede o indeferimento se a falta foi praticada dentro dos 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O STJ aplicou interpreta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e sistem\u00e1tica para preservar a finalidade do decreto.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A regress\u00e3o cautelar pode indicar falta grave, mas n\u00e3o substitui o requisito da pr\u00e1tica da infra\u00e7\u00e3o no per\u00edodo analisado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Tema 1195\/STJ \u2013 comuta\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Per\u00edodo de 12 meses \u2192 data da pr\u00e1tica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Homologa\u00e7\u00e3o \u00e9 irrelevante<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Finalidade: avaliar bom comportamento<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Interpreta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e sistem\u00e1tica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;A possibilidade de comuta\u00e7\u00e3o de pena, nos casos em que, embora tenha ocorrido a pr\u00e1tica de falta grave nos \u00faltimos doze meses que antecederam a publica\u00e7\u00e3o do Decreto n. 9.246\/2017, n\u00e3o conste homologa\u00e7\u00e3o em ju\u00edzo no mesmo per\u00edodo.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 4\u00ba, I, do Decreto n. 9.246\/2017, o indulto natalino ou a comuta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 concedido \u00e0s pessoas que &#8220;tenham sofrido san\u00e7\u00e3o, aplicada pelo ju\u00edzo competente em audi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o, garantido o direito aos princ\u00edpios do contradit\u00f3rio e da ampla defesa, em raz\u00e3o da pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o disciplinar de natureza grave, nos doze meses anteriores \u00e0 data de publica\u00e7\u00e3o deste Decreto.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, \u00e0 primeira vista pode parecer, em uma interpreta\u00e7\u00e3o literal, que a veda\u00e7\u00e3o temporal \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio estaria configurada quando a san\u00e7\u00e3o decorrente da pr\u00e1tica de falta grave tenha sido efetivamente aplicada nos 12 meses anteriores \u00e0 data do decreto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, da pr\u00f3pria Exposi\u00e7\u00e3o de Motivos do Decreto em tela consta que o objetivo da regra \u00e9 avaliar a ocorr\u00eancia de falta disciplinar grave nos 12 meses anteriores, denotando que a reda\u00e7\u00e3o adotada apenas n\u00e3o assumiu a melhor t\u00e9cnica, permitindo alguma ambiguidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, em decretos posteriores, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ajustou a reda\u00e7\u00e3o, de modo a afastar a mencionada ambiguidade, a exemplo do art. 6\u00ba do Decreto n. 11.846\/2023, que prev\u00ea a inexist\u00eancia de falta grave &#8220;cometida nos doze meses de cumprimento de pena contados retroativamente a 25 de dezembro de 2023&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas, portanto, de que o objetivo da norma foi o de verificar o bom cumprimento da pena no \u00faltimo ano decorrido, fator indicativo do bom comportamento do beneficiado, essencial ao &#8220;desconto&#8221; ofertado em sua pena como incentivo da sociedade para o mais breve retorno ao conv\u00edvio em liberdade plena.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a interpreta\u00e7\u00e3o do art. 4\u00ba, I, do Decreto n. 9.246\/2017, que vincula a concess\u00e3o da comuta\u00e7\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia de falta grave nos doze meses anteriores \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do decreto, deve ser realizada de forma l\u00f3gica e sistem\u00e1tica, considerando o objetivo de avaliar o comportamento recente do apenado, o que afasta a influ\u00eancia da data de homologa\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, no julgamento do ERESP 1.549.544\/RS, a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou entendimento &#8220;para considerar poss\u00edvel o indeferimento de indulto ou comuta\u00e7\u00e3o de pena em raz\u00e3o de falta grave que tenha sido praticada nos doze meses anteriores ao decreto presidencial, ainda que homologada ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o.&#8221; (EREsp 1.477.886\/RS, Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 17\/8\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse entendimento \u00e9 compat\u00edvel com o que recentemente definiu esta Corte Superior no julgamento do Tema 1347, segundo o qual &#8220;[a]regress\u00e3o cautelar de regime prisional \u00e9 medida de car\u00e1ter provis\u00f3rio e est\u00e1 autorizada pelo poder geral de cautela do ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, podendo ser aplicada, mediante fundamenta\u00e7\u00e3o id\u00f4nea, at\u00e9 a apura\u00e7\u00e3o definitiva da falta.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Note-se que interpreta\u00e7\u00e3o diversa poderia efetivar a situa\u00e7\u00e3o de um apenado que, por n\u00e3o ter a san\u00e7\u00e3o decorrente de falta grave em apura\u00e7\u00e3o aplicada no per\u00edodo de 12 meses anteriores ao decreto, poderia estar em regress\u00e3o cautelar de regime e ainda assim se beneficiar da comuta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, importa registrar que a interpreta\u00e7\u00e3o aqui acolhida n\u00e3o ofende os princ\u00edpios que regem a aplica\u00e7\u00e3o da lei penal no tempo, uma vez que, em verdade, apenas garante que cada apenado receba as consequ\u00eancias positivas ou negativas derivadas de sua conduta naquele per\u00edodo de 12 meses, compatibilizando-se inclusive uma das tr\u00eas m\u00e1ximas atribu\u00eddas ao Direito pelo jurista Romano Ulpiano: &#8220;Dar a cada um o que \u00e9 seu&#8221; (suum cuique tribuere).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1195\/STJ: O per\u00edodo de 12 meses a que se refere o art. 4\u00ba, I, do Decreto n. 9.246\/2017 caracteriza-se pela n\u00e3o ocorr\u00eancia de falta grave, n\u00e3o se relacionando \u00e0 data de sua apura\u00e7\u00e3o, desde que j\u00e1 instaurado o processo administrativo disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-homologacao-de-sentenca-estrangeira-legitimidade-ativa-de-terceiro-interessado\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira \u2013 legitimidade ativa de terceiro interessado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A legitimidade ativa para requerer a homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira <strong>n\u00e3o se restringe \u00e0s partes do processo alien\u00edgena<\/strong>, podendo ser exercida por qualquer pessoa que demonstre <strong>interesse jur\u00eddico direto e leg\u00edtimo<\/strong> na produ\u00e7\u00e3o de efeitos da decis\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 5\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Genoveva, vi\u00fava brasileira, requereu ao STJ a homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira de div\u00f3rcio proferida na Alemanha entre seu falecido marido e a ex-esposa deste. Embora n\u00e3o tivesse participado do processo estrangeiro, Genoveva alegou que a homologa\u00e7\u00e3o era indispens\u00e1vel para regularizar seu estado civil no Brasil, viabilizar o reconhecimento do casamento celebrado no exterior e renovar documentos oficiais, cuja emiss\u00e3o vinha sendo negada pelas autoridades consulares brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RISTJ, art. 216-C<\/strong> (<em>legitimidade para propor homologa\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o estrangeira<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 960<\/strong> (<em>homologa\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o estrangeira<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 1\u00ba, III<\/strong> (<em>dignidade da pessoa humana<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XV<\/strong> (<em>liberdade de locomo\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira exige demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico na produ\u00e7\u00e3o de efeitos no territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A qualidade de parte no processo estrangeiro n\u00e3o \u00e9 requisito absoluto de legitimidade ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aus\u00eancia de homologa\u00e7\u00e3o pode gerar repercuss\u00f5es diretas sobre direitos civis fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Corte Especial afirmou que o sistema brasileiro de homologa\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es estrangeiras n\u00e3o imp\u00f5e limita\u00e7\u00e3o formal \u00e0 legitimidade ativa exclusivamente \u00e0s partes do processo alien\u00edgena. O crit\u00e9rio determinante \u00e9 a exist\u00eancia de <strong>interesse jur\u00eddico direto e leg\u00edtimo<\/strong> na produ\u00e7\u00e3o de efeitos da decis\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso, a requerente demonstrou que a homologa\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio estrangeiro era condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o reconhecimento de seu pr\u00f3prio casamento e para a regulariza\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o civil perante autoridades brasileiras. A negativa de documentos e a impossibilidade de exercer direitos civis evidenciaram repercuss\u00e3o concreta e imediata, justificando o reconhecimento de sua legitimidade ativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira, segundo o entendimento firmado pela Corte Especial do STJ, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira pode ser requerida por terceiro que demonstre interesse jur\u00eddico direto e leg\u00edtimo na produ\u00e7\u00e3o de efeitos da decis\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Somente as partes que participaram do processo estrangeiro possuem legitimidade para requerer a homologa\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A legitimidade ativa para homologa\u00e7\u00e3o depende exclusivamente de previs\u00e3o expressa no C\u00f3digo de Processo Civil, sendo inaplic\u00e1vel o Regimento Interno do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A aus\u00eancia de homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira n\u00e3o pode afetar direitos fundamentais do interessado, por se tratar de mera formalidade processual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O terceiro interessado somente poder\u00e1 requerer homologa\u00e7\u00e3o se houver autoriza\u00e7\u00e3o expressa das partes do processo estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Correta. A Corte Especial reconheceu que basta a demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico direto e leg\u00edtimo para que terceiro possa requerer a homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O STJ afastou interpreta\u00e7\u00e3o restritiva que limite a legitimidade apenas \u00e0s partes do processo alien\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O RISTJ disciplina expressamente o procedimento e \u00e9 aplicado em conson\u00e2ncia com o CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. No caso concreto, a aus\u00eancia de homologa\u00e7\u00e3o impactava direitos fundamentais como dignidade e liberdade de locomo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o se exige autoriza\u00e7\u00e3o das partes do processo estrangeiro, mas sim interesse jur\u00eddico pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Legitimidade n\u00e3o restrita \u00e0s partes origin\u00e1rias<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Exige interesse jur\u00eddico direto e leg\u00edtimo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Produ\u00e7\u00e3o de efeitos no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Repercuss\u00e3o sobre direitos civis fundamentais<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De in\u00edcio, \u00e9 importante salientar que o presente pedido de homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira \u00e9 formulado por quem n\u00e3o foi parte no processo alien\u00edgena de div\u00f3rcio. Tal fato, a princ\u00edpio, n\u00e3o chega a impedir o pedido homologat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 216-C do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (RISTJ) disp\u00f5e que &#8220;a homologa\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o estrangeira ser\u00e1 proposta pela parte requerente, devendo a peti\u00e7\u00e3o inicial conter os requisitos indicados na lei processual, bem como os previstos no art. 216-D, e ser instru\u00edda com o original ou c\u00f3pia autenticada da decis\u00e3o homologanda e de outros documentos indispens\u00e1veis, devidamente traduzidos por tradutor oficial ou juramentado no Brasil e chancelados pela autoridade consular brasileira competente, quando for o caso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, entende-se que a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial acima referida ainda est\u00e1 conforme os novos regramentos do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, para o interessado que n\u00e3o \u00e9 parte no processo alien\u00edgena ser considerado parte leg\u00edtima para requerer o pedido de homologa\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 demonstrar a presen\u00e7a de interesse jur\u00eddico na homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, a ora requerente (&#8220;vi\u00fava&#8221;), busca a homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a estrangeira de div\u00f3rcio, proferida na Rep\u00fablica Federal da Alemanha, entre seu falecido c\u00f4njuge e a ex-esposa dele.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal interesse decorre da necessidade de regulariza\u00e7\u00e3o de seu estado civil no Brasil, bem como do reconhecimento de seu casamento com o falecido, celebrado em 2016 na Alemanha, para que possa exercer plenamente seus direitos civis.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a homologa\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a estrangeira \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que o casamento da requerente seja reconhecido no Brasil, permitindo-lhe, entre outros direitos, utilizar o sobrenome de casada e renovar seus documentos oficiais, atualmente negados pelas autoridades consulares brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa senda, a negativa de renova\u00e7\u00e3o de seus documentos coloca a requerente em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade jur\u00eddica e administrativa. Assim, o n\u00e3o acolhimento do pedido de homologa\u00e7\u00e3o daquele div\u00f3rcio do falecido poder\u00e1 levar \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais, tais como a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1\u00ba, III) e a liberdade de locomo\u00e7\u00e3o (CF, art. 5\u00ba, XV).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-reclamacao-contra-ato-do-proprio-stj\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reclama\u00e7\u00e3o contra ato do pr\u00f3prio STJ<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel reclama\u00e7\u00e3o contra ato proferido por \u00f3rg\u00e3o julgador do pr\u00f3prio Superior Tribunal de Justi\u00e7a, sendo invi\u00e1vel sua utiliza\u00e7\u00e3o como <strong>suced\u00e2neo recursal<\/strong>, \u00e0 luz do <strong>art. 105, I, \u201cf\u201d, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt na Rcl 49.398-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3ozinho do N\u00f3, inconformado com decis\u00e3o proferida pela Quarta Turma do STJ em agravo em recurso especial, posteriormente mantida em embargos de diverg\u00eancia e agravo interno na Corte Especial, ajuizou reclama\u00e7\u00e3o perante o pr\u00f3prio STJ, sustentando suposta afronta \u00e0 autoridade de decis\u00f5es da Corte. A pretens\u00e3o buscava, em ess\u00eancia, reabrir discuss\u00e3o j\u00e1 examinada pelos \u00f3rg\u00e3os internos do Tribunal em m\u00faltiplos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 105, I, \u201cf\u201d<\/strong> (<em>compet\u00eancia do STJ para julgar reclama\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sua compet\u00eancia e autoridade de suas decis\u00f5es<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 988<\/strong> (<em>hip\u00f3teses de cabimento da reclama\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A reclama\u00e7\u00e3o constitucional \u00e9 instrumento de tutela da autoridade das decis\u00f5es do tribunal e da preserva\u00e7\u00e3o de sua compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o se destina \u00e0 revis\u00e3o de decis\u00f5es do pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o julgador que a apreciar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o pode ser utilizada como suced\u00e2neo de recurso n\u00e3o previsto no ordenamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Corte Especial reiterou que a reclama\u00e7\u00e3o constitucional possui fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e restrita: garantir a observ\u00e2ncia da compet\u00eancia do STJ e a autoridade de seus julgados perante inst\u00e2ncias inferiores. N\u00e3o h\u00e1 hierarquia interna que autorize o manejo da reclama\u00e7\u00e3o contra decis\u00f5es do pr\u00f3prio Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No caso concreto, verificou-se que a parte pretendia rediscutir mat\u00e9ria j\u00e1 apreciada pela Quarta Turma e pela pr\u00f3pria Corte Especial, configurando uso indevido da reclama\u00e7\u00e3o como mecanismo substitutivo de recurso. Diante do evidente desvio de finalidade, foi reconhecida a inadmissibilidade da via eleita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do cabimento da reclama\u00e7\u00e3o constitucional no \u00e2mbito do STJ, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>B) O art. 105, I, \u201cf\u201d, da Constitui\u00e7\u00e3o autoriza o manejo da reclama\u00e7\u00e3o como meio extraordin\u00e1rio de impugna\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>A) A reclama\u00e7\u00e3o pode ser utilizada para revisar decis\u00f5es de \u00f3rg\u00e3o colegiado do pr\u00f3prio STJ, desde que para combater viola\u00e7\u00e3o \u00e0 autoridade de precedente interno.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 poss\u00edvel ajuizar reclama\u00e7\u00e3o contra decis\u00e3o da Corte Especial do STJ, desde que esgotadas as vias recursais internas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A reclama\u00e7\u00e3o pode atuar como susced\u00e2neo de embargos de diverg\u00eancia quando estes n\u00e3o forem cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Como instrumento destinado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia, a reclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel contra ato do pr\u00f3prio Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A reclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o serve para revisar decis\u00f5es internas do pr\u00f3prio STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O dispositivo constitucional delimita fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e n\u00e3o autoriza uso como recurso ordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 cabimento de reclama\u00e7\u00e3o contra decis\u00e3o do pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o que a julgar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A reclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode funcionar como suced\u00e2neo recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Correta. A finalidade constitucional da reclama\u00e7\u00e3o limita-se \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia e da autoridade das decis\u00f5es perante inst\u00e2ncias inferiores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Reclama\u00e7\u00e3o no STJ<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Finalidade: preservar compet\u00eancia e autoridade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o cabe contra ato do pr\u00f3prio STJ<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Vedado suced\u00e2neo recursal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Art. 105, I, \u201cf\u201d, da CF<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A reclama\u00e7\u00e3o que \u00e9 de atribui\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a est\u00e1 prevista no art. 105, I, f, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e constitui garantia constitucional destinada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a ou \u00e0 garantia da autoridade de suas decis\u00f5es, em caso de descumprimento de seus julgados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale dizer, &#8220;a reclama\u00e7\u00e3o constitucional \u00e9 instituto voltado \u00e0 higidez da hierarquia desta Corte Superior sobre os demais ju\u00edzes e tribunais nacionais, n\u00e3o constituindo via adequada para impugnar decis\u00e3o do pr\u00f3prio STJ, seja ela proveniente de qualquer dos seus \u00f3rg\u00e3os colegiados ou de seus respectivos membros&#8221; (AgInt na Rcl n. 38.564\/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, julgado em 29\/10\/2019, DJe de 4\/11\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o ato apontado como reclamado \u00e9 decis\u00e3o proferida pela Quarta Turma do STJ em Agravo em Recurso Especial que, inclusive, foi objeto de embargos de diverg\u00eancia, os quais foram indeferidos liminarmente, decis\u00e3o mantida em sede de agravo interno pela Corte Especial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, diante do evidente manejo da reclama\u00e7\u00e3o como suced\u00e2neo recursal, n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel a presente via de impugna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cooperacao-juridica-internacional-carta-rogatoria-e-auxilio-direto\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional \u2013 carta rogat\u00f3ria e aux\u00edlio direto<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de prova determinada por decis\u00e3o judicial estrangeira constitui ato t\u00edpico de fun\u00e7\u00e3o jurisdicional e deve ser submetida ao <strong>ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong>, por meio de <strong>Carta Rogat\u00f3ria<\/strong>, n\u00e3o se enquadrando na hip\u00f3tese de <strong>aux\u00edlio direto<\/strong>, nos termos do <strong>CPC, art. 36<\/strong>, e do <strong>RISTJ, arts. 216-O e 216-P<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 23\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Autoridade estrangeira, no curso de a\u00e7\u00e3o envolvendo responsabilidades parentais, determinou a elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio socioecon\u00f4mico sobre parte residente no Brasil, a fim de subsidiar decis\u00e3o sobre guarda e conviv\u00eancia. O pedido foi encaminhado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, que o remeteu ao STJ para processamento como carta rogat\u00f3ria. Surgiu controv\u00e9rsia quanto \u00e0 natureza jur\u00eddica da medida: se deveria tramitar como aux\u00edlio direto \u2014 por envolver mera produ\u00e7\u00e3o de prova \u2014 ou como carta rogat\u00f3ria, por decorrer de decis\u00e3o judicial estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 36<\/strong> (<em>carta rogat\u00f3ria para cumprimento de decis\u00e3o estrangeira<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 28<\/strong> (<em>aux\u00edlio direto<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RISTJ, art. 216-O<\/strong> (<em>compet\u00eancia do STJ para ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RISTJ, art. 216-P<\/strong> (<em>controle de soberania, ordem p\u00fablica e dignidade da pessoa humana<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Carta rogat\u00f3ria e aux\u00edlio direto s\u00e3o instrumentos distintos de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A carta rogat\u00f3ria busca conferir efic\u00e1cia interna a ato jurisdicional estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd No aux\u00edlio direto, a medida \u00e9 adotada por autoridade brasileira em processo nacional aut\u00f4nomo, criado para cumprir uma demanda internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Corte Especial destacou que o crit\u00e9rio determinante para distinguir carta rogat\u00f3ria de aux\u00edlio direto \u00e9 a <strong>origem jurisdicional <u>imediata<\/u> da medida<\/strong>. Quando o pedido decorre de decis\u00e3o judicial estrangeira que imp\u00f5e ato a ser cumprido no Brasil, h\u00e1 necessidade de ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o pelo STJ, ainda que n\u00e3o haja exame de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tribunal enfatizou que o controle exercido no exequatur visa verificar a compatibilidade da decis\u00e3o estrangeira com a soberania nacional, a ordem p\u00fablica e a dignidade da pessoa humana. Ainda que a produ\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio n\u00e3o exija decis\u00e3o judicial brasileira para sua execu\u00e7\u00e3o material, o fato de derivar de determina\u00e7\u00e3o jurisdicional estrangeira imp\u00f5e sua submiss\u00e3o ao rito das cartas rogat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da distin\u00e7\u00e3o entre carta rogat\u00f3ria e aux\u00edlio direto, segundo o entendimento da Corte Especial do STJ, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Todo pedido formulado por autoridade estrangeira deve tramitar como rogat\u00f3ria, em vista da soberania nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A exist\u00eancia de decis\u00e3o judicial estrangeira que determine a produ\u00e7\u00e3o de prova imp\u00f5e a utiliza\u00e7\u00e3o da carta rogat\u00f3ria, com pr\u00e9vio ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O aux\u00edlio direto \u00e9 sempre cab\u00edvel quando o Brasil for signat\u00e1rio de tratado internacional de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A carta rogat\u00f3ria permite ao STJ reexaminar o m\u00e9rito da decis\u00e3o judicial estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A produ\u00e7\u00e3o de prova em territ\u00f3rio nacional n\u00e3o depende de controle pelo STJ, por se tratar de ato material.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O crit\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 somente a origem remote, mas a origem imediata: se h\u00e1 processo aut\u00f4nomo no Brasil, vale coopera\u00e7\u00e3o; se o esquema \u00e9 dar cumprimento de decis\u00e3o judicial estrangeira, tem de haver exequatur.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Correta. O STJ afirmou que, sendo a medida decorrente de decis\u00e3o jurisdicional estrangeira, \u00e9 imprescind\u00edvel o exequatur por meio de carta rogat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O aux\u00edlio direto pressup\u00f5e tratado ou reciprocidade, mas n\u00e3o substitui a carta rogat\u00f3ria quando h\u00e1 decis\u00e3o judicial estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o n\u00e3o envolve reexame do m\u00e9rito, limitando-se ao controle de compatibilidade com soberania e ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. Quando a produ\u00e7\u00e3o de prova decorre de decis\u00e3o judicial estrangeira, exige-se controle pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Coopera\u00e7\u00e3o internacional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Decis\u00e3o judicial estrangeira \u2192 carta rogat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o pelo STJ<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Controle de soberania e ordem p\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aux\u00edlio direto \u2260 cumprimento de decis\u00e3o judicial<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, em aten\u00e7\u00e3o ao pedido de coopera\u00e7\u00e3o internacional, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica enviou of\u00edcio ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a com vistas \u00e0 tramita\u00e7\u00e3o de Carta Rogat\u00f3ria, a qual tem como finalidade a colheita de prova, determinada nos autos da A\u00e7\u00e3o de Regula\u00e7\u00e3o de Responsabilidades Parentais para a elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio social acerca das condi\u00e7\u00f5es pessoais, familiares, econ\u00f4micas, profissionais, habitacionais e morais da parte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em suas raz\u00f5es, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal alegou que &#8220;o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao apreciar outras cartas rogat\u00f3rias baseadas em decis\u00f5es judiciais, julgou ser aux\u00edlio direto o meio leg\u00edtimo para o processamento dos respectivos pedidos de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia em discuss\u00e3o, portanto, refere-se \u00e0 natureza do pedido de coopera\u00e7\u00e3o internacional, isto \u00e9, se a medida pretendida \u00e9 de car\u00e1ter meramente informativo e de natureza administrativa &amp;#9472; o que se enquadraria na hip\u00f3tese de aux\u00edlio direto, previsto no art. 28 do C\u00f3digo de Processo Civil &amp;#9472; ou se o pedido tem por objeto ato que enseja ju\u00edzo deliberat\u00f3rio do STJ &amp;#9472; hip\u00f3tese de Carta Rogat\u00f3ria prevista no art. 36 do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Carta Rogat\u00f3ria e o aux\u00edlio direto convivem no ordenamento jur\u00eddico como sistemas de coopera\u00e7\u00e3o internacional em mat\u00e9ria civil\/penal. Entretanto, s\u00e3o institutos com ritos e procedimentos diversos em virtude das normas aplic\u00e1veis e da origem da decis\u00e3o que motivou o pedido estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A carta rogat\u00f3ria passiva diz respeito a decis\u00f5es judiciais oriundas de ju\u00edzos ou tribunais estrangeiros que, para serem executadas em territ\u00f3rio nacional, precisam do ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o do STJ sem, contudo, adentrar no m\u00e9rito da decis\u00e3o proveniente do pa\u00eds alien\u00edgena. No aux\u00edlio direto, por sua vez, h\u00e1 um pedido de assist\u00eancia do Estado estrangeiro diretamente ao Estado rogado para que este adote as medidas internas mais adequadas para fazer cumprir o pedido. Essa assist\u00eancia direta decorre de acordo ou tratado internacional de coopera\u00e7\u00e3o em que o Brasil seja, necessariamente, signat\u00e1rio ou, na aus\u00eancia de tratado, ocorre quando h\u00e1 reciprocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, de acordo com a doutrina, a grande diferen\u00e7a entre os dois ve\u00edculos est\u00e1 no fato de a carta rogat\u00f3ria buscar dar efic\u00e1cia a uma decis\u00e3o judicial estrangeira; no aux\u00edlio direto, \u00e9 produzida uma decis\u00e3o brasileira a partir de um processo nacional, criado para cumprir uma demanda internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme previsto no art. 216-O do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, cabe ao STJ analisar os pedidos de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional que tiverem por objeto atos com o necess\u00e1rio ju\u00edzo de deliba\u00e7\u00e3o, o qual compreende a an\u00e1lise do ato decis\u00f3rio emanado de autoridade judicial estrangeira competente que n\u00e3o ofenda a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana e a ordem p\u00fablica nacional, conforme estabelecido no art. 216-P do RISTJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, n\u00e3o significa que o relat\u00f3rio socioecon\u00f4mico requerido pela Justi\u00e7a rogante necessite de ordem judicial brasileira para ser realizado, mas, sim, que a decis\u00e3o exarada no processo judicial n\u00e3o ofenda os crit\u00e9rios supracitados para seu cumprimento no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, na hip\u00f3tese, a medida de produ\u00e7\u00e3o de prova, porquanto decorrente de decis\u00e3o judicial estrangeira, deve ser submetida ao ju\u00edzo delibat\u00f3rio do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, assegurando-se \u00e0s partes as garantias do devido processo legal. Afinal, a determina\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de prova no curso de processo judicial \u00e9 ato t\u00edpico de fun\u00e7\u00e3o jurisdicional e submete-se, portanto, ao rito das cartas rogat\u00f3rias, at\u00e9 para que o STJ possa fazer o controle da compatibilidade do que se roga ao ordenamento jur\u00eddico nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-anpp-execucao-da-obrigacao-de-reparar-o-dano-e-competencia-interna-do-stj\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ANPP \u2013 execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano e compet\u00eancia interna do STJ<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 <strong>Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong> julgar conflito negativo de compet\u00eancia entre ju\u00edzos c\u00edvel e criminal acerca da execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano fixada em <strong>acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal (ANPP)<\/strong>, pois o t\u00edtulo tem natureza <strong>criminal<\/strong> e sua execu\u00e7\u00e3o se submete ao <strong>CPP, art. 28-A, \u00a7 6\u00ba<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 210.253-DF, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, por maioria, julgado em 5\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, Creosvaldo comprometeu-se a reparar o dano causado \u00e0 v\u00edtima. Diante do inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o, surgiu controv\u00e9rsia entre ju\u00edzo criminal e ju\u00edzo c\u00edvel acerca de quem seria competente para processar a execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o. Instaurado conflito negativo de compet\u00eancia, a discuss\u00e3o deslocou-se ao STJ para definir qual \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio \u2014 criminal ou c\u00edvel \u2014 deveria apreci\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 28-A, \u00a7 6\u00ba<\/strong> (<em>execu\u00e7\u00e3o do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal no ju\u00edzo criminal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 63<\/strong> (<em>execu\u00e7\u00e3o civil da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 516, III<\/strong> (<em>cumprimento de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria no ju\u00edzo c\u00edvel<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.099\/1995, art. 74<\/strong> (<em>execu\u00e7\u00e3o civil da composi\u00e7\u00e3o nos Juizados Especiais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O crit\u00e9rio definidor da compet\u00eancia interna do STJ \u00e9 a natureza do t\u00edtulo executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O ANPP \u00e9 instituto de natureza penal, inserido na persecu\u00e7\u00e3o criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de execu\u00e7\u00e3o do ANPP no ju\u00edzo c\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Corte Especial destacou que a defini\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o competente no STJ depende da natureza jur\u00eddica do t\u00edtulo cuja execu\u00e7\u00e3o se pretende. Como o ANPP \u00e9 acordo celebrado no \u00e2mbito da persecu\u00e7\u00e3o penal, sua execu\u00e7\u00e3o decorre diretamente da disciplina do <strong>CPP, art. 28-A, \u00a7 6\u00ba<\/strong>, que prev\u00ea o controle pelo ju\u00edzo criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Diferentemente da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria \u2014 cuja execu\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o pode ser promovida no ju\u00edzo c\u00edvel com base no <strong>CPP, art. 63<\/strong>, e no <strong>CPC, art. 516, III<\/strong> \u2014 o ANPP n\u00e3o possui previs\u00e3o semelhante de deslocamento para a esfera c\u00edvel. Tamb\u00e9m n\u00e3o se equipara \u00e0 composi\u00e7\u00e3o civil dos danos dos Juizados Especiais, que possui disciplina pr\u00f3pria na <strong>Lei n. 9.099\/1995, art. 74<\/strong>. Assim, por se tratar de t\u00edtulo de origem criminal, compete \u00e0 <strong>Terceira Se\u00e7\u00e3o<\/strong> do STJ apreciar o conflito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da compet\u00eancia para julgar conflito negativo envolvendo a execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano fixada em ANPP, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano fixada em ANPP deve ser executada no ju\u00edzo c\u00edvel, por analogia ao art. 63 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o prevista no ANPP possui natureza civil, raz\u00e3o pela qual o conflito deve ser julgado pela Se\u00e7\u00e3o de Direito Privado do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A execu\u00e7\u00e3o do ANPP deve ocorrer no ju\u00edzo criminal, e eventual conflito de compet\u00eancia deve ser julgado pela Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A execu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano no ANPP segue o mesmo regime da composi\u00e7\u00e3o civil prevista na Lei n. 9.099\/1995.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A compet\u00eancia para executar o ANPP depende da op\u00e7\u00e3o da v\u00edtima quanto ao ju\u00edzo mais conveniente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O <strong>CPP, art. 28-A, \u00a7 6\u00ba<\/strong> n\u00e3o prev\u00ea execu\u00e7\u00e3o no ju\u00edzo c\u00edvel, diferentemente da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O t\u00edtulo tem natureza penal, n\u00e3o civil, ainda que envolva repara\u00e7\u00e3o de dano.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Correta. A Corte Especial afirmou que, sendo o t\u00edtulo de natureza criminal, o conflito deve ser apreciado pela Terceira Se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A composi\u00e7\u00e3o civil dos Juizados Especiais possui disciplina pr\u00f3pria, inexistente no regime do ANPP.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A compet\u00eancia \u00e9 definida pela natureza jur\u00eddica do t\u00edtulo, e n\u00e3o pela conveni\u00eancia das partes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc ANPP \u2013 execu\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Natureza penal do t\u00edtulo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Execu\u00e7\u00e3o no ju\u00edzo criminal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Distin\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Compet\u00eancia da Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se compete ao \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio especializado na mat\u00e9ria criminal ou na mat\u00e9ria c\u00edvel julgar conflito negativo de compet\u00eancia entre Ju\u00edzos c\u00edvel e criminal, acerca da compet\u00eancia para o processo de execu\u00e7\u00e3o buscando o cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano estipulada em acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, o crit\u00e9rio para a defini\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o competente para julgar o presente conflito no Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 a natureza do t\u00edtulo cuja execu\u00e7\u00e3o se busca.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ANPP \u00e9 um acordo criminal e n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para sua execu\u00e7\u00e3o no ju\u00edzo c\u00edvel. A execu\u00e7\u00e3o do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal \u00e9 feita pelo ju\u00edzo criminal, na forma do art. 28-A, \u00a7 6\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o do ANPP no ju\u00edzo c\u00edvel, como ocorre na senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria, na forma do art. 63 do CPP e do art. 516, III, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A hip\u00f3tese n\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0quela de execu\u00e7\u00e3o aparelhada por acordo firmado no \u00e2mbito dos Juizados Especiais (CC n. 204.530, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, julgado em 7\/8\/2024). Na lei de reg\u00eancia dos Juizados Especiais, est\u00e1 expresso que a composi\u00e7\u00e3o civil dos danos \u00e9 executada no Ju\u00edzo c\u00edvel (art. 74 da Lei n. 9.099\/1995). N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o semelhante para o ANPP.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, tendo em vista que a origem do t\u00edtulo \u00e9 criminal, em rela\u00e7\u00e3o ao qual n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o no Ju\u00edzo c\u00edvel, a compet\u00eancia para resolver o conflito de compet\u00eancia \u00e9 dos colegiados criminais do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-concurso-publico-cotas-raciais-e-vedacao-ao-fracionamento-de-vagas\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Concurso p\u00fablico \u2013 cotas raciais e veda\u00e7\u00e3o ao fracionamento de vagas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O quantitativo de vagas reservadas \u00e0s pessoas negras deve incidir sobre o <strong>total de vagas do cargo<\/strong>, sendo vedado o <strong>fracionamento por \u00e1reas de especializa\u00e7\u00e3o<\/strong> para fins de aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas, conforme a <strong>Lei n. 12.990\/2014, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba<\/strong>, e a orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo STF na <strong>ADC 41<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>MS 31.562-DF, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 4\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Concurso p\u00fablico para o cargo de pesquisador, com especialidades distintas e requisitos espec\u00edficos, previa tr\u00eas vagas no total, sendo apenas uma destinada a determinada especialidade. O edital determinou que a vaga \u00fanica dessa especialidade seria reservada \u00e0s cotas raciais, definindo as vagas destinadas \u00e0s a\u00e7\u00f5es afirmativas por meio de sorteio p\u00fablico. Toinho, candidato aprovado na ampla concorr\u00eancia impetrou mandado de seguran\u00e7a alegando preteri\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios legais de proporcionalidade e altern\u00e2ncia. Na sua vers\u00e3o, as quotas deveriam considerar cada especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.990\/2014, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>reserva de 20% das vagas quando houver, no m\u00ednimo, tr\u00eas vagas no concurso<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, caput<\/strong> (<em>princ\u00edpios da legalidade, impessoalidade e publicidade<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADC 41\/STF<\/strong> (<em>constitucionalidade da Lei n. 12.990\/2014 e veda\u00e7\u00e3o ao fracionamento artificial de vagas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A reserva de vagas incide sobre o TOTAL de vagas do cargo no certame.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd \u00c9 vedado fracionar vagas por especialidade para contornar a pol\u00edtica afirmativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A nomea\u00e7\u00e3o deve observar crit\u00e9rios de altern\u00e2ncia e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o destacou que a pol\u00edtica de cotas raciais, declarada constitucional na <strong>ADC 41<\/strong>, deve ser aplicada de forma integral e sist\u00eamica, incidindo sobre o total de vagas ofertadas no concurso. O fracionamento por especialidade, quando resulta na destina\u00e7\u00e3o da \u00fanica vaga de determinada \u00e1rea \u00e0s cotas, desvirtua o crit\u00e9rio global estabelecido pela lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Embora o sorteio p\u00fablico seja mecanismo compat\u00edvel com os princ\u00edpios da publicidade e impessoalidade, ele n\u00e3o pode afastar os par\u00e2metros legais de altern\u00e2ncia e proporcionalidade. A reserva da \u00fanica vaga da especialidade violou a <strong>Lei n. 12.990\/2014, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba<\/strong>, por aplicar a pol\u00edtica afirmativa de forma isolada e desproporcional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da aplica\u00e7\u00e3o das quotas raciais em concurso p\u00fablico (Lei n. 12.990\/2014), quando houver vagas para especialidades distintas, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A reserva de vagas deve ser aplicada individualmente a cada especialidade, para assegurar m\u00e1xima efetividade \u00e0 pol\u00edtica afirmativa.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O sorteio p\u00fablico pode substituir integralmente os crit\u00e9rios de altern\u00e2ncia e proporcionalidade previstos na Lei n. 12.990\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A exist\u00eancia de requisitos distintos por especialidade impede a aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas raciais.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A reserva de 20% deve incidir sobre o total de vagas do cargo no certame, sendo vedado o fracionamento por especialidade para contornar a pol\u00edtica afirmativa.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas depende exclusivamente de previs\u00e3o expressa no edital, independentemente da lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STF vedou o fracionamento artificial por especialidade para aplica\u00e7\u00e3o isolada da reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O sorteio (what?!) n\u00e3o substitui os crit\u00e9rios legais de altern\u00e2ncia e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A exist\u00eancia de especialidades n\u00e3o impede a aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica afirmativa, mas exige respeito ao c\u00e1lculo global.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Correta. A reserva deve incidir sobre o total de vagas do cargo, conforme a Lei n. 12.990\/2014 e a ADC 41.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A pol\u00edtica de cotas decorre da lei, n\u00e3o de mera previs\u00e3o edital\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Concurso p\u00fablico \u2013 cotas raciais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Incid\u00eancia sobre total de vagas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Vedado fracionamento por especialidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Altern\u00e2ncia e proporcionalidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd ADC 41\/STF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sorteio n\u00e3o pode desvirtuar a lei<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia quanto \u00e0 legalidade da reserva de cotas raciais sobre vaga \u00fanica em especialidade com requisitos pr\u00f3prios e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das vagas reservadas por sorteio, sem observ\u00e2ncia dos crit\u00e9rios legais de altern\u00e2ncia e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o impetrante, primeiro colocado na ampla concorr\u00eancia, sustentou que a destina\u00e7\u00e3o da \u00fanica vaga \u00e0s cotas raciais configura preteri\u00e7\u00e3o, pois a tese do c\u00e1lculo global firmada pelo Supremo Tribunal Federal na ADC n. 41 n\u00e3o se aplicaria a vagas de especialidades com forma\u00e7\u00f5es distintas; ademais, afirma inexistir amparo legal para definir, por sorteio, os eleg\u00edveis \u00e0 pol\u00edtica afirmativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a Lei n. 12.990\/2014, vigente \u00e0 \u00e9poca, determinava a reserva de 20% das vagas oferecidas em concursos p\u00fablicos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal sempre que o edital previsse, no m\u00ednimo, tr\u00eas vagas, impondo que a nomea\u00e7\u00e3o dos aprovados observasse crit\u00e9rios de altern\u00e2ncia e proporcionalidade; sua constitucionalidade foi afirmada pelo STF na ADC (A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria de Constitucionalidade) n. 41.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Plen\u00e1rio do STF, no julgamento da ADC n. 41, fixou que: (a) os percentuais de reserva de vagas incidem em todas as fases dos concursos; (b) a reserva deve alcan\u00e7ar todas as vagas ofertadas no certame, n\u00e3o se limitando ao edital de abertura; (c) \u00e9 inadmiss\u00edvel o fracionamento de vagas por especialidade com o objetivo de contornar a pol\u00edtica de a\u00e7\u00e3o afirmativa, a qual somente se aplica a concursos com mais de duas vagas; e (d) a classifica\u00e7\u00e3o decorrente dos crit\u00e9rios de altern\u00e2ncia e proporcionalidade na nomea\u00e7\u00e3o deve irradiar efeitos por toda a trajet\u00f3ria funcional do benefici\u00e1rio da reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, os par\u00e2metros legais ent\u00e3o vigentes estabeleciam: reserva de 20% das vagas; arredondamento para o primeiro inteiro subsequente quando o resultado fosse igual ou superior a 0,5, ou redu\u00e7\u00e3o para o inteiro imediatamente inferior quando menor; e nomea\u00e7\u00e3o observando crit\u00e9rios de altern\u00e2ncia e proporcionalidade, conforme a rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero total de vagas e aquelas destinadas aos cotistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, a previs\u00e3o no edital de sorteio, em sess\u00e3o p\u00fablica previamente divulgada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU), para definir as vagas reservadas \u00e0s pessoas com defici\u00eancia e \u00e0s pessoas negras &#8211; est\u00e1 alinhada aos princ\u00edpios da publicidade e da impessoalidade, assegurando transpar\u00eancia e controle social sobre a destina\u00e7\u00e3o das cotas durante o certame.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sorteio, entretanto, deve operar em estrita conson\u00e2ncia com a pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es afirmativas: o quantitativo de vagas reservadas \u00e0s pessoas negras deve incidir sobre o total de vagas do cargo, vedado o fracionamento por \u00e1reas de especializa\u00e7\u00e3o, &#8220;para burlar a pol\u00edtica de a\u00e7\u00e3o afirmativa&#8221;, conforme assentado na ADC n. 41 e na Lei n. 12.990\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a reserva da \u00fanica vaga da Especialidade P02 para cotas raciais, em concurso com especialidades aut\u00f4nomas e requisitos pr\u00f3prios do cargo, viola o art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 12.990\/2014, bem como os crit\u00e9rios de altern\u00e2ncia e proporcionalidade, e n\u00e3o encontra respaldo no m\u00e9todo de sorteio, destitu\u00eddo de fundamento legal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cebas-demora-no-julgamento-de-recurso-administrativo-e-violacao-a-duracao-razoavel-do-processo\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CEBAS \u2013 demora no julgamento de recurso administrativo e viola\u00e7\u00e3o \u00e0 dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o <strong>postergar indefinidamente o julgamento de recurso administrativo<\/strong> interposto contra o indeferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social (CEBAS), pois a mora injustificada viola os princ\u00edpios constitucionais da <strong>efici\u00eancia<\/strong> e da <strong>dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo<\/strong>, previstos nos <strong>arts. 5\u00ba, LXXVIII, e 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>MS 31.431-DF, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 6\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jacupira Eventos Sociais, entidade sem fins lucrativos, teve seu pedido de concess\u00e3o do CEBAS indeferido e interp\u00f4s recurso administrativo dentro do prazo legal. Apesar da exist\u00eancia de disciplina normativa que fixa prazo para reconsidera\u00e7\u00e3o e julgamento em inst\u00e2ncia superior, o recurso permaneceu sem decis\u00e3o por mais de seis anos, sob justificativas de necessidade de novas an\u00e1lises t\u00e9cnicas e observ\u00e2ncia de ordem cronol\u00f3gica. Diante da in\u00e9rcia administrativa, a entidade impetrou mandado de seguran\u00e7a pleiteando a aprecia\u00e7\u00e3o do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXVIII<\/strong> (<em>dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, caput<\/strong> (<em>princ\u00edpio da efici\u00eancia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 8.242\/2014, art. 14 e \u00a7 4\u00ba<\/strong> (<em>prazo para julgamento do recurso administrativo no CEBAS<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.101\/2009, art. 26<\/strong> (<em>manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade civil no processo de certifica\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O administrado possui <strong>direito subjetivo \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do recurso em prazo razo\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A ordem cronol\u00f3gica de an\u00e1lise n\u00e3o autoriza extrapola\u00e7\u00e3o excessiva dos prazos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A demora injustificada configura omiss\u00e3o administrativa pass\u00edvel de controle judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o destacou que a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica fixa prazo m\u00e1ximo de 85 dias para aprecia\u00e7\u00e3o do recurso, considerando o per\u00edodo de reconsidera\u00e7\u00e3o e a suspens\u00e3o para manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade civil. A supera\u00e7\u00e3o desse lapso por per\u00edodo superior a seis anos revela mora excessiva e incompat\u00edvel com o regime constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ reconheceu que a Administra\u00e7\u00e3o deve observar crit\u00e9rios de legalidade e impessoalidade, inclusive a ordem cronol\u00f3gica, mas tais par\u00e2metros n\u00e3o legitimam <strong>ina\u00e7\u00e3o indefinida<\/strong>. A aus\u00eancia de decis\u00e3o configura viola\u00e7\u00e3o direta aos princ\u00edpios da efici\u00eancia e da dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo, autorizando a concess\u00e3o parcial da ordem para determinar o julgamento do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social (CEBAS), assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pode postergar indefinidamente a aprecia\u00e7\u00e3o de recurso administrativo, desde adira estritamente \u00e0 observ\u00e2ncia da ordem cronol\u00f3gica de protocolo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A inexist\u00eancia de prazo expresso na Constitui\u00e7\u00e3o afasta o direito subjetivo ao julgamento do recurso em tempo razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A extrapola\u00e7\u00e3o injustificada do prazo legal para julgamento de recurso administrativo viola os princ\u00edpios da efici\u00eancia e da dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A necessidade de nova an\u00e1lise t\u00e9cnica suspende o prazo para julgamento do recurso administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O controle judicial \u00e9 invi\u00e1vel quando se trata de ato administrativo ainda pendente de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A ordem cronol\u00f3gica n\u00e3o legitima demora excessiva nem suspens\u00e3o indefinida do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O direito \u00e0 dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo est\u00e1 expressamente previsto no <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXVIII<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Correta. O STJ reconheceu que a mora excessiva afronta diretamente os princ\u00edpios da efici\u00eancia e da dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A necessidade de an\u00e1lise t\u00e9cnica n\u00e3o autoriza prorroga\u00e7\u00e3o indefinida do prazo legal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A omiss\u00e3o administrativa pode ser objeto de controle judicial por meio de mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc CEBAS \u2013 recurso administrativo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prazo legal de julgamento<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Mora superior a 6 anos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Viola\u00e7\u00e3o \u00e0 efici\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Direito \u00e0 dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Controle judicial da omiss\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cuida-se de mandado de seguran\u00e7a em que se discute a exist\u00eancia de direito l\u00edquido e certo da impetrante ao julgamento, dentro do prazo legal, de recurso administrativo interposto contra o indeferimento do pedido de concess\u00e3o do Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social &#8211; CEBAS.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a impetrante protocolou o pedido origin\u00e1rio de concess\u00e3o do certificado em 28\/4\/2016, tendo sido este indeferido por meio da Portaria n. 789\/2018. Contra essa decis\u00e3o, foi interposto recurso administrativo em 6\/12\/2018.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o art. 14 do Decreto n. 8.242\/2014 disp\u00f5e que da decis\u00e3o que indeferir o requerimento de concess\u00e3o, renova\u00e7\u00e3o ou que cancelar a certifica\u00e7\u00e3o, caber\u00e1 recurso no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de sua publica\u00e7\u00e3o. Estabelece, ainda, que o recurso dever\u00e1 ser remetido \u00e0 autoridade certificadora, a qual, caso n\u00e3o reconsidere a decis\u00e3o no prazo de 10 (dez) dias, encaminhar\u00e1 o recurso ao respectivo Ministro de Estado para julgamento em \u00faltima inst\u00e2ncia administrativa, no prazo de 60 (sessenta) dias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Das informa\u00e7\u00f5es prestadas pela autoridade impetrada, depreende-se que n\u00e3o houve reconsidera\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o e que, ap\u00f3s essa etapa, o recurso foi submetido \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade civil, em cumprimento ao disposto no art. 26 da Lei n. 12.101\/2009; e no art. 14, \u00a7 4\u00ba, do Decreto n. 8.242\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade civil, o processo foi encaminhado \u00e0 Consultoria Jur\u00eddica do MEC &#8211; CONJUR\/MEC, que, por sua vez, solicitou nova an\u00e1lise t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Examinando a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, constata-se que o recurso interposto contra o indeferimento do pedido de concess\u00e3o do CEBAS deveria ter sido apreciado no prazo m\u00e1ximo de 85 (oitenta e cinco) dias, considerando (i) o decurso de 10 (dez) dias para reconsidera\u00e7\u00e3o pela autoridade certificadora; e (ii) a suspens\u00e3o de 15 (quinze) dias decorrente da abertura de prazo para manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, verifica-se a pertin\u00eancia da tese sustentada pela impetrante, especialmente porque permanece a omiss\u00e3o da autoridade competente na aprecia\u00e7\u00e3o do recurso administrativo. A mera devolu\u00e7\u00e3o dos autos para nova an\u00e1lise t\u00e9cnica, fundamentada na aus\u00eancia de atualidade das manifesta\u00e7\u00f5es anteriormente apresentadas, n\u00e3o \u00e9 suficiente para sanar o v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a alega\u00e7\u00e3o de que &#8220;os requerimentos de concess\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o do CEBAS devem ser apreciados em ordem cronol\u00f3gica de protocolo, observando-se os princ\u00edpios da legalidade, impessoalidade e efici\u00eancia&#8221; n\u00e3o justifica a extrapola\u00e7\u00e3o excessiva do prazo legal estabelecido para julgamento do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora se imponha \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o a observ\u00e2ncia da ordem cronol\u00f3gica de an\u00e1lise dos requerimentos, n\u00e3o se pode admitir que o administrado permane\u00e7a indefinidamente \u00e0 espera da aprecia\u00e7\u00e3o de seu pleito, sem qualquer perspectiva de solu\u00e7\u00e3o em prazo razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o postergar indefinidamente a conclus\u00e3o de seus processos, sendo certo que o administrado possui direito subjetivo \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o de seus requerimentos dentro de prazo razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o transcurso de mais de 6 (seis) anos sem o exame do recurso administrativo interposto pela impetrante revela-se excessivo e violador dos princ\u00edpios constitucionais da efici\u00eancia e da dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo, previstos nos arts. 5\u00ba, inciso LXXVIII, e 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-improbidade-administrativa-recapitulacao-da-conduta-e-ausencia-de-reformatio-in-pejus\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Improbidade administrativa \u2013 recapitula\u00e7\u00e3o da conduta e aus\u00eancia de reformatio in pejus<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 <strong>reformatio in pejus<\/strong> quando o Tribunal, ao apreciar recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico, recapitula a conduta para enquadr\u00e1-la no <strong>art. 9\u00ba da Lei n. 8.429\/1992<\/strong>, reconhecendo <strong>enriquecimento il\u00edcito<\/strong> e aplicando as san\u00e7\u00f5es do <strong>art. 12, I<\/strong>, pois a majora\u00e7\u00e3o decorre de pedido expresso do autor da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 1.661.447-SP, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 17\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dicos obstetras vinculados ao SUS exigiam valores indevidos de pacientes para realiza\u00e7\u00e3o de partos e laqueaduras. Em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por improbidade administrativa, foram condenados em primeiro grau com fundamento no <strong>art. 11 da LIA<\/strong> (viola\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios). O Minist\u00e9rio P\u00fablico apelou buscando o reconhecimento de <strong>enriquecimento il\u00edcito<\/strong>, com aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es do <strong>art. 12, I<\/strong>, inclusive perda dos valores indevidamente recebidos. O Tribunal acolheu o recurso e reenquadrou a conduta no <strong>art. 9\u00ba da LIA<\/strong>. Os r\u00e9us alegaram reformatio in pejus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 9\u00ba<\/strong> (<em>atos de improbidade que importam enriquecimento il\u00edcito<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 11<\/strong> (<em>atos que atentam contra os princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 12, I<\/strong> (<em>san\u00e7\u00f5es para enriquecimento il\u00edcito, inclusive perda dos valores acrescidos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A reformatio in pejus pressup\u00f5e agravamento sem recurso da parte legitimada.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Havendo recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico, \u00e9 poss\u00edvel agravar a situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O enquadramento no art. 9\u00ba exige demonstra\u00e7\u00e3o de <strong>dolo espec\u00edfico e vantagem patrimonial indevida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Turma destacou que n\u00e3o houve reforma em preju\u00edzo indevida, pois o Minist\u00e9rio P\u00fablico interp\u00f4s recurso com pedido expresso de reconhecimento de enriquecimento il\u00edcito e aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es correlatas. O Tribunal de origem apenas acolheu a tese recursal, reconhecendo que os m\u00e9dicos obtiveram vantagem patrimonial indevida ao exigir valores de pacientes atendidas pelo SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ ressaltou que a recapitula\u00e7\u00e3o da conduta \u2014 do <strong>art. 11<\/strong> para o <strong>art. 9\u00ba da LIA<\/strong> \u2014 decorreu da an\u00e1lise do recurso ministerial e da comprova\u00e7\u00e3o do enriquecimento il\u00edcito. Assim, o agravamento das san\u00e7\u00f5es n\u00e3o configurou reformatio in pejus, mas consequ\u00eancia l\u00f3gica do provimento do recurso interposto pela parte legitimada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tratando-se do direito administrativo sancionat\u00f3rio, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O Tribunal n\u00e3o pode reenquadrar a conduta \u00edmproba para tipo mais gravoso se o r\u00e9u n\u00e3o tiver recorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O reconhecimento de enriquecimento il\u00edcito em segundo grau, com aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es do art. 12, I, da LIA, configura reformatio in pejus.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A exig\u00eancia de valores indevidos por m\u00e9dicos do SUS deve ser caracterizada como viola\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios administrativos nos termos do art. 11 da LIA.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Havendo recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico buscando enquadramento em modalidade mais grave, \u00e9 poss\u00edvel a recapitula\u00e7\u00e3o da conduta e aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es correlatas sem que haja reformatio in pejus.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A reformatio in pejus \u00e9 vedada mesmo quando houver recurso da parte autora da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Havendo recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico, o Tribunal pode reexaminar e reenquadrar a conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 reformatio in pejus quando o agravamento decorre do provimento de recurso da parte legitimada.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A exig\u00eancia de valores indevidos configura vantagem patrimonial il\u00edcita, enquadr\u00e1vel no art. 9\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Correta. O STJ afirmou que a recapitula\u00e7\u00e3o para o <strong>art. 9\u00ba da LIA<\/strong> foi consequ\u00eancia do recurso ministerial e da comprova\u00e7\u00e3o do enriquecimento il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 reformatio in pejus aplica-se quando n\u00e3o h\u00e1 recurso da parte legitimada para agravar a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Improbidade administrativa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Recapitula\u00e7\u00e3o da conduta (art. 11 \u2192 art. 9\u00ba)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Enriquecimento il\u00edcito comprovado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Inexist\u00eancia de reformatio in pejus<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;No caso, foi ajuizada a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo contra m\u00e9dicos obstetras por exigirem de pacientes atendidas pelo SUS o pagamento de valores para realiza\u00e7\u00e3o de partos ou laqueaduras, o que configuraria ofensa aos arts. 9\u00ba e 11, I, da Lei n. 8.429\/1992 &#8211; Lei de Improbidade Administrativa (LIA).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ju\u00edzo de primeiro grau julgou parcialmente procedentes os pedidos, condenando os r\u00e9us pela pr\u00e1tica de conduta \u00edmproba prevista no art. 11, caput, e I, da LIA e aplicando a eles as seguintes san\u00e7\u00f5es: perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica; suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos pelo prazo de cinco anos; multa civil em valor equivalente a dez vezes o valor correspondente ao \u00faltimo vencimento percebido; proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o Poder P\u00fablico pelo prazo de tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem deu provimento ao apelo do autor da a\u00e7\u00e3o, recapitulando a conduta praticada pelos r\u00e9us, que originalmente foi enquadrada no art. 11 da LIA (atos de improbidade administrativa que atentam contra os princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica), para o art. 9\u00ba da Lei n. 8.429\/1992. Isso ocorreu porque o Minist\u00e9rio P\u00fablico recorreu da senten\u00e7a com o objetivo de ver aplicada a pena de perda de valores ilicitamente acrescidos ao patrim\u00f4nio dos agentes, isso com base no art. 12, I, da LIA, sabidamente correspondente aos tipos a exigir, para a sua concretiza\u00e7\u00e3o, o enriquecimento il\u00edcito do agente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o Tribunal a quo, analisando o apelo do autor, afirmou categoricamente que houve o enriquecimento il\u00edcito do r\u00e9u, capitulando a conduta do art. 9\u00ba da LIA e imputando-lhe o perdimento dos valores ilicitamente recebidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, n\u00e3o se extrai reforma em preju\u00edzo dos r\u00e9us, tendo o autor da a\u00e7\u00e3o postulado, com base no enriquecimento il\u00edcito, a aplica\u00e7\u00e3o das penalidades previstas no inciso I do art. 12 da LIA e, notadamente, a perda de valores ilicitamente exigidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-inquerito-civil-em-improbidade-prorrogacao-unica-e-exigencia-de-fundamentacao-especifica\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inqu\u00e9rito civil em improbidade \u2013 prorroga\u00e7\u00e3o \u00fanica e exig\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 14.230\/2021, o inqu\u00e9rito civil para apura\u00e7\u00e3o de ato de improbidade administrativa <strong>somente pode ser prorrogado uma \u00fanica vez, por igual per\u00edodo de 365 dias<\/strong>, nos termos do <strong>art. 23, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992<\/strong>, sendo indispens\u00e1vel <strong>fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e concreta<\/strong>, sob pena de ilegalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.181.090-DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A empresa SuperFaturando Ltda, investigada em inqu\u00e9rito civil p\u00fablico instaurado para apurar poss\u00edvel direcionamento e sobrepre\u00e7o em contratos administrativos questionou a legalidade da prorroga\u00e7\u00e3o do procedimento investigativo. O inqu\u00e9rito, iniciado em novembro de 2020, foi prorrogado por mais um ano por ato da Promotoria, que invocou genericamente a necessidade de continuidade das investiga\u00e7\u00f5es. A empresa sustentou a extemporaneidade e a aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.429\/1992, art. 23, \u00a7 2\u00ba<\/strong> (<em>prorroga\u00e7\u00e3o \u00fanica do inqu\u00e9rito civil por 365 dias<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.784\/1999, art. 50, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>exig\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, clara e congruente<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 127<\/strong> (<em>autonomia e independ\u00eancia funcional do Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O prazo do inqu\u00e9rito civil em improbidade possui natureza <strong>perempt\u00f3ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A autonomia do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o afasta limites temporais previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A prorroga\u00e7\u00e3o exige motiva\u00e7\u00e3o concreta que demonstre a imprescindibilidade da continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Turma afirmou que a fixa\u00e7\u00e3o de prazo legal para o inqu\u00e9rito civil n\u00e3o viola a autonomia institucional do Minist\u00e9rio P\u00fablico, pois a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o assegura atua\u00e7\u00e3o investigativa por tempo indeterminado. O <strong>art. 23, \u00a7 2\u00ba, da LIA<\/strong> introduziu limite objetivo de dura\u00e7\u00e3o, com apenas uma prorroga\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ destacou que a exig\u00eancia de \u201cato fundamentado\u201d deve ser interpretada \u00e0 luz do <strong>art. 50 da Lei n. 9.784\/1999<\/strong>, impondo motiva\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e individualizada. A simples men\u00e7\u00e3o ao vencimento do prazo ou \u00e0 necessidade de aguardar respostas n\u00e3o atende ao padr\u00e3o de fundamenta\u00e7\u00e3o. Reconhecida a nulidade da prorroga\u00e7\u00e3o, a Corte esclareceu que isso n\u00e3o impede o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de improbidade com base nas provas j\u00e1 colhidas ou em outras fontes leg\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da prorroga\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito civil para apura\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa ap\u00f3s a Lei n. 14.230\/2021, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A prorroga\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito civil, limitada a uma, exige fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que demonstre a necessidade concreta de continuidade das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O inqu\u00e9rito civil pode ser prorrogado sucessivamente, desde que comprovado o interesse p\u00fablico na investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A autonomia do Minist\u00e9rio P\u00fablico e o interesse p\u00fablico impedem a fixa\u00e7\u00e3o de prazo fatal para conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito civil.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A nulidade da prorroga\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito civil implica extin\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva por improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O prazo do inqu\u00e9rito civil possui natureza meramente dilat\u00f3ria, podendo ser relativizado pelo judici\u00e1rio em caso de comprovado interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Correta. A motiva\u00e7\u00e3o deve ser concreta e espec\u00edfica, conforme o <strong>art. 23, \u00a7 2\u00ba, da LIA<\/strong>, combinado com o <strong>art. 50 da Lei n. 9.784\/1999<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A lei permite apenas <strong>uma \u00fanica prorroga\u00e7\u00e3o<\/strong> por igual per\u00edodo de 365 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STJ afirma que a autonomia do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o afasta limites temporais previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A nulidade da prorroga\u00e7\u00e3o n\u00e3o impede o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o com base em provas j\u00e1 colhidas.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O prazo tem natureza perempt\u00f3ria, n\u00e3o meramente dilat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Inqu\u00e9rito civil \u2013 improbidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prazo de 1 ano + uma prorroga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Natureza perempt\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Fundamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica obrigat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autonomia do MP n\u00e3o afasta limites legais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Nulidade \u2260 extin\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, determinada empresa questionou ato de Promotoria de Justi\u00e7a que, em 16 de novembro de 2022, prorrogou por mais um ano o Inqu\u00e9rito Civil P\u00fablico, o qual havia sido instaurado em novembro de 2020 para apurar poss\u00edvel direcionamento e sobrepre\u00e7o em contratos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a fixa\u00e7\u00e3o de prazos para a atua\u00e7\u00e3o investigativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o ofende norma constitucional expressa. A autonomia institucional e a independ\u00eancia funcional previstas no art. 127 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal n\u00e3o significam aus\u00eancia absoluta de controles temporais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 14.230\/2021, o inqu\u00e9rito civil para apura\u00e7\u00e3o de ato de improbidade pode ser prorrogado apenas uma \u00fanica vez por igual per\u00edodo de 365 dias, conforme art. 23, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), de modo que a extrapola\u00e7\u00e3o desse limite caracteriza viola\u00e7\u00e3o direta \u00e0 norma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o referido prazo possui car\u00e1ter perempt\u00f3rio, j\u00e1 que inserido no cap\u00edtulo da Lei de Improbidade que trata da prescri\u00e7\u00e3o (instituto de natureza perempt\u00f3ria), al\u00e9m de a norma expressamente indicar a consequ\u00eancia para o descumprimento do prazo sem ajuizamento da a\u00e7\u00e3o: arquivamento. N\u00e3o se trata, portanto, de prazo dilat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o \u00a7 2\u00ba do art. 23 da Lei 8.429\/1992 exige que a prorroga\u00e7\u00e3o seja determinada &#8220;mediante ato fundamentado&#8221;, exig\u00eancia que deve ser interpretada junto com o art. 50 da Lei n. 9.784\/1999, que determina motiva\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, clara e congruente dos atos que afetem direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mera refer\u00eancia ao vencimento do prazo e \u00e0 determina\u00e7\u00e3o para verifica\u00e7\u00e3o de resposta n\u00e3o constituem fundamenta\u00e7\u00e3o adequada. A motiva\u00e7\u00e3o deve demonstrar, de forma espec\u00edfica, as raz\u00f5es que tornam imprescind\u00edvel a continuidade das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, ressalte-se que a nulidade da prorroga\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica extin\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva, nem impede o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o de improbidade com base em elementos reunidos no inqu\u00e9rito civil at\u00e9 a data da prorroga\u00e7\u00e3o inv\u00e1lida ou com fundamento em outras fontes probat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-publicidade-em-pontos-de-onibus-e-lei-da-liberdade-economica\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Publicidade em pontos de \u00f4nibus e Lei da Liberdade Econ\u00f4mica<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o de contrato administrativo de transporte coletivo n\u00e3o pode justificar a proibi\u00e7\u00e3o de publicidade de servi\u00e7os de transporte individual por aplicativo em pontos de \u00f4nibus, pois tal veda\u00e7\u00e3o, quando interpretada de modo ampliativo, viola o <strong>art. 4\u00ba da Lei n. 13.874\/2019<\/strong>, ao <strong>retardar ou impedir a ado\u00e7\u00e3o de novos modelos de neg\u00f3cios e tecnologias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 2.049.321-MG, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por maioria, julgado em 5\/8\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Publicol Ltda, empresa respons\u00e1vel pela explora\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria de abrigos de \u00f4nibus foi impedida, com base em cl\u00e1usula contratual de concess\u00e3o do transporte coletivo municipal, de veicular an\u00fancios de aplicativos de transporte individual. A justificativa contratual era a veda\u00e7\u00e3o contratual \u00e0 publicidade de servi\u00e7os concorrentes ao transporte p\u00fablico coletivo. Publicol impetrou mandado de seguran\u00e7a preventivo sustentando inexist\u00eancia de concorr\u00eancia direta e afronta \u00e0 Lei da Liberdade Econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 13.874\/2019, art. 4\u00ba, IV<\/strong> (<em>veda\u00e7\u00e3o ao abuso regulat\u00f3rio que impe\u00e7a ou retarde inova\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 170, caput<\/strong> (<em>livre iniciativa e livre concorr\u00eancia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, caput<\/strong> (<em>legalidade e razoabilidade na atua\u00e7\u00e3o administrativa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC\/2015, art. 493<\/strong> (<em>fato superveniente relevante<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Transporte coletivo e transporte individual por aplicativo n\u00e3o s\u00e3o servi\u00e7os id\u00eanticos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A rela\u00e7\u00e3o entre eles \u00e9 de <strong>complementaridade<\/strong>, n\u00e3o de concorr\u00eancia direta.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Cl\u00e1usula contratual deve ser interpretada conforme a legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Turma reconheceu que a cl\u00e1usula contratual que veda publicidade de servi\u00e7os concorrentes ao transporte coletivo n\u00e3o \u00e9 ilegal em si mesma. Contudo, sua aplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser ampliada para alcan\u00e7ar servi\u00e7os que n\u00e3o concorrem diretamente com o transporte p\u00fablico coletivo, como o transporte individual por aplicativo, que possui estrutura de pre\u00e7os, rotas e din\u00e2mica distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ afirmou que interpretar a cl\u00e1usula de modo a impedir a veicula\u00e7\u00e3o de publicidade de aplicativos configura uso indevido do poder regulat\u00f3rio, em afronta ao <strong>art. 4\u00ba da Lei n. 13.874\/2019<\/strong>, que imp\u00f5e \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o o dever de evitar medidas que obstem inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ou novos modelos de neg\u00f3cio. Assim, a execu\u00e7\u00e3o contratual n\u00e3o pode servir como instrumento para restringir indevidamente a livre iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da veda\u00e7\u00e3o de publicidade de aplicativos de transporte individual em pontos de \u00f4nibus, segundo o entendimento do STJ, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A cl\u00e1usula contratual que pro\u00edbe publicidade de servi\u00e7os concorrentes ao transporte coletivo \u00e9 nula por violar a livre concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O transporte individual por aplicativo \u00e9 servi\u00e7o equivalente ao transporte coletivo municipal, fazendo-lhe verdadeira concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa da cl\u00e1usula contratual para vedar publicidade de servi\u00e7os transporte por aplicativos viola a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A Lei da Liberdade Econ\u00f4mica n\u00e3o se aplica a contratos administrativos de concess\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A Administra\u00e7\u00e3o pode impedir publicidade de aplicativos em vista do interesse p\u00fablico, independentemente de demonstra\u00e7\u00e3o de concorr\u00eancia concreta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STJ n\u00e3o declarou a nulidade da cl\u00e1usula, mas restringiu sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Corte reconheceu distin\u00e7\u00e3o estrutural e complementaridade entre os servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Correta. A veda\u00e7\u00e3o amplia indevidamente o alcance contratual e configura obst\u00e1culo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, em afronta ao art. 4\u00ba da Lei n. 13.874\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A Lei da Liberdade Econ\u00f4mica orienta a atua\u00e7\u00e3o administrativa, inclusive na execu\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A restri\u00e7\u00e3o exige demonstra\u00e7\u00e3o de concorr\u00eancia efetiva e n\u00e3o pode ser presumida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Publicidade em pontos de \u00f4nibus<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Transporte coletivo \u2260 transporte individual<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Complementaridade, n\u00e3o concorr\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Art. 4\u00ba da Lei n. 13.874\/2019<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Vedada interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa restritiva<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a verificar a legitimidade da proibi\u00e7\u00e3o, por empresas de transporte p\u00fablico municipal, da veicula\u00e7\u00e3o de publicidade de servi\u00e7os de transporte individual por meio de aplicativo em pontos de \u00f4nibus, \u00e0 luz do quanto disposto no art. 4\u00ba da Lei n. 13.874\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem concluiu, em julgamento n\u00e3o un\u00e2nime, que \u00e9 l\u00edcita a cl\u00e1usula que veda a veicula\u00e7\u00e3o de publicidade de venda de servi\u00e7os e\/ou produtos concorrentes ao transporte coletivo municipal no \u00e2mbito de contrato de concess\u00e3o de servi\u00e7o de utilidade p\u00fablica, com outorga onerosa, para cria\u00e7\u00e3o, confec\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de abrigos em ponto de parada de \u00f4nibus, com possibilidade de explora\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria. E registrou que o tipo de servi\u00e7o\/produto prestado pelas anunciantes &#8211; aplicativos de transportes &#8211; concorre com os das empresas que prestam servi\u00e7o de transporte p\u00fablico municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia entre o servi\u00e7o de transporte urbano p\u00fablico coletivo e o servi\u00e7o de transporte urbano individual privado. A rela\u00e7\u00e3o, nestes casos, \u00e9 de complementaridade, havendo evidente distin\u00e7\u00e3o entre os pre\u00e7os praticados e a forma de presta\u00e7\u00e3o, a exemplo da exist\u00eancia de rota e hor\u00e1rios predefinidos para o primeiro e da liberdade de defini\u00e7\u00e3o de rota e hor\u00e1rios para o segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, nos termos do art. 4\u00ba da Lei n. 13.874\/2019: &#8220;\u00c9 dever da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e das demais entidades que se vinculam a esta Lei, no exerc\u00edcio de regulamenta\u00e7\u00e3o de norma p\u00fablica pertencente \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o sobre a qual esta Lei versa, exceto se em estrito cumprimento a previs\u00e3o expl\u00edcita em lei, evitar o abuso do poder regulat\u00f3rio de maneira a, indevidamente: [&#8230;] IV &#8211; redigir enunciados que impe\u00e7am ou retardem a inova\u00e7\u00e3o e a ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, processos ou modelos de neg\u00f3cios, ressalvadas as situa\u00e7\u00f5es consideradas em regulamento como de alto risco.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a aplicabilidade da norma disposta na referida lei n\u00e3o exige a supera\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula do contrato administrativo, que pro\u00edbe a veicula\u00e7\u00e3o de publicidade que: &#8220;contenha mensagem que estimule a venda de servi\u00e7os e\/ou produtos concorrentes ao Transporte Coletivo Municipal.&#8221;, mas a sua interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Significa dizer que a cl\u00e1usula contratual por si s\u00f3 n\u00e3o padece de ilegalidade, mas sim o ato praticado a partir dessa regra, qual seja, a proibi\u00e7\u00e3o de veicula\u00e7\u00e3o de publicidade de aplicativos, bens e servi\u00e7os de empresas que atuam no mercado de mobilidade urbana na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, a execu\u00e7\u00e3o do contrato de acordo com as regras nele dispostas n\u00e3o pode, como feito, servir para retardar ou impedir a ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias ou neg\u00f3cios, como no caso do transporte urbano individual privado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-termo-de-ajustamento-de-conduta-e-inscricao-no-car-inexigibilidade-de-averbacao-da-reserva-legal\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Termo de ajustamento de conduta e inscri\u00e7\u00e3o no CAR \u2013 inexigibilidade de averba\u00e7\u00e3o da reserva legal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A efetiva inscri\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel rural no <strong>Cadastro Ambiental Rural (CAR)<\/strong> torna inexig\u00edvel a obriga\u00e7\u00e3o anteriormente assumida em Termo de Ajustamento de Conduta de averbar a reserva legal na matr\u00edcula do im\u00f3vel, pois a <strong>finalidade de regulariza\u00e7\u00e3o ambiental foi alcan\u00e7ada<\/strong> \u00e0 luz da Lei n. 12.651\/2012, art. 29.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.829.707-MG, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por maioria, julgado em 5\/11\/2024.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Josefina, propriet\u00e1ria rural firmou Termo de Ajustamento de Conduta comprometendo-se a averbar a reserva legal na matr\u00edcula do seu im\u00f3vel, conforme exig\u00eancia do antigo C\u00f3digo Florestal. S\u00f3 que ap\u00f3s a entrada em vigor da Lei n. 12.651\/2012, optou por regularizar a situa\u00e7\u00e3o por meio da inscri\u00e7\u00e3o no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o gostou da ideia, sustentando que a obriga\u00e7\u00e3o assumida no TAC deveria ser integralmente cumprida, inclusive quanto \u00e0 averba\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.651\/2012, art. 29<\/strong> (<em>institui\u00e7\u00e3o do Cadastro Ambiental Rural \u2013 CAR<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.651\/2012, art. 18<\/strong> (<em>reserva legal e formas de registro<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADC 42\/STF<\/strong> (<em>constitucionalidade do novo regime do C\u00f3digo Florestal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O CAR \u00e9 registro p\u00fablico eletr\u00f4nico de \u00e2mbito nacional, com finalidade de controle e monitoramento ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A averba\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria consistia em mera anota\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, sem integra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica de dados ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A regulariza\u00e7\u00e3o ambiental deve ser analisada \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o vigente no momento do cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Turma reconheceu que o novo C\u00f3digo Florestal n\u00e3o extinguiu a obriga\u00e7\u00e3o de registrar a reserva legal, mas passou a admitir o CAR como meio adequado e alternativo de formaliza\u00e7\u00e3o. Considerando que o objetivo do TAC era a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental do im\u00f3vel, e n\u00e3o a preserva\u00e7\u00e3o de formalidade espec\u00edfica, a inscri\u00e7\u00e3o v\u00e1lida no CAR satisfaz a finalidade do ajuste.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ destacou que o CAR apresenta maior efici\u00eancia, abrang\u00eancia nacional e capacidade de monitoramento ambiental, superando o modelo anterior de averba\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria. Assim, uma vez comprovada a inscri\u00e7\u00e3o regular no sistema eletr\u00f4nico, torna-se inexig\u00edvel a obriga\u00e7\u00e3o de averba\u00e7\u00e3o na matr\u00edcula, pois atingido o fim legal de controle e publicidade da reserva legal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da obriga\u00e7\u00e3o de averba\u00e7\u00e3o da reserva legal ap\u00f3s a vig\u00eancia da Lei n. 12.651\/2012, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A Lei n. 12.651\/2012 extinguiu completamente a obriga\u00e7\u00e3o de registro da reserva legal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A inscri\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel rural no CAR pode substituir a averba\u00e7\u00e3o da reserva legal na matr\u00edcula, quando atendida a finalidade de regulariza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O Termo de Ajustamento de Conduta deve ser cumprido estritamente, ainda que a legisla\u00e7\u00e3o superveniente preveja forma alternativa de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A averba\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria \u00e9 mais eficiente que o CAR para fins de monitoramento ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A regulariza\u00e7\u00e3o ambiental depende da manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, a par da legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A lei n\u00e3o extinguiu a obriga\u00e7\u00e3o, mas passou a admitir o CAR como meio alternativo.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Correta. O STJ afirmou que a inscri\u00e7\u00e3o v\u00e1lida no CAR torna inexig\u00edvel a averba\u00e7\u00e3o anterior, pois a finalidade ambiental foi atingida.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A interpreta\u00e7\u00e3o do TAC deve considerar a legisla\u00e7\u00e3o superveniente e a finalidade do ajuste.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O Tribunal destacou que o CAR \u00e9 mais eficiente e abrangente.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A regulariza\u00e7\u00e3o decorre da legisla\u00e7\u00e3o ambiental vigente, n\u00e3o de ato discricion\u00e1rio do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Reserva legal \u2013 TAC e CAR<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd CAR como meio alternativo de registro<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Finalidade ambiental prevalece sobre formalidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd ADC 42\/STF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Inexig\u00edvel averba\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria ap\u00f3s inscri\u00e7\u00e3o v\u00e1lida<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal possui precedentes no sentido de que &#8220;a Lei n. 12.651\/2012, que revogou a Lei n. 4.771\/1965, n\u00e3o extinguiu a obriga\u00e7\u00e3o de averbar a Reserva Legal na matr\u00edcula do im\u00f3vel, mas apenas possibilitou que tal anota\u00e7\u00e3o seja realizada, alternativamente, no Cadastro Ambiental Rural &#8211; CAR&#8221; (REsp n. 1.691.644\/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14\/8\/2018, DJe de 9\/9\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem, ap\u00f3s registrar que &#8220;a extin\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de fazer s\u00f3 ocorre quando o propriet\u00e1rio prova o registro regular da reserva legal junto ao CAR, ou a satisfa\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o original de averba\u00e7\u00e3o no registro dentro do termo firmado&#8221;, concluiu que os recorridos demonstraram &#8220;ter efetivamente produzido, relativamente aos im\u00f3veis rurais, a averba\u00e7\u00e3o da reserva legal segundo as condi\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o atual&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, para fins de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, objetivo maior a ser tutelado, o Cadastro Ambiental Rural &#8211; CAR \u00e9 mais eficiente do que a averba\u00e7\u00e3o da reserva legal na matr\u00edcula do im\u00f3vel no Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque a averba\u00e7\u00e3o da reserva legal na matr\u00edcula do im\u00f3vel exige apenas a men\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Al\u00e9m disso, \u00e9 documento de dif\u00edcil acesso, dispon\u00edvel apenas no local do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, nos termos do art. 29 da Lei n. 12.651\/2012, o CAR \u00e9 um &#8220;registro p\u00fablico eletr\u00f4nico de \u00e2mbito nacional, obrigat\u00f3rio para todos os im\u00f3veis rurais, com a finalidade de integrar as informa\u00e7\u00f5es ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econ\u00f4mico e combate ao desmatamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, na forma do par\u00e1grafo primeiro do mencionado dispositivo legal, para que a inscri\u00e7\u00e3o no CAR seja efetivada, \u00e9 exigida (I) a identifica\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio ou possuidor rural; (II) a comprova\u00e7\u00e3o da propriedade ou posse; e (III) a identifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel por meio de planta e memorial descritivo, contendo a indica\u00e7\u00e3o das coordenadas geogr\u00e1ficas com pelo menos um ponto de amarra\u00e7\u00e3o do per\u00edmetro do im\u00f3vel, informando a localiza\u00e7\u00e3o dos remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, das \u00c1reas de Uso Restrito, das \u00e1reas consolidadas e, caso existente, tamb\u00e9m da localiza\u00e7\u00e3o da Reserva Legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em que pese n\u00e3o ter sido objeto expresso do julgamento, a import\u00e2ncia do CAR tamb\u00e9m foi ressaltada no julgamento da ADC 42\/DF, constando do voto condutor do ac\u00f3rd\u00e3o que &#8220;o CAR tamb\u00e9m permitir\u00e1 aos \u00f3rg\u00e3os de controle dimensionar adequadamente o tamanho do nosso passivo ambiental&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, o CAR \u00e9 um sistema mais avan\u00e7ado, que traz seguran\u00e7a jur\u00eddica na evolu\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ambiental, pois \u00e9 de \u00e2mbito nacional, de f\u00e1cil acesso, dispon\u00edvel na internet (www.car.gov.br), o que n\u00e3o ocorre com o CRI.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a efetiva inscri\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel rural no CAR torna inexig\u00edvel a anterior obriga\u00e7\u00e3o de averba\u00e7\u00e3o da Reserva Legal na matr\u00edcula do im\u00f3vel, pois atingida a finalidade de regulariza\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cumprimento-de-sentenca-homologacao-de-calculos-e-recurso-cabivel\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cumprimento de senten\u00e7a \u2013 homologa\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos e recurso cab\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o que, na fase de cumprimento de senten\u00e7a, <strong>homologa os c\u00e1lculos e determina a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio ou RPV<\/strong> possui natureza <strong>terminativa<\/strong>, sendo impugn\u00e1vel por <strong>apela\u00e7\u00e3o<\/strong>, nos termos do <strong>CPC, art. 1.009<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.202.015-DF, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por maioria, julgado em 9\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em fase de cumprimento de senten\u00e7a contra a Fazenda P\u00fablica, o ju\u00edzo rejeitou a impugna\u00e7\u00e3o apresentada, homologou os c\u00e1lculos apresentados pelo credor e determinou a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio. A parte vencida interp\u00f4s agravo de instrumento, sustentando tratar-se de decis\u00e3o interlocut\u00f3ria. O Tribunal de origem considerou incab\u00edvel o recurso, afirmando que a decis\u00e3o possu\u00eda car\u00e1ter terminativo, devendo ser desafiada por apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 203, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba<\/strong> (<em>conceito de senten\u00e7a e decis\u00e3o interlocut\u00f3ria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.009<\/strong> (<em>apela\u00e7\u00e3o contra senten\u00e7a<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 525<\/strong> (<em>impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Senten\u00e7a \u00e9 o pronunciamento que encerra a fase cognitiva ou extingue a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A homologa\u00e7\u00e3o definitiva dos c\u00e1lculos com expedi\u00e7\u00e3o de requisi\u00e7\u00e3o de pagamento encerra a atividade executiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A natureza do ato prevalece sobre a aus\u00eancia de comando expresso de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Turma afirmou que, embora formalmente n\u00e3o haja declara\u00e7\u00e3o expressa de extin\u00e7\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, a homologa\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos e a determina\u00e7\u00e3o de expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio ou RPV implicam o reconhecimento definitivo do valor devido, encerrando a fase executiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ destacou que a natureza jur\u00eddica do pronunciamento deve ser aferida por seus efeitos. Como o ato possui conte\u00fado terminativo, o recurso cab\u00edvel \u00e9 a apela\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o agravo de instrumento. A interpreta\u00e7\u00e3o preserva a coer\u00eancia do sistema recursal previsto no CPC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do recurso cab\u00edvel contra decis\u00e3o que homologa c\u00e1lculos e determina a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio na fase de cumprimento de senten\u00e7a, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Trata-se de decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, impugn\u00e1vel por agravo de instrumento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A aus\u00eancia de comando expresso de extin\u00e7\u00e3o impede a interposi\u00e7\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A decis\u00e3o \u00e9 irrecorr\u00edvel por se tratar de mero ato de impulso processual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O recurso cab\u00edvel depende do valor da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A decis\u00e3o possui natureza terminativa, sendo cab\u00edvel apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O STJ reconheceu natureza terminativa, afastando o agravo de instrumento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A natureza do ato decorre de seus efeitos, n\u00e3o da forma literal do dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. N\u00e3o se trata de mero ato ordinat\u00f3rio, mas de pronunciamento com efeitos decis\u00f3rios finais.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O crit\u00e9rio \u00e9 a natureza da decis\u00e3o, n\u00e3o o valor envolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Correta. A decis\u00e3o encerra a fase executiva, sendo impugn\u00e1vel por apela\u00e7\u00e3o nos termos do <strong>CPC, art. 1.009<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Cumprimento de senten\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Homologa\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio\/RPV<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Natureza terminativa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Recurso cab\u00edvel: apela\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em determinar se a decis\u00e3o que homologa os c\u00e1lculos de liquida\u00e7\u00e3o e determina a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio \u00e9 impugn\u00e1vel por agravo de instrumento ou apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao tratar dos pronunciamentos do juiz, o C\u00f3digo de Processo Civil define senten\u00e7a como a decis\u00e3o por meio da qual a fase cognitiva \u00e9 encerrada ou a execu\u00e7\u00e3o \u00e9 extinta. Os demais pronunciamentos de natureza decis\u00f3ria se enquadram na defini\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, conforme art. 203, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s decis\u00f5es proferidas em fase execut\u00f3ria, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou entendimento segundo o qual o recurso cab\u00edvel da decis\u00e3o que acolhe impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a e extingue a execu\u00e7\u00e3o \u00e9 o recurso de apela\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, cabe recurso de apela\u00e7\u00e3o contra a decis\u00e3o que homologa c\u00e1lculo, na fase de cumprimento de senten\u00e7a, e determina a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio ou RPV (requisi\u00e7\u00e3o de pequeno valor).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem rejeitou a impugna\u00e7\u00e3o, homologou os c\u00e1lculos e determinou a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio, motivando a convic\u00e7\u00e3o de que a decis\u00e3o possui fei\u00e7\u00e3o nitidamente terminativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Note-se que a determina\u00e7\u00e3o de expedi\u00e7\u00e3o das requisi\u00e7\u00f5es de pagamento pressup\u00f5e o inequ\u00edvoco reconhecimento da obriga\u00e7\u00e3o de pagar de acordo com os valores apresentados, os quais foram efetivamente homologados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, ainda que inexista na decis\u00e3o o comando expresso de extin\u00e7\u00e3o do feito execut\u00f3rio, s\u00e3o inerentes ao ato os efeitos de uma decis\u00e3o terminativa, recorr\u00edvel por meio de recurso de apela\u00e7\u00e3o (art. 1.009 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-a37168da-e0aa-470b-9bfd-448999462270\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/16001957\/stj-info-875.pdf\">STJ &#8211; Info 875<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/02\/16001957\/stj-info-875.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-a37168da-e0aa-470b-9bfd-448999462270\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Honor\u00e1rios advocat\u00edcios em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal e ades\u00e3o a programa de 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