{"id":1698217,"date":"2026-01-13T02:32:06","date_gmt":"2026-01-13T05:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1698217"},"modified":"2026-01-13T02:32:08","modified_gmt":"2026-01-13T05:32:08","slug":"informativo-stj-874-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-874-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 874 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/01\/13023144\/stj-info-874.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_iw7KUaVrsmc\"><div id=\"lyte_iw7KUaVrsmc\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/iw7KUaVrsmc\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/iw7KUaVrsmc\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/iw7KUaVrsmc\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-perseguicao-politica-na-ditadura-militar-juros-de-mora-tema-1251-stj\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na ditadura militar \u2013 juros de mora (Tema 1251\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecido judicialmente o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida durante a ditadura militar, os <strong>juros de mora incidem a partir do evento danoso<\/strong>, nos termos da <strong>S\u00famula 54\/STJ<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.031.813-SC e REsp 2.032.021-RS, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1251).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC\/1916, art. 962<\/strong> (<em>mora nas obriga\u00e7\u00f5es extracontratuais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC\/2002, art. 398<\/strong> (<em>mora ex re<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 10.559\/2002, art. 1\u00ba, II<\/strong> (<em>repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica administrativa n\u00e3o exclui indeniza\u00e7\u00e3o judicial<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 54\/STJ<\/strong> (<em>juros morat\u00f3rios fluem do evento danoso<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais tem natureza <strong>extracontratual<\/strong> quando decorre de ato il\u00edcito Estatal &#8211;&gt; A mora se presume desde a pr\u00e1tica do il\u00edcito, ainda que o quantum seja arbitrado posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccdA mora a partir do sexag\u00e9simo primeiro dia da publica\u00e7\u00e3o da portaria anistiadora aplica-se apenas ao pagamento da repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (arts. 12, \u00a7 4\u00ba, e 18, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 10.559\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o distinguiu a repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica administrativa da indeniza\u00e7\u00e3o judicial por danos morais, afirmando que esta \u00faltima se submete ao regime das obriga\u00e7\u00f5es extracontratuais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Firmou-se que a incid\u00eancia dos juros desde o evento danoso preserva a coer\u00eancia com a <strong>S\u00famula 54\/STJ<\/strong>, afastando a cita\u00e7\u00e3o ou o arbitramento como marcos iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Os juros de mora, em indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante a ditadura militar, fluem da cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Fluem <strong>do evento danoso<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A repara\u00e7\u00e3o administrativa da Lei n. 10.559\/2002 exclui a indeniza\u00e7\u00e3o judicial por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A cumula\u00e7\u00e3o \u00e9 admitida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Ditadura militar \u2013 danos morais<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Responsabilidade extracontratual<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Juros desde o evento danoso<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd S\u00famula 54\/STJ aplic\u00e1vel<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;definir o termo inicial dos juros de mora, nos casos em que reconhecido judicialmente o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o, por danos morais, a anistiado pol\u00edtico ou aos seus sucessores, nos termos da Lei n. 10.559\/2002&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos do art. 1\u00ba, II, da Lei n. 10.559\/2002, ao ter reconhecida a condi\u00e7\u00e3o de anistiado pol\u00edtico, o beneficiado tem direito \u00e0 repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de car\u00e1ter indenizat\u00f3rio, destinada a compensar os preju\u00edzos econ\u00f4micos sofridos por atos impeditivos do normal desenvolvimento de suas atividades profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O recebimento da repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de que trata a Lei n. 10.559\/02 n\u00e3o exclui o direito de o anistiado buscar na via judicial a repara\u00e7\u00e3o dos danos morais que tenha sofrido em decorr\u00eancia da mesma persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica geradora da repara\u00e7\u00e3o administrativa. \u00c9 o que estabelece a S\u00famula 624\/STJ: &#8220;\u00c9 poss\u00edvel cumular a indeniza\u00e7\u00e3o do dano moral com a repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Lei n\u00ba 10.559\/2002 (Lei da Anistia Pol\u00edtica)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, em rela\u00e7\u00e3o ao pagamento da repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, firmou-se no sentido de que a cor<em>re\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e os juros de mora s\u00e3o devidos a partir do sexag\u00e9simo primeiro dia contados da publica\u00e7\u00e3o da portaria anistiad<\/em>ora, em conformidade com o disposto nos arts. 12, \u00a7 4\u00ba, e 18, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 10.559\/2002. Contudo, a figura da mora a partir do sexag\u00e9simo primeiro dia da publica\u00e7\u00e3o da portaria anistiadora diz respeito apenas ao pagamento da repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, prevista no art. 1\u00ba, II, da Lei de Anistia Pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, \u00e9 necess\u00e1rio observar o regramento legal previsto para a constitui\u00e7\u00e3o em mora do devedor nas obriga\u00e7\u00f5es extracontratuais. A leitura do art. 962 do C\u00f3digo Civil de 1916 e do art. 398 do C\u00f3digo Civil vigente revela que a pr\u00f3pria lei presume o devedor em mora desde o dia em que o il\u00edcito foi praticado. \u00c9 o que determina, tamb\u00e9m, a S\u00famula 54\/STJ: &#8220;Os juros morat\u00f3rios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais s\u00f3 passe a ter express\u00e3o econ\u00f4mica a partir da decis\u00e3o judicial que a arbitra, a mora que justifica a incid\u00eancia dos juros existe desde a data em que o ato il\u00edcito foi praticado. No caso em discuss\u00e3o, em que os danos morais s\u00e3o decorrentes de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida durante a ditadura militar, a responsabilidade da Uni\u00e3o \u00e9 extracontratual, decorrente de ato il\u00edcito; portanto, os juros de mora devem incidir desde a data do evento danoso, na linha da pac\u00edfica jurisprud\u00eancia deste Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 fundamento legal que ampare a pretens\u00e3o de fixar a cita\u00e7\u00e3o ou o arbitramento como termo inicial dos juros de mora. Tampouco se pode sustentar que a mora da Uni\u00e3o s\u00f3 foi estabelecida a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 ou da edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 10.559\/2002, pois o que se postula nesta a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma compensa\u00e7\u00e3o pelos danos morais decorrentes de atos il\u00edcitos ocorridos muito antes da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1251\/STJ: &#8220;Reconhecido judicialmente o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida durante a ditadura militar, os juros de mora devem incidir a partir do evento danoso, nos termos da S\u00famula 54 do STJ&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pasep-saque-integral-e-termo-inicial-da-prescricao-tema-1387-stj\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; PASEP \u2013 saque integral e termo inicial da prescri\u00e7\u00e3o (Tema 1387\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>saque integral do principal<\/strong> d\u00e1 in\u00edcio ao <strong>prazo prescricional<\/strong> da pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o por falhas na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o relativas \u00e0 conta individualizada do PASEP.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.214.879-PE e REsp 2.214.864-PE, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1387).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 189<\/strong> (<em>actio nata<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 205<\/strong> (<em>prazo prescricional decenal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LC n. 26\/1975, art. 4\u00ba, \u00a7 1\u00ba<\/strong> (<em>administra\u00e7\u00e3o das contas do PASEP<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O saque integral comunica ao titular a posi\u00e7\u00e3o definitiva do saldo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A ci\u00eancia suficiente da poss\u00edvel les\u00e3o ocorre com a retirada total do principal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Se\u00e7\u00e3o aplicou a <strong>actio nata objetiva<\/strong>, afastando a necessidade de prova de ci\u00eancia posterior quando h\u00e1 saque integral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Considerou-se que, ap\u00f3s a retirada total, inexiste expectativa leg\u00edtima de complementa\u00e7\u00e3o, iniciando-se a contagem prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A prescri\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a ci\u00eancia inequ\u00edvoca posterior do titular, ainda que haja saque integral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O saque integral <strong>inicia o prazo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O prazo aplic\u00e1vel para a pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o por falhas na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o relativas \u00e0 conta individualizada do PASEP \u00e9 o decenal do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Aplica-se o prazo prescricional decenal do art. 205 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc PASEP \u2013 prescri\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Saque integral = ci\u00eancia suficiente<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Actio nata objetiva<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prazo decenal<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;definir se o saque integral d\u00e1 in\u00edcio ao prazo prescricional da pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o por falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, por saques indevidos, por desfalques, ou por aus\u00eancia de aplica\u00e7\u00e3o dos rendimentos estabelecidos em conta individualizada do PASEP&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com o art. 189 do C\u00f3digo Civil, a pretens\u00e3o nasce com a viola\u00e7\u00e3o do direito e se extingue pela prescri\u00e7\u00e3o. Por via dessa regra, portanto, o curso da prescri\u00e7\u00e3o inicia com o nascimento da a\u00e7\u00e3o (<em>actio nata<\/em>), independentemente da ci\u00eancia do titular do direito. Em outras palavras, conforme a doutrina, o in\u00edcio do curso prescricional &#8220;tem uma natureza puramente objetiva, e pouco importa que o titular do direito tenha ou n\u00e3o conhecimento&#8221; da viola\u00e7\u00e3o de seu direito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tema 1150\/STJ, no entanto, adotou o vi\u00e9s subjetivo da actio nata, o qual parte de uma interpreta\u00e7\u00e3o mais el\u00e1stica do art. 189 em rela\u00e7\u00e3o ao termo inicial da prescri\u00e7\u00e3o. Tal vi\u00e9s exige o &#8220;conhecimento da viola\u00e7\u00e3o&#8221; pela v\u00edtima, para que o prazo prescricional comece a fluir. J\u00e1 n\u00e3o basta a viola\u00e7\u00e3o, o prazo prescricional corre da &#8220;data em que a v\u00edtima teve ci\u00eancia inequ\u00edvoca do dano e de sua autoria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O vi\u00e9s subjetivo da actio nata \u00e9 excepcional e vem sendo <strong>reservado aos casos em que h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o legal espec\u00edfica ou \u00e0s hip\u00f3teses em que a les\u00e3o ao direito \u00e9 de dif\u00edcil percep\u00e7\u00e3o<\/strong>, especialmente quando oriunda de responsabilidade civil extracontratual. \u00c9 a dificuldade de percep\u00e7\u00e3o e apura\u00e7\u00e3o do inadimplemento parcial quanto aos cr\u00e9ditos do PASEP que justifica que o in\u00edcio da prescri\u00e7\u00e3o dependa do conhecimento do credor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Via de regra, o emprego do vi\u00e9s subjetivo da actio nata imp\u00f5e ao credor o \u00f4nus probat\u00f3rio quanto \u00e0 ci\u00eancia da les\u00e3o ao seu direito. Em rela\u00e7\u00e3o ao PASEP, o Tema 1.150 do STJ atribuiu ao r\u00e9u o \u00f4nus de demonstrar a prescri\u00e7\u00e3o. O uso do adv\u00e9rbio &#8220;comprovadamente&#8221; deixa claro que cabe ao Banco do Brasil demonstrar a ci\u00eancia pelo titular.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao fugir da atribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus probat\u00f3rio ao credor, o precedente reconhece a melhor posi\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prova. A institui\u00e7\u00e3o financeira mant\u00e9m os registros das transa\u00e7\u00f5es com o participante e est\u00e1 em condi\u00e7\u00e3o de demonstrar os eventos relevantes ocorridos diretamente entre as partes. N\u00e3o h\u00e1 maiores dificuldades probat\u00f3rias impostas pela quest\u00e3o controvertida. Os poss\u00edveis marcos de conhecimento da viola\u00e7\u00e3o (saque integral e entrega dos extratos da conta individualizada), s\u00e3o documentados pelo Banco do Brasil e demonstr\u00e1veis em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Ao realizar o saque integral, o participante fica sabendo que, na vis\u00e3o do Banco do Brasil, aquele \u00e9 o valor devido<\/strong>. A partir de ent\u00e3o, n\u00e3o tem raz\u00e3o para esperar uma complementa\u00e7\u00e3o de pagamento. Caber\u00e1 a ele as ulteriores provid\u00eancias para haver seu cr\u00e9dito, caso n\u00e3o se julgue satisfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos casos em que h\u00e1 ruptura do v\u00ednculo com a administra\u00e7\u00e3o, o saque do principal tamb\u00e9m \u00e9 causa de inativa\u00e7\u00e3o da conta individualizada, visto que a pessoa deixa de ser participante do PASEP. Portanto, mesmo o contrato de administra\u00e7\u00e3o da conta individualizada perde a vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A percep\u00e7\u00e3o de que o saque integral d\u00e1 ci\u00eancia da suposta les\u00e3o \u00e9 perfeitamente acess\u00edvel \u00e0 esfera do leigo. Mesmo sem uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, pode-se compreender que, sacado o valor, a conta individualizada foi zerada, e que a institui\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o oferecer\u00e1 ulteriores pagamentos. O leigo pode perceber que, caso insatisfeito, lhe competir\u00e1, em prazo razo\u00e1vel, buscar a repara\u00e7\u00e3o de seu direito. O prazo de dez anos conferido para tanto \u00e9 bastante largo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em suma, com o saque integral do principal, o participante n\u00e3o mais tem expectativa de receber outros valores, sem contestar ativamente o saldo apurado. Trata-se, portanto, de ci\u00eancia suficiente da potencial viola\u00e7\u00e3o ao seu direito, a autorizar o in\u00edcio do prazo prescricional. Caso o participante se mantenha inerte nos pr\u00f3ximos dez anos, a prescri\u00e7\u00e3o encobrir\u00e1 sua pretens\u00e3o \u00e0 cobran\u00e7a da suplementa\u00e7\u00e3o do adimplemento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese para o Tema Repetitivo 1387\/STJ: <strong>O saque integral do principal d\u00e1 in\u00edcio ao prazo prescricional da pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o por falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, por saques indevidos, por desfalques, ou por aus\u00eancia de aplica\u00e7\u00e3o dos rendimentos estabelecidos em conta individualizada do PASEP<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-multa-administrativa-prescricao-intercorrente-e-decreto-n-20-910-1932-tema-1294-stj\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Multa administrativa \u2013 prescri\u00e7\u00e3o intercorrente e Decreto n. 20.910\/1932 (Tema 1294\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Decreto n. 20.910\/1932 n\u00e3o disciplina a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente<\/strong>, n\u00e3o podendo ser aplicado, nem por analogia, para reconhec\u00ea-la em processos administrativos estaduais ou municipais <strong>sem previs\u00e3o legal espec\u00edfica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.002.589-PR e REsp 2.137.071-MG, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1294).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto n. 20.910\/1932, art. 1\u00ba<\/strong> (<em>prazo quinquenal da pretens\u00e3o execut\u00f3ria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 146, III, b<\/strong> (<em>normas gerais de prescri\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A prescri\u00e7\u00e3o intercorrente exige <strong>previs\u00e3o legal expressa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O Judici\u00e1rio n\u00e3o pode criar marcos prescricionais por analogia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Se\u00e7\u00e3o distinguiu prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, ausente no decreto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Afirmou-se que, sem lei local, reconhecer a intercorrente viola a separa\u00e7\u00e3o de poderes e a autonomia federativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A cria\u00e7\u00e3o de prescri\u00e7\u00e3o intercorrente depende de lei do ente federado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esse \u00e9 o Tema 1294.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 \u00c9 poss\u00edvel reconhecer prescri\u00e7\u00e3o intercorrente administrativa com base no Decreto n. 20.910\/1932.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O decreto <strong>n\u00e3o a prev\u00ea<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Multa administrativa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Decreto 20.910 \u2260 intercorrente<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Exige lei espec\u00edfica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Vedada analogia judicial<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se, na falta de previs\u00e3o em lei espec\u00edfica nos Estados e Munic\u00edpios, o Decreto n. 20.910\/1932 pode ser aplicado para reconhecer a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente no processo administrativo.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A prescri\u00e7\u00e3o intercorrente se caracteriza pela perda da pretens\u00e3o no curso de um processo, administrativo ou judicial, em raz\u00e3o da in\u00e9rcia ou da paralisa\u00e7\u00e3o do feito. Constitui instrumento relevante \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia, da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo, desde que aplicada com observ\u00e2ncia estrita aos demais princ\u00edpios e normas constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Decreto n. 20.910\/1932, norma geral de Direito P\u00fablico e de alcance nacional, disciplina o prazo prescricional quinquenal aplic\u00e1vel \u00e0s pretens\u00f5es contra a Fazenda P\u00fablica, sendo aplicado, por simetria, \u00e0s pretens\u00f5es da Administra\u00e7\u00e3o contra o administrado, desde que outro prazo n\u00e3o tenha sido previsto em lei especial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s multas administrativas aplicadas pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica no exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia, o prazo prescricional previsto no art. 1\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932 \u00e9 aplic\u00e1vel, por simetria, ap\u00f3s a constitui\u00e7\u00e3o definitiva do cr\u00e9dito, atingindo, portanto, a pretens\u00e3o execut\u00f3ria. O diploma, contudo, n\u00e3o disp\u00f5e sobre prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o pode ser utilizado, ainda que por analogia, como fundamento para o seu reconhecimento em processos administrativos estaduais ou municipais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Na aus\u00eancia de lei local que estabele\u00e7a o regime prescricional aplic\u00e1vel ao processo administrativo sancionador, n\u00e3o compete ao Poder Judici\u00e1rio criar prazos<\/strong>, causas interruptivas ou marcos iniciais por analogia ou interpreta\u00e7\u00e3o extensiva, sob pena de usurpar a fun\u00e7\u00e3o normativa atribu\u00edda ao Poder Legislativo e comprometer a autonomia dos estados e munic\u00edpios, esvaziando a efic\u00e1cia do princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tema em an\u00e1lise insere-se no \u00e2mbito do Direito Administrativo Sancionador, de natureza pol\u00edtico-administrativa voltado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e ao funcionamento da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Por se tratar de mat\u00e9ria de interesse eminentemente local, compete a cada ente federado, no exerc\u00edcio de sua autonomia, disciplin\u00e1-la por meio de lei pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1294\/STJ: &#8220;O Decreto n. 20.910\/1932 n\u00e3o disp\u00f5e sobre a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, n\u00e3o podendo ser utilizado como refer\u00eancia normativa para o seu reconhecimento em processos administrativos estaduais e municipais, ainda que por analogia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-ipi-base-de-calculo-e-inclusao-de-icms-pis-e-cofins-tema-1304-stj\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; IPI \u2013 base de c\u00e1lculo e inclus\u00e3o de ICMS, PIS e COFINS (Tema 1304\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir o <strong>ICMS<\/strong>, o <strong>PIS<\/strong> e a <strong>COFINS<\/strong> da base de c\u00e1lculo do <strong>IPI<\/strong>, \u00e0 luz do conceito de <strong>valor da opera\u00e7\u00e3o<\/strong>, previsto no <strong>CTN, art. 47, II, \u201ca\u201d<\/strong>, e na <strong>Lei n. 4.502\/1964, art. 14, II<\/strong>, sendo <strong>inaplic\u00e1vel<\/strong> ao IPI a tese firmada no <strong>Tema 69\/STF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.119.311-SC, REsp 2.143.866-SP e REsp 2.143.997-SP, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1304).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 47, II, \u201ca\u201d<\/strong> (<em>base de c\u00e1lculo do IPI \u2013 valor da opera\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 4.502\/1964, art. 14, II<\/strong> (<em>conceito legal de valor da opera\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 153, IV<\/strong> (<em>compet\u00eancia da Uni\u00e3o para instituir o IPI<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 69\/STF<\/strong> (<em>exclus\u00e3o do ICMS da base do PIS\/COFINS \u2013 inaplic\u00e1vel ao IPI<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O IPI incide sobre a <strong>opera\u00e7\u00e3o de industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o sobre a receita ou o faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O conceito de valor da opera\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o se confunde<\/strong> com base de c\u00e1lculo de contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A t\u00e9cnica de c\u00e1lculo do IPI \u00e9 distinta da utilizada para PIS e COFINS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o distinguiu o crit\u00e9rio material do IPI daquele aplic\u00e1vel \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e \u00e0 COFINS, destacando que o imposto incide sobre o <strong>valor da opera\u00e7\u00e3o de sa\u00edda do produto industrializado<\/strong>, conforme disciplina espec\u00edfica do CTN e da Lei n. 4.502\/1964.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ ressaltou que a exclus\u00e3o do ICMS da base do PIS\/COFINS decorreu da natureza das contribui\u00e7\u00f5es sobre faturamento, inexistindo identidade estrutural com o IPI. Por isso, reputou <strong>indevida a transposi\u00e7\u00e3o<\/strong> da tese do Tema 69\/STF para o c\u00e1lculo do imposto sobre produtos industrializados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 \u00c9 invi\u00e1vel excluir o ICMS da base de c\u00e1lculo do IPI por aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do Tema 69\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O Tema 69\/STF refere-se a contribui\u00e7\u00f5es sobre faturamento e <strong>n\u00e3o se aplica<\/strong> ao IPI, cujo crit\u00e9rio material \u00e9 diverso.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A inclus\u00e3o de ICMS, PIS e COFINS na base de c\u00e1lculo do IPI decorre do conceito legal de \u201cvalor da opera\u00e7\u00e3o\u201d, previsto no CTN e na Lei n. 4.502\/1964.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ afirmou que esses tributos integram o valor da opera\u00e7\u00e3o que enseja a incid\u00eancia do IPI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc IPI \u2013 base de c\u00e1lculo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Valor da opera\u00e7\u00e3o como crit\u00e9rio central<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd ICMS, PIS e COFINS inclu\u00eddos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tema 69\/STF inaplic\u00e1vel<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tema 1304\/STJ fixado<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;definir se \u00e9 poss\u00edvel, ou n\u00e3o, excluir o ICMS, o PIS e a COFINS da base de c\u00e1lculo do IPI, a partir do conceito de &#8216;valor da opera\u00e7\u00e3o&#8217; inserto no art. 47, II, <em>a<\/em>, do CTN; e no art. 14, II, da Lei n. 4.502\/1964&#8243;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O crit\u00e9rio quantitativo do Imposto sobre produtos industrializados (IPI) envolve notadamente as suas al\u00edquotas e as respectivas bases de c\u00e1lculo, estas \u00faltimas que interessam \u00e0 discuss\u00e3o para que seja firmada a tese em regime de repetitivo. Isto porque est\u00e1 se tratando da incid\u00eancia do IPI na sa\u00edda da mercadoria dos estabelecimentos dos contribuintes (fato gerador previsto no inciso II do art. 46 do CTN), cuja base de c\u00e1lculo \u00e9 o valor da opera\u00e7\u00e3o que acarretou a sa\u00edda da mercadoria (vide al\u00ednea <em>a <\/em>do inciso II do art. 47 do CTN).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a leitura anal\u00edtica do sistema aponta que, na sa\u00edda do produto industrializado, a base de c\u00e1lculo do IPI \u00e9 o valor total da opera\u00e7\u00e3o, qual seja o <em>pre\u00e7o real do neg\u00f3cio jur\u00eddico<\/em> de circula\u00e7\u00e3o qualificada, incluindo as parcelas acess\u00f3rias pertinentes e os tributos &#8220;por dentro&#8221; que integram o pre\u00e7o, porque expressam a contrapartida econ\u00f4mica da opera\u00e7\u00e3o tributada e preservam a ader\u00eancia l\u00f3gica entre a materialidade do imposto e seu crit\u00e9rio quantitativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a orienta\u00e7\u00e3o deste Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 est\u00e1vel no sentido de que o par\u00e2metro normativo eleito pelo legislador \u00e9 o valor total da opera\u00e7\u00e3o de sa\u00edda, tal como previsto no C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN) e na Lei n. 4.502\/1964, n\u00e3o havendo base legal para o destaque ou a exclus\u00e3o de parcelas relativas a tributos calculados por dentro, como o Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS), o Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS) e a Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, cabe tecer considera\u00e7\u00f5es a respeito da impossibilidade de transpor a linha argumentativa utilizada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Tema n. 69 de Repercuss\u00e3o Geral (RE n. 574.706\/PR, relatado pela eminente Ministra Carmen L\u00facia). Isto porque o voto condutor do ac\u00f3rd\u00e3o parte da delimita\u00e7\u00e3o do conceito de faturamento, distinguindo-o de receita e de meros ingressos transit\u00f3rios que n\u00e3o se incorporam ao patrim\u00f4nio da empresa. Com base nessas premissas, conclui que o ICMS n\u00e3o integra o faturamento por n\u00e3o constituir riqueza do contribuinte. Em repercuss\u00e3o geral, conclui: &#8220;O ICMS n\u00e3o comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo para a incid\u00eancia do PIS e da COFINS&#8221;, por n\u00e3o representar faturamento ou receita pr\u00f3pria do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, no IPI, a base de c\u00e1lculo \u00e9 o &#8220;valor da opera\u00e7\u00e3o&#8221; e, portanto, n\u00e3o se confunde com a no\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de riqueza agregada ao produto, t\u00edpica dos tributos sobre faturamento ou receita. Logo, a discuss\u00e3o sobre &#8220;valor da opera\u00e7\u00e3o&#8221; no IPI n\u00e3o se resolve por analogia com precedentes relativos a faturamento ou receita. Deve observar o conceito normativo espec\u00edfico do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e da Lei n. 4.502\/1964. Em s\u00edntese: no IPI, a base de c\u00e1lculo alcan\u00e7a a integralidade jur\u00eddica da opera\u00e7\u00e3o de sa\u00edda, e n\u00e3o a riqueza l\u00edquida do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1304\/STJ: &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir o ICMS, o PIS e a COFINS da base de c\u00e1lculo do IPI, a partir do conceito de &#8220;valor da opera\u00e7\u00e3o&#8221; inserto no art. 47, II, <em>a<\/em>, do CTN; e no art. 14, II, da Lei n. 4.502\/1964&#8243;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-itcmd-arbitramento-da-base-de-calculo-e-prerrogativa-fazendaria-tema-1371-stj\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ITCMD \u2013 arbitramento da base de c\u00e1lculo e prerrogativa fazend\u00e1ria (Tema 1371\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A prerrogativa da Administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria de promover o <strong>arbitramento do valor venal do bem transmitido<\/strong> decorre diretamente do <strong>CTN, art. 148<\/strong>, n\u00e3o podendo ser afastada por lei estadual nem suprimida genericamente por decis\u00e3o judicial, desde que observados o <strong>contradit\u00f3rio e a ampla defesa<\/strong>. Compete \u00e0 administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria o \u00f4nus de comprovar que a import\u00e2ncia ent\u00e3o alcan\u00e7ada encontra-se absolutamente fora do valor de mercado, observada, necessariamente, a ampla defesa e o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.175.094-SP e REsp 2.213.551-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1371).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 148<\/strong> (<em>procedimento de arbitramento \u2013 norma geral de lan\u00e7amento tribut\u00e1rio<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 38<\/strong> (<em>base de c\u00e1lculo do ITCMD \u2013 valor venal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 149<\/strong> (<em>lan\u00e7amento de of\u00edcio<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 146, III, \u201cb\u201d<\/strong> (<em>normas gerais de lan\u00e7amento tribut\u00e1rio<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O arbitramento \u00e9 <strong>excepcional, subsidi\u00e1rio e vinculado<\/strong>, n\u00e3o discricion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A lei estadual pode eleger crit\u00e9rios iniciais de apura\u00e7\u00e3o, mas <strong>n\u00e3o pode excluir<\/strong> o arbitramento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O \u00f4nus de demonstrar a inadequa\u00e7\u00e3o do valor declarado \u00e9 da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o afirmou que o <strong>art. 148 do CTN veicula norma geral<\/strong>, de aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria a todos os entes federados, raz\u00e3o pela qual a prerrogativa de arbitramento n\u00e3o depende de autoriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em lei estadual. O arbitramento n\u00e3o substitui automaticamente o crit\u00e9rio eleito pela lei local, mas atua quando esse crit\u00e9rio se mostra inid\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ destacou que o procedimento somente \u00e9 leg\u00edtimo quando instaurado <strong>de forma individualizada<\/strong>, com prova de que o valor apurado est\u00e1 fora da realidade de mercado, assegurando-se <strong>contradit\u00f3rio e ampla defesa<\/strong>. Qualquer supress\u00e3o gen\u00e9rica dessa prerrogativa viola a l\u00f3gica do lan\u00e7amento tribut\u00e1rio e a uniformidade do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A prerrogativa de arbitramento da base de c\u00e1lculo do ITCMD depende de previs\u00e3o expressa na legisla\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O arbitramento decorre diretamente do <strong>CTN, art. 148<\/strong>, como norma geral de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O procedimento de arbitramento do ITCMD s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtimo quando o valor declarado pelo contribuinte se mostra omisso ou inid\u00f4neo, cabendo \u00e0 Fazenda o \u00f4nus de demonstrar o descompasso com o valor de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ condiciona o arbitramento \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o concreta da inadequa\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio inicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc ITCMD \u2013 arbitramento<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Norma geral do CTN<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Procedimento excepcional e subsidi\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd \u00d4nus probat\u00f3rio da Fazenda<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Contradit\u00f3rio obrigat\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se a prerrogativa do fisco de arbitrar a base de c\u00e1lculo do ITCMD decorre diretamente do CTN ou est\u00e1 sujeita \u00e0s normas espec\u00edficas da Unidade da Federa\u00e7\u00e3o.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional estabelece normas gerais atinentes \u00e0 defini\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo dos impostos, bem como ao lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, fundamentais para a coer\u00eancia e unidade do sistema tribut\u00e1rio, raz\u00e3o pela qual haver\u00e3o de ser detidamente observadas, uniformemente, em todo o pa\u00eds, pelos Entes Pol\u00edticos no exerc\u00edcio de sua compet\u00eancia para instituir tributos, dando-lhes conforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o Imposto sobre Transmiss\u00e3o <em>Causa Mortis<\/em> e Doa\u00e7\u00e3o (ITCMD), o art. 38 do referido C\u00f3digo disp\u00f5e que sua base de c\u00e1lculo \u00e9 o valor venal dos bens ou direitos transmitidos. Por valor venal, compreende-se aquele correspondente ao valor de mercado dos bens ou direitos transmitidos, que serve de base para a apura\u00e7\u00e3o do imposto em exame. Com essa compreens\u00e3o, manifesta-se a jurisprud\u00eancia do STJ, do que s\u00e3o exemplos: AgInt no RMS n. 70.528\/MS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29\/5\/2023, DJe de 27\/6\/2023; AgInt no AREsp n. 1.176.337\/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 1\u00ba\/6\/2020, DJe de 9\/6\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, ao Estado, competente para instituir e regular o ITCMD, incumbe dispor, por meio de lei, sobre o modo de apura\u00e7\u00e3o do valor venal dos bens ou direitos transmitidos, a fim de dar conforma\u00e7\u00e3o \u00e0 norma geral que definiu a base de c\u00e1lculo do tributo em comento (valor venal do bem transmitido).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diversos s\u00e3o os crit\u00e9rios para se obter a quantifica\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo, sendo poss\u00edvel \u00e0 Lei estadual eleger, a esse fim, a declara\u00e7\u00e3o do contribuinte, a avalia\u00e7\u00e3o administrativa (feita diretamente pela Administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria, sem a participa\u00e7\u00e3o do contribuinte), o valor m\u00ednimo de refer\u00eancia (do IPTU, por exemplo), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, \u00e9 preciso considerar que estas formas &#8220;iniciais&#8221; de apura\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ITCMD, eleitas pela lei estadual, n\u00e3o se confundem com o procedimento de arbitramento previsto no art. 148 do CTN, que \u00e9 excepcional, subsidi\u00e1rio e vinculado, concebido para preservar, minimamente, os interesses da Administra\u00e7\u00e3o Fazend\u00e1ria na averigua\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do fato impon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diz-se excepcional, pois o cabimento do procedimento de arbitramento d\u00e1-se apenas nos casos em que a declara\u00e7\u00e3o, as informa\u00e7\u00f5es ou os documentos apresentados pelo contribuinte, necess\u00e1rios ao lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, mostrarem-se omissos ou n\u00e3o merecerem f\u00e9 \u00e0 finalidade a que se destinam; subsidi\u00e1rio, porquanto sua utiliza\u00e7\u00e3o somente se apresenta autorizada se o crit\u00e9rio de quantifica\u00e7\u00e3o do bem transmitido inicialmente eleito pela lei estadual mostrar-se inid\u00f4neo para demonstrar o valor venal do bem, caso em que incumbe \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Fazend\u00e1ria comprovar que a import\u00e2ncia ent\u00e3o alcan\u00e7ada encontra-se absolutamente fora da realidade, observada, necessariamente, a ampla defesa e o contradit\u00f3rio; e vinculado, na medida em que a autoridade fiscal n\u00e3o possui margem de discricionariedade para decidir sobre a ado\u00e7\u00e3o do procedimento, quando caracterizadas as hip\u00f3teses legais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se, nessa medida, que o art. 148 do CTN, veicula norma geral (atinente ao lan\u00e7amento tribut\u00e1rio &#8211; art. 146, III, <em>b<\/em>, da CF), de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria pelos Entes Pol\u00edticos, a qual disp\u00f5e sobre o modo como a autoridade fazend\u00e1ria deve proceder para viabilizar o lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, nos espec\u00edficos casos em que as declara\u00e7\u00f5es expendidas pelo contribuinte s\u00e3o omissas ou n\u00e3o mere\u00e7am f\u00e9, para o fim de se identificar o valor venal do bem, base de c\u00e1lculo do tributo em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O procedimento de arbitramento, destinado \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do valor do bem transmitido em substitui\u00e7\u00e3o ao crit\u00e9rio inicial que se mostrou inid\u00f4neo a esse fim, tem, portanto, indissoci\u00e1vel articula\u00e7\u00e3o com o lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, em especial na modalidade &#8220;por declara\u00e7\u00e3o&#8221; (que \u00e9, em regra, utilizado para o lan\u00e7amento do ITCMD), bem como no &#8220;lan\u00e7amento de of\u00edcio&#8221;, sobretudo nos casos em que ausente a declara\u00e7\u00e3o do contribuinte ou de sua inadequa\u00e7\u00e3o, nos termos dos incisos do art. 149.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse quadro normativo, em resposta \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o contida na delimita\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia, pode-se afirmar, como seguran\u00e7a, que a prerrogativa do Fisco de promover o procedimento administrativo de arbitramento do valor venal do im\u00f3vel transmitido decorre diretamente do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, em seu art. 148, nas hip\u00f3teses em que especifica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bem de ver, assim, que lei estadual, a quem compete instituir e regular o imposto em comento (ITCMD), no que se insere as regras destinadas \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o do valor venal dos bens im\u00f3veis transmitidos, n\u00e3o pode, a esse pretexto, excluir a possibilidade de o Fisco promover, subsidiaria e excepcionalmente, o procedimento de arbitramento, nas espec\u00edficas situa\u00e7\u00f5es estabelecidas no art. 148 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, o procedimento de arbitramento previsto no art. 148 do CTN n\u00e3o consubstancia uma &#8220;prerrogativa gen\u00e9rica&#8221; conferida ao Fisco, que poderia ser ignorada ou afastada pela lei local, &#8220;nas hip\u00f3teses em que poss\u00edvel a apura\u00e7\u00e3o de outras formas&#8221;, tampouco ser genericamente suprimida por decis\u00e3o judicial, tal como decidiu o Tribunal de origem, em (err\u00f4nea) interpreta\u00e7\u00e3o da lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali\u00e1s, a compreens\u00e3o, nesse sentido, adotada pelo Tribunal de origem, de considerar que a previs\u00e3o legal de determinado crit\u00e9rio de quantifica\u00e7\u00e3o do bem transmitido teria o cond\u00e3o de afastar (em toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o) a possibilidade de o Fisco promover o procedimento de arbitramento previsto no art. 148 do CTN, encerra uma contradi\u00e7\u00e3o em seus pr\u00f3prios termos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque o procedimento de arbitramento &#8211; que \u00e9 excepcional, subsidi\u00e1rio e vinculado &#8211; pressup\u00f5e justamente a ado\u00e7\u00e3o anterior de outro crit\u00e9rio de apura\u00e7\u00e3o do bem transmitido estabelecido na lei estadual (tal como declara\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o administrativa, valor m\u00ednimo de refer\u00eancia), que se mostrou inid\u00f4neo aos fins perseguidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve-se registrar, ainda, que a preserva\u00e7\u00e3o da prerrogativa do Fisco Estadual de promover o procedimento de arbitramento para a apura\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ITCMD, nas hip\u00f3teses especificadas pelo art. 148 do CTN, encontra respaldo em julgados do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixam-se as seguintes teses do Tema Repetitivo 1371\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. A prerrogativa da Administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria de promover o procedimento administrativo de arbitramento do valor venal do im\u00f3vel transmitido decorre diretamente do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, em seu art. 148 (norma geral, de aplica\u00e7\u00e3o uniforme perante todos os entes federados).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. A legisla\u00e7\u00e3o estadual tem plena liberdade para eleger o crit\u00e9rio de apura\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ITCMD. N\u00e3o obstante, a prerrogativa de instaura\u00e7\u00e3o do procedimento de arbitramento, nos casos previstos no art. 148 do CTN, destinado \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do valor do bem transmitido, em substitui\u00e7\u00e3o ao crit\u00e9rio inicial que se mostrou inid\u00f4neo a esse fim, a viabilizar o lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, n\u00e3o implica em viola\u00e7\u00e3o do direito estadual, tampouco pode ser genericamente suprimida por decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. O exerc\u00edcio da prerrogativa do arbitramento d\u00e1-se pela instaura\u00e7\u00e3o regular e pr\u00e9via de procedimento individualizado, apenas quando as declara\u00e7\u00f5es, as informa\u00e7\u00f5es ou os documentos apresentados pelo contribuinte, necess\u00e1rios ao lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, mostrarem-se omissos ou n\u00e3o merecerem f\u00e9 \u00e0 finalidade a que se destinam, competindo \u00e0 administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria comprovar que a import\u00e2ncia ent\u00e3o alcan\u00e7ada encontra-se absolutamente fora do valor de mercado, observada, necessariamente, a ampla defesa e o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-alienacao-fiduciaria-de-imovel-aplicacao-da-lei-13-465-2017-tema-1288-stj\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de im\u00f3vel \u2013 aplica\u00e7\u00e3o da Lei 13.465\/2017 (Tema 1288\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Lei n. 13.465\/2017<\/strong> aplica-se conforme a <strong>data da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade<\/strong> e da <strong>purga\u00e7\u00e3o da mora<\/strong>, e n\u00e3o conforme a data de celebra\u00e7\u00e3o do contrato, assegurando-se ao devedor fiduciante, ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o sem purga, apenas o <strong>direito de prefer\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.126.726-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/12\/2025 (Tema 1288).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.514\/1997, art. 27, \u00a7 2\u00ba-B<\/strong> (<em>direito de prefer\u00eancia ap\u00f3s consolida\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.514\/1997, art. 39, II<\/strong> (<em>regime da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 13.465\/2017<\/strong> (<em>altera\u00e7\u00e3o do regime da purga\u00e7\u00e3o da mora<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto-Lei n. 70\/1966, art. 34<\/strong> (<em>purga\u00e7\u00e3o da mora \u2013 regime anterior<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A purga\u00e7\u00e3o da mora ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o deixou de ser admitida pela lei nova.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A data relevante \u00e9 a da consolida\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a da contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Preserva-se o ato jur\u00eddico perfeito quando a mora j\u00e1 havia sido purgada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Se\u00e7\u00e3o afastou a tese de aplica\u00e7\u00e3o restrita da Lei 13.465\/2017 apenas a contratos celebrados ap\u00f3s sua vig\u00eancia. O Tribunal esclareceu que o <strong>marco normativo relevante \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade<\/strong>, pois \u00e9 nesse momento que se define o regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Assim, se a consolida\u00e7\u00e3o ocorreu ap\u00f3s a vig\u00eancia da lei nova e a mora n\u00e3o foi purgada, o devedor n\u00e3o pode retomar o contrato, restando-lhe apenas o <strong>direito de prefer\u00eancia<\/strong>. A interpreta\u00e7\u00e3o preserva a seguran\u00e7a jur\u00eddica e evita solu\u00e7\u00f5es casu\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A Lei n. 13.465\/2017 s\u00f3 se aplica a contratos de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria celebrados ap\u00f3s sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O crit\u00e9rio \u00e9 a <strong>data da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade<\/strong>, e n\u00e3o a da contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Ap\u00f3s a vig\u00eancia da Lei n. 13.465\/2017, o devedor fiduciante tem a prerrogativa de optar entre o direito de prefer\u00eancia e a purga\u00e7\u00e3o da mora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A lei nova suprimiu a purga\u00e7\u00e3o da mora. O devedor fiduciante inadimplente tem apenas o direito de prefer\u00eancia ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria \u2013 Lei 13.465\/2017<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Marco: consolida\u00e7\u00e3o da propriedade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Purgada antes \u2192 desfaz consolida\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd N\u00e3o purgada depois \u2192 direito de prefer\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Seguran\u00e7a jur\u00eddica preservada<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;definir se a altera\u00e7\u00e3o introduzida pela Lei n. 13.465\/2017 ao art. 39, II, da Lei n. 9.514\/1997 tem aplica\u00e7\u00e3o restrita aos contratos celebrados sob a sua vig\u00eancia, n\u00e3o incidindo sobre os contratos firmados antes da sua entrada em vigor, ainda que constitu\u00edda a mora ou consolidada a propriedade, em momento posterior ao seu in\u00edcio de vig\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 13.465\/2017, ao introduzir o \u00a7 2\u00ba-B no art. 27 da Lei n. 9.514\/1997, alterou o regime jur\u00eddico da purga\u00e7\u00e3o da mora em contratos de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de bem im\u00f3vel, estabelecendo que, ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria em nome do credor, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel a purga\u00e7\u00e3o da mora, sendo garantido ao devedor apenas o direito de prefer\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aplica\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.465\/2017 deve considerar a data da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade e da purga da mora como elementos condicionantes, sendo irrelevante a data de celebra\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas hip\u00f3teses em que a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade ocorre ap\u00f3s a entrada em vigor da Lei n. 13.465\/2017 e a mora n\u00e3o foi purgada, aplica-se o regime jur\u00eddico da lei nova, assegurando ao devedor fiduciante apenas o direito de prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal da origem violou a legisla\u00e7\u00e3o federal ao restringir a aplicabilidade da Lei n. 13.465\/2017 aos contratos firmados ap\u00f3s sua vig\u00eancia, contrariando o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, deve-se reafirmar a jurisprud\u00eancia j\u00e1 consolidada no \u00e2mbito da Segunda Se\u00e7\u00e3o, bem como das Terceira e Quarta Turmas do STJ, mantendo-a est\u00e1vel e coerente com o sistema normativo em vigor e adotando-se este posicionamento agora sob o rito dos recursos repetitivos, proporcionando maior seguran\u00e7a jur\u00eddica aos interessados, al\u00e9m de evitar decis\u00f5es d\u00edspares nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias e o envio desnecess\u00e1rio de recursos especiais e agravos a esta corte superior.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1288\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>1) Antes da entrada em vigor da Lei n. 13.465\/2017, nas situa\u00e7\u00f5es em que j\u00e1 consolidada a propriedade e purgada a mora nos termos do art. 34 do Decreto-Lei n. 70\/1966 (ato jur\u00eddico perfeito), imp\u00f5e-se o desfazimento do ato de consolida\u00e7\u00e3o, com a consequente retomada do contrato de financiamento imobili\u00e1rio; e<\/p>\n\n\n\n<p>2) A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.465\/2017, nas situa\u00e7\u00f5es em que consolidada a propriedade, mas n\u00e3o purgada a mora, \u00e9 assegurado ao devedor fiduciante t\u00e3o somente o exerc\u00edcio do direito de prefer\u00eancia previsto no \u00a7 2\u00ba-B do art. 27 da Lei n. 9.514\/1997.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-execucao-civil-medidas-executivas-atipicas-tema-1137-stj\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Execu\u00e7\u00e3o civil \u2013 medidas executivas at\u00edpicas (Tema 1137\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de <strong>medidas executivas at\u00edpicas<\/strong> \u00e9 cab\u00edvel, desde que <strong>subsidi\u00e1ria<\/strong>, <strong>proporcional<\/strong> e <strong>devidamente fundamentada<\/strong>, com observ\u00e2ncia do <strong>contradit\u00f3rio<\/strong> e da <strong>menor onerosidade do executado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.955.539-SP e REsp 1.955.574-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 4\/12\/2025 (Tema 1137).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 139, IV<\/strong> (<em>cl\u00e1usula geral de efetiva\u00e7\u00e3o da tutela executiva<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 4\u00ba<\/strong> (<em>efetividade da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LXXVIII<\/strong> (<em>dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADI 5.941\/DF<\/strong> (<em>constitucionalidade das medidas at\u00edpicas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda As medidas at\u00edpicas n\u00e3o constituem carta branca ao magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A fundamenta\u00e7\u00e3o deve ser concreta e contextualizada.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O uso deve ser prioritariamente subsidi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ consolidou par\u00e2metros objetivos para aplica\u00e7\u00e3o do <strong>art. 139, IV, do CPC<\/strong>, destacando que a atipicidade dos meios executivos visa superar a inefetividade dos meios tradicionais, sem comprometer garantias fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte enfatizou que a decis\u00e3o judicial deve demonstrar a inadequa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos meios t\u00edpicos, justificar a proporcionalidade da medida e assegurar o contradit\u00f3rio, sob pena de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O art. 139, IV, do CPC autoriza medidas at\u00edpicas desde que observados o contradit\u00f3rio e a menor onerosidade do executado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esses s\u00e3o par\u00e2metros expressamente fixados no Tema 1137\/STJ. Exige-se <strong>fundamenta\u00e7\u00e3o concreta<\/strong>, proporcionalidade e subsidiariedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Execu\u00e7\u00e3o civil \u2013 medidas at\u00edpicas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Subsidiariedade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Proporcionalidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Fundamenta\u00e7\u00e3o concreta<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Contradit\u00f3rio obrigat\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se, com esteio no art. 139, IV, do CPC\/15, \u00e9 poss\u00edvel, ou n\u00e3o, o magistrado, observando-se a devida fundamenta\u00e7\u00e3o, o contradit\u00f3rio e a proporcionalidade da medida, adotar, de modo subsidi\u00e1rio, meios executivos at\u00edpicos.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A tutela executiva, nos termos do art. 4\u00ba do CPC\/2015, h\u00e1 de ser satisfativa ao jurisdicionado, ou seja, efetiva, e sua compreens\u00e3o deve ser extra\u00edda pelo operador do direito a partir da b\u00fassola normativa trazida no art. 1\u00ba do CPC\/2015, segundo a qual &#8220;o processo civil ser\u00e1 ordenado, disciplinado e interpretado \u00e0 luz dos valores constitucionais &#8220;. Nesse sentido, tem-se que a efetividade &#8211; no \u00e2mbito do direito constitucional &#8211; consiste na atua\u00e7\u00e3o eficaz do Estado (art. 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal &#8211; CF\/1988) e tempestiva ou c\u00e9lere da jurisdi\u00e7\u00e3o (art. 5\u00ba, LXXVIII, da CF\/1988).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a efetividade \u00e9, al\u00e9m de princ\u00edpio constitucional e processual, um compromisso de pol\u00edtica p\u00fablica firmado na atual legisla\u00e7\u00e3o instrumental. \u00c9 tarefa imposs\u00edvel para o legislador prever todas as particularidades dos direitos e os comportamentos dos sujeitos envolvidos na tutela executiva e, assim, preordenar na legisla\u00e7\u00e3o meios executivos t\u00edpicos diferenciados, levando-se em considera\u00e7\u00e3o, sobretudo, as circunst\u00e2ncias do caso em concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante dessa realidade, percept\u00edvel no curso da atividade judici\u00e1ria, o princ\u00edpio da tipicidade dos meios executivos foi cedendo espa\u00e7o ao chamado princ\u00edpio da concentra\u00e7\u00e3o dos poderes de execu\u00e7\u00e3o do juiz, ou princ\u00edpio da atipicidade. Uma das normas processuais que, concretamente, traduz esse novo paradigma \u00e9, exatamente, o art. 139, IV, do CPC\/2015 (as medidas executivas at\u00edpicas).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, a fim de garantir maior <em>celeridade<\/em> e <em>efetividade<\/em> ao processo (art. 4\u00ba do CPC\/2015), positivou regra segundo a qual incumbe ao juiz determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogat\u00f3rias necess\u00e1rias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas a\u00e7\u00f5es que tenham por objeto presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria (art. 139, IV, do CPC\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Houve, portanto, uma concess\u00e3o normativa ineg\u00e1vel feita pelo legislador ao juiz &#8211; respons\u00e1vel pela efetividade processual &#8211; para que, de acordo com as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas do caso, averiguasse qual medida a ser aplicada em concreto, atendendo, assim, os princ\u00edpios do melhor interesse do credor e da menor onerosidade do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A constitucionalidade do art. 139, IV, do CPC\/2015 foi reconhecida e declarada pelo Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, no julgamento da ADI 5.941\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse cen\u00e1rio, foi conferida a miss\u00e3o, ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no presente julgamento, por meio de sua jurisdi\u00e7\u00e3o recursal vinculante e repetitiva, de tra\u00e7ar as balizas ou par\u00e2metros de aplica\u00e7\u00e3o dessa cl\u00e1usula geral de efetiva\u00e7\u00e3o da tutela satisfativa, a ser seguida por todos os ju\u00edzes e tribunais da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Supremo Tribunal Federal, ao declarar a constitucionalidade das medidas executivas at\u00edpicas, n\u00e3o imp\u00f4s, pela t\u00e9cnica da redu\u00e7\u00e3o de texto, nenhum obst\u00e1culo \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o, reafirmando que a sua subst\u00e2ncia se insere na criatividade judicial, observados, \u00e9 claro, valores que orientam a prola\u00e7\u00e3o de qualquer decis\u00e3o jurisdicional (o dever de fundamenta\u00e7\u00e3o e sua publiciza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na busca da referida efetividade, as medidas executivas at\u00edpicas <em>n\u00e3o se equivalem a uma &#8220;carta em branco&#8221; dada ao juiz pelo legislador<\/em>. \u00c9 preciso que, sopesadas as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas do caso concreto e ponderados os princ\u00edpios antag\u00f4nicos que orientam, na busca da satisfa\u00e7\u00e3o, o comportamento dos sujeitos processuais na tutela executiva, sejam tra\u00e7ados os par\u00e2metros de sua aplica\u00e7\u00e3o. E, por l\u00f3gico, no sistema processual, a corre\u00e7\u00e3o ou a sufici\u00eancia da motiva\u00e7\u00e3o judicial empregada pelo magistrado no caso estar\u00e1 sujeita \u00e0 revis\u00e3o por meio de recurso (art. 1.015, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como visto, as medidas executivas at\u00edpicas s\u00e3o cl\u00e1usulas gerais processuais cuja subst\u00e2ncia deve ser preenchida pelo ju\u00edzo processante, respeitada a nuance do caso hipot\u00e9tico e os par\u00e2metros hermen\u00eauticos, previamente estabelecidos, que validem a sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse dever de parametriza\u00e7\u00e3o interpretativo cumpre exclusivamente ao Poder Judici\u00e1rio, destinat\u00e1rio dessa norma processual de ordem p\u00fablica e, na seara de compet\u00eancia constitucional vinculante, ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Suas balizas, portanto, devem ser extra\u00eddas da jurisprud\u00eancia consolidada do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00e2mbito da jurisprud\u00eancia das Turmas de Direito Privado do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a mat\u00e9ria j\u00e1 se encontra suficiente e substancialmente madura. A t\u00edtulo de explicita\u00e7\u00e3o, foram publicados 190 ac\u00f3rd\u00e3os e 17.367 decis\u00f5es monocr\u00e1ticas versando sobre o art. 139, IV, do CPC\/2015, por esta Corte Superior, conforme dados de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1137\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>Nas execu\u00e7\u00f5es c\u00edveis, submetidas exclusivamente \u00e0s regras do C\u00f3digo de Processo Civil, a ado\u00e7\u00e3o judicial de meios executivos at\u00edpicos \u00e9 cab\u00edvel desde que, cumulativamente:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-roman\" class=\"wp-block-list\">\n<li>sejam ponderados os princ\u00edpios da efetividade e da menor onerosidade do executado;<\/li>\n\n\n\n<li>seja realizada de modo prioritariamente subsidi\u00e1rio;<\/li>\n\n\n\n<li>a decis\u00e3o contenha fundamenta\u00e7\u00e3o adequada \u00e0s especificidades do caso;<\/li>\n\n\n\n<li>sejam observados os princ\u00edpios do contradit\u00f3rio, da proporcionalidade, da razoabilidade, inclusive quanto \u00e0 sua vig\u00eancia temporal.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-minha-casa-minha-vida-reintegracao-de-posse-e-competencia-da-justica-estadual\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Minha Casa Minha Vida \u2013 reintegra\u00e7\u00e3o de posse e compet\u00eancia da Justi\u00e7a estadual<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 <strong>Justi\u00e7a Estadual<\/strong> processar e julgar a\u00e7\u00e3o de <strong>reintegra\u00e7\u00e3o de posse<\/strong> ajuizada pelo <strong>Banco do Brasil<\/strong> relativa a im\u00f3vel adquirido com recursos do <strong>Fundo de Arrendamento Residencial (FAR)<\/strong> no \u00e2mbito do <strong>Programa Minha Casa Minha Vida<\/strong>, quando <strong>inexistente interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o ou da Caixa Econ\u00f4mica Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.204.632-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025, DJEN 15\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 109, I<\/strong> (<em>compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal condicionada ao interesse da Uni\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 11.977\/2009<\/strong> (<em>Programa Minha Casa Minha Vida<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 10.188\/2001, art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e art. 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba<\/strong> (<em>FAR \u2013 fundo sem personalidade jur\u00eddica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 508\/STF<\/strong> (<em>compet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual nas causas envolvendo o Banco do Brasil<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A compet\u00eancia \u00e9 definida pela <strong>presen\u00e7a concreta de interesse jur\u00eddico federal<\/strong>, n\u00e3o pela origem dos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A atua\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil como agente financeiro legitima sua postula\u00e7\u00e3o em ju\u00edzo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ afirmou que a simples circunst\u00e2ncia de o im\u00f3vel integrar pol\u00edtica habitacional federal n\u00e3o atrai automaticamente a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal. \u00c9 indispens\u00e1vel a demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico direto da Uni\u00e3o ou de empresa p\u00fablica federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Como a contrata\u00e7\u00e3o foi intermediada pelo Banco do Brasil e n\u00e3o houve interven\u00e7\u00e3o da Caixa Econ\u00f4mica Federal nem da Uni\u00e3o na lide, aplicou-se a <strong>S\u00famula 508\/STF<\/strong>, fixando-se a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A intermedia\u00e7\u00e3o contratual pelo Banco do Brasil legitima a fixa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual, na a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do Programa Minha Casa Minha Vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O crit\u00e9rio determinante \u00e9 a parte em ju\u00edzo e a aus\u00eancia de interesse federal, seguindo os termos da S\u00famula 508\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A utiliza\u00e7\u00e3o de recursos do FAR atrai automaticamente a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A compet\u00eancia federal exige <strong>interesse jur\u00eddico direto<\/strong> da Uni\u00e3o ou de empresa p\u00fablica federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc PMCMV \u2013 reintegra\u00e7\u00e3o de posse<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd FAR n\u00e3o gera interesse federal autom\u00e1tico<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Banco do Brasil como agente financeiro<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd S\u00famula 508\/STF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Justi\u00e7a Estadual competente<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se compete \u00e0 Justi\u00e7a Comum Estadual ou \u00e0 Justi\u00e7a Federal o processamento e julgamento de a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse ajuizada pelo Banco do Brasil S\/A, quando se trata de im\u00f3vel adquirido com recursos do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) no \u00e2mbito do Programa Minha Casa Minha Vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange \u00e0s causas em que figurar o Banco do Brasil, como sociedade de economia mista federal, pacificou-se o entendimento no sentido de que &#8220;compete \u00e0 Justi\u00e7a Estadual, em ambas as inst\u00e2ncias, processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S.A.&#8221; (S\u00famula 508\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Relativamente \u00e0s a\u00e7\u00f5es em que o lit\u00edgio recair sobre im\u00f3vel adquirido no \u00e2mbito do Programa Minha Casa Minha Vida, a compet\u00eancia dever\u00e1 ser determinada de acordo com a presen\u00e7a ou n\u00e3o de interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o ou de empresa p\u00fablica federal (notadamente a Caixa Econ\u00f4mica Federal) na lide.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) foi objeto de regulamenta\u00e7\u00e3o pela Lei n. 11.977\/2009, tendo por escopo garantir o acesso a unidades habitacionais por pessoas consideradas como de baixa renda, de acordo com os crit\u00e9rios legalmente previstos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Fundo de Arrendamento Residencial &#8211; FAR foi criado no \u00e2mbito do Programa de Arrendamento Residencial, regulamentado pela Lei n. 10.188\/2001. A referida lei estabelece, em seu artigo 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, que &#8220;A gest\u00e3o do Programa cabe ao Minist\u00e9rio das Cidades e sua operacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 Caixa Econ\u00f4mica Federal &#8211; CEF.&#8221; J\u00e1 em seu artigo 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba (com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.693\/2012), prev\u00ea: &#8220;O Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), [&#8230;], ter\u00e1 direitos e obriga\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, pelas quais responder\u00e1 com seu patrim\u00f4nio, n\u00e3o respondendo os cotistas por qualquer obriga\u00e7\u00e3o do Fundo, salvo pela integraliza\u00e7\u00e3o das cotas que subscreverem.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com informa\u00e7\u00f5es presentes no s\u00edtio eletr\u00f4nico da Caixa Econ\u00f4mica Federal (http:\/\/www.caixa.gov.br), o Fundo de Arrendamento Residencial \u00e9 um fundo financeiro de natureza privada, sem personalidade jur\u00eddica, administrado e gerido pela referida empresa p\u00fablica, que tem por objetivo prover recursos aos programas habitacionais do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, ainda que a Caixa Econ\u00f4mica Federal atue como gestora do FAR, n\u00e3o h\u00e1 \u00f3bice para que as contrata\u00e7\u00f5es referentes ao Programa Minha Casa Minha Vida sejam intermediadas por outras institui\u00e7\u00f5es financeiras, \u00e0s quais \u00e9 conferida, pelo artigo 9\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, II, do Decreto n. 7.499\/2011, a legitimidade para a defesa dos direitos do FAR, tanto na esfera judicial quanto na extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, se a contrata\u00e7\u00e3o for intermediada pelo Banco do Brasil S\/A, ser\u00e1 ele parte leg\u00edtima para postular em ju\u00edzo, aplicando-se a regra de compet\u00eancia extra\u00edda da S\u00famula 508\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, <strong>o fato de que o im\u00f3vel tenha sido adquirido no \u00e2mbito do Programa Minha Casa Minha Vida, com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial, n\u00e3o implica automaticamente a presen\u00e7a de interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o <\/strong>ou da Caixa Econ\u00f4mica Federal, inexistindo justificativa para a declina\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia \u00e0 Justi\u00e7a Federal nas hip\u00f3teses em que n\u00e3o se deixa vislumbrar esse interesse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-area-de-preservacao-permanente-usucapiao-arguida-em-defesa\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente \u2013 usucapi\u00e3o arguida em defesa<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>ocupa\u00e7\u00e3o irregular de im\u00f3vel situado em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP)<\/strong> n\u00e3o gera direito \u00e0 <strong>aquisi\u00e7\u00e3o por usucapi\u00e3o<\/strong>, ainda que a prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva seja arguida como mat\u00e9ria de defesa em a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.211.711-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 183, \u00a7 3\u00ba<\/strong> (<em>veda\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o de bens p\u00fablicos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 102<\/strong> (<em>bens p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o usucap\u00edveis<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 12.651\/2012, art. 3\u00ba, II, art. 7\u00ba e art. 8\u00ba<\/strong> (<em>APP e limita\u00e7\u00f5es administrativas ambientais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 237\/STF<\/strong> (<em>usucapi\u00e3o pode ser arguida em defesa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A APP imp\u00f5e <strong>limita\u00e7\u00e3o administrativa qualificada<\/strong> ao exerc\u00edcio da posse.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A ocupa\u00e7\u00e3o irregular em APP \u00e9 <strong>antijur\u00eddica<\/strong> e incompat\u00edvel com posse ad usucapionem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ reconheceu que, embora a usucapi\u00e3o possa ser arguida em defesa, isso pressup\u00f5e que o bem seja juridicamente suscet\u00edvel \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria. A APP, ainda que de dom\u00ednio privado, sofre restri\u00e7\u00f5es severas que inviabilizam a posse qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte enfatizou que admitir usucapi\u00e3o em APP estimularia ocupa\u00e7\u00f5es irregulares e comprometeria a fun\u00e7\u00e3o socioambiental da propriedade, configurando <strong>prote\u00e7\u00e3o ambiental insuficiente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O fato de o im\u00f3vel em APP ser de dom\u00ednio privado autoriza o reconhecimento da usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A limita\u00e7\u00e3o administrativa ambiental impede a forma\u00e7\u00e3o de posse apta \u00e0 usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A usucapi\u00e3o arguida em defesa excepciona a regra de que o bem devem ser juridicamente usucap\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A exce\u00e7\u00e3o defensiva n\u00e3o afasta os impedimentos materiais ao instituto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc APP \u2013 usucapi\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Limita\u00e7\u00e3o administrativa ambiental<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ocupa\u00e7\u00e3o irregular<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Posse incompat\u00edvel com usucapi\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Defesa rejeitada<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se \u00e9 poss\u00edvel o acolhimento de exce\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o em a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria que tem por objeto im\u00f3vel situado em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos da S\u00famula 237 do STF, &#8220;o usucapi\u00e3o pode ser arguido em defesa&#8221;. Assim, \u00e9 l\u00edcito \u00e0 parte demandada apresentar defesa na a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria com fundamento na presen\u00e7a dos requisitos legalmente previstos para o reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Evidentemente, por\u00e9m, tal possibilidade pressup\u00f5e que o bem im\u00f3vel seja suscet\u00edvel \u00e0 usucapi\u00e3o. Isso n\u00e3o ocorre com os bens p\u00fablicos, que n\u00e3o podem ser adquiridos por essa via por for\u00e7a de disposi\u00e7\u00e3o constitucional (artigo 183, \u00a7 3\u00ba, da CF\/1988) e legal (artigo 102 do C\u00f3digo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A identifica\u00e7\u00e3o de \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP), definida pelo C\u00f3digo Florestal (Lei n. 12.651\/2012), em seu artigo 3\u00ba, II, como &#8220;\u00e1rea protegida, coberta ou n\u00e3o por vegeta\u00e7\u00e3o nativa, com a fun\u00e7\u00e3o ambiental de preservar os recursos h\u00eddricos, a paisagem, a estabilidade geol\u00f3gica e a biodiversidade, facilitar o fluxo g\u00eanico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das popula\u00e7\u00f5es humanas&#8221;, n\u00e3o impede o dom\u00ednio privado do im\u00f3vel, recaindo sobre o propriet\u00e1rio, possuidor ou ocupante a qualquer t\u00edtulo a obriga\u00e7\u00e3o de manter a vegeta\u00e7\u00e3o ou a de recomp\u00f4-la em caso de supress\u00e3o. Trata-se de limita\u00e7\u00e3o administrativa que, ao possibilitar o exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ambiental, restringe as prerrogativas inerentes \u00e0 propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir disso, pode-se concluir, em um primeiro momento, que o fato de estar o im\u00f3vel localizado em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, que constitui simples limita\u00e7\u00e3o administrativa ao exerc\u00edcio da propriedade, n\u00e3o seria suficiente para atrair a veda\u00e7\u00e3o, inerente aos bens p\u00fablicos, \u00e0 usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por\u00e9m, ainda que n\u00e3o se trate de bem p\u00fablico, deve ser observado que o artigo 8\u00ba do C\u00f3digo Florestal veda a interven\u00e7\u00e3o ou a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, ressalvadas as hip\u00f3teses de utilidade p\u00fablica, interesse social e baixo impacto ambiental. Portanto, no que tange ao exerc\u00edcio da posse qualificada para fins de usucapi\u00e3o, deve ser observado que a limita\u00e7\u00e3o administrativa correspondente \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o como \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente implica restri\u00e7\u00f5es \u00e0s atividades que podem ser desenvolvidas no local, especialmente no que concerne \u00e0 sua explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a presen\u00e7a dos requisitos para a usucapi\u00e3o de im\u00f3vel situado em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente deve ser analisada com rigor. Recai sobre o aludido bem o interesse direto da coletividade na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, n\u00e3o apenas o interesse individual do propriet\u00e1rio ou possuidor, que necessariamente deve retroceder diante daquele.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa senda, a partir de uma interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica dos artigos 7\u00ba e 8\u00ba do C\u00f3digo Florestal, \u00e9 poss\u00edvel depreender que invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es irregulares de im\u00f3veis situados em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente s\u00e3o antijur\u00eddicas, na medida em que favorecem a supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e dificultam ao Poder P\u00fablico o exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ambiental. Do contr\u00e1rio, estar-se-ia estimulando a invas\u00e3o dessas \u00e1reas, situa\u00e7\u00e3o absolutamente delet\u00e9ria do ponto de vista da garantia da propriedade e, mais al\u00e9m, da sua fun\u00e7\u00e3o socioambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, \u00e9 incontroverso que a exce\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o recai sobre im\u00f3vel situado em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, pr\u00f3ximo a um curso d&#8217;\u00e1gua, ocupado pelo recorrente h\u00e1 mais de vinte anos. H\u00e1, por\u00e9m, \u00f3bice intranspon\u00edvel \u00e0 pretens\u00e3o, diante da <strong>impossibilidade de reconhecimento de efeitos jur\u00eddicos \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o irregular de \u00e1reas sobre as quais recai a mencionada limita\u00e7\u00e3o administrativa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-defensoria-publica-honorarios-sucumbenciais-e-autonomia-institucional\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Defensoria P\u00fablica \u2013 honor\u00e1rios sucumbenciais e autonomia institucional<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os <strong>honor\u00e1rios sucumbenciais<\/strong> devidos \u00e0 <strong>Defensoria P\u00fablica<\/strong> integram seu <strong>patrim\u00f4nio institucional<\/strong>, n\u00e3o cabendo ao Poder Judici\u00e1rio determinar o <strong>dep\u00f3sito em conta judicial<\/strong>, ainda que inexistente ou pendente a regulamenta\u00e7\u00e3o do fundo de aparelhamento da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.180.416-MG, Rel. Min. Humberto Martins, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LC n. 80\/1994, art. 4\u00ba, XXI<\/strong> (<em>prerrogativa de receber e gerir honor\u00e1rios<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LC n. 80\/1994, art. 97-A e art. 97-B<\/strong> (<em>autonomia funcional e administrativa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 134<\/strong> (<em>autonomia da Defensoria P\u00fablica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Os honor\u00e1rios sucumbenciais s\u00e3o <strong>receita pr\u00f3pria<\/strong> da Defensoria.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A gest\u00e3o financeira integra a autonomia administrativa da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ assentou que a determina\u00e7\u00e3o judicial de dep\u00f3sito em conta vinculada ao processo esvazia o conte\u00fado normativo do verbo \u201creceber\u201d, previsto na LC 80\/1994.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte concluiu que eventual aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o do fundo \u00e9 quest\u00e3o <strong>interna corporis<\/strong>, n\u00e3o legitimando inger\u00eancia judicial sobre a gest\u00e3o de recursos da Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O Judici\u00e1rio pode condicionar o recebimento de honor\u00e1rios pela Defensoria \u00e0 pr\u00e9via regulamenta\u00e7\u00e3o do fundo institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A falta de regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza inger\u00eancia judicial na gest\u00e3o dos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Os honor\u00e1rios sucumbenciais integram o patrim\u00f4nio da Defensoria P\u00fablica e s\u00e3o de sua livre administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A autonomia institucional assegura a gest\u00e3o direta dessas verbas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Defensoria P\u00fablica \u2013 honor\u00e1rios<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Receita institucional pr\u00f3pria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autonomia administrativa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Vedada inger\u00eancia judicial<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Gest\u00e3o pela pr\u00f3pria Defensoria<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir a legalidade da determina\u00e7\u00e3o judicial para que os honor\u00e1rios sucumbenciais devidos \u00e0 Defensoria P\u00fablica sejam depositados em conta judicial vinculada ao processo, em vez de serem transferidos diretamente para conta do Fundo de Aparelhamento da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei Complementar n. 80\/1994, que organiza a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios e prescreve normas gerais para sua organiza\u00e7\u00e3o nos Estados, detalha o alcance dessa autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 4\u00ba da referida lei, ao elencar as fun\u00e7\u00f5es institucionais da Defensoria P\u00fablica, estabelece em seu inciso XXI, a prerrogativa de n\u00e3o apenas &#8220;executar&#8221; a cobran\u00e7a, mas tamb\u00e9m &#8220;receber&#8221; diretamente as verbas sucumbenciais decorrentes de sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ato de receber implica a percep\u00e7\u00e3o e a internaliza\u00e7\u00e3o do recurso. A segunda parte do dispositivo, ao prever a destina\u00e7\u00e3o a &#8220;fundos geridos pela Defensoria P\u00fablica&#8221;, refor\u00e7a a titularidade da institui\u00e7\u00e3o na administra\u00e7\u00e3o desses valores. A gest\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, pressup\u00f5e a posse e o controle sobre o recurso a ser administrado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a determina\u00e7\u00e3o do Tribunal de origem, ao ordenar o dep\u00f3sito em uma conta judicial sobre a qual a Defensoria n\u00e3o possui ger\u00eancia, esvazia por completo o conte\u00fado normativo do verbo &#8220;receber&#8221; e da express\u00e3o &#8220;fundos geridos pela Defensoria P\u00fablica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa prerrogativa \u00e9 corroborada pelos artigos 97-A e 97-B da mesma Lei Complementar. O artigo 97-A assegura \u00e0 Defensoria P\u00fablica do Estado &#8220;autonomia funcional, administrativa e iniciativa para elabora\u00e7\u00e3o de sua proposta or\u00e7ament\u00e1ria&#8221;. A autonomia administrativa seria uma fic\u00e7\u00e3o se o Poder Judici\u00e1rio pudesse, a seu crit\u00e9rio, reter e controlar o fluxo de receitas pr\u00f3prias da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os honor\u00e1rios sucumbenciais, uma vez reconhecido o direito ao seu recebimento, integram o patrim\u00f4nio da Defensoria P\u00fablica e devem estar sob sua livre gest\u00e3o, observada, por \u00f3bvio, a vincula\u00e7\u00e3o da destina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, embora o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido tenha condicionado a libera\u00e7\u00e3o da verba \u00e0 formal cria\u00e7\u00e3o do fundo previsto em lei, tal condi\u00e7\u00e3o representa uma indevida tutela do Poder Judici\u00e1rio sobre a organiza\u00e7\u00e3o interna da Defensoria P\u00fablica. A eventual aus\u00eancia ou pend\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o de tal fundo \u00e9 uma quest\u00e3o administrativa, de <em>res interna corporis<\/em>, que deve ser solucionada pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio de sua autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio, sob esse pretexto, criar um obst\u00e1culo ao recebimento de recursos que a lei lhe confere, transformando-se em gestor provis\u00f3rio de verbas que n\u00e3o lhe pertencem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-divorcio-separacao-convencional-de-bens-e-presuncao-de-esforco-comum\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Div\u00f3rcio \u2013 separa\u00e7\u00e3o convencional de bens e presun\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o comum<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que adotado o regime da <strong>separa\u00e7\u00e3o convencional de bens<\/strong>, sendo o <strong>terreno adquirido por ambos os c\u00f4njuges<\/strong>, presume-se que a <strong>constru\u00e7\u00e3o nele realizada<\/strong> tamb\u00e9m lhes pertence <strong>na mesma propor\u00e7\u00e3o<\/strong>, nos termos do <strong>art. 1.253 do C\u00f3digo Civil<\/strong>, especialmente quando <strong>demonstrado o esfor\u00e7o comum<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 9\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.253<\/strong> (<em>presun\u00e7\u00e3o de acess\u00e3o em favor do propriet\u00e1rio do solo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.687<\/strong> (<em>separa\u00e7\u00e3o convencional de bens<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A presun\u00e7\u00e3o do art. 1.253 do CC \u00e9 <strong>juris tantum<\/strong> e admite prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A copropriedade do terreno projeta efeitos sobre a edifica\u00e7\u00e3o nele erigida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A demonstra\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o financeira refor\u00e7a a presun\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ reafirmou que o regime da separa\u00e7\u00e3o convencional n\u00e3o impede, por si s\u00f3, a partilha de bens quando houver <strong>presun\u00e7\u00e3o legal<\/strong> ou <strong>prova de esfor\u00e7o comum<\/strong>. No caso, o lote foi adquirido por ambos os c\u00f4njuges em partes iguais, atraindo a incid\u00eancia do art. 1.253 do C\u00f3digo Civil quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Quarta Turma destacou que a presun\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi elidida, pois houve comprova\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o financeira da c\u00f4njuge na edifica\u00e7\u00e3o e reforma do im\u00f3vel. Assim, a partilha igualit\u00e1ria da constru\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o viola o pacto antenupcial<\/strong>, mas decorre da aplica\u00e7\u00e3o direta da norma civil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 No regime da separa\u00e7\u00e3o convencional de bens, \u00e9 vedada a partilha de qualquer bem edificado durante o casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A separa\u00e7\u00e3o convencional n\u00e3o afasta a incid\u00eancia de presun\u00e7\u00f5es legais nem a possibilidade de prova de esfor\u00e7o comum.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Sendo o terreno adquirido por ambos os c\u00f4njuges, presume-se que a constru\u00e7\u00e3o nele realizada tamb\u00e9m pertence a ambos, salvo prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Essa \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o direta do <strong>CC, art. 1.253<\/strong>, adotada pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Div\u00f3rcio \u2013 separa\u00e7\u00e3o convencional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Terreno adquirido em copropriedade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Presun\u00e7\u00e3o legal de acess\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Esfor\u00e7o comum demonstrado<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Partilha da constru\u00e7\u00e3o admitida<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ainda que adotado o regime da separa\u00e7\u00e3o convencional de bens, \u00e9 poss\u00edvel a partilha de bem adquirido por apenas um dos c\u00f4njuges na const\u00e2ncia do casamento, desde que comprovado o esfor\u00e7o comum para a aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o bem im\u00f3vel foi adquirido por ambos os c\u00f4njuges, na propor\u00e7\u00e3o de 50% (cinquenta por cento) para cada. A discuss\u00e3o em torno da partilha, portanto, \u00e9 da constru\u00e7\u00e3o erigida sobre o lote adquirido em conjunto por ambos os c\u00f4njuges durante a const\u00e2ncia do matrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, tem-se como aplic\u00e1vel o art. 1.253 do C\u00f3digo Civil, segundo o qual &#8220;Toda constru\u00e7\u00e3o ou planta\u00e7\u00e3o existente em um terreno presume-se feita pelo propriet\u00e1rio e \u00e0 sua custa, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A presun\u00e7\u00e3o legal do art. 1.253 do CC\/2002 \u00e9 <em>juris tantum<\/em> e, por isso, pode ser elidida por prova em contr\u00e1rio, que deixou de ser produzida pelo recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, mesmo adotado pelo casal o regime da separa\u00e7\u00e3o convencional de bens, sendo o terreno adquirido por ambos os c\u00f4njuges, em igual propor\u00e7\u00e3o (50% de cada), presume-se que tamb\u00e9m lhes pertence, na mesma propor\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o nele realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, consoante o ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de origem, a recorrida demonstrou ter contribu\u00eddo financeiramente para a constru\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel e sua reforma, arcando com materiais de constru\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os destinados \u00e0 casa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, a partilha igualit\u00e1ria da casa erigida sobre o terreno adquirido em conjunto por ambos os c\u00f4njuges n\u00e3o ofende o pacto antenupcial firmado pelas partes, j\u00e1 que decorre de presun\u00e7\u00e3o legal n\u00e3o elidida por prova em contr\u00e1rio, considerando que o recorrente n\u00e3o comprovou ter arcado integralmente com a edifica\u00e7\u00e3o da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em conclus\u00e3o, <strong>a participa\u00e7\u00e3o de ambos os c\u00f4njuges como copropriet\u00e1rios do im\u00f3vel cujas acess\u00f5es\/benfeitorias foram realizadas na const\u00e2ncia do v\u00ednculo conjugal faz presumir tamb\u00e9m o esfor\u00e7o comum do c\u00f4njuge virago na sua realiza\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-crime-sexual-presenca-virtual-da-crianca-ou-adolescente\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Crime sexual \u2013 presen\u00e7a virtual da crian\u00e7a ou adolescente<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>visualiza\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia<\/strong>, por meio de transmiss\u00e3o em tempo real, \u00e9 suficiente para caracterizar o elemento <strong>\u201cpresen\u00e7a\u201d<\/strong> exigido no <strong>art. 218-A do C\u00f3digo Penal <\/strong>(<em>satisfa\u00e7\u00e3o de lasc\u00edvia na presen\u00e7a de crian\u00e7a ou adolescente<\/em>), sendo <strong>dispens\u00e1vel a presen\u00e7a f\u00edsica<\/strong> da crian\u00e7a ou do adolescente para a configura\u00e7\u00e3o do delito.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/11\/2025, DJEN 12\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 218-A<\/strong> (<em>satisfa\u00e7\u00e3o de lasc\u00edvia na presen\u00e7a de crian\u00e7a ou adolescente<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 218-C<\/strong> (<em>crimes sexuais praticados por meio virtual<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 227<\/strong> (<em>prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O n\u00facleo do tipo \u00e9 <strong>induzir a presenciar<\/strong> ato libidinoso.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A no\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a n\u00e3o se restringe \u00e0 coabita\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A prote\u00e7\u00e3o penal acompanha a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ afastou interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do termo \u201cpresen\u00e7a\u201d, esclarecendo que presenciar significa <strong>ver ou assistir<\/strong>, independentemente da dist\u00e2ncia f\u00edsica. A transmiss\u00e3o em tempo real por webcam \u00e9 meio id\u00f4neo para satisfazer a lasc\u00edvia do agente diante da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Sexta Turma ressaltou que exigir presen\u00e7a f\u00edsica criaria <strong>prote\u00e7\u00e3o penal insuficiente<\/strong>, incompat\u00edvel com a finalidade da norma e com a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o legislativa, que j\u00e1 contempla a investiga\u00e7\u00e3o de crimes sexuais praticados no ambiente virtual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O crime do art. 218-A do C\u00f3digo Penal dispensa a presen\u00e7a f\u00edsica da crian\u00e7a ou adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A visualiza\u00e7\u00e3o em tempo real \u00e0 dist\u00e2ncia \u00e9 suficiente para caracterizar a presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A interpreta\u00e7\u00e3o do elemento \u201cpresen\u00e7a\u201d deve considerar a finalidade protetiva da norma penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ adotou interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica para evitar lacunas de tutela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Crime sexual \u2013 meio virtual<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Presen\u00e7a \u2260 contato f\u00edsico<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Visualiza\u00e7\u00e3o em tempo real<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tipo penal configurado<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia sobre a correta interpreta\u00e7\u00e3o do elemento normativo &#8220;presen\u00e7a&#8221;, contido no art. 218-A do C\u00f3digo Penal, para aferir se a pr\u00e1tica de ato libidinoso (masturba\u00e7\u00e3o) transmitida em tempo real \u00e0 v\u00edtima menor de 14 anos, por meio de <em>webcam<\/em>, enquadra-se no referido tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem concluiu pela atipicidade da conduta quanto ao art. 218-A do C\u00f3digo Penal, sob o fundamento de que o tipo exigiria a presen\u00e7a efetiva e real do menor. Para o Tribunal <em>a qu<\/em>o, em respeito \u00e0 tipicidade estrita, n\u00e3o se poderia equiparar um &#8220;contato virtual&#8221; a presen\u00e7a efetiva e real do menor. Deduziu, ainda, que o legislador, quando da edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 12.015\/2009, j\u00e1 conhecia os meios tecnol\u00f3gicos e, intencionalmente, n\u00e3o os previu, ao contr\u00e1rio do que fez no art. 218-C do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, o Tribunal estadual, ao promover a desclassifica\u00e7\u00e3o, incorreu em viola\u00e7\u00e3o direta do art. 218-A do C\u00f3digo Penal, conferindo-lhe interpreta\u00e7\u00e3o excessivamente restritiva e dissonante da finalidade protetiva da norma.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O referido crime se consuma &#8220;com a pr\u00e1tica da conjun\u00e7\u00e3o carnal ou de ato libidinoso diverso na presen\u00e7a de menor de 14 (catorze) anos, ou quando este \u00e9 induzido a presenciar tais condutas, realizadas na inten\u00e7\u00e3o de satisfazer a lasc\u00edvia do agente ou de terceiro.&#8221; (REsp 1.824.457\/RS, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 2\/9\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O n\u00facleo do tipo penal \u00e9 &#8220;praticar&#8221; ato libidinoso ou &#8220;induzir&#8221; a crian\u00e7a ou adolescente &#8220;a presenciar&#8221; tal ato. A exegese do Tribunal de origem equiparou o voc\u00e1bulo &#8220;presenciar&#8221; \u00e0 &#8220;coabita\u00e7\u00e3o f\u00edsica&#8221;, uma exig\u00eancia que n\u00e3o consta da literalidade da norma. Presenciar significa, fundamentalmente, assistir, ver ou testemunhar. Com efeito, <strong>a visualiza\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, promovida por meios tecnol\u00f3gicos em tempo real, \u00e9 plenamente suficiente para configurar o elemento &#8220;presen\u00e7a&#8221; exigido pelo tipo penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o bem jur\u00eddico tutelado &#8220;\u00e9 a dignidade sexual, no sentido de resguardar o adequado desenvolvimento moral e sexual da crian\u00e7a ou do adolescente.&#8221; (AgRg no AREsp 1.660.621\/MG, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 26\/8\/2020). Tal bem \u00e9 frontalmente atingido pela percep\u00e7\u00e3o visual do ato libidinoso, independentemente da dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica. A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tornou a comunica\u00e7\u00e3o por v\u00eddeo em tempo real (como por <em>webcam<\/em>) um meio inequivocamente id\u00f4neo para que o menor seja compelido a &#8220;assistir&#8221; ao ato, configurando, assim, a &#8220;presen\u00e7a&#8221; para fins penais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Corrobora esse entendimento a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o legislativa. A Lei n. 13.441\/2017, que alterou o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente para prever a infiltra\u00e7\u00e3o de agentes de pol\u00edcia na internet, incluiu expressamente a investiga\u00e7\u00e3o de crimes como o do art. 218-A do C\u00f3digo Penal. Revela-se il\u00f3gica, sen\u00e3o contradit\u00f3ria, a tese do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, pois o legislador n\u00e3o autorizaria a investiga\u00e7\u00e3o policial <em>online<\/em> para um delito que, supostamente, n\u00e3o poderia ser cometido nesse mesmo ambiente virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adotar a interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do Tribunal <em>a quo<\/em> implicaria criar um inaceit\u00e1vel v\u00e1cuo de prote\u00e7\u00e3o, em flagrante viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da proibi\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o insuficiente. Ironicamente, a impunidade se instalaria precisamente no ambiente onde tais crimes t\u00eam proliferado. Assim, o agente que se masturba diante de uma c\u00e2mera, ciente de que \u00e9 assistido ao vivo pela v\u00edtima vulner\u00e1vel, satisfaz sua lasc\u00edvia por meio dessa visualiza\u00e7\u00e3o, estando o menor inequivocamente &#8220;presente&#8221; na cena delitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-daa7a6c9-f990-43be-8e70-0020ee45e405\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/01\/13023144\/stj-info-874.pdf\">STJ &#8211; Info 874<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/01\/13023144\/stj-info-874.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-daa7a6c9-f990-43be-8e70-0020ee45e405\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na ditadura militar \u2013 juros de mora (Tema 1251\/STJ) Destaque Reconhecido judicialmente o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida durante a ditadura militar, os juros de mora incidem a partir do evento danoso, nos termos da S\u00famula 54\/STJ. 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