{"id":1689809,"date":"2025-12-23T08:59:09","date_gmt":"2025-12-23T11:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1689809"},"modified":"2025-12-23T08:59:12","modified_gmt":"2025-12-23T11:59:12","slug":"informativo-stj-871-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-871-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 871 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/12\/23085846\/stj-info-871.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_uFJ9VcLEDms\"><div id=\"lyte_uFJ9VcLEDms\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/uFJ9VcLEDms\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/uFJ9VcLEDms\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/uFJ9VcLEDms\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-auxilio-reclusao-e-criterio-de-baixa-renda-tema-1162-stj\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aux\u00edlio-reclus\u00e3o e crit\u00e9rio de baixa renda (Tema 1162\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>No regime anterior \u00e0 MP n. 871\/2019, admite-se flexibilizar o crit\u00e9rio econ\u00f4mico do aux\u00edlio-reclus\u00e3o quando a renda do segurado preso exceder o limite legal em percentual \u00ednfimo; ap\u00f3s a MP n. 871\/2019, a flexibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 vedada, salvo aus\u00eancia de corre\u00e7\u00e3o anual do limite pelo Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.958.361-SP, REsp 1.971.856-SP e REsp 1.971.857-SP, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade (Tema 1162).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 201, IV<\/strong> (<em>aux\u00edlio-reclus\u00e3o como benef\u00edcio previdenci\u00e1rio contributivo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>EC n. 20\/1998<\/strong> (<em>introdu\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio de baixa renda<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>EC n. 103\/2019<\/strong> (<em>manuten\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio econ\u00f4mico<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 13.846\/2019 (MP n. 871\/2019)<\/strong> (<em>novo m\u00e9todo: m\u00e9dia dos sal\u00e1rios dos 12 meses anteriores<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O aux\u00edlio-reclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assist\u00eancia social; protege dependentes do segurado de baixa renda, conforme op\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Antes da MP n. 871\/2019, o limite legal funcionava como <strong>referencial<\/strong>, permitindo mitiga\u00e7\u00e3o excepcional por razoabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ap\u00f3s a MP, o crit\u00e9rio tornou-se <strong>objetivo e fechado<\/strong>, eliminando espa\u00e7o para flexibiliza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o: efeitos aplic\u00e1veis \u00e0s pris\u00f5es ocorridas a partir de 27\/11\/2024; valores pagos antes n\u00e3o s\u00e3o devolvidos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Primeira Se\u00e7\u00e3o analisou a tens\u00e3o entre a finalidade protetiva do benef\u00edcio e a objetividade do crit\u00e9rio econ\u00f4mico. No regime anterior, a renda mensal isolada podia produzir distor\u00e7\u00f5es em hip\u00f3teses lim\u00edtrofes, o que justificou a mitiga\u00e7\u00e3o pontual quando o excesso fosse \u00ednfimo e a necessidade dos dependentes permanecesse evidente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Com a MP n. 871\/2019, o legislador substituiu o par\u00e2metro mensal por m\u00e9dia anual, solu\u00e7\u00e3o que reduz injusti\u00e7as e <strong>retira a margem de conforma\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>. Por isso, o STJ fixou a impossibilidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a mudan\u00e7a legislativa, ressalvada a hip\u00f3tese de omiss\u00e3o do Executivo na atualiza\u00e7\u00e3o anual do limite.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O Judici\u00e1rio pode flexibilizar o crit\u00e9rio de baixa renda do aux\u00edlio-reclus\u00e3o com base na razoabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O novo regime, ap\u00f3s a MP n. 871\/2019, o adotou crit\u00e9rio objetivo (m\u00e9dia anual), afastando a flexibiliza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Aux\u00edlio-reclus\u00e3o \u2013 baixa renda<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Regime anterior \u2192 flexibiliza\u00e7\u00e3o excepcional (excesso \u00ednfimo) \ud83d\udccd MP n. 871\/2019 \u2192 crit\u00e9rio fechado (m\u00e9dia anual) \ud83d\udccd Vedada flexibiliza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a MP \ud83d\udccd Modula\u00e7\u00e3o: efeitos prospectivos e irrepetibilidade<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se \u00e9 poss\u00edvel flexibilizar o crit\u00e9rio econ\u00f4mico para concess\u00e3o do aux\u00edlio-reclus\u00e3o, quando a renda do segurado supera o valor legalmente fixado como crit\u00e9rio de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O aux\u00edlio-reclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia social<\/strong> &#8211; que \u00e9 paga a quem dela necessitar, independentemente de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 seguridade social -, mas benef\u00edcio previdenci\u00e1rio de car\u00e1ter contributivo, o qual \u00e9 devido, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es da pens\u00e3o por morte, aos dependentes do segurado de baixa renda recolhido \u00e0 pris\u00e3o, observadas certas condi\u00e7\u00f5es, conforme op\u00e7\u00e3o do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dentre os requisitos, sobressai aquele introduzido pela Emenda Constitucional n. 20\/1998, reafirmado pela Emenda Constitucional n. 103\/2019, que diz respeito \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de baixa renda do segurado, crit\u00e9rio que tem como refer\u00eancia a renda bruta mensal, cujo valor \u00e9 anualmente atualizado por meio de Portarias Ministeriais, de acordo com os mesmos par\u00e2metros aplic\u00e1veis aos benef\u00edcios do regime geral de previd\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem admitido a <em>flexibiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio econ\u00f4mico definidor da condi\u00e7\u00e3o de baixa renda<\/em>, para efeito de concess\u00e3o do aux\u00edlio-reclus\u00e3o, entendimento que prestigia a finalidade da pr\u00f3pria norma instituidora do benef\u00edcio, que \u00e9 justamente a necessidade de prote\u00e7\u00e3o social dos dependentes do segurado recluso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em todos os julgados, entretanto, a diferen\u00e7a excedente &#8211; entre o valor m\u00e1ximo da renda, previsto como requisito para concess\u00e3o do aux\u00edlio-reclus\u00e3o, e o valor efetivamente recebido pelo segurado preso &#8211; era \u00ednfimo ou pequeno. Assim, as Turmas de Direito P\u00fablico do STJ t\u00eam mitigado, sem desvirtuar, o par\u00e2metro objetivo da norma para definir segurado de &#8220;baixa renda&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem embargo da inafast\u00e1vel necessidade de se verificar a renda mensal percebida pelo segurado que vier a ser preso, para que este seja considerado como de &#8220;baixa renda&#8221;, para o fim de concess\u00e3o do aux\u00edlio-reclus\u00e3o, caso seja excedido o limite legal de refer\u00eancia em valores \u00ednfimos ou pequenos, ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel, eventual e excepcionalmente, a concess\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o limite legal objetivo deve servir como referencial para aferi\u00e7\u00e3o da baixa renda, n\u00e3o como marco absoluto. At\u00e9 o valor legalmente estipulado, a baixa renda \u00e9 objetivamente aferida, para o pagamento do benef\u00edcio; acima, mas sem se afastar demais do limite legal, h\u00e1 de se perquirir acerca da necessidade dos benefici\u00e1rios. O princ\u00edpio da razoabilidade \u00e9 sempre um par\u00e2metro orientador para se buscar a solu\u00e7\u00e3o de casos concretos, em que o julgador, mitigando a baliza objetiva, deve estar atento \u00e0s hip\u00f3teses lim\u00edtrofes, que demandam maior sensibilidade e bom senso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, os precedentes constantes da base de dados da jurisprud\u00eancia do STJ s\u00e3o relativos a pris\u00f5es efetivadas em datas anteriores \u00e0s altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Medida Provis\u00f3ria n. 871\/2019, convertida na Lei n. 13.846\/2019. Portanto, a partir da novel legisla\u00e7\u00e3o, a ado\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rio mais elaborado eliminou potenciais injusti\u00e7as que poderiam ocorrer a partir da an\u00e1lise do par\u00e2metro de um \u00fanico m\u00eas da renda bruta do segurado, proporcionando uma avalia\u00e7\u00e3o mais equ\u00e2nime a partir da apura\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia dos sal\u00e1rios dos doze meses anteriores ao m\u00eas do recolhimento \u00e0 pris\u00e3o. Assim, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pris\u00f5es ocorridas a partir da entrada em vigor da Medida Provis\u00f3ria 871\/2019 n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para o Poder Judici\u00e1rio alterar o crit\u00e9rio objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, aplica-se a modula\u00e7\u00e3o de efeitos &#8211; apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pris\u00f5es efetivadas ap\u00f3s a MP 871\/2019: (1) Os efeitos desta decis\u00e3o se aplicam a situa\u00e7\u00f5es de recolhimento \u00e0 pris\u00e3o ocorridas a partir da data do in\u00edcio deste julgamento, ou seja, 27\/11\/2024; (2) N\u00e3o ser\u00e1 determinada a devolu\u00e7\u00e3o de valores pagos aos dependentes do segurado por decis\u00f5es judiciais proferidas anteriormente ao in\u00edcio deste julgamento, ou seja, 27\/11\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-jcp-deducao-do-irpj-e-da-csll-tema-1319-stj\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; JCP \u2013 dedu\u00e7\u00e3o do IRPJ e da CSLL (Tema 1319\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-0\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel deduzir juros sobre capital pr\u00f3prio (JCP) da base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL mesmo quando apurados em exerc\u00edcio anterior ao da delibera\u00e7\u00e3o assemblear que autoriza o pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.162.629-PR, REsp 2.162.248-RS, REsp 2.163.735-RS e REsp 2.161.414-PR, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade (Tema 1319).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-0\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.249\/1995<\/strong> (<em>institui\u00e7\u00e3o dos JCP e incentivo ao investimento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.404\/1976, art. 132, II<\/strong> (<em>compet\u00eancia da assembleia para deliberar distribui\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.078<\/strong> (<em>delibera\u00e7\u00e3o em sociedades limitadas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 111<\/strong> (<em>interpreta\u00e7\u00e3o literal de benef\u00edcios fiscais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Os JCP s\u00e3o facultativos; a obriga\u00e7\u00e3o surge com a delibera\u00e7\u00e3o assemblear.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A apura\u00e7\u00e3o em exerc\u00edcio anterior n\u00e3o caracteriza burla, se respeitados os limites legais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Instru\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o pode restringir dedu\u00e7\u00e3o al\u00e9m do que prev\u00ea a lei.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-0\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Se\u00e7\u00e3o enfrentou a alega\u00e7\u00e3o de que a dedu\u00e7\u00e3o s\u00f3 seria poss\u00edvel no exerc\u00edcio da delibera\u00e7\u00e3o. Destacou-se que a lei n\u00e3o imp\u00f5e tal limita\u00e7\u00e3o temporal e que a assembleia apenas <strong>constitui a obriga\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o a despesa econ\u00f4mica j\u00e1 apurada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ reafirmou a legalidade estrita em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria: inexistindo veda\u00e7\u00e3o legal, n\u00e3o cabe \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal restringir a dedu\u00e7\u00e3o. A dedu\u00e7\u00e3o retroativa, dentro dos par\u00e2metros legais, preserva a finalidade do instituto sem violar o limite anual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-0\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A dedu\u00e7\u00e3o de JCP apurados em exerc\u00edcio anterior configura burla ao limite legal e \u00e9 vedada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A lei n\u00e3o pro\u00edbe a dedu\u00e7\u00e3o quando respeitados os par\u00e2metros legais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A obriga\u00e7\u00e3o de pagar JCP nasce com a delibera\u00e7\u00e3o assemblear, mas a despesa pode ser deduzida ainda que os valores tenham sido apurados em exerc\u00edcio anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A distin\u00e7\u00e3o entre apura\u00e7\u00e3o e delibera\u00e7\u00e3o fundamenta a tese.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-0\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc JCP \u2013 dedu\u00e7\u00e3o IRPJ\/CSLL<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Apura\u00e7\u00e3o pode ser anterior \u00e0 assembleia \ud83d\udccd Delibera\u00e7\u00e3o \u2192 nascimento da obriga\u00e7\u00e3o \ud83d\udccd Lei n\u00e3o veda dedu\u00e7\u00e3o retroativa \ud83d\udccd Instru\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o restringe a lei<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento consiste em definir a &#8220;Possibilidade de dedu\u00e7\u00e3o dos juros sobre capital pr\u00f3prio (JCP) da base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exerc\u00edcio anterior ao da decis\u00e3o assemblear que autoriza o seu pagamento.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com a Exposi\u00e7\u00e3o de Motivos da Lei n. 9.249\/1995, a inten\u00e7\u00e3o ao criar os Juros Sobre Capital Pr\u00f3prio (JCP), nova forma de remunera\u00e7\u00e3o de acionistas, foi incentivar o investimento estrangeiro no pa\u00eds com a consequente gera\u00e7\u00e3o de empregos e crescimento da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para tanto, \u00e9 necess\u00e1ria uma delibera\u00e7\u00e3o em assembleia para a autorizar a distribui\u00e7\u00e3o de JCP (Sociedades por A\u00e7\u00f5es &#8211; art. 132, II da Lei n. 6.404\/1976 e Sociedade Limitada &#8211; art. 1.078 do C\u00f3digo Civil), momento no qual surge a obriga\u00e7\u00e3o de seu pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, especificamente sobre os JCP, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que, em vista de serem facultativos, a obriga\u00e7\u00e3o de seu pagamento ou cr\u00e9dito surge com a delibera\u00e7\u00e3o da assembleia que autoriza a sua distribui\u00e7\u00e3o. Nesse momento, surge a despesa para a pessoa jur\u00eddica e o cr\u00e9dito para o acionista.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ tem entendimento consolidado no sentido que o pagamento dos JCP referente a exerc\u00edcios anteriores ao da assembleia que autoriza sua <strong>distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o caracteriza burla ao limite legal de dedu\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio, desde que, ao serem apurados, sejam observadas as orienta\u00e7\u00f5es estabelecidas no dispositivo legal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, n\u00e3o cabe \u00e0 Instru\u00e7\u00e3o Normativa limitar a dedu\u00e7\u00e3o dos JCP da base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exerc\u00edcio anterior ao da decis\u00e3o assemblear que autoriza o seu pagamento, pois a restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o consta da lei instituidora dos JCP.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, deve ser fixada a seguinte tese jur\u00eddica do Tema 1319\/STJ: &#8220;\u00c9 poss\u00edvel a dedu\u00e7\u00e3o dos juros sobre capital pr\u00f3prio (JCP) da base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exerc\u00edcio anterior ao da decis\u00e3o assemblear que autoriza o seu pagamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-rpf-e-previdencia-privada-contribuicao-extraordinaria-tema-1224-stj\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; RPF e previd\u00eancia privada \u2013 contribui\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria (Tema 1224\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-1\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel deduzir da base de c\u00e1lculo do IRPF as contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias vertidas a entidade fechada de previd\u00eancia complementar, observando-se o limite legal de 12% dos rendimentos tribut\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.043.775-RS, REsp 2.050.635-CE e REsp 2.051.367-PR, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade (Tema 1224).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-1\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LC n. 109\/2001, arts. 18, 19, 21 e 69<\/strong> (<em>custeio e reserva matem\u00e1tica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.250\/1995, arts. 4\u00ba, V, e 8\u00ba, II, \u201ce\u201d<\/strong> (<em>dedu\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.532\/1997, art. 11<\/strong> (<em>limite de 12%<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 150, \u00a76\u00ba<\/strong> (<em>necessidade de lei para benef\u00edcios fiscais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A lei n\u00e3o distingue contribui\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias para fins de dedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ambas se destinam ao custeio do plano e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de reserva matem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O limite de 12% \u00e9 legal e n\u00e3o pode ser ampliado pelo Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-1\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ analisou a natureza das contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias, concluindo que elas compartilham a mesma finalidade previdenci\u00e1ria das contribui\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias, raz\u00e3o pela qual se submetem ao mesmo regime jur\u00eddico de dedutibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte afastou alega\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o extensiva: a dedu\u00e7\u00e3o decorre da literalidade da lei. O limite de 12% preserva a legalidade estrita e impede amplia\u00e7\u00e3o judicial de benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-1\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias n\u00e3o podem ser deduzidas do IRPF por n\u00e3o se destinarem a benef\u00edcios previdenci\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A legisla\u00e7\u00e3o equipara as esp\u00e9cies de contribui\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 finalidade. Logo, a dedu\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias ao IRPF \u00e9 poss\u00edvel, desde que respeitado o limite legal de 12% dos rendimentos tribut\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-1\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc IRPF \u2013 previd\u00eancia privada<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Contribui\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias \u2192 mesma finalidade \ud83d\udccd Dedu\u00e7\u00e3o admitida \ud83d\udccd Limite legal: 12% \ud83d\udccd Vedada amplia\u00e7\u00e3o judicial do benef\u00edcio<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a, sob a sistem\u00e1tica dos repetitivos, diz respeito \u00e0 &#8220;Dedutibilidade, da base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica (IRPF), dos valores correspondentes \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias pagas a entidade fechada de previd\u00eancia complementar, com o fim de saldar d\u00e9ficits, nos termos da Lei Complementar 109\/2001 e das Leis 9.250\/1995 e 9.532\/1997.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos termos dos arts. 18, 19 e 21 da LC n. 109\/2001, compreende-se que tanto as contribui\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias como as contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias para os planos de previd\u00eancia privada est\u00e3o destinadas \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de reserva matem\u00e1tica e do respectivo plano de benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os arts. 4\u00ba, V, 8\u00ba, II, <em>e<\/em>, da Lei n. 9.250\/1995, 11 da Lei n. 9.532\/1999 e 69 da LC n. 109\/2001 permitem a dedu\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es feitas aos planos de previd\u00eancia privada da base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica, sendo certo que esses dispositivos n\u00e3o trazem qualquer diferencia\u00e7\u00e3o entre as esp\u00e9cies de contribui\u00e7\u00f5es (normais ou extraordin\u00e1rias) pagas pelos participantes ao plano de previd\u00eancia privada. A exig\u00eancia legal \u00e9 que elas sejam: (i) &#8220;destinadas a custear benef\u00edcios complementares assemelhados aos da Previd\u00eancia Social&#8221; (art. 4\u00ba, V, 8\u00ba, II, e, da Lei n. 9.250\/1995); (ii) &#8220;destinadas ao custeio dos planos de benef\u00edcios de natureza previdenci\u00e1ria&#8221; (art. 69 da LC n. 109\/2001).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se que o referido entendimento encontra-se em sintonia com os arts. 111 e 176, <em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN, o qual decorre da literalidade da legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havendo que se falar em utiliza\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o extensiva ou de aplica\u00e7\u00e3o de analogia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a dedu\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es para entidades da previd\u00eancia privada est\u00e1 legalmente limitada a 12% (art. 11 da Lei n. 9.532\/1997) do total dos rendimentos computados na determina\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do imposto, limite esse que n\u00e3o pode ser modificado pelo Judici\u00e1rio, visto que, nos termos do art. 150, \u00a7 6\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, para qualquer cria\u00e7\u00e3o ou extens\u00e3o de benef\u00edcio fiscal, h\u00e1 necessidade de lei espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, para os fins do art. 1.036 e seguintes do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), fixa-se a seguinte tese do Tema 1224\/STJ: &#8220;\u00c9 poss\u00edvel deduzir, da base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica &#8211; IRPF, os valores vertidos a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias para a entidade fechada de previd\u00eancia complementar, observando-se o limite de 12% do total dos rendimentos computados na determina\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do imposto devido na declara\u00e7\u00e3o de rendimentos, nos termos da Lei Complementar n. 109\/2001 e das Leis n. 9.250\/1995 e 9.532\/1997.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-remicao-por-estudo-a-distancia-ead-integracao-ao-ppp-tema-1236-stj\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remi\u00e7\u00e3o por estudo a dist\u00e2ncia (EAD) \u2013 integra\u00e7\u00e3o ao PPP (Tema 1236\/STJ)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-2\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A remi\u00e7\u00e3o da pena por estudo a dist\u00e2ncia exige a <strong>pr\u00e9via integra\u00e7\u00e3o do curso ao Projeto Pol\u00edtico-Pedag\u00f3gico (PPP)<\/strong> da unidade ou do sistema prisional, <strong>n\u00e3o bastando<\/strong> o credenciamento da institui\u00e7\u00e3o junto ao MEC, al\u00e9m da <strong>comprova\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia e das atividades realizadas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.085.556-MG, Rel. Min. Og Fernandes, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade (Tema 1236).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-2\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LEP, art. 126<\/strong> (<em>remi\u00e7\u00e3o por estudo; efetividade da atividade educacional<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.036<\/strong> e <strong>art. 927, III<\/strong> (<em>repetitivos e for\u00e7a vinculante<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n. 391\/2021<\/strong> (<em>diretrizes e fiscaliza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas educativas para remi\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A remi\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e <strong>atividade efetiva e fiscaliz\u00e1vel<\/strong>, alinhada ao objetivo ressocializador da execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O <strong>PPP<\/strong> \u00e9 o instrumento que viabiliza controle estatal da carga hor\u00e1ria, da frequ\u00eancia e do conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd <strong>Credenciamento no MEC \u00e9 insuficiente<\/strong> se n\u00e3o houver v\u00ednculo administrativo com o sistema prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Exce\u00e7\u00e3o pontual: precedentes sobre <strong>ENEM<\/strong> n\u00e3o afastam os requisitos gerais do EAD.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-2\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Se\u00e7\u00e3o enfrentou a tese de que o EAD, por ser ofertado por institui\u00e7\u00e3o credenciada no MEC, dispensaria integra\u00e7\u00e3o ao PPP. Rejeitou-a ao destacar que a execu\u00e7\u00e3o penal demanda <strong>controle p\u00fablico<\/strong> da atividade considerada para remi\u00e7\u00e3o, sob pena de esvaziar a finalidade ressocializadora e permitir remi\u00e7\u00f5es meramente formais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Ao alinhar-se \u00e0s diretrizes do CNJ, o STJ afirmou que a integra\u00e7\u00e3o ao PPP <strong>n\u00e3o restringe<\/strong> o direito \u00e0 remi\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, <strong>garante sua higidez<\/strong>, permitindo aferir frequ\u00eancia e efetividade. Assim, fixou-se tese vinculante exigindo PPP + comprova\u00e7\u00e3o das atividades.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-2\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O credenciamento do curso EAD junto ao MEC \u00e9 suficiente para a remi\u00e7\u00e3o, independentemente de integra\u00e7\u00e3o ao PPP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Sem <strong>integra\u00e7\u00e3o ao PPP<\/strong> e fiscaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 garantia de efetividade da atividade educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A exig\u00eancia de PPP decorre do dever estatal de controle da execu\u00e7\u00e3o penal e da finalidade ressocializadora da remi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O PPP \u00e9 o mecanismo que viabiliza fiscaliza\u00e7\u00e3o, frequ\u00eancia e valida\u00e7\u00e3o do estudo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-2\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Remi\u00e7\u00e3o EAD \u2013 Tema 1236<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Exige integra\u00e7\u00e3o ao <strong>PPP<\/strong> \ud83d\udccd MEC \u2260 requisito suficiente \ud83d\udccd Frequ\u00eancia e atividades comprovadas \ud83d\udccd Finalidade: efetividade e ressocializa\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 1.036 do C\u00f3digo de Processo Civil, para forma\u00e7\u00e3o de precedente vinculante previsto no art. 927, III, do C\u00f3digo de Processo Civil, \u00e9 a seguinte: &#8220;Definir se, para obten\u00e7\u00e3o da remi\u00e7\u00e3o da pena pela conclus\u00e3o de curso na modalidade a dist\u00e2ncia, a institui\u00e7\u00e3o de ensino deve ser credenciada junto \u00e0 unidade prisional em que o reeducando cumpre pena para permitir a fiscaliza\u00e7\u00e3o das atividades e da carga hor\u00e1ria efetivamente cumprida pelo condenado.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como \u00e9 poss\u00edvel extrair da leitura do art. 126 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, o legislador ordin\u00e1rio, atento \u00e0 necessidade de garantir que a remi\u00e7\u00e3o da pena pelo estudo ocorra de maneira efetiva, definiu que as atividades educacionais, inclusive as <em>realizadas na modalidade de ensino a dist\u00e2ncia, devem ser devidamente certificadas pelas autoridades educacionais competentes<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Conselho Nacional de Justi\u00e7a, a seu turno, definiu procedimentos e diretrizes a serem seguidos para o reconhecimento do direito \u00e0 remi\u00e7\u00e3o por meio de diversas pr\u00e1ticas educativas, cujo regramento, atualmente se encontra estabelecido por meio da Resolu\u00e7\u00e3o n. 391\/2021 daquele conselho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Efetivamente, a observ\u00e2ncia de requisitos que garantam a higidez das atividades realizadas \u00e9 essencial para que se possa conceder a remi\u00e7\u00e3o de parte da reprimenda ao reeducando, sob pena de n\u00e3o se promover a ressocializa\u00e7\u00e3o, objetivo central da execu\u00e7\u00e3o penal.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em adequada sintonia com esse objetivo, j\u00e1 \u00e9 amplamente reconhecida a necessidade de est\u00edmulo \u00e0 remi\u00e7\u00e3o da pena por variadas atividades educacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal como se reconheceu no julgamento do Tema 1278\/STJ, tamb\u00e9m a remi\u00e7\u00e3o pelo estudo a dist\u00e2ncia depende do atendimento de determinados requisitos, incidindo a mesma raz\u00e3o de decidir: deve ser garantida ao Poder P\u00fablico a possibilidade de controle da adequa\u00e7\u00e3o e da efetividade da atividade educacional realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 verdade que na pr\u00f3pria conclus\u00e3o externada nos ac\u00f3rd\u00e3os objeto dos recursos ora em apre\u00e7o se reconhece a exist\u00eancia de requisitos para a valida\u00e7\u00e3o desse tipo de remi\u00e7\u00e3o, embora seja assinalada a desnecessidade de credenciamento da institui\u00e7\u00e3o de ensino pela unidade ou sistema prisional respectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, n\u00e3o h\u00e1 como garantir a correta realiza\u00e7\u00e3o da atividade sem a estipula\u00e7\u00e3o de algum tipo de v\u00ednculo administrativo entre a institui\u00e7\u00e3o de ensino e o respectivo \u00f3rg\u00e3o do sistema prisional, nos termos preconizados pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a remi\u00e7\u00e3o de pena por meio do estudo realizado a dist\u00e2ncia requer a pr\u00e9via integra\u00e7\u00e3o da atividade pela institui\u00e7\u00e3o que fornece o curso ao Plano Pol\u00edtico-Pedag\u00f3gico do \u00f3rg\u00e3o ou ente p\u00fablico competente, para que se possa comprovar e fiscalizar as atividades realizadas. Entender de outro modo seria retirar do Estado o poder-dever de garantir que as atividades consideradas v\u00e1lidas para remi\u00e7\u00e3o tenham sido efetivas, suficientes e corretamente realizadas. O Supremo Tribunal Federal possui semelhante entendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale anotar que a posi\u00e7\u00e3o descrita n\u00e3o \u00e9 conflitante com o que entendeu o STF quando considerou v\u00e1lida a remi\u00e7\u00e3o por estudo sem o atendimento dos requisitos legais, mas em raz\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio &#8211; ENEM.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se, em suma, que as exig\u00eancias estabelecidas pelo CNJ e encampadas pela jurisprud\u00eancia n\u00e3o vulneram o direito \u00e0 remi\u00e7\u00e3o, pois, na verdade, servem para garantir que o direito em quest\u00e3o seja alcan\u00e7ado com a efetividade esperada e que a atividade realizada se encontra integrada ao Projeto Pol\u00edtico-Pedag\u00f3gico &#8211; PPP da unidade prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, fixa-se a seguinte tese do <strong>Tema Repetitivo 1236\/STJ<\/strong>: &#8220;A remi\u00e7\u00e3o de pena em raz\u00e3o do estudo a dist\u00e2ncia &#8211; EAD demanda a pr\u00e9via integra\u00e7\u00e3o do curso ao Projeto Pol\u00edtico-Pedag\u00f3gico &#8211; PPP da unidade ou do sistema prisional, n\u00e3o bastando o necess\u00e1rio credenciamento da institui\u00e7\u00e3o junto ao MEC, observando-se a comprova\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia e realiza\u00e7\u00e3o das atividades determinadas.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-canhamo-industrial-hemp-prorrogacao-do-plano-de-acao-iac-16\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; C\u00e2nhamo industrial (Hemp) \u2013 prorroga\u00e7\u00e3o do plano de a\u00e7\u00e3o (IAC 16)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-3\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Homologado novo Plano de A\u00e7\u00e3o no IAC 16, com prorroga\u00e7\u00e3o do prazo final para 31\/3\/2026, condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do cumprimento das etapas intermedi\u00e1rias pela Uni\u00e3o e pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pet no REsp 2.024.250-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Se\u00e7\u00e3o (IAC 16).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-3\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 947, \u00a73\u00ba<\/strong> (<em>IAC; teses vinculantes<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 1.036<\/strong> (<em>processo estrutural e acompanhamento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RISTJ, art. 104-A, III<\/strong> (<em>IAC no STJ<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Portaria SVS\/MS n. 344\/1998<\/strong> e <strong>RDC Anvisa n. 327\/2019<\/strong> (<em>marcos regulat\u00f3rios a ajustar<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O caso envolve <strong>processo estrutural<\/strong>, com etapas t\u00e9cnicas complexas e participa\u00e7\u00e3o social: autoriza\u00e7\u00e3o para importa\u00e7\u00e3o de sementes e cultivo de C<em>annabis sativa<\/em> com baixo teor de Tetrahidrocanabinol(THC), destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos e outros subprodutos com fins exclusivamente medicinais, farmac\u00eauticos ou industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A prorroga\u00e7\u00e3o \u00e9 <strong>condicionada<\/strong> \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de iniciativas concretas e cronograma verific\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aus\u00eancia de m\u00e1-f\u00e9 e cumprimento parcial relevante justificam a dila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-3\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Se\u00e7\u00e3o avaliou o grau de cumprimento do plano e a natureza estrutural do problema regulat\u00f3rio (importa\u00e7\u00e3o, cultivo e comercializa\u00e7\u00e3o do c\u00e2nhamo industrial para fins medicinais e farmac\u00eauticos). Reconheceu avan\u00e7os materiais, embora com atrasos pontuais, e a necessidade de coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica multissetorial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Com base na proporcionalidade e no controle judicial cont\u00ednuo, homologou-se nova prorroga\u00e7\u00e3o <strong>sem liberar atividades de forma prematura<\/strong>, impondo dever de reporte peri\u00f3dico. A solu\u00e7\u00e3o preserva a autoridade do julgado e a efetividade regulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-3\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Em processos estruturais, a prorroga\u00e7\u00e3o do prazo e acompanhamento pode ser admitida quando h\u00e1 complexidade t\u00e9cnica e evid\u00eancias de cumprimento parcial relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esse foi o crit\u00e9rio aplicado para diferir o prazo final do IAC 16.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-3\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc IAC 16 \u2013 Hemp<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Processo estrutural \ud83d\udccd Plano de a\u00e7\u00e3o homologado \ud83d\udccd Prorroga\u00e7\u00e3o <strong>condicionada<\/strong> \ud83d\udccd Prazo final: 31\/3\/2026<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 13\/11\/2024, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a julgou o Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia &#8211; IAC n. 16, sendo fixadas teses vinculantes a respeito da <strong>possibilidade de autoriza\u00e7\u00e3o para importa\u00e7\u00e3o de sementes e cultivo de C<em>annabis sativa<\/em> com baixo teor de Tetrahidrocanabinol(THC), destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos e outros subprodutos com fins exclusivamente medicinais, farmac\u00eauticos ou industriais<\/strong>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No termo final do prazo assinalado para o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es impostas no ac\u00f3rd\u00e3o (19\/5\/2025), as recorridas protocolaram informa\u00e7\u00f5es acerca da institui\u00e7\u00e3o de &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221;, conjunto de medidas administrativas coordenadas para dar cumprimento ao determinado no presente IAC\/16, vale dizer, a edi\u00e7\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o voltada a autorizar o plantio, a industrializa\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de c\u00e2nhamo industrial no Pa\u00eds, para fins exclusivamente medicinais e industriais farmac\u00eauticos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 11\/6\/2025, foi submetido \u00e0 Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, em Quest\u00e3o de Ordem, o apontado &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221;, que o homologou por unanimidade. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse \u00ednterim, sob a supervis\u00e3o da Ministra Relatora, bem como sob o acompanhamento e as manifesta\u00e7\u00f5es da parte Recorrente, algumas etapas intermedi\u00e1rias foram cumpridas tempestivamente, outras implementadas com atraso pelas Recorridas. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, observa-se que at\u00e9 o momento, foram cumpridas as etapas relativas aos itens 01 a 05, e descumpridas, tendo em vista o prazo assinalado, as a\u00e7\u00f5es correspondentes aos itens 06 a 09. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, Uni\u00e3o e ANVISA requerem a concess\u00e3o de nova prorroga\u00e7\u00e3o, por mais 180 (cento e oitenta) dias, para o atendimento integral das provid\u00eancias. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remarque-se que, ao julgar os embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos ao ac\u00f3rd\u00e3o que apreciou o m\u00e9rito do presente IAC, esta Se\u00e7\u00e3o condicionou o exame de eventual renova\u00e7\u00e3o do prazo fixado \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o, pelas entidades demandadas, da implementa\u00e7\u00e3o de iniciativas tang\u00edveis voltadas a ajustar os atos administrativos pertinentes (Portaria SVS\/MS n. 344\/1998 e a RDC n. 327\/2019), \u00e0 determina\u00e7\u00e3o desta Corte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Noutro giro, assentou-se que a Uni\u00e3o e a ANVISA n\u00e3o incorreriam automaticamente em mora diante da eventual impossibilidade de atender ao prazo final fixado, porquanto, justificada sua dila\u00e7\u00e3o pela efetiva\u00e7\u00e3o de medidas concretas nas etapas intermedi\u00e1rias, n\u00e3o se poderia, de plano, concluir pela caracteriza\u00e7\u00e3o do inadimplemento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como corol\u00e1rio, a homologa\u00e7\u00e3o do &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221; original considerou o atendimento parcial do programa de execu\u00e7\u00e3o das etapas at\u00e9 aquele momento, justamente porque verificada a disposi\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e da autarquia sanit\u00e1ria para cumprir os est\u00e1gios faltantes at\u00e9 30\/9\/2025 &#8211; prazo final por elas pr\u00f3prias proposto. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do documento na sess\u00e3o de 11\/6\/2025, os autos tornaram a revelar o empenho das entidades em acudir ao comando judicial, com o prosseguimento das etapas subsequentes, sendo certo, por outro lado, que nem sempre a comprova\u00e7\u00e3o das respectivas medidas tenha se dado de modo espont\u00e2neo e\/ou no prazo assinalado. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Objetivamente, contudo, consoante a documenta\u00e7\u00e3o acostada, cinco das nove etapas previstas foram adimplidas &#8211; n\u00famero correspondente a mais da metade do plano de trabalho -, duas delas servindo para inovar no cen\u00e1rio da disciplina administrativa da mat\u00e9ria (estabelecimento de requisitos fitossanit\u00e1rios para importa\u00e7\u00e3o de sementes de <em>Cannabis <\/em>de qualquer origem e para o registro de produtores do material propagativo, como tamb\u00e9m para elidir, provisoriamente, a mora dos entes p\u00fablicos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, at\u00e9 o momento, n\u00e3o se flagram elementos concretos indicadores de eventual m\u00e1-f\u00e9 processual das Recorridas, orientada a frustrar o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es impostas. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, as etapas finais do &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221; representam, notoriamente, sua por\u00e7\u00e3o decisiva, e, por isso mesmo, a elas s\u00e3o inerentes a complexidade e o desafio de alinhar as m\u00faltiplas perspectivas envolvidas, resultantes do cons\u00f3rcio entre a participa\u00e7\u00e3o social no processo regulat\u00f3rio e entidades com compet\u00eancias e segmenta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas espec\u00edficas. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal conjuntura se faz presente porque tipicamente relacionada a um processo estrutural, aquele que, conforme a doutrina, tem por objeto um problema estrutural, ou seja, um <em>problema enraizado, uma situa\u00e7\u00e3o de desconformidade permanente para cuja solu\u00e7\u00e3o h\u00e1 necessidade da tomada de uma s\u00e9rie de atos de reestrutura\u00e7\u00e3o<\/em>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, portanto, \u00e0 vista dos novos elementos apresentados, revela-se razo\u00e1vel diferir o cumprimento final da determina\u00e7\u00e3o judicial dirigida \u00e0s Peticionantes para 31\/3\/2026, data correspondente ao evento n. 04 do novo cronograma, sem preju\u00edzo de que, at\u00e9 essa data, seja devidamente comprovado o atendimento pr\u00e9vio da etapa intermedi\u00e1ria n. 03, at\u00e9 31\/1\/2026. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange \u00e0 etapa n. 02 do novo &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221;, vencida em 30\/10\/2025, embora ainda n\u00e3o o tenha noticiado nos autos, a ANVISA tornou p\u00fablico, em 9\/10\/2025, no seu s\u00edtio eletr\u00f4nico, a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es sobre o processo de regulariza\u00e7\u00e3o para atender \u00e0 decis\u00e3o desta Corte, arrolando, dentre outras, o &#8220;di\u00e1logo com pesquisadores e sociedade&#8221;, mediante encontro com representantes da EMBRAPA e com associa\u00e7\u00f5es de pacientes. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, consoante j\u00e1 registrado no voto da anterior Quest\u00e3o de Ordem, o exerc\u00edcio do direito da empresa, nos limites reconhecidos por este \u00f3rg\u00e3o julgador, est\u00e1 condicionado \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o a cargo das autoridades administrativas competentes, sendo prematuras eventuais libera\u00e7\u00f5es, ainda que de car\u00e1ter experimental, e despicienda a realiza\u00e7\u00e3o, por ora, de audi\u00eancias de media\u00e7\u00e3o. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessarte, em Quest\u00e3o de Ordem, homologa-se novo &#8220;Plano de A\u00e7\u00e3o&#8221;, a fim de fixar a data de 31\/3\/2026 como termo final para o cumprimento integral do ac\u00f3rd\u00e3o, devendo a Uni\u00e3o e a ANVISA, at\u00e9 l\u00e1, comunicar esta Corte acerca da execu\u00e7\u00e3o das etapas intermedi\u00e1rias discriminadas no cronograma, no prazo de 05 (cinco) dias contados dos respectivos vencimentos.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acao-coletiva-x-acoes-individuais-urp-ufsc-iac-17\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o coletiva x a\u00e7\u00f5es individuais \u2013 URP\/UFSC (IAC 17)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-4\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Docentes da UFSC que <strong>n\u00e3o intervieram<\/strong> no mandado de seguran\u00e7a coletivo <strong>n\u00e3o se submetem<\/strong> aos efeitos desfavor\u00e1veis da coisa julgada; <strong>n\u00e3o h\u00e1 litispend\u00eancia<\/strong> entre a a\u00e7\u00e3o coletiva e a\u00e7\u00f5es individuais ajuizadas antes do tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.860.219-SC, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Se\u00e7\u00e3o (IAC 17).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-4\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, arts. 502 a 508<\/strong> (<em>coisa julgada; limites subjetivos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, arts. 103 e 104<\/strong> (<em>coisa julgada coletiva; secundum eventum litis; autonomia das a\u00e7\u00f5es<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 506<\/strong> (<em>coisa julgada n\u00e3o prejudica terceiros<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Temas 1.253\/STJ e 1.005\/STJ<\/strong> (<em>alcance da coisa julgada coletiva; inexist\u00eancia de litispend\u00eancia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Em direitos individuais homog\u00eaneos, a coisa julgada coletiva <strong>s\u00f3 beneficia<\/strong> os substitu\u00eddos quando favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Efeitos desfavor\u00e1veis <strong>n\u00e3o alcan\u00e7am<\/strong> quem n\u00e3o participou\/interveio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A\u00e7\u00f5es individuais podem coexistir com a coletiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-4\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Se\u00e7\u00e3o enfrentou a alega\u00e7\u00e3o de que a decis\u00e3o coletiva desfavor\u00e1vel imporia restitui\u00e7\u00e3o a todos os docentes. Reafirmou que, no microssistema coletivo, a coisa julgada opera <strong>secundum eventum litis<\/strong>, protegendo os substitu\u00eddos contra efeitos negativos quando n\u00e3o intervieram.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Tamb\u00e9m afastou a litispend\u00eancia, pois o <strong>art. 104 do CDC<\/strong> consagra a autonomia entre processos coletivos e individuais, ainda que id\u00eanticos os pedidos. Assim, \u00e9 leg\u00edtima a rediscuss\u00e3o individual da restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-4\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A senten\u00e7a coletiva desfavor\u00e1vel vincula todos os substitu\u00eddos, ainda que n\u00e3o tenham participado do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Em direitos individuais homog\u00eaneos, a coisa julgada <strong>n\u00e3o prejudica<\/strong> quem n\u00e3o interveio.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o coletiva impede o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o individual com o mesmo objeto, Diante da litispend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A autonomia \u00e9 expressamente prevista no <strong>art. 104 do CDC<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-4\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc IAC 17 \u2013 URP\/UFSC<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Coisa julgada coletiva <strong>secundum eventum litis<\/strong> \ud83d\udccd Efeito desfavor\u00e1vel n\u00e3o alcan\u00e7a terceiros \ud83d\udccd A\u00e7\u00e3o individual \u00e9 aut\u00f4noma \ud83d\udccd Litispend\u00eancia afastada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o de direito controvertida retratada no presente Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia &#8211; IAC foi assim delimitada quando da admiss\u00e3o do incidente pela Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a: &#8220;possibilidade ou n\u00e3o de rediscuss\u00e3o, em a\u00e7\u00f5es individuais, de coisa julgada formada em a\u00e7\u00e3o coletiva que tenha determinado expressamente a devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos em raz\u00e3o de tutela antecipada posteriormente revogada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No mandado de seguran\u00e7a coletivo 0020541-40.2001.4.01.3400 (antigo 2001.34.00.020574-8), impetrado pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de N\u00edvel Superior (ANDES), transitou em julgado decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o determinando a restitui\u00e7\u00e3o ao er\u00e1rio, pelos docentes vinculados \u00e0 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), dos valores recebidos a t\u00edtulo de &#8220;diferen\u00e7as de 26,05% &#8211; URP&#8221; ap\u00f3s 17.07.2001, data do ajuizamento desse mandado de seguran\u00e7a coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ajuizadas a\u00e7\u00f5es individuais, pelos docentes, visando \u00e0 declara\u00e7\u00e3o da inexigibilidade da obriga\u00e7\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o, defende-se a UFSC alegando que tais a\u00e7\u00f5es individuais n\u00e3o podem prosperar, tendo em vista a ocorr\u00eancia de litispend\u00eancia ou coisa julgada, se confrontadas tais a\u00e7\u00f5es com o mandado de seguran\u00e7a coletivo ajuizado pelo ANDES (Processo 0020541-40.2001.4.01.3400), no qual estabelecido categoricamente o dever de restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A efic\u00e1cia da coisa julgada encontra limita\u00e7\u00f5es de natureza objetiva, temporal e subjetiva, disciplinadas nos arts. 502 a 508 do C\u00f3digo de Processo Civil. N\u00e3o est\u00e3o em disputa, neste incidente, as duas primeiras, raz\u00e3o pela qual me atenho \u00e0s limita\u00e7\u00f5es de ordem subjetiva. Diz o art. 506 do CPC, com efeito, que &#8220;a senten\u00e7a faz coisa julgada \u00e0s partes entre as quais \u00e9 dada, n\u00e3o prejudicando terceiros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem maiores digress\u00f5es acerca do tema, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que o exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa \u00e9 o que anima o legislador a estabelecer esse tratamento juridicamente diferenciado entre a parte e o terceiro: a parte, em raz\u00e3o do exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio no processo, tem a possibilidade de influir na decis\u00e3o judicial, e, por isso, submete-se aos efeitos dessa decis\u00e3o, seja ela favor\u00e1vel ou desfavor\u00e1vel (<em>pro et contra<\/em>). O terceiro, para quem o processo \u00e9 <em>res inter alios<\/em>, n\u00e3o teve a mesma possibilidade, e, por isso, n\u00e3o est\u00e1 submetido, como regra, aos efeitos da decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa pedra fundamental do Direito Processual Civil encontra substancial modifica\u00e7\u00e3o no microssistema das a\u00e7\u00f5es coletivas, isto \u00e9, no plexo de regras jur\u00eddicas processuais que disciplinam a tutela judicial de direitos transindividuais (difusos, coletivos e individuais homog\u00eaneos).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A coisa julgada, no microssistema das a\u00e7\u00f5es coletivas, vem disciplinada pelos arts. 103 e 104 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor. Nos termos dos mencionados dispositivos legais, tem-se que a coisa julgada produzida na a\u00e7\u00e3o coletiva nem sempre produzir\u00e1 efeitos sobre a esfera jur\u00eddica do substitu\u00eddo, ou seja, do verdadeiro titular do direito material em disputa, cuja defesa se faz no processo coletivo por \u00f3rg\u00e3o ou entidade a quem a lei atribui legitimidade extraordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Haver\u00e1 limita\u00e7\u00e3o subjetiva, quanto aos efeitos da coisa julgada, quando a senten\u00e7a definitiva produzida na a\u00e7\u00e3o coletiva for desfavor\u00e1vel aos interesses dos substitu\u00eddos, dado que, no regime jur\u00eddico das a\u00e7\u00f5es coletivas para tutela de direitos individuais homog\u00eaneos, a coisa julgada opera <em>secundum eventum litis, <\/em>o que significa que a senten\u00e7a coletiva s\u00f3 alcan\u00e7ar\u00e1 os membros do grupo para benefici\u00e1-los(REsps 2.079.113\/PE, 2.078.993\/PE, 2.078.989\/PE e 2.078.485\/PE, submetidos ao regime dos recursos repetitivos e catalogados como Tema 1.253\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, em conformidade com os comandos do art. 103 do CDC e da doutrina e jurisprud\u00eancia estabelecidas sobre a mat\u00e9ria, conclui-se que os docentes da UFSC n\u00e3o est\u00e3o pessoalmente submetidos aos efeitos desfavor\u00e1veis da coisa julgada produzida no mandado de seguran\u00e7a coletivo impetrado pelo ANDES (MS 0020541- 40.2001.4.01.3400), n\u00e3o havendo \u00f3bice, enfim, a que a quest\u00e3o relativa \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o dos valores recebidos a t\u00edtulo de &#8220;diferen\u00e7as de 26,05% &#8211; URP&#8221; seja discutida e decidida novamente em a\u00e7\u00f5es individuais, como se entender de direito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, n\u00e3o encontra melhor sorte o ente p\u00fablico no tocante \u00e0 invoca\u00e7\u00e3o da obje\u00e7\u00e3o da litispend\u00eancia, o que exsurge do preceito do art. 104 do CDC, norma que revela a op\u00e7\u00e3o legislativa pela autonomia entre os processos coletivos e os individuais, ainda que fundados no mesmo fato gerador e na defesa dos mesmos interesses ou direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse mesmo sentido, j\u00e1 decidiu a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, em recurso especial repetitivo de Tema 1.005\/STJ, que &#8220;a exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o coletiva n\u00e3o impede o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o individual, por aquela n\u00e3o induzir litispend\u00eancia&#8221; (REsp n. 1.751.667\/RS, relatora Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 23\/6\/2021, DJe de 1\/7\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, devem ser fixadas as seguintes teses jur\u00eddicas: 1) Os docentes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que n\u00e3o tenham intervindo no mandado de seguran\u00e7a coletivo impetrado pelo ANDES (MS 0020541-40.2001.4.01.3400) n\u00e3o est\u00e3o submetidos aos efeitos desfavor\u00e1veis da coisa julgada produzida nessa a\u00e7\u00e3o coletiva, n\u00e3o havendo \u00f3bice, nessa hip\u00f3tese, a que a quest\u00e3o relativa \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o dos valores recebidos a t\u00edtulo de &#8220;diferen\u00e7as de 26,05% &#8211; URP&#8221; seja discutida e decidida novamente em a\u00e7\u00f5es individuais ajuizadas por esses docentes. 2) N\u00e3o induz litispend\u00eancia para com o mandado de seguran\u00e7a coletivo impetrado pelo ANDES (MS 0020541-40.2001.4.01.3400) o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es individuais pelos docentes da UFSC antes do tr\u00e2nsito em julgado dessa a\u00e7\u00e3o mandamental, ainda que id\u00eanticos os objetos das demandas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-militares-transgeneros-nas-forcas-armadas-iac-20\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Militares transg\u00eaneros nas For\u00e7as Armadas (IAC 20)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-5\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 assegurado ao militar transg\u00eanero o uso do nome social e a atualiza\u00e7\u00e3o dos assentamentos funcionais conforme a identidade de g\u00eanero, sendo vedada a reforma ou o desligamento fundados exclusivamente nessa condi\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o configura incapacidade ou doen\u00e7a para o servi\u00e7o militar.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.133.602-RJ, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 12\/11\/2025 (IAC 20).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-5\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 1\u00ba, III<\/strong> (<em>dignidade da pessoa humana<\/em>); <strong>CF, art. 3\u00ba, IV<\/strong> (<em>rep\u00fadio \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 142, \u00a73\u00ba, X<\/strong> (<em>regime jur\u00eddico dos militares<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei 6.880\/1980<\/strong> (<em>Estatuto dos Militares \u2013 hip\u00f3teses legais de reforma<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Decreto 8.727\/2016<\/strong> (<em>uso do nome social na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CID-11\/OMS<\/strong> (<em>despatologiza\u00e7\u00e3o da transexualidade<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CADH<\/strong> e <strong>OC 24\/2017 da Corte IDH<\/strong> (<em>identidade de g\u00eanero como direito humano<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A identidade de g\u00eanero integra o n\u00facleo da dignidade e da personalidade, exigindo reconhecimento administrativo pleno.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A transexualidade n\u00e3o consta do rol legal de mol\u00e9stias incapacitantes; n\u00e3o h\u00e1 presun\u00e7\u00e3o de inaptid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O controle de convencionalidade imp\u00f5e conforma\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o administrativa \u00e0s balizas internacionais de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-5\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ enfrentou resist\u00eancias administrativas \u00e0 perman\u00eancia de militares trans na ativa, muitas vezes justificadas por suposta incompatibilidade com o edital de ingresso ou por alegada incapacidade m\u00e9dica. A Se\u00e7\u00e3o afastou essas premissas ao reconhecer que a altera\u00e7\u00e3o registral n\u00e3o cria novo v\u00ednculo, apenas ajusta a identifica\u00e7\u00e3o civil e funcional \u00e0 realidade jur\u00eddica do militar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte afirmou que vedar o uso do nome social ou impor reforma compuls\u00f3ria com base exclusiva na identidade de g\u00eanero traduz discrimina\u00e7\u00e3o institucional. \u00c0 luz da Constitui\u00e7\u00e3o, da CADH e da CID-11, inexiste fundamento legal ou m\u00e9dico para afastamento autom\u00e1tico, devendo eventuais avalia\u00e7\u00f5es restringir-se a crit\u00e9rios objetivos e individualizados, comuns a qualquer militar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-5\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A altera\u00e7\u00e3o de nome e g\u00eanero no registro civil autoriza a reforma do militar por incompatibilidade com o regime castrense.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A identidade de g\u00eanero n\u00e3o configura incapacidade nem motivo legal de reforma; desligamentos autom\u00e1ticos s\u00e3o discriminat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A atualiza\u00e7\u00e3o dos assentamentos do militar transg\u00eanero funcionais para se adequar ao nome civil decorrem do controle de convencionalidade em mat\u00e9ria de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O fundamento da dignidade da pessoa humana imp\u00f5e a adequa\u00e7\u00e3o administrativa \u00e0s balizas constitucionais e internacionais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-5\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc IAC 20 \u2013 militares trans<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Identidade de g\u00eanero = direito fundamental \ud83d\udccd Nome social e registros atualizados \ud83d\udccd Transexualidade \u2260 incapacidade \ud83d\udccd Reforma compuls\u00f3ria discriminat\u00f3ria \u2192 vedada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por maioria, admitiu o recurso como Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia (IAC), fixando como objeto de delibera\u00e7\u00e3o a seguinte tese: &#8220;Definir, a partir da altera\u00e7\u00e3o do prenome e da classifica\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no registro civil de militares transg\u00eaneros, os efeitos jur\u00eddicos no \u00e2mbito das For\u00e7as Armadas &#8211; em especial o direito \u00e0 perman\u00eancia na ativa e \u00e0 veda\u00e7\u00e3o da reforma compuls\u00f3ria fundamentada exclusivamente nessa condi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 imperativo reconhecer o contexto social no qual a quest\u00e3o jur\u00eddica se insere. A popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanera no Brasil enfrenta um cen\u00e1rio de discrimina\u00e7\u00e3o estrutural, estigmatiza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia end\u00eamica. Conforme o Dossi\u00ea 2025 da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (ANTRA), em 2024 foram identificados 122 assassinatos de pessoas trans no Brasil. Em dados internacionais compilados pela TGEU\/TMM, o Brasil permaneceu, pelo 16\u00ba ano consecutivo, como o pa\u00eds que mais assassina pessoas trans no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse contexto estrutural n\u00e3o \u00e9 alheio ao ambiente castrense. A despeito dos avan\u00e7os, a pr\u00f3pria origem deste IAC demonstra a <em>resist\u00eancia institucional em reconhecer a identidade de g\u00eanero de seus membros, culminando em processos de reforma compuls\u00f3ri<\/em>a. \u00c9, pois, \u00e0 luz desse cen\u00e1rio, e n\u00e3o como uma quest\u00e3o abstrata de direito administrativo militar, que se deve decidir a presente controv\u00e9rsia, com vista \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o de direitos humanos fundamentais e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da dignidade de um grupo historicamente vulnerabilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A identidade de g\u00eanero constitui express\u00e3o direta da dignidade da pessoa humana, atributo protegido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal (art. 1\u00ba, III, e art. 3\u00ba, IV). Portanto, \u00e0 luz dos princ\u00edpios da dignidade e da isonomia, os militares transg\u00eaneros que retificaram seu prenome e g\u00eanero no registro civil fazem jus \u00e0 correspondente atualiza\u00e7\u00e3o de todos os seus assentamentos funcionais no \u00e2mbito das For\u00e7as Armadas, passando a constar neles seu g\u00eanero autopercebido e o respectivo nome social. Por sua vez, o <strong>Decreto Federal n. 8.727\/2016, que regulamenta o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de g\u00eanero na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal<\/strong>, confere suporte normativo a tal provid\u00eancia, impondo a todas as autoridades administrativas o dever de adequar cadastros e documentos oficiais segundo a identidade de g\u00eanero declarada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No contexto castrense, n\u00e3o existem crit\u00e9rios ou justificativas v\u00e1lidas que permitam restringir o uso do nome ou do g\u00eanero adotado por militares transg\u00eaneros; ao rev\u00e9s, imp\u00f5e-se tratamento igualit\u00e1rio a essas pessoas em compara\u00e7\u00e3o com os demais militares do mesmo g\u00eanero identit\u00e1rio, eliminando distin\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias no ambiente funcional.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interpreta\u00e7\u00e3o das normas internas deve estar em conson\u00e2ncia com os tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil \u00e9 parte (controle de convencionalidade). No tocante aos direitos de pessoas trans, destaca-se a obriga\u00e7\u00e3o estatal de harmonizar a atua\u00e7\u00e3o administrativa e judicial com os par\u00e2metros fixados pela Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos e pela jurisprud\u00eancia da Corte Interamericana. A Opini\u00e3o Consultiva n. 24\/2017 da Corte IDH, ao versar sobre identidade de g\u00eanero, nome e direitos das pessoas trans, delineia balizas que vinculam todas as autoridades brasileiras, refor\u00e7ando a veda\u00e7\u00e3o de atos estatais que atentem contra a dignidade, a privacidade e a igualdade das pessoas transg\u00eanero. Nesse mesmo sentido, os Princ\u00edpios de Yogyakarta funcionam como diretriz interpretativa qualificada, enfatizando a necessidade de inclus\u00e3o e respeito \u00e0s pessoas LGBTI+ em todas as esferas, inclusive no servi\u00e7o militar. Desse conjunto normativo-convencional extrai-se uma conclus\u00e3o: \u00e9 incompat\u00edvel com a Conven\u00e7\u00e3o Americana (e, portanto, inconvencional e ilegal) qualquer medida governamental que estigmatize, exclua ou limite o militar exclusivamente em raz\u00e3o de sua identidade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e9 ilegal e inconvencional a reforma compuls\u00f3ria de militares com fundamento exclusivo em sua condi\u00e7\u00e3o de transg\u00eanero. Uma vez reconhecida oficialmente a identidade de g\u00eanero do militar, assegura-se seu direito de permanecer no servi\u00e7o ativo, vedada a transfer\u00eancia compuls\u00f3ria para a inatividade baseada unicamente em incongru\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recha\u00e7a-se, portanto, a tese de que a condi\u00e7\u00e3o de transexualidade acarreta, por defini\u00e7\u00e3o, inaptid\u00e3o para as atividades castrenses. A mera identifica\u00e7\u00e3o do militar como pessoa trans n\u00e3o constitui, por si, causa de incapacidade f\u00edsica ou mental h\u00e1bil a ensejar sua reforma <em>ex officio<\/em>. A Lei n. 6.880\/1980 (Estatuto dos Militares), ao elencar as mol\u00e9stias e condi\u00e7\u00f5es que podem justificar a reforma por invalidez, n\u00e3o inclui a transexualidade entre os motivos de afastamento, e n\u00e3o h\u00e1 base f\u00e1tica objetiva para equipar\u00e1-la a qualquer patologia incapacitante. Ademais, a suposi\u00e7\u00e3o de que todo militar trans necessitaria de tratamento de sa\u00fade incompat\u00edvel com a carreira \u00e9 infundada e estereot\u00edpica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A classifica\u00e7\u00e3o internacional de doen\u00e7as da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (CID-11) deixou de categorizar a transexualidade como transtorno mental, passando a consider\u00e1-la sob o prisma da sa\u00fade sexual, o que consagra a despatologiza\u00e7\u00e3o da identidade transg\u00eanero. Esse avan\u00e7o cient\u00edfico-normativo afasta o antigo paradigma da CID-10 (que rotulava a transexualidade como &#8220;transexualismo&#8221;) e impede que diagn\u00f3sticos m\u00e9dicos ultrapassados sejam utilizados para justificar a reforma de militares trans.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pelo exposto, n\u00e3o cabe a invoca\u00e7\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o dos poderes. Ao vedar reformas e desligamentos discriminat\u00f3rios e ordenar a adequa\u00e7\u00e3o de assentamentos e rotinas ao g\u00eanero identit\u00e1rio, o Judici\u00e1rio n\u00e3o legisla: aplica diretamente a Constitui\u00e7\u00e3o e a CADH diante de pr\u00e1ticas administrativas incompat\u00edveis com direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em conclus\u00e3o, todas as linhas do Recurso Especial (vincula\u00e7\u00e3o ao edital\/ingresso, legalidade estrita\/art. 142, \u00a7 3\u00ba, X, necessidade de lei espec\u00edfica, separa\u00e7\u00e3o dos poderes, presun\u00e7\u00e3o de incapacidade e alegados constrangimentos log\u00edsticos) colidem com: (a) a Constitui\u00e7\u00e3o tal como interpretada pelo STF (ADI 4.275; Tema n. 761\/STF); (b) a OC 24\/17 e o controle de convencionalidade; (c) os Princ\u00edpios de Yogyakarta (igualdade no emprego p\u00fablico, inclusive em for\u00e7as militares); (d) a incompatibilidade de reformas\/desligamentos fundados exclusivamente na identidade trans e a inexist\u00eancia de ofensa \u00e0 isonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, ac\u00f3rd\u00e3o submetido ao rito do art. 1.036 e seguintes do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015), fixando-se, a teor do disposto nos arts. 947, \u00a7 3\u00ba, do CPC\/2015, e 104-A, III, do Regimento Interno do STJ (RISTJ), as seguintes teses: No \u00e2mbito das For\u00e7as Armadas: (a) \u00e9 devido o uso do nome social e a atualiza\u00e7\u00e3o dos assentamentos funcionais e de todas as comunica\u00e7\u00f5es e atos administrativos para refletir a identidade de g\u00eanero do militar; (b) \u00e9 vedada a reforma ou qualquer forma de desligamento fundada exclusivamente no fato de o militar transg\u00eanero ter ingressado por vaga originalmente destinada ao sexo\/g\u00eanero oposto; (c) A condi\u00e7\u00e3o de transg\u00eanero ou a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero n\u00e3o configura, por si s\u00f3, incapacidade ou doen\u00e7a para fins de servi\u00e7o militar, sendo vedada a instaura\u00e7\u00e3o de processo de reforma compuls\u00f3ria ou o licenciamento <em>ex officio<\/em> fundamentados exclusivamente na identidade de g\u00eanero do militar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-direito-real-de-habitacao-do-conjuge-superstite\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Direito real de habita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge sup\u00e9rstite<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-6\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O direito real de habita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge sup\u00e9rstite deve recair, como regra, sobre o <strong>\u00faltimo im\u00f3vel<\/strong> em que o casal residiu antes do \u00f3bito, admitindo-se exce\u00e7\u00e3o apenas em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e devidamente comprovadas.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.222.428-MG, Rel. Min. Humberto Martins, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-6\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 1.831<\/strong> (<em>direito real de habita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge sobrevivente<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 226<\/strong> (<em>prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O direito de habita\u00e7\u00e3o visa assegurar moradia digna e estabilidade ao c\u00f4njuge sup\u00e9rstite.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O crit\u00e9rio relevante \u00e9 a <strong>\u00faltima resid\u00eancia do casal<\/strong>, n\u00e3o o tempo de ocupa\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Exce\u00e7\u00f5es demandam prova concreta de inadequa\u00e7\u00e3o da regra geral (p. ex., m\u00faltiplos im\u00f3veis com fun\u00e7\u00f5es distintas).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-6\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia consistia em definir se a moradia protegida seria aquela em que o casal viveu por mais tempo ou a \u00faltima resid\u00eancia antes do falecimento. O STJ rejeitou o crit\u00e9rio temporal amplo por carecer de respaldo legal e por gerar inseguran\u00e7a sucess\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Turma destacou que o art. 1.831 do C\u00f3digo Civil privilegia a situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica imediatamente anterior ao \u00f3bito, pois \u00e9 nela que se projeta a necessidade de prote\u00e7\u00e3o habitacional. A relativiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando demonstrado que a aplica\u00e7\u00e3o da regra frustra a finalidade protetiva do instituto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-6\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O direito real de habita\u00e7\u00e3o recai sobre o im\u00f3vel em que o casal residiu por mais tempo, independentemente da situa\u00e7\u00e3o no momento do \u00f3bito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A regra \u00e9 o <strong>\u00faltimo domic\u00edlio do casal<\/strong> antes da morte. A exce\u00e7\u00e3o ao crit\u00e9rio do \u00faltimo im\u00f3vel exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de circunst\u00e2ncias que inviabilizem a finalidade protetiva do direito de habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-6\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Habita\u00e7\u00e3o \u2013 c\u00f4njuge sup\u00e9rstite<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Regra: \u00faltimo im\u00f3vel do casal \ud83d\udccd Tempo pret\u00e9rito \u2192 irrelevante \ud83d\udccd Exce\u00e7\u00e3o \u2192 prova qualificada \ud83d\udccd Finalidade: moradia e estabilidade<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se o direito real de habita\u00e7\u00e3o da c\u00f4njuge sup\u00e9rstite deve recair sobre o \u00faltimo im\u00f3vel em que o casal foi domiciliado antes do \u00f3bito ou sobre o im\u00f3vel em que habitaram por mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O direito real de habita\u00e7\u00e3o, conforme o art. 1.831 do C\u00f3digo Civil, assegura ao c\u00f4njuge sup\u00e9rstite o direito de permanecer no im\u00f3vel destinado \u00e0 resid\u00eancia da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Terceira Turma do STJ firmou entendimento de que, como regra, o im\u00f3vel objeto do direito real de moradia deve ser aquele em que o casal tenha habitado por \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em julgamento, n\u00e3o se verificou a exist\u00eancia de exce\u00e7\u00f5es que justifiquem a relativiza\u00e7\u00e3o do direito real de habita\u00e7\u00e3o, como a percep\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o vital\u00edcia pela c\u00f4njuge sup\u00e9rstite ou a posse de outros bens im\u00f3veis pelos herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se que <strong>deve ser reconhecido o direito real de moradia da c\u00f4njuge sup\u00e9rstite em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo im\u00f3vel em que o casal habitava<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-hotel-e-acidente-de-consumo-em-area-de-recreacao\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hotel e acidente de consumo em \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-7\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 responsabilidade civil objetiva do hotel por acidente ocorrido em \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o infantil, causado por falha na fixa\u00e7\u00e3o de extintor de inc\u00eandio, sendo devida a repara\u00e7\u00e3o por danos materiais, morais e est\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.155.235-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-7\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 14<\/strong> (<em>responsabilidade objetiva pelo fato do servi\u00e7o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 6\u00ba, I e VI<\/strong> (<em>direito \u00e0 seguran\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o integral<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 227<\/strong> (<em>prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A oferta de espa\u00e7o infantil gera leg\u00edtima expectativa de seguran\u00e7a refor\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O risco da atividade n\u00e3o pode ser transferido ao consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Culpa in vigilando dos respons\u00e1veis s\u00f3 afasta a responsabilidade se demonstrada de forma inequ\u00edvoca.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-7\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ analisou a alega\u00e7\u00e3o de que a presen\u00e7a de familiar no local afastaria o dever de indenizar. A Turma afastou essa tese ao reconhecer que o acidente decorreu de defeito estrutural do servi\u00e7o, imprevis\u00edvel ao consumidor m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte ressaltou que, em ambientes destinados a crian\u00e7as, o dever de seguran\u00e7a \u00e9 intensificado. A falha na fixa\u00e7\u00e3o de equipamento pesado rompe a confian\u00e7a leg\u00edtima do consumidor e caracteriza fato do servi\u00e7o, impondo a responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-7\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Em \u00e1reas de recrea\u00e7\u00e3o infantil, a expectativa de seguran\u00e7a \u00e9 refor\u00e7ada, o que intensifica a responsabilidade do fornecedor por defeitos do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O dever de prote\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliado em raz\u00e3o da vulnerabilidade da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A responsabilidade de estabelecimento hoteleiro por dano causado a h\u00f3spede \u00e9 afastada quando h\u00e1 adulto acompanhando a crian\u00e7a no momento do acidente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A presen\u00e7a de respons\u00e1vel n\u00e3o elimina o dever objetivo de seguran\u00e7a do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-7\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Hotel \u2013 acidente infantil<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Responsabilidade objetiva (CDC 14) \ud83d\udccd Falha estrutural do servi\u00e7o \ud83d\udccd Expectativa refor\u00e7ada de seguran\u00e7a \ud83d\udccd Repara\u00e7\u00e3o integral devida<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em verificar se h\u00e1 responsabilidade civil de hotel em acidente sofrido por menor de idade \u00e0 \u00e9poca, hospedado no estabelecimento, e, consequentemente, se \u00e9 devida indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, est\u00e9ticos e materiais em virtude do evento danoso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, crian\u00e7a com 05 (cinco) anos de idade \u00e0 \u00e9poca do fato, enquanto brincava na \u00e1rea de recrea\u00e7\u00e3o infantil, foi atingida por extintor de inc\u00eandio de grande porte que caiu sobre ela, causando-lhe graves les\u00f5es em seis costelas, al\u00e9m do rompimento do f\u00edgado, o que ensejou pedido de repara\u00e7\u00e3o por danos materiais, morais e est\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade objetiva do fornecedor de servi\u00e7o, na hip\u00f3tese de defeito na sua presta\u00e7\u00e3o, e, desde que demonstrado o nexo causal entre o defeito do servi\u00e7o e o acidente de consumo ou fato do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A culpa <em>in vigilando<\/em> dos pais da crian\u00e7a estaria configurada se os respons\u00e1veis n\u00e3o tivessem exercido, como deveriam, o dever de vigiar, de fiscalizar e de promover a seguran\u00e7a do menor, que, dada sua pouca idade, poderia n\u00e3o ter a plena capacidade de discernimento acerca de uma situa\u00e7\u00e3o de risco. \u00c9 certo que a av\u00f3 se encontrava no quiosque acompanhando a crian\u00e7a, mas sua simples presen\u00e7a n\u00e3o seria, por si s\u00f3, suficiente para impedir a ocorr\u00eancia do acidente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o homem m\u00e9dio &#8211; par\u00e2metro representativo de um indiv\u00edduo dotado de prud\u00eancia e intelig\u00eancia comuns &#8211; jamais poderia prever que um extintor estivesse afixado inadequadamente, em condi\u00e7\u00f5es de se soltar e, mesmo, de tombar sobre algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em ambientes de recrea\u00e7\u00e3o, <em>os pais e respons\u00e1veis presumem que as instala\u00e7\u00f5es tenham sido projetadas e devidamente preparadas para receber crian\u00e7as<\/em>, as quais n\u00e3o possuem discernimento suficiente para identificar eventuais riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao disponibilizar \u00e1rea destinada ao p\u00fablico infantil, gera-se nos usu\u00e1rios a leg\u00edtima e inafast\u00e1vel expectativa de que o ambiente seja integralmente seguro, concebido com especial aten\u00e7\u00e3o ao reduzido discernimento das crian\u00e7as, seres em pleno est\u00e1gio de forma\u00e7\u00e3o e, portanto, especialmente vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O risco inerente \u00e0 atividade n\u00e3o pode ser transferido aos consumidores<\/strong>, que nem sequer possu\u00edam conhecimento pr\u00e9vio acerca das instala\u00e7\u00f5es. Admitir o contr\u00e1rio implicaria verdadeiro contrassenso diante dos deveres legais que recaem sobre o fornecedor, nos termos do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se que, em tal hip\u00f3tese, deve ser reconhecida a responsabilidade civil do hotel, impondo-lhe o dever de reparar integralmente os danos sofridos, em estrita observ\u00e2ncia ao regime protetivo do consumidor e ao princ\u00edpio da confian\u00e7a leg\u00edtima que norteia as rela\u00e7\u00f5es de consume.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-permuta-entre-magistrados-e-perpetuacao-da-jurisdicao\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permuta entre magistrados e perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-8\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O princ\u00edpio da perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o pode ser <strong>excepcionado por acordo previamente autorizado<\/strong> entre ju\u00edzos permutantes, para que cada magistrado sentencie os processos em que colheu diretamente a prova oral, sem viola\u00e7\u00e3o ao juiz natural.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.104.647-SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-8\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 43<\/strong> (<em>perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o; compet\u00eancia fixada no registro ou distribui\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, XXXVII e LIII<\/strong> (<em>juiz natural; tipicidade e indisponibilidade da compet\u00eancia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Princ\u00edpio da identidade f\u00edsica do juiz<\/strong> (<em>valora\u00e7\u00e3o direta da prova oral<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o \u00e9 absoluta<\/strong> e admite exce\u00e7\u00f5es objetivas, previamente autorizadas pela Administra\u00e7\u00e3o do Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Acordos de coopera\u00e7\u00e3o visam <strong>preservar a identidade f\u00edsica do juiz<\/strong>, n\u00e3o redistribuir compet\u00eancia ao arrepio do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autoriza\u00e7\u00e3o formal da Presid\u00eancia do Tribunal \u00e9 elemento decisivo para afastar nulidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-8\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A controv\u00e9rsia girou em torno da alega\u00e7\u00e3o de nulidade por viola\u00e7\u00e3o ao juiz natural, j\u00e1 que a senten\u00e7a foi proferida por magistrada que, ap\u00f3s permuta, n\u00e3o mais estava lotada na vara de origem. O STJ destacou que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se confunde com usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia, pois houve <strong>ato administrativo formal<\/strong> autorizando a manuten\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o para sentenciar feitos nos quais a prova oral j\u00e1 havia sido colhida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Turma ressaltou que a exce\u00e7\u00e3o se justifica pela <strong>prote\u00e7\u00e3o da identidade f\u00edsica do juiz<\/strong>, evitando que outro magistrado decida sem contato direto com a prova oral. Como a designa\u00e7\u00e3o foi autorizada pela Presid\u00eancia do TJSP \u2014 inclusive com efeitos retroativos alcan\u00e7ando a data da senten\u00e7a \u2014, n\u00e3o houve quebra da tipicidade nem da indisponibilidade da compet\u00eancia, afastando-se qualquer nulidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-8\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Em caso de permute de magistrados, a senten\u00e7a proferida por aquele que n\u00e3o mais atua na vara \u00e9 nula, ainda que tenha presidido a instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Havendo <strong>autoriza\u00e7\u00e3o administrativa pr\u00e9via<\/strong> e acordo entre os ju\u00edzos, a exce\u00e7\u00e3o ao art. 43 do CPC \u00e9 v\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A preserva\u00e7\u00e3o da identidade f\u00edsica do juiz pode justificar exce\u00e7\u00e3o \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o, desde que fundada em causa objetiva e autorizada pela Administra\u00e7\u00e3o do Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esse foi o crit\u00e9rio decisivo adotado pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-8\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Permuta de magistrados<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Art. 43 do CPC \u2192 regra geral \ud83d\udccd Exce\u00e7\u00e3o autorizada e objetiva \ud83d\udccd Identidade f\u00edsica do juiz preservada \ud83d\udccd Juiz natural n\u00e3o violado<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em definir se o princ\u00edpio da perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o pode ser excepcionado em decorr\u00eancia de acordo celebrado entre os ju\u00edzos permutantes, para que cada qual sentencie os processos nos quais colhida diretamente a prova oral antes da substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o artigo 43 do CPC, a compet\u00eancia \u00e9 fixada no momento do registro ou distribui\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o, sendo vedado ao magistrado de ju\u00edzo diverso sentenciar o feito sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do juiz natural, que imp\u00f5e a tipicidade e a indisponibilidade da compet\u00eancia jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite exce\u00e7\u00f5es ao princ\u00edpio do juiz natural quando presentes causas objetivas e previamente autorizadas pela administra\u00e7\u00e3o do tribunal, como mutir\u00f5es ou redistribui\u00e7\u00f5es para equaliza\u00e7\u00e3o de acervos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a senten\u00e7a foi proferida por juiz que n\u00e3o mais exercia jurisdi\u00e7\u00e3o em Vara C\u00edvel de S\u00e3o Paulo, com base em acordo de coopera\u00e7\u00e3o celebrado com o ju\u00edzo permutante, que visava preservar o princ\u00edpio da identidade f\u00edsica do juiz. Os ju\u00edzos pactuaram, antes da permuta, que cada qual permaneceria respons\u00e1vel por sentenciar os processos em que presidiu a colheita da prova oral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Tribunal de origem ressaltou que a Presid\u00eancia do TJSP autorizou a atua\u00e7\u00e3o de magistrada na Vara C\u00edvel, conforme ato formal devidamente publicado no Di\u00e1rio da Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, em consulta ao Di\u00e1rio da Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo, do dia 23\/6\/2022, \u00e9 poss\u00edvel verificar que a Presid\u00eancia daquela Corte designou a magistrada sentenciante para que auxiliasse a Vara C\u00edvel do Foro Central, sem preju\u00edzo da sua vara, inclusive na data da prola\u00e7\u00e3o senten\u00e7a (12\/5\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, embora a publica\u00e7\u00e3o tenha ocorrido no DJe em data posterior (23\/6\/2022), a designa\u00e7\u00e3o foi feita com efeito retroativo, alcan\u00e7ando expressamente a data em que proferida a senten\u00e7a, inexistindo nulidade processual, portanto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-lgpd-e-cadastro-positivo-ausencia-de-dano-moral-in-re-ipsa\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; LGPD e Cadastro Positivo \u2013 aus\u00eancia de dano moral in re ipsa<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-9\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A mera disponibiliza\u00e7\u00e3o de <strong>dados pessoais n\u00e3o sens\u00edveis<\/strong> por gestores de banco de dados, sem consentimento pr\u00e9vio, <strong>n\u00e3o gera dano moral presumido<\/strong>, sendo indispens\u00e1vel a prova de abalo relevante aos direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.221.650-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-9\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei 13.709\/2018 (LGPD)<\/strong> (<em>tratamento de dados pessoais; distin\u00e7\u00e3o entre dados pessoais e sens\u00edveis<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei 12.414\/2011 (Cadastro Positivo)<\/strong> (<em>limites ao compartilhamento; nota de cr\u00e9dito<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, V e X<\/strong> (<em>indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral exige les\u00e3o concreta<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Dados pessoais comuns n\u00e3o est\u00e3o sujeitos ao mesmo grau de prote\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada dos dados sens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O compartilhamento indevido pode ser il\u00edcito, mas <strong>ilicitude \u2260 dano moral autom\u00e1tico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A indeniza\u00e7\u00e3o exige demonstra\u00e7\u00e3o de impacto relevante na esfera existencial do titular.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-9\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ examinou se o simples descumprimento das regras de consentimento previstas na LGPD e na Lei do Cadastro Positivo seria suficiente para caracterizar dano moral. A Corte afastou a equipara\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica entre ilicitude e dano, observando que dados pessoais ordin\u00e1rios s\u00e3o amplamente fornecidos em rela\u00e7\u00f5es sociais e comerciais, n\u00e3o havendo presun\u00e7\u00e3o de sofrimento ou humilha\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O ac\u00f3rd\u00e3o enfatizou que a tutela indenizat\u00f3ria exige <strong>prova concreta de abalo<\/strong>, como discrimina\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o indevida ou preju\u00edzo efetivo. Sem demonstra\u00e7\u00e3o de consequ\u00eancia relevante aos direitos da personalidade, a responsabiliza\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o se legitima, sob pena de banaliza\u00e7\u00e3o do dano moral.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-9\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O vazamento de dados pessoais n\u00e3o sens\u00edveis n\u00e3o gera dano moral presumido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Para dados n\u00e3o sens\u00edveis, <strong>n\u00e3o h\u00e1 dano moral <em>in re ipsa<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A indeniza\u00e7\u00e3o por viola\u00e7\u00e3o \u00e0 LGPD depende da comprova\u00e7\u00e3o de que o tratamento irregular resultou em abalo significativo aos direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A prova do impacto \u00e9 requisito indispens\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-9\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc LGPD \u2013 dano moral<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Dados n\u00e3o sens\u00edveis \ud83d\udccd Ilicitude \u2260 dano presumido \ud83d\udccd Exige prova de abalo relevante \ud83d\udccd Evita banaliza\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se a simples disponibiliza\u00e7\u00e3o de dados pessoais de consumidores, sem sua pr\u00e9via comunica\u00e7\u00e3o e consentimento, a consulentes que desejam utilizar esse banco de dados, d\u00e1 ensejo \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (Lei n. 13.709\/2018) remete \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica a delimita\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es em que o tratamento de dados pessoais se enquadra em atividades voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. Nesse sentido, a Lei do Cadastro Positivo (Lei n. 12.414\/2011), que trata especificamente do sistema de <em>credit scoring<\/em>, n\u00e3o confere autoriza\u00e7\u00e3o para que os gestores compartilhem livremente dados pessoais de terceiros com eventuais consulentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei do Cadastro Positivo prescreve expressamente que o gestor est\u00e1 autorizado a compartilhar as informa\u00e7\u00f5es cadastrais e de adimplemento armazenadas com outros bancos de dados, bem como disponibilizar a consulentes apenas a nota de cr\u00e9dito, <em>n\u00e3o contemplando a possibilidade de repasse a terceiros de outros dados ou hist\u00f3rico de cr\u00e9dito sem a anu\u00eancia expressa do titular<\/em>, o que refor\u00e7a o car\u00e1ter restritivo e protetivo da norma.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conclui-se, ent\u00e3o, que, embora os gestores de bancos de dados para prote\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito possam realizar o tratamento de dados pessoais de terceiros e, inclusive, abrir cadastro sem pr\u00e9vio consentimento do cadastrado, em regra, n\u00e3o est\u00e3o autorizados a disponibilizar tais dados a terceiros sem o consentimento pr\u00e9vio de seus titulares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de dados pessoais de terceiros, por si s\u00f3, ainda que n\u00e3o autorizada, n\u00e3o gera direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral. Com efeito, diferentemente dos dados sens\u00edveis, cuja prote\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada em raz\u00e3o de seu potencial discriminat\u00f3rio, os dados pessoais correspondem \u00e0s informa\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias, frequentemente fornecidas em cadastros diversos, inclusive em plataformas digitais de uso cotidiano, n\u00e3o estando, via de regra, submetidos a regime jur\u00eddico de sigilo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, para que se configure dano moral nesses casos, \u00e9 necess\u00e1rio que o titular comprove efetivamente que os seus dados pessoais foram ilegalmente disponibilizados, compartilhados ou comercializados pelos gestores de bancos de dados para prote\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e que esse fato resultou em <strong>abalo significativo aos seus direitos de personalidade<\/strong>. Nesse sentido, a Segunda Turma do STJ tamb\u00e9m j\u00e1 decidiu no AREsp 2.130.619\/SP, julgado em 7\/3\/2023, que o vazamento de informa\u00e7\u00f5es pessoais de terceiros, por si s\u00f3, n\u00e3o gera danos morais presumidos (<em>in re ipsa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-assinatura-eletronica-fora-do-icp-brasil-e-titulo-executivo\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assinatura eletr\u00f4nica fora do ICP-Brasil e t\u00edtulo executivo<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-10\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lida a c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio assinada eletronicamente por plataforma <strong>n\u00e3o vinculada ao ICP-Brasil<\/strong>, sendo vedado ao juiz afastar de of\u00edcio sua efic\u00e1cia quando a autoria e a integridade forem aceitas pelas partes.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.205.708-PR, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-10\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>MP 2.200-2\/2001, art. 10, \u00a72\u00ba<\/strong> (<em>assinatura eletr\u00f4nica sem exclusividade do ICP-Brasil<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 784, \u00a74\u00ba<\/strong> (<em>t\u00edtulo executivo eletr\u00f4nico \u2013 qualquer modalidade de assinatura eletr\u00f4nica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei 14.620\/2023<\/strong> (<em>refor\u00e7o legislativo \u00e0 pluralidade de assinaturas eletr\u00f4nicas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A certifica\u00e7\u00e3o ICP-Brasil <strong>n\u00e3o \u00e9 requisito exclusivo<\/strong> de validade nas rela\u00e7\u00f5es privadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aceita\u00e7\u00e3o do meio eletr\u00f4nico pelo signat\u00e1rio supre a exig\u00eancia formal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O controle de autenticidade deve ocorrer no contradit\u00f3rio, n\u00e3o por invalida\u00e7\u00e3o judicial ex officio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-10\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ recha\u00e7ou a postura formalista que invalida t\u00edtulos eletr\u00f4nicos apenas por n\u00e3o utilizarem certificado ICP-Brasil. Destacou que a legisla\u00e7\u00e3o admite m\u00faltiplas formas de assinatura eletr\u00f4nica, desde que seja poss\u00edvel verificar autoria e integridade, especialmente quando o pr\u00f3prio devedor aderiu ao meio utilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Turma afirmou que impedir a execu\u00e7\u00e3o de of\u00edcio viola a autonomia privada e antecipa indevidamente o ju\u00edzo de validade, que deve ser discutido pela parte executada nos meios defensivos pr\u00f3prios. A interpreta\u00e7\u00e3o prestigia a moderniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es contratuais e a inten\u00e7\u00e3o legislativa de ampliar a efic\u00e1cia jur\u00eddica dos documentos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-10\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Somente assinaturas eletr\u00f4nicas certificadas pelo ICP-Brasil conferem validade a t\u00edtulos executivos extrajudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A lei admite <strong>qualquer modalidade<\/strong> de assinatura eletr\u00f4nica id\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 O juiz n\u00e3o pode afastar de of\u00edcio a validade de t\u00edtulo eletr\u00f4nico quando a assinatura foi aceita pelo devedor, cabendo a este impugnar a autenticidade em sede defensiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A validade n\u00e3o pode ser negada sem contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-10\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Assinatura eletr\u00f4nica<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd ICP-Brasil n\u00e3o \u00e9 exclusivo \ud83d\udccd Aceita\u00e7\u00e3o pelas partes \u2192 validade \ud83d\udccd Controle no contradit\u00f3rio \ud83d\udccd Vedado formalismo excessivo<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia reside em saber se o magistrado pode, de of\u00edcio, afastar a efic\u00e1cia de um t\u00edtulo executivo extrajudicial sob o argumento de que as assinaturas eletr\u00f4nicas nele apostas n\u00e3o possuem certifica\u00e7\u00e3o emitida pelo sistema da Infraestrutura de Chaves P\u00fablicas Brasileira &#8211; ICP-Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo o t\u00edtulo de cr\u00e9dito sido <em>assinado pelo executado<\/em>, o que indica tenha ele aceito a utiliza\u00e7\u00e3o do meio de assinatura empregado, <em>n\u00e3o cabe ao magistrado, de of\u00edcio, afastar sua validade <\/em>para impedir a cita\u00e7\u00e3o da parte devedora, a quem caber\u00e1 efetuar o pagamento ou opor as defesas que entender cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte estadual entendeu que n\u00e3o se pode confirmar a autenticidade das assinaturas existentes no suposto t\u00edtulo executivo extrajudicial, pois &#8220;as assinaturas das partes contratantes foram realizadas digitalmente, por meio da plataforma &#8220;Sisbr&#8221;. Ao assim decidir, o ac\u00f3rd\u00e3o violou o disposto no art. 10, \u00a7 2\u00ba, da MP n. 2.200-2.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a jurisprud\u00eancia do STJ reconheceu que a Lei n. 14.620\/2023, ao acrescentar o \u00a7 4\u00ba ao art. 784 do CPC, passou a admitir &#8211; na constitui\u00e7\u00e3o e ateste de t\u00edtulos executivos extrajudiciais em meio eletr\u00f4nico &#8211; qualquer modalidade de assinatura eletr\u00f4nica desde que sua integridade seja conferida pela entidade provedora desse servi\u00e7o, evidenciando a aus\u00eancia de exclusividade da certifica\u00e7\u00e3o digital do sistema ICP-Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A exig\u00eancia de certifica\u00e7\u00e3o exclusiva pela ICP-Brasil, nas rela\u00e7\u00f5es privadas pr\u00e9-processuais, representa excesso de formalismo<\/strong> e contraria a inten\u00e7\u00e3o legislativa de conferir validade jur\u00eddica a assinaturas eletr\u00f4nicas em geral, observada a autonomia das partes e os n\u00edveis de autentica\u00e7\u00e3o adotados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ao magistrado afastar, de of\u00edcio, a validade jur\u00eddica de t\u00edtulo de cr\u00e9dito com assinatura eletr\u00f4nica, apenas pelo fato de a autentica\u00e7\u00e3o da assinatura ter sido feita por uma entidade sem credenciamento no sistema ICP-Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-revisao-criminal-e-provas-novas\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Revis\u00e3o criminal e provas novas<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-11\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A revis\u00e3o criminal exige <strong>prova nova<\/strong> apta a infirmar a condena\u00e7\u00e3o; elementos j\u00e1 conhecidos, reavaliados ou meramente refor\u00e7adores do acervo probat\u00f3rio <strong>n\u00e3o<\/strong> autorizam a revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.123.321-RJ, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-11\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 621, I e III<\/strong> (<em>hip\u00f3teses de revis\u00e3o criminal; prova nova<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 622<\/strong> (<em>legitimidade e procedimento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 5\u00ba, LVII<\/strong> (<em>presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia \u2013 n\u00e3o reabre cogni\u00e7\u00e3o sem base nova<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Prova nova \u00e9 a <strong>desconhecida \u00e0 \u00e9poca do julgamento<\/strong> ou a <strong>superveniente<\/strong>, com potencial decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Releitura de provas antigas, laudos complementares tardios ou teses reavaliativas <strong>n\u00e3o<\/strong> atendem ao requisito legal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A revis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suced\u00e2neo recursal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-11\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O STJ delimitou o conceito de \u201cprova nova\u201d para evitar que a revis\u00e3o criminal se converta em terceira inst\u00e2ncia. A Corte destacou que apenas elementos <strong>in\u00e9ditos e relevantes<\/strong>, capazes de alterar o ju\u00edzo de certeza formado, justificam a desconstitui\u00e7\u00e3o da coisa julgada penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Ao afastar a revis\u00e3o, o Tribunal observou que os elementos apresentados j\u00e1 integravam o debate probat\u00f3rio ou apenas refor\u00e7avam teses defensivas conhecidas, sem aptid\u00e3o para inverter o resultado condenat\u00f3rio. A exig\u00eancia preserva a estabilidade das decis\u00f5es e a fun\u00e7\u00e3o excepcional da revis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-11\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 A revis\u00e3o criminal n\u00e3o pode ser fundada em nova valora\u00e7\u00e3o das provas produzidas na a\u00e7\u00e3o penal origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. \u00c9 indispens\u00e1vel <strong>prova nova<\/strong> in\u00e9dita ou superveniente, com potencial decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc3 Prova nova, para fins do art. 621 do CPP, deve ser desconhecida ao tempo da condena\u00e7\u00e3o e apta a, por si, alterar o ju\u00edzo condenat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esse \u00e9 o crit\u00e9rio jur\u00eddico aplicado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-11\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>\ud83d\udccc Revis\u00e3o criminal<\/td><\/tr><tr><td>\ud83d\udccd Exige prova nova (CPP 621) \ud83d\udccd Reavalia\u00e7\u00e3o \u2260 prova nova \ud83d\udccd Fun\u00e7\u00e3o excepcional \ud83d\udccd Estabilidade da coisa julgada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia reside na delimita\u00e7\u00e3o do alcance da a\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o criminal, especificamente quanto \u00e0 possibilidade de reitera\u00e7\u00e3o do pedido revisional sem novas provas e \u00e0 admissibilidade de revalora\u00e7\u00e3o subjetiva do conjunto probat\u00f3rio e da dosimetria da pena, em descompasso com a coisa julgada, sob o fundamento de decis\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 evid\u00eancia dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O artigo 622, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo de Processo Penal \u00e9 claro ao vedar a reitera\u00e7\u00e3o do pedido revisional, salvo se fundado em novas provas. A aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de fatos novos ou de elementos probat\u00f3rios in\u00e9ditos que pudessem alterar o panorama f\u00e1tico-jur\u00eddico previamente examinado desqualifica a pretens\u00e3o revisional. Ignorar essa limita\u00e7\u00e3o processual configura viola\u00e7\u00e3o literal do dispositivo legal, comprometendo a seguran\u00e7a jur\u00eddica e a estabilidade das decis\u00f5es judiciais transitadas em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A absolvi\u00e7\u00e3o do crime de tr\u00e1fico de drogas e o redimensionamento da pena para o delito de associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico, operados pelo Tribunal de origem, fundamentaram-se em uma revalora\u00e7\u00e3o subjetiva do acervo probat\u00f3rio, o que extrapola os limites do artigo 621, inciso I, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A express\u00e3o &#8220;contr\u00e1ria \u00e0 evid\u00eancia dos autos&#8221;, do art. 621, inciso I, do CPP, n\u00e3o autoriza a desconstitui\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o pela mera insufici\u00eancia ou precariedade de provas, mas sim quando a decis\u00e3o se divorcia completamente dos elementos existentes, revelando um erro judici\u00e1rio patente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a condena\u00e7\u00e3o do acusado pelo crime de tr\u00e1fico, embora n\u00e3o se baseasse na apreens\u00e3o direta de drogas ou armas em sua posse, estava solidamente fundamentada em extensas intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas e depoimentos que revelavam sua posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a e coordena\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em contextos de criminalidade organizada, a prova da materialidade e autoria do delito de tr\u00e1fico de drogas n\u00e3o se restringe \u00e0 flagr\u00e2ncia da posse direta, sendo leg\u00edtimo o reconhecimento do crime a partir de um conjunto probat\u00f3rio que demonstre a ger\u00eancia e o comando da atividade il\u00edcita. A revis\u00e3o criminal n\u00e3o pode desconsiderar essa realidade para impor uma interpreta\u00e7\u00e3o restritiva da materialidade, especialmente quando h\u00e1 farta evid\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o do r\u00e9u no topo da cadeia hier\u00e1rquica do tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 firme no sentido de que a aus\u00eancia de apreens\u00e3o de drogas diretamente com o agente n\u00e3o afasta a materialidade do delito se comprovado o liame subjetivo entre os envolvidos e a apreens\u00e3o com ao menos um corr\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Igualmente, rean\u00e1lise da dosimetria da pena em revis\u00e3o criminal, promovendo-se nova aplica\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o com base em crit\u00e9rios subjetivos dos julgadores da revis\u00e3o e afastando majorantes sem demonstra\u00e7\u00e3o de manifesta ilegalidade ou contrariedade expressa \u00e0 lei, desvirtua a finalidade da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse ponto, o Tribunal <em>a quo<\/em> reconheceu que as circunst\u00e2ncias judiciais e a reincid\u00eancia eram desfavor\u00e1veis, mas considerou a eleva\u00e7\u00e3o da pena-base &#8220;exagerada&#8221; e a fra\u00e7\u00e3o da reincid\u00eancia &#8220;um pouco exagerada&#8221;, promovendo uma nova aplica\u00e7\u00e3o da pena com base em crit\u00e9rios subjetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Note-se que a revis\u00e3o criminal \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de natureza excepcional, n\u00e3o se prestando como terceira inst\u00e2ncia recursal para reexame de fatos e provas exaustivamente debatidos ou para que novos julgadores imponham sua pr\u00f3pria valora\u00e7\u00e3o discricion\u00e1ria \u00e0 dosimetria da pena. Sua <strong>finalidade restringe-se \u00e0 corre\u00e7\u00e3o de erro judici\u00e1rio manifesto, decis\u00e3o flagrantemente contr\u00e1ria \u00e0 evid\u00eancia dos autos ou \u00e0 lei, e n\u00e3o \u00e0 simples revalora\u00e7\u00e3o subjetiva do conjunto probat\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, registre-se que altera\u00e7\u00f5es de entendimento jurisprudencial posteriores ao tr\u00e2nsito em julgado n\u00e3o podem servir de base para desconstituir a coisa julgada em sede revisional, em respeito aos princ\u00edpios da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da estabilidade das decis\u00f5es judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-07193b43-ab8e-49f4-a5eb-883bf1865e51\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/12\/23085846\/stj-info-871.pdf\">STJ &#8211; 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