{"id":1682044,"date":"2025-12-08T23:56:56","date_gmt":"2025-12-09T02:56:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1682044"},"modified":"2025-12-16T09:21:52","modified_gmt":"2025-12-16T12:21:52","slug":"informativo-stj-870-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-870-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 870 Comentado Parte 1"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/12\/08235635\/stj-info-870.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_h3XbFjX_9eM\"><div id=\"lyte_h3XbFjX_9eM\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/h3XbFjX_9eM\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/h3XbFjX_9eM\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/h3XbFjX_9eM\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-ato-infracional-interrogatorio-ao-final-tema-1269\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ato infracional \u2014 interrogat\u00f3rio ao final (Tema 1269)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O adolescente deve ser interrogado ao final da instru\u00e7\u00e3o, aplicando-se subsidiariamente o art. 400 do CPP ao procedimento do ECA; a inobserv\u00e2ncia gera nulidade condicionada \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo e deve ser arguida na primeira oportunidade, com efic\u00e1cia modulada a partir de 3\/3\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.088.626-RS e REsp 2.100.005-RS (Tema 1269), Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, unanimidade, julgados em 8\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPP, art. 400<\/strong> (interrogat\u00f3rio como \u00faltimo ato da instru\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>ECA, arts. 3\u00ba, 100 par. \u00fan. I e 184<\/strong> (prote\u00e7\u00e3o integral; audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o; veda\u00e7\u00e3o a tratamento mais gravoso).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CF, art. 5\u00ba, LV<\/strong> (contradit\u00f3rio e ampla defesa).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>HC 127.900\/AM<\/strong> \u2013 STF (3\/3\/2016) (aplicabilidade do art. 400 do CPP aos ritos especiais).<\/p>\n\n\n\n<p>???? O interrogat\u00f3rio \u00e9 meio de autodefesa e s\u00f3 cumpre sua fun\u00e7\u00e3o se realizado ap\u00f3s a produ\u00e7\u00e3o da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O ECA \u00e9 omisso quanto \u00e0 ordem da instru\u00e7\u00e3o \u2014 aplica-se o art. 400 do CPP por subsidiariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A nulidade \u00e9 relativa e exige demonstra\u00e7\u00e3o tempestiva do preju\u00edzo (proibi\u00e7\u00e3o de nulidade de algibeira).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A modula\u00e7\u00e3o evita retroatividade excessiva e respeita a seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia residia em saber se o adolescente poderia ser interrogado apenas na audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o \u2014 sem acesso \u00e0s provas \u2014 ou se deveria ser ouvido ao final, como ocorre no procedimento penal comum. A Terceira Se\u00e7\u00e3o reconheceu que a evolu\u00e7\u00e3o do sistema constitucional de garantias, somada ao princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral, impede que o adolescente receba <strong>tratamento processual inferior ao do adulto<\/strong>, principalmente quanto ao direito de se manifestar ap\u00f3s conhecer o conjunto probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tribunal tamb\u00e9m discutiu os efeitos pr\u00e1ticos dessa mudan\u00e7a, concluindo que o novo rito deve observar a modula\u00e7\u00e3o estabelecida pelo STF: aplica-se somente a processos cuja instru\u00e7\u00e3o se encerrou ap\u00f3s 3\/3\/2016. A nulidade n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica \u2014 deve ser alegada na primeira oportunidade e demonstrado como o interrogat\u00f3rio antecipado comprometeu a autodefesa. A decis\u00e3o refor\u00e7a a l\u00f3gica do devido processo legal e da veda\u00e7\u00e3o ao uso estrat\u00e9gico e tardio de nulidades.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O adolescente pode ser interrogado antes da instru\u00e7\u00e3o, bastando a audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o prevista no art. 184 do ECA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o substitui o interrogat\u00f3rio final, pois este \u00e9 meio de autodefesa assegurado pelo art. 400 do CPP aplicado subsidiariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A nulidade decorrente da aus\u00eancia de interrogat\u00f3rio ao final \u00e9 absoluta, persumindo-se o preju\u00edzo \u00e0 defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Esse aspecto \u2014 a natureza relativa da nulidade \u2014 \u00e9 ponto secund\u00e1rio central no Tema 1269: trata-se de relativa e portanto exige alega\u00e7\u00e3o imediata pela defesa, sob pena de preclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Ato infracional \u2013 interrogat\u00f3rio final<\/td><\/tr><tr><td>???? Aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria do CPP 400 ???? Interrogat\u00f3rio = meio de autodefesa ???? Nulidade relativa \u2192 exige preju\u00edzo + argui\u00e7\u00e3o imediata ???? Modula\u00e7\u00e3o: v\u00e1lido para instru\u00e7\u00f5es encerradas ap\u00f3s 3\/3\/2016<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o art. 400 do C\u00f3digo de Processo Penal \u00e9 aplic\u00e1vel subsidiariamente ao rito especial previsto no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no passado, n\u00e3o reconhecia a obrigatoriedade de o adolescente ser ouvido sobre as suas responsabilidades como ato final da instru\u00e7\u00e3o. Prevalecia a compreens\u00e3o de que, nos termos do art. 184 do ECA, uma vez oferecida a representa\u00e7\u00e3o, a autoridade judici\u00e1ria deveria designar apenas a audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do processado para decidir, desde logo, sobre a decreta\u00e7\u00e3o ou a manuten\u00e7\u00e3o da interna\u00e7\u00e3o e a possibilidade de remiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, houve evolu\u00e7\u00e3o na jurisprud\u00eancia para evitar que os adolescentes enfrentem tratamento mais gravoso do que o estabelecido aos adultos e, conforme o decidido pela Terceira Se\u00e7\u00e3o, a partir do julgamento do HC 769.197\/RJ, esta Corte passou a reconhecer a necessidade de aplicar a norma inscrita no art. 400 do C\u00f3digo de Processo Penal ao rito especial previsto no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. Na oportunidade, o colegiado definiu a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o interrogat\u00f3rio h\u00e1 de ser visto como meio de defesa e precisa ser realizado como \u00faltimo ato instrut\u00f3rio, a fim de que o representado tenha <em>condi\u00e7\u00f5es efetivas de influenciar a convic\u00e7\u00e3o judicial<\/em>. Essa ordem de produ\u00e7\u00e3o da prova preserva os direitos e as garantias dos adolescentes, os quais n\u00e3o podem ser tratados como meros objetos da atividade sancionadora estatal (art. 100, par\u00e1grafo \u00fanico, I, do ECA).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o art. 3\u00b0 da Lei n. 8.069\/1990 assegura aos indiv\u00edduos em desenvolvimento &#8220;todos os direitos fundamentais inerentes \u00e0 pessoa humana, sem preju\u00edzo da prote\u00e7\u00e3o integral de que trata essa lei&#8221;. \u00c9 pertinente e recomend\u00e1vel, portanto, a evolu\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia para ampliar a <strong>prote\u00e7\u00e3o integral dos sujeitos de direito<\/strong>, pois o art. 110 do mesmo estatuto disp\u00f5e que: &#8220;Nenhum adolescente ser\u00e1 privado de sua liberdade sem o devido processo legal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalte-se que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 garante aos acusados em geral, no art. 5\u00b0, LV, da CF, o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, com os meios e os recursos a ela inerentes, direito que engloba a perspectiva de o representado por ato infracional, pessoalmente e perante a autoridade judicial competente, confrontar as imputa\u00e7\u00f5es e as provas produzidas em seu desfavor. Como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se defender de algo que n\u00e3o se sabe, o interrogat\u00f3rio deve ser realizado ao final da instru\u00e7\u00e3o, nos moldes do art. 400 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o que melhor se conforma com um devido processo legal justo. Al\u00e9m disso, imp\u00f5e-se prestigiar a modula\u00e7\u00e3o da tese jur\u00eddica j\u00e1 fixada pela Terceira Se\u00e7\u00e3o desta Corte. Assim, os efeitos retrospectivos deste julgado devem incidir a partir de 3\/3\/2016, data em que o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC 127.900\/AM, firmou o entendimento de que o art. 400 do CPP era aplic\u00e1vel tamb\u00e9m aos ritos previstos em leis especiais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Assim, doravante \u00e9 preciso observar as seguintes orienta\u00e7\u00f5es: a) oferecida a representa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 designada audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o, para a decis\u00e3o sobre a interna\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria e a possibilidade de remiss\u00e3o, a qual poder\u00e1 ser concedida a qualquer tempo antes da senten\u00e7a; b) nessa oportunidade inicial, \u00e9 vedada a atividade probat\u00f3ria, e eventual colheita de confiss\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1, por si s\u00f3, fundamentar a proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o; c) diante da lacuna na Lei n. 8.069\/1990, aplica-se o art. 400 do CPP ao procedimento especial de apura\u00e7\u00e3o do ato infracional, para garantir ao adolescente o interrogat\u00f3rio ao final da instru\u00e7\u00e3o, perante o Juiz competente, depois de ter ci\u00eancia do acervo probat\u00f3rio produzido em seu desfavor; d) o novo entendimento \u00e9 aplic\u00e1vel aos processos com instru\u00e7\u00e3o encerrada ap\u00f3s 3\/3\/2016 e e) para ser reconhecida, a nulidade deve ser alegada no momento oportuno, sob pena de preclus\u00e3o.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O profissional que assiste o adolescente \u00e9 quem tem melhores condi\u00e7\u00f5es para identificar o dano causado pela falta de sua oitiva ao final da instru\u00e7\u00e3o. Em regra, se o defensor n\u00e3o identificou, de pronto, o preju\u00edzo \u00e0 autodefesa e a possibilidade de o representado, com suas palavras, interferir no resultado do processo, a nulidade processual n\u00e3o pode ser presumida por esta Corte. A alega\u00e7\u00e3o extempor\u00e2nea de nulidade, apenas como mera estrat\u00e9gia de invalida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a em fase mais oportuna, revela comportamento contradit\u00f3rio, incompat\u00edvel com a boa-f\u00e9 processual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do exposto, para fins do julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, fixa-se a seguinte <strong>tese<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. No rito especial que visa apurar a pr\u00e1tica de ato infracional, al\u00e9m da audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do adolescente prevista no art. 184 do ECA, aplica-se subsidiariamente o art. 400 do CPP, de modo que, em acr\u00e9scimo, \u00e9 preciso garantir ao adolescente o interrogat\u00f3rio ao final da instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. A inobserv\u00e2ncia desse procedimento implicar\u00e1 nulidade se o preju\u00edzo \u00e0 autodefesa for informado pela parte na primeira oportunidade que tiver para se manifestar nos autos, sob pena de preclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. O entendimento \u00e9 aplic\u00e1vel aos feitos com instru\u00e7\u00e3o encerrada ap\u00f3s 3\/3\/2016.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-do-stj-desembargador-e-violencia-domestica\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia do STJ \u2014 desembargador e viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-0\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O STJ \u00e9 competente para julgar desembargador em crime comum, para garantir imparcialidade; em viol\u00eancia dom\u00e9stica, a palavra da v\u00edtima, corroborada por prova pericial e testemunhal, possui elevado valor probat\u00f3rio, e o dano moral \u00e9 <em>in re ipsa<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>APn 1.079-DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Corte Especial, unanimidade, julgado em 15\/10\/2025, DJEN 23\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-0\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CF, art. 105 I a<\/strong> (<em>compet\u00eancia do STJ para julgar desembargadores nos crimes comuns<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CP, art. 129 \u00a79\u00ba<\/strong> (<em>les\u00e3o corporal em viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Res. CNJ 492\/2023<\/strong> (<em>Protocolo de Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Fonavid 74<\/strong> (<em>per\u00edcia psicol\u00f3gica para les\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? Prova pericial + testemunhal + palavra da v\u00edtima, quando coerentes, formam quadro robusto.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Estere\u00f3tipos de g\u00eanero n\u00e3o podem fundamentar teses defensivas.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Dano moral decorrente de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 <em>in re ipsa<\/em> \u2014 dispensa prova espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-0\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O Tribunal examinou tr\u00eas aspectos: a compet\u00eancia para julgar desembargador em crime comum, a sufici\u00eancia do conjunto probat\u00f3rio e a exist\u00eancia de dano moral. Rejeitou a tese de que a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o com o cargo afastaria a compet\u00eancia do STJ, afirmando que julgamentos por ju\u00edzes hierarquicamente inferiores comprometeriam a apar\u00eancia de imparcialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f No m\u00e9rito, analisou o conjunto de provas \u2014 depoimentos, laudos traumatol\u00f3gicos e psicossociais, coer\u00eancia narrativa da v\u00edtima \u2014 concluindo que todas as evid\u00eancias externavam agress\u00e3o e posterior abalo emocional. Recha\u00e7ou a alega\u00e7\u00e3o de autoles\u00e3o e interesse patrimonial por se basear em estere\u00f3tipos de g\u00eanero j\u00e1 repudiados pela jurisprud\u00eancia. A indeniza\u00e7\u00e3o foi reconhecida pelo crit\u00e9rio do <em>damnum in re ipsa<\/em>, diante da natureza do crime de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-0\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A compet\u00eancia para julgar crimes comuns praticados por desembargadores \u00e9 do ju\u00edzo de 1\u00ba grau, se o crime n\u00e3o tiver rela\u00e7\u00e3o com as fun\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A compet\u00eancia \u00e9 do STJ (CF 105 I a), independentemente de v\u00ednculo funcional com o fato.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Em viol\u00eancia dom\u00e9stica, o dano moral decorre automaticamente do pr\u00f3prio ato agressivo, dispensando comprova\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Vide APn 1.079-DF.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-0\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Desembargador \u2013 compet\u00eancia penal<\/td><\/tr><tr><td>???? CF 105 I a \u2192 compet\u00eancia origin\u00e1ria do STJ ???? Prova robusta: v\u00edtima + per\u00edcia ???? Estere\u00f3tipos de g\u00eanero \u2192 vedados ???? Dano moral in re ipsa<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se o Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 competente para julgar Desembargador por crime n\u00e3o relacionado com o exerc\u00edcio do cargo; se o r\u00e9u praticou o delito de les\u00e3o corporal contra c\u00f4njuge, prevalecendo-se das rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, conforme descrito na den\u00fancia, e se haveria elementos suficientes para sua condena\u00e7\u00e3o, bem como se \u00e9 cab\u00edvel indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange \u00e0 compet\u00eancia, o STJ \u00e9 competente para julgar os delitos praticados por desembargadores, ainda que os fatos n\u00e3o tenham rela\u00e7\u00e3o com o exerc\u00edcio do cargo, considerando que o processamento e o julgamento do feito por magistrado de primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o vinculado ao mesmo Tribunal poderiam afetar a independ\u00eancia e a imparcialidade que orientam a atividade jurisdicional (APn n. 943\/DF, relator Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, julgado em 20\/4\/2022, DJe de 12\/5\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o presente julgamento seguiu as diretrizes constantes do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero (Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n. 492\/2023) na an\u00e1lise dos crimes praticados no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 les\u00e3o corporal, foi imputado ao desembargador de justi\u00e7a o delito previsto no art. 129, \u00a7 9\u00ba, do C\u00f3digo Penal, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 11.340\/2006, por les\u00e3o corporal contra c\u00f4njuge em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica, com pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A les\u00e3o f\u00edsica foi demonstrada por meio de boletim de ocorr\u00eancia, per\u00edcia traumatol\u00f3gica, prova testemunhal produzida na fase da investiga\u00e7\u00e3o (ratificada na fase da persecu\u00e7\u00e3o penal) e declara\u00e7\u00f5es da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A les\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental da v\u00edtima ficou comprovada nos Laudos Psicossociais elaborados por Equipe Multidisciplinar do Tribunal de Justi\u00e7a, nos termos da orienta\u00e7\u00e3o preceituada no Enunciado n. 74 do FONAVID (A configura\u00e7\u00e3o da materialidade do crime de les\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental previsto no art. 129 do C\u00f3digo Penal depender\u00e1 de per\u00edcia psicol\u00f3gica ou psiqui\u00e1trica que dever\u00e1 ser realizada com perspectiva de g\u00eanero).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A autoria tamb\u00e9m foi demonstrada de modo suficiente, conforme depoimentos de testemunhas e v\u00edtima. A palavra da v\u00edtima, em harmonia com os demais elementos presentes nos autos, possui relevante valor probat\u00f3rio, especialmente em crimes que envolvem viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Apesar das agress\u00f5es \u00e0 v\u00edtima terem se dado em um contexto de briga do casal, n\u00e3o houve demonstra\u00e7\u00e3o de que o r\u00e9u agiu em leg\u00edtima defesa ou de que as agress\u00f5es f\u00edsicas foram rec\u00edprocas, tampouco de que o r\u00e9u fez uso moderado de meios para afastar uma suposta agress\u00e3o injusta proveniente da v\u00edtima<\/em>. Tamb\u00e9m n\u00e3o merece prosperar a tese defensiva de que a v\u00edtima teria interesse patrimonial na rela\u00e7\u00e3o e que, por isso, teria ferido a si mesma, registrando o boletim de ocorr\u00eancia posteriormente sem justificar, em suas declara\u00e7\u00f5es, o hiato havido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal tese, al\u00e9m de colocar sob suspei\u00e7\u00e3o o trabalho t\u00e9cnico do Instituto de Medicina Legal estadual &#8211; como se a m\u00e9dica legista que atendeu a v\u00edtima n\u00e3o tivesse a qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para discernir uma autoles\u00e3o de uma les\u00e3o provocada por terceiro -, aparentemente busca imputar \u00e0 v\u00edtima a responsabilidade pela agress\u00e3o sofrida, refor\u00e7ando os ultrapassados estere\u00f3tipos de g\u00eanero lamentavelmente presentes ainda hoje em nossa sociedade e no pr\u00f3prio sistema de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalta-se ainda que o fato de a v\u00edtima &#8211; ap\u00f3s o registro do boletim de ocorr\u00eancia e o deferimento das medidas protetivas &#8211; ter realizado liga\u00e7\u00f5es para o r\u00e9u, enviando mensagens pedindo que o relacionamento fosse reatado, n\u00e3o basta para obliterar as provas constantes dos autos, sendo tamb\u00e9m um comportamento usual nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, especialmente quando h\u00e1 depend\u00eancia econ\u00f4mico-financeira. Nesse contexto, o receio de n\u00e3o conseguir sustentar a si ou a sua fam\u00edlia, assinalado pela v\u00edtima, que a motivou a procurar o r\u00e9u mesmo na vig\u00eancia das medidas protetivas, n\u00e3o constitui epis\u00f3dio isolado no denominado ciclo de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao pedido de indeniza\u00e7\u00e3o, <strong>o dano moral suportado pela v\u00edtima \u00e9 inconteste, derivado do pr\u00f3prio ato ofensivo, que, no caso presente, \u00e9 tipificado como crime previsto no art. 129, \u00a7 9\u00ba, do C\u00f3digo Penal, sua natureza \u00e9 de dano presumido (<em>damnum in re ipsa<\/em>)<\/strong>, de tal modo que, provado o fato gerador da dor, do abalo emocional, do sofrimento, est\u00e1 demonstrado o dano moral, numa presun\u00e7\u00e3o natural, que decorre das regras de experi\u00eancia comum.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob esse enfoque e considerando a demonstra\u00e7\u00e3o de nexo entre o delito apurado nos presentes autos e os danos psicol\u00f3gicos e emocionais atestados nos laudos psicossociais elaborados pela equipe multidisciplinar do Tribunal estadual, com a presen\u00e7a de efeitos ainda na vida atual da v\u00edtima, e considerando a culpabilidade elevada do r\u00e9u, assim como sua renda l\u00edquida declarada, deve ser fixado valor indenizat\u00f3rio, a t\u00edtulo de danos morais, corrigidos monetariamente a partir do arbitramento e com juros de mora contados da data do evento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-improbidade-cassacao-da-aposentadoria\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Improbidade \u2014 cassa\u00e7\u00e3o da aposentadoria<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-1\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel converter a pena de perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica em cassa\u00e7\u00e3o de aposentadoria na fase de cumprimento de senten\u00e7a em a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa, conforme atual jurisprud\u00eancia do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Se\u00e7\u00e3o, unanimidade, julgado em 2\/10\/2025, DJEN 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-1\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>LIA, art. 9\u00ba<\/strong> (<em>enriquecimento il\u00edcito<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>LIA, art. 12 \u00a71\u00ba<\/strong> (<em>restri\u00e7\u00e3o da perda da fun\u00e7\u00e3o ao cargo da \u00e9poca \u2014 regra atual<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CF, art. 40<\/strong> (<em>regime previdenci\u00e1rio e possibilidade de cassa\u00e7\u00e3o diante de il\u00edcito funcional grave<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>RE 1.456.118\/SP \u2013 STF<\/strong> (<em>cassa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel mesmo ap\u00f3s aposentadoria<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Rcl 67.300\/DF \u2013 STF<\/strong> (<em>STF: cassa\u00e7\u00e3o permanece poss\u00edvel; EC 20\/1998 e 41\/2003 n\u00e3o revogaram<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A cassa\u00e7\u00e3o decorre do <strong>efeito l\u00f3gico<\/strong> da perda de fun\u00e7\u00e3o quando o il\u00edcito s\u00f3 \u00e9 descoberto ap\u00f3s a aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ abandonou entendimento anterior (EREsp 1.496.347\/ES) diante da nova orienta\u00e7\u00e3o do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A superveni\u00eancia da Lei 14.230\/2021 n\u00e3o altera o resultado quando o ato praticado \u00e9 enquadr\u00e1vel em enriquecimento il\u00edcito doloso.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-1\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia girou em torno da tens\u00e3o entre dois princ\u00edpios: legalidade estrita das san\u00e7\u00f5es administrativas e necessidade de preservar a efic\u00e1cia das puni\u00e7\u00f5es por improbidade. O STJ reconheceu que, embora antes entendesse ser imposs\u00edvel cassar aposentadoria, essa vis\u00e3o se tornou incompat\u00edvel com a jurisprud\u00eancia consolidada do STF, que reafirmou a continuidade l\u00f3gica entre perda da fun\u00e7\u00e3o e cassa\u00e7\u00e3o quando o il\u00edcito s\u00f3 vem \u00e0 tona depois da inativa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tribunal tamb\u00e9m analisou o risco de impunidade: se o servidor pudesse evitar a pena bastando aposentar-se antes da conclus\u00e3o do processo, o sistema sancionat\u00f3rio seria esvaziado. Por isso, entendeu que a cassa\u00e7\u00e3o n\u00e3o viola o art. 40 da CF e decorre do pr\u00f3prio ato il\u00edcito que, se conhecido \u00e0 \u00e9poca da pr\u00e1tica, teria ensejado demiss\u00e3o sem direito \u00e0 aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-1\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A cassa\u00e7\u00e3o da aposentadoria \u00e9 proibida em a\u00e7\u00f5es de improbidade, pois ultrapassa a pena prevista originalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A jurisprud\u00eancia do STF reconhece que a cassa\u00e7\u00e3o \u00e9 <strong>efeito l\u00f3gico da perda do cargo<\/strong> quando o il\u00edcito ocorreu antes da aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A superveni\u00eancia da Lei 14.230\/2021 impede a cassa\u00e7\u00e3o quando o ato configurou enriquecimento il\u00edcito doloso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ destacou que a reforma da LIA n\u00e3o afeta esse tipo de condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-1\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Improbidade \u2013 cassa\u00e7\u00e3o da aposentadoria<\/td><\/tr><tr><td>???? STF: perda da fun\u00e7\u00e3o \u2192 cassa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel ???? Evita impunidade pelo tempo\/aposenta\u00e7\u00e3o ???? LIA 9\u00ba (enriquecimento il\u00edcito) ???? Lei 14.230\/2021 n\u00e3o altera o resultado<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No recurso, controverte-se acerca da cassa\u00e7\u00e3o de aposentadoria de servidor condenado por improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A parte recorrente alega que a quest\u00e3o foi pacificada quando do julgamento dos EREsp 1.496.347\/ES. Argumenta, ainda, que a condena\u00e7\u00e3o original baseou-se no art. 9\u00ba da Lei n. 8.429\/1992, que foi reformado pela Lei n. 14.230\/2021, n\u00e3o havendo comprova\u00e7\u00e3o de dolo espec\u00edfico nos atos por ela praticados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, \u00e9 preciso enfatizar que o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, ao concluir que &#8220;a cassa\u00e7\u00e3o da aposentadoria \u00e9 plenamente cab\u00edvel nas a\u00e7\u00f5es em que se imputa ao r\u00e9u a pr\u00e1tica de atos de improbidade administrativa, como consect\u00e1rio l\u00f3gico da pena de perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, espelha a atual jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal (STF), n\u00e3o mais se podendo aplicar o quanto afirmado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) nos EREsp 1.496.347\/ES.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio rememorar que o fundamento central que levou a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, naqueles embargos de diverg\u00eancia, a reconhecer a impossibilidade de cassa\u00e7\u00e3o de aposentadoria em a\u00e7\u00e3o por improbidade administrativa fora a legalidade estrita.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O STF, todavia, tem reformado decis\u00f5es a defender esse entendimento, seja em recurso extraordin\u00e1rio, seja em reclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando do julgamento do RE 1.456.118\/SP, a Suprema Corte afirmou a possibilidade de convers\u00e3o de pena de perda de cargo p\u00fablico em cassa\u00e7\u00e3o de aposentadoria na fase de cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o por improbidade administrativa.O recurso extraordin\u00e1rio em quest\u00e3o foi interposto do ac\u00f3rd\u00e3o do STJ prolatado pela Segunda Turma no AgInt no AREsp 1.773.833\/SP, em 20\/6\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Ministro Gilmar Mendes, de outro lado, ao relatar a Reclama\u00e7\u00e3o 67.300\/DF, a\u00e7\u00e3o essa proposta no curso de execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a prolatada em a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa, afirmou ser este o entendimento do Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal: &#8220;[&#8230;] mesmo considerando a promulga\u00e7\u00e3o das Emendas Constitucionais 3\/1993, 20\/1998 e 41\/2003, a previs\u00e3o de aplica\u00e7\u00e3o da penalidade de cassa\u00e7\u00e3o de aposentadoria de servidor p\u00fablico n\u00e3o foi revogada pelo texto constitucional, principalmente no que diz respeito ao regime de previd\u00eancia institu\u00eddo pelo art. 40 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.&#8221; Em arremate, Sua Excel\u00eancia enfatizou o seguinte: &#8220;[&#8230;] ante a falta grave praticada pelo servidor ainda em atividade, constatada apenas ap\u00f3s a sua aposentadoria, \u00e9 cab\u00edvel a penalidade de cassa\u00e7\u00e3o da aposentadoria. Isso porque se o ato il\u00edcito fosse conhecido \u00e0 \u00e9poca de sua pr\u00e1tica e fosse aplicada a pena de demiss\u00e3o, o servidor perderia o cargo e nem sequer teria direito \u00e0 aposentadoria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais recentemente, em decis\u00e3o monocr\u00e1tica prolatada em 2\/8\/2024, o Ministro Alexandre de Moraes deu provimento a recurso extraordin\u00e1rio com agravo para reformar ac\u00f3rd\u00e3o, proferido na origem, no qual o relator seguia exatamente a orienta\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmada no julgamento dos EREsp 1.496.347\/ES.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Finalmente, registre-se que a condena\u00e7\u00e3o na origem deu-se com base no art. 9\u00ba da Lei de Improbidade Administrativa (LIA), tendo sido reconhecida a presen\u00e7a de dolo e de enriquecimento il\u00edcito decorrente do furto de armas de fogo praticado por agente da Pol\u00edcia Civil do Distrito Federal, raz\u00e3o por que a superveni\u00eancia da Lei 14.230\/2021 n\u00e3o altera a tipicidade da conduta. Ali\u00e1s, nem sequer o atual \u00a7 1\u00ba do art. 12 da LIA tem alguma influ\u00eancia na decis\u00e3o recorrida, pois a norma inovou o ordenamento apenas no tocante ao v\u00ednculo a ser especificamente afetado pela pena de perda da fun\u00e7\u00e3o, passando a estabelecer que ela se restringe ao cargo &#8220;de mesma qualidade e natureza que o agente p\u00fablico ou pol\u00edtico detinha com o poder p\u00fablico na \u00e9poca do cometimento da infra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, em conson\u00e2ncia com a atual jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal, \u00e9 poss\u00edvel a convers\u00e3o da pena de perda de cargo p\u00fablico em cassa\u00e7\u00e3o de aposentadoria na fase de cumprimento de senten\u00e7a de a\u00e7\u00e3o por improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-acoes-indenizatorias-e-infancia-e-juventude\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Compet\u00eancia \u2014 a\u00e7\u00f5es indenizat\u00f3rias e Inf\u00e2ncia e Juventude<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-2\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A compet\u00eancia da Vara da Inf\u00e2ncia e da Juventude <strong>n\u00e3o se aplica<\/strong> a a\u00e7\u00f5es meramente patrimoniais ou obrigacionais; em indeniza\u00e7\u00f5es contra munic\u00edpios, prevalece a regra geral de compet\u00eancia territorial, salvo demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ao contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, unanimidade, 2\/10\/2025. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-2\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>ECA, art. 147<\/strong> (<em>ju\u00edzo imediato \u2014 domic\u00edlio do respons\u00e1vel ou local onde se encontre o menor<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>ECA, art. 148<\/strong> (<em>compet\u00eancia absoluta somente para mat\u00e9rias ligadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral e direitos fundamentais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPC, art. 43<\/strong> (<em>perpetuatio jurisdictionis \u2014 compet\u00eancia territorial permanece ap\u00f3s o ajuizamento<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A compet\u00eancia absoluta da Inf\u00e2ncia \u00e9 <strong>excepcional e restrita<\/strong>; depende de v\u00ednculo direto com prote\u00e7\u00e3o integral do menor.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A\u00e7\u00f5es patrimoniais possuem natureza civil comum, mesmo quando o fato gerador envolva viola\u00e7\u00e3o a direito fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O pedido define a compet\u00eancia: se visa apenas <strong>indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, sem medidas protetivas, a compet\u00eancia \u00e9 da Justi\u00e7a Comum.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A proximidade territorial com os fatos e testemunhas refor\u00e7a o ju\u00edzo natural originalmente escolhido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-2\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ destacou que a controv\u00e9rsia n\u00e3o diz respeito \u00e0 gravidade do fato subjacente \u2014 no caso, estupro de vulner\u00e1vel em escola municipal \u2014 mas sim \u00e0 <strong>natureza do pedido<\/strong>, limitado \u00e0 repara\u00e7\u00e3o civil. Embora a causa de pedir envolvesse viola\u00e7\u00e3o de direito fundamental, o pedido n\u00e3o buscava tutela protetiva, mas apenas indeniza\u00e7\u00e3o, o que impede deslocamento autom\u00e1tico para a Inf\u00e2ncia e Juventude. A Corte refor\u00e7ou que compet\u00eancia excepcional deve ser interpretada estritamente para evitar expans\u00e3o indevida do microssistema protetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Se\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m analisou a pertin\u00eancia do ju\u00edzo escolhido: a a\u00e7\u00e3o foi proposta no foro da resid\u00eancia da menor e do local do fato, atendendo \u00e0 l\u00f3gica da maior proximidade do juiz com as provas. Com os atuais meios tecnol\u00f3gicos, n\u00e3o havia qualquer preju\u00edzo \u00e0 defesa ou \u00e0 instru\u00e7\u00e3o. Assim, concluiu-se que a regra geral de compet\u00eancia territorial deve prevalecer, salvo prova concreta de preju\u00edzo, inexistente no caso.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-2\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A Justi\u00e7a da Inf\u00e2ncia e da Juventude tem compet\u00eancia restrita para julgar a\u00e7\u00e3o que envolva prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a ou ao adolescente, excluindo indeniza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Compet\u00eancia absoluta exige conex\u00e3o <strong>direta<\/strong> com prote\u00e7\u00e3o integral; a\u00e7\u00f5es patrimoniais seguem a compet\u00eancia civil comum. O princ\u00edpio do ju\u00edzo imediato n\u00e3o afasta a regra da compet\u00eancia territorial quando o pedido \u00e9 apenas indenizat\u00f3rio, sobretudo se o foro escolhido coincide com o local dos fatos e da resid\u00eancia da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-2\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Compet\u00eancia \u2014 Inf\u00e2ncia vs. Justi\u00e7a Comum<\/td><\/tr><tr><td>???? ECA 147\u2013148 \u2192 compet\u00eancia absoluta restrita ???? Pedido meramente patrimonial \u2192 Justi\u00e7a Comum ???? Foro da resid\u00eancia\/local dos fatos \u2192 adequado ???? Ju\u00edzo imediato n\u00e3o se aplica sem pretens\u00e3o protetiva<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se, na a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria promovida contra munic\u00edpio, deve prevalecer o princ\u00edpio do Juiz imediato, previsto no art. 147 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; ECA, ou a regra geral da perpetua\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o, disposta no art. 43 do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao assunto, consigna-se que o art. 147 do ECA estabeleceu o princ\u00edpio do ju\u00edzo imediato ao dizer que a compet\u00eancia ser\u00e1 determinada pelo domic\u00edlio dos pais ou respons\u00e1vel, ou pelo lugar onde se encontre a crian\u00e7a ou adolescente, \u00e0 falta daqueles.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa norma especial de compet\u00eancia \u00e9 complementada pelo art. 148, tamb\u00e9m do ECA, ao enumerar as hip\u00f3teses em que a Justi\u00e7a da Inf\u00e2ncia e da Juventude ser\u00e1 competente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, depreende-se dos citados dispositivos do ECA que a compet\u00eancia absoluta do Ju\u00edzo da Inf\u00e2ncia e da Juventude dever\u00e1 ser observada naquelas hip\u00f3teses espec\u00edficas, sobretudo naquelas situa\u00e7\u00f5es de &#8220;menor em situa\u00e7\u00e3o irregular&#8221;, n\u00e3o podendo ser expandida aleatoriamente para outras demandas que n\u00e3o estejam intimamente ligadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por conseguinte, a alega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia absoluta dever\u00e1 ser recha\u00e7ada quando a a\u00e7\u00e3o em que se discute o direito do menor possua cunho estritamente patrimonial ou obrigacional e se busque unicamente interesses particulares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estabelecidas essas premissas, v\u00ea-se que o caso n\u00e3o justifica a preval\u00eancia da compet\u00eancia absoluta prevista no ECA, haja vista que, n\u00e3o obstante a causa de pedir da a\u00e7\u00e3o subjacente envolva a absurda e repulsiva viola\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade sexual de crian\u00e7a em escola municipal, o que de fato configura uma viola\u00e7\u00e3o aos seus direitos fundamentais, o pedido \u00e9 estritamente patrimonial, buscando a condena\u00e7\u00e3o do ente municipal ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrentes dessa viola\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o atrai a compet\u00eancia da Ju\u00edzo da Inf\u00e2ncia e da Juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, importante destacar que a a\u00e7\u00e3o foi proposta no ju\u00edzo suscitado, que era a comarca de resid\u00eancia da menor e onde ocorreram os atos il\u00edcitos, de maneira que a manuten\u00e7\u00e3o dos autos nele se mostra ben\u00e9fica \u00e0 pr\u00f3pria crian\u00e7a, dado que a proximidade do juiz aos fatos favorece a entrega da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional mais assertiva, tornando a produ\u00e7\u00e3o das provas mais \u00e1gil e menos custosa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, os meios tecnol\u00f3gicos atuais permitem a pr\u00e1tica de atos processuais a dist\u00e2ncia, n\u00e3o havendo preju\u00edzo \u00e0 defesa dos interesses da menor. Dessa forma, <strong>a regra geral de compet\u00eancia territorial deve prevalecer em a\u00e7\u00f5es indenizat\u00f3rias contra munic\u00edpios, salvo prova de efetivo preju\u00edzo ao contradit\u00f3rio, o que n\u00e3o aconteceu no caso<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-carta-precatoria-e-videoconferencia-res-cnj-105\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Carta precat\u00f3ria e videoconfer\u00eancia \u2014 Res. CNJ 105<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-3\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Quando houver <strong>sala passiva<\/strong> instalada, a carta precat\u00f3ria para oitiva de testemunhas deve limitar-se \u00e0 disponibiliza\u00e7\u00e3o da estrutura, cabendo ao juiz deprecante conduzir diretamente o ato por videoconfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>EDcl no AgInt no CC 196.645-SP, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, unanimidade, 14\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-3\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPC, art. 67<\/strong> (<em>coopera\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPC, art. 69 \u00a72\u00ba II<\/strong> (<em>atos cooperativos \u2014 obten\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de provas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPC, art. 267<\/strong> (<em>realiza\u00e7\u00e3o de atos conforme estrutura do ju\u00edzo deprecado<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Res. CNJ 105\/2010, art. 3\u00ba caput e \u00a72\u00ba<\/strong> (<em>prefer\u00eancia pela videoconfer\u00eancia e dire\u00e7\u00e3o do ato pelo juiz deprecante<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A videoconfer\u00eancia \u00e9 instrumento de efici\u00eancia, celeridade e racionaliza\u00e7\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A exist\u00eancia de sala passiva altera a l\u00f3gica tradicional da depreca\u00e7\u00e3o: o juiz deprecado n\u00e3o conduz a oitiva; apenas <strong>disponibiliza a infraestrutura<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A dire\u00e7\u00e3o do ato permanece com o juiz deprecante para assegurar identidade f\u00edsica e integridade da instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-3\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ verificou que a pr\u00e1tica reiterada de delegar integralmente a condu\u00e7\u00e3o da oitiva ao ju\u00edzo deprecado contrariava a Resolu\u00e7\u00e3o 105\/2010, cujo objetivo era padronizar e agilizar depoimentos \u00e0 dist\u00e2ncia. A exist\u00eancia de sala passiva \u2014 ambiente equipado para videoconfer\u00eancia \u2014 desloca para o juiz deprecante a dire\u00e7\u00e3o dos atos, preservando sua vincula\u00e7\u00e3o direta \u00e0 prova colhida, elemento fundamental para o convencimento judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Corte ressaltou que coopera\u00e7\u00e3o entre ju\u00edzos n\u00e3o significa transfer\u00eancia integral de compet\u00eancia instrut\u00f3ria. Quando o sistema permite videoconfer\u00eancia, o juiz deprecado deve apenas facilitar o ato (intima\u00e7\u00f5es, log\u00edstica, disponibiliza\u00e7\u00e3o da sala), enquanto o juiz deprecante mant\u00e9m a condu\u00e7\u00e3o para garantir unidade, coer\u00eancia e efici\u00eancia instrut\u00f3ria \u2014 evitando duplica\u00e7\u00e3o de atos e potencial nulidade por quebra da identidade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-3\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Na exist\u00eancia de sala passiva, o ju\u00edzo depreca o ju\u00edzo deprecante o ju\u00edzo deprecante deve conduzir a oitiva de testemunhas por videoconfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O ju\u00edzo deprecante apenas disponibiliza a infraestrutura; <strong>a dire\u00e7\u00e3o do ato \u00e9 do ju\u00edzo deprecante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A videoconfer\u00eancia, no regime de coopera\u00e7\u00e3o do CPC\/2015, busca assegurar identidade f\u00edsica do juiz e maximizar a efici\u00eancia instrut\u00f3ria, evitando m\u00faltiplas oitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Este \u00e9 o fundamento secund\u00e1rio e essencial da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-3\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Carta precat\u00f3ria \u2013 videoconfer\u00eancia<\/td><\/tr><tr><td>???? Res. 105\/2010 \u2192 videoconfer\u00eancia preferencial ???? Sala passiva \u2192 ju\u00edzo deprecado s\u00f3 disponibiliza ???? Juiz deprecante dirige o ato ???? Coopera\u00e7\u00e3o \u2192 efici\u00eancia + identidade f\u00edsica<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este conflito de compet\u00eancia busca discutir a viabilidade da carta precat\u00f3ria expedida pelo juiz federal ao juiz de direito, destinada \u00e0 oitiva de testemunhas, em a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria na qual a segurada postula a concess\u00e3o da aposentadoria rural por idade em face do Instituto Nacional do Seguro Social.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em casos an\u00e1logos ao presente, o STJ vinha adotando o entendimento de que &#8220;a pr\u00e1tica de atos processuais por videoconfer\u00eancia \u00e9 uma faculdade do ju\u00edzo deprecante, n\u00e3o competindo ao ju\u00edzo deprecado a determina\u00e7\u00e3o de forma diversa da realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia&#8221; (CC 165.381\/MG, relator Ministro Francisco Falc\u00e3o, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 14\/6\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que, a Primeira Se\u00e7\u00e3o considerou que, neste caso espec\u00edfico, estaria havendo uma subvers\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da norma prevista no art. 267 do CPC, de modo a autorizar a realiza\u00e7\u00e3o de <em>distinguishing <\/em>em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 jurisprud\u00eancia consolidada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o nacional previsto no art. 67 do CPC imp\u00f5e aos \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio o dever de cooperar entre si para a presta\u00e7\u00e3o de uma tutela jurisdicional mais c\u00e9lere e efetiva, viabilizando a obten\u00e7\u00e3o de resultados m\u00e1ximos, com menor disp\u00eandio de tempo e custos. Nos termos do inc. II do \u00a7 2\u00ba do art. 69 do CPC, os atos dos ju\u00edzes cooperantes poder\u00e3o consistir no estabelecimento de procedimento para a obten\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de provas e a coleta de depoimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mesma linha, a Resolu\u00e7\u00e3o 105\/2010 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a &#8211; alterada pela Resolu\u00e7\u00e3o 326\/2020 &#8211; disp\u00f5e em seu art. 3\u00ba que &#8220;quando a testemunha arrolada n\u00e3o residir na sede do ju\u00edzo em que tramita o processo, deve-se dar prefer\u00eancia, em decorr\u00eancia do princ\u00edpio da identidade f\u00edsica do juiz, \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o da carta precat\u00f3ria para a inquiri\u00e7\u00e3o pelo sistema de videoconfer\u00eancia&#8221;. Ainda, no \u00a7 2\u00ba do referido dispositivo, consta que &#8220;a dire\u00e7\u00e3o da inquiri\u00e7\u00e3o de testemunha realizada por sistema de videoconfer\u00eancia ser\u00e1 do juiz deprecante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim sendo, o STJ passou a adotar o entendimento de que, &#8220;nos locais em que existente sala passiva, a depreca\u00e7\u00e3o h\u00e1 de limitar-se \u00e0 disponibiliza\u00e7\u00e3o desta em data e hora previamente agendada, intima\u00e7\u00e3o de quem necess\u00e1rio e demais atos preparat\u00f3rios de modo que o magistrado efetivamente competente cumpra, sequencialmente, seu dever de oitiva das partes e testemunhas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-justica-comum-x-justica-do-trabalho-delivery\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia \u2014 Justi\u00e7a Comum x Justi\u00e7a do Trabalho (delivery)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-4\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Comum Estadual julgar a\u00e7\u00e3o de reativa\u00e7\u00e3o de conta em plataforma de delivery, quando n\u00e3o h\u00e1 pedido de reconhecimento de v\u00ednculo de emprego ou verbas trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 214.451-SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Segunda Se\u00e7\u00e3o, unanimidade, 16\/9\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-4\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CF, art. 114 I<\/strong> (<em>compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho para rela\u00e7\u00e3o de emprego ou trabalho<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPC, art. 64 \u00a71\u00ba<\/strong> (<em>compet\u00eancia determinada pela causa de pedir e pedidos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A Justi\u00e7a do Trabalho s\u00f3 \u00e9 competente quando o pedido busca reconhecimento de v\u00ednculo, verbas trabalhistas ou controv\u00e9rsia sobre rela\u00e7\u00e3o de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A a\u00e7\u00e3o de reativa\u00e7\u00e3o de conta decorre de contrato <strong>civil\/empresarial<\/strong> entre plataforma e entregador.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A indeniza\u00e7\u00e3o pretendida decorre de responsabilidade civil contratual, e n\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-4\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A quest\u00e3o central era determinar se o bloqueio da conta do entregador seria reflexo de rela\u00e7\u00e3o de trabalho e, portanto, atrairia compet\u00eancia trabalhista. O STJ destacou que o crit\u00e9rio decisivo n\u00e3o \u00e9 a natureza sociol\u00f3gica da atividade, mas sim <strong>o conte\u00fado jur\u00eddico da demanda<\/strong>: se os pedidos s\u00e3o exclusivamente obrigacionais, sem pretens\u00e3o de reconhecimento de v\u00ednculo, o lit\u00edgio \u00e9 civil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tribunal enfatizou que ampliar a compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho a qualquer conflito envolvendo plataformas digitais criaria distor\u00e7\u00f5es e inseguran\u00e7a jur\u00eddica. Sem pedido laboral, o conflito versa sobre \u201cgest\u00e3o de conta\u201d, t\u00edpico de rela\u00e7\u00f5es civis privadas. Assim, a Justi\u00e7a Comum \u00e9 competente para julgar tanto o pedido de reativa\u00e7\u00e3o quanto a indeniza\u00e7\u00e3o eventualmente decorrente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-4\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A a\u00e7\u00e3o relativa ao bloqueio de conta de entregador em plataforma digital pertence \u00e0 Justi\u00e7a Comum, salvo se houver pedido de reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A compet\u00eancia trabalhista depende de <strong>pedido ou controv\u00e9rsia laboral<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Em lit\u00edgios envolvendo plataformas, o crit\u00e9rio definidor da compet\u00eancia \u00e9 a <strong>causa de pedir e os pedidos<\/strong>, e n\u00e3o a atividade econ\u00f4mica subjacente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Trata-se de <em>ratio decidendi<\/em> do CC 214.451-SP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-4\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Compet\u00eancia \u2014 plataforma digital<\/td><\/tr><tr><td>???? Justi\u00e7a do Trabalho exige pedido laboral ???? Bloqueio de conta \u2192 rela\u00e7\u00e3o civil ???? Compet\u00eancia da Justi\u00e7a Comum ???? Crit\u00e9rio: causa de pedir + pedidos<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em definir se a demanda, relativa a pedido de reativa\u00e7\u00e3o de conta bloqueada em plataforma digital de <em>delivery<\/em>, sem pedido de reconhecimento de v\u00ednculo trabalhista ou verbas t\u00edpicas da rela\u00e7\u00e3o de trabalho, deve ser processada e julgada pela Justi\u00e7a do Trabalho ou pela Justi\u00e7a Comum Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A compet\u00eancia da Justi\u00e7a Comum ou da Justi\u00e7a do Trabalho \u00e9 definida a partir da causa de pedir e dos pedidos formulados, em conformidade com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o havendo pedido de reconhecimento de v\u00ednculo de emprego nem verbas de natureza trabalhista, a controv\u00e9rsia decorre de contrato de natureza civil firmado com a plataforma digital de <em>delivery<\/em>, sendo compete a Justi\u00e7a Comum Estadual em detrimento da Justi\u00e7a do Trabalho, portanto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a jurisprud\u00eancia do STJ entende que a compet\u00eancia para julgar pretens\u00f5es relacionadas ao bloqueio ou exclus\u00e3o de contas e indeniza\u00e7\u00f5es correspondentes perten\u00e7a \u00e0 justi\u00e7a comum.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-ipi-nova-isencao-apos-sinistro-pcd\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; IPI \u2013 nova isen\u00e7\u00e3o ap\u00f3s sinistro (PCD)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-5\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Nos casos de perda total, furto ou roubo do ve\u00edculo adquirido com isen\u00e7\u00e3o de IPI por pessoa com defici\u00eancia (PCD), \u00e9 assegurada <strong>nova isen\u00e7\u00e3o<\/strong>, mesmo antes de decorrido o prazo de 2 anos, e <strong>\u00e9 inexig\u00edvel<\/strong> o IPI na transfer\u00eancia dos salvados \u00e0 seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.849.743-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, 7\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-5\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>Lei 8.989\/1995, art. 2\u00ba<\/strong> (<em>prazo de 2 anos para nova isen\u00e7\u00e3o; exce\u00e7\u00f5es interpretadas conforme finalidade extrafiscal<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Lei 8.989\/1995, art. 6\u00ba<\/strong> (<em>perda da isen\u00e7\u00e3o somente em aliena\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria; sinistro n\u00e3o se enquadra<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>IN RFB 1.769\/2017, arts. 11\u201312<\/strong> (<em>condicionamento administrativo \u00e0 cobran\u00e7a pr\u00e9via do IPI \u2013 afastado pelo STJ<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? Sinistro, furto ou roubo s\u00e3o <strong>eventos involunt\u00e1rios<\/strong>, sem inten\u00e7\u00e3o de lucro, incompat\u00edveis com a l\u00f3gica de puni\u00e7\u00e3o prevista no art. 6\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O regime do art. 2\u00ba da Lei 8.989\/1995 <strong>visa a facilitar mobilidade e inclus\u00e3o da PCD<\/strong>, impedindo que eventos imprevis\u00edveis gerem penaliza\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A seguradora n\u00e3o pode ser obrigada a recolher IPI, porque n\u00e3o h\u00e1 fato gerador: a transfer\u00eancia dos salvados n\u00e3o \u00e9 aliena\u00e7\u00e3o tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-5\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se o sinistro ocorrido dentro do prazo de 2 anos impediria a frui\u00e7\u00e3o de nova isen\u00e7\u00e3o ou ensejaria cobran\u00e7a de IPI sobre os salvados. A Fazenda defendia interpreta\u00e7\u00e3o literal r\u00edgida do prazo bienal, enquanto a Corte reconheceu que a literalidade deve ser conciliada com a <strong>finalidade extrafiscal da pol\u00edtica de inclus\u00e3o de PCD<\/strong>, que seria frustrada caso um evento imprevis\u00edvel \u2014 totalmente alheio \u00e0 vontade do benefici\u00e1rio \u2014 implicasse perda da isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Turma tamb\u00e9m pontuou que a transfer\u00eancia de salvados \u00e0 seguradora, etapa obrigat\u00f3ria no recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o, <strong>n\u00e3o constitui aliena\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria<\/strong> nem fato gerador do imposto. Assim, tanto o contribuinte quanto a seguradora permanecem protegidos: o primeiro mant\u00e9m o direito \u00e0 nova isen\u00e7\u00e3o, o segundo n\u00e3o assume d\u00e9bito indevido. A interpreta\u00e7\u00e3o restritiva da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria foi afastada por contrariar legalidade estrita e a l\u00f3gica protetiva da norma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-5\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A transfer\u00eancia dos salvados \u00e0 seguradora configura aliena\u00e7\u00e3o antecipada e acarreta a perda da isen\u00e7\u00e3o de IPI.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. N\u00e3o h\u00e1 aliena\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria; o evento \u00e9 <strong>involunt\u00e1rio<\/strong> e imposto pelo contrato de seguro, afastando o art. 6\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A finalidade extrafiscal da Lei 8.989\/1995 exige tratamento protetivo \u00e0 PCD, permitindo <strong>nova isen\u00e7\u00e3o<\/strong>, mesmo antes do prazo de 2 anos, quando o fato gerador da perda do ve\u00edculo n\u00e3o decorre de conduta do benefici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esse \u00e9 o racioc\u00ednio empregado no ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-5\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? IPI \u2013 nova isen\u00e7\u00e3o ap\u00f3s sinistro (PCD)<\/td><\/tr><tr><td>???? Sinistro \u2260 aliena\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria ???? Transfer\u00eancia \u00e0 seguradora \u2192 sem fato gerador ???? Finalidade extrafiscal: prote\u00e7\u00e3o e mobilidade ???? Nova isen\u00e7\u00e3o antes de 2 anos \u00e9 poss\u00edvel<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia tem origem na a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria em que a seguradora, ora recorrida, objetiva provimento jurisdicional para que seja declarada a inconstitucionalidade e ilegalidade do condicionamento da transfer\u00eancia dos salvados de ve\u00edculo segurado ao pr\u00e9vio pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados &#8211; IPI e a inexigibilidade do referido tributo em raz\u00e3o da transfer\u00eancia dos salvados do ve\u00edculo \u00e0 seguradora.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Ju\u00edzo de primeiro grau julgou procedente o pedido para reconhecer a inexigibilidade do IPI incidente na transfer\u00eancia da propriedade do ve\u00edculo, tendo o Tribunal Regional mantido a senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, pessoa com defici\u00eancia (PCD) adquiriu ve\u00edculo automotor com a isen\u00e7\u00e3o de IPI prevista no art. 1\u00ba da Lei n. 8.989\/1995. O carro sofreu sinistro ainda no prazo de 2 (dois) anos ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o, sendo constatado que o custo de seu reparo com pe\u00e7as novas e originais de f\u00e1brica superava 75% de seu valor de mercado, o que implicou sua perda total.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como condi\u00e7\u00e3o de recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o, a seguradora requereu a transfer\u00eancia do ve\u00edculo para o seu nome perante o cadastro do DETRAN e constatou que a referida autarquia condicionou essa transfer\u00eancia \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de pagamento do valor referente ao IPI dispensado na aquisi\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, fundamentando sua exig\u00eancia nos termos do disposto nos arts. 6\u00ba da Lei n. 8.989\/1995 e 11 e 12 da Instru\u00e7\u00e3o Normativa da Receita Federal do Brasil n. 1.769\/2017.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel penalizar nem o contribuinte benefici\u00e1rio nem a seguradora com a perda da isen\u00e7\u00e3o fiscal neste caso, pois nessa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de lucro. O evento que ocasionou a perda do ve\u00edculo foi alheio \u00e0 sua vontade. Assim, nos casos em que o ve\u00edculo adquirido com <strong>isen\u00e7\u00e3o fiscal se envolver em acidente que implique sua perda total ou for objeto de furto ou roubo, o benefici\u00e1rio possui direito a nova isen\u00e7\u00e3o para a compra de outro ve\u00edculo, ainda que n\u00e3o ultrapassado o prazo de 2 anos<\/strong>, previsto no art. 2\u00ba da Lei n. 8.989\/1995, n\u00e3o havendo que falar na cobran\u00e7a do tributo da seguradora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-tcdr-tributo-direto-e-art-166-do-ctn\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; TCDR \u2013 tributo direto e art. 166 do CTN<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-6\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O art. 166 do CTN <strong>n\u00e3o<\/strong> se aplica \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito da Taxa de Coleta e Destina\u00e7\u00e3o Final de Res\u00edduos S\u00f3lidos (TCDR), por se tratar de tributo direto que n\u00e3o comporta transfer\u00eancia econ\u00f4mica do encargo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.117.022-RS, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, 4\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-6\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CTN, art. 166<\/strong> (<em>exige prova de n\u00e3o repasse apenas para tributos indiretos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>TCDR \u2013 natureza<\/strong> (<em>taxa direta; contrapresta\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio contribuinte<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Tema 232\/STJ<\/strong> (<em>CTN, art. 166 inaplic\u00e1vel a tributos diretos<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? Taxas s\u00e3o tributos <strong>diretos<\/strong>, pagos pelo benefici\u00e1rio imediato do servi\u00e7o, sem repasse econ\u00f4mico a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Rateio condominial n\u00e3o configura \u201crepasse de encargo\u201d, mas divis\u00e3o interna de despesas.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Exigir prova de n\u00e3o repasse seria violar jurisprud\u00eancia consolidada e impor \u00f4nus probat\u00f3rio imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-6\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ examinou se condom\u00ednio deveria provar n\u00e3o ter repassado a taxa aos cond\u00f4minos, para ter direito \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito. O Tribunal esclareceu que <strong>taxas n\u00e3o comportam repasse econ\u00f4mico<\/strong>, pois remuneram servi\u00e7o divis\u00edvel prestado diretamente ao contribuinte \u2014 ao contr\u00e1rio de ICMS e IPI, que s\u00e3o t\u00edpicos tributos indiretos. A controv\u00e9rsia, portanto, n\u00e3o pode ser analisada pela l\u00f3gica da repercuss\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Segunda Turma refor\u00e7ou que, diante da jurisprud\u00eancia vinculante do Tema 232, qualquer decis\u00e3o que exija prova de n\u00e3o repasse em tributos diretos contraria o CTN e imp\u00f5e \u00f4nus probat\u00f3rio incompat\u00edvel com a estrutura do tributo. Assim, reconheceu o direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o sem necessidade de demonstra\u00e7\u00e3o complementar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-6\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Para reaver valores pagos de TCDR, o contribuinte n\u00e3o precisa provar que n\u00e3o repassou o encargo financeiro ao usu\u00e1rio final.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O CTN art. 166 aplica-se apenas a <strong>tributos indiretos<\/strong>; a TCDR \u00e9 taxa direta.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O rateio interno entre cond\u00f4minos n\u00e3o descaracteriza a natureza direta da taxa nem converte o condom\u00ednio em \u201crepassador\u201d econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Esse tema \u00e9 expressamente destacado no ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-6\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? TCDR \u2013 tributo direto<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ???? CTN 166 inaplic\u00e1vel ???? Taxa \u2192 sem transfer\u00eancia econ\u00f4mica ???? Tema 232\/STJ refor\u00e7a a tese ???? Restitui\u00e7\u00e3o sem prova de n\u00e3o repasse<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de recurso especial interposto por condom\u00ednio contra ac\u00f3rd\u00e3o que negou provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o, mantendo a improced\u00eancia do pedido de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito referente \u00e0 Taxa de Coleta e Destina\u00e7\u00e3o Final de Res\u00edduos S\u00f3lidos &#8211; TCDR, sob o fundamento de que o condom\u00ednio n\u00e3o comprovou a aus\u00eancia de repasse do encargo financeiro aos cond\u00f4minos, conforme exigido pelo art. 166 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a controv\u00e9rsia consiste em saber se o art. 166 do CTN \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito da Taxa de Coleta e Destina\u00e7\u00e3o Final de Res\u00edduos S\u00f3lidos, considerando sua natureza de tributo direto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, registre-se que <strong>o art. 166 do CTN aplica-se a tributos que comportam transfer\u00eancia do encargo financeiro, o que n\u00e3o ocorre com tributos diretos, como a TCDR, cuja contrapresta\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente vinculada \u00e0 atividade estatal prestada ao contribuinte<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a &#8211; STJ, ao julgar o Tema 232, firmou a tese de que, na repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito de tributo direto, n\u00e3o se exige a comprova\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o houve repasse do encargo financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A rela\u00e7\u00e3o entre o condom\u00ednio e os cond\u00f4minos, bem como o rateio das despesas condominiais, n\u00e3o caracteriza transfer\u00eancia econ\u00f4mica do tributo, afastando a aplica\u00e7\u00e3o do art. 166 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destarte, o entendimento do Tribunal de origem, ao exigir a comprova\u00e7\u00e3o de n\u00e3o repasse do encargo financeiro, contraria a jurisprud\u00eancia consolidada do STJ sobre a inaplicabilidade do art. 166 do CTN a tributos diretos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o art. 166 do CTN n\u00e3o se aplica \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito de tributos diretos, como a Taxa de Coleta e Destina\u00e7\u00e3o Final de Res\u00edduos S\u00f3lidos, que n\u00e3o comportam transfer\u00eancia do encargo financeiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-seguro-de-vida-roleta-russa-embriaguez-e-intencionalidade\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seguro de vida \u2013 \u201croleta-russa\u201d, embriaguez e intencionalidade<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-7\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A conduta de \u201croleta-russa\u201d, embora temer\u00e1ria, quando praticada sem inten\u00e7\u00e3o suicida e sob embriaguez, <strong>n\u00e3o<\/strong> caracteriza agravamento intencional do risco (art. 768 do CC), devendo a seguradora pagar a indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.204.888-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, maioria, 4\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-7\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CC, art. 768<\/strong> (<em>perda da garantia apenas quando o segurado agrava o risco intencionalmente<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>S\u00famula 620\/STJ<\/strong> (<em>embriaguez n\u00e3o exclui indeniza\u00e7\u00e3o de seguro de vida<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>Lei 10.406\/2002 \u2013 boa-f\u00e9 objetiva<\/strong> (<em>orienta interpreta\u00e7\u00e3o protetiva em contratos de seguro<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? Agravamento intencional exige dolo ou culpa grav\u00edssima dirigida a frustrar o risco segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Atos praticados em estado de altera\u00e7\u00e3o mental (embriaguez) n\u00e3o configuram inten\u00e7\u00e3o de produzir o sinistro.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A distin\u00e7\u00e3o entre suic\u00eddio e fatalidade culposa \u00e9 crucial: suic\u00eddio exige prop\u00f3sito deliberado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O seguro de vida tem cobertura ampla e s\u00f3 exclui hip\u00f3teses expressamente previstas em lei ou contrato \u2014 jamais presumidas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-7\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A Turma avaliou se a \u201croleta-russa\u201d, embora perigosa, poderia ser equiparada ao suic\u00eddio ou a ato doloso voltado a agravar o risco segurado. A seguradora sustentava que a temeridade seria suficiente para caracterizar inten\u00e7\u00e3o; por\u00e9m, o STJ enfatizou que o art. 768 exige <strong>inten\u00e7\u00e3o dirigida ao resultado<\/strong>, n\u00e3o mera imprud\u00eancia, e que a embriaguez altera a capacidade deliberativa do agente, afastando o dolo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Al\u00e9m disso, a Corte refor\u00e7ou que o seguro de vida possui fun\u00e7\u00e3o essencialmente protetiva \u2014 cl\u00e1usulas limitativas devem ser interpretadas restritivamente. Como os autos demonstravam total aus\u00eancia de prop\u00f3sito suicida e indicavam que o segurado acreditava estar lidando com arma desmuniciada, concluiu-se que o evento foi uma fatalidade culposa, n\u00e3o um agravamento intencional do risco. A indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 devida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-7\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A pr\u00e1tica de \u201croleta-russa\u201d configura agravamento intencional do risco, afastando a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Sem inten\u00e7\u00e3o suicida ou prop\u00f3sito deliberado de causar o sinistro, n\u00e3o h\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o do art. 768.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A embriaguez do segurado afasta a cobertura do seguro de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Contr\u00e1rio ao entendimento consolidado na S\u00famula 620 do STJ.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-7\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Seguro de vida \u2013 roleta-russa<\/td><\/tr><tr><td>???? Agravamento intencional exige dolo ???? Embriaguez \u2192 n\u00e3o exclui cobertura ???? Fatalidade culposa \u2260 suic\u00eddio ???? Indeniza\u00e7\u00e3o devida<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em decidir se resta configurado o agravamento intencional de risco quando o segurado, em estado de embriaguez, vai a \u00f3bito depois de atirar contra si com uma arma que acreditava n\u00e3o funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 768 do CC disciplina que &#8220;<em>o segurado perder\u00e1 o direito \u00e0 garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Somente uma conduta imputada ao segurado, que, por dolo ou culpa grave, incremente o risco contratado, d\u00e1 azo \u00e0 perda da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 somente ser\u00e1 afastada se existirem provas da m\u00e1-f\u00e9 do segurado que intencionalmente agravou o risco do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No contrato de seguro de vida, consolidou-se, a orienta\u00e7\u00e3o mais ben\u00e9fica ao consumidor, no sentido de afastar o pagamento da ap\u00f3lice t\u00e3o somente quando ocorrer suic\u00eddio dentro dos dois primeiros anos de contrato. Nas demais situa\u00e7\u00f5es, ocorrendo o sinistro morte do segurado e inexistente a m\u00e1-f\u00e9 dele, a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria deve ser paga ao benefici\u00e1rio, visto que a cobertura do seguro de vida \u00e9 ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No seguro de vida, \u00e9 vedada a exclus\u00e3o de cobertura na hip\u00f3tese de sinistros ou acidentes decorrentes de atos praticados pelo segurado em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob efeito de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A conduta de atirar em si mesmo s\u00f3 poderia ser classificada como suic\u00eddio se a pessoa tivesse a inten\u00e7\u00e3o de morrer. A percep\u00e7\u00e3o sobre a realidade \u00e9 o que transforma o ato de um potencial suic\u00eddio em uma fatalidade culposa. Ademais, porque, nos termos da jurisprud\u00eancia supracitada, os acidentes que levam \u00e0 morte, se foram decorrentes de embriaguez, em regra, n\u00e3o justificam a perda da garantia do seguro de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a <strong>S\u00famula 620\/STJ disp\u00f5e: &#8220;a embriaguez do segurado n\u00e3o exime a seguradora do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o prevista em contrato de seguro de vida&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A conduta da &#8220;roleta-russa&#8221;, embora temer\u00e1ria, quando comprovadamente realizada sem a inten\u00e7\u00e3o suicida e sob o efeito de embriaguez, n\u00e3o \u00e9 causa para a perda de indeniza\u00e7\u00e3o do seguro de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso analisado, embora o segurado tenha atirado contra si, o fato de esse ato ter sido decorrente de embriaguez e sem a inten\u00e7\u00e3o deliberada de tirar a pr\u00f3pria vida afasta a aplica\u00e7\u00e3o do art. 768 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-carta-psicografada-inadmissibilidade-da-prova\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Carta psicografada \u2013 inadmissibilidade da prova<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-8\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A carta psicografada \u00e9 absolutamente destitu\u00edda de idoneidade epist\u00eamica e <strong>n\u00e3o pode ser admitida como prova<\/strong>, devendo ser desentranhada dos autos do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 167.478-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, unanimidade, 21\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-8\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPP, arts. 155 e 158-A a 158-F<\/strong> (<em>prova deve estar sujeita a controle racional; cadeia de cust\u00f3dia assegura autenticidade<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CF, art. 5\u00ba LIV e LV<\/strong> (<em>devido processo legal, contradit\u00f3rio e ampla defesa<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>CPP, art. 478 I\u2013II<\/strong> (<em>juiz-presidente deve impedir prova que comprometa julgamento racional<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>???? Provas irracionais \u2014 sem m\u00ednima possibilidade de conduzir a infer\u00eancias f\u00e1ticas \u2014 n\u00e3o podem compor o acervo cognitivo do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Psicografia n\u00e3o possui reconhecimento cient\u00edfico; sua aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 ato de f\u00e9 e n\u00e3o atende requisitos de relev\u00e2ncia + licitude + idoneidade.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A idoneidade epist\u00eamica \u00e9 <strong>pressuposto m\u00ednimo<\/strong> da admissibilidade, n\u00e3o apenas da valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-8\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se a psicografia poderia permanecer nos autos sob o argumento de \u201campla defesa\u201d e de \u201cbusca da verdade real\u201d. O Tribunal destacou que o J\u00fari julga por \u00edntima convic\u00e7\u00e3o, o que <strong>exige filtragem mais rigorosa<\/strong> das provas: se elementos irracionais forem submetidos aos jurados, h\u00e1 risco real de veredictos arbitr\u00e1rios e incompat\u00edveis com o devido processo legal. A aus\u00eancia de qualquer suporte emp\u00edrico ou metodol\u00f3gico faz da psicografia um meio probat\u00f3rio epistemicamente nulo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Turma tamb\u00e9m diferenciou dois planos: licitude e fiabilidade. Embora a obten\u00e7\u00e3o da psicografia n\u00e3o seja il\u00edcita (n\u00e3o viola direitos), ela \u00e9 <strong>inadequada como prova<\/strong>, pois n\u00e3o permite reconstru\u00e7\u00e3o racional dos fatos. Assim, sua manuten\u00e7\u00e3o violaria o dever do presidente do J\u00fari de eliminar material incapaz de orientar decis\u00f5es respons\u00e1veis. A psicografia pode, no m\u00e1ximo, funcionar como \u201cpista investigativa\u201d, jamais como suporte cognitivo de decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-8\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A carta psicografada pode ser utilizada como prova no Tribunal do J\u00fari se corroborada por outros elementos probat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A psicografia <strong>n\u00e3o possui idoneidade epist\u00eamica m\u00ednima<\/strong>, de modo que n\u00e3o ingressa sequer na fase instrut\u00f3ria \u2014 deve ser desentranhada.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A inadmissibilidade da prova pode decorrer da aus\u00eancia de racionalidade, paralelamente \u00e0 quest\u00e3o da licitude.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Este ponto aparece no inteiro teor ao diferenciar prova il\u00edcita (art. 157) de prova epistemicamente in\u00fatil. Por isso, a psicografia poderia (em tese) servir como elemento meramente investigativo, mas jamais como prova judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-8\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Psicografia \u2013 prova inadmiss\u00edvel<\/td><\/tr><tr><td>???? Requisito m\u00ednimo: idoneidade epist\u00eamica ???? Aus\u00eancia total de base cient\u00edfica \u2192 retirada dos autos ???? Pode ser \u201cpista\u201d, n\u00e3o prova ???? Controle refor\u00e7ado no J\u00fari, devido \u00e0 \u00edntima convic\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em verificar a admissibilidade de carta psicografada no procedimento especial do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No sistema de livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova, como regra, n\u00e3o h\u00e1 hierarquia pr\u00e9via entre os meios de prova, tampouco valor predeterminado por lei para cada meio de prova. A regra \u00e9 a admissibilidade de todas as provas relevantes (desde que l\u00edcitas) para o acertamento dos fatos. Sob o marco da concep\u00e7\u00e3o racionalista, a liberdade de aprecia\u00e7\u00e3o da prova deve ser preenchida por crit\u00e9rios racionais de apura\u00e7\u00e3o dos fatos, a fim de evitar a substitui\u00e7\u00e3o do arb\u00edtrio legislativo pelo arb\u00edtrio judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais diretrizes devem se aplicar, inclusive, aos julgamentos promovidos pelo Tribunal do J\u00fari. O procedimento especial aplic\u00e1vel ao Tribunal do J\u00fari tem por comandos constitucionais (a) a plenitude de defesa, (b) o sigilo das vota\u00e7\u00f5es, (c) a soberania dos veredictos e (d) a compet\u00eancia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todas essas garantias fundamentais devem ser interpretadas de modo a assegurar ao acusado a submiss\u00e3o a um julgamento racional, de cunho cognoscitivo, e n\u00e3o potestativo, raz\u00e3o pela qual \u00e9 necess\u00e1rio um ju\u00edzo de admissibilidade rigoroso, que evite a incorpora\u00e7\u00e3o de provas inid\u00f4neas no processo que conduzam a veredictos irracionais. Assim, devem ser mantidos nos autos apenas os elementos de prova dos quais se possam extrair infer\u00eancias racionais sobre as hip\u00f3teses em conflito.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A admissibilidade de uma prova no processo judicial \u00e9 condicionada a dois requisitos cumulativos: (i) a relev\u00e2ncia da prova e (ii) a legalidade (licitude e legitimidade) dos meios de obten\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o da prova.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<strong>Por for\u00e7a do dever de racionalidade das decis\u00f5es judiciais, s\u00f3 podem ser admitidas no processo provas das quais se possam inferir conclus\u00f5es racionais sobre os fatos a serem provados<\/strong>. A racionalidade das conclus\u00f5es depende, logicamente, da racionalidade das premissas. Por isso, em um processo que visa \u00e0 prola\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es racionais, n\u00e3o se pode admitir a produ\u00e7\u00e3o de provas irracionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A inadmiss\u00e3o de uma prova por inidoneidade epist\u00eamica n\u00e3o \u00e9, todavia, uma atividade simpl\u00f3ria, pois a fiabilidade da prova \u00e9 um atributo gradual, e n\u00e3o bin\u00e1rio (modelo de tudo-ou-nada). A saber, as provas n\u00e3o s\u00e3o apenas fi\u00e1veis ou n\u00e3o fi\u00e1veis, mas sim mais ou menos fi\u00e1veis, de modo progressivo e gradual. Nesse sentido, a fiabilidade consiste, inclusive, em um crit\u00e9rio de valora\u00e7\u00e3o da prova, de modo que apenas excepcionalmente a fiabilidade deve ser examinada na anterior etapa de verifica\u00e7\u00e3o da sua admissibilidade no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, em um regime inclusionista (que visa \u00e0 m\u00e1xima inclus\u00e3o de provas relevantes no processo), no exame da idoneidade epist\u00eamica como requisito de admissibilidade da prova, deve-se aferir t\u00e3o somente se h\u00e1 m\u00ednima aptid\u00e3o do meio de prova para a corrobora\u00e7\u00e3o do fato pertinente ou relevante (grau m\u00ednimo de fiabilidade).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apenas a <strong>inadequa\u00e7\u00e3o epist\u00eamica absoluta<\/strong> e manifesta da prova, decorrente da fiabilidade inexistente, \u00ednfima ou desprez\u00edvel do meio de prova, justifica a inadmiss\u00e3o da prova. Se a prova tiver fiabilidade apenas baixa ou question\u00e1vel, deve ser admitida no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos processos submetidos ao procedimento especial do Tribunal do J\u00fari, as decis\u00f5es do Conselho de Senten\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o motivadas, nem objeto de pr\u00e9via delibera\u00e7\u00e3o entre os jurados. Por isso, \u00e9 especialmente importante o controle rigoroso da admissibilidade da prova, sobretudo no tocante \u00e0 sua idoneidade epist\u00eamica. \u00c9 poder-dever do juiz que preside o processo filtrar o material probat\u00f3rio a ser submetido ao conhecimento do corpo de jurados, como forma de promover a racionalidade dos veredictos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m do controle de admissibilidade da acusa\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o da decis\u00e3o de pron\u00fancia, o juiz presidente do processo deve evitar o contato dos jurados com provas relativas a fatos impertinentes ou irrelevantes ou com provas completamente desprovidas de idoneidade epist\u00eamica que possam conduzir, consequentemente, a veredictos irracionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todas as senten\u00e7as devem ser devidamente fundamentadas, sejam elas condenat\u00f3rias ou absolut\u00f3rias. Nenhuma das partes tem o direito de produzir provas impertinentes ou irrelevantes (que tumultuem e desvirtuem o processo) ou epistemicamente inid\u00f4neas (que conduzam a julgamentos irracionais e incontrol\u00e1veis e, no limite, induzam o \u00f3rg\u00e3o julgador, notadamente o corpo de jurados, em erro).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que o Estado-investiga\u00e7\u00e3o e o Estado-acusa\u00e7\u00e3o conduzam a atividade probat\u00f3ria a partir de provas esp\u00farias, sem nenhum respaldo em regras cient\u00edficas, t\u00e9cnicas ou de experi\u00eancia, que permitam inferir conclus\u00f5es racionais sobre a probabilidade das hip\u00f3teses em conflito.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o processo cognitivo, mesmo submetido ao Tribunal do J\u00fari, deve ser pautado por c\u00e2nones de racionalidade, notadamente no que se refere \u00e0 fase instrut\u00f3ria, que visa \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de provas relevantes sobre as hip\u00f3teses f\u00e1ticas alegadas pelas partes. Consequentemente, s\u00e3o inadmiss\u00edveis no processo provas desprovidas de idoneidade epist\u00eamica, as quais potencializam o risco de julgamentos irracionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 psicografia, ela consiste no ato pelo qual uma pessoa viva (referida como m\u00e9dium) declara ou transmite mensagens que haveriam sido passadas a ela por uma pessoa morta, as quais podem se materializar pelo m\u00e9dium em um documento escrito, comumente denominado carta psicografada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A psicografia j\u00e1 foi objeto de tentativas cient\u00edficas de demonstr\u00e1-la e que resultaram frustradas. Ademais, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma regra t\u00e9cnica ou m\u00e1xima de experi\u00eancia que ampare a no\u00e7\u00e3o de psicografia. Da\u00ed porque, em suma, atualmente, n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nenhum apoio racional quanto \u00e0 possibilidade de psicografia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No cen\u00e1rio atual, a cren\u00e7a na psicografia consiste em um ato de f\u00e9. Atos de f\u00e9 (seja ela religiosa ou n\u00e3o), por defini\u00e7\u00e3o, prescindem de demonstra\u00e7\u00e3o racional e, portanto, s\u00e3o opostos aos atos de prova, que visam justamente \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o racional dos fatos alegados no processo. Um ato de f\u00e9 n\u00e3o pode servir como ato de prova, por serem atos diametralmente opostos e incompat\u00edveis entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A idoneidade epist\u00eamica da carta psicografada dependeria de existir conhecimento racional sobre a possibilidade da psicografia, que n\u00e3o poderia estar amparada exclusivamente em um ato de f\u00e9. Assim, a aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica atual quanto \u00e0 possibilidade da psicografia leva \u00e0 sua inidoneidade epist\u00eamica e, consequentemente, obsta o uso da psicografia como fonte de prova no processo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A compatibilidade com uma convic\u00e7\u00e3o religiosa espec\u00edfica (espiritismo) e a incompatibilidade com outras n\u00e3o torna uma prova il\u00edcita por viola\u00e7\u00e3o ao direito fundamental de liberdade religiosa ou mesmo \u00e0 laicidade estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mesmo que n\u00e3o houvesse nenhuma controv\u00e9rsia religiosa sobre a quest\u00e3o, a carta psicografada ainda seria uma prova inadmiss\u00edvel por falta de apoio cient\u00edfico quanto \u00e0 possibilidade da psicografia. O apelo \u00e0 religi\u00e3o como substrato para a admiss\u00e3o da psicografia, neste caso, \u00e9 mera consequ\u00eancia da aus\u00eancia de apoio racional a essa fonte de prova, de modo que o v\u00edcio primordial \u00e9 de irrelev\u00e2ncia (inidoneidade epist\u00eamica), e n\u00e3o de ilicitude da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, vale notar que a obten\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de uma carta psicografada n\u00e3o violam nenhuma norma de direito material ou processual. Se uma carta psicografada \u00e9 apreendida e juntada a um processo, isso, a princ\u00edpio, n\u00e3o viola nenhum direito das partes ou mesmo de terceiros. T\u00e3o somente a valora\u00e7\u00e3o (positiva) dessa prova \u00e9 que violaria o direito a um julgamento racional. Assim, n\u00e3o h\u00e1 um v\u00edcio de licitude, pois a obten\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o dessa prova \u00e9 l\u00edcita e leg\u00edtima. O v\u00edcio est\u00e1 na fiabilidade dela (relev\u00e2ncia epistemol\u00f3gica).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante, pois a ilicitude da prova acarreta a ilicitude das provas dela derivadas, na forma do art. 157, \u00a7 1\u00ba, do CPP, mas n\u00e3o a falta de fiabilidade. Por consequ\u00eancia, especialmente na fase de investiga\u00e7\u00e3o preliminar, n\u00e3o se pode descartar a possibilidade de que uma carta psicografada sirva como mero elemento de informa\u00e7\u00e3o (&#8220;pista&#8221;) cujo conte\u00fado pode ser apurado e pode conduzir \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de outros elementos de informa\u00e7\u00e3o ou mesmo de prova, sem que esses outros elementos estejam necessariamente contaminados pela falta de fiabilidade da carta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, cartas psicografadas e den\u00fancias an\u00f4nimas n\u00e3o t\u00eam valor probat\u00f3rio, mas podem ter valor investigativo. \u00c9 dizer, o conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o constante da carta psicografada ou da den\u00fancia an\u00f4nima pode ser apurado por outros meios de obten\u00e7\u00e3o de prova na fase de investiga\u00e7\u00e3o preliminar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fundamento primordial da inadmissibilidade da carta psicografada consiste, repita-se, na absoluta inidoneidade epist\u00eamica da psicografia como meio de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por conseguinte, no processo submetido a julgamento pelo Tribunal do J\u00fari, \u00e9 imperativo o seu desentranhamento dos autos, a fim de evitar que seja valorada pelos jurados e conduza a julgamentos irracionais.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-c49ba9dc-8578-4062-a2cd-eee4ea97bb18\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/12\/08235635\/stj-info-870.pdf\">STJ &#8211; Info 870<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/12\/08235635\/stj-info-870.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download 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