{"id":1633636,"date":"2025-09-04T08:32:34","date_gmt":"2025-09-04T11:32:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1633636"},"modified":"2025-09-04T08:32:34","modified_gmt":"2025-09-04T11:32:34","slug":"informativo-stj-858-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-858-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 858 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/09\/02012738\/stj-info-858.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_jqW8BAuQgI8\"><div id=\"lyte_jqW8BAuQgI8\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/jqW8BAuQgI8\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/jqW8BAuQgI8\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/jqW8BAuQgI8\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-adicional-noturno-e-periodos-de-afastamento\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adicional noturno e per\u00edodos de afastamento<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O adicional noturno n\u00e3o \u00e9 devido ao Agente Federal de Execu\u00e7\u00e3o Penal durante per\u00edodos de afastamento, mesmo que considerados como de efetivo exerc\u00edcio, por possuir natureza propter laborem.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.956.088-RN, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1272).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Lei 8.112\/1990, arts. 75 e 102.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O adicional noturno compensa o desgaste do trabalho no per\u00edodo entre 22h e 5h.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Tem car\u00e1ter transit\u00f3rio e depende da efetiva presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Afastamentos cessam o desgaste noturno e, portanto, a raz\u00e3o de ser da gratifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ avaliou se h\u00e1 direito ao adicional noturno em afastamentos como f\u00e9rias, licen\u00e7as e outros previstos no art. 102 da Lei 8.112\/1990.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A verba s\u00f3 \u00e9 devida enquanto houver efetivo labor noturno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A interrup\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o cessa o direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O servidor n\u00e3o faz jus ao adicional noturno durante f\u00e9rias e afastamentos legais, por n\u00e3o serem considerados de efetivo exerc\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O adicional \u00e9 devido apenas quando h\u00e1 trabalho efetivo no per\u00edodo noturno.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O adicional noturno possui natureza propter laborem e exige presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o entre 22h e 5h.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia do STJ consagra esse entendimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Adicional Noturno \u2013 Afastamentos<\/td><\/tr><tr><td>???? Lei 8.112\/1990, art. 75 ???? Natureza propter laborem ???? Exige efetivo trabalho noturno ???? STJ: afastamento exclui o direito<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se deve ser realizado o pagamento do adicional noturno ao Agente Penitenci\u00e1rio Federal em seus per\u00edodos de f\u00e9rias, licen\u00e7as e demais afastamentos previstos no art. 102 da Lei n. 8.112\/1990.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A teor do art. 75 da Lei n. 8.112\/1990, percebe-se que o adicional noturno <em>possui natureza provis\u00f3ria<\/em>, cuja finalidade \u00e9 promover uma compensa\u00e7\u00e3o financeira pelo trabalho realizado entre 22 horas de um dia e 5 horas do dia seguinte, em raz\u00e3o do n\u00edtido desgaste inerente a essa condi\u00e7\u00e3o de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, revela-se incontroverso que os trabalhadores que laboram no per\u00edodo noturno t\u00eam maiores dificuldades de conv\u00edvio familiar e social, em raz\u00e3o do maior desgaste f\u00edsico e mental a que s\u00e3o submetidos, considerando que o per\u00edodo noturno \u00e9 biologicamente destinado ao descanso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, <strong>n\u00e3o havendo mais a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o nesse per\u00edodo, cessam tamb\u00e9m os impactos negativos na sa\u00fade do trabalhador que legitimam a mencionada compensa\u00e7\u00e3o<\/strong>, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o se justifica o pagamento do adicional noturno nos per\u00edodos de afastamento do servidor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali\u00e1s, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 pac\u00edfica no sentido de que o adicional noturno tem natureza jur\u00eddica propter laborem, isto \u00e9, s\u00f3 ser\u00e1 devido ao servidor enquanto exercer atividade no per\u00edodo noturno, n\u00e3o se incorporando, assim, \u00e0 sua remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, interrompida a atividade em&nbsp; per\u00edodo noturno, como nos casos dos afastamentos praevistos no art. 102 da Lei n. 8.112\/1990, ainda que considerados como de efetivo exerc\u00edcio, n\u00e3o se justifica o pagamento do referido adicional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nova-contratacao-de-professor-substituto-em-instituicao-diversa\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nova contrata\u00e7\u00e3o de professor substituto em institui\u00e7\u00e3o diversa<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-0\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lida a contrata\u00e7\u00e3o de professor substituto por institui\u00e7\u00e3o de ensino distinta daquela com a qual havia v\u00ednculo anterior, mesmo sem o decurso de 24 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.136.644-AL, Rel. Min. Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1308).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-0\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Lei 8.745\/1993, art. 9\u00ba, III; CF, art. 37, IX.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A proibi\u00e7\u00e3o de nova contrata\u00e7\u00e3o antes de 24 meses visa impedir a perpetua\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo na mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O STF, no Tema 403, validou a regra, mas sem vedar contrata\u00e7\u00f5es por \u00f3rg\u00e3os diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A veda\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica quando a contrata\u00e7\u00e3o for por institui\u00e7\u00e3o diversa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-0\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ examinou se a veda\u00e7\u00e3o de nova contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria em menos de 24 meses se aplica a institui\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A regra visa impedir recontrata\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no mesmo \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A moralidade administrativa permanece protegida mesmo com contrata\u00e7\u00e3o por institui\u00e7\u00e3o diferente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-0\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 nova contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria antes de 24 meses aplica-se a qualquer institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ entende que a regra vale apenas para recontrata\u00e7\u00e3o pela mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? \u00c9 poss\u00edvel contratar professor substituto antes de 24 meses se a nova contrata\u00e7\u00e3o ocorrer por institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica distinta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ fez o distinguishing com base no Tema 403 do STF.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-0\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Contrato Tempor\u00e1rio \u2013 Quarentena<\/td><\/tr><tr><td>???? Lei 8.745\/1993, art. 9\u00ba, III ???? Tema 403\/STF ???? Veda recontrata\u00e7\u00e3o na mesma institui\u00e7\u00e3o ???? STJ: diferente institui\u00e7\u00e3o \u2192 contrata\u00e7\u00e3o v\u00e1lida<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a veda\u00e7\u00e3o de nova admiss\u00e3o de Professor Substituto tempor\u00e1rio anteriormente contratado, antes de decorridos 24 meses do encerramento do contrato anterior, contida no artigo 9\u00ba, III, da Lei n. 8.745\/1993, se aplica aos contratos realizados por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A contrata\u00e7\u00e3o por tempo determinado \u00e9 modalidade excepcional de ingresso em cargo p\u00fablico, admitida somente nos casos de necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico, consoante preconiza o art. 37, IX, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. No \u00e2mbito da Administra\u00e7\u00e3o Federal, essa esp\u00e9cie de admiss\u00e3o \u00e9 disciplinada pela Lei n. 8.745\/1993, que estabelece a impossibilidade de o pessoal contratado temporariamente ser novamente admitido, da mesma forma, antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do encerramento do seu contrato anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca da legisla\u00e7\u00e3o a respeito da contrata\u00e7\u00e3o de pessoal pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, o art. 9\u00ba, III, da Lei n. 8.745\/1993 teve a sua constitucionalidade aferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento, com Repercuss\u00e3o Geral, do Tema n. 403\/STF &#8211; RE 635.648\/CE, e restou confirmada pela Corte sua compatibilidade com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse ponto, faz-se imprescind\u00edvel estabelecer um <em>distinguishing<\/em> entre a tese fixada no Tema n. 403\/STF e a situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, pois o recurso paradigm\u00e1tico analisado pela Suprema Corte tratava de <em>nova contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de professor substituto pela mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino superio<\/em>r. Essa hip\u00f3tese \u00e9 diversa daquela do recorrido, pois firmara contrato anteriormente com Universidade Federal de Alagoas &#8211; UFAL, e fora impedido de estabelecer novo v\u00ednculo com o Instituto Federal de Alagoas &#8211; IFAL.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A imposi\u00e7\u00e3o da quarentena se justifica somente no primeiro caso, de recontrata\u00e7\u00e3o pela mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino, pois visa impedir que se torne perene a contrata\u00e7\u00e3o que deveria ser transit\u00f3ria, subvertendo o crit\u00e9rio da necessidade tempor\u00e1ria de excepcional interesse p\u00fablico. A contrario sensu, o caso em discuss\u00e3o \u00e9 de admiss\u00e3o de professor tempor\u00e1rio por institui\u00e7\u00e3o educacional diversa, n\u00e3o havendo, portanto, risco de perpetua\u00e7\u00e3o em determinado \u00f3rg\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, mantida a higidez da moralidade administrativa com a contrata\u00e7\u00e3o do recorrido por institui\u00e7\u00e3o de ensino diversa, n\u00e3o se cogita ofensa ao regramento disposto na Lei n. 8.745\/1993, chancelado pelo Tema n. 403\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a e o Supremo Tribunal Federal t\u00eam jurisprud\u00eancia consolidada no sentido de que, com efeito, o art. 9\u00ba, III, da Lei n. 8.745\/1993 n\u00e3o admite a celebra\u00e7\u00e3o de novo contrato tempor\u00e1rio antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do encerramento do anterior, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de novo v\u00ednculo firmado com institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica de ensino diversa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a veda\u00e7\u00e3o de nova admiss\u00e3o de professor substituto tempor\u00e1rio anteriormente contratado, antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do encerramento do contrato anterior, contida no art. 9\u00ba, III, da Lei n. 8.745\/1993, <strong>n\u00e3o se aplica aos contratos realizados por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas distintas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prescricao-mensal-das-complementacoes-do-fundef-fundeb\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prescri\u00e7\u00e3o mensal das complementa\u00e7\u00f5es do FUNDEF\/FUNDEB<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-1\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O prazo prescricional para cobran\u00e7a de complementa\u00e7\u00f5es de repasses ao FUNDEB\/FUNDEF \u00e9 quinquenal e deve ser apurado m\u00eas a m\u00eas, por se tratar de rela\u00e7\u00e3o de trato sucessivo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.154.735-AM, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1326).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-1\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Decreto 20.910\/1932, art. 1\u00ba; Lei 14.113\/2020, art. 16, \u00a7 2\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A complementa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o ocorre mensalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Cada m\u00eas corresponde a uma nova pretens\u00e3o pass\u00edvel de prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O direito ao fundo permanece; prescrevem apenas as parcelas anteriores a 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-1\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ discutiu se a prescri\u00e7\u00e3o deve ser anual ou mensal nas a\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7a de repasses do FUNDEB\/FUNDEF.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O repasse \u00e9 de trato sucessivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A contagem deve ser feita m\u00eas a m\u00eas, conforme o princ\u00edpio da actio nata.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-1\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Cada parcela mensal de complementa\u00e7\u00e3o ao FUNDEB prescreve isoladamente ap\u00f3s tr\u00eas anos, conforme a regra do trato sucessivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. Esse \u00e9 o entendimento firmado no Tema 1326.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A prescri\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de cobran\u00e7a de complementa\u00e7\u00e3o do FUNDEB \u00e9 anual e conta-se globalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ decidiu que a contagem deve ser mensal e quinquenal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-1\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Prescri\u00e7\u00e3o \u2013 Complementa\u00e7\u00e3o FUNDEB<\/td><\/tr><tr><td>???? Decreto 20.910\/1932 ???? Rela\u00e7\u00e3o de trato sucessivo ???? Prescri\u00e7\u00e3o quinquenal, m\u00eas a m\u00eas ???? STJ: actio nata \u2192 les\u00e3o em cada parcela<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se o prazo prescricional da pretens\u00e3o de cobran\u00e7a de complementa\u00e7\u00e3o de recursos relativos ao Valor M\u00ednimo Anual por Aluno (VMAA), repassado ao FUNDEB\/FUNDEF, deve ser apurado m\u00eas a m\u00eas, e n\u00e3o anualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, cabe registrar que \u00e0s a\u00e7\u00f5es que postulam o pagamento de complementa\u00e7\u00f5es a serem feitas pela Uni\u00e3o relativas ao Valor M\u00ednimo Anual por Aluno (VMAA) repassados ao FUNDEF\/FUNDEB, \u00e9 aplic\u00e1vel o art. 1\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932, sendo o prazo prescricional de cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atualmente, o FUNDEB \u00e9 regulamentado pela Lei n. 14.113\/2020, segundo a qual a complementa\u00e7\u00e3o a ser feita pela Uni\u00e3o d\u00e1-se por meio de pagamentos mensais, revelando se tratar de uma rela\u00e7\u00e3o de trato sucessivo, a qual se renova m\u00eas a m\u00eas, n\u00e3o ocorrendo a prescri\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio fundo de direito, mas apenas das parcelas relativas ao quinqu\u00eanio que precedeu \u00e0 propositura da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, conforme entendimento j\u00e1 firmado no \u00e2mbito da Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, quando da fixa\u00e7\u00e3o do Tema 1150, o instituto da prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 regido pelo princ\u00edpio actio nata, ou seja, o curso do prazo prescricional tem in\u00edcio somente com a efetiva les\u00e3o ou amea\u00e7a ao direito tutelado, momento em que nasce a pretens\u00e3o a ser deduzida em ju\u00edzo (REsp 1.895.936\/TO, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 13\/9\/2023, DJe de 21\/9\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, nas a\u00e7\u00f5es em que se postula a complementa\u00e7\u00e3o de recursos relativos ao Valor M\u00ednimo Anual por Aluno (VMAA), repassado ao FUNDEB\/FUNDEF, <strong>a prescri\u00e7\u00e3o deve ser contada m\u00eas a m\u00eas, por cuidar de hip\u00f3tese de rela\u00e7\u00e3o de trato sucessivo, que se renova mensalmente, n\u00e3o havendo falar de prescri\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio fundo de direito, mas apenas das parcelas relativas ao QUINQU\u00caNIO que precedeu \u00e0 propositura da a\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-recurso-especial-e-interpretacao-de-resolucoes-da-aneel\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recurso especial e interpreta\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00f5es da ANEEL<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-2\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel recurso especial que discuta a transfer\u00eancia de ativos de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica com base em resolu\u00e7\u00f5es da ANEEL, por se tratar de normativos infralegais, insuscet\u00edveis de controle pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.174.051-SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1346).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-2\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CF, art. 105, III; Resolu\u00e7\u00e3o ANEEL 414\/2010, art. 218.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Recurso especial exige viola\u00e7\u00e3o de lei federal ou tratado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Normas infralegais (resolu\u00e7\u00f5es, portarias) n\u00e3o servem como par\u00e2metro para REsp.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A jurisprud\u00eancia do STJ reafirma o car\u00e1ter secund\u00e1rio das resolu\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias reguladoras.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-2\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ discutiu a admissibilidade de recurso especial que visa revisar a interpreta\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00f5es da ANEEL sobre transfer\u00eancia de ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 N\u00e3o se admite REsp com base em contrariedade a resolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A controv\u00e9rsia \u00e9 administrativa, sem mat\u00e9ria legal a ser analisada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-2\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Resolu\u00e7\u00f5es administrativas n\u00e3o constituem par\u00e2metro para admissibilidade de recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A decis\u00e3o reitera esse entendimento em respeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? \u00c9 cab\u00edvel recurso especial contra decis\u00e3o judicial que interpreta resolu\u00e7\u00e3o da ANEEL com fundamento em suposta ilegalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ afirma que apenas lei federal ou tratado pode fundamentar o REsp.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-2\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Recurso Especial \u2013 Resolu\u00e7\u00f5es da ANEEL<\/td><\/tr><tr><td>???? CF, art. 105, III ???? Resolu\u00e7\u00e3o = ato normativo secund\u00e1rio ???? Inadmiss\u00edvel discutir sua interpreta\u00e7\u00e3o via REsp ???? STJ: tema n\u00e3o comporta exame legal<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a discutir a admissibilidade, ou n\u00e3o, dos recursos especiais que discutem a transfer\u00eancia, com base em normativos da ANEEL (art. 218 da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANEEL n. 414\/2010, alterado pela Resolu\u00e7\u00e3o ANEEL n. 479 \/2012 e sucedido pela Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANEEL n. 959\/2021), da responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o do sistema de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, registrado como Ativo Imobilizado em Servi\u00e7o &#8211; AIS, pelas distribuidoras de energia el\u00e9trica aos munic\u00edpios e ao Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, cabe registrar que a admissibilidade de recurso especial em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es espec\u00edficas pode ser submetida ao rito dos recursos especiais repetitivos, conforme entendimento da Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (Tema 1246, REsp 2.082.395 e REsp 2.098.629, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, afeta\u00e7\u00e3o em 12\/04\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na forma do art. 105, III, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, cabe recurso especial para discutir a viola\u00e7\u00e3o a tratado ou a lei federal. Apenas a contrariedade ou negativa de vig\u00eancia a ato normativo prim\u00e1rio autoriza a interposi\u00e7\u00e3o do apelo especial. A contrariedade a atos infralegais &#8211; resolu\u00e7\u00e3o, regulamentos, portarias, etc. &#8211; n\u00e3o serve de par\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, o fundamento da solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de atos normativos da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica &#8211; ANEEL. Ocorre que, embora materialmente possam ser atos normativos prim\u00e1rios, por terem potencial de inovar no ordenamento jur\u00eddico, criando, modificando ou extinguindo direitos e obriga\u00e7\u00f5es, as resolu\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias reguladoras s\u00e3o, formalmente, atos normativos secund\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O crit\u00e9rio do art. 105, III, da CF, \u00e9 formal (tratado ou lei federal). Por isso, mesmo que aptas a inovar no ordenamento jur\u00eddico, as resolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o servem como par\u00e2metro para o recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia consolidada da Primeira e da Segunda Turmas \u00e9 no sentido de que a controv\u00e9rsia jur\u00eddica sobre a transfer\u00eancia da responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o do sistema de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica pelas distribuidoras de energia el\u00e9trica aos munic\u00edpios e ao Distrito Federal \u00e9 fundada em normativos da ANEEL (art. 218 da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANEEL n. 414\/2010, alterado pela Resolu\u00e7\u00e3o ANEEL n. 479\/2012 e sucedido pela Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANEEL n. 959\/2021), n\u00e3o na contrariedade \u00e0 lei federal, como requer o art. 105, III, al\u00ednea &#8220;a&#8221;, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, o destino de ativos de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 dado diretamente pelo art. 4\u00ba, \u00a7 5\u00ba, V, da Lei n. 9.074\/1995, inclu\u00eddo pela Lei n. 10.848\/2004. Esse dispositivo apenas traz veda\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas \u00e0s delegat\u00e1rias. A execu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a destina\u00e7\u00e3o dos ativos n\u00e3o \u00e9 regida pela lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 extensa jurisprud\u00eancia no sentido da inadmissibilidade dos recursos especiais, por envolver a interpreta\u00e7\u00e3o das resolu\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Reguladora, a qual merece ser reafirmada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, <strong>n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel o recurso especial que discute a transfer\u00eancia, com base em normativos da ANEEL<\/strong> (art. 218 da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANEEL n. 414\/2010, alterado pela Resolu\u00e7\u00e3o ANEEL n. 479\/2012 e sucedido pela Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANEEL n. 959\/2021), da responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o do sistema de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, registrado como Ativo Imobilizado em Servi\u00e7o &#8211; AIS, pelas distribuidoras de energia el\u00e9trica aos munic\u00edpios e ao Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-contrato-de-aprendizagem-e-incidencia-de-contribuicoes-previdenciarias\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contrato de aprendizagem e incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-3\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A remunera\u00e7\u00e3o do aprendiz integra a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal, da GIIL-RAT e das contribui\u00e7\u00f5es a terceiros, pois o contrato de aprendizagem \u00e9 modalidade de contrato de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.191.479-SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1342).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-3\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CLT, art. 428; Lei 8.212\/1991, arts. 14 e 22.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O aprendiz \u00e9 segurado obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O v\u00ednculo empregat\u00edcio enseja a incid\u00eancia de todas as contribui\u00e7\u00f5es patronais.<\/p>\n\n\n\n<p>???? N\u00e3o h\u00e1 isen\u00e7\u00e3o legal espec\u00edfica para contratos de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-3\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se \u00e9 poss\u00edvel excluir da base de c\u00e1lculo previdenci\u00e1ria as verbas pagas a aprendizes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O aprendiz \u00e9 empregado com direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A exclus\u00e3o s\u00f3 seria poss\u00edvel se houvesse previs\u00e3o legal expressa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-3\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A remunera\u00e7\u00e3o paga ao aprendiz n\u00e3o sofre incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es patronais previdenci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ afirmou que n\u00e3o h\u00e1 isen\u00e7\u00e3o para essa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O contrato de aprendizagem \u00e9 forma especial de v\u00ednculo n\u00e3o empregat\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O contrato de aprendizagem \u00e9 forma especial de v\u00ednculo empregat\u00edcio e, por isso mesmo, gera incid\u00eancia de todas as contribui\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-3\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Aprendiz \u2013 Incid\u00eancia Previdenci\u00e1ria<\/td><\/tr><tr><td>???? CLT, art. 428 ???? Segurado obrigat\u00f3rio \u2192 base de c\u00e1lculo ???? Sem isen\u00e7\u00e3o legal ???? STJ: contribui\u00e7\u00f5es devidas<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a remunera\u00e7\u00e3o decorrente do contrato de aprendizagem (art. 428 da CLT) integra a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal, inclusive as adicionais Contribui\u00e7\u00e3o do Grau de Incid\u00eancia de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIIL-RAT) e as contribui\u00e7\u00f5es a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com o art. 428 da CLT, o contrato de aprendizagem \u00e9 um &#8220;contrato de trabalho especial&#8221;. Assim, o texto legal acentua o car\u00e1ter empregat\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A doutrina tamb\u00e9m assevera que a aprendizagem \u00e9 um contrato de trabalho, segundo as regras da CLT. Defende que a legisla\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o deixa qualquer d\u00favida que o contrato de aprendizagem \u00e9 uma forma de contrato de emprego&#8221;; que estabelece &#8220;uma rela\u00e7\u00e3o empresa-empregado, quando o adolescente \u00e9 submetido, no pr\u00f3prio emprego, \u00e0 aprendizagem met\u00f3dica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Tribunal Superior do Trabalho vai em id\u00eantica dire\u00e7\u00e3o. Afirma que o contrato de aprendizagem &#8220;\u00e9 esp\u00e9cie de contrato de trabalho, e, nesse contexto, o aprendiz \u00e9 destinat\u00e1rio de normas espec\u00edficas da CLT, reunindo os pressupostos do art. 3\u00ba da norma celetista&#8221;, e acrescenta que &#8220;lhe s\u00e3o assegurados todos os direitos de cunho trabalhista conferidos \u00e0 modalidade especial de seu contrato a termo&#8221; (RR-24001-73.2014.5.24.0096, 7\u00aa Turma, Rel. Ministro Evandro Pereira Valadao Lopes, julgado em 23\/4\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, o reconhecimento de direitos previdenci\u00e1rios ao adolescente \u00e9 princ\u00edpio da legisla\u00e7\u00e3o protetiva (art. 65 do ECA).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o se sustenta o argumento de que o contrato de aprendizagem n\u00e3o gera uma rela\u00e7\u00e3o de emprego, sendo o aprendiz segurado facultativo, na forma do art. 14 da Lei n. 8.212 \/1991 e de seu correspondente art. 13 da Lei n. 8.213\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esses dispositivos apenas trazem uma idade m\u00ednima para a filia\u00e7\u00e3o como facultativo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver neles a indica\u00e7\u00e3o de que a pessoa com menos de 18 anos necessariamente \u00e9 segurada facultativa. A forma de filia\u00e7\u00e3o de tal pessoa que tenha um contrato de trabalho ser\u00e1 a de empregado. Portanto, esses dispositivos n\u00e3o impedem que a forma de filia\u00e7\u00e3o do aprendiz seja empregado &#8211; segurado obrigat\u00f3rio, portanto, n\u00e3o facultativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de os aprendizes serem segurados obrigat\u00f3rios, seria poss\u00edvel desonerar a contribui\u00e7\u00e3o do empregador sobre as suas remunera\u00e7\u00f5es. Para tanto, seria necess\u00e1ria uma isen\u00e7\u00e3o, a ser prevista em lei, na forma do art. 176 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora os contribuintes recorrentes tenham sustentado que o art. 4\u00ba, \u00a7 4\u00ba, do Decreto-Lei n. 2.318\/1986, cria tal isen\u00e7\u00e3o, ao excluir a remunera\u00e7\u00e3o dos &#8220;menores assistidos&#8221; da base de c\u00e1lculo de encargos previdenci\u00e1rios, o &#8220;menor assistido&#8221; e o aprendiz n\u00e3o s\u00e3o a mesma figura.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a afirma que o art. 4\u00ba, \u00a7 4\u00ba, do Decreto-Lei n. 2.318\/1986 n\u00e3o est\u00e1 regulamentado e n\u00e3o se confunde com o contrato de aprendizagem, previsto no art. 428 da CLT. Logo, n\u00e3o h\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o atual para esse ato normativo (AgInt no REsp 2.146.118, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 7\/10\/2024; e AgInt nos EDcl no REsp n. 2.078.398, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, julgado em 26\/2\/2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, o aprendiz \u00e9 empregado e recebe remunera\u00e7\u00f5es (sal\u00e1rio e outras verbas), &#8220;destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma&#8221;, as quais integram a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o e de seus adicionais, na forma do art. 22, I e II, da Lei n. 8.212\/1991. Portanto, <strong>n\u00e3o h\u00e1 isen\u00e7\u00e3o prevista para as contribui\u00e7\u00f5es a cargo do empregador sobre a remunera\u00e7\u00e3o do aprendiz<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a remunera\u00e7\u00e3o decorrente do contrato de aprendizagem (art. 428 da CLT) integra a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal, da Contribui\u00e7\u00e3o do Grau de Incid\u00eancia de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIIL-RAT) e das contribui\u00e7\u00f5es a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-comissao-de-corretagem-e-prescricao-decenal\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Comiss\u00e3o de corretagem e prescri\u00e7\u00e3o decenal<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-4\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Aplica-se o prazo de prescri\u00e7\u00e3o decenal \u00e0 pretens\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de corretagem nos casos de resolu\u00e7\u00e3o contratual por culpa da incorporadora, sendo o termo inicial a ci\u00eancia da recusa de restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.897.867-CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1099).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-4\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CC\/2002, art. 205; art. 189.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A restitui\u00e7\u00e3o se funda no inadimplemento contratual, n\u00e3o em enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A prescri\u00e7\u00e3o decenal se aplica quando o fundamento for resolu\u00e7\u00e3o por descumprimento.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O prazo come\u00e7a com a ci\u00eancia da recusa da devolu\u00e7\u00e3o dos valores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-4\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ examinou qual o prazo prescricional aplic\u00e1vel \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de corretagem em caso de inadimplemento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 N\u00e3o se trata de responsabilidade extracontratual nem enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A tese do Tema 938 (prescri\u00e7\u00e3o trienal) n\u00e3o se aplica nesses casos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-4\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A restitui\u00e7\u00e3o de valores pagos a t\u00edtulo de comiss\u00e3o de corretagem por inadimplemento contratual est\u00e1 sujeita ao prazo prescricional trienal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A jurisprud\u00eancia do STJ aplica o prazo decenal por se tratar de descumprimento contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>???? \u00c9 decenal o prazo para restitui\u00e7\u00e3o de comiss\u00e3o de corretagem quando a resolu\u00e7\u00e3o se der por culpa da construtora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ distinguiu essa situa\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese de enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-4\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Comiss\u00e3o de Corretagem \u2013 Prescri\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>???? CC, art. 205 ???? Fundamento = inadimplemento contratual ???? Prazo: 10 anos ???? STJ: ci\u00eancia da recusa \u2192 termo inicial<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em definir o prazo prescricional aplic\u00e1vel \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de corretagem na hip\u00f3tese de resolu\u00e7\u00e3o do contrato por culpa da construtora\/incorporadora, em virtude de atraso na entrega do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia pertinente \u00e0 responsabilidade da corretora de im\u00f3veis pela restitui\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de corretagem \u00e9 quest\u00e3o afetada em outro repetitivo, o Tema 1173\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre a quest\u00e3o do prazo prescricional, \u00e0 \u00e9poca do julgamento do Tema 938\/STJ, a Segunda Se\u00e7\u00e3o, em refer\u00eancia \u00e0s raz\u00f5es de decidir do Tema 610\/STJ, adotou exegese ampliativa das express\u00f5es normativas &#8220;pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o civil&#8221; e &#8220;pretens\u00e3o de ressarcimento de enriquecimento sem causa&#8221;, previstas no art. 206, \u00a7 3\u00ba, incisos IV e V, do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entendeu-se que a primeira express\u00e3o tamb\u00e9m abrangeria a repara\u00e7\u00e3o civil decorrente de il\u00edcito contratual (n\u00e3o somente de extracontratual), enquanto a segunda abrangeria, inclusive, aquele enriquecimento decorrente de cl\u00e1usula contratual declarada nula. Essas raz\u00f5es de decidir do Tema 610\/STJ conduziram \u00e0 tese da prescri\u00e7\u00e3o trienal no julgamento do Tema 938\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Posteriormente ao julgamento desses temas, a controv\u00e9rsia pertinente \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o trienal aportou \u00e0 Corte Especial, a qual adotou exegese restritiva daqueles enunciados normativos pertinentes \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o trienal, em sentido oposto ao entendimento firmado naqueles repetitivos da Segunda Se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Corte Especial compreendeu que a express\u00e3o normativa &#8220;repara\u00e7\u00e3o civil&#8221; se limitaria ao \u00e2mbito da responsabilidade extracontratual; e, ainda, que a express\u00e3o normativa &#8220;enriquecimento sem causa&#8221; n\u00e3o abrangeria as hip\u00f3teses em que o ind\u00e9bito decorresse de uma causa contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste cen\u00e1rio, para a hip\u00f3tese de pretens\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o fundada em abusividade contratual, a prescri\u00e7\u00e3o trienal do Tema 938\/STJ continuou a ser aplicada, em respeito \u00e0 efic\u00e1cia vinculativa desse Tema.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hip\u00f3tese desta afeta\u00e7\u00e3o, em que a repeti\u00e7\u00e3o tem por fundamento a resolu\u00e7\u00e3o do contrato por culpa da incorporadora\/construtora, a jurisprud\u00eancia vem se alinhando aos precedentes da Corte Especial, aplicando a prescri\u00e7\u00e3o decenal, porquanto o ind\u00e9bito teve uma causa jur\u00eddica, que \u00e9 o contrato (embora resolvido por inadimplemento), o que afasta a caracteriza\u00e7\u00e3o de enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao <em>termo inicial do prazo prescricional<\/em>, tem-se que apesar de a resolu\u00e7\u00e3o do contrato por inadimplemento ser um direito potestativo, a pretens\u00e3o do promitente comprador \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o das parcelas pagas \u00e9 um direito subjetivo, ou seja, \u00e9 um direito que se realiza por meio de uma presta\u00e7\u00e3o a ser cumprida pela incorporadora\/construtora, espontaneamente ou por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial. Os direitos subjetivos, quando violados, fazem deflagrar os prazos prescricionais respectivos, nos termos do art. 189 do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob esse prisma, <strong>o termo inicial da prescri\u00e7\u00e3o na hip\u00f3tese n\u00e3o \u00e9 a data da celebra\u00e7\u00e3o do contrato, ou a data de pagamento de cada parcela do contrato, mas a data em que o adquirente tem ci\u00eancia da recusa da incorporadora\/construtora em restituir integralmente as parcelas pagas pelo promitente comprador<\/strong>, pois nessa ocasi\u00e3o ter\u00e1 se dado a viola\u00e7\u00e3o ao direito subjetivo em comento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-violencia-contra-a-mulher-e-contravencoes-penais\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Viol\u00eancia contra a mulher e contraven\u00e7\u00f5es penais<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-nbsp\">&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-5\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A agravante do art. 61, II, f, do C\u00f3digo Penal aplica-se \u00e0s contraven\u00e7\u00f5es penais cometidas em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher, salvo disposi\u00e7\u00e3o legal em contr\u00e1rio. No caso da contraven\u00e7\u00e3o de vias de fato (art. 21 da LCP), a aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 vedada quando incide a causa de aumento do \u00a7 2\u00ba, inclu\u00eddo pela Lei 14.994\/2024, sob pena de bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.186.684-MG, Rel. Ministro Ot\u00e1vio de Almeida Toledo (Desembargador convocado do TJSP), Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 7\/8\/2025. (Tema 1333).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-5\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CP, art. 61, II, f; LCP, art. 1\u00ba e 21, \u00a7 2\u00ba; CP, art. 12.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A Parte Geral do C\u00f3digo Penal aplica-se \u00e0s contraven\u00e7\u00f5es penais quando n\u00e3o houver regra espec\u00edfica em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A nova reda\u00e7\u00e3o do art. 21 da LCP prev\u00ea causa espec\u00edfica de aumento para casos de viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Incid\u00eancia cumulativa da agravante e da causa de aumento caracteriza bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-5\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ examinou se a agravante do art. 61, II, f, do CP pode ser aplicada em contraven\u00e7\u00f5es penais praticadas contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, aplica-se a regra geral do CP \u00e0s contraven\u00e7\u00f5es, salvo exce\u00e7\u00e3o expressa. No caso de vias de fato, a Lei 14.994\/2024 j\u00e1 prev\u00ea causa espec\u00edfica de aumento, sendo vedada a duplica\u00e7\u00e3o punitiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-5\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A contraven\u00e7\u00e3o penal de vias de fato contra mulher n\u00e3o admite aplica\u00e7\u00e3o da agravante gen\u00e9rica do CP se j\u00e1 houver causa de aumento prevista na LCP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A decis\u00e3o fundamenta-se nos princ\u00edpios da especialidade e do bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A agravante prevista no art. 61, II, f, do CP aplica-se a todas as contraven\u00e7\u00f5es penais praticadas contra a mulher, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. No caso de vias de fato (art. 21 da LCP), a incid\u00eancia da agravante \u00e9 afastada por causa espec\u00edfica de aumento legal (Lei 14.994\/2024).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-5\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Agravante e Contraven\u00e7\u00f5es \u2013 Viol\u00eancia contra a Mulher<\/td><\/tr><tr><td>???? CP, art. 61, II, f \u2192 aplica-se a contraven\u00e7\u00f5es ???? LCP, art. 21, \u00a7 2\u00ba (Lei 14.994\/2024) \u2192 causa espec\u00edfica ???? Princ\u00edpio da especialidade e bis in idem ???? STJ: veda\u00e7\u00e3o \u00e0 duplica\u00e7\u00e3o punitiva<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A quest\u00e3o consiste em definir se a agravante prevista no art. 61, II, f, do C\u00f3digo Penal \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0s contraven\u00e7\u00f5es penais praticadas no contexto de viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora o caput e o inciso II do art. 61 do C\u00f3digo Penal fa\u00e7am men\u00e7\u00e3o a &#8220;crime&#8221;, tanto o art. 12 do mesmo diploma penal quanto o art. 1\u00ba da Lei das Contraven\u00e7\u00f5es Penais permitem a aplica\u00e7\u00e3o das regras gerais do C\u00f3digo Penal \u00e0s contraven\u00e7\u00f5es, salvo disposi\u00e7\u00e3o de modo diverso pela lei especial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dosimetria da pena e, em especial, o regime de agravantes, <em>a Lei das Contraven\u00e7\u00f5es Penais \u00e9 silente<\/em> em sua parte geral, n\u00e3o disciplinando de forma diversa o tratamento de tais infra\u00e7\u00f5es penais. Portanto, de acordo com a regra da especialidade, n\u00e3o havendo regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria em sentido diverso pela lei especial, deve incidir a Parte Geral do C\u00f3digo Penal na mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A obriga\u00e7\u00e3o de fazer frente \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher tem assento n\u00e3o apenas constitucional e legal, mas tamb\u00e9m decorre de normas internacionais como a Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1, que determina ao Estado a a\u00e7\u00e3o com o devido zelo para prevenir, investigar e punir a viol\u00eancia contra a mulher (art. 7\u00ba, b). Conforme interpreta\u00e7\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos, esse dever alcan\u00e7a inclusive a esfera judicial, a quem incumbe dar aplica\u00e7\u00e3o efetiva \u00e0s normas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por ambas as suas Turmas criminais, admite, sobretudo no contexto de viol\u00eancia contra a mulher, a aplica\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias agravantes previstas no C\u00f3digo Penal tamb\u00e9m \u00e0s contraven\u00e7\u00f5es penais, salvo disposi\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, inexistente no tocante ao art. 61, II, f.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 contraven\u00e7\u00e3o penal de vias de fato, houve importante altera\u00e7\u00e3o legislativa justamente na tem\u00e1tica da viol\u00eancia de g\u00eanero. A Lei n. 14.994\/2024 incluiu o \u00a7 2\u00ba no art. 21 da Lei das Contraven\u00e7\u00f5es Penais fazendo incidir severa causa de aumento, a resultar no <em>triplo da pena<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de previs\u00e3o espec\u00edfica da Lei das Contraven\u00e7\u00f5es Penais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dosimetria da contraven\u00e7\u00e3o de vias de fato praticada contra a mulher, elemento que aciona a exce\u00e7\u00e3o prevista no art. 1\u00ba da LCP e no art. 12 do C\u00f3digo Penal, visto que lei especial passou a prever, nesses casos, de modo diverso do que a regra geral codificada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Invi\u00e1vel, nessa hip\u00f3tese, a aplica\u00e7\u00e3o da agravante gen\u00e9rica do C\u00f3digo Penal, diante do princ\u00edpio da proibi\u00e7\u00e3o de bis in idem, o qual exclui a possibilidade de que o mesmo fator de desvalora\u00e7\u00e3o incida em duas etapas da dosimetria da pena.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-trafico-de-drogas-e-desproporcionalidade-na-pena-base\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tr\u00e1fico de drogas e desproporcionalidade na pena-base<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-6\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 desproporcional o aumento da pena-base com fundamento na natureza da droga quando a quantidade apreendida for \u00ednfima, independentemente de tratar-se de subst\u00e2ncia de alta nocividade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.004.455-PR, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 13\/8\/2025 (Tema 1262).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-6\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Lei 11.343\/2006, art. 42; CP, art. 59.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A individualiza\u00e7\u00e3o da pena deve observar o princ\u00edpio da proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A \u00ednfima quantidade de droga reduz a expressividade da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A majora\u00e7\u00e3o da pena apenas pela natureza da subst\u00e2ncia pode implicar dupla valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-6\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se \u00e9 leg\u00edtimo majorar a pena-base quando a quantidade de droga \u00e9 m\u00ednima, mesmo sendo de natureza mais nociva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, a natureza da droga n\u00e3o autoriza, por si s\u00f3, aumento da pena quando a quantidade \u00e9 insignificante, sob pena de ofensa \u00e0 proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-6\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A elevada nocividade da subst\u00e2ncia autoriza o agravamento da pena, ainda que a quantidade apreendida seja \u00ednfima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ considera desproporcional essa majora\u00e7\u00e3o isolada.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A \u00ednfima quantidade de entorpecente impede o agravamento da pena-base com fundamento exclusivo na natureza da droga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A Corte considera necess\u00e1rio equil\u00edbrio entre natureza e quantidade da subst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-6\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Tr\u00e1fico \u2013 Dosimetria<\/td><\/tr><tr><td>???? Lei 11.343\/2006, art. 42 ???? Quantidade \u00ednfima \u2192 impede majora\u00e7\u00e3o desproporcional ???? Natureza isolada n\u00e3o justifica exaspera\u00e7\u00e3o ???? STJ: prote\u00e7\u00e3o \u00e0 proporcionalidade<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A quest\u00e3o jur\u00eddica submetida a julgamento consiste em definir se a exaspera\u00e7\u00e3o da pena na primeira fase da dosimetria, nos casos em que se constata a \u00ednfima quantidade de drogas, independentemente de sua natureza, caracterizaria aumento desproporcional da pena-base.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 42 da Lei n. 11.343\/2006 disp\u00f5e que, na fixa\u00e7\u00e3o das penas relacionadas ao tr\u00e1fico de drogas, devem ser consideradas com preponder\u00e2ncia sobre o previsto no art. 59 do C\u00f3digo Penal a natureza e a quantidade da subst\u00e2ncia ou do produto, al\u00e9m da personalidade e da conduta social do agente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ambas as Turmas que comp\u00f5em a Terceira Se\u00e7\u00e3o desta Corte j\u00e1 decidiram, em in\u00fameros julgados, ser ilegal ou desarrazoado exasperar a pena inicial quando ausente expressividade na quantidade de entorpecente apreendido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O cerne dessa orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial repousa na ideia de proporcionalidade e na necessidade de se evitar dupla valora\u00e7\u00e3o negativa pelo mesmo fato. Quantidades diminutas de droga n\u00e3o elevam de forma relevante a lesividade da conduta al\u00e9m do padr\u00e3o b\u00e1sico do crime de tr\u00e1fico, j\u00e1 considerado pelo legislador na pena m\u00ednima cominada. Nessa linha, entende-se que <em>o diminuto volume de droga n\u00e3o extrapola a normalidade do tipo penal, de modo que sua avalia\u00e7\u00e3o isolada como circunst\u00e2ncia desfavor\u00e1vel acarretaria indevido agravamento da pena por elemento j\u00e1 inerente ao tipo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa dire\u00e7\u00e3o, a elevada nocividade abstrata de certas subst\u00e2ncias n\u00e3o autoriza conclus\u00e3o diversa quando a por\u00e7\u00e3o apreendida \u00e9 insignificante. <strong>Ainda que se trate de droga de alto poder delet\u00e9rio (como coca\u00edna ou crack), a exiguidade do material apreendido reduz sobremaneira seu potencial lesivo<\/strong>. Dessa forma, valorizar apenas a natureza danosa da subst\u00e2ncia, ignorando a parca quantidade, redunda em desproporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a mera apreens\u00e3o de pequenas quantidades, mesmo considerando-se a natureza do entorpecente, n\u00e3o pode conduzir ao aumento da pena-base, sob risco de viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da proporcionalidade e razoabilidade que norteiam a individualiza\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-quotas-condominiais-e-legitimidade-passiva-concorrente\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quotas condominiais e legitimidade passiva concorrente<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-nbsp-0\">&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-7\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o da natureza propter rem das quotas condominiais, h\u00e1 legitimidade passiva concorrente entre promitente vendedor (propriet\u00e1rio do im\u00f3vel) e promitente comprador para figurar no polo passivo da a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de d\u00e9bitos condominiais posteriores \u00e0 imiss\u00e3o do comprador na posse, independentemente de haver ci\u00eancia inequ\u00edvoca da transa\u00e7\u00e3o pelo condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.910.280-PR, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 3\/4\/2025, DJEN 24\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-7\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CC, arts. 1.315 e 1.336; Tema 886\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A obriga\u00e7\u00e3o condominial tem natureza propter rem.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Tanto o propriet\u00e1rio registrado como o promitente comprador respondem pelos d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A ci\u00eancia do condom\u00ednio sobre a transa\u00e7\u00e3o \u00e9 irrelevante para a responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-7\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se o promitente vendedor continua respons\u00e1vel pelos d\u00e9bitos condominiais posteriores \u00e0 imiss\u00e3o do comprador na posse, ainda que o condom\u00ednio tenha ci\u00eancia inequ\u00edvoca da transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, a obriga\u00e7\u00e3o acompanha o im\u00f3vel (propter rem), configurando legitimidade passiva concorrente de vendedor e comprador, assegurando a penhora do pr\u00f3prio bem para satisfa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-7\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Apenas o promitente comprador pode ser demandado em a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de quotas condominiais ap\u00f3s a imiss\u00e3o na posse.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ fixou a legitimidade passiva concorrente do vendedor e do comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O propriet\u00e1rio constante da matr\u00edcula pode responder pelos d\u00e9bitos condominiais mas precisa ent\u00e3o integrar a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O im\u00f3vel pode ser penhorado no cumprimento de senten\u00e7a, por for\u00e7a da natureza propter rem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-7\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Pena de Multa \u2013 Execu\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>???? CP, art. 51; ADI 3.150\/DF ???? Execu\u00e7\u00e3o penal \u2260 execu\u00e7\u00e3o fiscal ???? Valor da multa n\u00e3o impede a\u00e7\u00e3o do MP ???? STJ: san\u00e7\u00e3o penal deve ser executada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia cinge-se a definir se o promitente vendedor (propriet\u00e1rio) continua respons\u00e1vel pelo pagamento das despesas condominiais geradas ap\u00f3s a imiss\u00e3o do promitente comprador na posse do im\u00f3vel, mesmo estando comprovada a imiss\u00e3o na posse e a ci\u00eancia inequ\u00edvoca da transa\u00e7\u00e3o pelo condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao ponto, ressalta-se que em raz\u00e3o da natureza propter rem das quotas condominiais (cr\u00e9dito do condom\u00ednio), as teses do Tema 886 devem ser interpretadas \u00e0 luz da teoria da <em>dualidade do v\u00ednculo obrigacional<\/em>, de maneira a reconhecer a legitimidade passiva concorrente entre promitente vendedor (propriet\u00e1rio do im\u00f3vel) e promitente comprador para figurar no polo passivo da a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de d\u00e9bitos condominiais posteriores \u00e0 imiss\u00e3o do comprador na posse, independentemente de haver ci\u00eancia inequ\u00edvoca da transa\u00e7\u00e3o pelo condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, sendo o pr\u00f3prio im\u00f3vel gerador das despesas e a garantia de seu pagamento, o propriet\u00e1rio que figura na matr\u00edcula do Registro de Im\u00f3veis pode ter o bem penhorado no bojo de a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, j\u00e1 em fase de cumprimento de senten\u00e7a, da qual n\u00e3o figurou no polo passivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalva de que, n\u00e3o tendo a recorrente sido parte na a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, apenas o im\u00f3vel gerador da d\u00edvida pode ser penhorado, ficando seus demais bens a salvo de constri\u00e7\u00e3o nos autos de origem, sendo-lhe, ademais, assegurado o direito de defesa no \u00e2mbito do cumprimento de senten\u00e7a, ou por meio de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-arbitramento-de-aluguel-e-protecao-a-mulher-vitima-de-violencia-domestica\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Arbitramento de aluguel e prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-nbsp-1\">&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-8\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 descabido o arbitramento de aluguel em desfavor da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica que permanece na posse exclusiva de im\u00f3vel comum com os filhos, ap\u00f3s o afastamento do c\u00f4njuge por medida protetiva, por n\u00e3o configurar enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 3\/6\/2025, DJEN 9\/6\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-8\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CC, arts. 1.658, 1.660, 1.695; Lei Maria da Penha; REsp 1.250.362\/RS.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A indeniza\u00e7\u00e3o por uso exclusivo de bem comum exige vantagem injustificada.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A moradia com filhos menores, no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica, afasta o enriquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A medida protetiva visa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da mulher e da prole.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-8\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica pode ser obrigada a pagar aluguel ao ex-c\u00f4njuge por uso exclusivo de im\u00f3vel comum.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, a presen\u00e7a dos filhos no im\u00f3vel, aliada \u00e0 medida protetiva de urg\u00eancia, descaracteriza a posse exclusiva e o enriquecimento injustificado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-8\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A perman\u00eancia exclusiva da mulher em im\u00f3vel comum, com os filhos e em raz\u00e3o de medida protetiva, gera obriga\u00e7\u00e3o de pagar aluguel ao ex-c\u00f4njuge copropriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ entende que n\u00e3o h\u00e1 vantagem indevida nem posse exclusiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-8\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Viol\u00eancia Dom\u00e9stica \u2013 Aluguel<\/td><\/tr><tr><td>???? Medida protetiva \u2192 afastamento do agressor ???? Prole comum residindo com a m\u00e3e ???? Sem posse exclusiva nem vantagem ???? STJ: aluguel indevido<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o controvertida reside em decidir se \u00e9 cab\u00edvel arbitramento de aluguel pelo uso exclusivo de bem im\u00f3vel comum, em raz\u00e3o do div\u00f3rcio dos propriet\u00e1rios, considerando-se que: (I) o uso exclusivo do bem \u00e9 realizado por v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica; (II) residem no im\u00f3vel m\u00e3e e filha, sendo esta atualmente adolescente; e (III) m\u00e3e e filha s\u00e3o hipossuficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No julgamento do REsp 1.250.362\/RS, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a fixou o entendimento de que, na separa\u00e7\u00e3o e no div\u00f3rcio, sob pena de gerar enriquecimento sem causa, o fato de um dos c\u00f4njuges deter a posse exclusiva de bem im\u00f3vel comum d\u00e1 direito, ao outro, ao recebimento de indeniza\u00e7\u00e3o, ainda que pendente a partilha dos bens.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelo uso exclusivo de bem comum em raz\u00e3o do rompimento de v\u00ednculo conjugal est\u00e1 assentado, especialmente, na premissa de que o uso do im\u00f3vel comum com exclusividade por um dos c\u00f4njuges impede ao outro a frui\u00e7\u00e3o do bem, havendo situa\u00e7\u00e3o de enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 hip\u00f3teses, entretanto, que <em>n\u00e3o se verifica qualquer vantagem daquele que est\u00e1 no uso e gozo do bem comum<\/em>, em detrimento do outro. Em tais situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em indeniza\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Partindo-se do pressuposto de que o fundamento da indeniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 assentado especialmente no fato de ex-c\u00f4njuge usar do bem comum com exclusividade, \u00e9 for\u00e7oso concluir que, se o ex-c\u00f4njuge reside no bem em conjunto com a prole comum do casal, n\u00e3o h\u00e1 posse exclusiva. Nesse caso, h\u00e1 proveito indireto do ex-c\u00f4njuge impossibilitado de usufruir o bem, na medida em que prover\u00e1, aos filhos, o direito \u00e0 moradia digna. A utiliza\u00e7\u00e3o do bem pelos filhos dos copropriet\u00e1rios beneficia a ambos, n\u00e3o se configurando enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob esta mesma \u00f3tica, o arbitramento de alugu\u00e9is pelo uso de bem im\u00f3vel comum por ex-c\u00f4njuge dever\u00e1 sopesar a situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade que acomete o genitor encarregado dos cuidados com os filhos. <em>A experi\u00eancia mostra que, em geral, o cuidado com a prole \u00e9 realizado em grande parte pelo genitor que com os filhos reside, sendo um trabalho, muitas vezes, invis\u00edvel.<\/em> Ainda que o genitor que n\u00e3o reside com os filhos cumpra com a presta\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia, diversos gastos s\u00e3o despendidos pelo cuidador, para al\u00e9m de financeiros: entram na conta, tamb\u00e9m, o custo do tempo e do cuidado para com os filhos, trabalho este n\u00e3o remunerado, mas que coloca o cuidador em uma certa posi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese de medida protetiva de urg\u00eancia que determina o afastamento do c\u00f4njuge ou companheiro da resid\u00eancia familiar, a imposi\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria consistente em aluguel em raz\u00e3o do uso exclusivo do im\u00f3vel pela mulher vai de encontro \u00e0 prote\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 pr\u00f3pria medida cautelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A imposi\u00e7\u00e3o judicial de uma medida protetiva de urg\u00eancia que determina o afastamento cautelar do c\u00f4njuge agressor n\u00e3o importa em qualquer vantagem \u00e0 mulher que permanece no im\u00f3vel. Ao contr\u00e1rio, objetiva a prote\u00e7\u00e3o da v\u00edtima pelo Estado, que, no contexto social ainda hoje vivenciado, continua sofrendo discrimina\u00e7\u00f5es, humilha\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas no seio da estrutura familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, <strong>o afastamento do c\u00f4njuge ou companheiro da resid\u00eancia familiar em raz\u00e3o de medida protetiva de urg\u00eancia n\u00e3o configura enriquecimento ou vantagem daquele ou daquela que permanece no im\u00f3vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9, portanto, descabido o arbitramento de aluguel em desfavor da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica que permanece na posse exclusiva de bem im\u00f3vel comum.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-partilha-de-bens-e-inclusao-de-credito-previdenciario-superveniente\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Partilha de bens e inclus\u00e3o de cr\u00e9dito previdenci\u00e1rio superveniente<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-9\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, o deferimento do pedido de partilha de bem superveniente, consistente em cr\u00e9dito oriundo de previd\u00eancia p\u00fablica, relativo a documento novo juntado aos autos ap\u00f3s a contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/5\/2025, DJEN 19\/5\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-9\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CPC, art. 435.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O patrim\u00f4nio comum \u00e9 massa universal e indivisa, partilh\u00e1vel a qualquer tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Cr\u00e9ditos previdenci\u00e1rios oriundos de a\u00e7\u00e3o ajuizada na const\u00e2ncia do matrim\u00f4nio devem integrar a comunh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Documentos novos podem ser juntados ap\u00f3s a contesta\u00e7\u00e3o, desde que n\u00e3o sejam indispens\u00e1veis \u00e0 propositura e respeitado o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-9\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ discutiu a inclus\u00e3o, na partilha de bens, de cr\u00e9dito previdenci\u00e1rio reconhecido em a\u00e7\u00e3o ajuizada durante o matrim\u00f4nio, mas pago apenas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, o cr\u00e9dito tem causa na const\u00e2ncia do casamento e deve ser partilhado, ainda que recebido ap\u00f3s o div\u00f3rcio, sendo v\u00e1lida a juntada de documento novo nos autos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-9\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Cr\u00e9ditos previdenci\u00e1rios de a\u00e7\u00e3o ajuizada na const\u00e2ncia do casamento n\u00e3o integram a partilha se recebidos ap\u00f3s o div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ fixou que tais cr\u00e9ditos integram a comunh\u00e3o, pois a causa \u00e9 anterior \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? \u00c9 admitida a juntada de documento novo ap\u00f3s a contesta\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, desde que n\u00e3o sejam indispens\u00e1veis \u00e0 propositura e respeitado o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O entendimento aplica o art. 435 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-9\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Partilha \u2013 cr\u00e9dito previdenci\u00e1rio<\/td><\/tr><tr><td>???? CPC, art. 435 ???? Patrim\u00f4nio comum universal ???? Inclus\u00e3o de cr\u00e9ditos supervenientes ???? STJ: partilh\u00e1veis se a causa \u00e9 anterior<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O prop\u00f3sito recursal consiste em decidir se \u00e9 poss\u00edvel, em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, o deferimento de pedido de partilha de bem superveniente, pertencente ao patrim\u00f4nio comum do casal, relativo a documento novo juntado aos autos ap\u00f3s a contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O patrim\u00f4nio comum do casal constitui uma massa universal e indivisa de bens que, a qualquer tempo, poder\u00e1 ser extinta por meio da efetiva\u00e7\u00e3o da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, logo ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento, a ex-esposa apresentou informa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a de proced\u00eancia de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria ajuizada pelo ex-marido, a qual concedeu-lhe o benef\u00edcio de aposentadoria especial e determinou o pagamento dos valores atrasados pelo INSS.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, o Tribunal de origem entendeu ser incab\u00edvel a inclus\u00e3o, na partilha, dos cr\u00e9ditos acumulados decorrentes de aposentadoria especial concedida ao ex-marido, ao fundamento de que, embora devesse ser aplicado \u00e0 mat\u00e9ria o mesmo racioc\u00ednio jur\u00eddico que embasou a proced\u00eancia do pedido de partilha dos valores depositados a t\u00edtulo de FGTS, n\u00e3o teria sido formulado, nos autos, pedido em tempo h\u00e1bil visando \u00e0 partilha dos mencionados cr\u00e9ditos acumulados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O momento processual para a juntada de documentos novos deve ser a primeira oportunidade em que se puder falar do fato novo, desde que a prova esteja dispon\u00edvel \u00e0 parte, ou no primeiro instante em que se possa opor \u00e0s alega\u00e7\u00f5es da parte contr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No ponto, \u00e9 entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justi\u00e7a a viabilidade de juntada de documentos novos, inclusive na fase recursal, desde que n\u00e3o se trate de documento indispens\u00e1vel \u00e0 propositura da demanda, inexista m\u00e1-f\u00e9 na sua oculta\u00e7\u00e3o e seja observado o princ\u00edpio do contradit\u00f3rio, nos termos do art. 435, caput, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que se refere \u00e0 possibilidade de partilha de cr\u00e9dito de previd\u00eancia p\u00fablica, no julgamento do Recurso Especial 1.651.292\/RS, DJe 25\/5\/2020, a Terceira Turma decidiu que &#8220;dever\u00e1 ser dada, \u00e0 aposentadoria p\u00fablica, o mesmo tratamento dispensado por esta Corte \u00e0s indeniza\u00e7\u00f5es trabalhistas, \u00e0s verbas salariais recebidas em atraso e ao Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o &#8211; FGTS, ou seja, devem ser objeto de partilha por ocasi\u00e3o do v\u00ednculo conjugal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme o precedente, o cr\u00e9dito previdenci\u00e1rio decorrente de aposentadoria pela previd\u00eancia p\u00fablica que somente veio a ser recebido ap\u00f3s o div\u00f3rcio, mas tem como elemento causal uma a\u00e7\u00e3o judicial ajuizada na const\u00e2ncia da sociedade conjugal e na qual se concedeu o benef\u00edcio retroativamente a per\u00edodo em que as partes ainda se encontravam vinculadas pelo casamento, deve ser objeto de partilha. Do contr\u00e1rio, &#8220;a eventual incomunicabilidade dos proventos do trabalho geraria uma injustific\u00e1vel distor\u00e7\u00e3o em que um dos c\u00f4njuges poderia possuir in\u00fameros bens reservados frutos de seu trabalho e o outro n\u00e3o poderia t\u00ea-los porque reverteu, em prol da fam\u00edlia, os frutos de seu trabalho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, nos regimes comunheiros, os cr\u00e9ditos oriundos de previd\u00eancia p\u00fablica devidos \u00e0 \u00e9poca do matrim\u00f4nio dever\u00e3o integrar a partilha de bens do casal, ainda que tenham sido recebidos posteriormente \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-adocao-multiparentalidade-e-protecao-da-mae-biologica-adolescente\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ado\u00e7\u00e3o, multiparentalidade e prote\u00e7\u00e3o da m\u00e3e biol\u00f3gica adolescente<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-10\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se mostra razo\u00e1vel enquadrar a m\u00e3e biol\u00f3gica em nenhuma das hip\u00f3teses de perda do poder familiar previstas no art. 1.638 do C\u00f3digo Civil, por ter sido v\u00edtima de viol\u00eancia sexual no ambiente dom\u00e9stico aos quatorze anos de idade e n\u00e3o lhe ter sido oportunizado apoio estatal para ter a crian\u00e7a consigo enquanto permaneceu acolhida institucionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/8\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-10\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CC, art. 1.638; RE 898.060\/SC (STF).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar exige conduta culposa ou dolosa.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Ado\u00e7\u00e3o regular n\u00e3o exclui an\u00e1lise do contexto de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Multiparentalidade preserva v\u00ednculos afetivos e jur\u00eddicos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-10\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou se caberia destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar de m\u00e3e adolescente, v\u00edtima de viol\u00eancia sexual, cuja filha vivia h\u00e1 dez anos com fam\u00edlia substituta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, n\u00e3o houve abandono volunt\u00e1rio; a melhor solu\u00e7\u00e3o foi reconhecer multiparentalidade, mantendo o poder familiar da m\u00e3e biol\u00f3gica e a paternidade socioafetiva dos adotantes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-10\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O reconhecimento da multiparentalidade pode preservar v\u00ednculos socioafetivos sem extinguir o poder familiar biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Foi a solu\u00e7\u00e3o aplicada pelo STJ, em conformidade com o STF (RE 898.060\/SC).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A condi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e adolescente v\u00edtima de viol\u00eancia sexual justifica a perda do poder familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ entendeu que n\u00e3o h\u00e1 necessarimente conduta enquadr\u00e1vel no art. 1.638 do CC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-10\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Ado\u00e7\u00e3o e multiparentalidade<\/td><\/tr><tr><td>???? CC, art. 1.638 ???? STF: RE 898.060\/SC ???? Prote\u00e7\u00e3o da m\u00e3e adolescente ???? Multiparentalidade = melhor interesse<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Trata-se, na origem, de a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar cumulada com ado\u00e7\u00e3o na qual se pleiteou a proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o sob o fundamento de que a crian\u00e7a nunca teve contato com a fam\u00edlia biol\u00f3gica, estando plenamente inserida no n\u00facleo familiar dos adotantes. A parte recorrente defende que a negativa de ado\u00e7\u00e3o, sob o pretexto de preservar-se o v\u00ednculo biol\u00f3gico, com fundamento no reconhecimento da multiparentalidade, n\u00e3o s\u00f3 ignora a realidade afetiva consolidada mas tamb\u00e9m imp\u00f5e \u00e0 menina uma situa\u00e7\u00e3o de instabilidade emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se \u00e9 poss\u00edvel o reconhecimento da multiparentalidade no caso, ou se a destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O caso apresenta uma situa\u00e7\u00e3o peculiar, em que foram v\u00edtimas todos os envolvidos, principalmente a pr\u00f3pria genitora, que foi m\u00e3e aos 14 anos de idade, v\u00edtima de viol\u00eancia sexual pelo padrasto no ambiente dom\u00e9stico e, al\u00e9m disso, estava em situa\u00e7\u00e3o de risco na companhia da m\u00e3e que foi diagnosticada com esquizofrenia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, n\u00e3o teve apoio familiar, nem do Estado, para enfrentar a delicada situa\u00e7\u00e3o. A adolescente n\u00e3o tinha discernimento para consentir com a ado\u00e7\u00e3o, tampouco tinha conhecimento de que poderia ficar acolhida institucionalmente juntamente com sua filha.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, a menor est\u00e1 sob a guarda dos adotantes desde os primeiros dias de vida, h\u00e1 aproximadamente dez anos, tempo em que criou la\u00e7os afetivos com o casal, consolidando reciprocamente a rela\u00e7\u00e3o filial, de modo que a altera\u00e7\u00e3o no quadro atual afetaria seu estado emocional e desenvolvimento psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em que pesem os adotantes, ora agravantes, terem recebido a crian\u00e7a por interm\u00e9dio do Poder P\u00fablico, em absoluta e inequ\u00edvoca regularidade do procedimento adotivo, n\u00e3o se pode ignorar que o contexto f\u00e1tico apresentado n\u00e3o se mostra adequado para enquadrar a recorrida, ora agravada, em nenhuma das hip\u00f3teses de perda do poder familiar previstas no art. 1.638 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso, porque, observando-se atentamente o contexto dos autos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar tenha havido o abandono espont\u00e2neo da crian\u00e7a, nem o descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar com submiss\u00e3o volunt\u00e1ria da menor a situa\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a multiparentalidade, com o reconhecimento da paternidade socioafetiva dos requerentes sem a perda do poder familiar da genitora, preservando-se a guarda dos recorrentes, mas assegurando-se o direito de visitas \u00e0 m\u00e3e biol\u00f3gica, medida adotada em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio do melhor interesse da menor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de entendimento firmado \u00e0 luz da tese fixada em sede de repercuss\u00e3o geral pelo eg. Supremo Tribunal Federal a respeito da multiparentalidade, que estabeleceu que &#8220;a paternidade socioafetiva, declarada ou n\u00e3o em registro p\u00fablico, n\u00e3o impede o reconhecimento do v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o concomitante baseado na origem biol\u00f3gica, com os efeitos jur\u00eddicos pr\u00f3prios&#8221; (RE 898.060\/SC, Relator: Ministro Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 21\/9\/2016, Processo Eletr\u00f4nico Repercuss\u00e3o Geral &#8211; M\u00e9rito &#8211; DJe-187 Divulg. 23-8-2017 Public. 24-8-2017).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-execucao-penal-da-multa-e-limites-economicos\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Execu\u00e7\u00e3o penal da multa e limites econ\u00f4micos<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-11\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o da pena de multa ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o pode ser extinta com base no fato de o valor da multa se enquadrar em autoriza\u00e7\u00e3o legal para n\u00e3o ajuizamento de execu\u00e7\u00e3o fiscal ou no fato de o gasto processual superar o valor a ser cobrado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.910.280-PR, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 3\/4\/2025, DJEN 24\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-11\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CP, arts. 50 e 51; LEP, art. 164; ADI 3.150\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A multa penal tem natureza sancionat\u00f3ria, n\u00e3o meramente fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Deve ser executada pelo MP como parte da pena criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se submete a crit\u00e9rios de conveni\u00eancia arrecadat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-11\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ discutiu se o valor da pena de multa pode justificar a extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, n\u00e3o cabe extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o penal com base em par\u00e2metro econ\u00f4mico previsto para execu\u00e7\u00f5es fiscais, pois se trata de san\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-11\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A pena de multa pode ser extinta pelo Judici\u00e1rio quando seu valor for inferior ao custo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ entende que o valor da san\u00e7\u00e3o n\u00e3o interfere na legitimidade da execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A pena de multa, quando n\u00e3o paga, deve ser executada pelo MP independentemente de seu valor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ reafirma o car\u00e1ter penal da multa, desvinculado de crit\u00e9rios arrecadat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-11\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Pena de Multa \u2013 Execu\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>???? CP, art. 51; ADI 3.150\/DF ???? Execu\u00e7\u00e3o penal \u2260 execu\u00e7\u00e3o fiscal ???? Valor da multa n\u00e3o impede a\u00e7\u00e3o do MP ???? STJ: san\u00e7\u00e3o penal deve ser executada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o consiste em saber se a execu\u00e7\u00e3o de pena de multa ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico pode ser extinta com base no fato de o valor da multa se enquadrar em autoriza\u00e7\u00e3o dada por lei para que se deixe de ajuizar execu\u00e7\u00e3o fiscal ou no fato de o gasto com o processo superar o valor a ser cobrado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI n. 3.150\/DF, afirmou que, mesmo ap\u00f3s a vig\u00eancia da Lei n. 9.268\/1996, que alterou a reda\u00e7\u00e3o do art. 51 do C\u00f3digo Penal, a multa penal n\u00e3o perdeu o seu car\u00e1ter de san\u00e7\u00e3o criminal, raz\u00e3o pela qual, caso n\u00e3o seja paga dentro de 10 dias depois do tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria (art. 50 do CP), dever\u00e1 ser executada prioritariamente pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico perante o Ju\u00edzo das Execu\u00e7\u00f5es Penais, observado o procedimento descrito pelos arts. 164 e seguintes da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na ocasi\u00e3o, a Suprema Corte tamb\u00e9m assentou que, apenas se o Minist\u00e9rio P\u00fablico, devidamente intimado, deixar de propor a execu\u00e7\u00e3o da multa no prazo de 90 dias, poder-se-\u00e1, por tamb\u00e9m se tratar de &#8220;d\u00edvida de valor&#8221;, admitir a legitimidade (subsidi\u00e1ria) da advocacia da Fazenda P\u00fablica para a execu\u00e7\u00e3o fiscal da multa, em Vara das Execu\u00e7\u00f5es Fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, se o Minist\u00e9rio P\u00fablico ajuizou a execu\u00e7\u00e3o da pena de multa, a san\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria dever\u00e1 ser tratada como t\u00edpica san\u00e7\u00e3o criminal e executada conforme o procedimento descrito pelos arts. 164 e seguintes da LEP; tratando-se, portanto, n\u00e3o de mera execu\u00e7\u00e3o fiscal e, sim, de verdadeira execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por efeito, o fato de o valor da multa se enquadrar em autoriza\u00e7\u00e3o dada por lei para que se deixe de ajuizar execu\u00e7\u00e3o fiscal &#8211; no caso, valor inferior a 1.200 UFESP&#8217;s, previsto em lei estadual &#8211; ou o fato de o gasto com o processo superar o valor a ser cobrado, n\u00e3o impedem o prosseguimento da <strong>execu\u00e7\u00e3o penal, cujo intuito n\u00e3o \u00e9 o arrecadat\u00f3rio e, sim, especialmente, a preven\u00e7\u00e3o de novos delitos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-tribunal-do-juri-e-registros-de-vida-pregressa\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tribunal do J\u00fari e registros de vida pregressa<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-12\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de documentos relacionados com a vida pregressa do acusado no plen\u00e1rio do j\u00fari, desde que observados os prazos legais, n\u00e3o viola o art. 478 do CPP, cujo rol \u00e9 taxativo.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.944.944-GO, Rel. Ministro Ot\u00e1vio de Almeida Toledo (Desembargador convocado do TJSP), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/8\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-12\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CPP, arts. 478 e 479.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CPP, Art. 478.&nbsp; Durante os debates as partes n\u00e3o poder\u00e3o, sob pena de nulidade, fazer refer\u00eancias:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 \u00e0 decis\u00e3o de pron\u00fancia, \u00e0s decis\u00f5es posteriores que julgaram admiss\u00edvel a acusa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 determina\u00e7\u00e3o do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 ao sil\u00eancio do acusado ou \u00e0 aus\u00eancia de interrogat\u00f3rio por falta de requerimento, em seu preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O rol do art. 478 \u00e9 taxativo, n\u00e3o podendo ser ampliado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A juntada de documentos sobre vida pregressa \u00e9 poss\u00edvel se feita com anteced\u00eancia m\u00ednima de 3 dias \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O uso n\u00e3o pode configurar argumento de autoridade indevido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-12\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ avaliou se documentos da vida pregressa do acusado poderiam ser apresentados no plen\u00e1rio do j\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, o rol do art. 478 \u00e9 taxativo e n\u00e3o inclui tais documentos, desde que apresentados no prazo do art. 479, o que afasta nulidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-12\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A juntada de documentos sobre a vida pregressa do acusado \u00e9 vedada pelo art. 478 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O rol \u00e9 taxativo e n\u00e3o contempla essa veda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Documentos da vida pregressa podem ser apresentados no j\u00fari, respeitado o prazo de 3 dias \u00fateis antes da sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Essa foi a interpreta\u00e7\u00e3o consolidada pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-12\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? J\u00fari \u2013 vida pregressa<\/td><\/tr><tr><td>???? CPP, arts. 478 e 479 ???? Rol taxativo de veda\u00e7\u00f5es ???? Documentos permitidos se no prazo ???? STJ: admissibilidade confirmada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-12\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A discuss\u00e3o consiste em saber se o rol previsto no art. 478 do CPP \u00e9 taxativo ou exemplificativo e se a utiliza\u00e7\u00e3o de documentos relacionados com a vida pregressa do acusado no plen\u00e1rio do j\u00fari viola o princ\u00edpio do devido processo legal e da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 478 do CPP estabelece rol taxativo de veda\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sendo poss\u00edvel sua amplia\u00e7\u00e3o para incluir outros documentos n\u00e3o expressamente previstos no texto legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a juntada de documentos relacionados com a vida pregressa do acusado, desde que observado o prazo m\u00ednimo de 03 (tr\u00eas) dias \u00fateis antes da sess\u00e3o plen\u00e1ria, conforme determina o art. 479 do CPP, n\u00e3o encontra \u00f3bice legal para sua utiliza\u00e7\u00e3o nos debates, tendo em vista que <strong>n\u00e3o se inclui entre as hip\u00f3teses <u>taxativamente<\/u> previstas no art. 478 do CPP<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal entendimento n\u00e3o significa autoriza\u00e7\u00e3o para o uso indevido desses documentos como argumento de autoridade. O que a lei pro\u00edbe \u00e9 a refer\u00eancia \u00e0 decis\u00e3o de pron\u00fancia, \u00e0s decis\u00f5es posteriores que julgaram admiss\u00edvel a acusa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 determina\u00e7\u00e3o do uso de algemas como argumento de autoridade. A mera refer\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o anterior ou a antecedentes criminais do r\u00e9u n\u00e3o constitui, por si s\u00f3, viola\u00e7\u00e3o do art. 478 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acordo-de-nao-persecucao-penal-e-justica-militar\">15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal e Justi\u00e7a Militar<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-13\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Em adequa\u00e7\u00e3o ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal \u00e9 aplic\u00e1vel aos crimes julgados pela Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 988.351-MG, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 5\/8\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-13\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? CF, art. 5\u00ba, XXXIX; CPP, art. 28-A; CPPM, art. 3\u00ba; S\u00famula 18\/STM.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O CPPM admite aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O STF admitiu o ANPP tamb\u00e9m para crimes militares.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A veda\u00e7\u00e3o sumular gen\u00e9rica do STM afronta o princ\u00edpio da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-13\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O STJ analisou a compatibilidade do ANPP com o processo penal militar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ, o instituto \u00e9 aplic\u00e1vel desde que presentes os requisitos legais e respeitada a compatibilidade com o rito castrense, alinhando-se ao precedente do STF.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-13\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A S\u00famula 18 do STM, ao vedar genericamente o ANPP, contraria o princ\u00edpio da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Essa foi a fundamenta\u00e7\u00e3o utilizada pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal \u00e9 inaplic\u00e1vel a crimes militares por aus\u00eancia de previs\u00e3o no CPPM.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ reconheceu a aplicabilidade com base no art. 3\u00ba do CPPM e no precedente do STF.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-13\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? ANPP \u2013 Justi\u00e7a Militar<\/td><\/tr><tr><td>???? CPP, art. 28-A ???? CPPM, art. 3\u00ba ???? STF: HC 232.254\/PE ???? STJ: aplicabilidade confirmada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-13\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A discuss\u00e3o consiste em saber se o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal pode ser aplicado a crimes julgados pela Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 quest\u00e3o, n\u00e3o se desconhece a exist\u00eancia de precedentes do Superior Tribunal de Justi\u00e7a que reconhecem a inaplicabilidade do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal aos processos de compet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o HC 232.254\/PE, de relatoria do Ministro Edson Fachin (DJe de 8\/5\/2024) firmou entendimento no sentido da possibilidade de extens\u00e3o do referido instituto tamb\u00e9m aos crimes militares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na ocasi\u00e3o, a Segunda Turma do STF entendeu que o art. 28-A, \u00a7 2\u00ba, do CPP, ao elencar as hip\u00f3teses excepcionais \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do ANPP, como nos casos de reincid\u00eancia, viol\u00eancia dom\u00e9stica ou crimes cometidos com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, n\u00e3o excluiu expressamente o processo penal militar do \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o da norma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Destacou-se, ainda, que o art. 3\u00ba do CPPM prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da legisla\u00e7\u00e3o processual penal comum nos casos omissos, desde que haja compatibilidade com os princ\u00edpios que regem a Justi\u00e7a Castrense. Por essa raz\u00e3o, institutos como o ANPP podem ser admitidos no processo penal militar, desde que n\u00e3o contrariem disposi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do rito castrense.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Concluiu-se que a S\u00famula n. 18 do STM, ao vedar de forma gen\u00e9rica e abstrata a aplica\u00e7\u00e3o do ANPP no \u00e2mbito da Justi\u00e7a Militar da Uni\u00e3o, afronta o princ\u00edpio da legalidade estrita, insculpido no art. 5\u00ba, XXXIX, da CF. Reconheceu-se, portanto, que tal restri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o prevista em lei, pode comprometer o pleno exerc\u00edcio das garantias fundamentais do investigado ou acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, em conformidade com a orienta\u00e7\u00e3o firmada pela Suprema Corte, o STJ alinha-se \u00e0 tese de que a <strong>aplica\u00e7\u00e3o do ANPP no processo penal militar n\u00e3o encontra \u00f3bice normativo, devendo ser admitida sempre que presentes os requisitos legais e verificada a compatibilidade f\u00e1tico-jur\u00eddica com o caso concreto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-6dcafd72-04b6-471c-9369-bf1b10bf5a81\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/09\/04083159\/stj-info-858-1.pdf\">STJ &#8211; Info 858<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/09\/04083159\/stj-info-858-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-6dcafd72-04b6-471c-9369-bf1b10bf5a81\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adicional noturno e per\u00edodos de afastamento Destaque O adicional noturno n\u00e3o \u00e9 devido ao Agente Federal de Execu\u00e7\u00e3o Penal durante per\u00edodos de afastamento, mesmo que considerados como de efetivo exerc\u00edcio, por possuir natureza propter laborem. 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