{"id":1574501,"date":"2025-05-12T12:34:18","date_gmt":"2025-05-12T15:34:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1574501"},"modified":"2025-05-13T08:28:48","modified_gmt":"2025-05-13T11:28:48","slug":"informativo-stj-846-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 846 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/05\/12123239\/stj-info-846.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_9C9M4v7h1qo\"><div id=\"lyte_9C9M4v7h1qo\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/9C9M4v7h1qo\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/9C9M4v7h1qo\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/9C9M4v7h1qo\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-terrenos-marginais-a-rios-navegaveis-e-impossibilidade-de-indenizacao-por-desapropriacao\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis e impossibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Administrativo<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Bens P\u00fablicos<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradorias<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis pertencem \u00e0 Uni\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o suscet\u00edveis de desapropria\u00e7\u00e3o com indeniza\u00e7\u00e3o, salvo se comprovada enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa de car\u00e1ter pessoal, sem configurar dom\u00ednio privado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.976.184-MG, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 20, III, da CF\/1988 define como bens da Uni\u00e3o os terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O STJ, desde o REsp 508.377\/MS, consolidou a impossibilidade de dom\u00ednio privado sobre tais \u00e1reas, salvo em caso de t\u00edtulo leg\u00edtimo de enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A interpreta\u00e7\u00e3o do art. 11 do C\u00f3digo de \u00c1guas (Decreto n. 24.643\/1934) \u00e9 restritiva.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 devida apenas por eventual vantagem econ\u00f4mica derivada de rela\u00e7\u00e3o contratual com o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O mero registro imobili\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 suficiente para afastar a presun\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia envolveu pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o de terreno marginal a rio naveg\u00e1vel, no contexto de constru\u00e7\u00e3o de usina hidrel\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Esses terrenos s\u00e3o bens p\u00fablicos da Uni\u00e3o e, em regra, insuscet\u00edveis de apropria\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Apenas situa\u00e7\u00f5es excepcionais, como enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa formalmente comprovada, admitem compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o decorre de direito real de propriedade, mas de rela\u00e7\u00e3o contratual administrativa preexistente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Os terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis podem ser indenizados por desapropria\u00e7\u00e3o, desde que o ocupante tenha justo t\u00edtulo imobili\u00e1rio registrado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ exige prova de enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa, e o mero registro n\u00e3o comprova dom\u00ednio privado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A indeniza\u00e7\u00e3o por terrenos marginais s\u00f3 \u00e9 cab\u00edvel quando houver prova de concess\u00e3o administrativa de car\u00e1ter pessoal, sem reconhecimento de propriedade plena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia veda o reconhecimento de dom\u00ednio privado sobre tais \u00e1reas, admitindo apenas compensa\u00e7\u00e3o contratual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Terrenos Marginais a Rios Naveg\u00e1veis<\/td><\/tr><tr><td>???? Art. 20, III, CF \u2013 bens da Uni\u00e3o ???? Inalien\u00e1veis e insuscet\u00edveis de dom\u00ednio privado ???? C\u00f3digo de \u00c1guas \u2013 interpreta\u00e7\u00e3o restritiva ???? Indeniza\u00e7\u00e3o apenas por enfiteuse ou concess\u00e3o ???? Sem propriedade plena: compensa\u00e7\u00e3o contratual limitada<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia reside no debate sobre a exist\u00eancia ou n\u00e3o de direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o de terrenos marginais a rio naveg\u00e1vel, discutida em a\u00e7\u00e3o de <em>desapropria\u00e7\u00e3o para \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de usina hidrel\u00e9trica<\/em>, em rela\u00e7\u00e3o aos quais a Uni\u00e3o sustenta serem bens p\u00fablicos e insuscet\u00edveis de desapropria\u00e7\u00e3o, enquanto a parte requerida alega deter justo t\u00edtulo de propriedade, o que garantiria o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a adotava posicionamento que permitia o afastamento da S\u00famula n. 479\/STF quando fosse poss\u00edvel identificar t\u00edtulo leg\u00edtimo pertencente ao dom\u00ednio particular, presumindo-se os terrenos marginais como de dom\u00ednio p\u00fablico, mas, excepcionalmente, admitindo-se sua integra\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio privado quando objeto de concess\u00e3o leg\u00edtima por documento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal orienta\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o encontra mais respaldo com a evolu\u00e7\u00e3o jurisprudencial consolidada no STJ, que, a partir do julgamento do Recurso Especial 508.377\/MS pela Segunda Turma, sob relatoria do Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, em 23\/1\/2007, concluiu que o art. 20, III, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal expressamente extinguira qualquer possibilidade de propriedade privada sobre cursos d&#8217;\u00e1gua, terrenos reservados e terrenos marginais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, conforme entendimento da Segunda Turma do STJ, a correta interpreta\u00e7\u00e3o do art. 11, caput, do Decreto n. 24.643\/1934 (C\u00f3digo de \u00c1guas) passou a se dar de forma restritiva, reconhecendo-se que o \u00fanico t\u00edtulo leg\u00edtimo capaz de relativizar o dom\u00ednio p\u00fablico seria aquele decorrente de enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa de car\u00e1ter pessoal, jamais configurando direito real de propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante de tal perspectiva, portanto, permite-se apenas a indeniza\u00e7\u00e3o por eventuais vantagens econ\u00f4micas derivadas da rela\u00e7\u00e3o contratual estabelecida com o Estado, sem reconhecer propriedade plena sobre tais \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-ilegitimidade-do-ministerio-publico-para-intervir-em-litigios-tributarios-comuns-entre-contribuintes-e-fisco\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ilegitimidade do Minist\u00e9rio P\u00fablico para intervir em lit\u00edgios tribut\u00e1rios comuns entre contribuintes e Fisco<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-0\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Processual Civil \/ Direito Tribut\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Interven\u00e7\u00e3o de Terceiros<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-0\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradorias<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-0\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem legitimidade para intervir ou recorrer em a\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias individuais entre contribuinte e Fisco quando n\u00e3o demonstrada relev\u00e2ncia social nem vulnerabilidade das partes envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.124.453-DF, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/2\/2025, DJEN 28\/2\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-0\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 178, I, do CPC\/2015 prev\u00ea a atua\u00e7\u00e3o do MP apenas quando houver interesse p\u00fablico ou social relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A jurisprud\u00eancia do STJ distingue entre relev\u00e2ncia social objetiva (natureza do bem jur\u00eddico) e <strong>subjetiva<\/strong> (vulnerabilidade das partes).<\/p>\n\n\n\n<p>???? Lit\u00edgios tribut\u00e1rios individuais n\u00e3o caracterizam, por si s\u00f3, interesse p\u00fablico que justifique interven\u00e7\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A Fazenda Nacional n\u00e3o \u00e9 considerada parte hipossuficiente ou vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>???? N\u00e3o se demonstrou repercuss\u00e3o coletiva ou multid\u00e3o de sujeitos afetados (car\u00e1ter multitudin\u00e1rio).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-0\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O debate envolveu a possibilidade de o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal interpor recurso em demanda sobre exclus\u00e3o de contribuinte do REFIS, alegando relev\u00e2ncia social subjetiva e interesse no er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A legitimidade do MP para intervir exige demonstra\u00e7\u00e3o concreta de relev\u00e2ncia p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A simples natureza tribut\u00e1ria da lide e sua eventual replicabilidade n\u00e3o s\u00e3o suficientes para justificar a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A Fazenda possui plena capacidade t\u00e9cnica e jur\u00eddica para atuar em defesa do interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-0\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A atua\u00e7\u00e3o do MP em lit\u00edgios tribut\u00e1rios entre Fisco e contribuinte depende da exist\u00eancia de relev\u00e2ncia social ou vulnerabilidade das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia restringe a legitimidade do MP a hip\u00f3teses justificadas por elementos concretos.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O Minist\u00e9rio P\u00fablico tem legitimidade sempre para intervir como custos legis nas a\u00e7\u00f5es que envolvam o Fisco, em raz\u00e3o do interesse do Estado na arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ exige demonstra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de relev\u00e2ncia social ou vulnerabilidade processual, o que n\u00e3o se presume.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-0\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Legitimidade do MP em Lides Tribut\u00e1rias<\/td><\/tr><tr><td>???? Art. 178, I, CPC \u2013 atua\u00e7\u00e3o s\u00f3 com interesse p\u00fablico relevante ???? Relev\u00e2ncia social objetiva x subjetiva ???? Fazenda n\u00e3o \u00e9 parte vulner\u00e1vel ???? Car\u00e1ter multitudin\u00e1rio deve ser demonstrado ???? MP n\u00e3o atua automaticamente em causas fiscais individuais<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia tem origem em rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-tribut\u00e1rio na qual houve o parcelamento do d\u00e9bito tribut\u00e1rio no \u00e2mbito do Programa de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal (REFIS) e que, em raz\u00e3o da expressiva diminui\u00e7\u00e3o dos valores de pagamento ao longo dos anos, a Fazenda P\u00fablica, administrativamente, excluiu o contribuinte do Programa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em sede judicial, o Tribunal a quo concluiu, \u00e0 luz do suporte f\u00e1tico-probat\u00f3rio, que os fatos supostamente geradores da exclus\u00e3o do contribuinte do REFIS n\u00e3o se subsumem ao art. 5\u00ba, VII, da Lei n. 9.964\/2000, \u00fanico fundamento do ato coator impugnado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na qualidade de custos juris, o Minist\u00e9rio P\u00fablico alega que pode intervir sempre que houver interesse p\u00fablico ou social relevante, nos termos do art. 178, I, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca do tema, o Ministro Herman Benjamin, no julgamento do REsp 347.752-SP, abordou a relev\u00e2ncia social classificando-a sob a perspectiva objetiva, decorrente dos valores e bens protegidos, e sob a perspectiva subjetiva, em raz\u00e3o da qualidade especial dos sujeitos &#8211; como crian\u00e7as ou idosos &#8211; ou da exist\u00eancia de repercuss\u00e3o social de conflitos em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel extrair do referido julgado que, <strong>diversamente do que ocorre na defesa de interesses e direitos difusos e coletivos stricto sensu, em que a legitimidade do Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 autom\u00e1tica ou ipso facto -, nos interesses e direitos individuais homog\u00eaneos, mesmo que de natureza dispon\u00edvel, a legitimidade ministerial decorre, pois, da presen\u00e7a da relev\u00e2ncia social <\/strong>tendo em vista a natureza do bem jur\u00eddico tutelado (a dignidade da pessoa humana, a qualidade ambiental, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o) &#8211; relev\u00e2ncia social objetiva -, ou diante da qualidade especial dos sujeitos de direito ou da repercuss\u00e3o social de conflitos em massa &#8211; relev\u00e2ncia social subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, o Minist\u00e9rio P\u00fablico suscita sua legitimidade para interpor recurso sob a perspectiva de relev\u00e2ncia social subjetiva ao argumento de que a demanda tem car\u00e1ter multitudin\u00e1rio, o que enseja sua interven\u00e7\u00e3o em defesa do patrim\u00f4nio p\u00fablico (&#8220;[&#8230;] envolver quest\u00e3o com fei\u00e7\u00e3o multitudin\u00e1ria, vocacionada a repercutir em in\u00fameras outras rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas an\u00e1logas entre contribuintes\/fisco, em evidentes reflexos no er\u00e1rio [&#8230;] o que recomenda a interven\u00e7\u00e3o ministerial no feito na defesa do patrim\u00f4nio p\u00fablico&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante a isso, o alegado car\u00e1ter multitudin\u00e1rio do conflito com grave repercuss\u00e3o social n\u00e3o est\u00e1 demonstrado, bem como a Fazenda Nacional n\u00e3o se enquadra como sujeito vulner\u00e1vel na defesa dos seus interesses, n\u00e3o detendo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal legitimidade para interpor recurso, seja para intervir como custos legis, seja para intervir como custos juris ou custos societatis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-remessa-necessaria-e-ausencia-de-preclusao-na-analise-de-materia-nao-suscitada-em-apelacao\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remessa necess\u00e1ria e aus\u00eancia de preclus\u00e3o na an\u00e1lise de mat\u00e9ria n\u00e3o suscitada em apela\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-1\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Processual Civil<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Recursos e Reexame Necess\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-1\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradorias<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-1\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>A remessa necess\u00e1ria possui ampla devolutividade, permitindo ao tribunal reexaminar integralmente a condena\u00e7\u00e3o imposta \u00e0 Fazenda P\u00fablica, mesmo nos pontos n\u00e3o suscitados em recurso volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.935.370-TO, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/2\/2025, DJEN 27\/2\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-1\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A remessa necess\u00e1ria est\u00e1 prevista no art. 496 do CPC\/2015 (e anteriormente no art. 475 do CPC\/1973).<\/p>\n\n\n\n<p>???? A S\u00famula 325\/STJ assegura que \u201ca remessa oficial devolve ao tribunal o conhecimento de toda a mat\u00e9ria impugnada na senten\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>???? <strong>N\u00e3o se aplica \u00e0 remessa necess\u00e1ria o limite do tantum devolutum quantum appellatum<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A interposi\u00e7\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria pela Fazenda n\u00e3o impede o conhecimento integral da mat\u00e9ria pelo tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O STJ entende que n\u00e3o h\u00e1 preclus\u00e3o para as mat\u00e9rias alcan\u00e7adas pela remessa oficial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-1\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia tratou da possibilidade de an\u00e1lise de pontos n\u00e3o recorridos voluntariamente pela Fazenda, mas abarcados pela remessa necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A remessa oficial tem natureza de condi\u00e7\u00e3o objetiva de efic\u00e1cia da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O tribunal pode analisar todas as parcelas da condena\u00e7\u00e3o, independentemente do conte\u00fado do recurso volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A devolutividade \u00e9 plena, impedindo a preclus\u00e3o da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-1\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A remessa necess\u00e1ria permite ao tribunal reexaminar integralmente a condena\u00e7\u00e3o imposta \u00e0 Fazenda P\u00fablica, inclusive em pontos n\u00e3o recorridos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia afirma que n\u00e3o h\u00e1 preclus\u00e3o sobre mat\u00e9rias abrangidas pela remessa oficial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-1\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Remessa Necess\u00e1ria e Devolutividade<\/td><\/tr><tr><td>???? Art. 496 do CPC \u2013 reexame obrigat\u00f3rio ???? S\u00famula 325\/STJ \u2013 devolutividade ampla ???? N\u00e3o se aplica o tantum devolutum quantum appellatum ???? Apela\u00e7\u00e3o n\u00e3o limita o reexame ???? Mat\u00e9rias n\u00e3o recorridas tamb\u00e9m podem ser analisadas<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Controverte-se a respeito do cabimento do reexame necess\u00e1rio em caso de interposi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria do recurso de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerca do tema, o Tribunal de origem decidiu, em suma, que, tendo em vista a finalidade da remessa necess\u00e1ria, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel a an\u00e1lise da remessa necess\u00e1ria mesmo havendo a interposi\u00e7\u00e3o de recurso volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A prop\u00f3sito, esse entendimento est\u00e1 em conformidade com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0 luz do disposto no art. 475 do CPC\/1973, o STJ firmou orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que a remessa oficial devolve ao Tribunal o reexame de todas as parcelas da condena\u00e7\u00e3o suportadas pela Fazenda P\u00fablica (S\u00famula 325 do STJ), n\u00e3o se limitando ao princ\u00edpio do tantum devolutum quantum appellatum (AgInt no REsp 2.068.436-AL, rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, julgado em 11\/3\/2024, DJe de 14\/3\/2024; e AgInt no AREsp 285.333-GO, rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 25\/6\/2019, DJe de 9\/8\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, <strong><u>a remessa necess\u00e1ria possui ampla devolutividade<\/u><\/strong>, de maneira que as condena\u00e7\u00f5es da Fazenda P\u00fablica poder\u00e3o ser objeto de an\u00e1lise pelo Tribunal independentemente da interposi\u00e7\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o ocorre preclus\u00e3o da mat\u00e9ria n\u00e3o suscitada naquele recurso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-penhora-em-execucao-fiscal-contra-empresa-em-recuperacao-judicial\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Penhora em execu\u00e7\u00e3o fiscal contra empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-2\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Tribut\u00e1rio \/ Direito Empresarial<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Execu\u00e7\u00e3o Fiscal \/ Recupera\u00e7\u00e3o Judicial<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-2\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradorias<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-2\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal condicionar a penhora \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o, pela Fazenda P\u00fablica, de que a constri\u00e7\u00e3o n\u00e3o compromete o soerguimento da empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial, tampouco avaliar a essencialidade do bem.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.184.895-PE, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/4\/2025, DJEN 4\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-2\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 6\u00ba, \u00a7 7-B, da Lei 11.101\/2005, com reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei 14.112\/2020, regula a compet\u00eancia entre o ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial e o da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A jurisprud\u00eancia do STJ reconhece que a execu\u00e7\u00e3o fiscal prossegue normalmente, mesmo ap\u00f3s o deferimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 competente para determinar a penhora, independentemente de impacto sobre o plano de soerguimento.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Cabe ao ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o apenas substituir penhora sobre bem de capital essencial, mediante coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A Fazenda n\u00e3o precisa provar previamente que o bem n\u00e3o \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-2\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia girou em torno da possibilidade de o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal exigir da Fazenda demonstra\u00e7\u00e3o de que a penhora n\u00e3o afetaria o plano de recupera\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o \u00e9 soberano para determinar atos de constri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A an\u00e1lise da essencialidade do bem \u00e9 posterior e cabe ao ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A exig\u00eancia de prova pr\u00e9via da n\u00e3o essencialidade tornaria invi\u00e1vel a efetividade da cobran\u00e7a fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-2\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A Fazenda P\u00fablica deve comprovar, previamente, que a penhora de bens n\u00e3o comprometer\u00e1 o soerguimento da empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ afirma que essa avalia\u00e7\u00e3o cabe, a posteriori, ao ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o condiciona o deferimento da penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A penhora em execu\u00e7\u00e3o fiscal contra empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial pode ser deferida desde que demonstrado que o bem n\u00e3o \u00e9 essencial \u00e0 sua atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A jurisprud\u00eancia do STJ confere ao ju\u00edzo fiscal a prerrogativa de determinar a constri\u00e7\u00e3o, cabendo \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, se necess\u00e1rio, a substitui\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-2\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Penhora em Recupera\u00e7\u00e3o Judicial<\/td><\/tr><tr><td>???? Lei 11.101\/2005, art. 6\u00ba, \u00a7 7-B (Lei 14.112\/2020) ???? Execu\u00e7\u00e3o fiscal n\u00e3o se suspende ???? Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o pode penhorar bens ???? Ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o substitui bem essencial ???? Fazenda n\u00e3o precisa comprovar aus\u00eancia de preju\u00edzo pr\u00e9vio<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, a Fazenda Nacional teve negado o pedido de penhora de bens de empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial. O fundamento para a negativa foi o de que a Fazenda n\u00e3o demonstrara que a penhora n\u00e3o comprometeria o plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso posto, a controv\u00e9rsia centra-se em saber se, no bojo de execu\u00e7\u00e3o fiscal, \u00e9 dado ao Ju\u00edzo condicionar o deferimento de penhora \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o, pela Fazenda, de que a constri\u00e7\u00e3o judicial almejada n\u00e3o compromete o soerguimento da empresa executada que se encontra em recupera\u00e7\u00e3o judicial ou mensurar, a esse prop\u00f3sito, a relev\u00e2ncia do bem para a manuten\u00e7\u00e3o das atividades da recuperanda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O dissenso jurisprudencial ent\u00e3o existente entre a Segunda Se\u00e7\u00e3o e as Turmas integrantes da Se\u00e7\u00e3o de Direito P\u00fablico do Superior Tribunal de Justi\u00e7a veio a se dissipar por ocasi\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.112\/2020, que, a seu modo, delimitou a compet\u00eancia do Ju\u00edzo em que se processa a execu\u00e7\u00e3o fiscal (a qual n\u00e3o se suspende pelo deferimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial) para determinar os atos de constri\u00e7\u00e3o judicial sobre os bens da recuperanda; e firmou a compet\u00eancia do Ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial &#8220;para <em>determinar a substitui\u00e7\u00e3o dos atos de constri\u00e7\u00e3o que recaiam sobre bens de capital essenciais<\/em> \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade empresarial at\u00e9 o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, o advento da Lei n. 14.112\/2020 demonstrou n\u00e3o mais haver espa\u00e7o &#8211; diante de seus termos resolutivos &#8211; para a interpreta\u00e7\u00e3o que confere ao Ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial o status de competente universal para deliberar sobre toda e qualquer constri\u00e7\u00e3o judicial efetivada no \u00e2mbito das execu\u00e7\u00f5es fiscal e de cr\u00e9dito extraconcursal, a pretexto de sua essencialidade ao desenvolvimento de sua atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, o \u00a7 7-B do art. 6\u00ba da Lei n. 11.101\/2005 (inclu\u00eddo pela Lei n. 14.112\/2020) passou a delimitar a atua\u00e7\u00e3o do Ju\u00edzo recuperacional, conferindo-lhe a possibilidade, apenas, de determinar a substitui\u00e7\u00e3o do bem constrito por outra garantia, sem preju\u00edzo, naturalmente, da formula\u00e7\u00e3o de proposta alternativa de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, em procedimento de coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca com o Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal e em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da menor onerosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, <strong>em se tratando de execu\u00e7\u00e3o fiscal, o Ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial ostenta compet\u00eancia para determinar a substitui\u00e7\u00e3o dos atos de constri\u00e7\u00e3o que recaiam n\u00e3o sobre todo e qualquer bem, mas t\u00e3o somente sobre &#8220;bens de capital&#8221; essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade empresarial, at\u00e9 o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desse modo, incumbe ao Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal proceder \u00e0 constri\u00e7\u00e3o judicial dos bens da executada, sem nenhum condicionamento ou mensura\u00e7\u00e3o sobre eventual impacto desta no soerguimento da empresa executada que se encontra em recupera\u00e7\u00e3o judicial, na medida em que tal atribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe compete.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em momento posterior (e enquanto n\u00e3o encerrada a recupera\u00e7\u00e3o judicial), cabe ao Ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial, na espec\u00edfica hip\u00f3tese de a constri\u00e7\u00e3o judicial recair sobre &#8220;bem de capital&#8221; essencial \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade empresarial, determinar sua substitui\u00e7\u00e3o por outra garantia do Ju\u00edzo, sem preju\u00edzo, naturalmente, de formular, em qualquer caso, proposta alternativa de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, em procedimento de coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca com Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal, o qual, por sua vez, deve observar, sempre, o princ\u00edpio da menor onerosidade ao devedor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-erro-medico-e-responsabilidade-objetiva-do-hospital-vedacao-a-denunciacao-da-lide\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Erro m\u00e9dico e responsabilidade objetiva do hospital: veda\u00e7\u00e3o \u00e0 denuncia\u00e7\u00e3o da lide<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-3\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito do Consumidor \/ Direito Processual Civil<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Responsabilidade Civil e Interven\u00e7\u00e3o de Terceiros<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-3\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Defensoria P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-3\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Em caso de erro m\u00e9dico, o hospital n\u00e3o pode denunciar a lide aos profissionais de sa\u00fade, por incidir a responsabilidade objetiva nas rela\u00e7\u00f5es de consumo, vedada a forma\u00e7\u00e3o de litiscons\u00f3rcio regressivo no mesmo processo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.160.516-CE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, por maioria, julgado em 1\u00ba\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-3\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 88 do CDC veda a denuncia\u00e7\u00e3o da lide entre fornecedores nas rela\u00e7\u00f5es de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A responsabilidade do hospital \u00e9 objetiva, fundada na teoria do risco da atividade (arts. 12 e 14 do CDC).<\/p>\n\n\n\n<p>???? O hospital responde independentemente de culpa dos m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A exist\u00eancia de erro individual n\u00e3o afasta a falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A responsabiliza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria impede a discuss\u00e3o regressiva no mesmo processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-3\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia envolveu a tentativa de um hospital de chamar os m\u00e9dicos ao processo por erro no atendimento a paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A denuncia\u00e7\u00e3o da lide \u00e9 incab\u00edvel em raz\u00e3o da solidariedade na responsabilidade do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A apura\u00e7\u00e3o administrativa interna de erro m\u00e9dico confirma a falha institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O detalhamento da conduta de cada m\u00e9dico n\u00e3o descaracteriza a natureza objetiva da rela\u00e7\u00e3o de consumo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-3\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O hospital pode denunciar a lide aos m\u00e9dicos quando identificar erro t\u00e9cnico individual, a fim de garantir eventual direito regressivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O CDC veda a denuncia\u00e7\u00e3o entre fornecedores em lit\u00edgios com consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A responsabilidade do hospital \u00e9 objetiva e independe da prova de culpa dos m\u00e9dicos, bastando a demonstra\u00e7\u00e3o de falha no atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A teoria do risco da atividade fundamenta a responsabiliza\u00e7\u00e3o direta da institui\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-3\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Erro M\u00e9dico e Responsabilidade Hospitalar<\/td><\/tr><tr><td>???? Arts. 12, 14 e 88 do CDC ???? Responsabilidade objetiva do hospital ???? Veda\u00e7\u00e3o \u00e0 denuncia\u00e7\u00e3o da lide ???? Solidariedade entre fornecedores ???? Teoria do risco da atividade na sa\u00fade<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cinge-se a controv\u00e9rsia em decidir sobre a denuncia\u00e7\u00e3o da lide, requerida pelo hospital, aos m\u00e9dicos respons\u00e1veis pelos atendimentos a paciente, aos quais \u00e9 imputada a pr\u00e1tica de erro m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ao hospital denunciar a lide aos m\u00e9dicos respons\u00e1veis pelo atendimento da paciente, em raz\u00e3o da incid\u00eancia dos arts. 12, 14 e 88 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso em apre\u00e7o, a parte buscou atendimento no hospital em quatro dias distintos. Em cada uma dessas ocasi\u00f5es, foi atendida por um m\u00e9dico diferente que estava de plant\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m de ter sido obrigada a procurar a opini\u00e3o de um quinto m\u00e9dico, desta vez particular, teve que arcar com os custos dos exames. Ainda assim, s\u00f3 conseguiu a interna\u00e7\u00e3o ap\u00f3s insist\u00eancia perante a dire\u00e7\u00e3o do hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o fato de a exordial trazer o nome dos m\u00e9dicos que atenderam a ent\u00e3o paciente n\u00e3o desnatura a natureza objetiva da responsabilidade civil na rela\u00e7\u00e3o de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A min\u00facia na narra\u00e7\u00e3o dos fatos serve justamente para demonstrar que, independentemente do profissional espec\u00edfico que o hospital escolheu para prestar o servi\u00e7o, houve falha nos protocolos de atendimento. Portanto, houve falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, atraindo a aplica\u00e7\u00e3o da teoria do risco da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a ouvidoria do hospital enviou e-mail \u00e0 paciente e informou que foram constatados erros praticados tanto pelo corpo m\u00e9dico quanto pelo corpo de enfermagem, de modo que os respectivos profissionais, segundo relatado, teriam sido advertidos e punidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, se houve apura\u00e7\u00e3o administrativa que constatou falhas e se h\u00e1 hierarquia que possibilita a orienta\u00e7\u00e3o, advert\u00eancia e puni\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como afastar a responsabilidade e, por consequ\u00eancia, como ser desnecess\u00e1ria a denuncia\u00e7\u00e3o da lide.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em resumo, <strong>a <u>teoria do risco da atividade<\/u>, que norteia a responsabiliza\u00e7\u00e3o civil consumerista e processualmente veda a denuncia\u00e7\u00e3o da lide<\/strong>, tem por objetivo justamente evitar que quest\u00f5es complexas sejam discutidas de forma excessivamente prolongada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-honorarios-recursais-e-terceiro-que-ingressa-na-fase-recursal-com-recurso-nao-conhecido\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Honor\u00e1rios recursais e terceiro que ingressa na fase recursal com recurso n\u00e3o conhecido<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-4\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Processual Civil<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Honor\u00e1rios de Sucumb\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-4\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradorias<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-4\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>O terceiro que ingressa no processo apenas na fase recursal e tem seu recurso n\u00e3o conhecido est\u00e1 sujeito \u00e0 condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios recursais, desde que preenchidos os requisitos do art. 85, \u00a7 11, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.888.521-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-4\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 85, \u00a7 11, do CPC determina a majora\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios em grau recursal, mesmo em caso de n\u00e3o conhecimento do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O recurso do terceiro prejudicado submete-se \u00e0s mesmas consequ\u00eancias dos demais sujeitos recursais, inclusive quanto \u00e0 sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O ingresso tardio no processo n\u00e3o afasta os efeitos da preclus\u00e3o nem a aplica\u00e7\u00e3o das regras sobre \u00f4nus recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O terceiro assume o processo no estado em que se encontra e deve observar os encargos j\u00e1 fixados.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A condena\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida se a senten\u00e7a de origem j\u00e1 tiver fixado honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-4\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O caso discutiu se terceiro que interp\u00f5e recurso n\u00e3o conhecido pode ser condenado em honor\u00e1rios recursais, mesmo sendo sua primeira manifesta\u00e7\u00e3o no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O terceiro recorrente se sujeita a todos os efeitos processuais, inclusive aos \u00f4nus decorrentes da sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A atua\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria em sede recursal n\u00e3o o isenta da aplica\u00e7\u00e3o do art. 85, \u00a7 11, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A l\u00f3gica do sistema processual \u00e9 de que quem recorre assume o risco da majora\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios se n\u00e3o tiver sucesso.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-4\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Mesmo que o recurso interposto por terceiro n\u00e3o seja conhecido, \u00e9 cab\u00edvel a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios recursais, desde que j\u00e1 tenham sido fixados honor\u00e1rios na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia exige apenas os requisitos do art. 85, \u00a7 11, CPC para a majora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O terceiro que ingressa na fase recursal e tem seu recurso n\u00e3o conhecido est\u00e1 isento do pagamento de honor\u00e1rios recursais por n\u00e3o ter participado da fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ entende que, uma vez que recorre, o terceiro se submete \u00e0s regras recursais, inclusive \u00e0 majora\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-4\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Honor\u00e1rios Recursais e Terceiro Interessado<\/td><\/tr><tr><td>???? Art. 85, \u00a7 11, CPC \u2013 majora\u00e7\u00e3o no grau recursal ???? Requisitos: recurso n\u00e3o conhecido e honor\u00e1rios na senten\u00e7a ???? Terceiro assume o processo no estado em que est\u00e1 ???? \u00d4nus recursal incide sobre todos os recorrentes ???? Ingresso em fase recursal n\u00e3o afasta dever de sucumb\u00eancia<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se terceiro interessado que ingressou na fase recursal e teve o recurso n\u00e3o conhecido pode ser condenado a pagar a verba honor\u00e1ria recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 996 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC) determina que o recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com a doutrina, o recurso de terceiro prejudicado \u00e9 ato processual volunt\u00e1rio, praticado por quem at\u00e9 aquele momento n\u00e3o era parte, mas que \u00e9 id\u00f4neo a ensejar a reforma, a invalida\u00e7\u00e3o ou a integra\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o judicial impugnada. Nesse sentido, tal recurso segue a aplica\u00e7\u00e3o da regra de o assistente receber o processo no est\u00e1gio em que se encontra, nos termos do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 119 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, ainda conforme a doutrina, embora n\u00e3o exista preclus\u00e3o temporal para o ingresso do terceiro, a partir do momento em que ele \u00e9 admitido no processo, suporta todas as preclus\u00f5es j\u00e1 operadas. Por conseguinte, admite tamb\u00e9m os resultados de todos os atos realizados antes de seu ingresso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Ao livremente optar por intervir no processo e recorrer, o terceiro interessado est\u00e1 ciente dos termos e determina\u00e7\u00f5es da decis\u00e3o recorrida<\/strong>. N\u00e3o pode, portanto, agir contraditoriamente ao assumir a decis\u00e3o para pleitear benef\u00edcios com a sua reforma, mas neg\u00e1-la para eximir-se do pagamento de honor\u00e1rios recursais, mesmo que sua primeira manifesta\u00e7\u00e3o no processo seja em sede recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo, ao exercer o direito de recorrer, a consequ\u00eancia l\u00f3gica \u00e9 que o terceiro prejudicado tamb\u00e9m tenha o dever de arcar com o pagamento dos honor\u00e1rios recursais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, \u00e9 pac\u00edfico o entendimento do STJ no sentido de que, na forma do art. 85, \u00a7 11, do CPC, a majora\u00e7\u00e3o da verba honor\u00e1ria deve ocorrer quando estiverem presentes os seguintes requisitos, simultaneamente: a) decis\u00e3o recorrida publicada a partir de 18\/3\/2016, quando entrou em vigor o novo C\u00f3digo de Processo Civil; b) recurso do qual n\u00e3o se conheceu integralmente ou a que se negou provimento, monocraticamente ou pelo \u00f3rg\u00e3o colegiado competente; e c) condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios desde a origem no feito em que interposto o recurso (REsp n. 1.865.553\/PR, Corte Especial, julgado em 9\/11\/2023, DJe de 21\/12\/2023; AgInt nos EREsp n. 1.539.725\/DF, Segunda Se\u00e7\u00e3o, julgado em 9\/8\/2017, DJe de 19\/10\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesses termos, para haver honor\u00e1rios recursais, deve haver condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios desde a origem no feito em que interposto o recurso, n\u00e3o importando em face de quem a decis\u00e3o primeva fixou os honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, se a senten\u00e7a fixou honor\u00e1rios advocat\u00edcios e, ap\u00f3s isso, o terceiro prejudicado ingressa na lide para recorrer, ainda que seu recurso n\u00e3o seja conhecido, ele deve arcar com o pagamento dos honor\u00e1rios recursais, pois cumpridos todos os requisitos para que lhe seja imputado este dever, nos termos do art. 85, \u00a7 11, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cobranca-de-taxa-por-associacao-de-moradores-em-condominio-de-fato\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cobran\u00e7a de taxa por associa\u00e7\u00e3o de moradores em condom\u00ednio de fato<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-5\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Civil<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Condom\u00ednio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-5\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Defensoria P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-5\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 indevida a cobran\u00e7a de taxas de manuten\u00e7\u00e3o por associa\u00e7\u00e3o de moradores contra edif\u00edcio que n\u00e3o aderiu formalmente \u00e0 entidade, ainda que tenha feito contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AgInt no AREsp 1.060.252-RJ, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/2\/2025, DJEN 17\/3\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-5\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O Tema 882\/STJ fixa que as taxas de manuten\u00e7\u00e3o criadas por associa\u00e7\u00f5es n\u00e3o obrigam os n\u00e3o associados ou n\u00e3o anuentes.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O STF, no Tema 492, tamb\u00e9m reafirma a inconstitucionalidade da cobran\u00e7a compuls\u00f3ria sem previs\u00e3o legal espec\u00edfica e ades\u00e3o formal at\u00e9 o advento da Lei n. 13.465\/17, ou de anterior lei municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Condom\u00ednios de fato em vias p\u00fablicas n\u00e3o se equiparam a loteamentos fechados com regramento formal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A contribui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, ainda que reiterada, n\u00e3o gera v\u00ednculo jur\u00eddico permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A aus\u00eancia de ato de associa\u00e7\u00e3o afasta a obrigatoriedade de pagamento futuro de mensalidades.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-5\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia envolveu a possibilidade de cobran\u00e7a de taxas de manuten\u00e7\u00e3o de edif\u00edcio que, embora tenha contribu\u00eddo por anos, n\u00e3o se associou formalmente \u00e0 entidade de moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O simples pagamento pret\u00e9rito n\u00e3o implica ades\u00e3o nem gera obriga\u00e7\u00e3o jur\u00eddica futura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A formalidade de associa\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para a constitui\u00e7\u00e3o do dever de contribuir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A liberdade de associa\u00e7\u00e3o veda a vincula\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria sem anu\u00eancia expressa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-5\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Edif\u00edcio que realiza pagamentos volunt\u00e1rios por longo per\u00edodo pode ser considerado associado de fato e compelido ao pagamento de mensalidades futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ afirma que a contribui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o supre a aus\u00eancia de v\u00ednculo formal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A cobran\u00e7a de taxas por associa\u00e7\u00e3o de moradores somente \u00e9 v\u00e1lida se houver ades\u00e3o formal ou previs\u00e3o legal espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. Tanto o STF quanto o STJ exigem base legal ou manifesta\u00e7\u00e3o expressa de vontade para gerar obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-5\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Taxas de Associa\u00e7\u00e3o em Condom\u00ednio de Fato<\/td><\/tr><tr><td>???? Tema 882\/STJ e Tema 492\/STF ???? Vedada cobran\u00e7a sem ades\u00e3o formal ???? Contribui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o gera obriga\u00e7\u00e3o futura ???? Vias p\u00fablicas n\u00e3o permitem restri\u00e7\u00e3o equiparada a loteamentos fechados ???? Liberdade de associa\u00e7\u00e3o como fundamento constitucional<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da cobran\u00e7a de taxa de manuten\u00e7\u00e3o criada por associa\u00e7\u00e3o de moradores em condom\u00ednio de fato, estabelecido em vias p\u00fablicas, contra edif\u00edcio n\u00e3o associado formalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, \u00e9 v\u00e1lido ressaltar entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido de que &#8220;as taxas de manuten\u00e7\u00e3o criadas por associa\u00e7\u00f5es de moradores n\u00e3o obrigam os n\u00e3o associados ou que a elas n\u00e3o anu\u00edram&#8221; (Tema 882\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa mesma linha, o Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 695.911-SP, em regime de repercuss\u00e3o geral, firmou a seguinte tese: &#8220;<em>\u00e9 inconstitucional a cobran\u00e7a por parte de associa\u00e7\u00e3o de taxa de manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de loteamento imobili\u00e1rio urbano de propriet\u00e1rio n\u00e3o associado at\u00e9 o advento da Lei n. 13.465\/17<\/em>, ou de anterior lei municipal que discipline a quest\u00e3o, a partir da qual se torna poss\u00edvel a cotiza\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios de im\u00f3veis, titulares de direitos ou moradores em loteamentos de acesso controlado, que i) j\u00e1 possuindo lote, adiram ao ato constitutivo das entidades equiparadas a administradoras de im\u00f3veis ou (ii) sendo novos adquirentes de lotes, o ato constitutivo da obriga\u00e7\u00e3o esteja registrado no competente Registro de Im\u00f3veis&#8221; (Tema n. 492\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalta-se que h\u00e1 entendimento firmado pela Quarta Turma do STJ no REsp 1.998.336-MG em que se afastou a aplica\u00e7\u00e3o do Tema 882\/STJ \u00e0 hip\u00f3tese de loteamento fechado. Todavia, o caso em quest\u00e3o n\u00e3o trata de loteamento fechado, mas de condom\u00ednio de fato, estabelecido por edif\u00edcios de determinadas ruas de um bairro que impuseram o fechamento e\/ou a restri\u00e7\u00e3o de acesso a vias p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Note-se que, em se tratando de condom\u00ednio de fato, diante da jurisprud\u00eancia do STJ e do STF, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a cobran\u00e7a promovida pela associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o merece prosperar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe ainda destacar que, em caso de condom\u00ednio de fato estabelecido por moradores de bairros residenciais abertos que imp\u00f5e o fechamento e\/ou a restri\u00e7\u00e3o de acesso a vias p\u00fablicas, <strong>a circunst\u00e2ncia de terem sido feitas contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias por um dos edif\u00edcios da regi\u00e3o, ao longo de v\u00e1rios anos, n\u00e3o configura ades\u00e3o formal \u00e0 associa\u00e7\u00e3o de moradores, nem autoriza cobran\u00e7a futura de mensalidades<\/strong>. Embora contribui\u00e7\u00f5es voluntariamente pagas ao longo de v\u00e1rios anos indiquem concord\u00e2ncia e proveito com as atividades da associa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o configuram associa\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, mesmo para aqueles, no passado, associados, n\u00e3o h\u00e1 dever jur\u00eddico de permanecer associado. Assim, n\u00e3o havendo ato formal de associa\u00e7\u00e3o &#8211; mas mero pagamento espont\u00e2neo em anos pret\u00e9ritos &#8211; a circunst\u00e2ncia de haver cessado o pagamento, por si s\u00f3, evidencia a inexist\u00eancia atual de associa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o haveria como exigir ato formal para desfazer ato que formalmente n\u00e3o existiu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-fornecimento-de-pecas-de-reposicao-e-inaplicabilidade-do-prazo-de-30-dias-do-cdc\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fornecimento de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o e inaplicabilidade do prazo de 30 dias do CDC<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-6\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito do Consumidor<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Responsabilidade pelo Fornecimento de Produtos<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-6\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Defensoria P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-6\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 indevida a aplica\u00e7\u00e3o por analogia do prazo de 30 dias do art. 18, \u00a7 1\u00ba, do CDC \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de fornecimento de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, prevista no art. 32 do mesmo diploma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.604.270-DF, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-6\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 18 do CDC trata da responsabilidade pelo v\u00edcio do produto, com prazo de 30 dias para repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O art. 32 do CDC imp\u00f5e o dever de manter pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, mas sem fixar prazo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A analogia entre os dispositivos n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida, pois se referem a obriga\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O sil\u00eancio legislativo quanto ao prazo no art. 32 reflete a complexidade das situa\u00e7\u00f5es abrangidas.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A fixa\u00e7\u00e3o de prazo deve ocorrer caso a caso, pelo ju\u00edzo competente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-6\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A controv\u00e9rsia tratou da possibilidade de aplicar o prazo de 30 dias do art. 18, \u00a7 1\u00ba, \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de fornecimento de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O prazo do art. 18 destina-se \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de v\u00edcios do produto, n\u00e3o ao fornecimento de componentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O art. 32 n\u00e3o estabelece prazo porque contempla variabilidade de situa\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A analogia criaria obriga\u00e7\u00e3o abstrata sem respaldo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-6\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Diante da aus\u00eancia de prazo legal no CDC, o prazo para fornecimento de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o deve ser fixado conforme o caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia reconhece a necessidade de avalia\u00e7\u00e3o judicial caso a caso, sem prazo legal pr\u00e9-fixado.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O prazo de 30 dias para reparo previsto no art. 18 do CDC aplica-se tamb\u00e9m ao fornecimento de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, por analogia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ afirma que s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es distintas e n\u00e3o admite analogia entre os dispositivos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-6\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Fornecimento de Pe\u00e7as de Reposi\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>???? Art. 32 do CDC \u2013 obriga\u00e7\u00e3o sem prazo definido ???? Art. 18, \u00a7 1\u00ba \u2013 trata de v\u00edcio, n\u00e3o de reposi\u00e7\u00e3o ???? Inaplicabilidade por analogia ???? Prazo deve ser fixado conforme o caso ???? Complexidade e variabilidade justificam o sil\u00eancio legislativo<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Trata-se de controv\u00e9rsia na qual se debate a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o do prazo de 30 dias previsto no art. 18, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, por analogia, \u00e0 hip\u00f3tese do art. 32 do mesmo diploma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 18, \u00a7 1\u00ba, do CDC retrata alternativas ao consumidor na hip\u00f3tese em que o fornecedor do produto n\u00e3o soluciona o v\u00edcio dentro do prazo de 30 dias. Conforme a doutrina, trata-se de prazo atrelado \u00e0 responsabilidade do fornecedor na solu\u00e7\u00e3o de v\u00edcio de produto, ou seja, de v\u00edcio adstrito aos limites do bem de consumo, sem outras repercuss\u00f5es (preju\u00edzos intr\u00ednsecos), o que diferencia do fato ou defeito do produto, cuja consequ\u00eancia l\u00f3gica est\u00e1 atrelada aos preju\u00edzos extr\u00ednsecos sofridos pelo consumidor, gerando consequ\u00eancias relacionadas \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o moral, material ou por danos est\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, o mencionado prazo de 30 dias n\u00e3o est\u00e1 relacionado \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o propriamente dita, mas sim ao interst\u00edcio necess\u00e1rio para que surja para o consumidor o direito potestativo de exigir, segundo sua conveni\u00eancia, alguma das provid\u00eancias previstas nos incisos do \u00a7 1\u00ba do art. 18 do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o pode, assim, um prazo previsto para uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e de natureza distinta ser utilizado, em interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, como par\u00e2metro para cria\u00e7\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o, cuja efic\u00e1cia ter\u00e1 efeito erga omnes em decorr\u00eancia da utiliza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O sil\u00eancio do art. 32 do CDC a respeito do prazo para a oferta de componentes e pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0 complexidade de variedade de situa\u00e7\u00f5es abarcadas pelo dispositivo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a reda\u00e7\u00e3o do art. 32 do CDC reflete o sil\u00eancio eloquente do legislador, que, reconhecendo a situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica regulada pelo dispositivo, fez verdadeira op\u00e7\u00e3o legislativa em n\u00e3o prever o prazo no texto normativo para que situa\u00e7\u00f5es d\u00edspares n\u00e3o ficassem engessadas pelo preceito legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, n\u00e3o parece razo\u00e1vel a extens\u00e3o do prazo de 30 dias previsto no art. 18, \u00a7 1\u00ba, do CDC \u00e0s situa\u00e7\u00f5es concretas abarcadas pelo art. 32 do mesmo diploma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a integra\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a ser promovida no caso concreto reverbera no reconhecimento de que o sil\u00eancio do art. 32 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor nada mais \u00e9 do que o reflexo da <em>inten\u00e7\u00e3o legislativa ante as in\u00fameras vari\u00e1veis<\/em> que possam ser abarcadas pelo referido dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Registre-se que n\u00e3o se est\u00e1 afastando, de forma irrestrita, a possibilidade de fixa\u00e7\u00e3o de prazo razo\u00e1vel a depender da situa\u00e7\u00e3o concreta, o que deve ficar a cargo do ju\u00edzo competente quando do cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito de incid\u00eancia da norma. \u00c9 dizer, em cada a\u00e7\u00e3o individual de execu\u00e7\u00e3o a ser proposta a partir da condena\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica. Ou, de modo mais abrangente, com a eventual provoca\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o legislativo competente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da\u00ed a impossibilidade de se criar uma regra abstrata e irrestrita para toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o regulada pelo mencionado art. 32 do CDC, o qual exige a an\u00e1lise CONCRETA a respeito da necessidade perseguida pelo consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prevaricacao-exige-dolo-especifico-desidia-e-comodismo-nao-configuram-o-crime\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prevarica\u00e7\u00e3o exige dolo espec\u00edfico: des\u00eddia e comodismo n\u00e3o configuram o crime<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-7\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Penal<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Crimes contra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-7\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/p>\n\n\n\n<p>Carreiras Policiais<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-7\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>Para a configura\u00e7\u00e3o do crime de prevarica\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel o dolo espec\u00edfico de satisfazer interesse ou sentimento pessoal; meras condutas negligentes ou desidiosas n\u00e3o caracterizam o tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.693.820-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/3\/2025, DJEN 26\/3\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-7\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 319 do C\u00f3digo Penal exige que o agente retarde ou deixe de praticar ato de of\u00edcio por interesse ou sentimento pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 firme ao exigir a demonstra\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sito pessoal espec\u00edfico para configurar o crime.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A simples omiss\u00e3o funcional, por des\u00eddia ou comodismo, n\u00e3o satisfaz o elemento subjetivo do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A prevarica\u00e7\u00e3o \u00e9 crime doloso com elemento subjetivo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A aus\u00eancia de prova objetiva da inten\u00e7\u00e3o pessoal afasta a tipicidade penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-7\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O debate versou sobre a condena\u00e7\u00e3o de delegados por in\u00e9rcia administrativa e omiss\u00e3o em atos de of\u00edcio, sem demonstra\u00e7\u00e3o de vantagem ou motiva\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A prevarica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se confunde com a simples m\u00e1 gest\u00e3o ou neglig\u00eancia administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O dolo espec\u00edfico deve estar comprovado de forma objetiva e concreta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 N\u00e3o basta a demonstra\u00e7\u00e3o de falhas operacionais para caracterizar o tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-7\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A prevarica\u00e7\u00e3o se configura sempre que o agente p\u00fablico deixa de praticar ato de of\u00edcio, independentemente do motivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ exige o dolo espec\u00edfico de satisfazer interesse ou sentimento pessoal para configurar o crime.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A aus\u00eancia de prova concreta de interesse pessoal do agente na omiss\u00e3o funcional impede sua condena\u00e7\u00e3o por prevarica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia exige demonstra\u00e7\u00e3o objetiva do elemento subjetivo especial do tipo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-7\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Prevarica\u00e7\u00e3o \u2013 Art. 319 do C\u00f3digo Penal<\/td><\/tr><tr><td>???? Dolo espec\u00edfico: satisfazer interesse pessoal ???? Des\u00eddia e comodismo n\u00e3o bastam ???? Necess\u00e1ria prova objetiva do prop\u00f3sito pessoal ???? In\u00e9rcia administrativa \u2260 crime sem dolo espec\u00edfico ???? Conduta at\u00edpica se ausente elemento subjetivo especial<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O crime de prevarica\u00e7\u00e3o, previsto no art. 319 do C\u00f3digo Penal, exige para sua configura\u00e7\u00e3o o <strong>dolo espec\u00edfico de &#8220;satisfazer interesse ou sentimento pessoal&#8221;, n\u00e3o sendo suficiente a mera neglig\u00eancia, comodismo ou descompromisso<\/strong>. \u00c9 imprescind\u00edvel que o agente se abstenha de praticar ato de of\u00edcio &#8220;para satisfazer interesse ou sentimento pessoal&#8221; de maneira objetiva e concreta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso analisado, o Tribunal de origem condenou os r\u00e9us, delegados de pol\u00edcia, por n\u00e3o adotarem provid\u00eancias necess\u00e1rias para a apura\u00e7\u00e3o de crimes, n\u00e3o incinerarem entorpecentes e n\u00e3o destinarem adequadamente armas e muni\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de omiss\u00f5es em boletins de ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, nota-se que a narrativa aponta para uma conduta pautada no comodismo e descompromisso, situa\u00e7\u00f5es que, embora caracterizem des\u00eddia, n\u00e3o evidenciam a satisfa\u00e7\u00e3o de um interesse pessoal espec\u00edfico ou um objetivo concreto de vantagem pessoal ou favorecimento indevido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aus\u00eancia de provas objetivas e concretas de que o r\u00e9u agiu com o prop\u00f3sito de satisfazer interesse pessoal impede a manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o, nos termos da jurisprud\u00eancia consolidada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-trafico-de-drogas-sem-apreensao-de-entorpecentes-ausencia-de-materialidade\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tr\u00e1fico de drogas sem apreens\u00e3o de entorpecentes: aus\u00eancia de materialidade<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-8\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Penal \/ Direito Processual Penal<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Prova e Materialidade do Delito<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-8\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>MP<\/p>\n\n\n\n<p>Defensoria P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<p>Carreiras Policiais<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-8\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 ilegal a condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico de drogas fundada apenas em prints de redes sociais e mensagens eletr\u00f4nicas, sem apreens\u00e3o de subst\u00e2ncia entorpecente que comprove a materialidade do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 977.266-RN, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 20\/3\/2025, DJEN 26\/3\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-8\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 33 da Lei 11.343\/2006 exige demonstra\u00e7\u00e3o da materialidade delitiva por apreens\u00e3o da subst\u00e2ncia entorpecente.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A jurisprud\u00eancia do STJ entende que sem apreens\u00e3o da droga, a materialidade do tr\u00e1fico n\u00e3o pode ser presumida.<\/p>\n\n\n\n<p>???? Prints de redes sociais, \u00e1udios e mensagens eletr\u00f4nicas s\u00e3o ind\u00edcios, mas n\u00e3o substituem a prova material.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A confiss\u00e3o ou men\u00e7\u00f5es \u00e0 trafic\u00e2ncia devem ser acompanhadas de apreens\u00e3o ou per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A condena\u00e7\u00e3o sem droga apreendida viola o devido processo legal e o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-8\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O caso envolveu a condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico baseada em mensagens de redes sociais e anota\u00e7\u00f5es, sem qualquer apreens\u00e3o de entorpecentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A prova da materialidade \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 validade da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A aus\u00eancia de subst\u00e2ncia entorpecente inviabiliza o reconhecimento do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Ind\u00edcios isolados n\u00e3o suprem a necessidade de elemento material concreto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-8\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A prova da materialidade do tr\u00e1fico de drogas pode ser suprida por mensagens eletr\u00f4nicas e confiss\u00e3o, mesmo sem apreens\u00e3o do entorpecente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ exige a apreens\u00e3o da droga como condi\u00e7\u00e3o para configura\u00e7\u00e3o da materialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A aus\u00eancia de apreens\u00e3o da subst\u00e2ncia entorpecente impede a condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico de drogas, mesmo diante de ind\u00edcios em redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. A jurisprud\u00eancia do STJ exige prova material concreta para validar a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-8\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Materialidade no Crime de Tr\u00e1fico<\/td><\/tr><tr><td>???? Lei 11.343\/2006, art. 33 ???? Apreens\u00e3o da droga \u00e9 indispens\u00e1vel ???? Ind\u00edcios digitais n\u00e3o substituem prova material ???? Prova id\u00f4nea exige subst\u00e2ncia + per\u00edcia ???? STJ: condena\u00e7\u00e3o sem droga \u00e9 ilegal<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A condena\u00e7\u00e3o pelo crime de tr\u00e1fico de drogas exige a demonstra\u00e7\u00e3o da materialidade delitiva por meio de provas id\u00f4neas, sendo imprescind\u00edvel a apreens\u00e3o de subst\u00e2ncia entorpecente ou outros elementos concretos que demonstrem a trafic\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a condena\u00e7\u00e3o foi fundamentada essencialmente em <em>prints de redes sociais e mensagens eletr\u00f4nicas, sem a efetiva apreens\u00e3o de drogas<\/em>, o que contraria a orienta\u00e7\u00e3o consolidada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante a farta investiga\u00e7\u00e3o que detectou a propriedade de perfis em redes sociais nos quais publicava venda de entorpecentes por parte do acusado, fato por ele confessado; da apreens\u00e3o de caderno com anota\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fico do qual consta o seu nome, al\u00e9m do envio de \u00e1udio em um grupo do qual participava no whatsapp, pedindo para que &#8220;algu\u00e9m comprasse suas drogas para deix\u00e1-lo forte&#8221;; n\u00e3o houve de fato apreens\u00e3o de entorpecentes, impondo-se a absolvi\u00e7\u00e3o do agravado por tal delito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, diante da inexist\u00eancia de prova material apta a comprovar a trafic\u00e2ncia, requisito essencial para a comprova\u00e7\u00e3o da materialidade do crime de tr\u00e1fico de drogas, mostra-se necess\u00e1ria a absolvi\u00e7\u00e3o do acusado, em conformidade com o entendimento desta Corte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-violencia-domestica-autonomia-entre-os-crimes-de-violacao-de-domicilio-e-lesao-corporal\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Viol\u00eancia dom\u00e9stica: autonomia entre os crimes de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio e les\u00e3o corporal<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-9\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Penal<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: Viol\u00eancia Dom\u00e9stica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-9\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/p>\n\n\n\n<p>Defensoria P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<p>Carreiras Policiais<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-9\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o entre os crimes de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio e les\u00e3o corporal praticados em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica, pois tutelam bens jur\u00eddicos distintos e configuram infra\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Ot\u00e1vio de Almeida Toledo (Des. convocado do TJSP), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/3\/2025, DJEN 20\/3\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-9\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? A consun\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e rela\u00e7\u00e3o de meio e fim entre os delitos, com absor\u00e7\u00e3o do crime-meio pelo crime-fim (S\u00famula 17\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>???? O art. 150, \u00a7 1\u00ba, do CP e os arts. 5\u00ba e 7\u00ba da Lei Maria da Penha protegem bens jur\u00eddicos diversos: privacidade e integridade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio protege a inviolabilidade da resid\u00eancia; a les\u00e3o corporal, a integridade f\u00edsica da mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O reconhecimento da autonomia entre os crimes assegura resposta penal proporcional \u00e0 complexidade da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A preval\u00eancia do microssistema da Lei 11.340\/2006 refor\u00e7a a cumulatividade punitiva e afasta a consun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-9\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O caso tratou de agente que invadiu a casa da companheira e a agrediu fisicamente em seguida, tendo sido condenado pelos dois delitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Os crimes possuem objetividades jur\u00eddicas distintas e n\u00e3o configuram progress\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Aplicar a consun\u00e7\u00e3o nesses casos enfraqueceria a prote\u00e7\u00e3o penal da v\u00edtima e violaria a dogm\u00e1tica da vitimologia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A resposta penal deve refletir a complexidade das agress\u00f5es no contexto dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-9\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? Os crimes de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio e les\u00e3o corporal contra mulher no ambiente dom\u00e9stico praticados no mesmo contexto n\u00e3o podem ser punidos cumulativamente, sob pena de bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. A jurisprud\u00eancia reconhece a necessidade de resposta penal separada para proteger bens jur\u00eddicos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>???? No contexto da viol\u00eancia dom\u00e9stica, o crime de les\u00e3o corporal absorve o de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio, em raz\u00e3o da unidade de des\u00edgnios do agente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u274c Errado. O STJ afastou a consun\u00e7\u00e3o por inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de meio e fim entre os delitos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-9\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Consun\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>???? S\u00famula 17\/STJ \u2013 consun\u00e7\u00e3o exige crime-meio e crime-fim ???? Art. 150, \u00a7 1\u00ba, CP \u2013 viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio ???? Art. 129, \u00a7 9\u00ba, CP \u2013 les\u00e3o corporal em contexto dom\u00e9stico ???? Microssistema da Lei Maria da Penha prevalece ???? Crimes aut\u00f4nomos e cumul\u00e1veis na viol\u00eancia de g\u00eanero<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o seria aplic\u00e1vel entre os crimes de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio e les\u00e3o corporal, quando praticados em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica e\/ou familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, n\u00e3o se olvida que a pac\u00edfica jurisprud\u00eancia trilhada pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite que um crime de maior gravidade, assim considerado pela pena abstratamente cominada, pode ser absorvido, por for\u00e7a do princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o, por um crime menos grave, quando, repita-se, utilizado como mero instrumento para consecu\u00e7\u00e3o de um objetivo final \u00fanico (AgRg no AREsp n. 100.322\/SP, relator Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Quinta Turma, julgado em 25\/2\/2014, DJe de 7\/3\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta, por certo, constitui a linha de racioc\u00ednio (ordin\u00e1ria) sedimentada no enunciado da S\u00famula n. 17\/STJ, ao advertir ser poss\u00edvel que o crime-meio, quando exaurido no crime-fim, sem mais potencionalidade lesiva, seja por este absorvido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, por tutelarem objetividades jur\u00eddicas distintas, n\u00e3o se aplica o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o (como metanorma absolut\u00f3ria, fruto de pol\u00edtica criminal) na hip\u00f3tese em que o crime de &#8220;invas\u00e3o de domic\u00edlio&#8221; (destinado a salvaguardar a privacidade, o sossego e a tranquilidade do indiv\u00edduo) \u00e9 seguido ou at\u00e9 mesmo precedido &#8211; de forma &#8220;aut\u00f4noma&#8221; &#8211; do crime de les\u00f5es corporais (ou outro correlato), no delet\u00e9rio contexto permeado pela viol\u00eancia de g\u00eanero (mis\u00f3gina) dom\u00e9stica ou familiar, com intranspon\u00edvel topografia normativa albergada pelo microssistema de prote\u00e7\u00e3o estatu\u00eddo nos arts. 5\u00ba e 7\u00ba, ambos Lei n. 11.340\/2006 e sem qualquer correspond\u00eancia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de progress\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque o &#8220;<em><u>mandado de criminaliza\u00e7\u00e3o<\/u><\/em>&#8221; estatu\u00eddo pelo legislador p\u00e1trio, no preceito secund\u00e1rio do art. 150, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Penal, determina, de forma cogente e indene de d\u00favidas, que se o crime \u00e9 cometido com o emprego de viol\u00eancia ou de arma, ou por duas ou mais pessoas, ao agente ser\u00e1 cominada a pena de deten\u00e7\u00e3o, de seis meses a dois anos, al\u00e9m da pena correspondente \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, conforme ressaltado pelo Tribunal de origem, o agente prevalecendo-se das rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas e de afeto, e com opress\u00e3o de g\u00eanero e viol\u00eancia, adentrou na resid\u00eancia de sua namorada contra a vontade da ofendida, ao arrombar a porta de entrada com chutes. Na mesma ocasi\u00e3o, motivado por ci\u00fames e embriagado, ofendeu a integridade corporal de sua namorada pegando-a pelo pesco\u00e7o e causando-lhe as les\u00f5es corporais descritas no exame pericial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Verifica-se, portanto, que o agente entrou na resid\u00eancia da ofendida contra o consentimento dela, porquanto estava inconformado com a suposta presen\u00e7a de outro homem no local. Agindo assim, atentou contra a liberdade da v\u00edtima, consubstanciada na inviolabilidade domiciliar, regra que visa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de sua intimidade e privacidade, fatores independentes e alheios ao delito de les\u00e3o corporal posteriormente praticado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, como o crime de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio n\u00e3o constituiu meio indispens\u00e1vel de prepara\u00e7\u00e3o ou execu\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o penal de les\u00e3o corporal, inaplic\u00e1vel o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, j\u00e1 decidiu a Quinta Turma do STJ que &#8220;<em>\u00c9 invi\u00e1vel o reconhecimento da consun\u00e7\u00e3o entre o delito de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio e o de les\u00e3o corporal no \u00e2mbito dom\u00e9stico quando um n\u00e3o constitui meio para a execu\u00e7\u00e3o do outro<\/em>, mas evidentes infra\u00e7\u00f5es penais aut\u00f4nomas, que tutelam bens jur\u00eddicos distintos (AgRg no REsp n. 1.902.294\/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2\/3\/2021, DJe de 8\/3\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, entender em sentido contr\u00e1rio representaria prote\u00e7\u00e3o estatal insuficiente \u00e0 objetividade jur\u00eddica disposta nos arts. 129, \u00a7 9\u00ba, e 150, \u00a7 1\u00ba, ambos do C\u00f3digo Penal, associados \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es (cogentes) estatu\u00eddas nos arts. 5\u00ba e 7\u00ba, ambos da Lei n. 11.340\/2006 (proporcionalidade pelo vi\u00e9s negativo), insustent\u00e1vel \u00e0 luz do subjacente e equ\u00e2nime garantismo &#8220;integral&#8221; (n\u00e3o hiperb\u00f3lico monocular), integrado pela evolutiva e necess\u00e1ria dogm\u00e1tica da &#8220;vitimologia&#8221; (prim\u00e1ria e secund\u00e1ria), encampada na Declara\u00e7\u00e3o dos Princ\u00edpios B\u00e1sicos de Justi\u00e7a relativos \u00e0s &#8220;V\u00edtimas&#8221; da Criminalidade (Resolu\u00e7\u00e3o da ONU n. 40\/34, de 29 de novembro de 1985).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-habeas-corpus-para-revisao-de-clausulas-do-acordo-de-nao-persecucao-penal\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Habeas corpus para revis\u00e3o de cl\u00e1usulas do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-indexador-10\">Indexador<\/h3>\n\n\n\n<p>Disciplina: Direito Processual Penal<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00edtulo: ANPP<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-10\">\u00c1rea<\/h3>\n\n\n\n<p>Magistratura<\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/p>\n\n\n\n<p>Defensoria P\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-10\">Destaque<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe habeas corpus para discutir cl\u00e1usulas do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal (ANPP); eventual revis\u00e3o deve ser solicitada ao \u00f3rg\u00e3o superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico, nos termos do art. 28-A, \u00a7 14, do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 184.507-MT, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/4\/2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conteudo-base-10\">Conte\u00fado-Base<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O art. 28-A do CPP regula o ANPP como neg\u00f3cio jur\u00eddico processual firmado entre MP, investigado e defesa t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O \u00a7 14 do art. 28-A prev\u00ea a remessa da proposta ao \u00f3rg\u00e3o superior do MP em caso de recusa ou controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A repara\u00e7\u00e3o de danos \u00e9 cl\u00e1usula expressamente prevista como condi\u00e7\u00e3o do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>???? O habeas corpus n\u00e3o \u00e9 instrumento adequado para questionar cl\u00e1usulas do ANPP.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A via pr\u00f3pria \u00e9 a provoca\u00e7\u00e3o do Procurador-Geral para eventual revis\u00e3o da proposta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-e-tese-10\">Discuss\u00e3o e Tese<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O caso envolveu impugna\u00e7\u00e3o, via habeas corpus, \u00e0 cl\u00e1usula de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais prevista no ANPP, com alega\u00e7\u00f5es de hipossufici\u00eancia e lit\u00edgio c\u00edvel paralelo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Para o STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A discord\u00e2ncia com os termos do ANPP deve ser tratada no \u00e2mbito interno do MP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o c\u00edvel n\u00e3o impede a estipula\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usulas indenizat\u00f3rias no acordo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A preclus\u00e3o operou-se porque a defesa n\u00e3o requereu revis\u00e3o nos termos legais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-sera-cobrado-em-prova-10\">Como ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/h3>\n\n\n\n<p>???? O habeas corpus n\u00e3o \u00e9 meio processual adequado para revisar cl\u00e1usulas de valor indenizat\u00f3rio previstas no acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ entende que esse controle deve ocorrer por meio de remessa ao \u00f3rg\u00e3o superior do MP, conforme o art. 28-A, \u00a7 14, CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>???? A cl\u00e1usula de repara\u00e7\u00e3o m\u00ednima de dano no ANPP pode coexistir com demandas c\u00edveis j\u00e1 em curso, por se tratar de esferas jur\u00eddicas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2705 Correto. O STJ reconhece a independ\u00eancia entre os \u00e2mbitos penal e c<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-versao-esquematizada-10\">Vers\u00e3o Esquematizada<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>???? ANPP e Controle de Cl\u00e1usulas<\/td><\/tr><tr><td>???? Art. 28-A, \u00a7 14, CPP \u2013 revis\u00e3o pelo \u00f3rg\u00e3o superior do MP ???? Habeas corpus: via inadequada para rediscutir cl\u00e1usulas ???? Cl\u00e1usula de repara\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de a\u00e7\u00e3o c\u00edvel ???? Preclus\u00e3o por aus\u00eancia de provoca\u00e7\u00e3o formal ???? ANPP como neg\u00f3cio jur\u00eddico pr\u00e9-processual<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em saber se a proposta de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, que inclui a repara\u00e7\u00e3o de danos morais, pode ser considerada ilegal ou desproporcional, especialmente diante da alegada incapacidade financeira do recorrente e da exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o c\u00edvel em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal (ANPP), previsto no art. 28-A do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), <em>consiste em neg\u00f3cio jur\u00eddico-processual entre investigado, seu defensor e o Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/em>. Dentro desse contexto, a repara\u00e7\u00e3o do dano causado \u00e0 v\u00edtima \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es expressamente previstas no inciso I do referido dispositivo legal, que assim estabelece: reparar o dano ou restituir a coisa \u00e0 v\u00edtima, exceto na impossibilidade de faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o recorrente foi denunciado pela pr\u00e1tica de crime de homic\u00eddio culposo na dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo automotor. Durante a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico ofereceu proposta de ANPP ao recorrente, incluindo como condi\u00e7\u00e3o a repara\u00e7\u00e3o m\u00ednima de danos morais em favor da fam\u00edlia da v\u00edtima falecida, no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), que foi recusado pela defesa, alegando incapacidade financeira para cumprir a condi\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos e exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o c\u00edvel em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em sede de habeas corpus, a defesa insiste na necessidade de reformula\u00e7\u00e3o do ANPP, sob o argumento de que a proposta de pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral apresentada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 desproporcional. Afirma j\u00e1 existir a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o c\u00edvel em curso, bem como medida liminar fixando alimentos no valor de 1\/4 do sal\u00e1rio m\u00ednimo em favor do filho da v\u00edtima, considerando assim que a manuten\u00e7\u00e3o da proposta nos moldes formulados implicaria duplicidade de pleitos indenizat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, ao n\u00e3o aceitar o ANPP, a defesa t\u00e9cnica poderia ter requerido ao Ju\u00edzo de primeiro grau a remessa dos autos ao \u00f3rg\u00e3o superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico, nos termos do art. 28-A, \u00a7 14, do CPP, para revis\u00e3o da proposta de acordo, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme salientado no ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de origem, houve mera recusa da proposta pela defesa, sem que tenha sido formulado pedido espec\u00edfico para remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justi\u00e7a, operando-se, portanto, a preclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 v\u00e1lido observar que o instrumento adequado para questionar as condi\u00e7\u00f5es da proposta de ANPP seria a remessa ao \u00f3rg\u00e3o superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico, conforme previsto no \u00a7 14 do art. 28-A do CPP, e n\u00e3o o habeas corpus, como pretendido pelo recorrente. Ademais, destaca-se que a exist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o c\u00edvel em curso n\u00e3o impede a estipula\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o de danos como condi\u00e7\u00e3o do ANPP, tratando-se de esferas jur\u00eddicas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 alegada hipossufici\u00eancia financeira do recorrente, esta quest\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o torna ilegal a proposta formulada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico. O pr\u00f3prio inciso I do art. 28-A prev\u00ea a exce\u00e7\u00e3o &#8220;na impossibilidade de faz\u00ea-lo&#8221;, que poderia ser objeto de an\u00e1lise pelo \u00f3rg\u00e3o superior ministerial, caso fosse provocado na forma adequada.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-0a2ad20d-8073-4575-a2d6-7813a6916602\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/05\/12123239\/stj-info-846.pdf\">STJ &#8211; Info 846<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/05\/12123239\/stj-info-846.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-0a2ad20d-8073-4575-a2d6-7813a6916602\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis e impossibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o Indexador Disciplina: Direito Administrativo Cap\u00edtulo: Bens P\u00fablicos \u00c1rea Magistratura Procuradorias Destaque Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis pertencem \u00e0 Uni\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o suscet\u00edveis de desapropria\u00e7\u00e3o com indeniza\u00e7\u00e3o, salvo se comprovada enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa de car\u00e1ter pessoal, sem configurar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1574501","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 846 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 846 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis e impossibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o Indexador Disciplina: Direito Administrativo Cap\u00edtulo: Bens P\u00fablicos \u00c1rea Magistratura Procuradorias Destaque Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis pertencem \u00e0 Uni\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o suscet\u00edveis de desapropria\u00e7\u00e3o com indeniza\u00e7\u00e3o, salvo se comprovada enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa de car\u00e1ter pessoal, sem configurar [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-05-12T15:34:18+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-05-13T11:28:48+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"52 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ 846 Comentado\",\"datePublished\":\"2025-05-12T15:34:18+00:00\",\"dateModified\":\"2025-05-13T11:28:48+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\"},\"wordCount\":10449,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Concursos P\u00fablicos\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2025\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\",\"name\":\"Informativo STJ 846 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website\"},\"datePublished\":\"2025-05-12T15:34:18+00:00\",\"dateModified\":\"2025-05-13T11:28:48+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ 846 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg\",\"width\":230,\"height\":60,\"caption\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/x.com\/EstratConcursos\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\",\"name\":\"Jean Vilbert\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jean Vilbert\"},\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Informativo STJ 846 Comentado","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Informativo STJ 846 Comentado","og_description":"DOWNLOAD do PDF AQUI! 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis e impossibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o Indexador Disciplina: Direito Administrativo Cap\u00edtulo: Bens P\u00fablicos \u00c1rea Magistratura Procuradorias Destaque Terrenos marginais a rios naveg\u00e1veis pertencem \u00e0 Uni\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o suscet\u00edveis de desapropria\u00e7\u00e3o com indeniza\u00e7\u00e3o, salvo se comprovada enfiteuse ou concess\u00e3o administrativa de car\u00e1ter pessoal, sem configurar [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2025-05-12T15:34:18+00:00","article_modified_time":"2025-05-13T11:28:48+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"52 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/"},"author":{"name":"Jean Vilbert","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999"},"headline":"Informativo STJ 846 Comentado","datePublished":"2025-05-12T15:34:18+00:00","dateModified":"2025-05-13T11:28:48+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/"},"wordCount":10449,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"articleSection":["Concursos P\u00fablicos"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#respond"]}],"copyrightYear":"2025","copyrightHolder":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"}},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/","name":"Informativo STJ 846 Comentado","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website"},"datePublished":"2025-05-12T15:34:18+00:00","dateModified":"2025-05-13T11:28:48+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-846-comentado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Informativo STJ 846 Comentado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","description":"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","width":230,"height":60,"caption":"Estrat\u00e9gia Concursos"},"image":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/EstratConcursos"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999","name":"Jean Vilbert","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jean Vilbert"},"url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1574501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1574501"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1574501\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1574866,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1574501\/revisions\/1574866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1574501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1574501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1574501"},{"taxonomy":"tax_estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tax_estado?post=1574501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}