{"id":1530660,"date":"2025-02-11T02:10:24","date_gmt":"2025-02-11T05:10:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1530660"},"modified":"2025-04-08T23:50:19","modified_gmt":"2025-04-09T02:50:19","slug":"informativo-stj-extraordinario-22-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-extraordinario-22-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ Extraordin\u00e1rio 22 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">Informativo Extraordin\u00e1rio 22 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\" data-darkreader-inline-color=\"\">COMENTADO<\/strong><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">.<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/02\/11021008\/stj-informativo-ext-22-stj.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_3K3hXrIOECo\"><div id=\"lyte_3K3hXrIOECo\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/3K3hXrIOECo\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/3K3hXrIOECo\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/3K3hXrIOECo\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> ADMINISTRATIVO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-im-possibilidade-de-enfermeiras-obstetricas-realizarem-partos-desacompanhadas-de-medico\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de enfermeiras obst\u00e9tricas realizarem partos desacompanhadas de m\u00e9dico<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Enfermeiras obst\u00e9tricas podem realizar parto domiciliar sem distocias independentemente da presen\u00e7a ou assist\u00eancia direta de profissional m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.099.736-RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 20\/8\/2024, DJe 26\/8\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide, enfermeira obst\u00e9trica, realiza partos humanizados domiciliares, atendendo demanda de gesta\u00e7\u00f5es de baixo risco. O CRM ficou sabendo e n\u00e3o gostou nada nada de que Creide vinha atuando sem a presen\u00e7a de um m\u00e9dico no local. O conselho ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o para proibir Creide de realizar tais partos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, o CRM alega que os enfermeiros obst\u00e9tricos podem acompanhar partos normais sem distocia, mas desde que fa\u00e7am parte de uma equipe de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.498\/1986:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; como integrante da equipe de sa\u00fade:<\/p>\n\n\n\n<p>a) participa\u00e7\u00e3o no planejamento, execu\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade;<\/p>\n\n\n\n<p>b) participa\u00e7\u00e3o na elabora\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o dos planos assistenciais de sa\u00fade;<\/p>\n\n\n\n<p>c) prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos estabelecidos em programas de sa\u00fade p\u00fablica e em rotina aprovada pela institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade;<\/p>\n\n\n\n<p>d) participa\u00e7\u00e3o em projetos de constru\u00e7\u00e3o ou reforma de unidades de interna\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>e) preven\u00e7\u00e3o e controle sistem\u00e1tico da infec\u00e7\u00e3o hospitalar e de doen\u00e7as transmiss\u00edveis em geral;<\/p>\n\n\n\n<p>f) preven\u00e7\u00e3o e controle sistem\u00e1tico de danos que possam ser causados \u00e0 clientela durante a assist\u00eancia de enfermagem;<\/p>\n\n\n\n<p>g) assist\u00eancia de enfermagem \u00e0 gestante, parturiente e pu\u00e9rpera;<\/p>\n\n\n\n<p>h) acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o e do trabalho de parto;<\/p>\n\n\n\n<p>i) execu\u00e7\u00e3o do parto sem distocia;<\/p>\n\n\n\n<p>j) educa\u00e7\u00e3o visando \u00e0 melhoria de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As profissionais referidas no inciso II do art. 6\u00ba desta lei incumbe, ainda:<\/p>\n\n\n\n<p>a) assist\u00eancia \u00e0 parturiente e ao parto normal;<\/p>\n\n\n\n<p>b) identifica\u00e7\u00e3o das distocias obst\u00e9tricas e tomada de provid\u00eancias at\u00e9 a chegada do m\u00e9dico;<\/p>\n\n\n\n<p>c) realiza\u00e7\u00e3o de episiotomia e episiorrafia e aplica\u00e7\u00e3o de anestesia local, quando necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se as enfermeiras obst\u00e9tricas podem realizar parto domiciliar sem a presen\u00e7a de profissional m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O art. 11, II, da Lei n. 7.498\/1986 disciplina as hip\u00f3teses em que os enfermeiros podem atuar simultaneamente aos demais profissionais de sa\u00fade<\/strong>, estando ali listada a possibilidade de executar parto sem distocia, sendo que a norma principal (do inciso em exame) autoriza aos enfermeiros a execu\u00e7\u00e3o direta do parto sem distocia (sem perturba\u00e7\u00e3o), n\u00e3o condicionando a realiza\u00e7\u00e3o do ato \u00e0 assist\u00eancia direta de um m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>O dispositivo em momento algum menciona a figura do m\u00e9dico, pois na norma do inciso II do art. 11 fala em &#8220;integrante de equipe de sa\u00fade&#8221;, e no par\u00e1grafo \u00fanico do mesmo dispositivo emprega a express\u00e3o &#8220;assist\u00eancia \u00e0 parturiente&#8221;, e n\u00e3o ao m\u00e9dico; ou melhor, a norma interpretada n\u00e3o traz, em nenhum momento, a necessidade da presen\u00e7a de um m\u00e9dico em si, nem mesmo na referida equipe de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei (n. 12.842\/2013) do ato m\u00e9dico tamb\u00e9m n\u00e3o cont\u00e9m a previs\u00e3o de que a identifica\u00e7\u00e3o da distocia \u00e9 exclusiva do m\u00e9dico. Na realidade, privativos s\u00e3o os atos de emiss\u00e3o de laudos, progn\u00f3stico e identifica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a (art. 4\u00ba, VII, X e XIII), mas n\u00e3o a identifica\u00e7\u00e3o da distocia, ou seja, percebendo a perturba\u00e7\u00e3o para o bom andamento do parto (distocia), compete \u00e0 enfermeira obst\u00e9trica encaminhar o paciente ao m\u00e9dico (art. 11, par\u00e1grafo \u00fanico,&nbsp;<em>b<\/em>, da Lei n. 7.498\/1986), e ent\u00e3o o m\u00e9dico (a\u00ed sim) ter\u00e1 a compet\u00eancia exclusiva para, se for o caso, determinar a doen\u00e7a que acomete a paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, se o profissional de enfermagem obstetr\u00edcia necessitasse da presen\u00e7a de um m\u00e9dico para a execu\u00e7\u00e3o do parto normal sem distocia, n\u00e3o faria sentido a disposi\u00e7\u00e3o legal expressa determinando que a enfermeira, ao identificar (ela mesma) distocias obst\u00e9tricas, deveria tomar as provid\u00eancias at\u00e9 a chegada do m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a Portaria n. 353\/2017, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que aprovou as Diretrizes Nacionais de Assist\u00eancia ao Parto Normal, expressamente previu que &#8220;a assist\u00eancia ao parto e nascimento de baixo risco que se mantenha dentro dos limites da normalidade pode ser realizada tanto por m\u00e9dico obstetra quanto por enfermeira obst\u00e9trica e obstetriz&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Enfermeiras obst\u00e9tricas podem realizar parto domiciliar sem distocias independentemente da presen\u00e7a ou assist\u00eancia direta de profissional m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-lia-e-continuidade-tipico-normativa\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; LIA e continuidade t\u00edpico-normativa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 aboli\u00e7\u00e3o da tipicidade da conduta de improbidade administrativa, reconhecida antes das altera\u00e7\u00f5es dadas pela Lei 14.230\/2021, quando os fatos analisados evidenciarem a concretiza\u00e7\u00e3o das novas hip\u00f3teses de condutas previstas nos incisos do art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA), em raz\u00e3o do princ\u00edpio da continuidade t\u00edpico-normativa.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.061.719-TO, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 27\/8\/2024, DJe 2\/9\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina, prefeita do Munic\u00edpio de Tranqueira, e seu esposo Creiton, foram denunciados pela pr\u00e1tica de improbidade administrativa. Conforme a den\u00fancia, a prefeitura teria contratado o A\u00e7ougue Bife, empresa de fachada vinculada ao Supermercado Caro, este \u00faltimo de propriedade de Creiton, para fornecer merenda escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o MP, a contrata\u00e7\u00e3o direta ocorrida viola os princ\u00edpios da moralidade e impessoalidade. Ap\u00f3s a modifica\u00e7\u00e3o da LIA, os r\u00e9us alegaram que agora as condutas do art. 11 formariam rol taxativo e n\u00e3o mais exemplificativo, o que excluiria a tipicidade da conduta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 14.230\/2021:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica a a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Nos termos da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra a Corrup\u00e7\u00e3o, promulgada pelo&nbsp;Decreto n\u00ba 5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haver\u00e1 improbidade administrativa, na aplica\u00e7\u00e3o deste artigo, quando for comprovado na conduta funcional do agente p\u00fablico o fim de obter proveito ou benef\u00edcio indevido para si ou para outra pessoa ou entidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>No caso, foi reconhecida a ocorr\u00eancia de fraude levada a efeito por ex-Prefeita e por ex-Secret\u00e1rio de Finan\u00e7as de Munic\u00edpio quando da contrata\u00e7\u00e3o, sem licita\u00e7\u00e3o, de empresas fantasmas com o objetivo de legitimar o fornecimento de produtos a Munic\u00edpio do Estado do Tocantins pelo supermercado de propriedade dos agentes p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os r\u00e9us foram condenados com base nos arts. 10 e 11 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA), ao ressarcimento integral do preju\u00edzo causado ao er\u00e1rio, \u00e0 suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos pelo prazo de cinco anos, ao pagamento de multa civil equivalente a duas vezes o valor do dano apurado em liquida\u00e7\u00e3o e \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o Poder P\u00fablico pelo prazo de cinco anos, sendo a condena\u00e7\u00e3o mantida em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem reconhecido, paulatinamente, a aplicabilidade das altera\u00e7\u00f5es levadas a efeito pela Lei 14.230\/2021 aos processos anteriores \u00e0 sua entrada em vigor, quando ainda n\u00e3o houver tr\u00e2nsito em julgado, tendo em vista a configura\u00e7\u00e3o, em muitos dos seus aspectos, de verdadeira&nbsp;<em>novatio legis in mellius<\/em>. Esse movimento teve g\u00eanese nas conclus\u00f5es a que chegou o Supremo Tribunal Federal (STF) quando do julgamento, sob o rito da repercuss\u00e3o geral, do ARE 843.989 (Tema n. 1199\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>Com base na&nbsp;<em>ratio decidendi<\/em>&nbsp;l\u00e1 fixada, o pr\u00f3prio STF estendeu para outras hip\u00f3teses que n\u00e3o apenas aquela ligada ao afastamento dos atos meramente culposos do \u00e2mbito do art. 10 da LIA. Foram alcan\u00e7ados casos em que a condena\u00e7\u00e3o teve por base uma gen\u00e9rica viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios administrativos (<em>caput<\/em>&nbsp;do art. 11 da LIA) ou, ainda, quando baseada nos revogados incisos I e II do art. 11, sem que os fatos tipificassem, mediante dolo espec\u00edfico, alguma das atuais figuras previstas taxativamente em seus incisos.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade do dolo espec\u00edfico permeou fortemente as altera\u00e7\u00f5es trazidas pela Lei 14.230\/2021, bastando ver o disposto no \u00a7 1\u00ba do art. 11, a estabelecer: Nos termos da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra a Corrup\u00e7\u00e3o, promulgada pelo Decreto n\u00ba 5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haver\u00e1 improbidade administrativa, na aplica\u00e7\u00e3o deste artigo, quando for comprovado na conduta funcional do agente p\u00fablico o fim de obter proveito ou benef\u00edcio indevido para si ou para outra pessoa ou entidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O agente perpetrador do fato \u00edmprobo que viola os princ\u00edpios administrativos, tipificando alguma das hip\u00f3teses legais, dever\u00e1 ter visado fim il\u00edcito, seja de oculta\u00e7\u00e3o de irregularidades, seja de obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio indevido<\/strong>, n\u00e3o bastando a mera vontade de realizar ato em desconformidade com a lei, consoante enuncia o \u00a7 2\u00ba do art. 1\u00ba da LIA: &#8220;Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcan\u00e7ar o resultado il\u00edcito tipificado nos arts. 9\u00ba, 10 e 11 desta Lei, n\u00e3o bastando a voluntariedade do agente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o haver\u00e1 que se falar em aboli\u00e7\u00e3o da tipicidade da conduta, como j\u00e1 reconhecido no AREsp 1.206.630, quando os fatos considerados no ac\u00f3rd\u00e3o como violadores dos princ\u00edpios administrativos remanescerem t\u00edpicos no mesmo dispositivo de lei (em algum dos seus incisos).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas hip\u00f3teses, em que os fatos evidenciam a concretiza\u00e7\u00e3o das novas condutas previstas no art. 11 da LIA e, ainda, a presen\u00e7a do dolo espec\u00edfico, estar\u00e1 evidenciada verdadeira continuidade t\u00edpico-normativa, hip\u00f3tese a exigir, apenas, a adequa\u00e7\u00e3o das penalidades aplicadas, observando-se, agora, as san\u00e7\u00f5es fixadas pela Lei 14.230\/2021, quando mais ben\u00e9ficas aos condenados.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>tendo-se em vista que os fatos constatados evidenciam a tipifica\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese prevista no art. 11, inciso V, da LIA, e corroboram a presen\u00e7a do dolo espec\u00edfico por parte dos demandados, \u00e9 de rigor a manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o anteriormente reconhecida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 aboli\u00e7\u00e3o da tipicidade da conduta de improbidade administrativa, reconhecida antes das altera\u00e7\u00f5es dadas pela Lei 14.230\/2021, quando os fatos analisados evidenciarem a concretiza\u00e7\u00e3o das novas hip\u00f3teses de condutas previstas nos incisos do art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA), em raz\u00e3o do princ\u00edpio da continuidade t\u00edpico-normativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-i-licitude-da-cobranca-pela-concessionaria-de-tarifa-por-esgoto-nao-coletado-ou-despejado-in-natura-nas-galerias-pluviais-sem-qualquer-tratamento\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Licitude da cobran\u00e7a pela concession\u00e1ria de tarifa por esgoto n\u00e3o coletado ou despejado in natura nas galerias pluviais, sem qualquer tratamento.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 l\u00edcita a cobran\u00e7a pela concession\u00e1ria de tarifa por esgoto n\u00e3o coletado ou despejado in natura nas galerias pluviais, sem qualquer tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.115.320-RJ, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14\/10\/2024, DJe 17\/10\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A concession\u00e1ria Fluvial presta o servi\u00e7o de esgotamento no Munic\u00edpio Trancos, realizando a coleta e transporte dos dejetos, mas n\u00e3o o tratamento final. Ainda assim, a concession\u00e1ria cobra a tarifa de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que al\u00e9m de n\u00e3o realizar o tratamento, Fluvial apenas despeja o dejeto in natura em val\u00f5es pela cidade. Crementino, ao descobrir isso, ficou revoltado por ter que pagar sem receber qualquer servi\u00e7o. Ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, Fluvial alega que o STJ possui entendimento no sentido da possibilidade de cobran\u00e7a de taxa, mesmo que n\u00e3o prestadas todas as etapas do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no julgamento do Recurso Especial Representativo de Controv\u00e9rsia n. 1.339.313\/RJ, definiu que &#8220;A legisla\u00e7\u00e3o que rege a mat\u00e9ria d\u00e1 suporte para a cobran\u00e7a da tarifa de esgoto mesmo ausente o tratamento final dos dejetos, principalmente porque n\u00e3o estabelece que o servi\u00e7o p\u00fablico de esgotamento sanit\u00e1rio somente existir\u00e1 quando todas as etapas forem efetivadas, tampouco pro\u00edbe a cobran\u00e7a da tarifa pela presta\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 ou de algumas dessas atividades&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o caso em apre\u00e7o \u00e9 diferente. Isso porque as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias fixaram a premissa de que os dejetos da resid\u00eancia do autor s\u00e3o encaminhados para val\u00e3o pr\u00f3ximo \u00e0 resid\u00eancia, sem qualquer tratamento. Logo, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcita a cobran\u00e7a por esgoto n\u00e3o coletado ou despejado&nbsp;<em>in natura<\/em>&nbsp;nas galerias pluviais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme entendimento pac\u00edfico do STJ, a quest\u00e3o deixa de ser relativa a tratamento de res\u00edduos, transformando-se em polui\u00e7\u00e3o pura e simples, n\u00e3o havendo direito a ser reclamado por servi\u00e7o inexistente (AgInt no REsp n. 2.068.061\/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24\/6\/2024, DJe de 28\/6\/2024).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 l\u00edcita a cobran\u00e7a pela concession\u00e1ria de tarifa por esgoto n\u00e3o coletado ou despejado in natura nas galerias pluviais, sem qualquer tratamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicabilidade-da-prescricao-quinquenal-do-decreto-n-20-910-1932-nos-casos-em-que-a-devedora-e-a-fazenda-publica\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicabilidade da prescri\u00e7\u00e3o quinquenal do Decreto n. 20.910\/1932 nos casos em que a devedora \u00e9 a Fazenda P\u00fablica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Aplica-se a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal do Decreto n. 20.910\/1932 nos casos em que a devedora \u00e9 a Fazenda P\u00fablica, seja a d\u00edvida tribut\u00e1ria ou n\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.138.876-SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14\/10\/2024, DJe 17\/10\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do servi\u00e7o de esgotamento no Munic\u00edpio Trancos, a concession\u00e1ria Fluvial tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo fornecimento de \u00e1gua na cidade. O munic\u00edpio em quest\u00e3o deixou de pagar as tarifas de \u00e1gua dos pr\u00e9dios p\u00fablicos de 2007 a 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, Fluvial ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a em face do munic\u00edpio, requerendo a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento do valor devido. O munic\u00edpio alegou em sua defesa a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal prevista no Decreto n. 20.910\/1932.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 205. A prescri\u00e7\u00e3o ocorre em dez anos, quando a lei n\u00e3o lhe haja fixado prazo menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2.028. Ser\u00e3o os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este C\u00f3digo, e se, na data de sua entrada em vigor, j\u00e1 houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, no julgamento do REsp 1.117.903\/RS, sob o rito dos recursos repetitivos, firmou o entendimento de que a cobran\u00e7a das tarifas de \u00e1gua e esgoto submetem-se \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o decenal, prevista no artigo 205 do C\u00f3digo Civil\/2002 ou \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o vinten\u00e1ria &#8211; artigo 177 do C\u00f3digo Civil de 1916 &#8211; quando for aplic\u00e1vel a regra de transi\u00e7\u00e3o prevista no artigo 2.028 do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, <strong>o precedente refere-se aos casos em que a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a \u00e9 ajuizada em desfavor de concession\u00e1rias prestadoras de servi\u00e7o p\u00fablico de \u00e1gua e esgoto &#8211; pessoas jur\u00eddicas de direito privado -, e n\u00e3o contra a Fazenda P\u00fablica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os casos em que a devedora \u00e9 a Fazenda P\u00fablica, seja a d\u00edvida tribut\u00e1ria ou n\u00e3o tribut\u00e1ria, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ j\u00e1 consolidou o entendimento de que prevalece a norma espec\u00edfica do Decreto n. 20.910\/1932, que estabelece que o prazo prescricional para a propositura da a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a \u00e9 de 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Aplica-se a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal do Decreto n. 20.910\/1932 nos casos em que a devedora \u00e9 a Fazenda P\u00fablica, seja a d\u00edvida tribut\u00e1ria ou n\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-direito-do-notario-a-titularidade-do-cartorio-em-sua-configuracao-original\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Direito do not\u00e1rio \u00e0 titularidade do cart\u00f3rio em sua configura\u00e7\u00e3o original<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira preserva a nomea\u00e7\u00e3o do not\u00e1rio ou oficial de registros para o cargo, mas n\u00e3o garante que o nomeado seja mantido no mesmo cart\u00f3rio, podendo haver mudan\u00e7as em sua lota\u00e7\u00e3o, por meio da anexa\u00e7\u00e3o, desanexa\u00e7\u00e3o ou desmembramento.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no RMS 71.477-RS, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2024, DJe 16\/8\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Norton, aluno do ECJ, foi aprovado em concurso e assumiu a titularidade de um cart\u00f3rio que acumulava m\u00faltiplas serventias, incluindo Tabelionato de Protesto de T\u00edtulos, Registro de Im\u00f3veis, Registro Civil das Pessoas Jur\u00eddicas e Registro de T\u00edtulos e Documentos Registro Civil das Pessoas Naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois, uma modifica\u00e7\u00e3o na lei estadual determinou a desanexa\u00e7\u00e3o do Tabelionato de Protesto de T\u00edtulos para transferi-lo para o Tabelionato de Notas do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Norton ficou indignado e impetrou Mandado de Seguran\u00e7a no qual alega a viola\u00e7\u00e3o de seu direito \u00e0 titularidade do cart\u00f3rio em sua configura\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 236. Os servi\u00e7os notariais e de registro s\u00e3o exercidos em car\u00e1ter privado, por delega\u00e7\u00e3o do Poder P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos, n\u00e3o se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remo\u00e7\u00e3o, por mais de seis meses.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal \u00e9 conhecida quanto \u00e0 desanexa\u00e7\u00e3o de serventias judiciais desanexadas, consubstanciada na S\u00famula n. 46\/STF, interpretada de forma transversa (porquanto seu enunciado n\u00e3o diz, ao menos expressamente) que desanexa\u00e7\u00e3o de serventias n\u00e3o feriria o princ\u00edpio da vitaliciedade, mas que &#8220;Desmembramento de serventia de justi\u00e7a n\u00e3o viola o princ\u00edpio de vitaliciedade do serventu\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A desanexa\u00e7\u00e3o estar\u00e1, portanto, ligada intrinsecamente \u00e0 natureza jur\u00eddica do desmembramento do cart\u00f3rio a saber, depender\u00e1 da interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel aos servi\u00e7os notariais e de registro. Al\u00e9m disso, reflete o volume de servi\u00e7os e da receita, nos termos do art. 26, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 8.935\/1994, combinado com o art. 49.<\/p>\n\n\n\n<p>E, complementa-se, no T\u00edtulo IV, &#8220;Das Disposi\u00e7\u00f5es Transit\u00f3rias&#8221;, o texto dos artigos 47 e 49 que assim prescreve que, para o not\u00e1rio e o oficial de registro, legalmente nomeados at\u00e9 5\/10\/1988, det\u00e9m delega\u00e7\u00e3o constitucional de que trata o art. 2\u00ba, quando da primeira vac\u00e2ncia da titularidade de servi\u00e7o notarial ou de registro, ser\u00e1 procedida a desacumula\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 26.<\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu art. 236, expressamente prev\u00ea que os servi\u00e7os notariais e de registro s\u00e3o exercidos em car\u00e1ter privado, por delega\u00e7\u00e3o do Poder P\u00fablico. <strong>No texto constitucional, n\u00e3o se menciona uma eventual &#8220;sub-delega\u00e7\u00e3o&#8221;, ou seja, n\u00e3o poderia, em tese, o delegat\u00e1rio, subdelegar a delega\u00e7\u00e3o que recebeu do Poder P\u00fablico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00a73\u00ba do art. 236 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal expressamente prev\u00ea, que &#8220;O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos, n\u00e3o se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remo\u00e7\u00e3o, por mais de seis meses&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 8.935\/2014, que regulamenta o art. 236 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, expressamente consigna em seu art. 18, par\u00e1grafo \u00fanico, (T\u00edtulo II &#8211; Das Normas Comuns &#8211; Cap\u00edtulo I &#8211; Do ingresso na Atividade Notarial e de Registro) que &#8220;aos que ingressarem por concurso, nos termos do art. 236 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ficam preservadas todas as remo\u00e7\u00f5es reguladas por lei estadual ou do Distrito Federal, homologadas pelo respectivo Tribunal de Justi\u00e7a, que ocorreram no per\u00edodo anterior \u00e0 publica\u00e7\u00e3o da Lei 8.935\/2014&#8221;. Ou seja, a lei estadual ou do Distrito Federal preserva todas as remo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo a Lei estadual do Rio Grande do Sul n. 11.183\/1998, anterior \u00e0 lei de desanexa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estadual (Lei n. 15.809\/2022), disciplina em seu art. 23, \u00a7 2\u00ba, que a vac\u00e2ncia somente ocorre nos casos de morte, aposentadoria facultativa ou por invalidez, ren\u00fancia ou perda.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, n\u00e3o h\u00e1 inconstitucionalidade ou ilegalidade na Lei estadual n. 11.183\/1998, porquanto preserva no exerc\u00edcio do cargo o not\u00e1rio ou oficial que ingressou por concurso p\u00fablico. Isso, contudo, aponta para o fato de que esse not\u00e1rio pode ser anexado ou desanexado a cart\u00f3rio de um mesmo munic\u00edpio, pois \u00e9 disso que se trata a desanexa\u00e7\u00e3o ou anexa\u00e7\u00e3o (modifica\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o de cart\u00f3rios dentro ou pr\u00f3ximos a uma mesma municipalidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer, fica preservada a nomea\u00e7\u00e3o do not\u00e1rio ou oficial de registros para o cargo, mas n\u00e3o se garante que o nomeado seja mantido no mesmo cart\u00f3rio, podendo haver mudan\u00e7as em sua lota\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o entendimento que se assenta no art. 24 da mesma Lei n. 11.183\/1998.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira preserva a nomea\u00e7\u00e3o do not\u00e1rio ou oficial de registros para o cargo, mas n\u00e3o garante que o nomeado seja mantido no mesmo cart\u00f3rio, podendo haver mudan\u00e7as em sua lota\u00e7\u00e3o, por meio da anexa\u00e7\u00e3o, desanexa\u00e7\u00e3o ou desmembramento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-limites-da-coisa-julgada-em-acao-coletiva\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Limites da coisa julgada em a\u00e7\u00e3o coletiva<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havendo delimita\u00e7\u00e3o expressa dos seus limites subjetivos, a coisa julgada advinda da a\u00e7\u00e3o coletiva proposta por sindicato deve alcan\u00e7ar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e n\u00e3o apenas pelos seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AgInt no AgInt no AREsp 2.189.867-MA, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, por unanimidade, Segunda Turma, julgado em 8\/8\/2024, DJe 15\/8\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2005, um sindicato de servidores ajuizou a\u00e7\u00e3o coletiva na qual buscava diferen\u00e7as salariais para os servidores. A senten\u00e7a foi favor\u00e1vel e transitou em julgado. Mirna, enfermeira, era representada por um sindicato mais espec\u00edfico, o Sindicato dos Enfermeiros daquele estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, ajuizou execu\u00e7\u00e3o individual daquela senten\u00e7a. O ente estadual se op\u00f4s e alegou que Mirna n\u00e3o era filiada ao sindicato originalmente autor da a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o jur\u00eddica cinge-se em definir se, no caso dos Sindicatos, os &#8220;integrantes da categoria&#8221; que s\u00e3o por eles representados se resumiriam aos filiados ao sindicato autor da a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo coletivo \u00e9 informado pelos princ\u00edpios da economia processual, do m\u00e1ximo benef\u00edcio e da m\u00e1xima efetividade, superando a l\u00f3gica tradicional do processo individualista, ao ampliar as partes que poder\u00e3o executar o t\u00edtulo judicial formado na fase de conhecimento<\/strong>. Por isso, o legitimado coletivo que atua como substituto processual representa todo o grupo substitu\u00eddo, independentemente de filia\u00e7\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o, irradiando para terceiros os efeitos da coisa julgada coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, o fato de a a\u00e7\u00e3o ter sido proposta por sindicato que representa a generalidade dos servidores p\u00fablicos estaduais n\u00e3o exclui a representatividade daqueles filiados a ente sindical mais espec\u00edfico &#8211; que, de outro modo, estariam abrangidos por aquela entidade, na mesma base territorial -, desde que mantidos os pressupostos f\u00e1ticos e jur\u00eddicos decorrentes da origem comum do mesmo direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorre porque os institutos descritos na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista n\u00e3o tangenciam o microssistema da tutela coletiva, de modo que os filiados a outro sindicato, pertencentes \u00e0 mesma categoria profissional ou base estatut\u00e1ria, podem se beneficiar dos efeitos do t\u00edtulo coletivo, salvo se houver expressa limita\u00e7\u00e3o subjetiva dos substitu\u00eddos na senten\u00e7a coletiva, o que n\u00e3o ocorreu na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, \u00e9 invi\u00e1vel reconhecer a ilegitimidade ativa da parte exequente fundada apenas nas regras celetistas da unicidade e especificidade sindicais, ou na aus\u00eancia do seu nome na listagem inicial ou na liquida\u00e7\u00e3o coletiva, pois tal coisa julgada deve beneficiar o maior n\u00famero de pessoas que se enquadrem na mesma situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a ser aferida caso a caso pelo ju\u00edzo executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, t\u00eam ampla legitimidade extraordin\u00e1ria para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, estejam eles nominados ou n\u00e3o em listagem, seja para promover a a\u00e7\u00e3o de conhecimento ou mesmo a execu\u00e7\u00e3o do julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, caso a senten\u00e7a coletiva n\u00e3o tenha uma delimita\u00e7\u00e3o expressa dos seus limites subjetivos, especificando os benefici\u00e1rios do t\u00edtulo executivo judicial, a coisa julgada advinda da a\u00e7\u00e3o coletiva deve alcan\u00e7ar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e n\u00e3o apenas pelos seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havendo delimita\u00e7\u00e3o expressa dos seus limites subjetivos, a coisa julgada advinda da a\u00e7\u00e3o coletiva proposta por sindicato deve alcan\u00e7ar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e n\u00e3o apenas pelos seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-ambiental\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> AMBIENTAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-interna-do-stj-para-o-processamento-e-julgamento-de-recursos-especiais-interpostos-no-ambito-de-execucao-de-acordo-celebrado-em-transacao-penal-quando-a-materia-principal-a-ser-discutida-e-de-natureza-ambiental-e-administrativa\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia interna do STJ para o processamento e julgamento de recursos especiais interpostos no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o de acordo celebrado em transa\u00e7\u00e3o penal, quando a mat\u00e9ria principal a ser discutida \u00e9 de natureza ambiental e administrativa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0s Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o o processamento e julgamento de recursos especiais interpostos no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o de acordo celebrado em transa\u00e7\u00e3o penal, quando a mat\u00e9ria principal a ser discutida \u00e9 de natureza ambiental e administrativa, ainda que a obriga\u00e7\u00e3o decorra de transa\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 204.530-DF, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 7\/8\/2024, DJe 4\/9\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Barrancos Administradora de Bens foi autuada por realizar loteamento em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente sem autoriza\u00e7\u00e3o para tanto. Com o intuito de evitar a den\u00fancia, a empresa optou por aceitar a proposta de transa\u00e7\u00e3o penal ofertada pelo MPF.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou combinado no acordo da transa\u00e7\u00e3o que a empresa recuperaria a \u00e1rea de acordo com projeto a ser elaborado pelo IBAMA. Pouco depois de homologado o acordo, o governo federal iniciou obras para construir uma rodovia que passava na \u00e1rea em quest\u00e3o, o que descaracterizou a APP. Barrancos ent\u00e3o alega que n\u00e3o faria mais sentido recuperar a \u00e1rea. O MPF sustenta a continuidade da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, iniciou-se debate acerca da Turma competente para julgar o tema.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 9\u00ba,&nbsp;<em>caput<\/em>, do RISTJ, a compet\u00eancia das Se\u00e7\u00f5es e das respectivas Turmas do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 fixada em fun\u00e7\u00e3o da natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica litigiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o t\u00edtulo executivo judicial que embasa a demanda \u00e9 derivado de transa\u00e7\u00e3o penal, firmada nos termos dos artigos 72 a 74 da Lei n. 9.099\/1995, entre a sociedade empres\u00e1ria e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, no \u00e2mbito de Representa\u00e7\u00e3o Criminal. O ajuste entabulado entre as partes consistia na composi\u00e7\u00e3o dos danos ambientais e recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea degradada, o que seria feito ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o de Projeto de Recupera\u00e7\u00e3o pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA). O&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;Federal promoveu o cumprimento da senten\u00e7a que homologou a aludida transa\u00e7\u00e3o penal, que tramitou, na origem, perante ju\u00edzos de compet\u00eancia c\u00edvel, administrativa e ambiental. Durante a fase execut\u00f3ria, foi travada discuss\u00e3o acerca de eventual impossibilidade de dar cumprimento \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de fazer assumida, em virtude de obra de duplica\u00e7\u00e3o de uma rodovia que iria atingir a \u00e1rea a ser recuperada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o obstante o t\u00edtulo executivo judicial tenha se originado de uma transa\u00e7\u00e3o penal, a obriga\u00e7\u00e3o assumida n\u00e3o teve car\u00e1ter punitivo e foi aceita pela parte justamente para evitar a persecu\u00e7\u00e3o criminal,<\/strong> a qual, de fato, nem sequer foi iniciada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez realizada a transa\u00e7\u00e3o penal, caso n\u00e3o fosse cumprido o acordo firmado, seria poss\u00edvel o oferecimento da den\u00fancia e o in\u00edcio do processo penal contra aquele que descumpriu a obriga\u00e7\u00e3o imposta, ou, no \u00e2mbito c\u00edvel, executar-se o acordo firmado por meio de uma a\u00e7\u00e3o de cumprimento de senten\u00e7a, conforme ocorreu no caso. Destarte, nos autos do cumprimento de senten\u00e7a, n\u00e3o caberia perquirir a raz\u00e3o pela qual surgiu a transa\u00e7\u00e3o penal, uma vez que j\u00e1 foi constitu\u00eddo o t\u00edtulo executivo judicial, cujos termos obrigam a parte que aceitou o acordo ent\u00e3o firmado para recupera\u00e7\u00e3o ambiental. Logo, a mat\u00e9ria principal a ser discutida \u00e9 de natureza ambiental, pois, a princ\u00edpio, o fato de a obriga\u00e7\u00e3o decorrer de transa\u00e7\u00e3o penal \u00e9 quest\u00e3o que n\u00e3o interfere diretamente no desfecho da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, tratando-se de recursos especiais interpostos no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o de acordo que determinou a recupera\u00e7\u00e3o ambiental pela sociedade empres\u00e1ria de \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente &#8211; que, em posterior momento, aparentemente, foi desconfigurada -, a discuss\u00e3o acerca da manuten\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o, da obriga\u00e7\u00e3o acordada tem car\u00e1ter nitidamente de direito ambiental, direito administrativo, o que recomenda o reconhecimento da compet\u00eancia das Turmas que comp\u00f5em a Primeira Se\u00e7\u00e3o, de Direito P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta-se, por oportuno, que, no tribunal de origem, tamb\u00e9m surgiu controv\u00e9rsia acerca da compet\u00eancia interna para processamento e julgamento do recurso l\u00e1 interposto. No entanto, ao final, concluiu-se pela preval\u00eancia da mat\u00e9ria de Direito Administrativo, sendo certo que a execu\u00e7\u00e3o do acordo acabou tramitando perante ju\u00edzos de compet\u00eancia c\u00edvel, administrativa e ambiental.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0s Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o o processamento e julgamento de recursos especiais interpostos no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o de acordo celebrado em transa\u00e7\u00e3o penal, quando a mat\u00e9ria principal a ser discutida \u00e9 de natureza ambiental e administrativa, ainda que a obriga\u00e7\u00e3o decorra de transa\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-licenca-ambiental-de-outro-ente-e-atuacao-do-ibama\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Licen\u00e7a ambiental de outro ente e atua\u00e7\u00e3o do IBAMA.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) possui o dever-poder de fiscalizar e exercer poder de pol\u00edcia diante de qualquer atividade que ponha em risco o meio ambiente, ainda que a compet\u00eancia para o licenciamento seja de outro \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 1.624.736-MS, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/12\/2024, DJEN 5\/12\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu resolveu construir complexo tur\u00edstico ao lado de um rio, mas a \u00e1rea \u00e9 considerada como sendo de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APP). O munic\u00edpio expediu licen\u00e7a ambiental para tanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois o IBAMA realizou uma fiscaliza\u00e7\u00e3o de rotina na qual constatou que a constru\u00e7\u00e3o causava significativos danos ao meio-ambiente, incluindo a altera\u00e7\u00e3o do curso natural do rio, o que resultou na aplica\u00e7\u00e3o de multa e determina\u00e7\u00e3o de paralisa\u00e7\u00e3o da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Tadeu ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual alega a ilegitimidade da atua\u00e7\u00e3o do IBAMA, uma vez que o munic\u00edpio j\u00e1 havia expedido licen\u00e7a para a obra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4.757\/DF, firmou compreens\u00e3o no sentido de que &#8220;a preval\u00eancia do auto de infra\u00e7\u00e3o lavrado pelo \u00f3rg\u00e3o originalmente competente para o licenciamento ou autoriza\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o exclui a atua\u00e7\u00e3o supletiva de outro ente federal, desde que comprovada omiss\u00e3o ou insufici\u00eancia na tutela fiscalizat\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de compreens\u00e3o referente ao cabimento de autua\u00e7\u00f5es diversas, sendo essas impostas por \u00f3rg\u00e3os de controle ambiental que atuam em diferentes \u00e2mbitos federativos. Nesses casos, entende-se pela preval\u00eancia do auto de infra\u00e7\u00e3o lavrado pelo \u00f3rg\u00e3o originalmente competente para o licenciamento, mas sem preju\u00edzo da atua\u00e7\u00e3o supletiva de outro ente federal, quando demonstrada a omiss\u00e3o administrativa na tutela fiscalizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o STJ entende que &#8220;<strong>o Ibama possui o dever-poder de fiscalizar e exercer poder de pol\u00edcia diante de qualquer atividade que ponha em risco o meio ambiente, apesar de a compet\u00eancia para o licenciamento ser de outro \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. \u00c9 que, \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o, inclusive da Lei Complementar 140\/2011, a compet\u00eancia para licenciar n\u00e3o se confunde com a compet\u00eancia para fiscalizar<\/strong>&#8221; (REsp 1.646.016\/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 23\/5\/2023, DJe 28\/6\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese ora analisada, n\u00e3o foi imposta san\u00e7\u00e3o administrativa no \u00e2mbito municipal, pelo que deve permanecer h\u00edgida a atua\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o federal quanto ao exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, insta salientar que, &#8220;<em>in casu<\/em>, n\u00e3o foi corporificado ato jur\u00eddico perfeito, pois o que \u00e9 ambientalmente ilegal n\u00e3o se aperfei\u00e7oa jamais, j\u00e1 que o contr\u00e1rio equivaleria, em outras palavras, a transformar o aberto atentado ao ordenamento jur\u00eddico em direito casti\u00e7o e, pior, em direito adquirido e permanente de poluir e degradar o meio ambiente&#8221; (REsp 1.284.451\/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20\/9\/2016, DJe 20\/8\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, aplica-se a S\u00famula 613 do STJ: &#8220;N\u00e3o se admite a aplica\u00e7\u00e3o da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) possui o dever-poder de fiscalizar e exercer poder de pol\u00edcia diante de qualquer atividade que ponha em risco o meio ambiente, ainda que a compet\u00eancia para o licenciamento seja de outro \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-rancho-de-pesca-em-app-e-excecoes-previstas-no-art-61-a-do-codigo-florestal-turismo-rural-ou-ecoturismo\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Rancho de pesca em APP e exce\u00e7\u00f5es previstas no art. 61-A do C\u00f3digo Florestal (&#8220;turismo rural&#8221; ou &#8220;ecoturismo&#8221;).<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O &#8220;rancho de pesca&#8221; de uso privado, constru\u00eddo irregularmente em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente &#8211; APP, n\u00e3o se enquadra nas exce\u00e7\u00f5es previstas no art. 61-A do C\u00f3digo Florestal (&#8220;turismo rural&#8221; ou &#8220;ecoturismo&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.884.722-MS, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/8\/2024, DJe 28\/8\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Miro construiu um rancho de pesca em uma APP, mas n\u00e3o se deu ao trabalho de providenciar a autoriza\u00e7\u00e3o ambiental e ainda destruiu vegeta\u00e7\u00e3o nativa. O MP ajuizou ACP na qual requereu a demoli\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, bem como a recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea prejudicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, Miro alega que o rancho seria para uso e lazer privado, o que o enquadraria na exce\u00e7\u00e3o do art. 61-A do C\u00f3digo Florestal (norma que permite atividades de turismo rural e ecoturismo em APPs).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Florestal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 61-A. Nas \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, \u00e9 autorizada, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e de turismo rural em \u00e1reas rurais consolidadas at\u00e9 22 de julho de 2008<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O caso versa sobre a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do &#8220;rancho de pesca&#8221; constru\u00eddo irregularmente em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente &#8211; APP, com supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pretens\u00e3o inicial de ver o im\u00f3vel demolido, a \u00e1rea recuperada e os danos ambientais ressarcidos havia sido afastada pela incid\u00eancia da exce\u00e7\u00e3o do art. 61-A do C\u00f3digo Florestal, ante a natureza tur\u00edstica do bem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mencionado artigo, assim disp\u00f5e: &#8220;Art. 61-A. Nas \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, \u00e9 autorizada, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e de turismo rural em \u00e1reas rurais consolidadas at\u00e9 22 de julho de 2008&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, embora o ac\u00f3rd\u00e3o na origem tenha caracterizado a destina\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel como de turismo rural ou ecoturismo de pesca por ser um &#8220;rancho de pesca&#8221;, a pr\u00f3pria parte reconhece em sua impugna\u00e7\u00e3o ser bem sem uso comercial. <strong>O conceito de turismo, no \u00e2mbito jur\u00eddico e das pol\u00edticas p\u00fablicas, demanda a presen\u00e7a de atividade econ\u00f4mica<\/strong>. Nos termos da Pol\u00edtica Nacional do Turismo, as atividades tur\u00edsticas, para serem assim consideradas, &#8220;devem gerar movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, trabalho, emprego, renda e receitas p\u00fablicas, constituindo-se instrumento de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, promo\u00e7\u00e3o e diversidade cultural e preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade&#8221; (art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 11.771\/2008). Essa tradi\u00e7\u00e3o normativa \u00e9 antiga e nasce no Decreto-Lei n. 55\/1966, que aludia \u00e0 &#8220;ind\u00fastria do turismo&#8221; (art. 1\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 como confundir, para igual\u00e1-los, a atividade tur\u00edstica prevista na norma ambiental com o uso particular do bem para o lazer. Notadamente porque a jurisprud\u00eancia do STJ repudia a manuten\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis de veraneio privado em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (AgRg no REsp n. 1.494.681\/MS, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3\/11\/2015, DJe 16\/11\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, resta afastada da exce\u00e7\u00e3o normativa do art. 61-A do C\u00f3digo Florestal o rancho de pesca de uso privado, sem, portanto, uso tur\u00edstico, de modo que, havendo impossibilidade de manuten\u00e7\u00e3o do bem irregular, sua demoli\u00e7\u00e3o torna-se inafast\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, sobre o tema, a jurisprud\u00eancia do STJ entende que o dano ambiental pela supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 presumido e sua repara\u00e7\u00e3o integral inclui tanto os danos permanentes quanto os intercorrentes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O &#8220;rancho de pesca&#8221; de uso privado, constru\u00eddo irregularmente em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente &#8211; APP, n\u00e3o se enquadra nas exce\u00e7\u00f5es previstas no art. 61-A do C\u00f3digo Florestal (&#8220;turismo rural&#8221; ou &#8220;ecoturismo&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> PROCESSUAL CIVIL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-stj-e-revogacao-das-as-teses-em-abstrato-definidas-no-iac-14\"><a>10.&nbsp; STJ e revoga\u00e7\u00e3o das as teses em abstrato definidas no IAC 14<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o revogadas as teses em abstrato definidas no IAC 14 do STJ, por contrariarem o entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE n. 1.366.243\/RG, submetido \u00e0 repercuss\u00e3o geral (Tema n. 1.234).<\/p>\n\n\n\n<p>CC 187.276-RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 27\/11\/2024, DJe 11\/12\/2024 (IAC 14). (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o de m\u00e9rito do RE n. 1.366.243\/RG, foi requerido ao STJ a revoga\u00e7\u00e3o das teses em abstrato definidas no IAC 14 do STJ por contrariarem frontalmente o ent\u00e3o decidido pelo Supremo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-do-direito\">10.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.040. Publicado o ac\u00f3rd\u00e3o paradigma:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; o \u00f3rg\u00e3o que proferiu o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, na origem, reexaminar\u00e1 o processo de compet\u00eancia origin\u00e1ria, a remessa necess\u00e1ria ou o recurso anteriormente julgado, se o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido contrariar a orienta\u00e7\u00e3o do tribunal superior;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-dos-fundamentos\">10.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal julgou o m\u00e9rito do RE n. 1.366.243\/RG, submetido \u00e0 repercuss\u00e3o geral (Tema n. 1.234) e, por conseguinte,<strong> homologou os 3 (tr\u00eas) acordos que envolvem a Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, para definir os crit\u00e9rios de dispensa\u00e7\u00e3o de medicamentos e tratamentos m\u00e9dicos no \u00e2mbito do SUS<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Determinou-se no julgamento da referida repercuss\u00e3o geral que a decis\u00e3o vinculante produza efeitos prospectivos (ex nunc) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regras de compet\u00eancia, mantendo-se os efeitos da medida cautelar deferida e homologada pelo Plen\u00e1rio do STF at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma e, quanto aos demais itens dos acordos celebrados entre os entes federativos, imp\u00f4s a aplica\u00e7\u00e3o imediata a todos os processos em curso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por ordem da Suprema Corte, \u00e9 necess\u00e1rio realizar o ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 1.040, II, do CPC\/2015, para revogar as teses jur\u00eddicas em abstrato firmadas no Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia n. 14 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, visto que foram todas englobadas no julgamento de m\u00e9rito da repercuss\u00e3o geral e se mostram, em alguma medida, incompat\u00edveis com as novas orienta\u00e7\u00f5es<\/strong> estabelecidas pelo STF sobre o fornecimento de medicamentos registrado na ANVISA e n\u00e3o padronizados pelo SUS, notadamente sobre a maneira como a Uni\u00e3o ir\u00e1 assumir a posi\u00e7\u00e3o de parte nos processos relativos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ, ao julgar o IAC n. 14, objetivou minimizar a prolifera\u00e7\u00e3o de incidentes relacionados \u00e0 compet\u00eancia para o julgamento das demandas de sa\u00fade e oferecer seguran\u00e7a jur\u00eddica at\u00e9 o STF decidir a mat\u00e9ria afetada \u00e0 repercuss\u00e3o geral &#8211; Tema n. 1.234.<\/p>\n\n\n\n<p>No voto condutor do IAC 14 do STJ, registrou-se expressamente que a defini\u00e7\u00e3o, de plano, sobre a compet\u00eancia que deveria prevalecer (at\u00e9 que fosse formado o precedente no STF) seria fundamental para que se oferecesse o m\u00ednimo de estabilidade para tramita\u00e7\u00e3o das in\u00fameras a\u00e7\u00f5es em curso, j\u00e1 que a defini\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo competente era mat\u00e9ria que precedia a todas as demais na an\u00e1lise do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressaltou-se, naquela ocasi\u00e3o, que, no m\u00e9rito propriamente dito, a discuss\u00e3o jur\u00eddica seria desenvolvida em sua completude no \u00e2mbito do STF, quando do julgamento do Tema n. 1.234, o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Imp\u00f5e-se o cancelamento de todas as teses estabelecidas pela Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ (itens &#8220;a&#8221;, &#8220;b&#8221; e &#8220;c&#8221; do IAC 14 do STJ), por colidirem com quest\u00f5es de m\u00e9rito da Repercuss\u00e3o Geral, especificamente com a determina\u00e7\u00e3o do STF de que, &#8220;figurando somente um dos entes no polo passivo, cabe ao magistrado, se necess\u00e1rio, promover a inclus\u00e3o do outro para possibilitar o cumprimento efetivo da decis\u00e3o&#8221;, conforme as regras de reparti\u00e7\u00e3o de responsabilidades estruturada no Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em rela\u00e7\u00e3o ao tema em abstrato, exerce-se o ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o previsto no art. 1.040, II, do CPC\/2015, para revogar as teses firmadas no IAC 14 do STJ, por contrariar o entendimento firmado em repercuss\u00e3o geral (Tema n. 1.234).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, \u00e9 importante registrar que a revoga\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o n\u00e3o dever\u00e1 operar efeito retroativo, pelo que n\u00e3o h\u00e1 de modificar a solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dada aos conflitos de compet\u00eancia e demais incidentes que ingressaram no STJ anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-da-decisao\">10.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o revogadas as teses em abstrato definidas no IAC 14 do STJ, por contrariarem o entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE n. 1.366.243\/RG, submetido \u00e0 repercuss\u00e3o geral (Tema n. 1.234).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-alteracao-do-estatuto-social-e-limites-da-sentenca-em-acao-coletiva\"><a>11.&nbsp; Altera\u00e7\u00e3o do estatuto social e limites da senten\u00e7a em a\u00e7\u00e3o coletiva<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o do estatuto social, ampliando a categoria defendida por associa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s o ajuizamento de demanda coletiva e a prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, n\u00e3o modifica os limites subjetivos da coisa julgada para que os novos substitu\u00eddos possam se beneficiar do t\u00edtulo executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.907.010-DF, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/9\/2024, DJe 2\/10\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A ANFIP impetrou MS no ano de 2004 no qual intentava garantir pagamento de gratifica\u00e7\u00e3o aos servidores aposentados na carreira de auditores-fiscais da Previd\u00eancia. Em 2006, houve decis\u00e3o favor\u00e1vel ao pedido, mas a Uni\u00e3o recorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007, houve unifica\u00e7\u00e3o das carreiras de Auditor da Receita Federal e Auditor da Previd\u00eancia Social, o que levou a ANFIP a atualizar seu estatuto social para representar a nova carreira unificada. Somente em 2013 a senten\u00e7a transitou em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Craudete, Auditora Fiscal da RF, iniciou a execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva, mas a Uni\u00e3o alega que ela n\u00e3o era parte do grupo originalmente representado pela ANFIP na ocasi\u00e3o do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-dos-fundamentos\">11.2.1. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em saber se o t\u00edtulo executivo judicial proveniente de mandato coletivo se limita aos ent\u00e3o Auditores Fiscais da Previd\u00eancia Social, que era a categoria defendida pela antiga Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores Fiscais da Previd\u00eancia Social &#8211; ANFIP, quando da impetra\u00e7\u00e3o do mandado de seguran\u00e7a coletivo, no ano de 2004, ou se tamb\u00e9m seriam beneficiados os integrantes da carreira de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, criada pela Lei n. 11.457\/2007, oriundos da antiga carreira de Auditor Fiscal da Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007, a ANFIP modificou seu estatuto social de modo a defender os interesses referentes \u00e0 categoria dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, criada pela Lei n. 11.457\/2007, com a fus\u00e3o das antigas categorias dos Auditores Fiscais da Previd\u00eancia Social e de Auditores da Receita Federal<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que tal quest\u00e3o n\u00e3o foi objeto de an\u00e1lise no bojo do mandado de seguran\u00e7a coletivo, que transitou em julgado 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha, somente a categoria dos antigos Auditores Fiscais da Previd\u00eancia Social foi abarcada pela coisa julgada contida no t\u00edtulo executivo judicial, haja vista ser ela a substitu\u00edda pela ent\u00e3o impetrante Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores Fiscais da Previd\u00eancia Social &#8211; ANFIP.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, o mero fato de a ANFIP ter modificado seus estatutos sociais de modo a ampliar a categoria por ela defendida, em momento posterior ao ajuizamento da demanda coletiva e da pr\u00f3pria prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, por si s\u00f3, n\u00e3o tema a capacidade de modificar os limites subjetivos da coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Admitir-se o contr\u00e1rio importaria no reconhecimento de que os limites subjetivos da coisa julgada n\u00e3o estariam delimitados pelo pedido formulado na peti\u00e7\u00e3o inicial da a\u00e7\u00e3o coletiva, o que tem o cond\u00e3o de gerar grave inseguran\u00e7a jur\u00eddica,<\/strong> eis que bastaria a parte autora do mandado de seguran\u00e7a coletivo promover a modifica\u00e7\u00e3o de seu estatuto social para que os novos substitu\u00eddos pudessem se valer do t\u00edtulo executivo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-da-decisao\">11.2.2. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o do estatuto social, ampliando a categoria defendida por associa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s o ajuizamento de demanda coletiva e a prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, n\u00e3o modifica os limites subjetivos da coisa julgada para que os novos substitu\u00eddos possam se beneficiar do t\u00edtulo executivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-admissibilidade-da-intervencao-como-amicus-curiae-de-instituicao-de-carater-abrangente-composta-exclusivamente-por-advogados-cujo-interesse-subjetivo-guarda-relacao-apenas-com-o-julgamento-favoravel-a-uma-das-partes\"><a>12.&nbsp; Admissibilidade da interven\u00e7\u00e3o como amicus curiae de institui\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter abrangente, composta exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda rela\u00e7\u00e3o apenas com o julgamento favor\u00e1vel a uma das partes.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se admite a interven\u00e7\u00e3o como amicus curiae de institui\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter abrangente, composta exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda rela\u00e7\u00e3o apenas com o julgamento favor\u00e1vel a uma das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.099.872-SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/9\/2024, DJe em 27\/9\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu, diagnosticado e internado com esquizofrenia, fugiu do hospital no qual se encontrava internado e foi atropelado logo em seguida. O inqu\u00e9rito policial instaurado acabo arquivado. Muito tempo depois, a m\u00e3e do rapaz ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do Munic\u00edpio, julgada procedente. Houve o afastamento da alega\u00e7\u00e3o de prescri\u00e7\u00e3o, pois o juiz entendeu que o prazo somente come\u00e7aria a correr ap\u00f3s o arquivamento do inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o chegou ao STJ, quando o Instituto FireLaw requereu a interven\u00e7\u00e3o como amicus curiae, ocasi\u00e3o em que alegou ter como miss\u00e3o a defesa de direitos fundamentais e que a norma acerca da prescri\u00e7\u00e3o estaria sendo aplicada de forma restritiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-do-direito\">12.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercuss\u00e3o social da controv\u00e9rsia, poder\u00e1, por decis\u00e3o irrecorr\u00edvel, de of\u00edcio ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participa\u00e7\u00e3o de pessoa natural ou jur\u00eddica, \u00f3rg\u00e3o ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-dos-fundamentos\">12.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 (CPC\/2015), ao dispor sobre as formas de interven\u00e7\u00e3o de terceiros, disciplina em seu art. 138,&nbsp;<em>caput<\/em>, a figura do&nbsp;<em>amicus curiae<\/em>, nos seguintes moldes: O juiz ou o relator, considerando a relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercuss\u00e3o social da controv\u00e9rsia, poder\u00e1, por decis\u00e3o irrecorr\u00edvel, de of\u00edcio ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participa\u00e7\u00e3o de pessoa natural ou jur\u00eddica, \u00f3rg\u00e3o ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A seu turno, o Supremo Tribunal Federal assentou a compreens\u00e3o segundo a qual <strong>o&nbsp;<em>amicus curiae<\/em>&nbsp;\u00e9 um colaborador da Justi\u00e7a que, assim, n\u00e3o se vincula processualmente ao deslinde da controv\u00e9rsia, tampouco defende interesses pr\u00f3prios.<\/strong> (ADPF 134 MC, Rel. Ministro Ricardo Lewandoski, julgado em 22\/4\/2008, DJe 30\/4\/2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Desse panorama, extrai-se que a interven\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>amicus curiae<\/em>&nbsp;caber\u00e1 diante da relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria, da especificidade do tema objeto da demanda ou da repercuss\u00e3o social da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p>A par disso, subjetivamente, faz-se necess\u00e1ria a potencialidade do interveniente em fornecer elementos \u00fateis \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio, extra\u00edda do seu hist\u00f3rico e de seus atributos, bem como a representatividade adequada para opinar sobre a mat\u00e9ria sub judice.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a participa\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>amicus curiae<\/em>&nbsp;no processo ocorre e se justifica, n\u00e3o como defensor de interesses pr\u00f3prios, mas como agente habilitado a agregar subs\u00eddios que possam contribuir para a qualifica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o judicial, em benef\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em apre\u00e7o, tratando-se de institui\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter abrangente, <strong>composta exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda rela\u00e7\u00e3o apenas com o julgamento favor\u00e1vel a uma das partes, fica inviabilizada sua admiss\u00e3o como colaborador da justi\u00e7a.<\/strong> Ademais, a mat\u00e9ria controversa \u00e9 exclusivamente jur\u00eddica, prescindindo de informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou cient\u00edficas que demandem a sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-da-decisao\">12.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se admite a interven\u00e7\u00e3o como amicus curiae de institui\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter abrangente, composta exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda rela\u00e7\u00e3o apenas com o julgamento favor\u00e1vel a uma das partes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-im-penhorabilidade-do-o-imovel-residencial-caracterizado-como-bem-de-familia-em-sua-integralidade\"><a>13.&nbsp; (Im)Penhorabilidade do o im\u00f3vel residencial caracterizado como bem de fam\u00edlia em sua integralidade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 impenhor\u00e1vel o im\u00f3vel residencial caracterizado como bem de fam\u00edlia em sua integralidade, impedindo sua aliena\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica, salvo se se tratar de im\u00f3vel suscet\u00edvel de divis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.861.107-RS, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 10\/12\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide e Creiton eram casados e propriet\u00e1rios de um im\u00f3vel. Com o \u00f3bito de Creide, o bem foi parcialmente herdado pelos filhos do casal. Algum tempo depois, Creiton tamb\u00e9m veio a falecer, deixando d\u00edvidas tribut\u00e1rias que levaram o Estado a penhorar o im\u00f3vel no processo de invent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os herdeiros alegaram que o im\u00f3vel deveria ser considerado impenhor\u00e1vel por ser bem de fam\u00edlia. O TJ reconheceu a impenhorabilidade apenas para o filho que ainda residia no local.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-do-direito\">13.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPC 2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 843. Tratando-se de penhora de bem indivis\u00edvel, o equivalente \u00e0 quota-parte do copropriet\u00e1rio ou do c\u00f4njuge alheio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o recair\u00e1 sobre o produto da aliena\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-dos-fundamentos\">13.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia alcan\u00e7a o bem im\u00f3vel em sua integralidade, estendendo-se a todos os herdeiros, e n\u00e3o somente \u00e0 fra\u00e7\u00e3o ideal do herdeiro que l\u00e1 reside.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o ac\u00f3rd\u00e3o na origem limitou a impenhorabilidade do bem deixado pelo falecido devedor apenas ao herdeiro que reside no im\u00f3vel, adotando como fundamento o art. 655-B do CPC\/1973, que permitia a penhora e a aliena\u00e7\u00e3o de bens indivis\u00edveis por inteiro, bem como a sua adjudica\u00e7\u00e3o, propiciando ao credor ampliar a possibilidade de encontrar bens sujeitos \u00e0 excuss\u00e3o para satisfa\u00e7\u00e3o de seu cr\u00e9dito. Todavia, esse dispositivo preservava o direito de propriedade do c\u00f4njuge n\u00e3o executado decorrente do regime patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual CPC aperfei\u00e7oou essa regra e resguardou a cota-parte do bem indivis\u00edvel pertencente ao copropriet\u00e1rio alheio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, ao assim dispor em seu art. 843: &#8220;Tratando-se de penhora de bem indivis\u00edvel, o equivalente \u00e0 quota-parte do copropriet\u00e1rio ou do c\u00f4njuge alheio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o recair\u00e1 sobre o produto da aliena\u00e7\u00e3o do bem. \u00a7 1\u00ba \u00c9 reservada ao copropriet\u00e1rio ou ao c\u00f4njuge n\u00e3o executado a prefer\u00eancia na arremata\u00e7\u00e3o do bem em igualdade de condi\u00e7\u00f5es. \u00a7 2\u00ba N\u00e3o ser\u00e1 levada a efeito expropria\u00e7\u00e3o por pre\u00e7o inferior ao da avalia\u00e7\u00e3o na qual o valor auferido seja incapaz de garantir, ao copropriet\u00e1rio ou ao c\u00f4njuge alheio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, o correspondente \u00e0 sua quota-parte calculado sobre o valor da avalia\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A possibilidade de constri\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o do bem comum ao devedor e a terceiro n\u00e3o \u00e9 irrestrita, seja porque parte do pre\u00e7o alcan\u00e7ado com a sua aliena\u00e7\u00e3o deve ser reservado ao copropriet\u00e1rio n\u00e3o executado<\/strong>, seja porque a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade, ainda que somente em fra\u00e7\u00e3o ideal, alcan\u00e7a o bem em sua totalidade, impedindo a sua expropria\u00e7\u00e3o mesmo que parcelada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em se tratando de bem de fam\u00edlia, a impenhorabilidade prevista no art. 1\u00ba da Lei n. 8.009\/1980 deve ser aplicada tendo em vista os fins sociais a que ela se destina, quais sejam, assegurar o direito de moradia, raz\u00e3o pela qual \u00e9 impenhor\u00e1vel o im\u00f3vel residencial caracterizado como bem de fam\u00edlia em sua integralidade, impedindo sua aliena\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica, salvo se se tratar de im\u00f3vel suscet\u00edvel de divis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o STJ possui entendimento de que &#8220;A fra\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel indivis\u00edvel pertencente ao executado, protegida pela impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia, da mesma forma como aquela parte pertencente ao copropriet\u00e1rio n\u00e3o atingido pela execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ser penhorada sob pena de desvirtuamento da prote\u00e7\u00e3o erigida pela Lei n. 8.009\/1990&#8221; (AgInt no REsp 1.776.494\/SP, Relator Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, julgado em 21\/2\/2019, DJe 1\u00ba\/3\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, \u00e9 fato incontroverso que o im\u00f3vel constrito na execu\u00e7\u00e3o fiscal serve de resid\u00eancia de um dos herdeiros, raz\u00e3o pela qual incide no presente caso a regra do art. 1\u00ba da Lei n. 8.009\/1990, que confere impenhorabilidade ao \u00fanico im\u00f3vel em que reside a entidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, constatado que a cota-parte n\u00e3o pertencente ao copropriet\u00e1rio executado encontra-se protegida pela impenhorabilidade, n\u00e3o se admite a constri\u00e7\u00e3o ou expropria\u00e7\u00e3o do bem, o que impede a aplica\u00e7\u00e3o do art. 655-B do CPC\/1973, atual art. 843 do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-da-decisao\">13.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 impenhor\u00e1vel o im\u00f3vel residencial caracterizado como bem de fam\u00edlia em sua integralidade, impedindo sua aliena\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica, salvo se se tratar de im\u00f3vel suscet\u00edvel de divis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-competencia-para-o-cumprimento-de-sentenca-referente-a-honorarios-arbitrados-por-vara-especializada\"><a>14.&nbsp; Compet\u00eancia para o cumprimento de senten\u00e7a referente a honor\u00e1rios arbitrados por vara especializada.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O cumprimento de senten\u00e7a, mesmo que referente exclusivamente a honor\u00e1rios, processar-se-\u00e1 perante o ju\u00edzo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, ainda que o feito no qual foi proferida a senten\u00e7a em que fixada a verba honor\u00e1ria tenha tramitado perante ju\u00edzo de vara especializada, salvo se outro for o ju\u00edzo escolhido pelo exequente.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de Justi\u00e7a. Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/11\/2024, DJEN em 29\/11\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Alice, adolescente com 16 anos, devidamente assistida, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do Munic\u00edpio que veio a tramitar na Vara da Inf\u00e2ncia e Juventude. O pedido foi julgado procedente e houve condena\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio ao pagamento de honor\u00e1rios sucumbenciais \u00e0 Defensoria P\u00fablica, que atuou em nome de Alice.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando do tr\u00e2nsito em julgado, a DP iniciou o cumprimento de senten\u00e7a na Vara da Inf\u00e2ncia e Juventude que prolatou a senten\u00e7a, mas o juiz de l\u00e1 entendeu que como o cumprimento abrangia apenas honor\u00e1rios advocat\u00edcios e em nada se relacionava aos direitos da adolescente, seria a competente a Vara da Fazenda P\u00fablica Municipal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-do-direito\">14.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 516. O cumprimento da senten\u00e7a efetuar-se-\u00e1 perante:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; os tribunais, nas causas de sua compet\u00eancia origin\u00e1ria;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; o ju\u00edzo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; o ju\u00edzo c\u00edvel competente, quando se tratar de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria, de senten\u00e7a arbitral, de senten\u00e7a estrangeira ou de ac\u00f3rd\u00e3o proferido pelo Tribunal Mar\u00edtimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Nas hip\u00f3teses dos incisos II e III, o exequente poder\u00e1 optar pelo ju\u00edzo do atual domic\u00edlio do executado, pelo ju\u00edzo do local onde se encontrem os bens sujeitos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o ou pelo ju\u00edzo do local onde deva ser executada a obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou de n\u00e3o fazer, casos em que a remessa dos autos do processo ser\u00e1 solicitada ao ju\u00edzo de origem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-dos-fundamentos\">14.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 516 do C\u00f3digo de Processo Civil consagra <strong>a regra geral de compet\u00eancia para o processamento do cumprimento de senten\u00e7a dos t\u00edtulos judiciais e decorre do sincretismo processual, a partir do qual o reconhecimento do direito e a sua efetiva\u00e7\u00e3o ocorrem no mesmo processo<\/strong>, diferindo-se apenas por fases.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma ainda traduz princ\u00edpio consagrado na parte geral do C\u00f3digo, segundo o qual a compet\u00eancia \u00e9 determinada no momento do registro ou da distribui\u00e7\u00e3o da peti\u00e7\u00e3o inicial, sendo irrelevantes as modifica\u00e7\u00f5es do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem \u00f3rg\u00e3o judici\u00e1rio ou alterarem a compet\u00eancia absoluta (art. 43 do CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em regra, o ju\u00edzo que formou o t\u00edtulo executivo \u00e9 o competente para execut\u00e1-lo, estando as exce\u00e7\u00f5es previstas no pr\u00f3prio artigo de lei, de modo que somente n\u00e3o ser\u00e3o executados perante o ju\u00edzo que processou a a\u00e7\u00e3o os t\u00edtulos formados a partir de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria, de senten\u00e7a arbitral, de senten\u00e7a estrangeira ou de ac\u00f3rd\u00e3o proferido pelo Tribunal Mar\u00edtimo ou, ainda, nos casos em que os bens sujeitos \u00e0 constri\u00e7\u00e3o judicial se encontrarem em foro diverso ou se diverso for o foro atual do domic\u00edlio do executado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, segundo a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, o cumprimento de senten\u00e7a, mesmo que referente exclusivamente a honor\u00e1rios, processar-se-\u00e1 perante o ju\u00edzo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, ainda que o feito no qual foi proferida a senten\u00e7a em que fixada a verba honor\u00e1ria tenha tramitado perante ju\u00edzo de vara especializada, salvo se outro for o ju\u00edzo escolhido pelo exequente (CC 191.185\/MS, relator Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 28\/2\/2024, DJe de 4\/3\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-da-decisao\">14.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O cumprimento de senten\u00e7a, mesmo que referente exclusivamente a honor\u00e1rios, processar-se-\u00e1 perante o ju\u00edzo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, ainda que o feito no qual foi proferida a senten\u00e7a em que fixada a verba honor\u00e1ria tenha tramitado perante ju\u00edzo de vara especializada, salvo se outro for o ju\u00edzo escolhido pelo exequente.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-nbsp-valores-referentes-a-interconexao-e-ao-roaming-como-base-de-calculo-das-contribuicoes-para-o-pis-e-a-cofins\"><a>15.&nbsp; Valores referentes \u00e0 interconex\u00e3o e ao roaming como base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es para o PIS e a COFINS.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Os valores referentes \u00e0 interconex\u00e3o e ao roaming (a serem repassados a outras operadoras pelos servi\u00e7os prestados), arrecadados de seus usu\u00e1rios pelas operadoras de telefonia, por n\u00e3o integrarem o patrim\u00f4nio da contribuinte, n\u00e3o configuram receita ou faturamento e, portanto, n\u00e3o comp\u00f5em as bases de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es para o PIS e a COFINS.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.599.065-DF, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 11\/9\/2024, DJe 18\/9\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A concession\u00e1ria tchau ajuizou a\u00e7\u00e3o questionando a pr\u00e1tica do fisco de cobrar PIS e COFINS sobre a interconex\u00e3o e o roaming. Alega que os valores de roaming e interconex\u00e3o n\u00e3o seriam receitas dela, mas sim das empresas parceiras, logo, incab\u00edvel o pagamento sobre tais valores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-dos-fundamentos\">15.2.1. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O cerne da controv\u00e9rsia est\u00e1 em saber se os valores recebidos pelas companhias de telefonia dos usu\u00e1rios e repassados a outras operadoras, a t\u00edtulo de interconex\u00e3o e&nbsp;<em>roaming<\/em>, devem ou n\u00e3o ser inclu\u00eddos na base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es para o PIS e a COFINS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A interconex\u00e3o (uso compartilhado das redes locais de diferentes prestadoras de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es) e o&nbsp;<em>roaming<\/em>&nbsp;(uso compartilhado de redes de outras operadoras, fora da localidade de cobertura nacional ou internacional) visam viabilizar a utiliza\u00e7\u00e3o de redes de comunica\u00e7\u00e3o, compat\u00edveis entre si, pertencentes a diferentes operadoras,<\/strong> de modo a permitir que o relevante servi\u00e7o p\u00fablico de telecomunica\u00e7\u00f5es seja melhor prestado. Por essa raz\u00e3o, a lei de reg\u00eancia disp\u00f5e que essa esp\u00e9cie de compartilhamento de estruturas tecnol\u00f3gicas para a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o \u00e9 obrigat\u00f3ria pelas concession\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa de telefonia, ao cobrar, em fatura \u00fanica, todos os servi\u00e7os prestados ao consumidor, deve incluir o valor correspondente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da interconex\u00e3o e do&nbsp;<em>roaming<\/em>, valores esses que n\u00e3o lhe pertencem, mas, sim, a quem efetivamente prestou o servi\u00e7o, ou seja, \u00e0quelas outras operadoras do sistema que disponibilizaram suas redes, por for\u00e7a de imposi\u00e7\u00e3o legal, para a operacionaliza\u00e7\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tema n. 69\/STF, ao decidir pela inconstitucionalidade da inclus\u00e3o do ICMS na base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, analisou importante aspecto da controv\u00e9rsia: a defini\u00e7\u00e3o do conceito de faturamento\/receita, na qual n\u00e3o se insere a parcela do numer\u00e1rio que, embora ingresse no fluxo de caixa, n\u00e3o se incorpora ao patrim\u00f4nio do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os valores arrecadados de seus usu\u00e1rios pelas operadoras de telefonia referentes \u00e0 interconex\u00e3o e ao<em>&nbsp;roaming&nbsp;<\/em>(a serem repassados a outras operadoras pelos servi\u00e7os prestados), por n\u00e3o integrarem o patrim\u00f4nio da contribuinte, n\u00e3o configuram receita\/faturamento e, portanto, n\u00e3o comp\u00f5em as bases de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es para o PIS e a COFINS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inadequado o argumento de que seria necess\u00e1ria expressa previs\u00e3o legal para &#8220;excluir&#8221; os valores em discuss\u00e3o da base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es, uma vez que, se tais valores n\u00e3o configuram faturamento, n\u00e3o h\u00e1 falar em exclus\u00e3o, mas, pura e simplesmente, em caso de n\u00e3o incid\u00eancia das exa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-da-decisao\">15.2.2. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Os valores referentes \u00e0 interconex\u00e3o e ao roaming (a serem repassados a outras operadoras pelos servi\u00e7os prestados), arrecadados de seus usu\u00e1rios pelas operadoras de telefonia, por n\u00e3o integrarem o patrim\u00f4nio da contribuinte, n\u00e3o configuram receita ou faturamento e, portanto, n\u00e3o comp\u00f5em as bases de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es para o PIS e a COFINS.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-nbsp-incidencia-de-issqn-na-prestacao-de-servico-de-habilitacao-de-linhas-telefonicas-para-outras-sociedades-empresarias\"><a>16.&nbsp; Incid\u00eancia de ISSQN na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de habilita\u00e7\u00e3o de linhas telef\u00f4nicas para outras sociedades empres\u00e1rias<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em que, de forma aut\u00f4noma, ocorre a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de habilita\u00e7\u00e3o de linhas telef\u00f4nicas para outras sociedades empres\u00e1rias, e n\u00e3o o servi\u00e7o de telecomunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 incid\u00eancia do ISSQN.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.129.142-SE, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 30\/9\/2024, DJe 7\/10\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Tchau atua no mercado de telecomunica\u00e7\u00e3o. Quando ela n\u00e3o fornece os servi\u00e7os de telefonia diretamente, presta habilita\u00e7\u00e3o a outras empresas. O munic\u00edpio de Cobrotudo alega que sobre esses servi\u00e7os dever incidir o ISSQN, ao passo que a Tchau sustenta que se trata de atividade-meio n\u00e3o tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-dos-fundamentos\">16.2.1. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Consoante pac\u00edfica jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, o imposto sobre servi\u00e7os &#8211; ISSQN n\u00e3o deve incidir sobre os servi\u00e7os de atividade-meio, na hip\u00f3tese em que s\u00e3o prestados pelas companhias telef\u00f4nicas com a finalidade de, ao final, oportunizar a presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os inerentes \u00e0 atividade-fim.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em discuss\u00e3o, a parte presta, de forma aut\u00f4noma, o servi\u00e7o de habilita\u00e7\u00e3o de linhas telef\u00f4nicas para outras sociedades empres\u00e1rias, mas n\u00e3o presta o servi\u00e7o de telecomunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, correta a conclus\u00e3o pela incid\u00eancia do ISSQN na esp\u00e9cie, porquanto a habilita\u00e7\u00e3o da linha \u00e9 a finalidade do servi\u00e7o prestado pela parte, n\u00e3o havendo que se falar em atividade-meio, de modo a impedir a cobran\u00e7a do tributo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-da-decisao\">16.2.2. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em que, de forma aut\u00f4noma, ocorre a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de habilita\u00e7\u00e3o de linhas telef\u00f4nicas para outras sociedades empres\u00e1rias, e n\u00e3o o servi\u00e7o de telecomunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 incid\u00eancia do ISSQN.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-nbsp-aplicabilidade-do-irpf-incidente-sobre-rra-e-aplicabilidade-aos-fatos-geradores-ocorridos-antes-da-entrada-em-vigor-da-lei-12-350-2010\"><a>17.&nbsp; Aplicabilidade do IRPF incidente sobre RRA e aplicabilidade aos fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da Lei 12.350\/2010.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O regime de c\u00e1lculo em separado do Imposto sobre a Renda das Pessoas F\u00edsicas (IRPF) incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), prevista no art. 12-A da Lei n. 7.713\/1988, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.350\/2010, n\u00e3o se aplica a fatos geradores ocorridos antes de sua entrada em vigor.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.286.096-RS, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria, julgado em 12\/11\/2024, DJEN em 2\/12\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, servidor p\u00fablico, sofreu uma perda salarial em raz\u00e3o da convers\u00e3o da moeda em 1994. Ajuizou a\u00e7\u00e3o, mas somente em 2009, ao executar a senten\u00e7a, foi instaurada controv\u00e9rsia acerca da forma de cobran\u00e7a do IRPF. Especificamente, discute-se se tal montante se soma, ainda que observado o m\u00eas de compet\u00eancia, aos ent\u00e3o devidos e pagos, ou se s\u00e3o tributados separadamente. Isto \u00e9, se ser\u00e3o considerados como parcela aut\u00f4noma para os fins de aplica\u00e7\u00e3o da tabela progressiva do imposto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-do-direito\">17.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.713\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 12-A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos \u00e0 incid\u00eancia do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calend\u00e1rio anteriores ao do recebimento, ser\u00e3o tributados exclusivamente na fonte, no m\u00eas do recebimento ou cr\u00e9dito, em separado dos demais rendimentos recebidos no m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5o&nbsp; O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no \u00a7 2o, poder\u00e1 integrar a base de c\u00e1lculo do Imposto sobre a Renda na Declara\u00e7\u00e3o de Ajuste Anual do ano-calend\u00e1rio do recebimento, \u00e0 op\u00e7\u00e3o irretrat\u00e1vel do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-dos-fundamentos\">17.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o gira em torno do Imposto sobre a Renda de Pessoa F\u00edsica (IRPF) incidente sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) pagos em cumprimento de decis\u00e3o judicial &#8211; oriundos das diferen\u00e7as de URV auferidas por servidor p\u00fablico &#8211; relativos a ano-calend\u00e1rio anterior ao do recebimento, o qual se efetivou antes do advento do art. 12-A da Lei n. 7.713\/1998 &#8211; acrescido pelo art. 44 da Lei n. 12.350\/2010, fruto da convers\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 497\/2010.<\/p>\n\n\n\n<p>Controverte-se acerca da metodologia de c\u00e1lculo a ser utilizada em rela\u00e7\u00e3o aos apontados RRA, especificamente se tal montante se soma, ainda que observado o m\u00eas de compet\u00eancia, aos ent\u00e3o devidos e pagos, ou se s\u00e3o tributados separadamente. Isto \u00e9, se ser\u00e3o considerados como parcela aut\u00f4noma para os fins de aplica\u00e7\u00e3o da tabela progressiva do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre anotar, desde j\u00e1, que, no tocante \u00e0 incid\u00eancia do imposto em testilha sobre os RRA, decorrentes de rendimentos do trabalho, aplica-se, atualmente, o regime de tributa\u00e7\u00e3o previsto no art. 12-A da Lei n. 7.713\/1988.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate legislativo e judicial em torno dos regimes de caixa ou compet\u00eancia, o qual culminou com a edi\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria n. 497\/2010, posteriormente convertida na Lei n. 12.350\/2010, que inseriu o art. 12-A na Lei n. 7.713\/1988, passou ao largo da quest\u00e3o envolvendo o c\u00e1lculo do tributo no tocante \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o conjunta ou em separado do rendimento acumulado, uma vez que tal mudan\u00e7a normativa afian\u00e7ou-se no primado da igualdade e no princ\u00edpio da capacidade contributiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, nenhum desses aspectos comp\u00f5em a l\u00f3gica do mecanismo de c\u00e1lculo em tela, cuja regra \u00e9, forte no que disp\u00f5e o art. 7\u00ba da Lei n. 7.713\/1988, a reten\u00e7\u00e3o &#8220;[&#8230;] por ocasi\u00e3o de cada pagamento ou cr\u00e9dito e, se houver mais de um pagamento ou cr\u00e9dito, pela mesma fonte pagadora, aplicar-se-\u00e1 a al\u00edquota correspondente \u00e0 soma dos rendimentos pagos ou creditados \u00e0 pessoa f\u00edsica no m\u00eas, a qualquer t\u00edtulo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, o entendimento distinto encerra desigualdade na tributa\u00e7\u00e3o, pois o contribuinte que recebeu o rendimento no momento adequado, sem a necessidade de socorrer-se ao Poder Judici\u00e1rio, recolheu o tributo tendo em considera\u00e7\u00e3o todos os rendimentos n\u00e3o albergados por tributa\u00e7\u00e3o exclusiva, enquanto o contribuinte que necessitou da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional poder\u00e1 ser tributado com carga menor, diante da segrega\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo para a aplica\u00e7\u00e3o da tabela progressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessa &#8220;diferen\u00e7a brutal&#8221;, consoante dic\u00e7\u00e3o do Ministro Marco Aur\u00e9lio, redator do ac\u00f3rd\u00e3o RE 614.406-RS, em sede de repercuss\u00e3o geral no Tema n. 368, o Supremo Tribunal Federal (STF) extirpou a t\u00e9cnica do regime de caixa, reconhecidamente aplic\u00e1vel ao Imposto sobre a Renda de Pessoa F\u00edsica, para homenagear os princ\u00edpios da isonomia e da capacidade contributiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, incrementar o mecanismo de c\u00e1lculo daquele exemplo para acrescer a op\u00e7\u00e3o legislativa pela tributa\u00e7\u00e3o em separado ensejar\u00e1 al\u00edquota menor e at\u00e9 mesmo a isen\u00e7\u00e3o de uma parte do montante, valendo lembrar que a isonomia deve ser cotejada com os contribuintes daquela unidade federativa que tamb\u00e9m receberam rendimentos acumuladamente no per\u00edodo anterior \u00e0 novel legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pessoa f\u00edsica que ingressa com uma demanda no Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o deve sujeitar-se a uma al\u00edquota de Imposto sobre a Renda maior, menor ou gozar de isen\u00e7\u00e3o, sem amparo legal<\/strong>, justamente para se prestigiar a isonomia e a capacidade contributiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim colimado com a tributa\u00e7\u00e3o em separado \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o, sendo o efeito tangencial, como regra, a desonera\u00e7\u00e3o, ainda que parcial, j\u00e1 que a utiliza\u00e7\u00e3o dos eventuais valores de dedu\u00e7\u00f5es somente poder\u00e1 ocorrer no c\u00e1lculo na circunst\u00e2ncia de o contribuinte optar pela inclus\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o pela fonte na declara\u00e7\u00e3o anual de ajuste, tal como possibilita o \u00a7 5\u00ba do art. 12-A da Lei n. 7.713\/1988 (valendo consignar que se cuida de op\u00e7\u00e3o irretrat\u00e1vel).<\/p>\n\n\n\n<p>Por derradeiro, relevante consignar que se est\u00e1 diante de situa\u00e7\u00e3o residual, \u00e9 dizer, trata-se de um grupo remanescente de feitos nos quais se discute tal tributa\u00e7\u00e3o. Logo, conclui-se o entendimento no sentido de fastar a tributa\u00e7\u00e3o em separado do Imposto sobre a Renda sobre os Rendimentos Recebidos Acumuladamente em debate.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-da-decisao\">17.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O regime de c\u00e1lculo em separado do Imposto sobre a Renda das Pessoas F\u00edsicas (IRPF) incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), prevista no art. 12-A da Lei n. 7.713\/1988, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.350\/2010, n\u00e3o se aplica a fatos geradores ocorridos antes de sua entrada em vigor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-nbsp-tramites-entre-juizo-da-execucao-fiscal-e-da-recuperacao-judicial\"><a>18.&nbsp; Tr\u00e2mites entre ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o fiscal e da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Determinados pelo Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Fiscal os atos de constri\u00e7\u00e3o judicial sobre bens e direito de sociedade empres\u00e1ria em recupera\u00e7\u00e3o judicial, sem proceder \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o ou levantamento de quantia penhorada, a medida deve ser comunicada ao Ju\u00edzo da Recupera\u00e7\u00e3o, que decidir\u00e1 acerca da necessidade ou n\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o da garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 2.291.153-SP, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/9\/2024, DJe 5\/9\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Fazenda P\u00fablica ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal em face de empresa Quebradeira, em recupera\u00e7\u00e3o judicial. O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o determinou a penhora de bens da Quebradeira, inclusive de maquin\u00e1rios essenciais \u00e0 atividade, mas n\u00e3o autorizou a venda por entender que tal provid\u00eancia caberia ao ju\u00edzo recuperacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Para agilizar, comunicou o ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial solicitando que este analisasse a essencialidade dos bens penhorados e avaliasse se a penhora comprometeria o plano de recupera\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-do-direito\">18.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 67. Aos \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio, estadual ou federal, especializado ou comum, em todas as inst\u00e2ncias e graus de jurisdi\u00e7\u00e3o, inclusive aos tribunais superiores, incumbe o dever de rec\u00edproca coopera\u00e7\u00e3o, por meio de seus magistrados e servidores.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>&nbsp;&nbsp;<a><\/a>Art. 68. Os ju\u00edzos poder\u00e3o formular entre si pedido de coopera\u00e7\u00e3o para pr\u00e1tica de qualquer ato processual.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>&nbsp;&nbsp;<a><\/a>Art. 69. O pedido de coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional deve ser prontamente atendido, prescinde de forma espec\u00edfica e pode ser executado como:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; aux\u00edlio direto;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; reuni\u00e3o ou apensamento de processos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; presta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; atos concertados entre os ju\u00edzes cooperantes.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba As cartas de ordem, precat\u00f3ria e arbitral seguir\u00e3o o regime previsto neste C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Os atos concertados entre os ju\u00edzes cooperantes poder\u00e3o consistir, al\u00e9m de outros, no estabelecimento de procedimento para:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; a pr\u00e1tica de cita\u00e7\u00e3o, intima\u00e7\u00e3o ou notifica\u00e7\u00e3o de ato;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; a obten\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de provas e a coleta de depoimentos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; a efetiva\u00e7\u00e3o de tutela provis\u00f3ria;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; a efetiva\u00e7\u00e3o de medidas e provid\u00eancias para recupera\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o de empresas;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; a facilita\u00e7\u00e3o de habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos na fal\u00eancia e na recupera\u00e7\u00e3o judicial;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; a centraliza\u00e7\u00e3o de processos repetitivos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; a execu\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba O pedido de coopera\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria pode ser realizado entre \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais de diferentes ramos do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00ba A decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia ou o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial implica:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; suspens\u00e3o do curso da prescri\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es do devedor sujeitas ao regime desta Lei;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; suspens\u00e3o das execu\u00e7\u00f5es ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do s\u00f3cio solid\u00e1rio, relativas a cr\u00e9ditos ou obriga\u00e7\u00f5es sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial ou \u00e0 fal\u00eancia;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; proibi\u00e7\u00e3o de qualquer forma de reten\u00e7\u00e3o, arresto, penhora, sequestro, busca e apreens\u00e3o e constri\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos cr\u00e9ditos ou obriga\u00e7\u00f5es sujeitem-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial ou \u00e0 fal\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 7\u00ba-B. O disposto nos incisos I, II e III do&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo n\u00e3o se aplica \u00e0s execu\u00e7\u00f5es fiscais, admitida, todavia, a compet\u00eancia do ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o judicial para determinar a substitui\u00e7\u00e3o dos atos de constri\u00e7\u00e3o que recaiam sobre bens de capital essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade empresarial at\u00e9 o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, a qual ser\u00e1 implementada mediante a coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional, na forma do&nbsp;art. 69 da Lei n\u00ba 13.105, de 16 de mar\u00e7o de 2015 (C\u00f3digo de Processo Civil), observado o disposto no&nbsp;art. 805 do referido C\u00f3digo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-dos-fundamentos\">18.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Nos termos dos arts. 6\u00ba, \u00a7 7\u00ba-B, da Lei n. 11.101\/2005 e arts. 67 a 69 do CPC\/2015, <strong>compete ao Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Fiscal determinar os atos de constri\u00e7\u00e3o judicial sobre bens e direitos de sociedade empres\u00e1ria em recupera\u00e7\u00e3o judicial, sem proceder \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o ou ao levantamento de quantia penhorada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, deve comunicar, por dever de coopera\u00e7\u00e3o, a medida ao Ju\u00edzo da Recupera\u00e7\u00e3o, ao qual compete exercer o controle e deliberar, at\u00e9 o encerramento do procedimento de soerguimento, sobre a substitui\u00e7\u00e3o de ato constritivo que recaia sobre bens de capital essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade empresarial, podendo, inclusive, formular proposta alternativa de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, em procedimento de coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre anotar que a Lei n. 11.101\/2005 disp\u00f5e sobre a necessidade de o magistrado, quando do recebimento da inicial, ou a parte devedora, ap\u00f3s a cita\u00e7\u00e3o, comunicar ao Ju\u00edzo da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial sobre a\u00e7\u00f5es contra si ajuizadas (\u00a7 6\u00ba do art. 6\u00ba). Essa provid\u00eancia, por l\u00f3gica, \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o jurisdicional entre os Ju\u00edzos da Execu\u00e7\u00e3o e da Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, para o fim de efetivar as medidas e provid\u00eancias relacionadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, determinados pelo Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o os atos de constri\u00e7\u00e3o judicial sobre bens e direito de sociedade empres\u00e1ria em recupera\u00e7\u00e3o judicial, sem proceder \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o ou levantamento de quantia penhorada, em observ\u00e2ncia ao dever de coopera\u00e7\u00e3o, a medida deve ser comunicada ao Ju\u00edzo da Recupera\u00e7\u00e3o, momento em que, tomando ci\u00eancia da constri\u00e7\u00e3o, decidir\u00e1 pela necessidade ou n\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o da garantia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-da-decisao\">18.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Determinados pelo Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Fiscal os atos de constri\u00e7\u00e3o judicial sobre bens e direito de sociedade empres\u00e1ria em recupera\u00e7\u00e3o judicial, sem proceder \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o ou levantamento de quantia penhorada, a medida deve ser comunicada ao Ju\u00edzo da Recupera\u00e7\u00e3o, que decidir\u00e1 acerca da necessidade ou n\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o da garantia.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-nbsp-ilicitude-da-terceirizacao-e-responsabilidade-pelo-adimplemento-do-debito-das-contribuicoes-previdenciarias\"><a>19.&nbsp; Ilicitude da terceiriza\u00e7\u00e3o e responsabilidade pelo adimplemento do d\u00e9bito das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Configurada a ilicitude da terceiriza\u00e7\u00e3o, a empresa tomadora passa a ser respons\u00e1vel pelo adimplemento do d\u00e9bito das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, em virtude da forma\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo empregat\u00edcio direto com os empregados fictamente contratados pelas empresas interpostas.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.652.347-SC, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por maioria, julgado em 13\/8\/2024, DJe 22\/10\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Barrosa S.A. foi autuada em raz\u00e3o da sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias por meio de esquema de terceiriza\u00e7\u00e3o il\u00edcita. A empresa contratava outras entidades, cujos s\u00f3cios majorit\u00e1rios eram dirigentes da Barrosa, e assim recebiam maior parte de seus sal\u00e1rios como distribui\u00e7\u00e3o antecipada de lucros. A empresa discorda da autua\u00e7\u00e3o e ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de d\u00e9bito fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-do-direito\">19.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.212\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33.&nbsp; \u00c0 Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o, \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 arrecada\u00e7\u00e3o, \u00e0 cobran\u00e7a e ao recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es sociais previstas no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 11 desta Lei, das contribui\u00e7\u00f5es incidentes a t\u00edtulo de substitui\u00e7\u00e3o e das devidas a outras entidades e fundos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3o&nbsp; Ocorrendo recusa ou sonega\u00e7\u00e3o de qualquer documento ou informa\u00e7\u00e3o, ou sua apresenta\u00e7\u00e3o deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem preju\u00edzo da penalidade cab\u00edvel, lan\u00e7ar de of\u00edcio a import\u00e2ncia devida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-dos-fundamentos\">19.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 33, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 8.212\/1991, <strong>autoriza \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria lan\u00e7ar de of\u00edcio o tributo no caso de sonega\u00e7\u00e3o ou defici\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o ou documento, de sorte que a fiscaliza\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria tem legitimidade para tributar os efeitos econ\u00f4micos decorrentes de oculta\u00e7\u00e3o documental da configura\u00e7\u00e3o rela\u00e7\u00e3o de emprego<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, do art. 116, I, do CTN, extrai-se que, quando se tratar de situa\u00e7\u00e3o de fato, considera-se ocorrido o fato gerador desde o momento em que verificadas as circunst\u00e2ncias materiais necess\u00e1rias a que produza os efeitos que normalmente lhe s\u00e3o pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>ficou demonstrada a exist\u00eancia de confus\u00e3o patrimonial entre empresas interpostas e a tomadora, com administra\u00e7\u00e3o de pessoal, cont\u00e1bil e financeira exercidas pelas mesmas pessoas empregadas daquela. Constatou-se que a tomadora, mediante prepostos<\/strong>, \u00e9 que fazia a administra\u00e7\u00e3o do pessoal (contrata\u00e7\u00e3o e desligamento) das empresas interpostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, os s\u00f3cios majorit\u00e1rios das referidas empresas &#8220;de fachada&#8221; s\u00e3o, de fato, s\u00f3cios-administradores em plena atividade da tomadora e recebem a maior parte de seus sal\u00e1rios camuflados como &#8220;distribui\u00e7\u00e3o antecipada de lucros&#8221;; assim como os s\u00f3cios minorit\u00e1rios destas entidades exercem a fun\u00e7\u00e3o de supervisores dos empregados formalmente registrados nas empresas &#8220;de fachada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Configurada a ilicitude da terceiriza\u00e7\u00e3o, mediante pessoas jur\u00eddicas interpostas (empresas &#8220;de fachada&#8221;), com fraude, simula\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o patrimonial entre estas e a tomadora &#8211; principalmente na administra\u00e7\u00e3o de pessoal &#8211; , firma-se o v\u00ednculo empregat\u00edcio direto <\/strong>entre a tomadora e os empregados fictamente contratados pelas empresas interpostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Incide, assim, distin\u00e7\u00e3o f\u00e1tica (<em>distinguishing<\/em>), em rela\u00e7\u00e3o ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADPF n. 324 e do RE n. 958.252, em regime de repercuss\u00e3o geral, que assentou a viabilidade da terceiriza\u00e7\u00e3o, inclusive de atividade-fim.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe reconhecer efic\u00e1cia \u00e0 conduta do contribuinte que simula neg\u00f3cios jur\u00eddicos com o escopo de escapar artificiosamente da tributa\u00e7\u00e3o, dissimulando a ocorr\u00eancia do fato gerador da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria em seu elemento constitutivo consistente na subordina\u00e7\u00e3o laboral presente no v\u00ednculo firmado diretamente entre a tomadora e os empregados das empresas &#8220;de fachada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidente a ofensa \u00e0s normas que embasam a autua\u00e7\u00e3o fiscal, na esp\u00e9cie, que estabelecem o conceito de segurado para fins previdenci\u00e1rios (art. 12, I,&nbsp;<em>a<\/em>, da Lei n. 8.212\/1991), e o fato gerador de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias consistentes nas remunera\u00e7\u00f5es creditadas aos segurados empregados (artigos 20, 21 e 22, I, II e III, da Lei n. 8.212\/1991), autorizando a que a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria lance de of\u00edcio o tributo, diante de situa\u00e7\u00e3o de fato que re\u00fane as circunst\u00e2ncias materiais da rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia (artigos 33, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 8.212\/1991 e 116, I, do CTN).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse panorama, neg\u00f3cios jur\u00eddicos fraudulentos ou simulados n\u00e3o atraem quaisquer efeitos jur\u00eddicos capazes de promover a pretendida redu\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, devendo incidir o dever fundamental de pagar tributos &#8211; art. 145 e seguintes da Constitui\u00e7\u00e3o Federal &#8211; (REsp n. 1.074.228\/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 7\/10\/2008, DJe 5\/11\/2008)<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-da-decisao\">19.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Configurada a ilicitude da terceiriza\u00e7\u00e3o, a empresa tomadora passa a ser respons\u00e1vel pelo adimplemento do d\u00e9bito das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, em virtude da forma\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo empregat\u00edcio direto com os empregados fictamente contratados pelas empresas interpostas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-nbsp-im-possibilidade-do-computo-dos-salarios-de-beneficio-como-salarios-de-contribuicao\"><a>20.&nbsp; (Im)Possibilidade do c\u00f4mputo dos sal\u00e1rios-de-benef\u00edcio como sal\u00e1rios-de-contribui\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O c\u00f4mputo dos sal\u00e1rios-de-benef\u00edcio como sal\u00e1rios-de-contribui\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 admiss\u00edvel se, no per\u00edodo b\u00e1sico de c\u00e1lculo &#8211; PBC, houver afastamento intercalado com atividade laborativa, em que h\u00e1 recolhimento da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.113.564-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 15\/8\/2024, DJe 28\/8\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete exerceu atividade contributiva at\u00e9 meados de 2004, entrando em gozo de sucessivos benef\u00edcios de aux\u00edlio-doen\u00e7a at\u00e9 o ano de 2017. Nesse per\u00edodo, recolheu uma \u00fanica contribui\u00e7\u00e3o mensal, na qualidade de contribuinte facultativa, requerendo ent\u00e3o aposentadoria por idade, a qual foi concedida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o satisfeita, ajuizou revisional por entender que o per\u00edodo em que recebeu aux\u00edlio-doen\u00e7a deveria ser computado como tempo de contribui\u00e7\u00e3o para melhorar o valor de sua aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-do-direito\">20.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.213\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;55.&nbsp;O tempo de servi\u00e7o ser\u00e1 comprovado na forma estabelecida no Regulamento, compreendendo, al\u00e9m do correspondente \u00e0s atividades de qualquer das categorias de segurados de que trata o art. 11 desta Lei, mesmo que anterior \u00e0 perda da qualidade de segurado:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; o tempo intercalado em que esteve em gozo de aux\u00edlio-doen\u00e7a ou aposentadoria por invalidez;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-dos-fundamentos\">20.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Trata-se, na origem, de pedido de revis\u00e3o de aposentadoria em que se busca, mediante o c\u00f4mputo dos per\u00edodos em gozo de benef\u00edcio de incapacidade e de tempo especial, a convers\u00e3o da aposentadoria por idade em aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o ou a revis\u00e3o da renda mensal inicial (RMI), o que for mais favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a autora exerceu atividade contributiva at\u00e9 junho de 2004, entrando em gozo de sucessivos benef\u00edcios de aux\u00edlio-doen\u00e7a at\u00e9 26\/07\/2017. Ap\u00f3s, recolheu uma \u00fanica contribui\u00e7\u00e3o em agosto de 2017, na qualidade de contribuinte facultativa, requerendo aposentadoria por idade no mesmo m\u00eas, devidamente concedida.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o controversa, ent\u00e3o, reside em saber se essa contribui\u00e7\u00e3o como segurada facultativa faz incidir ao caso, o teor do art. 55, II, da Lei n. 8.213\/1991, que estabelece: &#8220;Art. 55. O tempo de servi\u00e7o ser\u00e1 comprovado na forma estabelecida no Regulamento, compreendendo, al\u00e9m do correspondente \u00e0s atividades de qualquer das categorias de segurados de que trata o art. 11 desta Lei, mesmo que anterior \u00e0 perda da qualidade de segura: (&#8230;) II &#8211; o tempo intercalado em que esteve em gozo de aux\u00edlio-doen\u00e7a ou aposentadoria por invalidez&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, na fundamenta\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma do tema n. 1125 a pr\u00f3pria quest\u00e3o controversa definida pelo STF j\u00e1 ressalvava a necessidade de atividade laborativa: &#8220;<strong><em>Ab initio<\/em>, cumpre delimitar a quest\u00e3o controvertida nos autos, qual seja: saber se o per\u00edodo no qual o segurado esteve em gozo do benef\u00edcio de aux\u00edlio-doen\u00e7a, desde que intercalado com atividade laborativa, deve ser computado para fins de car\u00eancia<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a textualidade do referido precedente, demanda que, para o reconhecimento como tempo de servi\u00e7o do per\u00edodo de gozo do aux\u00edlio-doen\u00e7a, que este seja intercalado com atividade laborativa. Neste STJ, a orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, no&nbsp;tema 704&nbsp;do STJ, o ac\u00f3rd\u00e3o do processo paradigma consignou que, nos termos do disposto nos arts. 29, II e \u00a7 5\u00ba, e 55, II, da Lei n. 8.213\/1991, o c\u00f4mputo dos sal\u00e1rios-de-benef\u00edcio como sal\u00e1rios-de-contribui\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 admiss\u00edvel se, no per\u00edodo b\u00e1sico de c\u00e1lculo &#8211; PBC, houver afastamento intercalado com atividade laborativa, em que h\u00e1 recolhimento da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-3-da-decisao\">20.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O c\u00f4mputo dos sal\u00e1rios-de-benef\u00edcio como sal\u00e1rios-de-contribui\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 admiss\u00edvel se, no per\u00edodo b\u00e1sico de c\u00e1lculo &#8211; PBC, houver afastamento intercalado com atividade laborativa, em que h\u00e1 recolhimento da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-nbsp-socio-mandatario-e-voto-em-materia-que-lhe-diga-respeito-diretamente\"><a>21.&nbsp; S\u00f3cio mandat\u00e1rio e voto em mat\u00e9ria que lhe diga respeito diretamente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O s\u00f3cio que est\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de mandat\u00e1rio n\u00e3o pode votar mat\u00e9ria que lhe diga respeito diretamente, de modo que sua cota do capital social n\u00e3o deve ser inclu\u00edda para fins de qu\u00f3rum de delibera\u00e7\u00e3o que envolva a sua administra\u00e7\u00e3o, inclusive quando em discuss\u00e3o a sua perman\u00eancia ou n\u00e3o no cargo de administrador.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.462.266-RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2024, DJe 25\/9\/2024. (Info STJ Ext n\u00ba 22)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>21.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade composta por tr\u00eas s\u00f3cios, Geremias era majorit\u00e1rio e administrador da empresa. Eventualmente os demais s\u00f3cios descobriram que Geremias estava desviando valores da empresa. Os s\u00f3cios prejudicados votaram pela destitui\u00e7\u00e3o e tentaram registrar a ata, mas foram impedidos pelo fato de suas cotas somarem apenas 60% do capital exigido na \u00e9poca para a destitui\u00e7\u00e3o do administrador (2\/3 do capital social). Geremias votou contra sua destitui\u00e7\u00e3o \uf04a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>21.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-1-do-direito\">21.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.063. O exerc\u00edcio do cargo de administrador cessa pela destitui\u00e7\u00e3o, em qualquer tempo, do titular, ou pelo t\u00e9rmino do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, n\u00e3o houver recondu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba &nbsp;Tratando-se de s\u00f3cio nomeado administrador no contrato, sua destitui\u00e7\u00e3o somente se opera pela aprova\u00e7\u00e3o de titulares de quotas correspondentes a mais da metade do capital social, salvo disposi\u00e7\u00e3o contratual diversa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-2-dos-fundamentos\">21.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se para fins de qu\u00f3rum de delibera\u00e7\u00e3o, deve ser computada a cota do capital social do s\u00f3cio impedido de votar.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, 100% das cotas aptas votaram pela destitui\u00e7\u00e3o do administrador, ou seja, houve respeito \u00e0 exig\u00eancia contida na reda\u00e7\u00e3o do \u00a7 1\u00ba do art. 1.063 do C\u00f3digo Civil vigente \u00e0 \u00e9poca (a reda\u00e7\u00e3o foi alterada apenas com o advento da Lei n. 13.792\/2019), que exigia delibera\u00e7\u00e3o de 2\/3 do capital social para aprovar a destitui\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio administrador.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o art. 1.063, \u00a7 1\u00ba, deve ser lido em conjunto com o \u00a7 2\u00ba do art. 1.074 do CC\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa ordem de ideias, o s\u00f3cio que est\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de mandat\u00e1rio n\u00e3o pode votar mat\u00e9ria que lhe diga respeito diretamente e a interpreta\u00e7\u00e3o mais adequada da norma \u00e9 a de que a sua cota do capital social n\u00e3o deve ser inclu\u00edda para fins de qu\u00f3rum de delibera\u00e7\u00e3o que envolva a sua administra\u00e7\u00e3o, inclusive quando em discuss\u00e3o a sua perman\u00eancia ou n\u00e3o no cargo de administrador.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorre <strong>quando n\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no estatuto social tratando da forma de c\u00f4mputo dos votos dos s\u00f3cios nas assembleias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal interpreta\u00e7\u00e3o se mostra compat\u00edvel com as reformas que o legislador promoveu no C\u00f3digo Civil, em particular a que reduziu a exig\u00eancia de votos correspondentes a 2\/3 para mais da metade do capital social, para fins de destitui\u00e7\u00e3o do administrador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em caso an\u00e1logo, a Quarta Turma do STJ decidiu pela aplica\u00e7\u00e3o da regra do \u00a7 2\u00ba do art. 1.074 do CC\/2002 para que o capital social de s\u00f3cio excluendo n\u00e3o fosse computado no qu\u00f3rum de delibera\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria que lhe diga respeito (REsp 1.459.190-SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, julgado em 15\/12\/2015, DJe de 1\/2\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, a l\u00f3gica empregada em caso mais grave (exclus\u00e3o de s\u00f3cio da pr\u00f3pria sociedade) pode perfeitamente ser empregada em caso menos grave (exclus\u00e3o de s\u00f3cio do posto de administrador).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o qu\u00f3rum de delibera\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve levar em conta a cota do s\u00f3cio administrador, pois impedido de votar mat\u00e9ria que lhe diga respeito diretamente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-3-da-decisao\">21.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O s\u00f3cio que est\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de mandat\u00e1rio n\u00e3o pode votar mat\u00e9ria que lhe diga respeito diretamente, de modo que sua cota do capital social n\u00e3o deve ser inclu\u00edda para fins de qu\u00f3rum de delibera\u00e7\u00e3o que envolva a sua administra\u00e7\u00e3o, inclusive quando em discuss\u00e3o a sua perman\u00eancia ou n\u00e3o no cargo de administrador.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-eeaec5a0-fbda-45de-9c57-4527ef3594f3\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/02\/11021008\/stj-informativo-ext-22-stj.pdf\">STJ &#8211; informativo Ext 22 STJ<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/02\/11021008\/stj-informativo-ext-22-stj.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-eeaec5a0-fbda-45de-9c57-4527ef3594f3\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo Extraordin\u00e1rio 22 do STJ\u00a0COMENTADO. 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